Gestão e diagnóstico ambiental: um estudo de caso em um porto de Santa Catarina
Jerónimo Taundi Guilherme
Universidade Federal de Santa Catarina
[email protected]
Luiz Alberton
Universidade Federal de Santa Catarina
[email protected]
Elisete Dahmer Pfitscher
Universidade Federal de Santa Catarina
[email protected]
Fabrícia Silva da Rosa
Universidade Federal de Santa Catarina
[email protected]
Endereço:
Universidade Federal de Santa Catarina
Centro Sócio-Econômico, Departamento de Ciências Contábeis
Campus Universitário - Trindade 88040-500 - Florianópolis, SC – Brasil
Área temática: A6 - Custos, gestão ambiental e responsabilidade social.
Palavras-chave: Gestão ambiental. Diagnóstico-EDE. Portos de Santa Catarina.
Metodologia de investigação usada: M7 – Survey.
Gestão e diagnóstico ambiental: um estudo de caso em um porto de Santa Catarina
Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo geral diagnosticar a gestão ambiental em um porto do estado
de Santa Catarina. A metodologia adotada quanto aos objetivos trata-se de pesquisa
descritiva. No que se refere aos procedimentos técnicos considera-se pesquisa bibliográfica,
documental e análise de conteúdo. Quanto à abordagem do problema trata-se de pesquisa
quali-quantitativa. A trajetória metodológica divide-se em três fases: i-revisão teórica dos
temas Contabilidade e Controladoria Ambiental, Responsabilidade Social e Sistema de
Gestão Ambiental; ii- análise de resultados onde no primeiro momento se mostra a quantidade
de Portos de Santa Catarina e após tem-se o breve histórico do Porto estudado; e iiiapresenta-se o diagnóstico bem como o nível de sustentabilidade do Porto estudado, que é
realizado através de entrevista estruturada sobre o tema com a engenheira ambiental do porto.
Para análise e interpretação dos dados, as respostas são agrupadas em i- política ambiental e
social e ii- desempenho ambiental do porto estudado. Como forma de mensurar o desempenho
ambiental, usa-se o modelo EDE (Environmental Disclosure and Evaluation), com a
finalidade de diagnosticar o desempenho real sobre as variações internas e externas que
influenciam na divulgação do meio ambiente, permitindo deste modo conhecer a avaliação
global da adoção das ações de aperfeiçoamento dos aspectos ambientais. No final conclui-se
que existe o comprometimento do porto estudado, com uma valoração global de 58,93 pontos
em toda a sua estrutura administrativa, quanto a prevenção do meio ambiente, pelo
dinamismo na adoção e aplicação de conjunto de medidas e procedimentos em relação a
gestão ambiental.
Palavras-chave: Gestão ambiental. Diagnóstico-EDE. Portos de Santa Catarina.
1 Introdução
No mundo moderno, se descreve sobre sustentabilidade ambiental nas empresas,
talvez por ser esta, a ferramenta que busque o equilíbrio entre os vários objetivos dos
intervenientes internos e externos num mercado concorrencial que a procura do lucro torna o
mercado em ebulição, com lutas entre as organizações, fazendo do marketing uma alternativa
ideal para seus fins financeiros.
Nisto, o marketing está em toda parte e resulta do planejamento e execução cuidadosos
e pode ser feito de maneira formal ou informal cujo objetivo é o sucesso financeiro para que
as empresas obtenham o lucro (KOTLER e KELLER 2006, p.2).
Entretanto, Chiavenato (2003) descreve que a organização humana é mais do que a
soma de indivíduos, devido à interação social diária e constante. Sendo as organizações
formadas por pessoas, que muitas das vezes representam vários interesses e hierarquia de
motivações diferenciadas, onde os acionistas, executivos estão preocupados com o lucro e
pouco com a preservação do ambiente.
A sociedade espera em troca que as organizações tragam benefícios para a
comunidade, agredindo menos ao ambiente. As empresas tentam convencer a sociedade
através de apresentação de balanço social das atividades como ferramenta que espelha seus
desempenhos com a finalidade de mostrar cumprimento das normas e leis.
Embora essa informação seja passada constantemente, pode se questionar até que
ponto a mesma corresponde à verdade. O presente trabalho pretende trazer informação sobre
as questões ambientais e sua monitoria nas empresas em geral, e nos portos de Santa Catarina
em particular, sendo esses os maiores canais de fluxo de mercadorias diversas, incluindo as
perigosas e nocivas ao ambiente.
Assim a problemática dessa pesquisa fica resumida na seguinte questão: Como é
realizada a Gestão ambiental num dos Portos de Santa Catarina, a partir de diagnóstico
coletado através de uma entrevista estruturada e mensurado pela aplicação do modelo EDE
(Environmental Disclosure and Evoluation). Salienta-se que esse modelo desenhado por
(Crespo Soler, Ripoll Feliu, Rosa e Lunkes, 2011), tem a finalidade de mensurar as escalas
ordinais em cardiais, permitindo conhecer a avaliação global da adoção das ações de
aperfeiçoamento e permitir também avaliar o desempenho das organizações para inferir sobre
as variações internas e externas que influenciam na divulgação ambiental.
Nesta perspectiva o objetivo geral deste trabalho é de diagnosticar a gestão ambiental
em um Porto de Santa Catarina. Para atender esse objetivo têm-se os seguintes objetivos
específicos: Verificar a quantidade de Portos em Santa Catarina; Verificar o status quo quanto
à Gestão Ambiental do Porto estudado e verificar o nível da empresa quanto à execução de
políticas ambientais corretas.
2 Metodologia
A metodologia quanto aos objetivos trata-se de pesquisa descritiva, que segundo (GIL,
2010), têm como objetivo a descrição das características do objeto em estudo. No que se
refere aos procedimentos técnicos considera-se pesquisa bibliográfica, documental e análise
de conteúdo. Quanto à abordagem do problema trata-se de quali-quantitativa.
A trajetória metodológica divide-se em três fases, a primeira em revisão teórica onde
são estudados os temas: Contabilidade e Controladoria Ambiental, Responsabilidade Social e
Sistema de Gestão Ambiental.
Na segunda fase apresenta-se a análise de resultados onde no primeiro momento se
mostra a quantidade de Portos de Santa Catarina e após tem-se o breve histórico do Porto
estudado.
Quanto a terceira e última fase apresenta se o diagnóstico bem como o nível de
sustentabilidade do Porto estudado, que é realizado através de entrevista estruturada contendo
vinte e cinco questões abertas e fechadas relacionadas a gestão, responsabilidade e
desempenho ambientais.
Como questões de gestão ambiental, pretende-se saber a situação do porto quanto a
certificações, metas de desempenho ambiental, comunicação entre os stokeholders e aspectos
motivacionais.
Na área sobre a responsabilidade ambiental são abordadas questões como:
estabelecimento de metas ambientais, objetivos pretendidos na elaboração de informações
sobre as medidas ambientais e comprometimento da empresa quanto aos gastos ambientais.
E por último abordam-se questões sobre o desempenho ambiental com destaque para:
tipo de controle e informação prestada à sociedade, gastos e investimentos ambientais, nível
de consumo de materiais tendo em vista aos aspectos reciclagem, reutilização, redução e
reparo.
Para a mensuração de toda informação colhida pela entrevista estruturada dirigida a
engenheira ambiental da empresa é aplicado o modelo EDE (Environmental Disclosure and
Evoluation), de (Crespo Soler, Ripoll Feliu, Rosa e Lunkes, 2011), que segundo esses autores,
fundamenta-se nas diretrizes do GRI – Global Reporting Initiative e na Metodologia MCDAC Metodologia Multicritério de Apoio a Decisão Construtivista de (Ensslin, Montibeller e
Noronha, 2001), para possibilitar a Avaliação da Informação Ambiental.
Ainda os mesmos autores afirmam que no modelo EDE, os níveis de escala variam de
1 até 10 assim estruturados (n1,n2, ... n10) onde n1 representa o pior nível. Essas escalas
ordinais são transformadas em cardinais por meio de um software de julgamento semântico.
Assim, passam a representar valores que variam entre -146 a 146. Para interpretar o resultado,
são estabelecidos níveis de reverencia, assim, resultados variando entre -146 até 0 nível
representam um nível comprometedor; entre 1 ate 100 é considerado um desempenho nível de
mercado, e por fim resultados entre 101 até 146 representam o nível de excelência.
Para avaliação global os autores do modelo estabelecem um conjunto de parâmetros
que servem de taxas de compensação que permite o valorar o environmental disclosure
assessement, através do uso de software de julgamento semântico e equação agregativa, que
utilizando a equação de agregação aditiva: V(a) = w1*v1(a) +w2*v2(a) + w3*v3(a) + ....
wn*wn(a), onde V(a) = valoração; w = taxas e v = SQ. (Ensslin, Montibeler e Noronha, apud
CRESPO SOLER, RIPOLL FELIU, ROSA e LUNKES, 2011).
3 Revisão Teórica
Para dar suporte a presente pesquisa, recorre-se a revisão teórica, que permite o
entrosamento entre questões de gestão portuária no que se refere aos impactos causados ao
ambiente e a comunidade, bem como ao desenvolvimento sustentável de modo equilibrado
entres os vários intervenientes. Procura se estabelecer uma base para melhor compreender a
pesquisa evitando deste modo o mergulho em ambiente hostil.
3.1 Contabilidade e controladoria ambiental
Toda atividade para que seja bem sucedida recorre à contabilidade e controladoria.
Neste caso a empresa deve estar preparada para reduzir qualquer impacto negativo que possa
ocorrer, durante o processo de desenvolvimento das suas atividades, que muitas das vezes faz
com que a empresa perca a concorrência num mundo cada vez mais globalizado.
Neste caso, Bergamini Júnior apud Da Silva (2009, p.37), afirma que “contabilidade
ambiental é o registro do património ambiental (bens, direitos e obrigações ambientais) de
uma organização. Ela existe se as empresas quiserem que ela exista, ou seja: depende das
empresas se vão, ou não, adoptar o conceito de contabilidade ambiental”.
Segundo Tinoco e Kraemer (2008, p.153), “a contabilidade é um veiculo adequado
para divulgar informações sobre o meio ambiente. Esse é um fator de risco e de
competitividade de primeira ordem. A não inclusão dos custos, despesas e obrigações
ambientais distorcerá a situação financeira e os resultados da empresa”.
Já para Vargas, Pfitscher e Richartz et al., (2010), “a contabilidade ambiental tem
grande importância na geração e processamento de informações, sendo usada como subsídio
na identificação e registro de eventos ambientais, dando parâmetros aos usuários em suas
tomadas de decisões[...]”.
Entretanto, Schenini, Rensi e Cardoso (2005, p.49), afirmam que a contabilidade,
enquanto ciência que estuda a situação patrimonial e o desempenho econômico – financeiro
das entidades, possui os instrumentos necessários para contribuir para a identificação do nível
de responsabilidade social dos agentes econômicos.
Para que essa informação seja útil para os stokeholders, pede-se que seja produzida de
forma clara e concisa, para que os benefícios aí decorrentes sejam para todos.
Quadro 1
Benefícios da contabilidade de gestão ambiental
Para a empresa

Para a Sociedade
Identifica, estima, aloca, administra e

reduz custos;


naturais, incluindo agua e energia;
Controla o uso e os fluxos da energia e

Reduz os custos externos relacionados a
dos materiais;
poluição da indústria, tais como os da monitoria
Dá informação exata e mais detalhada
ambiental
para suportar o estabelecimento e a

participação em programas voluntários,
custos

Permite o uso mais eficiente dos recursos
efetivos
para
melhorar
o
Fornece informações para a tomada de decisão,
melhoramento a politica pública; e

Fornece informação ambiental industrial do
desempenho ambiental; e
desempenho, que pode ser usada no contexto
Produz informação exata e mais detalhada
mais extenso das avaliações do desempenho e
para mensurar e da elaboração do
das condições ambientais.
relatório de desempenho ambiental.
Fonte: Adaptado de (TINOCO e KRAEMER, 2008, p 159).
Na mesma linha de pensamento, Gomes e Salas (2001, p.22-23), afirmam que o
processo de controle requer a obtenção de informações que possibilite a formação de
diretrizes e a mensuração do resultado nos mesmos moldes. A informação pode ser referência
a diversos aspectos: a evolução do contexto social global (tecnológico, sociocultural, político,
econômico, demográfico, ecológico, etc.), a evolução do setor (clientes, mercado,
concorrência, distúrbios, credores, regulamentação por parte dos organismos governamentais,
etc.) e a evolução da própria empresa (aspectos comerciais, financeiros, produtivos, etc.).
Enquanto que Cajazeira (1998, p.51), enfatiza a necessidade de haver uma
comunicação entre os vários níveis das partes interessadas, através do estabelecimento de
critérios que possam assegurar à organização a recepção, registo e comunicação aos quesitos e
as reclamações enviadas pelos Stakeholders sobre os efeitos ambientais decorrentes das suas
atividades, produtos e serviços.
3.2 Desenvolvimento sustentável
Para Do Valle (2002, p.28-29), “o desenvolvimento sustentável significa atender as
necessidades da geração atual sem comprometer o direito de as futuras gerações atenderem a
suas próprias necessidades. A necessidade de atender a ganhos econômicos, sociais e
ambientais, não deve ser o motivo para agressão do meio ambiente, mas sim uma
preocupação principal com a eficiência de seus processos produtivos, onde passa por uma
convergência de interesses técnicos, econômicos e comerciais que tenderá a reduzir a geração
de poluentes, tornando-a mais eficiente”.
Segundo Schenini (2005, p.163-164), “o desenvolvimento sustentável se afirma em
três pilares básicos que são o crescimento econômico, a equidade social e o equilíbrio
ecológico, todos sob o mesmo espírito holístico de harmonia e responsabilidade comum”.
Entretanto, diz o autor que, para alcançar esse nível de desenvolvimento, as tendências
nas empresas tem sido a ênfase na utilização de tecnologias limpas, administração de
resíduos, relações institucionais, cultura organizacional, gestão ambiental e ISO-14000.
Para o World commission on environmental and development (WCED) apud
(BELLEN, 2005, p.23), “o desenvolvimento sustentável é o que atende às necessidades das
gerações presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem as suas
próprias necessidades”.
3.3 Responsabilidade social
Segundo Tachizawa, (2011), a responsabilidade social e ambiental pode ser resumida
no conceito de ‘efetividade’, como o alcance de objetivos do desenvolvimento econômico
social, que está relacionada à satisfação da sociedade, ao atendimento de seus requisitos
sociais, econômicos e culturais. A organização existe em função de necessidades sociais e
depende de manter um bom relacionamento com a sociedade. Nisto a transformação e a
influencia ecológica nos negócios se farão sentir de maneira crescente e com efeitos
econômicos cada vez mais profundos. Daí que às decisões estratégicas tomadas em relação ao
ambiente poderão servir de vantagens competitivas, que irão possibilitar a redução de custos e
melhoria nos seus lucros.
As empresas procuram melhorar e manter a imagem e reputação recorrendo a
responsabilidade social. Neste sentido inúmeras ações são desencadeadas para atenderem aos
elementos normativos gerenciais e operacionais da Responsabilidade social através da
elaboração de balanços sociais que permitam o atendimento de questões sociais, conduzindo
deste modo para o caminho de sustentabilidade através de ações socialmente corretas e que a
leva a credibilidade social corporativa. (SCHENINI, 2005).
Deste modo Tachizawa apud (Cabezas, Bitencourt e Pfitscher, 2010, p.6), “a
responsabilidade social deve expressar compromisso com os valores conduta e viabilizar
procedimentos que estimulem o contínuo aperfeiçoamento dos processos empresariais; resulte
da preservação e melhoria da qualidade de vida da sociedade do ponto de vista ético, social e
ambiental”.
Nisto responsabilidade social é a conjugação dos fatores sócio-econômico-ambiental,
que leva as empresas ao alcance dos seus objetivos daí que segundo Neto e Froes Apud
(SCHENINI, RENSI e CARDOSO, 2005, p. 39-40).
Responsabilidade Social é pensar o papel das empresas como agentes proativos no
processo de desenvolvimento social, econômico e ambiental, sendo estas
responsáveis pelo bem estar de seus colaboradores, do meio ambiente, do homem e
da valorização de sua cultura. Nessa perspectiva, a empresa estará incorporando um
fator determinante para o sucesso mercadológico.
Não basta que a empresa promova ações isoladas de responsabilidade social para que
sejam consideradas sustentavelmente responsáveis, mas sim que isso se torne como parte da
sua cultura organizacional.
Na mesma linha de pensamento, Tachizawa, Cruz Jr. e Rocha, (2006), Argumenta que
uma empresa é considera com uma cultura organizacional forte quando os seus membros
sentem-se satisfeitos, em relação à forma como atuam e se comportam, traduzindo o seu
esforço em ações eficientes.
Para tal, há toda necessidade da empresa ser diagnosticada por intervenientes externos,
pois este pode visualizar os impactos negativos por meio das seguintes questões apresentadas
no Quadro a baixo.
Quadro 2
Questões a serem diagnosticadas
INTERVENIENTES
FINALIDADE
Externos
Internos

Análise de aspectos físicos da organização;

Leitura dos relatórios que a empresa escreve;

Forma de acolhimento às pessoas exteriores a empresa;

Forma como os empregados se sente em relação à organização;

Forma de passar o tempo por parte dos membros da organização

Processo de progressão na carreira

Tempo de permanência na empresa

A informação produzida pelos membros da empresa

Mitos e anedotas transmitidos por processos de comunicação
Fonte: Adaptado de (TACHIZAWA, CRUZ Jr. e ROCHA, 2006, p. 109).
3.4 Sistema de gestão ambiental
Gerir é ser eficaz e eficiente na aplicação de recursos escassos para o alcance dos
objetivos. Para a gestão ambiental recorre-se ao conceito de Tinoco e Kraemer, (2008, p.114).
Que contextualiza dizendo:
Gestão ambiental é o sistema que inclui a estrutura organizacional, atividades de
planejamento, responsabilidade, práticas, procedimentos, processos e recursos para
desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política
ambiental. É o que a empresa faz para minimizar ou eliminar os efeitos negativos
provocado no ambiente por suas atividades.
Nota-se que para este autor, uma empresa tem um sistema de gestão ambientar,
quando se exige dela que cumpra com alguns requisitos, tais como: Gestão de Processos;
Gestão de Resultados; Gestão de Sustentabilidade e Gestão do plano Ambiental. A introdução
de práticas ambientais pode, por outro lado, implicar a redução de custos, por meio da
melhoria da eficiência dos processos, redução de consumos (matéria-prima, água, energia),
minimização do tratamento de resíduos e efluentes e diminuição de prêmios de seguros,
multas.
Ainda o mesmo autor define sistema de gestão ambiental como um conjunto de
procedimentos para gerir ou administrar uma organização, de forma a obter o melhor
relacionamento com o meio ambiente, que consiste essencialmente, no planejamento de suas
atividades, visando à eliminação ou minimização dos impactos ao meio ambiente, por meio
de ações preventivas ou medidas mitigadoras. (TINOCO e KRAEMER, 2008).
3.5 Gestão ambiental
Segundo Do Valle, (2002, p.69), afirma que a gestão ambiental consiste em um
conjunto de medidas e procedimentos bem-definidos que, se adequadamente aplicados,
permitem reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendedorismo sobre o
meio ambiente.
Enquanto que para Barbieri, (2007, p.25), conceitua a gestão ambiental argumentando
que:
Gestão ambiental deve ser entendida como as diretrizes e as atividades
administrativas e operacionais, tais como, planejamento, direção, controle, alocação
de recursos e outras realizadas com o objetivo de obter efeitos positivos sobre o
meio ambiente, quer reduzindo ou eliminando os danos ou problemas causados pelas
ações humanas, quer evitando que eles surjam.
Neste conceito, segundo o Barbieri, o meio ambiente deve ser entendido como
ambiente natural e o artificial, isto é, os ambientes físicos e biológicos originais e o que foi
alterado, destruído pelos humanos, como as áreas urbanas, industriais e rurais.
Na visão de Tinoco e Kraemer, (2008, p. 114), “gestão ambiental é o sistema que
inclui a estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidade, práticas,
procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar
criticamente e manter a politica ambiental”.
Para este autor trata se da forma pela qual a organização se mobiliza, interna e
externamente para a conquista da qualidade ambiental desejada que consiste em um conjunto
de medidas que visam ter controle sobre o impacto ambiental de uma atividade.
4 Análise de Resultados
Para melhor compreensão do trabalho feito, neste capítulo será feito uma análise dos
portos do estado de Santa Catarina, recorrendo à base de dados disponíveis no seu portal ou
de outros órgãos encarreguem de elaboração da base estatística de toda informação
relacionada aos portos.
4.1 Contextualização
No estado de santa Catarina, segundo o portal da ANTAQ (Agencia Nacional de
Transportes Aquaviários), instituição vinculada ao Ministério dos Transportes e a Secretaria
de Portos da Presidência da República responsável em regular, supervisionar e fiscalizar as
atividades de prestação de serviços de transporte aquaviário e de exploração da infra-estrutura
portuária e aquaviária, no estado de Santa Catarina existem três portos principais, dentre eles
o Porto de Itajaí, Porto de São Francisco do Sul e Porto de Imbituba.
Já no portal “santacatariabrasil.com.br”, apresenta 4 portos principais com a adição do
porto de Navegantes. Essa diferença pode ser explicada em virtude do último porto ter
entrado em funcionamento em 2007, ainda não ter constando na base de dados estatísticos da
ANTAQ.
A presente pesquisa limita-se a apenas um porto público do Estado de Santa Catarina.
Este porto teve sua primeira obra do porto foi construída em 1914, tendo passado para porto
organizado em 28 de Junho de 1968 e está localizado no norte do estado de Santa Catarina.
Para caracterizar o termo porto organizado, recorreu se a lei 8630/93, de 25 de Fevereiro, nos
números I, II e III do primeiro artigo, que considera:
I - Porto organizado: o construído e aparelhado para atender as necessidades da
navegação e da movimentação e armazenagem de mercadorias, concedido ou
explorado pela União, cujo tráfego e operações portuárias estejam sob a jurisdição
de autoridade portuária;
II - Operação portuária: a de movimentação e armazenagem de mercadorias
destinadas ou provenientes de transporte aquaviário, realizada no porto organizado
por operadores portuários;
III - Operador portuário: a pessoa jurídica pré-qualificada para a execução de
operação portuária na área do porto organizado; [...].
4.2 Diagnóstico e o Nível de Sustentabilidade do Porto Estudado
Para aferir o nível de sustentabilidade do porto estudado, recorre se a uma entrevista
estruturada por meio de um questionário contendo perguntas gerais e especificas que são
agrupadas em dois grupos subdivididos em cinco e seis subgrupos cada na mesma ordem.
Quanto a limitação da pesquisa, resume-se nas respostas da engenheira responsável pela área
ambiental do porto em estudo.
4.2.1 Gestão ambiental
No primeiro grupo pretendia-se saber a situação da empresa quanto a sua
responsabilidade profissional, abordagem ambiental, objetivos e metas, ferramentas de gestão
e medidas de controle, onde o quadro a seguir mostra o ponto de situação do porto quanto a
sua politica ambiental e social.
Quadro 3
Evidenciação da gestão ambiental
Perguntas
Respostas
A empresa tem setor exclusivo para gerenciar questões ambientais
Sim
As questões ambientais são consideradas segredo da alta direção
Discordo Totalmente
Uma liderança eficaz e fornecida para atingir as medidas ambientais
Concordo Totalmente
Um bom fluxo de informações está disponível para os níveis hierárquicos da
Concordo Totalmente
organização
A coordenação entre departamentos é conseguida facilmente
Concordo Totalmente
Medidas ambientais são determinadas primeiro nos departamentos e depois
Concordo Totalmente
submetidas a alta direção
Medidas ambientais são determinadas primeiro pela alta direção e depois são
Discordo parcialmente
coletadas opiniões nos departamentos
Medidas ambientais são fruto de um processo estruturado e alinhado com o
Concordo Totalmente
planejamento estratégico
A autoridade e responsabilidade do gerente devem ser claras para o controle
Concordo Totalmente
ambiental ser eficaz
A participação e fundamental para os gestores aceitarem suas metas ambientais
Concordo Totalmente
e considera-los atingíveis
O “gamesmanship”, onde os gerentes tentam subestimar receitas e subestimar
Concordo Totalmente
os custos/despesas ambientais é um problema para a empresa.
Os bônus por desempenho para gerente devem estar ligados ao alcance dos
Concordo Totalmente
objetivos ambientais
Ter medidas realizáveis, mas difícil de atingir, motiva os gestores.
A participação no processo é fundamental quando as medidas ambientais são
Concordo parcialmente
Concordo Totalmente
usadas como uma medida de desempenho para os gestores
Fonte: Dados da pesquisa
A partir da análise do Quadro 3, nota-se que a empresa apesar de não possuir
certificações ambientais, está comprometida com as normas ambientais, daí que foi
constituído um setor para análise e monitoramento das questões especificas do meio
ambiente, onde as informações são compartilhadas a todos os níveis.
Quadro 4
Evidenciação dos aspectos ambientais
Aspectos
Abordagem
Objetivos
Política
Procedimentos
de gestão
estratégicos
ambiental
monitoramento
de
Informações
Estratégia
contextuais
da empresa
ambiental
Materiais
X
X
Água
X
X
X
X
X
X
Energia
X
X
X
X
X
X
Biodiversidade
X
X
X
X
X
X
Emissões
X
X
X
X
X
X
Efluentes
X
X
X
X
X
X
Resíduos
X
X
X
X
X
X
Produtos/
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
serviços
Transporte
Fonte: dados da pesquisa
No Quadro 4, acima nota-se que as questão ambientais são as áreas que mais
preocupam a gestão da empresa, quando se trata de desempenho ambiental, embora a questão
de materiais seja apenas evidenciada na abordagem de gestão e nos procedimentos de
monitoramento ambiental.
Quanto à evidenciação e publicação do relatório no que refere aos aspetos ambientais,
foi colhida a seguinte informação.
Quadro 5
Evidenciação dos aspectos ambientais em relação a publicação em relatório.
Aspectos
SIM 1
SIM 2
Possui e evidencia
Possui
em
site
e/ou
Relatório externo
Materiais
X
Água
X
Energia
X
Biodiversidade
X
Emissões
X
não
anterior que foram
evidencia em site
evidencia em site
cumpridas no ano
e/ou
e/ou
atual
Relatório
Não
externo
possui
% de metas do ano
e
externo
mas
NÃO
Relatório
Efluentes
X
Resíduos
X
Produtos/serviços
X
Transporte
X
Fonte: Dados da pesquisa
Neste Quadro a cima, nota-se que a empresa está comprometida com a gestão do meio
ambiente, daí que os seus relatórios são de domínio público, permitindo deste modo a
visibilidade da mesma ao meio exterior.
Quadro 6
Elaboração das medidas ambientais.
Medidas ambientais
Sempre
Resultados dos anos anteriores
Quase sempre
Eventualmente
Nunca
X
Estatísticas
X
Analise do mercado
X
Indicadores econômicos nacionais
Números de anos anteriores
Quase nunca
X
X
Indicadores econômicos locais ou
X
regionais
Levantamento de aspectos e impactos
X
ambientais
Fonte: Dados da Pesquisa
Quanto aos resultados e números dos anos anteriores, e o levantamento de aspectos
ambientais, nota que estão sempre presentes na elaboração de medidas ambientais, enquanto
que os indicadores econômicos nacionais, locais e regionais, tenham uma influencia
insignificante.
4.2.2 Desempenho ambiental
Para o segundo grupo que continha questões sobre o desempenho ambiental, onde nos
subgrupos foram elaboradas questões relacionadas com o controle dos aspetos e impactos
ambientais, gastos e investimentos, critérios de avaliação, treinamento e conscientização,
situação de reciclagem e certificações ambientais e informações, foram colhidas as seguintes
informações como ilustra a tabela1.
Tabela 1
Desempenho Ambiental.
Aspectos
Reciclagem
Reutilização
Redução
Reparo
%
Divulga
Sim
%
Divulga
ou
Sim
Não
%
Divulga
ou
Sim
Não
%
Divulga
ou
Sim
Não
ou
Não
Materiais
90
S
50
N
5
S
80
N
Energia
100
N
100
N
5
S
100
N
Água
0
N
0
N
5
S
100
N
Biodiversidade
90
N
0
N
0
S
100
N
Emissões
0
N
0
N
10
S
100
S
Efluentes
0
N
0
N
0
N
100
N
100
S
50
N
5
N
100
N
líquidos
Resíduos
Fonte: Dados da pesquisa
Apesar da empresa não reciclar e reutilizar as emissões e efluentes líquidos, ela se
compromete com o reparo na totalidade.
Para o subgrupo de certificações ambientais e auditoria, a informação colhida foi a
seguinte:
Quadro 7
Certificações ambientais e relatório de sustentabilidade e auditoria
Itens de Gestão
Certificações ambientais
Classificação
( ) Nacional e Internacional
( ) Nacional
( ) Internacional
( x) Não possui certificações
Relatório de sustentabilidade e auditoria
( x) Possui relatório e publica
( ) Possui relatório mas não publica
( ) Não possui relatório de sustentabilidade
Percentual de itens relatados no relatório que são
auditados 90%
Fonte: Dados da pesquisa
Nota-se que a empresa não possui certificações ambientais, mas toda ação evidenciada
no relatório é publicada e a maior porcentagem e auditada.
Quanto às questões especificas, para a análise e interpretação de dados recorreu se a
aplicação do modelo EDE, que permite avaliar o desempenho das organizações para inferir
sobre as variações internas que influenciam no environmental discclosure.
4.2.3 Analise dos dados usando o modelo EDE
Para analise da informação colhida pelo uso do questionário estruturado, foi usado o
modelo EDE, com a finalidade de valoração dos dados, onde segundo (Crespo Soler, Ripoll
Feliu, Rosa e Lunkes, 2011), os níveis de escala ordinal variam de 1 até 10 estruturados de
seguinte modo (n1,n2, ... n10) onde n1 representa o pior nível, com escalas de -146 ate 146,
onde de -146 até 0 corresponde ao nível comprometedor; de 1 até 100 nível de mercado e por
fim de 101 até 146 nível de excelência.
Neste caso o nível de excelência pode ser considerado nível de melhoramento
contínuo, segundo a ISO 14000, onde a empresa deve cobrir os quatro pontos fundamentais:
requisitos e requerimentos legais; avaliar e registrar os efeitos ambientais; examinar as
praticas e procedimentos do sistema de gerenciamento ambiental e avaliar e investigar
acidentes ambientais e não conformidade em relação a legislação, regulamentos, politicas e
praticas anteriores de revisão.
Tabela 2
Nível de gestão ambiental
1. Gestão ambiental
1.1. Abordagens de gestão
1.2. Objetivos
1.3. Política ambiental
1.4. Responsabilidade profissional
1.5. Treinamento e conscientização
1.6. Monitoramento e acompanhamento
1.7. Informações contextuais
10%
5%
5%
5%
5%
15%
40%
25%
97,5672
146
146
146
54
44,9
92,768
116,5
Fonte: dados da pesquisa
Quanto a questão de gestão ambiental, visualizada na tabela a baixo, a partir desses
critérios, nota se que a empresa, encontra se ao nível do mercado. Para que a empresa se
encontre no nível de excelência, devia melhorar o item de treinamento e conscientização, com
mais ênfase ao tipo de informação ambiental.
Tabela 3
Nível de consumo de recursos naturais
2. Consumo de recursos naturais
2.1. Materiais
2.2. Energia
2.3. Água
2.4. Biodiversidade
28%
5%
43%
35%
17%
24,2270875
37,7
27,29625
22,875
15,285
Fonte: dados da pesquisa
Neste item, embora a empresa esteja no nível de mercado, a sua taxa de consumo de
recursos naturais é preocupante. Nisto para se inverter essa situação, precisa reutilizar mais os
seus recursos naturais, evitando desse modo o consumo excessivo.
Tabela 3
Nível de gestão ambiental
3. Emissões, efluentes, resíduos e impactos
3.2. Efluentes líquidos
3.3. Resíduos
3.4. Produtos e serviços
3.5.Transporte
45%
15%
30%
8%
12%
55,72745
14,9
86,3
2,5
35,3375
Fonte: Dados da pesquisa
Quanto ao aspecto de emissões, efluentes, resíduos e impactos, a empresa deve se
comprometer mais os efluentes líquidos, produtos e transportes que obtiveram uma pontuação
baixa, situando se quanto a este aspecto no nível do mercado.
Tabela 4
Nível de gestão ambiental
4. Conformidade Legal e Aspectos Financeiros
4.1. Conformidade Legal
4.2. Aspectos financeiros
17%
40%
60%
101,824
118
91,04
Fonte: Dados da pesquisa
Quanto a conformidade legal e aspectos financeiros, nota que a empresa é cumpridora
de procedimentos e normas ambientais, razão pela qual não ter se verificado alguma
penalização em relação a esse assunto.
Tabela 5
Avaliação e divulgação ambiental
Environmental Disclosure Assessement
1. Gestão ambiental
2. Consumo de recursos naturais
3. Emissões, efluentes, resíduos e impactos
4. Conformidade Legal e Aspectos Financeiros
Fonte: Dados da pesquisa
Taxas
Valoração
58,927737
10%
28%
45%
17%
97,5672
24,2270875
55,72745
101,824
Quanto à avaliação e divulgação dos aspetos ambientais, mais concretamente a
conformidade legal e aspectos financeiros, a empresa encontra-se num nível de excelência,
entretanto, há toda necessidade da empresa se comprometer mais em relação a outros aspetos
como o consumo de recursos naturais, onde o seu nível encontra-se muito baixo, que,
entretanto comprometeu o melhor desempenho para que o seu enquadramento global se
fixasse no nível de excelência quanto a environmental disclosure assessement.
5 Conclusões e Recomendações
Quanto ao objetivo proposto na presente pesquisa, foi diagnosticar a gestão ambiental
de um porto do estado de santa Catarina, pode se considerar que foi atingido, pois a empresa
mostra-se comprometida com a politica ambiental social e o desempenho ambiental quanto se
refere aos aspectos ambientais.
Pode-se afirmar que o sistema de gestão ambiental do porto estudado, encontra se bem
estruturado e organizado, uma vez que as suas atividades de planejamento, responsabilidade,
práticas, procedimentos, processos e recursos de desenvolvimento da politica ambiental já se
encontram implantados a vários níveis, o que tem permitido a empresa a minimizar ou
eliminar os efeitos negativos das suas atividades em relação ao meio ambiente. Prova disso
resume-se na politica da empresa na indicação de um engenheiro responsável pela área de
gestão ambiental que monitora e avalia os impactos ambientais e o nível de comprometimento
a vários níveis da hierarquia do porto.
Contudo, pode-se observar que é possível aprimorar seus mecanismos de controle e
evidenciação para ampliar o nível de comunicação aos diferentes stakeholders, pois
considera-se que as demandas por informações são aperfeiçoadas a cada ano. Assim, verificase a importância das ferramentas de avaliação do desempenho ambiental e do desempenho da
informação.
Esta pesquisa limitou-se a estudar um caso, sugere-se para pesquisas futuras: (i) estudo
de multi-casos; (ii) ampliar o período de analise dos relatório para avaliar também a evolução
das informações prestadas; (iii) correlacionar dados do comprometimento, da gestão e da
informação com o desempenho econômico e financeiro das empresas.
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Gestão e diagnóstico ambiental: um estudo de caso em um porto de