UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ GIOVANNA TAHAN ISIS YURI TERUYA MORSCH MARIA EDUARDA BORGES COELHO IMPACTOS CAUSADOS PELA NÃO CONFORMIDADE DE BLOCOS CERÂMICOS CURITIBA 2014 1 GIOVANNA TAHAN ISIS YURI TERUYA MORSCH MARIA EDUARDA BORGES COELHO IMPACTOS CAUSADOS PELA NÃO CONFORMIDADE DE BLOCOS CERÂMICOS Trabalho apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel de Engenharia Civil no Curso de Engenharia Civil, Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná. Orientadora: Profª Dra. Laila Valduga Artigas CURITIBA 2014 2 TERMO DE APROVAÇÃO GIOVANNA TAHAN ISIS YURI TERUYA MORSCH MARIA EDUARDA BORGES COELHO IMPACTOS CAUSADOS PELA NÃO CONFORMIDADE DE BLOCOS CERÂMICOS Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil no Curso de Engenharia Civil, Setor de Tecnologia, Universidade Federal do Paraná, pela seguinte banca examinadora: ____________________________________ Profa. Dra. Laila Valduga Artigas Orientadora – Departamento de Construção Civil, UFPR ___________________________________ Prof. Carlos Frederico Alice Parchen Departamento de Construção Civil, UFPR __________________________________ Prof. Nayara Soares Klein Departamento de Construção Civil, UFPR Curitiba, 25 de novembro de 2014 3 AGRADECIMENTOS Agradecemos a Universidade Federal do Paraná pela oportunidade de cursar Engenharia Civil. À nossa orientadora, Professora Laila Valduga Artigas, que realizou a tarefa de nos ajudar a encontrar os melhores caminhos para a pesquisa, tendo nos dado preciosos conselhos. Ao Professor Carlos Gustavo Nastari Marcondes, por nos permitir a realização de ensaios no laboratório da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e ao Senhor João que nos auxiliou na execução destes. Aos senhores Douglas e Ricardo, técnicos do LAME, Laboratório de Materiais e Estruturas, por nos auxiliarem e estarem disponíveis sempre que precisamos. As olarias que nos ofereceram amostras para realizar este trabalho, além de nos explicar o processo produtivo e compartilhar seus conhecimentos conosco. Aos nossos pais, pelo amor incentivo e apoio incondicional. A todos que direta ou indiretamente fizeram parte de nossa formação, o nosso muito obrigado. 4 RESUMO Os blocos cerâmicos são tradicionalmente empregados desde a antiguidade, sendo um componente básico de qualquer construção civil. Porém, para que uma parede de alvenaria seja bem executada e desempenhe corretamente suas funções é necessário controlar a qualidade da produção desse insumo. O presente trabalho visa quantificar a quantidade de insumo desperdiçado com a irregularidade na produção de blocos de cerâmica vermelha. A pesquisa desenvolveu-se a partir de visitas as indústrias cerâmicas para estudo in loco do processo de produção e recolhimento de amostras para posteriores análises das propriedades mecânicas. Para tal, foram realizados os ensaios para levantamento das características geométricas, absorção d'água total, índice de absorção inicial e resistência à compressão, exigidos pela norma ABNT NBR 15270:2005, e resistência de aderência a tração do revestimento, instruído pela norma ABNT NBR 13528:2010. Além disso, também foi feita visita in loco em obra para quantificar a quebra durante o manuseio. Com os resultados, foram analisadas as consequências do uso de blocos em desacordo com a norma, o que isto impacta na quantidade utilizada do próprio material, além da argamassa de assentamento, revestimento interno e externo. Foi concluído que o aumento de consumo mais significativo, de 17%, está nas perdas dentro do canteiro de obras, devido principalmente à falta de cuidado durante o manuseio. As dimensões geométricas causaram um aumento financeiro no revestimento de até 8%. 5 ABSTRACT The ceramic blocks have traditionally been used since ancient times, as it is considered a basic component of any construction. However, masonry wall well done and to have a also its functions properly performed, it is necessary to control the quality of the bricks production. This study aims to quantify the amount of raw material, wasted due to the irregularity in the production of red ceramic blocks. The survey was developed based on visits to brick factories to study the production process in situ and samples were collected for further analysis of the mechanical properties. Finding tests such as, geometric characteristics, total water absorption, initial rate of absorption and compression strength were carried out as required by the ABNT NBR 15270:2005, and tensil adhesion strength under stress of the coating, according to ABNT NBR 13528: 2010. Moreover, visits to construction work were done to quantify the amount of breakage during handling. As the results, the consequences of using blocks out of the norm, how it impacts on the amount of material used, besides laying mortar, inner and outer coating. It was concluded that the most significant increase in consumption of 17%, the losses are in the works, mainly due to lack of care in handling. The geometrical dimensions cause an increase in financial coating up to 8%. 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Etapas do Processo de Fabricação da Cerâmica Vermelha ............ 23 Figura 2 - Extração da matéria prima. .............................................................. 24 Figura 3 - Desintegrador. ................................................................................. 25 Figura 4 - Extrusão. .......................................................................................... 26 Figura 5 - Secagem natural. ............................................................................. 27 Figura 6 - Mapa de localização das indústrias de blocos cerâmicos em Curitiba e Região Metropolitana .................................................................................... 29 Figura 7 - Número de Indústrias de Blocos cerâmicos por Região .................. 30 Figura 8 - Bloco Cerâmico de Vedações com Furos na Horizontal. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005........................................................................................... 31 Figura 9 - Desvio em Relação ao Esquadro. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 ......................................................................................................................... 33 Figura 10 - Planeza das Faces ou Flechas. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 34 Figura 11- Fluxograma de processos ............................................................... 36 Figura 12 - Pontos Indicados para efetuar as medições de largura nos blocos. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 ..................................................................... 39 Figura 13 - Pontos Indicados para efetuar as medições das paredes externas e septos dos blocos. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 ...................................... 40 Figura 14 - Instruções para realizar a determinação do desvio em relação ao esquadro. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 .................................................... 40 Figura 15 - Representação esquemática para determinação da planeza das faces. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 .......................................................... 41 Figura 16 - Blocos cerâmicos imersos em tanque com água. .......................... 42 Figura 17 – Execução do ensaio de absorção inicial. ...................................... 44 Figura 18 - Capeamento das amostras lado 1. ................................................ 45 Figura 19 - Capeamento das amostras lado 2. ................................................ 46 Figura 20 - Execução ensaio resistência a compressão. ................................. 46 Figura 21 - Preparação das amostras para o ensaio da resistência de aderência a tração. ........................................................................................................... 48 Figura 22 - Colagem das pastilhas para a execução do ensaio da resistência de aderência a tração. ........................................................................................... 48 Figura 23 - Execução do ensaio da resistência de aderência a tração. ........... 49 7 Figura 24 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 1. ............................... 53 Figura 25 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 2. ............................... 53 Figura 26 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 3. ............................... 54 Figura 27- Resultados altura em gráfico. Fornecedor 1. .................................. 55 Figura 28 - Resultados altura em gráfico. Fornecedor 2. ................................. 56 Figura 29 - Resultados altura em gráfico. Fornecedor 3. ................................. 57 Figura 30 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 1....................... 60 Figura 31 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 2....................... 60 Figura 32 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 3....................... 61 Figura 33 - Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 1. ............ 68 Figura 34 - Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 2. ............ 68 Figura 35- Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 3. ............. 69 Figura 36 - Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 1. .. 70 Figura 37 - Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 2. .. 71 Figura 38- Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 3. ... 72 Figura 39 - Representação bloco equivalente. ................................................. 79 Figura 40 - Cálculo de argamassa de assentamento. ...................................... 80 Figura 41 - Meio elipsóide representando flecha.............................................. 81 Figura 42 - Cunha triangular representando desvio ao esquadro. ................... 81 Figura 43 - Gráfico de comparação dos resultados de absorção inicial e resistência a aderência. ................................................................................... 89 Figura 44 - Gráfico de comparação dos resultados de absorção total e resistência a aderência. ................................................................................... 90 Figura 45 - Gráfico comparativo das médias dos resultados do ensaio de resistência à compressão. ................................................................................ 91 Figura 46- Projeto tipo edifício exemplo. .......................................................... 92 Figura 47 - Projeto térreo edifício exemplo....................................................... 93 Figura 48 - Projeto cobertura edifício exemplo. ................................................ 94 Figura 49 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 1. .................................... 96 Figura 50 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 1. .............. 97 Figura 51 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 1. ................. 97 Figura 52 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 2. .................................... 98 Figura 53 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 2. .............. 99 Figura 54 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 2. ............... 100 8 Figura 55 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 3. .................................. 100 Figura 56 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 3. ............ 101 Figura 57 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 3. ............... 101 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Dimensão de Fabricação de Blocos Cerâmicos de Vedação. Fonte: NBR 15270-1:2005........................................................................................... 32 Tabela 2- Numero de Bloco dos Lotes e da Amostragem. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 ................................................................................................... 34 Tabela 3 - As Diferentes fases de um empreendimento e a ocorrência de perda de materiais. Fonte: Adaptado de Souza et al (1994) ...................................... 35 Tabela 4 – Resultados largura. Fornecedor 1. ................................................ 51 Tabela 5 - Resultados largura. Fornecedor 2. .................................................. 52 Tabela 6 - Resultados largura. Fornecedor 3. .................................................. 52 Tabela 7 - Resultados altura. Fornecedor 1. .................................................... 55 Tabela 8 - Resultados altura. Fornecedor 2. .................................................... 56 Tabela 9 - Resultados altura. Fornecedor 3. .................................................... 57 Tabela 10 - Resultados comprimento. Fornecedor 1. ...................................... 58 Tabela 11 - Resultados comprimento. Fornecedor 2. ...................................... 59 Tabela 12 - Resultados comprimento. Fornecedor 3. ...................................... 59 Tabela 13 - Resultado dos septos e paredes externas. Fornecedor 1. ............ 62 Tabela 14 – Resultados dos septos e paredes externas. Fornecedor 2. ......... 62 Tabela 15 - Resultado dos septos e paredes externas. Fornecedor 3. ............ 63 Tabela 16 - Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 1. ...... 64 Tabela 17 - Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 2. ...... 64 Tabela 18 – Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 3. ..... 65 Tabela 19 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 1. ............................... 66 Tabela 20 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 2. ............................... 66 Tabela 21 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 3. ............................... 67 Tabela 22 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 1. .................... 70 Tabela 23 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 2. .................... 71 Tabela 24 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 3. .................... 72 Tabela 25 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 1. ..................... 73 Tabela 26 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 2. ..................... 74 Tabela 27 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 3. ..................... 74 Tabela 28 - Resultados resistência de aderência a tração do revestimento. ... 75 10 Tabela 29 - Perda dos blocos no canteiro de obras. ........................................ 77 Tabela 30 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 1. ..... 83 Tabela 31 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 2. ..... 84 Tabela 32 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 2. ..... 85 Tabela 33 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 1. .... 86 Tabela 34 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 2. .... 87 Tabela 35 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 3. .... 88 Tabela 36 - Comparativo resistência a aderência, absorção inicial e total. ...... 89 Tabela 37 - Cálculo metragens paredes edifício exemplo. ............................... 94 Tabela 38 - Orçamento comparativo entre fornecedores e qualidade dos blocos. .............................................................................................................. 95 11 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................... 14 2. JUSTIFICATIVA ........................................................................................ 17 3. OBJETIVOS .............................................................................................. 19 4. 3.1. OBJETIVO GERAL ............................................................................. 19 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................... 19 REVISÃO BIBLIOGRAFICA ..................................................................... 21 4.1. BLOCOS CERÂMICOS....................................................................... 21 4.1.1. MATÉRIA PRIMA ......................................................................... 22 4.1.2. FABRICAÇÃO .............................................................................. 23 4.2. OLARIAS DE CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA ................... 28 4.3. REQUISITOS DE QUALIDADE PARA BLOCOS CERÂMICOS DE VEDAÇÃO .................................................................................................... 31 4.4. 5. IMPACTOS DA FALTA DE QUALIDADE DE BLOCOS CERÂMICOS 35 METODOLOGIA ........................................................................................ 37 5.1. COLETA DAS AMOSTRAS ................................................................ 37 5.2. ENSAIOS DOS CORPOS-DE-PROVA ............................................... 38 5.2.1. DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS... 38 5.2.2. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ABSORÇÃO D’ÁGUA ............ 42 5.2.3. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ABSORÇÃO INICIAL ............. 43 5.2.4. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO ............ 45 5.2.5. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA A TRAÇÃO DO REVESTIMENTO ................................................................................ 47 5.3. 6. ESTIMATIVA DA QUEBRA DURANTE O MANUSEIO.................... 49 RESULTADOS .......................................................................................... 50 6.1.1. LARGURA .................................................................................... 51 6.1.2. ALTURA ....................................................................................... 54 6.1.3. COMPRIMENTO .......................................................................... 58 6.1.4. SEPTO E PAREDES EXTERNAS ................................................ 61 6.1.5. FLECHA E DESVIO AO ESQUADRO .......................................... 63 6.2. ÍNDICE DE ABSORÇÃO D’ ÁGUA ..................................................... 65 6.3. ÍNDICE DE ABSORÇÃO INICIAL D’AGUA ......................................... 69 6.4. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO ...................................................... 73 6.5. RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA A TRAÇÃO DO REVESTIMENTO .. 75 12 6.6. 7. QUEBRA DURANTE O MANUSEIO ................................................... 76 APLICAÇÃO DOS RESULTADOS ........................................................... 78 7.1. ESTIMATIVA DAS PERDAS ............................................................... 78 7.1.1. DECORRENTE DAS IRREGULARIDADES GEOMÉTRICAS ...... 78 7.1.2. DECORRENTE DO INDICE DE ABSORÇÃO DE ÁGUA ............. 89 7.1.3. DECORRENTE DAS PERDAS NO CANTEIRO DE OBRAS ....... 91 7.2. APLICAÇÃO DAS PERDAS ................................................................ 92 8. CONCLUSÕES ....................................................................................... 102 9. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 104 10. APÊNDICE .............................................................................................. 107 13 1. INTRODUÇÃO A realização do controle da qualidade envolve o monitoramento de resultados específicos do projeto a fim de determinar se eles estão de acordo com os padrões relevantes de qualidade e a identificação de maneiras de eliminar as causas de resultados insatisfatórios (GUIA PMBOK ®, 2004). Para THOMAZ (2001), qualidade é conjunto de propriedades de um bem ou serviço que redunde na satisfação das necessidades dos seus usuários, com a máxima economia de insumos e energia, com a máxima proteção à saúde e integridade física dos trabalhadores na linha de produção, com a máxima preservação da natureza. As atividades relacionadas à qualidade de um produto ou serviço estendem-se desde a identificação inicial de sua necessidade (pesquisa de mercado, prospecções) até a satisfação final das expectativas do consumidor, sendo constantemente reavaliadas e retroalimentadas. (THOMAZ, 2001). Segundo o GUIA PMBOK ®, 2004, garantir a qualidade fornece uma base para uma importante atividade, a melhoria contínua de processos, que reduz atividades sem nenhum valor agregado e minimiza os desperdícios. As empresas buscam alcançar as melhorias através da implantação de programas de qualidade. No entanto, um dos maiores desafios durante a implantação destes está na identificação, redução e/ou eliminação dos desperdícios de insumos e mão-de-obra, o que é acentuado no setor da construção civil (MALDANER, 2003). Colombo e Bazzo (2014) definem desperdício como toda e qualquer perda durante o processo. Portanto, qualquer utilização de recursos além do necessário à produção de determinado produto é caracterizada como desperdício. Mesmo com o grande investimento das empresas de construção civil em programas de qualidade e organização gerencial, são recorrentes os 14 desperdícios e manifestações patológicas de todos os tipos, das mais graves às mais simples (THOMAZ, 2001). Segundo El Debs (2000), a construção civil tem sido considerada uma indústria atrasada quando comparada a outros ramos industriais, por apresentar, de maneira geral, baixa produtividade e controle de qualidade, além de grande desperdício de material. Focando no controle de qualidade nos materiais que podem vir a causar esse desperdício, dados da Secretaria Executiva do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação, de julho de 1998, indicavam que o percentual médio de não conformidade dos materiais e componentes da construção civil habitacional era de aproximadamente de 40%. THOMAZ (2001) define como não conformidade o não atendimento de um produto a uma determinada especificação, intencionalmente ou não. Os problemas enfrentados pelo setor cerâmico brasileiro e o seu reflexo na qualidade dos produtos disponíveis para o consumidor, principalmente em função da existência da não conformidade técnica, foi um dos motivos que levou o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade - PBQP a criar, através de um esforço que integra o governo, o setor produtivo e a sociedade, a Meta Mobilizadora Nacional voltada para a área da Habitação: "elevar para 90%, até o ano 2002, o percentual médio de conformidade com as normas técnicas dos produtos que compõem a cesta básica de materiais de construção" (INMETRO, 2014), meta essa que não foi cumprida. Segundo dados do site do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade – PBQP-H, acessado em setembro de 2014, o índice atual está em torno de 74,04%. Como piores valores, que colaboram com a baixa conformidade, estão os materiais cerâmicos. Em primeiro, Telhas Cerâmicas com 3,10% e em segundo os Blocos com 6,60%. (PBQP-H, 2014) Dentre os materiais utilizados na construção civil, segundo Busmante (2000), a cerâmica vermelha possui o maior valor anual de produção, cerca de 25 milhões de dólares. Os materiais cerâmicos, nas suas mais variadas aplicações, continuam ainda hoje sendo amplamente usados devido às suas características que os tornam superiores a outros materiais (ABCI, 1990; PETRUCCI, 1982) 15 A cerâmica é responsável por grande parte das alvenarias e coberturas executadas no Brasil e, segundo palavras de Fernando Avelino, ex-secretário estadual de Habitação do Rio de Janeiro, “A habitação é um dos momentos mais importantes do homem. E sendo o material mais usado nas construções, a cerâmica é o produto mais difundido, mais fácil de aplicar e mais importante nos trabalhos” (Silva apud ANICER, 2003). Trata-se de um setor com uma estrutura empresarial bastante assimétrica, pulverizada e de capital estritamente nacional, no qual coexistem pequenos empreendimentos familiares artesanais (olarias, em grande parte não incorporadas nas estatísticas oficiais), cerâmicas de pequeno e médio portes, com deficiências de mecanização e gestão, e empreendimentos de médio a grande portes (em escala de produção) de tecnologia mais avançada, operando com processos mais automatizados, com preparação melhor da matéria-prima, secagem forçada e fornos de queima semi-contínua ou contínua. (Junior, 2012) Segundo dados da ANICER – Associação Nacional da Indústria Cerâmica (2010) estima-se que existam no país 7.500 empresas entre cerâmicas e olarias, distribuídos amplamente por todo território nacional, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul, sendo responsáveis pela geração de 300 mil empregos diretos faturando anualmente R$ 18 bilhões. O número de olarias no Brasil é de cerca 4.900 e geram uma produção de peças mensal de 4 bilhões. 16 2. JUSTIFICATIVA A indústria da construção civil está habituada com elevados índices de perdas de materiais, porque liga o trabalho diretamente à produtividade e não de forma múltipla, relacionando-a com a quantidade de material usada e a limpeza necessária (Wyatt apud Soibelman, 1993) Chega-se a afirmar que com a quantidade de materiais e mão de obra desperdiçados em três obras, é possível a construção de outra idêntica, ou seja, o desperdício atingiria um índice de 33% (GROHMANN, 1998). Vargas et al (1997) apresenta outros dados alarmantes: o tempo de perda da mão de obra dos serventes pode atingir 50% do tempo total e 30% dos tijolos e elementos de vedação se transformam em entulho. Estes dados demonstram e reforçam a gravidade do problema em questão. A indústria de cerâmica vermelha tem um papel fundamental como fornecedora de insumos para a construção civil. Por sua vez, este setor vem apresentando nos últimos anos um ritmo intenso de crescimento, sendo impulsionado pelos incentivos governamentais em programas de habitação. A expectativa de continuidade do crescimento sustentado da construção civil estabelece uma forte pressão para o aprimoramento competitivo da indústria cerâmica nacional, e que se reflete diretamente na base da cadeia produtiva, envolvendo todo o processo de produção (Junior, 2012). No relatório de Jobim et al (2001), onde foi apresentado a análise dos resultados da pesquisa coordenada pelo Grupo da Construção Civil da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), envolvendo empresas filiadas aos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCONs) de dezesseis estados do Brasil e com o apoio do IEL Nacional e do SEBRAE Nacional, foram coletadas informações referentes a um conjunto de 31 materiais e componentes da construção e avaliados segundo questionários entregues aos presidentes dos sindicados de cada estado. A conclusão apresentada foi que o bloco cerâmico é, com 40,88%, o material 17 com maior porcentagem de insatisfação dentro do setor da construção civil no Brasil. Esse alto índice de descontentamento pode estar ligado à possível falta de qualidade e não cumprimento das normas desse material. Como consequência dessa não conformidade pode ser citada a impossibilidade do uso adequado dos produtos adjacentes a ele, no caso do bloco cerâmico, por exemplo, a dificuldade na utilização da argamassa de revestimento. As grandes construtoras têm convivido há tempos com críticas quando se fala de desperdício de materiais, pois isto acarreta em aumento do custo de um empreendimento. Souza et al (2014) quantificam o desperdício de um dos principais revestimentos de blocos cerâmicos. As perdas de argamassa (mensuradas através do consumo de cimento) não são fisicamente desprezíveis: 102% para emboço ou massa única internos e 53% para emboço ou massa única externos. 18 3. OBJETIVOS 3.1. OBJETIVO GERAL O objetivo do presente trabalho é quantificar as consequências causadas pelo não cumprimento das normas referentes a blocos cerâmicos vazados de vedação. Propõe-se a realização de ensaios segundo a norma brasileira pertinente, a fim de quantificar perdas e desperdícios, aplicando essas perdas técnicas ou financeiras em um grande empreendimento, ou até mesmo em grandes construtoras, visto que possuem um volume maior de utilização do material em questão. Dessa forma, objetiva-se fornecer dados que possam melhorar a qualidade na construção civil, contribuindo para diminuição de seus custos e desperdícios. 3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Ensaiar amostras de blocos cerâmicos de olarias selecionadas para o estudo, a fim de definir as características geométricas, absorção de agua total, índice de absorção inicial e resistência do bloco. b) Quantificar a perda de revestimento e blocos cerâmicos decorrente das médias das dimensões reais dos blocos obtidas com os ensaios. c) Estimar a perda de blocos quebrados durante o transporte e manuseio, decorrente da falta de resistência. 19 d) Aplicar a perda obtida em empreendimentos reais de grande porte a fim de expressar o impacto técnico e financeiro da falta de qualidade dos blocos cerâmicos. 20 4. REVISÃO BIBLIOGRAFICA 4.1. BLOCOS CERÂMICOS Os materiais cerâmicos são utilizados desde 4.000 a.C. pelo homem, destacando-se pela sua durabilidade, além da abundância da matéria-prima (argila) utilizada. Não se sabe exatamente a época e o local de origem do primeiro tijolo; possivelmente foram os romanos os primeiros a utilizarem o produto na forma que conhecemos hoje, a partir do processo de queima da argila. (SANTOS, 2006). No Brasil, há mais de 2000 anos, antes mesmo da descoberta pelos portugueses, existia a fabricação de cerâmicas, representada por potes, baixelas e outros artefatos. No que tange a cerâmica vermelha, as escassas e imprecisas informações referem-se à utilização no período Colonial, a partir de técnicas de produção rudimentares introduzidas pelos jesuítas, que necessitavam de tijolos para construção de colégios e conventos. A produção é estimulada a partir de 1549, quando se dá o desenvolvimento de cidades mais bem planejadas e elaboradas. (SEBRAE, 2008). Em 1575 há indícios do uso de telhas na formação da vila que viria a ser a cidade de São Paulo/SP. E foi a partir desse estímulo que começa a se desenvolver a atividade cerâmica de forma mais intensa, sendo as olarias o marco inicial da indústria em São Paulo. Com maior concentração nas últimas décadas do século XIX, a produção nas olarias se dava por meio de processos manuais, e em pequenos estabelecimentos, e tinham como produto final tijolos, telhas, tubos, manilhas, vasos, potes e moringas, os quais eram comercializados localmente. (SEBRAE, 2008). Atualmente a indústria de cerâmica tem o tijolo como um dos seus principais produtos e, pela grande demanda do mercado, encontra-se 21 disponível em variáveis dimensões, formas e quantidades de furos sugeridas pela norma referente da ABNT. 4.1.1. MATÉRIA PRIMA As matérias-primas empregadas na produção de tijolos são basicamente as argilas. Segundo Barba et al (1997), citado por Grun (2007) o termo argila se emprega para fazer referência a um material de granulometria fina, que manifesta um comportamento plástico quando misturado com uma quantidade limitada de água. Na natureza, não são encontradas como substâncias puras, e sim como mistura de vários tipos de componentes. A característica essencial da argila como matéria-prima para a produção dos diferentes produtos cerâmicos é a sua plasticidade no estado úmido, qualidade quase não superada por nenhuma outra matéria-prima, que adquire rigidez ao secar e dureza ao ser queimada (LOYOLA, 2000). Segundo Junior (2012), por meio dessa mistura, busca-se a composição de uma massa que tenha certas funções tecnológicas essenciais, tais como: Plasticidade: propiciar a moldagem das peças; Resistência mecânica da massa verde e crua: conferir coesão e solidez às peças moldadas, permitindo a sua trabalhabilidade na fase pré-queima; Fusibilidade: favorecer a sinterização e, consequentemente, a resistência mecânica e a diminuição da porosidade; Drenagem: facilitar a retirada de água e a passagem de gases durante a secagem e queima, evitando trincas e dando rapidez ao processo; e Coloração das peças: atribuir cores às cerâmicas por meio da presença de corantes naturais (óxidos de ferro e manganês). 22 Conhecer uma argila e seus constituintes é de fundamental importância para o processo de fabricação da cerâmica vermelha, pois a presença e a quantidade de cada um dos componentes é o que define as propriedades de cada argila (GRUN, 2007). 4.1.2. FABRICAÇÃO O processo industrial da cerâmica vermelha envolve diversas fases de processamento, tais como coleta da argila, preparação, mistura, secagem e queima, até obtenção dos produtos finais, podendo cada etapa influenciar decisivamente na etapa seguinte (BACCELLI JR., 2010). As etapas do processo de fabricação da cerâmica vermelha vão desde a extração da matéria prima da jazida, passando pelo beneficiamento, conformação e tratamento térmico. As principais etapas estão representadas no fluxograma da Figura 1. Extração da Matéria Prima Desintegração Mistura Laminação Extrusão Corte Secagem Queima Inspeção Estocagem Expedição Figura 1 - Etapas do Processo de Fabricação da Cerâmica Vermelha 23 A extração é feita através de retroescavadeiras e escavadeiras e o transporte da jazida para a fábrica é realizado através de caminhões basculantes. O plano de extração normalmente prevê a remoção de estéreis, isto é, a vegetação, o solo arável e outros (BASTOS, 2003). A Figura 2 ilustra o processo. Figura 2 - Extração da matéria prima. As argilas devem ser estocadas por um longo período a céu aberto, obtendo-se com isso características adequadas ao seu processamento. Essa prática, chamada sazonamento, é muito comum desde a antiguidade, pois os processos de intemperismo provocam o alívio de tensões dos blocos de argila, melhoram sua plasticidade e homogeneízam a umidade, entre outros fatores (ABC, 2002, p. 43). Segundo Vieira (2001), uma massa cerâmica deve possuir características necessárias para possibilitar uma adequada trabalhabilidade durante o processamento e para a obtenção das propriedades finais requeridas. Para a preparação da massa inicialmente é utilizado um desintegrador, como ilustra a Figura 3, onde ocorre a quebra dos blocos de argila em pequenos torrões e posteriormente a mistura com água para facilitar a homogeneização. 24 Figura 3 - Desintegrador. Também é necessário o uso de um laminador onde é feito o direcionamento de suas partículas. Rolos fazem a compactação da argila, tornando-a menos porosa, mais densa, eliminando bolhas de ar ou aglomerados remanescentes. Esse processo proporciona uma maior densidade à massa argilosa, eliminando pedriscos e raízes ainda existentes. Dessa forma o processo de extrusão se torna mais fácil e mais preciso, ou seja, minimiza o surgimento de defeitos nas peças cerâmicas. Algumas extrusoras apresentam laminador acoplado na entrada do equipamento (VILLAR, 1988). A laminação completa a homogeneização, quebra os grãos de argila diminuindo assim sua granulometria, consequentemente, melhorando a qualidade do acabamento do produto final. A extrusão é um método de conformação amplamente utilizado. A extrusora, ou maromba, é responsável por dar forma à massa plástica. Esta é forçada, por um pistão ou eixo helicoidal, a passar continuamente em um molde ou boquilha tomando a forma deste, gerando então uma coluna contínua, com forma já definida, a qual é seccionada em comprimentos apropriados, formando telhas, tijolos maciços e furados, lajotas, entre outros (NORTON, 1973). A Figura 4 ilustra esse procedimento. O corte das peças pode ser manual ou automático. A massa cerâmica em forma de coluna sai ainda úmida da boquilha, passa por uma esteira até chegar à máquina de corte, onde é interceptada por fios de aços esticados que efetuam o corte. 25 Figura 4 - Extrusão. A secagem é de vital importância para a indústria cerâmica, uma vez que levadas as peças ao forno com umidade excessiva, esta mesma umidade evaporará muito rapidamente, gerando assim trincas, fissuras, perdas de resistência e até a explosão da peça (Vicenzi, 1999). Esse processo consiste na eliminação da água utilizada na fabricação dos produtos cerâmicos, que deve ocorrer de forma lenta e gradual para que não haja defeitos nas peças e para que a água seja eliminada igual e gradativamente de toda a massa, até que uma pequena percentagem permaneça para manter a coesão da argila e para que não ocorra desagregação antes da queima. Existem dois tipos de secagem utilizados na fabricação de tijolos, a natural e a artificial. A primeira depende do fator climático, possui tempo elevado de secagem e pode afetar a qualidade das peças, esse processo pode ser visualizado na Figura 5 . 26 Figura 5 - Secagem natural. Em geral, na secagem natural não há controle de temperatura e umidade e dificilmente há homogeneidade na umidade das peças. Quando o bloco cerâmico contém excesso de água, além do tempo requerido de secagem ser maior, a perda de água resulta em grandes retrações, originando deformações e trincas superficiais (Sposto, 2011). Já o segundo método aumenta a produtividade com menor tempo de secagem e melhora a qualidade da peça (maior homogeneidade na umidade das peças), mas para isso exige equipamentos e maior controle. Após a secagem o material fica sensível a choques, portanto devem-se evitar solavancos e trepidações durante o transporte. De todos os estágios no processo de produção de peças cerâmicas, a queima é mais importante (NORTON, 1973). Isto porque nessa fase a massa cerâmica sofre reações e transformações físico-químicas necessárias para conceder ao produto final suas propriedades requeridas, verifica-se a soldagem dos grãos, diminuição da porosidade e ganho de resistência. No forno, que pode ser contínuo ou intermitente, os blocos passarão por um tratamento 27 térmico a temperaturas da ordem de 750ºC a 900ºC. O ciclo de queima pode durar de minutos a dias, dependendo do tipo de produto cerâmico Após a queima e resfriamento, os blocos cerâmicos estão aptos para a comercialização. Segundo Pedroti (2011), o processo de extrusão propicia, devido a diferentes fatores, elevadas perdas tanto de material quanto de peças. No processo de extrusão a perda está basicamente relacionada à umidade necessária para moldagem, já na secagem e queima devido à imperfeições e transporte. Quando não descartados devidos às deformações elevadas esses blocos se tornam grandes problemas nos canteiros de obra, pois essa deformidade exige correções com o uso de argamassas. 4.2. OLARIAS DE CURITIBA E REGIÃO METROPOLITANA Segundo o Panorama Regional da Construção Civil, elaborado pelo SEBRAE em 2010, o setor da cerâmica vermelha no Paraná é composto principalmente por microempresas familiares de pequenos e médios produtores de atuação em mercados locais, devido às limitações de localização apresentadas pelas reservas de argila e os custos de transporte. O mesmo estudo caracteriza a região centro-sul como a mais dinâmica e desenvolvida de todo Paraná tendo a Região Metropolitana de Curitiba como a principal concentradora de pessoas, empresas e renda. Essa região detém o maior polo de empresas ligadas à Indústria de Construção Civil do Paraná, com mais de 60% de participação na massa salarial de todos os elos da cadeia produtiva. A produção de cerâmica vermelha dessa região fica em 1º lugar no estado, com um número de 311 indústrias, de um total de 599 em 2010. Com o objetivo de levantar as indústrias presentes em Curitiba e Região Metropolitana, com base em diversas fontes, – como sites de busca de 28 comércio, propagandas e listas telefônicas – foi elaborado um panorama da principal área de produção do setor. É importante frisar que grandes partes dessas olarias são de pequeno porte e fornecem seus produtos para lojas de materiais de construção da região, ou até mesmo diretamente ao consumidor. Diante da descoberta da quantidade excessiva desse tipo de indústria, é possível que muitas delas não possuam divulgação e não possam ser facilmente encontradas. De acordo com o SINDICER-PR, em 2013 estavam registradas aproximadamente 80 fábricas em Curitiba e Região Metropolitana, porém muitas delas já se encontravam inativas. Na busca foi levantado um total de 59 olarias em funcionamento. Essas estão localizadas conforme o mapa ilustrado na Figura 6. Figura 6 - Mapa de localização das indústrias de blocos cerâmicos em Curitiba e Região Metropolitana 29 Para facilitar na visualização, os dados foram aplicados em um gráfico que demonstra a porcentagem de olarias por região, Figura 7 - Número de Indústrias de Blocos cerâmicos por Região. 1,72% 1,72% 1,72% 1,72% Umbará 1,72% Campo de Santana São José dos Pinhais Fazenda Rio Grande Guaraituba 1,72% 1,72% 6,90% 10,34% Boqueirão 56,90% 13,79% Jardim das Américas Araucária Jardim Botânico Campo Largo Campina Grande do Sul Figura 7 - Número de Indústrias de Blocos cerâmicos por Região A partir da Figura 6 e Figura 7 é possível notar que a grande maioria de olarias encontra-se na região do Umbará, em Curitiba, concentrando 57% das indústrias. Logo após, porém com diferença significativa, está o bairro Campo de Santana com 13,79% das olarias, seguido pelo município de São José dos Pinhais com 10,34%. 30 4.3. REQUISITOS DE QUALIDADE PARA BLOCOS CERÂMICOS DE VEDAÇÃO Os requisitos gerais, requisitos específicos e as inspeções dos blocos cerâmicos são apresentados na NBR 15270-1: 2005 - Componente cerâmico, Parte 1: Blocos cerâmicos para alvenaria de vedação – Terminologia e Requisitos. Segundo essa norma, o bloco cerâmico tem que ser fabricado a partir de matéria-prima argilosa e queimado em altas temperaturas. Cada bloco deve ser identificado com o nome da empresa, onde foi produzido e sua dimensão. Uma característica que deve ser citada também é sua conformidade, não podendo haver quebras, irregularidade ou deformação que podem prejudicar o seu desempenho. Seu formato é de um prisma reto. Suas dimensões são baseadas na Figura 8 e devem seguir um padrão de acordo com a Tabela 1. Figura 8 - Bloco Cerâmico de Vedações com Furos na Horizontal. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 31 Dimensões LxHxC Módulo Dimensional M = 10cm Dimensões de Fabricação (cm) Largura (L) Altura (H) Comprimento (C) Bloco Principal 1/2 Bloco 19 9 24 11,5 19 9 24 11,5 29 14 19 9 24 11,5 29 14 39 19 (1) M x (1) M x (2) M 9 (1) M x (1) M x (5/2) M (1) M x (3/2) M x (2) M (1) M x (3/2) M x (5/2) M 14 (1) M x (3/2) M x (3) M 9 (1) M x (2) M x (2) M (1) M x (2) M x (5/2) M 19 (1) M x (2) M x (3) M (1) M x (2) M x (4) M (5/4) M x (5/4) M x (5/2) 11,5 24 11,5 M (5/4) M x(3/2) M x (5/2) 14 24 11,5 M 11,5 (5/4) M x (2) M x (2) M 19 9 (5/4) M x (2) M x (5/2) M 19 24 11,5 (5/4) M x (2) M x (3) M 29 14 (5/4) M x (2) M x (4) M 39 19 (3/2) M x (2) M x (2) M 19 9 (3/2) M x (2) M x (5/2) M 14 19 24 11,5 (3/2) M x (2) M x (3) M 29 14 (3/2) M x (2) M x (4) M 39 19 (2) M x (2) M x (2) M 19 9 (2) M x (2) M x (5/2) M 24 11,5 19 19 (2) M x (2) M x (3) M 29 14 (2) M x (2) M x (4) M 39 19 (5/2) M x (5/2) M x (5/2) 24 11,5 M 24 24 (5/2) M x (5/2) M x (3) M 29 14 (5/2) M x (5/2) M x (4) M 39 19 Tabela 1 - Dimensão de Fabricação de Blocos Cerâmicos de Vedação. Fonte: NBR 15270-1:2005. 32 Para atender os requisitos estabelecidos na norma e garantir a qualidade do material, as dimensões efetivas de largura, altura e comprimento, apresentadas na Tabela 1 tem uma tolerância individual de ±5 mm. As dimensões conforme a média dos blocos tem uma tolerância de ±3 mm. A espessura do septo deve apresentar o valor limite de 6 mm em paredes internas e 7mm para as externas. O desvio em relação ao esquadro, apresentado na Figura 9, não deve ultrapassar 3 mm, visto que ao acumular diversos blocos essa diferença pode ser extremamente significativa e influenciar no prumo da parede, comprometendo o desempenho estrutural e economia de materiais. Figura 9 - Desvio em Relação ao Esquadro. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 Outra importante verificação é a flecha, que mede a irregularidade na planeza do bloco, e deve ter no máximo 3 mm de desvio, como ilustra a Figura 10. 33 Figura 10 - Planeza das Faces ou Flechas. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 A resistência à compressão do bloco, deve ser maior ou igual a 1,5 MPa (para blocos usados com furos na horizontal) e maior ou igual a 3,0 MPa (para blocos com furos na vertical). O índice de absorção de água tem deve estar entre 8% a 22%; Nos requisitos especiais, é estabelecido que as inspeções devem ter seu local de aplicação combinado entre o fornecedor e o cliente. Cada lote tem que possuir até 100.000 blocos cerâmicos. Deve-se realizar amostragem simples para as identificações dos blocos, e uma dupla amostragem para as suas características visuais. A Tabela 2 apresenta a quantidades de blocos necessárias para cada amostragem conforme a ABNT NBR 15270-1: 2005. Número de Blocos Lotes 1000 a 100000 1ª Amostragem 13 Verificações 2ª Amostragem 13 Identificação e Características Visuais Tabela 2- Numero de Bloco dos Lotes e da Amostragem. Fonte: ABNT NBR 15270-1:2005 34 Para realização dos ensaios das características geométricas (dimensões, esquadro e flecha) e de resistência da compressão dos blocos, é empregada uma amostra constituída de 13 corpos-de-prova por lote. Já para o ensaio do índice de absorção de água, são necessários apenas 6 corpos-deprova. É indicado que antes da realização dos ensaios de resistência e absorção, tenham-se já primeiramente os resultados aprovados das características geométricas do bloco cerâmico. 4.4. IMPACTOS DA FALTA DE QUALIDADE DE BLOCOS CERÂMICOS Segundo Souza, 1998, o consumo excessivo de materiais pode ocorrer em diferentes fases do empreendimento conforme pode demonstrado na Tabela 3. Fases Perda Concepção Execução Utilização Diferença entre Diferença entre a quantidade a quantidade Diferença entre de material de material a quantidade previsto num prevista para a prevista no projeto manutenção e projeto e a otimizado e a a quantidade quantidade realmente efetivamente efetivamente necessária de consumida num consumida acordo com um certo período projeto de tempo Material Material incorporado e incorporado e entulho entulho Tabela 3 - As Diferentes fases de um empreendimento e a ocorrência de perda de materiais. Fonte: Adaptado de Souza et al (1994) Natureza das Perdas Material incorporado 35 Admitindo o fluxograma de processos para a aplicação dos blocos cerâmicos disposto na Figura 11Erro! Fonte de referência não encontrada., é possível citar os impactos em cada uma das etapas. Recebimento Estocagem Execução Figura 11- Fluxograma de processos Durante o processo de recebimento, segundo Neto (2010), destacam-se a utilização de equipamentos de transporte inadequados, ou simplesmente a falta de cuidados que permitem a queda e muitas vezes a quebra de um número elevado de unidades. Este número pode ser aumentado com a falta da resistência apropriada. O mesmo impacto pode ser causado pela falta de resistência durante a estocagem. O incorreto armazenamento, aliado a uma baixa resistência do material podem ocasionar quebras nos blocos inferiores. Na etapa de execução da alvenaria é possível notar a maior incidência de perdas decorrente da falta de qualidade do material. As características geométricas e a flecha influenciam diretamente no consumo de argamassa. Produzem uma irregularidade na alvenaria, que pode vir a ser um abaulamento nas faces internas ou externas da parede, decorrente da flecha; ou uma falta de prumo, provocada pela falta de padronização geométrica. Uma vez que o objetivo é alcançar a excelência na qualidade, essa alvenaria deverá ser corrigida com o revestimento; aumentando o consumo previsto desse material. Quando analisado o índice de absorção de água, o INMETRO (2014) prevê que paredes de tijolos com alta absorção de água revelam problemas na aderência da argamassa de reboco, pois a água existente na composição da argamassa é absorvida, resultando em uma massa seca sem poder de fixação. Além de causar a perda da resistência do revestimento, podendo até chegar a ser necessária sua troca. 36 5. METODOLOGIA 5.1. COLETA DAS AMOSTRAS Com base nos estudos abordados no tópico 4.2, foram selecionadas 3 fábricas para a retirada das amostras. Para auxiliar na escolha foi efetuada uma pesquisa de qual seria a principal distribuidora de material para grandes construtoras da região. A partir desse levantamento foi descoberto que a grande maioria consome blocos produzidos pelo Fornecedor 1, sendo essa a primeira olaria selecionada. Possui uma produção média de 1,6 milhão de peças por mês e está localizada no bairro Campo de Santana. Visando atingir empreendimentos menores, casas e sobrados particulares, foi escolhido o Fornecedor 2, provedor de blocos para grandes empresas de materiais de construção. Com uma rede de distribuição maior, atendendo a clientes que necessitam menores quantidades de material, atualmente produz 1,4 milhão de peças por mês e está localizada no bairro Umbará. Como foi apresentado, grande parte das indústrias de cerâmica são pequenas e familiares, logo, para ampliar a amostragem de forma diversificada foram recolhidas amostras do Fornecedor 3 que produz apenas 450 mil de peças por mês, possuindo clientes inclusive diretamente no varejo. Encontra-se no Bairro Campo de Santana ainda em Curitiba-PR. A quantidade da amostragem foi determinada pela norma ABNT NBR 15270-1:2005. Para inspeção por ensaio adota-se 13 corpos de prova, definido como 1ª amostragem. 37 5.2. ENSAIOS DOS CORPOS-DE-PROVA 5.2.1. DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS Todos os ensaios foram realizados com base na norma ABNT NBR 15270-3:2005 - Componentes cerâmicos, Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de ensaio. Para as características geométricas, são definidos como itens obrigatórios para blocos cerâmicos os valores de: dimensões das faces; espessura dos septos e paredes externas; desvio em relação ao esquadro e planeza das faces. Com um total de 13 amostras de cada distribuidor, valor estabelecido em norma, foram determinadas todas as características acima citadas de cada bloco cerâmico. a) Dimensões das faces: Os blocos foram colocados em uma superfície plana e logo após, com o auxílio do paquímetro, foram realizadas as medições nas faces, sempre medidas pelo eixo do bloco, conforme NBR 15270-3 (ABNT, 2005). Este procedimento pode ser visualizado na Figura 12 - ilustração retirada da norma que exemplifica o correto local de medição da largura dos blocos. 38 Figura 12 - Pontos Indicados para efetuar as medições de largura nos blocos. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 b) Determinação da espessura das paredes externas e septos dos blocos: Com os blocos também em superfície plana e auxílio do paquímetro, foram executadas as medições das paredes externas e internas, denominadas septos, sempre na região central destas. O resultado é dado pelas 4 menores medidas, como prevê a norma ABNT NBR 15270-1. A Figura 13 demonstra o procedimento pela norma. 39 Figura 13 - Pontos Indicados para efetuar as medições das paredes externas e septos dos blocos. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 c) Determinação do desvio em relação ao esquadro: Com o auxílio do esquadro metálico, foi medido o desvio entre uma das faces destinadas ao assentamento do bloco, e a maior face destinada ao revestimento, conforme ilustra a Figura 14. Figura 14 - Instruções para realizar a determinação do desvio em relação ao esquadro. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 40 d) Determinação da planeza das faces: Da mesma forma que a determinação do desvio em relação ao esquadro, a determinação da planeza das faces utiliza os mesmos materiais. Porém a diferença é obtida em uma das faces destinada ao assentamento, verificando a flecha na diagonal, conforme ilustra a Figura 15. Figura 15 - Representação esquemática para determinação da planeza das faces. Fonte: ABNT NBR 15270-3:2005 41 5.2.2. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ABSORÇÃO D’ÁGUA É definido na norma ABNT NBR 15270-3:2005 - Componentes cerâmicos, Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – como métodos de ensaio obrigatório para a avaliação de conformidade. a) Determinação da massa seca : Os corpos foram submetidos à secagem em estufa, logo após serem retiradas as impurezas, como pó e partículas. A cada hora o bloco foi retirado da estufa para realização da pesagem, até que a diferença entre uma e outra fosse menor do que 0,25%, como estabelece a norma. O valor da medição final é o peso do corpo-de-prova após a estabilização. b) Determinação da massa úmida Após a determinação da massa seca os corpos-de-prova foram totalmente imersos em água a temperatura ambiente durante 24h. O resultado foi determinado pela pesagem dos blocos, após a limpeza com um pano úmido. A Figura 16 ilustra o procedimento executado no laboratório. Figura 16 - Blocos cerâmicos imersos em tanque com água. 42 c) Determinação do índice de absorção d’água O índice de absorção d’água é determinado pela expressão: Sendo: = Massa úmida (g); = Massa seca (g). 5.2.3. DETERMINAÇÃO DO ÍNDICE DE ABSORÇÃO INICIAL Ensaio facultativo, definido pela mesma norma dos ensaios anteriores, para determinação de características especiais. Após a limpeza das impurezas, as amostras identificadas foram secas em estufa a uma temperatura de (105 ± 5) ºC por 24 horas. Após a retirada da estufa, foram resfriadas por mais 2 horas até atingirem a temperatura ambiente e depois pesadas em balança obtendo-se a massa inicial (seca). Procedeu-se então com o nivelamento dos apoios e em seguida tanque foi cheio de água, até que os perfis ficassem submersos com uma lâmina d’água de (3,0 ± 0,2) mm. Os blocos foram colocados individualmente sobre os apoios nivelados, onde permaneceram por 60 segundos. Retirado o excesso de água com um pano úmido, os blocos foram pesados novamente para obter a massa final (úmida). A Figura 17 ilustra o procedimento citado acima. 43 Figura 17 – Execução do ensaio de absorção inicial. Para determinar o índice de absorção de água inicial foi utilizada a expressão: Sendo: = variação de massa obtida no ensaio (g); = Área líquida dos blocos ensaiados (cm²). Caso o índice de absorção de água inicial (AAI) seja superior a (30 g/193,55 cm²)/min, os blocos devem ser umedecidos antes do assentamento para o seu melhor desempenho. Se o valor do índice de absorção inicial (AAI) resultar menor que o limite mencionado, os blocos podem ser assentados sem serem previamente umedecidos. 44 5.2.4. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO O procedimento de ensaio é especificado pela NBR 15270-3:2005 Componentes cerâmicos, Parte 3: Blocos cerâmicos para alvenaria estrutural e de vedação – Métodos de ensaio. A aparelhagem necessária para o ensaio de determinação de resistência à compressão é composta por uma prensa; neste caso foi utilizada a prensa Emic MUE100. Primeiramente, foi feita a determinação das características geométricas (altura, largura e comprimento) de todas as amostras. As faces inferiores e superiores dos corpos de prova foram regularizadas com argamassa colante interior ACI da marca Votorantim. A Figura 18 e a Figura 19 a seguir ilustram o capeamento de ambos os lados. Figura 18 - Capeamento das amostras lado 1. 45 Figura 19 - Capeamento das amostras lado 2. Após a secagem do capeamento dos corpos de prova, os mesmos foram imersos em água em temperatura ambiente por 6 horas para que atingissem a condição saturada. Ao serem retirados da imersão, o excesso de água foi removido com o auxílio de um pano úmido. Deve-se salientar que todos os corpos-de-prova foram ensaiados com a carga aplicada na direção do esforço que o bloco deve suportar durante o seu emprego, ou seja, perpendicular ao comprimento e na face destinada ao assentamento. A Figura 20 ilustra a prensa executando o ensaio em uma das amostras. Figura 20 - Execução ensaio resistência a compressão. 46 A NBR 15270-1 (ABNT, 2005) exige que a resistência mínima dos blocos cerâmicos com furos na horizontal seja de 1,5 MPa. Para o cálculo da tensão a qual o bloco é submetido divide-se o valor da força pela média das áreas brutas das duas faces de trabalho de cada bloco, multiplicando-se por 10, obtém-se o valor em Mega Pascal (MPa). 5.2.5. DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA A TRAÇÃO DO REVESTIMENTO Ensaio realizado de acordo com procedimento especificado na Norma ABNT NBR 13528 – Revestimento de paredes de argamassas inorgânicas – Determinação da resistência de aderência a tração. Inicialmente foram separadas as 3 amostras de cada fornecedor com os maiores resultados de índices de absorção inicial. Os blocos foram assentados de modo a formar uma só parede. Após a secagem da argamassa de assentamento, um lado da estrutura foi chapiscado e rebocado com argamassa industrializada, deixando a outra face com a identificação de cada amostra a vista. A norma regente indica a execução do ensaio no revestimento com idade de 28 dias, porém, devido ao cronograma exíguo, o procedimento foi executado com 14 dias. A Figura 21 ilustra os corpos de prova após a preparação. 47 Figura 21 - Preparação das amostras para o ensaio da resistência de aderência a tração. Como solicita a norma, foi executado um corte do revestimento a seco, com o equipamento mantido na posição ortogonal, estendido de 1 mm a 5 mm dentro do substrato. Logo após, a superfície foi limpa e preparada para a colagem das pastilhas, de 50 mm de diâmetro, cada uma em cima de um bloco analisado. Para isso foi aplicada uma cola a base de epóxi (Figura 22) e seguido o tempo de 2 horas indicado pelo fabricante para a secagem. Figura 22 - Colagem das pastilhas para a execução do ensaio da resistência de aderência a tração. 48 O equipamento utilizado foi um dinamômetro de tração, que quando inserido o diâmetro da pastilha, já nos fornecia a resistência de aderência em MPa. A Figura 23 ilustra o ensaio sendo executado. Figura 23 - Execução do ensaio da resistência de aderência a tração. 5.3. ESTIMATIVA DA QUEBRA DURANTE O MANUSEIO Para fazer a estimativa de perdas durante o manuseio dos blocos cerâmicos e identificar as principais causas de desperdício do mesmo, foi feito um estudo de caso com observação in loco de uma obra em Curitiba-PR, entre as datas 28 e 30 de outubro de 2014. O acompanhamento iniciou no descarregamento dos blocos, incluindo o local onde ocorreu o armazenamento até a utilização nos pavimentos onde estava sendo executado o assentamento dos blocos. Para o levantamento numérico foram analisados 15 paletes, cada um com 504 blocos. O processo foi divido em 3 etapas: Descarregamento e armazenagem, transporte para o pavimento e execução. No final de cada etapa os paletes foram recontados e feita a anotação das perdas referentes. 49 6. RESULTADOS Os blocos cerâmicos de vedação (seis furos) coletados foram classificados conforme norma técnica descrita no Capítulo 4.3, como (1)Mx(3/2)Mx(2)M, dos Fornecedores 1 e 3, equivalente a 9x14x19 cm, e (1)Mx(2)Mx(2)M, do Fornecedor 2, equivalente a 9x19x19 cm. Foram analisados quanto às suas dimensões (largura, altura, comprimento, flecha, septos e desvio ao esquadro), índices de absorção d’água, resistência à compressão e absorção de água inicial, de acordo com os procedimentos estabelecidos pelas normas técnicas NBR 15270-1 (ABNT, 2005) e NBR 15270-3 (ABNT, 2005). Os resultados encontrados foram comparados com os índices máximos e mínimos para aceitação do lote. 6.1. DIMENSÕES EFETIVAS Todos os valores foram comparados com os limites estabelecidos pela NBR 15270-1 (ABNT, 2005), que designa uma tolerância de 5 mm, para mais e para menos, nos valores individuais e 3 mm para médias. Para a aceitação do lote é permitido apenas 2 amostras não conformes, 3 ou mais incidem na reprovação. Pode se observar nas tabelas a seguir os resultados dos 3 Fornecedores. 50 6.1.1. LARGURA A Tabela 4, Tabela 5 e Tabela 6 mostram os resultados das larguras medidas das amostras dos Fornecedores 1, 2 e 3. Pode se observar que não foi obtida nenhuma amostra irregular. Logo, até então, o lote seria aprovado. Fornecedor 1 Bloco L1 Desvio L2 Desvio 1 87,73 2,27 88,1 1,90 2 86,41 3,59 86,06 3,94 3 87,7 2,30 89,05 0,95 4 86,84 3,16 87,36 2,64 5 87,01 2,99 87,13 2,87 6 87,83 2,17 87,2 2,80 7 86,91 3,09 86,86 3,14 11 87,1 2,90 87,61 2,39 12 87,04 2,96 86,93 3,07 13 87,16 2,84 87,54 2,46 14 86,53 3,47 86,37 3,63 15 87,11 2,89 86,72 3,28 16 87,01 2,99 87,84 2,16 MÉDIA 87,11 2,89 87,29 2,71 Tabela 4 – Resultados largura. Fornecedor 1. 51 Fornecedor 2 Bloco L1 Desvio L2 Desvio 1 87,82 2,18 87,79 2,21 2 88,58 1,42 89,07 0,93 3 88,27 1,73 88,47 1,53 4 87,22 2,78 87,85 2,15 5 89,37 0,63 88,57 1,43 6 89,58 0,42 88,19 1,81 7 87,41 2,59 88,03 1,97 8 88,44 1,56 87,82 2,18 9 87,96 2,04 88,41 1,59 10 87,03 2,97 87,44 2,56 11 88,77 1,23 88,74 1,26 12 87,86 2,14 87,98 2,02 16 87,87 2,13 88,2 1,80 MÉDIA 88,17 1,83 88,20 1,80 Tabela 5 - Resultados largura. Fornecedor 2. Fornecedor 3 Bloco L1 Desvio L2 Desvio 1 88,7 1,30 90,15 - 0,15 4 90,51 - 0,51 89,98 0,02 5 91,27 - 1,27 90,58 - 0,58 6 92,62 - 2,62 89,89 0,11 7 91,77 - 1,77 89,75 0,25 8 90,28 - 0,28 90,76 - 0,76 9 91,16 - 1,16 90,43 - 0,43 10 90,93 - 0,93 89,43 0,57 11 91,94 - 1,94 93,32 - 3,32 13 90,26 - 0,26 89,76 0,24 14 91,88 - 1,88 90,93 - 0,93 15 90,69 - 0,69 92,01 - 2,01 16 92,81 - 2,81 90,91 - 0,91 MÉDIA 91,14 - 1,14 90,61 - 0,61 Tabela 6 - Resultados largura. Fornecedor 3. 52 Para facilitar a visualização também são apresentados os resultados em forma de gráfico, conforme ilustram a Figura 24, Figura 25 e Figura 26 Largura Fornecedor 1 96 94 92 90 88 86 84 82 80 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 24 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 1. Largura Fornecedor 3 96 94 92 90 88 86 84 82 80 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 25 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 2. 53 Largura Fornecedor 2 96 94 92 90 88 86 84 82 80 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 26 - Resultados largura em gráfico. Fornecedor 3. 6.1.2. ALTURA Ao contrário dos resultados encontrados na largura, houve diversas irregularidades nas amostras dos Fornecedores 1 e 2. Os valores médios dos desvios foram maiores do que os 3mm permitidos, assim como foram encontrados mais de 3 unidades com desvios excedentes em cada fornecedor. A Tabela 7 indica em vermelho e negrito os 3 blocos com desvios acima do permitido pela norma. Enquanto a Figura 27 ilustra com um gráfico os resultados. 54 Fornecedor 1 Bloco h1 Desvio h2 Desvio 1 136,15 3,85 136,39 3,61 2 134,36 5,64 139,08 0,92 3 135,37 4,63 136,92 3,08 4 133,72 6,28 136,9 3,10 5 135,6 4,40 136,12 3,88 6 135,54 4,46 135,68 4,32 7 135,46 4,54 136,19 3,81 11 136,9 3,10 137,01 2,99 12 136,9 3,10 135,03 4,97 13 136,59 3,41 136,2 3,80 14 133,86 6,14 135,49 4,51 15 135,49 4,51 135,31 4,69 16 136,18 3,82 136,88 3,12 MÉDIA 135,55 4,45 136,40 3,60 Tabela 7 - Resultados altura. Fornecedor 1. Altura Fornecedor 1 146 144 142 140 138 136 134 132 130 128 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 27- Resultados altura em gráfico. Fornecedor 1. 55 A maior incidência de desvio pode ser vista Tabela 8 e Figura 28. Todos os blocos do Fornecedor 2 foram reprovados, segundo os critérios da norma referente, com mais de 5 mm de desvio. Fornecedor 2 Bloco h1 Desvio h2 Desvio 1 185,49 4,51 182,83 7,17 2 184,58 5,42 185,72 4,28 3 184,19 5,81 181,87 8,13 4 182,83 7,17 182,11 7,89 5 183,15 6,85 182,9 7,10 6 182,48 7,52 182,76 7,24 7 183,28 6,72 181,95 8,05 8 182,43 7,57 183,21 6,79 9 182,27 7,73 182,69 7,31 10 181,57 8,43 181,52 8,48 11 185,18 4,82 183,72 6,28 12 182,28 7,72 182,15 7,85 16 183,48 6,52 182,8 7,20 MÉDIA 183,32 6,68 182,79 7,21 Tabela 8 - Resultados altura. Fornecedor 2. Altura Fornecedor 2 200 195 190 185 180 175 170 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 28 - Resultados altura em gráfico. Fornecedor 2. 56 Ao contrário dos dois resultados encontrados acima, a amostra do Fornecedor 3 foi inteira aprovada (Tabela 9 e Figura 29). Fornecedor 3 Bloco h1 Desvio h2 Desvio 1 137,46 2,54 136,31 3,69 4 140,28 - 0,28 141,67 - 1,67 5 138,3 1,70 139,6 0,40 6 138,41 1,59 137,71 2,29 7 135,8 4,20 136,19 3,81 8 137,4 2,60 137,02 2,98 9 135,57 4,43 136,37 3,63 10 136,37 3,63 137,34 2,66 11 137,68 2,32 138,17 1,83 13 136,98 3,02 137,7 2,30 14 137,65 2,35 137,73 2,27 15 138,17 1,83 136,59 3,41 16 137,65 2,35 137,32 2,68 MÉDIA 137,52 2,48 137,67 2,33 Tabela 9 - Resultados altura. Fornecedor 3. Altura Fornecedor 3 146 144 142 140 138 136 134 132 130 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 29 - Resultados altura em gráfico. Fornecedor 3. 57 6.1.3. COMPRIMENTO Ao contrário da altura, na medida do comprimento foram encontradas irregularidades, mas apenas com o Fornecedor 2. A Tabela 10, Tabela 11 e Tabela 12 ilustram os resultados obtidos, grifados em vermelho e em negrito estão os blocos discrepantes. Enquanto as Figura 30, Figura 31 e Figura 32 apresentam os mesmos resultados graficamente. Fornecedor 1 Bloco C1 Desvio C2 Desvio 1 187,02 2,98 189,71 0,29 2 190,87 - 0,87 188,91 1,09 3 187,29 2,71 190,98 - 0,98 4 191,89 - 1,89 188,47 1,53 5 186,92 3,08 190,37 - 0,37 6 189,92 0,08 187,1 2,90 7 190,77 - 0,77 188,06 1,94 11 186,63 3,37 187,37 2,63 12 191,8 - 1,80 191,03 - 1,03 13 191,57 - 1,57 188,19 1,81 14 187,72 2,28 188,12 1,88 15 192,13 - 2,13 188,86 1,14 16 191,91 - 1,91 191,73 - 1,73 MÉDIA 189,73 0,27 189,15 0,85 Tabela 10 - Resultados comprimento. Fornecedor 1. 58 Fornecedor 2 Bloco C1 Desvio C2 Desvio 1 185,42 4,58 186,76 3,24 2 187,19 2,81 190,27 - 0,27 3 184,88 5,12 187,53 2,47 4 186,68 3,32 185,06 4,94 5 187,91 2,09 184,98 5,02 6 185,85 4,15 188,78 1,22 7 187,89 2,11 184,19 5,81 8 184,34 5,66 186,67 3,33 9 184,73 5,27 187,42 2,58 10 183,76 6,24 186,01 3,99 11 188,04 1,96 185,02 4,98 12 186,5 3,50 184,41 5,59 16 189,4 0,60 183,13 6,87 MÉDIA 186,35 3,65 186,17 3,83 Tabela 11 - Resultados comprimento. Fornecedor 2. Fornecedor 3 Bloco C1 Desvio C2 Desvio 1 187,24 2,76 185,99 4,01 4 185,74 4,26 186,41 3,59 5 189,95 0,05 189,51 0,49 6 188,79 1,21 188,92 1,08 7 186,58 3,42 187,08 2,92 8 188,05 1,95 187,8 2,20 9 190,46 - 0,46 190,35 - 0,35 10 189,18 0,82 187,34 2,66 11 185,95 4,05 187,91 2,09 13 186,29 3,71 188,57 1,43 14 189,14 0,86 188,45 1,55 15 190,35 - 0,35 187,37 2,63 16 190,66 - 0,66 191,33 - 1,33 MÉDIA 188,34 1,66 188,23 1,77 Tabela 12 - Resultados comprimento. Fornecedor 3. 59 Comprimento Fornecedor 1 196 194 192 190 188 186 184 182 180 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 30 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 1. Comprimento Fornecedor 2 196 194 192 190 188 186 184 182 180 178 176 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 31 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 2. 60 Comprimento Fornecedor 3 196 194 192 190 188 186 184 182 180 Face 1 Face 2 Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 32 - Resultados comprimento em gráfico. Fornecedor 3. 6.1.4. SEPTO E PAREDES EXTERNAS A Tabela 13 apresenta os resultados obtidos de septos e paredes externas do Fornecedor 1. E, posteriormente, nas Tabela 14 e Tabela 15 os resultados dos Fornecedores 2 e 3. Pela NBR 15270-1 (ABNT, 2005), a espessura dos septos dos blocos cerâmicos de vedação deve ser no mínimo 6mm e das paredes externas no mínimo 7mm, ou seja, todos os blocos estão dentro dos padrões da norma. 61 Bloco Fornecedor 1 Paredes Externas Septo e1 e2 e3 e4 e5 e6 1 9,12 10,31 10,50 8,30 8,18 7,75 2 10,71 8,51 8,71 10,50 8,50 7,70 3 8,19 10,69 7,81 11,02 8,03 7,29 4 9,44 10,31 9,09 9,46 8,03 8,11 5 8,72 9,88 9,80 8,35 7,53 7,20 6 8,43 9,99 10,23 8,46 7,53 7,20 7 8,58 10,16 8,21 10,25 8,31 8,50 11 8,36 10,36 10,03 8,45 7,70 7,95 12 8,36 10,09 8,82 8,45 7,70 7,63 13 8,55 10,70 8,35 10,60 8,30 8,32 14 10,29 8,72 8,54 10,91 8,37 7,64 15 9,32 10,17 9,68 9,90 7,68 8,28 16 8,27 10,64 8,59 11,72 7,48 8,81 MÉDIA 8,95 10,04 9,10 9,72 7,95 7,88 Tabela 13 - Resultado dos septos e paredes externas. Fornecedor 1. Bloco Fornecedor 2 Paredes Externas Septo e1 e2 e3 e4 e5 e6 1 10,71 10,79 10,88 10,66 10,89 10,71 2 9,94 11,11 10,20 9,55 10,61 10,09 3 9,92 10,81 10,09 11,03 10,63 11,39 4 10,07 10,80 11,47 9,83 10,17 10,08 5 10,95 10,15 10,71 11,23 10,62 10,23 6 10,08 10,13 10,25 10,22 11,07 11,04 7 9,63 10,83 10,70 10,20 10,23 9,95 8 11,10 9,79 9,22 10,87 10,40 9,66 9 10,18 9,59 10,14 9,80 11,30 11,02 10 10,27 10,32 9,40 10,54 10,00 10,60 11 10,40 9,78 11,06 9,39 10,14 10,11 12 9,87 9,32 9,81 10,27 10,61 10,41 13 10,14 10,11 10,89 10,36 10,31 9,73 MÉDIA 10,25 10,27 10,37 10,30 10,54 10,39 Tabela 14 – Resultados dos septos e paredes externas. Fornecedor 2. 62 Bloco Fornecedor 3 Paredes Externas Septo e1 e2 e3 e4 e5 e6 1 7,67 8,05 7,73 8,79 7,89 6,92 4 7,87 8,71 10,86 8,26 7,69 9,41 5 10,30 8,20 8,88 9,17 9,35 8,94 6 8,13 7,95 8,13 7,83 8,42 7,64 7 8,40 8,45 8,48 7,83 8,73 6,62 8 8,35 7,91 8,89 8,10 6,61 7,15 9 8,85 8,21 9,12 7,62 7,04 7,99 10 8,07 8,19 8,31 7,50 7,34 7,75 11 8,98 8,89 9,29 8,55 7,71 7,98 13 8,90 8,58 8,70 9,14 6,80 7,24 14 10,43 8,09 9,49 8,45 7,20 7,35 15 9,06 8,02 10,99 8,51 7,58 7,04 16 7,90 8,22 8,95 8,32 7,42 7,14 MÉDIA 8,69 8,27 9,06 8,31 7,68 7,63 Tabela 15 - Resultado dos septos e paredes externas. Fornecedor 3. 6.1.5. FLECHA E DESVIO AO ESQUADRO Considerando o padrão exigido pela NBR 15270-1 (ABNT, 2005), que estabelece um valor máximo de 3 mm para o desvio em relação ao esquadro e para as flechas, foram encontradas irregularidades em 27 dos 39 blocos ensaiados, sendo 5 blocos do Fornecedor 1, 10 do Fornecedor 2 e 12 do Fornecedor 3. Sendo 2 o número máximo de amostras irregulares permitidas, todos os lotes estariam reprovados. Esses dados podem ser observados na Tabela 16, Tabela 17 e Tabela 18. As células vermelhas apontam os blocos acima da tolerância permitida. 63 Fornecedor 1 Bloco f1 f2 D1 D2 1 3,08 0,90 3,08 0,90 2 1,38 2,87 1,38 2,87 3 3,45 3,11 3,45 3,11 4 3,45 3,11 3,45 3,11 5 0,20 1,15 0,20 1,15 6 0,10 1,62 0,10 1,62 7 2,08 0,80 2,08 0,80 11 3,11 1,50 3,11 1,50 12 0,20 2,10 0,20 2,10 13 2,10 0,80 2,10 0,80 14 1,31 1,40 1,31 1,40 15 0,10 2,31 0,10 2,31 16 0,20 3,12 0,20 3,12 MÉDIA 1,60 1,91 1,60 1,91 Tabela 16 - Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 1. Fornecedor 2 Bloco f1 f2 D1 D2 1 2,10 0,30 2,81 0,00 2 3,08 0,10 0,00 0,25 3 0,00 3,86 0,00 0,50 4 0,00 3,07 0,00 3,28 5 0,13 3,07 0,00 2,73 6 3,92 0,10 4,28 0,00 7 1,72 0,00 1,85 0,00 8 0,00 2,57 0,50 5,60 9 0,30 0,10 5,37 0,00 10 1,10 0,80 0,12 4,43 11 0,27 1,82 0,66 3,83 12 0,00 2,70 0,00 1,12 13 0,70 2,70 0,00 6,44 MÉDIA 1,02 1,63 1,20 2,17 Tabela 17 - Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 2. 64 Fornecedor 3 Bloco f1 f2 D1 D2 1 0,50 0,60 0,00 4,40 4 2,23 0,98 0,00 1,22 5 3,11 1,07 2,08 1,87 6 3,12 0,40 0,00 3,00 7 2,10 0,30 0,00 0,50 8 0,30 3,68 0,21 0,39 9 0,80 1,10 4,01 0,00 10 4,69 2,35 1,11 0,84 11 1,20 0,30 0,20 3,56 13 1,83 0,00 6,80 7,24 14 1,90 0,20 0,00 3,51 15 7,58 7,04 0,00 0,00 16 4,29 2,19 0,00 3,48 MÉDIA 2,59 1,55 1,11 2,31 Tabela 18 – Resultados das flechas e desvio ao esquadro. Fornecedor 3. 6.2. ÍNDICE DE ABSORÇÃO D’ ÁGUA O índice de absorção de água segundo a NBR 15270-1 (ABNT, 2005), que firma os requisitos físicos e mecânicos exigíveis em blocos de vedação, deve estar dentro do intervalo de 8 a 22%. Apesar de a norma solicitar apenas o ensaio em 6 amostras, foram ensaiados todos os blocos com o intuito de analisar futuramente as consequências no revestimento dos tijolos que obtiveram os piores índices. A Tabela 19 ilustra os resultados do Fornecedor 1, onde todas as amostras estiveram dentro do estabelecido pela norma regente. 65 Fornecedor 1 BLOCO MASSA SECA (g) MASSA SATURADA (g) AA (%) 1 1.650,50 1.992,10 20,70% 2 1.695,90 1.989,00 17,28% 3 1.663,60 2.011,20 20,89% 4 1.660,90 2.008,90 20,95% 5 1.654,80 2.001,80 20,97% 6 1.663,50 2.010,40 20,85% 7 1.654,30 1.999,60 20,87% 11 1.663,30 2.005,20 20,56% 12 1.643,10 1.986,40 20,89% 13 1.670,10 2.020,00 20,95% 14 1.646,00 1.990,00 20,90% 15 1.673,10 2.020,80 20,78% 16 1.687,30 2.045,70 21,24% MÉDIA 1.663,57 2.006,24 21% Tabela 19 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 1. Na amostra do Fornecedor 2 foi encontrado apenas 1 bloco não conforme, o mesmo encontra-se grifado em vermelho e em negrito na Tabela 20. Com apenas 1 amostra não conforme o lote é aprovado. Fornecedor 2 BLOCO MASSA SECA (g) MASSA SATURADA (g) AA (%) 1 2.260,70 2.751,10 21,69% 2 2.301,40 2.809,20 22,06% 3 2.282,90 2.765,70 21,15% 4 2.259,30 2.753,80 21,89% 5 2.282,50 2.764,60 21,12% 6 2.282,80 2.769,90 21,34% 7 2.254,90 2.729,00 21,03% 8 2.258,30 2.747,90 21,68% 9 2.271,30 2.758,20 21,44% 10 2.259,40 2.720,70 20,42% 11 2.282,10 2.776,60 21,67% 12 2.261,50 2.738,50 21,09% 16 2.309,50 2.791,50 20,87% MÉDIA 2.274,35 2.759,75 21% Tabela 20 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 2. 66 Diferentemente do primeiro e segundo fornecedor, apenas 3 amostras do Fornecedor 3 foram aprovadas. Na Tabela 21 podemos observar grifados em vermelho os blocos que excederam o limite permitido pela norma regente. Como mais de 2 amostras obtiveram índices fora do padrão o lote teria de ser rejeitado. Fornecedor 3 BLOCO MASSA SECA (g) MASSA SATURADA (g) AA (%) 1 1.867,60 2.292,40 22,75% 4 1.908,30 2.317,30 21,43% 5 1.871,30 2.299,10 22,86% 6 1.870,80 2.300,80 22,98% 7 1.851,40 2.272,90 22,77% 8 1.866,80 2.288,50 22,59% 9 1.951,10 2.367,80 21,36% 10 1.862,20 2.291,90 23,07% 11 1.864,40 2.294,90 23,09% 13 1.857,10 2.286,10 23,10% 14 1.867,50 2.322,70 24,37% 15 1.888,90 2.295,90 21,55% 16 1.893,70 2.321,50 22,59% MÉDIA 1.878,55 2.303,98 23% Tabela 21 - Resultado índice de absorção. Fornecedor 3. Os gráficos apresentados na Figura 33, Figura 34 e Figura 35 apresentam os mesmos resultados, buscam apenas facilitar a visualização. 67 Fornecedor 1 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% AA Mìnimo da Norma Máximo da Norma Figura 33 - Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 1. Fornecedor 2 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% AA Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 34 - Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 2. 68 Fornecedor 3 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% AA Mínimo da Norma Máximo da Norma Figura 35- Resultados índice de absorção em gráfico. Fornecedor 3. 6.3. ÍNDICE DE ABSORÇÃO INICIAL D’AGUA O ensaio de absorção inicial, mesmo sendo importante, não é obrigatório. Ele determina se é preciso ou não umedecer os blocos antes do assentamento, pois assim não se corre o risco de prejudicar a aderência na relação tijolo com argamassa. A NBR 15270-3 (ABNT, 2005) prevê um valor máximo de 30g/193,55 cm² por minuto de absorção da face de assentamento. Acima disso é necessário umedecer os blocos antes de assentá-los. Para a execução do ensaio foram empregadas as 13 (treze) amostras. Os resultados encontrados estão nas tabelas a seguir. Como pode ser observado, nas amostras referente ao Fornecedor 1 (Tabela 22 e Figura 36) e Fornecedor 2 (Tabela 23 e Figura 37) não houve nenhuma amostra fora dos padrões da norma referente. Nas amostras fornecidas pelo 3º Fabricante foram encontradas apenas 2 peças acima do índice, grifadas em vermelho e em negrito na Tabela 24 e Figura 38. 69 Fornecedor 1 AAI Área (g/193,555 BLOCO MASSA SECA (g) MASSA ÚMIDA (g) Δp (g) (cm²) cm2)/min 1 1.660,70 1.671,10 10,40 165,60 12,16 2 1.656,40 1.665,80 9,40 163,75 11,11 3 1.675,30 1.687,30 12,00 167,15 13,90 4 1.672,80 1.685,70 12,90 165,65 15,07 5 1.666,60 1.678,10 11,50 164,25 13,55 6 1.674,90 1.686,60 11,70 164,97 13,73 7 1.665,50 1.677,80 12,30 164,57 14,47 11 1.675,00 1.684,50 9,50 163,35 11,26 12 1.654,80 1.665,10 10,30 166,50 11,97 13 1.682,30 1.693,40 11,10 165,86 12,95 14 1.656,30 1.670,00 13,70 162,46 16,32 15 1.685,20 1.694,50 9,30 165,57 10,87 16 1.699,20 1.710,80 11,60 167,70 13,39 MÉDIA 1.671,15 1.682,36 11,21 165,18 13,13 Tabela 22 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 1. Fornecedor 1 35 30 25 20 15 10 5 0 AAI Máximo da Norma Figura 36 - Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 1. 70 Fornecedor 2 AAI Área (g/193,555 BLOCO MASSA SECA (g) MASSA ÚMIDA (g) Δp (g) (cm²) cm2)/min 1 2.266,10 2.283,10 17,00 163,40 20,14 2 2.316,10 2.329,40 13,30 167,64 15,36 3 2.288,40 2.304,10 15,70 164,55 18,47 4 2.264,60 2.281,30 16,70 162,70 19,87 5 2.288,10 2.304,10 16,00 165,88 18,67 6 2.299,70 2.310,80 11,10 166,49 12,90 7 2.259,90 2.277,50 17,60 163,19 20,87 8 2.264,50 2.281,80 17,30 163,49 20,48 9 2.276,70 2.294,60 17,90 164,09 21,11 10 2.264,30 2.281,20 16,90 161,28 20,28 11 2.172,80 2.190,60 17,80 165,55 20,81 12 2.266,00 2.283,70 17,70 163,05 21,01 16 2.314,80 2.332,10 17,30 163,98 20,42 MÉDIA 2.272,46 2.288,79 16,33 164,25 19,26 Tabela 23 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 2. Fornecedor 2 35 30 25 20 15 10 5 0 AAI Máximo da Norma Figura 37 - Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 2. 71 Fornecedor 3 Área BLOCO MASSA SECA (g) MASSA ÚMIDA (g) Δp (g) (cm²) 1 1.871,50 1.900,10 28,60 166,88 4 1.912,10 1.936,90 24,80 167,92 5 1.874,50 1.899,90 25,40 172,51 6 1.875,40 1.899,50 24,10 172,34 7 1.855,00 1.880,60 25,60 169,57 8 1.870,60 1.895,10 24,50 170,11 9 1.954,00 1.980,20 26,20 172,88 10 1.867,20 1.891,50 24,30 169,77 11 1.869,70 1.893,90 24,20 173,15 13 1.860,90 1.884,90 24,00 168,71 14 1.897,20 1.922,30 25,10 172,57 15 1.871,90 1.899,60 27,70 172,52 16 1.899,50 1.920,60 21,10 175,45 MÉDIA 1.883,04 1.908,08 25,05 171,11 Tabela 24 - Resultado Índice de Absorção Inicial. Fornecedor 3. AAI (g/193,555 cm2)/min 33,17 28,58 28,50 27,07 29,22 27,88 29,33 27,70 27,05 27,53 28,15 31,08 23,28 28,35 Fornecedor 3 35 30 25 20 15 10 5 0 AAI Máximo da Norma Figura 38- Resultados índice de absorção inicial em gráfico. Fornecedor 3. 72 6.4. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO Os índices para resistência à compressão são estabelecidos pela NBR 15270-1 (ABNT, 2005), fixados em 1,5 MPa para blocos cerâmicos de vedação. Foram ensaiadas 9 amostras de cada fornecedor. Os resultados do Fornecedor 1 encontram-se na Tabela 25: apenas 2 blocos encontram-se no dentro do valor limite. Fornecedor 1 ÁREA BLOCO (mm²) TENSÃO (MPa) 1 15844 1,5 2 15582 0,9 3 15980 0,7 5 15810 0,8 6 15582 1,5 11 15802 1,2 12 15810 1,1 13 16150 1 15 16031 1 16 15980 1,2 MÉDIA 15857,1 1,09 Tabela 25 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 1. O mesmo acontece com as amostras ensaiadas do Fornecedor 2, segue a Tabela 26 ilustrando. 73 Fornecedor 2 ÁREA BLOCO (mm²) TENSÃO (MPa) 1 16506 1,1 3 16324 0,8 4 16182 1,3 5 16368 1,5 6 16182 1 7 16312 1,3 8 16095 1,3 10 15982 1,5 11 16587 0,9 16 16629 1,3 MÉDIA 16316,7 1,2 Tabela 26 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 2. Já com os blocos fabricados pelo Fornecedor 3, todas as amostras foram reprovadas. Assim como os 2 primeiros fornecedores, o lote teria de ser descartado. A Tabela 27 informa os resultados obtidos. Fornecedor 3 ÁREA BLOCO (mm²) TENSÃO (MPa) 4 16510 0,5 5 16368 0,3 6 16554 0,5 7 16100 0,4 8 16368 0,3 10 16412 0,5 11 16461 0,2 13 16461 0,4 14 16368 0,6 16 16643 0,3 MÉDIA 16424,5 0,4 Tabela 27 - Resultado resistência a compressão Fornecedor 3. 74 6.5. RESISTÊNCIA DE ADERÊNCIA A TRAÇÃO DO REVESTIMENTO Os resultados do ensaio de resistência de aderência foram comparados com a NBR 13749 (ABNT, 1996), que define como mínimo, para paredes internas com acabamento de pintura ou base, 0,2 MPa. Esse valor não foi alcançado em apenas 2 amostras. Os resultados são apresentados na Tabela 28. Fornecedor Amostra Tensão 1 2 3 Forma de Ruptura 4 0,441 Interface Revestimento/Substrato 7 0,159 Interface Revestimento/Cola 14 0,415 Ruptura da Argamassa de Revestimento 2 0,336 Interface Revestimento/Substrato 9 0,293 Interface Revestimento/Cola 12 0,271 Ruptura da Argamassa de Revestimento 1 0,131 Interface Revestimento/Cola 15 0,224 Ruptura da Argamassa de Revestimento 9 0,378 Ruptura da Argamassa de Revestimento Tabela 28 - Resultados resistência de aderência a tração do revestimento. 75 6.6. QUEBRA DURANTE O MANUSEIO Durante os 3 dias de análise, foram acompanhados 15 paletes, todos comprados do Fornecedor 1. Durante o uso dos blocos para assentamento, observou-se uma grande perda pelo manuseio errôneo dos trabalhadores, evidenciando a baixa qualificação dos mesmos. A adaptação dos blocos, ou seja, a quebra para meio bloco, foi listada como a principal atividade que causa a geração de resíduos proveniente dos blocos em uso, pois ao ser quebrado uma parte se torna inviável para o uso. Esses resíduos, muitas vezes, não eram retirados do pavimento, acumulando-se junto aos blocos em bom estado de uso que poderiam ser transportados e utilizados em outros pavimentos com a alvenaria em andamento. Assim, tanto os blocos danificados como os apropriados para a execução do serviço, que acabaram sendo misturados, eram descartados. As formas de armazenamento dos blocos também geraram perdas. Muitos paletes eram empilhados de maneira irregular, em lugar não coberto, sujeitos a avarias do ambiente, com fluxo de equipamentos e trabalhadores, danificando assim a carga. Durante o transporte dentro do canteiro de obras, tanto para a armazenagem ou para o local de assentamento, diversos tijolos foram quebrados, pois a forma de carregamento do mesmo era feito incorretamente, sendo muitas vezes jogados para o carrinho de mão ou não colocado corretamente na grua ou SkyTrak. A quantidade de perda em cada um está mencionada na Tabela 29 a seguir. 76 Descarregamento e Transporte Execução Armazenagem % de perda %de perda % de perda Quantidade Quantidade Quantidade do palete do palete do palete 1 19 3,77% 27 5,36% 40 7,94% 2 15 2,98% 18 3,57% 55 10,91% 3 29 5,75% 21 4,17% 27 5,36% 4 15 2,98% 14 2,78% 38 7,54% 5 22 4,37% 19 3,77% 61 12,10% 6 31 6,15% 22 4,37% 29 5,75% 7 1 2,58% 18 3,57% 39 7,74% 8 17 3,37% 13 2,58% 44 8,73% 9 25 4,96% 29 5,75% 57 11,31% 10 17 3,37% 14 2,78% 68 13,49% 11 14 2,78% 31 6,15% 65 12,90% 12 27 5,36% 7 1,39% 74 14,68% 13 14 2,78% 6 1,19% 18 3,57% 14 21 4,17% 18 3,57% 44 8,73% 15 23 4,56% 21 4,17% 61 12,10% MÉDIAS 20,21 4,01% 18,53 3,68% 48,00 9,52% Tabela 29 - Perda dos blocos no canteiro de obras. Palete 77 7. APLICAÇÃO DOS RESULTADOS 7.1. ESTIMATIVA DAS PERDAS 7.1.1. DECORRENTE DAS IRREGULARIDADES GEOMÉTRICAS Com os resultados obtidos foi possível, através de métodos apresentados a seguir, calcular a quantidade utilizada, excedente ou faltante de blocos cerâmicos, argamassa de assentamento e revestimento. Para isso foram elaborados dois métodos de cálculo, o primeiro utilizando uma planilha do Excel e o segundo fez uso do software CodeBlocks para a criação de um programa em linguagem C++. Em ambos foram empregadas as mesmas fórmulas, sendo alcançado os mesmos resultados. Por simplificação, no presente estudo, estão apresentadas as planilhas de Excel. Os valores de entradas foram: Dimensões originais – largura ( , altura e comprimento padronizadas pela Norma referente (apresentadas no item 4.3 REQUISITOS DE QUALIDADE PARA BLOCOS CERÂMICOS DE VEDAÇÃO); Média das dimensões reais, obtidas nos itens 6.1.1 LARGURA , 6.1.2 ALTURA e 6.1.3 COMPRIMENTO, representados por , , , respectivamente; Média das flechas ( e ) e desvio ao esquadro ( com cada um valor para lado, cujos e ) ambos resultados foram apresentados no item 6.1.5 FLECHA E DESVIO AO ESQUADRO; 78 Valor estimado para espessura das juntas utilizadas para execução do assentamento; Valor estimado para espessura do reboco lado 1 ; Valor estimado para espessura do reboco lado 2 . O primeiro valor calculado foi a quantidade de blocos utilizados por metro quadrado. Para tal, o comprimento e a largura do bloco foram somados ao valor da espessura das juntas, formando um bloco equivalente, como pode ser visto na Figura 39. Bloco Equivalente Figura 39 - Representação bloco equivalente. O cálculo foi efetuado para 1 metro quadrado de alvenaria, logo: Sendo, Quantidade de blocos; Comprimento; Altura; Espessura das juntas. Essa fórmula foi aplicada duas vezes. Uma para o valor da quantidade de blocos (nomeada ) utilizando os valores das dimensões originais, e outra para a quantidade real de blocos ( obtidas nos ensaios. O valor ) utilizando a média das dimensões expressa a diferença entre a quantidade original e a quantidade real. 79 O volume de argamassa de assentamento foi calculado subtraindo de 1 m² de alvenaria a somatória da área de todos os blocos, encontrando a área azul da Figura 40. Figura 40 - Cálculo de argamassa de assentamento. Esta área foi multiplicada pela largura (ou ) para obter o volume, como pode ser visto na fórmula a seguir: Sendo, Quantidade de argamassa de assentamento; Comprimento; Altura; Largura; Quantidade de blocos. Assim como para a quantidade de blocos, a fórmula foi utilizada para o cálculo do volume original correspondentes. O valor ( ) e real ( ), com as dimensões representa a diferença de consumo de argamassa de assentamento. A quantidade utilizada de argamassa de revestimento foi calculada multiplicando as espessuras por 1 m², para ambos os lados. Sendo, Quantidade de argamassa de revestimento; Espessura argamassa de revestimento lado 1; Espessura argamassa de revestimento lado 2. 80 Para adicionar o excedente provocado pela flecha, foi suposto que a mesma acrescenta no revestimento um volume igual a um meio elipsóide de revolução de raios elipsóide de raios e e para a primeira face somado a um segundo meio para a segunda. As dimensões para ambos os lados estão representadas na Figura 41. Figura 41 - Meio elipsóide representando flecha. Quanto ao desvio em relação ao esquadro foi acrescido ao volume original o volume de uma cunha triangular com base comprimento , altura e , conforme Figura 42. Figura 42 - Cunha triangular representando desvio ao esquadro. Agrupando os volumes excedentes causados pela flecha e desvio, obtém-se a quantidade total de argamassa de revestimento ( ): 81 Sendo, Volume de reboco; Média das alturas reais ; Média dos comprimentos reais; e e O valor Médias das flechas dos lados; Média dos desvios ao esquadro dos lados; Quantidade real de blocos. representa a diferença de argamassa de revestimento. A Tabela 30, Tabela 31 e Tabela 32 apresentam os resultados para os Fornecedores 1, 2 e 3 assumindo inicialmente a espessura das juntas de 1,5 cm e considerando uma espessura de reboco inteiro e externo para ambas as faces de 2 cm (paredes internas). 82 Fornecedor 1 Entradas Dimensões originais Médias das dimensões reais Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,140 c= 0,190 lr= 0,0872 hr= 0,1360 cr= 0,1894 f1= 0,00106 f2= 0,00191 D1= 0,00106 D2= 0,00191 e j= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0200 Saídas Valores Unidades 31,4713 unid/m² 32,3988 unid/m² 0,92753 unid/m² Parâmetros Quantidade original de blocos (Qb) Quantidade real de blocos (Qbr) Diferença de blocos (Eb) Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01466 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01443 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00023 m³/m² Volume original de argamassa de revestimento (Qr) 0,04000 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento (Qrr) 0,04254 m³/m² Diferença argamassa de revestimento (Er) 0,00254 m³/m² Tabela 30 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 1. 83 Fornecedor 2 Entradas Dimensões originais Médias das dimensões reais Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,180 c= 0,190 lr= 0,0882 hr= 0,1831 cr= 0,1863 f1= 0,00102 f2= 0,00163 D1= 0,00120 D2= 0,00217 ej= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0200 Saídas Valores Unidades 25,0156 unid/m² 25,0875 unid/m² 0,07183 unid/m² Parâmetros Quantidade original de blocos (Qb) Quantidade real de blocos (Qbr) Diferença de blocos (Eb) Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01300 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01275 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00025 m³/m² Volume original de argamassa de revestimento (Qr) 0,04000 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento (Qrr) 0,04263 m³/m² Diferença argamassa de revestimento (Er) 0,00263 m³/m² Tabela 31 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 2. 84 Fornecedor 3 Entradas Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,140 lr= 0,0909 hr= 0,1376 f1= 0,00259 f2= 0,00155 D1= 0,00111 D2= 0,00231 ej= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0200 Dimensões originais c= 0,190 Médias das dimensões reais cr= 0,1883 Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Saídas Parâmetros Valores Unidades Quantidade original de blocos (Qb) 31,4713 unid/m² Quantidade real de blocos (Qbr) 32,2362 unid/m² Diferença de blocos (Eb) 0,76491 unid/m² Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01466 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01498 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00032 m³/m² Volume original de argamassa de revestimento (Qr) 0,04000 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento (Qrr) 0,04324 m³/m² Diferença argamassa de revestimento (Er) 0,00324 m³/m² Tabela 32 - Quantidades de materiais em paredes internas Fornecedor 2. Um segundo cálculo foi feito aplicando as mesmas formulas, porém separando o volume de argamassa de revestimento interno e externo. Assim teremos valores por 1 m² para paredes onde o revestimento é diferente interna e externamente. A Tabela 33, Tabela 34 e Tabela 35 apresentam os resultados dos fornecedores 1, 2 e 3, respectivamente. 85 Fornecedor 1 Entradas Dimensões originais Médias das dimensões reais Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,140 c= 0,190 lr= 0,0872 hr= 0,1360 cr= 0,1894 f1= 0,00106 f2= 0,00191 D1= 0,00106 D2= 0,00191 e j= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0300 Saídas Valores Unidades 31,4713 unid/m² 32,3988 unid/m² 0,92753 unid/m² Parâmetros Quantidade original de blocos (Qb) Quantidade real de blocos (Qbr) Diferença de blocos (Eb) Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01466 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01443 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00023 m³/m² Volume de reboco original interno 0,05000 m³/m² Volume de reboco original externo 0,02163 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento interno (Qri) 0,03091 m³/m² Tabela 33 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 1. 86 Fornecedor 2 Entradas Dimensões originais Médias das dimensões reais Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,180 c= 0,190 lr= 0,0882 hr= 0,1831 cr= 0,1863 f1= 0,00102 f2= 0,00163 D1= 0,00120 D2= 0,00217 e j= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0300 Saídas Valores Unidades 25,0156 unid/m² 25,0875 unid/m² 0,07183 unid/m² Parâmetros Quantidade original de blocos (Qb) Quantidade real de blocos (Qbr) Diferença de blocos (Eb) Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01300 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01275 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00025 m³/m² Volume de reboco original interno 0,05000 m³/m² Volume de reboco original externo 0,02166 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento interno (Qri) 0,03097 m³/m² Tabela 34 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 2. 87 Fornecedor 3 Entradas Dimensões originais Médias das dimensões reais Média das flechas Médias dos desvios esquadro Espessura das juntas Espessura do reboco interno Espessura do reboco externo Parâmetros (m) l= 0,090 h= 0,140 c= 0,190 lr= 0,0909 hr= 0,1376 cr= 0,1883 f1= 0,00259 f2= 0,00155 D1= 0,00111 D2= 0,00231 e j= 0,0150 eri= 0,0200 ere= 0,0300 Saídas Valores Unidades 31,4713 unid/m² 32,2362 unid/m² 0,76491 unid/m² Parâmetros Quantidade original de blocos (Qb) Quantidade real de blocos (Qbr) Diferença de blocos (Eb) Volume de argamassa de assentamento (Qa) 0,01466 m³/m² Volume real de argamassa de assentamento (Qar) 0,01498 m³/m² Diferença de argamassa de assentamento (Ea) 0,00032 m³/m² Volume de reboco original interno 0,05000 m³/m² Volume de reboco original externo 0,02164 m³/m² Volume real de argamassa de revestimento interno (Qri) 0,03160 m³/m² Tabela 35 - Quantidades de materiais em paredes externas Fornecedor 3. Sendo assim, tendo posse das quantidades de blocos e volume de argamassa, tanto do assentamento, quanto do revestimento interno e externo por m², será possível aplicar esses valores em áreas maiores e calcular as consequências das irregularidades financeiramente. 88 7.1.2. DECORRENTE DO INDICE DE ABSORÇÃO DE ÁGUA Para iniciar a análise, a Tabela 36 apresenta os valores de resistência a aderência, índice de absorção total e inicial. Índice de Absorção Inicial Total 4 0,441 15,07 20,95% 1 7 0,159 14,47 20,87% 14 0,415 16,32 20,90% 2 0,336 15,36 22,06% 2 9 0,293 21,11 21,44% 12 0,271 21,01 21,09% 1 0,131 33,17 22,75% 3 15 0,224 31,08 21,55% 9 0,378 29,33 21,36% Tabela 36 - Comparativo resistência a aderência, absorção inicial e total. Fornecedor Amostra Tensão A Figura 43 apresenta um gráfico de comparação dos resultados obtidos com o ensaio de absorção inicial e resistência a aderência. Comparação Resultados Absorção Inicial x Resistência Aderência 35 30 25 20 15 10 5 0 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 4 7 1 14 2 9 12 1 2 Índice de Absorção 15 9 3 Tensão Figura 43 - Gráfico de comparação dos resultados de absorção inicial e resistência a aderência. Os resultados obtidos nos ensaios das amostras 7 do Fornecedor 1 e 1 do Fornecedor 3, onde a ruptura ocorreu na interface revestimento/cola, foram desconsiderados, visto que a resistência encontrada foi muito abaixo da média, e, o tipo de ruptura pode indicar uma falha na execução do ensaio. Decidiu-se por manter a amostra 9 do fornecedor 2, visto que a resistência foi alcançada. 89 Os resultados encontrados na comparação do índice de absorção total com a resistência a aderência foram muito parecidos com o anterior, pode ser observado no gráfico apresentado na Figura 44. Comparação Resultados Absorção Total x Resistência Aderência 23,00% 22,50% 22,00% 21,50% 21,00% 20,50% 20,00% 19,50% 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 4 7 14 2 1 9 12 1 2 Índice de Absorção 15 9 3 Tensão Figura 44 - Gráfico de comparação dos resultados de absorção total e resistência a aderência. . Com a análise dos gráficos é possível perceber que, primeiramente, comparando os resultados de absorção inicial e total, ambos alcançaram resultados semelhantes sendo possível concluir que existe uma relação entre os dois ensaios, quanto maior a absorção total, maior será a absorção inicial. Além disso, pode ser visto tanto na Figura 43 quanto na Figura 44 que, mesmo não sendo proporcional, com a diminuição do índice de absorção ocorre o aumento da resistência a aderência. Quando esse índice estiver acima do permitido pela norma (22%), o substrato apresentará uma alta sucção da água e com isso gera uma diminuição na aderência, que traz como consequência o provável descolamento do reboco ou outras manifestações patológicas. Porém, não foi possível realizar a quantificação dos impactos financeiros que essas futuras manifestações patológicas podem provocar, visto que além do índice de absorção do substrato, o descolamento do revestimento pode depender de diversos fatores externos, como condições climáticas desfavoráveis (alta temperatura, baixa umidade relativa e ventos fortes) e também a forma de execução. 90 7.1.3. DECORRENTE DAS PERDAS NO CANTEIRO DE OBRAS Conforme o item 6.6, a partir do momento que o palete de blocos cerâmicos chega no canteiro de obras, até a execução do serviço, as perdas podem chegar até 17,21%. Como dito anteriormente, no empreendimento analisado são utilizados blocos do Fornecedor 1, que obteve uma média de resistência à compressão de 1,09 MPa, valor esse apresentado na Tabela 25. Em função do tempo curto para elaboração do presente estudo, e da falta de conhecimento de obras quais utilizassem blocos dos fornecedores 2 e 3, foi apenas efetuada uma comparação relacionando quantidade de blocos quebrados com a resistência à compressão. Não existem estudos que quantifiquem essa relação, porém como a resistência é definida como a capacidade de um material resistir à determinada força, conclui-se que a mesma é inversamente proporcional a facilidade de quebra. No gráfico presente na Figura 45, é possível visualizar que o Fornecedor 1 obteve resultados de resistência à compressão intermediários (entre os valores do Fornecedor 2 e do Fornecedor 3). Portanto para continuidade do estudo e elaboração de quantitativo financeiro da perda, o desperdício no canteiro foi assumido como sendo o encontrado no levantamento do item 6.6 (17,21%) para os 3 fornecedores. Média dos Resultados do Ensaio de Resistência a Compressão 1,5 1 0,5 0 Fornecedor 1 Fornecedor 2 Fornecedor 3 Figura 45 - Gráfico comparativo das médias dos resultados do ensaio de resistência à compressão. 91 7.2. APLICAÇÃO DAS PERDAS Até o presente momento foram quantificadas, quando possível, as perdas decorrentes do não cumprimento da norma e também de erros humanos, no caso da falta de cuidado no manuseio, armazenagem e aplicação dos blocos cerâmicos. Para concluir, foram aplicadas essas perdas em um empreendimento real, a fim de quantificar o gasto financeiro decorrente. Para o estudo em questão foi utilizado o projeto referente ao mesmo empreendimento visitado para a coleta das perdas em canteiro. Na Figura 46 é apresentada a planta do pavimento tipo. Figura 46- Projeto tipo edifício exemplo. 92 O térreo e a cobertura são apresentados nas Figura 47 e Figura 48 respectivamente. Figura 47 - Projeto térreo edifício exemplo. 93 Figura 48 - Projeto cobertura edifício exemplo. No item 7.1.1, foram apresentadas as quantidades de material por m² para paredes internas e externas. Logo, foi feito o levantamento das áreas pelos projetos anteriormente apresentados, resultando em 2.474,61 m² de paredes com argamassa de revestimento interna em ambas as faces e 2.075,02 m² com revestimentos diferentes. Os cálculos podem ser acompanhados pela Tabela 37. Pavimento Térreo Tipo Cobertura Comprimento (m) Área (m²) nº de Pé direito Interna Externa pavimentos (m²) Interna Externa 98,06 85,87 1 3,00 294,18 257,61 135,74 103,36 6 2,80 2280,43 1736,45 0,00 25,30 1 3,20 0,00 80,96 TOTAL 2574,61 2075,02 Tabela 37 - Cálculo metragens paredes edifício exemplo. Para a realização do orçamento, os preços utilizados dos blocos são os praticados pelos fornecedores 1, 2 e 3, enquanto para a argamassa de revestimento e assentamento foram utilizados os mesmos valores praticados pela obra em questão. 94 O cálculo total de blocos cerâmicos levaram em consideração os critérios estabelecidos pelo item 7.1.1, acrescidos da percentagem de perdas concluídas no item 7.1.3. Por questão visual os 3 fornecedores foram inseridos na mesma tabela, que segue abaixo (Tabela 38). Material Preço unitário (R$) Quantidade de Material Original Real Preço Total Original Real Fornecedor 1 Bloco Cerâmico Argamassa de Assentamento Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo R$ 0,24 146330 un. 176569 un. Argamassa de Assentamento Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo 69 m³ 68 m³ R$ 17.526,00 R$ 17.272,00 R$ 264,00 145 m³ 155 m³ R$ 38.280,00 R$ 40.920,00 R$ 310,00 63 m³ 65 m³ R$ 19.530,00 R$ 20.150,00 R$ 0,27 116314 un. 136724 un. Argamassa de Assentamento Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo R$ 110.455,20 R$ 120.718,56 R$ 31.404,78 R$ 36.915,48 R$ 254,00 61 m³ 60 m³ R$ 15.494,00 R$ 15.240,00 R$ 264,00 145 m³ 155 m³ R$ 38.280,00 R$ 40.920,00 R$ 310,00 63 m³ 65 m³ R$ 19.530,00 R$ 20.150,00 TOTAL Fornecedor 3 Bloco Cerâmico R$ 42.376,56 R$ 254,00 TOTAL Fornecedor 2 Bloco Cerâmico R$ 35.119,20 R$ 0,27 146330 un. 175683 un. R$ 104.708,78 R$ 113.225,48 R$ 39.509,10 R$ 47.434,41 R$ 254,00 69 m³ 70 m³ R$ 17.526,00 R$ 17.780,00 R$ 264,00 145 m³ 157 m³ R$ 38.280,00 R$ 41.448,00 R$ 310,00 63 m³ 66 m³ R$ 19.530,00 R$ 20.460,00 TOTAL R$ 114.845,10 R$ 127.122,41 Tabela 38 - Orçamento comparativo entre fornecedores e qualidade dos blocos. 95 Para auxiliar na visualização foram elaborados gráficos comparativos entre o preço original e o preço real, com base nos resultados de cada fornecedor. A Figura 49 ilustra o primeiro gráfico, comparando os preços do Fornecedor 1. O único material cujo valor real foi menor que o original foi a argamassa de assentamento, porém apenas R$ 254,00, valor quase irrisório perto do orçamento total de uma obra. O preço da argamassa de revestimento interna sofreu um amento de R$ 2.640,00 aproximadamente 7%, enquanto a externa aumentou R$ 620,00, apenas 3,17%. É possível perceber que o maior impacto financeiro está na quantidade de blocos cerâmicos. Comparativo Fornecedor 1 R$ 45.000,00 R$ 40.000,00 R$ 35.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 20.000,00 R$ 15.000,00 R$ 10.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 Bloco Cerâmico Argamassa de Argamassa de Argamassa de Assentamento Revestimento Revestimento Interno Externo Blocos com Dimensões Originais Evitando o Desperdício Blocos com Dimensões Reais considerando o Desperdício Figura 49 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 1. Na Tabela 31Figura 50, podemos analisar, em porcentagens, e comparar o aumento de custo de cada etapa. Considerando o custo original como 100%, é possível ver um acréscimo de 9,21% no preço real. 96 Fornecedor 1 37% 38% 16% 18% 2 35% 32% 18% 16% 1 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% Bloco Cerâmico Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo Argamassa de Assentamento Figura 50 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 1. Uma vez que a maior diferença no custo foi para a quantidade de blocos, na Figura 51 foram relacionadas a quantidade de blocos excedentes por perdas no canteiro, e a quantidade consequente das irregularidades geométricas. Já é sabido que as perdas no canteiro aumentam o consumo de blocos em 17,21%, nesse caso, com o preço do fornecido pelo fabricante, o gasto seria de R$ 6.044,16. Já os tijolos utilizados a mais, em decorrência das irregularidades geométricas, no caso do fornecedor 1, foi acrescido no valor total da compra R$ 1.035,12, aproximadamente 2,95%. É percebível que o maior impacto ainda está na no primeiro item comentado. Custo com Blocos Fornecedor 1 R$ 6.044,16 R$ 1.035,12 R$ 35.119,20 Quantidade de blocos originais Aumento consequente das irregularidade geométrica Aumento consequente das perdas em canteiro Figura 51 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 1. 97 A mesma comparação foi efetuada para o Fornecedor 2, apresentada na Figura 52. Em função do arredondamento de materiais para valores inteiros a metragem cúbica de argamassa de revestimento interno e externo foi, coincidentemente, a mesma do fornecedor 1, valendo então a mesma análise. A diferença financeira da argamassa de assentamento também foi a mesma, porém é possível perceber que, em função das dimensões dos blocos serem diferentes dos outros fornecedores (9x19x19), utiliza-se menos argamassa de assentamento. Comparativo Fornecedor 2 R$ 45.000,00 R$ 40.000,00 R$ 35.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 20.000,00 R$ 15.000,00 R$ 10.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 Bloco Cerâmico Argamassa de Argamassa de Argamassa de Assentamento Revestimento Revestimento Interno Externo Blocos com Dimensões Originais Evitando o Disperdício Blocos com Dimensões Reais considerando o Disperdício Figura 52 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 2. Assim como para o Fornecedor 1, considerando o custo original como 100% é possível perceber o aumento total em porcentagem de 8,13%, apresentado na Figura 53, onde a coluna de cima representa o real e a de baixo o origianal. 98 Fornecedor 2 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% Bloco Cerâmico Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo Argamassa de Assentamento Figura 53 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 2. Para a análise da quantidade de blocos, assim como para o Fornecedor 1, foi criado um gráfico separado para visualizar as informações, contido na Figura 54. Diferentemente do encontrado pelos resultados dos blocos do Fornecedor 1, a quantidade utilizada excedente pela decorrência das irregularidades geométricas foi bem menor, totalizando um aumento de apenas R$ 90,18, valor irrisório perto de um orçamento total. Portanto ainda sim, o maior causador do aumento na quantidade de compra de blocos cerâmicos continua sendo o desperdício no canteiro de obras. 99 Quantidade de Blocos Fornecedor 2 R$ 5.404,86 R$ 90,18 R$ 31.404,78 Quantidade de blocos originais Aumento consequente das irregularidade geométrica Aumento consequente das perdas em canteiro Figura 54 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 2. O caso do Fornecedor 3 foi o único que apresentou um aumento na quantidade de argamassa de assentamento, porém, ainda assim não significativo. Quanto à argamassa de revestimento, o aumento foi maior do que os fornecedores anteriores, R$ 3.168,00, ou 8,28% para argamassa inteira, e R$ 930,00, ou 4,76% para externa. Comparativo Fornecedor 3 R$ 50.000,00 R$ 45.000,00 R$ 40.000,00 R$ 35.000,00 R$ 30.000,00 R$ 25.000,00 R$ 20.000,00 R$ 15.000,00 R$ 10.000,00 R$ 5.000,00 R$ 0,00 Bloco Cerâmico Argamassa de Argamassa de Argamassa de Assentamento Revestimento Revestimento Interno Externo Blocos com Dimensões Originais Evitando o Disperdício Blocos com Dimensões Reais considerando o Disperdício Figura 55 - Gráfico comparativo preços Fornecedor 3. 100 A Figura 56 apresenta a diferença em porcentagem do valor original para o real, para o Fornecedor 3 o aumento foi de 10,69%. Fornecedor 3 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% Bloco Cerâmico Argamassa de Revestimento Interno Argamassa de Revestimento Externo Argamassa de Assentamento Figura 56 - Comparativo preço total em porcentagem Fornecedor 3. Como para os outros fornecedores, também foi montado um gráfico em forma de pizza para a análise da quantidade de blocos necessária. Os resultados obtidos podem ser analisados na Figura 57, sendo eles muito parecidos os do Fornecedor 1, podendo ser utilizada a mesma análise. Quantidade de Blocos Fornecedor 3 R$ 6.799,68 R$ 960,39 R$ 39.509,10 Quantidade de blocos originais Aumento consequente das irregularidade geométrica Aumento consequente das perdas em canteiro Figura 57 - Gráfico levantamento blocos cerâmicos Fornecedor 3. 101 8. CONCLUSÕES O presente estudo comparou os blocos de 3 fornecedores, aplicando as propriedades reais dos seus produtos num empreendimento também real. Foi percebido que o aumento mais significativo está nas perdas dentro do canteiro de obras. Porém, como pode ser notado no item 6.4, as resistências a compressão das amostras não foram alcançadas em grande parte dos casos, podendo isso contribuir para esse número. Sabe-se, além disso, que o descuido e a falta de cuidado são normalmente os principais causadores dessa perda, mesmos assim, fica proposto como continuidade do presente estudo, uma forma de relacionar a resistência com a facilidade de quebra dos blocos. Quanto às dimensões geométricas, o aumento financeiro visando a utilização de blocos do Fornecedor 1 foi de 9,29%, totalizando R$ 10.263,36. Isto resultaria na compra de aproximadamente 42 mil blocos, ou 38 m³ de argamassa de revestimento interno. Perto do valor total de uma obra pode não ser um valor extremamente significativo, porém visto que o presente estudo analisou somente um material, a acumulação de desperdício e falta de atenção no recebimento de materiais pode acabar estourando o orçamento de um empreendimento. Para o Fornecedor 2 o aumento no total foi um pouco menor, 8,13%, ou R$ 8.516,70. Valem as mesmas conclusões, acrescido de que é interessante citar que, visto que os blocos eram de tamanhos diferentes dos dois outros fornecedores (9x19x19)cm, percebeu-se uma economia no orçamento final. Para as dimensões originais o Fornecedor 2 obteve um preço R$ 5.746,42 abaixo do Fornecedor 1 e R$ 10.136,32 a menos do que o Fornecedor 3. A maior diferença foi encontrada no orçamento final do Fornecedor 3. O aumento chegou a 10,69%, ou R$ 12.277,31. Com esse valor seria possível comprar aproximadamente 50 m³ de argamassa de assentamento, 70% do total que seria utilizado. Vale ressaltar que a foi aplicada a mesma porcentagem de perda decorrente de quebras no canteiro de obras. Analisando os resultados dos índices de absorção de água, e absorção inicial, combinado com a resistência a aderência, não foi possível no presente estudo fazer um levantamento numérico. Porém sabe-se que a utilização de 102 blocos com índices de absorção incoerentes podem causar o descolamento do revestimento, ficando também a análise proposta para um futuro estudo. Para evitar quaisquer dos gastos citados acima, poderia ser feita apenas uma simples conferencia de mercadoria, ou até mesmo uma troca de fornecedor. Lembrando também que é importante verificar com os fornecedores se os mesmos possuem certificados de qualidade, e analisar com qual frequência realizam-se ensaios nos produtos fabricados. 103 9. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA. Anuário Brasileiro de Cerâmica. Anuário Brasileiro de Cerâmica, São Paulo, 2002. ASSOCIAÇÃO Nacional da Indústria Cerâmica, Site institucional. Disponivel em: <http://www.anicer.com.br>. Acesso em: 14 Março 2014. ASSOCIAÇÃO Nacional da Indústria Cerâmica, Site institucional. Disponivel em: <www.anicer.com.br>. Acesso em: 14 Março 2014. BACCELLI JR., G. Avaliação do Processo Industrial da Cerâmica Vermelha na Região do Seridó – RN. 2010. 200f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, 2010. BASTOS, F. A. Avaliação do processo de fabricação de telhas e blocos cerâmicos visando a certificação do produto. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. 2003. BUSTAMANTE, G. M.; BRESSIANI, J. C. A indústria cerâmica brasileira. Universidade de São Paulo. São Paulo. 2000. COLOMBO, C. R.; BAZZO, W. A. Desperdício na construção civil e a questão habitacional: um enfoque CTS. Organizacion dos Estados Iberoamericanos. Disponivel em: <http://www.oei.es/salactsi/colombobazzo.htm>. Acesso em: março 2014. DEBS, M. K. E. Concreto pré-moldado: fundamentos e aplicações. São Paulo: EESC-USP, 2000. GROHMANN, M. Z. Redução do desperdício na construção civil: levantamento das medidas utilizadas pelas empresas em Santa Maria. In: Encontro Nacional de Engenharia de Preodução. Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Niterói. 1998. GRUN, E. Caracterização de Argilas Proviniente de Canelinha/SC estudo de formulações de massa cerâmica. Joinville. 2007. INMETRO. Bloco Cerâmico (Tijolo). INMETRO. Disponivel em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/tijolo.asp>. Acesso em: Março 2014. JOBIM, M. S. S. Principais Problemas Enfrentados pelas Empresas. Universidade de Santa Maria. Santa Maria. 2001. JUNIOR, M. C. et al. A Indústria de Cerâmica Vermelha e o Suprimento Mineral no Brasil. Cerâmica Industrial , Fevereiro 2012. LOYOLA, L. Perfil da Indústria de Cerâmica no Estado do Paraná. Curitiba, 2000. Mineropar. Disponível em: 104 http://www.mineropar.pr.gov.br/arquivos/File/publicacoes/relatorios_concluidos/ 09_re latorios_concluidos.PDF> Acessado em: 28/07/2013. MALDANER, S. M. Procedimento para identificação de custos da nãoqualidade na construção civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. 2003. MINEROPAR. Perfil da Indústria de Cerâmica no Estado do Paraná. Curitiba. 2000. MINISTÉRIO DAS CIDADES. Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat. Disponivel em: <http://pbqph.cidades.gov.br/projetos_simac_psqs.php>. Acesso em: 03 Setembro 2014. NORMA NACIONAL AMERICANA. Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos. 3ª. ed. Newtown Square: Project Management Institute, 2004. NORTON, F. H. Introdução à tecnologia cerâmica. São Paulo. 1973. PEDROTI, L. G. et al. Desenvolvimento de Massa Cerâmica para Blocos Queimados e Prensados. Cerâmica Industrial, Fevereiro 2011. PETRUCCI, E. G. R. Materias de Construção. 6ª. ed. Porto Alegre: Glovo, 1982. SANTOS, A. R. D. Metodologia Científica: a construção do conhecimento. 6ª. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. SEBRAE. Cerâmica Vermelha. Sebrae - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. [S.l.]. 2008. SILVA, A. V. E. Analise do processo produtivo dos tijolos cerâmicos no estado do Ceará – da Extração da matéria prima a fabricação. Universidade Federal do Ceará. Fortaleza. 2009. SOUZA, U. E. L. D. Perdas de Materiais nos Canteiros de Obra. Qualidade na Construção, São Paulo, v. 13, 1998. SPOSTO, R. M.; MORAIS, D. M. D.; PEREIRA, C. H. F. A Qualidade do Processo de Produção de Blocos Cerâmicos Fornecidos para o Distrito Federal. Cerâmica Industrial , Maio 2007. THOMAZ, E. Tecnologia, Gerenciamento e Qualidade na Construção. 1ª. ed. São Paulo: PINI, 2002. VARGAS, C. L. S. et al. Avaliação de perdas em obras – aplicação de metodologia expedita. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. 1997. 105 VICENZI, J. Efeito da Adição de Chamota em uma Massa Cerâmica de Argila Vermelha. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre. 1999. VIEIRA, C. M. F.; MONTEIRO, S. N.; FILHO, J. D. Formulação de Massa de Revestimento Cerâmico com Argilas Plásticas de Campos dos Goytacazes (RJ) e Tanguá (SP). Universidade Estadual do Norte Fluminense. Rio de Janeiro. 2001. VILLAR, V. D. S. Perfil e perspectivas da indústria cerâmica vermelha do sul de Santa Catarina. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. 1988. 106 10. APÊNDICE Olarias em Curitiba e Região Metropolitana 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Olaria Endereço Alwo Materiais de Construção e Rua Engenheiro João Bley Filho, 651 Industria de Tijolos Pinheirinho BR-277, 3641 - Costeira, São José dos Atobbi Olaria Pinhais - PR Barro Queimado Centro Avenida Comendador Franco, 4251 Cerâmico Uberaba, Curitiba - PR Bocks Materiais de Construção Rua Waldemar Loureiro Campos, 2566 Ltda - Boqueirão Rua Nicola Pellanda, 8410 Cerâmica 2 Palmeiras Pinheirinho, Curitiba - PR R. Pedro Cavichiolo, 10 - Campo de Cerâmica Andorinha Santana, Curitiba - PR Rua José Ordenir de Camargo, 180 Cerâmica Arnoldo Orso Umbará Rua Nicola Pellanda, 9120 - Umbara, Cerâmica Borguezani Ltda Curitiba - PR Rua Nicola Pellanda, 5726 - Umbara, Cerâmica Bozza Curitiba - PR Rua Professor Manoel de Oliveira Franco Sobrinho - Campo de Santana, Cerâmica Cosmos PR Cerâmica de Tijolos Reinaldo Estrada do Ganchinho, 7383 - Umbará, Pelanda PR Rua Ana Gabardo Negrelli, 64 Cerâmica Deconto Umbará, Curitiba - PR Cerâmica e Olaria Wosniak Ind Rua Nicola Pellanda, 993 - Pinheirinho, de Tijolos Curitiba - PR Rua Nicola Pellanda, 8595 Cerâmica Entre Rios Pinheirinho, Curitiba - PR Rua Francisco Ferreira da Cruz, Cerâmica Fazenda Iguaçu Fazenda Rio Grande - PR Rua Nicola Pellanda, 9271 Cerâmica Iguaçú Ltda Pinheirinho, Curitiba - PR Rua Bôrtolo Pelanda, 1489 - Umbará, Cerâmica Joay Curitiba - PR Rua Ângelo Gai, 333 - Umbará, Bairro Cerâmica José Chimiello Novo, Curitiba - PR Rodovia Br-116, 128 - Campo de Cerâmica M L Baldan Santana, Curitiba - PR Telefone (41) 3349-3636 (41) 3226-5454 (41) 3014-9040 (41) 3276-0835 (41) 3348-2124 (41) 3265-6914 (41) 3348-1288 (41) 3348-1663 (41) 3396-4135 (41) 3348-1669 (41) 3348-5572 (41) 3349-4338 (41) 3348-1431 (41) 3608-0621 (41) 3348-3039 (41) 3348-1382 (41) 3348-1123 (41) 3627-0100 107 20 Cerâmica Michel Ltda 21 Cerâmica MPJ 22 Cerâmica Negrello 23 Cerâmica Nichele Ltda 24 Cerâmica Olaria Dois Irmãos 25 Cerâmica Orangotango 26 Cerâmica Pampuch Ltda-me 27 Cerâmica São Pedro Ltda 28 Cerâmica Sidval 29 Cerâmica Sileno Bonato 30 Cerâmica GAI 31 Cerâmica Tijotec 32 Cerâmica Ziliotto Ltda Rua Marcos Nicolau Strapasson, 756 Área Industrial, Campina Grande do Sul - PR Rua Vereador Angelo Burbello, 1660 Campo de Santana, Bairro Novo, Curitiba - PR Avenida Paraná, 5393, Fazenda Rio Grande - PR, Brasil Rua Pedro Pilato, 360 - Umbara, Curitiba - PR Rua Nicola Pellanda, 5880 - Umbara, Curitiba - PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, PR, Brasil Rua Vila Nova 888, Cachoeira de São José - PR Rua Delegado Bruno de Almeida, 7420 - Campo de Santana, Curitiba - PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, 5731 - Caximba, Curitiba - PR Rua Nicola Pellanda, 1974 Pinheirinho, Curitiba - PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, 1081 - Campo de Santana, Curitiba PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, 110 - Tatuquara, Rua Barão do Cerro Azul - Centro, São José dos Pinhais - PR Rua Pedro Pilato, 460 - Umbara, Curitiba - PR 33 Ceramitex Industria de Tijolos Cericamp Indústria Cerâmica 34 Ltda Rod BR 277, 140, Campo Largo - PR Chão de Casa Materiais de Rua Vereador Angelo Burbello, 1899 35 Construção Umbara, Curitiba - PR Rua Prefeiro Aleixo Grebos, 402 36 Ecolaria Tijolo Ecologico Fazenda Velha, Araucária - PR Rua Nicola Pellanda, 9181 - Umbara, 37 Indústria de Tijolos Beira Rio Curitiba - PR Rod br 116, 29149 - Jardim Botanico, 38 Indústria de Tijolos BR Curitiba - PR Delegado Bruno de Almeida, 6100, 39 Industria de Tijolos Curió Campo de Santana, Curitiba -PR Rua Deputado Pinheiro Júnior, 200 40 Indústria de Tijolos Kureki Umbara, Curitiba - PR, Brasil Rua Ângelo Gai, 1235 - Umbara, 41 Indústria de Tijolos Tortato Curitiba - PR Industria e Comercio de Tijolos Rua Inácio Wacheski, 210 - Umbará, 42 Gramado Curitiba - PR (41) 3642-4142 (41) 3348-1941 (41) 3627-4878 (41) 3348-1151 (41) 3348-2346 (41) 3265-1313 (41) 3586-0352 (41) 3265-6921 (41) 3265-6777 (41) 3348-1838 (41) 3396-3837 (41) 3382-1016 (41) 3348-2240 (41) 3399-2383 (41) 3032-5540 (41) 3348-3989 (41) 3396-4173 (41)99215251 (41) 3348-1066 (41) 3348-1465 (41) 3348-1407 108 Industria e Comercio de Tijolos Rua Ângelo Gai, 1106 - Umbará, 43 Paraguai Curitiba - PR Industria e Comercio de Tijolos Rua Jorge Tortato, 267 - Campo de 44 Pires Santana, Curitiba - PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, 45 Irmãos Gai - Industria de Tijolos 6280 - Caximba, Curitiba - PR Lajes Pré Moldadas e Olaria 318, Estrada da Ribeira, 476 46 Bertolin Guaraituba, PR 47 M. L. Baldan BR-116 - Iguacu, PR (41) 3396-4126 (41) 3265-6778 (41) 3666-3036 (41) 9972-6305 48 Oilson A. Baldan (41) 3604-2815 49 (41)3383-5503 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 BR-116 - Iguacu, PR Rua Vila Nova, 1655, Cachoeira de Olaria A Pilato São José - PR Estrada do Ganchinho, 276 - Sítio Olaria A V Cercado, Curitiba - PR Rua Pedro Pilato, 97 - Umbara, Olaria Bonato Curitiba - PR Olaria de Tijolos e Telhas Irmãos Rua Pedrina Accordes Costa, 80 Costa Ganchinho, Curitiba - PR Rua Mário Santos, 650 - Cachoeira, Olaria Nogarotto São José dos Pinhais Rua Pedrina Accordes Costa, 755 Olaria Pedro Sima Ganchinho Rua Nicola Pellanda, 1200 Olaria São Tomaz Pinheirinho, Curitiba - PR Estrada Delegado Bruno de Almeida, Teolindo Jorge Gai 80 - Tatuquara, Tijolajes Cerâmica de Tijolos R. Pedro Calisto, 1716 - Umbara, Ltda Curitiba - PR Est Campo Largo da Roseira, 2102, Valdir Pereira da Silva Olaria São José dos Pinhais - PR Rua Pedrina Accordes Costa, 80 Victorino Costa Ganchinho, Curitiba - PR (41) 3348-1738 (41) 3563-1016 ( ) 33 - (41)3289-4522 (41)3382-1641 ( ) 32 - (41) 3348-1672 (41) 3265-6922 (41) 3348-1822 ( ) 33 - (41) 3289-3637 109