FACULDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS YONARA DA SILVA ANDRADE ANÁLISE EXPLORATÓRIA SOBRE OS INDICADORES CONTÁBEIS TRADICIONAIS: UM ESTUDO DE CASO DAS LOJAS AMERICANAS S/A RIO DE JANEIRO 2014.2 FACULDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS YONARA DA SILVA ANDRADE ANÁLISE EXPLORATÓRIA SOBRE OS INDICADORES CONTÁBEIS TRADICIONAIS: UM ESTUDO DE CASO DAS LOJAS AMERICANAS S/A Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade São Judas Tadeu como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis, sob a orientação da professora Maria Amália da Costa Bairral RIO DE JANEIRO 2014.2 TERMO DE APROVAÇÃO YONARA DA SILVA ANDRADE ANÁLISE EXPLORATÓRIA SOBRE OS INDICADORES CONTÁBEIS TRADICIONAIS: UM ESTUDO DE CASO DAS LOJAS AMERICANAS S/A Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade São Judas Tadeu como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis, aprovado pela seguinte banca examinadora: ____________________________________________ Professor Rubem Roberto Magalhães de Souza Coordenador da graduação em Ciências Contábeis Faculdade São Judas Tadeu ____________________________________________ Professora Orientadora Maria Amália da Costa Bairral Faculdade São Judas Tadeu ____________________________________________ Professor Alexandre Tavares dos Santos Faculdade São Judas Tadeu Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2014. DEDICATÓRIA (MODELO) NÃO COLOCAR O TÍTULO, APENAS O TEXTO QUE DESEJA USAR Dedico este trabalho à minha família, meus amigos de sala de aula e professores que sempre me apoiaram durante toda essa trajetória. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus que sempre esteve comigo, me iluminando, para que eu pudesse alcançar este objetivo. A professora Maria Amália da Costa Bairral, minha orientadora, pela atenção no decorrer da elaboração do presente trabalho. Agradeço em especial aos meus queridos pais Josiane Andrade e José Ivanildo de Andrade por sempre me apoiarem e acreditarem no meu potencial. Essa conquista também é de vocês! “Não temas porque eu sou contigo, não te assombres porque eu sou o teu Deus, te sustento e te ajudo com a destra da minha justiça.” (Isaías 41:10) RESUMO O presente trabalho tem como objetivo principal analisar de que maneira as tradicionais ferramentas de Análise das Demonstrações Contábeis podem auxiliar os usuários internos e externos no processo de tomada de decisão. Para atender o objetivo do trabalho fez-se necessário uma pesquisa exploratória e qualitativa, com a aplicação de um estudo de caso realizado a partir dos Balanços Patrimoniais e das Demonstrações do Resultado do Exercício da Lojas Americanas S/A, tradicional empresa de comércio varejista. A pesquisa apresenta conteúdo acerca das Demonstrações Contábeis como o conceito e finalidade dos demonstrativos de publicação obrigatória por parte das empresas. Também serão conceituadas as tradicionais Técnicas de Análise dos demonstrativos contábeis, como as Análises Vertical e Horizontal e os Indicadores Econômicos e Financeiros. A partir do estudo de caso, resultados apontaram a importância da utilização das técnicas de análise como ferramenta no processo de tomada de decisões, sendo possível obter informações a partir da capacidade de liquidez da empresa em diferentes períodos, e pontuar os aspectos positivos e negativos que merecem atenção para uma melhor gestão do passivo exigível da empresa. Palavras-Chave: Demonstrações Contábeis. Técnicas de Análise. Estudo de Caso. ABSTRACT The principal objective of this study is to analyse how the traditional tools of the Analysis of Financial Statements can help the internal and external users in the decision-making process. To meet the main goal of this study was necessary an exploratory and qualitative research with the application of the case study held from the Balance Sheets and the Common Size Income Sheet of the Lojas Americanas S/A, traditional retail business. The research presents Financial Statements content like the concept and purpose of the mandatory disclosure statements. They are also renowned Analyses Vertical and Horizontal and Economic and Financial Indicators. From the case study the results indicate the importance of using technical analysis as a tool in the decision-making process, making it possible to obtain information from the company's liquidity capacity at different times and score the positive and negative aspects that deserve attention to better management of the liabilities of the company. Key-words: Financial Statements. Analysis Techniques. Case Study. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 – Informações buscadas pelos principais usuários das demonstrações contábeis e decisões auxiliadas por essas informações .......................................... 17 Quadro 2 – Estrutura do Balanço Patrimonial ........................................................... 21 Quadro 3 – Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício ....................... 24 Figura 1 – Etapas do Processo de Análise .............................................................. 26 Quadro 4 – Síntese de estudos voltados para a Análise das Demonstrações Contábeis .................................................................................................................................. 36 Quadro 5 – Síntese das expressões matemáticas utilizadas para os cálculos dos índices de liquidez imediata, corrente, seca e geral ................................................. 40 Gráfico 1 – Evolução das contas do Ativo no período de 2011 a 2013.......................45 Gráfico 2 – Evolução das contas do Passivo no período de 2011 a 2013 ................ 47 Quadro 6 – Cálculo dos Índices de Liquidez ............................................................. 49 Gráfico 3 – Evolução dos Índices de Liquidez no período de 2011 a 2013 ............... 52 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Cálculo das Análises Vertical e Horizontal - Balanço Patrimonial ........... 43 Tabela 2 – Cálculo das Análises Vertical e Horizontal – Demonstração do Resultado do Exercício .............................................................................................................. 47 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AH Análise Horizontal AV Análise Vertical BP Balanço Patrimonial CPC Comitê de Pronunciamentos Contábeis DFC Demonstração do Fluxo de Caixa DLPA Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados DRE Demonstração do Resultado do Exercício DVA Demonstração do Valor Adicionado LASA Lojas Americanas S/A PMPC Prazo Médio de Pagamento de Compras PMRE Prazo Médio de Rotação de Estoque PMRV Prazo Médio de Recebimento de Vendas SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 14 1. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ........................................................................ 16 1.1 Balanço Patrimonial ........................................................................................ 19 1.1.1 Ativo................................................................................................................ 21 1.1.2 Passivo ........................................................................................................... 22 1.2 Demonstração do Resultado do Exercício ...................................................... 23 2. TÉCNICAS DE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ...................... 25 2.1 Análise Vertical ............................................................................................... 27 2.2 Análise Horizontal ........................................................................................... 28 2.3 Análise por Índices ......................................................................................... 28 2.3.1 Indicadores Econômicos................................................................................. 29 2.3.1.1 Índices de Rentabilidade (Taxa de Retorno) ................................................. 29 2.3.1.2 Índices de Lucratividade ................................................................................ 30 2.3.2 Indicadores Financeiros.................................................................................. 30 2.3.2.1 Índices de Atividade ...................................................................................... 30 2.3.2.2 Índices de Estrutura de Capital (Endividamento) .......................................... 31 2.3.2.3 Índices de Liquidez ........................................................................................ 32 2.4 Tipos de Índices de Liquidez .......................................................................... 32 2.4.1 Liquidez Imediata ........................................................................................... 33 2.4.1 Liquidez Corrente ........................................................................................... 33 2.4.1 Liquidez Seca ................................................................................................. 34 2.4.1 Liquidez Geral ................................................................................................ 34 2.5 Estudos Anteriores com Abordagem sobre Análise das Demonstrações ....... 36 3. METODOLOGIA DE PESQUISA .......................................................................... 37 3.1 Tipologia da Pesquisa .................................................................................... 37 3.2 Seleção da Amostra e Período de Estudo ...................................................... 37 3.3 Coleta de Dados ............................................................................................. 38 3.4 Análise dos Dados .......................................................................................... 38 3.4.1 Análise Vertical ............................................................................................... 39 3.4.2 Análise Horizontal ........................................................................................... 39 3.4.3 Índices de Liquidez ......................................................................................... 39 4. ESTUDO DE CASO: LOJAS AMERICANAS S/A .................................................. 41 4.1 Caracterização da Empresa ........................................................................... 41 4.2 Análise Horizontal e Vertical ........................................................................... 42 4.3 Análise Através dos Índices de Liquidez ........................................................ 48 4.3.1 Liquidez Imediata ........................................................................................... 49 4.3.2 Liquidez Corrente ........................................................................................... 50 4.3.3 Liquidez Seca ................................................................................................. 50 4.3.4 Liquidez Geral ................................................................................................ 51 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 56 ANEXO A - BALANÇO PATRIMONIAL 2011 - LOJAS AMERICANAS S/A ............. 58 ANEXO B - BALANÇO PATRIMONIAL 2012 - LOJAS AMERICANAS S/A ............. 59 ANEXO C - BALANÇO PATRIMONIAL 2013 - LOJAS AMERICANAS S/A ............. 60 ANEXO D – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2011 – LOJAS AMERICANAS S/A ................................................................................................... 61 ANEXO E – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2012 – LOJAS AMERICANAS S/A ................................................................................................... 62 ANEXO F – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2013 – LOJAS AMERICANAS S/A ................................................................................................... 63 14 INTRODUÇÃO Atualmente as organizações são expostas a um ambiente econômicofinanceiro muito competitivo, ocasionando uma grande preocupação em conhecer cada vez melhor o seu negócio visando a melhor tomada de decisões gerenciais. A contabilidade tem um papel importante nessa verificação, pois através de seu sistema contábil são elaboradas demonstrações financeiras que mensuram o patrimônio e apuram o resultado da organização em um determinado período, possibilitando a comparação, com períodos passados e com o ambiente institucional que atua, e a avaliação do desempenho empresarial. Nesse contexto, a análise das demonstrações financeiras é a ferramenta que auxilia nesse levantamento, pois pode apresentar, através de suas técnicas, a situação financeira, econômica e patrimonial das empresas. Segundo Bortoluzzi et al. (2011, p. 201): A técnica de análise das demonstrações contábeis é uma forma de avaliar o desempenho econômico-financeiro, com o objetivo de apresentar aos gestores das organizações informações que auxiliem no processo de tomada de decisão. Essa técnica considera os diversos demonstrativos contábeis como fonte de dados, que são compilados em índices, cuja análise histórica possibilita identificar a evolução do desempenho econômico e financeiro da organização. A utilização das análises horizontal e vertical e dos indicadores econômicofinanceiros se dá através de fórmulas matemáticas que mostram a evolução, seja ela positiva ou negativa, dos resultados das operações da empresa num determinado espaço de tempo. Sendo assim, as informações adquiridas podem ser interpretadas e aplicadas por seus usuários. Este trabalho se justifica por fazer um diagnóstico financeiro numa empresa de ramo varejista, a partir da aplicabilidade de importantes e tradicionais técnicas de análise das demonstrações financeiras, muito utilizadas, para auxiliar na avaliação da situação financeira e econômica das empresas. Por meio do tema apresentado, questiona-se: “De que maneira a análise das demonstrações financeiras pode ser aplicada nas demonstrações contábeis de uma empresa?” A metodologia utilizada no desenvolvimento do trabalho é uma pesquisa exploratória, baseada em estudo de caso, realizada a partir dos Balanços Patrimoniais 15 e Demonstrações do Resultado do Exercício das Lojas Americanas S/A disponibilizados, em 18 de março de 2014, no próprio site da organização. O estudo de caso limitou-se a utilização de Balanços Patrimoniais e Demonstrações do Resultado do Exercício, por se tratarem de tradicionais demonstrações contábeis e mais, comumente, utilizadas na análise financeira. Quanto as técnicas de análise, restringiu-se ao uso das análises vertical e horizontal, primeira etapa das técnicas de análise, e os índices de liquidez, por analisarem a capacidade de liquidação das dívidas e situação financeira da empresa. Sendo assim, esse estudo tem como objetivo geral verificar a aplicabilidade e importância das técnicas tradicionais de análise das demonstrações contábeis na empresa Lojas Americanas S/A. Os objetivos específicos são: Apresentar um estudo teórico sobre o tema escolhido; Conceituar as principais demonstrações contábeis; Descrever os diferentes tipos de análise que podem ser utilizadas; Identificar a relevância dos índices de liquidez para o conhecimento da capacidade de pagamento de exigibilidades e de lucratividade da empresa; Analisar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Lojas Americanas S/A nos anos de 2011, 2012 e 2013, mediante técnicas da análise vertical, horizontal e de quocientes, mas especificamente o índice de liquidez. Para o alcance dos objetivos da pesquisa, o trabalho foi dividido em cinco capítulos. No primeiro, são apresentadas as principais demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações, dando ênfase no Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício. No segundo capítulo, segue-se apresentando as técnicas de análise das demonstrações contábeis tradicionalmente utilizadas pelos usuários internos e externos. No terceiro, trata-se da metodologia do trabalho, apresentando sua tipologia, coleta e análise de dados. O quarto capítulo compõe-se da caracterização da empresa escolhida para o estudo de caso e da aplicação de tradicionais técnicas de análise nos demonstrativos contábeis escolhidos, seguido das considerações finais. 16 1. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As demonstrações contábeis são os principais objetos de trabalho da contabilidade, disponibilizados em forma de relatórios, que visam gerar tanto informações econômicas, que diz respeito ao patrimônio e bens, quanto financeiras, ligadas ao valor em dinheiro disponível. Para Assaf (2010, p. 35): Através das demonstrações contábeis levantadas por uma empresa, podem ser extraídas informações a respeito de sua posição econômica e financeira. Por exemplo, um analista pode obter conclusões sobre a atratividade de investir em ações de determinada companhia; se um crédito solicitado merece ou não ser atendido; se a capacidade de pagamento (liquidez) encontra-se numa situação de equilíbrio ou insolvência; se a atividade operacional da empresa oferece uma rentabilidade que satisfaz as expectativas dos proprietários de capital; e assim por diante. Os relatórios contábeis são elaborados através dos acontecimentos ocorridos na empresa em um espaço de tempo, como entradas e saídas de dinheiro, compra e venda de mercadorias, aumento de capital, ou seja, de acordo com o ciclo operacional da empresa. Iudícibus (2008, p. 26) afirma que o demonstrativo contábil “é a exposição resumida e ordenada dos principais fatos registrados pela contabilidade, em determinado período”. Os demonstrativos contábeis não são utilizados apenas por usuários internos, como empregados, gestores e pessoas ligadas ao negócio, mas também por usuários externos, que necessitam dessas informações para a tomada de decisões como os bancos, para conceder ou não um empréstimo para uma empresa, por exemplo. Montoto (2012, p. 37) define como usuários das demonstrações contábeis os “investidores atuais e potenciais, empregados, credores por empréstimos, fornecedores e outros credores comerciais, governos e suas agências e o público”. Investidores, credores, fornecedores e o público são definidos como usuários externos. No grupo dos usuários internos encontram-se os empregados e gestores da empresa. A quadro 1, a seguir, apresenta as informações buscadas pelos principais usuários das demonstrações contábeis: 17 Usuário Tipo de Usuário Informações Buscadas Investidores Externo Capacidade da empresa de pagar dividendos. Empregados Interno Credores por Empréstimos Externo Fornecedores Clientes Externo Externo Estabilidade e lucratividade, fatores que permitem a empresa de prover as remunerações e benefícios. Capacidade da empresa em pagar empréstimos e juros a curto e longo prazo. Capacidade da empresa em pagar as dívidas em seus vencimentos, normalmente, a curto prazo. Continuidade operacional da empresa, especialmente em contratos a longo prazo. Decisões Auxiliadas Pelas Informações Compra, venda ou permanência de investimentos na entidade em questão. Extração de relatórios para a diretoria e permanência ou não no emprego, por exemplo. Concessão ou não de empréstimos. Concessão de contratos de venda de mercadorias ou prestação de serviços para a entidade. Compra de mercadorias ou prestação de serviços a serem feitas pela empresa. Regulamentação da Governo e empresa quanto a Externo suas Agências pagamento ou não de impostos, por exemplo. Avaliação da capacidade Evolução e desempenho Público Externo da empresa em gerar da empresa. empregos, por exemplo. Quadro 1 – Informações buscadas pelos principais usuários das demonstrações contábeis e decisões auxiliadas por essas informações. Fonte: Adaptado Montoto (2012) Destinação dos recursos, ou seja, quais são as atividades da empresa. Entretanto, a elaboração das demonstrações contábeis não ocorre somente devido a necessidade dos usuários internos e externos de conhecer o patrimônio da empresa. A Lei 6.404/76, atualizada pela Lei 11.638/07, determina em seu artigo 176 a elaboração e publicação dos principais demonstrativos para sociedades anônimas de capital aberto e para sociedades anônimas de capital fechado com ativo total acima de R$ 240.000.000,00 e receita bruta anual maior que R$ 300.000.000,00: Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; 18 II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) O Balanço Patrimonial (BP) é o demonstrativo contábil que apresenta, no fim do exercício, a formação financeira e patrimonial da empresa em valores monetários. Através do balanço é mostrado todos os bens, direitos e obrigações da organização, classificados como ativo e passivo. Reis (2003, p. 51) define o balanço patrimonial como “uma apresentação estática, sintética e ordenada do saldo monetário de todos os valores integrantes do patrimônio de uma empresa em determinada data.” A Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados (DLPA) visa demonstrar os elementos que contribuíram para o aumento ou diminuição da conta lucros ou prejuízos acumulados. Assaf (2007, p. 97) afirma: (...) a demonstração de lucros e prejuízos acumulados retrata as movimentações ocorridas na conta de lucros acumulados do patrimônio líquido, fornecendo explicações sobre seu comportamento ao longo do exercício social. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) demonstra o resultado, seja positivo ou negativo, obtido pela empresa, mediante apuração de despesas e receitas ocorridas no exercício, resultando no lucro ou prejuízo do período. Segundo Blatt (2001) a DRE calcula os resultados líquidos, ou seja, deduzidos de impostos e despesas, das empresas em um espaço de tempo específico. A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) se caracteriza pela apresentação de transações realizadas em um período, ou seja, as entradas e saídas de recursos da empresa que modificaram, para mais ou para menos, o saldo da conta caixa. Segundo Marion (2012, p. 54): A Demonstração do Fluxo de Caixa indica, no mínimo, as alterações ocorridas no exercício no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregadas em fluxos das operações, dos financiamentos e dos investimentos. Essa demonstração será obtida de forma direta (a partir 19 da movimentação do caixa e equivalentes de caixa) ou de forma indireta (com base no lucro/prejuízo do exercício). A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) informa o valor da riqueza da empresa e como essa riqueza é distribuída. A DVA, de acordo com a Lei 11.638/07 é obrigatória apenas para companhias de capital aberto, conforme mencionado anteriormente. Para Marion (2010, p.59): A Demonstração do Valor Adicionado evidenciará os componentes geradores do valor adicionado a sua distribuição entre empregados, financiadores, acionistas, governos e outros, bem como a parcela retida para o reinvestimento. Além das demonstrações contábeis descritas, a Lei 6.404/76 determina, em seu terceiro parágrafo, a formulação das Notas Explicativas como um relatório complementar às demonstrações contábeis. Esse relatório deve informar detalhes sobre a elaboração dos demonstrativos que esclareçam os resultados apresentados. A seguir serão apresentadas maiores informações sobre o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado Exercício, demonstrativos utilizados para o estudo de caso do presente trabalho. 1.1 BALANÇO PATRIMONIAL O objetivo principal do Balanço Patrimonial é demonstrar a posição financeira e patrimonial da empresa geralmente ao fim do ano, de acordo com o exercício social da empresa. É demonstrado numericamente os bens, direitos, obrigações e participações de acionistas ou cotistas. O balanço patrimonial mostra-se uma demonstração de suma importância, pois é um elemento fundamental para o conhecimento da posição de uma empresa (ASSAF NETO, 2010). O artigo 178 da Lei 6.404/76, atualizada pela Lei 11.941/09, define o Balanço Patrimonial, conforme transcrição a seguir: Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. 20 § 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: I – ativo circulante; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º No passivo, as contas serão classificadas nos seguintes grupos: I – passivo circulante; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – passivo não circulante; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As informações mínimas que devem constar no Balanço Patrimonial estão definidas no item 54 do CPC 26, transcrito a seguir: 54. O balanço patrimonial deve apresentar, respeitada a legislação, no mínimo, as seguintes contas: (a) caixa e equivalentes de caixa; (b) clientes e outros recebíveis; (c) estoques; (d) ativos financeiros (exceto os mencionados nas alíneas “a”, “b” e “g”); (e) total de ativos classificados como disponíveis para venda (Pronunciamento Técnico CPC 38 – Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração) e ativos à disposição para venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31 – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada; (f) ativos biológicos; (g) investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; (h) propriedades para investimento; (i) imobilizado; (j) intangível; (k) contas a pagar comerciais e outras; (l) provisões; (m) obrigações financeiras (exceto as referidas nas alíneas “k” e “l”); (n) obrigações e ativos relativos à tributação corrente, conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro; (o) impostos diferidos ativos e passivos, como definido no Pronunciamento Técnico CPC 32; (p) obrigações associadas a ativos à disposição para venda de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 31; 21 (q) participação de não controladores apresentada de forma destacada dentro do patrimônio líquido; e (r) capital integralizado e reservas e outras contas atribuíveis aos proprietários da entidade. O Quadro 2 apresenta, de forma sintética, a estrutura do Balanço Patrimonial de acordo com a Lei 6.404/76: ATIVO BALANÇO PATRIMONIAL PASSIVO ATIVO CIRCULANTE Caixa Duplicatas a Receber Estoques PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Salários a Pagar Impostos a Pagar Dividendos a Pagar ATIVO NÃO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE Exigível a Longo Prazo (Financiamentos) Realizável a Longo Prazo Investimentos Imobilizado Intangível PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social Reservas de Capital Ajustes de Avaliação Patrimonial Reserva de Lucros Ações em Tesouraria Prejuízos Acumulados Quadro 2 – Estrutura do Balanço Patrimonial Fonte: Adaptado Marion (2012) O Balanço Patrimonial divide-se em dois grupos denominados como Ativo e Passivo, que serão apresentados a seguir: 1.1.1 Ativo No Ativo é apresentado tudo o que a empresa tem, ou seja, todos os seus bens, recursos, direitos a recebimento e despesas, que podem gerar benefícios futuros. Montoto apud Iudícibus (2012, p. 517) ressalta: “ativos são recursos controlados por 22 uma entidade capazes de gerar, mediata ou imediatamente, fluxos de caixa”. O ativo é dividido em dois subgrupos: Ativo Circulante e Ativo Não Circulante. O Ativo Circulante é o grupo formado pelas contas que representam os bens e direitos e tudo que poderá ser transformado em itens monetários no curto prazo, ou seja, até o final do exercício seguinte. Ribeiro (2013, p.403) destaca o ativo circulante como: (...) valores numerários (Caixa e Equivalentes de Caixa, isto é, dinheiro em caixa e em bancos, seja na conta corrente ou em aplicações de liquidez imediata), Bens destinados à venda ou a consumo próprio, despesas pagas antecipadamente com vencimentos fixados em até 12 meses da data do Balanço em que as contas estão sendo classificadas, bem como direitos cujos vencimentos também ocorram dentro deste período. O Ativo Não Circulante é representado pelos bens e direitos que serão ou poderão ser realizados (conversão em dinheiro) a longo prazo, ou seja, após o final do exercício seguinte. Montoto (2012, p. 140) especifica: O Ativo Não Circulante foi criado pela MP 440/2008 (Lei 11.941) e é subdivido em quatro subgrupos: Realizável a longo prazo (aplicações em direitos realizáveis nos exercícios posteriores ao seguinte); Investimentos (bens para investimento ou para utilização futura); Imobilizado (máquinas, equipamentos, edifícios); e Intangível (marcas, licenças e concessões). 1.1.2 Passivo O Passivo mostra a origem dos recursos que se encontram investidos no ativo, podendo tais recursos serem originários de terceiros ou dos sócios. Diante disso, o Passivo é dividido em: Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido. O Passivo Circulante é o grupo formado pelas contas que representam as dívidas para pagamento (realização) até o fim do exercício seguinte, por exemplo: obrigações com fornecedores, empréstimos e financiamentos, obrigações tributárias, obrigações trabalhistas e previdenciárias, entre outras (RIBEIRO, 2013). O Passivo Não Circulante é distribuído pelas obrigações acima citadas, porém com realização após o fim do exercício seguinte. 23 O Patrimônio Líquido representa a parte da empresa que pertence a seus sócios e proprietários, bem como o investimento dos mesmos na empresa. A Lei 6.404/76, atualizada pela Lei 11.941/07, em seu art. 178, § 2º, III, divide o Patrimônio Líquido em “capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados”. 1.2 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO A Demonstração do Resultado do Exercício expressa o lucro ou o prejuízo obtido pela empresa no período, através do confronto entre receitas e despesas. Sendo assim, quando as receitas do período forem maiores que as despesas, resultará no lucro, e quando as despesas forem maiores que as receitas, resultará em prejuízo. Montoto (2012, p.183) ressalta: O Demonstrativo do Resultado é o relatório construído a partir dos saldos de encerramento de todas as contas de resultado. De forma geral, as contas de resultado são receitas, deduções de receitas, custos, despesas, impostos e participações sobre lucros. O artigo 187 da Lei 6.404/76, atualizada pela Lei 11.941/09, define o que as empresas devem descriminar na Demonstração do Resultado do Exercício, conforme transcrição a seguir: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou 24 previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. O Quadro 3 demonstra a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO Vendas Brutas (-) Deduções Vendas Líquidas (-) Custo dos Produtos Vendidos Lucro Bruto (-) Despesas Vendas Administrativas Lucro antes das Despesas e Receitas Financeiras (-) Despesas Financeiras (+) Receitas Financeiras Lucro antes do IR e Contribuição Social (-) Imposto de Renda e Contribuição Social Lucro Líquido Quadro 3 – Estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício Fonte: Adaptado Marion (2012) O Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício são os demonstrativos mais comumente usados pois mostram de forma objetiva a saúde financeira da empresa. O Balanço Patrimonial pode expor, através da análise de suas contas, se o dinheiro disponível poder arcar com as dívidas a curto ou longo prazo. A Demonstração do Resultado do Exercício, com base nos dados extraídos do Balanço Patrimonial, pode apresentar aos analistas e usuários se o capital investido na empresa foi recuperado ou não, por exemplo. Para que uma análise possa obter bons resultados os dados apresentados nos demonstrativos devem mostrar a realidade da empresa, ou seja, deve-se averiguar a credibilidade desses dados (MARION, 2012). 25 2. TÉCNICAS ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Atualmente, com o cenário competitivo das empresas, as decisões a serem tomadas ganham grande importância e responsabilidade por parte dos gestores. Muitas dessas decisões são feitas com base na análise dos dados fornecidos pelas demonstrações contábeis, após suas publicações. A Análise das Demonstrações Contábeis surgiu com a necessidade de interpretação dos resultados mostrados nos demonstrativos contábeis. Os bancos foram os primeiros a utilizarem e se interessarem por esse tipo de análise (MARION e RIBEIRO, 2011). A análise das Demonstrações Contábeis é uma técnica contábil utilizada para examinar os dados fornecidos pelos demonstrativos contábeis e, por meio de interpretação, transformar esses dados em informações. A análise é uma importante ferramenta para as empresas, pois as informações obtidas permitem uma avaliação de desempenho da entidade, auxiliando no processo de tomada de decisão. Marion e Ribeiro (2011, p. 158) definem a análise das Demonstrações Contábeis como uma “ferramenta de grande valia nas tomadas de decisões, especialmente por possibilitar o conhecimento da situação econômica e financeira da organização”. Montoto (2012, p. 68) acrescenta que a análise dos relatórios contábeis (...) permite verificar, por exemplo se a empresa tem mais disponibilidade (dinheiro) que no ano anterior, se tem mais estoques, se o grau de investimento em imobilizados (edifícios, veículos, máquinas) é compatível com o negócio e com o setor em que a empresa atua, se o retorno sobre o investimento foi adequado (se comparado às expectativas e ao mercado), entre outras analises. Por meio das informações extraídas da interpretação dos dados fornecidos pelas Demonstrações Contábeis, o usuário interno, saberá, por exemplo, se as vendas aumentaram ou diminuíram em um determinado período, qual a possível razão do aumento ou diminuição do lucro e quais as tendências para os próximos períodos. Já o usuário externo poderá averiguar quais as condições de uma empresa em quitar suas obrigações, assim como o rumo do negócio. O processo de análise se inicia quando os usuários estão de posse das demonstrações contábeis. Esse procedimento pode ser dividido em 7 partes, conforme figura abaixo: 26 Etapas do Processo de Análise Exame e Padronização Coleta de Dados Análise Vertical e Horizontal Cálculo dos Indicadores Interpretação dos Quocientes Comparação de Padrões Figura 1 – Etapas do Processo de Análise Fonte: Adaptado Marion e Ribeiro (2011) O usuário, interno ou externo, examinará e selecionará as demonstrações desejadas para a análise de acordo com as suas necessidades de informação sobre a situação da empresa. Por exemplo, para informações sobre a saúde financeira e econômica da empresa serão utilizados o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, com o auxílio das Notas Explicativas, podendo ser aplicado o uso de outros demonstrativos para complementar e reforçar as informações extraídas. As demonstrações selecionadas deverão ser padronizadas, ou seja, as contas deverão ser examinadas e transcritas de acordo com modelos de padronização existentes na literatura de Análise das Demonstrações Contábeis. Segundo Marion (2012, p.10): “É imprescindível a preparação das peças contábeis para uma análise mais realista.” Através das demonstrações financeiras padronizadas, o usuário poderá extrair dados e valores correspondentes a demonstrativos de, no mínimo, três períodos anteriores que serão transportados para o modelo de padronização definido (MARION e RIBEIRO, 2012). Em seguida, serão utilizadas técnicas de análise vertical e horizontal e análise por meio de indicadores, que revelam como é formado, como está a evolução e a tendência das contas da demonstração escolhida para analisar. Os resultados encontrados serão interpretados isoladamente, em conjunto, e comparando com anos anteriores e resultados de outras empresas do ramo. As 27 conclusões extraídas serão convertidas em relatórios que servirão para tomadas de decisão. Braga et. al. (2004, p.52) afirma que “existe um vasto instrumental de análise à disposição daqueles que desejam avaliar os aspectos econômicos e financeiros refletidos nas demonstrações contábeis das empresas”. Nos próximos itens o trabalho apresentará tradicionais técnicas de análise, mais comumente utilizadas em balanços patrimoniais e demonstrações do resultado do exercício. 2.1 ANÁLISE VERTICAL A análise vertical, utilizada nas demonstrações contábeis, visa identificar o percentual que cada elemento representa do total, ou seja quanto representa cada valor em relação ao total. Sendo assim, é possível verificar as contas que tem maior representatividade em relação ao total do ativo, passivo e patrimônio líquido. Essa técnica é feita dividindo-se os elementos de um grupo pelo total desse mesmo grupo, resultando no percentual daquele elemento. Utilizando-se do Balanço Patrimonial como exemplo, poderemos dizer que o total do ativo seria 100% e ao examinar as contas do ativo poderíamos, através da análise vertical, calcular qual o percentual de qualquer conta do ativo em relação a ao total. Então, se o valor total do ativo fosse R$ 100.000,00 e o valor do ativo circulante fosse R$ 25.000,00, poderíamos dizer que o ativo circulante está representado em 40% do ativo total. O usuário poderá comparar os resultados obtidos com resultados de anos anteriores ou de concorrentes para que seja verificado se há valores acima ou abaixo do padrão, por exemplo. Para Assaf (2010, p. 101), a análise vertical é um processo “comparativo, expresso em porcentagem, que se aplica ao se relacionar uma conta ou grupo de contas com um valor afim ou relacionável, identificado no mesmo demonstrativo”. 28 2.2 ANÁLISE HORIZONTAL A Análise Horizontal identifica a evolução de cada elemento do patrimônio em relação a anos anteriores, ou seja, identifica uma série histórica. Essa técnica fornece tanto o conhecimento do desempenho das contas analisadas, bem como o comportamento desses elementos, como aumento ou diminuição de valores ao longo dos anos, quanto tendências que podem ocorrer no futuro. A análise horizontal é feita de uma conta em comparação a outros exercícios sociais, avaliando os demonstrativos contábeis “pela evolução de seus valores ao longo do tempo” (ASSAF, 2010). Pode-se dividir essa técnica de análise em dois tipos: análise horizontal anual, realizada em relação ao ano anterior, e análise horizontal encadeada feita em relação a um no período base específico. Adotando a Demonstração do Resultado do Exercício como exemplo, poderíamos dizer que em 2010 tivemos um lucro líquido de R$ 200.000,00 e que em 2011 o lucro líquido resultou em R$ 250.000,00. A Análise Horizontal calculará qual o percentual de aumento ou diminuição da conta Lucro Líquido de 2010 para 2011. Nesse exemplo, o aumento do lucro líquido seria de 25% de 2010 para 2011. Marion e Ribeiro (2012, p. 189) acrescentam que, devido a análise horizontal ser feita em comparação com períodos passados, o usuário e analista “não poderá, evidentemente, desprezar em sua análise a influência da inflação, que pode concorrer para um crescimento aparente ou para a redução dos valores em análise”. 2.3 ANÁLISE POR ÍNDICES A Análise por Índices é formada por indicadores que mostram o desempenho da empresa financeiramente e economicamente. Os índices são calculados por meio da relação entre contas ou grupo de contas, que podem ser comparados com resultados de períodos passados ou resultados de outras empresas. Morozini, Hein e Olinquevitch apud Mintzberg (2006, p. 87) afirmam que para se iniciar o processo de análise das demonstrações contábeis “se começa com cálculo de um conjuntos índices econômico-financeiros desenvolvidos para revelar os pontos fortes e fracos das empresas”. 29 2.3.1 Indicadores Econômicos Os indicadores econômicos, quando utilizados, trazem informações acerca da rentabilidade e lucratividade da empresa, que abordam aspectos diferentes. A rentabilidade pode ser definida como a relação entre o lucro líquido e o investimento realizado, mostrando ao usuário a velocidade de retorno do capital investido. Já a lucratividade pode indicar qual o ganho obtido pela empresa, relacionando o lucro líquido e a receita total (MONTENEGRO, 2012). 2.3.1.1 Índices de Rentabilidade (Taxas de Retorno) Os Índices de Rentabilidade podem ser divididos em: Giro do Ativo, Taxa de Retorno sobre o Investimento e Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido. O Giro do Ativo pode avaliar a capacidade da entidade em utilizar seus ativos para gerar vendas, ou seja, se o ativo está sendo utilizado para investir na empresa. Morozini, Hein e Olinquevitch (2006, p.89) acrescentam que o Giro do Ativo pode ser considerado “um importante indicador que mede a situação operacional da empresa, fazendo relação das vendas de um determinado período com os investimentos efetuados na empresa no mesmo período”. A Taxa de Retorno sobre o Investimento pode revelar o ganho obtido pela empresa para a quantidade de aplicação investida no ativo. Essa métrica calcula o payback do investimento total, ou seja, quanto tempo pode levar para a empresa receber de volta o capital investido (LAVOR MOREIRA, 2003). Já a Taxa de Retorno sobre o Patrimônio Líquido leva em consideração o ganho que a empresa teve em relação ao valor investido pelos proprietários da empresa. Lavor Moreira (2003, p.9) afirma que esse indicador calcula o poder de ganho ou prejuízo dos acionistas, pois os recursos dos empresários estão alocados no Patrimônio Líquido. 30 2.3.1.2 Índices de Lucratividade Os Índices de Lucratividade dividem-se em: Margem Bruta, Margem Operacional e Margem Líquida. Marion e Moura Riberio (2012, p.174) afirmam que a interpretação das Margens Bruta, Operacional e Líquida deve ser “direcionada a verificar a margem de Lucro da empresa em relação às vendas”. A Margem Bruta evidencia quanto a empresa obteve de lucro em um período, diminuindo os custos das mercadorias vendidas e serviços prestados. Quanto maior a margem bruta, maior a lucratividade das vendas. A Margem Operacional mostra qual a representatividade das atividades operacionais nas receitas líquidas. O cálculo é feito dividindo o Lucro Operacional pelas Vendas Líquidas. A Margem Líquida apresenta quanto foi o lucro para os acionistas em relação as receitas com vendas e prestação de serviços da empresa. A Margem Líquida é calculada dividindo o Lucro Líquido pelas Vendas Líquidas, ou seja, demonstra o sucesso da atividade empresarial. 2.3.2 Indicadores Financeiros Os indicadores financeiros fornecem índices referentes a condição de estrutura, liquidez e atividade da empresa. Para Marion e Ribeiro (2012), os índices de financeiros podem ser divididos em Índices de Liquidez, Índices de Atividade e Índices de Estrutura de Capitais ou Endividamento. 2.3.2.1 Índices de Atividade Os Índices de Atividade evidenciam quanto tempo, em média, é preciso para a empresa receber suas vendas, pagar suas comprar e renovar seus estoques e, através dessa análise, conhecer melhor a política de compra e venda. Sendo assim, os Indicadores de Atividade podem ser classificados como Prazo Médio de Rotação 31 de Estoque, Prazo Médio de Recebimento de Vendas e Prazo Médio de Pagamento de Compras. Marion e Ribeiro (2012, p.179) afirmam que esses índices “expressam a velocidade com que determinados elementos patrimoniais se renovam durante um certo período. Devido a sua natureza, tais quocientes geralmente apresentam seus resultados em dias, meses ou períodos, fracionados ou múltiplos, de um ano". O Prazo Médio de Rotação de Estoque (PMRE) indica quantos dias as mercadorias ficam mantidas na empresa, antes de serem vendidas. Calcula-se multiplicando o valor da conta Estoques por 360 e dividindo esse resultado pelo valor do Custo das Vendas. O Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV) mostra quantos dias a empresa espera para receber o que vendeu. É calculado multiplicando o valor da conta Duplicatas a Receber por 360 e dividindo esse resultado pelo valor das Compras. O Prazo Médio do Pagamento de Compras (PMPC) explica quantos dias a empresa demora para pagar suas compras. Calcula-se multiplicando o valor da conta Fornecedores por 360 e dividindo o resultado pelo valor das Compras. Nesse sentido Marion (2012, p.112) complementa que “quanto maior for a velocidade de recebimento de vendas e de renovação de estoque, melhor”, mas “quanto mais lento for o pagamento de compras, desde que não corresponda a atrasos, melhor”. 2.3.2.2 Índices de Estrutura de Capital (Endividamento) Os Índices de Estrutura de Capital visam avaliar a representatividade do capital de terceiros na empresa e a formação dessa representatividade. Marion (2012) apresenta como os principais indicadores de Estrutura de Capital: Participação de Capitais de Terceiros sobre Recursos Totais, Garantia do Capital Próprio ao Capital de Terceiros e Composição do Endividamento. A Participação de Capitais de Terceiros sobre Recursos Totais é calculada dividindo o Capital de Terceiros com a soma do Capital de Terceiros mais o Capital Próprio. O resultado indicará o percentual do capital de terceiros no investimento total da empresa. 32 A Garantia do Capital Próprio ao Capital de Terceiros pode ser calculada dividindo o Capital Próprio pelo Capital de Terceiros, essa relação apresentará a quantidade de recursos próprios da empresa sobre os recursos adquiridos de terceiros, ou seja, quanto maior, melhor. Esse índice indica para os credores a Margem de Segurança dos capitais de terceiros. A Composição do Endividamento mostra quanto do passivo circulante está contido no passivo exigível da empresa. Seu cálculo é obtido dividindo o valor do Passivo Circulante pelo Capital de Terceiros. Neste índice quanto menor for o resultado melhor, pois evidencia que o passivo exigível é composto, em sua maioria, de longo prazo. 2.3.2.3 Índices de Liquidez Os Índices de Liquidez apresentam a capacidade da empresa em liquidar suas dívidas com terceiros em seu vencimento, seja a curto ou longo prazo. O indicador de liquidez relaciona os valores que a empresa possui de bens e direitos com as obrigações a serem pagas. Marion (2012, p. 75) afirma que os índices de liquidez “são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, isto é, constituem uma apreciação sobre se a empresa tem capacidade para saldar seus compromissos”. A seguir é apresentado, mais detalhadamente, os índices de liquidez, selecionados para utilização no presente estudo. 2.4 TIPOS DE ÍNDICES DE LIQUIDEZ O Índice de Liquidez analisa se os bens e direitos da empresa quitarão as obrigações da empresa, ou seja, quanto maior forem os valores de bens e direitos melhor será a condição financeira e terá melhores condições de quitar suas dívidas. Entretanto, Marion e Ribeiro (2012, p.167) acrescentam que é necessária atenção em alguns elementos da análise liquidez: 33 alto grau de endividamento nem sempre é sinônimo de insolvência – a empresa poderá estar endividada, mas paga seus compromissos em dia. Isso é possível, por exemplo, nos casos em que a empresa consegue renegociar facilmente suas dívidas; a empresa poderá apresentar baixo grau de liquidez em curto prazo, porém um bom grau de liquidez em longo prazo e vice-versa; e a empresa poderá contar com alto grau de liquidez, mas não dispor de dinheiro para pagar seus compromissos imediatos. Os índices de liquidez são divididos em: Liquidez Imediata, Liquidez Corrente, Liquidez Seca e Liquidez Geral. 2.4.1 Liquidez Imediata O Índice de Liquidez imediata tem como objetivo evidenciar a possibilidade de pagamento de obrigações de curto prazo, utilizando os valores em caixa e equivalentes de caixa. Pode ser calculado dividindo-se os valores de caixa e equivalentes de caixa com o saldo da conta passivo circulante. Marion (2012) acrescenta que a liquidez imediata é um índice sem realce pois integra obrigações que apesar de curto prazo, poderão ser pagas em 5 dias ou em até 360 dias. A Liquidez Imediata é um indicador com pouca relevância pois, devido a inflação, manter valores elevados em caixa não caracteriza uma boa política empresarial. Esse índice é uma exceção à regra de quanto maior melhor, sendo ideal o índice estar mais próximo de zero, mostrando que os ativos circulantes não ficaram parados na empresa. 2.4.2 Liquidez Corrente O índice de liquidez corrente visa mostrar a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo, adotando os valores do ativo circulante. Esse índice informa quanto a empresa tem de ativo circulante para quanto a empresa tem de passivo circulante. Calcula-se a liquidez corrente dividindo os valores do ativo circulante pelo passivo circulante. Quanto maior o resultado melhor, e isso representará quanto a 34 empresa possui no ativo circulante para cada R$ 1,00 de passivo circulante. Essa sobra também pode ser denominada como Capital Circulante Líquido positivo. Conforme Marion e Ribeiro (2012, p.169): Quando esse coeficiente for superior a 1, indicará a existência de uma folga financeira de curto prazo, que corresponde ao Capital Circulante Líquido. Essa folga financeira possibilita à empresa efetuar transações sem prejudicar a sua liquidez, podendo ser utilizada na aquisição de estoques, em aplicações financeiras de curto prazo, etc. 2.4.3 Liquidez Seca Através do índice de liquidez seca é possível averiguar a possibilidade de pagamento das dívidas a curto prazo, porém excluindo o valor da conta estoque, ou seja, excluindo um valor incerto, por se tratar de mercadorias ainda não vendidas. Por esse motivo esse indicador é considerado muito conservador. A liquidez seca é calculada da diminuição do valor da conta estoques da conta ativo circulante, esse resultado deverá ser dividido pelo valor da conta passivo circulante. Quanto maior o resultado melhor, e isso representará qual a capacidade da empresa em pagar suas dívidas sem depender da venda de mercadorias ou serviços. Morozini et. al. apud Helfert (2006) afirma que o ponto positivo desse índice seria “testar a capacidade de pagar os passivos circulantes no caso de uma crise real, na suposição de que os estoques não teriam nenhum valor”. Essa verificação permite ao usuário uma visão mais real e crítica da capacidade de pagamento de obrigações da empresa. 2.4.4 Liquidez Geral O objetivo do índice de liquidez geral é considerar a capacidade de pagamento das dívidas da entidade, incluindo tudo que poderá ser convertido em dinheiro, no curto e no longo prazo, relacionando com todas as dívidas assumidas, por isso, quanto maior o resultado melhor. 35 Calcula-se a liquidez geral dividindo-se a soma do ativo circulante com a conta realizável a longo prazo, dividindo pela soma do passivo circulante com a conta exigível a longo prazo. Segundo Marion e Ribeiro (2012, p.168): Quando esse quociente for igual ou superior a 1, pode-se afirmar, em princípio, que a entidade se encontra satisfatoriamente estruturada do ponto de vista financeiro. Por outro lado, quando esse quociente for inferior a 1, pode-se, em princípio, dizer que a empresa se encontra em situação de insolvência, pois os capitais de terceiros (Obrigações Totais) financiaram todo o Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo, além de parte do Ativo Fixo, revelando que a empresa se encontra nas mãos de terceiros. 36 2.5. ESTUDOS ANTERIORES COM ABORDAGEM SOBRE ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS No quadro 1 é apresentado uma síntese de estudos voltados para a Análise de Demonstrações Contábeis Através de Indicadores Financeiros e Econômicos: Autor (Ano) Empresa (Período Analisado) Técnicas de Análise Utilizadas Resultados Radaelli Basso et. al. (2010) Lojas Americanas S/A (2007 a 2009) Análises Horizontal e Vertical e dos índices de liquidez, endividamento, atividade e rentabilidade. A empresa varejista apresentou um aumento da liquidez corrente e, também um aumento da disponibilidade de capital no curto prazo. Em 2007 e 2009 passou por um momento de insolvência, ou seja, sem condições para pagar tudo que deve, o que poderia resultar na falência da empresa, caso persistisse. Isso ocorreu devido a grande participação do Capital de Terceiros no negócio. José Borba Lojas Renner S/A Análise Vertical e (2004) (2000 A 2002) Horizontal e Índices de Liquidez, Endividamento, Rentabilidade, e Atividade. A empresa estava, no período analisado, com uma boa situação financeira, independente dos prejuízos. Uma análise complementar, feita com balancetes dos três primeiros trimestres de 2003, informam que a empresa mantém um ótimo nível de estabilidade e uma boa saúde financeira. Vermeulen Noceti (2007) Eugênio Raulino Índices Koerich S/A (2006 Liquidez a 2007) Atividade. de A empresa varejista apresentou e na Análise de índices de Liquidez, indicadores acima de 3, o que evidencia a estabilidade da empresa no mercado. A Análise de Atividade apresentou que compra-se à vista para se vender a prazo. Quadro 4 – Síntese de estudos voltados para a Análise das Demonstrações Contábeis Notas: (1) as demonstrações contábeis utilizadas nos dois primeiros estudos citados no quadro foram elaboradas antes da harmonização dos padrões contábeis internacionais (IFRS). Fonte: Autora (2014) 37 3. METODOLOGIA 3.1 TIPOLOGIA DE PESQUISA Para a identificação da pesquisa, utiliza-se como base a sistemática apresentada por Vergara (2011), que classifica o estudo quanto aos fins e quanto aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa é exploratória, pois busca conhecer o fenômeno da análise financeira nos demonstrativos contábeis, envolvendo um levantamento bibliográfico. Segundo Beuren (2004, p. 80): “Por meio do estudo exploratório, buscase conhecer com maior profundidade o assunto de modo a torná-lo mais claro ou construir questões importantes para a condução da pesquisa.” Quanto aos meios, apresenta-se como qualitativa ao utilizar estudo de caso, que segundo Goode e Hatt (1979) se caracteriza como um meio de organizar os dados, preservando do objeto estudado o seu caráter unitário. Adicionalmente, Yin (2001, p. 33) afirma que: “o estudo de caso como estratégia de pesquisa compreende um método que abrange tudo - com a lógica de planejamento incorporando abordagens específicas à coleta de dados e à análise de dados”. Notadamente, caracteriza-se como uma investigação ex post facto por se referir a fatos já ocorridos, dos quais o pesquisador não pode controlar nem manipular as variáveis (CRESWELL, 2010). 3.2. SELEÇÃO DA AMOSTRA E PERÍODO DE ESTUDO Para composição da amostra da pesquisa realizou-se um estudo de caso a partir das principais demonstrações contábeis da Lojas Americanas S/A nos anos de 2011 a 2013, disponibilizadas no sitio eletrônico da empresa. A empresa Lojas Americanas S/A foi escolhida por ter uma representatividade no segmento varejista e possuir demonstrações contábeis publicadas, facilitando o acesso a informações financeiras e contábeis. A escolha dos exercícios de 2011 a 2013 se justifica por representar as demonstrações contábeis mais recentes, disponíveis no sítio eletrônico das Lojas Americanas S/A e no sítio da Comissão de Valores Mobiliários, órgão 38 regulador e fiscalizador do mercado de capitais, que alenca as empresas de capital aberto com demonstrações contábeis publicadas. 3.3. COLETA DE DADOS Os dados foram coletados a partir de livros, artigos e leis publicados sobre as demonstrações contábeis e seus indicadores, além dos balanços patrimoniais e demonstrações do resultado do exercício no período de 2011 a 2013. Fundamenta-se a escolha dessas demonstrações por serem as mais utilizadas e citadas em literatura, facilitando a obtenção de conteúdo sobre o assunto. Na coleta de dados fez-se necessário à padronização das demonstrações contábeis a serem analisadas, que no caso do presente estudo, restringem-se ao Balanço Patrimonial – BP e a Demonstração do Resultado do Exercício – DRE adquiridos através do sitio eletrônico da empresa, tal procedimento é relevante, pois representa uma simplificação e/ou reclassificação criteriosa dos dados, ou seja, das contas contábeis, reduzindo as inconsistências. 3.4 ANÁLISE DOS DADOS A análise dos dados empregada para responder à questão de pesquisa envolveu a seleção de técnicas de análise das demonstrações contábeis, consolidadas na literatura, quais sejam: análise horizontal anual, análise vertical e análise de índices. Quanto a esta última foi selecionada o índice de liquidez, por representar um preocupante fator das empresas, a capacidade de liquidação de suas dívidas, e sua necessária geração de caixa. Para a realização das técnicas citadas, foram utilizadas as seguintes fórmulas matemáticas: 39 3.4.1 Análise Vertical A análise vertical mostra, nas demonstrações contábeis, o percentual de um item ou subgrupo em relação ao total ou subtotal tomado como base. A fórmula usada para a extração desses percentuais foi: 𝐴𝑉 (%) = 𝑋 𝑌 𝑋 100 (2) Onde: X = valor da conta ou grupo de contas contábeis; Y = valor total escolhido como base. 3.4.2 Análise Horizontal A análise horizontal apresenta a evolução de cada conta contábil ou grupo de contas em relação a um período anterior, definida como análise horizontal anual, ou em relação a um ano base qualquer, definida como a análise horizontal encadeada. No presente trabalho foi utilizada a análise horizontal anual, expressa mediante a seguinte fórmula: 𝐴𝐻 (%) = 𝑋 𝑌 𝑋 100 (1) Onde: X = valor atual da conta ou grupo de contas; Y = valor da conta ou grupo de contas no ano anterior. 3.4.3. Índice de Liquidez O índice de liquidez verifica a capacidade de pagamento das dívidas de uma empresa em curto e longo prazo, e pode ser dividido em: liquidez imediata, corrente, seca e geral, utilizando-se das seguintes expressões matemáticas descritas no quadro abaixo: 40 Índice de Liquidez Imediata Fórmula DISPONIBILADES / PASSIVO CIRCULANTE Resultado Maior que 1 Menor que 1 Corrente ATIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE Maior que 1 Menor que 1 Seca Geral Maior que ATIVO CIRCULANTE – 1 ESTOQUE / PASSIVO CIRCULANTE Menor que 1 Interpretação A empresa terá, caso necessário, condições de pagar o Passivo Circulante no curtíssimo prazo, porém manter valores elevados em caixa não caracteriza uma boa política empresarial. Resultado ideal, pois o índice estar mais próximo de zero mostra que os ativos circulantes não ficam parados na empresa. Quanto maior, melhor. Mostra quanto a empresa possui para cada R$ 1,00 de dívida, ou seja têm recursos financeiros suficientes para honrar seus compromissos de curto prazo. A empresa não tem ou terá recursos financeiros suficientes para honrar seus compromissos de curto prazo. Quanto maior, melhor. A empresa tem ou terá recursos financeiros em curto prazo suficientes para honrar seus compromissos de curto prazo, independente de conseguir vender seus estoques ou não. A empresa tem ou terá em curto prazo somente uma parte dos recursos financeiros necessários à liquidação do Passivo Circulante. Quanto maior, melhor. A empresa terá recursos financeiros suficientes para honrar seus compromissos de curto e longo prazo. (ATIVO CIRCULANTE + Maior que REALIZÁVEL A LONGO 1 PRAZO) / (PASSIVO CIRCULANTE + A entidade não terá recursos financeiros PASSIVO NÃO Maio que 1 suficientes para honrar seus CIRCULANTE) compromissos. Quadro 5 – Síntese das expressões matemáticas utilizadas para os cálculos dos índices de liquidez imediata, corrente, seca e geral Fonte: Autora (2014) 41 4. ESTUDO DE CASO: LOJAS AMERICANAS S/A Neste capítulo é apresentado o estudo de caso com a caracterização da empresa, análises vertical e horizontal, bem como a aplicação dos índices de liquidez: 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA A Lojas Americanas S/A (LASA) é uma tradicional empresa de comércio varejista do Brasil, com mais de 80 anos de vida. Foi inaugurada no Brasil no ano de 1929 pelos americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger, com o slogan “Nada além de dois mil réis". Desde o nascimento a empresa está em desenvolvimento constante, sendo altamente reconhecida em todo Brasil. Atualmente a empresa conta com 849 lojas em principais cidades do país e 4 centros de distribuição, comercializando mais de 60.000 itens de 4.000 empresas diferentes. Além das lojas físicas, a Lojas Americanas atende seus clientes por meio de uma estrutura de atendimento multicanal via internet, telefone, catálogos, TV e quiosques através da empresa controlada B2W Digital, possuindo o controle acionário com 55% do capital social da empresa (LOJAS AMERICANAS, 2014). De acordo com as informações apresentadas nos Relatórios da Administração disponibilizados no site da empresa, referente aos exercícios 2011, 2012 e 2013, a empresa obteve uma evolução positiva: Em 2011, após investir R$ 994 milhões na empresa e sua controlada visando o desenvolvimento de logística e inovação tecnológica, a Lojas Americanas S/A atingiu, ao fim do ano, R$ 9.978 bilhões de receita líquida consolidada, valor equivalente a um crescimento de 8,7% em relação as vendas líquidas do ano anterior. O lucro líquido foi de 340,42 milhões, 20,5% maior que em 2011. A empresa, em 2012, obteve receita líquida de R$ 11,334 bilhões, crescimento de 13,6% em relação a 2011. Segundo o Relatório da Administração desse mesmo ano, o varejo brasileiro conseguiu apresentar crescimento, mesmo passando por desafios econômicos, como a inflação. O lucro líquido foi de 410,2 milhões, 20,5% maior que em 2011. 42 Em 2013, a Lojas Americanas S/A alcançou, com vendas de produtos e serviços, na visão consolidada, uma receita líquida de R$ 13,401 bilhões, representando um crescimento de 18,2% em relação a 2012. O lucro líquido de 2013 foi de R$ 462,9 milhões, desempenho acima do atingido em 2011 e 2012. Nos próximos subcapítulos foram utilizados como base, para as análises horizontal e vertical e índices de liquidez, os dados consolidados dos demonstrativos contábeis Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício dos anos 2011, 2012 e 2013. Por se tratar de uma empresa de capital aberto, os demonstrativos foram elaborados e publicados pela Lojas Americanas S/A, compatíveis com as práticas contábeis adotadas no Brasil e com as normas da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. 4.2 ANÁLISES VERTICAL E HORIZONTAL Com base nos valores apresentados nos demonstrativos contábeis, a Análise Horizontal calcula a variação ocorrida na conta ou grupo de contas de um período para o outro, evidenciando se houve crescimento ou redução da conta analisada. A Análise Vertical apresenta a real participação da conta ou grupo de contas no demonstrativo em relação a um total. Esta análise demonstra a característica estrutural das contas da empresa nos seus demonstrativos contábeis. Abaixo serão apresentados os cálculos e a interpretação das Análise Horizontal e Vertical realizadas no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício das Lojas Americanas S/A: 43 Tabela 1 - Cálculo das Análises Vertical e Horizontal - Balanço Patrimonial CONTAS DO BALANÇO PATRIMONIAL 2011 A 2013 (em milhares de reais) ATIVO 2011 AH AV 2012 AH 40% 30% AV 2013 AH AV 2% 424.020 131% 3% 26% 3.664.418 25% 26% ATIVO CIRCULANTE Disponível 131.504 100% 1% Aplicações Financeiras 2.253.757 100% 24% 183.514 2.924.806 Soma Financeiro 2.385.261 100% 25% 3.108.320 30% 28% 4.088.438 32% 29% Clientes 2.182.064 100% 23% 1.622.157 -26% 15% 1.775.641 9% 13% Estoques Outros (Despesas antecipadas + Outros circulantes) 1.456.898 100% 15% 1.884.234 29% 17% 2.473.266 31% 17% 748.070 100% 8% 662.284 -11% 6% 654.225 -1% 5% Soma Operacional TOTAL DO ATIVO CIRCULANTE 4.387.032 100% 46% 4.168.675 -5% 38% 4.903.132 18% 35% 6.772.293 100% 72% 7.276.995 7% 66% 8.991.570 24% 64% 66.777 100% 1% 55.307 -17% 0% 55.119 0% 0% 470.227 100% 5% 867.616 85% 8% 1.176.079 36% 8% - - - - - 934.592 100% 10% 1.334.442 43% 12% 1.785.347 34% 13% 1.280.915 100% 14% 1.601.241 25% 14% 2.185.357 36% 15% Total Permanente 2.215.507 TOTAL ATIVO NÃO CIRCULANTE 2.685.734 100% 23% 2.935.683 33% 26% 3.970.704 35% 28% 100% 28% 3.803.299 42% 34% 5.146.783 35% 36% 9.458.027 100% 100% 11.080.294 17% 100% 14.138.353 28% 100% 2.369.740 100% 25% 2.920.066 23% 26% 3.953.213 35% 28% 762.367 100% 8% 625.553 -18% 6% 779.451 25% 6% Soma Operacional 3.132.107 100% 33% 3.545.619 13% 32% 4.732.664 33% 33% Empréstimos Bancários 1.240.995 100% 13% 1.193.629 -4% 11% 527.660 -56% 4% 192.462 100% 2% 166.457 -14% 2% 219.990 32% 2% 1.433.457 100% 15% 1.360.086 -5% 12% 747.650 -45% 5% 4.565.564 100% 48% 4.905.705 7% 44% 5.480.314 12% 39% 3.563.254 100% 38% 4.892.209 37% 44% 6.945.688 42% 49% 170.781 100% 2% 114.388 -33% 1% 223.867 96% 2% Total do Exigível a Longo Prazo 3.734.035 100% 39% 5.006.597 34% 45% 7.169.555 43% 51% CAPITAL DE TERCEIROS 8.299.599 100% 88% 9.912.302 19% 89% 12.649.869 28% 89% 687.591 100% ATIVO NÃO CIRCULANTE Partes Relacionadas Realizável a Longo Prazo Investimentos - Imobilizado Intangível TOTAL DO ATIVO - PASSIVO PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Outras Obrigações Outros Soma Financeiro TOTAL PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE Exigível a Longo Prazo Empréstimos Outros PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital e Reservas Ajustes - Outros 470.837 TOTAL DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO 1.158.428 TOTAL DO PASSIVO 9.458.027 7% - 804.544 - 17% - 7% - 1.170.774 - 46% - 8% - - 100% 5% 363.448 -23% 3% 317.710 -13% 2% 100% 12% 1.167.992 1% 11% 1.488.484 27% 11% 100% 100% 11.080.294 17% 100% 14.138.353 28% 100% Nota: (1) AH: Análise Horizontal; AV: Análise Vertical. (2) A Análise Horizontal utilizada foi a Anual, que utilizada o período (ano) anterior como base para o cálculo dos percentuais. (3) A Análise Vertical foi calculada em relação ao Ativo Total, no caso do Ativo, e em relação ao Passivo Total, no caso do Passivo. Fonte: Autora (2014) 44 Com base nos dados do Balanço Patrimonial, a Análise Vertical demonstra que, nos anos de 2011, 2012 e 2013, o maior percentual de participação do Ativo Total está representado pelo Ativo Circulante, com 72%, 66% e 64%, respectivamente. Porém, mostrou uma queda de 6% de 2011 para 2012 e 2% de 2012 para 2013. Já o saldo do Ativo Não Circulante mostrou, ao longo dos três anos, uma evolução de 8% nessa representatividade, com participação estrutural de 28% (2011), 34% (2012) e 36% (2013). Esse cenário é resultado da mudança na formação dos itens desse grupo, com destaque para algumas contas em particular, apontadas abaixo de acordo com a Análise Vertical aplicada: “Clientes”, no Ativo Circulante, que em 2011 representava 23% do Ativo Total, diminuiu em 2012 para 15%, e em 2013 para 13%. Essa queda indica uma diminuição nas vendas pagas a prazo, todavia não se verificou nos períodos analisados uma redução nas vendas líquidas. Tal fato pode revelar uma mudança na política de concessão de crédito da empresa. Esse comportamento difere do estudo de Borba (2004), onde a empresa aumentou a política de concessão de crédito passando de 33% para 40%. “Estoques”, no Ativo Circulante, mostrou um sutil aumento na sua participação estrutural de 15% (2011) para 17% (2012 e 2013), refletindo a peculiaridade do segmento de mercado varejista que opera com estoques mais enxutos devido à alta rotatividade. Já o estudo de Borba (2004) mostra uma tendência de redução dos estoques. Depreende-se que mesmo dentro do segmento de atuação da empresa, há uma pluralidade de tendências, ou seja, as tomadas de decisões gerenciais priorizam as necessidades de giro da empresa. “Total Permanente”, no Ativo Não Circulante, que obteve um crescimento significativo de 2011 a 2013, aumentando de 2012 para 2013 um percentual de 35%. Esses percentuais denotam o aumento de bens, no Imobilizado, como compra de terrenos e lojas que são comuns em lojas de departamento e, no Intangível, devido ao desenvolvimento de websites e sistemas, conforme informado no Relatório da Administração. 45 Também é possível observar, de acordo com os cálculos de Análise Horizontal, que os bens e direitos da empresa obtiveram uma evolução crescente, em 2011 e 2012, tanto no Ativo Circulante como no Ativo Não Circulante, mas em proporções diferentes. Porém, de 2012 para 2013 é possível notar um aumento significativo, principalmente no Ativo Total. Esse aumento denota, principalmente, o crescimento do Ativo Financeiro da empresa, através do saldo da conta Aplicações Financeiras, que cresceu 25% em 2013 e, representa 26% do Ativo Total nesse mesmo período. O gráfico abaixo demonstra a evolução dos bens e direitos da empresa: Ativo Circulante e Ativo Não Circulante 16.000.000 14.138.353 Em milhares de reais 14.000.000 11.080.294 9.458.027 12.000.000 10.000.000 8.000.000 8.991.570 7.276.995 6.772.293 5.146.783 3.803.299 2.685.734 6.000.000 4.000.000 2.000.000 ATIVO CIRCULANTE 2011 ATIVO NÃO CIRCULANTE 2012 TOTAL DO ATIVO 2013 Gráfico 1 – Evolução das contas do Ativo no período de 2011 a 2013 Fonte: Autora (2014) Com auxílio da Análise Vertical, nota-se que o Passivo Circulante, em 2011 possuía o maior percentual de participação do Passivo Total, com 48%. Porém demonstrou em 2012 e 2013 uma queda nessa representatividade, com 44% e 39%, respectivamente. O Passivo Não Circulante, ao contrário do Passivo Circulante, apresentou um aumento de participação estrutural ao longo dos três anos, com 39% (2011), 45% (2012) e 51% (2013), passando a obter a maior representatividade do Passivo Total a partir de 2012 e permanecendo em 2013. Essa troca de posições se deu em consequência da mudança de comportamento de algumas contas, a seguir destacadas através da Análise Horizontal: 46 “Fornecedores”: conta que aumentou de 2011 para 2012, 23% e, de 2012 para 2013, 35%, indicando um maior número de compras de mercadorias efetuadas a prazo, ou seja, para pagamento futuro. “Empréstimos Bancários a Curto Prazo” que diminuiu significadamente ao longo dos três anos, caindo em 2012 4% em relação a 2011, e em 2013 caindo expressivamente 56% em relação a 2012. “Empréstimos a Longo Prazo” que, diferente da conta Empréstimos Bancários a Curto Prazo, apresentou aumento nos três anos, obtendo uma evolução maior em 2013, com 42% de aumento em relação a 2012. Os três aspectos acima podem demonstrar uma nova postura em relação a busca de Capital de Giro para a empresa. O aumento da conta “Fornecedores” indica uma maneira de obter maior facilidade em negociar menores juros e maiores prazos de pagamento, diferente dos empréstimos bancários de curto prazo. Também foi possível observar a diminuição de empréstimos a curto prazo e o aumento de empréstimos a longo prazo, uma atitude benéfica para empresa, pois proporcionam maior tempo para quitar a dívida, ou seja, maior prazo para a empresa obter o retorno esperado. O Patrimônio Líquido não demonstrou alterações relevantes quanto a representatividade no Ativo Total, representando 12% em 2011 e, se estabilizando em 11% nos anos de 2012 e 2013. Porém apresentou um aumento de 27% de 2012 para 2013, devido ao aumento de Capital e Reservas. O gráfico abaixo permite visualizar a evolução das contas do Passivo ao longo dos três anos e, também, a influência da mudança de comportamento descrita acima, referente a maior captação de recursos para empresa feita através de empréstimos a longo prazo e compras a curto prazo, em 2013: 47 Em milhares de reais Passivo Circulante, Passivo Não Circulante e Patrimônio Líquido 16.000.000 14.000.000 12.000.000 10.000.000 8.000.000 6.000.000 4.000.000 2.000.000 - 14.138.353 11.080.294 9.458.027 5.480.314 7.169.555 4.905.705 5.006.597 4.565.564 3.734.035 1.167.992 1.488.484 1.158.428 PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE 2011 2012 PATRIMÔNIO LÍQUIDO TOTAL DO PASSIVO 2013 Gráfico 2 - Evolução das contas do Passivo no período de 2011 a 2013 Fonte: Autora (2014) A tabela abaixo refere-se a aplicação das técnicas de Análise Vertical e Horizontal na Demonstração do Resultado do Exercício: Tabela 2 - Cálculo das Análises Vertical e Horizontal – Demonstração do Resultado do Exercício CONTAS DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - 2011 A 2013 (em milhares de reais) 2011 Receita líquida de vendas e serviços Custo das mercadorias vendidas e servições prestados Lucro bruto AH AV 2012 AH AV 2013 AH AV 9.978.406 100% 100% 11.334.061 14% 100% 13.401.172 18% 100% (7.000.751) 100% 70% (7.939.683) 13% 70% (9.326.423) 17% 70% 2.977.655 100% 30% 3.394.378 14% 30% 4.074.749 20% 30% (1.391.119) 100% 14% (1.671.841) 20% 15% (2.068.080) 24% 15% (276.843) 100% 3% (334.698) 21% 3% (403.309) 20% 3% (23.486) 100% 0,24% (25.811) 10% 0,23% (30.786) 19% 0,23% (138.172) 100% 1% (94.834) -31% 1% (94.659) 0% 1% (1.829.620) 100% 18% (2.127.184) 16% 19% (2.596.834) 22% 19% 1.148.035 100% 12% 1.267.194 10% 11% 1.477.915 17% 11% 408.938 100% 4% 352.244 -14% 3% 8% 3% (1.131.965) 100% 11% (1.138.813) 1% 10% (1.261.502) 11% 9% (723.027) 100% 7% (786.569) 9% 7% (881.163) 12% 7% 24% 4% Receitas (despesas) operacionais Com vendas Gerais e administrativas Honorários dos administradores Outras receitas (despesas) operacionais, líquidas Lucro operacional antes do resultado financeiro Receiras financeiras Despesas financeiras Resultado financeiro Participação em controladas e controlada em conjunto Lucro do exercício antes do Imposto de renda, contribuição social e das participações Imposto de renda e contribuição social Corrente Diferido Lucro do exercício antes das participações Participação de empregados e diretores Lucro antes da operação descontinuada Operação descontinuada Lucro líquido do exercício 425.008 (145.366) 28.420 308.062 (19.165) 380.339 100% 4% 100% 1% 100% 0,28% 100% 3% 100% 0,19% 480.625 (189.722) 44.590 335.493 (23.400) 13% 4% 31% 2% 57% 0,39% 596.752 (232.197) 63.186 22% 2% 42% 0,47% 9% 3% 427.741 27% 3% 22% 0,21% (27.000) 15% 0,20% 288.897 100% 3% 312.093 8% 3% 14.869 100% 0,15% 34.481 132% 0,30% 303.766 100% 3% 346.574 14% 3% 400.741 28% 3% 1.876 -95% 0,01% 402.617 16% 3% Nota: (1) AH: Análise Horizontal; AV: Análise Vertical. (2) A Análise Horizontal utilizada foi a Anual, que utiliza o período (ano) anterior como base para o cálculo dos percentuais. (3) A Análise Vertical foi calculada em relação a Receita Líquida de vendas e serviços, considerada como 100%. Fonte: Autora (2014) 48 Quanto a Demonstração do Resultado do Exercício é possível observar, por meio da Análise Horizontal, que a Receita Líquida referente a vendas e serviços aumentou ao longo dos três anos, com uma maior elevação de 2012 a 2013, com 18%. Já a Análise Vertical, mostra que a maior representatividade em relação a Receita Líquida está na conta Custo das mercadorias vendidas e serviços prestados, representando 70% em 2011, 2012 e 2013. Verifica-se também, por meio da Análise Vertical, que nos três anos o lucro líquido da empresa manteve-se estável, representando 3% da receita líquida. Porém, através da Análise Horizontal, nota-se que o lucro líquido apresentou aumento de 14% em 2012 e 16% em 2013. Os aspectos apresentados denotam que apesar da Análise Horizontal mostrar percentuais crescentes de evolução da conta Lucro Líquido, este não se refletiu na participação da conta em relação a receita líquida, exibidos pela Análise Vertical. Isto evidencia que os aumentos observados na análise horizontal, provavelmente, decorrem de efeitos inflacionários, exibindo uma evolução crescente porém não representativa, em termos de margem do lucro líquido ao longo dos anos. Apesar de as Lojas Americanas S/A não apresentar evoluções expressivas do Lucro Líquido no período analisado, verifica-se que também não houve aumento nos custos e despesas operacionais, ao contrário do estudo de Borba (2004) sobre a Lojas Renner S/A, onde aumento expressivo nos custos e despesas operacionais acarretou um Prejuízo Líquido nos três exercícios. 4.3 ANÁLISE ATRAVÉS DOS ÍNDICES DE LIQUIDEZ A análise feita através de índices fornece uma verificação com maiores detalhes sobre a situação da empresa. O índice de liquidez tem como objetivo avaliar a capacidade da empresa em quitar seus compromissos a curto e longo prazo. A seguir serão apresentados os cálculos e a interpretação dos Índicadores de Liquidez realizados de acordo com as contas do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado das Lojas Americanas S/A: 49 ÍNDICES DE LIQUIDEZ Índices Fórmula 2011 2012 2013 Liquidez Imediata DISPONIBILADES / PASSIVO CIRCULANTE 0,03 0,04 0,08 Liquidez Corrente ATIVO CIRCULANTE / PASSIVO CIRCULANTE 1,48 1,48 1,64 Liquidez Seca ATIVO CIRCULANTE – ESTOQUE / PASSIVO CIRCULANTE 1,16 1,10 1,19 Liquidez Geral (ATIVO CIRCULANTE + REALIZÁVEL A LONGO PRAZO) / (PASSIVO CIRCULANTE + PASSIVO NÃO CIRCULANTE) 0,87 0,82 0,80 Quadro 6 - Cálculo dos Índices de Liquidez Fonte: Autora (2014) 4.3.1 Liquidez Imediata Os índices de Liquidez imediata, que apresentam 0,03 para 2011, 0,04 para 2012 e 0,08 para 2013, revelam que a empresa possui limitados recursos, como caixa e equivalentes de caixa, suficientes para saldar suas obrigações em curto prazo caso fosse necessário liquidá-las. Entretanto, apesar da Lojas Americanas ter apresentado resultados abaixo de 1 nos três anos, a Liquidez Imediata é o único indicador de liquidez não interpretado da forma “quanto maior, melhor”. Isso ocorre pois, devido a inflação e o desenvolvimento do mercado de crédito, não é aconselhável a empresa manter valores elevados em caixa, uma vez que os pagamentos ocorrerão ao longo do exercício social, podendo esses valores serem investidos no giro da empresa. Logo, a empresa está em linha com as práticas correntes de manutenção de menores índices de liquidez imediata haja vista o poder corrosivo da inflação nos preços. O estudo feito por Noceti (2007) sobre uma empresa de varejo regional de Santa Catarina chamada Eugênio Raulino Koerich S/A apresenta, em semelhança ao caso das Lojas Americanas S/A, que a empresa obteve indicadores de Liquidez Imediata abaixo de 1, com 0,18 em 2006 e 0,43 em 2007. 50 4.3.2 Liquidez Corrente A Liquidez Corrente da empresa apresentou em 2011 e 2012 o mesmo resultado, 1,48, indicando que para cada R$ 1,00 de dívida no passivo circulante, possuía R$ 1,48 de ativo circulante. Em 2013 apresentou um aumento, subindo para 1,64. O Balanço Patrimonial mostra que, através da Análise Horizontal, em 2011 e 2012 o Ativo Circulante e o Passivo Circulante cresceram, proporcionalmente, 7%, por esse motivo se mantiveram com o resultado de 1,48 ao longo dos dois anos. Contribuiu, principalmente, para o crescimento da Liquidez Corrente em 2013 o aumento de 24% do Ativo Circulante, resultado da evolução positiva do saldo da conta Aplicações Financeiras, com um crescimento de 25%. Os cálculos evidenciam que a empresa possuiu uma maior folga em 2013, melhorando assim a capacidade de pagamento de suas dívidas de curto prazo. Adicionalmente, através dos cálculos da Análise Vertical, podemos evidenciar que a liquidez corrente, é dependente, em grande parte dos rendimentos de aplicações financeiras pois, em 2013, a conta apresentava maior representatividade no Ativo, com 26%. Esses resultados mostram uma constante na situação financeira (liquidez) da empresa, conforme apontado no estudo de Basso et. al. (2010), cujos índices de liquidez corrente (2007 a 2009) também foram crescentes, refletindo um aumento da folga financeira de curto prazo. Diferente dos resultados apresentados pela Lojas Americanas S/A, o trabalho de Borba (2004) mostra que a Lojas Renner S/A apresentou de 2000 a 2002 um decréscimo referente ao índice de Liquidez Corrente, consequência do maior crescimento dos empréstimos e financiamentos a curto prazo. 4.3.3 Liquidez Seca Analisando os índices de Liquidez Seca é possível verificar em 2011 um índice de 1,16. Esse índice diminuiu em 2012, com R$ 1,10 para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo. Já em 2013, o índice subiu para 1,19. Sendo assim, a empresa obteve, nos três anos, capacidade de quitar suas dívidas de curto prazo utilizando o Ativo 51 Circulante sem os valores de Estoque. A queda para R$ 1,10, em 2012, pode ter sido influenciada devido ao aumento de 29% dos Estoques, pois quanto maior for o valor da conta, maior será o valor excluído da expressão numérica calculada para se obter o indicador de Liquidez Seca. Eliminando os valores de Estoque é possível desconsiderar elementos de incerteza em relação a liquidez, ou seja, os produtos em estoque podem ser vendidos ou não, podendo até demorar muito mais a se transformar em dinheiro. De acordo com Borba (2004) em seu estudo de caso sobre a Lojas Renner S/A, a empresa obteve indicadores de Liquidez Seca estáveis, com 1,23 em 2000, 1,24 em 2001 e 1,24 em 2002, semelhante ao caso das Lojas Americanas, devido à redução da participação no Ativo da empresa. 4.3.4 Liquidez Geral A Liquidez Geral, se comportou de maneira decrescente durante os três anos. Em 2011 era de 0,87, passando, no ano seguinte para 0,82 e alcançando 0,80 em 2013. Sendo assim, em 2013, a empresa apresentava o menor índice de Liquidez Geral obtendo para cada R$ 1,00 de dívida geral (Passivo Circulante mais Exigível a Longo Prazo) apenas R$ 0,80 de Ativos Circulantes e Ativos Realizáveis a Longo Prazo. Contribuiu principalmente para o resultado do indicador abaixo de 1 e a queda durante os anos, de acordo com os cálculos de Análise Horizontal, o aumento do Exigível a Longo Prazo nos três anos, com 34% de 2011 para 2012 e 43% de 2012 para 2013. Denota-se através desse aumento, uma mudança de comportamento da empresa referente a obtenção de Capital de Giro, concentrando em Empréstimos a Longo Prazo devido ao vencimento prolongado, aspecto já mencionado anteriormente neste estudo. Sendo assim, a empresa não possuía em 2011, 2012 e 2013 capacidade de quitar suas dívidas de curto e longo prazo com seu Ativo Total, porém é preciso saber a composição desses endividamentos, ou seja, melhor conhecimento quanto aos seus vencimentos para uma melhor análise da saúde financeira da empresa, no que se refere à liquidez. 52 De acordo com o estudo feito Basso (2010) a Lojas Americanas S/A, em 2007 apresentou indícios de insolvência e, em 2008 atingiu a região de insolvência, o que poderia resultar em falência caso persistisse. Esse quadro foi resultado da participação expressiva do Capital de Terceiros na empresa, ponto de atenção para a empresa nos exercícios mais recentes, 2011, 2012 e 2013, já que a Liquidez Geral apresenta-se em queda durante os três anos. A seguir é mostrado a evolução dos Índices de Liquidez ao longo dos três anos: Índices de Liquidez 1,80 1,64 1,48 1,48 1,60 1,40 1,16 1,20 1,10 1,19 0,87 0,82 1,00 0,80 0,80 0,60 0,40 0,20 0,03 0,04 0,08 0,00 Liquidez Imediata Liquidez Corrente 2011 2012 Liquidez Seca Liquidez Geral 2013 Gráfico 3 – Evolução dos Índices de Liquidez no período de 2011 a 2013 Fonte: Autora (2014) 53 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo objetivou analisar de que maneira tradicionais técnicas de análise podem ser aplicadas nas Demonstrações Financeiras de uma empresa. Para esse propósito, foi necessário atingir os objetivos específicos: (a) apresentar um estudo teórico sobre o tema escolhido; (b) conceituar as principais Demonstrações Contábeis; (c) descrever os diferentes tipos de análise que podem ser utilizadas; (d) identificar a relevância dos Índices de Liquidez para o conhecimento da capacidade de pagamento de exigibilidades e de lucratividade da empresa; (e) analisar o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da empresa Lojas Americanas S/A nos anos de 2011, 2012 e 2013, mediante técnicas de Análise Vertical, Horizontal e de quocientes, mas especificamente o Índice de Liquidez. Para alcançar os objetivos propostos foi feita uma pesquisa exploratória sobre o assunto, abrangendo as Demonstrações Contábeis e as tradicionais Técnicas de Análise utilizadas atualmente, seguida de um estudo de caso sobre a empresa varejista Lojas Americanas S/A. O estudo de caso consistiu na aplicação das Análises Vertical e Horizontal e dos Índices de Liquidez nos dados sobre a empresa, fornecidos a partir do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício dos anos de 2011, 2012 e 2013, disponibilizados no sítio eletrônico da empresa. Em resumo, os dados demonstraram que: O Ativo da empresa obteve evolução positiva ao longo dos três anos estudados, principalmente devido o investimento feito pela empresa em Ativo Imobilizado, como compras de terrenos e lojas. O Passivo passou por uma mudança significativa durante o período analisado, em especial de 2012 para 2013 onde os Empréstimos a curto prazo obtiveram uma queda de 56%, e os Empréstimos de longo prazo aumentaram 42%. Essa troca de postura em relação a busca de Capital de Giro para empresa, possibilitam maior tempo para a empresa obter o retorno esperado com esse financiamento. Analisando a Demonstração do Resultado do Exercício foi possível observar que os aumentos em vendas líquidas foram decorrentes de efeitos inflacionários e não volume de vendas, já que ao longo dos três exercícios o percentual de participação da conta Lucro Líquido em relação a Receita Líquida permaneceu em 3%. Todavia, releva 54 mencionar que a empresa também gerenciou adequadamente seus custos e despesas operacionais que mantiveram-se estáveis nos três exercícios propiciando a manutenção do lucro líquido mesmo sem um aumento de volume de vendas. A Liquidez Imediata da empresa apresentou resultados abaixo de 1 em 2011, 2012 e 2013, mostrando que a empresa está em linha com as práticas atuais de manutenção de menores valores em caixa, por causa do poder corrosivo da inflação, ou seja, a desvalorização da moeda. A Liquidez Corrente, com resultados acima de 1, se mostra estável de 2011 para 2012, porém aumenta de 2012 para 2013, exibindo a capacidade de pagamento das dívidas de curto prazo utilizando o seu Ativo Circulante. Também é possível observar que a Liquidez Corrente da empresa é dependente, ao longo dos três anos, principalmente, do saldo da Conta Aplicações Financeiras. A Liquidez Seca também apresentou resultados positivos nos três exercícios estudados, porém obteve uma queda de 2011 para 2012, ficando com um indicador de 1,10. Essa queda foi influenciada, em especial, pelo aumento da conta de Estoques, já que esse valor é excluído do cálculo do indicador. O Índice de Liquidez Geral exibiu resultados abaixo de 1, assim como uma queda desses indicadores ao longo dos anos estudados. Isso se deu, em maior parte, devido a maior busca por Empréstimos a longo prazo. O aumento de Empréstimos a longo prazo podem trazer benefícios, mas deve também deve ser ponto de atenção para empresa já que a Liquidez Geral se manteve em queda em 2011, 2012 e 2013. A Lojas Americanas apresentou, nos anos de 2011, 2012 e 2013, resultados positivos a respeito de sua capacidade de pagamento de curto prazo, revelando como uma atitude positiva e, também, como ponto de atenção a maior procura por financiamentos de longo prazo, deixando em queda o indicador de Liquidez Geral, que abrange o pagamento de dívidas de longo prazo. Conclui-se que as tradicionais técnicas de Análise das Demonstrações Contábeis são imprescindíveis para uma melhor verificação da saúde financeira e econômica das empresas. Através da Análise Vertical e Horizontal foi possível 55 verificar de que maneira as principais contas do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício se comportaram ao longo dos anos e quais as possíveis justificativas para esses comportamentos. Os índices de Liquidez proporcionaram uma maior visibilidade acerca da saúde financeira da empresa no aspecto de capacidade da empresa em quitar suas dívidas e quais os aspectos favoreceram esses resultados. Para futuras sugestões de desenvolvimento do tema estudado podem ser apontadas as seguintes questões: (a) ampliar a amostra para outras empresas do segmento varejista, para que se possa comparar os resultados obtidos com outros exemplos ou com padrões de mercado; (b) utilizar as demais técnicas de indicadores, como por exemplo, os Índices de Atividade que evidenciam o tempo que a empresa leva para receber e pagar os valores de vendas e compra à prazo, e os Índices de Endividamento que expressam a representatividade do capital de terceiros na empresa, dando maior consistência aos Índices de Liquidez. . 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e Análise de Balanços: um enfoque econômico-financeiro. 8. Ed. São Paulo: Atlas, 2010. BRAGA, Roberto. et. al. 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Estudo de Caso: Planejamento e Métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. 58 ANEXO A – BALANÇO PATRIMONIAL 2011 – LOJAS AMERICANAS S/A 59 ANEXO B – BALANÇO PATRIMONIAL 2012 – LOJAS AMERICANAS S/A 60 ANEXO C – BALANÇO PATRIMONIAL 2013 – LOJAS AMERICANAS S/A 61 ANEXO D – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2011 – LOJAS AMERICANAS S/A 62 ANEXO E – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2012 – LOJAS AMERICANAS S/A 63 ANEXO F – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO 2013 – LOJAS AMERICANAS S/A