Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Observatório de Equidade Tributário Nacional ................. Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Observatório de Equidade Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Presidência da República Vice-Presidência da República Secretaria de Relações Institucionais Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Presidência da República Secretaria de Relações Institucionais Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Observátorio de Equidade RETRATO DAS DESIGUALDADES NA ESCOLARIZAÇÃO E NO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Brasília, dezembro de 2009 Secretária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Esther Bemerguy de Albuquerque Secretária Adjunta do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Ângela Cotta Ferreira Gomes CONSELHO DIRETOR DO OBSERVATÓRIO DA EQUIDADE Conselheiro Jorge Nazareno Rodrigues Conselheiro José Antônio Moroni Conselheira Juçara Maria Dutra Viana Conselheiro Naomar Monteiro de Almeida Filho Conselheiro Maurílio Biagi Filho Conselheiro Oded Grajew Conselheiro Sérgio Haddad Conselheira Viviane Senna Lalli Conselheira Zilda Arns Neumann Ministro Patrus Ananias Ministro José Múcio Monteiro Filho EQUIPE TÉCNICA DO OBSERVATÓRIO DA EQUIDADE Álvaro Luchiezi Júnior – UNAFISCO André Arthur Cavalcanti – IBGE Ângela M. Rabelo Ferreira Barreto – IPEA Carlos Eduardo Moreno Sampaio – INEP/MEC Cláudio Hamilton Matos dos Santos – IPEA Evilásio da Silva Salvador – INESC Joana Cabete Biava – DIEESE João Belchior – IBGE Jorge Teles – MEC José Aparecido Ribeiro – IPEA Liliane Lúcia Nunes de Aranha Oliveira – INEP/MES Maria Cristina Macdowell Azevedo – ESAF Martha Cassiolato – IPEA Mônica Molina – UNB Monique Santos – IBGE Rogério Boueri – IPEA Rosane de Almeida Maia – DIEESE Sirlei Márcia de Oliveira – DIEESE CONSULTORIA Armando De Negri Érika Amorim Araújo João Lopes de Albuquerque Montenegro Marília Câmara de Assis Pedro Pontual Sônia Gonzaga EDIÇÃO E REDAÇÃO Ana Lúcia de Lima Starling – SEDES/PR Maria França e Leite Velloso – SEDES/PR Rosa Maria Nader – SEDES/PR Anexo I – Ala “A”, sala: 202 – (61) 3411.2199 / 3393 Brasília – DF – CEP 70150-900 [email protected] www.cdes.gov.br PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Brazuca Propaganda Disponível em: CD-ROM Disponível também em: <http//www.cdes.gov.br> Tiragem: 6.000 exemplares --- Impresso no Brasil Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social SUMÁRIO APRESENTAÇÃO .................................................................................................................................5 PARTE I – AS DESIGUALDADES NA ESCOLARIZAÇÃO NO BRASIL As desigualdades na escolarização no Brasil.......................................................................................9 O nível de escolaridade da população brasileira é baixa e desigual ...................................................13 Analfabetismo...................................................................................................................................15 Educação Infantil ..............................................................................................................................19 Educação Fundamental.....................................................................................................................21 Ensino Médio ....................................................................................................................................25 Educação Técnica e Formação Profissional Continuada .....................................................................29 PARTE II – INDICADORES DE EQUIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Indicadores de equidade do sistema tributário nacional ....................................................................35 Sistema tributário regressivo e carga mal distribuída ........................................................................39 Retorno social baixo em relação à carga tributária ............................................................................41 Estrutura tributária desincentiva as atividades produtivas e geração de emprego..............................43 Inadequação do pacto federativo em relação a suas competências tributárias, responsabilidades e territorialidades .................................................................................................45 Não há cidadania tributária ...............................................................................................................49 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social APRESENTAÇÃO O Observatório da Equidade do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social é um espaço de leitura da realidade brasileira a partir do esforço para identificar as desigualdades e desnaturalizá-las, interpretando-as como iniquidades. ções governamentais e não-governamentais. O objetivo de interagir com uma rede de organizações é ampliar o debate e obter aportes para elaboração das análises e recomendações sobre as políticas públicas e sua execução, do ponto de vista da equidade. Seu objetivo é aportar capacidade e instrumentos ao Conselho e à sociedade brasileira para acompanhar o enfrentamento do problema das desigualdades no País. A estratégia metodológica do Observatório articula a dimensão técnica e a política como elementos constituintes dessa ferramenta que é, em primeira instância, uma ferramenta de pedagogia política que pretende construir e disponibilizar conhecimento para fundamentar proposições do Conselho e da sociedade. A partir de cada Relatório de Observação, resultado técnico do processo de observação, elaborado pelo Comitê Técnico e enriquecido pelo debate e contribuições da Rede de Observação, o CDES elabora um Parecer de Observação, resultado político, que apresenta opiniões e proposições sobre a situação analisada e recomendações para políticas e ações, que é debatido e aprovado no Pleno do Conselho. O Observatório conta com um Comitê Técnico constituído pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), e Secretaria do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (SEDES). Para contribuir nas suas reflexões, o Observatório mobiliza também uma Rede de Observação formada por adesão e constituída por especialistas e organiza- Atualmente, duas políticas que estão fortemente articuladas em seus efeitos sociais são objeto de observação do Observatório da Equidade: a política educacional e a tributária: Educação: neste tema o desafio é identificar e acompanhar os fatores relacionados às desigualdades na educação brasileira e construir proposições para que o Estado e a sociedade civil promovam iniciativas para ampliar o nível de escolaridade da população, melhorando Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 5 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social o desempenho do sistema educacional. Sobre o tema já foram produzidos três relatórios, que são utilizados pelos conselheiros do CDES e suas redes, pelo MEC e demais órgãos do Governo federal, pela rede do Observatório, e são objetos de debate das conferências estaduais e nacional de educação. Sistema Tributário Nacional: surgiu, como tema de observação, da necessidade de subsidiar o debate no CDES sobre a reforma do sistema tributário nacional. Pela primeira vez, é realizado um estudo nacional, amplo e qualificado sobre o impacto dos tributos brasileiros do ponto de vista da equidade. A importância do tema pode ser medida pela ampla rede mobilizada para o debate. É propósito do Observatório da Equidade avançar na construção metodológica que permita ir além da simples caracterização das 6 desigualdades entre as classes sociais, etnias, gêneros, e entre territórios sociais brasileiros, indo na direção de identificar aquelas que são injustas, desnecessárias e evitáveis, e que as tornam iniquidades. A leitura dos problemas pertinentes aos temas observados recebeu um avanço no processo de acompanhamento que pretende construir metodologia para observar as iniquidades. É um passo em um percurso que o Observatório vem trilhando em cooperação com Conselheiros do CDES e com uma grande diversidade de atores governamentais e da sociedade, a quem denominamos Rede de Observação. Esta publicação, em versão ilustrada, produzida pelo Observatório da Equidade, tem o objetivo de apresentar, de maneira sintética, os resultados da observação dos problemas existentes no que se refere à escolarização no Brasil e ao sistema tributário nacional. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional PARTE I AS DESIGUALDADES NA ESCOLARIZAÇÃO NO BRASIL Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social AS DESIGUALDADES NA ESCOLARIZAÇÃO NO BRASIL A capacidade de potencializar condições de acesso aos direitos, promovendo a cidadania e o desenvolvimento social, torna a educação um fator determinante do processo de desenvolvimento humano nas sociedades contemporâneas. Sintonizado com esta compreensão, o CDES recomendou, em 2005, a prioridade do desafio para o Estado e a sociedade civil promoverem iniciativas para ampliar o nível de escolaridade da população brasileira. Desde então, o Observatório da Equidade vem acompanhando indicadores que identificam os principais problemas que compõem tal desafio, expresso de modo a identificar possibilidades de intervenção política. A explicação da situação educacional brasileira desenvolvida no âmbito do Observatório da Equidade identificou o macro-problema implícito no desafio, os problemas específicos que o originam e suas causas mais importantes. Esses problemas e causas foram traduzidos em indicadores existentes na literatura ou criados pelas instituições participantes do Observatório da Equidade. O macro-problema foi assim formulado: “o nível de escolaridade da população brasileira é baixo e desigual”, resultando de seis problemas inter-relacionados: a persistência 1 do analfabetismo; insuficiências e desigualdades nas etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), na educação profissional e no ensino superior1, conforme representado no Quadro da pág. 11. Para cada um desses problemas foram identificadas causas associadas relativas ao acesso e à permanência do aluno ao nível ou modalidade de ensino e à qualidade do atendimento educacional. Neste capítulo apresentamos os indicadores, atualizados durante os três anos de observação, possibilitando acompanhar a evolução das desigualdades no período 2004/2007. Em alguns indicadores são apresentados resultados para 2008. A experiência acumulada pelo Observatório da Equidade no acompanhamento dos indicadores selecionados em 2005 e das ações introduzidas nas políticas educacionais aponta para a importância de revisitar o esquema explicativo para os problemas de escolarização o que, muito provavelmente, resultará na reformulação do conjunto de indicadores. Os procedimentos metodológicos adotados pelo Comitê Técnico prevêem revisões sistemáticas dos indicadores selecionados, tanto na forma de elaboração quanto no conteúdo e adequação ao fenômeno social ao qual foi atribuído. O diagnóstico e identificação de indicadores de acompanhamento para o ensino superior estão previstos no plano de trabalho para 2010. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 9 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social AS DESIGUALDADES NA ESCOLARIZAÇÃO NO BRASIL O nível de escolaridade da população brasileira é baixo e desigual MACRO PROBLEMA Persistência de elevado contingente de analfabetos, reforçando desigualdades. Acesso restrito à educação infantil de qualidade INDICADORES Número de analfabetos Taxa de frequência de crianças em creche e pré-escola DADOS* 14,1 milhões PROBLEMAS De 0 a 3 anos: 17,1% > Níveis insuficientes e desiguais de desempenho e conclusão do ensino fundamental, com acesso limitado para alunos com deficiência > Média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais de idade Níveis insuficientes de acesso, permanência, desempenho e conclusão do ensino médio > Acesso restrito e desigual ao ensino superior BRASIL 7,3 anos Insuficiência da oferta de qualidade e desarticulação dos subsistemas de educação técnica e de formação profissional continuada Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB Relação entre matrícula na educação profissional técnica e estimativa da demanda potencial Brasil: 3,8 Brasil: 3,5 Brasil: 10,6% De 4 e 5 anos: 70,1% *Dados: PNAD/ IBGE, 2007. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 11 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Resumo de Indicadores do Observatório – Tema Educação a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/PNAD 2008 2006 2007 2008 7,2 4,9 10,3 7,2 4,8 10,3 7,4 5,1 10,4 10,4 10,1 10,0 20,7 5,7 19,9 5,5 19,4 5,5 3 – Taxa de analfabetismo por grupos de idade 15 a 24 anos 60 anos ou mais 2,4 29,3 2,2 28,7 2,2 28,0 4 – Taxa de frequência à creche/pré-escola das crianças de 0 a 3 anos de idade, por situação de domicílio Urbana Rural 17,6 6,6 19,5 6,4 20,6 7,2 5 – Taxa de frequência à creche/pré-escola das crianças de 4 a 5 anos de idade, por situação de domicílio Urbana Rural 72,0 50,0 73,8 54,9 76,1 59,2 6 – Taxa de escolarização líquida das pessoas de 15 a 17 anos de idade, total e por quintos selecionados Total 20% mais pobres (1º quinto) 20% mais ricos (último quinto) 47,0 24,6 77,1 48,2 28,1 76,9 50,5 30,5 78,3 7 – Pessoas de 18 a 24 anos de idade com 11 anos de estudo 34,6 34,8 36,8 8 – Pessoas de 18 a 24 anos de idade com 11 anos de estudo que não estão estudando (baixa educação- proporção de pessoas de 18 a 24 anos que não estão estudando e têm apenas o ensino médio) 29,2 30,0 31,8 9 – Pessoas de 18 a 24 anos de idade com menos de 11 anos de estudo que não estão estudando 34,1 35,5 34,1 1 – Média de anos de estudo das pessoas de 15 anos e mais, total e por quintos selecionados Total 20% mais pobres (1º quinto) 20% mais ricos (último quinto) 2 – Taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, total e por regiões selecionadas Nordeste Sul 12 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social O NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA É BAIXO E DESIGUAL O baixo nível de escolarização da população persiste como o macro-problema educacional brasileiro, resultante dos problemas existentes nos diferentes níveis de ensino e da persistência dos elevados índices de analfabetismo. Número médio de anos de estudos da população de 15 anos ou mais por situação do domicílio – Brasil e Grandes Regiões Geográficas – 2004/2007 6,8 7,3 7,9 7,4 4,0 TOTAL BRASIL 2004 2008 URBANA 2004 2008 RURAL 2004 4,6 2008 Fonte: IBGE – PNAD 2004/2008. 7,6 8,3 7,1 4,8 Urbano Rural NORTE 3,8 Urbano Rural NORDESTE 8,3 8,1 5,4 5,7 Urbano Rural SUDESTE Urbano Rural SUL 5,2 Urbano Rural CENTRO-OESTE Fonte: IBGE – PNAD 2004/2008. A SITUAÇÃO MAIS GRAVE É A DO NORDESTE: • Sua população de 15 anos e mais tem a menor escolaridade – 2 anos a menos que a escolaridade do Sudeste. • Na zona rural nordestina, a população de 15 anos e mais tem menos de 5 anos de escolaridade. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 13 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Estudos do INEP sobre estes dados indicam que, se for mantido o ritmo atual de evolução, sem forte intervenção de políticas públicas integradas, a população rural levará mais de 30 anos para atingir o atual nível de escolaridade da população urbana. 7,3 anos 6,6 anos 8,3 anos 10,4 anos 5,1 anos Homem Preta/Parda 7,6 anos Branca Mulher 20% + Pobre 20% + Rico Apenas os brancos e os 20% mais ricos completaram o ensino básico A população brasileira alcançar pelo menos a escolaridade obrigatória entre os 4 aos 17 anos. 14 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ANALFABETISMO Persistência de elevado contingente de analfabetos, reforçando as desigualdades 10% da população brasileira é analfabeta (PNAD/IBGE, 2008). Isso representa 14 milhões e 200 mil pessoas sem considerar os analfabetos funcionais. Nos últimos 27 anos a redução foi apenas de 13,2 pontos percentuais, ou cerca de 0,5% a cada ano!!! A análise da combinação entre diferenças regionais e de situação do domicílio aponta um quadro de desigualdade preocupante. No Nordeste, a desigualdade é maior quando comparada a outras regiões, e há maior diferença entre os meios rural e urbano. Os índices mostram que há 34,31% de analfabetos na população rural enquanto nas cidades 14,1% ainda não estão alfabetizados. Mesmo no Sudeste, a taxa de analfabetismo da população rural (15,1%) corresponde ao triplo dos analfabetos da população urbana (5,1%). O Gráfico apresenta esta situação. Taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais segundo a situação do domicílio – Brasil e Grandes Regiões 2008 34,3 23,5 19,4 7,5 Urbano Rural BRASIL 15,4 15,1 14,1 9,1 8,4 5,1 Urbano Rural NORTE Urbano Rural NORDESTE Urbano Rural SUDESTE 4,7 Urbano Rural SUL 7,2 Urbano Rural CENTRO-OESTE Fonte: IBGE – PNAD 2004/2008. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 15 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Situação atual dos grupos sociais Taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais por sexo, grupos de idade, situação de domicílio e cor/raça – Brasil – PNAD/IBGE – 2008 9,8 Mulher 10,2 Homem 15 a 17 anos 1,7 18 a 24 anos 2,4 25 a 29 anos 4,2 30 a 34 anos 6,1 35 a 44 anos 8,1 11,1 45 a 54 anos 55 a 64 anos 19,0 65 anos ou mais 30,9 Rural 23,5 7,5 Urbano 13,6 Preta/Parda 6,2 Brancos 0 16 5,0 10,0 15,0 20,0 Taxa de analfabetismo (%) Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 25,0 30,0 35,0 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Onde estão os analfabetos? Onde é preciso concentrar esforços? No No Nordeste Nordeste -- 19,4% 19,4% Na zona rural Na zona rural - 23,5% 23,5% Entre pretos e pardos 13,6% Entre pretos e pardos - 13,6% Entre Entre os os 20% 20% mais mais pobres pobres -- 18,6% 18,6% Entre pessoas de 60 anos e mais Entre pessoas de 60 anos e mais - 28,0% 28,0% Enquanto isso as menores taxas de analfabetismo estão: No No Sul Sul -- 5,5% 5,5% Na zona urbana Na zona urbana - 7,5% 7,5% Entre os brancos 6,2% Entre os brancos - 6,2% Entre os Entre os 20% 20% mais mais ricos ricos -- 2,0% 2,0% Entre jovens de 15 a 24 anos 2,2% Entre jovens de 15 a 24 anos - 2,2% Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 17 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social EDUCAÇÃO INFANTIL Acesso restrito à educação infantil de qualidade Crianças de 0 a 3 anos – Apenas 18% das crianças tiveram acesso à creche 75% dos municípios brasileiros oferecem creches públicas, mas... a cobertura é insuficiente; Mais de 75% dos professores de educação infantil têm magistério ou licenciatura; Mais da metade dos equipamentos de educação infantil não tem parque infantil; Crianças que frequentam creche Preta / Parda - 15,5% Rural - 7,2% Norte - 8,7% 20% mais pobre - 11,5% Branca - 20,7% Urbana - 20,6% Sul - 25,1% 20% mais rico - 37,7% No meio rural a criança tem 3 vezes MENOS chance de frequentar creche. O Norte é a região que menos oferece creches públicas. A criança pobre tem 3 vezes MENOS chance de frequentar creche. Fonte: PNAD/IBGE, 2008. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 19 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Crianças de 4 e 5 anos – Ainda há 27,2% das crianças sem acesso à pré-escola pública 93% dos municípios oferecem pré-escola, mas a cobertura é insuficiente: Crianças que frequentam a pré-escola Preta / Parda - 70,8% Rural - 59,2% Sul - 59,9% 20% mais pobre - 64,5% Branca - 75,2% Urbana - 76,1% Nordeste - 79,6% 20% mais rico - 94,2% Fonte: PNAD/IBGE, 2008. 20 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social EDUCAÇÃO FUDAMENTAL Níveis insuficientes e desiguais de desempenho e conclusão do ensino fundamental, com acesso limitado para alunos com deficiência O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o IDEB, é o indicador adotado pelo MEC para avaliar a qualidade do desempenho e do rendimento escolar. 20,1% Taxa de Repetência 6,9% Taxa de evasão 87,6% Taxa média esperada de conclusão da 4ª série 53,8% Taxa média esperada de conclusão da 8ª série Fonte:Fonte: INEP/MEC, 2005.2005 INEP/MEC, 65% 56,4% IDEB 2007 6,7% Anos iniciais Anos finais Escolas que ultrapassaram a meta do IDEB 28% (7.443 escolas) 36,3% (6.510 escolas) 7,3% Anos iniciais Anos finais Escolas que atingiram a meta do IDEB Anos iniciais Anos finais Escolas que não atingiram a meta do IDEB Para que o IDEB de uma escola ou rede cresça é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente a sala de aula. Apesar de praticamente universalizada, permanecem problemas de acesso à educação para os alunos com deficiência. Não chega a 30% a proporção de escolas de ensino regular com inclusão de alunos com deficiência 90% delas não possuem dependências e vias adequadas. Melhorar o desempenho – favorecer aprendizagens Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 21 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Nos últimos 4 anos, aumentou a proporção de professores com licenciatura no ensino fundamental: Proporção de professores SEM licenciatura 56,9% 47,3% 28,6% 22,2% 2005 2006 Anos iniciais do ensino fundamental 26,8% 18,0% 19,6% 2007 17,3% 2008 Anos finais do ensino fundamental Potencializar o esforço de alunos, professores e sociedade para melhorar o desempenho e a qualidade do ensino: • compromisso do poder público em todos os níveis; • compromisso dos atores da escola e da comunidade; • intercâmbio de boas práticas entre as escolas. 22 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social A infraestrutura escolar na rede pública vem melhorando gradativamente: Alunos em escola sem biblioteca 57,9% Alunos em escolas sem quadras 53,9% 46,3% 32,1% 45,0% 42,4% 40,0% 27,9% 2005 2006 2007 2008 2005 2006 2007 2008 Mas na área rural, a iniquidade aparece na condição das escolas, onde: 23% das escolas rurais não têm energia elétrica 75% das escolas rurais não têm biblioteca 98% das escolas rurais não têm laboratório de ciências 90% dos alunos das escolas rurais não têm acesso à internet Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 23 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ENSINO MÉDIO Níveis insuficientes de acesso, permanência, desempenho e conclusão do ensino médio 22,6% Taxa de Repetência Taxa de evasão Taxa média esperada de conclusão do 3° ano 10% 66,6% Fonte: INEP/MEC, 2005. A insuficiência de acesso dos jovens entre 15 e 17 anos ao ensino médio persiste como problema, potencializado pelas altas taxas de distorção idade-série. 50,4% de jovens de 15 a 17 anos estão cursando o ensino médio. O ensino médio revela as maiores desigualdades na cobertura de grupos sociais e territórios. Preta/Parda - 42,2% Rural - 33,3% Nordeste - 36,4% Homens - 44,4% 20% mais pobres - 30,5% Branca - 61,0% Urbana - 54,3% Sudeste - 61,9% Mulheres - 56,8% 20% mais ricos - 78,3% Um estudante cuja família tem rendimento médio mensal entre os 20% mais ricos tem quase 2 e meia vezes mais chance de cursar o ensino médio do que os 20% mais pobres. Fonte: PNAD/IBGE, 2008. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 25 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social As desigualdades no acesso/permanência no ensino médio para as populações rural e urbana, preta-parda e branca, e entre regiões estão acima de 20%. O mais grave é a redução no número de vagas ao longo dos anos de escolarização. No campo as oportunidades de estudar são muito menores: • Ensino fundamental: há 2,3 vagas nos anos iniciais para uma vaga nos anos finais; • Ensino médio: para cada seis vagas nos anos finais do ensino fundamental uma vaga é oferecida no ensino médio (e nem sempre está ao alcance do aluno). Percentual de matrículas por nível de ensino segundo a localização Brasil – 2007 67% 40% 36% 29% 23% 5% URBANO Ensino Fundamental Anos Iniciais RURAL Ensino Fundamental Anos Finais Fonte: MEC/INEP – EducaCenso 2007. 26 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Ensino Médio Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social As condições de funcionamento das escolas no nível médio, tanto no ensino regular quanto na EJA melhoraram com a implantação de políticas do livro didático, merenda, transporte e infraestrutura das escolas. Percentual de professores habilitados por disciplina 2005 2007 Em física 10% 24,9% Em biologia 44,4% 54,4% Em química 22,2% 36,0% Em matemática 20,4% 48,1% 2005 2008 Com laboratório de informática 60,5% 90,4% Com biblioteca 61,9% 90,1% 49% 53,7% Infra-estrutura em escolas da rede pública Com laboratório de ciências O rendimento médio mensal dos professores com formação de nível superior (30hs semanais) teve um incremento de 2005 para 2008, aumentando de R$ 1.247,22 para R$ 1.526,62. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 27 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social EDUCAÇÃO TÉCNICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTINUADA Insuficiência da oferta de qualidade e desarticulação dos subsistemas de educação técnica e de formação profissional continuada CONTEXTO Insuficiência de recursos para financiamento da educação profissional (1) Em 2006 apenas 1,9%, foi o percentual destinado ao financiamento da educação profissional em relação ao total do gasto público com educação Inadequação de oferta às demandas / necessidades dos trabalhadores e empresas segundo setor de atividades (1) Brasil/2007: somente 6,8% de matrículas na educação técnica nas 10 áreas de maior oferta de emprego Rede Pública: 4,4% Rede Privada: 8,9% A maior concentração da distribuição de matrículas na formação inicial e continuada de trabalhadores está na região Nordeste = 37,1% (2007) Concentração territorial da oferta de educação profissional (1 e 2) O Sudeste é a região com o maior percentual de municípios com oferta de educação técnica = 42% (2008) A região Norte com 69,7% é a que possui o maior percentual de matrículas na educação técnica em municípios de capitais (2008) Proporção de estabelecimentos de ensino de educação técnica que dispõem de laboratórios por região (inclui ciências e/ou informática e/ou outros laboratórios/oficinas) (1) BRASIL/2008: 80,4% Rede Pública: 91,4% Rede Privada: 75,1% Inexistência de previsão legal de financiamento para a educação profissional técnica (4) Em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei para criação do FUNDEP (2009) Insuficiente integração da formação inicial e continuada dos trabalhadores com a elevação da escolaridade (3) No Brasil, em 2007, foram apenas 23% os concluintes do PNQ que realizaram cursos com elevação de escolaridade Nordeste: 2,7% Norte: 60,0% Fontes: (1) INEP/MEC. (2) PNAD/IBGE. (3) Programa Nacional de Qualificação, Ministério do Trabalho e Emprego. (4) Congresso Nacional. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 29 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Pessoas que frequentavam cursos de educação profissional em 2007 Em 2007, 6 milhões de pessoas frequentavam cursos de Educação Profissional, representando 3,8% da população de 10 anos ou mais de idade. Mesmo entre a população adulta (cerca de 4 milhões de pessoas) a proporção se mantinha: apenas 3,3% das pessoas de 18 anos ou mais de idade frequentavam cursos de Educação Profissional. A grande maioria (80%) freqüentava cursos de qualificação profissional, enquanto (17,6%) estavam nos cursos de Técnico de Nível Médio e (1,5%) nos cursos de Graduação Tecnológica. Distribuição percentual das pessoas de 10 anos ou mais de idade que freqüentavam curso de educação profissional, por segmento, segundo as Grandes Regiões – Brasil 2007 56,3% 54,6% 48,9% 21,6% 19,6% 19,1% 16,6% 15,9% 14,4% 5,9% 5,5% 7,0% NORTE NORDESTE Qualificação Profissional SUDESTE Técnico de Nível Médio Fonte: PNAD/IBGE, 2007. 30 7,2% 4,4% 3,0% Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional SUL CENTRO-OESTE Graduação Tecnológica Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social O perfil das pessoas com 10 anos ou mais de idade que frequentavam cursos de Educação Profissional em 2007 era: Brasil: 55,2% de pessoas que frequentavam educação profissional estavam na faixa etária de 10 a 24 anos Brasil: 36,0% das pessoas possuíam ensino médio completo ou equivalente Brasil: 29,5% das pessoas possuíam rendimento mensal domiciliar per capita entre 1 e 2 salários mínimos Brasil: 84,6% das pessoas nesta faixa estavam ocupadas 55,7% frequentavam curso de qualificação profissional 30,3% frequentavam curso de qualificação profissional 28,0% frequentavam curso de qualificação profissional 84,0% frequentavam curso de qualificação profissional 53,4% frequentavam curso técnico de nível médio 60,0% frequentavam curso técnico de nível médio 36,0% frequentavam curso técnico de nível médio 86,0% frequentavam curso técnico de nível médio 44,8% frequentavam curso em graduação tecnológica 35,8% frequentavam curso em graduação tecnológica 33,0% frequentavam curso em graduação tecnológica 93,8% frequentavam curso em graduação tecnológica Fonte: PNAD/IBGE, 2007. Quanto maior o nível de escolarização menor é a frequência dos mais pobres. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 31 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social BRASIL: Os dados mostram a preponderância das instituições de ensino particular nos três segmentos (qualificação profissional, técnico de nível médio e graduação tecnológica) entre as pessoas que frequentavam cursos de educação profissional em 2007. Tipologia de instituição de ensino Segmento do curso de educação profissional Qualificação Profissional Técnico de Nível Médio Graduação Tecnológica Instituição de ensino vinculada ao Sistema S (Senai, Senac, Sebrae, etc) 14% 13,4% 0,7% Instituição de ensino público (Federal, Estadual, ou Municipal) 21% 36,7% 28,3% Instituição de ensino particular 61% 49,6% 69,5% Outro tipo 4% 0,3% 1,5 Fonte: PNAD/IBGE, 2007. Pessoas que não frequentavam cursos de educação profissional em 2007 Perfil das pessoas de 10 anos ou mais de idade que não frequentavam educação profissional em 2007: 24,5% de pessoas com 50 anos ou mais de idade 44,0% com ensino fundamental incompleto 27,8% com rendimento mensal domiciliar entre ½ e 1 salário mínimo 93,0% de pessoas ocupadas Motivos que levaram a não freqüentar cursos de educação profissional 68,4% das pessoas apontaram ausência de interesse e 13,0% falta de recursos para arcar com cursos privados (cursos pagos). 32 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Impactos da educação profissional Dados mostram aumento de empregabilidade e de salário para pessoas de 15 a 45 anos que frequentaram cursos de educação profissional. Segundo a tabela abaixo cerca de 76% das pessoas nesta faixa etária estão ocupadas e a média de salário é de R$ 842,18. Segmento do curso de educação profissional % Ocupados na PEA % PEA na PIA* Salário dos Ocupados (R$) TOTAL 90,11 75,93 842,18 TOTAL – frequentaram 89,60 85,44 1.055,96 Qualificação Profissional 88,82 84,34 955,72 Técnico de Nível Médio 92,56 89,96 1.399,71 Graduação Tecnológica 98,10 97,30 2.706,72 * PIA: População em idade ativa. Fonte: CPS/FGV a partir dos microdados do Suplemento PNAD/IBGE, 2007. Em relação a utilização ou não dos cursos realizados no desempenho do trabalho, 58% das pessoas exerceram função na área que se qualificaram, sendo que o maior percentual foi observado no segmento da graduação tecnológica (77,2%). Exercício ou não de trabalho na área em que se qualificaram Segmento do curso de educação Qualificação Profissional Técnico de Nível Médio Graduação Tecnológica Trabalhavam ou trabalharam na área 56,4% 65,2% 77,2% Nunca trabalharam na área 43,6% 34,8 22,8% Fonte: CPS/FGV a partir dos microdados do Suplemento PNAD/IBGE, 2007. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 33 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social • Garantir a educação básica de qualidade como fundamento da educação profissional; • Articular oferta de educação profissional e a demanda social e dos setores produtivos; • Implementar mecanismos de articulação entre os cursos nos níveis de qualificação profissional, técnico de nível médio, graduação tecnológica e as esferas do poder público; • Dispor de mecanismos de financiamento de práticas inclusivas em programas de educação profissional; • Definir e implementar sistemas de certificação de cursos de educação profissional e de avaliação de resultados junto à população atendida; • Viabilizar estratégias de ação garantidoras da democratização da Educação Profissional como direito de todos. 34 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional PARTE II INDICADORES DE EQUIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social INDICADORES DE EQUIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Um sistema tributário nada mais é do que a reunião de um conjunto de impostos, taxas e contribuições por meio dos quais o Estado obtém recursos para o exercício das suas funções básicas, como a oferta de bens e serviços essenciais para o bem-estar da coletividade. É, também, com os recursos arrecadados dos cidadãos que o Estado pode implementar uma política de gastos com implicações redistributivas da renda nacional de um País. A cobrança de tributos está associada à idéia de que a sociedade deve contribuir para que todo cidadão, seja ele rico ou pobre, tenha direito a um ensino de boa qualidade, tratamento adequado das suas enfermidades, condições dignas de moradia etc. A questão é saber qual deve ser o tamanho da contribuição de cada indivíduo. Um princípio norteador é o da equidade, segundo o qual o ônus fiscal deve ser distribuído de maneira progressiva: aqueles que contam com maior nível de rendimento e estoque de riquezas devem contribuir proporcionalmente mais com o pagamento de tributos. Uma vez respeitado este princípio, o sistema de arrecadação, além de fornecer ao Estado os recursos necessários para a execução das políticas públicas, pode se converter em um poderoso instrumento de redistribuição de renda. Os tributos diretos, incidentes sobre a renda e o patrimônio, favorecem a justiça fiscal à medida que permitem a graduação da carga tributária de acordo com as características socioeconômicas das famílias. Já os tributos indiretos, incidentes sobre o consumo, não oferecem as mesmas possibilidades. Por exemplo, uma pessoa que ganha um salário mínimo, ao adquirir uma geladeira, paga o mesmo montante de impostos que um cidadão com renda mais alta. Em contextos federativos, critérios de equidade também devem orientar a distribuição dos recursos tributários no território. Em um país justo, um sistema de transferências em favor das unidades economicamente mais frágeis deve garantir que o cidadão, independente do local de sua residência, tenha acesso a serviços públicos com um padrão mínimo de qualidade e grau de cobertura. Os resultados da observação dos principais problemas do sistema tributário nacional demonstraram que o Brasil tem caminhado no sentido contrário à justiça fiscal: Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 37 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social o sistema é injusto porque a distribuição da carga tributária desrespeita o princípio da equidade; o sistema é injusto porque o retorno social é baixo em relação à carga tributária; o sistema é injusto porque o grande número de tributos, a persistência da tributação em cascata, a tributação da folha de pagamentos, o excesso de burocracia, as deficiências dos mecanismos de desoneração das exportações e dos investimentos desincentivam as 38 atividades produtivas e a geração de empregos; o sistema é injusto porque a distribuição de recursos no âmbito da federação não se orienta por critérios de equidade. O desenho das transferências entre esferas de governo, ao invés de perseguir a equalização entre os montantes de recursos à disposição das unidades locais, tende a favorecer a desigualdade; e o sistema é injusto porque não se verificam as condições adequadas para o exercício da cidadania tributária. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social INDICADORES DE EQUIDADE DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Sistema tributário nacional é injusto MACRO PROBLEMA PROBLEMAS Sistema tributário regressivo e carga mal distribuída. Retorno social baixo em relação à carga tributária Estrutura tributária desincentiva as atividades produtivas e a geração de emprego Inadequação do pacto federativo em relação a suas competências tributárias, responsabilidades e territorialidades Não há cidadania tributária INDICADORES Carga tributária por faixa de salário mínimo Investimentos públicos em saúde, educação, segurança pública, habitação e saneamento [% PIB] Eleição dos três principais problemas do sistema tributário nacional [% de votos] Razão entre os orçamentos per capita municipais máximo e mínimo Carga tributária sobre produtos finais não é conhecida Pessoas que ganham até 2 salários mínimos pagam 48,8% da renda em tributos De uma carga tributária de 33,8%, apenas 9,5% retornam à sociedade na forma de investimentos em educação, saúde, segurança pública, habitação e saneamento Grande número de tributos (76%), tributos cumulativos (57%) e tributação sobre a folha de pagamento (44%) DADOS* Pessoas que ganham acima de 30 salários mínimos pagam 26,3% da renda em tributos O maior orçamento per capita municipal supera em 41 vezes o menor orçamento. Se descontadas as transferências intergovernamentais, essa proporção cai para 10 A União arrecada IPI, COFINS, CIDE e PI sobre diferentes bases de incidência e cobrança não harmonizada. Existem 27 legislações para o ICMS e 5.564 para o ISS * Ano base de cálculo: 2005. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 39 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social SISTEMA TRIBUTÁRIO REGRESSIVO E CARGA MAL DISTRIBUÍDA Carga tributária por faixa de salário mínimo, grupo social e escolarização Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 41 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social RETORNO SOCIAL BAIXO EM RELAÇÃO À CARGA TRIBUTÁRIA Investimentos públicos [% PIB] – de uma carga tributária de 33,8% apenas 9,5% retornou à sociedade na forma de investimentos ou em educação (4,4%), saúde (3,5%), segurança pública (1,2%), habitação e saneamento (0,4%). Retorno social na forma de bens e serviços públicos Retorno social na forma 4,4% 4,4% de bens e serviços públicos 9,5% 9,5% 3,5% 3,5% 1,2% 1,2% 0,4% 0,4% Educação Saúde Segurança Habitação Pública Saneamento Educação Saúde Segurança Habitação Pública Saneamento 33,8% 33,8% Déficit habitacional 6,4 milhões de habitações em áreas urbanas (2005); habitacional 65,1% acessoDéficit à água e esgoto; 6,4 milhões de habitações em áreas urbanas (2005); 65,1% acesso à água e esgoto; Investimento em educação e saúde em relação aos padrões internacionais (% PIB) Investimento em educação e saúde em relação aos padrões internacionais (% PIB) 5,5% 5,0% 5,5% 5,0% Educação Saúde Educação Saúde 4,7% 4,4% 4,7% 4,4% 4,0% 7,0% 6,5% 6,2% 4,0% 7,0% 6,5% 6,2% EUA União Colômbia BRASIL Argentina EUA Européia União Colômbia BRASIL Argentina e OCDE Européia e OCDE Fontes: SIOPS/Ministério da Saúde, 2008. Secretaria do Tesouro Nacional, 2008. OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, 2008. CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, 2007. OMS – Organização Mundial da Saúde, 2008. México México 4,5% 3,5% 4,5% 3,5% União Colômbia Argentina Européia União Colômbia Argentina Européia 2,9% BRASIL 2,9% México BRASIL México Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 43 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social ESTRUTURA TRIBUTÁRIA DESINCENTIVA AS ATIVIDADES PRODUTIVAS E A GERAÇÃO DE EMPREGO Principais problemas do sistema tributário nacional Grande número de tributos (76%) Tributos cumulativos (57%) Tributação sobre folha de pagamento (44%) A “burocracia” consome 7% do tempo administrativo das empresas brasileiras e, 4,1% das empresas na América Latina. 17,4% – arrecadação original de tributos cumulativos (ISS, CIDE-combustíveis, PIS/COFINS) De 42,3% a 50% do salário (2008) Existem 27 legislações para o ICMS e 5.564 para o ISS. Fonte: Confederação Nacional da Indústria, 2005. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 45 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social INADEQUAÇÃO DO PACTO FEDERATIVO EM RELAÇÃO A SUAS COMPETÊNCIAS TRIBUTÁRIAS, RESPONSABILIDADES E TERRITORIALIDADES Estados mais pobres recebem repasses menores -> Norte / Nordeste (44%); Municípios com maior orçamento per capita recebem 5 vezes mais trânsferências do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) do que os municípios com menor orçamento; Municípios mais pobres Municípios mais ricos - Baixa escolaridade - Déficit habitacional - Menores transferências - Per capita mais baixo - Alta escolaridade - Maiores transferências - Per capita mais alto Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 47 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social O maior orçamento per capita municipal supera 41 vezes o menor. Se descontadas as transferências intergovernamentais, essa proporção cai para 10. Razão entre orçamentos per capita municipais máximo e mínimo*: Tupirama/TO - R$ 3.539,00 Normandia/RO - R$ 276,00 São Francisco do Conde/BA - R$ 7.414,00 Cabeceiras do Paraguaçu/BA - R$ 394,00 RR AP AM PA MA RN CE PB PE PI AC TO RO AL SE BA MT GO DF Alto Horizonte/GO - R$ 4.863,00 Trindade/GO - R$ 547,00 MG MS ES SP RJ PR SC RS Triunfo/RS - R$ 5.771,00 Alvorada/RS - R$ 545,00 * Excluindo o Distrito Federal. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional, 2006. 48 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Quissamã/RJ - R$ 10.798,00 São João de Meriti/RJ - R$ 260,00 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sistema de transferências favorece a desigualdade: Municípios 20% mais pobres* Municípios 20% mais ricos* Razão Orçamento per capita R$ 850,00 R$ 1.700,00 2 vezes Transferências intergovernamentais R$ 544,00 R$ 1.454,00 2,67 vezes Repasse da cota-parte do ICMS R$ 74,00 R$ 613,00 8,28 vezes Repasse da cota-parte do ICMS R$ 7,00 R$ 142,00 20,3 vezes R$ 190,00 R$ 289,00 1,5 vez 25% da pop. brasileira 8% da pop. brasileira Tranferências Transferências de FPM População residente * Excluindo as capitais. Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional, 2006. Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 49 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social NÃO HÁ CIDADANIA TRIBUTÁRIA A Únião arrecada IPI, CONFINS, CIDE e PIS sobre bases de incidência e cobrança não harmonizada. Existem 27 legislações para o ICMS e 5.564 para o ISS. Carga tributária sobre produtos finais não é conhecida Produção? Comercialização de bens e serviços? Importação? IPI? PIS? Prestação de serviços? Circulação de mercadoria? COFINS? CIDE Combustíveis? ISS? ICMS? Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional 51 Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Ausência de informação sobre impostos pela população Ausência de Regulamentação do parágrafo 5º do Art. 150 da Constituição Federal que determina medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços. CONSTITUIÇÃO FEDERAL Título VI DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO Capítulo I Seção II Das Limitações do Poder de Tributar Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 5º A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços. 52 Retrato das Desigualdades na Escolarização e no Sistema Tributário Nacional Esta obra foi impressa pela Imprensa Nacional SIG, Quadra 6, Lote 800 CEP 70610-460. Brasília-DF, em dezembro de 2009. Tiragem: 6.000 exemplares Conselho de Desenvolvimento Secretaria Econômico ede Social Relações Institucionais Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Secretaria de Relações Institucionais