UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS
CAMPUS DE JABOTICABAL
EXIGÊNCIA DE PROTEÍNA PARA CRESCIMENTO DE
CABRITOS SAANEN MACHOS E FÊMEAS
Oscar Boaventura Neto
Médico Veterinário
JABOTICABAL – SÃO PAULO – BRASIL
2011
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS
CAMPUS DE JABOTICABAL
EXIGÊNCIA DE PROTEÍNA PARA CRESCIMENTO DE
CABRITOS SAANEN MACHOS E FÊMEAS
Oscar Boaventura Neto
Orientadora: Profª. Dra. Izabelle A. M. A. Teixeira
Dissertação apresentada à Faculdade de
Ciências Agrárias e Veterinárias – Unesp,
Campus de Jaboticabal, como parte das
exigências para obtenção do título de Mestre em
Zootecnia (Produção Animal).
JABOTICABAL – SÃO PAULO – BRASIL
Fevereiro de 2011
B662e
Boaventura Neto, Oscar
Exigência de proteína para crescimento de cabritos Saanen
machos e fêmeas / Oscar Boaventura Neto. – – Jaboticabal, 2011
ix, 63 f.; 28 cm
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista,
Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2011
Orientadora: Izabelle Auxiliadora Molina de Almeida Teixeira
Banca examinadora: Telma Teresinha Berchielli, Márcia Helena
Machado da Rocha Fernandes
Bibliografia
1. Caprinos. 2. Composição corporal. 3. Fase inicial. 4. Mantença.
5. Sexo. I. Título. II. Jaboticabal-Faculdade de Ciências Agrárias e
Veterinárias.
CDU 636.39
Ficha catalográfica elaborada pela Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação –
Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação - UNESP, Câmpus de Jaboticabal.
DADOS CURRICULARES DO AUTOR
OSCAR BOAVENTURA NETO – filho de João Rubens Boaventura e Rosa
Maria Morais de Almeida Mesquita Boaventura, nascido em Aracaju, Sergipe, no dia
17 de junho de 1983. Em agosto de 2003, iniciou o Curso de Graduação em
Medicina Veterinária, na Faculdade Pio Décimo, Aracaju-SE, onde fundou o Grupo
de Pesquisa e Extensão em Medicina Veterinária (GEXPE-VET), fez estágio
curricular no setor de caprinocultura da Unesp/Jaboticabal, graduando-se em agosto
de 2008. Em setembro de 2008, iniciou treinamento de aperfeiçoamento no setor de
caprinocultura da Unesp/Jaboticabal como bolsista do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em março de 2009 iniciou o curso
de Pós-Graduação em Zootecnia, em nível de Mestrado, Área de Concentração em
Produção Animal, na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/Unesp - Campus
de Jaboticabal sob orientação da Profª. Dra. Izabelle Auxiliadora Molina de Almeida
Teixeira, durante o mestrado foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo (FAPESP) e fez estágio na Università Degli Studi di Sassari –
Itália, sob orientação do Prof. Dr. Antonello Cannas. No final do ano de 2010
participou do processo seletivo para o curso de Doutorado na Faculdade de Ciências
Agrárias e Veterinárias/Unesp - Campus de Jaboticabal e na Università Degli Studi di
Sassari, sendo admitido para início do curso em março de 2011, em ambas
instituições.
“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.”
Albert Einstein
Dedico...
Aos meus amados pais, João Rubens e Rosa Maria, AMO
VOCÊS!!!
Ofereço...
Aos meus familiares, pelo amor, compreensão, dedicação,
apoio e por tantos sacrifícios...
À distância e a saudade só fizeram aumentar meu amor e
admiração por vocês...
AGRADECIMENTOS
A Deus, pela força, coragem e principalmente paciência para enfrentar os
momentos mais difíceis e continuar seguindo meu caminho.
Aos amigos e ex-professores do Departamento de Medicina Veterinária da
Faculdade Pio Décimo, Msc. Samuel Figueiredo de Souza, Msc. Sílvia Letícia Bonfim
Barros, Bernadeth Moda e ao Msc. Pablo Leignghen por terem me proporcionado os
primeiros contatos e o interesse pela pesquisa.
A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade
Estadual Paulista (Unesp), Campus de Jaboticabal, pela oportunidade de realização
do curso de Mestrado.
A Profª. Dra. Izabelle Auxiliadora Molina de Almeida Teixeira pela
orientação, prestimosos ensinamentos, profissionalismo, oportunidades e por tudo
que aprendi durante o curso.
A Samuel Figueiredo de Souza, Daiana de Oliveira e aos estagiários pela
execução da parte experimental no campo...valeu pela grande força!
A Lisi e Fernanda pela ajuda indispensável nas análises laboratoriais e de
dados...com certeza não chegaria ao fim sem a colaboração de vocês! VALEUUUU!
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) pelo
auxílio concedido para realização do experimento e pela bolsa de estudos.
Aos Professores Dr. Kleber Tomas de Resende e Drª. Ana Cláudia Ruggieri
pelas sugestões no Exame de Qualificação e no esclarecimento das dúvidas.
Aos Professores do Departamento de Zootecnia da FCAV pelos ensinamentos
transmitidos em suas disciplinas.
Aos amigos do Laboratório de Nutrição Animal (LANA), Dra. Ana Paula Sader,
Dra. Juliana, Sr. Orlando (do café) e a Dra. Roberta Canesin pela ajuda, paciência,
ensinamentos e por tantas risadas que fizeram o trabalho ficar mais prazeroso.
A secretária do Departamento de Zootecnia da FCAV, Adriana pela ajuda nas
diversas orientações burocráticas.
Aos amigos, Dr. Fernando Baldi e Dr. Normand St. Pierre, pelo auxílio nas
análises estatísticas.
Ao Dr. Antonello Cannas, Dra. Ana Francesconi, Dr. Kleber Tomas de Resende
e a Lisi pelos ensinamentos, acolhida e vários momentos de descontração na Itália...
A Dra. Karoll Alfonso pelas sugestões que chegaram em boa hora, obrigado!
Aos amigos sergipanos Chiquinho Passos, Ricardo (olho de pitomba), Natália,
Mariana, Izabela, Murilo, Cesar, Kleber Quintela, Brunno, Álvaro, Carlos D`Alencar,
Márcio (Moral) e Ednaldo (Júnior) por toda a força e apoio dado mesmo de tão
longe...
Aos irmãos da República Kasa Verde (RKV), Guilherme Venturini (cabeça de
cone), Marcos Buzanskas, Diego (Mingau), Edson (Mineiro), Estevão (Carcaça),
Dierclês (galinha do céu), Thiago (MS), Edberto (boto), ao Celso (o velho da sala),
Diego (Mingau) e a Dona Tereza, pela acolhida, amizade, companheirismo e pelas
brincadeiras fazendo com que os dias fossem mais animados, valeu GALERAAAAA!!!
Aos amigos da pós-graduação pelos momentos de descontração, festas,
churrascos e forrós, que fizeram com que a passagem em Jaboticabal fosse mais
alegre.
A FAMÍLIA CABRITOLÂNDIA...
Aos amigos e mestres iniciais na Zootecnia, Herymá Giovane de Oliveira Silva
e Lisiane Dorneles de Lima que tiveram paciência e sabedoria para ensinar-me as
primeiras lições na Zootecnia, OBRIGADO por todos os momentos...
Ao Faiado (Adriano), Mel (arroz), Samuel, Alana, Andrea, Nariane, Thiago,
Gabi, Nhayandra, Carla, Douglas, Amélia, Simone, Kaborja, Astrid, Carlinhos,
Juninho, Juci, Nailson, Farofa, Vitor e Ian pela amizade e pelo companheirismo nos
diversos churrascos e festas...Sentirei saudades!!!
A galera da fábrica de ração (Dona Sandra, Sr. Osvaldo e Helinho)...abraço!
Aos amigos de Sassari, Gianfranco, Maura, Elia, Natalia, Giustino (similare ma
diverso), Mateus, Roberto, Alberto, Claudio, Kimala, Maria Grazia, Rossela, Oslem e
Serape, agradeço a recepção e os momentos divertidos que passamos.
Aos meus irmãos Diomedes Carvalho, Rosângela Boaventura e Elizângela
Santana, por tantos momentos inesquecíveis que passamos juntos...AMOOOO...
Aos meus tios, tias, primos e primas pela confiança e apoio sempre...
A minha comadre Áurea, meu afilhado Danilo e Gabriel...obrigado!
A minha sobrinha e afilhada Analice, beijão do tiooooo...
Aos meus avós paternos, Oscar Boaventura dos Santos (in memorian) e
Raimunda Cardoso (in memorian, Dona Mundinha), e aos avós maternos, Diomedes
Carvalho (in memorian) e Waldir Morais (Dona Waldir) pelo carinho e amor,
SAUDADES!!!
A minha “Borrega”, Greicy Mitzi Bezerra Moreno, pelo amor, dedicação,
amizade, força e principalmente paciência... Obrigado por fazer parte da minha vida,
pelos conselhos e por permanecer sempre ao meu lado...PRETINHAAAA...
Todos vocês foram e continuarão sendo importantes na minha vida!
Muito obrigado, que Deus ilumine sempre vocês!!!
1
SUMÁRIO
Página
EXIGÊNCIA DE
PROTEÍNA PARA
CRESCIMENTO
DE
CABRITOS
SAANEN MACHOS E FÊMEAS
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS………………………………………
8
1. Introdução.........................................................................................................
8
2. Revisão da literatura.........................................................................................
9
2.1. Crescimento animal...................................................................................
10
2.2. Composição corporal.................................................................................
12
2.3. Exigências nutricionais..............................................................................
13
2.4. Exigências de proteína para mantença....................................................
14
2.5. Exigências de proteína para ganho...........................................................
15
3. Referências......................................................................................................
18
CAPÍTULO 2 - COMPOSIÇÃO CORPORAL E EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS
EM PROTEÍNA PARA CRESCIMENTO DE CABRITOS SAANEN....................
20
RESUMO..............................................................................................................
21
1. Introdução.......................................................................................................
22
2. Material e métodos..........................................................................................
23
3. Resultados......................................................................................................
32
4. Discussão........................................................................................................
43
5. Conclusões......................................................................................................
50
6. Referências………………………………………………………………………….
51
2
LISTA DE ABREVIATURAS
CCHOT
Consumo de carboidrato total
CEE
Consumo de extrato etéreo
CMM
Consumo de matéria mineral
CMO
Consumo de matéria orgânica
CMS
Consumo de matéria seca
CPB
Consumo de proteína bruta
CDMS
Coeficiente de digestibilidade da matéria seca
CDMO
Coeficiente de digestibilidade da matéria orgânica
CDEE
Coeficiente de digestibilidade do extrato etéreo
CDPB
Coeficiente de digestibilidade da proteína bruta
CDFDN
Coeficiente de digestibilidade da fibra insolúvel em
detergente neutro
CDFDA
Coeficiente de digestibilidade da fibra insolúvel em
detergente ácido
CDCHOT
Coeficiente de digestibilidade do carboidrato total
CDCHONE
Coeficiente de digestibilidade do carboidrato não estrutural
EB
Energia bruta
ECC
Escore de condição corporal
EE
Extrato etéreo
FDA
Fibra insolúvel em detergente ácido
FDN
Fibra insolúvel em detergente neutro
GP
Ganho de peso
GPCV
Ganho de peso de corpo vazio
Log
Logaritmo
MM
Matéria mineral
MS
Matéria seca
N
Nitrogênio
Pabt
Peso ao abate
PB
Proteína bruta
3
PC
Peso corporal
PCi
Peso corporal inicial
PCV
peso de corpo vazio
PCVi
Peso de corpo vazio inicial
PLg
Proteína líquida para ganho
PLm
Proteína líquida para mantença
PLT
Proteína líquida total
PMg
Proteína metabolizável para ganho
R2
Coeficiente de determinação
RMSE
Raiz quadrada do erro
TGI
Trato gastrintestinal
4
LISTA DE TABELAS
Página
CAPÍTULO 2 – COMPOSIÇÃO CORPORAL E EXIGÊNCIA NUTRICIONAL
DE PROTEÍNA EM CAPRINOS SAANEN NA FASE INICIAL
DE CRESCIMENTO................................................................
Tabela 1 - Sistema de aleitamento adotado aos animais submetidos a 0% de
restrição até os 50 dias de vida.........................................................
Tabela 2 - Composição química do leite e da dieta experimental na matéria
seca (MS).........................................................................................
Tabela 3 - Sistema de aleitamento adotado aos animais submetidos a 0% de
restrição até os 50 dias de vida........................................................
Tabela 4 - Idade inicial e final, dias experimentais, peso vivo e peso de corpo
vazio (PCV) inicial, peso vivo e peso de corpo vazio final, escore
de condição corporal (ECC) inicial e final, ganho de peso (GP) total
e ganho de peso diário de cabritos Saanen em função do sexo
(Média ± erro padrão).......................................................................
Tabela 5 - Idade inicial e final, dias experimentais, peso vivo e peso de corpo
vazio (PCV) inicial, peso vivo e peso de corpo vazio final, escore
de condição corporal (ECC) inicial e final, ganho de peso (GP)
total e ganho de peso diário de caprinos Saanen na fase inicial de
crescimento em função da restrição alimentar (Média ± erro
padrão)..............................................................................................
Tabela 6 - Consumo de matéria seca (CMS), proteína bruta (CPB), proteína
digestível (CPD), matéria mineral (CMM), matéria orgânica (CMO),
extrato etéreo (CEE) e carboidratos totais (CCHOT) de cabritos
Saanen..............................................................................................
Tabela 7 - Digestibilidades de nutrientes de cabritos Saanen em função do
sexo...................................................................................................
Tabela 8 - Digestibilidades de nutrientes de cabritos Saanen em função do
nível de restrição..............................................................................
Tabela 9 - Composição corporal em água, matéria seca (MS), proteína bruta
(PB) e matéria mineral (MM) de caprinos Saanen em função do
sexo e abatidos aos 5, 10 e 15 kg de peso corporal (Média ± erro
padrão)..............................................................................................
Tabela 10 - Composição corporal em extrato etéreo (EE) de caprinos Saanen
em função do sexo e abatidos aos 5, 10 e 15 kg de peso corporal
(Média ± erro padrão).......................................................................
Tabela 11 - Equações de regressão para estimar o peso de corpo vazio (PCV)
e a composição corporal (água, cinzas, proteína, gordura e
matéria seca) de caprinos Saanen.................................................
21
25
25
30
33
34
35
36
37
49
40
40
5
Tabela 12 - Peso de corpo vazio (PCV) e composição corporal de cabritos
Saanen em função do sexo............................................................
Tabela 13 - Equação para predição e composição do ganho em peso de corpo
vazio (GPCV) de proteína de caprinos Saanen na fase inicial de
crescimento...................................................................................
41
42
Tabela 14 - Exigência de proteína líquida para ganho em peso corporal (PLg)
e exigência de proteína metabolizável para ganho em peso
corporal (PMg) de caprinos Saanen abatidos aos 5, 10 e 15 kg de
peso corporal.............................................................................
Tabela 15 - Exigência de proteína líquida para caprinos Saanen na fase inicial
de crescimento......................................................................
42
43
6
EXIGÊNCIA DE PROTEÍNA PARA CRESCIMENTO DE CABRITOS SAANEN
MACHOS E FÊMEAS
RESUMO - O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do sexo na composição
corporal e exigência de proteína para mantença e ganho, em caprinos Saanen na fase
inicial de crescimento. Foram realizados dois experimentos, em que no primeiro utilizouse 40 animais (14 machos não castrados, 14 machos castrados e 12 fêmeas) com peso
inicial de 4,93 ± 0,1 kg de peso corporal (PC), para determinar a exigência de proteína
para mantença. Os animais de cada sexo foram aleatoriamente distribuídos em 3 níveis
de restrição (0, 25 e 50% de restrição). Os animais 25 e 50% de restrição foram
abatidos quando os animais 0% de restrição atingiram 15 kg PC. No segundo
experimento, considerou-se para a estimativa da composição do ganho os animais
alimentados à vontade (abate inicial, intermediário e final - 0% restrição), em que 6
machos não castrados e 6 fêmeas foram abatidos no começo do experimento (5 kg), 6
machos não castrados, 6 machos castrados e 6 fêmeas foram abatidos com 10 kg PC
(abate intermediário) e o restante foi distribuído em 3 grupos alimentados à vontade e
abatido aos 15 kg PC. Foi utilizado o método direto para determinação da composição
corporal e o método fatorial para estimativa das exigências de proteína. A quantidade
de água, proteína e cinzas não diferiu entre os sexos e diminuiu em 1%, 62% e 17%
com a mudança do PC de 5 para 15 kg respectivamente. Já em relação ao conteúdo de
gordura, conforme o PC variou de 5 para 15 kg, os machos não castrados e machos
castrados aumentaram de 54,6 para 88,17 g/kg PCV e as fêmeas aumentaram de 45,1
para 117,67 g/kg PCV. Não houve efeito do sexo sobre a exigência de proteína para
mantença e nem para ganho de peso. A exigência de proteína líquida e metabolizável
para ganho diminuiu à medida que o PC variou de 5 para 15 kg. Cabritos Saanen
machos não-castrados, machos castrados e fêmeas na fase inicial de crescimento (5 a
15 kg de PC), possuem exigência nutricional em proteína para mantença e ganho
similares.
Palavras-Chave: caprinos, composição corporal, fase inicial, mantença, sexo
7
PROTEIN REQUIREMENT FOR GROWTH OF MALE AND FEMALE KIDS SAANEN
SUMMARY - The aim of this study was to evaluate the effect of sex on body
composition and nutritional requirement of protein for maintenance and gain in Saanen
goats at early growth stages. There were two different experiments, the first was used
40 animals (14 non-castrated males, 14 castrated males and 12 females) with initial
weight of 4.93 ± 0.1 kg body weight (BW), to determine the protein requirement for
maintenance. The animals of each sex were randomly divided into three levels of
restriction (0%, 25% and 50% restriction). Animals with 25% and 50% restriction were
slaughtered when the animals who were feed with 0% restriction reached 15 kg BW. In
the second experiment to estimate the composition of the gain was used animals feed
ad libitum (initial slaughter, intermediate and final - 0% restriction), in which 6 noncastrated males and 6 females were slaughtered at the beginning of the experiment, 6
non-castrated males, 6 castrated males and 6 females were slaughtered at 10 kg BW
(intermediary slaughter) and the remainder distributed in three groups feed ad libitum.
Was used the comparative slaughter technique for obtaining the body composition and
the factorial method for estimating protein requirements. The amount of water, protein
and ash decreased by 1%, 62% and 17% with the change of PC from 5 to 15 kg and did
not differ between the sexes. In relation to fat, as the PC ranged from 5 to 15 kg, noncastrated males and castrated males increased from 54.6 to 88.17 g / kg EBW and
females increased from 45.1 to 117.67 g / kg EBW. No effect of sex in the protein
requirement for maintenance and for gain. The net requirement for protein and
metabolizable gain decreased as the PC ranged from 5 to 15 kg. Saanen goats noncastrated males, castrated males and females at early growth stages (5 to 15 kg BW),
have the same nutritional requirement of protein for maintenance and gain.
Keywords: body composition, early stage, gender, goats, maintenance
8
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
1. Introdução
A nutrição é um dos principais responsáveis pelo aumento da produtividade em
qualquer atividade pecuária, por este motivo, para que a formulação de dietas seja
ajustada de forma adequada para cada fase e objetivo de produção é imprescindível o
conhecimento da composição corporal e das exigências nutricionais dos animais.
Dentre os principais entraves que limitam a atividade caprina, destaca-se o
inadequado manejo nutricional, acarretando em ineficiente manejo reprodutivo e
sanitário. É de fundamental importância a elaboração de um plano nutricional específico
para cada espécie de acordo com cada fase de vida, buscando evitar prejuízos
econômicos, ambientais e o desperdício de nutrientes. A melhoria dos índices
produtivos da caprinocultura, como taxa de ganho de peso e produção leiteira, pode
alterar as necessidades nutricionais, principalmente com respeito à energia e proteína.
Para a estimativa das exigências nutricionais é fundamental o conhecimento da
composição corporal, que é definida pela quantidade de nutrientes e energia no corpo,
sendo esta influenciada por diversos fatores, entre eles, sexo, idade, categoria animal,
genótipo e alimentação (AFRC, 1993). Com relação aos fatores genéticos, o principal
fator que influencia as exigências nutricionais é a raça, porém, não existem dados
suficientes com caprinos que evidencie esta diferença para cada raça, no entanto, o
NRC (2006) relata que as exigências nutricionais são diferentes para caprinos nativos e
para as diferentes aptidões, seja carne, leite ou fibra.
Considerando os fatores nutricionais, a alimentação prévia e a alimentação atual
são fatores importantes, pois um animal submetido à severa restrição alimentar,
principalmente protéica, diminui o peso à maturidade, como resultado de reduções
permanentes no número e na atividade de células do trato gastrintestinal e da fibra
muscular, o que não ocorre com restrição energética moderada (WIDDOWSON &
LISTER, 1991). Já em relação aos fatores fisiológicos, as principais alterações na
composição corporal são mediadas pelos hormônios, tanto do ponto de vista das
9
diferentes taxas de liberação quanto do perfil hormonal presente no animal. A taxa de
liberação destes hormônios é influenciada tanto pelo sexo, quanto pelo grau de
maturidade (WEBSTER, 1986).
A composição corporal e, conseqüentemente, as exigências nutricionais sofrem
alterações de acordo com o sexo dos animais, sendo que as fêmeas depositam mais
tecido adiposo comparado aos machos não castrados e aos machos castrados
(OWENS et al., 1993). Estudos avaliando o efeito do sexo na composição corporal e
exigências nutricionais em caprinos são escassos, entretanto, essa informação é de
suma importância para a adequação das formulações nutricionais dentro dos diferentes
sistemas de produção. De acordo com o NRC (2000), bovinos não-castrados da raça
Angus são 18% menos exigentes em energia líquida para ganho que os machos
castrados, que, por sua vez, são 18% menos exigentes que fêmeas. CHIZZOTTI et al.
(2008), avaliaram animais Nelore e cruzados em condições nacionais e relataram que a
energia líquida para ganho de machos castrados foi 27% superior à de machos não
castrados e 10% inferior à de fêmeas. As diferenças existentes entre os sexos e raças
dentro do mesmo sexo demonstram a necessidade de realizar estudos com animais e
condições nacionais, além disso, torna evidente a importância da determinação da
composição corporal e estimativa das exigências nutricionais em animais de diferentes
sexos.
Dessa maneira, estudos que visem à determinação das exigências nutricionais de
caprinos na fase de cria são relevantes no tocante à importância econômica desta fase
de produção, considerando que é uma das fases mais onerosas da atividade e que
erros de ordem nutricional, seja de sub ou superalimentação, causam efeitos deletérios
e irreversíveis que podem comprometer o futuro desempenho dos animais.
2. Revisão da literatura
O rebanho caprino aumentou menos de 1% (IBGE, 2008) na última década,
apesar do baixo crescimento, existe uma perspectiva que essa situação alcance outras
proporções em poucos anos, tendo em vista que a população humana está buscando
10
alimentos mais saudáveis, características que são intrínsecas aos produtos caprinos
(carne, leite e derivados). Um fator que indica a busca pelos produtos da espécie é o
crescimento das pesquisas científicas, visando responder às lacunas existentes no
âmbito dos diversos segmentos da cadeia produtiva (EMBRAPA, 2010). De acordo com
RESENDE et al. (2008) a capacidade produtiva dos caprinos tem aumentado nos
últimos anos, em resposta à diversos fatores, dentre os quais podemos destacar, o
melhoramento genético, nutrição e sanidade.
Entre estas áreas, a nutrição é uma das mais estudadas, ainda assim,
informações a respeito das exigências nutricionais de caprinos ainda são escassas na
literatura nacional, principalmente no tocante as alterações devido ao sexo, uma vez
que a maioria dos estudos na fase de crescimento apresenta dados apenas com
machos não castrados.
Existem alguns sistemas de alimentação que fazem recomendações quanto às
exigências nutricionais dos animais. Foi publicado em 2006, um específico para
pequenos ruminantes (NRC, 2006), além de outros como o sistema australiano
(CSIRO) e o francês (INRA), publicados em 2007, que também fazem referência aos
caprinos. Entretanto, os dados utilizados por esses sistemas de alimentação
internacionais são coletados em situações diferentes das existentes no Brasil, podendose destacar as condições climáticas, o relevo, as raças e a alimentação.
Para tentar minimizar essas diferenças, nas últimas décadas, grupos de pesquisas
das universidades brasileiras vêm trabalhando no sentido de estabelecer as exigências
nutricionais para caprinos em condições locais, e algumas diferenças já foram
apontadas em relação aos valores estabelecidos em outros países, indicando a
importância desse tipo de estudo em condições nacionais.
2.1. Crescimento animal
O crescimento e o desenvolvimento são fenômenos inter-relacionados, que
atuam no âmbito da produção animal. Nos últimos anos, estudos sobre fisiologia,
biologia molecular de hormônios reguladores do crescimento e a busca por genes que
11
controlem aspectos quantitativos como o peso, tamanho dos componentes corporais e
o aprofundamento nos estudos das relações materno-filiais durante a gestação, têm
contribuído para melhorar os conhecimentos sobre o crescimento e desenvolvimento
animal (LÓPEZ, 2009).
De acordo com OWENS et al. (1993) o crescimento é definido como sendo a
produção de novas células, e não inclui somente a multiplicação de células (hiperplasia)
mas também seu alargamento (hipertrofia), a deposição de tecido adiposo e a
incorporação de componentes específicos do ambiente. Existem diversos fatores que
podem afetar as taxas de crescimento dos animais, entre eles, peso ao nascer, raça,
sexo, tamanho à maturidade, parasitos, além de fatores nutricionais, hormonais e
ambientais (OWENS et al., 1993).
Com relação ao sexo, sabe-se que este exerce influência sobre as taxas de
crescimento dos animais. Animais não-castrados tendem a apresentar maior taxa de
crescimento, com composição do ganho caracterizada por maior teor de proteína e
menos gordura, resultando em maior eficiência alimentar, quando comparados a
machos castrados ou fêmeas, dentro de um mesmo grupo contemporâneo (PURCHAS,
1991). Uma possível razão para a superioridade dos machos não castrados seria o
efeito anabólico do hormônio masculino testosterona sobre a proteína corporal
(FLETCHER et al., 1986).
De acordo com OWENS et al. (1993), hormônios específicos ou fatores de
crescimento alteram a taxa de crescimento. A liberação dos hormônios e ação dos
fatores de crescimento está intimamente relacionada a fatores genéticos, ambientais e,
principalmente nutricionais. Segundo WILSON & OSBOURN (1960), o crescimento de
um animal pode ser retardado se um nutriente qualquer da dieta faltar, principalmente
se energia e proteínas estiverem limitando o ganho em peso; como o animal apresenta
pequenas reservas protéicas, a restrição de proteína geralmente promove maiores
danos do que a energética.
Os estudos de crescimento e desenvolvimento animal devem ser avaliados entre
as diferentes espécies e entre diferentes sexos, devido aos mecanismos diferenciados
que influencia de forma complexa cada fase do desenvolvimento.
12
2.2. Composição corporal
O conhecimento da composição corporal é de suma importância para a
estimativa das exigências nutricionais, além disso, a sua determinação é essencial em
estudos de nutrição para avaliar alimentos e crescimento animal. Por meio da
composição corporal é possível identificar alterações na composição do ganho em
função de diversos fatores como sexo, genótipo, estágio fisiológico, peso, idade,
composição da dieta, entre outros.
O termo composição corporal diz respeito à composição química de todo corpo
animal, mas este termo também é utilizado com respeito à composição química de uma
parte do corpo animal (por exemplo, a carcaça) ou ainda pode ser relacionado com a
composição física do corpo dos animais (GREENHALGH, 1986). Em relação à nutrição
animal, a determinação da quantidade de tecidos tem importância secundária, o que
interessa realmente é definir os componentes, independentemente dos tecidos que são
depositados.
Desta
maneira,
a
composição
química
corporal
refere-se
às
concentrações ou quantidades de água, gordura, proteína e minerais. Os teores de
carboidratos no corpo dos animais são baixos e constantes (0,7% na matéria seca), por
isso não são considerados. É importante ainda salientar que a composição de todo o
corpo animal é aquela relacionada à composição do corpo vazio, o qual é encontrado
pela diferença entre peso vivo e conteúdos do trato gastrintestinal e da bexiga
(LOFGREEN et al., 1962).
A composição corporal sofre influência de fatores genéticos, fisiológicos e
nutricionais (AFRC, 1993). A diferença mais óbvia entre diferentes genótipos é o
tamanho à maturidade, entretanto, a diferenciada deposição tecidual também se
apresenta como fator de grande efeito na composição corporal, como é o caso de raças
com hipertrofia muscular, a exemplo dos animais Belgian Blue. Quanto aos fatores
fisiológicos, WEBSTER (1986), cita que os hormônios são os que mais exercem
influência, cujas taxas de liberação são mediadas por alguns fatores como, o sexo, grau
de maturidade ou fotoperíodo.
13
Existem várias metodologias para determinação da composição corporal e em
geral, elas podem ser divididas naquelas medidas no animal vivo (método indireto) e
aquelas determinadas após o abate (método direto). Muitos métodos realizados no
animal vivo são baseados no fato de que a composição corporal pode ser estimada com
precisão quando a quantidade de água ou gordura do corpo é conhecida, uma vez que
a composição do corpo vazio seco e desengordurado é praticamente constante.
Todavia, HENRIQUE (2002) relatou que a afirmativa anterior somente é válida para
animais mais velhos, uma vez que a quantidade de água não é constante em animais
jovens. Assim, torna-se importante o conhecimento do conceito de “maturidade
química”, o qual é definido como a idade a partir da qual a concentração de água,
proteína e matéria mineral no corpo desengordurado torna-se praticamente constante.
Em relação ao método direto, a sua principal vantagem é que é feita análise do
nutriente que ficou realmente retido no corpo do animal. No entanto, para a escolha do
método para predição da composição corporal devem-se considerar diversos fatores,
tais como; custo, facilidade de tomada das medidas e a estabilidade da predição entre
animais independente do sexo, idade ou regime de alimentação.
São escassos os trabalhos que avaliaram o efeito do sexo sobre a composição
corporal, especialmente em caprinos. PAULINO et al. (2009) ao estudarem a
composição química de bovinos Nelore machos não-castrados, machos castrados e
fêmeas, observaram que os machos não-castrados apresentaram maior conteúdo de
proteína e menor de extrato etéreo no ganho de peso de corpo vazio que os machos
castrados e as fêmeas. Estes mesmos autores atribuem a maior taxa de acréscimo de
proteína no corpo vazio de machos não-castrados em relação aos machos castrados e
às fêmeas com a secreção de testosterona (FLETCHER et al., 1986) e seu efeito
anabólico sobre a proteína corporal.
2.3. Exigências nutricionais
O arraçoamento com dietas balanceadas, que atendam as exigências
nutricionais, pode evitar prejuízos econômicos e ambientais, reduzindo o desperdício de
14
nutrientes e minimizando a contaminação ambiental. Desta maneira, o conhecimento
das exigências nutricionais é de fundamental importância para uma exploração racional,
uma vez que animais alimentados adequadamente convertem de forma mais eficiente
os nutrientes ingeridos em produto final (carne, leite, pele ou fibra).
A grande maioria dos trabalhos que estimam ou fazem recomendações sobre
exigências nutricionais de caprinos utilizam ou extrapolam dados obtidos com ovinos
e/ou bovinos. Entretanto, os dados obtidos com essas espécies não devem ser
utilizados para caprinos, em razão das diferenças existentes entre essas espécies, tais
como: hábitos alimentares, atividades físicas, requerimentos de água, composição do
leite e da carcaça, diferentes mecanismos de adaptação, entre outros (NRC, 1981).
O método fatorial tem sido adotado como a mais adequada metodologia para
estimativa das exigências nutricionais. Este método consiste em fracionar as exigências
dos animais em seus diversos componentes de produção: exigência de mantença,
exigência de ganho, exigência de gestação, exigência de lactação e exigência para
produção de fibra (ARC, 1980).
2.4. Exigências de proteína para mantença
A exigência de proteína para um animal em mantença é definida como a
quantidade de proteína necessária para que os processos vitais do corpo permaneçam
normais, incluindo a reposição das perdas endógenas e metabólicas pelas fezes, urina
e pela pele, ou seja, é aquela que não permitirá perda ou ganho de peso dos animais
(ARC, 1980). De acordo com TEIXEIRA (2004), embora as exigências de mantença
possam ser consideradas uma condição teórica, é necessário considerá-las
separadamente daquelas para produção.
De acordo com o ARC (1980), são utilizados basicamente quatro métodos para
estimar as exigências de proteína para mantença: balanço de nitrogênio, utilização de
dietas purificadas, nitrogênio marcado e abate comparativo. Perante algumas limitações
o balanço de nitrogênio passou a ser trocado pelo abate comparativo, no qual se
determina a proteína retida, que será igual à exigência de proteína líquida para ganho.
15
Utilizando equação de regressão linear entre a proteína retida e a ingerida pode-se
obter a eficiência de utilização da proteína ingerida para a proteína líquida, a qual será
igual à inclinação da reta obtida por esta regressão. A exigência de proteína líquida
para mantença (perdas endógenas e metabólicas, secreção da pele) será igual à
retenção negativa de proteína quando a ingestão de proteína for extrapolada para zero
(TEIXEIRA, 2004).
Estudos foram realizados no Brasil com o objetivo de estimar a exigência de
proteína líquida para mantença em caprinos (RESENDE, 1989; TEIXEIRA, 2004;
FERNANDES et al., 2007; ALVES et al., 2008), entretanto, nenhum desses estudos
avaliaram o efeito do sexo sobre a composição corporal e exigências nutricionais.
Segundo o NRC (2006), os efeitos do sexo sobre os requerimentos de proteína
metabolizável parecem estar relacionados com a composição de proteína nos tecidos
em crescimento e em mantença, como reflexo do estágio de maturidade e taxa de
crescimento animal. Além disso, o NRC (2006) afirma também que a influência do sexo
sobre as diferenças nos requerimentos de proteína para mantença ainda não foram
devidamente estudados. Provavelmente esta escassez de dados seja responsável pelo
fato de que apenas três sistemas de alimentação consideram os efeitos do sexo sobre
as exigências de mantença, são eles, o EEZ (Estación Experimental del Zaidin,
Granada, Espanha), o IGR (Institute for Goat Research, Langston University, Estados
Unidos) e o NRC que preconizam maiores exigências para machos não castrados e
animais em crescimento (CANNAS et al., 2008).
2.5. Exigências de proteína para ganho
Para a determinação das exigências para ganho utiliza-se a técnica do abate
comparativo (LOFGREEN & GARRET, 1968), no qual é possível determinar a retenção
de um determinado nutriente ou energia no corpo dos animais por um dado período de
tempo. Portanto, é necessário o conhecimento da composição corporal dos animais, a
qual é estimada a partir da equação alométrica logaritmizada (Log da quantidade de
16
nutriente no corpo vazio = a + b log de peso de corpo vazio). A partir da derivada desta
equação é possível encontrar a exigência líquida para ganho em peso de corpo vazio.
Alguns estudos foram realizados no Brasil com o objetivo de determinar a
exigência de proteína líquida para caprinos na fase inicial de crescimento. Dentre eles,
RESENDE (1989) obteve valores variando de 147 a 172 mg/g de proteína para ganho
peso corporal (PC) em cabritos machos não castrados pesando entre 5 e 25 kg.
MEDEIROS (2001) obteve valores variando de 181 mg/g a 184 mg/g de proteína para
ganho em PC em cabritos Saanen, machos não castrados, pesando entre 5 e 20 kg,
respectivamente.
Derivando-se a equação alométrica logaritmizada para estimativa da composição
corporal (Log Y = a + b log X), encontra-se a seguinte equação Y’ = b 10a X(b-1). A partir
desta equação é possível então encontrar a exigência líquida para ganho em peso.
Y' = exigência líquida de ganho do nutriente (g);
a = intercepto da equação de predição do conteúdo corporal do nutriente;
b = coeficiente de regressão da equação de predição do conteúdo corporal do nutriente;
X = PCV (kg).
Fatores como o sexo podem alterar significativamente as exigências de proteína
para ganho, no entanto, na literatura mundial e nacional, a maioria dos estudos de
determinação de exigências na fase inicial de crescimento utilizou apenas animais
machos não castrados, sendo escassos os estudos com fêmeas e mais escassos ainda
quando se compara os diferentes sexos em um mesmo estudo. Alguns trabalhos que
avaliaram o efeito sexo na determinação das exigências de proteína foram realizados
em bovinos, sendo que dados com caprinos são inexistentes.
MARCONDES et al. (2009) estudaram as exigências de proteína para ganho em
peso de bovinos machos não castrados, machos castrados e fêmeas da raça Nelore e
não observaram diferenças para os sexos, sendo que a concentração de proteína no
corpo vazio dos animais das três classes sexuais diminuiu conforme o peso de corpo
vazio aumentou, uma conseqüência da maior deposição de gordura nas fases mais
17
tardias de crescimento dos animais, fazendo com que a exigência de proteína líquida
para ganho também diminuísse à medida que os animais ficassem mais pesados.
Comparando bovinos machos não castrados e machos castrados em
crescimento, GEAY (1984) relatou que a exigência de proteína líquida é maior para
animais não-castrados e, dentro de um mesmo sexo, é maior para animais de
maturidade tardia que para os de maturidade precoce, em decorrência do maior
potencial para crescimento muscular de animais não-castrados e/ou de maturidade
tardia. ROBELIN & DAENICKE (1980) avaliaram o efeito do sexo sobre a composição
corporal de bovinos e observaram que a porcentagem de proteína no peso de corpo
vazio de novilhos e novilhas foi 10% menor do que em touros, apesar dos animais
apresentarem peso corporal semelhante. As diferenças na composição química do
corpo, provavelmente devido ao diferentes graus de maturidade, podem ter afetado a
composição do ganho e as exigências de proteína (OWENS et al., 1995).
O uso da maturidade relativa também permite contabilizar o efeito do sexo sobre
as exigências de ganho. Dentro de uma mesma raça, os machos não castrados têm
maior peso à maturidade do que as fêmeas, assim, se os machos não castrados e
fêmeas de um mesmo peso corporal e mesma raça são comparados, a maturidade
relativa e, consequentemente, as exigências de ganho serão menores para os machos
não castrados que para as fêmeas (CANNAS et al., 2008). Uma parte da grande
variabilidade observada na comparação das exigências de ganho também pode ser
devido ao fato de que, para mesmos pesos corporais, as exigências são diferentes
dependendo do sexo considerado (CANNAS et al., 2008). Este fato, plenamente
coerente com a biologia do crescimento, tem sido negligenciado pelos sistemas de
alimentação, o que demonstra a necessidade de mais pesquisas que avaliem
diferenças entre os sexos em caprinos.
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do sexo na composição corporal e
exigência nutricional de proteína em caprinos Saanen machos não castrados, machos
castrados e fêmeas na fase inicial de crescimento.
18
3. REFERÊNCIAS
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19
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WILSON, P.N.; OSBOURN, D.F. Compensatory growth after under nutrition in mammals
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21
CAPÍTULO 2 - COMPOSIÇÃO CORPORAL E EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS EM
PROTEÍNA PARA CRESCIMENTO DE CABRITOS SAANEN
RESUMO - O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do sexo na composição
corporal e exigência de proteína para mantença e ganho, em caprinos Saanen na fase
inicial de crescimento. Foram realizados dois experimentos, em que no primeiro utilizouse 40 animais (14 machos não castrados, 14 machos castrados e 12 fêmeas) com peso
inicial de 4,93 ± 0,1 kg de peso corporal (PC), para determinar a exigência de proteína
para mantença. Os animais de cada sexo foram aleatoriamente distribuídos em 3 níveis
de restrição (0, 25 e 50% de restrição). Os animais 25 e 50% de restrição foram
abatidos quando os animais 0% de restrição atingiram 15 kg PC. No segundo
experimento, considerou-se para a estimativa da composição do ganho os animais
alimentados à vontade (abate inicial, intermediário e final - 0% restrição), em que 6
machos não castrados e 6 fêmeas foram abatidos no começo do experimento (5 kg), 6
machos não castrados, 6 machos castrados e 6 fêmeas foram abatidos com 10 kg PC
(abate intermediário) e o restante foi distribuído em 3 grupos alimentados à vontade e
abatido aos 15 kg PC. Foi utilizado o método direto para determinação da composição
corporal e o método fatorial para estimativa das exigências de proteína. A quantidade
de água, proteína e cinzas não diferiu entre os sexos e diminuiu em 1%, 62% e 17%
com a mudança do PC de 5 para 15 kg respectivamente. Já em relação ao conteúdo de
gordura, conforme o PC variou de 5 para 15 kg, os machos não castrados e machos
castrados aumentaram de 54,6 para 88,17 g/kg PCV e as fêmeas aumentaram de 45,1
para 117,67 g/kg PCV. Não houve efeito do sexo sobre a exigência de proteína para
mantença e nem para ganho de peso. A exigência de proteína líquida e metabolizável
para ganho diminuiu à medida que o PC variou de 5 para 15 kg. Cabritos Saanen
machos não-castrados, machos castrados e fêmeas na fase inicial de crescimento (5 a
15 kg de PC), possuem exigência nutricional em proteína para mantença e ganho
similares.
Palavras-chave: caprinos, composição corporal, fase inicial, mantença, sexo
22
1. Introdução
A pesquisa científica mundial em nutrição animal tem definido, há mais de um
século, os nutrientes requeridos pelos animais (PRESTON, 2006). Entre os principais
nutrientes estudados está a proteína, haja vista que, participa de diversas funções no
organismo dos seres vivos, tais como: crescimento e reparação de tecidos, transporte e
armazenamento de substâncias, geração e transmissão de impulsos nervosos, controle
do metabolismo, entre outros. Assim, adequar a nutrição protéica aos ruminantes
significa provê-los de um nutriente essencial para manutenção da homeostase
(VALADARES FILHO & CHIZZOTTI, 2010).
O manejo nutricional inadequado é, sem dúvida, um dos principais responsáveis
pela baixa eficiência produtiva da caprinocultura. Os dados utilizados na formulação de
dietas para caprinos no Brasil são na maioria das vezes extrapolados dos dados de
bovinos e ovinos criados em países de clima temperado, em conseqüência disso, existe
a probabilidade dos caprinos criados em condições brasileiras não serem nutridos de
forma adequada, o que ocasiona prejuízo econômico e ambiental, uma vez que, os
animais estariam sub ou super nutridos.
O princípio básico para a estimativa da exigência líquida é a determinação da
composição corporal, que é definida pela quantidade de nutriente depositada no corpo
do animal. Porém, existem inúmeros fatores que influenciam na composição corporal,
como: fatores genéticos, nutricionais e fisiológicos (AFRC, 1993), cada um
influenciando de forma diferenciada na deposição dos nutrientes.
Com relação aos fatores genéticos, o principal fator que influencia as exigências
nutricionais é a raça, uma vez que a deposição tecidual é diferente, por exemplo, em
animais produtores de leite e de carne. Porém, não existem dados suficientes com
caprinos que mostre essa diferença para cada raça específica, no entanto, o NRC
(2006) relatou que as exigências nutricionais são diferentes para caprinos nativos e
para diferentes aptidões: carne, leite e fibra. Com respeito aos fatores nutricionais, a
alimentação prévia e a alimentação atual são fatores importantes, porque um animal
submetido à severa restrição alimentar apresentará alterações na deposição tecidual, e
23
o seu desenvolvimento será afetado mesmo após a realimentação. Quanto aos fatores
fisiológicos, as principais alterações na composição corporal são mediadas pelos
hormônios, tanto do ponto de vista da taxa de liberação dos diferentes hormônios,
quanto do perfil hormonal presente no animal. A taxa de liberação destes hormônios é
influenciada tanto pelo sexo quanto pelo grau de maturidade (WEBSTER, 1986).
Estudos avaliando o efeito do sexo na composição corporal e nas exigências
nutricionais em caprinos são escassos, entretanto essa informação é de suma
importância, porque as fêmeas depositam mais tecido adiposo comparado aos machos
(OWENS et al., 1993). Sendo assim, torna-se evidente a importância da avaliação das
exigências nutricionais em caprinos da raça Saanen na fase inicial de crescimento entre
os diferentes sexos.
O objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do sexo (machos não castrados,
machos castrados e fêmeas) na composição corporal e exigências nutricionais de
proteína para manutenção e para ganho em peso de cabritos Saanen na fase inicial de
crescimento em condições brasileiras.
2. Material e métodos
O experimento foi conduzido na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da
Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Jaboticabal - São Paulo, Brasil, localizada
a “21º 15’ 22” S e “48º 18’ 58” W, altitude de 595 m, entre o período de fevereiro de
2008 a junho de 2009, com média de temperatura (ºc) máxima de 31,6 e mínima de
24,5 e umidade relativa (%) máxima de 68,2 e mínima de 21,5. Neste período, foram
desenvolvidos dois estudos, um para estimativa da exigência de proteína para
mantença e outro para determinação da composição corporal e estimativa da exigência
de proteína para ganho em peso. A composição corporal (concentração do nutriente) foi
determinada por meio do método direto, em que se utilizou a moagem de todo o corpo
do animal. Para estimativa da exigência nutricional de proteína para ganho em peso e
para mantença utilizou-se o método fatorial. Ao longo do texto, os machos não
castrados serão chamados apenas de machos, os machos castrados serão chamados
24
apenas de castrados. Os castrados foram submetidos ao procedimento cirúrgico com 7
dias de vida. Os animais tiveram média de 4,0±0,24 kg de PC ao nascimento, sem
diferença entre machos e fêmeas. Os estudos foram aprovados pela Comissão de Ética
no uso de animais (CEBEA), protocolo nº 008919-08.
2.1. Estimativa da exigência nutricional de proteína para mantença
No estudo da estimativa da exigência de proteína para mantença foi planejado
trabalhar com 54 animais da raça Saanen divididos em, 18 machos, 18 castrados e 18
fêmeas. Porém, houve morte de 4 machos, 4 castrados e 6 fêmeas durante o
experimento, as mortes foram em decorrência de diarréia. Portanto, foram utilizados 40
animais no total, sendo 14 machos, 14 castrados e 12 fêmeas com idade média de 22 ±
2,0 dias e peso inicial de 4,93 ± 0,1 kg de PC. Para estimativa do peso de corpo vazio
inicial (PCVi) e da composição corporal inicial em proteína, foram utilizados 12 animais,
6 machos e 6 fêmeas. Os animais de cada sexo foram aleatoriamente distribuídos em
3 níveis de restrição (0, 25 e 50% de restrição). Ao final do experimento, no nível de
restrição de 0% havia 5 machos, 4 castrados e 5 fêmeas, no nível de 25% de restrição
havia 6 machos, 4 castrados e 5 fêmeas, e no nível de 50% de restrição havia 3
machos, 6 castrados e 2 fêmeas. Os animais submetidos a 25 e 50% de restrição foi
oferecido quantidade de alimento em função do consumo dos animais alimentados com
0% de restrição. Os animais foram alojados em gaiolas suspensas com cocho individual
para alimentos sólidos e cocho de água para cada dois animais. Ao ingressarem no
experimento os animais foram pesados semanalmente, sempre antes do fornecimento
da alimentação matinal.
No período pré-experimental, os animais recém-nascidos receberam colostro e
leite da espécie caprina, adotando como medida sanitária preventiva o tratamento
térmico (60 minutos a 56ºC) seguido de armazenamento a -20ºC e fornecido à
temperatura entre 35º e 38ºC. O colostro foi fornecido nos dois primeiros dias de vida, a
partir do terceiro dia foi seguido o programa de aleitamento apresentado na Tabela 1. A
25
alimentação foi feita em duas refeições, às 07h e às 17h. O alimento sólido foi ofertado
a partir do 7º dia de vida e sempre com disponibilidade irrestrita de água.
Tabela 1 - Sistema de aleitamento adotado aos animais submetidos a 0% de
restrição até os 50 dias de vida
Idade (dias)
Manhã
Tarde
Total
00 a 02
Colostro
Colostro
Livre
03 a 33
750 ml
750 ml
1.500 ml
34 a 38
500 ml
1000 ml
1.500 ml
39 a 43
0 ml
1500 ml
1.500 ml
44 a 50
0 ml
750 ml
750 ml
>50
FORNECIDO APENAS ALIMENTOS SÓLIDOS
A dieta foi balanceada para atender as exigências nutricionais de animais em
fase de crescimento, de acordo com o NRC (2006), para ganho de 150 g por dia. O
alimento sólido foi oferecido sob forma de ração completa (Tabela 2), onde o volumoso
usado foi o feno da planta de milho (milho no ponto de silagem, colhido, fenado e
triturado) e o concentrado a base de milho triturado, melaço, farelo de soja e mistura
mineral, em relação volumoso/concentrado de 50:50 (na matéria seca). Os animais
submetidos a 0% de restrição receberam o alimento de forma a garantir 20% de sobras.
Tabela 2 - Composição química do leite e da dieta experimental na matéria seca (MS)
Percentual
% MS
Ingrediente
%*
% MS
EB³
PB
EE
FDN
FDA
MM
Feno de milho¹
46,88
86,91
4143,08
8,85
1,62
51,00 26,32 3,71
Farelo de soja
19,32
87,74
4521,70 50,57
2,07
23,50 12,40 6,42
Milho
25,91
86,09
4179,74
9,52
4,56
15,21
4,05
1,26
Melaço
4,29
91,89
3212,49
3,45
0,06
22,66
Óleo de soja
0,81
100,00
9700,00
Núcleo mineral
1,99
94,60
0,11
89,73
Calcário
0,80
99,79
0,10
99,69
Leite
11,60
28,36 32,24
6,12
Dieta total
100,00 87,43
3513,50 14,44
2,03
28,15 13,73 6,26
*Participação na dieta em percentual na matéria natural
¹Planta inteira do milho sem a raiz, colhida no ponto para ensilar com secagem ao sol
26
³EB (Kcal/kg MS)
MS = matéria seca, MM = matéria mineral, PB = proteína bruta, EE = extrato etéreo, FDN = fibra insolúvel
em detergente neutro, FDA = fibra insolúvel em detergente ácido.
O feno de milho foi utilizado porque é um alimento com bom valor nutricional e
que sofre poucas alterações no valor nutritivo quando armazenado por longos períodos,
além disso, é o alimento que tem sido utilizado nas pesquisas nos últimos anos no setor
de Caprinocultura da Unesp, possibilitando comparações entre experimentos.
Os animais dos três níveis de restrição (0, 25 e 50%) foram submetidos a três
ensaios de metabolismo, com colheita total de fezes. O primeiro iniciou quando os
animais alimentados à vontade atingiram em média 8,10±0,17 kg de PC, ao redor dos
30±4,43 dias de vida e o consumo de alimento sólido ainda não tinha iniciado
efetivamente, o segundo, quando os animais alimentados à vontade atingiram em
média 10,17±0,13 kg de PC, ao redor dos 42±2,60 dias de vida, e alimentavam-se com
leite e sólidos (fase de transição) e o terceiro, quando os animais alimentados à vontade
atingiram em média 12,12±0,44 kg de PC, com 56±3,75 dias de vida e alimentavam-se
apenas com alimentos sólidos. Os animais foram individualmente alojados em gaiolas
para estudos de metabolismo, providas de comedouro, bebedouro e coletores de fezes.
O controle da ingestão de alimento (oferta e sobras) e excreção de fezes foi realizado
durante cinco dias consecutivos, após dois dias de adaptação às gaiolas.
A pesagem das sobras de alimento e fezes foram realizadas diariamente antes
do fornecimento da refeição matinal. Foi coletado diariamente todo o conteúdo de fezes
produzido e posteriormente congelados a -20ºC, para formação de uma amostra
composta por animal no final do ensaio de digestibilidade. As amostras de alimento,
sobras e fezes foram pré-secas em estufa com circulação forçada de ar a 55ºC até
peso constante, moídas a um mm em moinho tipo Willey para posteriores análises
químicas.
As análises foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal – LANA,
pertencente ao Departamento de Zootecnia da Unesp - Câmpus de Jaboticabal, SP.
Nas amostras dos ingredientes da ração, sobras e fezes foram determinados os teores
de matéria seca (MS), matéria mineral (MM), extrato etéreo (EE) e proteína bruta (PB)
27
(nitrogênio total pelo método de combustão de Dumas utilizando um analisador tipo
LECO FP-528LC), de acordo com AOAC (2007), fibra em detergente neutro (com α
amilase termo estável) de acordo com VAN SOEST et al. (1991) e fibra em detergente
ácido conforme GOERING & VAN SOEST (1970) utilizando o analisador de fibra
ANKOM200 da Ankom Technology Corporation. Para a fibra em detergente neutro das
fezes foi utilizado o sulfito de sódio. A energia bruta (EB) da dieta foi determinada
usando uma bomba calorimétrica tipo Parr. Os carboidratos totais (CHOT) foram
calculados pela equação: CHOT = 100 – (%PB + %EE + %MM), enquanto os
carboidratos não fibrosos (CNF), pela diferença entre CHOT e FDNcp, propostas por
SNIFFEN et al. (1992). Os coeficientes de digestibilidade dos nutrientes foram obtidos
através da diferença entre o ingerido e o excretado nas fezes.
Os animais 25 e 50% de restrição foram abatidos quando os animais 0% de
restrição atingiram 15 kg PC. Os animais foram pesados imediatamente antes do abate.
Os abates foram realizados mediante insensibilização e em seguida, foram sacrificados
por hipovolemia através da sangria por secção das veias jugulares e artérias carótidas.
O sangue foi coletado e pesado. O trato gastrintestinal (TGI) foi removido, pesado antes
e após a retirada do conteúdo. Este peso foi utilizado para determinar o peso do corpo
vazio (PCV), o qual foi encontrado subtraindo do peso ao abate, o peso do conteúdo do
trato gastrintestinal e da bexiga. Todo o corpo do animal (sangue, vísceras, cabeça,
patas, pele e carcaça) foi triturado, homogeneizado e retiradas três amostras de 50 g
aproximadamente, as quais foram liofilizadas por 72 horas para determinação da
matéria pré-seca e posteriormente moídas em moinho de bola e acondicionadas em
recipientes de plástico hermeticamente fechados para posteriores determinações de
matéria seca, extrato etéreo, cinzas e proteína bruta.
O conteúdo de matéria seca (MS) das amostras de corpo foi determinado pela
secagem em estufa a 105º C até atingirem peso constante; o conteúdo de cinzas pela
queima das amostras a 550ºC por três horas; o extrato etéreo (EE) por meio da
extração contínua com éter de petróleo durante 6 horas utilizando extrator de Soxhelt e
a proteína bruta (PB) foi analisada pelo método de combustão de Dumas utilizando
analisador tipo LECO FP-528LC.
28
Para estimativa do peso de corpo vazio inicial (PCVi) dos animais nos diferentes
sexos, fez-se uma regressão do PCV (kg) em relação ao peso de abate (Pabt) (kg),
utilizou-se o procedimento PROC MIXED do SAS (2002) sendo utilizado o sexo como
variável classificatória, as soluções dos coeficientes de regressão do PCV sobre o peso
de abate para cada sexo foram obtidas por meio da opção ESTIMATE. Para testar a
diferença entre os coeficientes de regressão para cada sexo foi utilizado uma análise de
contraste ortogonal (Opção CONTRAST). Os coeficientes de regressão gerados para
machos e fêmeas foram diferentes, sendo assim, para as fêmeas foi utilizada a
equação 1, abaixo apresentada. E a equação dos machos e castrados como não foi
significativa (P>0,7047), utilizou-se a relação entre o PCV e o Pabt (0,84).
PCVi = - 2,07±0,77 + 1,23±0,15 * PCi, P=0,0011 e R2 = 0,95
[Eq. 1]
Para estimativa da composição corporal inicial de proteína (aos 5 kg) dos animais
que foram abatidos, foi utilizada a composição corporal dos animais referência de 5 kg
de PC (12 animais, sendo 6 machos e 6 fêmeas). Para este procedimento, fez-se uma
regressão da quantidade de proteína (g) em relação ao PCV (kg), foi utilizado o
procedimento PROC MIXED do SAS (2002) e utilizou-se o sexo como variável
classificatória, as soluções dos coeficientes de regressão da quantidade de proteína
sobre o PCV para cada sexo foram obtidas por meio da opção ESTIMATE. Para testar
a diferença entre os coeficientes de regressão para cada sexo foi utilizado uma análise
de contraste ortogonal (Opção CONTRAST). Os coeficientes de regressão gerados
para machos e fêmeas foram semelhantes (P=0,1278), sendo assim, utilizou-se a
mesma equação (Eq. 2 ) para os diferentes sexos.
Proteínai(g) = 577,82±292,17 + 122,68±65,84*PCVi, P=0,0920 e R2=0,26 [Eq. 2]
As exigências de proteína para mantença foram estimadas utilizando a equação
de regressão da retenção de nitrogênio (y) em função da ingestão de nitrogênio da dieta
(x), conforme o ARC (1980). As exigências dietéticas de nitrogênio para mantença
29
foram estimadas como sendo a quantidade de nitrogênio ingerido quando extrapolada a
retenção de nitrogênio para zero; e as perdas endógenas, metabólicas e secreções da
pele foram estimadas como sendo a quantidade de nitrogênio retido quando a ingestão
de nitrogênio foi extrapolada para zero. Para encontrar a exigência de proteína líquida
para mantença, foi multiplicado o valor das perdas endógenas e metabólicas por 6,25. E
para a conversão da exigência de proteína líquida para mantença em exigência de
proteína metabolizável para mantença foi utilizado a eficiência de utilização de 1,0
preconizada pelo AFRC (1998).
Os dados de digestibilidade foram submetidos à análise de variância e
comparação de médias pelo teste de Tukey a 5% de significância, por meio do
procedimento PROC MIXED do SAS (2002) utilizando-se o sexo e a restrição como
variável classificatória.
Para este estudo foi utilizado o delineamento em bloco casualizado, em esquema
fatorial 3 x 3 (3 sexos e 3 níveis de restrição), conforme o modelo estatístico: Yijkl = μ +
Ri(1,2,3) + Sj(1,2,3) + Bk(1,2,3) + RSij + Є(ijkl); μ = média geral; Ri = efeito do i-ésimo nível de
restrição; Sj = efeito do j-ésimo sexo; Bk = efeito do k-ésimo bloco; RSij = efeito da
interação restrição x sexo; Є(ijkl) = erro experimental aleatório.
Para a realização das análises estatísticas foi aplicada a metodologia dos
modelos lineares mistos, com máxima verossimilhança restrita, por meio do
procedimento PROC MIXED do SAS (2002) utilizando-se o sexo como variável
classificatória. As soluções dos coeficientes de regressão da retenção de proteína sobre
o consumo de PB para cada sexo foram obtidas através da opção ESTIMATE. Para
testar a diferença entre os coeficientes de regressão para cada sexo foi utilizado uma
análise de contraste ortogonal (Opção CONTRAST).
2.2. Composição corporal e estimativa da exigência nutricional de proteína para
ganho em peso
No estudo da determinação da composição corporal e estimativa da exigência de
proteína para ganho em peso foi planejado trabalhar com 54 animais da raça Saanen
divididos em 18 machos, 18 castrados e 18 fêmeas. Porém, durante o experimento
30
perderam-se dois castrados decorrente de diarréia. Por isso, utilizaram-se 52 animais,
sendo 18 machos, 16 castrados e 18 fêmeas. Os animais foram alojados em gaiolas
individuais suspensas, com cocho individual para alimentos sólidos e um cocho com
água a cada duas gaiolas. Os animais foram pesados semanalmente sempre antes do
fornecimento da alimentação matinal. Seis machos e seis fêmeas (21±2,9 dias de
idade) foram abatidos no início do experimento, com peso corporal (PC) médio de
5,2±0,61 kg. Não houve abate de castrados de 5 kg porque a castração dos animais
ocorreu na segunda semana de vida dos mesmos, assim, eles foram castrados poucos
dias antes do início do experimento, o que não proporcionaria efeito da castração na
composição corporal. Seis animais de cada sexo foram alimentados à vontade e
abatidos com PC médio de 9,9±1,65 kg, com 58±2,70 dias de idade. O resto dos
animais foram também alimentado à vontade e abatidos com PC médio de 15,2±1,04 kg
e 111±15,21 dias de idade.
No período pré-experimental, os cabritos recém-nascidos receberam colostro e
leite da espécie caprina, adotando como medida sanitária preventiva o tratamento
térmico (60 minutos a 56ºC) seguido de armazenamento a -20ºC e fornecido à
temperatura entre 35º e 38ºC. O colostro foi fornecido nos dois primeiros dias de vida, a
partir do terceiro dia foi seguido o programa de aleitamento apresentado na Tabela 3. A
alimentação foi feita em duas refeições, às 07h e às 17h. O alimento sólido foi ofertado
a partir do 7º dia de vida e sempre com disponibilidade irrestrita de água.
Tabela 3 - Sistema de aleitamento adotado aos animais submetidos a 0% de
restrição até os 50 dias de vida
Idade (dias)
Manhã
Tarde
Total
00 a 02
Colostro
Colostro
Livre
03 a 33
750 ml
750 ml
1.500 ml
34 a 38
500 ml
1000 ml
1.500 ml
39 a 43
0 ml
1500 ml
1.500 ml
44 a 50
0 ml
750 ml
750 ml
Após 50
FORNECIDO APENAS ALIMENTO SÓLIDO
31
A dieta foi balanceada para atender as exigências nutricionais de animais em
fase de crescimento, de acordo com o NRC (2006), para ganho de 150 g por dia. O
alimento sólido foi oferecido sob forma de ração completa (Tabela 2), onde o volumoso
usado foi o feno da planta de milho (milho no ponto de silagem, colhido, fenado e
triturado) e o concentrado a base de milho triturado, melaço, farelo de soja e mistura
mineral, em relação volumoso/concentrado de 50:50 (na matéria seca). Os animais
receberam o alimento de forma a garantir 20% de sobras.
Os procedimentos de abate, obtenção de amostras de corpo e análises químicas
(MS, PB, EE e MM) foram idênticos aos do estudo anterior.
As equações de predição da quantidade dos nutrientes por kg de corpo vazio
foram obtidas por meio da equação alométrica logarítmica da quantidade do nutriente
presente no corpo vazio, em função do PCV (ARC, 1980):
Log y = a + b* log PCV,
Eq. 3
em que:
Log y = logaritmo na base 10 do conteúdo total do nutriente no corpo vazio (g);
a = intercepto;
b = coeficiente de regressão;
log PCV = logaritmo na base 10 do PCV (kg).
A composição do ganho em peso de proteína foi estimada por meio da
derivação da equação de regressão do conteúdo corporal de proteína, em função do
logaritmo do PCV, obtendo-se a equação:
Proteína (g/kg de PCV ganho) = b*10a*PCV(b-1),
Eq. 4
em que:
Y` = composição do ganho em peso de proteína (g/kg PCV ganho);
a = intercepto da equação de predição do conteúdo corporal de proteína;
b = coeficiente de regressão da equação de predição do conteúdo corporal de
proteína;
X = PCV (kg).
32
Para conversão da exigência de proteína líquida para ganho de PCV em
exigência de proteína líquida para ganho de PC, utilizou-se o fator de correção gerado a
partir da relação do PC em função PCV. E para a conversão da exigência de proteína
líquida para ganho de PC em exigência de proteína metabolizável para ganho de PC foi
utilizado a eficiência de utilização de 0,59 preconizada pelo AFRC (1998).
Neste estudo da composição corporal foi utilizado um delineamento inteiramente
casualizado, em esquema fatorial 3 x 3 (3 pesos de abate e 3 sexos), conforme o
modelo estatístico: Yijk = μ + b Ri(1,2,3) + Sj(1,2,3) + RSij + Є(ijk); em que Yijk = composição
corporal, μ = média geral; b= coeficiente de regressão da composição corporal sobre o
peso de abate Ri = efeito do i-ésimo peso de abate; Sj = efeito do j-ésimo sexo; RSij =
interação peso de abate x sexo; Є(ijk) = erro aleatório. Para a realização das análises
estatísticas foi empregado a metodologia dos modelos lineares mistos, com máxima
verossimilhança restrita, por meio do procedimento PROC MIXED do SAS (2002) sendo
utilizado o sexo como variável classificatória, com 38 graus de liberdade no resíduo. As
soluções dos coeficientes de regressão da composição corporal sobre o peso de abate
para cada sexo foram obtidas através da opção ESTIMATE. Para testar a diferença
entre os coeficientes de regressão para cada sexo foi utilizado uma análise de contraste
ortogonal (Opção CONTRAST).
3. Resultados
3.1. Exigência de proteína para mantença
Nas Tabelas 4 e 5 são apresentados os dados gerais do experimento, em função
do sexo (macho, castrado, fêmea) e do nível de restrição alimentar (0, 25, 50%),
respectivamente. Não houve efeito significativo da interação entre os fatores sexo e
nível de restrição (P>0,05) e do efeito principal do sexo (P>0,05) sobre nenhuma das
variáveis avaliadas.
33
Tabela 4 - Idade inicial e final, dias experimentais, peso vivo e peso de corpo vazio
(PCV) inicial, peso vivo e peso de corpo vazio final, escore de condição
corporal (ECC) inicial e final, ganho de peso (GP) total e ganho de peso
diário de cabritos Saanen em função do sexo (Média ± erro padrão)
Sexo
Variável
Machos
Castrados
Fêmeas
P
Idade inicial (dia)
24±1,9
22±2,1
22±2,4
0,7513
Idade final (dia)
102±4,0
113±4,6
101±5,3
0,1673
Dias experimentais
79±3,8
90±4,3
80±4,9
0,0970
Peso vivo inicial (kg)
5,0±0,1
5,0±0,1
4,8±0,1
0,4170
Peso vivo final (kg)
11,4±0,4
12,2±0,4
12,0±0,4
0,4288
PCV inicial (kg)
4,2±0,1
4,2±0,1
4,0±0,1
0,2248
PCV final (kg)
8,9±0,3
9,5±0,4
9,1±0,4
0,5135
ECC inicial (1-5)
2,4±0,1
2,5±0,1
2,3±0,1
0,5563
ECC final (1-5)
2,1±0,1
2,3±0,1
2,2±0,1
0,5085
GP total (kg)
7,3±0,4
6,7±0,5
7,2±0,5
0,6305
GP diário (g/dia)
90±0,1
70±0,1
90±0,1
0,1118
Observou-se que o peso vivo (PV), PCV final, ECC final, GP total e GP diário
tiveram efeito significativo (P<0,0001) em função do nível de restrição. À medida que
aumentou o nível de restrição, houve diminuição do PV final, PCV final, o ECC e GP
diário (Tabela 5).
34
Tabela 5 - Idade inicial e final, dias experimentais, peso vivo e peso de corpo vazio
(PCV) inicial, peso vivo e peso de corpo vazio final, escore de condição
corporal (ECC) inicial e final, ganho de peso (GP) total e ganho de peso
diário de caprinos Saanen na fase inicial de crescimento em função da
restrição alimentar (Média ± erro padrão)
Nível de restrição (%)
Variável
0
25
50
P
Idade inicial (dia)
21±2,0
21±2,0
25±2,4
0,3051
Idade final (dia)
106±4,3
104±4,3
106±5,2
0,8977
Dias experimentais
86±4,0
83±4,0
81±5,0
0,7374
Peso vivo inicial (kg)
5,0±0,1
4,9±0,1
4,9±0,1
0,5193
Peso vivo final (kg)
14,9±0,4
11,2±0,4
9,4±0,5
0,0001
PCV inicial (kg)
4,2±0,1
4,1±0,1
4,1±0,1
0,5182
PCV final (kg)
12,1±0,3
8,5±0,4
6,9±0,4
0,0001
ECC inicial (1-5)
2,5±0,1
2,4±0,1
2,4±0,1
0,8545
ECC final (1-5)
3,2±0,1
2,2±0,1
1,2±0,1
0,0001
GP total (kg)
10,1±0,4
6,4±0,4
4,7±0,5
0,0001
GP diário (g/dia)
120±0,1
80±0,1
60±0,1
0,0001
Não houve efeito significativo da interação entre sexo e restrição alimentar
(P>0,05) para consumo de nutrientes (Tabela 6). Em relação ao sexo, não houve
diferença (P>0,05) no consumo de nenhum dos nutrientes avaliados. Porém, em
relação ao nível de restrição, houve diferença (P<0,05) no consumo de todos os
nutrientes, sendo que os consumos foram diminuídos à medida que o nível de restrição
aumentou de 0 para 50%.
35
Tabela 6 – Consumo de matéria seca (CMS), matéria orgânica (CMO), carboidratos
totais (CCHOT), proteína bruta (CPB), matéria mineral (CMM) e extrato
etéreo (CEE) de cabritos Saanen
Sexo
Nutriente (g/dia)
P
Machos
Castrados
Fêmeas
CMS
CMO
CCHOT
CPB
CMM
CEE
265,38±17,48
212,20±12,05
153,83±9,61
41,25±2,22
15,71±0,94
17,11±1,12
242,52±15,88
270,04±17,02
185,62±11,28
224,11±12,05
136,86±9,84
156,80±8,97
39,16±2,17
44,94±2,52
15,09±0,92
16,85±1,06
16,35±1,02
18,73±1,15
Nível de restrição (%)
0,4540
0,0742
0,3045
0,2350
0,4627
0,3106
0
25
50
CMS
339,37±14,46
249,17±15,87
189,39±19,64
0,0001
CMO
265,21±10,94
202,58±10,94
154,12±13,35
0,0001
CCHOT
188,42±8,10
147,01±9,62
112,06±10,57
0,0001
CPB
55,47±2,14
39,90±2,09
29,98±2,66
0,0001
CMM
21,05±0,90
14,95±0,88
11,64±1,12
0,0001
CEE
21,75±0,10
18,50±1,02
11,94±1,26
0,0001
Não houve diferença e nem interação (P>0,05) entre sexo e nível de restrição
alimentar (0, 25 e 50%) para a digestibilidade de nenhum dos nutrientes avaliados
(Tabela 7 e 8), respectivamente.
36
Tabela 7 – Digestibilidade de nutrientes de cabritos Saanen em função do sexo
Sexo
Variável (%)
Machos
Castrados
Fêmeas
P
1ª Digestibilidadea
CDMS
94,07±0,96
94,88±1,13
95,06±1,18
0,7749
CDMO
94,35±0,95
95,33±1,13
95,21±1,18
0,7673
CDEE
99,33±0,11
99,46±0,14
99,33±0,14
0,7483
CDPB
93,88±1,05
93,74±1,23
94,02±1,29
0,9876
CDCHOT
91,54±1,49
93,87±1,75
93,64±1,84
0,5416
2ª Digestibilidade
b
CDMS
93,04±0,97
92,32±1,13
93,11±0,98
0,8520
CDMO
93,14±1,10
92,26±1,28
93,18±1,11
0,8366
CDEE
99,31±0,16
99,26±0,18
99,25±0,16
0,9607
CDPB
92,47±1,17
90,53±1,36
92,27±1,19
0,5258
CDFDN
66,66±7,11
74,05±6,33
67,81±5,51
0,6883
CDFDA
52,60±10,68
62,00±10,22
54,11±9,99
0,7920
CDCHOT
90,98±1,34
90,64±1,56
91,14±1,36
0,9712
CDCHONE
89,31±12,95
82,69±11,52
72,16±10,03
0,5680
3ª Digestibilidadec
a
CDMS
78,52±1,80
73,42±2,70
79,93±1,90
0,1589
CDMO
74,12±2,63
69,94±3,95
76,93±2,78
0,3629
CDEE
89,30±1,25
85,86±1,88
89,67±1,33
0,2414
CDPB
66,50±3,03
60,99±4,56
71,21±3,21
0,1991
CDFDN
62,05±4,62
47,77±6,57
60,93±4,62
0,1945
CDFDA
45,59±5,86
34,55±8,33
51,44±6,73
0,3077
CDCHOT
75,69±2,64
71,45±3,97
77,82±2,79
0,4355
CDCHONE
88,37±1,32
88,74±1,98
89,75±1,39
0,7696
b
c
animais alimentados somente com leite; animais alimentados com leite e sólidos; animais alimentados
somente com alimento sólido
37
Tabela 8 – Digestibilidade de nutrientes de cabritos Saanen em função do nível de
restrição
Nível de restrição (%)
Variável (%)
0
25
50
P
1ª Digestibilidadea
CDMS
95,37±1,18
95,53±0,88
93,11±1,18
0,2680
CDMO
95,59±1,18
95,78±0,88
93,52±1,18
0,3131
CDEE
99,40±0,14
99,40±0,10
99,34±0,14
0,9594
CDPB
95,57±1,29
94,76±0,97
91,33±1,29
0,0760
CDCHOT
93,06±1,84
94,27±1,38
91,72±1,84
0,5511
2ª Digestibilidadeb
CDMS
93,85±0,97
93,24±0,93
91,37±1,17
0,2784
CDMO
93,86±1,10
93,35±1,06
91,37±1,32
0,3522
CDEE
99,45±0,16
99,27±0,15
99,09±0,19
0,3720
CDPB
93,52±1,17
92,56±1,13
89,20±1,41
0,0834
CDFDN
68,01±6,81
67,70±5,62
72,81±6,56
0,8206
CDFDA
56,02±11,54
51,53±9,25
61,17±9,99
0,7836
CDCHOT
91,73±1,34
91,23±1,29
89,80±1,62
0,6543
CDCHONE
79,42±9,18
87,29±7,83
84,15±8,84
0,8111
3ª Digestibilidadec
a
CDMS
79,44±1,86
76,71±2,00
75,72±2,59
0,4398
CDMO
74,80±2,72
73,40±2,92
72,79±3,78
0,8941
CDEE
89,56±1,29
88,23±1,39
87,03±1,80
0,5158
CDPB
66,31±3,14
68,14±3,37
64,24±4,37
0,7786
CDFDN
61,82±4,77
54,63±4,86
54,30±6,29
0,5006
CDFDA
51,28±6,34
38,20±6,73
42,09±7,97
0,3667
CDCHOT
76,53±2,73
74,10±2,93
74,32±3,80
0,8082
CDCHONE
89,30±1,36
88,27±1,47
89,29±1,90
0,8554
b
c
animais alimentados somente com leite; animais alimentados com leite e sólidos; animais alimentados
somente com alimento sólido
38
Como não houve diferença entre os sexos na exigência de proteína líquida para
mantença, foi determinada uma única equação de regressão entre a quantidade de
nitrogênio (N) retido (g/PCV0,75/dia) e a quantidade de N ingerido (g/PCV 0,75/dia).
Ret. Ptn= - 0,27±0,84 + 0,31±0,08*ConsPB / R2: 0,33 RMSE: 1,03; P>0,0005 Eq.[5]
Com base na equação 5, a exigência de mantença em nitrogênio total foi
estimada em 0,87 g N/ kg PCV0,75/dia. As perdas endógenas e metabólicas estimadas a
partir desta equação foram de 270 mg N/ kg0,75/dia. A exigência de proteína líquida para
mantença e a exigência de proteína metabolizável para mantença encontrada, foi de
1,69 g PB/ kg0,75/dia.
3.2. Exigências de proteína para ganho
Os dados apresentados na Tabela 9 são relativos ao percentual (%) da
composição corporal dos machos, castrados e fêmeas abatidos aos 5, 10 e 15 kg de
PC. Houve efeito significativo da interação sexo e peso ao abate somente na
composição corporal em gordura (P<0,05; Tabela - 10). Observou-se que o percentual
médio de água, MS e MM foi de 63, 37 e 5% para cabritos Saanen, com peso corporal
entre 5 e 15 kg, independente do sexo. A PB diminuiu 4,45% à medida que o peso
variou de 5 para 15 kg, passando de 25,86 para 21,41% respectivamente,
representando um decréscimo de 4,45%.
39
Tabela 9 - Composição corporal em água, matéria seca (MS), proteína bruta (PB) e
matéria mineral (MM) de caprinos Saanen em função do sexo e abatidos
aos 5, 10 e 15 kg de peso corporal (Média ± erro padrão)
Sexo
Variável (%)
Machos
Castrados
Fêmeas
Água
63,05±0,90
63,76±0,97
63,34±0,90
MS
37,14±0,83
36,42±0,89
36,66±0,83
PB
24,56±0,77
23,66±0,83
23,00±0,77
MM
5,31±0,18
5,10±0,19
5,07±0,18
Peso corporal (kg)
5
10
15
Água
61,31±0,90
63,29±0,90
63,55±0,97
MS
37,06±0,83
36,70±0,83
36,45±0,89
PB
25,86±0,77
a
b
21,41±0,83c
MM
5,46±0,18
23,95±0,77
5,10±0,18
4,93±0,19
Médias seguidas por letra diferente na linha diferem pelo Teste de Tukey (P>0,05).
Os dados apresentados na Tabela 10 são relativos ao percentual de EE da
composição corporal dos machos, castrados e fêmeas alimentados à vontade e
abatidos aos 5, 10 e 15 kg de PC. De maneira geral, verificou-se que à medida que o
PC aumentou de 5 para 15 kg houve aumento do percentual de EE.
Em relação à gordura, a interação observada na Tabela 10 demonstrou que este
nutriente aumentou independente do sexo à medida que o PC variou de 5 para 15 kg,
além disso, observou-se que não houve diferença no percentual de gordura entre sexos
quando os animais tinham 5 e 10 kg de PC, porém, quando os animais tinham 15 kg de
PC o percentual de gordura foi semelhante para machos (9,32%) e castrados (9,62%) e
maior para fêmeas (11,73%). Este comportamento indica que a deposição diferenciada
de gordura entre os sexos para caprinos Saanen na fase inicial de crescimento, iniciouse no intervalo de 10 a 15 kg de PC.
40
Tabela 10 - Composição corporal em gordura de caprinos Saanen em função do sexo e
abatidos aos 5, 10 e 15 kg de peso corporal (Média ± erro padrão)
Sexo
Peso corporal (kg)
Machos
Castrados
Fêmeas
5
5,63±0,53Ac
5,63±0,53Ac
4,79±0,53Ac
10
7,35±0,53Ab
7,94±0,53Ab
7,38±0,53Ab
15
9,32±0,53Aa
9,62±0,65Aa
11,73±0,53Ba
Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha e mesma letra minúscula na coluna não diferem
pelo Teste de Tukey (P>0,05).
As equações alométricas logaritmizadas apresentadas na Tabela 11 foram feitas
utilizando-se os machos, castrados e fêmeas alimentados à vontade e abatidos aos 5,
10 e 15 kg de PC. Os coeficientes de determinação (R2) e a raiz quadrada do erro
(RMSE) obtidos demonstram baixa dispersão dos dados avaliados.
Dentre as equações para predição da composição corporal apresentadas na
Tabela 11 a única equação que diferiu entre os sexos foi a de gordura, obtendo-se uma
única equação para machos e castrados e outra para fêmeas.
Tabela 11 - Equações de regressão para estimar o peso de corpo vazio (PCV) e a
composição corporal (água, cinzas, proteína, gordura e matéria seca) de
caprinos Saanen
Equações alométricas logaritmizadas
PCV (kg)
PCV, kg=0,49±0,22 + 0,76±0,02 x PC , Kg
0,96
0,62
Logcinzas, g=2,16±0,02 + 0,05±0,003 x LogPCV, kg
0,88
0,06
Logproteína, g=2,52±0,03 + 0,82 ± 0,04 x LogPCV, kg
0,90
0,05
Logágua, g=2,80±0,02 + 0,99±0,02 x LogPCV, kg
0,98
0,02
Logmatéria seca, g=2,58±0,02 + 0,98±0,03 x LogPCV, kg
0,96
0,04
Macho e castrado
Loggordura, g=1,44±0,04+1,47±0,05 x LogPCV, kg
0,96
0,06
Fêmea
Loggordura, g=1,06±0,06+1,94±0,07 x LogPCV, kg
0,98
0,06
Cinzas (g/kg PCV)
Proteína (g/kg PCV)
Água (g/kg PCV)
Matéria seca (g/kg PCV)
1
R
2*
Variável
RMSE**
2
Gordura (g/kg PCV)
1
PC: peso corporal
Gordura: equação diferiu entre os sexos
Todas as equações foram significativas a P<0.0001
*R2: coeficiente de determinação, **RMSE: raiz quadrada do erro
2
41
O PCV e os nutrientes apresentados na Tabela 12 foram estimados a partir das
equações de regressão da Tabela 11. A quantidade de água, proteína e cinzas
diminuíram com a mudança do PC de 5 para 15 kg e não diferiram entre os sexos. Já
em relação à gordura, conforme o PC variou de 5 para 15 kg, os machos e castrados
passaram de 54,6 para 88,17 g/kg PCV e as fêmeas passaram de 45,1 para 117,67
g/kg PCV. A quantidade de água, cinzas e proteína diminuíram em 1%, 62% e 17%
respectivamente, sem haver diferenças entre os sexos.
Tabela 12 - Peso de corpo vazio (PCV) e composição corporal de cabritos Saanen em
função do sexo
Peso corporal (kg)
Variável
5
10
15
PCV (kg)
4,29
8,09
11,89
Água (g/kg PCV)
621,84
617,90
615,53
Proteína (g/kg PCV)
254,78
227,28
212,06
Cinzas (g/kg PCV)
36,24
19,84
13,76
1
Gordura (g/kg PCV)
Macho e castrado
54,61
73,58
88,17
Fêmea
45,13
81,94
117,67
Valores estimados utilizando-se as equações de regressão apresentadas na Tabela 11
1
Gordura: composição corporal diferiu entre os sexos
A composição do ganho em peso de proteína (Tabela 13) foi obtida por meio da
derivação da equação alométrica logaritmizada apresentada na Tabela 11. Os
resultados indicam que quando os animais passam dos 5 para os 15 kg de PC, a
composição
do
ganho
em
peso
variou
de
208,9
para
173,9
g/kgGPCV,
respectivamente. Portanto, à medida que o PC aumenta, a exigência de proteína
diminui haja vista que os animais necessitam menor quantidade de proteína para
ganhar 1 kg de PCV.
42
Tabela 13 - Equação para predição e composição do ganho em peso de corpo vazio
(GPCV) de proteína de caprinos Saanen na fase inicial de crescimento
Peso corporal (kg)
Equação para predição da
Variável
exigência
líquida de ganho
5
10
15
1
PCV (kg)
4,29
8,09
11,89
Proteína (g/kg GPCV)
208,92
186,37
173,89 2Proteína = 271,53 x PCV-0,18
1
Valor estimado pela equação alométrica PCV, kg=0,49 + 0,76 x PC, Kg
Equação obtida pela derivação da equação da Tabela 11
2
Na Tabela 14 estão apresentados os dados de exigência líquida de proteína para
ganho em PC, que foi encontrada dividindo a composição do ganho em peso pelos
fatores obtidos a partir da relação PC/PCV, os quais foram 1,17, 1,24 e 1,26 para
cabritos pesando 5, 10 e 15 kg, respectivamente. A exigência de proteína líquida e
metabolizável para ganho diminuiu à medida que o PC variou de 5 para 15 kg.
Tabela 14 - Exigência de proteína líquida para ganho em peso corporal (PLg) e
exigência de proteína metabolizável para ganho em peso corporal (PMg)
de caprinos Saanen abatidos aos 5, 10 e 15 kg de peso corporal
Peso corporal (kg)
PLg1 (g/kg GPC)
PMg2 (g/kg GPC)
5
179,25
303,81
10
150,78
255,55
15
137,84
233,63
PC = peso corporal; GPC = ganho em peso corporal
1
-0,18
2
PLg = 271,53*PCV
; Kf = 0,59 (AFRC, 1998)
3.3. Exigência total de proteína
Na Tabela 15 verifica-se a compilação dos resultados obtidos neste estudo, com
o intuito de proporcionar a visualização dos dados necessários para formulação de
dietas balanceadas. A exigência de proteína líquida para mantença variou de 5,04, 8,11
e 10,82 quando o PC variou de 5, 10 e 15 kg respectivamente. A exigência de proteína
líquida para ganho diminuiu à medida que o PC aumentou de 5 para 15 kg.
43
Tabela 15 - Exigências de proteína líquida para cabritos Saanen na fase inicial de
crescimento
Peso corporal (kg)
Ganho diário (g)
PLm
PLg
PLT
5
10
15
100
5,04
17,93
22,96
150
5,04
26,89
31,93
200
5,04
35,85
40,89
250
5,04
44,81
49,85
100
8,11
15,08
23,18
150
8,11
22,62
30,72
200
8,11
30,16
38,26
250
8,11
37,70
45,80
100
10,82
13,78
24,61
150
10,82
20,68
31,50
200
10,82
27,57
38,39
250
10,82
34,46
45,28
PLm = Proteína líquida para mantença
PLg = Proteína líquida para ganho
PLT = Proteína líquida total
4. Discussão
As equações das exigências de proteína para mantença não diferiram entre
machos, fêmeas e castrados, provavelmente porque os animais alimentaram-se com
dieta única e mesma proporção volumoso:concentrado, fato que influenciou ao
consumo de nutrientes não ter havido diferença (P>0,05) entre os sexos (Tabela 6),
haja vista que alimentação diferente, gera tamanho e taxa metabólica diferenciada entre
os órgãos viscerais.
As perdas endógenas e metabólicas (270 mg de N/kg0,75/dia) e a exigência de
proteína líquida para mantença (1,69 g PB/ kg0,75/dia) encontradas neste estudo, se
44
aproximaram bastante dos valores encontrados por MEDEIROS (2001) que ao também
avaliar caprinos machos na fase inicial de crescimento (5 à 20 kg de PC) encontrou
valores de 0,211 mg de N/kg0,75/dia para perdas endógenas e metabólicas e 1,32 gPB/
kg0,75/dia para exigência de proteína líquida para mantença, a semelhança desses
resultados poderia ser explicada pela utilização da mesma raça e fase de vida. No
entanto, existem algumas pesquisas nacionais, como por exemplo, FERNANDES et al.
(2007) que avaliaram caprinos machos cruzados ¾ Boer e ¼ Saanen com variação de
peso entre 20 e 35 kg de PC e encontraram perdas endógenas de 0,391 mg de
N/kgPCV0,75 e exigência de proteína líquida para mantença de 2,44 gPB/kgPCV 0,75, e
também TEIXEIRA (2004), que avaliou caprinos machos F1 Boer X Saanen de 5 a 15
kg de PC e encontrou perdas endógenas e metabólicas de 0,395 mg de N/kg0,75/dia,
com exigência de proteína líquida para mantença de 2,46 gPB/ kg0,75/dia que justificam
as diferenças existentes entre raças e cruzamentos, uma vez que, animais com aptidão
para produção de carne depositam mais tecido muscular que animais leiteiros,
tendendo a exigirem maior quantidade de proteína.
Diferenças nos coeficientes de digestibilidade de nutrientes para os diferentes
sexos e níveis de restrição não foram observadas (Tabelas 7 e 8), provavelmente pelo
fato de os animais serem alimentados com a mesma dieta, já que alterações na
composição bromatológica, relação volumoso:concentrado e consumo voluntário são os
fatores que exercem maior influência na digestibilidade dos nutrientes. Considerando
que os animais ainda estavam consumindo leite na primeira e segunda digestibilidade,
e que o leite é um alimento altamente digestível, o mesmo pode ter contribuído para os
altos coeficientes de digestibilidade (especialmente para MS, MO, EE, PB e CHOT)
observados e ainda não permitir que houvesse diferenças entre os sexos e níveis de
restrição.
Os percentuais de água, MS, PB e MM não diferiram entre os sexos,
demonstrando que na fase inicial de vida (até 105 dias de idade) os caprinos possuem
mesma composição corporal, independente do sexo (Tabela 9), com exceção da
gordura (Tabela 10).
45
Normalmente, animais castrados depositam mais gordura que os machos e são
semelhantes às fêmeas, entretanto, na fase de vida avaliada neste estudo (5 a 15 kg de
PC), machos e castrados tiveram a mesma composição em gordura, o que pode ser
explicado pelo pouco espaço de tempo entre a castração e o abate dos animais, uma
vez que, animais castrados somente depositam gordura de forma pronunciada à
medida que ficam mais pesados (MARCONDES et al., 2009). A relação entre aumento
de peso e deposição de gordura pode ser atribuída às modificações hormonais que
ocorrem especialmente na puberdade. Segundo LAWRENCE & FOWLER (2002), os
hormônios esteróides gonadais (testosterona e estrógeno) são agentes anabolizantes e
estão envolvidos diretamente na estimulação do crescimento quando os animais estão
na fase de puberdade. Embora os animais ainda não estivessem iniciado a fase de
puberdade, as diferenças observadas para deposição de gordura indicam que já pode
existir efeitos desses hormônios já na fase inicial de crescimento. De acordo com SANZ
SAMPELAYO et al. (2003), o tecido adiposo é o mais variável na composição corporal
de caprinos.
Quando o peso aumentou de 5 para 15 kg, houve aumento da quantidade de
gordura corporal em 61% para machos e castrados e 160% para fêmeas (Tabela 12). O
estrógeno regula a quantidade e distribuição da gordura corporal e, como esse
hormônio tem maior concentração em fêmeas, sua ação é mais acentuada neste sexo
que em machos e castrados (HOSSNER, 2005). Ainda segundo este autor, as fêmeas
geralmente têm menor tamanho corporal, menos massa muscular e maior proporção de
gordura corporal quando comparadas aos machos, o que pode explicar os resultados
obtidos neste estudo. Além do estrógeno, a insulina, produzida pelo pâncreas, pode
estimular a deposição de gordura, por meio do aumento da permeabilidade das
membranas dos adipócitos à glicose (PRIOR & SMITH, 1982). Maior peso de pâncreas
foi observado nas fêmeas deste estudo por MENDONÇA et al. (2010), que relataram
diferenças apenas entre fêmeas (2,63 g/kg PCV) e machos (2,11 g/kg PCV). O maior
peso de pâncreas das fêmeas pode estar relacionado à maior produção de insulina e,
consequentemente, aumento na deposição de gordura.
46
YÁNEZ et al. (2007) avaliaram caprinos Saanen com peso corporal entre 5 e 35 kg
e descreveram que a taxa de crescimento do tecido muscular é constante durante o
desenvolvimento do animal, e que o tecido adiposo passa a ter maior crescimento a
partir dos 21 kg de PC. No entanto, os resultados encontrados neste estudo mostraram
que o tecido adiposo teve um crescimento acentuado (160%) entre os 5 e 15 kg de PC,
principalmente para as fêmeas, numa fase de vida ainda muito jovem.
Ao estudarem a composição corporal de cordeiros pesando aproximadamente
14 kg de PC e de diferentes sexos, SEARLE & GRIFFITHS (1976) também observaram
efeito do sexo sobre o conteúdo de gordura corporal. As fêmeas, por serem de
maturidade mais precoce, atingem esse tempo de maior ímpeto de deposição de
gordura mais cedo que os machos (PAULINO et al., 2009). Estes resultados se
assemelham aos reportados por MARCONDES et al. (2009) que, ao estudarem bovinos
das três classes sexuais, observaram aumento nos conteúdos corporais de gordura à
medida que o peso vivo aumentou de 300 para 450 kg e que os conteúdos de gordura
foram numericamente superiores nas fêmeas em relação aos machos castrados, que
por sua vez, foram superiores aos dos machos não-castrados.
Um dos fatores que poderiam ocasionar a deposição de tecido adiposo
precocemente seria a alimentação com alto teor de energia, no entanto, apesar de no
presente trabalho ter-se utilizado uma alimentação energética, provavelmente não deve
ter sido este o fator que ocasionou a deposição precoce de gordura nas fêmeas, tendo
em vista que machos, castrados e fêmeas foram igualmente alimentados. É possível
que já exista ação dos hormônios relacionados ao metabolismo energético que
influenciem a deposição da gordura em animais jovens, mesmo que estes ainda não
tenham atingido a puberdade, período em que a taxa de deposição de massa muscular
supera o ritmo de acúmulo de gordura (PEREIRA FILHO et al., 2008). Outros
hormônios como o T3 (tri-iodotironina) e T4 (tetra-iodotironina) têm função anabolizante
nas células de praticamente todos os tecidos, regulando o consumo de oxigênio,
síntese e metabolismo de lipídeos, proteína e carboidratos (LAWRENCE & FOWLER
(2002), podendo contribuir com o crescimento e deposição de gordura. Os pesos de
alguns órgãos dos animais deste trabalho foram publicados por MENDONÇA et al.
47
(2010) e observou-se maior peso de tireóide nas fêmeas (2,70 g/kg PCV) em
comparação aos machos (1,93 g/kg PCV) e castrados (2,17 g/kg PCV). Maior peso de
tireóide pode estar relacionado a maior atividade metabólica desta glândula, e este, por
sua vez, com maior produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), o que pode ter
ocorrido com as fêmeas que apresentam maior deposição de tecido adiposo.
MARCATO et al. (2010) afirma que o aumento do tamanho do fígado, principal órgão
metabólico do corpo, acarreta em maior atividade metabólica e esta afirmação pode ser
adotada para outros órgãos e glândulas metabólicas, como tireóide, pâncreas e baço.
Além disso, segundo CUNNINGHAM (2004), a tireóide é a glândula endócrina mais
importante para a regulação metabólica.
De acordo com ALMEIDA et al. (2001) as variações nas quantidades de água,
cinzas, proteína e gordura depositadas no corpo estão associadas a diferentes padrões
de crescimento dos tecidos corporais, com taxas de crescimento inerentes às distintas
fases da vida do animal. A pequena variação na quantidade de água (Tabela 8),
provavelmente é por conta dos animais ainda serem muito jovens.
Não houve efeito do sexo sobre a quantidade de proteína do PCV (Tabela 8),
provavelmente, devido aos animais ainda não terem atingido a puberdade, fase de
maior liberação de testosterona, hormônio que ocasiona maior taxa de acréscimo de
proteína no corpo vazio de machos não castrados em relação aos castrados e às
fêmeas (FLETCHER et al., 1986). Este hormônio possui efeito anabólico sobre a
proteína corporal provavelmente expresso pela redução na degradação protéica nos
músculos (LOBLEY et. al., 1990; MORGAN et. al., 1993) e, menos intensamente, pelo
aumento na taxa de síntese protéica (MARTINEZ et. al., 1984).
De acordo com o ARC (1980), à medida que a idade e o PC aumentam, eleva-se
o conteúdo de gordura e diminui o de proteína no corpo e no ganho em peso dos
bovinos e ovinos, este fato também ocorreu neste estudo, quando os cabritos
aumentaram de 5 para 15 kg de PC (Tabela 8). O aumento na proporção de gordura e a
diminuição da proporção de água, cinzas e proteína do corpo com o aumento do PCV
foi coerente com a curva de crescimento animal onde o tecido adiposo tem crescimento
tardio em relação ao crescimento do corpo, aumentando a sua taxa de deposição
48
quando a de outros tecidos está na fase descendente (LAWRENCE & FOWLER, 2002).
Porém, o conteúdo protéico decresceu ainda em plena fase de desenvolvimento
corporal, haja vista que os animais não atingiram a puberdade fisiológica.
CARVALHO et al. (2000) observaram que o conteúdo corporal de proteína não
diferiu entre os sexos e elevou-se com o aumento do PCV de 5 para 15 kg, variando de
153,40 a 167,02 g de proteína/kgPCV, diferindo dos resultados obtidos neste estudo
(Tabela 8), em que houve diminuição da proteína a medida que o PCV aumentou de
4,29 para 11,89 kg (254,78 a 212,06 g/kgPCV). Estes resultados corroboram o ARC
(1980) que também verificou redução no conteúdo de proteína quando o PCV se eleva.
MARCONDES et al. (2009) avaliaram bovinos machos, fêmeas e castrados da raça
Nelore com peso vivo entre 250 e 450 kg e observaram redução na concentração de
proteína no PCV em todas as classes sexuais quando o PCV aumentou, atribuindo
esse resultado a maior deposição de gordura nas fases mais tardias de crescimento.
Apesar de o presente estudo ter sido executado com caprinos na fase inicial de
crescimento (5 a 15 kg de PC), com idade média de 105 dias e sem ter alcançado a
maturidade, também ocorreu redução da proteína PCV, em que as fêmeas iniciaram
uma deposição diferenciada de gordura entre 10 e 15 kg de PC, diferindo dos machos e
castrados. De acordo com BERG & BUTTERFIELD (1976), as diferenças na
composição química corporal entre os animais resultam de variações em peso e idade,
e são influenciadas pela puberdade, fase em que ocorre o início da deposição mais
acentuada de gordura.
Os resultados encontrados na Tabela 13 demonstraram que os caprinos apesar
de estarem na fase inicial de crescimento, apresentaram diminuição de 16,77% quando
o PC variou de 5 para 15 kg, 10,79% quando o PC variou de 5 para 10 kg e 6,69%
quando o PC variou de 10 para 15 kg, ou seja, diminuiu a concentração de proteína ao
passo que o PCV aumentou, reduzindo também a exigência de proteína líquida,
provavelmente, porque se iniciou uma deposição de gordura mais acentuada,
acarretando em menor requerimento de proteína para depositar 1 kg de PCV.
MARCONDES et al. (2009) avaliaram bovinos Nelore e constataram que a
concentração de proteína no corpo vazio dos animais das três classes sexuais diminuiu
49
conforme o peso vazio aumentou, uma conseqüência da maior deposição de gordura
nas fases mais tardias de crescimento dos animais, fazendo com que a exigência de
proteína líquida para ganho também diminuísse à medida que os animais foram ficando
mais pesados.
CARVALHO et al. (2000) avaliaram a exigência líquida de proteína para ganho
de peso em cordeiros machos, castrados e fêmeas com PC variando de 5 a 15 kg e
também observaram que não houve efeito do sexo, com valor médio de 27,86 g de
proteína líquida para ganho de 200 g/dia de PC, portanto, inferior ao valor encontrado
no presente estudo, de 31,19 g para o mesmo ganho de PC. Pode ser que a diferença
encontrada seja devido às características peculiares de cada espécie, justificando
estudos sobre exigências nutricionais de caprinos, já que a maioria das recomendações
para formulação de dietas para estes animais são obtidas de dados provenientes de
outras espécies de ruminantes. Diferenças existentes entre espécies, raça, idade, taxa
de crescimento e sexo podem explicar a variação dos dados da literatura (RESENDE,
1989; CARVALHO et al., 2000; ALVES et al., 2008).
LUO et al. (2004), publicaram uma meta-análise utilizando 3404 caprinos em
crescimento (pós-desmama até 18 meses de idade) de diferentes biótipos (carne, leite e
nativos) oriundos de 73 publicações entre 1973 e 2003 e encontraram exigência de
proteína metabolizável diferente para os biótipos. Para animais leiteiros, foi encontrado
o valor de proteína metabolizável para ganho de 0,290g/g PC, valor semelhante ao
observado neste estudo, de 0,264g/g PC, para o intervalo de 5 a 15 kg. Apesar de ter
avaliado animais de várias raças leiteiras (Saanen, Alpina, Damascus, Norwegian,
Swedish Landrace e cruzamentos leiteiros), condições ambientais distintas do Brasil e
idade pouco diferente, os valores foram semelhantes, provavelmente, devido ao grande
números de dados utilizados, fato que ajudou ao ajuste dos dados.
50
5. Conclusões
Cabritos Saanen machos, castrados e fêmeas na fase inicial de crescimento
possuem a mesma exigência nutricional em proteína para mantença e ganho.
Cabritos Saanen machos e castrados possuem composição corporal de gordura
diferente de fêmeas na fase inicial de crescimento.
Cabritos Saanen na fase inicial de crescimento (5 a 15 Kg de peso corporal), não
necessitam de um manejo nutricional diferenciado em relação ao sexo quando o
nutriente estudado é a proteína.
A exigência de proteína líquida para mantença foi estimada em 1,69 gPB/
kg0,75/dia, enquanto a exigência líquida de proteína para ganho foi estimada em 208,9 e
173,9 g/kgGPCV à medida que o peso corporal dos animais variou dos 5 para os 15 kg,
respectivamente.
51
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Exigência de proteína para crescimento de cabritos Saanen machos