CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO AMBIENTAL: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE DO DISCURSO MULTIMODAL Maria Clara Catanho Cavalcanti (UFPE) [email protected] 1. Introdução A preservação e a conservação do meio ambiente são temas constantes no discurso da mídia, do governo, das escolas, entre outras instituições. A natureza, há algum tempo, e atualmente com mais ênfase, vem respondendo aos impactos ambientais ocasionados por anos de consumismo e exploração desenfreados e inconsequentes. Diante desse contexto, cresce o número de instituições, associações, organizações governamentais e não governamentais que visam a educar e conscientizar a população para a importância de ações ambientalmente responsáveis. O elemento utilizado nessa busca pela consciência ambiental e consequente mudança de atitude é o discurso. Dessa forma, interessamo-nos por campanhas de conscientização ambiental por considerarmos que podem ser um instrumento eficaz para convencer as pessoas da importância da preservação da natureza. Os gêneros produzidos em campanhas de conscientização geralmente são cartazes, outdoors, folhetos, folders, cartilhas e vídeos. Em meio a diversas campanhas produzidas e divulgadas por diferentes instituições, sejam elas estatais ou não, interessamo-nos por aquelas que tratam o consumo consciente como principal meio de contribuir para a preservação, pois consideramos que a diminuição do consumo é uma conduta simples, cuja adesão ocorre a partir de atitudes comuns, como apagar as luzes, gastar menos água, comprar somente o necessário etc. Assim, na busca por instituições que priorizassem a ideia da diminuição do consumo, encontramos a campanha Consciente Coletivo, produzida pelo Instituto Akatu, pela HP Brasil e pelo Canal Futura. Trata-se de um grande projeto composto por uma série audiovisual de dez vídeos, cada um com cerca de dois minutos, sete papéis de parede, cinco rodapés para e-mail, doze avatares e um selo para acompanhar fotos de perfis de redes sociais. Avatares são as fotos usadas em perfis de redes sociais, papéis de parede são usados na tela do computador e os rodapés de e-mail acompanham a assinatura das mensagens enviadas por correio eletrônico. Além disso, uma equipe pedagógica tem visitado mais de mil instituições no Brasil, as quais recebem kits educativos compostos por DVDs com os episódios da série e um livro com reflexões e sugestões para o uso pedagógico do material. A campanha aborda temas relacionados ao consumo consciente objetivando promover reflexões a respeito dos problemas gerados pelo atual ritmo de produção e consumo mundiais, além das possíveis contribuições do consumidor para a construção de um mundo mais sustentável. Entre os assuntos abordados estão a sustentabilidade, as mudanças climáticas, o consumo de água e energia, o estilo de vida do homem pósmoderno e outros que permeiam o universo do consumo consciente. Outro ponto importante, o qual será aprofundado posteriormente é a dinâmica de narrativa circular, que indica processos contínuos de produção, distribuição, consumo, descarte e reciclagem. A campanha, direcionada para crianças e jovens, estreou em setembro de 2010 com a exibição dos vídeos nos intervalos da programação do Canal Futura. Nosso objetivo, neste estudo é investigar os gêneros que compõem a campanha Consciente Coletivo, em especial os vídeos, compreendendo-a como discurso. Sendo assim, verificamos as relações de poder, hegemonia e luta hegemônica, ideologia e mudança social através do discurso ambiental. Na análise dos vídeos, nosso intuito é mostrar como os diversos modos lingüísticos se organizam num todo discursivo-comunicativo. Para tanto, nosso aporte teórico é formado por estudos da análise crítica do discurso, especialmente os trabalhos de Norman Fairclough (1997, 2001 e 2003) e Teun van Dijk (2001 e 2008); da análise do discurso multimodal através dos estudos de Norris (2004, 2005 e 2008); Jones (2005, 2008); Jewitt (2008) e da teoria dos gêneros, em especial baseando-nos em Miller (1994; 2009) e Bazerman (1994, 2007 e 2008). 2. Metodologia O êxito de uma pesquisa depende, em grande parte, do seu encaminhamento metodológico. Nossa investigação tem caráter qualitativo, pois visa principalmente a uma interação ampla com nosso objeto de estudo, procurando entender os fenômenos que constituem o discurso a partir dos textos que constituem o corpus à luz da Análise Crítica do Discurso, da Análise do Discurso Multimodal e da Teoria de Gêneros. Partindo da discussão sobre conceitos fundamentais da análise crítica, mostramos os textos da campanha Consciente Coletivo como atos comunicativos únicos, embora formados por mais de um modo linguístico. Como forma de sistematizar nossa investigação, centramos a análise nos vídeos e observamos como cada um dos modos (linguagem oral, escrita\tipografia, imagem e som) se apresenta formando os episódios da série. 3. Discurso A análise crítica do discurso (ACD) é, ao mesmo tempo, uma teoria e um método de análise. Seu aporte teórico-metodológico caracteriza-se por uma forte preocupação social. É fundamental a ideia de que as questões sociais e políticas têm um caráter parcialmente linguístico-discursivo e de que o estudo linguístico-discursivo com base na ACD pode revelar aspectos importantes da vida social. Assim sendo, tomando a ACD como base teórica, não estamos interessados apenas nos textos em si, mas em questões sociais que incluem maneiras de representar a realidade, manifestação de identidades e relações de poder no mundo contemporâneo. As campanhas que analisamos são instrumentos de luta contra o discurso do consumismo, da produção em larga escala, da urbanização, da industrialização, entre outros. Entendemos discurso como prática social, como modo de ação e de representação (FAIRCLOUGH, 2001), pois é através dele que as pessoas podem agir sobre o mundo e sobre os outros. A prática discursiva é constitutiva, ou seja, contribui para reproduzir a sociedade, assim como também para transformá-la. Concordamos com Fairclough (2001, p. 91) quando afirma que “discurso é modo de ação, forma em que as pessoas podem agir sobre o mundo e especialmente sobre os outros, como também um modo de representação”. O discurso é socialmente constitutivo, uma vez que colabora para a constituição da estrutura social, as quais, direta ou indiretamente, o moldam e o restringem. Além disso, conforme Fairclough (2001), o discurso não é uma prática apenas de representação do mundo, mas de significação do mundo, constituindo e construindo os sentidos do mundo. Ainda segundo Fairclough, o discurso apresenta três funções: 1. O discurso contribui para a construção de identidades sociais e posições de sujeitos (função identitária). 2. O discurso contribui para construir as relações sociais entre as pessoas (função relacional). 3. O discurso contribui para a construção de sistemas de conhecimento e crença (função ideacional). Dessa forma, a teoria de Halliday (1985 apud FAIRCLOUGH, 2001), que enfatiza a multifuncionalidade da linguagem, admitindo que qualquer texto desempenha as funções ideacional, interpessoal e textual, é fundamental à Análise Crítica do Discurso. Tomando o discurso como o uso da linguagem enquanto expressão da prática social, a ACD centra-se na observação da linguagem, levando em conta a compreensão do modo como os textos trabalham no interior da prática sociocultural. Tendo em vista esse objetivo de análise, a ACD baseia-se no conceito criado por Foucault (1970, 1971 apud FAIRCLOUGH, 2001) de ordens do discurso. Conforme Pedro (1998, p. 36), ordem de discurso “é um conjunto ordenado de estratégias discursivas, associadas a um domínio ou instituição particulares” ou, ainda, segundo Fairclough (2001, p. 34), “a ordem do discurso de um domínio social é a totalidade de suas práticas discursivas e as relações entre elas”. Numa igreja, por exemplo, teríamos as práticas discursivas da missa ou do culto, os textos publicados no boletim dominical, as aulas da escola dominical, as atividades realizadas nessas classes de estudo, entre outras. A campanha Consciente Coletivo, por exemplo, é parte da ordem de discurso do Instituto Akatu, o qual engloba outros eventos discursivos, tais como notícias, reportagens, anúncios, outras campanhas publicitárias, textos informativos, entre outros. Uma das contribuições mais esclarecedoras em relação ao discurso é o quadro tridimensional proposto por Fairclough (2001). A proposta teórico-metodológica de Fairclough aponta o discurso como noção integradora de três dimensões: o texto, a prática discursiva e a ação ou prática social. O texto é compreendido como “unidade semântica completa a partir dos modos de padronização que dão corpo linguístico à expressão das metafunções ideacional, interpessoal e textual (PEDRO, 1998, p. 36). A análise textual, propõe Fairclough (2001), se organiza em quatro itens; vocabulário, gramática, coesão e estrutura social. Tais itens devem ser vistos de maneira ascendente: o vocabulário, tratando de palavras individualmente; a gramática que se relaciona à organização das palavras em frases e orações; a coesão, ou seja, ligação entre orações e frases; a estrutura textual, a qual trata das características organizacionais dos textos. A segunda instância do quadro tridimensional de Fairclough, que estabelece relação entre o texto e a prática social, é a prática discursiva, a qual situa o texto às características contextuais e é responsável pelos aspectos sócio-cognitivos. “A prática discursiva envolve processos de produção, distribuição e consumo textual, e a natureza desses processos varia entre diferentes tipos de discurso de acordo com fatores sociais” (FAIRCLOUGH, 2001, p. 107). Ao explicar a terceira dimensão de sua teoria tridimensional, Fairclough (2001) destaca a característica de ação social do discurso. Na ACD, por meio do discurso age-se socialmente. Nesse âmbito, são destacados dois conceitos: ideologia e hegemonia. A concepção de ideologia é baseada em Althusser (1971), sobre a qual Fairclough (2001, p. 117) afirma: Entendo que as ideologias são significações/construções da realidade (o mundo físico, as relações sociais, as identidades sociais) que são construídas em várias dimensões das formas/sentidos das práticas discursivas e que contribuem para a produção, a reprodução ou a transformação das relações de dominação. Assim, as ideologias são construídas nas práticas discursivas e, embora se enfatize tanto o poder dos grupos sociais dominantes na ACD, a ideia de que a ideologia contribui para as transformações das relações de poder é fundamental. Dessa forma, as campanhas de conscientização compõem discursos cujo objetivo é exercer poder, buscando o convencimento através da conscientização para um consumo responsável. De todo discurso emana uma relação de poder. Um grupo tem poder sobre o outro quando se exerce alguma forma de poder sobre ele. Conforme van Dijk (2001), existe o poder coercitivo, aquele exercido por meio da força física e há também o poder mental, em que a ideologia é um componente fundamental para seu exercício e manutenção. Normalmente, os grupos dominantes exercem e organizam ideologias e as escondem transformando-as em sistemas de valores ou normas que estabelecem um consenso e formam uma hegemonia. Essa é uma forma de poder que exerce forte controle social. Tratamos poder como controle (VAN DIJK, 2008), isto é, o controle de um grupo sobre outros grupos e seus membros. Em termos de comunicação, relacionando poder e discurso, percebemos que as pessoas não são livres para falar ou escrever o que querem, mas são parcial ou totalmente controladas por instituições como a mídia, a polícia, o Estado etc. O poder que as campanhas pretendem exercer sobre a sociedade é contra-hegemônico, pois o poder hegemônico, nas relações sociais que envolvem o consumo exagerado, é fundamentado em alguns discursos da mídia, do Estado e do comércio. Dessa forma, as campanhas são instrumentos de luta contra-hegemônica que pretendem questionar ações sociais de consumo estabelecidas ideologicamente no estilo de vida contemporâneo. Compartilhamos, neste estudo, com a noção de ideologia desenvolvida por van Dijk (2008), o qual a define como: A consciência de um grupo ou classe, explicitamente elaborada ou não em um sistema ideológico, que subjaz às práticas socioeconômicas, políticas e culturais dos membros do grupo, de forma tal que seus interesses (do grupo ou da classe) materializam-se (em princípio da melhor maneira possível) (p. 47). Assim, a ideologia que subjaz o discurso das campanhas não é dominante, portanto a conscientização pretendida por esses textos deve buscar questionar a reprodução ideológica almejada pelas instituições mais influentes. Para van Dijk (2008), a ideologia em si não é o mesmo que as práticas e instituições, mas é uma forma de cognição social. Dessa forma, percebemos que a ideologia tanto pode manter o poder de determinada classe dominante, como pode ameaçar sua hegemonia quando passa a ser transformada. É bastante clara, na ACD, a instabilidade das hegemonias, pois a ideologia que, em nosso ponto de vista, é a base o iceberg, se transformada, modifica as relações de poder e pode transformar ações sociais. Segundo van Dijk (2008, p. 48), “a ideologia proporciona coerência às atitudes sociais, que, por sua vez, codeterminam as práticas sociais”. Ideologias são cognições grupais que influenciam as construções sociais da realidade e as práticas sociais, (trans)formando as estruturas societais. Assim, tratando ideologia como cognição social, parece-nos pertinente abordar mudança social segundo uma perspectiva cognitivista. É importante observar, ainda, que as campanhas não se limitam a questionar a ideologia dominante, mas sua meta final é promover uma mudança de atitude contrária às hegemonias sociais que propõem o consumo exagerado. Para tanto, entendemos que seja necessário um processo de mudança social. Compreendemos o conceito de mudança social a partir da ideia de frame fundamentada em Lakoff (2004). Conforme o autor, frames são “estruturas mentais que moldam a maneira que nós vemos o mundo” (p. 15). Os frames dão forma às metas que buscamos, aos planos que fazemos, à forma como agimos e mudar um frame é mudar todas essas questões. Segundo Lakoff (2004), frames fazem parte do nosso inconsciente cognitivo, ou seja, são estruturas em nosso cérebro que nós não podemos acessar conscientemente, mas sabemos que existem por causa de suas consequências que são basicamente duas: a forma como nós raciocinamos e o que se tem chamado de “senso comum”. A relação entre frame e linguagem é fundamental para a compreensão desse conceito, uma vez que, quando uma palavra é lida ou ouvida, o frame ou uma coleção deles, é ativado em nosso cérebro. De acordo com Lakoff (2004), quando há uma mudança na forma como o senso comum vê ou compreende determinado discurso, há um processo de reframing. O processo de reframing trata-se de uma mudança cognitiva, ou seja, é mais profunda que uma mudança discursiva. 3.1. Definindo o conjunto de gêneros de Consciente Coletivo Em Discurso e mudança social, Fairclough (2001, p. 161) define gênero como: um “conjunto de convenções relativamente estável” que se associa com um tipo de atividade socialmente aprovada, como a conversa informal, a compra de produtos em uma loja, uma entrevista de emprego, um documentário de televisão, um poema ou um artigo científico. Além disso, um gênero não implica somente um único tipo de texto, mas também “processos particulares de produção, distribuição e consumo de textos”. A concepção de gênero na ACD tem base nas ideias bakhtinianas, mas tal conceito não é aprofundado, pois não recebe um tratamento sistematizado. Recorremos, então, à Teoria de Gêneros no objetivo caracterizar os textos que compõem a campanha Consciente Coletivo. Estabelecemos essa relação entre teorias porque consideramos que, em muitos aspectos, elas dialogam e se complementam. Quando se analisa um texto como discurso, a ideia de gênero é subentendida; quando se investiga um texto como gênero, aspectos discursivos são levados em conta. Os gêneros são práticas comunicativas recorrentes nas quais os textos se materializam. Comunicamo-nos através de gêneros textuais, toda a nossa interação verbal é realizada através deles. Portanto, os gêneros são profundamente ligados à vida cultural e social e não podem ser pensados fora da dimensão espácio-temporal. São formas de ação social que resultam de um trabalho coletivo, assim estabilizam as atividades comunicativas do dia a dia. É bom ratificarmos, entretanto, que Bakhtin define gêneros como “atividade relativamente estável” (1992, p. 279), assim, não são formas fixas que engessam a atividade social. Pelo contrário, eles são maleáveis, plásticos e, como atividade sociocultural e histórica, acompanham o homem em sua natureza inventiva, nas possibilidades que ele cria e nas suas necessidades. Diante disso, podemos analisar historicamente o surgimento dos gêneros. Na sociedade de cultura unicamente oral, a diversidade dos gêneros era restrita. No século VIII , com o invento da escrita alfabética, surgem os gêneros peculiares da escrita. Num terceiro momento, com a explosão da imprensa, há um grande desenvolvimento e aumento do conjunto de gêneros já existentes. Tomamos como base, para tratar de gêneros textuais, o desenvolvimento teórico e metodológico da chamada “Escola Norte-americana” por considerarmos que essa perspectiva dialoga com a ACD. A também chamada Sócio-Retórica é formada principalmente por pesquisadores norte-americanos e canadenses, dentre eles: Charles Bazerman, Carolyn Miller, Chain Perelman, Aviva Freedman, entre outros. A Sócioretórica surge como resposta ao ensino da composição escrita que, pelo menos até o final do século XIX, estava sob a influência da retórica clássica nas escolas secundárias e nas universidades norte-americanas. A Escola Norte Americana também ia de encontro ao ensino que priorizava a estilística e a correção sintática e gramatical, alertando para a importância dos aspectos pragmáticos. Na Sócio-Retórica, há uma valorização intensa de gêneros como “ressonância de enunciados com histórias de enunciados anteriores, reconhecíveis como o mesmo gênero” (BAZERMAN, 2007, p. 163). Portanto, a língua, dependendo da situação comunicativa, adota a forma de determinado gênero. Os enunciados estão em cadeia com enunciados anteriores. Tais cadeias de enunciados constituem os textos produzidos numa sociedade, os quais agregam histórias pessoais, afetivas, institucionais, sociais, culturais. Bakhtin alertou também para a maleabilidade dos gêneros que podem se encaixar mutuamente ou refletir outros gêneros. Outra importante reflexão básica para a teoria dos gêneros na Sócio-Retórica. “Genre as Social Action”, artigo de Carolyn Miller publicado 1984, é central na construção da noção de tipificação. No início do artigo, Miller deixa clara sua posição sobre classificação de gêneros. Para ela, o estudo dos gêneros não deve se preocupar com a criação de taxonomias baseadas em aspectos materiais para classificar um texto como um determinado gênero. Ao contrário, ela enfatiza os aspectos sociais e retóricos. Portanto, a definição de gênero não deve ser baseada na substância ou na forma, mas na ação. Em outro artigo, em 1994, Miller propõe “gênero como um constituinte importante e específico da sociedade. O aspecto mais importante da sua estrutura comunicativa, uma das estruturas de poder que instituições exercem” (1994, p. 72). Para a autora, os falantes de uma língua criam representações de ações vivenciadas em situações recorrentes. É importante notarmos que aqui não se trata de uma recorrência da configuração material dos objetos, dos eventos e de pessoas, pois sabemos que a situação objetiva, em outras palavras, a enunciação, é única. Na verdade aponta-se para a recorrência como um fenômeno subjetivo, uma ocorrência social, e não pode ser entendida em termos materiais. As representações de ações vivenciadas são cognitivas, mas, ao mesmo tempo, resultantes de experiências sociais através de ações tipificadas. Segundo Miller (1984), a ação humana é baseada e guiada pelo significado, no centro da ação está o processo de compreensão. Antes que possamos agir, nós definimos ou determinamos a situação. O que nos possibilita chegar à compreensão é que o nosso estoque de conhecimento é baseado em tipos de ações recorrentes. Nosso estoque de conhecimento é posto como base para as novas experiências: o novo é transformado em algo familiar através do reconhecimento das similaridades relevantes. A maior parte do nosso estoque de conhecimento é bastante estável, mas não estático. Um novo tipo pode ser formado, mas a partir de tipificações já conhecidas. O processo de tipificação são as recorrências, analogias e similaridades que realizamos em relação às ações sociais presentes em nosso estoque de conhecimento. É a essa tipificação que se chama gênero. As regras e recursos de um gênero promovem papéis discursivos e tipificam as necessidades e exigências sociais. Miller chama a atenção para o fato de que, ao tratar gênero, não está colocando a estrutura em primeiro plano, pois a ação vem antes dela. A estrutura é parte da ação, mas a ação é primária. A estruturação, portanto, não existe fora da ação. Assim, em sua dimensão estrutural, os gêneros são convenções e ordenam recursos retóricos, é através deles que as pessoas realizam seus propósitos e compreendem os propósitos de seus interlocutores. Desenvolvida pelo sociólogo Anthony Giddens (1999), a teoria da estruturação também embasa os estudos da Sócio-Retórica. Carolyn Miller, em seu artigo “Rhetorical Community: The Cultural Bases of Genre” (1994), retoma o trabalho de Anthony Giddens (1999), adotando a teoria da estruturação para desenvolver a sua concepção de gêneros. Segundo a estruturação, as relações sociais são estruturadas no tempo e no espaço. Regras e recursos formam a estrutura social. As regras seriam as estruturas linguísticas; recursos são a realização das estruturas linguísticas. Essa estrutura é compartilhada por membros de uma mesma comunidade, a estruturação, porém não preconiza somente o coletivo, mas também individual, à medida que os sujeitos podem criar estruturas. Ao fazerem isso, estes obviamente não contam com o ineditismo ou criação totalmente original, mas dependem das estruturas já existentes e, em certa medida, as reiteram. Mediante todo esse aparato teórico, nos voltamos ao nosso corpus para investigar, de forma macro, a campanha e, posteriormente, os gêneros que a compõem. Consciente Coletivo foi produzida por um grupo de pessoas, grupo este que exerce um papel institucionalizado de representar as empresas promotoras da campanha: Instituto Akatu, HP Brasil e Canal Futura. A linguagem dos vídeos e a própria função dos demais gêneros, a saber, o rodapé de e-mail e o avatar, evidenciam que o público alvo é formado principalmente por jovens e por pessoas que usam sistematicamente algumas ferramentas da internet, como e-mail, twiter, blog, facebook, orkut, entre outros. Os três gêneros em análise são formados por linguagem visual. Nos vídeos, há a linguagem verbal oral, que é a voz do locutor; a linguagem verbal escrita, que aparece sempre na abertura e à vezes em placas ou informações rápidas na tela; e a linguagem visual, que é toda a animação que compõe o filme. No rodapé de e-mail, há sempre uma imagem e uma mensagem escrita de conscientização coletadas dos vídeos. Já os avatares são imagens de personagens que aparecem nos filmes. Portanto, é importante afirmarmos que, quando nos propomos a analisar tais gêneros, a linguagem não verbal deve ser tão observada quanto a verbal. Para isso, concordamos com Bernhardt (2004, p. 94) o qual, em seu artigo intitulado “Seeing the Text”, alerta para o fato de que os textos são organizados num contínuo informativo visual. Nós devemos pensar em textos organizados num contínuo, de textos que possuem relativamente pouca informação visual a textos que revelam substancial informação através de sinais visíveis como espaços em branco, ilustrações, variação de tipografias, uso de símbolos não alfabéticos, como números, asterisco e pontuação. Os gêneros que compõem Consciente Coletivo estão, obviamente, no extremo caracterizado pelo intenso uso de recursos visuais. Uma observação relevante quanto à linguagem visual é que toda a animação parece ter sido feita por papel reciclado, desde a abertura dos filmes até seu final. Os outros três gêneros mantêm esse padrão. Tratamos linguagem visual ou verbal em suas características particulares, mas observamos que elas se organizam num único ato comunicativo. Para tanto, concordamos com Leeuwen (2004) que, ao apontar dez razões para que os linguistas atentem para a comunicação visual, usa um exemplo de uma publicidade impressa que mistura imagem e texto escrito. Sua discussão central gira em torno de alguns questionamentos: no exemplo dado, há mais de um ato de fala; há apenas um ato de fala, mas que é formulado duas vezes, uma visualmente, de maneira mais direta, e outra verbalmente, de modo mais indireto e formal; ou há um único ato comunicativo multimodal, no qual imagem e texto se combinam como os instrumentos de uma orquestra? Refletindo sobre nosso corpus, especialmente os filmes e os rodapés, realizar uma análise separada de imagem e texto é admitir que haveria dois atos comunicativos, ou seja, dois discursos. Sendo assim, a imagem seria mera ilustração do verbal. Por isso, os textos devem ser vistos como um todo coerente, como apenas um ato comunicativo. A partir dessa forma de compreender os textos, encontramos fundamentos na Análise do Discurso Multimodal (Norris, 2004, 2005 e 2008; Jones, 2005, 2008; Jewitt, 2008) para observar nosso corpus de modo mais amplo. A Análise do Discurso Multimodal defende que os significados são criados em interações, numa complexa interrelação de semioses através de múltiplos modos que não se limitam à linguagem falada ou escrita. Para Norris, (2004, p. 1), “todas as interações são multimodais”. Nessa perspectiva, a língua não é vista como o canal principal da comunicação, assim a linguagem não verbal não é subordinada a ela. Norris (2004) acredita que a visão que posiciona a língua no centro limita nossa compreensão da complexidade da interação. A língua é um modo dentre outros que pode ou não ter um papel central num dado momento da interação verbal. Conforme tal abordagem, os discursos são constituídos por modos diversos e o sentido desses discursos reside na ação das pessoas. Todas essas ações são mediadas por ferramentas culturais: objetos, tecnologia, práticas, identidades, instituições sociais, comunidades e também linguagem e outros sistemas semióticos. Com isso, podemos compreender como todos os objetos, linguagem e ações se relacionam com os vários significados que dão sentido às múltiplas práticas sociais e à trajetória das múltiplas histórias e enredos que reproduzem identidades e grupos sociais. 3.2. Analisando os vídeos de Consciente Coletivo Neste artigo, como afirmamos anteriormente, enfatizaremos a análise dos vídeos da campanha Consciente Coletivo. Para tanto, nosso método investigativo consiste em observarmos os principais modos que constituem tais textos. São eles: a linguagem verbal oral e escrita (tipografia); o som; as imagens. Segundo Kress (2009, p. 54) “modo é um recurso socialmente formado e culturalmente dado para fazer sentido. Imagem, escrita, layout, música, gesto, fala, imagem em movimento, trilha sonora são exemplos de modos usados em representação e comunicação”. Cada modo, em cada texto, oferece potencialidades de sentidos, a escolha do modo é fundamental para os efeitos da comunicação. Som, imagem e linguagem verbal se misturam em Consciente Coletivo. A série é formada por dez filmes de dois minutos cada, organizados da seguinte forma: abertura com o nome da campanha, cena num ônibus em que um jovem humano é comparado a outro ser vivo (animal ou vegetal), questionamento de atitudes humanas consumistas, explicação das consequências dessas ações, dicas para a mudança de comportamento e retorno à comparação inicial. Como se pode perceber, a narrativa é cíclica. A função que se atribui a esse gênero é de conscientizar sobre a importância do consumo consciente e promover uma mudança de atitude da população de modo a preservar o meio ambiente. Dessa forma, seguiremos análise partindo da linguagem oral. Antes, porém, é importante afirmarmos que a divisão em módulos é apenas didática, já que todos eles se combinam num todo comunicativo. I. Linguagem verbal oral: é sempre a voz de um locutor que parece ser jovem. Há um grau de informalidade e um tom conversacional. Essas características unem-se a outras, direcionando a campanha para jovens, adolescentes e crianças. Abaixo o trecho do episódio 01 retrata o que afirmamos. Exemplo 01 A gente esquece que, além de matéria prima, é preciso muita água e energia pra produzir tudo isso. É simples, quanto mais a gente compra, mais a gente joga fora e nessa desperdiçamos também água e energia. Esse é o planeta Terra, lar desse jovem e desse. Agora, veja só, nosso planeta é tão incrível que aqui mesmo a gente encontra todo tipo de recurso natural pra sobreviver. O problema é que a população não para de crescer. Como já falamos, alguns humanos consomem muito mais do que outros. Sobra, então, pra o meio ambiente. A gente gasta hoje mais recursos naturais do que a Terra tem pra oferecer. Desse jeito, em cinquenta anos, vamos precisar de dois planetas Terra pra nos sustentar. Agora, você aí conhece um outro planeta Terra? Pera aí, se quanto mais a gente consome, mais contribui pra esse desequilíbrio, então tá na hora de mudar. Mudar, por exemplo, nas atitudes do dia a dia... E por que não começar gerando menos lixo? Nesse trecho do episódio, encontramos as seguintes características que comprovam o que afirmamos anteriormente. a. Uso de “a gente” ao invés de “nós”, o que ocorre naturalmente na linguagem oral menos formal. b. Uso da expressão “e nessa”, em que o demonstrativo retoma de modo informal toda uma situação anteriormente apresentada. c. d. e. f. g. h. O advérbio temporal “agora”com valor adversativo. Utilização do verbo “sobrar” no sentido de acarretar ou ter como consequência. “Pra” ao invés de “para”. “Você ai” indicando uma interação bastante próxima com o interlocutor. “Pera” ao invés de “espera”. “Tá” no lugar de “está”. II. Linguagem verbal escrita: aparece sempre na abertura dos filmes com o título da campanha e no seu encerramento com as logomarcas das empresas, conforme exemplo abaixo: Exemplo 02 Na abertura, a tela vazia enchese, aos poucos, de produtos como roupas, aparelhos eletrônicos, automóveis e utensílios diários. Um ônibus passa afastando todos os produtos, enquanto o nome do projeto aparece na tela. Do ônibus, saem várias pessoas de mão dadas. A cena inicial é sempre a de um jovem humano dentro do ônibus coletivo carregando vários produtos e se segurando para não cair. Podemos ver, no terceiro e no quarto quadro, o título da campanha surgindo na tela enquanto um ônibus passa rasgando um papel que se enrola numa espécie de pergaminho. Além disso, a linguagem escrita aparece pouco, às vezes numa placa ou rótulo de produto ou como legenda no momento de explicação das consequências das ações humanas. Interessante, porém, é observarmos a tipografia desses momentos de escrita. A tipografia está enfrentando novos desafios trazidos pela modernidade, como telas de computadores, páginas de livros e revistas, tornando-a incrivelmente mais visual... Esse movimento em direção ao novo papel da tipografia não é restrito ao trabalho de designers profissionais, mas afeta escritores em geral (LEEUWEN, 2006, p. 142). Leeuwen (2006) apresenta a tipografia como modo traçando um paralelo com a concepção de linguagem defendida por Halliday (1985 apud FAIRCLOUGH, 2001). A tipografia seria um modo linguístico e não apenas um recurso quando cumpre as seguintes metafunções: • Ideacional: representa ações e qualidades. • Interpessoal: pode representar atitudes, pode classificar o texto como moderno, tradicional, descontraído, sério, etc. • Textual: demarca elementos de um texto e expressa seu grau de similaridade e diferença com outros elementos dentro do texto. Conforme Niemeyer (2000 apud FERNANDES, 2006, p. 35), tipografia é o “ofício que trata dos atributos visuais da linguagem escrita”. Fernandes (2006) acredita que a tipografia possui um discurso próprio, cujo sentido está além do significado fonético, é reflexo não apenas do aspecto textual, mas da carga expressiva e cultural da mensagem, pois sofre todas as influências da estética de seu tempo, assim como a expressa. Em Consciente Coletivo, quando o discurso é próprio da campanha, a fonte tipográfica é a mesma da abertura dos vídeos, vejamos: Exemplo 03 Abertura Episódio 02 Episódio 04 Podemos observar que a tipografia é a mesma nesses três momentos, o que se constitui como forma de identidade do discurso disseminado pela campanha. A lógica de usar a tipografia como um modo que constitui identidade provocando reconhecimento de um gênero ou discurso aparece ao longo da série, como podemos observar abaixo: Exemplo 04 Episódio 03 A tipografia utilizada indica algo antigo, medieval. Com a expressão “era uma vez”, fica evidente a alusão a um conto de fadas. Episódio 10 Podemos observar que a tipografia e a disposição das palavras nas placas e letreiros são típicas de propagandas. Com os exemplos acima, percebemos que a tipografia funciona como modo linguístico. Podemos comprovar tal afirmativa ao aplicarmos a metodologia proposta por Leeuwen (2006). No exemplo 03, que retrata a fonte tipográfica representativa do discurso da campanha Consciente Coletivo, encontramos a função ideacional através do formato e da disposição das letras as quais são bastante preenchidas e não lineares, ou seja, ora estão um pouca abaixo, ora um pouco acima. Essa representação classifica o texto na instancia interpessoal como informal, moderno, jovial. Tais características diferenciam esses textos de outros que aparecem na série, identificando o discurso da própria campanha, o que constitui a função textual. No exemplo 04, o formato da letra, do modo que é disposto (função ideacional) indica um texto antigo (função interpessoal), cooperando com o sentido que se constrói nesse episódio que é narrar a história do eucalipto se transformando em papel. A tipográfica, dessa forma, remonta o período medieval compondo uma intertextualidade intergenérica na representação de um conto de fadas (função textual). No exemplo 05, também percebemos as três metafunções funcionando na tipografia do letreiro da loja e das placas de propagandas. O formato da límpido e claro das letras (função ideacional) é estratégico para cumprir a função social do gênero que compõem (função interpessoal). Tais características tipográficas identificam o discurso das placas publicitárias (função textual). III. Linguagem visual: o aspecto mais importante da linguagem visual nos vídeos de Consciente Coletivo é que as imagens parecem ser todas de papel reciclado. Esse é o principal argumento visual da série, pois as imagens muitas vezes surgem de folhas de papel amassadas, tanto na abertura dos episódios quanto no desenrolar deles. Vejamos o exemplo. Exemplo 05 Abertura: cada objeto que preenche a tela surge de uma bolinha de papel amassado, como podemos observar o papel azul, à esquerda da tela, se transformando num notebook. Assim, a tela vai rapidamente sendo preenchida por objetos, todos surgindo de papeis amassados. Episódio 03: a cadeia produtiva do eucalipto ao papel é explicada numa intertextualidade intergenérica com o conto de fadas, conforme explicamos anteriormente. Nesses quatro quadros, percebemos a folha de papel amassada se desdobrando e surgindo na tela. A técnica mostrada no exemplo acima é utilizada nos dez episódios e, conforme nossa análise, esse é o principal argumento visual da série. Entendemos argumento visual conforma Blair (2004, p. 348), o qual afirma: Argumentos visuais são entendidos como argumentos proposicionais nos quais as proposições e suas funções e papéis argumentativos são expressos visualmente, por exemplo, por pinturas ou desenho, fotografias, esculturas, filmes ou imagens de vídeo, cartuns, animações ou desenhos computadorizados. Portanto, argumento visual, como todo argumento, deve ser proposicional, ou seja, é suscetível de ser dito verdadeiro ou falso, pode ser aceito ou rejeitado; e ser composto por uma alegação e suas razões. O que diferencia o argumento visual do verbal é a forma de apresentação e compreensão. Assim, a imagens de Consciente Coletivo e a técnica de surgirem de folhas amassadas de papel indicam o processo de reciclagem, de transformação e de reutilização. Portanto, notamos que o visual constrói o argumento ao lado de todos os outros modos linguísticos para compor o discurso final da campanha. IV. Som: na série há música e sons característicos de certas ações, os quais reconhecemos porque são convencionais. A música são duas vinhetas: a da abertura dos episódios e a do final dos episódios que toca quando o jovem humano começa a mudar sua atitude em prol da preservação do meio ambiente. Além disso, sons convencionais aparecem nos dez episódios compondo o todo comunicativo, tais como o som do papel sendo rasgado, na abertura, quando o título da campanha aparece; papel sendo desamassado, quando as imagens surgem na tela, conforme explicamos acima; som da caixa registradora, quando aparece dinheiro; som de mosca quando aparece o lixo, entre outros. 4. Considerações finais A Análise do Discurso Multimodal considera ações sociais como fenômenos multimodais, isso significa dizer os gêneros textuais, já que são ações sociais, são também multimodais. Os gêneros orais podem, por exemplo, combinar palavras e gestos, palavras e entonações, etc.; os gêneros escritos podem combinar palavras e imagens, palavras e animações, palavras e tipografias, etc. Portanto, uma das contribuições desta pesquisa é mostrar que todo discurso é multimodal. Além disso, o estudo se baseia na análise do discurso ambiental por meio de campanha de conscientização, ressaltando a importância da função social de cada gênero que forma a campanha. Esta investigação mostra, ainda, como os diversos modos de linguagem se organizam para formar um ato comunicativo único, coerente, conduzindo o leitor por uma linha argumentativa que procura conscientiza-lo para uma mudança de atitude em prol da preservação do meio ambiente. 5. Referências BAZERMAN, C. Escrita, Gênero e Interação Social. São Paulo: Cortez, 2007. ______, C. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008. ______. Systems of Genres and the Enactment of Social Intentions. 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