Uma análise da mudança organizacional: um estudo de caso de uma
instituição de ensino superior
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Uma análise da mudança organizacional: um estudo de caso de uma
instituição de ensino superior
RESUMO
O objetivo deste artigo é apresentar os resultados de um estudo realizado em uma universidade
privada, no Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. Parte-se da idéia de que as mudanças no
ambiente físico e institucional devem ser vistas como um processo de mudança organizacional,
já que possuem um grande potencial de interferência sobre vários aspectos da organização. Os
resultados da pesquisa trazem evidências de que as pressões institucionais rumo à modernização
do ensino superior brasileiro afetaram a forma organizacional e a conduta estratégica da
instituição estudada, alterando, sobremaneira, suas estruturas e posicionamentos de gestão.
PALAVRAS-CHAVES: Ensino Superior; Mudança Estratégica; Ambiente.
1 - INTRODUÇÃO
As instituições de ensino superior têm sido objeto de numerosos debates críticos nas
ciências sociais nos últimos anos. A necessidade crescente do desenvolvimento de programas,
cursos e atividades de ensino são uma exigência da globalização, que coloca a atividade
acadêmica e, especialmente, as instituições de ensino como players do mercado globalizado
(DELANTY, 2001).
Esse novo cenário colocou as instituições de ensino em uma posição delicada,
propiciando o surgimento de novas organizações educacionais para atender a demanda crescente
e a nova realidade do mercado de ensino brasileiro, que exige, cada vez mais, preços
competitivos e boa qualidade de serviços em um curto espaço de tempo.
O aumento da oferta desses serviços, juntamente com a elevação do mercado
potencial gerado pela receptividade à sua implementação, mereceu uma reflexão mais atenta e
estruturada do Ministério da Educação brasileiro.
Antigamente, as políticas de ensino superior brasileiras levaram o sistema de
credenciamento de instituições e de autorização de cursos a uma burocratização excessiva, além
da formação de vários cartéis, com reservas territoriais de mercado e a constituição de cartórios
com poder de emitir diplomas de ensino superior, por prazo ilimitado e sem avaliação de
qualidade.
Segundo dados do Ministério da Educação, no período de 1980 a 1994, no Brasil,
houve um crescimento de 20% das matrículas, com redução de 3,5% no número de instituições
de ensino superior e um crescimento de 26% no número de cursos. No período seguinte, de 1994
a 1999, houve um crescimento de 23% no número de instituições de ensino superior, com uma
expansão de 43% nas matrículas. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2002)
Essas mudanças “evolutivas” ocorreram pela implementação de algumas práticas pelo
Ministério da Educação, entre elas, temos: primeiramente, uma divisão mais clara de
responsabilidades entre o Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Educação; segundo,
uma clara divisão de responsabilidades dentro do ministério entre a SESU (Secretaria de Ensino
Superior) e o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais); e terceiro, a
incorporação do sistema de avaliação, segundo critérios automáticos, no processo de supervisão,
ou seja, nos processos de credenciamento, recredenciamento e descredenciamento de instituições
e de autorização, fechamento, reconhecimento e suspensão do reconhecimento de cursos.
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Essa posição do Ministério da Educação visou a um maior controle social,
objetividade e transparência na condução do controle da qualidade da expansão do ensino
superior no Brasil, apesar de apupos em contrário, que afirmam que essa atuação seria autoritária,
centralizadora e burocrática.
Apesar desse ambiente ebulitivo, algumas instituições de ensino optaram por
apresentar novas e arrojadas abordagens da educação e aprendizagem, visando à obtenção de
diferenciais competitivos, como condição fundamental para a sobrevivência no turbulento mundo
do ensino universitário brasileiro.
Esse trabalho propõe uma aplicação dos conceitos do modelo de análise da mudança
em organizações, que seriam influenciadas por fatores de natureza cognitiva e de natureza
institucional, proposto por MACHADO-DA-SILVA, FONSECA e FERNANDES (1999), por
meio de um estudo realizado em uma organização de ensino superior do Bolsão Sul-matogrossense, na região Centro-Oeste do Brasil.
O trabalho está estruturado em cinco seções, além dessa introdução. A primeira
apresenta uma revisão da literatura, estabelecendo o quadro referencial teórico. A segunda seção
introduz as principais alterações estruturais ocorridas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do
Brasil, no período compreendido entre 1995 e 2002. Na terceira seção, discutem-se as mudanças
organizacionais ocorridas na instituição foco do estudo. Na quarta seção, discutem-se as
mudanças ambientais, seus reflexos e influências. E, na última parte, apresentam-se as
considerações finais a que o estudo permitiu chegar.
2 - REFERENCIAL TEÓRICO
Nos estudos organizacionais, o ambiente nem sempre foi visualizado como um fator
determinante das ações e decisões. MORGAN (1996) ressalta que, no princípio, as organizações
eram tratadas como sistemas fechados, onde a ênfase recaía, exclusivamente, sobre o
planejamento interno e no aperfeiçoamento do processo produtivo. Com o ocorrer do tempo,
passou-se a considerar as organizações como sistemas abertos, que interagiam com o ambiente,
influenciando-o e sendo por ele influenciadas. SCOTT (1998) esposa esta mesma opinião,
considerando que toda organização existe em um ambiente físico, tecnológico, cultural e social
específico, que influencia as estruturas e as operações organizacionais, à medida que é
igualmente influenciado por estas.
Nesse sentido, a teoria, tanto quanto a pesquisa, tem gerado idéias sobre o processo
que define e explica a mesma questão em ambientes organizacionais e sua influência sobre a
conformidade ao ambiente (ROSSETO e ROSSETO, 2000).
Para TORTATO e MACHADO-DA-SILVA (1999) o ambiente organizacional
encontra-se em permanente estado de mudança, o que torna crucial a observação e o estudo desse
fenômeno, que evolui a passos largos e rápidos, tornando a análise organizacional cada vez mais
complexa. PEREIRA (2000) complementa que não só a organização estaria em contínua
mudança, mas igualmente seus ambientes, onde as organizações poderiam redefinir, mudar e
influenciar seu ambiente em causa própria.
Tais mudanças, segundo CRUBELLATE e MACHADO-DA-SILVA (1998),
influenciariam inclusive o próprio papel do Estado contemporâneo, que seria obrigado a
abandonar seu caráter essencialmente intervencionista e começar a agir como instância
reguladora da sociedade.
Ao realizarem um estudo em uma universidade pública, CRUBELLATE e
MACHADO-DA-SILVA (1998) evidenciaram a fortíssima pressão ambiental existente no meio
educacional, sustentada por premissas econômicas relacionadas a padrões adequados de
eficiência e eficácia e a escassez crescente de recursos públicos.
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Essa situação auxiliou na compreensão e visualização de que o ambiente externo,
teoricamente construído, pode ser visto como fenômeno objetivo, mas sujeito a diferentes
interpretações dos membros organizacionais. Logo, a interdependência entre organização e
ambiente seria mediada por fatores internos às organizações que afetariam a percepção e a
interpretação dos agentes organizacionais em relação às pressões contextuais (CRUBELLATE e
MACHADO-DA-SILVA, 1998). Ao elaborarem-se e difundirem-se regras e procedimentos as
organizações adquirem legitimidade e suporte contextual (DIMAGGIO e POWELL, 1991;
SCOTT 1998). E, dessa forma, ao adequarem sua forma organizacional às pressões exteriores,
submetendo-se a regras, normas e procedimentos, conquistam legitimidade social (HATCH,
1997).
Esta busca pela legitimação social é uma das características do ambiente institucional,
que ocorre por meio da conformidade da organização com as normas e regras socialmente
estabelecidas (SCOTT, 1995; SCOTT, 1998).
O ambiente seria, de certa forma, uma elaboração cognitiva: as empresas com quem
concorrer, o rol de fornecedores e clientes, enfim o domínio de atuação seria uma opção
organizacional regida pela concepção de mundo. Dessa forma, no âmbito dessa delimitação,
criam-se regras e procedimentos organizacionais considerados legítimos, aos quais a organização
se sujeita para sobreviver (MACHADO-DA-SILVA, FONSECA e FERNANDES, 1999).
Essa delimitação caracteriza o fenômeno do isomorfismo, forma de
institucionalização de regras e estruturas organizacionais, ou seja, a tendência à padronização das
formas e estruturas organizacionais dentro de um dado setor (VASCONCELLOS e
VASCONCELLOS, 2000). SCOTT (1998) ressalta que o isomorfismo seria uma das principais
formas de ligação estratégica entre os ambientes institucionais, pela incorporação de regras
institucionais em suas próprias estruturas, tornando as organizações mais homogêneas, mais
similares na estrutura, com o passar do tempo.
DIMAGGIO e POWELL (1991) atentam para o fato de existirem três mecanismos
que impulsionam as organizações rumo ao isomorfismo: a) isomorfismo coercitivo: resultante
das pressões formais e informais exercidas sobre as organizações em situação de dependência e
pelas expectativas culturais da sociedade onde se inserem; b) isomorfismo mimético: baseia-se
nas incertezas em relação ao ambiente e da observação e imitação de características alheias à
organização. c) isomorfismo normativo: relaciona-se à profissionalização, à definição coletiva
de condições e métodos de trabalho.
Evidentemente, o reconhecimento das pressões isomórficas não implica a eliminação
da possibilidade de uma ação diferenciada por parte da organização, especialmente, quanto a
possuir um certo grau de autonomia e controle sobre as condições ambientais na busca da
concretização de seus objetivos ou na manutenção de seus interesses (MACHADO-DA-SILVA,
FONSECA e FERNANDES, 2000).
A extensa e complexa discussão sobre o institucionalismo não é o tema deste
trabalho, porém não se pode olvidar que as versões iniciais da teoria institucional já colocavam
ênfase particular sobre o caráter legitimado das regras institucionais, mitos e crenças, moldando a
realidade social e sobre o processo pelo qual organizações tendem a tornar-se impregnadas de
valor e significado social (ROSSETO e ROSSETO, 2000).
3 - INDUTORES DE MUDANÇA
Aspectos Macroeconômicos
A construção da ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná: A ponte rodoferroviária propiciará
o ligamento da região Centro-Oeste, uma das principais regiões agrícolas do país, com destaque
para a produção de soja e milho, com os portos de Sepetiba (RJ) e Santos (SP), através de um
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corredor 1.300 km quilômetros de extensão. Além disso, esta obra facilitará a interligação com a
hidrovia Tietê-Paraná e com os portos de Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC). (FOLHA
DA REGIÃO).
O início da construção da FERRONORTE: o primeiro trecho de 400 km foi construído entre
Aparecida do Taboado (MS) e Alto Taquari (MT), um investimento da iniciativa privada no
montante de R$ 1.300.000.000,00 (Um bilhão e trezentos milhões de reais). Na divisa com o
estado de São Paulo, precisamente na cidade de Rubinéia a FERRONORTE, se interligará com a
FEPASA (Ferrovia Paulista S.A); a partir da região do Alto Taquari, estado de Mato Grosso do
Sul, a ferrovia segue para Cuiabá (MT), onde o projeto prevê uma bifurcação da ferrovia
formando um Y, seguindo na direção Noroeste até Porto Velho (RO), numa extensão de 1.500
km e na direção Norte com mais 200 km até Santarém (PA).
Futuramente, esta ferrovia se unirá à hidrovia do rio Amazonas, interligando
totalmente a Região Norte com o restante do Brasil. Quando completo, este corredor de
escoamento produtivo terá uma extensão de 1.850 km até o porto de Santos (SP) e de 2.100 km
até o porto de Sepetiba (RJ). Calcula-se que esta obra propiciará, no mínimo, uma economia de
cinco bilhões de dólares nos próximos quinze anos. (FERRONORTE)
A construção da hidrovia Tietê-Paraná: o rio Tietê banha uma extensão aproximada de 800
km2, atravessando praticamente todo o Estado de São Paulo, abrigando paisagens e recursos
energéticos que fomentam o surgimento de pólos industriais, além de desenvolver o turismo, o
lazer e a cultura regionais.
Às margens do Tietê existem cerca de 220 municípios, com uma população
aproximada de quatro milhões de habitantes. Ao longo do seu percurso foram construídas seis
barragens que geram 25 milhões de Kw de energia elétrica. E, em toda sua extensão podem-se
identificar 18 pólos regionais turísticos com boa infra-estrutura.
Além do Estado de São Paulo, a hidrovia favorece outros estados da União, tais
como: Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, fazendo divisa com uma
área de 76 milhões de hectares, cerca de 9% do território brasileiro; essa área incorpora quatro
dos cinco maiores estados agrícolas do país. Toda esta região é povoada por cinqüenta milhões de
habitantes (33% da população brasileira) e concentra as melhores universidades do país,
produzindo mais de 50% do PIB nacional.
A construção do gasoduto Brasil – Bolívia: O gasoduto Brasil-Bolívia é, com certeza, um dos
maiores feitos, se não o maior, da integração energética na América Latina.
Segundo estudos do Governo Federal, o gás natural como matriz energética nacional,
deverá passar dos 2.5% (1998) para 12% (2010), contribuindo sobremaneira para o aumento de
energia disponível, criando assim, melhores condições de desenvolvimento e competitividade.
Alcançado esse crescimento, o Brasil deverá utilizar um volume de 134 milhões de m³/dia, sendo
que desse total, 30 milhões de m³/dia serão fornecidos pelo gasoduto Brasil - Bolívia.
Aspectos Microeconômicos
Alterações no cenário regional
O impacto na região foi automático, atraindo indústrias, incentivando o turismo e
implantando novas culturas. Nos últimos cinco anos vários balneários foram construídos, bem
como dez novos hotéis, e mais seis estão em construção.
A fruticultura aparece como uma alternativa, numa região de predominância da
pecuária de corte; o rebanho leiteiro passa a receber mais atenção com a vinda das indústrias de
laticínios, e outras indústrias começaram a surgir: frigoríficos de frango e de suínos, fábricas de
sabão e de suco de frutas, todas atraídas pelos benefícios oferecidos pela região. (FOLHA DO
SUL, 01/06/1998)
5
Além de Aparecida do Taboado-MS, que também possui uma fábrica de brinquedos,
outros municípios também foram beneficiados de forma imediata: de acordo com a prefeitura, em
Paranaíba-MS mais de vinte e seis indústrias foram instaladas, dentre elas uma fábrica de
calçados e um curtume de grande porte; em Três Lagoas-MS foram em torno de sessenta
empresas, como Champion (papel e celulose) e Mabel (biscoitos), conhecidas nacional e
internacionalmente, estão instaladas e em plena produção; outras fábricas de grande porte, como
do ramo de tecelagens e de informática estão em fase de implantação (dados da Prefeitura); no
lado paulista, cidades como Andradina, Ilha Solteira, Santa Fé do Sul e Jales também sentiram
vertiginosamente suas indústrias crescerem, mas o impacto maior foi no comércio devido ao
diferencial de ICMS entre os dois estados, que oferece maior competitividade ao estado de São
Paulo quanto aos preços dos produtos.
Neste sentido, desde o ano de 1998, o Estado de Mato Grosso do Sul implantou um
plano de desenvolvimento com a finalidade de oferecer vantagens econômicas e financeiras para
as empresas que se instalassem no estado, oferecendo redução na alíquota dos impostos estaduais
e prorrogação no pagamento da parte incidente; projeto encampado pelas prefeituras que também
dão vantagens, como isenção de IPTU por cinco anos (em alguns municípios este prazo é maior),
terrenos, terraplanagem do terreno e extensão da rede de energia até as fábricas, além de
incentivarem empresas afins, cuja produção se complementam formando assim, uma cadeia de
fornecedores e compradores na própria região.
4 - A SITUAÇÃO EM ESTUDO
Criada em 1995, a instituição foco do estudo, contou inicialmente com os cursos de
Pedagogia e Ciências Contábeis, hoje possui também o curso de Administração e Letras, com
pedidos formulados junto ao Ministério de Educação e Cultura, para os cursos de Direito e
Sistemas de Informação.
A oferta crescente de novos cursos e o aumento considerável de vagas nas Regiões
Centro-Oeste e Sudeste, mais especificamente, no Bolsão sul-mato-grossense e em parte do
Noroeste do Estado de São Paulo, no período entre 1.995 e 2.002, pode ser visualizado nos
gráficos 1 e 2, abaixo.
8000
7000
6000
Universidades
Públicas
5000
4000
3000
2000
1000
Universidades
Particulares
0
1995 1996
1997 1998
1999 2000
2001 2002
Gráfico 1 – Evolução do número de vagas nas instituições de ensino superior (1995-2002)
Fonte: Dados da pesquisa (2002)
Conforme se visualiza nos gráficos 1 e 2, a criação de aproximadamente três mil
novas vagas e de trinta e três novos cursos na região analisada ocasionou mudanças drásticas na
instituição, que para fazer frente a tal seqüência avassaladora de alterações no ambiente
6
educacional, implantou-se uma série de medidas, que visavam a consolidar a imagem da
instituição e a qualificá-la, técnica e fisicamente, para a acirrada competição pelo mercado
educacional local.
Dessa forma, a instituição, que funcionou até 1997 em um prédio cedido pelo Poder
Público Municipal adquiriu um vasto terreno onde começou a construção de sua sede própria,
visando melhor alocar seus recursos técnicos e humanos. Com o término da construção e a
inauguração do novo prédio em 1998, a instituição partiu para a consolidação de suas práticas
educacionais, através do aperfeiçoamento constante de seu corpo docente e da aquisição de novos
equipamentos e materiais de ensino.
Em 1999, a instituição inaugurou uma nova edificação em seu campus universitário,
com a incorporação de quinze novas salas de aula, uma ampla e confortável biblioteca e um
auditório com capacidade para duzentas pessoas sentadas. A ampliação da biblioteca implicou
uma melhora em seu acervo, com a aquisição de mais de quatro mil livros novos e a confirmação
de assinatura de mais de trinta periódicos especializados.
No ano seguinte, sempre no intuito de melhorar a infra-estrutura física de seu campus,
instalou, em todas as salas, climatizadores de ambiente. Inaugurou um laboratório central de
informática, com a aquisição de trinta novos computadores de última geração, permanentemente
disponíveis ao corpo discente.
100
80
Universidades
Públicas
60
40
20
Universidades
Particulares
2002
2001
2000
1999
1998
1997
1996
1995
0
Gráfico 2 – Evolução do número de cursos nas instituições de ensino superior (1995-2002)
Fonte: Dados da pesquisa (2002)
Já em 2001, inaugurou um laboratório de línguas, com isolamento acústico e
totalmente equipado para o controle e ensino de uma correta pronúncia em qualquer uma das
diversas línguas estrangeiras ministradas em seu campus.
Visando aumentar sua penetração no mercado educacional e satisfazer as
necessidades crescentes da comunidade local, a instituição instalou, entre os anos de 2000 e 2001,
cinco novos cursos de pós-graduação, permitindo aos alunos já graduados a continuação e
aperfeiçoamento de seus estudos.
Em 2002, inaugurou o curso de Letras. Dando continuidade a sua política de
melhorias contínuas em sua infra-estrutura, a instituição adquiriu 20 novos computadores para
seu laboratório central de informática e, aproximadamente, 1.500 novos livros para sua biblioteca
central.
Interessante ressaltar que, dada a brutal concorrência, o Centro Educacional Visconde de Taunay
não pode efetuar aumentos, tampouco reajustes em suas mensalidades, porém, isso não foi
impedimento para que continuasse a oferecer um ensino de ótima qualidade e melhorasse,
sensivelmente, sua estrutura física e humana.
7
5 - MUDANÇAS AMBIENTAIS: INFLUÊNCIAS E REFLEXOS
Assim, partindo-se da idéia de que as mudanças no ambiente físico e institucional
devem ser vistas como um processo de mudança organizacional, já que possuem um grande
potencial de interferência sobre vários aspectos da organização, pode-se notar que a instituição
passou por uma reformulação de suas práticas até então desenvolvidas, visando otimizar seus
resultados, bem como melhorar a qualidade de seus serviços.
Como conseqüência destas reformulações, delineou-se uma mudança na estrutura
organizacional, visando à institucionalização das novas diretrizes, especificamente no que diz
respeito aos objetivos, às metas e às estratégias definidas para a organização.
Dessa forma, observou-se uma tendência a um comportamento isomórfico, dada a
pressão institucional coercitiva, como já salientaram DIMAGGIO e POWELL (1991). Isso se
deve as crescentes mudanças ocorridas em seu ambiente técnico e institucional, em suma, em seu
contexto ambiental. Essas pressões do contexto ambiental reforçam os modos de organização
existentes através das pressões normativas provenientes do meio exterior. Estas pressões
modelam e imprimem uma certa direção às mudanças por intermédio das forças imitativas,
normativas e coercitivas (HININGS e GREENWOOD, 1989).
6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pretendeu-se, neste trabalho, contribuir para a discussão do modelo de análise de
mudanças organizacionais proposto por MACHADO-DA-SILVA, FONSECA e FERNANDES
(1999) através da avaliação crítica de um processo de mudança organizacional de uma instituição
de ensino superior, localizada no bolsão sul-mato-grossense.
Os resultados da pesquisa trazem evidências de que as pressões institucionais rumo à
modernização do ensino superior brasileiro afetaram a forma organizacional e a conduta
estratégica da instituição, alterando, sobremaneira, suas estruturas e posicionamentos de gestão.
Isto se deve, em grande parte, às exigências legais e às ações dos órgãos reguladores. Assim, as
mudanças ocorridas na estrutura de fiscalização e vigilância das organizações educacionais,
passando de atividades básicas de inspeção para a função de difusão e acompanhamento de
programas e ações que visam a melhora contínua do ensino superior brasileiro, certamente
induziram e catalisaram as mudanças organizacionais ocorridas.
Tal fato corrobora a afirmação de MINTZBERG e WESTLEY (2000) de que a
dimensão ambiental física requer sustentação por parte de sua dimensão institucional associada.
Semelhante idéia foi constatada por MACHADO-DA-SILVA e NOGUEIRA (2001) ao
evidenciarem a importância do contexto institucional de referência nos processos de mudança
organizacional, em especial, no que tange à identidade organizacional.
Finalmente, recomendamos a elaboração de pesquisas complementares ao tema
proposto, em particular, analisando uma amostra maior de instituições de ensino superior.
7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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