XXIII ENANGRAD Teoria Geral da Administração (TGA) INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS: OS CASOS TIGRE E BEMATECH Patricia Tendolini Oliveira Taís Nunes Jéssica Melâine Dall’Oglio Destefeni Bento Gonçalves, 2012 TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS: OS CASOS TIGRE E BEMATECH INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS: OS CASOS TIGRE E BEMATECH O processo de globalização e a busca acelerada por novos mercados pós Segunda Guerra Mundial levaram empresas a buscar novos parceiros no exterior com vistas a produzirem seus produtos com baixo custo, ou a explorar novos mercados consumidores. Para explicar esse fenômeno, atualmente existem inúmeras teorias de internacionalização que discorrem sobre os modelos adotados pelas empresas. O presente trabalho busca detalhar o processo de internacionalização das empresas Tigre S/A e Bematech S/A elucidando suas principais características, como motivações para o seu início, modos de entrada, fatores que influenciaram no decorrer do processo e relacionar esses fatores aos modelos teóricos de internacionalização. Após análise, identificou-se a teoria da Visão Econômica Neoclássica para a Bematech S/A e ao Modelo de Uppsala e a Escola Nórdica para a Tigre S/A, pela compatibilidade teórica. No entanto, as interpretações não foram descartados a partir de outros modelos teóricos, assim como outros modelos graduais e paradigma eclético, entre outros. The globalization and the search for new markets after World War II made companies consider international markets as an alternative to its expansion in order to produce their products with low cost. To explain this phenomenon, there are currently numerous theories of internationalization that talk about the models adopted by companies. This research looks forward to detail the internationalization process of the companies Tigre S/A and Bematech S/A, clarifying its main characteristics such as motivations for its beginning, input modes, factors that influenced during the process and that relate these factors to theoretical models of internationalization. After analysis, for its theoretical compatibility, we found the theory of Neoclassical Economic Vision for Bematech S/A and the Uppsala Model and Nordic School for the Tigre S/A. However, the interpretations were not discarded from other theoretical models, like other gradual models and Eclectic Paradigm, among others. Palavras-chave: Internacionalização, Visão Econômica Neoclássica, Modelo de Uppsala, Escola Nórdica Key-words: Internationalization, Neoclassical Economic Vision, Uppsala Model, Nordic School INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS BRASILEIRAS: OS CASOS TIGRE E BEMATECH Modificações proporcionadas pelo fenômeno da globalização, abertura econômica e desregulamentação dos mercados tornaram a internacionalização de empresas um assunto de notoriedade crescente. Como propulsoras do processo de globalização, as firmas invadiram diversos mercados pelo mundo todo e o estudo desse fenômeno se tornou importante para interpretar as novas relações que a partir daí se formaram. A globalização econômica permitiu a abertura e desregulamentação dos mercados, a propagação acelerada de novas técnicas de comunicação e de outras novas tecnologias; assim, com a força assumida pelo capital, essas inovações deram impulso extra para as empresas transnacionais e fez com que os Estados Nacionais, para não perderem força, mudassem sua forma de agir. O cenário nacional nos anos 90, consubstanciado com a instauração do modelo liberal periférico, a abertura comercial, a desregulamentação econômica e a privatização das companhias estatais causaram uma acirrada concorrência e obrigaram as indústrias brasileiras a reverem a sua forma de atuação. Pode-se dizer que a internacionalização das empresas brasileiras foi uma condição necessária para assegurar sua existência. Com o intuito de melhor compreensão desse fenômeno foi realizado um estudo comparativo de casos de duas organizações que passaram por processo de internacionalização: a Bematech S/A e a Tigre S/A. GLOBALIZAÇÃO E INTERNACIONALIZAÇÃO A internacionalização de empresas pode ser considerada como uma das mudanças mais recentes, se não a mais recente em análise global; é um processo ainda mais novo referindo-se aos países emergentes. O mesmo envolve questões não apenas econômicas, mas também questões de ordem política, social, cultural, e ambiental. Segundo Almeida (2010, p. 2) “devido à complexidade das relações entre globalização e desenvolvimento, torna-se tarefa difícil de avaliar, de modo preciso, as vantagens e desvantagens desse processo para as nações”. Ainda segundo o autor Nenhuma força humana, e provavelmente sequer social, seria capaz de controlar esse processo, moldando-o conforme os interesses de uma economia individual, de maneira a isolar apenas os fatores positivos – que seriam então selecionados e integrados a esse sistema nacional –, e mantendo a margem, ou neutralizando, aqueles fatores considerados como negativos ou perniciosos à “boa saúde” daquele sistema (Almeida, 2010, p. 2). Complexo, multifacetado e inacabado, o processo de globalização atualmente é abordado por diversas áreas da ciência e pelas mais diversas correntes de pensamento, no entanto há especialmente muita discussão e pouco consenso sobre o assunto. O sociólogo e geógrafo Magnoli (2003, p. 11) sustenta que “globalização é o processo pelo qual o espaço mundial adquire unidade”. Para ele, deve-se dar importância a toda construção do processo, não somente aos acontecimentos atuais; ressalta ainda que a globalização passou a ser usada como explicação de diversos fenômenos econômicos e políticos, passando a figurar no discurso de governantes, jornalistas e empresários, ocorrendo então a popularização do tema. Gonçalves (1999) cita três conjuntos de fatores como determinantes da globalização, sendo eles: tecnológicos, institucionais e sistêmicos. O primeiro fator, o tecnológico, está associado à revolução nos meios de comunicação - telecomunicações e informática - que permitiram uma redução extraordinária dos custos operacionais e dos custos de transação em escala global. Além de a revolução tecnológica reduzir os custos financeiros, Ianni (2002) acrescenta que a mesma rompe ou ultrapassa fronteiras, culturas, idiomas, religiões entre outros. Adverte ainda que “as evoluções dos meios de comunicação, com desenvolvimento da mídia impressa e eletrônica possibilitaram transformar ‘o imaginário de todo o mundo’, criando uma cultura de massa mundial” (IANNI, 2002, p. 120). O segundo determinante, que envolve os fatores de ordem política e institucional, está associado para Gonçalves (1999, p. 29) “à ascensão de ideias liberais ao longo dos anos 80, tendo como referência os governos de Thatcher na Grã-Bretanha e Reagan nos Estados Unidos, surtindo como resultado uma onda de desregulamentação no sistema econômico em escala global”. O terceiro e último fator refere-se à ordem sistêmica e estrutural, ou seja, a globalização econômica como parte integrante de um movimento de acumulação de capital, é vista aqui como conseqüência das dificuldades dos países em expandir sua esfera produtivo-real. Segundo Gonçalves (1999, p. 31): Na realidade, nesse ponto, a questão central refere-se ao menor potencial de crescimento dos mercados domésticos dos países desenvolvidos, ricos em capital, isto é, há um deslocamento de recursos da esfera produtivo-real para a esfera financeira e, portanto, um efeito de expansão dos mercados de capitais domésticos e internacional. De acordo a análise de Santos (1997, p. 19), nota-se a existência de “um sistema de relações hierárquicas, construído para perpetuar um subsistema de dominação sobre outros subsistemas, em benefício de alguns”. O processo de globalização é, portanto, uma alternativa da classe dominante (burguesa) para prosseguir com seus ganhos e superar crises. O autor afirma que “a globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista” (SANTOS, 1997, p. 23). Seguindo essa linha, Ianni (1999, pp. 151-152) trata o capitalismo como o processo civilizatório do século XX, que principalmente com o final da Guerra Fria pode ser tratado como “um novo surto de mundialização da racionalidade própria da civilização capitalista ocidental”. Para Santos (2002, p. 79): A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo o tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural. Ou seja, a globalização não trata de todo o processo de internacionalização, mas somente de sua parte última, onde o aceleradíssimo desenvolvimento tecnológico possibilitou a configuração de uma nova face global. O sociólogo Giddens (1990 apud SANTOS, 2005, p. 26) descreve a globalização como “a intensificação de relações sociais mundiais que unem localidades distantes de tal modo que os acontecimentos locais são condicionados por eventos que acontecem a muitas milhas de distância e vice versa”. Na sua abordagem, “o eixo analítico para o fenômeno não é exclusivamente a economia, mas sim, um conjunto de fatores que provocou a elevação do grau das relações na projeção terrestre de tal forma que se interconectam e se referem reciprocamente (OLSSON, 2003, p. 114)”. Este teórico segundo Forjaz (2000) defende ainda que as divergências da globalização seriam causadas por um conflito ideológico/teórico entre a direita e a esquerda. A internacionalização das empresas está intrinsecamente ligada ao processo de globalização. A globalização econômica e as conseqüentes abertura e desregulamentação dos mercados, propagação de novas técnicas de comunicação e tecnologias proporcionaram força extra para as transnacionais que passaram a ignorar as barreiras geográficas dos Estados. As empresas transnacionais são descritas por Stelzer (1997, p. 104) como sendo: (...) uma entidade privada de enorme potencial financeiro e patrimônio científicotecnológico, normalmente de natureza mercantil, constituída por sociedades estabelecidas em diversos países, sem subordinação a um controle central, mas agindo em benefício do conjunto, mediante uma estratégia global. John Gray chama a atenção para a mobilidade das empresas transnacionais, chamadas por ele de multinacionais: Elas são capazes de dividir o processo de produção em discretas operações e localizá-las em diversos países ao redor do mundo. Elas são menos dependentes do que nunca das condições nacionais. Elas podem escolher os países cujos mercados de trabalho, impostos e sistemas regulamentadores e infraestrutura sejam considerados mais adequados. A promessa de investimento interno direto e a ameaça de sua retirada têm grande influência nas opções políticas dos governos nacionais. As empresas podem agora limitar as políticas dos Estados. Existem poucos precedentes históricos deste tipo de poder privado. (GRAY, 1999 apud LIMA, 2002, p.155). Barreto e Rocha e (2003, p. 30) conceituam a da seguinte forma: Internacionalização pode ser definida como “... um processo de crescente envolvimento com operações internacionais”. Essas operações internacionais podem ser essencialmente de dois tipos: para dentro (inward) e para fora (outward). (...) Acredita-se que as duas direções, combinadas, permitam maior aprofundamento do processo de internacionalização das empresas. Os autores (BARRETO e ROCHA, 2003) exemplificam essas operações para dentro como sendo compostas por: importações, compra de tecnologia ou contratos de franquias de empresas estrangeiras, obtenção de licenças de fabricação. E as operações para fora, para eles, ocorrem por meio de exportações, concessão de licenças ou franquias e investimento direto no exterior. Se esse processo for analisado vinculando a internacionalização com o processo de tomada de decisão das empresas pode-se ter um conceito muito amplo, onde a internacionalização é considerada como empresas que tem suas tomadas de decisão vinculadas a elementos fora do território do Estado onde estão instaladas. INTERNACIONALIZAÇÃO DE EMPRESAS As principais teorias modernas do processo de internacionalização ajudam entender os meios e as tomadas de decisões de uma empresa expandir sua produção em um mercado localizado em outro país. Teixeira (2007) enlaça cinco principais escolas e suas principais idéias: a Escola Geopolítica, a Visão Econômica Neoclássica, a Estratégia Empresarial, a Uppsala-Nórdica e a Nova Economia Institucional. A Escola Geopolítica tem como principais autores Dablay e Scott, Douglas e Craig, Gibby. Eles partem de uma perspectiva histórica (pós Segunda Guerra Mundial) sobre o processo de internacionalização (Teixeira, 2007). As décadas de 40 e 50 foram marcadas pela expansão econômica dos Estados Unidos, bem como pela absorção de capital americano na Ásia e na Europa. Porém no final da década de 50, o ciclo de crescimento econômico americano enfraqueceu devido ao excesso de capital aplicado no mercado doméstico, somado com o fim do crescimento do consumo, gerando assim baixas taxas de remuneração (TEIXEIRA, 2007). Os Estados Unidos decidiram então, buscar o antigo crescimento – rentabilidade – no exterior, tendo como países alvo, o Japão e a Europa capitalista, que estavam financiando sua reconstrução. Esse primeiro ciclo de internacionalização, segundo Dablay (1996 apud TEIXEIRA, 2007, p. 50) “ocorreu de maneira pouco estruturada, as filiais tenderam à excessiva liberdade, não criaram um projeto integrado de expansão empresarial, e sim uma somatória de projetos individuais”. Nos países emergentes, como o Brasil, o processo de internacionalização se deu de maneira diferente, pois as empresas nestes países buscaram principalmente a diversificação de mercados e ingressar em mercados com economias de mesmo nível de desenvolvimento. Posteriormente nas décadas de 80 e 90, devido às crises sistêmicas, os países emergentes que tinham uma posição global, estavam menos suscetíveis aos efeitos das crises, pois “os países alvo em um primeiro momento seriam aqueles “semelhantes” com um mesmo patamar de desenvolvimento” (TEIXEIRA, 2007, p. 50). Barlett e Goshal sintetizam o comportamento das empresas entre as décadas de 70 e 90, e as características desse processo: A percepção de que haveria projetos nacionais de internacionalização lastreados em uma visão governamental de longo prazo foi clara até a década de 70. As definições de estratégias tomadas por Governos estariam vinculadas a controle de mercados, recursos críticos, controle tecnológico e a própria relação de poder entre as economias. A partir da década de 90, com os late movers no processo de internacionalização, percebeu-se que o processo de internacionalização de empresas tem uma menor correlação com políticas governamentais, estando mais ligados a aspectos competitivos e de expansão com posicionamento em mercados globais (BARLETT; GOSHAL, 2000, apud TEIXEIRA, 2007, p. 51. Grifo nosso). Teixeira (2007, p. 51), enuncia os principais autores da Visão Econômica Neoclássica: Obstenfeld e Rogoff, Krugman, Ellswhorth e Leith. Essa concepção pode ser resumida em quatro elementos que estão envolvidos no processo de internacionalização (TEIXEIRA, 2007). O primeiro ponto refere-se ao risco associado ao retorno esperado do capital. Economias frágeis, onde o risco é elevado, não absorvem capital produtivo se o retorno não for compensatório. A ausência deste pode implicar em um aumento no risco percebido. Desta forma, países economicamente mais frágeis tendem necessitar de mais capital externo. O segundo ponto refere-se à mobilidade do capital humano. Segundo Teixeira (2007), é um insumo de produção que está se tornando cada vez mais relevante. Este tipo de capital fluiria para as economias dependendo do tipo de investimento produtivo pretendido. O terceiro ponto refere-se à oportunidade de arbitragem, isto é, segundo Teixeira (2007, p. 52) “uma oportunidade de arbitragem como uma operação financeira na qual não se investe nenhum capital inicial e se realiza um ganho certo sem correr nenhum risco”. Focando a idéia sob modalidade internacional de capitais, entende-se que o capital pode sair e entrar livremente do país. O quarto, e último ponto, refere-se aos mercados de consumo e das matérias primas. Aqui, é importante a empresa possuir filiais próximas às áreas de grande potencial de consumo (TEIXEIRA, 2007). Porter (1989, p. 02) busca explicar, com um novo paradigma, a Escola Estratégica, o “papel desempenhado pelo ambiente econômico, pelas instituições e pelas políticas de uma nação no êxito competitivo de suas empresas de determinadas indústrias”. Segundo o autor (PORTER, 1989), as demais teorias falham ao discutir a questão de que empresas bem sucedidas estão concentradas em um número reduzido de Estados e ele observa que novos elementos devem ser considerados a partir de agora, dando ênfase à vantagem competitiva. Porter (1989) defende que o posicionamento estratégico no mercado é fundamental para o sucesso de uma empresa, segundo a Escola Estratégica Empresarial. O autor ilustra cinco forças competitivas determinantes para as indústrias: a ameaça de novas empresas, a ameaça de novos mercados, produtos ou serviços, o poder dos fornecedores, o poder dos compradores e a rivalidade entre empresas existentes. Estas forças competitivas, segundo Teixeira (2007, p. 58) “tendem a favorecer uma análise criteriosa dos elementos do ambiente de mercado que podem, ou não, favorecer a decisão de internacionalização”. Porter cria ainda o conceito do diamante da competitividade. Esta última deve estar relacionada ao padrão de vida de uma nação ou região e, este padrão, seria determinado pela produtividade da economia de uma nação. A idéia é que todas as pontas do diamante interagem, e esta interação influencia umas as outras. Cada ponta representa os determinantes das vantagens nacionais: a condição de fatores (insumos necessários para que a nação possa competir com as demais); condição de demanda (mercado comprador doméstico); indústrias correlatas e de apoio (situação de indústrias fornecedoras e relacionadas) e por fim; estratégia, estrutura e rivalidade das empresas (ambiente onde as firmas nascem, como são organizadas, dirigidas e sua rivalidade interna). O Modelo de Uppsala foi desenvolvido pela Escola de Uppsala, na Suécia. Segundo Teixeira (2007) e Urban (2006), Johanson e Vahlne – são considerados os principais teóricos, e autores como Richart Cyert e James March, Aharoni e Judith Penrose, entre outros, contribuíram posteriormente para embasar ou para ampliar esta teoria. O Modelo de Uppsala descreve o processo de internacionalização da firma com base no desenvolvimento individual da empresa e na gradual aquisição, interação e uso de conhecimento sobre os mercados estrangeiros e operações, bem como o aumento sucessivo do comprometimento com os mercados estrangeiros (URBAN, 2006). Johanson e Vahlne assim como Penrose, afirmam que a internacionalização seria produto de uma série de decisões incrementais, que, tomadas em conjunto gerariam o processo de internacionalização e esse processo aconteceria em diversas empresas. Analisando esse contexto, decisões tomadas isoladamente, sem que houvesse o conjunto delas não levariam ao processo (apud URBAN, 2006). Nesse modelo é dado grande enfoque ao conhecimento adquirido; a falta desse poderia ser um obstáculo à internacionalização. Urban (2006) analisa que o conhecimento pode ser adquirido através de operações gradativamente mais comprometidas com o exterior. Segunda a autora, “conforme a empresa adquire mais conhecimento sobre um mercado, reduz sua percepção de risco e se dispõe a investir mais recursos nesse mercado” (URBAN, 2006, p. 19). Teixeira (2007) também aborda a questão do conhecimento. Para ele, a exportação seria o primeiro passo para a internacionalização, após isso, o aprendizado organizacional levaria aos próximos, os quais seriam: agências de exportação, subsidiárias de vendas e planta manufatureira. O aumento do conhecimento levaria à redução das incertezas e de imperfeições nas informações dos outros Estados. A escolha dos mercados também estaria relacionada ao conhecimento e à percepção de risco. Em conformidade com Johanson e Vahlne (1977 apud URBAN), as exportações teriam início em mercados relativamente próximos, depois se expandiam para países distantes e com cultura diferente. O distanciamento psíquico afetaria na escolha do mercado, fatores como idioma, cultura, nível de desenvolvimento industrial, sistema político, nível educacional, ambiente de negócios e características das firmas consumidoras individuais e de seu pessoal seriam avaliados antes da inserção em um novo mercado. De acordo com Urban (2006, p. 20) “após a entrada em um mercado a empresa partiria gradativamente para outros psicologicamente mais distantes à medida que adquire conhecimento objetivo e experimental sobre as operações estrangeiras”. Hemais e Hilal (2003 apud TEIXEIRA, 2007) surgem para ampliar a visão do modelo Uppsala. Segundo os autores, a teoria não leva em questão diferenças individuais – “o empreendedor não é mais o decisor-chave, que ocupa posição de destaque na hierarquia formal da empresa, e sim aquele que introduz novos produtos, novos modos de produção, busca novos mercados e novas fontes de produção e de matéria-prima” (TEIXEIRA, 2007, p. 64). Ou seja, o empreendedor é aquele que deseja, age e inicia a internacionalização dentro de uma organização. Foi então que a Escola Nórdica surgiu para complementar o modelo inicial. Para eles, os novos estariam pulando partes do processo, o modelo seria determinista e muito genérico e desconsideraria o papel estratégico desempenhado pelos gerentes (URBAN, 2006). Conforme Teixeira descreve (2007, pp. 63–64), a Escola Nórdica dá enfoque à rede de relacionamentos (network) estabelecida com firmas e com mercados. Para ele “essa teoria sugere que o grau de internacionalização de uma organização não se reflete apenas nos recursos alocados no exterior, mas também no grau de internacionalização da rede na qual a empresa se encontra”. Urban (2006, p. 22) destaca cinco vertentes de críticas elaboradas pela Escola Nórdica: A primeira, a heterarquia organizacional, destaca o impacto que diferenças infraorganizacionais, fundamentadas na cultura nacional, causariam na gestão de firmas internacionais, destacando problemas de integração e das relações de poder. A segunda, a das redes de subsidiárias, considera a firma internacional como uma rede de subsidiárias cuja existência é fundamentada na virtude de eficiência da organização na transferência de conhecimento além das fronteiras (...). A terceira, a dos múltiplos modos de entrada: exportação, licenciamento, “joint venture”, subsidiárias de vendas e instalações para fabricação. A quarta, do comportamento político dos atores de negócios, defende que as multinacionais organizariam suas atividades para influenciar atores políticos estrangeiros fora da rede de negócios. A quinta e última, a importância do empreendedor, defende o empreendedor como decisor-chave, seguindo a linha schumpeteriana, e sua visão dominaria os cálculos racionais. Urban (2006, pp. 23–24) resume em quatro principais pontos referentes ao Modelo de Uppsala e a Escola Nórdica, os quais seriam: 1) noções de evolução e aprendizagem: internacionalização gradativa; 2) influência de fatores culturais; 3) outras variáveis, principalmente a experiência, oferecem uma base melhor para planejamento e execução do processo de internacionalização, não somente os preços dos fatores de produção e produtos devem ser avaliados; 4) conhecimento influencia o comprometimento da empresa com determinado mercado (influencia a tomada de decisão). A Escola de Uppsala e sua ampliação, a Escola Nórdica, são comumente utilizadas para explicar processos de internacionalização em países emergentes, como o Brasil, pois os teóricos notaram que os processos adotados pelas empresas brasileiras se aproximam muito destes modelos (URBAN, 2006). Finalmente, a perspectiva da Nova Economia Institucional baseia-se no estudo de Ronald Coase de 1937 e parte da idéia de que o processo de internacionalização deve ser avaliado pela minimização das ineficiências e não o melhor aproveitamento de oportunidades. O elemento chave aqui são os custos de transação, sendo estes elementos definidores das decisões econômicas. Os agentes humanos são capacitados de racionalidade limitada, o que influenciaria no processo de decisão e no processo de controle. Os contratos, antes feitos para eliminar problemas posteriores a negociação inicial, seriam também incompletos. Esse fator contratual fica ainda mais evidente no processo de internacionalização, onde as assimetrias de informação cultural e do negócio ficam mais claras. Essa perspectiva busca eliminar fatores internos de imperfeição para que esses não se repitam na esfera internacional de seus negócios. Teixeira (2007) destaca alguns elementos que influenciam no custo de transação. Quanto maior for a freqüência de transações, menor será o custo fixo médio para manter estruturas especializadas. A especificidade de ativos se refere a quanto o investimento é específico para determinada atividade e quão custosa é sua realocação, nesse caso, quanto maior a especificidade, maior será o risco e conseqüentemente será maior o custo de transação. E também a incerteza, ou seja, a incapacidade dos agentes em prever acontecimentos futuros gera custos de transação, quanto mais incertezas houver, maior será o custo de transação. METODOLOGIA A presente pesquisa procura descrever e analisar como ocorreu o processo de internacionalização dessas duas organizações. Todavia, existem outras questões secundárias que também são importantes para alcançar os objetivos desejados: Quais foram as causas que fizeram com que a empresa iniciasse o processo de internacionalização? Quais foram as etapas percorridas pela empresa? Quais e como as teorias de internacionalização explicam o processo seguido por ela? A partir da análise dessas questões é possível analisar a teoria que melhor explica a internacionalização de cada caso, bem como suas semelhanças e diferenças. Foram usadas na pesquisa, fontes de dados primárias e secundárias, o que possibilitou diversidade de questões históricas, comportamentais e de atitudes. E também foi realizada revisão de literatura quanto as teoria de internacionalização para poder fundamentar a análise e reconhecer qual possui mais pontos em comum com o processo realizado pela Tigre e Bematech (LAKATOS; MARCONI, 2001). Foi realizada entrevista semi-estruturada contendo perguntas abertas e semiabertas com o gerente de exportação da Tigre no Brasil, há mais dez anos na empresa e completamente envolvido no processo de internacionalização; e com a gerente de Canais da América Latina, a qual atua na empresa há 10 anos e pode acompanhar de perto o processo de internacionalização da Bematech S/A. A empresa Tigre S.A é a multinacional brasileira líder na fabricação de tubos, conexões e acessórios em PVC na América Latina. Possui dezoito unidades, onze no exterior, sendo duas na Argentina, duas na Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Estados Unidos, Paraguai e Uruguai, juntamente com sete no Brasil. A Bematech Indústria e Comércio de Equipamentos Eletrônicos S/A nasceu de dois projetos de dissertação, de Marcel Malczewski e Wolney Betiol, aceitos pela Incubadora Tecnológica de Curitiba em 1989, na cidade de Curitiba. A empresa foi fundada em 1990, tendo sua primeira atividade exportadora em 2001. Hoje a empresa é uma multinacional líder no mercado brasileiro em impressoras para automação comercial e atua em toda a América Latina, nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa e na Ásia. Possui quatro unidades no exterior (Estados Unidos, Taipei, Buenos Aires e Berlim), juntamente com 10 filiais distribuídas pelo Brasil. PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA TIGRE S.A. A Tigre S.A. inicia seu processo de internacionalização por meio de exportações para o Paraguai na década de 1970, onde tem sua primeira subsidiária de vendas e também instalou sua primeira planta manufatureira no ano de 1977. A entrada da empresa no Paraguai ocorreu de forma gradual e essa experiência contribuiu para adquirir conhecimentos que serviriam em operações futuras. Após esse processo, a empresa organiza, no final da década de 1990, uma estratégia de internacionalização concentrada em poucos mercados, visto que adotou uma posição de partir para a fabricação somente onde pudesse ser líder ou vice-líder. A visão de ser líder ou vice-líder não limita os mercados de atuação, a Tigre não busca que isso aconteça já no primeiro ano de entrada, essa seria a meta final da empresa, o que demanda tempo, recursos e paciência (SOOBET, 2007). Para a SOOBET (2007), fator determinante na escolha do local para instalação das primeiras fábricas no Cone Sul foi a proximidade, “mas também importante vem sendo o conhecimento dos mercados que a empresa ganha por meio de exportações”. Em 1997, quando já exportava para o Chile, a Tigre adquiriu o controle, naquele país, da Fanaplas. Conforme Furlan (2003), a empresa percebeu que não era possível obter a escala necessária e os resultados desejados sem que houvesse a liderança local. Em 1999 foram compradas mais três empresas chilenas, obtendo dessa forma o controle de 41% daquele mercado. Os principais obstáculos encontrados no Chile foram os padrões e normas técnicas, assim como a instabilidade cambial; outro fator ressaltado por Koerber (2009) é a barreira geográfica. Na Argentina o processo tem início em 1998 e em 1999 ocorre a compra da empresa Santorelli, totalizando dessa forma, 27% do mercado argentino. No entanto, antes da instalação da planta manufatureira já havia operações de exportação para a Argentina, e com a evolução dessas, um escritório com depósito, para só então iniciar com produção. “Um fator positivo foi que a empresa já conhecia bem o mercado por meio de uma atuação comercial local, o que permitiu montar uma empresa nova” (SOOBET, 2007). O processo boliviano ocorreu com a compra de uma empresa, a Plasmar, no ano 2000. Obtendo 70% daquele mercado. Na Bolívia foram observados problemas geográficos internos resolvidos pela empresa com a instalação de duas unidades, uma em Santa Cruz de La Sierra e outra em La Paz. O caso dos Estados Unidos deve ser analisado separadamente por se tratar de uma exceção à regra. Conforme estudos da SOOBET (2007, p.117), “a Tigre entendeu que não poderia ficar fora do maior mercado consumidor do mundo e informa que há muito tempo buscava oportunidades para iniciar uma operação naquele país”. Em 2007, começou suas operações do zero, inicialmente com operações comerciais e logo em seguida com uma fábrica própria. Dessa forma, a empresa teve sua primeira experiência de produção em um Estado desenvolvido. O Equador era um Estado de onde vinha bom número de exportações. Foi inaugurado um centro de distribuição em 2006 e no ano seguinte uma unidade fabril. Também em 2006 a Tigre instalou um centro de distribuição no Uruguai, onde há um setor agrícola forte voltado para a exportação. A Tigre adquiriu em 2008 a empresa peruana Plástica S.A. Um dos pontos facilitadores para a instalação no Peru foi a economia do Peru apresentar bons atenuantes, como inflação estável e crescimento acima da média (KOERBER, 2009). E finalmente, também em 2008, a empresa ampliou suas operações na Colômbia. Antes o Estado era abastecido através da importação realizada por distribuidores locais, passou então a produzir em uma fábrica localizada na Grande Bogotá. Conforme os questionários aplicados, as principais barreiras na Colômbia foram à instabilidade cambial, dificuldade com mão-de-obra, dificuldade com padrões e normas técnicas, e a ausência de tratados bilaterais de proteção ao investimento. A Tigre tem considerado importante a abertura de novos mercados via exportação. A empresa tem usado como estratégia para ampliar o mercado exportador a nomeação de um agente local, sendo um profissional ou uma distribuidora, os quais devem possuir experiência na área (SOOBET, 2007). A empresa também faz uso de feiras setoriais para procurar parceiros distribuidores que ajudem no processo de introdução e pulverização dos seus produtos. Com isso, reconhece a importância do conhecimento ganho através desses meios (exportações e feiras) para dar continuidade nas demais fases do processo de internacionalização (SOOBET, 2007). A Tigre deu prioridade para a América Latina, entretanto, atualmente ocorrem exportações para 40 Estados, com ênfase na África, Estados Unidos e Oriente Médio. Atualmente, exporta para todos os Estados da América do Sul, Argélia, Nigéria, Angola, Benin, Serra Leoa, Namíbia, dentre outros na África, assim como para o México, Guatemala e República Dominicana. Ocorre também exportação intra-firmas devido ao fato que não são todas as unidades fabris que produzem todas as linhas e também por vantagens competitivas (KOERBER, 2009). Como observado em Czinkota et al. (2001 apud SANTOS, 2005) as motivações que levam uma empresa ao processo de internacionalização podem ser pró-ativas e reativa. Entre as motivações próativas a Tigre buscou vantagem lucrativa e benefícios com ganhos em escala e entre as motivações reativas a única que foi observada na empresa foi a pressão exercida pelos concorrentes. A empresa identificou a oportunidade de internacionalizar como parte da sua estratégia, ou seja, foi através de motivação pró-ativa, o que é um bom indicativo, pois, como elucidado por Czinkota et al. (2001 apud SANTOS, 2005) são as empresas que internacionalizam por motivações pró-ativas que conseguem auferir melhores resultados no mercado internacional. Ao buscar a internacionalização, a Tigre tinha a intenção de não depender exclusivamente do mercado interno e também fazer frente aos seus concorrentes internacionais. O mercado interno, na época da internacionalização, era dominado pela empresa e esse foi um estímulo para buscar novos mercados; contudo, não foi um fator determinante. Ou seja, os mercados internacionais foram usados para incrementar a receita e deixar a empresa menos dependente de apenas um mercado. Segundo Koerber (2009) “a implantação de fábricas aconteceu por uma razão estratégica da empresa, uma vontade de fazer a internacionalização, para não depender exclusivamente do mercado brasileiro e também para fazer frente aos concorrentes internacionais”. No caso da entrada da Tigre nos Estados Unidos claramente a empresa buscou a sua inserção nesse mercado por possibilitar ganhos em escala e pela captação de recursos. Conforme SOBEET (2007), uma das objeções da Tigre é entrar em mercados que se possa ser líder ou vice-líder, porém o mercado norte americano possui importante volume e Koerber (2009) considera que “o importante é estar naquele mercado, pois há tendência dos volumes serem muito grandes” e ele assevera que “é um mercado muito competitivo e requer outra visão de negócio”. Após analisada a motivação da Tigre, serão observados os fatores que influenciam no processo de internacionalização, de modo geral podem ser definidos como: barreiras tarifárias e não tarifárias e os fatores geográfico, ambiental, motivacional e cultural. As barreiras tarifárias não são observadas de sua forma natural, onde o Estado que recebe as exportações ou o investimento direto estabelecem impostos sobre essas atividades para proteger o mercado interno. No entanto, o que se nota na Tigre é que são os impostos brasileiros que dificultam os negócios, encarecendo os produtos aqui produzidos. Koerber (2009) analisa que “em outros países a rentabilidade das vendas é melhor do que no Brasil, por causa da carga de impostos, principalmente... individualmente a rentabilidade é melhor em vários países e a administração fiscal e tributária é muito mais simples”. Ou seja, o faturamento brasileiro é maior em volume, ganha-se na quantidade e em outros Estados em que a carga tributária não é tão grande, a empresa consegue menor preço unitário na produção. São observadas barreiras não-tarifárias principalmente com restrições técnicas, onde os produtos devem obedecer a especificações para entrar no mercado. Contudo, Koerber (2009) indica que é preciso “estudar as normas técnicas que prevalecem naquele país”. A firma busca estudar as legislações e as normas dos Estados em que busca atuar e se adaptar a essas exigências para poder entrar no mercado. Além dos transportes de mercadorias, o fator geográfico também compete ao distanciamento psicológico. Segundo Rocha (2003), os brasileiros se sentem distantes de seus Estados limítrofes, pois existem grandes barreiras naturais na maioria das fronteiras. A Tigre percebe esse fenômeno e nota que o comércio com os Estados que possuem fronteiras fáceis de transpor se dá sem maiores dificuldades. As exportações para os países do sul da América do Sul (Uruguai, Paraguai e Argentina) são feitas via rodoviária e os custos dessas transações são pequenos. Já o transporte para países como Peru, Equador, Colômbia e Venezuela dependem de cargas marítimas pela dificuldade ou impossibilidade de acesso rodoviário. A situação chilena é ainda mais complicada devido à Cordilheira dos Andes que se mostra como um grande obstáculo, certas vezes intransponível pela quantidade de neve. Na Bolívia é verificado o problema da falta de estradas, o que encarece o transporte. Na questão do fator ambiental a empresa busca observar qual é a condição do mercado antes da sua entrada. Forma de pagamento, legislação, normas técnicas, condição econômica, inflação, instabilidade cambial, entre outros fatores. Isso pode incentivar a internacionalização ou retrair, depende do contexto e de cada Estado em que busca se inserir. A instabilidade cambial é vista como um fator que dificulta o investimento direto em todos os Estados em que a Tigre investiu, exceto nos Estados Unidos. A forma de cobrança, inclusive nos Estados Unidos, é mais atrasada do que no Brasil e isso foi uma dificuldade inicial para a empresa, atualmente já superada através da adaptação da Tigre às novas realidades. Finalmente, o fator cultural é avaliado por Koerber (2009) não como uma barreira à internacionalização, e sim como um desafio. A empresa considera muito importante o aprendizado, é preciso conhecer o mercado no qual se pretende entrar. "As barreiras culturais seriam a forma de entender como funcionam esses mercados: como vende, como cobra, como são pagos os impostos" (KOERBER, 2009). PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA BEMATECH S.A. A partir do ano de 2000 a Bematech começou seu processo de internacionalização, através de exportação indireta elegendo canais de distribuição e distribuidores para seus produtos no mercado americano. Após três anos trabalhando neste sentindo, através dos canais, a empresa adquiriu uma fábrica nos Estados Unidos, em Atlanta, a qual já exportava para outros países. Desta forma, a Bematech Curitiba fazia a exportação para a nova fábrica em Atlanta e a mesma vendia para distribuidores nos EUA. De acordo com Andrade (2010) com a aquisição da subsidiária nos EUA, “ao invés de termos um atacadista, agora tínhamos dois ou três atacadista, ocorrendo a capilaridade dos produtos, ou seja, vendendo agora em vários pontos do país de destino”. Foi o começo, e prevalece até os dias atuais a atuação da empresa basicamente através de canais de distribuição, também conhecido como canais de vendas. Como visto, o primeiro mercado escolhido foi o americano, desta forma, buscaram a implantação de canais de vendas neste país. A estratégia de sua atuação no mercado mundial se fortaleceu em 2007, a empresa viu a necessidade de ter uma filial na América Latina, assim fundaram uma unidade em Buenos Aires, na Argentina como alimentadora de toda a região. No mesmo ano, implantaram uma filial em Berlim, na Alemanha, respondendo por toda a Europa. No ano de 2008, ocorreram cinco novas aquisições de subsidiárias da Bematech, sendo uma delas a americana Logic Controls, a qual já possuía uma filial na Ásia, em Taipei. Hoje a maioria dos produtos provém da filial da Ásia e são comercializados na América Latina e demais mercados. Com relação à Ásia, a empresa faz uso do Original Equipment Manufacturer (OEM), ou seja, produtores daquela região fabricam os produtos Bematech e colocam a marca. Segundo Andrade (2010), “a aquisição da planta em Taiwan fez com que a empresa desse passos largos, gigantescos” enfatiza a entrevistada. A atuação da empresa no continente africano é mínima, pois esta região demanda poucos produtos e os demandados não requerem muita tecnologia. Porém, como afirma Andrade (2010), “caso surja uma venda para o continente africano ou qualquer outro mercado que ainda não atuamos, nós iremos realizar”. Desta forma, a empresa atua também por pedidos, ou seja, exportação passiva. Analisando as motivações que levaram à inserção da empresa no mercado internacional pode-se destacar a vantagem lucrativa em longo prazo, pois conforme relatou Andrade (2010) “a inserção de uma empresa no mercado internacional remonta muito investimento e pouco ou nenhum lucro em primeiro momento”. A vantagem tecnológica que a Bematech possuía no Brasil não a tornava competitiva no mercado internacional, ao contrário, ao entrar no exterior a empresa verificou que quase a totalidade de seus produtos tinha de ser adaptados frente os concorrentes internacionais e às exigências do mercado internacional, porém isto não impediu a empresa seguir seu processo de internacionalização. A vantagem tecnológica que ela tinha no mercado nacional não poderia ser a mesma utilizada no mercado internacional, principalmente nos Estados Unidos e Europa, países mais avançados em termos tecnológicos. Conforme informou Andrade (2010) “há seis anos atrás a Bematech possuía 75% do mercado nacional. Devido este forte crescimento, a empresa iria estagnar caso continuasse apenas no mercado brasileiro”. Hoje, segundo Andrade (2010) a empresa atua em 65% do território nacional. Desta forma, a estratégia adotada pela empresa foi de ultrapassar fronteiras em busca de novos mercados, independente de benefícios fiscais, proximidade de clientes, ou vantagem tecnológica. As vantagens pró-ativas ou reativas seriam para Andrade (2010) uma conseqüência da entrada da empresa no mercado exterior e não uma seleção de pontos que os fizeram adotar a internacionalização como meta. No caso da entrada da Bematech nos Estados Unidos, nitidamente a empresa buscou a sua inserção nesse mercado por possibilitar ganhos em escala. O mercado americano e o europeu possuem um giro de capital muito elevado. O objetivo da Bematech e, de qualquer outra empresa, fica claro na vontade de ter maior controle possível do mercado em que se está inserido. De um lado os mercados norte americano e europeu são muito avançados tecnologicamente, o que possibilita absorção de conhecimento, de outro lado, são grandes consumidores de tecnologia, provendo uma alta rentabilidade para a empresa. Outra condicionante importante observada foi que a empresa sempre contou com uma gerência dinâmica, a qual soube aproveitar os momentos tanto de lucratividade como de queda dos lucros, como por exemplo, no ano de 1995 onde optaram drasticamente por mudar a linha de produção por causa da crise bancária e, encararam a internacionalização como necessidade, mesmo chegando lá fora com produtos inadequados para os mercados, a empresa não desistiu e apostou em P&D para adaptar seus produtos para a exigência de cada mercado, e hoje com a criação de novos projetos. Sintetizando, pode-se afirmar que intenção principal da Bematech era não depender exclusivamente do mercado brasileiro, uma vez que já estava completamente dominado por ela. A empresa foi movida pela motivação basicamente pró-ativa, optando, independentemente de pressões locais ou externas, mas sim internas pela sua expansão. O que é um bom sinal, pois, como exposto por Czinkota et al. (2001 apud SANTOS, 2005) são as empresas que se internacionalizam por motivações pró-ativas que conseguiram obter melhores resultados no mercado internacional. Após análise das motivações da Bematech para internacionalizar-se, serão analisados os fatores que influenciaram no processo de internacionalização.. Betiol aponta que (2001 apud GOLDBAUM, 2001, p. 9) “tivemos muita dificuldade em saber adequar às normas de nossos produtos aos padrões técnicos das empresas integradoras, tais como, normas de compatibilidade eletromagnética, controle de poluição ambiental e sonora”. Andrade (2010) descarta quase que completamente as barreiras que a empresa poderia encontrar ao ingressar no exterior. “Mesmo que você entenda muito bem a língua, a cultura, por mais que seu preço seja o melhor, se você não tem o produto, não há mágica que faça você vender”. Desta forma, ter o produto correto para o mercado certo foi o principal desafio encontrado pela empresa. Assim, como visto anteriormente, muito foi e é investido em P&D para adaptar os produtos ao mercado internacional e para manter-se competitiva. Escolhendo distribuidores locais, segundo Andrade (2010), “as questões geográficas e culturais são pormenores”. Se a dificuldade é a língua do país que se fala, a empresa contrata pessoas qualificadas no local que tenham capacidade de eliminar esta barreira, ou enviam funcionários altamente preparados e com conhecimento bilíngüe para atuar junto à subsidiária no exterior. Segundo Andrade (2010), o principal gargalo ao se internacionalizarem foi interno. A entrevistada (2010) enfatizou como sendo ainda uma barreira “a cultura de internacionalizar a companhia”. A adaptação dos funcionários, produtos e manuais que compõe as embalagens dos produtos, formação de preço, logística de transporte e adequação de trabalho/hora com o fuso horário de alguns países. TEORIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO NOS CASOS TIGRE S/A E BEMATECH S/A Analisando o processo de internacionalização da Tigre S/A, pode-se afirmar que “ocorreu de forma gradual, planejada e pensada” (KOERBER, 2009). Os mercados de exportação foram escolhidos de forma incremental, dos mais próximos para os mais distantes, tendo a empresa iniciado suas exportações para o Paraguai, ampliado para diversos Estados da América Latina, e expandido para outros mercados mais distantes como Estados Unidos e diversos Estados da África. O investimento direto no exterior também se baseou na distância psíquica que há entre os mercados e aí outro fator importante foi o conhecimento acumulado nas operações anteriores de exportação, agencias de exportação e subsidiárias de venda, assim como das demais experiências de investimento em plantas manufatureiras fora do Brasil. O primeiro investimento direto ocorreu no Paraguai em 1977, o qual foi o primeiro a receber as exportações da empresa. Após partiu para mercados próximos, como Argentina, Chile e Bolívia. E só após partiu para mercados pouco mais distantes como Equador, Peru e Colômbia. O mercado que possui maior distancia psíquica com o Brasil e que a Tigre atua é os Estados Unidos, contudo, há bastante informação sobre esse mercado em publicações e houve bastante estudo e aprendizado sobre este antes da entrada da empresa. A experiência adquirida nos mercados estrangeiros facilita a ação da empresa em suas novas atuações, diminuindo a insegurança e a percepção de risco que esta possui do estrangeiro. Entretanto, não se podem ignorar as particularidades de cada mercado. Apesar da diminuição do distanciamento psíquico, ainda existem questões econômicas e aspectos técnicos na tomada de decisão. Koerber (2009) ressalta a importância do conhecimento adquirido, contudo ressalta que: Cada país tem suas características, têm demandas diferentes, normas técnicas também são diferentes, algumas coincidem e outras não, a maneira de vender e de distribuir em cada país é diferente, os impostos que cada país aplica são diferentes. Então, para cada situação é preciso fazer um estudo de mercado para saber de qual maneira você vai chegar naquele mercado. O comprometimento de recursos no modo de entrada da empresa foi gradual e progressivo. Como já dito, a empresa iniciou com exportações para o mercado paraguaio, incrementou este com agencia exportadora, logo após anexando uma subsidiária de vendas e finalmente, instalando sua primeira planta produtiva no mercado externo, por meio de uma parceria. Nos demais mercados em que a empresa se estabeleceu houve também entrada incremental. Havia anteriormente atividade exportadora em todos os Estados em que a Tigre se estabeleceu, com exceção dos Estados Unidos, o qual a entrada foi avaliada de forma diferenciada. No Equador, por exemplo, não houve a necessidade de a empresa passar pelos estágios intermediários de internacionalização, pois havia grande quantidade de exportação e também se estabeleceu parceria com distribuidor local, o que já possibilitou conhecimento do mercado, e se passou direto das exportações para a subsidiária de produção. A falta de informação e conhecimento é considerada pela empresa as maiores barreiras para a internacionalização. O idioma diferente se caracteriza um obstáculo nas fases inicias do processo. Fatores culturais foram apontados pelo entrevistado como as maiores dificuldades encontradas pela Tigre, de acordo com Koerber (2009) “as mudanças culturais são o domínio da língua espanhola, entender como funciona o mercado tributário dos outros países, o domínio da forma de distribuição desses produtos nesses mercados e a forma de cobrança dos clientes”. A empresa, no mercado interno, dá grande importância ao relacionamento pessoal e isso também se reflete no mercado externo, pois há preocupação com o treinamento de funcionários no exterior. É importante perceber que culturas diferentes demandam formas de gerenciamento, estímulo e adaptação à cultura da empresa também diferente. Existe também o cuidado com a expatriação de brasileiros, tendo essa atividade como um crescimento na empresa e não sendo feito por obrigação. A empresa também se preocupa em estabelecer seus cônjuges e filhos, pois a maior dificuldade de adaptação normalmente não se verifica no funcionário e sim em seus familiares. Evidencia-se que o aprendizado não termina com o investimento direto no exterior, pois, depois de instalada, a empresa intensifica o contato com o mercado local, o que torna possível conhecimento mais aprofundado da cultura do Estado. Pode-se afirmar que esse o modelo de Uppsala, juntamente com as contribuições da Escola Nórdica, é que melhor explica como se desenvolveu a internacionalização na Tigre. afirma que o processo de internacionalização da empresa “ocorreu de forma gradual, planejada e pensada”. A Escola Nórdica destaca a importância das networks estabelecidas no mercado internacional, e para a Tigre a dificuldade em estabelecer essas relações tornam muito difícil o processo de internacionalização. A empresa depende do relacionamento com o consumidor, com os pontos de venda e com demais empresas do ramo de construção para se solidificar nos mercados. Sem essa rede de relacionamentos fica difícil estabelecer uma marca forte que possa competir internacionalmente. Já no caso da Bematech S/A, pode-se afirmar que a Visão Econômica Neoclássica é que melhor explica como se desenvolveu a internacionalização na Bematech. Os fatores que as empresas avaliam ao se internacionalizarem segundo Teixeira (2007) seriam: (1) o risco associado ao retorno de capital; (2) a mobilidade e capital humano; (3) a oportunidade de arbitragem; (4) a proximidade de mercado de consumo e; (5) de matéria-prima. De acordo com o primeiro fator, a Bematech apenas investe onde o capital tem retorno, não há lógica a entrada da empresa em mercados que não são rentáveis ou de alguma forma apresentam um risco. Para definir em quais mercados expandir, a empresa investe muito em P&D (ANDRADE, 2010). Como já elucidado anteriormente, na Bematech o giro de capital humano é relativamente pequeno, porém não descartável. A empresa busca contratar profissionais qualificados nos países de destino quebrando assim automaticamente algumas barreiras, como a cultural. Como Andrade (2010) expôs na entrevista, existe também um treinamento interno na empresa dos funcionários, a “internacionalização da companhia”, e segundo a mesma (2010), “o conhecimento de línguas não é mais opcional, é exigência na Bematech”. A própria entrevistada será expatriada no próximo ano por motivos logísticos (como fuso horário, disponibilidade de voos, entre outros fatores). A oportunidade de arbitragem é importante para a empresa. Sempre ao entrar em um determinado mercado, a empresa faz um estudo da legislação do país, para assim, evitar problemas desde ambientais até técnicos não apenas de seus produtos. A proximidade do mercado de consumo e de matéria-prima também é bastante relevante para ela. A empresa optou por entrar no mercado americano, pois é o maior consumidor de tecnologia hoje e, com a nova subsidiária em Taiwan, a empresa obtém matéria prima com custo reduzido. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise da internacionalização de empresas brasileiras requer, primeiramente, a compreensão das teorias que envolvem este novo fenômeno na qual ela está inserida. Mesmo sendo difícil de encontrar um consenso entre os autores, pode-se constatar que a globalização fez emergir novos atores internacionais, as empresas transnacionais, e obrigou os Estados Nacionais a reverem a sua forma de agir. Nesse contexto, observa-se que as empresas brasileiras que buscam a internacionalização, seja como forma de sobrevivência ou expansão de sua produção/lucro, podem optar por diferentes modos de entrada para se internacionalizarem, cada um com suas vantagens e desvantagens. O processo de internacionalização da empresa Tigre S.A. foi motivado por uma conjuntura de fatores, principalmente para não mais depender somente do mercado interno. Os principais obstáculos encontrados foram de caráter cultural, onde as barreiras da linguagem, do distanciamento psicológico e geográfico, entre outros, dificultaram o processo. Notou-se que há a percepção pela empresa de que a cultura brasileira, apesar de possuir adaptabilidade, é distante com relação aos seus Estados vizinhos que falam outra língua e as fronteiras em alguns deles são de difícil transposição, os afastado ainda mais geográfico e psicologicamente do Brasil. A inserção da Tigre no mercado externo ocorreu de forma gradual e o comprometimento com essas atividades foram crescendo conforme a empresa adquiriu conhecimento. Algumas vantagens apresentadas pela Tigre também foram importantes, como a posse de tecnologia de ponta e as redes de relacionamento estabelecidas. A teoria que melhor explica o processo desenvolvido internacionalmente feito pela Tigre é o Modelo de Uppsala juntamente com as inovações trazidas pela Escola Nórdica. O processo na empresa foi gradualista, com aquisição de conhecimento e maior comprometimento com o exterior em cada estágio. A firma inicia se processo com exportações, desenvolve então os demais estágios descritos pelo modelo, que seriam a instalação de agência exportadora, seguindo por subsidiária de vendas e só então instalando plantas produtivas. A distância psíquica foi fator importante para a escolha dos mercados, e foi observado que a Tigre iniciou o processo em mercados mais próximo, e após adquirir conhecimento necessário rumou para os mais distantes. As networks também foram importantes para dar segurança à empresa e estabelecer relações que facilitassem sua entrada e permanência no mercado externo. Dessa forma, o processo de internacionalização da Tigre se mostra compatível com o Modelo de Uppsala/ Escola Nórdica, embora não se descarte aqui outras interpretações compatíveis com o estudo. Já no caso da Bematech, como se trata de um mercado de tecnologia, caracterizado por constantes mudanças, com altos investimentos em P&D, são poucas empresas de pequeno e médio porte no Brasil que conseguem efetuar um plano estratégico de expansão, como é o caso da Bematech, passando de apenas empresa exportadora de produtos para fabricante em outro território nacional, ou seja, fazendo o investimento direto. A internacionalização da Bematech S/A teve como principal objetivo não depender apenas do mercado nacional, pois nele ela não tinha como expandir mais. Como foi visto, as barreiras geográficas, culturais e/ou linguísticas são praticamente descartadas, uma vez que a empresa sempre procurou entrar nos mercados exteriores primeiramente através de distribuidores que conhecem muito bem o mercado local. A inserção no mercado externo ocorreu de forma planejada e rápida. Em menos de dez anos, desde a sua primeira inserção internacional, a Bematech S/A está presente em toda a América Latina, na América do Norte, na Europa e na Ásia. A melhor teoria que se relacionou com o processo tomado pela Bematech S/A foi a Visão Econômica Neoclássica. Esta teoria enumerou cinco fatores, os quais foram identificados no processo adotado pela empresa. Estes fatores seriam: (1) o risco associado ao retorno de capital; (2) a mobilidade e capital humano; (3) a oportunidade de arbitragem; (4) a proximidade de mercado de consumo; (5) a matéria-prima. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, P. R. Mudanças na economia mundial: perspectiva histórica de longo prazo. 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