Motivadores da Gestão Ambiental em Empresas Brasileiras: O Papel dos
Stakeholders
Autoria: Patricia Calicchio Berardi, Renata Peregrino de Brito
RESUMO
A preocupação com degradação ambiental provocada pelas empresas evoca a
necessidade de mudanças na gestão. São várias as iniciativas de diminuir os impactos
nocivos ao meio ambiente. Por meio de um survey, buscamos avaliar a percepção dos
gestores sobre a influência de leis de comando e controle, normas voluntárias (selos e
certificações) e pressão direta dos stakeholders sobre a gestão ambiental. Tendo ouvido
143 gestores nos estados do Sul e Sudeste, as relações são modeladas em equações
estruturais e os resultados confirmam a força das pressões de stakeholders e dos
instrumentos de comando e controle na melhora de práticas ambientais.
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INTRODUÇÃO
A competitividade entre as empresas e as diferentes respostas aos desafios ambientais
são importantes temas de estudo em estratégia empresarial. O contexto de degradação
ambiental traz urgência para que as empresas ampliem sua capacidade de
relacionamento com a sociedade e desenvolva soluções para as externalidades
provocadas pelo processo produtivo. A perspectiva de uma melhor gestão ambiental
visa não só menores impactos, mas melhores práticas, novas tecnologias, ganhos
econômicos conferindo assim, mudanças até no modelo de negócios das empresas.
Dentre as motivações que levam as empresas a empenharem-se em buscar uma melhor
gestão ambiental estão as pressões regulatórias, o interesse em acessar novos mercados
e pressões institucionais para a adoção de normativas voluntárias (DEMAJOROVIC,
1995; GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995; BARBIERI, 2007).
As influências e pressões para o desenvolvimento de soluções ambientais também
advêm de fontes mais dispersas e relacionais, isto é dos chamados stakeholders
(BANSAL e ROTH, 2000; PORTER; KRAMER, 2006). A forma de resposta às
demandas dos stakeholders varia, entre posturas reativas e proativas que acabam por
influenciar não só as práticas ambientais das empresas como toda a estratégia das
mesmas (CLARKSON, 1995). Estudos empíricos ressaltam o surgimento de
capacidades e competências na interação das empresas com os stakeholders (SHARMA;
VREDENBURG, 1998; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Ao mesmo tempo, sabe-se que a
forma de reação das empresas não é uniforme e nem os resultados advindos dos vários
instrumentos de pressão para a redução de impacto (DELMAS; TOFFEL, 2008;
LÓPEZ-GAMERO; MOLINA-AZORÍN; CLAVER-CORTÉS, 2010).
É deste entendimento, que este artigo busca avaliar qual o impacto dos diferentes
instrumentos de pressão e coerção sobre a forma de gestão das empresas. Isto é, qual o
nível de resposta das empresas às diferentes formas de pressão de órgãos do governo e
sociedade? Para endereçar essa questão, realizamos um survey com gestores empresas,
buscando entender a extensão da pressão percebida e as mudanças nas práticas de
gestão ambiental dentro das mesmas. Foram coletadas informações de 143 empresas de
médio e grande porte dos ramos da indústria de transformação, nos estados do Rio de
Janeiro e Rio Grande do Sul ao longo de 2012. Os dados são analisados via um modelo
de equações estruturais (SEM), permitindo a análise da interação entre os construtos e o
teste da relevância estatística das mesmas. Os resultados são discutidos buscando
elucidar caminhos mais eficientes para o alcance de objetivos comuns, entre empresas e
sociedade.
REVISÃO DA LITERATURA
Sustentabilidade e Gestão Ambiental
Aspectos sociais e ambientais permeiam todo o panorama de inserção da empresa
afetando seu acesso a recursos e competitividade. Do outro lado, a atividade econômica
empresarial tem impactos diretos e indiretos na sociedade que podem ser positivos ou
negativos, as chamadas externalidades (JENSEN, 2001). O problema das externalidades
negativas está diretamente relacionado qual o conceito de sustentabilidade, que
preconiza um equilíbrio entre os diferentes tipos de capital, econômico, natural e
humano (VAN DEN BERGH, 2010). A abordagem econômica sobre sustentabilidade
depende ainda da visão sobre o nível de substituição dentre os diferentes tipos de
capital, sendo que a supremacia dos interesses econômicos sobre os demais é alvo de
frequente debate (FREEMAN, 1994). A busca de uma conciliação entre interesses
2
econômicos, sociais e ambientais inspirou e influenciou o desenvolvimento de conceitos
como Responsabilidade Social Empresarial (DE BAKKER; GROENEWEGEN; DEN
HOND, 2005). Pelo princípio da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) o
desenvolvimento de negócios da empresa deve se dar de forma ética e transparente
(CARROLL, 1979) envolvendo todos os públicos de interesse, ou seja, os stakeholders
(DONALDSON; PRESTON, 1995; FREEMAN, 1984; CLARKSON, 1995).
A discussão sobre a sustentabilidade disseminou-se para diversos campos além do
governo e da sociedade civil, passando, adicionalmente, às esferas empresariais e
corporativas, o que possibilitou uma ampliação nos contextos, transpondo a visão
ambiental para uma perspectiva de toda a sociedade e com diversos agentes envolvidos.
A partir de meados da década de 90, os temas como mudanças climáticas, igualdade
social e esgotamento de recursos naturais, passam a incorporar cenários de
planejamento estratégico das empresas (HART, 1995). A necessidade de endereçar o
problema das externalidades passa a ser uma função de todos os agentes, mas não
somente do governo (ARCELUS; SCHAEFER, 1982).
Aspectos socioambientais afetam empresas e setores industriais, mudando o ambiente
competitivo e a própria condição de desenvolvimento e disponibilidade de recursos para
as empresas. Na dinâmica do ambiente competitivo, as empresas podem ser reativas ou
reativas em sua capacidade de resposta e integração das demandas em seus modelos de
negócios (SHARMA; VREDENBURG, 1998). Ente outros, o processo de adequação
dos padrões de produção é um importante fator na busca de legitimidade das empresas e
manutenção da chamada licença de operação (WESTLEY; VREDENBURG, 1996).
Como resultado, as empresas de setores industriais mais impactantes passaram a adotar
boas práticas de gestão ambiental.
A preocupação com o meio ambiente ganhou mais e mais destaque na gestão
empresarial, sendo a gestão ambiental um instrumento para atender as demandas legais
da regulamentação ambiental e dos diversos stakeholders que cercam a empresa
(HENRIQUES; SADORSKY, 1996; BUYSSE; VERBEKE, 2003). Há, portanto,
pressões advindas dos governos, pelos instrumentos de comando e controle, e da
sociedade seja via normas voluntárias e certificações, seja via desenvolvimento de
soluções proprietárias (CHRISTMANN, 2000).
Assim, tem-se que os fatores de motivação à evolução da gestão ambiental nas empresas
podem ser vários. Se externos, passam por regulamentação, reputação por
responsabilidade ambiental, comunidade local, comunidade internacional, investidores,
consumidores, financiadores e seguradoras, ou internos sendo sistemas de gestão
ambiental, certificações, valores corporativos; funcionários; busca de melhor
desempenho ambiental, gestão ambiental de fornecimento; design de produtos, decisões
de investimento e inovação (WINN; ANGEL, 2000; SHARMA, 2001).
Comando e controle
Instrumentos de Comando e Controle (CC) são aqueles que focam alterações na
degradação ambiental pela definição de normas para acesso e uso dos recursos naturais
e nas formas de execução das atividades particulares que impactam o meio ambiente e a
sociedade. “Trata-se do exercício do poder de polícia dos entes estatais.” (BARBIERI,
2007,p. 72). São restrições impostas para o enquadramento aos padrões e normas
estabelecidos; ou também as leis de licenciamento ambiental para instalação e operação
das atividades empresariais (GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995). Os
padrões estabelecidos pelas entidades regulatórias representam o objetivo mínimo que
os agentes poluidores devem atingir sob o risco de penalidades em caso de
inobservância dos padrões (TURNER; PEARCE; BATEMAN, 1993).
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Os principais mecanismos da política de CC são normas e padrões, licenças e
permissões, controle de uso do solo e da água. As licenças são usadas pelos órgãos de
controle ambiental para permitir a instalação de projetos e atividades com certo
potencial de impacto ambiental. Quanto aos padrões, podem ser classificados por
padrões de qualidade ambiental, padrões de emissão, padrões de processo e padrões de
produto. Os padrões são o instrumento de CC de uso mais frequente na gestão ambiental
em todo o mundo.
São apontadas como vantagens da aplicação de instrumentos de CC a longa experiência
em utilização de regulamentações públicas em outras áreas como saúde e segurança,
trabalho etc, que conferem conhecimento estrutural e normativo para o uso nos temas
ambientais; a promoção efetiva de alterações nos padrões de emissão, controle e
prevenção com a contrapartida em severas penalidades caso os padrões não sejam
satisfeitos e por fim, que haveria uma suposta garantia que os padrões seriam atendidos
dado o poder de coerção legal, nivelando todos os agentes que atuam sob as mesmas
condições (BARDE, 1994).
Estudos apontam que quando a regulamentação ambiental é percebida pelos gestores
como oportunidade, o comprometimento com o meio ambiente fica associado a
instâncias proativas, em contrapartida, se são percebidas como ameaças, estão atreladas
a tecnologias conhecidas como fim de tubo (RUSSO; FOUTS, 1997; BUYSSE;
VERBEKE, 2003).
Defensores de CC colocam ser esse um sistema que assegura a competição no mercado,
uma vez que há um equilíbrio na demanda, sendo a obrigação igual para todos; confere
meios efetivos de combater riscos e previne possibilidades de piora do sistema
(GUIMARÃES; DEMAJOROVIC; OLIVEIRA, 1995). Já os opositores apontam que,
embora os instrumentos de CC representem substancial elemento de progresso na
política ambiental, não atingem os objetivos dentro dos prazos estabelecidos, além de
serem de difícil aplicação, sendo ainda economicamente ineficientes, apresentam altos
custos e são inflexíveis. Deve-se considerar ainda que sua efetividade depende de alto
controle e fiscalização que demanda estrutura apropriada para tal, sistema legal ágil para
julgar os processos em desacordo com a regulamentação (BARDE, 1994).
A regulamentação incentiva mudanças operacionais e apresenta condições igualitárias
para todos os concorrentes, nivelando as forças de competição (PORTER; VAN DER
LINDE , 1995). A regulamentação ambiental tenta conter e melhor endereçar as
externalidades ou as imperfeições da informação, contribuindo para o funcionamento
dos mercados por incentivos econômicos (HENRIQUES; SADORSKY, 1996).
Portanto, tanto governo como empresas devem enxergar que a regulamentação correta e
bem elaborada pode melhor contribuir para a geração de valor compartilhado por todas
as partes envolvidas: clientes, trabalhadores, fornecedores além de minimizar impactos
ao meio ambiente e à sociedade como um todo (PORTER; KRAMER, 2011). Com base
nas ideias expostas, que apontam que os instrumentos de CC exercem influência
favorável à adequação das empresas aos padrões de gestão ambiental, tem-se a primeira
hipótese:
H1: A legislação ambiental de comando e controle exerce influência positiva à
evolução da gestão ambiental.
Normas Voluntárias
Ainda que existam possibilidades de usos combinados de instrumentos, a
regulamentação ambiental legal é uma forma altamente necessária que pode favorecer
as empresas (LEE; YUAN, 2008). Jones (2010) afirmou que ações voluntárias seriam
mais eficientes que as advindas por regulamentação dado que estas proporcionam
4
incentivos e oportunidades até certo limite. Porém, a gestão ambiental voluntária parte
de estágio previamente atendido pela regulamentação ambiental, em que as empresas,
muitas vezes, pensam em antecipar-se a futuras exigências legais ou até mesmo virem a
influenciá-las.
Pode-se levantar que a adoção de normas voluntárias, como enquadramentos de Sistema
de Gestão Ambiental, certificações socioambientais (certificações ISO, por exemplo),
seria um processo de institucionalização e isomorfismo como forma de legitimar as
atividades organizacionais. As constantes pressões e demandas externas levam as
organizações a adaptações para atender tais exigências, em que assumem ainda uma
maior postura de responsabilidade com o meio ambiente. Entretanto, a necessidade de
mudança estrutural das organizações acontece por motivos não mais voltados à
eficiência ou concorrência, mas sim, para que as organizações tornem-se mais
semelhantes, sem necessariamente torná-las mais eficientes (DIMAGGIO; POWELL,
1991). Pressões institucionais levam organizações a adotar conjuntos específicos de
procedimentos ou símbolos na difusão de práticas comuns. Fatores regulatórios,
normativos e cognitivos afetam decisões a adoção de práticas organizacionais e vão
além da busca por eficiência técnica na visão de (DELMAS; TOFFEL, 2004).
Contudo, abordagens pela prevenção à poluição podem ser entendidas como um estágio
à frente das reações e tentativas de responder às exigências de regulamentação para
controle de emissões de poluentes (JONES, 2010). Nesse ponto, as empresas passam a
avaliar não só o momento final da produção, mas fazem uma revisão de processos que
levam a geração da poluição, numa visão de mapeá-los a fim de identificar pontos de
melhoria e intenção de redução de suas gerações, focando assim atacar as fontes
geradoras Assim, chega-se a construção da segunda hipótese que busca verificar o
impacto das normas voluntárias no processo de evolução da gestão ambiental nas
empresas.
H2: A adoção de Normas Voluntárias pelas empresas resulta em influência
positiva à evolução da gestão ambiental.
Pressão de Stakeholders
Tem-se ainda o entendimento que pressões outras às de regulamentação e às normas
voluntárias são também contribuintes à evolução da gestão ambiental nas empresas.
Maimon (1994) identificou, a partir de levantamento realizado com 86 empresas
brasileiras, que a responsabilidade ambiental estava baseada numa postura reativa em
que as atitudes estavam pautadas no atendimento de normas de poluição em que as
ações restringiam-se a modificações parciais ou substanciais nos controles de final de
processo produtivo. Os fatores determinantes de maior ou menor desempenho
ambiental, nas empresas estudadas, estavam atrelados à política dos órgãos reguladores
e a pressão externa da comunidade – local e internacional.
Encontra-se na literatura diversos trabalhos que buscam identificar os vários fatores que
motivam as empresas a praticarem ações voltadas às questões socioambientais e que, de
alguma forma, contribuem para a evolução da gestão ambiental: pressões do mercado e
da sociedade, regulamentação legal, altos custos de compliance (HART, 1995; RUSSO;
FOUTS, 1997; SHARMA; VREDENBURG, 1998; DELMAS; TOFFEL, 2004). Alguns
estudos mostraram que as empresas passam a agir de forma responsiva às demandas
(BANSAL; ROTH, 2000; PORTER; KRAMER, 2006), outros investigaram os fatores
internos e externos que pressionam as empresas a passarem a praticar ações ambientais,
muitas vezes num primeiro momento de forma reativa, e com uma evolução de gestão
chegam a estágios superiores de posturas proativas (NEDER 1992; HENRIQUES;
5
SADORSKY, 1996; VIEGAS; FRACASSO, 1998; SANCHES, 2000; ROHRICH;
CUNHA, 2004; BUYSSE; VERBEKE, 2003).
No trabalho de Henriques e Sadorsky (1996) as pressões dos consumidores e a
regulamentação governamental são recorrentes nas citações de fatores promotores de
mudanças de atitudes. Os autores analisaram as pressões internas e externas que levam à
implantação de um plano ambiental, podendo resultar em benefícios não só monetários
como a aquisição ou manutenção de market-share; potencial ganho de eficiência e o
aumento positivo da reputação. Como forma de pressão interna, os acionistas miram
resultados financeiros e pode haver dificuldade de renovação ou atração de capital. Por
sua vez, gestores realizam pressões dado que respondem por violações ou passivos
ambientais nas instâncias criminais além de, em certa medida, demonstrarem
inabilidade em identificar, responder ou remediar potenciais problemas. Por fim,
empregados realizam pressões decorrentes do exercício diário de suas funções no
tocante a saúde e segurança de trabalho.
Percebe-se que as empresas acabam por ter que reagir às diferentes pressões e que, de
alguma forma, estão caminhando para a completa internalização dos custos de
conservação ambiental, dada a necessidade de significativas mudanças nos padrões de
produção, comércio e consumo.
Enquanto, a implantação de inciativas de comando e controle e normas voluntárias
muitas vezes não são complementares ou sinérgicas às demais operações das empresas,
o desenvolvimento de recursos em estratégias proativas integração com os stakeholders
pode ser promissor para a empresa (SHARMA; HENRIQUES, 2005; BUYSSE;
VERBEKE, 2003). Na trajetória de desenvolvimento dos recursos quanto maior a
complexidade social, mais difícil é a replicação pelos concorrentes. Com base nos
argumentos destacados por esses estudos, pode-se traçar a terceira hipótese que tem
como interesse analisar o poder de influência da pressão exercida pelos diferentes
públicos sobre a aplicação de práticas de gestão ambiental.
H3: Quanto maior o exercício de pressões ambientais por parte dos
stakeholders, maior o desenvolvimento de práticas de gestão ambiental nas
empresas.
O Quadro 1 traz um resumo dos estudos realizados e dos principais fatores indutores
que mais contribuíram à evolução da gestão ambiental identificados em cada um dos
trabalhos.
Quadro 1 – Principais fatores indutores estudados.
Pesquisa realizada por
HUNT; AUSTER (1990)
NEDER (1992)
MAIMON (1994)
HENRIQUES; SADORSKY (1996)
VIEGAS; FRACASSO (1998)
BANSAL E ROTH (2000)
WINN; ANGELL (2000)
KING (2000)
SHARMA (2001)
ASTHON; LUQUE; EHRENFELD
(2002)
BUYSSE; VERBEKE (2003)
BRIO; JUNQUEIRA (2003)
DELMAS; TOFFEL (2004)
Fatores indutores de maior relevância à gestão ambiental
Pressão regulatória
Legislação
Legislação + comunidade local e internacional
Legislação + comunidade local + acionistas + gestores +
funcionários
Pressão regulatória
Competitividade + legitimação e responsabilidade ambiental
Legislação + reputação + desempenho ambiental + cadeia
Pressão regulatória
Comunidade local + investidores + consumidores + mercado
financeiro + certificações + funcionários
Pressão regulatória
Legislação
Pressão regulatória
Pressão regulatória
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ROHRICH; CUNHA (2004)
Legislação
MÉTODO
A metodologia e a análise dos dados foram conduzidas em etapas que são detalhadas
nas próximas seções. Inicia-se pela descrição da base de dados e do processo de coleta
de informações (survey) e passa-se a explicação das escalas utilizadas e análise dos
modelos de mensuração. Por fim, apresenta-se o modelo testado e o teste das hipóteses
aqui propostas, e finaliza-se com os testes de robustez para o modelo proposto.
Base de Dados
Este estudo foi conduzido por meio de uma pesquisa (survey) com gestores de empresas
brasileiras, buscando coletar a percepção acerca de pressões e estímulos externos, e a
influência relativa dos mesmos sobre as práticas de gestão ambiental de cada empresa.
A amostra concentra-se em empresas de setores de maior impacto ambiental como a
indústria de transformação, Seção C da Tabela CNAE, associadas às respectivas
Federações das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro de do Rio Grande do Sul. Para
assegurar comparabilidade, a pesquisa restringiu-se a empresas com mais de 100
funcionários, que perfazem o universo de médio e grande porte segundo dados do
SEBRAE (2008).
Assim como outros estudos sobre gestão ambiental (CORDEIRO; ZHU; SARKIS,
2009; DELMAS; TOFFEL, 2008; LÓPEZ-GAMERO; MOLINA-AZORÍN; CLAVERCORTÉS, 2010) optou-se por entrevistar funcionários que, pelo entendimento deste
estudo, teriam o máximo de informações para atender as perguntas da pesquisa, sendo
eles gestores e ou responsáveis pela gestão ambiental das empresas.
No estado do Rio de Janeiro (RJ) foram entregues questionários a 288 empresas (já
excluídos os endereços inconsistentes). A remessa foi seguida por uma chamada ativa e
107 questionários retornaram, correspondendo a uma taxa de resposta de 37%. Para a
base do Rio Grande do Sul (RS), foram distribuídos questionários a 739 empresas
(excluídos os endereços inconsistentes), que também sofreram uma chamada ativa.
Contudo, no Rio Grande do Sul, a taxa de resposta foi de apenas 9,6%, resultando em
71 questionários. Para ambos estados não se encontrou diferenças estatisticamente
significante entre as repostas recebidas antes e depois das chamadas ativas.
Do total de 178 questionários recebidos, alguns não continham respostas para todos os
dados e, após um processo de eliminação listwise, restaram 143 questionários válidos
que foram analisados.
Métricas
O questionário baseou-se nas escalas utilizadas por López-Gamero, Molina-Azorín e
Claver-Cortés (2010) e Cordeiro, Zhu e Sarkis (2009). Os questionários foram
traduzidos e adaptados para o contexto brasileiros e posteriormente avaliados por
especialistas das áreas de sustentabilidade e gestão ambiental. As escalas finais ficaram
definidas conforme segue:
 Comando e Controle (CC): A variável de comando e controle busca entender a
posição dos gestores acerca de instrumentos e regulação presentes
(DEMAJOROVIC, 1995; BARBIERI, 2007). Os gestores foram indagados, em
uma escala likert 1-5 (ver Apêndice A), qual o grau de concordância com os
quatro tópicos de CC derivados da pesquisa de López-Gamero, Molina-Azorín e
Claver-Cortés (2010).
 Normas Voluntárias (Vol): Normas voluntárias, como processos de
autorregulação, caracterizam-se por situações onde as empresas agem
7
implantando padrões mais sofisticados de gestão ambiental e acordos
voluntários, tais como selos e certificados socioambientais. A capacidade de
resposta dos atores é também motivada por demandas da sociedade e
stakeholders que exercem pressão direta ou indireta sobre a empresa (BANSAL;
ROTH, 2000). Nesse quesito, quatro perguntas escala likert 1-5 baseadas em
López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010), buscaram entender
como os gestores percebem o processo de adoção de normas voluntárias dentro
de suas empresas.
 Pressão de Stakeholders (Stk): A capacidade de resposta (responsiveness) das
empresas às pressões ambientais está intimamente ligada às atitudes dos
stakeholders (SHARMA; VREDENBURG, 1998). Nesse aspecto, quatro
perguntas, com escala likert 1-5 baseadas em Cordeiro, Zhu e Sarkis (2009)
buscaram captar o nível de pressão percebida pelos gestores, seja de uma forma
geral, seja de clientes, parceiros e entidades de classe, seja de concorrentes.
 Práticas Ambientais (Prat):
A adoção de práticas de gestão ambiental visa à diminuição do impacto da empresa
sobre o meio ambiente. Práticas ambientais incluem aspectos técnicos e gerenciais
que podem ser implantadas pelas empresas. Devido à falta de dados sobre o
desempenho ambiental das empresas, este estudo valeu-se da percepção dos gestores
acerca das práticas desenvolvidas pelas suas empresas. Os aspectos gerenciais e
técnicos foram pesquisados, conforme abaixo:
 Gerenciais (Ger): Foram selecionadas sete questões da escala desenvolvida
por López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010) que mais se
adaptavam ao contexto brasileiro. As perguntas buscavam entender em que
nível, em um escala likert 1-5, os gestores concordavam com as práticas
gerenciais sugeridas.
 Técnicas (Tec): Foram selecionadas seis questões da escala desenvolvida por
López-Gamero, Molina-Azorín e Claver-Cortés (2010), buscando avaliar,
em um escala likert 1-5, o nível de implantação das práticas pelas empresas,
desde a não ocorrência até a liderança na mesma.
 Variáveis de Controle:
Como variáveis de controle, foram testados os efeitos do tamanho das empresas,
operacionalizado pelo do número de funcionários; estado de origem (RS ou RJ);
setor (CNAE 2 dígitos) e se empresa mantinha práticas de exportação (sim ou não).
O questionário aplicado, com todas as escalas utilizadas está disponível no Apêndice A.
Todos as escalas foram submetidas a uma análise fatorial exploratória para verificar a
estrutura de relacionamento das variáveis, sendo que o resultados demonstraram apenas
um fator com eigenvalue >1 para cada variável. As variáveis de práticas ambientais
gerenciais e técnicas forma submetidas conjuntamente a uma análise fatorial
exploratória, sendo que o resultado demonstrou a formação de dois fatores, justificando
a operacionalização das mesmas separadamente.
A análise das estatísticas descritivas das variáveis revelou padrões de normalidade das
mesmas, e com isto, passamos para a análise do modelo de medição e depuração das
escalas. Utilizamos o software AMOS versão 16 (BYRNE, 2010) para realizar a análise
fatorial confirmatória dos construtos, estimando a validade e a confiabilidade dos
mesmos (SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Nesse processo foram eliminados alguns
indicadores, sendo que as cargas fatoriais finais estão disponíveis no Apêndice A.
A análise das variáveis resultou em bons resultados de confiabilidade, sendo o Alfa de
Cronbach para os construtos dentro do intervalo de 0,74 e 0,88, e o índice de e o
8
composite reliability entre 0,73 e 0,89, ambos acima dos limites de referência de 0,7
(SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Na análise da validade convergente, a variância
extraída apresentou padrões acima da referência (≥0,50) a não ser pelo construto de
comando e controle que apresentou um índice de 48%.
Tabela 1: Construtos confiabilidade, variância extraída e ajuste do modelo de
medição
Índices de Ajuste
ConstrutosA (número de
Alfa de
Composite Variância
Indicadores)
Cronbach Reliability Extraída RMSEA χ 2
NFI
CFI
0,016
24,9
0,932
0,997
Variáveis Exógenas
g.l.:24
Comando e Controle (3)
0,74
0,73
48%
p: 0,4
Normas Voluntárias (3)
0,74
0,76
52%
Pressão de Stakeholders (3)
0,78
0,78
55%
0,8
64,5
0,905
0,939
Variáveis Endógenas
g.l.:26
Práticas Amb. Gerenciais (4)
0,83
0,89
61%
p: 0
Práticas Amb. Técnicas (5)
0,88
0,70
56%
Valores de referência
≥0,70
≥0,70
≥50%
0,05
0
1
1
A
Após a análise confirmatória foram eliminados alguns indicadores (Apêndice A).
Os modelos de mensuração foram ainda submetidos a uma análise fatorial confirmatória
para ajuste (Tabela 1). Foram calculados os índices de ajuste RMSEA (Root Mean
Square Error of Approximation), χ 2, NFI (Normalized Fit Index) e CFI (Comparative
Fit Index). Os resultados apontam para bons índices de ajustes para as variáveis
endógenas, com RMSEA inferior a 0,05, χ2 não significante e NFI e CFI próximos de
1 (BYRNE, 2010; SCHUMACKER; LOMAX, 2004). Já as variáveis endógenas não
apresentaram bom ajuste segundo os índices RMSEA e χ2, contudo os índices de NFI e
CFI apresentam resultados aceitáveis (Tabela 1).
RESULTADOS
Modelo Estrutural
Após a análise dos modelos de mensuração passou-se para a análise do modelo
estrutural para o teste de hipóteses, foi empregado o modelo de equações estruturais
(SEM), estimado pelo o método de máxima verossimilhança, usando AMOS versão 16,
o método permite estimar as variáveis latentes e as relações entre as mesmas (BYRNE,
2010). A modelagem estrutural aborda questões de medição, comuns às pesquisas tipo
survey e tem sido cada vez mais empregada em estudos de estratégia empresarial
(SHOOK; HULT; KACMAR, 2004). Por fim, foram conduzidos os testes de robustez
utilizando variações no modelo estrutural inicialmente proposto e regressões
multilineares para testar o efeito do setor sobre os resultados.
Índices de Ajuste
Para operacionalizar as relações propostas foram testados dois modelos estruturais,
buscando atestar maior robustez aos resultados. Para avaliar o ajuste dos modelos,
utilizou-se indicadores de ajuste cujos resultados estão dispostos na Tabela 2.
Primeiramente, testamos o Modelo 1 proposto no qual as variáveis antecedentes
impactam um construto geral de práticas ambientais (Figura 1). Para tanto inseriu-se um
construto latente de segunda ordem intermediando a relação entre as variáveis
antecedentes e a as variáveis de práticas gerenciais e técnicas. Dentre as medidas de
ajuste global, o resultado do χ2 (193,9) é estatisticamente significante o que sugere que
a matriz de covariância do modelo proposto não difere da covariância da matriz do
9
modelo nulo. Contudo, o RMSEA está dentro do intervalo de confiança aceitável e
apresenta valor máximo inferior a 0,1, conforme sugerido por Byrne (2010). Da mesma
forma, o NFI (0,838) e CFI (0,935) estão próximos ao valor de 1, o que designa um
ajuste aceitável (BYRNE, 2010; SCHUMACKER; LOMAX, 2004). Esses diagnósticos
estruturais indicam um bom ajuste do modelo teórico proposto para os dados
subjacentes.
Figura 1: Modelo 1 - Principal com coeficientes de regressão padronizados
Comando e
Controle
Práticas
Gerenciais
Normas
Voluntárias
Práticas
Ambientais
-0,113
Práticas
Técnicas
Pressão
Stakeholders
* Valores significantes α=5%.
Passou-se então para o Modelo 2, com relações diretas entre as variáveis antecedentes e
as práticas ambientais gerencias e técnicas. O modelo apresentou uma ligeira piora nos
índices de ajuste, estando ainda dentro dos padrões de aceitação recomendados (χ2=
206; RMSEA = 0,067; NFI = 0,827 e CFI = 0,921). O segundo modelo, serviu como
uma configuração alternativa para testar a robustez do modelo e apoiar a discussão das
hipóteses.
Figura 2: Modelo 2 - Alternativo com coeficientes de regressão padronizados
Comando e
Controle
0,253*
Práticas
Gerenciais
Normas
Voluntárias
Pressão
Stakeholders
0,510*
Práticas
Técnicas
* Valores significantes α=5%.

Teste de Hipóteses e Testes de Robustez
A análise dos coeficientes de regressão possibilita o teste das hipóteses propostas neste
estudo. Os resultados (β=0,313) dão suporte à presunção de medidas de comando e
controle que influenciam positivamente na adoção de práticas ambientais (H1). Os
coeficientes de regressão do modelo alternativo corroboram com o entendimento que
aspectos normativos formais promovem melhoras tanto em práticas gerenciais
(β=0,253) como em práticas técnicas (β=0,383). Sendo a melhora de práticas ambientais
um resultado positivo para a sociedade, pode-se entender como um instrumento
10
competente para endereçar externalidades do processo produtivo (HENRIQUES;
SADORSKY 1996).
Já a adoção de normas voluntárias (H2), como selos e certificações, não apresentou
significância em sua relação com práticas ambientais, portanto a segunda hipótese foi
rejeitada. O modelo alternativo demonstra ainda que a relação entre de normas
voluntárias e a adoção de boas práticas técnicas é negativa (β=-0,272), o que sugere
uma relação inversa à esperada. Os resultados se alinham com alguns estudos
econométricos que questionam a eficiência da adoção de padrões e normas voluntárias
(ARAVIND; CHRISTMANN, 2011; CHRISTMANN, 2000).
Por fim, a pressão de stakeholders (H3) demonstrou ter um efeito positivo e significante
sobre as práticas ambientais (β=0, 597), confirmando a terceira hipótese. A relação
permanece significante e positiva quando testadas as relações diretas com práticas
gerenciais (β= 0,538) e técnicas (β= 0,51). Estes resultados corroboram com a vasta
literatura que argumenta pelo poder da pressão dos stakeholders na tomada de decisão
nas empresas.
Tabela 2: Resultados dos modelos e índices de ajuste
Variável Antecedente
Comando e Controle
Normas Voluntárias
Pressão de Stakeholders
Comando e Controle
Comando e Controle
Normas Voluntárias
Normas Voluntárias
Pressão de Stakeholders
Pressão de Stakeholders
Índices de Ajuste
Variável Dependente
Prát. Ambientais
Prát. Ambientais
Prát. Ambientais
Prát. Gerenciais
Prát. Técnicas
Prát. Gerenciais
Prát. Técnicas
Prát. Gerenciais
Prát. Técnicas
χ2
RMSEA [IC 90%]
NFI
CFI
Coeficientes Padronizados
Modelo 1
Modelo 2
0,313*
-0,113
0,597*
0,253*
0,383*
-0,053
-0,272*
0,538*
0,51*
193,9; gl=127; p=0
206,6; gl=126; p=0
0,061 [0,043; 0,078]
0,067 [0,05; 0,083]
0,838
0,827
0,935
0,921
*Coeficientes significantes α =5%
Além dos modelos estruturais acima discutidos, foram conduzidos vários testes de
robustez. Para verificar a força da estrutura causal, buscou-se verificar a influência de
características heterogêneas das empresas dentro da amostra sobre os resultados. Foi
testado o estado de origem, o setor de atuação, o tamanho da empresa e se a empresa é
exportadora. Foram testados seis modelos com a inserção das variáveis de controle.
Tabela 3: Resultados das regressões e variáveis de controle
Coeficientes Padronizados
β
β
Modelos
1
2
Comando e Controle
0,235**
0,212*
Normas Voluntárias
-0,024
-0,012
Pressão de Stakeholders
0,453**
0,442**
Estado (RJ ou RS)
0,011
Setor (CNAE 2 dig)
0,003
Tamanho (N.Func.)
-0,052
Exporta (sim/não)
0,086
Var. Dependente
Prat
Prat
R2 ajustado
0,284
0,273
*Significante α=10%. ** Significante α=5%.
β
3
0,233**
-0,079
0,382**
Tec
0,202
β
4
0,18*
-0,048
0,38**
-0,045
-0,1
-0,083
0,067
Tec
0,202
β
5
0,187*
0,041
0,421**
Ger
0,247
β
6
0,2*
0,03
0,406**
0,062
0,107
-0,005
0,078
Ger
0,244
11
Os testes de regressão reproduziram as mesmas relações entre as variáveis antecedentes
e variáveis dependentes que os modelos 1 e 2. Os coeficientes de regressão (Tabela 3)
confirmam as relações encontradas nos modelos estruturais, contudo nenhuma das
variáveis de controle trouxe resultado significante.
Discussão e Conclusões
Este estudo insere-se na literatura de sobre a influência dos stakeholders sobre a gestão
ambiental nas empresas. Para avaliar esse tema, buscamos modelar diferentes
instrumentos de pressão e avaliar sua capacidade de motivar mudanças nas empresas.
Diversos autores apresentaram que a pressão regulatória é um dos fatores motivadores à
gestão ambiental, mesmo que a demanda legal inicie por um estágio reativo e corretivo
por parte das empresas. Nossa pesquisa corrobora com o entendimento de que
regulamentação ambiental, em instrumentos de comando e controle, é capaz de trazer
mudanças positivas no processo de gestão ambiental das empresas (BARDE, 1994;
PORTER; VAN DER LINDE, 1995). Da mesma forma, a pesquisa alia-se a uma
crescente corrente em estratégia, que reconhece nos stakeholders o grande motivador
para mudanças dentro das empresas (HENRIQUES; SADORSKY, 1998; BUYSSE;
VERBEKE, 2003). Já os testes realizados pressões advindas de normativas voluntárias
não obtiveram resultados significantes, o que questiona a capacidade de certificações e
rotulagem em trazer mudanças para a gestão ambiental nas empresas (ARAVIND;
CHRISTMANN, 2011; CHRISTMANN, 2000). A institucionalização dos padrões do
mercado dentre as atividades de gestão ambiental não resultou como um fator motivador
relevante ao avanço da mesma.
Tais resultados trazem implicações para o estudo de estratégias de sustentabilidade
como para a gestão empresarial. A necessidade de alinhar os interesses da sociedade
com interesses privados pressiona gestores, empresários e acadêmicos a encontrar
caminhos de convergência e solução. Enquanto é claro que o tema se insere em uma
discussão mais ampla sobre o domínio da teoria econômica e suas implicações sociais, é
possível fazer algumas considerações acerca do alinhamento entre gestão e
sustentabilidade.
As empresas estudadas apresentaram comportamento positivo aos processos de
regulação legal. Ao atender aos padrões legais, as empresas não buscam explorar
imperfeições de mercado, mas adequar-se ao mercado e nivelando as condições de
produção e custos. Tal postura sugere uma estratégia de busca de legitimidade e gestão
de riscos entre as mesmas e encoraja o uso de instrumentos de comando e controle.
Ainda mais forte, o comportamento das empresas em relação aos stakeholders
demonstra importante potencial de motivar mudanças dentro das empresas. Nessa
interação as empresa pode também ter a possibilidade de desenvolver de capacidades e
recursos que logram maior competitividade às mesmas. Contudo, a não priorização por
práticas que visem redução ou a não geração de resíduos, mostra a necessidade de uma
maior dedicação ao problema, tanto pelas empresas como pela sociedade.
Desta feita, fica claro que não é possível responsabilizar exclusivamente o papel de
apenas um agente na condução do processo de desenvolvimento sustentável. É preciso
que as empresas, o governo e toda a sociedade trabalhem juntos em busca de
cooperação para minimização dos impactos à sociedade e ao meio ambiente.
As limitações inerentes ao processo adotado, sendo uma pesquisa de características
quantitativas, não probabilísticas, que acarretam na impossibilidade de generalização
dos resultados. A técnica survey também apresenta particularidades que precisam ser
contempladas, isto porque o pesquisador não tem controle sobre a aplicação do
instrumento. Sobre o viés de resposta dento do tema de stakeholders, podemos assumir
12
que há uma influência do interesse pelo tema e que as empresas respondentes têm maior
inclinação para o assunto (ARMSTRONG e OVERTON, 1977).
Por fim, este trabalho incita novas buscas e refinamento sobre os achados, seja para
entender o que impacta na eficiência dos instrumentos, seja para explorar as demais
decorrências estratégicas destes moldes de respostas das empresas, conforme sugerido
na literatura. O reconhecimento da força dos instrumentos de pressão configura um
primeiro passo para uma investigação mais profunda.
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15
APÊNDICE A
Quadro 2: Indicadores e coeficiente das análise fatorial confirmatória
Indicador
Coef.
Marcar a alternativa que mais se enquadra à visão de sua empresa quanto à Legislação de
Comando e Controle
CC1 Estabelece padrões mais rigorosos na elaboração de novos produtos e processos
0,639
tecnológicos
CC2 Modifica a demanda de mercado com a introdução de novos critérios de avaliação pela
*
mudança de consciência do cliente/consumidor.
CC3 Motiva implantação de melhorias no processo de produção
0,768
CC4 Estabeleceu padrões mais rigorosos nos últimos anos
0,666
Marcar a opção que melhor representa o entendimento da sua empresa
Vol1 São requeridas pelas partes interessadas (stakeholders) como por exemplo, clientes /
0,526
consumidores ou concorrentes
Vol2 A adoção de tecnologias mais limpas incentivam a inovação
*
Vol3 Conferem uma imagem diferenciada da empresa para o mercado.
0,723
Vol4 Representam oportunidades de mercado para a empresa
0,866
Marcar a opção que melhor representa o entendimento da sua empresa
Stk1 Mercado doméstico - A empresa sente-se pressionada pelos requisitos ambientais dos
0,616
clientes domésticos
Stk2 Percebe-se hoje uma influência por grupos, entidades de classe - A empresa responde às
0,797
pressões de grupos profissionais quanto a atividades ambientais (químicos, engenheiros,
administradores, sindicatos, por exemplo)
Stk3 Pressão dos Concorrentes - A empresa sente-se pressionada pela estratégia ambiental
0,794
dos produtores de um mesmo produto (concorrentes, por exemplo)
Stk4 A empresa recebe pressão de normas ambientais regionais relativas às emissões de
*
resíduos, produção mais limpa (P+L), etc.
Marcar a alternativa que melhor representa a adoção de práticas da sua empresa.
Ger1 A empresa comunica formalmente as políticas e estratégias ambientais a todos seus
0,727
empregados / colaboradores
Ger2 A empresa revisa periodicamente os manuais de procedimentos ambientais
0,914
Ger3 A empresa adapta ou modifica as estruturas organizacionais (o quadro organizacional e
0,776
a descrição de papéis dentro da organização) se necessário para facilitar a gestão
ambiental
Ger4 A empresa elimina barreiras para facilitar a comunicação de questões ambientais,
0,747
incluindo o incentivo para que funcionários se comuniquem diretamente com
funcionários de outras empresas, por exemplo
Ger5 Os funcionários têm conhecimento técnico para lidar com questões ambientais no
*
desenvolvimento de suas atividades profissionais
Ger6 A empresa demanda regularmente informações sobre gestão ambiental para
0,721
fornecedores, clientes e instituições com as quais se relaciona
Ger7 A empresa avalia o registro / licença ambiental de operação dos fornecedores
*
Marcar a opção que melhor representa os procedimentos de sua empresa.
Tec1 A empresa prioriza menor consumo de recursos
*
Tec2 A empresa faz uso de embalagens reutilizáveis
0,742
Tec3 A empresa possui logística mais eficiente energeticamente (otimização de rotas e cargas, 0,777
padronização de embalagens, etc)
Tec4 A empresa desenvolve produtos que favorecem a reciclagem / reutilização do produto
0,763
Tec5 A empresa implementou nos últimos 5 anos técnicas alternativas de produção para
0,700
atender práticas/exigências de produção mais limpa
Tec6 A empresa compra materiais de baixo impacto ao meio ambiente, tanto na utilização de
*
recursos naturais quanto no potencial risco poluidor
*Removido na análise fatorial confirmatória
16
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Motivadores da Gestão Ambiental em Empresas Brasileiras