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Ano 1 | Número 11 | Sexta, 24 de agosto de 2012
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Beef Point
Fenapec divulga criação do Consebov
Durante encontro realizado nesta terça feira (21/08) em São Paulo, na
sede da Associação Brasileira das Industrias Exportadoras de Carnes –
Abiec, estiveram reunidos os principais elos da cadeia produtiva da
carne, produtores (pecuaristas), industria (frigoríficos) e varejo
(supermercados) com o propósito de iniciarem a criação do Conselho da
Bovinocultura – Consebov.
Durante encontro realizado nesta terça feira (21/08) em São Paulo, na sede da Associação Brasileira
das Industrias Exportadoras de Carnes – Abiec, estiveram reunidos os principais elos da cadeia
produtiva da carne, produtores (pecuaristas), industria (frigoríficos) e varejo (supermercados) com o
propósito de iniciarem a criação do Conselho da Bovinocultura – Consebov.
Tal iniciativa se deu em razão das reivindicações generalizadas do setor produtivo primário da
pecuária de corte que reclamam da gravidade da crise gerada pela baixa na arroba do boi/vaca,
buscando exemplo no que deu certo para o fim das crises dos produtores de cana de açúcar
(Consecana) e leite (Conseleite) os pecuaristas decidiram criar o Consebov com o mesmo objetivo, ou
seja, criar um ponto de equilíbrio entre os setores envolvidos na cadeia produtiva da carne.
Participaram da reunião, Antenor Nogueira, Presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária
de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil-CNA, Luiz Antonio Nabhan Garcia,
Superintendente Geral da Frente Nacional da Pecuária – Fenapec, Antonio Jorge Camardelli,
presidente da Associação Brasileira das Industrias Exportadoras de Carnes Abiec, Dr. Sergio de Zen,
professor da ESALQ/USP, Dra Vania Di Addario Guimarães, professora da Universidade Federal do
Paraná, representantes dos Frigoríficos JBS e Marfrig, além das demais associações ali presentes.
Ficou decidido para o inicio dos trabalhos a contratação de três Universidades Federais e
eventualmente também a participação de Instituições de pesquisas e Centros de Estudos, para após
avaliações, pareceres e orçamentos, eventualmente aprovados, se concretizar definitivamente a
criação do Consebov.
Conselho Nacional da Pecuária de Corte - CNPC
Pecuaristas diversificam aquisição de material
genético
Os produtores de gado de corte no Brasil mantém relacionamento com
diversos fornecedores de material genético e, conforme recomendação
técnica, trocam de empresa fornecedora de sêmen a cada nova compra
Os produtores de gado de corte no Brasil mantém relacionamento com diversos fornecedores de
material genético e, conforme recomendação técnica, trocam de empresa fornecedora de sêmen a
cada nova compra. A conclusão é de pesquisa do Programa de Pesquisa em Agronegócio (Agrofea)
da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. O
estudo verificou quais são os interesses dos produtores quanto à aquisição de sêmen para o
incremento de seus negócios.
Os pesquisadores avaliaram os fatores de decisão das compras efetuadas por pecuaristas de São
Paulo e Mato Grosso do Sul, praticantes de inseminação artificial em seus rebanhos há pelo menos
três anos. Eles concordam que o processo de compra de sêmen já integra uma nova busca por
fornecedores. As maiores preocupações são o valor genético, o preço, a marca do revendedor e
serviços que receberão com a compra. No plano financeiro, a compra de sêmen é colocada em
primeiro plano entre as atividades da fazenda, pois os pecuaristas ressaltam que inseminar é
essencial para a sobrevivência na atividade.
Esses produtores estão satisfeitos com os resultados das inseminações e, em geral, relatam que
suas expectativas de produtividade e rentabilidade foram alcançadas. O mesmo é confirmado pelos
pecuaristas que trabalham com gado de elite e visam ganho de carga genética de seus animais. Para
manter os ganhos, na hora da compra do sêmen, o que mais importa é a experiência anterior com o
manuseio e controle da atividade com o gado.“Pecuaristas maiores possuem mais tecnologias e são
capazes de desempenhar uma série de atividades que produtores de porte médio ou pequeno
demandariam como serviço pelas centrais de inseminação”, aponta o professor da FEARP, Roberto
Fava Scare, um dos pesquisadores responsáveis pelo Agrofea.
Os produtores de maior porte buscam um material genético adequado às necessidades do seu
rebanho e critérios técnicos se sobressaem na tomada de decisões sobre os aspectos de marca.
Porém, nitidamente reconhecem o nível de qualidades das centrais de inseminação que são líderes
de mercado. Já os médios e pequenos proprietários escolhem os fornecedores pelo suporte dos
consultores das centrais e qualidade genética dos touros. Segundo dados de 2012 da Associação
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Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), o Brasil possui um rebanho bovino de cerca
de 209 milhões de cabeças.
Crescimento - Segundo os pesquisadores da Agrofea, o mercado de genética animal no País obteve
proporções comerciais apenas nos últimos 30 anos. Assim, eles avaliam como promissor e
crescente o mercado de inseminação artificial no Brasil. Hoje, apenas 8,5% de toda a produção
pecuária brasileira é resultado de inseminação artificial, um indicador baixo se comparado a outros
países, como Grã-Bretanha, onde a inseminação artificial é utilizada em até 80% dos criadores. A
Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) estima que, em 2013, 12% dos bovinos do
Brasil serão inseminados.
Com esse cenário e com a concorrência global do mercado de carne, os especialistas veem na
inovação tecnológica um diferencial competitivo das empresas, sejam elas produtoras ou
consumidoras de tecnologias novas. E mais, afirmam que essas inovações podem ser resultado
direto de observação dos mercados. No que diz respeito ao mercado de carne bovina, garantem que
as informações sobre as transações comerciais de pecuaristas no consumo de tecnologias podem
ajudar a melhorar as práticas de inovação.
Scare observa que as empresas fornecedoras de material genético à pecuária nacional precisam
considerar o aspecto de que os produtores, dependendo do estágio de seu rebanho, são orientados
tecnicamente a buscar novos fornecedores de sêmen. “Elas também devem oferecer canais de
serviço, realizando as chamadas vendas consultivas”, acrescenta.
Em casos de dúvida, o pecuarista deve optar pela compra de sêmen de centrais de vendas
renomadas e com maior aparato tecnológico, recomenda Scare. Também é sugerido repetir a compra
de sêmen de touros que possuem “filhos provados”, aqueles cujo sêmen gerou resultados de
qualidade visível e reconhecida. A análise genética por amostragem é sugerida como forma de
confirmar a veracidade da composição do sêmen vendido pelas centrais, mesmo sendo esta uma
prática incomum.
Valor Econômico
JBS enfrenta litígio na Holanda
A JBS está sendo alvo de um processo na Justiça holandesa, após
desentendimentos com o sócio Jay Earl Link.
A JBS está sendo alvo de um processo na Justiça holandesa, após desentendimentos com o sócio
Jay Earl Link. De acordo com um comunicado da Link International Meat, a JBS teria violado
aspectos de governança e praticado outros “atos ilícitos”.
Em março de 2007, a JBS criou em parceria com a Link International Meat uma joint venture que
culminou na criação da Beef Snacks International, com sede na Holanda e duas subsidiárias, uma no
Brasil e outra nos Estados Unidos. Cada uma das partes detinha 50% da empresa, sendo que Link
foi responsável pela gestão do novo negócio desde seu início até junho de 2009, quando deixou a
administração da empresa.
Na ação na Justiça holandesa, Link alega que atitudes tomadas por Wesley Batista, principal
executivo da JBS, para “retirá-lo do cargo” violaram os acordos que ambos mantinham na
administração da empresa na Holanda. Alega ainda que as atitudes foram tomadas para beneficiar a
JBS e prejudicar interesses de Link como sócio e diretor da joint venture e suas controladas. Link
está pedindo uma indenização, em valor não especificado.
Em comunicado, a JBS afirma que o litígio surgiu a partir do descumprimento, por parte de Link, de
cláusulas referentes à capitalização da nova companhia. As discussões foram levadas à arbitragem,
no âmbito da ICC (Câmara Internacional de Comércio), conforme previsto no contrato entre as
empresas. A decisão da ICC ocorreu em março de 2011.
“A JBS respeitou a decisão da câmara arbitral, porém, o senhor Jay Link vem tentando reverter o
resultado por meio de uma série de processos judiciais. O senhor Link perdeu todas as ações
movidas contra a JBS, sendo mantida a decisão original da ICC”, diz o comunicado.
“A JBS entende que todas as decisões favoráveis à companhia ao longo do tempo mostram por si só
que as demandas do senhor Link não possuem fundamento.”
No ano passado, após desentendimentos, a JBS e o grupo italiano Cremonini colocaram fim da
sociedade na Inalca.
Beef Point
Minerva Foods: divulgação de resultados
direcionada para o pecuarista
Leia na íntegra a demonstração de resultados do frigorífico Minerva
Foods do segundo trimestre de 2012 direcionada para o pecuarista. A
linguagem está adaptada, assim como os gráficos e tabelas. Há também
um glossário financeiro, auxiliando na interpretação dos dados:
“Mensagem do presidente
O forte resultado operacional apresentado no segundo trimestre de 2012 pelo Minerva é mais uma sinalização da correta estratégia de
crescimento traçada pela companhia há cinco anos e do elevado foco da Administração em melhoria constante pelo resultado O Minerva
traçou uma estratégia de crescimento simples e coerente, estruturada para o longo prazo, focada na produção de carne bovina e
direcionada para o crescimento orgânico da originação baseada na América do Sul.
À estratégia operacional, foi adicionada uma política financeira austera, logística adequada das operações, gestão diferenciada para as
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ommodities e para os produtos de valor agregado e excelência na gestão de risco. A empresa desenvolveu também um planejamento
comercial de maior capilaridade no mercado interno e foco na diversificação geográfica das exportações, o que propiciou menor
concentração e dependência de mercados específicos.
O Minerva possui hoje um dos mais modernos parques industriais do Brasil, localizado em áreas estratégicas para a compra de matériaprima. A estratégia implementada no passado e seguida criteriosamente pela administração pode ser percebida pela evolução dos
resultados operacionais do Minerva.
Panorama setorial
No primeiro semestre do ano de 2012, o preço da arroba na praça São Paulo apresentou recuo em relação ao mesmo período de 2011,
mesmo com o aumento do abate, isto representa uma maior oferta de animais para a abate. O volume exportado também apresentou leve
melhora. Importante destacar que os preços continuam estáveis em dólares, porém quando analisado em reais, houve significativa
valorização devido desvalorização do real no período.
Desempenho operacional
Após um primeiro trimestre de adição de capacidade em decorrência dos investimentos realizados ao longo do ano de 2011, nosso nível
médio de utilização está voltando à média histórica do Minerva. Fechamos o segundo trimestre de 2012 com 74,7%, um aumento 8,9
pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre do ano.
O Minerva apresentou no segundo trimestre Receita Líquida de R$ 1,077 bilhão. O mercado externo representou 67,3% das vendas do
Minerva no segundo trimestre, enquanto que as vendas no mercado doméstico representaram 32,7%. A maior destinação de produtos
para o mercado externo é reflexo da alta competitividade de preços do nosso produto no mercado internacional e da desvalorização do
real, que favorece o cenário exportador. As exportações do Minerva são destinadas majoritariamente para Oriente Médio, Norte da África e
Rússia.
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Fechamos o segundo trimestre de 2012 com um EBITDA (Lucro antes de juros financeiros, impostos, depreciação e amortização) de
R$112,7 milhões, e uma margem EBITDA (EBITDA sobre Receita Líquida) de 10,5%. Ainda, o Minerva gerou fluxo de caixa operacional
positivo nos últimos trimestres e no resultado deste segundo trimestre de 2012, gerou fluxo de caixa livre positivo, após investimentos e
pagamento de juros, de cerca de R$44,1 milhões.
Importante destacar que nos últimos cinco anos, investimos mais de um bilhão de reais em obras de expansão, aquisição, construção e
melhoria de nossas unidades operacionais. A dívida do Minerva é gerida de maneira estratégica e eficiente, onde atualmente contamos
com R$818 milhões em caixa que é suficiente para cumprirmos todos os pagamentos de dívida até o ano de 2018.
O caixa do minerva também é suficiente para efetuarmos a compra de matéria prima (boi) por aproximadamente 4 meses de operação
sem considerarmos receitas adicionais. O indicador dívida líquida (divida total menos caixa) sobre EBITDA, mostra que estamos com um
índice de 3,99, o melhor indicador entre os players de carne bovina.
Ainda no segundo trimestre do ano fechamos o período com um prejuízo de R$130,9 milhões, em decorrência do impacto da variação
cambial no resultado financeiro contábil, mas que não impactou na posição de caixa da companhia. Se ajustarmos o lucro líquido para
compensar tal efeito cambial, apresentaríamos um resultado positivo de R$24,6 milhões.
Adicionalmente, caso o câmbio permaneça no nível atual de R$2,00/US$1,00, acreditamos que este resultado financeiro que não afetou a
posição de caixa da companhia será totalmente compensado pelo resultado adicional caixa de nossas operações até o final do ano. Este
movimento sustentará ainda mais o crescimento da geração de caixa das nossas operações e fortalecerá ainda mais a estrutura de
capital da companhia.
Demonstrações financeiras
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Glossário Financeiro
Variação cambial: o Minerva possui uma dívida em dólar que tem prazo para pagamento em 2019 e 2022. Quando registramos essa dívida
em dólar em nosso balanço, precisamos converter esse montante para a moeda local (R$). Quando efetuamos essa conversão,
utilizamos a taxa de câmbio do fechamento do período, isto é, no caso do segundo trimestre do ano o cambio utilizado é o câmbio
fechado no dia 30 de junho. O dólar se valorizou em relação ao primeiro trimestre do ano, portanto quando o Minerva registrou sua dívida
com a taxa de cambio de 30 de junho, a nossa dívida aumentou. E esse aumento é reconhecido como uma perda no período (perda com
variação cambial), porém é importante ressaltar que essa perda é apenas uma movimentação contábil, afinal de contas a nossa dívida
será paga apenas em 2019 e 2022.
Fluxo de caixa livre: as informações sobre os fluxos de caixa de uma empresa são úteis para proporcionar aos usuários das
demonstrações financeiras uma base para avaliar a capacidade da empresa em gerar caixa. A demonstração de fluxo de caixa propicia
aos analistas financeiros uma fonte segura para melhor elaborar seus planejamentos financeiros, como também serve a outros usuários a
forma com que a empresa gerou o caixa, ou até mesmo como utilizou os recursos e valores equivalentes ao caixa.
O fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro: planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos
financeiros de sua empresa para um determinado período Segundo Santi Filho (2004) é possível que uma empresa apresente lucro liquido
e um bom retorno sobre investimentos e ainda assim vá à falência. “O péssimo fluxo de caixa é o que acaba com a maioria das empresas
que fracassam”.
EBITDA: indicador financeiro mais utilizado para representar uma aproximação de quanto caixa a atividade operacional irá gerar para a
empresa. Vale ressaltar que este indicador analisa a geração de valor para a empresa, para chegarmos a uma aproximação de caixa do
acionista devemos excluir o pagamento de juros da dívida e os impostos devidos ao governo.
Capital de giro: toda atividade mercantil é feita da compra de insumos, produção e venda. O modo como gerenciamos o pagamento de
nosso fornecedor de insumos, produção e recebimento de nossos clientes, pode gerar uma necessidade de investimento de capital para
produzirmos. Essa necessidade é conhecida como capital de giro.”
Beef Point
Minerva Foods lança vídeo homenageando a
pecuária e pecuaristas brasileiros
O frigorífico Minerva Foods lançou um vídeo promovendo a pecuária
brasileira nesta quinta-feira, 23/ago.
O frigorífico Minerva Foods lançou um vídeo promovendo a pecuária brasileira nesta quinta-feira,
23/ago. A empresa divulgou o material dizendo: Um país pecuário’, uma homenagem da Minerva
Foods à pecuária e aos pecuaristas brasileiros. Assista o vídeo:
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Portal DBO
Governo pode contestar restrição à carne bovina
Brasil estuda integrar contestação na OMC contra limites às importações
dos EUA
Durante entrevista concedida nesta quinta-feira, 23 de agosto, o ministro da Agricultura, Mendes
Ribeiro Filho, disse que o governo brasileiro estuda a possibilidade integrar, como parte interessada, a
contestação feita pela Argentina na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as restrições às
importações de carne bovina in natura. “Estamos acompanhando com muito interesse o assunto”,
disse ele.
A situação sanitária da pecuária brasileira é similar à da Argentina, pois vários estados têm o status
de livres de aftosa com vacinação, reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), e
ainda assim não podem exportar carne in natura para os Estados Unidos.
O ministro ainda afirmou que a presidente Dilma Rousseff autorizou os estudos para a criação da
Agência de Extensão Rural, que estão sendo realizados em conjunto com diversas entidades. A
assistência técnica é peça-chave no programa de regionalização do Ministério da Agricultura que
Mendes Ribeiro lançará na próxima semana durante a Expointer, em Esteio, no Rio Grande do Sul.
Ao ser questionado sobre como será implantada a nova política, ele respondeu que a “palavra
regionalização em si diz tudo”.
O ministro também argumentou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está utilizando
todos os instrumentos de política agrícola de que dispõe para permitir que os criadores sejam os
menos sacrificados. “Muita gente vai perder, mas queremos que o pequeno e o médio percam o
mínimo possível”, disse ele.
Em função das dificuldades enfrentadas pela Conab para conseguir caminhões para transportar o
milho depositado em Mato Grosso até Santa Catarina, Mendes Ribeiro afirmou que ligou para o
governador e pediu apoio para pagar o frete de retorno, uma vez que os motoristas não querem voltar
à origem sem carga.
Beef Point
Custo de produção da indústria de carnes pode subir
mais de 100% no Brasil, dizem analistas
Os elevados preços do milho deverão provocar uma redução na
produção de frangos no Brasil, provocando aumento no preço da carne
para o consumidor, disse nesta segunda-feira (20) a consultoria Clarivi,
especializada em mercados agrícolas.
Os elevados preços do milho deverão provocar uma redução na produção de frangos no Brasil,
provocando aumento no preço da carne para o consumidor, disse nesta segunda-feira (20) a
consultoria Clarivi, especializada em mercados agrícolas. A redução na oferta de milho e soja no
mundo afetará o mercado para a produção de rações, e o custo de produção da indústria de carnes
poderá subir mais de 100% no Brasil.
As dificuldades financeiras enfretadas pelo setor no Brasil são sentidas também em outros países do
mundo, como a Alemanha, onde produtores defendem uma alta nos preços das carnes. “A
preocupação é de que a alta no preço das carnes leve os consumidores a buscarem alternativas,
como os peixes, o que derrubaria as vendas, agravando ainda mais a crise”, acrescentou a Clarivi,
sem especificar uma estimativa para o aumento no preço da carne. A alta no milho, o principal para a
ração de frangos, está levando a indústria a cortar a produção em 10%, segundo a União Brasileira de
Avicultura.
Na semana passada, as duas maiores produtoras de carnes de frango e suína do país, a Brasil Foods
e a Marfrig, não falaram em corte de produção, mas disseram que reajustarão os preços de seus
produtos para compensar o aumento de custos. A BRF falou em aumento de até 10%. O preço do
milho, de acordo com o indicador Esalq/BM&FBovespa (base em Campinas) que serve como
referencial para o mercado, acumula alta de quase 40% desde meados de junho, impulsionado pela
alta nas bolsas internacionais, após a pior seca em mais de 50 anos reduzir a projeção de colheita no
cinturão de grãos dos Estados Unidos.
Portal DBO
Cadeia confirma criação de conselho da
bovinocultura
Levantamento de dados sobre as deficiências do setor é a primeira
medida adotada pelo grupo
Os principais elos da cadeia produtiva da carne – pecuaristas, frigoríficos e supermercados –
concordaram com a criação do Conselho da Bovinocultura (Consebov). A reunião foi realizada na
terça-feira, 21, na sede da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em
São Paulo.
A medida concretiza a decisão de formar um grupo que defenda os interesses de toda a cadeia. “A
crise gerada pela queda na arroba do boi gordo mostrou que só a organização do setor pode criar um
ponto de equilíbrio entre os setores envolvidos”, explicou Luiz Antônio Nabhan Garcia,
superintendente geral da Fenapec. “Sabemos que o primeiro passo para resolver nossas diferenças é
conhecer os principais gargalos do setor”, continua.
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Durante o encontro, ficou decidida a contratação de levantamentos estatísticos sobre setor por três
universidades federais – A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da Universidade de São
Paulo (Esalq/USP); a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal do Paraná
(UFPR).
A proposta é que o novo conselho utilize alguns dos conceitos do Conselho dos Produtores de Canade-Açúcar (Consecana) e dos pecuaristas de leite (Conseleite) que sejam considerados aplicáveis à
pecuária. Por isso, o professor Sergio de Zen, da ESALQ/USP, que colaborou com a elaboração dos
levantamentos para o Consecana, e a professora Vania Di Addario Guimarães, da UFPR, que presta
consultoria ao Conseleite, estiveram presentes na reunião.
O objetivo é entender melhor a cadeia e aferir os custos de produção. "Com as informações em mãos
poderemos iniciar os trabalhos", afirma Francisco Maia, presidente da Fenapec.
Os estudos serão custeados pelos membros do Consebov. “Assim que os pesquisadores
apresentarem um orçamento e a base dos estudos decidiremos o percentual que caberá a cada elo
da cadeia”, concluiu o superintentende da Fenapec.
Participaram da reunião, Antenor Nogueira, Presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária
de Corte da CNA, Luiz Antônio Nabhan Garcia, Superintendente Geral da Fenapec, Antônio Jorge
Camardelli, presidente da Abiec e representantes dos Frigoríficos JBS e Marfrig, e do varejo.
Cenário MT
Menor oferta eleva preços da arroba do boi, diz
Cepea
Devido à insatisfação de pecuaristas com os preços do boi gordo, a
oferta de animais para abate reduziu em várias regiões consultadas
pelo Cepea nos últimos dias.
Devido à insatisfação de pecuaristas com os preços do boi gordo, a oferta de animais para abate
reduziu em várias regiões consultadas pelo Cepea nos últimos dias.
No estado de São Paulo, o Indicador do boi gordo Esalq/BM&FBovespa registrou elevação de 1,32%
entre as duas últimas quartas-feiras, fechando a R$ 90,84 ontem.
No acumulado do mês, a alta do Indicador é de 1,11%. Já no mercado da carne com osso na Grande
São Paulo, mesmo com a aproximação do final do mês, período em que atacadistas costumam
reforçar os estoques para as vendas na semana seguinte, não se notou aquecimento significativo da
demanda.
De acordo com dados do Cepea, a carcaça casada do boi fechou a R$ 5,94/kg, estável em sete dias.
AgroNotícias
Boi gordo: pouca oferta de animais terminados em
todo o país
Mercado em alta. Os reajustes de preços em praças de todas as regiões
mostram que a oferta menor de animais terminados ocorre em todo o
país.
Mercado em alta. Os reajustes de preços em praças de todas as regiões mostram que a oferta menor
de animais terminados ocorre em todo o país.
Em São Paulo, a arroba está sendo negociada em R$91,00, à vista. Existem frigoríficos ofertando até
R$2,00 acima e há negócios pontuais realizados em valores maiores.
Existem ainda tentativas de compra abaixo da referência, principalmente por parte das indústrias que
possuem boiadas a termo ou de confinamentos próprios, mas o mercado trava nos valores menores.
As escalas de abate encurtaram e atendem, em média, de 3 a 4 dias. São compostas principalmente
por animais de confinamento.
Porém, mesmo em Goiás, maior estado confinador do país a alta dos preços mostra que o volume
ofertado de boiadas terminadas não tem sido suficiente. Os preços subiram nas duas praças do
estado, em Goiânia e na região sul.
Mais ao norte do país a situação de oferta curta se repete e os preços subiram em Paragominas-PA,
Oeste da Bahia e Oeste do Maranhão.
Mesmo sendo a semana considerada ruim para a venda de carne no atacado, os preços da arroba
tem subido, ou seja, a oferta é quem tem ditado o ritmo do mercado do boi gordo.
Portal DBO
Cresce abate de animais com menos de 36 meses
em MS
Expectativa é de incremento de 12% em 2012, enquanto o abate de
animais mais velhos deve cair 4%
A adoção de medidas como o melhoramento genético, práticas nutricionais e de manejo, está
tornando a pecuária de corte sul-mato-grossense mais moderna e eficiente. Estudo elaborado pela
Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul) aponta para um aumento no volume de
animais abatidos cada vez mais cedo no estado, graças à adoção de novas tecnologias.
De acordo com o levantamento, em 2012 serão abatidos 463,2 mil machos com idade entre 24 e 36
meses, volume 12% superior ao desempenho de 2011, quando 416 mil animais na mesma faixa etária
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foram abatidos. Em relação aos bois acima de 36 meses, a redução será de 4%, com o abate de
575,2 mil cabeças em 2012 contra 599,7 mil animais no ano passado.
“O Estado está abatendo mais precocemente seus animais e isso mostra que estamos avançando
em produtividade”, afirma Adriana Mascarenhas, economista e assessora técnica da Famasul.
Entre 2009 e 2012, o rebanho de animais entre 0 a 12 meses cresceu 14% e passou de 2,02 milhões
de cabeças para 2,31 milhões. “Este aumento na produção de bezerros é reflexo da retenção de
fêmeas ocorrida entre os anos de 2007 a 2010”, explica Adriana. O estudo usa como base o número
de animais vacinados contra a aftosa no ano anterior.
Já o estoque de animais com mais de 24 meses sofreu redução de 15% entre 2009 e 2012. No
período, houve uma queda de 600 mil cabeças, para um rebanho de 3,2 milhões de cabeças este
ano.
A projeção para 2013 aponta que a quantidade de machos para abate com idade acima de 24 meses
deve atingir 3,16 milhões de cabeças, queda de 1,25% na comparação com 2012.
Considerando apenas o rebanho entre 24 e 36 meses, o aumento estimado é de 1,1%, de
1,81milhões para 1,83 milhões de cabeças. O volume de animais com mais de 36 meses deverá
sofrer nova queda de 4%, de 1,39 milhões para 1,33 mi cabeças.
Beef Point
Previsões da Europa para mercado da carne bovina
em 2012 e 2013
Esse relatório apresenta uma previsão do mercado de carnes na União
Europeia (UE) para 2012/13. O relatório é baseado em análises de
especialistas de mercado da Direção Geral para Agricultura e
Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia.
A população mundial total deverá crescer 1% anualmente em 2012 e 2013 e alcançar 7,1 bilhões de
habitantes. Mudanças significantes no número da população são esperadas na Índia (+1,4%) e
Paquistão (+1,8%), enquanto Rússia, Japão e Ucrânia deverão apresentar pequenos declínios.
O crescimento global no Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer moderadamente em 2,8% em
2012 e 3% em 2013. Entre os principais parceiros comerciais da UE, o crescimento anual do PIB
deverá ser de 3,5% na Rússia, 2,1% nos Estados Unidos e 8% na China (em cada um dos anos
acima). A taxa de desemprego a nível mundial deverá ficar em 8% em 2012 e em 2013. e a inflação
mundial permanecerá moderada durante o período previsto, em 3%.
As moedas dos principais exportadores deverão desvalorizar com relação ao dólar dos Estados
Unidos em 2012 (com exceção do renminbi chinês, que deverá se valorizar em 3%): peso argentino,
-10%; real brasileiro, -15%; dólar australiano, -3%; e dólar neozelandês, -2%. Em 2013, essa
tendência de desvalorização da maioria das moedas e valorização do renminbi chinês com relação ao
dólar dos Estados Unidos deverá continuar. O iene japonês e o rublo russo deverão se manter
estáveis nos dois anos. O preço para o petróleo bruto Brent deverá declinar para cerca de US$
104/barril em média em 2012 e para US$ 95/barril em 2013.
Previsões econômicas para a UE
A população da União Europeia deverá aumentar em 2012 e 2013 a uma taxa de 0,3% por ano,
alcançando 505,7 milhões de habitantes, resultado combinado de um crescimento esperado de 0,3%
na UE-15 (inclui os membros antigos: Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Espanha, França,
Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Áustria, Portugal, Finlândia, Suécia e Reino Unido) e um declínio
de cerca de 0,1% na UE-12 (inclui os membros novos: Bulgária, República Tcheca, Estônia, Chipre,
Letônia, Lituânia, Hungria, Malta, Polônia, Romênia, Eslovênia e Eslováquia) em ambos os anos.
A taxa de crescimento do PIB da UE deverá se manter estável em 2012 com taxas negativas de
crescimento em oito Estados Membros (Grécia, Espanha, Itália, Chipre, Holanda, Eslovênia, Hungria
e Portugal). A atividade econômica deverá se recuperar em 2012 (+1,3%), com todos os Estados
Membros exceto a Espanha (-0,3%) devendo registrar desenvolvimento recordes positivos. A inflação
geral no preço ao consumidor na UE em 2012 deverá recuar para 2,6% em 2012 e para 1,9% em
2013.
A taxa de desemprego na UE deverá aumentar em 2012 para 10,3% da força de trabalho e ficar nesse
nível elevado em 2013. Portugal, Grécia e Espanha continuariam sendo os países mais afetados da
UE, com taxas de desemprego de 15%, 20% e 25%, respectivamente. Desde setembro de 2011, o
Euro tem continuamente se desvalorizado com relação ao dólar e, em maio de 2012, atingiu o menor
nível desde julho de 2010 (isto é, US$ 1,28/Euro). Essa tendência deverá se reverter, com o Euro se
estabilizando em cerca de US$ 1,31/Euro em 2012 em média e ficando nesse nível em 2013.
Setor de carnes
O setor de carnes da UE em 2012 continua sendo apoiado por uma forte demanda global, direcionada
por uma situação relativamente favorável nas economias emergentes. Entretanto, a demanda
doméstica sofre com a desaceleração do crescimento econômico da UE. A oferta geral de carnes
ainda está relativamente escassa em muitas regiões mundiais e está mais restrita pelos altos custos
dos alimentos animais.
Com base no censo de dezembro de 2011, o rebanho pecuário da UE foi estimado em 86 milhões de
cabeças de bovinos, 148 milhões de suínos e 98 milhões de ovinos e caprinos juntos, correspondendo
a uma redução média de 1,6% (bovinos -1,4%; suínos -1,7%, ovinos -1,3% e caprinos -2,9%) com
relação ao ano anterior. A contração dos rebanhos animais (e em particular das fêmeas de cria) está
diretamente afetando a produção geral de carnes, que deverá declinar 0,4% em 2012 e 1,0% em 2013.
A produção de carne bovina deverá cair em 2012 e permanecer quase sem mudanças em 2013. A
menor demanda da UE e o enfraquecimento do Euro restringirão as importações totais de carne da
UE em 2012, com um declínio estimado de 1,1% comparado com o ano anterior. Ao contrário, os
volumes exportados serão direcionados pela demanda global e aumento de 3,6%, liderados pelas
carnes suína e de frango. Para 2013, é esperado uma reversão no padrão comercial, com maiores
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importações (+2,6%) e menores exportações (-5,6%), devido à menor produção de carnes da UE. O
consumo total de carnes na UE deverá declinar em 0,8% em 2012 e em 0,4% em 2013.
Carne bovina e de vitelo
O rebanho bovino está em queda desde 2008, a uma taxa de 1,1% ao ano em média (-1,8% para
vacas leiteiras) e essa tendência deverá persistir no curto-prazo. Em 2012, a produção de carne
bovina e de vitelo da UE deverá reduzir significantemente (-3,5% com relação a 2011) e, então,
permanecer sem mudanças em 2013 (+0,1%). Devido à oferta escassa, os preços da carne bovina da
UE deverão permanecer em níveis recordes durante 2012. Quanto ao comércio, a fraca demanda
doméstica e as variações da taxa de câmbio levariam a um declínio nas importações de carne bovina
da UE em 2012 (-5,8%), seguida por uma estabilização em 2013, apesar da disponibilidade limitada
de carne bovina na UE e uma recuperação gradual da produção nos principais fornecedores do
Mercosul (depois de uma redução significante no rebanho nos anos anteriores).
Por outro lado, a tendência nas exportações de carne bovina da UE é ser direcionada pela escassez
na oferta doméstica, que determinaria uma capacidade significativamente reduzida de exportação para
2012 e no próximo ano. Como consequência, a UE mudaria sua posição comercial líquida e, depois
de um excedente comercial excepcional registrado em 2011, se tornaria novamente um importador
líquido de carne bovina em volume em 2012 e em 2013. Os altos preços da carne bovina e a fraca
demanda interna também levariam a uma queda no consumo de carne bovina e de vitelo em 2012,
seguida por uma estabilização em 2013.
Incertezas
Esta previsão é baseada na hipótese de um desenvolvimento econômico global favorável em 2012 e
2013, particularmente em grandes países emergentes, resultando, assim, em uma demanda
significante para as exportações da UE. Por outro lado, o crescimento econômico na UE deverá ser
frágil, principalmente em certos Estados Membros que geralmente se traduz em um declínio no
consumo de carnes.
Diante desse cenário, as previsões econômicas globais e para a UE continuam sujeitas a incertezas.
Em particular, a possível evolução das dificuldades econômicas e financeiras na Zona do Euro deverá
ter uma influência sobre a demanda de produtos agrícolas (devido às mudanças na renda disponível e
às taxas de desemprego) e sobre a oferta (disponibilidade de créditos), bem como sobre o fluxo
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comercial (taxas de câmbio) e preços. Além disso, a sustentabilidade de uma demanda forte no
mercado mundial liderada pela China e outros países do Sudeste da Ásia, bem como do Oriente
Médio, pode ser questionada, considerando as recentes revisões para baixo no desempenho
econômico esperado nesses países. Finalmente, os desenvolvimento de preços para insumos
agrícolas (energia, fertilizantes, alimentos animais, etc) também representam um fator de incerteza.
Para a produção de proteínas, as estimativas são dependentes das condições climáticas durante a
estação de produção e colheita, que podem consideravelmente alterar os rendimentos. As estimativas
apresentadas aqui são baseadas em informações disponíveis até o meio de junho de 2012.
Valor Econômico
Localfrio recebe aval para segundo terminal em
Santos
O Terminal II terá capacidade para até 4 mil contêineres por mês, além
de receber carga geral
A Localfrio recebeu sinal verde para tocar as obras de seu novo terminal na retaguarda do Guarujá, no
porto de Santos (SP). Na semana passada, a empresa conseguiu as últimas autorizações ambientais
necessárias para começar as obras civis no chamado Terminal II, localizado a dois quilômetros do
terminal alfandegado da empresa, na zona primária do porto.
A nova área tem 100 mil metros quadrados e duplicará a oferta de espaço da Localfrio no Guarujá,
principal atividade do grupo de logística, que iniciou as atividades com armazenagem de cargas
frigorificadas em São Paulo em 1953.
Hoje, as operações no porto de Santos respondem por 50% da receita da companhia, que deverá
fechar este ano com faturamento de R$ 230 milhões, crescimento de 15% sobre o resultado de 2011.
O aumento está em linha com o desempenho operacional. Os terminais portuários do grupo (em
Guarujá e em Suape, no Estado de Pernambuco) devem movimentar 265 mil contêineres neste ano.
Segundo o diretor-presidente da Localfrio, Helio Vasone Jr., o investimento no Terminal II, de R$ 15
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milhões, estará concluído em até seis meses. O volume será destinado a obras civis e
superestrutura. Como o Terminal II não é alfandegado, a unidade servirá como centro de
armazenagem e de distribuição. Terá capacidade para até 4 mil contêineres por mês, além de carga
geral.
Pelo menos R$ 5 milhões serão destinados a equipamentos e serão financiados via Banco Nacional
do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Serão compradas seis empilhadeiras que
renovarão o parque do terminal alfandegado. E as antigas serão empregadas no Terminal II.
A área do Terminal II foi alugada há um ano e tem validade de 20 anos. O investimento no complexo
santista se insere na estratégia da Localfrio de expandir as operações no maior porto do país. Mas
Vasone afirma que Santos já não monopoliza o foco do grupo em expansões. "A partir de 2010
começamos a olhar alternativas, como em Suape", diz Vasone.
Há quase cinco anos a empresa solicitou à Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) a
abertura de licitação de uma área no Guarujá, num local ainda hoje ocupado por habitações
irregulares e que daria escala à operação do grupo. O objetivo da Localfrio é ter sua tão sonhada
saída para o mar em Santos. Hoje, o terminal alfandegado fica na zona primária, mas não tem cais.
As operações de embarque e desembarque são feitas em terminais vizinhos que contam com berços
de atracação, especialmente na Santos Brasil.
"Estamos olhando outros portos, mas a ideia não é sair de Santos", diz o executivo, que se
autointitula ansioso com a previsão de divulgação do novo pacote do governo para portos, a ser
anunciado nas próximas semanas.
Ainda nos próximos meses a empresa irá demolir a câmara frigorífica de 10 mil metros quadrados
existente no terminal alfandegado. A ideia é ganhar mais espaço no pátio, num cenário em que toda
área em porto é equivalente a ouro. "Conseguiremos ganhar mais 4 mil contêineres de capacidade",
diz Vasone.
Conselho Nacional da Pecuária de Corte - CNPC
OMC: Argentina disputa com EUA e Japão sobre
normas de comercialização de carne
O governo da Argentina comunicou que irá apresentar uma denúncia
na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos,
por suposta violação das normas da entidade para barrar a entrada de
carne bovina e cítricos argentinos no mercado americano.
O governo da Argentina comunicou que irá apresentar uma denúncia na Organização Mundial do
Comércio (OMC) contra os Estados Unidos, por suposta violação das normas da entidade para barrar
a entrada de carne bovina e cítricos argentinos no mercado americano. A ação argentina, que deve
ser respondida por Washington em 60 dias, é a única reação oficial até agora em relação à acusação
feita pelos próprios EUA e pelo Japão contra o uso generalizado de licenças não automáticas e de
outras barreiras iniciadas pelo país sul-americano.
De acordo com o comunicado divulgado pela chancelaria argentina, os Estados Unidos barram a
carne bovina argentina desde 2003, ao dilatar o reconhecimento da região da Patagônia, no sul do
país, como área livre de vacinação contra febre aftosa. O governo calcula perdas anuais da ordem de
US$ 150 milhões ao ano, tomando como referência o fato de que EUA e Canadá representavam 13%
do mercado da carne argentina em 2000.
Já os EUA e Japão questionam as medidas protecionistas do governo argentino, e também
denunciaram a Argentina na Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Washington e
Tóquio, o governo argentino aplica restrições comerciais por meio do sistema de licenças não
automáticas para importações. Nas denúncias, americanos e japoneses sustentam que o sistema
utilizado “restringe as importações de bens e discrimina entre mercadorias importadas e nacionais”,
fato que vai na contramão dos compromissos que o país assumiu como membro da OMC.
Segundo o governo de Barack Obama, as barreiras aplicadas por Buenos Aires “incluem o uso de um
sistema de acesso não transparente para o acesso das licenças de importação”. Além disso, a
denúncia cita as pressões que os importadores argentinos sofrem para exportar bens pelo mesmo
valor das importações. O governo Obama solicitou à OMC a abertura de consultas com a Argentina, o
que implicará um prazo de 60 dias para tentar um acordo. Caso não seja possível uma solução, a
OMC abriria um tribunal especial para o caso.
O Estado de São Paulo
Rússia: União Europeia pode levar país à OMC
A Comissão Europeia alertou a Rússia para que acabe com a restrição
de importações de bovinos e suínos vivos
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O Estado de São Paulo
Suco de laranja em crise leva Cutrale a exportar
grãos
A Cutrale, uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo,
está investindo em soja e milho para exportação.
Globo Rural
Produção global de grãos cairá para 663 mi de
toneladas, diz trading
A trading alemã de grãos Toepfer disse nesta quinta-feira esperar que a
produção global de trigo atinja 663 milhões de toneladas no ano safra
2012/2013, queda de 4,6% ante os 695 milhões de toneladas no ano
anterior, devido às condições climáticas adversas nos Estados
independentes do Commonwealth (grupo que inclui a Rússia e outras 11
repúblicas que costumavam integrar a antiga União Soviética).
A trading alemã de grãos Toepfer disse nesta quinta-feira esperar que a produção global de trigo atinja
663 milhões de toneladas no ano safra 2012/2013, queda de 4,6% ante os 695 milhões de toneladas
no ano anterior, devido às condições climáticas adversas nos Estados independentes do
Commonwealth (grupo que inclui a Rússia e outras 11 repúblicas que costumavam integrar a antiga
União Soviética).
"Condições de seca similares às de 2010 exerceram um impacto severo no desenvolvimento das
lavouras nos últimos dois meses, particularmente nas partes centrais e leste da Rússia - incluindo as
regiões do Volga e do Ural e a Sibéria. Perdas também foram detectadas no sul do país", afirmou a
trading, em relatório.
A Toepfer acrescentou que o Casaquistão também deve ter perdas este ano, como resultado do clima
seco, e produzir 11 milhões de toneladas, queda de cerca de 50% ante o ano anterior.
Segundo a trading, a situação na Ucrânia parece mais favorável. "Na Ucrânia, as condições de
desenvolvimento do trigo foram um pouco melhores, pelo menos nas partes central e ocidental do
país, mas agricultores queixaram-se dos prejuízos devido a fortes geadas do inverno passado",
destacou.
A produção de trigo da Ucrânia deve chegar a 15 milhões de toneladas, conforme a Toepfer. "Isso
significa que a safra de trigo nesses três países (Casaquistão, Ucrânia e Rússia) deve diminuir em
pelo menos 32 milhões de toneladas em comparação com o ano anterior", assinalou a trading.
A Toepfer acrescentou que perdas significativas na produção também estão ocorrendo na região dos
Bálcãs. "Nossa estimativa de colheita está agora em 5 milhões de toneladas para a Romênia e de 4
milhões para a Bulgária. Isso significa que a produção de trigo da União Europeia deverá totalizar
decepcionantes 125 milhões de toneladas, exatamente o mesmo que foi estimado pela consultoria
Stratégie Grains", disse a Toepfer. As informações são da Dow Jones.
Globo Rural
CMN eleva teto para custeio de milho para R$ 800
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mil
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira voto
que autoriza o aumento do teto adicional para financiamento de custeio
do milho na safra 2012/13 de R$ 500 mil para R$ 800 mil, para operações
de crédito contratadas em todo o território nacional.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quinta-feira voto que autoriza o aumento do teto
adicional para financiamento de custeio do milho na safra 2012/13 de R$ 500 mil para R$ 800 mil,
para operações de crédito contratadas em todo o território nacional. O objetivo é incentivar o plantio
de milho, insumo básico para a produção de suínos e aves. O CMN também permitiu que o limite
adicional possa ser aplicado ao custeio de sorgo.
No plano de safra deste ano, o governo aumentou o limite do custeio de R$ 650 mil para R$ 800 mil
por produtor, sobre o qual será aplicado o adicional para o plantio do milho. Antes a medida valia
apenas para as regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste.
Globo Rural
IGC reduz estimativa de produção mundial de milho
2012/2013
O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) revisou
para baixo nesta quinta-feira sua estimativa para a produção mundial
de milho em 2012/2013
O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) revisou para baixo nesta quinta-feira sua
estimativa para a produção mundial de milho em 2012/2013 em 26 milhões de toneladas, para 838
milhões de toneladas. O principal motivo são as altas temperaturas e estiagem severa nos Estados
Unidos, que reduziram as previsões de produtividade. A projeção para a safra americana de milho foi
cortada em 25 milhões de toneladas, para 275 milhões de toneladas, disse o órgão. As informações
são da Dow Jones.
Globo Rural
Conab agiliza entrega de milho no Nordeste
Aumento da demanda prolonga prazo de entrega e eleva tarifas de
transporte
A situação emergencial de escassez de milho no semiárido nordestino – região que enfrenta a maior
seca dos últimos 50 anos – levou a Salvador (BA) o presidente da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), Rubens Rodrigues dos Santos. Nesta semana, ele estudará alternativas de
socorro com os superintendentes regionais da região.
Através das Portarias Interministeriais 470/2012 e 601/2012, foi autorizada a remoção de 400 mil
toneladas de milho para atendimento aos pequenos criadores dos municípios amparados pela
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
No entanto, houve um aumento no prazo de entrega dos produtos. As causas são o crescimento da
demanda por frete, as novas regras para o transporte rodoviário previstas no Estatuto do Motorista e o
protesto dos caminhoneiros. Por conta disso, as tarifas de transporte também sofreram aumento.
Ante este cenário, a Conab busca suspender a Medida Interministerial 34/2004 que estabelece que
as indicações de estoques devem obedecer ordem de prioridade. O objetivo é aumentar o número de
origens, melhorando o fluxo de embarques para o Nordeste.
As Superintendências de Gestão e Regulação da Atenção à Saúde (Suregs) se comprometeram com
o presidente a avaliar e encaminhar a capacidade de recepção do produto nos pólos de distribuição e
nas Unidades Armazenadoras, além de providenciar as demandas de cada Estado para os próximos
60 dias.
Valor Econômico
'Vilão' em 2011/12, clima deverá permitir safra
recorde de soja
"Vilão" na safra 2011/12, quando uma severa estiagem provocada pelo La Niña derrubou a colheita de
grãos no Sul do país, o clima deverá mesmo ajudar a produção brasileira de soja a bater um novo
recorde histórico na safra 2012/13, como apontam as primeiras estimativas de consultorias privadas.
As previsões meteorológicas indicam que em setembro e outubro haverá chuva suficiente para
garantir a umidade do solo para o plantio das sementes e que, depois, o tempo permanecerá ameno
até meados de fevereiro. Particularmente para o Paraná, a previsão é ainda mais animadora, com
chuvas já no início de setembro, o que permitirá que o solo esteja totalmente adequado para o plantio
no fim do período de vazio sanitário (quando não pode haver semeadura), em 21 de setembro.
No caso de Mato Grosso, onde o plantio estará liberado a partir de 15 de setembro, as chuvas vão
demorar alguns dias a mais. "As previsões indicam que as chuvas chegarão a Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul na segunda quinzena de setembro. E deverão ser perfeitas para o plantio, com
pancadas no fim do dia, como ocorre no verão", diz Celso Oliveira, especialista da Somar
Meteorologia.
Este ano, a safra brasileira conta com o El Niño a favor. O fenômeno é responsável por um
aquecimento das águas do Oceano Pacífico em dois ou três graus Celsius, o que provoca aumento
de vapor na região e muda a direção e a intensidade dos ventos no mundo todo. "Como o Pacífico é o
maior oceano do mundo, qualquer alteração em sua rotina de evaporação movimenta a atmosfera do
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globo. Para o Brasil e para a agricultura, os anos em que o fenômeno ocorre são particularmente
muito favoráveis", explica Oliveira.
O El Niño ocorre de maneira irregular em intervalos de dois a sete anos, mas com média de três a
quatro anos. Para o Sul do país as chuvas fortes e frequentes devem acumular até 100 milímetros de
água no solo. No Centro-Oeste, um pouco menos.
Mas como nem tudo é perfeito, a região conhecida por "Mapitoba" - formada por regiões de cerrado
dos Estados de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia - deverá sofrer com um clima mais seco, o que
será prejudicial para as lavouras de soja. "Sempre que ocorre o El Niño, as frentes frias trazem muita
chuva para o Sul e regiões próximas, mas não têm intensidade para chegar ao Norte e Nordeste.
Assim, as primaveras na região são mais secas", diz Oliveira. A Somar prevê que o solo no
"Mapitoba" deverá acumular 50 milímetros de água em setembro ou outubro, o que pode ser
considerado pouco.
Outro ponto a ser considerado pelos produtores é que este clima úmido e quente é favorável à
proliferação do fungo da ferrugem asiática. Segundo o meteorologista da Somar, a próxima safra
deverá passar pela mesma situação de 2009/10. "Naquela época, a semeadura e o desenvolvimento e
colheita da soja foram muito bons, já que não foram registradas grandes invernadas, que são períodos
de muita chuva e pouca insolação. O único problema é que a ferrugem explodiu", afirma.
Para outras culturas, com início de plantio também na primavera, como cana, laranja e arroz, a
meteorologia indica que não haverá problemas. Ao contrário. "Todas essas culturas precisam de solo
úmido para iniciar a semeadura, até mesmo o arroz, que costuma sofrer em anos de El Niño, devem
se dar bem neste ano", afirma Oliveira. A boa perspectiva para o arroz se deve ao fato de a umidade
prevista se encerrar em outubro e não acompanhar todo o verão, como às vezes acontece.
Se o El Niño favorecerá as culturas de verão, não se pode dizer o mesmo para a safra de milho de
inverno. Nos anos em que ocorre o fenômeno, as chuvas costumam parar muito antes do inverno e o
solo fica seco para o plantio. "Em 2009/10, a chuva mal chegou a fevereiro, portanto é difícil que a
próxima safrinha de milho seja tão intensa quanto a deste ano".
Brasil Econômico
Dono da Caramuru entra para a lista dos sojicultores
do país
Plantio a partir da safra 2012/12 vai colaborar para que negócios
individuais do empresário dupliquem no ao que vem
Essa é a terceira vez que o ministério revisa para baixo a estimativa de produção este ano, com a
seca se espalhando por uma área extensa das regiões produtoras de grãos no sul do país.
No ano passado, a Rússia colheu um recorde de 94,2 milhões de toneladas de grãos. Mas, em 2010,
uma seca extrema e incêndios generalizados resultaram em uma colheita de 60,9 milhões de
toneladas, o que causou a proibição de exportações. O governo russo disse, no entanto, que não tem
planos de repetir a iniciativa este ano.
Fyodorov observou que a Rússia mantém reservas de grãos de cerca de 17 milhões de toneladas.
Segundo ele, como a projeção para o consumo interno é de 72,7 milhões de toneladas, haverá
excedente suficiente para exportação. "Estamos confiantes no potencial de exportação de grãos e do
trigo, em particular", disse ele. "Nós não esperamos qualquer notícia mais preocupante." As
informações são da Dow Jones.
Globo Rural
Preços dos grãos na Rússia e na Ucrânia devem
subir
A empresa Trigon Agri está segurando grande parte de sua produção
esperando que os preços continuem a subir em meio à pior estiagem
nos Estados Unidos em mais de meio século, segundo entrevista do
executivo-chefe da companhia, Ulo Adamson, ao The Wall Street
Journal.
A empresa Trigon Agri está segurando grande parte de sua produção esperando que os preços
continuem a subir em meio à pior estiagem nos Estados Unidos em mais de meio século, segundo
entrevista do executivo-chefe da companhia, Ulo Adamson, ao The Wall Street Journal.
De acordo com Adamson, os preços na Ucrânia e na Rússia, onde a Trigon Agri cultiva grãos,
subiram em virtude da estiagem local e nos Estados Unidos, e podem aumentar ainda mais. Ele
acrescentou que os preços domésticos devem subir gradualmente devido à colheita local mais fraca
do que o esperado e o fortalecimento dos preços globais.
"Observamos um aumento dos preços domésticos, mas não nos níveis de Chicago", disse o
executivo. "Acreditamos que as cotações na Rússia e na Ucrânia vão subir mesmo se Chicago
recuar, porque as colheitas nos dois países são relativamente baixas ante o ano passado."
O principal produto da companhia é o trigo, mas são plantados também soja, milho, cevada, colza e
girassol. A maioria da produção é exportada. Adamson espera vender de 50% a 65% da safra na
Rússia e na Ucrânia e embarcar o restante para locais como Oriente Médio, Norte da África e China.
Neste ano, 35% dos 86 mil hectares da Trigon Agri foram afetados pela estiagem. Mas a empresa
espera que a alta dos preços ajude a compensar as perdas. Segundo o executivo, a Rússia não deve
restringir as exportações, como ocorreu em 2010. As informações são da Dow Jones.
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Globo Rural
UE pede que Rússia volte a importar carnes após
entrada na OMC
A Comissão Europeia alertou a Rússia nesta quinta-feira para que acabe
com a restrição de importações de bovinos e suínos vivos provenientes
de certos países da União Europeia (UE), caso contrário levará o
questionamento à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Comissão Europeia alertou a Rússia nesta quinta-feira para que acabe com a restrição de
importações de bovinos e suínos vivos provenientes de certos países da União Europeia (UE), caso
contrário levará o questionamento à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o porta-voz da comissão de agricultura da UE, Roger Waite, espera-se que a notificação
formal à Rússia na quarta-feira levará os russos a "respeitarem os princípios básicos" de um acordo
da OMC sobre a forma como os governos podem aplicar medidas de segurança alimentar e saúde
animal, conhecidas como sanitárias e fitossanitárias.
O porta-voz acrescentou que, para cumprir as normas da OMC, depois de um processo de 18 anos
para aderir à organização, a Rússia precisa "remover restrições injustificadas". Inicialmente, a
proibição foi imposta por preocupações com o vírus Schmallenberg.
A Comissão avalia que as preocupações com o vírus se referem à Holanda, Alemanha e, em muito
menor intensidade, à França. O bloqueio russo sobre suínos para abate e engorda se volta a países
da antiga União Soviética, como Estônia, Letônia e Lituânia. As informações são da Dow Jones.
Brasil Econômico
Exportações não respondem à desvalorização do
real no ano
Queda de 16,6% da moeda brasileira perante o dólar ainda não refletiu
no comércio de produtos acabados
Brasil Econômico
Ibovespa fica abaixo de 59 mil
Influenciado por indicadores negativos do mercado externo, bolsa
brasileira caiu 1,46% ontem
Valor Econômico
Aumentam os lucros das líderes setoriais do ranking
O desempenho das 25 campeãs setoriais do Valor 1000 foi nitidamente
superior ao do conjunto de empresas que compõem o ranking do
anuário, que circula hoje para os assinantes do Valor e também começa
a ser vendido em bancas.
O desempenho das 25 campeãs setoriais do Valor 1000 foi nitidamente superior ao do conjunto de
empresas que compõem o ranking do anuário, que circula hoje para os assinantes do Valor e
também começa a ser vendido em bancas. Enquanto as 1000 maiores registraram uma queda de
7,6% no lucro líquido, as campeãs contabilizaram aumento de 11,9% nos ganhos em 2011.
Seis entre os 20 maiores lucros líquidos das 1000 maiores pertencem a campeãs em seus setores.
O valor somado na última linha dos balanços de Vale, Petrobras, Ambev, Telefônica Brasil, CSN e
Cosan alcança R$ 89 bilhões, pouco mais da metade do lucro líquido total do ranking de Valor 1000,
de R$ 171 bilhões.
As empresas vencedoras em seus setores também foram mais eficientes na operação do negócio e
conseguiram gerar mais valor. Nessa conta, que mede o Ebitda sobre a receita líquida, a diferença é
significativa: 35,2% ante 18,7%.
Ao todo, 11 empresas entre as 25 campeãs setoriais fazem sua estreia no ranking das melhores de
Valor 1000. Houve uma renovação menor do que na edição passada, em que 17 venceram pela
primeira vez. A varejista Lojas Cem, com uma estratégia de fazer o básico bem feito, é um exemplo.
Conseguiu superar grandes grupos como Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart. Outra novata é a
chinesa State Grid Brazil Holding, do setor de energia elétrica, que chegou ao país em 2010, com
planos ambiciosos para crescer nos próximos anos. Das 25 campeãs, seis empresas são também
as maiores em seus setores: Cosan, Sabesp, Ambev, Vale, Petrobras, Telefônica Brasil.
A freada na velocidade da economia brasileira em 2011 fez com que não houvesse grandes alterações
na fatia de cada região no total da receita líquida das 1000 maiores empresas. O Sudeste, com
79,6%, manteve o mesmo patamar de 2010. São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul são os Estados,
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junto com o Distrito Federal, com a maior participação na receita líquida em suas respectivas regiões.
A região Sudeste abriga o maior número de empresas campeãs de Valor 1000. São 19 ao todo, das
quais sete estão também entre as 50 maiores regionais. Em seguida, aparece a região Sul, com um
total de cinco empresas, mas nenhuma delas está entre as 50 maiores.
Um dado da análise dos balanços que reflete o comportamento da economia em 2011, é o de que
cinco empresas do setor de Comércio Varejista estão entre os 20 maiores crescimentos em receita
líquida. Na edição anterior, em que se analisaram os números de 2010, o destaque havia sido o setor
de Construção e Engenharia, com sete empresas compondo o grupo de maior avanço no faturamento.
Quando se olha a coluna dos maiores prejuízos de 2011, verifica-se que ali estão reunidas grandes
empresas, como Marfrig, JBS, TAM, Gol, Fibria, Braskem, Dow e Gafisa. No campo dos resultados
positivos, a Telefônica é a única das campeãs que aparece em quatro destaques de 20 maiores:
Ebitda, lucro líquido, lucro da atividade e crescimento da receita líquida.
Valor Econômico
Para desenvolvimentistas, novo mix de câmbio e
juro precisa ser preservado
O Banco Central e a Fazenda agiram bem ao aproveitar a piora da crise
global para corrigir as distorções no nível do câmbio e dos juros
brasileiros, sendo fundamental impedir uma reversão dessas conquistas
quando a situação externa melhorar, ressaltaram ontem vários
economistas reunidos na Fundação Getulio Vargas (FGV), no 5º
Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira (AKB)
O Banco Central e a Fazenda agiram bem ao aproveitar a piora da crise global para corrigir as
distorções no nível do câmbio e dos juros brasileiros, sendo fundamental impedir uma reversão
dessas conquistas quando a situação externa melhorar, ressaltaram ontem vários economistas
reunidos na Fundação Getulio Vargas (FGV), no 5º Encontro Internacional da Associação Keynesiana
Brasileira (AKB). Ao mesmo tempo, eles também enfatizaram que esse mix mais favorável enfrenta
limites para impulsionar a economia, dada a fraca demanda externa e a baixa confiança dos
empresários.
A professora Daniela Prates, do Instituto de Economia da Unicamp, destacou a importância do real
mais desvalorizado, mas observou que a eficácia é menor num quadro de fragilidade global. Com isso,
o espaço para uma alta expressiva das exportações fica comprometido. Daniela lembrou, contudo,
que o câmbio mais depreciado tem um papel relevante para proteger o mercado interno de um
aumento exagerado das importações. Para ela, é fundamental evitar a repetição do que se deu em
2009, quando o real se valorizou com força, depois de ter se depreciado bastante no período que se
seguiu à quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008.
Ela ressaltou também a ação do Banco Central de trazer os juros brasileiros para níveis baixos,
corrigindo uma grande distorção da economia brasileira. De agosto do ano passado para cá, a Selic
caiu de 12,5% para 8% ao ano.
O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, por sua vez, vê a nova combinação de juros e câmbio
como mais favorável do que a vigorou durante grande parte dos últimos anos, mas acha que real
precisa sofrer uma desvalorização mais acentuada e os juros têm que cair ainda mais. Para ele, com
um câmbio próximo a R$ 2,70, "o Brasil poderia crescer o dobro do que cresce hoje". Bresser disse,
porém, que colocar o câmbio nesse nível é difícil. Uma das dificuldades é que isso exigiria um
imposto sobre exportações de algumas commodities, algo de implementação complexa.
Professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV, Bresser também acha que há espaço para
reduzir ainda mais a Selic, ainda alta para padrões internacionais. "Estou feliz com a mudança de
política, porque temos agora um Banco Central Nacional. Antes, havia um BC estrangeiro no país,
mas é preciso avançar mais."
Professor da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) e pesquisador do grupo de
Desenvolvimento Econômico, Sistema Financeiro e Restrição Externa da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG), Fabricio Missio apresentou um estudo em que mostrou evidências de que um
câmbio moderadamente desvalorizado impulsiona o crescimento. Segundo ele, uma moeda
depreciada ajuda a aumentar os lucros das empresas, o que eleva a sua capacidade de investir em
pesquisa e desenvolvimento e de importar máquinas que permitam a incorporação de novas
tecnologias.
O economista Pedro Rossi, da Unicamp, também elogiou o novo mix de câmbio e juros, mas alertou
para a falta de confiança dos empresários como um obstáculo a uma retomada mais forte da
economia, o que inibe investimentos.
Para ele, é preciso que o governo aumente o investimento público e incentive o privado. Rossi, que vê
no mercado interno a chave para a retomada da economia, destacou ainda a importância do câmbio
mais desvalorizado para proteger o país de uma importação exagerada. Se a moeda fica apreciada
demais, parte expressiva da alta do consumo é atendida por bens importados, o que tira o espaço de
crescimento da produção doméstica - algo que marcou a economia em 2011.
Valor Econômico
Avança na Argentina tese de nova reeleição de
Cristina
De forma cautelosa, os aliados da presidente argentina, Cristina
Kirchner, começam a preparar o terreno para a nova reeleição da
dirigente em 2015, hipótese hoje vedada pela Constituição. A estratégia
passa por tirar o caráter personalista da alteração constitucional.
De forma cautelosa, os aliados da presidente argentina, Cristina Kirchner, começam a preparar o
terreno para a nova reeleição da dirigente em 2015, hipótese hoje vedada pela Constituição. A
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estratégia passa por tirar o caráter personalista da alteração constitucional.
Nos últimos dias, governadores que buscam o mesmo direito em nível regional, como o de Neuquén,
Jorge Sapag; e o de Mendoza, Francisco Pérez, propuseram a mudança. Desde maio, as correntes
mais radicais do kirchnerismo estão percorrendo o país promovendo conferências que pedem uma
reforma constitucional ampla. A presidente mantém silêncio sobre o tema.
A Constituição argentina é de 1853 e foi reformada pela última vez em 1994. Para mudar a Carta é
preciso convocar, com dois terços dos votos da Câmara e do Senado, uma assembleia constituinte
exclusiva. Quando conseguiu mudar as regras para buscar a reeleição, o então presidente Carlos
Menem fez um acordo com o principal líder oposicionista da época, o ex-presidente Raúl Alfonsín,
conhecido como "pacto de Olivos". A reeleição passou a ser permitida para um mandato.
A presidente conta hoje com 135 dos 257 votos da Câmara e 38 dos 72 votos do Senado. Precisa
manter a sua base e eleger mais 37 deputados e dez senadores nas eleições parlamentares do
próximo ano. Seria uma missão quase impossível se a renovação no ano que vem fosse total. Mas
estarão em jogo os mandatos obtidos em 2009, ocasião em que a oposição ganhou 87 das suas
atuais 122 vagas de deputados. No Senado, 28 das 36 cadeiras em disputa pertencem a
oposicionistas ou independentes. Apenas seis senadores não alinhados à Casa Rosada estão
dispensados de renovar o mandato no próximo ano.
Cristina teve 54% dos votos para se reeleger no ano passado e, mesmo com a popularidade em
queda, mantém um índice de aprovação entre 40% e 45%. O cenário econômico no próximo ano é de
uma relativa retomada de crescimento. "Não é uma loucura pensarmos em obter algo como 45% dos
votos no próximo ano", comenta o dirigente Eduardo Sigal, do Partido Frente Grande, uma das alas
do kirchnerismo, que conta como membro mais destacado a ministra da Segurança, Nilda Garré.
Sigal está entre os organizadores de uma caravana que percorre a Argentina sugerindo uma reforma
constitucional ampla, tratando desde temas ambientais até a relação federativa. "É necessário
estabelecer denominadores comuns com setores que estão fora do âmbito do governo. Uma redução
a um projeto de hegemonia vai aglutinar o lado contrário", afirmou.
A Frente Grande organiza conferências junto com o Partido Miles, ligado aos grupos de piqueteiros
(movimentos sociais que promovem bloqueios de rodovias e ruas como forma de protesto). Também
participam a central sindical oficialista CTA e correntes do peronismo, como o Movimento Evita. A
ofensiva dos governadores é debilitada porque a proposta ainda não tem adesão das maiores
Províncias (Estados). Os governadores de Santa Fé e Corrientes são da oposição. O governador de
Córdoba, José Manuel de la Sota, está em confronto com Cristina por não obter socorro econômico
para pagar aposentadorias. E o da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli, é um potencial
presidenciável em 2015.
Uma razão para a cautela dos apoiadores da re-reeleição são as pesquisas. Embora Cristina
mantenha níveis altos de popularidade, a rejeição à ideia da recondução é enorme. Em uma pesquisa
nacional de opinião encerrada em 10 de agosto, o instituto Poliarquia constatou que 67% dos
pesquisados desaprovam um novo mandato para Cristina. Mesmo entre os 42% de entrevistados que
classificam seu governo de bom e ótimo, a rejeição a uma nova eleição chega a 50%.
"Os resultados são muito eloquentes, mas é preciso ressalvar que o governo ainda não está fazendo
nenhum esforço de comunicação para atenuar este quadro. Uma ação de Cristina pode tornar o tema
mais palatável", afirmou o diretor do instituto, Sérgio Berensztein.
Entre os oposicionistas, a estratégia que se desenha é procurar antecipar o debate eleitoral para
tentar resistir à ofensiva governista. Não se aposta na repetição em 2013 do quadro favorável que a
oposição teve há três anos, quando Cristina estava fragilizada por uma recessão econômica e pelo
desgaste de sua derrota parlamentar ao tentar aumentar impostos para o setor rural. "Devemos fazer
agora o que nos faltou logo depois de 2009, que é apontar ao eleitorado alternativas claras de poder",
disse a deputada Alicia Ciciliani, do Partido Socialista. Alicia foi a coordenadora da campanha
presidencial do ex-governador de Santa Fé Hermes Binner, que ficou em segundo lugar com 17% do
total em 2011.
Valor Econômico
Cosan, uma campeã em plena transformação
"A Cosan abriu o leque de propósito. Queremos cada vez mais nos fortalecer nos setores de
infraestrutura e energia", diz Rubens Ometto, fundador do grupo.
A Cosan mudou, mas não perdeu suas raízes. Com o foco do crescimento dos negócios voltado para
energia e infraestrutura, a companhia tem se fortalecido, nos últimos anos, em setores de menor
volatilidade no mercado do que o agronegócio. Este ano, com a oferta para entrar no bloco de controle
da América Latina Logística (ALL) e a aquisição de 60,1% da Comgás, está se distanciando ainda
mais de suas origens, mas sua liderança na produção de açúcar e álcool segue inabalável.
"Abrimos o leque de propósito. E queremos cada vez mais nos fortalecer nos setores de infraestrutura
e energia", diz Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração e fundador da
Cosan, eleita a Empresa de Valor deste ano.
As mudanças começaram a ser arquitetadas em 2007, quando a companhia foi para a bolsa de Nova
York - dois anos antes, tinha aberto seu capital na Bovespa, tornando-se a primeira do segmento
sucroalcooleiro a ir para o mercado. Em 2008, poucos meses antes de a crise financeira global
explodir, anunciou a compra dos ativos da Esso no Brasil, que pertenciam à ExxonMobil, marcando
sua estreia na distribuição de combustíveis. "Lembro que os analistas achavam que eu iria me
desfazer desses ativos [Esso] logo depois", lembra Ometto. No mesmo ano, criou seu braço
logístico, a Rumo.
Em 2010, a Cosan deu um passo maior e se associou à Shell para a criação da Raízen. A nova
empresa, com gestão compartilhada, passou a agregar os negócios de combustíveis e a produção de
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açúcar e etanol.
Muito criticada no início do processo de diversificação, a Cosan, com sua transformação, atrai cada
vez mais a atenção do mercado, que acompanha de perto movimentos que até agora resultaram em
uma empresa com divisões de negócios separadas e bem definidas, o que mudou o humor dos
analistas. "O mercado começou a entender melhor nossos negócios", diz Ometto..
Com a associação com a Shell, as áreas de lubrificantes, logística (Rumo) e terras (Radar) ficaram
sob o guarda-chuva da Cosan. A divisão de alimentos da companhia associou-se à Camil em maio agora, a Cosan detém 11,72% dessa operação, cuja receita deixará de ser consolidada em seu
balanço.
A decisão de ser sócia da ALL - o processo ainda está em negociação - já fazia parte dos planos de
diversificação da companhia há anos. Ometto afirma que a expertise da Cosan em agronegócio dará
uma nova dinâmica à companhia ferroviária. Em fevereiro, o grupo fez uma oferta de quase R$ 900
milhões para comprar uma participação de 49,1% do bloco de controle (ou 5,6% do capital total).
"Nós conhecemos o agronegócio, o que nos permite tomar iniciativas que às vezes o administrador
da área de logística não enxerga", afirma o empresário.
Em energia, a companhia também fez fortes investimentos. No início, em cogeração a partir do
bagaço de cana, e o mais recente com a polpuda fatia de 60,1% da Comgás, que pertencia à British
Gas (BG), que decidiu se desfazer desse ativo, por R$ 3,4 bilhões, para investir no pré-sal. A
operação ainda depende, porém, do parecer final da Agência Reguladora de Saneamento e Energia
do Estado de São Paulo (Arsesp).
No ano fiscal 2011/12, encerrado em março, a receita líquida da Cosan foi de R$ 24,097 bilhões, 33%
maior que em 2010/11. A divisão de combustíveis representou 73% do total, seguida por energia
(açúcar e álcool), com 15%, alimentos (4%) e Rumo (2%). A fatia dos "outros negócios" (lubrificantes
e Radar) foi de 4%.
No atual ano fiscal, a divisão de alimentos não será mais consolidada na receita. A Comgás terá sua
receita incluída (a partir da aprovação da Arsesp), assim como ALL, quando o negócio for fechado.
Marcos Lutz, CEO da companhia, disse que o grupo estuda mudar o calendário de divulgação de seu
balanço - que é de abril a março, em razão da safra da cana - para ano civil (janeiro a dezembro), uma
vez que a divisão sucroalcooleira vem perdendo bastante peso com as transformações.
Consolidadora, sobretudo no segmento sucroalcooleiro, Ometto diz que a companhia avalia ativos que
façam sentido a sua expansão, descartando, pelo menos por enquanto, a entrada em mais um novo
negócio.
De tradicional família de imigrantes italianos, o engenheiro mecânico formado na Universidade de São
Paulo (USP) até tentou outros rumos. Começou a trabalhar como assessor da diretoria do Unibanco e
aos 22 anos foi para a Votorantim, onde se tornou, aos 24, diretor-financeiro. Foi o primeiro presidente
do conselho da TAM, antes conhecida como Táxi Aéreo Marília, que pertencia a sua família até os
anos 70, antes do comandante Rolim Amaro assumir os negócios. De volta à terra, criou, na década
de 90, a Cosan.
Valor Econômico
Inflação não tira o sono do governo
O aumento dos preços das commodities agrícolas deve pressionar os
índices de inflação nos próximos meses, mas, segundo a avaliação de
técnicos do governo e do setor privado, o impacto não será dramático
O aumento dos preços das commodities agrícolas deve pressionar os índices de inflação nos
próximos meses, mas, segundo a avaliação de técnicos do governo e do setor privado, o impacto não
será dramático. A atividade econômica ainda está fraca para sancionar repasses disseminados de
preços e há, também, alguns elementos estabilizadores.
Os alimentos in natura, por exemplo, que tiveram elevação de preços nos últimos meses, devem
agora experimentar queda e neutralizar parte dos efeitos dos grãos (milho, soja e trigo). A alta do
milho se reflete no preço do frango, que ainda não repercutiu no IPCA. O ciclo da pecuária, porém, é
favorável e a elevação do frango tende a encontrar um freio na própria estabilidade do preço da carne
bovina.
O que os técnicos preveem é que os choques de oferta ocorridos nos últimos meses vão elevar um
pouco a inflação - o que se refletiu no IPCA-15 de 0,39% divulgado na quarta feira. Mas não devem
impor uma aceleração inflacionária, porque os efeitos de segunda ordem não serão muito relevantes.
Seria uma alta transitória.
O governo espera que o IPCA tenha queda na taxa acumulada em 12 meses, pois os índices
mensais de agosto, setembro e outubro devem ser inferiores aos registrados no ano passado.
Embora o Banco Central mantenha o prognóstico de convergência da inflação para a meta de 4,5%, o
fato é que torna-se a cada dia mais difícil encerrar o exercício com a inflação abaixo de 5%, mesmo
com a economia crescendo bem abaixo do seu potencial.
Nos mercados, prevalece a convicção de que o BC está mais preocupado com o crescimento do que
propriamente com a inflação e, portanto, a tendência seria de prosseguir com a redução da Selic.
Espera-se mais um corte de 0,5 ponto percentual na próxima quarta feira, levando os juros para 7,5%
ao ano.
Um dos argumentos para essa previsão é o de que não está clara a intensidade da retomada que se
avizinha. A desvalorização da taxa de câmbio ajuda a indústria, a demanda doméstica continua
robusta, os indicadores de vendas no varejo surpreenderam favoravelmente o mercado, mas outros
índices não melhoraram e os indicadores de confiança - na parte ligada às expectativas - não
apontam qualquer reação dos investimentos.
Se a economia estiver crescendo no último trimestre um pouco acima de 4%, como prevê o BC, o
hiato do produto - definido como a diferença entre produto efetivo e o potencial - vai se fechar. Os
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especialistas do governo alegam, no entanto, que o PIB poderá crescer acima do seu potencial por
alguns trimestres sem produzir aumento de preços, apenas ocupando a margem aberta pelo baixo
desempenho dos meses passados.
Novos incentivos ao crescimento estão a caminho. O governo prepara uma forte ampliação das
desonerações da folha de salário, pegando parte importante da indústria manufatureira. Pode esticar o
prazo de vigência das isenções do IPI para os automóveis e para os produtos da linha branca. E
estuda uma maneira de aumentar o preço dos combustíveis sem afetar o preço da gasolina para o
consumidor final (apesar de já ter zerado a Cide, outros tributos federais incidem sobre os derivados
de petróleo).
Na nova fornada de medidas - que já não será mais divulgada em pedaços e sim de uma só vez - virá,
também, a redução das tarifas de energia elétrica e a renovação das concessões do setor por mais
20 anos.
Essas são, no seu conjunto, iniciativas destinadas a estimular os investimentos, ampliando a oferta,
com efeitos sobre a inflação e sobre a taxa de crescimento.
Há, também, o risco subjacente de, no final das contas, o governo ter que abrir mão da meta de
superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo exercício, de forma a abrigar
no Orçamento o conjunto dos incentivos fiscais adotados. O apoio da restrição fiscal, é útil lembrar,
foi determinante para a redução dos juros.
Diante da conjuntura, e excluindo do cenário a possibilidade de novos problemas advindos do cenário
externo, a pergunta que surge é se já não estaria chegando a hora de o Copom encerrar o ciclo de
afrouxamento que começou há exatamente um ano e que derrubou a taxa básica de juros de 12,5%
para 8% ao ano. Um corte de 450 pontos nos juros - mais uma sequência de estímulos fiscais para
reanimar a economia - não tem como não fazer efeito sobre a atividade.
Se o IPCA não é um grande drama para este ano, o mesmo não se pode dizer da inflação de 2013,
cujas expectativas de mercado apontam persistentemente para 5,5%. Há argumentos de ambos os
lados. Tanto para prosseguir no corte da Selic quanto para concluir o processo de redução dos juros.
No relatório sobre a economia brasileira divulgado em julho, com base na coleta de informações até
junho (quando a Selic era de 8,5% ao ano), o Fundo Monetário Internacional, após elogiar a ação
agressiva do BC na redução da Selic, externou sua preocupação com a continuidade dos cortes e
sugeriu que já era hora de dar uma "pausa".
A experiência passada, segundo o relatório, mostra que o impacto da queda dos juros sobre a
economia é substancial. Salientou, ainda, que eventuais erros, agora, trariam prejuízos elevados para
a credibilidade da autoridade monetária, numa hora em que a expectativa de inflação (e a inflação
efetiva) ainda é alta.
O FMI anotou, também, que os investidores são céticos quanto aos juros de um dígito serem
suficientes para fazer a inflação no Brasil convergir para a meta e que aguardam um aumento de até
2,5 pontos percentuais na Selic em 2013.
Ainda que a inflação deste ano não esteja tirando o sono do governo, a questão que vem à mente é
sobre qual deveria ser a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nas próximas reuniões, na
da semana que vem e na de outubro, já mirando a inflação do próximo ano.
Será importante avaliar se o ganho marginal de continuar o processo de corte dos juros é maior do
que o de manter a taxa num nível próximo ao atual por um bom período de tempo, consolidando esse
novo patamar como uma conquista permanente.
Valor Econômico
Queda de juros reforça aposta em retomada do
crescimento
As maiores e melhores companhias do país estão otimistas e esperam a
retomada da economia no próximo ano
As maiores e melhores companhias do país estão otimistas e esperam a retomada da economia no
próximo ano. Um dos principais pilares da confiança é a recente e contínua queda na taxa básica de
juros. Empresários presentes ontem à premiação do anuário "Valor 1000" apontam o impacto positivo
dos juros reduzidos na economia doméstica, seja como indutor da demanda, seja como uma medida
para reduzir o custo de capital, barateando o custo do investimento.
Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração e fundador da Cosan, vê
boas perspectivas. "Nossa decisão é investir ainda mais no país e isso é impulsionado pela queda da
taxa de juros", diz o empresário. Segundo Mello, o grupo Cosan deverá manter planos de expansão
em 2013, mesmo com cenário de desaceleração da economia doméstica no primeiro semestre.
"A queda na taxa de juros seguramente vai estimular o consumo e a taxa de câmbio estabilizada
permite maior previsibilidade no negócio", diz Paulo Cesar Teixeira, diretor-geral da Telefônica/Vivo.
As medidas de estímulo adotadas pelo governo, diz Teixeira, já começaram a beneficiar o setor.
Outro segmento que já sentiu o efeito das medidas do governo federal foi o varejo. O presidente das
Lojas Cem, Cícero Dalla Vecchia, lembra que no comércio de eletrodomésticos e móveis, segmento
no qual a empresa atua, as vendas a prazo representam quase 70% do total. Com a redução dos
juros, o consumidor pode direcionar a economia financeira para a compra de mais produtos. Vecchia
destaca também a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca e dos
móveis. O benefício com o imposto, diz, contribuiu em boa parte para o crescimento da empresa.
Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a economia brasileira já traz sinais claros de
aquecimento, como o resultado das vendas do varejo em junho e os dados mais recentes de criação
de emprego. O ministro reiterou sua confiança de que o país estará crescendo cerca de 4% ao ano
no último trimestre de 2012. Para a indústria, que passou por um período de desaceleração, Mantega
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vê um momento de "virada para o crescimento", com expansão moderada em junho e um ajuste de
estoques, que deve permitir o aumento da produção nos próximos meses para atender às
encomendas de fim de ano.
Os juros reais, hoje em 2%, e o câmbio em torno de R$ 2 reduzem o custo do investimento e "dão
competitividade às exportações brasileiras", ressaltou o ministro.
José Isaac Peres, presidente da Multiplan, lembra que a queda dos juros tem impacto positivo não só
para o consumo como também para investimentos. "As medidas não afetam a companhia, mas
indiretamente colhemos os bons frutos das políticas de estabilização, da expansão do consumo e da
redução dos juros." Otimista, a construtora prevê continuidade no programa de investimentos para
2013. Isso inclui a inauguração de um shopping em Maceió, a expansão do Barrashopping no Rio e a
conclusão de duas torres no Morumbi Corporate, em São Paulo.
Além da redução da Selic, executivos de empresas também ressaltam como medida importante o
corte nos juros cobrados em linhas específicas de crédito. Karlis Kruklis, presidente da Ouro Verde,
empresa de locação de veículos, equipamentos e serviços, ressalta três iniciativas importantes do
governo. A primeira, diz, foi a ampliação de prazos e redução das taxas de juros do BNDES para o
financiamento de máquinas e equipamentos; depois o Programa de Sustentação do Investimento
(PSI), e, por fim, a redução do IPI para aquisição de veículos.
Francisco Bosco, diretor comercial e de operações da fabricante de elevadores Atlas Schindler, diz
que a empresa vai se beneficiar dos incentivos do governo. "Medidas que estimulam o setor de
construção, como queda na taxa de juros, afetam indiretamente o nosso segmento." Para 2013, a
empresa enxerga cenário de continuidade de investimentos. "Estamos com fortes investimentos na
renovação de nosso parque industrial, desenvolvimento de novos produtos e capacitação dos
colaboradores", diz Bosco, sem citar valores.
Os estímulos do governo também devem fazer diferença no setor hospitalar, diz Irlau Machado Filho,
CEO do Hospital A. C. Camargo. Para ele, o câmbio desvalorizado está ajudando a baratear os
custos de importação, enquanto a queda da Selic ativa a economia. O hospital deve investir R$ 60
milhões em 2013, mesmo montante estimado para este ano. Em 2012, a arrecadação total do
hospital deve bater, segundo o executivo, R$ 620 milhões, valor 22% maior que o do ano passado.
Machado Filho projeta um faturamento cerca de 20% maior no ano que vem.
O diretor-presidente da Cinpal, Vitor Luiz Taddeo Mammana, tem uma visão mais moderada. "A
queda de juros e o câmbio mais desvalorizado estão ajudando meu setor e minha empresa, mas não
o suficiente." Mesmo assim, o executivo diz que a empresa, do ramo de veículos e peças, vai investir
em produtos como fórmula para conseguir bons resultados em 2013. Segundo Mammana,
contratações e preços irão depender do câmbio.
O presidente da Bic Amazônia, Horácio Balseiro, diz que, como a empresa é capitalizada, a queda
de juros e a taxa de câmbio mais desvalorizada não afetam a empresa diretamente. "Mesmo assim, é
uma boa medida, que claramente ajuda os investimentos."
A Mili, especializada em papel sanitário, passou longe de ser uma das empresas mais impactadas
pela desaceleração no primeiro semestre. A empresa previa crescimento da receita em 12% este
ano, mas hoje já trabalha com projeção de 17% a 18%, mesma taxa de crescimento da última
década, segundo Valdemar Lissoni, presidente da empresa. "Os primeiros seis meses do ano não
foram excelentes, mas agora já há uma retomada." O executivo está otimista. "Em 2013, vamos
crescer por volta de 17% também."
A Duratex diz que seguirá seus planos de investimento para o ano que vem sem grandes mudanças,
mesmo sentindo um enfraquecimento da economia em 2012. "Nossos planos são de três a cinco
anos. Se o ano não for como esperado, não é um desastre", afirma Raul Penteado, diretor-executivo
da Deca, divisão da Duratex. O executivo diz que já viu sinais de recuperação aparecendo em julho,
mas que o resto do ano segue "incerto".
A dúvida sobre a retomada também está presente na Ambev. O segundo semestre deste ano é
decisivo para a companhia, diz Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais. "Vamos começar
a ver se o país está respondendo [aos estímulos à economia]", afirmou.
Valor Econômico
Para 2013, companhias vão manter investimentos
A maioria das maiores e melhores empresas do país planeja manter
seus planos de investimento para 2013.
A maioria das maiores e melhores empresas do país planeja manter seus planos de investimento
para 2013. As medidas tributárias, que reduziram o custo do investimento, a queda de juros e o
recente plano de concessões de rodovias e ferrovias, junto com a perspectiva do governo federal de
abrir mais espaço para o setor privado em outros setores de infraestrutura, justificam as perspectivas
positivas de vários executivos que representaram suas companhias, ontem, na cerimônia de
premiação do anuário "Valor 1000".
A expansão da rede de fibra óptica e a implantação da quarta geração de telefonia celular (4G)
garantem a manutenção dos investimentos da Telefônica/Vivo nos próximos anos, garantiu Paulo
Cesar Teixeira, diretor-geral da empresa. Essa retomada do crescimento no setor de
telecomunicações está no radar da Furukawa do Brasil, fornecedora do setor. Foad Shaikhzadeh,
presidente da companhia, afirma que, para atender à demanda, a Furukawa vai ampliar os
investimentos e a capacidade produtiva.
O foco no longo prazo sustenta projetos de outras empresas, como Petrobras e Sabesp. A presidente
da Petrobras, Graça Foster, lembrou que a empresa pretende investir US$ 236,5 bilhões até 2020,
enquanto a presidente da Sabesp, Dilma Pena, explicou que a companhia vai manter a política de
alongar o perfil de vencimentos e reduzir seu custo.
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Empresas voltadas para o segmento de consumo também pretendem manter os projetos de
investimento. Aumentar o gasto em publicidade em todas as categorias de produtos e patrocínios
diversos para fortalecer a marca será uma das principais estratégias da Bic Amazônia para enfrentar
2013, diz o presidente da empresa, Horácio Balseiro.
A fabricante e varejista de artigos para vestuário Hering, enxerga uma melhora no cenário econômico,
avalia o presidente da empresa, Fabio Hering. "A perspectiva para o segundo semestre é de melhora.
A Hering não está olhando 2013 como ano de conter investimentos, pelo contrário, um ano de certa
retomada."
Ricardo Mendes da Silva, presidente-executivo da farmacêutica Aché, diz que a desaceleração foi
muito suave para o setor em 2012. Por isso, diz, a companhia não mudou os planos originais para
2013. "Mantivemos os investimentos programados em P&D e em ampliação de capacidade de
produção, com aquisição de novos equipamentos", disse Silva.
A Totvs, empresa de software, também manteve os planos de investimento e contratações previstos
para 2012 e 2013, mesmo com a desaceleração da economia no primeiro semestre, conta o
presidente da companhia, Laércio Cosentino. "A queda de juros e a taxa de câmbio pouco interferem
na operação da empresa, mas contribuem com os nossos clientes, que adquirem mais produtos e
serviços", acrescentou o executivo.
Após um ano de desaceleração econômica, a empresa de propriedades comerciais BR Properties
espera que 2013 seja mais positivo para o país e para a companhia, que estuda investir R$ 3 bilhões
em novos negócios. Segundo Claudio Bruni, presidente da empresa, empecilhos como a limitação de
crédito para pessoas físicas são algo do "passado". O mercado imobiliário, diz, ainda tem espaço
para crescer.
Algumas companhias, afetadas por decisões domésticas ou pela desaceleração externa, colocaram
os investimentos em revisão. A Brasil Trading, importadora dos automóveis da montadora coreana
Kia, está cortando "todo e qualquer investimento e custo possível", depois que o aumento de 30
pontos percentuais do IPI sobre automóveis importados provocou queda de 48% nas vendas no
primeiro semestre, informa o presidente da empresa, José Luiz Gandini.
A mineradora Vale é mais afetada pela desaceleração da economia mundial que pelo desempenho
doméstico, diz Luciano Siani, diretor-financeiro da companhia. Segundo ele, em função da queda nos
preços das commodities, a companhia está "revendo o plano de investimentos, que será aprovado
pelos acionistas em novembro, visando adequá-lo à geração de caixa prevista" pela empresa. "Mas
certamente o valor [do plano de investimento] será ainda significativo", acrescentou.
A gaúcha Agrogen, do setor agropecuário, projeta um cenário pouco favorável para 2013. De acordo
com o diretor administrativo e financeiro da processadora de aves, Gerson Müller, a Agrogen deve
reduzir seus investimentos em 40% em relação a 2011, para aproximadamente R$ 12 milhões.
Valor Econômico
Código florestal: águas ameaçadas
Não há argumento científico ou de interesse agrícola para não
recompor as matas ciliares
No país dos superlativos, o gigantismo do nosso sistema hidrológico também entra no rol de maior do
mundo: são mais de 9 milhões de quilômetros de rios. Enfileirados dariam 220 voltas na Terra, ou
cobririam 22 vezes a distância à Lua. Da estabilidade, vigor e saúde desses rios dependem o
suprimento das cidades, a segurança hidrológica, a geração de eletricidade, a irrigação na agricultura
e a sobrevivência de preciosa biodiversidade. As bacias hidrográficas adequadamente florestadas,
como ainda vemos em parte da Amazônia, mantém rios ricos e saudáveis. No contraponto, as terras
agrícolas degradadas e os efluentes urbanos e industriais tem péssimas consequências.
A destruição indiscriminada dos ecossistemas resulta sempre em elevados prejuízos. Com a
degradação das terras, das águas, do clima e da biodiversidade surgem múltiplos impactos na saúde
e também consequências econômicas, nem sempre devidamente reconhecidas ou contabilizadas. A
complacência com a destruição é herança da mentalidade colonial europeia e da revolução industrial,
dois aríetes históricos que deixaram um rastro de destruição mundo afora. Mas a consciência sobre a
necessidade de preservação das florestas não é recente nem é um luxo urbano. Em 1537 o
governador desta colônia portuguesa, Duarte Coelho, determinou: "E assim mando que todo povo se
sirva e logre dos ditos matos,..., tirando fazer roça que não farão,... e... árvores maiores... não
cortarão sem minha licença..., porque tais árvores são para outras coisas de maior substância..., e
assim resguardarão todas as madeiras e matos que estão ao redor dos ribeiros e fontes." Em
meados do século XIX, D. Pedro II, premido pela degradação da água que abastecia o Rio de Janeiro,
desapropriou fazendas no maciço da Tijuca e mandou reflorestar a mata Atlântica. Hoje, como no
tempo do descobrimento, fluem cristalinas as águas alí.
Como resposta a séculos de abuso, o primeiro código florestal de 1934 já veio tarde. O desrespeito
generalizado ao "resguardo das madeiras e matos ao redor de ribeiros e fontes" comprometeu águas
por toda parte. E para azar dos rios, o despejo crescente de esgotos e todo tipo de contaminantes
somou-se à centenária erosão das terras desnudas. O código florestal evoluiu no interesse do bem
comum, peitando a arraigada mentalidade desmatadora, oferecendo assim um mínimo de proteção
para as florestas, e com elas para as águas e para os rios. Apesar disso, para muitos a lei era regra
de papel, e as florestas continuaram a tombar. Acumulou-se extenso passivo de ilegalidade nas
propriedades, situação colocada em evidencia pelo eficiente cerco de fiscalização e punição dos anos
recentes. A reação no setor rural foi curiosa: se a obediência é inescapável, então desconstrua-se a
lei. Suportados por uma azeitada máquina política no Congresso e investindo pesado em retórica,
lideranças deste setor vem tentando justificar o afrouxamento na lei.
Com recurso à ciência, analisemos apenas a alegação de que restaurar matas de galeria, os
indispensáveis cílios ecológicos de proteção aos corpos d'água, reduzirá a área disponível para a
produção de alimentos. Estudos feitos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), cobrindo milhões de hectares em várias
partes do país, encontraram que a superfície que era destinada à proteção de matas ciliares em
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propriedades privadas, seguindo as estipulações do revogado Código Florestal de 1965, ocupava
apenas de 7 a 9% da área total; para proteger todas nascentes acrescentavam-se ínfimos 0,2%.
Superando duas vezes essa área de proteção, a superfície ocupada por terrenos úmidos foi estimada
em 17%. Ora, os terrenos úmidos, com lençol freático exposto, são impróprios para a maioria das
práticas agrícolas.
O arroz irrigado, uma das poucas culturas aptas a crescer em terrenos úmidos, foi usado
repetidamente como exemplo de área agrícola consolidada, na tentativa de justificar a redução
generalizada das áreas de proteção no entorno de rios. Contudo, com aproximadamente 1,3 milhões
de hectares, essa cultura ocupa menos de 1% dos 144 milhões de hectares de terrenos úmidos e
representa menos de 0,5% da ocupação agropecuária do país. Já os arroios, riachos e igarapés dos
altos cursos - aqueles com menos de 10 metros de largura - representam 86% da extensão dos rios
e não tem interferência significativa com a produção de arroz, cultivado em várzeas amplas de rios
maiores. Sobre esse vasto sistema hidrológico capilar se abaterá massiva e adversamente as
consequências do afrouxamento na lei. A pequena ocupação da cultura de arroz irrigado, ou
ocupação ainda menor das culturas de vazante na Amazônia, não podem justificar a redução da
proteção no atacado como fora feito.
Não há, portanto, argumento científico ou do interesse agrícola, mesmo em relação a pequenas e
médias propriedades, para não recompor integralmente as matas ciliares, permitindo que
desempenhem seu vital papel no condicionamento das águas e proteção dos rios. Ademais, surge no
horizonte valorização econômica significativa para os chamados serviços ambientais das matas
naturais. Um estudo feito para o Estado da Geórgia, nos EUA, estimou em US$ 37 bilhões o valor
anual dos serviços ambientais prestados por florestas preservadas em propriedades rurais naquele
Estado, que é do tamanho do Acre. A lógica econômica é simples: tornar potável águas
contaminadas chega a custar cem vezes mais do que aquelas servidas, cristalinas, pelas florestas
naturais.
Antonio Donato Nobre, agrônomo e PhD em Ciências da Terra, é pesquisador sênior do INPA e
coordenador do Grupo de Modelagem de Terrenos no Centro de Ciências do Sistema Terrestre do
INPE
Ricardo Ribeiro Rodrigues, doutor em Biologia Vegetal, é professor titular e coordenador do
Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/
USP.
Os dois autores atuaram como relatores no estudo feito pela SBPC e ABC sobre o Código Florestal
Valor Econômico
Pecuária e frutas padecem com a seca no norte de
MG
Mais de 100 municípios na região norte do Estado de Minas Gerais estão
em estado de emergência por causa da seca
Mais de 100 municípios na região norte do Estado de Minas Gerais estão em estado de emergência
por causa da seca. O governo do Estado e o Exército fazem o abastecimento emergencial de água
com caminhões-pipa. Na zona rural, uma imagem que está se tornando mais frequente é a de bois e
vacas mortos de sede e fome - e suas carcaças abandonadas no que um dia foi pasto.
O estrago da estiagem na economia local se estende pela produção de frutas e de leite e no
deslocamento de gado para outras regiões. Muitos pequenos produtores que não têm um pasto
alternativo estão vendendo seu gado, apesar dos preços baixos. Diversos municípios estão sem
chuva desde o início do ano e decretaram emergência em fevereiro e março. As chuvas devem
começar somente em outubro. Hoje são 122 em emergência por causa da seca, concentrados no
norte do Estado e parte deles no nordeste e noroeste. A perspectiva do governo era que neste ano o
número ficasse em 114.
"Essa é uma das piores dos últimos 30 anos e que está atingindo Minas, Bahia e outros Estados do
Nordeste", diz Reinaldo Nunes, coordenador técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão
do Estado de Minas Gerais (Emater) em Montes Claros, maior cidade do norte de Minas. O rebanho
de gado nessa área é de aproximadamente 2,5 milhões de cabeças e o problema maior é a
alimentação, diz Nunes.
Sem pasto e sem água, um dos resultados imediatos na economia da região foi a queda abrupta na
produção de leite. "A produção normal é de 600 mil litros por dia e por causa da seca houve uma
redução de 40% a 50%. O prejuízo por mês é de R$ 5,4 milhões", calcula Nunes. A maioria dos
pequenos sitiantes e produtores com mais terras na região têm no leite uma renda adicional e diária.
A safra de grãos teve uma redução ainda maior. Segundo a Emater, o chamado veranico (período de
20 e poucos dias de estiagem em meio ao período chuvoso) durou do início de janeiro a até março em
vários municípios. Foi num período crítico de plantio de arroz, feijão, milho, sorgo e outros grãos pelos
produtores rurais mineiros. "A expectativa era de colher só nessa região norte 500 mil toneladas de
grãos, mas perdemos 70% disso, um prejuízo de R$ 180 milhões", diz o técnico da Emater.
Quem investe e vive da produção de frutas também está em dificuldades. Gurutuba e Lagoa Grande,
dois grandes projetos irrigados no norte do Estado, cujas áreas somam 6,5 mil hectares e onde
predomina a fruticultura, são os que mais sentem. "Os produtores estão sendo afetados porque
dependem de uma barragem que está com o nível bastante comprometido", afirma Pierre Santos
Vilela, coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de
Minas Gerais (Faemg). A entidade informa representar quase 400 mil pequenos, médios e grandes
produtores rurais.
Segundo Faemg e Emater, produtores, especialmente os menores, estão vendo parte de seu plantel
de gado morrer. Há uma corrida para vender os animais mesmo abaixo do peso e mesmo com preços
depreciados pela grande oferta. Sem ter como manter o gado, produtores acabam se
descapitalizando porque o que recebem agora pelos animais não permitirá que eles reponham seu
rebanho daqui a alguns meses, diz Reinaldo Nunes, técnico da Emater.
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O governo do Estado prevê alocar um total de R$ 11 milhões em compras de cestas básicas,
caminhões-pipas e outras ações. Além disso, o governo federal, por meio do Ministério da Integração
Nacional, enviou mais R$ 10 milhões, que estão sendo usados para reforço das compras de
alimentos, galões de água mineral e também para a distribuição de cisternas, disse o tenente coronel
Fabiano Villas Bôas, secretário executivo da coordenadoria estadual da Defesa Civil. Em alguns
municípios, como Catuti, não há mais água para consumo humano. E, paradoxalmente, em locais
abastecidos por caminhões-pipa o desafio das famílias é armazenar essa água. O governo do Estado
ainda conta com R$ 4 milhões este ano para a abertura de poços artesianos em locais públicos.
Villas Bôas diz que o que diferencia esta seca das anteriores é a duração. Enquanto geralmente os
municípios do norte de Minas começam a decretar situação de emergência em abril e maio, neste
ano isso aconteceu em fevereiro e março. Muitos dos decretos já foram prorrogados.
Valor Econômico
Produtos carecem de normas adequadas
Com a expansão do mercado de fertilizantes especiais no país, a
Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal
(Abisolo) trabalha para que os produtos consigam obter registros
adequados.
Com a expansão do mercado de fertilizantes especiais no país, a Associação Brasileira das
Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) trabalha para que os produtos consigam obter
registros adequados.
Ainda não existem normativas "claras", e nestas esses produtos são apenas mencionados, segundo
GilbertoPozzan, diretor de fertilizantes foliares e micronutrientes da entidade. Para ele, os fertilizantes
especiais não podem ser classificado como adubos comuns nem como defensivos. "Quem sabe no
futuro poderemos ter o registro de bioativador, bioindutor, algumas categorias dentro de
biofertilizantes", diz.
O coordenador do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura,
Hideraldo Coelho, explica que atualmente os biofertilizantes seguem a legislação dos fertilizantes
comuns. Outros produtos, como aminoácidos, não participam das normativas porque ainda não foram
apresentados à instituição estudos científicos que comprovem o funcionamento e sua eficácia.
Coelho diz que é muito difícil chegar a um consenso científico de classificação desses produtos como
fertilizantes ou defensivos. Mas confirma que a legislação atual de registro está defasada por ser de
1980. "A gente acredita que esses produtos são bons, mas exigiria mudança na lei".
Valor Econômico
Inflação coloca política cambial em xeque
A evolução da inflação ao consumidor e os indícios de que a economia
começa a ingressar em uma trajetória de recuperação podem colocar
em xeque, em algum momento, a insistência do Banco Central em
manter o dólar acima da linha dos R$ 2
A evolução da inflação ao consumidor e os indícios de que a economia começa a ingressar em uma
trajetória de recuperação podem colocar em xeque, em algum momento, a insistência do Banco
Central em manter o dólar acima da linha dos R$ 2. E essa perspectiva deve se intensificar no
próximo ano, principalmente se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) embarcar numa
nova rodada de estímulos monetários. Isso porque uma nova injeção de liquidez no sistema financeiro
tem potencial para inflar ainda mais os preços das commodities, o que pode jogar combustível no já
cauteloso cenário para a inflação brasileira.
Em tese, essa pressão inflacionária poderia ser suavizada por uma queda do dólar. Por ora, no
entanto, a visão é de que ainda é cedo para falar em uma nova estratégia no câmbio, uma vez que os
sinais de retomada ainda são frágeis, a despeito da aceleração recente em alguns índices de preço impulsionada em parte pela desvalorização cambial. Na visão dos especialistas, garantir o
crescimento é o objetivo principal do governo, que age convencido de que o dólar a R$ 2 é
"estimulador da atividade".
A questão, dizem especialistas, é que a desvalorização do real, de 7,43% no acumulado do ano, não
só afeta a inflação como potencializa o efeito nocivo da alta dos preços das commodities. Dessa
forma, à medida que a atividade ganhar tração, o câmbio poderá ser um instrumento de peso no
combate à inflação.
Um bom termômetro desse quadro é o desempenho dos preços das commodities em diferentes
moedas. Levantamento feito pelo Valor Data confirma que, em reais, o preço da soja negociada em
Chicago, por exemplo disparou 57,41% em 12 meses, bem acima da valorização do dólar australiano,
dólar canadense ou o do peso mexicano.
Não por acaso, nesse mesmo período, a inflação no Brasil está mais salgada do que nos outros
países. O IPCA, que baliza o regime de metas de inflação do governo, subiu 5,2%, enquanto no
México o índice de referência de preços avançou 4,4%; no Canadá, 1,3%; e na Austrália ainda
menos, 1,2% (este último considerando 12 meses até junho).
O especialista em câmbio da Tendências Consultoria, Bruno Lavieri, chama atenção para um provável
aumento do "pass-though" - como é conhecido o repasse potencial da variação do dólar aos preços.
Segundo ele, em condições "normais", esse repasse ainda é baixo, com o IPCA aumentando em
0,05 ponto percentual no período de um ano a cada 1% de valorização do dólar, mas já deve estar
maior, dado que as commodities sobem sem a contrapartida da valorização cambial.
De modo geral, profissionais do mercado ainda consideram cedo para afirmar que o BC pode afrouxar
a vigilância no câmbio neste ano, diante do sinal dado na terça-feira ao tentar puxar o dólar para cima
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por meio da oferta de swaps cambiais reversos e das indicações ainda inconsistentes de recuperação
da atividade econômica doméstica. No entanto, confirmando-se a retomada da economia no ano que
vem, poderia haver uma nova onda de alta da inflação, cujo combate voltaria, assim, ao topo das
prioridades do BC. Dessa forma, aumentam as chances de a autoridade monetária utilizar a taxa de
câmbio como um amortecedor da alta dos preços.
"O rompimento do teto da meta (de inflação) seria o elemento que poderia provocar uma mudança na
postura do Banco Central com relação ao câmbio", diz Lavieri. "Uma vez que, por enquanto, esse
risco é baixo, o BC não deve flexibilizar o controle do câmbio", diz. "O câmbio passou a ficar
administrado há apenas alguns meses. Até esse resultado se traduzir de forma consistente numa
atividade mais forte levará mais algum tempo", diz, justificando a visão de que, por ora, o governo não
deve alterar a condução da política cambial. A última vez que o IPCA rompeu o teto da meta foi em
2003, ano em que o limite de inflação era de 6,50% e a taxa saltou 9,30%.
Na avaliação do economista-chefe do Deutsche Bank do Brasil, José Carlos Faria, apesar de
sinalizarem a indisposição do BC em deixar o dólar cair abaixo de R$ 2, as intervenções também
podem sugerir que a autoridade monetária quer limitar a oscilação para algo entre R$ 2 e R$ 2,05,
reduzindo riscos de choques nos preços.
Com base nisso, o economista não descarta que a inflação em alta pode levar o BC a não conseguir
defender o piso de R$ 2 no próximo ano. "No entanto, acreditamos que os riscos a nosso cenário
base ainda sejam de performance abaixo do esperado da economia em 2013, devido à possivelmente
fraca demanda global e a contínuas inconsistências na política", diz.
Em relatório divulgado nesta semana, a Nomura Securities também cita a possibilidade de o governo
deixar o real se apreciar para conter pressões inflacionárias, especialmente no primeiro semestre de
2013. Mas a casa já vê espaço para uma queda do dólar ainda neste ano, projetando taxa de R$
1,98, o que significa uma queda de cerca de 2% ante os níveis atuais.
O ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC Alexandre Schwartsman, alerta que a inflação também
representa um problema para 2013 e que há riscos de desafiar o perigoso limite dos 6%. Mas, para
ele, não está claro se, caso isso ocorra, o Banco Central agiria elevando os juros ou deixando o real
se valorizar. "Acho que o câmbio teria um efeito mais imediato, mas não sei como o BC agiria", diz.
"A grande dificuldade é que a autoridade monetária não deixa claro qual é o seu objetivo: ter câmbio
desvalorizado ou juro baixo", diz.
A volta da discussão a respeito de um afrouxamento monetário ("quantitative easing") pelo Fed coloca
combustível na preocupação com a inflação que já vem afetando o mercado e explica inclusive a alta
das taxas futuras de juros. Isso porque a perspectiva de injeção de liquidez no sistema financeiro
motiva os investidores a buscarem ativos não-financeiros, como ouro e petróleo. Uma vez que as
matérias-primas entram no cálculo dos custos na cadeia produtiva, a alta desses produtos tem
potencial para elevar os preços em toda a economia, reforçando a pressão inflacionária.
"Acho que o Fed jogou mais combustível no problema da inflação, que pode ser um problema
seriíssimo no ano que vem, com o IPCA rompendo os 6%", diz um experiente profissional. "Todas as
vezes que o país enfrentou choque de commodities, o câmbio valorizado contribuiu para anular seus
efeitos sobre a inflação. Agora, o câmbio está jogando contra", acrescenta.
Valor Econômico
Renda estimula demanda por fertilizantes especiais
"É mais barato e eficiente aumentar a produtividade", diz Pansa, da Nutriplant.
A demanda brasileira por fertilizantes especiais - micronutrientes, extratos vegetais e aminoácidos ganhou um impulso a mais: a estiagem nos Estados Unidos, que elevou ainda mais os preços dos
grãos, entre os quais a soja. A maior renda dos produtores brasileiros deverá ser um estímulo
adicional para um consumo que já vem apresentando forte expansão nos últimos anos.
O uso desses produtos contribui para melhorar a defesa vegetal e o equilíbrio da nutrição das plantas,
como se fossem vitaminas. Estima-se que eles podem elevar a produtividade em cerca de 10%, a
partir de um custo adicional inferior a 1%.
Uma das empresas que continuam a apostar no crescimento desse mercado é a Nutriplant. A
empresa fez recentemente uma reestruturação com foco em micronutrientes foliares e outros
produtos para nutrição de plantas, considerados mais rentáveis. "É mais barato e eficiente aumentar
a produtividade do que ampliar a área plantada. A gente percebeu um crescimento acentuado nos
últimos anos neste mercado", diz Ricardo Pansa, diretor-presidente da Nutriplant.
A empresa, que atende a todos os tipos de produtores, tem fechado também contratos com grandes
multinacionais que atuam na produção agrícola. E pretende ganhar participação no mercado.
A Nutriplant trabalha com três linhas de micronutrientes solúveis, produtos que ajudam a aumentar a
eficácia de fertilizantes e defensivos. A companhia acredita que o mercado de fertilizantes especiais
alcance R$ 7 bilhões ao ano, apesar de a taxa de uso ainda ser considerada baixa. E cita uma
pesquisa realizada pela Esalq/USP que comprova a viabilidade econômica. No estudo, o uso de
determinado produto na cultura da soja representa um custo adicional de R$ 7 por hectare para um
rendimento extra de R$ 930 por hectare.
O lançamento de alguns produtos a partir do próximo ano está nos planos da companhia, que não
informa quanto vai investir nessa ampliação de portfólio. "A gente imagina que a velocidade de
penetração desses produtos seja bastante rápida", observa Pansa. Entre as novas tecnologias
pesquisadas, há microrganismos que poderão substituir defensivos ou aumentar a produtividade.
Um dos termômetros do aumento da demanda está no crescimento superior a 60% da receita
operacional líquida da empresa no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2011 - de
R$ 15,2 milhões para R$ 24,5 milhões.
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Um outro exemplo de crescimento vem da Fertilizantes Heringer. Com um leque amplo para as mais
diversas culturas (cerca de 35 produtos), os fertilizantes especiais, que representavam 10% do
volume comercializado em 1996 e 1997, saltaram para 35% em 2011.
No primeiro semestre deste ano, a fatia cresceu mais um pouco - foi de 39%, ou 747 mil toneladas
em um total vendido de 1,928 milhão de toneladas, incluindo também os produtos tradicionais. Como
a demanda é maior no segundo semestre, a empresa acredita que deverá fechar 2012 com percentual
acima dos 35% de participação no ano passado.
"O que faz com que cresça [mercado] é o resultado que o produtor tem, o que vem acontecendo", diz
Wilson Mardonado, diretor de relações com investidores da Heringer.
Junto com universidades, a empresa também pesquisa novos produtos. Um dos desafios é
potencializar o uso do nitrogênio e não deixar que a ureia se perca quando aplicada no solo. O Brasil
consome menos o nutriente em relação ao resto do mundo, conforme Mardonado.
A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), que representa
cerca de 70% das empresas desse segmento, estima que somente o mercado de micronutrientes
gire em torno de R$ 2 bilhões ao ano, embora não existam números precisos sobre o segmento. O
aumento médio da produtividade é de 7% a 10%, mas pode ser muito maior dependendo do nível
tecnológico do produtor, acredita Gilberto Pozzan, diretor de fertilizantes foliares e micronutrientes da
Abisolo. Para ele, o custo é inexpressivo. No caso da soja, diz, é necessário investir um valor
equivalente a meia saca do grão por hectare, o que em alguns casos representa menos de 1% de
custo adicional frente aos insumos tradicionais.
"O aquecimento do mercado mostra que o produtor está acreditando na tecnologia", diz Pozzan.
Muitas empresas de defensivos, por exemplo, estariam interessadas em entrar no segmento, na
avaliação dele. "A própria nutrição mais equilibrada da planta diminui a demanda por defensivos".
Com boas perspectivas, esse mercado deverá passar por uma consolidação, com as pequenas
empresas "engolidas" pelas grandes. É o que prevê Richard Brostowicz, diretor da Informa
Economics FNP. Para ele, as pequenas companhias, que faturam menos de R$ 1 milhão, devem sair
do mercado ou ser compradas. Por isso, o número de empresas deve diminuir, apesar de "novos
entrantes" no ramo. De acordo com a Informa, o setor de fertilizantes foliares cresce de 8% a 9% ao
ano, num mercado estimado em 135 milhões de litros por ano. A soja representa cerca de 55%
desse total. No futuro, além da soja, deverá haver um maior crescimento em milho safrinha e arroz.
Valor Econômico
Inflação coloca política cambial em xeque
A evolução da inflação ao consumidor e os indícios de que a economia
começa a ingressar em uma trajetória de recuperação podem colocar
em xeque, em algum momento, a insistência do Banco Central em
manter o dólar acima da linha dos R$
A evolução da inflação ao consumidor e os indícios de que a economia começa a ingressar em uma
trajetória de recuperação podem colocar em xeque, em algum momento, a insistência do Banco
Central em manter o dólar acima da linha dos R$ 2. E essa perspectiva deve se intensificar no
próximo ano, principalmente se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) embarcar numa
nova rodada de estímulos monetários. Isso porque uma nova injeção de liquidez no sistema financeiro
tem potencial para inflar ainda mais os preços das commodities, o que pode jogar combustível no já
cauteloso cenário para a inflação brasileira.
Em tese, essa pressão inflacionária poderia ser suavizada por uma queda do dólar. Por ora, no
entanto, a visão é de que ainda é cedo para falar em uma nova estratégia no câmbio, uma vez que os
sinais de retomada ainda são frágeis, a despeito da aceleração recente em alguns índices de preço impulsionada em parte pela desvalorização cambial. Na visão dos especialistas, garantir o
crescimento é o objetivo principal do governo, que age convencido de que o dólar a R$ 2 é
"estimulador da atividade".
A questão, dizem especialistas, é que a desvalorização do real, de 7,43% no acumulado do ano, não
só afeta a inflação como potencializa o efeito nocivo da alta dos preços das commodities. Dessa
forma, à medida que a atividade ganhar tração, o câmbio poderá ser um instrumento de peso no
combate à inflação.
Um bom termômetro desse quadro é o desempenho dos preços das commodities em diferentes
moedas. Levantamento feito pelo Valor Data confirma que, em reais, o preço da soja negociada em
Chicago, por exemplo disparou 57,41% em 12 meses, bem acima da valorização do dólar australiano,
dólar canadense ou o do peso mexicano.
Não por acaso, nesse mesmo período, a inflação no Brasil está mais salgada do que nos outros
países. O IPCA, que baliza o regime de metas de inflação do governo, subiu 5,2%, enquanto no
México o índice de referência de preços avançou 4,4%; no Canadá, 1,3%; e na Austrália ainda
menos, 1,2% (este último considerando 12 meses até junho).
O especialista em câmbio da Tendências Consultoria, Bruno Lavieri, chama atenção para um provável
aumento do "pass-though" - como é conhecido o repasse potencial da variação do dólar aos preços.
Segundo ele, em condições "normais", esse repasse ainda é baixo, com o IPCA aumentando em
0,05 ponto percentual no período de um ano a cada 1% de valorização do dólar, mas já deve estar
maior, dado que as commodities sobem sem a contrapartida da valorização cambial.
De modo geral, profissionais do mercado ainda consideram cedo para afirmar que o BC pode afrouxar
a vigilância no câmbio neste ano, diante do sinal dado na terça-feira ao tentar puxar o dólar para cima
por meio da oferta de swaps cambiais reversos e das indicações ainda inconsistentes de recuperação
da atividade econômica doméstica. No entanto, confirmando-se a retomada da economia no ano que
vem, poderia haver uma nova onda de alta da inflação, cujo combate voltaria, assim, ao topo das
prioridades do BC. Dessa forma, aumentam as chances de a autoridade monetária utilizar a taxa de
câmbio como um amortecedor da alta dos preços.
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"O rompimento do teto da meta (de inflação) seria o elemento que poderia provocar uma mudança na
postura do Banco Central com relação ao câmbio", diz Lavieri. "Uma vez que, por enquanto, esse
risco é baixo, o BC não deve flexibilizar o controle do câmbio", diz. "O câmbio passou a ficar
administrado há apenas alguns meses. Até esse resultado se traduzir de forma consistente numa
atividade mais forte levará mais algum tempo", diz, justificando a visão de que, por ora, o governo não
deve alterar a condução da política cambial. A última vez que o IPCA rompeu o teto da meta foi em
2003, ano em que o limite de inflação era de 6,50% e a taxa saltou 9,30%.
Na avaliação do economista-chefe do Deutsche Bank do Brasil, José Carlos Faria, apesar de
sinalizarem a indisposição do BC em deixar o dólar cair abaixo de R$ 2, as intervenções também
podem sugerir que a autoridade monetária quer limitar a oscilação para algo entre R$ 2 e R$ 2,05,
reduzindo riscos de choques nos preços.
Com base nisso, o economista não descarta que a inflação em alta pode levar o BC a não conseguir
defender o piso de R$ 2 no próximo ano. "No entanto, acreditamos que os riscos a nosso cenário
base ainda sejam de performance abaixo do esperado da economia em 2013, devido à possivelmente
fraca demanda global e a contínuas inconsistências na política", diz.
Em relatório divulgado nesta semana, a Nomura Securities também cita a possibilidade de o governo
deixar o real se apreciar para conter pressões inflacionárias, especialmente no primeiro semestre de
2013. Mas a casa já vê espaço para uma queda do dólar ainda neste ano, projetando taxa de R$
1,98, o que significa uma queda de cerca de 2% ante os níveis atuais.
O ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC Alexandre Schwartsman, alerta que a inflação também
representa um problema para 2013 e que há riscos de desafiar o perigoso limite dos 6%. Mas, para
ele, não está claro se, caso isso ocorra, o Banco Central agiria elevando os juros ou deixando o real
se valorizar. "Acho que o câmbio teria um efeito mais imediato, mas não sei como o BC agiria", diz.
"A grande dificuldade é que a autoridade monetária não deixa claro qual é o seu objetivo: ter câmbio
desvalorizado ou juro baixo", diz.
A volta da discussão a respeito de um afrouxamento monetário ("quantitative easing") pelo Fed coloca
combustível na preocupação com a inflação que já vem afetando o mercado e explica inclusive a alta
das taxas futuras de juros. Isso porque a perspectiva de injeção de liquidez no sistema financeiro
motiva os investidores a buscarem ativos não-financeiros, como ouro e petróleo. Uma vez que as
matérias-primas entram no cálculo dos custos na cadeia produtiva, a alta desses produtos tem
potencial para elevar os preços em toda a economia, reforçando a pressão inflacionária.
"Acho que o Fed jogou mais combustível no problema da inflação, que pode ser um problema
seriíssimo no ano que vem, com o IPCA rompendo os 6%", diz um experiente profissional. "Todas as
vezes que o país enfrentou choque de commodities, o câmbio valorizado contribuiu para anular seus
efeitos sobre a inflação. Agora, o câmbio está jogando contra", acrescenta.
Folha de S. Paulo
Cotações Folha
Confira as principais cotações do mercado
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