_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores0
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM NUTRIÇÃO
CLÁUDIA PORTO SABINO PINHO
EXCESSO DE PESO E DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA
CORPORAL: MAGNITUDE E FATORES ASSOCIADOS
EM ADULTOS DE 25 A 59 ANOS DO ESTADO DE
PERNAMBUCO
RECIFE
2011
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores1
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
CLÁUDIA PORTO SABINO PINHO
EXCESSO DE PESO E DISTRIBUIÇÃO DE GORDURA
CORPORAL: MAGNITUDE E FATORES ASSOCIADOS
EM ADULTOS DE 25 A 59 ANOS DO ESTADO DE
PERNAMBUCO
Dissertação de Mestrado apresentado ao
Programa de Pós-Graduação em Nutrição
da Universidade Federal de Pernambuco
para avaliação, como parte dos requisitos
para obtenção do título de Mestre em
Nutrição.
Área
de
Concentração:
Nutrição em Saúde Pública.
Orientador: Profº. Drº. Alcides da Silva Diniz
Co-orientador: Profª. Drª Ilma Kruze Grande de Arruda
RECIFE
2011
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores2
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Pinho, Cláudia Porto Sabino
Excesso de peso e distribuição de gordura corporal:
magnitude e fatores associados em adultos de 25 e 59
anos do Estado de Pernambuco / Cláudia Porto Sabino
Pinho. – Recife : O Autor, 2011.
166 folhas; il., tab. e gráf.; 30 cm.
Orientador: Alcídes da Silva Diniz.
Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de
Pernambuco. CCS. Nutrição, 2011.
Inclui bibliografia, anexos e apêndices.
1. Índice de massa corpórea. 2. Gordura abdominal.
3. Fatores epidemiológicos. 4. Adulto. 5. Consumo de
alimentos. I. Diniz, Alcídes da Silva. I. Título.
613.25
.CDD (20.ed.)
UFPE
CCS2011-21
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Dedico este trabalho aos meus pais...
A minha dedicada e compreensiva mãe, presente em todos os momentos.
Ao meu querido pai, grande incentivador do meu desenvolvimento profissional e
acadêmico.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores5
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
AGRADECIMENTOS
A Deus sempre, não só por me proporcionar uma vida repleta de oportunidades,
mas também por se fazer sentir presente em todos os momentos.
Ao Profº Dr. Alcides da Silva Diniz, pela orientação deste trabalho. Agradeço
por todo conhecimento transmitido e pelas preciosas contribuições.
A minha co-orientadora, Profª Drª. Ilma Kruze Grande de Arruda. Muito
obrigada pela disponibilidade e paciência em guiar a construção deste trabalho, com
competência e segurança forneceu todas as ferramentas para que eu pudesse caminhar.
A Profª Drª. Poliana Cabral pelas importantíssimas contribuições na construção
do projeto deste trabalho.
Ao Profº Dr. Pedro Lira, por disponibilizar um banco de dados tão rico para eu
que pudesse estudar.
As amigas Marina Petribu e Fernanda Cristina, pelo incentivo desde o início da
decisão de ingressar no Mestrado. Agradeço pelos lindos exemplos de amizade e jovens
professoras.
Um agradecimento muito especial à amiga Isabel Carolina, pela importante
ajuda no início do manuseio do programa estatístico, e à querida Ana Paula Campos,
pelas importantíssimas e ricas discussões acerca dos dados de consumo alimentar.
A Emídio Cavalcanti, pela valiosa contribuição nas análises multivariadas.
As minhas queridas colegas de mestrado, Celina, Claudileide, Gisele, Leila,
Lidiane, Socorro, Vera e Fabrícia, pelos bons momentos compartilhados e por terem
tornado toda essa trajetória mais leve e agradável.
Aos colegas de disciplinas e futuros doutores, Rafael Tassitano e Maria Elieyde
pelas contribuições na elaboração do projeto de pesquisa deste estudo.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores6
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
A Pós Graduação, pela qualidade do programa oferecido e a todos os
professores que de alguma forma contribuíram para minha formação.
A Profª Drª. Mônica Osório, meu agradecimento e reconhecimento pela
dedicação, compromisso e esforço em manter o nível deste Programa de Pós
Graduação.
As queridas amigas e colegas de profissão do PROCAPE, por entenderem e
consentirem minhas ausências. Serei eternamente grata a todas por apoiarem a
realização deste sonho.
As amigas da Prefeitura do Recife, em especial a Gleycy Maryelly e Edvânia
César, por compreenderem minhas ausências e muitas vezes preencherem as lacunas
eventualmente deixadas devido à dedicação ao Mestrado.
Aos meus pais, Carmen Valéria Porto Sabino Pinho e Luciano Alberto do
Amaral Sabino Pinho, por todo amor, apoio e dedicação às filhas.
As minhas amadas e insubstituíveis irmãs Cristiane e Luciana, pelo incentivo
fraterno e apoio incondicional.
Aos meus sobrinhos maravilhosos, Heitor e Gabriel, por constituírem a razão de
muitos dos meus sorrisos e a simples lembrança neles me trazer enorme alegria.
Ao meu noivo, futuro marido e grande amor, Gustavo Ramiro, pelo
companheirismo e amor que me completam e me fortalecem.
Por fim, agradeço aos membros da banca examinadora deste trabalho, por
disponibilizarem seu valioso tempo para contribuir com o resultado final dessa
dissertação e a todos que direta ou indiretamente contribuíram para realização desse
trabalho.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores7
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
RESUMO
Com o objetivo de avaliar a magnitude do excesso de peso (EP) e da concentração de
gordura abdominal e os fatores associados em adultos do Estado de Pernambuco, foi
realizado em 2006, um estudo transversal, de base populacional, com amostra
probabilística de 1.580 adultos de ambos os sexos na faixa etária de 25 a 59 anos. O EP
foi definido pelo Índice de Massa Corpórea≥25kg/m² e a concentração de gordura
abdominal foi determinada pela Circunferência da Cintura (CC) ≥80cm para mulheres e
≥94cm para homens e pela Razão Cintura-Estatura ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e
homens, respectivamente. O modelo conceitual considerou variáveis demográficas,
socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais. O consumo alimentar foi avaliado
por um questionário de freqüência alimentar com mensuração convertida em escores.
Foram constituídos 3 grupos de alimentos: ricos em fibras; ricos em carboidratos
simples e ricos em gorduras saturadas. Os resultados evidenciaram que a prevalência de
EP foi de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), sendo maior a partir de 40 anos (RP=1,27; IC95%
1,10;1,46), em mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16;1,43), em ex-fumantes (RP=1,42; IC95%
1,21;1,69), em indivíduos com maior renda (RP=1,49; IC95% 1,30;1,71) e em mulheres
com primeira gestação com idade<18 anos (RP=1,25; IC95% 1,11;1,66). A prevalência
da concentração de gordura abdominal, segundo a CC, foi de 51,9% (IC 95% 49,4-54,4),
sendo superior nas mulheres (RP=2,58; IC95% 2,26-2,94), entre ex-fumantes (RP=1,31;
IC95% 1,12-1,54), em sedentários (RP=1,24; IC95% 1,13-1,36), a partir dos 40 anos
(RP=1,28; IC95% 1,11-1,47), provenientes da Região Metropolitana do Recife (RP=1,23;
IC95% 1,10-1,41), com de 5-8 anos de estudo (RP=1,22; IC95% 1,06-1,40), de maior
renda (RP=1,47; IC95% 1,28-1,68), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18
anos (RP=1,12; IC95% 1,01-1,68). Segundo a RCE, a prevalência de gordura abdominal
em excesso foi de 57,8% (IC95% 55,4-60,3), sendo mais elevada em mulheres (RP=1,31;
IC95% 1,19-1,43), entre indivíduos ex-fumantes (RP=1,36; IC95% 1,19-1,56), sedentários
(RP=1,11; IC95% 1,02-1,21), a partir dos 30 anos (RP=1,23; IC95% 1,09-1,39), de maior
renda (RP=1,30; IC95% 1,15-1,41), e em mulheres com primeira gestação antes dos 18
anos (RP=1,18; IC95% 1,07-1,68). Os resultados referentes ao consumo alimentar
evidenciaram que o escore médio do consumo de carboidratos simples foi maior que o
consumo de fibras e gorduras saturadas. O consumo de carboidratos simples e gorduras
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores8
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
saturadas foram menores em indivíduos de maior idade, provenientes de área rural, com
menor renda e escolaridade. O maior consumo de fibras associou-se com maior renda e
escolaridade. A expressiva prevalência dos indicadores de obesidade e a associação com
vários fatores corroboram com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido
em todo o mundo e reforçam a multifatorialidade de sua etiologia. O predomínio do
consumo de carboidratos simples, em detrimento do consumo de fibras, configura o
processo de transição nutricional experimentado pelo Brasil nas últimas décadas, e a
associação com vários fatores reforça a multicausalidade na determinação desse perfil.
Descritores: Índice de Massa Corpórea. Gordura abdominal. Fatores epidemiológicos.
Adulto. Circunferência da cintura. Razão cintura-estatura. Consumo de alimentos.
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ABSTRACT
With the objective to evaluate the magnitude of overweight (OW) and the abdominal fat
concentration and associated factors in Pernambuco, it was made, in 2006, a transversal
study of population basis, involving 1.580 adults of both genders, between 25 e 59 years
old. OW was determinated by the Body Mass Index ≥25kg/m2 and abdominal fat
concentration was determined by waist circumference (WC) ≥80cm to women and
≥94cm to men, and by the waist-height ratio (WHR) ≥0,52 and ≥0,53 for women and
men respectively. The concept considered demographic, socioeconomical, reproductive
and behavioral variables. Food consumption was evaluated by a series of questions
about eating frequency with measurements converted to scores’ scale. Three groups of
food were created: rich in fibers; rich in simple carbohydrates; rich in saturated fat. The
results showed that the prevalence of OW was 51,1% (CI95% 48,6-53,6). It was higher
when over 40 years old (PR=1,27; CI95% 1,10;1,46), among women (PR=1,29; CI95%
1,16;1,43), ex smokers (PR=1,42; CI95% 1,21;1,69), among people with higher incomes
(PR=1,49; CI95%1,30;1,71) and among women with early pregnancy (less than 18 years
old) (PR=1,25; CI95% 1,11;1,66). The prevalence of abdominal fat, according to WC,
was 51,9% (CI95% 49,4-54,4), being higher in women (PR=2,58; CI95% 2,26-2,94), ex
smokers (PR=1,31; CI95% 1,12-1,54) couch potatoes (PR=1,24; CI95% 1,13-1,36), people
over 40 years old (PR=1,28; CI95% 1,11-1,47), from the metropolitan area of Recife
(PR=1,23; CI95% 1,10-1,41), between 5-8 years of studying (PR=1,22; CI95% 1,06-1,40),
with higher incomes (PR=1,47; CI95%1,28-1,68) and among women with the first
pregnancy before 18 years old (PR=1,12; CI 95%1,01-1,68). According to WHR the
prevalence of abdominal fat excess was 57,8% (CI 95% 55,4-60,3), being higher in
women (PR=1,31; CI95%1,19-1,43), among ex smokers (PR=1,36; CI95%1,19-1,56),
couch potatoes (PR=1,11; CI95%1,02-1,21), people over 30 years old (PR=1,23;
CI95%1,09-1,39), with higher incomes (PR=1,30; CI95%1,15-1,47), and in women with
first pregnancy before 18 years old (PR=1,18; CI 95%1,07-1,68). The results about food
consumption sowed that the average score of simple carbohydrates food consumption
was highter to those of rich in fiber and fats. It was verified less consumption of simple
carbohydrates and saturated fat food among older people, people from country areas, of
lower income, and educational level. The highest scores of rich in fibers food were
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores10
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
associated with higher income, and educational level. The expressive prevalence of
anthropometric indicators of obesity and the association with lots of factors are in
keeping with the epidemic levels of this problem all around the world and support its
multifactorial etiology. The predominance of simple carbohydrates food over rich in
fiber food consumption configures a nutritional transition going on in Brazil for the last
few decades, and the association with various factors strengthens the multicausality in
the determination of this profile.
Key-words: Body mass index. Abdominal fat. Epidemiologic factors. Adult. Waist
circumference. Waist-to-height ratio. Food consumption.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores11
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
CC – Circunferência da Cintura
CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
DS – Diâmetro Sagital
ENDEF – Estudo Nacional de Despesas Familiares
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IC – Intervalo de Confiança
IMC – Índice de Massa Corpórea
IMIP – Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira
OMS – Organização Mundial de Saúde
PESN – Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição
POF – Pesquisa de Orçamentos Familiares
PNDS – Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde
PNSN – Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição
PPV – Pesquisa sobre Padrões de Vida
RCE – Razão Cintura-Estatura
RCQ – Relação Cintura-Quadril
SES-PE – Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco
UFPE – Universidade Federal de Pernambuco
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores12
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
SUMÁRIO
1. Apresentação .....................................................................................................................
13
1.1 Caracterização do Problema...........................................................................................
13
1.2 Justificativa........................................................................................................................
14
1.3 Objetivos...........................................................................................................................
14
1.4 Estrutura da Dissertação.................................................................................................
15
2. Revisão da Literatura .......................................................................................................
16
2.1 Conceito...................................................................................... ......................................
16
2.2 Métodos Diagnósticos........................................................................................................
16
2.2.1 Índice de Massa Corpórea ............................................................................................
17
2.2.2 Circunferência da Cintura ............................................................................................
18
2.2.3 Razão Cintura-Estatura................................................................................................
19
2.3 Situação da Obesidade no Brasil e no Mundo..................................................................
20
2.4 Fatores Associados à Obesidade......................................................................................
24
3. Metodologia........................................................................................................................
34
3.1 Desenho, População e Local do Estudo ...........................................................................
34
3.2 Amostragem .....................................................................................................................
34
3.3 Trabalho de campo ..........................................................................................................
35
3.3.1 Instrumentos de coleta de dados....................................................................................
35
3.3.2 Seleção e treinamento das equipes de campo................................................................
36
3.3.3 Coleta de dados...............................................................................................................
36
3.3.4 Descrição e Operacionalização das Variáveis.................................................................
36
3.3.4.1 Variáveis Antropométricas........................................................................................
36
3.3.4.2 Variáveis de Exposição...............................................................................................
38
3.4 Processamento e análise dos dados .................................................................................
42
3.5 Considerações Éticas .......................................................................................................
43
4. Resultados ..........................................................................................................................
44
1º Artigo Original................................................................................................................
45
2º Artigo Original...............................................................................................................
68
3º Artigo original................................................................................................................
5.Considerações Finais...........................................................................................................
6. Referências.........................................................................................................................
Anexos.................................................................................................................................
97
115
116
132
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
1. APRESENTAÇÃO
1.1 Caracterização do Problema
Importantes transformações demográficas, econômicas, sociais e tecnológicas
ocorridas nas últimas décadas propiciaram mudanças significativas no padrão de
morbimortalidade nas sociedades modernas. O aumento da expectativa de vida, a
redução das mortes por doenças infecto-parasitárias e o aumento da mortalidade por
doenças crônicas não transmissíveis tornaram complexo o quadro de saúde das
populações. Neste contexto, mudanças nos indicadores nutricionais também foram
observadas, especialmente no que se refere ao incremento do excesso de peso e da
gordura corporal (SARTURI, 2006), que por sua vez estariam relacionados a um grande
número de doenças (patologias cardiovasculares e cerebrovasculares, distúrbios
metabólicos, diversos tipos de câncer, dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho
locomotor, patologias do aparelho digestivo, etc.). Somam-se aos danos fisiológicos
impactos psicossociais relacionados à questão do estigma e da discriminação a
indivíduos sob esta condição. A obesidade revela-se, portanto, como um agravo
extremamente complexo que constitui um dos maiores desafios de saúde pública desse
século (SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004;
FERREIRA; MAGALHÃES, 2005; PEIXOTO et al, 2006).
Por ter etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das
variáveis envolvidas no processo do ganho de peso (BERNARDI; CICHELERO;
VITOLO, 2005). Diversos estudos têm demonstrado a associação de fatores biológicos,
sociodemográficos e comportamentais com o aumento e má distribuição da adiposidade
corporal. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que sua ocorrência está
relacionada a fatores dietéticos e ambientais associados a uma predisposição genética
(ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2000).
Os dois aspectos mais referidos na literatura como determinantes do quadro de
balanço energético positivo são as mudanças no consumo alimentar, com aumento do
fornecimento de energia pela dieta e redução da atividade física, configurando o que
poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo (MENDONÇA;
ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009). Além destes,
vários fatores são associados ao peso corporal, tais como: sexo; idade; cor da pele;
antecedentes familiares de obesidade; situação conjugal; nível sócio econômico; grau de
escolaridade; fumo e consumo de álcool. Nas mulheres, adicionados a estes fatores,
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores14
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
encontram-se ainda: a paridade, a menopausa, a terapia de reposição hormonal e a idade
da menarca.
1.2 Justificativa
Tendo em vista a magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura
abdominal, que se expressam por prevalências crescentes em todo o mundo, conhecer
os fatores que estão associados e influenciam a construção do perfil antropométrico de
uma população é relevante para subsidiar a adoção de medidas de intervenção e
prevenção.
Embora no Brasil existam informações populacionais confiáveis e atuais sobre a
caracterização do estado antropométrico de adultos, elas se referem às macrorregiões do
país e não enfocam seus determinantes. Além disso, poucos estados brasileiros dispõem
dessas informações oriundas de amostras representativas da população.
O Estado de Pernambuco não dispõe de dados populacionais atualizados acerca
da magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura abdominal em adultos.
Logo, torna-se importante avaliar seu comportamento e os fatores que estão associados
a sua ocorrência.
1.3 Objetivos
1.3.1 Objetivo geral
 Avaliar a magnitude do excesso de peso e da concentração de gordura abdominal
e os fatores associados em adultos na faixa etária de 25 a 59 anos de idade do Estado de
Pernambuco.
1.3.2 Objetivos Específicos
 Estimar as prevalências de excesso de peso e concentração de gordura abdominal;
 Estudar a associação entre o excesso de peso e concentração de gordura abdominal
e as características socioeconômicas, demográficas, reprodutivas e do estilo de vida;
 Caracterizar o padrão de consumo alimentar e os fatores associados.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
1.4 Estrutura da Dissertação
A dissertação foi elaborada no formato de um capítulo de Revisão da
Literatura, um capítulo referente aos Métodos e três artigos originais de divulgação
científica, intitulados conforme descrito abaixo:
 1º Artigo Original: ―Excesso de peso em adultos do Estado de
Pernambuco: magnitude e fatores associados”;
 2º Artigo Original: ―Prevalência e fatores associados à concentração de
gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco;
 3º Artigo Original: ―Padrão de consumo alimentar e fatores associados
na população adulta do Estado de Pernambuco”.
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
2. REVISÃO DA LITERATURA
Obesidade: magnitude e fatores associados
2.1 Conceito
A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo excesso
de gordura corporal que resulta do desequilíbrio crônico entre o consumo alimentar e o
gasto energético (BERALDO; VAZ; NAVES, 2004; MENDONÇA; ANJOS, 2004;
VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; PEIXOTO et al, 2006).
Atualmente é um grave problema de saúde pública atingindo proporções epidêmicas
tanto em países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento, (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 1995; SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ;
PIMENTA; KAC, 2004; PITANGA; LESSA, 2006; MARIAHT et al, 2007) e tem
grande impacto sobre o padrão de morbidade adulta (OLIVEIRA et al, 2009).
O excesso de gordura corporal está relacionado a um grande número de doenças,
incluindo as patologias cardiovasculares e cerebrovasculares, os distúrbios metabólicos,
diversos tipos de câncer, dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor,
patologias do aparelho digestivo, dentre outras. Somam-se aos danos fisiológicos,
impactos psicossociais relacionados à questão do estigma e da discriminação a
indivíduos sob esta condição. A obesidade revela-se, portanto, como um agravo
extremamente complexo que constitui um dos maiores desafios para a saúde pública
deste século (SOUZA et al, 2003; VELASQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC,
2004; FERREIRA; MAGALHÃES, 2005; PEIXOTO et al, 2006).
2.2 Métodos Diagnósticos
Existem vários métodos indiretos empregados para diagnosticar a obesidade que
permitem estimar com precisão a quantidade total de gordura corpórea, assim como sua
distribuição (PEIXOTO et al, 2006). Entre esses métodos, destacam-se a tomografia
computadorizada, a absorciometria por raios X de dupla energia (DEXA), a ressonância
magnética e a ultrassonografia (LEITE et al, 2000; RIBEIRO FILHO et al, 2001;
RIBEIRO-FILHO et al, 2003; HIROKOKA et al, 2005; PEIXOTO et al, 2006;
REZENDE et al, 2006). Para a realização de estudos epidemiológicos, entretanto,
considerando-se a simplicidade e os custos dos diversos métodos, tem sido
recomendada a utilização de índices antropométricos, tais como o índice de massa
corporal (IMC), a relação cintura-quadril (RCQ) ou apenas a circunferência da cintura
(CC), as dobras cutâneas (DC), o índice de conicidade (IC); o diâmetro sagital (DS) e a
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
razão cintura-estatura (RCE) (LEITE et al, 2000; PITANGA; LESSA, 2004; GUEDES,
2006; SAMPAIO et al, 2007). A capacidade do avaliador de reproduzir as medidas, a
padronização das técnicas, a utilização de instrumentos calibrados e precisos
(REZENDE et al, 2006) e a viabilidade de realização (DAMASO, 2003) são fatores
importantes para determinar a escolha do método a ser utilizado nas pesquisas ou
intervenções clínicas.
2.2.1 Índice de Massa Corpórea
O IMC é o indicador do estado nutricional mais utilizado em estudos
epidemiológicos (ABRANTES; LAMOUNIER; COLOSIMO, 2003; GUEDES, 2006;
FERNANDES; OLIVEIRA; JUNIOR, 2006; LIMA; SAMPAIO, 2007), sendo um bom
indicador para expressar a gordura corporal em excesso e útil para quantificar a
obesidade global (SARTURI, 2006).
No entanto, apesar do bom potencial como indicador do estado nutricional, o
IMC não descreve a ampla variação que ocorre na composição corporal de indivíduos
(PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004; PEIXOTO et al, 2006), refletindo a proporção
do tecido adiposo na massa corporal, independentemente da localização (SARNO;
MONTEIRO, 2007). Apesar do baixo custo, fácil aplicabilidade, e pequena variação
intra ou inter avaliador (SAMPAIO; FIGUEIREDO, 2005), a utilização desse método se
torna bastante limitada principalmente quando a população que será avaliada apresenta
um padrão de atividade física mais intenso. Pessoas com elevada quantidade de massa
muscular podem apresentar elevado IMC mesmo que a gordura corporal não seja
excessiva (REZENDE et al, 2006).
Outro aspecto que reduz sua aplicabilidade diz respeito aos pontos de corte
propostos para avaliação do estado nutricional, pois além de serem aplicados em uma
faixa etária muito ampla, não levam em consideração o sexo e a etnia (SAMPAIO;
FIGUEIREDO, 2005; REZENDE et al, 2006).
Apesar de suas limitações (variações na estrutura e proporções corporais, que
podem ocorrer em algumas populações), o IMC é a medida mais aceita universalmente
para categorizar o sobrepeso e a obesidade (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE,
2000), sendo definido pelo quociente do peso (kg) pela altura (m) ao quadrado. A
classificação atualmente mais aceita é a proposta pela Organização Mundial de Saúde,
1998, que categoriza os indivíduos em sete estratos segundo risco de co-morbidades,
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores18
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
sendo considerado obeso o indivíduo com IMC ≥ 30kg/m² e sobrepeso aquele com IMC
≥ 25 e <30 kg/m² (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998).
Entretanto, é importante destacar que o papel da obesidade generalizada como
fator de risco cardiovascular é controverso, sendo apontado pela literatura recente que
os indicadores de obesidade central são melhores preditores do risco coronariano
elevado que os indicadores de obesidade generalizada (PEIXOTO et al, 2006;
PITANGA; LESSA, 2007; OLIVEIRA et al, 2009).
2.2.2 Circunferência da Cintura
Diversos estudos têm sido realizados para identificar a associação entre
indicadores antropométricos de obesidade e risco coronariano elevado. A maioria deles
indica que os indicadores de obesidade central são melhores preditores do risco
coronariano elevado do que os indicadores de obesidade total (PITANGA; LESSA,
2005; PITANGA; LESSA, 2007).
A circunferência da cintura (CC) é o método mais comumente usado na prática
clínica para avaliar a adiposidade visceral (RIBEIRO-FILHO et al, 2006), por sua
simplicidade (LEITE et al, 2000; SARNI et al, 2006; GUEDES, 2006; PEIXOTO et al,
2006; PICON et al, 2007), facilidade de execução (FERREIRA et al, 2006; GUEDES,
2006; SARNI et al, 2006), baixo custo (FERREIRA et al, 2006; PEIXOTO et al, 2006)
e reprodutibilidade (SARNI et al, 2006). Entretanto, tem sido identificada sua
fragilidade como variável preditora da quantidade de gordura corporal em razão de suas
dimensões incluírem outros tecidos e órgãos além do tecido adiposo (GUEDES, 2006),
e, principalmente por não separar a gordura intra-abdominal da subcutânea (LEITE et
al, 2000).
No entanto, a comparação das medidas antropométricas com exames de
diagnóstico
por
imagens,
como
a
ressonância
magnética
e
a
tomografia
computadorizada, mostra que a medida da CC foi a variável antropométrica que
apresentou melhor correlação com o tecido adiposo visceral (OLINTO et al, 2006;
PEIXOTO et al, 2006).
A OMS recomenda que a CC seja aferida com uma fita métrica não flexível
diretamente sobre a pele na região mais estreita entre o tórax e o quadril ou, em caso de
não haver ponto mais estreito, no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca,
sendo a leitura feita no momento da expiração (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
1998). O ponto de corte determinado pela OMS é de 94 cm e 80 cm, como medida de
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores19
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
risco metabólico aumentado (nível 1) para homens e mulheres, respectivamente, e
102cm e 88cm, como indicação de risco metabólico muito elevado (nível 2) para
morbidades associadas à obesidade (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1995).
Este ponto de corte foi recomendado também por Lean, Han e Morrison (1995) e pelo
National
Cholesterol
Education
Program
(NATIONAL
CHOLESTEROL
EDUCATION PROGRAM, 2001).
Questiona-se, no entanto, o uso universal desses pontos de corte, visto que a
sensibilidade desses na identificação dos fatores de risco associados à obesidade pode
variar entre os grupos etários e as diversas populações (PEIXOTO et al, 2006) e etnias
(RIBEIRO FILHO et al, 2001; PICON et al, 2007).
2.2.3 Razão Cintura-Estatura
A razão cintura-estatura (RCE) tem sido descrita mais recentemente na literatura
como um indicador antropométrico da distribuição de gordura corpórea útil para
identificação do risco cardiovascular (KOCH et al, 2007; ALVAREZ et al, 2008;
KOCH et al, 2008). Estudos no Brasil e em diferentes países têm demonstrado a forte
associação desta medida com o risco coronariano elevado, sendo esta relação maior que
em outros indicadores antropométricos, como IMC, CC e RCQ (LIN et al, 2002;
SAYEED et al, 2003; PITANGA; LESSA, 2004; OLIVEROS; SOBERANIS, 2005;
HSIEH; MUTO, 2006; SCHNEIDER et al, 2007; KOCH et al, 2007; KOCH et al,
2008). Uma vez que a baixa estatura é um preditor independente para a DCV e para a
mortalidade (DAVEY et al, 2000; FORSEN et al, 2000; SILVENTOINEN et al, 2006;
KOCH, 2008), o ajuste da CC pela estatura corporal permitiria expressar melhor o risco
associado à concentração de gordura abdominal (LIN et al, 2002; SAYEED et al, 2003;
HSIEH; MUTO, 2006; SCHNEIDER et al, 2007).
A utilização da RCE tem a vantagem da simplicidade de sua determinação e de
basear-se em medidas de fácil obtenção (PEREIRA; SICHIERI; MARINS, 1999;
ALVAREZ et al, 2008), sendo definida pelo quociente da CC (cm) pela estatura (cm)
(PITANGA; LESSA, 2004; OLIVEROS; SOBERANIS, 2005; KOCH et al, 2007;
KOCH et al, 2008; ALVAREZ et al, 2008). Este indicador apresenta-se como um bom
marcador para monitorar excesso de peso em jovens, por considerar o crescimento tanto
da cintura quanto da estatura. Nesta faixa etária, índices antropométricos que utilizem a
medida da circunferência do quadril podem ser inapropriados, pois a largura pélvica
modifica-se rapidamente durante o estirão do crescimento e, estes índices poderiam
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores20
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
estar refletindo mais essa variação do que, propriamente, o acúmulo de gordura
(ALVAREZ et al, 2008).
Os pontos de corte sugeridos para discriminação da obesidade abdominal e risco
cardiovascular são RCE≥ 0,50 para homens e mulheres (OLIVEROS; SOBERANIS,
2005; KOCH et al, 2008). Em estudo realizado com amostra de 55.563 adultos de
ambos os sexos em Taiwan, com objetivo de identificar os pontos de corte da RCE para
discriminar pelo menos um fator de risco cardiovascular (diabetes, hipertensão ou
dislipidemia), Lin et al (2002) encontraram valores de 0,48 e 0,45 para homens e
mulheres, respectivamente, evidenciando ainda forte associação da RCE com
hipertensão arterial, intolerância à glicose, diabetes e dislipidemias.
Pitanga e Lessa (2006), estudando 968 adultos de Salvador-Brasil, na faixa etária
de 30-74 anos de idade, encontraram valores de 0,53 e 0,52 para homens e mulheres,
respectivamente. Por ser um indicador antropométrico de uso relativamente recente,
diferentes pontos de cortes são relatados na literatura, sendo necessária a realização de
novos estudos envolvendo diferentes grupos etários para que possam comparar a RCE
com outros indicadores de obesidade mais comumente utilizados para discriminar o
risco coronariano elevado.
2.3 Situação da Obesidade no Mundo e no Brasil
A OMS caracteriza a obesidade como uma epidemia mundial que não respeita
fronteiras, acometendo principalmente países desenvolvidos como os Estados Unidos
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998), onde estimativas do Centro Nacional de
Controle e Prevenção de Doenças indicam aumento surpreendente de 74% em apenas
uma década (1991-2001), crescendo 5,6% em um único ano (2001 a 2002) (CENTERS
FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2004). Neste país, previsões relatam
300.000 casos de mortes anuais relacionadas à obesidade em adultos (AMERICAN
HEART ASSOCIATION, 2004).
Segundo resultados do Estudo Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES),
realizado na população americana na faixa etária entre 20 a 74 anos, no período
compreendido entre 1999 e 2002, 65% dos indivíduos foram classificados como
sobrepeso e 31% como obesos. Dados mais recentes obtidos a partir da NHANES
realizada entre os anos de 2003 e 2004 fornecem estimativas sobre a prevalência de
sobrepeso e obesidade nos Estados Unidos, onde foi observado que 66,3% dos adultos
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores21
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
americanos maiores de 20 anos possuíam algum grau de excesso de peso, enquanto
32,2% eram obesos.
Nos países europeus, a prevalência de obesidade aumentou entre 10 e 40%, nos
últimos 10 anos, principalmente entre as mulheres da região Sul e Leste
(INTERNATIONAL TASK FORCE, 2004). Na Inglaterra, a ocorrência da obesidade
aumentou mais que o dobro desde 1980, apresentando prevalência em torno de 16% em
1995, com leve predomínio na população feminina (INTERNATIONAL TASK
FORCE, 2004). Dados da Sociedade Espanhola para Estudo da Obesidade (SEEDO)
revelam prevalências em torno de 39,0% de sobrepeso e 14,5% de obesidade na
população da Espanha (ARANCETA et al, 2003).
Nos países da África e da Ásia, a obesidade é ainda relativamente incomum,
sendo o foco principal a desnutrição e a insegurança alimentar (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 1998). Como resultado disso, a tendência da obesidade foi
documentada em apenas alguns países ou populações africanas. Meta-análise publicada
recentemente incluindo 30 estudos realizados na África Ocidental identificou uma
prevalência de obesidade estimada em torno de 10%, onde as mulheres se mostraram
mais predispostas à obesidade do que os homens. Este estudo indicou ainda que a
prevalência de obesidade nesta região mais que dobrou (114%) ao longo de 15 anos
(ABUBAKARI et al, 2008), sendo maiores as prevalências observadas em regiões
economicamente mais avançadas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998).
Em países da região oeste do pacífico foram registrados também níveis
ascendentes de sobrepeso e obesidade. As menores prevalências são encontradas no
Japão e China, apesar da tendência crescente nas últimas décadas (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2004). Segundo Du et al, (2002), o sobrepeso e a obesidade eram
raros em 1982, apenas 3,5% dos adultos entre 20 e 45 anos tinham IMC acima de 25
kg/m2 e apenas 0,2% eram classificados como obesos. No entanto, esses valores
quadruplicaram para 14,1% e 1,3%, respectivamente, em 1997.
Nas Américas, estudos demonstram que o padrão de obesidade para ambos os
sexos vem aumentando, tanto em regiões desenvolvidas, quanto naquelas em
desenvolvimento. O Caribe e América Latina vêm apresentando aumentos crescentes do
excesso de peso, principalmente nas regiões mais desenvolvidas, com predomínio
também entre a população feminina (PEÑA; BACALLO, 2000; KAIN; VIO;
ALBALA, 2003). Martorell et al em meta-análise publicada em 2000 mostraram que as
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores22
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
menores prevalências de obesidade entre os países da America Latina foram
encontradas entre os mais pobres, como Haiti, Bolívia e Honduras.
Em estudo com amostra nacional baseado em dados censitários de 2000,
realizado no México, foram reveladas prevalências de sobrepeso e obesidade em adultos
entre 20 a 69 anos, em 41,3% e 19,4% dos homens, e em 36,3% e 29% da população
feminina, respectivamente (SANCHEZ-CASTILLO et al, 2003).
No Chile segundo alguns estudos de base populacional, realizados nas décadas
de 80 e 90, em indivíduos adultos, entre 24 e 64 anos, a obesidade na população
feminina foi cerca de 20% e na masculina oscilou entre 13 e 15%. Dados semelhantes
foram observados no Peru (SANCHEZ-CASTILLO et al, 2003).
No Brasil, a obesidade como problema de Saúde Pública é um evento recente.
Apesar da existência de relatos a partir da Era Paleolítica sobre ―homens corpulentos‖, a
prevalência de obesidade nunca se apresentou em grau epidêmico como na atualidade
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998). Enquanto agravo nutricional, a
desnutrição era assumida como um problema relevante para os países em
desenvolvimento, e a obesidade seria um problema dos países desenvolvidos.
Atualmente, nem os países em desenvolvimento, nem os desenvolvidos se apresentam
como unidades homogêneas, tanto para a prevalência da desnutrição, quanto para a
prevalência da obesidade (MONDINI; MONTEIRO, 1998; FRANCISCHI et al, 2000).
O Brasil é um dos únicos países da América do Sul que possui informações de
pesquisa nacionais com dados mais completos sobre nutrição e saúde desde a década de
70. Dados de quatro grandes estudos nacionais de base populacional, realizados pelo
instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos anos 1975, 1989, 1996-97,
2002-03 e 2008-09 permitem avaliar a tendência do sobrepeso e obesidade nos últimos
35 anos (MONTEIRO; CONDE; POPKIN, 2002; INSTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004).
Comparando os dois primeiros grandes inquéritos nutricionais probabilísticos de
âmbito nacional, realizados em 1974-75 (ENDEF) e 1989 (PNSN), nas cinco macroregiões do país (Norte, Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul), excluindo as regiões
pouco povoadas do Norte, o problema do baixo peso (IMC< 18,5 Kg/m2) em adultos,
observada na primeira pesquisa se inverteu na segunda. Em 1975, a prevalência de
baixo peso excedia a de obesos em uma vez e meia; em 1989 a prevalência de obesos
superou a de baixo peso em mais que duas vezes (MONTEIRO et al, 1995). Uma
situação alarmante é revelada quando observado o crescimento da ocorrência da
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores23
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
obesidade no período compreendido entre esses os dois inquéritos: houve um aumento
de 100% na prevalência de obesidade entre os homens e de 70% entre as mulheres,
abrangendo todas as faixas etárias (MONTEIRO; CONDE; POPKIN, 2002).
Os dados da Pesquisa sobre Padrões de Vida (PPV), realizada entre os anos de
1996 e 1997, pelo IBGE, em convênio com o Banco Mundial, abrangendo as duas
macrorregiões mais representativas do Brasil, em termos socioeconômicos e
populacionais, Nordeste e Sudeste, revelaram prevalência de sobrepeso de 28,3% e
obesidade de 9,7% entre adultos. Nesta mesma pesquisa, observou-se nessas regiões um
aumento gradativo da prevalência de sobrepeso e obesidade desde a infância até a idade
adulta, com declínio entre os idosos. Além disso, pode-se concluir que a prevalência
conjunta de sobrepeso e obesidade na população brasileira neste período foi maior no
sexo feminino, atingindo índices preocupantes, uma vez que mais da metade das
mulheres das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, com idade entre 40 e 79 anos,
apresentaram excesso de peso (IMC>25 kg/m2) (ABRANTES; LAMOUNIER;
COLOSIMO, 2003).
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2002-03, englobando
as cinco macrorregiões brasileiras, revelou que o excesso de peso em adultos excedeu
em oito vezes o déficit de peso na população feminina e em quinze vezes entre os
homens. Os adultos envolvidos na pesquisa, maiores de 20 anos, revelaram 4% de baixo
peso, 40,6% foram considerados com excesso de peso, e dentre esses aproximadamente
27% foram diagnosticados como obesos. A prevalência geral de obesidade encontrada
nesta pesquisa para homens e mulheres, respectivamente, foi de 8,9% e 13%
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004).
Estudo realizado em 2006, por inquérito telefônico, junto à população adulta das
capitais de Estados brasileiros e do Distrito Federal, revelou 44,1% de excesso de peso,
sendo 11,4% de obesidade (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2007).
Dados mais recentes da POF, realizada em 2008-2009, revelaram que o excesso
de peso atingiu cerca de metade dos homens (50,1%) e das mulheres (48%), excedendo
em 28 vezes a freqüência do déficit de peso no sexo masculino e em 13 vezes no sexo
feminino (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010).
A II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição, realizada em 1997, em amostra
representativa do estado de Pernambuco, identificou prevalência de sobrepeso no sexo
masculino e feminino em 27,3% e 28,3%, respectivamente, e 6,9% e 13,7% de
obesidade (FERRACCIU, 2005). Em Recife, segundo dados do Ministério da Saúde
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores24
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
provenientes de estudo realizado por inquérito telefônico em 2006, o excesso de peso
foi observado em 43,3% da população (MOURA et al, 2008).
2.4 Fatores associados à obesidade
A complexa etiologia da obesidade tem sido amplamente descrita na literatura,
sendo indicado pelos epidemiologistas que a modernização tem um papel importante no
crescimento acelerado dessa condição (FRANCISCHI et al, 2000; MARINHO et al,
2003; TERRES et al, 2006; TARDIDO; FALCÃO, 2006; FILARDO; PETROSKI,
2007; FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008; OLIVEIRA et al, 2009).
O impacto negativo da modernização na transformação do perfil epidemiológico
da população tem sido atribuído a maior oferta de alimentos associada à melhoria dos
instrumentos de trabalho, como mecanização e automação (FRANCESCHI et al, 2000).
Os processos de industrialização e urbanização observados nas sociedades modernas
trouxeram aumento da ingestão de calorias e diminuição da atividade física,
estabelecendo um desequilíbrio energético e resultando no acúmulo de gordura corporal
(TERRES et al, 2006; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009).
Modificações no nível do desenvolvimento de cada sociedade proporcionam
alterações no padrão de morbimortalidade. Em países em desenvolvimento, estes
padrões se apresentam com redução das doenças infecciosas e crescente aumento das
doenças crônicas não transmissíveis, as quais ganham destaque nas causas de óbitos
(PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004).
O processo de transição nutricional é parte integrante dessas transformações e
caracteriza-se pelas modificações seqüenciais no padrão de nutrição e consumo que
acompanham mudanças econômicas, sociais, demográficas e do perfil de saúde das
populações (POPKIN et al, 1993). Pode ser entendido como um fenômeno no qual
ocorre uma inversão nos padrões de distribuição dos problemas nutricionais de uma
dada população no tempo, ou seja, uma mudança na magnitude e no risco atribuível de
agravos associados ao padrão de determinação de doenças atribuídas ao atraso e à
modernidade, sendo em geral, uma passagem da desnutrição para a obesidade (KAC;
VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ; VALENTE, 2003).
Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma das
variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso (BERNARDI;
CICHELERO; VITOLO, 2005), havendo evidências de que sua ocorrência está
relacionada a fatores dietéticos e ambientais associados à predisposição genética
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores25
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1990). O meio ambiente responde com mais
de 60% do excesso de peso relatados mundialmente (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE, 2000).
Neste contexto, diversos fatores biológicos, socioeconômicos e comportamentais
têm sido associados ao excesso de peso e obesidade, os quais serão descritos a seguir.
Sexo
Vários estudos realizados no Brasil e em outros países em desenvolvimento têm
mostrado que as mulheres têm maior probabilidade de apresentar obesidade do que os
homens (SCHIERI et al, 1994; MONTEIRO et al, 2005; RONSONI et al, 2005).
Não existe uma explicação concreta para os maiores índices no sexo feminino,
mas podem ser explicadas pela maior composição de gordura, gestações, diferenças
hormonais e climatério presentes no gênero (FILOSOF et al, 2001; MONTEIRO;
CONDE; CASTRO, 2003; RONSONI et al, 2005).
A maior prevalência de excesso de peso entre as mulheres é observada,
sobretudo entre 55 a 65 anos, faixa etária que está associada às transformações
metabólicas que ocorrem na menopausa (PISABARRO et al, 2009). Além deste, outra
possível explicação para maior prevalência de obesidade nas mulheres pode ser o maior
acúmulo de gordura visceral e maior expectativa de vida. Durante o processo de
envelhecimento, ocorre redistribuição progressiva da gordura com diminuição do
panículo adiposo subcutâneo dos membros e acúmulo intra-abdominal. As mulheres
acumulam mais gordura subcutânea que os homens e a perdem em idades mais tardias
(SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009).
Idade
Ao contrário do que ocorre na infância e na adolescência, a comparação de
estudos de prevalências de sobrepeso e obesidade em adultos é facilitada pela
uniformidade de critérios nos valores de IMC (ABRANTES; LAMOUNIER;
COLOSIMO, 2003).
Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2002/2003) o excesso de
peso tende a aumentar com a idade, ocorrendo de modo mais rápido para os homens
(20-54 anos) e de forma mais lenta e prolongada entre as mulheres (20-64 anos)
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores26
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
O processo de envelhecimento está associado ao ganho de peso por estar ligado
a fatores como declínio da taxa metabólica basal em conseqüência da perda de massa
muscular e diminuição na prática de atividades físicas (FRANCISCHI et al, 2000).
Nível socioeconômico
O nível socioeconômico e cultural influenciam diretamente a prevalência da
obesidade, sendo predominante nos estratos baixos e médios (PISABARRO et al,
2009), isto ocorre devido o fato do nível socioeconômico interferir na disponibilidade
de alimentos, no acesso à informação e a serviços de saúde, bem como associa-se ao
estilo de vida e a determinados padrões de atividade física. Entre os indicadores de
condições socioeconômicas mais frequentemente utilizados estão educação, ocupação e
renda (DUNCAN et al, 2002; WARDLE; WALLER; JARVIS, 2002).
Tem sido sugerido ainda que as variáveis socioeconômicas podem ser
influenciadas pela obesidade, ou seja, a obesidade poderia precedê-las. Gortmaker et al,
1993, em um estudo longitudinal com 10.000 pessoas de 16 a 24 anos, encontraram,
após sete anos de acompanhamento, que mulheres com excesso de peso casavam
menos, tinham rendas mais baixas e completavam menos anos na escola (STUNKARD;
SORENSEN, 1993; GORTMAKER et al, 1993).
Diversos estudos têm identificado relação inversa entre o excesso de peso e o
nível
de
escolaridade
(WARDLE,
WALLER;
JARVIS,
2002;
ARAÚJO;
VELASQUEZ-MELENDEZ, 2007; SOUZA et al, 2007; PISABARRO et al, 2009;
SILVA; ZAFFARI, 2009). O nível educacional relaciona-se a maior possibilidade de
conhecimento e acesso a um estilo de vida saudável, com alimentação e atividade física
adequadas (PISABARRO et al, 2009). A relação inversa entre obesidade e educação
pode estar relacionada a fatores culturais e à mobilidade social. As adolescentes do sexo
feminino obesas teriam mais dificuldade em prosseguir seus estudos e galgar níveis
superiores de instrução restando como opção o casamento, o lar, as gestações e
conseqüentemente, maior predisposição ao ganho excessivo de peso (RONSONI et al,
2005).
Paridade
Para as mulheres, destaca-se entre os fatores contributivos para o excesso de
peso a alta paridade (OLIVEIRA et al, 2009). Essa tendência tem sido amplamente
descrita na literatura, (KAC; VELASQUEZ-MELENDEZ; COELHO, 2001; RONSONI
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores27
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
et al, 2005; TEICHMANN et al, 2006; ARAÚJO; VELASQUEZ-MELENDEZ, 2007;
OLIVEIRA; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007; FRANÇA; ALDRIGHI;
MARUCCI, 2008) podendo ser explicada pelo ganho excessivo de peso no período
gestacional e posterior dificuldade para perda. Nos países em desenvolvimento, nos
quais o número maior de gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor
entre as gestações, essa relação é ainda mais expressiva (FRANÇA; ALDRIGHI;
MARUCCI, 2008).
Situação Conjugal
Diversos estudos apontam associação entre a situação conjugal e a obesidade,
sendo demonstrado que ter companheiro representa um fator de risco para o excesso de
peso (SOBAL; RAUSCHENBACH e FRONGILLO, 1992; GIGANTE et al, 1997;
VELÁSQUEZ-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004; RONSONI et al, 2005;
TEICHMANN et al, 2006; SILVA; ZAFFARI, 2009). Entretanto, as possíveis razões
para explicar esta maior predisposição não são apresentadas.
Antecedentes Familiares
A ocorrência de obesidade em vários membros da mesma família é bem
conhecida, acreditando-se que fatores genéticos e ambientais estejam envolvidos. A
literatura indica que o risco de excesso de peso no indivíduo é duplicado quando os
genitores são obesos (GIGANTE et al, 1997; RONSONI et al, 2005; SOUZA et al,
2007; PISABARRO et al, 2009).
Araújo e Velasquez-Melendez (2007), estudando os fatores associados à
obesidade central e global em mulheres na faixa etária de 14 a 42 anos, observaram que
ter mãe obesa foi um fator de risco para o desenvolvimento da obesidade, sendo essa
associação significativa mesmo após o ajustamento para variáveis de confusão. Foi
observado também que a obesidade presente em ambos os pais determinou um risco
ainda maior de obesidade nas filhas.
A ocorrência de obesidade na mãe determina um maior risco de excesso de peso
para seus descendentes, possivelmente devido à complexa interação entre a genética e o
ambiente intrauterino na regulação hipotalâmica e neuroendócrina do balanço
energético (PISABARRO et al, 2009). Entretanto, independente da influência genética
que se expressa na história familiar, entende-se que a obesidade resulta de uma rede
complexa de fatores ligados ao campo genético, ao estilo de vida e ao ambiente que se
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores28
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
associam e interagem (OLIVEIRA et al, 2009). Estimativas mostram que cerca de 40%
da variabilidade do peso corporal é devida a fatores genéticos, e por conseqüência, 60%
desta variabilidade é explicada pelos fatores ambientais (principalmente dieta e
inatividade física) (CONSENSO LATINO AMERICANO DE OBESIDADE, 1999;
FILOSOF, et al, 2001).
Tabagismo
O efeito da nicotina no balanço energético (aumenta o metabolismo corporal)
está bem conhecido, sendo demonstrada relação inversa entre o hábito de fumar e o
IMC (FLEGAL et al, 1995; PISABARRO; IRRAZABAL; RECALDE, 2000;
RONSONI et al, 2005).
Diversos estudos revelam maiores prevalências de obesidade entre ex-fumantes
e não-fumantes (GIGANTE et al, 1997; RONSONI et al, 2005; SOUZA et al, 2007;
SILVEIRA; KAC; BARBOSA, 2009), sendo encontrado que os fumantes que
abandonaram o hábito de fumar são os que apresentam maiores prevalências de excesso
de peso, sendo este um dos maiores impedimentos para cumprir o abandono
(PISABARRO et al, 2009). Entretanto, embora seja relacionado o abandono do
tabagismo ao ganho de peso, não há evidências conclusivas da ligação direta entre o
fumo e a facilitação da perda de peso ou estabilização do peso corporal (GRUBER;
FRAKES, 2006). Além disso, ainda que houvesse comprovadamente um efeito protetor
do fumo sobre o ganho de peso, ele seria menor aos benefícios associados aos hábitos
de vida mais saudáveis, entre os quais, o abandono do tabagismo (SOUZA et al, 2007).
Consumo de álcool
Diversos estudos têm avaliado o papel do consumo do álcool na alteração dos
indicadores de obesidade global e abdominal (GIGANTE et al, 1997; CASTANHEIRA;
OLINTO; GIGANTE, 2003; OLIVEIRA; VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007;
FERREIRA et al, 2008; OLIVEIRA et al, 2009). Entretanto, ainda não está claro o
papel do álcool no mecanismo de determinação da adiposidade, sobretudo pela grande
variação metodológica encontrada na literatura relativa à freqüência e quantidade do
etanol consumido. Além disso, tem sido sugerido que o álcool pode atuar como possível
fator de confusão na relação entre fumo e obesidade abdominal (OLIVEIRA;
VELÁSQUEZ-MELENDEZ; KAC, 2007).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores29
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Em investigação epidemiológica nas 108 maiores cidades brasileiras, Carlini et
al (2007) verificaram que 37.953 habitantes (74,6%) já haviam consumido álcool
durante a vida. Outro estudo realizado na região metropolitana de São Paulo observou
que 18% das pessoas consumiam acima de 16,8g/dia de etanol, o que representa uma
contribuição calórica média de 1,2% da dieta, chamando atenção ainda para o fato de
que o consumo de bebidas alcoólicas pode estar subestimado ao analisar o histórico
alimentar desses pacientes (PEINADO; CERVATO; MARTINS, 1996).
É importante ressaltar ainda que o álcool é apontado também como estimulador
de apetite, sendo esse dado descrito por um estudo que avaliou o consumo alimentar
uma hora após a ingestão alcoólica (YEOMANS, 2004), constatando-se ainda que os
alimentos adicionados ao consumo do álcool apresentam elevado teor energético
(SUTER, 2005).
Da mesma forma que a teratogenicidade do álcool encontra diferentes respostas
dependendo do indivíduo, o ganho de peso relacionado ao consumo de etanol segue a
mesma tendência (KACHANI; BRASILIANO; HOCHGRAF, 2008).
Hábitos Alimentares
Os dois aspectos mais descritos na literatura como determinantes de um quadro
de balanço energético positivo têm sido mudanças no consumo alimentar, com aumento
do fornecimento de energia pela dieta, e redução da atividade física, configurando o que
poderia ser chamado de estilo de vida ocidental contemporâneo (MENDONÇA;
ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006; OLIVEIRA et al, 2009).
Ao se focalizar a obesidade pelos aspectos vinculados às alterações na dieta,
cabe destacar que o aumento da ingestão energética pode ser decorrente tanto da
elevação quantitativa do consumo de alimentos, como de mudanças na dieta,
caracterizadas pela ingestão de alimentos com elevada densidade energética, ou pela
combinação dos dois. O processo de industrialização dos alimentos tem sido apontado
como um dos principais responsáveis pelo aumento do aporte energético da dieta da
maioria das populações do Ocidente (FRENCH; STORY; JEFFERY, 2001;
MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006).
Os resultados fornecidos pela POF 2002-2003 evidenciaram características
negativas no padrão alimentar do brasileiro, tais como: persistência de teor excessivo de
açúcar na dieta; aumento da ingestão de gorduras, e em particular, de gordura saturada;
consumo insuficiente de frutas e hortaliças; perda da importância de alimentos
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores30
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
tradicionais, a exemplo do arroz e feijão; e aumento do consumo de alimentos
industrializados (biscoitos e refrigerantes tiveram um incremento de 400%)
(INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2004).
Embora a concentração de renda no Brasil (as classes de renda mais baixa
utilizam 37% da renda com alimentação e as mais altas empenham apenas 11%) não
permita falar em mercado homogêneo, nas duas últimas décadas houve um predomínio
no consumo de alimentos industrializados comprados em supermercados em todas as
classes de renda (MENDONÇA; ANJOS, 2004; TARDIDO; FALCÃO, 2006). Todos
esses são aspectos relevantes que corroboram para justificar as modificações do perfil
epidemiológico da população brasileira.
Alguns hábitos alimentares estão envolvidos com a etiologia e a evolução da
obesidade (BERALDO; VAZ; NAVES, 2004). O número de refeições ingeridas ao dia
é um comportamento muito estudado na relação com a adiposidade corporal, sendo
observada associação inversa em diversos estudos (GIGANTE et al, 1997; BERALDO;
VAZ; NAVES, 2004; PEIXOTO; BENÍCIO; JARDIM, 2007; OLIVEIRA et al, 2009).
Essa associação poderia ser interpretada como resposta fisiológica à adoção de uma
prática alimentar inadequada, uma vez que a redução do número de refeição ao dia
conduz o indivíduo a fazer alta ingestão de alimentos e conseqüentemente com elevada
concentração calórica por refeição (OLIVEIRA et al, 2009).
Outro aspecto que se mostrou associado à obesidade ou sobrepeso foi o ato de
realizar as refeições de forma rápida, o que pode ser interpretado de várias formas,
desde àquelas associadas ao estilo de vida, ao estresse, a pouca atividade física e as
condições impostas na cultura ocidental, até aquelas diretamente relacionadas ao
metabolismo e aos fenômenos biológicos e bioquímicos do comportamento alimentar,
que associonam inúmeros componentes reguladores da sofisticada relação fome,
saciedade e gasto energético (TEICHMANN et al, 2006).
Destacam-se ainda, entre os hábitos inadequados relacionados à maneira de se
alimentar, o consumo de alimentos em frente à televisão ou durante leituras e a
mastigação de forma rápida e inadequada, que estão com freqüência associados à
obesidade, inclusive em crianças e em diferentes níveis socioeconômicos (BERALDO;
VAZ; NAVES, 2004).
Ainda com relação ao padrão alimentar, destaca-se a associação entre dieta para
perda ponderal e o excesso de peso e de gordura abdominal entre as mulheres. Esta
condição pode ser interpretada à luz da causalidade reversa, dado que, uma vez
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores31
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
diagnosticado o excesso de peso corporal ou a concentração de gordura abdominal, o
indivíduo pode ter iniciado medidas de restrição alimentar para o controle destes
eventos. Tais características não são passíveis de serem avaliadas em estudos que
adotam desenho transversal (OLIVEIRA et al, 2009).
Atividade Física
A tendência secular no aumento da obesidade parece ocorrer paralelamente à
redução na prática de atividade física e aumento do sedentarismo (MARTINEZ, 2000).
As nítidas mudanças socioeconômicas e culturais condicionam as populações ocidentais
a um menor gasto energético, inclusive nos países em desenvolvimento. As novas
tecnologias induzem a tarefas cada vez mais sedentárias, e dados recentes indicam que o
ganho de gordura corpórea está diretamente relacionado ao aumento do número de
carros na residência e ao hábito de assistir a televisão (PEREIRA; FRANCESCHI;
LANCHA JR, 2003; BERALDO; VAZ; NAVES, 2004). Algumas evidências sugerem
que o sedentarismo, favorecido pela vida moderna, é um fator de risco tão importante
quanto a dieta inadequada na etiologia da obesidade (TARDIDO; FALCÃO, 2006).
O comportamento dos padrões de atividade física da população é pouco
conhecido em relação aos determinantes do equilíbrio energético. No Brasil, entre
outros fatores, a expansão do setor de serviços, com a predominância de ocupações que
demandam baixo gasto energético, sugere que o desenvolvimento e a modernização do
país associam-se a alterações significantes e negativas na atividade física, sendo estas
relevantes para explicar a ascensão da obesidade (DUTRA DE OLIVEIRA; CUNHA;
MARCHINI, 1996). É bastante provável que a redução da atividade física nas
populações, nas últimas duas décadas, seja um determinante do perfil nutricional
(PINHEIRO; FREITAS; CORSO, 2004).
Para as mulheres em idade reprodutiva destacam-se entre os fatores
contributivos para redução da atividade física a incorporação no mercado de trabalho e
o menor esforço dispensado no trabalho doméstico, condição favorecida pela
disponibilidade de eletrodomésticos modernos (OLIVEIRA et al, 2009).
A diminuição no nível de atividade física foi o maior preditor do ganho de peso
em 1.064 mulheres, identificada por estudo longitudinal desenvolvido na Escócia entre
1991 e 1993 (MACDONALD et al, 2003). Mulheres na pré-menopausa que praticavam
atividade moderada cinco vezes na semana ou atividade vigorosa por três vezes na
semana apresentaram IMC e percentual de gordura significativamente menores do que
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores32
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
aquelas que não praticavam atividade física regular (HOLCOMB, HEIM e LOUGHIN,
2004). A inatividade física vem sendo apontada como o principal fator modificável do
estilo de vida, associado à redução da morbidade e mortalidade associada à obesidade
em mulheres (DUBNOV; BRZEZINSKI; BERRY, 2003).
Estudo representativo da população do Uruguai indicou que o sedentarismo
atinge 66% da população (PISABARRO et al, 2009). No Brasil, dados iniciais do
Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não
Transmissíveis por Inquérito Telefônico-VIGITEL implantado em 2006, apontam que
29,2% da população não praticaram qualquer atividade física nos três meses anteriores a
avaliação, sendo os maiores índices observados em Natal (35,1%) e João Pessoa (35%)
(MOURA et al, 2008). Em Salvador, estudo realizado em 2001, mostrou que 65,5% das
mulheres e 41,8% dos homens não realizavam atividade física ou desenvolviam apenas
atividades leves (OLIVEIRA et al, 2009).
Outros fatores
Fatores com peso ao nascer, amamentação, idade da menarca, menopausa,
terapia de reposição hormonal e cor da pele, têm sido descritos na literatura como
possíveis preditores do ganho excessivo de peso.
Alguns estudos têm mostrado correlação positiva entre o peso ao nascer e o IMC
na idade adulta, sendo demonstrada por alguns estudos que maiores prevalências de
excesso de peso e obesidade ocorreram em indivíduos com maior peso ao nascimento
(BAIRD et al, 2005; VICTORA et al, 2008; GIGANTE et al, 2008).
Apesar de poucos registros na literatura, evidências têm apontado relação entre a
amamentação e o excesso de peso na idade adulta, sendo constatado em meta-análise
que indivíduos amamentados apresentaram menores freqüências de excesso de peso e
de obesidade, independentemente da duração do aleitamento (HORTA et al, 2007).
A idade da menarca inferior a 12 anos tem sido relacionada a uma maior
prevalência de obesidade. De acordo com a literatura, a menarca se dá por volta dos 12
e 13 anos de idade (CRESPIN, 1999). Picanço, em sua investigação encontrou média de
idade da menarca no Brasil de 13,02 anos (±0,09) (PINCANÇO, 1989). Kac e
colaboradores (2003) observaram que a prevalência de obesidade global foi de 52% em
mulheres com idade de menarca < 12 anos, com uma chance de três vezes maior de
obesidade entre essas mulheres quando comparadas àquelas que tiveram a primeira
menstruação com idade ≥ 12 anos (KAC; VELÁSQUEZ-MELÉNDEZ; VALENTE,
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores33
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
2003). Teichmann et al (2006) avaliando a prevalência e os fatores de risco para o
excesso de peso nas mulheres de São Leopoldo, RS, Brasil, mostraram que a idade da
menarca maior ou igual a 14 anos conferiu proteção para a obesidade em 58% .
Outros fatores descritos como determinantes do excesso de peso na mulher são a
menopausa e a terapia hormonal. Após os 50 anos a mulher apresenta tendência ao
aumento de peso. A cessação da função ovariana provoca redução do metabolismo, da
quantidade de massa magra, e do gasto energético no exercício, além de estimular o
acúmulo de gordura no tecido adiposo, contribuindo para o maior risco de obesidade e
doença cardiovascular em mulheres após a menopausa (FRANÇA; ALDRIGHI;
MARUCCI, 2008).
Inúmeros estudos relatam a influência da transição menopausal nas mudanças
desfavoráveis da distribuição de gordura corporal, contribuindo para explicar o maior
risco cardiovascular em mulheres nessa fase da vida (POEHLMAN; TCHERNOF,
1998; TOTH et al, 2000; GAMBACCIANI et al, 2001).
Em relação à terapia hormonal, os estudos enfocando sua adesão e mudanças
corporais na mulher mostram resultados bastante controversos, provavelmente em
decorrência de inúmeros fatores que podem relacionar-se ao aumento de peso, como
alimentação inadequada, atividade física insuficiente, maior número de partos, consumo
de bebidas alcoólicas e o próprio processo de envelhecimento (MATTHEWS et al,
2001; OZBEY et al, 2002; FRANÇA; ALDRIGHI; MARUCCI, 2008).
A cor da pele é uma característica biológica amplamente avaliada nos estudos
que objetivam descrever os fatores associados à obesidade. Entretanto, resultados
contraditórios são encontrados na literatura, havendo uma tendência que aponta para
uma maior prevalência de excesso de peso entre as mulheres não brancas (negras ou
pardas) do que entre as brancas (VELASQUES-MELENDEZ; PIMENTA; KAC, 2004;
TEICHMANN et al, 2006; GIGANTE et al, 2008). Resultados que corroboram com
essa tendência foram observados nos Estados Unidos (MCTIGUE; GARRETT;
POPKIN, 2002; COSSROW; FALKNER, 2004). No Rio de Janeiro, observou-se que o
ganho de peso em um período de dez anos foi maior entre negras e pardas do que entre
mulheres bancas, mesmo após ajuste para condições socioeconômicas ao longo da vida
(CHOR et al, 2004). No entanto, outros estudos brasileiros não demonstraram
associação entre o excesso de peso e a cor da pele (GIGANTE et al, 1997; OLINTO et
al, 2006).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores34
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
3. MÉTODOS
3.1 Desenho, População e Local de Estudo
Estudo de corte transversal, de base populacional, realizado no período de
maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 25 a
59 anos de idade, do Estado de Pernambuco.
Este estudo representa um recorte da “III Pesquisa Estadual de Saúde e
Nutrição (III PESN)” que foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4), e é
fruto de um estudo colaborativo das seguintes instituições: Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira
(IMIP) e Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE).
3.2 Amostragem
Na III PESN, para estudo do excesso de peso em adultos, foi considerada uma
prevalência de 40%, um erro de estimação de 3% e um nível de confiança de 95%,
totalizando 1.024 indivíduos a serem estudados. Para compensar possíveis perdas e para
permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, esse tamanho
amostral foi aumentado, resultando em uma amostra final de 1.580 adultos.
Foram excluídas as gestantes e os indivíduos portadores de alguma limitação
física que comprometesse a aferição das medidas antropométricas.
O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se
em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades
territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada
setor censitário para selecionar as famílias seguindo-se a incorporação de outras
famílias por ordem contrária ao movimento dos ponteiros de relógio até completar a
quota amostral prevista para cada setor (40 ± 5 famílias).
A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e
considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior
Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a
serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à
população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região
Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR).
Em cada um dos setores censitários sorteados para estudo foi tomado como
marco inicial o ponto extremo da face da quadra voltada para o nascente (critério
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores35
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
utilizado pelo IBGE) e, a partir deste ponto, tomando o sentido horário, foram
localizadas as unidades domiciliares.
Antes da realização do inquérito, um profissional da equipe visitou cada setor
censitário, identificando os domicílios a serem pesquisados e esclarecendo os objetivos
e procedimentos do estudo. Este trabalho prévio, além da identificação e concordância
das famílias selecionadas, possibilitava a construção de um roteiro físico, facilitando o
itinerário da equipe de pesquisadores na área de amostragem.
3.3 Trabalho de Campo
3.3.1 Instrumentos de Coleta de Dados
Os questionários da III PESN/2006 basearam-se no modelo utilizado pela II
PESN/97, para fins comparativos, com as ampliações necessárias para cobrir os
objetivos adicionais estabelecidos no projeto.
Para o presente estudo, foram utilizados dados de quatro formulários: 1) registro
de pessoas da família (ANEXO A); 2) registro e descrição do domicílio e aspectos da
renda familiar (ANEXO B); 3) registro de informações específicas para as mulheres
(ANEXO C); 4) registro de informações dos adultos (estilo de vida) (ANEXO D).
Para a padronização da coleta dos dados da III PESN, foi elaborado manual
instrucional correspondente a cada formulário, objetivando orientar os procedimentos
de preenchimento dos mesmos.
3.3.2 Seleção e Treinamento das Equipes de Campo
O trabalho de campo na III PESN envolveu 20 técnicos distribuídos em duas
equipes: uma de entrevistadores e outra de antropometria.
A equipe de entrevistadores foi composta por 10 profissionais de nível superior:
psicólogos,
sociólogos,
assistentes
sociais,
enfermeiras,
nutricionistas,
sendo
coordenada por quatro profissionais que haviam participado da pesquisa anterior (II
PESN).
O treinamento dos entrevistadores foi realizado no Departamento de Nutrição da
UFPE (DN/UFPE), no mês de abril de 2006, e constou de aulas expositivas, discussão
do questionário proposto, dramatizações, aulas práticas (avaliação e padronização das
medidas antropométricas) e práticas de campo em comunidade.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores36
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
3.3.3 Coleta de Dados
Foi realizado um estudo-piloto no município de Ribeirão, da Zona da Mata
Meridional de Pernambuco, no período de 24 a 28 de abril de 2006, entrevistando-se
aproximadamente 80 famílias de dois setores censitários (um de cada estrato
geográfico) não incluídos na amostra final. Nessa ocasião, além de testar o instrumento
de coleta, foi colocada em prática a logística do trabalho de campo, a fim de verificar
sua exequibilidade.
A atividade de coleta de dados da III PESN teve início em 10 de maio de 2006
sendo concluída em 25 de outubro do mesmo ano. O trabalho de campo contou com
uma Coordenação Geral sediada no Laboratório de Nutrição em Saúde Pública do
Departamento de Nutrição da UFPE, uma Coordenação de Área responsável pelas
visitas prévias aos locais da pesquisa, dois supervisores, além dos entrevistadores.
As Secretarias de Saúde dos municípios sorteados foram previamente contatadas
pela coordenação, ocasião em que tomaram conhecimento do projeto do estudo e dos
setores a serem pesquisados nos respectivos municípios e provável data da visita do
coordenador de área, além de receberem material para divulgação do trabalho junto à
população.
Nesta fase, contou-se com a colaboração dos Programas de Saúde da
Família (PSF) e dos Agentes Comunitários de Saúde (PACS), em nível local, para a
sensibilização das famílias das áreas selecionadas.
Os dados coletados pelos entrevistadores eram revisados e codificados,
visando detectar falhas no preenchimento, identificar formulários não preenchidos por
ausência de algum membro da família ou outro motivo que exigisse retorno imediato ao
domicílio. Ao final do dia, os questionários eram revisados pelo supervisor (2 a revisão)
para detecção de falhas de preenchimento, ausência de dados antropométricos e, em
seguida, eram repassados ao supervisor do laboratório que realizava uma 3 a revisão,
para complementar os dados, caso necessário.
3.3.4 Descrição e Operacionalização das Variáveis
3.3.4.1 Variáveis Antropométricas
A avaliação antropométrica foi realizada no momento da entrevista e a
tomadas das medidas atendeu às recomendações da OMS, 1998, sendo realizada em
duplicata e obedecendo aos procedimentos descritos a seguir:
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores37
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Peso
O peso dos adultos foi obtido utilizando-se balança digital (Modelo MEA03200/Plenna), com capacidade de 150 kg e escala de 100 gramas, com o indivíduo
descalço e indumentária mínima.
Altura
A altura foi determinada com estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) milimetrada, com precisão de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos eram
colocados em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do
corpo, os calcanhares, o dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira.
As leituras de peso e altura eram repassadas pelo entrevistador, em voz alta e
registrada em formulário específico por outro entrevistador, que repetia os valores,
também em voz alta, antes de registrá-los, para evitar possíveis erros no repasse das
informações.
Para garantir a acurácia das mensurações foram aferidas duas medidas de
peso e altura e quando a diferença entre as avaliações excediam 0,5cm para altura e
100g para o peso, repetia-se a mensuração e anotavam-se as duas medições com valores
mais próximos, utilizando a média destas para efeito de registro.
Circunferência da Cintura
A circunferência da cintura foi aferida em duplicidade no ponto médio entre a
última costela e a crista ilíaca com uma fita métrica inextensível de acordo com o
protocolo estabelecido pela OMS, 1998 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1998).
As variáveis antropométricas (variáveis dependentes) adotadas pelo estudo
foram representadas pelo IMC, pela CC e pela Razão Cintura-Estatura (concentração de
gordura abdominal), categorizados da seguinte forma:

IMC
Para classificação do estado nutricional utilizou-se o IMC determinado pelo
quociente da relação do peso (kg)/altura² (metros), sendo utilizados os limites de corte
recomendados pela OMS, 1998:
- Baixo peso: IMC< 18,5kg/m²;
- Eutrofia: IMC≥18,5kg/m² e <25kg/m/²;
- Excesso de Peso: IMC≥25kgm/².
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores38
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.

Circunferência da cintura
A concentração de gordura abdominal, segundo a CC, foi considerada:
- Normal: para mulheres com CC<80cm e para os homens com medida de
CC<94cm;
- Elevada: a medida da CC ≥80cm para mulheres, e CC≥94cm para homens.

Razão Cintura-Estatura (RCE)
Segundo a RCE, a concentração de gordura abdominal, foi classificada em:
- Normal: para mulheres com resultado da relação <0,52 e para os homens,
<0,53;
- Elevada: ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens, respectivamente (PITANGA;
LESSA, 2006).
3.3.4.2 Variáveis de Exposição
Todas as variáveis de exposição foram definidas e categorizadas com base em
revisão de literatura, conforme descrito abaixo:

Área geográfica
Foram considerados os três estratos geográficos:
- Região Metropolitana do Recife;
- Interior Urbano;
- Interior Rural.

Sexo
- Feminino;
- Masculino.

Idade
Consideraram-se os seguintes intervalos:
- 25 a 29 anos;
- 30 a 39 anos;
- 40 a 49 anos;
- 50 a 59 anos.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores39
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.

Renda familiar
Foi considerada a renda familiar em salários mínimos per capita, sendo
categorizada em quartis:
- 1º quartil: ≤0,12;
- 2º quartil: 0,12-0,25;
- 3º quartil: 0,25-0,45;
- 4º quartil: ≥0,45.

Escolaridade
Foi considerada em anos de estudo completos, sendo categorizada em:
- 0-4 anos;
- 5-8 anos;
- ≥9 anos.

Tabagismo
Foi categorizado da seguinte forma:
- Fumante: o indivíduo que referiu o hábito de fumar.
- Não fumante: o indivíduo que relatou nunca haver fumado.
- Ex-fumante: o indivíduo que referiu o hábito de fumar em algum momento da
vida, mas que não o fazia na ocasião da entrevista.

Consumo de álcool
Foi considerado o consumo de álcool nos 30 dias anteriores à entrevista, sendo
considerada a resposta dicotômica:
- Sim;
- Não.
 Atividade Física
Para determinação do nível de atividade física da população deste estudo foi
utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ, 2001), em sua versão
curta, que leva em consideração as quatro dimensões da atividade física: no lazer,
atividades domésticas,
atividades ocupacionais e atividades relacionadas ao
deslocamento, abordando informações sobre as atividades nas seguintes modalidades:
- Caminhada: tempo em minutos e número de dias que o indivíduo realizou a
atividade na semana.
- Atividades moderadas: atividades em que o indivíduo empenha algum esforço
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores40
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
físico, levando ao aumento da freqüência cardíaca e respiratória. São exemplos de
atividades moderadas: pedalar leve em bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica
leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa ou
quintal, como varrer, usar aspirador, cuidar do jardim ou trabalho como soldar, operar
máquinas, empilhar caixas, etc.
- Atividades vigorosas: atividades em que o indivíduo precisa realizar um grande
esforço físico, levando ao grande aumento da freqüência cardíaca e respiratória. São
exemplos de atividades vigorosas: correr, pedalar rápido em bicicleta, jogar futebol,
fazer ginástica aeróbica, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados na casa ou
quintal, carregar grandes pesos ou trabalhos como enxada, britadeira, marreta, machado,
alavanca, etc.
O IPAQ mede a freqüência e duração das atividades físicas moderadas, vigorosas e
caminhadas realizadas na última semana por pelo menos dez minutos contínuos,
incluindo exercícios, esportes e atividades físicas ocupacionais e recreativas realizadas
em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer (ALVES et al, 2010).
Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído, somando-se os
minutos despendidos em caminhada e atividades de intensidade moderada com os
minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta
estratégia visa considerar as diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo
com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física (BARROS; NAHAS,
2001; BARROS; HIRAKATA, 2003). Um escore abaixo de 150 minutos por semana foi
o ponto de corte para classificar os indivíduos como insuficientemente ativos ou
sedentários (UNITED STATES DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN
SERVICES).
 Consumo Alimentar
As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando um
questionário de freqüência alimentar (ANEXO D), conferindo ao entrevistado quatro
possibilidades de resposta de consumo: dia, semana, mês e raramente/nunca.
A avaliação do consumo foi realizada com base na metodologia proposta por Fornés
et al (2002), que adota como referência o consumo diário equivalente a 30 dias do mês
(consumo mensal). Desta forma, atribuiu-se um peso a cada categoria de freqüência do
consumo baseada na freqüência mensal. O consumo diário do item alimentar
correspondeu ao valor de peso máximo (peso 1). Os demais foram obtidos de acordo a
seguinte equação:
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores41
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Peso = (1/30) x (a)
Onde a correspondeu ao número de dias consumido no mês. Quando a referiu-se ao
consumo semanal, converteu-se o número à freqüência mensal, multiplicando-o por 4,
considerando que o mês tem 4 semanas. Por exemplo: um alimento consumido 4 vezes
na semana teve sua freqüência de consumo mensal de 16 vezes no mês. Assim, o peso
para a freqüência ficaria: Peso = (1/30) x (16) = 0,533. Para cada alimento consumido
pelo participante será atribuído um escore de freqüência de consumo.
Posteriormente foram constituídos 3 grupos de alimentos: o grupo 1 englobou as
frutas, legumes, hortaliças e leguminosas; o grupo 2 correspondeu aos alimentos ricos
em carboidratos simples (bolo, biscoitos, açúcar, refrigerantes)
e o grupo 3 foi
composto por carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e
derivados, gorduras e frituras.
Para fins de análise, o consumo de cada grupo foi convertido em quartis, sendo
determinadas as categorias a seguir:
 Grupo 1:
- 1ª quartil: ≤ 1,67;
- 2ª quartil: 1,67-2,33;
- 3ª quartil: 2,33-3,17;
- 4ª quartil: ≥3,17.
 Grupo 2:
- 1ª quartil: ≤ 3,03;
- 2ª quartil: 3,03-4,20;
- 3ª quartil: 4,20-5,33;
- 4ª quartil: ≥5,33.
 Grupo 3:
- 1ª quartil: ≤ 2,47;
- 2ª quartil: 2,47-3,50;
- 3ª quartil: 3,50-4,53;
- 4ª quartil: ≥4,53.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores42
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Foram consideradas ainda variáveis reprodutivas, definidas conforme apresentado
abaixo:
 Paridade
- <3 gestações;
- ≥3 gestações.
 Idade da menarca
- 8-11 anos;
- 12-13 anos;
- ≥14 anos.

Idade da primeira gestação
- < 18 anos;
- ≥18 anos.

Uso de Contraceptivo Oral
- Sim;
- Não.
3.4 Processamento e análise dos dados
A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO,
Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do modo validate para checar
eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0
(SPSS Inc., Chicago, IL, USA). Inicialmente, as variáveis contínuas foram testadas segundo
a normalidade da distribuição pelo teste de Kolmogorov-Smirnov. Quando apresentaram
distribuição não normal foram transformadas ao seu logaritmo natural e retestadas quanto à
normalidade. Quando mantiveram a distribuição não Gaussiana, foram descritas na forma
de mediana e intervalo interquartílico e os testes não paramétricos foram aplicados.
A análise estatística foi realizada em três etapas: primeiro, uma análise descritiva
para caracterizar a distribuição da ocorrência dos eventos, incluindo a freqüência de
cada variável do estudo; segundo, uma análise univariada entre as variáveis dependentes
(excesso de peso e concentração de gordura abdominal, segundo a CC e RCE) e as
variáveis independentes, com aplicação do teste do qui-quadrado resultando na
determinação da razão de prevalência (RP) e respectivo intervalo de confiança de 95%
para cada característica estudada.
A análise multivariada, terceira etapa, foi realizada no software STATA/SE
9.0 (Stata, Texas, US), pelo método de regressão log-Poisson onde foram incluídas no
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores43
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
modelo múltiplo todas as variáveis que se mostraram associadas ao evento de interesse
com significância estatística de até 20%. Essa probabilidade foi estipulada para que
possíveis fatores associados ao evento não fossem excluídos da análise. Para aceitação
das associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05.
3.5 Considerações Éticas
O projeto de Pesquisa da III PESN foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando
Figueira, em 12 de janeiro de 2006, sob o número de protocolo 709/2006 (ANEXO E).
Inicialmente os entrevistadores explicavam os objetivos da pesquisa, bem
como a confidencialidade dos dados, sendo assinado termo de consentimento livre e
esclarecido (ANEXO F) pelos adultos que concordaram em participar da pesquisa.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores44
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
4. RESULTADOS
Os resultados deste estudo serão apresentados sob a forma de três artigos
originais que serão divulgados em veículos científicos, conforme regulamentação do
Colegiado de Pós Graduação do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal
de Pernambuco:
 1º Artigo: intitulado ―Excesso de peso em adultos do Estado de
Pernambuco: magnitude e fatores associados”, objetiva avaliar a magnitude
do excesso de peso e os fatores associados em adultos, na faixa etária de 25 a
59 anos de idade, do estado de Pernambuco, e será submetido à avaliação
para publicação na Revista Cadernos de Saúde Pública, cujas normas para
elaboração encontram-se em anexo (ANEXO G).
 2º Artigo: intitulado ―Prevalência e fatores associados à concentração
de gordura abdominal na população adulta do Estado de Pernambuco”,
objetiva avaliar a magnitude da concentração de gordura abdominal, através
da circunferência da cintura e da razão cintura-estatura, e os fatores
associados em adultos, na faixa etária de 25 a 59 anos de idade, do Estado de
Pernambuco, e será submetido à apreciação para publicação na Revista de
Saúde Pública, cujas normas para elaboração encontram-se em anexo
(ANEXO H).
 3º Artigo: intitulado ―Padrão de consumo alimentar e fatores associados
na população adulta do Estado de Pernambuco”, objetivou caracterizar o
padrão de consumo alimentar da população adulta pernambucana e os
fatores associados a esse perfil de consumo, e foi submetido à avaliação para
publicação na Revista Cadernos de Saúde Pública (ANEXO I).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores45
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Primeiro artigo original:
Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco:
magnitude e fatores associados
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores46
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Excesso de peso em adultos do Estado de Pernambuco: magnitude e fatores
associados
Overweight among adults from Pernambuco State: magnitude and associated factors
Título resumido: Excesso de peso e fatores associados em adultos pernambucanos
Autores
Cláudia Porto Sabino Pinho I, Alcides da Silva DinizII, Ilma Kruze Grande de ArrudaII,
Pedro Israel Cabral de LiraII, Malaquias Batista Filho III.
I
Mestranda em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
II
Professor do Departamento de Nutrição da UFPE.
III
Professor do Instituto de Medicina Integral de Professor Fernando Figueira (IMIP) e
Professor Colaborador do Programa de Pós-graduação em Nutrição da UFPE.
Autor para correspondência:
Cláudia Porto Sabino Pinho
Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil.
Email: [email protected]
Instituição de financiamento:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos
N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores47
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
RESUMO
Com o objetivo de avaliar a magnitude do excesso de peso (EP) e os fatores associados
em adultos do Estado de Pernambuco, foi realizado estudo transversal, de base
populacional, em 2006, envolvendo 1.580 adultos, na faixa etária de 25-59 anos. O EP
foi determinado pelo Índice de Massa Corpórea≥25kg/m². O modelo conceitual
considerou variáveis socioeconômicas/demográficas, reprodutivas e comportamentais.
A prevalência de EP foi de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), sendo maior a partir de 40 anos
(RP=1,27; IC95% 1,10;1,46), em mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16;1,43), em ex-fumantes
(RP=1,43; IC95% 1,21;1,68), em indivíduos com maior renda (RP=1,49; IC95% 1,30;1,71)
e em mulheres com primeira gestação com idade<18 anos (RP=1,25; IC 95% 1,11;1,66).
Não houve associação com o consumo de álcool, com a atividade física e com o
consumo alimentar. A expressiva prevalência do excesso de peso e a associação com
vários fatores corroboram com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido
em todo o mundo e reforçam a multifatorialidade de sua etiologia.
Palavras-chaves: Índice de Massa Corpórea; Sobrepeso; Fatores epidemiológicos;
Adulto.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores48
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ABSTRACT
With the objective to evaluate the magnitude of overweight (OW) and associated factors
in Pernambuco, it was made a transversal study of population basis in 2006, involving
1.580 adults, between 25 e 59 years old. OW was determinated by the Body Mass Index
≥25kg/m2. The concept considered demographic, socioeconomical, reproductive and
behavioral variables. The prevalence of OW was 51,1% (CI95% 48,6-53,6). It was higher
when over 40 years old (PR=1,27; CI95% 1,10;1,46), among women (PR=1,29; CI95%
1,16;1,43), ex smokers (PR=1,43; CI95% 1,21;1,68), among people with higher incomes
(PR=1,49; CI95%1,30;1,71) and among women with early pregnancy (less than 18 years
old) (PR=1,25; CI95% 1,11;1,66). There was no association with alcohol consumption,
physical activities and with food consumption. The expressive prevalence of overweight
and the association with lots of factors are in keeping with the epidemic levels of this
problem all around the world and support its multifactorial etiology.
Key-words: Body mass índex, Overweight; Epidemiologic factors; Adult.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores49
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Introdução
O excesso de peso, definido pelo Índice de Massa Corpórea (IMC) ≥25kg/m²,
está relacionado ao aumento da morbimortalidade por predispor o indivíduo a
anormalidades na pressão arterial e no metabolismo dos lipídios e glicídios1-3.
A prevalência mundial de sobrepeso e obesidade vem apresentando um
rápido e progressivo aumento nas últimas décadas, sendo caracterizada como uma
verdadeira epidemia mundial4,5. Resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares
(POF) realizada no Brasil em 2008-20096 revelam que o excesso de peso atingiu cerca
de metade dos homens (50,1%) e das mulheres (48%).
Dados da II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição 7, realizada em 1997, com
amostra representativa do Estado de Pernambuco, revelou prevalência de excesso de
peso no sexo masculino e feminino de 34,2% e 43%, respectivamente. Em Recife,
dados provenientes de estudo realizado por inquérito telefônico em 2006, revelam que o
excesso de peso esteve presente em 43,3% da população8.
O IMC é o indicador de obesidade total mais utilizado em estudos
epidemiológicos9-12, sendo um bom parâmetro para expressar a gordura corporal em
excesso e útil para quantificar a obesidade global13. Apesar de suas limitações
(variações na estrutura e proporções corporais, além de pontos de corte único para
ampla faixa etária), o IMC é a medida mais aceita universalmente para categorizar o
estado nutricional dos indivíduos, sobretudo em escala populacional14.
Diversos fatores biológicos, socioeconômicos e comportamentais, associados a
uma predisposição genética, têm sido associados ao excesso de peso e obesidade.
Entretanto, devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada uma
das variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso 15,16.
O Estado de Pernambuco não dispõe de dados atualizados acerca da magnitude
excesso de peso e dos fatores que estão influenciando o perfil antropométrico de sua
população. Dentro deste contexto, o presente estudo teve como objetivo descrever a
magnitude do excesso de peso e seus fatores associados na população adulta do Estado
de Pernambuco.
Métodos
Foi realizado estudo de corte transversal, de base populacional, no período
de maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos, na faixa etária de 25
a 59 anos, provenientes de área urbana e rural do Estado de Pernambuco. Foram
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores50
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
excluídos os indivíduos que apresentaram alguma limitação física que impossibilitasse a
aferição das medidas antropométricas e as gestantes.
Para definição do tamanho amostral foi considerada uma prevalência de excesso
de peso estimada em 40%, um erro de estimação de até 5%, um nível de confiança de
95%, e um efeito do desenho da ordem de 2,5, totalizando 922 indivíduos a serem
estudados. Para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes,
trabalhou-se com uma amostra final de 1.580 adultos.
O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se
em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades
territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada
setor censitário para selecionar as famílias seguindo-se a incorporação de outras
famílias por ordem contrária ao movimento dos ponteiros de relógio até completar a
quota amostral prevista para cada setor (40 ± 5 famílias).
A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e
considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior
Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a
serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à
população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região
Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR).
A aplicação dos questionários de pesquisa e a coleta das medidas
antropométricas foram realizadas por duplas de técnicos treinados. A altura foi
determinada com estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) - milimetrada, com precisão
de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos foram colocados em posição ereta,
descalços, com membros superiores pendentes ao longo do corpo, os calcanhares, o
dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira. O peso dos adultos foi obtido utilizandose balança digital (Modelo MEA-03200/Plenna), com capacidade de 150 kg e escala de
100 gramas, com o indivíduo descalço e indumentária mínima.
Para garantir a acurácia das mensurações foram aferidas duas medidas de
peso e altura e quando a diferença entre as avaliações excediam 0,5cm para altura e
100g para o peso, repetia-se a mensuração e anotavam-se as duas medições com valores
mais próximos, sendo utilizando a média destas.
O excesso de peso foi considerado quando o IMC≥25kg/m², segundo ponto de
corte preconizado pela Organização Mundial de Saúde, 1998 17.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores51
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
O modelo hipotético causal construído para explicar o excesso de peso
considerou as seguintes variáveis: demográficas: sexo, idade (categorizada nos
intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área geográfica da
residência (RMR, IU, IR); socioeconômicas: escolaridade, em anos completos de estudo
(categorizada nos intervalos: 0-4 anos, 5-8 anos e ≥9 anos), e renda familiar em salário
mínimo per capita (estabelecida em quartis de renda, e levando-se em conta o salário
mínimo vigente na época: R$350,00); reprodutivas: paridade (categorizada em <3
gestações e ≥ 3 gestações), idade da menarca (categorizada nos intervalos: 8-11 anos;
12-13 anos e ≥14 anos), idade da primeira gestação (< 18 anos e ≥18 anos) e uso de
contraceptivo oral (com a resposta dicotômica sim ou não); e comportamentais:
tabagismo, consumo de álcool, atividade física e consumo alimentar.
Para o tabagismo foram consideradas as categorias: fumante (o indivíduo que
referiu o hábito de fumar), não fumante (o indivíduo que relatou nunca haver fumado) e
ex-fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar em algum momento da vida, mas
que não o fazia na ocasião da aplicação do questionário). Para a variável consumo de
álcool, avaliou-se o consumo de bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à aplicação do
questionário, sendo considerada a resposta dicotômica sim ou não.
Para determinação do nível de atividade física da população deste estudo foi
utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) 18, 2001, em sua versão
curta, que leva em consideração as quatro dimensões da atividade física: no lazer,
atividades domésticas,
atividades ocupacionais e atividades relacionadas ao
deslocamento. Esse instrumento mede a frequência e duração das atividades físicas
moderadas, vigorosas e caminhadas realizadas na última semana por pelo menos dez
minutos contínuos, incluindo exercício, esportes, atividades físicas ocupacionais e
recreacionais realizadas em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer.
Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído, somando-se os
minutos despendidos em caminhada e atividades de intensidade moderada com os
minutos despendidos em atividades de intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta
estratégia visa considerar as diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo
com as recomendações atuais quanto à prática de atividade física19,20. Um escore abaixo
de 150 minutos por semana foi o ponto de corte utilizado para classificar os indivíduos
como insuficientemente ativos ou sedentários21.
As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando um
questionário de frequência alimentar e a avaliação do consumo foi realizada com base
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores52
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
na metodologia proposta por Fornés et al. (2002) 22, na qual o cômputo geral da
frequência de consumo é convertido em escores. Foram constituídos três grupos de
alimentos: o grupo 1 foi composto por alimentos ricos em fibras, como leguminosas,
frutas, legumes e hortaliças, considerados protetores para as doenças cardiovasculares
(DCV’s) e para o ganho excessivo de peso; o grupo 2 foi composto pelos alimentos
ricos em carboidratos simples (bolo, biscoito, açúcar e refrigerantes); e no grupo 3
foram inseridos os alimentos ricos em gorduras saturadas (carnes com gordura, frango
com pele, vísceras, embutidos, laticínios, gorduras e frituras). Os grupos 2 e 3 foram
compostos por alimentos considerados de risco para o desenvolvimento de doenças
cardiovasculares e para o ganho de peso excessivo. Os escores de consumo de cada
grupo foram categorizados em quartis.
O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em
Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, em 12
de janeiro de 2006, sob o número 709/2006. Os indivíduos que concordaram em
participar da pesquisa assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido.
A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO,
Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo validate para checar
eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão 12.0
(SPSS Inc., Chicago, IL, USA).
A análise estatística foi realizada em três etapas. Inicialmente, realizou-se
uma análise descritiva para caracterizar a distribuição da ocorrência dos eventos,
incluindo a frequência de cada variável do estudo. Na segunda etapa, procedeu-se uma
análise univariada entre a variável dependente (excesso de peso) e as variáveis
independentes para determinação da razão de prevalência (RP) e seu respectivo
Intervalo de Confiança de 95% (IC95%). Numa terceira etapa, foi realizada análise
multivariada, utilizando o software STATA/SE 9.0 (Stata, Texas, US), pelo método de
regressão log-Poisson onde foram incluídas no modelo múltiplo todas as variáveis
associadas ao evento de interesse com significância estatística de até 20%. Para
aceitação das associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores53
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Resultados
As perdas ocorreram em função da exclusão de inconsistências de informações
ou ausência de resposta para as variáveis independentes: escolaridade (1,1%), renda
(1,6%), tabagismo (0,1%), consumo de álcool (6,9%), consumo alimentar (0,6%),
paridade (1,2%), idade da menarca (13,5%), idade da primeira gestação (13,2%) e uso
de contraceptivo oral (11,9%).
A amostra foi composta por 1.580 indivíduos, com mediana de idade de 33 anos
(IQ=29-41), sendo 58% do sexo feminino, 48,7% residentes do Interior Rural do Estado
e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos de estudo). A mediana da
renda familiar per capita (em salários mínimos) foi de 0,25 (IQ 0,12-0,45).
Quanto às variáveis comportamentais, observou-se predominância dos
indivíduos não fumantes (62,5%), com nível suficiente de atividade física (71,5%) e
68,9% consumiram bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores a realização da pesquisa.
As medianas do escore de consumo dos grupos de alimentos fontes em fibras,
carboidratos simples e gorduras saturadas foram de 2,33 (IQ 1,67-3,17), 4,20 (IQ 2,474,53) e 3,50 (IQ 2,47-4,53), respectivamente.
Foi observada prevalência de excesso de peso de 51,1% (IC95% 48,6-53,6), e o
baixo peso foi constatado em menos de 3,0% da população. A obesidade foi maior no
sexo feminino (tabela 1).
A análise univariada (tabela 2) mostrou que a prevalência de excesso de peso foi
maior entre as mulheres (RP=1,29; IC95% 1,16-1,43) e que aumentou pari passu com a
progressão da renda.
O excesso de peso foi mais prevalente a partir dos 40 anos, sendo 1,27 vezes
maior na faixa de 40-49 anos e 1,42 vezes mais elevado na faixa de 50-59 anos, quando
comparado à faixa etária dos indivíduos mais jovens (25-29 anos).
A prevalência de excesso de peso foi maior 1,43 vezes em ex-fumantes e 1,28
vezes em não fumantes quando comparado ao grupo de indivíduos não fumantes. Não
houve associação entre o excesso de peso e as outras variáveis comportamentais
(consumo de álcool, nível de atividade física e consumo alimentar).
Dentre as variáveis reprodutivas, apenas a idade da primeira gestação foi
associada ao desfecho estudado, sendo a gestação precoce (idade <18 anos) um fator de
risco para o excesso de peso.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores54
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Na análise ajustada para o sexo masculino, verificamos entre os homens uma
associação do excesso de peso com o estrato geográfico da residência, com a renda e
com o tabagismo (tabela 3).
Entre as mulheres, apenas a idade e a idade da primeira gestação mantiveram-se
associadas ao excesso de peso, após controle das variáveis de confusão, sendo
evidenciadas maiores prevalências de excesso de peso entre mulheres de maior idade e
entre aquelas em que a primeira gestação ocorreu antes dos 18 anos (tabela 3).
Discussão
A literatura especializada23-26 têm indicado diferentes razões para o surgimento e
a manutenção da obesidade em inúmeras populações. Os inquéritos que têm sido
empreendidos correlacionando aspectos genéticos à ocorrência de obesidade não têm
sido capazes de evidenciar a interferência destes em mais de um quarto dos obesos,
fazendo com que ainda se acredite que o processo de acúmulo excessivo de gordura
corporal, na maioria dos casos, seja desencadeado por aspectos sócio-ambientais23,27,28.
A elevada prevalência de excesso de peso (51,1%) e a reduzida prevalência de
baixo peso (2,7%) observada em nossa casuística seria um retrato do processo de
transição nutricional experimentado pelo Brasil nas últimas décadas.
O percentual expressivo de indivíduos pernambucanos com excesso de peso foi
similar aos dados apresentados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares, 2008-20096,
que identificou que cerca de metade da população adulta brasileira tinha excesso de
peso. Outros estudos de base populacional realizados no Norte e Nordeste do país 29-31
revelaram prevalências menores, enquanto estudos realizados em populações do Sul e
Sudeste indicaram prevalências similares aos nossos achados5,32,33, demonstrando que o
Estado de Pernambuco apresenta padrão de excesso de peso similar às regiões mais
desenvolvidas do país.
Dados da II Pesquisa Estadual de Saúde e Nutrição, realizada em 1997 7 no
Estado de Pernambuco, com metodologia similar e considerando os mesmos municípios
analisados neste estudo, mostraram prevalência de excesso de peso em 39,6% da
população. Indicando, portanto, que houve um crescimento de cerca de 30% do excesso
de peso entre adultos pernambucanos em um período inferior a 10 anos. Vários estudos
brasileiros mostram claras tendências regionais e temporais do aumento progressivo da
obesidade no país34-36.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores55
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
A maior prevalência do excesso de peso observada entre as mulheres
investigadas neste estudo pode ser atribuída a alguns fatores, tais como maior
composição de gordura no gênero, gestações, diferenças hormonais e climatério 37-39.
Esse achado é consistente com os resultados encontrados em outros estudos
populacionais que avaliaram os fatores associados ao excesso de peso e obesidade em
mulheres24,29,39,40. Entretanto, apesar de uma forte tendência apontar que a obesidade
abdominal é mais prevalente entre as mulheres, o papel do sexo em relação ao excesso
de peso e obesidade global não está bem definido, sendo heterogêneos os resultados que
analisam essa associação. Inquérito telefônico que avaliou os fatores de risco para
doenças crônicas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal indicou que o excesso
de peso tendeu a ser mais frequente em homens do que em mulheres, exceto nas cidades
de Recife, Rio Branco, Salvador e São Paulo, onde as frequências foram semelhantes
nos dois sexos8.
A maior prevalência de excesso peso a partir dos 40 anos de idade é comumente
constatada devido ao declínio da taxa metabólica basal que fisiologicamente acompanha
o processo de envelhecimento e da redução natural da prática de atividades físicas 41.
Esse resultado é consistente com a literatura que aponta relação direta entre o excesso
de peso e a idade do indivíduo 5,24,39,40,42. Após controle das variáveis de confusão, a
associação com a idade manteve-se apenas entre as mulheres. Resultados registrados
pelas Pesquisas de Orçamentos Familiares, 2002-200342 indicam comportamento do
excesso de peso diferente entre os sexos. Enquanto na mulher há uma tendência
crescente do excesso de peso à proporção que aumenta a idade, entre os homens há um
declínio a partir dos 55 anos.
A associação direta entre o excesso de peso e a renda observada entre os
homens, mesmo após ajuste das variáveis de confusão, corrobora com resultados
encontrados por outros autores31,40 que indicam que há uma relação positiva entre o
excesso de peso e a renda familiar apenas no sexo masculino.
A ausência de associação entre a escolaridade e o excesso de peso contraria
dados descritos na literatura que apontam relação direta entre o excesso de peso e
escolaridade entre as mulheres e relação inversa entre os homens24,38,40,43,44.
Maior excesso de peso entre as mulheres com idade prematura ao primeiro parto
poderia ser explicado pela ativação precoce dos hormônios relacionados ao ciclo
reprodutivo, propiciando assim um aumento da concentração de gordura corporal45. Na
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores56
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
literatura ainda são escassos os estudos que avaliam a associação deste fator com a
adiposidade corporal.
A ausência de associação entre o excesso de peso e paridade foi um resultado
inesperado, uma vez que a alta paridade destaca-se entre os fatores contributivos para a
obesidade em mulheres. Essa tendência tem sido amplamente descrita na
literatura5,29,39,46-50, e poderia ser explicada pelo ganho excessivo de peso no período
gestacional e posterior dificuldade para perda. Nos países em desenvolvimento, nos
quais o número maior de gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor
entre as gestações, essa relação é ainda mais expressiva49.
Maiores prevalências de excesso de peso entre ex-fumantes e não-fumantes pode
ser possivelmente atribuída ao efeito da nicotina sobre o balanço energético (aumento
do metabolismo corporal)39,54,55. A associação inversa entre o excesso de peso e o
tabagismo é relatada frequentemente na literatura24,29,39,51-53.
Apesar de não termos encontrado associação do excesso de peso com o consumo
de álcool, diversos estudos têm avaliado esse papel na alteração dos indicadores de
obesidade global e central24,29,46,51,56,57. Entretanto ainda não está claro o papel do álcool
no mecanismo de determinação da adiposidade corporal, sobretudo pela grande variação
metodológica encontrada na literatura relativa à frequência e quantidade do etanol
consumido. Além disso, da mesma forma que a teratogenicidade do álcool encontra
diferentes respostas dependendo do indivíduo, o ganho de peso relacionado ao consumo
de etanol segue a mesma tendência58. Deve-se ressaltar que a seleção metodológica para
avaliação do consumo do álcool no nosso estudo (consumo nos 30 dias anteriores) é
possivelmente um fator limitante para análise da associação com o excesso de peso,
sobretudo porque esta definição não reflete a frequência ou quantidade de etanol
consumida.
Os dois aspectos mais apresentados na literatura como determinantes de um
quadro de balanço energético positivo têm sido mudanças no padrão alimentar, com
aumento do fornecimento de energia pela dieta, e redução da atividade física,
configurando
o
que
poderia
ser
chamado
de
estilo
de
vida
ocidental
contemporâneo23,29,59. Entretanto, nossos resultados não destacaram essa associação, e
esta condição é passível de ser interpretada à luz da causalidade reversa dado que, uma
vez diagnosticado o excesso de peso corporal, o indivíduo pode ter iniciado medidas de
aumento do gasto energético e mudanças no padrão alimentar para o controle do peso.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores57
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
É importante destacar com relação à atividade física que verificamos uma baixa
prevalência de indivíduos considerados sedentários ou insuficientemente ativos
(28,5%), contrastando com a expressiva prevalência de excesso de peso evidenciada em
nossos resultados. Entretanto, como a mensuração da atividade física foi realizada por
um instrumento que considera as atividades desenvolvidas no lazer, deslocamento, e em
atividades domésticas e ocupacionais, justifica-se esse baixo percentual encontrado.
Além disso, nossos índices de sedentarismo foram equivalentes a outros estudos
recentes que utilizaram o mesmo instrumento de avaliação e mesmo ponto de corte 60-62.
A inclusão de indivíduos a partir dos 25 anos compromete a representatividade
da população adulta. Entretanto, este fato ocorreu devido aos dados primários deste
estudo serem provenientes de pesquisa desenhada para avaliação de doenças crônicas e
pela limitação de recursos, foram excluídos os indivíduos mais jovens (20-24 anos).
A expressiva prevalência do excesso de peso revelada nesta investigação
corrobora com os níveis epidêmicos que este problema tem assumido em todo o mundo.
Além disso, a constatação de que vários fatores foram associados ao excesso de peso,
reforçam a multifatorialidade na etiologia do problema e indicam a necessidade de
ações intersetoriais articuladas e estruturação das macro-políticas sociais para o controle
da doença.
Prioridades de intervenção devem ser dirigidas aos subgrupos onde os problemas
nutricionais foram mais frequentes: mulheres, indivíduos a partir dos 40 anos de idade,
não fumantes e ex-fumantes, homens de maior nível socioeconômico e mulheres com
primeira gestação antes dos 18 anos.
Espera-se com esses resultados contribuir para o planejamento de estratégias
efetivas e ações direcionadas à prevenção e ao manejo do ganho excessivo de peso,
levando-se em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e de estilo de vida
observados.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores58
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabelas
Tabela 1 – Estado nutricional, segundo o Índice de Massa Corpórea de adultos, de
ambos os sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos, do Estado de Pernambuco, 2006.
Estado Nutricional
n
Índice de Massa Corpórea
Baixo Peso (<18,5kg/m²)
Eutrofia (18,5-24,9 kg/m²)
Sobrepeso (25-29,9 kg/m²)
Obesidade (≥30 kg/m²)
42
731
532
275
Total
(n=1.580)
%
IC95%
2,7
46,3
33,7
17,4
1,92-3,58
43,8-48,4
31,3-36,1
15,6-19,4
Sexo Masculino
(n=664)
n
%
IC95%
11
362
206
85
1,7
54,5
31,0
12,8
0,8-2,9
50,6-58,3
27,5-34,7
10,3-15,6
Sexo Feminino
(n=916)
n
%
IC95%
31 3,4
2,3-4,8
369 40,3 37,1-43,5
326 35,6 32,4-38,8
190 20,7 18,1-23,5
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores59
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 2 – Razão de prevalência do excesso de peso (IMC≥25kg/m²) segundo
características demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais de
adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco, 2006
Variáveis
<25kg/m²
≥25kg/m²
RP
IC95%
N
%
N
%
Sexo
Masculino
373
56,2
291
43,8
1,00
Feminino
400
43,7
516
56,3
1,29
1,16-1,43
Idade (anos)
25-29
268
55,3
217
44,7
1,00
30-39
316
49,9
317
50,1
1,12
0,99-1,27
40-49
126
43,4
164
56,6
1,27
1,10-1,46
50-59
63
36,6
109
63,4
1,42
1,22-1,65
Área de Residência
Região Metropolitana do Recife
197
46,7
225
53,3
1,00
Interior Urbano
165
42,4
224
57,6
1,09
0,95-1,22
Interior Rural
411
53,4
358
46,6
0,87
0,78-0,98
Escolaridade (anos de estudo)
0-4
424
49,9
425
50,1
0,96
0,85-1,08
5-8
166
47,6
183
52,4
1,00
0,88-1,16
≥9
175
47,9
190
52,1
1,00
Renda Familiar Per Capita
(salários mínimos)
≤0,12
228
58,0
165
42,0
1,00
0,12-0,25
210
51,0
202
49,0
1,17
1,00-1,36
0,25-0,45
180
49,0
187
51,0
1,21
1,04-1,42
≥0,45
145
37,4
243
62,6
1,49
1,30-1,71
Tabagismo
Fumante
208
58,9
145
41,1
1,00
Não fumante
466
47,2
521
52,8
1,28
1,12-1,48
Ex-fumante
99
41,4
140
58,6
1,42
1,21-1,69
Consumo de Álcool nos últimos 30
dias
Não
492
48,4
525
51,6
1,00
Sim
235
51,2
224
48,8
0,94
0,85-1,06
Atividade Física
Suficientemente Ativo
559
49,5
571
50,5
1,00
Insuficientemente Ativo
214
47,6
236
52,4
1,04
0,93-1,15
Escore de Consumo - Grupo 1
(quartis)
≤1,67
198
50,1
197
49,9
0,97
0,85-1,12
1,67-2,33
171
46,2
199
53,8
1,08
0,92-1,20
2,33-3,17
210
50,1
209
49,9
1,00
0,85-1,11
≥3,17
191
48,7
201
51,3
1,03
Escore de Consumo - Grupo 2
(quartis)
≤3,03
186
48,3
199
51,7
1,00
3,03-4,20
191
46,2
222
53,8
1,04
0,91-1,19
4,20-5,33
194
50,8
188
49,2
0,95
0,83-1,10
≥5,33
200
50,4
197
49,6
0,96
0,84-1,10
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores60
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Escore de Consumo - Grupo 3
(quartis)
≤2,47
2,47-3,50
3,50-4,53
≥4,53
Paridade
<3 gestações
≥3 gestações
Idade da Menarca
8-11 anos
12-13 anos
≥14 anos
Idade da 1ª gestação
<18 anos
≥18 anos
Uso de Contraceptivo Oral
Não
Sim
197
185
190
195
49,1
472
49,7
49,2
204
207
192
201
50,9
52,8
50,3
50,8
1,00
1,04
0,99
1,00
0,91-1,19
0,86-1,13
0,87-1,14
192
201
46,3
41,0
223
289
53,7
59,0
1,00
1,10
0,98-1,23
46
169
144
38,7
45,6
47,7
73
202
158
61,3
54,4
52,3
1,00
0,89
0,85
0,75-1,05
0,71-1,02
75
286
35,9
48,8
134
300
64,1
51,2
1,00
0,80
0,70-0,91
267
102
45,0
47,7
326
112
55,0
52,3
1,00
0,95
0,82-1,10
RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito,
açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e
derivados, gorduras e frituras. Suficientemente ativos: atividades moderada, vigorosa ou caminhada por
tempo≥ 150 minutos/semana. Insuficientemente ativos ou sedentários: indivíduos com atividades
moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores61
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 3 – Regressão de Poisson dos fatores associados ao excesso de peso (IMC
≥25kg/m²), em homens e mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos, do Estado de
Pernambuco, 2006.
Razão de
Variáveis
IC95%
p-valor
Prevalência
HOMENS
Área de Residência
Região Metropolitana do Recife
Interior Urbano
Interior Rural
Renda familiar em Salários
Mínimos* per capita (quartis)
≤0,12
0,12-0,25
0,25-0,45
≥0,45
Tabagismo
Fumante
Não fumante
Ex-fumante
1,00
1,19
0,88
(0,97; 1,47)
(0,70; 1,11)
0,014
<0,001
1,00
1,32
1,29
1,91
(0,99; 1,77)
(0,95; 1,74)
(1,44; 2,53)
1,00
1,37
1,10
(1,08; 1,72)
(1,12; 1,91)
0,012
MULHERES
Idade
25 – 29 anos
30 – 39 anos
40 – 49 anos
50 – 59 anos**
Idade da 1ª gestação
<18 anos
≥18 anos
<0,001
1,00
1,19
1,51
-
(1,02; 1,39)
(1,31; 1,73)
<0,001
1,00
0,83
(0,69; 0,89)
*Valor do salário mínimo no período: R$350,00.
**Esta categoria de idade não entrou no modelo ajustado porque apresentou forte colinearidade com a
variável dependente.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores62
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
2º artigo original:
Prevalência e fatores associados à concentração de
gordura abdominal na população adulta do Estado de
Pernambuco
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores69
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Prevalência e fatores associados à concentração de gordura abdominal
na população adulta do Estado de Pernambuco
Prevalence and associated factors with abdominal fat concentration among
adult population from Pernambuco State
Título resumido: Concentração de gordura abdominal e fatores associados
Autores
Cláudia Porto Sabino Pinho1, Alcides da Silva Diniz2, Ilma Kruze Grande de
Arruda2, Pedro Israel Cabral de Lira2, Malaquias Batista Filho2,3.
1
Programa de Pós Graduação em Nutrição, Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
2
Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade
Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
3
Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, Recife, PE, Brasil.
Autor para correspondência:
Cláudia Porto Sabino Pinho
Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil.
Email: [email protected]
Instituição de financiamento:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)
(Processos N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4).
Apresentação
Estudo incluído na Dissertação de Mestrado de Cláudia Porto Sabino Pinho,
intitulada “Excesso de peso e distribuição corporal de gordura: magnitude e
fatores associados em adultos do Estado de Pernambuco”, apresentada, em
2011, ao Programa de Pós Graduação em Nutrição, da Universidade Federal
de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores70
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Resumo
Objetivo: Estimar a prevalência da concentração de gordura abdominal e os
fatores associados na população adulta do Estado de Pernambuco.
Métodos: Estudo transversal, de base populacional, realizado no Estado de
Pernambuco, em 2006, envolvendo 1.580 adultos de ambos os sexos na faixa
etária de 25 a 59 anos. A concentração de gordura abdominal foi determinada
pela Circunferência da Cintura (CC) ≥80cm para mulheres e ≥94cm para
homens e pela Razão Cintura Estatura ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens,
respectivamente. O modelo conceitual considerou variáveis demográficas,
socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais.
Resultados: A prevalência da concentração de gordura abdominal, segundo a
CC, foi de 51,9% (IC95% 49,4-54,4), sendo superior nas mulheres (RP=2,58;
IC95% 2,26-2,94), entre ex-fumantes (RP=1,31; IC95% 1,12-1,54), em sedentários
(RP=1,24; IC95% 1,13-1,36), a partir dos 40 anos (RP=1,28; IC95% 1,11-1,47),
provenientes da Região Metropolitana do Recife (RP=1,23; IC 95% 1,10-1,41),
com de 5-8 anos de estudo (RP=1,22; IC95% 1,06-1,40), de maior renda
(RP=1,47; IC95% 1,28-1,68), e em mulheres com primeira gestação antes dos
18 anos (RP=1,12; IC95% 1,01-1,68). Segundo a RCE, a prevalência de gordura
abdominal em excesso foi de 57,8% (IC 95% 55,4-60,3), sendo mais elevada em
mulheres (RP=1,31; IC95% 1,19-1,43), entre indivíduos ex-fumantes (RP=1,36;
IC95% 1,19-1,56), sedentários (RP=1,11; IC95% 1,02-1,21), a partir dos 30 anos
(RP=1,23; IC95% 1,09-1,39), de maior renda (RP=1,30; IC95% 1,15-1,47), e em
mulheres com primeira gestação antes dos 18 anos (RP=1,18; IC 95% 1,071,68).
Conclusões: A expressividade do problema da concentração de gordura
abdominal nessa população indica a necessidade do planejamento de ações
direcionadas à prevenção e controle do aumento da gordura corporal, levandose em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais.
Descritores:
Gordura
abdominal.
Fatores
epidemiológicos.
Adulto.
Circunferência da cintura. Razão cintura-estatura.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores71
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Abstract
Objective: Estimate the prevalence of abdominal fat concentration and its
associated factors among the adult population in the state of Pernambuco.
Method: Transversal study, of population basis, made in the state of
Pernambuco, in 2006, involving 1.580 adults from both genders between 25
and 59 years old. Abdominal fat concentration was determined by waist
circumference (WC) ≥80cm to women and ≥94cm to men, and by the waistheight ratio (WHR) ≥0,52 and ≥0,53 for women and men respectively. The
concept considered demographic, socioeconomic, reproductive and behavioral
variables.
Result: The prevalence of abdominal fat, according to WC, was 51,9% (CI 95%
49,4-54,4), being higher in women (PR=2,58; CI95% 2,26-2,94), ex smokers
(PR=1,31; CI95% 1,12-1,54) couch potatoes (PR=1,24; CI95% 1,13-1,36), people
over 40 years old (PR=1,28; CI95% 1,11-1,47), from the metropolitan area of
Recife (PR=1,23; CI95% 1,10-1,41), between 5-8 years of studying (PR=1,22;
CI95% 1,06-1,40), with higher incomes(PR=1,47; CI95%1,28-1,68) and among
women with the first pregnancy before 18 years old (PR=1,12; CI 95%1,01-1,68).
According to WHR the prevalence of abdominal fat excess was 57,8% (CI95%
55,4-60,3), being higher in women (PR=1,31; CI95%1,19-1,43), among
ex
smokers (PR=1,36; CI95%1,19-1,56), couch potatoes (PR=1,11; CI95%1,02-1,21),
people
over
30
years
old
(PR=1,23;
CI95%1,09-1,39),
with
higher
incomes(PR=1,30; CI95%1,15-1,47), and in women with first pregnancy before
18 years old (PR=1,18; CI95%1,07-1,68).
Conclusions: The expressitivity of the abdominal fat concentration problem
indicates a need of directed actions planning to prevent and control growth in
abdominal
fat,
regarding
demographic,
socioeconomic
and
behavioral
differences.
Key-words: Abdominal fat. Epidemiologic factors. Adult. Waist circumference.
Waist-to-height ratio.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores72
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Introdução
A obesidade é uma doença crônica não transmissível caracterizada pelo
excesso de gordura corporal e resultante do desequilíbrio crônico entre o
consumo alimentar e o gasto energético 1-4. Atualmente é um grave problema
de saúde pública atingindo proporções epidêmicas tanto em países
desenvolvidos como aqueles em desenvolvimento 3,5-8, apresentando grande
impacto sobre o padrão de morbidade de populações adultas 9.
O papel da obesidade generalizada como fator de risco cardiovascular é
controverso, sendo verificado que os indicadores de obesidade central são
melhores preditores do risco coronariano elevado que os indicadores de
obesidade generalizada2,9,17.
A circunferência da cintura (CC) é o método mais comumente
utilizado na prática clínica para avaliar a adiposidade visceral 18 por sua
simplicidade, facilidade de execução, baixo custo e reprodutibilidade2,11,12,19-21.
A razão cintura-estatura (RCE) tem sido descrita mais recentemente na
literatura como um indicador antropométrico da distribuição de gordura
corpórea útil para identificação do risco cardiovascular 22-24. Estudos no Brasil e
em diferentes países têm demonstrado a forte associação dessa medida com o
risco coronariano elevado, sendo essa relação maior que em outros
indicadores antropométricos, como o Índice de Massa Corpórea (IMC), CC e
Razão Cintura Quadril 10,24-26.
A complexidade da etiologia da obesidade tem sido amplamente
descrita
na literatura sendo apontada pelos epidemiologistas que a
modernização tem um papel importante no crescimento acelerado dessa
condição9,27-32. Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de
contribuição de cada uma das variáveis envolvidas 33, havendo evidências de
que sua ocorrência está relacionada a fatores ambientais associados a uma
predisposição genética34.
Embora no Brasil existam informações populacionais confiáveis e atuais
sobre a caracterização do estado antropométrico de adultos, elas se referem às
macrorregiões do país e não enfocam seus determinantes. Além disso, poucos
Estados brasileiros dispõem de informações acerca da concentração de
gordura abdominal oriundas de amostras representativas da população.
Portanto, este estudo objetiva estimar a prevalência da concentração de
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores73
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
gordura abdominal e os fatores associados na população adulta do Estado de
Pernambuco.
Materiais e Métodos
Foi realizado um estudo de corte transversal, de base populacional,
no período de maio a outubro de 2006, envolvendo adultos de ambos os sexos,
na faixa etária de 25 a 59 anos, provenientes de área urbana e rural do Estado
de Pernambuco. Foram excluídos os indivíduos que apresentaram alguma
limitação física que impossibilitasse a aferição das medidas antropométricas e
as gestantes.
Para definição do tamanho amostral foi considerada a prevalência de
obesidade abdominal encontrada em estudo realizado com adultos de ambos
os sexos em outra cidade do Nordeste brasileiro9 estimada em 35,7% entre as
mulheres e 12,9% entre os homens. O cálculo da amostra foi realizado no
software Epi Info, versão 6.04, sendo considerada a prevalência de 12,9% de
obesidade abdominal encontrada nos homens nordestinos, um erro de
estimação de 3%, um nível de confiança de 95%, e um efeito do desenho da
ordem de 2,5, perfazendo um total mínimo de 1.199 indivíduos a serem
estudados. Para compensar eventuais perdas e para permitir um melhor nível
de estratificação das variáveis independentes, esse tamanho amostral foi
aumentado em 30%, resultando em uma amostra final de 1.580 indivíduos.
O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada)
desenvolveu-se em três estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos
setores censitários (unidades territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio
aleatório dos domicílios dentro de cada setor censitário para selecionar as
famílias seguindo-se a incorporação de outras famílias por ordem contrária ao
movimento dos ponteiros de relógio até completar a quota amostral prevista
para cada setor (40 ± 5 famílias).
A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e
considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR),
Interior Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de
setores censitários a serem estudados, foi considerado o número com
representações proporcionais à população dos municípios selecionados
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores74
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
figurando 16 setores censitários da Região Metropolitana do Recife (RMR), 17
do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR).
A aplicação dos questionários de pesquisa e a coleta das medidas
antropométricas foram realizadas por técnicos treinados. A altura foi
determinada pelo estadiômetro portátil (Alturaexata, Ltda) - milimetrada, com
precisão de até (1mm) em toda a sua extensão. Os indivíduos foram colocados
em posição ereta, descalços, com membros superiores pendentes ao longo do
corpo, os calcanhares, o dorso e a cabeça tocando a coluna de madeira.
A circunferência da cintura foi aferida em duplicidade no ponto médio
entre a última costela e a crista ilíaca, com uma fita métrica inextensível, de
acordo com o protocolo estabelecido pela Organização Mundial de Saúde,
199836.
A concentração de gordura abdominal, variável dependente deste
estudo, foi considerada elevada quando CC ≥80cm para mulheres e ≥94cm
para homens36 e pela RCE ≥0,52 e ≥0,53 para mulheres e homens,
respectivamente7.
O modelo conceitual construído para explicar o excesso de peso
considerou as seguintes variáveis: demográficas: sexo, idade (categorizada
nos intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área
geográfica da residência (RMR, IU, IR); socioeconômicas: escolaridade, em
anos completos de estudo (categorizada nos intervalos: 0-4 anos, 5-8 anos e
≥9 anos), e renda familiar em salário mínimo per capita (estabelecida em
quartis de renda, e levando-se em conta o salário mínimo vigente na época:
R$350,00); reprodutivas: paridade (categorizada em <3 gestações e ≥ 3
gestações), idade da menarca (categorizada nos intervalos: 8-11 anos; 12-13
anos e ≥14 anos), idade da primeira gestação (< 18 anos e ≥18 anos) e uso de
contraceptivo oral (com a resposta dicotômica sim ou não); e comportamentais:
tabagismo, consumo de álcool, atividade física e consumo alimentar.
Para o tabagismo foram consideradas as categorias: fumante (o
indivíduo que referiu o hábito de fumar), não fumante (o indivíduo que relatou
nunca haver fumado) e ex-fumante (o indivíduo que referiu o hábito de fumar
em algum momento da vida, mas que não o fazia na ocasião da aplicação do
questionário). Para a variável consumo de álcool, avaliou-se o consumo de
bebidas alcoólicas nos 30 dias anteriores à aplicação do questionário, sendo
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores75
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
considerada a resposta dicotômica sim ou não.
Para determinação do nível de atividade física da população deste
estudo foi utilizado o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ)31,
2001, em sua versão curta, que leva em consideração as quatro dimensões da
atividade física: no lazer, atividades domésticas, atividades ocupacionais e
atividades relacionadas ao deslocamento. Esse instrumento mede a frequência
e duração das atividades físicas moderadas, vigorosas e caminhadas
realizadas na última semana por pelo menos dez minutos contínuos, incluindo
exercício, esportes, atividades físicas ocupacionais e recreacionais realizadas
em casa, no tempo livre, como meio de transporte e no lazer.
Um escore de atividade física em minutos por semana foi construído,
somando-se os minutos despendidos em caminhada e atividades de
intensidade moderada com os minutos despendidos em atividades de
intensidade vigorosa multiplicados por dois. Esta estratégia visa considerar as
diferentes intensidades de cada atividade, e está de acordo com as
recomendações atuais quanto à prática de atividade física 32,33. Um escore
abaixo de 150 minutos por semana foi o ponto de corte utilizado para classificar
os indivíduos como insuficientemente ativos ou sedentários 34.
As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas
utilizando um questionário de frequência alimentar e a avaliação do consumo
foi realizada com base na metodologia proposta por Fornés et al. (2002) 35, na
qual o cômputo geral da frequência de consumo é convertido em escores.
Foram constituídos três grupos de alimentos: o grupo 1 foi composto por
alimentos ricos em fibras, como leguminosas, frutas, legumes e hortaliças,
considerados protetores para as doenças cardiovasculares (DCV’s) e para o
ganho excessivo de peso; o grupo 2 foi composto pelos alimentos ricos em
carboidratos simples (bolo, biscoito, açúcar e refrigerantes); e no grupo 3 foram
inseridos os alimentos ricos em gorduras saturadas (carnes com gordura,
frango com pele, vísceras, embutidos, laticínios, gorduras e frituras). Os grupos
2 e 3 foram compostos por alimentos considerados de risco para o
desenvolvimento de doenças cardiovasculares e para o ganho de peso
excessivo. Os escores de consumo de cada grupo foram categorizados em
quartis.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores76
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
O protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral Professor
Fernando Figueira, em 12 de janeiro de 2006, sob o número 709/2006. Os
indivíduos que concordaram em participar da pesquisa assinaram o termo de
consentimento livre e esclarecido.
A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04
(CDC/WHO, Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo
validate para checar eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas,
foi empregado o SPSS versão 12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA).
A análise estatística foi realizada em três etapas. Inicialmente,
realizou-se uma análise descritiva para caracterizar a distribuição da ocorrência
dos eventos, incluindo a frequência de cada variável do estudo. Na segunda
etapa, procedeu-se uma análise univariada entre a variável dependente
(concentração de gordura abdominal segundo a CC e RCE) e as variáveis
independentes para determinação da razão de prevalência (RP) e seu
respectivo Intervalo de Confiança de 95% (IC 95%). Numa terceira etapa, foi
realizada análise multivariada, utilizando o software STATA/SE 9.0 (Stata,
Texas, US), pelo método de regressão log-Poisson onde foram incluídas no
modelo múltiplo todas as variáveis que se mostraram associadas ao evento de
interesse com significância estatística de até 20%. Para aceitação das
associações investigadas no modelo final, foi adotado o valor de p < 0,05.
Resultados
As perdas ocorreram em função da exclusão de inconsistências de
informações ou ausência de resposta para as variáveis independentes:
escolaridade (1,1%), renda (1,6%), tabagismo (0,1%), consumo de álcool
(6,6%), consumo alimentar (0,6%), paridade (1,2%), idade da menarca
(13,5%), idade da primeira gestação (13,2%) e uso de contraceptivo oral
(11,9%).
A amostra foi composta por 1.580 indivíduos, com mediana de idade de
33 anos (IQ=29-41), sendo 58% do sexo feminino, 48,7% residentes do Interior
Rural do Estado e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos
de estudo). A mediana da renda familiar per capita (em salários mínimos) foi de
0,25 (IQ 0,12-0,45).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores77
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
A concentração de gordura abdominal segundo a CC e a RCE foi
evidenciada em 51,9% (IC95% 49,4-54,4) e 57,8% (IC95% 55,4-60,3) da
população, respectivamente (tabela 1). Verificou-se que 47,9% (IC95% 45,450,4) dos indivíduos apresentaram concomitantemente elevação dos dois
parâmetros estudados (dado não apresentado em tabela).
Os resultados da análise univariada para os fatores associados à CC e
RCE evidenciaram maior concentração de gordura abdominal entre os
indivíduos pertencentes ao maior quartil de renda, entre aqueles não fumantes
e ex-fumantes, entre as mulheres com primeira gestação precoce (antes dos
18 anos de idade), entre os indivíduos que negaram o consumo de álcool nos
30 dias anteriores a aplicação do questionário e entre os insuficientemente
ativos (Tabelas 2 e 3).
As mulheres apresentaram mais do que o dobro da concentração de
gordura abdominal observada entre os homens (RP=2,58; IC95% 2,26-2,94).
Outros fatores associados à CC foram: escolaridade e área geográfica de
residência, sendo identificado que os indivíduos com 5 a 8 anos de estudo e os
moradores da Região Metropolitana do Recife apresentaram maiores
prevalências de elevada adiposidade central.
O excesso de gordura abdominal segundo a CC foi mais prevalente a
partir dos 40 anos de idade e, segundo a RCE, a partir dos 30 anos.
O consumo alimentar dos três grupos de alimentos estudados (alimentos
protetores, alimentos ricos em carboidratos simples e alimentos ricos em
gorduras saturadas), a idade da menarca, a paridade e o uso de contraceptivo
oral não se associaram a nenhum dos dois parâmetros antropométricos
estudados.
Na análise multivariada, após controle das variáveis de confusão, as
variáveis que mantiveram associação com a CC entre as mulheres foram: a
idade, o tabagismo e a idade da primeira gestação, e entre os homens: a idade,
os estrato geográfico da residência, a renda, o tabagismo e o consumo de
álcool (Tabela 4). Em relação à RCE, as variáveis idade e idade da primeira
gestação mantiveram-se associadas entre as mulheres, e entre os adultos do
sexo masculino, permaneceram associadas a idade, a renda e o estrato
geográfico da residência (Tabela 5). A concentração de gordura abdominal
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores78
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
aumentou pari passu com a progressão da idade em ambos os sexos, e com a
progressão da renda entre os homens.
Discussão
A obesidade, sobretudo a abdominal, predispõe o indivíduo a uma série
de fatores de risco cardiovasculares por associar-se com grande frequência a
condições tais como dislipidemias, hipertensão arterial, resistência à insulina e
diabetes mellitus que favorecem a ocorrência de eventos cardiovasculares,
particularmente os coronarianos36.
O uso da circunferência da cintura como um bom preditor de doenças
crônico-degenerativas está bem estabelecido37-39, e na literatura é possível
encontrar muitos estudos que enfocam os determinantes associados a sua
elevação39-42. Entretanto, apesar de diversos estudos relativamente recentes
demonstrarem que a RCE é um bom discriminador de obesidade abdominal
relacionada a fatores de risco cardiovascular36,43-45, não encontramos estudos
oriundos de amostras representativas que avaliassem os fatores associados à
elevação da RCE. Portanto, os dados aqui apresentados têm um caráter
original por descrever os fatores que estão influenciando o aumento da
concentração de gordura abdominal na população pernambucana através de
um amplo modelo de variáveis explicativas e por considerar dois indicadores
antropométricos fortemente relacionados às doenças cardiovasculares e à
adiposidade concentrada no abdome.
A alta prevalência de indivíduos com excesso de gordura abdominal
revelada nessa investigação reflete a magnitude do problema, que tem atingido
contornos epidêmicos tanto em países em desenvolvimento como entre os
desenvolvidos. Estudo de base populacional representativo da população
adulta da área urbana de Pelotas, Sul do país, considerando o mesmo ponto
de corte para determinação da concentração de gordura abdominal utilizado
neste estudo, evidenciou prevalência similar segundo a CC (51,1%) 41. No
Nordeste, estudos representativos da população adulta de Salvador, Bahia, e
do Estado de Maranhão registraram prevalências inferiores (28,1% e 46,3%,
respectivamente) a identificada no presente estudo 9,46, demonstrando que o
problema pode ter magnitude potencialmente mais elevada em algumas
populações. Apesar de o Estado de Pernambuco dispor de dados
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores79
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
representativos de sua população acerca da magnitude da obesidade, estes se
referem apenas à obesidade global, não havendo dados populacionais que
enfoquem a concentração de gordura abdominal.
A maior prevalência de gordura abdominal em excesso, avaliada pela
CC, entre as mulheres pode ser explicada pela maior composição corporal de
gordura, pelas gestações, além das diferenças hormonais e do climatério
presentes no sexo feminino47-49. Além disso, as mulheres acumulam mais
gordura subcutânea que os homens e a perdem em idades mais tardias 50. Essa
heterogeneide na distribuição do acúmulo de gordura na região abdominal
entre homens e mulheres é consistente com os resultados observados em
outras populações
9,46
. Em relação à RCE, apesar da distribuição entre os
sexos acompanhar a tendência observada para o indicador CC, menor
disparidade foi verificada entre os mesmos, possivelmente porque este
indicador
corrige
o
perímetro
abdominal
pela
altura
do
indivíduo,
estabelecendo, assim, uma relação de proporção.
A maior concentração de gordura abdominal em indivíduos nas faixas
etárias mais elevadas poderia ser explicada, em parte, por fatores como o
declínio natural do hormônio do crescimento, da taxa metabólica basal e da
perda de massa muscular, diminuição na prática de atividades físicas e
aumento do consumo alimentar 49,24.
A associação da CC apenas com o nível intermediário de escolaridade
foi um resultado inesperado, tendo em vista que dados da literatura apontam,
sobretudo entre as mulheres, uma relação inversa entre a concentração de
gordura abdominal e a escolaridade 39,46,51. O nível educacional determina uma
possibilidade maior de conhecimento e acesso a um estilo de vida saudável,
com alimentação e atividade física adequada 52.
A associação positiva entre a concentração de gordura abdominal e a
renda no sexo masculino, segundo os dois indicadores estudados, corrobora
com resultados encontrados por outros autores 39,46 e concorda com o padrão
verificado em países desenvolvidos, onde há uma relação positiva entre
obesidade e renda familiar apenas no sexo masculino.
A menor prevalência de excesso de gordura abdominal encontrada na
população rural pernambucana, sobretudo entre os homens, possivelmente
está relacionada às condições socioeconômicas, já que se observou neste
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores80
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
estudo uma forte associação entre a renda e concentração abdominal de
gordura no sexo masculino. As diferenciações geográficas expressam,
basicamente, diferenças sociais na distribuição da obesidade 53. Além disso,
fatores alimentares poderiam estar envolvidos já que por se tratar de uma área
rural, supõe-se um menor acesso a alimentos industrializados.
São crescentes os estudos que avaliam o impacto das variáveis
reprodutivas na determinação da obesidade abdominal 39,41,54,55. A associação
entre o excesso de gordura abdominal e a idade prematura ao primeiro parto
possivelmente deve-se a ativação precoce dos hormônios relacionados ao ciclo
reprodutivo, propiciando assim um aumento da concentração de gordura
corporal54. Na literatura são escassos os estudos avaliam a associação deste
fator com a adiposidade corporal. Oliveira et al. (2007) 55, ao analisar fatores
associados à obesidade abdominal em mulheres usuárias de um Centro de
Saúde de Belo Horizonte, Minas Gerais, não constataram essa associação.
A ausência de associação entre a concentração de gordura abdominal e
a paridade foi um resultado inesperado, considerando que a alta paridade
destaca-se entre os fatores contributivos para a obesidade e essa tendência
tem sido amplamente descrita na literatura 26,40,49,55-57, e pode ser explicada pelo
ganho excessivo de peso no período gestacional e posterior dificuldade para
perda. Nos países em desenvolvimento, nos quais o número maior de
gestações por mulher é acompanhado de um tempo menor entre as gestações,
essa relação é ainda mais expressiva26.
A maior prevalência de excesso de gordura abdominal, avaliada pela
CC, entre os indivíduos ex-fumantes é um resultado que corrobora com dados
de outros estudos9,39,49,50,58,59, que demonstram que os fumantes que
abandonaram o hábito de fumar são os que apresentam maiores prevalências
de obesidade e este seria um dos maiores impedimentos para cumprir o
abandono52.
Resultado interessante foi verificado quanto ao consumo de álcool. Na
análise univariada observou-se que ter consumido bebidas alcoólicas nos 30
dias anteriores à pesquisa foi fator protetor para elevação da CC e da RCE.
Entretanto, na análise multivariada separada por sexo, verificamos que o
comportamento inverso foi constatado entre os homens, ou seja, a obesidade
abdominal pela CC associou-se ao consumo de álcool, demonstrando que o
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores81
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
comportamento dessa variável em relação à obesidade abdominal é fortemente
influenciado pelo sexo. Diversos estudos têm avaliado o papel do consumo de
bebidas alcoólicas na alteração dos indicadores de obesidade global e
abdominal9,39,55,59,60. Entretanto ainda não está claro o papel do álcool no
mecanismo de determinação da adiposidade, sobretudo pela grande variação
metodológica encontrada na literatura relativa à frequência e quantidade do
etanol consumido.
A maior prevalência de gordura abdominal em excesso entre os
indivíduos considerados sedentários ou insuficientemente ativos é um resultado
esperado tendo em vista que evidências epidemiológicas indicam relação
inversa entre a gordura corporal e o gasto energético “não-basal”, o qual é
representado principalmente pela atividade física55,61-64. Além disso, é descrito
que a gordura corporal é mais favoravelmente distribuída nos indivíduos
fisicamente ativos62,65.
É importante destacar que a baixa prevalência de indivíduos sedentários
é incompatível com a expressiva prevalência de obesidade abdominal
evidenciada em nosso estudo. Entretanto, como a mensuração da atividade
física foi realizada por um instrumento que considera as atividades
desenvolvidas no lazer, deslocamento, e em atividades domésticas e
ocupacionais, justifica-se esse percentual encontrado. Além disso, nossos
índices de sedentarismo foram aproximados a outros estudos recentes que
utilizaram o mesmo instrumento de avaliação e mesmo ponto de corte 66-68.
Surpreende o fato de não termos encontrado associação entre a
adiposidade abdominal e os escores de consumo alimentar dos três grupos
(alimentos protetores, alimentos ricos em carboidratos simples e alimentos
ricos em gorduras saturadas). Tal fato pode ser atribuído à metodologia
empregada, tendo em vista que esta se baseou em um instrumento puramente
qualitativo, que expressou apenas a frequência do consumo, mas não refletiu
as quantidades das porções consumidas. Além disso, por se tratar de um
estudo transversal, essa ausência de associação é passível de ser interpretada
à luz da causalidade reversa, uma vez que diagnosticado o excesso gordura
abdominal, o indivíduo pode ter iniciado mudanças no padrão alimentar para o
controle e redução da gordura corporal.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores82
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
A inclusão de indivíduos a partir dos 25 anos compromete a
representatividade da população adulta. Entretanto, este fato ocorreu devido
aos dados primários deste estudo serem provenientes de pesquisa desenhada
para avaliação de doenças crônicas e que pela limitação de recursos, foram
excluídos os indivíduos mais jovens (20-24 anos).
Este estudo contribui para um melhor entendimento sobre os fatores que
se associam com a maior concentração de gordura abdominal, podendo ser
constatado que diferentes fatores estão determinando o acúmulo de
adiposidade central em homens e mulheres e esta perspectiva deve ser
considerada em futuras estratégias de controle. Portanto, prioridades de
intervenção devem ser dirigidas aos subgrupos onde a concentração de
gordura abdominal foi mais frequente: mulheres; indivíduos a partir dos 30 anos
de idade; ex-fumantes; homens de maior nível socioeconômico, provenientes
de regiões urbanas e que consomem bebidas alcoólicas; e mulheres com
primeira gestação antes dos 18 anos.
A expressividade do problema da concentração de gordura abdominal
nessa população indica a necessidade do planejamento de ações direcionadas
à prevenção e controle do aumento da gordura corporal, levando-se em conta
as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores83
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabelas
Tabela 1 – Concentração de gordura abdominal em adultos, de ambos os
sexos, na faixa etária de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco, Brasil, 2006.
Indicador Antropométrico
Total
N
%
IC95%
Circunferência da Cintura (cm)
1580
Normal
769
48,1
46,2-51,2
Elevada*
820
51,9
49,4-54,4
Razão Cintura Estatura
1580
Normal
666
42,2
39,7-44,6
Elevada**
914
57,8
55,4-60,3
* Homens ≥94cm e Mulheres ≥80cm.
** Homens ≥0,53 e Mulheres ≥0,52.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores84
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 2 - Razão de Prevalência (RP) da Concentração de Gordura Abdominal
segundo a Circunferência da Cintura, de acordo com características
demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais em adultos
de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006
Variáveis
Normal
Elevada*
RP
IC95%
N
%
N
%
Sexo
Masculino
484
72,9
180
27,1
1,00
Feminino
276
30,1
640
69,9
2,58
2,26-2,94
Idade (anos)
25-29
265
54,6
220
45,4
1,00
30-39
312
49,3
321
50,7
1,12
0,99-1,27
40-49
122
42,1
168
57,9
1,28
1,11-1,47
50-59
61
35,5
111
64,5
1,42
1,23-1,65
Área de Residência
Região Metropolitana do Recife
182
43,1
240
56,9
1,00
Interior Urbano
165
42,4
224
57,6
1,01
0,90-1,14
Interior Rural
413
53,7
356
46,3
0,81
0,73-0,91
Escolaridade (anos de estudo)
0-4
429
50,5
420
49,5
1,00
5-8
145
41,5
204
58,5
1,22
1,06-1,40
≥9
167
48,2
189
51,8
1,08
0,95-1,23
Renda Familiar Per Capita
(salários mínimos)
≤0,12
225
57,3
168
42,7
1,00
0,12-0,25
201
48,8
211
51,2
1,20
1,03-1,39
0,25-0,45
179
48,8
188
51,2
1,20
1,03-1,39
≥0,45
145
37,4
243
62,6
1,47
1,28-1,68
Tabagismo
Fumante
200
56,6
153
43,3
1,00
Não fumante
457
46,3
530
53,7
1,24
1,09-1,41
Ex-fumante
103
43,1
136
56,9
1,31
1,12-1,54
Consumo de Álcool nos
últimos 30 dias
Não
448
44,0
569
55,9
1,00
Sim
261
56,9
198
43,1
0,77
0,68-0,87
Atividade Física
Suficientemente Ativo
581
51,4
549
48,6
1,00
Insuficientemente Ativo
179
39,8
271
60,2
1,24
1,13-1,36
Escore de Consumo - Grupo 1
(quartis)
≤1,67
196
49,6
199
50,4
0,98
0,85-1,12
1,67-2,33
171
46,2
199
53,8
1,04
0,91-1,19
2,33-3,17
201
48,0
218
52,0
1,01
0,88-1,15
≥3,17
190
48,5
202
51,5
1,00
Escore de Consumo - Grupo 2
(quartis)
≤3,03
172
44,7
213
55,3
1,00
3,03-4,20
193
46,7
220
53,3
0,96
0,85-1,09
4,20-5,33
194
50,8
188
49,2
0,89
0,78-1,02
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores85
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
≥5,33
Escore de Consumo - Grupo 3
(quartis)
≤2,47
2,47-3,50
3,50-4,53
≥4,53
Paridade
<3 gestações
≥3 gestações
Idade da Menarca
8-11 anos
12-13 anos
≥14 anos
Idade da 1ª gestação
<18 anos
≥18 anos
Uso de Contraceptivo Oral
Não
Sim
199
50,1
198
49,9
0,90
0,79-1,03
193
190
183
187
48,1
48,5
47,9
47,2
208
202
199
209
51,9
51,5
52,1
52,8
1,00
0,99
1,00
1,02
0,87-1,14
0,88-1,15
0,89-1,16
135
135
32,5
27,6
280
355
67,5
72,4
1,00
1,07
0,99-1,17
33
120
103
27,7
32,3
34,1
86
251
199
72,3
67,6
65,9
1,00
0,94
0,91
0,82-1,07
0,79-1,05
55
201
26,3
34,3
154
385
73,7
65,7
1,00
0,89
0,81-0,99
190
71
32,0
33,2
403
143
68,0
66,8
1,00
0,98
0,88-1,10
*Homens≥94cm, Mulheres≥80cm. RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes,
hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com
gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras.
Suficientemente ativos: caminhada ou atividades moderadas ou vigorosas por tempo≥ 150
minutos/semana. Insuficientemente ativos: sedentários e indivíduos com atividades
moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores86
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 3 - Razão de Prevalência (RP) da Concentração de Gordura Abdominal
segundo a Razão Cintura-Estatura, de acordo com características
demográficas, socioeconômicas, reprodutivas e comportamentais em adultos
de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006
Variáveis
Normal
Elevada*
RP
IC95%
N
%
N
%
Sexo
Masculino
338
50,9 326
49,1
1,00
Feminino
328
35,8 588
64,2
1,31
1,19-1,43
Idade (anos)
25-29
263
54,2 222
45,8
1,00
30-39
276
43,6 357
56,4
1,23
1,09-1,39
40-49
95
32,7 195
67,3
1,47
1,30-1,67
50-59
32
18,6 140
81,4
1,78
1,58-2,01
Área de Residência
Região Metropolitana do Recife
175
41,5 247
58,5
1,00
Interior Urbano
150
38,6 239
61,4
1,05
0,94-1,17
Interior Rural
341
44,3 428
55,7
0,95
0,86-1,05
Escolaridade (anos de estudo)
0-4
345
40,6 504
59,4
1,00
5-8
145
41,5 204
58,5
1,00
0,90-1,10
≥9
168
46,0 197
54,0
0,92
0,82-1,03
Renda Familiar Per Capita (salários
mínimos)
≤0,12
192
48,8 201
51,2
1,00
0,12-0,25
180
43,7 232
56,3
1,10
0,97-1,25
0,25-0,45
159
43,3 208
56,7
1,11
0,97-1,26
≥0,45
130
33,5 258
66,5
1,30
1,15-1,47
Tabagismo
Fumante
175
49,5 178
50,4
1,00
Não fumante
416
42,1 571
57,9
1,15
1,02-1,29
Ex-fumante
75
31,4 164
68,6
1,36
1,19-1,56
Consumo de Álcool nos últimos 30
dias
Não
408
40,1 609
59,9
1,00
Sim
212
46,2 247
53,8
0,90
0,81-0,99
Atividade Física
Suficientemente Ativo
496
43,9 634
56,1
1,00
Insuficientemente Ativo
170
37,8 280
62,2
1,11
1,02-1,21
Escore de Consumo - Grupo 1
(quartis)
≤1,67
162
41,0 233
59,0
1,06
0,94-1,20
1,67-2,33
148
40,0 222
60,0
1,08
0,96-1,22
2,33-3,17
180
43,0 239
57,0
1,03
0,91-1,16
≥3,17
174
44,4 218
55,6
1,00
Escore de Consumo - Grupo 2
(quartis)
≤3,03
147
38,2 238
61,8
1,00
3,03-4,20
168
40,7 245
59,3
0,96
0,86-1,07
4,20-5,33
170
44,5 212
55,5
0,90
0,80-1,01
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores87
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
≥5,33
Escore de Consumo - Grupo 3
(quartis)
≤2,47
2,47-3,50
3,50-4,53
≥4,53
Paridade
<3 gestações
≥3 gestações
Idade da Menarca
8-11 anos
12-13 anos
≥14 anos
Idade da 1ª gestação
<18 anos
≥18 anos
Uso de Contraceptivo Oral
Não
Sim
179
45,1
218
54,9
0,89
0,79-1,00
161
167
159
173
40,1
42,6
41,6
43,7
240
225
223
223
59,9
57,4
58,4
56,3
1,00
0,96
0,98
0,94
0,85-1,08
0,87-1,10
0,84-1,06
156
165
37,6
33,7
259
325
62,4
66,3
1,00
1,06
0,96-1,17
43
140
122
36,1
37,7
40,4
76
231
180
63,9
62,3
59,6
1,00
0,97
0,93
0,83-1,14
0,79-1,10
64
241
30,6
41,1
145
345
69,4
58,9
1,00
0,85
0,76-0,95
223
88
37,6
41,1
370
126
62,4
58,9
1,00
0,94
0,83-1,17
*Homens≥0,52, Mulheres≥0,53. RP: Razão de Prevalência. Grupo 1: Frutas, legumes,
hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e refrigerante. Grupo 3: carnes com
gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e derivados, gorduras e frituras.
Suficientemente ativos: caminhada ou atividades moderada ou vigorosa por tempo≥ 150
minutos/semana. Insuficientemente ativos: sedentários e indivíduos com atividades
moderada, vigorosa ou caminhada <150min/semana.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores88
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 4 – Regressão de Poisson dos fatores associados à Concentração de
Gordura Abdominal segundo a Circunferência da Cintura*, em mulheres e
homens adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006
Razão de
Variáveis
IC 95%
p-valor
Prevalência
MULHERES
Idade
< 0,001
25 | -30 anos
1,00
30 |- 40 anos
1,22
(1,08; 1,37)
40 |- 50 anos
1,42
(1,26; 1,62)
50 |-59 anos**
Idade da 1ª gestação
0,008
<18 anos
1,00
≥18 anos
0,87
(0,79; 0,96)
Tabagismo
0,028
Fumante
1,00
Não fumante
1,06
(0,93; 1,22)
Ex-fumante
1,21
(1,04; 1,41)
HOMENS
Idade
0,045
25 | -30 anos
1,00
30 |- 40 anos
1,24
(0,88; 1,74)
40 |- 50 anos
1,08
(0,71; 1,66)
50 |-59 anos
1,75
(1,16; 2,66)
Área de Residência
RMR
1,00
<0,001
IU
1,32
(0,96; 1,80)
IR
0,64
(0,43; 0,94)
Renda Familiar per
0,008
capita (quartis)
≤0,12
1,00
0,12-0,25
1,50
(0,92; 2,46)
0,25-0,45
1,53
(0,93; 2,54)
≥0,45
2,47
(1,52; 4,01)
Tabagismo
0,038
Fumante
1,00
Não fumante
1,35
(0,97; 1,90)
Ex-fumante
1,67
(1,12; 2,48)
Consumo de Álcool
Não
1,00
0,043
Sim
1,32
(1,01; 1,73)
*CC ≥80cm para mulheres e CC ≥94cm para homens.
**Esta categoria de idade não entrou no modelo por problema de colinearidade com a variável
depende.
Renda: salário mínimo (R$350,00). Consumo de álcool: nos últimos 30 dias.
Área de Residência: RMR – Região Metropolitana do Recife; IU – Interior Urbano; IR – Interior
Rural.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores89
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 5 – Regressão de Poisson dos fatores associados à Concentração de
Gordura Abdominal segundo a Razão Cintura-Estatura*, em mulheres e
homens adultos de 25 a 59 anos. Pernambuco, Brasil, 2006
Razão de
Variáveis
IC 95%
p-valor
Prevalência
MULHERES
Idade
25 | -30 anos
30 |- 40 anos
40 |- 50 anos
50 |-59 anos**
Idade da 1ª gestação
<18 anos
≥18 anos
< 0,001
1,00
1,29
1,51
-
(1,10; 1,44)
(1,31; 1,73)
-
1,00
0,79
(0,74; 0,93)
<0,001
HOMENS
Idade
25 | -30 anos
30 |- 40 anos
40 |- 50 anos
50 |-59 anos
Área de Residência
RMR
IU
IR
Renda familiar per
capita (quartis)
≤0,12
0,12-0,25
0,25-0,45
≥0,45
0,032
1,00
1,26
1,15
1,72
(0,91; 1,72)
(0,78; 1,69)
(1,18; 2,50)
1,00
1,31
0,61
(0,98; 1,71)
(0,42; 0,86)
<0,001
0,002
1,00
1,81
1,67
2,64
(1,15; 2,86)
(1,04; 2,68)
(1,67; 4,17)
*RCE ≥0,53 para homens e RCE ≥0,52 para mulheres.
**Esta categoria de idade não entrou no modelo por problema de colinearidade com a variável
depende.
Renda: salário mínimo (R$350,00). Área de Residência: RMR – Região Metropolitana do
Recife; IU – Interior Urbano; IR – Interior Rural.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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68. Hallal PC, Victora CG, Wells JC, Lima RC. Physical inactivity: prevalence
and associated variables in Brazilian adults. Med Sci Sports Exerc 2003;
35:1894-900.
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
3º artigo original:
Padrão de consumo alimentar e fatores associados na
população adulta do Estado de Pernambuco.
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Padrão de consumo alimentar e fatores associados na população adulta do Estado
de Pernambuco
Dietetic patterns and associated factors among adult population from Pernambuco State
Título resumido: Padrão de consumo alimentar e fatores associados
Autores
Cláudia Porto Sabino Pinho I, Alcides da Silva DinizII, Ilma Kruze Grande de ArrudaII,
Pedro Israel Cabral de LiraII, Poliana Coelho CabralII, Leopoldina Augusta Souza
SiqueiraII, Malaquias Batista Filho III.
I
Programa de Pós Graduação em Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade
Federal de Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
II
Departamento de Nutrição, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de
Pernambuco, Recife, PE, Brasil.
III
Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, Recife, PE, Brasil.
Autor para correspondência:
Cláudia Porto Sabino Pinho
Rua Bianor de Oliveira, nº 262, Campo Grande, 52.040-350, Recife, PE, Brasil.
Email: [email protected]
Instituição de financiamento:
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processos
N.º 505540/2004-5 e 501989/2005-4).
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Resumo
Objetivando caracterizar o padrão de consumo alimentar e os fatores associados na
população de Pernambuco, foi realizado estudo transversal, em 2006, envolvendo 1580
adultos (25-59anos). O consumo foi avaliado por um questionário de freqüência
alimentar com mensuração convertida em escores. Foram constituídos 3 grupos de
alimentos: ricos em fibras; em carboidratos simples e em gorduras saturadas, e o perfil
de consumo foi avaliado segundo características socioeconômicas/demográficas. Os
resultados evidenciaram que o escore médio do consumo de carboidratos simples foi
maior que o consumo de fibras e gorduras. O consumo de carboidratos simples e
gorduras saturadas foram menores em indivíduos de maior idade, de área rural, com
menor renda e escolaridade. O maior consumo de fibras associou-se com maior renda e
escolaridade. O predomínio do consumo de carboidratos simples, em detrimento do
consumo de fibras, configura o processo de transição nutricional experimentado pelo
Brasil nas últimas décadas, e a associação com vários fatores reforça a multicausalidade
na determinação desse perfil.
Descritores: Consumo de alimentos. Fatores epidemiológicos. Adulto. Carboidratos.
Gorduras.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores100
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Abstract
With the objective of characterize dietetic patterns and associated factors among adult
population from Pernambuco, a transversal study was made, in 2006, involving 1580
adults(25-59 years old).Food consumption was evaluated by a series of questions about
eating frequency with measurements converted to scores’ scale.Three groups of food
were created: rich in fibers; in simple carbohydrates; in saturated fat. The consumption
profile was evaluated according to demographic and socioeconomics characteristics.
The results showed that the average score of simple carbohydrates food consumption
was highter to those of rich in fiber and fats.It was verified less consumption of simple
carbohydrates and saturated fat among older people, from country areas, of lower
income, and educational level.The highest scores of rich in fibers food were associated
with higher income and educational level.The predominance of simple carbohydrates
food over rich in fiber food consumption configures a nutritional transition going on in
Brazil for the last few decades, and the association with various factors strengthens the
multicausality in the determination of this profile.
Key-words: Food consumption. Epidemiologic factors. Adult. Carbohydrates. Fats.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores101
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Introdução
Estudos epidemiológicos têm fornecido evidências sobre a importância de dietas
inadequadas e muitas vezes autoprescritas que potencializam os riscos para doenças
cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes mellitus, neoplasias, dentre outras
entidades nosológicas. Vários alimentos e nutrientes têm sido relacionados tanto à
ocorrência quanto à prevenção de doenças crônicas em diferentes populações 1,2.
O padrão de consumo alimentar da população brasileira vem sofrendo
significativas modificações durante as últimas décadas, como consequência direta de
mudanças estruturais que vêm ocorrendo no país3. O aumento do consumo de alimentos
com alto teor de carboidratos simples ou lipídios tem gerado significativa elevação da
densidade calórica do padrão alimentar populacional4-6. Tal fato, associado ao consumo
inadequado de frutas, vegetais e fibras, denota a ocorrência da denominada transição
nutricional, primariamente derivada de variações na renda da população, preços
relativos dos alimentos, grau de urbanização, estrutura de oferta alimentar, nível
educacional da população e influências culturais diversas7.
Os dados sobre consumo alimentar integrados com outros indicadores do estado
nutricional, segurança alimentar, morbidade e risco de doenças, são as bases para o
monitoramento das tendências dietéticas e a definição de políticas para agricultura,
economia e saúde8. Entretanto, estudos sobre a ingestão alimentar são limitados pela
dificuldade de se mensurar esses dados de forma acurada, sendo esse um problema
inerente a maioria os métodos de avaliação do consumo alimentar que dependem do
relato individual9 e sofrem influência do viés de memória, que em princípio pode
comprometer de forma significativa a validade interna de um estudo.
O perfil alimentar da população está fortemente associado a aspectos culturais,
nutricionais, sócio-econômicos e demográficos10, tornando necessário um melhor
entendimento desses determinantes e seus mecanismos no comportamento alimentar,
tendo em vista que são preocupantes os problemas decorrentes da inadequação do
consumo de alimentos. De um lado essa inadequação propicia o surgimento de doenças
carenciais; de outro, contribui para o aumento da prevalência do excesso de peso e de
doenças crônicas não transmissíveis, configurando assim o processo de transição
nutricional.
É importante ressaltar que em relação à exposição da população a
comportamentos de risco à saúde, a literatura aponta que o padrão alimentar inadequado
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
e, principalmente, quando associado ao sedentarismo desponta entre os problemas mais
prevalentes e de maior risco populacional atribuível.
Há na literatura diversos estudos que enfocam os determinantes do consumo de
frutas, legumes e hortaliças, mas são escassas as investigações que avaliam os fatores
associados ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras
saturadas, componentes reconhecidamente associados ao ganho excessivo de peso e às
doenças cardiovasculares. Além ainda são escassos estudos que caracterizam o padrão
de consumo alimentar da população da região Nordeste, sobretudo do Estado de
Pernambuco.
Neste contexto, o presente estudo objetiva caracterizar o padrão de consumo
alimentar e os fatores associados a esse perfil na população adulta pernambucana.
Métodos
Foi realizado um estudo de corte transversal de base populacional,
envolvendo adultos na faixa etária de 25 a 59 anos, de ambos os sexos, provenientes de
área rural e urbana do Estado de Pernambuco, no período de maio a outubro de 2006.
Na definição do tamanho amostral foi considerada uma frequência do consumo
de frutas e hortaliças em homens recifenses, estimada em 17,1% 11, um erro de
estimação de 3%, um nível de confiança de 95% e um fator de correção amostral de 2,1,
perfazendo um total mínimo de 1.264 indivíduos. Para compensar eventuais perdas e
para permitir um melhor nível de estratificação das variáveis independentes, esse
tamanho amostral foi aumentado em 20%, resultando em uma amostra final de 1.580
indivíduos.
O processo de seleção da amostra (probabilística e estratificada) desenvolveu-se
em 3 estágios: 1) Sorteio dos municípios; 2) sorteio dos setores censitários (unidades
territoriais demarcadas pelo IBGE); 3) sorteio aleatório dos domicílios dentro de cada
setor censitário para selecionar as famílias e os adultos elegíveis para o estudo. Foi
estudado o número máximo de 40 (± 5) unidades amostrais por setor censitário.
A partir do sorteio aleatório, foram selecionados 18 municípios e
considerados três estratos geográficos: Região Metropolitana do Recife (RMR), Interior
Urbano (IU) e Interior Rural (IR). Para definição da quantidade de setores censitários a
serem estudados, foi considerado o número com representações proporcionais à
população dos municípios selecionados figurando 16 setores censitários da Região
Metropolitana do Recife (RMR), 17 do Interior Urbano (IU) e 12 do Interior Rural (IR).
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores103
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
As informações referentes ao consumo alimentar foram coletadas utilizando-se
um questionário de frequência alimentar qualitativo que possibilita ao entrevistado
quatro opções de respostas: raro/nunca, consumo diário, semanal ou mensal. O consumo
alimentar foi avaliado com base na metodologia proposta por Fornés et al. (2002)12, na
qual o cômputo geral da frequência do consumo é convertido em escores.
A referida proposta adota como referência o consumo diário equivalente a 30 dias
do mês (consumo mensal), sendo atribuído um peso para cada categoria de frequência.
O consumo diário do item alimentar correspondeu ao valor de peso máximo (peso 1) e a
resposta ―raro/nunca‖ representou o menor peso (peso 0). Os pesos das demais
freqüências de consumo (semanal ou mensal) foram obtidos de acordo a seguinte
equação:
Peso = (1/30) x (a)
Onde a correspondeu ao número de dias em que o alimento foi consumido no
mês. Quando a referiu-se ao consumo semanal, converteu-se o número à freqüência
mensal, multiplicando-o por 4, considerando que o mês tem 4 semanas. Por exemplo:
um alimento consumido 4 vezes na semana teve sua freqüência de consumo mensal de
16 vezes no mês. Assim, o peso para a frequência ficaria: Peso = (1/30) x (16) = 0,533.
Para cada alimento consumido pelo participante foi atribuído um escore de frequência
de consumo13.
Foram constituídos três grupos de alimentos: o grupo 1 foi composto por
alimentos ricos em fibras, considerados protetores para as doenças cardiovasculares
(DCV’s) e para o ganho excessivo de peso (leguminosas, frutas, legumes e hortaliças); o
grupo 2 foi composto pelos alimentos ricos em carboidratos simples (bolo, biscoito,
açúcar e refrigerantes); e no grupo 3 foram inseridos os alimentos ricos em gorduras
saturadas (carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, laticínios,
gorduras e frituras). Os grupos 2 e 3 foram compostos por alimentos considerados de
risco para o ganho de peso excessivo e para o desenvolvimento de doenças
cardiovasculares, respectivamente.
Tendo em vista que os grupos alimentares constituídos para esse estudo foram
compostos por diferentes números de alimentos, foi considerado o escore médio de cada
grupo para a caracterização do padrão de consumo da população.
As variáveis explicativas consideradas foram: sexo, idade (categorizadas nos
intervalos 25-29 anos; 30-39 anos; 40-49 anos e 50-59 anos), área geográfica da
residência (Região Metropolitana do Recife - RMR, Interior Urbano - IR, Interior Rural
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores104
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
- IR); escolaridade em anos de estudo (categorizada em 0-4 anos, 5-8 anos e ≥9) e renda
familiar em salários mínimo per capita (estabelecida em quartis de renda).
Os indivíduos que concordaram em participar da pesquisa assinaram o termo
de consentimento livre e esclarecido. O protocolo de estudo foi submetido à apreciação
do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos do Instituto de Medicina Integral
Professor Fernando Figueira, e aprovado em 12 de janeiro de 2006, sob o número
709/2006.
Os escores de frequência de consumo alimentar, em virtude de se tratar de
uma mensuração do tipo ordinal, foram descritos sob a forma de mediana e intervalo
interquartílico (IQ). A associação do consumo alimentar com as variáveis explicativas
foi avaliada pelos testes ―U‖ de Mann Whitney (duas medianas) e Kruskal Wallis (mais
de duas medianas), empregando-se o teste ―U‖ de Mann Whitney a posteriori. Na
validação das associações investigadas, foi adotado o valor de p < 0,05.
A base de dados foi compilada no Programa Epi Info versão 6.04 (CDC/WHO,
Atlanta, GE, USA), com dupla entrada, e posterior uso do módulo validate para checar
eventuais erros de digitação. Para as análises estatísticas, foi empregado o SPSS versão
12.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, USA).
Resultados
Dos 1.580 indivíduos avaliados, houve menos de 2% de perdas em função da
exclusão das inconsistências de informações. O perfil da população estudada mostrou
uma mediana de idade de 33 anos (IQ=29-41), 58% de mulheres, 48,7% residentes do
Interior Rural do Estado e 54,3% com baixa escolaridade (menos de 5 anos completos
de estudo) (tabela 1).
O escore médio do consumo de alimentos ricos em carboidratos simples
(0,87±0,42) foi superior ao consumo de alimentos ricos em fibras (0,51±0,23) e
aproximadamente três vezes maior que o consumo de alimentos ricos em gorduras
saturadas (0,30±0,13) (p<0,001) (figura 1).
Houve um menor consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e
gorduras saturadas entre os indivíduos de maior idade e um maior consumo de
alimentos ricos em gordura saturada foi verificado entre os adultos mais jovens.
Verificou-se similaridade das medianas dos escores de consumo dos três grupos na
distribuição entre os sexos (tabela 2).
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores105
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Evidenciou-se um maior consumo de leguminosas, frutas, legumes e hortaliças
(grupo 1), bem como de alimentos ricos em gordura saturada, em indivíduos de maior
escolaridade. No entanto, o consumo de alimentos ricos em carboidratos simples foi
significativamente mais baixo naqueles indivíduos que se situavam na menor faixa de
escolaridade.
Concernente à distribuição do espaço geográfico, observou-se que o consumo de
leguminosas, frutas, legumes e hortaliças foi similar entre os indivíduos de todos os
estratos geográficos considerados. Em relação aos outros grupos de alimentos, os
resultados apontam menores medianas de escore de consumo no Interior Rural.
Analisando os dados referentes à renda familiar, observou-se que o consumo de
alimentos do leguminosas, frutas, legumes e hortaliças (grupo 1) se elevou com o
aumento da renda. Em relação ao grupo dos alimentos ricos em carboidratos simples
(grupo 2), verificou-se que a mediana do escore de consumo cresceu pari passu com a
progressão da renda. Quanto ao grupo dos alimentos ricos em gordura saturada (grupo
3), verificou-se também que o aumento da renda elevou o consumo, mas que houve
estabilidade destes escores entre aqueles adultos situados nos 2º e 3º quartis de renda.
Discussão
O maior consumo de alimentos ricos em carboidratos simples, observado na
população adulta pernambucana, significativamente maior do que o consumo de frutas,
legumes e hortaliças, reflete, em princípio, o processo de transição nutricional pelo qual
passa a população de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Esse achado vem
alertar o risco de uma dieta inadequada para os efeitos deletérios à saúde do indivíduo,
considerando que o consumo exacerbado de alimentos ricos em carboidratos simples
induz ao acúmulo de ganho de peso corporal. Dados de pesquisas nacionais para o
período de 1975 a 200314-16 revelam que a população brasileira tem incorporado hábitos
alimentares típicos dos países desenvolvidos, isto é, um maior consumo de alimentos
industrializados (refrigerantes e embutidos), em detrimento do consumo de produtos
regionais e com tradição cultural, como o arroz, feijão, farinhas de mandioca e de
milho. Estas mudanças observadas no padrão alimentar repercutem em ingestão elevada
de lipídeos e carboidratos simples, que, associado ao insuficiente consumo de frutas e
hortaliças, trazem como consequência o aumento na prevalência do excesso de peso e
outras doenças crônicas não transmissíveis17,18.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores106
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
O perfil alimentar de uma população é consequente de uma complexa interação
de características multidimensionais, que incluem fatores ambientais, demográficos,
sociais, econômicos e culturais19.
O maior consumo de frutas, legumes e hortaliças, observado nos indivíduos de
maior renda e escolaridade, corrobora com os achados na literatura que evidenciam
freqüentemente a associação do maior nível socioeconômico e cultural ao consumo
desses alimentos20-24. Entretanto, a constatação de que maior renda e escolaridade
também se associaram ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e
gorduras saturadas nos permite inferir que o nível socioeconômico influencia o
consumo, mas não determina a qualidade da dieta. Sendo assim, os adultos
pernambucanos de maior renda e escolaridade que, em princípio, estariam mais
protegidos de doenças crônicas não transmissíveis pelo maior consumo de frutas,
legumes e hortaliças, não se beneficiariam deste hábito, já que apresentaram elevado
consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas. Fórnes et al.
(2002)12, ao estudarem a associação entre os escores alimentares e os níveis lipêmicos
em adultos de São Paulo, identificaram uma associação direta entre o consumo de
alimentos ricos em gorduras saturadas e os níveis de colesterol total (CT) e LDLcolesterol (LDL-c) e uma associação inversa entre o consumo de alimentos protetores
(ricos em fibras) e os níveis de CT e LDL-c. Damon e Drewnowski (2008)25, buscando
explicar os mecanismos causais da associação entre o nível socioeconômico e a
qualidade da dieta, concluíram que muito além do conhecimento nutricional ou
motivação para o consumo, o custo dos alimentos seria um aspecto limitante para a
determinação da aquisição dos alimentos.
A similaridade no consumo dos três grupos de alimentos observada entre os
sexos é um resultado inesperado, considerando que as mulheres parecem reconhecer e
valorizar a relação entre alimentação e saúde, além de culturalmente serem
responsabilizadas pelo preparo das refeições26,27. Além disso, diversos estudos
nacionais20-24,28 apontam para um maior consumo de frutas, legumes e hortaliças entre o
sexo feminino, o que reforçaria a concepção de que as mulheres teriam uma maior
preocupação com sua alimentação. Quanto ao consumo de alimentos ricos em
carboidratos simples e gorduras saturadas, também não foram encontradas diferenças no
consumo entre homens e mulheres. Dados de inquérito telefônico realizado em todas as
capitais do país apontaram maior consumo de carnes com excesso de gordura entre os
homens de todas as cidades brasileiras11.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores107
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
A homogeneidade no consumo de frutas, legumes e hortaliças segundo a
distribuição etária contraria os resultados verificados em outros estudos 21,22,24,28,29, que
evidenciam maior consumo desse grupo de alimentos em indivíduos de maior idade.
Quanto ao consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gorduras saturadas, o
menor consumo observado nos indivíduos mais velhos (50-59 anos) poderia ser
atribuído a um possível efeito coorte. Estudo nacional com amostra representativa da
população brasileira, avaliando a associação entre a idade e o consumo de frutas e
hortaliças encontrou maior consumo desses alimentos entre os indivíduos de maior
idade, atribuindo ao fator ―idade‖ esse efeito coorte, pois indivíduos mais velhos
estiveram menos expostos à alimentação moderna, que inclui alimentos processados de
elevada densidade energética29.
Menor consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas e carboidratos simples
verificado entre os indivíduos residentes do Interior Rural (IU) é um resultado esperado,
uma vez que por se tratar de uma área rural, supõe-se que essa população tenha um
menor acesso aos alimentos industrializados. Entretanto, em outros países em
desenvolvimento, como a exemplo do México, as comunidades rurais já começam a
seguir o padrão de dieta similar ao das populações urbanas, com aumento no aporte
energético proveniente de alimentos de origem animal e industrializados (ricos em
gorduras, açúcares e sal e pobres em fibras), com consequente aumento no consumo de
colesterol e gorduras saturadas30. Essa tendência não foi observada entre os adultos
pernambucanos, considerando que o consumo dos alimentos ricos em carboidratos
simples e gorduras saturadas foi superior entre a população da Região Metropolitana do
Recife.
Algumas limitações do estudo merecem a devida consideração. Foi utilizado um
instrumento de avaliação (questionário de frequência alimentar - QFA) qualitativo e não
validado. Sabe-se que a informação puramente qualitativa não traduz toda a dimensão
do consumo alimentar uma vez que não reflete a quantidade das porções consumidas,
mas apenas a frequência do consumo. Entretanto, por questões operacionais, essa
complementação da informação não foi viabilizada. É importante mencionar ainda que,
assim como a maioria dos métodos de avaliação do consumo alimentar, o emprego do
QFA também está sujeito ao viés de memória do entrevistado 31.
Outra limitação deste estudo seria o fato do modelo conceitual para estudo dos
determinantes hipotéticos causais não ter incluído os aspectos culturais, como crenças,
comportamentos e tabus alimentares, que devem ter um peso significativo na
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores108
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
determinação do padrão de consumo alimentar. De certa forma, o modelo escolhido
para explicação foi reducionista, uma vez que se sabe que estes têm importante
interferência tanto sobre o registro das informações de consumo alimentar, quanto sobre
os hábitos dietéticos praticados32.
Os escores alimentares, metodologia empregada nesse estudo, refletem a
qualidade de dieta12, mas não há um ponto de corte para categorizar em ―adequado‖ ou
―inadequado‖ o consumo de cada grupo de alimentos. Esses escores teriam a finalidade
de quantificar a frequência de consumo de alimentos reconhecidos por serem associados
ao ganho excessivo de peso e ao risco de DCV’s e aqueles com efeito protetor para
efeitos deletérios à saúde. Estudos que determinem os pontos de discriminação
diagnóstico para categorizar os escores numa perspectiva de associação com a
ocorrência ou proteção dessas doenças ampliariam a utilização dessa metodologia na
avaliação de padrões alimentares de grupos populacionais.
Apesar das diferentes metodologias encontradas na literatura aplicadas para
avaliação do consumo alimentar de populações, muitos dos resultados aqui apresentados
reforçam tendências já encontradas, aumentando a confiabilidade da aplicação dos
escores na avaliação dos padrões dietéticos de grupos populacionais.
É possível evidenciar que o padrão de consumo, com predomínio de
carboidratos simples em detrimento do consumo de frutas, legumes e hortaliças, seria o
reflexo de uma sociedade moderna e do processo de transição nutricional, sofrendo
influência de fatores socioeconômicos e demográficos. Entretanto, dificilmente
variáveis associadas exclusivamente ao indivíduo permitiriam explicar a complexidade
de um fenômeno como o padrão de consumo de uma população.
O presente estudo fornece dados importantes para o Estado de Pernambuco e
para a região Nordeste do país, possibilitando que as informações obtidas sejam
monitoradas a fim de identificar tendências no comportamento alimentar desta
população, além de possibilitar estratégias de intervenção efetivas.
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabelas
Tabela 1 - Características demográficas e socioeconômicas de adultos de 25 a 59 anos,
de ambos os sexos, do Estado de Pernambuco, Brasil, 2006.
Variáveis
Sexo
Masculino
Feminino
Idade (anos)
25|-|29
30|-|39
40|-|49
50|-|59
Área de Residência
Região Metropolitana do Recife
Interior Urbano
Interior Rural
Escolaridade (anos de estudo)
0|-|4
5|-|8
≥9
Renda Familiar Per Capita (salários mínimos)
≤0,12
0,12-|0,25
0,25-|0,45
≥0,45
N
Total
n
%
664
916
42
58
485
633
290
172
30,7
40,1
18,4
10,9
422
389
769
26,7
24,6
48,7
849
349
365
54,3
22,3
23,1
393
412
367
388
24,9
26,1
23,2
24,6
1580
1580
1580
1563
1560
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores110
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Tabela 2 - Medianas e intervalos interquartílicos dos escores de consumo alimentar
segundo variáveis sócio-demográficas em adultos de 25 a 59 anos do Estado de
Pernambuco, Brasil, 2006.
Variável
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Med
IQ
Med
IQ
Med
IQ
Idade
n=1.571
n=1.577
n=1.571
25|-|29
2,3
1,7-3,2
4,4a
3,1-5,4
3,7a
2,7-4,9
30|-|39
2,3
1,8-3,2
4,2a
3,1-5,3
3,5b
2,5-4,5
a
c
40|-|49
2,3
1,6-3,1
4,1
3,1-5,3
3,4
2,4-4,4
50|-|59
2,3
1,6-3,2
3,8b
2,6-5,2
2,8d
2,1-4,0
p-valor*
0,759
0,051
0,000
Sexo
n=1.576
n=1.575
n=1.571
Masculino
2,3
1,8-3,3
4,2
3,0-5,4
3,5
2,4-4,5
Feminino
2,3
1,7-3,1
4,2
3,1-5,3
3,5
2,5-4,6
p-valor*
0,329
0,894
0,638
Escolaridade
n=1.576
n=1.575
n=1.571
0|-|4 anos
2,2a
1,5-3,0
4,0 a
2,7-5,1
3,1a
2,2-4,2
b
b
b
5|-|8 anos
2,5
1,9-3,2
4,5
3,3-5,5
3,8
2,9-4,7
≥9 anos
2,6 c
2,0-3,6
4,5b
3,4-5,5
4,1c
3,0-5,1
p-valor*
0,000
0,000
0,000
Área de Residência
n=1.576
n=1577
n=1571
a
RMR
2,3
1,7-3,1
4,5
3,4-5,3
3,9a
3,0-4,7
IU
2,4
1,7-3,3
4,3a
2,9-5,4
3,5b
2,5-5,0
b
c
IR
2,3
1,7-3,1
4,0
2,8-5,2
3,2
2,2-4,3
p-valor*
0,606
0,000
0,000
Renda
Familiar
Per n=1.556
n=1557
n=1551
Capita
1º quartil
2,1a
1,3-2,7
3,9a
2,6-5,0
2,9a
2,0-4,0
b
b
b
2º quartil
2,3
1,5-3,1
4,0
2,8-5,3
3,4
2,4-4,5
3º quartil
2,4c
1,9-3,3
4,4c
3,3-5,4
3,6b
2,7-4,7
d
c
c
4º quartil
2,7
2,0-3,6
4,5
3,3-5,5
3,9
2,9-4,9
p-valor*
0,000
0,000
0,000
*Teste de Krukal Wallis. Teste a posteriori: ―U‖ de Mann Whitney.
Med: Mediana. IQ: Intervalo Interquartílico.
RMR: Região Metropolitana do Recife. IU: Interior Urbano. IR: Interior Rural.
Renda Familiar: em salários mínimos per capita.
Grupo 1: Frutas, legumes, hortaliças e leguminosas. Grupo 2: Bolo, biscoito, açúcar e
refrigerante. Grupo 3: Carnes com gordura, frango com pele, vísceras, embutidos, leite e
derivados, gorduras e frituras.
a,b,c,d
Letras diferentes significam diferenças estatísticas entre as categorias.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores111
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
Escore
1,4
1,2
1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
Grupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Figura 1 – Escore (média e desvio padrão) do consumo de alimentos ricos em fibras
(grupo 1), alimentos ricos em carboidratos simples (grupo 2) e alimentos ricos em
gordura saturada (grupo 3), de adultos do Estado de Pernambuco, 2006.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A obesidade constitui um dos maiores desafios da saúde pública deste século
pelo grande impacto que representa sobre o padrão de morbidade adulta. As expressivas
prevalências de excesso de peso e concentração de gordura abdominal reveladas na
população do Estado de Pernambuco corroboram com os níveis epidêmicos que este
problema tem assumido no país.
Este estudo contribui para um melhor entendimento sobre as variáveis que se
associam ao excesso de peso e à concentração de gordura abdominal, podendo ser
constatada a multifatorialidade na etiologia destes problemas. Além disso, os resultados
indicaram que diferentes fatores estão determinando o acúmulo de gordura corporal em
homens e mulheres e esta perspectiva deve ser considerada em futuras estratégias de
controle. Portanto, prioridades de intervenção devem ser dirigidas aos indivíduos onde
essas condições foram mais prevalentes.
O padrão de consumo alimentar da população pernambucana caracterizou-se
pelo predomínio do consumo de alimentos ricos em carboidratos simples, em
detrimento do consumo de frutas, legumes e hortaliças, refletindo o processo de
transição nutricional experimentado pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento
nas últimas décadas. O perfil de consumo, influenciado por fatores socioeconômicos e
demográficos, demonstra a forte exposição da população ao ganho excessivo de peso.
O presente estudo fornece dados importantes para o Estado de Pernambuco e
para a região Nordeste do país, possibilitando que as informações obtidas sejam
monitoradas a fim de identificar tendências no comportamento alimentar e na
ocorrência do excesso de peso e obesidade nesta população.
Espera-se com esses resultados contribuir para o planejamento de estratégias
efetivas e ações direcionadas à prevenção e ao manejo do ganho excessivo de peso,
levando-se em conta as diferenças demográficas, socioeconômicas e comportamentais.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXOS
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores133
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores134
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
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_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores135
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PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores136
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores137
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores138
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores139
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores140
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores141
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores142
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores143
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores144
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores145
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores146
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores147
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores148
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores149
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores150
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores151
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores152
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO E
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores153
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores154
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores155
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores156
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores157
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores158
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores159
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO G
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores160
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO
HH
ANEXO
Instruções aos Autores – Revista de Saúde Pública
Informações Gerais
Os manuscritos submetidos à publicação na Revista de Saúde
Pública devem ser apresentados de acordo com as Instruções aos
Autores.
São aceitos manuscritos nos idiomas: português, espanhol e
inglês.
O texto de manuscritos de pesquisa original deve seguir a
estrutura conhecida como IMRD: Introdução, Métodos, Resultados e Discussão (ver
Estrutura do Texto). Em cada uma das partes não se deve dividir o texto em subtítulos,
exceto nos casos que requerem maior detalhe, sobretudo em Resultados e Discussão.
Manuscritos baseados em pesquisa qualitativa podem ter outros formatos, admitindo-se
Resultados e Discussão em uma mesma seção e Considerações Finais/Conclusões.
Outras categorias de manuscrito (revisões, comentários, etc.) seguem os formatos de
texto a elas apropriados.
O texto submetido deve ter páginas e linhas numeradas para fins de revisão.
O uso de siglas deve ser evitado.
Recomendamos que o autor consulte o checklist correspondente à categoria do
manuscrito submetido.
Pormenores sobre os itens exigidos para apresentação do manuscrito estão
descritos a seguir.
Autoria
O conceito de autoria está baseado na contribuição substancial de cada uma das
pessoas listadas como autores, no que se refere sobretudo à concepção do projeto
de pesquisa, análise e interpretação dos dados, redação e revisão crítica. A
contribuição de cada um dos autores deve ser explicitada em declaração para esta
finalidade. Não se justifica a inclusão de nome de autores cuja contribuição não se
enquadre nos critérios acima.
Dados de identificação do autor responsável (cadastro)
Nome e sobrenome
O autor deve seguir o formato pelo qual já é indexado nas bases de dados.
Correspondência
Deve constar o nome e endereço do autor responsável para troca de
correspondência.
Instituição
Podem ser incluídas até três hierarquias institucionais de afiliação (por exemplo:
departamento, faculdade, universidade).
Identificação do Manuscrito
Título no idioma original do manuscrito e em inglês
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores161
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
O título deve ser conciso e completo, contendo informações relevantes que
possibilitem recuperação do artigo nas bases de dados. O limite é de 90 caracteres,
incluindo espaços. Se o manuscrito for submetido em inglês, fornecer um título
em português.
Título resumido
Deve conter até 45 caracteres, para fins de legenda nas páginas impressas.
Descritores
Devem ser indicados entre 3 e 10, extraídos do vocabulário "Descritores em
Ciências da Saúde" (DeCS), nos idiomas português, espanhol e inglês, com base
no Medical Subject Headings (MeSH). Se não forem encontrados descritores
adequados para a temática do manuscrito, poderão ser indicados termos não
existentes nos conjuntos citados.
Número de figuras e tabelas
A quantidade de figuras e tabelas de cada manuscrito é limitada a cinco em
conjunto. Todos os elementos gráficos ou tabulares apresentados serão
identificados como figura ou tabela, e numerados seqüencialmente a partir de um,
e não como quadros, gráficos, etc.
Co-autores
Identificar os co-autores do manuscrito pelo nome, sobrenome e instituição,
conforme a ordem de autoria.
Financiamento da pesquisa
Se a pesquisa foi subvencionada, indicar o tipo de auxílio, o nome da agência
financiadora e o respectivo número do processo.
Apresentação prévia
Tendo sido apresentado em reunião científica, indicar o nome do evento, local e
ano da realização.
Quando baseado em tese ou dissertação, indicar o nome do autor, título, ano,
nome do programa de pós-graduação e instituição onde foi apresentada.
Preparo dos Manuscritos
Resumo
São publicados resumos em português, espanhol e inglês. Para fins de cadastro do
manuscrito, deve-se apresentar dois resumos, um na língua original do manuscrito
e outro em inglês (ou em português, em caso de manuscrito apresentado em
inglês). As especificações quanto ao tipo de resumo estão descritas em cada uma
das categorias de artigos.
Como regra geral, o resumo deve incluir: objetivos do estudo, principais
procedimentos metodológicos (população em estudo, local e ano de realização,
métodos observacionais e analíticos), principais resultados e conclusões.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores162
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
Estrutura do texto
Introdução – Deve ser curta, relatando o contexto e a justificativa do estudo,
apoiados em referências pertinentes ao objetivo do manuscrito, que deve estar
explícito no final desta parte. Não devem ser mencionados resultados ou
conclusões do estudo que está sendo apresentado.
Métodos– Os procedimentos adotados devem ser descritos claramente; bem como
as variáveis analisadas, com a respectiva definição quando necessária e a hipótese
a ser testada. Devem ser descritas a população e a amostra, instrumentos de
medida, com a apresentação, se possível, de medidas de validade; e conter
informações sobre a coleta e processamento de dados. Deve ser incluída a devida
referência para os métodos e técnicas empregados, inclusive os métodos
estatísticos; métodos novos ou substancialmente modificados devem ser descritos,
justificando as razões para seu uso e mencionando suas limitações. Os critérios
éticos da pesquisa devem ser respeitados. Os autores devem explicitar que a
pesquisa foi conduzida dentro dos padrões éticos e aprovada por comitê de ética.
Resultados – Devem ser apresentados em uma seqüência lógica, iniciando-se com
a descrição dos dados mais importantes. Tabelas e figuras devem ser restritas
àquelas necessárias para argumentação e a descrição dos dados no texto deve ser
restrita aos mais importantes. Os gráficos devem ser utilizados para destacar os
resultados mais relevantes e resumir relações complexas. Dados em gráficos e
tabelas não devem ser duplicados, nem repetidos no texto. Os resultados
numéricos devem especificar os métodos estatísticos utilizados na análise.
Material extra ou suplementar e detalhes técnicos podem ser divulgados na versão
eletrônica do artigo.
Discussão – A partir dos dados obtidos e resultados alcançados, os novos e
importantes aspectos observados devem ser interpretados à luz da literatura
científica e das teorias existentes no campo. Argumentos e provas baseadas em
comunicação de caráter pessoal ou divulgadas em documentos restritos não
podem servir de apoio às argumentações do autor. Tanto as limitações do trabalho
quanto suas implicações para futuras pesquisas devem ser esclarecidas. Incluir
somente hipóteses e generalizações baseadas nos dados do trabalho. As
conclusões devem finalizar esta parte, retomando o objetivo do trabalho.
Referências
Listagem: As referências devem ser normalizadas de acordo com o estilo
Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals:
Writing and Editing for Biomedical Publication, ordenadas alfabeticamente e
numeradas. Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de
acordo com o Medline, e grafados no formato itálico. No caso de publicações com
até seis autores, citam-se todos; acima de seis, citam-se os seis primeiros,
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores163
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
seguidos da expressão latina ―et al‖. Referências de um mesmo autor devem ser
organizadas em ordem cronológica crescente. Sempre que possível incluir o DOI
do documentado citado, de acordo com os exemplos abaixo.
Exemplos:
Artigos de periódicos
Narvai PC. Cárie dentária e flúor:uma relação do século XX. Cienc Saude
Coletiva. 2000;5(2):381-92. DOI:10.1590/S1413-81232000000200011
Zinn-Souza LC, Nagai R, Teixeira LR, Latorre MRDO, Roberts R, Cooper SP, et
al. Fatores associados a sintomas depressivos em estudantes do ensino médio de
São Paulo, Brasil. Rev Saude Publica. 2008;42(1):34-40. DOI:10.1590/S003489102008000100005.
Hennington EA. Acolhimento como prática interdisciplinar num programa de
extensão. Cad Saude Coletiva [Internet].2005;21(1):256-65. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/csp/v21n1/28.pdf DOI:10.1590/S0102311X2005000100028
Livros
Nunes ED. Sobre a sociologia em saúde. São Paulo; Hucitec;1999.
Wunsch Filho V, Koifman S. Tumores malignos relacionados com o trabalho. In:
Mendes R, coordenador. Patologia do trabalho. 2. ed. São Paulo: Atheneu; 2003.
v.2, p. 990-1040.
Foley KM, Gelband H, editors. Improving palliative care for cancer Washington:
National Academy Press; 2001[citado 2003 jul 13] Disponível em:
http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=10149
Para outros exemplos recomendamos consultar as normas (―Citing Medicine‖) da
National
Library
of
Medicine
(http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=citmed).
Referências a documentos não indexados na literatura científica mundial, em geral
de divulgação circunscrita a uma instituição ou a um evento (teses, relatórios de
pesquisa, comunicações em eventos, dentre outros) e informações extraídas de
documentos eletrônicos, não mantidas permanentemente em sites, se relevantes,
devem figurar no rodapé das páginas do texto onde foram citadas.
Citação no texto: A referência deve ser indicada pelo seu número na listagem, na
forma de expoente após a pontuação no texto, sem uso de parênteses, colchetes e
similares. Nos casos em que a citação do nome do autor e ano for relevante, o
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores164
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
número da referência deve ser colocado a seguir do nome do autor. Trabalhos com
dois autores devem fazer referência aos dois autores ligados por &. Nos outros
casos apresentar apenas o primeiro autor (seguido de et al. em caso de autoria
múltipla).
Exemplos:
A promoção da saúde da população tem como referência o artigo de Evans &
Stoddart,9 que considera a distribuição de renda, desenvolvimento social e reação
individual na determinação dos processos de saúde-doença.
Segundo Lima et al9 (2006), a prevalência se transtornos mentais em estudantes de
medicina
é
maior
do
que
na
população
em
geral.
Parece evidente o fracasso do movimento de saúde comunitária, artificial e
distanciado do sistema de saúde predominante. 12,15
Tabelas
Devem ser apresentadas depois do texto, numeradas consecutivamente com
algarismos arábicos, na ordem em que foram citadas no texto. A cada uma deve-se
atribuir um título breve, não se utilizando traços internos horizontais ou verticais.
As notas explicativas devem ser colocadas no rodapé das tabelas e não no
cabeçalho ou título. Se houver tabela extraída de outro trabalho, previamente
publicado, os autores devem solicitar formalmente autorização da revista que a
publicou, para sua reprodução.
Para composição de uma tabela legível, o número máximo é de 12 colunas,
dependendo da quantidade do conteúdo de cada casela. Tabelas que não se
enquadram no nosso limite de espaço gráfico podem ser publicadas na versão
eletrônica. Notas em tabelas devem ser indicadas por letras, em sobrescrito e
negrito.
Se houver tabela extraída de outro trabalho, previamente publicado, os autores
devem solicitar autorização para sua reprodução, por escrito.
Figuras
As ilustrações (fotografias, desenhos, gráficos, etc.) devem ser citadas como
Figuras e numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em
que foram citadas no texto e apresentadas após as tabelas. Devem conter título
e legenda apresentados na parte inferior da figura. Só serão admitidas para
publicação figuras suficientemente claras e com qualidade digital que permitam
sua impressão, preferentemente no formato vetorial. No formato JPEG, a
resolução mínima deve ser de 300 dpi. Não se aceitam gráficos apresentados com
as linhas de grade, e os elementos (barras, círculos) não podem apresentar volume
(3-D). Figuras em cores são publicadas quando for necessária à clareza da
informação. Se houver figura extraída de outro trabalho, previamente publicado,
os autores devem solicitar autorização, por escrito, para sua reprodução.
Declarações e documentos solicitados
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores165
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
Em conformidade com as diretrizes do International Committee of Medical
Journal Editors, são solicitados alguns documentos e declarações do(s) autor(es)
para a avaliação de seu manuscrito. Observe a relação dos documentos abaixo e,
nos casos em que se aplique, anexe o documento ao processo. O momento em que
tais documentos serão solicitados é variável:
Documento/declaração
Quem assina
Quando anexar
a. Carta de Apresentação
Todos os autores Submissão
b. Responsabilidade pelos Agradecimentos Autor responsável Aprovação
c. Transferência de Direitos Autorais
Todos os autores Aprovação
a. A carta de Apresentação do manuscrito, assinada por todos os autores, deve
conter:



Um parágrafo justificando a escolha da Revista para submissão de seu
manuscrito, informando o significado da contribuição para a saúde
pública; se os autores têm artigos publicados nessa linha de pesquisa e em
caso positivo, mencionar até três; além de atestar a exclusividade de
submissão à RSP.
Um parágrafo declarando a responsabilidade de cada autor: ter contribuído
substancialmente para a concepção e planejamento, ou análise e
interpretação dos dados; ter contribuído significativamente na elaboração
do rascunho ou na revisão crítica do conteúdo; e ter participado da
aprovação da versão final do manuscrito. Para maiores informações sobre
critérios de autoria, consulte o site.
Um parágrafo contendo a declaração de potenciais conflitos de interesses
dos autores. Para maiores informações, consulte a página sobre Conflito
de Interesses .
b. AGRADECIMENTOS
Há um campo no formulário de submissão do artigo onde devem ser mencionados
os nomes de pessoas que, embora não preencham os requisitos de autoria,
prestaram colaboração ao trabalho. Será preciso explicitar o motivo do
agradecimento, por exemplo, consultoria científica, revisão crítica do manuscrito,
coleta de dados, etc. Deve haver permissão expressa dos nomeados e o autor
responsável deve anexar a Declaração de Responsabilidade pelos Agradecimentos
link. Também pode constar desta parte apoio logístico de instituições.
c. TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS
Todos os autores devem ler, assinar e enviar documento transferindo os direitos
autorais link. O artigo só será liberado para publicação quando esse documento
estiver de posse da RSP .
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores166
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO H
Verificação dos itens exigidos
1. Nome e instituição de afiliação de cada autor, incluindo e-mail e telefone.
2. Título do manuscrito, em português e inglês, com até 90 caracteres, incluindo
os espaços entre as palavras.
3. Título resumido com 45 caracteres, para fins de legenda em todas as páginas
impressas.
4. Texto apresentado em letras arial, corpo 12, em formato Word ou similar
(doc,txt,rtf).
5. Resumos estruturados para trabalhos originais de pesquisa em dois idiomas, um
deles obrigatoriamente em inglês.
6. Resumos narrativos para manuscritos que não são de pesquisa em dois idiomas,
um deles obrigatoriamente em inglês.
7. Carta de Apresentação, constando a responsabilidade de autoria e conflito de
interesses, assinada por todos os autores.
8. Nome da agência financiadora e número(s) do processo(s).
9. No caso de artigo baseado em tese/dissertação, indicar o nome da
instituição/Programa, grau e o ano de defesa.
10. Referências normalizadas segundo estilo Vancouver, ordenadas
alfabeticamente pelo primeiro autor e numeradas, e se todas estão citadas no texto.
11. Tabelas numeradas seqüencialmente, com título e notas, e no máximo com 12
colunas.
12. Figura no formato vetorial ou em pdf, ou tif, ou jpeg ou bmp, com resolução
mínima 300 dpi; em se tratando de gráficos, devem estar em tons de cinza, sem
linhas de grade e sem volume.
13. Tabelas e figuras não devem exceder a cinco, no conjunto.
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
_________________________Excesso de peso e distribuição de gordura corporal: magnitude e fatores167
associados em adultos de 25 a 59 anos do Estado de Pernambuco.
ANEXO I
PINHO, C.P.S. Dissertação de Mestrado. UFPE, 2011.__________________________________________________
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A obesidade é definida como um excesso de gordura corporal