GLORIA CRISTINA SCOVINO DE CASTRO RAMOS CORRELAÇÃO ENTRE PARASITOSES INTESTINAIS, ESTADO NUTRICIONAL, CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E SANITÁRIAS DE CRIANÇAS DE TRÊS CRECHES PÚBLICAS DO MUNICÍPIO DE NITERÓI Niterói 2006 GLORIA CRISTINA SCOVINO DE CASTRO RAMOS CORRELAÇÃO ENTRE PARASITOSES INTESTINAIS, ESTADO NUTRICIONAL, CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E SANITÁRIAS DE CRIANÇAS DE TRÊS CRECHES PÚBLICAS DO MUNICÍPIO DE NITERÓI Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação em Patologia da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre. Área de concentração: Patologia Clínica e Análises Clínicas Orientador: Profa. Dra. Heloisa Werneck de Macedo Co-orientador: Profa. Dra. Joyce do Valle Niterói 2006 Ramos, Glória Cristina Scovino de Castro Correlação entre parasitoses intestinais, estado nutricional, condições socioeconômicas e sanitárias de crianças de três creches públicas do município de Niterói / Glória Cristina Scovino de Castro Ramos. Niterói, 2006. 118 f. Dissertação de Mestrado ( Mestrado em Patologia – Área de Concentração: Patologia Clínica e Análises Clínicas – Curso de Pós-Graduação em Patologia – Universidade Federal Fluminense). Orientador: Heloisa Werneck de Macedo Bibliografia: f. 106 - 112 1. Estado nutricional 2. Parasitoses intestinais. 3. Creche. I. Universidade Federal Fluminense. II. Título. CDD GLORIA CRISTINA SCOVINO DE CASTRO RAMOS CORRELAÇÃO ENTRE PARASITOSES INTESTINAIS, ESTADO NUTRICIONAL, CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS E SANITÁRIAS DE CRIANÇAS DE TRÊS CRECHES PÚBLICAS DO MUNICÍPIO DE NITERÓI Dissertação apresentada ao Curso de PósGraduação em Patologia da Universidade Federal Fluminense, como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre. Área de concentração: Patologia Clínica e Análises Clínicas Aprovado em Fevereiro de 2006 BANCA EXAMINADORA Profª Dra. Sílvia Maria Custódio das Dores Universidade Federal Fluminense Profa. Dra. Sílvia S. B. de Mondino (examinador prévio) Universidade Federal Fluminense Profa. Dra. Nelzir Trindade Reis Universidade Veiga de Almeida Aos meus pais por todo apoio, dedicação e conforto nos momentos difíceis Á minha família, minha base para toda vida Aos amigos que compreenderam e apoiaram nos momentos difíceis AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, minha irmã Paula e meu cunhado Ailton por toda dedicação; Agradeço à amiga Maria de Fátima Leal pela participação tão importante nesse trabalho; Aos amigos do mestrado em patologia Archimedes Jr, Luciana Borges, Tatiana Robaina e Adriana Sudré por toda ajuda e apoio ao longo do curso; Às amigas Luciana Souza e Viviane Precioso por todo apoio nos momentos difíceis; Agradeço às minhas orientadoras Prof. Dra. Heloísa Werneck de Macedo e Prof. Dra. Joyce do Valle por tanta dedicação, apoio e credibilidade dedicados a mim; Agradeço aos professores que, gentilmente, enriqueceram meus conhecimentos; Aos funcionários, que tanto se empenharam para que tudo desse certo. A todos que direta e indiretamente participaram desse trabalho, muito obrigado. SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ..................................................................................................5 SUMÁRIO ...................................................................................................................6 ÍNDICE DE TABELAS ................................................................................................8 ÍNDICE DE GRÁFICOS ..............................................................................................9 ABREVIATURAS......................................................................................................10 RESUMO.....................................................................................................................0 ABSTRACT.................................................................................................................1 1 INTRODUÇÃO ...............................................................................................13 2 2.1 2.2 2.3 2.5 REVISÃO DE LITERATURA..........................................................................16 DESNUTRIÇÃO INFANTIL.............................................................................16 AS PARASITOSES INTESTINAIS E A DESNUTRIÇÃO INFANTIL ...............25 PREVALÊNCIA DAS ENTEROPARASITOSES EM CRIANÇAS BRASILEIRAS ................................................................................................49 AS ENTEROPARASITOSES COMO INDICADORES DAS CONDIÇÕES DE SANEAMENTO DA POPULAÇÃO............................................................52 AVALIAÇÃO DE ENTEROPARASITOSES E DESNUTRIÇÃO ......................55 3 HIPÓTESE......................................................................................................60 4 4.1 4.2 OBJETIVOS ...................................................................................................61 OBJETIVOS GERAIS .....................................................................................61 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...........................................................................61 5 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 5.8 MATERIAL E MÉTODOS...............................................................................63 COMISSÃO DE ÉTICA ...................................................................................63 POPULAÇÃO ESTUDADA .............................................................................64 AVALIAÇÃO DAS PARASITOSES INTESTINAIS..........................................64 AVALIAÇÃO HEMATOLÓGICA......................................................................66 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL ....................................................68 AVALIAÇÃO SOCIOECONÔMICA E SANITÁRIA..........................................70 TRATAMENTO ...............................................................................................71 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS ..........................................................71 6 6.1 RESULTADOS ...............................................................................................72 PREVALÊNCIA DAS ENTEROPARASITOSES NAS TRÊS CRECHES ESTUDAS.......................................................................................................72 ASSOCIAÇÃO ENTRE EOSINÓFILOS DO SANGUE E PARASITOSES INTESTINAIS..................................................................................................74 RELAÇÃO ENTRE PARASITOSES INTESTINAIS E ESTADO NUTRICIONAL ...............................................................................................75 ANÁLISE DOS DADOS EPIDEMIOLÓGICOS ...............................................80 2.4 6.2 6.3 6.4 7 DISCUSSÃO ..................................................................................................87 8 CONCLUSÕES ............................................................................................105 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................107 10 ANEXOS.......................................................................................................114 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Distribuição de eosinófilos no sangue e de enteroparasitos nas fezes das crianças das três creches avaliadas--------------------------------------74 Tabela 2 – Freqüência de enteroparasitos na população estudada----------------75 Tabela 3 – Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Estatura / Idade (E/I)----------------------------------------------------------------76 Tabela 4 – Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso / Idade (P/I)---------------------------------------------------------------------77 Tabela 5 – Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso / Estatura (P/E)----------------------------------------------------------------78 Tabela 6 – Distribuição das parasitoses intestinais nas creches Engenhoca e Itaipu ------------------------------------------------------------------------------------79 Tabela 7 – Relação entre a distribuição dos parasitos intestinais e o estado nutricional (P/I) nas crianças das creches avaliadas ---------------------------------------80 Tabela 8 – Relação entre EPF e classificação de graffar---------------------------------81 Tabela 9 – Relação entre resultado do EPF e contato com animal doméstico 85 Tabela 10 Relação entre resultado do EPF e hábito das crianças de andarem descalças-------------------------------------------------------------------------------86 Tabela 11 – Relação entre resultado do EPF e consistência das fezes-------------86 ÍNDICE DE GRÁFICOS Figura 1 – Gráfico de Freqüência específica de parasitoses intestinais na população estudada----------------------------------------------------------73 Figura 2 – Gráfico de Freqüência de protozoários e helmintos nas crianças avaliadas ----------------------------------------------------------------------------74 Figura 3 – Gráfico de Relação entre resultado de EPF e a origem da água usada nas casas das crianças--------------------------------------------------------------82 Figura 4 –Gráfico de Relação entre resultados do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos antes de comer----------------------------------------------83 Figura 5 – Gráfico de Relação entre o resultado do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos após usar banheiro---------------------------------------83 Figura 6 – Gráfico de Relação entre resultado do EPF e o destino das fezes nas casas das crianças.--------------------------------------------------------------84 ABREVIATURAS A. lumbricoides A. duodenalis B. hominis C. parvum E. dispar E. hystolitica E. spp EPF E/I E. vermicularis F. hepática Fe G. duodenalis G. lamblia g H. nana Hb HUAP IL-5 IL-3 IgG IgE IgA IgAs Kg L4 ml N. americanus P/E P/I S. mansoni S. stercoralis T. trichiura Th2 Ascaris lumbricoides Ancilostoma duodenalis Blastocystis hominis Crypitosporidium parvum Entamoeba dispar Entamoeba hystolitica Entamoeba spp. Exame Parasitológico de Fezes Estatura / Idade Enterobius vermicularis Fasciola hepática ferro Giardia duodenalis Giardia lamblia grama Hymenolepis nana Hemoglobina Hospital Universitário Antônio Pedro Interleucina 5 Interleucina 3 Imunoglobulina G Imunoglobulina E Imunoglobulina A Imunoglobulina A secretória Kilograma Estágio Larvário 4 mililitro Necator americanus Peso / Estatura Peso / Idade Schistosoma mansoni Strongyloides stercoralis Trichuris trichiura Célula T-helper 2 RESUMO As parasitoses intestinais representam um grave problema de saúde no Brasil, visto que acometem grande número de pessoas. Sua freqüência está associada a diferentes fatores tais como estado nutricional, condições socioeconômicas e sanitárias dos indivíduos infectados. A desnutrição é a principal causa dos grandes índices de morbimortalidade das crianças com menos de 5 anos nos países em desenvolvimento, principalmente quando associada a quadros de diarréia que são comuns nas enteroparasitoses. Este trabalho teve por objetivo correlacionar a presença de desnutrição com infecções parasitárias intestinais em crianças em fase pré-escolar (2 anos a 5 anos e 11 meses), matriculadas em três creches públicas de Niterói, que atendem a populações carentes, verificando também a correlação entre eosinofilia sanguínea e enteroparasitoses e algumas condições socioeconômicas e sanitárias das crianças. Para isso foi realizada avaliação nutricional das crianças através de medidas antropométricas, utilizando-se os índices Peso/Idade (P/I), Peso/Estatura (P/E) e Estatura/Idade (E/I), sendo utilizada a classificação da OMS pelo valor de escore Z e como padrão a Curva do NCHS 2000. Avaliou-se a série branca a partir de sangue periférico e fez-se o diagnóstico das enteroparasitoses pelo método padronizado Coprotest. No estudo de freqüência das enteroparasitoses e verificação de eosinofilia foram avaliadas 156 crianças das três creches e a relação entre estado nutricional e enteroparasitoses em 90 crianças de duas creches. Foi encontrada uma freqüência de 42% de parasitoses intestinais, principalmente por Blastocystis hominis (21%), Giardia lamblia (8%) e Entamoeba histolytica/Entamoeba díspar (4%). Na análise da série branca do sangue, foi observado correlação entre eosinofilia e parasitoses intestinais. A avaliação nutricional mostrou estado nutricional satisfatório para a maioria das crianças (86,7%), tendo sido no entanto observado algumas crianças em risco nutricional (4,4%), que requerem atenção pela possibilidade de desenvolverem patologias. Foi observado baixo número de crianças desnutridas (2,2%), não possibilitando portanto que fosse feita correlação com enteroparasitoses, cuja freqüência abaixo do esperado, esteve possivelmente relacionada com o estado nutricional e as condições socioeconômicas e sanitárias satisfatórias da maioria das crianças avaliadas. Palavras-chave: Estado nutricional, Parasitoses intestinais, Creches. ABSTRACT Intestinal parasitosis represents a major sanitary problem in Brazil, due to the great number of individuals affected by the illness. Its frequency is associated with different factors, such as nutritional state, and socioeconomical and sanitary conditions of the affected individuals. Undernutrition is the main cause of the great morbimortality data concerning children up to 5 year old in developing countries, specially when it is associated with diarrhea, which is very common when speaking of enteroparasite infections. The purpose of this work was to relate the presence of undernutrition and intestinal parasitosis in children from 2 to 5 years and 11 months old, and to verify also the co-relation between blood eosinophyl count and enteroparasite infections, and their socioeconomical and sanitary conditions. All these children were enrolled in public day nursery in Niterói. In order to do this a nutritional evaluation of the children was done through anthropometric measures, using the Weight/Age index (W/A), Weight/Height (W/H), and Height/Age (H/A), using the WHO (World Health Organization) classification by Z score and having as a pattern the NCHS curve 2000. The white series was evaluated from the peripheric blood and the enteroparasite infections diagnosis was done by the Coprotest. In the enteroparasite infections frequency study and in the blood eosinophyl count evaluation 156 children from the three public day nursery were examined. Also the relation between the nutritional state and the enteroparasite infections in 90 children from two pblic day nursery. The frequency found was of 42% of intestinal parasitosis, mainly Blastocystis hominis (21%), Giardia lamblia (8%), and Entamoeba histolytica/Entamoeba díspar (4%). When analising the blood white series, it was observed a relation between increased eosinophyl count and intestinal parasitosis. The nutritional evaluation showed a satisfactory nutritional state of most of the children (86,7%), although some presented a risk of developing undernutrition (4,4%), which must be observed not to develop into pathologies. A very small number of children at undernutrition was observed (2,2%), which, therefore, prevented a corelation with enteroparasite infections. The frequency below expected was possibly related with the adequate nutritional state and teh satisfatory socioeconomical and sanitary conditions of most of the evaluated children. Key words: nutritional state, intestinal parasitosis, day nursery. . 1 INTRODUÇÃO A desnutrição é um problema que afeta muitas crianças em idade préescolar em nosso país. Atinge principalmente as crianças de baixa renda, as quais não têm condições de manter uma alimentação adequada (MONTEIRO & BENICIO & GOUVEIA, 1992). A contaminação humana por enteroparasitos é uma ocorrência de milhares de anos. A análise paleoparasitológica com múmias humanas tem confirmado o quanto o parasitismo humano é antigo. Pesquisas feitas na América do Sul em estudos arqueológicos têm demonstrado a presença de ancilostomídeos, Ascaris lumbricoides (A.lumbricoides), Tricuris trichiura (T.trichiura), Enterobius vermicularis (E. vermicularis), Entamoeba spp (E. spp), Giardia duodenalis, (G.duodenalis), Cryptosporidium parvum (C. parvum) dentre outros, em coprolitos e em outros materiais orgânicos (GONÇALVES & ARAÚJO & FERREIRA, 2003). 14 Dois terços da população que habita os países em desenvolvimento carecem de boas condições de saneamento e de água potável para beber, o que propicia a contaminação dos indivíduos por patógenos entéricos (MIRDHA & SAMANTRAY, 2002). As parasitoses intestinais representam um problema de saúde pública no Brasil, assim como em outros países em desenvolvimento, visto que acometem um grande número de pessoas, porém necessitando maior atenção quando afeta às crianças, principalmente com carência alimentar. As enteroparasitoses podem causar a desnutrição, do mesmo modo que a desnutrição pode facilitar a ocorrência de infecções por enteroparasitos (SEMINÁRIOS DE NESTLÉ, 1999; BRITO et al., 2003; MSS et al., 2003). Sendo a desnutrição um problema que acarreta uma série de alterações orgânicas, muitas delas graves, essa constitui uma das principais causas de morte infantil em nosso país (STRUFALDI et al, 2003). Quadros de náuseas e vômitos são uma das principais causas de morte de crianças em idade pré-escolar, sintomas esses, muitas vezes causados por enteroparasitoses e agravados pela desnutrição. Foi demonstrado que a melhora do estado nutricional, junto com melhores condições de saneamento do ambiente e práticas adequadas de imunização, podem promover o aumento da expectativa de vida em países em desenvolvimento (LINCOLN & FREIRE, 2000). 15 Sendo assim, torna-se importante a realização de estudos que correlacionem o estado nutricional, as enteroparasitoses e as condições socioeconômicas e de higiene de nossas crianças, principalmente as de populações carentes, com indicação da utilização de métodos adequados para reverter a desnutrição e reduzir o índice de parasitoses intestinais, proporcionando uma vida mais digna para essas crianças. 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 DESNUTRIÇÃO INFANTIL A nutrição é um processo pelo qual o nosso organismo utiliza os alimentos que ingerimos, correspondendo o estado nutricional a um balanço entre ingestão dos nutrientes e seu uso pelo organismo (WOISKI, 1988). As crianças necessitam de um aporte nutricional que atenda às suas necessidades para crescimento adequado e manutenção tecidual (WOISKI, 1988). O aporte energético necessário é obtido através dos carboidratos e gorduras, cujo metabolismo e regulação são mantidos por micronutrientes, enquanto que a manutenção tecidual é mantida pelas proteínas (WOISKI, 1988; SOLOMONS, 1993). As deficiências nutricionais promovem alterações morfológicas, causando prejuízo ao funcionamento de tecidos e órgãos. Ocorre atrofia de mucosa gástrica, com diminuição da produção de ácido clorídrico e quebra da barreira gástrica a 17 microorganismos. Ocorre também uma destruição das microvilosidades da borda em escova intestinal, com a diminuição de enzimas presentes nas células, o que dificulta a digestão do desnutrido (WOISKI, 1988; SULLIVAN et al, 1990; NORTHROPCLEWES, et al 2001, DUARTE & CASTELLANI, 2002; MUNIZ JUNQUEIRA & QUEIROZ, 2002). A renovação tecidual no intestino ocorre constantemente e de forma muito rápida, havendo grande gasto de proteínas para isso. No desnutrido, ocorre diminuição na produção de enterócitos nas criptas e a descamação celular está aumentada. Ou seja, há aumento de descamação tecidual sem reposição do mesmo, o que leva à diminuição da superfície absortiva e do conteúdo enzimático na borda em escova do intestino, com diminuição principalmente das dissacaridases intestinais (SABRA, 1994). O pâncreas também é afetado e dentre as alterações pancreáticas são descritas: diminuição dos grânulos de zimogênio dos ácinos, com atrofia e fibrose, sem processo inflamatório ou necrose. Quase sempre as alterações são reversíveis com a realimentação (SABRA, 1994). Nos casos de desnutrição severa e crônica, o paciente pode apresentar pancreatite nutricional, sendo observado dor abdominal severa e diabetes. Com o tempo, ocorre má digestão, esteatorréia e calcificação pancreática, com entupimento dos dutos pancreáticos, observando-se dilatação ou estreitamento da luz do duto (SABRA, 1994). 18 No pâncreas exócrino, há uma baixa atividade enzimática, o que indica disfunção acinar. Como a atividade dessas enzimas esta relacionada com a albumina, valores dessa proteína abaixo de 3g/100 Ml de sangue de sangue indicam hipofunção pancreática (WOISKI, 1988). A diminuição enzimática normalmente não tem manifestação clínica, com ocorrência de diarréia somente na realimentação. Na maioria dos casos, a função exócrina do pâncreas se normaliza com o tratamento (SABRA, 1994). Mesmo com o fato de a recuperação nutricional refazer a função pancreática, quando a desnutrição permanece por muito tempo, a criança mantém uma baixa atividade enzimática, principalmente a atividade da lipase. Esse fato possivelmente é explicado pela intensa fibrose que ocorre no órgão, nos casos de desnutrição grave (SABRA, 1994). No fígado, a desnutrição grave não parece originar a doença hepática, porém, facilita sua lesão por outros mecanismos associados. O acúmulo de gordura no fígado tem relação com a não liberação de triglicerídeos para a circulação sanguínea, o que é devido à síntese insuficiente de betalipoproteínas (SABRA, 1994). Há perda da capacidade do hepatócito de metabolizar os lipídeos, o que acarreta esteatose hepática. Há diminuição na síntese de sais biliares e sua conjugação; ocorre proliferação bacteriana no intestino delgado, o que promove desconjugação de sais biliares, os quais são tóxicos para a mucosa (WOISKI, 1988). A alteração no transporte de gorduras, junto com a disfunção pancreática e alteração no metabolismo de sais biliares, acarreta má digestão e má absorção dos lipídeos (SABRA, 1994). 19 No intestino, através da microscopia observa-se: afastamento, encurtamento, implantação irregular e ramificação das microvilosidades. Também são encontrados autofagossomas supranucleares contendo mitocôndrias, cristas de retículo endoplasmático e ribossomos, com essas organelas sendo degradadas ou formando corpos residuais contendo material não digerido. As mitocôndrias apresentam-se inchadas e densas, com perda da função mitocondrial. Essa perda causa diminuição da energia disponível para as células e deterioração das funções celulares consumidoras de energia. Como conseqüência, ocorre atrofia vilositária importante, com redução da capacidade celular. Observa-se diminuição na atividade das dissacaridases, principalmente lactase, sacarase, maltase e fosfatase alcalina (SABRA, 1994). Na desnutrição protéico – calórica observa-se a diarréia fazendo parte do seu quadro clínico, além da ocorrência de uma imunossupressão (SOLOMONS, 1993). Nos países em desenvolvimento, ocorrem, pelo menos, 750 milhões de casos de diarréia por ano, resultando em cinco milhões de mortes. Essa ocorrência afeta tanto o desenvolvimento como o crescimento das crianças (MIRDHA & SAMANTRAY, 2002). Tanto a diarréia pode causar a desnutrição como a desnutrição pode levar à diarréia, principalmente em países em desenvolvimento, onde as duas situações são comuns. Deve ser dada atenção às alterações observadas no trato gastrintestinal, onde a má absorção resulta em diarréia, a qual piora a desnutrição (WOISKI, 1988; SABRA, 1994). 20 No início da desnutrição, ocorre uma redução da ingestão calórica, o que altera a atuação imunológica que dependa de energia, como migração leucocitária, fagocitose e adesão celular, processamento antigênico e comunicação intercelular. Ou seja, a carência de energia altera a resposta imunitária inespecífica, que tem como principais agentes neutrófilos, macrófagos e monócitos, sendo responsável pela resposta inflamatória inicial e local. Com o agravamento da desnutrição, ocorre comprometimento das estruturas protéicas, alterando a resposta imunológica tardia. Sendo assim, a análise da série branca no hemograma pode ser usada como um indicador do estado nutricional do indivíduo (SCOTT & KOSKI, 2000; DUARTE, 2003). Os desnutridos não apresentam fagocitose defeituosa, exceto nos casos de carência avançada de ferro (Fe), não sendo observado portanto alteração na quimiotaxia. Apesar da desnutrição não alterar o número e a estrutura dos polimorfonucleares, há relato dessas células apresentarem dificuldade de digerirem bactérias no seu interior, devido a deficiências enzimáticas. Foi observado uma diminuição da NADPH oxigenase e uma não liberação de fosfatase ácida nos lisossomas de leucócitos, na fagocitose em casos de desnutrição (LICOLN & FREIRE, 2000). Existe uma associação da desnutrição com carência de energia, proteínas e vitamina A e a baixa da imunidade, com ocorrência de doenças infecciosas. Atualmente há evidências de que a carência dessa vitamina altera subpopulações de células T, citocinas e subclasses de anticorpos (LINCOLN & FREIRE, 2000). 21 A deficiência de vitamina A além de causar problemas oculares como xeroftalmia e cegueira noturna, também pode levar a um retardo do crescimento das crianças e aumentar a probabilidade de infecções. Os pré-escolares possuem maior risco de desenvolverem a hipovitaminose A, já que seu crescimento e desenvolvimento rápidos aumentam as necessidades dessa vitamina e com isso ficam mais expostos a doenças, principalmente infecções respiratórias e intestinais . Os pré-escolares mais velhos e os escolares apresentam menor ocorrência da carência de vitamina A, com menor morbimortalidade (RAMALHO & ANJOS & FLORES, 2001). Doenças próprias da infância, como infecções respiratórias e sarampo, aumentam a demanda da mesma, sendo esses fatores responsáveis pela maior incidência da hipovitaminose A em crianças mais jovens (RAMALHO & ANJOS & FLORES, 2001). Crianças desnutridas tendem a ter uma maior incidência de infecção respiratória e gastrintestinal, provavelmente devido a uma deficiência no sistema de Imunoglobulina A secretória (IgAs). Tem sido relatado nessas crianças um decréscimo significante dos níveis de IgAs e de outros componentes e a recuperação do estado nutricional da criança pode restabelecer os níveis de IgA (SEMINÁRIOS DE NESTLÉ, 1999). É sabido que desnutrição e infecção interagem entre si, com uma influenciando a outra ou então uma potencializando a ação da outra, com conseqüente aumento da morbimortalidade desses indivíduos (LINCOLN & FREIRE, 2000). 22 Tem sido demonstrado que deficiências nutricionais causam atrofia do tecido linfóide, levando a um menor número de células imunitárias e a defeitos durante a resposta antigênica específica. Em animais, a deficiência experimental de zinco causa redução na produção de anticorpos, na proliferação de células T e na produção de citocinas em resposta a agentes específicos. Esses achados enfatizam a importância do zinco na defesa imunológica promovida pelo intestino. Sua carência tem sido relacionada à alteração da estrutura da mucosa intestinal, o que facilita a penetração de patógenos no intestino (SCOTT & KOSKI, 2000). Na deficiência de piridoxina observa-se atrofia de órgãos linfáticos, com diminuição do número de linfócitos, da resposta por anticorpos e da produção de Interleucina 2. A deficiência de cobre leva à incapacidade de produção da Interleucina 2, o que prejudica a ação das células T (LINCOLN & FREIRE, 2000). A infecção pode causar a desnutrição através de mecanismos como: anorexia, tendo como conseqüência dieta hipocalórica e hipoprotéica, menor absorção de nutrientes devido à diarréia e presença do agente infeccioso no intestino, maior perda urinária de nitrogênio, potássio, magnésio, zinco, fosfato, enxofre e vitaminas A, C e B2. Geralmente as infecções começam com febre, anorexia, vômitos e a digestão fica lenta, o que afeta a absorção dos nutrientes. Quando a infecção é intensa, a perda de nitrogênio pode ser grande e haver perda de peso (LINCOLN & FREIRE, 2000). Esses achados vem reforçar o fato de que as carências nutricionais enfraquecem o sistema imunológico, facilitando a atuação de patógenos, aumentando a ocorrência de infecções. 23 De forma resumida, a desnutrição causa as seguintes alterações: lesão na mucosa do trato gastrintestinal, insuficiência pancreática, metabolismo de sais biliares alterado (com falência hepática) e depressão do sistema imune. Todas essas deficiências promovem quadro de diarréia crônica, que por sua vez piora o estado de desnutrição, observando-se assim um ciclo vicioso (SABRA, 1994). Além dos problemas de saúde já sabidamente causados pela desnutrição, alguns estudos têm relacionado à desnutrição precoce em crianças (incluindo deficiência de micronutrientes, anemia e helmintíases) com um impacto na função cognitiva da mesma (NIEHAUS et al, 2002). A desnutrição morbimortalidade das é a crianças principal com causa menos de dos 5 grandes anos nos índices de países em desenvolvimento. Por ser um período vulnerável, os primeiros anos de vida são decisivos para o crescimento das crianças. Estudo realizado por MONTEIRO (1984) demonstrou que o déficit de estatura das crianças aos 7 anos já estava estabelecido aos 24 meses de idade. No Brasil, utilizando-se como medida diagnóstica o indicador Estatura / Idade (E/I), a prevalência de desnutrição foi de 10,5%, sendo mais acentuada na Região Nordeste (17,9%). Quando a desnutrição e/ou quadro de carência nutricional é instalado na criança, a mesma apresenta seu crescimento comprometido e pode desenvolver danos irreversíveis, dependendo da severidade e da duração do quadro patológico (SOARES & PARENTE, 2001; DUARTE & CASTELLANI, 2002). 24 Em fins dos anos 80, MONTEIRO, BENÍCIO e GOUVEIA (1992), usando por base dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) no Brasil, demonstraram que a prevalência de desnutrição crônica de crianças menores de 5 anos chega a 15,4%, observando também que a distribuição regional da desnutrição era heterogênea, sendo significativamente maior em estados do Norte urbano e Nordeste. Esses dados reforçam a idéia de que são as crianças em idade préescolar, as mais vulneráveis ao desenvolvimento de desnutrição. Os problemas de saúde e nutrição em crianças podem ter várias causas, predominando, principalmente nos países em desenvolvimento, deficiências alimentares e infecções de repetição, que são dependentes das condições de vida e de acesso às necessidades básicas como alimentação, moradia e assistência à saúde (STRUFALDI et al, 2003). Existem dados indicando que o consumo alimentar de pré-escolares matriculados em centros de educação no Brasil, apresentam uma inadequação no fornecimento energético, principalmente de cálcio e de Fe. A partir disso, foi realizado um estudo no município de Teresina, com o objetivo de avaliar o valor nutricional das refeições fornecidas nas creches municipais, para as crianças em idade pré-escolar (2 a 6 anos) (CRUZ et al, 2001). O estudo indicou algumas falhas nas refeições, inicialmente, uma inadequação das porções para a idade. Assim, as crianças de 6 anos recebiam a mesma quantidade que as crianças menores, o que causa uma inadequação dos nutrientes para as crianças maiores . 25 Foi observada pouca variedade de alimentos no cardápio, onde várias frutas típicas da região, com preço acessível e boas fontes de vitaminas e fibras, não entravam no cardápio. Total ausência de folhosos, ervilhas e amêndoas e pouca variedade de hortaliças, leguminosas e oleaginosas. Em relação aos nutrientes e valor energético, observou-se uma oferta calórica abaixo do recomendado, um desequilíbrio entre carboidratos e lipídeos (com oferta de lipídeos sendo de 23 a 31% das calorias, enquanto o recomendado é de até 25%). A oferta de proteínas ficou muito acima da recomendação (era ofertado 1,9 g/Kg/dia, enquanto a recomendação é de 1,5g/Kg/dia), além de uma oferta inadequada de ferro e cálcio (CRUZ et al, 2001). Esses dados mostram a importância de se fazer um acompanhamento mais detalhado da alimentação fornecida nas creches, visto que as crianças passam o dia inteiro na instituição, fazendo lá a maioria (se não todas) das refeições do dia, lembrando sempre que a desnutrição infantil é responsável pela facilidade dessas crianças adquirirem infecções por vírus, bactérias, protozoários e helmintos. 2.2 AS PARASITOSES INTESTINAIS E A DESNUTRIÇÃO INFANTIL A capacidade de agressão dos parasitos depende de vários fatores relacionados ao parasito e ao hospedeiro, como: 26 - em relação ao parasito: o grau de virulência, o local de sua implantação no hospedeiro, quantidade do parasito, a intensidade de sua reprodução; - em relação ao hospedeiro: sua imunidade, idade, ocorrência de outras patologias e hábito alimentar (EVANGELISTA, 1992). As enteroparasitoses podem se manifestar de várias formas, desde casos assintomáticos até os casos com sintomas como: diarréia, perda intestinal de proteínas, desnutrição, anemias, dores abdominais, etc. (MSS & KT & ELGR, 2003). Os parasitos presentes no intestino encontram-se em posição favorável para sua nutrição, visto que estão em um ambiente onde há fácil acesso aos nutrientes dissolvidos, dispersos e emulsificados, os quais são absorvidos pelo parasito antes que pelo hospedeiro (SOLOMONS, 1993). Dessa forma, os parasitos competem com o hospedeiro pelos micronutrientes presentes na dieta. Além disso, o ambiente intestinal é propício para a propagação e disseminação deles (SOLOMONS, 1993). Essa “disputa” pelos nutrientes com perda de processo digestivo e absortivo pelo hospedeiro, não é a única forma dos parasitos causarem danos nutricionais. Também ocorrem espoliações das reservas corpóreas por dano tecidual e resposta catabólica causada pelo “stress” inflamatório (resposta imune de fase aguda) (SOLOMONS, 1993). 27 As parasitoses podem afetar fatores sensoriais, hormonais e neurais que modulam a fome, causando anorexia e/ou vômito. Como exemplo podemos citar os trofozoitos da Giardia lamblia (G.lamblia) que podem causar danos à borda em escova da mucosa intestinal, com perda da atividade de algumas enzimas, particularmente dissacaridases, causando má absorção de carboidratos (NORTHROP-CLEWES, et al 2001, DUARTE & CASTELLANI, 2002; MUNIZ JUNQUEIRA & QUEIROZ, 2002). As infecções helmínticas são consideradas contribuintes da desnutrição infantil através de uma redução aguda na digestão e absorção dos nutrientes (estágios chaves na utilização dos alimentos), inflamação crônica e perda de nutrientes. Na África Tropical a doença helmíntica é endêmica, sendo comum a ocorrência de poliparasitismo. Os casos variam de assintomáticos a sintomáticos, sendo comum a ocorrência de dor abdominal e anemia. Algumas complicações têm sido bem documentadas, como: obstrução intestinal, obstrução pancreática e biliar, apendicites, peritonites e, nos casos de doenças por A. lumbricoides, abscessos hepáticos. Também foi observado o envolvimento do Strongyloides stercoralis (S. stercoralis) em casos de estenose pilórica e isquemia mesentérica em pacientes imunossuprimidos (ANYAEZE, 2003). A espoliação nutricional provocada por alguns parasitos intestinais, pode ocorrer por ação direta ou indireta. Na espoliação direta, o parasito alimenta-se a partir de sangue, líquidos intersticiais, células, tecidos e reserva orgânica do hospedeiro, levando a quadros de anemia (EVANGELISTA, 1992). 28 Estudo realizado em Londrina com crianças e adolescentes, as quais participaram de um programa da Secretaria de Ação Social do Município e freqüentavam unidades educacionais públicas, demonstrou uma prevalência de 41,3% de anemia, o que foi considerado alta na população (TSUYUOKA et al, 1999; MIGLIORANZA et al, 2002; MSS & KT & ELGR, 2003). Foi realizado estudo em cinco bairros de periferia do Município de Viçosa, Minas Gerais, com 171 crianças com 12 a 60 meses de idade que eram atendidas em mutirões de saúde pelo Projeto Anemia. O objetivo do mesmo era avaliar a ocorrência de anemia e correlacionar com o estado nutricional dessas crianças. A avaliação nutricional foi feita por antropometria, com valores de escore Z e a anemia por medição de hemoglobina com uso do aparelho Hemocue (MIRANDA et al, 2003). Os resultados obtidos demonstram: déficits nutricionais de Peso / Idade (P/I), de estatura / Idade (E/I) e de Peso / Estatura (P/E). As crianças com déficit de P/I apresentaram níveis de hemoglobina significativamente menores, dado não observado com os outros índices. Encontrou-se prevalência de 63,2% de anemia. Não se observou associação entre desnutrição energético - protéica e anemia por carência de Fe, com ambas as carências sendo distintas. Esses resultados indicam a necessidade de se desenvolver programas mais efetivos no combate da anemia por carência de Fe e da desnutrição (MIRANDA et al, 2003). A espoliação sanguínea é a espoliação direta mais importante causada pelos enteroparasitos, com a mesma se dando por uso de sangue pelo parasito como nutriente ou através de hemorragias. Essa perda contínua pode causar 29 anemia (hipoglobinemia), hipoproteinemia, hipohemoglobinemia, com conseqüentes distúrbios protéicos, aparecimento de edema, além do desenvolvimento de quadro carencial de outros nutrientes (EVANGELISTA, 1992). A anemia ferropriva é observada quando a reserva orgânica de Fe não é suficiente para a ocorrência da eritropoiese e a manutenção da concentração sanguínea normal de hemoglobina (Hb). Apresenta alta prevalência em todo o mundo, havendo estimativa de que é um problema que afeta metade dos escolares e adolescentes dos países em desenvolvimento, com taxas atingindo até 51%, enquanto que nos países desenvolvidos a estimativa de anemia é de 12% nas crianças menores de 5 anos. O problema afeta também as gestantes e têm como causas principalmente as parasitoses e a baixa ingestão de Fe (MIRANDA et al, 2003). São várias as causas da anemia por carência de Fe. Dentre elas podemos citar: baixa ingestão de Fe na dieta, absorção inadequada do Fe ingerido e as perdas causadas por infecção parasitária (BRITO et al, 2003). Nas deficiências por ingestão inadequada de Fe, deve-se também considerar a interação entre os nutrientes, como a que ocorre entre vitamina C e Fe, visto que a ingestão inadequada dessa vitamina diminui a absorção do Fe de origem vegetal. Já foi observado que o uso da vitamina C junto às refeições pode aumentar a absorção do Fe não heme de duas a quatro vezes (COSTA et al, 2001). A anemia por carência de Fe acarreta várias conseqüências para o organismo, tanto em adultos como em crianças. No adulto, causa principalmente 30 uma diminuição da capacidade produtiva. Já na criança, ocorre alteração no crescimento ponderal e estatural e diminuição da aprendizagem escolar (BRITO et al, 2003). Os sintomas observados são: anorexia, atonia muscular, fraqueza, tontura, irritabilidade, fadiga, palidez e descoloração da mucosa. Para o diagnóstico da anemia, além da observação desses sintomas na clínica, deve ser feito exame hematológico, onde é observada a diminuição dos níveis sanguíneos de Hb, redução do volume de massa eritrocítica e presença de eritrócitos microcíticos e hipocrômicos (COSTA et al, 2001). Indivíduos contaminados por alguns enteroparasitos como ancilostomídeos, que estejam com alta infectividade, podem apresentar perda de sangue elevada, desenvolvendo uma anemia crônica (LABIANO-ABELLO et al, 1999). Foi realizado um estudo na cidade de Jequié, Bahia, onde foram avaliadas 1709 crianças e adolescentes, com idade entre 7 e 17 anos. Foi pesquisada a ocorrência de enteroparasitos, tendo sido encontrado contaminação por: Schistosoma mansoni (S. mansoni), A. lumbricoides, T. trichiura e ancilostomídeos. Além do diagnóstico parasitológico também foi aferida a taxa de Hb por hemoglobinômetro e respondido questionário de consumo alimentar pelo recordatório de 24 horas (BRITO et al, 2003). Foi observado que na maioria das crianças a ingestão de Fe e calorias era inadequada. A prevalência de anemia encontrada foi de 32,2%, sendo que, destes, 0,7% eram casos graves e 31,5% eram casos moderados. À medida que aumentava a renda familiar e o grau de escolaridade do chefe da família, a 31 prevalência da anemia diminuía. A ocorrência de enteroparasitoses não pode ser analisada como fator de risco para anemia, porque todos os indivíduos participantes da pesquisa estavam contaminados com, pelo menos, um parasito e a ocorrência de anemia foi associada à biodisponibilidade deficiente de Fe (BRITO et al, 2003). Estudo desenvolvido por BROOKER et al (1999) com 460 crianças em fase pré-escolar, com idade de 6 a 76 meses em Kilifi, Kenia, demonstrou que 28% delas apresentava infecção parasitária, que 76% era anêmica e essa anemia era mais severa em crianças com infecção parasitária apresentando mais que 200 ovos por grama de fezes. Essa deficiência de Fe comum nas parasitoses intestinais, é responsável por alterações como: disfunções cardíacas, diminuição no metabolismo aeróbico, concentração mental e função cognitiva alterada (que afeta o desempenho escolar), além de maior suscetibilidade às infecções (MIGLIORANZA et al, 2002). Esses dados demonstram a importância de se combater a carência de ferro, seja com suplementação medicamentosa, seja com maior ingestão de Fe dietético. Estudos de COOK e REDDY (2001) demonstraram que a reserva de Fe é mais influenciável, do que a biodisponibilidade na absorção do Fe não heme. Já para a absorção do Fe heme, a biodisponibilidade e a reserva de Fe parecem ter a mesma influência. A carência de Fe junto com a hipovitaminose A e a carência de iodo, são parte da chamada “fome oculta”, que pode não apresentar sinais clínicos detectáveis 32 e não estar associada a doenças multicarenciais, o que pode dificultar seu diagnóstico (RAMALHO & ANJOS & FLORES, 2001). Nas crianças parasitadas devem ser avaliados os nutrientes essenciais, incluindo alguns minerais como sódio, potássio e cloro, visto que podem sofrer espoliação devido aos vômitos e diarréia, sintomas comuns nas doenças parasitárias. Nos casos de crianças e gestantes, deve-se também avaliar as perdas calóricas, já que um aporte calórico adequado se faz importante para um desenvolvimento adequado (STEPHENSON & LATHAM & OTTESEN, 2000). A má absorção causada pelos parasitos promove carência também de vitaminas. Há um relato de caso descrevendo a má absorção de vitamina B12 causada por contaminação por teníase intestinal. Tratava-se de um homem com 61 anos de idade, apresentando fadiga progressiva e “performace” prejudicada há 3 meses. O mesmo tinha história de retardo mental congênito e abuso de álcool por 10 anos, além do hábito de ingerir carne crua. Seus exames constataram anemia megaloblástica com eritropoiese hiperativa e aparência megaloblástica para todas as células precursoras. Também apresentava carência de vitamina B12, perda de 5 Kg em 6 meses e Teste de Schilling demonstrando má absorção de vitamina B12. Pela ileoscopia foi detectada presença de tênia em íleo terminal. A microscopia da biópsia ileal revelou inflamação aguda, presença de eosinófilos em lâmina própria, com arquitetura sem sinais de doença de Crohn. Não foi identificada a presença de outros parasitos. O paciente apresentou boa resposta à terapia com niclosamida e administração parenteral de vitamina B12. (VUYLSTEKE et al, 2004). 33 Os parasitos intestinais podem causar injúria à mucosa intestinal, conduzindo a má absorção e perdas gastrintestinais dos nutrientes. A hipoalbuminemia é freqüentemente observada nos casos de trichuríases. Além do mais, a inflamação no lugar da infecção, parece provocar uma resposta inflamatória sistêmica, com concentrações plasmáticas elevadas de proteínas de fase aguda e de citocinas, que podem induzir anorexia nas crianças, contribuindo para seu déficit de crescimento (NORTHROP-CLEWES et al, 2001). No entanto, tem sido observada uma relação de proteção imunológica dos indivíduos e as parasitoses. Foi realizado um estudo com modelo de ratos infectados pelo helminto da espécie Fasciola hepática (F. hepática), sendo mensurada a proteção ao nível intestinal contra o parasito. A proteção foi aferida em diferentes trechos do intestino delgado e grosso. Os resultados mostraram que o intestino pode representar uma boa barreira imunológica, mas apenas se a proteção é expressa ao longo de todo seu comprimento. Também foi observada a produção de uma IgG (Imunoglobulina G) específica, a qual foi produzida duas semanas após a infecção e necessária para matar o parasito, indicando que provavelmente são necessários alguns dias para o sistema imune reconhecer a infecção pelo parasito (FLORINE & MILLIGEN & CORNELISSEN 1998). Esses estudos mostraram a importância do intestino no sistema imunológico. O trato gastrintestinal é um dos maiores órgãos do sistema imune, atuando como primeira linha de defesa contra antígenos que chegam ao organismo por via oral e patógenos intestinais, como parasitos e bactérias. As células do tecido linfocitário intestinal respondem aos patógenos processando antígenos para reconhecimento pelos linfócitos, iniciando uma cascata de resposta imunológica 34 especializada, regulando a migração de mediadores imunológicos para o intestino infectado e participando diretamente da atividade citotóxica que limita a atividade do parasito e sua sobrevivência. Adicionalmente, o trato gastrintestinal atua como uma barreira não específica (SCOTT & KOSKI, 2000). Os eosinófilos têm papel importante em várias doenças, tanto os presentes nos infiltrados teciduais como os presentes no sangue, estando associados aos casos de helmintíases, asma e alergia atópica (SHIN, 2000). Talvez haja uma relação entre reações alérgicas e casos de protozooses, com alguns trabalhos indicando a amebíase, a giardíase e a blastocistose como fatores etiológicos de alergia tanto em modelos animais como em humanos (USTUN et al, 2004). O aumento do número de células gigantes e de eosinófilos é uma característica das contaminações por helmintos. Inicialmente, pensava-se que o aumento dos eosinófilos fosse para diminuir a ação das células gigantes degranuladas. Hoje se sabe que o eosinófilo é uma célula com importante efeito, in vitro, no ataque a nematodas de importância para humanos e para animais, tendo maior efetividade quando atuando junto com anticorpos e/ou com complemento (MECUSEN & BALIC, 2000). O eosinófilo funciona como uma célula citotóxica tanto nos casos de alergia como nas parasitoses. Neste último caso, os eosinófilos têm a função de proteger o hospedeiro contra os helmintos, sendo responsável por boa parte da resposta inflamatória observada nas infecções helmínticas (USTUN et al, 2004). 35 A eosinofilia ocorre por ação da Interleucina 5 (IL–5), sintetizada pelas células Th2. A IL–5 tem papel importante na transformação e desenvolvimento dos eosinófilos, atuando como ativador dos mesmos (USTUN et al, 2004). Alguns outros componentes do sistema imunológico, como citocinas (Interleucina 3 (IL – 3), IL–5) e IFN - c, ajudam na atuação dos eosinófilos, prolongando sua sobrevida, pela inibição da apoptose in vitro, com algumas dessas citocinas estando aumentadas em indivíduos com parasitoses e em indivíduos alérgicos. A apoptose dos eosinófilos pode representar um mecanismo de equilíbrio do processo inflamatório. Porém, ainda se sabe pouco a respeito da indução de apoptose dos eosinófilos por ação de componentes secretórios dos helmintos (SHIN, 2000). A regulação da apoptose das células do hospedeiro é um mecanismo usado pelos parasitos intracelulares para sobreviverem dentro delas e se reproduzirem, como o Toxoplasma gondii, que inibe a apoptose celular em resposta a vários estímulos (SHIN, 2000). Há indícios de que o Necator americanus (N. americanus) induza apoptose das células T ativadas, de forma a criar uma proteção em torno de si próprio, reduzindo a inflamação, causando uma infecção relativamente assintomática (CHOW & BROWN & PRITCHARD, 2000). A infecção por vermes adultos no intestino induz a hiperplasia de células gigantes e altera a produção de muco no trato gastrointestinal. Essas células gigantes atuam na eliminação desses parasitos e na não fixação de suas larvas (MECUSEN & BALIC, 2000). 36 São vários os trabalhos que relatam o papel dos eosinófilos nas helmintoses, principalmente nas que apresentam no seu ciclo de vida uma fase extra-intestinal (Conti, 1999). Inicialmente pensava-se que os eosinófilos atuassem nesses casos como células reguladoras da reação inflamatória causada pelas células gigantes. Porém, foi observado que o eosinófilo poderia matar o S. mansoni em estágios iniciais e em culturas in vitro. Foi descoberto, in vitro, que os eosinófilos podem matar vários enteroparasitos em fase de larva, que são importantes para humanos e para animais, principalmente em associação com anticorpos e/ou complemento (MECUSEN & BALIC, 2000). Em revisão feita por LOUKAS e PROCIV (2001), há relato de trabalho indicando que os eosinófilos circulantes de indivíduos contaminados com N. americanus estavam aumentados e secretavam superóxido, enquanto que os neutrófilos mantinham seu número e função inalterados. A resposta periférica dos eosinófilos em indivíduos contaminados tanto com N. americanus como com Ancilostoma duodenale (A. duodenale) apresentava-se muito estimulada na chegada e no desenvolvimento dos vermes no intestino, indicando possivelmente uma reação antigênica causada pela presença de larvas L4 (estágio larvário 4) e no estágio adulto. Alguns estudos através de análises histopatológicas indicam um papel dos eosinófilos na resistência parasitária in vivo. Outros têm associado eosinófilos e a presença de parasitos mortos em cortes histológicos de tecidos contaminados. Porém, não concluem se essa associação ocorreria no momento em que o enteroparasito morre, ou por inflamação devido ao tecido lesado (MECUSEN & BALIC, 2000). 37 Quando a resistência apresentada pelo organismo do hospedeiro é vencida pelo parasito, surgem muitas vezes quadros de diarréia. Nos países em desenvolvimento, a diarréia é a principal causa da mortalidade infantil e uma causa / efeito da desnutrição. Dentre as crianças expostas a riscos elevados de desenvolverem infecções intestinais, a diarréia é a segunda principal causa de visitas ao pediatra. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de um bilhão de episódios de diarréia ocorram anualmente entre as crianças menores de cinco anos de idade nesses países, resultando em mais de três milhões de mortes (SEMINÁRIO DE NESTLÉ, 1999; TOPOROVSKI et al., 1999; OSHIRO, et al 2000, NIEHAUS et al 2002; SCHNACK et al, 2003). Em 1994 já se estimava a morte de 500.000 crianças por diarréia aqui no Brasil, enquanto que para os Estados Unidos a estimativa era de 10.000 pessoas por ano (SABRA, 1994). A diarréia do viajante é uma entidade que pode afetar tanto crianças quanto adultos, quando percorrem regiões em que a doença diarréica é endêmica (NESTLÉ, 1996). Essa pode ser definida como uma diarréia aguda que ocorre durante a viajem ou logo após o retorno para casa. Costuma ter início após o terceiro dia da viajem, tendo quadro clínico e gravidade dependentes da exposição à contaminação, da virulência do agente etiológico e da capacidade de resposta imune do indivíduo. As fontes de contaminação normalmente são os alimentos, que veiculam principalmente as bactérias e a água, que veicula principalmente protozoários como a G. lamblia e os vírus. Dentre os enteroparasitos mais comuns 38 estão: Cryptosporidium sp, G. lamblia, S. stercoralis e Entamoeba hystolytica (E. hystolytica) (SABRA, 1994). A diarréia pode ter como causa vários microorganismos, como: enteroparasitos (Giardia spp, Criptosporidium spp, E. histolytica), bactérias (Campylobacter jejuno, Escherichia coli, Salmonella spp, etc) e vírus (adenovirus, rotavirus, etc) (VARGAS et al, 2004). Essa contaminação pode ocorrer por via oral, através do uso de água e alimentos contaminados através de dejetos, esgotos e mãos de pessoas contaminadas (SABRA, 1994). A maioria dos relatos de casos de diarréia enfatiza a contaminação por bactérias e vírus. No entanto, helmintos e protozoários também são causas potentes de diarréia. Quando o hospedeiro apresenta alguma de suas barreiras imunológicas em desequilíbrio, o parasito desenvolve sua patogenia, causando depleção das reservas do hospedeiro e alterações físicas e metabólicas (MIRDHA & SAMANTRAY, 2002). Em estudo desenvolvido em comunidade carente da Índia com 939 amostras fecais, no período de abril de 1996 a abril de 2001, a ocorrência de diarréia foi relacionada principalmente com E. histolytica/E.díspar, mais do que com G. lamblia, apesar dessa última ter sido mais prevalente, quando comparada com a primeira (MIRDHA & SAMANTRAY, 2002). Ainda nesse estudo, o exame parasitológico de fezes foi positivo em 33,6% das amostras fecais. Do total de resultados positivos, 29,4% o eram para Hymenolepis nana (H. nana), sendo esse o helminto mais observado nesse estudo, 39 seguido por A. lumbricoides. Outros parasitos, como E. vermicularis, T. trichuris, e S. stercoralis, foram encontrados, porém em quantidades não significativas. Os sintomas mais observados foram diarréia e cólica abdominal (MIRDHA & SAMANTRAY, 2002). Foi realizada uma investigação em Criciúma, Santa Catarina, com o objetivo de pesquisar a etiologia da diarréia infantil na área metropolitana dessa cidade. Foram incluídos 94 casos de diarréia e 45 casos controles, sendo crianças com idade de 0 a 5 anos as quais eram atendidas no Centro de Saúde Municipal. No grupo controle (não diarréico) não foram encontrados bactérias e vírus, porém encontrou-se 2,9% de G. lamblia e 2,5% de E. histolytica. O enteroparasito mais freqüente foi o Cryptosporidium sp (C. sp) (85,1%), seguido por E. histolytica (56,4%) e G. lamblia (4,3%). Porém, principalmente nos casos de G. lamblia, não pode ser feita uma correlação segura com a ocorrência de diarréia, por ter sido utilizada apenas uma amostra fecal, sendo a eliminação desse parasito feita de forma intermitente. Esse estudo pode ser um indicativo de que a alta ocorrência de enteroparasitos entre as crianças com diarréia, é um sério problema de saúde pública na região (SCHNACK et al, 2003). No processo diarréico desencadeado pelos patógenos entéricos observase adesão ao epitélio intestinal e, às vezes, sua invasão, proliferação in situ, produção de toxinas, danos às células epiteliais maduras, alteração do transporte normal da água, eletrólitos e nutrientes, atração por quimiotaxia dos leucócitos e liberação de citocinas, estímulo às respostas inflamatórias locais e sistêmicas, dentre outras (NESTLÉ, 1996). 40 Nos países em desenvolvimento, protozoários intestinais como G. lamblia e C. parvum são muito importantes, especialmente nas áreas em que os padrões de higiene são inadequados (NESTLÉ, 1996). Esses protozoários podem produzir uma diarréia secretora. Nesses casos, perde-se alguns micronutrientes, como magnésio, zinco, Fe e cobre em quantidades importantes. Essas perdas são observadas principalmente nos casos de diarréia com severa desidratação (SOLOMONS, 1993). G. lamblia é um protozoário binucleado, flagelado, o qual foi descoberto por Van Leeuwenhoek em 1681 (ALI & HILL, 2003). Em estudo feito no Brasil com trofozoítas de G. duodenalis, foi observado atividade de proteases, com predomínio de cisteína proteinases. Esses achados podem ou não indicar que proteases estejam envolvidas com a virulência e patogenicidade desse parasito. Ainda são necessários mais estudos para confirmação desses dados (GUIMARÃES & SOGAYAR & FRANCO, 2003). A contaminação por G.lamblia é mais comum por ingestão de cistos presentes na água, que podem também serem carreados por moscas caseiras, mas a transmissão de pessoa a pessoa também é observada, principalmente em ambiente com pouca higiene, podendo se tornar um problema em instituições e creches, também pelo fato das crianças serem mais acometidas que os adultos (LINCOLN & FREIRE, 2000; ALI & HILL, 2003). Nos países em desenvolvimento, a G. lamblia é uma das principais causas de diarréia em crianças, que podem desenvolver carências nutricionais e déficit de desenvolvimento. Os indivíduos contaminados podem ser assintomáticos, 41 como podem apresentar diarréia aguda ou diarréia persistente, essa última promovendo má absorção de vários nutrientes, como gorduras, vitaminas lipossolúveis, Fe, vitamina B12, etc., que pode trazer uma série de conseqüências para a criança (NEVES 2003). Ainda há evidencias de que a G. lamblia esteja associada à digestão deficiente de proteínas e gorduras. Crianças com giardíase sintomática apresentam níveis reduzidos de dissacaridase e uma digestão incompleta de lactose quando ingerida uma quantidade de 250 mL de leite. Porém, mais estudos são necessários para se esclarecer os mecanismos de má digestão nos casos de giardíase (SOLOMONS, 1993; TANDON et al, 1977). Há teorias de danos diretos na borda em escova e na mucosa do intestino causados pelos trofozoitos. Também há descrição de alteração no conteúdo da bile ou da flora intestinal, o que contribuiria para os quadros de diarréia (ALI & HILL, 2003). Outros mecanismos prováveis são a formação de uma barreira mecânica à absorção e a invasão à mucosa, pelo parasito (TANDON et al, 1977). TANDON et al (1977) desenvolveram um estudo com 63 indivíduos com diagnóstico de giardíase para correlacionar a parasitose com esteatorréia, que foi observada em 27% dos casos. Também houve relatos de dor abdominal e perda de peso nos casos com e sem esteatorréia, porém a perda de peso ocorreu principalmente no grupo que apresentou esteatorréia. Observaram, também, sinais de alterações no metabolismo/conjugação dos sais biliares. Os autores concluíram que o crescimento de bactérias e a desconjugação de sais biliares são possíveis 42 causas da má absorção de gorduras nesses pacientes com giardíase (TANDON et al, 1977). Crianças desnutridas e imunossuprimidas apresentam maior facilidade de desenvolver a giardíase e ter persistência da infecção. Barreiras do hospedeiro, como a acidez gástrica, que está diminuída no desnutrido, também interfere no desenvolvimento dessa parasitose (SULLIVAN et al, 1990). Há estudo atribuindo uma prevalência de giardíase em crianças com desnutrição e hipocloridria gástricas na Guatemala (SOLOMO, 1993). Foi também descrito que pacientes com deficiência de IgA secretória e os que possuem doença celíaca apresentam facilidade em ter giardíase recorrente, podendo ser de difícil erradicação (LINCOLN & FREIRE, 2000). O C.parvum apareceu como uma importante causa de diarréia em todo o mundo, principalmente em crianças com pouca idade e em imunossuprimidos. Sua contaminação pode se dar de um indivíduo para o outro, por água e alimentos transmissão. Em indivíduos com deficiência imunológica, como observado em crianças desnutridas contaminadas por esse parasito, observa-se o desenvolvimento de quadro de diarréia crônica, podendo ocorrer complicações (ENRIQUEZ et al, 1997). No entanto, sua patogenia ainda é pouco conhecida. Em biópsias intestinais de pacientes com esse parasito, foi observado atrofia vilositária, infiltrado inflamatório e alteração de forma dos enterócitos. Possivelmente ocorre má absorção nos casos de lesões prolongadas. Em indivíduos sadios, é uma doença autolimitada, com atuação de mecanismos imunológicos de defesa na eliminação do parasito (LINCOLN & FREIRE, 2000). 43 E. histolytica é a forma responsável pelo desenvolvimento da amebíase no homem, sendo comum em crianças dos países em desenvolvimento. A grande maioria dos casos ocorre de forma assintomática. Quando se torna invasiva, causa lesões graves em mucosa intestinal, processo inflamatório, podendo migrar para outros órgãos como fígado e pulmão formando abscesso e para a pele formando úlceras. Também pode causar lesões intestinais provocando cólica acompanhada de diarréia, com perda de muco e sangue. São parasitos com capacidade com fagocitose, a qual está relacionada com a virulência da cepa (LINCOLN & FREIRE, 2000). Sua transmissão fecal-oral é observada onde há falta de higiene com os alimentos e também ocorre contaminação da água. Sua prevalência elevada indica falta de condições de saneamento do local. Ocorre principalmente em adultos jovens, podendo acometer também crianças com idade entre 2 e 5 anos. Pode ser observada em todo o mundo, porém é mais freqüente nos países em desenvolvimento (LINCOLN & FREIRE, 2000). Entre janeiro de 1999 e julho de 2002, foi realizado um estudo sobre a ocorrência de diarréia aguda associado à E. histolytica em crianças em fase préescolar em Bangladesh. Nesse estudo, as crianças com melhor estado nutricional tiveram menos episódios de diarréia quando comparado com crianças desnutridas e foi baixa a incidência de diarréia persistente, o que poderia ser explicado pelo melhor estado nutricional dessas crianças. A associação entre diarréia e E. histolytica em crianças bem nutridas também foi menor comparado com as desnutridas (HAQUE et al, 2003). 44 Assim, torna-se importante dar atenção aos indivíduos que apresentem essa parasitose, visto a gravidade do quadro que pode ser desenvolvido (HAQUE et al, 2003; NEVES 2003). Blastocystis hominis (B. hominis) é um protozoário com taxonomia e patogenia ainda incertas. Alguns pacientes contaminados com esse protozoário apresentam diarréia, porém em alguns desses casos estão associados a outras causas como bactérias, vírus ou protozoários potenciais de diarréia (HARRISON, 1998). Ultimamente vem sendo descrito como um dos parasitos mais encontrados nos exames parasitológicos de fezes tanto de indivíduos assintomáticos como sintomáticos, com relatos de casos com invasão de mucosa intestinal, dor abdominal, constipação, diarréia, vômitos, fadiga, anorexia, náuseas, cefaléia, intolerância alimentar e flatulência. Porém, quando se diagnostica o B. hominis junto com outros parasitos em paciente sintomático, fica difícil determinar qual deles é responsável pela sintomatologia, sendo necessário mais estudos sobre sua patogênese e sintomatologia (LINCOLN & FREIRE, 2000). Vários trabalhos também relacionam desnutrição e helmintoses. Em estudo realizado com crianças brasileiras (Centro de Nazaré, Bahia), foi demonstrado que aquelas contaminadas com S. mansoni apresentavam quadro de desnutrição mais severo que as não contaminadas, desnutrição essa, detectada através de dados antropométricos e comparados com os padrões do National Center for Health Statistic (NCHS) (ASSIS et al., 1998). 45 Outros helmintos que parasitam o intestino do homem, particularmente A. lumbricoide, T. trichiura, A. duodenale e N. americanus estão também associados com determinadas condições, como carência de vitamina A, diarréia e anemia por carência de Fe, mostrando a relação entre as parasitoses e a ocorrência de desnutrição (FERREIRA, et al, 1998; GILGEN & MASCIE-TAYLOR & ROSETA, 2001). A. lumbricoides é o nematoda causador da ascaridíase. No ano de 2000 fez-se uma estimativa de sua infecção no mundo, sendo observada prevalência de 73% na Ásia, 12% na África e 8% na América Latina. A ascaridíase em humanos é cosmopolita, ocorrendo tanto em clima temperado como em clima tropical. Sua contaminação normalmente está relacionada com as condições sócio-econômicas do local, práticas de agricultura, tipo de moradia, eliminação de dejetos fecais, hábitos culturais e alimentares e higiene dos alimentos. A ocorrência da doença dependerá não apenas do número de parasitos encontrados no hospedeiro, como também do tempo de infecção e o estado de saúde do hospedeiro (LORCAIN & HOLLAND, 2000; NEVES, 2003). A associação de contaminação por A. lumbricoides e desnutrição é bem estudada, muitas vezes não podendo se determinar o que é a causa e/ou efeito entre ambos (TRIPATHY et al, 1971). Há estudo demonstrando uma diminuição moderada na digestão e absorção de proteínas em crianças infectadas com A. lumbricoides, sugerindo que essa perda pode ser um fator importante para a ocorrência de hipoalbuminemia em crianças que já têm sua ingesta protéica deficiente (TRIPATHY et al, 1971). Em 46 estudo realizado por TRIPATHY et al (1971), onde participaram 12 crianças com idade entre 5 e 10 anos, relacionou-se a contaminação por A. lumbricoides com a absorção de proteínas, gorduras e carboidratos da dieta. Os resultados demonstraram uma absorção deficiente desses nutrientes, apontando evidências de que a lesão na mucosa intestinal é a possível causa para essa má absorção detectada nas crianças. Pode ser observado no intestino atrofia das vilosidades e infiltração celular da lâmina própria. Além da má absorção dos macronutrientes, também ocorre baixa absorção de vitamina A, iodo e lactose, acompanhado de redução de apetite (LORCAIN & HOLLAND, 2000). Como a infecção intestinal pode promover a carência nutricional, esta também pode levar à deficiência imunitária, afetando a resistência inata e outras atuações do sistema imune, que são importantes na defesa contra os parasitos. Há estudo da década de 80 que já indicava a relação entre A. lumbricoides e a diminuição da resposta imune (LORCAIN & HOLLAND, 2000). A. duodenale e N. americanus são nematodas causadores de ancilostomose. Na América Latina, são observados muitos casos de contaminação por N. americanus. Há dados indicando alta prevalência desse enteroparasito no Brasil, com 57% de ocorrência em Córrego do Bernardo, Minas Gerais, porém, podendo ser encontrado, também, o A. duodenale (LABIANO-ABELLO et al, 1999; NEVES, 2003). 47 A contaminação pode ocorrer por processo ativo ou passivo. A contaminação passiva ocorre por via oral. No processo ativo, as larvas penetram pela pele, principalmente dos pés e das mãos, provocando a formação de erupções com inflamação local e passam pelo coração, pulmão e vias aéreas até chegarem ao intestino, causando lesões nos órgãos (NEVES, 2003). A infecção causada pelo A. duodenale é mais grave que a causada pelo N. americanus, dependendo do estado nutricional em que o hospedeiro se encontra e do grau de contaminação (LINCOLN & FREIRE, 2000). Apesar de provocar alterações em outros órgãos, a ancilostomose é caracterizada pelo parasitismo intestinal. Pode ser observado: dor epigástrica, diminuição do apetite, indigestão, cólica, indisposição, náuseas, vômitos, flatulência, ocorrência ou não de diarréia sanguinolenta, e constipação com menos freqüência. Os sintomas se intensificam quando ocorre a deposição dos ovos. No intestino, o exame histopatológico demonstra processo inflamatório, destruição de fibras colágenas e destruição de vasos (NEVES, 2003). Porém, a principal característica da ancilostomose é a anemia causada pelo hematofagismo feito pelos vermes adultos, principalmente pelo A. duodenale. Em uma fase crônica da doença, temos como característica a ocorrência de anemia e hipoproteinemia, que podem ser corrigidas com dieta, sem necessariamente a eliminação do parasito. A anemia observada é microcítica e hipocrômica, podendo ocorrer leucocitose, eosinofilia e baixas taxas de hemoglobina (NEVES, 2003). As mulheres e as crianças pequenas são mais vulneráveis à ocorrência de anemia com 48 essas perdas crônicas de sangue, por terem uma reserva de Fe menor (HOTEZ et al, 2004). Na atuação do sistema imunológico contra nematodas, é aceito que o CD4 e célula T tenham atuação importante, junto com células T-helper 2 (Th2). Mas ainda não se sabe ao certo qual o mecanismo do sistema imunológico é atuante na expulsão desses enteroparasitos. Porém, sabe-se que na necatoríase estão envolvidos Imunoglobulina E (IgE), eosinofilia e participação de células do Th2. Isso indica uma possível resposta de hipersensibilidade alérgica do hospedeiro (PRITCHARD & BROWN, 2001). Há uma hipótese de que o N. americanus se proteja dos ataques do hospedeiro por alguns mecanismos, como: indução da apoptose de células T ativadas, controle tissular da eosinofilia através da neutralização de espécies reativas de oxigênio e destruição ou seqüestro de eosinófilo, e inibição de IgE. Dessa forma, o paciente contaminado não desenvolveria o processo inflamatório comumente observado, o que seria uma possível explicação para pacientes com altos índices de contaminação, porém assintomáticos (PRITCHARD & BROWN, 2001). Cerca de 50% dos casos de contaminação por S. stercoralis é sintomático, ocorrendo diarréia, dor abdominal, náuseas e vômitos, que representam os sintomas gastrointestinais mais comuns. Considerando que essa parasitose pode ter importância na saúde pública dentre as crianças em idade pré-escolar, e o maior risco dessa faixa etária desenvolver desnutrição, crianças com estrongiloidíase 49 devem ter um bom acompanhamento (STEPHENSON & LATHAN & OTTESEN, 2000). Do que foi relatado acima, é difícil determinar qual é causa e qual é efeito, visto que tanto a parasitose como a desnutrição estão no mesmo ambiente: pobreza e condições sanitárias precárias (MUNIZ-JUNQUEIRA & QUEIROZ, 2002). 2.3 PREVALÊNCIA DAS ENTEROPARASITOSES EM CRIANÇAS BRASILEIRAS As parasitoses intestinais representam um grave problema sanitário no Brasil, visto que acometem grande número de pessoas, podendo estas sofrerem distúrbios orgânicos importantes ocasionando muitas vezes a morte do indivíduo (MARCONDES, 1987). O Brasil possui uma grande diversidade geográfica, climática, econômica e social, diversidade essa que pode ser refletida na grande variedade de enteropatógenos causadores de diarréia (SCHNACK et al, 2003). São várias as protozooses e helmintíases Intestinais de importância no Brasil, como: amebíase, giardíase, balantidíase, tricomoníase, esquistossomose, himenolepíase, teníase, ancilostomíase, ascaridíase, enterobíase e estrongiloidíase (EVANGELISTA, 1992; ROCHA et al., 2000; GIRALDI et al., 2001). 50 Um dos primeiros estudos sobre a prevalência de enteroparasitoses em crianças em um grande centro urbano no Brasil foi realizado na cidade de São Paulo em 1973/74. Nesse estudo foi feito um inquérito domiciliar com amostras fecais de crianças menores de 5 anos. Observou-se que um terço das crianças apresentava pelo menos uma espécie de parasito, sendo os mais freqüentes A. lumbricoides, T. trichiura e G. lamblia. Dez anos após, foi realizado um novo inquérito na mesma cidade (1984/85), observando-se substancial redução na ocorrência das enteroparasitoses nas crianças. Nos dois inquéritos foi observada uma associação entre nível socioeconômico e ocorrência de enteroparasitoses (FERREIRA & FERREIRA & MONTEIRO, 2000). Dando continuidade a esses estudos, foi realizado outro inquérito na mesma cidade, com crianças menores de 5 anos em 1995/96. Foi encontrado em 10,7% das crianças, cistos ou ovos de parasitos intestinais. As espécies mais encontradas foram G. lamblia, A.lumbricoides e T. trichiura, nessa ordem, juntos perfazendo 97,3% das amostras positivas. A ocorrência variou de acordo com a idade. Até os 6 meses, eram ausentes, ascenderam até os 3 anos e se estabilizaram a partir dessa idade. Também observou-se que o risco de contaminação diminuía consideravelmente à medida que aumentava a renda familiar e o grau de escolaridade das mães (FERREIRA & FERREIRA & MONTEIRO, 2000). Há uma estimativa de que 1,5 milhões de pessoas estejam contaminadas por A. lumbricoides, com sua prevalência nas Américas Central e do Sul chegando a 8%. Estudos realizados no Brasil com crianças em idade pré-escolar e escolar,também indicam alta prevalência desse enteroparasito (FORTES et al, 2004). 51 Em estudo realizado com o objetivo de determinar a distribuição do A. lumbricoides no Rio de Janeiro mostrou uma prevalência desse enteroparasito de 32%. Também foi observado que apresentaram maior risco de contaminação aqueles que residiam em domicílios com mais de um morador por cômodo, com coleta de lixo irregular, a dona de casa apresentando baixo nível de escolaridade, baixa renda familiar e a não utilização de água filtrada (FORTES et al, 2004). Em estudo realizado com a população de Assis, estado de São Paulo, encontrou-se principalmente casos de G. lamblia, A. lumbricoides e T. trichiura, em todas as faixas etárias estudadas (crianças e adultos) (LUDWIG ET AL, 1999), sendo esses os parasitos com maior freqüência nos estudos já realizados em nosso país (DÓREA et al., 1996; NUNES et al., 1997; FERREIRA & JÚNIOR, 1997; MACEDO et al., 1998; BOIA et al., 1999; SCOLARI et al., 2000). No período de setembro de 1994 a dezembro de 1995 foi realizado um estudo em Uberlândia, Minas Gerais, onde foi pesquisada a prevalência de S. stercoralis e de outras enteroparasitoses em 300 crianças com idade entre 4 meses e 7 anos de idade. Nos resultados, observou-se que 35,5% das crianças estavam infectadas por mais de um tipo de parasito, demonstrando ser um sério problema de saúde pública em Uberlândia (MACHADO & COSTA-CRUZ, 1998). Segundo a UNICEF, as crianças menores de cinco anos refletem bem o grau de contaminação de uma região, por serem indivíduos que têm pouca capacidade de deslocamento e maior vulnerabilidade. As crianças normalmente são mais expostas à contaminação, por maior contato com solo, por exemplo. Postula-se para vários parasitos, principalmente A lumbricoides, que a diminuição na ocorrência 52 com o passar da idade, deve-se a mudanças nos hábitos de higiene e ao desenvolvimento de imunidade contra os parasitos (MACEDO et al, 1998; LUDWIG et al, 1999). Está bem demonstrado que as parasitoses intestinais ocorrem principalmente em regiões menos desenvolvidas. A ocorrência de parasitoses, com sua prevalência, varia de acordo com clima, condições sócio-econômicas, educacionais e sanitárias da região. Nos países em desenvolvimento, elas podem chegar a índices de 90%, aumentando a medida que piora o nível sócio-econômico. No Brasil, foram realizados vários estudos populacionais sobre parasitoses intestinais, com a freqüência variando de acordo com as condições de saneamento do local e da população estudada. Há indicadores de diminuição da prevalência de parasitoses intestinais à medida que aumenta o número de ligações de água e esgoto (LUDWIG et al, 1999; CARVALHO et al, 2002; MSS & ELGR, 2003). 2.4 AS ENTEROPARASITOSES COMO INDICADORES DAS CONDIÇÕES DE SANEAMENTO DA POPULAÇÃO Como relatado anteriormente, as enteroparasitoses são indicadores das condições de saneamento em que as populações vivem. Quase sempre, a ocorrência de helmintíases está relacionada a: carência econômica, saneamento básico inadequado e falta de higiene. Em países em desenvolvimento, pode atingir índices de até 90% (CARVALHO et al, 2002). No Amazonas, foi observado uma distribuição universal das enteroparasitoses, ocorrendo variações inter e intra-regionais, que dependem de 53 fatores, como: constituição do solo, índice de aglomeração da população, condições socioeconômicas, sanitárias e educacionais, presença de animais em peridomicilios, condições de contaminação e uso de solo, água e alimentos, e as condições para desenvolvimento das larvas e dos ovos de helmintos, cistos e protozoários (COURA et al, 1994). Em 1998 foi publicado um estudo, realizado no período de março de 1990 a outubro de 1991, com pré-escolares residentes em quatro áreas de baixa renda da cidade do Rio de Janeiro (Morro da Formiga na Tijuca, Comunidade Nelson Mandela em Manguinhos, Comunidade Vila Nova Cruzado em Jacarepaguá e Favela do Jacarezinho). Foi avaliado cerca de 78% do total de pré-escolares estimados pela Secretaria de Habitação no período estudado. A prevalência de enteroparasitoses observada através do inquérito coproparasitológico foi de 54,5%, com o poliparasitismo variando de 32,5% em Jacarezinho a 63,4% em Vila Nova Cruzado. Os parasitos mais freqüentes foram G. lamblia e A. lumbricoides, sendo responsáveis pelo parasitismo de 25% das crianças (MACEDO et al, 1998). A contaminação por enteroparasitos pode ocorrer por ingestão de ovos ou cistos contidos em água e/ou alimentos contaminados, quando objetos ou partes do corpo contaminados por conteúdo fecal são levados à boca, pela ingestão de cistos presentes em carne de animal ou por penetração ativa de larvas de nematodas na pele ou mucosa, através do contato com solos poluídos, causando lesões teciduais e promovendo um MARCONDES, 1987). déficit do estado nutricional (EVANGELISTA, 1992; 54 Foi realizado estudo em 10 comunidades escolares de regiões periféricas de Sorocaba, São Paulo, as quais apresentaram alta incidência de giardíase, sendo feito a análise da presença de formas transmissíveis de enteroparasitos em água e hortaliças cruas, no período de agosto de 1997 a julho de 1998. Das 10 escolas, apenas uma não apresentou contaminação. A água de quatro escolas estava contaminada. Entre as hortaliças, quando in natura, essas apresentaram contaminação em nove das dez escolas e quando lavada, houve contaminação em quatro delas. Nas amostras de água contaminada, foram encontrados ovos de Hymenolepis diminuta e larvas de nematodas. Nas hortaliças foram encontrados nematodas, G. lamblia e A. lumbricoides. A contaminação das verduras pode acontecer durante a irrigação, na coleta, transporte, armazenamento ou na comercialização. As hortaliças lavadas apresentaram menor contaminação, porém essa pode ter ocorrido através de água contaminada (COELHO et al, 2001). Devido à diversidade dos parasitos que são capazes de infectar o homem, existem vários fatores pertinentes à avaliação da possível etiologia da parasitose. Devemos avaliar: as espécies dos parasitos encontrados no local, o clima, os hábitos de higiene, o grau de educação sanitária da população, a presença de serviços públicos de esgoto, o abastecimento de água e as condições econômicas da região. Também devem ser avaliadas a presença de animais no peridomicílio, a constituição do solo, a capacidade de evolução das larvas e ovos dos helmintos e dos cistos de protozoários, em cada um dos ambientes (EVANGELISTA, 1992; HARRISON, 1998; BOIA et al, 1999; GRILLO, et al, 2000; SCOLARI et al, 2000;). Foi desenvolvido um estudo no município de Novo Airão, Amazonas, com uma amostra de 490 pessoas, para traçar o perfil parasitológico do município. 55 Constatou-se que havia um alto índice de parasitoses transmitidas pela água, como A. lumbricoides (35,1%), E. histolytica (29,1%) e G.lamblia (17,4%) e menor índice por penetração de larvas, como ancilostomídeos (4,7%). Esse estudo demonstra a importância de se determinar as condições ambientais e o tipo de contaminação da população, para que se possa eliminar ou reduzir o problema na região estudada (BOIA et al, 1999). No estudo das enteroparasitoses deve ser feita uma anamnese com o paciente, o mais detalhada possível, incluindo pontos como: etiologia das diferentes parasitoses, casos de viagens e/ou migrações, histórico alimentar, permanência em creches (quando criança), tipo de laser, ocupação, dentre outros (HARRISON, 1998). 2.5 AVALIAÇÃO DE ENTEROPARASITOSES E DESNUTRIÇÃO 2.5.1 DIAGNÓSTICO PARASITOLÓGICO O diagnóstico laboratorial das enteroparasitoses geralmente é feito a partir do exame parasitológico de fezes (EPF) para detectar a presença dos parasitos, e normalmente devem ser examinadas no mínimo três amostras, coletadas em dias alternados. Dentre os exames complementares, que dependerão do tipo de parasitose que está sendo pesquisada, podem ser citados dentre outros, o hemograma e os métodos imunológicos para a detecção de anticorpos e de antígenos (MARCONDES, 1987; HARRISON, 1998). 56 No EPF para diagnóstico de parasitoses é feita pesquisa das várias formas parasitárias que podem ser eliminadas nas fezes. Normalmente faz-se um exame macro e microscópico (NEVES, 2003). No exame macroscópico são observados: consistência das fezes, odor, presença de alguns elementos, como muco, sangue, helmintos adultos ou partes deles. No exame microscópico, são observados os ovos ou larvas dos helmintos, trofozoítas, cistos, ou oocistos dos protozoários. Esses exames ainda podem ser: quantitativos, onde é feita a contagem dos ovos nas fezes; e qualitativos, que são os mais usados, onde são pesquisadas as formas parasitárias (NEVES, 2003). A quantificação de ovos de helmintos nas fezes é importante para estimar a intensidade da infecção, a qual indica a gravidade da parasitose e pode ajudar na cura do hospedeiro. Além disso, sabendo-se a intensidade da infecção pode-se estimar o grau de contaminação dentro da família ou na comunidade e ainda avaliar as condições de saneamento do ambiente em que o hospedeiro vive (ARAÚJO et al, 2003). 2.5.2 DIAGNÓSTICO NUTRICIONAL Para que seja realizado o diagnóstico nutricional o mais completo possível, é necessário que seja feita coleta de vários indicadores, incluindo: antropometria, avaliações bioquímicas, dados clínicos e dietéticos e dados socioeconômicos. Em entrevista com a criança (ou seu responsável), é importante notificar: história alimentar (colhe-se dados a respeito de hábito alimentar, se a dieta mantida 57 atende às necessidades nutricionais da criança, história social (onde é avaliada a ligação entre mãe e filho), análise de renda familiar, escolaridade e condições de moradia (KELTS & JONES, 1988; DUARTE & CASTELLANI, 2002). Na antropometria, são aferidas medidas que possibilitam a avaliação dos compartimentos protéico e de gordura da criança e que permitem a avaliação do desenvolvimento/crescimento da mesma. Dentre as medidas antropométricas, normalmente são aferidas: Peso (passível de mudanças em curtos intervalos de tempo, indicando desnutrição precoce); Estatura (as variações são mais lentas, indicando perdas nutricionais a longo prazo); Índices P/I – E/I e P/E; Circunferência do braço (estima massa magra) e Prega Cutânea Triciptal (estima massa gorda) (DUARTE & CASTELLANI, 2002). Dentre os indicadores bioquímicos utilizados para complementar o diagnóstico nutricional, podemos utilizar: Hemograma (identificação de anemias); Retinol sérico (hipovitaminose A freqüente em crianças menores de 5 anos); Albumina (DUARTE & CASTELLANI, 2002). A partir desses dados, é possível fazer um diagnóstico nutricional dos indivíduos e indicar a situação nutricional da população. Essas informações podem ser usadas para determinar o emprego ou não pelo governo de programas de alimentação e nutrição. O governo atual, por exemplo, lançou o programa “FOME ZERO” . Esse programa envolve mudanças econômicas e sociais, considerando as condições de 58 pobreza das regiões brasileiras.Tem como objetivo erradicar a fome em 9,3 milhões de famílias que tenham como renda menos de um dólar por dia, cerca de R$80,00 por mês, nos quatro anos de governo. São propostas várias ações de combate à fome, como: combater desperdício de alimentos, venda direto do produtor, reforço e readequação da merenda escolar, dentre outros (REVISTA CFN, N 8, 2002). Também podemos citar o estudo de SOARES (2001), onde foi caracterizada a prevalência de desnutrição e o grau de recuperação de crianças assistidas pelo Programa de Assistência ao Desnutrido e à Gestante de Risco Nutricional, desenvolvido em Unidade de Saúde do Município de Fortaleza. O programa foi uma das estratégias governamentais usadas para enfrentar o problema da desnutrição. O principal objetivo do programa foi reduzir a prevalência da desnutrição no município. Esse estudo serviu para mostrar que na hora de fazer o diagnóstico nutricional, deve-se escolher criteriosamente os parâmetros utilizados e que quando o programa governamental é desenvolvido com seriedade, pode-se ter bons resultados, (SOARES & PARENTE, 2001) sendo de grande importância que a educação nutricional seja sempre incluída nos programas governamentais (RAMALHO & SAUNDERS, 2000). CANESQUI (1976), apud RAMALHO e SAUNDERS (2000), relata que alguns estudos mostram que a população carente classifica os alimentos em diferentes categorias, como os alimentos “fortes” e “fracos”. Consideram como alimentos fortes aqueles que fornecem energia para o trabalho e como alimentos fracos, aqueles que são usados pelos doentes, assim como alimentos pesados os 59 que provocam algum tipo de desconforto no trato digestivo. Vale lembrar que o hábito alimentar reflete o padrão cultural e socioeconômico de uma população. A educação nutricional ensina os bons hábitos alimentares aos indivíduos, respeitando, porém, dentro do possível, a cultura da população atendida, auxiliando dessa forma, os trabalhos que visam a melhoria nutricional de uma determinada população. Sendo assim, o presente trabalho tem o propósito de gerar dados que indiquem o real estado nutricional das crianças assistidas nas creches municipais e/ou municipalizadas de Niterói, e a relação dessa condição com a ocorrência de parasitoses intestinais, o que irá refletir as condições de saneamento em que essas famílias vivem e o grau de educação sanitária das mesmas. 3 HIPÓTESE A presença de parasitoses intestinais está relacionada ao estado nutricional, às condições socioeconômicas e sanitárias das crianças infectadas. 4 OBJETIVOS 4.1 OBJETIVOS GERAIS Correlacionar a presença de parasitoses intestinais com o estado nutricional e com as condições socioeconômicas e sanitárias das crianças de três creches públicas do município de Niterói. 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS x Diagnosticar as parasitoses intestinais na população infantil estudada. x Fazer a correlação entre eosinofilia e parasitoses intestinais. x Diagnosticar o estado nutricional das crianças avaliadas. x Fazer a correlação entre parasitoses intestinais e estado nutricional das crianças estudadas. 62 x Indicar as condições socioeconômicas e sanitárias da população estudada. 5 MATERIAL E MÉTODOS 5.1 COMISSÃO DE ÉTICA O presente trabalho foi aprovado pela comissão de Ética do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), protocolo No. 094 / 04 em 07/07/2004. Termo de consentimento: Foi solicitada a assinatura dos pais ou responsáveis pela criança do termo de Consentimento (em anexo), para que a criança pudesse participar do presente estudo. A equipe responsável pela pesquisa colocou-se inteiramente à disposição para todo e qualquer esclarecimento que os pais/responsáveis solicitassem. 64 5.2 POPULAÇÃO ESTUDADA Foram avaliadas 156 crianças de ambos os sexos, com faixa etária de 2 anos até 5 anos e 11 meses, matriculadas em três creches públicas do município de Niterói, que atendem à comunidades carentes. Para a análise da prevalência de enteroparasitoses e dos achados hematológicos, foram avaliadas fezes e sangue das 156 crianças, sendo 73 meninos e 83 meninas, as quais estavam matriculadas em três creches públicas de Niterói: Creche Municipal Neuza Brizola, situada no bairro da Engenhoca, Creche de Jurujuba, situada no bairro de Jurujuba e Creche Municipal Casa da Criança, situada no bairro Itaipú. No estudo da correlação entre estado nutricional e ocorrência de enteroparasitoses, foram selecionadas 90 crianças, sendo 50 meninas e 40 meninos, matriculadas em duas das três creches estudadas (Engenhoca e Itaipú). O critério de seleção para a formação desse grupo foi a aferição da antropometria na mesma época da realização do exame parasitológico de fezes. 5.3 AVALIAÇÃO DAS PARASITOSES INTESTINAIS O diagnóstico das parasitoses intestinais foi feito a partir de exame parasitológico de fezes, utilizando-se os seguintes métodos: 65 Método de sedimentação por centrifugação (Coprotest) Foi feito segundo as instruções do fabricante (NL – Comércio Exterior LTDA, São Paulo, SP). As fezes contidas no frasco coletor contendo Formol 10% tamponado foram inicialmente homogeneizadas. Em seguida, 7 mL do homogenato foram transferidos para tubo cônico de plástico, adicionando-se em seguida 1 gota de detergente doméstico e 3 mL de acetato de etila. O tubo foi arrolhado e agitado vigorosamente por 10 segundos. Após este período, o tubo foi então destampado e tampado rapidamente para liberar a pressão e então centrifugado a 1500 rpm por 2 minutos, sendo o sobrenadante cuidadosamente desprezado e o sedimento ressuspenso com 7 mL de água destilada. O material foi novamente centrifugado a 1500 rpm por 2 minutos e o sobrenadante, descartado. Ao sedimento acrescentouse uma gota de Lugol e uma gota de solução fisiológica. Após homogeneizar bem o sedimento, foram preparadas duas lâminas para a visualização das formas parasitárias. Os sedimentos fecais foram observados, utilizando-se o corante temporário Lugol. As amostras correspondentes a crianças entre 1 e 5 anos, foram reservadas para a investigação de coccídeos intestinais pela coloração safraninaazul de metileno. Coloração pela safranina-azul de metileno para pesquisa de coccídios nas fezes Os sedimentos fecais de crianças, com idade inferior a 5 anos, obtidos pelo Coprotest, foram conservadas em formol a 5% e utilizados na confecção de esfregaços em lâmina. Cada lâmina continha 5mL do sedimento, que secaram ao ar e foram passados ligeiramente sobre chama. Em seguida, os esfregaços foram fixados em ácido clorídrico 3% em metanol por três a cinco minutos, lavados com 66 água sob baixa pressão, cobertos por safranina aquosa a 1% e então aquecidos até a ebulição, sem deixar que o corante secasse sobre as lâminas. Estas foram lavadas novamente em água, cobertas com azul de metileno a 1% por três minutos. Após nova lavagem em água, as lâminas secaram ao ar para posterior visualização de oocistos. Esses testes foram executados no Laboratório de Parasitologia do Serviço de Patologia Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). As fezes utilizadas para os exames foram coletadas nas casas das crianças com a ajuda dos pais e/ou responsável, e entregues nas creches, depois sendo encaminhadas à equipe responsável pela pesquisa. 5.4 AVALIAÇÃO HEMATOLÓGICA 5.4.1 AVALIAÇÃO DA SÉRIE BRANCA A contagem da série branca foi determinada a partir do sangue coletado de picada de dedo com lanceta apropriada. Foram preparados esfregaços sanguíneos posteriormente corados pelo Wright (DE CARLI, 2001). Os esfregaços foram analisados ao microscópio óptico com aumento de 100X e a contagem das células foi feita com auxílio de contador diferencial de células. Os resultados foram expressos em percentual, sendo considerado como valores normais, os listados na tabela abaixo (LIMA & SOARES, 1992). 67 Tabela 2: Valores normais da série branca SÉRIE BRANCA Basófilos Eosinófilos Mielócitos Metamielócitos Bastões Segmentados Linfócitos Monócitos VALORES NORMAIS (%) 0a1 2a4 0 0a1 3a5 55 a 65 20 a 30 4a8 Coloração de Wright Reagentes: 1. Eosina-azul-de-metileno segundo Wright 2. Álcool metílico (CH4O) Preparação do corante: Eosina-azul-de-metileno segundo Wright --- 2,5 g Álcool metílico----------------------------------- 1000 mL O corante é dissolvido pela adição de álcool metílico até completar o volume de 1000 mL e agitado. É então filtrado em papel-filtro antes do uso. Coloração: esfregaço sangüíneo estirado 68 O esfregaço é coberto durante um a três minutos com 1mL do corante. São adicionadas duas gotas de água, deixando corar por cinco minutos. Forma-se na superfície do líquido uma película de brilho metálico. O esfregaço é então lavado em água corrente e deixado secar à temperatura ambiente na posição vertical. Esses métodos foram executados no Laboratório de Hematologia do Serviço de Patologia Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). 5.5 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL Para essa análise foi feita a aferição das medidas antopométricas nas três creches. 5.5.1 MEDIDAS ANTOPOMÉTRICAS Foram utilizadas as medidas peso e estatura para avaliação nutricional. Para a aferição do peso foi utilizada uma balança digital da marca Filizola com a capacidade mínima de 0,01 Kg e capacidade máxima de 150 Kg e para a aferição da estatura foi utilizada uma fita métrica de poliuretano, fixada em superfície vertical plana, lisa e sem rodapé, onde a criança permaneceu na posição ereta mantendo a cabeça em ângulo reto. Após isso foi realizada a medição com um esquadro de madeira sobre a cabeça da criança, fazendo um ângulo reto com a parede. Essas duas medidas foram utilizadas na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo sido aplicados os valores de desvio padrão, 69 classificando-se as crianças avaliadas em: desnutridas, risco nutricional, eutróficas e acima do peso (WHO, 1999). Para a realização dessa avaliação, foram utilizadas as relações Peso/ Estatura (P/E), Peso/Idade (P/I) e Estatura/Idade (E/I), aplicando-se o valor de escore Z. Os valores de escore Z, com os valores em percentil equivalentes estão na tabela abaixo: Tabela 1: Valores de escore Z ESCORE-Z PERCENTIL - 3,00 EZ 0,5 - 2,00 EZ 2,3 - 1,88 EZ 3,00 - 1,29 EZ 10,00 - 1,00 EZ 16,70 (SILVA - MS - SISVAN, 2002) A classificação nutricional foi feita de acordo com os seguintes intervalos: Menor ou igual a -1.89 = DESNUTRIDOS -1.88--1.28 = RISCO NUTRICIONAL -1.29-2.00 = EUTRÓFICO 2.01- 3.00 ou mais = SOBREPESO 70 As medidas antopométricas foram coletadas nas creches. O material utilizado para essa coleta (balança e fita métrica) foi levado para cada creche pela equipe que desenvolveu a pesquisa. 5.6 AVALIAÇÃO SOCIOECONÔMICA E SANITÁRIA O responsável por cada criança respondeu a um questionário contendo informações sobre dados da criança, condições socioeconômicas (foi usada a classificação sócioeconômica de Graffar), condições de moradia, uso ou não de medicamentos, ocorrência de doenças, origem da água consumida, hábitos de higiene, condições sanitárias do ambiente onde vive, contato com animais domésticos, dentre outros dados. Esses questionários foram respondidos sob supervisão da equipe de pesquisa, na própria creche, em dias previamente marcados com a direção da creche. Na classificação socioeconômica de GRAFFAR, são determinados critérios de acordo com ocupação, nível de instrução dos pais e tipo de fonte de renda principal. Feita essa divisão, é conferido pontuação para cada critério, de acordo com tabela de pontuação (em anexo). Com o somatório dos pontos, faz-se a classificação da família de acordo com a faixa de classificação (VALLE & AUGUSTO & NOGUEIRA, 1999). Foram analisados os questionários das creches da Engenhoca e Itaipú, por serem essas as creches incluídas na avaliação nutricional junto com o EPF, tendo sido incluídas 62 das 90 crianças desse grupo para análise do questionário, 71 tendo por critério de inclusão ter antropometria aferida, EPF e questionário respondido na mesma época. 5.7 TRATAMENTO As crianças com exame parasitológico de fezes positivo foram encaminhadas para tratamento em postos de saúde do município. 5.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA DOS DADOS Para a análise estatística dos dados foram usados: teste X2 a um nível de significância de 5%; software EPIINFO 6.04 e SPSS 10.0. 6 RESULTADOS 6.1 PREVALÊNCIA DAS ENTEROPARASITOSES NAS TRÊS CRECHES ESTUDAS Observamos na população estudada (156 crianças) uma freqüência de 42% de parasitoses intestinais, com predominância de B. hominis (21%). A freqüência dos outros parasitos patogênicos foi de G.lamblia (8%), E. histolytica/E. dispar (4%) e A. lumbricoides (3%) (P<0,05) (Figura 1). 73 70% 60% 58% 50% 40% 30% 21% 20% 10% 10% 4% 8% 6% 1% 3% 0% Neg Eh Bh Ec Gl Ib En Al Parasitose Figura 1 - Gráfico de Freqüência específica de parasitoses intestinais na população estudada Pos:positivo; Neg: Negativo; Eh: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar; Bh: Blastocystis hominis; Ec: Entamoeba coli; Gl: Giardia lamblia; Ib: Iodamoeba butchilii; En: Endolimax nana; Al: Ascaris lumbricoides; A freqüência de protozoários intestinais encontrada nas crianças (51%) foi significativamente superior a de helmintos (3%) (Figura 2). 74 Prevalência de Protozoários e Helmintos 60% 51% 50% 40% 30% 20% 10% 3% 0% Protozoário Helminto Figura 2 - Gráfico de Freqüência de protozoários e helmintos nas crianças avaliadas 6.2 ASSOCIAÇÃO ENTRE EOSINÓFILOS DO SANGUE E PARASITOSES INTESTINAIS A Tabela 1 mostra a relação entre a ocorrência de eosinofilia sanguínea e a contaminação por enteroparasitos nas 156 crianças das três creches estudadas. Tabela 1 - Distribuição de eosinófilos no sangue e de enteroparasitos nas fezes das crianças das três creches avaliadas Eosinófilos (%) N Pos 31 0 0-4 83 40 5-9 33 21 >10 9 5 NI 156 66 Total 100% 42% Perc Neg Eh Bh Ec Gl Ib 31 0 0 0 0 0 43 2 19 8 9 0 12 4 11 7 3 1 4 0 3 1 1 0 90 6 33 16 13 1 58% 4% 21% 10% 8% 1% En 0 2 7 1 10 6% Al 0 2 1 1 4 3% Prot 0 40 33 6 79 51% Helm 0 2 1 1 4 3% Pos:positivo; Neg: Negativo; Eh: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar; Bh: Blastocystis hominis; Ec: Entamoeba coli; Gl: Giardia lamblia; Ib: Iodamoeba butchilii; En: Endolimax nana; Al: Ascaris lumbricoides; Prot: Protozoários; Helm: Helmintos (P<0,05) 75 Os resultados demonstram que 31 crianças (19,9%) apresentaram valores normais de eosinófilos, nessas o exame parasitológico de fezes foi negativo. Em 116 crianças (74,4%) encontravam-se com eosinofilia e em 9 crianças (5,8%) não foi possível fazer a aferição. Das 116 crianças com eosinofilia, 61 (52,6%) estavam contaminadas por um ou mais enteroparasitos, enquanto que em 5 delas não foi detectado nenhum enteroparasito pelo EPF. 6.3 RELAÇÃO ENTRE PARASITOSES INTESTINAIS E ESTADO NUTRICIONAL O estudo correlacionando parasitoses intestinais e estado nutricional foi feito com 90 crianças de duas creches: Engenhoca e Itaipú. A Tabela 2 apresenta a freqüência de enteroparasitos encontrada nessa população onde observa-se que 59 crianças (65,6%) apresentaram EPF negativo e 31 crianças (34,4%) EPF positivo para presença de um ou mais parasitos intestinais. Tabela 2 - Freqüência de enteroparasitos na população estudada EPF NÚMERO DE FREQUÊNCIA CRIANÇAS NEGATIVO 59 65,6% POSITIVO 31 34,4% TOTAL 90 100% 76 Na avaliação nutricional as crianças foram diagnosticadas como desnutridas, em risco nutricional, eutróficas ou com crescimento acima do normal. As crianças eutróficas são as que apresentam um bom estado nutricional, mantendo um crescimento adequado para a sua idade. As crianças em risco nutricional não podem ser diagnosticadas como desnutridas, porém já apresentam algum déficit nutricional. A Tabela 3 apresenta a relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Estatura/Idade (E/I). Observa-se que 86,7% das 90 crianças apresentavam-se eutróficas, ou seja, com crescimento adequado para sua idade e que dessas, apenas 27,8% apresentavam-se contaminadas por algum enteroparasito. Observa-se também que 2 crianças (2,2%) encontravam-se desnutridas e parasitadas e 4 crianças (4,4%) em risco nutricional, sendo que 2 (2,2%) parasitadas e 2 (2,2%) não parasitadas. Tabela 3 - Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Estatura / Idade (E/I) EPF Desnutrido Risco Nutricional Eutrófico Acima Total do Normal Negativo 0 2 (2,2%) 53 (58,9%) 4 (4,4%) 59 (65,6%) Positivo 2 (2,2%) 2 (2,2%) 25 (27,8%) 2 (2,2%) 31 (34,4%) Total 2 (2,2%) 4 (4,4%) 78 (86,7%) 6 (6,7%) 90 (100%) A Tabela 4 apresenta a relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso/Idade (P/I). Por esse parâmetro, 12 crianças 77 (13,3%) encontravam-se em risco nutricional, sendo que 6 crianças (6,7%) estavam parasitadas, constituindo o grupo com maior risco de prejuízo à saúde. Apenas 2 crianças (2,2%) estavam desnutridas e uma delas parasitada. Por essa avaliação, 75 crianças (83,4%) apresentavam-se eutróficas, 23 (25,6%) contaminadas por enteroparasitos e apenas uma acima do peso ideal, porém se apresentando parasitada. Destacamos a importância clínica dos resultados obtidos por esse índice, visto termos encontrado um maior número de crianças em risco nutricional nessa classificação. Tabela 4 - Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso / Idade (P/I) EPF Desnutrido Risco Eutrófico Nutricional Acima do Normal Total Negativo 1 (1,1%) 6 (6,7%) 52 (57,8%) 0 59 (65,6%) Positivo 1 (1,1%) 6 (6,7%) 23 (25,6%) 1 (1,1%) 31 (34,4%) 12 (13,3%) 75 (83,4%) 1 (1,1%) 90 (100%) Total 2 (2,2%) A Tabela 5 apresenta a relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso/Estatura (P/E). Por essa classificação observase que 5 crianças (5,6%) encontravam-se desnutridas, todas com EPF negativo. Outras 5 crianças (5,6%) estavam em risco nutricional, sendo que dessas, 4 (4,5%) estavam parasitadas. Observa-se também que 80 crianças (88,9%) estavam eutróficas, sendo que apenas 27 delas (30%) apresentavam alguma parasitose intestinal. 78 Destacamos que a classificação por esse índice apresentou significância estatística, com p< 0,05, destacando as crianças em risco nutricional. Tabela 5 - Relação entre enteroparasitoses e estado nutricional avaliado pelo índice Peso / Estatura (P/E) EPF Desnutrido Risco Nutricional Negativo 5 (5,6%) Eutrófico Total 1 (1,1%) 53 (58,9%) 59 (65,5%) Positivo 0 4 (4,5%) 27 (30%) 31 (34,5%) Total 5 (5,6%) 5 (5,6%) 80 (88,9%) 90 (100%) Como mostrado anteriormente, das 90 crianças avaliadas nas duas creches, observou-se um total de 31 crianças (34,5%) contaminadas com algum tipo de parasito intestinal. Entre as crianças parasitadas houve predomínio de B. hominis, com 16 casos (17,8%), seguido por E. histolytica/E. dispar com 5 casos (5,6%), A. lumbricoides com 3 casos (3,3%) e G. lamblia com 2 casos (2,2%). Destacamos os enteroparasitos patogênicos para o ser humano e os que são transmitidos por alimentos e água contaminados, indicando a existência de fonte de contaminação para essas crianças (Tabela 6). 79 Tabela 6 - Distribuição das parasitoses intestinais nas creches Engenhoca e Itaipu DISTRIBUIÇÃO DAS PARASITOSES INTESTINAIS NAS CRECHES ENGENHOCA E ITAIPU Parasitos Crianças Número Percentual Al 01 1,1% Bh 12 13,3% Bh, Al 01 1,1% Bh, Ec 01 1,1% Ec 07 7,8% Ec, Bh, Eh 01 1,1% Eh 03 3,3% Eh, Ec 01 1,1% En 01 1,1% En, Bh 01 1,1% Gl 01 1,1% Gl, Al, Ib 01 1,1% Negativo 59 65,6% Total 90 100% Eh: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar; Bh: Blastocystis hominis; Ec: Entamoeba coli; GL: Giardia lamblia; Al: Ascaris lumbricoides, Ib: Iodamoeba butchilii; En: Endolimax nana A Tabela 7 apresenta os dados relacionando os parasitos intestinais encontrados nas crianças e o estado nutricional delas, avaliado pelo fator Peso/Estatura (P/E). Observa-se que somente duas crianças apresentam-se desnutridas, uma com EPF negativo e a outra contaminada por Endolimax nana, protozoário não patogênico. Das 12 crianças em risco nutricional, 6 apresentavam EPF negativo, e as outras 6 crianças estavam parasitadas, sendo que duas por Entamoeba coli, enteroparasito não patogênico. As outras 4 crianças estavam parasitadas por B. hominis, E. histolytica/E. dispar, G. lamblia e A.lumbricoides. 80 Tabela 7 - Relação entre a distribuição dos parasitos intestinais e o estado nutricional (P/I) nas crianças das creches avaliadas Parasitos Desnutrido Al Bh Bh, Al Bh, Ec Ec Ec, Bh, Eh Eh En Eh, Ec En, Bh Gl Gl, Al, Ib Negativo Total 00 00 00 00 00 00 00 01 00 00 00 00 01 02 00% 00% 00% 00% 00% 00% 00% 1,1% 00% 00% 00% 00% 1,1% 2,2% Risco Nutricional 00 00% 01 1,1% 00 00% 01 1,1% 02 2,2% 00 00% 01 1,1% 00 00% 00 00% 00 00% 01 1,1% 00 00% 06 6,7% 12 13,3% Eutrófico 01 11 01 00 04 01 02 00 01 01 00 01 52 75 1,1% 12,2% 1,1% 00% 4,5% 1,1% 2,2% 00% 1,1% 1,1% 00% 1,1% 57,9% 84,5% Sobrepeso 00 00 00 00 01 00 00 00 00 00 00 00 00 01 00% 00% 00% 00% 1,1% 00% 00% 00% 00% 00% 00% 00% 00% 1,1% Eh: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar; Bh: Blastocystis hominis; Ec: entamoeba coli; Gl: Giardia lamblia; Al: Ascaris lumbricoides, Ib: Iodamoeba butchilii; En: Endolimax nana 6.4 ANÁLISE DOS DADOS EPIDEMIOLÓGICOS Como já mencionado no item Material e Métodos, para análise dos questionários avaliamos 62 crianças, das quais 67,7% tiveram EPF negativo e 32,3% EPF positivo. A Tabela 8 apresenta a relação entre resultado do EPF e a classificação de Graffar, que determina, a partir dos dados de renda, escolaridade e cargo que ocupa o chefe da família, a que classe social cada família pertence. Nessa tabela observa-se que a maioria das crianças (43,6%) pertencia à classe considerada baixa, ou seja, família em que o chefe da mesma tem instrução primária completa; seu salário é quinzenal, por jornada diária ou por hora de 81 trabalho, ou ainda horários reduzidos ou irregulares. Nessa situação estão incluídos os profissionais liberais, como costureiras, serventes de limpeza, sapateiros, cabeleleiros que não sejam proprietários de salão. Nas ocupações entram os operários semiqualifiados, empregados do comércio, telefonistas, pedreiros. Observa-se também que a maioria dessas crianças não apresentou enteroparasitose (30,7%). Um percentual menor de crianças (29,0%) pertencia a famílias mais carentes, ou seja, famílias em que o chefe era analfabeto ou possuía instrução primária incompleta. A renda poderia variar, desde honorários reduzidos ou irregulares, por hora de trabalho, por dia (diaristas) até aqueles que estariam recebendo ajuda de origem pública ou privada (seguro desemprego, pensão etc.). Nesse grupo de crianças, 24,2% apresentaram EPF negativo e apenas 4,8% estavam com parasitose intestinal. Tabela 8 - Relação entre EPF e classificação de Graffar Classificação de Graffar Classe Classe baixa média EPF Classe mais Total carentes Negativo 8 (12,9%) 19 (30,7%) 15 (24,2%) 42 (67,7%) Positivo 9 (14,5%) 8 (12,9%) 3 (4,8%) 20 (32,3%) Total 17 (27,4%) 27 (43,6%) 18 (29,0%) 62 (100%) A Figura 3 apresenta a relação entre o resultado do EPF e a origem da água usada nas casas das crianças. Observa-se que a maioria das crianças (89,0%) 82 mora em casa com água encanada e as outras (11,0%) utilizam a água com algum tipo de tratamento. Das crianças que moram em casa com água encanada, 65,0% apresentaram EPF negativo e 24,0% apresentaram algum parasito nas fezes. Das crianças que utilizam a água com algum tipo de tratamento, apenas 3,0% apresentaram EPF negativo e em 8,0% dessas crianças, foi encontrada alguma parasitose intestinal. 8% 3% 24% EPF+ que utilizam água encanada EPF- que utilizam água encanada EPF+ que utilizam água tratada EPF- que utilizam água tratada 65% Figura 3 - Relação entre resultado do EPF e a origem da água usada nas casas das crianças A Figura 4 apresenta a relação entre o resultado do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos antes de comer. Observamos que a grande maioria das crianças (92,0%) lava as mãos antes de comer. Dessas, 61,0% tiveram EPF negativo. Das crianças que relataram não lavarem as mãos antes de comer, 6,0 % apresentaram EPF negativo e 2,0% positivo. 83 6% 2% 31% 61% EPF- que lavam as mãos antes de comer EPF+ que lavam as mãos antes de comer EPF- que não lavam as mãos antes de comer EPF+ que não lavam as mãos antes de comer Figura 4 - Relação entre resultado do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos antes de comer A Figura 5 apresenta a relação entre o resultado do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos após usar o banheiro. Observa-se aqui também que a maioria das crianças (98,0%) relatou ter hábito de lavar as mãos após usar o banheiro. Dessa, 42 (67,0%) apresentaram o EPF negativo e 19 (31,0) estavam parasitadas. 2% EPF- que lavam as mãos após usar o banheiro 0% EPF+ que lavam as mãos após usar o banheiro 31% 67% EPF- que não lavam as mãos após usar o banheiro EPF+ que não lavam as mãos após usar o banheiro Figura 5 - Relação entre o resultado do EPF e o hábito das crianças de lavarem as mãos após usar o banheiro 84 A Figura 6 apresenta a relação entre o resultado do EPF e o destino das fezes nas casas das crianças. Observa-se que 53 das 62 crianças (84,0%) vivem em casas que possuem esgoto encanado. Apenas três crianças (5,0%) vivem em casas em que as fezes vão para fossa e 4 crianças (7,0%) em casas em que as fezes vão para vala. Das crianças que vivem em casas com esgoto encanado, 36 crianças (57,0%) apresentaram EPF negativo e 17 crianças (27,0%) EPF positivo. No grupo de crianças que vivem em casas em que as fezes vão para fossa, 2 crianças (3,0%) tiveram EPF negativo e 1 criança (2,0%) apresentou EPF positivo e das crianças que vivem em casas em que as fezes vão para vala, 3 (5,0%) apresentaram EPF negativo e apenas 1 (2,0%) EPF positivo. 2% 3% 5% 0% 27% 2% 2% 57% 0% 2% EPF+ que utilizam esgoto EPF+ que utilizam fossa EPF+ que utilizam vala EPF+ que utilizam outros EPF+ que não sabem o que utilizam EPF- que utilizam esgoto EPF- que utilizam fossa EPF- que utilizam Figura 6 - Relação entre resultado do EPF e o destino das fezes nas casas das crianças 85 Foi avaliado também o contato das crianças com animais domésticos, que podem ser considerados transmissores de enteroparasitoses para o homem. A Tabela 9 apresenta a relação entre o resultado do EPF e o contato das crianças com animais domésticos criados em suas casas. Observa-se que 27 (43,5%) relatou ter animal doméstico em casa e 11 crianças (17,7%) apresentaram algum enteroparasito nas fezes, enquanto que 35 crianças (56,5%) relataram não ter animal em casa, e 9 (14,5%) dessas crianças apresentaram EPF positivo. Das 17 crianças que relataram apenas brincar com animais domésticos, 8 (12,9%) apresentaram EPF negativo e 9 (14,5%) estavam parasitadas. Tabela 9 - Relação entre resultado do EPF e contato com animal doméstico EPF Cria animal Contato com animal Não Sim Total Negativo 26 (41,9%) 16 (25,8%) 42 (67,7%) 34 8 42 (54,8%) (12,9%) (67,7%) Positivo 9 (14,5%) 11 (17,7%) 20 (32,3%) 11 9 20 (17,7%) (14,5%) (32,3%) 35 (56,5%) 27 (43,5%) 62 45 17 62 (72,6%) (27,4%) (100%) Total (100%) Não Sim Total Foi também avaliada a relação entre resultado do EPF e hábito das crianças de andarem descalças. A Tabela 10 mostra os resultados dessa relação. Observa-se que 39 (62,9%) crianças andam descalças, e dessas 27 (43,6%) apresentaram EPF negativo e apenas 12 (19,4%) apresentaram EPF positivo. 86 Tabela 10 Relação entre resultado do EPF e hábito das crianças de andarem descalças Hábito de andar descalça não sim Sem Total resposta EPF Negativo 14 (22,6%) 27 (43,6%) 1 (1,6%) 42 (67.7%) Positivo 8 (12,9%) 12 (19,4%) ________ 20 (32,3%) Total 22 (35,5%) 39 (62,9%) 1 (1,6%) 62 (100%) Do material fecal recebido no laboratório para execução do EPF, 2 (3,2%) apresentavam-se aquosos, 12 (19,4%) pastosos e 44 (70,1%) com consistência firme. Em uma das crianças com fezes líquidas, o EPF foi positivo, enquanto que as crianças com fezes pastosas, 5 (8,1%) estavam parasitadas e as crianças com fezes firmes, 13 (20,1%) apresentaram EPF positivo (Tabela 11). Tabela 11 Relação entre resultado de EPF e consistência das fezes Consistência das Fezes Líquida EPF Negativo Positivo 1 7 (1,6%) (11,3%) 1 (1,6%) Total Pastosa 2 (3,2%) 5 (8,1%) 12 (19,4%) Firme 31 Não Sem sabe resposta Total 1 2 42 (50,0%) (1,6%) (3,2%) (67,7%) 13 ______ (21,0%) 44 (71,0%) 1 (1,6%) 1 (1,6%) 3 (4,8%) 20 (32,3%) 62 (100%) 7 DISCUSSÃO O Brasil por ser um país em desenvolvimento e com amplo território nacinal, apresenta índices muito variáveis de freqüência de parasitoses intestinais, sempre relacionada às condições socioeconômicas e sanitárias das diferentes regiões. Nas 156 crianças avaliadas nesse trabalho, observamos uma freqüência de 42% de enteroparasitoses, com predomínio de protozoários intestinais (51%) em relação a helmintos (3%). Portanto, pelo protocolo usado, 58% das crianças apresentaram EPF negativo. Estudo feito com escolares do primeiro grau da rede pública de Minas Gerais e com escolares do distrito de Martinésia (Uberlândia, Minas Gerais), também encontraram um percentual de resultados negativos pelo EPF acima dos 50%, (82% e 77,7%), respectivamente (FERREIRA & Jr, 1997; CARVALHO et al, 2002). 88 Um inquérito coproparasitológico realizado na cidade de São Paulo, com crianças menores de 5 anos em 1995/96, mostrou a presença de cistos ou ovos de parasitos intestinais em 10,7% das crianças. As espécies mais encontradas foram G. lamblia, A.lumbricoides e T. trichiura, nessa ordem, juntos perfazendo 97,3% das amostras positivas. Em outras regiões observa-se elevada prevalência, como no estado do Amazonas, em populações onde BOIA et al (1999) pesquisaram famílias de Novo Airão, onde 87,6% das 316 crianças apresentavam um ou mais parasitos. O trabalho de SCOLARI et al (2000), com crianças residentes em áreas urbanas e crianças indígenas, em Ortigueira, Paraná, mostrou uma prevalência distinta para os dois grupos, sendo 22% na área urbana e 93% entre os indígenas. Prevalências mais baixas foram observadas por NUNES et al (1997), que avaliaram 147 crianças internas da creche “Lar Menino Jesus” em Natal – Rio Grande do Norte, onde encontraram 57,2% delas positivas para helmintos e de 66,7% para protozoários. Em estudo feito por MACEDO et al (1998), com quatro comunidades carentes do município do Rio de Janeiro, foi observado que 54,5% da população estudada estava contaminada por um ou mais enteroparasitos. No estudo de DÓREA et al (1996), em uma área peri – urbana de Botucatu, São Paulo, foi encontrado 56,1% da população de 219 crianças contaminadas por algum tipo de enteroparasito. Nos trabalhos citados, observou-se um predomínio de G. lamblia, S. stercoralis, H. nana, E. vermicularis, A. Lumbricoides; H. Diminuta; T. Trichiura; Ancilostomídeos e E. histolytica . Já no nosso trabalho, foi encontrado um predomínio do B. hominis, com prevalência de 21% da população contaminada. Os outros parasitos patogênicos encontrados G. amblia (8%), E. histolytica/E. dispar 89 (4%) e A. lumbricoides (3%), apresentam elevada prevalência no Brasil (DÓREA et al, 1996; FERREIRA & JR 1997; NUNES et al, 1997; MACEDO et al, 1998; BOIA et al, 1999; SCOLARI et al, 2000; CARVALHO et al 2002). FERREIRA, FERREIRA & MONTEIRO (2000) observaram estreita correlação entre idade das crianças, renda familiar e grau de escolaridade das mães e risco de contaminação das crianças por enteroparasitos. A freqüência de enteroparasitoses nas crianças relatada aqui nesse trabalho está relacionada com fatores como: fornecimento de água encanada, presença de rede de esgoto, educação sanitária satisfatória de muitas mães, além do fornecimento de drogas anti-helmínticas pelos postos de saúde que atendem às crianças, o que poderia explicar a freqüência de helmintos encontrada nas crianças, ser bem inferior à de protozoários. Outro fator que também interfere na freqüência de contaminação por enteroparasitos é a condição de higiene dos alimentos ingeridos e a contaminação ou não dos seus manipuladores. Em Florianópolis, Santa Catarina, foi realizado um trabalho com o objetivo de determinar a situação das enteroparasitoses em 238 manipuladores de alimentos. Esses eram divididos em dois grupos, sendo: grupo A constituído por manipuladores que trabalhavam em empresas de alimentação, e grupo B, por manipuladores que trabalhavam em feiras livres. Nos resultados, foi observado uma ocorrência de enteroparasitoses de 42,85% no grupo A e 47,06% no grupo B, sendo esses resultados considerados elevados. Esse trabalho também indicou que grupos economicamente privilegiados estão menos suscetíveis a adquirirem determinadas doenças, após observação de que gerentes e subgerentes 90 de uma empresa de alimentação estavam menos contaminados que os cozinheiros, garçons e garçonetes (NOLLA & CANTOS, 2005). Neste trabalho, não foi avaliada a contaminação dos manipuladores de alimentos das creches, pelo fato da maioria deles não ter se interessado em participar da pesquisa. Porém, a presença de B. hominis, G. lamblia, E. histolytica/E. dispar na população estudada, sugere a contaminação das crianças através de água e/ou alimentos ingeridos. Observando o resultado da série branca das células do sangue, chama a atenção o fato de 116 do total de 156 crianças (74,4%) apresentarem eosinofilia, ou seja, estarem com valores de eosinófilos acima do normal. Dessas 116 crianças com eosinofilia, 61 delas (52,6%) encontravam-se contaminadas por um ou mais enteroparasitos. Esses resultados sugerem uma relação entre a ocorrência de eosinofilia e a contaminação por enteroparasitos. Como essas crianças estavam parasitadas principalmente por protozoários intestinais, possivelmente a presença deles desencadeia uma resposta eosinofílica, como nos casos das helmintoses (MERCUSEM & BALIC, 2000). Há trabalhos na literatura indicando a relação entre eosinófilos e outros componentes do sistema imunológico e enteroparasitoses. USTON et al (2004) cita alguns trabalhos que demonstram o aumento de interleucina 5 (IL 5) em casos de helmintíases intestinais, além de uma proteção imunológica por linfócitos Th 2, com aumento de eosinófilos na mucosa intestinal em casos de infecção por nematodas e por B. hominis. 91 MECUSEM & BALIC (2000) relatam em sua revisão de literatura, que eosinófilos podem ser eficazes no combate às larvas dos helmintos. LOUKAS e PROCIV (2001) confirmam que há uma predominância de eosinófilos no estágio de larva filarióide (L3) e relata que dependendo da quantidade de larvas presentes, os eosinófilos podem ser detectados no sangue periférico através de quadro de eosinofilia. Alguns estudos têm associado eosinófilos à presença de parasitos mortos em cortes histológicos de tecidos contaminados. Porém, não distinguindo se essa associação ocorreria no momento da morte do enteroparasito e em conseqüência de sua morte, ou pelo processo inflamatório devido à lesão tecidual (MECUSEN & BALIC, 2000). Porém, os eosinófilos têm ação em várias doenças, tanto os presentes nos infiltrados teciduais como no sangue, estando associados aos casos de helmintíases, asma e alergia atópica (SHIN, 2000). Talvez haja uma relação entre reações alérgicas e casos de protozooses, com alguns trabalhos indicando a amebíase, giardíase e blastocistose como fatores etiológicos de alergia tanto em modelos animais como em modelos humanos (USTUN, 2004). Sendo assim, os resultados encontrados nas creches estudadas nesse trabalho, podem reforçar os achados da literatura de que a eosinofilia está presente nos casos de enteroparasitoses. Como não foi possível fazer o exame parasitológico em três amostras de fezes de cada criança, como é recomendado na literatura, para a detecção de maior número de casos de enteroparasitoses, a ocorrência de eosinofilia em crianças com EPF negativo, pode ajudar como indicativo da 92 necessidade de um segundo exame dessas crianças. Deve-se lembrar, no entanto, que eosinofilia sanguínea, também está presente em outras doenças que as crianças possam ter , como bronquites, resfriados, dentre outras. A avaliação nutricional foi realizada através da utilização de três parâmetros, sendo: Estatura/ Idade (E/I), Peso/Idade (P/I) e Peso/Estatura (P/E). Quando foram analisados os enteroparasitos patogênicos entre essas 90 crianças, observamos que foram encontrados: três casos de contaminação por A. lumbricoides (3,3%), em crianças eutróficas; 16 casos de contaminação por B. hominis (17,8%), sendo dois casos em crianças em risco nutricional e os outros 14 em crianças eutróficas; cinco casos de infecção por E. histolytica/E. dispar (5,6%); sendo um caso em criança em risco nutricional e as outras quatro crianças eutróficas e, por último, três casos de contaminação por G. lamblia (2,2%), sendo um caso em risco nutricional e um caso de criança eutrófica. No total 4 crianças (4,4%) em risco nutricional e contaminadas com algum enteroparasito patogênico, sendo esses os casos mais preocupantes, pois são crianças com risco de desenvolverem quadros mais graves em conseqüência de um sistema imunológico prejudicado por estarem em risco nutricional. Existem dados indicando que o consumo alimentar de pré-escolares matriculados em centros de educação no Brasil, apresentam uma inadequação no fornecimento energético, principalmente de cálcio e de ferro. A partir disso, foi realizado um estudo no município de Teresina, com o objetivo de avaliar o valor nutricional das refeições fornecidas nas creches municipais, para as crianças em idade pré-escolar (2 a 6 anos) 93 O estudo indicou algumas falhas nas refeições, inicialmente, uma inadequação das porções para a idade. Assim, as crianças de 6 anos recebiam a mesma quantidade que as crianças menores, o que causa uma inadequação dos nutrientes para as crianças maiores (CRUZ et al, 2001). Foi realizado um estudo no município de Embu, São Paulo, nos anos de 1996 – 1997, para avaliação nutricional de crianças em idade pré-escolar desse município, as quais pertenciam a quatro segmentos populacionais. A avaliação nutricional foi realizada através de antropometria, utilizando-se os parâmetros de Peso/Estatura (P/E), Peso/idade (P/I) e Estatura/Idade (E/I), como aqui nesse trabalho. Nos resultados desse estudo, encontrou-se uma prevalência de déficit estatural, com o déficit ponderal sendo pouco freqüente (STRUFALDI et al, 2003). Esses dados não estão de acordo com os descritos aqui nesse trabalho, onde observou-se duas crianças desnutridas e 12 em risco nutricional, totalizando 14, considerando o parâmetro Peso/ Idade; cinco desnutridas e cinco em risco nutricional, totalizando 10 crianças, considerando o parâmetro Peso/Estatura e apenas duas desnutridas e quatro em risco nutricional, totalizando seis crianças, considerando o parâmetro Estatura/Idade. No mês de junho de 1999, foi realizado um trabalho para avaliar a prevalência e o percentual de recuperação nutricional entre as crianças atendidas pelo programa de Assistência ao Desnutrido e à Gestante de Risco Nutricional, tendo sido desenvolvido no Hospital Distrital Nossa Senhora da Conceição, uma das Unidades de Saúde do município de Fortaleza. Foi realizada análise dos prontuários catalogados no serviço, com coleta das medidas de peso, estatura, sexo e idade, fazendo-se análise do estado nutricional no referido mês da pesquisa e no período 94 de quatro meses de intervenção (março a junho de 1999). No âmbito global, foi encontrada uma prevalência de desnutrição de 30,0%, 33,6% e 8,6% para os índices Estatura/Idade (E/I), Peso/Idade (P/I) e Peso/Estatura (P/E), respectivamente. Segundo os autores do trabalho, esses resultados demonstram uma desnutrição linear, com prevalência do déficit de P/I (SOARES e PARENTE, 2001). Já os resultados relatados aqui no nosso trabalho, mostram uma maior prevalência de crianças em risco nutricional (13,3%) segundo P/I, seguida dos resultados de P/E, com 5,6% de desnutridos e 5,6% de crianças em risco nutricional. Segundo o parâmetro de E/I encontramos apenas 2,2% de desnutridos e 4,4% de crianças em risco nutricional. Comparando os resultados, mesmo tendo uma maior prevalência de risco nutricional em P/I, as crianças avaliadas nesse estudo apresentaram índices menores de déficits nutricionais. Em 1983 foi realizado um estudo com 124 crianças de até 6 anos de idade, que moravam em Varjão, Brasília. As crianças foram submetidas a avaliação nutricional e exame parasitológico de fezes. Todas viviam nas mesmas condições socioeconômicas. A classificação nutricional foi realizada por antropometria, aferindo-se peso, altura e circunferência de cabeça, calculando-se o valor de escore Z, percentil e aplicando-se a classificação de WATERLOW. A tabela utilizada para comparação foi a do NCHS (MUNIZ-JUNQUEIRA e QUEIRÓZ, 2002). Analisando os resultados, o referido estudo encontrou: para a E/I 46% das crianças abaixo do percentil 10 e 22,6% abaixo do percentil 3; para o P/I 30,6% abaixo do percentil 10 e 12% abaixo do percentil 3; porém, para o P/E foi observado 95 que 7,3% das crianças estavam abaixo do percentil 10 e apenas 2,4% abaixo do percentil 3 (MUNIZ-JUNQUEIRA e QUEIRÓZ, 2002). Comparando com os resultados do trabalho aqui descrito, observou-se que: para a classificação de E/I as crianças encontravam-se em melhor estado nutricional, visto que apenas 2,2% estavam desnutridas e 4,4% em risco nutricional. Para o fator P/I, as observações foram: 2,2% de desnutridos e 13,33% em risco nutricional, valores bem inferiores aos encontrados no trabalho citado (12% e 30,6% respectivos), com as crianças estando em melhor estado nutricional também nesse parâmetro. Para o fator P/E, observou-se 5,6% de desnutridos e 5,6% em risco nutricional, valores relativamente próximos aos do trabalho citado anteriormente (2,4% e 7,3% respectivamente). A relação entre parasitoses intestinais e estado nutricional em crianças, tem sido avaliada por diferentes autores. MUNIZ-JUNQUEIRA e QUEIRÓZ (2002) encontraram enteroparasitos em 75,5% das crianças com predomínio do A. lumbricoides, presente em 47% das crianças contaminadas. Nesse trabalho foi concluído que a contaminação por helmintos não influenciou no estado nutricional das crianças avaliadas, principalmente quando infectadas por A. lumbricoides, observando-se uma influência apenas nos casos de contaminação por G. Lamblia. As crianças contaminadas apenas por G. Lamblia apresentaram os valores de escore Z para Peso / Idade menores que as crianças contaminadas apenas com A. Lumbricoides. Porém, não foi concluído o que estaria influenciando mais o outro: se estado nutricional ou se parasitose intestinal . Esse valor encontrado foi bem superior ao observado nas creches avaliadas nesse trabalho, visto que no grupo de 156 crianças a freqüência foi de 42%, com predomínio de B. hominis. No entanto, foram observadas crianças com 96 risco nutricional e com EPF positivo, sendo essas as crianças como já relatado anteriormente, que merecem maior cuidado, por poderem desenvolver quadros mais graves das parasitoses. Foi realizado um estudo com crianças em idade pré-escolar, que freqüentavam creches municipais de Viçosa, Minas Gerais. Participaram 89 crianças, com idade variando de 24 a 72 meses. No estudo foram avaliados: nível de hemoglobina, peso, estatura, presença de parasitoses, consumo alimentar e perfil biossocioeconômico das famílias (CASTRO et al, 2005). Nesse estudo a avaliação nutricional foi realizada por aferição de peso e estatura, e foi feita classificação de P/I, P/E e E/I a partir de valor de escore Z e utilizando-se a classificação de Jellif. Como resultados, foram observados: 59,8%, 70,2% e 63,3% de eutróficos para P/I, P/E e E/I, respectivamente. A desnutrição observada foi a desnutrição crônica, ou pregressa, que é caracterizada por baixa estatura, observada em 3,5% das crianças, e que foi inferior à obesidade (5,7% para P/I e 4,6% para P/E). Porém, foram observados resultados relativamente altos de crianças em risco de desenvolverem desnutrição, sendo: 27,6%, 19,5% e 14,9% para P/I, P/E e E/I, respectivamente (CASTRO et al, 2005). Comparando os resultados com os descritos nesse trabalho, observamos que os altos índices de crianças eutróficas se mantiveram, com nossos valores sendo ainda maiores: 86,7%, 88,9% e 83,3% para E/I, P/E e P/I, respectivamente, lembrando que a avaliação nutricional foi realizada com as 90 crianças que tiveram o exame parasitológico e a antropometria realizadas na mesma época. Quando avaliadas as crianças em risco nutricional, observa-se um maior número de casos 97 apenas para o P/I, com 13,3% das crianças, valor inferior ao relatado pelos autores (CASTRO et al, 2005). Com esses valores encontrados, podemos pensar na possibilidade dessas crianças estarem recebendo uma alimentação, pelo menos, o mais próxima possível à adequada, apesar de não terem sido avaliados alguns micronutrientes importantes, como a vitamina A, quadro de carência comum de se observar em crianças. Esses valores também são indicadores de eficácia por parte da equipe de saúde que presta serviço para essas comunidades, e também de uma boa atenção às crianças por parte dos familiares. Porém, os índices de crianças em risco nutricional observados, servem como um alerta para os profissionais de saúde que trabalham com pediatria, uma vez que geralmente não se dá a devida atenção para esses casos, apesar de serem essas crianças as que mais necessitam de cuidados, para que a desnutrição não se instale. No ano de 1992, durante a campanha de vacinação, foi realizada uma pesquisa intitulada “Perfil Nutricional e Socioeconômico das Crianças de 0 a 5 anos”, que indicou a situação nutricional das crianças em idade pré-escolar, residentes no município de Niterói, distribuídas em três distritos sanitários. Participaram 2248 crianças, as quais foram selecionadas entre 116 postos de vacinação da cidade. Foram aferidos peso e estatura, os quais foram usados para avaliação antropométrica, e foi aplicado um questionário para pesquisa da situação socioeconômica (MARINS et al, 1995). 98 No estudo citado, a avaliação nutricional foi realizada por antropometria (por peso e estatura) e utilizadas as classificações de Gómez e de escore Z (essa última para Peso/Altura e Altura/Idade). As crianças foram classificadas em desnutridas grave, moderada e leve. Pelos resultados obtidos, 20,5% das crianças apresentavam-se desnutridas em todas as formas, sendo que 2,7% com as formas moderada e grave, de acordo com a classificação de Gómez. Esses resultados apresentados indicaram a necessidade de se realizar um processo de vigilância nutricional com essas crianças, proporcionando um acompanhamento mais próximo através dos profissionais de saúde (MARINS et al, 1995). No nosso trabalho foram avaliadas apenas duas creches, mas quando comparados aos dados do trabalho citado, observa-se que houve uma melhora do estado nutricional das crianças do município de Niterói, visto que obtivemos 2,2%, 5,6% e 2,2% de desnutridos para E/I, P/E e P/I respectivamente e para o risco nutricional 4,4%, 5,6% para E/I e P/E respectivamente, salvo apenas 13,3% de crianças em risco nutricional para P/I. Com essa melhoria no estado nutricional das crianças ao longo desses anos, há indícios de que possivelmente ocorreram melhorias no acompanhamento dessas crianças por parte dos profissionais de saúde. Também podemos supor que houve melhora das refeições servidas nas creches, visto ser esse o lugar onde as crianças que participaram da pesquisa fazem grande parte das suas refeições. As enteroparasitoses podem ser um dos indicadores das condições de saneamento em que as populações vivem. Os casos de helmintíases normalmente estão presentes em populações com carência econômica, saneamento básico inadequado e falta de higiene (CARVALHO et al, 2002). A contaminação do 99 indivíduo pode ocorrer por via oral, através do uso de água e alimentos contaminados através de dejetos, esgotos e mãos de pessoas contaminadas (SABRA, 1994). Essa relação é evidenciada em trabalho desenvolvido no Amazonas, onde se observou a distribuição das enteroparasitoses com variações regionais, dependendo de fatores, como condições socioeconômicas, sanitárias e educacionais, presença de animais em peridomicílios, condições de contaminação e uso de: solo, água e alimentos, dentre outros fatores (COURA et al, 1994). Como já mencionado anteriormente, as hortaliças podem ser contaminadas por forma transmissíveis de enteroparasitos, desde seu plantio até seu consumo pelos indivíduos, passando por sua higienização com água contaminada (COELHO et al, 2001). Sendo assim, o trabalho realizado por COELHO et al (2001) teve por objetivo verificar a presença de formas transmissíveis de enteroparasitos em água e hortaliças, investigando pré-escolares de 10 comunidades de Sorocaba. Encontraram contaminação na água de quatro escolas, na hortaliça “in natura” em nove escolas e na hortaliça lavada em quatro escolas, sendo que em duas escolas encontraram contaminação em todos os itens. No nosso trabalho não foi possível fazer esse tipo de análise. Porém, nas 62 crianças cujos responsáveis responderam ao questionário, observou-se que a maioria utilizava água encanada (88,7%) e algumas consumiam água tratada, o que possivelmente contribuiu para a redução da freqüência de enteroparasitoses nas 100 crianças, quando comparado com a freqüência encontrada em região onde não existe qualquer tratamento da água consumida pelas crianças (CARVALHO et al, 2002). Coura et al (1994) em pesquisa desenvolvida em área do Rio Negro, Estado do Amazonas, também observou após aplicação de questionário na população, que todos tinham água encanada e que 55% faziam algum tipo de tratamento na água, condições relacionadas às variações de freqüência inter e intraregionais das parasitoses intestinais. Outro fator diretamente relacionado com prevalência de enteroparasitoses é a forma de eliminação dos dejetos, e portanto avaliada em estudos sobre prevalência de enteroparasitoses. No estudo que foi feito na área do Rio Negro, foi relatado que 24% das casas tinham instalações sanitárias, 59% apenas fossa negra e em 17% dos casos os dejetos eram eliminados a céu aberto (COURA et al, 1994). Em trabalho desenvolvido por CASTRO et al (2005) 98,7% das residências pesquisadas utilizavam água tratada e 100% tinham acesso á coleta de esgoto. Na população avaliada neste trabalho, observou-se que: em 85,5% das crianças as casas em que moravam tinham sistema de esgoto para onde os dejetos eram encaminhados, em 4,8% os dejetos iam para fossa e em 6,5% os dejetos iam para valas. Esse resultado possivelmente também contribuiu para a freqüência de enteroparasitoses observada nas crianças ter ficado abaixo da esperada. Os parasitos transmitidos por água e alimentos contaminados são: A. lumbricoides, E. histolytica, G. lamblia, dentre outros (EVANGELISTA, 1992). 101 Os helmintos intestinais são transmitidos ao homem por duas vias, sendo por ingestão de ovos ou por penetração ativa de larvas na pele ou mucosa. A ingestão de ovos pode ocorre pelo uso de água, frutas e verduras, através da poeira, ou quando são levados à boca objetos ou partes do corpo que estejam contaminados. A contaminação por penetração ativa das larvas ocorre quando o indivíduo entra em contato com solo ou água contaminados que contenham as formas larvárias contaminantes (MARCONDES, 1987). O A. lumbricoides, por exemplo, tem como meio de contaminação terrenos, pátios e dependências que circundam a moradia do indivíduo e outros locais que contenham material fecal, podendo causar a contaminação de água, alimentos, utensílios e solo. Os alimentos normalmente são contaminados através de manipulação por portadores assintomáticos, contaminação dos canos de água por esgoto não tratado e alimentos guardados sem proteção contra poeiras (EVANGELISTA, 1992). Por isso, neste trabalho foram analisados alguns hábitos de higiene das crianças que participaram da pesquisa, como: hábito de lavar as mãos antes das refeições e após o uso do banheiro, de andar descalça e do contato com animais domésticos. Os resultados demonstraram que as famílias de 57 crianças (91,9%) tem o hábito de lavar as mãos antes das refeições e apenas a família de uma criança relatou não lavar as mãos após uso do banheiro. 102 Esses resultados demonstram que a maioria das crianças recebe educação sanitária, mais um fator que possivelmente contribuiu para uma freqüência de enteroparasitoses inferior à esperada. Foi observado também que apesar de 56% dos responsáveis pelas crianças ter relatado não criar nenhum tipo de animal em casa, foi informado também que 72,6% das crianças não tinha o hábito de brincar com animais e 35,5% não andavam descalças, o que reforça a observação anterior. Esses resultados são interessantes, uma vez que 77,3% das famílias que participaram do estudo relataram ter renda familiar total inferior a três salários mínimos, e 60% dessas possuíam renda inferior a meio salário mínimo per capita, com grande parte das famílias vivendo abaixo do que se considera “linha de pobreza”., mas 55,3% das mãe e 57,4% dos pais possuíam nível de escolaridade maior que quatro anos de ensino formal, o que deve ter contribuído para os conhecimentos sobre práticas de higiene no cuidado com as crianças. A mesma conclusão pode ser tirada após análise feita da renda e da escolaridade dos responsáveis, que foram avaliadas pela classificação socioeconômica de Graffar, que considera a escolaridade, renda e tipo de ocupação do responsável pelas despesas da casa. Os resultados demonstram que para 6 (43,6%) das crianças o responsável foi classificado como classe 4 de Graffar, que inclui instrução primária completa (no máximo o segundo grau incompleto), normalmente com salário mensal, quinzenal ou por hora de trabalho, podendo incluir os profissionais liberais sem renda fixa; normalmente são operários semiqualificados, empregados do comércio ou outra função que não precise de 103 muita qualificação e/ou treinamento. Para 29% das crianças o responsável foi classificado na classe 5 de Graffar, que corresponde àqueles que também possuem apenas instrução primária (muitas vezes incompleto), o salário é quinzena ou mensal, aqueles que recebem ajuda de origem pública ou privada, recebem auxílio do pai da criança (quando pais são separados). Na população infantil avaliada também não foram encontrados casos graves de diarréia. A diarréia pode ter como causa vários agentes como virus, bactérias, protozoários e helmintos (VARGAS et al, 2004; MIRDHA and SAMANTRAY, 2002). Nos países em desenvolvimento, a G. lamblia é uma das principais causas de diarréia em crianças, que podem desenvolver carências nutricionais e déficit de desenvolvimento. Os indivíduos contaminados podem ser assintomáticos ou apresentar diarréia aguda ou diarréia persistente, essa última promovendo má absorção de vários nutrientes (NEVES 2003). Como já discutido anteriormente, foi realizada uma investigação em Criciúma, Santa Catarina, para pesquisar a etiologia da diarréia infantil, não tendo sido possível estabelecer uma correlação segura entre giardíase e a ocorrência de diarréia, por ter sido utilizada apenas uma amostra fecal, como nesse trabalho, sendo a eliminação desse parasito feita de forma intermitente, mas foi importante para demonstrar que a diarréia em criança é um problema de saúde pública na região (SCHNACK, 2003). 104 Foi realizado um estudo com crianças menores de 5 anos com diarréia em Ifakara, Tanzânia, onde coletou-se fezes das mesmas para detecção de enteroparasitos bactérias e virus enteropatogênicos. A coleta do material foi realizada em dois momentos: uma em época de estações secas e outra em estações úmidas. G. lamblia, esteve presente em 14,5% das amostras durante os períodos de chuva do ano e confirmou sua participação desse como causa de diarréia em crianças (VARGAS, 2004). No nosso trabalho diarréia foi observada em apenas duas crianças das 62 avaliadas, das quais apenas uma estava parasitada por B. hominis, protozoário que vem sendo responsabilizado por quadros de diarréia em crianças Em relação aos sintomas de alteração do trato gastrointestinal (incluindo vômitos e náuseas), os resultados mostraram que apenas 8 crianças (12,9%) apresentaram algum sintoma gastrintestinal (vômito e/ou náuseas), com 6,5% apresentando EPF positivo. Ao iniciarmos este trabalho esperávamos encontrar nas crianças elevada freqüência de parasitoses intestinais, principalmente helmintos, por pertencerem a comunidades carentes, onde com freqüência são encontrados esses parasitos. No entanto, a baixa freqüência observada esteve relacionada com o estado nutricional adequado e condição socioeconômica e sanitária satisfatórias da maioria das crianças que participaram do estudo, resultados importantes para a Secretaria de Saúde do município de Niterói, localidade onde a pesquisa foi realizada. 8 x CONCLUSÕES Observou-se freqüência mais elevada de parasitoses intestinais por protozoários que por helmintos, principalmente por Blastocystis hominis, Giardia lamblia e Entamoena histolytica/Entamoeba dispar. x Observou-se correlação significante entre enteroparasitose e eosinofilia sanguínea, que pode ser um achado laboratorial sugestivo da presença de parasitose intestinal não diagnosticada. x A maioria das crianças encontrava-se com estado nutricional satisfatório, devendo ser dada atenção às crianças em risco nutricional, visto que essa é uma situação mais vulnerável para a saúde delas. x Não foi observada correlação entre desnutrição e freqüência de enteroparasitoses, possivelmente devido ao baixo número de crianças desnutridas observado no estudo. 106 x Observou-se correlação entre freqüência das enteroparasitoses e as condições socioeconômicas e sanitárias das crianças. 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. 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Se o pai e a mãe tiverem diferentes níveis de instrução, adota-se para a classificação aquele que seja mais elevado Considera-se a fonte de maior renda do pai, mãe ou adulto que convivesse no mesmo grupo familiar da criança e que constitua o chefe da família. 3) tipo de fonte de renda principal do núcleo familiar <=> CLASSIFICAÇÃO: FAIXA DE CLASSIFICAÇÃO CLASSE Soma até 3 pontos Soma de 4 a 6 pontos Soma de 7 a 9 pontos Soma de 10 a 12 pontos Soma de 13 a 15 pontos Classe I Classe II Classe III Classe IV Classe V 115 CRITÉRIO NÍ VEL DE INS TRUÇÀO PONTUA DEFINIÇÕES ÇÃO 1 Instrução universitária completa ou equivalente, docente de ensino primário e secundário, ator de cinema ou teatro ou artista de outras áreas (escultores, pintores, ceramistas, etc.) 2 Instrução secundária completa ou técnico superior. Instrução universitária incompleta Instrução secundária ou equivalente incompleta Instrução primária Completa Instrução primária incompleta, analfabeto 3 4 5 CRITÉRIO PONTUA DEFINIÇÕES ÇÃO Fortuna adquirida ou herdada Fonte 1 De Renda Renda baseada em honorários (profissionais liberais, comerciantes). Pode receber mais saldo mensal 2 Salário mensal 3 Salário quinzenal, semanal, jornada diária, salário por hora de trabalho, honorários reduzidos ou irregulares. Aqui incluem-se profissionais liberais como: costureiras, 4 serventes de limpeza, sapateiros, cabelereiros que não sejam proprietários de salão, etc., por não poderem se equiparar aos outros profissionais liberais ou comerciantes em termos de quantidade real de renda. Ajuda de origem pública ou privada (seguro desemprego, pensionista). 5 OBSERVAÇÃO: As pessoas que no momento da entrevista estiverem recebendo subsídios transitórios, tais como seguro saúde, serão incluídas na categoria correspondente a sua atividade habitual. 116 DEFINIÇÕES DOS CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO CRITÉRIO PONTUA ÇÀO DEFINIÇÕES O C 1 U P A Ç Ã O 2 3 # Executivos; Diretores de empresas, fábricas ou bancos privados; Fazendeiros. # Professores universitários, secundários ou primários (com título específico de sua profissão); Oficiais das forças armadas. # Profissionais com cursos completos realizados em Institutos docentes de hierarquia superior. # Comerciantes, administradores de empresas privadas ou públicas, chefes de empresas de importância média – microempresários (armazéns, supermercados restaurantes, etc). Funcionários com cargo de responsabilidade: chefes de pessoal ou encarregados de compras, “maitres” de restaurantes, etc.(locutores de rádio e televisão) Empregados qualificados com cursos de treinamento ou ensino referentes ao seu trabalho (tipógrafo, encadernadores, estofadores, tapeceiros, etc)Os critérios utilizados para se considerar um indivíduo qualificado são os seguintes: a) Tempo de treinamento. Deve excluir-se o empregado que em poucos dias ou semanas adquiriu capacitação mínima para desempenhar sua função; B) Posição profissional que ocupa em seu lugar de trabalho que o diferencia francamente dos demais funcionários; c) Tempo que desempenha as mesmas funções para as quais se considera especializado; d) Similaridade em relação a responsabilidade e formação com outras profissões claramente qualificadas: auxiliares de enfermagem, datilógrafos, secretárias, etc.; e) Um título ou diploma de procedência confiável que o habilite como especializado # Auxiliares de enfermagem, funcionários públicos administrativos, secretários, trabalhadores autônomos (marceneiros, bombeiros hidráulicos, eletricistas, técnicos em rádio e televisão, etc.), operários de obra ou rurais; docentes sem título específico de sua profissão 4 Operários semiqualificados, empregados do comércio, telefonistas, modistas (sem estudo curricular especializado), pedreiro 5 Serventes de obra, faxineiros, Office boys, peões, trabalhadores rurais, carregadores, garçons e qualquer trabalhador que possa ser substituído por outro, sem treinamento prévio e sem prejuízo da função desempenhada. 117 ANEXO 2 - INQUÉRITO CROPOLÓGICO E NUTRICIONAL 1) DADOS PESSOAIS # Criança: Nome:______________________________________________________________ DN:___/____/____ Sexo ( ) F ( ) M # Responsável: Nome:______________________________________________________________ Parentesco:__________________________________________________________ CLASSIFICAÇÃO GRAFFAR _________ 2) MORADIA Endereço: ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Telefone: ___________________________________________________________ Aonde pega a água usada para beber e cozinhar? ( )Poço comum,( )Poço artesiano,( )Açude,( )água encanada,( )água tratada Os adultos (e criança) lavam as mãos antes de preparar a comida e antes da refeição? ( )sim ( )não No banheiro, para onde vão as fezes? ( )área aberta, ( )esgoto, ( )fossa, ( )vala, ( )rio/riacho, ( )outros__________________________ Costuma lavar as mãos após usar o banheiro? ( )sim ( )não Tem animais em casa?( ) sim ( )não Quais? Gato ( ), cachorro ( ), aves ( ), outros () A criança tem contato com o animal ? ( ) sim ( ) não A criança anda descalça ( ) sim ( ) não consistência das fezes água ( ), pastosa ( ), firme ( ) 118 ANEXO 3 - TERMO DE CONSENTIMENTO UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE FACULDADE DE MEDICINA DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA PROJETO: “Relação entre estado nutricional e parasitoses intestinais em crianças do município de Niterói”. INFORME CONSENTIMENTO SENHORES PAIS OU RESPONSÁVEIS: As parasitoses intestinais constituem importante problema de saúde principalmente nas crianças do nosso país, causando doenças, desnutrição e alterações no desenvolvimento e aprendizado da criança. Estamos desenvolvendo um trabalho pela Universidade Federal Fluminense (UFF) onde queremos identificar as crianças de 2 a 6 de idade das creches municipais de Niterói que estejam com parasitose intestinal (“verme”) e com desnutrição. Para isso, um grupo de profissionais de saúde (nutricionistas, médicos, etc) estará pesando, medindo seu(ua) filho(a) para avaliação nutricional, coletando sangue para analisar o nível de anemia e fezes para diagnosticar a presença de parasitose (“vermes”). Para prevenirmos e tratarmos esses problemas, pedimos sua autorização para colhermos pequena quantidade de sangue, para o encaminhamento de fezes para os exames e para medirmos e pesarmos seu(ua) filho(a). Faremos algumas perguntas sobre sua saúde, sua casa e sobre o que comem. Caso dê alguma alteração nos exames, a criança será encaminhada para o serviço de saúde mais próximo. Acreditamos ser essa uma chance da criança ter uma pequena avaliação da sua saúde, e uma contribuição para pesquisas feitas no país. Grato pela sua atenção e contribuição. Gloria Cristina S de C Ramos Prof. Heloisa W. de Macedo Prof Joyce do Valle Autorizo a coleta de sangue e fezes para análise de anemia e de parasitose intestinal, respectivamente, _____________________________________________ ______________________________________________________________________ (nome da criança) nome do responsável: ____________________________________________________ ______________________________________________________________________ Assinatura do responsável:_________________________________________________ em