UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Jorge Luiz Sbruzzi Portela APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE GESTÃO NO PROCESSO GERENCIAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Taubaté - SP 2006 2 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Jorge Luiz Sbruzzi Portela APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE GESTÃO NO PROCESSO GERENCIAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Monografia apresentada ao Departamento de Economia, Ciências Contábeis e Administração da Universidade de Taubaté, como parte dos requisitos para aprovação do curso de Pós-graduação, MBA em Gerência Empresarial. Orientadora: Profª MBA Vilma da Silva Santos Taubaté - SP 2006 3 JORGE LUIZ SBRUZZI PORTELA APLICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE GESTÃO NO PROCESSO GERENCIAL DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS Monografia apresentada para obtenção do Certificado de Especialização do Título de MBA, pelo Curso de Gerência Empresarial do Departamento de Economia, Ciências Contábeis e Administração da Universidade de Taubaté. Data: 24/02/2006 Resultado: 8,5 BANCA EXAMINADORA Profª MBA Vilma da Silva Santos (UNITAU) Assinatura________________________________________ Profº. Dr. Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira (UNITAU) Assinatura_______________________________________ Profª Mestre Miroslava Hamzagic (UNITAU) Assinatura_______________________________________ Profº Mestre Odir Cantanhede Guanieri Assinatura_______________________________________ (Suplente - UNITAU) 4 Dedico este trabalho a Deus, que ele possa servir a Sua honra e glória, a minha mãe Laurice Galdino Sbruzzi (in memorian) pelo exemplo de amor e determinação e, ao meu filho Vinícius Pavret Sbruzzi Portela. 5 Agradecimentos A Profª MBA Vilma da Silva Santos, pela habilidade, paciência, e boa vontade dedicados na orientação de nosso trabalho. Aos colegas do curso de MBA Gerência Empresarial-2004, em especial ao Pedro Luiz da Silva, à Gláucia Regina Vilela de Moura e ao Jorge Gabriel Souza, pela ajuda intelectual e companheirismo dedicados durante todo o curso. Aos professores do curso MBA Gerência Empresarial-2004, em especial a Profª. Edna Maria Querido de Oliveira Chamon, pela habilidade na transmissão de seus conhecimentos e ao carinho e energia com que sempre nos incentivou à conclusão do curso. Aos demais Professores e funcionários da UNITAU, pela atenção e excelência na prestação de seus serviços. A Profª Edina Maria Vaz Faria, pelo empenho, entusiasmo e competência dedicados na revisão ortográfica do trabalho. Aos amigos: Helton Davydson Bueno, Fabiana Gonçalves, Luiz Eduardo Faria Gomes e Carlos Roberto Chaves pela (literal) ajuda na confecção de partes do trabalho; aos amigos que indiretamente pelas sugestões e amizade me apoiaram emocionalmente na realização do curso, em especial à: Olinda Galdino de Camargo, Ane Cristine Gonçalves Barreiro, José Benedito Andrade, Alexandre Alves de Paula e Celestino Simão. 6 Resumo Este trabalho, abordando o cenário em que estão inseridas às Micro e Pequenas Empresas (MPE), tenciona evidenciar a importância da aplicação de ferramentas de gestão na administração dos pequenos negócios, as quais, se não raras, são parcialmente utilizadas. O trabalho se desenvolve por meio de pesquisa bibliográfica explicativa explorando os conceitos de: Gestão Estratégica de Negócios, Liderança, Criatividade, Tomada de Decisão, Gestão Contábil, Crédito e Marketing. Utilizou-se de técnica de entrevistas por meio de questionário previamente elaborado e comum a um público constituído entre 50 micro e pequenas empresas da cidade de Caçapava, Estado de São Paulo, distribuídas entre os ramos de Comércio, Indústria e Serviços. Por fim, conclui o trabalho que os principais agravantes pela não utilização das ferramentas de gestão nas MPE estudadas são: conhecimento parcial das ferramentas de gestão, falta de tempo para implantá-las e a dedução de que o uso das ferramentas de gestão não são a elas, adequadas. Palavras-Chave: Ferramentas, Gestão, Micro e Pequenas Empresas. 7 Abstract This work, dealing with the scene that is inserted in the Small and Medium-sized Enterprises (SME) wants to show how important the business management tool in the Small Business that them, if don’t rarely, are partially used by them. The work is developed through bibliographic and explicative researches where are explored the concepts of Business Strategy Management, Leadership, Creativity, to make-up One’s Mind, Account Management, Credits and Marketing. It was realized the researches support by questionnaire with interview techniques, before handed draw up, and comum to the public constituted between 50 Small and Medium-sized Enterprises, from Caçapava city, Vale do Paraíba, São Paulo, including commerce, service and industries. Finally, the work concluded that the mainly reason for the no use of tools in the management of the analyzed SME are: partial knowledge of management tools, lack of the time to introduce them and the thought that the use of the tools management are not appropriate for them. Key Words: Tools; Management; Small and Mediun-sized Entreprises (SME) 8 Lista de Figuras Figura 1 - Sete passos no processo de tomada de decisão.....................................................................38 Figura 2 - Diagrama do processo contábil..............................................................................................54 Figura 3 - Fluxo de relacionamento entre Administração e Contabilidade............................................57 Figura 4– Demonstrações Contábeis para análise ..................................................................................58 Figura 5– Partes interessadas na análise econômico-financeira.............................................................65 Figura 6 – Metodologia de análise econômico-financeira .....................................................................72 Figura 7 – Cinco grupos de indicadores financeiros ..............................................................................74 Figura 8 – Sinais de alerta do Capital de Giro .......................................................................................90 9 Lista de Quadros Quadro 1 – Número de empregos no Brasil ...........................................................................................24 Quadro 2 - Cálculo e Recolhimento do Imposto Simplificado (R$ mil)................................................27 Quadro 3 – Análise de SWOT................................................................................................................31 Quadro 4 – Relacionamentos contingências na liderança caminho-meta ..............................................50 Quadro 5 – Interesses dos tomadores de decisão ...................................................................................56 Quadro 6 - Custo de Mercadorias Vendidas ..........................................................................................58 Quadro 7 – Balanço Patrimonial (formato oficial).................................................................................59 Quadro 8 - Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)................................................................63 Quadro 9 – Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira ..........................................................64 Quadro 10 – Principais ajustes para demonstração das análises financeiras..........................................69 Quadro 11 – Reclassificação do Balanço Patrimonial ...........................................................................70 Quadro 12 – Legendas do Balanço Patrimonial.....................................................................................71 Quadro 13 – Principais índices de rentabilidade ....................................................................................75 Quadro 14 – Resultado do Patrimônio Líquido (RPL)...........................................................................76 Quadro 15 – Margem Operacional Líquida (MOL) ...............................................................................76 Quadro 16 - Margem Líquida de Lucro (ML)........................................................................................77 Quadro 17 – Rotação do Ativo (RA) ....................................................................................................77 Quadro 18 - Rentabilidade do Investimento (RI)...................................................................................78 Quadro 19 – Grau de Alavancagem Financeira (GAF)..........................................................................78 Quadro 20 – Indicadores de Liquidez ....................................................................................................79 Quadro 21 – Liquidez Corrente (LC) .....................................................................................................80 Quadro 22 – Liquidez Seca (LS)............................................................................................................80 Quadro 23 – Liquidez Imediata (LI) ......................................................................................................80 Quadro 24 – Liquidez Geral (LG)..........................................................................................................81 Quadro 25 – Indicadores de Estrutura Patrimonial ................................................................................82 10 Quadro 26 – Relação entre Fontes de Recursos .....................................................................................82 Quadro 27 – Endividamento Geral (EG)................................................................................................82 Quadro 28 – Composição das Exigibilidades (CE)................................................................................83 Quadro 29 – Imobilização do Patrimônio Líquido.................................................................................83 Quadro 30 – Passivo Oneroso sobre Ativo ............................................................................................84 Quadro 31 – Indicadores de Prazos Médios...........................................................................................84 Quadro 32 – Prazo Médio de Compras (PMC) ......................................................................................85 Quadro 33 – Prazo Médio de Estoques (PME) ......................................................................................85 Quadro 34 – Prazo Médio de Recebimentos ..........................................................................................86 Quadro 35 – Ciclo Operacional..............................................................................................................86 Quadro 36 – Fórmula do Ciclo Operacional (CO) .................................................................................86 Quadro 37 – Ciclo Financeiro ................................................................................................................87 Quadro 38 – Fórmula do Ciclo Financeiro CF.......................................................................................87 Quadro 39 – Capital de Giro (CDG) ......................................................................................................88 Quadro 40– Necessidade de capital de giro (NCG) ...............................................................................88 Quadro 41 – Situações do capital de giro...............................................................................................89 Quadro 42 – Saldo de Tesouraria...........................................................................................................91 Quadro 43 – Causas do efeito tesoura ....................................................................................................92 Quadro 44 - Análise Vertical do Balanço Patrimonial...........................................................................94 Quadro 45 - Análise Vertical da DRE....................................................................................................94 Quadro 46 – Fórmula da Análise Horizontal .........................................................................................95 Quadro 47 – Análise Horizontal.............................................................................................................96 Quadro 48 – Fórmula do EVA ...............................................................................................................98 Quadro 49 – Balanço Patrimonial (análise do EVA) .............................................................................99 Quadro 50 – Análise de Criação de Valor............................................................................................100 11 Lista de Gráficos Gráfico 1 – Formação das Micro e Pequenas Empresas ......................................................................123 Gráfico 2 - Gestão estratégica de negócios ..........................................................................................125 Gráfico 3 – Liderança, criatividade e tomada de decisão.....................................................................126 Gráfico 4 – Gestão Contábil.................................................................................................................127 Gráfico 5 – Créditos utilizados pelas Micro e Pequenas Empresas .....................................................129 Gráfico 6 – Utilização de conceitos de Marketing ...............................................................................131 12 Lista de Siglas AC Ativo Circulante ACC Ativo Circulante Cíclico ACF Ativo Circulante Financeiro AH Análise Horizontal AP Ativo Permanente ARLP Ativo Realizável a Longo Prazo AV Análise Vertical CDG Capital de Giro CE Composição das Exigibilidades CF Ciclo Financeiro CMV Custo de Mercadorias Vendidas CO Ciclo Operacional COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CPMF Contribuição Provisória para Movimentação Financeira CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CVM Comissão de Valores Mobiliários DLPA Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados DMPL Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DOAR Demonstração de Origem e Aplicações de Recursos DRE Demonstração do Resultado do Exercício EG Endividamento Geral EPP Empresa de Pequeno Porte EVA Economic Value Added FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador FCO Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Centro Oeste FGTS Contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço GAF Grau de Alavancagem Financeira ICMS Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços IE Imposto sobre Exportação de Produtos Nacionais 13 II Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros ILG Índice de Liquidez Geral IOF Imposto sobre Operações Financeiras IPI Imposto sobre Produtos Industrializados IPL Imobilização do Patrimônio Líquido IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica ISS Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ITR Imposto sobre a Propriedade Rural LC Liquidez Corrente LG Liquidez Geral LI Liquidez Imediata LS Liquidez Seca ME Micro Empresa ML Margem Líquida de Lucro MOL Margem Operacional Líquida MPE Micro e Pequena Empresa NCG Necessidade de Capital de Giro PC Passivo Circulante PCC Passivo Circulante Cíclico PCF Passivo Circulante Financeiro PELP Passivo Exigível a Longo Prazo PIS Programas de Integração Social PASEP Patrimônio do Servidor Público PL Patrimônio Líquido PMC Prazo Médio de Compras PME Prazo Médio de Estoques PMR Prazo Médio de Recebimentos POSA Passivo Oneroso s/ Ativo Total PROCERA Programa Especial de Crédito à Reforma Agrária PROGER Programa de Geração de Emprego e Renda RA Rotação do Ativo RAIS Relatório Anual de Informações Sócias REF Resultado de Exercícios Futuros RFR Relação entre as Fontes de Recursos 14 RI Rentabilidade do Investimento RPL Resultado do Patrimônio Líquido SEBRAE Serviço de Apoio a Pequena e Micro Empresa SIMPI Sindicato da Micro e Pequena Indústria SME Small and Mediun-sized Entreprises SPC Serviço de Proteção ao Crédito ST Saldo de Tesouraria TJLP Taxa de Juros de Longo Prazo 15 Sumário Resumo.....................................................................................................................................................6 Abstract ....................................................................................................................................................7 Lista de Figuras ........................................................................................................................................8 Lista de Quadros ......................................................................................................................................9 Lista de Gráficos ....................................................................................................................................11 Lista de Siglas ........................................................................................................................................12 Sumário ..................................................................................................................................................15 1 INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................17 1.2 Objetivo Geral .........................................................................................................................18 1.3 Importância do Trabalho .........................................................................................................18 1.4 Delimitação do Tema ..............................................................................................................19 1.5 Estrutura do Trabalho ..............................................................................................................19 2 REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................................................21 2.1 As Micro e Pequenas Empresas...............................................................................................21 2.1.1 A Importância das Micro e Pequenas Empresas ..............................................................22 2.1.2 As Micro e Pequenas Empresas e o Emprego no Brasil ..................................................23 2.1.3 As Micro e Pequenas Empresas e o Regime Tributário ...................................................25 2.2 Gestão Estratégica de Negócios ..............................................................................................28 2.2.1 Planejando um Empreendimento .....................................................................................32 2.2.2 Diferenças entre Empresa e Negócio ...............................................................................33 2.2.3 Público-alvo .....................................................................................................................34 2.2.4 A Escolha do Produto.......................................................................................................34 2.3 Tomada de Decisão Gerencial.................................................................................................36 2.3.1 Modelos de Tomadas de Decisão.....................................................................................37 2.3.2 Racionalidade nas Tomadas de Decisão ..........................................................................40 2.3.3 Intuição como Fator de Decisão.......................................................................................41 2.3.4 Personalidade e Inteligência Cognitiva ............................................................................41 2.4 Criatividade .............................................................................................................................43 2.4.1 Processo Criativo .............................................................................................................43 2.4.2 Características de Pessoas Criativas.................................................................................44 2.4.3 Condições Necessárias para a Criatividade......................................................................45 2.4.4 Aumento e Melhoria da Criatividade ...............................................................................46 2.5 Liderança .................................................................................................................................47 2.5.1 A Natureza da Liderança..................................................................................................47 2.5.2 Traços e Características da Liderança ..............................................................................48 2.5.3 Liderança Comportamental ..............................................................................................48 2.5.5 O Modelo de Troca Líder Membro ..................................................................................49 2.5.6 Teoria da Contingência da Liderança...............................................................................50 2.5.7 Liderança Transformacional ............................................................................................52 2.5.8 Liderança Carismática......................................................................................................52 2.5.9 Feedback de 360 graus.....................................................................................................52 2.6 Gestão Contábil .......................................................................................................................53 2.6.1 Contabilidade como Ferramenta de Gestão......................................................................55 2.6.2 Administrando com Contabilidade...................................................................................56 2.6.3 Contabilidade Financeira .................................................................................................57 2.6.4 Contabilidade Gerencial...................................................................................................63 2.6.5 Demonstrações Contábeis para Análise Econômico-Financeira......................................66 2.6.6 Análise Econômico-Financeira ........................................................................................71 16 2.6.7 Indicadores Econômico-Financeiros ................................................................................73 2.6.8 Índices de Rentabilidade ..................................................................................................75 2.6.9 Índices de Liquidez ..........................................................................................................78 2.6.10 Índices de Estrutura e Endividamento............................................................................81 2.6.11 Indicadores de Prazos Médios........................................................................................84 2.6.12 Capital de Giro (CDG) ...................................................................................................88 2.6.13 Efeito Tesoura ................................................................................................................91 2.6.14 Análise Vertical e Horizontal.........................................................................................93 2.6.15 Índices-Padrão................................................................................................................97 2.6.16 Geração de Lucros e Criação de Valor...........................................................................97 2.6.17 Relatórios de Avaliação Final ......................................................................................100 2.7 Crédito ...................................................................................................................................101 2.7.1 Histórico do crédito........................................................................................................102 2.7.2 Conceito de Crédito........................................................................................................103 2.7.3 Os C’s do crédito............................................................................................................105 2.7.4 O Crédito nas Micro e Pequenas Empresas (MPE)........................................................107 2.7.5 Risco do Crédito.............................................................................................................109 2.8 Marketing para às Micro e Pequenas Empresas (MPE) ........................................................112 2.8.1 Marketing de Relacionamento .......................................................................................113 2.8.2 Objetivos do Marketing de Relacionamento..................................................................114 2.8.3 Pesquisas de Mercado ....................................................................................................115 2.8.4 Os 4 P’s do Marketing....................................................................................................117 3 METODOLOGIA .........................................................................................................................120 3.1 Metodologia da Pesquisa .......................................................................................................120 3.2 População e Amostra .............................................................................................................121 3.3 Coleta de Dados.....................................................................................................................121 3.3.1 Questionário ...................................................................................................................122 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS ...................................................................................123 4.1 Formação das Micro e Pequenas Empresas (MPE)...............................................................123 4.2 Gestão Estratégica dos Negócios...........................................................................................124 4.3 Aspectos Comportamentais nas MPE ...............................................................................126 4.4 Gestão Contábil .....................................................................................................................127 4.5 Crédito ...................................................................................................................................128 4.6 Marketing utilizado pelas Micro e Pequenas Empresas ........................................................130 5 CONCLUSÃO ..............................................................................................................................133 5.1 Recomendações para Continuação dos Estudos ....................................................................135 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................136 ANEXO 1 – PROTOCOLO DE APROVAÇÃO DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ.....................................................................................................................................139 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO UTILIZADO NA PESQUISA..........................................................140 17 1 INTRODUÇÃO No segmento das micro e pequenas empresas (MPE) é comum à verificação, num mesmo ramo de negócios, seja ele comércio, indústria ou serviços empresas em diversos níveis de estabilidade econômico-financeira. É comum a pergunta: Por que certas empresas conseguem se manter tão bem em suas atividades e outras não? A busca de alta produtividade, minimização de custos e a dinâmica modernização e automação dos processos nas empresas, impostas a todos tipos de organizações, e não só às grandes como num passado próximo, vem exigindo do mundo corporativo, cada vez mais, processos gerenciais complexos e, profissionais com múltiplas habilidades e capacidades técnicas (competências). É fato que o emprego formal está cada dia mais difícil e, manter-se empregado tem se tornado uma verdadeira “maratona de condicionamento profissional” para todos com esse privilégio. Os sistemas automatizados vêm fazendo a maior parte dos serviços básicos ou rotineiros, deixando para os trabalhadores atividades que, sempre focadas em resultados, os levam a um trabalho autogerenciado e de muita responsabilidade. Nas grandes empresas, a complexidade dessa realidade é comumente encontrada com o amparo das mais diversas ferramentas e técnicas de gestão, o que no entanto, não ocorre no segmento das Micro e Pequenas Empresas (MPE). Por outro lado, percebe-se que um grande e crescente número de pessoas do mercado de trabalho que poderiam estar trabalhando como empregados no mercado formal tem optado ou muitas vezes, devido à dificuldade de emprego, sido forçadas a tornarem-se empreendedoras em um negócio próprio. 18 Pela constatação desses fatos e multiplicidade de sua repetição, vê-se a evolução deste segmento de negócios, formado pelas MPE. A proposta do Plano Real em 1994, prevendo a tendência do segmento, desde seu início, detinha em suas diretrizes o estabelecimento de leis, serviços e mecanismos governamentais que pudessem apoiar o desenvolvimento do setor. Após 11 anos constata-se que realmente o segmento cresceu e muito se fez em prol das Micro e Pequenas Empresas. Muitas empresas criadas naquela época ainda estão em atividades e se mantendo lucrativas, mas o número de insucessos e instabilidades também é expressivo. 1.2 Objetivo Geral Analisar e demonstrar a importância da utilização de ferramentas de gestão pelo segmento das Micro e Pequenas Empresas. 1.3 Importância do Trabalho Sua importância reside na descrição do cenário em que se encontram as MPE, a que tendem e, na relevância de se usar conceitos e técnicas administrativas como ferramentas na gestão dos pequenos negócios. Com o levantamento de dados, sua classificação e análise, pretende-se disponibilizar o resultado da pesquisa para os públicos de interesse geral: estudantes, empresários, instituições financeiras, analistas de mercado, entre outros. 19 1.4 Delimitação do Tema O estudo estará delimitado no segmento das Micro e Pequenas Empresas (MPE), compreendido conforme estabelecido pelo estatuto elaborado pelo SEBRAE, todas as empresas com faturamento bruto anual até R$ 1.200 mil. É fato conhecido que a grande maioria das MPE, são empresas familiares, característica muito importante quando se tenta entender os processos de gestão no universo a ser estudado. 1.5 Estrutura do Trabalho Este trabalho está estruturado em cinco capítulos. No primeiro capítulo encontra-se a introdução, descreve-se o objetivo geral, quando se revela o cenário em que o trabalho será desenvolvido. São abordados também os objetivos específicos, a importância, delimitação e a estrutura do trabalho. No segundo capítulo é apresentada uma revisão de literatura sobre os conceitos teóricos no qual está embasado o trabalho. O terceiro capítulo descreve a metodologia e materiais adotados, apresentando as amostras e populações pesquisadas. Este capítulo inicia-se com uma definição das características do estudo, para em seguida, justificar a escolha da técnica de pesquisa e instrumento de levantamento de dados. Busca-se nesse momento realizar análises que se subdividirão em duas fases: a primeira será a de levantamento de dados; a segunda constituirá na interpretação e mensuração dos dados obtidos pela pesquisa. No quarto capítulo apresenta-se à análise e discussão dos resultados encontrados na pesquisa realizada. 20 O quinto capítulo refere-se a conclusão do trabalho e, se constitui por uma seção em que o autor expõe seu ponto de vista sobre os resultados e fatos observados, sugerindo novas pesquisas, tendo em vista a experiência adquirida no desenvolvimento do trabalho. 21 2 REVISÃO DA LITERATURA Para dar sustentação ao trabalho de pesquisa, utilizar-se-ão consultas a livros, periódicos, revistas especializadas, dissertações e teses e em sites da internet. 2.1 As Micro e Pequenas Empresas Em pesquisa ao Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) executada entre meados de 2002, estudando uma amostra de 1.700 empresas constituídas entre 1997 e 2001, escolhidas aleatoriamente, verificou-se que 60% das empresas não concluem o quinto ano de atividade, revelando uma média anual de 80 mil empresas paulistas em processo de encerramento, perda de 500 mil postos de trabalhos, e uma cifra de R$ 15,6 bilhões em termos financeiros o que equivale a 1,2 do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (BEDÊ, 2004). Existem muitos conceitos para definir as Micro e Pequena Empresas (MPE). No Brasil há diferentes classificações entre os âmbitos federal e estadual. Sendo que, as classificações mais comuns referem-se ao número de empregados e a receita bruta anual, estas ainda podem encontrar-se subordinadas a especificações que se diferem entre os setores da indústria, serviços, comércio (atacado e varejo), entre outras considerações (FRENTE EMPRESARIAL, 2005). Para melhor atender aos objetivos deste trabalho adotou-se o critério de receita bruta anual para a classificação das MPE. 22 Os limites para classificação das MPE não foram atualizados desde sua implantação em 1996. Os limites são de até R$ 120 mil para Micro Empresa (ME) e de até R$ 1.200 mil para Empresa de Pequeno Porte (EPP). Está em trâmite no Governo Federal a Lei Geral das MPE, organizada pelo SEBRAE a partir de sugestões de diversos agentes do segmento que, de forma geral em relação a estes assuntos tem a seguinte proposta: Regulamenta do disposto no art. 146, inciso III, alínea “d”, e parágrafo único, e nos arts. 170, inciso IX, e 179, da Constituição, que dispõe sobre as normas gerais relativas ao tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte (SEBRAE, 2005). Para efeito desta lei considera-se: - Microempresa (ME): pessoa jurídica, ou equiparada, que auferir, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 480 mil; e - Empresa de Pequeno Porte (EPP): pessoa jurídica, ou equiparada, que auferir em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 480 mil e igual ou inferior a R$ 3.600 mil. 2.1.1 A Importância das Micro e Pequenas Empresas Já em 1974 o jornal americano Wall Street Journal descrevia: A cada dia, de diferentes maneiras, a grande empresa se transforma numa espécie de dinossauro vacilante caminhando para sua extinção. O ambiente cultural e político tornam-se mais hostil; a adaptação natural torna-se cada dia mais difícil; as formas possíveis de sobrevivência estão além da faculdade de imaginação (AMARAL FILHO apud IE/UFRJ, 2002, p. 87). Polêmicas discussões sobre a atuação das grandes empresas também se criaram em torno de assunto abordado pelo livro Small is Beautifull (Shumacher apud IE/UFRJ, 2002, p. 87) lançado em 1973, cujo tema central girava em torno dos problemas da produção capitalista, cujas causas não advêm da falta de capacidades intelectuais ou tecnológicas, mas 23 sim, do efeito autopredatório do sistema industrial moderno de grande escala devorando suas próprias bases de sustentação, ou seja, os recursos naturais e humanos. Por seu lado o segmento das MPE contrasta com este cenário quando se revela pelo reaproveitamento de mão-de-obra, diversificação de negócios, flexibilidade e fácil adaptação às mudanças político-econômicas; atende de forma regionalizada seus mercados; é promotor do desenvolvimento local sustentável, de ações empreendedoras e da geração de emprego e renda (FRENTE EMPRESARIAL, 2005). Com o crescimento do setor, fortaleceu-se sua importância em temas como combate à pobreza pela geração de trabalho e melhor distribuição de renda. Apesar dos avanços no campo das políticas públicas pelas MPE, ainda existe um descompasso nas relações entre as MPE e as grandes empresas. Esse desequilíbrio, notável em questões como acesso ao crédito, economias de escala, grande poder de negociação entre outros, tem reflexos diretos na competitividade do segmento. A situação torna-se mais grave quando as MPE ficam expostas à competição muitas vezes desleal com a operação de empresas na informalidade, sendo que estas, na sua maioria não têm condições econômicas suficientes para cumprir com as despesas da carga tributária e burocracia da formalização (FRENTE EMPRESARIAL, 2005). 2.1.2 As Micro e Pequenas Empresas e o Emprego no Brasil As Micro e Pequenas Empresas (MPE) são em todo mundo, segmentos importantes de inclusão econômica e social, responsáveis por grande número dos postos de trabalho e geração de renda. Esse segmento representa no Brasil nada menos que 99% do total dos empreendimentos do país, 60% dos empregos existentes e contribui com 20% do PIB e, são responsáveis por 95% dos novos empregos gerados a cada ano (SIMPI, 2005). 24 Conforme informativos (Quadro 1), do Relatório Anual de Informações Sócias (RAIS) o aumento do desemprego na indústria é muito grave. No resultado final percebe-se que nas médias e grandes empresas o número de demissões é maior que o das admissões, ocorrendo o contrário nas pequenas, é nelas que se criam empregos. Empregos em Indústrias no Brasil – 1995 / 2000 Indústria/ Emprego 1995 2000 +/Micro – até 4 188.507 216.813 + 28.306 Micro: 5 a 19 591.437 745.096 + 153.659 Pequena: 20 a 99 1.082.581 1.246.082 + 163.506 1.862.525 2.207.991 + 345.456 MICRO E PEQUENA Média: 100 a 499 1.510.758 1.426.418 (- 84.340) Grande: mais de 500 1.533.261 1.183.609 (- 349.652) 4.906.524 4.818.018 (- 88.506) TOTAL % + 15,0 + 26,0 + 15,1 + 18,5 (- 5,6) (- 22,8) (- 1,8) Quadro 1 – Número de empregos no Brasil Fonte: RAIS (2001) Nesses informativos, se constata o grande número de demissões nas grandes empresas associado à automação, modernização, terceirização, novos métodos gerenciais, entre outros. Somente as MPE vêm gerando saldo positivo no balanço das contratações. O fato parece estar se caracterizando como tendência histórica, com perspectiva de continuação e, mesmo ampliação, tanto no Brasil quanto no mundo (SIMPI, 2005). Entre os principais fatores causadores do encerramento das atividades das MPE estão: a falta de planejamento do negócio antes da abertura; má gestão empresarial durante os primeiros anos de atividade; insuficiência de políticas públicas de apoio aos pequenos negócios (políticas tributárias, trabalhistas, crédito, entre outras); conjuntura econômica deprimida (retração do consumo, concorrência acirrada, entre outros) e os problemas pessoais dos empresários como os problemas familiares, de saúde, efeitos da criminalidade, entre outros (BEDÊ, 2004). 25 2.1.3 As Micro e Pequenas Empresas e o Regime Tributário Além da burocracia, em que o micro empresário é obrigado a se inscrever isoladamente em mais de dez órgão das diversas esferas de poder (federal, estadual e municipal) e apresentar mais de 90 documentos para a constituição de sua empresa, o atual regime tributário também se mostra inadequado quanto a sua aplicação na fase operacional das MPE, refletindo diretamente de forma negativa sobre a competitividade, crescimento e a formalização das empresas (FRENTE EMPRESARIAL, 2005). Os impostos a que estão sujeitas as MPE segundo a Frente Empresarial (2005), são: - Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); - Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); - Contribuição para Programas de Integração Social e de Formação de Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP); - Contribuição para Manutenção da Seguridade Social, relativa ao empregador; - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); e - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). De acordo com a atividade da empresa e a legislação ainda são aplicáveis as MPE os seguintes impostos: - Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Imobiliários (IOF); - Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros (II); - Imposto sobre Exportação de Produtos Nacionais (IE); - Imposto sobre a Propriedade Rural (ITR); 26 - Imposto de Renda sobre aplicações financeiras; - Imposto de Renda relativo a ganhos de capital auferidos na alienação de bens do ativo permanente; - Contribuição Provisória para Movimentação Financeira (CPMF); - Contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS); - Contribuição para manutenção da Seguridade Social, relativa ao trabalhador; e - Imposto de Renda relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pelas pessoas jurídicas às pessoas físicas. 2.1.3.1 O Imposto Simples O imposto SIMPLES, assim chamado, refere-se ao imposto criado por lei federal, que consiste em uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos. Seu cálculo dáse por meio da aplicação de percentuais progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta. O enquadramento ao SIMPLES admite como MPE, as empresas com faturamento até R$ 120 mil e como EPP as empresas com faturamento até R$ 1.200 mil, havendo diferentes faixas de incidência de acordo com as variações de faturamento verificado em determinado exercício. Este limite estabelecido em 1996 não recebeu atualizações até o momento (FRENTE EMPRESARIAL, 2005). 2.1.3.2 Impostos e Contribuições Abrangidos pelo Simples A inscrição no SIMPLES implica no pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: - Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas ( IRPJ); 27 - Contribuição para o PIS/PASEP; - Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL); - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e - Contribuição para a Seguridade Social a cargo da Pessoa Jurídica. A incidência dos percentuais do Simples, ocorre sobre as faixas de faturamento nas MPE de modo progressivo, conforme demonstrado no Quadro 2. Imposto Contribuição IRPJ PIS/PASEP CSLL COFINS Contribuições Previdenciárias SUBTOTAL IPI TOTAL PERCENTUAIS POR FAIXA DE RECEITA BRUTA (R$ mil) Microempresa Empresa de Pequeno Porte Até de de Até de de de de de de de 60 90 240 360 480 600 720 840 960 a a a a a a a a a R$ 60 240 90 120 360 480 600 720 840 960 1.080 zero zero zero 0,13% 0,26% 0,39% 0,52% 0,65% 0,65% 0,65% 0,65% zero zero zero 0,13% 0,26% 0,39% 0,52% 0,65% 0,65% 0,65% 0,65% zero 0,4% 1% 1% 1,8% 2% 2% De 1.080 a 1.200 0,65% 0,65% 1,2% 1,6% 2,0% 2,14% 2,28% 2,42% 2,56% 2,7% 3% 4% 5% 5,4% 0,5% 3,5% 4,5% 5,5% 5,9% 5,8% 6,2% 6,6% 6,3% 6,7% 7,1% 3,1% 3,5% 3,9% 4,3% 7% 7,4% 0,5% 7,5% 7,9% 7,8% 8,2% 8,6% 8,3% 8,7% 9,1% Quadro 2 - Cálculo e Recolhimento do Imposto Simplificado (R$ mil) Fonte: SEBRAE (Lei do SIMPLES) 2.1.3.3 A Reforma Tributária Sabe-se que a legislação tributária é composta por 18.589 páginas, com 55.767 artigos e 300 mudanças anuais. Só do ICMS são 27 legislações diferentes, uma para cada estado, com três mil normas em vigor (SIMPI, 2005). Este elevado número de leis e artigos a que estão sujeitas as MPE é, mesmo, para advogados e contadores fator de muito estudo e cuidados, devido a sua importância, tempo e custos que nele estão envolvidos. Fatos como incidências cumulativas de alguns impostos sobre outros e a incidência aonde não há lucros, são, entre outros pontos negativos, fatores que atingem diretamente a 28 competitividade do segmento, descapitalizando-o e levando-o a informalidade e ilegalidade (SIMPI, 2005). Por muitos fatores, se tem percebido a urgência de uma reforma tributária que permita as MPE se integrarem às cadeias produtivas de modo harmonioso com as Médias e Grandes empresas, permitindo a sinergia dos segmentos produtivos, segundo o SIMPI (2005): Todos necessitam de leis claras e curtas. Isso pode ser conseguido, por exemplo com a harmonização das 27 legislações diferentes e a eliminação de muitas das 3 mil normas em vigor para o ICMS; ou então, reduzindo as 18.589 páginas de textos legais, com 55.767 artigos e 300 mudanças anuais. Precisa-se de menos burocracia e, também de menos tributos, para que o empreendedor possa dirigir com mais eficácia seus negócios e investir na melhoria de seus produtos, criando riquezas e os empregos de que o Brasil tanto necessita (SIMPI, 2005, p. 21). Diante de um cenário tão complexo como o das MPE o conceito de gestão estratégica dos negócios apresenta-se como ferramenta que acredita-se possa auxiliá-lo na administração de seus negócios. 2.2 Gestão Estratégica de Negócios A idéia do planejamento estratégico surgiu há 40 anos, no auge da expansão e diversificação dos negócios na década de 1960. Durante esses anos a utilização de seu conceito sofreu altos e baixos no mundo corporativo. Nos dias atuais, porém, ele volta a ocupar o lugar de destaque nas listas de preocupações de empresários de todo o mundo (CAVALCANTI, 2003). Segundo Cavalcanti (2003) a velocidade em se criar novas idéias e produzir novos bens e serviços, obtida pelos recursos tecnológicos, tem tornado cada vez mais limitada à capacidade dos gestores para previsão de cenários ao longo prazo. Chandler apud Cavalcanti (2003) define estratégia como a determinação de metas e objetivos básicos de longo prazo, adoção de cursos de ação e a alocação de recursos para a efetiva realização destas metas. 29 As empresas precisam de tempo e competência para desenvolver a gestão estratégica, para isso os administradores precisam planejar e agir estrategicamente e não apenas de um planejamento de rotina. A gestão estratégica vai além do simples planejamento (conceito clássico da tradicional administração). O planejamento, mesmo que estratégico, pode ser conceituado como uma ferramenta administrativa que ao mesmo tempo em que fixa processos e objetivos, permite ao administrador o acompanhamento e revisão do que foi planejado, possibilitando um re-direcionamento das metas iniciais, a fim de que se gaste para isto, o menor tempo e a menor utilização de recursos (CAVALCANTI, 2003). Para se conceituar gestão estratégica é necessário que conheça o conceito de cenários no mundo dos negócios, resume Cavalcanti (2003): Cenários são histórias que dão significado a acontecimentos; em muitos casos funcionam como memória do futuro; não tratam da administração do futuro, mas da percepção dos futuros no presente....cenários não são concebidos de uma só vez....podem ser desenvolvidos como dois ou três futuros potenciais com sua série de possibilidades e, ir ensaiando respostas a cada um deles (CAVALCANTI, 2003, p. 34). Os cenários, define Cavalcanti (2003), não são previsões. Eles são concebidos por meio de hipóteses alternativas sobre o futuro, permitindo às empresas um posicionamento para cada possível ocorrência futura, exercitando os gestores a refletir sobre estratégias de longo prazo. Na grande maioria das empresas, o planejamento estratégico é apenas uma rotina programada, “motivada pelo calendário”, enquanto deveria ser uma revolução no modo de exploração do potencial de negócios. O principal obstáculo do pensar estratégico reside na percepção da diferença entre planejar e criar estratégias, enquanto planejar tem a ver com programar, a estratégia se refere ao descobrir imaginando ou sonhando. Segundo Mintzberg apud Cavalcanti (2003), alguns conceitos podem sintetizar a filosofia da visão estratégica: 30 - A essência da estratégia é complexa, utiliza vários processos de pensamento; - Envolve tanto as questões de processo, como as questões de conteúdo; - As estratégias existem em diferentes níveis corporativos: negocial, estrutural, capital intelectual, entre outros; e - A estratégia focaliza o esforço da organização, dando-lhe direção, consistência e sintetizando diferentes visões buscando um grau ótimo de generalidade. A técnica de planejamento estratégico proporciona uma condição atenuante da dificuldade cada vez maior, apresentada aos gestores, para previsão das ocorrências do meio corporativo em longo prazo (CAVALCANTI, 2003). Segundo Rosa e Olinquevitch (2005) é na década de 60, com origem nas salas de aula de Harvard, que se populariza o conceito de análise de strengths, weaknesses, opportunities e threats (SWOT), um conceito clássico do pensar estratégico. Baseando-se no conhecimento e análise das forças e fraquezas SWOT confrontadas com as oportunidades e ameaças (oportunities e threats), o gestor poderá fazer uma análise com um bom grau de conhecimento das forças/fatores favoráveis e desfavoráveis que se relacionam com seu(s) negócio(s). Rosa e Olinquevitch (2005) sugerem um modelo básico para elaboração de um planejamento que se utiliza à análise de SWOT em sua composição. Este modelo conforme demonstrado no Quadro 3, contém as seguintes etapas: - Análise da situação: Análise dos aspectos externos e internos (SWOT) que vão interferir na realização do plano referente à implantação de uma empresa de consultoria por um escritório de contabilidade; - Objetivos: o que se quer atingir? Definição do período de tempo e estabelecimento do que se quer realizar; - Estratégias: como atingir os objetivos; 31 - Plano de ação: definição detalhada das atividades a serem realizadas; e - Orçamento básico: previsão dos gastos no período (instrumento de controle). FATORES EXTERNOS Ameaças Oportunidades Economia da região em dificuldades Empresas buscando idéias para se tornarem mais eficiente Inadimplência crescendo Divulgação modernização Cultura dos empresários locais é muito conservadora Empresa X implantou um consultoria com bons resultados sobre importância projeto de de FATORES INTERNOS Fraquezas Forças Inexperiência no ramo 30 anos de serviços ao mercado, com imagem sólida Imagem fortemente visualizada em contabilidade Boa estrutura: prédio/local, equipamento, mobiliário adequado Pequena tradição em marketing e/ou Bom quadro de pessoal vendas Quadro 3 – Análise de SWOT Fonte: Rosa e Olinquevitch (2005) A elaboração de um plano inicial não cumpre a necessidade de um planejamento completo, é apenas um momento do processo de planejar. Depois de consolidado e iniciadas as atividades outros planos serão demandados. No exemplo do Quadro 3, pode-se identificar com uma boa visibilidade os pontos fortes que devem continuar sendo explorados, tais como: tradição no mercado, demanda aquecida, entre outras, ao mesmo tempo em que mostra os pontos fracos que deverão ser trabalhados, sendo eles: fatores do macro-ambiente, inexperiência no novo ramo de negócios a ser explorado, entre outras. 32 2.2.1 Planejando um Empreendimento A fase inicial de qualquer empreendimento deve ser cuidadosamente planejada. Várias idéias sobre inícios de empreendimentos ou qualquer outro negócio provêm de várias fontes. Grandes idéias geralmente provêem de: grupos paritários, orientadores, visitas a outras empresas, conferências sobre empresas concorrentes, bancos de dados de clientes e de empresas (CHER, 2002). Empreendedores de sucesso entram no ramo de atividade escolhido antes de efetivamente abrirem seus negócios. Antes de investirem suas economias na abertura de seus próprios negócios, envolvem-se no ramo, freqüentam o sindicato ou associações que reúnem empresários do setor pretendido, mantêm contato com pessoas que já se encontram em atividade no ramo, para sentirem e verificarem as ameaças ou oportunidades que enfrentarão (CHÉR, 2002). Ao verificar as variáveis do ramo em que pretende abrir seu novo negócio, o empreendedor começa a entender as regras daquele ramo e a verificar como se comportam; ao pesquisar revistas e publicações especializadas sobre o ramo de negócio, o empreendedor iniciante começa a tomar conhecimento dos itens que poderão estar afetando o seu negócio logo no início de atividade. Chér (2002) cita quinze variáveis que os empreendedores deverão observar antes de abrirem seus empreendimentos: - Sazonalidade; - Perfil do mercado consumidor; - Perfil dos principais fornecedores; - Grau de influência de decisões governamentais; - Perfil da concorrência; - Participação de mercado; 33 - Políticas mercadológicas da concorrência; - Políticas de preços; - Prazos de pagamentos; - Políticas de créditos e financiamentos; - Estrutura administrativa da concorrência; - Estrutura de vendas da concorrência; - Técnicas de operação e produção da concorrência; - Necessidade do mercado consumidor; e - Políticas de garantia e assistência técnica. Muitas vezes, o empreendedor iniciante já possui o conhecimento das informações por ter atuado como empregador ou empregado em uma empresa do ramo, ou, muitas vezes, por seu próprio interesse, ou seja, trabalha no ramo antes de iniciar efetivamente o negócio. 2.2.2 Diferenças entre Empresa e Negócio As demandas e necessidades de mercado deverão balizar e ser sempre a razão da existência do negócio. O conhecimento isolado de algum produto ou serviço não deverá ser o motivo único para se empreender nos negócios (CHÉR, 2002). Muitos empresários partem da premissa de que, por deterem algum conhecimento de determinado produto estão aptos a competirem no mercado. Partindo daí, eles começam a constituição da empresa: registro, nome comercial, instalações, divulgação, entre outros. Os empresários bem sucedidos, primeiramente, identificam as necessidades de mercado, avaliando se estas justificam a existência do empreendimento. Só num segundo momento a preocupação passa a ser para a empresa, quando se verifica se haverá condições viáveis de se empreender neste negócio (CHÉR, 2002). 34 A partir do conhecimento do negócio pelo empresário, parte-se para a definição da missão e planejamento da empresa. 2.2.3 Público-alvo Torna-se necessário que o empresário conheça seu mercado consumidor e o cenário em que está inserido. O mercado possui público com diversas características: pessoas físicas e/ou jurídicas, idade, sexo, entre outros. A definição de qual público se pretende atender (segmentação de mercado) é um ponto importante neste momento, pois, dependendo do público escolhido se estabelecerá a estratégia e o plano de negócios. Cita Chér (2002): Para pequenos negócios e, sobretudo para os recém-fundados, recomenda-se à definição de um nicho específico de atuação, grande o suficiente para gerar receita e lucro para a pequena empresa, porém pequeno o suficiente para desinteressar a grande empresa (CHÉR, 2002, p. 101). A segmentação de clientes ou mercados tem se mostrado uma eficiente forma de se usufruir melhor de um público alvo (mercado consumidor). A oferta de tudo a todos, torna a empresa desfocada e menos competitiva, diminuindo suas chances de sucesso. O conhecimento de fatos como: atuação da concorrência e existência de carências mercadológicas são fatores importantes para estratégia dos negócios. Com isto, poderão ser identificadas “brechas” ou oportunidades de mercado em determinado momento (CHER, 2002). 2.2.4 A Escolha do Produto A colocação no mercado de produtos, sejam eles bens ou serviços, deverá ser feita de forma detalhada e que visem a atender as necessidades de mercado. O empresário descuidado poderá achar que pelo fato de dominar alguma habilidade no desenvolvimento de algum bem 35 ou serviço e a sua a simples oferta no mercado provocará de forma natural o seu consumo (CHER, 2002). Esta suposição pode comprometer desde o início a viabilidade dos negócios, pois pode não se ter em tempo hábil o retorno financeiro, frente às necessidades e compromissos de caixa já assumidos para a realização dos negócios. Num estudo do SEBRAE (2001) sobre as dificuldades de condução dos negócios logo no seu primeiro ano de atividade, foram observados dois grupos: um com empresas bem sucedidas e que ainda estavam operantes e outro com empresas que fracassaram, e ao ordenar as dificuldades, as empresas de sucesso relacionaram as principais dificuldades como: - Falta de capital de giro; - Concorrência muito forte e/ou carga tributária elevada; e - Maus pagadores. As empresas que fracassaram apresentaram a seguinte ordem: - Falta de capital de giro; - Falta de clientes; e - Carga tributária elevada. Para Longenecker, Moore e Petty (1997), nenhum outro fator é tão importante para a pequena empresa quanto à administração de capital de giro, isto é, o gerenciamento dos ativos de curto prazo (disponibilidades) e suas fontes de financiamento (exigibilidades). No entanto, para as empresas de sucesso a falta de clientes foi o sexto item na lista de dificuldades apresentadas e não a segunda como nas que fracassaram. Isto demonstra uma relação muito importante na estratégia e planejamento dos negócios com sua viabilidade. A “falta de clientes” percebidas pelas empresas mal sucedidas certamente são reflexos de negócios direcionados para o produto, em vez de serem orientados para o mercado. 36 O estudo também revelou que nas empresas bem-sucedidas a presença de um bom administrador e um bom conhecimento de mercado é mais efetiva do que nas mal-sucedidas; os esforços com vendas e marketing são superiores em relação às mal-sucedidas; e nas malsucedidas as preocupações com organização empresarial e análise financeira (preocupações internas) são mais percebidas que nas bem-sucedidas (SEBRAE, 2001). Com isso, percebeu-se que a empresa bem-sucedida está mais preocupada com o ambiente externo da empresa e com foco para o mercado, enquanto a outra, mal-sucedida, está voltada para seu ambiente interno, com foco voltado para a empresa (CHÉR, 2002). Certamente as preocupações com organização e análises financeiras não podem ser desprezadas, mas é conceitualmente a preocupação com o foco de mercado que se deve preocupar o empresário. E isso requer que o mesmo deva estar orientado para o mercado/cliente, seria “começar o negócio de trás para frente” (CHÉR, 2002). Por isso, a motivação do negócio não pode depender somente da capacidade de se produzir algum bem ou prestar algum serviço, mas sim, das necessidades de mercado e na sua capacidade de poder supri-las, conforme, cita Chér (2002). Os bens e serviços dessa forma, devem ser criados para satisfazer às demandas do mercado-alvo, sempre com atributos distintivos que os tornem diferenciados e comparativamente mais interessantes aos clientes. Esse é o momento em que você deve definir os mínimos detalhes do produto (CHÉR, 2002, p. 108). Reconhecendo a importância dos processos adotados nas tomadas de decisões é que será abordado o tema sobre tomadas de decisão. 2.3 Tomada de Decisão Gerencial Reconhecendo a importância deste assunto num cenário corporativo com muitas mudanças e limitação de tempo é que será abordado esse tema. 37 Resumem Longenecker, Moore e Petty (1997): Tanto as grandes quanto às pequenas empresas exigem um processo gerencial para dirigir e coordenar as atividades de trabalho. Se esse processo de dirigir e coordenar for bem executado, contribui para a produtividade e lucratividade, qualquer que seja o tamanho dos negócios. À medida que a empresa cresce, sua tarefa gerencial se torna mais complexa, e seus métodos gerenciais devem se tornar mais sofisticados (LONGENECKER, MOORE E PETTY, 1997, p. 419). 2.3.1 Modelos de Tomadas de Decisão Há duas versões sobre como gerentes tomam decisões (DUBRIN, 2003). - Modelo clássico: identifica o ambiente como certo e estável e o gerente racional, bem informado, e os problemas rotineiros; e - Modelo comportamental: com um ambiente instável, onde os gerentes têm limitações cognitivas, desconhecem algum fator pertinente ao problema e agem muitas vezes influenciados por fatores emocionais e pessoais. Segundo Dubrin (2003) em estudos por ele realizados, concluiu-se que a mescla dos dois modelos, clássico e comportamental, para os gerentes decidirem parece refletir a melhor medida a ser adotada. Eles poderão atuar numa estrutura geralmente racional, porém utilizando-se da intuição e julgamentos pessoais para agirem, mostrando claramente a importância do modelo de decisão comportamental. Nesses estudos foram identificados sete passos (Figura 1) no processo de tomada de decisões, seguindo a mescla dos modelos clássico e comportamental. A compreensão dessas etapas é útil, principalmente, para os eventos não programados, tanto de natureza pessoal como organizacional (DUBRIN, 2003). 38 Identifique e faça um diagnóstico do problema “Qual é realmente nosso problema?” “O que estamos Estabeleça os critérios de decisão Desenvolva alternativas criativas Avalie as alternativas Escolha uma alternativa Implemente a decisão Se necessário, repita o processo Avalie e controle tentando realizar?” “Vamos criar grandes idéias?” “Quais idéias são boas?” “Esta alternativa é a vencedora?” “Agora, vamos desenvolver a ação?” “Esta idéia era realmente boa?” Figura 1 - Sete passos no processo de tomada de decisão Fonte: Dubrin (2003). - Identificação e diagnóstico do problema: a solução do problema e a tomada de decisão começa com a conscientização de que o problema existe. O primeiro passo é identificar o que é desejável e qual a condição real do problema. A identificação dos problemas tem sido sugerida como “a chave do sucesso administrativo”; - Estabelecimento do critério de decisão: critérios de decisão são padrões de julgamento usados para avaliar alternativas. Quanto mais explícitos os critérios, melhor será a decisão. Um aspecto importante no critério de decisão é a especificação das regras básicas para decisão. Elas incluem quem vai tomar a decisão final, prazo limite, que recursos serão investidos; 39 - Desenvolver alternativas criativas: gerar soluções alternativas. Esse é o aspecto intelectual de idéias livres, não particularmente racionais da tomada de decisão. Todos os tipos de possibilidades são explorados nesse momento, mesmo que pareçam pouco realistas. É nesse momento do processo decisório que os administradores eficazes fazem diferença em uma organização; - Avaliação das alternativas: comparar analisar/avaliar as alternativas apresentadas. Parte da avaliação dos prós e contras de soluções alternativas é comparar cada uma com os critérios de decisão do segundo passo (estabelecimento de critérios de decisão); - Escolha de uma alternativa: após investir tempo considerável na avaliação de soluções alternativas, a escolha de uma delas é na realidade a tomada de decisão. Os tomadores de decisão estão dispostos a correr riscos se o ganho potencial for substancial. As decisões enfrentadas pelos gerentes são muitas vezes complexas e os fatores envolvidos são confusos e pouco esclarecedores; - Implementando a decisão: converter a decisão em ação é o passo seguinte. Até que uma decisão tenha sido implementada, ela não é na realidade uma decisão, pois muitas decisões representam esforços desperdiçados porque ninguém se responsabiliza por sua implementação. Grande parte do cargo de gerente envolve ajudar os membros do grupo a implementar decisões. Uma decisão é raramente boa se os funcionários fazem resistência á sua implementação; e - Avaliação e controle: é o passo final no processo de tomada de decisão, é avaliar em que grau de satisfação, a decisão tomada, resolveu o problema. Controle significa assegurar que os resultados da decisão obtida sejam os mesmos estabelecidos durante o estágio de identificação do problema. 40 Dubrin (2003), reconhece pela abordagem comportamental, que os tomadores de decisões não têm tempo ou recursos para esperar por muito tempo a melhor solução, por isso, necessitam de decisões satisfatórias. Porém, aceitar a primeira alternativa razoável apenas adiará a necessidade de uma decisão que realmente resolva o problema. 2.3.2 Racionalidade nas Tomadas de Decisão Diante disso, os administradores procuram decisões satisfatórias ou aquelas suficientes para proporcionar um mínimo de satisfação para suas necessidades, tendendo estas, sempre ao perfil comportamental de decisão. Os tomadores de decisão muitas vezes lançam mão de estratégias simplificadas também conhecidas como heurísticas (padrões ou regras limitadas e pré-estabelecidas na avaliação ou julgamento de algo) para tomada de decisões. Apesar da heurística ajudar o administrador a lidar com um volume muito grande de informação, sua simplificação pode levar a tomada de decisões inadequadas ou incorretas (DUBRIN, 2003). A necessidade de eficiência gerencial cresce na mesma proporção que os negócios expandem, afirmam Logenecker, Moore e Petty (1997). Empresas pequenas que não se adaptam às necessidades gerencias, podem até sobreviver por algum tempo, contrabalançada, por méritos de seus produtos ou serviços. No entanto o gerenciamento inadequado será limitador de sua taxa de crescimento e imporá tensões não desejáveis nos negócios. 41 2.3.3 Intuição como Fator de Decisão Segundo Dubrin (2003), a intuição é uma importante característica pessoal que influência a tomada de decisão. Conforme sua pesquisa com 60 executivos, a intuição é vista como uma opção viável no ambiente organizacional atual. Constitui-se a intuição numa fórmula calcada na experiência de saber ou de raciocinar pelas evidências que são avaliadas automaticamente. Diferentemente do conhecimento heurístico, a intuição é utilizada por pessoas que detêm maior conhecimento sobre determinado assunto ou problema. 2.3.4 Personalidade e Inteligência Cognitiva São fatores que influenciam a habilidade de encontrar soluções eficazes. Dubrin (2003), elenca nove perfis de características pessoais do administrador: - Conservadorismo: uma dimensão relevante da personalidade é a cautela e o conservadorismo. Uma pessoa conservadora e cautelosa normalmente opta por solução de baixo risco e que, por insegurança, a levará a evitar tomar decisões importantes por medo de errar; - Perfeccionismo: o administrador com esta característica pessoal, pode estar sempre envolto com situações de insegurança. A busca da melhor opção a ser tomada estará protelando a decisão; - Rigidez ou pensamento negativo: pessoas com características de comportamento rígido ou negativo também terão dificuldades de tomar decisões eficazes e rápidas; - Inteligência emocional: a inteligência emocional se refere à precisão com que se administra sentimentos e se decifra os sentimentos dos outros. Isso afeta 42 diretamente a qualidade das decisões, uma vez que elas poderão ficar isentas, ou diminuídas de emoções e/ou sentimentos quando necessárias; - Qualidade e acessibilidade da informação: alcançar uma decisão eficaz geralmente requer informações válidas e de alta qualidade. A acessibilidade da informação poderá ser ainda mais importante do que a qualidade para determinar se a informação será ou não usada. Devido à escassez de tempo muitas vezes o administrador se apóia em informações de qualidades inferiores as ideais; - Interesses particulares: sob circunstâncias ideais, as decisões organizacionais são tomadas isentas de favoritismos ou condições parciais. Na realidade porém, muitas decisões são tomadas influenciadas por políticas internas de relacionamento e/ou interesse particular do administrador; - Crise e conflito: numa crise, as condições psicológicas dos administradores tornan-se, de modo geral, altamente emocionais. As crises podem ser percebidas pelos administradores como um evento extremamente estressante, levando a dificuldade de concentração e julgamento, porém, não comumente, os tomadores de decisão também podem percebê-las como um desafio, elevando-os ao seu melhor nível de performance e solução de problemas; - Valores do tomador de decisão: os valores, pontos de vista e bom senso do administrador são itens importantes a serem considerados no processo decisório. Sejam elas em busca de excelência no atendimento ou qualidade do clima organizacional, o caráter pessoal do administrador sempre se demonstrará nos processos decisórios; e - Procrastinação: é a atitude ou hábito de se retardar uma ação. Muitos gerentes incorrerão em medidas muitas vezes insignificantes porque procrastinam ou demoram em tomar decisões sem um motivo válido. Geralmente resulta da 43 indecisão e da falta de ação e é uma das principais causas do comportamento de autofracasso. 2.4 Criatividade A criatividade segundo Dubrin (2003), pode ser definida simplesmente como a capacidade de criar idéias que poderão ser funcionais se forem aplicadas. Ela é essencial nas tomadas de decisões onde se encontra grande ocorrência de imprevistos e problemas não programados. Drucker (1999) acredita que a mais importante tarefa de uma organização é a de liderar mudanças. As mudanças são dolorosas, arriscadas e requerem uma grande dose de esforço, porém, em períodos de tão rápidas mudanças os únicos que sobrevivem são os líderes de mudanças. Resume Drucker (1999): Atualmente, todos aceitam que “mudanças são inevitáveis”,mas isto ainda implica que elas são como “morte e impostos”: devem ser adiadas o máximo possível e nenhuma delas é muito preferível (DRUCKER, 1999, p. 64). 2.4.1 Processo Criativo Dubrin (2003) relata que, a compreensão das etapas encontradas nos processos criativos, ajudam a desenvolver a criatividade pessoal e também a entender e administrar a criatividade dos outros. Estas etapas estão classificadas em cinco fases: - Oportunidade ou reconhecimento do problema: é quando se cria uma nova idéia, rotina ou processo para solucionar algum problema; - Imersão: o administrador se integra ao problema, vivenciando-o na totalidade, sem influenciá-lo, colhendo dados e registros relevantes durante sua ocorrência; 44 Incubação: é a situação onde o administrador de posse das informações conhece o problema, e não age por algum tempo. O problema apesar de identificado fica mentalmente sendo trabalhado; - Percepção: a conquista da solução de problemas invade a mente da pessoa de forma inesperada; e - Verificação e aplicação: o indivíduo parte para provar que a solução criativa tem mérito. Sabe-se que o processo criativo não se dá de forma automática ou mecânica. Ela é reflexo de uma somatória de experiências e características pessoais do decisor, ocorre de forma instável, com altos e baixos de produção (AMABILE apud DUBRIN, 2003). 2.4.2 Características de Pessoas Criativas Segundo Dubrin (2003) as características de pessoas criativas são diferentes de pessoas não criativas. Estas características podem ser divididas em três áreas-chave: conhecimento, habilidade intelectual e personalidade. - Conhecimento: a solução de problemas de forma criativa requer um extenso background de informações (base de informações); - Habilidades intelectuais: as pessoas criativas que resolvem problemas tendem a ser mais práticas e eficientes que brilhantes. Uma característica de pessoas com este tipo de habilidade é a capacidade de elaboração de soluções alternativas em curtos espaços de tempo. Bom senso de humor, curiosidade, flexibilidade, entre outros; e - Personalidade: as pessoas criativas tendem a ter uma boa auto-imagem sem serem egocêntricas, são capazes de lidar com críticas, toleram e até apreciam o 45 isolamento para trabalharem, são freqüentemente não conformistas e não precisam de forte aprovação do grupo. 2.4.3 Condições Necessárias para a Criatividade Uma pesquisa segundo Amabile apud Dubrin (2003), revela que são necessários três componentes para que ocorra a criatividade nas empresas: especialização, habilidades criativas e motivação. - Especialização: refere-se ao conhecimento e quanto mais informações mais chances de se resolver um problema; - Habilidades / pensamento criativo: refere-se a maneira flexível e imaginativa com que as pessoas abordam os problemas; e - Motivação: no processo criativo é um importante fator. Quando motivadas pelo desafio da criação, este fator passa a ser a principal recompensa pela solução ou realização de uma tarefa. A paixão pela tarefa e alta motivação contribuem para uma total absorção no trabalho e uma intensa concentração. A “experiência de fluxo”, refere-se à tarefa que, por ser tão gratificante, por si só favorece ao processo criativo (CSIKZENTMIHALVI apud DUBRIN, 2003). Segundo Dubrin (2003), além das condições pessoais desejáveis aos administradores criativos, fatores externos à pessoa também são importantes de serem analisadas nos processos criativos, portanto, para estes administradores as necessidades, conflitos e encorajamento são fatores fundamentais: - Necessidade: é a condição que quando percebida, obriga ao administrador tomar providência para sua supressão; 46 - Conflitos: quando ocorrem de modo adequado promovem/favorecem, por meio de pensamentos diferentes e opiniões contrárias, o processo criativo; e - Encorajamento: advindo do clima organizacional pode ser encontrado nas atitudes do gerente ou do grupo que aceita e encoraja o processo de inovação, não punindo ou desmotivando as pessoas, quando esses processos se mostram ineficientes. 2.4.4 Aumento e Melhoria da Criatividade Segundo Rowe e Boulgarides apud Dubrin (2003), vários métodos e técnicas têm-se criados para aumentar ou melhorar a criatividade. Os pensamentos rígidos, convencionais e tradicionais são bloqueios às novas idéias e ao processo criativo, por isso podem/ devem ser reavaliados. Cinco técnicas para se aumentar à criatividade são relevantes de serem citadas: - Brainstorming: (tempestade de idéias), é um método em que se tenta extrair de uma pessoa ou grupo de pessoas por meio de insigths (percepção de algo) espontâneos e aleatórios, idéias ou soluções criativas para determinado problema. O método quando em grupo deverá ocorrer de forma organizada e que permita oportunidades iguais aos participantes; - Cotas de idéias: é uma técnica que solicita às pessoas que apresentem idéias ou soluções a respeito de determinado assunto. As idéias deverão ser abrangentes por isso, devem ser solicitadas a todos da empresa desde a direção até os níveis de execução; - Grupos heterogêneos: a diversidade dos grupos, quando não causadora de conflitos demasiados, pode beneficiar o processo criativo, uma vez que permite a 47 exposição de vários pontos de vista. Esta diversidade advém das muitas origens: disciplina profissional, experiências no cargo, fatores demográficos, entre outros; - Incentivos financeiros: dependendo do modo como é enfocada poderá aumentar a criatividade. Trabalhar focando apenas a recompensa financeira poderá até mesmo diminuir a criatividade. O foco deverá estar sempre no desafio da melhor solução e não apenas no benefício financeiro; e - Arranjo físico: ou layout (organização física da empresa) refere-se ao modo como as empresas deverão arrumar seus ambientes internos: escritórios, instalações, temperatura, iluminação, entre outros, para que haja sempre estímulos ao pensamento criativo. 2.5 Liderança A liderança segundo Dubrin (2003) pode ser conceituada como “a capacidade que certos administradores possuem em conseguirem influenciar outras pessoas em alcançar seus próprios objetivos ou os da empresa”. 2.5.1 A Natureza da Liderança Pode ser descrita como a habilidade de inspirar confiança e apoio entre as pessoas das quais depende o desempenho. Embora seja uma função principal do gerenciamento, não é a mesma coisa, pois enquanto gerenciamento lida com a complexidade que requer preservação da ordem e do constante, a liderança lida com mudanças num mundo competitivo e mutante, exigindo um novo conceito de liderança a ser estabelecido, ou seja: liderança eficaz = atributos mais resultados (DUBRIN, 2003). 48 2.5.2 Traços e Características da Liderança Pesquisas confirmam que líderes eficazes são pessoas diferentes das outras, possuem traços e características diferentes. Essas características se agrupam em: habilidades cognitivas (habilidade mental, conhecimento técnico) e, traços ou padrões de personalidade (entusiasmo, confiança, entre outros). Segundo estudos feitos por Ibrahim e Goodwin apud Longenecker, Moore e Petty (1999), foram identificados três fatores como responsáveis para o sucesso dos pequenos negócios: - Valores associados à carreira de empreendedor: inclui-se a intuição, a disposição de assumir riscos, criatividade, noção de independência e alta valorização do tempo; - Habilidades gerencias: gerenciamento de estratégia de negócios; fluxo de caixa; experiência no ramo de negócio antes de se tornar dono; educação e uma estrutura organizacional simples; e - Habilidades interpessoais: boas relações com funcionários, bom relacionamento comercial. 2.5.3 Liderança Comportamental Dubrin (2003) define que a abordagem comportamental de liderança supõe que os lideres são relativamente consistentes no modo como tentam influenciar seus subordinados em situações diferentes. O líder tenderá sempre a manter um padrão relativamente consistente de liderança e, esse estilo estará sempre apoiado na sua personalidade. Ainda em relação à consistência alguns líderes poderão apresentar estilos diferentes de liderança se a situação o exigir. 49 2.5.4 Estudos Pioneiros das Dimensões da Liderança Pesquisas importantes sobre a teoria dos estilos de liderança têm origem nos estudos realizados pela “Ohio State University e pela University of Michigan” no final dos anos 40 (Dubrin, 2003). Estes estudos apontaram dois tipos de estilos que receberam destaques: - Estrutura da iniciação: descreve o grau para o qual o líder estabelece a estrutura/atividade para os membros do grupo. Com foco na produção, ela está baseada na designação de tarefas específicas, procedimentos a serem seguidos, entre outros; e - Consideração: descreve o grau em que o líder cria um ambiente de apoio emocional, conforto, amizade e confiança entre os membros do grupo. Este estilo detém foco nos funcionários, em que o líder sempre busca o bem-estar dos membros do grupo. As pesquisas desenvolvidas sobre líderes focados na produção em comparação com líderes focados em funcionários mostraram que maiores índices de produtividade foram verificadas junto a lideranças focadas nos funcionários. 2.5.5 O Modelo de Troca Líder Membro Este modelo reconhece que os líderes desenvolvem um relacionamento individualizado de relacionamento para cada funcionário, mesmo que este líder detenha determinado padrão de liderança, Graen apud Dubrin (2003). Desta forma, este líder poderá ser compreensivo e tolerante com um membro ou grupo, ao mesmo tempo em que demonstra ausência dos mesmos sentimentos em relação a outro membro ou grupo. As observações levaram à percepção de que esta relação entre líder e grupo, era determinada pelo grau de semelhança entre eles, isto é, com referência às suas atitudes e 50 valores pessoais. Esse grupo foi chamado grupo de dentro, enquanto que o grupo com menos pontos comuns com o líder foi chamado grupo de fora. 2.5.6 Teoria da Contingência da Liderança Segundo a teoria da contingência da liderança descrita por Dubrin (2003), o melhor estilo de liderança depende de fatores contingenciados, relacionados aos membros do grupo e ambiente de trabalho. Esta teoria se subdivide em quatro modelos: - O modelo caminho-meta de liderança: especifica o que o líder deve fazer para conseguir alto moral e produtividade do grupo em determinada situação. Refere-se à ênfase em ajudar os empregados a encontrar o caminho correto para atingir um objetivo. Esta teoria permite ao líder escolher um estilo de liderança mais adequado ao grupo, isto é, sugere que o estilo a ser adotado poderá ter predominâncias como: diretiva (focado no trabalho), de apoio (focado no bem-estar do grupo), participativa (envolve a interação do grupo nas decisões) e orientada pela realização (orientado por metas). O Quadro 4 relaciona de forma resumida as situações de trabalho em que melhor se aplica o modelo de liderança caminho meta. Estilo de Liderança Situação em que é apropriado Afeta positivamente a satisfação e as expectativas dos subordinados que trabalham em tarefas ambíguas; Diretiva Afeta negativamente a satisfação e as expectativas dos subordinados que trabalham em tarefas claramente definidas Afeta positivamente a satisfação de subordinados que trabalham em tarefas De apoio insatisfatórias, estressantes ou frustrantes Afeta positivamente a satisfação dos subordinados que estão envolvidos Participativa pelo ego em tarefas não repetitivas Afeta positivamente a confiança de que o esforço levará ao desempenho Orientada pela realização eficaz dos subordinados que trabalham em tarefas ambíguas e não repetitivas Quadro 4 – Relacionamentos contingências na liderança caminho-meta Fonte: Dubrin (2003) 51 - O modelo da contingência de Fielder: afirma que o melhor estilo de liderança é determinado pela situação na qual o líder está trabalhando. Essa teoria tenta orientar sobre qual estilo de liderança (foco no trabalho ou relações pessoais) a ser utilizado poderia ser o mais adequado; - O modelo de liderança situacional: a liderança no modelo situacional é classificada de acordo com a intensidade relativa do comportamento voltado para a tarefa ou para o relacionamento em que o líder se envolve. Este modelo não define um único meio como o melhor. A eficácia vai depender do nível de prontidão do grupo, balizando o líder sobre qual a melhor postura de liderança. Prontidão, neste sentido, refere-se à competência do grupo ou membro em realizar tarefas específicas; e - O modelo de decisão normativa: este modelo vê a liderança como um processo de tomada de decisões no qual o líder examina certos fatores dentro de uma situação para determinar qual estilo de liderança será mais ajustado. Considerandose sempre a participação do grupo no processo, pode-se identificar cinco modos para adoção do estilo de liderança: - Decidir: o líder tomará decisões sozinho sem consultar, ou usar, do conhecimento do grupo; - Consultar individualmente: o líder consultará individualmente os membros do grupo para decidir; - Consultar grupo: o líder apresentará o problema ao grupo, coleta informações e então decide; - Facilitar: o líder agindo como facilitador apresentará o problema esperando colaboração evitando que sua opinião tenha mais importância que a dos outros membros do grupo; e 52 - Delegar: o líder agindo como supridor de recursos e condições para realizações de tarefas permitirá ao grupo a tomada de decisões. 2.5.7 Liderança Transformacional O líder transformacional exerce uma influência maior do que um líder transacional (rotineiro), portanto motivando as pessoas a fazerem mais do que o esperado. É vista como uma ferramenta para transformar e revitalizar organizações (DUBRIN, 2003). 2.5.8 Liderança Carismática Uma característica chave dos líderes carismáticos é a visão. Essa visão pode ser multifacetada indo além das metas da organização. Envolve também um meio de se identificar com a empresa, criando uma identidade coletiva da organização. Os carismáticos são mestres da comunicação, usam metáforas para inspirar pessoas. Estes líderes inspiram confiança, são ativos e pró-ativos, exalam energia. São habilidosos em administrar suas impressões pessoais (aparência, inteligência, entre outros), o que os ajuda a serem percebidos como carismáticos. O carisma é uma habilidade que pode ser desenvolvida se treinada (DUBRIN, 2003). 2.5.9 Feedback de 360 graus É um método muito eficaz para se medir a eficiência da liderança. O feedback de 360 graus é uma pesquisa/avaliação formal em que os administradores se submetem a opiniões de vários stakholders (grupos de interesse) como: subordinados, superiores, pares da mesma 53 linha hierárquica e até, clientes e fornecedores. Os 360 graus referem-se às avaliações feitas por pessoas que estão à volta do avaliado (DUBRIN, 2003). 2.6 Gestão Contábil O conhecimento da contabilidade e sua utilização como ferramenta de gestão empresarial tornará o administrador mais habilitado nas atividades de planejamento, organização e controle. Tanto em seus relacionamentos internos quanto nos externos a administração poderá ser prejudicada se as informações contábeis não forem precisas e esclarecedoras, definem Salazar e Benedicto (2004): A contabilidade é regida por um conjunto de leis e normas que disciplinam a medição do lucro e que devem ser aplicadas por todas as empresas para que os tomadores de decisão, tais como administradores e investidores, tenham condições de facilmente visualizar o desempenho de uma empresa ao longo do tempo, bem como a comparação desse desempenho com o de outras empresas (SALAZAR e BENEDICTO, 2004, p. 41). Segundo Neves e Viceconti (2000) a Contabilidade é uma ciência que, por meio de uma metodologia própria, tem a seguinte finalidade: - Controlar o patrimônio das entidades; - Apurar o resultado das atividades das entidades; e - Prestar informações e demonstrar a situação patrimonial e desempenho dessas entidades a seus interessados internos e externos. A Contabilidade é essencial na tomada de decisões porque identifica, quantifica data, situa e demonstra o fluxo financeiro da empresa. Com esse conhecimento é possível uma avaliação mais adequada do desempenho da empresa, de suas implicações administrativas e financeiras, bem como, a escolha do melhor plano de ação (SALAZAR e BENEDICTO, 2004). 54 A contabilidade tem no patrimônio das entidades e suas variações seu principal campo de aplicação e objeto de estudo. A Figura 2 demonstra o organograma da ciência contábil e seus objetivos. CONTABILIDADE (Ciência) Metodologia (Sistema Contábil) Função Econômica (Contabilidade Financeira) Função Administrativa (Contabilidade Gerencial) Controlar o Patrimônio Apurar o Resultado Prestar Informações Figura 2 - Diagrama do processo contábil Fonte: Neves e Viceconti (2001) Conforme o artigo 3º da Resolução CFC nº 750/93 que legisla sobre os princípios e convenções contábeis, os princípios fundamentais da contabilidade são: - Entidade: reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade; - Continuidade: relaciona-se com a vida definida ou provável da entidade; - Oportunidade: refere-se a tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e suas mutações; 55 - Registro pelo valor original: afirma que os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações, expressos em valor de moeda corrente no País; - Atualização monetária: admite um ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais; - Competência: estabelece que receitas e despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrem, independentemente de recebimento ou pagamento; e - Prudência: determina a adoção do menor valor para os componentes do Ativo e do maior para os do Passivo, sempre que se apresentam alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem o patrimônio líquido. 2.6.1 Contabilidade como Ferramenta de Gestão Rosa e Olinquevitch (2005), descrevem que a contabilidade não deve se restringir somente às atividades obrigatórias como as fiscais e trabalhistas. Muitos fatores concorrem para a importância da contabilidade adotada nos processos gerenciais e decisórios: - Competitividade: devida à acirrada competitividade entre as empresas, a busca da eficiência se torna uma prioridade. Informações esclarecedoras sobre o patrimônio e seu desempenho tornam-se imprescindíveis; - Complexidade: as necessidades comerciais, financeiras, fiscais, trabalhistas, entre outras tornaram as empresas em organizações muito complexas. Muitos documentos e processos são requeridos diariamente, mesmo pelas empresas de pequeno porte; 56 - Riscos: o perfil dinâmico e instável dos mercados, hoje internacionalizados, expõe as empresas a riscos muitos maiores e numerosos; e - Transparência: a necessidade da prestação de contas obriga os administradores a se amparar em bases sólidas de conhecimentos. 2.6.2 Administrando com Contabilidade Os pequenos empresários tendem a imaginar que não necessitam de informações contábeis e/ou financeiras. Talvez devido a seu demasiado envolvimento nos processos operacionais da pequena empresa, em todas ou, quase todas as suas fases de produção. Não raro observa-se que a falta de aptidão para interagir com os sistemas contábeis é um fator básico de insucesso nas pequenas empresas (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). A contabilidade proporciona ao administrador e seus grupos de interesse (proprietários, investidores, clientes, entre outros) informações vitais que os ajudarão a visualizarem o modo como a empresa está sendo administrada, e que caminhos deverá ou poderá seguir, como demonstrado no Quadro 5 (SALAZAR e BENEDICTO, 2004). Tomadores de Decisão Decisões Proprietários da empresa Aumentar ou reduzir investimentos; Administradores Expansão ou redução de operações; Comprar a vista ou a prazo Instituições financeiras Conceder ou não empréstimos Fornecedores Conceder prazos, em que valor Investidores Comprar ou não a empresa Comissão de Valores Mobiliários (CVM) As demonstrações contábeis respondem aos requerimentos legais? Juízes de Direito Solicitação e apreciação de peritagens Quadro 5 – Interesses dos tomadores de decisão Fonte: Salazar e Benedicto (2004) 57 Os dados contábeis proporcionam condições de análises que servirão como informações/meios para serem utilizadas, principalmente, nos processos de tomada de decisões empresariais (PADOVESE e BENEDICTO, 2004). Conforme demonstrado na Figura 3, pode-se ver uma estreita relação entre administração e contabilidade, uma simbiose que quando equilibrada e voltada para os fins (resultados) se tornará um poderoso instrumento de gestão (HORNGREN, 2000). Administração Contabilidade Orçamentos Decisão Execução Registros Contábeis Avaliação Relatórios Contábeis Figura 3 - Fluxo de relacionamento entre Administração e Contabilidade Fonte: Horngren (2000) 2.6.3 Contabilidade Financeira A Contabilidade Financeira ou Geral segundo Martins (1987), cuja origem data de registros da Era Mercantilista (século XVIII), voltava-se basicamente para as empresas comerciais. Naquela época os bens eram produzidos em sua maioria por pessoas ou grupos de pessoas sem personalidade jurídica. 58 O comércio era explorado em sua grande maioria por empresas (pessoas jurídicas). Data daquela época a o surgimento da clássica disposição contábil: Custo de Mercadorias Vendidas (CMV) Martins (1987). Conforme demonstrado de modo simplificado no Quadro 6, pode-se por meio do conhecimento de valor do estoque inicial, que somado às compras e subtraído do valor dos estoques finais, chegar ao CMV. (=) Estoques Iniciais (+) Compras (-) Estoques Finais (=) Custo de Mercadorias Vendidas Quadro 6 - Custo de Mercadorias Vendidas Fonte: Martins (1987). A lei nº 6.404/76 determina, conforme demonstrado na Figura 4, a elaboração e publicação dos seguintes demonstrativos, para as sociedades anônimas: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) e a Demonstração de Origem e Aplicações de Recursos (DOAR). Balanço Patrimonial Demonstrações Básicas Outras Demonstrações Demonstração de Resultado do Exercício Inventários Demonstrações Lucros Prejuízos Acumulados (DLPA) Demonstrações Origens, Aplicação de Recursos (DOAR) Demonstração Mutações do Patrimônio Liquido Demonstração do Fluxo de Caixa Relatório da Administração Notas Explicativas Figura 4– Demonstrações Contábeis para análise Fonte: Salazar e Benedicto (2004) 59 Com a evolução dos processos e metodologia contábil, assim como a dos negócios, a contabilidade vale-se de relatórios contábeis, denominados, muitas vezes como demonstrativos financeiros, para uma melhor exposição de suas informações e registros. As sociedades comerciais limitadas, principalmente, são obrigadas a elaborar apenas o Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, conforme Código Comercial, artigo 10 (BANCO DO BRASIL, 2002). 2.6.3.1 O Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial, demonstrado no Quadro 7, representa a exposição dos elementos financeiros e patrimoniais de entidade, por meio da apresentação ordenada de suas aplicações/recursos (Ativo) e das origens/fontes desses recursos (Passivo). A ordem dos elementos demonstrados no Balanço Patrimonial é feita de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da entidade (NEVES e VICECONTI, 2000). BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE Caixa / Bancos Fornecedores Aplicações Financeiras Salários a Pagar Contas a Receber Empréstimos Estoques Impostos a Recolher REALIZÁVEL A LONGO PRAZO EXÍGIVEL A LONGO PRAZO Clientes/Devedores Longo Prazo Financiamentos PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO Investimentos Capital Social Imobilizado Reservas Diferido Lucros ATIVO TOTAL PASSIVO TOTAL Quadro 7 – Balanço Patrimonial (formato oficial) Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) 60 A exposição e classificação do Balanço Patrimonial, segundo Padoveze e Benedicto (2004), seguem os seguintes critérios: - Curto prazo: classificam-se no curto prazo os bens, direitos e obrigações, com prazo de vencimento ou realização de um ano; - Longo prazo: classificam-se no longo prazo os bens, direitos e obrigações com prazo de vencimento ou realização superior a um ano, ou seja, após o término do exercício social seguinte; e - Liquidez: refere-se ao ativo e representa a capacidade do mesmo em se transformar em bens numerários. Quanto mais próximo este bem ou direito estiver de se transformar em dinheiro, maior liquidez possuirá. As contas do ativo estão dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez, em três grupos: - Ativo Circulante (AC): representa os valores de bens e direitos a serem realizáveis no curto prazo como: caixa, bancos e aplicações financeiras entre outros; - Ativo Realizável a Longo Prazo (ARLP): representa os valores de bens e direitos a serem realizados no longo prazo como: duplicatas a receber, adiantamento a fornecedores e empréstimos a receber entre outros; e - Ativo Permanente (AP): representa a aplicação permanente ou fixa de recursos. O ativo Permanente se subdivide em: Investimento, Imobilizado e Diferido. - Investimento: compreende as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante ou ativo realizável a longo prazo, que não constituam negócios usuais na exploração do objeto da empresa, tais como: ações ou títulos de participação societária de caráter permanente em outra empresa e/ou participação em sociedades por cota de responsabilidade limitada, aplicações de recursos em sociedades coligadas e/ou 61 controladas, aplicações em imóveis não necessários à manutenção da atividade explorada e não destinados à venda, entre outros; - Imobilizado: compreende os bens e direitos que tenham por objetivo a manutenção das atividades da empresa, tais como: edifícios, construções, máquinas, móveis e utensílios, marcas e patentes, entre outros; e - Diferido: compreende as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação de resultado em mais de um exercício social, como: despesas préoperacionais, despesas com pesquisas e desenvolvimentos, despesas com reestruturação e/ou modernização de empresas, entre outros. Partindo para a exposição do passivo temos os seguintes critérios: - Exigibilidade: este termo refere-se às contas do passivo e representa as dívidas, deveres e obrigações da empresa. No passivo as contas estão dispostas em ordem decrescente de grau de exigibilidade em quatro grupos: - Passivo Circulante (PC): compreende as obrigações e/ou dívidas de curto prazo; - Passivo Exigível a Longo Prazo (PELP): compreende as obrigações de longo prazo; - Resultado de Exercícios Futuros (REF): representa uma apuração antecipada de receitas ou resultados que deverão ocorrer futuramente, tais como aluguéis recebidos antecipadamente, recebimento de comissões antecipadas, entre outros, cuja devolução ou cancelamento, em hipótese alguma possa ocorrer; e - Patrimônio Líquido (PL): Corresponde à diferença entre os valores que compõe o Ativo e o Passivo Circulante, Passivo Exigível e o Resultado de Exercícios Futuros [PL = Ativo Total – (PC + PELP + REF)]. O Patrimônio Liquido se divide em: Capital Social, Reservas, Lucros ou Prejuízos Acumulados e Contas Retificadoras, os quais também podem se subdividir em: 62 - Capital Social: que subdivide-se em: - Capital Subscrito : compromisso assumido e ainda não efetivado pelos sócios; - Capital Realizado: pagamento efetivo do compromisso pelos sócios; e - Capital a Realizar: parcela do compromisso assumido pelos sócios, ainda não quitada. - Reservas: são parcelas do patrimônio líquido que excedem o valor do capital social integralizado e é subdividido em: - Reservas de Capital: São contribuições recebidas dos proprietários e/ou de terceiros que não representam receitas ou ganhos da empresa. Ex. doações, incentivos fiscais, entre outros; - Reservas de Reavaliação: são classificadas as contrapartidas de valores atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo aprovado por assembléia geral. Ex. máquinas e equipamentos; e - Reservas de Lucro: formadas pela retenção de lucros da companhia, constituem também, garantia e segurança adicional para a saúde financeira da companhia, enquanto ainda não distribuídos aos sócios. - Lucros ou Prejuízos Acumulados: ficam contabilizados separadamente enquanto não distribuídos ou capitalizados, porém, podem ser tecnicamente considerados como reservas de lucros; e - Contas Retificadoras: são contas retificadoras do patrimônio líquido. Exemplo: Capital Social a Realizar; Ações em Tesouraria entre outras. Resumem Longenecker, Moore e Petty (1997): Poucos administradores de empresas pequenas podem esperar tornar-se peritos em contabilidade. Entretanto, todo empresário deve ter conhecimentos suficientes sobre o processo contábil, inclusive demonstrativos financeiros, para poder reconhecer quais métodos contábeis poderão funcionar de forma mais vantajosa em suas empresas (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997, p. 516) . 63 2.6.3.2 Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Conforme exposto no Quadro 8, o principal objetivo da DRE é demonstrar o resultado líquido do exercício e os elementos que o compõem (PADOVESE e BENEDICTO, 2004). (=) Vendas (-) Custo de Mercadorias Vendidas (=) Lucro Bruto (-) Despesas: (Comerciais + Operacionais + Administrativas) (=) Resultado Líquido (lucro ou prejuízo) Quadro 8 - Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) Fonte: Viceconti e Neves (2000). A DRE inicia-se a partir do conhecimento da receita bruta (vendas totais), de um período, da qual, deduzem-se os custos correspondentes (custo de produtos vendidos, devoluções, descontos concedidos, entre outros), originando o resultado bruto, que deduzido das despesas operacionais (despesas com vendas, administrativas, entre outras) permitem a apuração do resultado líquido do exercício. 2.6.4 Contabilidade Gerencial Como definido por Horngren (2000): a contabilidade administrativa (gerencial) pode ser entendida melhor como um tema de custo-benefício associado a uma consciência da importância dos efeitos comportamentais. Mais ainda do que a contabilidade financeira, a contabilidade administrativa tem algo em comum com disciplinas relacionadas como a economia, as ciências da decisão e as ciências do comportamento (HORNGREN, 2000, p. 13). 64 Na contabilidade gerencial, assim como na contabilidade financeira, os processos de análise econômico-financeira iniciam-se pela seleção de dados e informações extraídos dos registros da mesma escrituração contábil. Enquanto a contabilidade financeira visa atender principalmente a seus públicos externos (bancos e investidores, entre outros) com as demonstrações financeiras/ contábeis, expondo em números a situação patrimonial da empresa em determinado momento, a contabilidade gerencial (administrativa) enfatiza o atendimento a seus públicos internos (administradores, gerentes supervisores, entre outros) como demonstrado no Quadro 9, Horngren (2000). CONTABILIDADE ADMINISTRATIVA Principais usuários Administradores de vários níveis da organização Nenhuma restrição; a escolha baseia-se na escolha da melhor relação do Liberdade de escolha custo/benefício nas decisões administrativas CONTABILIDADE FINANCEIRA Administradores da Organização e partes externas Limitada aos princípios contábeis de aceitação geral Implicações comportamentais Preocupação com a forma pela qual as informações influenciaram o comportamento diário dos administradores Preocupação com a forma pela qual se devem medir e comunicar fenômenos econômicos. A preocupação comportamental é secundária Enfoque do tempo Orientação para o futuro; uso formal de orçamentos e registros históricos Orientação para o passado; avaliação histórica Prazo Flexível, variando de uma hora para dez ou quinze anos Menos flexível. Geralmente variando em períodos anuais Relatórios Relatórios detalhados; preocupação com Relatórios resumidos; preocupação da detalhes, partes, produtos, departamentos, entidade como um todo territórios O Campo de atividades é menos preciso; maior uso de economia, ciências da decisão e comportamento Quadro 9 – Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira Fonte: Horngren (2000) Delineamento de Atividades O campo é mais definido; menor uso de disciplinas afins Conforme demonstrado na Figura 5, os principais interessados nas análises financeiras são seus acionistas, gestores e credores. Porém, enquanto os investidores (acionistas) e credores estão basicamente interessados em informações que possam revelar possibilidades de 65 geração de lucros e capacidade de pagamento (solvência/liquidez), é no escopo da administração contábil e da gestão interna que residem um número impar de possibilidades para utilização da análise econômico-financeira (PADOVESE e BENEDICTO, 2004). Usuários Interessados na Análise Investidores Principais interessados Gestores Credores Outros Interessados . Governo . Bolsa de Valores . Empregados . Fornecedores . Outras Entidades Figura 5– Partes interessadas na análise econômico-financeira Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) Nesse processo de análises para fins internos podem-se extrair da contabilidade gerencial inúmeras informações e sugestões para tomadas de decisão, as quais, tornam-se num instrumental de singular valor para seus gestores, pois ao proprietário da empresa a importância das informações contábeis, reside no conhecimento da evolução e variações do patrimônio. Já para o usuário externo, o maior interesse está no conhecimento da viabilidade ou não, da aplicação de seus recursos na empresa. A ótica do usuário é que determinará os caminhos a serem trilhados (BANCO DO BRASIL, 2002). 66 Longenecker Moore e Petty (1997) orientam que os controles internos, apesar de indispensáveis, não devam ser excessivamente enfatizados na pequena empresa. Dificuldades como a informalidade do processo operacional e número limitado de funcionários, devem ser prudentemente e com bom senso, superado, seja com esforços do próprio empresário ou com a ajuda de um contador habilitado. 2.6.5 Demonstrações Contábeis para Análise Econômico-Financeira Para Salazar e Benedicto (2004), as demonstrações contábeis cumprem com a satisfação de necessidades de vários interessados na organização. Aos gestores, ela possibilitará o melhoramento do desempenho operacional; aos credores, a avaliação da probabilidade de recebimentos de seus recursos emprestados; e aos acionistas, a projeção de lucros, dividendos e preços de ações no mercado. As análises econômico-financeiras feitas internamente, de forma periódica, segundo Padoveze e Benedicto (2004), permitem: - Avaliação da empresa quanto a seu passado e forma de evolução; - Verificação das estruturas de ativo e passivo e se estão em conformidade com o esperado; - Verificar se as estruturas de custos e despesas estão acompanhando as previsões; - Verificar se a rentabilidade está de acordo com o esperado; - Verificação da representação patrimonial nos demonstrativos contábeis, decorrente das diretrizes e decisões tomadas; - Confrontação dos dados: padrão, esperado e orçados; - Verificação da coerência entre a geração de lucro esperada em relação à geração de caixa; 67 - Antecipação de elementos (valores/recursos) para necessidades futuras de caixa; - Antecipar as possibilidades de destinação e distribuição de lucros; - Acompanhar a criação de valor empresarial; e - Confrontar o valor contábil da empresa com seu valor de mercado. Apesar de ser comum a análise de balanço em períodos trimestrais (para as sociedades anônimas) e anuais (para as demais tipos de sociedades), conforme os aspectos legais, para a contabilidade gerencial, a análise de balanço e as demais análises econômicas e financeiras deverão ser executadas mensalmente (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). Segundo Padovesse e Benedicto (2004) essas análises poderão relatar os seguintes pontos: - Avaliação geral do mês e do acumulado até o mês; - Verificação das variações dos dados reais em relação aos dados projetados ou orçados; - Alerta sobre eventuais pontos negativos detectados e sugestões de correção ou melhoria; e - Identificação de pontos para planejamentos econômico-financeiros futuros. Para as análises contábeis atenderem a um satisfatório grau de transparência e abrangência necessitam da completa observação dos princípios contábeis na estruturação de suas demonstrações (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). Em situações que os princípios contábeis não são corretamente observados, o gestor ou analista necessitará de informações adicionais para estruturar as demonstrações contábeis. Nessa pesquisa de dados, o gestor coletará informações mínimas para estruturar os ativos (principalmente de giro)1 e os passivos exigíveis para formar juízos de liquidez; e dados de vendas e custos para formar juízos de lucratividade e capacidade de geração de lucros futuros. 1 Giro – Produtividade do investimento; período/ciclo de operacionalização dos ativos . 68 Resumem Padoveze e Benedicto (2004): Em nosso país, principalmente as pequenas empresas, pelo fato da legislação tributária não exigir em algumas situações, as demonstrações contábeis, tornam maior a dificuldade de obtenção de dados adequados para a análise. Essas dificuldades vão desde a inexistência dos dados no formato contábil até demonstrações que não incorporam as melhores técnicas e recomendações contábeis (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004, p. 85). A extensão das análises contábeis poderá ser variada. Sua abrangência está ligada aos objetivos dos gestores ou outros usuários interessados. Ela poderá se deter em apurações simples como questões de liquidez, estrutura patrimonial e rentabilidade, como também atender a avaliações mais complexas como fundamentar a decisão de compra ou venda de uma empresa. Porém, a simples apresentação de números ou indicadores obtidos não resumem a finalidade das análises contábeis. Seu objetivo final será, sempre, embasar tecnicamente as opiniões e julgamentos por meio de um entendimento conclusivo de sua análise (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). É necessário identificar as causas dos resultados obtidos, visto que eles são conseqüências de fatos gerados por pessoas e sistemas que produzem bens e serviços que interagem com ambientes internos e externos. Nesse particular é importante o bom senso, a argúcia e a sensibilidade do analista. A conclusão da análise contábil deverá fundamentar a avaliação e julgamento, por seu usuário, dos seguintes questionamentos (BANCO DO BRASIL, 2002): - Qual a situação econômica da empresa? - Qual é a situação financeira da empresa? - Quais os pontos fortes e fracos (econômico-financeiros) da empresa? - Existe risco ou possibilidade de insolvência da empresa? 69 Padoveze e Benedicto (2004), recomendam, para demonstração das análises econômico-financeiras, alguns ajustes na exposição de elementos patrimoniais bem como do balanço patrimonial. Os principais ajustes nos balanço para demonstração das análises são demonstradas no Quadro 10, são eles: Duplicatas descontadas Devem ser reclassificadas para o passivo circulante Despesas de Exercícios Futuros Reduzir do patrimônio líquido o valor das despesas antecipadas Ativo Diferido Reduzir o patrimônio líquido o valor do ativo diferido, caso se considere que houve apenas o postergamento da contabilização dessas despesas Resultado de Exercícios Futuros Quando são recursos próprios da empresa, devem ser incorporados no PL. Se forem passivos exigíveis, manter no passivo Ações de Tesouraria Se aplicação financeira classificá-la no ativo. Caso ocorra dubialidade considerála como conta dedutível do PL Participações de Empregados Tem características de despesas operacionais, recomenda-se classificá-las como ou Diretores despesas com pessoal Quadro 10 – Principais ajustes para demonstração das análises financeiras Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) Para os usuários internos, tanto o Balanço quanto a DRE deverão conter um maior detalhamento das contas e elementos patrimoniais, permitindo um maior acompanhamento das áreas operacionais e não operacionais da empresa. Para realização das análises contábeis são necessários os seguintes itens: balanço patrimonial; DRE; informações complementares, montantes de compras de determinado período e, se exigidos a DOAR, DMPL e as notas explicativas. Os demonstrativos financeiros devem conter a assinatura do contador e do responsável pela empresa para autenticidade de sua validade. Além dos ajustes das contas do Ativo e Passivo Circulante, estes são reclassificados segundo o Banco do Brasil (2002) em dois grupos: Financeiro e Cíclico. Desta forma o balanço reclassificado, Quadro 11, se compõe da seguinte forma (BANCO DO BRASIL, 2002): 70 BALANÇO RECLASSIFICADO BALANÇO TRADICIONAL ACF PCF PC Caixa Bancos PELP Estoques Clientes Adiantamentos Empréstimos Bancários AC ACC REF ARLP PCC Fornecedores Salários a Pagar Impostos PELP ARLP REF PL AP AP PL Quadro 11 – Reclassificação do Balanço Patrimonial Fonte: Banco do Brasil (2002) - Ativo Circulante Financeiro: representam disponibilidades financeiras como dinheiro e aplicações financeiras, entre outros; - Ativo Circulante Cíclico: representa contas que estão relacionadas com as atividades operacionais da empresa (compras, transformações e vendas). Ex: clientes, duplicatas a receber, estoques, entre outros; - Passivo Circulante Financeiro: representa as contas de dívidas financeiras de curto prazo, que não fazem parte das atividades diárias/operacionais da empresa (normalmente estão sujeitas a cobrança de juros). Ex: empréstimos bancários, duplicatas descontadas, impostos, entre outros; e - Passivo Circulante Cíclico: compreende as contas que identificam os financiadores normais da atividade operacional da empresa, constituindo as fontes espontâneas de recursos (fornecedores e salários entre outros). Segundo Banco do Brasil (2002), o Quadro 12, resume as principais legendas/nomenclaturas utilizadas na reclassificação do balanço patrimonial segundo o Banco do Brasil (2002): 71 BALANCO TRADICIONAL AC Ativo Circulante ARLP Ativo Realizável a Longo Prazo AP Ativo Permanente PC Passivo Circulante BALANÇO RECLASSIFICADO ACF Ativo Circulante Financeiro ACC Ativo Circulante Cíclico ARLP Ativo Realizável a Longo Prazo PCF Passivo Circulante Financeiro PELP Passivo Exigível a Longo Prazo PCC Passivo Circulante Cíclico REF Resultado de Exercícios Futuros REF Resultado de Exercícios Futuros PL Patrimônio Líquido PL Patrimônio Líquido Quadro 12 – Legendas do Balanço Patrimonial Fonte: Banco do Brasil (2002) 2.6.6 Análise Econômico-Financeira A análise e avaliação de uma empresa em termos de sua capacidade de segurança, liquidez e rentabilidade, deverá valer-se dos demonstrativos financeiros de pelo menos três exercícios sucessivos, para deles extrair os diversos indicadores com informações desejadas (BANCO DO BRASIL, 2002). Segundo Padoveze e Benedicto (2004), pode-se criar quantos indicadores forem desejados, porém o excesso de indicadores pode prejudicar a análise. Segundo Padovese e Benedicto (2004), cada analista pode ter procedimentos próprios para análise, os quais deverão ser respeitados. Os procedimentos para uma análise econômicofinanceira podem ser reunidos dentro da seguinte ordem/lógica, transformando-se numa metodologia de análise (Figura 6). 72 Empresa e/ou Mercado Relatórios Financeiros . Conhecimento da empresa/mercado de atuação . Característica do setor de atividade . Demonstrações contábeis . Procedimentos contábeis padronizados Ajuste das Informações Readequação e reclassificação de dados contábeis Análise de Rentabilidade e Lucratividade Avaliação econômica do desempenho da empresa Análise de Liquidez Análises de Endividamento e Estrutura Análise das Atividades Operacionais Análise Vertical Análise Horizontal Relatórios de Avaliação . Avaliação da capacidade de pagamento da empresa . Avaliação do equilíbrio financeiro . Avaliação da necessidade de capital de giro . Proporção do capital próprio x capital de terceiros . Grau de dependência de recursos de terceiros . Origem das exigibilidades e seus riscos Verificação dos prazos médios de atividades dos elementos do capital de giro Participação relativa de cada valor em relação ao grupo de que faz parte Avaliação do desempenho de valores patrimoniais comparados entre dois ou mais períodos . Julgamento/recomendação do analista . Situação econômico-financeira da empresa Figura 6 – Metodologia de análise econômico-financeira Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) 73 Segundo Padoveze e Benedicto (2004), a metodologia para análise econômicofinanceira de uma empresa concentra-se em quatro pontos fundamentais, são eles: - Indicadores econômico-financeiros: são dados (índices, números relativos), extraídos das inter-relações básicas entre contas e ou elementos contábeis para se mensurar/identificar as operações patrimoniais; - Análise Vertical (AV): consiste na análise da estrutura ou participação percentual entre contas do patrimônio num mesmo período; - Análise Horizontal: consiste na análise percentual, comparando-se as variações patrimoniais ocorridas em dois ou mais períodos; e - Relatórios de Avaliação: é a conclusão do processo analítico, em que o responsável pela análise apresenta seu julgamento sobre o patrimônio. 2.6.7 Indicadores Econômico-Financeiros Os indicadores econômico-financeiros obtidos através de cálculos e equações matemáticas e expressos em índices, são os principais instrumentos utilizados para a realização da análise da situação econômico-financeira de uma empresa . Os índices demonstram a relação entre contas ou grupos de contas extraídos dos demonstrativos contábeis com a finalidade de evidenciar aspectos da situação econômicofinanceira da empresa. “Os índices, portanto, servem como termômetro na avaliação da saúde financeira da empresa” (BANCO DO BRASIL, 2002). Os índices, no entanto não devem ser julgados isoladamente, mas sim, dentro de um contexto em que outros índices, variáveis e fatores, devam ser conjugadamente observados. É comum no ambiente corporativo o uso dos termos econômico e financeiro, porém é necessário certo cuidado para seu emprego. Pois, ao mesmo tempo em que uma empresa 74 detém uma excelente situação econômica, com muitos bens, ela pode apresentar dificuldades financeiras (caixa) para saldar suas dívidas no curto prazo. Resume o Banco do Brasil (2002): Um elevado grau de endividamento não significa necessariamente, que a empresa esteja à beira da insolvência. Há empresas que convivem com altos níveis de endividamento, sem comprometer sua solvência, já que há outros fatores que podem atenuar essa condição (BANCO DO BRASIL, 2002, p. 22). Os índices, Figura 7, representam as inter-relações básicas entre itens patrimoniais registrados nos demonstrativos contábeis (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). 1 - Índices de Estrutura Avaliam a segurança oferecida pela empresa aos capitais alheios e revelam sua política de obtenção de recursos bem como sua alocação nos diversos itens do ativo; 2 - Índices de Liquidez Medem a posição financeira da empresa em termos de capacidade de pagamento; 3 - Índices de Rentabilidade Avaliam o desempenho global da empresa, em termos de capacidade de gerar lucros; sua alocação nos diversos itens do ativo; 4 - Índices de Prazos Médios Revelam a política de compra, estocagem e venda da empresa; e 5 - Necessidade de Capital de Giro Revela a carência ou não de capital de giro da empresa. Figura 7 – Cinco grupos de indicadores financeiros Fonte: Banco do Brasil (2002) 75 2.6.8 Índices de Rentabilidade Segundo Padoveze e Benedicto (2004) a análise da rentabilidade é o critério natural de avaliação do retorno do investimento, tornando-se na mais importante análise de avaliação dos indicadores financeiros. “Uma empresa rentável (adequadamente administrada) não terá problemas de solvência ou capacidade de pagamento”. Para o Banco do Brasil (2002), uma empresa com problemas de liquidez, provavelmente, detém uma inadequada rentabilidade passada, ou mau direcionamento de seus lucros ou fundos. A análise da rentabilidade demonstrará se o retorno real está coerente com o retorno planejado. O principal objetivo da apuração dos índices de rentabilidade é o conhecimento do desempenho final da empresa. Os índices de rentabilidade refletirão a política administrativa financeira adotada pela empresa, demonstrando de forma objetiva o nível de eficiência e o grau econômico-financeiro obtido. Todos os índices de rentabilidade devem ser considerados: “quanto maior, melhor” (BANCO DO BRASIL, 2002). Conforme o Quadro 13, os principais índices de rentabilidade utilizados são: Rentabilidade do Patrimônio Líquido RPL Margem Operacional de Lucro MOL Margem Líquida de Lucro ML Rotação do Ativo RA Rentabilidade dos Investimentos RI Grau de Alavancagem Financeira GAF Quadro 13 – Principais índices de rentabilidade Fonte: Banco do Brasil (2002) - Rentabilidade do Patrimônio Líquido (RPL): segundo Padoveze e Benedicto (2004) em ambientes com inflação controlada a rentabilidade mínima desejada 76 situa-se entre 10% e 12% ao ano. Rendimentos acima de 15% são considerados bons e acima de 18% ótimos. O índice de Rentabilidade do Patrimônio Líquido (RPL) é o mais importante para o investidor de uma empresa. Ele mede a remuneração dos capitais próprios investidos. Além de avaliar o capital próprio ele permite a avaliação comparativa do investimento com outras alternativas de aplicação. O Resultado do Patrimônio Líquido é obtido, Quadro 14 com a seguinte equação Banco do Brasil (2002): RPL – Rentabiliade do Patrimônio Líquido Lucro Líquido ----------------------------- X 100 Patrimônio Líquido Quadro 14 – Resultado do Patrimônio Líquido (RPL) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Margem Operacional de Lucro (MOL): é uma medida de lucratividade das vendas antes das apurações das receitas e despesas não operacionais. Ela representa a capacidade da empresa em gerar lucros com as vendas. Segundo Padoveze e Benedicto (2004) a lucratividade/margem das vendas não devem ser confundida com a rentabilidade da empresa, pois aquela relaciona-se unicamente com o resultado das vendas, enquanto esta com o resultado obtido com o valor do investimento. A MOL pode ser obtida pela equação demonstrada no Quadro 15 Banco do Brasil (2002): MOL – Margem Operacional de Lucro Lucro Operacional Líquido -------------------------------------- X 100 = Receita Operacional Líquida Quadro 15 – Margem Operacional Líquida (MOL) Fonte: Banco do Brasil (2002) 77 - Margem Líquida de Lucro (ML): é uma medida da lucratividade obtida pela empresa. O índice da Margem Líquida de Lucro reflete o ganho líquido da empresa em cada unidade de venda. Ela pode ser obtida pela equação demonstrada no Quadro 16, Banco do Brasil (2002): ML – Margem Líquida de Lucro Lucro Líquido --------------------------------------- X 100 = Receita Operacional Líquida Quadro 16 - Margem Líquida de Lucro (ML) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Rotação do Ativo (RA): este índice indica a performance de giro do ativo durante determinado período. Ele pode demonstrar quantas vezes a empresa conseguiu “vender seu ativo”. Embora não seja um índice essencialmente de rentabilidade, o estudo de rotação do ativo (giro do ativo), constitui-se num aspecto importante para conhecimento da rentabilidade de um investimento. Ele pode ser obtido pela equação demonstrada no Quadro 17, Banco do Brasil (2002): RA – Rotação do Ativo Receita Operacional Líquida RA = -------------------------------------- X 100 Ativo Total Quadro 17 – Rotação do Ativo (RA) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Rentabilidade dos Investimentos (RI): conhecida como Taxa de Retorno dos Investimentos (TRI) ou Poder de Ganho da Empresa (PGE), este índice reflete a obtenção dos resultados da empresa em relação aos seus investimentos totais. Ela pode ser obtida conforme demonstrado no Quadro 18 pela seguinte equação Banco do Brasil (2002): 78 RI – Rentabilidade do Investimento Lucro Operacional Líquido ----------------------------------------- X 100 = Ativo Total Quadro 18 - Rentabilidade do Investimento (RI) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Grau de Alavancagem Financeira (GAF): este índice demonstra a participação de capitais de terceiros na estrutura de capital da empresa. Este endividamento pode ser interessante sempre que o seu custo for menor que o retorno produzido por sua obtenção. Quando verificada esta diferença positiva na relação custo/ benefício, sempre se observa uma promoção mais que proporcional nos resultados líquidos dos proprietários, alavancando a rentabilidade dos negócios. O índice Grau de Alavancagem Financeira (GAF), demonstrado no Quadro 19 pode ser obtido com a seguinte equação, Banco do Brasil (2002): GAF – Grau de Alavancagem Financeira Lucro Líquido + Dividendos Pagos ---------------------------------------------Patrimônio Líquido Médio ---------------------------------------------------------------------------Lucro Líquido + Dividendos Pagos + Despesas Financeiras ------------------------------------------------------------------------Ativo Total Médio Quadro 19 – Grau de Alavancagem Financeira (GAF) Fonte: Banco do Brasil (2002) 2.6.9 Índices de Liquidez Segundo Padoveze e Benedicto (2004) a principal finalidade de análise dos índices de liquidez reside na condição de avaliação da capacidade de pagamento de uma empresa. 79 Os ativos podem ser classificados quanto a sua liquidez, isto é, quanto maior sua condição/capacidade de transformar-se em disponibilidade (dinheiro em espécie) maior será sua liquidez. Segundo Padoveze e Benedicto (2004), esta capacidade de transformação de ativos em disponibilidades na linguagem contábil é chamada de “capacidade de realização” Os principais ativos em ordem de liquidez são: caixa, bancos, seguidos das aplicações financeiras de curto prazo, e depois pelos valores a receber e estoques. Os índices de liquidez podem ser analisados pela definição de que, quanto maior, melhor a situação financeira da empresa. Porém, um alto índice de liquidez não representa, necessariamente, boa saúde financeira. O cumprimento das obrigações nas datas previstas depende de uma boa administração dos prazos de pagamento e recebimento, Banco do Brasil (2002). Por existirem ativos e passivos com diferentes características e prazos de realização dentro de um período, de modo geral, os analistas utilizam normalmente quatro indicadores de liquidez, conforme demonstrado no Quadro 20, para representa-los (BANCO DO BRASIL, 2002): 1) Liquidez Corrente LC 2) Liquidez Seca LS 3) Liquidez Imediata LI 4) Liquidez Geral LG Quadro 20 – Indicadores de Liquidez Fonte: Banco do Brasil (2002) - Liquidez Corrente (LC): é um dos índices, de liquidez mais conhecido e utilizado nas demonstrações e análises econômico-financeiras. Ele representa quanto poderá dispor a empresa de recursos no curto prazo (disponibilidades) para saldar suas dívidas (passivo circulante). Este índice, pode ser obtido, pela equação demonstrada no Quadro 21 (BANCO DO BRASIL, 2002): 80 LC – Liquidez Corrente Ativo Circulante (AC) -----------------------------------------Passivo Circulante (PC) Quadro 21 – Liquidez Corrente (LC) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Liquidez Seca (LS): este índice, apresentado no Quadro 22, revela quanto à empresa dispõe de recursos circulantes (financeiro e cíclico), sem vender os estoques, para cumprimento dos compromissos de curto prazo. Se o índice de liquidez seca for igual a um, significa que a empresa não depende da venda de estoques para saldar compromissos de curto prazo. Este índice pode ser obtido, pela seguinte equação (BANCO DO BRASIL, 2002): LS – Liquidez Seca AC - Estoques -----------------------------------------PC Quadro 22 – Liquidez Seca (LS) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Índice de Liquidez Imediata (LI): este é o índice que mais revela a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo. Ele utiliza unicamente os elementos do ativo circulante financeiro que podem ser disponibilizados imediatamente para pagamentos de curto prazo. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 23 (BANCO DO BRASIL, 2002): LI – Liquidez Imediata Disponibilidades -----------------------------------------Passivo Circulante Quadro 23 – Liquidez Imediata (LI) Fonte: Banco do Brasil (2002) 81 - Índice de Liquidez Geral (ILG): este índice representa a capacidade de pagamento de todo o passivo da empresa. Ele indica o quanto à empresa dispõe de recursos, circulantes e de longo prazo para honrar todos os seus compromissos. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 24 (BANCO DO BRASIL, 2002): LG – Liquidez Geral AC + ARLP -----------------------------------------PC + PELP Quadro 24 – Liquidez Geral (LG) Fonte: Banco do Brasil (2002) 2.6.10 Índices de Estrutura e Endividamento Segundo Padovese e Benedicto (2004) estes indicadores demonstram em percentual os valores dos grupos representativos do balanço patrimonial. Eles revelam a porcentagem dos ativos financiados por capitais próprios e/ou de terceiros. Os índices de estrutura patrimonial avaliam a segurança que a empresa oferece a capitais de terceiros e qual sua política de alocação dos mesmos na composição do Ativo. O Ativo de uma empresa pode ser financiado pelos capitais próprios (PL/capital próprio) e/ou capitais de terceiros (PC/obrigações) (BANCO DO BRASIL, 2002). Os índices de estrutura podem ser interpretados como: quanto maior, pior, pois, quanto maior for a participação de capitais alheios nos negócios, maior será a exposição a riscos de viabilidade. Podem ser utilizadas cinco fórmulas para apuração desses índices, conforme demonstrados no Quadro 25 (BANCO DO BRASIL, 2002): 82 1) Relação entre as Fontes de Recursos RFR 2) Endividamento Geral EG 3) Composição das Exigibilidades CE 4) Imobilização do Patrimônio Líquido IPL 5) Passivo Oneroso s/ Ativo Total POSA Quadro 25 – Indicadores de Estrutura Patrimonial Fonte: Bando do Brasil (2002) - Relação entre as Fontes de Recursos (RFR): também conhecido como Participação de Capitais de Terceiros (PTC), ele estabelece a relação percentual entre recursos de terceiros (PC+PELP+REF) e os recursos próprios (PL) aplicados na empresa, bem como a política de obtenção desses recursos. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 26 (BANCO DO BRASIL, 2002): RFR – Relação entre as Fontes de Recursos PC + PELP + REF --------------------------- X 100 PL Quadro 26 – Relação entre Fontes de Recursos Fonte: Banco do Brasil (2002) - Endividamento Geral (EG): este índice demonstra o grau de endividamento total da empresa, sua política de obtenção de recursos e com que predominância (própria ou de terceiros) ela vem financiando suas atividades. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 27 (BANCO DO BRASIL, 2002) : EG – Endividamento Geral PC + PELP --------------------- x 100 ATIVO Quadro 27 – Endividamento Geral (EG) Fonte: Banco do Brasil (2002) 83 - Composição das Exigibilidades (CE): este índice mede a qualidade do passivo da empresa em termos de prazos. Ele compara o montante das dívidas de curto prazo com o endividamento total. Quanto mais próximo o vencimento dos exigíveis, maior será a exposição da empresa a riscos no curto prazo. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 28 (BANCO DO BRASIL, 2002): CE – Composição das Exigibilidades PC ------------------ X 100 PC + PELP Quadro 28 – Composição das Exigibilidades (CE) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL): este índice revela quanto do Ativo Permanente (AP) da empresa é financiado pelo Patrimônio Líquido (PL), evidenciando a maior ou menor dependência de recursos de terceiros para viabilidade dos negócios. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 29 (BANCO DO BRASIL, 2002): IPL – Imobilização do Patrimônio Líquido AP --------------- X 100 PL Quadro 29 – Imobilização do Patrimônio Líquido Fonte: Banco do Brasil (2002) - Passivo Oneroso sobre Ativo (POSA): este índice revela a porcentagem de participação das fontes onerosas de capital (capital de terceiros) nos investimentos totais da empresa, revelando assim, o grau de dependência com instituições financeiras. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 30 (BANCO DO BRASIL, 2002): 84 POSA – Passivo Oneroso sobre Ativo PCF + PELP ---------------------- X 100 ATIVO Quadro 30 – Passivo Oneroso sobre Ativo Fonte: Banco do Brasil (2002) 2.6.11 Indicadores de Prazos Médios Estes indicadores possibilitam a análise do desempenho operacional da empresa suas necessidades de capital de giro e sua política de administração do fluxo de caixa. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 31 (BANCO DO BRASIL, 2002): Indicadores de Prazos Médios 1) Prazo Médio de Compras PMC 2) Prazo Médio de Estoques PME 3) Prazo Médio de Recebimentos PMR 4) Ciclo Operacional CO 5) Ciclo Financeiro CF Quadro 31 – Indicadores de Prazos Médios Fonte: Banco do Brasil (2002) Também conhecidos como índices de atividades, demonstram a dinâmica de prazos de algumas contas do patrimônio. Eles não devem ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto. A análise dos Prazos Médios constitui importante instrumento para se conhecer a política de compra e venda da empresa e, de como estes recursos estão sendo administrados, (BANCO DO BRASIL, 2002). 85 - Prazo Médio de Com pras (PMC): este índice demonstra o prazo que a empresa vem obtendo de seus fornecedores para pagamento de suas compras. Pode-se dizer que o PMC descreve o número de dias decorrentes entre a compra e seu respectivo pagamento. Quanto maior o PMC, melhor será para a empresa, o que revela o financiamento do giro com recursos não onerosos. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 32 (BANCO DO BRASIL, 2002): PMC – Prazo Médio de Compras Fornecedores ----------------------------- X 360 Montante de Compras Quadro 32 – Prazo Médio de Compras (PMC) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Prazo Médio de Estoques (PME): este índice demonstra a média em dias, em que os estoques são renovados (giro do estoque). Este índice revela o prazo médio que os estoques ficam parados, por isso, quanto menor o PMC, melhor será o seu resultado, pois o ideal é que os estoques se renovem o mais rápido possível. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 33 (BANCO DO BRASIL, 2002): PME - Prazo Médio de Estoques (PME) Estoques --------------------------------- X 100 Custo Produtos Vendidos Quadro 33 – Prazo Médio de Estoques (PME) Fonte: Banco do Brasil (2002) - Prazo Médio de Recebimentos (PMR): este índice demonstra o prazo médio do recebimento das vendas totais, revelando o tempo entre a venda e sua efetiva 86 realização (recebimento). Quanto menor o PMR, melhor será para a empresa, pois, o ideal é que o prazo das vendas seja o menor possível. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 34 (BANCO DO BRASIL, 2002): PMR – Prazo Médio de Recebimentos Clientes ------------------------------- X 360 Receita Operacional Bruta Quadro 34 – Prazo Médio de Recebimentos Fonte: Banco do Brasil (2002) - Ciclo Operacional (CO): este índice indica o tempo decorrido entre o momento em que a empresa compra insumos/mercadorias até o momento em que recebe efetivamente (concretiza) o pagamento das vendas. Este índice é obtido pela equação demonstrada no Quadro 35 (BANCO DO BRASIL, 2002): CICLO OPERACIONAL Compra PME (63) 0 30 60 Venda + 90 PMR (113) dias) 120 150 Recebe = CO (176 170 180 dias Quadro 35 – Ciclo Operacional Fonte: Banco do Brasil (2002) O Ciclo Operacional, demonstrado no Quadro 36, pode ser obtido com a seguinte fórmula (BANCO DO BRASIL, 2002): CO – Fórmula do Ciclo Operacional PME + PMR = CO Quadro 36 – Fórmula do Ciclo Operacional (CO) Fonte: Banco do Brasil (2002) 87 - Ciclo Financeiro (CF): este índice revela o prazo decorrido entre o momento de pagamento das compras aos fornecedores até o recebimentos das vendas pelos clientes. Conforme demonstrado no Quadro 37, o CF corresponde ao período em que a empresa poderá (ou não) necessitar de recursos financeiros complementares para manutenção de seu ciclo operacional. O CF corresponde a diferença entre o Ciclo Operacional (PME +PMR) e o Prazo Médio de Compras (PMC). Comumente o CF é financiado por capital próprio ou capital de terceiros (recursos onerosos) (BANCO DO BRASIL, 2002) -----------------Ciclo Operacional--------176 dias Compra Venda (+) PME = 63 d Recebe (+) PMR = 113 (-) PMC = 68 d 176 d CICLO FINANCEIRO = 108 Pagamento Quadro 37 – Ciclo Financeiro Fonte: Banco do Brasil (2002) O Ciclo Financeiro, demonstrado no Quadro 38, pode ser obtido com a seguinte equação (BANCO DO BRASIL, 2002): CF – Fórmula do Ciclo Financeiro CF = PME + PMR – PMC ou CO - PMC Quadro 38 – Fórmula do Ciclo Financeiro CF Fonte: Banco do Brasil (2002) 88 2.6.12 Capital de Giro (CDG) O Capital de Giro corresponde aos valores contabilizados (aplicados) no Ativo Circulante de uma empresa. Ele permite a viabilidade de todo o ciclo operacional e financeiro (compra, estoque, venda e recebimento) da organização (BANCO DO BRASIL, 2002). Segundo Longenecker, Moore e Petty (1997), a administração do capital de giro da empresa é feito pelo gerenciamento dos ativos de curto prazo e também das fontes de financiamento a curto prazo da empresa. Conforme demonstrado no Quadro 39 o Capital de Giro (CDG) pode ser obtido pelas seguintes equações (BANCO DO BRASIL, 2002): CDG – Capital de Giro CDG = Ativo Circulante – Passivo Circulante ou CDG = (PL + REF + PELP) – (AP + ARLP) Quadro 39 – Capital de Giro (CDG) Fonte: Banco do Brasil (2002) 2.6.12.1 Necessidade de Capital de Giro A Necessidade de Capital de Giro (NCG) pode ser verificada, Quadro 40, quando percebidas diferenças entre as aplicações cíclicas e as fontes cíclicas, ou seja, diferença entre as contas ligadas diretamente à área operacional da empresa (Ativo Circulante Cíclico e Passivo Circulante Cíclico), (BANCO DO BRASIL, 2002). NCG - Necessidade de Capital de Giro ACC NCG = Contas a receber Estoques Outros operacionais PCC - Fornecedores Salários a Pagar Outros operacionais Quadro 40– Necessidade de capital de giro (NCG) Fonte: Banco do Brasil (2002) 89 Duas situações podem ser observadas no Quadro 41, na análise do NCG (BANCO DO BRASIL, 2002): - NCG Positiva: ocorre a necessidade de capital de giro, o qual, deverá ser obtido junto a seus proprietários ou com terceiros (onerosos); e - NCG Negativa: neste caso a empresa dispõe de sobra de recursos para o giro, que poderá ser destinada à aplicação no mercado financeiro. NCG - Necessidade de Capital de Giro _ PCC = ACC NCG POSITIVA ---------------------------------------------------------------- ACC - ACC = NCG NEGATIVA Quadro 41 – Situações do capital de giro Fonte: Banco do Brasil (2002) Entretanto a NCG pode-se apresentar de duas maneiras: Permanente ou Sazonal - NCG Permanente: próprio de empresas cujo nível de atividade (produção e vendas) é distribuído de forma homogenia durante o exercício; e - NCG Sazonal: característico de empresas com forte concentração de atividades em determinadas épocas do ano. Ex. fabrica de produtos natalinos. A NCG quando verificada de forma negativa, isto é, com necessidade de complementação, poderá ser suprida por recursos próprios (recurso dos sócios) ou de terceiros (recursos onerosos). Esses recursos terão fontes: Operacional, constituída pela geração de Lucro Líquido do Exercício, verificado quando do recebimento das vendas com lucros, os quais vão sendo incorporados ao caixa da empresa e Fonte Onerosa, geralmente oriundas de instituições 90 financeiras, bancos principalmente e, são caracterizadas por demandarem custos financeiros quando utilizados. 2.6.12.2 Importância do conhecimento da NCG Várias tendências, conforme demonstradas na Figura 8, podem ser verificadas quando analisada a NCG (BANCO DO BRASIL, 2002). Ambiente Externo Reflexos Internos (+) Adiantamento Dificuldades de obtenção de Insumos/mercadorias a fornecedores Concessão de maiores prazos (novos produtos) (+) Duplicatas a Receber Especulação, redução da demanda (+) Estoques (-) Fornecedores Redução de prazos Escassez de Matéria-prima (oligopólios) (-) Despesas Provisionadas Redução nos prazos dos Impostos (-) Adiantamento de clientes Novos concorrentes NCG / VENDAS (+) Financiamentos Onerosos (+) Despesas Financeiras Figura 8 – Sinais de alerta do Capital de Giro Fonte: Banco do Brasil (2002) (-) Lucro Líquido 91 O crescimento contínuo da NCG pode representar tanto indicador de anomalia de gestão financeira, quanto sinal de crescimento empresarial por força da expansão dos negócios. No entanto a NCG deverá ser evitada quando se apresentar em proporção superior ao volume das vendas (BANCO DO BRASIL, 2002). 2.6.13 Efeito Tesoura O efeito tesoura é um indicador que revela tendência crescente de saldo negativo da tesouraria, variando em níveis superiores ao crescimento da NCG (necessidade de capital de giro). O efeito tesoura revela descontrole na utilização de fontes onerosas de recursos no curto prazo (BANCO DO BRASIL, 2002) O Saldo de Tesouraria (ST), apresentado no Quadro 42, pode ser encontrado pela diferença entre as contas do Ativo Circulante Financeiro (ACF) e do Passivo Circulante Financeiro (PCF), isto é, pela diferença entre as contas do circulante que não guardam relação com a atividade operacional da empresa (contas cíclicas/operacionais). ST – SALDO DE TESOURARIA ACF - PCF ST (-) ACC PCC ST = ACF – PCF ou Quadro 42 – Saldo de Tesouraria Fonte: Banco do Brasil (2002) ST = CDG - NCG 92 O ST positivo revelará condições para que a empresa possa fazer aplicações no mercado financeiro e re-investimentos em oportunidades negocias, entre outros, mas se estiver negativo demonstrará dependência de fontes onerosas de recursos no curto prazo. O ST negativo, no entanto não é preocupante, porém se a sua apresentação for tendenciosa (ST negativo ano após ano), a situação se torna grave. Quando o ST se apresenta negativo, períodos seguidos, representa um forte indício que a empresa caminha para a insolvência. Essa tendência é considerada como efeito tesoura (BANCO DO BRASIL, 2002). Alguns fatores podem ser observados quando se verifica o efeito tesoura em uma empresa: - A empresa não vem tendo lucro, ou o mesmo está sendo distribuído (não reinvestido); - O ST negativo aumentando em níveis maiores que a NCG, confirmando o efeito tesoura, significa que se os credores de curto prazo não renovarem os empréstimos à empresa imediatamente se inviabiliza e - Se os credores de curto prazo renovarem os empréstimos, o risco de insolvência ainda é muito grande devido aos encargos financeiros que também tendem a ficar cada vez maiores. No Quadro 43 pode-se verificar as principais causas do efeito tesoura (BANCO DO BRASIL, 2002): Crescimento real das vendas a prazo, (PMV) muito maior que os prazos obtidos com os fornecedores (PMR); Imobilizações com recursos onerosos de curto prazo; Prejuízos; Distribuição excessiva de lucros; Dependência sistemática de empréstimos de curto prazo, com elevadas taxas de juros; Ciclo financeiro crescente. Quadro 43 – Causas do efeito tesoura Fonte: Banco do Brasil (2002) 93 A solução para a retomada do equilíbrio para uma empresa que vem apresentando o efeito tesoura se resume na capitalização da empresa com aportes de recursos dos sócios ou novos sócios, conjugada com uma revisão de prazos e margens de lucro (BANCO DO BRASIL, 2002). 2.6.14 Análise Vertical e Horizontal Segundo Padoveze e Benedicto (2004) as análises Vertical e Horizontal, possibilitam uma melhor visibilidade da situação econômico-financeira da empresa, identificando e demonstrando os pontos negativos e positivos por meio dos registros contábeis. 2.6.14.1 Análise Vertical A Análise Vertical demonstrará a participação percentual dos elementos patrimoniais (representado pelas contas contábeis), em relação a um determinado/específico elemento patrimonial, o qual se julgue mais importante ou necessário, para se estabelecer parâmetros comparativos. Segundo Padoveze e Benedicto (2004), convencionou-se que para a análise vertical de Balanço Patrimonial o elemento mais importante é o total do ativo e/ou do passivo (analisados individualmente) e para as Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) adotou-se a utilização do total das receitas líquidas de vendas, denominada legalmente como receita operacional líquida. A Análise Vertical é muito importante e deve ser sempre utilizada, principalmente aplicada a DRE, pois, possibilita a identificação em percentuais da composição das receitas e 94 despesas, evidenciando aquelas com maior influência na formação do lucro ou prejuízo (BANCO DO BRASIL, 2002). No Quadro 44 e 45 pode-se ver como se demonstra a análise vertical do Balanço Patrimonial e da DRE, respectivamente: Análise Vertical do Balanço Patrimonial Ativo Circulante Estoques R$ AV 27.000 45% Ativo Permanente Passivo Circulante Fornecedores R$ AV 21.000 35% 39.000 65% 60.000 100% Patrimônio Líquido Imobilizado 33.000 55% Capital Social Total Geral 60.000 100% Total Geral Quadro 44 - Análise Vertical do Balanço Patrimonial Fonte: Padoveze e Benedito (2004) No Balanço Patrimonial pode-se ver que o ativo total (100%) é composto por: estoques (45%) e imobilizados (55%), enquanto que o passivo total (100%) é composto por: fornecedores (35%) e capital social (65%). Análise Vertical da DRE Análise Vertical R$ AV Vendas 80.000 100% (-) Custo de Vendas (46.400) (58%) (-) Despesas (24.000) (30%) Lucro 9.600 12% Quadro 45 - Análise Vertical da DRE Fonte: Padoveze e Benedito (2004) 95 A análise vertical da DRE demonstra a seguinte composição: o custo das vendas representa 58% , as despesas representam 30% do faturamento líquido, enquanto que a lucratividade representada pela margem de lucro é de 12%. Apesar de permitir análises comparativas com dados/registros históricos da própria empresa, inclusive com possibilidades de identificação e reavaliação das mudanças significativas da estrutura patrimonial, a análise vertical quando comparada com dados de outras empresas, mesmo que de idêntico ramo de negócios, deve ser realizada com prudência, pois, desde o processo decisório até a execução, muitas são as implicações que os diversos modos operacionais, refletirão na produção e no resultado. Ex. terceirizações (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). 2.6.14.2 Análise Horizontal A Análise Horizontal (AH), resume-se na análise das variações dos componentes patrimoniais entre dois ou mais períodos. Ela permite a identificação de tendências reveladas pela comparação dos índices/valores dos demonstrativos contábeis (BANCO DO BRASIL, 2002). Pode-se utilizar várias formas de demonstração da AH, sendo a mais comum, aquela que permite a comparação, em termos percentuais, de um ano em relação ao outro (Quadro 46) (BANCO DO BRASIL, 2002). Análise Horizontal Valor Período Atual [(---------------------------------------------- ) - 1] Valor do Período Anterior Quadro 46 – Fórmula da Análise Horizontal Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) x 100 96 Conforme exemplificado no Quadro 47, percebe-se uma redução de 9,1% no valor do imobilizado no ano XY (provavelmente motivado por depreciações), quando comparado como ano XX. A demonstração da AH permite a realização de diversas análises comparativas (PADOVEZE E BENEDICTO, 2004): ATIVO Ativo Circulante Estoques 31.12.XX 31.12.XY R$ R$ AH AH 27.000 100% 31.050 15% Imobilizado 33.000 100% 30.000 - 9,1% Total Geral 60.000 100% 61.050 1,8% 31.12.XX 31.12.XY R$ R$ Ativo Permanente PASSIVO Passivo AH AH Circulante Fornecedores 21.000 100% 22.050 5,0% Capital Social 39.000 100% 39.000 0,0% Total Geral 60.000 100% 61.050 1,8% Patrimônio Líquido Quadro 47 – Análise Horizontal Fonte: Padoveze e Benedito (2004) Essas comparações podem se referir tanto à relação dos valores de cada conta, quanto a vários grupos de contas, assim, como da variação dos índices por quantos períodos se deseje 97 estudar. O estudo dos índices dispensa o analista, da preocupação quanto à correção da inflação, uma vez que os índices são resultados de comparações de grandezas de um mesmo período (BANCO DO BRASIL, 2002). 2.6.15 Índices-Padrão São dados referenciais, obtidos por meio de métodos estatísticos, extraídos de um universo previamente definido, o qual, a partir disso é utilizado para situações particulares e/ou específicas (BANCO DO BRASIL, 2002). Assim as comparações dos índices padrões servem tanto para verificar o posicionamento da empresa junto ao mercado e à concorrência, quanto para verificação do desempenho da empresa em relação a seu próprio planejamento (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004). 2.6.16 Geração de Lucros e Criação de Valor Segundo Neves e Viceconti (2001), a geração de lucro decorre da superação do custo ou das despesas pelas receitas. Dentro da visão econômico-financeira, não há criação de valor se o lucro gerado for insuficiente para cobrir o custo de oportunidade, que segundo Padoveze e Benedicto (2004) resume como o “lucro mínimo que a empresa deveria ter para remunerar adequadamente o investimento do acionista”. Segundo Padoveze e Benedicto (2004) em linhas gerais o conceito de criação de valor, associado ao conceito de geração de lucros, podem também ser traduzidos como dois conceitos de lucro: 98 - Lucro nominal (geração de lucro): refere-se ao lucro apresentado na DRE; - Lucro real (criação de valor): é o lucro nominal, confrontado com o custo e mínimo de capital. Padoveze e Benedicto (2004) resumem: .....só se considera que houve valor criado se o lucro operacional, gerado pelo ativo, for superior ao custo mínimo de capital desejado pelos proprietários, acionistas e financiadores externos à empresa......a geração do lucro operacional decorre da gestão e apropriação do valor agregado pelos produtos e serviços que a empresa vende a seus clientes (PADOVEZE e BENEDICTO, 2004, p.217). Para obtenção do lucro real, é muito usual a utilização da metodologia Economic Value Added (EVA), considerada o melhor modelo de avaliação e criação (ou não) de valor para as empresas. Sua fórmula, apresentada no Quadro 48, permite, dependendo do critério do investidor e/ou analista, a escolha de um índice (custo de oportunidade), que dentro do contexto do negócio explorado, poderá melhor refletir o resultado pela opção de recursos investidos na empresa (PADOVEZE e BENEDICTO 2004). EVA EVA = NOPAT – C% (TC) Quadro 48 – Fórmula do EVA Fonte: Padoveze e Benedicto (2004) Legenda: NOPAT = Lucro Operacional após impostos C% = Custo percentual do capital TC = Capital total Vários são os indicadores custos de oportunidades e/ou de capital que podem ser utilizados para obtenção do EVA, alguns deles são: - Taxa de juros de títulos do governo norte-americano; - Libor ou Prime Rate; 99 - TJLP – taxa de juros de longo prazo; - Custo de capital exigido pelos acionistas; - Custo médio ponderado de capital da empresa; e Segundo Assaf Neto apud Salazar e Benedicto (2004) o EVA permite que a empresa identifique se está agregando ou “destruindo valores” em suas atividades. E, para se calcular o valor econômico agregado e necessário o conhecimento do custo de capital da empresa. Conforme exposto no Quadro 49, Padoveze e Benedicto (2004) demonstram o princípio da análise do EVA, no exemplo em que os proprietários de uma empresa realizam investimentos no valor de R$ 10.000 (dez mil reais) detendo uma expectativa de 10% (custo de oportunidade criado pelos sócios da empresa). Balanço Patrimonial ATIVO Caixa/Bancos Outros ativos Total PASSIVO Capital Social Lucros Acumulados Total Inicial Final 0,00 10.000 10.000 1.500 10.000 11.500 10.000 0,00 10.000 10.000 1.500 11.500 Quadro 49 – Balanço Patrimonial (análise do EVA) Fonte: Padoveze e Benedito (2004) Os dados do balanço patrimonial demonstram no final do período um lucro líquido de R$ 1.500, ou seja 15% de lucro nominal, o qual ao final, cria (criação de valor) um índice de 5% de lucro real (comparação do lucro nominal de 15% com o custo de oportunidade de10%, inicialmente pretendidos pelos investidores). Este lucro seria representado monetariamente pelo valor de R$ 500 (quinhentos reais). Conforme demonstrado no Quadro 50 pode-se visualizar uma situação em que a empresa ao invés de criar valor, incorre, pelo direcionamento dos investimentos, na “destruição de valor” (BENEDICTO E PADOVEZE, 2004): 100 Análise de Criação de Valor Custo de Capital (% ) 10% 18% Lucro Nominal........................... 1.500 1.500 (-) Custo de Capital.................... 1.000 1.800 (=) Lucro Real........................... 500 300 Criação de Valor Destruição de Valor Quadro 50 – Análise de Criação de Valor Fonte: Padoveze e Benedito (2004) Uma vez que as opções de investimentos de mercado apresentam uma possibilidade mínima de ganho de 18%, a empresa, deixaria de criar valor e passaria a destruir valor para os empresários. 2.6.17 Relatórios de Avaliação Final Segundo Padoveze e Benedicto (2004) a análise econômico-financeira deve ser realizada considerando-se os mais variados e possíveis aspectos e fatores conhecidos para sua elaboração e avaliação. O analista ou usuário das análises contábeis, poderá verificar entre outras coisas as seguintes situações: - Os índices de liquidez estão bons? - O endividamento é aceitável? - O giro do ativo está melhorando? - Os prazos médios de recebimento e pagamento são normais? - Os prazos médios de estocagem são aceitáveis para o setor? - Há excesso de estoques de forma crônica? 101 - O lucro gerado apresenta grau de segurança para pagamento do serviço da dívida (juros dos financiamentos)? - A rentabilidade do capital próprio está dentro da média do custo de oportunidade do mercado? - Os dividendos distribuídos satisfarão os acionistas e criarão lucro para a empresa? - A análise geral indica empresa em crescimento e potencial de geração de lucros? A avaliação final, segundo Padoveze e Benedicto (2004), consistirá na emissão de um relatório que deverá ser objetivo ao máximo e necessariamente conter informações e opiniões sobre a situação da empresa e possíveis tendências futuras de ação. Os relatórios devem assegurar a validade dos números e garantir entre outras coisas: - Provisões retificadoras para estoques obsoletos e/ou com preço de custo maior que o mercado; - Provisões para perdas prováveis como: depósitos em juízo, investimentos, entre outros; - Provisão adequada para perdas com créditos de liquidação duvidosa; - Declaração de todos os passivos, inclusive avais para terceiros; e - Verificação de que os resultados não contêm dados em duplicidade. Todas essas medidas são muito importantes e têm por finalidade evidenciar um grau de confiança maior, tanto ao analista quanto aos diversos usuários dos relatórios das análises das demonstrações contábeis (PADOVEZE E BENEDICTO, 2004). 2.7 Crédito Comumente a pequena empresa estará realizando operações de crédito, ora tomando ora cedendo crédito, por isso, uma breve abordagem sobre o tema se faz muito oportuna. 102 “O principal problema das Micro e Pequenas Empresas (MPE) em relação a crédito, não reside somente na sua falta, da qual também é carente, mas sim, na sua incapacidade de gestão” (FLORIANI apud IE/UFRJ 2002). 2.7.1 Histórico do crédito Segundo Franco Jr. e Chacon, (1986) buscando-se dados históricos sobre as operações comerciais e operações financeiras, encontraram-se registros que relatam a utilização de moeda na Mesopotâmia (atual área correspondente ao Iraque) desde o quarto milênio a.C., ainda que, no sentido de que um bem (algo que se possuía) servisse como medida comum de valor e instrumento de troca (escambo). No início o principal elemento de referência era a cevada, passando com o tempo para os metais, sobretudo a prata. Têm-se registros de que os bancos eram instituições antigas naquela região, constando o surgimento do primeiro deles na cidade-Estado de Uruk, entre 3400 e 3200 a.C. Estes, recebiam doações e oferendas que, junto com seus próprios recursos, eram emprestados a juros para agricultores, comerciantes e escravos que queriam comprar sua liberdade. As operações eram in-natura (FRANCO JR e CHACON, 1986). No processo evolutivo, isto é, mil anos mais tarde havia bancos em toda Mesopotâmia recebendo depósitos e emprestando-os com padrões de juros (33% para cereais, 20% para metais) garantidos por bens que podiam ser imóveis, escravos ou animais. Nos períodos subseqüentes surgiram grandes bancos realizando inúmeras atividades mantidas até a atualidade. Ex: recebimento de depósitos, realização de empréstimos, débitos em conta corrente para pagamento de juros e transferência de fundos para outras praças (DAUPHIN-MEUNIER apud FRANCO e CHACON, 1986). 103 2.7.2 Conceito de Crédito Crédito, segundo Ferreira (2000), significa confiança. Numa concepção mais ampla, crédito no sentido econômico, significa que num futuro e de acordo com condições pré-estabelecidas de ressarcimento, se cumprirá o retorno de recursos cedidos, quase sempre, acrescidos de juros (UNIBB, 2004). A ciência econômica reconhece a existência da escassez de recursos e em decorrência disso, admite a impossibilidade de que todos os desejos da humanidade sejam satisfeitos. Isto faz com que os indivíduos ou seus representantes nem sempre, efetivem todos seus desejos e escolhas (UNIBB, 2004). Para as pequenas empresas as decisões quanto ao crédito e preço são vitais, elas refletem diretamente no fluxo de caixa da empresa e consequentemente nos seus resultados. Os clientes por sua vez costumam reagir negativamente às mudanças das políticas de crédito (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). A escassez de recursos financeiros, entretanto, nem sempre é absoluta, pois a capacidade de geração de receitas pode oscilar no tempo. Assim é possível que haja descasamento entre nossas necessidades e nossa capacidade financeira de satisfazê-las. Nesse contexto atuam os bancos e as instituições financeiras, cujo papel é exatamente o da intermediação financeira, ou seja, exercer a ligação entre as sobras de recursos de alguns com necessidades de outros, propiciando o casamento de valores e prazos (UNIBB, 2004) Sabe-se que os bancos são agentes de intermediação financeira, porém existem mais elementos envolvidos com o assunto: - Tomadores de recursos: são as pessoas que buscam nas instituições financeiras de intermediação os recursos de que necessitam, e, com os quais se comprometem 104 a devolvê-los nas datas e com os valores acordados. Podem ser chamados também de mutuários (de mútuo) devedores ou clientes; - Intermediadores de recursos: são as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Estas instituições captam recursos oriundos, no caso dos bancos, de clientes aplicadores, por intermédio de poupança, recibo de depósitos bancários (RDB), planos de capitalização, entre outros, e os aplicam em operações como financiamento, empréstimos ou desconto de títulos. - Aplicadores de recursos: são os poupadores, depositantes e aplicadores de recursos excedentes que estão dispostos a assumir os riscos de crédito com uma instituição financeira. Nesse caso além do dinheiro depositam também a confiança na instituição, pois acreditam que a mesma devolverá seus recursos quando deles precisarem; - Fundos e programas específicos: além dos depositantes, poupadores e aplicadores, existem recursos financeiros captados de fundos e programas geridos pelo governo e entidades não governamentais, como Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Centro Oeste (FCO), Programa Especial de Crédito à Reforma Agrária (PROCERA), Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER), entre outros; e - Garantidores: são elementos acessórios a intermediação que, a título gratuito ou remunerado, se tornarão obrigados a garantir que os compromissos sejam honrados, caso os tomadores não consigam cumpri-los conforme acordado. Trazem para si a obrigação da dívida. 105 2.7.3 Os C’s do crédito Para Longenecker, Moore e Petty (1997), as compras e as vendas a prazo devem satisfazer reciprocamente a vendedores e compradores. O crédito para as pequenas empresas tem o objetivo de expandir as vendas, atrair novos clientes, aumentando o volume e a regularidade das compras feitas pelos clientes. E, os registros de crédito ainda podem ser usados para promoções de vendas, entre outras finalidades. Principalmente as pequenas empresas segundo Longenecker, Moore e Petty (1997), são beneficiadas pela criteriosa extensão do crédito dado pelos fornecedores. Esse crédito possibilita às pequenas empresas seu suprimento de capital de giro, financiando a parte das compras que não pode ser suprida pelo capital de giro próprio da empresa. Como crédito se baseia em confiança, uma das maneiras de conseguir confiança é conhecer a pessoa com quem se está negociando, para isso, seria importante o convívio constante e duradouro. Entretanto, isso demandaria muito tempo e poderia inviabilizar muitos negócios, quando na realidade precisaria ser ágil em mercados altamente competitivos (UNIBB, 2004). Para isso, foram desenvolvidas técnicas que antecipam o pré-conhecimento do cliente, para o qual é dado o nome de Análise de Crédito. Esse conjunto de técnicas torna o processo decisório menos empírico e mais técnico, ainda que, o elemento humano continue desempenhando importante papel na cessão de crédito (UNIBB, 2004). Estas técnicas se apóiam nos chamados “C’s do crédito”. Por eles pode-se observar o cliente sob vários pontos de vista, cada um é capaz de avaliar determinados aspectos, de modo que a soma deles permita segura avaliação que leve à decisão sobre a concessão do crédito. São eles (UNIBB, 2004): 106 - Caráter: é o mais importante critério a ser analisado no tocante ao crédito. Relaciona-se este item com a honestidade, idoneidade e a “vontade do cliente” em honrar seus compromissos. Enquanto os demais C’s se referem ao “poder pagar”, o caráter refere-se ao “querer pagar”. Entidades de proteção ao crédito como Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), SERASA, cartórios de protestos, entre outros, são fontes de informações disponíveis sobre histórico/situação das pessoas (físicas e jurídicas) no tocante ao cumprimento de suas obrigações financeiras; - Capacidade: está baseada na competência do cliente em gerar recursos financeiros que o possibilitem de cumprir com seus compromissos. Informações sobre o devedor neste caso também são imprescindíveis. Uma pessoa poderá tornar-se mau pagador, não por falta de caráter, mas por falta de capacidade administrativa/financeira; - Condições: referem-se às influências circunstanciais que, derivadas de diversas variáveis, afetam a capacidade de pagamento do devedor. Ex: Variáveis macroeconômicas: alteração das taxas cambiais, carga tributária, aumento do nível de desemprego, entre outros; Variáveis políticas: segurança pública, privatizações, entre outras; Variáveis psicossociais: moda, nível de alfabetização, hábitos culturais, entre outros; e Variáveis microeconômicas: refere-se ao ambiente operacional do cliente e aspectos com os quais interage diretamente, influenciando e sendo influenciado. Ex: mercados (consumidor e fornecedor), concorrência e sazonalidade, entre outras. - Capital: refere-se à situação econômica e financeira do cliente, ou seja, a disponibilidade de recursos ou a existência de bens para honrar os compromissos. Para análise da situação econômica de pessoas físicas são comparados os bens, confrontando-os com suas dívidas. Para análise da situação financeira, comparam- 107 se suas receitas (salários, honorários, entre outros), com suas despesas (custeio do orçamento pessoal/familiar). A análise de pessoa jurídica se baseará nos demonstrativos contábeis, os quais oferecem informações valiosas sobre o desempenho e solidez da empresa; - Conglomerado: conceito que representa o conjunto de empresas que de alguma forma mantém relacionamentos entre si, seja por participação de capital ou por possuírem dirigentes em comum. Apesar de orientado para análise de pessoas jurídicas, o conceito deve estender-se às pessoas físicas que desempenhem mais de uma atividade; e - Colateral: refere-se à capacidade do cliente em oferecer garantias adicionais. Este item é analisado como uma forma de compensação que o cliente poderá oferecer para contra-balancear alguma deficiência apresentada na análise dos C’s anteriores (exceto do caráter, que não permite atenuantes). Não deve ser considerado como fator determinante na liberação do crédito, mas sim como item acessório (reforço). 2.7.4 O Crédito nas Micro e Pequenas Empresas (MPE) Para Longenecker, Moore e Petty (1997), pode-se dividir o crédito em duas classes distintas: - Crédito ao consumidor: quando concedido pelos varejistas aos consumidores finais, que o utilizam para compras de uso pessoal ou familiar; e - Crédito comercial: quando cedido por empresas não financeiras (industrias e atacadistas) a outras empresas clientes (lojas comerciais, empresas prestadoras de serviços). 108 No entanto, são percebidas diferenças marcantes entre o crédito ao consumidor e o crédito comercial. Condições de venda (a prazo ou a vista); tipos de instrumentos de crédito (contratos, duplicatas, entre outros) e a oferta de garantia de crédito, verificado usualmente no crédito comercial. O crédito ao consumidor apresenta três tipos de contas de crédito: - Conta de cobrança em aberto: o cliente obtém um produto no ato da compra, com pagamento futuro (carnês e/ou duplicatas), a ser feito quando faturado. Ex: contas em lojas de departamentos, sapatarias, entre outros; - Conta a prazo: é a modalidade que exige um pagamento de entrada com o saldo a ser pago em um período de tempo especificado. É comum ser utilizado em compras de produtos com valores expressivos, como: automóveis, eletrodomésticos, entre outros; - Conta de crédito rotativo: refere-se a uma linha de crédito, a qual o cliente pode utilizar fazendo compras até um limite pré-estabelecido sem necessidade de solicitações prévias (cartões de conveniência, entre outros). As condições de venda a crédito, verificado no crédito comercial, variam muito, dependendo do tipo de empresa. As condições de prazo, valor e taxa de juros, estarão diretamente relacionadas quanto à rotatividade dos negócios. Quanto maior o volume do pedido de compras, melhores serão as condições oferecidas pelos fornecedores (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). As vendas a crédito tornaram-se uma prática comercial padrão. É notória a superação do volume de vendas por empresas que vendem a prazo em relação com as empresas que só vendem a vista. Porém, cada empresa precisa considerar suas próprias condições para cessão do crédito. Resume Longenecker, Moore e Petty (1997): 109 Infelizmente a maioria das pequenas empresas presta pouca atenção a seu sistema de gerenciamento de crédito, até que os débitos incobráveis se tornem um problema. Freqüentemente é tarde demais. O gerenciamento de crédito deve começar antes da primeira venda a crédito, com um minucioso exame e, continuar durante todo o ciclo de crédito (LONGENECKER, MOORE e PETTY 1997, p.349). 2.7.5 Risco do Crédito Conceituando-se crédito torna-se necessário conceituar também o termo risco, pois, o mesmo é inerente à atividade creditícia. O risco é algo que está presente em todos momentos da vida, quaisquer que sejam as atividades. Na forma literal, risco significa perigo ou possibilidade de perigo (FERREIRA, 2000). Pertinente a crédito o risco é que define a probabilidade de não se cumprir acordos contratados na cessão do crédito (UNIBB, 2004). Define Gitman (2004), ”fundamentalmente risco é a possibilidade de perda financeira.....quanto mais certo for o retorno de um ativo, menos variabilidade de risco ele oferecerá” (GITMAN, 2004, p.184). O risco não pode ser eliminado da atividade de crédito, por isso deve-se tentar diminuí-lo, reduzindo-se o nível de incerteza nele encontrado. É também por meio de medidas probabilísticas que se tenta quantificá-lo, de modo a determinar seu espectro de influência na formação de preço dos produtos de crédito (UNIBB, 2004). Entre risco e incerteza existem diferenças. A incerteza ocorre quando se decide unicamente embasados na sensibilidade, ou seja, quando se toma decisões subjetivas, sem amparo de qualquer metodologia que indique mensurações que possa oferecer condições objetivas para uma decisão. Já o risco pode ser calculado com base em informações e dados históricos, fundamentados embasando a tomada de decisão a partir de estimativas aceitáveis (UNIBB, 2004). 110 Sabe-se que o crédito, entre outros aspectos, tem seu preço dependente do respectivo risco. Ou seja, quanto maior o risco de crédito, maior deverá ser a taxa de juros associada à operação. Nesse contexto, devemos sempre procurar o ponto de equilíbrio entre a probabilidade de recebimento e a rentabilidade adequada. De nada valerá uma boa negociação com taxas de juros elevadas, se os recursos não retornarem nas datas e condições pactuadas. Concluindo, tão importante quanto à rentabilidade da operação, é a segurança que norteia as operações de crédito. Uma análise de crédito deve oferecer tranqüilidade a seus credores quanto à expectativa de retorno dos recursos cedidos (UNIBB, 2004). Os riscos podem ser classificados sobre diversos pontos de vista. Eles podem ser avaliados quanto ao porte do cliente, valor da operação que se está realizando, grau de concentração, entre outras. Pode-se elencar 11 tipos de risco de crédito (UNIBB, 2004): - Risco de crédito: está relacionado à probabilidade do não cumprimento da promessa de pagamento feita pelo tomador no ato da contratação, e, pode estar relacionado com o cliente, negócio, grau de concentração e a administração do crédito. Todas essas variáveis, entre outras, representam espécies de riscos que compõem o risco de crédito; - Risco do cliente: inerente ao tomador de recursos, decorre de suas características, que constituem as variáveis relacionadas ao risco do cliente e são analisadas nos chamados C’s do crédito (caráter, capacidade, condições, capital, conglomerado e colateral); - Risco da operação: todo negócio carrega em si características de risco inerentes à sua finalidade e à sua natureza, como tipo de produto financiado, valor envolvido, prazo e forma de pagamento, garantias oferecidas e encargos cobrados; 111 - Risco da concentração do crédito: é a possibilidade de perda em decorrência da não diversificação do crédito. Ocorre quando concentram-se operações em um número reduzido de clientes, em determinado setor de atividade, em um segmento de mercado, ou ainda, em uma região demográfica; - Risco de administração do crédito: é o tipo de risco ligado à condução das operações, as formas adotadas para acompanhamento aos profissionais envolvidos na fiscalização. Muitos problemas e insolvências de créditos decorrem de acompanhamentos insuficientes ou insatisfatórios na sua administração; - Risco de mercado: é o risco de mudanças bruscas no mercado. Ex: comportamento de taxas de juros e de câmbio, preços de ações, incompatibilidade entre taxas, prazos moedas e índices, entre outros fatores; - Risco legal: é o risco provocado pela inobservância dos dispositivos legais ou regulamentares, por mudanças da legislação ou alterações na jurisprudência aplicáveis às transações da organização. Tal fato pode provocar pedidos de indenização por danos a terceiros ou ter suas atividades encerradas por determinação de autoridades competentes; - Risco de imagem: é a possibilidade de a organização ter seu nome desgastado em razão de publicidade negativa, verdadeira ou não; - Risco de liquidez: é a possibilidade de ocorrer falta de recursos para cumprimento de uma ou mais obrigações, em função do descasamento entre entradas e saídas de caixa; - Risco de conjuntura: é a possibilidade de ocorrerem mudanças nas condições políticas, culturais, sociais, econômicas ou financeiras, no país ou no exterior; e 112 - Risco operacional: empresas operando com sistemas obsoletos, inadequados, processos internos de administração ultrapassados, fraudes, controles internos defeituosos. 2.8 Marketing para às Micro e Pequenas Empresas (MPE) Por se tratar de um importante assunto para todo tipo de empresa, uma breve abordagem sobre o tema torna-se oportuna. Define Longenecker, Moore e Petty, (1997): Marketing de pequenas empresas consiste daquelas atividades que se relacionam diretamente à identificação dos mercados alvo; à determinação do potencial do mercado-alvo e, à preparação, a comunicação e a satisfação plena desses mercados (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997, p.190). Um conceito antigo marketing caracteriza-o como uma atividade de distribuição ou de vendas simplesmente. No entanto, inúmeras atividades de marketing iniciam-se mesmo, muito antes da produção de um produto ocorrer e, estar pronto para ser vendido (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). Para Churchill e Peter (2003), “marketing é o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preços, promoção e distribuição de idéias, bens e serviços a fim de criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. Segundo Ferreira (2000) marketing define-se como o conjunto de estratégias e ações relativas ao desenvolvimento, apreçamento, distribuição e promoção de produtos e serviços os quais visam a adequação mercadológica destes. Historicamente, pode-se verificar três filosofias de marketing: filosofias voltadas para a produção (como fazer), outras orientadas para as vendas (como vender), e outras orientadas para o consumidor (a quem vender). Apesar de que cada filosofia possa induzir ao sucesso, são preferíveis as filosofias com orientação ao consumidor. Ela reconhece as metas de 113 produção-eficiência e as vendas profissionais e acrescentam preocupação com a satisfação do consumidor. “De fato uma empresa que adota a orientação para o consumidor, considera-o como o início e o fim de suas transações comerciais” (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). Alguns fatores podem influenciar na adoção de determinada filosofia de marketing. - Concorrência: é um dos principais fatores. Ocorrendo uma demanda superior à oferta, por falta de fornecedores (concorrentes), o foco de marketing certamente enfatizará a produção. No entanto, deve-se saber que, geralmente esta é uma situação temporária; - Habilidades: reflete o interesse dos gestores, quando dotados de certas habilidades produtivas, na valorização do marketing voltado para a produção mais do que para as vendas. Na maioria das vezes evidenciam o processo produtivo como foco do marketing; e - Falta de visão do negócio: a orientação do marketing para as vendas, não deve ser adotada para simplesmente “fazer a mercadoria sair”. A alta pressão colocada sobre as vendas poderá criar insatisfação no cliente, contribuindo para dificuldades de sobrevivência da empresa no longo prazo. 2.8.1 Marketing de Relacionamento Segundo Gordon (1988), marketing de relacionamento é o processo contínuo de identificação e criação de novos valores com clientes individuais e o compartilhamento de seus benefícios durante uma vida toda de parceria. Marketing, ao contrário do que muitos pensam não é somente “propaganda”. A palavra Marketing tem origem da palavra em latim “Mercari”, que significa o ato de transacionar, comercializar, trocar. 114 Gordon (1988), define o marketing tradicional como o processo de identificação e satisfação das necessidades do cliente de forma a atingir os objetivos da organização. O marketing de relacionamento se desenvolve a partir dessa definição, mas possui dimensões diferentes, as quais possuem potencial para transformar a visão da empresa sobre o marketing tradicional e sobre seu próprio papel como empresa. Os profissionais de marketing de relacionamento devem se concentrar nas relações ao invés das transações. O desafio é identificar meios para o cliente e fornecedor criarem vínculos no longo prazo e construírem valores que trarão benefícios para ambos. Para os produtos e serviços que tenham grande volume de vendas e boa margem de lucro, os clientes individuais devem ser considerados em todos os aspectos do negócio. As comunicações devem ser bilaterais e envolver o consumidor e seu futuro comportamento de consumo. “A comunicação tem que se adiantar às questões do cliente, cativando-o mais intensamente, garantindo sua satisfação por toda vida” (GORDON, 1988). 2.8.2 Objetivos do Marketing de Relacionamento Resume Gordon (1988) que para os clientes serem atendidos da forma como desejam, as empresas deverão formar alianças e parcerias não-tradicionais, talvez até mesmo com concorrentes. Ao papel da gerência de relacionamento inclui-se a responsabilidade de escutar o cliente, integrar comunicações, tecnologias, pessoas e processos. Já o marketing orientado a criar valor para o cliente, baseia-se simplesmente na visão (identificação) do motivo que leva os clientes a comprarem determinados produtos em vez de outros. Churchill e Peter (2003) definem: Valor para o cliente é a diferença entre as percepções do cliente quanto aos benefícios da compra e uso dos produtos e serviços e, os custos em que eles incorrem para obtê-los. O marketing voltado para o valor pressupõe que os clientes estejam dispostos e sejam capazes de realizar trocas e o farão quando os benefícios 115 das trocas excederem os custos e, os produtos ou serviços oferecerem um valor superior em comparação com outras opções (CHURCHILL e PETER, 2003, p. 4). Segundo Gordon (1988), são objetivos do marketing de relacionamento: - Procurar criar novo valor para os clientes e compartilhar esse valor entre o produtor e o consumidor; - Reconhecer nos clientes o papel, fundamental, de sinalizadores de um mercado consumidor, pois se pode, através deles, identificar um conjunto de valores e benefícios priorizados por determinado segmento de consumo. O produto será criado com o cliente e não para o cliente; - Que a empresa alinhe e planeje seus negócios, suas comunicações, sua tecnologia para manter o valor que o cliente individual deseja; - Manter um esforço contínuo, colaborativo, em tempo real entre o comprador e o vendedor possibilitando rápidas adequações às mudanças e novas exigências de mercado; - Reconhecer a importância de se manter o relacionamento permanente e constante com o cliente durante um período de vida/consumo (fidelização) e não apenas por ocasião de uma venda esporádica; e - Criar uma rede de relacionamento entre a organização e seus colaboradores (acionistas, fornecedores, entre outros), como auxílio no processo de criação de valor ao cliente. 2.8.3 Pesquisas de Mercado Definem Longenecker, Moore e Petty, (1997), “as disponibilidades de informações de pesquisas de mercado não garantem boas decisões de marketing, mas constitui-se num fator 116 muito importante. Pesquisa de mercado significa a compilação, processamento, relato e interpretação de informações de mercado. Numa pesquisa realizada nos Estados Unidos com 173 empresas, verificou-se que entre várias fontes utilizadas para realização de pesquisas de mercado, as principais em ordem de importância são: os próprios clientes (clientes costumeiros/usuais), a rede de trabalho (colegas, empreendedores, mentores de produtos, entre outros), e a intuição, (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). Sabe-se também que uma pequena empresa realiza menos pesquisa de mercado que uma grande. Além dos custos, que muitas vezes, inviabilizam a realização das pesquisas de mercado, a falta de compreensão de como ela se processa é também fator limitador para utilização dessa ferramenta de marketing, (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997). Para uma pesquisa de mercado ter boa efetividade deverá contar com a ajuda do empresário, orientando e validando as informações coletadas por outrem. Entre as várias etapas para realização das pesquisas de mercado estão: identificação do problema/objetivo, a busca de dados secundários (informações já coletadas), e dados primários (novas informações, ainda não conhecidas) (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997): - Identificação do problema: resume-se em reunir os requisitos informais (informações generalizadas) para a tomada de decisão. A atenção do pesquisador deverá focar as necessidades e desejos dos clientes que, nem sempre são fácies de serem percebidas e definidas suficientemente. Se isto não ocorre claramente, as informações se tornam inúteis; - Dados secundários: são informações que já existem e estão disponíveis de modos compilados e/ou organizados dentro da própria empresa (dados internos) ou fora da empresa (associações comerciais, serviços particulares, órgãos públicos, entre outros) Cuidados sobre os dados secundários devem recair sobre aspectos como: 117 atualização dos dados, unidades de medidas e credibilidade dos dados. A mera publicação e disponibilidade não garantem sua validade. - Dados primários: são dados/informações obtidos pelo pesquisador por meio de técnicas de pesquisa. Sua obtenção pode-se utilizar várias técnicas de pesquisa, como: - Método de observação: é uma das formas mais antigas de pesquisa; é uma forma muito comum e natural de se adquirir conhecimento; proporcionam resultados de pesquisa de forma econômica que evitam viéses resultantes do contato com os respondentes (pesquisados); e - Método de questionamento: envolvem e mantém respondentes em vários níveis. Poderá utilizar-se de contatos pessoais ou por correspondências quando há impossibilidade do contato pessoal, porém, sabe-se que o retorno dessas pesquisas por correspondências caracterizam-se por baixos índices de respostas. 2.8.4 Os 4 P’s do Marketing Gordon (1988) ao tratar dos 4 Ps do marketing: produto, preço, promoção e praça, os expõe sob a ótica do marketing de relacionamento. - Produto: o produto pelo modo tradicional é concebido por meio das fases de: pesquisa de mercado (praticamente única fase em que há participação do cliente), concepção, desenvolvimento e lançamento. Acredita-se com isso que o produto reunirá uma série de vantagens que os clientes vão querer adquirir. Em vez disso, o marketing de relacionamento concebe o produto a partir do conhecimento dos desejos de seu grupo de clientes prioritários. Conseqüentemente o produto é 118 resultado de um processo de colaboração e interação em tempo real entre empresa e cliente, em todas as fases de elaboração do produto, objetivando-se com isso, atender com um alto grau de certeza, as exigências de seu público alvo; - Preço: no marketing tradicional, o preço é constituído pela proposta produto/serviço conjuntamente e, deverá proporcionar um retorno justo e inflexível ao investimento realizado pela empresa. No marketing de relacionamento a formação do preço considera as preferências dos clientes. Seus desejos sobre as características do produto, assim como os serviços oferecidos (antes, durante e após as vendas) deverão permitir condições de pagamento flexíveis e separadamente destes atributos (características e serviços); - Promoção: no marketing tradicional a promoção almeja, por meio de um tipo de mídia, atingir o cliente de um segmento específico de modo a conscientizá-lo e motivá-lo a adquirir determinado produto ou serviço. No marketing de relacionamento a empresa além de promover simplesmente a venda, utilizará a promoção como ferramenta para aumentar o valor do negócio. Ela tem a opção de oferecer aos clientes individuais vários tipos de mídia promocional (internet, centrais de atendimento telefônico, mídia impressa, entre outras). A promoção poderá se tornar meio de comunicação entre empresa e consumidor, permitindo que estes tenham acesso à empresa/produtos, quando e como eles desejarem; e - Praça/Ponto: no marketing tradicional a praça/ponto é vista como um canal de distribuição entre a empresa e o consumidor. No marketing de relacionamento a distribuição é considerada a partir da perspectiva do cliente, que, decidirá onde, como, quando e, em que quantidade comprar. Desta forma a distribuição (praça/ponto) não é vista como um canal, mas sim, como um processo que, admite e necessita da interação do cliente. 119 Resume Gordon (1988), enquanto o marketing tradicional oferece o produto como um pacote (fechado) de benefícios, o marketing de relacionamento “desmonta’ este pacote, oferecendo aos clientes, possibilidades de escolha individualizada e composições personalizadas (customização) de seus produtos e serviços”. 120 3 METODOLOGIA 3.1 Metodologia da Pesquisa No capítulo anterior foi pesquisada a base de conhecimento teórico-empírico, por meio das referências literárias, quando se buscou explicar e evidenciar conceitos e técnicas administrativas que, sendo utilizadas pelos gestores, possibilitem a estes o desenvolvimento de competências gerenciais que os ajudarão na conquista de seus objetivos sociais. No escopo da amostra foi utilizada a coleta de dados junto a 50 empresas do segmento das Micro e Pequenas Empresas (MPE) distribuídas entre os ramos de comércio, indústrias e serviços da cidade de Caçapava. A metodologia do trabalho utilizou-se de dois tipos de pesquisa: - Bibliográfica: método que utiliza-se do referencial teórico existente em documentos, publicações literárias e informações em ambiente virtual, fornecendo meios de se explorar questões para problemas já conhecidos, como também novas áreas, onde os conhecimentos não se solidificaram suficientemente (FELIPE apud MANZO, 2003); e - Explicativa: o objetivo da investigação explicativa é tornar algo inteligível, explicando os fatores que contribuíram para a ocorrência de determinados fenômenos (FELIPE apud VERGARA, 2003). A pesquisa bibliográfica, desenvolvida por meio de revisão literária, procurou evidenciar de forma genérica, os principais elementos e conceitos que compõem as ferramentas de gestão estudadas no trabalho. 121 Neste sentido, este trabalho utilizou-se da pesquisa explicativa para evidenciar que, a utilização de alguns conceitos e ferramentas técnicas de administração para gestão de pequenas empresas quando utilizadas podem proporcionar incremento na produtividade e êxito das mesmas. O relatório de pesquisa foi aprovado pela comissão de ética da Universidade de Taubaté sob número CEP/UNITAU nº 407/05 em 08 de setembro de 2005 (Anexo 1). 3.2 População e Amostra A população refere-se a um conjunto de pessoas que de forma específica, faz parte do ambiente em que será realizada a pesquisa, ou seja, os micro e pequenos empreendedores que localizado na cidade de Caçapava, Estado de São Paulo, distribuídas entre os ramos de Comércio, Indústria e Serviços. E, ao seguir os procedimentos pré-estabelecidos, a pesquisa, embora generalizada, garante ser ela, a representante adequada de toda população. por meio de questionário previamente elaborado e comum a um público constituído entre 50 da cidade de Caçapava, Estado de São Paulo, distribuídas entre os ramos de Comércio, Indústria e Serviços. A amostra da pesquisa abrangerá o número de 50 (cinqüenta) micro e pequenas empresas de ambos os sexos e estado civil. 3.3 Coleta de Dados A coleta de dados é uma tarefa importante na pesquisa ao envolver diversos passos, como a determinação da amostra a ser estudada, a elaboração do instrumento de coleta, a programação da coleta e também os dados e a própria coleta (CERVO e BERVIAN, 1996). 122 Nesta fase, o objetivo será o de obter informações sobre a realidade dos usuários do micro e pequenas empresas. A coleta de dados possui métodos como o de tratamento estatístico dos dados, que ao serem empregados podem determinar a validade e grau de confiabilidade da coleta realizada (ANDRADE, 2001). Para isso, o trabalho utilizará a análise quantitativa e qualitativa. 3.3.1 Questionário Dentre os vários instrumentos de coleta de dados existentes, este trabalho utilizar-se-á do questionário como método para obtenção das informações necessárias à pesquisa e aos resultados que se pretende atingir. Por meio do uso do questionário com roteiro pré-estabelecido, existe a possibilidade de encontrar oportunidade para explorar e entender novos significados, além de ajudar a explicar e prever eventos ocorridos (VERGARA, 1997). Será utilizada a pesquisa face a face, pela flexibilidade no ato das respostas ao questionário e pela facilidade com que se ajusta aos fatos que venham acontecer durante o processo de coleta. Além disso, ela será realizada por conversa orientada para recolher, por meio de questionamentos baseados em um roteiro pré-estabelecido (Anexo 2), importantes dados para a pesquisa. Inicialmente, será explicado ao entrevistado o objetivo, a relevância da pesquisa e a importância de sua colaboração, bem como a garantia do anonimato. 123 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS 4.1 Formação das Micro e Pequenas Empresas (MPE) Na apuração dos dados coletados, conforme demonstrado no Gráfico1, entre as 50 empresas pesquisadas verificou-se que elas apresentam dados distintos quanto a sua forma de constituição social, ramo de negócios, tempo de empresa e escolaridade dos administradores. Constituição Social FORMAÇÃO DAS EMPRESAS Sociedade Ltda. Firma Individual SA 100% 90% Ramo de Negócio 80% Comércio Indústria Serviço 70% 60% 50% Tempo de Empresa 40% + de 10 anos De 5 a 10 anos Até 5 anos 30% 20% Escolaridade dos Administradores 10% 0% Constituição Social Ramo de Negócio 1 Tempo de Empresa Escolaridade Ensino Superior Ensino Médio Fundamental Gráfico 1 – Formação das Micro e Pequenas Empresas - Constituição social: quanto sua forma de constituição social as MPE estão distribuídas da seguinte forma: Sociedades Limitadas (30%), Firmas Individuais (70%) e Sociedades Anônimas (não encontradas); - Ramo de negócio: quanto ao ramo de negócios as MPE estão localizadas entre: 35 empresas, isto é 70%, estão no ramo de comércio; 1 empresa correspondendo 2% na indústria; e 14 empresas no total 28%, estão no ramo de serviços; 124 - Tempo de empresa: quanto ao tempo de constituição das empresas foi identificado que: 15 empresas (30%) estão com mais de 10 anos de constituição; 12 empresas (24%) detém de 5 a 10 anos de tempo de constituição; e 33 empresas (46%) apresentam tempo de constituição de 0 a 5 anos de existência; e - Escolaridade dos proprietários: foi verificado que 20 empresas (40%), possuem administradores com formação escolar de nível superior completo; 25 empresas (50%), possuem administradores com formação do ensino médio; e 5 empresas (10%), possuem administradores com formação do ensino fundamental. 4.2 Gestão Estratégica dos Negócios Em relaçao à gestão estratégica dos negócios, as MPE apresentaram, conforme Gráfico 2, informações sobre: plano de negócios, conhecimento dos pontos fortes e pontos fracos, utilização de consultoria e fatores de sucesso da MPE. É importante ressaltar que dentre os empresários que relataram possuir algum tipo de plano de negócio ou missão, muitos o confundiram com algum objetivo ou meta de curto prazo, geralmente sem detalhamento da missão. Ex. aumentar as vendas. 125 Plano de Negócios GESTÃO ESTRATÉGICA Possuem plano Divulgam o plano Não possuem plano 100% 90% 80% Conhecimento do Negócio 70% Pontos fortes Pontos fracos 60% Consultoria Empresarial 50% 40% Já utilizaram Não utilizam 30% 20% Fatores de sucesso 10% 0% Plano de Negócios Conhecimento 1 do Negócio Consultoria Empresarial Fatores de Sucesso Bom administrador Capital próprio Conhecimento de Mercado Gráfico 2 - Gestão estratégica de negócios - Plano de negócios: 15 empresas (30%) relataram possuir plano de negócios; 05 empresas (10%) das que possuem o plano divulgam-no entre os funcionários e o contador; e 30 empresas (70%), não têm plano de negócios; - Conhecimento do negócio: 47 empresas (94%) relatam conhecer pontos fortes de suas empresas; e 45 empresas (90%) relatam conhecer os pontos fracos; - Consultoria empresarial: 2 empresas (4%) relatam já ter utilizado algum tipo de consultoria empresarial; e 48 empresas (96%) não utilizaram consultoria; - Fatores de sucesso: 24 empresas (48%) acreditam ser a boa administração (bom administrador) o fator responsável pelo êxito dos negócios; 14 empresas (28%), acreditam ser o capital próprio; e 12 empresas (24%) o atribuem ao conhecimento do mercado. 126 4.3 Aspectos Comportamentais nas MPE Referente aos assuntos sobre aspectos comportamentais de gestão nas MPE, o Gráfico 3 demonstra resultados da pesquisa sobre liderança, criatividade e tomada de decisão. LIDERANÇA, CRIATIVIDADE E TOMADA DE DECISÃO Liderança Interação Pessoal Excelência Habilidades pessoais 100% 90% 80% Criatividade 70% Mudanças Leituras Improvisação 60% 50% Tomadas de Decisão 40% 30% Prioridades Planejamento 20% Melhoramentos 10% 0% Liderança Criatividade 1 Tomada de Decisão Gráfico 3 – Liderança, criatividade e tomada de decisão - Liderança: 22 empresários (44%) do público estudado, relataram preferências por interação com pessoas com pensamentos iguais aos deles próprios. 50 empresários (100%) acreditam inspirar nos outros suas qualidades quanto a excelência e comprometimento. Da mesma forma, 50 empresários (100%) acreditam apresentar fortes habilidades sociais e interpessoais; - Criatividade: a totalidade dos respondentes, 50 empresários (100%) são passíveis de adaptação às condições de mudanças, favoráveis a leitura e informações fora do campo de interesse imediato e costumam usar da improvisação no seu dia-a-dia; e 127 - Tomada de decisão: 50 empresários (100%) estabelecem prioridades e planos de ação. 23 empresários (46%) seguem a risca o planejamento diário das atividades e 32 empresários (64%) anotam freqüentemente os melhoramentos a implantar. 4.4 Gestão Contábil O Gráfico 4 demonstra os resultados da pesquisa sobre a utilização da contabilidade gerencial, como ferramenta auxiliar na gestão das MPE: Função Contábil GESTÃO CONTÁBIL Recolhimentos Orientações Fiscais Controles Internos 100% 90% Relação com Contador 80% Satisfatória Média 70% 60% Necessidade de Capital de Giro 50% 40% Conhecem Desconhecem 30% 20% Equalização de datas de pagamentos 10% 0% Função da Contabilidade Relação com contador Conhecem o 1 Capital de Giro Equalização de datas Sempre As vezes Raramente Gráfico 4 – Gestão Contábil - Função contábil: 30 empresários (60%) consideram como finalidade da contabilidade as atividades pertinentes ao recolhimento de impostos e registro de empregados. 18 empresários (36%) atribuem à contabilidade, além das anteriores, as funções de orientação jurídica, e somente 2 empresários (4%) utilizam relatórios contábeis nos processos decisórios; 128 - Relação com o contador: 22 empresários (44%) consideram satisfatória a relação como o contador e 28 empresas (56%) consideram como insatisfatória a relação com o contador; e - Conhecimento do capital de giro: 30 empresários (60%) declararam conhecer o volume de capital de giro necessário à manutenção de suas atividades, enquanto 20 empresários (40%) declararam desconhecê-lo; e - Equalização das datas de pagamentos com as de recebimentos: 20 empresas (40%) declararam conseguir equalizar as datas de pagamentos com as de recebimentos, no entanto 25 empresas (50%) declararam que conseguem equalizá-lo às vezes; e 10 empresas (5%) declararam consegui-lo raramente. 4.5 Crédito Em relação à utilização de crédito pelas MPE a pesquisa, apresentado no Gráfico 5, revela dados quanto: a participação de recursos de terceiros (onerosos) no financiamento das atividades da MPE, percentual médio de vendas a prazo, existência de concentração de vendas em relação aos clientes e os meios de pagamentos mais utilizados pelas MPE. 129 Recursos de Terceiros CRÉDITO Não utiliza Utiliza até 50% + de 50% 100% 90% 80% Vendas a Prazo 70% Até 30% De 31% até 70% De 71% até 100% 60% 50% Concentração de vendas 40% Até 30% De 31% até 70% De 71% até 100% 30% 20% 10% Formas de pagamentos 0% Recursos de terceiros Vendas a prazo Concentração de vendas 1 Meios de pagamento Boleto Cobrança Cheque Pré Cartão Gráfico 5 – Créditos utilizados pelas Micro e Pequenas Empresas - Recursos de terceiros: apenas 5 empresas (10%) responderam que não utilizam recursos de terceiros (recursos onerosos como empréstimos e financiamentos); 30 empresas (60%) responderam que utilizam até 50% de recursos de terceiros para manutenção de suas atividades; e 15 empresas (30%) responderam que utilizam de 51% a 100% de recursos de terceiros para manutenção de suas atividade; - Vendas a prazo: esta questão reflete à proporção que as vendas a prazo ocupam dentro das vendas totais da empresa; 17 empresas (34%) revelaram que as vendas a prazo correspondem a 30% das vendas totais; 18 empresas (36%) revelaram que as vendas a prazo correspondem de 31% a 70% das vendas totais; e 15 empresas (30%) revelaram que as vendas prazo correspondem de 71% a 100% das vendas totais; - Concentração de vendas: esta questão revela a ocorrência de concentração de vendas nos 5 maiores clientes da empresa; 33 empresas (66%) revelaram que ocorre até 30% de concentração das vendas totais em seus 5 maiores clientes; 12 130 empresas (24%) revelaram que a ocorrência de concentração de vendas em seus cinco maiores clientes, estão entre 31% e 70%; e apenas 5 empresas (10%) revelaram concentrar de 71% até 100% o total de suas vendas em seus 5 maiores clientes; e - Meios de pagamento: esta questão revela quais são os meios de pagamentos mais utilizados e sua proporção dentro das vendas totais a prazo pelas MPE; 16% das vendas a prazo são recebidas por meio de boleto de cobrança (boleto bancário); 56% das vendas são recebidas com de cheques pré-datados e, 28% das vendas a prazo são recebidas por cartão de crédito; 4.6 Marketing utilizado pelas Micro e Pequenas Empresas A pesquisa sobre a utilização de conceitos de marketing pelas MPE, procurou evidenciar como os empresários do segmento vêm se utilizando desta ferramenta para criação de valores destinados aos seus negócios. Constatou-se que apenas 10% dos entrevistados julgaram importante a utilização dos conceitos de marketing entre os 5 principais fatores de sucesso de um negócio. De um total das 50 empresas entrevistadas, 54% delas relataram fazer investimentos em algum tipo de mídia, desde carros de som até jornal, rádio e TV. Conforme demonstrado no Gráfico 6, apenas 1 empresa (2%) relatou consultas ao cliente para atualização de seu(s) produto(s), sendo que para a maioria das empresas, a maior fonte de informações para as atualizações de produtos é encontrada junto aos seus próprios fornecedores. 131 Investimentos em Marketing MARKETING Investem Não investem Já investiram 100% 90% Tipos de Mídia 80% Jornal Rádio Panfleto 70% 60% Atualização de Produtos 50% Cliente Indivídual Fonecedores Mercado/Feiras 40% 30% 20% Serviços de Pós Vendas 10% 0% Investem em Marketing Tipos de Mídia 1 Atualizações de Produtos Pós-Venda Possuem Não possuem Gráfico 6 – Utilização de conceitos de Marketing - Investimento em Marketing: 27 empresas (54%) relataram que fazem habitualmente, investimentos em marketing (propaganda); 16 empresas (32%) afirmam que não fazem investimentos em marketing; e 7 empresas (14%) apesar de não estarem fazendo na atualidade, investimentos em marketing, já o fizeram anteriormente; - Tipos de mídia: foram identificados vários tipos de mídias utilizadas pelas MPE, porém, a utilização de jornal impresso corresponde ao meio mais utilizado (31%) seguido do rádio (24%) e do panfleto (14%); - Atualizações dos produtos: apenas 1 empresa (2%) relatou fazer consultas ao cliente individualmente, para atualização de seus produtos; 15 empresas (30%) relataram utilizar-se de informações dos próprios fornecedores para atualização de produtos; 15 empresas (30%) relataram utilizar-se de participações em feiras para atualização de seus produtos. Outros meios, dos mais diversos como: carros de 132 som, internet, entre outros, compõe com números menos expressivos os demais tipos de mídia utilizados pelas MPE; e - Pós-venda: 30 empresas (60%) relataram realizar serviços de pós-vendas; e 20 empresas (40%) relataram não utilizar serviços de pós-vendas. 133 5 CONCLUSÃO Concluindo o trabalho, confirma-se a importância das Micro e Pequenas Empresas (MPE) na economia nacional, seja pela sua capacidade de geração de emprego e renda, bem como pelo reaproveitamento de mão-de-obra (cada dia menos absorvida pelas grandes empresas) seja pela diversificação de negócios, flexibilidade e fácil adaptação às mudanças político-econômicas, atendimento regionalizado de seus mercados, desenvolvimento local sustentável e de ações empreendedoras na geração de novos negócios. Elas atuam com dificuldades entre os extremos, aonde de um lado encontra-se as médias e grandes empresas e do outro a informalidade. As médias e grandes empresas detêm enormes vantagens competitivas, pois habitualmente possuem maior poder nas negociações (principalmente em compras), fácil acesso ao crédito e economias de escala, entre outros. A informalidade por seu lado detém um papel ainda mais nocivo, não só às MPE diretamente, mas a sociedade como um todo. Ela permite a manutenção de negócios ilegais, falsificação de produtos, comércio paralelo, evasão fiscal, entre outros. Quanto à legislação tributária aplicada às MPE, verificou-se que esta é composta por 18.589 páginas, com 55.767 artigos, com uma média de 300 mudanças anuais. As incidências cumulativas de alguns impostos sobre outros, incidência onde não há lucros, são também, fatores que atingem diretamente a competitividade do segmento. Tais fatos tornam evidente a urgência de se realizar a reforma tributária do setor e que esta possa permitir a integração das MPE de modo mais harmonioso e sinergético aos outros segmentos produtivos. Os principais fatos causadores da falência das MPE verificados originam da: - Falta de planejamento do negócio antes da abertura; 134 - Má gestão empresarial durante os primeiros anos de atividade; insuficiência de políticas públicas de apoio aos pequenos negócios (políticas tributárias, trabalhistas e de crédito entre outras); - Conjuntura econômica deprimida (retração do consumo, concorrência acirrada, entre outros); e - Problemas pessoais dos empresários (problemas familiares, de saúde, efeitos da criminalidade, entre outros). Diante de tais fatos, conclui-se que a utilização de conceitos e ferramentas técnicas de gestão mais que aplicáveis as MPE, são necessárias. Alguns fatores, porém, dificultam ou mesmo impedem o acesso desses empresários ao uso de tais ferramentas. Os fatores dificultadores mais evidentes, observados neste trabalho foram: - Desconhecimento ou conhecimento parcial das ferramentas de gestão, seus conceitos e práticas de utilização. A grande maioria dos empresários detém algum conhecimento das ferramentas de gestão, porém, sentem muita dificuldade de aplicá-las em sua rotina administrativa; - Falta de tempo para atividades de planejamento e controle. Ocorre devido à intensa dedicação a atividade operacional de seus negócios (compra, estocagem, vendas e cobrança entre outros); - Orçamento financeiro insuficiente para investimentos na profissionalização da administração. A maior parte dos administradores das MPE declara não possuir condições financeiras para investimento na profissionalização da administração. Justificam que isso ocorre devido às margens de lucro, “cada dia menores”, à manutenção de seus atuais compromissos/orçamentos; e 135 - Pré-conceito quanto à utilização das ferramentas e técnicas de gestão pelos administradores das MPE, pois, deduzem ou acreditarem que as ferramentas de gestão administrativas “não são” a eles aplicáveis. 5.1 Recomendações para Continuação dos Estudos Devido ao amplo escopo de temas pesquisados, sugere-se que este trabalho possa ser continuado de forma a contribuir com mais informações sobre as ferramentas de gestão disponíveis às MPE bem como a elaboração de conceitos sobre os benefícios de sua utilização. 136 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2001. BANCO DO BRASIL S.A. Qualidade do crédito. Brasília: Unidade de Função Crédito/Unidade de Função Recursos Humanos, 2002. BEDÊ, M. AURELIO. Sobrevivência e mortalidade das empresas paulistas de 1 a 5 anos. 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São Paulo: Atlas. 1997. 139 ANEXO 1 – PROTOCOLO DE APROVAÇÃO DA COMISSÃO DE ÉTICA DA UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ 140 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO UTILIZADO NA PESQUISA 1) Identificação da Empresa Razão Social:__________________________________________________________ Endereço:_____________________________________________________________ Ramo de Atividade:______________________________________Franquia?_______ Data da Fundação:_____________________Capital Social: R$___________________ Porte da Empresa:_______________________________________________________ Faturamento Anual:_____________________________________________________ Número de Funcionários (incluindo sócios):__________________________________ 2) Dados profissionais do(s) sócio(s) e/ou procurador(es): Sócios Nome (Opcional) Atividade Anterior Função Anterior Tempo na Função A B C D Procurador 3) Dados pessoais dos sócios/procurador: Sócios Escolaridade Idade Estado Civil Nacionalidade Sexo Gerência (s/n) A B C D Procurador 4) A empresa tem algum tipo de Plano de Negócios, Meta ou Missão definida(s)? Sim ( ) Qual(ais)?_____________________________________________________ Não ( ) Por que?______________________________________________________ 5) Os funcionários como o contador já conhecem a missão ou planejamento da empresa? Sim ( ) Não ( ) 141 6) Cite alguns pontos fortes da Empresa: (em ordem de importância) a)____________________________________________________________________ b)____________________________________________________________________ c)____________________________________________________________________ d)____________________________________________________________________ e)____________________________________________________________________ 7) Cite alguns pontos fracos da Empresa: (em ordem de importância) a)____________________________________________________________________ b)____________________________________________________________________ c)____________________________________________________________________ d)____________________________________________________________________ e)____________________________________________________________________ 8) De seu ponto de vista qual(ais) a(s) finalidade(s) da contabilidade? R.___________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 9) Na sua opinião a relação contador versus empresa é satisfatória? R.___________________________________________________________________ 10) São utilizados relatórios ou informações contábeis nos processos decisórios? Sim ( ) Não ( ) Qual(ais)?_____________________________________________________________ 11) A empresa conhece o volume de capital de giro adequado a empresa? Sim ( ) Qual volume mensal? R$__________________________________________ Não ( ) 12) A empresa faz atualizações de seus produtos e/ou serviços visando o cliente? Sim ( ) Qual método?__________________________________________________ Não ( ) Qual motivo?___________________________________________________ 142 13) A empresa investe em propaganda Sim ( ) Qual tipo de mídia(s)?_________________________________ Não ( ) 14) A empresa consegue equalizar as datas de pagamentos com as de recebimentos? Sempre ( ) As vezes ( ) Dificilmente ( ) 15) A empresa conhece a margem de lucro dos produtos e do negócio? Sim ( ) Não ( ) 16) A empresa utiliza algum tipo de consultoria? Qual? R.___________________________________________________________________ 17) Na sua opinião pessoal, quais são os fatores mais importantes para uma empresa de sucesso? (três opções): Ousadia do empresário Bom conhecimento do produto Ter um bom administrador Bom conhecimento do mercado Capacidade de liderança Capital próprio Criatividade do empresário Investimento de lucros na empresa Estratégia de vendas Terceirização de atividades Acesso a novas tecnologias Perseverança do empresário Outro: Outro: 18) Na sua opinião quais os pontos na tabela abaixo são mais importantes para o sucesso de um negócio? (três opções): Preço do produto Administração financeira Organização empresarial Marketing Localização da empresa Compras Qualidade no atendimento Qualidade do produto Clima organizacional Tecnologia Vendas Outro: 143 19) Os principais clientes são constituídos por pessoas: Físicas: ( ) func. de empresas privadas ( ) Públicos ( ) prof. Liberais ( ) misto Jurídicas: ME ( ) EPP ( ) Grande Porte ( ) Misto ( ) 20) A administração da empresa é: Profissional ( ) Familiar ( ) Mista ( ) 21) O nível de informatização da empresa é: Defasado ( ) Atualizado ( ) avançado ( ) não possui ( ) 22) Possui programa de treinamento de funcionários? Sim ( ) Não ( ) 23) Possui programa de remuneração e/ou incentivos para os funcionários? Sim ( ) Não ( ) 24) Trabalha com algum tipo de programa de qualidade total? Sim ( ) Qual?___________________ Não ( ) 25) Há concentração de vendas (05 maiores clientes)? Até 10% ( ) De 11 a 30% ( ) De 31 a 70% ( ) De 71 a 100% ( ) 26) As vendas a prazo, em relação às vendas totais estão entre: 30%( ) ( ) 50% ( ) 70% ( ) 90% ( ) 100% Prazo Médio das Vendas a Prazo:__________dias 27) Em relação às vendas a prazo como estão divididas as opções de pagamentos: Opções Cheque-Pré Cartão de Crédito Boleto Bancário Carnês Outros Porcentagem % 144 28) Possui algum serviço ou controle de pós-venda? Sim ( ) Não ( ) 29) Há concentração de compras em 01 fornecedor? Até 20% ( ) de 21 a 40% ( ) de 41 a 70% ( ) de 71 a 100% ( ) 30) Se sua empresa utiliza matéria prima, o segmento detém: ( ) grande oferta de insumos e muitos fornecedores ( ) grande oferta de insumos e poucos fornecedores ( ) muitos fornecedores e escassez de insumos ( ) escassez de fornecedores e de insumos 31) Existe controle de estoque de Matéria Prima ou Produto Acabado? O valor e o prazo médio de estoques são conhecidos? Sim ( ) Não ( ) Prazo médio do estoque MP:_______ dias. Valor médio do estoque MP: R$_____mil Prazo médio do estoque PA:_______ dias. Valor médio do estoque PA: r$ ______mil 32) A empresa acredita que detém vantagem competitiva, em relação aos custos? Sim ( ) Não ( ) 33) Em relação ao financiamentos de seus ativos (bens e direitos), a empresa utiliza: Porcentagem% Recursos Próprios Recursos Terceiros 34) A soma do total do ativo (patrimônio) da empresa está próximo de: R$________________________________________ 35) A empresa toma crédito em mais de uma instituição financeira? Sim ( ) Não ( ) 145 36) A sede da empresa esta localizada em imóvel: ( ) próprio em nome da empresa ( ) alugado ( ) em nome do sócio (anexo à residência) ( ) em nome do sócio (independente da residência) ( ) cedido 37) O desempenho da empresa desde sua constituição vem: ( ) progredindo de maneira estável ( ) progredindo de maneira instável ( ) mantendo-se estabilizada ( ) mantendo-se com instabilidade ( ) regredindo 38) O setor no qual a empresa atua tende nos próximos 12 meses a manter-se: favorável ( ) estável ( ) instável ( ) desfavorável ( ) 39) Quanto à emissão de resíduos e agentes poluentes no meio ambiente: ( ) não há emissão ( ) há emissão de resíduos, mas existe programa de controle ( ) há emissão de resíduos e não existe programa de controle 40) A empresa participa ou ajuda algum programa, campanha ou entidade com atividade de cunho sócio-cultural? ( ) habitualmente ( ) eventualmente ( ) raramente 41) Considera uma perda de tempo ler artigos, sites e livros fora de seu campo de interesse imediato? ( ) sim ( ) não 42) Considera-se uma pessoa de fortes convicções? ( ) sim ( ) não 146 43) Segue a risca o planejamento diário de atividades? ( ) sim ( ) não 44) Costuma usar da inovação no dia-a-dia? ( ) sim ( ) não 45) Anota freqüentemente melhoramentos que gostaria de fazer no futuro? ( ) sim ( ) não 46) Prefere interagir com pessoas que pensam como você? ( ) sim ( ) não 47) Estabelece prioridades e planos de ação? ( ) sim ( ) não 48) Aprende e melhora procedimentos? ( ) sim ( ) não 49) Adapta-se a condições de mudanças, influências e ambientes? ( ) sim ( ) não 50) Inspira excelência e comprometimento nos outros? ( ) sim ( ) não 51) Apresenta fortes habilidades sociais e interpessoais? ( ) sim ( ) não Se achar interessante mencionar alguma crítica ou sugestão quanto ao questionário utilize o espaço abaixo: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________