AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES TO INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PE LA LE I DE DI R EI PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU O A TEORIA PSICANALÍTICA DE FREUD DA JOSÉ CLAUDIO VAREJÃO VELLOSO DO CU M EN TO PR OT EG ID SEXUALIDADE INFANTIL Prof. Orientador: MS.Fabiane Muniz Rio de Janeiro 2013 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU A TEORIA PSICANALÍTICA DE FREUD DA SEXUALIDADE INFANTIL JOSÉ CLAUDIO VAREJÃO VELLOSO Monografia apresentada ao Instituto A Vez do Mestre como requisito parcial para a obtenção do título de especialista em sexualidade. Orientador: MS. Fabiane Muniz Rio de Janeiro 2013 AGRADECIMENTOS Agradeço a Antonio Alberto Rito, meu irmão, amigo, sócio, companheiro em todos os momentos bons e ruins, parceiro de toda nossa formação e o maior incentivador para que possamos estar cada vez mais nos especializando. DEDICATÓRIA À minha mãe que me fez ser quem eu sou e ter proporcionado sucesso na minha vida, com todo seu sacrifício e amor. Saudades eternas! RESUMO A presente monografia tem como proposta principal como Freud construiu sua teoria da psicanálise e chegou à questão da sexualidade infantil, onde na concepção naturalista predominante na contemporaneidade, era a normalidade sexual definida pela sexualidade adulta e pela consumação do ato considerado apenas como finalidade reprodutiva. Durante sua trajetória da construção de sua teoria, Freud analisou o psiquismo humano e por seus conceitos e determinismo, constituiu como consciente inconsciente e pré-consciente, além de elucidar diversos outros fatores mentais e apresentando a estrutura da personalidade (id, ego e superego). Através do seu processo analítico constatou que as questões dos adultos sempre retornam à fase infantil e dando continuidade à sua teoria acabou por determinar as fases genitais na infância (oral, anal, fálica, e através do Mito de Édipo constituiu o Complexo de Édipo e ainda o período de latência); onde todo o período infantil a criança ao obter satisfação, considerou como sexualidade, diferenciando do processo sexual da fase adulta. Desta forma, nosso propósito é analisar a teoria psicanalítica com a intenção de confirmação de que a sexualidade inicia-se desde o nascimento. METODOLOGIA Esta monografia será construída através da metodologia de Pesquisa Bibliográfica, sendo a coleção de Freud uma das principais fontes de pesquisas e de outros teóricos que se fizerem necessários, bem como revistas, internet, etc. Para compreensão da lógica deste trabalho e entendimento sobre a consistência da teoria psicanalítica de Freud, foi buscado teorização dos principais pontos que tratam sobre a sexualidade infantil, não se atendo a outras questões que o teórico desenvolveu, limitando com isso ao tema proposto. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 09 CAPÍTULO I – TEORIA PSICANALÍTICA DE FREUD 1.1 – INICIAÇÃO TEÓRICA 11 1.2 – CONCEITOS PRINCIPAIS 13 1.2.1 – DETERMINISMO PSÍQUICO 13 1.2.2 – CONSCIENTE 13 1.2.3 – INCONSCIENTE 13 1.2.4 – PRÉ-CONSCIENTE 14 1.3 – INSTINTOS 14 1.4 – LIBIDO 15 1.5 – CATEXIA 15 1.6 – ESTRUTURA DA PERSONALIDADE FREUDIANA 15 1.6.1 – ID 16 1.6.2 – EGO 16 1.6.3 – SUPEREGO 17 1.6.4 – RELAÇÕES ENTRE OS TRÊS COMPONENTES 17 CAPÍTULO II – FASES PRÉ-GENITAIS E O ÉDIPO 2.1 – ORAL 19 2.2 – ANAL 20 2.3 – FÁLICA 21 2.4 – O MITO DE ÉDIPO 23 2.5 – O COMPLEXO DE ÉDIPO 23 2.6 – LATÊNCIA 25 CAPÍTULO III – SEXUALIDADE 3.1 – SEXUALIDADE NA VISÃO DE OUTROS TEÓRICOS 26 3.2 – SEXUALIDADE NA VISÃO DE FREUD 31 CONCLUSÃO 37 BIBLIOGRAFIA 39 9 INTRODUÇÃO A fundamentação desta monografia é sobre o desenvolvimento da teórica Psicanalítica de Sigmund Freud (1856-1939) da “Sexualidade Infantil”, dando relevância aos seus insights (intuições) tendo como base seus estudos que acabou por criar a psicanálise. radicalmente diferente da Sua teoria foi bem mais ampliada e concepção naturalista predominante na contemporaneidade, em que a normalidade sexual é definida pela sexualidade adulta e a consumação do ato sexual referida apenas como finalidade reprodutiva. À necessidade sexual deu o nome de libido, constituindo com isso a estrutura da personalidade freudiana, que considera ser a força motriz da vida sexual e que a excitação sexual origina-se em todos os órgãos e não somente naqueles denominados sexuais, entendendo com isso que a sexualidade surgiria desde os primórdios da constituição do psiquismo e seria radicalmente diferente da então aceita noção de instinto sexual, a concepção clássica, como modelo de um comportamento que se caracterizava por sua finalidade fixa e pré-formatada, como objeto e objetivo determinados, pois o homem busca prazer e satisfação por meio de diversas modalidades, baseado em sua história individual e ultrapassando as necessidades fisiológicas fundamentais. Freud afirmou que a sexualidade da criança, que é um ser em desenvolvimento, só pode manifestar-se, num determinado nível de seu desenvolvimento, por meio das estruturas de seu corpo, nas fases iniciais do seu crescimento, causando o maior fervor na sociedade mundial, entretanto sem sabermos até o momento se contribuiu com a ciência e especificamente com a psicologia sobre o desenvolvimento infantil. Desta forma este trabalho monográfico foi divido em três capítulos. No primeiro, procuramos abordar de uma forma geral a teoria psicanalítica de Freud, seus conceitos e determinismo, incluindo a teórica do que Freud constituiu como consciente, inconsciente e pré-consciente, além de elucidar diversos outros fatores mentais e apresentando a estrutura da personalidade (id, ego e superego). No segundo capítulo objetivamos apresentar as fases pré-genitais, onde Freud desenvolveu um trabalho da sexualidade infantil por fases etárias de desenvolvimento da criança e a constituição do Complexo de Édipo através do Mito de Édipo que já 10 existe há mais de 8.000 anos. E, para completar, no terceiro iremos descrever o que os diversos teóricos que pesquisaram e publicaram temas sobre a sexualidade, onde poderemos verificar as diversas opiniões daqueles que não concordam com a sexualidade infantil, concordam em parte, apóiam a psicanálise e também os que acabam por não apresentar um estudo bem definido se realmente existe a possibilidade da sexualidade iniciar-se logo após o nascimento. 11 CAPÍTULO I TEORIA PSICANALÍTICA DE FREUD Neste capítulo, estaremos apresentando como surgiu a teoria psicanalítica desenvolvida por Freud e como ele chegou à descoberta que a sexualidade, que não é somente um ato ligado ao sexo com a finalidade de reprodução, mas surge desde o nascimento de um ser humano. 1.1 – Iniciação Teórica Sigmund Freud (1856-1939) se formou em medicina em Viena e especializou-se em neurologia, interessando-se no psiquismo, em virtude de sua análise de que havia processos misteriosos no interior do sujeito, que considerou como regiões obscuras (as fantasias, sonhos, esquecimentos) 1. Seu modo de pensar assemelhou-se a Karl Mark na busca da compreensão dos processos históricos e sociais. Através da psicanálise, Freud acabou por descobrir que o sujeito tem um mundo inconsciente, uma fase não conhecida e que determinam nosso comportamento. Dessa forma de conhecer esse mundo interno desconhecido e descobrir o que ocorria com as pessoas histéricas desde que esta sinaliza, por estrutura, a condição essencial do desejo humano, que KATS2 afirmou que conforme Lacan é o desejo do outro. Em suas investigações das histéricas resolveu utilizar o processo de hipnose como forma de tratamento da histeria, na busca do mistério que cerceava o ser humano em alguma coisa considerada até então desconhecida. Entretanto através de suas pesquisas acabou por descobrir que a metodologia de deixar o paciente falar aleatoriamente, considerou esse novo método da “associação livre”, e com isso pode constatar que essa nova 1 BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi Teixeira. Psicologias – Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13ª Edição. Editora Saraiva. São Paulo, 1999, p.70 2 KATZ, Chaim Samuel. A Histeria, o Caso Dora: Freud, Melanie Klein, Jacques Lacan. Editora Imago. Rio de Janeiro: 1992, p.173 12 metodologia apresentou maiores resultados se desligando do processo de hipnose. Freud, então, acabou por substituir a técnica da hipnose pelo método da associação livre, inventando o termo psicanálise, tendo dois significados: “1) um método específico de tratar as perturbações nervosas e (2) a ciência dos processos mentais inconscientes, que também é apropriadamente descrita como ‘psicologia profunda’”3. Ainda no desdobramento de sua nova teórica, acabou por deslumbrar que através da conversa, associação livre, descobriu que também através dos sonhos se é possível constituir material necessário para o analista possibilitar ao paciente se autoconhecer e desvendar o que de mal lhe sucedia. E, desta forma, para desvendar o real e compreender o sintoma individual ou social e suas determinações, é através da interpretação. Com isso, o analista passou a analisar a associação livre, os atos falhos (esquecimentos, substituições de palavras, etc.), o que lhe faz ter acesso ao inconsciente, buscando a história pessoal do sujeito. Para o analista, cada palavra dita durante a associação livre, através dos atos falhos, dos sonhos, cada palavra, cada símbolo, possui um significado particular, ao qual só é aprendido através de sua história que é única e singular. O processo do autoconhecimento proporciona e facilita ao sujeito lidar com o seu sofrimento, a criar mecanismos de superação das dificuldades enfrentadas, a enfrentar seus conflitos, caminhando a uma produção mais criativa, autônoma e gratificante. Com isso, a psicanálise toma força como forma de análise para o processo terapêutico. O principal campo de atuação são as neuroses mais brandas (histeria, estados obsessivos, fobias, na malformação do caráter e até inibições ou anormalidade sexuais, e até os estados depressivos graves), provocando melhorias e até recuperação para o sujeito. Da mesma forma 3 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Capítulo XX. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.254. 13 sobre casos mais graves como a demência precoce e a paranóia, entendiam que o processo era duvidoso. A conclusão de um trabalho terapêutico pela psicanálise é fazer com que as questões inconscientes se transportem para a consciência do paciente, superando as resistências internas da mente do sujeito. Pela ousadia, extensão, pressuposição, provocou, através de sua época, grande transformação na vida de toda geração. Com isso, o processo analítico tornou-se mais complicado, considerando que toda essa mudança alterou o pensamento e a imaginação, dificultando decifrar nas ideias dos sujeitos uma resposta mais imediatista e com fundamentos. E, desta forma, Freud necessitou estruturar cada parte de sua teoria. 1.2 – Conceitos Principais4 1.2.1 – Determinismo Psíquico Para Freud não existe uma descontinuidade na vida mental do sujeito. Sempre vai existir um evento para cada memória revivida, para os pensamentos, ação ou sentimentos; nada intercorre sem motivo e muito menos os processos mentais. Os eventos mentais sempre são proporcionados pela vontade do consciente ou inconsciente e originado pelas realidades que precederam. 1.2.2 – Consciente Refere-se às experiências que o sujeito percebe, incluindo lembranças e ações intencionais. A consciência funcional de modo realista, de acordo com as regras do tempo e do espaço. Freud percebeu a consciência como nossa e identificamo-nos com ela. Existe uma parte de material que não está consciente num determinado momento e pode ser facilmente trazida para a consciência através da pré-consciência. 1.2.3 – Inconsciente Quando os sentimentos e pensamentos não estão relacionados com os que os precedem, as conexões estão no inconsciente. Existe material e 4 SIGMUND, Freud. Máfia do Divã - O Mestre. Disponível http://mafiadodiva.tripod.com/SFREUD.html. Acesso em 20.01.2013 em 14 elementos instintivos que foi censurado e reprimido e com isso excluído da consciência e que não estão acessíveis a ela; não é perdido ou esquecido, mas não é possível ser lembrado. Quanto o material inconsciente é descoberto, a descontinuidade estará resolvida, entretanto quando memórias muito antigas são liberadas à consciência, não perdem sua força emocional. 1.2.4 – Pré-Consciente Apesar de ser uma matéria do inconsciente, pode tornar-se consciente facilmente. Esta porção da memória que retornou, na verdade foi para o préconsciente, e suas lembranças permitem que a consciência desempenhe suas funções. 1.3 – Instintos São pressões que dirigem um organismo para determinados fins particulares. Tais instintos são a suprema causa de toda atividade. Freud reconhecia os aspectos físicos dos instintos como necessidades, enquanto denominava seus aspectos mentais de desejos. Os instintos são as forças propulsoras que incitam as pessoas à ação. Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma pressão e um objeto. A fonte é quando emerge uma necessidade, podendo ser uma parte ou todo corpo. A finalidade é reduzir essa necessidade até que nenhuma ação seja mais necessária, é dar ao organismo a satisfação que ele deseja no momento. A pressão é a quantidade de energia ou força que é usada para satisfazer o instinto e é determinada pela intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto é qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade original. SCHULTZ, Duane e Sydney5, afirmaram que se inicia a confirmação de que a sexualidade não somente está atrelada ao ato sexual, mas também a demais prazeres que as pessoas podem ter. Disseram que Freud não tentou delimitar os instintos à sua quantidade, mas agrupou-os em dois: instintos de 5 SCHULTZ, Duane P. SCHULTZ, Sydeni Ellen. História da Psicologia Moderna. 14ª Edição. Editora Cultrix. São Paulo:2001, p.343. 15 vida (sede, fome e sexo, como sobrevivência da espécie) e o instinto de morte (como uma força destrutiva). 1.4 – Libido A libido é um impulso vital para a autopreservação da espécie humana, É compreendido como a energia sexual no sentido estrito, como o fenômeno do "impulso" do desejo e do prazer. Essa visão é mais geralista de que o impulso de autopreservação tem origem libidinosa, e confronta a libido com o instinto de morte, que pode conduzir o sujeito a transtornos mentais. 1.5 – Catexia É o processo pelo qual a energia libidinal disponível na psique é vinculada ou investida na representação mental de uma pessoa, idéia ou coisa. A libido que foi catexizada perde sua mobilidade original e não pode mais mover-se em direção a novos objetos. Está enraizada em qualquer parte da psique que a atraiu e segurou. A teoria psicanalítica se interessa em compreender onde a libido foi catexizada inadequadamente. Uma vez liberada ou redirecionada, esta mesma energia ficará disponível para satisfazer outras necessidades habituais. 1.6 – Estrutura da Personalidade Freudiana Freud inicia seu pensamento teórico assumindo que não há nenhuma descontinuidade na vida mental. Ele afirmou que nada ocorre por acaso e muitos menos os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez que alguns eventos mentais "parecem" ocorrer para cada memória revivida, sentimento ou ação. Cada evento mental é causado pela intenção consciente ou inconsciente e é determinado pelos fatos que o precederam. Uma vez que alguns eventos mentais "parecem" ocorrer espontaneamente, Freud começou a procurar a descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro. Ainda conforme os Schultz, Freud distinguiu o psiquismo em o consciente e o inconsciente. Onde o consciente é pequeno e insignificante, que representa somente um aspecto superficial da personalidade total. Já o 16 inconsciente é vasto e poderoso, onde os instintos são a válvula propulsora de todo o comportamento humano. Também determinou a existência de um préconsciente, que é o material que não foi reprimido, inserido no inconsciente, e pode ser trazido com facilidade para a consciência6. Elucidando esta estrutura, Freud ordenou-a em três elementos básicos: o Id, Ego e o Superego: 1.6.1 – Id O id é a parte mais primitiva e menos acessível da personalidade. As poderosas forças dele incluem os instintos sexuais e agressivos. Ele busca satisfação imediata, sem levar em conta as circunstâncias da realidade objetiva; assim age de acordo com o que Freud denominou princípio do prazer, que tem relação com a redução da tensão por meio da busca do prazer e da evitação da dor. É a fonte da energia psíquica (libido). Formada pelas pulsões - instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Funciona segundo o princípio do prazer, ou seja, busca sempre o que produz prazer e evita o que é aversivo. O id não faz planos, não espera, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade, e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de atingir o objetivo através de uma ação concreta. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego, irracional, antissocial, egoísta e dirigido ao prazer. 1.6.2 – Ego O Ego é considerado o “EU”. Para satisfazer as nossas necessidades temos de interagir com o mundo real, para mantermos um nível de tensão confortável. Quem tem fome, deve procurar comida a fim de descarregar a tensão induzida pela fome. Uma ligação apropriada entre as exigências do inconsciente e as circunstâncias da realidade tem, portanto, de ser estabelecida. O ego, que serve de mediador entre o inconsciente e o mundo exterior, facilita essa interação. O ego representa aquilo que designamos por 6 SCHULTZ, Duane P. SCHULTZ, Sydeni Ellen. História da Psicologia Moderna. 14ª Edição. Editora Cultrix. São Paulo:2001, p.201. 17 razão ou racionalidade, em contraste com as paixões cegas e insistentes do inconsciente. O ego é cônscio da realidade, percebendo-a e manipulando-a, regulando o inconsciente com referência a ela. Ele opera de acordo com o que Freud denominou princípio da realidade. Desenvolve-se a partir do Inconsciente com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera no comportamento humano. A satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de conseqüências negativas. A principal função do Ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do Inconsciente e a realidade e, posteriormente, entre esses e as exigências do superego. O Ego não é completamente consciente, os mecanismos de defesa fazem parte de um nível inconsciente. 1.6.3 - Superego O superego é o terceiro componente da personalidade de Freud. Ele se desenvolve já no início da infância, quando são assimiladas as formas de conduta e as regras existentes na sociedade e em consideração às diferenças culturais. Ele é o defensor de um impulso rumo à perfeição. 1.6.4 Relações entre os Três Componentes É a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. Ele inibe (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso contrário às regras e ideias por ele ditados (consciência moral); força o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional); e conduz o indivíduo à perfeição - em gestos, pensamentos e palavras (ego ideal). Pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos. Resumindo a Estrutura da Personalidade Freudiana, podemos afirmar que o inconsciente é o que está reprimido, os desejos não realizados, que foi 18 suprimido da consciência. O ego somos “nós”, porém controlado pelo um superpai, o superego. Com isso, passamos por um conflito interminável em nosso interior da personalidade humana. O ego é pressionado pelo inconsciente, que está querendo liberar seus desejos reprimidos e controlados pelo superego que o pressiona por causa das regras e condutas culturais da sociedade. Em virtude dessa afirmativa, podemos concluir de uma forma mais clara a estrutura psíquica por Freud: O ego é o “eu”, o comportamento em si do sujeito; o inconsciente é o que foi recalcado, ou seja, aquelas idéias/desejos que de certa forma não foram realizadas e/ou esquecidas, se mantendo em uma parte da mente, mas que certa forma, sempre pretendendo voltar à consciência; já o superego é o que se considera como o “paizão”, que tenta controlar o que o ego, o sujeito com relação ao seu comportamento perante as regras da sociedade e ainda tentar impor ao ego uma resistência para que o material recalcado no inconsciente não perpasse para o consciente, infringindo normas sociais e/ou de contra-vontade do sujeito. 19 CAPÍTULO II FASES PRÉ-GENITAIS E O ÉDIPO Freud constituiu em sua teoria que as crianças passam por cinco fases (oral, anal, fálica, latência e genital), esta última se instala na puberdade, à qual não trataremos neste trabalho por ser além de nosso objetivo que é a fase infantil. É, também, na fase de latência que Freud instituiu o Complexo de Édipo. Da mesma forma, elucidou que essas fases é que dão as manifestações sexuais infantis, quando afirma: “Faz parte da opinião sobre a pulsão sexual que ela está ausente na infância e só desperta no período da vida designado da puberdade. Mas esse não é apenas um erro qualquer, e sim um equívoco de graves conseqüências, pois é o principal culpado de nossa ignorância de hoje sobre as condições básicas da vida sexual. Um estudo aprofundado das manifestações sexuais da infância provavelmente nos revelaria os traços essenciais da pulsão sexual, desvendaria sua evolução e nos permitira ver como se compõe a partir de diversas fontes” (FREUD: VII, p.163). 2.1 – Fase Oral (0 a 18 meses/2 anos): Essa fase pré-genital foi considerada como canibalesca por Freud, que afirmou que a atividade sexual ainda não se separou do ato de comer. O objeto de uma atividade é também o da outra, e o alvo sexual consiste na incorporação do objeto, A atividade sexual, desligada da atividade de alimentação, renunciou ao objeto alheio em troca de um objeto situado no próprio corpo. Para melhor entendimento, nesta fase, o prazer sexual, predominantemente está relacionada à excitação da cavidade oral e dos lábios, está associada à alimentação. Quanto à oralidade, durante os primeiros dezoito meses de vida, a pulsão caracteriza-se pela ingestão do alimento. A relação de objeto é organizada em torno da nutrição e colorida por fantasias que adquirem os significados de comer e ser comido (impulsos 20 canibalescos). Portanto, a ênfase recai sobre uma zona erógena (oral) e uma modalidade de relação (incorporação). A incorporação adquire o significado de destruição do objeto devido à ambivalência instintual, ou seja, a coexistência de libido e agressividade, em relação ao mesmo objeto. Mastigar, morder e cuspir são expressões dessa necessidade agressiva inicial, a qual mais tarde pode desempenhar papel relevante nas depressões, adições e perversões. 2.2 – Fase Anal (1 a 3/4 anos): A fase oral é a atividade que é produzida pela pulsão de dominação através da musculatura do corpo, e como órgão do alvo sexual passivo o que se faz valer é, antes de mais nada, a mucosa erógena do intestino; mas há para essas duas aspirações opostas objetos que não coincidem. É a fase da organização sádico-anal. A divisão em opostos que perpassa a vida sexual já se constitui, mas eles ainda não podem ser chamados de masculino e feminino, e sim ativo e passivo. Ao lado disso, outras pulsões parciais atuam de maneira auto erótica. Nessa fase a atenção da criança dirige-se da zona oral para a zona anal. Acompanhando a maturidade fisiológica para controlar os esfíncteres. Essa mudança proporciona outros meios de gratificação libidinal (erotismo anal) bem como de expressão da agressividade emergente (sadismo anal). A musculatura é a fonte do sadismo e a membrana da mucosa anal, a fonte da pulsão erótica de natureza anal. A pulsão sádica, cujo objetivo contraditório é destruir o objeto e também, ao dominá-lo, preservá-lo, coincide com a atividade, enquanto que a pulsão erótica-anal relaciona-se com a passividade. A interação entre esses dois componentes instintuais é o alvo bipolar do sadismo correspondente ao funcionamento bifásico (expulsão/retenção) do esfíncter anal e seu respectivo controle. Corso & Corso afirmaram que para um bebê, seu cocô tem valor, ele o guarda consigo tanto quanto puder e às vezes o retém como um tesouro, 21 experimenta o prazer de sua expulsão e o contempla como parte desprendida de si7. Não é sem um emotivo adeus que ele suporta suas fezes serem despejadas e desaparecerem na água da privada. Por isso, admitiram que Freud estabelecesse certa ambivalência na fantasia infantil entre pênis-fezesbebê. Pênis é uma parte do corpo com que uns nascem dotados e outros não, metade das pessoas têm e as outras não. Por isso é um elemento que representa bem a alternância da presença e da ausência; fezes é esse tesouro que todos fabricamos e perdemos. Já os bebês são também um conteúdo valioso do ventre da mãe que, por sorte, ninguém joga na privada, mas que sempre acaba saindo. 2.3 – Fase Fálica (3/4 a 5/6): Freud8 afirmou que a escolha objetal, característica da fase de desenvolvimento da puberdade, é quando se pretende alcançar seus objetivos, quando a criança apresenta um conjunto da absorção sexual, e com isso completa-se o quadro da vida sexual infantil. Ainda sobre esta questão, em nota de rodapé Freud acrescentou: “posteriormente (1923), eu mesmo modifiquei essa exposição, intercalando, depois das duas organizações pré-genitais, uma terceira fase no desenvolvimento infantil; esta, que já merece o nome de genital, exibe um objeto sexual e certo grau de convergência das aspirações sexuais para esse objeto, mas se diferencia num aspecto essencial da organização definitiva da maturidade sexual. E que conhece apenas um tipo de genitália: a masculina. Por isso denominei-a de estágio fálico da organização” (Id.,: VII, p.188). “Segundo Abraham [1924] 9, seu protótipo biológico é a disposição genital indiferenciada do embrião, idêntica para ambos os sexos”. Este estado fálico da organização de Freud consubstanciou como pulsões parciais da 7 CORSO, Diana Lichtenstein; CORSO, Mário. Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006, p.99 8 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Volume VII. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.188. 9 Desenvolvimento Psicossexual. Disponível em >HTTP://Wikipédia.org/wiki/desenvolvimento_psicossexual>. Acesso em 11 de janeiro de 2013. 22 excelência dos órgãos genitais, uma composição da sexualidade sucedida pela fase genital. Nesta fase as crianças ainda não têm conhecimento das diferenças genitais, onde se acredita que as meninas foram castradas e os meninos possuem o medo de virem a ser, o que Freud denominou como Complexo de Castração. As meninas passam a ter inveja dos meninos por possuírem o pênis e que o seu fora castrado. Apesar de que existe uma idealização de que as meninas têm a intuição da cavidade vaginal e defensiva com relação às suas ansiedades. Nesta fase também é que Freud desenvolveu sua teoria do Complexo de Édipo, ainda focado na situação da possível castração das meninas e o medo dos meninos, onde acaba por ser construído o que se foi denominado a tríade do filho-pai-mãe, onde o menino constata que o pai também possui o pênis e a menina vê sua mãe também como castrada. Dessa forma, o menino entende o pai como inimigo, com medo de que lhe venha castrá-lo, com ciúmes da mãe, e a menina passa a preferir o pai, por ter o pênis. A próxima fase é o período de latência, entretanto ela se desenvolve após o reconhecimento e a maturação da separação das crianças do período da castração e da tríade filho-pai-mãe, para isso é necessário que seja tratado dois itens que constituem a teórica de Freud: O Mito de Édipo (item 2.4) e o Complexo de Édipo (2.5). 2.4 – O Mito de Édipo Este Mito surgiu através de uma peça de teatro grega, escrita por Sófocles por volta de 400 a.C., entretanto foi baseada na história da família de Édipo com mais de 8000 anos. Laios e Jocasta, Reis de Tebas, ao não conseguirem ter um filho e por terem o costume de consultar o oráculo de Delfos, lhes foi informado que o teriam sim, mas que Laios seria morto pelo próprio filho. Desta forma, Laios orientou que seus servos eliminassem a criança. Porém, desta forma não foi integralmente realizada e o que fizeram foi amarrálo numa árvore e perfurando seus pés, com a finalidade de que os animais por causa do sangue iriam devorá-los. 23 Entretanto, uns pastores do reino de Corinto, o localizá-lo, e levaram para o rei Pólipo, que também não conseguia ter filhos. Os reis o adotaram e deram-lhe o nome de Édipo, que significava, “pés furados”. Por considerar-se diferente de outros meninos da região, sem entender o motivo do porque, também foi procurar o mesmo oráculo; foi quando descobriu que ele estaria disposto a matar seu pai e casar-se com sua mãe10. Édipo desesperado resolve retornar a Tebas para evitar que o oráculo o havia lhe dito, matar seu pai. Entretanto na estrada, acaba por acontecer um acidente e numa briga matou um homem. Quando chega a cidade, deparou-se com uma esfinge que propunha um enigma à população e quem não soubesse responder, eram mortos. Ele, por conseguinte, consegue resolver o dito enigma e é considerado como um herói, a esfinge se mata e a cidade fica livre da maldição. Com isso fica sabendo que a rainha, então viúva, havia prometido sua mão àquele que salvasse a cidade, o qual passou a ocupar o lugar de rei ao lado de Jocasta. Com o surgimento de uma nova peste na cidade, os sacerdotes afirmaram que o motivo era que Tebas estava acolhendo o assassino do antigo rei. Imediatamente, Édipo foi procurar o oráculo Delfos o qual lhe contou que ele havia matado seu pai e se casado com sua mãe e lhe orientou que fosse para um lugar distante que existia um lago. Após chegar ao seu destino, perfurou seus olhos e penetrou em uma caverna, de onde não se teve mais notícias sua11. 2.5 – O Complexo de Édipo Já no século XIX, Freud, já considerando a tríade pai-mãe-filho, do desejo incestuoso do menino pela mãe e da menina pelo pai, onde o menino passou a adorar a mãe e odiando o pai, e da mesma forma, a menina a venerar o pai, e ter aversão à mãe, relacionou esta teoria ao Mito de Édipo. 10 HORTA, Maurício; BOTELHO, José Francisco; NOGUEIRA, Salvador. Mitologia – Deuses · Heróis · Lendas. Editora Abril. São Paulo, 2012, pp.273,274. 11 HORTA, Maurício; BOTELHO, José Francisco; NOGUEIRA, Salvador. Mitologia – Deuses · Heróis · Lendas. Editora Abril. São Paulo, 2012, p.273. 24 Desta forma, foi constituída a teoria do Complexo de Édipo com relação aos meninos e do Complexo de Electra para as meninas, teorizando desta forma o desenvolvimento sexual infantil. Entretanto, ele considerou que esta fase edipiana geralmente se resolve no momento da transição da fase fálica para a de latência e afirma: “Segundo Freud, a resolução do Complexo de Édipo é responsável pela inserção da criança na realidade, pela quebra das relações simbióticas, através do reconhecimento das interdições, ou seja, pelo reconhecimento do pai na relação. Esta figura paterna, inicialmente percebida como mero obstáculo à realização dos desejos, é aos poucos introjetada” (Id., 2012). A inserção da posição da mãe com relação ao pai derivou da figura paterna, além de outros fatores. Com isso, ele considerou que o Complexo de Édipo é estruturante da personalidade, e que o obstáculo em superar esse momento, sabendo identificar a figura paterna, é possível que seja a causa de muitos comportamentos de dependência e imaturidade dos adultos. O Complexo de Édipo12 na evolução por Freud caminhou principalmente no sentido da fantasia, decidindo abandonar a teoria do trauma que colocava no plano do real a origem da neurose. Freud acreditou que a neurose adulta, baseada nos casos clínicos, era conseqüência de um trauma sexual baseado na fase infantil, regressando na puberdade; atribuiu grande valor ao conflito psíquico e admitiu que na ambivalência de sentimentos das crianças na relação com seus pais. A questão é que Édipo matou o pai, casou-se com a mãe, sendo inconsciente para ele. A psicanálise é uma relação transferencial do analista com o analisando, quando a verdade do desejo pode ocorrer. A matéria-prima da verdade do analisando é um passado arcaico, perdido em seu inconsciente. É quando a relação analítica é transformadora dessa matéria-prima na verdade do desejo. Não ocorrendo essa relação psicanalítica, o desejo 12 FERRARI, Juliana Spinelli. Colaboradora Brasil Escola. O Complexo de Édipo e o Desenvolvimento Sexual Infantil. Disponível em http://www.brasilescola.com/psicologia/complexo-edipo.htm. Acesso em 05 de dezembro de 2012. 25 permanecerá inconsciente e desconhecido, como a possibilidade de matar seu próprio pai e o incesto eram desconhecidos para Édipo13. 2.6 – Latência (5/6 a 11/12 anos): O período de latência é quando a criança começa a se preparar para a escolha do objeto, pois até então estavam atreladas a um cuidado especial de seus cuidadores que lhe nutriam, acariciavam, na verdade eram amparadas por todos os cuidados. Também, ao mesmo tempo passa a gostar de outras pessoas, ajudando-as a se separar dos momentos cruciais da fase anterior. É esta fase que ajuda a criança a restaurar sua confiança, quando da aprendizagem da escolha do objeto, geralmente conseguindo se desvencilhar e recompor a felicidade que ora se achava perdida, nas divergências que existiam com relação aos seus pais em virtude de um objeto sexualmente legítimo. Este período infantil, mesmo sem ocorrer a compreensão do menino em parar de odiar o pai e a menina em entender a posição com relação à mãe, ou seja, a questão da castração é eliminada, ainda podem acontecer fatores penosos, como a ausência da satisfação até então esperada com relação aos pais, o que para Freud é não haver concretizado com sucesso o Complexo de Édipo. A sexualidade que existia desde o nascimento, não que dizer que nesta fase ela será abolida, pelo contrário, o desejo de conhecer novos objetos, apesar de não fazê-los desenvolver uma nova organização sexual, manterá como poderíamos afirmar que conforme a própria denominação desta fase é o período que vai do declínio da sexualidade infantil (no fim do Complexo de Édipo) até ao início da puberdade, caracterizando com isso, uma interrupção na evolução sexual. 13 GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Introdução à Metapsicologia Freudiana 2. Volume 2: A Interpretação do Sonho. 6ª.Edição. Editor Jorge Zahar. Rio de Janeiro: 2002, p.13-14 26 CAPÍTULO III SEXUALIDADE 3.1 – Sexualidade na Visão de Outros Teóricos A sexualidade de um sujeito são preferências, predisposições ou experiências sexuais, na experimentação e descoberta da sua identidade e atividade sexual, num determinado período da sua existência. Além dos fatores biológicos (anatômicos, fisiológicos, etc.), a sexualidade de um sujeito pode ser fortemente afetada pelo ambiente externo (sócio-cultural e religioso) em que este se insere. Bock, Furtado e Teixeira (2001), informam que: “Muitas áreas, além da Psicologia, tratam da sexualidade humana: a Biologia e a Medicina dão conta dos seus aspectos anatômicos e fisiológicos; a Antropologia estuda sua evolução cultural; e a Sociologia e a História mostram-nos a gênese da repressão do comportamento sexual. Hoje também encontramos uma área específica de estudos da sexualidade, que procura englobar diferentes áreas do conhecimento, conhecida como Sexologia” (p.231). A questão da sexualidade para a psicanálise de ser tudo o que existe, a não relação sexual é justamente o que possibilita que se realize nessa falha. Essa falha é para Lacan a única forma de realização dessa relação. Por isso, dizer que tudo se logra, não impede dizer não-todo se logra; porque é da mesma índole, se refere ao todo: isso falha. Então, não se trata de analisar como se logra, senão de repetir até o cansaço por que falha nos adverte14. “Falha” é tão lógico para Lacan que nos indica encontrar no discurso analítico, o que tem a ver com o objeto. O falhar é o objeto, enquanto sua essência é falhar. (...) O gozo falha da mesma forma que o objeto. O gozo é reprimido porque não convém que seja dito, e isso justamente porque dizê-lo não pode ser mais que isto: como gozo não convém. 14 DELFINO, Ricardo. Lacan - A Sexualidade Hoje. Trabalho apresentado durante as Jornadas da Escola da Causa Analítica/2005. Disponível em <http://www.escutaanalitica.com.br/sexualidade2.htm>. Acesso em: 05 de julho de 2012. 27 Para Lacan, expressar de outra forma: para que haja uma via de acesso ao desejo, é necessário o impossível: o real para o sujeito, ou seja, para o discurso da psicanálise. Isto quer dizer que não há para o sujeito possibilidade alguma de possuir a teoria da relação entre os sexos; esta sempre falta: é um buraco no pensamento, é a fenda sempre aberta no saber, é a castração. A teórica freudiana concebeu na sexualidade do sujeito a característica de uma eleição sexual que às vezes valoriza a anatomia e outras a rejeita. Freud identificou na linguagem o caminho que se abre à sexuação. Ali não há ideal que permita definir a vida sexual à qual deveria alguém ajustar-se e é por isso que as normas não deixam de ter resultados perversos. O desejo não é abstrato, ele é repartido pelo sujeito pelo próprio gozo sexual. Desta forma, que devemos tratá-lo pela psicanálise de maneira casta, entendendo que ele é sexuado. O sexo, sendo por ele mesmo um instrumento de gozo, não poderia deixar de considerá-lo pelos significantes, senão acreditaríamos num sujeito apelas pela linguagem. Com isso, o rechaço do coração através de nossa experiência, iria nos proporcionar a reduzir o embate do encontro com a linguagem de uma lingüística. Hoje, já temos leis que aceitam uma identidade sexual diferentemente do sexo biológico. A escolha sexual já é uma questão existente nas mudanças legislativas de diversos países, dispondo da liberdade sexual de cada sujeito. Pinto15 relata como a sociedade vê com singularidade o sentido de uma criança, entretanto é esperado que ele significasse algo em tudo que comece a fazer; desta forma não ocorrendo, vemo-nos diante do eminente fracasso da constituição subjetiva. Passados mais de um século da teórica de Freud sobre o inconsciente e sobre a sexualidade, se ainda persiste, é naturalmente porque conduz uma realidade. Zornig retorna ao tema da dificuldade da sociedade aceitar a teoria Freudiana, afirmando que por ter chocado a sociedade vienense há mais de um século e trazer à tona a criança dotada de afetos, desejos e conflitos, ainda 15 PINTO, Graziela Costa. Editora da Revista Mente e Cérebro. A Mente do Bebê – O Fascinante Processo de Formação do Cérebro e da Personalidade. Editorial. São Paulo: Duetto, 2006, Editorial. 28 hoje não é fácil aceitar a sexualidade infantil proposta pelo fundador da psicanálise16. A busca do prazer sexual e a masturbação infantil e ainda a impossibilidade do ato sexual eram consideradas como atitudes perversas ou sinais de perda das qualidades naturais de sua raça. A sexualidade freudiana é radicalmente adversa da natureza que predominava quando de sua descoberta, quando o sexo deveria ser efetuado por adulto e mais ainda, com a finalidade explicitamente para reprodução. Freud propôs a idéia de uma sexualidade que surgiria desde os primórdios da constituição do psiquismo e seria radicalmente diferente da então aceita noção de instinto sexual17. As fantasias sexuais da criança enquanto dirigidas a um objeto ou outra pessoa, a satisfação sexual é perseguida em determinadas áreas corporais privilegiadas em determinado momento do desenvolvimento. Desta forma, a sexualidade infantil é auto-erótica, sendo seu corpo como única forma de se obter gratificação em circunstâncias normais18. A sexualidade pode ser observada quando uma criança ao acabar de mamar, dorme, demonstrando um sorriso de gratificação, sua imagem é de tranqüilidade e satisfação de um padrão na sobrevivência posterior19. Freud não reduz a satisfação da alimentação como forma de prazer, mas se sustenta como apoio na conservação da vida, pois através deste ato, busca uma satisfação que excede tal função instintiva20. Os contos infantis a partir do século XIX se modificaram, deixando de ser um depositário de significações inconscientes para uma compreensão dos escritos pedagógicos a partir do ideal de construção de um projeto iluminista de educação, conhecimento moral e liberdade. 16 ZORNIG, Silvia Abu-Jamra. Artigo: Pelo Viés do Corpo. Revista Mente e Cérebro. A Mente do Bebê – O Fascinante Processo de Formação do Cérebro e da Personalidade. São Paulo: Duetto, 2006, p.45. 17 Ibid pp.45-46 18 Ibid p.46 19 Ibid p.47 20 Ibid 29 A capacidade de sobrevivência dos melhores contos de fadas consiste no poder de simbolizar e resolver os conflitos psíquicos inconscientes que ainda dizem respeito às crianças de hoje21. Podemos ilustrar essa interpretação psicanalítica quando faz uma alusão dos contos de fadas ao Complexo de Édipo, teoria constituída por Sigmund Freud, de que para a criança pequena, a mãe é a própria imagem da perfeição e não é por nenhuma outra questão que têm dificuldades de largarem o “trono”22. Elucidam ainda, que os caminhos tomam outros sentidos. Como podemos verificar, demonstram que a verdadeira cuidadora das crianças é que possuem o verdadeiro amor da mãe, mas no desenvolvimento da criança esta idéia toma novos rumos, em que o menino procurará substituir seu primeiro amor (a mãe) por outra, porque a primeira já possui um dono. Da mesma forma agem as meninas23. Assim, a teoria psicanalítica começa a tomar rumo na história da evolução das crianças, onde sua nova escolha passará a ser seu novo objeto de amor, já que o afeto somente será transferido da mãe para a nova esposa24. Acabam por apresentar onde Freud utilizou-se do Mito de Édipo para construção de sua teórica sobre a sexualidade infantil, onde o menino utilizará das características de seu pai para encantar sua esposa. Já a menina passará a se identificar com sua mãe, mas perderá a modalidade de amor da mãe, ao ser apoderado por outro homem, que não tem as características de seu pai. E, concluem quando a passagem do Complexo de Édipo se dá como “bem elaborada” pela criança e prosseguem seu desenvolvimento sem complicações psicológicas em seu desenvolvimento25. 21 CORSO, Diana Lichtenstein; CORSO, Mário. Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006, p.16. 22 Ibid 98 23 Ibid 98 24 Ibid 25 CORSO, Diana Lichtenstein; CORSO, Mário. Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006, p.98. 25 LINS, Regina Navarro. Coluna ACAMANAVARANDA – Escola de Princesas. Revista JÁ É Domingo – Jornal O Dia. Ano 2 - nº 67. Publicada em 13 de janeiro de 2013, p.26. 30 Para concluirmos este tópico da Sexualidade na Visão Geral, trazemos uma síntese escrita pela psicanalista Lins26, intitulada Escola de Princesas, quando foi criada uma escola de princesas para meninas de ainda dez anos de idade. Onde passaram a aprender a se comportar, vestir, etc., como se mulheres já fossem. Além do comportamento de “mulher adulta” aprendem como se ajustar às necessidades masculinas e procurarem se alinhar para atrair aqueles que lhe agradarem. As mães participam das aulas e “vibram” pelo aprendizado que suas filhas estão obtendo. Lins critica a atuação desse treinamento e cita que os famosos contos infantis demonstram que suas mensagens principais não é a impotência das mulheres. É através dessas histórias infantis que desenvolvem fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas capacidades e talentos. Conclui questionando se não seria mais fácil constituir um curso para que essas “possíveis” princesas possam desenvolver suas próprias potencialidades. A mulher na contemporaneidade não mais é submissa como era no passado e este tipo de curso deveria ensinar que hoje tem que haver uma troca afetiva e emocional em nível de igualdade. 3.2 – Sexualidade na Visão de Freud Podemos elucidar através de escritos de Freud, como se desenvolveu sua teórica da sexualidade infantil: “Contudo, embora tantos elementos da teoria de Freud sobre a sexualidade já estivessem em sua mente por volta de 1896, sua pedra angular ainda estava por ser descoberta. Desde os primórdios tinha havido uma suspeita de que os fatores causais da histeria remontavam à infância; há uma alusão a esse fato nos parágrafos iniciais da “Comunicação Preliminar” de Breuer e Freud, de 1893. Por volta de 1895 (...) Freud dispunha de uma explicação completa de histeria, com base nos efeitos traumáticos da sedução sexual na primeira infância. Durante todos esses anos anteriores a 1897, porém, a sexualidade infantil era encarada como nada além de um fator latente, passível de vir à luz, com resultados desastrosos, somente pela intervenção de um adulto” (FREUD:VII, p.122). 26 LINS, Regina Navarro. Coluna ACAMANAVARANDA – Escola de Princesas. Revista JÁ É Domingo – Jornal O Dia. Ano 2 - nº 67. Publicada em 13 de janeiro de 2013, p.26. 31 Freud considerava um contraste entre a histeria (remontava a experiências sexuais passivas na infância) e a neurose obsessiva (origem em experiências ativas)27. Entretanto entendia que as experiências ativas subjacentes à neurose obsessiva eram procedidas pelas passivas. Demonstrando mais uma vez que a mobilização da sexualidade infantil era devido à interferência externa. Mais tarde anunciou que sua descoberta, abandonava a teoria da sedução, quase que simultânea do Complexo de Édipo, reconhecendo, com isso, que as moções sexuais aconteciam em crianças de mais idade, sem a intervenção da estimulação externa. Anos após, declarou que “a sexualidade na etiologia das neuroses” ora era a favor ou contra. Onde afirmou que é errôneo que a vida sexual das crianças só começasse na puberdade, já que elas são capazes de todas as funções sexuais psíquicas e de muitas das somáticas. Com isso, o fez declarar que as forças motoras sexuais dos seres humanos devem ser armazenadas e liberadas na puberdade, já que a organização e a evolução do ser humano busca estar em qualquer atividade sexual na infância, e que com isso as experiências sexuais nas crianças estão fadadas a serem patogênicas. O importante, é que são os efeitos produzidos nas experiências da maturidade, em virtude do desenvolvimento do aparelho sexual somático e psíquico ocorrido anteriormente. Comentou que o que existe em alta conta é a felicidade da infância, por ser ainda inocente de desejos sexuais. Entretanto, em nota corretiva escreveu que de maneira perfeitamente inequívoca, sobre a existência de desejos sexuais mesmo nas crianças consideradas normais. 27 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 2006. Disponível em <http://soebooks.blogspot.com.br/2007/03/sigmund-freud-obras-completas23.html>. Volume 7: Um caso de histeria. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade e outros trabalhos. Disponível em <tramontin.com02.googlepages.com/vol7Umcasodehisteria.Tresensaiossobreat eoriadasexualidadeeoutrostrabalhos.rtf>. Acesso em: 18 de fevereiro de 2013. 32 Relatou que algum tempo estava muito complicado em crer que os atos pervertidos contra as crianças fossem tão genéricos, pois constatava que na maioria dos casos, o pai era responsabilizado por eles. A importância desse entendimento foi que se conscientizou do papel desempenhado pelas fantasias nos eventos mentais, o que lhe dirigiu para a descoberta da sexualidade infantil e do Complexo de Édipo28. A hipótese da sexualidade infantil, efetuada ulteriormente, através das primeiras investigações experimentais pela análise, foi observado que as experiências tinham de ser remontados a algum fato do passado. Outros pesquisadores levam cada vez mais para o passado, achando que as questões do sujeito poderiam parar na puberdade, quando se atribuía o despertar dos impulsos sexuais. Entretanto, as pistas ainda conduziram para antes da puberdade, à infância e aos primeiros anos de vida das crianças, tendo que superar uma idéia errônea que poderia ser fatal para essa nova teoria – a sexualidade infantil. Através da continuidade da pesquisa, devido à origem traumática da histeria, ficaram inclinados a aceitar etiologicamente importantes as declarações dos pacientes, através da análise, que os sintomas e experiências sexuais passivas estavam ligados ao início da infância – a sedução. Os pesquisadores ficaram desnorteados já que através da análise, apesar de conduzir até aos traumas sexuais infantis, passaram a duvidar se eram verdadeiros, estando prontos a desistir do processo de estudos. Portanto, ficando perseverados, já que não tinham outras escolhas e recomeçar a pesquisa por outro caminho. Desta forma, refletiram que não tinham o direito de desesperar-se por não constatarem as suas próprias expectativas, entenderam, então que deviam fazer uma revisão de suas expectativas. 28 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 2006. Disponível em <http://soebooks.blogspot.com.br/2007/03/sigmund-freud-obras-completas23.html>. Volume 14: A história do movimento psicanalítico, artigo sobre metapsicologia e outros trabalhos. Disponível em <tramontin.com02.googlepages.com/vol14Ahistoriadomovimentopsicanaliticoart igosobremetapsicologiaeoutrostrabalhos.rtf>. Acesso em: 19 de fevereiro de 2013. 33 Entenderam que se os pacientes histéricos, através da análise, demonstravam que seus sintomas e traumas eram fictícios, surgindo um novo fato de que eles criam as cenas e as fantasias, compreenderam que a realidade psíquica deveria considerar a realidade prática. Através dessas reflexões, descobriram que as fantasias destinavam-se a encobrir a atividade auto-erótica do início da infância, embelezá-la e elevá-la a um patamar mais lato, conduzindo que através das fantasias, toda a gama da vida sexual da criança vinha à luz. Freud em suas declarações sobre a sexualidade infantil baseou-se basicamente na análise dos adultos que deixavam claro que seus traumas eram com relação ao passado, apesar de confirmar que não obtiveram oportunidades de analisar crianças. Em seguida, confirmou que após anos, através de observações seguidas e da análise de crianças muito pequenas, obteve uma grande vitória confirmando quase todas as suas deduções. Ao mesmo tempo afirmou de envergonhar-se de que sua vitória, que foi perdendo a sua magnitude, tendo em vista que ao continuarem as observações com as crianças, e o que mais se surpreendia era constatar que tivesse tanta preocupação em menosprezá-los. A observação da descoberta de Freud, através da análise, permite e explica o que há de modificável, foi onde lhe deu convicção da existência e da importância da sexualidade infantil, partindo dos sintomas e peculiaridades dos neuróticos, acompanhando-os até suas últimas fontes. Freud cita Jung, que julgou primeiramente que há uma concepção teórica da natureza do instinto sexual, procurando explicar a vida das crianças, que será uma escolha arbitrária ou que venha a depender de considerações irrelevantes, correndo o risco de se tornar inadequado ao que está sendo analisado. Questões embrionárias (problemas) nãos se devem ser descartadas pela especulação, mas procurar outras formas de observações, em virtude que a análise leva a certas dificuldades e obscuridades finais no que concerne ao tocante da sexualidade e da relação da totalidade da existência do indivíduo. 34 Quanto suas investigações sobre a compreensão dos sonhos, afirma que aconteceu como prenúncio na substituição da hipnose pela associação livre e que não saber se houve qualquer influência externa que relevasse a uma expectativa valiosa. No início de suas investigações sobre o simbolismo da interpretação dos sonhos, lhe foi quase a última coisa a lhe tornar acessível, já que os sonhos de suas associações pouco proporcionavam a compreender símbolos. Somente muito mais tarde que descobriu que a distorção dos sonhos é conseqüência de conflitos internos, como se fosse uma desonestidade interna. Por verificar a resistência dos psicólogos com relação ao processo da interpretação dos sonhos, lhe encaminhava praticar uma autoanálise, considerando seus próprios sonhos, que o levaram a ocasiões da sua própria infância e que continuou a considerar esse tipo de análise como suficiente para a pessoa que sonhe com freqüência e não seja muito anormal. Chegou à conclusão de que a vida sexual da criança com relação ao adulto, não se limita unicamente a escolha de um objeto, vai muito mais além. Mesmo não tendo havido uma combinação desejada nos instintos parciais sob a primazia dos órgãos genitais no auge do desenvolvimento da sexualidade infantil, entendeu que o interesse nos órgãos genitais e nas suas atividades tenha adquirido significação dominante, aquém da alcançada na maturidade. A característica principal dessa organização genital infantil é sua diferença para a organização dos adultos, consistindo que, em ambos os sexos somente é considerado um órgão genital, o falo29. Os conflitos de Freud permaneceram com relação entre os impulsos sexuais do indivíduo e suas resistências à sexualidade. Apesar disso continuou a acreditar que as repressões de sexualidade foram reprimidos e tinham como 29 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 2006. Disponível em <http://soebooks.blogspot.com.br/2007/03/sigmund-freud-obras-completas23.html>. Volume 19: O Ego e o ID e outros trabalhos. Disponível em <tramontin.com02.googlepages.com/vol19OegoeoIdeoutrostrabalhos.rtf>. Acesso em: 20 de fevereiro de 2013. 35 origem os primeiros anos da infância30. Freud entendia que os demais pesquisadores sempre viam as experiências sexuais como preocupantes e havia grande reação contra elas, com isso, mais uma vez, viu que havia uma novidade e contradição de um dos preceitos mais humanos. Não entendiam que o domínio da sexualidade se criava antes da puberdade, entendiam a infância como inocente e isenta dos desejos sexuais. As atividades sexuais, que apesar de ser impossível desprezar na infância, eram sempre postas de lado por serem consideradas como indícios de degenerescência ou depravação prematura ou aberração da natureza. Ele concordou que incidiu num erro durante algum tempo, pois a influência de seu método técnico, os pacientes reproduziam de suas infâncias, cenas de quais eram sexualmente seduzidos por algum adulto. Concordou que sofreu rude golpe com relação à sua técnica, pois não se podia discutir que havia por trás algo que considerava correta, mas que seu tema estava indubitavelmente relacionado com os sintomas iniciais de sua pesquisa. Acabou por descobrir que os sintomas neuróticos não estavam diretamente relacionados com fatos reais, mas com fantasias impregnadas de desejo e com relação à neurose, a realidade psíquica era de maior importância que a realidade material. Acabou por concluir que não forçou as fantasias de sedução, mas apenas “sugeriu”. Percebeu que de fato “tropeçou” pela primeira vez no complexo de Édipo, assumindo sua importância esmagadora, apesar de ainda não reconhecer sob seu disfarce de fantasia e que sedução na infância retinha 30 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 2006. Disponível em <http://soebooks.blogspot.com.br/2007/03/sigmund-freud-obras-completas23.html>. Volume 20: Um estudo autobiográfico, inibições, sintomas e ansiedades, a questao da analise leiga. Disponível em <tramontin.com02.googlepages.com/vol20Umestudoautobiográficoinibicoessint omaseansiedadeaquestaodaanaliseleiga.rtf>. Acesso em: 20 de fevereiro de 2013. 36 certa parcela, apesar com mais humildade na etiologia das neuroses e que os sedutores vieram a ser, em geral, crianças mais velhas. Em nota de rodapé acrescentada em 1911, Freud afirmou que a falta de interpretar a vida mental na infância, desempenhou um passado despercebido na atividade psíquica da criança. E, que com seu estudo, deu mais sentido para a felicidade infantil31. 31 SIGMUND, Freud. Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. Capítulo IV. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.16 37 CONCLUSÃO A conquista de Freud da teoria da psicanálise revolucionou o mundo científico na forma de poder serem compreendidos os traumas psíquicos do sujeito. Iniciou suas investidas com as histéricas, através do processo hipnótico e acabou por vislumbrar que a associação livre foi a melhor forma de analisar o psiquismo do sujeito. Com o prosseguimento de suas análises pela associação livre, constatou que através da narrativa dos sonhos, o sujeito apresentava diversas demandas diferenciadas, foi quando institui o aparelho psíquico com seus três elementos: inconsciente, consciente e pré-consciente. Da mesma forma na continuidade de seus estudos, construiu a estrutura da personalidade: o Id, ego e superego. Através do processo analítico, Freud constatou que as demandas dos adultos sempre estavam envolvidas de alguma forma às questões da sexualidade e sempre retornando ao período de sua infância. Foi desta forma que Freud começou a analisar a possibilidade de que a sexualidade iniciava desde o nascimento, ainda por cima, quando associou o Mito de Édipo com as fases da infância, onde o menino passava a odiar o seu pai como forma de não perder sua mãe, que lhe proporcionava realizações prazerosas, e a menina passou a proteger seu pai, por entender que era castrada e precisava dele porque não queria lhe perder para sua mãe. Desta forma, determinou as fases da infância: oral (satisfação biológica da nutrição e afeto); anal (satisfação em poder passar a reter as fezes e sentir prazer de expeli-las quando pudesse, no tempo que fosse suficiente, da mesma forma ocorria com o fato de urinar); fálica (quando começa a procurar alcançar seus objetivos, caracterizando o desenvolvimento da puberdade); e a fase de latência (começo da escolha do objeto, desviando seus desejos proporcionados por seus pais e passa a gostar de outras pessoas). Ele ainda prossegue, onde a próxima fase seria a da puberdade, mas que não foi relatada neste trabalho por ser o momento de limitação desse estudo. 38 Assim, Freud com essas fases, desfez o tabu de que a maior importância até então era a sexualidade que sempre esteve voltada para a reprodução sexual ou simplesmente a obtenção de prazer pela realização do ato sexual. O que foi interessante durante o estudo para criação deste trabalho é que na teórica freudiana, ele nunca se preocupou em comprovar suas descobertas com valor empírico. Entretanto diversos outros teóricos que lidavam com a sexualidade, de certa forma concordaram com a teoria de Freud sobre a sexualidade infantil, mas num sentido de um ser assexuado, onde a sexualização do sujeito deixou de ser uma questão biológica para um deslocamento de prazer em virtude da realização do desejo do sujeito. Porém, da mesma forma, a teoria psicanalítica vem sendo desenvolvida e aplicada nos processos terapêuticos, mesmo que ainda persistam dúvidas em alguns pontos da teoria freudiana, onde creem em alguns pontos e desprezam outros. Considerando este fato, entendemos que uma sequência ao trabalho de Freud, de uma forma em buscar um estudo mais aprofundado, dentro das normas científicas, permitirá esclarecer diversos pontos e sistematizar empiricamente a psicanálise com um entendimento único. 39 BIBLIOGRAFIA BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi Teixeira. Psicologias – Uma Introdução ao Estudo de Psicologia. 13ª Edição. Editora Saraiva. São Paulo, 1999. CORSO, Diana Lichtenstein; CORSO, Mário. Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006. DELFINO, Ricardo. Lacan - A Sexualidade Hoje. Trabalho apresentado durante as Jornadas da Escola da Causa Analítica/2005. 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