O PAPEL DA MÍDIA NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE
FRANCISCO ASSIS MARTINS FERNANDES
Departamento de Comunicação Social
Universidade de Taubaté
RESUMO
Os meios de comunicação de massa desempenham um papel na formação da opinião pública no que tange à ecologia. Os
jornais, o rádio e a televisão difundiram as mensagens da Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente no Rio de Janeiro,
em 1992. O processo de globalização, no contexto atual, gerou uma questão ambiental que deve ser vista desde uma
dimensão de totalidade, superando até mesmo a segmentação positiva da ciência. A mídia impressa e eletrônica prossegue
transmitindo os ideais de todos os que batalham pela conservação do meio ambiente que, em última análise, é a luta pela
conservação da vida.
PALAVRAS-CHAVE: meios de comunicação; ecologia; meio ambiente; opinião pública; vida
INTRODUÇÃO
No planeta Terra, o homem foi criado para viver num
Paraíso, ou seja, num ambiente que lhe oferecesse as
melhores condições de vida. Mas o que a história
humana nos mostra é um “Paraíso perdido”.
No último quartel do século XX, o papel dos meios de
comunicação de massa foi amplamente investigado e
discutido por muitos estudiosos das ciências sociais
aplicadas, mediante estudos e ensaios. Esses autores
procuraram analisar sua influência no formação e
controle da opinião pública desde uma perspectiva social,
política, ideológica e cultural.
Nosso objetivo é identificar a função da mídia no
contexto da defesa do meio ambiente, ou seja, como os
meios de comunicação têm sido empregados a serviço da
conservação dos bens naturais.
Nos estudos preparatórios para a Conferência das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, que se realizou no Rio de Janeiro, em
1992, as discussões sobre os mecanismos econômicos se
acirraram especialmente quando esses mecanismos se
evidenciaram impactantes para o meio ambiente e
capazes de depauperar os recursos naturais.
No período em que se realizou a Conferência, os
jornais, rádios e televisão do Brasil e do mundo
difundiram discursos de muitos chefes de Estado
referentes aos problemas ecológicos. No entanto, muitos
estavam preocupados era com sua imagem perante a
opinião pública e não com a busca de soluções concretas
propostas pelos organizadores do evento.
Partindo dessa premissa, analisaremos a relação
comunicação e meio ambiente
como o poder da
mensagem na informação ambiental.
O PODER DA MENSAGEM
A mídia emprega uma linguagem adequada ao nível
de compreensão das massas. Nos tempos atuais, a
comunicação passou a fornecer subsídios para que a
humanidade se coloque diante de si mesma numa
perspectiva de avaliação de seu passado, da trajetória de
seu desenvolvimento e da projeção de seu futuro, como
assinala Ramos (1995, p. 13). Para esse autor, o
monitoramento global proporciona aos cientistas o
acesso a dados fundamentais para a pesquisa ambiental
em suas várias manifestações disciplinares, da mesma
forma que os acontecimentos sócio-políticos, artísticos,
esportivos, meteorológicos.
Observamos que “jamais a humanidade assistiu a tão
radical evolução como a que se processa nos últimos
anos com o estabelecimento formal do sistema dos meios
de comunicação de massa” (BELTRÃO e QUIRINO,
1976, p. 119).
Os meios imprimem velocidade,
ubiqüidade e penetrabilidade à mensagem, tornando-a
poderosa em escalas e níveis jamais alcançados.
Partindo dessa contexto é possível afirmar que o
domínio da informação está diretamente ligado ao poder
de interferir e reorientar as relações humanas e da
sociedade com a natureza. Donde se pode inferir que a
influência dos meios leva a humanidade a tomar
conhecimento dos problemas ambientais e a procurar
rediscutir os seus modelos de desenvolvimento e de
atuação no meio ambiente.
Um
aumento
significativo
de
publicações,
documentários, campanhas de publicidade institucionais
sobre o meio ambiente é que temos observado nas
últimas décadas. Contudo, é por meio dos jornais e da
televisão que as questões ambientais têm chegado ao
conhecimento, pela primeira vez, de segmentos da
sociedade que nunca tinham tido acesso ao tema. Isso
porque até então, essas informações circulavam
basicamente em espaços restritos, na comunidade
científica, em seminários e palestras, em publicações
especializadas como revistas e livros.
Deste modo, ainda em nossos dias, a imprensa e a
televisão são a principal fonte de informação para
expressiva camada da população. O papel desses
veículos revela-se decisivo nos processos de formação de
opinião sobre a problemática ambiental.
Sobre o poder da mensagem transmitida pela mídia,
Marques de Melo (1971, p. 12) assim analisava: “Os
meios
de
comunicação
social
constituem,
paradoxalmente, meios de elite e de massas. Como
instrumentos mecânicos e eletrônicos que difundem
mensagens de acesso potencial a todos os indivíduos da
sociedade, eles são meios que atingem as massas,
atuando como intermediários entre elas e o mundo. No
entanto, é preciso considerar que, embora atingindo a
massa, os meios de comunicação são meios de elite”.
Essa tese de Marques de Melo revela que em toda
sociedade ou os governos ou grupos mais poderosos têm
usado a mídia para estabilizar a ordem social e
consolidar o poder.
Hoje, mais do que nunca, a mídia continua a exercer
um fascínio sobre os indivíduos, e conseqüentemente
nas relações sociais, políticas e econômicas. Marques de
Melo (ibid., p. 62) assinala que os meios “atuavam como
instrumentos todo-poderosos, capazes de moldar
totalmente o comportamento humano, e em
conseqüência, teriam condições de manipular a opinião
pública, orientando-a em qualquer direção”.
Essa
suposta onipotência dos meios de comunicação precisa
ser analisada no contexto de um público receptor
eminentemente passivo. Sabemos que há dois tipos de
mensagem, ou seja, a “mensagem recebida” e a
“mensagem percebida”. Isso depende do nível de
conhecimento do receptor. Essa observação nos leva a
deduzir que a influência dos meios de comunicação na
formação da opinião pública está relacionada a um
contexto mais amplo.
Ramos (ibid., 23) enfatiza que no processo da
comunicação, a participação de grupos sociais e sua
conseqüente atuação na formação da opinião, não deve,
no entanto, ser interpretada como sinal de que os meios
massivos são pouco influentes na incorporação de
valores e comportamento. Numa sociedade como a
nossa, caracterizada pela má distribuição de renda e
difícil acesso aos direitos básicos como educação e
saúde, a formação de uma consciência da cidadania
aparece fugaz ou como uma meta ainda distante.
Os meios de comunicação são instituições que
desfrutam de grande prestígio na sociedade. Chegam a
superar com grande vantagem as instituições
fundamentais da República, dos poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário e das organizações da sociedade
civil.
A participação dos meios de comunicação na difusão
do conhecimento é mediática, ou seja atua como
referencial do mundo exterior, um sistema de
representações que interage com o conhecimento pessoal
direto, adquirido pelo indivíduo por meio de sua
formação cultural, convivência social e experiência
própria. Tudo isso indica que a mídia, no mundo atual,
desempenha um papel significativo na constituição e
difusão de representações sociais.
Para Moscovici (1978),
“o caráter social das
representações transparece na função específica que elas
desempenham na sociedade, qual seja a de contribuir
para os processos de formação de condutas de orientação
das comunicações sociais”. Desta forma, admite-se que a
linguagem é a expressão de um povo.
Para Albana Xavier Nogueira (200, p. 238), a
atividade da linguagem envolve, simultaneamente, o
saber e o fazer da comunicação, formalizados na fala,
em que alguns traços lingüísticos são privilegiados em
detrimentos de outros, que se restringem a determinados
grupos, ou ainda, que se particularizam ou se tornam
obsoletos. A freqüência ou mesmo ausência de certos
traços, em determinadas classes sociais ou em espaços
geográficos e até nos registros individuais, pode servir
de parâmetro para o arrolamento dos feixes de traços
capazes de configurarem os usos lingüisticos de uma
comunidade. A constância desses traços define o que
costuma chamar de norma ou normas lingüísticas em uso
nessa comunidade.
A INFORMAÇÃO AMBIENTAL
A mídia, na expressão de McLuhan, é a extensão do
homem. A investigação ambiental é por excelência
interdisciplinar, uma vez que os modelos tradicionais de
análise compartimentalizadas em áreas distintas do
conhecimento se mostram insuficientes para abordagem
dos problemas complexos que envolvem o ambiente, na
acepção de Ramos (1995, p. 29).
Os meios de comunicação são responsáveis pela
ampla difusão de informações sobre a problemática
ambiental. Torna-se um elemento essencial para a
consecução de caminhos que levem à solução dos
conflitos de interesses políticos e econômicos, tornandose um fator limitante para o alcance de uma visão
globalizante do meio ambiente.
A necessidade de um padrão lingüístico evidenciou-se
pelo fato de haver conteúdos diferentes para um mesmo
termo. É o caso de ecologia que provem do grego oikos
(casa) e de logos (tratado, estudo). Para os biólogos, a
ecologia compreende o estudo analítico das condições
criadas pelo meio e da ação deste sobre os seres que nele
vivem. Mas em alguns contextos discursivos como
objeto, em outros como um método, em outras ainda
como ciência.
Essa é uma questão que nos leva a observar que o
mais grave, em se tratando de ecologia é que muitas
mensagens de forte apelo persuasivo refletem interesses
meramente corporativos e não coletivos, como se deveria
supor, uma vez que o meio ambiente compreende toda a
coletividade.
Surge a pergunta qual é a compreensão do povo
receptor sobre a qualidade da informação ambiental?
Ramos cita pesquisadores norte-americanos
que
chegaram às seguintes conclusões:
·
os jornais e a televisão são os meios mais
freqüentemente empregados como fonte de informação
ambiental, mas nem sempre são considerados como os
mais confiáveis;
·
indivíduos com maior grau de escolaridade usam
menos a televisão como fonte de informações ambientais
do que os indivíduos com menos grau de escolaridade, e
tendem a rejeitar a televisão como uma fonte confiável
de informação científica sobre meio ambiente, preferindo
a mídia impressa, sendo as revistas especializadas mais
confiáveis do que os jornais;
·
a maior parte da amostra traz como pontos
negativos da performance da mídia a falta de
imparcialidade: a inclinação política; o sensacionalismo e
a tendência a solucionar assuntos visando maximizar a
audiência; e
·
uma minoria considerou que a mídia diz a
verdade nas mensagens ambientais.
Diante desses resultados, Ramos (ibid., p. 31)
pergunta: “Será que a comunicação de massa vem
apresentando um tratamento interdisciplinar da questão
ambiental, ou será que vem atuando no sentido de
reforçar uma visão compartimentalizada dos problemas
ambientais, apresentando uma abordagem desintegradora
e fragmentada da problemática ambiental?”
Como conhecer a mensagem ambiental da forma que
vem senda transmitida pela mídia? Torna-se necessário
saber que o estudo da mensagem ambiental revela-se
como uma etapa essencial na investigação da influência
da comunicação de massa nos processos individuais e
sociais de percepção e interação com o meio ambiente.
Para se realizar um estudo adequado sobre o papel da
mídia na construção do conhecimento e sua interface
com a educação ambiental faz-se necessário examinar a
diversidade de matérias veiculadas, procurando-se
evidenciar a forma como esses conteúdos foram
absorvidos pela população. Esse fato promove o hábito à
leitura, a interpretação dos discursos, a visualização dos
desenhos e outras ilustrações bem como os movimentos
das imagens e a musicalidade dos sons.
Esse fator faz com que os leitores e aqueles que
assistem às notícias pela televisão possam além de
interpretar, incorporar valores no seu cotidiano ou
mesmo subsidiá-los com suas próprias decisões.
Verifica-se, atualmente, que no âmbito das políticas
públicas e adicionais existe a preocupação quanto aos
aspectos da conscientização da população no que se
refere à preservação e conservação do meio ambiente.
Como observa Regina Sueiro de Figueiredo (2001, p.
197), “a mídia, por intermédio de seus meios de
veiculação, ao atingir a população em geral, leva notícias
das mais variadas, como por exemplo, as do tipo
turístico, demagógico, sensacionalista, imperativo,
instrucional, religioso, ou simplesmente informativo”.
Por sua vez, o discurso veiculado por essa mesma mídia
aliado à Educação Ambiental deve levar o público a
reflexões, contribuindo dessarte para a aquisição de
conhecimentos e informações significativas para
mudanças comportamentais.
Nesse sentido, Figueiredo (Idem, ibidem) enfatiza que
nessa ótica, a mídia expressa através dos veículos
massivos (televisão, rádio, jornais, revista e Internet)
pode ser considerada uma aliada poderosa junto à
educação, pois tem importante papel a cumprir na
sociedade, pois desde que o homem conseguiu utilizar
pela primeira vez sons e signos, a comunicação ganhou
papel importantíssimo no processo histórico.
Com o advento das novas tecnologias, a sociedade
moderna habituou-se a adquirir informações e
conhecimentos por meio da televisão, do rádio, dos
jornal e da Internet. A interpretação de vários gêneros de
matérias jornalísticas veiculadas pela mídia impressa e
eletrônica proporcionam ao público conhecer a qualidade
de vida do cidadão na sociedade. Observa-se que a mídia
vem dando importância aos programas sobre o meio
ambiente, especialmente, àqueles que se voltam para a
Educação Ambiental.
APRESENÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NA
CONFERÊNCIA DO RIO/92
A primeira Conferência Internacional para debater o
meio ambiente humano teve lugar na Suécia, patrocinada
pela ONU, em 1972. Essa Conferência elaborou e
aprovou a “Declaração sobre o Ambiente Humano” com
o objetivo de estabelecer uma visão global e princípios
comuns, que servissem de inspiração e orientação à
humanidade para preservação e melhoria do meio
ambiente.
A Conferência de Estocolmo facilitou a criação de
vários organismos internacionais para denunciar o
agravamento dos problemas ambientais advindos da
aceleração de processos predatórios e poluentes,
promovidos em escala mundial, indicando a pouca
repercussão prática das intenções e princípios firmados
em documentos e internacionais realizados naquela
Conferência.
Além disso, observa-se que nas últimas décadas
acentuou-se a distância entre países pobres e ricos,
sobretudo no que diz respeito às novas tecnologias,
distribuição de renda, padrões de consumo e
endividamento externo, refletindo nos índices de
qualidade de vida e degradação ambiental.
Em vista desse quadro, a Assembléia Geral das
Nações Unidas convocou a Conferência sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento que se realizou no Rio de
Janeiro, em junho de 1992, tendo como objetivo
fundamental estudar a concepção de que o crescimento
econômico e a proteção ambiental precisam ser
considerados para que se possa, efetivamente, evitar que
a deterioração do ambiente comprometa sua capacidade
futura de manter a vida, bem, como examinar estratégias
para atingir níveis mais equilibrados de desenvolvimento
entre as nações (RAMOS, idem, p.36).
Comparando-se o conteúdo da Conferência de
Estocolmo com o da Conferência do Rio, observa-se que
na última destacam-se objetivos mais amplos, como
observa Emílio Candotti (1992, p. 115). O desafio desses
objetivos podem ser assim resumidos:
·
Levar à consideração das políticas de comércio e
indústria dos países participantes um programa de
redução dos impactos sociais e ambientais causados pelo
sistema produtivo. Responder à pressão dos movimentos
sociais preocupados com a crescente devastação dos
recursos e ambientes naturais. Promover o debate de
novos modelos de desenvolvimento econômico atentos à
justiça social, à conservação dos ecossistemas e aos
limites da exploração das matérias-primas;
·
Estabelecer convenções e tratados internacionais
dedicados à preservação das condições de sobrevivência
das espécies que habitam o planeta e o equilíbrio dos
ecossistemas complexos. Definir códigos e normas que
orientem
programas de conservação ambiental, e
limitem os danos provocados pela ação do homem sobre
a terra, a água e o ar. Promover a cooperação
internacional em projetos dos ambientes físicos e
naturais.
·
Aproximar o debate dos temas ecológicos e as
políticas ambientais às grandes questões do
desenvolvimento econômico, das concentrações urbanas
e do crescimento populacional. Associar as iniciativas de
proteção à biodiversidade e à valorização da
sociodiversidade.
As Organizações Não-Governamentais (ONGs) são
responsáveis pela conscientização dos problemas
ambientais. No Rio de Janeiro, as ONGs realizaram um
encontro paralelo que foi denominado de “Fórum
Global”, uma vez que a Conferência oficial tinha um
cunho eminentemente governamental.
A presença da mídia na Conferência do Rio/92,
mostrou um evento de proporções gigantescas, nunca
visto antes. Esse fato demonstrou interesse internacional
pelos problemas ambientais. O jornal O Estado de S.
Paulo (1992) fez a cobertura da Conferência e destacou
que: enquanto na Conferência de Estocolmo reuniram-se
políticos, funcionários governamentais e peritos de 113
países, representantes de 250 organizações não
governamentais e das agências especializadas das Nações
Unidas, para o encontro do Rio de Janeiro previa-se a
participação de 185 países, inclusive 112 chefes de
Estado, 50 organizações intergovernamentais e 2 mil
representantes de governos; paralelamente, o Fórum
Global previa a participação de 11 mil membros de
entidades internacionais e a realização de 400 eventos; ao
mesmo tempo em que o Rio de Janeiro preparava-se para
receber cerca de 35 mil visitantes, além de uma
programação de cerca de 2 mil eventos culturais.
Nesse contexto, como observa Ramos (idem , p. 3940), destaca-se também a participação dos meios de
comunicação de massa: enquanto em Estocolmo
participaram cerca de ml jornalistas, para a Conferência
do \Rio foram cadastrados mais de 7 mil jornalistas,
fotógrafos e técnicos,
representando agências de
notícias, redes de TV, jornais e revistas de todas as partes
do mundo; um sofisticado aparato técnico foi montado
para transmitir dados e imagens
via satélite,
possibilitando que as informações sobre a Conferência
pudessem ser transmitidas simultaneamente para
diferentes lugares do Planeta durante 24 horas por dia.
Importante salientar que a Conferência destacou-se
como uma oportunidade especial de estudar a informação
ambiental veiculada pela mídia, uma vez que recebeu um
grande destaque dos profissionais dos meios de
comunicação, proporcionando um amplo material para a
análise da mensagem ambiental.
No que tange à informação ambiental, a mídia tem
dado destaque para os grandes acidentes que afetam o
ecossistema. O caso da Petrobrás é um dos que mais
aparecem nas telas da televisão e nas páginas de jornais e
revistas. Porém, as queimadas, a venda ilegal de madeira,
como foi o caso da venda de mogno, envolvendo até
mesmo os índios do Pará causam preocupação a todos.
Como sublinha o jornalista Lúcio Flávio Pinto (2001), o
próprio Greenpeace e autoridades brasileiras às quais
foram feitas as denúncias constataram numa operação
realizada no ano passado, em que foram flagrados 20 mil
metros cúbicos de mogno estocados em pátios dentro da
reserva dos índios caiapós ou em jangadas que desciam o
rio Xingu. As multas aplicadas às serrarias alcançaram
seis milhões de reais.
A devastação não pára. E o Estado não tem condições
para inibir a depredação da natureza amazônica. Eron
Brum (2001, p. 22) identifica três tipos de cobertura
jornalística sobre questões ambientais: as matérias
baseadas em denúncias; as que representam propostas de
solução para problemas ambientais e a divulgação amena
de assuntos como nichos ecológicos, parques e reservas
florestais.
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Analisando a produção de informações e veiculação
sobre o meio ambiente, verificamos que a cobertura
aparece na mídia impressa e eletrônica de maneira
fragmentada. Para algumas empresas de comunicação, o
interesse maior reside no fato de obter audiência. As TVs
educativas são as que dedicam mais espaço às questões
da ecologia.
Para muitos segmentos de nossa população o veiculo
de maior penetração e eficácia é o rádio. Ele sempre
ocupou um lugar nos lares, nos automóveis, nos
caminhões, levando notícias e mensagens educativas. O
rádio tem como características o imediatismo, a
mobilidade e a capacidade de poder abranger a
população como um todo.
É importante lembrar que em nosso País, onde há
grandes desigualdades sociais e que é considerável o
número de cidadãos que, por serem analfabetos, não têm
acesso a livros, jornais e revistas. A televisão portátil
veio complementar a transmissão de informações para
um grande contingente de nossa população. Isso se
deduz pelo fato de que ela (tv) tem uma função
fundamental na conscientização das pessoas na medida
em que se constitui num veículo massivo com grande
prestígio nos segmentos com menor grau de
escolaridade.
Para muitos pesquisadores da mídia, os meios de
comunicação são a principal fonte de notícias para
grande parcela da população, essa forma de atuar tem
repercussões no processo da formação da opinião sobre
as questões ambientais.
Cabe não apenas às empresas de comunicação dar a
devida importância às mensagens que abordam a
educação ambiental, mas também aos governantes
estimular as investigações sobre as questões ecológicas,
novos caminhos que levem os indivíduos a criar uma
consciência crítica diante da problemática ambiental.
BELTRÃO, L; QUIRINO, N. O. Subsídios para uma
teoria da comunicação de massa. São Paulo: Summus,
1986.
ABSTRACT
The means of communiation perform a role in the public
opinion formation about ecology. The newpapers, the
radio and the television spread the news about the world
ENVIRONMENT Conference, in Rio de Janeiro, 1992.
The globalization process, in nowadays context,
originates an environmental question, which must be
seen, since a dimension of totality, overconing the
positive science segmentation. The printed and electronic
media follows transmitting the ideals of all people who
fight by the ENVIRONMENTAL conservation, that
means the fight by the life conservation
KEY-WORDS: mass media; ecology;
public opinion; life
environment;
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Grande: UNIDERP, 2001.
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São Paulo: AnnabluMe/FAPESP, 1995.
Francisco Assis Martins Fernandes é Professor Titular
do Departamento de Comunicação Social da
Universidade de Taubaté.
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O PAPEL DA MÍDIA NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE