UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES – UCAM
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
PROJETO A VEZ DO MESTRE
“O CORPO E O MOVIMENTO COMO INSTRUMENTO DE UMA
APRENDIZAGEM VIVENCIADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL”
SIMONE THURM SALES
Co-orientador: Fátima Alves
Orientador: Vilson Sérgio de Carvalho
RIO DE JANEIRO
JUNHO DE 2003
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES – UCAM
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
PROJETO A VEZ DO MESTRE
“O CORPO E O MOVIMENTO COMO INSTRUMENTO DE UMA
APRENDIZAGEM VIVENCIADA NA EDUCAÇÃO INFANTIL”
Monografia apresentada à Universidade
Candido Mendes, como requisito parcial
para a obtenção do título de especialista
em Psicomotricidade.
AGRADECIMENTOS:
Á minha mãe Nilda, amiga e companheira,
pessoa responsável por minha formação e
crescimento,
profissionalismo
por
e
acreditar
potencial
no
meu
como
pessoa
humana;
Aos meus filhos Matheus e Laura que me
encorajam a cada dia a superar as minhas
próprias limitações;
À minha Mestre, co-orientadora e psicomotricista
Fátima
Alves
que
contribuiu
com
seus
conhecimentos, a organizar minhas reflexões,
deixando “pegadas significativas” em minha
jornada;
Ao meu marido Márcio, na certeza de que nada
construímos sozinhos...
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho aos meus filhos: Matheus e
Laura pelo amor, carinho e compreensão,
elementos decisivos desta obra.
INTRODUÇÃO
Este trabalho monográfico foi produzido, baseado a partir da vivência de sala
de aula da autora, exclusivamente dedicados à educação infantil durante sua jornada
profissional ao longo desses anos, onde foi possível obter uma visão mais clara do
desenvolvimento harmonioso do ser cognoscente em seu processo de ensinoaprendizagem.
Vem buscando um estudo aprofundado e integrado de como pode ser útil
conhecer e aplicar a psicomotricidade na instituição de educação infantil, no intuito
de fazer com que a criança melhore seu desempenho escolar e crie confiança em si,
aprimorando sua auto-estima e transformando-se em agente construtor de seu próprio
conhecimento.
Concordando com a idéia de Vayer, a autora defende que: “todas as
experiências da criança ( o prazer, a dor o sucesso ou o fracasso) são sempre
vividos corporalmente. Se acrescentarmos valores sociais que o meio dá ao corpo e
as certas de suas partes, este corpo, termina pôr ser investido de significações , de
sentimentos e de valores muito particulares absolutamente pessoais”.
De maneira geral este estudo pode ser dividido da seguinte forma:
No primeiro capítulo, a autora aborda a origem e a definição da
psicomotricidade, onde atualmente é vista como a ciência que tem como objetivo de
estudo, o homem através de seu corpo em movimento, em sua relação com seu
mundo interno e externo. Aborda também questões significativas sobre a importância
desta visão na instituição de educação infantil devendo ser ele um espaço
privilegiado para desenvolver os conteúdos de aprendizagem, momento este em que
a criança está passando pelas primeiras experiências de conhecimento de si e do
próprio corpo.
O educador, neste enfoque, compreende que seu papel é o de fazer com que a
criança avance em sua compreensão do mundo de forma harmônica, integrada,
dinâmica e prazerosa, assumindo sua corporeidade dentro de uma realidade que
possibilite a livre expressão como sujeito pensante, construtor do seu conhecimento e
interação com o meio social.
No segundo capítulo, as principais concepções de corpo e movimento e suas
representações na educação infantil, afirmam que o primeiro objeto que a criança
percebe é o seu próprio corpo, sendo ele a referência que a criança possui para
conhecer o mundo, servindo como base para o desenvolvimento cognitivo.
Como eixo de trabalho, o esquema corporal é citado nesse capítulo como
elemento e objeto básico de atuação, no intuito de transformá-lo para obtenção de
habilidades necessárias para algumas aquisições. Mencionamos também a
importância da emoção, elemento indispensável e indissociável da criança neste
processo.
No terceiro capítulo, observa-se a importância da abordagem clínica, onde os
problemas de aprendizagem são multi-determinados, devido à uma associação de
causas. A atenção do educador deve estar redobrada no sentido de buscar na
psicomotricidade subsídios para uma reeducação e prevenção das dificuldades
apresentadas.
Para isso, a avaliação constante no dia-a-dia é imprescindível uma vez que
permitirá ao educador obtenção de dados relacionados ao indivíduo e seu histórico
pessoal e familiar.
Concluindo, a psicomotricidade vem desempenhar um papel fundamental na
educação infantil onde tudo é vida, emoção e movimento, levando-nos a crer que é
possível centralizar o trabalho no ser cognoscente e em toda a sua ação progressiva
no processo ensino-aprendizagem.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
RESUMO
APRESENTAÇÃO
CAPÍTULO I - PSICOMOTRICIDADE
CAPÍTULO II - O CORPO, O MOVIMENTO E SUAS REPRESENTAÇÕES
CAPÍTULO III - O CORPO NA ABORDAGEM CLÍNICA
CONCLUSÃO
ANEXOS
BIBLIOGRAFIA
ÍNDICE
RESUMO
O desenvolvimento de uma criança é o resultado da interação de seu corpo
com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde
estabelece ligações afetivas e emocionais. O corpo, portanto, faz parte de sua
maneira de ser.
Defendendo a idéia de que o mesmo não pode ser entendido somente como
algo biológico e orgânico que possibilita a visão, a audição, o movimento mas, como
um lugar que permite expressar emoções e estados interiores, o presente estudo se
propõe a pensar sobre o corpo e o movimento com o intuito de uma aprendizagem
vivenciada na educação infantil.
A autora defende que o movimento, para a criança pequena, significa muito
mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. Significa expressar-se
através dele. Assim sendo, ressalta a importância do desenvolvimento de uma
motricidade global harmoniosa durante essa etapa, (3 a 6 anos) tendo como
prioridade ajudar a criança a ter uma percepção mais adequada de si mesma, a
compreender melhor suas possibilidades e limitações reais assim como ao mesmo
tempo, auxilia-la a expressar-se corporalmente com maior liberdade, conquistando e
aperfeiçoando novas competências.
APRESENTAÇÃO
A escolha do tema para essa monografia não foi tarefa fácil, pois, desejava-se
conhecer mais sobre vários aspectos que envolvessem a psicomotricidade e a criança
dentro do contexto educacional.
Como pedagoga e educadora há 16 anos exclusivamente dedicados à
Educação Infantil, muitas questões “brotavam e mexiam” com os sentimentos
pessoais da autora pois, a atuação profissional nesta área do conhecimento
possibilitou-lhe a percepção de uma visão mais clara do ser humano em seu processo
de aprendizagem.
Inúmeras reflexões levaram-na a buscar mais sobre como os educadores desta
área estão contribuindo para o avanço na compreensão e análise das principais
dificuldades encontradas na sala de aula de educação infantil e quais os possíveis
recursos por eles utilizados na busca da construção do conhecimento a partir de suas
próprias experiências corporais.
É justamente com esse corpo em movimento, com essa forma de expressão da
criança , com essa “vida que explode”, que se pretende atuar.
Outra questão significativa que surgia à medida que buscava novos
conhecimentos, foi a necessidade de buscar uma prática mais rica, prazerosa e
dinâmica.
A psicomotricidade poderia efetivamente servir de instrumento e suporte para
ajudar a criança a superar inadaptações e dificuldades relacionadas aos primeiros
anos de sua escolaridade?
Foi neste momento que decidiu-se o que se pesquisaria.
As respostas para a infinidade de dúvidas e conflitos internos que surgiam,
seriam esclarecidos no decorrer da pesquisa. Neste momento o importante era pensar
sobre a origem e a evolução deste movimento espontâneo, colocando-o em prática na
educação infantil.
CAPÍTULO I
PSICOMOTRICIDADE
1.1 - Origem e definição da Psicomotricidade
O termo psicomotricidade surgiu com Duprê pela primeira vez em 1920,
significando um entrelaçamento entre o movimento e o pensamento. Desde 1909, ele
já chamava à atenção para o desequilíbrio motor, denominando o quadro de
“debilidade motriz”. Verificou que existia uma estreita relação entre as anomalias
psicológicas e as anomalias motrizes, o que o levou a formular o termo
“psicomotricidade”.
Aristóteles, (A Política) já enunciava um primórdio de pensamento
psicomotor
quando
analisou
a
“função
da
ginástica”
para
um melhor
desenvolvimento do espírito. Afirmava que o corpo, era constituído de corpo e alma
e que esta deveria comandar. Na procriação, o corpo se desloca primeiro e deve
“obediência ao espírito da parte afetiva à inteligência e à razão”. (Aristóteles, 1872)
Muito tem se escrito sobre o significado e a importância da psicomotricidade.
Ao longo de sua história o corpo foi marcado por significações diversas,
atribuídas ora pelo social carregado de crenças, ora pela cultura, ora pela ciência.
Em sua evolução, nos tempos atuais, a psicomotricidade como área de
conhecimento vem sendo conhecida como a ciência que tem como objetivo de
estudo, o homem através do seu corpo em movimento, em relação ao seu mundo
interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro,
com os objetos e consigo mesmo.
Está relacionado com o processo de maturação onde o corpo é a origem das
aquisições afetivas e orgânicas.
É o termo empregado para uma concepção de movimento organizado e
integrado em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de
sua individualidade, linguagem e socialização.
Alguns autores que estudaram esse assunto, (embora pertencentes a linhas de
pensamentos distintos ) muito contribuíram para o estudo da psicomotricidade.
Piaget (1987) ao estudar as estruturas cognitivas, descreve a importância do
período sensório-motor e da motricidade antes da aquisição da linguagem no
desenvolvimento da inteligência e a principal característica deste período, é a
ausência da função semi-ótica pois a criança não representa mentalmente os objetos.
Sua ação é direta sobre eles. Não havendo a imagem mental (representação do
objeto) não há linguagem. A inteligência trabalha com as percepções (sensório) e a
ação deslocados do próprio corpo.
Wallon (1987) afirma que é “sempre a ação motriz que regula o aparecimento
e o desenvolvimento das formações mentais”.
Vayer (1986) afirma que trata-se de uma educação global que associados aos
potenciais intelectuais, afetivos, sociais, motores e psicomotores da criança, lhe dá
segurança , equilíbrio e permite o seu desenvolvimento, organizando corretamente as
suas relações com os diferentes meios nos quais tem que evoluir.
O movimento é um suporte que ajuda a criança a adquirir conhecimento do
mundo que a cerca através de seu corpo, de percepções e sensações, pois o indivíduo
não se constrói de uma vez, mas, paulatinamente através da interação com o meio e
de suas próprias realizações.
1.2 - A Psicomotricidade na Instituição de Educação Infantil
Le Boulch (1984) apresenta o objetivo da educação psicomotora proposta
pela comissão de renovação pedagógica para o ensino das séries iniciais:
“A educação psicomotora deve ser considerada uma
educação de base na escola primária. Ela acondiciona todos
os aprendizados pré-escolares levando a criança a tomar
consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-se no
espaço, a dominar seu tempo, adquirir habilmente a
coordenação de seus gestos e movimentos. A educação
psicomotora deve ser praticada desde tenra idade; conduzida
com perseverança permite prevenir inadaptações difíceis de
corrigir quando já estruturadas”. (Le Boulch, 1984: 21-25)
A instituição que se propõe a atuar dentro desta perspectiva, deverá refletir
com muita seriedade sobre o seu papel e sua atuação como facilitador do processo de
aprendizagem. O brincar, muitas vezes não tem a conotação de uma ação educativa,
é concebido apenas pelo seu aspecto de um movimento corporal, um momento de
diversão, um momento de descanso em oposição ao trabalho escolar.
Partindo desta premissa, a maior preocupação é com os procedimentos,
programas, que algumas instituições utilizam de forma muitas vezes inadequada e
desestimulante, não atendendo às reais necessidades das crianças, tornando a
aprendizagem difícil, maçante e “sem vida”, atributo indispensável e essencial à
educação infantil.
A criança que está passando pelas primeiras experiências de conhecimento de
si e do próprio corpo poderá encontrar no ambiente da instituição da educação
infantil, um espaço privilegiado para desenvolver os conteúdos de aprendizagem.
Essas experiências se consolidam através do contato físico entre a criança e o
educador e a criança e seus pares, como mostram as figuras abaixo.
Fonte: Propriedade da autora
Desta forma, é importante que o ambiente seja organizado para possibilitar
essas trocas afetivas.
1.3 - Jogos, Brincadeiras e Afins
O jogo simbólico, o “faz-de-conta” das crianças a partir de 3 anos, constituem
excelentes oportunidades para observa-las experimentando, explorando diferentes
papéis, apropriando-se tanto afetiva como cognitivamente, através de suas
brincadeiras. Essas atividades inclusive, desenvolvem a interação entre eles, o prazer
de mostrar suas produções
para o grupo, apreciar os movimentos coletivos e
compartilhar suas conquistas e saberes.
As atividades de brincar poderão ser planejadas ao lado de outras que visam
determinados objetivos e resultados, através da articulação de temas e projetos
educativos.
Em síntese, trata-se de saber que tipo de atividade corresponde cada
brincadeira e compreender o papel que cada uma delas desempenha na organização
da vida infantil e quais os conceitos, procedimentos e atitudes com os quais as
crianças brincam.
Os brinquedos são objetos que dão suporte ao brincar e devem ser das mais
diversas origens, materiais, formas, texturas, tamanhas e cores.
A organização dos espaços influencia diretamente na qualidade do
movimento da criança. Assim, é fundamental que haja um espaço externo amplo e
desafiador com brinquedos e elementos que enriqueçam a movimentação da criança
permitindo sua atuação nas propostas e nas atividades.
Jogos corporais e esportes, também são propostas interessantes nesta faixa
etária, pois as possibilidades de agir em conformidade com as regras e modelos
começam a se delinear, como mostram as figuras abaixo, retiradas pela autora:
Fonte: Propriedade da autora
Os jogos tradicionais e a dança educativa trazem possibilidades ricas na
experiência da liberdade e do controle de movimento, ao mesmo tempo que possuem
uma função social importante na vida da criança.
Também nesta fase, a tendência de diferenciação do ato motor resulta em
maior precisão dos gestos instrumentais (cada vez mais ajustados ao uso próprio de
cada objeto) além de uma maior possibilidade de controle e contenção motores.
A criança gradualmente, passa a conseguir se manter numa mesma postura por mais
tempo.
1.4 - A Pré-escrita e a Alfabetização
Para executar a escrita em si, a criança necessita fazer uso de sua
coordenação motora-fina, que é uma coordenação segmentar, onde se exige precisão
nos movimentos e a utilização dos pequenos grupos musculares.
O tônus muscular é uma tensão dos músculos pelo qual as posições das
diversas partes do corpo são corretamente mantidas e que se opõe às modificações
passivas destas posições. Podemos citar então a coordenação motora fina que auxilia
na precisão dos traçados, preensão correta do lápis e do pincel. Para isso a criança
deverá possuir uma tonicidade adequada que permita determinar o maior controle
neuro muscular e conseqüentemente uma maior capacidade de inibição voluntária,
que é a capacidade de parar o gesto no momento em que se quer ou precisa. A escrita
é um ato motor que mobiliza diferentes segmentos do corpo e, para isso a criança
necessita de uma organização no espaço gráfico.
Necessitará também de sua orientação espacial (lateralidade-prevalência
motora de um lado do corpo), de um ritmo, motor, (relaxamento-contração), de sua
postura (eixo corporal) e seu reconhecimento no referido ato ( função imaginária). A
constatação de que as crianças constroem conhecimentos sobre a escrita muito antes
do que se supunha, amplia as possibilidades da instituição de educação infantil
enriquecer e dar continuidade a esse processo. Aprender a ler e a escrever é condição
indispensável para o indivíduo interagir no meio social.
A criança utiliza o código da linguagem para formular sentimentos, sensações
e valores, para transmitir e receber informações.
Aprender a ler e a escrever é como aprender um jogo: é preciso conhecer
regras, combinações, estar aberto e receptivo, como mostram as figuras abaixo:
Fonte: Propriedade da autora
A criança percebe esta conquista como algo positivo para a sua vida, forma
de ampliar suas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas
sociais.
Sabe-se que na educação infantil, a criança já vive num mundo rodeado de
letras e que ela se apropria desse conhecimento mesmo de forma “inconsciente”.
Deve-se aproveitar esse desejo e criar estratégias de trabalho que tornem este
contato com a leitura e a escrita de forma rica e descontraída tornando a sala de aula
de educação infantil um espaço onde a criança possa pensar o que representa e de
que modo se comunica através da linguagem escrita.
A escrita é um ato motor organizado que exige uma adequada percepção
auditiva e visual, um conhecimento e controle do corpo, através de posturas e gestos.
Além da preensão e manipulação do material, há uma exigência postural, na
medida em que os atos de desenhar, escrever, esculpir, etc, vão se estruturando como
mostram as figuras a seguir:
Fonte: Propriedade da autora
As crianças já mantêm contato com a leitura e a escrita fora da escola e vivem
num mundo onde o processo de letramento é acelerado, onde todos os espaços estão
sendo aproveitados. A escola, é o local para dar continuidade à esse processo pois, é
esse o seu papel; fazer com que a criança penetre cada vez mais no “mundo do
letramento”.
A educação infantil deve permitir às crianças a liberdade de experimentar os
sinais escritos e também proporcionar um ambiente rico em escritas diversas.
Nesta etapa, ela deverá trabalhar suas percepções, sentir vontade de aprender,
perceber vida dentro da sala de aula, ser sujeito construtor de conhecimento e de
cultura. Viver e conviver num espaço que propicie o atendimento de suas
expectativas com relação ao conhecimento e ao mundo, é viver num ambiente
alfabetizador.
Segundo FERREIRO (1995)
“Temos uma imagem empobrecida da criança que
aprende, pois, a reduzimos a um par de olhos, ouvidos, uma
mão que pega um instrumento para marcar um aparelho
fonador que emite sons. Atrás disso, há um sujeito
cognoscente, alguém que pensa, que constrói interpretações,
que age sobre o real para faze-lo seu”.(Ferreiro, 1995, p.40)
Ao citar um ambiente alfabetizador na educação infantil, não se refere aqui
àquelas salas de aula repletas de palavras isoladas, descontextualizadas, sem vida e
sem sentido. Refere-se sim, a uma educação que tenha como objetivo central a
formação de leitores e escritores competentes.
O mais importante é que as crianças possam refletir sobre as estruturas da
linguagem escrita e toda a sua riqueza, de modo à apropriar-se desse objeto de
conhecimento. È nesse sentido que se refere ao “ambiente alfabetizador” e não
“ambiente de letramento”.
1.5 - O Papel do Educador numa Visão Psicomotora
Segundo Kramer (1991)
“(...) Enfatizando que a criança é o próprio agente de seu
desenvolvimento, o professor tende a assumir um papel
desafiador, provocando desequilíbrios (conflitos cognitivos),
para que a criança, através de reequilibrações sucessivas,
seja estimulada a descobertas, e portanto, à construção de
conhecimento” (Kramer, 1991, p.77)
O papel do educador que se enquadra dentro desta proposta na citação acima,
compreende que seu papel é fazer com que a criança avance em sua compreensão do
mundo de forma harmônica, integrada, dinâmica e prazerosa, assumindo a sua
corporeidade dentro de uma realidade que possibilite a livre expressão como sujeito
pensante, construtor do seu conhecimento em interação com o meio social. O
educador consciente, terá portanto, a educação psicomotora como base para seu
trabalho e o corpo como instrumento mediador entre o meio e o objeto numa relação
vivencial mais adequada. Deve auxiliar a criança no sentido de fazê-la centrar sua
atuação em si mesma, para uma maior interiorização do corpo, a fim de que possa
tomar consciência de seu esquema corporal. (Pela interiorização, a criança volta-se
para si mesma, possibilitando uma maior automatização das primeiras aquisições
motoras.)
Estar atento, principalmente ao que se refere à maneira como a apropriação e
a consciência corporal da criança acontece e ao tempo de concentração motora
exigido por
determinadas atividades, (permanecer sentado para desenhar ou
escrever, permanecer quieto para ouvir uma história, etc.) adequar essas reflexões à
prática pedagógica é importante por várias razões.
Primeiramente, para que não se exija da criança uma capacidade de contenção
muscular que ela ainda não possui e, para evitar a manifestação do movimento
impulsivo, descontrolado, que seguramente surge quando ela não encontra no seu
espaço uma distribuição espacial e física que organize a direção de seu movimento e
que facilite as interações sociais.
Neste sentido, o educador pode pensar em projetos de organização espacial
que confira gradualmente maior independência à criança na sua atuação sobre os
espaços: poder circular numa sala atraente, ter materiais e brinquedos ao seu alcance,
poder ter acesso a outros espaços ao término de uma atividade; são idéias que tiram
as atividades das mãos do educador e atuam no sentido de tornar a criança mais
consciente de suas diversas capacidades e competências. É importante que o
profissional de educação infantil esteja atento à própria expressão corporal e a
maneira como seus movimentos respondem às necessidades e manifestações afetivas
da criança. Assim, não esquecer o próprio corpo enquanto veículo expressivo,
valorizando e adequando os próprios gestos, mímicas e movimentos na comunicação
com a criança é uma das primeiras atitudes pedagógicas a tomar em sua relação com
ela. Um educador rígido, sério demais, ou ao contrário, permissivo ou
excessivamente expansivo pode comprometer o desenvolvimento de uma
motricidade harmoniosa.
É importante chamar a atenção para o que Piaget antecipava, com a
preocupação de estimular as crianças de forma adequada em cada fase de seu
desenvolvimento. Assim, ele redimensiona às questões da psicomotricidade, não
limitando-a apenas como uma ação reeducativa, mas a uma primeira instância
educacional.
Segundo COSTA, AUREDITE CARDOSO (2001)
“Não se concebe um psicomotricista que trabalhe com o
corpo em movimento e não conheça o corpo discursivo do
sujeito
que
aprende.
É
preciso
que
haja
uma
interdisciplinaridade na ação ensinar-aprender para que o
sujeito seja compreendido em sua totalidade”. (Costa,
Auredite Cardoso, 2001, p.56)
O educador deve reconhecer-se como mais uma pessoa no grupo, na relação
com a criança e com o mundo. Deve reconhecer-se como alguém que sofre
intervenção de seus alunos, que é comprometido com a história, com o rompimento
ou reprodução do sistema no qual a sociedade caminha.
Se a ação na educação infantil nasce do centro da relação entre professor e
seus alunos, alunos e alunos, a própria escola e o lado de fora de seus muros, com a
convivência diária, a sala de aula passa a ser então, o lugar aonde as crianças vão nos
indicando seus interesses, seus momentos, e sua vontade de aprender sobre os mais
diversos assuntos. Todos os momentos e interesses demonstrados pela criança podem
propiciar aprendizagem e desenvolvimento.
Com isso, não se quer dizer que o educador deva ficar passivo, esperando que
surjam oportunidades; ele tem seu planejamento e conteúdos a serem trabalhados,
porém, deverá tornar isso mais estimulante e cheio de desafios.
A criança constrói hipóteses, tem expectativas e o desejo de aprender. Cabe
ao educador proporcionar momentos onde ele perceba sentido neste ato e transforme
a escola num espaço onde a criança possa pensar o que isso representa, pois, o que se
pretende é não deixar que estas vidas se percam num ambiente mecanicista e
repetitivo. Para tal, deve-se buscar alternativas que levem a percepção de que a vida,
o conhecimento, a escola e o crescimento pessoal caminham juntos, como mostram
as figuras a seguir:
Fonte: Propriedade da autora
CAPÍTULO II
O CORPO, O MOVIMENTO, E SUAS
REPRESENTAÇÕES
2.1 – Principais Concepções de Corpo e Movimento na Educação
Infantil
O esquema corporal não é um conceito aprendido, que se possa ensinar, pois
não depende de treinamento. Ele se organiza pela experimentação do corpo da
criança, que é uma forma de expressão da individualidade. Isso significa que,
conhecendo o seu corpo, terá maior habilidade para se diferenciar e para sentir as
diferenças. O primeiro objeto que a criança percebe é seu corpo.
Um esquema corporal organizado, permite que a criança sinta-se bem, na
medida em que seu corpo lhe obedece e que passa a ter domínio sobre ele, podendo
assim utilizá-lo harmoniosamente. Partindo dessa premissa, o corpo é portanto, o
ponto de referência que a criança possui para conhecer o mundo, servindo-lhe de
referência e de base para o desenvolvimento cognitivo e para a aprendizagem de
conceitos importantes como por exemplo, os conceitos de espaço: em baixo, em
cima, ao lado, atrás, direita, esquerda, etc. Primeiramente, a criança visualiza esse
conceito através da próprio corpo e só depois consegue visualizá-los nos objetos
entre si. A construção do esquema corporal se dá a partir da maturação neurológica,
da evolução sensório-motora e da relação com o corpo do outro.
Esta etapa, (3 a 6 anos) corresponde à organização do esquema corporal
devido a maturação da “função de interiorização”, aquisição esta de suma
importância pois auxilia a criança a desenvolver uma percepção centrada em seu
próprio corpo. Le Boulch, (1984, p.16) define a função de interiorização como “a
possibilidade de deslocar sua atenção do meio ambiente para o seu corpo a fim de
levar à tomada de consciência”.
A função de interiorização permite também a passagem do ajustamento
espontâneo, a um ajustamento controlado que, por sua vez, propicia um maior
domínio do corpo, culminando em uma maior dissociação dos movimentos
voluntários. A criança com isso, passa a aperfeiçoar e refinar seus movimentos
adquirindo uma maior coordenação dentro de um espaço e tempo determinado.
Percebe as tomadas de posições e associa seu corpo aos objetos da vida
quotidiana. Chega à representação mental dos elementos do espaço e, isto é possível
graças à primeira fase de descobertas e experiências vividas por ela.
A criança descobre sua dominância e com ela seu eixo corporal. Passa a ver
seu corpo como um ponto de referência para situar-se e situar os objetos em seu
espaço e tempo. (Este é o primeiro passo para que ela possa mais tarde, chegar à
estruturação espaço-temporal).
Ela tem acesso a um espaço e tempo, orientado à partir de seu próprio corpo.
Chega, pois, à representação dos mesmos, descobrindo formas e dimensões. Neste
momento assimila conceitos como embaixo, acima, direita e esquerda.
Adquire também, noções temporais como a duração dos intervalos de tempo,
de ordem e sucessão, isto é, o que vem antes, depois, primeiro e último.
No final desta fase, diz Le Boulch (1986), que o nível do comportamento
motor bem como o nível intelectual pode ser caracterizado como pré-operatório,
porque está submetido à percepção num espaço em parte representado, mas ainda
centralizado sobre o próprio corpo.
Não poderíamos terminar este capítulo sem mencionar a importância da
emoção no desenvolvimento psicomotor na aprendizagem, uma vez que o corpo
vivido e aprendido define o sujeito como ser pensante, que busca o conhecimento
segundo sua história e ; onde há história , há “vida e muita emoção”.
2.2 – Corpo: Representação e Construção na Aprendizagem
A evidência cada vez maior da importância do desenvolvimento psicomotor
nos processos que envolvem a aprendizagem voltados para a sistematização de
certos conteúdos dos currículos, levam a crer que o crescente interesse pela prática
psicomotora que permite à criança possibilidades de atuação e desenvolvem a
consciência corporal, a reflexão e a criatividade, através de jogos simbólicos e
do”faz- de conta”, faz com que a vivência psicomotora torne-se a própria base se sua
aprendizagem.
“Para melhor conhecer a criança é preciso aprender a
vê-la. Observa-la enquanto brinca: o brilho dos olhos o do
corpo...Estar atento à maneira como se apropria da vida,
aprendendo a “ler” através do corpo, como escreve a sua
história...” (Moreira apud, 2001, p.25)
Dos 3 aos 6 anos, a criança já possui alguma noção de seu próprio corpo e sua
motricidade global está mais harmoniosa. Utiliza-se cada vez mais das próprias
possibilidades motoras expressivas e instrumentais, adequando-as às necessidades
que lhe são colocadas e apresenta certo equilíbrio, ritmo e conhecimento de suas
possibilidades e limitações.
A psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as atividades que
desenvolve a motricidade da criança, visando o conhecimento e o domínio de seu
corpo.
Apesar de não ser ainda capaz de controlar totalmente seus movimentos, já
reconhece e identifica as características, semelhanças, diferenças e qualidades do
próprio corpo e do corpo dos outros. Nesta etapa, já demonstra identificar as
diferenças entre os sexos.
Ao tornar-se consciente disso, a criança procura fazer-se “interessante”
através de gestos, mímicas faciais e atitudes por imitações, (que nesta etapa se
encontram no auge), pois a dimensão expressiva do corpo e do movimento é de fácil
exploração, afirmação e valorização das situações cotidianas e lúdicas, onde elas
reproduzem à sua imagem e semelhança, onde o desenvolvimento evolui do geral
para o específico;
2.3 – Concepção de Movimento como Eixo de Trabalho numa visão
construtivista.
Defendendo a idéia de que o início do desenvolvimento está na interação com
o meio social e que, somente aos poucos o esquema corporal, lateralidade,
estruturação
espacial,
orientação
espaço-temporal
e
pré-escrita
vão
se
desenvolvendo, a utilização do corpo e do movimento passam a ter uma conotação
diferenciada no processo de ensino-aprendizagem, transformando-se em elemento
básico de trabalho, considerando-se que ambos ocupam lugar de importância na
expressão e na cognição da criança.
A maturação biológica dos centros nervosos ligados ao controle do
movimento ainda não estão completos nesta faixa etária de 3 a 6 anos.
Nestes últimos anos, assiste-se a um crescente interesse pela teoria
construtivista de Piaget. Embora, tendo como eixo a construção da inteligência,
busca-se relacionar essa construção com o desenvolvimento afetivo e social da
criança. A inteligência e o afeto são inseparáveis: aprendendo frações ou aprendendo
a jogar bola a criança vai colocar em jogo sua inteligência e emoções.
Para Piaget, portanto, a inteligência é uma ação interiorizada . É nesta
contínua relação com o mundo que a criança vai construir esquemas cognitivos, para
compreender a realidade e agir sobre ela.
A construção da inteligência se faz em etapas; estágios, onde a criança
constrói um repertório de esquemas cognitivos, permitindo-lhe compreender e atuar
sobre a realidade, que nesta etapa de 3 a 6 anos, chamamos de estágio pré-operatório
com seus sub-estágios: simbólicos, intuitivo global e intuitivo articulado. Este tema
certamente mereceria um aprofundamento teórico maior, não cabendo dentro desta
proposta mencionar. Maiores complementações sobre o assunto,
poderão ser
encontradas na bibliografia desta obra.
A implantação de jogos e brincadeiras torna-se então, imprescindível para que
a aprendizagem significativa aconteça.
Um programa de educação infantil piagetiano, deve propiciar condições para
que isso aconteça, pois ao jogar a criança desenvolve o físico, a inteligência, a
criatividade, espontaneidade, seus instintos sociais, etc. o jogo então deverá ter
posição de destaque no currículo onde as crianças exercitarão seus esquemas
sensório motores, funções biológicas e todas as suas capacidades. O jogo possibilita
que a dimensão simbólica se manifeste em um fazer que pode ser partilhado com o
outro, resignificado e transformado.
CAPÍTULO III
O CORPO E O MOVIMENTO ABORDAGEM CLÍNICA
3.1 – Possíveis Causas e Fatores de Dificuldades na Aprendizagem
A partir dos pressupostos anteriores, algumas questões vão surgindo. O que se
sabe desta criança? E de seus processos de desenvolvimento? E da construção desses
conhecimentos?
Tudo indica, que os problemas de aprendizagem são multi-determinados, isto
é, são devidos à uma associação de causas.
Podemos abordar então, sintomas variados de possíveis causas e fatores de
dificuldades que a criança encontra nesta etapa: fatores intra-escolares, dificuldade
de atenção e de concentração, problemas físicos, e/ou sensoriais (déficits auditivos e
visuais), linguagem deficiente, hiperatividade, inibição, agressividade, problemas
emocionais, carências nutricionais, dentre outras.
Podem experimentar algumas dificuldades como, por exemplo, incapacidade
de controle respiratório, de equilíbrio e de coordenação. É freqüente encontrarmos
crianças com um conhecimento empobrecido de seu corpo. Para elas a representação
e nomeação das diferentes partes do corpo são muitas vezes difíceis.
Não localizam ou confundem as partes, não percebem a posição de seus
membros. Elas podem,inclusive, apresentar dificuldades em locomover-se em um
espaço pré-determinado e situar-se em um tempo, pois o esquema corporal está
intimamente ligado à orientação espaço-temporal.
Uma criança com grandes problemas de esquema corporal manifesta
normalmente dificuldade de coordenação dos movimentos, apresentando uma certa
lentidão que dificulta a realização de gestos harmoniosos simples - abotoar uma
roupa, andar de bicicleta, jogar bola – por falta de domínio de seu corpo em ação.
Outro sintoma de esquema corporal mal estabelecido pode ser visto quando a
criança se confunde em relação às diversas coordenadas de espaço, como em cima,
em baixo, ao lado, etc.
Uma perturbação do esquema corporal, portanto, pode levar
a uma
impossibilidade de se adquirirem os esquemas dinâmicos que correspondem ao
hábito viso-motor e também intervém na leitura e na escrita.
Podemos citar então, a coordenação motora-fina que auxilia na precisão dos
traçados e na preensão correta. A escrita é um ato motor que mobiliza diferentes
segmentos do corpo e, para isso a criança necessita de uma organização no espaço
gráfico em termos de orientação espacial.
Outra causa que necessita ser constantemente revista pois muitas vezes é
deixada de lado, é a deficiência não-verbal, pois dela depende a aquisição de muitas
outras aprendizagens como por exemplo, a lateralidade, orientação espacial,
temporal, o ritmo, as expressões faciais e as limitações das percepções sociais.
Uma questão importante à colocar, se refere à carência ou privação alimentar
tanto qualitativa quanto quantitativa.
Uma nutrição inadequada pode afetar as habilidades de aprendizagem a qual
Pain (op. cit. p.29) chama de défit alimentar crônico e que acarreta , por sua vez uma
“distrofia generalizada” que irá afetar sensivelmente a capacidade de aprender.
Salienta ainda que, essas perturbações podem ter como conseqüência problemas
cognitivos mais ou menos graves mas não configuram por si só um problema de
aprendizagem.
Outro aspecto de suma importância, é a evolução da afetividade que è
expressa através da postura, das atividades e do comportamento. Muitas crianças
que tem dificuldades de aprendizagem acabam apresentando algumas perturbações
afetivas. Como possuem uma inteligência relativamente boa, sofrem com seus
fracassos escolares e com isto se isolam mais e se afastam de qualquer atividade que
envolva competição.
Às vezes, podem se sentir inferiorizadas, pois geralmente são rotuladas de
“preguiçosas” e acabam apresentando insegurança, inibição ou falta de interesse pela
a escola. A auto imagem e conseqüentemente a auto-estima diminuem, podendo vir
a acarretar um isolamento ou comportamentos agressivos com os companheiros ou
com os educadores que com ela convivem.
3.2 – Alguns Critérios de Avaliação – Por que Avaliar?
Segundo Alves (2003), “ A psicomotricidade está presente nos movimentos
mais simples e naturais, e ao conhecer seus mecanismos notamos a importância de
usar a psicomotricidade para a motivação dos alunos evitando o fracasso escolar.”
(ALVES, Fátima, 2003,p.137)
A avaliação psicomotora é imprescindível, uma vez que permitirá a obtenção
de dados relacionados ao indivíduo, seu histórico familiar, dados pessoais, e todos os
aspectos motores das áreas psicomotoras, suas dificuldades ou não.
As solicitações posturais e oportunidades de movimento estão presentes em
todos os momentos do dia-a-dia da criança da educação infantil, devendo portanto
ser avaliada sob um olhar onde a criança não seja “fragmentada”. Ela deverá ter
construído então, nesta fase:
-
Um repertório de movimentos expressivos compostos de gestos, mímicas
expressões faciais, olhares e entonação de voz próprios e característicos.
-
Estabelecer uma comunicação com os adultos através de seus movimentos e
adequá-los às necessidades colocadas pelo ambiente ou pelo outro: pegar
objetos, conseguir pegar um talher,etc.
-
Apresentar uma motricidade global harmoniosa, coordenando os movimentos
de braços e pernas ao andar.
-
Integrar as dimensões expressivas e instrumentais de seus movimentos nas
realizações de tarefas cotidianas e atividades lúdicas.
-
Ter desenvolvido uma atitude de interesse pelo próprio corpo e por suas
possibilidades expressivas.
-
Possuir um repertório considerável de ações corporais utilizadas no dia-a-dia,
sempre lembrando que essas habilidades devem ser vivenciadas e
reconhecidas através de atividades que visem o aspecto global do movimento,
e não trabalhadas de forma aleatória através de exercícios de treino motor.
-
Reconhecer partes do seu corpo, segmentos e articulações.
-
Ter noção espacial, reconhecendo as diferentes dimensões do espaço: altura,
largura e profundidade.
-
Conhecer algumas práticas esportivas, jogos, cirandas e danças tradicionais e
significativas de nossa cultura e os movimentos a elas associados.
É através da avaliação que o profissional poderá observar o começo de um
tratamento. É importante sinalizar que, na maioria dos casos, uma única avaliação
não é suficiente para detectar o distúrbio encontrado, sendo necessário entender a
avaliação como um processo continuo.
CONCLUSÃO
A partir de tudo o que foi exposto, pode-se concluir que, a psicomotricidade
tem um papel fundamental na instituição de educação infantil, onde tudo é vida,
emoção e movimento.
Trazer o enfoque emocional e conhecer os mecanismos que levam a perceber
o corpo, a ação e a emoção como condição indissociáveis do ser humano e que este,
nunca poderá ser “fragmentado”, leva-nos a crer e a buscar um eixo de trabalho
possível, centrado no ser cognoscente, em toda a sua ação progressiva em seu
processo de ensino aprendizagem.
Nesta perspectiva, a criança então, terá maior conhecimento a cerca de si
mesma, e de sua relação afetiva com o mundo.
Como conseqüência dessa evolução, acredita-se que a criança terá adquirido
suficiente desenvolvimento físico, intelectual, emocional, além de outras habilidades
e funções capazes de leva-la a buscar e a conquistar naturalmente nesta etapa a
aquisição da função social da leitura e da escrita de uma maneira mais prazerosa,
dinâmica e harmônica.
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Fátima. Psicomotricidade: Corpo, Ação e Emoção. Rio de Janeiro: WAK,
2003.
COSTA, Auredite Cardoso, Psicomotricidade num enfoque psicopedagógico, Rio de
Janeiro, Nova Fronteira. 2001.
OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e Reeducação num
enfoque Psicopedagógico. RJ: Vozes, 1988.
KRAMER, S. O papel social da pré-escola. Cadernos de Pesquisa. São Paulo:
Fundação Carlos Chagas, (58): 77-81, 1985.
LA PIERRE, Aucouturier. Simboligia do Movimento. Barcelona: 1977.
LE BOULCH, J. O Desenvolvimento psicomotor do nascimento até 6 anos – A
Psicocinética na idade pré-escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.
PIAGET, J. A Linguagem e o Pensamento da criança. RJ: Fundo Cultural, 1973.
PIAGET, J. & Inhelder, B. A Gênese das Estruturas Lógicas Elementares. Rio de
Janeiro: Editora Nova Fronteira. 1998.
PIAGET, J. A Construção do real na criança. Rio de Janeiro: Zahar Editores. 1975.
VAYER, P. O Equilíbrio Corporal: uma abordagem dinâmica dos problemas da
atitude e do comportamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.
WALLON, Henri. Les Origines du caractére chez l’ enfant. Paris, PUF, 1987.
INDICE
RESUMO
1
APRESENTAÇÃO
2
CAPÍTULO I – PSICOMOTRICIDADE
4
1.1 - Origem e definição da psicomotricidade
4
1.2 - A psicomotricidade nas instituições de educação infantil
6
1.3 - Jogos, brincadeiras, espaços e afins
7
1.4 - A Pré-escola e Alfabetização
9
1.5 - O papel do educador numa visão psicomotora
13
CAPÍTULO II - O CORPO, O MOVIMENTO E SUAS REPRESENTAÇÕES
17
2.1 - Principais concepções de corpo e movimento na educação infantil
17
2.2 - Corpo e Movimento: Representação e construção na aprendizagem
19
2.3 - Concepção de movimento como eixo de trabalho numa visão construtivista 20
CAPÍTULO III – O CORPO NA ABORDAGEM CLÍNICA
22
3.1 - Possíveis causas e fatores de dificuldades na aprendizagem
22
3.2 - Alguns critérios de avaliação - Por que Avaliar?
24
CONCLUSÃO
26
BIBLIOGRAFIA
27
ÍNDICE
28
FOLHA DE AVALIAÇÃO
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PROJETO A VEZ DO MESTRE
Pós-Graduação “Lato-Sensu”
Título da Monografia: __________________________________________________
Data da Entrega: _______________
Auto Avaliação: ______________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Avaliado por: _________________________________ Grau: __________________
Rio de Janeiro, ____ de _____________ de 2003.
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