7/3/12
Newsletter Matéria
Rita Mundim
Diretora da Meritis Educação Financeira, comentarista econômica da Rede BandMinas e Rádio Band
News, formada em Economia pela UFMG, Mestre em Administração pela FEAD e Professora de
Mercado de capitais da Fundação Dom Cabral e do IBMEC. Autora do livro: Brasil 100 comentários, que
faz parte da Coleção Expo Money.
www.meritis.com.br
Edição 23
1 kg de Audi ou 1 kg de Carne?
A autora de Brasil 100 comentários da Coleção Expo Money fala dos rumos da economia com o aumento nos preços das
commodities e revela que a agroinflação passa a ser o grande vilão no mundo. Para ela a inflação nunca é boa e a perda de
poder aquisitivo de qualquer moeda atinge a todos.
Por Rita Mundim
O crescimento extraordinário da produtividade americana desde 1995 e da produtividade nos países emergentes podem
explicar como os emergentes têm suportado um aumento nos preços das commodities sem maiores conseqüências no nível de
investimento, e é ainda o porquê da inflação permanecer sob controle na maioria dos países, apesar dos aumentos significativos
nos preços das matérias­primas, no consumo das famílias e nos lucros corporativos.
A queda das barreiras comerciais, a disciplina dos bancos centrais e a transformação da China na grande base manufatureira
global estariam criando pressões permanentes de redução de preços. Mas há setores da economia em que a oferta de produtos
é limitada por fatores naturais. São esses segmentos, que estão esquentando o bafo do dragão da inflação. O que assusta o
mundo é a chamada agroinflação.
No Brasil, o leite subiu quase 100% nos últimos oito meses, a arroba do boi mais de 30% em um ano, as cotações do trigo mais
de 50% e a do milho mais de 160% em 12 meses. Essa “agroinflação” é um fenômeno diretamente relacionado com o Brasil. O
aspecto positivo é visível nos números da balança comercial. Apesar do câmbio desfavorável, os produtores rurais deverão
exportar US$ 45 bilhões neste ano.
A agroinflação também ajuda a desmontar uma linha de pensamento econômico que fez sucesso nos anos 70. Trata­se da
“teoria da dependência”, escrita pelo ex­presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC previa que a América Latina estaria
condenada ao subdesenvolvimento pelo fato de exportar produtos que tenderiam a perder valor no comércio internacional. O
que se vê hoje é um fenômeno inverso. Produtos industriais se tornam cada vez mais “bens de prateleira”, enquanto as antigas
commodities ganham valor. José Ruiz, economista do Santander, previu um longo ciclo de progresso para a América Latina a
partir de uma tese curiosa. Segundo ele, hoje, um “quilo de Audi” custa menos na Europa do que um “quilo de carne”.
Escrevi este artigo no dia 13 de agosto de 2007, e de lá para cá , a coisa só piorou... Além da agroinflação , o preço do barril de
petróleo, ou melhor a inflação da energia assusta até os mais otimistas. A commodity já está acima de US$120,00 o barril e se
não houver um aumento significativo na oferta e uma valorização do dólar frente a outras moedas fortes como euro, yene, Yuan
e mesmo o real , o preço do barril pode atingir os US$150,00 em curto espaço de tempo.
No dia 11 de abril deste ano, o presidente Lula classificou esta inflação mundial como uma “inflação boa” partindo do
pressuposto de que as pessoas estão comendo mais, consumindo mais. Infelizmente, senhor presidente , não existe inflação
boa. A perda de poder aquisitivo de qualquer moeda atinge a todos, mas sempre mais, àqueles que não têm acesso aos
mecanismos do mercado financeiro que possibilitam minimizar estas perdas.
O Brasil com S e ou com Z é hoje a solução potencial desta crise. Com uma imensidão de áreas agriculturáveis e com as
reservas recém­descobertas pela Petrobras poderemos aumentar a oferta de alimentos e petróleo do mundo, nos transformando
quem sabe na grande potência da próxima década. Mas a grandeza de um país não se mede apenas pelo potencial de recursos
que podem ser incorporados à atividade econômica , mas sim pela produtividade na incorporação dos mesmos e pela
conseqüente distribuição da riqueza gerada pelo crescimento advindo deste processo.
E aí está o nosso maior desafio: a acessibilidade da nossa população ao processo produtivo e conseqüentemente à riqueza
gerada por este processo está diretamente ligada à educação da população , seja ela básica, fundamental, superior ou
financeira.
OBS: As informações da reportagem são baseadas na opinião do especialista entrevistado. Saiba mais
www.expomoney.com.br/newsnova/materia.asp?rregn=168
1/2
7/3/12
Newsletter Matéria
OBS: As informações da reportagem são baseadas na opinião do especialista entrevistado. Saiba mais
Avalie a matéria [ | | | | ] votar
8 Comentários
Comentário de Vanderlei Schardosim, RS, 23/05, 09:51
com seus comentarios vou me aprimorando no mercado financeiro. obrigado e continue.
Comentário de Marcos Eduardo Nogueira, MG, 20/08, 19:49
Cara professora RITA MUNDIM: Boa noite! Estou com a impressão de haver ouvido, durante sua exposição televisiva na TV
Bandeirantes (BH), HOJE, que a Senhora teria dito que quem lhe enviar uma mensagem eletrônica poderá ser premiado com o livro
escrito pela Senhora. Assim, fico aguardando.
Comentário de Vailton Marcos Beserra, SP, 29/08, 20:26
Cara, eu vejo duas pessoas na minha opinião formam uma extraordinária base para quem deseja entender os mecanismos que
movimentam os mercados de capitais no Brasil. São elas o Walter Mundell e a Rita Mundim. Assistia seus comentários todos os
dias quando morava no Brasil. Vailton Calgary,AB Canad
Comentário de Vailton Marcos Beserra, SP, 29/08, 20:26
Cara, eu vejo duas pessoas na minha opinião formam uma extraordinária base para quem deseja entender os mecanismos que
movimentam os mercados de capitais no Brasil. São elas o Walter Mundell e a Rita Mundim. Assistia seus comentários todos os
dias quando morava no Brasil. Vailton Calgary,AB Canad
Comentário de José Augusto, SP, 16/06, 13:38
O artigo é perfeito em sua analise, bem como os comentários. No entanto, o Brasil (zil) ainda não possui uma estrutura adequada
para exportar seja o que for, e nem para o transporte interno dos produtos. Deveria assim exportar apenas industrializados e taxar a
exportação das commodities in­natura.
Comentário de Alexander Crespo, MG, 03/06, 15:44
São vários fatores contribuintes para a inflação, e o mais importante e relevante é haver maior demanda do que oferta. A teoria da
dependêcia mostrava que vendiamos 1 laranja a 5 centavos e recompravamos seu suco a 50 centavos. Agora que podemos fazer
suco, o vendemos a 1 real. É a hora do troco !
Comentário de Ruy Peixoto, SP, 02/06, 11:58
Muito bom..., apenas um detalhe...qto. ao preço da arroba de boi gordo...que subiu 30% em 1 ano...., soh que ela também ficou
estavel em baixa por mais de 3 anos...portanto essa alta ainda eh pequena .../abraços.!!!
Comentário de Jorge Gameiro, PR, 31/05, 23:38
O ARTIGO É RELEVANTE, BEM FUNDAMENTADO, SUCINTO E LOGICO. PARABENS!
Faça seu comentário sobre a matéria.
O comentário será publicado com Nome Sobrenome(s), Estado, não refletindo a opinião dos editores, ou rejeitado se: for alheio à matéria/ newsletter, violar
lei/ direito, ofender pessoa/ entidade, tiver origem incerta, incluir indicações comerciais (fone, email, site etc) ou código de intenção obscura. Alguns
caracteres serão convertidos: # 8 no. ; " 8 - ; ' 8 espaço .
[restam 300
toques]
Nome Sobrenome(s)
Email
UF
envie
www.expomoney.com.br/newsnova/materia.asp?rregn=168
2/2
Download

Clique para ler