FACULDADE CATÓLICA RAINHA DO SERTÃO Hecctor Rodrigo Magalhães Freitas ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE OBESIDADE EM ESCOLARES DA REDE DE ENSINO PARTICULAR DE MORADA NOVA Quixadá – Ceará 2010 1 Hecctor Rodrigo Magalhães Freitas ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE OBESIDADE EM ESCOLARES DA REDE DE ENSINO PARTICULAR DE MORADA NOVA Monografia apresentada ao curso de Educação Física, da Faculdade Católica Rainha do Sertão, como requisito para obtenção do grau de Licenciatura em Educação Física. Orientador: Prof. Ms. Rômmulo Celly Lima Siqueira. Quixadá – Ceará 2010 2 Hecctor Rodrigo Magalhães Freitas ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE OBESIDADE EM ESCOLARES DA REDE DE ENSINO PARTICULAR DE MORADA NOVA Monografia submetida ao curso de Educação Física da Faculdade Católica Rainha do Sertão, para obtenção do grau de Licenciatura, aprovada no dia 06 de dezembro de 2010. Banca examinadora _________________________________________________________ Prof. Ms. Rômmulo Celly Lima Siqueira (Orientador) _________________________________________________________ Prof. Dra. Stânia Nágila Vasconcelos Carneiro _________________________________________________________ Prof. Esp. Francisco Cristiano da Silva Sousa _________________________________________________________ Prof. Esp. Soraya Maria Bezerra Coutinho 3 Dedico este trabalho a DEUS e a todos os que contribuíram para o meu sucesso. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a DEUS por não me desamparar em nenhum momento; À minha mãe, Margarida Ivanilde Martins Magalhães e à minha avó, Maria Martins Magalhães, pela força que me deram nas horas mais difíceis da minha vida; À minha noiva, Naliv Juliet Andrade Dias Rabelo, pelo incondicional apoio, estando sempre ao meu lado, enfrentado e vencendo comigo todas as batalhas as quais a vida nos apresentou até então; Ao meu amigo, professor e orientador Rômmulo Celly Lima Siqueira, que mesmo estando longe se dispôs a ser meu orientador, contribuindo de forma significativa na minha formação acadêmica; Aos meus Professores, por compartilharem sua amizade e seus conhecimentos comigo ao longo desta caminhada; Aos meus amigos de faculdade, em especial, Sabrina, Rafaela, Waleska, Tácito e Linike, pelo apoio e amizade construída ao longo desses dois anos e meio que passamos juntos. A todos, meus sinceros agradecimentos. 5 6 RESUMO A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no organismo. Ela vem crescendo de forma assustadora em todo o mundo, ganhando status de epidemia global. As causas da obesidade são de etiologia multifatorial, sendo as principais delas a inatividade física e a alimentação inadequada, rica em gorduras. O estudo objetivou analisar a prevalência da obesidade em escolares de duas Instituições da rede de ensino particular de Morada Nova. Foram selecionados, de forma aleatória, 52 estudantes com faixa etária entre 11 e 14 anos, matriculados regularmente no ensino fundamental. Do total da amostra, 29 eram do sexo masculino e 23 do sexo feminino, a média etária foi de 12,8 anos. A amostra foi submetida às medições antropométricas de peso, altura e circunferência abdominal, para se obter o IMC e o risco de síndrome metabólica. Além disso, os alunos responderam a dois questionários para verificar os hábitos alimentares na escola e o nível de atividade física dos mesmos. Os resultados apontaram para uma prevalência elevada do excesso de peso, com o percentual de 32,7%, sendo 15,7% destes, classificados como obesos. Os alunos classificados com o IMC para obesidade apresentaram também um elevado risco para síndrome metabólica, chegando ao percentual de 62,5%. O estudo revela ainda que 76,9% dos alunos envolvidos na amostra alegaram consumir, na escola, alimentos hipercalóricos. Identificou-se no estudo uma relação positiva entre estar fisicamente ativo e ter IMC normal. Descritores: Obesidade, inatividade física, alimentação inadequada e educação física. 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 08 2 OBESIDADE, UMA EPIDEMIA GLOBAL .......................................................... 10 2.1 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS........................................................................ 12 3 OBESIDADE INFANTIL........................................................................................ 17 3.1 O PAPEL DA FAMÍLIA........................................................................................ 18 3.2 O PAPEL DA ESCOLA....................................................................................... 20 4 METODOLOGIA................................................................................................... 23 5 RESULTADOS...................................................................................................... 26 5.1 DISCUSSÃO...................................................................................................... 37 6 CONCLUSÃO....................................................................................................... 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................... 41 ANEXO A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO................. 47 ANEXO B - TABELA DE IMC MASCULINO............................................................. 48 ANEXO C - TABELA DE IMC FEMININO................................................................ 52 ANEXO D - TABELA DE CIRCUNFERÊNCIA DA CINTURA................................... 56 ANEXO E - QUESTIONÁRIO DE FREQUENCIA ALIMENTAR NA ESCOLA......... 57 ANEXO F- QUESTIONÁRIO SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA................. 58 8 1 INTRODUÇÃO O crescente avanço tecnológico nos proporciona inúmeras facilidades, comodidades e confortos. Atividades que antes exigiam grandes esforços físicos são hoje realizadas sem nenhum ou com pouco esforço. A televisão, o computador, o vídeo game e outros mais surgimentos da era tecnológica, unidos ao crescente aumento do trânsito e da violência, fizeram com que as crianças e adolescentes trocassem as brincadeiras na rua, nas praças e outros momentos nos quais se realizavam atividades físicas, pelo refúgio da casa ou do apartamento. Como consequência disso, as crianças e adolescentes acabam por se tornarem sedentários. O sedentarismo associado a uma alimentação inadequada, pobre em fibras, proteínas e vitaminas e rica em gorduras, gera sobrepeso e obesidade. A obesidade é uma doença crônica não-degenerativa caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo que pode gerar males à saúde. A obesidade já é considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo, adquirindo status de epidemia global (WHO, 2006). Assim, este trabalho tem por objetivo levantar subsídios que possibilitem identificar no município de Morada Nova em que situação se encontra a prevalência de obesidade entre crianças e adolescentes, e verificar sua associação, ou não, com a não prática regular das aulas de educação física. Este estudo configura-se de suma importância, já que irá possibilitar o levantamento de dados sobre a prevalência de obesidade das crianças e adolescentes do município de Morada Nova, podendo tornar-se um instrumento para a realização de possíveis propostas em favor da educação física escolar. 9 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Geral Verificar a prevalência de obesidade entre alunos de 11 a 14 anos, matriculados no ensino fundamental de duas escolas da rede de ensino particular de Morada Nova, Ceará. 1.1.2 Específicos • Obter informações através de questionário sobre os hábitos alimentares dos alunos nas escolas da rede de ensino particular de Morada Nova; • Obter informações através de questionário sobre o nível de atividade física dentro e fora do ambiente escolar dos alunos da rede de ensino particular de Morada Nova; • Verificar se há uma relação entre obesidade e a não participação nas aulas de Educação Física. 10 2 OBESIDADE, UMA EPIDEMIA GLOBAL Na Antiguidade, o homem era movido a caminhar quilômetros e quilômetros todos os dias em busca de abrigo e alimento, com isso tinha um grande gasto energético. Com o passar dos séculos, o homem foi deixando a vida nômade e fixando-se na terra, vivendo principalmente da agricultura e da criação de animais. Na metade século XVIII, com a Revolução Industrial, a estrutura social sofre uma nova transformação, passando do feudalismo para o capitalismo. Uma característica marcante dessa revolução foi o crescente avanço tecnológico, substituindo o trabalho braçal pela máquina, exigindo assim, cada vez menos dispêndio de energia para a realização do trabalho humano (GOTTLIEB, CRUZ e BODANESE, 2008). Guedes e Guedes relatam que: A maior mecanização do trabalho e a introdução da robótica e da informática no controle dos sistemas têm produzido a necessidade de o homem moderno se expor a esforços físicos de algum significado na realização de suas tarefas profissionais. A prática de assistir à televisão por várias horas ao dia, associada aos inúmeros dispositivos que facilitam a execução dos afazeres domésticos, tem limitado ao extremo a realização de movimentos em casa. A necessidade de locomoção atualmente é atendida por eficiente sistema de transporte onde o gasto energético é minimizado para a maioria das pessoas. A difusão de atividades de lazer envolvendo prioritariamente diversões eletrônicas e as intensas campanhas publicitárias de estímulo à ocupação de tempo livre com atividades sedentárias são fortes contribuintes ao abandono de práticas lúdicas que exijam esforços físicos mais intensos. (1998, p. 35-36). Hoje, no século XXI, a globalização, os avanços tecnológicos e as modernidades advindas da Revolução Industrial têm nos proporcionado inúmeros confortos e comodidades, mas as consequências de tais avanços vêm alterando o estilo de vida da população mundial, que vem tornando-se cada vez mais sedentária. O sedentarismo, associado principalmente com o consumo de alimentos com um teor elevado de gorduras, tem gerado um enorme crescimento no número de obesos no mundo. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde revelam que: As taxas de obesidade triplicaram, comparadas com dados de 1980, colhidos nos países da América do Norte, Reino Unido, Europa Ocidental, Oriente Médio, Ilhas do Pacífico, Austrália e China. Isso se deve a fato da população mundial ter aumentado o consumo de alimentos com elevada 11 densidade energética, mas pobres em nutrientes, com altos teores de açúcar e gorduras saturadas. É resultado também da redução das atividades físicas (2003, p. 29-30). A prevalência do sobrepeso e da obesidade vem crescendo em todo planeta e em todas as faixas etárias. Inúmeros estudos vêm comprovando seu crescimento de forma acelerada não só nos adultos, mas também em crianças e idosos (COUTINHO, 1998), passando a ganhar status de epidemia global (OLIVEIRA e FISBERG, 2003). O consumo desordenado de alimentos hipercalóricos e a redução nos níveis de atividade física têm sido os principais motivos do aparecimento da obesidade e da sua crescente expansão. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, existem em todo o mundo, cerca de 1,6 bilhões de indivíduos com excesso de peso, sendo não menos que 400 milhões destes, clinicamente obesos. O número de obesos já corresponde a aproximadamente 6,5% da população mundial. A tendência é que esse número cresça ainda mais nos próximos anos (WHO, 2006). De acordo com o Ministério da Saúde através dos Cadernos de Atenção Básica (2006), a epidemia da obesidade vem sendo observada não somente nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos e países da Europa, mas também nos países em desenvolvimento, como o Brasil, que vem passando por uma transição nutricional, com queda no número de desnutridos e aumento no número de obesos, fato este que vem ocorrendo devido à melhoria no poder de aquisição da família brasileira. Esse fator pode explicar também o aumento significativo da prevalência da obesidade em crianças. Em reforço ao supracitado, os Cadernos de Atenção Básica relatam sobre essa transição, ao dizerem que: O panorama da evolução nutricional da população brasileira revela, nas duas últimas décadas, mudanças em seu padrão. As tendências temporais da desnutrição e da obesidade definem uma das características marcantes do processo de transição nutricional do país. Ao mesmo tempo em que declina a ocorrência da desnutrição em crianças e adultos em ritmo bem acelerado, aumenta a prevalência de sobrepeso e obesidade (2006, p. 18). No Brasil, segundo levantamento epidemiológico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares no ano de 2002-2003 (POF) revela que, a prevalência de sobrepesos gira 12 em torno de 40%, sendo a prevalência de obesos em cerca de 13% da população adulta (IBGE, 2004). O aumento do sobrepeso e obesidade tem afetado principalmente a população jovem (GUEDES e GUEDES, 1997), provocado principalmente pela alteração nos padrões alimentares e de atividade física. A obesidade tem levantado sérias questões na área da saúde, já que ela está associada às inúmeras doenças e isso a torna um problema de saúde pública (EPSTEIN et al., 2000). Em 2003, segundo levantamento realizado no Brasil sobre os custos da obesidade, revelou-se que, a cada ano, são gastos um equivalente a 1 bilhão e 100 milhões de reais, com problemas decorrentes do excesso de peso e das doenças a ele associadas (SICHIERI, VIANNA e COUTINHO, 2003). Evidencia-se que, na medida em que o peso corporal de um indivíduo aumenta, maiores são as consequências para a sua saúde, decorrentes de diversas doenças, podendo culminar com a morte prematura. Neste sentido, sob a visão de Bray (2003), o peso corporal aumentado está associado ao risco de mortalidade também aumentado. 2.1 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS Segundo Wilmore e Costill: A obesidade refere-se à condição em que o indivíduo apresenta uma quantidade excessiva de gordura corporal avaliada em porcentagem do peso total (%G). Embora ainda não tenham sido estabelecidos valores exatos consideram-se obesos limítrofes homens com 20 a 25% e mulheres com valores de 30 a 35% e obesos propriamente dito homens e mulheres com valores acima de 25% e 35% respectivamente (2001, p.664). Para os Cadernos de Atenção Básica (2006), a obesidade é o resultado de um desequilíbrio em longo prazo entre a energia consumida através dos alimentos e a energia gasta pelo corpo, gerando um balanço positivo de calorias que se acumula no tecido gorduroso. Ela pode ser considerada como uma enfermidade crônica de etiologia multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo que pode gerar um comprometimento da saúde (WHO, 2006). Há um consenso entre autores com relação às causas geradoras da obesidade, relatando estarem envolvidos aspectos genéticos, psicológicos, 13 socioeconômicos, culturais e ambientais (EPSTEIN et al., 2000; KATCH e McARDLE, 1996; JEBB, 1997), sendo os aspectos genéticos e ambientais os fatores determinantes para a sua ocorrência. O fator ambiental envolve principalmente a inatividade física e hábitos alimentares familiares, e o genético, o qual é responsável por cerca de 30% dos casos de obesidade (HALPERN, 2000). O histórico familiar é muito importante para determinar a ocorrência da obesidade em crianças e adolescentes. Pesquisas relatam que, crianças com pais obesos têm 80% de chances de também se tornarem obesas, porém, se somente um dos pais é obeso, essa frequência cai para 40%, podendo chegar a 7% quando nenhum dos pais é obeso. Mas esses fatores contribuem apenas com uma pequena parcela dos casos de obesidade na atualidade (SOARES e PETROSKI, 2003). Não se sabe ainda com precisão se a ocorrência da obesidade entre crianças e adolescentes filhos de pais obesos, decorre principalmente da herança genética ou do ambiente familiar ao qual essas crianças e adolescentes estão inseridos. A determinação da obesidade através da herança genética resulta da interação de vários genes. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, por meio do Manual de Orientação da Obesidade na infância e adolescência relata que: Estudos realizados em gêmeos, adotados e seus pais, mostram clara influência genética no índice de massa corporal, na distribuição anatômica da gordura, no gasto energético e na suscetibilidade ao ganho de peso. Porém, o aumento crescente do número de obesos, no mundo, indica a poderosa participação do ambiente no programa genético. Mudanças de estilo de vida e de hábitos alimentares, com aumento do sedentarismo e maior consumo de alimentos de alta densidade energética, explicam esse fato (2008, p. 15). Os fatores ambientais são, dentre todos, os que mais influenciam no surgimento do sobrepeso e obesidade. Entre eles estão os meios de comunicação audiovisual, que têm contribuído para o aumento do sedentarismo e que, por conseqüência, gera o sobrepeso e a obesidade na faixa etária mais jovem. Segundo Matsudo, Araujo e Matsudo (1998), Amaral e Palma (2001), tem-se observado em alguns estudos, uma relação bem próxima entre o número de horas assistindo televisão (TV) e a obesidade. O tempo gasto por crianças e adolescentes assistindo TV tem contribuído para a instalação do sedentarismo nas mesmas, e que a cada hora na frente da TV acarreta um aumento de 2% na prevalência de obesidade entre jovens de 12 a 17 anos (DIETZ e GORTMAKER, 1985). Outros fatores ambientais 14 como a inserção da mulher no mercado de trabalho, o maior consumo de alimentos industrializados, o crescimento da violência urbana, o uso de transportes motorizados, a falta de espaços reservados para a prática de atividades físicas e lazer, o uso de vídeo games e computadores, também tem contribuído de forma substancial para esse crescimento. A obesidade pode ocorrer em qualquer época da vida do ser humano, mas há determinadas épocas ou período crítico, onde há uma probabilidade maior para sua ocorrência. Dois períodos críticos podem ser percebidos para adquirir o ganho de excesso de gordura que são: no primeiro ano de vida e na idade escolar (FISBERG, 1993). Whitaker et al. (1997) e Prince (1987) alertam para a necessidade do diagnóstico precoce do excesso de peso em crianças e adolescentes, para que se possa diminuir os riscos de se tornarem adultos obesos. De acordo com Giugliano e Melo (2002), combater a obesidade na infância é necessário para que a mesma não venha se prolongar na adolescência e na vida adulta, podendo gerar sérios riscos à saúde, provocando até mesmo a morte. Ferrão e Boechat falam que: A identificação da obesidade do tipo hipertrófica ou hiperplásica torna-se útil no prognóstico dos resultados dos distintos programas de controle de peso corporal, em razão das intervenções terapêuticas provocarem modificações apenas no tamanho das células adiposas. (2005, p. 61). A obesidade pode ser caracterizada tanto com relação à quantidade de células como à distribuição anatômica do tecido adiposo. Com relação à quantidade de células ela pode ser hiperplásica e/ou hipertrófica, a primeira, está relacionada ao número elevado de células adiposas no organismo e a segunda com o tamanho das células existentes. Quanto à distribuição no tecido adiposo, a obesidade pode ser classificada como ginóide ou andróide. A obesidade ginóide ocorre principalmente em mulheres, onde a gordura se distribui na região dos glúteos e coxas, este tipo de obesidade é associado à figura de uma pêra. Já na obesidade andróide de principal ocorrência nos homens, a gordura se acumula na região do abdômen, este tipo de obesidade está associado à figura de uma maçã. O nível elevado de gordura nessa região é considerado de alto risco para doenças cardiovasculares (FERRÃO e BOECHAT, 2005). 15 Há uma preocupação maior entre os estudiosos da saúde com a prevenção da obesidade na infância e na adolescência, pelo fato de nessa etapa da vida ocorrer, principalmente, a obesidade hiperplásica, caracterizada pela presença de um elevado número de células adiposas, o que torna mais difícil o seu controle. Em contrapartida, a obesidade apresentada especialmente na fase adulta, com características hipertróficas, tende a ser de melhor controle (GUEDES e GUEDES, 2003), pois existe apenas um aumento no tamanho das células, e não na sua quantidade como é evidenciado na obesidade de características hiperplásicas. Um estudo realizado por McArdle, Katch e Katch (2003), relata que crianças obesas com faixa etária entre 6 e 9 anos de idade apresentam 55% de chances de se tornarem adultos obesos, esse percentual é 10 vezes maior se comparado com crianças com peso normal. Esse dado é um alerta para que sejam elaboradas estratégias de prevenção à obesidade infantil. Investigações revelam que existem causas de obesidade relacionadas com a baixa produção ou funcionamento inadequado de um hormônio, em decorrência de um ou mais defeitos genéticos, como é o caso da leptina, que nos dizeres de Sandoval é: Um hormônio produzido nas células gordurosas que colabora na regulação dessas células, já que induz uma sensação anoréxica ou de saciedade. Uma parte dos obesos possui um defeito genético de baixa produção de leptina, o que acarreta uma sensação constante de necessidade de ingestão de alimentos (2005, p. 160). Outro defeito genético encontrado com relação ao hormônio leptina, e que culmina na obesidade, é o defeito no qual impede que a leptina atue de forma adequada na hipófise, acarretando também a necessidade constante de ingestão de alimentos (SANDOVAL, 2005). A importância dada à obesidade não se atém apenas ao aspecto estético ou psicológico, mas principalmente ao da saúde, já que inúmeros estudos comprovam a associação da obesidade com diversos problemas de saúde e, a partir dos quais, se estima que os países desenvolvidos tenham entre 2 e 8% de seus custos totais de saúde gastos com as doenças desenvolvidas em decorrência da obesidade (SANDOVAL, 2005). Observa-se também que tais problemas de saúde, associados à obesidade, antes apresentados somente na fase adulta, vêm sendo comumente encontrados em crianças e adolescentes. 16 Dentre os vários problemas aos quais a obesidade está associada, encontra-se a diabetes tipo 2, caracterizada pela resistência à insulina, provocando hiperinsulinemia, hipertensão arterial, deterioração da função cardíaca, dislipidemia, hiperuricemia, aumento do fibrinogênio plasmático, doenças cerebrovasculares, disfunções respiratórias, doenças da vesícula biliar, esteatose hepática, artrose, alterações musculares, distúrbios circulatórios, câncer cervicouterino, disfunções endócrino-metabólicas, infertilidade, disfunção sexual, baixa auto-estima, disfunção das capacidades funcionais, aceleração do processo de envelhecimento e diminuição da qualidade de vida (SANDOVAL, 2005). Essas doenças levam a um aumento da morbidade e redução da longevidade. Para determinar os níveis de gordura no organismo de um indivíduo, o meio científico utiliza diversos métodos, dentre os comumente usados estão as medidas de dobras cutâneas e o Índice de Massa Corporal ou Índice de Quetelet. Segundo Wilmore e Costill: O índice de massa corporal é um padrão frequentemente utilizado para estimar a obesidade. O IMC de uma pessoa é determinado dividindo-se o seu peso, em quilogramas, pelo quadrado de sua altura, em metros (2003, p. 665). Um adulto com Índice de Massa Corporal ou IMC de 25 kg/m ² é considerado com sobrepeso, e acima de 30 kg/m ², com obesidade. A classificação da obesidade através do cálculo do Índice de Massa Corporal, vem sendo com freqüência utilizado nos estudos epistemológicos e mais especificamente para os adultos (WHO, 2000). Katch e Mcardle (1996) consideram este método um dos mais adequados para a avaliação dessa variável e, consequentemente, para identificação do sobrepeso em crianças e adolescentes na rotina clínica. Para tanto, foram desenvolvidos pontos de corte para sobrepeso e obesidade, destinados a crianças e jovens com faixa etária entre 2 e 20 anos (CDC e NCHS, 2000). 17 3 OBESIDADE INFANTIL A obesidade é uma doença de prevalência crescente. Cerca de 1,6 bilhões de indivíduos no mundo estão com excesso de peso e, pelo menos 400 milhões, são obesos. Esse dado alarmante reforça ainda mais a idéia de que a obesidade vem ganhando status de epidemia global e, por conseguinte, tornando-se um sério problema de saúde pública (WHO, 2006). Com relação à prevalência de sobrepeso e obesidade que vem ocorrendo entre crianças e adolescentes em todo o mundo, os estudiosos Fisberg, Cintra e Oliveira relatam que, de acordo com: O relatório da IOTF – Internacional Obesity Task Force – (2003), para a Organização Mundial da Saúde, estima que aproximadamente 10% dos indivíduos entre 5 e 17 anos de idade, apresentam excesso de gordura corporal, sendo que 2% a 3% são obesos; o que correspondia no ano 2000 a 155 milhões de crianças com excesso de peso, sendo 30 a 45 milhões de crianças obesas ao redor do mundo (2005, p.11). Em conformidade com o exposto no relatório acima citado, outros diversos estudos que vêm sendo realizados em todo o mundo, comprovam cada vez mais que o sobrepeso e a obesidade, bem como as doenças a ela associadas, têm crescido de forma preocupante, não somente na faixa etária adulta, mas também na faixa etária que abrange crianças e jovens, tornando-se imprescindível seu controle e prevenção ainda na infância. A obesidade na infância pode gerar diversas complicações, pois além da discriminação social e dificuldades de auto-aceitação, existem ainda os fatores que pode ocasionar doenças futuras. Um estudo de Burrows (2000) afirma que aproximadamente 50% das crianças acometidas pela obesidade apresentam baixa auto-estima, dificuldade de relacionar-se com os outros, bem como baixo rendimento escolar. Para Fisberg (1995), existem alguns fatores que podem influenciar diretamente o surgimento da obesidade na infância, dentre eles estão o desmame precoce, a introdução de alimentos inadequados de desmame, as chamadas farinhas para engrossar o leite, os distúrbios alimentares e a relação familiar inadequada. 18 Segundo o Manual de Orientação da Obesidade na infância e adolescência (2008), estudos realizados no Brasil apontam prevalências de excesso de peso que variam entre 10,8% e 33,8%, nas mais diferentes regiões do país e que abrangem a faixa etária infantil. Ainda na visão do Manual de Orientação da Obesidade na infância e adolescência: Prevenir a obesidade na infância é a maneira mais segura de controlar essa doença crônica grave, que pode se iniciar já na vida intra-uterina. A importância de prevenir a obesidade na infância decorre de sua associação com doenças crônicas não transmissíveis no adulto, que podem se instalar desde a infância. (2008, p. 21). É imprescindível agir de forma rápida no combate a essa doença que vem assolando tantos. Em observância do contexto acima apresentado e do crescimento assustador da obesidade em todo o mundo, faz-se necessário um trabalho permanente de controle e prevenção da obesidade, principalmente na infância, para que dessa forma, esse número não venha crescer ainda mais e gerar riscos cada vez maiores à saúde de seus portadores. 3.1 O PAPEL DA FAMÍLIA A história familiar é muito importante para determinar a ocorrência da obesidade e de outros distúrbios de comportamento alimentar. A família pode interferir de forma significativa tanto no combate e prevenção, bem como no aumento da prevalência do sobrepeso e obesidade infantil. O estilo de vida sedentário e os hábitos alimentares inadequados do núcleo familiar são fatores que influenciam de forma direta na obesidade infanto-juvenil. A maior parte de crianças e adolescentes acometidos pelo sobrepeso e obesidade nos países em desenvolvimento ainda são os da classe mais favorecida economicamente (LEÃO et al., 2003). Essa situação se inverte quando comparada com os países desenvolvidos, onde os mais afetados são os das classes de menor renda (MALINA, BOUCHARD e BAR-OR, 2004). Dentro dessa perspectiva, pode-se dizer então que, nos países em desenvolvimento, nos quais está inserido o Brasil, 19 apresenta-se maior prevalência de obesidade entre crianças e adolescentes de classes com maior renda e que, teoricamente, estudam em instituições particulares. A prevalência do sobrepeso e obesidade que vem ocorrendo nos países em desenvolvimento afeta principalmente as classes de melhor renda. Mas observa-se também um crescimento nas classes menos favorecidas. No caso do Brasil, isto pode ser explicado pelo fato de que vem sendo constatada a ocorrência da chamada transição nutricional. Essa transição está sendo provocada em virtude da melhoria no poder de aquisição da família brasileira, e que por sua vez vem alterando consideravelmente os padrões de excesso de peso e obesidade também nessas camadas. A transição nutricional vem alterando o perfil de saúde das populações pelas quais vem ocorrendo. Nessas populações são identificadas alterações tanto nos padrões de nutrição como nos de consumo. (POPKIN et al., 1993). A família é, sem sombra de dúvidas, um dos mais importantes colaboradores para o crescimento da prevalência da obesidade entre a faixa etária infanto-juvenil. Estudos comprovam essa significativa relação da família com o aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes. Sabe-se que crianças obesas têm grandes também chances de, quando adultas, se tornarem obesas, principalmente quando estas são filhas de pais obesos (SOARES e PETROSKI, 2003). Dessa forma, o trabalho preventivo no ambiente familiar torna-se imprescindível para o controle e prevenção da obesidade infanto-juvenil. A adoção, por parte dos pais e demais integrantes da família de hábitos de vida saudável, partindo de uma alimentação balanceada e da prática de atividades físicas regulares, são fortes contribuintes os quais a família pode fornecer contra a obesidade. É preciso entender que os cuidados com uma alimentação saudável devem ser aplicados desde o início da vida dos filhos. Como expõem Vasconcelos e Maia (2001) e Cleland et al. (2005), o nível de atividade física dos pais pode influenciar de forma significativa no nível de atividade dos filhos. Da mesma forma pode ser constatado com a adoção de uma dieta alimentar balanceada, saudável. Isso evidencia a importância da família nesse processo contínuo de combate e prevenção ao sobrepeso e obesidade. 20 3.2 O PAPEL DA ESCOLA Partindo do pressuposto de que a alimentação inadequada e o baixo nível de atividade física constituem os principais fatores associados à obesidade (MANCINI, 2002), pode-se dizer então que a escola tem um papel fundamental na sua prevenção na faixa etária que abrange crianças e adolescentes, já que a escola é um ambiente em que eles passam boa parte do seu dia e que nela podem ter a oportunidade de brincar, jogar e praticar diversos exercícios nas aulas de educação física e na hora do “recreio” e também da possibilidade de se alimentarem de forma saudável na cantina da própria escola. Mas, infelizmente o que vem ocorrendo nas escolas brasileiras, em especial nas instituições de ensino particular, é justamente o contrário. Barbosa (2004) diz que no contexto escolar as crianças e adolescentes têm ingerido um número excessivo de alimentos com alta densidade energética como refrigerantes, sorvetes, doces e salgados, e que eles praticam pouca atividade física, tanto dentro como fora da escola. Comprovando este relato, um estudo realizado por Bankoff et al. (2004), no qual se analisou os hábitos diários da vida de 41 sujeitos, com faixa etária entre 8 e 17 anos, que apresentavam padrões elevados de excesso de gordura corporal. Identificou-se que os sujeitos do estudo consumiam alimentos com alto teor de gordura e que a grande maioria deles não participava das aulas de educação física. Um outro estudo com 390 adolescentes, mostrou-se que 77,9% deles consomem alimentos hipercalóricos (TORAL, SLATER e SILVA, 2007). Dentro da perspectiva do crescente aumento da obesidade na faixa etária escolar, pode-se vislumbrar a importância da escola e da família no combate e prevenção da obesidade infanto-juvenil, em uma ação conjunta que envolve informação e movimento. Modificar o hábito alimentar, incentivar as crianças e adolescentes a optarem por brincadeiras que incluam algum tipo de atividade física ao invés de criar hábitos sedentários desde cedo são, dentre outras, maneiras de prevenir o excesso de peso. Na escola, o trabalho de prevenção pode começar com a inclusão de todas as crianças, obesas ou não, nas aulas de educação física infantil, e que tais aulas venham a contemplar o aspecto lúdico, de forma que se tornem mais atraentes, 21 levando a formação desses hábitos para toda a vida. É imprescindível também que os alunos saibam da importância da atividade física nas suas vidas, da sua relação com a obesidade e com as doenças as quais ela está associada. Santos, Carvalho e Garcia Junior falam sobre a fundamental importância da Educação Física no contexto escolar, no combate e prevenção da obesidade ao dizer que: As aulas de Educação Física podem ter um papel que vai além das pistas, quadras, piscinas ou ginásios, sendo o de conscientizar o aluno sobre a importância da prática regular, e por toda a vida, de atividades físicas que não apenas previnam a obesidade, como também lhe proporcionem prazer e bem-estar, motivação e autoconfiança (2007, p. 210). Para os adolescentes, a educação física na escola deve primar pela criação neles, de um estilo de vida ativo, a partir do desenvolvimento dos componentes da aptidão física relacionada à saúde e da transmissão de conhecimentos sobre o exercício físico e seus benefícios, visando à autonomia do aluno (CORBIN e FOX, 1986). É preciso que na escola seja possível realizar uma mobilização no intuito de promover uma educação nutricional (GARCIA, GAMBARDELLA e FRUTUOSO, 2003), orientando os alunos de forma didática sobre o poder nutritivo dos alimentos, sobre a importância das frutas e verduras para o organismo. Que as cantinas escolares venham a adotar um cardápio com alimentos menos calóricos e mais nutritivos e saudáveis. Knittle et al. (1979), reforçam a idéia de uma ação preventiva na escola, na qual, para ele, é imprescindível a realização de projetos que tenham por objetivo mostrar os riscos à saúde gerados pela obesidade e os benefícios proporcionados pela atividade física nas aulas de educação física, bem como fora do ambiente escolar. É interessante, também, que essas mudanças sejam implantadas aos poucos, sem radicalismo, para que se tenham melhores resultados. Oliveira e Thebaud-Mony (1997) apud SOUZA (200-?), reforçam sobre a importante contribuição que a escola pode fornecer na prevenção e combate à obesidade, ao dizer que: A escola é um ambiente propício para a aplicação de programas de educação em saúde, pois a mesma está inserida em todas as dimensões do aprendizado: ensino, relações lar-escola-comunidade e ambiente físico e emocional (200-? p. 2). 22 Entender que o tratamento da obesidade não é feito da noite para o dia, que não existe uma fórmula mágica onde tudo se resolve instantaneamente. Perceber que é necessária uma ação conjunta entre os pais e a escola, é um importante inicio no processo para a sua prevenção e combate. Os hábitos alimentares saudáveis e os exercícios físicos têm que ser inseridos de uma forma lúdica na vida da criança e do adolescente, para que eles possam se adaptar e a perda de peso venha como consequência desse processo. Relatos do Manual de Orientação da Obesidade na infância e adolescência salientam que: Além da participação da família e da escola é necessário o envolvimento das sociedades científicas (divulgando trabalhos que mostrem os benefícios de uma alimentação adequada e da prática de atividade física), da mídia (evitando propaganda de alimentos não-nutritivos nos horários da programação infantil na TV e estimulando um estilo de vida saudável), da indústria alimentícia (produzindo alimentos com menor conteúdo de gordura total, saturada, sal e açúcar, fornecendo melhores informações nos rótulos dos produtos alimentícios) e dos órgãos governamentais (criando, obrigatoriamente, nas áreas urbanas centros recreativos e parques, espaços para pedestres, estimulando o transporte ativo com ciclovias seguras, controlando melhor os rótulos dos alimentos e os subsídios para produtos com baixa densidade energética). A prevenção da obesidade é mais barata e eficiente do que o seu tratamento (2008, p. 23). Portanto, torna-se necessária a realização de um trabalho integrado, formando uma parceria, principalmente, entre família e escola, em uma ação de prevenção e combate ao sobrepeso e à obesidade em crianças e adolescentes. Desta forma, estaremos contribuindo significativamente para a diminuição da incidência dessa morbidade pelo mundo (DAMÂSCO, 2003). 23 4 METODOLOGIA 4.1 TIPO DE ESTUDO Este estudo tem caráter descritivo, de abordagem quantitativa, que consistiu na obtenção de respostas estruturadas para se chegar aos resultados esperados. 4.2 PERÍODO E LOCAL DO ESTUDO O estudo foi realizado no período de outubro de 2010, nas escolas da rede de ensino particular do município de Morada Nova, Ceará, com atenção voltada à população de crianças e adolescentes que estejam ou não participando, com regularidade, das aulas de Educação Física. 4.3 SUJEITOS DA PESQUISA A amostra foi composta por 52 estudantes de ambos os sexos, com faixa etária entre 11 e 14 anos, regularmente matriculados no ensino fundamental de duas escolas da rede particular de ensino do município de Morada Nova, Ceará. 4.4 COLETA DE DADOS Foram aplicados dois questionários estruturados. O primeiro aplicado foi o de Gama (1999), não validado, adaptado por Freitas (2010). O mesmo tinha por objetivo verificar a frequência alimentar dos alunos da amostra no ambiente escolar. O segundo, um questionário simplificado de Silva (2009), com objetivo de verificar o 24 nível de atividade física e os hábitos sedentários da amostra. Foram verificadas também as variáveis sexo e idade. Os dados foram coletados diretamente através de entrevista estruturada com os escolares envolvidos na amostra. O cálculo do IMC foi realizado utilizando-se a fórmula Peso/Estatura², expresso em kilogramas por metros quadrados. A massa corporal foi mensurada em uma balança digital de vidro temperado TEC150, marca TECH LINE, com precisão de 100 g. Toda a amostra foi submetida às medidas. Descalços e com o mínimo de roupa possível, os alunos permaneceram na balança com ligeiro afastamento lateral dos pés, mantendo-se sobre o centro da plataforma da balança e com a cabeça e as costas eretas e, desta forma, foi aferida e anotada a massa corporal em kilogramas. A estatura foi medida com uma trena antropométrica SANNY, em aço, com precisão de 0,1 mm. As medidas foram realizadas com o avaliado em posição ortostática, pés unidos, procurando pôr em contato com a parede as superfícies posteriores do calcanhar, cintura pélvica, cintura escapular e região occipital. A medida foi feita com o indivíduo em apneia inspiratória, de modo a minimizar possíveis variações sobre esta variável antropométrica. A cabeça estava orientada no plano de Frankfurt, paralela ao solo. O índice de massa corporal (IMC) foi obtido da divisão da massa corporal total pela estatura elevada ao quadrado. A obesidade e o sobrepeso foram definidos através dos pontos de corte de IMC para sexo e idade adaptado do National Center For Health Statistics (NCHS) and Centers For Disease Control and Prevention (CDC) growth charts, 2000. A circunferência da cintura foi mensurada com uma trena antropométrica SANNY em aço, com precisão de 0,1 mm, no ponto médio entre o rebordo inferior da costela e a crista ilíaca. Definidos através dos pontos de corte para sexo e idade segundo International Diabetes Federation (IDF). The IDF consensus definition of the metabolic syndrome in children and adolescents, 2007. Para tanto, utilizou-se o valor estimado para regressão de percentil para crianças e adolescentes mexicanos. 25 4.5 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Os alunos que estavam devidamente matriculados no ensino fundamental da rede de ensino particular de Morada Nova, com idades entre 11 e 14 anos, e estando ou não participando das aulas de Educação Física na escola. 4.6 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Foram excluídos do estudo os alunos com idade inferior a 11 anos e superior a 14 anos, bem como os que não estavam devidamente matriculados no ensino fundamental da rede de ensino particular de Morada Nova. 4.7 ANÁLISE DOS DADOS Todos os dados coletados foram tabulados utilizando o programa Microsoft® Excel (2007), e assim foram confeccionadas tabelas e gráficos para melhor compreensão dos resultados obtidos. 4.8 ASPECTOS ÉTICOS A coleta dos dados se deu após os pais dos alunos assinarem um termo de consentimento, conforme o disposto na Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, com esclarecimento da proposta de estudo. 26 5 RESULTADOS O presente estudo avaliou 52 estudantes de duas instituições de ensino particular (A e B) de Morada Nova. A instituição (A) composta de 29 (55,8%) alunos, sendo 18 (62,1%) do sexo masculino e 11 (37,9%) do sexo feminino. Na instituição (B), eram 23 (44,2%) alunos, sendo 11 (47,8%) do sexo masculino e 12 (52,2%) do sexo feminino. A amostra composta dos 52 indivíduos, de idade média 12,98 anos, variando entre 11 e 14 anos. Do total avaliado, 29 (55,8%) eram do sexo masculino e 23 (44,2%), do sexo feminino. Os resultados apontados no gráfico 1 mostram que o grupo masculino apresentou 62,1% dos avaliados com o IMC considerado normal, onde o percentil encontra-se entre 05 e 85. Verificou-se que 10,3% estavam com o IMC apresentando sobrepeso, onde o percentil encontra-se entre 85 e 95 e, 27,6% da amostra masculina, estavam com percentil de IMC maior ou igual a 97, apresentando grau de obesidade. O grupo feminino, onde os resultados estão descritos no gráfico 2, apresentou 73,9% dos avaliados com IMC no padrão considerado normal, 26,1% com IMC apresentando sobrepeso e nenhum individuo do grupo feminino apresentou IMC com algum padrão de obesidade. Observa-se então uma diferença entre os dois grupos, onde o feminino apresenta mais de 10% de indivíduos com IMC normal e mais de 15% com IMC apresentando sobrepeso. Por outro lado, o grupo feminino não apresentou nenhum indivíduo com padrões de obesidade. CLASSIFICAÇÃO DE IMC DO GRUPO MASCULINO NORMAL SOBREPESO OBESO 27,6% 62,1% 10,3% Gráfico 1 – Resultados de IMC para crianças e adolescentes do sexo masculino das Instituições (A e B). 27 CLASSIFICAÇÃO DE IMC DO GRUPO FEMININO NORMAL SOBREPESO OBESO 26,1% 73,9% Gráfico 2 – Resultados de IMC para crianças e adolescentes do sexo feminino das Instituições (A e B). No gráfico 3, estão descritos os resultados do IMC de ambos os sexos apresentados na instituição (A), onde se verifica que, 72,4% dos alunos desta instituição estão no padrão normal de IMC, 13,8% no padrão de sobrepeso e 13,8% apresentando obesidade. Já na instituição (B) que está descrita no gráfico 4, esses valores se alteram, estando 60,9% dos alunos com padrões considerados normal, 21,7% com padrões de sobrepeso e 17,4% com os padrões para obesidade. CLASSIFICAÇÃO DE IMC DA INSTITUIÇÃO A NORMAL SOBREPESO OBESO 13,8% 13,8% 72,4% Gráfico 3 - Resultados de IMC para crianças e adolescentes da Instituição A 28 CLASSIFICAÇÃO DE IMC DA INSTITUIÇÃO B NORMAL SOBREPESO OBESO 17,4% 21,7% 60,9% Gráfico 4 - Resultados de IMC para crianças e adolescentes da Instituição B Os padrões de IMC dos alunos de ambos os sexos e ambas as instituições, apresentados no gráfico 5, revelam que 67,3% estão classificados com padrões de IMC normal, 17,3% com padrões de sobrepeso e 15,4%, de obesidade. CLASSIFICAÇÃO DE IMC - MASCULINO E FEMININO NORMAL SOBREPESO OBESO 15,4% 17,3% 67,3% Gráfico 5 - Resultados de IMC para crianças e adolescentes masculino e feminino das instituições (A e B) da rede de ensino particular de Morada Nova. Foram verificados também os padrões relacionados à circunferência da cintura dos alunos de ambos os sexos e ambas as instituições (A e B) e os resultados estão descritos na tabela 1. Identificou-se que, apenas os alunos do sexo masculino, classificados como obesos, apresentaram padrões de risco para síndrome metabólica, ou seja, com o percentil igual ou acima de 90. Dentre este grupo, o percentual de risco para desenvolver a síndrome foi de 62,5%. 29 OBESO CIRCUNFERENCIA DA CINTURA ≥ 90 ͭʰ 62,5% Tabela 1 - Resultados da circunferência da cintura (CC) para crianças e adolescentes de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Verificação de padrões de risco para síndrome metabólica, representado pelo percentil igual ou acima de 90. No gráfico 6 estão expressos os resultados relacionados aos hábitos alimentares na escola, de ambos os sexos e instituições (A e B), onde se verificou os percentuais de consumo de 3 a 5 vezes por semana de alimentos hipercalóricos. Os resultados mostram 77,1% dos alunos com padrões de IMC normal, 44,4% dos alunos com padrões de sobrepeso e 62,5% dos alunos obesos alegaram consumir alimentos como pizza, biscoito recheado ou salgadinho, de 3 a 5 vezes por semana. CONSUMO DE PIZZAS, BISCOITO OU SALGADINHO NORMAL SOBREPESO OBESO 62,5% 77,1% 44,4% Gráfico 6 - Resultados dos hábitos alimentares na escola, de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Descrição dos percentuais de consumo de 3 a 5 vezes por semana de pizza, biscoito recheado ou salgadinho (coxinha, empada, pão de queijo, rizole, outros). No gráfico 7 verificou-se os percentuais relacionados aos hábitos alimentares na escola, de ambos os sexos e instituições (A e B), onde havia por parte dos alunos o consumo de refrigerantes de 3 a 5 vezes por semana. Os resultados apontam 51,4% dos alunos com IMC normal, 33,3% dos alunos com sobrepeso e, 37,5% dos alunos obesos, consumiam refrigerantes de 3 a 5 vezes por semana na escola. 30 CONSUMO DE REFRIGERANTES NORMAL SOBREPESO OBESO 37,5% 51,4% 33,3% Gráfico 7 - Resultados dos hábitos alimentares na escola, de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Descrição dos percentuais de consumo de 3 a 5 vezes por semana de refrigerantes. Os percentuais apresentados no gráfico 8 estão relacionados aos alunos de ambos os sexos e instituições (A e B), que na escola consumem, pelo menos 1 vez por semana, pizza, biscoito recheado ou salgadinho, juntamente com refrigerante. Os relatos mostram que 60% dos indivíduos com padrões de normalidade para IMC alegaram consumir, pelo menos 1 vez por semana, pizza, biscoito recheado ou salgadinho juntamente com refrigerante, 44,4% dos indivíduos com sobrepeso e 62,5% dos considerados obesos também consomem. CONSUMO DE PIZZA, BISCOITO OU SALGADO E REFRIGERANTE NORMAL SOBREPESO 62,5% OBESO 60,0% 44,4% Gráfico 8 - Resultados dos hábitos alimentares na escola de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Consumo de pelo menos 1 vez por semana de pizza, biscoito recheado ou salgadinho (coxinha, empada, pão de queijo, rizole, outros) juntamente com refrigerantes. 31 No gráfico 9 verificou-se que 76,9% dos alunos de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B), alegaram consumir na escola alimentos hipercalóricos como salgadinho, biscoito recheado, pizza ou refrigerantes. CONSUMO DE ALIMENTOS HIPERCALÓRICOS NA ESCOLA CONSOMEM NÃO CONSOMEM 23,1% 76,9% Gráfico 9 - Resultados dos hábitos alimentares na escola de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Consumo de pelo menos 1 vez por semana de alimentos hipercalóricos. Os resultados do gráfico 10 estão relacionados aos indivíduos que alegaram não consumir, na escola, nenhum tipo de alimento. Os valores em percentuais revelam que 8,5% dos alunos com padrão normal, 33,3% dos alunos sobrepesos e 12,5% dos alunos que apresentam padrões de obesidade, não consomem alimentos de nenhuma natureza na escola. NÃO CONSOMEM NENHUM TIPO DE ALIMENTO NA ESCOLA NORMAL SOBREPESO 12,5% OBESO 8,5% 33,3% Gráfico 10 - Resultados dos hábitos alimentares na escola de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Não consomem nenhum tipo de alimento na escola. Os próximos resultados apresentam os percentuais para cada classificação de IMC relacionados ao nível de atividade física, dentro e fora da escola. O gráfico 11 32 apresenta os resultados referentes à questão 1 do questionário de nível de atividade física e identifica, segundo cada classificação, os indivíduos que se deslocam até a escola apenas de transporte motorizado. Os percentuais são de 45,7% dos alunos que estão classificados com IMC normal, 55,5% dos alunos classificados com sobrepeso e 87,5% dos alunos classificados como obesos, deslocam-se para a escola dessa forma. DESLOCAMENTO DE TRANSPORTE MOTORIZADO NORMAL 87,5% SOBREPESO OBESO 45,7% 55,5% Gráfico 11 - Resultados do nível de atividade física no ambiente escolar de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais de deslocamento por meio de transporte motorizado para escola. A questão 2 do questionário do nível de atividade física refere-se se há oferta pela instituição ou não, de aulas de Educação Física. Identificou-se que as duas instituições oferecem aulas de Educação Física, no mínimo duas vezes por semana, mas as aulas ofertadas são apenas de cunho prático, não havendo parte teórica. O gráfico 12 responde a questão 3 do questionário do nível de atividade física. Neste gráfico estão descritos os resultados referentes aos percentuais nos quais não há participação dos alunos nas aulas de Educação Física. Os apontamentos revelam que, 11,4% dos alunos com IMC normal, 0% dos alunos com sobrepeso e 37,5% dos alunos de IMC obeso, não participam das aulas de Educação Física. 33 NÃO PARTICIPAM DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NORMAL SOBREPESO OBESO 11,4% 0,0% 37,5% Gráfico 12 - Resultados do nível de atividade física no ambiente escolar de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Descrição dos percentuais no qual não há participação dos alunos nas aulas de Educação Física. No gráfico 13, referente também a questão 3 do questionário do nível de atividade física, estão descritos os percentuais nos quais há participação de 2 ou mais aulas de Educação Física. Os resultados indicam que, 85,7% dos alunos de IMC normal, 88,8% dos alunos sobrepesos e 50% dos alunos obesos, participam de 2 ou mais aulas de Educação Física por semana. PARTICIPA DE 2 OU MAIS VEZES DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NORMAL SOBREPESO OBESO 50,0% 85,7% 88,8% Gráfico 13 - Resultados do nível de atividade física no ambiente escolar de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Descrição dos percentuais no qual há participação por semana, de 2 ou mais aulas de Educação Física. A questão 4 do questionário do nível de atividade física apresentada no gráfico 14, refere-se ao porquê de os alunos não participarem das aulas de Educação Física. Esta pergunta foi respondida apenas pelos alunos o qual responderam na questão 2 deste questionário que não participavam das aulas de Educação Física. Os resultados apontam que 100% dos alunos tanto os de IMC normal como os de 34 IMC obeso, afirmaram não participar das aulas de Educação Física porque não gostam ou porque se sentem excluídos. NÃO GOSTAM OU SE SENTEM EXCLUÍDOS DAS AULAS NORMAL SOBREPESO OBESO 100,0% 100,0% Gráfico 14 - Resultados do nível de atividade física no ambiente escolar de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais dos alunos que não participam das aulas de Educação Física porque não gostam ou porque se sentem excluídos. O gráfico 15 está relacionado à questão 5 do questionário do nível de atividade física, onde se perguntava se os alunos praticavam atividade física fora do ambiente escolar. Os resultados apontam que 91,4% dos alunos de IMC normal, 77,7% dos alunos sobrepesos e 87,5% dos alunos obesos alegaram praticar outras atividades fora do ambiente escolar. PRATICA ATIVIDADE FÍSICA FORA DO AMBIENTE ESCOLAR NORMAL SOBREPESO OBESO 87,5% 91,4% 77,7% Gráfico 15 - Resultados da prática de atividade física fora do ambiente escolar de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais dos alunos que alegaram praticar outras atividades físicas fora do ambiente escolar. Nos gráficos 16, 17 e 18 estão descritos, respectivamente, os resultados dos indivíduos classificados como ativo, inadequadamente ativo e inativo segundo sua 35 classificação no IMC. 97,1% dos alunos de IMC considerado normal, 88,8% dos alunos de IMC considerado como sobrepeso e 75% dos alunos de IMC no padrão de obesidade, estão classificados como ativos. 2,9% dos alunos de IMC normal, 11,1% dos alunos de IMC em sobrepeso e 12,5% dos alunos de IMC obeso, estão classificados como inadequadamente ativo e, 12,5% dos alunos obesos, apresentaram classificação de inativo. ATIVO NORMAL SOBREPESO OBESO 97,1% 75,0% 88,8% Gráfico 16 - Resultados do nível de atividade física de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais de alunos classificados como fisicamente ativo. INADEQUADAMENTE ATIVO NORMAL SOBREPESO OBESO 2,9% 12,5% 11,1% Gráfico 17 - Resultados do nível de atividade física de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais de alunos classificados como inadequadamente ativo. 36 INATIVO NORMAL SOBREPESO OBESO 12,5% Gráfico 18 - Resultados do nível de atividade física de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B). Percentuais de alunos classificados como inativo fisicamente. O gráfico 19 descreve os resultados do item C da questão 5 do questionário do nível de atividade física, relacionados ao período no qual os alunos passam, por semana, assistindo televisão ou DVD, no computador ou vídeo game, e falando ao telefone. Os resultados apontam que, 37,7% dos alunos com padrões de IMC normal, 44,4% dos alunos com padrão de sobrepeso e 62,5% dos alunos com padrão de obesidade, alegaram passar até 3 horas, diariamente realizando uma ou mais das atividades descritas acima. ATÉ 3 HORAS POR DIA NORMAL SOBREPESO OBESO 37,1% 62,5% 44,4% Gráfico 19 - Resultados de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B) que passam o período de até 3 horas diariamente assistindo TV ou DVD, jogando no computador ou vídeo game e falando no telefone. O gráfico 20 descreve também os resultados do item C da questão 5 do questionário do nível de atividade física, relacionados ao período no qual os alunos 37 passam por semana assistindo televisão ou DVD, no computador ou vídeo game e falando ao telefone. Os resultados assinalam que 62,9% dos alunos de IMC normal, 55,6% dos alunos de IMC em sobrepeso e 37,5% dos alunos de IMC apresentando obesidade, responderam que passam mais de 3 horas, diariamente, realizando uma ou mais das atividades descritas acima. MAIS DE 3 HORAS POR DIA NORMAL 37,5% SOBREPESO OBESO 62,9% 55,6% Gráfico 20 - Resultados de ambos os sexos e ambas as Instituições (A e B) que passam o período de mais de 3 horas diariamente assistindo TV ou DVD, jogando no computador ou vídeo game e falando no telefone. 5.1 DISCUSSÃO Esse estudo foi planejado com o intuito de verificar a prevalência de obesidade e possíveis fatores a ela associados, em duas instituições da rede de ensino particular de Morada Nova. A prevalência de sobrepeso e obesidade entre os alunos do sexo masculino foi, respectivamente, de 10,3% e 27,6%. Já entre os alunos do sexo feminino houve apenas prevalência de sobrepeso que foi de 26,1%, não apresentando neste grupo, prevalência de obesidade. A prevalência de sobrepeso e obesidade da amostra, que se encontrava com idades entre 11 e 14 anos, foi de 32,7% para o excesso de peso, sendo 15,4% destes, obesos. Essa prevalência diverge das identificadas nos estudos realizados por Neutzling et al. (2000), entre adolescentes brasileiros, onde se verificou uma prevalência média de sobrepeso e obesidade de 10,6% no grupo 38 feminino e, no masculino, de 4,8%. Em relação aos resultados obtidos por Balaban e Silva (2001), no estudo feito com 332 crianças entre 6 e 9 anos de idade em uma escola da rede particular de Recife, chegam a ser 50% menor em relação a prevalência de sobrepeso e a ter valores bem próximos em relação à obesidade, onde os resultados apontaram 34,3% e 14,5% para sobrepeso e obesidade, respectivamente. O risco para síndrome metabólica também foi bastante elevado entre os alunos do sexo masculino e com IMC obeso, sendo este percentual de 62,5%. Segundo Halpern e Rodrigues (2005), crianças que apresentam obesidade nesta fase têm maiores riscos de desenvolver síndrome metabólica na fase adulta. Além disso, de acordo com o mesmo autor, há uma relação positiva entre gordura abdominal e alterações metabólicas relacionadas a crianças obesas. Para vários autores, a obesidade é uma doença que pode ser causada por diversos fatores, sendo os principais deles a inatividade física e os maus hábitos alimentares (HALPERN, 2000). Para tanto, se verificou por meio de questionário estruturado, os hábitos alimentares dentro da escola, bem como o nível de atividade física dentro e fora do ambiente escolar. No questionário referente aos hábitos alimentares na escola, os resultados apontaram para um alto percentual de consumo de alimentos hipercalóricos, chegando aos 76,9%, entre toda a amostra. Esses resultados são bem próximos do relatados no estudo com 390 adolescentes, onde se verificou os percentuais de 77,9% para o consumo de tais alimentos (TORAL, SLATER e SILVA, 2007). Esse consumo elevado foi encontrado tanto nos alunos com IMC em padrões de normalidade, como nos alunos com padrões de IMC sobrepeso e obeso, onde os percentuais atingem 77,1% nos alunos de IMC normal, 44,4% nos de IMC para o sobrepeso e 62,5% para os alunos com IMC em padrões de obesidade. O consumo de alimentos com alto teor de gordura pode influenciar no aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade. No questionário em que se buscou verificar o nível de atividade física dos alunos dentro e fora do ambiente escolar, os apontamentos indicaram que, 87,5% dos alunos com padrões de obesidade se deslocam para a escola somente em transporte motorizado. Outro dado importante é o de que 37,5% dos alunos classificados na amostra como obesos não participam das aulas de Educação Física, porque não gostam ou porque se sentem excluídos das mesmas. Verificou-se que tanto a Instituição A como a B oferecem aulas de Educação Física apenas de 39 cunho prático, onde há, principalmente, a oferta da prática esportiva. Dessa forma, aumentam-se as probabilidades de exclusão, já que nem todos têm aptidão para o esporte, além de se verem reduzidas as possibilidades da realização de uma educação nutricional como propõe Garcia, Gambardella e Frutuoso, (2003). A não participação nas aulas de Educação Física pode contribuir para a instalação do sedentarismo e consequente aumento de peso. Em contrapartida ao resultado acima, observa-se um percentual elevado de alunos que alegaram praticar atividades físicas fora do ambiente escolar. Por meio do questionário do nível de atividade física, foi possível classificar os alunos em fisicamente ativos, inadequadamente ativos e inativos (SILVA, 2009). Conforme os resultados, foram classificados como ativos, 97,1% dos alunos com IMC em padrões normais, 88,8% dos alunos de IMC sobrepeso e 75% dos alunos obesos. Foi possível perceber uma relação positiva entre estar fisicamente ativo e ter um IMC normal. Em contrapartida ao achado acima, os resultados apontaram que alunos considerados ativos e de IMC normal apresentaram maiores percentuais na realização de atividades sedentárias por mais de três horas ao dia. Apesar disso, segundo Hemmingsson e Ekelund (2007), ainda não se tem um total esclarecimento na associação entre o IMC e o tempo gasto com atividades sedentárias. Entretanto, segundo Kavey et al. (2003), a recomendação é que o tempo gasto com atividades sedentárias como assistir televisão, utilizar o computador ou vídeo game ou falar ao telefone, seja limitado à duas horas ao dia. 40 6 CONCLUSÃO Pode-se concluir que existe uma elevada prevalência de sobrepeso e obesidade entres os alunos de 11 a 14 anos, nas duas Instituições da rede de ensino particular de Morada Nova que estiveram envolvidas na amostra, sendo a prevalência de sobrepeso maior nos alunos do sexo feminino, e a obesidade, nos alunos do sexo masculino. Foi possível perceber também, uma relação positiva entre a prática de atividade física e o IMC nos parâmetros de normalidade, bem como a relação positiva entre a não participação nas aulas de Educação Física e o excesso de peso. A não participação nas aulas de Educação Física aliado a constatação de que uma grande parcela dos alunos envolvidos na amostra consome, na escola, alimentos hipercalóricos, ou seja, alimentos com alto teor de gorduras podem estar influenciando significativamente no aumento do peso corporal dos mesmos. Verificou-se ainda que, quase dois terços dos alunos com IMC nos parâmetros de obesidade apresentaram, além do acúmulo excessivo de gordura, um elevado percentual de risco para desenvolver a síndrome metabólica. O estilo de vida fisicamente ativo, aliado a uma alimentação adequada, deve ser incentivado desde os primeiros anos de vida, como medida de prevenção de doenças crônicas na adolescência e fase adulta. Entretanto é necessária a realização de estudos mais aprofundados sobre este tema, e com maior número amostral, para a confirmação da prevalência da obesidade em escolares de rede de ensino particular de Morada Nova. 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, A. P. A.; PALMA, A. P. 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Acesso em: 13 de set. de 2010. 47 ANEXO A TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Caro Sr(a), Meu nome é RÔMMULO CELLY LIMA SIQUEIRA, sou Profissional de Educação Física e estou realizando, neste momento, uma pesquisa intitulada “ANÁLISE DA PREVALÊNCIA DE OBESIDADE EM ESCOLARES DA REDE DE ENSINO PARTICULAR DE MORADA NOVA”, no município de Morada Nova/CE, cujos dados serão coletados pelo acadêmico de Educação Física HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS. A obesidade vem crescendo de forma assustadora em todo o mundo, fazendo-se necessário uma ação integrada de combate e prevenção principalmente na infância. Neste estudo, pretendo identificar se a não participação de escolares nas aulas de Educação Física contribui para o aumento da obesidade entre os mesmos. Caso aceite, o acadêmico HECCTOR RODRIGO MAGALHÃES FREITAS, irá submeter crianças e adolescentes a um exame físico, com ações tais como: pesar, medir a altura, medir a circunferência da cintura, bem como, realizar um entrevista estruturada com os mesmos e aplicar um questionário direcionado aos pais dos escolares envolvidos. Este exame físico não trará riscos para a criança e o desconforto será o mínimo possível. Este estudo trará como benefício um cuidado mais direcionado ao problema da obesidade infanto-juvenil. O(A) senhor(a) terá garantido o sigilo de todas as informações coletadas, bem como o direito de se desligar da pesquisa a qualquer momento, sem que isso lhe traga qualquer prejuízo e/ou despesa. Os dados serão apresentados na disciplina Trabalho de Conclusão de Curso II do Curso de Graduação em Educação Física da FCRS, respeitando o caráter confidencial das identidades. Caso precise entrar em contato comigo, informo-lhe meu nome e endereço: Nome: RÔMMULO CELLY LIMA SIQUEIRA Endereço: Av. Dep. Paulino Rocha, 255 – Fortaleza/Ce Fone: (85) 88043774 ou pelo e-mail [email protected] Outras informações podem ser obtidas no Comitê de Ética em Pesquisa da FCRS pelo telefone (88) 3412-6700 ramal 6904. CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIMENTO Declaro que após convenientemente esclarecido pelo pesquisador e ter entendido o que me foi explicado, concordo em participar da pesquisa. Quixadá, _______ de ______________de 2010. ______________________________________ Assinatura do responsável _______________________________________ Assinatura do pesquisador ______________________________________ Assinatura de quem recebeu o termo ______________________________________ Assinatura da testemunha Digital 48 ANEXO B TABELA DO IMC PARA IDADE – MASCULINO DE 2 A 20 ANOS NCHS. CDC GROWTHCHARTS, 2000. ADAPTADO POR OBESIDADE ONLINE. 49 50 51 52 ANEXO C TABELA DO IMC PARA IDADE – FEMININO DE 2 A 20 ANOS NCHS. CDC GROWTHCHARTS, 2000. ADAPTADO POR OBESIDADE ONLINE. 53 54 55 56 ANEXO D TABELA DA CIRCUNFERENCIA DA CINTURA (CC) – MASCULINO E FEMININO DE 2 A 18 ANOS RISCO AUMENTADO - ≥ 90ᵗʰ Fonte: The IDF consensus definition of the metabolic syndrome in children and adolescents, 2007. Estimated value for percentile regression for Mexican- American children and adolescents. 57 ANEXO E QUESTIONÁRIO DE FREQUÊNCIA ALIMENTAR NA ESCOLA Mês e ano de nascimento: _____________ /_____________ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Escola: _________________________________________________________ Série/ano:_________ 1. NA ESCOLA VOCÊ: ( ) Traz seu proprio lanche – vezes p/semana_______ ( ) Se alimenta na cantina da escola – vezes p/semana_______ 2. O QUE VOCÊ COSTUMA COMER NA ESCOLA? ( ) Pizza – vezes p/semana_______ ( ) batata frita – vezes p/semana_______ ( ) Saduíche misto – vezes p/semana_______ ( ) Bolo, blacha ou biscoito – vezes p/semana_______ ( ) Salgadinho (caxinha, empada, rizole, outros) – vezes p/semana_______ ( ) Sanduiche tradicional – vezes p/semana_______ ( ) Outros ____________________________________ – vezes p/semana_______ 3. O QUE VOCÊ COSTUMA BEBER NA ESCOLA? ( ) Refrigerante – vezes p/semana_______ ( ) Suco artificial – vezes p/semana_______ ( ) Suco natural – vezes p/semana_______ ( ) Iogurte – vezes p/semana_______ ( ) Leite – vezes p/semana_______ ( ) Outros ____________________________________ – vezes p/semana_______ Retirado de GAMA, 1999. Não validado. Modificado e adaptado por FREITAS, 2010. 58 ANEXO F QUESTIONÁRIO SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA DOS ESCOLARES Mês e ano de nascimento: _____________ /_____________ Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino Escola: _________________________________________________________ Série/ano:_________ PARA RESPONDER A ESTAS PERGUNTAS VOCÊ VAI PROCURAR SE LEMBRAR DAS ATIVIDADES FÍSICAS OU HORAS SEM FAZER ATIVIDADE FÍSICA NO ÚLTIMO MÊS 1. DESLOCAMENTO PARA A ESCOLA: ( ) vai andando ( ) vai de bicicleta ( ) vai de carro ou outro transporte motorizado Se você vai para a escola andando, de bicicleta ou outro meio que gaste energia (ex: patins, skate), quanto tempo gasta por dia somando ida e volta? _______ minutos por dia_____ vezes por semana 2. SUA ESCOLA OFERECE AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA? ( ) sim, teórica e prática ( ) sim, apenas teórica ( ) sim, apenas prática ( ) não 3. AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA: ( ) não faz ( ) 1 vez por semana ( ) 2 vezes por semana ( ) 3 vezes por semana Tempo gasto fazendo exercícios: ________minutos por dia________ minutos por semana 4. NÃO PARTICIPA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA POR QUÊ? ( ) porque não gosta das aulas ( ) porque se sente excluído ( ) porque tem problemas de saúde que o impedem de participar 5. OUTRA S ATIVIDADES FÍSICAS: A) Faz atividades físicas regulares ou esportes? ( ) nunca ou quase nunca ( ) algumas vezes ( ) sempre B) Pratica atividade física intensa - que o deixa cansado, com a respiração difícil ou o coração acelerado (correr, bicicleta, natação, algum esporte – descreva): Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana TOTAL : ______ minutos por dia ______ horas por semana 59 C) Pratica atividade física leve - que não o deixa muito cansado, nem com a respiração difícil ou o coração muito acelerado (caminhar, outras atividades – descreva): Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana Tipo de exercício:________________________ ______ minutos por dia ______ vezes por semana TOTAL : ______ minutos por dia ______ horas por semana 6. PERÍODOS SEM FA ZER ATIVIDADE FÍSICA: (descreva o tempo que passa assistindo televisão, vídeo, DVD, no computador, videogame ou ao telefone) Assistindo TV, vídeo ou DVD: _______ minutos por dia ______ horas por semana Jogando no computador ou videogame: _______ minutos por dia ______ horas por semana Conversando ao telefone: ______ horas por semana _______ minutos por dia TOTAL : _______ minutos por dia Modificado e adaptado por SILVA, 2009. ______ horas por semana