V FÓRUM IDENTIDADES E ALTERIDADES
I CONGRESSO NACIONAL EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE
08 a 10 de setembro de 2011
UFS – Itabaiana/SE, Brasil
CONCEPÇÕES DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA DE E ALUNOS DE
LICENCIATURA A RESPEITO DA DISLEXIA
Márcia Cristina Rocha Paranhos (UFS-DBCI)1
José Rafael do Santos (UFS-DFCI)2
Pablo Eduardo Costa dos Santos (UFS-DQCI)3
1. INTRODUÇÃO
Alguns trabalhos realizados por grupos de pesquisas mostram que, cerca de 10% da
população Mundial é disléxica [1], embora, foram também relatados frequências altas de 20%
a 30%,[2]. Existem também relatos que a dislexia é talvez o mais comum distúrbio
neurocomportamental que afeta crianças, com taxas de prevalência variando-a partir de 510% para 17,5% [3-4].Já no Brasil dados de diagnósticos recentes, realizados pelo CAE,
Centro de Avaliação e Encaminhamento, da ABD, Associação Brasileira de Dislexia,
mostram que no ano de 2009, 471 pacientes foram avaliados por essa associação, onde a
procura por estes diagnósticos foi maior na faixa etária de 5 a 17 anos, e mais, quase metade
destes 471 pacientes,(44%),foram considerados disléxicos [5].
Esta faixa etária de 5 a 17 anos, é claramente o período escolar de um indivíduo,
então percebe-se que há uma preocupação com este intervalo de idade; fatos estes,
preocupantes, que nos levaram a investigar qual a situação da escola pública frente a esta
problemática, enfatizando como as escolas fornecem suporte a prática docente, e como os
professores se posicionam frente a esta questão que chega ser tão grave, que em país como os
Estados Unidos, há relatos de que o fracasso escolar de alguns jovens e o medo de
decepcionar os seus pais que são possíveis consequências da dislexia chegou até provocar
suicídios [6]. No nosso país, especificamente nas salas de aula vem ocorrendo evasão, e
preconceito com estas pessoas, que muitas vezes são chamadas de “analfabetas funcionais” e
até “preguiçosas”.
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Graduando de ciências biológicas pela UFS
2
Graduando de Física licenciatura pela UFS
3
Graduando de Química licenciatura pela UFS.
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Será que há uma preparação dos possíveis futuros professores durante a sua
formação, para tratar de questões que trazem à tona a inclusão social, como a dislexia? Esta
questão, também nos levou a investigar como os cursos de licenciatura em diversas áreas, na
Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto Carvalho prepara os seus
discentes para trabalharem com questões como estas.
1.1 CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS
A Dislexia se define como sendo uma dificuldade na leitura e escrita. Na atualidade a
definição mais usada é que a Dislexia é um dos diversos distúrbios de aprendizagem, ela não é
considerada uma doença, portanto, não devemos falar em cura. Desde a pré-escola, é preciso
que o professor preste atenção em alguns sintomas que a criança pode apresentar como: falta
de atenção; não é capaz de brincar com outras crianças; tem atraso no desenvolvimento da
fala e escrita e no desenvolvimento visual; falta de coordenação motora; dificuldade em
aprender cantigas rimadas; falta de interesse em materiais impressos entre outros [7].
Segundo a Associação Brasileira de Dislexia, cerca de 10 a 15% da população
mundial tem dificuldade na aprendizagem, que na maioria das vezes não se deve à má
alfabetização, desatenção, condição socioeconômica ruim ou baixa inteligência, mas por estes
apresentarem um quadro disléxico. A dislexia, sem causa definida é um problema
neurológico, genético e geralmente hereditário caracteriza-se pela dificuldade acentuada na
leitura, escrita, soletração e ortografia. Normalmente diagnosticada durante a alfabetização,
ela é responsável por altos índices de repetência e abandono escolar [7].
Segundo POPPOVIC (1981, p. 29),
A fala, a leitura e a escrita não podem ser consideradas como funções
autônomas e isoladas, mas sim como manifestações de um mesmo sistema,
que é o sistema funcional de linguagem. A fala, a leitura e a escrita resultam
do harmônico desenvolvimento e da integração das várias funções que
servem de base ao sistema funcional da linguagem desde o início de sua
organização [9].
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Antes de atribuir a dificuldade de leitura à dislexia, os pais e professores deverão
descartar os fatores a seguir juntamente com um parecer clínico: imaturidade para
aprendizagem; problemas emocionais; métodos defeituosos de aprendizagem; ausência de
cultura; incapacidade geral para aprender [7].
Para fazer um trabalho de qualidade com o aluno portador de dislexia a escola deve
ter uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos
clínicos, os quais devem iniciar uma minuciosa investigação para diagnosticar o distúrbio e
verificar a necessidade do parecer de outros profissionais, como neurologistas,
oftalmologistas e outros, conforme o caso [7].
Para diagnosticar se o aluno é portador da dislexia é necessário descartar alguns
fatores muito comuns em sala de aula, tais como: dificuldades auditivas e visuais, lesões
cerebrais (congênitas ou adquiridas), falta de afetividade, fracasso escolar e a hiperatividade.
Depois de descartado todos estes fatores, com a ajuda de profissionais especializados, são
necessários conhecer o parecer da escola, dos pais e levantar o histórico familiar e o
desenvolvimento do aluno desde sua concepção [7].
Se tratado em tempo, o disléxico pode contornar sua dificuldade na leitura e na
escrita, mas não deixará de ser disléxico. Procedimentos didáticos adequados possibilitam ao
aluno vir a desenvolver todas as suas aptidões, que são múltiplas. Através da história temos
conhecimento de pessoas que apesar dos problemas se tornaram pessoas ilustres, sendo eles:
Leonardo da Vinci e Tom Cruise, Einstein e Nelson Rockefeller, Hans Christian Andersen e
Agatha Christie, Airton Senna entre muitos outros [7].
Muitas dúvidas sobre a dislexia fazem com que passem a existir muitas informações
que, muitas vezes, confundem os professores e pais ao invés de informar. A mídia, no Brasil,
as poucas vezes em que aborda o assunto, somente o faz de maneira parcial ou inadequada e,
ainda, fora do contexto global das descobertas atuais da Ciência [7].
A dislexia atualmente pode ser desmembrada em alguns ramos: A disgrafia, que é
uma inabilidade ou atraso no desenvolvimento da linguagem escrita, especialmente da escrita
cursiva, Na escrita manual, as letras podem ser mal grafadas, borradas ou incompletas, com
tendência à escrita em letra de forma.; as dificuldades com a linguagem matemática como as
que são decorrentes do processo lógico matemático, imprecisa percepção de tempo e espaço é
conhecida como discalculia [6].
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O propósito deste trabalho é identificar as concepções dos docentes da rede pública e
discentes da UFS - Ita, os futuros professores da educação básica, a respeito da dislexia, e se
os mesmos possuem habilidades para lidar com este problema, e como os cursos de
licenciatura estão tratando essas problemáticas no decorrer da formação dos profissionais da
educação; verificar se as instituições de ensino superior estão ofertando oportunidades para se
ter o mínimo de conhecimento a respeito de tal assunto.
2. METODOLOGIA
O presente trabalho investigou o conhecimento dos pesquisados a cerca da dislexia,
desde o que é a dislexia até as suas causas e consequências. Esta pesquisa foi desenvolvida
nas escolas publicas da cidade de Itabaiana-SE, e dentro da Universidade Federal de Sergipe
Campus Prof. Alberto Carvalho (UFS), contribuindo para elaboração do nosso trabalho.
Frente a esse problema utilizou-se como metodologia uma abordagem qualitativa, pois
segundo Neves (1996), enquanto estudos quantitativos geralmente procuram seguir com rigor
um plano previamente estabelecido (baseado em hipóteses claramente indicadas e variáveis
que são objeto de definição operacional), a pesquisa qualitativa costuma ser direcionada, ao
longo de seu desenvolvimento; além disso, não busca enumerar ou medir eventos e,
geralmente, não emprega instrumental estático para analise dos dados.
A coleta de dados foi realizada mediante entrevistas (questionários foram aplicados
para aqueles que não se sentiram tão a vontade em realizar a entrevista), tendo como
finalidade avaliar o conhecimento dos pesquisados a cerca do assunto. De inicio, a intenção
seria entrevistar todo o corpo docente da escola, mas houve algumas rejeições, e apenas
alguns se mostraram interessados em realizar a entrevista. Com relação aos alunos
pesquisados, procuramos os que estavam concluindo o seu curso de graduação para serem
entrevistados, e dessa vez poucas foram às rejeições.
Esta pesquisa desenvolveu-se fundamentada na abordagem qualitativa, onde
realizou-se entrevistas informativas com professores do ensino fundamental e médio de
escolas da rede pública do interior de Sergipe em Itabaiana; também foi realizadas entrevistas
com alunos da Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto Carvalho. Esta
entrevista consistiu basicamente de seis perguntas chaves: 1) Se o entrevistado tinha
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conhecimento a respeito da dislexia; 2) se já tinha presenciado algum caso; 3) se eles achavam
que a escola está preparada para lhe dar com esta problemática; 4) se o curso de formação lhe
proporcionou maneiras de como lhe dar com a dislexia; 5) se eles achavam que a dislexia
afetava o processo de alfabetização; 6) questionou-se também se eles achavam interessante
que a escola onde lecionavam recebesse um curso sobre como lhe dar com disléxicos.
A entrevista foi aplicada para os professores em horários estratégicos, como por
exemplo, o intervalo da escola onde se pretendia fazer a coleta de dados, que foi entre
09h20min às 09h40min da manhã com o intuito de não atrapalhar o docente.
Após a coleta dos dados, todas as respostas foram analisadas e discutidas.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise dos dados foi feita em duas etapas, a primeira referente às respostas dos
professores e a segunda a dos alunos.
3.1 CONCEPÇÕES DOS PROFESSORES
Esta pesquisa de cunho qualitativo contou com a participação de cinco professores
que lecionam na rede pública, esse baixo número se deu devido ao fato que vários professores
alegavam que não tinham tempo, ou que tinham atividades para corrigir, mesmo
selecionando-se horários estratégicos para a realização de entrevistas, como: o horário do
intervalo da escola. Alguns preferiram escrever ao invés de gravar uma entrevista.
Enumeramos os professores de 1 a 5 de modo a manter em sigilo dados pessoais.
Ao questionarmos se os professores tinham conhecimento a respeito da dislexia,
qualificamos as respostas em sim e em pouco conhecimento, atribuímos sim para aqueles que
responderam “sim”, analisando os comentários, segue a mesma forma para pouco
conhecimento, ou seja, aqueles que responderam: “Pouco” ou algo que se aproxime disso,
mas também aqueles que fugiram um pouco do verdadeiro significado como a citação do
professor 4,“O conhecimento que eu tenho a esse respeito, é a dificuldade que os alunos
sentem na aprendizagem, em conseguir se concentrar”. Três dos entrevistados foram
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classificados com pouco conhecimento, dois responderam “sim” que tinham conhecimento a
respeito da dislexia e nenhum dos professores entrevistados responderam que não tinham
conhecimento sobre a dislexia.
Todos os professores que afirmaram ter conhecimento a respeito da dislexia,
disseram que já tinham presenciado casos, como diz a professora 1, “Sim. Eu trabalhei numa
escola que havia um aluno com esse problema, ele estudou lá por uma semana, logo depois
foi para São Paulo para continuar um tratamento que já havia começado lá”. Já a
professora 2 tem mais proximidade com o caso, como afirma:“...Eu tenho o problema em
casa. Meu filho é disléxico”. Apesar da maioria dos professores terem pouco conhecimento a
respeito da dislexia, o problema pode estar mais próximo do que eles imaginam.
Agora, os professores que tem pouco conhecimento a respeito da dislexia, dois
afirmam já ter presenciado algum caso, e apenas um respondeu que talvez. A professora 5,
mesmo afirmado ter pouco conhecimento diz que acha que já presenciou casos: “...agente
percebe mais na hora da leitura na hora da escrita esses problemas, a dificuldade deles
assimilar os conteúdos...de repente não seja dislexia mas está relacionado.” Percebe-se que
mesmo os professores tendo pouco conhecimento, nenhum deles afirmou não ter presenciado
casos.
Ao questionarmos se a escola estaria preparada para lidar com esse problema, todos
os professores responderam que não. Alguns alegam a superlotação em salas de aula, e assim
dificulta a percepção do professor: professora 1 – “... Porque nas salas de aula da escola
pública há no mínimo quarenta e cinco alunos por turma, e isso faz com que o professor
dificilmente perceba que o aluno tem dislexia, mas quando agente percebe, a escola
infelizmente não está preparada para ajudá-la.”, já outros a própria falta de conhecimento:
professora 5 – “...Eu acho que falta assim, um próprio conhecimento profundo pra
trabalhar este caso...”, a professora 2 ainda afirma: “...A escola tradicional está longe de
estar preparada para lidar com esse ou com qualquer outro tipo problema relacionado a
aprendizagem ou para inclusão no sentido verdadeiro.”.
O curso de formação de todos esses professores, não ofereceram maneiras de como
lidar com disléxicos, apenas o professor 4 diz que houve uma abordagem teórica, mas não
prática: “De maneira prática não. Você sabe que tem a parte teórica e tem a parte prática,
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eu acho que seria interessante se as universidades trabalhassem bastante com a parte
prática, porque uma coisa é você ter o conhecimento e outra coisa é você lhe dar com
aquele problema no seu dia-a-dia, principalmente a dislexia.” Mas, analisando a resposta da
questão 1 do mesmo professor, parece que a parte teórica abordada na graduação, não ficou
tão clara.
Todos os professores acreditam que a dislexia interfere no processo de alfabetização,
inclusive para aqueles que foram considerados com pouco conhecimento, a justificativa da
professora 1 para esta questão foi: “ ...Porque este aluno não consegue ser alfabetizado,
dificilmente ele passará de série, então nesse processo de educação o aluno será penalizado
com aquela escola que não está preparado para ajudar os alunos com tais problemas.”.
Todos acharam interessante a proposta de um curso, para lidar com esse problema
nas escolas, alguns até se sentiram entusiasmados, como relata o professor 3 – “Muito
interessante. Tudo que vem, assim, acrescentar no processo de ensino-aprendizado é bem
vindo.”. A professora 5 diz que é importante para não se julgar alunos de preguiçosos sem
saber o verdadeiro motivo: “Com certeza, muito importante, não só essa escola como todas,
interessante sim para o professor saber lhe dar com tal problema quando detectado,
geralmente quando agente tem muitos casos, diz: ahh aquele aluno é preguiçoso, é isso, é
aquilo, e não sabe que realmente ele passa por esse problema da dislexia...”.
Apesar de todos os professores entrevistado, terem alguma concepção a respeito da
dislexia, seja ela próxima ou distante, do verdadeiro significado, apenas o professor 4 diz que
ouviu falar de uma maneira teórica na sua formação a respeito desta problemática e mesmo
assim o que foi discutido por ele não é considerado tão próximo do verdadeiro “conceito” da
dislexia. A professora 5 afirma ter ouvido falar na televisão temas relacionados com a
dislexia: “...vejo falar na televisão, é uma deficiência de aprendizagem, onde as pessoa tem
dificuldade na leitura, para soletrar, às vezes trocam letras,..”.
Todos responderam que a alfabetização não interfere na dislexia, sendo evidenciada
essa concepção pelo professor 1: “Eu acho que a pessoa já nasce com essa disfunção,
portanto não tem relação com a alfabetização”. Afigura 1 a seguir traz a visualização geral
do número de respostas dos professores.
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Figura 1: Quantidade das variedades das respostas de acordo com as questões que foram
numeradas na metodologia.
Será que hoje os cursos de formação estão dando mais atenção a questões como esta?
Vamos ver a seguir qual a concepção de alunos da UFS, campus Itabaiana, que já possuem
contato com a sala de aula, ou seja, já estão estagiando nas escolas públicas e
consequentemente, já estão quase pronto para exercer a profissão de professor. A respeito da
dislexia, não só com o intuito de criticar, como também uma forma de auto- avaliação, de
como são tratadas essas questões hoje em dia na formação e se é diferente daquela dos
professores entrevistados que exercem a profissão já algum tempo, será que houve melhoras?
3.2 CONCEPÇÕES DOS ALUNOS
Foram entrevistados nove alunos de licenciatura dos cursos de química, física,
matemática e pedagogia no ano de 2011, e estes nos cederam as suas concepções para a coleta
de dados. Alguns preferiram não ser entrevistados, apenas responderam o questionário, pois
alegavam não se sentirem “tão à vontade”. Ao questionarmos sobre o conhecimento que eles
tinham a respeito de dislexia, cinco afirmaram que não sabia o que era e até mesmo que nunca
tinha ouvido falar nesta palavra, dois disseram que sabiam o que era dislexia e dois tinham
pouco conhecimento ou que já ouviram falar. Ou seja, a maioria dos alunos de graduação que
estão prestes a lecionar ou já estão lecionando não tem o conhecimento suficiente sobre a
dislexia.
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Quando questionados se já teriam presenciado algum caso três dos alunos de
graduação responderam que sim, três responderam que não haviam e três achavam que sim,
mas por não terem domínio sobre o tema não tinham certeza. Também foram perguntados se
em seu curso de formação o mesmo lhe proporcionava maneiras de como lidar com a dislexia
e nove dos alunos responderam que o curso não proporcionava nenhuma maneira. Foi notória
a preocupação pela falta de informação por parte dos alunos, fato evidenciado quando todos
responderam Sim quando perguntados se seria interessante que se as escolas recebessem um
curso de como lidar com disléxicos.
Ao perguntarmos se a Dislexia afetava no processo de alfabetização, seis
responderam que sim, enquanto que três responderam não afetava. E se a alfabetização
afetava a dislexia todos responderam que não. Ao final das entrevistas respondemos as
duvidas dos alunos a respeito do assunto. A figura 2 a seguir nos mostra de maneira
organizada as variedades das respostas encontradas com os alunos entrevistados.
Figura 2: Quantidade das variedades das respostas de acordo com as questões que foram
numeradas na metodologia.
4. CONCLUSÕES
A maioria dos professores não teve em sua formação algum tipo de preparo para
lidar com alunos disléxicos, mesmo tendo estudado todas as teorias sobre a aprendizagem
ainda possuem lacunas em sua formação. A partir de dados coletas neste trabalho, chegamos
à conclusão que muita coisa não foi mudada, os alunos de licenciatura ainda estão se
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formando sem entenderem como lidar com estudantes disléxicos e sem nenhuma abordagem
teórica a respeito de casos como a dislexia. Deve-se pensar na possibilidade, e discutir uma
maneira de inserir uma disciplina nos cursos de licenciatura, para trabalhar questões como
estas, como por exemplo: a dislexia, para que o professor não julgue o aluno de preguiçoso
injustamente, não contribuindo mesmo sem querer para algum tipo de violência psicológica
ou física. Uma perspectiva deste trabalho é além de lutar para que isto ocorra, é também
pensar nos docentes que já atuam na rede pública, e aproximar mais a universidade desses
professores, realizando palestras em escolas, ou na própria universidade, visando atingir não
só os professores que já atuam, mas também toda a comunidade de futuros professores, assim
como toda sociedade. Tonando a Dislexia um tema mais debatido e, principalmente,
entendido em nossa comunidade.
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