Quatro Olhares
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SUCESSO
Ahh... se o
Nos moldes da gastronomia
clássica, o restaurante
Piantella consolidou-se
como o mais tradicional
da jovem cidade de Brasília
Natalia Gela
I
naugurado em outubro de 1976, apenas 16 anos após a criação de Brasília,
o restaurante Pwwwiantella é um dos
mais tradicionais da cidade. A casa começou com uma proposta simples, de
cozinha clássica, uma mistura das culinárias
francesa, italiana e brasileira, ganhando notoriedade logo no início.
Para Marco Aurélio Costa, chef e sócio proprietário do Piantella, em função do relacionamento, do carinho e da dedicação para com os
clientes, a casa foi evoluindo e crescendo como
um reduto da boa gastronomia. Um dos primeiros assíduos do famoso salão foi Pacheco Chaves, na época, deputado federal de São Paulo.
“Quando o dr. Pacheco veio pela primeira
vez ao restaurante, ele me perguntou se eu daria
continuidade àquela comida que estava sendo
servida, pois desejava trazer outras pessoas para
conhecer a casa”, conta Costa.
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“Família Piantella” – alguns colaboradores
estão na casa desde sua inauguração
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Foi assim que Ulysses Guimarães, Severo
Gomes, Tancredo Neves, Marcos Freire, Jarbas Vasconcelos e todos os políticos da época
passaram a freqüentar o Piantella, que acabou
virando também o reduto da oposição.
Segundo Costa, o Piantella teve uma participação muito importante na redemocratização
do País. “Ulysses costumava dizer que se aquelas
paredes, mesas e cadeiras falassem, muitas coisas
que ainda eram sonhos não se tornariam realidade
com relação à redemocratização do País.”
Porém, o Piantella não é apenas freqüentado por políticos de Brasília. Com a mesma
assiduidade, as famílias mais tradicionais da
cidade respondem por uma grande parcela
do movimento do restaurante. Existem também aqueles que passaram a visitar o salão
por curiosidade, para ver o “Cantinho do dr.
Ulysses” – hoje batizado com o seu nome.
Desejos atendidos
Costa acredita que o sucesso está relacionado
a uma série de fatores, como a força e a garra dos
colaboradores da “Família Piantella”, o carinho e
a dedicação para com os clientes, o preço competitivo e o cardápio, que se adapta ao gosto do
freguês. “Não temos um menu rígido. O cliente
explica como deseja o seu prato e nós fazemos.
Nada é impossível, seja a simples troca de um
ingrediente até a preparação de pratos específicos para uma dieta. Preparei pratos da dieta de
Nelson Carneiro, numa época em que ele só
Marco Aurélio Costa, chef e sócio
proprietário do Piantella
Escola materna
Segundo Marco Aurélio, o Piantella, que completou 32 anos, veio para ficar. “A cozinha clássica é eterna, diferente daquelas de momento, de
inovação, restaurantes no qual as pessoas comem
uma ou duas vezes, mas não conseguem freqüentar no dia-a-dia. Nós, brasileiros, gostamos da cozinha caseira, da tradicional, não conseguimos
comer determinadas receitas todos os dias.”
Em parceria com os outros chefs da casa, Marco
Aurélio é responsável pela elaboração dos pratos.
Sala para jantares reservados
“Cantinho do dr. Ulysses”
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Piantella falasse!
“Existe uma sinergia. Não é uma função exclusiva
de alguém.” A feijoada é um dos grandes destaques da casa, dividindo espaço com o Camarão do
Maître, o Côte de Boeuf, entre outros.
Filho de uma cozinheira de mão cheia,
Marco Aurélio conta que sempre teve forte
ligação com a cozinha. Foi na pensão de sua
mãe que aprendeu as primeiras lições sobre o
universo gastronômico e tomou contato direto com o público. Aprendizado que significou muito quando iniciou o próprio negócio
que se tornou um local de prestígio. “O importante em um restaurante é saber receber o
cliente e tratá-lo bem. Quando a pessoa sai de
casa, além de querer comer bem, ela quer ser
bem tratada, distrair-se, alegrar-se, formar um
bom relacionamento e uma boa amizade.”
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Camarão do Maître – um dos destaques da casa
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estava comendo grelhados, sem manteiga e sem
óleo. Como muitas pessoas passam a semana
em Brasília e só voltam para casa no final de semana, o restaurante trabalha para adequar seus
pratos à rotina dos clientes”, explica o chef.
Mas a troca de informações e a ligação com
o mundo inteiro também contribuíram para o
desenvolvimento do restaurante. Saber onde
encontrar ingredientes de qualidade, trocar experiências com outros chefs e a possibilidade de
importar produtos trouxeram uma gastronomia
ampla, sem limites.
Para o chef Marco Aurélio, cozinhar vai além
de montar um belo prato, “é como criar uma
poesia. Quando você está preparando a comida,
está colocando energia naquele alimento. Se for
negativa, a tendência é de que não fique tão boa,
mas, se for positiva, você tem todas as condições
de servir um prato delicioso”.
Mas como manter a qualidade do serviço e
atendimento por tanto tempo? “Com esforço,
dedicação e amor. Ainda temos colaboradores que trabalham conosco desde a época de
inauguração da casa, mas é preciso saber passar o seu conhecimento adiante. Quando não
há mais condição de tocar o estabelecimento,
de administrar, então chegou a hora de parar,
de passar para alguém, vender o seu negócio,
caso contrário, a tendência é não conseguir
manter mais a mesma chama, a mesma qualidade. É muito importante transmitir para os
seus comandados energia e pensamentos positivos, garra e vontade. Somos vencedores,
vamos vencer. Essa é a política que adotamos
e será sempre adotada”, finaliza Costa.
Palavras-chave para busca no site:
Sucesso, Piantella, Brasília, tradicional
Adega climatizada onde se encontra a sala de jantar Ulysses Guimarães
Energia e garra
A mesma energia deve estar presente no relacionamento com a equipe de colaboradores.
Treinados na própria “escolinha” do restaurante,
buscam sempre a harmonia entre seu trabalho e
o atendimento aos clientes. “O colaborador deve
gostar do que faz, ter bom senso e cautela para
saber respeitar o freguês e a si também. Estamos
todos ali para servir. Se o cliente for de outra cidade, precisamos estar antenados para dar qualquer
tipo de informação. É preciso ter a humildade de
ser um prestador de serviço”, relata Costa.
“Nossos diferenciais
são o carinho, a tradição
e a proximidade com
nossos clientes”
Prestar serviço significa atender às necessidades das pessoas. É por isso que o Piantella
preza pela qualidade ao escolher os seus fornecedores. “Trabalhar com bons fornecedores
significa menos desperdício, menos prejuízo,
mais qualidade no produto final e consumidores satisfeitos”, explica o chef.
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Piantella falasse! se o