2014 16 DESTAQUES - Centros de Acolhimento Temporário e Lares de Infância e Juventude em Portugal Carta Social FOLHA INFORMATIVA Mais Informação sobre a Rede de Serviços e Equipamentos Nota introdutória “As ideias e imagens sobre as crianças, o seu cuidado, as suas necessidades e direitos variam em termos individuais, culturais e históricos, condicionando o desenvolvimento das políticas e práticas que lhes são dirigidas (Woodhead, 1998)”. No âmbito da presente Folha Informativa procurou-se “trazer para a discussão” a temática das crianças em perigo, bem como as respostas públicas dirigidas a este público alvo. Neste contexto, não havendo espaço para analisar todas as valências neste âmbito, optou-se, embora de forma muito sucinta, por focalizar a reflexão nos Carta Social Folha Informativa n.º16, Dezembro 2014 Centros de Atendimento temporário (CAT) e nos Lares de Infância e Juventude (LIJ), pelas razões que mais à frente se especificarão. Dada a relevância humana e social da temática em apreço, poderá a mesma vir a ser aprofundada em próximos trabalhos de investigação. www.cartasocial.pt Gabinete de Estratégia e Planeamento Carta Social | Folha Informativa n.º 16, Dezembro 2014| www.cartasocial.pt | Gabinete de Estratégia e Planeamento 2 4 As crianças e jovens em perigo A prevenção das situações de perigo constitui uma prioridade fundamental do processo de proteção na infância. A prevenção pode assumir uma natureza primária, secundária ou terciária, consoante os seus objetivos e os alvos específicos. A prevenção primária é essencialmente dirigida à população em geral, numa lógica de promoção dos direitos da criança, visando evitar as situações de maus-tratos, negligência ou abuso sexual infantil. A secundária, assenta sobretudo na conceção de programas específicos destinados a indivíduos ou grupos de indivíduos em concreto, identificados como tendo maiores probabilidades de vir a ser vítimas de maus tratos ou de neglicência. Por último, a prevenção terciária, contempla medidas acionadas após a existência de atos e/ou omissões de maus tratos/negligência, com o intuito de evitar que os mesmos continuem a acontecer. O modelo de proteção de crianças e jovens em risco, foi criado em Janeiro de 2001 e promove a participação de vários atores da comunidade, através de uma relação de parceria com o Estado, concretizada nas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ). Estas comissões foram sendo criadas numa primeira fase no âmbito do Decreto- Lei nº 189/91, de 17 de Abril, e numa segunda, através da Lei de Promoção e Proteção aprovada pela Lei nº 147/99, de 1 de Setembro. As comissões têm por objetivo: i) atender e informar as pessoas que se dirigem à comissão de proteção; apreciar as situações de que a comissão de proteção tenha conhecimento; iii) proceder à instrução dos processos; iv) decidir a aplicação e acompanhar e rever as medidas de promoção e proteção, com exceção da medida de confiança a pessoa selecionada para a adoção ou instituição com vista a futura adoção. No âmbito da Rede de Serviços e Equipamentos, encontram-se contempladas um conjunto de respostas sociais destinadas a apoiar crianças e jovens em risco; a saber: Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP); Equipa de Rua de Apoio a Crianças e Jovens; Acolhimento Familiar para Crianças e Jovens, Centro de Acolhimento Temporário (CAT); Lar de Infância e Juventude (LIJ) e Apartamento de Autonomização. Na presente Folha informativa abordar-se-ão, como atrás se referiu, apenas os CAT e os LIJS por constituírem as respostas com mais expressão a este nível. O Centro de Acolhimento Temporário - CAT CAT é uma “resposta social, desenvolvida em equipamento, destinada ao acolhimento urgente e temporário de crianças e jovens em perigo, de duração inferior a seis meses, com base na aplicação de medida de promoção e proteção” (Despacho Secretário de Estado da Segurança Social, exarado em 2006/01/19). De acordo com DGSS (1996), “as características de urgência e transitoriedade desta resposta implicam estudos interdisciplinares rápidos e diagnósticos corretos, conducentes a projetos de vida bem definidos, cujo objetivo prioritário deverá ser, sempre que for possível, a reintegração na família, o que pressupõe trabalhar a família tornando-a progressivamente mais competente e responsável”. Segundo a mesma fonte, a intervenção no âmbito do CAT deverá ser assegurada por equipas multidisciplinares, incluindo a participação da família da criança. Número de respostas socias - CAT 33 35 30 25 19 20 15 13 12 8 10 5 1 2 2 4 7 10 7 6 3 2 3 2 2 0 Nº de respostas 1|Número de respostas sociais CAT por distrito - 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social Capacidade instalada e nº de utentes - CAT 600 500 400 300 200 100 0 Nº UTENTES Capacidade 2|Capacidade instalada e nº de utentes por distrito - 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social Carta Social | Folha Informativa n.º !6, Dezembro 2014| www.cartasocial.pt | Gabinete de Estratégia e Planeamento 3 4 De um maneira geral, a maioria dos utentes dos CAT são indivíduos do sexo masculino (55,5%). Contudo, em distritos como Aveiro, Leiria e Évora, predomina o género feminino. Cerca de 7,4% dos utentes dos CAT apresentam alguma deficiência ou incapacidade. Destes, 70,7% são homens. Focalizando a análise a nível distrital, e tendo em consideração o número total de crianças e jovens com deficiência ou incapacidade a frequentar os CAT, o Porto (36,9%), Faro (24,4%) e Lisboa (16,2%), apresentam-se por esta ordem como os distritos com maior proporção de utentes com deficiência ou incapacidade. Relativamente ao escalão etário, a maioria das crianças que utilizam os CAT tem até 10 anos (64%). Em Dezembro de 2013, os CAT encontravam-se disseminados por todo o território do Continente, existindo, pelo menos uma resposta social em funcionamento em cada distrito. A distribuição do número de CAT não é homogénea em termos distritais, sendo no entanto, na maioria das situações observadas, tendencialmente proporcional ao peso da população residente. Desta forma, os distritos mais populosos como Lisboa e Porto concentram sensivelmente 40% do total destas respostas (38,2%). Ao invés, naqueles em que a densidade populacional é menor, como Portalegre, Beja, ou Bragança, o número de CAT em funcionamento não ultrapassa as duas unidades. No que respeita à distribuição distrital da capacidade instalada e do número de utentes, a realidade observada é, de uma maneira geral, semelhante. A taxa de utilização média desta resposta situa-se nos 84,2%, sendo os distritos de Setúbal, Beja e Lisboa, aqueles onde se verifica uma maior taxa de utilização (cerca de 100%). Lar de Infância e Juventude - LIJ Os LIJ são “equipamentos destinados a crianças e jovens de ambos os sexos, em situação de perigo, a quem a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens ou o Tribunal tenha aplicado uma medida de promoção e proteção para os afastar da família durante mais de seis meses” (ISS,IP, 2014). Para além de assegurar alojamento às crianças em perigo, esta resposta social visa ainda promover o seu desenvolvimento global, das crianças em condições tão aproximadas quanto possível às de uma estrutura familiar, proporcionar meios de formação escolar e profissional, em cooperação com a família e a escola e promover a integração da criança na família e na comunidade de origem, em articulação com outras entidades competentes. Caracterização dos utentes - CAT 300 250 200 150 100 50 0 HOMENS MULHERES 3| Caracterização dos utentes do CAT por género – 2013 Número de respostas sociais - LIJ Fonte: GEP - MSESS, Carta Social 12,8% 57 60 0,2% 50 42 40 41,5% Até 5 anos 6-10 anos 22,9% 11-15 anos 16-20 anos 30 21 17 20 10 7 4 8 6 5 9 12 6 3 3 0 > 20 anos 22,5% Nº de respostas 4| Caracterização dos utentes do CAT por escalão etário – 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social 5| Número de respostas sociais – 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social 16 4 5 7 4_4 Caracterização dos utentes - LIJ Capacidade instalada e nº de utentes - LIJ 800 700 600 500 400 300 200 100 0 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 Nº UTENTES HOMENS Capacidade 6| Capacidade instalada e nº de utentes - LIJ – 2013 7| Caracterização dos utentes do LIJT por género – 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social Fonte: GEP - MSESS, Carta Social 6,2% Tal com o observado para os CAT, os LIJ encontram-se igualmente disseminados por todo o território continental, assumindo igualmente Lisboa e Porto uma preponderância acrescida por comparação com os demais 16 distritos (42,7% dos LIJ encontram-se edificados nos distritos de Lisboa e Porto). Em relação à distribuição quer da capacidade instalada, quer do número de utentes ao nível do distrito, verifica-se um retrato muito idêntico; ou seja, Lisboa e Porto em conjunto, representam 39% e 41%, respetivamente, do total da capacidade instalada e do número de utentes. A taxa de utilização dos LIJ para o Continente situa-se nos 77,9%, sendo os distritos de Leiria (100%), Lisboa (90%) e Setúbal (88%), aqueles em que se verifica uma taxa de utilização mais elevada. Consulte a Carta Social FICHA TÉCNICA TÍTULO: Carta Social – Folha Informativa n.º 16 - Dezembro 2014 EDITOR: Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) AUTOR: Equipa de Estudos e Políticas (EEP) DESIGN GRÁFICO: Equipa de Estudos e Políticas (EEP) PERIODICIDADE: Trimestral ISSN: 1747-3434 Gabinete de Estratégia e Planeamento Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social Praça de Londres, n.º 2 - 5.º andar 1049-056 Lisboa Tel. 21 115 50 00 Fax. 21 115 50 92 E-mail: [email protected] www.cartasocial.pt MULHERES 4,0% 12,1% Até 5 anos 6-10 anos 35,0% 11-15 anos 16-20 anos > 20 anos 42,7% 8| Caracterização dos utentes do LIJ por escalão etário – 2013 Fonte: GEP - MSESS, Carta Social Contrariamente ao observado para os CAT, de uma maneira geral, a maioria dos utentes dos LIJ são mulheres (51,7%). Ainda assim, a diferença percentual em relação ao género masculino é diminuta. Santarém, Guarda e Leiria apresentamse como os distritos com maior proporção de utentes do género feminino. Num plano oposto, Porto, Portalegre e Castelo Branco são os distritos em que o peso do sexo masculino é maior. Os utentes com deficiência ou incapacidade (455), representam cerca de 7,7% dos jovens utilizadores dos LIJ. A proporção de mulheres com deficiência nesta resposta social (54,0%) é igualmente superior à verificada para os homens. Relativamente ao escalão etário, e ao invés do constatado para o CAT, a maioria dos jovens institucionalizados tem ente 11 e 20 anos (64%).