VIII-024 – INSERÇÃO DO ENGENHEIRO AMBIENTAL DA ESCOLA DE
MINAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO (UFOP) NO
MERCADO DE TRABALHO
José Francisco do Prado Filho(1)
Prof. do Departamento de Engenharia Ambiental da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto,
Tutor do Programa de Educação Tutorial - PET Engenharia Ambiental - UFOP/MEC/SESu
Nathália Duarte Braz Vieira(2)
Graduanda em Engenharia Ambiental, Universidade Federal de Ouro Preto, bolsista do Programa de Educação
Tutorial -PET Engenharia Ambiental - UFOP/MEC/SESu
Elis Regina Pessin Albiéri(3)
Graduanda em Engenharia Ambiental, Universidade Federal de Ouro Preto, bolsista do Programa de Educação
Tutorial - PET Engenharia Ambiental - UFOP/MEC/SESu
Klaus Paz(4)
Graduando em Engenharia Ambiental, Universidade Federal de Ouro Preto, bolsista do Programa de Educação
Tutorial -PET Engenharia Ambiental - UFOP/MEC/SESu
Endereço(1): Escola de Minas, Campus Univeritário Morro do Cruzeiro – Ouro Preto - MG - CEP: 35400000 - Brasil - Tel: (31) 3559-1563 - e-mail: jfprado@depro.em.ufop.br
RESUMO
O curso de Engenharia Ambiental da Escola de Minas da UFOP, criado no ano de 2000, vem se firmando cada
vez mais como um dos mais tradicionais e importantes do País, alcançando importantes resultados no ENADE
e em outras avaliações de cursos universitários. No entanto, diante da necessidade de dados concretos para
avaliação do profissional formado pela Escola de Minas e até mesmo do curso oferecido, foi realizado um
levantamento do perfil profissional do egresso da engenharia ambiental da EM/UFOP, no qual os ex-alunos
responderam um formulário eletrônico, enviado via internet, sobre questões como: tempo de ingresso no
mercado de trabalho, áreas de atuação, faixa salarial, dificuldades e facilidades encontradas na colocação após a
formatura, bem como deficiências e diferenciais apresentados durante a graduação. A pesquisa foi conduzida
em quatro etapas: elaboração do formulário eletrônico, seguida de levantamento de contatos do ex-alunos (emails e telefone), envio das questões via internet e organização e tratamento dos dados. Foi obtido um total de
103 respostas, que corresponde a 68,7% dos egressos, de um total de 150 ex-alunos formados até final do
primeiro semestre de 2011. Por meio da presente análise, foi possível levantar o tempo para ingresso no
mercado de trabalho e identificar a diversidade de áreas de atuação profissional dessa nova modalidade da
engenharia. Este trabalho oferece um primeiro estudo de colocação desse profissional no mercado de trabalho e
serve como base a novas pesquisas no campo educacional da engenharia ambiental, oferecendo elementos para
discussões pelas Instituições de Ensino Superior –IES que oferecem essa modalidade de curso, Ministério da
Educação - MEC e Conselhos Regionais de Engenharia - CREAs no tocante à consolidação e necessária
revisão de aspectos da regulamentação da profissão do engenheiro ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: Engenharia Ambiental, Engenheiro Ambiental, Profissão e Competência, Inserção no
Mercado, Escola de Minas/UFOP.
INTRODUÇÃO
A engenharia ambiental é uma recente modalidade técnica, criada oficialmente por meio da Portaria nº 1.693/94
do Ministério da Educação e do Desporto (MEC), e desde lá vem se firmando como uma nova e importante
especialidade de graduação na área das engenharias.
Cabe ressaltar, porém, que antes mesmo da criação pelo MEC, foi em 1991 que o primeiro curso de engenharia
ambiental do Brasil foi aprovado por uma universidade brasileira, a Universidade Luterana do Brasil (ULBRA),
campus de Canoas (RS), mas efetivamente o curso teve sua abertura apenas em 1994. Concretamente foi em
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1992 que Fundação Universidade Federal do Tocantins ofereceu pela primeira vez o curso de engenharia
ambiental no Brasil. Assim, observa-se que quase três anos depois de oferecimento do primeiro curso, é que foi
editada a Portaria nº 1.693/94 do MEC (ROMAN, 2004). Considera-se, portanto, que a engenharia ambiental
existe no Brasil há exatos vinte anos e, portanto, muito pouco conhecido pelos setores empresariais.
De lá pra cá, constatou-se excepcional crescimento no oferecimento da engenharia ambiental pelas Instituições
de Ensino Superior-IES nacionais, e atualmente são ofertados, segundo dados obtidos na página eletrônica do
Instituto Nacional de Pesquisa Educacionais do MEC (INEP), em de junho de 2011, 232 cursos de engenharia
ambiental, sendo mais de cem deles ofertados na região sudeste do Brasil, sendo 45 em Minas Gerais. Com
esses números, constata-se ser correta a informação de REIS et al (2006) de que a engenharia ambiental é uma
das modalidades de cursos universitários da área ambiental que mais cresce em termos numéricos no país.
Por se tratar de uma nova modalidade profissional, a engenharia ambiental carecia de melhor definição de suas
atribuições, bem como de seu registro nos CREAs. Assim, o CONFEA, por meio da Resolução nº 447/2000,
que dispõe sobre o registro profissional do engenheiro ambiental e discrimina suas atividades profissionais,
estabeleceu no art. 2º as competências do engenheiro ambiental, determinando que “Compete ao engenheiro
ambiental o desempenho das atividades 1 a 14 e 18 do art. 1º da Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973,
referentes à administração, gestão e ordenamento ambientais e ao monitoramento e mitigação de impactos
ambientais, seus serviços afins e correlatos” (CONFEA, 2000). Essa Resolução nº 218 do CONFEA
descrimina as atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia.
Ressalta-se, ainda, no parágrafo único do artigo 2º que as competências e as garantias atribuídas por esta
resolução aos engenheiros ambientais são concedidas sem prejuízo dos direitos e prerrogativas conferidas aos
engenheiros, arquitetos, engenheiros agrônomos, geólogos ou engenheiros geólogos, geógrafos e
meteorologistas relativamente às suas atribuições na área ambiental. Assim, o engenheiro ambiental não está
apto às atividades de instalação, montagem, operação, reparo e manutenção de equipamento ou instalação,
previstas nas atividades 15 a 17 da Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973. Esse parágrafo preserva os
direitos e prerrogativas na área ambiental dos demais profissionais vinculados ao sistema CONFEA/CREAs.
Outra importante decisão da Resolução n. 447/2000 está no seu art. 3º: “Nenhum profissional poderá
desempenhar atividades além daquelas que lhe competem, pelas características de seu currículo escolar,
consideradas em cada caso, apenas, as disciplinas que contribuem para a graduação profissional, salvo
outras que lhe sejam acrescidas em curso de pós-graduação, na mesma modalidade”. Desta forma, segundo
(ROMAN, 2004), abre-se a perspectiva de engenheiros ambientais assumirem diferentes competências
profissionais, em função do currículo cursado na sua faculdade ou universidade.
Apesar da Resolução CNE/CES 11, de 11 de março de 2002, estabelecer diretrizes curriculares nacionais do
curso de graduação em engenharia, os cursos de engenharia ambiental ofertados pelas IES brasileiras
apresentam significativas diferenças de concepção e de estruturas curriculares, o que se faz necessário definir
conteúdos mínimos comuns que assegurem uma identidade para esta nova modalidade da engenharia, além de
atender aos requisitos mínimos estabelecidos nas diretrizes curriculares nacionais (ROMAN, 2004).
A ENGENHARIA AMBIENTAL DA ESCOLA DE MINAS DA UFOP
Por solicitação de Dom Pedro II, em 12 de outubro de 1876, o presidente da Província de Minas Gerais, Barão
da Villa da Barra, determinou a instalação da Escola de Minas em Ouro Preto, então capital da Província. A
primeira e mais tradicional Escola de estudos mineralógicos, geológicos e metalúrgicos do Brasil, passados
exatos 136 anos de fundação, até hoje forma engenheiros em quase uma dezena de modalidades, dentre elas,
mais recentemente, se coloca a engenharia ambiental. O curso de engenharia ambiental da Escola de Minas da
UFOP, que já formou mais de 170 engenheiros ambientais, teve início no segundo semestre de 2000 e é
reconhecido pelo MEC desde 2004.
O curso de engenharia ambiental da Escola de Minas da UFOP é o terceiro mais antigo de Minas Gerais, sendo
o primeiro desta modalidade o da Universidade Federal de Itajubá-UNIFEI, 1998, e o segundo, o da
Universidade Federal de Viçosa -UFV, que data do primeiro semestre de 2000.
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A engenharia ambiental da UFOP teve início no segundo semestre do ano de 2000 e vem se firmando cada vez
mais como um dos mais tradicionais e importantes do País, alcançando em 2011, já pela segunda vez, o selo de
Quatro Estrelas do Guia do Estudante da Editora Abril, que foi publicado no final de 2011. Anteriormente, à
essa boa avaliação do curso pelo Guia do Estudante, a engenharia ambiental obteve a nota 4 no Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes - ENADE, consolidando-se como um dos melhores do Brasil num
conjunto de quase duas centenas e meia de cursos que atualmente é oferecido nessa modalidade, segundo dados
do INEP. Tem como forte característica uma matriz curricular com 3910 horas distribuídas em um elenco de 65
disciplinas obrigatórias que privilegia a abordagem geológico, mínero, metalúrgico e ambiental e mais de uma
dezena de disciplinas optativas nos mais diferentes ramos de interesse nessa modalidade de engenharia. Tais
particularidades são consideradas como importante diferencial dentre os demais cursos de engenharia ambiental
do país.
Em agosto de 2010, o curso de engenharia ambiental da Escola de Minas completou 10 anos de existência, e,
por conta disso, o Programa de Educação Tutorial (PET) ligado ao curso de graduação (PET Ambiental MEC/SESu/UFOP), viu a necessidade de avaliar a situação, experiências e colocação no mercado dos
profissionais formados pela Instituição. O presente trabalho buscou traçar um perfil do profissional que está se
colocando no mercado, através da análise das áreas de atuação e das experiências profissionais, buscando
também avaliar os diferenciais e deficiências da graduação oferecida pela UFOP e a necessidade de atualização
deste profissional, além das dificuldades profissionais encontradas pelo egresso.
OBJETIVOS
Avaliar o perfil do profissional e a inserção do egresso da engenharia ambiental da UFOP no mercado de
trabalho, através da análise das áreas de atuação e das experiências profissionais vividas. Ademais, buscou-se
também com o estudo avaliar os diferenciais e deficiências da graduação oferecida pela EM/UFOP com reflexos
nas facilidades e dificuldades encontradas pelo egresso no mercado de trabalho. Completou o presente estudo
avaliar qual o setor que mais emprega este novo engenheiro, o tempo de ingresso no mercado e a faixa salarial
obtida pelos engenheiros ambientais da Escola de Minas
MATERIAIS E MÉTODOS
Para que a pesquisa fosse viabilizada, foi necessária, em um primeiro momento, a busca por meios de contato
com os egressos do curso da engenharia ambiental da Escola de Minas. Infelizmente a UFOP apenas possui
cadastro atualizado dos alunos com matrículas ativas com os dados disponibilizados pelo aluno no momento da
matrícula quando do ingresso na universidade. Do total de 150 egressos da engenharia ambiental, até agosto de
2011, havia um endereço eletrônico de apenas 30 deles. Diante disso, iniciou-se a busca de referências via
conhecidos, por telefone e por sites de relacionamentos e comunidades virtuais. Ao final desta primeira etapa,
foi possível adquirir o contato de 149 egressos.
Paralelamente à busca de contatos, elaborou-se o formulário eletrônico que ser envidado a cada ex-aluno. As
questões foram subdividas nos blocos: informações pessoais (voltadas para a atualização dos dados cadastrais);
informações profissionais (contemplando questões sobre o tipo de empresa em que trabalha, o cargo ocupado,
a faixa salarial atual, situação profissional logo após a graduação); questões voltadas ao tempo de ingresso no
mercado de trabalho, continuidade dos estudos, razões pela qual optou pela pós-graduação e a área de atuação
profissional e exercício profissional (oportunidades no mercado de engenharia ambiental, opinião sobre a
formação recebida, cursos de capacitação realizados e visão sobre a carreira). Este instrumento foi alocado em
uma página da internet específica para formulários de pesquisa, do qual foi gerado um link de acesso para
resposta. A opção por esta página foi devido a posterior facilidade no tratamento dos dados, já que esta gera
uma planilha EXCEL única, contendo todas as respostas de cada formulário.
Com o questionário formulado e com os contatos atualizados, foi possível realizar o envio eletrônico do link de
acesso ao formulário, através de uma conta própria para a pesquisa. Após o envio, os formulários foram
respondidos no período de Agosto a Novembro de 2011.
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APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Após muita insistência junto aos egressos para se ter as respostas, foi possível obter uma amostra considerada
representativa, contemplando cerca de 68,7% da população amostral, obtendo respostas de 103 egressos dos
150 formados em engenharia ambiental entre 2005 e 2010 pela Escola de Minas da UFOP.
INFORMAÇÕES PROFISSIONAIS
Neste bloco de questões, buscou-se avaliar o profissional com relação às questões do trabalho. Dentre os
egressos que responderam as questões, destaca-se que a grande maioria (55,3%) está trabalhando em empresas
privadas nos mais diversos ramos de atividades, com destaque para mineradoras, construtoras e empresas de
consultorias ambientais. Em seguida, destacam-se os órgãos públicos ligados ao meio ambiente e outras áreas
que não o meio ambiente (14,6%), seguidos de empresas públicas (6,8%) e empresas próprias (2,9%). Esse
último número revela que, observando as diversidades e oportunidades de mercado e com ágil capacidade
empreendedora, alguns profissionais formados pela EM/UFOP vêm se consolidando em áreas bastante
específicas no campo da engenharia ambiental, inclusive empregando outros egressos do curso. O restante
(20,4%) está envolvido em uma lista diversificada de atividades na área ambiental e na pesquisa acadêmica.
(FIG. 1)
Figura 1 - Tipo de empresa em que os egressos da EM/UFOP trabalham.
Com relação aos cargos ocupados dentro da empresa, podem-se destacar a função de analista ambiental como a
mais exercida (24,3%), seguida pelos cargos de engenheiro pleno (13,6%), engenheiro júnior (12,6%),
consultor/autônomo (8,7%), dentre outros (FIG. 2). Especula-se que o cargo de analista ambiental dentro de
uma estrutura organizacional empresarial é reflexo de que as empresas ainda não valorizam o engenheiro
ambiental no seu quadro de profissionais já que a maioria delas ainda tem uma visão bastante conservadora para
o tratamento das questões ambientais dos seus negócios. Como se verá à diante este cargo tem baixa
remuneração, estando abaixo da faixa salarial estabelecida para engenheiros, como mostra a FIG. 3, onde se
percebe certa correlação entre as faixas salariais abaixo de R$3.000,00 (22%) com a porcentagem de analistas
ambientais (~24,3%). A grande maioria dos engenheiros ambientais da EM/UFOP (30%) recebe o salário de
acordo com o piso salarial da categoria, de aproximadamente R$4.500,00. As maiores faixas salariais são
proporcionais aos egressos com maior tempo de formado, que geralmente trabalham em empresas de
consultoria de geotecnia, minerações, construtoras e empresas do ramo do petróleo e gás.
Destaca-se, ainda, neste aspecto que 5,8% trabalham como professores universitários enquanto que 11,7% são
mestrandos e doutorandos. Outros são gerentes, diretor, coordenador/supervisor de área ambiental,
pesquisador, assistente de sustentabilidade, analista de desenvolvimento regional, etc. (FIG. 2).
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Figura 2: Relação dos cargos desenvolvidos pelos egressos da engenharia ambiental da Escola de
Minas/UFOP.
Figura 3 - Relações das faixas salariais atuais no ano de 2011.
SITUAÇÃO PROFISSIONAL LOGO APÓS A GRADUAÇÃO
Após terminada a graduação, 47,1% dos egressos se ingressaram no mercado da engenharia ambiental com
menos de seis meses, enquanto que outros 12,7% já haviam se ingressado no mercado mesmo durante a
graduação, por meio de estágios profissionais que realizavam ainda como estudantes. Apenas 10,8%
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demoraram mais de dois anos para exercer a profissão, índices relativos aos anos de 2007 e 2008, época em que
o cenário econômico passava por uma forte crise (FIG. 4).
Figura 4: Tempo de ingresso do engenheiro ambiental da EM/UFOP no mercado de trabalho.
Dentre as atividades após a graduação, tem-se que 27,2% dos egressos ingressaram imediatamente na pósgraduação (especialização e mestrado), com destaque para as áreas de segurança do trabalho, geologia e
geotecnia ambiental. Destes, 51,3% buscaram a pós-graduação por iniciativas próprias como complemento à
formação, 8,8% como incentivo da empresa onde trabalhavam; 21,3% em busca da capacitação para atuação na
área acadêmico-universitária, enquanto 18,8%, pelas dificuldades imediatas encontradas no mercado,
resolveram continuar os estudos. Quanto aos que não seguiram a pós-graduação, 52,4% conseguiram se
estabelecer na área ambiental contra outros 9,7% que seguiram outras áreas profissionais após a graduação
(FIG. 5).
Figura 5: Motivos/justificativas para ingresso na pós-graduação.
Com relação à área técnica de atuação deste profissional, das 18 diferentes modalidades enumeradas pelos
egressos, destacam-se as áreas de licenciamento e de gestão ambiental (ambas com 14%), seguidas das áreas de
consultoria (9%) e gestão de áreas contaminadas (8%) e das áreas de recuperação de áreas degradadas (7%),
outorga de recursos ambientais e geoprocessamento, com 6%. Estes resultados mostram a multidisciplinaridade
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e a variedade dos campos de atuação deste profissional, já que o elenco de disciplinas cursadas pelo aluno é
bastante eclético e amplo, devido a concepção da grade curricular e à boa diversidade de disciplinas eletivas
oferecidas no curso. Vale lembrar também que os diversos programas internos de incentivos às pesquisas
(iniciação científica), programas de extensão, monitorias de disciplinas, mobilidade acadêmica internacional e
grupos tutoriais de orientação acadêmica (PET/MEC/SESu) complementam a formação dos alunos de
engenharia ambiental da EM/UFOP. (FIG. 6).
Figura 6: Relação das áreas de atuação dos egressos da engenharia ambiental da Escola de MinasUFOP.
Vale registrar, porém, conforme aponta Silva Filho (2012), que os profissionais da engenharia, de um modo
geral, atuam em um largo espectro de atividades que vai desde a solução de problemas cotidianos e o
aprimoramento de produtos, à melhoria da eficiência dos processos industriais até as funções gerenciais para as
quais a formação tecnológica - com base matemática e capacidade de análises quantitativas associada a
formação científica e visão pragmática dos problemas à capacidade de construir e analisar modelos matemáticos
- é requisito que faz dos engenheiros administradores requisitados. Por isso, como acontece em outros países,
apenas um terço dos engenheiros brasileiros atua diretamente na área de formação, o que o torna um
profissional polivalente. É o que também parece acontecer com o engenheiro ambiental da EM/UFOP, quando
se analisa os dados acima.
EXERCÍCIO PROFISSIONAL
Neste bloco de perguntas, buscou-se avaliar questões de opinião com relação à profissão no mercado e a
formação recebida na Universidade.
Ao serem perguntados em relação às oportunidades no mercado de engenharia ambiental, 73,8% acreditam que
a área está em expansão, contra 3,0% que acreditam que o mercado já se apresenta saturado.
Com relação à formação recebida, 62,1% julgam que a parte prática foi insuficiente para o aprendizado,
enquanto que 31,1% acreditam ter recebido teoria e prática de maneira suficiente. Apenas 5,8% julgam que o
curso não supriu de maneira eficiente ambos os quesitos, enquanto que 1,0% alegaram a falta de conteúdo
científico da parte teórica das disciplinas cursadas.
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Para buscar atualizações e melhores conhecimentos na área e em outras complementares, levando em
consideração a contínua necessidade de capacitação do engenheiro e a constante e rápida evolução da área
ambiental, 65% dos egressos buscaram realizar cursos de curta duração após a diplomação. Dentre os cursos
mais procurados, destacam-se aqueles que tratam de licenciamento ambiental, geoprocessamento, segurança do
trabalho, sistemas de gestão ambiental e auditorias, temas esses que apesar de serem abordados em disciplinas
específicas do curso, sempre exigem constante atualização e maior vivência prática e, portanto, sua preferência
para cursos suplementares.
Aos serem perguntados sobre o desejo de realizar algum curso de capacitação, 84,5% demonstraram interesse
em continuar se atualizando, principalmente através de MBA’s, pós-graduação, mestrados e doutorados.
Poucos deles se manifestaram em realizar outros tipos de graduação em outras engenharias, porém foram
citadas em alguns casos a engenharia de “segurança de trabalho” e civil.
Por fim, ao finalizar o questionário, pretendia-se analisar a percepção do egresso com relação ao curso
fornecido pela Escola de Minas. Aproximadamente 89,3% dos entrevistados indicariam para outros a formação
dada pela universidade, destacando a experiência de vida que a cidade de Ouro Preto proporciona aos
estudantes, além da tradição centenária da Escola de Minas na formação de engenheiros e da UFOP, e o
diferencial na área de geo-mínero-metalúrgica que o curso oferece, áreas essas já consolidadas na EM/UFOP.
Os egressos que responderam negativamente, cerca de 10,8%, justificaram sua resposta pela mesma razão que
40,8% dos egressos responderam negativamente quando questionados se a engenharia ambiental é uma das
carreiras mais promissoras atualmente. A falta de atribuições específicas do profissional junto aos órgãos
regulamentadores da profissão e a diversidade de profissionais que exercem as mesmas atividades que o
engenheiro ambiental são considerados grandes obstáculos ao crescimento e consolidação da profissão, apesar
de ser extremamente grande o número de IES que formam esses profissionais. Entretanto, dentre os 59,2% que
acreditam no futuro promissor da carreira, unanimemente alegam que as fortes exigências legais com relação ao
meio ambiente, faz com que as empresas e empreendimentos necessitem de um profissional preparando para
essa crescente demanda. Em face da freqüente preocupação com a degradação dos recursos ambientais e das
pressões e exigências da sociedade, este profissional tende a estar cada vez mais em destaque e sendo
fundamentais para as organizações empresariais e para as agências ambientais e no constante desenvolvimento
de tecnologias ambientais.
.
CONCLUSÕES
Com este primeiro levantamento, após seis turmas formadas (com exatos 150 engenheiros egressos) foi
possível verificar que a formação multidisciplinar do engenheiro ambiental da Escola de Minas da UFOP se
reflete na variedade dos campos de atuação em que trabalham os seus egressos, visto que foram listadas 18
diferentes áreas ou campos de atividades ambientais onde atuam ou prestam os seus serviços profissionais. A
pesquisa mostra também que o egresso de engenharia ambiental da EM/UFOP tem conseguido se estabelecer
na área ambiental, ingressando-se no mercado de trabalho em um período de tempo considerado relativamente
baixo (até seis meses para 49,8% dos egressos ou até um ano para 76,5 dos formados), mesmo considerando o
“exagerado” número de cursos e número de vagas de engenharia ambiental que são oferecidos pelas IES de
Minas Gerais. As organizações empresariais são as que mais empregam o engenheiro ambiental, o que confirma
a crescente demanda do setor por esse tipo de profissional nos seus quadros, porém considera-se que elas ainda
não os valorizam em termos salariais, já que número significativo deles (24,3%) se coloca com a função de
analista ambiental. Entende-se, porém, que essa situação é passageira por duas particularidades: o egresso
aceita e procura com esse cargo adquirir experiência profissional em início de carreira e, as
empresas/organizações só mais recentemente começaram a dar maior valor e atenção aos problemas ambientais
de sua responsabilidade, pressionada por diferentes ações externas (leis ambientais mais rígidas, mercado,
pressões das comunidades e autoridades, dentre outras, e demandas ambientais internas, como redução do uso
de insumos materiais e energéticos, maior controle da poluição, melhoria na produção etc) . Finalmente, podese concluir também que a Escola de Minas da UFOP tem formado bons profissionais, que em sua grande
maioria analisou a formação recebida como satisfatória (apenas 6,8% criticou os conteúdos teóricos, práticos e
científicos do curso) e, que, com esse trabalho, poderá aperfeiçoar e corrigir as deficiências no oferecimento
desse curso de graduação.
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Adicionalmente, a presente pesquisa fornece um primeiro estudo sobre a colocação do engenheiro ambiental,
oferecendo elementos para discussões pelas IES, Ministério da Educação, INEP e Conselhos Profissionais no
tocante à consolidação e revisão da regulamentação da profissão.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Ministério da Educação (MEC) e a Secretaria de Ensino Superior (SESu) através do
Programa de Educação Tutorial (PET) e o PET Engenharia ambiental da UFOP pela concessão de bolsas aos
autores do trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CONFEA - CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA.
Resolução n. 447. Brasília, 22 de setembro de 2000.
2. REIS, F. A. G. V; MEDEIROS, G. A; GIORDANO, L. C.; CERRI, L.E.S; Contextualização dos cursos
superiores de meio ambiente no Brasil: Engenharia Ambiental, Engenharia Sanitária, Ecologia, Tecnólogos
e seqüenciais - Eng. Ambiental: Pesquisa e Tecnologia - Espírito Santo do Pinhal, v. 2, n. 1, p. 005-034,
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3. ROMAN, S. A. S; Proposição para estruturação de cursos de graduação em Engenharia Ambiental.
Dissertação de Mestrado. Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental –
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Belo Horizonte, 2004.
4. SILVA FILHO, R. L. L.; Para que devem ser formados os novos engenheiros? O Estado de São Paulo.
Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/. Acesso em 20 de fevereiro de 2012.
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