0 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ C ENTRO DE C IÊNCIAS S OCIAIS A PLICADAS C URSO DE A DMINISTRAÇÃO VINÍCIUS MARCELO DE JESUS FAGUNDES COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER Maringá 2011 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ C ENTRO DE C IÊNCIAS S OCIAIS A PLICADAS C URSO DE A DMINISTRAÇÃO VINÍCIUS MARCELO DE JESUS FAGUNDES COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER Projeto apresentado como requisito da avaliação final da disciplina 4061 - Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá. Orientadora: Profª. Drª. Olga Maria Coutinho Pépece. Maringá 2011 2 VINÍCIUS MARCELO DE JESUS FAGUNDES COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito obtenção de bacharelado do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá, sob a apreciação da seguinte banca examinadora: Aprovado em __/__/______ __________________________________________ Profª. Drª. Olga Maria Coutinho Pépece Universidade Estadual de Maringá (UEM) ___________________________________________ Profª. Msc. Suzie Terci Kaetsu Universidade Estadual de Maringá (UEM) 3 AGRADECIMENTOS À Deus, nosso criador e nossa luz que nos conduz proporcionando-nos emocionantes e construtivas experiências em nossa vida. À minha mãe Nadir, guerreira e batalhadora, que me apoiou no meu ingresso para a Universidade, assumiu responsabilidades, enfrentou adversidades e soube lidar com elas com lucidez, paciência e serenidade. À minha esposa Adriana, que mesmo em momentos difíceis jamais cogitou que eu abandonasse meus sonhos; Por ela também por conseguir suportar anos de contratempos e tempo escasso e também meus destemperos e problemas com muita sabedoria, amor e grandeza. À minha filha Lauanny, minha princesa, minha vida... Que nasceu no ano de meu ingresso na faculdade. Esse foi um período em que eu e ela nos desenvolvemos juntos. Ao meu irmão Cristiano que sempre me aconselhou e me ajudou intelectualmente e financeiramente permitindo que esse ciclo seja concluído com sucesso. Obrigado meu irmão. Aos meus professores que durante esses quatro anos nos repassaram suas experiências e lições, em especial a professora Aparecida do Rocio Freitas e Olga Maria Coutinho Pépece que contribuíram de maneira incalculável para o meu crescimento e desenvolvimento profissional e também por serem exemplos e referências de índole, educação, respeito e perspicácia. Aos amigos da Universidade, em especial ao Kaio Feroldi Motta que com presteza em momentos de incertezas, contribuiu para a finalização positiva desta história. Também aos amigos e irmãos Othon, Dayane, Thuany, Higino, José Roberto Junior, Johnni, Bruno, Ricardo, entre outros que sempre foram companhias constantes em momentos de alegria, de apreensão, de descontração e são partes importantes no desfecho feliz dessa história. 4 “Esteja alerta a cada segundo. Não permita que nada nem ninguém decida por você” (Carlos Castañeda). 5 RESUMO Pretendeu-se com este estudo, estabelecendo o ato de presentear como foco, analisar o comportamento de homens enquanto receptores, no sentido de buscar entender o que os leva a não gostar de receber determinados presentes. Buscou-se identificar através de análises bibliográficas e pesquisas de campo que tipo de presentes os homens não gostam de receber, procurando levantar possíveis motivos ou situações que possam afetar a percepção de valor de um presente recebido, pois pela ótica do consumidor, os objetos podem assumir funções simbólicas que transcendem a funcionalidade e atributos do mesmo. Constatou-se através da coleta de dados que não é possível determinar especificamente presentes que homens não gostam de receber, constatou-se que o preço não é determinante na influência da percepção de valor do objeto e que há situações onde o grau de proximidade influencia na percepção de valor e no significado atribuído ao presente. Palavras-chave: Comportamento do consumidor. Presentes que homens não gostam. Ato de presentear. 6 ABSTRACT The intention with this study, establishing the act of giving focus to analyze the behavior of men as recipients, in seeking to understand what leads to dislike receiving certain gifts. We sought to identify through literature review and field research that present the kind of men do not like to receive, seeking to raise possible reasons or situations that may affect the perceived value of a gift received, because the perspective of the consumer, the objects can assume that transcend the symbolic functions and attributes of the same functionality. It was found by collecting data that is not possible to determine specifically what these men do not like to receive, it was found that the price is not decisive in influencing the perceived value of the object and that there are situations where the degree of proximity influences perception of value and meaning attributed to this. Keywords: Consumer behavior. Gifts do not like men. Act of giving. 7 LISTA DE QUADROS Quadro 1 Caracterização e codificação das entrevistas............................................. 40 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Passos do processo de compra do consumidor........................................... 20 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 11 1.1 TEMA ................................................................................................................................ 12 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA .................................................................................. 13 2 OBJETIVOS ..................................................................................................................... 14 2.1 OBJETIVO GERAL .......................................................................................................... 14 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................. 14 2.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 15 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .................................................................................. 16 3.1 FUNDAMENTOS DE MARKETING .............................................................................. 16 3.2 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR ..................................................................... 17 3.2.1 O processo de compra do consumidor............................................................................ 19 3.3 O ATO DE PRESENTEAR ............................................................................................... 25 3.3.1 Importância do ato de presentear ................................................................................... 26 3.4 IDENTIFICAÇÃO DA SATISFAÇÃO E DESCONFIRMAÇÃO ................................... 29 3.5 ANÁLISE COMPORTAMENTAL DO GÊNERO MASCULINO .................................. 30 3.5.1 Tendências de comportamento do gênero masculino.................................................... 32 3.5.2 Influências culturais e sociais no comportamento do homem ...................................... 33 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................. 37 4.1 METODOLOGIA .............................................................................................................. 37 4.2 CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO ................................................................................. 38 4.3 ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE ............................................................................ 39 5 ANÁLISE DOS DADOS .................................................................................................. 40 10 5.1 ASPECTOS QUE DELINEIAM O ATO DE PRESENTEAR E OS PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER ............................................................................... 40 5.1.1 Significado do ato de presentear ..................................................................................... 41 5.1.2 Influência do preço na percepção do valor do presente................................................ 42 5.1.3 Influência na valoração de presentes iguais recebidos de pessoas com diferentes graus de proximidade ............................................................................................................... 43 5.1.4 Ocasião em que homens não gostam de receber presentes ................................................ 45 5.1.5 Categorias de presentes que homens não gostam de receber ....................................... 46 6 CONCLUSÃO .................................................................................................................. 48 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 50 ANEXO ...................................................................................................................................... 55 APÊNDICES .............................................................................................................................. 56 11 1 INTRODUÇÃO A estrutura econômica mundial está pautada no mercado que é dependente do consumo. O consumidor tem papel decisivo tanto na economia local quanto em um contexto global, pois é o elo da cadeia de consumo que sustenta o comércio como hoje é conhecido. Crocco et al (2010), caracteriza o comportamento do consumidor considerando a perspectiva de marketing como filosofia de gestão que presume uma busca incessante da satisfação das necessidades e dos desejos dos consumidores; ou seja, da criação de produtos que compactuem com as suas expectativas ou as superem. O ato de consumo é executado para suprimento de necessidades pessoais, mas também tem o intuito de suprir necessidades de terceiros quando oferecido como presente. E resultante disso o ato de presentear pessoas próximas em datas festivas ou simplesmente com o objetivo de reconhecimento ou gratidão é comum na cultura brasileira. Mas, o que seria um sinal de agradecimento por parte de quem presenteia pode acarretar situações incômodas onde o receptor, aquele que recebe o presente, pode não entender a mensagem proposta pelo presenteador e consequentemente vir a não gostar do presente recebido. Este estudo pretende analisar o comportamento de homens, enquanto receptores de presente, no sentido de buscar entender o que os leva a não gostar de receber determinados objetos. O comportamento do consumidor nos anos 2000, de acordo com D’Aguano (2006), está sustentado principalmente no 'consumo emocional', que é pautado pelas atitudes de momento e pelo imediatismo. Isto significa que a busca da satisfação das necessidades e desejos através do consumo, não é representada somente pela funcionalidade de algo ou o seu atributo, mas é também por algo intangível e que envolve apelo emocional. Campbell (2001 apud FERREIRA, 2010), descreve que o espírito do consumismo moderno é tudo, menos materialista no que diz respeito a seu caráter funcional. É importante salientar que o consumidor pode ser materialista na medida em que “materializa” sentimentos, onde ele busca cultivar relações, comunicar-se e integrar-se com indivíduos pelo ato de presentear, não considerando necessariamente o atributo de um produto ofertado. Ferreira (2010), evidencia que o comportamento de consumo capitalista é rígido e voltado para a acumulação e nesse ínterim, o consumo emocional é uma forma de suprimento de lacunas que o consumo habitual não completa, satisfazendo necessidades intangíveis e oferecendo a experimentação dos prazeres criados pela imaginação. O fator emocional se sobressai ao racional. D’Aguano 12 (2006), evidencia que a informação é hoje uma ferramenta fundamental acerca do ato de consumo e salienta que é importante perceber que o conhecimento é a moda do momento e que o capital de giro é a informação para os consumidores. Oliver (1998 apud MEDEIROS, 2010), destaca que é possível descrever o comportamento do consumidor de modo mais confiável incorporando aos modelos de base cognitiva (compreensão) os estados afetivos. A percepção do fator emocional evidencia de que modo pode ser realizada a tomada de decisão de compra do consumidor. D’aguano (2006), deixa claro que o fator emocional é o que motiva o consumo predominantemente nos dias de hoje, se sobressaindo na busca de suprimento de necessidade. Há a ocorrência de situações onde quem recebe um presente não percebe a mensagem transmitida pelo presenteador, pois a iniciativa de compra do bem de consumo não foi do receptor. A insatisfação pelo presente recebido pode ocorrer, pois nem sempre suas emoções ou desejos que o receptor almeja ou espera estão representados no presente recebido. O receptor insatisfeito que será analisado neste trabalho é o gênero masculino. Brennan (2010), descreve que os homens são naturalmente mais objetivos e racionais do que as mulheres e suas compras são pautadas nesses requisitos, geralmente, sendo o oposto das mulheres que são mais indecisas e emotivas no momento da compra. E por outro lado, destacando tendências mostradas por Popcorn (1997), o homem passa a ser menos objetivo e racional, o que pode maximizar o equilíbrio entre o gênero masculino e feminino. Fazendo análises através de pesquisas de campo, este trabalho pretende evidenciar os fatores que influenciam e evidenciam por que os homens não gostam de receber determinados presentes. As informações que se pretende coletar para este trabalho podem também ser utilizadas por comerciantes varejistas na orientação de seus clientes e para o enriquecimento de seu conhecimento referente ao gênero masculino, ampliando assim suas possibilidades de vendas promissoras. 1.1 TEMA Esta é uma pesquisa sobre o comportamento do consumidor, estabelecendo o ato de presentear como foco do estudo para identificar os fatores influenciadores que possam revelar os motivos que levam os homens a não gostarem de receber determinados presentes, realizado nas cidades de Cianorte e Maringá-PR. 13 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA O que é chamado hoje de era da informação começou a revolucionar os contatos entre as pessoas desde o final do século XX. A massificação da internet, a globalização e a instantaneidade das informações mudaram a forma das pessoas se relacionarem e o comportamento dos indivíduos. Essa avalanche de informações mudou a percepção das pessoas do mundo a sua volta e isso pode influenciar no valor atribuído no consumo e nas relações de troca de presentes. As redes sociais possibilitaram uma incrível troca de informações entre os indivíduos a respeito de consumo, o que pode influenciar na hora da compra de objetos para uso próprio ou para presente. As pessoas na hora da compra têm o conhecimento do produto e estão bem informadas quanto aos seus atributos e se eles vão atender as suas necessidades e desejos. O problema que surge nesse ínterim é que o gênero masculino tem por característica não expor suas fraquezas e nem compartilhar suas reais necessidades. O individualismo é um aspecto arraigado na cultura dos homens. A sua racionalidade não cede espaço para a emotividade, salvo exceções, como destaca Brennan (2010) e por outro lado, destacando tendências mostradas por Popcorn (1997), o equilíbrio entre o lado profissional e pessoal está sendo cada vez mais valorizado pelos homens, enquanto o fator racional perde espaço. Estas novas tendências juntamente com outras características recorrentes no dia-a-dia, em âmbito social e familiar poderão evidenciar fatores que podem influenciar os motivos dos homens de não gostarem de receber alguns presentes e, baseado neste aspecto, o trabalho procurará aprofundar-se em esclarecer o que eles não gostam de receber e por quais motivos. 14 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL O presente trabalho identificou quais fatores que influenciam e levam os receptores masculinos a não gostarem de receber determinados presentes. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar que tipo de presentes os homens não gostam de receber; Levantar quais motivos que levam os homens a não gostarem de determinados presentes; Identificar se há preferências em receber presentes em ocasiões distintas; Identificar se existem categorias específicas de presentes que os homens preferem ganhar; Identificar se há percepção diferenciada por parte do receptor masculino de presentes “iguais”, porém recebidos de pessoas com diferentes graus de proximidade. 2.3 JUSTIFICATIVA O consumo no Brasil cresce devido ao aumento do valor real da moeda possibilitado pelo Dólar em um patamar baixo, do aumento do acesso ao crédito – possibilitado pela diminuição dos juros - e pela inflação controlada. O aumento de consumo registrado no comércio pode também ser em parte evidenciado pelo aumento do poder de compra dos brasileiros nos últimos anos. O comércio varejista, composto por 1,1 milhão de empresas gerou R$ 576,8 bilhões em receita operacional líquida, segundo dados consolidados do IBGE (2010), referentes a 2008. A margem de comercialização do varejo somou R$ 147,3 bilhões 15 reais, o que inclui compra de bens de consumo para a satisfação de necessidades, desejos individuais e para finalidade de presentear. O comércio varejista está consolidado e o aumento do poder de compra do brasileiro permite aumento de consumo em todas as classes sociais, destacando-se a classe C que representa 87% da população e 76% do consumo total da nação, segundo dados do site Mundo do Marketing (2010). A consolidação do aumento de vendas do comércio varejista no Brasil permitiu identificar que ouve também aumento significativo de vendas em datas comemorativas, onde prevalece a finalidade de presentear. As vendas no período que compreende o Dia dos Pais cresceram 6,9% em todo Brasil em 2010, segundo dados do site Folha.com (2010), sendo que especificamente nessa data a destinação de presentes é para homens. Evidenciando a situação de aumento do consumo no Brasil, este trabalho visa aprofundar estudos para que haja entendimento das razões que justifiquem porque há presentes que os homens não gostam de receber, identificando se existem características semelhantes nos produtos que não são bem aceitos como presentes de acordo com as suas percepções. 16 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Serão utilizados no presente trabalho dados teóricos direcionados e fundamentos em marketing como forma de identificar o comportamento do consumidor, principalmente o do gênero masculino e as etapas do processo de compra com destaque na avaliação pós-compra para ampliar o entendimento de seu comportamento, considerando fatores externos a experiência de consumo, tendências e fatores de satisfação. A literatura de base serão principalmente artigos e livros de: Popcorn (1997), Pépece (2002), Crocco et al (2010), Brennan (2010), Churchill e Peter (2007), Kotler e Armstrong (2003), entre outros. 3.1 FUNDAMENTOS DE MARKETING Para compreensão da dimensão do processo de consumo, que visa neste trabalho demonstrar os fatores que levam os homens a não gostarem de receber alguns presentes, serão evidenciados alguns fundamentos do marketing para que estes possam servir de auxilio na compreensão do comportamento dos consumidores no processo de consumo e no ato de presentear. Crocco et al (2010), descreve o seu ponto de vista sobre o marketing: Marketing é um conceito bem mais amplo do que a simples divulgação de uma ideia, pessoa ou produto. O marketing envolve uma série de atividades que vão da concepção de um produto por uma empresa até sua entrega, consumo e descarte pelo cliente. O conceito de marketing pode ser delimitado como entender e atender às necessidades e anseios do público-alvo de uma organização (CROCCO et al, 2010, p. 5). O marketing em seu conceito envolve todas as etapas de produção até a destinação para o consumidor de um determinado produto ou serviço. Churchill e Peter (2007), destacam que o marketing é usado para desenvolver trocas que visam ou não lucros, buscando obter receitas para a cobertura dos custos. Os autores observam que as empresas trabalham com variadas orientações de mercado buscando a melhor maneira de vender seus produtos, mas para se ter chance de sucesso com um determinado produto ou serviço é necessária uma orientação voltada para o marketing, baseada em uma filosofia de negócios que se concentra em compreender as necessidades e desejos dos consumidores com o intuito de satisfazê-los. 17 Conceitualmente os conceitos do marketing foram estruturados para entender a maneira de como o cliente possa ter satisfeitas as suas necessidades e desejos de modo a evidenciar um modelo “universal” de comportamento do consumidor que ajude aos profissionais de marketing a perceberem a melhor maneira de divulgação e constituição de imagem de um produto. Contudo, a escolha de determinado bem ou serviço por parte do comprador envolve o reconhecimento da necessidade de compra passando pela busca de informações, avaliação de alternativas, decisão de compra e a avaliação pós-compra. Por não fazer parte do processo de compra, o homem que é receptor dos bens escolhidos como presente por outros, pode receber o que não goste ou algo em que não identifica necessidade ou sinta desejo. Pode também haver situações onde o receptor não entenda a mensagem transmitida através do presente, pois o presente não é somente visto como um item utilitário, mas também um objeto que traz consigo uma representação simbólica. 3.2 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Segundo Solomon (2011) e Kotler (2000), analisar o comportamento do consumidor corresponde ao estudo de como os indivíduos selecionam, compram, usam ou descartam produtos, serviços, ideias ou experiências para a satisfação de suas necessidades e desejos. Kotler (2000), afirma que não conhecer as necessidades e preferências dos clientes pode ser perigoso, pois o lançamento de um produto tido pela empresa como inovador, pode parecer aos olhos do cliente um produto comum que não reúna as “qualidades” apresentadas pelo fabricante. Este produto, desde sua concepção, está fadado a ser um fracasso comercial. O consumidor busca satisfazer suas necessidades e desejos, independente do produto ser inovador ou não e há algumas variáveis individuais que podem influenciar seu comportamento. Para Croco et al (2010, p. 39-49), estas variáveis representam características do processo físico e psicológico de cada indivíduo, sendo as principais variáveis destacadas: Variáveis biológicas: Variáveis biológicas advêm da genética e podem evidenciar diferenças fisiológicas (pele, peso, doenças), sendo estas características consideradas individuais, pertencentes a cada pessoa exclusivamente. 18 Variáveis demográficas: As variáveis demográficas estão relacionadas com gênero (masculino e feminino), idade, etnia (negro, asiático, europeu) e são elementos importantes para a percepção pelo profissional de marketing de novas oportunidades de mercado. Variáveis de percepção e aprendizado: A percepção é tida como um processo no qual um indivíduo reconhece, seleciona, organiza e interpreta a informação recebida do ambiente por meio dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). O estímulo advindo de uma exposição a uma ação de marketing, só é recebido quando os nossos sentidos o percebem. A compreensão envolve a interpretação do estímulo e a aceitação depende do quanto o estímulo foi persuasivo, a ponto de gerar uma resposta compreensiva ou afetiva. A retenção do estimulo do qual o indivíduo foi submetido, envolve a transferência dele para a memória. O aprendizado é a mudança na memória de longo prazo do indivíduo e dá-se através de três mecanismos: aprendizado cognitivo (comunicação oral ou escrita), aprendizado por condicionamento (associação de dois estímulos, que induz a responder de determinado modo para ser recompensado) e aprendizado por imitação (Quando um indivíduo copia o comportamento do outro, esperando ser recompensado). A percepção é o modo que o consumidor “percebe” a informação através dos sentidos e o aprendizado é quando a percepção, antes aleatória, fixa-se na memória do consumidor. A identificação e o posterior suprimento das necessidades do consumidor são fortemente pautados na percepção e no aprendizado adquirido por ele. Motivação e emoção: Motivação é um estímulo que faz com a pessoa agir de determinada maneira. O enfoque da pesquisa motivacional é fisiológico, clínico e cognitivo. A emoção representa sentimentos desencadeados por fatores externos e internos e envolve reações fisiológicas, comportamentais e, possivelmente cognitivas. A emoção é uma força que dá impulso para o consumidor suprir possíveis desejos. Emoções positivas aproximam o indivíduo da fidelização do consumo e uma emoção negativa derivada de um mau atendimento ou experiência ruim com algum produto tende a não ser repetida. Atitudes e mudanças de atitudes: atitudes são predisposições aprendidas para dar uma resposta consciente a uma determinada situação. A persuasão tendo como suporte elementos da comunicação pode ocorrer com o intuito de alterar a atitude de alguém, mas a alteração da atitude depende de quanto do pensamento a pessoa dedica a questão. A formulação da opinião por parte do indivíduo depende da influencia da mensagem a qual ele foi exposto. Aquisições de bens com alto valor envolvem alto grau emotivo e os argumentos do produto precisam ser sólidos. 19 Personalidade: é a maneira em que o indivíduo responde no ambiente em que vive, seguindo um padrão consistente de comportamento. A personalidade é moldada pela constituição genética e pelas influências ambientais às quais está exposta. Existem três teorias que explicam a constituição da personalidade em uma pessoa: A teoria psicanalítica, com a análise do id (instintivo), superego (normativo) e ego (intermediação); a teoria sóciopsicológica, que considera interdependência entre indivíduo e sociedade e a teoria do fator traço, onde a constituição da personalidade é composta por atributos definidos. Estilo de vida: padrões nos quais as pessoas vivem, ode praticam suas atividades, gastam seu tempo, reflete sobre seus interesses e opiniões. A psicografia, Aio e Vals são técnicas utilizadas para identificar e medir os estilos de vida. As variáveis individuais são importantes fatores que influenciam os consumidores no processo de compra e tratam de particularidades que o comportamento deles podem estabelecer e o grau de envolvimento que ele possa ter com uma compra. Procurar-se-á apresentar o comportamento do consumidor no processo de compra, levando em consideração as pesquisas de Kotler e Armstrong (2003), e baseando-se no modelo de comportamento proposto por Churchill e Peter (2007), sendo que este modelo demonstra as etapas que os consumidores percorrem para concluir o processo de compra. A ênfase neste estudo teórico será na quinta etapa do modelo, onde será demonstrado como ocorre a avaliação pós-compra. Nesta etapa que envolve a avaliação após o consumo que se insere a questão de avaliação de presentes, que objetiva direcionar o tema para o foco deste trabalho. 3.2.1 O processo de compra do consumidor Os papéis do consumidor podem ser variados. Serrano (2007), destaca quais são os papéis do cliente: iniciador, especificador, decisor, influenciador, comprador e usuário; o autor salienta que estes são elementos que de alguma maneira interferem ou influenciam em algum momento o processo de compra. Kotler e Armstrong (2003), identificam alguns papéis do consumidor: quem percebe a necessidade da compra é o iniciador; e quem de fato consuma sua compra é o comprador. O gênero masculino, foco desse estudo, é identificado como receptor e usuário de um determinado presente, sendo a pessoa que realmente vai fazer uso do produto. 20 Kotler (1998 apud PRÊTO et al, 2008, pg. 4), destaca que “estudar o comportamento do consumidor é verificar como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e dispõem de bens, serviços, ideias ou experiências para satisfazer as suas necessidades e desejos”. Segundo Crocco et al (2010), para se conhecer o consumidor, é necessário obter informações sobre características demográficas do consumidor; os comportamentos de consumo, de compra, de utilização de mídias; atitudes; e o processo de compra (como motivações, envolvimento e critérios de escolha de uma marca). O processo de compra do consumidor, segundo Churchill e Peter (2007), pode ser desmembrado em cinco etapas: Reconhecimento da necessidade, busca de informações, avaliação das alternativas, decisão de compra e avaliação pós-compra como demonstra a figura 1. Figura 1 - Passos do processo de compra do consumidor Fonte: Churchill e Peter (2007). Reconhecimento da necessidade: O cliente ao reconhecer uma necessidade não atendida inicia o processo de compra. A percepção e posterior impulso para atendimento de alguma necessidade inerente é chamado de motivação. A teoria das necessidades de Maslow evidencia em níveis a hierarquia de importância das necessidades humanas. Chiavenato (2003, p.329), descreve essas hierarquias: Necessidades fisiológicas: São as necessidades mais básicas de sobrevivência para as pessoas. Como a fome, a sede, o sono, o sexo, o abrigo, etc; Necessidades de segurança: São necessidades de segurança, estabilidade que vai da necessidade de sentir-se seguro a salvo de perigos externos. Pode ser também a busca por um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida; Necessidades sociais: Necessidade de associação, de participação, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer. São importantes forças motivadoras do comportamento humano. 21 Necessidades de estima: São necessidades relacionadas com a maneira pela qual o indivíduo se vê e avalia. O reconhecimento de suas capacidades pessoais, aprovação social, autoconfiança, independência, autonomia. A sua frustração pode desencadear sentimentos de inferioridade e fraqueza. Necessidades de auto-realização: Necessidades onde o indivíduo tornar-se aquilo que ele pode ser; realização do próprio potencial. Chiavenato (2003), revela que as necessidades humanas variam de acordo com o indivíduo e que a hierarquia proposta não obedece a uma ordenação, pois a sua manifestação varia de pessoa para pessoa e obedecem às diferenças individuais de cada uma delas. Busca de informações: O consumidor busca informações de modo a suprir determinado desejo ou necessidade, procurando descobrir o que há de disponibilidade de marcas, produtos ou serviços. Crocco et al (2010), complementa que o consumidor busca a informação que julga necessária em uma situação específica, onde o envolvimento é avaliado dependendo da perda que o consumidor possa ter no caso de uma escolha errada. Mowen e Minor (1998, p.65 apud CROCCO et al, 2010, p.60), relatam que há fatores que podem agir no nível de envolvimento do consumidor na compra: Importância da autoexpressão – produtos que auxiliam as pessoas a expressarem seu autoconceito para os outros. Importância hedônica – produtos que são agradáveis, interessantes, divertidos, fascinantes e excitantes. Relevância prática – produtos que são essenciais ou benéficos por razões utilitárias. Risco de compra – produtos que criam incertezas porque uma má escolha causaria aborrecimento para o comprador. Avaliação de alternativas: Baseado nas informações que os consumidores coletaram, eles identificam e avaliam como podem satisfazer seus desejos ou necessidades. Kotler (2000), destaca que existem critérios que ajudam a entender os processos de avaliação do consumidor como a satisfação da necessidade, busca de benefícios e de atributos de interesse e que esses conceitos variam de acordo com o que é mais relevante para o consumidor no que se refere as suas necessidades e desejos. É nesta fase que o consumidor cria preferência entre as marcas do conjunto de escolha. 22 Decisão de compra: Depois de avaliar as alternativas disponíveis, o consumidor decide onde vai comprar, como vai realizar a compra e que marca vai escolher. Para Kotler (2000), há dois fatores que podem interferir na intenção e na decisão de compra: O primeiro trata-se da atitude dos outros, neste caso podem ocorrer situações nas quais pessoas próximas do comprador interferem na em suas preferências de modo negativo ou positivo. O segundo são os fatores situacionais imprevistos que podem surgir e mudar a intenção de compra do indivíduo. Compras rotineiras não envolvem decisões delicadas, ao passo que os consumidores procuram diminuir os riscos da decisão de compra, quando esta não é rotineira e envolve alto valor monetário. Kotler (2000), salienta que os profissionais de marketing devem fornecer informações e suporte para diminuir o “risco percebido” pelo consumidor. Avaliação pós-compra: É o foco de análise deste trabalho. Nesta etapa o consumidor avalia se o produto atendeu ou não as suas expectativas, ou ainda se o produto superou-as. Quando a avaliação é positiva, a tendência é que o consumidor possa desenvolver lealdade à marca adquirida. Crocco et al (2010, p.64), evidencia que o “processo de compra se encerra com a avaliação da experiência pelo consumidor, incluindo sua satisfação ou insatisfação e qual sua resposta futura (abandono, reclamação ou lealdade)”. É destacado por Crocco et al (2010), que as respostas futuras sejam o comportamento do consumidor após a experiência pós-compra. Abandono: A insatisfação com determinado produto gera insatisfação e a decisão do consumidor é a de não voltar a comprar. Reclamação: A insatisfação que o consumidor tem com determinado produto gera pode levar a reclamações junto ao fabricante, ao distribuidor ou ponto de venda. O consumidor decide dar ou não uma nova chance para a empresa. Lealdade: Quando o cliente fica satisfeito ou encantado com o produto e tende a comprar os produtos repetidas vezes. A avaliação pós-compra por parte do consumidor ganhou outro ponto de interesse na busca de sua satisfação. Segundo Crocco et al (2010), a preocupação ambiental com a produção e com o descarte do produto, que envolvem interesse com a reciclagem e remarketing (venda de itens usados). As empresas inicialmente se limitavam a produzir em busca da satisfação do cliente, mediante ao uso de produtos e serviços sem investimentos em diferenciais perante outros produtos voltados para o mesmo mercado-alvo. A avaliação pós-compra de modo satisfatório 23 por parte do cliente não garantia a lealdade dele para com o produto. Segundo Reichheld (1994 apud ALMEIDA, 2003), as empresas estavam seguras que apenas a obtenção da satisfação dos clientes com seus produtos garantiriam a sua fidelidade, mas este imperativo mudou até que estudos mostraram que entre 60% a 80% dos consumidores que estavam satisfeitos com determinados produtos trocavam de marcas. Almeida (2003), demonstrou que a percepção da fragilidade da satisfação era ascendente por parte do cliente e isso fez com que as empresas revissem seus objetivos e o traçassem no sentido de ir mais adiante e oferecer algo que fosse além das expectativas dos consumidores. Segundo Almeida e Nique (2007), as empresas a partir desse momento buscavam superar as expectativas do consumidor, fazendo-o vivenciar um estado emocional positivo e surpreendente para com a experiência de compra, que é conhecido como encantamento do cliente. Almeida (2003), salienta que características não esperadas em um produto, poderiam ser vistas como um diferencial para a formação da resposta emocional esperada. Keiningham e Vavra (2001 apud ALMEIDA, 2003), destacam que quando os consumidores são capazes de descrever a experiência de compra como encantadora, há uma tendência por parte deles de serem mais leais ao produto. Isso pode ajudar a atrair novos consumidores. Mesmo sendo estruturado de modo conceitual, o processo de consumo pode ter definições variadas. Rocha (2006), evidencia que o consumo assume lugar primordial como estruturador dos valores e práticas que regulam relações sociais, que constroem identidades e definem mapas culturais. A avaliação pós-compra é uma das etapas mais importantes na avaliação do produto por parte do consumidor. A mensuração de valor e atributos dos produtos é nesta etapa identificada e servem como parâmetro de avaliação positiva ou negativa do produto. É nesta última etapa que será possível identificar uma possível insatisfação do produto por parte dos indivíduos quanto ao seu valor utilitário. Relacionado com a avaliação pós-compra, pode-se destacar vários aspectos que estão implícitos na relação de troca de presentes, dentre os quais, como destaca Pépece (2002a), o seu uso como instrumento de comunicação, integração e individualidade. Para a realização desta troca é necessário coexistirem o presenteador e o receptor. O processo de decisão de compra é executado pelo presenteador. No ato da compra de um presente, o comprador cria expectativas quanto a este produto (o presente) não para a sua utilização, mas para a sua aceitação pelo receptor. Neste sentido, a avaliação pós-compra passa a ser do presenteador e não do receptor, mas se o objeto ofertado 24 como presente não agradar quem recebeu, a insatisfação pela não realização de um desejo ou de uma necessidade que se esperava desse objeto será não somente de quem presenteou-o, mas de ambos. Malinowski (1976 apud COELHO, 2006), destaca que o presente pode ter um valor monetário ínfimo, mas que esses objetos podem extrair seu valor ao atribuir a quem os possui renome e prestígio. Esta percepção do produto por parte do receptor é vista por quem presenteou o objeto como uma avaliação positiva de pós-compra, pois supriu uma necessidade não funcional por ele estabelecida, ou seja, o presenteador deu o presente visando suprir uma necessidade simbólica ou emocional e o receptor entendeu a mensagem transmitida. O presenteador enquanto decisor da compra visa estabelecer uma comunicação com o receptor, o usuário do presente, estabelecendo uma relação de troca de presentes. Ele leva em consideração o que possa não somente suprir as necessidades e desejos, mas também transmitir uma mensagem para quem vai receber o presente. Bourdieu (1996, p.12 apud COELHO, 2006, p30), caracteriza antagonicamente a troca de presentes como um “ato situado para além da distinção entre obrigação e liberdade, escolha individual e pressão coletiva, desinteresse e interesse”. O autor salienta que a relação de trocas de presentes assume facetas opostas, coexistindo como duas verdades opostas entre si. Pode ocorrer que o presenteador compre algo de presente, mas particularmente não compraria o mesmo produto para uso pessoal, pois identificou no objeto uma necessidade, funcional ou não, para o receptor. A expectativa de pós- compra é do presenteador, pois ele espera que a mensagem atribuída ao objeto ofertado seja entendida e aceita pelo receptor. Acerca disso percebe-se que o ato de presentear é mais que uma troca de objetos, ele passa a assumir um caráter simbólico onde o presente recebido é visto não pela sua funcionalidade, mas como um meio de comunicação, uma mensagem que envolve o presenteador e o receptor. Belk (1979 apud JULIO et al, 2005), salienta o caráter simbólico do presente como expressão de sentimento. Na troca de presentes, o valor funcional “perde” seu significado ao passo que seu caráter simbólico aumenta. O presente passa a ser visto como objeto de integração, comunicação e individualidade que evolve os participantes (PÉPECE, 2002a). Baudrillard (1995 apud JULIO et al, 2005), considera que o consumo provoca sensação de satisfação e, que devido a esta prática, poderiam encontrar a felicidade, mas destaca que ela é irreal e momentânea considerando o valor de troca do bem e que essa sensação de felicidade passa logo após a aquisição do bem. Pépece (2002b), descreve que o presente leva consigo a imagem de quem presenteou e ele será sempre lembrado quando o receptor olhar ou usar o presente. Salientando essa posição, Mauss (1974, p.56 apud COELHO, 2006, p.22), destaca 25 que “presentear alguma coisa a alguém é presentear alguma coisa de si”, onde se percebe o caráter simbólico, intimista e emocional estabelecido entre o presenteador e o receptor nesta relação de troca. 3.3 O ATO DE PRESENTEAR O ato de presentear é uma forma que os indivíduos têm de homenagear, agradecer e estabelecer contato entre si, podendo também este ato assumir caráter simbólico e de transmissão de mensagens entre presenteador e receptor; o objeto passa a ser visto por quem recebe menos por sua funcionalidade e mais pela sua mensagem simbólica. O ato de presentear segundo Mauss (1974 apud COELHO, 2006), é parte integrante de um sistema de trocas. Ele pode ser espontâneo, mas também pode carregar consigo uma obrigatoriedade implícita e estabelece essas três obrigações dessa relação: a de dar, receber e retribuir. Na troca dar é visto como uma proposição de aliança e receber é equivalente a aceitá-la. Segundo Mauss (1974 apud COELHO, 2006), há uma “virtude espiritual” nas coisas trocadas, que atrelam seus participantes e que na troca há muito mais em jogo do que a materialidade das coisas trocadas. Para Godelier (1996), a dádiva é conseqüência e testemunho que unem pessoas próximas: parentes, amigos, sem que este ato lhes imponha a obrigação de dar alguma coisa de volta. Para o autor, o que marca a dádiva entre pessoas próximas não é a ausência de obrigações, mas a ausência de “cálculo”, no sentido de contagem de presentes ofertados e retribuídos. Coelho (2006), entende o ato de presentear em algumas situações como uma forma extrema de vaidade, permeado em atitudes narcísicas por parte do presenteador. Para a autora, a concepção do ato de presentear é uma forma de elaboração de imagens de si; e também servem como veículo para expressão da emoção. Na concepção de Prêto (2008), o valor agregado ao objeto de oferta não é atribuído pelo seu aspecto físico, mas a um conjunto de ideias e significados que são expressos na prática do ato. Para o autor, todo indivíduo ao receber um presente estabelece muitas conexões com o doador, sendo que algumas estão explícitas, enquanto outras são implícitas e talvez sejam somente compreendidas entre as partes. 26 Lévi-Strauss (1974 apud COELHO, 2006), relata que a troca de presentes é um tipo de atividade que não é observável empiricamente; ele destaca que não é possível determinar isoladamente que o ato de oferecimento de presentes traz implicitamente as obrigações de dar, receber e distribuir. Ele salienta que nas modernas sociedades há a transmissão de bens sem o objetivo de obtenção de vantagens econômicas, como por exemplo, a troca de presentes no Natal, quando os indivíduos fazem trocas de presentes não-econômicas. O que relata Godbolt (1999), referente à dádiva é que a sociedade moderna hoje não é ingênua e que o homem moderno é realista. O autor destaca que o homem tem o triste, porém o moderno privilégio de perceber que o que motiva a dádiva não é o altruísmo ou a generosidade das pessoas, mas o interesse material; o homem moderno pretende seguir somente o princípio da realidade, onde existem somente matéria e corpo. A sociedade se transforma e as representações e significados do ato de presentear também podem sofrer alterações. O comportamento de compra de presentes representa o suprimento das necessidades de representação social, pois nas sociedades desenvolvidas, existem disponíveis produtos para todas as necessidades básicas do homem (BAUDRILLARD, 1973 apud PÉPECE, 2002b). O ato de presentear tem um caráter simbólico, onde um objeto ofertado traz consigo uma mensagem implícita que se sobressai a funcionalidade do mesmo. 3.3.1 Importância do ato de presentear Belk (1979 apud JULIO et al, 2005), descreve que o ato de presentear é bastante útil em várias ocasiões e para diferentes objetivos, e uma das principais funções desse ato é facilitar a comunicação, pois é através do símbolo do presente que se expressa o sentimento envolvido entre duas pessoas. O ato de presentear, de acordo com dados pesquisados por Pépece (2002b), demonstram que as datas comemorativas representam as ocasiões em que a maioria das pessoas costuma presentear. É um aspecto perceptível na cultura nacional como uma forma de demonstração de carinho e afeto para com o receptor. Mas é importante ressaltar que o ato de presentear não necessariamente se baseia somente em datas comemorativas. Pépece (2002b), destaca que também podem ser motivações para presentear a retribuição de um presente ganho, como forma de agradecimento a um favor, entre outras. 27 Shiffman e Kanuk (2000 apud PRÊTO et al, 2008), o ato de presentear é caracterizado como uma parte especialmente interessante do comportamento do consumidor. Ele é um processo que ocorre entre um doador e um receptor; um ato de comunicação simbólica entre as partes que contém significados explícitos e implícitos. É um processo que ocorre em variados países como uma prática que enfatiza aspectos intangíveis acima do objeto tangível. A questão do reconhecimento social e do afeto é representada no ato de presentear, não importando muitas vezes o valor nominal desse objeto, mas o que ele pode vir a significar para a pessoa que o recebeu. Como foi colocado por Farias et al (2001 apud PRÊTO et al, 2008), o comportamento do consumidor no ato de presentear é um comportamento que apresenta características simbólicas e sentimentais. Grubb e Grathwohl (1967 apud PRÊTO et al, 2008), observaram que um produto pode ser considerado um símbolo carregado de significados e servir como um dispositivo comunicativo simbólico para alcançar reconhecimento social. O presente reconhecido de maneira generosa pode selar o aumento da confiança e apreço do receptor para com o indivíduo que o presenteou. Pépece (2002b), evidencia que quando o presente recebido tem atributos que suprem desejos e necessidades o receptor valoriza o que ganhou. Pépece (2002b, p.3), salienta que “a diversidade cultural [...] pode ter grande influência nas atividades de consumo dos indivíduos” principalmente na compra de presentes. Portanto, presume-se que os atributos valorizados por homens em uma determinada cultura podem não ser valorizados em outras. Segundo Belk (1979 apud PÉPECE, 2002b), os presentes cumprem as seguintes funções: Servem como forma de comunicação simbólica; Estabelecimento de relações pessoais; Produzem valor econômico; e Produzem função de socialização. O autor evidencia que o ato de presentear é mais que um ato objetivo e tangível, ele aborda a significância simbólica e intangível como fatores agregados ao gesto de se presentear alguém. Podem também ser fatores que podem criar situações que fortalecem relações entre os indivíduos. Pépece (2002a), descreve o ato de presentear com três significados distintos: 28 Ato de presentear como Instrumento de Comunicação: É quando o ato de presentear é um prolongamento de um discurso, como uma forma de se comunicar com o receptor; quando há por parte do presenteador repassar através do presente uma mensagem de homenagem, amizade, desculpa ou afeto. Ato de presentear como Instrumento de Integração: Quando o ato de presentear busca o estreitamento de uma relação, seja ela social ou familiar. O presente é tido como parte integrante do processo de integração das pessoas. A visão dos indivíduos, as posses materiais de uma pessoa influenciam no modo de ver e de serem vistas em âmbito individual e social. Ato de presentear como Instrumento de Individualidade: O presente enfatiza o reconhecimento da personalidade do receptor. Dignifica a “expressão do eu” do receptor e também de quem presenteia. Nessa situação, o presente representará a imagem da relação entre o presenteador e o receptor. O ato de presentear envolve vários significados e eles podem variar dependendo da situação em que ocorrem. As caracterizações do ato de presentear abordadas por Pépece (2002a), como instrumentos de comunicação, integração e individualidade refletem o caráter simbólico desse ato, transcendendo os significados explícitos contidos no objeto. Baseado em dados empíricos, é possível afirmar que o caráter implícito do ato de presentear pode ser mais importante do que seu caráter explícito. Considera-se que este ato envolve outros significados além daqueles que o objeto ofertado possui como características físicas (ser um produto funcional, utilitário). Ele assume uma função simbólica. O suprimento de necessidades e desejos incorpora caráter de integração e comunicação entre o presenteador e o receptor (PÉPECE, 2002a). No que tange a percepção de importância em um presente Pépece (2002b), comenta que os itens considerados mais importantes para a aquisição de um bom presente são a sua qualidade e utilidade, o que mostra que os presenteadores têm a intenção de dar algo que o receptor valorize, pois o tipo de relação entre os indivíduos interfere na prática de dar presentes e a consideração dos desejos e necessidades do receptor pode ser primeiro considerado por quem presenteia, mas isso pode não ocorrer aos olhos do receptor, pois sua avaliação poderá somente ocorrer quanto receber o presente. Pretende-se abordar a atribuição de valor de um presente por parte do receptor no desenvolvimento deste trabalho. 29 3.4 IDENTIFICAÇÃO DA SATISFAÇÃO E DESCONFIRMAÇÃO A satisfação é um fator que pode determinar a mensuração de valor de um presente recebido por parte do gênero masculino. Oliver (1981, 1997 apud MARCHETTI E PRADO, 2004), salienta que seu conceito de satisfação pode ser entendida como uma avaliação da experiência de consumo. Oliver (1997, p.13 apud LARÁN e ESPINOZA, 2004), define satisfação como a "resposta ao contentamento do consumidor, o julgamento de que uma característica do produto ou serviço, ou o produto ou serviço em si, ofereceu (ou está oferecendo) um nível prazeroso de contentamento relativo ao consumo, incluindo níveis maiores ou menores de contentamento". Kotler (2003), destaca que satisfação do cliente consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho percebido de um produto em relação às expectativas criadas por ele antes da compra. Quando um cliente não tem suas expectativas atendidas ele fica insatisfeito. O alcance das expectativas esperadas pelo consumidor o deixa satisfeito e a superação dessas expectativas podem deixar o cliente encantado com o produto. Kotler (2000), salienta que hoje as empresas buscam a satisfação de seus clientes, pois estes são menos propensos a mudar de produto quando tem suas expectativas atendidas e destaca a importância de se manter os clientes a níveis de encantamento com um produto através da entrega de alto valor, diferenciação (de durabilidade, desempenho, funcionalidade, garantia, comunicação, entrega, etc.) e com a monitoração das ações dos concorrentes, pois o grau de fidelidade do cliente nessas situações supera a daqueles consumidores que ficam apenas satisfeitos com o seu produto. A formação de expectativas por parte do consumidor acontece, segundo Kotler (2000), com base em experiências de consumo anteriores, informações coletadas com colegas e familiares, concorrentes, entre outros. As empresas buscam satisfazer as expectativas do cliente, pois almejam a sua satisfação total. Kotler (2000), afirma que para gerar um nível grande de fidelidade para o cliente é necessário entregar a ele um alto valor. Para o autor, valor entregue ao cliente é a diferença entre o valor total, que é um conjunto de benefícios que o cliente espera de um produto e custo total, que é o conjunto de custos que o cliente está disposto para avaliar, adquirir, usar e descartar determinado produto. Correlacionando as teorias de marketing, pode-se descrever que esse processo é viabilizado pela percepção, que segundo Kotler e Armstrong (2003, p. 130), é “o processo por 30 meio do qual uma pessoa seleciona, organiza e interpreta as informações recebidas para formar uma visão significativa de mundo”. A satisfação pode ser definida como a resposta do consumidor a uma avaliação de eventuais diferenças percebidas, considerando suas expectativas anteriores ao consumo. Larán e Espinoza (2004), evidenciam que a desconfirmação é a situação onde o consumidor cria expectativa antes de consumir, observa o desempenho do produto depois de adquirido ou recebido de presente e compara esse desempenho percebido com as expectativas iniciais. Quando acontece desses resultados diferirem do padrão percebido, pode ocorrer a desconfirmação. Sendo o resultado acima do esperado, ela será positiva; e se for pior do que o esperado será negativa, o que pode gerar insatisfação do cliente. É importante compreender de que maneira o consumidor avalia algo como satisfatório ou não. Este tipo de situação pode servir como ferramenta de identificação de situações onde presentes que homens que não gostem de receber sejam avaliados não somente por atributos ou benefícios, mas também por seu significado. È importante na relação de troca entre as partes que o presenteador proponha uma maneira adequada de corresponder as expectativas criadas pelo receptor. A compreensão de desejos e necessidades do indivíduo que compra não são os mesmos daqueles que receberão o presente. É válido ressaltar que não há literatura específica que conceitue a motivação do homem não gostar de certos tipos de presentes. Este trabalho transcorrerá com o intuito de avançar nas pesquisas para desmistificar censos comuns e desvendar os reais motivos que condizem com a realidade do ato de presentear para melhor compreensão do porque há presentes que os homens não gostam de receber. 3.5 ANÁLISE COMPORTAMENTAL DO GÊNERO MASCULINO Na sociedade homens e mulheres são criados de maneiras distintas para desenvolverem na fase adulta “papéis” inerentes ao que lhe foram ensinados. Apesar das mudanças ocorridas após a segunda metade do século XX, onde as mulheres em sua fase adulta ganham espaço no mercado de trabalho e avança em setores onde somente homens atuavam, mas o tratamento advindo na infância, em tese, ainda não mudou. Miller e Kanazawa (2007), evidenciam que desde crianças os meninos são incentivados a agir de maneira agressiva e violenta; enquanto as meninas ganham para brincarem bonecas e 31 conjuntos de chá, eles ganham caminhões e armas de brinquedo. A socialização de gênero permeia todos os aspectos da cultura e da sociedade moldando o seu comportamento. Miller e Kanazawa (2007), destacam que a “socialização do gênero” deveriam variar segundo a cultura e a sociedade, o que de fato não ocorre. Na verdade, em todas as sociedades humanas os homens são mais agressivos, violentos e competitivos; é uma constante em todas as culturas e sociedades. O autor corrobora que o cérebro do gênero masculino difere do cérebro da mulher e a sua socialização ajuda a acentuar as diferenças inatas que já existe entre ambos. Brennan (2010), baseado em pesquisas recentes, afirma que hoje já pode ser comprovado que, de modo generalizado, existem diferenças entre o cérebro dos homens e mulheres. A autora evidencia que o sistema límbico, centro agregador de emoções, é menor no gênero masculino se comparado ao gênero feminino, o que pode explicar a racionalidade proeminente em suas atitudes comparando-se a postura predominantemente baseada no emocional nas mulheres. No que tange o comportamento masculino, Wright (1998), concorda que a estrutura cerebral masculina é peculiar e que devido a ela é difícil para um homem pensar objetivamente e compartilhar com o próximo quando está sentindo fortes emoções. O autor acrescenta que os homens são mais “fechados” emocionalmente, não possuem visão holística, possui dificuldade de concentração e que necessitam de apreciação para sentirem-se satisfeitos. Brennan (2010), descreve que homens e mulheres têm visão de sucesso distintas. O senso de conquista feminino não está ligado a fatores externos, como a derrota de um adversário. As mulheres saboreiam mais o sucesso quando este beneficia pessoas próximas. Sua visão de conquista é inclusiva. Elas constituem com mais facilidade relacionamentos e rede de contatos e considera-os valiosas conquistas para a vida. Os homens, seguindo o raciocínio descrito por Brennan (2010), buscam o sucesso para se satisfazerem aos olhos dos outros. Não gostam de obter ajuda, pois querem trilhar sozinhos o seu caminho rumo ao sucesso. A competitividade é constante na vida e carreira do homem; sempre há vencedores e perdedores nas disputas que travam no ambiente familiar e social. Sua realização é completa quando esta posição é reconhecida e quando seu status o faz dominante sobre os outros, principalmente nas pessoas de seu círculo social. Sua competitividade e independência no decorrer da conquista são essenciais para sua autorealização. 32 Baseado nos estudos de Brennan (2010), é salientado que a competitividade inerente ao homem conservador o afasta de eventos que envolvam alto grau de corporativismo, espírito de equipe e emotividade. A cultura masculina pode ser explicitada e cultuada no ato de presenteá-lo, pois este objeto ou símbolo pode ter significância de reconhecimento das características mais marcantes do indivíduo, e que possam ser relacionados com essa “cultura”, que como mostra os estudos de Brennan (2010) e Miller e Kanazawa (2007), pode estar arraigado em sua personalidade e em sua socialização. O reconhecimento de determinada característica do recebedor por parte do presenteador pode ser um critério positivo na atribuição de valor para um produto. 3.5.1 Tendências de comportamento do gênero masculino Há no contexto da sociedade contemporânea mudanças de comportamentos, tendências e paradigmas que se desfazem e influenciam no comportamento do consumidor de um modo geral. Identificando algumas dessas tendências, pode-se nortear como o comportamento do homem está mudando. Popcorn (1997), retrata que o homem está se emancipando. A autora cunha o termo “Homencipação” para identificar essa tendência. Popcorn (1997), salienta que a tendência do homem é se libertar de estigmas machistas e que suas atitudes não precisam ser pragmáticas, comedidas e analíticas, mas que sejam mais sentimentais. Historicamente o homem fora vaidoso, mas após a revolução industrial esse seu lado “feminino” perdeu-se e passou somente a ser papel das mulheres. Esta nova tendência de “Homencipação” relatada por Popcorn (1997), demonstra que os homens modernos tendem a ser mais vaidosos, buscam ser mais atraentes e que também querem assumir atividades que atualmente só são aceitas quando feitas pelas mulheres como: demonstrar mais emoção, cuidar dos filhos enquanto a mulher trabalha, participar mais ativamente do crescimento de seus filhos. Popcorn (1997), destacava que já em 1997 haviam 3,5 milhões de homens nos Estados Unidos que ficavam em casa em tempo integral cuidando de seus filhos, enquanto as mães se preocupavam com atividades profissionais. Popcorn (1997), exemplifica baseada em entrevistas que os homens que estão inseridos nesta tendência de emancipação buscam explorar a flexibilidade do emprego e de 33 horário e reestruturam suas atividades para colocar as atividades com a família em primeiro plano. O equilíbrio entre o lado profissional e pessoal está sendo valorizado pelos homens e esta tendência se amplia também em grandes corporações, antes conhecidas por sua alta rigidez com as atividades de seus profissionais. A vaidade, individualidade e o senso de liberdade dos homens começam a aflorar. Penn (2008), também aborda essa mudança de comportamento no âmbito masculino. Ele evidencia que hoje os homens passaram a se preocupar mais com a aparência e que estão fazendo variados trabalhos que antes eram aceitos socialmente como serviços para mulheres. Os homens nesta primeira década do século XXI buscaram reestruturar seu modo de vida e a maneira que encara o dia-a-dia com a família e o trabalho. Muitas das tendências relatadas, entre elas uma busca do homem por um maior espaço no ambiente doméstico e a flexibilização nas suas atividades profissionais podem ter alterado a exigência deles como consumidores (POPCORN, 1997). Pode-se supor que estes homens modernos não sejam extremamente machistas e que as opções de presentes para indivíduos com esse perfil são maiores comparadas com homens que não anseiam maior liberdade e independência. É destacado que a mensuração de valor e a satisfação podem ser subjetivos e podem variar de indivíduo para indivíduo. Buscar-se-á delimitar quais são as situações que demonstrem como de fato o homem avalia o presente que recebe. Um ponto importante a ser avaliado é a avaliação de valor de presente recebido de pessoas próximas. Pode ser que um mesmo objeto, sendo presenteado por pessoas que tenham graus antagônicos de relacionamento com o receptor, pode ser por ele avaliado de maneira diferente. 3.5.2 Influências culturais e sociais no comportamento do homem A cultura é identificada a partir de seus elementos e de suas interpretações, pode também demonstrar de que maneira ocorre o comportamento dos indivíduos dentro de uma sociedade. Freitas (1991), evidencia que a cultura é um elemento peculiar na formação do indivíduo. Baseada nela, o homem molda seu caráter, costumes e preferências seguindo um “padrão” aceitável dentro de seu grupo social. Crocco et al (2010), coloca cultura como um conceito derivado da antropologia e que refere-se a tudo que ajuda os indivíduos a se comunicarem e se avaliarem como membros de 34 uma sociedade. O autor destaca que ele não inclui comportamentos considerados instintivos ou características individuais. Para Burke e Hornstein (1972 apud SOUZA, 1978, p.16), “a cultura [...] é um conjunto de pressupostos e normas (padrões, regras), aprendidos e compartilhados”. Segundo Pfiffner e Sherwood (1965 apud SOUZA, 1978, p.10), a “cultura é o todo complexo que compreende conhecimento, crença, arte, moral, lei, costumes e qualquer outra capacidade ou hábito adquirido pelo homem como membro da sociedade”. A cultura é um aprendizado em sociedade adquirido pelos integrantes que dela fazem parte e pode ser refletida através do comportamento deles. A aprendizagem é um dos fatores que moldam cultural e socialmente a personalidade do indivíduo durante a sua vida. Segundo Davidoff (1983, p. 161), “a aprendizagem é uma mudança relativamente duradoura no comportamento”, induzida também pela experiência. A aprendizagem pode ser modificada com a vivência por parte do indivíduo de novas associações, informações, insights, aptidões, etc. Existem três processos fundamentais que embasam a aprendizagem: O condicionamento respondente, o condicionamento operante e a aprendizagem por observação. A seguir tem-se o conceito desses três processos, adaptado de Davidoff (1983, p. 161-204): O comportamento respondente é desencadeado por eventos que lhes são imediatamente antecedentes. O Condicionamento Respondente (ou pavloviano) permite que um estímulo novo condicione uma resposta, que antes poderia ser desencadeada por outro estímulo. Eles incluem reflexos de esqueleto (retirar a mão do fogo), reações emocionais imediatas (cólera, medo e alegria), entre outros. Muitas características respondentes são aparentemente “programadas” pelo organismo com finalidade de proteção e sobrevivência. Os comportamentos operantes (ou instrumental) são influenciados pelas conseqüências de atos iniciados pelos indivíduos (andar, sorrir, chorar, jogar, etc.). O condicionamento operante pode aumentar ou diminuir a probabilidade de que esse operante possa ser realizado em situação semelhante. Quando a conseqüência for agradável, é provável que o sujeito o realize em condições semelhantes. Se acompanhado de conseqüências desagradáveis, o comportamento tem a probabilidade de ser repetido com menos freqüência. A probabilidade de um determinado operante ocorrer em uma situação qualquer pode ser modificada por suas conseqüências como destaca Davidoff (1983). A aprendizagem por observação (ou imitação) é quando o comportamento de um indivíduo muda de modo relativamente permanente como resultado da observação dos atos de outra pessoa. Na aprendizagem por observação podem intervir os seguintes processos: 35 1) Aquisição: O educando observa um modelo e se comporta desse modo, diferenciando a conduta do modelo. 2) Retenção: As respostas do modelo são memorizadas pelo educando. 3) Desempenho: Quando o comportamento é aceito pelo educando, e se este levar a experiências positivas tende a ser reproduzido. 4) Conseqüências: O comportamento aprendido por observação acarreta conseqüências que podem aumentar ou reduzir sua freqüência. Ocorre o condicionamento operante. Os modelos de aprendizagem destacados acima podem ser considerados também como processos que norteiam a personalidade de um indivíduo na sociedade em que está inserido. Mesmo a aprendizagem não sendo elencada pelas características dos gêneros humanos, podese evidenciar que ela é parte integrante da formação da cultura de um indivíduo. O comportamento respondente pode ajudar a identificar através de gestos incondicionados (ou condicionados) quando um homem não gosta de um determinado presente recebido. Sua reação imediata pode revelar sua alegria e contentamento por algo recebido ou pode evidenciar a sua frustração por receber algo que não goste. O comportamento operante ajuda na resposta do homem ao receber algo que ele não deseja. Sua visível insatisfação ao receber algo pode ofender a pessoa que o presenteia, pois como destaca Pépece (2002b), “um presente de qualidade pode representar boa qualidade do relacionamento, um bom entrosamento entre receptor e presenteador”. O receptor pode condicionar-se através da aprendizagem, ou seja, através de experiência adquirida em outras ocasiões a dissimular sua insatisfação para a pessoa que o presenteia com algum presente que foge as suas preferências, mantendo como destaca Pépece (2002b), a razão de existência do relacionamento, pois o presenteador deu um presente que o receptor reconheceu que lhe será útil. A demonstração por parte de um homem que não gostou de receber determinado presente pode ser percebida através de gestos, posturas corporais e faciais que ele apresenta no ato do recebimento do mesmo. Weil e Tompakow (1986), evidenciam que as pessoas expressam sua insatisfação por gestos de modo explícito e que esta reação pode ser identificada de acordo com o comportamento e reações do receptor. A significância dos gestos e posturas das pessoas pode servir como base para identificar de suas reais emoções e sentimentos relativos às situações que o norteiam. Podem 36 também servir para o presenteador reconhecer e ter como identificar se o receptor demonstra contentamento ou não pelo recebimento de um determinado presente. A sociedade moderna passa por mudanças de valores em períodos cada vez menores e hoje se considera tudo, menos ingênua; ela se vangloria de poder observar as mais variadas situações como realmente são, possuindo conhecimento suficiente para ter visão crítica e realista dos fatos que ocorrem (GODBOUT, 1999). Entende-se que a sociedade moderna possui um alto grau de desenvolvimento econômico, social e tecnológico e continua a utilizar simbologicamente o ato de presentear. Pode-se afirmar que os presentes podem ser utilizados como uma forma de representação simbólica e que esta representação possui um significado “embutido” pode transpassar o valor monetário do objeto. Será evidenciado de que modo pode haver presentes que não tem boa aceitação por parte do receptor e que também não permite reconhecer o significado do ato praticado quando este o possui. Esta confirmação darse-á pela coleta de dados. 37 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Será abordado neste tópico de que modo a coleta de dados foi realizada, quais os procedimentos e métodos considerados mais adequados para a análise do conteúdo das entrevistas realizadas, de que modo foi estabelecida a amostra e qual o perfil socioeconômico de cada um dos entrevistados. 4.1 METODOLOGIA O objetivo geral deste trabalho é identificar presentes que homens não gostam de receber. A pesquisa classifica-se como um estudo exploratório descritivo e tem por objetivo apresentar as características de determinada população (VERGARA, 2007), e desenvolver hipóteses ou questões para uma pesquisa adicional (COOPER e SCHINDLER, 2003). A coleta os dados foi realizada em duas etapas: os dados de natureza secundária, que são as pesquisas bibliográficas oriundas de livros, artigos, revistas, entre outros e os dados primários foi constituído através de coleta de entrevistas, que expõem de modo claro as experiências vivenciadas pelos consumidores que aprofundam e dão embasamento empírico para a pesquisa. A entrevista foi constituída utilizando-se um roteiro de entrevista com características específicas e organizando de maneira qualitativa (JOVCHELOVITCH E BAUER, 2002), sendo este roteiro semi-estruturado e em profundidade, mas com uma perspectiva de influencia mínima do entrevistador, estabelecendo-se relação entre as variáveis (GIL, 2002). A análise da entrevista foi realizada utilizando-se como base a análise de conteúdo clássica proposta por Bauer (2002), onde se dá considerável atenção aos tipos, qualidades e distinções no texto de maneira objetivada antes de qualquer possível quantificação e Bardin (2002, p. 38), onde ele destaca a análise de conteúdo como um “conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”. O roteiro semi-estruturado de entrevista foi constituído com vinte e quatro questões que permeiam o comportamento do indivíduo enquanto receptor de presentes; foram realizadas entrevistas com sete indivíduos do gênero masculino de modo a evidenciar o 38 comportamento deles enquanto receptores de presente e com intuito de ampliar a percepção das situações que culminam no problema proposto neste trabalho de modo estatístico. Dessa forma, o presente estudo busca identificar os motivos e fatores que possam influenciar na mensuração do valor de presentes recebidos por homens, também visando avaliar os principais fatores que influenciam a sua percepção negativa. Utilizou-se como auxilio na entrevista e para melhor identificação do perfil dos entrevistados o Critério de Classificação Econômica Brasil, que como destaca ABEP (2011), tem como função o de estimar o poder de compra das pessoas e famílias, classificando os entrevistados em classes econômicas por critérios de pontos. Estabelece-se quais objetos a pessoa tem e as características da residência do entrevistado, além de estabelecer para uma determinada quantidade de itens uma pontuação que será utilizada para a determinação da classe socioeconômica à qual pertence a pessoa. Demonstra-se também a nomenclatura antiga e atual do grau de instrução da pessoa a ser pesquisada. Estabelece-se também a pontuação equivalente do grau de escolaridade assinalado. O critério de pontos estabelece faixas de corte que determinam de acordo com a resposta do entrevistado, a classe a qual possa pertencer. A análise dos dados que foram coletados foi estruturada de acordo com os objetivos propostos neste trabalho. Esta coleta de dados empíricos permitiu estabelecer respostas para a pesquisa baseando-se nos processos metodológicos escolhidos (qualitativa e exploratória). Esse tipo de pesquisa, baseado no que destaca Selltiz (1965 apud MARCONI E LAKATOS, 2006), enfatizam a descoberta de ideias e discernimentos por meio da entrevista. 4.2 CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO A população considerada adequada para o estudo do problema proposto foi àquela pertencente ao gênero masculino, sem determinação prévia de idade, estado civil ou classe socioeconômica. Explorou-se através do roteiro de entrevista semi-estruturada situações que permeiam o ato de presentear, a importância desse ato para o indivíduo enquanto consumidor e as situações que delineiam para o entrevistado a não satisfação com determinado presente recebido, de modo a facilitar a compreensão e ampliar o conhecimento sobre o fenômeno. 39 4.3 ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE A entrevista segundo Gil (2002), pode ser entendida uma técnica que envolve duas pessoas, sendo que uma delas formula a questão e a outra responde e tem-se a obtenção de dados a partir do ponto de vista dos pesquisados. A coleta de dados, realizada por meio de entrevista, deu-se através da amostra de uma população, estratificada de maneira não proporcional, onde se selecionou a amostra da população considerando o gênero como variável (VERGARA, 2007). Primeiramente foi realizada uma entrevista como pré-teste para definir se estava adequada a constituição estrutural do roteiro. Após esta entrevista notou-se a necessidade de se inserir algumas questões não contempladas, mas que durante a entrevista notou-se a sua importância para o suprimento das necessidades propostas neste trabalho e para a realização de uma coleta dos dados mais proveitosa. Feitas as adequações necessárias no roteiro semiestruturado de modo a contemplar as questões que não eram abordadas anteriormente. Foram realizadas sete entrevistas, utilizando-se roteiro de entrevista semi-estruturado em profundidade divididos em 24 questões de modo a evidenciar o comportamento da amostra enquanto receptora de presentes. Antes do início das entrevistas foi apresentado aos entrevistados a finalidade do trabalho e que a colaboração com o roteiro a ser realizado teriam grande importância para o desenvolvimento do trabalho. As entrevistas foram realizadas com sete pessoas e tiveram duração média de dezesseis minutos. O período de coleta de dados deu-se no decorrer do mês de Julho de 2011 e a identificação dos respondentes deu-se pela constatação de seu gênero e da existência de experiências relacionadas com o ato de presentear e de suas experiências enquanto receptor de presentes. A prática de pesquisa qualitativa refere-se à entrevista semi-estruturada com um respondente ou um grupo de respondentes (GASKELL, 2002). A entrevista com um único respondente de cada vez é segundo o autor uma entrevista em profundidade, onde as entrevistas têm construção de modo menos estruturado, mas onde a ênfase é a de absorver o conhecimento repassado pelo indivíduo pesquisado. 40 5 ANÁLISE DOS DADOS A análise dos dados deu-se respeitando os procedimentos metodológicos propostos e a análise das entrevistas foi realizada com base na análise de conteúdo de Bardin (2002) e Bauer (2002), onde se destaca a descrição do conteúdo da entrevista e os aspectos textuais. Será analisado com mais ênfase os aspectos verbais, onde os entrevistados relatam suas experiências enquanto receptor de presentes e em outras situações que auxiliarão na análise dos dados. A amostra foi constituída para a apresentação dos entrevistados segundo os critérios de idade, estado civil, formação e classe socioeconômica. De modo a preservar o anonimato dos entrevistados, foi utilizado identificação por meio de letras, sendo estas indicativas para um determinado entrevistado. Tabela 4 – Caracterização e codificação das entrevistas Fonte: O autor. 5.1 ASPECTOS QUE DELINEIAM O ATO DE PRESENTEAR E OS PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER De modo a evidenciar e destacar as informações mais importantes, a estrutura de análise será dividida em subtópicos baseando-se no modo em que foi constituído o roteiro de entrevistas, considerando os aspectos verbais dos entrevistados que servirão de base para a construção da discussão acerca do assunto. 41 5.1.1 Significado do ato de presentear Serão apresentados os pontos de vista dos entrevistados em relação ao ato de presentear; eles foram questionados se gostavam de presentes, se tinha algum significado para o entrevistado ou se havia alguma representação nesse ato. É possível evidenciar com as afirmativas desses entrevistados que eles gostam de receber presentes e que o presente tem significado afetivo, questão de reconhecimento ou mérito por tê-lo recebido; também é tido como objeto de valoração. Os entrevistados não descrevem o ato de presentear como uma forma de envaidecimento; não veem também a sua utilização no sentido de valoração, representação ou engrandecimento da pessoa que presenteou. Esses dados não são comparáveis com o que retrata Coelho (2006), que entende o ato de presentear em algumas situações como uma forma extrema de vaidade, permeado em atitudes narcísicas por parte do presenteador. As situações relatadas fogem a esse aspecto narcísico e permeado de vaidade salientado pela autora. Os significados das experiências relatadas pelo entrevistado quando indagado referente ao significado e a representação do ato de presentear se aproximam do que destaca Mauss (1974 apud COELHO, 2006), onde ele considera que há uma “virtude espiritual” nas coisas trocadas, que atrelam seus participantes e que na troca há muito mais em jogo do que a materialidade das coisas trocadas. É possível atrelar a questão da valoração e reconhecimento como “virtudes”, pois a importância do ato de presentear, considerando este sentido, não está no objeto ou no seu atributo, mas no significado simbólico desse ato. “Mais a lembrança da pessoa que deu o presente estar lembrando; sinal que [eu] significo alguma coisa para a pessoa, que ela se lembrou do meu aniversário e quer presentear. Mais um significado afetivo assim mesmo” (Entrevistado B, 20 anos, solteiro, classe B1). “A questão de você receber o presente... a lembrança que você “vai causar” na pessoa e a questão da importância, para a pessoa você tem uma certa importância por isso ela vai te dar um presente. É uma questão de merecimento senão ela não te daria” (Entrevistado D, 21 anos, solteiro, classe B2). “Eu sinto que o presente é uma forma de valorizar a pessoa, especialmente um momento da vida dela, se é um aniversário de nascimento, se é uma data que marca, algum acontecimento especial na vida da pessoa, então eu vejo como uma forma de valorização, não de uma maneira de ganhar presentes, querer ganhar “bons 42 presentes”, mas eu vejo somente o gesto de presentear como um fato que representa esse reconhecimento, essa valorização do outro. Eu também gosto de dar presentes, quando alguém próximo faz aniversário ou quando alguém me deu algum tipo de presente gosto de retribuir também” (Entrevistado E, 31 anos, solteiro, classe B1). 5.1.2 Influência do preço na percepção do valor do presente As afirmativas da maioria dos entrevistados referente à influência do preço na percepção de valor de um presente é que este não interfere na mensuração de valor. Alguns relatam que o gesto de presentear por si mesmo revela um significado que transcende o valor do presente. É possível relacionar as afirmativas dos entrevistados com a proposição colocada por Pépece (2002a), que descreve significados que podem ser atribuídos ao ato de presentear: como instrumento de Comunicação; como instrumento de Integração e como instrumento de Individualidade. Outro aspecto que reforça com o que relata a maioria dos entrevistados baseai-se na concepção de Prêto (2008), que evidencia que o valor agregado ao objeto de oferta não é atribuído pelo seu aspecto físico, mas a um conjunto de ideias e significados que são expressos na prática do ato e que pode haver significações explícitas e implícitas que sejam somente compreendidas entre as partes. Sem considerar o aspecto simbólico Lévi-Strauss (1974 apud COELHO, 2006), relata que a troca de presentes não traz obrigatoriedade implícita e que transmissão de bens é sem o objetivo de obtenção de vantagens econômicas, como por exemplo, a troca de presentes no Natal, quando os indivíduos fazem trocas de presentes não-econômicas. Ao contrário do que coloca o autor, os entrevistados salientam que valorizam o gesto sem se importar com o valor do objeto recebido. Constata-se que eles identificam e consideram o ato de presentear como um fortalecimento de relação e de que o receptor é importante aos olhos de quem presenteia. “Para mim não influencia o objeto em si, se é mais caro ou não, eu não me apego a isso. Mas, às vezes o fato, o sacrifício da pessoa de aceitar dar um presente que custe, que tenha um valor oneroso. Vou dar um presente para “uma pessoa”, é caro mas eu vou dar. Eu sei que pelo presente ser caro eu respeito e admiro mais [quem presenteou], mas, o presente em si não faz diferença se é caro ou não. Mas o fato da 43 pessoa ter se preocupado: Ah, é o “Fulano”, é isso que representa mais, a intenção da pessoa do que o próprio objeto” (Entrevistado B, 20 anos, solteiro, classe B1). “Não, pra mim não tem importância nenhuma. Eu acho que o simples fato de você presentear uma pessoa já mostra o carinho, a consideração que você já tem por essa pessoa” (Entrevistado C, 50 anos, casado, classe B2). “Pra mim não influencia. A questão é: às vezes tem coisas muito barata, que não tem um preço alto, mas que você utiliza, que tem serventia. Ás vezes você compra um livro de R$ 10,00 em um sebo, é um preço baixo, mas tem uma funcionalidade alta pra mim, por exemplo, eu posso estudar, esse tipo de coisa, então não influencia muito não” (Entrevistado D, 21 anos, solteiro, classe B2). “Não penso assim não. Os dois presentes tanto o mais caro como o mais simples, são outras pessoas que deram e mesmo assim tem que ser “bem recebidos”, a pessoa não pode reclamar. O preço pra mim, mais barato ou mais caro... (gestos) [não faz diferença]” (Entrevistado F, 30 anos, casado, classe C1). 5.1.3 Influência na valoração de presentes iguais recebidos de pessoas com diferentes graus de proximidade Este assunto foi colocado em pauta para os entrevistados devido à necessidade de se avaliar de que modo ocorre a mensuração de valor de presentes recebidos de pessoas com diferentes graus de proximidade. Há poucos estudos que permeiam isoladamente esse assunto, seja de modo teórico ou empírico. Entende-se através da análise bibliográficaa que a necessidade de aproximação entre presenteador e receptor possa ser uma das finalidades que permeiam o ato de presentear, como evidencia alguns autores. Conforme destaca Belk (1979 apud JULIO et al, 2005), o ato de presentear tem como uma das principais funções desse ato é facilitar a comunicação. O autor salienta que é através do símbolo do presente que se expressa o sentimento envolvido entre duas pessoas. Entendese que para o autor o ato de presentear é uma ferramenta que facilita a comunicação e consequentemente aproxima os envolvidos no processo. Outro aspecto teórico que abrange a significância para grau de proximidade no ato de presentear é o que foi proposto por Pépece (2002a), que evidencia como um dos significados 44 do Ato de presentear o seu uso como Instrumento de Integração, onde a finalidade ato de presentear busca o estreitamento de uma relação, seja ela social ou familiar. As entrevistas realizadas evidenciam que o grau de proximidade pode influenciar na percepção de um presente recebido. Alguns relatam que o fator emocional se sobressai sobre o valor do objeto; citaram que um mesmo presente recebido de pessoas com diferentes graus de proximidade não altera a maneira que é visto os seus atributos, mas altera a significância e “importância” dada para um determinado produto, independente de sua funcionalidade ou finalidade. No ponto de vista de alguns entrevistados os atributos são importantes nos presentes, ao passo que sua atribuição de significância aumenta quando este presente é ofertado por pessoas próximas. Por outro lado, há também relatos onde o grau de proximidade do presenteador não é determinante na atribuição de significância de um presente recebido. Estes entrevistados relatam que não se podem fazer comparações de presentes idênticos, porém recebidos de pessoas diferentes quando estes objetos possuem atributos e funcionalidades semelhantes. “Não, não. Como eu disse anteriormente pela intenção, às vezes, de ser um amigo mais íntimo pra mim vale mais e assim como da minha mãe e do meu pai, mas de ganhar eu não faço essa distinção de querer comparar um com outro por ser mais próximo ou não” (Entrevistado B, 20 anos, solteiro, classe B1). “Presente é presente. É obvio que você tem um carinho maior pelo irmão. Agora, se ele te deu uma camiseta e um amigo teu também te deu uma camiseta, eu acho que esse sentimento tem que ser recíproco, igual, sem que haja diferença porque o que vale em si é o presente, o ato de presentear, ato de você considerar uma pessoa “olha, eu sou teu amigo e estou te dando um presente”. Que diferença isso faz se meu irmão chegar e der a mesma camiseta, eu acho que isso pra mim é indiferente, é irrelevante. [...] Eu não me apego no presente em si, mas no gesto, acho o gesto mais importante” (Entrevistado C, 50 anos, casado, classe B2). “O gesto de dar o presente eu acho que é mais importante, é fundamental, não importa o valor do presente. Pode ser uma simples lembrancinha, como alguém me deu algo que ela fez a mão, então... Um cachecol, por exemplo, é um presente que a pessoa deu [...] que eu vou usar no dia-a-dia, que a pessoa teceu; então o valor não está no preço, mas no valor sentimental, na generosidade; o próprio gesto de generosidade que gratifica” (Entrevistado E, 31 anos, solteiro, classe B1). 45 5.1.4 Ocasião em que homens não gostam de receber presentes Não houve relatos que evidenciassem datas específicas em que os homens não gostassem de receber presentes. Os entrevistados relataram que tem como hábito receberem presentes em datas de aniversário geralmente. Percebeu-se na análise, no relato da maioria deles que o ato de presentear, sendo eles os receptores, é tido como uma representação de uma relação, onde possui significado de manifestação afetiva, uma questão de “mérito”; é tido também como atitude de reconhecimento por parte do presenteador em relação ao receptor. Mesmo possuindo características racionais proeminentes e que pouco evidencia o seu emocional, o gênero masculino contrariou a maioria dos teóricos e na entrevista evidenciou um lado pouco conhecido em relação a sua personalidade ao tratar do ato de presentear nas entrevistas deixando em destaque o seu lado afetivo e emocional, ao contrário do que relatam alguns autores. Brennan (2010), relata que os homens buscam o sucesso para se satisfazerem aos olhos dos outros. A competitividade é constante na vida e carreira do homem; sempre há vencedores e perdedores nas disputas que travam no ambiente familiar e social. Sua realização é completa quando esta posição é reconhecida e quando seu status o faz dominante sobre os outros, principalmente nas pessoas de seu círculo social. Por outro lado, segundo Popcorn (1997), a sociedade contemporânea passa por mudanças de comportamentos e quebra de paradigmas que influenciam o papel do gênero masculino. A autora relata que o homem está se emancipando, cunhando o termo “Homencipação” para identificar essa tendência. Ela salienta que a tendência do homem é se libertar de estigmas machistas e que suas atitudes não precisam ser pragmáticas, comedidas e analíticas, mas que sejam mais sentimentais. Levando em consideração essa mudança de tendência relatada por Popcorn (1997), esta pode justificar os resultados obtidos na coleta de dados através das entrevistas , onde o lado racional, agressivo e competitivo do homem foi “deixado de lado” e transpareceu um indivíduo que possui sentimentos e que reconhece receber presentes não somente por causa de seus atributos, mas considerando o seu significado emocional. A situação de ser lembrado em uma determinada data é muito importante para o receptor, principalmente se o presenteador for uma pessoa de grau de relacionamento próxima, pois evidencia um significado de estreitamento de relação e de comunicação, como retrata Pépece (2002a). 46 5.1.5 Categorias de presentes que homens não gostam de receber Em toda a pesquisa do referencial teórico não foram encontrados relatos claros sobre os presentes que os homens não gostam de receber. A pesquisa bibliográfica revelou aspectos do comportamento do consumidor de um modo amplo, mas sem especificidades a respeito do comportamento do homem enquanto a preferências de determinados produtos comparadamente com outros. Os autores Miller e Kanazawa (2007), evidenciam que desde crianças os meninos são incentivados a agir de maneira agressiva; eles ganham caminhões e armas como brinquedos. Os autores salientam que a socialização de gênero permeia todos os aspectos da cultura e da sociedade moldando o seu comportamento e que em todas as sociedades humanas os homens são mais agressivos, violentos e competitivos. Brennan (2010), afirma que hoje já pode ser comprovado que existem diferenças entre o cérebro dos homens e mulheres. A autora evidencia que o sistema límbico, centro agregador de emoções é menor no gênero masculino, o que pode explicar a sua racionalidade proeminente e sua sensibilidade emocional ser menor em comparação com os indivíduos do sexo feminino. Estes aspectos relacionados a racionalidade, agressividade, violência não condizem com os relatos dos homens que foram objeto deste estudo. Percebe-se que a individualidade é bastante valorizada pelo homem, mas ela não é confrontada quando este recebe um presente que não condiz com a mesma. Há relatos de presentes considerados de cunho individual dos quais entrevistados gostam de receber, mas há por outro lado relatos de que há artigos de uso pessoal que eles não gostam de receber, pois muitas vezes não são de categorias, modelos ou cores que não agradam ou não são de sua preferência. Nas situações onde não ouve contentamento do presente recebido, o indivíduo que recebeu não relatou quem presenteou e ouve uma situação no qual o indivíduo demonstrava para a pessoa o desejo de troca sob o pretexto de falta de ajuste no tamanho ou cor. Os objetos que não são apreciados pelos homens como presentes são artigos de utilidade doméstica, pois segundo o relato não servem para o seu uso. Outro item citado como presente que não se gosta de receber é a camisa. Por mais que a maioria cite que gosta de ganhar esse tipo de presente, do qual ele teoricamente fará uso, foram relatadas situações onde os entrevistados não gostaram desse tipo de presente por este possuir características que fugiam ao seu gosto particular (cores extravagantes, tecidos e escritas luminosas, entre 47 outros). Há também a situação de não se gostar de ganhar roupas intimas, por ser considerado um artigo de uso pessoal e que pode levar a situações constrangedoras para quem presenteia, pois pode revelar outras significados. “Eu já recebi presentes, por exemplo, assim utilidades domésticas, por exemplo, que eu já tenho e que não me agrada” (Entrevistado A, 44 anos, solteiro, classe A2). “Olha, não “dá” pra dizer “tal presente eu não quero ganhar nunca na minha vida”, mas é presentes que eu não vou usar e no caso de roupas que é o que eu mais gosto de receber, roupas que não fazem meu “perfil” [estilo]; Muito colorida, muita estampa ou às vezes muito “agarradas”, tem designers mais sensuais digamos assim (risadas). Este tipo de roupa não me agrada” (Entrevistado B, 20 anos, solteiro, classe B1). “Às vezes você recebe uma camisa que você gosta, mas não serve, não é o seu estilo [...]Eu já vi pessoas que receberam presentes que não gostaram, por exemplo, pessoas que não gostam de orgia e que recebem uma sunga toda incrementada, eu não gostaria de receber. Eu acho isso aí de uma vulgaridade muito grande [...]” (Entrevistado G, 50 anos, casado, classe B1). 48 6 CONCLUSÃO Pretendeu-se com essa pesquisa dar uma contribuição para ampliar o estudo do comportamento do consumidor do gênero masculino e enquanto receptor de presentes e nos aspectos que circundam essa prática nos dias de hoje. Este tema não é um assunto novo, mas a sua abordagem do ponto de vista do receptor do gênero masculino é uma ótica não explorada nos estudos sobre o comportamento do consumidor. Há para se percorrer longa jornada para se chegar a respostas concretas sobre o seu comportamento enquanto receptor de presentes, quais as suas percepções sobre os presentes que eles realmente não gostam de receber. Os resultados em que se chegou através das entrevistas não demonstram quais presentes especificamente os homens não gostam de receber. A pesquisa bibliográfica revelou aspectos do comportamento do consumidor de um modo amplo, mas sem especificidades a respeito do comportamento do homem enquanto as suas preferências de determinados produtos comparadamente com outros. Os resultados evidenciam o comportamento do receptor de presentes do gênero masculino em situações onde não se satisfaz com um presente é em sua maioria evasiva, de não-enfrentamento com o presenteador; eles não assumem diretamente para quem presenteou a sua não-identificação com o presente e apresentam soluções diversas e de destinação para o objeto como argumentar pedido de troca sob o pretexto de que o objeto não serve, de não utilizarem o objeto ou ainda presentear este objeto para outras pessoas. Para os entrevistados, em sua maioria, o assunto referente à influência do preço na percepção de valor de um presente é que este não interfere na mensuração de valor do presente recebido. Alguns relatam que o ato de presentear por si mesmo revela um significado que transcende o valor do presente, fazendo deste um detalhe do qual pouco consideram; há também o relato que às vezes o objeto recebido de presente pode ser barato, mas possui funcionalidade e praticidade que atendem às suas expectativas. Entende-se que há a necessidade de ampliar os estudos sobre o ato de presentear e as percepções dos envolvidos acerca de suas significações. Debruçando-se sobre as teorias e os dados coletados é possível confirmar que o ato de presentear possui caráter simbólico e que esta percepção também influencia na valoração do objeto; é também possível determinar que há presentes que os homens não gostam de receber, mas os horizontes das pesquisas 49 oferecidas ainda possuem um longo caminho a ser percorrido de modo a entender todos os aspectos que o envolvem de maneira mais objetiva possível. Outro aspecto que pode ser abordado em pesquisas futuras é o estudo do ato de presentear focado no comportamento dos receptores de presente, mas observando com maior clareza e especificidade se as condições socioeconômicas são variáveis significantes. Esses dados específicos podem evidenciar comportamentos diferenciados entre os integrantes de diferentes classes e enriquecer o estudo a cerca do comportamento do consumidor enquanto receptor de presentes. Os objetivos da pesquisa foram atingidos, mas assim mesmo entende-se que pesquisas futuras serão interessantes, do ponto de vista do tema, para compreender o comportamento do consumidor do gênero masculino de modo mais amplo, especificar objetos que os homens não gostam de receber e entender de modo mais aprofundado como os receptores de presentes veem o ato de presentear e os significados dos objetos recebidos. Faz-se necessário realizar estudos de maneira mais aprofundada que permitam conceber a ampliação da percepção do comportamento do consumidor enquanto receptor de presentes. 50 REFERÊNCIAS ABEP – Associação brasileira de empresas de pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil. Disponível em: <http://www.abep.org/novo/Utils/FileGenerate. ashx?id=197>. Acesso em: 07 Jun 2011. ALMEIDA, Stefânia Ordovás. Avaliação pós-consumo: Proposição de uma escala para mensuração do encantamento do cliente. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Administração. Programa de Pós-Graduação em Administração. Porto alegre, 2003. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/3544>. Acesso em: 22 Abr 2011. ________; NIQUE, Valter Meucci. Encantamento do cliente: proposição de uma escala para mensuração do constructo. Revista de Administração Contemporânea vol.11 nº4. Curitiba Out/Dec 2007. 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São Paulo: Quadrangular, 1998. 55 ANEXO A – CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA BRASIL 2008 – CRITÉRIO DE PONTOS Fonte: Adaptado de ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2011. Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBOPE Posse de itens e nível de instrução – Entrevistado: ____ 1) Televisão: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 2) Rádio: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 3) Banheiro: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 4) Automóvel: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 5) Empregada mensalista: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 6) Máquina de lavar roupa: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 7) Video cassete e/ ou DVD: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 8) Geladeira: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 9) Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira duplex): � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 10) Qual o grau de instrução do chefe da família? (até que série estudou) � Analfabeto / Até a 3ª série ensino fundamental � Até 4ª série do ensino fundamental. � Ensino fundamental completo � Ensino médio completo � Superior completo 56 APÊNDICE A - ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA 1) Você gosta de ganhar presentes? 2) Por quê? 3) Em quais situações? 4) Qual tipo de presente? 5) Tem características específicas nos presentes que mais o agrada? 6) Há presentes que você não gosta de receber? 7) De que tipo? 8) Por quê? 9) Você lembra alguma situação em que você não gostou de um presente recebido? 10) Qual foi? 11) O que ganhou? 12) De quem você recebeu este presente? 13) Já havia ganhado este presente de outra pessoa antes? Se sim, como avaliou o presente naquela oportunidade? Foi da mesma forma que avaliou desta vez? Se não o que ocorreu naquela oportunidade que o Sr. avaliou o presente de maneira diferente? 14) O que fez com esse presente que não gostou? 15) Você acredita que o preço influencia na percepção de valor de um presente recebido? 16) Se sim, você já teve alguma experiência desse tipo? 17) Você atribui valor diferenciado em presentes idênticos recebidos de homens e mulheres? 18) Há a atribuição de valor diferenciada a um presente idêntico recebido de pessoas com diferentes graus de proximidade? 19) Você pode citar algum presente que represente esta questão afetiva e de quem recebeu? 20) Como você avalia esta diferença na atribuição do valor do presente? 21) Isto aconteceu com você? Como avaliou a situação? 22) Você na posição de presenteador avalia quais critérios em um objeto que queira dar de presente? 23) O que representa para você o ato de presentear? 24) Perfil do entrevistado: - idade; - estado civil. 57 APÊNDICE B – PROJETO DO TCC UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ C ENTRO DE C IÊNCIAS S OCIAIS A PLICADAS C URSO DE A DMINISTRAÇÃO PROJETO DO TCC VINÍCIUS MARCELO DE JESUS FAGUNDES COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER Maringá 2011 58 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ C ENTRO DE C IÊNCIAS S OCIAIS A PLICADAS C URSO DE A DMINISTRAÇÃO PROJETO DO TCC VINÍCIUS MARCELO DE JESUS FAGUNDES COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR: PRESENTES QUE HOMENS NÃO GOSTAM DE RECEBER Projeto apresentado como requisito da primeira avaliação da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso apresentado do curso de Administração da Universidade Estadual de Maringá. Orientadora: Profª. Drª. Olga Maria Coutinho Pépece. Maringá 2011 59 RESUMO Este trabalho visa identificar o comportamento do consumidor enquanto receptor de presentes. Este estudo pretende, estabelecendo o ato de presentear como foco, analisar o comportamento de homens enquanto receptores de presente, no sentido de buscar entender o que os leva a não gostar de receber determinados presentes. Pretende-se obter através de análises e pesquisas de campo evidenciar possíveis fatores que influenciem e evidenciem o porquê que os homens a não gostam de receber determinados tipos de presentes. Palavras-chave: Comportamento do consumidor. Presentes que homens não gostam. Ato de presentear. 60 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 11 1.1 TEMA ............................................................................................................................... 12 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................. 13 2 OBJETIVOS ................................................................................................................... 14 2.1 OBJETIVO GERAL ......................................................................................................... 14 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS............................................................................................ 14 2.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 14 3 INDICATIVOS METODOLÓGICOS ......................................................................... 65 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................. 16 4.1 FUNDAMENTOS DE MARKETING ............................................................................ 16 4.2 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR................................................................... 17 4.2.1 O processo de compra do consumidor .......................................................................... 19 4.3 O ATO DE PRESENTEAR .............................................................................................. 25 4.4 IMPORTÂNCIA DO ATO DE PRESENTEAR .............................................................. 26 4.5 IDENTIFICAÇÃO DA SATISFAÇÃO E DESCONFIRMAÇÃO .................................. 29 5 ANÁLISE COMPORTAMENTAL DO GÊNERO MASCULINO ............................ 30 5.1 TENDÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DO GÊNERO MASCULINO ..................... 32 5.2 INFLUÊNCIAS CULTURAIS E SOCIAIS NO COMPORTAMENTO DO HOMEM .. 33 6 PLANO DE TRABALHO .............................................................................................. 37 7 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES ............................................................................ 38 REFERÊNCIAS ........................................................................................................................ 39 ANEXOS .................................................................................................................................... 43 61 1 INTRODUÇÃO A estrutura econômica mundial está pautada no mercado que é dependente do consumo. O consumidor tem papel decisivo tanto na economia local quanto em um contexto global, pois é o elo da cadeia de consumo que sustenta o comércio como hoje é conhecido. Crocco et al (2010), caracteriza o comportamento do consumidor considerando a perspectiva de marketing como filosofia de gestão que presume uma busca incessante da satisfação das necessidades e dos desejos dos consumidores; ou seja, da criação de produtos que compactuem com as suas expectativas ou as superem. O ato de consumo é executado para suprimento de necessidades pessoais, mas também tem o intuito de suprir necessidades de terceiros quando oferecido como presente. O ato de presentear pessoas próximas em datas festivas ou simplesmente com o objetivo de reconhecimento ou gratidão é comum na cultura brasileira. Mas, o que seria um sinal de agradecimento por parte de quem presenteia pode acarretar situações incômodas onde o receptor, aquele que recebe o presente, pode não entender a mensagem proposta pelo presenteador e consequentemente vir a não gostar do presente recebido. Este estudo pretende analisar o comportamento de homens, enquanto receptores de presente, no sentido de buscar entender o que os leva a não gostar de receber determinados objetos. O comportamento do consumidor nos anos 2000, de acordo com D’Aguano (2006), está sustentado principalmente no 'consumo emocional', que é pautado pelas atitudes de momento e pelo imediatismo. Isto significa que a busca da satisfação das necessidades e desejos através do consumo, não é representada somente pela funcionalidade de algo ou o seu atributo, mas é também por algo intangível e que envolve apelo emocional. Campbell (2001 apud Ferreira, 2010), descreve que o espírito do consumismo moderno é tudo, menos materialista no que diz respeito a seu caráter funcional. É importante salientar que o consumidor pode ser materialista na medida em que “materializa” sentimentos, onde ele busca cultivar relações, comunicar-se e integrar-se com indivíduos pelo ato de presentear, não considerando necessariamente o atributo de um produto ofertado. Ferreira (2010), evidencia que o comportamento de consumo capitalista é rígido e voltado para a acumulação e nesse ínterim, o consumo emocional é uma forma de suprimento de lacunas que o consumo habitual não completa, satisfazendo necessidades intangíveis e oferecendo a experimentação dos prazeres criados pela imaginação. O fator emocional se sobressai ao racional. D’Aguano 62 (2006), evidencia que a informação é hoje uma ferramenta fundamental acerca do ato de consumo e salienta que é importante perceber que o conhecimento é a moda do momento e que o capital de giro é a informação para os consumidores. Oliver (1998 apud MEDEIROS, 2010), destaca que é possível descrever o comportamento do consumidor de modo mais confiável incorporando aos modelos de base cognitiva (compreensão) os estados afetivos. A percepção do fator emocional evidencia de que modo pode ser realizada a tomada de decisão de compra do consumidor. D’aguano (2006), deixa claro que o fator emocional é o que motiva o consumo predominantemente nos dias de hoje, se sobressaindo na busca de suprimento de necessidade. Há a ocorrência de situações onde quem recebe um presente não percebe a mensagem transmitida pelo presenteador, pois a iniciativa de compra do bem de consumo não foi do receptor. A insatisfação pelo presente recebido pode ocorrer, pois nem sempre suas emoções ou desejos que o receptor almeja ou espera estão representados no presente recebido. O receptor insatisfeito que será analisado neste trabalho é o gênero masculino. Brennan (2010), descreve que os homens são naturalmente mais objetivos e racionais do que as mulheres e suas compras são pautadas nesses requisitos, geralmente, sendo o oposto das mulheres que são mais indecisas e emotivas no momento da compra. E por outro lado, destacando tendências mostradas por Popcorn (1997), o homem passa a ser menos objetivo e racional, o que pode maximizar o equilíbrio entre o gênero masculino e feminino. Fazendo análises através de pesquisas de campo, este trabalho pretende evidenciar os fatores que influenciam e evidenciam porquê os homens a não gostam de receber determinados presentes. As informações que se pretende coletar para este trabalho podem também ser utilizadas por comerciantes varejistas na orientação de seus clientes e para o enriquecimento de seu conhecimento referente ao gênero masculino, ampliando assim suas possibilidades de vendas promissoras. 1.1 TEMA Pesquisa do comportamento do consumidor, estabelecendo o ato de presentear como foco do estudo para identificar os fatores influenciadores que possam revelar os motivos que levam os homens a não gostarem de receber determinados presentes, realizado na cidade de Maringá-PR. 63 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA O que é chamado hoje de era da informação começou a revolucionar os contatos entre as pessoas desde o final do século XX. A massificação da internet, a globalização e a instantaneidade das informações mudaram a forma das pessoas se relacionarem e o comportamento dos indivíduos. Essa avalanche de informações mudou a percepção das pessoas do mundo a sua volta e isso pode influenciar no valor atribuído no consumo e nas relações de troca de presentes. As redes sociais possibilitaram uma incrível troca de informações entre os indivíduos a respeito de consumo, o que pode influenciar na hora da compra de objetos para uso próprio ou para presente. As pessoas na hora da compra têm o conhecimento do produto e estão bem informadas quanto aos seus atributos e se eles vão atender as suas necessidades e desejos. O problema que surge nesse ínterim é que o gênero masculino tem por característica não expor suas fraquezas e nem compartilhar suas reais necessidades. O individualismo é um aspecto arraigado na cultura dos homens. A sua racionalidade não cede espaço para a emotividade, salvo exceções, como destaca Brennan (2010) e por outro lado, destacando tendências mostradas por Popcorn (1997), o equilíbrio entre o lado profissional e pessoal está sendo cada vez mais valorizado pelos homens, enquanto o fator racional perde espaço. Estas novas tendências juntamente com outras características recorrentes no dia-a-dia, em âmbito social e familiar poderão evidenciar fatores que podem influenciar os motivos dos homens de não gostarem de receber alguns presentes e, baseado neste aspecto, o trabalho procurará aprofundar-se em esclarecer o que eles não gostam de receber e por quais motivos. 2 OBJETIVOS Buscar-se-á Identificar que tipo de presentes os homens não gostam de receber procurando levantar possíveis motivos ou situações que possam afetar a percepção de valor de um presente recebido. 64 2.1 OBJETIVO GERAL O presente trabalho visa identificar quais fatores que influenciam e motivam os receptores masculinos a não gostarem de receber determinados presentes na cidade de Maringá-PR. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar que tipo de presentes os homens não gostam de receber; Levantar quais motivos que levam os homens a não gostarem de determinados presentes; Identificar se há mudança na avaliação da percepção de valor do presente por parte do receptor, considerando o gênero do presenteador. Identificar se há percepção de valor diferenciada por parte do receptor masculino de presentes “iguais”, porém recebidos de pessoas com diferentes graus de proximidade. 2.3 JUSTIFICATIVA O consumo no Brasil cresce devido ao aumento do valor real da moeda possibilitado pelo Dólar em um patamar baixo, do aumento do acesso ao crédito – possibilitado pela diminuição dos juros - e pela inflação controlada. O aumento de consumo registrado no comércio pode também ser em parte evidenciado pelo aumento do poder de compra dos brasileiros nos últimos anos. O comércio varejista, composto por 1,1 milhão de empresas gerou R$ 576,8 bilhões em receita operacional líquida, segundo dados consolidados do IBGE (2010), referentes a 2008. A margem de comercialização do varejo somou R$ 147,3 bilhões reais, o que inclui compra de bens de consumo para a satisfação de necessidades, desejos individuais e para finalidade de presentear. 65 O comércio varejista está consolidado e o aumento do poder de compra do brasileiro permite aumento de consumo em todas as classes sociais, destacando-se a classe C que representa 87% da população e 76% do consumo total da nação, segundo dados do site Mundo do Marketing (2010). A consolidação do aumento de vendas do comércio varejista no Brasil permitiu identificar que ouve também aumento significativo de vendas em datas comemorativas, onde prevalece a finalidade de presentear. As vendas no período que compreende o Dia dos Pais cresceram 6,9% em todo Brasil em 2010, segundo dados do site Folha.com (2010), sendo que especificamente nessa data a destinação de presentes é para homens. Evidenciando a situação de aumento do consumo no Brasil, este trabalho visa aprofundar estudos para que haja entendimento das razões que justifiquem porque há presentes que os homens não gostam de receber, identificando se existem características semelhantes nos produtos que não são bem aceitos como presentes de acordo com as suas percepções. 3 INDICATIVOS METODOLÓGICOS O objetivo principal deste trabalho é identificar presentes que homens não gostam de receber. A pesquisa classifica-se como um estudo exploratório descritivo e tem por objetivo apresentar as características de determinada população (VERGARA, 2007), e desenvolver hipóteses ou questões para uma pesquisa adicional (COOPER e SCHINDLER, 2003). Pretende-se realizar uma entrevista semi-estruturada, estruturado de maneira qualitativa, com indivíduos do gênero masculino, de modo a ampliar a percepção das situações que culminam no problema proposto neste trabalho de modo estatístico. Dessa forma, o presente estudo busca identificar os motivos e fatores que possam influenciar na mensuração do valor de presentes recebidos por homens, ou seja, o porquê há presentes que homens não gostam de receber, a ser realizada em Maringá, e também visando avaliar os principais fatores que influenciam a sua percepção. Para a pesquisa também será realizado um levantamento bibliográfico, utilizando fontes como, livros, artigos, revistas, entre outros. Os dados a serem coletados serão primários, ou seja, a fonte a ser utilizada serão as pessoas do gênero masculino entrevistadas com o intuito de aprofundar embasamento empírico para a pesquisa. Os dados serão posteriormente analisados utilizando-se como base a 66 análise de conteúdo clássica proposta por Bauer e Gaskell (2002), onde dá-se considerável atenção aos tipos, qualidades e distinções no texto de maneira objetivada antes de qualquer possível quantificação. Pretende-se também utilizar como auxilio na estrevista o questionário de Critério de Classificação Econômica Brasil, que como destaca ABEP (2011), tem como função o de estimar o poder de compra das pessoas e famílias, classificando os entrevistados em classes econômicas por critérios de pontos. Quantidade de itens 0 1 2 3 4 ou + Televisão em cores 0 1 2 3 4 Rádio 0 1 2 3 4 Banheiro 0 4 5 6 7 Automóvel 0 4 7 9 9 Empregada mensalista 0 3 4 4 4 Máquina de lavar 0 2 2 2 2 Videocassete e/ou DVD 0 2 2 2 2 Geladeira 0 4 4 4 4 Freezer (item independente ou parte da geladeira duplex) 0 2 2 2 2 Tabela 1: Posse de itens Fonte: ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2011 – www.abep.org – [email protected] Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBOPE Nomenclatura Antiga Nomenclatura Atual Analfabeto/ Primário incompleto Analfabeto/ Até 3ª série Fundamental/ Até 0 3ª série 1º. Grau Primário completo/ Ginasial incompleto Até 4ª série Fundamental / Até 4ª série 1º. 1 Grau Ginasial completo/ Colegial incompleto Fundamental completo/ 1º. Grau completo 2 Colegial completo/ Superior incompleto Médio completo/ 2º. Grau completo 4 Superior completo Superior completo 8 Tabela 2: Grau de instrução do chefe de família Fonte: Fonte: ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2011 – www.abep.org – [email protected] Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBOPE 67 Classe Pontos A1 42-46 A2 35-41 B1 29-34 B2 23-28 C1 18-22 C2 14-17 D 8-13 E 0-7 Tabela 3: Cortes do critério Brasil Fonte: Fonte: ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2011 – www.abep.org – [email protected] Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 – IBOPE A análise dos dados a serem coletados será estruturada e de acordo com os objetivos propostos neste trabalho. 4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Serão utilizados neste presente trabalho dados teóricos direcionados nos fundamentos do marketing, de forma a identificar o comportamento do consumidor e nas etapas do processo de compra, com destaque na avaliação pós-compra para ampliar o entendimento de seu comportamento, considerando fatores externos a experiência de consumo, características do gênero masculino, tendências e fatores de satisfação. A literatura de base serão principalmente livros e artigos de: Popcorn (1997), Pépece (2002), Crocco et al (2010), Brennan (2007), Churchill e Peter (2007), Kotler e Armstrong (2003), entre outros. 4.1 FUNDAMENTOS DE MARKETING Para compreensão da dimensão do processo de consumo, que visa neste trabalho demonstrar as motivações que levam os homens a não gostarem de receber alguns presentes, serão evidenciados alguns fundamentos do marketing para que estes possam servir de auxilio 68 na compreensão do comportamento dos consumidores no processo de consumo e no ato de presentear. Crocco et al (2010), descreve o seu ponto de vista sobre o marketing: Marketing é um conceito bem mais amplo do que a simples divulgação de uma ideia, pessoa ou produto. O marketing envolve uma série de atividades que vão da concepção de um produto por uma empresa até sua entrega, consumo e descarte pelo cliente. O conceito de marketing pode ser delimitado como entender e atender às necessidades e anseios do público-alvo de uma organização (CROCCO et al, 2010, p. 5). O marketing em seu conceito envolve todas as etapas de produção até a destinação para o consumidor de um determinado produto ou serviço. Churchill e Peter (2007), destacam que o marketing é usado para desenvolver trocas que visam ou não lucros, buscando obter receitas para a cobertura dos custos. Churchill e Peter (2007), observam que as empresas trabalham com variadas orientações de mercado buscando a melhor maneira de vender seus produtos, mas para se ter chance de sucesso com um determinado produto ou serviço é necessária uma orientação voltada para o marketing, baseada em uma filosofia de negócios que se concentra em compreender as necessidades e desejos dos consumidores com o intuito de satisfazê-los. Conceitualmente é para entender a maneira de como o cliente possa ter satisfeitas as suas necessidades e desejos que os conceitos do marketing foram estruturados, ou seja, de modo a evidenciar um modelo universal de comportamento do consumidor que ajude aos profissionais de marketing perceber a melhor maneira de divulgação e constituição de imagem de um produto. Contudo, a escolha de determinado bem ou serviço por parte do comprador envolve desde o reconhecimento da necessidade até a sua avaliação pós-compra. Por não fazer parte do processo de compra, o homem que é receptor dos bens escolhidos como presente por outros, pode receber o que não goste ou algo em que não identifica necessidade ou sinta desejo. Pode também haver situações onde o receptor não entenda a mensagem transmitida através do presente, pois o presente não é somente visto como um item utilitário, mas também um objeto que traz consigo uma representação simbólica. 69 4.2 COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Segundo Solomon (2011) e Kotler (2000), analisar o comportamento do consumidor corresponde ao estudo de como os indivíduos selecionam, compram, usam ou descartam produtos, serviços, ideias ou experiências para a satisfação de suas necessidades e desejos. Kotler (2000), afirma que não conhecer as necessidades e preferências dos clientes pode ser perigoso, pois o lançamento de um produto tido pela empresa como inovador, pode parecer aos olhos do cliente um produto comum que não reúna as “qualidades” apresentadas pelo fabricante. Este produto, desde sua concepção, está fadado a ser um fracasso comercial. O consumidor busca satisfazer suas necessidades e desejos, independente do produto ser inovador ou não e há algumas variáveis individuais que podem influenciar seu comportamento. Para Croco et al (2010, p. 39-49), estas variáveis representam características do processo físico e psicológico de cada indivíduo, sendo as principais variáveis destacadas: Variáveis biológicas: Variáveis biológicas advêm da genética e podem evidenciar diferenças fisiológicas (pele, peso, doenças), sendo estas características consideradas individuais, pertencentes a cada pessoa exclusivamente. As variáveis demográficas estão relacionadas com gênero (masculino e feminino), idade, etnia (negro, asiático, europeu) e são elementos importantes para a percepção pelo profissional de marketing de novas oportunidades de mercado. Variáveis de percepção e aprendizado: A percepção é tida como um processo no qual um indivíduo reconhece, seleciona, organiza e interpreta a informação recebida do ambiente por meio dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). O estímulo advindo de uma exposição a uma ação de marketing, só é recebido quando os nossos sentidos o percebem. A compreensão envolve a interpretação do estímulo e a aceitação depende do quanto o estímulo foi persuasivo, a ponto de gerar uma resposta compreensiva ou afetiva. A retenção do estimulo do qual o indivíduo foi submetido, envolve a transferência dele para a memória. O aprendizado é a mudança na memória de longo prazo do indivíduo e dá-se através de três mecanismos: aprendizado cognitivo (comunicação oral ou escrita), aprendizado por condicionamento (associação de dois estímulos, que induz a responder de determinado modo para ser recompensado) e aprendizado por imitação (Quando um indivíduo copia o comportamento do outro, esperando ser recompensado). 70 A percepção é o modo que o consumidor “percebe” a informação através dos sentidos e o aprendizado é quando a percepção, antes aleatória, fixa-se na memória do consumidor. A identificação e o posterior suprimento das necessidades do consumidor é fortemente pautado na percepção e no aprendizado adquirido por ele. Motivação e emoção: Motivação é um estímulo que faz com a pessoa agir de determinada maneira. O enfoque da pesquisa motivacional é fisiológico, clínico e cognitivo. A emoção são sentimentos desencadeados por fatores externos e internos e envolvem reações fisiológicas, comportamentais e, possivelmente cognitivas. A emoção é uma força que dá impulso para o consumidor suprir possíveis desejos. Emoções positivas aproximam o indivíduo da fidelização do consumo e uma emoção negativa derivada de um mau atendimento ou experiência ruim com algum produto tende a não ser repetida. Atitudes e mudanças de atitudes: atitudes são predisposições aprendidas para dar uma resposta consciente a uma determinada situação. A persuasão tendo como suporte elementos da comunicação pode ocorrer com o intuito de alterar a atitude de alguém, mas a alteração da atitude depende de quanto do pensamento a pessoa dedica a questão. A formulação da opinião por parte do indivíduo depende da influencia da mensagem a qual ele foi exposto. Aquisições de bens com alto valor envolvem alto grau emotivo e os argumentos do produto precisam ser sólidos. Personalidade: é a maneira em que o indivíduo responde no ambiente em que vive, seguindo um padrão consistente de comportamento. A personalidade é moldada pela constituição genética e pelas influências ambientais as quais está exposta. Existem três teorias que explicam a constituição da personalidade em uma pessoa: A teoria psicanalítica, com a análise do id (instintivo), superego (normativo) e ego (intermediação); a teoria sóciopsicológica, que considera interdependência entre indivíduo e sociedade e a teoria do fator traço, onde a constituição da personalidade é composta por atributos definidos. Estilo de vida: padrões nos quais as pessoas vivem, ode praticam suas atividades, gastam seu tempo, reflete sobre seus interesses e opiniões. A psicografia, Aio e Vals são técnicas utilizadas para identificar e medir os estilos de vida. As variáveis individuais são importantes fatores que influenciam os consumidores no processo de compra e tratam de particularidades que o comportamento deles podem estabelecer e o grau de envolvimento que ele possa ter com uma compra. Procurar-se-á apresentar o comportamento do consumidor no processo de compra, levando em consideração as pesquisas de Kotler e Armstrong (2003), e baseando-se no modelo de comportamento proposto por Churchill e Peter (2007), sendo que este modelo 71 demonstra as etapas que os consumidores percorrem para concluir o processo de compra. A ênfase neste estudo teórico será na quinta etapa do modelo, onde será demonstrado como ocorre a avaliação pós-compra. É nesta etapa que envolve a avaliação após o consumo, inserese a questão de avaliação de presentes, que objetiva direcionar o tema para o foco deste trabalho. 4.2.1 O processo de compra do consumidor Os papéis do consumidor podem ser variados. O gênero masculino, foco desse estudo, é identificado como receptor e usuário de um determinado presente, sendo a pessoa que realmente vai fazer uso do produto. Kotler e Armstrong (2003), identificam alguns papéis do consumidor: quem percebe a necessidade da compra é o iniciador; e quem de fato consuma sua compra é o comprador. Kotler (1998 apud PRÊTO et al, 2008), destaca que “estudar o comportamento do consumidor é verificar como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e dispõem de bens, serviços, ideias ou experiências para satisfazer as suas necessidades e desejos”. Segundo Crocco et al (2010), para se conhecer o consumidor, é necessário obter informações sobre características demográficas do consumidor; os comportamentos de consumo, de compra, de utilização de mídias; atitudes; e o processo de compra (como motivações, envolvimento e critérios de escolha de uma marca). O processo de compra do consumidor, segundo Churchill e Peter (2007), pode ser desmembrado em cinco etapas: Reconhecimento da necessidade, busca de informações, avaliação das alternativas, decisão de compra e avaliação pós-compra. Figura 1 - Passos do processo de compra do consumidor Fonte: Churchill e Peter (2007). 72 Reconhecimento da necessidade: O cliente ao reconhecer uma necessidade não atendida inicia o processo de compra. A percepção e posterior impulso para atendimento de alguma necessidade inerente é chamado de motivação. A teoria das necessidades de Maslow evidencia em níveis a hierarquia de importância das necessidades humanas. Chiavenato (2003, p.329), descreve essas hierarquias: Necessidades fisiológicas: São as necessidades mais báiscas de sobrevivência para as pessoas. Como a fome, a sede, o sono, o sexo, o abrigo, etc; Necessidades de segurança: São necessidades de segurança, estabilidade que vai da necessidade de sentir-se seguro a salvo de perigos externos. Pode ser também a busca por um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida; Necessidades sociais: Necessidade de associação, de participação, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer. São importantes forças motivadoras do comportamento humano. Necessidades de estima: São necessidades relacionadas com a maneira pela qual o indivíduo se vê e avalia. O reconhecimento de suas capacidades pessoais, aprovação social, autoconfiança, independência, autonomia. A sua frustração pode desencadear sentimentos de inferioridade e fraqueza. Necessidades de auto-realização: É onde o indivíduo tornar-se aquilo que ele pode ser; realização do próprio potencial. Chiavenato (2003), revela que as necessidades humanas variam de acordo com o indivíduo e que a hierarquia proposta não obedece a uma ordenação, pois a sua manifestação varia de pessoa para pessoa e obedecem às diferenças individuais de cada uma delas. Busca de informações: O consumidor busca informações de que modo pode suprir determinado desejo ou necessidade, procurando descobrir o que há de disponibilidade de marcas, produtos ou serviços. Crocco et al (2010), complementa que o consumidor busca a informação que julga necessária em uma situação específica, onde o envolvimento é avaliado dependendo da perda que o consumidor possa ter no caso de uma escolha errada. Mowen e Minor (1998, p.65 apud CROCCO et al, 2010, p.60), relatam que há fatores que podem agir no nível de envolvimento do consumidor na compra: 73 Importância da autoexpressão – produtos que auxiliam as pessoas a expressarem seu autoconceito para os outros. Importância hedônica – produtos que são agradáveis, interessantes, divertidos, fascinantes e excitantes. Relevância prática – produtos que são essenciais ou benéficos por razões utilitárias. Risco de compra – produtos que criam incertezas porque uma má escolha causaria aborrecimento para o comprador. Avaliação de alternativas: Baseado nas informações que os consumidores coletaram, eles identificam e avaliam como podem satisfazer seus desejos ou necessidades. Kotler (2000), destaca que existem critérios que ajudam a entender os processos de avaliação do consumidor como a satisfação da necessidade, busca de benefícios e de atributos de interesse e que esses conceitos variam de acordo com o que é mais relevante para o consumidor no que se refere as suas necessidades e desejos. É nesta fase que o consumidor cria preferência entre as marcas do conjunto de escolha. Decisão de compra: Depois de avaliar as alternativas disponíveis, o consumidor decide onde vai comprar, como vai realizar a compra e que marca vai escolher. Para Kotler (2000), há dois fatores que podem interferir na intenção e na decisão de compra: O primeiro trata-se da atitude dos outros, neste caso podem ocorrer situações nas quais pessoas próximas do comprador interferem na em suas preferências de modo negativo ou positivo. O segundo são os fatores situacionais imprevistos que podem surgir e mudar a intenção de compra do indivíduo. Compras rotineiras não envolvem decisões delicadas, ao passo que os consumidores procuram diminuir os riscos da decisão de compra, quando esta não é rotineira e envolve alto valor monetário. Kotler (2000), salienta que os profissionais de marketing devem fornecer informações e suporte para diminuir o “risco percebido” pelo consumidor. Avaliação pós-compra: É o foco de análise deste trabalho. Nesta etapa o consumidor avalia se o produto atendeu ou não as suas expectativas, ou ainda se o produto superou-as. Quando a avaliação é positive, a tendência é que o consumidor possa desenvolver lealdade à marca adquirida. Crocco et al (2010, p.64), evidencia que o “processo de compra se encerra com a avaliação da experiência pelo consumidor, incluindo sua satisfação ou insatisfação e qual sua resposta futura (abandono, reclamação ou lealdade)”. 74 É destacado por Crocco et al (2010), que as respostas futuras sejam o comportamento do consumidor após a experiência pós-compra. Abandono: A insatisfação com determinado produto gera insatisfação e a decisão do consumidor é a de não voltar a comprar. Reclamação: A insatisfação que o consumidor tem com determinado produto gera pode levar a reclamações junto ao fabricante, ao distribuidor ou ponto de venda. O consumidor decide dar ou não uma nova chance para a empresa. Lealdade: Quando o cliente fica satisfeito ou encantado com o produto e tende a comprar os produtos repetidas vezes. A avaliação pós-compra por parte do consumidor, ganhou um outro ponto de interesse na busca de sua satisfação. Segundo Crocco et al (2010), a preocupação ambiental com a produção e com o descarte do produto, que envolvem interesse com a reciclagem e remarketing (venda de itens usados). As empresas inicialmente se limitavam a produzir em busca da satisfação do cliente, mediante ao uso de produtos e serviços sem investimentos em diferenciais perante outros produtos voltados para o mesmo mercado-alvo. A avaliação pós-compra de modo satisfatório por parte do cliente não garantia a lealdade dele para com o produto. Segundo Reichheld (1994 apud ALMEIDA, 2003), as empresas estavam seguras que apenas a obtenção da satisfação dos clientes com seus produtos garantiriam a sua fidelidade, mas este imperativo mudou até que estudos mostraram que entre 60% a 80% dos consumidores que estavam satisfeitos com determinados produtos trocavam de marcas. Almeida (2003), demonstrou que a percepção da fragilidade da satisfação era ascendente por parte do cliente e isso fez com que as empresas revissem seus objetivos e o traçassem no sentido de ir mais adiante e oferecer algo que fosse além das expectativas dos consumidores. Segundo Almeida e Nique (2007), as empresas a partir desse momento buscavam superar as expectativas do consumidor, fazendo-o vivenciar um estado emocional positivo e surpreendente para com a experiência de compra, que é conhecido como encantamento do cliente. Almeida (2003), salienta que características não esperadas em um produto, poderiam ser vistas como um diferencial para a formação da resposta emocional esperada. Keiningham e Vavra (2001 apud ALMEIDA, 2003), destacam que quando os consumidores são capazes de descrever a experiência de compra como encantadora, há uma tendência por parte deles de serem mais leais ao produto. Isso pode ajudar a atrair novos consumidores. 75 Mesmo sendo estruturado de modo conceitual, o processo de consumo pode ter definições variadas. Rocha (2006), destaca que o consumo assume lugar primordial como estruturador dos valores e práticas que regulam relações sociais, que constroem identidades e definem mapas culturais. A avaliação pós-compra é uma das etapas mais importantes na avaliação do produto por parte do consumidor. A mensuração de valor e atributos dos produtos é nesta etapa identificada e servem como parâmetro de avaliação positiva ou negativa do produto. É nesta última etapa que será possível identificar uma possível insatisfação do produto por parte dos indivíduos quanto ao seu valor utilitário. Relacionado com a avaliação pós-compra, pode-se destacar outro aspecto que está implícito na relação de troca de presentes. Para a realização desta troca é necessário coexistirem o presenteador e o receptor. O processo de decisão de compra é executado pelo presenteador. No ato da compra de um presente, o comprador cria expectativas quanto a este produto (o presente) não para a sua utilização, mas para a sua aceitação pelo receptor. Neste sentido, a avaliação pós-compra passa a ser do presenteador e não do receptor, pois se o objeto ofertado como presente não agradar quem recebeu, a insatisfação pela não realização de um desejo ou de uma necessidade que se esperava desse objeto será de quem preseteou-o. Malinowski (1976 apud COELHO, 2006), destaca que o presente pode ter um valor monetário ínfimo, mas que esses objetos podem extrair seu valor ao atribuir a quem o possui renome e prestígio. Esta percepção do produto por parte do receptor é vista por quem presenteou o objeto como uma avaliação positiva de pós-compra, pois supriu uma necessidade não funcional por ele estabelecida, ou seja, o presenteador deu o presente visando suprir uma necessidade simbólica ou emocional e o receptor entendeu a mensagem transmitida. O presenteador enquanto decisor da compra visa presentear uma terceira, estabelecendo uma relação de troca de presentes. Ele leva em consideração o que possa não somente suprir as necessidades e desejos, mas também transmitir uma mensagem para quem vai receber o presente. Segundo Bourdieu (1996, p.12 apud COELHO, 2006, p30), caracteriza antagonicamente a troca de presentes como um “ato situado para além da distinção entre obrigação e liberdade, escolha individual e pressão coletiva, desinteresse e interesse”. O autor salienta que a relação de trocas de presentes assume facetas opostas, coexistindo como duas verdades opostas entre si. Pode ocorrer que o presenteador compre algo de presente, mas particularmente não compraria o mesmo produto para uso pessoal, pois identificou no objeto uma necessidade, 76 funcional ou não, para o receptor. A expectativa de pós- compra é do presenteador, pois ele espera que a mensagem atribuída ao objeto ofertado seja entendida e aceita pelo receptor. Pode-se supor que há presentes que estimulam uma maior aceitação por parte do receptor, independente de seus atributos ou funcionalidade, mas sua confirmação poderá ser evidenciada somente após a coleta de dados. É acerca disso que percebe-se que o ato de presentear é mais que uma troca de objetos, ele passa a assumir um caráter simbólico onde o presente recebido é visto não pela sua funcionalidade, mas como um meio de comunicação, uma mensagem que envolve o presenteador e o receptor. Belk (1979 apud JULIO et al, 2005), salienta o caráter simbólico do presente e como expressão de sentimento. Na troca de presentes, o valor funcional “perde” seu significado ao passo que seu caráter simbólico aumenta. O presente passa a ser visto como objeto de integração, comunicação e individualidade que evolve os participantes (PÉPECE, 2002a). Baudrillard (1995 apud JULIO et al, 2005), considera que o consumo provoca sensação de satisfação e, que devido a esta prática, poderiam encontrar a felicidade, mas destaca que ela é irreal e momentânea considerando o valor de troca do bem e que essa sensação de felicidade passa logo após a aquisição do bem. Pépece (2002b), descreve que o presente leva consigo a imagem de quem presenteou e ele será sempre lembrado quando o receptor olhar ou usar o presente. Salientando essa posição, Mauss (1974, p.56 apud COELHO, 2006, p.22), destaca que “presentear alguma coisa a alguém é presentear alguma coisa de si”, onde percebe-se o caráter simbólico , intimista e emocional estabelecido entre o presenteador e o receptor nesta relação de troca. 4.3 O ATO DE PRESENTEAR O ato de presentear é uma forma que os indivíduos têm de homenagear, agradecer e estabelecer contato entre si, podendo também este ato assumir caráter simbólico e de transmissão de mensagens entre presenteador e receptor; o objeto passa a ser visto por quem recebe menos por sua funcionalidade e mais pela sua mensagem simbólica. O ato de presentear segundo Mauss (1974 apud COELHO, 2006), é parte integrante de um sistema de trocas. Ele pode ser espontâneo, mas também pode carregar consigo uma obrigatoriedade 77 implícita e estabelece essas três obrigações dessa relação: a de dar, receber e retribuir. Na troca dar é visto como uma proposição de aliança e receber é equivalente a aceitá-la. Segundo Mauss (1974 apud COELHO, 2006), há uma “virtude espiritual” nas coisas trocadas , que atrelam seus participantes e que na troca há muito mais em jogo do que a materialidade das coisas trocadas. Lévi-Strauss (1974 apud COELHO, 2006), relata que a troca de presentes é um tipo de atividade que não é observável empiricamente; ele destaca que não é possível determinar isoladamente que o ato de oferecimento de presentes traz implicitamente as obrigações de dar, receber e distribuir. Ele salienta que nas modernas sociedades há a transmissão de bens sem o objetivo de obtenção de vantagens econômicas, como por exemplo, a troca de presentes no natal, onde os indivíduos fazem trocas de presentes não-econômicas. O comportamento de compra de presentes representa o suprimento das necessidades de representação social, pois nas sociedades desenvolvidas, existem disponíveis produtos para todas as necessidades básicas do homem (BAUDRILLARD, 1973 apud PÉPECE, 2002b). O ato de presentear têm um caráter simbólico, onde um objeto ofertado traz consigo uma mensagem implícita que se sobressai a funcionalidade do mesmo. 4.4 IMPORTÂNCIA DO ATO DE PRESENTEAR Belk (1979 apud JULIO et al, 2005), descreve que o ato de presentear é bastante útil em varias ocasiões e para diferentes objetivos, e uma das principais funções desse ato é facilitar a comunicação, pois é através do símbolo do presente que se expressa o sentimento envolvido entre duas pessoas. Baudrillard (1995 apud JULIO et al, 2005), enfatiza que o hábito do consumo provoca na pessoa uma sensação de satisfação, muitas vezes ilusória, e que sintetiza o alcance da felicidade. O ato de presentear, de acordo com dados pesquisados por Pépece (2002b), demonstram que as datas comemorativas representam as ocasiões em que a maioria das pessoas costuma presentear. É um aspecto perceptível na cultura nacional como uma forma de demonstração de carinho e afeto para com o receptor. Mas é importante ressaltar que o ato de presentear não necessariamente se baseia somente em datas comemorativas. Pépece (2002b), destaca que também podem ser motivações para presentear a retribuição de um presente ganho, como forma de agradecimento a um favor, entre outras. 78 Shiffman e Kanuk (2000 apud PRÊTO et al, 2008), o ato de presentear é caracterizado como uma parte especialmente interessante do comportamento do consumidor. Ele é um processo que ocorre entre um doador e um receptor; um ato de comunicação simbólica entre as partes que contém significados explícitos e implícitos. É um processo que ocorre em variados países como uma prática que enfatiza aspectos intangíveis acima do objeto tangível. A questão do reconhecimento social e do afeto é representada no ato de presentear, não importando muitas vezes o valor nominal desse objeto, mas o que ele pode vir a significar para a pessoa que o recebeu. Como foi colocado por Farias et al (2001 apud PRÊTO et al, 2008), o comportamento do consumidor no ato de presentear é um comportamento que apresenta características simbólicas e sentimentais. Grubb e Grathwohl (1967 apud PRÊTO et al, 2008), observaram que um produto pode ser considerado um símbolo carregado de significados e servir como um dispositivo comunicativo simbólico para alcançar reconhecimento social. O presente reconhecido de maneira generosa pode selar o aumento da confiança e apreço do receptor para com o indivíduo que o presenteou. Pépece (2002b), evidencia que quando o presente recebido tem atributos que suprem desejos e necessidades o receptor valoriza o que ganhou. Pépece (2002b, p.3), salienta que “a diversidade cultural [...] pode ter grande influência nas atividades de consumo dos indivíduos” principalmente na compra de presentes. Portanto, presume-se que os atributos valorizados por homens em uma determinada cultura podem não ser valorizados em outras. Segundo Belk (1979 apud PÉPECE, 2002b), os presentes cumprem as seguintes funções: Servem como forma de comunicação simbólica; Estabelecimento de relações pessoais; Produzem valor econômico; e Produzem função de socialização. O autor evidencia que o ato de presentear é mais que um ato objetivo e tangível, ele aborda a significância simbólica e intangível como fatores agregados ao gesto de se presentear alguém. Podem também ser fatores que podem criar situações que fortalecem relações entre os indivíduos. Pépece (2002a), baseada em dados obtidos através de entrevistas, descreve o ato de presentear com três significados distintos: 79 Ato de presentear como Instrumento de Comunicação: É quando o ato de presentear é um prolongamento de um discurso, como uma forma de se comunicar com o receptor; quando há por parte do presenteador repassar através do presente uma mensagem de homenagem, amizade, desculpa ou afeto. Ato de presentear como Instrumento de Integração: Quando o ato de presentear busca o estreitamento de uma relação, seja ela social ou familiar. O presente é tido como parte integrante do processo de integração das pessoas. A visão dos indivíduos, as posses materiais de uma pessoa influenciam no modo de ver e de serem vistas em âmbito individual e social. Ato de presentear como Instrumento de Individualidade: O presente enfatiza o reconhecimento da personalidade do receptor. Dignifica a “expressão do eu” do receptor e também de quem presenteia. Nessa situação, o presente representará a imagem da relação entre o presenteador e o receptor. O ato de presentear envolve vários significados e eles podem variar dependo da situação em que ocorrem. As caracterizações do ato de presentear abordadas por Pépece (2002a), como instrumentos de comunicação, integração e individualidade refletem o caráter simbólico desse ato, transcendendo os significados explícitos contido no objeto. Baseado em dados empíricos, é possível afirmar que o caráter implícito do ato de presentear pode ser mais importante quanto o seu caráter explícito. Considera-se que o ato envolve outros significados além daqueles que o objeto ofertado possui como características físicas (ser um produto funcional, utilitário). Ele assume uma função simbólica. O suprimento de necessidades e desejos incorpora caráter de integração e comunicação entre o presenteador e o receptor (PÉPECE, 2002a). No que tange a percepção de importância em um presente Pépece (2002b), comenta que os itens considerados mais importantes para a aquisição de um bom presente são a sua qualidade e utilidade, o que mostra que os presenteadores têm a intenção de dar algo que o receptor valorize, pois o tipo de relação entre os indivíduos interfere na prática de dar presentes e a consideração dos desejos e necessidades do receptor pode ser primeiro considerada por quem presenteia, mas isso pode não ocorrer aos olhos do receptor, pois sua avaliação poderá somente ocorrer quanto receber o presente. Pretende-se abordar a atribuição de valor de um presente por parte do receptor no desenvolvimento deste trabalho. 80 4.5 IDENTIFICAÇÃO DA SATISFAÇÃO E DESCONFIRMAÇÃO A satisfação é um fator que pode determinar a mensuração de valor de um presente recebido por parte do gênero masculino. Para Oliver (1981, 1997 apud MARCHETTI E PRADO, 2004), salienta que seu conceito de satisfação pode ser entendida como uma avaliação da experiência de consumo. Oliver (1997, p.13 apud LARÁN e ESPINOZA, 2004), define satisfação como a "resposta ao contentamento do consumidor, o julgamento de que uma característica do produto ou serviço, ou o produto ou serviço em si, ofereceu (ou está oferecendo) um nível prazeroso de contentamento relativo ao consumo, incluindo níveis maiores ou menores de contentamento". Kotler (2002), destaca que satisfação do cliente consiste na sensação de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho percebido de um produto em relação às expectativas criadas por ele antes da compra. Quando um cliente não tem suas expectativas atendidas ele fica insatisfeito. O alcance das expectativas esperadas pelo consumidor o deixa satisfeito e a superação dessas expectativas podem deixar o cliente encantado com o produto. Kotler (2000), salienta que hoje as empresas buscam a satisfação de seus clientes, pois estes são menos propensos a mudar de produto quando tem suas expectativas atendidas e destaca a importância de se manter os clientes a níveis de encantamento com um produto através da entrega de alto valor, diferenciação (de durabilidade, desempenho, funcionalidade, garantia, comunicação, entrega, etc.) e com a monitoração das ações dos concorrentes, pois grau de fidelidade do cliente nessas situações superam a daqueles consumidores que ficam apenas satisfeitos com o seu produto. A formação de expectativas por parte do consumidor acontece, segundo Kotler (2000), com base em experiências de consumo anteriores, informações coletadas com colegas e familiares, concorrentes, entre outros. As empresas buscam satisfazer as expectativas do cliente, pois almejam a sua satisfação total. Kotler (2000), afirma que para gerar um nível grande de fidelidade para o cliente é necessário entregar a ele um alto valo. Valor entregue ao cliente é como coloca Kotler (2000), a diferença entre o valor total, que é um conjunto de benefícios que o cliente espera de um produto e custo total, que é o conjunto de custos que o cliente está disposto para avaliar, adquirir, usar e descartar determinado produto. Correlacionando as teorias de marketing, pode-se descrever esse processo é viabilizado pela percepção, que segundo Kotler e Armstrong (2003, p. 130), é “o processo por 81 meio do qual uma pessoa seleciona, organiza e interpreta as informações recebidas para formar uma visão significativa de mundo”. A satisfação pode ser definida como a resposta do consumidor a uma avaliação de eventuais diferenças percebidas, considerando suas expectativas anteriores ao consumo. Larán e Espinoza (2004), evidenciam que a desconfirmação é a situação onde o consumidor cria expectativa antes de consumir, observa o desempenho do produto depois de adquirido ou recebido de presente e compara esse desempenho percebido com as expectativas iniciais. Quando acontece desses resultados diferirem do padrão percebido, pode ocorrer a desconfirmação. Sendo o resultado acima do que esperado, ela será positiva; e se for pior do que o esperado será negativa, o que pode gerar insatisfação do cliente. É importante compreender de que maneira o consumidor avalia algo como satisfatório ou não pode servir como ferramenta de identificação de situações onde presentes que homens que não gostem de receber seja avaliado não somente por atributos ou benefícios, mas se eles atenderam àquilo que se propunha para o cliente através das expectativas que possam ter sido criadas por ele anteriormente. A compreensão de desejos e necessidades do indivíduo que compra não são os mesmos daqueles que receberão o presente. É válido ressaltar que não há literatura específica que conceitue a motivação do homem não gostar de certos tipos de presentes. Este trabalho transcorrerá com o intuito de avançar nas pesquisas para desmistificar censos comuns e desvendar os reais motivos que condizem com a realidade do ato de presentear para melhor compreensão do porque há presentes que os homens não gostam de receber. 5 ANÁLISE COMPORTAMENTAL DO GÊNERO MASCULINO Brennan (2010), baseado em pesquisas recentes, afirma que hoje já pode ser comprovado que, de modo generalizado, existem diferenças entre o cérebro dos homens e mulheres. A autora evidencia que o sistema límbico, centro agregador de emoções, é menor no gênero masculino se comparado ao gênero feminino, o que pode explicar a racionalidade proeminente em suas atitudes comparando-se a postura predominantemente baseada no emocional nas mulheres. Brennan (2010), descreve que homens e mulheres têm visão de sucesso distintas. O senso de conquista feminino não está ligado a fatores externos, como a derrota de um 82 adversário. As mulheres saboreiam mais o sucesso quando este beneficia pessoas próximas. Sua visão de conquista é inclusiva. Elas constituem com mais facilidade relacionamentos e rede de contatos e considera-os valiosas conquistas para a vida. Os homens, seguindo o raciocínio descrito por Brennan (2010), buscam o sucesso para se satisfazem aos olhos dos outros. Não gostam de obter ajuda, pois querem trilhar sozinhos o seu caminho rumo ao sucesso. A competitividade é constante na vida e carreira do homem; sempre há vencedores e perdedores nas disputas que travam no ambiente familiar e social. Sua realização é completa quando esta posição é reconhecida e quando seu status o faz dominante sobre os outros, principalmente nas pessoas de seu círculo social. Sua competitividade e independência no decorrer da conquista são essenciais para sua autorealização. Baseado nos estudos de Brennan (2010), é salientado que a competitividade inerente ao homem conservador o afasta de eventos que envolvam alto grau de corporativismo, espírito de equipe e emotividade. A cultura masculina pode ser explicitada e cultuada no ato de presenteá-los, pois este objeto ou símbolo pode ter significância de reconhecimento das características mais marcantes do indivíduo, e que possam ser relacionados com essa “cultura”, que como mostra a pesquisa de Brennan (2010), pode estar arraigado em sua personalidade. O reconhecimento de determinada característica do recebedor por parte do presenteador pode ser um critério positivo na atribuição de valor para um produto. 5.1 TENDÊNCIAS DE COMPORTAMENTO DO GÊNERO MASCULINO Há no contexto da sociedade contemporânea mudanças de comportamentos, tendências e paradigmas que se desfazem e influenciam no comportamento do consumidor de um modo geral. Identificando algumas dessas tendências, pode-se nortear como o comportamento do homem está mudando. Popcorn (1997), retrata que o homem está se emancipando. A autora cunha o termo “Homencipação” para identificar essa tendência. Popcorn (1997), salienta que a tendência do homem é se libertar de estigmas machistas e que suas atitudes não precisam ser pragmáticas, comedidas e analíticas, mas que sejam mais sentimentais. Historicamente o 83 homem fora vaidoso, mas após a revolução industrial esse seu lado “feminino” perdeu-se e passou somente a ser papel das mulheres. Esta nova tendência de “Homencipação” relatada por Popcorn (1997), demonstra que os homens modernos tendem a ser mais vaidosos, buscam ser mais atraentes e que também querem assumir atividades que atualmente só são aceitas quando feitas pelas mulheres como: demonstrar mais emoção, cuidar dos filhos enquanto a mulher trabalha, participar mais ativamente do crescimento de seus filhos. Popcorn (1997), destacava que já em 1997 haviam 3,5 milhões de homens nos Estados Unidos que ficavam em casa em tempo integral cuidando de seus filhos, enquanto as mães se preocupavam com atividades profissionais. Popcorn (1997), exemplifica baseada em entrevistas que os homens que estão inseridos nesta tendência de emancipação buscam explorar a flexibilidade do emprego e de horário e reestruturam suas atividades para colocar as atividades com a família em primeiro plano. O equilíbrio entre o lado profissional e pessoal está sendo valorizado pelos homens e esta tendência se amplia também em grandes corporações, antes conhecidas por sua alta rigidez com as atividades de seus profissionais. A vaidade, individualidade e o senso de liberdade dos homens começam a aflorar. Penn (2008), também aborda essa mudança de comportamento no âmbito masculino. Ele evidencia que hoje os homens passaram a se preocupar mais com a aparência e que estão fazendo variados trabalhos que antes eram aceitos socialmente como serviços para mulheres. Os homens nesta primeira década do século XXI buscaram reestruturar seu modo de vida e a maneira que encara o dia-a-dia com a família e o trabalho. Muitas das tendências relatadas, entre elas uma busca do homem por um maior espaço no ambiente doméstico e a flexibilização nas suas atividades profissionais podem ter alterado a exigência deles como consumidores. Pode-se supor que estes homens modernos não sejam extremamente machistas e que as opções de presentes para indivíduos com esse perfil são maiores comparadas com homens que não anseiam maior liberdade e independência. É destacado que a mensuração de valor e a satisfação podem ser subjetivos e podem variar de individuo para individuo. Buscar-se-á delimitar quais são as situações que demonstrem como de fato o homem mensura o presente que recebe. Um ponto importante a ser avaliado é a mensuração de valor de presente recebido de pessoas próximas. Pode ser que um mesmo objeto, sendo presenteado por pessoas que tenham graus antagônicos de relacionamento com o receptor, pode ser por ele avaliado de maneira diferente. 84 5.2 INFLUÊNCIAS CULTURAIS E SOCIAIS NO COMPORTAMENTO DO HOMEM A cultura é elemento peculiar na formação do indivíduo. Baseada nela, o homem molda seu caráter, costumes e preferências seguindo um “padrão” aceitável dentro de seu grupo social. Crocco et al (2010), coloca cultura como um conceito derivado da antropologia e que refere-se a tudo que ajuda os indivíduos a se comunicarem e se avaliarem como membros de uma sociedade. O autor destaca que ele não inclui comportamentos considerados instintivos ou características individuais. Para Burke e Hornstein (1972 apud SOUZA, 1978, p.16), “a cultura [...] é um conjunto de pressupostos e normas (padrões, regras), aprendidos e compartilhados”. Segundo Pfiffner e Sherwood (1965 apud SOUZA, 1978, p.10), a “cultura é o todo complexo que compreende conhecimento, crença, arte, moral, lei, costumes e qualquer outra capacidade ou hábito adquirido pelo homem como membro da sociedade”. A cultura é um aprendizado em sociedade adquirido pelos integrantes que dela fazem parte e pode ser refletida através do comportamento deles. A aprendizagem é um dos fatores que moldam cultural e socialmente a personalidade do indivíduo durante a sua vida. Segundo Davidoff (1983, p. 161), “a aprendizagem é uma mudança relativamente duradoura no comportamento”, induzida também pela experiência. A aprendizagem pode ser modificada com a vivência por parte do indivíduo de novas associações, informações, insights, aptidões, etc. Existem três processos fundamentais que embasam a aprendizagem: O condicionamento respondente, o condicionamento operante e a aprendizagem por observação. Abaixo segue o conceito desses três processos, adaptado de Davidoff (1983, p. 161-204): O comportamento respondente é desencadeado por eventos que lhes são imediatamente antecedentes. O Condicionamento Respondente (ou pavloviano) permite que um estímulo novo condicione uma resposta, que antes poderia ser desencadeada por outro estímulo. Eles incluem reflexos de esqueleto (retirar a mão do fogo), reações emocionais imediatas (cólera, medo e alegria), entre outros. Muitas características respondentes são aparentemente “programadas” pelo organismo com finalidade de proteção e sobrevivência. Os comportamentos operantes (ou instrumental) são influenciados pelas conseqüências de atos iniciados pelos indivíduos (andar, sorrir, chorar, jogar, etc.). O condicionamento 85 operante pode aumentar ou diminuir a probabilidade de que esse operante possa ser realizado em situação semelhante. Quando a conseqüência for agradável, é provável que o sujeito o realize em condições semelhantes. Se acompanhado de conseqüências desagradáveis, o comportamento tem a probabilidade de ser repetido com menos freqüência. A probabilidade de um determinado operante ocorrer em uma situação qualquer pode ser modificada por suas conseqüências como destaca Davidoff (1983). A aprendizagem por observação (ou imitação) é quando o comportamento de um indivíduo muda de modo relativamente permanente como resultado da observação dos atos de outra pessoa. Na aprendizagem por observação podem intervir os seguintes processos: 5) Aquisição: O educando observa um modelo e se comporta desse modo, diferenciando a conduta do modelo. 6) Retenção: As respostas do modelo são memorizadas pelo educando. 7) Desempenho: Quando o comportamento é aceito pelo educando, e se este levar a experiências positivas tende a ser reproduzido. 8) Conseqüências: O comportamento aprendido por observação acarreta conseqüências que podem aumentar ou reduzir sua freqüência. Ocorre o condicionamento operante. Os modelos de aprendizagem destacados podem ser considerados também como processos que norteiam a personalidade de um indivíduo na sociedade em que está inserido. Mesmo a aprendizagem não sendo elencada pelas características dos gêneros humanos, podese evidenciar que ela é parte integrante da formação da cultura de um indivíduo. O comportamento respondente pode ajudar a identificar através de gestos incondicionados (ou condicionados) quando um homem não gosta de um determinado presente recebido. Sua reação imediata pode revelar sua alegria e contentamento por algo recebido ou pode evidenciar a sua frustração por receber algo que não goste. O comportamento operante ajuda na resposta do homem ao receber algo que ele não deseja. Sua visível insatisfação ao receber algo pode ofender a pessoa que o presenteia, pois como destaca Pépece (2002b), “um presente de qualidade pode representar boa qualidade do relacionamento, um bom entrosamento entre receptor e presenteador”. O receptor pode condicionar-se através da aprendizagem, ou seja, através de experiência adquirida em outras ocasiões a dissimular sua insatisfação para a pessoa que o presenteia com algum presente que foge as suas preferências, mantendo como destaca Pépece (2002b), a razão de existência do 86 relacionamento, pois o presenteador deu um presente que o receptor reconheceu que lhe será útil. A demonstração por parte de um homem que não gostou de receber determinado presente pode ser percebida através de gestos, posturas corporais e faciais que ele apresenta no ato do recebimento do mesmo. Weil e Tompakow (1986), evidenciam que as pessoas expressam sua insatisfação por gestos de modo explícito e que esta reação pode ser identificada de acordo com o comportamento e reações da pessoa. A significância dos gestos e posturas das pessoas pode servir como identificador de suas reais emoções e sentimentos relativos às situações que o norteiam. Pode também servir para o presenteador reconhecer e ter como identificar se o receptor demonstra contentamento ou não pelo recebimento de um determinado presente. 87 6 PLANO DE TRABALHO Aluno: Vinícius Marcelo de Jesus Fagundes Identificação da Atividade 1. Realizar um referencial teórico; Descrição da Atividade Pesquisa bibliográfica sobre comportamento do consumidor, ato de presentear (função, importância, significado), comportamento do gênero masculino (preferências, tendências) e processo de compra do consumidor, com ênfase avaliação pós-compra. 2. Identificar, através de entrevista, de que modo Descrever, por que homens não gostam pode ocorrer a avaliação de presentes recebidos de receber determinados presentes, pelo gênero masculino; considerando possíveis variáveis que possam afetar esta postura. 3. Metodologia Elaborar roteiro semi-estruturado de entrevista, com o objetivo de coletar informações que ajudem a explicar o que influência a percepção de presentes que os homens quando recebem. 4. Elaborar a análise, baseado nas entrevistas a ser realizadas, quais presentes os indivíduos do gênero masculino não gostam de ganhar e por quais motivações; Através dos dados obtidos entrevista, espera-se compreender as principais motivações que identifiquem os presentes que homens não gostam de ganhar e identificar possíveis variáveis que afetem ou não a escolha dos presentes que não gostem; 5. Concluir o trabalho identificando os presentes que os homens não gostam de receber e identificar possíveis variáveis que afetem a avaliação do mesmo. Com a identificação dos presentes que os homens não gostam de receber e de possíveis variáveis que possam afetar esta escolha; Propor avaliação por parte de quem presenteia, das características que possam ser melhor aceitas pelo receptor masculino, baseado nas conclusões apresentadas. Quadro 1 – Descrição das atividades previstas para realização do TCC. 88 7 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES 2011 Identificação das Atividades M A 1. Elaborar o projeto X X 2. Realizar um referencial teórico; 3. Identificar , através de entrevista, de que modo pode ocorrer a mensuração de valor de presentes recebidos pelo gênero masculino; 4. Elaborar a análise, baseado nas entrevistas a serem realizadas, quais os presentes que indivíduos do gênero masculino não gostam de ganhar e por quais motivações; 5. Concluir o trabalho identificando os presentes que os homens não gostam de receber e identificar possíveis variáveis que afetem a avaliação do mesmo; M J X X X J A S O X X X X 6. Defender o trabalho de conclusão de curso. Quadro 2 – Cronograma das atividades previstas para realização do TCC. X 89 REFERÊNCIAS ABEP – Associação brasileira de empresas de pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil. Disponível em: <http://www.abep.org/novo/Utils/FileGenerate. ashx?id=197>. Acesso em: 07 Jun 2011. ALMEIDA, Stefânia Ordovás. Avaliação pós-consumo: Proposição de uma escala para mensuração do encantamento do cliente. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escola de Administração. Programa de Pós-Graduação em Administração. Porto alegre, 2003. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/3544>. Acesso em: 22 Abr 2011. ALMEIDA, Stefânia Ordovás; NIQUE, Valter Meucci. Encantamento do cliente: proposição de uma escala para mensuração do constructo. Revista de Administração Contemporânea vol.11 nº4. Curitiba Out/Dec 2007. Disponível em: <http://www.scielo. br/scielo.php?pid=S1415-65552007000400006&script=sci_arttext.>. Acesso em 22 Abr 2011. 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Se não o que ocorreu naquela oportunidade que o Sr. avaliou o presente de maneira diferente? 13) O que fez com esse presente que não gostou? 14) Você acredita que o preço influencia na percepção de valor de um presente recebido? 15) Se sim, você já teve alguma experiência desse tipo? 16) Você atribui valor diferenciado em presentes idênticos recebidos de homens e mulheres? 17) Há a atribuição de valor diferenciada a um presente idêntico recebido de pessoas com diferentes graus de proximidade? 18) Você pode citar algum presente que represente esta questão afetiva e de quem recebeu? 19) Como você avalia esta diferença na atribuição do valor do presente? 20) Você na posição de presenteador avalia quais critérios em um objeto que queira dar de presente? 21) O que representa para você o ato de presentear? 22) Perfil do entrevistado: - idade; - estado civil. 94 ANEXO B – CRITÉRIO DE CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA BRASIL 2008 – CRITÉRIO DE PONTOS Fonte: Adaptado de ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa – 2011. Dados com base no Levantamento Sócio Econômico 2009 - IBOPE Posse de itens e nível de instrução – Entrevistado: ____ 1) Televisão: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 2) Rádio: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 3) Banheiro: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 4) Automóvel: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 5) Empregada mensalista: � nenhum � 1 unidade � 2 unidades � 3 unidades � 4 unidades ou mais 6) Máquina de lavar roupa: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 7) Video cassete e/ ou DVD: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 8) Geladeira: � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 9) Freezer (aparelho independente ou parte da geladeira duplex): � nenhum � 1 aparelho � 2 aparelhos � 3 aparelhos � 4 aparelhos ou mais 10) Qual o grau de instrução do chefe da família ? (até que série estudou) � Analfabeto / Até a 3ª série ensino fundamental � Até 4ª série do ensino fundamental. � Ensino fundamental completo � Ensino médio completo � Superior completo