1 Autor: Isabel Cristina Gallindo Perez Co-autora: Maria de Fátima da Cunha NRE: Londrina Escola: Colégio Estadual 11 de Outubro Disciplina: História Ensino Fundamental (X ) Ensino Médio ( ) Disciplina de Relação Interdisciplinar: Arte Disciplina de Relação Interdisciplinar: Língua Portuguesa Conteúdo estruturante: Relação de Poder Conteúdo específico: A Era Vargas : a construção de um mito A visão que um povo tem sobre os seus governantes, pode ser construída por meio de um julgamento racional e isento de manipulação? Quais os critérios que você utiliza para julgar a administração de um governante? Vamos nos colocar no papel de um presidente, que deseje ser popular. Atividade 1 Se você fosse presidente quais os meios que utilizaria para se tornar amado por seu povo? Monte um plano publicitário, e explique suas estratégias. Descreva-a com detalhes, pois você ira apresentá-las. A música poderia ser um destes meios? As letras e melodias podem trazer intenções e mensagens? Todas estas questões devem ser analisadas quando ouvimos canções dos nossos dias ou de outras épocas. 2 E falando em presidente, você já ouviu falar sobre Getúlio Vargas , pois é, ele é uma das figuras mais polêmicas da História brasileira, para alguns historiadores o presidente apresentava uma postura autoritária, já para algumas pessoas que viveram na época, em que ele governava o Brasil, consideravam-no um salvador ou como diziam “pai dos pobres e trabalhadores”. Era Vargas : a Construção de um mito Mais agora vamos ao que interessa, a nossa aula, esta terá por objeto de estudo a construção da figura misteriosa de Getúlio Dornelles Vargas, no período em que esteve na presidência do Brasil, mas destacaremos o Estado Novo, período compreendido entre os anos de 1937 a 1945, analisaremos também as formas de manipulação realizadas pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), na construção de uma imagem popular para Vargas. Não descreverei todos os acontecimentos de seu governo, pois como já disse a vocês o nosso enfoque será o período do Estado Novo e as formas utilizadas pelo DIP para manipular as notícias e criar mecanismos de propaganda que exaltem os feitos do presidente. Só para iniciarmos nossos estudos, e compreendermos o objetivo desta aula, vamos ler a análise feita por Franklin Martins (2007) em seu site franklinmartins.com.br/som_na_caixa_gravacão, de um trecho da canção Glórias do Brasil,composta por Zé Pretinho e Antônio dos Santos em 1936. “Ainda temos na memória Esses atos de patriotismo. Hoje tens nome na história Na emergência de teu negro abismo. Porque existia em seu seio, Entre os valores verdadeiros, Getúlio Vargas, que veio Mostrar ser o Brasil dos brasileiros.” (Zé Pretinho e Antônio dos Santos: Glórias do Brasil) Segundo Franklin Martins (2007) “Esta marchinha parece feita de encomenda para glorificar a figura de Getúlio, que, a essa altura do campeonato, depois de dominar o putsch integralista de março de 1938 [...], havia liquidado toda forma de oposição a seu governo. Não fica claro quem, na visão de Zé 3 Pretinho e de Antônio dos Santos, queria dominar o povo brasileiro. Seriam os comunistas ou os integralistas? Provavelmente, ambos. Ao menos, esse era o discurso oficial da época. Para que você conheça ou relembre melhor o governo de Vargas, vamos fazer um pequeno resumo de sua trajetória como presidente entre os anos de 1930 a 1945. Getúlio Vargas se torna presidente em novembro de 1930, após um levante e permanece no poder até 1945, quando é deposto. No início assume o governo em caráter provisório, mas este período é marcado por uma grave crise econômica internacional que acabou refletindo no Brasil, o preço do café estava muito baixo, a agricultura passava por problemas, a crise econômica repercutia em todos os setores. Desde o início, Vargas se destaca pela centralização política e por uma postura autoritária. Após fechar o Congresso, assumi o controle sobre os Estados, nomeando interventores de sua confiança, muitos deles, tenentes, que haviam apoiado o levante que o colocou no poder em 1930. Vargas faz questão de demonstrar sua ligação com o trabalhismo, para o historiador Boris Fausto, o presidente tinha “por objetivos principais reprimir os esforços organizatórios da classe trabalhadora urbana fora do controle do Estado e atraí-la para o apoio difuso ao governo” (FAUSTO 1997: 335). Para colocar em prática este objetivo, criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, este também teria a função de coordenar a vinculação dos sindicatos ao Estado, bem como criar órgãos para arbitrar conflitos entre patrões e empregados - Juntas de Conciliação e Julgamento. O Período que teve início em 1934, tem como marco a convocação de uma Assembléia que elaboraria uma nova Constituição, ela foi promulgada no dia 15 de julho de 1934 e decretou a permanência de Vargas na presidência até maio de 1938. Em relação às organizações partidárias, este período foi marcado pela presença de dois movimentos políticos, que refletiam os debates que estavam ocorrendo na Europa, o fascismo e o comunismo. A Ação Integralista Brasileira (AIB), defendia uma doutrina nacionalista e existência de um único partido, eram contrários ao socialismo e a organização de um Estado Liberal. Seus líderes eram em sua maioria membros da classe média, mas atraíram um grande número de adeptos. Em oposição, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), defendia os 4 trabalhadores, a reforma agrária, a garantia das liberdades populares, e a constituição de um governo popular, do qual poderiam participar “qualquer pessoa na medida da eficiência de sua colaboração” (FAUSTO, 1997:359). A ligação e a orientação que a ANL sofria das organizações de Moscou, era uma boa justificativa, para o governo manipular a população contra a esquerda, pois estes estariam organizando um golpe comunista para tomar o poder no Brasil. O governo que já vinha reprimindo a ANL acabou tendo uma excelente desculpa para fechá-la, após a tentativa fracassada de uma insurreição em 1935, que ficou conhecida como Intentona Comunista. Seus líderes foram presos, inclusive as figuras marcantes de Luís Carlos Prestes e sua mulher Olga Benário. O Estado passa a ganhar do Congresso amplos poderes e tem na pessoa de Filinto Muller, o seu grande colaborador na repressão aos “inimigos” de Vargas, este passa a ter uma ligação direta com o presidente. Atividade 2 Vamos assistir ao filme “Olga” para ter contato com o contexto histórico da época. Após assistir ao filme, elabore um texto sobre as idéias de Prestes para o futuro do Brasil e como Vargas tratava quem discordasse de seu governo. Ficha Técnica Nome: Olga Ano: 2004 Origem: Brasil Direção: Jayme Monjardim Gênero: Drama Duração: 97 min. Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler ,Luis Mello Fernanda Montenegro, , Eliane Giardini, Jandira Martini, Mariana Lima, Renata Jesion Produtores: Nexus Cinema e Vídeo, Globo Filmes, Lumiére e Europa Filmes O início de 1937, á marcado pelos debates sobre a sucessão presidencial, o governo aparentemente estaria organizando as eleições e os candidatos iniciaram a defesa de suas idéias. Pelo Partido Constitucional, formado pelo PD e partidos menores, estava Armando de Salles Oliveira, como suposto candidato do governo estava José Américo, os integralistas lançaram Plínio Salgado. 5 A campanha desenrolou-se em meio a um quadro repressivo, de censura e restrição da participação política, resultado do estado de guerra decretado no país em março de 1936 com a justificativa de combater o comunismo (Centro de Pesquisa de História Contemporânea do Brasil - CPDOC, 2007). O processo eleitoral foi sofrendo progressivo esvaziamento, podemos perceber que Getúlio, não estava disposto a deixar o poder. Em setembro de 1937, o Ministério da Guerra divulgou o que ficou conhecido como Plano Cohen, um documento forjado que relatava a preparação de uma nova ofensiva comunista, ante o iminente perigo vermelho, o presidente no dia 10 de novembro de 1937, vai à rádio e anuncia um novo código de leis, a Constituição de 1937. Em nome da segurança do Estado, a oposição foi destituída de seus poderes, Além da perda dos poderes políticos, grande parte dos adversários políticos de Vargas são presos ou passam a temer a repressão policial presente no período. Esta nova Constituição dava amplos poderes ao Executivo, poderes ditatoriais. Este novo período do governo Vargas, foi chamado de Estado Novo. O Estado passa a ser identificado como a própria nação, sendo, Getúlio o próprio Estado. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi de vital importância na legitimação da imposição do Estado Novo, pois este seria encarregado da tutela e construção da própria nacionalidade, isto é, as instâncias formadoras de opinião pública em torno do regime (MENDONÇA, 1990:287). A censura que sempre teve um papel importante no governo Vargas, a partir de 1937 passa a ter um papel de destaque, “houve um refinamento sutil quando, depois de 10 de novembro, uma quantidade bem maior daquilo que passava pelo olfato sensível dos censores do governo passou a ser considerada propaganda de esquerda” (ROSE, 2001:151). Atividade 3 Vamos pesquisar qual era o papel do DIP, na construção da imagem do presidente, principalmente no que se refere ao uso da música como meio de propaganda. 6 Com o Estado Novo, os censores começaram a interferir, fazendo cortes em letras de sambas. A tarefa deles era apagar os aspectos “primitivos”, embaraçosos, da música” (ROSE 2001:151-152). Mas não era só a tentativa de sofisticar e embranquecer o samba, que vemos na censura do DIP, este tinha como meta fazer com que os sambistas abandonassem os temas ligados à malandragem ou questionamentos sociais, para fazerem à apologia do trabalho e das belezas da nação brasileira. Referendando esta idéia, vemos o texto “Diretrizes do Estado Novo (1937-1945) Educação, Cultura e Propaganda” produzido pelo Centro de Pesquisa de História Contemporânea do Brasil (CPDOC): Foi durante o Estado Novo que surgiu o chamado “samba da legitimidade”, em que se buscava converter a figura do malandro na figura exemplar do operário da fábrica. O DIP incentivava os compositores a exaltar o trabalho e abandonar a boemia. Também através do samba se ensinava a repudiar o comunismo como ameaça à nacionalidade (Glória ao Brasil (1938). Procurando construir uma imagem positiva do governo juntos aos artistas, em 1939 Vargas criou o “dia da Música Brasileira”. DIP: censura e propaganda Como você verificou em sua pesquisa, o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) foi criado em dezembro de 1939, com poderes de censura sobre qualquer criação artística nacional, incluindo a música popular. Este órgão foi um dos principais responsáveis pela legitimação do Estado Novo perante a opinião pública e pela construção de imagens idealizadas de Vargas. Uma de suas metas era fazer com que as classes trabalhadoras se identificassem com a política governamental, pois o Estado tinha um discurso de estar sempre disposto a amparar e beneficiar os trabalhadores, assegurando-lhes o bem-estar. O DIP, além de interditar matérias jornalísticas, também produzia textos para serem publicados nos jornais, bem como distribuía fotos do presidente sempre muito próximo ao povo. Nestas fotos Vargas deveria representar a nação, a mistura de várias raças e culturas, e o presidente deveria ser identificado por todas elas. Atividade 4 Nas imagens abaixo, vemos cenas de Vargas, próximo ao povo. Na atualidade os políticos utilizam deste tipo de recurso para se fazerem populares? Pesquise algumas imagens que podem comprovar esta idéia. Faça uma exposição, utilizando um painel com as imagens encontradas. 7 Cartões postais exaltando as realizações do governo Vargas, editado pelo DIP, 1937/1945. Rio de Janeiro (RJ). (CPDOC/ GV foto 081/9) http://www.cpdoc.fgv.br/ acesso em <08/11/2007> Cartões postais exaltando as realizações do governo Vargas, editado pelo DIP, 1937/1945. Rio de Janeiro (RJ). (CPDOC/ GV foto 091/9) http://www.cpdoc.fgv.br/ acesso em <08/11/2007> Atividade 5 Você agora é um historiador, e utilizará como fonte histórica a entrevista oral, entreviste pessoas que tenham vivido naquela época, pergunte a elas quais as lembranças que elas guardam do governo Vargas. Getúlio Vargas – O líder dos trabalhadores A figura do presidente sempre esteve associada ao trabalho, era reverenciado como “trabalhador número um do Brasil”, Vargas era identificado como um pai e protetor dos trabalhadores, aquele que havia criado uma legislação trabalhista. No cinema, antes da exibição dos filmes, os jornais cinematográficos apresentavam Vargas em situações sempre positivas, divulgavam as ações do presidente e as propostas do Estado Novo.”. O ideário construído para o Brasil, se baseava na imagem de uma nação de trabalhadores ordeiros, este era um dos fatores que levaram o DIP a proibir a veiculação de músicas que enaltecessem a figura do malandro ou demonstrassem simpatia pela vadiagem. 8 Os compositores eram vigiados, principalmente os sambistas, aqueles que não seguissem a orientação dos sensores eram presos. A repressão era chefiada pelo temido Filinto Müler. Lugares que estavam associados ao samba e à malandragem como a Lapa, eram vigiados de perto pela polícia do Estado Novo. Se, de um lado havia a repressão às manifestações artísticas, de outro, o DIP também trabalhava como agente propagandista do governo Vargas. Paranhos (2007) citando Tota, disse que “O Estado Autoritário lançou mão de alguns gêneros da canção popular (notadamente samba e marcha) como veículo da ideologia do trabalhismo, com vistas a cooptar os trabalhadores e legitimar-se junto a eles.” Os compositores deviam, por exemplo, abandonar a malandragem e incentivar o trabalho, a família e o casamento. Muitas músicas foram compostas seguindo estas temáticas, como por exemplo, a música “É Negócio Casar” de Ataulfo Alves e Felisberto Martins. Canção do trabalhador 1940 Autor: Ary Kerner “Somos a voz do progresso E do Brasil a esperança Os nossos braços de ferro Dão-lhe grandeza e pujança Seja na terra fecunda Seja no céu ou no mar Sempre estaremos presentes Tendo na Pátria o olhar. Trabalhador Incansável, febril Esse fervor Exalta o Brasil Trabalhador Expressão verdadeira Do lema altivo Da nossa bandeira.” É negócio é casar 1941 (outubro) Autor: Ataulfo Alves e Felisberto Martins “Veja só, A minha como vida está mudada. Não sou mais aquele Que estava em casa alta madrugada. Faça o que eu fiz, Porque a vida é do trabalhador. Tenho um doce lar E sou feliz com meu amor. O Estado Novo Veio para nos orientar. No Brasil não falta nada, Mas precisa trabalhar Atividade 6 Qual a visão que estes compositores queriam dar para o Brasil ? Por que o trabalho passou a ser enaltecido? 9 É lógico que não podemos, afirmar que todas as músicas veiculadas durante o período do Estado Novo, compactuavam e repetiam o discurso governamental, houve outras temáticas. Muitos questionam a participação dos cantores e compositores como colaboradores e reprodutores da ideologia estado-novista, mas além dos músicos serem atraídos por uma política que os favoreciam muitos, segundo Fabio Gomes (2007), pertenciam às classes baixas e sobrevivendo em empregos modestos, eles dependiam do que conseguiam ganhar com a música. A simpatia dos músicos com o presidente também esta associado à medida tomada por Vargas em 1932, quando o governo autorizou as emissoras de rádio a veicularem anúncios, com isso as rádios passaram a abrir espaço para os sambistas, que naquele momento podiam mostrar suas músicas sem censura. Era, portanto, coerente e interessante apoiar essas manifestações ligadas à cultura popular brasileira. Em primeiro lugar, porque isso pode fortalecer o espírito nacionalista do povo brasileiro e, conseqüentemente, a confiança desse povo na condução tomada por Getúlio. Em segundo lugar, porque valorizar a cultura popular legitima a imagem de “pai dos pobres” construída pelo presidente, fortalecendo seu papel de mediador dos interesses e direitos do povo. As canções durante o governo Getúlio Vargas : Até a década de 1930, as manifestações populares, principalmente o carnaval e o samba eram marginalizados, a elite de maneira preconceituosa identificava estes movimentos a desocupados e marginais. O governo que representava a Política do café com leite, também tinha uma postura semelhante, perseguiam os artistas, associando as manifestações populares à contravenção. Mas apolítica nacionalista e populista inaugurada por Getúlio Vargas será responsável pela criação de uma nova ideologia em torno da Música Popular Brasileira, principalmente do samba, iniciando-se o processo de aceitação e incorporação do gênero pelas elites (POUBEL, 2007). A política nacionalista defendida pelo governo Vargas, cria uma identificação entre o povo e o governo, sendo o primeiro uma peça fundamental para a legitimação das resoluções governamentais tomadas a partir da década de 1930. 10 Como parte da população pobre era analfabeta, o rádio e a música poderiam ser formas de transmissão desta ideologia nacionalista, e assim o samba e o carnaval passam a ser valorizados tornando-se símbolos na cultura brasileira. O rádio também, teve um papel importante na divulgação das idéias de Getúlio Vargas, em 1935 é criado o programa informativo oficial chamado “A Hora do Brasil”, neste transmitia-se a fala do presidente e a propaganda oficial, intercalando também números musicais de cantores, instrumentistas e orquestras populares da época. Nomes como Carmem Miranda e Francisco Alves, marcaram presença no programa. Com isso o rádio passa a ser fundamental para transformar os ouvintes em defensores da política governamental, pois estes se identificavam com as palavras transmitidas e além do que o rádio acabava unificando o Brasil pelas ondas do ar. Segundo Sevcenko, (1998:591) com o sucesso do rádio, este passou a ser usado também para criar mitos e Vargas soube usar muito bem esta vocação para veicular sua imagem de defensor dos trabalhadores e pai da nação. A partir dessas duas formas de consumo – os discos e o rádio – podemos compreender como a música brasileira tornou-se, durante a era Vargas, um produto consumido por classes sociais não pertencentes ao seu contexto cultural (POUBEL, 2007). Mas podemos questionar, qual seria a importância do uso das canções, para estudar este período: “As letras de samba por muito tempo construíram o principal senão o único, documento verbal que as classes populares do Rio de Janeiro produziram autônoma e espontaneamente. Por meio delas, vários segmentos da população habitualmente relegados ao silêncio histórico impuseram sua linguagem e sua mensagem a ouvidos freqüentemente cerrados à voz do povo (MATOS, 1982:22). Atividade 7 Faça uma pesquisa sobre canções das décadas de 30 e 40, que valorizem o trabalho, a figura de Vargas ou as belezas brasileiras. Após a letra de cada canção faça um comentário sobre o que podemos descobrir por meio de suas letras. 11 Durante o Estado Novo, havia um esforço no sentido de justificar as ações do presidente, difundindo uma imagem positiva do mesmo junto às camadas populares. As letras das canções só eram aprovadas pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) se tivessem temáticas defendidas pelo governo Vargas, uma das temáticas defendidas neste período foram à valorização do trabalho um bom exemplo e a canção de Ataulfo Alves e Wilson Batista “Bonde de São Januário” ou ainda “Rapaz Folgado” de Noel Rosa. Os sambistas que antes destacavam em suas letras a ótica do malandro e da boemia, sob o Estado Novo, foram obrigados a dar outra roupagem para o “malandro”, este “comprou sapato e gravata e até passou a recusar a denominação de “malandro”. (MATOS, 1982:55). A atuação crescente da censura e a adesão da maioria dos sambistas aos projetos triunfalistas de Getúlio Vargas geram sambas que falam de trabalhadores profissional e sentimentalmente vitoriosos. Trabalhando, pode-se conseguir tudo que um homem quer por meio de uma postura bemcomportada o espírito crítico da malandragem e rejeitado. Atividade 8 Após analisar a charge abaixo, faça um desenho ou também uma charge sobre a manipulação da cultura pelo governo Vargas. Charge de Diego Pallisser da Silva Macedo 12 Espero que após esta aula, você possa me responder a pergunta inicial: Você se deixaria influenciar, passaria à gostar de um presidente após ouvir canções que o enalteçam? REFERÊNCIAS Ary Kerner.Disponível em < http://franklinmartins.com.br> Acesso em 21 maio 2007 Ataulfo Alves e Felisberto Martins. Disponível em < http://franklinmartins.com.br> Acesso em 21 maio 2007 CENTRO DE PESQUISA DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL . Diretrizes do Estado Novo (1937-1945) Educação, Cultura e Propaganda . Disponível em www.cpdoc..fgv.br/nav_historia/htm/anos37-45/ev_ecp001.htm Acesso em 17 maio 2007. FAUSTO, Boris. História do Brasil. 5.ed. São Paulo:Editora da Universidade de São Paulo: Fundação do Desenvolvimento da Educação, 1997. FRANKLIN, Martins. Disponível em http://franklinmartins.com.br. Acessado em 21 maio 2007. GOMES, Fabio. O trabalho na música popular brasileira. Disponível em: < http:// brasileirinho. mus.br/artigos/trabalhompb.htm> Acesso em: 21 maio 2007. MATOS, Claudia. Acertei no Milhar: samba e malandragem no tempo de Getúlio. Rio de Janeiro:Paz e Terra, 1982. MENDONÇA, Sonia Regina de. Da “Revolução de 30” ao Estado Novo. In: LINHARES, Maria Yedda (orgs) História Geral do Brasil. Rio de Janeiro:Campus, 1990. MOURA, M. Roberto. A censura e a música no Brasil. In: INTERNATIONAL COUNCIL FOR TRADIONAL MUSIC, 36. 2001, Rio de Janeiro, RJ.Anais…Rio de Janeiro. 2001. 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