ROSA MARIA PINTO ESCUDERO PROCEDIMENTO COGNITIVO - COMPORTAMENTAL BREVE PARA REDUÇÃO DA ANSIEDADE EM REALIZAR O EXAME DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, para obtenção do Título de Doutor em Ciências. São Paulo 2007 ROSA MARIA PINTO ESCUDERO PROCEDIMENTO COGNITIVO - COMPORTAMENTAL BREVE PARA REDUÇÃO DA ANSIEDADE EM REALIZAR O EXAME DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Tese apresentada à Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, para obtenção do Título de Doutor em Ciências. Orientador: Prof. Dr. José Roberto Leite Co-orientadora: Profa. Dra. Elisa Harumi Kozasa São Paulo 2007 Escudero, Rosa Maria Pinto Procedimento cognitivo-comportamental breve para redução da ansiedade em realizar o exame de ressonância magnética. / Rosa Maria Pinto Escudero. - São Paulo, 2007, xiv, 44f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de São Paulo. Escola Paulista de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia. Título em inglês: Cognitive-behavior procedure brief to reduce anxiety related to the magnetic resonance imaging exam. 1.Ansiedade. 2.Medo. 3.Ressonância Magnética. 4.Terapia Cognitivo-comportamental. Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP Escola Paulista de Medicina Departamento de Psicobiologia Chefe do Departamento: Profa. Dr. Profa. Dra. Maria Lucia Oliveira de Souza Formigoni iii Rosa Maria Pinto Escudero PROCEDIMENTO COGNITIVO - COMPORTAMENTAL BREVE PARA REDUÇÃO DA ANSIEDADE EM REALIZAR O EXAME DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Presidente da banca: Prof. Dr. José Roberto Leite BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Julio Peres Profa. Dra. Lúcia Maria Gonzales Barbosa Prof. Dr. Roberto Andreatini Profa. Dra. Ruth Ferreira Santos Profa. Dra. Sueli Roizenblatt Profa. Dra. Vania Sartori Aprovada em 22/08/2007 iv Esta tese foi realizada no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, com o apoio financeiro da Associação Fundo de Incentivo a Psicofarmacologia (AFIP) e do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. v A Você Diante das inumeráveis patologias que atribulam o ser humano, a manutenção do equilíbrio psíquico e emocional é de fundamental importância para a sustentação da saúde. Desse modo, visualiza-te sempre saudável e cultiva os pensamentos otimistas, alicerçado no amor, na ação dignificante, na esperança. Se a enfermidade te visita, aproveita-lhe a presença para reflexões valiosas em torno do comportamento e da reprogramação das atividades. Pensa na saúde e deseja-a ardentemente, sem imposição, sem pressão, mas com nobre intenção. Planeja-te saudável e útil, antevendo-te recuperado e operoso no convívio familiar e social como instrumento valioso da comunidade. Reabastece o departamento mental com pensamentos de paz, de compaixão, de solidariedade, de perdão e de ternura, envolvendo-te, emocionalmente, com a Vida, de forma a te sentires nela integrado, consciente e feliz. Divaldo P. Franco vi Dedico esta tese Aos meus Pais, Augusto e Marilva, que me ensinaram a não me afastar das minhas convicções e cujo amor transcende os limites da matéria. Ao Wladimir, meu companheiro de viagem que, por ser como é, me permitiu “viajar na janelinha”. Dedico mais esta conquista às minhas filhas Andréia e Daniela - minhas bênçãos e meus amores - por tornar o melhor da vida possível. Em especial ao meu neto Victor - mais um ponto de Luz na minha existência por representar a continuidade da Vida, do Amor, da Esperança e da Fé, além de ser o responsável pelas minhas melhores alegrias e minhas mais gostosas risadas. vii Agradecimentos Ao meu orientador, Prof. Dr. José Roberto Leite, pelo privilégio de poder compartilhar da sua dedicada vocação para ensinar e o seu profundo propósito em tornar o mundo melhor e as pessoas mais felizes. A minha gratidão pelo seu apoio, incentivo e pela qualidade da sua presença. À minha co-orientadora, Profa. Dra. Elisa Harumi Kozasa, pela sua grande disponibilidade, pela forma delicada e competente de me instruir, clarificando e tornando mais objetivas as minhas idéias. Aos Professores do Departamento de Psicobiologia, pelo respeito e seriedade com que transmitiram o saber. A todos os funcionários da Psicobiologia, em especial à Nereide Lourdes Garcia pela presteza em me atender sempre que precisei, e ao Márcio Moraes e ao Júlio Cesar Nascimento pela sua habitual atenção. Às psicólogas Thaís Lamas Branco e Kelly Cristina Piffer, por dividirem comigo a aplicação do procedimento, efetivando com sucesso a condição de multiplicadores do protocolo, antes apenas uma idéia. À Profa. Dra. Ana Amélia Benedito Silva pela valiosa contribuição técnica. À minha auxiliar de pesquisa, Andréia Eduarte Escudero Gouvêa, que com o seu suporte “técnico-afetivo” facilitou a minha trajetória acadêmica. À minha amiga Vânia Patrícia Teixeira Vianna, pela sua incansável ajuda na Estatística e por ter se saído tão bem nesta empreitada. viii À minha amiga Eliana Sandra Rosito, pela sua afetuosa solidariedade nos momentos difíceis e pela sua legítima comemoração nos momentos de felicidade. À Professora e Psicóloga Fátima Aparecida Gomes Martuchelli que, devido à sua extrema dedicação e generosa competência, me ensinou a programar minha vida emocional e a expandir minha capacidade de ser feliz. Ao Chefe do Departamento de Diagnóstico por Imagem da UNIFESP/EPM, Prof. Dr. Jacob Szejnfeld, por permitir a realização do estudo. Ao Dr. Nitamar Abdala, chefe do Setor de Ressonância Magnética do Hospital São Paulo - UNIFESP/EPM, por autorizar e incentivar este projeto. A sua confiança nos resultados foi um diferencial para o início da pesquisa. À técnica Nanci Cazetti Pereira e a todos profissionais do Setor de Ressonância Magnética do Hospital São Paulo – UNIFESP/EPM pela importante colaboração e gentil convivência. Aos Pacientes, não apenas pela sua participação voluntária, mas também pela sua contribuição para melhorar a qualidade de vida de outras pessoas que, espero, possam se valer deste estudo. Ao CNPq pelo apoio financeiro. ix Sumário Dedicatória ..........................................................................................................vii Agradecimentos ................................................................................................. viii Listas .................................................................................................................. xi Resumo .............................................................................................................. xiii 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 1 1.1 Objetivos ...................................................................................................... 3 2 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................... 4 2.1 Ansiedade Normal e Ansiedade Patológica ................................................. 4 2.2 Ansiedade de Procedimentos Médicos ........................................................ 5 2.3 Ansiedade em Realizar RM........................................................................... 7 3 MÉTODOS ...................................................................................................... 13 4 RESULTADOS ................................................................................................ 19 5 DISCUSSÃO ................................................................................................... 28 6 CONCLUSÕES ............................................................................................... 35 7 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 36 8 ANEXOS ......................................................................................................... .43 Abstract x Lista de figuras Figura 1. Pontuação Ansiedade IDATE-Estado pré e pós-intervenção. Figura 2. Efeitos da intervenção na variável Nervosismo pré e pós-intervenção. Figura 3. Efeitos da intervenção na variável Medo pré e pós-intervenção. Figura 4. Efeitos da intervenção na variável Ansiedade pré e pós-intervenção. xi Lista de Tabelas Tabela 1. Perfil sociodemográfico dos pacientes que realizaram a Ressonância Magnética. Tabela 2. Efeito das intervenções sobre o IDATE-Estado pré e pós-intervenção. Tabela 3. Efeito das intervenções na variável Nervosismo pré e pós-intervenção. Tabela 4. Efeito das intervenções na variável Medo pré e pós-intervenção. Tabela 5. Efeito das intervenções na variável Ansiedade pré e pós-intervenção. xii Lista de abreviaturas ANOVA Análise de Variância CPM Conhecimento Procedimento Médico GC Grupo Controle GE Grupo Experimental IDATE Inventário de Ansiedade Traço-Estado RM Ressonância Magnética TCC Terapia Cognitivo-Comportamental xiii Resumo O objetivo do presente estudo foi elaborar e avaliar um protocolo cognitivocomportamental de curta duração, para a redução da ansiedade em 52 adultos que iam se submeter a um exame de Ressonância Magnética, os quais foram distribuídos, em quatro grupos, sendo que três destes receberam intervenções específicas. O Grupo A recebeu (a) informações detalhadas sobre o procedimento + (b) reestruturação cognitiva + (c) instrução de relaxamento e respiração controlada. Grupo B recebeu (c) instrução de relaxamento e respiração controlada. O C recebeu (a) informações detalhadas sobre o procedimento + (b) reestruturação cognitiva. O Grupo Controle recebeu apenas as informações gerais sobre o procedimento. O Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE) foi aplicado para medir o grau de ansiedade dos participantes. Também foi realizada uma avaliação subjetiva do sentimento de nervosismo, de medo e da ansiedade, quantificado em uma escala de 0 a 10, antes e depois da intervenção. A intervenção recebida pelos participantes do Grupo A (a)+(b)+(c) mostrou-se mais efetiva, tendo reduzido significativamente a ansiedade na medida do inventário IDATE-Estado pós-intervenção, assim como experimentaram uma redução igualmente significativa do medo e do nervosismo em relação à escala no momento pós-intervenção quando comparado com o pré-intervenção. Quanto ao Grupo C (a)+(b), a intervenção favoreceu a redução significativa da ansiedade na medida do IDATE-Estado, no entanto, para as medidas da escala somente o nervosismo foi reduzido de forma significativa no momento pós-intervenção. De modo geral, a combinação das técnicas proposta pelo protocolo mostrou-se mais eficaz para o Grupo A, talvez por este ter abrangido os três níveis de respostas envolvidas na situação de ansiedade e medo do procedimento, a saber: o cognitivo, o autonômico e o comportamental. xiv 1 INTRODUÇÃO A Ressonância Magnética (RM) é um dinâmico avanço tecnológico que permite diagnosticar com precisão certas enfermidades. É um exame que utiliza um campo magnético de ondas de rádio para gerar imagens precisas das estruturas internas do corpo. Também utiliza sensíveis computadores especialmente desenhados para gerar as imagens de toda a área explorada. Apesar de ser um procedimento extremamente seguro e não exigir uma preparação especial, comumente é considerado fonte de ansiedade por parte dos usuários. A mudança de rotina provocada pelo fato do indivíduo se dirigir a um hospital para a realização de um procedimento que, na maioria das vezes, desconhece e receia, costuma gerar bastante ansiedade (Bennett e Disbrow, 1993). A origem deste tipo de ansiedade estaria ligada ao medo do desconhecido, à previsão da dor ou à sensação de desconforto e, também, pela necessidade de encarar a própria vulnerabilidade e mortalidade (McGlyn et al, 2006). No caso da RM, esta ansiedade pode provocar a recusa do paciente em fazer o exame ou ainda a sua interrupção prematura (Brand, 1994; Katz et al, 1994; Mac Isaac at al, 1998). Certamente que, de acordo com Dantendorfer et al (1991), esta recusa, pode chegar até aos 30%, acarretando conseqüências médicas significativas, pois atrasa o diagnóstico e possivelmente o tratamento, onerando o procedimento e desperdiçando um tempo valioso. Pode-se observar que os aspectos cognitivos adquirem especial relevância no que se refere à ansiedade, assim, torna-se pertinente à avaliação de um protocolo para lidar com a ansiedade e o medo de realizar a RM com base nos pressupostos 2 da Terapia Cognitivo-Comportamental. A TCC é um processo cooperativo de investigação empírica onde os procedimentos aplicados visam a identificação de pensamentos distorcidos, a testagem da realidade e a resolução de problemas (Dattilio e Kendall, 1995). Justificativa: Considerando-se a importância do exame de RM no processo diagnóstico de várias doenças, além do seu elevado custo, torna-se necessária a avaliação de um protocolo que possa reduzir a ansiedade dos pacientes em realizar este exame e possivelmente evitar que os mesmos desistam de sua realização. 3 Objetivos 1. Avaliar um breve protocolo de redução da ansiedade nos pacientes que se submeteram ao exame de ressonância magnética. 2. Avaliar as possíveis diferenças na ansiedade-estado e em outros sentimentos resultantes de uma intervenção cognitivo-comportamental, nos momentos pré e pós-intervenção. 4 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Ansiedade Normal e Ansiedade Patológica A ansiedade é uma experiência subjetiva provocada por estímulos ou por acontecimentos voltados para o futuro, nem sempre bem definida e fácil de especificar. Estes acontecimentos, segundo Skinner (1995), são plausíveis de punição e acompanhados de aversão e de sofrimento. É uma emoção produzida pela percepção de um perigo presente ou iminente, associada a um desconforto subjetivo e a alterações somáticas manifestas. “Estima-se que 25% das pessoas sofram de algum transtorno de ansiedade em algum ponto das suas vidas” (Pinel, 2005, p. 482). A ansiedade pode ser considerada normal ou patológica e, muitas vezes, torna-se difícil estabelecer esta diferença, pois é sabido que um certo grau de ansiedade é necessário para motivar um bom desempenho. Essa especificidade estaria ligada à intensidade da ansiedade, à condição de favorecer ou interferir no processo de motivação das estratégias de enfrentamento, no nível de prejuízo causado e na forma individual de processar os estímulos ou as situações. Assim, os fatores cognitivos adquirem relevância no que se refere à ansiedade, uma vez que a ameaça temida deixa de ser concreta para se situar em planos mais abstratos e complexos (Graeff, 1997). A ansiedade, por se tratar de uma qualidade subjetiva, pode ser estudada por meio da introspecção ou pelos seus correlatos como testes, inventários, avaliações ou critérios diagnósticos. Um critério diagnóstico aceito 5 internacionalmente é o DSM IV (2003) que descreve e classifica os diferentes quadros dos transtornos da ansiedade como, entre outros, o Pânico, a Agorafobia, a Fobia Específica, a Fobia Social, a Ansiedade Generalizada. É importante salientar que, no caso da RM, a ansiedade pode não caracterizar uma patologia e sim uma ansiedade específica de procedimento. Contudo, apesar de ser considerada como uma resposta normal, ela pode se tornar limitante quando excessiva, causando prejuízos tanto do ponto de vista diagnóstico como do tratamento. 2.2 Ansiedade de Procedimentos Médicos O fato de o paciente ter que se dirigir para um hospital, é algo que o obriga a se adaptar a uma mudança na sua rotina, pois, normalmente, ele irá passar por um procedimento que, na maioria das vezes, desconhece e receia, criando-lhe uma condição de bastante ansiedade (Bennett e Disbrow, 1993). Desta maneira, a forma como o paciente entra em contato com as variáveis do procedimento médico pode afetar ainda mais a sua condição física e psicológica, pois o medo do procedimento médico surge como uma possível ameaça à sua integridade física e emocional, uma vez que ele se apercebe da sua fragilidade e da sua limitação, em face da expectativa de sofrimento (Iñesta, 1990; Poi et al., 1998; Hamel et al., 2001). McGlyn et al. (2006) avaliaram que a origem deste tipo de ansiedade estaria ligada ao medo do desconhecido, à previsão da dor ou da sensação de desconforto e, também, pela necessidade de encarar a própria vulnerabilidade e 6 mortalidade. Outra variável geradora da ansiedade é, portanto, o sentimento que o paciente experimenta por estar sozinho, desamparado e desorientado, durante o procedimento. Diversas pesquisas (Mackenzie et al., 1995; Grey et al., 2000; Wang et al., 2002), apontam as vantagens que os pacientes obtêm quando se submetem aos programas de preparação para os procedimentos médicos ou cirúrgicos. No entanto, raras são as clínicas ou hospitais que os oferecem e, quando os aplicam, os mesmos são administrados por uma equipe de enfermagem ou técnicos nem sempre preparados e treinados para esse tipo de atendimento, o que limita os benefícios psicológicos nos pacientes. Por outro lado, os estudos existentes demonstram que, a pessoa ao encarar os procedimentos com maior senso de controle e disposição, freqüentemente se sai melhor durante e depois destes no que se refere à ansiedade e aos restabelecimentos emocional e físico (Mumford et al., 1990). Assim sendo, promover a saúde, entre outras coisas, é elucidar o paciente sobre o procedimento a que ele irá se submeter, explicando clara e objetivamente as suas dúvidas (Horne et al., 1994; Sanjuán et al., 1999). É importante enfatizar a necessidade da existência de um trabalho conjunto voltado para a medicina preventiva através do esclarecimento e não só para a medicina curativa (Mc Graw e Hanna, 1998). Bolstad e Hamblet (2000) avaliaram que abrandar a ansiedade e a apreensão presentes, mesmo que não expressadas abertamente, pode propiciar que o paciente faça uma avaliação mais realista da situação estressora, aumentando a sua sensação de controle e de auto-eficácia. 7 2.3 Ansiedade em Realizar RM A RM é um exame diagnóstico de grande relevância na medicina moderna, mas, apesar de ser não-invasivo e indolor, exige do paciente um desempenho específico, como o permanecer imóvel por um período prolongado num espaço confinado (estrutura similar a um túnel) e sujeito a um intenso e intermitente barulho causado pelo equipamento, o que, em geral, causa ansiedade (Quirk et al., 1997b). Lukins et al. (1997) corrobora com esta afirmação, mencionando em seus estudos que a exigência rígida da imobilidade e o espaço restrito são os fatores principais de ansiedade e de medo dos pacientes que se submetem à RM. Wollman et al. (2004) avaliaram as experiências subjetivas dos pacientes ao se submeterem à RM e as compararam com as dos que se submeteram ao exame de tomografia computadorizada. Em um questionário que foi respondido por 40 pacientes de cada grupo, 40% dos que fizeram a RM, contra 15% dos da tomografia, indicaram fatores de desconforto, de irritação e de ansiedade. Os principais aspectos negativos mencionados foram relacionados ao fato de se sentirem sozinhos e desamparados, de estarem confinados e pelo tipo de interação social envolvida no procedimento da RM. Comumente esforços são feitos no sentido de discutir e de ampliar o conhecimento dos aspectos subjetivos do medo e da ansiedade experimentados pelos usuários da RM (Thorp et al. (1990). Vale ressaltar o trabalho de Meléndez e McCrank (1993) que estudaram a epidemologia dos relatos de medo e das reações de desconforto apresentados pelos pacientes durante a RM. Para isso, 8 fizeram uma revisão dos artigos publicados sobre o tema entre 1980 e 1993. O objetivo foi categorizar e analisar os relatos a fim de promover uma forma de identificar os pacientes de risco, ou seja, os que alegando medo provavelmente terão o seu desempenho prejudicado durante o procedimento. Outro objetivo dos autores foi reunir e analisar os tipos de estratégias existentes visando incitar novas propostas de estudos e de práticas terapêuticas e medicamentosas, a fim de minimizar este problema que atinge grande parcela da população que se submete à RM. O estudo de Martin et al. (1991) examinou um modelo do relato de sintomas dos pacientes durante o exame de RM. Os autores visaram, segundo critérios diagnósticos, observar a relação entre a consciência corporal do paciente e o seu estado de ansiedade. Para tanto, as informações do paciente em relação às próprias sensações físicas foram avaliadas e comparadas com o modelo médico de diagnóstico de ansiedade e, a partir dos resultados, pôde-se concluir que existiu uma interação entre a predisposição do paciente em prestar atenção às sensações físicas, o seu estado de ansiedade e o relato dos sintomas. Assim, no que tange ao exame de RM, parece relevante considerar as sensações físicas e a ansiedade como importantes mediadores do relato de sintomas. Segundo Chesson et al. (2001) e Harris et al. (2004), a expectativa negativa em relação à realização de RM é geralmente influenciada pelos comentários dos pacientes que avaliaram de forma negativa a sua vivência com o procedimento, pela sua própria inquietação sobre o diagnóstico e o prognóstico e, também, pela sua sensibilidade à ansiedade. (McNally, 1990 e Reiss, 1991). 9 Esta posição foi corroborada por dois importantes referenciais na literatura, Abramowitz e Deacon (2007), que postularam que a sensibilidade à ansiedade refere-se ao medo que o paciente sente em razão da percepção das sensações desagradáveis, e da convicção de que tais sintomas podem ser perigosos ou ter conseqüências danosas. Um tipo de ansiedade responsável por fortes sensações físicas e que, no momento da RM, pode atingir proporções de pânico vivenciadas pelo paciente, é a claustrofobia (Sarji et al., 1998; Simon, 1999), a qual resulta, freqüentemente, na recusa do paciente em fazer o exame ou na interrupção prematura deste (Brand, 1994; Katz et al., 1994; Mac Isaac at al., 1998). Certamente esta recusa que de acordo com Dantendorfer et al. (1991) pode chegar a atingir os 30%, acarreta conseqüências médicas significativas, pois atrasa o diagnóstico e possivelmente o tratamento, onera o procedimento e desperdiça um tempo valioso. Além disso, às implicações citadas também se pode juntar o precipitar de significativos efeitos psicológicos posteriores (Craske et al., 1995). Outra pesquisa, que considerou as implicações do medo na realização da RM, foi descrita por Kilborn e Labbe (1990), que avaliaram 108 pacientes antes e depois de se submeterem pela primeira vez à RM e ao respectivo acompanhamento depois de um mês. O objetivo do estudo foi investigar os relatos de medo e identificar os fatores de risco referentes ao desenvolvimento da claustrofobia, durante e após o exame. Três fatores foram incluídos de forma significativa nos achados: (1) o relato de sofrimento que precede a RM está correlacionado com a interrupção prematura do exame; (2) os escores da lista de levantamento dos medos antes da RM estão correlacionados com os sentimentos 10 claustrofóbicos; (3) a interrupção do exame está correlacionada com a ansiedade e com os sentimentos claustrofóbicos adquiridos após a RM. O sentimento claustrofóbico, adquirido a partir da RM, esteve presente no relato de 10% dos pacientes entrevistados um mês após a RM, os quais mencionaram que passaram a se sentir mais nervosos em espaços confinados. Fishban et al. (1988) foram mais além ao declararem que, o fato do paciente sentir intensa ansiedade para completar a RM pode, a posteriori, acarretar o desenvolvimento da claustrofobia. Assim, têm sido testadas inúmeras intervenções visando à redução da ansiedade em realizar a RM, entre as quais o fornecimento de informação, a modelagem, a distração com música ou vídeo e o treinamento em relaxamento e em técnicas cognitivas (Rasid e Parish, 1998). Quirk et al (1989a), por exemplo, testaram três intervenções psicológicas para reduzir a ansiedade durante a RM, tendo observado que, o fornecimento de informações associado ao relaxamento, mostrou-se efetivo na redução da ansiedade. Nesta mesma direção, o estudo recente de Törnquist et al. (2006) demonstrou que, a informação recebida antes do procedimento, aliada à interação entre a equipe e os pacientes, influenciou positiva e significativamente a forma como os pacientes vivenciaram a experiência da RM. Phillips e Deary (1995) corroboraram com esta suposição ao enfatizar a importância dos trabalhos que se voltaram para o benefício de combinar as intervenções como forma de lidar com a ansiedade em fazer a RM, em detrimento das que se limitam a uma única causa ou foco, ou seja, lidar com os níveis de resposta da ansiedade (Chaberman et al., 1993). 11 No mesmo sentido, Youssefzadeh et al. (1997) e Selim (2001) consideraram a relevância de se oferecer à pessoa que vai se submeter a uma RM, um conjunto de técnicas comportamentais de enfrentamento, aliado ao fornecimento de informações básicas sobre as possíveis sensações resultantes do procedimento. Já Beck et al. (1992) afirmaram que não é a situação que determina o que as pessoas sentem, mas, sobretudo, o modo como elas interpretam a situação. Sendo assim, é útil considerar os pensamentos desadaptativos como eliciadores da ansiedade, assim como a relevância do trabalho direcionado para questionar as evidências, baseando-as em “dados, informações e fatos e não em interpretações” (Greenberger e Padesky, 1999 p. 79). Portanto, o aspecto que norteou a inclusão da estratégia de reestruturação cognitiva na composição do protocolo, foi à pertinência de se “identificar a cognição, questionar sua validade e encontrar alternativas de pensamentos mais próximos da realidade a fim de alterar o comportamento” (Barros Neto, 2000 p.18), enquanto forma de beneficiar o paciente a reduzir sua ansiedade em fazer a RM, garantindo assim um desempenho adequado. Um outro aspecto observado na construção deste protocolo, diz respeito à atenção aos sintomas e aos sinais relacionados à ansiedade, como entre outros, a taquicardia, a sensação de falta de ar, a sudorese e o mal-estar. Comumente aliada à importância dos sintomas, verifica-se a preocupação excessiva com os mesmos, causando o medo no paciente em função da convicção de que os sintomas trarão conseqüências drásticas para ele (Gentil, 1996). Portanto, para combater os efeitos autonômicos da ansiedade, foi incluída a instrução de relaxamento e de respiração controlada, de modo a propiciar ao paciente que ele 12 perdesse o medo dessas sensações, adicionando ao seu repertório respostas antagônicas à ansiedade (Deffenbacher, 1996), ou seja, que ele perdesse o medo de sentir medo (Rangé e Bernik, 2001). Assim, o objetivo desta pesquisa foi elaborar e avaliar um protocolo que envolvesse os três níveis de resposta da ansiedade (cognitivo, autonômico e comportamental), para a redução, a curto prazo, do medo e da ansiedade nos pacientes que se submetem ao exame da RM. 13 3 MÉTODOS Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o no. 0762/03. Participantes Participaram 52 adultos (28 mulheres e 24 homens) com uma idade entre os 18 e os 60 anos, com escolaridades variadas, que se submeteram ao procedimento da RM no Hospital São Paulo. Critério de Inclusão Como critério de inclusão observou-se a idade; o fato do paciente não ter histórico de experiência com o procedimento da RM; a entrada de corpo inteiro na máquina; a ausência de anestesia para fazer a RM; e estar em condições emocionais e físicas adequadas para responder à demanda da pesquisa. Material Foi utilizado o IDATE Inventário de Ansiedade Traço-Estado, traduzido e adaptado para a população brasileira, que investiga os fenômenos da ansiedade nos adultos (Spielberger et al., 1979). O inventário é composto por duas escalas distintas, elaboradas para medir dois conceitos de ansiedade: ansiedade (A-traço) e estado de ansiedade (A-estado). A escala de traço de ansiedade (anexo 11) consiste em 20 afirmações que requerem que o indivíduo descreva como geralmente se sente (como ele é). A escala de estado de ansiedade (anexo 12) consiste também em 20 afirmações, mas as instruções requerem que o indivíduo 14 indique como se sente no momento (como ele está). O escore possível para o formulário do IDATE varia de um mínimo de 20 a um máximo de 80 pontos em ambas as subescalas. A pessoa responde avaliando-se numa escala de quatro pontos, sendo A-estado: 1. Absolutamente não; 2. Um pouco; 3. Bastante; 4. Muitíssimo. Já , a apresentação de A-traço: 1. Quase nunca; 2. Às vezes; 3. Freqüentemente; 4. Quase sempre. Foi estabelecida a seguinte classificação: medidas a partir de 30 pontos corresponde à ansiedade moderada e acima de 50 à severa. Foram utilizados também o questionário - Conhecimento Procedimento Médico/CPM - Grupo Controle (anexo 7) e CPM – Grupo Experimental (anexo 8) aplicados no momento pré-intervenção; CPM/GC (anexo 9) aplicado no momento pós-espera e CPM/GE (anexo10) aplicado no momento pós-intervenção, incluindo questionário com medidas de 0 a 10, constituído pelos itens dor, angústia, raiva, insegurança, tristeza, abandono, ansiedade, medo e nervosismo, o qual foi aplicado com intuito de que os participantes avaliassem seu estado subjetivo relacionado às expectativas e aos sentimentos em relação ao exame Para os resultados foram considerados apenas os itens ansiedade, medo e nervosismo, em função de terem sido os mais mencionados. Foi utilizado também uma ficha de identificação do participante (anexo 6). Procedimento As pessoas agendadas previamente se dirigiram à sala de espera, onde preencheram o formulário de segurança e de autorização padronizado pelo hospital, o qual continha perguntas referentes ao nome, à idade, ao peso, ao uso de medicação, a próteses metálicas, ao tempo de jejum etc. A seguir, como é 15 habitual, receberam do auxiliar de enfermagem informações sucintas e gerais sobre o exame, como a entrada na máquina, o barulho, a duração média do exame e o tempo estimado de espera. Após passarem por esta rotina foram convidados a participarem da pesquisa e, após a sua concordância, assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os sujeitos foram divididos em quatro grupos, que por ordem de chegada foram, sucessivamente, incluídos alternadamente nos grupos A, B, C e Controle. Todos se submeteram à aplicação dos instrumentos. Para a aplicação dos instrumentos e para as intervenções o estudo contou, além da autora, com a participação de duas psicólogas que receberam treinamento específico. Constituição dos grupos: Grupo A: (a) informações detalhadas sobre o procedimento + (b) reestruturação cognitiva + (c) instrução de relaxamento e respiração controlada; Grupo B: (c) instrução de relaxamento e respiração controlada. Grupo C: (a) informações detalhadas sobre o procedimento + (b) reestruturação cognitiva; Grupo Controle: não recebeu nenhuma intervenção específica, além de informações gerais sobre o exame de RM. (a) Informações detalhadas sobre o procedimento da ressonância magnética: Foi explicado com detalhes o procedimento da RM, descrevendo o ambiente físico, a rotina específica do exame, assim como foram mencionados a eficácia e os 16 benefícios advindos da realização do exame. As informações detalhadas garantiram ao paciente alguns esclarecimentos sobre a suficiente quantidade de ar e a iluminação; o som intenso produzido pelo equipamento, porém sem comprometimento ou risco para o paciente; a sua configuração com duas aberturas; a possibilidade de comunicação com o técnico por meio do microfone; as instruções do técnico acerca da respiração e sobre o procedimento ser indolor e seguro. Também foi facultada aos pacientes a possibilidade de conhecer previamente o espaço físico e o equipamento antes da realização da RM. (b) Reestruturação Cognitiva: As técnicas cognitivas foram utilizadas para a análise e a reestruturação do sistema de crenças dos pacientes no que se refere à RM. Os pensamentos trabalhados nesta intervenção estavam focados nas idéias irreais concernentes à situação temida pelo paciente. Este receia, entre outras coisas, a impossibilidade de ser socorrido em caso de emergência; o estar incomunicável, portanto abandonado; o sofrer sufocamento pelo fato de estar confinado; exacerbar a gravidade da doença em função da indicação da RM; sofrer um ataque do coração, etc. Procurou-se aumentar a consciência sobre as cognições desadaptativas, pontuando os efeitos prejudiciais das mesmas em seu estado de ansiedade. As crenças seletivas relacionadas com os aspectos negativos foram debatidas de forma realista, colocando novamente em pauta a intervenção referente às informações detalhadas sobre o procedimento para ilustrar essa reavaliação. Nesta estratégia procurou-se também, de forma franca, implantar pensamentos mais realistas e prováveis a respeito de um bom 17 desempenho durante a RM - o que para diversos estudos é considerado de grande valor “curativo” em relação a ansiedade (Bolstad & Hamblett, 2000). O objetivo foi enfraquecer a crença de forma sistemática, ou seja, debater as idéias (Ellis, 1962) e oferecer estratégias de enfrentamento, tais como a mudança de foco e de atenção, além da utilização de um diálogo interno mais eficaz. (c) Instrução de relaxamento por meio da respiração controlada: Nesta estratégia o paciente recebeu instruções básicas de relaxamento e de respiração controlada para que pudesse usá-las no momento do exame. “...você estará deitado, portanto procure deixar seu corpo bem mole...respire fundo puxando o ar lentamente pelo nariz e soltando suavemente pela boca... faça isso de maneira ritmada e natural, pois isso lhe trará sensações de calma e de tranqüilidade no momento do exame... concentre-se na respiração e desvie a sua atenção do ambiente externo... se preferir feche os olhos e imagine uma cena agradável para você... continue respirando, desligue-se de qualquer preocupação, vivencie somente a cena que você imaginou... volte a atenção ao ouvir a voz do técnico pelo microfone e obedeça aos seus pedidos de prender a respiração ou cessar o movimento de engulir por instantes...” A estrutura de informações detalhadas sobre o procedimento da RM e as instruções de relaxamento por meio da respiração controlada, foram organizadas e sistematizadas para um tempo estimado de, respectivamente, cinco e três minutos. Este tempo foi ampliado para responder à demanda do paciente, que poderia apresentar dificuldade em atender a algum aspecto, demonstrar interesse em expressar uma opinião, fazer um comentário ou ainda legitimar o cuidado recebido. 18 Vale ressaltar que nos grupos experimentais não houve ocorrências de desistência e/ou interrupção do procedimento por parte dos pacientes. Ao contrário, no Grupo Controle houve dois pacientes que, alegando medo, não conseguiram entrar na máquina para fazer a RM. A intervenção aplicada no grupo A durou cerca de 20 minutos, a do grupo C aproximadamente 15 minutos e a aplicada ao B teve a duração de aproximadamente 10 minutos. O grupo Controle aguardou por 15 minutos sem intervenção. Análise estatística Foi adotado um nível de significância de 0,05. Para se observarem as características sócio-demográficas dos grupos foi utilizado o teste do QuiQuadrado e o ANOVA. A análise estatística recorreu aos testes não paramétricos uma vez que as variáveis não apresentaram uma distribuição normal. Foi aplicado o teste Kruskal-Wallis para verificar se, em relação ao IDATE inicial (préintervenção) havia diferença entre os grupos. Foi utilizado o teste de Wilcoxon antes e depois da intervenção para verificar se havia diferença intragrupos nos momentos pré e pós-intervenção. O teste Wilcoxon foi usado também para se observar o valor médio das variáveis (ansiedade, medo e nervosismo) nos diferentes momentos (pré e pós-intervenção), quando comparados com o momento inicial. Os dados foram analisados por intermédio do Programa Statistics for Windows versão 6.1. 19 4 RESULTADOS A Tabela 1 mostra que os grupos foram homogêneos, não diferindo em relação ao sexo, à idade e à ansiedade-traço (IDATE). Tabela 1 - Perfil sociodemográfico dos pacientes que realizaram a ressonância magnética. CONTROLE GRUPO A GRUPO B GRUPO C 6/14 8/14 7/12 5/12 6/13 7/13 5/13 8/13 40,9 ± 13,9 38,1 ± 7,7 38,6 ± 11,1 38,1 ± 12,6 0,44 38,3 ± 12,2 42,8 ± 13 41,7 ± 11,6 36,8 ± 8 0,65 1 2 5 6 1 9 2 4 4 5 - 2 4 5 2 Sexo Masculino Feminino Idade em anos (média + SD) IDATE Traço (média + SD) Escolaridade 1 grau inc 1 grau 2 grau 3 grau Teste X2 e ANOVA P 0,78 0,5 Não foram observadas diferenças estatísticas significativas. 20 A Figura 1 e Tabela 2 mostram as medidas de Ansiedade-estado nos momentos pré e pós-intervenção. Pode-se observar que os grupos A (p=0,02) e C (p=0,04) apresentaram uma redução de ansiedade significativa no momento pósintervenção, quando comparado com o momento pré-intervenção. IDATE-ESTADO PRÉ E PÓS-INTERVENÇÃO 55 50 45 * * 40 35 30 25 20 15 CONTROLE GRUPO ZA GRUPO ZB GRUPO ZC IDATE PRÉI IDATE PÓS GRUPO Teste Wilcoxon p<0,05 difere do momento pré-intervenção Figura 1: Pontuação Ansiedade IDATE-Estado nos momentos pré e pósintervenção. 21 Tabela 2 – Efeito das intervenções sobre o IDATE-Estado nos momentos pré e pós-intervenção. Dados representam Mediana e Quartil. GRUPOS PRÉ PÓS P CONTROLE 37,5 35 0,66 A 40,5 35,5 0,02* B 35 34 0,61 C 37 33 0,04* Teste Wilcoxon * p< 0,05 difere do momento pré-intervenção no grupo correspondente 22 Na Figura 2 e Tabela 3 pode-se observar que os grupos A e C apresentaram uma diminuição estatisticamente significativa (p=0,01) e (p= 0,04) no valor da variável Nervosismo na escala, no momento pós-intervenção, quando comparado com o momento pré-intervenção. NERVOSISMO PRÉ E PÓS-INTERVENÇÃO 12 10 8 6 4 2 * * 0 -2 CONTROLE GRUPO ZB GRUPO ZA GRUPO ZC NERVOSISMO PRÉ NERVOSISMO PÓS GRUPO Teste Wilcoxon * p<0,05 difere do momento pré-intervenção Figura 2: Efeitos da intervenção na variável Nervosismo entre os grupos. 23 Tabela 3 - Efeitos das intervenções na variável Nervosismo entre os grupos. PRÉ (Q1;Q3) GRUPOS PÓS (Q1;Q3) CONTROLE P 0,59 Mediana 0 (0;3) 0 (0;3) Mediana 3,5 (1,5;7) 0 (0;0,5) Mediana 4 (0;5) 4 (0;5) A 0,01* B C 0,04* Mediana Teste Wilcoxon *p<0,05 0 (0;3) 0 (0;0) 24 A Figura 3 e Tabela 4 mostram as medidas da variável Medo. Pode-se obsevar uma redução significativa do grupo A (p=0,04) no momento pósintervenção quando comparado com o momento pré-intervenção. Ressalte-se que o grupo A recebeu a intervenção que lidou com as três respostas da ansiedade: a resposta cognitiva, a autonômica e a comportamental. MEDO PRÉ E PÓS-INTERVENÇÃO 12 10 8 6 4 * 2 0 -2 CONTROLE GRUPO ZA GRUPO ZB GRUPO ZC MEDO PRÉ MEDO PÓS GRUPO Teste Wilcoxon * p<0,05 difere do momento pré-intervenção Figura 3 – Efeitos da intervenção na variável Medo entre os grupos. 25 Tabela 4 - Efeitos das intervenções na variável Medo entre os grupos. PRÉ (Q1;Q3) PÓS (Q1;Q3) P Mediana 0 (0;3) 0 (0;5) 0,71 Mediana 2 (0;6,5) 0 (0;1,5) 0,04* Mediana 0 (0;5) 0 (0;0) 0,1 Mediana 0 (0;4) 0 (0;0) 0,07 GRUPOS CONTROLE A B C Teste Wilcoxon *p<0,05 26 Na Figura 4 e Tabela 5 pode-se observar as medidas de Ansiedade da escala nos momentos pré e pós-intervenção. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas da variável ansiedade no momento pós-intervenção quando comparado com o momento pré-intervenção. ANSIEDADE PRÉ E PÓS-INTERVENÇÃO 12 10 8 6 4 2 0 -2 CONTROLE GRUPO ZA GRUPO ZB GRUPO ZC ANSIEDADE PRÉ ANSIEDADE PÓS GRUPO Teste Wilcoxon Não houve diferença estatisticamente significativa Figura 4 - Efeitos da intervenção da variável Ansiedade entre os grupos. 27 Tabela 5 - Efeitos das intervenções da variável Ansiedade entre os grupos. PRÉ (Q1;Q3) PÓS (Q1;Q3) P Mediana 3,5 (0;5) 2 (0;5) 0,58 Mediana 5,5 (0;9) 4 (0;5) 0,31 Mediana 4 (0;5) 0 (0;5) Mediana 0 (0;5) 0 (0;3) GRUPOS CONTROLE A B C Teste Wilcoxon 0,35 0,21 28 5 DISCUSSÃO Os resultados desta pesquisa corroboraram com o afirmado em alguns outros estudos, os quais também analisaram a relação existente entre um preparo adequado dos pacientes e a redução da ansiedade frente ao procedimento da RM (Mackenzie et al., 1995; Grey et al., 2000). A RM é um exame que elicia medo e ansiedade em parcela considerável da população que procura este exame diagnóstico (Quirk et al., 1989 b). Os pacientes que desistem de fazer o exame, que não conseguem completá-lo e ainda aqueles que se recusam a entrar na máquina para realizar a RM, apontam como justificativa os mesmo motivos (Meléndez e McCrank, 1993). De acordo com Lukins et al. (1997), a exigência de permanecer imóvel num espaço confinado por um tempo prolongado seria um dos principais motivos da ansiedade e do medo dos pacientes que se submetem à RM. No entanto, as informações detalhadas oferecidas ao paciente por meio do protocolo pareceram relevantes para a redução da ansiedade, ao enfatizar, por exemplo, o fato da máquina possuir duas aberturas, contrapondo a idéia pré-concebida de que a mesma se trata de um túnel fechado sem luz e sem ar. Outra variável geradora de ansiedade, mencionada nos estudos de McGlyn et al. (2006), é o sentimento que o paciente experimenta de estar sòzinho, desamparado e desorientado, durante a RM. Neste caso, a orientação dada ao paciente no sentido de garantir que ele está sendo monitorado pelos técnicos durante o exame e certificá-lo da comunicação entre eles, pode enfraquecer o sentimento claustrofóbico do 29 paciente, imprimindo uma sensação maior de segurança por ele se imaginar no controle da situação. Segundo MacNally (1990) e Reiss (1991) a ansiedade envolve o medo de sintomas e a certeza de que tais sintomas podem ter conseqüências trágicas. Assim, o protocolo pode ter auxiliado o paciente a encarar os seus sintomas de forma natural, porém preventiva. Os sentimentos ligados às crenças desadaptativas como a apreensão e a aversão pode ser debatido com pensamentos mais realistas, o que, de acordo com Barros Neto (2000) acarreta uma alteração do comportamento, neste caso um melhor desempenho na RM. O principal achado do presente estudo está centrado no fato de se oferecer um protocolo breve (20 minutos) que, em relação a outros igualmente fundamentados pelos pressupostos da TCC, contrastou no que se refere ao tempo gasto para a sua aplicação. Outro diferencial de idêntica relevância está fundamentado nos resultados obtidos com a intervenção composta pelas estratégias que envolveram a reestruturação cognitiva, o relaxamento com a respiração controlada e as informações detalhadas (Grupo A) que, portanto, abarcaram os três aspectos fundamentais da resposta de ansiedade, a saber, o cognitivo, o autonômico e o comportamental. Assim, a diversidade deste modelo cognitivo-comportamental pareceu indicar que, um suporte abrangente como o protocolo oferecido, ajudou o paciente a lidar com as expectativas da RM de uma forma mais adaptativa. Neste segmento, os achados corroboraram com afirmações de Chaberman et al. (1993), que destacaram que um trabalho que abranja os níveis das respostas 30 da ansiedade pode ser responsável por favorecer uma alteração mais eficaz no comportamento. Nesta mesma direção, os resultados encontrados mostraram que os pacientes que receberam as intervenções relativas às informações detalhadas, à reestruturação cognitiva e ao relaxamento e à respiração controlada, tiveram uma redução significativa nos valores da ansiedade do inventário IDATE-Estado, assim como do medo e do nervosismo avaliados pelas respostas subjetivas dos sujeitos, quantificados pela escala analógica no momento pós-intervenção quando comparado com pré-intervenção. Esta redução do grupo A, o mais diverso em termos de intervenções aplicadas, quando comparada aos demais grupos pode ser justificada provavelmente pelo fato deste ser o único a ter recebido a intervenção que abrangeu os três níveis de respostas (cognitivo, autonômico e comportamental). Já os pacientes que receberam apenas as informações detalhadas e a reestruturação cognitiva, apresentaram redução significativa da ansiedade na medida do IDATE-Estado. No entanto, para as medidas da escala analógica, somente o nervosismo foi reduzido de forma significativa. Esta diferença nos resultados pode remeter à idéia de que a intervenção recebida pelo grupo “C” não permitiu lidar eficazmente com os aspectos autonômicos, uma vez que para ele não se ofereceu a estratégia de relaxamento e respiração controlada, que ao menos, teoricamente, deveria ter acionando o sistema nervoso parassimpático, resposta esta, contrária à ativação do sistema nervoso simpático eliciada pela ansiedade. Esta intervenção ofereceria aos sujeitos uma clara evidência da possibilidade da ocorrência de uma resposta antagônica à ansiedade, 31 manipulando-se principalmente a respiração pela própria vontade, e da importância de “fomentar as atribuições auto-eficazes positivas”, como acreditar que está conseguindo controlar a ansiedade (Deffenbacher, 1996 p. 573). Esta afirmação confirma o pressuposto de Rangé e Bernik (2001), que consideraram a relevância de se lidar com os sintomas autonômicos, no sentido de favorecer o paciente a perder o medo de sentir medo. Um outro ponto relevante foi o resultado inexpressivo dos pacientes pertencentes ao grupo B, a quem foi oferecida exclusivamente a instrução de relaxamento e de respiração controlada. Pode-se inferir que a instrução de relaxamento e de respiração controlada, quando aplicadas de forma isolada num procedimento como a RM, sem explicações adicionais do porquê deste treinamento, pode, além de não reduzir a ansiedade e o medo, exacerbar estes em razão de aguçar ainda mais a insegurança em relação ao exame em questão. Outro aspecto a se notar, foi a constatação de que, nos grupos experimentais, nenhum paciente desistiu ou se recusou a entrar na máquina para realizar a RM, sendo que todos completaram o exame de forma satisfatória. Ao contrário, no grupo Controle, não foi possível a realização do exame em dois pacientes, pois os mesmos não suportaram a situação de entrar na máquina para o fazer, alegando medo intenso. Este fato, observado no grupo Controle, confirma a observação empírica de um índice de desistência entre os 10 e os 30%, referido na literatura e descrito por Dantendorfer et al. em 1991. Por outro lado, uma vez que o número de sujeitos deste estudo não permitiu concluir qual ou quais os protocolos que reduzem o índice de desistência para a realização do exame de RM, quando comparados a um grupo controle, outros experimentos devem ser 32 realizados, tendo em vista incorporar este dado como um parâmetro da eficácia do procedimento adotado neste estudo. Assim sendo, os resultados demonstrados neste estudo sugerem que o fornecimento de informações sistematizadas, juntamente com o oferecimento das instruções de relaxamento e de respiração controlada, aliados à técnica de reestruturação cognitiva, pode compor um protocolo breve e eficaz para a redução da ansiedade frente ao procedimento da RM. Desta forma ressaltam-se os benefícios deste estudo em função do pouco tempo envolvido na aplicação do protocolo, apenas 20 minutos, do baixo investimento e do fato do mesmo poder ser aplicado por diversos multiplicadores da área da saúde. Assim, com recursos mínimos ele pode ser convenientemente incorporado na rotina de todos os pacientes que forem submetidos à RM, independente de apresentarem ansiedade excessiva ou não, evitando assim os graves problemas decorrentes da recusa em entrar na máquina, da possível desistência ou da incapacidade emocional do paciente em relação a realizar um exame diagnóstico de grande relevância na medicina moderna. Torna-se relevante, no entanto, considerar alguns pontos do trabalho, como o fato de alguns pacientes ainda relatarem ansiedade mesmo após a intervenção. Pode-se inferir, nestes casos, que o fato ocorreu em função dos aspectos que envolveram a ansiedade relacionados com a realização da RM, estarem ligados à preocupação com as implicações do diagnóstico, com a dor, ou ainda com o desconforto presente no dia-a-dia decorrentes da condição específica de cada paciente (Chesson et al., 2001 e Harris et al., 2004). 33 Também pode ter ocorrido uma dificuldade por não se ter estipulado uma nota de corte mínima para a inclusão dos pacientes no estudo, nas medidas iniciais do IDATE. De acordo com Spilberg et al. (1979) seria de se esperar que as pessoas que têm elevações de ansiedade-traço apresentassem também elevações de ansiedade-estado, pois elas são mais propensas a reagir às situações como as pressentindo ameaçadoras e perigosas. Assim, um critério de corte para a inclusão no estudo seria a existência de uma pontuação de até 29 pontos. Por outro lado, optou-se por não se estipular esta nota mínima, pois além do que dificultaria ainda mais a obtenção do número de pacientes para o estudo, este critério não garantiria que o paciente não viesse a desenvolver a ansiedade ao descobrir em que condições o exame da RM seria realizado, pois há casos de pacientes, de acordo com os técnicos, que desistem de realizar o exame apenas por verem a máquina. Também pôde ser notada a exclusão de pacientes que, apesar de relatarem ansiedade e medo em realizar a RM, não puderam participar do estudo por terem feito uma RM anteriormente. Talvez este estudo pudesse ser estendido a essa população em um próximo trabalho. Os fatores acima mencionados podem ter sido responsáveis por uma significativa tendência de ter sido selecionada uma amostra de indivíduos menos ansiosos ou menos medrosos, o que em geral não ocorreria na população de pacientes que se submetem à RM (Wolman et al., 2004). Em paralelo a estas limitações, algumas dificuldades foram sentidas no curso deste trabalho. O atraso do experimento em função de constantes quebras 34 dos equipamentos de RM e a escassez de pacientes que atendiam ao critério de inclusão foram algumas delas. Fica a sugestão para que no próximo experimento sejam amplamente investigadas estas questões, a fim de garantir a generalização dos dados obtidos, neste procedimento. 35 6 CONCLUSÕES 1. Os resultados permitem sugerir que um protocolo que ofereça estratégias de enfrentamento envolvendo os níveis cognitivo, autonômico e comportamental, pode ser eficiente para o preparo do sujeito que irá realizar um exame de RM. 2. O relato, no presente estudo, permite concluir que este breve protocolo de apenas 20 minutos, que apresenta um baixo investimento, aplicável por multiplicadores da própria equipe de saúde, passível de ser incluído na rotina do atendimento sem significativas alterações, pode ser de grande importância para a redução da ansiedade, do medo e do nervosismo do paciente que realizará o exame da RM. 3. Cabe enfatizar que a aplicação do protocolo pode contribuir para a prevenção da ansiedade, com base em uma filosofia da humanização do ambiente em que são realizados os exames de RM. 36 7 REFERÊNCIAS [1] Abramowitz, JS, Olatunji BO, Deacon BJ. Health anxiety, hypochondriasis, and the anxiety disorders. Behavior Therapy 2007;38:86-94. [2] Barros-Neto TP. Sem medo de ter medo: um guia prático para ajudar pessoas com pânico, fobias, obsessões, compulsões e estresse. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2000. [3] Beck AT, Sokol L, Clark DA, Berchick RJ, Wright FD. 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Clinical Radiology 1997;52(11):862-864. 43 8 ANEXOS Anexo 1 Carta de aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo Anexo 2 Carta de aprovação do projeto pelos responsáveis do Departamento de Diagnóstico por Imagem UNIFESP/EPM Anexo 3 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - GC Anexo 4 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - GE Anexo 5 Confirmação de recebimento do Manuscrito submetido ao Journal Behavior Therapy Anexo 6 Ficha de Identificação Anexo 7 Questionário CPM - GC pré-intervenção Anexo 8 Questionário CPM - GE pré-intervenção Anexo 9 Questionário CPM - GC pós-espera 44 Anexo 10 Questionário CPM - GE pós-intervenção Anexo 11 Inventário IDATE-Traço (Parte I) Anexo 12 Inventário IDATE-Estado (Parte II) Anexo 13 Roteiro do Procedimento: Intervenção A Anexo 14 Roteiro do Procedimento: Intervenção B Anexo 15 Roteiro do Procedimento: Intervenção C Anexo 16 Roteiro do Procedimento: Grupo Controle Parte I - Estado Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação que melhor indicar como você se sente AGORA, NESTE MOMENTO. Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar uma resposta que mais se aproxime de como você SE SENTE NESTE MOMENTO. Absolutamente não Um pouco Bastante Muitíssimo 1 Sinto-me calmo(a) 1 2 3 4 2 Sinto-me seguro(a) 1 2 3 4 3 Sinto-me tenso(a) 1 2 3 4 4 Estou arrependido 1 2 3 4 5 Sinto-me à vontade 1 2 3 4 6 Sinto-me perturbado(a) 1 2 3 4 7 Estou preocupado(a) com possíveis infortúnios 1 2 3 4 8 Sinto-me descansado(a) 1 2 3 4 9 Sinto-me ansioso(a) 1 2 3 4 10 Sinto-me “em casa” 1 2 3 4 11 Sinto-me confiante 1 2 3 4 12 Sinto-me nervoso(a) 1 2 3 4 13 Estou agitado(a) 1 2 3 4 14 Sinto-me uma pilha de nervos 1 2 3 4 15 Estou descontraído(a) 1 2 3 4 16 Sinto-me satisfeito(a) 1 2 3 4 17 Estou preocupado(a) 1 2 3 4 18 Sinto-me super excitado(a) e confuso(a) 1 2 3 4 19 Sinto-me alegre 1 2 3 4 20 Sinto-me bem 1 2 3 4 Parte II - Traço Leia cada pergunta e faça um círculo ao redor do número à direita da afirmação que melhor indicar como você GERALMENTE SE SENTE Não gaste muito tempo numa única afirmação, mas tente dar a resposta que mais se aproxime de como você SE SENTE GERALMENTE Quase nunca As vezes Freqüentemente Quase sempre 1 Sinto-me bem 1 2 3 4 2 Sinto-me seguro (a) 1 2 3 4 3 Tenho vontade de chorar 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 4 5 6 7 8 9 Gostaria de poder ser tão feliz quanto os outros parecem ser Perco oportunidades porque não consigo tomar decisões rapidamente Sinto-me descansado (a) Sou calmo(a),ponderado(a) e senhor(a) de mim mesmo Sinto que as dificuldades estão se acumulando de tal forma que não as consigo resolver Preocupo-me demais com as coisas sem importância 10 Sou feliz 1 2 3 4 11 Deixo-me afetar muito pelas coisas 1 2 3 4 12 Não tenho muita confiança em mim mesmo(a) 1 2 3 4 13 Sinto-me seguro 1 2 3 4 14 Evito ter que enfrentar crises ou problemas 1 2 3 4 15 Sinto-me deprimido 1 2 3 4 16 Estou satisfeito(a) 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 17 18 Às vezes, idéias sem importância me entram na cabeça e ficam-me preocupando Levo os desapontamentos tão a sério que não consigo tirá-los da cabeça 19 Sou uma pessoa estável 1 2 3 4 20 Fico tenso(a) e perturbado(a) quando penso em meus problemas no momento 1 2 3 4 Ficha de identificação Nome ___________________________________________________________ Idade:________anos Sexo: F ( ) M ( ) Estado civil: ________________ Escolaridade: ________________ Profissão:____________________________ Endereço:________________________________________________________ Tel:___________________Ressonância de ____________________________ Qual a queixa? ___________________________________________________ TERMO DE CONSENTIMENTO (GC) ______________________________________________________portador(a) do RG no. _______________ nome completo Estou ciente de que participarei espontaneamente do estudo "Protocolo Procedimentos Médicos" que faz parte da Tese de Doutorado a ser apresentado na UNIFESP/EPM da autora Rosa Maria Pinto Escudero com orientação do Prof. Dr. José Roberto Leite e co-orientação da Profa. Dra. Elisa Harumi Kozasa. 1o. Este programa oferece um apoio com relação às dificuldades frente aos usuários do procedimento médico de Ressonância Magnética. 2o. A minha participação refere-se ao preenchimento de inventários e questionários com intervalo de 15 minutos. 3o. Não há despesas pessoais nem compensação financeira relacionada à minha participação, não será alterado o curso da ressonância magnética e está garantida a liberdade da retirada do meu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo à continuidade do exame. 4º. No caso de eventuais dúvidas, poderei entrar em contato com a responsável pela pesquisa, Rosa Maria que poderá ser encontrada à Rua Napoleão de Barros, 925 – Vila Clementino. 5o. As informações obtidas serão analisadas em conjunto com outros pacientes, não sendo portanto, divulgada a minha identidade. _______________________________________ Data___/___/___ assinatura do paciente Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo. _____________________________________ assinatura do responsável pelo estudo Data ___/___/___ TERMO DE CONSENTIMENTO (GE) _____________________________________________________portador(a) do RG no. _______________ nome completo Estou ciente de que participarei espontaneamente do estudo "Protocolo Procedimentos Médicos" que faz parte da Tese de Doutorado a ser apresentado na UNIFESP/EPM da autora Rosa Maria Pinto Escudero com orientação do Prof. Dr. José Roberto Leite e co-orientação da Profa. Dra. Elisa Harumi Kozasa. 1o. Este programa oferece um apoio com relação às dificuldades frente aos usuários do procedimento médico de Ressonância Magnética. 2o. A minha participação refere-se ao preenchimento de inventários e questionários antes e após a aplicação do protocolo (intervenção) para lidar com a ansiedade de realizar o exame. 3o. Não há despesas pessoais nem compensação financeira relacionada à minha participação, não será alterado o curso da ressonância magnética e está garantida a liberdade da retirada do meu consentimento a qualquer momento, sem prejuízo à continuidade do exame. 4º. No caso de eventuais dúvidas, poderei entrar em contato com a responsável pela pesquisa, Rosa Maria que poderá ser encontrada à Rua Napoleão de Barros, 925 – Vila Clementino. 5o. As informações obtidas serão analisadas em conjunto com outros pacientes, não sendo portanto, divulgada a minha identidade. ___________________________________________ Data___/___/___ assinatura do paciente Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o Consentimento Livre e Esclarecido deste paciente ou representante legal para a participação neste estudo. _____________________________________ assinatura do responsável pelo estudo Data ___/___/___ CPM - GC – Pré-intervenção Contraste: Sim ( ) Não ( ) Medicamento: Sim ( ) Não ( Nome___________________________________________ (Quais)_________________________________ 1. Você foi informado sobre como é o exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 2. Você se sente suficientemente esclarecido sobre o procedimento do exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 3. Você considera ter sido preparado psicologicamente para o exame? ( ) não ( ) razoavelmente ( ) suficientemente 4. Você sente algum receio de fazer o exame? ( ) Sim ( ) Não ( ) este receio é em função do próprio exame? Por que?_____________________________________ ( ) este receio é em função do resultado? Por que?__________________________________________ 5. Quais sentimentos e/ou sensações você acha que estarão presentes durante o exame? a) Dor 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo b) Medo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo c) Ansiedade 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo d) Angústia 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo e) Nervosismo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo f) Raiva 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo g) Insegurança 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo h) Tristeza 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo i) Abandono 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo j) Outros? Quais?_____________________________________________________________ 5. Espaço para comentários ou sugestões __________________________________________________________________________________ ) CPM - GE – Pré-intervenção Contraste: Sim ( ) Não ( ) Medicamento: Sim ( ) Não ( Nome___________________________________________ (Quais)_________________________________ 1. Você foi informado sobre como é o exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 2. Você se sente suficientemente esclarecido sobre o procedimento do exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 3. Você considera ter sido preparado psicologicamente para o exame? ( ) não ( ) razoavelmente ( ) suficientemente 4. Você sente algum receio de fazer o exame? ( ) Sim ( ) Não ( ) este receio é em função do próprio exame? Por que?_____________________________________ ( ) este receio é em função do resultado? Por que?__________________________________________ 5. Quais sentimentos e/ou sensações você acha que estarão presentes durante o exame? a) Dor 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo b) Medo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo c) Ansiedade 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo d) Angústia 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo e) Nervosismo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo f) Raiva 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo g) Insegurança 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo h) Tristeza 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo i) Abandono 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo j) Outros? Quais?_____________________________________________________________ 5. Espaço para comentários ou sugestões __________________________________________________________________________________ ) CPM - GC – Pós- espera Contraste: Sim ( ) Não ( ) Medicamento: Sim ( ) Não ( ) (Quais)______________________ Nome_________________________________________________ 1. Você foi informado sobre como é o exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 2. Você se sente suficientemente esclarecido sobre o procedimento do exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 3. Você considera ter sido preparado psicológico para o exame? ( ) não ( ) razoavelmente ( ) suficientemente 4. Você sente algum receio de fazer o exame? ( ) Sim ( ) Não ( ) este receio é em função do próprio exame? Por que?_____________________________________ ( ) este receio é em função do resultado? Por que?__________________________________________ 5. Quais sentimentos e/ou sensações você acha que estarão presentes durante o exame? a) Dor 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo b) Medo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo c) Ansiedade 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo d) Angústia 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo e) Nervosismo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo f) Raiva 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo g) Insegurança 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo h) Tristeza 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo i) Abandono 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo j) Outros? Quais?_____________________________________________________________ 5. Espaço para comentários ou sugestões __________________________________________________________________________________ CPM - GE – Pós-intervenção Contraste: Sim ( ) Não ( ) Medicamento: Sim ( ) Não ( ) (Quais)______________________ Nome_________________________________________________ 1. Você foi informado sobre como é o exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 2. Você se sente suficientemente esclarecido sobre o procedimento do exame? ( ) totalmente ( ) razoavelmente ( ) não 3. Você considera ter sido preparado psicológico para o exame? ( ) não ( ) razoavelmente ( ) suficientemente 4. Você sente algum receio de fazer o exame? ( ) Sim ( ) Não ( ) este receio é em função do próprio exame? Por que?_____________________________________ ( ) este receio é em função do resultado? Por que?__________________________________________ 5. Quais sentimentos e/ou sensações você acha que estarão presentes durante o exame? a) Dor 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo b) Medo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo c) Ansiedade 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo d) Angústia 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo e) Nervosismo 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo f) Raiva 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo g) Insegurança 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo h) Tristeza 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo i) Abandono 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 Ausente extremo j) Outros? Quais?_____________________________________________________________ 5. Espaço para comentários ou sugestões __________________________________________________________________________________ INTERVENÇÃO “A” Parte I – Aplicar questionários CPM; IDATE Traço e Estado; Parte II – Informações - O que é Ressonância Magnética? É uma maneira diferente e eficaz de ver o corpo por dentro e que permite aos médicos diagnosticarem com exatidão certas enfermidades. A RM permite examinar tecidos moles como órgãos, músculos, cartilagens, ligamentos e tendões etc. • Quantidade de ar e iluminação suficientes; • Barulho do equipamento; • Entrada e saída do equipamento; • Comunicação com o técnico por meio do microfone; • Exame indolor e seguro. Parte III - Examinar as Crenças Irracionais e transformá-las em racionais. Parte IV - Instrução de relaxamento e orientação de respiração controlada. Parte V - Mostrar as salas, aparelho e técnicos (opcional) Sala preparada para este tipo de equipamento e exame – você vai se deitar numa “cama” acolchoada que logo vai se deslizar para que à parte do seu corpo que precisa ser investigada fique bem visível por dentro e através dessa imagem o seu médico terá condições de saber exatamente o que está acontecendo e assim poder te ajudar. Parte VI - IDATE Estado e Questionário CPM RESSONÂNCIA MAGNÉTICA INTERVENÇÃO “B” Parte I - Aplicar questionários CPM; IDATE Traço e Estado. Parte II - Instrução de relaxamento e orientação de respiração controlada. Parte III - IDATE Estado e Questionário CPM RESSONÂNCIA MAGNÉTICA INTERVENÇÃO “C” Parte I - Aplicar questionários CPM; IDATE Traço e Estado; Parte II - Informações - O que é Ressonância Magnética? É uma maneira diferente e eficaz de ver o corpo por dentro e que permite aos médicos diagnosticarem com exatidão certas enfermidades. A RM permite examinar tecidos moles como órgãos, músculos, cartilagens, ligamentos e tendões etc. • Quantidade de ar e iluminação suficientes; • Barulho do equipamento; • Entrada e saída do equipamento; • Comunicação com o técnico por meio do microfone; • Exame indolor e seguro. Parte II – Examinar as Crenças Irracionais e transformá-las em racionais. Parte III – Mostrar as salas (aparelho e técnicos) Sala preparada para este tipo de equipamento e exame – você vai se deitar numa “cama” acolchoada que logo vai se deslizar para que à parte do seu corpo que precise ser investigada fique bem visível por dentro e através dessa imagem o seu médico vai poder saber exatamente o que está acontecendo e assim poder te ajudar. Parte IV –IDATE Estado e Questionário CPM RESSONÂNCIA MAGNÉTICA GRUPO CONTROLE Parte I – Aplicar questionários CPM; IDATE Traço e Estado; Parte II – Após espera de 15 minutos: IDATE Estado e Questionário CPM RESSONÂNCIA MAGNÉTICA Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo