Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Este guia foi concluído em Dezembro de 2005, sendo os seus autores os engenheiros • António Luís Moitinho de Almeida • Diogo Real da empresa A foto da capa foi graciosamente cedida pela Solvay Portugal UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Índice Preâmbulo 3 1 - Introdução 4 1.1 - O Desenvolvimento Económico e o Ambiente 4 1.2 - A Gestão Ambiental 5 1.3 - O Sistema de Gestão Ambiental 5 1.4 - Normas e outras Referências 6 1.5 - EMAS 8 1.6 - A família das normas da série ISO 14000 9 1.7 - Abordagem geral de um Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001:2004 12 1.8 - Implementação de um SGA 15 2 - ISO 14001:2004 19 2.1 - Objectivo e campo de aplicação 19 2.2 - Referências normativas 20 2.3 - Termos e definições 20 2.4 - Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental 23 2.4.1 Requisitos Gerais 24 2.4.2 Política ambiental 26 2.4.3 Planeamento 33 2.4.3.1 Aspectos ambientais 34 2.4.3.2 Requisitos legais e outros requisitos 44 2.4.3.3 Objectivos, metas e programa(s) 49 2.4.4 Implementação e operação 58 2.4.4.1 Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades 59 2.4.4.2 Competência, formação e sensibilização 67 2.4.4.3 Comunicação 72 2.4.4.4 Documentação 79 2.4.4.5 Controlo de documentos 86 2.4.4.7 Preparação e capacidade de resposta a emergências 95 2.4.5 Verificação 100 2.4.5.1 Monitorização e medição 101 2.4.5.2 Avaliação da conformidade 105 2.4.5.3 Não conformidades, acções correctivas e acções preventivas 107 2.4.5.4 Controlo de registos 112 2.5.4.5 Auditoria interna 116 Página 1 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.6 Revisão pela Gestão 3. A certificação Siglas Bibliografia Sites Anexos Página 2 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS 120 123 125 126 126 127 Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Preâmbulo O presente guia foi desenvolvido no âmbito do projecto PMEAmbiente da AIP, que decorreu entre Junho de 2003 e Dezembro de 2005. Este projecto, que envolveu diversas empresas das regiões Norte, Centro e Sul do País e compreendeu um número elevado de horas em diagnósticos, formação e consultoria, revelou existirem numerosos aspectos mal compreendidos ou não suficientemente explicitados que importa melhorar. A experiência adquirida, bem como as dificuldades e respostas encontradas no decorrer do projecto, deram força e estímulo para a elaboração deste documento interpretativo e orientador em relação à Norma NP EN ISO 14001:2004. As interpretações feitas são baseadas na experiência dos autores e, face aos conceitos actualmente em vigor, pode-se dizer que são aplicáveis à grande maioria das situações existentes. Mas desde já se lança o alerta de que a busca da melhoria contínua e da excelência devem questionar sempre a validade das soluções existentes, inovando e criando alternativas que, no respeito dos requisitos claramente expressos, ofereçam às organizações a melhor razão custo/benefício. Página 3 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 1 - Introdução 1.1 - O Desenvolvimento Económico e o Ambiente Após a revolução industrial, surgiu um movimento de tomada de consciência dos problemas ambientais associados ao rápido crescimento da economia. A exploração desmedida de recursos naturais, o crescimento demográfico, a degradação dos recursos ainda disponíveis e o surgimento dos primeiros acidentes industriais com impactes ambientais de grandes proporções: • Contaminação de Minamata, montante da desequilíbrios passagem de fetos; da cadeia alimentar com mercúrio na Baia no Japão, em 1950, por uma indústria a Baia, provocando não só mortes como mentais, casos de impotência sexual e grandes concentrações de mercúrio para • Explosão de uma fábrica, em Bhopal, na Índia, em 1984, por falta de manutenção do sistema de segurança de depósitos de isocianato de metilo, matando cerca de 2000 pessoas, • Acidente numa fábrica de produtos químicos em Seveso, perto de Milão em Itália, em 1976, onde a produção de triclorofenol para fazer o herbicida 2,4,5-T e o anti-séptico hexaclorofeno, ocorreu numa proporção maior do que o habitual, provocando fugas imediatas para o ambiente desta dioxina mais conhecida como TCDD, matando a vida selvagem na envolvente e afectando cerca de 70.000 animais que tiveram de ser abatidos; muitos humanos sofreram de uma doença cutânea e cerca de 500 pessoas ficaram afectadas com outras doenças. Estes acidentes levaram ao crescimento gradual das preocupações ambientais e à criação de políticas que procuram Página 4 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 conciliar o crescimento das actividades económicas com a preservação do ambiente. Desta necessidade de conciliação Desenvolvimento Sustentável. surge o conceito de O Desenvolvimento Sustentável é “O desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as capacidades das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades” (Definição Brundtland relatório da WCED Our Common Future (1987)). 1.2 - A Gestão Ambiental A Gestão Ambiental nas empresas assenta em diversos instrumentos e metodologias cuja aplicação, mais ou menos complexa, promove a melhoria dos seus desempenhos ambientais. Além das boas práticas ambientais, existem ferramentas que podem ser utilizadas por qualquer organização que pretenda melhorar e controlar de uma forma mais eficaz o seu desempenho ambiental. Entre os exemplos mais relevantes de ferramentas de gestão ambiental salientam-se: • Ecologia Industrial; • Eco-Eficiência; • Ecodesign; • Análise de Ciclo de Vida dos Produtos; • Produção Mais Limpa; • Prevenção da Poluição. 1.3 - O Sistema de Gestão Ambiental Por força da necessidade de normalização de referenciais de gestão, os SGA são hoje entendidos como um conjunto de requisitos que devem ser geridos de acordo como ciclo de Página 5 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Deming, de forma a assegurar a melhoria contínua do sistema e do desempenho ambiental das organizações. No entanto, cada organização pode criar o seu próprio SGA, não recorrendo a nenhuma norma ou regulamento, desde que consiga controlar os seus aspectos ambientais, garantindo no mínimo o cumprimento legal. A utilização de referenciais normativos ou reguladores, permite a certificação ou registo dos sistemas, demonstrando o correcto funcionamento destes e usufruindo de metodologias largamente aplicadas em todo o mundo, que procuram ir mais além do que o simples cumprimento legal. Os compromissos do cumprimento legal, de prevenção da poluição e de melhoria contínua escondem, por detrás de uma postura socialmente correcta, inúmeras oportunidades de poupanças económicas ao nível de reduções de custos relacionados com a gestão de resíduos, tratamentos de fim de linha ou monitorização e medição desnecessária de parâmetros. 1.4 - Normas e outras Referências O Reino Unido dispõe desde 1992 de uma norma de gestão ambiental, a BS 7750 - Sistemas de Gestão Ambiental, inspirada na Norma ISO 9001. Publicada pela British Standards Institution (BSI) esta Norma foi revista em 1994. Na sequência do aparecimento da BS 7750 surge em 1993 um referencial europeu, o EMAS "Eco-management and audit scheme" estabelecido originalmente no Regulamento (CEE) nº 1836/93 de 29 de Junho. Em 2001 foi publicado o Regulamento (CE) n.º 761/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho de 19 de Março, que revoga o primeiro EMAS estabelecendo um novo com a designação de EMAS II. O Sistema Comunitário de Eco-Gestão e Auditoria – EMAS (Eco Management and Audit Scheme) é um instrumento voluntário que faz parte da política ambiental da CE. A revisão do EMAS que deu origem ao EMAS II incidiu particularmente em: Página 6 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Alargamento de aplicação do EMAS a todos os sectores de actividade económica (incluindo as autoridades locais); • Adopção do modelo de sistema de gestão ambiental da Norma ISO 14001; • Levantamento ambiental mais abrangente e exigente; • Adopção de um logótipo visível e facilmente reconhecível, que permitirá às empresas registadas no EMAS publicitálo de uma forma mais eficaz; • Maior envolvimento de implementação do EMAS. • Melhoria do conteúdo da Declaração Ambiental • Abertura à elaboração de um Declaração Ambiental global; • Validação anual das alterações à Declaração Ambiental. todos os colaboradores na Em 1996 surge a Norma internacional de gestão ambiental ISO 14001:1996 que rapidamente se apresenta como um caso de sucesso face à baixa adesão ao EMAS. Apenas em 1999 esta Norma foi traduzida para português, passando a ser referida como NP EN ISO 14001:1999. Depois de um período de debate em torno da revisão da ISO 14001:1996, em 2004 foi publicada pela ISO e adoptada pela EU e por Portugal uma nova versão desta Norma, a NP EN ISO 14001:2004. As normas internacionais de gestão ambiental (série ISO 14000) apontam para uma convergência com as normas da qualidade (série ISO 9000) e a última revisão da ISO 14001 é o reflexo desta tendência, clarificando a sua interpretação com base na experiência adquirida nos últimos 9 anos em todo o mundo e criando uma ponte de ligação com a ISO 9001:2000 de modo a facilitar a integração de ambas. Outro exemplo prático desta tendência foi o aparecimento da ISO 19011:2002, relativa a auditorias da qualidade e ambiente, que torna obsoletas as normas ISO específicas para auditorias da qualidade (ISO 9011) e do ambiente (ISO 14011). Para além de todos estes referenciais normativos já referidos e que são os mais conhecidos a nível mundial, existem outros Página 7 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 conjuntos de requisitos para a implementação de um SGA, como é o caso da Norma EKOSCAN 2004 aplicada em Espanha, mais precisamente no Pais Basco, que foi baseada em normas das séries ISO 14000 e ISO 9000, na BS8555, no EMAS e noutros documentos de referência relacionados com eco-eficiência, como o Ecomapping e referências da UNEP sobre empresas eficientes. 1.5 - EMAS Considerado por muitos como a excelência da gestão ambiental, o regulamento EMAS diferencia-se da ISO 14001 essencialmente pelo facto de ser de âmbito europeu, ao contrário das normas ISO que são de âmbito mundial. As principiais diferenças entre o EMAS e a ISO 14001 são as apresentadas no seguinte quadro. Quadro 1 - Diferenças entre o EMAS e a ISO 14001 EMAS ISO 14001 Levantamento inicial obrigatório Levantamento inicial sugerido para empresas que não tenham para empresas que não tenham SGA; SGA; Auditoria ambiental inclui a Auditoria ao SGA, não inclui avaliação do desempenho obrigatoriamente aspectos de ambiental, face aos objectivos desempenho ambiental; estabelecidos; Frequência de auditoria ao Frequência de auditoria definida; critério da organização; Declaração ambiental: Publicação de informação sobre política Publicação da política Ambiental; ambiental, objectivos, SGA, desempenho; Procedimentos comunicados a Influência sobre subcontratados e contratados e a todas a pessoas que trabalham em nome da fornecedores. organização. Página 8 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Sendo o anexo I do regulamento EMAS praticamente idêntico à secção 4 (Requisitos do SGA) da Norma ISO 14001:1996, os outros anexos do EMAS e as Recomendações da Comissão posteriormente editadas são excelentes ferramentas de trabalho para o aprofundamento de conhecimentos de gestão ambiental. Por exemplo, a ISO 14001 identifica a necessidade de demonstrar o desempenho ambiental da organização e existem normas específicas da série ISO 14000 que tratam o tema da avaliação de desempenho ambiental. De igual modo, a Recomendação da Comissão de 10 de Julho de 2003, relativa a orientações para a aplicação do EMAS II, no que se refere à selecção e utilização de indicadores de desempenho ambiental, é também um excelente documento de referência. 1.6 - A família das normas da série ISO 14000 Em 1993 a ISO estabeleceu um comité técnico para desenvolver normas internacionais sobre um amplo conjunto de aspectos relacionados com a gestão ambiental. Esse comité técnico, ISO/TC 207, tem por objectivo desenvolver e actualizar a série de normas ISO 14000, que contempla as seguintes áreas (www.iambiente.pt, Outubro de 05): • Sistemas de Gestão Ambiental (SGA); • Auditorias Ambientais; • Avaliação do Desempenho Ambiental; • Rotulagem Ecológica; • Análise do Ciclo de Vida (ACV); • Aspectos Ambientais em Normas de Produtos; • Termos e Definições. Neste âmbito formaram-se seis Sub-comités que se apresentam com as normas ISO 14000 que lhes estão associadas: Página 9 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 TC 207/SC 1 Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14001 e ISO 14004) TC 207/SC 2 Auditorias Ambientais (ISO 19011) TC 207/SC 3 Rótulo Ecológico (ISO 14020, ISO 14021, ISO 14024 e ISO 14025) TC 207/SC 4 Avaliação de Desempenho Ambiental (ISO 14031 e ISO 14032) TC 207/SC 5 Ciclo de Vida do Produto (ISO 14040, ISO 14041, ISO 14042 e ISO 14043) TC 207/SC 6 Termos e Definições (ISO 14050) As normas da série 14000 que se encontram em vigor e que se podem adquirir no IPQ ou no site da ISO são: Documentos Ambiental relacionados com Sistemas de Gestão ISO 14001:2004 Sistemas de gestão ambiental – Requisitos e linhas de orientação para a sua utilização (NP EN ISO 14001:2004) ISO 14004:2004 Sistemas de gestão ambiental – Requisitos e linhas de orientação para a sua utilização Documentos relacionados com ferramentas de apoio à gestão ambiental ISO 14015:2001 Gestão ambiental – Avaliação Ambiental de instalações e organizações (Levantamento Ambiental) ISO14020:2000 Rótulos e declarações ambientais – Princípios gerais (NP EN ISO 14020:2005) ISO 14021:1999 Guia da terminologia, simbologia e metodologia que uma organização deve utilizar na verificação da declaração dos aspectos ambientais dos seus produtos e serviços. Também faz a ligação Página 10 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 entre as versões preliminares da ISO 14021, ISO 14022 e ISO 14023 ISO 14024:1994 Princípios e protocolos que devem seguir os programas de rotulagem por terceira parte quanto aos critérios ambientais desenvolvidos para um produto particular ISO 14025:2000 Rótulos Rotulagem tipo III ISO 14031:1999 Gestão ambiental – Avaliação de desempenho ambiental – Linhas de orientação (NP EN ISO 14031:2005) ISO/TR e declarações 14032:1999 Gestão ambiental – avaliação do desempenho ambiental ambientais Exemplos - de ISO 14040:1997 Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Princípios e enquadramento (NP EN ISO 14040:2005) ISO 14041:1998 Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Definição do âmbito e objectivo ISO 14042:2000 Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Avaliação do impacto do ciclo de vida ISO 14043:2000 Gestão ambiental – Avaliação do ciclo de vida – Interpretação do ciclo de vida ISO 14050:2002 Gestão ambiental – Termos e Definições ISO/TR 14061:1998 Informação para ajudar a organizações de silvicultura no uso de SGA standards ISO 14001 e ISO 14004 ISO/TR 14062:2002 Gestão ambiental – Integração de aspectos ambientais com o design e desenvolvimento do produto ISO 19011:2002 Linhas de orientação para auditorias a sistemas de gestão da qualidade e/ou de gestão ambiental (NP EN ISO 19011:2003) à Veio substituir ISO 14010, ISO 14011 e ISO 14012 ISO/IEC Guia 66:1999 Requisitos gerais para avaliação e certificação/registo de SGA. Página 11 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 1.7 - Abordagem geral de um Sistema de Gestão Ambiental ISO 14001:2004 A implementação de um SGA deve ser compreendida como o seguimento de uma metodologia que permite caminhar para o cumprimento de cada um dos requisitos da ISO 14001. A própria estrutura da secção 4 da Norma (Requisitos do SGA) está dividida segundo o ciclo de Deming (Figura 1), que prevê para o início da implementação uma fase de planeamento na qual é aconselhável que seja feita uma maturação consistente de cada um dos requisitos de planeamento, sob pena de não ser possível cumprir os compromissos de prevenção da poluição, melhoria contínua e cumprimento legal. Planear Actuar Executar Verificar Figura 1 - Ciclo de Deming Identificando cada um dos requisitos do SGA com as fases do ciclo de Deming, distinguem-se claramente três requisitos de planeamento que não permitem a evolução do ciclo sem o seu cumprimento (Figura 2). São estes, a identificação e avaliação de aspectos ambientais significativos, a identificação de requisitos legais e outros que a organização subscreva, e a definição de objectivos e metas sob a forma de programas que permitam a minimização dos impactes dos aspectos ambientais mais significativos e o cumprimento legal. Página 12 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Início Política Ambiental Revisão pela Gestão Verificar Monitorização e medição Avaliação da conformidade NC, AC e AP Melhoria contínua Aspectos Ambientais Requisitos Legais e outros Controlo dos registos Auditoria interna Planear Executar Objectivos, metas e programa(s) Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades Competência, formação e sensibilização Comunicação Documentação Controlo dos documentos Controlo operacional Prevenção e Resposta a Emergência Figura 2 – Enquadramento do requisitos da ISO 14001:2004 no Ciclo de Deming Para que um sistema seja realmente direccionado para a Prevenção da Poluição é fundamental que a fase de planeamento seja abordada por actividades, produtos e serviços. Ou seja, só identificando os aspectos ambientais para cada actividade, produto e serviço será possível a definição de programas com objectivos e metas que actuem directamente na origem dos impactes ambientais. Esta é uma das premissas mais importantes na implementação de um SGA e deve ser interiorizada e posta em prática em qualquer uma das fases do ciclo de Deming. Página 13 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Antes de uma leitura exaustiva da Norma ISO 14001:2004, é conveniente compreender a inter relação entre os diferentes requisitos (Figura 3). 4.3.1 Identificação de Aspectos Ambientais 4.3.2 Identificar requisitos legais e outros requisitos relevantes 4.3.1 Avaliação e classificação dos aspectos ambientais por nível de significância 4.2 Política Ambiental Gestão de emergências 4.3.3 Objectivos e metas 4.4.7 Planos de emergência 4.4.6 Procedimentos de controlo operacional 4.3.3 Programas 4.5.1 Monitorização e medição 4.5.2 Avaliação da conformidade 4.5.4 Auditoria 4.6 Revisão pela Gestão Legenda: Planear Executar Verificar Actuar Figura 3 - Relação entre requisitos (Adaptado de SGS) Página 14 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 1.8 - Implementação de um SGA A implementação de um SGA segundo a ISO 14001 necessita de ser planeada, podendo o intervalo de tempo para se atingir o cumprimento de todos os requisitos depender de inúmeros factores, como a dimensão da empresa, as motivações para obtenção da certificação, a existência de uma certificação ISO 9001, o desenvolvimento de outros projectos paralelos, a disponibilidade de recursos humanos para elaboração de documentação, participação em acções de formação ou apenas colaboração na emissão de pareceres e opiniões. Para uma PME, o envolvimento em formação e consultoria, quando existe, é em regra substancialmente menor do que numa grande empresa, que associa à sua maior dimensão também uma maior complexidade dos processos. Habitualmente, a implementação de um SGA é dividida nas seguintes fases, para efeitos de planeamento: • Elaboração de um diagnóstico ambiental; • Sensibilização da Gestão de topo para a importância do seu envolvimento; • Nomeação de um Conselho de Gestão Ambiental, representativo de todos os departamentos da organização, que participe no seguimento e implementação do SGA; • Nomeação de um Responsável do Ambiente; • Formação de trabalhadores; • Formação em Gestão Ambiental e ISO 14001 a todos os membros do Conselho de Gestão Ambiental; • Definição da Política Ambiental; • Elaboração de cadernos de encargos (definição das actividades a desenvolver por cada membro do Conselho de Gestão Ambiental); • Elaboração e implementação de projectos de alterações necessárias, com prazos bem definidos; • Elaboração de procedimentos documentados; sensibilização Página 15 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS ambiental a todos os Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Elaboração do manual de gestão ambiental; • Desenvolvimento de instruções de trabalho; • Auditoria interna a todo o SGA; • Correcção de não conformidades registadas em auditorias; • Preparação de processo de certificação. A título de exemplo, é apresentado um Cronograma com duração de 1 ano, para a implementação de um SGA numa PME, onde algumas das fases já referidas são mais detalhadas. Página 16 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Diagnóstico ambiental Envolvimento da Gestão de Topo Definição de Responsável do Ambiente e representante da Gestão de Topo Nomeação de um Conselho de Gestão Ambiental Formação em Gestão Ambiental e ISO 14001 a todos os membros do Conselho de Gestão Ambiental Obtenção de licenças em falta e elaboração e implementação de projectos de alterações necessárias, identificadas no diagnóstico como inconformidades legais Definição do âmbito do SGA Esboço da Política Ambiental Formação de sensibilização ambiental a todos os trabalhadores Elaboração de cadernos de encargos com definição das actividades a desenvolver por cada membro do Conselho de Gestão Ambiental, com coordenação do Responsável do Ambiente Procedimento Registos Procedimento controlo de documentos Procedimento formação Procedimento Comunicação Política Ambiental Elaboração de manual de gestão ambiental Procedimento NC/AC/AP Identificação das necessidades de formação Elaboração e implementação do plano de formação Requisitos legais aplicáveis a cada aspecto ambiental Definição de Objectivos e Metas Elaboração de programa de gestão ambiental Procedimento Requisitos legais e outros Levantamento de Requisitos legais Procedimento Identificação e avaliação de aspectos ambientais Identificação de aspectos ambientais de actividades, produtos e serviços e identificação de impactes associados Avaliação da significância de aspectos ambientais Identificação dos impactes das situações de emergência Identificação de mitigações para os impactes das situações de emergência Levantamento de situações de emergência Implementação da política ambiental Implementação do programa de gestão ambiental Formação auditorias ISO 19011 Elaboração de procedimento para dar resposta às situações de emergência Simulacro de situações de emergência Elaboração de procedimentos documentados de controlo operacional Identificar equipamentos /instrumentos críticos Procedimento Auditorias Auditoria interna a todo o SGA Correcção de não-conformidades da Auditoria interna a todo o SGA registadas na auditoria Revisão pela Gestão Elaboração e implementação do plano de monitorização e calibração Preparação de processo de certificação Implementação de Procedimentos de controlo operacional Sensibilização para a importância do cumprimento dos requisitos da norma, com a definição de recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades 12 Meses Página 17 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Figura 4 - Cronograma de implementação de um SGA Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 O planeamento da implementação de um SGA tem de ser desenvolvido e posto em prática prevendo a possibilidade de ocorrência de contratempos associados a riscos do negócio, riscos técnicos ou riscos de projecto. Entenda-se como: • Riscos do negócio Riscos que fogem ao controlo do planeamento, como uma mudança de administração, inviabilizando a continuidade do projecto por perda de apoio da Gestão de topo ou alterações orçamentais; • Riscos técnicos riscos associados a potenciais problemas de implementação, execução do projecto, interfaces interdepartamentais, verificação e manutenção. Podem ser ainda resultantes, entre outros, de ambiguidade na especificação, incertezas técnicas, obsolescência técnica e incorrecta utilização de tecnologia de ponta; • Riscos de projecto riscos decorrentes de má orçamentação e programação, de gestão dos recursos humanos envolvidos no projecto, de disponibilização de recursos e de incapacidade de cumprimento de requisitos. Página 18 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2 - ISO 14001:2004 2.1 - Objectivo e campo de aplicação A ISO 14001 define requisitos que permitem a uma organização desenvolver o seu próprio SGA, com uma política e objectivos sustentados em requisitos legais, bem como outros que a organização subscreva, e nos seus aspectos ambientais, quer estes sejam possíveis de controlar ou apenas de influenciar. Não pretendendo definir critérios específicos de desempenho ambiental, existem outras normas da série ISO 14000 específicas para a avaliação do desempenho ambiental, sendo estas: • ISO 14031:1999 Gestão ambiental – Avaliação de desempenho ambiental – Linhas de orientação (NP EN ISO 14031:2005) • ISO/TR 14032:1999 Gestão ambiental – Exemplos de avaliação do desempenho ambiental A ISO 14001 aplica-se a qualquer organização que pretenda: • “Estabelecer, implementar, manter e melhorar um SGA; • Assegurar-se da conformidade com a sua política ambiental; • Demonstrar conformidade com esta Norma; o Efectuando uma auto-avaliação e auto-declaração, ou o Procurando obter a confirmação da sua conformidade por entidades com interesse na organização, tais como clientes, ou o Procurando obter a confirmação da sua autodeclaração por uma parte externa à organização, ou o Procurando obter a certificação/registo do seu SGA por uma organização externa.” “Todos os requisitos desta Norma Internacional têm como objectivo serem incorporados em qualquer sistema de gestão Página 19 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 ambiental. O grau de aplicação dependerá de diversos factores, tais como a política ambiental da organização, a natureza das suas actividades, produtos e serviços, sua localização e as condições em que funciona.” 2.2 - Referências normativas Não é citada nenhuma referência normativa na edição ISO 14001:2004. Esta secção foi mantida de forma a não causar uma alteração de numeração de secções em relação à primeira edição (ISO:14001:1996). 2.3 - Termos e definições Acção Correctiva: acção para eliminar a causa de uma Não Conformidade detectada ou de outra situação indesejável. NOTA O meio de suporte pode ser papel, magnético, electrónico ou disco óptico de computador, fotografia ou amostra de referência, ou uma das suas combinações. Acção Preventiva: acção para eliminar a causa de uma potencial Não Conformidade detectada ou de outra potencial situação indesejável. Ambiente: envolvente na qual uma organização opera, incluindo o ar, a água, o solo, os recursos naturais, a flora, a fauna, os seres humanos, e as suas inter relações. NOTA Neste contexto, a envolvente vai do interior da organização ao sistema global. Aspecto ambiental: elemento das actividades, produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o ambiente. NOTA Um aspecto ambiental significativo tem, ou pode ter, um impacte ambiental significativo. Auditor: pessoa com competência para realizar uma auditoria [ISO 9000:2000] Página 20 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Auditoria interna: processo sistemático, independente e documentado para obtenção de evidências de auditoria e respectiva avaliação objectiva, com vista a determinar em que medida os critérios de auditoria ao sistema de gestão ambiental estabelecidos pela organização são cumpridos. NOTA Em muitos casos, particularmente em organizações de menor dimensão, a independência pode ser demonstrada através da ausência de responsabilidade pela actividade a ser auditada. Correcção: detectada. acção para eliminar uma Não Conformidade Desempenho ambiental: resultados mensuráveis da gestão dos aspectos ambientais de uma organização NOTA No contexto de sistemas de gestão ambiental, os resultados podem ser medidos face à política ambiental, aos objectivos ambientais, às metas ambientais e a outros requisitos de desempenho ambiental da organização. Documento: informação e respectivo meio de suporte NOTA O meio de suporte pode ser papel, magnético, electrónico ou disco óptico de computador, fotografia ou amostra de referência, ou uma das suas combinações. Impacte ambiental: qualquer alteração no ambiente, adversa ou benéfica, resultante, total ou parcialmente, dos aspectos ambientais de uma organização. Melhoria contínua: processo recorrente de aperfeiçoamento do sistema de gestão ambiental, por forma a atingir melhorias no desempenho ambiental global, de acordo com a política ambiental da organização NOTA Não é necessário que o processo se aplique, simultaneamente, em todas as áreas de actividade. Meta ambiental: requisito de desempenho detalhado, aplicável à organização ou a partes desta, que decorre dos objectivos Página 21 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 ambientais e que tem de ser estabelecido e concretizado de modo a que tais objectivos sejam atingidos. Não Conformidade (N.C.): Não satisfação de um requisito. Objectivo ambiental: finalidade ambiental geral, consistente com a política ambiental, que uma organização se propõe atingir. Organização: companhia, sociedade, firma, empresa, autoridade ou instituição, ou parte ou combinação destas, de responsabilidade limitada ou com outro estatuto, pública ou privada, que tenha a sua própria estrutura funcional e administrativa NOTA Para as organizações com mais de uma unidade operacional, cada uma destas unidades pode ser definida como uma organização. Parte interessada: pessoa ou grupo interessado ou afectado pelo desempenho ambiental de uma organização. Política ambiental: conjunto de intenções e de orientações gerais de uma organização relacionadas com o seu desempenho ambiental, como formalmente expressas pela Gestão de topo NOTA A política ambiental fornece um enquadramento para actuação e para o estabelecimento de objectivos ambientais e metas ambientais. Prevenção da poluição: utilização de processos, práticas, técnicas, materiais, produtos, serviços ou energia para evitar, reduzir ou controlar (separadamente ou em combinação) a geração, emissão ou descarga de qualquer tipo de poluente ou resíduo, com vista à redução dos impactes ambientais adversos. NOTA A prevenção da poluição pode incluir a redução ou eliminação na origem, alterações de processos, produtos ou serviços, utilização eficiente dos recursos, substituição de materiais e energia, reutilização, recuperação, reciclagem e tratamento. Página 22 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Procedimento: modo especificado de realizar uma actividade ou um processo. NOTA: Os procedimentos podem ou não estar documentados. Registo: documento que expressa resultados obtidos ou que fornece evidência das actividades realizadas. Sistema de Gestão Ambiental: parte do sistema de gestão de uma organização utilizada para dirigir e controlar uma organização no que respeita ao ambiente. NOTA Um sistema de gestão é um conjunto de requisitos interrelacionados, utilizados para estabelecer uma política e objectivos e para atingir tais objectivos. NOTA Um sistema de gestão inclui a estrutura organizacional, as actividades de planeamento, as responsabilidades, as práticas, os procedimentos, os processos e os recursos. 2.4 - Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental A implementação e manutenção dos requisitos segue as quatro fases fundamentais do ciclo de Deming: Planear, Executar, Verificar e Actuar. Estas quatros fases, no seu conjunto, são mais conhecidas por PDCA, correspondendo às iniciais em inglês de “Plan”, “Do”, “Check” e “Act”. Este capítulo segue uma numeração com a qual se procura estabelecer uma relação simples coma numeração dos requisitos da ISO 14001:2004, e.g., o ponto 2.4.1 corresponde ao ponto 4.1 da Norma. No início de cada requisito, o texto da Norma está transcrito integralmente dentro de uma caixa azul, com sublinhado dos autores. Assim como, no final de cada requisito são apresentadas, dentro de uma caixa castanha, algumas perguntas de verificação e revisão. Página 23 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.1 Requisitos Gerais A organização deve estabelecer, documentar, implementar, manter e melhorar continuamente um sistema de gestão ambiental de acordo com os requisitos da presente Norma, e determinar como irá cumprir tais requisitos. A organização deve definir e documentar o âmbito do seu sistema de gestão ambiental. A correcta implementação de um SGA exige o cumprimento de todos os requisitos, sem excepção. A ausência de um requisito corresponde a uma nãoconformidade crítica, colocando em causa o bom funcionamento de todo o SGA. O grande objectivo de um SGA em pleno funcionamento é garantir não só a melhoria contínua do próprio SGA, mas também a melhoria contínua do desempenho ambiental da organização. É fundamental que a organização defina como vai cumprir todos os requisitos, de forma a compatibilizar a implementação do sistema com o modelo de gestão global. Ao definir como vão ser cumpridos tais requisitos, deve-se ter em consideração: • Dimensão da organização; • Complexidade da estrutura orgânica; • Actividades, produtos e serviços; • Natureza e dimensão dos impactes ambientais das actividades da organização; Página 24 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Importância de requisitos ambientais para a população envolvente, sociedade em geral e sobre tudo para os clientes; • Relação custo/benefício da utilização de determinadas tecnologias na resolução de problemas ambientais; • Viabilidade económica e de execução da implementação do SGA, garantindo o cumprimento legal e da política ambiental até à certificação. Nesta segunda edição da ISO 14001:2004, surge uma novidade relacionada com a necessidade de definição do âmbito do SGA. A definição do âmbito não é mais do que uma forma de levar a organização a estabelecer fronteiras, instalações abrangidas, ou conjunto de processos. Esta definição permite uma identificação mais clara e inequívoca de todas as actividades, produtos e serviços que podem ser enquadrados dentro do âmbito. Se, por exemplo, a definição do âmbito se resume a uma instalação localizada na zona centro do país, ficando bem claro que o limite territorial é a vedação do terreno da fábrica, é importante justificar essa decisão, nomeadamente quando existirem actividades, produtos e serviços que possam estar relacionados com aspectos ambientais significativos fora do limite das instalações, como por exemplo no caso de um processo de expedição de produtos perigosos. Nesta situação, a possibilidade de ocorrer um acidente com impactes ambientais graves leva a que faça todo o sentido incluir o processo de expedição dentro do âmbito. O mesmo se passa dentro de uma instalação, onde não se deve excluir um processo mais poluente do âmbito, apenas para garantir a certificação. Enquanto que o EMAS proíbe esta prática expressamente, no caso da ISO 14001:2004 esta omissão é vista como uma falha no princípio de prevenção da poluição. Em suma, o âmbito serve essencialmente para facilitar a compreensão do SGA como método de controlar as actividades com maiores impactes ambientais. Assim, possibilita a exclusão de actividades, produtos e serviços que apenas possam tornar o SGA mais pesado, sem grandes mais valias para a prevenção Página 25 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 da poluição e para a melhoria do desempenho ambiental da organização. 2.4.2 Política ambiental A Gestão de topo deve definir a política ambiental da organização e garantir que, no âmbito definido para o seu sistema de gestão ambiental, esta política: a) é adequada à natureza, à escala e aos impactes ambientais das suas actividades, produtos e serviços; b) inclui um compromisso de melhoria contínua e de prevenção da poluição; c) inclui um compromisso de cumprimento dos requisitos legais aplicáveis e de outros requisitos que a organização subscreva relativos aos seus aspectos ambientais; d) proporciona o enquadramento para estabelecer e rever os objectivos e metas ambientais; e) está documentada, implementada e mantida; f) é comunicada a todas as pessoas que trabalham para a organização ou em seu nome; e g) está disponível ao público. As políticas ambientais variam consoante as organizações e muitas vezes nem sequer existem, podendo ir do simples enunciado de uma orientação até à descrição de numerosas linhas de acção. A política ambiental de uma organização deve estar clara e formalmente expressa e enquadrar-se na política global existente. Esta, por seu lado, deve decorrer de uma visão e missão bem definidas e conhecidas de todos. É importante que a política ambiental esteja escrita, não só por ser um requisito da ISO 14001, como pelo facto de que o acto Página 26 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 de redigir implica um profundo amadurecimento das ideias e a existência de documentos escritos permite que as políticas sejam divulgadas sem deturpação e estejam ao alcance de todos. A política ambiental é um documento sustentador de todo o sistema, tendo de reflectir, para além de três compromissos previstos pela Norma, linhas de orientação para a prioridade de actuação sobre os aspectos ambientais mais significativos da organização. A elaboração da política ambiental pode começar por ser esboçada, logo no início do projecto de implementação do SGA, pela Gestão de topo, de forma a estabelecer um enquadramento ambiental adequado à natureza, à escala e aos impactes ambientais das actividades, produtos e serviços. No entanto, apenas após a identificação e avaliação dos aspectos ambientais é que será possível aprovar uma versão definitiva, com consciência dos aspectos ambientais mais significativos. Os três compromissos fundamentais para qualquer SGA são o compromisso: • Prevenção da poluição; • Cumprimento legal; • Melhoria contínua. Página 27 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Melhoria contínua Cumprimento legal Prevenção da poluição Política Ambiental Figura 5 – Três pilares (compromissos) de uma política ambiental A política ambiental não deve ser elaborada empiricamente, ou adaptando-se o texto de outra qualquer política ambiental disponível na internet. A consulta de outras políticas é aconselhável apenas numa fase inicial de investigação e desenvolvimento, em que a reunião de casos práticos pode potenciar o diálogo na elaboração da própria política. Para além dos compromissos definidos na Norma e de um enquadramento para o estabelecimento de objectivos e metas, a política ambiental, dependendo da natureza da organização, pode incluir uma série de outros compromissos, tais como: • Minimização dos impactes ambientais significativos para novos desenvolvimentos, actuando na fase de planeamento e implementando procedimentos de gestão ambiental; • Desenvolvimento de procedimentos para avaliar desempenho ambiental através de indicadores; • Utilização de metodologias de análise de ciclo de vida para actuar ao nível da concepção, no sentido de Página 28 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS o Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 minimizar impactes na fase de produção, utilização e eliminação; • Formação e sensibilização ambiental de trabalhadores; • Participação em projectos de permuta de experiências na área da gestão ambiental; • Envolvimento de partes interessadas e comunicação com estas; • Trabalho no sentido do desenvolvimento sustentável; • Influência e pedagogia aos fornecedores no sentido de implementarem um SGA. As frases que compõem a política ambiental, devem reflectir a realidade actual da empresa. Algumas frases são expressamente desaconselháveis, apesar de tornarem o texto da política mais impressivo, por serem demasiado generalistas ou inatingíveis, como é o caso das seguintes frases: • …a empresa procura alcançar o desenvolvimento sustentável; • …formar todos os comunidades vizinhas; • …padrão de excelência mundial; • …utilizar a melhor tecnologia disponível. funcionários, fornecedores e A título de exemplo, no caso da primeira frase, um compromisso como “…a empresa procura actuar no sentido do desenvolvimento sustentável”, já seria aceitável. Importante será nunca esquecer que a política ambiental terá de proporcionar um enquadramento para o estabelecimento de objectivos e metas do programa de gestão ambiental. Uma sugestão para consolidar a elaboração da política ambiental é a realização de questionários a partes interessadas, procurando averiguar quais os aspectos ambientais significativos que devem ser alvo de maior incidência na política ambiental. Página 29 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 As partes interessadas a consultar poderão ser: • a comunidade em geral, que habitualmente demonstra preocupações quanto ao desempenho ambiental e ao papel social no desenvolvimento local e nacional; • Os clientes, que para além do desempenho ambiental da organização podem exigir requisitos de ecodesign dos produtos ou análises do ciclo de vida, minimizando impactes em fim de vida; • Os fornecedores, que por força de parcerias têm interesse em trabalhar com clientes reconhecidos no mercado pelo seu desempenho ambiental; • Os trabalhadores, que inicialmente tanto podem valorizar a motivação que um SGA pode trazer para o ambiente de trabalho, como podem valorizar a prevenção da poluição e o melhor desempenho ambiental da organização, contribuindo socialmente para o desenvolvimento sustentável. O resultado de um levantamento dos interesses das partes interessadas num SGA pode ajudar na elaboração de uma política ambiental adequada e mobilizadora de todos os envolvidos. Elaborada e aprovada pela Gestão de topo, a política da qualidade deve ser comunicada a todas as pessoas que trabalham para a organização ou em seu nome, e estar disponível ao público, sendo comunicada para o exterior sempre que solicitada. Para que este público-alvo, tão lato, consiga compreender toda a informação disponível na política, esta deve ser simples, clara, explícita e apelativa. O modo de divulgação e de sensibilização para a política ambiental a todos os níveis não se deve cingir a uma simples afixação de cartazes, ainda que bem visíveis, importando que seja feito por contacto pessoal (em cascata, nas grandes empresas), folhas informativas, jornais, etc.. Não menos importante é a coerência posta nas sentenças expressas, na medida em que a não correspondência entre a política e a realidade pode ser mais um factor de descrença e estagnação que um factor de melhoria. Página 30 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Não é de estranhar que, no decorrer de uma auditoria de concessão, um auditor pergunte a qualquer empregado que tipo de explicações é que lhe foram dadas quanto ao seu papel no SGA. A comunicação interna da política pode ser realizada por meio de acções de formação em sala, onde é apresentada, aproveitando-se para sensibilizar os trabalhadores para alguns aspectos ambientais mais significativos relacionados com as funções que desempenham no quotidiano. Em complemento à formação em sala, existem ferramentas mais económicas e eficazes que podem ser implementadas, tais como: • Afixação da política em vários locais estratégicos, de grande visibilidade; • Disponibilização da sua consulta no site; • Referências em newsletters ou posters; • Referência à política em todas as reuniões; • Verificação internas. do conhecimento desta em auditorias No caso dos subcontratados, a comunicação da política pode ser efectuada através de outras formas alternativas à própria declaração da política, tais como regulamentos, directivas e procedimentos, e poderá portanto apenas incluir as partes que forem pertinentes. A comunicação externa a todas as partes interessadas ou ao público em geral, pode ser efectuada, em resposta a todas a solicitações, por e-mail, aconselhamento a consulta de site de internet, carta ou fax; no entanto, também é possível recorrer a soluções, como: • Publicação em jornais ou revistas; • Divulgação em seminários ou conferências; • Publicação de relatórios anuais com apresentação da política e de indicadores de desempenho ambiental. Página 31 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Após a elaboração da primeira versão da política ambiental é importante ter consciência que esta é um documento dinâmico, que deve ser alvo de reflexão em cada revisão pela gestão, de modo a garantir a sua actualidade para com os aspectos ambientais mais significativos a cada momento. No anexo I são apresentadas duas políticas ambientais. Uma política ambiental e outra política da qualidade e ambiente, estando ambas assinaladas com alguns comentários que podem ser alvo de debate e verificação com o requisito da Norma. Revendo: A política ambiental • Está documentada, datada e aprovada? • É simples, clara, explícita e apelativa? • Inclui os três compromissos: o Prevenção da poluição? o Cumprimento legal e de subscritos (caso existam)? outros requisitos o Melhoria contínua? • É adequada e reflecte os aspectos ambientais mais significativos de todas as actividades, produtos e serviços, dentro do âmbito do SGA? • Fornece o enquadramento para o estabelecimento de objectivos e metas? • É realista, tendo-se a certeza que será possível cumprir todos os compromissos? • É comunicada internamente a todos os que trabalham para a organização? E é compreendida? • Está disponível ao público? Página 32 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.3 Planeamento O planeamento de um SGA deve passar pelas seguintes fases: 1. Levantamento inicial ou diagnóstico ambiental (Obrigatório pelo EMAS e aconselhável pela ISO 14001); 2. Identificação das actividades, produtos e serviços em desenvolvimento, novos, actuais e passados abrangidos pelo âmbito do SGA, que sejam relevantes; 3. Identificação de entradas materiais, resíduos, etc.); e saídas (energia, fluidos, 4. Identificação dos aspectos ambientais que a organização pode controlar ou apenas influenciar; 5. Identificação de impactes ambientais de cada actividade, produto e serviço; 6. Avaliação da significância dos aspectos ambientais; 7. Definição de objectivos e metas para os aspectos ambientais mais significativos, tendo em consideração a política ambiental e os requisitos legais aplicáveis; 8. Elaboração do programa de gestão ambiental, com base nos objectivos e metas, definindo recursos, responsabilidades, prazos e indicadores. Página 33 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.3.1 Aspectos ambientais A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para: a) identificar os aspectos ambientais das suas actividades, produtos e serviços, no âmbito definido para o sistema de gestão ambiental, que pode controlar e aqueles que pode influenciar, tendo em consideração os desenvolvimentos novos ou planeados, ou actividades, produtos e serviços novos ou modificados; e b) determinar os aspectos que têm ou podem ter impacte(s) significativo(s) sobre o ambiente (i.e. aspectos ambientais significativos). A organização deve documentar esta informação e mantê-la actualizada. A organização deve assegurar que os aspectos ambientais significativos são tomados em consideração no estabelecimento, implementação e manutenção do seu sistema de gestão ambiental. Este requisito é a base de trabalho de todo o SGA e merece uma atenção reforçada para que haja um amadurecimento e compreensão da importância da informação gerada na identificação e avaliação de aspectos ambientais. Sobretudo, é fundamental que seja desenvolvido por quadros da organização que estejam envolvidos na implementação do SGA e nunca apenas por um colaborador externo. O levantamento inicial é uma ferramenta importante para o desenvolvimento deste trabalho, já que permite, na maioria dos casos, a tomada de conhecimento de novas questões ambientais nunca tidas em consideração na gestão da organização e auxilia o enquadramento legal geral. Este sim poderá ser desenvolvido por um técnico de ambiente externo Página 34 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 com melhores conhecimentos da legislação ambiental. No entanto, também poderá ser desenvolvido internamente com o auxílio de ferramentas de auto diagnóstico ambiental em forma de lista de verificação. A ferramenta recomendada é o “Guia de referência para a realização de auto-diagnósticos ambientais”, publicado pela AIP em conjunto com este Guia. Segundo a Norma as definições de aspecto ambiental e impacte ambiental são, respectivamente: • “Aspecto ambiental: elemento das actividades, produtos ou serviços de uma organização que pode interagir com o ambiente. Nota: Um aspecto ambiental significativo tem, ou pode ter, um impacte ambiental significativo.” • “Impacte ambiental: qualquer alteração no ambiente, adversa ou benéfica, resultante, total ou parcialmente, dos aspectos ambientais de uma organização.” Assim, um aspecto ambiental tem associado a si um ou mais impactes ambientais. Por vezes é comum a confusão entre os dois conceitos. O primeiro passo para a identificação dos aspectos ambientais será a identificação das actividades, produtos e serviços abrangidos pelo âmbito do SGA. Para tal, um método simples que permite sistematizar o máximo de informação é a elaboração de um fluxograma das actividades, enquadrando se possível produtos e serviços. A este fluxograma adiciona-se a informação de todas as entradas e saídas. Página 35 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Corantes Solventes Água PEAD Início do fluxograma Fuel (Energia) Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Actividade 1 Actividade 2 Ruído Peças de PEAD … Resíduos perigosos Actividade 3 Águas residuais industriais Emissões atmosféricas Actividade 2 Figura 6 – Representação de entradas e saídas de uma actividade No anexo II é possível consultar um exemplo tipo de um esquema de sistematização de dados, diferente dos fluxogramas habituais porque não encadeia actividades. Nele, para cada actividade, produto ou serviço, devem ser identificados os respectivos fluxos elementares de entradas (energia, água, matéria prima, ar comprimido, produtos químicos, etc.) e saídas (energia calorífica, resíduos, efluentes líquidos, emissões atmosféricas, etc.). A identificação das actividades, produtos e serviços deve ter em consideração os que estão em desenvolvimento, os novos e os actuais abrangidos pelo âmbito do SGA, que sejam relevantes. É aconselhável que este levantamento, bem como todo o trabalho deste requisito, seja realizado com o envolvimento do Conselho de Ambiente e/ou pelo menos um elemento de cada departamento da organização, de modo a promover: • o envolvimento dos participantes; Página 36 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • a identificação de actividades produtos e serviços a todos os níveis e funções; • a identificação de boas práticas ambientais já existentes; • a identificação de acidentes e incidentes ambientais passados; • a recolha de ideias propostas para minimização imediata de impactes ambientais. No anexo II são apresentadas propostas de matrizes para a recolha destas informações. Após o trabalho de identificação das entradas e saídas de cada actividade é aconselhável algum debate sobre a melhor forma de detalhar essas actividades, sem se ser excessivamente genérico (e.g., considerando a produção como uma actividade única) ou, pelo contrário, demasiadamente específico (e.g., considerando por exemplo que 3 linhas de secagem idênticas, como 3 actividades distintas). O envolvimento de várias pessoas poderá ser mais dispendioso, tendo em conta as horas dispendidas por cada trabalhador, mas poupa normalmente em trabalho de consultoria e em eficácia. O seu desenvolvimento à margem daqueles a quem o problema diz respeito salda-se quase sempre em custos muito maiores. O resultado final da definição de actividades, produtos e serviços, vai servir para iniciar a identificação de todos os aspectos ambientais, possíveis de controlar ou influenciar, relacionados com cada actividade, produto e serviço, tendo sempre em consideração as entradas e saídas. Uma entrada de uma actividade, como a energia utilizada, pode ser considerada um aspecto ambiental, visto a energia ser um elemento indispensável da actividade, como referido na definição de aspecto ambiental. Para além das entradas e saídas, existem outros referenciais relevantes para a identificação de aspectos ambientais, nomeadamente: situações de paragem de produção, ocorrências anormais e situações de emergência razoavelmente previsíveis. São exemplos de aspectos ambientais: Página 37 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Consumos de água; • Efluentes líquidos (águas residuais industriais, urbanas ou pluviais); • Consumo de energia (eléctrica, consumo de combustíveis, energias renováveis ou outro tipo); • Libertação de energia (calorífica, eléctrica desperdiçada ou outro tipo de perda de energia); • Consumos de matérias-primas ou materiais subsidiários; • Efluentes gasosos (fontes fixas ou difusas de poluentes atmosféricos); • Resíduos produzidos (industriais, equiparáveis a sólidos urbanos, hospitalares ou agrícolas); • Solos contaminados (no potencialmente no futuro); • Incomodidade devido ao Ruído (da vizinhança ou por incumprimento legal); • Riscos industriais graves (aplicação de legislação específica para actividades que utilizam substâncias ou preparações perigosas em grandes quantidades). passado, no presente ou Para definir se um aspecto ambiental pode ser controlado ou apenas influenciado é necessário proceder a uma recolha de dados que permitam a descrição detalhada desse aspecto ambiental. Por exemplo, uma actividade ruidosa, que provoca incomodidade da vizinhança, pode ser controlada se existirem alternativas de isolamento ou redução do ruído na fonte com alteração do equipamento. Neste caso, após uma medição do ruído anterior às alterações, e uma posterior, é possível controlar o aspecto ambiental demonstrando a redução do ruído para níveis aceitáveis. Se o ruído for produzido pela circulação de veículos utilizados para expedição de produto acabado, por uma empresa subcontratada, apenas será possível influenciar o fornecedor para que este garanta o cumprimento dos requisitos legais, nomeadamente pela utilização de manutenção adequada e exigência do comprovativo das inspecções a que é obrigado. Página 38 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Exemplos de dados importantes a recolher que documentam cada aspecto ambiental: • Descritivos da situação (e.g., memória descritiva da actividade, produto ou serviço relacionado, local de descarga, destino final, duração, produto relacionado, despesas já existentes, etc.) • Quantitativos (e.g., peso, volume, caudal, sonora, concentração, composição, etc.); • Qualitativos (e.g., propriedades físico-químicas ponto de ebulição, pH, inflamabilidade, etc.). pressão Para cada aspecto ambiental identificado, são identificados os impactes ambientais associados. A ISO 14004, define alguns tópicos importantes que ajudam a reflectir sobre a relação entre os aspectos ambientais considerados e os impactes associados. Assim, deve-se reflectir sobre: • os impactes ambientais negativos (adversos); positivos (benefícios) ou • os impactes ambientais actuais e os potenciais; • os compartimentos do ambiente que podem ser afectados, como o ar, a água, o solo, a flora, a fauna, herança cultural, etc.; • As características locais que podem afectar o impacte, como as condições climatéricas, o nível freático, o tipo de solo etc.; e • A natureza das alterações ambientais (global vs local, a duração de ocorrência do impacte, o potencial do impacte ser acumulativo ao longo do tempo). A tomada em consideração destas questões pode prevenir a revisão total da identificação e avaliação dos aspectos ambientais, tarefa esta que é bastante extensa e morosa. Página 39 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 A identificação dos impactes ambientais para cada aspecto ambiental deve ter sempre em consideração os vários descritores ambientais, devendo-se reflectir sobre a existência de impactes em diversas áreas, como por exemplo: Atmosférica Poluição atmosférica com efeitos ao nível da terra, por exemplo o ozono troposférico, ou nas camadas superiores da atmosfera com influência na camada de ozono; Solo Contaminação, empobrecimento ou desertificação; Água Contaminação química, orgânica eutrofização, uso excessivo; ou térmica, Clima Alterações climáticas; População Incomodidade da vizinhança ou espécies protegidas pelo ruído produzido ou vibrações e impactes psicossociais por influência no bemestar da população; Paisagem Alteração da geomorfologia ou paisagística; Fauna e flora Extinção de uma espécie afectando a biodiversidade, influência na nidificação de uma espécie, afectação da reprodução de uma espécie por contaminação do habitat com um determinado metal pesado. A avaliação dos aspectos ambientais é baseada numa metodologia definida pela própria organização, sendo a Norma neste campo bastante flexível, sem estipular qualquer metodologia específica. O fundamental é que esta seja realista, tendo em consideração os impactes ambientais, e reprodutível. Em anexo (Anexo II) é apresentada uma proposta de matriz para a identificação e avaliação de aspectos ambientais. A Norma define que a organização deve estabelecer, implementar e manter um procedimento, embora não exija que seja documentado. Este procedimento define essencialmente a metodologia utilizada na identificação e avaliação de aspectos ambientais. Sendo um procedimento que apenas inicialmente se demonstra Página 40 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 extenso, deve no futuro apenas ser utilizado para prever novos desenvolvimentos e alterações de actividades. Já a manutenção dos registos documentados desta identificação é obrigatória, assim como os da avaliação para determinação da significância. A matriz apresentada no anexo II procura ser suficientemente intuitiva para evitar a documentação de um procedimento que descreva o seu preenchimento. Para além desta metodologia, que apenas utiliza critérios de frequência e magnitude, é possível desenvolver métodos um pouco mais complexos, contando com uma maior variedade de parâmetros, como por exemplo: Severidade Está relacionada com propriedades intrínsecas do aspecto, como por exemplo a perigosidade do produto para o ambiente. Probabilidade A probabilidade é um dos principais parâmetros das análises de risco, nomeadamente dos riscos associados a aspectos ambientais. Geralmente é definida com base na frequência de ocorrências, quando estas têm lugar, quer na própria organização, quer no exterior, em organizações semelhantes. Na falta destes dados, recorre-se por vezes a estudos analíticos (análises de risco) baseados nas probabilidades das falhas de componentes do sistema que possam ter impacte no ambiente e na segurança, e nas probabilidades das falhas humanas. Por sua vez, estas últimas são função das competências para a realização da actividade, da complexidade do sistema e das condições operacionais (ambiente de trabalho, duração do turno, etc.). Magnitude Atribui ao aspecto ambiental uma classificação que permite ter uma noção da dimensão do impacte ambiental correspondente. Por exemplo se será sentido apenas localmente ou, pelo contrário, a nível regional, nacional ou mundial. Capacidade de controlo Define se o aspecto ambiental não necessita de controlo, sendo de correcção imediata, ou se pelo contrário requer controlo. Pode, por exemplo, exigir ou não o seguimento da actividade com a Página 41 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 definição de indicadores específicos. Estes indicadores podem ou não necessitar de equipamento específico de medição. Um aspecto ambiental pode ainda não ser possível de controlar, mas sim de influenciar, como é o caso de actividades realizadas por subcontratados. Todos estes casos definem graus diferentes de capacidade de controlo. A possibilidade de não se documentar este procedimento requer alguns cuidados específicos, como a definição de responsabilidades para cada fase do procedimento. Por exemplo: • Quem é responsável pela identificação de aspectos ambientais? • Quem é responsável pela identificação dos impactes ambientais? • Quem é responsável pela identificação de requisitos legais aplicáveis a cada aspecto ambiental? Possivelmente, a resposta a todas as questões passa pelos responsáveis de cada actividade e pelo responsável do ambiente, como coordenador. Página 42 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Aspectos ambientais • Foram identificadas todas as actividades, produtos e serviços, em desenvolvimento, planeados e actuais, abrangidos pelo âmbito do SGA e relevantes para este? • Foram identificados os aspectos ambientais possíveis de controlar ou influenciar para cada actividade, produto e serviço? • Foram identificados os impactes ambientais associados a cada aspecto ambiental? • Foram identificados quais os aspectos ambientais mais significativos? • A metodologia utilizada para classificar os aspectos ambientais é reprodutível por mais do que uma pessoa? • Os aspectos ambientais mais significativos foram tidos em consideração no estabelecimento de objectivos e na documentação de procedimentos de controlo operacional? Página 43 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.3.2 Requisitos legais e outros requisitos A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para: a) identificar e ter acesso aos requisitos legais aplicáveis e a outros requisitos que a organização subscreva, relacionados com os seus aspectos ambientais; e b) determinar como estes requisitos se aplicam aos seus aspectos ambientais. A organização deve assegurar que estes requisitos legais aplicáveis e outros requisitos que a organização subscreva são tomados em consideração no estabelecimento, implementação e manutenção do seu sistema de gestão ambiental. Com o compromisso de cumprimento legal, explícito na política ambiental, este requisito é da maior importância, não só pela segurança jurídica em si e prevenção de custos associados a coimas, mas também pelas entradas que fornece a muitos dos outros requisitos do SGA. A identificação e avaliação de aspectos ambientais exige um razoável conhecimento da legislação ambiental aplicável; por outro lado, para estabelecer objectivos e metas e rever o SGA também é necessário ter conhecimento do grau de cumprimento legal em matéria de legislação ambiental. Assim, numa fase inicial de implementação do SGA, se não existir nenhuma pessoa com formação ou experiência em legislação ambiental é aconselhável a realização de uma acção de formação interna sobre legislação ambiental. Para além dos requisitos legais a organização pode subscrever outros requisitos, tanto internamente como externamente. Por exemplo, internamente pode definir normas específicas e externamente pode decidir cumprir um programa de objectivos ambientais estipulado ao nível da sua associação sectorial. Página 44 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Segundo a ISO 14004, os requisitos legais a considerar podem ser: a) Legislação, incluindo estatutos e regulamentos; b) Decretos e directivas; c) Alvarás, licenças ou outras formas de autorização; d) Ordens de entidades licenciadoras ou fiscalizadoras, como é o caso de autos de notícia; e) Decisões de tribunais de justiça ou administrativos; f) Fontes do direito como usos e costumes; e g) Tratados, convenções e protocolos. Ainda segundo a ISO 14004, dependendo das circunstâncias e necessidades, a organização pode subscrever requisitos voluntariamente, para além dos requisitos legais, aplicáveis aos aspectos ambientais das suas actividades, produtos e serviços, como por exemplo: a) Acordos com autoridades públicas; b) Acordos com clientes; c) Guias de referência não regulamentares; d) Princípios voluntários ou códigos de boa prática; e) Etiquetagem ambiental voluntária ou compromisso de liderança do produto em termos ambientais; f) Requisitos de associações industriais; g) Acordos com grupos comunitários ou organizações nãogovernamentais; h) Compromissos públicos da organização ou da sua “holding”; e i) Requisitos do grupo/organização. Para que a organização identifique, acompanhe as alterações e tenha acesso aos requisitos legais, existem diversas alternativas. Página 45 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Por exemplo, é possível criar um procedimento de consulta com periodicidade definida, identificação e interpretação da legislação aplicável, criação de base de dados de diplomas relevantes e associação de requisitos aplicáveis a aspectos ambientais, recorrendo a uma assinatura do Diário da República Electrónico, em CD ou em papel. No entanto, como este procedimento exige um envolvimento de algumas horas semanais, existe sempre a alternativa de subcontratar um serviço de actualização e comunicação de nova legislação ambiental, não excluindo a necessidade de o responsável do ambiente ou outra pessoa envolvida em determinado aspecto ambiental, conhecer como determinado requisito legal se aplica. Para além de serviços comerciais de actualização de legislação aplicável existem outras fontes de informação úteis, como revistas de ambiente, sites de internet, livros, participação em acções de formação e seminários, newsletters ou solicitação de informações a associações industriais. No caso da AIP, à data da edição deste documento foi também elaborado um guia de referência para a realização de auto-diagnósticos ambientais, onde constam listas de verificação que abrangem questões de conformidade legal e em anexo é possível consultar uma lista da legislação ambiental relevante. No anexo III é apresentado um fluxograma com uma proposta de estrutura genérica para um procedimento de identificação e interpretação de requisitos legais. O conhecimento de como cada requisito legal se aplica pode ser adquirido com a leitura dos diplomas legais e algum estudo e investigação na área do ambiente. Para legislação específica, que exija conhecimentos técnicos mais detalhados, o aconselhável será recorrer a consultoria externa, aproveitando para criar competências internas com o conhecimento mais aprofundado da legislação. Da análise dos requisitos legais aplicáveis e outros requisitos subscritos é conveniente compreender quais as informações que devem ser comunicadas às pessoas envolvidas em actividades com aspectos ambientais associados. A sensibilização para o cumprimento legal deve ser vista como um apelo ao cumprimento das responsabilidades da organização para com a sociedade, não responsabilizando os trabalhadores directamente pelo incumprimento legal, mas Página 46 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 sim fazendo-os colaborar nas acções necessárias para que o cumprimento seja atingido e mantido. Para assegurar que os requisitos legais e outros subscritos são tomados em consideração no estabelecimento, implementação e manutenção do seu sistema de gestão ambiental, estes devem demonstrar coerência ao nível do programa de gestão ambiental e planeamento da monitorização e medição. Para averiguar a manutenção do cumprimento legal existe o requisito “avaliação da conformidade”, que funciona sobretudo como um referencial para a revisão do sistema. A implementação do procedimento de requisitos legais e outros acarreta implicações em quase todos os SGA, com especial importância nos seguintes pontos: • Actualização de aspectos ambientais significativos; • Actualização de registos sobre legislação aplicável; • Actualização dos objectivos, metas e programa de gestão ambiental; • Actualização de planos de formação; • Actualização de planos de monitorização parâmetros de avaliação da conformidade legal; • Recursos (investimentos em equipamento, instalações). e de Revendo: Requisitos legais e outros requisitos • Foram identificados os requisitos legais ambientais aplicáveis a cada aspecto ambiental? • Como é que cada requisito se aplica ao(s) respectivo(s) aspecto(s) ambiental(ais)? • A organização subscreve outros requisitos para além dos legais? • Página 47 de 173 procedimento para acesso, Foi implementado um consulta, actualização e interpretação de requisitos legais aplicáveis aos aspectos ambientais? UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS • Os requisitos legais são comunicados e compreendidos dentro da organização? Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Página 48 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.3.3 Objectivos, metas e programa(s) A organização deve estabelecer, implementar e manter objectivos e metas ambientais documentados, a todos os níveis e funções relevantes dentro da organização. Os objectivos e metas devem ser mensuráveis, sempre que possível, e consistentes com a política ambiental, incluindo os compromissos relativos à prevenção da poluição, ao cumprimento dos requisitos legais aplicáveis e outros requisitos que a organização subscreva, e à melhoria contínua. Ao estabelecer e rever os seus objectivos e metas, a organização deve ter em conta os requisitos legais e outros requisitos que a organização subscreva, e os seus aspectos ambientais significativos. Deve também considerar as suas opções tecnológicas e os seus requisitos financeiros, operacionais e de negócio, bem como os pontos de vista das partes interessadas. Para atingir os seus objectivos e metas, a organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais programas. Este(s) programa(s) deve(m) incluir: a) a designação das responsabilidades para atingir os objectivos e metas, aos níveis e função relevantes da organização; e b) os meios e os prazos de realização. A prossecução da política ambiental implica que sejam definidos os objectivos a atingir, os quais deverão ser viáveis (realistas), rigorosamente identificados e quantificáveis. Satisfeitas estas condições haverá ainda que garantir que eles sejam: • Compatíveis; Página 49 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Hierarquizados; • Estáveis; • Globais (envolvendo todas as áreas que tenham que ver com o ambiente); • Em pequeno número. Inicialmente é aconselhável a definição de objectivos simples para que o sucesso inicial promova uma cultura de melhoria contínua. A existência de um sistema de contabilização dos custos (implícitos e explícitos) ambientais associados facilita normalmente a definição dos objectivos a atingir e a verificação do seu cumprimento. Contudo, não é imprescindível a existência de um tal sistema para se ter implementado um processo permanente e eficaz de melhoria; muitas dessas melhorias podem ser meramente qualitativas e nem sempre é fácil estabelecer uma relação de causa-efeito (esforçoresultado). Em contrapartida, é importante dispor de indicadores (e.g., os relativos aos requisitos legais e regulamentares, melhoria contínua dos processos) que permitam avaliar com objectividade a evolução que vai tendo lugar. O estabelecimento de objectivos integrados num programa de gestão ambiental, focado na minimização dos impactes dos aspectos ambientais mais significativos, traduz-se na prática na definição e implementação de metas e acções bem definidas no tempo e com responsabilidades atribuídas. Os objectivos ambientais devem reflectir a realidade da organização, estando directamente ligados às suas actividades, produtos e serviços. Devem sobretudo ser consistentes com a política ambiental e gestão global da organização. Um objectivo deve ser de âmbito geral à organização e para esse mesmo objectivo podem existir várias metas, espaçadas no tempo e aplicadas a diferentes actividades, produtos e serviços, contribuindo assim, cada sector em particular e na medida do possível, para o atingir de um objectivo geral. Esta visão de objectivos divididos em metas é um dos principais conceitos da gestão ambiental, uma vez que permite a leitura Página 50 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 dos objectivos numa perspectiva de actuando-se em diversas actividades. redução na fonte, Como ponto de referência as respectivas definições aqui abordadas são: “Objectivo ambiental: finalidade ambiental geral, consistente com a política ambiental que uma organização se propõe atingir.” “Meta ambiental: requisito de desempenho detalhado, aplicável à organização ou a partes desta, que decorre dos objectivos ambientais e que tem de ser estabelecido e concretizado de modo a que tais objectivos sejam atingidos.” São exemplos de objectivos e metas: • Objectivo 1: Reduzir o consumo de água em 50% até ao final de 2008 o Meta 1.1: Eliminar o consumo de água do processo X em 5% até 2007. o Meta 1.2: Reduzir o consumo de água para rega em 30% até 2006. o Meta 1.3: Reduzir o consumo de água no processo Y em 70% até 2008. • Objectivo 2: Realizar acções de formação ambiental a todo o pessoal até final de 2006 o Meta 2.1: Duplicar o número de horas de formação ambiental do pessoal da produção em 2006, em relação a 2005. o Meta 2.2: Garantir 32 horas de formação ambiental do pessoal das actividades X e Y em 2006. • Objectivo 3: Duplicar a taxa de reciclagem de resíduos até final de 2006 o Meta 3.1: Até Setembro de 2006 aumentar a reciclagem de resíduos na secção de embalamento em 50%, em relação a 2005. Página 51 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 o Meta 3.2: Até Novembro de 2006 aumentar a reciclagem de resíduos das actividades X e Y em 20%, em relação a 2005. Os objectivos e metas ambientais devem ser revistos com carácter periódico, em geral todos os anos, excepto se surgirem situações conjunturais que obriguem à mudança deste critério. A atribuição das responsabilidades pela sua formulação varia muito de empresa para empresa, em função do tipo e da dimensão. Assim, é natural que numa pequena empresa ou numa empresa de maiores dimensões mas com pouca incidência da acção dos diversos sectores não fabris sobre o ambiente, a definição dos objectivos assente em grande parte no responsável directo pela produção, em sintonia com os proprietários; já em empresas com um contributo importante de diversos sectores nos impactes ambientais (projecto, compras, armazenamento, transporte, manutenção etc.), a definição dos objectivos e metas ambientais deverá ser feita colectivamente pelos responsáveis de todas as partes interessadas. Após a definição de objectivos e metas é fundamental consultar as pessoas que terão responsabilidades associadas para que seja acordada a melhor forma de actuar para atingir os objectivos. Este envolvimento de todos os colaboradores é um factor fundamental de motivação e sensibilização para o cumprimento do programa de gestão ambiental. Página 52 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Política Ambiental Partes interessadas Viabilidade económica Outros projectos Aspectos ambientais mais significativos Programa de Gestão Ambiental Requisitos legais e outros Objectivos Opções tecnológicas Metas Viabilidade operacional Acções a desenvolver com definição de responsabilidades, prazos e meios Figura 7 – Programa de Gestão Ambiental Para que seja garantido o seguimento e cumprimento dos objectivos, metas e respectivas acções, é fundamental definir indicadores. Os indicadores definidos para o seguimento de um programa de gestão ambiental, são uma ferramenta importante para o acompanhamento do desempenho ambiental de uma organização, embora possam ser desenvolvidos paralelamente projectos de avaliação de desempenho ambiental que utilizem indicadores mais específicos e relacionados com aspectos ambientais não considerados como mais significativos, mas que por motivos de recolha de dados para criação de um histórico a analisar a médio/longo prazo, fazem sentido serem acompanhados. Página 53 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 O Desempenho Ambiental, segundo a ISO 14031:2005, é o resultado da gestão dos aspectos ambientais de uma organização. Sintetizam informação quantitativa e qualitativa permitindo a determinação da eficiência da organização, de um ponto de vista ambiental, na utilização dos recursos disponíveis. Os indicadores ambientais permitem também demonstrar a melhoria contínua, aumentando a transparência dos dados utilizados na gestão global da organização. Uma vez que as organizações produzem impactes ambientais em várias escalas, os indicadores podem ser caracterizados segundo o seu âmbito: • Local; • Regional; • Nacional; • Internacional. Por outro lado, os indicadores podem ser definidos em função das partes interessadas: • Entidades fiscalizadoras Emissões de poluentes para o solo, ar e água; • Vizinhança Níveis de ruído junto da organização; • Clientes % de fornecedores avaliados ambientalmente; • Trabalhadores Número anual de horas de formação ambiental; • Acionistas % de investimentos Tecnologias Disponíveis (MTD’s); • ONG’s % de produtos perigosos para o ambiente substituídos no último ano por não perigosos. em Melhores Para que a redefinição dos objectivos e metas tenha sentido é necessário que se encontre disponível a informação de onde possam ser tiradas as conclusões necessárias. Esta informação, Página 54 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 que importa ser escrita, pois de outra forma será difícil sistematizar todos os dados e justificar as decisões, pode revestir diferentes formas, tais como: • Situações de acidente e quase acidente; • Não-conformidades constantes de relatórios de auditorias e de não-conformidades; • Estudos de análise de valor; • Propostas colectivo; • Estudos de "marketing"; • Queixas da sociedade envolvente; • Conhecimento da evolução dos condicionalismos e políticas de actuação dos organismos reguladores oficiais ou oficializados. dos trabalhadores, a título individual ou Uma vez feito o estudo económico com vista a obter o custobenefício resultante da implementação de cada alternativa em determinado grau (e.g., reduzir em 20% as emissões de CO2 para a atmosfera) haverá então que hierarquizar as diversas alternativas em função desse custo-benefício, após o que é feita a selecção qualitativa dos objectivos e estabelecido o valor quantitativo a atingir por cada um. No anexo IV é apresentada uma proposta de sistematização de toda a informação necessária para a gestão de um Programa de gestão ambiental, com a definição de objectivos, metas, indicadores, acções, recursos, responsabilidades e prazos. O sucesso na prossecução dos objectivos seleccionados implica que eles sejam amplamente divulgados por todo o pessoal directa ou indirectamente afectado e colherá tanto mais frutos quanto mais cuidadosa for a forma como forem apresentados e quanto maior for a motivação dos colaboradores. Para as organizações mais orientadas para os aspectos financeiros ligados ao ambiente, poderá ser útil o conhecimento dos indicadores de desempenho ambiental propostos pela UNCTAD/ISAR – United Nations Conference on Trade and Página 55 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Development/Initiative nomeadamente: • for Social Action Renewal, Investimentos relacionados com o ambiente; • Custos operacionais e administrativos ambientais (e.g., em % de vendas, de aumento de vendas, do custo total de produção); • Custos totais de conformidade legal; • Coimas, custos com recuperação e danos; • Custos de gestão de resíduos; • Custos evitados/benefício de medidas de prevenção de poluição; • Reduções de custos na compra de materiais resultantes de reciclagem ou reutilização; • Custos marginais de medidas de protecção ambiental; • Prémios de seguros como medida de efectividade de actividade de gestão de risco; • Redução de emissão / custo da redução; • Investimento ambiental / total de investimento; • • Custos de energia, de consumo de combustível, de embalagem; Doações e outros custos ambientais. Página 56 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Objectivos, metas e programa(s) • Foram estabelecidos objectivos e metas para todos os aspectos ambientais mais significativos, a todos os níveis e funções relevantes dentro da organização? • Os objectivos e metas estabelecidos são coerentes com a política ambiental? • Os objectivos e metas são mensuráveis, sempre que possível? • O programa de gestão ambiental garante a definição de responsabilidades, recursos e prazos de execução de acções? • Foram definidos indicadores contemplados no programa? Página 57 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS para os objectivos Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4 Implementação e operação A implementação e operação de um SGA deve passar pelas seguintes fases: 1. Disponibilizar recursos; 2. Definir, documentar e comunicar as atribuições, responsabilidades e autoridades; 3. Definir as competências necessárias para cada função; 4. Identificar as necessidades de Formação e Sensibilização; 5. Formar e Sensibilizar; 6. Garantir a comunicação interna e externa; 7. Garantir a existência da documentação exigida pela Norma; 8. Garantir o controlo de documentos; 9. Estabelecer, implementar e manter procedimentos de controlo operacional documentados; 10. Garantir a prevenção e a capacidade de resposta a emergências. Página 58 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.1 Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades A Gestão deve garantir a disponibilidade dos recursos indispensáveis para estabelecer, implementar, manter e melhorar o sistema de gestão ambiental. Estes recursos incluem os recursos humanos e aptidões específicas, as infraestruturas da organização e os recursos tecnológicos e financeiros. As atribuições, as responsabilidades e a autoridade devem ser definidas, documentadas e comunicadas, de forma a proporcionar uma gestão ambiental eficaz. A Gestão de topo da organização deve nomear um ou mais representantes específicos que, independentemente de outras responsabilidades, deve(m) ter atribuições, responsabilidades e autoridade definidas, para: a) assegurar que o sistema de gestão ambiental é estabelecido, implementado e mantido, em conformidade com os requisitos da presente Norma; b) relatar à Gestão de topo o desempenho do sistema de gestão ambiental, para efeitos da revisão, incluindo recomendações para melhoria. 2.4.4.1.1 Recursos Os recursos são um requisito envolvente de todo o SGA, devendo a organização providenciar a identificação dos seus requisitos e a obtenção dos meios humanos, materiais e económicos necessários ao bom funcionamento do sistema. No início da implementação de um SGA a Gestão de topo deve ter uma noção do custo que os recursos a disponibilizar e toda a implementação do SGA representam. Caso não exista uma consciência dos custos de implementação e manutenção do sistema, o mais natural é que antes de se verificaram melhorias Página 59 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 ambientais e ganhos para a organização, a Gestão de topo deixe de investir no ambiente, condenando todo o projecto. A Gestão de topo é a entidade fundamental na definição e atribuição dos recursos, tendo de conciliar a decisão de assumir os compromissos da política e os objectivos, com a tomada de decisões cruciais para o funcionamento do SGA. Enquanto que a existência da maioria dos recursos pode ser constatada com relativa facilidade no decorrer das auditorias ambientais, a constatação da prática da sua identificação sistemática não é muitas vezes realizada por falta de metodologia. Porém, esta não é difícil, desde que assente na análise dos planos que devem existir para as diferentes actividades (identificação dos aspectos e dos impactes ambientais, cumprimento legal, melhoria contínua dos aspectos ambientais significativos, recrutamento, selecção, formação e treino, calibrações, armazenamento, movimentação, etc.) e no modo como eles são elaborados, bem como nos relatórios das auditorias e nas revisões pela Gestão. Os pontos chave de um SGA, onde deve constar a definição de recursos, são os planos de acções para cumprimento dos objectivos definidos no programa de gestão ambiental. Apenas com o conhecimento dos recursos disponíveis será possível a cada trabalhador implementar as acções definidas. 2.4.4.1.2 Atribuições, responsabilidades e autoridade “As atribuições, as responsabilidades e a autoridade devem ser definidas, documentadas e comunicadas, de forma a proporcionar uma gestão ambiental eficaz.” Esta sentença da Norma aplica-se a quase todas as funções de uma empresa e inclusivamente aos órgãos de natureza colectiva, tais como comissões directivas, conselho do ambiente, equipas de melhoria, grupos tarefa, etc.., cuja composição também importa descrever com clareza. Contudo, a Norma não especifica qual o tipo de documento que deve suportar essas definições, pelo que são possíveis opções diferentes. Em geral, os manuais de gestão ambiental contêm as funções e responsabilidades dos principais órgãos e gestores do SGA, sendo também frequente apresentar um organograma Página 60 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 hierárquico (relações de autoridade) e um organograma funcional ou diagramas bloco com os fluxos de informação interdepartamentais; já em relação à descrição das funções e responsabilidades, há quem opte por utilizar fichas individuais normalmente assinadas pelos titulares, quando quadros, quem a remeta para os procedimentos ou ainda quem faça ambas; não existe uma solução universalmente aceite como a melhor, sendo necessário uma solução de compromisso entre simplicidade e acessibilidade documental que depende sobretudo da dimensão e complexidade da organização. Uma descrição de funções deve integrar as responsabilidades e funções a nível ambiental com a actividade operacional de cada trabalhador. Cada colaborador da organização deve vestir a camisola das suas funções como um todo e não como actividades acrescidas de alguns cuidados ambientais. A título de exemplo, apresentam-se alguns casos de atribuições para várias funções comuns (Cortesia de Eng.ª Cristina Rocha): • Serviços Reciclagem dos materiais de escritório; • Administrativos aquecimento ambientalmente adequados; • Pessoal Formação, informação, sensibilização; • Contabilidade Introdução de custos e receitas ambientais na análise de investimentos, afectação de custos de tratamento/destino final à origem; • Compras Considerar critérios ambientais na aquisição de matérias-primas e outras, considerar o desempenho ambiental dos fornecedores; • Distribuição Transporte ambientalmente eficiente: carga optimizada dos veículos, optimização de percursos • Saúde e segurança Estender o âmbito ao ambiente interno, comunicação com os trabalhadores; • Marketing Explorar o potencial de venda do bom desempenho ambiental da empresa e do produto, publicitando-o. Prospecção de mercado; • Produção Orientar a pesquisa dos métodos de produção segundo uma estratégia de PML. Considerar critérios ambientais na organização da produção; Página 61 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS e iluminação Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Embalagem Redução das embalagens, uso de materiais reciclados, embalagens recicláveis e/ou retornáveis; • Design Considerar critérios ambientais na concepção dos produtos, atendendo ao seu ciclo de vida. • Armazéns Optimização da gestão do armazenamento para evitar perdas ou deterioração de materiais, segurança Mas como já foi referido, as atribuições também podem ser definidas para grupos de trabalho. Uma das soluções utilizadas para debate de questões relacionadas com o SGA é a criação de um conselho do ambiente, que pode ter as seguintes atribuições: • Acompanhar a implementação da Política Ambiental e dos objectivos e metas; • Estudar e acompanhar o estado de evolução do SGA; • Analisar reclamações e solicitações das partes interessadas, não conformidades e aspectos ligados à comunicação; • Definir e acompanhar acções correctivas e preventivas; • Acompanhar a execução e os resultados das auditorias internas e externas ambientais; • No âmbito do Conselho do Ambiente, podem ser levadas a cabo as Revisões pela Gestão, com o envolvimento da Gestão de topo e Responsáveis de Serviço no desenvolvimento do Projecto A criação de uma matriz para definição de atribuições deve ter em consideração os seguintes aspectos: • Funções e níveis pertinentes para estabelecer e manter objectivos e metas; • Quem desempenha tarefas relacionadas com actividades, produtos ou serviços com impactes ambientais significativos; Página 62 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Funções e responsabilidades para atingir a conformidade com a política e os procedimentos ambientais e com os requisitos do SGA (incluindo os requisitos de prevenção e resposta a emergências); • Responsabilidade para a realização de auditorias; • Responsabilidade de criação e alteração de documentos. A definição de responsabilidades também pode ser descrita em forma de matriz, identificando cada procedimento com referências a cada um dos responsáveis e pessoal envolvido. 2.4.4.1.3 Representante da Gestão A Gestão de topo deve indicar um seu representante que, sem restrição de outras responsabilidades definidas, possa garantir que os requisitos da Norma de referência sejam implementados e mantidos, e que a informe sobre o desempenho do sistema, tendo por objectivo a sua revisão e melhoria contínua. A selecção do quadro com as características adequadas a esta função deve ser uma preocupação importante da Gestão, na medida em que se pretende que seja reconhecida por todos a autoridade que lhe é conferida e que ele assuma um papel coordenador, pedagógico, mediador, avaliador e, por vezes, dinamizador do processo. O organigrama seguinte apresenta um exemplo de uma organização em que o Representante da Direcção é um dos seus membros e delega atribuições num Responsável do Ambiente; contudo, o Representante da Gestão pode acumular funções como Responsável do Ambiente. Página 63 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Direcção Conselho do Ambiente Responsável do Ambiente Equipa de projecto de implementação Actividade 1 Actividade 2 Consultores Representante da Direcção Actividade x Figura 8 – Colocação do representante da Direcção e do responsável do ambiente no organigrama. A título de exemplo, as atribuições do Representante da Gestão são: • Participar na definição da política ambiental e dos Objectivos e Metas; • Assegurar que é estabelecido, implementado e mantido um SGA, de acordo com a Norma ISO 14001 e/ou o EMAS; • Divulgar os objectivos do assegurar o seu controlo; • projecto na Empresa Representar a Gestão em matéria de ambiente; Página 64 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS e Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Informar a Gestão sobre o desempenho do SGA; • Aprovar o manual de gestão ambiental (se existir); • Aprovar os procedimentos do SGA; • Definir e responder sobre as principais funções do SGA. Assim como as atribuições do Responsável do Ambiente são: • Dinamizar o projecto de certificação na empresa; • Dinamizar a equipa nomeada informação e concepção do SGA; • Definir e elaborar a documentação colaboração com a equipa consultora; • • para a recolha do SGA de em Garantir a implementação do SGA na empresa; Envolver os níveis hierárquicos e/ou funcionais da empresa, em conjunto com os responsáveis dos processos. No anexo V é apresentado um Exemplo de uma matriz para definição das responsabilidades dentro do âmbito do SGA. Página 65 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades • Foram identificadas as necessidades de recursos para estabelecer, implementar, manter e melhorar o SGA? • Estão disponíveis os recursos indispensáveis para estabelecer, implementar, manter e melhorar o SGA? • É garantida a disponibilidade de recursos humanos, para envolvimento no SGA? • As infra-estruturas da organização e os recursos tecnológicos e financeiros disponíveis são adequados à implementação e manutenção do SGA? • As atribuições, as responsabilidades e a autoridade foram definidas, documentadas e comunicadas, de forma a proporcionar uma gestão ambiental eficaz? • A Gestão de topo da organização nomeou um ou mais representantes específicos que assegurem que o SGA é estabelecido, implementado e mantido, em conformidade com os requisitos da Norma? • Este representante relata à Gestão de topo o desempenho do SGA, para efeitos da revisão, incluindo recomendações para melhoria? Página 66 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.2 Competência, formação e sensibilização A organização deve assegurar que qualquer (quaisquer) pessoa(s) que execute(m) tarefas para a organização ou em seu nome, que tenha(m) potencial para causar impacte(s) ambiental(is) significativo(s), identificados pela organização, é (são) competente(s) com base numa adequada escolaridade, formação ou experiência. A organização deve manter os registos associados. A organização deve identificar as necessidades de formação associadas aos seus aspectos ambientais e ao seu sistema de gestão ambiental. A organização deve providenciar formação ou desenvolver outras acções para responder a estas necessidades, e deve manter os registos associados. A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para as pessoas que trabalham para a organização ou em seu nome, estarem sensibilizadas para: a) a importância da conformidade com a política ambiental, os procedimentos e os requisitos do sistema de gestão ambiental; b) os aspectos ambientais significativos e impactes relacionados, reais ou potenciais, associados ao seu trabalho, e para os benefícios ambientais decorrentes da melhoria do seu desempenho individual; c) as suas atribuições e responsabilidades para atingir a conformidade com os requisitos do sistema de gestão ambiental; e d) as consequências potenciais procedimentos especificados. Página 67 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS de desvios aos Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.2.1 Identificação das necessidades de formação No contexto de turbulência em que as organizações actualmente vivem e lutam as competências, comportamentos e atitudes são o cerne da sua sustentabilidade económica e social. Com efeito, o capital pode colocar facilmente os meios materiais onde quiser, mas não tem a mesma facilidade para movimentar pessoas e muito menos para as fazer ter os comportamentos e atitudes pretendidos. A necessidade das organizações nacionais enveredarem para actividades de maior valor acrescentado fá-las entrar num patamar cultural de responsabilidades crescentes para com os seus colaboradores e para com a sociedade. Os desafios da qualidade, do ambiente e da segurança exigem competências, rigor, atitudes e comportamentos do mais elevado nível, para cuja satisfação a escolaridade, a formação e o treino assumem um papel, senão o papel, de maior relevo. A Norma ISO 14001 estipula que devem existir e ser aplicados procedimentos que identifiquem as necessidades de formação (no sentido de formação em sala e de treino nos locais de trabalho). Estas necessidades são todas aquelas que tenham que ver com um desempenho eficaz e eficiente das funções atribuídas no âmbito do SGA, seja nos aspectos técnicos, organizativos, administrativos, da liderança e comportamentais. Mas, os principais factores a ter em consideração para a identificação de necessidades de formação são: • A existência de tarefas que tenham potencial para causar impactes ambientais significativos, desempenhadas por pessoas sem competências para as desenvolver; • O conhecimento e consciência das consequências potenciais de desvios aos procedimentos especificados; • Compreensão, por parte de todos os trabalhadores, da importância da conformidade com a política ambiental, os procedimentos e os requisitos do SGA; Página 68 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • O desconhecimento das atribuições responsabilidades, por parte de um trabalhador. e A forma que consideramos metodologicamente mais acertada de identificar as necessidade de formação passa por uma análise de funções e pela estipulação para cada uma delas da escolaridade, formação e/ou treino básicos e específicos necessários, requisitos físicos e psíquicos. Esses requisitos são então equacionados tendo em conta, entre outros aspectos, os colaboradores existentes, o mercado de trabalho e a oferta de cursos, daí decorrendo as acções necessárias para garantir as competências indispensáveis. Numa organização que pretenda implementar um SGA é normalmente aconselhável proporcionar formação de base nas áreas seguintes: • Sensibilização e Política; • Gestão Ambiental; • ISO14001; • Legislação Ambiental; • Gestão de Resíduos; • Controlo operacional e impactes por actividade; • Auditorias Ambientais (ISO19011). O anexo VI, apresenta dois exemplos de matrizes úteis para a identificação das competências requeridas e das necessidades de formação. Numa empresa que se encontre a funcionar há diversos anos sem problemas no cumprimento do estipulado no SGA, será de aceitar que a demonstração da experiência dos intervenientes é suficiente para cumprir o requisito da competência, não sendo exigível a identificação das necessidades de formação, excepto em termos da melhoria contínua. Contudo, sempre que tiver lugar a admissão de novos colaboradores, importa que as suas necessidades de formação sejam definidas previamente; a não satisfação deve originar uma programação da formação a dar, não devendo Página 69 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 essas pessoas assumir autonomamente funções sem que haja evidência objectiva válida (e.g., aceitação do responsável pelo treino, frequência de curso, etc.) de que elas se encontram em condições de poderem realizar as suas tarefas com a qualidade necessária. A identificação das necessidades de formação é muitas vezes feita utilizando uma matriz em cujas linhas estão os colaboradores das empresas e as funções por eles exercidas (o mesmo colaborador pode ocupar uma linha para cada função), e em cujas colunas, associadas aos pares, consta a formação desejável/indispensável e a indicação de o requisito estar ou não satisfeito. A gestão deste requisito deve assegurar a existência de registos que evidenciem o cumprimento das obrigações que lhe são inerentes, nomeadamente: identificação das necessidades de cada área, planos de formação, habilitações e avaliação dos formadores, planos de cursos, registos de presenças e/ou certificados de frequência. A documentação dos cursos não se nos afigura como sendo documento de arquivo obrigatório, embora seja uma prática recomendável de gestão arquivar o original ou uma cópia na empresa. No caso do pessoal pertencente há muito às empresas é aceitável que os registos dos cursos mais antigos com impacte nas actividades que têm vindo a desempenhar não possam ser evidenciados, valendo como prova o registo feito pela empresa. Quando se trate de empresas já com um número razoável de colaboradores, em que a gestão destes conduza a uma busca frequente da formação que possuem, deve ser exigido o registo das acções de formação e treino em processos individuais, de forma a não tornar a busca da informação demasiado morosa. 2.4.4.2.2 Procedimentos de sensibilização ambiental Relativamente ao(s) procedimento(s) para sensibilização dos colaboradores, o estipulado na Norma está suficientemente claro para poder ser facilmente satisfeito, pelo que o verdadeiro desafio reside na forma com essa sensibilização é feita, na sua duração que é natural ser variável em função Página 70 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 das actividades e das necessidades envolvimento de todos os participantes. individuais, e no A constatação da eficácia da sensibilização é uma tarefa importante, frequentemente avaliada pelos auditores no decurso das auditorias. Revendo: Competência, formação e sensibilização • Tem conhecimento de quais as actividades que podem causar impactes ambientais significativos? • As pessoas que as desempenham têm conhecimento dos impactes ambientais associados às suas actividades? • Essas pessoas estão sensibilizadas para as consequências potenciais de desvios aos procedimentos especificados e para os benefícios ambientais decorrentes da melhoria do seu desempenho individual? • Identifica as necessidades de formação associadas aos aspectos ambientais e ao SGA? • Existe um procedimento, para as pessoas que trabalham para a organização ou em seu nome, que garanta a sensibilização para a importância da conformidade com a política ambiental, os procedimentos e os requisitos do SGA? • A organização mantém os registos associados identificação das necessidades de formação e realização das acções de formação? Página 71 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS à à Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.3 Comunicação No que se refere aos seus aspectos ambientais e ao seu sistema de gestão ambiental, a organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para: a) comunicação interna entre os vários níveis e funções da organização; b) receber, documentar e responder a comunicações relevantes de partes interessadas externas. A organização deve decidir acerca da comunicação externa sobre os seus aspectos ambientais significativos e deve documentar a sua decisão. Se a organização decidir comunicar, deve estabelecer e implementar (um) método(s) para esta comunicação externa. 2.4.4.3.1 Considerações prévias sobre comunicação Antes de se iniciar a elaboração do(s) procedimento(s) de comunicação é importante ter uma ideia clara do processo de comunicar, na medida em que qualquer falha dentro deste âmbito pode ter graves consequências para a organização. No caso da comunicação interna, esta ajuda a melhorar a “inteligência” da empresa, ou seja, a sua formação e o bemestar dos trabalhadores; pretende-se com isso evitar falhas, aproveitar a experiência e, principalmente, responder às necessidades dos trabalhadores (direitos e política, entre outros). Sem se ser exaustivo, pois o tema é extremamente vasto, apresentam-se no anexo VII alguns tópicos para uma reflexão indispensável sobre comunicação. Página 72 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.3.2 Informação ‘vs’ Comunicação A Comunicação é um acto de pôr em comum e só se torna eficaz quando há partilha de significados. Compete aos responsáveis pela comunicação interna intervir nas redes comunicacionais e maximizar esta partilha. A comunicação ascendente contribui para ajustar a eficácia funcional e para o equilíbrio e flexibilidade normativa, facilitando a apropriação da identidade pelas chefias mais baixas. A comunicação descendente tem carácter normativo e é boa para difundir a Missão, Cultura, Valores e Padrões de Comportamento. Além da comunicação ascendente e descendente existe a comunicação horizontal, que é um sinal de descentralização e assume um papel importante na manutenção ou não da identidade. Página 73 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Quadro 2 - Sistema de informação (Câmara, P.B., Guerra, P.B. e Rodrigues, J. V., 1997) ENTREVISTAS REUNIÕES ACÇÕES DE ORIENTAÇÃO ACÇÕES DE DIVULGAÇÃO - Entrevistas estruturadas - Entrevista semi-estruturadas - Entrevistas informais - Entrevistas de enquadramento -... - Reuniões de diagnóstico - Reuniões informais - Reuniões de departamento - Reuniões funcionais - Reuniões de projecto - Conversas individuais - Coaching - Reuniões gerais - Confraternização - Almoços - Jantares - Aniversário da empresa -... - Posters - Folhetos - Dossiers - Exemplo - e-mail - Mail interno - Entrevistas de enquadramento - Acolhimento - Visita guiada - Boas vindas no jornal interno - Artigos no jornal interno - Vídeo-conferência -... - Relatório actividade - Painéis fixos ou luminosos - Quadro ou jornal com artigos da imprensa - Posters - Folhetos - Dossiers explicativos - e-mail - mail interno - Artigos jornal interno - Cartões de bolso - Vídeo-conferência - Vídeo institucional - Circuitos interno de TV - Divulgação logo, missão, valores,... -Divulgação história -Divulgação sucessos - Divulgação organigrama Página 74 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 MENSAGENS ACÇÕES DE DIAGNÓSTICO - Concursos, campanhas -... - Mensagem do presidente e quadros - Posters - Folhetos - e-mail - Vídeo-conferência -... - Reuniões de diagnóstico - Entrevistas - Inquéritos/ Sondagens - Caixa de sugestões -... Quadro 3 - Meios para desenvolver o cliente interno (Câmara, P.B., Guerra, P.B. e Rodrigues, J. V., 1997) REUNIÕES ESPÍRITO DE EQUIPA COMUNICAÇÃO ESCRITA - Para resolução de problemas - Informais - Departamentais - Funcionais - De projecto - Conversas individuais - De coaching - De brainstorming -... - Política de porta aberta - Concursos/campanhas de criatividade e sugestões - Trocas de experiências interdepartamentais - Grupos de projecto interdepartamentais - Vídeo-conferência - Circuitos internos de TV -... - Caixa de sugestões - Mails internos e para clientes - Artigos no jornal da empresa - Carta aberta para a inovação - Notas de serviço -... 2.4.4.3.3. Orientações para a comunicação no âmbito do SGA É aconselhável que a difusão da Visão, Missão e Valores da empresa seja comunicada à estrutura permanente e a todos os colaboradores com recurso às formas de comunicação consideradas mais apropriadas (e.g., afixação em local Página 75 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 apropriado e visível localizado na sede, sítio da Internet, através de link específico, reuniões periódicas, etc.). A documentação do SGA deverá estar disponível na empresa para consulta de todos os colaboradores que dela necessitem. As alterações ocorridas nas normas, processos, procedimentos e instruções de trabalho devem ser devidamente divulgadas, preferencialmente via correio informático interno. A utilização de um programa informático, caso exista, pelo SGA, deve permitir aos colaboradores o acesso a toda a documentação e registos que necessitem de utilizar, assim como a colocação de propostas de melhoria. A evolução ocorrida e prevista do SGA deve ser referida no encontro anual em que são apresentados aos colaboradores a estratégia e objectivos da organização definidos para o ano seguinte, numa óptica de melhoria contínua. É aconselhável a promoção de reuniões semestrais com o objectivo de avaliar e acompanhar periodicamente a evolução dos objectivos definidos no programa de gestão ambiental. Estas reuniões devem ser aproveitadas para estimular a troca de experiências entre todos os colaboradores e departamentos, bem como a própria comunicação a diferentes níveis, nomeadamente ascendente ou descendente. Para assegurar que a Gestão de topo está devidamente informada da actividade da organização e de todas as questões que afectam os seus colaboradores e outros intervenientes como clientes ou colaboradores independentes, é desejável que sejam realizadas mensalmente reuniões entre os seus elementos. Também é desejável que, mensalmente, os directores de cada departamento promovam uma reunião com os seus colaboradores, cujo objectivo é apresentar e debater questões relacionadas com as suas actividades específicas. De forma a garantir que na execução dos projectos são divulgados os processos, os procedimentos e instruções de trabalho, deve ser fornecida ao respectivo Responsável Executivo a documentação do SGA a aplicar na sua execução, e promovidos encontros prévios, intercalares e finais com os objectivos de motivar as equipas e de informar e controlar a qualidade final dos serviços prestados. Página 76 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.3.4 Procedimento de comunicação A comunicação interna dos aspectos ambientais, de comunicações relevantes de partes interessadas externas e do SGA, entre os vários níveis e funções da organização, deve obedecer a um ou mais procedimentos, não obrigatoriamente documentados. Uma boa comunicação interna ajuda a promover o poder de liderança e a tomada de decisões, assim como a manutenção da motivação dos trabalhadores. O não funcionamento de um sistema de comunicação pode ser um factor de bloqueio do SGA. O principal objectivo da implementação de um procedimento de comunicação interna é facilitar o fluxo de informação através dos vários níveis hierárquicos da organização. 2.4.4.3.5 Comunicação externa Relativamente à comunicação externa, a Norma exige que a organização decida acerca da comunicação sobre os seus aspectos ambientais significativos, tendo de ser documentada a sua decisão. Apenas no caso da organização decidir comunicar, deverá ser estabelecida e implementada uma metodologia para a comunicação externa. A decisão de comunicar para o exterior dados sobre os seus aspectos ambientais demonstra um postura de abertura e confiança nos resultados a atingir, assim como pode funcionar como motivação para os trabalhadores, ao saberem que o alcance dos objectivos estabelecidos, reflectir-se-á na imagem da organização para o exterior. Também ao nível dos procedimentos de controlo operacional existe uma fronteira entre a comunicação interna e externa que poderá ser quebrada. Os aspectos ambientais que a organização apenas pode influenciar, por estarem relacionados com fornecedores e subcontratados, podem levar à necessidade de comunicar determinados procedimentos, ou parte destes aos subcontratados. A imagem (Figura 9) seguinte representa a fronteira e os fluxos de informação que a organização pode decidir disponibilizar para o exterior. Página 77 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Política Ambiental Partes Interessadas Opcional Opcional Aspectos Ambientais Significativos Procedimentos Fornecedores e Subcontratados (Controlo operacional) Aspectos Ambientais Não Significativos Comunicação interna Comunicação Externa Figura 9 – Esquema representativo dos fluxos de comunicação externa (Cortesia da Eng.ª Cristina Rocha). Revendo: Comunicação • Existe um procedimento para comunicação interna dos aspectos ambientais e do SGA? • A comunicação interna é feita entre os vários níveis e funções da organização? • Recebe, documenta e responde a comunicações relevantes de partes interessadas externas? • Caso tenha decidido comunicar para o exterior os seus aspectos ambientais significativos, documentou a sua decisão e estabeleceu e implementou uma metodologia para esta comunicação externa? Página 78 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.4 Documentação A documentação do sistema de gestão ambiental deve incluir: a) a política ambiental e os objectivos e metas; b) uma descrição do âmbito do sistema de gestão ambiental; c) uma descrição dos principais elementos do sistema de gestão ambiental e suas interacções, e referências a documentos relacionados; d) documentos, incluindo registos, requeridos por esta Norma; e e) documentos, incluindo registos, definidos como necessários pela organização para assegurar o planeamento, a operação e o controlo eficazes dos processos relacionados com os seus aspectos ambientais significativos. Este requisito define quais as informações que a Norma exige que estejam documentadas. À excepção da descrição dos principais elementos do sistema de gestão ambiental e suas interacções e referências a documentos relacionados, todos os restantes documentos requeridos são mencionados em outros requisitos da Norma. Detalhando um pouco mais o conteúdo deste requisito, deverão ser documentados: • Âmbito; • Política ambiental; • Aspectos ambientais / Aspectos ambientais significativos; • Objectivos, metas e programas ambientais; • Funções/atribuições, responsabilidades e autoridade; • Registos de escolaridade, formação e experiência; Página 79 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Comunicações relevantes de partes interessadas; • Decisão de comunicação externa; • Dados de monitorização e medição; • Registos de calibração ou verificação dos equipamentos monitorização; • Registos das avaliações de conformidade (requisitos legais, outros); • Registos dos correctivas; • Registos de resultados de auditorias; • Registos de revisões do SGA pela Direcção; • Procedimentos de controlo operacional, quando a sua ausência possa conduzir a desvios da política, objectivos e metas. resultados de acções preventivas e De um modo geral esta lista define toda a documentação exigida pela Norma, embora a organização possa definir internamente a necessidade de outros documentos. A decisão de documentar procedimentos, deve ser baseada: • na possibilidade de ocorrerem consequências ambientais pelo não cumprimento do procedimento; • na necessidade de garantir o cumprimento de requisitos legais ou outros subscritos; • na necessidade de garantir que a actividade é executada de forma consistente; • na medida em que a não documentação pode dificultar a implementação, comunicação e formação; • na facilidade de manter e rever procedimentos documentados, evitando ambiguidades e desvio, e facilitando a demonstrabilidade e visibilidade; • num requisito da Norma. Página 80 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 A hierarquia e estrutura documental mais comum para um SGA é a da pirâmide da figura 10, onde para cada nível é representada a natureza da informação. Porquês e linhas orientadoras? O quê, quem, onde, quando? Como? Evidências? Manual, política, objectivos e metas Procedimentos Instruções de trabalho Impressos e registos Figura 10 – Hierarquia e estrutura documental de um SGA É importante que a documentação do SGA seja elaborada de forma clara e sucinta, recorrendo frequentemente a fluxogramas e imagens que facilitem a sua leitura. Os procedimentos obrigatórios de serem documentados são apenas os de controlo operacional, mas muitas organizações, essencialmente pelo facto de integrarem o SGA num SGQ já existente, documentam outros procedimentos, normalmente classificados em gestão e apoio. Também é frequente dividir os procedimentos em dois níveis: o mais alto, correspondente em regra ao modo de gestão de um processo ou ao funcionamento de um requisito da Norma, e o mais baixo relativo a partes dos processos (conjunto de actividades) ou a actividades isoladas. A estrutura e composição dos procedimentos devem ser desenvolvidas internamente. Página 81 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Um procedimento tipo (q.v. anexo VIII) pode integrar as seguintes informações: • Título; • Numeração/codificação; • Estado de revisão; • Nº página/Nº total de páginas; • Entidade emissora; • Entidade aprovadora; • Data de aprovação; • Objectivo; • Âmbito; • Responsabilidades; • Definições; • Referências; • Síntese das revisões; • Descrição do que é e como é efectuado/controlado; • Os métodos/equipamentos/registos utilizados; • Modo de processamento de informação; • Onde está localizado. A descrição dos principais elementos do sistema de gestão ambiental, bem como suas interacções e referências a documentos relacionados, é fundamental para a arquitectura do sistema. No caso de uma integração do SGA com um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), a abordagem por processos facilita esta tarefa. Para um SGA isolado, o trabalho inicial de arquitectura deve ser o mais simplificado possível, mas tendo sempre em vista uma possível gestão por processos. Caso seja criado um manual de gestão ambiental, o que a Norma não obriga, à semelhança de um manual da qualidade, pode contemplar a descrição do âmbito, a política ambiental, Página 82 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 um enquadramento histórico, o(s) organigrama(s) e a identificação de todas as actividades, produtos e serviços (se possível em forma de fluxograma, com a identificação das entradas e saídas dos fluxos elementares - Figura 11). A sua parte mais importante deve ser, contudo, a esquematização do modo de funcionamento do SGA (é desejável que seja sob a forma de gráfico e/ou matriz), onde são identificados todos os processos, procedimentos existentes (documentados ou não), impressos, registos associados e demais documentação relacionada que componha o SGA (Anexo VIII). Actividades, produtos e Serviços Saídas Papel, água, electricidade, calor Actividade 1 Resíduos de pasta de papel, energia térmica Produto x, energia, água Actividade 2 Águas residuais, resíduos de x Cola, tecido, energia Actividade 3 Resíduos de tecido contaminados --- --- --- Entrada s Figura 11 – Exemplo de esquematização de encadeamento de actividades, com representação das entradas e saídas. Página 83 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Quadro 4 – Exemplos de entradas e saídas de fluxos elementares de actividades. Entradas Matérias-primas Matériassubsidiárias Energia Água Ar Materiais que compõem o produto final Materiais utilizados durante a produção do produto final, tanto para auxiliar o processo de produção como para garantir actividades de manutenção de equipamentos, limpeza de instalações, etc. Tipo e uso da energia – Electricidade, gasóleo, gasolina, gás, calor, etc. Tipos de águas (rede pública, furo, etc.) e de utilizações. Ar utilizado para a alimentação de um processo de combustão. Saídas Emissões gasosas Cheiro Ruído Energia Radiação Águas residuais Resíduos Derrames Todas as emissões gasosas, quer sejam emitidas directamente através de chaminés, quer descarregadas numa câmara e se escapem em fugas ou se volatilizem em emissões difusas. Potenciais maus cheiros que possam ser sentidos fora das instalações. Ruído emitido para o exterior durante a actividade. Electricidade desperdiçada, energia reactiva e energia térmica. Potenciais radiações emitidas para o exterior das instalações. Todos as águas residuais de origem industrial e doméstica que são descarregadas directamente no meio hídrico, no solo ou em colector. Todos os materiais de que se tenciona desfazer, ou tem obrigação de o fazer, enviando para um destino final adequado, como entrega a operadores autorizados. Material reciclável, contentores com retorno, subprodutos químicos, desperdícios, baterias usadas, pneus, veículos em fim de vida, óleos usados, equipamento eléctrico e electrónico usado, etc. Todos os potenciais derrames que possam ocorrer durante a actividade. Embora a ISO 14001 não obrigue, caso seja adoptada a gestão por processos na óptica da ISO 9001, a tarefa de descrição dos principais elementos do SGA deverá ser abordada com uma visão holística, onde pode continuar a ser mantida uma divisão por actividades, produtos e serviços mas em que todas as actividades são agrupadas em processos e são representadas todas as suas interacções. Página 84 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Documentação • Documentou a política ambiental? • Documentou o âmbito do sistema de gestão ambiental? • Documentou os objectivos e metas que compõem o programa de gestão ambiental? • Documentou uma descrição dos principais elementos do SGA, suas interacções e referências a documentos relacionados? • Possui todos os documentos, incluindo registos, definidos como necessários pela Norma e pela organização para assegurar o planeamento, a operação e o controlo eficazes dos processos relacionados com os seus aspectos ambientais significativos, como é o caso de procedimentos de controlo operacional e registos associados ou registos de formação? Página 85 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.5 Controlo de documentos Os documentos requeridos pelo sistema de gestão ambiental e pela presente Norma devem ser controlados. Os registos são um tipo específico de documentos e devem ser controlados de acordo com os requisitos constantes em 4.5.4. A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para: a) aprovar os documentos quanto à sua adequação antes da respectiva emissão; b) rever e actualizar, conforme necessário, e reaprovar os documentos; c) assegurar que são identificadas as alterações e o estado actual da revisão dos documentos; d) assegurar que as versões relevantes dos documentos aplicáveis estão disponíveis nos locais de utilização; e) assegurar que os documentos permanecem legíveis e facilmente identificáveis; f) assegurar que os documentos de origem externa definidos pela organização como necessários ao planeamento e operação do sistema de gestão ambiental são identificados e a sua distribuição controlada; e g) prevenir a utilização involuntária de documentos obsoletos, e identificá-los devidamente caso estes sejam retidos por qualquer motivo. O Controlo de Documentos tem por objectivo assegurar o manuseamento eficiente da documentação relevante para o bom funcionamento do SGA e garantir o acesso à informação pertinente a quem dela necessitar. Página 86 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Esta função é uma das mais importantes em qualquer sistema de gestão mas, paradoxalmente, é uma das mais descuradas, em particular pelos técnicos, na medida em que requer hábitos de escrita e de organização pessoal que lhes são avessos. Contudo, desde há alguns anos que têm vindo a aparecer no mercado numerosas aplicações informáticas que podem contribuir, por vezes de forma importante, para a economia dos esforços de verificação, aprovação, distribuição e arquivo. A ISO 14001 não explicita o modo de se conseguir o controlo dos documentos, sendo frequente encontrar auditores com interpretações algo diferentes. Sem se pretender fazer doutrina, a opinião dos autores relativamente ao controlo propriamente dito dos documentos e registos baseia-se nas considerações seguintes: o Salvo raras excepções (possibilidade de sabotagem, bases de dados de recursos humanos e de contabilidade, segredos industriais, militares e poucas mais), o controlo de documentos não é feito para impedir a fraude mas sim para impedir o erro; o Qualquer folha de um documento controlado deve ser distinguível de outra folha, mesmo que quase igual, mas correspondente a uma outra revisão. Decorrentes destes princípios e tendo em conta a obrigatoriedade, expressa na Norma de referência, de elaborar procedimentos que definam claramente a competência e a responsabilidade pela verificação, aprovação, alteração e disponibilização dos documentos ambientais, conclui-se ser necessário estipular e pôr em prática sempre de modo coerente: o Normas internas que definam o modelo a seguir para cada tipo de documento: manual do SGA (caso exista), procedimentos, planos, impressos, etc. Nota: os impressos, quando ainda não preenchidos, são geridos meramente como documentos, frequentemente como anexos a procedimentos, devendo ser identificados pelo nome ou código e respectiva revisão ou data; Página 87 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 o Modos de identificar os diferentes documentos (nomes e/ou códigos), incluindo as páginas, anexos, revisões, edições e datas respectivas; por seu lado, os códigos, quando existentes, costumam permitir a identificação do departamento emissor; o Modos de numerar e assinar, em informaticamente, as folhas dos documentos; papel ou Nota: os documentos do SGA não têm de ser assinados em mais do que uma página ou duas (em geral na primeira página e, caso esteja estabelecido fazerem-se as revisões ao nível das páginas/capítulos, na lista das páginas/capítulos ou das revisões em vigor) por quem os verifica e aprova, desde que seja bem claro qual o documento a que cada página pertence; o Modos de distribuição e de identificação dos documentos controlados; Nota: devem existir listas de todos os documentos controlados, indicando o seu estado de revisão e a sua distribuição; todas as cópias feitas e que não constem desta lista, devem indicar claramente tratarem-se de CÓPIAS NÃO CONTROLADAS; o Critérios de validação (no sentido de pré-verificação) dos documentos; Nota: se bem que não estipulado na ISO 14001, é aconselhável que os procedimentos elaborados num departamento mas que tenham interface com outros sejam validados pelos responsáveis destes; o Critérios a utilizar na definição das estruturas dos dados informáticos; o Modos de garantir a segurança dos documentos e registos em suporte informático, nomeadamente em termos de política de “backups” e de controlo do acesso às instalações e/ou às base de dados para consulta e modificação; o Modos de garantir autorizadas; o conhecimento das rubricas Nota: na opinião dos autores estas listas não têm sempre razão para existir, uma vez que o importante é estabelecer e dar a conhecer quem é que tem autoridade para rubricar os diferentes tipos de documentos. Aceita-se, contudo, que em grandes empresas, onde os documentos chegam às mãos das pessoas provenientes doutras que desconhecem totalmente, sejam exigíveis listas de rubricas autorizadas associadas à função ou cargo respectivo. Interessa ainda referir os documentos externos que devem usualmente ser objecto de controlo e qual a natureza deste. No Página 88 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 caso do SGA estes documentos são sobretudo decretos-lei, portarias, regulamentos, directivas da UE, fichas de segurança de matérias-primas, normas e catálogos de fornecedores. Estes documentos externos devem ser identificados (eventualmente, utilizando a origem e a identificação ou código de que já disponha) e arquivados em condições adequadas, de forma a permitir o controlo da sua distribuição, ou da distribuição das suas cópias, em condições idênticas às dos documentos internos do sistema da qualidade. Revendo: Controlo de documentos • Os documentos requeridos pelo sistema de gestão ambiental e pela presente Norma são controlados? • Os documentos são aprovados quanto à sua adequação antes da respectiva emissão? • Os documentos são revistos, reaprovados, conforme necessário? • São identificadas as alterações e o estado actual da revisão dos documentos? • As versões relevantes dos documentos aplicáveis estão disponíveis nos locais de utilização? • Os documentos permanecem legíveis e facilmente identificáveis? • Os documentos de origem externa definidos pela organização como necessários ao planeamento e operação do sistema de gestão ambiental são identificados e a sua distribuição controlada? • Previne a utilização involuntária de documentos obsoletos, identificando-os devidamente caso estes sejam retidos por qualquer motivo? Página 89 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS actualizados e Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.6 Controlo operacional A organização deve identificar e planear as operações que estão associadas aos aspectos ambientais significativos identificados, consistentes com a sua política ambiental e os seus objectivos e metas, de forma a garantir que estas operações são realizadas sob condições especificadas: a) estabelecendo, implementando e mantendo um ou mais procedimentos documentados para controlar as situações nas quais a sua inexistência possa conduzir a desvios à política ambiental e aos objectivos e metas; b) definindo critérios operacionais no(s) procedimento(s); e c) estabelecendo, implementando e mantendo procedimentos relacionados com os aspectos ambientais significativos identificados dos bens e serviços utilizados pela organização, e comunicando os procedimentos e requisitos aplicáveis aos fornecedores, incluindo subcontratados. O controlo operacional é a forma mais eficaz de actuar preventivamente, já que o critério para a documentação de procedimentos de controlo operacional é a escolha dos procedimentos cuja ausência pode conduzir a desvios à política ambiental e aos objectivos e metas. Para tal, a identificação dos procedimentos a documentar deve partir dos aspectos ambientais mais significativos, para que sejam minimizados os impacte associados, já que estes devem ser reflectidos tanto na política ambiental, como nos objectivos e metas. Na matriz para Identificação e Avaliação de Aspectos Ambientais, apresentada no anexo II, é apresentado um campo para identificação do controlo operacional e monitorização de cada aspecto ambiental. É com o preenchimento desta matriz que a organização tem a Página 90 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 possibilidade de identificar os aspectos ambientais significativos que podem necessitar de controlo operacional. Habitualmente existem algumas actividades que pela sua relação com o ambiente podem comprometer o desempenho ambiental da organização, necessitando de controlo operacional documentado em procedimento. São exemplo destes procedimentos: • Funcionamento de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) (e.g., parâmetros de funcionamento a verificar, responsabilidades, registos de monitorização, etc.); • Gestão de resíduos (e.g., regras e responsabilidades de separação de resíduos, identificação de contentores, movimentação, armazenagem temporária, preenchimento de mapa de resíduos, selecção de destinos finais, etc.); • Gestão da energia (e.g., condições de operação de equipamentos de grande consumo energético, tais como períodos de paragem); • Gestão de poeiras (e.g., minimização de poeiras da circulação de viaturas por aspersão das vias de circulação, não alcatroadas, com água); • Gestão de produtos perigosos (e.g., armazenamento e manuseamento de produtos perigosos); • Preparação e capacidade de resposta a emergências (e.g., actuação em caso de incêndio). Página 91 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 ASPECTOS AMBIENTAIS SIGNIFICATIVOS OPERAÇÕES (São realizadas de forma controlada?) Procedimentos de controlo operacional Figura 12 – Origem dos procedimentos de controlo operacional Estes procedimentos de controlo operacional devem descrever exactamente o modo de funcionamento e nunca o ideal de funcionamento para um responsável do ambiente. Assim, os procedimentos devem contribuir para o bom desempenho ambiental da organização, sendo desenvolvidos com a colaboração dos operadores que os vão aplicar na prática. Procurar adaptar o actual modo de funcionamento com as boas práticas ambientais indicadas nos procedimentos, de modo a minimizar o aumento da burocracia. Um dos procedimentos de controlo operacional mais comum e importante é a gestão de resíduos, que deve ser implementado no sentido da prevenção da poluição. Algumas das ideias subjacentes são a utilização mais eficiente de matérias-primas e materiais subsidiários, a eliminação e substituição de produtos perigosos para o ambiente e a sensibilização de todos os colaboradores para o duplo benefício da redução na fonte. O duplo benefício diz-nos que sempre que não se produz um resíduo por utilização racional de materiais, ganha o ambiente, por se evitar a poluição, e ganha a organização por Página 92 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 maximizar a utilização de materiais e por reduzir os custos de gestão de resíduos. Os aspectos ambientais que a organização não pode controlar, mas sim influenciar, enquadram-se muitas vezes na possibilidade de comunicar determinados procedimentos de controlo operacional, ou apenas uma informação simplificada do seu conteúdo, juntamente com a política ambiental, a fornecedores e subcontratados. Por exemplo, uma organização que subcontrata o serviço de expedição do produto final, classificado como perigoso para o ambiente, não pode controlar os aspectos ambientais associados à actividade de transporte, por não a efectuar, mas pode influenciar o transportador, solicitando o cumprimento de requisitos de actuação em caso de acidente e comunicando todas as ocorrências ao responsável do ambiente da organização. Existem duas abordagens possíveis. Quando a oferta de fornecedores é grande é possível exigir requisitos ambientais, levando a que o subcontratado cumpra determinado procedimento, sujeito a auditoria, ou mesmo levando-o a uma certificação ambiental, sob pena de troca de fornecedor por outro certificado pela ISO 14001. Quando as alternativas de fornecedores são reduzidas, o ideal é procurar definir requisitos mínimos de controlo operacional, sensibilizando o fornecedor para os compromissos expressos na política. Página 93 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Controlo operacional • Foram identificados aspectos ambientais significativos com necessidade de controlo operacional? • Existem procedimentos documentados para controlar as situações nas quais a sua inexistência possa conduzir a desvios à política ambiental e aos objectivos e metas? • Estes procedimentos descrevem critérios operacionais, indicando como devem ser desenvolvidas as actividades a que dizem respeito e prevenindo a ocorrência de impactes ambientais? • Se necessário para prevenir impactes de aspectos ambientais significativos, estes procedimentos e outros requisitos são comunicados a fornecedores e subcontratados? Página 94 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.4.7 Preparação emergências e capacidade de resposta a A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para identificar as situações de emergência potenciais e os acidentes potenciais que podem ter (um) impacte(s) no ambiente, e como dar resposta a estas situações. A organização deve responder às situações de emergência e aos acidentes reais, e prevenir ou mitigar os impactes ambientais adversos associados. A organização deve examinar periodicamente e, quando necessário, rever os seus procedimentos de preparação e resposta a emergências, em particular após a ocorrência de acidentes ou situações de emergência. A organização deve também testar procedimentos, sempre que aplicável. periodicamente Da identificação e avaliação de aspectos ambientais relacionados com situações de emergência, surge mais uma necessidade de actuar preventivamente. Essa prevenção deve ser encarada em três fases distintas: o antes, o durante e o depois de um acidente ou incidente. Só assim será possível evitar a ocorrência de acidentes/incidentes, promover a capacidade de resposta a situações de emergência, salvaguardando a segurança dos trabalhadores, e minimizar impactes ambientais após um acidente. A identificação de potenciais situações de emergência e os potenciais acidentes que possam ter impacte(s) no ambiente deve ser um trabalho realizado com a colaboração de pelo menos um elemento de cada um dos sectores de actividade Página 95 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS tais Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 da organização, para que o debate de ideias e troca de experiências permita identificar as situações razoavelmente previsíveis. Após a definição de uma lista das potenciais situações de emergência devem ser revistas as situações mais prováveis, focando essencialmente os processos mais críticos. Para cada uma destas situações a organização deve identificar quais as acções de prevenção económica e tecnicamente viáveis, possíveis de implementar, e definir procedimentos de como actuar em cada um dos casos. Numa fase posterior deve definir o modo de minimizar os impactes ambientais adversos associados. A matriz proposta no anexo IX procura sistematizar todas as informações sobre as quais a organização deve reflectir, estabelecer, implementar e manter procedimentos. O preenchimento desta matriz e a definição de procedimentos deve ter em consideração: • a natureza dos riscos na instalação em pleno funcionamento, em situações de arranque, paragens de equipamentos e outras condições anormais de funcionamento, e.g., líquidos inflamáveis, tanques de armazenamento, gases sob pressão e medidas a tomar na eventualidade de ocorrência de derrames ou descargas acidentais; • o tipo e escala mais prováveis de uma situação de emergência ou acidente, e.g., um incêndio ou um derrame pode ser restrito a uma escala local, no entanto um sismo ou tornado pode causar impactes a uma escala regional ou nacional; • o(s) método(s) mais apropriado(s) para responder a um acidente ou situação de emergência, e.g., a escolha do tipo de material extintor para combater determinado fogo ou a escolha de material absorvente para recolha de um derrame ou mangas de contenção para evitar o alastramento; • planos de comunicação internos e externos, com a definição de responsabilidades de accionar sinais de Página 96 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 alarme e comunicar externamente; a ocorrência interna e • as acções necessárias para minimizar os danos ambientais, e.g., após um incêndio que se alastra à envolvente podem ser minimizados impactes de desflorestação com medidas de regeneração da flora original de uma forma planeada; • as acções de mitigação e resposta a tomar para diferentes tipos de acidentes ou situações de emergência, e.g., como actuar em caso de derrame para prevenir o escoamento para linhas de água; • a necessidade de um ou mais processos para uma avaliação pós-acidente/incidente com vista ao estabelecimento e implementação das acções correctivas e preventivas; • o exercício periódico do(s) procedimento(s) de resposta a emergências; • a formação do pessoal de resposta a emergências; • uma lista do pessoal chave e de entidades de socorro/protecção civil, incluindo os respectivos contactos, e.g., bombeiros, serviços de limpeza de derrames; • as vias de evacuação e pontos de encontro; • o potencial para a ocorrência de situações de emergência ou acidentes numa instalação próxima (e.g., fábrica, estrada, linha de comboio); e • a possibilidade de assistência mútua entre organizações vizinhas. Não sendo obrigatoriamente um procedimento documentado, a utilização desta matriz, permite o registo dos dados exigidos pela Norma e após uma maturação do seu contudo, a integração no Plano de Emergência Interno (PEI) de segurança. O Plano de emergência tem por objectivo, a preparação e organização dos meios existente, para garantir a salvaguarda dos seus ocupantes, em caso de ocorrência de uma situação perigosa. Com a integração de aspectos ambientais, acresce o Página 97 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 objectivo de minimizar impactes ambientais e compete à organização tomar as medidas necessárias para alcançar este objectivo. Mesmo recorrendo a especialistas, a organização é responsável pelo estabelecimento, implementação e manutenção do Plano de emergência. Um Plano de Emergência deve incluir os seguintes elementos: • Caracterização do espaço e levantamento de riscos; • Instruções de segurança; • Plano de evacuação; • Plantas de emergência; • Plano de intervenção e organização da segurança. Para que os procedimentos de preparação e capacidade de resposta a emergência se mantenham adequados devem ser revistos e actualizados periodicamente, especialmente após a necessidade de colocação em prática. Apenas nestas situações será possível analisar o que correu bem e o que pode ser melhorado. Outra forma de identificar necessidades de rever e actualizar é realização de simulacros, com simulação de situações reais, sempre que possível. A realização de simulacros não só permite melhorar os procedimentos, como contribui em grande medida para uma implementação efectiva com o envolvimento e sensibilização de todos os trabalhadores. O envolvimento de todos os trabalhadores para a importância deste requisito passa pela formação e comunicação eficaz dos procedimentos estabelecidos. Como tal, é aconselhável a afixação dos principais elementos do PEI em locais estratégicos das instalações, referindo a sua existência periodicamente em acções de formação. Os dados a afixar devem conter os contactos de emergência mais importantes, o mapa de saídas de emergência e a identificação clara do ponto de encontro. A preparação de um simulacro deve ser cuidada não só nos pormenores que permitem aproximar a situação fictícia da realidade, como na comunicação interna em fase preparação e na comunicação externa, devendo sempre que possível por Página 98 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 ambas as partes, envolver entidades como os bombeiros ou o hospital mais próximo. A experiência destas entidades pode contribuir em muito para a coordenação do PEI com o externo, e incrementar um realismo fundamentar para a identificação de melhorias nos procedimentos. Revendo: Preparação e capacidade de resposta a emergências • Existe um procedimento para identificar as situações de emergência potenciais e os acidentes potenciais que podem ter (um) impacte(s) no ambiente? • Está definido como dar resposta a estas situações? • São tomadas medidas para prevenir o acontecimento de acidentes? • Está definido como mitigar os impactes ambientais adversos em caso de acidente? • Após a ocorrência de um acidente/incidente ou situação de emergência são revistos os procedimentos de preparação e resposta a emergências? • Os procedimentos de preparação e resposta emergências são testados periodicamente com realização de simulacros, sempre que aplicável? • Todos os trabalhadores, incluindo os novos sabem como actuar em situação de emergência? • As pessoas que não trabalham em nome da organização, como os convidados e subcontratados, também sabem como actuar em situação de emergência? • Os sistemas de alarme e todo o equipamento de resposta a emergência encontra-se operacional? Página 99 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS a a Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.5 Verificação O SGA não funciona segundo o ciclo de Deming se não for verificado o que foi implementado. Do mesmo modo, só será possível realizar uma revisão se for verificado o que pode ser alterado ou melhorado. A verificação de um SGA deve passar pelas seguintes fases: 1. Monitorização e medição das principais características das actividades com impactes ambientais significativos; 2. Avaliação da conformidade legal e de outros requisitos que a organização subscreva; 3. Tratamento das não conformidades, acções correctivas e preventivas; 4. Análise de Registos; 5. Auditorias internas. Página 100 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.5.1 Monitorização e medição A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para monitorizar e medir, de forma regular, as características principais das suas operações que possam ter um impacte ambiental significativo. Este(s) procedimento(s) deve(m) incluir a documentação da informação para acompanhar o desempenho, os controlos operacionais aplicáveis e a conformidade com os objectivos e metas ambientais da organização. A organização deve assegurar que é utilizado equipamento de monitorização e medição calibrado ou verificado e que este é sujeito a manutenção, devendo manter os registos associados. Sem monitorização e medição torna-se impossível a verificação e por conseguinte a demonstração do desempenho da organização. Na óptica de um SGA que não pretende tornar o modo de funcionamento da organização um processo burocrático e sem aumento da eficiência global da gestão, a Norma apenas estipula que devem ser monitorizadas e medidas, de forma regular, as características principais das suas operações com potencial impacte ambiental significativo. O procedimento de monitorização e medição deve incluir a documentação necessária, incluindo registos, para o acompanhamento do desempenho, do controlo operacional, quando aplicável, e dos objectivos e metas da organização. Por vezes os requisitos legais, também obrigam à monitorização e medição de determinados parâmetros, que apesar de não estarem a ser ultrapassados e não representarem um aspecto ambiental significativo pela classificação na avaliação de risco, têm uma periodicidade obrigatória de monitorização. Nestes casos, o procedimento Página 101 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 de monitorização e medição deve garantir a produção e manutenção dos registos associados, mas a avaliação da conformidade de requisitos legais é tratada em outro requisito da Norma. Este é um dos principais motivos para a necessidade de identificar a aplicabilidade de requisitos legais a cada aspecto ambiental, conforme indicado na matriz do anexo II.d. O equipamento de monitorização e medição utilizado deve ser calibrado ou verificado, e sujeito a manutenção. Por vezes existe a obrigatoriedade legal de demonstrar o cumprimento de determinados parâmetros recorrendo a laboratórios acreditados para o efeito. Apenas com dados concretos, nomeadamente os provenientes da monitorização e da medição, é que será possível rever objectivos, no sentido de: • repensar o modo de os atingir se não estiverem a ser cumpridos; • os tornar mais ambiciosos; ou • iniciar a implementação de novos objectivos associados a aspectos ambientais que até então não eram considerados dos mais significativos. Prioritariamente, os aspectos ambientais relacionados com requisitos legais devem ser alvo de monitorização; em seguida, o referencial para a definição de aspectos a monitorizar é o dos mais significativos, contemplados no programa de gestão ambiental. Os indicadores definidos no programa de gestão ambiental são compatíveis e contribuem para a leitura da evolução do desempenho ambiental. Os indicadores de desempenho devem ser simples, objectivos, verificáveis e relacionados com os aspectos ambientais das actividades, produtos e serviços da organização. A monitorização não é implementada apenas para demonstrar o desempenho ambiental, mas também para permitir a interpretação e verificação do funcionamento do SGA, servindo de ferramenta à Gestão para tomada de decisões ao Página 102 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 nível do estabelecimento atempado de novos objectivos mais ambiciosos e revisão do SGA. A avaliação do desempenho ambiental é fundamental e utiliza, entre outros, dados produzidos pela monitorização e medição. Por definição o desempenho ambiental é determinado por resultados mensuráveis da gestão dos aspectos ambientais de uma organização. No contexto de SGA, os resultados podem ser medidos face à política ambiental, aos objectivos ambientais, às metas ambientais e a outros requisitos de desempenho ambiental da organização. Segundo a Norma ISO 14031 a avaliação do desempenho ambiental pode utilizar dois tipos de indicadores: • Desempenho ambiental Relacionados directamente com o desempenho da organização, que se dividem em: o Indicadores de desempenho da Gestão Fornecem dados acerca da gestão, como o número de horas de formação ambiental, cumprimento de requisitos legais ou tempo médio de resolução de não conformidades, e o Indicadores de desempenho operacional Fornecem dados sobre o controlo operacional, como entradas e saídas de actividades, produtos e serviços; • Indicadores de condição ambiental Relacionados com condições ambientais locais, regionais, nacionais, globais, como dados sobre o ozono troposférico, temperatura, dados demográficos ou o estado de degradação da camada do ozono. São exemplo de indicadores de desempenho ambiental, comuns de serem estabelecidos para os objectivos: • Concentração de CBO5 emitido em determinado ponto de descarga de efluentes líquidos; • Quantidade de resíduos produzidos por unidade de produção; Página 103 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Quantidade de determinado parâmetro de emissão atmosférica emitida por uma fonte fixa de emissão; • Número de horas de formação em gestão de resíduos a cada trabalhador; • Energia consumida por unidade de produção; • Consumo de combustíveis fósseis, por unidade de produção. No anexo X, são apresentados alguns exemplos de documentos utilizados para aplicação do procedimento de monitorização e medição. Normalmente, sobretudo quando a quantidade de dados é elevada, é aconselhável que estes sejam apresentados graficamente, de modo a facilitar o entendimento da sua evolução. Revendo: Monitorização e medição: • Monitoriza e mede, de forma regular, as características principais das suas operações que possam ter um impacte ambiental significativo? • O(s) procedimento(s) de monitorização e medição incluem a documentação da informação para acompanhar o desempenho, os controlos operacionais aplicáveis e a conformidade com os objectivos e metas ambientais da organização? • Os dispositivos de monitorização e medição utilizado estão sujeitos a manutenção? • Estes dispositivos são sempre que necessário? • Existem registos da manutenção e da calibração ou verificação? Página 104 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS calibrados ou verificados Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.5.2 Avaliação da conformidade 4.5.2.1 Em coerência com o seu compromisso de cumprimento, a organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para avaliar, periodicamente, a conformidade com os requisitos legais aplicáveis. A organização deve manter registos dos resultados das avaliações periódicas. 4.5.2.2 A organização deve avaliar o cumprimento dos outros requisitos que subscreva. A organização poderá optar por combinar esta avaliação com a avaliação de conformidade legal referida em 4.5.2.1 ou estabelecer um ou mais procedimentos separados. A organização deve manter registos dos resultados das avaliações periódicas. Este requisito proporciona a criação de registos fundamentais para a revisão pela gestão. O registo da avaliação da conformidade legal e de outros requisitos subscritos, incluindo o cumprimento do programa de gestão ambiental, permite à Gestão de topo obter uma leitura geral das oportunidades de melhoria. Este registo orienta a revisão pela Gestão para uma incidência sobre os compromissos que não foram cumpridos, no caso dos requisitos legais, e para a tomada de acções correctivas e preventivas face aos objectivos não alcançados. Página 105 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Avaliação da conformidade • Existe um procedimento para avaliação da conformidade dos requisitos legais aplicáveis, incluindo a validade de autorizações e licenças, e outros requisitos que a organização subscreva, incluído o cumprimento do programa de gestão ambiental? • Existem registos da avaliação da conformidade? • Estes registos são utilizados pela gestão de topo para a revisão pela gestão? Página 106 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.5.3 Não conformidades, acções correctivas e acções preventivas A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para tratar as não conformidades reais e potenciais e para implementar as acções correctivas e as acções preventivas. Este(s) procedimento(s) deve(m) definir requisitos para: a) a identificação e correcção da(s) não conformidade(s) e a implementação de acções para minimizar os seus impactes ambientais; b) a investigação da(s) não conformidade(s), a determinação da(s) sua(s) causa(s) e a implementação das acções necessárias para evitar a sua recorrência; c) a avaliação da necessidade de acções para prevenir não conformidade(s) e a implementação das acções apropriadas, destinadas a evitar a sua ocorrência; d) o registo dos resultados de acções correctivas e de acções preventivas realizadas; e e) a revisão da eficácia de acções correctivas e de acções preventivas implementadas. As acções implementadas devem ser adequadas à magnitude dos problemas e aos impactes ambientais identificados. A organização deve assegurar que são efectuadas todas as alterações necessárias à documentação do sistema de gestão ambiental. O estabelecimento de não conformidades permite a implementação do seu tratamento, de acções correctivas e de acções preventivas. Para tal deve existir um procedimento para definir responsabilidades e autoridades no tratamento, Página 107 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 investigação e seguimento de não conformidades, implementando medidas de minimização e prevenção dos impactes ambientais associados. O anexo XI apresenta um exemplo de modelo para registo do tratamento de não conformidades e gestão de acções correctivas e preventivas. A apresentação de não conformidades ao Conselho do Ambiente para debate sobre a definição de acções correctivas e preventivas é uma boa prática. No entanto, por vezes alguns casos com impactes ambientais imediatos requerem uma resposta rápida que não pode esperar pela realização de uma reunião semanal ou mensal. Para isso, as responsabilidades pela definição de acções para o tratamento de não conformidades devem estar bem definidas e comunicadas. A identificação de não conformidades pode ter origem em diversas fontes, nomeadamente: • Registos de ocorrências por parte de um qualquer colaborador, devendo a não conformidade ser aberta e tratada e seguida por responsáveis bem definidos; • Auditorias internas; • Avaliação da conformidade legal e de outros requisitos; • Indicadores da monitorização; • Estado de manutenção, calibração ou verificação de equipamentos; • Constatações de competências insuficientes; • Comunicações externas das partes interessadas; • Constatações por grupos de trabalho; • Constatações em simulacros; • Análises modais de falhas e dos seus efeitos (“FMEA”). Os objectivos deste requisito são dois: • Assegurar que as condições identificadas e avaliadas como adversas para o ambiente são prontamente corrigidas de modo a impedir que continuem a ocorrer no imediato e que as suas causas sejam eliminadas; Página 108 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Assegurar que as condições identificadas e avaliadas como potencialmente adversas para o ambiente são corrigidas de modo a eliminar ou a diminuir para níveis aceitáveis a probabilidade da sua ocorrência. O desempenho cabal desta função implica que: • A organização mantenha procedimentos adequados para a detecção de deficiências no SGA, que estas sejam prontamente analisadas e que as medidas correctivas e preventivas sejam tomadas em tempo útil; • Os procedimentos originem registos que permitam uma consulta fácil aos outros documentos ligados ao processo, nomeadamente a correspondência trocada interna e externamente e estudos efectuados, onde constem: o a não conformidade ou situação indesejável que tenha ocorrido, o quando, onde e em que circunstâncias ocorreu a não conformidade e as suas consequências, o quem e até quando devem ser iniciadas as medidas correctivas, o quais as medidas tomadas e a data estipulada ou a prevista para o seu fecho. NOTA: é aconselhável associar a estes registos os ‘custos’ directos e indirectos que lhes estão associados (tratamento da não conformidade, impacte na imagem, coimas, etc.) • As acções correctivas e preventivas possam envolver todas os requisitos do SGA e todas as fases do ciclo de vida do produto ou serviço; • O controlo da execução das medidas correctivas e preventivas seja eficaz, i.e., possa utilizar os meios necessários ao seguimento, avaliação e alerta nas suas diferentes fases, até ao encerramento; • Sejam elaborados relatórios sumários para fins de gestão, relativos aos problemas encontrados e às respectivas medidas correctivas e preventivas e seus resultados; NOTA 1: esses relatórios devem ser reflectidos na Revisão pela Gestão. NOTA 2: é frequente o recurso a estatísticas elementares Página 109 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 (e.g., histogramas, gráficos de Pareto, gráficos de regressão, etc.) sempre que o número de dados for elevado. • As acções preventivas sejam desencadeadas tendo em conta a necessidade de lidar com os problemas a um nível correspondente aos riscos previstos; • os responsáveis pela tomada de medidas correctivas e preventivas disponham da autoridade e meios necessários à sua implementação; • haja procedimentos efectivos para garantir a tomada das necessárias acções correctivas e preventivas pelos prestadores de serviços e subcontratados. Nas organizações com alguma complexidade o fluxo da informação e o controlo manual da execução deste requisito requer frequentemente um esforço não desprezável que pode ser optimizado mediante a informatização dos diferentes passos em workflow. Revendo: Não conformidades, acções correctivas e acções preventivas: Página 110 de 173 • UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS • Existe(m) procedimento(s) para tratamento de não conformidades, acções correctivas e acções preventivas? As não conformidades são identificadas, corrigidas e acompanhadas com a implementação de acções para Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Página 111 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.5.4 Controlo de registos A organização deve estabelecer e manter registos, na medida em que sejam necessários para demonstrar a conformidade com os requisitos do seu sistema de gestão ambiental e desta Norma, e para demonstrar os resultados obtidos. A organização deve estabelecer, implementar e manter um ou mais procedimentos para a identificação, o armazenamento, a protecção, a recuperação, a retenção e a eliminação dos registos. Os registos devem ser e manter-se legíveis, identificáveis e rastreáveis. Os registos do SGA devem ser implementados e mantidos na medida do necessário, tendo em consideração as exigências da Norma e as necessidades da organização, procurando não criar um sistema de tal modo burocrático que dificulte o seu funcionamento. Os registos devem ser criados em papel, formato digital ou outros suportes, ao longo do ciclo de vida das actividades, produtos e serviços, como forma de evidenciar objectivamente o respectivo modo de desempenho, ambiental ou do funcionamento do sistema. Esses registos devem estar facilmente acessíveis a quem tiver necessidade de recorrer a eles para o bom desempenho das suas funções. De um modo geral, podem definir-se os registos do SGA como todas as constatações formais, em suporte de informação, do modo como decorrem as actividades respectivas. A título de exemplo citam-se alguns registos ambientais: • Reclamações; • Listas de presença e sumário de acções de formação; Página 112 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • Registos de monitorização de processos; • Resultados de medições dos parâmetros ambientais; • Registos de inspecção, manutenção e calibração; • Certificados; • Registos pertinentes fornecedores; • Relatórios de incidentes; • Relatórios de simulacros de preparação de emergências; • Relatórios de auditorias; • Actas de reuniões do SGA; • Correspondência com entidades públicas e fornecedores; • Comunicações com as partes interessadas; • Mapas de resíduos industriais; • Guias de acompanhamento de resíduos; • Decisão sobre a comunicação externa; • Registo de requisitos legais aplicáveis; • Registo de aspectos ambientais significativos; • Resultados da revisão pela Gestão; • Informações organização; • Registos da avaliação da conformidade. sobre o sobre subcontratados desempenho ambiental e da Para que isso se concretize, a gestão dos "Registos do SGA" deve poder apoiar-se em procedimentos com orientações cujo objectivo é assegurar que: • Os registos do SGA são devidamente identificados, compilados (e.g., por processo e dentro deste por descritor, por datas) e indexados (e.g., por número sequencial dentro de cada departamento) para fácil consulta; NOTA: os registos que possam evidenciar desempenhos menos correctos, como por exemplo os das reclamações e das não conformidades, devem ser indexados sequencialmente. Página 113 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 • É feita a actualização e o preenchimento correcto dos registos do SGA elaborados no âmbito das restantes funções, a fim de se poderem analisar as anomalias encontradas e a eficácia das medidas correctivas e preventivas; NOTA: de um modo geral, os registos que forem utilizados para evidenciar o funcionamento do SGA não deverão ser facilmente alteráveis, pelo que não é aceitável serem escritos a lápis ou, se em outros suportes, serem alteráveis por quem os elaborou após aprovação superior. Exceptuam-se os documentos de trabalho próprios, como por exemplo cálculos, embora, caso seja necessário evidenciar o seu desenvolvimento, esses documentos devam ser passados a suporte não alterável pelo autor e devidamente aprovado. • Os registos do SGA são arquivados durante o tempo necessário, seja este estabelecido por diploma legal, norma, requisito contratual ou necessidades próprias da empresa, tais como de reconstituição de situações passadas. Neste último sentido, os prazos devem ter também em conta a necessidade de fazer evidências em tribunais. • Os registos do SGA são devidamente manuseados, mantidos e acondicionados, tendo em vista a sua confidencialidade, integridade e conservação. Em termos de acondicionamento as condições ambientais podem ser particularmente importantes, sobretudo para registos em arquivo morto. • A inutilização ou eliminação dos registos é feita de modo definido e controlado, após terminado o prazo de arquivo estabelecido, tendo em conta a necessidade de gerir espaços físicos e informáticos e requisitos de confidencialidade a respeitar. O assegurar do cumprimento deste requisito das ISO 14001 costuma ser conseguido de duas formas: 1. Um procedimento específico de controlo dos registos, onde é frequente constar uma matriz bidimensional (Anexo XII) em que uma das entradas é a listagem de todos os registos e a outra a relação das acções acima enumeradas e uma síntese das regras a seguir; Página 114 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2. Indicação, em cada procedimento que envolva registos, do modo de assegurar a satisfação dos requisitos acima referidos e das responsabilidades respectivas. Revendo: Controlo de registos • Está implementado um procedimento para identificação, o armazenamento, a protecção, recuperação, a retenção e a eliminação dos registos? • Estão identificados os registos que devem ser retidos, e qual o respectivo período de retenção em arquivo? • Estão identificados registos com necessidade de serem destruídos após o tempo de retenção e está definido qual o modo de eliminação? • Os registos são mantidos em arquivo de modo a que sejam legíveis, identificáveis e rastreáveis? • Os registos em formato digital estão salvaguardados com cópias de segurança? Página 115 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS a a Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.5.4.5 Auditoria interna A organização deve assegurar que as auditorias internas ao sistema de gestão ambiental são realizadas em intervalos planeados para: a) determinar se o sistema de gestão ambiental: 1) está em conformidade com as disposições planeadas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos desta Norma; e 2) foi adequadamente implementado e é mantido; e b) fornecer à Gestão informações sobre os resultados das auditorias. O(s) programa(s) de auditorias deve(m) ser planeados(s), estabelecido(s), implementado(s) e mantido(s) pela organização, tendo em conta a importância ambiental da(s) operação(ões) em questão e os resultados de auditorias anteriores. Devem ser estabelecidos, implementado(s) e mantidos um ou mais procedimentos de auditoria de forma a considerar: • as responsabilidades e os requisitos para o planeamento e realização das auditorias, para relatar os resultados e para manter os registos associados; • a determinação dos critérios, do âmbito, da frequência e dos métodos de auditoria. A selecção dos auditores e a realização das auditorias deve assegurar a objectividade e a imparcialidade do processo de auditoria. A auditoria do SGA é um "exame sistemático e independente para determinar se todas as actividades e resultados relativos ao ambiente satisfazem as disposições pré-estabelecidas, se Página 116 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 estas estão efectivamente a ser aplicadas e se são adequadas para atingir os objectivos." A auditoria ambiental interna deve ser feita ao SGA no seu todo, mas pode ter lugar de modo fraccionado, a instalações específicas, departamentos e processos. É fundamental que seja realizada por pessoas (externas contratadas, ou internas à empresa) independentes da área a auditar e com formação adequada. Isto implica que, em geral, haja sempre um mínimo de dois auditores internos, na medida em que sendo o representante da Gestão normalmente responsável directo pela coordenação das actividades ambientais, pelo plano de auditorias e pelo controlo de muitos documentos do sistema, também deve ser auditado. Embora na generalidade as entidades certificadoras não estejam ainda a exigir que os auditores internos cumpram os requisitos de formação, experiência e avaliação do desempenho estabelecidos na Norma ISO 19011:2002, é natural que a médio prazo o venham a fazer, pelo que se aconselha que isso seja tomado em consideração dentro de uma óptica de custo/benefício. Com efeito, não se pode desprezar a existência de autodidactas, sendo possível encontrar situações de excepção; a título de exemplo, uma organização com o SGA bem implementado, cujo auditor tenha sido responsável por relatórios de auditoria bem elaborados e que tenha mais de quatro anos de experiência na área do ambiente pode justificar que esse auditor não necessita de mais formação em auditorias. As auditorias Ambientais internas são o meio mais eficaz e eficiente de conhecer a situação real do SGA das organizações e, se devidamente orientadas, de contribuir para a sua melhoria em termos organizativos, funcionais e motivacionais; daí a importância e a forma explícita que assumem aquando da revisão pela Gestão. O envolvimento de diversos quadros como auditores internos tem-se revelado de grande utilidade em todas as organizações que conhecemos, na medida em que permite expandir e alicerçar a ideia de que o ambiente respeita a todos, levar a experiência de cada um a diferentes áreas e fomenta a comunicação e a informação em geral. Devem existir procedimentos que definam o modo como as auditorias são planeadas, preparadas, executadas e relatadas, Página 117 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 bem como as frequências respectivas. Se bem que não esteja explícito na Norma de referência, considera-se que todas as áreas no âmbito do SGA devem ser auditadas pelo menos uma vez por ano, podendo ser necessário aumentar essa frequência para as que forem mais críticas ou que revelem demasiadas ocorrências indesejáveis. Se bem que as listas de verificação formais possam ser um auxiliar importante para o planeamento de uma auditoria, não são uma exigência específica da ISO 14001. O mais importante é o conhecimento e experiência dos auditores, que deverão verificar se as práticas estipuladas estão a ser cumpridas, mediante consulta à documentação aplicável e aos registos de situações anteriores; em paralelo, poderão também socorrer-se de listas de verificação genéricas, como a que foi elaborada pelos autores, também no âmbito do projecto AIP-Ambiente. Em anexo são apresentados modelos tipo de impressos habitualmente utilizados para auxiliar a implementação do procedimento de auditorias internas (Anexo XIII). Página 118 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Auditoria interna • As auditorias internas ao intervalos planeados? • O SGA está em conformidade com as disposições planeadas para a gestão ambiental, incluindo os requisitos da Norma? • As auditorias permitem verificar se o SGA adequadamente implementado e é mantido? • As auditorias fornecem à Gestão informações para a revisão pela Gestão? • Existe um programa de auditorias onde estão previstas auditorias a todas as operações, cuja frequência é função da importância ambiental dessas operações e dos resultados de auditorias anteriores? • Existe um procedimento de auditorias internas? • Estão definidas as responsabilidades e os requisitos para o planeamento e realização das auditorias, para relatar os resultados e para manter os registos associados? • São determinados os critérios, o âmbito, a frequência e os métodos de auditoria? • A selecção dos auditores e a realização das auditorias assegura a objectividade e a imparcialidade do processo de auditoria? • O desempenho dos auditores é avaliado? Página 119 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS SGA são realizadas a foi Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2.4.6 Revisão pela Gestão A Gestão de topo deve rever o sistema de gestão ambiental da organização a intervalos planeados, de forma a assegurar que continua adequado, suficiente e eficaz. Estas revisões devem incluir a avaliação de oportunidades de melhoria e a necessidade de alterações ao sistema de gestão ambiental, incluindo a política ambiental e os objectivos e metas ambientais. Devem ser mantidos registos das revisões pela Gestão. As entradas para as revisões pela Gestão devem incluir: a) os resultados das auditorias internas e avaliações de conformidade com os requisitos legais e com outros requisitos que a organização subscreva; b) as comunicações de partes interessadas externas, incluindo reclamações; c) o desempenho ambiental da organização; d) o grau de cumprimento dos objectivos e metas; e) o estado das acções correctivas e preventivas; f) as acções de seguimento resultantes de anteriores revisões pela Gestão; g) alterações de circunstâncias, incluindo desenvolvimentos nos requisitos legais e outros requisitos relacionados com os seus aspectos ambientais; e h) recomendações para melhoria. As saídas da revisão pela Gestão devem incluir quaisquer decisões e acções relativas a possíveis alterações da política ambiental, dos objectivos, das metas e de outros elementos do sistema de gestão ambiental, em coerência com o compromisso de melhoria contínua. Página 120 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 A revisão pela Gestão deverá ser feita com periodicidade definida e devidamente documentada (modo como é feita e registos que a evidenciem), constituindo o instrumento fundamental da avaliação da eficácia e eficiência do SGA. Contudo, essa periodicidade não deve ser limitativa de revisões intercalares que, eventualmente, sejam necessárias. A revisão pela Gestão não deve limitar-se à avaliação do rigor ou suficiência do suporte documental existente, sendo importante que inclua em si própria a dinâmica da melhoria contínua. Assim, há que contemplar também aspectos tais como a análise dos indicadores de desempenho, relatórios de auditorias, impacte da introdução de novas tecnologias, produtos e sistemas produtivos, análise dos requisitos de formação e treino, problemas de informação, motivação, liderança e absentismo. Na prática, pode afirmar-se que uma revisão pela Gestão, para ser bem feita, implica o envolvimento de numerosos quadros, até porque os novos objectivos e metas ambientais estarão intimamente relacionados com as suas áreas de responsabilidade e deverão (pelo menos, no longo prazo) consubstanciar os diferentes pontos expressos na política ambiental e ser decorrentes dessa revisão. Página 121 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Revendo: Revisão pela Gestão • A revisão pela planeados? Gestão é realizada a intervalos • A revisão pela Gestão assegura que o SGA continua adequado, suficiente e eficaz? • A revisão pela Gestão inclui a avaliação de oportunidades de melhoria e a necessidade de alterações ao SGA, incluindo a política ambiental e os objectivos e metas ambientais? • São mantidos registos das revisões pela Gestão? • São consideradas como entradas para a revisão pela Gestão: o os resultados das auditorias internas e avaliações de conformidade com os requisitos legais e com outros requisitos que a organização subscreva; o as comunicações de partes externas, incluindo reclamações; interessadas o o desempenho ambiental da organização; o o grau de cumprimento dos objectivos e metas; o o estado das acções correctivas e preventivas; o as acções de seguimento resultantes anteriores revisões pela Gestão; de o alterações de circunstâncias, incluindo desenvolvimentos nos requisitos legais e outros requisitos relacionados com os seus aspectos ambientais; e o recomendações para melhoria? • São consideradas como saídas da revisão pela Gestão, quaisquer decisões e acções relativas a possíveis alterações da política ambiental, dos objectivos, das metas e de outros elementos do SGA, em coerência com o compromisso de melhoria contínua? Página 122 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 3. A certificação A certificação é um acto administrativo, oficial ou privado, pelo qual uma terceira parte fornece uma garantia escrita de que algo (pessoa, processo, produto, organização ou serviço) está conforme com requisitos documentados. A Certificação é, assim, um modo de evidenciar perante terceiros o cumprimento de requisitos, em regra expressos sob a forma de norma ou de especificação técnica. A certificação de organizações é sempre voluntária, a ela podendo recorrer qualquer uma, independentemente do seu estatuto. A certificação de sistemas de gestão de organizações por entidades nacionais e com carácter oficial teve início em Portugal em 1984, no âmbito da OTAN, utilizando a norma de qualidade AQAP-4, equivalente à então ainda não existente ISO 9002. Em 1988 tiveram lugar as primeiras certificações pelo IPQ, já com base nas normas ISO da série 9000, e em 1996 o IPQ passou a certificação de organizações à então criada APCER – Associação Portuguesa de Certificação. A partir de então a actuação do IPQ no que respeita à qualificação passou a ser o de acreditador das entidades certificadoras, até que foi substituído nessas funções pelo IPAC – Instituto Português de Acreditação, já no decorrer de 2005. No que respeita à certificação de SGA, existem presentemente seis entidades acreditadas para tal, cinco das quais estão também acreditadas como verificadores ambientais EMAS. A nossa primeira empresa certificada ISO 14001 foi a SECIL, fábrica de Setúbal, pela APCER, em 1999. Já quanto ao primeiro registo EMAS, que é feito pelo IA, foi atribuído à PEGOP, em 2000. A certificação de um sistema de gestão (qualidade, ambiente, higiene e segurança, responsabilidade social,...), é a demonstração, por uma entidade reconhecida, da conformidade do seu processo de produção com os requisitos de um documento de carácter normativo. A certificação é uma decisão que faz parte da estratégia da empresa e por isso deverá ser assumida e acompanhada pela sua Gestão de topo. Presentemente, é notório o pequeno número de entidades certificadas ISO 14001, em Portugal e no mundo, por comparação com as certificadas ISO 9001. As razões para a diferença acima referida estão num início muito tardio da publicação da ISO 14001 (cerca de dez anos), no facto de a certificação ambiental não ser uma imposição da maior parte dos Página 123 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 clientes e ainda numa falta de sensibilidade dos gestores para a problemática do ambiente, que é entendida como custo e aumento da burocracia e não como oportunidade. Uma forma de ir alterando a mentalidade dos gestores é procurar ver a certificação não como um objectivo em si, visando apenas a obtenção de um certificado, mas sim como um processo de carácter evolutivo, na óptica da melhoria contínua, e motivador. De outro modo, pode tornar-se uma obrigação não entendida, difícil de acompanhar, burocrática e pesada. Importa referir as vantagens de certificar uma organização pela ISO ou de ter o seu registo EMAS: • A concepção e implementação do SGA obriga a uma reflexão sobre o modo de funcionamento que ao envolver um número elevado de colaboradores promove a sua motivação, estimula a sua participação e melhora a imagem interna da Gestão; • A reflexão acima referida conduz a uma melhoria, em termos globais, da organização, do funcionamento e da redução do risco; • A evidência externa (clientes, fornecedores, administração pública, sociedade) e interna (colaboradores e accionistas/proprietários) do reconhecimento por terceiros de um sistema de gestão com padrões internacionais e com implicações internas e na sociedade. Por último, quando uma organização se encontra em condições de ser certificada ou registada EMAS e pretende iniciar contactos com uma entidade certificadora/verificadora aprovada poderá consultar o “site” do IPAC (www.ipac.pt), onde consta a lista das entidades dessas entidades. Página 124 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Siglas APCER Associação Portuguesa de Certificação BSI British Standards Institution CBO5 Carência Bioquímica de Oxigénio (em 5 dias) COV Compostos Orgânicos Voláteis EMAS Eco Management and Audit Scheme – Sistema de Eco Gestão e Auditoria FMEA Failure Mode and Effect Analysis - Análise modal de falhas e seus efeitos IA Instituto do Ambiente IPAC Instituto Português de Acreditação IPQ Instituto Português da Qualidade ISO International Organization for Standardization PP Prevenção da Poluição SGA Sistema de Gestão Ambiental UNEP United Nations Environment Programme Página 125 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Bibliografia • Câmara, P.B., Guerra, P.B. e Rodrigues, J. V. (1997), Humanator – Recursos Humanos e Sucesso Empresarial, Ed. D. Quixote, Lisboa • Regulamento (CE) N.º 761/2001 DO Parlamento Europeu e do Conselho de 19 de Março de 2001, EMAS II • ISO 14001:2004 (NP EN ISO 14001:2004), Sistemas de gestão ambiental – Requisitos e linhas de orientação para a sua utilização • ISO 14004:2004, Sistemas de gestão ambiental – Requisitos e linhas de orientação para a sua utilização • Pimenta, E. e Pinho, C. (2002), ISO 14001:1999 Guia de Apoio à Implementação de Sistemas de Gestão Ambiental – 2ª Edição, Ed. IBEROGESTÃO, Vila Nova de Gaia • Recomendação da Comissão de 10 de Julho de 2003, relativa a EMAS II - selecção e utilização de indicadores de desempenho ambiental • Seiffert, M. E. B. (2005), ISO 14001 Sistemas de Gestão Ambiental – Implantação objectiva e económica, Ed. Atlas, São Paulo • SGS (2003), ISO 14001 - Evitar as armadilhas, Ed. SGS, Lisboa Sites • www.gestiopolis.com, Novembro 2005 • www.iambiente.pt, Novembro 2005 • www.ipac.pt, Dezembro Página 126 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexos Anexo I - Política ambiental Anexo II - Aspectos ambientais Anexo III - Requisitos legais e outros requisitos Anexo IV - Objectivos, Metas e Programa(s) Anexo V - Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades Anexo VI - Competência, Formação e Sensibilização Anexo VII - Comunicação Anexo VIII – Documentação Anexo IX - Prevenção e capacidade de resposta a emergências Anexo X - Monitorização e medição Anexo XI - Não conformidades, acções correctivas e acções preventivas Anexo XII - Controlo dos registos Anexo XIII - Auditorias internas Página 127 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo I - Política ambiental I.a) Exemplo de política ambiental: POLÍTICA AMBIENTAL DA OLIVEIRA REAL I.b) Exemplo de política ambiental: POLÍTICA DA QUALIDADE E AMBIENTE DA ROCHAZUL Página 128 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 I.a) POLÍTICA AMBIENTAL DA OLIVEIRA REAL Dadas as responsabilidades ambientais em que a Oliveira Real está apostada, foi definida e aprovada pela Administração a seguinte Política Ambiente que a Empresa se propõe seguir: É política global e estratégica da Oliveira Real ser reconhecida como líder na protecção do ambiente. E a melhoria contínua do SGA? É também política da Oliveira Real lutar pela melhoria contínua do seu desempenho ambiental e, onde possível, evitar a poluição na origem, tendo em conta objectivos de desenvolvimento, os empregados e a comunidade local. Significará PP? Em particular pretendemos: Pretendemos é uma intenção ou um compromisso? O que é PP? Compromisso de PP? Só interessam estes requisitos? • Cumprir ou exceder os requisitos legais; • Manter procedimentos para lidar rápida e eficazmente com emergências ambientais; • Estabelecer objectivos e programas para o controlo e redução das descargas para a rede municipal de tratamento de efluentes, a eliminação de resíduos, a utilização da água, da energia e de materiais perigosos; Serão aspectos ambientais significativos da Oliveira Real? • Assegurar que são estudados os aspectos ambientais de actividades futuras; • Aumentar a proporção dos resíduos que são reutilizados ou reciclados; • Implementar programas de gestão ambiental que incluam uma clara definição de objectivos e responsabilidades; • Influenciar os nossos fornecedores para que cumpram os requisitos da Política Ambiental da Oliveira Real. Esta política foi divulgada e explicada a todos os trabalhadores da Empresa, utilizando os meios mais adequados e disponíveis, nomeadamente, cartas, E-MAIL e cartazes. E os trabalhadores subcontratados que trabalhão em nome da Oliveira Real? Página 129 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS A Administração Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 I.b) POLÍTICA DA QUALIDADE E AMBIENTE DA ROCHAZUL A ROCHAZUL desenvolve um Sistema de Gestão Integrado, Qualidade e Ambiente, no âmbito da concepção e produção de equipamentos de piscinas. A política que o sustenta, aplicada a todos os sectores e níveis da empresa, baseia-se nos seguintes compromissos: • Procurar garantir a total satisfação dos clientes pela melhoria contínua da qualidade e eficiência ambiental dos equipamentos comercializados, contribuindo deste modo para o desenvolvimento sustentável, com a redução do consumo de energia e utilização de água; • Cumprir com os requisitos legais e outros subscritos pela ROCHAZUL; • Prevenir a poluição pelo controlo dos aspectos ambientais significativos, dando prioridade: o à redução de equipamentos; resíduos produzidos no fabrico de o à racionalização dos consumos de água utilizada em fase de teste de equipamentos; o à correcta gestão de produtos perigosos. • Promover a melhoria contínua do Sistema de Gestão integrado e do desempenho ambiental, estabelecendo objectivos e metas, e efectuando revisões periódicas ao Sistema, é o principal objectivo da ROCHAZUL. A Administração da ROCHAZUL, com o apoio do Director da Qualidade e Ambiente, é o órgão impulsionador para melhorar continuamente a eficácia do Sistema Integrado, contando para isso com a participação e empenhamento de todos os seus colaboradores. Não assumindo esta política como um padrão de política tipo, compare com a anterior e com o requisito da norma, procurando identificar se ambas estão em conformidade. Página 130 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Data O Administração Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo II - Aspectos ambientais II.a) Exemplo de sistematização de dados para a identificação de entradas e saídas de cada actividade, produto e serviço de uma organização tipo II.b) Matriz para identificação e registo de boas práticas ambientais já existentes II.c) Matriz para identificação incidentes ambientais passados e registo de acidente e II.d) Exemplo de metodologia: Matriz para Identificação e Avaliação de Aspectos Ambientais Página 131 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 II.a) Exemplo de sistematização de dados para a identificação de entradas e saídas de cada actividade, produto e serviço de uma organização tipo. Entradas Actividades Matéria prima (MP), Energia, … Recepção de MP Saídas Armazenamento de MP Armazenamento de óleos e solventes Armazenamento de Materiais subsidiários Pesagem Água, detergentes, energia Lavagem a quente Águas residuais, energia calorífica … … … Energia Extrusão Energia calorífica, resíduos de borras Tintas, solventes, energia, … Pintura Emissões atmosféricas, águas residuais, resíduos… Produto final Caixa de separador de hidrocarbonetos Abastecimento de viaturas Actividade Administrativa Produtos de limpeza Limpeza geral Gestão do parque de resíduos Casas de Banho e Refeitório Página 132 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Resíduos, águas residuais Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 1999 2003 Existente por obrigatoriedade legal (S/N) Final de implementação Início de implementação II.b) Matriz para identificação e registo de boas práticas ambientais já existentes Actividades, produtos ou serviços onde é ou foi aplicada Aplicação Contínua (C) ou Pontual (P) --- Na impossibilidade de identificação de um operador de resíduos autorizado para a recolha do resíduo N, este está a ser armazenado em condições de isolamento, devidamente identificado, para que seja possível encontrar no futuro uma destino final adequado. Gestão de resíduos C S --- Realização anual de um diagnóstico ambiental por uma empresa de consultoria, com recomendações para melhoria do desempenho ambiental. Todas P N Boa Prática (Descrição) Página 133 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 A Derrames de produto N em solo impermeável Incêndio Contenção e Absorção. Oficina Armazém de MP Reposição do material absorvente virgem. Correcção por acção dos bombeiros. Reflorestação da envolvente. Página 134 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Acções Preventivas (AP) Construção de Bacia de retenção e sensibilização do chefe de oficina para impacte ambientais associados. Aquisição de equipamento de combate a incêndio. Implementaçã o de Plano de emergência interno (PEI) Deu origem a fiscalização (S/N) Acções Correctivas (AC) Impactes ambientais Actividades, produtos ou serviços relacionados Não se verificaram Mar 2005 I Acidente ou Incidente (Descrição) Poluição atmosférica. Queima de 2 hectares de pinhal na envolvente. Jan 2005 Acidente (A) ou Incidente (I) Data II.c) Matriz para identificação e registo de acidente e incidentes ambientais passados N S Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 II.d) Exemplo de metodologia: Matriz para Identificação e Avaliação de Aspectos Ambientais Controlo Operacional e Monitorização Objectivos Observações sobre os critérios de avaliação A Derrames em solo não impermeável --- Contaminaçã o do solo com produto N --- Danos para a saúde humana … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … … Situação (N/A/E) Significativo ____/____/_______ Legislação Data de Actualização Significância Nº de Revisão ________ Magnitude ______________ Frequência Instalação Aspecto Ambiental Impacte no ar Impacte no Impacte na solo água Outros impactes 1. Recepção de MP Consumo de energia eléctrica Poluição atmosférica na produção de energia --- --- Redução de combustíveis fósseis e contribuição para o aquecimento global N Circulação de veículos Libertação de gases de combustão contribuindo para o ozono troposférico (CO2 - Efeito de estufa, CO - venenoso, NOx Tóxico com danos nos pulmões, SO2 Tóxico e com água forma ácido sulfúrico, CxHy - Efeito de estufa, Partículas - Cinzas) Corrosão por poluentes acidificantes Eutrofização e acidificação do meio hídrico Inflamação das vias respiratórias; reduções na função pulmonar; agravamento de reacções alérgicas de indivíduos sensíveis; corrosão de monumentos A Rebentamento de bidon 200L --- Contaminaçã o do solo com produto N Contaminaçã o do meio hídrico com produto N Danos para a saúde humana E Explosão do produto N N 2. Armazenamento MP 3. Armazenamento de Mecânica … … Página 135 de 173 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Instruções: Esta matriz deve ser preenchida por actividades, produtos e serviços, estando estes numerados e identificados nas linhas a cinzento claro. Situação (N/A/E) Normal/Anormal/Emergência Aspecto Segundo definição da ISO 14001:2004 Impactes Segundo definição da ISO 14001:2004 Os impactes ambientais são divididos de forma a permitir um raciocínio por descritores ambientais. Permitindo assim a identificação de impactes no ar, no solo, na água e outros. A título de exemplo são apresentados os seguintes casos de impactes ambientais: No ar: • Libertação de gases de combustão contribuindo para o ozono troposférico (CO2 - Efeito de estufa, CO - venenoso, NOx - Tóxico com danos nos pulmões, SO2 - Tóxico e com água forma ácido sulfúrico, CxHy - Efeito de estufa, Partículas Cinzas); • Libertação de gases COV's promovendo o aumento do ozono ao nível da terra. No solo: • Contaminação do solo com hidrocarbonetos; • Alastramento do fogo às zonas circundantes e queima de vegetação promovendo o empobrecimento do solo; • Contribuição para a desertificação; • Contaminação do solo com substâncias acidas existentes no interior das baterias. Na água: • Contaminação do meio hídrico após o incêndio, com arrastamento por acção da chuva de partículas depositadas no solo, aumentando a carga orgânica Página 136 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 e contaminação tóxica da linha de água mais próxima; • Contaminação de aquíferos por infiltração de águas de lavagens com tintas e solventes; • Contribuição para o aumento da salubridade das águas subterrâneas junto ao litoral; • Poluição de carga orgânica contaminando o meio hídrico. Outros: • Danos humanos e materiais. Para além dos impactes visuais, podem ocorrer impactes psicosociais na vizinhança e nos trabalhadores afectados; • Inflamação das vias respiratórias; reduções na função pulmonar; agravamento de reacções alérgicas de indivíduos sensíveis; corrosão de monumentos; • Redução de combustíveis fósseis; • Incomodidade da vizinhança. Critérios para determinar a significância: Frequência Frequência Ocorrência Normal ou Anormal Aspecto ocorre continuamente ou com frequência diária 5 Muito frequente 4 Bastante frequente Aspecto ocorre mais de uma vez por mês 3 Frequente Aspecto ocorre mais de uma vez por ano Falha de Equipamento Equipamento associado ao aspecto tem uma vida em operação muito superior à vida útil prevista Equipamento associado ao aspecto tem uma vida em operação superior à vida útil prevista Equipamento associado ao aspecto tem uma vida em operação igual à vida útil prevista Página 137 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Acidente Probabilidade de ocorrência de acidente muito elevada Probabilidade de ocorrência de acidente elevada Probabilidade de ocorrência de acidente reduzida Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 2 Pouco frequente 1 Muito pouco frequente Aspecto ocorreu ocasionalmente no passado, ou ocorre menos de uma vez por ano Aspecto nunca ocorreu no passado na Instalação, ainda que possa ter ocorrido na indústria Equipamento associado ao aspecto tem uma vida em operação inferior à vida útil prevista Equipamento associado ao aspecto tem uma vida em operação muito inferior à vida útil prevista Probabilidade de ocorrência de acidente muito reduzida Acidente nunca ocorreu no passado na Instalação, ainda que possa ter ocorrido na indústria Magnitude Magnitude 5 4 3 2 1 Muito Elevado Elevado Moderado Baixa Muito Baixa Impacte • Derrame ou fuga não contida superior a 200l de materiais perigosos • Derrame sobre um receptor sensível (áreas protegidas, classificadas como RAN ou REN, junto a captações de água) • Danos de longo prazo, afectando uma área extensa e com recuperação prolongada • Destruição irreversível da fauna e da flora afectada • Ruído ambiente da actividade durante o dia mais de 5dB acima do ruído residual ou mais de 3dB durante a noite • Emissão de efluente com concentração superior a 100% do VLE • Emissão atmosférica de compostos destruidores da camada de ozono superior a 5kg • Resíduo perigoso gerado em quantidade superior a 1 tonelada ou resíduo não perigoso gerado em quantidade superior a 10 toneladas • Consumo superior a mais de 5000 m3 de água por ano • Consumo de electricidade anual dividido pelo “throughput” em toneladas superior a 5 Kwh/ton • Fatalidade de um ou mais membros da comunidade (incluindo trabalhadores) • Reputação afectada por cobertura nos meios de comunicação social nacionais ou internacionais • Reputação afectada por processo judicial por parte da população civil • • • • Derrame ou fuga não contida de mais de 1l ou 1 kg de materiais perigosos, limpeza imediata • Derrame contido em contenção secundária e totalmente recuperado • Dano instantâneo dentro do terminal • Ruído ambiente da actividade durante o dia menos de 2dB acima do ruído residual e menos de 1dB durante a noite • Emissão de efluente com concentração menos de 10% do VLE • Emissão atmosférica de compostos destruidores da camada de ozono inferior a 1kg • Resíduo perigoso gerado em quantidade superior a 2 kg ou resíduo não perigoso gerado em quantidade superior a 50 kg • Consumo inferior a 500 m3 de água por ano • Consumo de electricidade anual dividido pelo peso do “throughput” inferior a 2 Kwh/ton • Nenhuma referência na comunicação social Nota: Estes dados devem apenas servir para auxiliar a avaliação dos aspectos ambientais, de modo a que a metodologia seja reprodutível, sendo o mais importante a sensibilidade e bom senso do responsável pelo preenchimento da matriz. Significância = Magnitude x Frequência Neste caso, todos os aspectos ambientais que obtenham uma classificação igual ou superior a 10 são significativos. Página 138 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Magnitude Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 5 5 10 15 20 25 4 4 8 12 15 20 3 3 8 9 12 15 2 2 4 8 8 10 1 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Probabilidade Legislação neste campo apenas é identificado com um “X” a existência de legislação aplicável, já que no caso de uma aspecto ambiental estar relacionado com uma inconformidade legal, este deve ser considerado significativo, independentemente da sua classificação. Significativo Este campo ser apenas para identificar com um “X” os aspectos ambientais considerados significativos. Controlo Operacional e Monitorização Identificação de quais os elementos do SGA que, se necessário, garantem o controlo operacional e a monitorização do aspecto ambiental. O controlo operacional, como será referido no respectivo requisito, só é obrigatório estar documentado em procedimento para os casos em que a ausência de um procedimento documentado pode colocar em causa o não cumprimento de objectivos e metas associados a um aspecto ambiental significativo. Objectivos neste campo apenas é identificado com um “X” a existência de objectivos e metas contemplados no programa de gestão ambiental. Observações sobre os critérios de avaliação A possibilidade de registar estas observações permite justificar que um aspecto ambiental que tem uma classificação inferior a 10, mas que está relacionado com uma inconformidade legal, é considerado significativo. Por outro lado, permite justificar classificações de um dos parâmetros não coerentes com as referências de apoio. Página 139 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo III - Requisitos legais e outros requisitos III) Fluxograma tipo de procedimento de identificação e interpretação de requisitos legais Página 140 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 III) Fluxograma tipo de procedimento de identificação e interpretação de requisitos legais. Dir. Departamento e Resp. Ambiente Consulta do Diário da República Análise preliminar Existem novos requisitos legais aplicáveis ? Análise Técnica Dir. Departamento Resp. Ambiente Acrescentar à Lista de Requisitos Legais e outros requisitos Form. –“Relação dos Requisitos legais com os aspectos ambientais” Proced. – “Identificação e avaliação dos aspectos ambientais” Form. – Lista dos Requisitos Legais e outros Requisitos Arquivo do documento original e remoção do obsoleto Distribuição aos sectores a que o Requisito Legal diz respeito Página 141 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Fim Sim Relacionar aos aspectos ambientais Resp. Ambiente Não Proced.– “Controlo dos Documentos” Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo IV - Objectivos, Metas e Programa(s) IV.a) Exemplo de matriz para registo de Programa DE Gestão Ambiental IV.b) Exemplo de matriz para registo de programa de acções para operacionalizar o Programa de Gestão Ambiental A matriz seguinte (IV.a) deve ser preenchida contemplando todos os objectivos, associando-os aos aspectos ambientais considerados como significativos para inclusão no programa de gestão ambiental. Para operacionalizar este programa é aconselhável a criação de um documento mais simplificado (IV.b), que possibilite a distribuição de um plano de acções a desenvolver para cada actividade. A título de exemplo, é apresentado em IV.b um caso prático para o terceiro objectivo do programa de gestão ambiental, onde são definidas acções e responsabilidades para o pessoal do sector da lavagem, actividade esta que poderá contribuir para o cumprimento do objectivo. Cada um destes planos de acções deve ter um responsável pelo seguimento do cumprimento das acções dentro dos prazos estipulados inicialmente, ficando a versão original, rubricada, na sua posse. Aos restantes intervenientes deve ser distribuída uma cópia, para que tomem conhecimento das acções a desenvolver. À semelhança deste plano de acções, deverão ser criados documentos parecidos, com metas específicas, para todas as outras actividades que possam contribuir para o cumprimento do objectivo inicial. Página 142 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 1 – Deixar o produto X lavado escorrer melhor; 2 – Trocar torre de arrefecimento; 3 – Limpar valas do circuito Y; 4 – --- 30-06-2006 --- --- Contador da água do furo Mensalmente --- --- --- --- --- Página 143 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS 14-09-2006 Água consumida (m3) Rácio entre 2006 e 2005 Paula Reduzir o Diminuir em 10% a consumo de água para água do furo em completar os 20%, para tanques cumprimento do e em 20% a perdida limite de por evaporação, até captação Julho de 2006 licenciado --- Prazo para cumprimento do objectivo Actuação nos equipamentos mais ruidosos (ex: limitação das vibrações) e estudo da possibilidade de colocar uma barreira acústica LAR - Laeq (residual) em dB(A) 25-12-2006 Após acções implementadas e sempre que haja alterações significativas nos equipamentos produtivos Diminuir em 25% o ruído ambiente na zona X de maior incomodidade para a vizinhança, até Junho de 2006 Medição do ruído com Sonómetro Responsável pelo objectivo Trimestral 1 – Análise do contrato de fornecimento de energia eléctrica; 2 – Realização de auditoria energética; 3 – Substituição do equipamento X; 4 – Redefinição de plano de manutenção na actividade Z; 5 – --- Paula Acções a desenvolver João Cumprir com os valores limites do ruído ambiente estipulados no DL n.º 292/2000 Consulta e análise das facturas de electricidade e dos registos dos contadores de consumo energético de cada equipamento. Frequência da medição --- Diminuir o consumo (Consumo de energia eléctrica: de energia em 5% na eléctrica em Diminuir o actividade X, 2006 * consumo em 10% na 100)/ energia eléctrica actividade Y, Consumo de global em 15% em 5% na energia actividade Z; eléctrica em até Novembro de 2005 2006 Método de análise Horácio Consumo de água Indicadores Entidade contratada Ruído produzido para o exterior Metas Manuel Consumo de energia eléctrica Objectivos --- Aspecto Ambiental Responsável da medição IV.a) Exemplo de matriz para registo de Programa de Gestão Ambiental Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 IV.b) Exemplo de matriz para registo de programa de acções para operacionalizar o Programa de Gestão Ambiental Actividade Aspecto Ambiental: Lavagem Consumo de água Responsável pelo plano de acções Objectivo Meta Acção 1 2 3 4 5 João (Director de Produção) Reduzir o consumo de água do furo em 20%, para cumprimento do limite de captação licenciado, até 30 de Junho de 2006. Diminuir em 10% o volume de água do furo necessária para completar os tanques da água, até Abril de 2006 Prazo para Data de Descrição/Recursos Responsáveis conclusão da Recursos conclusão acção e rubrica Instalação de equipamentos de 500,00€; medição do volume de água Contadores Paulo 15/01/2005 acrescentado nos vários em tanques. armazém Elaboração e implementação de Paula um impresso para registar os (Responsável do 15/01/2005 Consumíveis volumes de água do furo ambiente) acrescentada em cada tanque. Registo diário dos volumes e Paula análise semanal dos dados (Responsável do 31/04/2005 Consumíveis recolhidos. ambiente) Instalação de sistema de tratamento de águas e Paulo 30/08/2005 2000,00€ recirculação. --- --- Página 144 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS --- --- Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo V - Recursos, atribuições, responsabilidades e autoridades V) Exemplo de matriz para definição das responsabilidades dentro do âmbito do SGA Página 145 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 E E R Identificar e interpretar requisitos legais aplicáveis Estabelecer Programa de Gestão Ambiental (PGA) Implementar acções de operacionalização do PGA Definir e atribuir recursos financeiros Identificar necessidades de formação ------Legenda: R – Responsável E – Envolvido Página 146 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS E E E --- Chefe actividade C Identificar e avaliar aspectos ambientais E Chefe actividade B R Chefe actividade A Definir política ambiental Responsável do ambiente Responsabilidades Representante da direcção Direcção V) Exemplo de matriz para definição das responsabilidades dentro do âmbito do SGA Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo VI - Competência, Formação e Sensibilização VI.a) Exemplo de matriz competências necessárias para a identificação das VI.b) Exemplo de matriz para a identificação das necessidades de formação Página 147 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 VI.a) Exemplo de matriz competências necessárias para a identificação Página 148 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Requisitos psíquicos Requisitos físicos Escolaridade Formação Experiência Requisitos psíquicos Requisitos físicos Pessoal Tarefas com Cargo potencial impacte ambiental Escolaridade Formação Experiência Competências Desejável Indispensável das Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 VI.b) Exemplo de matriz para a identificação das necessidades de formação Página 149 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS On Job Emergência Sensibilização Gestão de Resíduos ISSO 19011 ISSO 14001 Gestão Ambiental Tarefas com potêncial impacte ambiental Cargo Pessoal Formação Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo VII - Comunicação VII) Tópicos para uma reflexão sobre comunicação Página 150 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 VII) Tópicos para uma reflexão sobre comunicação 1 - A identidade de uma organização é função da cultura, da estrutura e das pessoas e é baseada nela que deve ser pensada a estratégia da comunicação; contudo, o factor pessoas é preponderante, devendo atender-se a: o História pessoal, o História profissional, o Qual o seu contributo para a organização, o O que procuram da organização, o Quais as suas bases culturais, o Qual a melhor maneira de aprenderem, o Que dificuldades têm para se adaptarem, o Como estabelecem relações, o Qual a melhor maneira de as motivar. 2 - No caso da mudança, e isso é típico nas organizações que iniciam a implementação do SGA, o objectivo da comunicação é fazer com que as pessoas se envolvam e actuem. Este processo passa pelas fases seguintes: o Tomar conhecimento, de modo a entrar em sintonia, o Compreender todas envolvimento, as implicações, com vista ao o Aceitar a mudança, para se comprometer e ‘envergar essa camisola’. 3 - “A comunicação tem uma perspectiva de marketing e portanto é altruísta, na medida em que subordina a minha vontade à do outro: é sempre dirigida a pessoas, que devem ser tratadas como clientes (interno e externo) e há que responder a 3 perguntas fundamentais”: Página 151 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 o “Que querem os clientes de nós?”, o “Como é que eles nos avaliam?”, o “Com que é que eles nos comparam?”. 4 - O processo comunicacional exige, nem sempre necessariamente no todo, as competências específicas seguintes dos seus iniciadores: o Persuasão, o Capacidade de ajuda, o Inteligência emocional, o Compreensão o Adaptabilidade, o Tenacidade, o Sociabilidade, o Confiança em si. 5 - Outros documentos relevantes na comunicação interna: o Código de ética, o Políticas (qualidade, financeira...), ambiente, segurança, RH, o Manual de acolhimento, o Declaração ambiental, o Missão, visão e valores, o Situações meios,...). de mudança (necessidade, Página 152 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS evolução, Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo VIII - Documentação VIII.a) Exemplo de procedimento VIII.b) Esquema representativo das interacções entre processos de um Sistema de Gestão da Qualidade e Ambiente VIII.c) Exemplo de matriz para referencia dos principais elementos do sistema e documentação relacionada Página 153 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 VIII.a) Exemplo de procedimento Página 154 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Página 155 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Página 156 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 VIII.b) Esquema representativo das interacções entre processos de um SGQA Definição do desenvolvimento estratégico Melhoria contínua Monitorização e medição dos processos Armazenament o e expedição Embalamento Produção Fusão Composição e Mistura Armazenament o de Matérias primas Planeamento Análise de contrato PROCESSOS CHAVE PROCESSOS DE SUPORTE Controlo de documentos Satisfação do cliente Recursos Humanos Identificação e rastreabilidade Controlo de registos Controlo Não Conformidade s Acção correctiva Compras Monitorização e medição Gestão do ambiente Auditoria interna Acção Preventiva Manutenção Controlo dos D.M.M. Gestão de emergência Página 157 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Comunicação SATISFAÇÃO DO CLIENTE E DE OUTRAS PARTES INTERESSADAS REQUISITOS DO CLIENTE E OUTRAS PARTES INTERESSADAS PROCESSOS DE GESTÃO Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 PROCESSOS Cód. PROCEDIMENTOS Documentado VIII.c) Exemplo de matriz para referencia dos principais elementos do sistema e documentação relacionada CHAVE P1 Análise de contrato P2 P3 P4 P5 Planeamento Armazenamento de Matérias primas Composição e mistura Fusão P6 Produção P7 Embalamento P8 Armazenamento e expedição PGQA 1.1 Concepção e desenvolvimento de produtos PGQA 1.2 Encomenda do cliente PGQA 2.1 Planeamento PO 3 Armazenamento de Matérias primas PO 4 Composição e mistura PO 5 Fusão PO 6.1 Produção extrusão PO 6.2 Produção secagem PO 7 Embalamento PGQA 8.1 Armazenamento de produto acabado PGQA 8.2 Entrega de produto acabado GESTÃO P9 Definição e desenvolvimento estratégico P10 P12 Melhoria contínua Monitorização, medição e Avaliação dos processos Comunicação P13 P14 P15 P16 P17 P18 Controlo de documentos Controlo de registos Auditoria interna Controlo Não Conformidade Acção correctiva Acção Preventiva P19 Satisfação do cliente P20 Compras P21 Manutenção P22 Recursos Humanos P23 Monitorização e medição P24 Controlo dos D.M.M. P25 Identificação e rastreabilidade P11 PGQA 9.1 Definição e desenvolvimento estratégico PGQA 9.2 Identificação de requisitos legais e outros PGQA 9.3 Revisão pela Gestão PGQA 10.1 Melhoria contínua PGQA 11.1 Monitorização, Medição e Avaliação de Processos PGQA 12.1 Comunicação interna e externa SUPORTE P26 Gestão do ambiente P27 Gestão de emergência PGQA 13.1 Controlo de documentos PGQA 14.1 Controlo de registos PGQA 15.1 Auditoria Interna PGQA 16.1 Controlo Não Conformidade PGQA 17.1 Acções Correctivas PGQA 18.1 Acções Preventivas PGQA 19.1 Satisfação do Cliente PGQA 19.1 Gestão de reclamações PGQA 20.1 Compra de matérias - primas PGQA 20.2 Compra de materiais subsidiários, produtos de manutenção e prestações de serviços PGQA 20.3 Avaliação, classificação e selecção de fornecedores PGQA 21.1 Manutenção preventiva PGQA 21.2 Reparação PGQA 22.1 Admissão de um colaborador PGQA 22.2 Formação PGQA 23.1 Tratamento das reclamações PGQA 23.2 Ensaios laboratoriais PGQA 24.1 Controlo dos dispositivos de monitorização e medição PGQA 25.1 Identificação e Rastreabilidade PGQA 26.1 Identificação e avaliação de aspectos ambientais PO 26.2 Gestão de resíduos PO 26.3 Gestão das águas PO 26.4 Gestão do ar PO 26.5 Gestão de Produtos perigosos PGQA 27.1 Preparação e capacidade de resposta a emergências (PEI) Página 158 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS D D D D D D D D D D D D IMPRESSOS E REGISTOS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo IX - Prevenção e capacidade de resposta a emergências IX) Exemplo de matriz para identificação de dados para prevenção e capacidade de resposta a emergências Página 159 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 IX) Exemplo de matriz para identificação de dados para prevenção e capacidade de resposta a emergências Como actuar (acções) Explosão Derrame de produtos perigosos CONTACTOS: Bombeiros INEM Responsável do Ambiente Página 160 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Responsáveis /Pessoal envolvido Impactes ambientais Mitigação de impactes Data de Exercício Alarme Medidas de prevenção de impactes ambientais Incêndio Situações de emergência Nota: Este plano é revisto sempre que se verifique uma ocorrência e aquando da revisão pela Gestão, onde são definidas as datas dos exercícios. Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo X - Monitorização e medição X.a) Exemplo de impressos para registo de indicadores de desempenho ambiental definidos para o objectivo redução de resíduos do programa de gestão ambiental X.b) Exemplo de impressos para plano de monitorização e medição Página 161 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 X.a) Exemplo de impressos para registo de indicadores de desempenho ambiental definidos para o objectivo redução de resíduos do programa de gestão ambiental Trimestre Unidade Tonelada 1º Total de resíduos produzidos Resíduos enviados para aterro Resíduos reciclados Página 162 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS 2º 3º 4º Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 X.b) Exemplo de impressos para plano de monitorização e medição Apesar do próprio programa de gestão ambiental poder indexar directamente os indicadores, metodologias e responsabilidades a cada objectivo, por vezes surge a necessidade de criar um impresso para o plano de monitorização e medição. Actividade Parâmetro Metodologia Periodicidade Responsável a medir da medição Página 163 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo XI - Não conformidades, acções correctivas e acções preventivas XI) Exemplo de impresso para registo de não conformidades e acções correctivas/preventivas Página 164 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 XI) Exemplo de impresso para registo de não conformidades e acções correctivas/preventivas XYZ, S.A. REGISTO DE NÃO CONFORMIDADE Reg. Nº ……….. Pág. _/_ E ACÇÃO CORRECTIVA/PREVENTIVA Constatações: Responsável: .................................................................. Data: ........................................... Causas: Responsável: .................................................................. Data: ........................................... Correcção: Resp. Prazo Rubrica Data Acção 1 Acção 2 Acção … - Responsável: .................................................................. Data: ........................................... Acção Correctiva/Melhoria: Resp. Prazo Rubrica Data Seguimento e Fecho da Correcção ou Acção Correctiva/Melhoria: Responsável: Prazo: A correcção ou acção foi eficaz? Sim/Não Se não, porquê? ..................................................................................................................... Data de fecho: ............................................... Rubrica: ........................................................ Responsável: .................................................................. Imp. Xpto #, Rer.0 Página 165 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Data: ........................................... Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo XII - Controlo dos registos XII) Exemplo de lista de registos Página 166 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Página 167 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Acesso Local Forma de de arquivo arquivo Responsável Indexação Código Nome do do registo registo Data XII) Exemplo de lista de registos Tempo de retenção Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 Anexo XIII - Auditorias internas XIII.a) O procedimento de auditoria internas XIII.b) Exemplo de programa de auditorias XIII.c) Exemplo de plano de auditoria XIII.d) Exemplo de relatório de auditoria Página 168 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 XIII.a) O procedimento de auditoria internas Com o objectivo de definir a metodologia de planeamento e implementação de auditorias internas ambientais, para verificar o cumprimento dos requisitos da ISO 14001 e o desempenho ambiental da organização, este procedimento deve prever aspectos como: • Elaboração do programa de auditorias; • Competências requeridas aos auditores; • Avaliação das competências dos auditores; • Constituição da bolsa de auditores; • Elaboração do plano de auditoria; • Realização de auditorias: o Enquadramento para reunião de abertura, onde são apresentados os auditores e esclarecidos os objectivos da auditoria; o Condução da auditoria, onde é verificada a conformidade com os requisitos da Norma, através de registo preciso de constatações, com base em evidências objectivas; o Enquadramento para reunião de encerramento, onde o auditor coordenador procura esclarecer e registar as não conformidades encontradas; • Correcção das não conformidades e tomada de acções correctivas e preventivas, após a auditoria. Os registos tipo habitualmente utilizados para a implementação do procedimento de auditorias internas são apresentados de seguida. Página 169 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 XIII.b) Exemplo de programa de auditorias Janeiro Cronograma Fevereiro Março Abril Maio Junho … Dezembro Página 170 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS … Processo 2 Processo 1 … Actividade 5 Actividade 4 Actividade 3 Actividade 2 Áreas auditadas (Actividade, produtos, serviços, processos) Actividade 1 Programa de auditorias internas de 2007 Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 XIII.c) Exemplo de plano de auditoria Plano de auditoria ENTIDADE AUDITADA: _______________ DATA: HORA DE INÍCIO: __/__/____ TIPO DE AUDITORIA: AUDITORIA Nº: _____ __:__h DURAÇÃO PREVISTA: _ horas Sectores auditados (âmbito): ____________ _________________________________ Interna DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA: - Norma ISO 14001:2004 - Manual de Gestão Ambiental - Procedimentos documentados do SGA Requisitos/Cláusulas a auditar Auditados Auditor Horário __/__/____ Reunião de Abertura … … 4 Requisitos do SGA … … 4.1 Requisitos Gerais … … 4.2 Política ambiental … … … … … Auditorias internas … … … Revisão pela Gestão … … … Reunião de Conclusão … … 17:30 – 18:00 … 5.4.5 4.6 … 09:00 – 09:10 09:10 – 09:30 SIGLAS: _____________________ Equipa Auditora: ____________________ Página 171 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS Data: 01/09/2006 Guia de referência para a implementação de Sistemas de Gestão Ambiental segundo a ISO 14001:2004 XIII.d) Exemplo de relatório de auditoria Relatório de auditoria ENTIDADE AUDITADA: ____________ AUDITORIA N.º: __________ DATA DA AUDITORIA: __/__/____ TIPO DE AUDITORIA: Interna Data do Relatório: __/__/____ EQUIPA AUDITORA: _________ RESUMO DA AUDITORIA (grau de implementação do sistema; aspectos positivos a salientar; observações) Responsáveis Contactados: __________________ DOCUMENTAÇÃO E REGISTOS AUDITADOS: _______________________ Nota: Na check-list são identificadas as referências dos documentos consultados. Análise por Cláusula CLÁUSULAS NORMATIVAS 4.1 4.2. … Requisitos Gerais Política Ambiental … FICHA DE NÃO CONFORMIDADE (FNC Nº #) CONSTATAÇÕES FNC nº 1 … CLASSIFICAÇÃO NC IM NCm NCm IM … … … NCM NCC … … Classif: IM–Intenção de melhoria; NC–Não Conformidade; C–Crítica; M–Maior; m-Menor Anexos: Lista de verificação utilizada Rubrica do Auditor: __________________ Pela Entidade Auditada: _________________ (tomei conhecimento) Página 172 de 174 UNIÃO EUROPEIA FUNDOS ESTRUTURAIS