Universidade Autónoma de Lisboa
LUÍS de CAMÕES
Curso de Matemática Aplicada
1. Introdução
1.1.
Datas de visita.
A visita decorreu em 12/13 de Março de 2001 segundo o programa em
anexo.
1.2.
Constituição da Subcomissão de Avaliação Externa.
Professores Doutores António Ribeiro Gomes, Professor Aposentado
da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra,
Coordenador, Maria Joana Soares Professora Associada da Escola de Ciências
da Universidade do Minho e Manuel L. Esquível Professor Associado da
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Esta
subcomissão foi secretariada pela Dra. Leonor Valente.
1.3.
Método de referência.
Os termos de referência das visitas institucionais, que constituem o
quadro director da Avaliação Externa e permitem exprimir os resultados da
avaliação da forma mais objectiva e concreta, foram dados a conhecer com
antecedência às várias Escolas a visitar e foram os mesmos para todas elas.
1.4.
Reuniões com autoridades académicas.
A primeira reunião iniciou-se, pelas 9h30 no dia 12 de Março nas
instalações da sede da Universidade, o Palácio dos Condes do Redondo, com a
presença dos Professores Doutores Justino Mendes de Almeida, Magnífico
Reitor, Luís dos Santos Moita, Vice-Reitor, Jorge Tracana de Carvalho,
Presidente da Direcção da Cooperativa de Ensino Universitário e do
Licenciado Reginaldo de Almeida, Secretário-Geral da Universidade. Foram
evocadas, pelo Senhor Reitor as condicionantes estruturais e conjunturais do
funcionamento de uma instituição de Ensino Superior Particular e Cooperativo
como é a UAL. Nomeadamente, foram referidos: os esforços efectuados no
sentido de normalizar o recrutamento e provimento do pessoal docente
garantindo a sua estabilidade, com a publicação do Regime de Carreira
Docente; a existência de vários orgãos colegiais de contrôlo e gestão das
actividades docentes; um programa de formação avançada do pessoal docente
em curso.
1.5.
Constituição da Comissão de Auto-avaliação.
No RAA não é referida a contituição da Comissão de Auto-avaliação.
Na visita foi referido que esta comissão foi constituída essencialmente pelos
Professores Miguel Gonçalves e José Luís Ferreira, Director do Departamento
de Ciências e Tecnologia.
1.6.
1.7.
Metodologia seguida.
Uma vez elaborado pela Comissão de Auto-Avaliação, que foi
nomeada pela Reitoria, o RAA foi elaborado com recurso ao sector dos
Recursos Humanos e à secretaria tendo a Comissão como interlocutor o
Secretário Geral. A Direção do Departamento e a Reitoria assumem a
responsabilidade do RAA dentro da UAL.
Breve resumo da Avaliação.
O Curso de Licenciatura em Matemáticas Aplicadas, adiante designado
por Curso, que funcionou no período de referência 95/96-99/00, está extinto
tendo sido substituído por um Curso de Matemática Aplicada e Computação
que entrou em funcionamento em 00/01. Pode dizer-se que a substituição
referida se justifica, plenamente, face à procura diminuta e com fracas
qualificações académicas, do Curso em análise. A avaliação incidiu sobre a
informação disponível ainda que em certos aspectos esta seja referente apenas
ao Curso de Matemática Aplicada e Computação que não está a ser avaliado.
O Curso formou alunos que, embora com uma preparação científica, em
Matemática, simplificada e com níveis de desempenho não adequados aos
desejáveis numa licenciatura de Matemática, têm tido aceitação no mercado de
trabalho. Tal fica a dever-se, em parte, às competências, na área do
relacionamento interpessoal e do autoconhecimento, adquiridas no ambiente
acolhedor e estimulante que a UAL oferece e de que deram testemunhos
unânimes todos os alunos contactados. A SCAE não quer deixar de elogiar a
forma calorosa e simpática como foi recebida pela Universidade Autónoma de
Lisboa bem patente, por exemplo, durante a visita às instalações, pena sendo
que as reuniões com os docentes dos dois primeiros anos, com os assistentes e
os discentes tenham sido pouco participadas. É de salientar, também, a
disponibilidade manifestada, a todos os níveis, para o pronto fornecimento da
documentação solicitada. A elaboração do RAA é uma fase fundamental do
processo de avaliação. Neste contexto impõem-se as observações seguintes. O
RAA do Curso de Matemática Aplicada da UAL apresenta-se muito
incompleto não respeitando o guião de AA na sua elaboração e não permitindo
uma apreciação adequada do Curso. As tabelas 14, contendo as fichas de
docente só se encontram preenchidas nos pontos 1 (disciplinas em que o
docente colaborou) e 4 (regime de prestação de serviço) não permitindo a
caracterização do corpo docente. Nestas tabelas há vários elementos em falta
de que se destaca a ausência de referência às publicações de carácter
científico/pedagógica dos docentes. As tabelas 6, contendo as fichas de
disciplina, não apresentam nunca preenchido o ponto 9, relativo ao relatório
crítico/pedagógico do funcionamento da disciplina, não permitindo assim
parte importante da avaliação do funcionamento da disciplina. Pode constatarse ainda que a secção V do RAA está muito incompleta não sendo feita a
apreciação global, a avaliação dos processos e do funcionamento e, sobretudo,
não sendo fornecida a auto-avaliação dos pontos fortes e fracos do Curso. A
CAA, constituída pelos Professor Doutor José Luís Ferreira e pelo Mestre
Miguel Gonçalves, invocou, como justificação o ter tido, apenas, um período
de 15 dias para a produção deste relatório. O compromisso da UAL para com
o processo de avaliação dos seus cursos tem como ponto de partida a criação
de processos internos que permitam a recolha completa da informação
necessária e a respectiva síntese e organização de acordo com o guião.
Manifestamente, tal não aconteceu neste caso. A SCAE apercbeu-se, no
decorrer das reuniões, que o RAA não foi do conhecimento dos docentes e que
seguiu para o CNAVES com a aprovação do Magnífico Reitor. Durante a
visita não foram disponibilizados os elementos para consulta previstos no
Guião de Auto-Avaliação.
Nas impressões colhidas pela leitura do RAA e das várias sessões
realizadas durante a visita podemos, num breve resumo da avaliação realçar o
seguinte.
• A SCAE defrontou-se com a situação peculiar de avaliar um
curso que se encontra por determinação legal, substituído na
designação e no plano curricular, pelo Curso de Matemática
Aplicada e Computação que, em 2000/2001 entrou em
funcionamento nos primeiros três anos.
• Foram fornecidos, no RAA, livros de sumários de leccionação
diária que não são adequados à avaliação do desenvolvimento
curricular.
• Não se colheram elementos permitindo avaliar a intervenção do
Conselho de Regentes na coordenação do Curso pelo que se
recomenda a redefinição dos conteúdos programáticos de modo
a elevar o nível de qualidade das matérias curriculares.
• A rácio doutor/docente no Curso é demasiado baixa e a
composição do corpo docente afecto ao Curso não respeita o
regulamento da Carreira docente da UAL, não existindo
correspondência, em elevado número de casos, entre a
categoria do docente e a sua qualificação em termos de graus
académicos. O compromisso com a qualidade do ensino
pressupõe a existência, na Universidade, de um corpo docente
academicamente qualificado e produtivo na investigação em
Matemática.
• Embora o novo plano de estudos da licenciatura, em
Matemática Aplicada e Computação, não estivesse em
apreciação a SCAE considera que a aposta, numa formação bidisciplinar Matemática Aplicada/Computação, é arriscada e
obriga a uma grande sobrecarga curricular. A incompleta
cobertura das diferentes sub-áreas da Matemática não permitirá
que os alunos adquiram preparação suficiente nesta área de
modo a ser possível considerá-los licenciados em Matemática.
• A existência de material informático actualizado, instalações
agradáveis e adequadas é de sublinhar; na biblioteca geral, com
instalações suficientes, existe um défice de monografias na área
da Matemática que convirá eliminar.
2. Organização da Unidade de Ensino
2.1.
Enquadramento da Unidade Científica
A Universidade Autónoma de Lisboa Luís de Camões, adiante
designada por UAL, é um estabelecimento de Ensino Superior Privado,
localizado em Lisboa e foi criada pela Cooperativa de Ensino Universitário
(C.E.U.) em 13 de Dezembro de 1985. A C.E.U. é responsável pela gestão
económica e financeira da Universidade e tem como orgãos sociais, a
Assembleia Geral, a Direcção e o Conselho Fiscal presididos por professores.
No cumprimento do disposto no artigo 72º do Estatuto do Ensino Superior
Particular e Cooperativo (decreto-Lei n.º 16/94, de 22 de Janeiro, ratificado
pela Lei n.º 37/94 de 11 de Novembro), a UAL rege-se pelos correspondentes
Estatutos que foram publicados no Aviso n.º 17517/99 (2.ª série), DR, II série,
n.º 280 de 2 de Dezembro.
2.2.
Descrição da Universidade/Departamento
Segundo informações colhidas durante a visita, em 2000 a UAL tem
7000 alunos matriculados, dos quais 5701 em cursos de licenciatura, 480
docentes, 100 funcionários, 14 licenciaturas (Arquitectura, Ciências da
Comunicação, Direito, Economia, Engenharia Informática, Gestão, História,
Informática, Informática de Gestão, Línguas e Literaturas Modernas,
Matemáticas Aplicadas, Relações Internacionais, Sociologia e Tradutores e
Intérpretes), 18 Cursos de Pós-Graduação e Especialização, três Cursos de
Mestrado, quatro áreas de doutoramento e vários cursos livres. A UAL
funciona na cidade de Lisboa em quatro locais distintos: a Sede, no Palácio
dos Condes de Redondo (salas de aula, Centro de Cálculo Informático, Centro
de Consulta de Bases de Dados, Biblioteca Central, a Livraria Universitária, o
Centro de Rastrio Médico, os Auditórios, o Refeitório e Bar e as sedes das
organizações de estudantes); o Edifício Administrativo e duas extensões uma
em Campo de Ourique e outra na rua da Boavista. No documento de
apresentação da UAL fornecido à SCAE durante a visita é referido que no
Departamento de Ciências e Tecnologia1 existem, ao serviço do Curso, 20
docentes em dedicação exclusiva e dois em acumulação, havendo quatro
doutores, dois dos quais em dedicação exclusiva e cinco mestres.
2.3.
Inserção do Curso na Unidade Científica
O Curso insere-se num conjunto de quatro cursos sob a
responsabilidade do Departamento de Ciências e Tecnologia da UAL a saber:
Matemática Aplicada, Engenharia Informática, Informática de Gestão e
Informática. O Curso de Licenciatura em Matemáticas Aplicadas teve o seu
funcionamento autorizado pelo Despacho n.º 123/MEC/86 de 21 de Junho e
viu alterado o seu plano de estudos pelas Portarias n.º 1142/91 de 6 de
Novembro e n.º 1097/97 de 3 de Novembro. A tabela 13 do RAA considera
que estavam afectos ao Curso 30 docentes dos quais seis doutores2 e três
mestres.
2.4.
Comissões relevantes para o funcionamento do Curso
Estatutariamente, são relevantes para o funcionamento do Curso, o
Conselho Escolar e a Comissão Pedagógica do Departamento de Ciência e
Tecnologia. O Conselho Escolar é composto pelo director e pelos
subdirectores do Departemento, pelo secretário por dois representantes dos
assistentes e dois representantes dos alunos e tem por competências entre
outras: propor a criação de cursos e o estabelecimento de palnos de estudo;
1
2
Não existe, na UAL, um departamento de Matemática.
Na área da Matemática, um em Álgebra e outro em Estatística.
estabelecer o regime de precedências e de transição de ano. A Comissão
Pedagógica é constituída pelos professores catedráticos, por um representante
do professores associaodos, por um representante dos professores auxiliares e
por um representante dos assistentes e por dois representantes dos alunos e
tem como competências: pronunciar-se sobre as propostas de recrutamento de
pessoal docente e sobre a criação de cursos e o estabelecimento de planos de
estudo. Quanto ao real funcionamento destes orgãos pode dizer-se que, por
exemplo, segundo documentação obtida pela SCAE na visita, o plano de
estudos do Curso de Matemática Aplicada e Computação foi eleborado pela
Direcção do Departamento de Ciências e Tecnologia, orgão colegial informal
composto por dois docentes do Departamento sem qualificações académicas
na área da Matemática.
2.4.1.
Coordenação. De acordo com os Estatutos da UAL, os orgãos do
Departamento visto como unidade orgânica são o Director, o Conselho
Escolar, a Comissão Pedagógica e a Comissão Científica com
composição e competências definidas nos Estatutos da UAL. Não
existem orgão próprios para a gestão do Curso sendo esta assegurada,
estatutariamente, pelos orgãos do departamento com competências para
tal, nomeadamente o Director e a Comissão Pedagógica. De facto a
gestão do Curso é assegurada pelo Director do Curso descentralizandose nos docentes a coordenação do trabalho docente nas disciplinas. Foi
referido ainda que os docentes, do Curso, não participam nas actividades
de gestão da Escola.
2.4.2.
Orgãos científicos e sua composição. O orgão colegial, da
Universidade, que, genericamente, define a orientação científica da UAL
é o Conselho Científico. É composto pelo Reitor e Vice-Reitores,
directores das unidades orgânicas centros de investigação e centros
especializados e membros designados por eleição, um professor e um
assistente por unidade orgânica. No Departamento existe,
estatutariemente, a Comissão Científica constituída pelo Director, que
preside, pelos subdirectores e pelos docentes com o grau de doutor.
Compete estatutariamente à Comissão Científica pronunciar-se sobre a
actividade científica e de extensão cultural, a admissõa dos candidatos às
provas de doutoramento e a composição dos respectivos júris e sobre a
promoção do pessoal docente.
2.4.3.
Orgãos administrativos e sua composição. Como orgão
administrativo o Departamento possui o Conselho Escolar constituído
pelo director e subdirectores e pelos professores tendo ainda dois
representantes dos assistentes e dois representantes dos alunos. É a este
orgão que compete, estatutariamente, a criação de cursos e o
estabelecimento dos respectivos planos de estudo, o estabelecimento do
regime de precedências e de transição de ano, propor a concessão de
graus honoríificos, elaborar o projecto de orçamento, entre outras
competências. Pode observar-se que para o exercício de algumas destas
competências é inexplicável a intervenção de alunos em consequência do
princípio admitido regra geral: quem decide é quem assume a
responsabilidade pela decisão e vice-versa.
3. Programa de Ensino
3.1.
Plano de Estudos
3.1.1.
Adequação (matérias, nível, actualidade e encadeamento).
Atendendo ao objectivo fundamental do Curso que, segundo o RAA, é a
formação de técnicos capazes de formular e resolver problemas… nas
diferentes áreas científicas e tecnológicas, às informações obtidas
durante a visita e ao que foi possível deduzir da escassa informação
apresentada no RAA, pode considerar-se, numa apreciação global, que o
plano de estudos do Curso de Matemática Aplicada não é adequado.
Regra geral as disciplinas de Matemática são leccionadas a um nível
científico inferir ao desejável em estudos superiores de Matemática.
Observou-se que os objectivos programáticos dessas disciplinas se
reduzem quase exclusivamente aos automatismos calculatórios e ao
treino na aplicação de procedimentos standardizados elementares sem
que se insista o suficiente nos conceitos e inter-relações entre estes. Esta
orientação permite, certamente, a um aluno típico da escola usufruir de
uma escolaridade sem grandes dificuldades, mas condiciona
negativamente o seu potencial de desenvolvimento científico e técnico
futuro. A impressão colhida junto dos alunos, salvo uma excepção
reconhecida pelos colegas como tal, foi a de que a natural tendência que
têm reduzir os seus estudos à aquisição de automatismos na resolução de
problemas de cálculo elementares não é contrariada, na prática, pelos
docentes. Alguns docentes, particularmente os mais experientes com
formação nas ciências básicas, assumiram uma posição, de princípio,
contrária a esta. Ficou claro também que a orientação geral do Curso e as
condições em que trabalham não lhes permite pôr em prática essa posição
de princípio. Os programas das disciplinas de Análise Matemática
apresentados no RAA são ou reduzidos, ou inconsistentes ou incoerentes
uns com os outros. Tal situação praticamente não se altera no documento
de Novembro de 1999 onde se apresenta a Reforma Curricular da
Licenciatura em Matemática e Computação. A disciplina de Física
Matemática apresenta um programa muito ambicioso que mereceria a
designação mais adequada de Métodos Matemáticos da Física uma vez
que o programa não tem por objectivo o estudo de problemas da Física.
Fica por esclarecer, por exemplo, como é que alunos com bases de
análise matemática como as que decorrem do que referimos acima e,
sem terem estudado análise funcional, podem estudar, nesta disciplina, as
álgebras de Banach. Na ausência da documentação para consulta que,
segundo o Guião deveria ter sido posta à disposição da SCAE, torna-se
impossível aprofundar esta análise e propor metodologias,
convenientemente fundamentadas e concretas, com vista à superação dos
problemas referidos.
3.1.2.
Domínios científicos cobertos. De entre os domínios científicos de
referência encontram-se, seguidamente, os que, segundo o RAA, estão
cobertos pelo curso: Álgebra, Análise, Probabilidades e Estatística,
Análise Numérica, Ciências da Computação, Investigação Operacional,
Outras (Física Matemática, Economia, Gestão, Matemática Financeira).
Os seguintes domínios científicos fundamentais não se encontram
cobertos por qualquer disciplina do Curso a eles consagrada: Lógica e
Fundamentos, Matemática Finita, Geometria e Topologia e História da
Matemática.
3.1.3.
Distribuição das disciplinas e unidades de crédito por área
científica. Na tabela seguinte figura a distribuição, segundo os domínios
científicos de referência citados acima, do número de semestres (na
coluna à esquerda) e do número de créditos correspondente (na coluna à
direita)3.
Domínios
Lógica e Fundamentos
Matemática Finita
Álgebra
Análise
Geometria e Topologia
Probabilidades e Estatística
Análise Numérica
Ciências da Computação
Investigação Operacional
História da Matemática
Outras
Opcionais
Monografia
Projecto
Ciências da Educação
Total
N.º Sem.
2
5
7
2
6
4
6
3
1
36
U.C.
6,3
16,7
17,2
5,2
17,2
13,2
12,6
9,2
2,3
100
As disciplinas opcionais são: Simulação Computacional,
Sistemas de Informação e bases de Dados e Modelos Integrados I.
3.1.4.
Estágios. A realização de estágio processa-se após a conclusão do
Curso. Os alunos têm à sua disposição o Gabinete de Inserção
Profissional (GIP) que se apresentou, durante a visita, como uma
organização eficiente com uma taxa de inserção profissional de inscritos
elevada, uma duração média, até à colocação em estágio de um inscrito,
de três a seis meses e uma lista de empresas, contactadas e receptoras de
estagiários, extensa mas centrada, sobretudo, na área dos serviços legais,
administrativos e de consultoria administrativa e económica. Foi referido
que a actividade do GIP não tem relevância para o Curso dado que os
alunos ficam em geral empregados antes do completarem os seus
estudos.
3
Nem o RAA, nem as Portarias de criação do Curso e subsequentes alterações
informam sobre os créditos das diferentes disciplinas do Curso. Optou-se por
apresentar, para cada domínio, a percentagem sobre o total de horas lectivas.
3.1.5.
Avaliação de Conhecimentos. A avaliação de conhecimentos
efectua-se, presentemente, de acordo com Regulamento de Avaliação de
Conhecimentos e varia segundo a natureza das diferentes disciplinas. Na
maioria das disciplinas há apenas um exame escrito existindo também
disciplinas, com objectivos ligados à implementação informática de
processos, com provas de avaliação sob forma de testes em computador e
trabalhos. A avaliação na disciplina de projecto consiste na realização de
um trabalho de experimentação ou implementação prática, envolvendo
procesos autónomos de definição de modelos, recolha e tratamento de
dados. A SCAE não teve acesso a exemplos de relatórios de projectos
que lhe permitissem averiguar os níveis científico e de desempenho
atingidos pelos alunos nestes projectos.
3.2.
Imagem do curso
3.2.1.
Objectivos. O Curso tem por objectivos, para além dos já referidos
na secção 3.1.1., tornar os licenciados em Matemática Aplicada
profissionais polivalentes, facilitando a sua integração nos diversos
sectores que tíem a Matemática como denominador comum. Pode dizerse que o Curso tem conseguido formar licenciados a uma intervenção de
carácter técnico com capacidade para a utilização de técnicas elementares
de tipo quantitativo e informático. Não é possível determinar
directamente em que medida são estes objectivos atingidos na realidade.
3.2.2.
Procura do Curso. Segundo o RAA, no período em análise, a
evolução do número de candidatos foi a seguinte. Em 95/96, para 40
vagas 67 candidatos, em 96/97, para 50 vagas 54 candidatos, em 97/98,
para 60 vagas 33 canditatos, em 98/99, para 60 vagas 13 candidatos e em
99/00, para 50 vagas 10 candidatos. Esta evolução apresenta um
decréscimo muito significativo que acompanha a evolução demográfica
conhecida do país e está em consonância com o aumento da oferta de
vagas no ensino superior e a diminuiçõa da procura vocacional de
estudos científico/tecnológicos. Esta diminuição da procura foi a causa
essencial para a etinção do Curso e sua substituição pelo Curso de
Matemática Aplicada e Computação.
3.2.3.
Opinião dos alunos e ex-alunos. Na segunda reunião da visita que
se inicou pelas 10h15 com a presença de seis dirigentes associativos entre
os quais o Presidente da Associação Académica da UAL e a Delegada do
Curso de Matemática, a SCAE pode colher opiniões de alunos sobre o
Curso. De um modo geral os alunos presentes nesta reunião exprimiram
a sua satisfação por serem alunos da UAL. Nomeadamente, foi referida
satisfação com as instalações da Biblioteca e espaço multimédia para
pesquisa, com o equipamento informático que foi considerado adaptado
ao Curso, com o apoio dado às actividades das diversas organizações de
alunos, com os esforços desenvolvidos pela UAL no apoio social directo
e indirecto aos alunos, com as saídas profissionais e a empregabilidade
dos licenciados pelo Curso e com o apoio à inserção dos novos alunos. O
ex-aluno ouvido pela SCAE, nessa qualidade, manifestou-se satisfeito
com o Curso referindo que o Curso tem uma orientação prática muito
marcada que permite aos licenciados a obtenção de lugares técnicos onde
se utilizem conhecimentos de informática.
3.2.4.
Opinião das entidades empregadoras. Na reunião para o efeito
foi ouvida apenas uma pessoa na qualidade de entidade acolhedora de
dois estagiários. Manifestou satisfação com os alunos que acolheu para
realizarem a informatização de parte da informação necessária ao
funcionamento da Associação de Turismo de Habitação. De sublinhar a
iniciativa de dinamização da Associação de Antigos Alunos que funciona
com pessoal a tempo inteiro e que potenciará a empregabilidade dos
futuros licenciados com recurso à eventual influência dos antigos alunos
que tenham tido sucesso na sua vida profissional.
4. Alunos
4.1.1.
Número de Alunos. No ano lectivo de 1999/2000 existiam,
inscritos no curso, 175 alunos com a distribuição por sexos e por anos
curriculares descrita na tabela seguinte, que extraímos do RAA.
Ano do
Curso
1
2
3
4
Totais
M
F
Total
3
11
19
45
78
11
25
36
25
97
14
36
55
70
175
No RAA, não há quaisquer dados quanto às opções de escolha do Curso.
A proveniência geográfica dos sete alunos que ingressaram no primeiro
ano do curso, registada, no RAA para 1999/2000, mostra que a procura
se restringiu exclusivamente aos distritos de Lisboa (três) e Setúbal (três).
Com base nos dados, apresentados na tabela 7 do RAA, pode estimar-se,
por defeito o valor médio da idade dos alunos, por anos curriculares.
Essas estimativas são apresentadas na tabela seguinte.
1º
24,4
2º
23,8
3º
23,9
4º
26,5
Estes resultados decorrem da distribuição, em cada ano, do número de
alunos pelas diferentes classes etárias. Por exemplo: no primeiro ano, 6
alunos num total de 14 tinham, em 1999, uma idade superior ou igual a
24 anos, havendo 3 com uma idade superior ou igual a 30 anos; no quarto
ano, 34 alunos em 70 tinham, ou 21 ou 22 anos. Pode constatar-se um
ligeiro aumento do valor médio da idade dos alunos ao longo do tempo.
4.1.2.
Acesso. O RAA refere como procedimentos para a admissão no
Curso: completar o 10º, 11º e 12º anos de escolaridade e efectuar uma
das provas específicas exigidas para ingresso no curso. O guia de
candidatura ao ensino superior particular e cooperativo na sua edição de
2000 refere que as provas de ingresso são: Economia, Geografia e
Matemática. As classificações, reportadas no RAA, para 9 alunos
candidatos no ano objecto estão sintetizadas na tabela seguinte onde as
classificações estão na escala 0-20 usual.
Classificação
≥ 16,5
≥ 13,5 e <16,4
≥ 9,5 e < 13,4
≤ 9,4
Secundário
2
7
-
Específica
1
1
7
Final
6
3
Pode constatar-se que um número muito significativo de alunos (78%)
obtiveram uma classificação inferior a 9,4 na prova específica de
Matemática e que, embora 22% dos alunos possam ser considerados
como bons alunos face às classificações obtidas no secundário e 11%
face à classificação final na prova específica, não há bons alunos face às
classificações globais de admissão.
4.1.3.
Carga horária e horários. De acordo com os dados referidos no
Anexo F do RAA relativo aos horários em 1999/2000, portanto para o
Curso de Matemática Aplicada, a distribuição da escolaridade semanal
total e em aulas teóricas, por semestres, é a que figura na tabela seguinte.
Sem.
Teó.
Total
1º
10
22
2º
9
21
3º
12
28
4º
10
21
5º
11
23
6º
8
18
7º
8º
8
10
19+4 21+4
Pode constatar-se na tabela acima que há pelo menos um semestre (3º)
com um número de horas semanal muito exagerado e que os outros
semestres dos quatro primeiros anos, com excepção do sexto, têm um
número de horas semanal que excede as 20 horas. Note-se ainda que no
sétimo e oitavo semestres há quatro horas para a disciplina de Projecto
(indicadas como parcela no total de horas semanal). Nos horários
apresentados no RAA, para o ano 1999/2000, pode notar-se que não
existe qualquer lacuna de tempos mortos entre duas aulas em qualquer
dia da semana. Após observação dos horários, reportamos na tabela
seguinte o número de dias, por semana e por semestre, com as horas de
início e fim dos trabalhos diários indicadas nas colunas à esquerda e
central.
Início
1º
2º
3º
4º
≤13h00 5 4 - - - - - 1
15h00 - 1 1 - 1 - 1 15h30 - - - - - - - 16h00 - - - - - - 1 16h30 - - - - 1 1 - 17h00 - - 3 4 2 2 1 - - - - - - - 17h30 - - - - 1 2 - 2
≥18h00 - - 2 1 1 - 3 3
*
*
*
*
*
*
*
*
*
*
Fim
≤17h00
18h00
19h00
20h00
20h30
21h00
21h30
22h00
≥22h30
1º
1
4
-
2º
2
3
-
2
3
1
3º
1
1
2
1
1
3
2
-
4º
4
1
-
1
2
1
1
1
1
1
2
2
Pode pois observar-se que o Curso funciona essencialmente na parte da
tarde iniciando-se frequentemente depois das 16h30 e terminando depois
das 21h30.
4.1.4.
Taxas de conclusão e desistência. Tendo o curso N=4 anos
curriculares, os dados apresentados no RAA, relativos ao tempo
necessário aos licenciados para a conclusão da licenciatura, figuram na
tabela seguinte. Na última coluna figura, para cada ano lectivo, uma
estimativa, por defeito, do tempo médio para a obtenção da licenciatura
(TML)4 em anos.
Ano Lic’s
95/96
23
96/97
38
97/98
34
98/99
19
99/00
6
N=4
13
27
18
11
3
N+1
3
3
7
3
3
N+2
3
1
1
2
-
≥ N+2
6
7
8
3
-
TML
5,1
4,7
5,0
4,8
4,5
Como primeira aproximação para avaliar a taxa de desistência global
no período em análise, pode considerar-se esta taxa como nula uma vez
que há 122 licenciados, 120 ingressos e 175 alunos a frequentar o Curso
neste período. As estimativas das taxas, de conclusão e desistência,
apresentadas afiguram-se consistentes com a qualidade dos alunos
admitidos e com o nível científico e os standards de desempenho que se
podem inferir, dos testemunhos dos alunos e da análise das provas de
avaliação, já reportada. De acordo com o RAA, no primeiro ano do
Curso, a disciplina com taxa de aprovação mais elevada foi Economia I
(80%) e com taxa de aprovação mais baixa foi Informática II (16,7%) e
no segundo ano, respectivamente, Análise Numeerica (50%) e Análise
Matemática IV (13,9%).
4.1.5.
Aconselhamento dos alunos. Nas tabelas consagradas às fichas de
disciplina no RAA não é feita qualquer menção ao acompanhamento e
atendimento dos alunos no local indicado, na ficha, para esse efeito. A
SCAE recolheu a impressão de satisfação com o apoio recebido pelos
alunos e a facilidade de contacto com os docentes, junto dos poucos e
seleccionados alunos presentes nas reuniões.
4.2.
Licenciados
4.2.1.
Situação Profissional. Na presente conjuntura económica, em que
a taxa de desemprego existente aponta para o pleno emprego técnico, a
empregabilidade presente dos licenciados, de um dado curso, não
constitui indicador relevante da aceitação da formação por parte do
mercado de emprego. São necessários indicadores mais finos que
relacionem estreitamente o emprego com a formação recebida e que
permitam uma perspectiva da evolução. Indicadores do tipo referido não
foram solicitados e não há informação disponível para a elaboração dos
mesmos. O Curso teve no último ano em análise, um número muito
4
Por exemplo: TML(97/98)=(9x5 + 7x6 + 5x7+ 4x8)/25.
reduzido de licenciados. É convicção generalizada na UAL, junto das
autoridades, docentes e alunos que não há, actualmente, licenciados pelo
Curso na situação de desempregados. A SCAE não obteve informação
relativa a inquéritos realizados junto dos licenciados do curso que
permita substanciar esta convicção em dados concretos.
4.2.2.
Proporção em relação ao numerus clausus. De acordo com os
dados do RAA, a rácio Ingressos/Vagas (Rácio 1) a rácio
licenciados/ingressos (Rácio 2) e a rácio licenciados/numeros clausus
(Rácio 3) tomam os valores indicados na tabela seguinte.
Ano
Vagas
Ingres.
Rácio 1
Lic’s
Rácio 2
Rácio 3
95/96
40
40
100%
25
63%
63%
96/97
50
39
78%
38
97%
76%
97/98
60
23
38%
34
148%
57%
98/99
60
11
18%
19
173%
32%
99/00
50
7
14%
6
86%
12%
Pode constatar-se a diminuição muito acentuada da procura do
Curso que é posta em evidência pela rácio 1. A proporção de
licenciados em relação ao número clausus tem também uma
diminuição muito apreciável dando mais uma indicação do baixo
número de alunos a frequentar o Curso.
5. Professores e outros meios humanos
5.1.
Pessoal Docente
5.1.1.
Composição. A informação disponibilizada no RAA e junto dos
docentes contactados na visita é escassa e não permite a caracterização
necessária do corpo docente, em particular, quanto às qualificações
académicas nas áreas científicas de referência. Com as informações
disponíveis, elaboraram-se as tabelas seguintes. Na primeira, a
distribuição dos docentes envolvidos no Curso pelos graus académicos, o
valor médio da idade dos docentes em cada grau e o valor médio, da
idade, global.
N.º
Idade
Doutor
6
44,2
Mestre
5
46,4
Licenciado
21
49,5
Total
32
48
Na segunda tabela, a distribuição dos docentes envolvidos no
Curso pelas categorias referidas no Art.º 2º do Regulamento da Carreira
Docente da UAL.
N.º
Idade
Cat.
2
61
Ass.
4
55,3
Aux.
16
51,3
Ass.
10
37,5
Est.
-
Na tabela 13 do RAA, pode constatar-se que: dos dois professores
catedráticos, um é doutorado e outro licenciado; dos quatro professores
associados, um é doutorado e três são licenciados; dos 16 professores
auxiliares, quatro são doutorados, três são mestres e nove são licnciados.
Na última tabela, figuram a composição do corpo docente
envolvido no curso, bem como uma repartição deste corpo docente, pelos
domínios científicos de referência, segundo a área científica de
especialização em que efectuaram, ou têm em curso de preparação,
provas de mestrado ou doutoramento.
Categorias/Áreas
Cat Ass
Lógica e Fundamentos
Matemática Finita
Álgebra
Análise
Geometria e Topologia
Probabilidades e Estatística 1
15
Análise Numérica
Ciências da Computação
Investigação Operacional
História da Matemática
Ciências da Educação
Outras
27
Desconhecida
110
1
Totais
2
4
Aux Ass Total
1
1
6
1
3
1
1
38
19
6
11
8
21
16
10
32
As categorias referidas na tabela são, de acordo com o Art.º 2º
do Regulamento da Carreira Docente da UAL, da esquerda para a direita:
Professores Catedráticos, Professores Associados e Professores
Auxiliares, Assistentes e Assistentes Estagiários. Na base da informação
disponível, pode constatar-se uma carência muito significativa de
pessoal docente qualificado, ao nível da pós-graduação, em quase todos
os domínios científicos fundamentais da área da Matemática, necessários
para o Curso, sobretudo em Matemática Finita, Análise Matemática,
Análise Numérica e Geometria e Topologia. Pode dizer-se que o
Departamento de Ciências e Tecnologia não dispõe de pessoal docente
com as qualificações de pós-graduação, em Matemática, adequadas para
o ensino universitário e sobretudo para a respectiva coordenação
científica. A SCAE colheu ainda a impressão da instabilidade do corpo
docente havendo dificuldade em fixar no projecto da escola docentes
qualificados e em dedicação exclusiva. Os assistentes afirmaram
5
Doutoramento em curso na área da Estatística/Investigação Operacional.
Mestrado em curso na área da Estatística
7
Um doutorado na área da Economia e um mestre em Planeamento Regional.
8
Doutorados em Engenharia.
9
Mestrado em Transportes.
10
Grau de Licenciado.
6
desconhecer o plano de formação avançada que lhes poderia permitir a
dispensa de serviço para efeitos de preparação das provas de
doutoramento.
Actividade pedagógica (licenciatura e mestrado). Os docentes
do Departamento de Matemática desenvolvem actividade pedagógica
necessária para o funcionamento de, pelo menos, quatro cursos. Na
ausência da tabela 16 do RAA, não é possível efectuar qualquer estudo
quanto à adequação em número, do pessoal docente às actividades do
Curso.
5.1.2.
Actividade Científica. Nem a análise da tabela 14 do RAA, nem
as informações obtidas na visita, permitem tirar conclusões sobre a
actividade científica dos docentes afectos ao Curso. Na reunião com os
assistentes, a SCAE não recebeu qualquer eco sobre o programa de
formação avançada referido, por exemplo, no documento de
apresentação da UAL. Não existe nem está prevista qualquer estrutura de
investigação na área científica da Matemática do tipo Centro de
Investigação.
5.1.3.
Actividade de Investigação (cooperação internacional e
publicações). As actividades referidas no RAA que envolvem
cooperação internacional não se referem à investigação uma vez que se
relacionam com o estabelecimento de protocolos com o SAS Institute,
com a Oracle a Cisco e a IBM. Foi referido à SCAE que há um docente a
preparar as suas provas de doutoramento numa universidade espanhola.
5.1.4.
Actividades de gestão. Os dois docentes do Departamento de
Ciênicas e Tecnologia que assumem a direcção do Curso dispendem
grande parte do seu tempo útil na actividades de gestão corrente. O não
preenchimento da quase totalidade dos campos da fichas de docente na
tabela 14 pelos docentes do Curso não permite obter mais informações
sobre o eventual desempenho de funções na gestão da UAL por parte dos
docentes do Curso.
6. Estruturas
6.1.
Instalações
6.1.1.
Salas de aula. No RAA não figuram informações concretas quanto
a salas de aula. A visita às instalações permitiu tomar contacto com
instalações cuidadas e com qualidade adequada, embora tendo resultado
de adaptação de um edifício não projectado para o efeito. Os alunos não
exprimiram desagrado, com os salas de aula.
6.1.2.
Gabinetes para docentes e condições. Os docentes não dispõem
de gabinetes. Existe apenas uma sala de professores e um gabinete para a
Direcção do Departamento. Pode dizer-se que esta situação reflecte as
expectativas da UAL quanto ao trabalho a desenvolver pelos docentes do
Curso nas suas áreas científicas de intervenção. É claro que se a Escola
enveredar por uma valorização cientíifica do pessoal docente do Curso,
este terá que ter instalações adequadas para desenvolver o seu trabalho.
Neste contexto gabinetes com capacidade para um ou dois utilizadores
são indispensáveis.
6.1.3.
Salas de leitura e espaços de estudo para alunos. As salas de
estudo e leitura existentes nas instalações da Biblioteca são adequadas
embora na visita às instalações estivessem a ser muito pouco
frequentadas.
6.2.
Equipamento
6.2.1.
Biblioteca. A Biblioteca dispõe de uma colecção de 23.000 títulos,
55.000 volumes (segundo o documento de apresentação da UAL), dos
quais 650 são da área da Matemática (informação obtida na visita). Não
dispõe de títulos periódicos nem de bases de dados na área da
Matemática. As instalações visitadas são adequadas e tinham, na data da
visita uma ocupação efectiva por leitores de menos de 20% dos lugares
disponíveis.
6.2.2.
Meios informáticos. Existem cinco salas contendo entre 15 e 20
computadores com acesso em rede aos servidores de conta de cada aluno.
O acesso é livre a todas as salas desde que não nos períodos de ocupaçõa
por aulas. Há ainda uma sala com equipamento utilizado e gerido apenas
pelos alunos.
6.2.3.
Meios audiovisuais. Há uma sala com acesso livre e ligação à
Internet com horário entre as 8h.00 e as 23h.00. Na Biblioteca existe um
espaço equipado com meios audiovisuais para consulta de documentos
multimédia sobretudo em suporte CD-ROM.
7. Gestão da Qualidade
7.1.
Avaliação
7.1.1.
Outras práticas de avaliação da Instituição. No RAA é
mencionado o recurso regular aos inquéritos de opinião, mas para outros
cursos. No RAA não são mencionados inquéritos aos docentes e aos
licenciados. Os inquéritos efectuados aos alunos foram realizados por
disciplina e por docente. O enunciado do inquérito e os resultados são
apresentados no RAA, estes últimos, sob forma de gráficos mas não são
estudados estatisticamente nem interpretados. Regra geral, os alunos
estão satisfeitos com o papel do docente, com as características da
disciplina, com o o funcionamento das aulas e materiais disponibilizados
e mostram algum descontentamento com a as instalações e equipamento.
7.2.
Gestão
O enquadramento legal, genérico, para a gestão da Universidade e do
Curso, é dado pelo Despacho normativo nº 178/90 de 27 de Dezembro de
1990 que homologa os Estatutos da UAL (EsUA) e pelo Regulamento do
Departamento de Matemática (RDM), aprovado em reunião do Senado
de 21 de Maio de 1992.
7.2.1.
Envolvimento dos alunos. Estatutariamente, os alunos têm dois
representantes, por curso, no Conselho Universitário, um, pela UAL, no
Conselho de Gestão e um, pela UAL, no Conselho Pedagógico. Estão
também representados nos orgãos do Departamento com dois alunos no
Conselho Escolar e dois alunos na Comissão Pedagógica .
7.2.2.
Sistemas de informação; funções e eficácia. Não foi possível, à
SCAE, aperceber-se da existência de qualquer sistema de informação ao
serviço da gestão da escola.
7.3.
Custos
7.3.1.
Custos globais. No Relatório e Contas da CEU, para 1999, obtido
na visita junto das autoridades académicas figuram, como ítems a reter
para a determinação dos custos globais, na conta de proveitos e ganhos:
Prestações de Serviços, Outros Proveitos Operacionais e Proveitos e
Ganhos Extrordinários acumulando-se um total de financiamentos, a
considerar, de 3.262.933.540$00. São referidos como ítems para a
afectação de verbas na Conta de Custos e Perdas: Custos dos Materiais
Consumidos, Fornecimentos e Serviços Externos, Custos com o Pessoal,
Outros Custos Operacionais, Custos e Perdas Extraordinários e os
Impostos sobre o Rendimento, totalizando a afectação de verbas
2.898.985.792$00. Como estimativas do financiamento médio por aluno
de Licenciatura da Universidade (5701 em 1999/2000) temos o valor
572.344$0011. Como estimativa do custo médio por aluno da
Universidade temos: 508.505$0012.
7.3.2.
Custo por aluno ETI. Na ausência de dados, quer no RAA, quer
fornecidos por altura da visita, é impossível apresentar estimativas neste
ítem.
7.3.3.
Custo por licenciado. Na ausência de dados, quer no RAA, quer
fornecidos por altura da visita é impossível apresentar estimativas neste
ítem.
8. Relações Externas
11
12
8.1.
Contactos com a Indústria. São referidos no RAA contactos com a SAS,
para implementação de uma SAS Academy, com a Oracle CISCO e a IBM
para o estabelecimento de protocolos de cooperação. Estas colaborações
podem considerar-se no âmbito de actividades de certificação não tradicionais
e aparentam ser mais relevantes para a vertente computacional do Curso
enquanto complemento de formação profissional.
8.2.
Contactos com outras instituições de Ensino Superior. Este tipo de
contactos limita-se aos existentes entre os docentes do Curso que se
encontram a preparar provas de Mestrado e doutoramento e as respectivas
(Total de Financiamentos)/5701=572.344$00.
(Afectação de Verbas)/5701=508.505$00.
Universidades acolhedoras dado não existirem cursos de especialização na
área da Matemática na UAL.
8.3.
Programas Europeus. Não foram referidas participações em programas
europeus.
9. Recomendações Finais
9.1.
Evolução
9.1.1.
Considerações gerais: A SCAE defrontou-se com uma situação
peculiar dado que o Curso de Licenciatura em Matemáticas Aplicadas se
encontra, por determinação legal, substituído, na denominação e
correspondente plano curricular, pelo Curso de Matemática Aplicada e
Computação tendo a substituição entrado já em vigor nos três primeiros
anos. A avaliação incidiu assim sobre um curso que, a partir do próximo
ano lectivo, se pode considerar como extinto. Considera-se positiva a
recente entrada em vigor do regulamento da Carreira Docente e a
existência de regulamento de Avaliação de Conhecimentos da UAL e do
regulamento de Exames do Departamento de Ciências e Tecnologia.
9.1.2.
Funcionamento: Foram fornecidas cópias dos livros de sumários
do curso que não são adequados à avaliação do desenvolvimento
programático por disciplina. Recomenda-se que sejam elaborados
sumários por disciplina os quais constituem elementos importantes de
consulta e avaliação. A SCAE não colheu elementos permitindo avaliar a
intervenção do Conselho de Regentes na coordenação do curso, pelo que
se recomenda a definição de conteúdos programáticos mínimos e a
coordenação dos diferentes programas de forma a evitar a existência de
lacunas e/ou sobreposições.
9.1.3.
Meios Humanos: A SCAE colheu a impressão de que existe um
bom relacionamento institucional dentro de cada corpo e entre os
diferentes corpos da UAL. Constata-se que o rácio doutor/docente no
Curso é demasiado baixo. Constata-se ainda que a actual composição do
corpo docente do Departamento de Ciências e Tecnologia não respeita o
regulamento da Carreira Docente da UAL não existindo uma
correspondência clara entre a categoria do docente e a sua qualificação
académica. Sublinha-se que o compromisso com a qualidade do ensino
em Matemática pressupõe a existência, na escola, de uma área científica
activa consubstanciada num corpo docente academicamente qualificado e
produtivo na investigação em Matemática.
9.1.4.
Ensino: A SCAE apreciou positivamente a intenção da direcção do
Departamento de Ciências e Tecnologia para reformular o curso o qual
globalmente parece mais adequado aos objectivos de formação e à
procura que o anterior curso.
9.2.
Perpectivas de Futuro relativamente a
9.2.1.
Ensino: Relativamente à estrutura do plano curricular da
Licenciatura em Matemática Aplicada e Computação, a SCAE considera
que a aposta numa formação bi-disciplinar Matemática
Aplicada/Computação, com este figurino, é arriscada e obriga a uma
grande sobrecarga lectiva para completar o plano curricular em quatro
anos. O novo plano apresenta o incoveniente de uma elevada carga
lectiva semanal (em média de 25 horas semanais) distribuída,
tipicamente, por cinco disciplinas por semestre. A distribuição de
disciplinas, pelas diferentes sub-áreas das ciências Matemáticas, não
garante que o aluno adquira uma preparação suficiente nesta área que
permita considerá-lo, uma vez licenciado, como Matemático.
9.2.2.
Instalações: A SCAE registou a preocupação manifestada
pontualmente, pelos responsáveis, em adaptar as instalações existentes a
um funcionamento produtivo e cómodo das actividades lectivas.
9.2.3.
Meios informáticos: Considera-se positiva a existência de material
informático actualizado bem como de instalações, em geral, agradáveis e
adequadas aos objectivos do curso.
9.2.4.
Meios bibliográficos: Considera-se ser necessário aumentar
substancialmente a colecção de monografias actualmente existente na
secção de Matemática da Biblioteca Geral.
9.2.5.
Gestão e coordenação: Considera-se importante a utilização da
contabilidade analítica por centro de custos de forma a permitir a análise
detalhada dos recursos afectos ao Curso. Considera-se importante o
compromisso assumido de implementar uma base de dados com os
elementos necessários para uma auto-avaliação permanente.
9.3.
Conclusão: A SCAE está consciente que o Curso em avaliação se
desenvolve numa universidade privada com especificidades próprias e
reconhece o esforço que está a ser feito para proporcionar a administração de
um ensino universitário com dignidade.
COMISSÃO DE AVALIAÇÃO EXTERNA DE MATEMÁTICA
Visita Institucional à Universidade Autónoma de Lisboa
Dias 12 e 13 De Março de 2001
Licenciaturas em Matemática (Ensino de) e Matemática/Informática
Constituiçãos da Subcomissão
Coordenador Prof. Doutor António Ribeiro Gomes
Vogal
Profª Doutora Joana Soares
Vogal
Prof. Doutor Manuel L. Esquível
Programa da Visita da SCAE
12 de Março de 2001
09h.30 - 10h00: Reunião com as Autoridades Académicas
10h.00- 11h.00: Reunião com os dirigentes estudantis
11h.00- 12h.00: Reunião com a Comissão de Auto-avaliação do Curso
12h.00- 14h.00: Almoço
14h.00- 15h.30: Visita às instalações
15h.30- 16h.30: Reunião com os Responsáveis do Cursos e Departamentos
envolvidos
16h.30- 17h.45: Reunião com os Professores dos dois primeiros anos
17h.45- 19h.00: Consulta dos Elementos adicionais da Auto-avaliação
13 de Março de 2001
09h.00 - 10h15: Reunião com os Professores dos últimos anos
10h.15- 11h.30: Reunião com os Assistentes
11h.30- 13h.00: Reunião com os Alunos dos dois primeiros anos
13h.00- 14h.30: Almoço
14h.30- 16h.00: Reunião com os Alunos dos últimos anos
16h.00- 17h.00: Reunião com os elementos externos à Universidade
17h.00- 18h.00: Reunião da Subcomissão de Avaliação Externa
18h.00- 19h.00: Reunião final com as Autoridades Académicas
Download

Curso de Matemática Aplicada, da Universidade Autónoma Luís de