_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores0 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO CLÁUDIA PORTO SABINO PINHO EXCESSO DE PESO E DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA CORPORAL: MAGNITUDE E FATORES ASSOCIADOS EM ADULTOS DE 25 A 59 ANOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO RECIFE 2011 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores1 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. CLÁUDIA PORTO SABINO PINHO EXCESSO DE PESO E DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA CORPORAL: MAGNITUDE E FATORES ASSOCIADOS EM ADULTOS DE 25 A 59 ANOS DO ESTADO DE PERNAMBUCO Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco para avaliação, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Nutrição. Área de Concentração: Nutrição em Saúde Pública. Orientador: Profº. Drº. Alcides da Silva Diniz Co-orientador: Profª. Drª Ilma Kruze Grande de Arruda RECIFE 2011 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores2 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Pinho, Cláudia Porto Sabino Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores associados em adultos de 25 e 59 anos do Estado de Pernambuco / Cláudia Porto Sabino Pinho. – Recife : O Autor, 2011. 166 folhas; il., tab. e gráf.; 30 cm. Orientador: Alcídes da Silva Diniz. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco. CCS. Nutrição, 2011. Inclui bibliografia, anexos e apêndices. 1. Índice de massa corpórea. 2. Gordura abdominal. 3. Fatores epidemiológicos. 4. Adulto. 5. Consumo de alimentos. I. Diniz, Alcídes da Silva. I. Título. 613.25 .CDD (20.ed.) UFPE CCS2011-21 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores3 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores4 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Dedico este trabalho aos meus pais... A minha dedicada e compreensiva mãe, presente em todos os momentos. Ao meu querido pai, grande incentivador do meu desenvolvimento profissional e acadêmico. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores5 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. AGRADECIMENTOS A Deus sempre, não só por me proporcionar uma vida repleta de oportunidades, mas também por se fazer sentir presente em todos os momentos. Ao Profº Dr. Alcides da Silva Diniz, pela orientação deste trabalho. Agradeço por todo conhecimento transmitido e pelas preciosas contribuições. A minha co-orientadora, Profª Drª. Ilma Kruze Grande de Arruda. Muito obrigada pela disponibilidade e paciência em guiar a construção deste trabalho, com competência e segurança forneceu todas as ferramentas para que eu pudesse caminhar. A Profª Drª. Poliana Cabral pelas importantíssimas contribuições na construção do projeto deste trabalho. Ao Profº Dr. Pedro Lira, por disponibilizar um banco de dados tão rico para eu que pudesse estudar. As amigas Marina Petribu e Fernanda Cristina, pelo incentivo desde o início da decisão de ingressar no Mestrado. Agradeço pelos lindos exemplos de amizade e jovens professoras. Um agradecimento muito especial à amiga Isabel Carolina, pela importante ajuda no início do manuseio do programa estatístico, e à querida Ana Paula Campos, pelas importantíssimas e ricas discussões acerca dos dados de consumo alimentar. A Emídio Cavalcanti, pela valiosa contribuição nas análises multivariadas. As minhas queridas colegas de mestrado, Celina, Claudileide, Gisele, Leila, Lidiane, Socorro, Vera e Fabrícia, pelos bons momentos compartilhados e por terem tornado toda essa trajetória mais leve e agradável. Aos colegas de disciplinas e futuros doutores, Rafael Tassitano e Maria Elieyde pelas contribuições na elaboração do projeto de pesquisa deste estudo. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores6 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. A Pós Graduação, pela qualidade do programa oferecido e a todos os professores que de alguma forma contribuíram para minha formação. A Profª Drª. Mônica Osório, meu agradecimento e reconhecimento pela dedicação, compromisso e esforço em manter o nível deste Programa de Pós Graduação. As queridas amigas e colegas de profissão do PROCAPE, por entenderem e consentirem minhas ausências. Serei eternamente grata a todas por apoiarem a realização deste sonho. As amigas da Prefeitura do Recife, em especial a Gleycy Maryelly e Edvânia César, por compreenderem minhas ausências e muitas vezes preencherem as lacunas eventualmente deixadas devido à dedicação ao Mestrado. Aos meus pais, Carmen Valéria Porto Sabino Pinho e Luciano Alberto do Amaral Sabino Pinho, por todo amor, apoio e dedicação às filhas. As minhas amadas e insubstituíveis irmãs Cristiane e Luciana, pelo incentivo fraterno e apoio incondicional. Aos meus sobrinhos maravilhosos, Heitor e Gabriel, por constituírem a razão de muitos dos meus sorrisos e a simples lembrança neles me trazer enorme alegria. Ao meu noivo, futuro marido e grande amor, Gustavo Ramiro, pelo companheirismo e amor que me completam e me fortalecem. Por fim, agradeço aos membros da banca examinadora deste trabalho, por disponibilizarem seu valioso tempo para contribuir com o resultado final dessa dissertação e a todos que direta ou indiretamente contribuíram para realização desse trabalho. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores7 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. RESUMO Com o objetivo de avaliar a magnitude do excesso de peso (EP) e da concentração de gordura abdominal e os fatores associados em adultos do Estado de Pernambuco, foi realizado em 2006, um estudo transversal, de base populacional, com amostra probabilística de 1.580 adultos de ambos os sexos na faixa etária de 25 a 59 anos. O EP foi definido pelo Índice de Massa Corpórea≥25kg/m² e a concentração de gordura abdominal foi determinada pela Circunferência da Cintura (CC) ≥80cm para mulheres e ≥94cm para homens e pela Razão Cintura-Estatura ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens, respectivamente. O modelo conceitual considerou variáveis demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais. O consumo alimentar foi avaliado por um questionário de freqüência alimentar com mensuração convertida em escores. Foram constituídos 3 grupos de alimentos: ricos em fibras; ricos em carboidratos simples e ricos em gorduras saturadas. Os resultados evidenciaram que a prevalência de EP foi de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), sendo maior a partir de 40 anos (RP=1,27; IC95% 1,10;1,46), em mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16;1,43), em ex-fumantes (RP=1,42; IC95% 1,21;1,69), em indivíduos com maior renda (RP=1,49; IC95% 1,30;1,71) e em mulheres com primeira gestação com idade<18 anos (RP=1,25; IC95% 1,11;1,66). A prevalência da concentração de gordura abdominal, segundo a CC, foi de 51,9% (IC 95% 49,4-54,4), sendo superior nas mulheres (RP=2,58; IC95% 2,26-2,94), entre ex-fumantes (RP=1,31; IC95% 1,12-1,54), em sedentários (RP=1,24; IC95% 1,13-1,36), a partir dos 40 anos (RP=1,28; IC95% 1,11-1,47), provenientes da Região Metropolitana do Recife (RP=1,23; IC95% 1,10-1,41), com de 5-8 anos de estudo (RP=1,22; IC95% 1,06-1,40), de maior renda (RP=1,47; IC95% 1,28-1,68), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos (RP=1,12; IC95% 1,01-1,68). Segundo a RCE, a prevalência de gordura abdominal em excesso foi de 57,8% (IC95% 55,4-60,3), sendo mais elevada em mulheres (RP=1,31; IC95% 1,19-1,43), entre indivíduos ex-fumantes (RP=1,36; IC95% 1,19-1,56), sedentários (RP=1,11; IC95% 1,02-1,21), a partir dos 30 anos (RP=1,23; IC95% 1,09-1,39), de maior renda (RP=1,30; IC95% 1,15-1,41), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos (RP=1,18; IC95% 1,07-1,68). Os resultados referentes ao consumo alimentar evidenciaram que o escore médio do consumo de carboidratos simples foi maior que o consumo de fibras e gorduras saturadas. O consumo de carboidratos simples e gorduras PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores8 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. saturadas foram menores em indivíduos de maior idade, provenientes de área rural, com menor renda e escolaridade. O maior consumo de fibras associou-se com maior renda e escolaridade. A expressiva prevalência dos indicadores de obesidade e a associação com vários fatores corroboram com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido em todo o mundo e reforçam a multifatorialidade de sua etiologia. O predomínio do consumo de carboidratos simples, em detrimento do consumo de fibras, configura o processo de transição nutricional experimentado pelo Brasil nas últimas décadas, e a associação com vários fatores reforça a multicausalidade na determinação desse perfil. Descritores: Índice de Massa Corpórea. Gordura abdominal. Fatores epidemiológicos. Adulto. Circunferência da cintura. Razão cintura-estatura. Consumo de alimentos. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores9 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ABSTRACT With the objective to evaluate the magnitude of overweight (OW) and the abdominal fat concentration and associated factors in Pernambuco, it was made, in 2006, a transversal study of population basis, involving 1.580 adults of both genders, between 25 e 59 years old. OW was determinated by the Body Mass Index ≥25kg/m2 and abdominal fat concentration was determined by waist circumference (WC) ≥80cm to women and ≥94cm to men, and by the waist-height ratio (WHR) ≥0,52 and ≥0,53 for women and men respectively. The concept considered demographic, socioeconomical, reproductive and behavioral variables. Food consumption was evaluated by a series of questions about eating frequency with measurements converted to scores’ scale. Three groups of food were created: rich in fibers; rich in simple carbohydrates; rich in saturated fat. The results showed that the prevalence of OW was 51,1% (CI95% 48,6-53,6). It was higher when over 40 years old (PR=1,27; CI95% 1,10;1,46), among women (PR=1,29; CI95% 1,16;1,43), ex smokers (PR=1,42; CI95% 1,21;1,69), among people with higher incomes (PR=1,49; CI95%1,30;1,71) and among women with early pregnancy (less than 18 years old) (PR=1,25; CI95% 1,11;1,66). The prevalence of abdominal fat, according to WC, was 51,9% (CI95% 49,4-54,4), being higher in women (PR=2,58; CI95% 2,26-2,94), ex smokers (PR=1,31; CI95% 1,12-1,54) couch potatoes (PR=1,24; CI95% 1,13-1,36), people over 40 years old (PR=1,28; CI95% 1,11-1,47), from the metropolitan area of Recife (PR=1,23; CI95% 1,10-1,41), between 5-8 years of studying (PR=1,22; CI95% 1,06-1,40), with higher incomes (PR=1,47; CI95%1,28-1,68) and among women with the first pregnancy before 18 years old (PR=1,12; CI 95%1,01-1,68). According to WHR the prevalence of abdominal fat excess was 57,8% (CI 95% 55,4-60,3), being higher in women (PR=1,31; CI95%1,19-1,43), among ex smokers (PR=1,36; CI95%1,19-1,56), couch potatoes (PR=1,11; CI95%1,02-1,21), people over 30 years old (PR=1,23; CI95%1,09-1,39), with higher incomes (PR=1,30; CI95%1,15-1,47), and in women with first pregnancy before 18 years old (PR=1,18; CI 95%1,07-1,68). The results about food consumption sowed that the average score of simple carbohydrates food consumption was highter to those of rich in fiber and fats. It was verified less consumption of simple carbohydrates and saturated fat food among older people, people from country areas, of lower income, and educational level. The highest scores of rich in fibers food were PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores10 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. associated with higher income, and educational level. The expressive prevalence of anthropometric indicators of obesity and the association with lots of factors are in keeping with the epidemic levels of this problem all around the world and support its multifactorial etiology. The predominance of simple carbohydrates food over rich in fiber food consumption configures a nutritional transition going on in Brazil for the last few decades, and the association with various factors strengthens the multicausality in the determination of this profile. Key-words: Body mass index. Abdominal fat. Epidemiologic factors. Adult. Waist circumference. Waist-to-height ratio. Food consumption. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores11 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CC – Circunferência da Cintura CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico DS – Diâmetro Sagital ENDEF – Estudo Nacional de Despesas Familiares IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IC – Intervalo de Confiança IMC – Índice de Massa Corpórea IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira OMS – Organização Mundial de Saúde PESN – Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição POF – Pesquisa de Orçamentos Familiares PNDS – Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde PNSN – Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição PPV – Pesquisa sobre Padrões de Vida RCE – Razão Cintura-Estatura RCQ – Relação Cintura-Quadril SES-PE – Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco UFPE – Universidade Federal de Pernambuco PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores12 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. SUMÁRIO 1. Apresentação ..................................................................................................................... 13 1.1 Caracterização do Problema........................................................................................... 13 1.2 Justificativa........................................................................................................................ 14 1.3 Objetivos........................................................................................................................... 14 1.4 Estrutura da Dissertação................................................................................................. 15 2. Revisão da Literatura ....................................................................................................... 16 2.1 Conceito...................................................................................... ...................................... 16 2.2 Métodos Diagnósticos........................................................................................................ 16 2.2.1 Índice de Massa Corpórea ............................................................................................ 17 2.2.2 Circunferência da Cintura ............................................................................................ 18 2.2.3 Razão Cintura-Estatura................................................................................................ 19 2.3 Situação da Obesidade no Brasil e no Mundo.................................................................. 20 2.4 Fatores Associados à Obesidade...................................................................................... 24 3. Metodologia........................................................................................................................ 34 3.1 Desenho, População e Local do Estudo ........................................................................... 34 3.2 Amostragem ..................................................................................................................... 34 3.3 Trabalho de campo .......................................................................................................... 35 3.3.1 Instrumentos de coleta de dados.................................................................................... 35 3.3.2 Seleção e treinamento das equipes de campo................................................................ 36 3.3.3 Coleta de dados............................................................................................................... 36 3.3.4 Descrição e Operacionalização das Variáveis................................................................. 36 3.3.4.1 Variáveis Antropométricas........................................................................................ 36 3.3.4.2 Variáveis de Exposição............................................................................................... 38 3.4 Processamento e análise dos dados ................................................................................. 42 3.5 Considerações Éticas ....................................................................................................... 43 4. Resultados .......................................................................................................................... 44 1º Artigo Original................................................................................................................ 45 2º Artigo Original............................................................................................................... 68 3º Artigo original................................................................................................................ 5.Considerações Finais........................................................................................................... 6. Referências......................................................................................................................... Anexos................................................................................................................................. 97 115 116 132 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores13 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 1. APRESENTAÇÃO 1.1 Caracterização do Problema Importantes transformações demográficas, econômicas, sociais e tecnológicas ocorridas nas últimas décadas propiciaram mudanças significativas no padrão de morbimortalidade nas sociedades modernas. O aumento da expectativa de vida, a redução das mortes por doenças infecto-parasitárias e o aumento da mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis tornaram complexo o quadro de saúde das populações. Neste contexto, mudanças nos indicadores nutricionais também foram observadas, especialmente no que se refere ao incremento do excesso de peso e da gordura corporal (SARTURI, 2006), que por sua vez estariam relacionados a um grande número de doenças (patologias cardiovasculares e cerebrovasculares, distúrbios metabólicos, diversos tipos de câncer, dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor, patologias do aparelho digestivo, etc.). Somam-se aos danos fisiológicos impactos psicossociais relacionados à questão do estigma e da discriminação a indivíduos sob esta condição. A obesidade revela-se, portanto, como um agravo extremamente complexo que constitui um dos maiores desafios de saúde pública desse século (SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; FERREIRA; MAGALHÃES, 2005; PEIXOTO et al, 2006). Por ter etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das variáveis envolvidas no processo do ganho de peso (BERNARDI; CICHELERO; VITOLO, 2005). Diversos estudos têm demonstrado a associação de fatores biológicos, sociodemográficos e comportamentais com o aumento e má distribuição da adiposidade corporal. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que sua ocorrência está relacionada a fatores dietéticos e ambientais associados a uma predisposição genética (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2000). Os dois aspectos mais referidos na literatura como determinantes do quadro de balanço energético positivo são as mudanças no consumo alimentar, com aumento do fornecimento de energia pela dieta e redução da atividade física, configurando o que poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo (MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009). Além destes, vários fatores são associados ao peso corporal, tais como: sexo; idade; cor da pele; antecedentes familiares de obesidade; situação conjugal; nível sócio econômico; grau de escolaridade; fumo e consumo de álcool. Nas mulheres, adicionados a estes fatores, PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores14 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. encontram-se ainda: a paridade, a menopausa, a terapia de reposição hormonal e a idade da menarca. 1.2 Justificativa Tendo em vista a magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura abdominal, que se expressam por prevalências crescentes em todo o mundo, conhecer os fatores que estão associados e influenciam a construção do perfil antropométrico de uma população é relevante para subsidiar a adoção de medidas de intervenção e prevenção. Embora no Brasil existam informações populacionais confiáveis e atuais sobre a caracterização do estado antropométrico de adultos, elas se referem às macrorregiões do país e não enfocam seus determinantes. Além disso, poucos estados brasileiros dispõem dessas informações oriundas de amostras representativas da população. O Estado de Pernambuco não dispõe de dados populacionais atualizados acerca da magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura abdominal em adultos. Logo, torna-se importante avaliar seu comportamento e os fatores que estão associados a sua ocorrência. 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Avaliar a magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura abdominal e os fatores associados em adultos na faixa etária de 25 a 59 anos de idade do Estado de Pernambuco. 1.3.2 Objetivos Específicos Estimar as prevalências de excesso de peso e concentração de gordura abdominal; Estudar a associação entre o excesso de peso e concentração de gordura abdominal e as características socioeconômicas, demográficas, reprodutivas e do estilo de vida; Caracterizar o padrão de consumo alimentar e os fatores associados. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores15 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 1.4 Estrutura da Dissertação A dissertação foi elaborada no formato de um capítulo de Revisão da Literatura, um capítulo referente aos Métodos e três artigos originais de divulgação científica, intitulados conforme descrito abaixo: 1º Artigo Original: ―Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco: magnitude e fatores associados”; 2º Artigo Original: ―Prevalência e fatores associados à concentração de gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco; 3º Artigo Original: ―Padrão de consumo alimentar e fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco”. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores16 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 2. REVISÃO DA LITERATURA Obesidade: magnitude e fatores associados 2.1 Conceito A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo excesso de gordura corporal que resulta do desequilíbrio crônico entre o consumo alimentar e o gasto energético (BERALDO; VAZ; NAVES, 2004; MENDONÇA; ANJOS, 2004; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; PEIXOTO et al, 2006). Atualmente é um grave problema de saúde pública atingindo proporções epidêmicas tanto em países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento, (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1995; SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; PITANGA; LESSA, 2006; MARIAHT et al, 2007) e tem grande impacto sobre o padrão de morbidade adulta (OLIVEIRA et al, 2009). O excesso de gordura corporal está relacionado a um grande número de doenças, incluindo as patologias cardiovasculares e cerebrovasculares, os distúrbios metabólicos, diversos tipos de câncer, dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor, patologias do aparelho digestivo, dentre outras. Somam-se aos danos fisiológicos, impactos psicossociais relacionados à questão do estigma e da discriminação a indivíduos sob esta condição. A obesidade revela-se, portanto, como um agravo extremamente complexo que constitui um dos maiores desafios para a saúde pública deste século (SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; FERREIRA; MAGALHÃES, 2005; PEIXOTO et al, 2006). 2.2 Métodos Diagnósticos Existem vários métodos indiretos empregados para diagnosticar a obesidade que permitem estimar com precisão a quantidade total de gordura corpórea, assim como sua distribuição (PEIXOTO et al, 2006). Entre esses métodos, destacam-se a tomografia computadorizada, a absorciometria por raios X de dupla energia (DEXA), a ressonância magnética e a ultrassonografia (LEITE et al, 2000; RIBEIRO FILHO et al, 2001; RIBEIRO-FILHO et al, 2003; HIROKOKA et al, 2005; PEIXOTO et al, 2006; REZENDE et al, 2006). Para a realização de estudos epidemiológicos, entretanto, considerando-se a simplicidade e os custos dos diversos métodos, tem sido recomendada a utilização de índices antropométricos, tais como o índice de massa corporal (IMC), a relação cintura-quadril (RCQ) ou apenas a circunferência da cintura (CC), as dobras cutâneas (DC), o índice de conicidade (IC); o diâmetro sagital (DS) e a PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores17 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. razão cintura-estatura (RCE) (LEITE et al, 2000; PITANGA; LESSA, 2004; GUEDES, 2006; SAMPAIO et al, 2007). A capacidade do avaliador de reproduzir as medidas, a padronização das técnicas, a utilização de instrumentos calibrados e precisos (REZENDE et al, 2006) e a viabilidade de realização (DAMASO, 2003) são fatores importantes para determinar a escolha do método a ser utilizado nas pesquisas ou intervenções clínicas. 2.2.1 Índice de Massa Corpórea O IMC é o indicador do estado nutricional mais utilizado em estudos epidemiológicos (ABRANTES; LAMOUNIER; COLOSIMO, 2003; GUEDES, 2006; FERNANDES; OLIVEIRA; JUNIOR, 2006; LIMA; SAMPAIO, 2007), sendo um bom indicador para expressar a gordura corporal em excesso e útil para quantificar a obesidade global (SARTURI, 2006). No entanto, apesar do bom potencial como indicador do estado nutricional, o IMC não descreve a ampla variação que ocorre na composição corporal de indivíduos (PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004; PEIXOTO et al, 2006), refletindo a proporção do tecido adiposo na massa corporal, independentemente da localização (SARNO; MONTEIRO, 2007). Apesar do baixo custo, fácil aplicabilidade, e pequena variação intra ou inter avaliador (SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005), a utilização desse método se torna bastante limitada principalmente quando a população que será avaliada apresenta um padrão de atividade física mais intenso. Pessoas com elevada quantidade de massa muscular podem apresentar elevado IMC mesmo que a gordura corporal não seja excessiva (REZENDE et al, 2006). Outro aspecto que reduz sua aplicabilidade diz respeito aos pontos de corte propostos para avaliação do estado nutricional, pois além de serem aplicados em uma faixa etária muito ampla, não levam em consideração o sexo e a etnia (SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005; REZENDE et al, 2006). Apesar de suas limitações (variações na estrutura e proporções corporais, que podem ocorrer em algumas populações), o IMC é a medida mais aceita universalmente para categorizar o sobrepeso e a obesidade (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2000), sendo definido pelo quociente do peso (kg) pela altura (m) ao quadrado. A classificação atualmente mais aceita é a proposta pela Organização Mundial de Saúde, 1998, que categoriza os indivíduos em sete estratos segundo risco de co-morbidades, PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores18 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. sendo considerado obeso o indivíduo com IMC ≥ 30kg/m² e sobrepeso aquele com IMC ≥ 25 e <30 kg/m² (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). Entretanto, é importante destacar que o papel da obesidade generalizada como fator de risco cardiovascular é controverso, sendo apontado pela literatura recente que os indicadores de obesidade central são melhores preditores do risco coronariano elevado que os indicadores de obesidade generalizada (PEIXOTO et al, 2006; PITANGA; LESSA, 2007; OLIVEIRA et al, 2009). 2.2.2 Circunferência da Cintura Diversos estudos têm sido realizados para identificar a associação entre indicadores antropométricos de obesidade e risco coronariano elevado. A maioria deles indica que os indicadores de obesidade central são melhores preditores do risco coronariano elevado do que os indicadores de obesidade total (PITANGA; LESSA, 2005; PITANGA; LESSA, 2007). A circunferência da cintura (CC) é o método mais comumente usado na prática clínica para avaliar a adiposidade visceral (RIBEIRO-FILHO et al, 2006), por sua simplicidade (LEITE et al, 2000; SARNI et al, 2006; GUEDES, 2006; PEIXOTO et al, 2006; PICON et al, 2007), facilidade de execução (FERREIRA et al, 2006; GUEDES, 2006; SARNI et al, 2006), baixo custo (FERREIRA et al, 2006; PEIXOTO et al, 2006) e reprodutibilidade (SARNI et al, 2006). Entretanto, tem sido identificada sua fragilidade como variável preditora da quantidade de gordura corporal em razão de suas dimensões incluírem outros tecidos e órgãos além do tecido adiposo (GUEDES, 2006), e, principalmente por não separar a gordura intra-abdominal da subcutânea (LEITE et al, 2000). No entanto, a comparação das medidas antropométricas com exames de diagnóstico por imagens, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, mostra que a medida da CC foi a variável antropométrica que apresentou melhor correlação com o tecido adiposo visceral (OLINTO et al, 2006; PEIXOTO et al, 2006). A OMS recomenda que a CC seja aferida com uma fita métrica não flexível diretamente sobre a pele na região mais estreita entre o tórax e o quadril ou, em caso de não haver ponto mais estreito, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, sendo a leitura feita no momento da expiração (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). O ponto de corte determinado pela OMS é de 94 cm e 80 cm, como medida de PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores19 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. risco metabólico aumentado (nível 1) para homens e mulheres, respectivamente, e 102cm e 88cm, como indicação de risco metabólico muito elevado (nível 2) para morbidades associadas à obesidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1995). Este ponto de corte foi recomendado também por Lean, Han e Morrison (1995) e pelo National Cholesterol Education Program (NATIONAL CHOLESTEROL EDUCATION PROGRAM, 2001). Questiona-se, no entanto, o uso universal desses pontos de corte, visto que a sensibilidade desses na identificação dos fatores de risco associados à obesidade pode variar entre os grupos etários e as diversas populações (PEIXOTO et al, 2006) e etnias (RIBEIRO FILHO et al, 2001; PICON et al, 2007). 2.2.3 Razão Cintura-Estatura A razão cintura-estatura (RCE) tem sido descrita mais recentemente na literatura como um indicador antropométrico da distribuição de gordura corpórea útil para identificação do risco cardiovascular (KOCH et al, 2007; ALVAREZ et al, 2008; KOCH et al, 2008). Estudos no Brasil e em diferentes países têm demonstrado a forte associação desta medida com o risco coronariano elevado, sendo esta relação maior que em outros indicadores antropométricos, como IMC, CC e RCQ (LIN et al, 2002; SAYEED et al, 2003; PITANGA; LESSA, 2004; OLIVEROS; SOBERANIS, 2005; HSIEH; MUTO, 2006; SCHNEIDER et al, 2007; KOCH et al, 2007; KOCH et al, 2008). Uma vez que a baixa estatura é um preditor independente para a DCV e para a mortalidade (DAVEY et al, 2000; FORSEN et al, 2000; SILVENTOINEN et al, 2006; KOCH, 2008), o ajuste da CC pela estatura corporal permitiria expressar melhor o risco associado à concentração de gordura abdominal (LIN et al, 2002; SAYEED et al, 2003; HSIEH; MUTO, 2006; SCHNEIDER et al, 2007). A utilização da RCE tem a vantagem da simplicidade de sua determinação e de basear-se em medidas de fácil obtenção (PEREIRA; SICHIERI; MARINS, 1999; ALVAREZ et al, 2008), sendo definida pelo quociente da CC (cm) pela estatura (cm) (PITANGA; LESSA, 2004; OLIVEROS; SOBERANIS, 2005; KOCH et al, 2007; KOCH et al, 2008; ALVAREZ et al, 2008). Este indicador apresenta-se como um bom marcador para monitorar excesso de peso em jovens, por considerar o crescimento tanto da cintura quanto da estatura. Nesta faixa etária, índices antropométricos que utilizem a medida da circunferência do quadril podem ser inapropriados, pois a largura pélvica modifica-se rapidamente durante o estirão do crescimento e, estes índices poderiam PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores20 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. estar refletindo mais essa variação do que, propriamente, o acúmulo de gordura (ALVAREZ et al, 2008). Os pontos de corte sugeridos para discriminação da obesidade abdominal e risco cardiovascular são RCE≥ 0,50 para homens e mulheres (OLIVEROS; SOBERANIS, 2005; KOCH et al, 2008). Em estudo realizado com amostra de 55.563 adultos de ambos os sexos em Taiwan, com objetivo de identificar os pontos de corte da RCE para discriminar pelo menos um fator de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão ou dislipidemia), Lin et al (2002) encontraram valores de 0,48 e 0,45 para homens e mulheres, respectivamente, evidenciando ainda forte associação da RCE com hipertensão arterial, intolerância à glicose, diabetes e dislipidemias. Pitanga e Lessa (2006), estudando 968 adultos de Salvador-Brasil, na faixa etária de 30-74 anos de idade, encontraram valores de 0,53 e 0,52 para homens e mulheres, respectivamente. Por ser um indicador antropométrico de uso relativamente recente, diferentes pontos de cortes são relatados na literatura, sendo necessária a realização de novos estudos envolvendo diferentes grupos etários para que possam comparar a RCE com outros indicadores de obesidade mais comumente utilizados para discriminar o risco coronariano elevado. 2.3 Situação da Obesidade no Mundo e no Brasil A OMS caracteriza a obesidade como uma epidemia mundial que não respeita fronteiras, acometendo principalmente países desenvolvidos como os Estados Unidos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998), onde estimativas do Centro Nacional de Controle e Prevenção de Doenças indicam aumento surpreendente de 74% em apenas uma década (1991-2001), crescendo 5,6% em um único ano (2001 a 2002) (CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2004). Neste país, previsões relatam 300.000 casos de mortes anuais relacionadas à obesidade em adultos (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2004). Segundo resultados do Estudo Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), realizado na população americana na faixa etária entre 20 a 74 anos, no período compreendido entre 1999 e 2002, 65% dos indivíduos foram classificados como sobrepeso e 31% como obesos. Dados mais recentes obtidos a partir da NHANES realizada entre os anos de 2003 e 2004 fornecem estimativas sobre a prevalência de sobrepeso e obesidade nos Estados Unidos, onde foi observado que 66,3% dos adultos PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores21 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. americanos maiores de 20 anos possuíam algum grau de excesso de peso, enquanto 32,2% eram obesos. Nos países europeus, a prevalência de obesidade aumentou entre 10 e 40%, nos últimos 10 anos, principalmente entre as mulheres da região Sul e Leste (INTERNATIONAL TASK FORCE, 2004). Na Inglaterra, a ocorrência da obesidade aumentou mais que o dobro desde 1980, apresentando prevalência em torno de 16% em 1995, com leve predomínio na população feminina (INTERNATIONAL TASK FORCE, 2004). Dados da Sociedade Espanhola para Estudo da Obesidade (SEEDO) revelam prevalências em torno de 39,0% de sobrepeso e 14,5% de obesidade na população da Espanha (ARANCETA et al, 2003). Nos países da África e da Ásia, a obesidade é ainda relativamente incomum, sendo o foco principal a desnutrição e a insegurança alimentar (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). Como resultado disso, a tendência da obesidade foi documentada em apenas alguns países ou populações africanas. Meta-análise publicada recentemente incluindo 30 estudos realizados na África Ocidental identificou uma prevalência de obesidade estimada em torno de 10%, onde as mulheres se mostraram mais predispostas à obesidade do que os homens. Este estudo indicou ainda que a prevalência de obesidade nesta região mais que dobrou (114%) ao longo de 15 anos (ABUBAKARI et al, 2008), sendo maiores as prevalências observadas em regiões economicamente mais avançadas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). Em países da região oeste do pacífico foram registrados também níveis ascendentes de sobrepeso e obesidade. As menores prevalências são encontradas no Japão e China, apesar da tendência crescente nas últimas décadas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2004). Segundo Du et al, (2002), o sobrepeso e a obesidade eram raros em 1982, apenas 3,5% dos adultos entre 20 e 45 anos tinham IMC acima de 25 kg/m2 e apenas 0,2% eram classificados como obesos. No entanto, esses valores quadruplicaram para 14,1% e 1,3%, respectivamente, em 1997. Nas Américas, estudos demonstram que o padrão de obesidade para ambos os sexos vem aumentando, tanto em regiões desenvolvidas, quanto naquelas em desenvolvimento. O Caribe e América Latina vêm apresentando aumentos crescentes do excesso de peso, principalmente nas regiões mais desenvolvidas, com predomínio também entre a população feminina (PEÑA; BACALLO, 2000; KAIN; VIO; ALBALA, 2003). Martorell et al em meta-análise publicada em 2000 mostraram que as PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores22 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. menores prevalências de obesidade entre os países da America Latina foram encontradas entre os mais pobres, como Haiti, Bolívia e Honduras. Em estudo com amostra nacional baseado em dados censitários de 2000, realizado no México, foram reveladas prevalências de sobrepeso e obesidade em adultos entre 20 a 69 anos, em 41,3% e 19,4% dos homens, e em 36,3% e 29% da população feminina, respectivamente (SANCHEZ-CASTILLO et al, 2003). No Chile segundo alguns estudos de base populacional, realizados nas décadas de 80 e 90, em indivíduos adultos, entre 24 e 64 anos, a obesidade na população feminina foi cerca de 20% e na masculina oscilou entre 13 e 15%. Dados semelhantes foram observados no Peru (SANCHEZ-CASTILLO et al, 2003). No Brasil, a obesidade como problema de Saúde Pública é um evento recente. Apesar da existência de relatos a partir da Era Paleolítica sobre ―homens corpulentos‖, a prevalência de obesidade nunca se apresentou em grau epidêmico como na atualidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). Enquanto agravo nutricional, a desnutrição era assumida como um problema relevante para os países em desenvolvimento, e a obesidade seria um problema dos países desenvolvidos. Atualmente, nem os países em desenvolvimento, nem os desenvolvidos se apresentam como unidades homogêneas, tanto para a prevalência da desnutrição, quanto para a prevalência da obesidade (MONDINI; MONTEIRO, 1998; FRANCISCHI et al, 2000). O Brasil é um dos únicos países da América do Sul que possui informações de pesquisa nacionais com dados mais completos sobre nutrição e saúde desde a década de 70. Dados de quatro grandes estudos nacionais de base populacional, realizados pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos 1975, 1989, 1996-97, 2002-03 e 2008-09 permitem avaliar a tendência do sobrepeso e obesidade nos últimos 35 anos (MONTEIRO; CONDE; POPKIN, 2002; INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004). Comparando os dois primeiros grandes inquéritos nutricionais probabilísticos de âmbito nacional, realizados em 1974-75 (ENDEF) e 1989 (PNSN), nas cinco macroregiões do país (Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul), excluindo as regiões pouco povoadas do Norte, o problema do baixo peso (IMC< 18,5 Kg/m2) em adultos, observada na primeira pesquisa se inverteu na segunda. Em 1975, a prevalência de baixo peso excedia a de obesos em uma vez e meia; em 1989 a prevalência de obesos superou a de baixo peso em mais que duas vezes (MONTEIRO et al, 1995). Uma situação alarmante é revelada quando observado o crescimento da ocorrência da PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores23 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. obesidade no período compreendido entre esses os dois inquéritos: houve um aumento de 100% na prevalência de obesidade entre os homens e de 70% entre as mulheres, abrangendo todas as faixas etárias (MONTEIRO; CONDE; POPKIN, 2002). Os dados da Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV), realizada entre os anos de 1996 e 1997, pelo IBGE, em convênio com o Banco Mundial, abrangendo as duas macrorregiões mais representativas do Brasil, em termos socioeconômicos e populacionais, Nordeste e Sudeste, revelaram prevalência de sobrepeso de 28,3% e obesidade de 9,7% entre adultos. Nesta mesma pesquisa, observou-se nessas regiões um aumento gradativo da prevalência de sobrepeso e obesidade desde a infância até a idade adulta, com declínio entre os idosos. Além disso, pode-se concluir que a prevalência conjunta de sobrepeso e obesidade na população brasileira neste período foi maior no sexo feminino, atingindo índices preocupantes, uma vez que mais da metade das mulheres das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, com idade entre 40 e 79 anos, apresentaram excesso de peso (IMC>25 kg/m2) (ABRANTES; LAMOUNIER; COLOSIMO, 2003). A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2002-03, englobando as cinco macrorregiões brasileiras, revelou que o excesso de peso em adultos excedeu em oito vezes o déficit de peso na população feminina e em quinze vezes entre os homens. Os adultos envolvidos na pesquisa, maiores de 20 anos, revelaram 4% de baixo peso, 40,6% foram considerados com excesso de peso, e dentre esses aproximadamente 27% foram diagnosticados como obesos. A prevalência geral de obesidade encontrada nesta pesquisa para homens e mulheres, respectivamente, foi de 8,9% e 13% (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004). Estudo realizado em 2006, por inquérito telefônico, junto à população adulta das capitais de Estados brasileiros e do Distrito Federal, revelou 44,1% de excesso de peso, sendo 11,4% de obesidade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007). Dados mais recentes da POF, realizada em 2008-2009, revelaram que o excesso de peso atingiu cerca de metade dos homens (50,1%) e das mulheres (48%), excedendo em 28 vezes a freqüência do déficit de peso no sexo masculino e em 13 vezes no sexo feminino (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010). A II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição, realizada em 1997, em amostra representativa do estado de Pernambuco, identificou prevalência de sobrepeso no sexo masculino e feminino em 27,3% e 28,3%, respectivamente, e 6,9% e 13,7% de obesidade (FERRACCIU, 2005). Em Recife, segundo dados do Ministério da Saúde PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores24 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. provenientes de estudo realizado por inquérito telefônico em 2006, o excesso de peso foi observado em 43,3% da população (MOURA et al, 2008). 2.4 Fatores associados à obesidade A complexa etiologia da obesidade tem sido amplamente descrita na literatura, sendo indicado pelos epidemiologistas que a modernização tem um papel importante no crescimento acelerado dessa condição (FRANCISCHI et al, 2000; MARINHO et al, 2003; TERRES et al, 2006; TARDIDO; FALCÃO, 2006; FILARDO; PETROSKI, 2007; FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008; OLIVEIRA et al, 2009). O impacto negativo da modernização na transformação do perfil epidemiológico da população tem sido atribuído a maior oferta de alimentos associada à melhoria dos instrumentos de trabalho, como mecanização e automação (FRANCESCHI et al, 2000). Os processos de industrialização e urbanização observados nas sociedades modernas trouxeram aumento da ingestão de calorias e diminuição da atividade física, estabelecendo um desequilíbrio energético e resultando no acúmulo de gordura corporal (TERRES et al, 2006; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009). Modificações no nível do desenvolvimento de cada sociedade proporcionam alterações no padrão de morbimortalidade. Em países em desenvolvimento, estes padrões se apresentam com redução das doenças infecciosas e crescente aumento das doenças crônicas não transmissíveis, as quais ganham destaque nas causas de óbitos (PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004). O processo de transição nutricional é parte integrante dessas transformações e caracteriza-se pelas modificações seqüenciais no padrão de nutrição e consumo que acompanham mudanças econômicas, sociais, demográficas e do perfil de saúde das populações (POPKIN et al, 1993). Pode ser entendido como um fenômeno no qual ocorre uma inversão nos padrões de distribuição dos problemas nutricionais de uma dada população no tempo, ou seja, uma mudança na magnitude e no risco atribuível de agravos associados ao padrão de determinação de doenças atribuídas ao atraso e à modernidade, sendo em geral, uma passagem da desnutrição para a obesidade (KAC; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ; VALENTE, 2003). Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso (BERNARDI; CICHELERO; VITOLO, 2005), havendo evidências de que sua ocorrência está relacionada a fatores dietéticos e ambientais associados à predisposição genética PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores25 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1990). O meio ambiente responde com mais de 60% do excesso de peso relatados mundialmente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2000). Neste contexto, diversos fatores biológicos, socioeconômicos e comportamentais têm sido associados ao excesso de peso e obesidade, os quais serão descritos a seguir. Sexo Vários estudos realizados no Brasil e em outros países em desenvolvimento têm mostrado que as mulheres têm maior probabilidade de apresentar obesidade do que os homens (SCHIERI et al, 1994; MONTEIRO et al, 2005; RONSONI et al, 2005). Não existe uma explicação concreta para os maiores índices no sexo feminino, mas podem ser explicadas pela maior composição de gordura, gestações, diferenças hormonais e climatério presentes no gênero (FILOSOF et al, 2001; MONTEIRO; CONDE; CASTRO, 2003; RONSONI et al, 2005). A maior prevalência de excesso de peso entre as mulheres é observada, sobretudo entre 55 a 65 anos, faixa etária que está associada às transformações metabólicas que ocorrem na menopausa (PISABARRO et al, 2009). Além deste, outra possível explicação para maior prevalência de obesidade nas mulheres pode ser o maior acúmulo de gordura visceral e maior expectativa de vida. Durante o processo de envelhecimento, ocorre redistribuição progressiva da gordura com diminuição do panículo adiposo subcutâneo dos membros e acúmulo intra-abdominal. As mulheres acumulam mais gordura subcutânea que os homens e a perdem em idades mais tardias (SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009). Idade Ao contrário do que ocorre na infância e na adolescência, a comparação de estudos de prevalências de sobrepeso e obesidade em adultos é facilitada pela uniformidade de critérios nos valores de IMC (ABRANTES; LAMOUNIER; COLOSIMO, 2003). Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2002/2003) o excesso de peso tende a aumentar com a idade, ocorrendo de modo mais rápido para os homens (20-54 anos) e de forma mais lenta e prolongada entre as mulheres (20-64 anos) (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores26 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. O processo de envelhecimento está associado ao ganho de peso por estar ligado a fatores como declínio da taxa metabólica basal em conseqüência da perda de massa muscular e diminuição na prática de atividades físicas (FRANCISCHI et al, 2000). Nível socioeconômico O nível socioeconômico e cultural influenciam diretamente a prevalência da obesidade, sendo predominante nos estratos baixos e médios (PISABARRO et al, 2009), isto ocorre devido o fato do nível socioeconômico interferir na disponibilidade de alimentos, no acesso à informação e a serviços de saúde, bem como associa-se ao estilo de vida e a determinados padrões de atividade física. Entre os indicadores de condições socioeconômicas mais frequentemente utilizados estão educação, ocupação e renda (DUNCAN et al, 2002; WARDLE; WALLER; JARVIS, 2002). Tem sido sugerido ainda que as variáveis socioeconômicas podem ser influenciadas pela obesidade, ou seja, a obesidade poderia precedê-las. Gortmaker et al, 1993, em um estudo longitudinal com 10.000 pessoas de 16 a 24 anos, encontraram, após sete anos de acompanhamento, que mulheres com excesso de peso casavam menos, tinham rendas mais baixas e completavam menos anos na escola (STUNKARD; SORENSEN, 1993; GORTMAKER et al, 1993). Diversos estudos têm identificado relação inversa entre o excesso de peso e o nível de escolaridade (WARDLE, WALLER; JARVIS, 2002; ARAÚJO; VELASQUEZ-MELENDEZ, 2007; SOUZA et al, 2007; PISABARRO et al, 2009; SILVA; ZAFFARI, 2009). O nível educacional relaciona-se a maior possibilidade de conhecimento e acesso a um estilo de vida saudável, com alimentação e atividade física adequadas (PISABARRO et al, 2009). A relação inversa entre obesidade e educação pode estar relacionada a fatores culturais e à mobilidade social. As adolescentes do sexo feminino obesas teriam mais dificuldade em prosseguir seus estudos e galgar níveis superiores de instrução restando como opção o casamento, o lar, as gestações e conseqüentemente, maior predisposição ao ganho excessivo de peso (RONSONI et al, 2005). Paridade Para as mulheres, destaca-se entre os fatores contributivos para o excesso de peso a alta paridade (OLIVEIRA et al, 2009). Essa tendência tem sido amplamente descrita na literatura, (KAC; VELASQUEZ-MELENDEZ; COELHO, 2001; RONSONI PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores27 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. et al, 2005; TEICHMANN et al, 2006; ARAÚJO; VELASQUEZ-MELENDEZ, 2007; OLIVEIRA; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007; FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008) podendo ser explicada pelo ganho excessivo de peso no período gestacional e posterior dificuldade para perda. Nos países em desenvolvimento, nos quais o número maior de gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor entre as gestações, essa relação é ainda mais expressiva (FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008). Situação Conjugal Diversos estudos apontam associação entre a situação conjugal e a obesidade, sendo demonstrado que ter companheiro representa um fator de risco para o excesso de peso (SOBAL; RAUSCHENBACH e FRONGILLO, 1992; GIGANTE et al, 1997; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; RONSONI et al, 2005; TEICHMANN et al, 2006; SILVA; ZAFFARI, 2009). Entretanto, as possíveis razões para explicar esta maior predisposição não são apresentadas. Antecedentes Familiares A ocorrência de obesidade em vários membros da mesma família é bem conhecida, acreditando-se que fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos. A literatura indica que o risco de excesso de peso no indivíduo é duplicado quando os genitores são obesos (GIGANTE et al, 1997; RONSONI et al, 2005; SOUZA et al, 2007; PISABARRO et al, 2009). Araújo e Velasquez-Melendez (2007), estudando os fatores associados à obesidade central e global em mulheres na faixa etária de 14 a 42 anos, observaram que ter mãe obesa foi um fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, sendo essa associação significativa mesmo após o ajustamento para variáveis de confusão. Foi observado também que a obesidade presente em ambos os pais determinou um risco ainda maior de obesidade nas filhas. A ocorrência de obesidade na mãe determina um maior risco de excesso de peso para seus descendentes, possivelmente devido à complexa interação entre a genética e o ambiente intrauterino na regulação hipotalâmica e neuroendócrina do balanço energético (PISABARRO et al, 2009). Entretanto, independente da influência genética que se expressa na história familiar, entende-se que a obesidade resulta de uma rede complexa de fatores ligados ao campo genético, ao estilo de vida e ao ambiente que se PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores28 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. associam e interagem (OLIVEIRA et al, 2009). Estimativas mostram que cerca de 40% da variabilidade do peso corporal é devida a fatores genéticos, e por conseqüência, 60% desta variabilidade é explicada pelos fatores ambientais (principalmente dieta e inatividade física) (CONSENSO LATINO AMERICANO DE OBESIDADE, 1999; FILOSOF, et al, 2001). Tabagismo O efeito da nicotina no balanço energético (aumenta o metabolismo corporal) está bem conhecido, sendo demonstrada relação inversa entre o hábito de fumar e o IMC (FLEGAL et al, 1995; PISABARRO; IRRAZABAL; RECALDE, 2000; RONSONI et al, 2005). Diversos estudos revelam maiores prevalências de obesidade entre ex-fumantes e não-fumantes (GIGANTE et al, 1997; RONSONI et al, 2005; SOUZA et al, 2007; SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009), sendo encontrado que os fumantes que abandonaram o hábito de fumar são os que apresentam maiores prevalências de excesso de peso, sendo este um dos maiores impedimentos para cumprir o abandono (PISABARRO et al, 2009). Entretanto, embora seja relacionado o abandono do tabagismo ao ganho de peso, não há evidências conclusivas da ligação direta entre o fumo e a facilitação da perda de peso ou estabilização do peso corporal (GRUBER; FRAKES, 2006). Além disso, ainda que houvesse comprovadamente um efeito protetor do fumo sobre o ganho de peso, ele seria menor aos benefícios associados aos hábitos de vida mais saudáveis, entre os quais, o abandono do tabagismo (SOUZA et al, 2007). Consumo de álcool Diversos estudos têm avaliado o papel do consumo do álcool na alteração dos indicadores de obesidade global e abdominal (GIGANTE et al, 1997; CASTANHEIRA; OLINTO; GIGANTE, 2003; OLIVEIRA; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007; FERREIRA et al, 2008; OLIVEIRA et al, 2009). Entretanto, ainda não está claro o papel do álcool no mecanismo de determinação da adiposidade, sobretudo pela grande variação metodológica encontrada na literatura relativa à freqüência e quantidade do etanol consumido. Além disso, tem sido sugerido que o álcool pode atuar como possível fator de confusão na relação entre fumo e obesidade abdominal (OLIVEIRA; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores29 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Em investigação epidemiológica nas 108 maiores cidades brasileiras, Carlini et al (2007) verificaram que 37.953 habitantes (74,6%) já haviam consumido álcool durante a vida. Outro estudo realizado na região metropolitana de São Paulo observou que 18% das pessoas consumiam acima de 16,8g/dia de etanol, o que representa uma contribuição calórica média de 1,2% da dieta, chamando atenção ainda para o fato de que o consumo de bebidas alcoólicas pode estar subestimado ao analisar o histórico alimentar desses pacientes (PEINADO; CERVATO; MARTINS, 1996). É importante ressaltar ainda que o álcool é apontado também como estimulador de apetite, sendo esse dado descrito por um estudo que avaliou o consumo alimentar uma hora após a ingestão alcoólica (YEOMANS, 2004), constatando-se ainda que os alimentos adicionados ao consumo do álcool apresentam elevado teor energético (SUTER, 2005). Da mesma forma que a teratogenicidade do álcool encontra diferentes respostas dependendo do indivíduo, o ganho de peso relacionado ao consumo de etanol segue a mesma tendência (KACHANI; BRASILIANO; HOCHGRAF, 2008). Hábitos Alimentares Os dois aspectos mais descritos na literatura como determinantes de um quadro de balanço energético positivo têm sido mudanças no consumo alimentar, com aumento do fornecimento de energia pela dieta, e redução da atividade física, configurando o que poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo (MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009). Ao se focalizar a obesidade pelos aspectos vinculados às alterações na dieta, cabe destacar que o aumento da ingestão energética pode ser decorrente tanto da elevação quantitativa do consumo de alimentos, como de mudanças na dieta, caracterizadas pela ingestão de alimentos com elevada densidade energética, ou pela combinação dos dois. O processo de industrialização dos alimentos tem sido apontado como um dos principais responsáveis pelo aumento do aporte energético da dieta da maioria das populações do Ocidente (FRENCH; STORY; JEFFERY, 2001; MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006). Os resultados fornecidos pela POF 2002-2003 evidenciaram características negativas no padrão alimentar do brasileiro, tais como: persistência de teor excessivo de açúcar na dieta; aumento da ingestão de gorduras, e em particular, de gordura saturada; consumo insuficiente de frutas e hortaliças; perda da importância de alimentos PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores30 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. tradicionais, a exemplo do arroz e feijão; e aumento do consumo de alimentos industrializados (biscoitos e refrigerantes tiveram um incremento de 400%) (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004). Embora a concentração de renda no Brasil (as classes de renda mais baixa utilizam 37% da renda com alimentação e as mais altas empenham apenas 11%) não permita falar em mercado homogêneo, nas duas últimas décadas houve um predomínio no consumo de alimentos industrializados comprados em supermercados em todas as classes de renda (MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006). Todos esses são aspectos relevantes que corroboram para justificar as modificações do perfil epidemiológico da população brasileira. Alguns hábitos alimentares estão envolvidos com a etiologia e a evolução da obesidade (BERALDO; VAZ; NAVES, 2004). O número de refeições ingeridas ao dia é um comportamento muito estudado na relação com a adiposidade corporal, sendo observada associação inversa em diversos estudos (GIGANTE et al, 1997; BERALDO; VAZ; NAVES, 2004; PEIXOTO; BENÍCIO; JARDIM, 2007; OLIVEIRA et al, 2009). Essa associação poderia ser interpretada como resposta fisiológica à adoção de uma prática alimentar inadequada, uma vez que a redução do número de refeição ao dia conduz o indivíduo a fazer alta ingestão de alimentos e conseqüentemente com elevada concentração calórica por refeição (OLIVEIRA et al, 2009). Outro aspecto que se mostrou associado à obesidade ou sobrepeso foi o ato de realizar as refeições de forma rápida, o que pode ser interpretado de várias formas, desde àquelas associadas ao estilo de vida, ao estresse, a pouca atividade física e as condições impostas na cultura ocidental, até aquelas diretamente relacionadas ao metabolismo e aos fenômenos biológicos e bioquímicos do comportamento alimentar, que associonam inúmeros componentes reguladores da sofisticada relação fome, saciedade e gasto energético (TEICHMANN et al, 2006). Destacam-se ainda, entre os hábitos inadequados relacionados à maneira de se alimentar, o consumo de alimentos em frente à televisão ou durante leituras e a mastigação de forma rápida e inadequada, que estão com freqüência associados à obesidade, inclusive em crianças e em diferentes níveis socioeconômicos (BERALDO; VAZ; NAVES, 2004). Ainda com relação ao padrão alimentar, destaca-se a associação entre dieta para perda ponderal e o excesso de peso e de gordura abdominal entre as mulheres. Esta condição pode ser interpretada à luz da causalidade reversa, dado que, uma vez PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores31 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. diagnosticado o excesso de peso corporal ou a concentração de gordura abdominal, o indivíduo pode ter iniciado medidas de restrição alimentar para o controle destes eventos. Tais características não são passíveis de serem avaliadas em estudos que adotam desenho transversal (OLIVEIRA et al, 2009). Atividade Física A tendência secular no aumento da obesidade parece ocorrer paralelamente à redução na prática de atividade física e aumento do sedentarismo (MARTINEZ, 2000). As nítidas mudanças socioeconômicas e culturais condicionam as populações ocidentais a um menor gasto energético, inclusive nos países em desenvolvimento. As novas tecnologias induzem a tarefas cada vez mais sedentárias, e dados recentes indicam que o ganho de gordura corpórea está diretamente relacionado ao aumento do número de carros na residência e ao hábito de assistir a televisão (PEREIRA; FRANCESCHI; LANCHA JR, 2003; BERALDO; VAZ; NAVES, 2004). Algumas evidências sugerem que o sedentarismo, favorecido pela vida moderna, é um fator de risco tão importante quanto a dieta inadequada na etiologia da obesidade (TARDIDO; FALCÃO, 2006). O comportamento dos padrões de atividade física da população é pouco conhecido em relação aos determinantes do equilíbrio energético. No Brasil, entre outros fatores, a expansão do setor de serviços, com a predominância de ocupações que demandam baixo gasto energético, sugere que o desenvolvimento e a modernização do país associam-se a alterações significantes e negativas na atividade física, sendo estas relevantes para explicar a ascensão da obesidade (DUTRA DE OLIVEIRA; CUNHA; MARCHINI, 1996). É bastante provável que a redução da atividade física nas populações, nas últimas duas décadas, seja um determinante do perfil nutricional (PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004). Para as mulheres em idade reprodutiva destacam-se entre os fatores contributivos para redução da atividade física a incorporação no mercado de trabalho e o menor esforço dispensado no trabalho doméstico, condição favorecida pela disponibilidade de eletrodomésticos modernos (OLIVEIRA et al, 2009). A diminuição no nível de atividade física foi o maior preditor do ganho de peso em 1.064 mulheres, identificada por estudo longitudinal desenvolvido na Escócia entre 1991 e 1993 (MACDONALD et al, 2003). Mulheres na pré-menopausa que praticavam atividade moderada cinco vezes na semana ou atividade vigorosa por três vezes na semana apresentaram IMC e percentual de gordura significativamente menores do que PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores32 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. aquelas que não praticavam atividade física regular (HOLCOMB, HEIM e LOUGHIN, 2004). A inatividade física vem sendo apontada como o principal fator modificável do estilo de vida, associado à redução da morbidade e mortalidade associada à obesidade em mulheres (DUBNOV; BRZEZINSKI; BERRY, 2003). Estudo representativo da população do Uruguai indicou que o sedentarismo atinge 66% da população (PISABARRO et al, 2009). No Brasil, dados iniciais do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis por Inquérito Telefônico-VIGITEL implantado em 2006, apontam que 29,2% da população não praticaram qualquer atividade física nos três meses anteriores a avaliação, sendo os maiores índices observados em Natal (35,1%) e João Pessoa (35%) (MOURA et al, 2008). Em Salvador, estudo realizado em 2001, mostrou que 65,5% das mulheres e 41,8% dos homens não realizavam atividade física ou desenvolviam apenas atividades leves (OLIVEIRA et al, 2009). Outros fatores Fatores com peso ao nascer, amamentação, idade da menarca, menopausa, terapia de reposição hormonal e cor da pele, têm sido descritos na literatura como possíveis preditores do ganho excessivo de peso. Alguns estudos têm mostrado correlação positiva entre o peso ao nascer e o IMC na idade adulta, sendo demonstrada por alguns estudos que maiores prevalências de excesso de peso e obesidade ocorreram em indivíduos com maior peso ao nascimento (BAIRD et al, 2005; VICTORA et al, 2008; GIGANTE et al, 2008). Apesar de poucos registros na literatura, evidências têm apontado relação entre a amamentação e o excesso de peso na idade adulta, sendo constatado em meta-análise que indivíduos amamentados apresentaram menores freqüências de excesso de peso e de obesidade, independentemente da duração do aleitamento (HORTA et al, 2007). A idade da menarca inferior a 12 anos tem sido relacionada a uma maior prevalência de obesidade. De acordo com a literatura, a menarca se dá por volta dos 12 e 13 anos de idade (CRESPIN, 1999). Picanço, em sua investigação encontrou média de idade da menarca no Brasil de 13,02 anos (±0,09) (PINCANÇO, 1989). Kac e colaboradores (2003) observaram que a prevalência de obesidade global foi de 52% em mulheres com idade de menarca < 12 anos, com uma chance de três vezes maior de obesidade entre essas mulheres quando comparadas àquelas que tiveram a primeira menstruação com idade ≥ 12 anos (KAC; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ; VALENTE, PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores33 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 2003). Teichmann et al (2006) avaliando a prevalência e os fatores de risco para o excesso de peso nas mulheres de São Leopoldo, RS, Brasil, mostraram que a idade da menarca maior ou igual a 14 anos conferiu proteção para a obesidade em 58% . Outros fatores descritos como determinantes do excesso de peso na mulher são a menopausa e a terapia hormonal. Após os 50 anos a mulher apresenta tendência ao aumento de peso. A cessação da função ovariana provoca redução do metabolismo, da quantidade de massa magra, e do gasto energético no exercício, além de estimular o acúmulo de gordura no tecido adiposo, contribuindo para o maior risco de obesidade e doença cardiovascular em mulheres após a menopausa (FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008). Inúmeros estudos relatam a influência da transição menopausal nas mudanças desfavoráveis da distribuição de gordura corporal, contribuindo para explicar o maior risco cardiovascular em mulheres nessa fase da vida (POEHLMAN; TCHERNOF, 1998; TOTH et al, 2000; GAMBACCIANI et al, 2001). Em relação à terapia hormonal, os estudos enfocando sua adesão e mudanças corporais na mulher mostram resultados bastante controversos, provavelmente em decorrência de inúmeros fatores que podem relacionar-se ao aumento de peso, como alimentação inadequada, atividade física insuficiente, maior número de partos, consumo de bebidas alcoólicas e o próprio processo de envelhecimento (MATTHEWS et al, 2001; OZBEY et al, 2002; FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008). A cor da pele é uma característica biológica amplamente avaliada nos estudos que objetivam descrever os fatores associados à obesidade. Entretanto, resultados contraditórios são encontrados na literatura, havendo uma tendência que aponta para uma maior prevalência de excesso de peso entre as mulheres não brancas (negras ou pardas) do que entre as brancas (VELASQUES-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; TEICHMANN et al, 2006; GIGANTE et al, 2008). Resultados que corroboram com essa tendência foram observados nos Estados Unidos (MCTIGUE; GARRETT; POPKIN, 2002; COSSROW; FALKNER, 2004). No Rio de Janeiro, observou-se que o ganho de peso em um período de dez anos foi maior entre negras e pardas do que entre mulheres bancas, mesmo após ajuste para condições socioeconômicas ao longo da vida (CHOR et al, 2004). No entanto, outros estudos brasileiros não demonstraram associação entre o excesso de peso e a cor da pele (GIGANTE et al, 1997; OLINTO et al, 2006). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores34 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 3. MÉTODOS 3.1 Desenho, População e Local de Estudo Estudo de corte transversal, de base populacional, realizado no período de maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, do Estado de Pernambuco. Este estudo representa um recorte da “III Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição (III PESN)” que foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4), e é fruto de um estudo colaborativo das seguintes instituições: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE). 3.2 Amostragem Na III PESN, para estudo do excesso de peso em adultos, foi considerada uma prevalência de 40%, um erro de estimação de 3% e um nível de confiança de 95%, totalizando 1.024 indivíduos a serem estudados. Para compensar possíveis perdas e para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, esse tamanho amostral foi aumentado, resultando em uma amostra final de 1.580 adultos. Foram excluídas as gestantes e os indivíduos portadores de alguma limitação física que comprometesse a aferição das medidas antropométricas. O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as famílias seguindo-se a incorporação de outras famílias por ordem contrária ao movimento dos ponteiros de relógio até completar a quota amostral prevista para cada setor (40 ± 5 famílias). A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR). Em cada um dos setores censitários sorteados para estudo foi tomado como marco inicial o ponto extremo da face da quadra voltada para o nascente (critério PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores35 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. utilizado pelo IBGE) e, a partir deste ponto, tomando o sentido horário, foram localizadas as unidades domiciliares. Antes da realização do inquérito, um profissional da equipe visitou cada setor censitário, identificando os domicílios a serem pesquisados e esclarecendo os objetivos e procedimentos do estudo. Este trabalho prévio, além da identificação e concordância das famílias selecionadas, possibilitava a construção de um roteiro físico, facilitando o itinerário da equipe de pesquisadores na área de amostragem. 3.3 Trabalho de Campo 3.3.1 Instrumentos de Coleta de Dados Os questionários da III PESN/2006 basearam-se no modelo utilizado pela II PESN/97, para fins comparativos, com as ampliações necessárias para cobrir os objetivos adicionais estabelecidos no projeto. Para o presente estudo, foram utilizados dados de quatro formulários: 1) registro de pessoas da família (ANEXO A); 2) registro e descrição do domicílio e aspectos da renda familiar (ANEXO B); 3) registro de informações específicas para as mulheres (ANEXO C); 4) registro de informações dos adultos (estilo de vida) (ANEXO D). Para a padronização da coleta dos dados da III PESN, foi elaborado manual instrucional correspondente a cada formulário, objetivando orientar os procedimentos de preenchimento dos mesmos. 3.3.2 Seleção e Treinamento das Equipes de Campo O trabalho de campo na III PESN envolveu 20 técnicos distribuídos em duas equipes: uma de entrevistadores e outra de antropometria. A equipe de entrevistadores foi composta por 10 profissionais de nível superior: psicólogos, sociólogos, assistentes sociais, enfermeiras, nutricionistas, sendo coordenada por quatro profissionais que haviam participado da pesquisa anterior (II PESN). O treinamento dos entrevistadores foi realizado no Departamento de Nutrição da UFPE (DN/UFPE), no mês de abril de 2006, e constou de aulas expositivas, discussão do questionário proposto, dramatizações, aulas práticas (avaliação e padronização das medidas antropométricas) e práticas de campo em comunidade. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores36 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 3.3.3 Coleta de Dados Foi realizado um estudo-piloto no município de Ribeirão, da Zona da Mata Meridional de Pernambuco, no período de 24 a 28 de abril de 2006, entrevistando-se aproximadamente 80 famílias de dois setores censitários (um de cada estrato geográfico) não incluídos na amostra final. Nessa ocasião, além de testar o instrumento de coleta, foi colocada em prática a logística do trabalho de campo, a fim de verificar sua exequibilidade. A atividade de coleta de dados da III PESN teve início em 10 de maio de 2006 sendo concluída em 25 de outubro do mesmo ano. O trabalho de campo contou com uma Coordenação Geral sediada no Laboratório de Nutrição em Saúde Pública do Departamento de Nutrição da UFPE, uma Coordenação de Área responsável pelas visitas prévias aos locais da pesquisa, dois supervisores, além dos entrevistadores. As Secretarias de Saúde dos municípios sorteados foram previamente contatadas pela coordenação, ocasião em que tomaram conhecimento do projeto do estudo e dos setores a serem pesquisados nos respectivos municípios e provável data da visita do coordenador de área, além de receberem material para divulgação do trabalho junto à população. Nesta fase, contou-se com a colaboração dos Programas de Saúde da Família (PSF) e dos Agentes Comunitários de Saúde (PACS), em nível local, para a sensibilização das famílias das áreas selecionadas. Os dados coletados pelos entrevistadores eram revisados e codificados, visando detectar falhas no preenchimento, identificar formulários não preenchidos por ausência de algum membro da família ou outro motivo que exigisse retorno imediato ao domicílio. Ao final do dia, os questionários eram revisados pelo supervisor (2 a revisão) para detecção de falhas de preenchimento, ausência de dados antropométricos e, em seguida, eram repassados ao supervisor do laboratório que realizava uma 3 a revisão, para complementar os dados, caso necessário. 3.3.4 Descrição e Operacionalização das Variáveis 3.3.4.1 Variáveis Antropométricas A avaliação antropométrica foi realizada no momento da entrevista e a tomadas das medidas atendeu às recomendações da OMS, 1998, sendo realizada em duplicata e obedecendo aos procedimentos descritos a seguir: PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores37 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Peso O peso dos adultos foi obtido utilizando-se balança digital (Modelo MEA03200/Plenna), com capacidade de 150 kg e escala de 100 gramas, com o indivíduo descalço e indumentária mínima. Altura A altura foi determinada com estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) milimetrada, com precisão de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos eram colocados em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do corpo, os calcanhares, o dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira. As leituras de peso e altura eram repassadas pelo entrevistador, em voz alta e registrada em formulário específico por outro entrevistador, que repetia os valores, também em voz alta, antes de registrá-los, para evitar possíveis erros no repasse das informações. Para garantir a acurácia das mensurações foram aferidas duas medidas de peso e altura e quando a diferença entre as avaliações excediam 0,5cm para altura e 100g para o peso, repetia-se a mensuração e anotavam-se as duas medições com valores mais próximos, utilizando a média destas para efeito de registro. Circunferência da Cintura A circunferência da cintura foi aferida em duplicidade no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca com uma fita métrica inextensível de acordo com o protocolo estabelecido pela OMS, 1998 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). As variáveis antropométricas (variáveis dependentes) adotadas pelo estudo foram representadas pelo IMC, pela CC e pela Razão Cintura-Estatura (concentração de gordura abdominal), categorizados da seguinte forma: IMC Para classificação do estado nutricional utilizou-se o IMC determinado pelo quociente da relação do peso (kg)/altura² (metros), sendo utilizados os limites de corte recomendados pela OMS, 1998: - Baixo peso: IMC< 18,5kg/m²; - Eutrofia: IMC≥18,5kg/m² e <25kg/m/²; - Excesso de Peso: IMC≥25kgm/². PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores38 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Circunferência da cintura A concentração de gordura abdominal, segundo a CC, foi considerada: - Normal: para mulheres com CC<80cm e para os homens com medida de CC<94cm; - Elevada: a medida da CC ≥80cm para mulheres, e CC≥94cm para homens. Razão Cintura-Estatura (RCE) Segundo a RCE, a concentração de gordura abdominal, foi classificada em: - Normal: para mulheres com resultado da relação <0,52 e para os homens, <0,53; - Elevada: ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens, respectivamente (PITANGA; LESSA, 2006). 3.3.4.2 Variáveis de Exposição Todas as variáveis de exposição foram definidas e categorizadas com base em revisão de literatura, conforme descrito abaixo: Área geográfica Foram considerados os três estratos geográficos: - Região Metropolitana do Recife; - Interior Urbano; - Interior Rural. Sexo - Feminino; - Masculino. Idade Consideraram-se os seguintes intervalos: - 25 a 29 anos; - 30 a 39 anos; - 40 a 49 anos; - 50 a 59 anos. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores39 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Renda familiar Foi considerada a renda familiar em salários mínimos per capita, sendo categorizada em quartis: - 1º quartil: ≤0,12; - 2º quartil: 0,12-0,25; - 3º quartil: 0,25-0,45; - 4º quartil: ≥0,45. Escolaridade Foi considerada em anos de estudo completos, sendo categorizada em: - 0-4 anos; - 5-8 anos; - ≥9 anos. Tabagismo Foi categorizado da seguinte forma: - Fumante: o indivíduo que referiu o hábito de fumar. - Não fumante: o indivíduo que relatou nunca haver fumado. - Ex-fumante: o indivíduo que referiu o hábito de fumar em algum momento da vida, mas que não o fazia na ocasião da entrevista. Consumo de álcool Foi considerado o consumo de álcool nos 30 dias anteriores à entrevista, sendo considerada a resposta dicotômica: - Sim; - Não. Atividade Física Para determinação do nível de atividade física da população deste estudo foi utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ, 2001), em sua versão curta, que leva em consideração as quatro dimensões da atividade física: no lazer, atividades domésticas, atividades ocupacionais e atividades relacionadas ao deslocamento, abordando informações sobre as atividades nas seguintes modalidades: - Caminhada: tempo em minutos e número de dias que o indivíduo realizou a atividade na semana. - Atividades moderadas: atividades em que o indivíduo empenha algum esforço PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores40 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. físico, levando ao aumento da freqüência cardíaca e respiratória. São exemplos de atividades moderadas: pedalar leve em bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa ou quintal, como varrer, usar aspirador, cuidar do jardim ou trabalho como soldar, operar máquinas, empilhar caixas, etc. - Atividades vigorosas: atividades em que o indivíduo precisa realizar um grande esforço físico, levando ao grande aumento da freqüência cardíaca e respiratória. São exemplos de atividades vigorosas: correr, pedalar rápido em bicicleta, jogar futebol, fazer ginástica aeróbica, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados na casa ou quintal, carregar grandes pesos ou trabalhos como enxada, britadeira, marreta, machado, alavanca, etc. O IPAQ mede a freqüência e duração das atividades físicas moderadas, vigorosas e caminhadas realizadas na última semana por pelo menos dez minutos contínuos, incluindo exercícios, esportes e atividades físicas ocupacionais e recreativas realizadas em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer (ALVES et al, 2010). Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído, somando-se os minutos despendidos em caminhada e atividades de intensidade moderada com os minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta estratégia visa considerar as diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física (BARROS; NAHAS, 2001; BARROS; HIRAKATA, 2003). Um escore abaixo de 150 minutos por semana foi o ponto de corte para classificar os indivíduos como insuficientemente ativos ou sedentários (UNITED STATES DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES). Consumo Alimentar As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando um questionário de freqüência alimentar (ANEXO D), conferindo ao entrevistado quatro possibilidades de resposta de consumo: dia, semana, mês e raramente/nunca. A avaliação do consumo foi realizada com base na metodologia proposta por Fornés et al (2002), que adota como referência o consumo diário equivalente a 30 dias do mês (consumo mensal). Desta forma, atribuiu-se um peso a cada categoria de freqüência do consumo baseada na freqüência mensal. O consumo diário do item alimentar correspondeu ao valor de peso máximo (peso 1). Os demais foram obtidos de acordo a seguinte equação: PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores41 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Peso = (1/30) x (a) Onde a correspondeu ao número de dias consumido no mês. Quando a referiu-se ao consumo semanal, converteu-se o número à freqüência mensal, multiplicando-o por 4, considerando que o mês tem 4 semanas. Por exemplo: um alimento consumido 4 vezes na semana teve sua freqüência de consumo mensal de 16 vezes no mês. Assim, o peso para a freqüência ficaria: Peso = (1/30) x (16) = 0,533. Para cada alimento consumido pelo participante será atribuído um escore de freqüência de consumo. Posteriormente foram constituídos 3 grupos de alimentos: o grupo 1 englobou as frutas, legumes, hortaliças e leguminosas; o grupo 2 correspondeu aos alimentos ricos em carboidratos simples (bolo, biscoitos, açúcar, refrigerantes) e o grupo 3 foi composto por carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras. Para fins de análise, o consumo de cada grupo foi convertido em quartis, sendo determinadas as categorias a seguir: Grupo 1: - 1ª quartil: ≤ 1,67; - 2ª quartil: 1,67-2,33; - 3ª quartil: 2,33-3,17; - 4ª quartil: ≥3,17. Grupo 2: - 1ª quartil: ≤ 3,03; - 2ª quartil: 3,03-4,20; - 3ª quartil: 4,20-5,33; - 4ª quartil: ≥5,33. Grupo 3: - 1ª quartil: ≤ 2,47; - 2ª quartil: 2,47-3,50; - 3ª quartil: 3,50-4,53; - 4ª quartil: ≥4,53. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores42 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Foram consideradas ainda variáveis reprodutivas, definidas conforme apresentado abaixo: Paridade - <3 gestações; - ≥3 gestações. Idade da menarca - 8-11 anos; - 12-13 anos; - ≥14 anos. Idade da primeira gestação - < 18 anos; - ≥18 anos. Uso de Contraceptivo Oral - Sim; - Não. 3.4 Processamento e análise dos dados A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO, Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do modo validate para checar eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA). Inicialmente, as variáveis contínuas foram testadas segundo a normalidade da distribuição pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Quando apresentaram distribuição não normal foram transformadas ao seu logaritmo natural e retestadas quanto à normalidade. Quando mantiveram a distribuição não Gaussiana, foram descritas na forma de mediana e intervalo interquartílico e os testes não paramétricos foram aplicados. A análise estatística foi realizada em três etapas: primeiro, uma análise descritiva para caracterizar a distribuição da ocorrência dos eventos, incluindo a freqüência de cada variável do estudo; segundo, uma análise univariada entre as variáveis dependentes (excesso de peso e concentração de gordura abdominal, segundo a CC e RCE) e as variáveis independentes, com aplicação do teste do qui-quadrado resultando na determinação da razão de prevalência (RP) e respectivo intervalo de confiança de 95% para cada característica estudada. A análise multivariada, terceira etapa, foi realizada no software STATA/SE 9.0 (Stata, Texas, US), pelo método de regressão log-Poisson onde foram incluídas no PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores43 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. modelo múltiplo todas as variáveis que se mostraram associadas ao evento de interesse com significância estatística de até 20%. Essa probabilidade foi estipulada para que possíveis fatores associados ao evento não fossem excluídos da análise. Para aceitação das associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05. 3.5 Considerações Éticas O projeto de Pesquisa da III PESN foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em 12 de janeiro de 2006, sob o número de protocolo 709/2006 (ANEXO E). Inicialmente os entrevistadores explicavam os objetivos da pesquisa, bem como a confidencialidade dos dados, sendo assinado termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO F) pelos adultos que concordaram em participar da pesquisa. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores44 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 4. RESULTADOS Os resultados deste estudo serão apresentados sob a forma de três artigos originais que serão divulgados em veículos científicos, conforme regulamentação do Colegiado de Pós Graduação do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Pernambuco: 1º Artigo: intitulado ―Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco: magnitude e fatores associados”, objetiva avaliar a magnitude do excesso de peso e os fatores associados em adultos, na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, do estado de Pernambuco, e será submetido à avaliação para publicação na Revista Cadernos de Saúde Pública, cujas normas para elaboração encontram-se em anexo (ANEXO G). 2º Artigo: intitulado ―Prevalência e fatores associados à concentração de gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco”, objetiva avaliar a magnitude da concentração de gordura abdominal, através da circunferência da cintura e da razão cintura-estatura, e os fatores associados em adultos, na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, do Estado de Pernambuco, e será submetido à apreciação para publicação na Revista de Saúde Pública, cujas normas para elaboração encontram-se em anexo (ANEXO H). 3º Artigo: intitulado ―Padrão de consumo alimentar e fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco”, objetivou caracterizar o padrão de consumo alimentar da população adulta pernambucana e os fatores associados a esse perfil de consumo, e foi submetido à avaliação para publicação na Revista Cadernos de Saúde Pública (ANEXO I). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores45 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Primeiro artigo original: Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco: magnitude e fatores associados PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores46 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco: magnitude e fatores associados Overweight among adults from Pernambuco State: magnitude and associated factors Título resumido: Excesso de peso e fatores associados em adultos pernambucanos Autores Cláudia Porto Sabino Pinho I, Alcides da Silva DinizII, Ilma Kruze Grande de ArrudaII, Pedro Israel Cabral de LiraII, Malaquias Batista Filho III. I Mestranda em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). II Professor do Departamento de Nutrição da UFPE. III Professor do Instituto de Medicina Integral de Professor Fernando Figueira (IMIP) e Professor Colaborador do Programa de Pós-graduação em Nutrição da UFPE. Autor para correspondência: Cláudia Porto Sabino Pinho Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil. Email: [email protected] Instituição de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores47 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. RESUMO Com o objetivo de avaliar a magnitude do excesso de peso (EP) e os fatores associados em adultos do Estado de Pernambuco, foi realizado estudo transversal, de base populacional, em 2006, envolvendo 1.580 adultos, na faixa etária de 25-59 anos. O EP foi determinado pelo Índice de Massa Corpórea≥25kg/m². O modelo conceitual considerou variáveis socioeconômicas/demográficas, reprodutivas e comportamentais. A prevalência de EP foi de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), sendo maior a partir de 40 anos (RP=1,27; IC95% 1,10;1,46), em mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16;1,43), em ex-fumantes (RP=1,43; IC95% 1,21;1,68), em indivíduos com maior renda (RP=1,49; IC95% 1,30;1,71) e em mulheres com primeira gestação com idade<18 anos (RP=1,25; IC 95% 1,11;1,66). Não houve associação com o consumo de álcool, com a atividade física e com o consumo alimentar. A expressiva prevalência do excesso de peso e a associação com vários fatores corroboram com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido em todo o mundo e reforçam a multifatorialidade de sua etiologia. Palavras-chaves: Índice de Massa Corpórea; Sobrepeso; Fatores epidemiológicos; Adulto. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores48 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ABSTRACT With the objective to evaluate the magnitude of overweight (OW) and associated factors in Pernambuco, it was made a transversal study of population basis in 2006, involving 1.580 adults, between 25 e 59 years old. OW was determinated by the Body Mass Index ≥25kg/m2. The concept considered demographic, socioeconomical, reproductive and behavioral variables. The prevalence of OW was 51,1% (CI95% 48,6-53,6). It was higher when over 40 years old (PR=1,27; CI95% 1,10;1,46), among women (PR=1,29; CI95% 1,16;1,43), ex smokers (PR=1,43; CI95% 1,21;1,68), among people with higher incomes (PR=1,49; CI95%1,30;1,71) and among women with early pregnancy (less than 18 years old) (PR=1,25; CI95% 1,11;1,66). There was no association with alcohol consumption, physical activities and with food consumption. The expressive prevalence of overweight and the association with lots of factors are in keeping with the epidemic levels of this problem all around the world and support its multifactorial etiology. Key-words: Body mass índex, Overweight; Epidemiologic factors; Adult. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores49 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Introdução O excesso de peso, definido pelo Índice de Massa Corpórea (IMC) ≥25kg/m², está relacionado ao aumento da morbimortalidade por predispor o indivíduo a anormalidades na pressão arterial e no metabolismo dos lipídios e glicídios1-3. A prevalência mundial de sobrepeso e obesidade vem apresentando um rápido e progressivo aumento nas últimas décadas, sendo caracterizada como uma verdadeira epidemia mundial4,5. Resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada no Brasil em 2008-20096 revelam que o excesso de peso atingiu cerca de metade dos homens (50,1%) e das mulheres (48%). Dados da II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição 7, realizada em 1997, com amostra representativa do Estado de Pernambuco, revelou prevalência de excesso de peso no sexo masculino e feminino de 34,2% e 43%, respectivamente. Em Recife, dados provenientes de estudo realizado por inquérito telefônico em 2006, revelam que o excesso de peso esteve presente em 43,3% da população8. O IMC é o indicador de obesidade total mais utilizado em estudos epidemiológicos9-12, sendo um bom parâmetro para expressar a gordura corporal em excesso e útil para quantificar a obesidade global13. Apesar de suas limitações (variações na estrutura e proporções corporais, além de pontos de corte único para ampla faixa etária), o IMC é a medida mais aceita universalmente para categorizar o estado nutricional dos indivíduos, sobretudo em escala populacional14. Diversos fatores biológicos, socioeconômicos e comportamentais, associados a uma predisposição genética, têm sido associados ao excesso de peso e obesidade. Entretanto, devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso 15,16. O Estado de Pernambuco não dispõe de dados atualizados acerca da magnitude excesso de peso e dos fatores que estão influenciando o perfil antropométrico de sua população. Dentro deste contexto, o presente estudo teve como objetivo descrever a magnitude do excesso de peso e seus fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco. Métodos Foi realizado estudo de corte transversal, de base populacional, no período de maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos, provenientes de área urbana e rural do Estado de Pernambuco. Foram PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores50 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. excluídos os indivíduos que apresentaram alguma limitação física que impossibilitasse a aferição das medidas antropométricas e as gestantes. Para definição do tamanho amostral foi considerada uma prevalência de excesso de peso estimada em 40%, um erro de estimação de até 5%, um nível de confiança de 95%, e um efeito do desenho da ordem de 2,5, totalizando 922 indivíduos a serem estudados. Para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, trabalhou-se com uma amostra final de 1.580 adultos. O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as famílias seguindo-se a incorporação de outras famílias por ordem contrária ao movimento dos ponteiros de relógio até completar a quota amostral prevista para cada setor (40 ± 5 famílias). A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR). A aplicação dos questionários de pesquisa e a coleta das medidas antropométricas foram realizadas por duplas de técnicos treinados. A altura foi determinada com estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) - milimetrada, com precisão de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos foram colocados em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do corpo, os calcanhares, o dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira. O peso dos adultos foi obtido utilizandose balança digital (Modelo MEA-03200/Plenna), com capacidade de 150 kg e escala de 100 gramas, com o indivíduo descalço e indumentária mínima. Para garantir a acurácia das mensurações foram aferidas duas medidas de peso e altura e quando a diferença entre as avaliações excediam 0,5cm para altura e 100g para o peso, repetia-se a mensuração e anotavam-se as duas medições com valores mais próximos, sendo utilizando a média destas. O excesso de peso foi considerado quando o IMC≥25kg/m², segundo ponto de corte preconizado pela Organização Mundial de Saúde, 1998 17. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores51 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. O modelo hipotético causal construído para explicar o excesso de peso considerou as seguintes variáveis: demográficas: sexo, idade (categorizada nos intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área geográfica da residência (RMR, IU, IR); socioeconômicas: escolaridade, em anos completos de estudo (categorizada nos intervalos: 0-4 anos, 5-8 anos e ≥9 anos), e renda familiar em salário mínimo per capita (estabelecida em quartis de renda, e levando-se em conta o salário mínimo vigente na época: R$350,00); reprodutivas: paridade (categorizada em <3 gestações e ≥ 3 gestações), idade da menarca (categorizada nos intervalos: 8-11 anos; 12-13 anos e ≥14 anos), idade da primeira gestação (< 18 anos e ≥18 anos) e uso de contraceptivo oral (com a resposta dicotômica sim ou não); e comportamentais: tabagismo, consumo de álcool, atividade física e consumo alimentar. Para o tabagismo foram consideradas as categorias: fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar), não fumante (o indivíduo que relatou nunca haver fumado) e ex-fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar em algum momento da vida, mas que não o fazia na ocasião da aplicação do questionário). Para a variável consumo de álcool, avaliou-se o consumo de bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à aplicação do questionário, sendo considerada a resposta dicotômica sim ou não. Para determinação do nível de atividade física da população deste estudo foi utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) 18, 2001, em sua versão curta, que leva em consideração as quatro dimensões da atividade física: no lazer, atividades domésticas, atividades ocupacionais e atividades relacionadas ao deslocamento. Esse instrumento mede a frequência e duração das atividades físicas moderadas, vigorosas e caminhadas realizadas na última semana por pelo menos dez minutos contínuos, incluindo exercício, esportes, atividades físicas ocupacionais e recreacionais realizadas em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer. Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído, somando-se os minutos despendidos em caminhada e atividades de intensidade moderada com os minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta estratégia visa considerar as diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física19,20. Um escore abaixo de 150 minutos por semana foi o ponto de corte utilizado para classificar os indivíduos como insuficientemente ativos ou sedentários21. As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando um questionário de frequência alimentar e a avaliação do consumo foi realizada com base PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores52 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. na metodologia proposta por Fornés et al. (2002) 22, na qual o cômputo geral da frequência de consumo é convertido em escores. Foram constituídos três grupos de alimentos: o grupo 1 foi composto por alimentos ricos em fibras, como leguminosas, frutas, legumes e hortaliças, considerados protetores para as doenças cardiovasculares (DCV’s) e para o ganho excessivo de peso; o grupo 2 foi composto pelos alimentos ricos em carboidratos simples (bolo, biscoito, açúcar e refrigerantes); e no grupo 3 foram inseridos os alimentos ricos em gorduras saturadas (carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, laticínios, gorduras e frituras). Os grupos 2 e 3 foram compostos por alimentos considerados de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e para o ganho de peso excessivo. Os escores de consumo de cada grupo foram categorizados em quartis. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em 12 de janeiro de 2006, sob o número 709/2006. Os indivíduos que concordaram em participar da pesquisa assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO, Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo validate para checar eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA). A análise estatística foi realizada em três etapas. Inicialmente, realizou-se uma análise descritiva para caracterizar a distribuição da ocorrência dos eventos, incluindo a frequência de cada variável do estudo. Na segunda etapa, procedeu-se uma análise univariada entre a variável dependente (excesso de peso) e as variáveis independentes para determinação da razão de prevalência (RP) e seu respectivo Intervalo de Confiança de 95% (IC95%). Numa terceira etapa, foi realizada análise multivariada, utilizando o software STATA/SE 9.0 (Stata, Texas, US), pelo método de regressão log-Poisson onde foram incluídas no modelo múltiplo todas as variáveis associadas ao evento de interesse com significância estatística de até 20%. Para aceitação das associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores53 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Resultados As perdas ocorreram em função da exclusão de inconsistências de informações ou ausência de resposta para as variáveis independentes: escolaridade (1,1%), renda (1,6%), tabagismo (0,1%), consumo de álcool (6,9%), consumo alimentar (0,6%), paridade (1,2%), idade da menarca (13,5%), idade da primeira gestação (13,2%) e uso de contraceptivo oral (11,9%). A amostra foi composta por 1.580 indivíduos, com mediana de idade de 33 anos (IQ=29-41), sendo 58% do sexo feminino, 48,7% residentes do Interior Rural do Estado e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos de estudo). A mediana da renda familiar per capita (em salários mínimos) foi de 0,25 (IQ 0,12-0,45). Quanto às variáveis comportamentais, observou-se predominância dos indivíduos não fumantes (62,5%), com nível suficiente de atividade física (71,5%) e 68,9% consumiram bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores a realização da pesquisa. As medianas do escore de consumo dos grupos de alimentos fontes em fibras, carboidratos simples e gorduras saturadas foram de 2,33 (IQ 1,67-3,17), 4,20 (IQ 2,474,53) e 3,50 (IQ 2,47-4,53), respectivamente. Foi observada prevalência de excesso de peso de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), e o baixo peso foi constatado em menos de 3,0% da população. A obesidade foi maior no sexo feminino (tabela 1). A análise univariada (tabela 2) mostrou que a prevalência de excesso de peso foi maior entre as mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16-1,43) e que aumentou pari passu com a progressão da renda. O excesso de peso foi mais prevalente a partir dos 40 anos, sendo 1,27 vezes maior na faixa de 40-49 anos e 1,42 vezes mais elevado na faixa de 50-59 anos, quando comparado à faixa etária dos indivíduos mais jovens (25-29 anos). A prevalência de excesso de peso foi maior 1,43 vezes em ex-fumantes e 1,28 vezes em não fumantes quando comparado ao grupo de indivíduos não fumantes. Não houve associação entre o excesso de peso e as outras variáveis comportamentais (consumo de álcool, nível de atividade física e consumo alimentar). Dentre as variáveis reprodutivas, apenas a idade da primeira gestação foi associada ao desfecho estudado, sendo a gestação precoce (idade <18 anos) um fator de risco para o excesso de peso. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores54 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Na análise ajustada para o sexo masculino, verificamos entre os homens uma associação do excesso de peso com o estrato geográfico da residência, com a renda e com o tabagismo (tabela 3). Entre as mulheres, apenas a idade e a idade da primeira gestação mantiveram-se associadas ao excesso de peso, após controle das variáveis de confusão, sendo evidenciadas maiores prevalências de excesso de peso entre mulheres de maior idade e entre aquelas em que a primeira gestação ocorreu antes dos 18 anos (tabela 3). Discussão A literatura especializada23-26 têm indicado diferentes razões para o surgimento e a manutenção da obesidade em inúmeras populações. Os inquéritos que têm sido empreendidos correlacionando aspectos genéticos à ocorrência de obesidade não têm sido capazes de evidenciar a interferência destes em mais de um quarto dos obesos, fazendo com que ainda se acredite que o processo de acúmulo excessivo de gordura corporal, na maioria dos casos, seja desencadeado por aspectos sócio-ambientais23,27,28. A elevada prevalência de excesso de peso (51,1%) e a reduzida prevalência de baixo peso (2,7%) observada em nossa casuística seria um retrato do processo de transição nutricional experimentado pelo Brasil nas últimas décadas. O percentual expressivo de indivíduos pernambucanos com excesso de peso foi similar aos dados apresentados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, 2008-20096, que identificou que cerca de metade da população adulta brasileira tinha excesso de peso. Outros estudos de base populacional realizados no Norte e Nordeste do país 29-31 revelaram prevalências menores, enquanto estudos realizados em populações do Sul e Sudeste indicaram prevalências similares aos nossos achados5,32,33, demonstrando que o Estado de Pernambuco apresenta padrão de excesso de peso similar às regiões mais desenvolvidas do país. Dados da II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição, realizada em 1997 7 no Estado de Pernambuco, com metodologia similar e considerando os mesmos municípios analisados neste estudo, mostraram prevalência de excesso de peso em 39,6% da população. Indicando, portanto, que houve um crescimento de cerca de 30% do excesso de peso entre adultos pernambucanos em um período inferior a 10 anos. Vários estudos brasileiros mostram claras tendências regionais e temporais do aumento progressivo da obesidade no país34-36. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores55 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. A maior prevalência do excesso de peso observada entre as mulheres investigadas neste estudo pode ser atribuída a alguns fatores, tais como maior composição de gordura no gênero, gestações, diferenças hormonais e climatério 37-39. Esse achado é consistente com os resultados encontrados em outros estudos populacionais que avaliaram os fatores associados ao excesso de peso e obesidade em mulheres24,29,39,40. Entretanto, apesar de uma forte tendência apontar que a obesidade abdominal é mais prevalente entre as mulheres, o papel do sexo em relação ao excesso de peso e obesidade global não está bem definido, sendo heterogêneos os resultados que analisam essa associação. Inquérito telefônico que avaliou os fatores de risco para doenças crônicas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal indicou que o excesso de peso tendeu a ser mais frequente em homens do que em mulheres, exceto nas cidades de Recife, Rio Branco, Salvador e São Paulo, onde as frequências foram semelhantes nos dois sexos8. A maior prevalência de excesso peso a partir dos 40 anos de idade é comumente constatada devido ao declínio da taxa metabólica basal que fisiologicamente acompanha o processo de envelhecimento e da redução natural da prática de atividades físicas 41. Esse resultado é consistente com a literatura que aponta relação direta entre o excesso de peso e a idade do indivíduo 5,24,39,40,42. Após controle das variáveis de confusão, a associação com a idade manteve-se apenas entre as mulheres. Resultados registrados pelas Pesquisas de Orçamentos Familiares, 2002-200342 indicam comportamento do excesso de peso diferente entre os sexos. Enquanto na mulher há uma tendência crescente do excesso de peso à proporção que aumenta a idade, entre os homens há um declínio a partir dos 55 anos. A associação direta entre o excesso de peso e a renda observada entre os homens, mesmo após ajuste das variáveis de confusão, corrobora com resultados encontrados por outros autores31,40 que indicam que há uma relação positiva entre o excesso de peso e a renda familiar apenas no sexo masculino. A ausência de associação entre a escolaridade e o excesso de peso contraria dados descritos na literatura que apontam relação direta entre o excesso de peso e escolaridade entre as mulheres e relação inversa entre os homens24,38,40,43,44. Maior excesso de peso entre as mulheres com idade prematura ao primeiro parto poderia ser explicado pela ativação precoce dos hormônios relacionados ao ciclo reprodutivo, propiciando assim um aumento da concentração de gordura corporal45. Na PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores56 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. literatura ainda são escassos os estudos que avaliam a associação deste fator com a adiposidade corporal. A ausência de associação entre o excesso de peso e paridade foi um resultado inesperado, uma vez que a alta paridade destaca-se entre os fatores contributivos para a obesidade em mulheres. Essa tendência tem sido amplamente descrita na literatura5,29,39,46-50, e poderia ser explicada pelo ganho excessivo de peso no período gestacional e posterior dificuldade para perda. Nos países em desenvolvimento, nos quais o número maior de gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor entre as gestações, essa relação é ainda mais expressiva49. Maiores prevalências de excesso de peso entre ex-fumantes e não-fumantes pode ser possivelmente atribuída ao efeito da nicotina sobre o balanço energético (aumento do metabolismo corporal)39,54,55. A associação inversa entre o excesso de peso e o tabagismo é relatada frequentemente na literatura24,29,39,51-53. Apesar de não termos encontrado associação do excesso de peso com o consumo de álcool, diversos estudos têm avaliado esse papel na alteração dos indicadores de obesidade global e central24,29,46,51,56,57. Entretanto ainda não está claro o papel do álcool no mecanismo de determinação da adiposidade corporal, sobretudo pela grande variação metodológica encontrada na literatura relativa à frequência e quantidade do etanol consumido. Além disso, da mesma forma que a teratogenicidade do álcool encontra diferentes respostas dependendo do indivíduo, o ganho de peso relacionado ao consumo de etanol segue a mesma tendência58. Deve-se ressaltar que a seleção metodológica para avaliação do consumo do álcool no nosso estudo (consumo nos 30 dias anteriores) é possivelmente um fator limitante para análise da associação com o excesso de peso, sobretudo porque esta definição não reflete a frequência ou quantidade de etanol consumida. Os dois aspectos mais apresentados na literatura como determinantes de um quadro de balanço energético positivo têm sido mudanças no padrão alimentar, com aumento do fornecimento de energia pela dieta, e redução da atividade física, configurando o que poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo23,29,59. Entretanto, nossos resultados não destacaram essa associação, e esta condição é passível de ser interpretada à luz da causalidade reversa dado que, uma vez diagnosticado o excesso de peso corporal, o indivíduo pode ter iniciado medidas de aumento do gasto energético e mudanças no padrão alimentar para o controle do peso. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores57 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. É importante destacar com relação à atividade física que verificamos uma baixa prevalência de indivíduos considerados sedentários ou insuficientemente ativos (28,5%), contrastando com a expressiva prevalência de excesso de peso evidenciada em nossos resultados. Entretanto, como a mensuração da atividade física foi realizada por um instrumento que considera as atividades desenvolvidas no lazer, deslocamento, e em atividades domésticas e ocupacionais, justifica-se esse baixo percentual encontrado. Além disso, nossos índices de sedentarismo foram equivalentes a outros estudos recentes que utilizaram o mesmo instrumento de avaliação e mesmo ponto de corte 60-62. A inclusão de indivíduos a partir dos 25 anos compromete a representatividade da população adulta. Entretanto, este fato ocorreu devido aos dados primários deste estudo serem provenientes de pesquisa desenhada para avaliação de doenças crônicas e pela limitação de recursos, foram excluídos os indivíduos mais jovens (20-24 anos). A expressiva prevalência do excesso de peso revelada nesta investigação corrobora com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido em todo o mundo. Além disso, a constatação de que vários fatores foram associados ao excesso de peso, reforçam a multifatorialidade na etiologia do problema e indicam a necessidade de ações intersetoriais articuladas e estruturação das macro-políticas sociais para o controle da doença. Prioridades de intervenção devem ser dirigidas aos subgrupos onde os problemas nutricionais foram mais frequentes: mulheres, indivíduos a partir dos 40 anos de idade, não fumantes e ex-fumantes, homens de maior nível socioeconômico e mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos. Espera-se com esses resultados contribuir para o planejamento de estratégias efetivas e ações direcionadas à prevenção e ao manejo do ganho excessivo de peso, levando-se em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e de estilo de vida observados. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores58 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabelas Tabela 1 – Estado nutricional, segundo o Índice de Massa Corpórea de adultos, de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos, do Estado de Pernambuco, 2006. Estado Nutricional n Índice de Massa Corpórea Baixo Peso (<18,5kg/m²) Eutrofia (18,5-24,9 kg/m²) Sobrepeso (25-29,9 kg/m²) Obesidade (≥30 kg/m²) 42 731 532 275 Total (n=1.580) % IC95% 2,7 46,3 33,7 17,4 1,92-3,58 43,8-48,4 31,3-36,1 15,6-19,4 Sexo Masculino (n=664) n % IC95% 11 362 206 85 1,7 54,5 31,0 12,8 0,8-2,9 50,6-58,3 27,5-34,7 10,3-15,6 Sexo Feminino (n=916) n % IC95% 31 3,4 2,3-4,8 369 40,3 37,1-43,5 326 35,6 32,4-38,8 190 20,7 18,1-23,5 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores59 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 2 – Razão de prevalência do excesso de peso (IMC≥25kg/m²) segundo características demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais de adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco, 2006 Variáveis <25kg/m² ≥25kg/m² RP IC95% N % N % Sexo Masculino 373 56,2 291 43,8 1,00 Feminino 400 43,7 516 56,3 1,29 1,16-1,43 Idade (anos) 25-29 268 55,3 217 44,7 1,00 30-39 316 49,9 317 50,1 1,12 0,99-1,27 40-49 126 43,4 164 56,6 1,27 1,10-1,46 50-59 63 36,6 109 63,4 1,42 1,22-1,65 Área de Residência Região Metropolitana do Recife 197 46,7 225 53,3 1,00 Interior Urbano 165 42,4 224 57,6 1,09 0,95-1,22 Interior Rural 411 53,4 358 46,6 0,87 0,78-0,98 Escolaridade (anos de estudo) 0-4 424 49,9 425 50,1 0,96 0,85-1,08 5-8 166 47,6 183 52,4 1,00 0,88-1,16 ≥9 175 47,9 190 52,1 1,00 Renda Familiar Per Capita (salários mínimos) ≤0,12 228 58,0 165 42,0 1,00 0,12-0,25 210 51,0 202 49,0 1,17 1,00-1,36 0,25-0,45 180 49,0 187 51,0 1,21 1,04-1,42 ≥0,45 145 37,4 243 62,6 1,49 1,30-1,71 Tabagismo Fumante 208 58,9 145 41,1 1,00 Não fumante 466 47,2 521 52,8 1,28 1,12-1,48 Ex-fumante 99 41,4 140 58,6 1,42 1,21-1,69 Consumo de Álcool nos últimos 30 dias Não 492 48,4 525 51,6 1,00 Sim 235 51,2 224 48,8 0,94 0,85-1,06 Atividade Física Suficientemente Ativo 559 49,5 571 50,5 1,00 Insuficientemente Ativo 214 47,6 236 52,4 1,04 0,93-1,15 Escore de Consumo - Grupo 1 (quartis) ≤1,67 198 50,1 197 49,9 0,97 0,85-1,12 1,67-2,33 171 46,2 199 53,8 1,08 0,92-1,20 2,33-3,17 210 50,1 209 49,9 1,00 0,85-1,11 ≥3,17 191 48,7 201 51,3 1,03 Escore de Consumo - Grupo 2 (quartis) ≤3,03 186 48,3 199 51,7 1,00 3,03-4,20 191 46,2 222 53,8 1,04 0,91-1,19 4,20-5,33 194 50,8 188 49,2 0,95 0,83-1,10 ≥5,33 200 50,4 197 49,6 0,96 0,84-1,10 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores60 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Escore de Consumo - Grupo 3 (quartis) ≤2,47 2,47-3,50 3,50-4,53 ≥4,53 Paridade <3 gestações ≥3 gestações Idade da Menarca 8-11 anos 12-13 anos ≥14 anos Idade da 1ª gestação <18 anos ≥18 anos Uso de Contraceptivo Oral Não Sim 197 185 190 195 49,1 472 49,7 49,2 204 207 192 201 50,9 52,8 50,3 50,8 1,00 1,04 0,99 1,00 0,91-1,19 0,86-1,13 0,87-1,14 192 201 46,3 41,0 223 289 53,7 59,0 1,00 1,10 0,98-1,23 46 169 144 38,7 45,6 47,7 73 202 158 61,3 54,4 52,3 1,00 0,89 0,85 0,75-1,05 0,71-1,02 75 286 35,9 48,8 134 300 64,1 51,2 1,00 0,80 0,70-0,91 267 102 45,0 47,7 326 112 55,0 52,3 1,00 0,95 0,82-1,10 RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras. Suficientemente ativos: atividades moderada, vigorosa ou caminhada por tempo≥ 150 minutos/semana. Insuficientemente ativos ou sedentários: indivíduos com atividades moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores61 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 3 – Regressão de Poisson dos fatores associados ao excesso de peso (IMC ≥25kg/m²), em homens e mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos, do Estado de Pernambuco, 2006. Razão de Variáveis IC95% p-valor Prevalência HOMENS Área de Residência Região Metropolitana do Recife Interior Urbano Interior Rural Renda familiar em Salários Mínimos* per capita (quartis) ≤0,12 0,12-0,25 0,25-0,45 ≥0,45 Tabagismo Fumante Não fumante Ex-fumante 1,00 1,19 0,88 (0,97; 1,47) (0,70; 1,11) 0,014 <0,001 1,00 1,32 1,29 1,91 (0,99; 1,77) (0,95; 1,74) (1,44; 2,53) 1,00 1,37 1,10 (1,08; 1,72) (1,12; 1,91) 0,012 MULHERES Idade 25 – 29 anos 30 – 39 anos 40 – 49 anos 50 – 59 anos** Idade da 1ª gestação <18 anos ≥18 anos <0,001 1,00 1,19 1,51 - (1,02; 1,39) (1,31; 1,73) <0,001 1,00 0,83 (0,69; 0,89) *Valor do salário mínimo no período: R$350,00. **Esta categoria de idade não entrou no modelo ajustado porque apresentou forte colinearidade com a variável dependente. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. 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Rev Psiq Clín, 2008; 35(1): 21-4. 59 Tardido AP, Falcão MF. O impacto da modernização na transição nutricional e obesidade. Rev Bras Nutr Clin 2006; 21(2): 117-24. 60 Alves JGB, Siqueira FV, Figueiroa JN, Facchini LA, Silveira DS, Piccini RX, et al. Prevalência de adultos e idosos insuficientemente ativos moradores em área de unidades básicas de saúde com e sem Programa de Saúde da Família em Pernambuco, Brasil. Cad Saúde Pública 2010; 26(3): 543-56. 61 Alves JG, Gale CR, Mutrie N, Correia JB, Batty GD. A 6-month exercise intervention among inactive and overweight favela-residing women in Brazil: the Caranguejo Exercise Trial. Am J Public Health 2009; 99:76-80. 62 Hallal PC, Victora CG, Wells JC, Lima RC. Physical inactivity: prevalence and associated variablesin Brazilian adults. Med Sci Sports Exerc 2003; 35:1894900. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores68 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 2º artigo original: Prevalência e fatores associados à concentração de gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores69 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Prevalência e fatores associados à concentração de gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco Prevalence and associated factors with abdominal fat concentration among adult population from Pernambuco State Título resumido: Concentração de gordura abdominal e fatores associados Autores Cláudia Porto Sabino Pinho1, Alcides da Silva Diniz2, Ilma Kruze Grande de Arruda2, Pedro Israel Cabral de Lira2, Malaquias Batista Filho2,3. 1 Programa de Pós Graduação em Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil. 2 Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil. 3 Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, Recife, PE, Brasil. Autor para correspondência: Cláudia Porto Sabino Pinho Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil. Email: [email protected] Instituição de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4). Apresentação Estudo incluído na Dissertação de Mestrado de Cláudia Porto Sabino Pinho, intitulada “Excesso de peso e distribuição corporal de gordura: magnitude e fatores associados em adultos do Estado de Pernambuco”, apresentada, em 2011, ao Programa de Pós Graduação em Nutrição, da Universidade Federal de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores70 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Resumo Objetivo: Estimar a prevalência da concentração de gordura abdominal e os fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco. Métodos: Estudo transversal, de base populacional, realizado no Estado de Pernambuco, em 2006, envolvendo 1.580 adultos de ambos os sexos na faixa etária de 25 a 59 anos. A concentração de gordura abdominal foi determinada pela Circunferência da Cintura (CC) ≥80cm para mulheres e ≥94cm para homens e pela Razão Cintura Estatura ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens, respectivamente. O modelo conceitual considerou variáveis demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais. Resultados: A prevalência da concentração de gordura abdominal, segundo a CC, foi de 51,9% (IC95% 49,4-54,4), sendo superior nas mulheres (RP=2,58; IC95% 2,26-2,94), entre ex-fumantes (RP=1,31; IC95% 1,12-1,54), em sedentários (RP=1,24; IC95% 1,13-1,36), a partir dos 40 anos (RP=1,28; IC95% 1,11-1,47), provenientes da Região Metropolitana do Recife (RP=1,23; IC 95% 1,10-1,41), com de 5-8 anos de estudo (RP=1,22; IC95% 1,06-1,40), de maior renda (RP=1,47; IC95% 1,28-1,68), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos (RP=1,12; IC95% 1,01-1,68). Segundo a RCE, a prevalência de gordura abdominal em excesso foi de 57,8% (IC 95% 55,4-60,3), sendo mais elevada em mulheres (RP=1,31; IC95% 1,19-1,43), entre indivíduos ex-fumantes (RP=1,36; IC95% 1,19-1,56), sedentários (RP=1,11; IC95% 1,02-1,21), a partir dos 30 anos (RP=1,23; IC95% 1,09-1,39), de maior renda (RP=1,30; IC95% 1,15-1,47), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos (RP=1,18; IC 95% 1,071,68). Conclusões: A expressividade do problema da concentração de gordura abdominal nessa população indica a necessidade do planejamento de ações direcionadas à prevenção e controle do aumento da gordura corporal, levandose em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais. Descritores: Gordura abdominal. Fatores epidemiológicos. Adulto. Circunferência da cintura. Razão cintura-estatura. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores71 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Abstract Objective: Estimate the prevalence of abdominal fat concentration and its associated factors among the adult population in the state of Pernambuco. Method: Transversal study, of population basis, made in the state of Pernambuco, in 2006, involving 1.580 adults from both genders between 25 and 59 years old. Abdominal fat concentration was determined by waist circumference (WC) ≥80cm to women and ≥94cm to men, and by the waistheight ratio (WHR) ≥0,52 and ≥0,53 for women and men respectively. The concept considered demographic, socioeconomic, reproductive and behavioral variables. Result: The prevalence of abdominal fat, according to WC, was 51,9% (CI 95% 49,4-54,4), being higher in women (PR=2,58; CI95% 2,26-2,94), ex smokers (PR=1,31; CI95% 1,12-1,54) couch potatoes (PR=1,24; CI95% 1,13-1,36), people over 40 years old (PR=1,28; CI95% 1,11-1,47), from the metropolitan area of Recife (PR=1,23; CI95% 1,10-1,41), between 5-8 years of studying (PR=1,22; CI95% 1,06-1,40), with higher incomes(PR=1,47; CI95%1,28-1,68) and among women with the first pregnancy before 18 years old (PR=1,12; CI 95%1,01-1,68). According to WHR the prevalence of abdominal fat excess was 57,8% (CI95% 55,4-60,3), being higher in women (PR=1,31; CI95%1,19-1,43), among ex smokers (PR=1,36; CI95%1,19-1,56), couch potatoes (PR=1,11; CI95%1,02-1,21), people over 30 years old (PR=1,23; CI95%1,09-1,39), with higher incomes(PR=1,30; CI95%1,15-1,47), and in women with first pregnancy before 18 years old (PR=1,18; CI95%1,07-1,68). Conclusions: The expressitivity of the abdominal fat concentration problem indicates a need of directed actions planning to prevent and control growth in abdominal fat, regarding demographic, socioeconomic and behavioral differences. Key-words: Abdominal fat. Epidemiologic factors. Adult. Waist circumference. Waist-to-height ratio. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores72 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Introdução A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo excesso de gordura corporal e resultante do desequilíbrio crônico entre o consumo alimentar e o gasto energético 1-4. Atualmente é um grave problema de saúde pública atingindo proporções epidêmicas tanto em países desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento 3,5-8, apresentando grande impacto sobre o padrão de morbidade de populações adultas 9. O papel da obesidade generalizada como fator de risco cardiovascular é controverso, sendo verificado que os indicadores de obesidade central são melhores preditores do risco coronariano elevado que os indicadores de obesidade generalizada2,9,17. A circunferência da cintura (CC) é o método mais comumente utilizado na prática clínica para avaliar a adiposidade visceral 18 por sua simplicidade, facilidade de execução, baixo custo e reprodutibilidade2,11,12,19-21. A razão cintura-estatura (RCE) tem sido descrita mais recentemente na literatura como um indicador antropométrico da distribuição de gordura corpórea útil para identificação do risco cardiovascular 22-24. Estudos no Brasil e em diferentes países têm demonstrado a forte associação dessa medida com o risco coronariano elevado, sendo essa relação maior que em outros indicadores antropométricos, como o Índice de Massa Corpórea (IMC), CC e Razão Cintura Quadril 10,24-26. A complexidade da etiologia da obesidade tem sido amplamente descrita na literatura sendo apontada pelos epidemiologistas que a modernização tem um papel importante no crescimento acelerado dessa condição9,27-32. Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de contribuição de cada uma das variáveis envolvidas 33, havendo evidências de que sua ocorrência está relacionada a fatores ambientais associados a uma predisposição genética34. Embora no Brasil existam informações populacionais confiáveis e atuais sobre a caracterização do estado antropométrico de adultos, elas se referem às macrorregiões do país e não enfocam seus determinantes. Além disso, poucos Estados brasileiros dispõem de informações acerca da concentração de gordura abdominal oriundas de amostras representativas da população. Portanto, este estudo objetiva estimar a prevalência da concentração de PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores73 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. gordura abdominal e os fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco. Materiais e Métodos Foi realizado um estudo de corte transversal, de base populacional, no período de maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos, provenientes de área urbana e rural do Estado de Pernambuco. Foram excluídos os indivíduos que apresentaram alguma limitação física que impossibilitasse a aferição das medidas antropométricas e as gestantes. Para definição do tamanho amostral foi considerada a prevalência de obesidade abdominal encontrada em estudo realizado com adultos de ambos os sexos em outra cidade do Nordeste brasileiro9 estimada em 35,7% entre as mulheres e 12,9% entre os homens. O cálculo da amostra foi realizado no software Epi Info, versão 6.04, sendo considerada a prevalência de 12,9% de obesidade abdominal encontrada nos homens nordestinos, um erro de estimação de 3%, um nível de confiança de 95%, e um efeito do desenho da ordem de 2,5, perfazendo um total mínimo de 1.199 indivíduos a serem estudados. Para compensar eventuais perdas e para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, esse tamanho amostral foi aumentado em 30%, resultando em uma amostra final de 1.580 indivíduos. O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se em três estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as famílias seguindo-se a incorporação de outras famílias por ordem contrária ao movimento dos ponteiros de relógio até completar a quota amostral prevista para cada setor (40 ± 5 famílias). A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à população dos municípios selecionados PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores74 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. figurando 16 setores censitários da Região Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR). A aplicação dos questionários de pesquisa e a coleta das medidas antropométricas foram realizadas por técnicos treinados. A altura foi determinada pelo estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) - milimetrada, com precisão de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos foram colocados em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do corpo, os calcanhares, o dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira. A circunferência da cintura foi aferida em duplicidade no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, com uma fita métrica inextensível, de acordo com o protocolo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde, 199836. A concentração de gordura abdominal, variável dependente deste estudo, foi considerada elevada quando CC ≥80cm para mulheres e ≥94cm para homens36 e pela RCE ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens, respectivamente7. O modelo conceitual construído para explicar o excesso de peso considerou as seguintes variáveis: demográficas: sexo, idade (categorizada nos intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área geográfica da residência (RMR, IU, IR); socioeconômicas: escolaridade, em anos completos de estudo (categorizada nos intervalos: 0-4 anos, 5-8 anos e ≥9 anos), e renda familiar em salário mínimo per capita (estabelecida em quartis de renda, e levando-se em conta o salário mínimo vigente na época: R$350,00); reprodutivas: paridade (categorizada em <3 gestações e ≥ 3 gestações), idade da menarca (categorizada nos intervalos: 8-11 anos; 12-13 anos e ≥14 anos), idade da primeira gestação (< 18 anos e ≥18 anos) e uso de contraceptivo oral (com a resposta dicotômica sim ou não); e comportamentais: tabagismo, consumo de álcool, atividade física e consumo alimentar. Para o tabagismo foram consideradas as categorias: fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar), não fumante (o indivíduo que relatou nunca haver fumado) e ex-fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar em algum momento da vida, mas que não o fazia na ocasião da aplicação do questionário). Para a variável consumo de álcool, avaliou-se o consumo de bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à aplicação do questionário, sendo PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores75 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. considerada a resposta dicotômica sim ou não. Para determinação do nível de atividade física da população deste estudo foi utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)31, 2001, em sua versão curta, que leva em consideração as quatro dimensões da atividade física: no lazer, atividades domésticas, atividades ocupacionais e atividades relacionadas ao deslocamento. Esse instrumento mede a frequência e duração das atividades físicas moderadas, vigorosas e caminhadas realizadas na última semana por pelo menos dez minutos contínuos, incluindo exercício, esportes, atividades físicas ocupacionais e recreacionais realizadas em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer. Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído, somando-se os minutos despendidos em caminhada e atividades de intensidade moderada com os minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta estratégia visa considerar as diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física 32,33. Um escore abaixo de 150 minutos por semana foi o ponto de corte utilizado para classificar os indivíduos como insuficientemente ativos ou sedentários 34. As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando um questionário de frequência alimentar e a avaliação do consumo foi realizada com base na metodologia proposta por Fornés et al. (2002) 35, na qual o cômputo geral da frequência de consumo é convertido em escores. Foram constituídos três grupos de alimentos: o grupo 1 foi composto por alimentos ricos em fibras, como leguminosas, frutas, legumes e hortaliças, considerados protetores para as doenças cardiovasculares (DCV’s) e para o ganho excessivo de peso; o grupo 2 foi composto pelos alimentos ricos em carboidratos simples (bolo, biscoito, açúcar e refrigerantes); e no grupo 3 foram inseridos os alimentos ricos em gorduras saturadas (carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, laticínios, gorduras e frituras). Os grupos 2 e 3 foram compostos por alimentos considerados de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e para o ganho de peso excessivo. Os escores de consumo de cada grupo foram categorizados em quartis. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores76 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em 12 de janeiro de 2006, sob o número 709/2006. Os indivíduos que concordaram em participar da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO, Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo validate para checar eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA). A análise estatística foi realizada em três etapas. Inicialmente, realizou-se uma análise descritiva para caracterizar a distribuição da ocorrência dos eventos, incluindo a frequência de cada variável do estudo. Na segunda etapa, procedeu-se uma análise univariada entre a variável dependente (concentração de gordura abdominal segundo a CC e RCE) e as variáveis independentes para determinação da razão de prevalência (RP) e seu respectivo Intervalo de Confiança de 95% (IC 95%). Numa terceira etapa, foi realizada análise multivariada, utilizando o software STATA/SE 9.0 (Stata, Texas, US), pelo método de regressão log-Poisson onde foram incluídas no modelo múltiplo todas as variáveis que se mostraram associadas ao evento de interesse com significância estatística de até 20%. Para aceitação das associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05. Resultados As perdas ocorreram em função da exclusão de inconsistências de informações ou ausência de resposta para as variáveis independentes: escolaridade (1,1%), renda (1,6%), tabagismo (0,1%), consumo de álcool (6,6%), consumo alimentar (0,6%), paridade (1,2%), idade da menarca (13,5%), idade da primeira gestação (13,2%) e uso de contraceptivo oral (11,9%). A amostra foi composta por 1.580 indivíduos, com mediana de idade de 33 anos (IQ=29-41), sendo 58% do sexo feminino, 48,7% residentes do Interior Rural do Estado e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos de estudo). A mediana da renda familiar per capita (em salários mínimos) foi de 0,25 (IQ 0,12-0,45). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores77 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. A concentração de gordura abdominal segundo a CC e a RCE foi evidenciada em 51,9% (IC95% 49,4-54,4) e 57,8% (IC95% 55,4-60,3) da população, respectivamente (tabela 1). Verificou-se que 47,9% (IC95% 45,450,4) dos indivíduos apresentaram concomitantemente elevação dos dois parâmetros estudados (dado não apresentado em tabela). Os resultados da análise univariada para os fatores associados à CC e RCE evidenciaram maior concentração de gordura abdominal entre os indivíduos pertencentes ao maior quartil de renda, entre aqueles não fumantes e ex-fumantes, entre as mulheres com primeira gestação precoce (antes dos 18 anos de idade), entre os indivíduos que negaram o consumo de álcool nos 30 dias anteriores a aplicação do questionário e entre os insuficientemente ativos (Tabelas 2 e 3). As mulheres apresentaram mais do que o dobro da concentração de gordura abdominal observada entre os homens (RP=2,58; IC95% 2,26-2,94). Outros fatores associados à CC foram: escolaridade e área geográfica de residência, sendo identificado que os indivíduos com 5 a 8 anos de estudo e os moradores da Região Metropolitana do Recife apresentaram maiores prevalências de elevada adiposidade central. O excesso de gordura abdominal segundo a CC foi mais prevalente a partir dos 40 anos de idade e, segundo a RCE, a partir dos 30 anos. O consumo alimentar dos três grupos de alimentos estudados (alimentos protetores, alimentos ricos em carboidratos simples e alimentos ricos em gorduras saturadas), a idade da menarca, a paridade e o uso de contraceptivo oral não se associaram a nenhum dos dois parâmetros antropométricos estudados. Na análise multivariada, após controle das variáveis de confusão, as variáveis que mantiveram associação com a CC entre as mulheres foram: a idade, o tabagismo e a idade da primeira gestação, e entre os homens: a idade, os estrato geográfico da residência, a renda, o tabagismo e o consumo de álcool (Tabela 4). Em relação à RCE, as variáveis idade e idade da primeira gestação mantiveram-se associadas entre as mulheres, e entre os adultos do sexo masculino, permaneceram associadas a idade, a renda e o estrato geográfico da residência (Tabela 5). A concentração de gordura abdominal PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores78 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. aumentou pari passu com a progressão da idade em ambos os sexos, e com a progressão da renda entre os homens. Discussão A obesidade, sobretudo a abdominal, predispõe o indivíduo a uma série de fatores de risco cardiovasculares por associar-se com grande frequência a condições tais como dislipidemias, hipertensão arterial, resistência à insulina e diabetes mellitus que favorecem a ocorrência de eventos cardiovasculares, particularmente os coronarianos36. O uso da circunferência da cintura como um bom preditor de doenças crônico-degenerativas está bem estabelecido37-39, e na literatura é possível encontrar muitos estudos que enfocam os determinantes associados a sua elevação39-42. Entretanto, apesar de diversos estudos relativamente recentes demonstrarem que a RCE é um bom discriminador de obesidade abdominal relacionada a fatores de risco cardiovascular36,43-45, não encontramos estudos oriundos de amostras representativas que avaliassem os fatores associados à elevação da RCE. Portanto, os dados aqui apresentados têm um caráter original por descrever os fatores que estão influenciando o aumento da concentração de gordura abdominal na população pernambucana através de um amplo modelo de variáveis explicativas e por considerar dois indicadores antropométricos fortemente relacionados às doenças cardiovasculares e à adiposidade concentrada no abdome. A alta prevalência de indivíduos com excesso de gordura abdominal revelada nessa investigação reflete a magnitude do problema, que tem atingido contornos epidêmicos tanto em países em desenvolvimento como entre os desenvolvidos. Estudo de base populacional representativo da população adulta da área urbana de Pelotas, Sul do país, considerando o mesmo ponto de corte para determinação da concentração de gordura abdominal utilizado neste estudo, evidenciou prevalência similar segundo a CC (51,1%) 41. No Nordeste, estudos representativos da população adulta de Salvador, Bahia, e do Estado de Maranhão registraram prevalências inferiores (28,1% e 46,3%, respectivamente) a identificada no presente estudo 9,46, demonstrando que o problema pode ter magnitude potencialmente mais elevada em algumas populações. Apesar de o Estado de Pernambuco dispor de dados PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores79 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. representativos de sua população acerca da magnitude da obesidade, estes se referem apenas à obesidade global, não havendo dados populacionais que enfoquem a concentração de gordura abdominal. A maior prevalência de gordura abdominal em excesso, avaliada pela CC, entre as mulheres pode ser explicada pela maior composição corporal de gordura, pelas gestações, além das diferenças hormonais e do climatério presentes no sexo feminino47-49. Além disso, as mulheres acumulam mais gordura subcutânea que os homens e a perdem em idades mais tardias 50. Essa heterogeneide na distribuição do acúmulo de gordura na região abdominal entre homens e mulheres é consistente com os resultados observados em outras populações 9,46 . Em relação à RCE, apesar da distribuição entre os sexos acompanhar a tendência observada para o indicador CC, menor disparidade foi verificada entre os mesmos, possivelmente porque este indicador corrige o perímetro abdominal pela altura do indivíduo, estabelecendo, assim, uma relação de proporção. A maior concentração de gordura abdominal em indivíduos nas faixas etárias mais elevadas poderia ser explicada, em parte, por fatores como o declínio natural do hormônio do crescimento, da taxa metabólica basal e da perda de massa muscular, diminuição na prática de atividades físicas e aumento do consumo alimentar 49,24. A associação da CC apenas com o nível intermediário de escolaridade foi um resultado inesperado, tendo em vista que dados da literatura apontam, sobretudo entre as mulheres, uma relação inversa entre a concentração de gordura abdominal e a escolaridade 39,46,51. O nível educacional determina uma possibilidade maior de conhecimento e acesso a um estilo de vida saudável, com alimentação e atividade física adequada 52. A associação positiva entre a concentração de gordura abdominal e a renda no sexo masculino, segundo os dois indicadores estudados, corrobora com resultados encontrados por outros autores 39,46 e concorda com o padrão verificado em países desenvolvidos, onde há uma relação positiva entre obesidade e renda familiar apenas no sexo masculino. A menor prevalência de excesso de gordura abdominal encontrada na população rural pernambucana, sobretudo entre os homens, possivelmente está relacionada às condições socioeconômicas, já que se observou neste PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores80 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. estudo uma forte associação entre a renda e concentração abdominal de gordura no sexo masculino. As diferenciações geográficas expressam, basicamente, diferenças sociais na distribuição da obesidade 53. Além disso, fatores alimentares poderiam estar envolvidos já que por se tratar de uma área rural, supõe-se um menor acesso a alimentos industrializados. São crescentes os estudos que avaliam o impacto das variáveis reprodutivas na determinação da obesidade abdominal 39,41,54,55. A associação entre o excesso de gordura abdominal e a idade prematura ao primeiro parto possivelmente deve-se a ativação precoce dos hormônios relacionados ao ciclo reprodutivo, propiciando assim um aumento da concentração de gordura corporal54. Na literatura são escassos os estudos avaliam a associação deste fator com a adiposidade corporal. Oliveira et al. (2007) 55, ao analisar fatores associados à obesidade abdominal em mulheres usuárias de um Centro de Saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais, não constataram essa associação. A ausência de associação entre a concentração de gordura abdominal e a paridade foi um resultado inesperado, considerando que a alta paridade destaca-se entre os fatores contributivos para a obesidade e essa tendência tem sido amplamente descrita na literatura 26,40,49,55-57, e pode ser explicada pelo ganho excessivo de peso no período gestacional e posterior dificuldade para perda. Nos países em desenvolvimento, nos quais o número maior de gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor entre as gestações, essa relação é ainda mais expressiva26. A maior prevalência de excesso de gordura abdominal, avaliada pela CC, entre os indivíduos ex-fumantes é um resultado que corrobora com dados de outros estudos9,39,49,50,58,59, que demonstram que os fumantes que abandonaram o hábito de fumar são os que apresentam maiores prevalências de obesidade e este seria um dos maiores impedimentos para cumprir o abandono52. Resultado interessante foi verificado quanto ao consumo de álcool. Na análise univariada observou-se que ter consumido bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à pesquisa foi fator protetor para elevação da CC e da RCE. Entretanto, na análise multivariada separada por sexo, verificamos que o comportamento inverso foi constatado entre os homens, ou seja, a obesidade abdominal pela CC associou-se ao consumo de álcool, demonstrando que o PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores81 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. comportamento dessa variável em relação à obesidade abdominal é fortemente influenciado pelo sexo. Diversos estudos têm avaliado o papel do consumo de bebidas alcoólicas na alteração dos indicadores de obesidade global e abdominal9,39,55,59,60. Entretanto ainda não está claro o papel do álcool no mecanismo de determinação da adiposidade, sobretudo pela grande variação metodológica encontrada na literatura relativa à frequência e quantidade do etanol consumido. A maior prevalência de gordura abdominal em excesso entre os indivíduos considerados sedentários ou insuficientemente ativos é um resultado esperado tendo em vista que evidências epidemiológicas indicam relação inversa entre a gordura corporal e o gasto energético “não-basal”, o qual é representado principalmente pela atividade física55,61-64. Além disso, é descrito que a gordura corporal é mais favoravelmente distribuída nos indivíduos fisicamente ativos62,65. É importante destacar que a baixa prevalência de indivíduos sedentários é incompatível com a expressiva prevalência de obesidade abdominal evidenciada em nosso estudo. Entretanto, como a mensuração da atividade física foi realizada por um instrumento que considera as atividades desenvolvidas no lazer, deslocamento, e em atividades domésticas e ocupacionais, justifica-se esse percentual encontrado. Além disso, nossos índices de sedentarismo foram aproximados a outros estudos recentes que utilizaram o mesmo instrumento de avaliação e mesmo ponto de corte 66-68. Surpreende o fato de não termos encontrado associação entre a adiposidade abdominal e os escores de consumo alimentar dos três grupos (alimentos protetores, alimentos ricos em carboidratos simples e alimentos ricos em gorduras saturadas). Tal fato pode ser atribuído à metodologia empregada, tendo em vista que esta se baseou em um instrumento puramente qualitativo, que expressou apenas a frequência do consumo, mas não refletiu as quantidades das porções consumidas. Além disso, por se tratar de um estudo transversal, essa ausência de associação é passível de ser interpretada à luz da causalidade reversa, uma vez que diagnosticado o excesso gordura abdominal, o indivíduo pode ter iniciado mudanças no padrão alimentar para o controle e redução da gordura corporal. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores82 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. A inclusão de indivíduos a partir dos 25 anos compromete a representatividade da população adulta. Entretanto, este fato ocorreu devido aos dados primários deste estudo serem provenientes de pesquisa desenhada para avaliação de doenças crônicas e que pela limitação de recursos, foram excluídos os indivíduos mais jovens (20-24 anos). Este estudo contribui para um melhor entendimento sobre os fatores que se associam com a maior concentração de gordura abdominal, podendo ser constatado que diferentes fatores estão determinando o acúmulo de adiposidade central em homens e mulheres e esta perspectiva deve ser considerada em futuras estratégias de controle. Portanto, prioridades de intervenção devem ser dirigidas aos subgrupos onde a concentração de gordura abdominal foi mais frequente: mulheres; indivíduos a partir dos 30 anos de idade; ex-fumantes; homens de maior nível socioeconômico, provenientes de regiões urbanas e que consomem bebidas alcoólicas; e mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos. A expressividade do problema da concentração de gordura abdominal nessa população indica a necessidade do planejamento de ações direcionadas à prevenção e controle do aumento da gordura corporal, levando-se em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores83 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabelas Tabela 1 – Concentração de gordura abdominal em adultos, de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco, Brasil, 2006. Indicador Antropométrico Total N % IC95% Circunferência da Cintura (cm) 1580 Normal 769 48,1 46,2-51,2 Elevada* 820 51,9 49,4-54,4 Razão Cintura Estatura 1580 Normal 666 42,2 39,7-44,6 Elevada** 914 57,8 55,4-60,3 * Homens ≥94cm e Mulheres ≥80cm. ** Homens ≥0,53 e Mulheres ≥0,52. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores84 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 2 - Razão de Prevalência (RP) da Concentração de Gordura Abdominal segundo a Circunferência da Cintura, de acordo com características demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais em adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006 Variáveis Normal Elevada* RP IC95% N % N % Sexo Masculino 484 72,9 180 27,1 1,00 Feminino 276 30,1 640 69,9 2,58 2,26-2,94 Idade (anos) 25-29 265 54,6 220 45,4 1,00 30-39 312 49,3 321 50,7 1,12 0,99-1,27 40-49 122 42,1 168 57,9 1,28 1,11-1,47 50-59 61 35,5 111 64,5 1,42 1,23-1,65 Área de Residência Região Metropolitana do Recife 182 43,1 240 56,9 1,00 Interior Urbano 165 42,4 224 57,6 1,01 0,90-1,14 Interior Rural 413 53,7 356 46,3 0,81 0,73-0,91 Escolaridade (anos de estudo) 0-4 429 50,5 420 49,5 1,00 5-8 145 41,5 204 58,5 1,22 1,06-1,40 ≥9 167 48,2 189 51,8 1,08 0,95-1,23 Renda Familiar Per Capita (salários mínimos) ≤0,12 225 57,3 168 42,7 1,00 0,12-0,25 201 48,8 211 51,2 1,20 1,03-1,39 0,25-0,45 179 48,8 188 51,2 1,20 1,03-1,39 ≥0,45 145 37,4 243 62,6 1,47 1,28-1,68 Tabagismo Fumante 200 56,6 153 43,3 1,00 Não fumante 457 46,3 530 53,7 1,24 1,09-1,41 Ex-fumante 103 43,1 136 56,9 1,31 1,12-1,54 Consumo de Álcool nos últimos 30 dias Não 448 44,0 569 55,9 1,00 Sim 261 56,9 198 43,1 0,77 0,68-0,87 Atividade Física Suficientemente Ativo 581 51,4 549 48,6 1,00 Insuficientemente Ativo 179 39,8 271 60,2 1,24 1,13-1,36 Escore de Consumo - Grupo 1 (quartis) ≤1,67 196 49,6 199 50,4 0,98 0,85-1,12 1,67-2,33 171 46,2 199 53,8 1,04 0,91-1,19 2,33-3,17 201 48,0 218 52,0 1,01 0,88-1,15 ≥3,17 190 48,5 202 51,5 1,00 Escore de Consumo - Grupo 2 (quartis) ≤3,03 172 44,7 213 55,3 1,00 3,03-4,20 193 46,7 220 53,3 0,96 0,85-1,09 4,20-5,33 194 50,8 188 49,2 0,89 0,78-1,02 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores85 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ≥5,33 Escore de Consumo - Grupo 3 (quartis) ≤2,47 2,47-3,50 3,50-4,53 ≥4,53 Paridade <3 gestações ≥3 gestações Idade da Menarca 8-11 anos 12-13 anos ≥14 anos Idade da 1ª gestação <18 anos ≥18 anos Uso de Contraceptivo Oral Não Sim 199 50,1 198 49,9 0,90 0,79-1,03 193 190 183 187 48,1 48,5 47,9 47,2 208 202 199 209 51,9 51,5 52,1 52,8 1,00 0,99 1,00 1,02 0,87-1,14 0,88-1,15 0,89-1,16 135 135 32,5 27,6 280 355 67,5 72,4 1,00 1,07 0,99-1,17 33 120 103 27,7 32,3 34,1 86 251 199 72,3 67,6 65,9 1,00 0,94 0,91 0,82-1,07 0,79-1,05 55 201 26,3 34,3 154 385 73,7 65,7 1,00 0,89 0,81-0,99 190 71 32,0 33,2 403 143 68,0 66,8 1,00 0,98 0,88-1,10 *Homens≥94cm, Mulheres≥80cm. RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras. Suficientemente ativos: caminhada ou atividades moderadas ou vigorosas por tempo≥ 150 minutos/semana. Insuficientemente ativos: sedentários e indivíduos com atividades moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores86 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 3 - Razão de Prevalência (RP) da Concentração de Gordura Abdominal segundo a Razão Cintura-Estatura, de acordo com características demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais em adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006 Variáveis Normal Elevada* RP IC95% N % N % Sexo Masculino 338 50,9 326 49,1 1,00 Feminino 328 35,8 588 64,2 1,31 1,19-1,43 Idade (anos) 25-29 263 54,2 222 45,8 1,00 30-39 276 43,6 357 56,4 1,23 1,09-1,39 40-49 95 32,7 195 67,3 1,47 1,30-1,67 50-59 32 18,6 140 81,4 1,78 1,58-2,01 Área de Residência Região Metropolitana do Recife 175 41,5 247 58,5 1,00 Interior Urbano 150 38,6 239 61,4 1,05 0,94-1,17 Interior Rural 341 44,3 428 55,7 0,95 0,86-1,05 Escolaridade (anos de estudo) 0-4 345 40,6 504 59,4 1,00 5-8 145 41,5 204 58,5 1,00 0,90-1,10 ≥9 168 46,0 197 54,0 0,92 0,82-1,03 Renda Familiar Per Capita (salários mínimos) ≤0,12 192 48,8 201 51,2 1,00 0,12-0,25 180 43,7 232 56,3 1,10 0,97-1,25 0,25-0,45 159 43,3 208 56,7 1,11 0,97-1,26 ≥0,45 130 33,5 258 66,5 1,30 1,15-1,47 Tabagismo Fumante 175 49,5 178 50,4 1,00 Não fumante 416 42,1 571 57,9 1,15 1,02-1,29 Ex-fumante 75 31,4 164 68,6 1,36 1,19-1,56 Consumo de Álcool nos últimos 30 dias Não 408 40,1 609 59,9 1,00 Sim 212 46,2 247 53,8 0,90 0,81-0,99 Atividade Física Suficientemente Ativo 496 43,9 634 56,1 1,00 Insuficientemente Ativo 170 37,8 280 62,2 1,11 1,02-1,21 Escore de Consumo - Grupo 1 (quartis) ≤1,67 162 41,0 233 59,0 1,06 0,94-1,20 1,67-2,33 148 40,0 222 60,0 1,08 0,96-1,22 2,33-3,17 180 43,0 239 57,0 1,03 0,91-1,16 ≥3,17 174 44,4 218 55,6 1,00 Escore de Consumo - Grupo 2 (quartis) ≤3,03 147 38,2 238 61,8 1,00 3,03-4,20 168 40,7 245 59,3 0,96 0,86-1,07 4,20-5,33 170 44,5 212 55,5 0,90 0,80-1,01 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores87 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ≥5,33 Escore de Consumo - Grupo 3 (quartis) ≤2,47 2,47-3,50 3,50-4,53 ≥4,53 Paridade <3 gestações ≥3 gestações Idade da Menarca 8-11 anos 12-13 anos ≥14 anos Idade da 1ª gestação <18 anos ≥18 anos Uso de Contraceptivo Oral Não Sim 179 45,1 218 54,9 0,89 0,79-1,00 161 167 159 173 40,1 42,6 41,6 43,7 240 225 223 223 59,9 57,4 58,4 56,3 1,00 0,96 0,98 0,94 0,85-1,08 0,87-1,10 0,84-1,06 156 165 37,6 33,7 259 325 62,4 66,3 1,00 1,06 0,96-1,17 43 140 122 36,1 37,7 40,4 76 231 180 63,9 62,3 59,6 1,00 0,97 0,93 0,83-1,14 0,79-1,10 64 241 30,6 41,1 145 345 69,4 58,9 1,00 0,85 0,76-0,95 223 88 37,6 41,1 370 126 62,4 58,9 1,00 0,94 0,83-1,17 *Homens≥0,52, Mulheres≥0,53. RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras. Suficientemente ativos: caminhada ou atividades moderada ou vigorosa por tempo≥ 150 minutos/semana. Insuficientemente ativos: sedentários e indivíduos com atividades moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores88 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 4 – Regressão de Poisson dos fatores associados à Concentração de Gordura Abdominal segundo a Circunferência da Cintura*, em mulheres e homens adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006 Razão de Variáveis IC 95% p-valor Prevalência MULHERES Idade < 0,001 25 | -30 anos 1,00 30 |- 40 anos 1,22 (1,08; 1,37) 40 |- 50 anos 1,42 (1,26; 1,62) 50 |-59 anos** Idade da 1ª gestação 0,008 <18 anos 1,00 ≥18 anos 0,87 (0,79; 0,96) Tabagismo 0,028 Fumante 1,00 Não fumante 1,06 (0,93; 1,22) Ex-fumante 1,21 (1,04; 1,41) HOMENS Idade 0,045 25 | -30 anos 1,00 30 |- 40 anos 1,24 (0,88; 1,74) 40 |- 50 anos 1,08 (0,71; 1,66) 50 |-59 anos 1,75 (1,16; 2,66) Área de Residência RMR 1,00 <0,001 IU 1,32 (0,96; 1,80) IR 0,64 (0,43; 0,94) Renda Familiar per 0,008 capita (quartis) ≤0,12 1,00 0,12-0,25 1,50 (0,92; 2,46) 0,25-0,45 1,53 (0,93; 2,54) ≥0,45 2,47 (1,52; 4,01) Tabagismo 0,038 Fumante 1,00 Não fumante 1,35 (0,97; 1,90) Ex-fumante 1,67 (1,12; 2,48) Consumo de Álcool Não 1,00 0,043 Sim 1,32 (1,01; 1,73) *CC ≥80cm para mulheres e CC ≥94cm para homens. **Esta categoria de idade não entrou no modelo por problema de colinearidade com a variável depende. Renda: salário mínimo (R$350,00). Consumo de álcool: nos últimos 30 dias. Área de Residência: RMR – Região Metropolitana do Recife; IU – Interior Urbano; IR – Interior Rural. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores89 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 5 – Regressão de Poisson dos fatores associados à Concentração de Gordura Abdominal segundo a Razão Cintura-Estatura*, em mulheres e homens adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006 Razão de Variáveis IC 95% p-valor Prevalência MULHERES Idade 25 | -30 anos 30 |- 40 anos 40 |- 50 anos 50 |-59 anos** Idade da 1ª gestação <18 anos ≥18 anos < 0,001 1,00 1,29 1,51 - (1,10; 1,44) (1,31; 1,73) - 1,00 0,79 (0,74; 0,93) <0,001 HOMENS Idade 25 | -30 anos 30 |- 40 anos 40 |- 50 anos 50 |-59 anos Área de Residência RMR IU IR Renda familiar per capita (quartis) ≤0,12 0,12-0,25 0,25-0,45 ≥0,45 0,032 1,00 1,26 1,15 1,72 (0,91; 1,72) (0,78; 1,69) (1,18; 2,50) 1,00 1,31 0,61 (0,98; 1,71) (0,42; 0,86) <0,001 0,002 1,00 1,81 1,67 2,64 (1,15; 2,86) (1,04; 2,68) (1,67; 4,17) *RCE ≥0,53 para homens e RCE ≥0,52 para mulheres. **Esta categoria de idade não entrou no modelo por problema de colinearidade com a variável depende. Renda: salário mínimo (R$350,00). Área de Residência: RMR – Região Metropolitana do Recife; IU – Interior Urbano; IR – Interior Rural. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores90 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Referências 1. Mendonça CP, Anjos LA. Aspectos das práticas alimentares e da atividade física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cad Saúde Pública 2004; 20(3): 698709. 2. Peixoto MRG, Benicio MHD, Latorre MRDO, Jardim PCBV. Circunferência da Cintura e Índice de Massa Corporal como Preditores da Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2006; 87(4): 462-70. 3. Velásquez-Melendez G, Pimenta AM, Kac G. Epidemiologia do sobrepeso e da obesidade e seus fatores determinantes em Belo Horizonte (MG), Brasil: estudo transversal de base populacional. Rev Panam Salud Publica 2004; 16 (5): 308-14. 4. Beraldo CF, Vaz IMF, Naves MMV. Nutrição, atividade física e obesidade em adultos: aspectos atuais e recomendações para prevenção e tratamento. 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UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores98 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Padrão de consumo alimentar e fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco Dietetic patterns and associated factors among adult population from Pernambuco State Título resumido: Padrão de consumo alimentar e fatores associados Autores Cláudia Porto Sabino Pinho I, Alcides da Silva DinizII, Ilma Kruze Grande de ArrudaII, Pedro Israel Cabral de LiraII, Poliana Coelho CabralII, Leopoldina Augusta Souza SiqueiraII, Malaquias Batista Filho III. I Programa de Pós Graduação em Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil. II Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil. III Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, Recife, PE, Brasil. Autor para correspondência: Cláudia Porto Sabino Pinho Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil. Email: [email protected] Instituição de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores99 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Resumo Objetivando caracterizar o padrão de consumo alimentar e os fatores associados na população de Pernambuco, foi realizado estudo transversal, em 2006, envolvendo 1580 adultos (25-59anos). O consumo foi avaliado por um questionário de freqüência alimentar com mensuração convertida em escores. Foram constituídos 3 grupos de alimentos: ricos em fibras; em carboidratos simples e em gorduras saturadas, e o perfil de consumo foi avaliado segundo características socioeconômicas/demográficas. Os resultados evidenciaram que o escore médio do consumo de carboidratos simples foi maior que o consumo de fibras e gorduras. O consumo de carboidratos simples e gorduras saturadas foram menores em indivíduos de maior idade, de área rural, com menor renda e escolaridade. O maior consumo de fibras associou-se com maior renda e escolaridade. O predomínio do consumo de carboidratos simples, em detrimento do consumo de fibras, configura o processo de transição nutricional experimentado pelo Brasil nas últimas décadas, e a associação com vários fatores reforça a multicausalidade na determinação desse perfil. Descritores: Consumo de alimentos. Fatores epidemiológicos. Adulto. Carboidratos. Gorduras. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores100 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Abstract With the objective of characterize dietetic patterns and associated factors among adult population from Pernambuco, a transversal study was made, in 2006, involving 1580 adults(25-59 years old).Food consumption was evaluated by a series of questions about eating frequency with measurements converted to scores’ scale.Three groups of food were created: rich in fibers; in simple carbohydrates; in saturated fat. The consumption profile was evaluated according to demographic and socioeconomics characteristics. The results showed that the average score of simple carbohydrates food consumption was highter to those of rich in fiber and fats.It was verified less consumption of simple carbohydrates and saturated fat among older people, from country areas, of lower income, and educational level.The highest scores of rich in fibers food were associated with higher income and educational level.The predominance of simple carbohydrates food over rich in fiber food consumption configures a nutritional transition going on in Brazil for the last few decades, and the association with various factors strengthens the multicausality in the determination of this profile. Key-words: Food consumption. Epidemiologic factors. Adult. Carbohydrates. Fats. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores101 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Introdução Estudos epidemiológicos têm fornecido evidências sobre a importância de dietas inadequadas e muitas vezes autoprescritas que potencializam os riscos para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes mellitus, neoplasias, dentre outras entidades nosológicas. Vários alimentos e nutrientes têm sido relacionados tanto à ocorrência quanto à prevenção de doenças crônicas em diferentes populações 1,2. O padrão de consumo alimentar da população brasileira vem sofrendo significativas modificações durante as últimas décadas, como consequência direta de mudanças estruturais que vêm ocorrendo no país3. O aumento do consumo de alimentos com alto teor de carboidratos simples ou lipídios tem gerado significativa elevação da densidade calórica do padrão alimentar populacional4-6. Tal fato, associado ao consumo inadequado de frutas, vegetais e fibras, denota a ocorrência da denominada transição nutricional, primariamente derivada de variações na renda da população, preços relativos dos alimentos, grau de urbanização, estrutura de oferta alimentar, nível educacional da população e influências culturais diversas7. Os dados sobre consumo alimentar integrados com outros indicadores do estado nutricional, segurança alimentar, morbidade e risco de doenças, são as bases para o monitoramento das tendências dietéticas e a definição de políticas para agricultura, economia e saúde8. Entretanto, estudos sobre a ingestão alimentar são limitados pela dificuldade de se mensurar esses dados de forma acurada, sendo esse um problema inerente a maioria os métodos de avaliação do consumo alimentar que dependem do relato individual9 e sofrem influência do viés de memória, que em princípio pode comprometer de forma significativa a validade interna de um estudo. O perfil alimentar da população está fortemente associado a aspectos culturais, nutricionais, sócio-econômicos e demográficos10, tornando necessário um melhor entendimento desses determinantes e seus mecanismos no comportamento alimentar, tendo em vista que são preocupantes os problemas decorrentes da inadequação do consumo de alimentos. De um lado essa inadequação propicia o surgimento de doenças carenciais; de outro, contribui para o aumento da prevalência do excesso de peso e de doenças crônicas não transmissíveis, configurando assim o processo de transição nutricional. É importante ressaltar que em relação à exposição da população a comportamentos de risco à saúde, a literatura aponta que o padrão alimentar inadequado PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores102 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. e, principalmente, quando associado ao sedentarismo desponta entre os problemas mais prevalentes e de maior risco populacional atribuível. Há na literatura diversos estudos que enfocam os determinantes do consumo de frutas, legumes e hortaliças, mas são escassas as investigações que avaliam os fatores associados ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas, componentes reconhecidamente associados ao ganho excessivo de peso e às doenças cardiovasculares. Além ainda são escassos estudos que caracterizam o padrão de consumo alimentar da população da região Nordeste, sobretudo do Estado de Pernambuco. Neste contexto, o presente estudo objetiva caracterizar o padrão de consumo alimentar e os fatores associados a esse perfil na população adulta pernambucana. Métodos Foi realizado um estudo de corte transversal de base populacional, envolvendo adultos na faixa etária de 25 a 59 anos, de ambos os sexos, provenientes de área rural e urbana do Estado de Pernambuco, no período de maio a outubro de 2006. Na definição do tamanho amostral foi considerada uma frequência do consumo de frutas e hortaliças em homens recifenses, estimada em 17,1% 11, um erro de estimação de 3%, um nível de confiança de 95% e um fator de correção amostral de 2,1, perfazendo um total mínimo de 1.264 indivíduos. Para compensar eventuais perdas e para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, esse tamanho amostral foi aumentado em 20%, resultando em uma amostra final de 1.580 indivíduos. O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as famílias e os adultos elegíveis para o estudo. Foi estudado o número máximo de 40 (± 5) unidades amostrais por setor censitário. A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores103 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando-se um questionário de frequência alimentar qualitativo que possibilita ao entrevistado quatro opções de respostas: raro/nunca, consumo diário, semanal ou mensal. O consumo alimentar foi avaliado com base na metodologia proposta por Fornés et al. (2002)12, na qual o cômputo geral da frequência do consumo é convertido em escores. A referida proposta adota como referência o consumo diário equivalente a 30 dias do mês (consumo mensal), sendo atribuído um peso para cada categoria de frequência. O consumo diário do item alimentar correspondeu ao valor de peso máximo (peso 1) e a resposta ―raro/nunca‖ representou o menor peso (peso 0). Os pesos das demais freqüências de consumo (semanal ou mensal) foram obtidos de acordo a seguinte equação: Peso = (1/30) x (a) Onde a correspondeu ao número de dias em que o alimento foi consumido no mês. Quando a referiu-se ao consumo semanal, converteu-se o número à freqüência mensal, multiplicando-o por 4, considerando que o mês tem 4 semanas. Por exemplo: um alimento consumido 4 vezes na semana teve sua freqüência de consumo mensal de 16 vezes no mês. Assim, o peso para a frequência ficaria: Peso = (1/30) x (16) = 0,533. Para cada alimento consumido pelo participante foi atribuído um escore de frequência de consumo13. Foram constituídos três grupos de alimentos: o grupo 1 foi composto por alimentos ricos em fibras, considerados protetores para as doenças cardiovasculares (DCV’s) e para o ganho excessivo de peso (leguminosas, frutas, legumes e hortaliças); o grupo 2 foi composto pelos alimentos ricos em carboidratos simples (bolo, biscoito, açúcar e refrigerantes); e no grupo 3 foram inseridos os alimentos ricos em gorduras saturadas (carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, laticínios, gorduras e frituras). Os grupos 2 e 3 foram compostos por alimentos considerados de risco para o ganho de peso excessivo e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, respectivamente. Tendo em vista que os grupos alimentares constituídos para esse estudo foram compostos por diferentes números de alimentos, foi considerado o escore médio de cada grupo para a caracterização do padrão de consumo da população. As variáveis explicativas consideradas foram: sexo, idade (categorizadas nos intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área geográfica da residência (Região Metropolitana do Recife - RMR, Interior Urbano - IR, Interior Rural PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores104 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. - IR); escolaridade em anos de estudo (categorizada em 0-4 anos, 5-8 anos e ≥9) e renda familiar em salários mínimo per capita (estabelecida em quartis de renda). Os indivíduos que concordaram em participar da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. O protocolo de estudo foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, e aprovado em 12 de janeiro de 2006, sob o número 709/2006. Os escores de frequência de consumo alimentar, em virtude de se tratar de uma mensuração do tipo ordinal, foram descritos sob a forma de mediana e intervalo interquartílico (IQ). A associação do consumo alimentar com as variáveis explicativas foi avaliada pelos testes ―U‖ de Mann Whitney (duas medianas) e Kruskal Wallis (mais de duas medianas), empregando-se o teste ―U‖ de Mann Whitney a posteriori. Na validação das associações investigadas, foi adotado o valor de p < 0,05. A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO, Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo validate para checar eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA). Resultados Dos 1.580 indivíduos avaliados, houve menos de 2% de perdas em função da exclusão das inconsistências de informações. O perfil da população estudada mostrou uma mediana de idade de 33 anos (IQ=29-41), 58% de mulheres, 48,7% residentes do Interior Rural do Estado e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos de estudo) (tabela 1). O escore médio do consumo de alimentos ricos em carboidratos simples (0,87±0,42) foi superior ao consumo de alimentos ricos em fibras (0,51±0,23) e aproximadamente três vezes maior que o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas (0,30±0,13) (p<0,001) (figura 1). Houve um menor consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas entre os indivíduos de maior idade e um maior consumo de alimentos ricos em gordura saturada foi verificado entre os adultos mais jovens. Verificou-se similaridade das medianas dos escores de consumo dos três grupos na distribuição entre os sexos (tabela 2). PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores105 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Evidenciou-se um maior consumo de leguminosas, frutas, legumes e hortaliças (grupo 1), bem como de alimentos ricos em gordura saturada, em indivíduos de maior escolaridade. No entanto, o consumo de alimentos ricos em carboidratos simples foi significativamente mais baixo naqueles indivíduos que se situavam na menor faixa de escolaridade. Concernente à distribuição do espaço geográfico, observou-se que o consumo de leguminosas, frutas, legumes e hortaliças foi similar entre os indivíduos de todos os estratos geográficos considerados. Em relação aos outros grupos de alimentos, os resultados apontam menores medianas de escore de consumo no Interior Rural. Analisando os dados referentes à renda familiar, observou-se que o consumo de alimentos do leguminosas, frutas, legumes e hortaliças (grupo 1) se elevou com o aumento da renda. Em relação ao grupo dos alimentos ricos em carboidratos simples (grupo 2), verificou-se que a mediana do escore de consumo cresceu pari passu com a progressão da renda. Quanto ao grupo dos alimentos ricos em gordura saturada (grupo 3), verificou-se também que o aumento da renda elevou o consumo, mas que houve estabilidade destes escores entre aqueles adultos situados nos 2º e 3º quartis de renda. Discussão O maior consumo de alimentos ricos em carboidratos simples, observado na população adulta pernambucana, significativamente maior do que o consumo de frutas, legumes e hortaliças, reflete, em princípio, o processo de transição nutricional pelo qual passa a população de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Esse achado vem alertar o risco de uma dieta inadequada para os efeitos deletérios à saúde do indivíduo, considerando que o consumo exacerbado de alimentos ricos em carboidratos simples induz ao acúmulo de ganho de peso corporal. Dados de pesquisas nacionais para o período de 1975 a 200314-16 revelam que a população brasileira tem incorporado hábitos alimentares típicos dos países desenvolvidos, isto é, um maior consumo de alimentos industrializados (refrigerantes e embutidos), em detrimento do consumo de produtos regionais e com tradição cultural, como o arroz, feijão, farinhas de mandioca e de milho. Estas mudanças observadas no padrão alimentar repercutem em ingestão elevada de lipídeos e carboidratos simples, que, associado ao insuficiente consumo de frutas e hortaliças, trazem como consequência o aumento na prevalência do excesso de peso e outras doenças crônicas não transmissíveis17,18. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores106 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. O perfil alimentar de uma população é consequente de uma complexa interação de características multidimensionais, que incluem fatores ambientais, demográficos, sociais, econômicos e culturais19. O maior consumo de frutas, legumes e hortaliças, observado nos indivíduos de maior renda e escolaridade, corrobora com os achados na literatura que evidenciam freqüentemente a associação do maior nível socioeconômico e cultural ao consumo desses alimentos20-24. Entretanto, a constatação de que maior renda e escolaridade também se associaram ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas nos permite inferir que o nível socioeconômico influencia o consumo, mas não determina a qualidade da dieta. Sendo assim, os adultos pernambucanos de maior renda e escolaridade que, em princípio, estariam mais protegidos de doenças crônicas não transmissíveis pelo maior consumo de frutas, legumes e hortaliças, não se beneficiariam deste hábito, já que apresentaram elevado consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas. Fórnes et al. (2002)12, ao estudarem a associação entre os escores alimentares e os níveis lipêmicos em adultos de São Paulo, identificaram uma associação direta entre o consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e os níveis de colesterol total (CT) e LDLcolesterol (LDL-c) e uma associação inversa entre o consumo de alimentos protetores (ricos em fibras) e os níveis de CT e LDL-c. Damon e Drewnowski (2008)25, buscando explicar os mecanismos causais da associação entre o nível socioeconômico e a qualidade da dieta, concluíram que muito além do conhecimento nutricional ou motivação para o consumo, o custo dos alimentos seria um aspecto limitante para a determinação da aquisição dos alimentos. A similaridade no consumo dos três grupos de alimentos observada entre os sexos é um resultado inesperado, considerando que as mulheres parecem reconhecer e valorizar a relação entre alimentação e saúde, além de culturalmente serem responsabilizadas pelo preparo das refeições26,27. Além disso, diversos estudos nacionais20-24,28 apontam para um maior consumo de frutas, legumes e hortaliças entre o sexo feminino, o que reforçaria a concepção de que as mulheres teriam uma maior preocupação com sua alimentação. Quanto ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas, também não foram encontradas diferenças no consumo entre homens e mulheres. Dados de inquérito telefônico realizado em todas as capitais do país apontaram maior consumo de carnes com excesso de gordura entre os homens de todas as cidades brasileiras11. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores107 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. A homogeneidade no consumo de frutas, legumes e hortaliças segundo a distribuição etária contraria os resultados verificados em outros estudos 21,22,24,28,29, que evidenciam maior consumo desse grupo de alimentos em indivíduos de maior idade. Quanto ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas, o menor consumo observado nos indivíduos mais velhos (50-59 anos) poderia ser atribuído a um possível efeito coorte. Estudo nacional com amostra representativa da população brasileira, avaliando a associação entre a idade e o consumo de frutas e hortaliças encontrou maior consumo desses alimentos entre os indivíduos de maior idade, atribuindo ao fator ―idade‖ esse efeito coorte, pois indivíduos mais velhos estiveram menos expostos à alimentação moderna, que inclui alimentos processados de elevada densidade energética29. Menor consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e carboidratos simples verificado entre os indivíduos residentes do Interior Rural (IU) é um resultado esperado, uma vez que por se tratar de uma área rural, supõe-se que essa população tenha um menor acesso aos alimentos industrializados. Entretanto, em outros países em desenvolvimento, como a exemplo do México, as comunidades rurais já começam a seguir o padrão de dieta similar ao das populações urbanas, com aumento no aporte energético proveniente de alimentos de origem animal e industrializados (ricos em gorduras, açúcares e sal e pobres em fibras), com consequente aumento no consumo de colesterol e gorduras saturadas30. Essa tendência não foi observada entre os adultos pernambucanos, considerando que o consumo dos alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas foi superior entre a população da Região Metropolitana do Recife. Algumas limitações do estudo merecem a devida consideração. Foi utilizado um instrumento de avaliação (questionário de frequência alimentar - QFA) qualitativo e não validado. Sabe-se que a informação puramente qualitativa não traduz toda a dimensão do consumo alimentar uma vez que não reflete a quantidade das porções consumidas, mas apenas a frequência do consumo. Entretanto, por questões operacionais, essa complementação da informação não foi viabilizada. É importante mencionar ainda que, assim como a maioria dos métodos de avaliação do consumo alimentar, o emprego do QFA também está sujeito ao viés de memória do entrevistado 31. Outra limitação deste estudo seria o fato do modelo conceitual para estudo dos determinantes hipotéticos causais não ter incluído os aspectos culturais, como crenças, comportamentos e tabus alimentares, que devem ter um peso significativo na PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores108 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. determinação do padrão de consumo alimentar. De certa forma, o modelo escolhido para explicação foi reducionista, uma vez que se sabe que estes têm importante interferência tanto sobre o registro das informações de consumo alimentar, quanto sobre os hábitos dietéticos praticados32. Os escores alimentares, metodologia empregada nesse estudo, refletem a qualidade de dieta12, mas não há um ponto de corte para categorizar em ―adequado‖ ou ―inadequado‖ o consumo de cada grupo de alimentos. Esses escores teriam a finalidade de quantificar a frequência de consumo de alimentos reconhecidos por serem associados ao ganho excessivo de peso e ao risco de DCV’s e aqueles com efeito protetor para efeitos deletérios à saúde. Estudos que determinem os pontos de discriminação diagnóstico para categorizar os escores numa perspectiva de associação com a ocorrência ou proteção dessas doenças ampliariam a utilização dessa metodologia na avaliação de padrões alimentares de grupos populacionais. Apesar das diferentes metodologias encontradas na literatura aplicadas para avaliação do consumo alimentar de populações, muitos dos resultados aqui apresentados reforçam tendências já encontradas, aumentando a confiabilidade da aplicação dos escores na avaliação dos padrões dietéticos de grupos populacionais. É possível evidenciar que o padrão de consumo, com predomínio de carboidratos simples em detrimento do consumo de frutas, legumes e hortaliças, seria o reflexo de uma sociedade moderna e do processo de transição nutricional, sofrendo influência de fatores socioeconômicos e demográficos. Entretanto, dificilmente variáveis associadas exclusivamente ao indivíduo permitiriam explicar a complexidade de um fenômeno como o padrão de consumo de uma população. O presente estudo fornece dados importantes para o Estado de Pernambuco e para a região Nordeste do país, possibilitando que as informações obtidas sejam monitoradas a fim de identificar tendências no comportamento alimentar desta população, além de possibilitar estratégias de intervenção efetivas. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores109 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabelas Tabela 1 - Características demográficas e socioeconômicas de adultos de 25 a 59 anos, de ambos os sexos, do Estado de Pernambuco, Brasil, 2006. Variáveis Sexo Masculino Feminino Idade (anos) 25|-|29 30|-|39 40|-|49 50|-|59 Área de Residência Região Metropolitana do Recife Interior Urbano Interior Rural Escolaridade (anos de estudo) 0|-|4 5|-|8 ≥9 Renda Familiar Per Capita (salários mínimos) ≤0,12 0,12-|0,25 0,25-|0,45 ≥0,45 N Total n % 664 916 42 58 485 633 290 172 30,7 40,1 18,4 10,9 422 389 769 26,7 24,6 48,7 849 349 365 54,3 22,3 23,1 393 412 367 388 24,9 26,1 23,2 24,6 1580 1580 1580 1563 1560 PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores110 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Tabela 2 - Medianas e intervalos interquartílicos dos escores de consumo alimentar segundo variáveis sócio-demográficas em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco, Brasil, 2006. Variável Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Med IQ Med IQ Med IQ Idade n=1.571 n=1.577 n=1.571 25|-|29 2,3 1,7-3,2 4,4a 3,1-5,4 3,7a 2,7-4,9 30|-|39 2,3 1,8-3,2 4,2a 3,1-5,3 3,5b 2,5-4,5 a c 40|-|49 2,3 1,6-3,1 4,1 3,1-5,3 3,4 2,4-4,4 50|-|59 2,3 1,6-3,2 3,8b 2,6-5,2 2,8d 2,1-4,0 p-valor* 0,759 0,051 0,000 Sexo n=1.576 n=1.575 n=1.571 Masculino 2,3 1,8-3,3 4,2 3,0-5,4 3,5 2,4-4,5 Feminino 2,3 1,7-3,1 4,2 3,1-5,3 3,5 2,5-4,6 p-valor* 0,329 0,894 0,638 Escolaridade n=1.576 n=1.575 n=1.571 0|-|4 anos 2,2a 1,5-3,0 4,0 a 2,7-5,1 3,1a 2,2-4,2 b b b 5|-|8 anos 2,5 1,9-3,2 4,5 3,3-5,5 3,8 2,9-4,7 ≥9 anos 2,6 c 2,0-3,6 4,5b 3,4-5,5 4,1c 3,0-5,1 p-valor* 0,000 0,000 0,000 Área de Residência n=1.576 n=1577 n=1571 a RMR 2,3 1,7-3,1 4,5 3,4-5,3 3,9a 3,0-4,7 IU 2,4 1,7-3,3 4,3a 2,9-5,4 3,5b 2,5-5,0 b c IR 2,3 1,7-3,1 4,0 2,8-5,2 3,2 2,2-4,3 p-valor* 0,606 0,000 0,000 Renda Familiar Per n=1.556 n=1557 n=1551 Capita 1º quartil 2,1a 1,3-2,7 3,9a 2,6-5,0 2,9a 2,0-4,0 b b b 2º quartil 2,3 1,5-3,1 4,0 2,8-5,3 3,4 2,4-4,5 3º quartil 2,4c 1,9-3,3 4,4c 3,3-5,4 3,6b 2,7-4,7 d c c 4º quartil 2,7 2,0-3,6 4,5 3,3-5,5 3,9 2,9-4,9 p-valor* 0,000 0,000 0,000 *Teste de Krukal Wallis. Teste a posteriori: ―U‖ de Mann Whitney. Med: Mediana. IQ: Intervalo Interquartílico. RMR: Região Metropolitana do Recife. IU: Interior Urbano. IR: Interior Rural. Renda Familiar: em salários mínimos per capita. Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: Carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras. a,b,c,d Letras diferentes significam diferenças estatísticas entre as categorias. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores111 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Escore 1,4 1,2 1 0,8 0,6 0,4 0,2 0 Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Figura 1 – Escore (média e desvio padrão) do consumo de alimentos ricos em fibras (grupo 1), alimentos ricos em carboidratos simples (grupo 2) e alimentos ricos em gordura saturada (grupo 3), de adultos do Estado de Pernambuco, 2006. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores112 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. Referências 1 Lopes ACS, Caiaffa WT, Sichieri R, Mingoti AS, Lima-Costa MF. Consumo de nutrientes em adultos e idosos em estudo de base populacional: Projeto Bambuí. Cad Saúde Pública 2005; 21(4): 1201-9. 2 Petribu MMV, Cabral PC, Arruda IKG. Estado nutricional, consumo alimentar e risco cardiovascular: um estudo em universitários. Rev Nut 2009; 22(6): 837-46. 3 Coyle D, Buxton MJ, O'Brien BJ. 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UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores113 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 13 Dias JC. Promoção da alimentação saudável e a concentração de lipídeos séricos de crianças e adolescentes: Uma intervenção em nível indvidual e familiar. [dissertação de mestrado]. Bahia: Escola de Nutrição, Universidade Federal da Bahia; 2009. 14 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003: análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2004. 15 Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN), 1990. Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição — PNSN-1989. Arquivo de dados da pesquisa. Brasília. 16 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consumo alimentar; antropometria. Rio de Janeiro, 1977. 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Este estudo contribui para um melhor entendimento sobre as variáveis que se associam ao excesso de peso e à concentração de gordura abdominal, podendo ser constatada a multifatorialidade na etiologia destes problemas. Além disso, os resultados indicaram que diferentes fatores estão determinando o acúmulo de gordura corporal em homens e mulheres e esta perspectiva deve ser considerada em futuras estratégias de controle. Portanto, prioridades de intervenção devem ser dirigidas aos indivíduos onde essas condições foram mais prevalentes. O padrão de consumo alimentar da população pernambucana caracterizou-se pelo predomínio do consumo de alimentos ricos em carboidratos simples, em detrimento do consumo de frutas, legumes e hortaliças, refletindo o processo de transição nutricional experimentado pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento nas últimas décadas. O perfil de consumo, influenciado por fatores socioeconômicos e demográficos, demonstra a forte exposição da população ao ganho excessivo de peso. O presente estudo fornece dados importantes para o Estado de Pernambuco e para a região Nordeste do país, possibilitando que as informações obtidas sejam monitoradas a fim de identificar tendências no comportamento alimentar e na ocorrência do excesso de peso e obesidade nesta população. Espera-se com esses resultados contribuir para o planejamento de estratégias efetivas e ações direcionadas à prevenção e ao manejo do ganho excessivo de peso, levando-se em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores116 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. 6. REFERÊNCIAS ABRANTES, M. M.; LAMOUNIER, J. 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UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores135 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores136 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores137 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores138 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores139 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores140 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores141 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores142 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores143 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores144 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores145 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores146 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores147 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores148 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores149 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores150 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores151 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores152 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO E PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores153 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores154 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores155 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores156 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores157 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores158 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores159 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO G PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores160 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO HH ANEXO Instruções aos Autores – Revista de Saúde Pública Informações Gerais Os manuscritos submetidos à publicação na Revista de Saúde Pública devem ser apresentados de acordo com as Instruções aos Autores. São aceitos manuscritos nos idiomas: português, espanhol e inglês. O texto de manuscritos de pesquisa original deve seguir a estrutura conhecida como IMRD: Introdução, Métodos, Resultados e Discussão (ver Estrutura do Texto). Em cada uma das partes não se deve dividir o texto em subtítulos, exceto nos casos que requerem maior detalhe, sobretudo em Resultados e Discussão. Manuscritos baseados em pesquisa qualitativa podem ter outros formatos, admitindo-se Resultados e Discussão em uma mesma seção e Considerações Finais/Conclusões. Outras categorias de manuscrito (revisões, comentários, etc.) seguem os formatos de texto a elas apropriados. O texto submetido deve ter páginas e linhas numeradas para fins de revisão. O uso de siglas deve ser evitado. Recomendamos que o autor consulte o checklist correspondente à categoria do manuscrito submetido. Pormenores sobre os itens exigidos para apresentação do manuscrito estão descritos a seguir. Autoria O conceito de autoria está baseado na contribuição substancial de cada uma das pessoas listadas como autores, no que se refere sobretudo à concepção do projeto de pesquisa, análise e interpretação dos dados, redação e revisão crítica. A contribuição de cada um dos autores deve ser explicitada em declaração para esta finalidade. Não se justifica a inclusão de nome de autores cuja contribuição não se enquadre nos critérios acima. Dados de identificação do autor responsável (cadastro) Nome e sobrenome O autor deve seguir o formato pelo qual já é indexado nas bases de dados. Correspondência Deve constar o nome e endereço do autor responsável para troca de correspondência. Instituição Podem ser incluídas até três hierarquias institucionais de afiliação (por exemplo: departamento, faculdade, universidade). Identificação do Manuscrito Título no idioma original do manuscrito e em inglês PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores161 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H O título deve ser conciso e completo, contendo informações relevantes que possibilitem recuperação do artigo nas bases de dados. O limite é de 90 caracteres, incluindo espaços. Se o manuscrito for submetido em inglês, fornecer um título em português. Título resumido Deve conter até 45 caracteres, para fins de legenda nas páginas impressas. Descritores Devem ser indicados entre 3 e 10, extraídos do vocabulário "Descritores em Ciências da Saúde" (DeCS), nos idiomas português, espanhol e inglês, com base no Medical Subject Headings (MeSH). Se não forem encontrados descritores adequados para a temática do manuscrito, poderão ser indicados termos não existentes nos conjuntos citados. Número de figuras e tabelas A quantidade de figuras e tabelas de cada manuscrito é limitada a cinco em conjunto. Todos os elementos gráficos ou tabulares apresentados serão identificados como figura ou tabela, e numerados seqüencialmente a partir de um, e não como quadros, gráficos, etc. Co-autores Identificar os co-autores do manuscrito pelo nome, sobrenome e instituição, conforme a ordem de autoria. Financiamento da pesquisa Se a pesquisa foi subvencionada, indicar o tipo de auxílio, o nome da agência financiadora e o respectivo número do processo. Apresentação prévia Tendo sido apresentado em reunião científica, indicar o nome do evento, local e ano da realização. Quando baseado em tese ou dissertação, indicar o nome do autor, título, ano, nome do programa de pós-graduação e instituição onde foi apresentada. Preparo dos Manuscritos Resumo São publicados resumos em português, espanhol e inglês. Para fins de cadastro do manuscrito, deve-se apresentar dois resumos, um na língua original do manuscrito e outro em inglês (ou em português, em caso de manuscrito apresentado em inglês). As especificações quanto ao tipo de resumo estão descritas em cada uma das categorias de artigos. Como regra geral, o resumo deve incluir: objetivos do estudo, principais procedimentos metodológicos (população em estudo, local e ano de realização, métodos observacionais e analíticos), principais resultados e conclusões. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores162 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H Estrutura do texto Introdução – Deve ser curta, relatando o contexto e a justificativa do estudo, apoiados em referências pertinentes ao objetivo do manuscrito, que deve estar explícito no final desta parte. Não devem ser mencionados resultados ou conclusões do estudo que está sendo apresentado. Métodos– Os procedimentos adotados devem ser descritos claramente; bem como as variáveis analisadas, com a respectiva definição quando necessária e a hipótese a ser testada. Devem ser descritas a população e a amostra, instrumentos de medida, com a apresentação, se possível, de medidas de validade; e conter informações sobre a coleta e processamento de dados. Deve ser incluída a devida referência para os métodos e técnicas empregados, inclusive os métodos estatísticos; métodos novos ou substancialmente modificados devem ser descritos, justificando as razões para seu uso e mencionando suas limitações. Os critérios éticos da pesquisa devem ser respeitados. Os autores devem explicitar que a pesquisa foi conduzida dentro dos padrões éticos e aprovada por comitê de ética. Resultados – Devem ser apresentados em uma seqüência lógica, iniciando-se com a descrição dos dados mais importantes. Tabelas e figuras devem ser restritas àquelas necessárias para argumentação e a descrição dos dados no texto deve ser restrita aos mais importantes. Os gráficos devem ser utilizados para destacar os resultados mais relevantes e resumir relações complexas. Dados em gráficos e tabelas não devem ser duplicados, nem repetidos no texto. Os resultados numéricos devem especificar os métodos estatísticos utilizados na análise. Material extra ou suplementar e detalhes técnicos podem ser divulgados na versão eletrônica do artigo. Discussão – A partir dos dados obtidos e resultados alcançados, os novos e importantes aspectos observados devem ser interpretados à luz da literatura científica e das teorias existentes no campo. Argumentos e provas baseadas em comunicação de caráter pessoal ou divulgadas em documentos restritos não podem servir de apoio às argumentações do autor. Tanto as limitações do trabalho quanto suas implicações para futuras pesquisas devem ser esclarecidas. Incluir somente hipóteses e generalizações baseadas nos dados do trabalho. As conclusões devem finalizar esta parte, retomando o objetivo do trabalho. Referências Listagem: As referências devem ser normalizadas de acordo com o estilo Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals: Writing and Editing for Biomedical Publication, ordenadas alfabeticamente e numeradas. Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de acordo com o Medline, e grafados no formato itálico. No caso de publicações com até seis autores, citam-se todos; acima de seis, citam-se os seis primeiros, PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores163 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H seguidos da expressão latina ―et al‖. Referências de um mesmo autor devem ser organizadas em ordem cronológica crescente. Sempre que possível incluir o DOI do documentado citado, de acordo com os exemplos abaixo. Exemplos: Artigos de periódicos Narvai PC. Cárie dentária e flúor:uma relação do século XX. Cienc Saude Coletiva. 2000;5(2):381-92. DOI:10.1590/S1413-81232000000200011 Zinn-Souza LC, Nagai R, Teixeira LR, Latorre MRDO, Roberts R, Cooper SP, et al. Fatores associados a sintomas depressivos em estudantes do ensino médio de São Paulo, Brasil. Rev Saude Publica. 2008;42(1):34-40. DOI:10.1590/S003489102008000100005. Hennington EA. Acolhimento como prática interdisciplinar num programa de extensão. Cad Saude Coletiva [Internet].2005;21(1):256-65. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v21n1/28.pdf DOI:10.1590/S0102311X2005000100028 Livros Nunes ED. Sobre a sociologia em saúde. São Paulo; Hucitec;1999. Wunsch Filho V, Koifman S. Tumores malignos relacionados com o trabalho. In: Mendes R, coordenador. Patologia do trabalho. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2003. v.2, p. 990-1040. Foley KM, Gelband H, editors. Improving palliative care for cancer Washington: National Academy Press; 2001[citado 2003 jul 13] Disponível em: http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=10149 Para outros exemplos recomendamos consultar as normas (―Citing Medicine‖) da National Library of Medicine (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=citmed). Referências a documentos não indexados na literatura científica mundial, em geral de divulgação circunscrita a uma instituição ou a um evento (teses, relatórios de pesquisa, comunicações em eventos, dentre outros) e informações extraídas de documentos eletrônicos, não mantidas permanentemente em sites, se relevantes, devem figurar no rodapé das páginas do texto onde foram citadas. Citação no texto: A referência deve ser indicada pelo seu número na listagem, na forma de expoente após a pontuação no texto, sem uso de parênteses, colchetes e similares. Nos casos em que a citação do nome do autor e ano for relevante, o PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores164 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H número da referência deve ser colocado a seguir do nome do autor. Trabalhos com dois autores devem fazer referência aos dois autores ligados por &. Nos outros casos apresentar apenas o primeiro autor (seguido de et al. em caso de autoria múltipla). Exemplos: A promoção da saúde da população tem como referência o artigo de Evans & Stoddart,9 que considera a distribuição de renda, desenvolvimento social e reação individual na determinação dos processos de saúde-doença. Segundo Lima et al9 (2006), a prevalência se transtornos mentais em estudantes de medicina é maior do que na população em geral. Parece evidente o fracasso do movimento de saúde comunitária, artificial e distanciado do sistema de saúde predominante. 12,15 Tabelas Devem ser apresentadas depois do texto, numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto. A cada uma deve-se atribuir um título breve, não se utilizando traços internos horizontais ou verticais. As notas explicativas devem ser colocadas no rodapé das tabelas e não no cabeçalho ou título. Se houver tabela extraída de outro trabalho, previamente publicado, os autores devem solicitar formalmente autorização da revista que a publicou, para sua reprodução. Para composição de uma tabela legível, o número máximo é de 12 colunas, dependendo da quantidade do conteúdo de cada casela. Tabelas que não se enquadram no nosso limite de espaço gráfico podem ser publicadas na versão eletrônica. Notas em tabelas devem ser indicadas por letras, em sobrescrito e negrito. Se houver tabela extraída de outro trabalho, previamente publicado, os autores devem solicitar autorização para sua reprodução, por escrito. Figuras As ilustrações (fotografias, desenhos, gráficos, etc.) devem ser citadas como Figuras e numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto e apresentadas após as tabelas. Devem conter título e legenda apresentados na parte inferior da figura. Só serão admitidas para publicação figuras suficientemente claras e com qualidade digital que permitam sua impressão, preferentemente no formato vetorial. No formato JPEG, a resolução mínima deve ser de 300 dpi. Não se aceitam gráficos apresentados com as linhas de grade, e os elementos (barras, círculos) não podem apresentar volume (3-D). Figuras em cores são publicadas quando for necessária à clareza da informação. Se houver figura extraída de outro trabalho, previamente publicado, os autores devem solicitar autorização, por escrito, para sua reprodução. Declarações e documentos solicitados PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores165 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H Em conformidade com as diretrizes do International Committee of Medical Journal Editors, são solicitados alguns documentos e declarações do(s) autor(es) para a avaliação de seu manuscrito. Observe a relação dos documentos abaixo e, nos casos em que se aplique, anexe o documento ao processo. O momento em que tais documentos serão solicitados é variável: Documento/declaração Quem assina Quando anexar a. Carta de Apresentação Todos os autores Submissão b. Responsabilidade pelos Agradecimentos Autor responsável Aprovação c. Transferência de Direitos Autorais Todos os autores Aprovação a. A carta de Apresentação do manuscrito, assinada por todos os autores, deve conter: Um parágrafo justificando a escolha da Revista para submissão de seu manuscrito, informando o significado da contribuição para a saúde pública; se os autores têm artigos publicados nessa linha de pesquisa e em caso positivo, mencionar até três; além de atestar a exclusividade de submissão à RSP. Um parágrafo declarando a responsabilidade de cada autor: ter contribuído substancialmente para a concepção e planejamento, ou análise e interpretação dos dados; ter contribuído significativamente na elaboração do rascunho ou na revisão crítica do conteúdo; e ter participado da aprovação da versão final do manuscrito. Para maiores informações sobre critérios de autoria, consulte o site. Um parágrafo contendo a declaração de potenciais conflitos de interesses dos autores. Para maiores informações, consulte a página sobre Conflito de Interesses . b. AGRADECIMENTOS Há um campo no formulário de submissão do artigo onde devem ser mencionados os nomes de pessoas que, embora não preencham os requisitos de autoria, prestaram colaboração ao trabalho. Será preciso explicitar o motivo do agradecimento, por exemplo, consultoria científica, revisão crítica do manuscrito, coleta de dados, etc. Deve haver permissão expressa dos nomeados e o autor responsável deve anexar a Declaração de Responsabilidade pelos Agradecimentos link. Também pode constar desta parte apoio logístico de instituições. c. TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS Todos os autores devem ler, assinar e enviar documento transferindo os direitos autorais link. O artigo só será liberado para publicação quando esse documento estiver de posse da RSP . PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores166 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO H Verificação dos itens exigidos 1. Nome e instituição de afiliação de cada autor, incluindo e-mail e telefone. 2. Título do manuscrito, em português e inglês, com até 90 caracteres, incluindo os espaços entre as palavras. 3. Título resumido com 45 caracteres, para fins de legenda em todas as páginas impressas. 4. Texto apresentado em letras arial, corpo 12, em formato Word ou similar (doc,txt,rtf). 5. Resumos estruturados para trabalhos originais de pesquisa em dois idiomas, um deles obrigatoriamente em inglês. 6. Resumos narrativos para manuscritos que não são de pesquisa em dois idiomas, um deles obrigatoriamente em inglês. 7. Carta de Apresentação, constando a responsabilidade de autoria e conflito de interesses, assinada por todos os autores. 8. Nome da agência financiadora e número(s) do processo(s). 9. No caso de artigo baseado em tese/dissertação, indicar o nome da instituição/Programa, grau e o ano de defesa. 10. Referências normalizadas segundo estilo Vancouver, ordenadas alfabeticamente pelo primeiro autor e numeradas, e se todas estão citadas no texto. 11. Tabelas numeradas seqüencialmente, com título e notas, e no máximo com 12 colunas. 12. Figura no formato vetorial ou em pdf, ou tif, ou jpeg ou bmp, com resolução mínima 300 dpi; em se tratando de gráficos, devem estar em tons de cinza, sem linhas de grade e sem volume. 13. Tabelas e figuras não devem exceder a cinco, no conjunto. PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________ _________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores167 associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco. ANEXO I PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________