FIBROSE CÍSTICA – VARIANTES RARAS DETECTADAS POR SEQUENCIAMENTO DO GENE CFTR
CONFIRMAM CASO ATÍPICO.
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Autores
Instituição
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Raquel Tavares Boy Silva , Monica Taulois , Gustavo Guida Godinho , Monica Firmida , Agnaldo Jose
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Lopes , Marcos Cessar Santos de Castro , Giselda Kalil Cabello
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UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Av 28 de setembro 77 Vila Isabel Rio de Janeiro),
FIOCRUZ - Fundaçao Oswaldo Cruz (Av Brasil 4365 Manguinhos Rio de Janeiro)
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Resumo
OBJETIVOS
Relatar caso de fibrose cística (FC) atípica confirmado por sequenciamento do gene CFTR no qual se detectaram
variantes raras moduladoras da doença.
MÉTODOS
Relato de caso. Analise molecular do gene CFTR realizado pelo emprego de painel mutacional (RT-PCR) e ulterior
sequenciamento do gene CFTR por NGS.
RESULTADOS
Paciente do sexo feminino, 23 anos de idade, primeira filha de casal jovem, consanguíneo, com histórico de déficit de
ganho ponderal na infância e infecções respiratórias de repetição a partir dos 13 anos de idade. Exame clínico: Peso
P3; Estatura P25-50; Sem dismorfias apreciáveis; sem sinais clínicos de desnutrição.Exames complementares:
Realizadas 04 dosagens de eletrólitos no suor, com valores limítrofes do cloro. VEF1:1,86(64,4%). PPD Não reator.
Elastase pancreática em fezes nos limites da normalidade (377). Índices hematimétricos abaixo do esperado (hem
3,57;hg 10,2 g/dl; htc 30,3%) e eosinofilia periférica(13% -1638mm3). Hepatograma sem alterações. Endoscopia
digestiva alta – reações inflamatórias inespecíficas. TC tórax-discretas áreas de distúrbio de aeração no lobo superior
esquerdo e médio. Genótipo F508del/N a partir do emprego de painéis mutacionais por RT-PCR. Terapia de
reposição de enzimas pancreáticas desde então alivia sintomas de distensão abdominal e constipação.
Sequenciamento (NGS) do gene CFTR detectou, além da mutação F508del, as variantes M470V, G576A e R668C e
a variante intrônica 9T:7T.
CONCLUSÃO
Trata-se de paciente heterozigota para a variante M470V (1/2) e a variante intrônica IVS9 (9T/7T), onde os alelos M9T são encontrados ligados a mutação F508del, observada neste caso. Provavelmente, os alelos V-7T foram
segregados juntos com os alelos G576A e R668C em trans com a mutação causadora (F508del). A variante M470V
é considerada, por alguns autores, uma moduladora da doença. Os alelos G576A-R668C são considerados
complexos e encontrados em pacientes com bronquiectasia disseminada, CBAVD, pancreatite, e responsáveis por
quadros mais brandos e atípicos,como o apresentado. Salientamos a necessidade do sequenciamento do gene
CFTR para os casos atípicos considerando confirmação diagnóstica de FC, manejo clínico adequado e
aconselhamento genético. Um banco de dados destas variantes encontradas na população brasileira, com
informações clínicas precisas para fins de correlação genótipo-fenótipo, carece ser implementado. Tais medidas
tornam-se mais urgentes com a introdução do rastreamento neonatal para FC no Programa Nacional de Triagem
Neonatal em alguns estados brasileiros.
Palavras-chaves: fibrose cistica , variantes raras, sequenciamento gene CFTR
Agência de Fomento:
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FIBROSE CÍSTICA – VARIANTES RARAS