Motivadores da Gestão Ambiental em Empresas Brasileiras: O Papel dos Stakeholders Autoria: Patricia Calicchio Berardi, Renata Peregrino de Brito RESUMO A preocupação com degradação ambiental provocada pelas empresas evoca a necessidade de mudanças na gestão. São várias as iniciativas de diminuir os impactos nocivos ao meio ambiente. Por meio de um survey, buscamos avaliar a percepção dos gestores sobre a influência de leis de comando e controle, normas voluntárias (selos e certificações) e pressão direta dos stakeholders sobre a gestão ambiental. Tendo ouvido 143 gestores nos estados do Sul e Sudeste, as relações são modeladas em equações estruturais e os resultados confirmam a força das pressões de stakeholders e dos instrumentos de comando e controle na melhora de práticas ambientais. 1 INTRODUÇÃO A competitividade entre as empresas e as diferentes respostas aos desafios ambientais são importantes temas de estudo em estratégia empresarial. O contexto de degradação ambiental traz urgência para que as empresas ampliem sua capacidade de relacionamento com a sociedade e desenvolva soluções para as externalidades provocadas pelo processo produtivo. A perspectiva de uma melhor gestão ambiental visa não só menores impactos, mas melhores práticas, novas tecnologias, ganhos econômicos conferindo assim, mudanças até no modelo de negócios das empresas. Dentre as motivações que levam as empresas a empenharem-se em buscar uma melhor gestão ambiental estão as pressões regulatórias, o interesse em acessar novos mercados e pressões institucionais para a adoção de normativas voluntárias (DEMAJOROVIC, 1995; GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995; BARBIERI, 2007). As influências e pressões para o desenvolvimento de soluções ambientais também advêm de fontes mais dispersas e relacionais, isto é dos chamados stakeholders (BANSAL e ROTH, 2000; PORTER; KRAMER, 2006). A forma de resposta às demandas dos stakeholders varia, entre posturas reativas e proativas que acabam por influenciar não só as práticas ambientais das empresas como toda a estratégia das mesmas (CLARKSON, 1995). Estudos empíricos ressaltam o surgimento de capacidades e competências na interação das empresas com os stakeholders (SHARMA; VREDENBURG, 1998; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Ao mesmo tempo, sabe-se que a forma de reação das empresas não é uniforme e nem os resultados advindos dos vários instrumentos de pressão para a redução de impacto (DELMAS; TOFFEL, 2008; LÓPEZ-GAMERO; MOLINA-AZORÍN; CLAVER-CORTÉS, 2010). É deste entendimento, que este artigo busca avaliar qual o impacto dos diferentes instrumentos de pressão e coerção sobre a forma de gestão das empresas. Isto é, qual o nível de resposta das empresas às diferentes formas de pressão de órgãos do governo e sociedade? Para endereçar essa questão, realizamos um survey com gestores empresas, buscando entender a extensão da pressão percebida e as mudanças nas práticas de gestão ambiental dentro das mesmas. Foram coletadas informações de 143 empresas de médio e grande porte dos ramos da indústria de transformação, nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul ao longo de 2012. Os dados são analisados via um modelo de equações estruturais (SEM), permitindo a análise da interação entre os construtos e o teste da relevância estatística das mesmas. Os resultados são discutidos buscando elucidar caminhos mais eficientes para o alcance de objetivos comuns, entre empresas e sociedade. REVISÃO DA LITERATURA Sustentabilidade e Gestão Ambiental Aspectos sociais e ambientais permeiam todo o panorama de inserção da empresa afetando seu acesso a recursos e competitividade. Do outro lado, a atividade econômica empresarial tem impactos diretos e indiretos na sociedade que podem ser positivos ou negativos, as chamadas externalidades (JENSEN, 2001). O problema das externalidades negativas está diretamente relacionado qual o conceito de sustentabilidade, que preconiza um equilíbrio entre os diferentes tipos de capital, econômico, natural e humano (VAN DEN BERGH, 2010). A abordagem econômica sobre sustentabilidade depende ainda da visão sobre o nível de substituição dentre os diferentes tipos de capital, sendo que a supremacia dos interesses econômicos sobre os demais é alvo de frequente debate (FREEMAN, 1994). A busca de uma conciliação entre interesses 2 econômicos, sociais e ambientais inspirou e influenciou o desenvolvimento de conceitos como Responsabilidade Social Empresarial (DE BAKKER; GROENEWEGEN; DEN HOND, 2005). Pelo princípio da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) o desenvolvimento de negócios da empresa deve se dar de forma ética e transparente (CARROLL, 1979) envolvendo todos os públicos de interesse, ou seja, os stakeholders (DONALDSON; PRESTON, 1995; FREEMAN, 1984; CLARKSON, 1995). A discussão sobre a sustentabilidade disseminou-se para diversos campos além do governo e da sociedade civil, passando, adicionalmente, às esferas empresariais e corporativas, o que possibilitou uma ampliação nos contextos, transpondo a visão ambiental para uma perspectiva de toda a sociedade e com diversos agentes envolvidos. A partir de meados da década de 90, os temas como mudanças climáticas, igualdade social e esgotamento de recursos naturais, passam a incorporar cenários de planejamento estratégico das empresas (HART, 1995). A necessidade de endereçar o problema das externalidades passa a ser uma função de todos os agentes, mas não somente do governo (ARCELUS; SCHAEFER, 1982). Aspectos socioambientais afetam empresas e setores industriais, mudando o ambiente competitivo e a própria condição de desenvolvimento e disponibilidade de recursos para as empresas. Na dinâmica do ambiente competitivo, as empresas podem ser reativas ou reativas em sua capacidade de resposta e integração das demandas em seus modelos de negócios (SHARMA; VREDENBURG, 1998). Ente outros, o processo de adequação dos padrões de produção é um importante fator na busca de legitimidade das empresas e manutenção da chamada licença de operação (WESTLEY; VREDENBURG, 1996). Como resultado, as empresas de setores industriais mais impactantes passaram a adotar boas práticas de gestão ambiental. A preocupação com o meio ambiente ganhou mais e mais destaque na gestão empresarial, sendo a gestão ambiental um instrumento para atender as demandas legais da regulamentação ambiental e dos diversos stakeholders que cercam a empresa (HENRIQUES; SADORSKY, 1996; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Há, portanto, pressões advindas dos governos, pelos instrumentos de comando e controle, e da sociedade seja via normas voluntárias e certificações, seja via desenvolvimento de soluções proprietárias (CHRISTMANN, 2000). Assim, tem-se que os fatores de motivação à evolução da gestão ambiental nas empresas podem ser vários. Se externos, passam por regulamentação, reputação por responsabilidade ambiental, comunidade local, comunidade internacional, investidores, consumidores, financiadores e seguradoras, ou internos sendo sistemas de gestão ambiental, certificações, valores corporativos; funcionários; busca de melhor desempenho ambiental, gestão ambiental de fornecimento; design de produtos, decisões de investimento e inovação (WINN; ANGEL, 2000; SHARMA, 2001). Comando e controle Instrumentos de Comando e Controle (CC) são aqueles que focam alterações na degradação ambiental pela definição de normas para acesso e uso dos recursos naturais e nas formas de execução das atividades particulares que impactam o meio ambiente e a sociedade. “Trata-se do exercício do poder de polícia dos entes estatais.” (BARBIERI, 2007,p. 72). São restrições impostas para o enquadramento aos padrões e normas estabelecidos; ou também as leis de licenciamento ambiental para instalação e operação das atividades empresariais (GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995). Os padrões estabelecidos pelas entidades regulatórias representam o objetivo mínimo que os agentes poluidores devem atingir sob o risco de penalidades em caso de inobservância dos padrões (TURNER; PEARCE; BATEMAN, 1993). 3 Os principais mecanismos da política de CC são normas e padrões, licenças e permissões, controle de uso do solo e da água. As licenças são usadas pelos órgãos de controle ambiental para permitir a instalação de projetos e atividades com certo potencial de impacto ambiental. Quanto aos padrões, podem ser classificados por padrões de qualidade ambiental, padrões de emissão, padrões de processo e padrões de produto. Os padrões são o instrumento de CC de uso mais frequente na gestão ambiental em todo o mundo. São apontadas como vantagens da aplicação de instrumentos de CC a longa experiência em utilização de regulamentações públicas em outras áreas como saúde e segurança, trabalho etc, que conferem conhecimento estrutural e normativo para o uso nos temas ambientais; a promoção efetiva de alterações nos padrões de emissão, controle e prevenção com a contrapartida em severas penalidades caso os padrões não sejam satisfeitos e por fim, que haveria uma suposta garantia que os padrões seriam atendidos dado o poder de coerção legal, nivelando todos os agentes que atuam sob as mesmas condições (BARDE, 1994). Estudos apontam que quando a regulamentação ambiental é percebida pelos gestores como oportunidade, o comprometimento com o meio ambiente fica associado a instâncias proativas, em contrapartida, se são percebidas como ameaças, estão atreladas a tecnologias conhecidas como fim de tubo (RUSSO; FOUTS, 1997; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Defensores de CC colocam ser esse um sistema que assegura a competição no mercado, uma vez que há um equilíbrio na demanda, sendo a obrigação igual para todos; confere meios efetivos de combater riscos e previne possibilidades de piora do sistema (GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995). Já os opositores apontam que, embora os instrumentos de CC representem substancial elemento de progresso na política ambiental, não atingem os objetivos dentro dos prazos estabelecidos, além de serem de difícil aplicação, sendo ainda economicamente ineficientes, apresentam altos custos e são inflexíveis. Deve-se considerar ainda que sua efetividade depende de alto controle e fiscalização que demanda estrutura apropriada para tal, sistema legal ágil para julgar os processos em desacordo com a regulamentação (BARDE, 1994). A regulamentação incentiva mudanças operacionais e apresenta condições igualitárias para todos os concorrentes, nivelando as forças de competição (PORTER; VAN DER LINDE , 1995). A regulamentação ambiental tenta conter e melhor endereçar as externalidades ou as imperfeições da informação, contribuindo para o funcionamento dos mercados por incentivos econômicos (HENRIQUES; SADORSKY, 1996). Portanto, tanto governo como empresas devem enxergar que a regulamentação correta e bem elaborada pode melhor contribuir para a geração de valor compartilhado por todas as partes envolvidas: clientes, trabalhadores, fornecedores além de minimizar impactos ao meio ambiente e à sociedade como um todo (PORTER; KRAMER, 2011). Com base nas ideias expostas, que apontam que os instrumentos de CC exercem influência favorável à adequação das empresas aos padrões de gestão ambiental, tem-se a primeira hipótese: H1: A legislação ambiental de comando e controle exerce influência positiva à evolução da gestão ambiental. Normas Voluntárias Ainda que existam possibilidades de usos combinados de instrumentos, a regulamentação ambiental legal é uma forma altamente necessária que pode favorecer as empresas (LEE; YUAN, 2008). Jones (2010) afirmou que ações voluntárias seriam mais eficientes que as advindas por regulamentação dado que estas proporcionam 4 incentivos e oportunidades até certo limite. Porém, a gestão ambiental voluntária parte de estágio previamente atendido pela regulamentação ambiental, em que as empresas, muitas vezes, pensam em antecipar-se a futuras exigências legais ou até mesmo virem a influenciá-las. Pode-se levantar que a adoção de normas voluntárias, como enquadramentos de Sistema de Gestão Ambiental, certificações socioambientais (certificações ISO, por exemplo), seria um processo de institucionalização e isomorfismo como forma de legitimar as atividades organizacionais. As constantes pressões e demandas externas levam as organizações a adaptações para atender tais exigências, em que assumem ainda uma maior postura de responsabilidade com o meio ambiente. Entretanto, a necessidade de mudança estrutural das organizações acontece por motivos não mais voltados à eficiência ou concorrência, mas sim, para que as organizações tornem-se mais semelhantes, sem necessariamente torná-las mais eficientes (DIMAGGIO; POWELL, 1991). Pressões institucionais levam organizações a adotar conjuntos específicos de procedimentos ou símbolos na difusão de práticas comuns. Fatores regulatórios, normativos e cognitivos afetam decisões a adoção de práticas organizacionais e vão além da busca por eficiência técnica na visão de (DELMAS; TOFFEL, 2004). Contudo, abordagens pela prevenção à poluição podem ser entendidas como um estágio à frente das reações e tentativas de responder às exigências de regulamentação para controle de emissões de poluentes (JONES, 2010). Nesse ponto, as empresas passam a avaliar não só o momento final da produção, mas fazem uma revisão de processos que levam a geração da poluição, numa visão de mapeá-los a fim de identificar pontos de melhoria e intenção de redução de suas gerações, focando assim atacar as fontes geradoras Assim, chega-se a construção da segunda hipótese que busca verificar o impacto das normas voluntárias no processo de evolução da gestão ambiental nas empresas. H2: A adoção de Normas Voluntárias pelas empresas resulta em influência positiva à evolução da gestão ambiental. Pressão de Stakeholders Tem-se ainda o entendimento que pressões outras às de regulamentação e às normas voluntárias são também contribuintes à evolução da gestão ambiental nas empresas. Maimon (1994) identificou, a partir de levantamento realizado com 86 empresas brasileiras, que a responsabilidade ambiental estava baseada numa postura reativa em que as atitudes estavam pautadas no atendimento de normas de poluição em que as ações restringiam-se a modificações parciais ou substanciais nos controles de final de processo produtivo. Os fatores determinantes de maior ou menor desempenho ambiental, nas empresas estudadas, estavam atrelados à política dos órgãos reguladores e a pressão externa da comunidade – local e internacional. Encontra-se na literatura diversos trabalhos que buscam identificar os vários fatores que motivam as empresas a praticarem ações voltadas às questões socioambientais e que, de alguma forma, contribuem para a evolução da gestão ambiental: pressões do mercado e da sociedade, regulamentação legal, altos custos de compliance (HART, 1995; RUSSO; FOUTS, 1997; SHARMA; VREDENBURG, 1998; DELMAS; TOFFEL, 2004). Alguns estudos mostraram que as empresas passam a agir de forma responsiva às demandas (BANSAL; ROTH, 2000; PORTER; KRAMER, 2006), outros investigaram os fatores internos e externos que pressionam as empresas a passarem a praticar ações ambientais, muitas vezes num primeiro momento de forma reativa, e com uma evolução de gestão chegam a estágios superiores de posturas proativas (NEDER 1992; HENRIQUES; 5 SADORSKY, 1996; VIEGAS; FRACASSO, 1998; SANCHES, 2000; ROHRICH; CUNHA, 2004; BUYSSE; VERBEKE, 2003). No trabalho de Henriques e Sadorsky (1996) as pressões dos consumidores e a regulamentação governamental são recorrentes nas citações de fatores promotores de mudanças de atitudes. Os autores analisaram as pressões internas e externas que levam à implantação de um plano ambiental, podendo resultar em benefícios não só monetários como a aquisição ou manutenção de market-share; potencial ganho de eficiência e o aumento positivo da reputação. Como forma de pressão interna, os acionistas miram resultados financeiros e pode haver dificuldade de renovação ou atração de capital. Por sua vez, gestores realizam pressões dado que respondem por violações ou passivos ambientais nas instâncias criminais além de, em certa medida, demonstrarem inabilidade em identificar, responder ou remediar potenciais problemas. Por fim, empregados realizam pressões decorrentes do exercício diário de suas funções no tocante a saúde e segurança de trabalho. Percebe-se que as empresas acabam por ter que reagir às diferentes pressões e que, de alguma forma, estão caminhando para a completa internalização dos custos de conservação ambiental, dada a necessidade de significativas mudanças nos padrões de produção, comércio e consumo. Enquanto, a implantação de inciativas de comando e controle e normas voluntárias muitas vezes não são complementares ou sinérgicas às demais operações das empresas, o desenvolvimento de recursos em estratégias proativas integração com os stakeholders pode ser promissor para a empresa (SHARMA; HENRIQUES, 2005; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Na trajetória de desenvolvimento dos recursos quanto maior a complexidade social, mais difícil é a replicação pelos concorrentes. Com base nos argumentos destacados por esses estudos, pode-se traçar a terceira hipótese que tem como interesse analisar o poder de influência da pressão exercida pelos diferentes públicos sobre a aplicação de práticas de gestão ambiental. H3: Quanto maior o exercício de pressões ambientais por parte dos stakeholders, maior o desenvolvimento de práticas de gestão ambiental nas empresas. O Quadro 1 traz um resumo dos estudos realizados e dos principais fatores indutores que mais contribuíram à evolução da gestão ambiental identificados em cada um dos trabalhos. Quadro 1 – Principais fatores indutores estudados. Pesquisa realizada por HUNT; AUSTER (1990) NEDER (1992) MAIMON (1994) HENRIQUES; SADORSKY (1996) VIEGAS; FRACASSO (1998) BANSAL E ROTH (2000) WINN; ANGELL (2000) KING (2000) SHARMA (2001) ASTHON; LUQUE; EHRENFELD (2002) BUYSSE; VERBEKE (2003) BRIO; JUNQUEIRA (2003) DELMAS; TOFFEL (2004) Fatores indutores de maior relevância à gestão ambiental Pressão regulatória Legislação Legislação + comunidade local e internacional Legislação + comunidade local + acionistas + gestores + funcionários Pressão regulatória Competitividade + legitimação e responsabilidade ambiental Legislação + reputação + desempenho ambiental + cadeia Pressão regulatória Comunidade local + investidores + consumidores + mercado financeiro + certificações + funcionários Pressão regulatória Legislação Pressão regulatória Pressão regulatória 6 ROHRICH; CUNHA (2004) Legislação MÉTODO A metodologia e a análise dos dados foram conduzidas em etapas que são detalhadas nas próximas seções. Inicia-se pela descrição da base de dados e do processo de coleta de informações (survey) e passa-se a explicação das escalas utilizadas e análise dos modelos de mensuração. Por fim, apresenta-se o modelo testado e o teste das hipóteses aqui propostas, e finaliza-se com os testes de robustez para o modelo proposto. Base de Dados Este estudo foi conduzido por meio de uma pesquisa (survey) com gestores de empresas brasileiras, buscando coletar a percepção acerca de pressões e estímulos externos, e a influência relativa dos mesmos sobre as práticas de gestão ambiental de cada empresa. A amostra concentra-se em empresas de setores de maior impacto ambiental como a indústria de transformação, Seção C da Tabela CNAE, associadas às respectivas Federações das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro de do Rio Grande do Sul. Para assegurar comparabilidade, a pesquisa restringiu-se a empresas com mais de 100 funcionários, que perfazem o universo de médio e grande porte segundo dados do SEBRAE (2008). Assim como outros estudos sobre gestão ambiental (CORDEIRO; ZHU; SARKIS, 2009; DELMAS; TOFFEL, 2008; LÓPEZ-GAMERO; MOLINA-AZORÍN; CLAVERCORTÉS, 2010) optou-se por entrevistar funcionários que, pelo entendimento deste estudo, teriam o máximo de informações para atender as perguntas da pesquisa, sendo eles gestores e ou responsáveis pela gestão ambiental das empresas. No estado do Rio de Janeiro (RJ) foram entregues questionários a 288 empresas (já excluídos os endereços inconsistentes). A remessa foi seguida por uma chamada ativa e 107 questionários retornaram, correspondendo a uma taxa de resposta de 37%. Para a base do Rio Grande do Sul (RS), foram distribuídos questionários a 739 empresas (excluídos os endereços inconsistentes), que também sofreram uma chamada ativa. Contudo, no Rio Grande do Sul, a taxa de resposta foi de apenas 9,6%, resultando em 71 questionários. Para ambos estados não se encontrou diferenças estatisticamente significante entre as repostas recebidas antes e depois das chamadas ativas. Do total de 178 questionários recebidos, alguns não continham respostas para todos os dados e, após um processo de eliminação listwise, restaram 143 questionários válidos que foram analisados. Métricas O questionário baseou-se nas escalas utilizadas por López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010) e Cordeiro, Zhu e Sarkis (2009). Os questionários foram traduzidos e adaptados para o contexto brasileiros e posteriormente avaliados por especialistas das áreas de sustentabilidade e gestão ambiental. As escalas finais ficaram definidas conforme segue: Comando e Controle (CC): A variável de comando e controle busca entender a posição dos gestores acerca de instrumentos e regulação presentes (DEMAJOROVIC, 1995; BARBIERI, 2007). Os gestores foram indagados, em uma escala likert 1-5 (ver Apêndice A), qual o grau de concordância com os quatro tópicos de CC derivados da pesquisa de López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010). Normas Voluntárias (Vol): Normas voluntárias, como processos de autorregulação, caracterizam-se por situações onde as empresas agem 7 implantando padrões mais sofisticados de gestão ambiental e acordos voluntários, tais como selos e certificados socioambientais. A capacidade de resposta dos atores é também motivada por demandas da sociedade e stakeholders que exercem pressão direta ou indireta sobre a empresa (BANSAL; ROTH, 2000). Nesse quesito, quatro perguntas escala likert 1-5 baseadas em López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010), buscaram entender como os gestores percebem o processo de adoção de normas voluntárias dentro de suas empresas. Pressão de Stakeholders (Stk): A capacidade de resposta (responsiveness) das empresas às pressões ambientais está intimamente ligada às atitudes dos stakeholders (SHARMA; VREDENBURG, 1998). Nesse aspecto, quatro perguntas, com escala likert 1-5 baseadas em Cordeiro, Zhu e Sarkis (2009) buscaram captar o nível de pressão percebida pelos gestores, seja de uma forma geral, seja de clientes, parceiros e entidades de classe, seja de concorrentes. Práticas Ambientais (Prat): A adoção de práticas de gestão ambiental visa à diminuição do impacto da empresa sobre o meio ambiente. Práticas ambientais incluem aspectos técnicos e gerenciais que podem ser implantadas pelas empresas. Devido à falta de dados sobre o desempenho ambiental das empresas, este estudo valeu-se da percepção dos gestores acerca das práticas desenvolvidas pelas suas empresas. Os aspectos gerenciais e técnicos foram pesquisados, conforme abaixo: Gerenciais (Ger): Foram selecionadas sete questões da escala desenvolvida por López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010) que mais se adaptavam ao contexto brasileiro. As perguntas buscavam entender em que nível, em um escala likert 1-5, os gestores concordavam com as práticas gerenciais sugeridas. Técnicas (Tec): Foram selecionadas seis questões da escala desenvolvida por López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010), buscando avaliar, em um escala likert 1-5, o nível de implantação das práticas pelas empresas, desde a não ocorrência até a liderança na mesma. Variáveis de Controle: Como variáveis de controle, foram testados os efeitos do tamanho das empresas, operacionalizado pelo do número de funcionários; estado de origem (RS ou RJ); setor (CNAE 2 dígitos) e se empresa mantinha práticas de exportação (sim ou não). O questionário aplicado, com todas as escalas utilizadas está disponível no Apêndice A. Todos as escalas foram submetidas a uma análise fatorial exploratória para verificar a estrutura de relacionamento das variáveis, sendo que o resultados demonstraram apenas um fator com eigenvalue >1 para cada variável. As variáveis de práticas ambientais gerenciais e técnicas forma submetidas conjuntamente a uma análise fatorial exploratória, sendo que o resultado demonstrou a formação de dois fatores, justificando a operacionalização das mesmas separadamente. A análise das estatísticas descritivas das variáveis revelou padrões de normalidade das mesmas, e com isto, passamos para a análise do modelo de medição e depuração das escalas. Utilizamos o software AMOS versão 16 (BYRNE, 2010) para realizar a análise fatorial confirmatória dos construtos, estimando a validade e a confiabilidade dos mesmos (SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Nesse processo foram eliminados alguns indicadores, sendo que as cargas fatoriais finais estão disponíveis no Apêndice A. A análise das variáveis resultou em bons resultados de confiabilidade, sendo o Alfa de Cronbach para os construtos dentro do intervalo de 0,74 e 0,88, e o índice de e o 8 composite reliability entre 0,73 e 0,89, ambos acima dos limites de referência de 0,7 (SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Na análise da validade convergente, a variância extraída apresentou padrões acima da referência (≥0,50) a não ser pelo construto de comando e controle que apresentou um índice de 48%. Tabela 1: Construtos confiabilidade, variância extraída e ajuste do modelo de medição Índices de Ajuste ConstrutosA (número de Alfa de Composite Variância Indicadores) Cronbach Reliability Extraída RMSEA χ 2 NFI CFI 0,016 24,9 0,932 0,997 Variáveis Exógenas g.l.:24 Comando e Controle (3) 0,74 0,73 48% p: 0,4 Normas Voluntárias (3) 0,74 0,76 52% Pressão de Stakeholders (3) 0,78 0,78 55% 0,8 64,5 0,905 0,939 Variáveis Endógenas g.l.:26 Práticas Amb. Gerenciais (4) 0,83 0,89 61% p: 0 Práticas Amb. Técnicas (5) 0,88 0,70 56% Valores de referência ≥0,70 ≥0,70 ≥50% 0,05 0 1 1 A Após a análise confirmatória foram eliminados alguns indicadores (Apêndice A). Os modelos de mensuração foram ainda submetidos a uma análise fatorial confirmatória para ajuste (Tabela 1). Foram calculados os índices de ajuste RMSEA (Root Mean Square Error of Approximation), χ 2, NFI (Normalized Fit Index) e CFI (Comparative Fit Index). Os resultados apontam para bons índices de ajustes para as variáveis endógenas, com RMSEA inferior a 0,05, χ2 não significante e NFI e CFI próximos de 1 (BYRNE, 2010; SCHUMACKER; LOMAX, 2004). Já as variáveis endógenas não apresentaram bom ajuste segundo os índices RMSEA e χ2, contudo os índices de NFI e CFI apresentam resultados aceitáveis (Tabela 1). RESULTADOS Modelo Estrutural Após a análise dos modelos de mensuração passou-se para a análise do modelo estrutural para o teste de hipóteses, foi empregado o modelo de equações estruturais (SEM), estimado pelo o método de máxima verossimilhança, usando AMOS versão 16, o método permite estimar as variáveis latentes e as relações entre as mesmas (BYRNE, 2010). A modelagem estrutural aborda questões de medição, comuns às pesquisas tipo survey e tem sido cada vez mais empregada em estudos de estratégia empresarial (SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Por fim, foram conduzidos os testes de robustez utilizando variações no modelo estrutural inicialmente proposto e regressões multilineares para testar o efeito do setor sobre os resultados. Índices de Ajuste Para operacionalizar as relações propostas foram testados dois modelos estruturais, buscando atestar maior robustez aos resultados. Para avaliar o ajuste dos modelos, utilizou-se indicadores de ajuste cujos resultados estão dispostos na Tabela 2. Primeiramente, testamos o Modelo 1 proposto no qual as variáveis antecedentes impactam um construto geral de práticas ambientais (Figura 1). Para tanto inseriu-se um construto latente de segunda ordem intermediando a relação entre as variáveis antecedentes e a as variáveis de práticas gerenciais e técnicas. Dentre as medidas de ajuste global, o resultado do χ2 (193,9) é estatisticamente significante o que sugere que a matriz de covariância do modelo proposto não difere da covariância da matriz do 9 modelo nulo. Contudo, o RMSEA está dentro do intervalo de confiança aceitável e apresenta valor máximo inferior a 0,1, conforme sugerido por Byrne (2010). Da mesma forma, o NFI (0,838) e CFI (0,935) estão próximos ao valor de 1, o que designa um ajuste aceitável (BYRNE, 2010; SCHUMACKER; LOMAX, 2004). Esses diagnósticos estruturais indicam um bom ajuste do modelo teórico proposto para os dados subjacentes. Figura 1: Modelo 1 - Principal com coeficientes de regressão padronizados Comando e Controle Práticas Gerenciais Normas Voluntárias Práticas Ambientais -0,113 Práticas Técnicas Pressão Stakeholders * Valores significantes α=5%. Passou-se então para o Modelo 2, com relações diretas entre as variáveis antecedentes e as práticas ambientais gerencias e técnicas. O modelo apresentou uma ligeira piora nos índices de ajuste, estando ainda dentro dos padrões de aceitação recomendados (χ2= 206; RMSEA = 0,067; NFI = 0,827 e CFI = 0,921). O segundo modelo, serviu como uma configuração alternativa para testar a robustez do modelo e apoiar a discussão das hipóteses. Figura 2: Modelo 2 - Alternativo com coeficientes de regressão padronizados Comando e Controle 0,253* Práticas Gerenciais Normas Voluntárias Pressão Stakeholders 0,510* Práticas Técnicas * Valores significantes α=5%. Teste de Hipóteses e Testes de Robustez A análise dos coeficientes de regressão possibilita o teste das hipóteses propostas neste estudo. Os resultados (β=0,313) dão suporte à presunção de medidas de comando e controle que influenciam positivamente na adoção de práticas ambientais (H1). Os coeficientes de regressão do modelo alternativo corroboram com o entendimento que aspectos normativos formais promovem melhoras tanto em práticas gerenciais (β=0,253) como em práticas técnicas (β=0,383). Sendo a melhora de práticas ambientais um resultado positivo para a sociedade, pode-se entender como um instrumento 10 competente para endereçar externalidades do processo produtivo (HENRIQUES; SADORSKY 1996). Já a adoção de normas voluntárias (H2), como selos e certificações, não apresentou significância em sua relação com práticas ambientais, portanto a segunda hipótese foi rejeitada. O modelo alternativo demonstra ainda que a relação entre de normas voluntárias e a adoção de boas práticas técnicas é negativa (β=-0,272), o que sugere uma relação inversa à esperada. Os resultados se alinham com alguns estudos econométricos que questionam a eficiência da adoção de padrões e normas voluntárias (ARAVIND; CHRISTMANN, 2011; CHRISTMANN, 2000). Por fim, a pressão de stakeholders (H3) demonstrou ter um efeito positivo e significante sobre as práticas ambientais (β=0, 597), confirmando a terceira hipótese. A relação permanece significante e positiva quando testadas as relações diretas com práticas gerenciais (β= 0,538) e técnicas (β= 0,51). Estes resultados corroboram com a vasta literatura que argumenta pelo poder da pressão dos stakeholders na tomada de decisão nas empresas. Tabela 2: Resultados dos modelos e índices de ajuste Variável Antecedente Comando e Controle Normas Voluntárias Pressão de Stakeholders Comando e Controle Comando e Controle Normas Voluntárias Normas Voluntárias Pressão de Stakeholders Pressão de Stakeholders Índices de Ajuste Variável Dependente Prát. Ambientais Prát. Ambientais Prát. Ambientais Prát. Gerenciais Prát. Técnicas Prát. Gerenciais Prát. Técnicas Prát. Gerenciais Prát. Técnicas χ2 RMSEA [IC 90%] NFI CFI Coeficientes Padronizados Modelo 1 Modelo 2 0,313* -0,113 0,597* 0,253* 0,383* -0,053 -0,272* 0,538* 0,51* 193,9; gl=127; p=0 206,6; gl=126; p=0 0,061 [0,043; 0,078] 0,067 [0,05; 0,083] 0,838 0,827 0,935 0,921 *Coeficientes significantes α =5% Além dos modelos estruturais acima discutidos, foram conduzidos vários testes de robustez. Para verificar a força da estrutura causal, buscou-se verificar a influência de características heterogêneas das empresas dentro da amostra sobre os resultados. Foi testado o estado de origem, o setor de atuação, o tamanho da empresa e se a empresa é exportadora. Foram testados seis modelos com a inserção das variáveis de controle. Tabela 3: Resultados das regressões e variáveis de controle Coeficientes Padronizados β β Modelos 1 2 Comando e Controle 0,235** 0,212* Normas Voluntárias -0,024 -0,012 Pressão de Stakeholders 0,453** 0,442** Estado (RJ ou RS) 0,011 Setor (CNAE 2 dig) 0,003 Tamanho (N.Func.) -0,052 Exporta (sim/não) 0,086 Var. Dependente Prat Prat R2 ajustado 0,284 0,273 *Significante α=10%. ** Significante α=5%. β 3 0,233** -0,079 0,382** Tec 0,202 β 4 0,18* -0,048 0,38** -0,045 -0,1 -0,083 0,067 Tec 0,202 β 5 0,187* 0,041 0,421** Ger 0,247 β 6 0,2* 0,03 0,406** 0,062 0,107 -0,005 0,078 Ger 0,244 11 Os testes de regressão reproduziram as mesmas relações entre as variáveis antecedentes e variáveis dependentes que os modelos 1 e 2. Os coeficientes de regressão (Tabela 3) confirmam as relações encontradas nos modelos estruturais, contudo nenhuma das variáveis de controle trouxe resultado significante. Discussão e Conclusões Este estudo insere-se na literatura de sobre a influência dos stakeholders sobre a gestão ambiental nas empresas. Para avaliar esse tema, buscamos modelar diferentes instrumentos de pressão e avaliar sua capacidade de motivar mudanças nas empresas. Diversos autores apresentaram que a pressão regulatória é um dos fatores motivadores à gestão ambiental, mesmo que a demanda legal inicie por um estágio reativo e corretivo por parte das empresas. Nossa pesquisa corrobora com o entendimento de que regulamentação ambiental, em instrumentos de comando e controle, é capaz de trazer mudanças positivas no processo de gestão ambiental das empresas (BARDE, 1994; PORTER; VAN DER LINDE, 1995). Da mesma forma, a pesquisa alia-se a uma crescente corrente em estratégia, que reconhece nos stakeholders o grande motivador para mudanças dentro das empresas (HENRIQUES; SADORSKY, 1998; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Já os testes realizados pressões advindas de normativas voluntárias não obtiveram resultados significantes, o que questiona a capacidade de certificações e rotulagem em trazer mudanças para a gestão ambiental nas empresas (ARAVIND; CHRISTMANN, 2011; CHRISTMANN, 2000). A institucionalização dos padrões do mercado dentre as atividades de gestão ambiental não resultou como um fator motivador relevante ao avanço da mesma. Tais resultados trazem implicações para o estudo de estratégias de sustentabilidade como para a gestão empresarial. A necessidade de alinhar os interesses da sociedade com interesses privados pressiona gestores, empresários e acadêmicos a encontrar caminhos de convergência e solução. Enquanto é claro que o tema se insere em uma discussão mais ampla sobre o domínio da teoria econômica e suas implicações sociais, é possível fazer algumas considerações acerca do alinhamento entre gestão e sustentabilidade. As empresas estudadas apresentaram comportamento positivo aos processos de regulação legal. Ao atender aos padrões legais, as empresas não buscam explorar imperfeições de mercado, mas adequar-se ao mercado e nivelando as condições de produção e custos. Tal postura sugere uma estratégia de busca de legitimidade e gestão de riscos entre as mesmas e encoraja o uso de instrumentos de comando e controle. Ainda mais forte, o comportamento das empresas em relação aos stakeholders demonstra importante potencial de motivar mudanças dentro das empresas. Nessa interação as empresa pode também ter a possibilidade de desenvolver de capacidades e recursos que logram maior competitividade às mesmas. Contudo, a não priorização por práticas que visem redução ou a não geração de resíduos, mostra a necessidade de uma maior dedicação ao problema, tanto pelas empresas como pela sociedade. Desta feita, fica claro que não é possível responsabilizar exclusivamente o papel de apenas um agente na condução do processo de desenvolvimento sustentável. É preciso que as empresas, o governo e toda a sociedade trabalhem juntos em busca de cooperação para minimização dos impactos à sociedade e ao meio ambiente. As limitações inerentes ao processo adotado, sendo uma pesquisa de características quantitativas, não probabilísticas, que acarretam na impossibilidade de generalização dos resultados. A técnica survey também apresenta particularidades que precisam ser contempladas, isto porque o pesquisador não tem controle sobre a aplicação do instrumento. Sobre o viés de resposta dento do tema de stakeholders, podemos assumir 12 que há uma influência do interesse pelo tema e que as empresas respondentes têm maior inclinação para o assunto (ARMSTRONG e OVERTON, 1977). Por fim, este trabalho incita novas buscas e refinamento sobre os achados, seja para entender o que impacta na eficiência dos instrumentos, seja para explorar as demais decorrências estratégicas destes moldes de respostas das empresas, conforme sugerido na literatura. O reconhecimento da força dos instrumentos de pressão configura um primeiro passo para uma investigação mais profunda. REFERÊNCIAS ARAVIND, D.; CHRISTMANN, P., Decoupling of Standard Implementation from Certification: Does Quality of Iso 14001 Implementation Affect Facilities' Environmental Performance? Business Ethics Quarterly, v. 21, n. 1, p. 73-102, 2011. ARCELUS, F. J.; SCHAEFER, N. V., Social Demands as Strategic Issues: Some Conceptual Problems. Strategic Management Journal, v. 3, n. 4, p. 347-357, 1982. ARMSTRONG, J. S.; OVERTON, T. S., Estimating Nonresponse Bias in Mail Surveys. Journal of Marketing Research (JMR), v. 14, n. 3, p. 396-402, 1977. ASTHON, Weslynne; LUQUE, Andres; EHRENFELD, John R. Best practices in cleaner production promotion and implementation for smaller enterprises. Multilateral Investment Fund (MIF) and InterAmerican Development Bank (IADB), 2002. BANSAL, P.; ROTH, K., Why Companies Go Green: A Model of Ecological Responsiveness. Academy of Management Journal, v. 43, n. 4, p. 717-736, 2000. BARBIERI, José Carlos. Gestão ambiental empresarial Conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2007. BARDE, Jean-Philippe. Economic instruments in environmental policy: Lessons from the OECD experience and their relevance to developing economies. OECD Development Centre Working Paper Nº 92, January, 1994. http://www.oecd.org/dataoecd/25/36/1919252.pdf Acesso em: 26 abr. 2010. BRIO, Jesús Ángel Del; JUNQUEIRA, Beatriz. Influence of the perception of the external environmental pressures on obtaining the ISO 14001 standard in Spain industrial companies. International Journal of Production Research, v. 41, n. 2, 2003. BUYSSE, K.; VERBEKE, A., Proactive Environmental Strategies: A Stakeholder Management Perspective. Strategic Management Journal, v. 24, n. 5, p. 453, 2003. BYRNE, B. M., Structural Equation Modeling with Amos: Basic Concepts, Applications, and Programming. New York, Routledge, 2010. CARROLL, Archie B. A three-dimensional conceptual model of corporate performance. Academy of Management Review. v. 4, n. 4, 1979. CARVALHO, Cristina Amélia Pereira de; VIEIRA, Marcelo Milano Falcão; LOPES, Fernando Dias. Contribuições da perspectiva institucional para análise das organizações. In: XXIII ENANPAD - Encontro da ANPAD, set. 1999. CLARKSON, M. E., A Stakeholder Framework for Analyzing and Evaluating Corporate Social Performance. Academy of Management Review, v. 20, n. 1, p. 92-117, 1995. CHRISTMANN, P., Effects of "Best Practices" of Environmental Management on Cost Advantage: The Role of Complementary Assets. Academy of Management Journal, v. 43, n. 4, p. 663-680, 2000. CORDEIRO, J. J.; ZHU, Q.; SARKIS, J., International and Domestic Pressures and Chinese Organizational Responses to Greening. Academy of Management Annual Meeting Proceedings, v. n. p. 1-6, 2009. 13 DE BAKKER, F. G. A.; GROENEWEGEN, P.; DEN HOND, F., A Bibliometric Analysis of 30 Years of Research and Theory on Corporate Social Responsibility and Corporate Social Performance. Business & Society, v. 44, n. 3, p. 283-317, 2005. DELMAS, M. A.; TOFFEL, M. W., Organizational Responses to Environmental Demands: Opening the Black Box. Strategic Management Journal, v. 29, n. 10, p. 1027-1055, 2008. DELMAS, Magali; TOFFEL, Michael W. Stakeholders and Environmental management practices: An institutional framework. Business Strategy and the Environment, v. 13, 2004. DEMAJOROVIC, Jacques. Da política tradicional de tratamento do lixo à política de gestão de resíduos sólidos. As novas prioridades. Revista de Administração de Empresas – RAE, v.35, nº 3, maio/jun. 1995 DIMAGGIO, Paul J.; POWELL, Walter W. In: POWELL, Walter W.; DIMAGGIO, Paul J. The new institutionalism in organizational analysis. Chicago: The University of Chicago Press, 1991. DONALDSON, Thomas; PRESTON, Lee E. The stakeholder theory of the corporation: concepts, evidence and implications. Academy of Management Review, v., 20, n.1, Jan., 1995. FREEMAN, R. E., The Politics of Stakeholder Theory: Some Future Directions. Business Ethics Quarterly, v. 4, n. 4, p. 409-421, 1994. FREEMAN, R. Edward. Strategic Management: A stakeholder approach. Boston: Pittman, 1984. GUIMARÃES, Paulo Cesar Vaz; DEMAJOROVIC, Jacques; OLIVEIRA,Roberto Guena. Estratégias empresariais e instrumentos econômicos de gestão ambiental. Revista de Administração de Empresas - RAE, v. 35, n. 5, set./out. 1995. HART, S.L. The natural-resource-based-view of the firm. Academy of Management Review, v. 20, p. 986-1014, 1995. JENSEN, M. C., Value Maximization, Stakeholder Theory, and the Corporate Objective Function. European Financial Management, v. 7, n. 3, p. 297-317, 2001. JONES, Cody. Exploring new ways of assessing the effect of regulation on environmental management. Journal of Cleaner Production, Manuscrito aceito em Abril de KING, Andrew; LENOX, Michael. Exploring the locus of profitable pollution reductionº Management Science, v. 48, n. 2, Feb. 2002. LEE, Cheng-Wen; YUAN, Chung. Environmental regulation with green technology innovation using supply chain integration. Northeast Decision Sciences Institute Proceedings, v. 28, n. 30, 2008. LÓPEZ-GAMERO, M. D.; MOLINA-AZORÍN, J. F.; CLAVER-CORTÉS, E., The Potential of Environmental Regulation to Change Managerial Perception, Environmental Management, Competitiveness and Financial Performance. Journal of Cleaner Production, v. 18, n. 10/11, p. 963-974, 2010. MAIMON, Dália. Eco-estratégia nas empresas brasileiras: realidade ou discurso? Revista de Administração de Empresas RAE, v. 34, n. 4, jul./ago. 1994. NEDER, Ricardo Toledo. Há política ambiental para a indústria brasileira? Revista de Administração de Empresas - RAE, v. 32, n. 2, abr./jun. 1992. PORTER, Michael; KRAMER, Mark. Creating shared value. How to reinvent capitalism – and unleash a wave of innovation and growth. Harvard Business Review, Jan.-Fev. 2011. PORTER, Michael; KRAMER, Mark. The link between competitive advantage and corporate social responsibility. Harvard Business Review, Dec. 2006. 14 PORTER, Michael; VAN DER LINDE, Claas. Toward a new conception of the enviromnent-competitiveness relationship. The Journal of Economic Perspectives, v. 9, n. 4, 1995. ROHRICH, Sandra Simm; CUNHA, João Carlos da. A proposição de uma taxonomia para análise da gestão ambiental no Brasil. 2004. Revista de Administração Contemporânea – RAC, v. 8, n. 4, out./dez. 2004. RUSSO, M.V.; FOUTS, P.A. A resource-based perspective on corporate environmental performance and profitability. Academy of Management Journal, v. 40, n. 3, 1997. SANCHES, Carmem Silvia. Gestão ambiental proativa. Revista de Administração de Empresas RAE, v.40, n. 1, jan./mar. 2000. SCHUMACKER, R. E.; LOMAX, R. G., A Beginner's Guide to Structural Equation Modeling. Mahwah, N.J., Lawrence Erlbaum Associates, 2004. SEBRAE, Anuário Do Trabalho Na Micro E Pequena Empresa, Brasília, DF 2008. SHARMA, S.; VREDENBURG, H. Proactive corporate environmental strategy and the development of competitively valuable organizational capabilities. Strategic Management Journal, v. 19, n. 8, 1998. SHARMA, Sanjay. Different strokes: Regulatory styles and environmental strategy in the North-American oil and gas industry. Business Strategy and the Environment, v. 10, 2001. SHARMA, Sanjay; NGUAN, Oliver. The biotechnology industry and strategies of biodiversity conservation: The influence of managerial interpretations and risk propensity. Business Strategy and the Environment, v. 8, 1999. SHOOK, C. L. e outros, An Assessment of the Use of Structural Equation Modeling in Strategic Management Research. Strategic Management Journal, v. 25, n. 4, p. 397404, 2004. TURNER, R. Kerry; PEARCE, David; BATEMAN, Ian. Environmental economics: An elementary introductionº Baltimore: John Hopkins University, 1993. VAN DEN BERGH, J. C. J. M., Externality or Sustainability Economics? Ecological Economics, v. 69, n. 11, p. 2047-2052, 2010. VIEGAS, Cláudia; FRACASSO, Edi Madalena. Capacidade tecnológica e gestão de resíduos em empresas de calçados do Vale do Sinos: estudo de dois casos. Revista de Administração Contemporânea - RAC. v. 2, n. 2, Maio/Ago. 1998. WESTLEY, F.; VREDENBURG, H., Sustainability and the Corporation. Journal of Management Inquiry, v. 5, n. 2, p. 104-119, 1996. WINN, Monika I.; ANGELL, Linda C. Towards a process of corporate greening. Organization Studies. v. 21, n. 6, 2000. 15 APÊNDICE A Quadro 2: Indicadores e coeficiente das análise fatorial confirmatória Indicador Coef. Marcar a alternativa que mais se enquadra à visão de sua empresa quanto à Legislação de Comando e Controle CC1 Estabelece padrões mais rigorosos na elaboração de novos produtos e processos 0,639 tecnológicos CC2 Modifica a demanda de mercado com a introdução de novos critérios de avaliação pela * mudança de consciência do cliente/consumidor. CC3 Motiva implantação de melhorias no processo de produção 0,768 CC4 Estabeleceu padrões mais rigorosos nos últimos anos 0,666 Marcar a opção que melhor representa o entendimento da sua empresa Vol1 São requeridas pelas partes interessadas (stakeholders) como por exemplo, clientes / 0,526 consumidores ou concorrentes Vol2 A adoção de tecnologias mais limpas incentivam a inovação * Vol3 Conferem uma imagem diferenciada da empresa para o mercado. 0,723 Vol4 Representam oportunidades de mercado para a empresa 0,866 Marcar a opção que melhor representa o entendimento da sua empresa Stk1 Mercado doméstico - A empresa sente-se pressionada pelos requisitos ambientais dos 0,616 clientes domésticos Stk2 Percebe-se hoje uma influência por grupos, entidades de classe - A empresa responde às 0,797 pressões de grupos profissionais quanto a atividades ambientais (químicos, engenheiros, administradores, sindicatos, por exemplo) Stk3 Pressão dos Concorrentes - A empresa sente-se pressionada pela estratégia ambiental 0,794 dos produtores de um mesmo produto (concorrentes, por exemplo) Stk4 A empresa recebe pressão de normas ambientais regionais relativas às emissões de * resíduos, produção mais limpa (P+L), etc. Marcar a alternativa que melhor representa a adoção de práticas da sua empresa. Ger1 A empresa comunica formalmente as políticas e estratégias ambientais a todos seus 0,727 empregados / colaboradores Ger2 A empresa revisa periodicamente os manuais de procedimentos ambientais 0,914 Ger3 A empresa adapta ou modifica as estruturas organizacionais (o quadro organizacional e 0,776 a descrição de papéis dentro da organização) se necessário para facilitar a gestão ambiental Ger4 A empresa elimina barreiras para facilitar a comunicação de questões ambientais, 0,747 incluindo o incentivo para que funcionários se comuniquem diretamente com funcionários de outras empresas, por exemplo Ger5 Os funcionários têm conhecimento técnico para lidar com questões ambientais no * desenvolvimento de suas atividades profissionais Ger6 A empresa demanda regularmente informações sobre gestão ambiental para 0,721 fornecedores, clientes e instituições com as quais se relaciona Ger7 A empresa avalia o registro / licença ambiental de operação dos fornecedores * Marcar a opção que melhor representa os procedimentos de sua empresa. Tec1 A empresa prioriza menor consumo de recursos * Tec2 A empresa faz uso de embalagens reutilizáveis 0,742 Tec3 A empresa possui logística mais eficiente energeticamente (otimização de rotas e cargas, 0,777 padronização de embalagens, etc) Tec4 A empresa desenvolve produtos que favorecem a reciclagem / reutilização do produto 0,763 Tec5 A empresa implementou nos últimos 5 anos técnicas alternativas de produção para 0,700 atender práticas/exigências de produção mais limpa Tec6 A empresa compra materiais de baixo impacto ao meio ambiente, tanto na utilização de * recursos naturais quanto no potencial risco poluidor *Removido na análise fatorial confirmatória 16