Gestão estratégica da imagem: estudo de caso do destino turístico João Pessoa 1 Paula Dutra Leão de Menezes2 Universidade Federal da Paraíba - Docente RESUMO Os destinos turísticos concorrem no mercado e precisam tornassem conhecidos para o público consumidor. Surge assim, a mídia institucional que através dos órgãos oficiais de turismo é responsável pela promoção e divulgação dos atrativos de destinos turísticos. Essas informações visam persuadir o turista a visitar esses destinos, ou seja, promover o consumo turístico. Sendo assim, torna-se fundamental compreender a construção das ações midiáticas do destino turístico pessoense que ocorrem em virtude de políticas de promoção e divulgação. Para tanto, foram analisados os materiais de divulgação da cidade de João Pessoa elaborado pela Secretaria de Turismo do Município de João Pessoa (setur). O estudo constatou que esses materiais apresentam João Pessoa como uma cidade tranquila, segura, com diversos atrativos naturais e culturais estando em sintonia com a realidade do município. Palavras-chave: Gestão estratégica; imagem; destino turístico; João Pessoa. 1. Introdução O turismo é uma atividade da era moderna que surgiu no século XIX e se desenvolveu junto com o capitalismo e a industrialização. Porém, é no século XX que a atividade acaba por se estabelecer como indústria turística3. As evoluções ocorridas nas viagens que levaram ao 1 Trabalho apresentado ao GT “Turismo e construções simbólicas” do VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL – Caxias do Sul, 09 e 10 de julho de 2010. 2 Professora do Curso de Bacharelado em Hotelaria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Mestre em Ciências da Sociedade - Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Bacharel em Turismo – Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), [email protected] 3 Utiliza-se, neste estudo, o termo indústria turística com o significado de produção em larga escala do setor. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 2 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 surgimento do turismo propriamente dito estão relacionadas às mudanças sócio-econômicas e culturais que se sucederam nas sociedades. A partir da segunda metade do século XX, o turismo passou a ter grande valor em razão da expansão do setor como atividade econômica que em função do desenvolvimento tecnológico, das telecomunicações e dos transportes, possibilitaram que um número cada vez maior de turistas viajasse o que acarretou no aparecimento do turismo de massa. Além das alterações econômicas aconteceram mudanças no âmbito social e cultural, uma vez que passou a fazer parte do modo de vida dessas sociedades. Deste modo, inicia-se a formação de um contexto favorável para o setor e a conseqüente implantação gradativa de políticas públicas. O governo brasileiro sentindo a necessidade de formular, implantar, coordenar e regular as atividades do setor no ano de 1966 instituiu o Sistema Nacional de Turismo criando a Empresa Brasileira de Turismo (embratur), que em 1991, passou a denominar-se Instituto Brasileiro de Turismo, conservando a mesma sigla e com objetivos e competências assemelhados. A estrutura administrativa e política estabelecida no momento da criação da embratur surgiram não só em decorrência da necessidade de organizar o turismo no país, mas também de montar e vender uma imagem do Brasil no exterior caracterizando a primeira investida de ação midiática. Assim, o turismo passa a ter lugar de destaque nas políticas públicas, bem como no seio do empresariado e da sociedade como um todo, acentuando a necessidade de estruturar e oferecer destinos turísticos. O processo de planejamento turístico envolve desde a concepção do plano em si até a sua implantação e promoção e divulgação, ou seja, deve-se ter inicio com ações de infra-estrutura dos atrativos naturais e culturais, básica e de acesso e de apoio ao turismo. Após a sua criação e estruturação esses destinos precisam tornassem conhecidos para o público consumidor, no caso, os turistas potenciais. Nesse momento, surge a mídia institucional que é responsável pela promoção e divulgação dos atrativos de destinos turísticos, ou seja, são fornecedores de informações turísticas. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 3 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 A mídia institucional, através dos órgãos oficiais de turismo, se encarrega de desenvolver projetos direcionados a vender esses destinos com a confecção de materiais promocionais, campanhas publicitárias e promoções de eventos. A comunicação institucional vem sofrendo várias mudanças nos últimos anos, isso vem acontecendo, sobretudo, pela necessidade dos governos em se adequar à nova realidade social. Para tanto, as organizações governamentais vem utilizando modernos processos comunicativos através de técnicas de marketing e publicidade que servem para planejar o formato e o conteúdo das informações. No caso do destino turístico de João Pessoa, a Secretaria de Turismo do Município de João Pessoa (setur) tem trabalhado a promoção e divulgação do turismo sob essa perspectiva com a utilização da mídia institucional, uma vez que um dos seus objetivos é gerar demanda turística através da instituição da promoção e divulgação desse destino. Sendo assim, torna-se fundamental compreender a construção das ações midiáticas do destino turístico pessoense que ocorrem em virtude de políticas de promoção e divulgação visando maximinizar o consumo atraindo e gerando fluxo de turistas, uma vez que o turismo passou a ser pensado como um excelente negócio e, como uma alternativa econômica para estados e municípios. Para tanto, realizou-se um estudo de caso onde foram analisados os materiais de divulgação da cidade de João Pessoa elaborado pela Secretaria de Turismo do Município de João Pessoa (setur). 2. O turismo e a expansão na sociedade de consumo Partindo do pressuposto, de que o turismo é uma atividade que se insere no paradigma das sociedades pós-modernas, faz-se necessário visualizar o fenômeno turístico e sua expansão na sociedade de consumo, a organização do Estado que deve organizar e estruturar a atividade e, por último, o processo de construção de uma imagem que é divulgada através da mídia. É importante abordar que o turismo é uma atividade que faz parte do cotidiano da sociedade atual, em decorrência de um conjunto de fatores como a mudança do perfil da sociedade e do meio ambiente, as mudanças nas formas de trabalho e as mudanças relacionadas com a cultura. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 4 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 No século XX, a diversão se tornou acessível a grandes massas, o que proporcionou ao turismo e à recreação organizar-se e vir a ocupar este novo espaço que surge nas sociedades. Essas sociedades vivem uma grande angústia e estresse, efeitos de todo o processo gerado pelo sistema produtivo, em virtude destes fatos, buscam as viagens e o lazer como fuga ou válvula de escape, pois, sentem necessidade de romper com a rotina. A diversão e o entretenimento passam a ter grande valor e novas representações, criando bases para o seu fortalecimento em uma sociedade de consumo. Trigo (1998) afirma que a sociedade pós-moderna, é caracterizada pela capacidade de armazenar e processar imensos volumes de informação, e que a importância das informações e do conhecimento é tão relevante que alguns autores centralizam nele toda a problemática que abrange as formações sociais atuais. Assim sendo, a informação torna-se fundamental, produzida em massa, servindo para os mais variados propósitos. Estas sociedades estão vivenciando um novo paradigma, de uma sociedade de consumo em que cresce a formação de um padrão cultural, incentivado pelos veículos de comunicação de massa. A cultura dessas sociedades sofreu mudanças, e se antes necessitava de produtos que pudessem satisfazer suas necessidades básicas, atualmente, necessita de uma gama de produtos e serviços que poderiam ser considerados supérfluos, embora façam parte do seu cotidiano. O turismo insere-se dentro dessas novas necessidades e a produção do turismo é baseada em novas formas de organização da atividade que despertam o desejo de viajar. Neste contexto, surgem inúmeros destinos turísticos no mercado para serem oferecidos aos consumidores que possuem formas específicas de modos de vida e cultura que levam a diferenciadas maneiras de consumo conforme a posição que as pessoas ocupam na sociedade. No bojo desse desenvolvimento, o Estado tem papel preponderante e através de uma estrutura constituída pelos de órgãos de turismo (federal, estaduais e municipais) se encarrega de inúmeros projetos direcionados ao setor. As políticas públicas envolvem as decisões de governo e correspondem ao que os governos decidem fazer ou não. Portanto, é o conjunto de ações ou omissões sob a responsabilidade do Estado. Inclui-se aí o planejamento e desenvolvimento do turismo e a promoção e divulgação dos destinos. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 5 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 A idealização de programas e projetos no campo do poder público é definido: como uma técnica de tomada de decisão que enfatiza a escolha de objetivos explícitos e determina os meios mais apropriados para a sua execução, a fim de que as decisões tomadas possam ser adequadas aos objetivos da população e legitimar programas efetivos para a sua realização. (RATTNER, 1979, p. 8). Deste modo, o papel do Estado na construção da divulgação turística é fundamental, uma vez que compete ao poder público promover e coordenar o desenvolvimento da atividade turística, visto que os órgãos oficiais de turismo têm instituído a racionalização de ações, entre elas a de promoção e divulgação de destinos, através da condução de políticas atuando como idealizador, empreendedor e financiador com o objetivo de vender destinos. A promoção turística constrói imagens do destino e instiga a prática de consumo. A imagem é um aspecto importante a ser desenvolvido, pois ela pode ser trabalhada, por meio das ferramentas de comunicação, para se tornar elemento de diferenciação e de preferência dos consumidores. Antes de tomar a decisão de onde passar as férias, o turista busca informações sobre o destino e a comunicação turística é muito importante nessa fase, pois apenas o planejamento e a gestão do destino não constroem o necessário diálogo com o turista. 3. Turismo e mídia A estrutura de consumo do produto turístico é um tanto complexa, pois o turista visita uma região motivada pelos atrativos turísticos (naturais e culturais) do destino, contudo, a satisfação deste se dá por intermédio da inter-relação e justaposição destes atrativos com os demais serviços que acompanham intimamente a oferta turística. A concorrência desses destinos no mercado tem fortalecido a relação entre turismo e mídia. A publicidade em turismo faz a conexão entre destino e consumidor através de técnicas que são formadas com o intuito de passar uma imagem sobre o produto turístico, por exemplo, o destino. A mídia exerce função importante utilizando-se de imagens para disseminar símbolos e discursos (emanar idéias, sentidos, sugerir lugares, oferecer e vender sonhos) sobre um determinado destino de acordo com os interesses econômicos prevalecentes. Enne (2006, p.22) explica que “o consumismo sempre foi simbólico e lugar de distinção social”. Assim, ao adquirir VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 6 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 um pacote de viagem, ao decidir por um destino o turista realiza um ato simbólico e este ato visa à realização dos sonhos formados em seu imaginário. Os instrumentos da comunicação turística são os meios pelos quais se transmite uma informação ao público, e devem ser escolhidos de acordo com os objetivos e consumidores a serem atingidos. A mídia é uma parte do processo de comunicação, a promoção de marketing utiliza desses meios para enviar mensagens por intermédio de instrumentos de publicidade e propaganda. Logo, os receptores ao consumirem os produtos que são promovidos pela mídia acabam concretizando o processo de comunicação, uma vez que respondem à mensagem do emissor. O aumento progressivo das comunicações e o aparecimento da mídia passam a fazer parte da vida da sociedade. Lage (2000) nos ensina que com as invenções desenvolvidas, o mundo passou a girar mais rapidamente e as sociedades a assimilar cada vez mais depressa comportamentos distintos e modos de pensar e de agir sob a influência das mensagens apresentadas pelos veículos de comunicação. Os consumidores, conforme Thompson (1998), não são espectadores passivos e sempre haverá algum produto difundido pela mídia para cada consumidor em potencial que está no mercado. Contudo, nem sempre o consumidor faz escolhas coerentes para satisfazer às suas necessidades, se considerarmos que estes podem tomar decisões por intermédio de um conjunto de informações falhas, incompletas e tendenciosas, movidos pela propaganda. A mídia tem apresentado e oferecido produtos e serviços moldados para esses consumidores dentro de uma ordem capitalista pós-moderna de uma cultura de consumo e independentemente da apresentação estética, interferem, de forma significativa na construção da imagem do destino, portanto as tomadas de decisão dos destinos perpassam por um sistema de comunicação. Neste sentido, a mídia forma imaginários coletivos acerca de determinado destino e tornase uma das forças impulsionadoras a ação do turista. Ou seja, a mídia é um dos grandes meios para formação dos imaginários e também uma eficiente ferramenta na concretização das escolhas de consumo. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 7 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 Para desenvolver uma estratégia de marketing turístico, no caso, promoção, segundo Vaz (1999) a primeira providência é fazer uma avaliação de desempenho do destino e de suas potencialidades, um tour de autoconhecimento de suas condições mercadológicas e da sua posição em roteiros de viagens, o insightseeing (tour interno para que sejam reconhecidos os fatores importantes para o desenvolvimento turístico da localidade). A formação da imagem de um destino turístico é uma das principais estratégias de promoção utilizadas pelo poder público. A gestão estratégica da imagem (GEI) segundo Kotler (1999) é o processo constante de buscar a imagem de um local entre seu público, segmentar e visar sua imagem específica e seu público demográfico, posicionando os benefícios do local para apoiar uma imagem existente ou criar uma nova imagem e transmitir esses benefícios para seu público alvo. O poder público através da mídia desenvolve, modifica e fortalece uma imagem ou um conceito sobre um destino turístico, fazendo com que esse destino passa a ter um posicionamento no mercado e levando-o a concorrer com os demais destinos que se posicionam da mesma forma. Barich e Kotler (1991) explicam que imagem, de uma forma geral, é definida como a soma das crenças, atitudes e impressões que uma pessoa ou um grupo de pessoas têm de um objeto, de um individuo, de um lugar, de uma marca, de uma organização, de um produto e até mesmo de uma prestação de serviços. Sá (2002) afirma que a imagem do destino turístico é uma característica do produto turístico, determinante no processo de decisão de compra do consumidor. E concluí que existe uma imagem difusa, fundamentada em estereótipos e aceita pela maioria. Essa imagem termina por ficar marcada no inconsciente de todos e passa a ser uma “verdade”. Dessa forma, pode-se dizer que a imagem do destino é afetada diretamente pela comunicação que este estabelece com o mercado, ou seja, por meio da gestão estratégica dessas imagens os destinos passam a ser representados e percebidos de determinada forma pelo público alvo podendo criar, assim, uma atitude favorável que pode influenciar suas decisões de compra. 4. Procedimentos metodológicos VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 8 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 A presente pesquisa teve como método de procedimento estudo de caso (cf. GIL, 1999), pois consiste no estudo profundo e exaustivo de um objeto, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento. A forma de abordagem do problema foi qualitativa tendo em vista que: parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito. (CHIZZOTTI, 1995, p.79). Foram analisados os materiais de divulgação (folders, cd-rom, vídeos, folhetos, brochuras, cartazes, site da setur) da cidade de João Pessoa elaborado entre 2006 e 2009 pela Secretaria de Turismo do Município de João Pessoa (setur), observando se as informações e imagens propagadas através dessas peças são suficientes ou conflitantes, assim como, se apresenta uniforme ou com variações sobre a mesma e, se criam múltiplas imagens da localidade, bem como de seus moradores. Para interpretação da pesquisa foi utilizada Análise de Discurso uma vez que se compreende o discurso como uma construção social, ideológica, coerente, dinâmica, organizada sobre uma determinada temática, no caso a promoção e divulgação do destino João Pessoa. 5. A construção da imagem do destino João Pessoa A promoção e divulgação é um dos P´s do marketing que pode ser utilizado em qualquer uma das categorias da mídia. Sendo assim, ao decidir pela promoção de um destino inicia-se a formação do material de divulgação ou peças publicitárias. Para tanto, torna-se necessário definir as estratégias em relação ao produto, no caso, o destino. Nesse sentido, é construída uma imagem para o destino de acordo com a mensagem, consumidores e objetivos a serem atingidos. A construção dessa imagem é fundamental tendo em vista que o turista está cada vez mais exigente e antes de realizar a viagem procura informar-se sobre o destino no local de origem, uma vez que este adquire o produto turístico e depois vem a consumi-lo. VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 9 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 A cidade de João Pessoa é mais uma das capitais nordestinas que têm buscado desenvolver o turismo como fonte de geração de emprego e renda. Seu desenvolvimento turístico, contudo pode ser considerado tardio em relação às capitais vizinhas de Recife e Natal que desde a década de 80 tem se destacado como destinos turísticos na região. No que concerne aos Programas e Metas da setur (2009) voltados para promoção e divulgação encontra-se: Promoção Turística Nacional; Promoção Turística Internacional e o de Comunicação Institucional e Promocional. Estes programas têm por objetivo contribuir para o incremento do fluxo turístico para João Pessoa; promover o aumento da taxa de permanência do visitante através da criação de mecanismos que melhor o orientem durante sua estada em João Pessoa; Promover o produto turístico “João Pessoa” nos mercados alvos nacionais e internacionais através de um processo sistemático de comunicação institucional e promocional. A análise dos materiais de promoção e divulgação possibilitou constatar que tem se construído uma imagem do município que enfatiza os atrativos naturais com destaque para: O ponto mais oriental das Américas; Onde, aqui o sol nasce primeiro; Uma das cidades mais verdes do mundo; e que através de Lei Estadual protege o litoral e não permiti a construção de arranhacéus na orla. Além dos atrativos naturais o patrimônio histórico também aparece nesses materiais, tendo em vista que João Pessoa é a terceira cidade mais antiga do país (fundada em 1585) e possui além das belas praias um importante patrimônio arquitetônico em estilo barroco (conjunto de São Francisco, Mosteiro de São Bento, a Igreja da Guia e a Capela da Ordem Terceira do Carmo, entre outros). Contudo, apesar de bem apresentado nos materiais de divulgação o patrimônio histórico e arquitetônico não se configura como atrativo principal do destino. A pesquisa de Lima (2002) sobre a imagem que o turista tem acerca do atrativo mais representativo da cidade de João Pessoa confirma tal comprovação, uma vez que os turistas afirmam que o patrimônio natural, incluindo nesse quesito a arborização da cidade, o atrativo mais significante. Os materiais também oferecem João Pessoa como: destino tranquilo; que proporciona bem estar; próprio para viagens em famílias, com praias urbanas de águas mornas, limpas e cristalinas, ideais para a prática de esportes náuticos. Entretanto, em relação às praias do VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 10 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 município detectou-se um dado conflitante entre dois encartes no que diz respeito à extensão do litoral pessoense, em um este possui 30 km e em outro 24 km. A qualidade de vida na cidade também é um fator que tem sido apresentado no material de divulgação uma vez que para que a cidade seja boa para os turistas deve ser antes de tudo boa para seus cidadãos. E nessa perspectiva a cidade é apresentada como “Modelo de Qualidade de Vida”, “Capital da Tranquilidade” e “Hospitaleira”. A segurança também é ressaltada onde “A cidade de João Pessoa é considerada uma das capitais mais seguras e tranquilas do Brasil” (SETUR, 2009). No que se refere às fotos dos materiais de divulgação evidenciou-se que sempre são apresentados casais jovens acompanhados de crianças em praias tranquilas, pouco movimentadas e também pessoas praticando esportes náuticos como kitesurf, windsurf e hobbie cat. Foi observado ainda que o município tem sido divulgado sempre aliado as praias do Litoral Sul e Norte da Paraíba, juntamente com os municípios vizinhos de Cabedelo (que possui o atrativo do Bolero de Ravel, na praia fluvial do Jacaré) e Conde. Isso ocorre em virtude da cidade está inserida no Roteiro Turístico do estado “Entre rios e mar séculos de cultura” que faz parte do Programa de Regionalização do Turismo. Em relação ao slogan foi observado em todos os materiais analisados que não existe um específico que defina o conceito ou a imagem do destino João Pessoa, este modifica de material de divulgação para material de divulgação, o que não é bom, pois não cria uma identidade do município. O mesmo ocorre em relação à logomarca. A logomarca é um símbolo ou o elemento gráfico que apresenta ou representa um produto, no caso, o destino João Pessoa. O material de divulgação também não apresenta uma logomarca definida. Esses dois itens são fundamentais na hora de formar e consolidar uma imagem e um posicionamento de um destino na mente do turista e se apresentam como pontos fracos do material de divulgação de João Pessoa. Em relação ao site da setur verificou-se que este se encontra bem estruturado, com informações sobre: os atrativos turísticos; gastronomia típica; artesanato; roteiros de lazer e mapa da cidade. Além de informações sobre meios de hospedagem; restaurantes; casas noturnas e VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 11 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 bares; transportes. Entretanto, alguns itens poderiam ser melhor apresentados no site, como por exemplo, nos atrativos turísticos, onde são expostos a história das edificações, poderiam ser inseridas junto fotos desses locais. Deve-se destacar que na era da informação a internet com os websites tornaram-se uma ferramenta bastante eficiente na propagação de informação e de promoção de destinos promovendo interatividade com os internautas (clientes potenciais e reais). 6. Considerações finais A atividade turística faz parte do cotidiano das sociedades e cada vez mais destinos turísticos concorrem nesse mercado com o intuito de receber maior fluxo de turistas. A relação entre mídia e turismo se fortalece no momento em que o poder público tendo em vista atingir seus objetivos utiliza mecanismos e ferramentas para disseminar seus interesses, no caso promover e divulgar destinos. Atualmente, a mídia é o instrumento que permite da melhor forma possível que imagens e discursos sejam construídos e disseminados persuadindo pessoas ou grupos de pessoas que passam a ser conduzidos ou sugestionados através da circulação de informações. A pesquisa identificou como pontos fortes do material de divulgação elaborado pela setur: a qualidade das peças e a forma como a cidade é apresentada, uma cidade tranquila, segura, com atrativos naturais e culturais estando os discursos e as imagens em sintonia com a realidade do município. Tal comprovação é fundamental, pois de acordo com Wainberg (2003) o turismo pode ser simbolizado pelos seguintes estágios: necessidade do consumo turístico, tomada de decisão em favor do consumo, experiência turística e avaliação. Nesse sentido, as imagens e discursos acerca do destino turístico que são oferecidos através da mídia formam imaginários para os turistas que no ato do consumo irão avaliar e procurar as imagens anteriormente vistas em revistas e anúncios. Entretanto, como pontos fracos detectaram-se a ausência de um slogan e uma logomarca para o destino João Pessoa. A criação de um slogan e de uma logomarca que represente de forma clara e objetiva a identidade turística do município é essencial. É importante também ressaltar que para que um produto turístico alcance o sucesso, não basta simplesmente comercializar uma VI Seminário de Pesquisa em Turismo do MERCOSUL - SeminTUR 12 Saberes e fazeres no turismo: interfaces Universidade de Caxias do Sul – UCS, Caxias do Sul, RS, Brasil 9 e 10 de Julho de 2010 imagem, mas sim adequar a gestão dessa imagem à oferta turística como um todo e, também, às necessidades do público alvo. Deste modo, é importante um bom plano de divulgação e promoção, com a escolha das estratégias adequadas a serem utilizadas na mídia e a participação de profissionais capacitados, pois o direcionamento das estratégias de comunicação não é tão simples, a falta de conhecimentos na formatação das peças publicitárias e dos meios de comunicação a serem utilizados pode acarretar vários prejuízos para a mídia institucional e a localidade receptora. Em turismo os consumidores podem adquirir o produto direta ou indiretamente. Nesse sentido, de forma direta, as revistas, jornais e principalmente os websites (como o da setur) tornam-se as maiores fontes de informação e, indiretamente, as informações sobre os destinos são adquiridas através das operadoras e agências de viagens (que recebem os referidos materiais de divulgação). Assim, sugerimos que pesquisas sejam realizadas tanto com os turistas para verificar a percepção destes sobre o destino, em relação aos imaginários formados antes, ou seja, ao buscar informações e depois, ao visitar o destino, bem como, com os operadores e agentes de viagens que são formadores de opinião e fazem o elo entre destino consumidor. 5. Referências bibliográficas BARICH, K.; KOTLER, P. A framework for marketing image management. Sloan Management Review. Knoxville, v. 32, n. 2, p. 94-104. Winter, 1991. CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. São Paulo: Cortez,1995. ENNE, A. L. À perplexidade, a complexidade: a relação entre consumo e identidade nas sociedades contemporâneas. In: Comunicação, Mídia e Consumo. Vol.3 n.7. São Paulo: ESPM, 2006. p. 11-29. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1999. KOTLER, P. Princípios de Marketing. Rio de Janeiro: LTC, 1999. LAGE, B. H. G. 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