O Ensino da Língua Estrangeira nas Escolas Públicas e a Distância1. Antonio Veras Nunes2 RESUMO - O presente artigo pretende compreender o que são crenças no ensino de Língua Estrangeira, nas escolas públicas, e refletir mudanças nas crenças de professores e alunos acerca de aprender uma língua estrangeira de maneira presencial ou a distância. Os autores a serem pesquisados sobre o assunto “crenças” na aprendizagem de uma língua estrangeira (Inglês e Espanhol), dizem que crenças podem ser entendidas como produtos sociais, históricos e políticos dentro de um contexto mais abrangente. Palavras chave: crenças – Língua – estrangeira - escola – mudança – professores – alunos – social RESUMEN - Este artículo tiene como objetivo entender cuáles son las creencias en la enseñanza de lenguas extranjeras en las escuelas públicas, y para reflejar los cambios en las creencias de los profesores y estudiantes sobre el aprendizaje de un salón de clases de forma o distancia lengua extranjera. Los autores que se buscaron en los sujetos "creencias" en el aprendizaje de una lengua extranjera (Inglés y Español), dicen que las creencias pueden ser entendidos como productos sociales, históricas y políticas dentro de un contexto más amplio. INTRODUÇÃO A elaboração do artigo será pautada em três trabalhos de pesquisas desenvolvidos pelos pesquisadores: Ana Maria Ferreira Barcelos, Fernando ZolinVesz e Cristiane Manzan Perine. Segundo (BARCELOS, 2007), o estudo sobre crenças surge na metade do século XX. Esse período pode ser dividido em três fases: primeira fase inicial 1990-1995, segunda fase da consolidação que vai 1 Artigo elaborado como Prática como Componente Curricular (PCC). 2 Graduando do Curso Licenciatura Letras Português-Espanhol, UFMT/UAB, Polo: Barra do Bugres, 2015/2, email: [email protected]. 1 1996 a 2001 e a terceira fase 2002 até os dias atuais. Em sua pesquisa sobre o tema crenças (BARCELOS, 2007), define que é uma forma de pensamento, construção da realidade, maneira de ver e perceber o mundo e seus fenômenos. Todo esse processo acontece na interação e interpretação da realidade social e político. O autor (ZOLIN, 2013), organiza ideias de pesquisas sobre crenças em (BARCELOS, 2007). O que diferencia as pesquisas realizadas em escolas públicas para saber o que pensam professores e alunos sobre as crenças no ensino da língua estrangeira. Sua pesquisa direciona sobre a Lei nº 11.161,2005, que determina a oferta obrigatória do espanhol no Currículo do Ensino Médio das escolas públicas e faculta no Ensino Fundamental. A escritora (PERINE, 2013) pesquisadora de “crenças”3 e aprendizagem de língua estrangeira a distância busca comprovar que é possível sim aprender uma língua estrangeira a distância. Segundo ela, o professor passa ser um orientador importante, porém o aluno deve ser disciplinado no tempo de estudo, ou seja, ir além das atividades propostas. O computador se torna instrumento importante no aprendizado, porque o aluno passa a ter autonomia nas pesquisas. O artigo pauta também nas pesquisas realizadas em Língua Espanhola II e Língua Espanhola IV, onde foram respondidas perguntas na forma de questionários sobre o objetivo de saber as perspectivas dos estudantes sobre o ensino da Língua espanhola a distância. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O estudo de crenças, como apresenta Barcelos (2007), surge na segunda metade do século passado. Segundo a autora: 3 s.f. Ação de crer na verdade ou na possibilidade de uma coisa. Convicção íntima. Opinião que se adota com fé e convicção. Fé religiosa. 2 “A pesquisa a respeito de crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas no Brasil pode ser dividida em três períodos: um período inicial que vai de 1990-1995, um de desenvolvimento e consolidação que vai de 1996 a 2001, e o período de expansão que se inicia em 2002 e vai até o presente” (Barcelos, 2007)4. De acordo com a pesquisadora, se faz necessário desmistificar algumas crenças que se tem sobre o ensino de língua estrangeira nas escolas públicas. Alguns afirmam que para aprender inglês ou espanhol é preciso morar em um país onde se fala essas línguas, frequentar cursos em escolas de idiomas ou conviver com pessoas nativas de onde se fala a língua. Já os professores que trabalham com a língua estrangeira têm as seguintes crenças sobre o ensino da língua estrangeira: “Não se aprende inglês ou espanhol na escola pública; os alunos são desinteressados, fracos, por isso só se ensina o básico. Barcelos define crenças como: “uma forma de pensamento, construções da realidade, maneira de ver e perceber o mundo e seus fenômenos, co-construídas em nossas experiências resultantes de um processo interativo de interpretação e (re)significação. Como tal, crenças são sociais (mas também individuais), dinâmicas, contextuais e paradoxais (2007, p. 113)5. Crença está relacionada a “crer e ver”. O aluno deve acreditar que é verdadeiro o que o professor ensina e que tem grande valia para seu crescimento pessoal e profissional. Tanto professor, quanto aluno devem ser aprendizes sempre. 4 BARCELOS, A.M.F. Reflexões acerca da mudança de crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas. Universidade Federal de Viçosa, Ver. Brasileira de Linguística aplicada, v.7,n.2, 2007. 5 Idem, p. 113. 3 O professor ensina e aprende com seus alunos. A (re)significação significa desconstruir a crença de que a escola pública não ensina língua estrangeira. A relação dialógica entre professores e alunos deve ser reciproca. O professor é o mediador da aprendizagem do aluno. Nele o aluno coloca sua crença no aprender. Zolin (2013) afirma que Barcelos (2004) traz o conceito sobre crença aprendizagem de línguas. Segundo, Ele “a possiblidade de criar espaços para alunos, futuros professores e até mesmo professores em exercício questionarem suas crenças, sobre ensino etc., “[...] na tentativa de entender as crenças que nos cercam em nosso meio social, as consequências dessas crenças para nosso desenvolvimento como pessoas cidadãs, como professores e alunos” 6 (BARCELOS, 2004, p.146) . Em sua pesquisa sobre crenças, Zolin afirma que os primeiros estudos definiam crenças distintas do conhecimento, o conceito proposto por Barcelos indica uma perspectiva mais situada e contextualizada. As crenças estão relacionadas às construções e reconstruções de nossas experiências, e são socialmente construídas na interação e na relação com os grupos sociais. Barcelos e Kalaja (2011) afirmam que a concepção social de crenças está relacionada com os contextos micro e macropolíticos, porque são produtos sociais, históricos e políticos conectados aos contextos sociopolíticos mais amplos. Para comprovar que crenças são produtos sociais e políticos, Zolin (2013) cita a pesquisa realizada por Pan e Block (2011). Esses pesquisadores investigaram as crenças de professores e alunos e inglês na China. Constataram que crenças relacionam com o contexto sociopolítico. Como a China está inserida dentro de um comércio internacionalizado, (globalização), se faz necessário que 6 VESZ, Fernando Zolin. Crenças sobre o ensino-aprendizagem de espanhol em uma escola pública.RBLA, Belo Horizonte, v.13, n.3, p, 815-828,2013. 4 se estude o inglês em todos os vilarejos chineses. Dessa forma, crenças são produtos sociais e políticos. Com a criação dos blocos econômicos entre países (globalização) se fez necessário estender os estudos de língua estrangeira. Na América do Sul, foi criado o Bloco econômico Mercosul, o qual proporcionou o ensino da Língua Espanhola no Brasil. O monopólio do ensino da Língua Espanhola na América ficou sob a responsabilidade da Del Valle (2007), da Real Academia Espanhola (RAE) e do Instituto Cervantes, órgão do Ministério de Educação da Espanha. Esses órgãos foram os responsáveis em propagar o idioma em outros países, principalmente nos países do MERCOSUL. Esses órgãos tinham o monopólio de construção do material didático que engloba três características: a concórdia, o universalismo e a rentabilidade. A Lei n. 11.161, de 5 de agosto de 2005 declara obrigatório o ensino de língua espanhola no Ensino Médio e faculta no Ensino Fundamental. Tudo está relacionado à política de expansão do Mercosul. Mesmo sendo obrigatório o ensino da Língua Espanhola no Ensino Médio, nas Escolas Públicas no Brasil, nem todas as escolas aderiram em seu currículo de ensino. No Brasil a ideia de estudar uma língua estrangeira “significa emprego bom”, “ingressar no mercado informal”. No meio da classe média considerada baixa prevalece a ideia “ter um trabalho melhor”, na classe média alta, viajar para o exterior, os melhores empregos. A educação a distância “...sintetiza que, em um contexto de aprendizagem de línguas a distância, a autonomia e a reflexão são eixos principais. Nesse contexto, surge a figura do mediador como fomentador ou agente deflagrador de autonomia e reflexão por meio de diálogos, de questionamentos e de observações [...] o papel do professor é ser um facilitador, que procura ajudar para que cada um consiga avançar no processo de aprender” (PERINE, 2013)7. 7 PERINE, Cristiane Manzan. Crenças e Aprendizagem de Língua Estrangeira a Distância. Anais do SILEL. Volume 3. Número 1. Uberlândia: EDUFU, 2013. 5 Na educação a distância, o professor, além de orientador, torna-se motivador, incentivador do ensino aprendizagem do aluno, embora o aluno seja agente que constrói seu conhecimento buscando ir além das instruções dos professores. O ensino a distância exige do aluno disciplina, postura ativa, criar perspectivas positivas em relação ao curso de língua estrangeira. Devemos desconstruir a ideia que não se aprende à distância. METODOLOGIA Para fazer a construção desse artigo baseou-se em três autores, Ana Maria Ferreira Barcelos, que traz reflexões acerca da mudança de crenças sobre ensino e aprendizagem de línguas; Cristiane Manzan Perine, pesquisa que envolve crenças e aprendizagem de língua estrangeira a distância e Fernando Zolin-Vesz, pesquisa que envolveu crenças sobre o ensino-aprendizagem de espanhol em uma escola pública. Todos esses escritores buscam construir e desconstruir as crenças sobre o ensino e aprendizagem de língua estrangeira no Brasil. Esse artigo baseia também no PCC construído em Língua Espanhola II, onde foram realizadas algumas perguntas em forma de questionário. Nas questões os alunos puderam opinar sobre a importância do curso de Língua Espanhola na formação dos futuros professores de espanhol. Outro questionário foi realizado na Disciplina de Espanhol IV, onde os alunos puderam escrever as dificuldades encontradas quanto o estudo da gramática e gêneros na Língua Espanhola RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS DADOS Nesta parte do artigo será dedicado à análise dos dados trabalhados em Língua Espanhola II e IV do Curso de Português/Espanhol da Universidade Aberta do Brasil e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Como o curso é a distância pode-se basear nas reflexões acerca do assunto que está retratado no artigo Crenças e Aprendizagem de Língua Estrangeira a Distância, escrito por 6 Cristiane Manzan Perine. Segundo a autora o papel do professor em um ambiente virtual deve ser de orientar, motivar da descoberta. Aprender a língua estrangeira não significa dominá-la em sua totalidade, mas desenvolver competências a fim de entender e se fazer entendido. O professor deve ser pesquisador, não mais repetidor de informações, mas articulador do aprender, onde o aluno busca de maneira organizada seu conhecimento. Na modalidade a distância os alunos precisam organizar, disciplinar o tempo de estudar. O computador é um grande aliado do aluno nas pesquisas. Sem essa máquina ficará difícil estudar a distância. Segundo Levy (1997), “a função do computador como ferramenta não é substituir o professor, mas melhorar a eficiência do trabalho de professores e alunos”. A crença de que o aluno não aprende uma língua a distância deve ser desconstruída. Todos os alunos que desejam aprender aprendem. Segundo Perine (2013): “No que concerne ao papel” do aluno na aprendizagem de línguas a distância, as crenças revelam que o papel do aluno é se esforçar, é buscar meios de aprendizagem e usar as ferramentas disponíveis de modo a facilitar a aprendizagem, é ser ativo na sua aprendizagem e é ter disciplina. Ressaltamos ainda que tais crenças apontam para o perfil de um aluno autônomo. CONCLUSÃO Crença vem de crer em alguma coisa. Crer para ver, talvez esse seja o pressuposto de que crenças é uma forma de pensamento, onde todos os seres humanos desenvolvem na interação. As mudanças de crenças estão relacionadas às ideias de que a língua estrangeira poucos aprende só quem aprende são aqueles que pertencem à classe média alta servem para arrumar um bom 7 emprego, a escola pública ensina mal a língua estrangeira. O papel do professor é desconstruir a crença de que o aluno não seja capaz de aprender uma língua estrangeira na escola pública ou a distância. A oportunidade é dada a todos aqueles que acreditam em sua capacidade de aprender uma língua. As opiniões sobre a crença de aprender uma língua estrangeira a distância diverge. Alguns chegam a afirmar que se aprende muito pouco, outros afirmam que depende do esforço, disponibilidade de tempo e autonomia do aluno na organização do tempo de estudo. Na realidade são poucos os alunos que querem estudar a distância, porque acreditam não compreender o conteúdo a ser ensinado sem a presença do professor. Mesmo existindo a crença de que não se aprende sem a presença do professor uma língua a distância, o número de alunos vem crescendo nos cursos a distância. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Orientações para PCC – Língua Espanhola V, 2015. BARCELOS, A.M.F. Reflexõs a cerca da Mudança de Crenças sobre Ensino e Aprendizagem de Línguas. Ver. Brasileira de Linguística Aplicada. V.7,n.2, 2007. VERS – Fernando Zolin. Crenças sobre o ensino aprendizagem de espanhol em uma escola pública. RBLA. Belo Horizonte. V. 13, p. 815-828,2013. PERINE, Cristiane Manzan. Crenças e Aprendizagem de Língua Estrangeira a Distância. Anais do SILEl. Volume 3, Número 1. Uberlândia: EDUFU,2013. 8