95 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) ESTUDO DE CASO SOBRE OS BENEFÍCIOS DO SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL NA EMPRESA GAS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S/A – UNIDADE DE ARARAQUARA-SP BUTARELLO, Germano Augusto 1 MARIN, Camila Martins 2 MACHADO, Weliton de Oliveira 3 RESUMO Com o crescimento populacional e industrial as corporações busca desenvolver novos produtos visando melhoria da qualidade de vida. Muitas dessas atuam no setor primário, extraindo recursos naturais e processando bens de consumo, causando grandes prejuízos para o ambiente. Devido a esses impactos e com maior disseminação de informações sobre questões ambientais, a sociedade aumentou sua pressão sobre governos e indústrias, que buscaram estratégias para realizar um planejamento consciente dos recursos naturais. Um dos sistemas mais aplicado é o de Gestão Ambiental (SGA). O presente estudo tem como objetivo analisar a situação ambiental atual da empresa Gas Brasiliano, distribuidora de gás natural, situada na cidade de Araraquara-SP, conforme requisitos exigidos para obtenção da certificação da norma ISO 14001. Como procedimentos metodológicos, para este estudo foi utilizado o levantamento bibliográfico e pesquisa de campo por meio de entrevistas, possibilitando uma análise qualitativa. Serão usadas para esta análise ações corretivas, preventivas e antecipatórias, necessárias para atender os requisitos da norma, sendo propostaa criação de um sistema de gestão funcional e sólido dentro da empresa. As estratégias e ações corretivas foram elaboradas em função de uma vivência diária na empresa, analisando procedimentos, métodos e registros, bem como a obtenção do diagnóstico ambiental, a partir da aplicação de uma lista conferência elaborada conforme as diretrizes da norma ISO 14001 sendo criado um indicador de consciência ambiental, obtido através de uma lista de verificação preenchida por diversos colaboradores de diferentes setores da empresa. Palavras Chave: Ambiente, certificação ambiental, Gestão Ambiental, ISO 14001, Sistema de Gestão Ambiental. 1 Graduando em Engenharia Ambiental e Sanitária pela Faculdade Logatti de Araraquara-SP 2 Graduanda em Administração pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Aparecida - UNIESP Sertãozinho-SP. 3 Mestre em Tecnologia Ambiental pela UNAERP de Ribeirão Preto-SP, Docente do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Faculdade Logatti de Araraquara-SP e Docente do curso Administração e Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Aparecida UNIESP Sertãozinho-SP. E-mail: [email protected]. http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 96 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) ABSTRACT With Actually human population and industrial growth seeks to develop new products to improve the quality of life. Many corporations works in the primary sector extracting natural resources and its process consumer goods .This progress has been causing great harm to the environment. Due to the environmental impacts and its population information increased the government and company suffered pression, resulting to devise strategies to make a conscious natural resource planning. Among the main resources is applied to the Environmental Management. The presente study go high analyze the current environmental situation of the company Gas Brasiliano , natural gas distributor , located in the city of Araraquara - SP , as required to obtain certification of the ISO 14001. As methodological procedures for this study, the literature review and field research through interviews was used, allowing a qualitative analysis. Thus, were tracing with this review corrective actions, preventive and anticipatory, necessary to meet the requirements of the standard, and propose to create a system of functional and solid management within the company. Strategies and corrective actions were developed according to a daily experience at the company, analyzing its procedures, methods and recorders, as well as getting the environmental assessment using a checklist based on the guidelines of ISO 14001 and creating an indicator of environmental awareness, obtained by archives filling by several employees situed in different sectors of the company. Key words: Environment, Environmental Management, Environmental Management System, Environmental Certification, ISO 14001. INTRODUÇÃO Constantes adaptações e modificações no ambiente natural são realizadas pelo homem, afim de obter maior desenvolvimento econômico. Nesse contexto, o homem é o grande fator impactante do ambiente natural e vem, pelo menos há doze milênios, promovendo modificações nos mais variados ambientes, em diferentes climas, solos e relevos. O ambiente urbano é o resultado de aglomerações localizadas em ambientes naturais transformados e modificados, e que para a sua adaptação e desenvolvimento, necessitam dos recursos naturais. O gerenciamento da extração de recursos do meio ambiente é um fator que pode acentuar ou minimizar os impactos ambientais. Neste contesto vale ressaltar que a gestão ambiental tem como foco o estudo de quatro variáveis sendo elas: • Diversidade dos recursos naturais extraídos; • Velocidade do processo de extração; http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 97 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) • Renovação desses recursos na natureza; • Destinação e tratamento adequado dos efluentes e resíduos gerados durante o processamento. A maneira de gerir essas quatro variáveis define a amplitude do impacto das ações antrópicas sobre o ambiente natural.,Outra questão que agravou o processo de adaptação do ambiente natural foi a escala de aglomeração e concentração populacional, gerando maior velocidade de utilização dos recursos naturais e aumentando a geração de resíduos. A possibilidade de ocorrer um exôdo urbano nos dias atuais é praticamente impossível, pois é nestes novos ambientes urbanos que utilizam os recursos naturais na busca de conforto para a sociedade e que também são gerados o grande problema do mundo moderno que são os resíduos oriundos desta aglomeração. Neste processo de adaptação ao ambiente natural, vem surgindo a questão: como gerar desenvolvimento sem esgotar os recursos naturais disponíveis? A primeira forma de abordagem utilizada para responder esta questão é a Gestão Ambiental, que busca articular a interação diversos agentes sociais em um mesmo espaço, garantindo a adequada exploração dos recursos naturais. A Gestão Ambiental Integra, de acordo com Almeida (2009), (a) Política Ambiental: que consiste em princípios doutrinários que conformam as aspirações sociais e/ou governamentais pertinentes à regulamentação ou modificação no uso, controle, proteção e conservação do ambiente; (b) Planejamento Ambiental: que é o estudo prospectivo que visa a adequação do uso, controle e proteção do ambiente as aspirações sociais e /ou governamentais expressas; e (c) Gerenciamento Ambiental: que é o conjunto de ações destinadas a regular o uso, controle, proteção e conservação do ambiente, e a avaliar a conformidade da situação corrente com os princípios doutrinários estabelecidos pela Política Ambiental. Assim a ABNT (2004), dispõe que o Sistema de Gestão Ambiental tem os seguintes objetivos específicos: • Criar uma conscientização ambiental na empresa; • Proporcionar uma ferramenta gerencial adicional para aumentar cada vez mais a eficiência e eficácia dos serviços; http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 98 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) • Proporcionar a definição clara de Organização, com responsabilidades e autoridades de cada função bem estabelecidas; • Promover a capacidade dos colaboradores para o exercício de suas funções, estruturadas a partir de seleções, treinamentos sistemáticos e avaliação de desempenho; • Reduzir custos através de uma maior eficiência e redução do desperdício, o que aumenta a competitividade e participação no mercado; • Aumentar a probabilidade de identificar os problemas antes que eles causem maiores conseqüências. Com isso,os motivos que levam a organização a buscar a implantação de um sistema de gestão ambiental são: • Pressão das partes interessadas; • Alta concorrência do mercado; • Restrição de comércio através de regulamentações de mercado; • Convicção, acreditar nos benefícios que o sistema proporciona; • Política corporativa e estratégia de competitividade. Considerando o novo paradigma a partir da percepção da importância do fator ambiental, não apenas como fonte de recursos, drasticamente impactados pelas atividades produtivas, e aque se estabeleceu desde então, este trabalho, analisando a situação ambiental atual da empresa, os benefícios e as mudanças que ocorreram com a implantação do Sistema de Gestão Ambiental. OBJETIVO Este trabalho tem como objetivo realizar um diagnóstico do Sistema de Gestão ambiental, baseado na NBR ISO 14001 de 2004 através de um estudo de caso, realizado na empresa GAS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S.A., com análises em diversos setores da empresa. Serão apontados pontos de melhorias dentro da organização, utilizando como partida o diagnostico da atual estrutura bem como a aplicação de indicadores que auxiliarão no funcionamento do Sistema de Gestão Ambiental. METODOLOGIA http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 99 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) O trabalho foi baseado no estudo de caso da implantação do Sistema de Gestão Ambiental na empresa GÁS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S.A. O estudo contemplou levantamento bibliográfico, análise de requisitos do sistema de gestão ambiental, diagnóstico ambiental, realizado com um “diagnostico” norteado pela norma ISO 14001, e entrevistas em diversos setores da empresa, que possibilitou uma análise qualitativa da pesquisa em questão. 1. HISTÓRICO AMBIENTAL A questão ambiental tem sido um tema de muita discussão ao longo das últimas décadas e atualmente, a preocupação com a conservação dos recursos naturais e com a degradação antrópica, tem sido estudada de forma pontual. Com o crescimento da população, o acúmulo de resíduos e a degradação ambiental aumentaram de forma preocupante. Na década de 60, muitos especialistas já preveniam sobre os riscos de um crescimento econômico baseado na exploração dos recursos naturais, sustentado pelo consumismo. Surgem nesta década os primeiros movimentos ambientais motivados pela contaminação das águas, solo e do ar nos países industrializados. Nos anos 70, o enfoque foi dado na regulamentação e controle ambiental (BARBIERI, 2011). De acordo com Valle (1996), após a Conferência de Estocolmo (1972), as nações começaram a criar e estruturar seus órgãos ambientais e suas legislações. Nesta época, a crise energética trouxe à tona a discussão sobre a racionalização do uso de energia e a busca por uma nova matriz energética (fontes renováveis). Nos anos 80, a legislação específica passou a fiscalizar e controlar a instalação de indústrias, a emissão de poluentes e a geração de resíduos perigosos, que passaram a ser assunto constante nas discussões mundiais (VALLE, 1996). A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro (CNUMAD ou ECO 92), demonstrou que a questão ambiental extrapola os limites das ações isoladas e localizadas para se criar uma conscientização e preocupação global. A adoção das normas internacionais de gestão ambiental foi uma das alternativas encontradas para garantir a conservação http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 100 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável e manter a competitividade (DIAS, 2003). 1.1. As organizações e o Meio ambiente A visão atual das organizações com relação ao ambiente insere-se no processo de mutabilidade da sociedade nas últimas décadas e que, segundo Donaire (1999), faz a empresa ser vista como uma instituição sociopolítica com responsabilidades sociais que ultrapassam a produção de bens e serviços. Portanto, esta responsabilidade social implica em um sentido de obrigação para com a sociedade de diversas maneiras, entre as quais, a proteção ambiental se enquadra. A sociedade tem apontado uma preocupação com a qualidade ambiental e com a utilização de forma sustentável dos recursos naturais. Com isso, governo e sociedade estão trabalhando na delimitação de diretrizes e normas que auxiliem na gestão ambiental, este processo pode ser visto na elaborando leis ambientais cada vez mais restritivas quanto à emissão de poluentes atmosféricos, disposição adequada de resíduos sólidos e líquidos, poluição sonora e extração dos recursos naturais. Donaire (1999) afirma que: a competitividade só aumenta com a existência de um mercado em crescente processo de conscientização ecológica, no qual mecanismos como selos verdes e Normas, como a Série ISO 14000, passam a constituir qualidades desejáveis, não somente para a aceitação e compra de produtos e serviços, como também para a construção de uma imagem ambientalmente positiva junto à sociedade. A implantação sistematizada de processos de Gestão Ambiental tem sido uma solução que as empresas têm encontrado para conseguir manter-se competitiva e suportar o conjunto de pressões exercidas. A organização empresarial preocupada com o perfil de consumidor cada vez mais informado em todas as questões, incluindo a ambiental, vem realizando através de reestruturação de sua política organizacional o desenvolvimento de programas que buscam apontar os possíveis pontos fracos do processo organizacional, desta forma uma revisão do processo produtivo, apontando novas tecnologias que otimizarão a produção e http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 101 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) melhora o ciclo de vida do produto, aproveitando oportunidades de mercado melhorando a imagem da empresa no quisito ambiental (DONAIRE, 1999). 1.2. A série ISO 14000 A ISO (International Organization for Standardization), ou Organização Internacional para Normalização é uma organização não governamental, fundada em 1947, com sede em Genebra, na Suíça, e está presente em mais de 120 países. A entidade que atua no Brasil como representante da ISO é a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), criada em 1940 e constituída de 28 Comitês por área de atividade (ABNT, 2004). Valle (1996), afirma que depois da experiência com a elaboração das normas da série ISO 9000 (SGQ) e influenciada pela decisão de alguns países em elaborar suas próprias normas de gestão e certificação ambiental, a ISO estruturou em 1996 um conjunto de normas internacionais sobre gestão ambiental para possibilitar às empresas a certificação e qualificação dos seus produtos e serviços. Essa nova série foi nomeada de ISO 14000. Comparando com a ISO 9000, verifica-se que a ISO 14000 é mais abrangente, pois além de possibilitar a certificação das instalações das empresas e suas linhas de produção, no sentido de cumprirem os requisitos de qualidade da produção, também prevê a certificação dos próprios produtos que satisfaçam os padrões de qualidade ambiental (VALLE, 1996). A Conformidade do sistema com a ABNT NBR 14001 garante a redução da carga de poluição gerada por essas organizações, porque envolve a revisão de um processo produtivo visando a melhoria continua do desempenho ambiental, reduzindo a extração de insumos e matérias-primas que representem desperdícios de recursos naturais (VALLE, 1996). Segundo a ABNT (2004), certificar um Sistema de Gestão Ambiental significa comprovar junto ao mercado e a sociedade que a organização adota um conjunto de práticas destinadas a minimizar impactos que imponham riscos à preservação da biodiversidade. Valle (1996), dispõe que as principais normas da série ISO 14000 são: •NBR ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental, especificação e diretrizes para uso; http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 102 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) •NBR ISO14004: Sistemas de Gestão Ambiental, diretrizes gerais sobre princípios, sistemas e técnicas de apoio; •NBR ISO 14010: Diretrizes para Auditoria Ambiental, princípios gerais; •NBR ISO 14011: Procedimentos de Auditoria Ambiental, auditoria de sistemas; •NBR ISO 14012: Critérios de qualificação para auditores ambientais; •NBR ISO 14020 a 14024: Rótulos e declarações ambientais; •NBR ISO 14031: Avaliação de desempenho ambiental, diretrizes; •NBR ISO 14040 a 14043: Avaliação do ciclo de vida; As normas apontadas nesta serie poderão ser aplicada em qualquer organização, deferenciando somente o contexto da aplicação. 1.3. NBR ISO 14001 A norma ISO 14001 é baseada na metodologia Plan-Do-Check-Act (PCDA – Planejar, Executar, Verificar e Agir). O PDCA de acordo com Marshall Júnior (2008), pode ser brevemente descrito da seguinte forma: • Plan (Planejar): significa estabelecer os objetivos e processos necessários para fornecer resultados de acordo com os requisitos do cliente e políticas da organização; • Do (Fazer): significa implementar os processos; • Check (checar): significa monitorar e medir processos e produtos em relação às políticas, aos objetivos e aos requisitos para o produto e relatar os resultados; • Act (agir): significa executar ações para promover continuamente a melhoria do desempenho do processo. A Figura 1 que segue, apresenta esquematicamente as etapas a serem contempladas na implantação e execução de um Sistema de Gestão Ambiental. http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 103 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) Figura 1 – Modelo de Sistema da Gestão Ambiental. Fonte: NBR ISO 14001 (2004) 1.4. Requisitos Legais da Norma 1.4.1. Requisitos Gerais A organização deve estabelecer, documentar, implementar, manter e ter uma melhora contínua do sistema de gestão ambiental, e determinar como ela irá atender aos requisitos da norma (ABNT, 2004). 1.4.2. Política Ambiental Conforme a ABNT (2004), na definição da política ambiental, a Alta Administração da organização deve assegurar que: a) Seja apropriada à sua natureza e aos impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; b) Inclua compromisso com a melhoria contínua e a prevenção de poluição; c) Inclua compromisso com o atendimento da legislação ambiental e outros requisitos; http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 104 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) d) Forneça estrutura para o estabelecimento e análise dos objetivos e metas ambientais; e) Seja documentada, implementada, mantida e comunicada a todos os seus funcionários e aos terceiros; f) Esteja disponível ao público. Nada mais é do que a declaração da organização, expondo suas intenções e princípios em relação ao seu desempenho ambiental global, que provê uma estrutura para a ação e definição dos seus objetivos e metas ambientais 1.4.3. Planejamento Segundo a ABNT (2004), os requisitos abordados na fase de planejamento do Sistema de Gestão Ambiental da ISO 14001são os seguintes: a) Aspectos Ambientais: Identificar e documentar os aspectos ambientais de suas atividades, produtos e serviços, levando em consideração os desenvolvimentos novos ou planejados; b) Obrigações Legais e Outros Requisitos: Identificar, ter acesso e definir procedimentos de atualização da legislação e outros requisitos que se aplicam; c) Objetivos, Metas e Programas Ambientais: Estabelecer e manter objetivos e metas ambientais, todos documentados para cada função e nível relevante dentro da organização. 1.4.4. Implementação e Operação Nesta fase, acontece a implementação propriamente dita do Sistema de Gestão Ambiental, onde, para operar o sistema, a ABNT (2004) dispões que seguintes requisitos devem ser contemplados: a) Estrutura Organizacional e Responsabilidade; b) Treinamento, Conscientização e Competência; c) Comunicação; d) Documentação do Sistema de Gestão Ambiental; e) Controle de Documentos; f) Controle Operacional; g) Preparação e atendimento a emergências. http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 105 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) 1.4.5. Verificação e Ação Corretiva De acordo com a ABNT (2004), a Verificação e Ação Corretiva são orientadas por quatro etapas do processo de gestão ambiental: a) Monitoramento e Medição: O sistema deve prever ações de monitoramento e controle para verificação da existência de problemas e apresentar formas de corrigi-los; b) Não conformidade e Ações Corretivas e Preventivas: Não conformidade significa qualquer evidência que foge dos padrões estabelecidos com base nos aspectos legais. Ações Corretivas são procedimentos que possibilitem a eliminação da não conformidade e sua não reincidência; c) Registros: A empresa deve estabelecer procedimentos para registro de atividades do Sistema de Gestão Ambiental, incluindo informações de treinamentos realizados, registros devem ser claros, mantidos em ambientes seguros, prontos para consulta; d) Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental: Entende-se por auditoria o procedimento de verificação dos cumprimentos das etapas de implementação e manutenção do Sistema de Gestão Ambiental, devendo ser periódicas. Segundo Mello (2009), estas etapas são fundamentais para o bom desenvolvimento do Sistema de Gestão Ambiental, pois evitam surpresas e distanciamentos dos objetivos e metas, mantendo uma constante monitoração dos resultados parciais alcançados. 1.4.6. Análise pela administração A Alta Administração deverá, a intervalos por ela determinados, analisar criticamente o sistema de gestão ambiental, para assegurar sua conformidade, adequação e efetividade. Este processo deve assegurar que sejam coletadas e documentadas informações como: comunicações de partes interessadas, análise do desempenho ambiental, reclamações, novos requisitos legais aplicáveis e recomendações para melhoria. A análise crítica, a partir dos resultados das auditorias, deve apontar as possíveis necessidades de mudanças na Política Ambiental, nos objetivos ou outros elementos do sistema (ABNT, 2004). http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 106 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) Os requisitos da ISO 14001, de uma maneira geral, definem um roteiro a ser seguido para implementar um Sistema de Gestão Ambiental, e, em momento nenhum, restringe a compatibilização com outras práticas de gestão ou de apoio. 2. CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL A certificação tem padrão internacional e possui acordos de reconhecimento entre os países, evitando assim a necessidade de uma recertificação pelo país de destino e eliminando as barreiras técnicas ao comércio (BRAGA, 2005). Segundo a ISO 14001 (ABNT, 2004), a, parte interessada é o grupo relacionado ou afetado pelo desempenho ambiental de uma organização. Os fabricantes garantem eficácia da implantação dos sistemas de controle e garante a qualidade nas empresas, diminuindo a perda de produtos, os custos da produção e evita desperdícios. A certificação também aumenta a satisfação do cliente, facilita a venda de produtos e abre novos mercados. O produto certificado tem maior confiabilidade pelo consumidor e é um meio eficaz através do qual o consumidor pode averiguar os produtos que são controlados e testados conforme as normas nacionais e internacionais. (BRAGA, 2005). A certificação assegura uma relação positiva entre qualidade e preço, proporciona a garantia de troca e consertos e permite a comparação de ofertas, é um instrumento que governos podem utilizar para desenvolver uma infra-estrutura técnica adequada que de suporte no desenvolvimento tecnológico, melhorando o nível de qualidade dos produtos industriais nacionais (BRAGA, 2005). As organizações certificadas obtêm uma imagem positiva, em reposta às crescentes pressões ambientais, obtendo vários benefícios relacionados com as exigências atuais de: instituições financeiras e governos (maiores facilidades de crédito e incentivos); companhias de seguro (planos mais atrativos); acionistas (maior valorização dos negócios da empresa); mercado (menos barreiras comerciais); clientes (maior confiança e credibilidade); funcionários, ONGs e da comunidade em geral (maior conscientização, conforto e tranqüilidade). 3. ESTUDO DE CASO http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 107 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) A Gas Brasiliano Distribuidora S.A. é a Concessionária para Distribuição de Gás Natural Canalizado para consumidores dos segmentos industrial, comercial, automotivo, residencial, termoelétrico e cogeração, situados na região Noroeste do Estado de São Paulo, segue ilustrado na Figura 2, conforme definido no Contrato CSPE 002/99 assinado junto à ARSESP - Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo, denominada de Poder Concedente (GAS BRASILIANO, 2013). Figura 2: Área de concessão. Fonte: Gas Brasiliano (2013). Pertencente ao sistema Petrobras, terceira maior empresa de energia do mundo, a Companhia está presente nos municípios de: Araraquara, Matão, Ribeirão Preto, São Carlos, Descalvado, Porto Ferreira, Araçatuba, Valparaíso, Lins, Marília, Bauru, Pederneiras, Ibitinga e Itápolis. A GAS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S.A. mantém sua sede administrativa no município de Araraquara-SP (GAS BRASILIANO, 2013). A empresa possui um Sistema de Gestão Integrado, Qualidade, Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho, mas é certificada apenas pela NBR ISO 9001, pela empresa BRTÜV, referente ao sistema de gestão da qualidade. http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 108 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) Como a empresa terceiriza a maioria dos serviços, como construção de redes primárias e secundárias, atendimento de emergência, limpeza de faixa, entre outros, ela atua incisivamente na fiscalização de terceiros (GAS BRASILIANO, 2013). Além do aspecto de fiscalização a sede e as filiais da empresa contam com um escopo bem definido, tendo um Programa de Prevenção de riscos que abrange todas as atividades. A empresa possui um sistema de gestão de resíduos, que garante o descarte correto dos resíduos. (GAS BRASILIANO, 2013). O serviço de distribuição de gás prestado pela empresa GAS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S.A. é norteado por oito princípios básicos buscando: - Melhoramento contínuo da qualidade através da manutenção de um Sistema de Gestão da Qualidade reconhecido internacionalmente; - Regularidade nas principais características do gás fornecido; - Continuidade do fornecimento; - Eficiência na construção, ampliação, operação e manutenção dos sistemas de distribuição de gás; - Segurança do fornecimento e das instalações dos sistemas de distribuição de gás; - Atualidade quanto às novas tecnologias, equipamentos, softwares e hardwares; - Igualdade de Clientes, sem distinção religiosa ou política dentro dos segmentos de mercado definidos nos contratos de concessão que regem os serviços de distribuição de gás. Imparcialidade, objetividade e justiça nas relações com os clientes; - Qualidade do atendimento ao cliente e na prestação do serviço. O gás natural distribuído pela Gas Brasiliano Distribuidora S/A é proveniente da Bolívia e transportado pelo gasoduto Bolívia-Brasil. A empresa TBG – Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A. é responsável pela transporte do gás até o “City Gate (Estação de transferência de custódia)”, passando pelo sistema de odorização, onde recebe um produto químico http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 109 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) (odorante) chamado mercaptana, que confere ao gás o cheiro característico de gás combustível, esse procedimento é de extrema importância pois permite que qualquer vazamento seja facilmente identificado, a odorização é condicionada por normas e práticas operacionais e também obedece a uma regulamentação específica exercida pelo poder concedente representado pela ARSESP – Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo. Depois de odorizado, o gás natural segue para estação de controle de pressão, na qual é feita a redução da pressão para ajuste conforme necessidade de distribuição aos clientes. A figura 3, representa um esquema simplificado de Distribuição de gás natural. Figura 3: Esquema Simplificado de Distribuição de gás natural. Fonte: GAS BRASILIANO (2013). A estrutura da documentação aplicável ao Sistema de Gestão Ambiental e da Saúde e Segurança no Trabalho é organizada conforme a Figura4 a seguir: http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 110 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112,, JUL-DEZ, J 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) 0486 Figura 4: Pirâmide hierárquica dos documentos do sistema de gestão. Fonte: GAS BRASILIANO (2013 2013). 3.1. Resultados As Figuras 5 e 6 mostram a representação gráfica dos índices de conhecimento dos colaborados referentes ao Sistema de Gestão Ambiental. Dispersão da Gestão Ambiental na empresa Conhece os aspectos em impactos ambientais da empresa e da sua função Conhece os Programas ambientais da empresa Possui consciência Ambiental no trabalho Conhece a Política Ambiental da empresa Conhecimento sobre o sistema de Gestão ambiental da empresa 0 1 2 3 4 5 Colunas1 NÃO Figura 5: Dispersão da Gestão Ambiental na empresa. Fonte: Elaborado pelo Autor (2013). http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 6 7 8 9 111 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112,, JUL-DEZ, J 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) 0486 Consciência Ambiental Geral 0% 14 - [PORCENTAGEM] 26 - 65% SIM NÃO Figura 6: Conhecimento Ambiental em Geral. Fonte: Elaborado pelo Autor (2013). CONCLUSÕES Este e artigo foi desenvolvido tendo tem como objetivo analisar e diagnosticar a situação atual do Sistema de Gestão Ambiental da empresa GAS BRASILIANO S.A., distribuidora de gás natural, contemplando os requisitos da ISO 14001, e também criar alternativas para a melhoria do sistema. Os fatos inicialmente levantados, que ratificaram as responsabilidades globais com a acelerada degradação ambiental, as pressões recentes da sociedade e do mercado que passaram a exigir produtos e processos mais “limpos”, com responsabilidade socioambiental, socioambiental, e o aumento da atividade fiscalizadora e seus custos gerados pelas penalidades afins,justificam os objetivos desta pesquisa que visam estudar um sistema de gestão ambiental implantado. Verificou-se, se, no entanto, que os requisitos necessários à obtenção do d certificado ambiental sugerem o cumprimento de um mínimo de recomendações e que estas Normas admitem não garantir sozinho o sucesso do desempenho ambiental. Com os resultados obtidos, conclui-se conclui se que o Sistema de Gestão Ambiental da empresa GAS BRASILIANO DISTRIBUIDORA S.A. atende a todos os requisitos http://www.uniesp.edu.br/fnsa/revista/ 112 BUTARELO, G. A. et al., v. 05, nº 2, p. 95-112, JUL-DEZ, 2013. Revista Eletrônica “Diálogos Acadêmicos” (ISSN: 0486-6266) subscritos na NBR ISO 14001, sendo de suma importância para a organização da empresa e atendimento a todos os requisitos legais aplicáveis (evitando multas e passivos ambientais), ressaltando alguns pontos a serem melhorados, como a disseminação dos aspectos da gestão ambiental na empresa e a redução no consumo de recursos naturais, evitando desperdícios. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ALMEIDA, J.R. Gestão Ambiental para o desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: THEX, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental – Especificação e Diretrizes para Uso. Rio de Janeiro, 2004. 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