Internacionalização de empresas brasileiras: estratégias e alternativas de política industrial.
Luiz Caseiro1
Resumo:
Após a abertura econômica nos anos 1990, empresas brasileiras de diversos setores deram início ou
ampliaram seus processos de internacionalização. Esse movimento ganhou novo impulso a partir de
2004, quando os investimentos diretos no exterior das empresas brasileiras (IBD) aumentaram em
magnitude sem precedentes. A literatura sobre o tema adota, preponderantemente, a abordagem
do estudo de caso e o olhar da gestão da firma ou da microeconomia, enfatizando os efeitos da
internacionalização sobre a própria organização empresarial, sem aprofundar a discussão a respeito
de suas causas e potencialidades para a economia e para a sociedade brasileira. Nesse trabalho,
procuramos contribuir para superar essa lacuna, oferecendo elementos para uma reflexão acerca da
implantação de uma política de apoio à internacionalização das empresas alinhada a uma estratégia
de desenvolvimento nacional para o Brasil.
Palavras-Chave: Internacionalização de empresas brasileiras, Política Industrial, Desenvolvimento
Econômico.
1. Introdução
Na literatura sobre a internacionalização de empresas predominam as perspectivas da gestão da
firma e da microeconomia. Essa literatura reconhece de maneira uníssona a galvanização do
processo de internacionalização das empresas brasileiras após a abertura econômica dos anos 90,
concentrando seus esforços principalmente na investigação dos impactos que a expansão externa
acarreta aos processos gerenciais e produtivos no interior das empresas. Embora esses sejam
aspectos importantes da internacionalização, constituem-se em apenas uma dimensão possível de
análise do fenômeno, restando ainda aprofundar a discussão a respeito de suas causas e
potencialidades para a economia e para a sociedade brasileira (CAMPANÁRIO, CRUZ E SILVA, 2010).
É possível notar na literatura sobre a internacionalização das empresas brasileiras a preferência pela
metodologia do estudo de caso, com a existência de alguns trabalhos que procuram caracterizar de
maneira mais ampla o movimento de expansão recente. Concluem, de maneira geral, que ele
concentra-se em setores produtores de commodities, de baixa intensidade tecnológica (FUNDAÇÃO
DOM CABRAL, 2007; DUNNING; KIM; PARK, 2008; SCHNEIDER, 2009), e inicia-se pela e destina-se
majoritariamente à América do Sul, em virtude da maior proximidade cultural com os países dessa
região ou da insuficiência competitiva das empresas brasileiras para sobreviver nos mercados mais
dinâmicos da economia internacional (CYRINO; TANURE, 2009; CARVALHO; COSTA; DUYSTERS,
2010).
Alguns desses trabalhos, entretanto, baseiam suas conclusões na análise de um número reduzido de
trajetórias empresariais, frente ao contingente conhecido de empresas com IBD (FUNDAÇÃO DOM
CABRAL, 2007; DUNNING; KIM; PARK 2008; SCHNEIDER, 2009). Em todos os estudos, e também no
nosso, a amostra de empresas analisada é construída por conveniência, em virtude do sigilo das
informações divulgadas pelo Banco Central e da consequente inescrutabilidade do universo das
empresas com IBD para a obtenção de uma amostra representativa. Amostras não representativas
impossibilitam generalizações para todo o universo populacional, e as conclusões derivadas das
* Mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo.
análises feitas sobre tais amostras aplicam-se apenas às próprias amostras (BABBIE, 2001). Uma vez
que não é possível conhecer as características e as estratégias de internacionalização das empresas
brasileiras como um todo, quanto maior a amostra utilizada, maior será parcela da elite empresarial
brasileira analisada.
Adicionalmente essas pesquisas trabalham com dados em excessivo grau de generalidade, sem
observar variações no comportamento das empresas ao longo do tempo e sem desagregar as
informações sobre a localização dos investimentos externos por setores de atividade econômica ou
por intensidade tecnológica das empresas. Dessa forma, não é possível identificar se a tendência à
concentração dos investimentos em certas regiões é característica restrita a determinados períodos
ou setores, em virtude de conjunturas econômicas específicas e peculiaridades setoriais. Tal
abordagem também torna difícil a identificação de linhas de atuação para uma política pública que
estimule a internacionalização de empresas como estratégia de desenvolvimento nacional.
Buscando superar as limitações dos estudos previamente mencionados, realizamos um mapeamento
mais detalhado da distribuição dos investimentos diretos das empresas brasileiras em dois
diferentes momentos, 1994 e 2012, desagregando os dados por intensidade tecnológica das
atividades empresariais. Para isso, identificamos os IBDs de um total de 148 empresas brasileiras ao
longo desses 18 anos, número significativamente superior aos de estudos anteriores. A
desagregação dos dados por tipo de atividade econômica permitiu avançar na identificação de
diferentes padrões de inserção externa e das estratégias empresariais adotadas.
Na sequência, vamos além das ambições dos estudos que focam na perspectiva da gestão da firma
ao investigarmos os determinantes da expansão recente do IBD e os potenciais benefícios que a ela
pode trazer para a economia brasileira. Essa investigação baseia-se em pesquisa em diferentes
fontes documentais e nas estatísticas oficiais do governo brasileiro, levando a proposição, ao final
desse artigo, uma reflexão acerca dos elementos necessários para que a política de estímulo ao IBD
possa contribuir positivamente para uma estratégia de desenvolvimento nacional.
2. Mapeamento das estratégias de internacionalização das empresas brasileiras.
Os dados oficiais do Banco Central (BC) apresentam diversas distorções no que diz respeito à
identificação do mercado de destino do IBD. Essa distorção ocorre pelo fato de as transnacionais
brasileiras reportarem ao BC apenas o país de destino imediato de seus investimentos. Em 2011,
segundo os dados do BC, 35% do IBD localizava-se em pequenos paraísos fiscais do caribe. Esses
territórios servem apenas como intermediários dos investimentos diretos em outros países
(GOLDSTEIN, 2007; FUJITA, 2008; BC, 2013). Mesmo se fossemos considerar os registros oficiais,
excluindo os paraísos fiscais, seria possível questionar a suposta preferência do IBD pelo mercado
sul-americano, uma vez que o BC afirma existir, em 2011, um maior estoque dessa modalidade de
investimentos na Europa (U$ 100,5 bilhões ou 49,6% do total) e na América do Norte (14,8 bilhões
ou 7,3%) do que na América do Sul (14,6 bilhões ou 7,2%).
Todavia, a estratégia de intermediação financeira também é utilizada por subsidiárias brasileiras em
muitos países europeus, como é o caso da Holanda e da Áustria, que possuem vantagens fiscais e
numerosos acordos bilaterais e para proteção dos investimentos e para evitar a dupla taxação dos
lucros2. Diante da dificuldade para determinar as estratégias de internacionalização das
transnacionais brasileiras por meio dos dados coletados pelo BC, a alternativa adotada nesta
pesquisa foi o mapeamento da localização das subsidiárias, filiais e projetos de investimentos
extrativistas e de infraestrutura das empresas brasileiras no exterior. Esse mapeamento foi realizado
em dois momentos 1994 e 2012.
2
Conforme revelado em entrevistas com funcionários da Petrobras e do Banco do Brasil em suas respectivas
subsidiárias londrinas.
O mapeamento da localização das atividades das empresas brasileiras em 1994 justifica-se por duas
razões. A primeira é que esse ano constituiu um ponto de viragem para as estratégias das empresas
brasileiras, com implantação, em julho, do Plano Real. Por um lado, o controle inflacionário trouxe
maior estabilidade macroeconômica e a consequente possibilidade de planejamento de longo prazo
dos investimentos (CASTRO, 2001). Por outro, o alicerce do controle inflacionário foi o aumento da
exposição da economia brasileira à concorrência internacional (COUTINHO, 1997) que, por sua vez,
forçou as empresas brasileiras a buscar novas estratégias competitivas, entre elas a
internacionalização (ARBIX, 2007). A segunda razão é a existência de um banco de dados sobre as
operações de IBD de 95 empresas brasileiras nesse ano, disponível em pesquisa do BNDES (BNDES,
1995), e pouco aproveitado por outros estudos.
Nos 18 anos entre 1994 e 2012, diversas mudanças ocorreram com as 95 empresas que compunham
o levantamento do BNDES de 1995. Para compreender essas alterações, rastreamos as trajetórias
internacionais dessas empresas com base em pesquisa documental, entrevistas e levantamento
bibliográfico. Das 95 empresas que constam no mapeamento de 1994, 30 (31,6%) foram compradas
por empresas brasileiras ou estrangeiras, 8 (8,4%) faliram e 17 (17,9%) deixaram de operar no
exterior durante o período. Ou seja, apenas 40 (42,1%) apresentaram uma trajetória de
internacionalização duradoura ao longo desses 18 anos. Por um lado, esses números indicam o
dinamismo do novo ciclo que se iniciava na economia e na sociedade brasileira no começo da
década de 1990 e os desafios competitivos enfrentados por parte importante da elite empresarial do
país. Por outro, oferecem um indício de que a internacionalização está longe de ser um processo
gradual e isento de riscos, no qual o envolvimento com o exterior aumenta progressivamente,
passando por etapas sucessivas e bem definidas.
Além das 40 empresas que mantiveram trajetórias de internacionalização duradouras no período
estudado, identificamos outras 53 empresas que possuíam projetos de IBD no exterior em 2012,
totalizando 93 empresas cuja internacionalização foi mapeada nesse ano. A identificação dos
projetos de IBD ocorreu por meio de extensa pesquisa em artigos acadêmicos, documentos
divulgados pelas próprias empresas e nas listagens realizadas pelo jornal Valor Econômico (2007;
2008; 2009; 2010; 2011; 2012). Os procedimentos utilizados para tratamento dos dados são
analisados em detalhes em Caseiro (2013). A localização dos investimentos das empresas nos dois
momentos é sistematizada nas figuras 1 e 2, apresentadas a seguir.
Figura 1 – Localização do IBD de 95 empresas em 1994
Fonte elaboração do autor baseado em BNDES (1995).
Figura 2 – Localização do IBD de 93 empresas em 2012
Fonte: elaboração do autor.
Chama atenção nos dados acima que, tanto em 1994 quanto em 2012, os Estados Unidos e a
América do Norte eram, respectivamente, o país e a região que abrigavam o maior número de
operações de transnacionais brasileiras, ao contrário do que se poderia esperar pela literatura
acadêmica sobre o tema. Cenário semelhante ocorre quando observamos a presença das empresas
brasileiras na Europa. Em ambos os retratos, Reino Unido e Alemanha atraem um maior número de
empresas brasileiras do que Portugal, país que possui maior proximidade cultural e geográfica com o
Brasil. A mesma situação é vista na Ásia, com a expansão das empresas brasileiras iniciando e
concentrando-se principalmente no extremo oriente. Na África tampouco se pode constatar a
restrição aos países lusófonos. Em todas essas regiões, é possível constatar a predisposição das
empresas brasileiras para investir nos maiores e mais dinâmicos mercados.
Algumas diferenças entre os dois momentos analisados merecem ser ressaltadas. O continente
asiático, que contava com presença diminuta das empresas brasileiras em 1994, foi a região de
maior expansão da internacionalização no período estudado, com especial destaque para a China.
Em 1994, apenas a construtora Andrade Gutierrez tinha escritório comercial no país; ao final de
2012, já estavam lá pelo menos 31 transnacionais brasileiras (33,3% da amostra), de 15 diferentes
setores, sendo que 11 delas contavam com instalações produtivas na China. Crescimento intenso
também ocorreu em outros países asiáticos. A Índia, que estava ausente dos planos das empresas
brasileiras no mapeamento de 1994, contava, em 2012, com subsidiárias ou filiais de ao menos 12
delas (12,9% da amostra), sendo que 7 possuíam unidades produtivas no país. A região com menor
expansão na presença das empresas brasileiras, no intervalo analisado, foi a Europa. Porém, o
continente europeu continua sendo inegavelmente uma importante área para as transnacionais
brasileiras, recebendo investimentos de mais da metade da amostra de 2012.
Observa-se também uma importante evolução da internacionalização das empresas brasileiras para
o mercado mexicano. Em 1994, apenas cinco empresas brasileiras operavam nesse país. Em 2012,
esse número passou a 32, constituindo-se a maior elevação no número de projetos de IBD fora da
região asiática. Nesse ano, o México empatou com a China, como terceiro principal destino global
das transnacionais brasileiras. A ascensão em importância do mercado mexicano pode ser ao menos
parcialmente compreendida pela assinatura do Tratado de Livre Comércio da América do Norte. Esse
tratado transformou o México em uma importante plataforma exportadora para o mercado norteamericano. Dessa forma, induziu diversas empresas que buscavam ampliar suas vendas nos Estados
Unidos a instalar parte de suas atividades produtivas no país latino. Das 32 empresas com operações
no México, nada menos que 18 contam com unidades produtivas (56,3%), percentual superior ao
encontrado nos Estados Unidos e na Argentina.
Evidentemente, não se trata de negar a grande importância que os mercados da América do Sul e
Central mantiveram para essas empresas ao longo dos anos estudados. Em ambos os períodos, mais
da metade das transnacionais brasileiras identificadas mantinham operações na região, a despeito
do pequeno peso que a mesma possui na economia global. Todavia, os dados disponíveis não
permitem afirmar que ali concentravam suas operações. As diferentes estratégias das empresas
brasileiras tornam-se mais nítidas ao desagregarmos os dados por setor de atividade econômica
(Figuras 3 e 4).
Figura 3 – Localização do IBD em 1994 por setor de atividade
Fonte: elaboração do autor baseado em BNDES (1995).
Figura 4 – Localização do IBD em 2012 por setor de atividade
Fonte: elaboração do autor.
Nota-se que, em ambos os períodos, o movimento de internacionalização não se restringe aos
setores intensivos em commodities. Já em 1994, é possível constatar o significativo número de
empresas industriais de setores de média-alta ou alta intensidade tecnológica (IBGE, 2008; OCDE,
2011), como veículos e autopeças (13 empresas) máquinas e equipamentos (10), química e
petroquímica (4), eletroeletrônicos (2) e aeronáutica (1), representando 31,6% do total de empresas
mapeadas. Enquanto os setores mais intensivos em commodities, como alimentos e bebidas (12),
mineração (5), papel e celulose (4) siderurgia (2) e petróleo e gás (1), representavam 25,3% desse
universo. Mais ainda é possível observar a maior concentração dos setores de média-alta e alta
intensidade tecnológica na América do Norte e na Europa. Dentre as dez empresas de máquinas e
equipamentos, nove possuíam subsidiárias ou filiais na América do Norte, seis na Europa, e cinco na
América do Sul. Uma empresa do setor, a WEG, também contava com subsidiária em Tóquio (Japão).
No setor de veículos e autopeças, das treze empresas presentes no mapa de 1994, nove tinham
operações na América do Norte (70%), sete na América do Sul (54%) e seis na Europa (46%). No
setor de eletroeletrônicos, havia mais equilíbrio, com uma empresa em cada uma das três regiões. Já
o setor mais intensivo em tecnologia, o aeronáutico, representado pela Embraer, possuía
subsidiárias apenas nos Estados Unidos e na França.
Em 2012, chama a atenção o elevado número de empresas de tecnologia da informação e
comunicação (TIC) com IBD, atividades consideradas enquanto de alta-intensidade tecnológica pela
classificação do IBGE (2008), e que incluem tanto a o desenvolvimento de softwares e de serviços
corporativos (como Totvs e da Stefanini), quanto à fabricação de hardwares e equipamentos de
informática (como Bematech e Itautec). Ao todo, são onze empresas desse ramo de atividades
identificadas com subsidiárias ou filiais no exterior. Essas empresas são, em média, mais jovens e de
menor porte que as dos demais setores, o que reflete também a relativa fragmentação e dinamismo
das atividades de TIC no Brasil – entre 2010 e 2011, ao menos três jovens empresas do setor com
trajetórias de internacionalização promissoras foram compradas por concorrentes estrangeiras.
Entre os setores de média-alta intensidade tecnológica, destacam-se também o setor de autopeças
(nove empresas), máquinas e equipamentos (sete), e indústrias químicas e petroquímicas (oito). Ao
menos três empresas de cada um desses setores possuem unidades na América do Norte, na
América do Sul, na Europa e na Ásia. Para todos eles, a região econômica com maior número de
empresas é a América do Norte. O setor de autopeças também tem o maior número de empresas
com subsidiárias na China, cinco ao todo, das quais quatro com fábricas no país (Sabó, IochpeMaxion, Randon e Gauss). A Embraer ampliou significativamente sua envergadura global,
apresentando, em 2012, 15 as unidades no exterior, sendo 6 nos Estados Unidos, 5 na Europa
(França, Reino Unido, Portugal e Irlanda) e 4 na Ásia (China, Cingapura e Emirados Árabes).
Se por um lado há a tendência das empresas de setores de maior intensidade tecnológica em
realizar investimentos em mercados mais dinâmicos e competitivos, como a América do Norte,
Europa e Leste Asiático, por outro, os setores de baixa ou média-baixa intensidade tecnológica
apresentam padrão mais diverso de internacionalização. Os setores alimentício, têxtil e calçadista e
de mineração encontram-se altamente globalizados, com presença em todas as regiões do globo. A
siderurgia, cujo principal representante é a Gerdau, concentra seus investimentos nas Américas e
Europa. Já empresas de infraestrutura e logística demonstram preferência por investir na América
do Sul e na África.
Alguns estudos ajudam a compreender melhor as diferenças setoriais observadas. Iglesias e Veiga
(2002) verificaram que a exportação de produtos mais sofisticados para mercados mais
competitivos, como o norte-americano e o europeu, frequentemente depende da realização de IED.
Isso ocorre em virtude do maior grau de exigência dos clientes nesses mercados, que demandam
que as empresas exportadoras prestem serviços de assistência técnica e outros serviços de pósvenda. No caso de produtos mais sofisticados, e, portanto, de valor unitário mais elevado, a
existência de uma unidade local desempenha importante papel na obtenção da confiança dos
clientes. Adicionalmente, Arbix, Salerno e De Negri (2004) revelaram que, já no início do novo
milênio, parte importante das empresas brasileiras mais inovadoras utilizava suas subsidiárias no
exterior como fonte de informação para atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos
produtos. Empresas mais intensivas em tecnologia frequentemente procuram se instalar em
mercados mais dinâmicos e competitivos, independentemente da distância, tanto em virtude da
possibilidade de ampliar os fluxos de conhecimentos que servem para sua atividade inovadora,
quanto da necessidade da adaptação de produtos e da prestação de serviços de pós-venda.
Em 1994, a maior parte das transnacionais brasileiras de nossa amostra concentrava suas operações
no hemisfério ocidental. A ampliação da cobertura geográfica das transnacionais brasileiras ocorreu
em praticamente todos os setores, para todas as regiões do globo. Entretanto, ela foi maior na Ásia
e menor na Europa. Essa mudança no padrão da internacionalização, por sua vez, evidencia a
atuação de determinantes externos na definição das estratégias das transnacionais brasileiras. Sem
desprezar a possível influência de fatores culturais e geográficos como facilitadores desse processo,
é preciso considerar que os primeiros IBD de muitas empresas ocorreram em um momento histórico
específico, marcado por determinada configuração da distribuição global da renda e das estruturas
produtivas. Por mais de um século, o hemisfério ocidental, em especial a Europa e a América do
Norte, foram os principais motores da economia global. Entretanto, essa situação inverteu-se na
última década, quando a região do Leste Asiático passou a responder pela maior parte desse
crescimento (BOLT; ZANDEN, 2013; UNCTAD, 2013). A preferência das empresas brasileiras por se
internacionalizar para o hemisfério ocidental coincidiu com o momento em que essa era a região
que mais crescia e produzia bens, serviços e conhecimento no mundo. Quando essa situação
começou a se modificar, muitas transnacionais brasileiras ampliaram rapidamente sua atuação no
Oriente. Entre 1994 e 2012, a Ásia foi responsável pelo maior crescimento no número das operações
externas das transnacionais brasileiras.
Caso a tendência de ascensão econômica do Leste Asiático se mantenha, é possível que, no futuro,
muitas empresas brasileiras optem por iniciar seu processo de internacionalização na Ásia. Isso foi o
que já ocorreu com a jovem fabricante de autopeças brasileira Gauss. Fundada em 1997, a empresa
curitibana produz reguladores de voltagem, retificadores e sistemas de injeção eletrônica. Em 2006,
com apenas nove anos de vida, deu início à trajetória de internacionalização por meio de uma jointventure na região de Shanghai, utilizando o seu porto para exportar os componentes ali produzidos
para os Estados Unidos e Europa. Esse comportamento das transnacionais brasileiras indica que as
estratégias de internacionalização não dependem apenas da percepção do corpo gerencial
empresarial frente a fatores imutáveis ou de lenta modificação, como as distâncias culturais e
geográficas, ou mesmo das competências internas à firma. Outros fatores, relacionados às
transformações na geografia global das atividades produtivas e de ordem macroeconômica,
tecnológica e política, podem exercer um impacto tão ou mais significativo sobre suas estratégias
organizacionais. A seguir analisaremos alguns dos condicionantes da recente internacionalização das
empresas brasileiras.
3. Condicionantes da internacionalização das empresas brasileiras.
Ao observarmos a evolução dos fluxos de IBD (Figura 5), vemos que, após a crise da dívida em 1982,
com a piora nas condições externas de financiamento, o volume de seus fluxos caiu 67% em relação
ao período anterior. Um novo cenário para o IBD desenhou-se rapidamente na década de 1990.
Com a abertura econômica o volume investido quadruplicou em relação ao triênio anterior
mantendo-se em níveis significativamente elevados nos anos seguintes.
Durante a década de 1990, a economia brasileira deu um giro de 180 graus na forma de se
relacionar com o mercado externo. Em consequência dessa reorientação, as empresas brasileiras
tiveram necessidade e oportunidade de empreender rapidamente novas estratégias de
modernização e de expansão de suas atividades. A necessidade veio pela pressão por preços mais
baixos e pela melhoria na qualidade dos produtos e serviços em virtude da aguda competição
internacional. A oportunidade pelo acesso a novas fontes de financiamento, a máquinas e insumos
de maior qualidade e, posteriormente, pela estabilização da economia, que permitiu a retomada do
crescimento do consumo interno e do planejamento de investimentos no longo prazo.
Figura 5 – Fluxos de IBD, acumulados por períodos de 3 anos, 1971-2000
(Em milhões de US$)
6.826
7.000
5.000
3.000
2.163
1.000
53
334
464
-1.000
1971-73
1974-76
1977-79
949
1980-82
1.319
311
457
1983-85
1986-88
1989-91
1992-94
1.742
1995-97 1998-2000
Fonte: Banco Central.
O impacto dessas medidas dividiu, grosso modo, as empresas brasileiras em ao menos dois grupos.
De um lado, a elite empresarial que:
Aceitou o desafio de produzir em meio a um novo ambiente competitivo,
reordenou estruturalmente suas empresas, mudou velhos hábitos de gestão,
introduziu fortes preocupações com a qualidade e a produtividade,
incorporou na sua estratégia uma perspectiva exportadora e passou a buscar
sistematicamente a inovação tecnológica (ARBIX, 2007, página 112).
Do outro lado, ficaram muitas empresas que não foram capazes de suportar a competição externa e
faliram ou foram compradas por empresas estrangeiras. Como vimos na segunda seção, esse foi o
caso de ao menos 38 empresas brasileiras que possuíam IBD do início da década de 1990.
As reformas de liberalização econômica - privatização de empresas estatais, drástica redução das
tarifas de importação, concessões de serviços públicos, valorização cambial com estabilização da
inflação, liberalização financeira (MANCUSO; OLIVEIRA, 2006) – foram pensadas com o intuito de
injetar competitividade em um tecido produtivo acostumado ao protecionismo, estimulando o
aumento da produtividade. Embora elas tenham sido bem sucedidas nesses objetivos
(BIELSCHOWSKY; STUMPO, 1996; ROSSI JÚNIOR; FERREIRA, 1999), alguns autores argumentaram
convincentemente que um melhor resultado poderia ter sido alcançado caso tivesse sido adotada
uma abertura econômica mais gradual e uma política de valorização cambial menos agressiva
concomitante a estímulos setoriais específicos (COUTINHO, 1997; GIAMBIAGI, 2011). Segundo esses
autores, tais precauções contribuiriam para evitar a erosão de diversos elos das cadeias produtivas
da indústria, constituídas a duras penas nas décadas anteriores, além de manter importantes
organizações empresariais sob o controle nacional.
Apenas nos quatro primeiros anos da década de 1990, a indústria brasileira alcançou ganhos de
produtividade muito superiores àqueles obtidos durante toda a década de 1980 (BIELSCHOWSKY;
STUMPO, 1996). Na fase pós-estabilização, o aumento da produtividade seguiu avançando com
velocidade, embora à custa do aumento do desemprego (ROSSI JÚNIOR; FERREIRA, 1999). A
retomada do crescimento econômico nesse período, conjuntamente à privatização das estatais
contribuiu para atrair grande quantidade de IED para o país, elevando ainda mais os padrões de
concorrência no mercado interno (SARTI; LAPLANE, 2002). A intensificação da concorrência foi
maximizada pelo fato de a estabilização monetária ter se realizado por meio da paridade cambial e
de elevadas taxas de juros, o que ocasionou o barateamento dos produtos importados e o
desincentivo aos investimentos produtivos no país. Essa conjuntura desafiadora tornou os processos
de modernização empreendidos pelas empresas brasileiras na primeira fase da abertura econômica
insuficientes para garantir sua sobrevivência (COUTINHO, 1997). Estratégias inovadoras precisavam
ser então rapidamente adotadas para enfrentar a concorrência acirrada e aproveitar as novas
oportunidades existentes. Uma parcela da elite empresarial brasileira passou a perseguir a inovação
e a internacionalização como estratégias para alcançar níveis de produtividade semelhantes a de
seus competidores internacionais, reduzindo os custos e sofisticando produtos e processos
produtivos (ARBIX, 2007; ARBIX; CASEIRO, 2011).
Embora uma nova fase para a internacionalização das tenha se iniciado nos anos 1990, foi somente a
partir da década de 2000 que ela ganhou impulso inédito. Tal fato pode ser constatado não apenas
pelos estudos de caso e mapeamento das trajetórias empresariais, mas também ao acompanharmos
a evolução do estoque de investimentos diretos das empresas brasileiras no exterior (IBD), que
quadruplicou entre 2002 e 2012 (Figura 6). A veloz ascensão do IBD ocorre em um momento de
significativa melhora na capacidade de financiamento das transnacionais brasileiras, em virtude da
confluência de uma série de fatores, incluindo a abundância de recursos de origem externa, o maior
crescimento da economia brasileira, a expansão do crédito e as iniciativas de apoio público voltadas
à internacionalização das empresas.
Figura 6 - Evolução do estoque do investimento direto brasileiro no exterior (IBD)
(em US$ milhões)
250.000
200.000
150.000
100.000
50.000
232.848
Variação:
1982 - 1992: U$ 2,9 bilhões (7%)
1992 - 2002: U$ 12,2 bilhões (29%)
2002 - 2012: U$ 178,4 bilhões (328%)
39.128
42.196
54.423
0
Fonte: Unctad
No início da década de 2000, o Brasil experimentou um momento raro do ponto de vista da
disponibilidade de financiamento externo, com a ocorrência concomitante de (i) baixas taxas de
juros nos países de industrialização avançada; (ii) uma série de desregulamentações e inovações
financeiras nos mercados internacionais que multiplicaram a liquidez global; e (iii) a forte alta nos
preços internacionais das commodities, que contribuiu para transferir grandes somas de recursos
financeiros dos países de industrialização avançada – e também, nesse momento mais recente, dos
países de rápida industrialização do Leste Asiático – para os países exportadores de commodities,
entre eles o Brasil (OCAMPO, 2007; IZQUIERDO; TALVI, 2011). O aumento nos preços das
commodities permitiu que o Brasil passasse a ter superávits comerciais significativos a partir de
2002, que, conjuntamente à entrada de investimentos externos após 2006, contribuíram para que a
formação de expressivos saldos na balança de pagamentos.
Diante do contexto externo favorável, o Estado brasileiro atuou, ao menos num primeiro momento,
até 2007, de maneira distinta do que fizera em seu passado desenvolvimentista, investindo em
políticas anticíclicas, por meio da elevação das metas de superávit primário, da redução da dívida
externa e da acumulação de reservas internacionais (MATTOS; JAYME JR, 2011; GIAMBIAGI, 2011).
Conjuntamente a implantação de políticas sociais de transferência de renda, que ampliaram o
mercado interno, e ao retorno das políticas industriais, a nova conjuntura externa e a postura
assumida pelo governo brasileiro contribuíram para o desencadeamento de um novo ciclo de
crescimento e do aumento da taxa de investimento da economia nacional (LANDIM JÚNIOR;
MENEZES FILHO 2009; SANT’ANNA et al. 2010). A melhora da posição externa e o novo ciclo de
crescimento permitiram que o país se mantivesse atrativo para os capitais externos ao mesmo
tempo em que reduzia a taxa de juros da economia, inclusive obtendo o famigerado grau de
investimento das agências classificadoras de risco em 2008.
O cenário favorável tanto interna quanto externamente gerou, entre 2004 e 2010, significativa
ampliação de recursos financeiros disponíveis para as empresas brasileiras empreenderem projetos
de internacionalização oriundos de três fontes: (i) incremento do lucro doméstico e das receitas de
exportação; (ii) financiamento externo; e (iii) financiamento estatal, especialmente via BNDES. As
opções de financiamento externo foram múltiplas. Algumas empresas brasileiras passaram a gozar
de volumosas linhas de crédito barato diretamente junto aos bancos internacionais. Um caso
paradigmático ocorreu em 2006, quando a Vale obteve empréstimos no valor de US$ 14,6 bilhões
para adquirir a mineradora canadense Inco. A possibilidade de realizar a aquisição à vista foi uma
vantagem essencial da empresa brasileira sobre seus concorrentes (FLURIET; BRAGA, 2009). Os
dados do BC mostram que a financiamento das empresas brasileiras via empréstimos internacionais
e mercado de ações cresceu de forma acentuada a partir de 2004. Entre 1995 e 2003, a média anual
dessas duas formas de entrada de capital estrangeiro foi de US$ 2,63 bilhões, enquanto entre 2004 e
2012 atingiu US$ 25,41 bilhões (BC, 2013).
Adicionalmente, a maior proeminência internacional de algumas grandes empresas brasileiras
permitiu que as empresas brasileiras com operações internacionais emitissem títulos no exterior a
taxas de juros mais baixas que as oferecidas pelo BNDES e até mesmo àquelas obtidas pelas
emissões de papéis do próprio governo brasileiro (FLURIET; BRAGA, 2009). A Odebrecht, por
exemplo, sem ter capital aberto na bolsa, obteve US$ 1 bilhão com emissão de títulos no exterior em
junho de 2012, a juros de 5,1% e 7,1% ao ano, com vencimento em 10 e 30 anos, respectivamente.
Dois meses antes, o governo brasileiro utilizou o mesmo mecanismo para arrecadar US$ 1,7 bilhão a
juros de 8,5% ao ano com vencimento em 12 anos (VALOR, 2012). Dados do Banco Internacional de
Compensações revelam que o financiamento via emissão de títulos no exterior por empresas de
capital controlador brasileiro atingiu o nível recorde de US$ 50 bilhões em 2012. Em 1995, o governo
era responsável por 77% dos títulos brasileiros negociados internacionalmente; ao final de 2012 as
empresas brasileiras já respondiam por 80% desse mercado (BIS, 2013).
3.1 - A importância das políticas de estímulo à internacionalização.
Outro fator não desprezível na ampliação da internacionalização do período recente, ao menos para
um grupo seleto de empresas, foi a promoção da internacionalização via política industrial.
Provavelmente o mais antigo instrumento de política pública para estímulo à internacionalização é o
financiamento do BNDES às exportações de serviços de engenharia de construção pesada, cujos
primeiros registros datam de 1998. Em virtude da demanda por crédito de longo prazo para a
execução de grandes obras de infraestrutura a atuação de bancos públicos é um diferencial
competitivo para construtoras em âmbito internacional, em especial quando as obras se situam em
países em desenvolvimento, que no geral enfrentam restrições de financiamento privado de longo
prazo (SENNES; MENDES, 2009). No financiamento das obras de infraestrutura no exterior, o BNDES
procura estimular a geração de impactos positivos sobre a cadeia de fornecedores nacionais,
exigindo, como contrapartida, que a exportação de produtos fabricados no Brasil alcance no mínimo
35% dos desembolsos realizados a cada projeto de infraestrutura no exterior (PINTO; ABREU, 2011).
Embora o BNDES opere essa linha de financiamento desde 1998, sua utilização foi significativamente
ampliada a partir de 2007. Entre 1998 e 2002, o banco financiou cinco projetos no exterior, com
desembolsos médios de US$ 74 milhões ao ano e localizados exclusivamente na América do Sul.
Entre 2003 e 2006, foram financiados sete projetos no âmbito da América Latina e os desembolsos
médios anuais totalizaram US$ 218 milhões. De 2007 a 2012, a África passou a receber crescentes
somas por meio dessa modalidade de financiamento. O número de projetos com esse aporte subiu a
97, à média anual de US$ 1,1 bilhão em desembolsos – variação de 1.390% em relação ao primeiro
período (Figura 7).
Figura 7 - Financiamento do BNDES para obras de infraestrutura no exterior, 1998-2012.
Em milhões de US$
1.600
1.400
1.200
1.000
Projetos
Contratados:
1998-2002: 5
2003-2006:: 7
2007-2012: 97
Média: 2007-12:
1.100 M
800
600
400
200
Média 1998 - 2002:
U$ 74 M
Média 2003-06:
U$ 218 M
0
1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
America do Sul
Demais América Latina
África
Média 98-02
Média 03-06
Média 07-12
Fonte: elaboração do autor baseado em BNDES (2013).
Cabe ressaltar que a destinação desses recursos para projetos na América Latina e na África
encontra-se em conformidade com a política industrial brasileira vigente entre 2008 e 2011 (MDIC,
2008). A suposta preferência das empresas do setor de serviços de engenharia por se
internacionalizar para a América Latina e para África precisa, portanto, ser compreendida dentro
desse contexto. Uma vez que suas grandes obras no exterior dificilmente ocorrem sem algum tipo
de financiamento público, as escolhas dos locais de seus investimentos são fortemente influenciadas
pelas relações mantidas entre o governo brasileiro e o dos países de destino de seus investimentos.
A partir de 2005, a institucionalização das políticas públicas para internacionalização foi reforçada
com início da atuação do BNDES no financiamento direto às operações de IBD (ALÉM; CAVALCANTI,
2005). O financiamento do BNDES ao IBD pode ocorrer tanto por meio de empréstimos quanto pela
subscrição de ações de empresas. Todavia, os empréstimos destinados a operações no exterior têm
custo mais elevado em relação às taxas usualmente cobradas pelo BNDES, em virtude do risco
cambial envolvido. Desse modo, a maioria das operações é feita por subscrição de ações. Essa
modalidade de financiamento, conduzida pela BNDESPar, concentrou 97% dos R$ 9,9 bilhões
desembolsados entre 2005 e 2011 para o financiamento do IBD3.
Uma vez que o BNDES não divulga informações detalhadas sobre todas suas operações anteriores a
2008, procuramos complementar as informações publicadas pelo banco por meio da pesquisa na
literatura acadêmica e na imprensa especializada. As operações identificadas estão resumidas na
tabela 1, e representam 70% dos recursos desembolsados pelo BNDES para financiar diretamente o
IBD – exclusive o setor de serviços de engenharia. Esses dados revelam que, apesar de a
internacionalização de algumas companhias intensivas em tecnologia ter sido estimulada, dois
terços dos desembolsos ao IBD foram destinados ao setor de processamento de carnes.
O apoio à internacionalização do complexo de carnes também estava previsto pela política industrial
brasileira vigente à época. Na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP 2008-2011), a
internacionalização aparece como uma forma de expandir e consolidar a liderança internacional,
posicionando as empresas brasileiras entre as cinco maiores do mundo, em setores nos quais o
Brasil já possui elevada competitividade, mais especificamente, aeronáutica, petróleo, gás e
petroquímica, etanol, mineração, aço, papel e celulose, e processamento de carnes (MDIC, 2008).
3
Informação obtida em entrevista realizada com analista da área internacional do BNDES, em março de 2012.
Todavia, a alta concentração do apoio público neste último setor levantou a preocupação sobre o
desalinhamento do apoio à internacionalização do BNDES em relação aos demais objetivos da
política industrial brasileira, que enfatiza o fomento à inovação tecnológica (ARBIX; CASEIRO, 2010).
Essa preocupação se justifica principalmente diante do fato de que outros países emergentes, em
especial a China, têm aproveitado o ambiente econômico favorável para apoiar a internacionalização
de forma integrada aos objetivos de sua política industrial, inclusive com a aquisição de grandes
empresas intensivas em conhecimento nos países de industrialização avançada (MASIERO; CASEIRO,
2012).
Tabela 1 - Desembolsos do BNDES no apoio ao IBD, 2005-2011
Em milhões R$
Setor
Processamento
de carnes
Empresa
R$ M
Ano
Descrição do projeto
JBS
187
2005
Aquisição da Swift (Argentina)
JBS
423
2007
Aquisição da Swift (EUA).
JBS
3,479
2009
Aquisição da Pilgrim's Pride (EUA)
Marfrig
LAR Grãos
2,500
6
6.595
2010
2005
Aquisição da Keystone Foods (EUA)
Fábrica no Paraguai
Itautec
Procable
Sotfexpert
142
19
1,5
2007
2008
2010
Aquisição da Tallard (EUA)
Internacionalização
Internacionalização
Bematech
30
2010
Aquisição da Logic Controls (EUA)
Cipher
15
2010
Internacionalização
Comtrafo
19,5
2008
Internacionalização
WEG
Farmacêutica
Eurofarma
Subtotal outros setores
65,4
12,5
304,9
2010
2010
Fábrica na Índia
Aquisição da Quesada (Argentina)
Grãos
Subtotal agronegócio
TIC
Máquinas e
equipamentos
Total
6.899,9
Fonte: BNDES (2013); Sennes e Mendes (2009); Valor (2011).
Exceção feita ao apoio para a atuação das empresas de serviços de engenharia no exterior, o
financiamento do BNDES para o IBD duraram apenas até 2011. Em abril de 2013, Coutinho afirmou,
em entrevista, que a “promoção da competitividade de grandes empresas de expressão
internacional é uma agenda que foi concluída”:
A promoção da competitividade de grandes empresas de expressão
internacional é uma agenda que foi concluída. É uma política que tinha
méritos e chegou até onde poderia ir. Até porque o número de setores em
que o Brasil tem competitividade para projetar empresas eficientes no
cenário internacional é relativamente limitado a commodities e algumas
pseudocommodities. E já fizemos isso nesses setores: petroquímica, celulose,
frigoríficos, parte da siderurgia, suco de laranja, cimento. Não enxergo
outros setores com o mesmo potencial. Nos últimos anos, a BNDESPar tem se
concentrado no fomento a novas empresas em setores intensivos em
inovação tecnológica. [...]
Entrevista ao Estado de S. Paulo, 22 de abril de 2013.
O mapeamento das atividades das transnacionais brasileiras que realizamos nesse artigo, aponta no
sentido oposto à constatação de Coutinho, de que o país não teria condições para projetar
internacionalmente empresas em setores mais intensivos em tecnologia. Consideramos que a
significativa presença internacional de empresas industriais de alta ou média-alta intensidade
tecnológica, como Embraer, WEG, Marcopolo, Metalfrio, Sabó, Iochpe-Maxion e Stefanini, que estão
entre os principais players internacionais de seus respectivos setores, e Bematech, Itautec, Totvs,
Romi, DHB, Braskem, Fitesa, Metalfrio e Natura que já comprovaram capacidade de competitividade
regional, revela que o Brasil ainda poderia avançar nesse sentido. Na seção seguinte, discutiremos
elementos para uma alternativa de política industrial de apoio à internacionalização.
4. Alternativas para a política industrial de apoio à internacionalização
Tanto a literatura sobre internacionalização de empresas quanto a literatura sobre o
desenvolvimento econômico têm em grande medida negligenciado as políticas públicas que os
países emergentes empreendem para estimular a internacionalização de suas empresas. Essa última
tradição enfatiza primordialmente o impacto da atração de investimentos externos sobre o
desenvolvimento dos países (EVANS, 1994; AMSDEN, 2009A; RODRIK, 2004; AIGINGER, 2007; SOETE,
2007; WADE, 2010). Essa ênfase é até certo ponto compreensível, tendo em vista que até muito
recentemente o investimento no exterior das economias emergentes era escasso, restrito a poucas
firmas e possuía impacto inexpressivo sobre o balanço de pagamento desses países.
Nesse contexto, a exportação de capitais destinada à instalação de subsidiárias no exterior era
considerada apenas enquanto uma consequência e não enquanto causa do desenvolvimento
econômico (DUNNING; NARULA, 1996). Adicionalmente, até o início da década de 2000, a maioria
dos países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, sofria com a escassez de divisas e elevado débito
externo, o que levava a imposição de restrições sobre quaisquer fluxos de capitais ao exterior
(IGLESIAS; VEIGA, 2002; BUCKLEY et al., 2008). Na medida em que essa situação começou a se
modificar, na virada do milênio, com a melhora das condições externas de financiamento de muitos
países emergentes (OCAMPO, 2007; SWARTZ, 2010), também passaram a surgir iniciativas
governamentais para estimular o investimento externo direto das empresas sediadas nesses países
(UNCTAD, 2006).
Notando o recente interesse de alguns países em desenvolvimento pela promoção do IED de suas
empresas, por um lado, e a falta de pesquisas sobre o tema, por outro lado, Knoerich (2012) realizou
um levantamento na literatura acadêmica para investigar como a internacionalização das empresas
pode contribuir para o desenvolvimento econômico dos países de origem desses investimentos. O
autor conclui que, no nível microeconômico, os ganhos esperados são principalmente relacionados
ao aprendizado tecnológico, gerencial e de conhecimentos dos mercados externos (“reverse
spillovers”) que se originam nas atividades das subsidiárias e depois impactam o desenvolvimento de
produtos e processos nas matrizes e nas demais unidades das empresas. Ao investir no exterior, as
empresas dos países em desenvolvimento ampliariam também o alcance das estratégias de
promoção de suas marcas, podendo inclusive, adquirir marcas já renomadas globalmente. Já no
nível macroeconômico, o IED teria a vantagem de propiciar a remessa de lucros para os países de
origem do investimento, além de poder garantir o acesso a recursos escassos no país de origem
(KNOERICH, 2012).
É possível argumentar, todavia, por uma perspectiva econômica clássica, que o acesso à tecnologia
poderia ser obtido por outras fontes, mais especificamente e pela atração de multinacionais
estrangeiras. Essa perspectiva é, entretanto, colocada em cheque por Amsden (2009a; 2009b; 2012),
que argumenta convincentemente que a transferência tecnológica realizada pelas multinacionais
estrangeiras para empresas locais é sempre limitada. Após extensiva pesquisa empírica, a autora
conclui que além de permitir uma maior transferência tecnológica para os fornecedores locais, as
grandes empresas controladas pelo empresariado nacional apresentam ainda uma maior
predisposição para comprar desses fornecedores, colaborar com as políticas governamentais e
diversificar seus investimentos em novos setores no mercado doméstico, em relação a suas
congêneres estrangeiras, existindo, portanto uma clara vantagem para os formuladores de política
em estimular as empresas locais ao invés da atração de investimentos diretos (AMSDEN, 2009a;
2009a; 2012). Adicionalmente, Hirsch (2012), argumenta que em virtude de diferenças culturais,
legais e institucionais entre os países, as multinacionais têm a preferência por concentrar seus
investimentos no mercado doméstico, no caso de existirem condições econômicas similares entre o
país de origem e o mercado potencialmente atrativo para o IED.
A implantação de políticas para a promoção do IBD, todavia, não pode prescindir das ressalvas que
são comuns às demais políticas industriais. Aqui a questão é possivelmente ainda mais delicada,
tendo em vista que se trata quase sempre de grandes empresas, com significativo poder de
influência sobre o mercado e, frequentemente, sobre a política do país de origem. Nesse sentido,
cabe sublinhar as constatações feitas pelo já clássico trabalho de Evans (1994) e também por
Amsden (2001) que, após analisarem comparativamente o efeito de políticas industriais em países
em desenvolvimento, concluem que embora as políticas industriais bem sucedidas sejam
implementadas em estreita parceria com as elites empresariais, apresentando algum nível de
alinhamento em relação as suas estratégias de investimento e suas capacidades já constituídas, elas
precisam preservar a autonomia e a capacidade do Estado em definir e cobrar das empresas
beneficiadas metas relacionadas ao desenvolvimento nacional. O equilíbrio entre parceria com as
elites empresariais e autonomia estatal na definição dos objetivos do desenvolvimento nacional
seria então obtido por meio do planejamento de longo prazo, da ação coesa de diversas instituições
públicas, e do estabelecimento de contrapartidas empresariais aos recursos públicos concedidos
temporariamente a elas. Entre as contrapartidas possíveis, destacam-se a ampliação dos
investimentos no mercado doméstico, o desenvolvimento de novas tecnologias e a diversificação
das atividades empresariais em setores com maior intensidade tecnológica, capazes de pagar
melhores salários, estimular o surgimento de novos fornecedores e prestadores de serviços e
transferir tecnologias para outros setores da economia (EVANS, 1994; AMSDEN, 2011).
Ao avaliar as medidas do governo brasileiro de estímulo à internacionalização, por esses critérios, é
possível constatar seu relativo baixo potencial de contribuição para o desenvolvimento do país no
longo prazo. A exceção fica por conta das exigências do BNDES da exportação de materiais
produzidos por fornecedores locais para o financiamento das obras de infraestrutura no exterior.
Entretanto, mesmo nesse caso, trata-se de atividades com potencial reduzido de aprendizado
tecnológico e sem estímulo para a diversificação produtiva. No que tange ao financiamento público
para a internacionalização dos demais setores, a situação é ainda mais grave, pois além da completa
ausência de contrapartidas formalmente estabelecidas, os recursos públicos concentram-se em
setores tradicionais da economia brasileira que dificilmente trarão encadeamentos e externalidades
positivas para o conjunto da economia.
Soma-se ainda a esses problemas a dificuldade do Estado brasileiro em atuar de forma coesa no
estímulo à internacionalização. Um exemplo importante nesse sentido é dado pelo reduzido número
de acordos para evitar a dupla taxação dos lucros e da ausência de tratados de proteção bilateral
dos investimentos firmados. A primeira modalidade garante à empresa transnacional condições
isonômicas de competição nos países em que atua, ao evitar que os lucros obtidos no exterior sejam
duplamente taxados no país de origem e de destino dos investimentos. A segunda propicia
segurança jurídica à empresa investidora contra riscos políticos, possibilitando recurso à arbitragem
internacional (UNCTAD, 2006). Segundo a Receita Federal, em 2012, o Brasil havia estabelecido
acordos para evitar a dupla taxação com 29 países. Embora a maior parte dos principais receptores
de IBD estivesse contemplada por eles, três importantes destinos para as empresas brasileiras estão
fora da lista: Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Agravando ainda mais essa situação, em
2014, o governo brasileiro sancionou aprovou uma lei obrigando as coligadas das empresas
brasileiras no exterior a pagar no Brasil a diferença entre o imposto sobre o lucro já pago no exterior
e a alíquota de 34% cobrada da matriz em território nacional4. Tal medida faz com que as unidades
externas das empresas brasileiras paguem mais imposto do que as empresas com as quais
competem nos mercados externos, tornando mais difícil sua atuação internacional. A situação dos
tratados de proteção aos investimentos é mais complexa e revela novamente a dificuldade na
consolidação de uma política coesa de apoio ao IBD. O Brasil assinou 15 desses acordos ao longo dos
anos 1990, mas nenhum deles entrou em vigor. Em 2003, eles foram retirados da pauta de votações
do Congresso sob o argumento de que representavam uma ameaça à soberania nacional (SENNES;
MENDES, 2009). A título de comparação, em 2010 a China, um país em desenvolvimento que têm
estimulado a internacionalização de suas empresas como forma de obter no exterior tecnologias e
recursos naturais escassos em seu mercado doméstico (CASEIRO; MASIERO, 2013) possuía DTT com
89 países e BIT com 114 (LUO et al. 2010).
5. Considerações finais.
O recente processo de internacionalização das empresas brasileiras, objeto deste estudo, tem
consequências reais e potenciais para diversos setores da sociedade brasileira e dos países que
recebem seus investimentos. Por um lado, amplia os mercados e as oportunidades de negócios das
empresas e seu acesso a recursos tangíveis e intangíveis localizados em diferentes partes do globo,
transformando sua estrutura organizacional, as características de seu portfólio de produtos, de seus
processos produtivos e estratégias de exportação, captação financeira e inovação. Por outro lado, ao
abrir novos canais de transmissão entre o Brasil e o restante do mundo para o capital financeiro,
para o fluxo de trabalhadores, para as modernas tecnologias e para as mais diversas práticas
gerenciais, a internacionalização gera impactos sobre todo o tecido industrial brasileiro, o mercado
de trabalho, e a sociedade de maneira geral.
Ao impactar diferentes esferas da sociedade, a expansão internacional das empresas brasileiras
também cria implicações para os diversos campos de produção do conhecimento. Entretanto, a
maioria dos trabalhos acadêmicos sobre o tema origina-se nas escolas de administração de
empresas. Essa literatura, no geral, enfatiza apenas uma das dimensões do fenômeno: seus efeitos
sobre a própria gestão das empresas e a organização empresarial de modo geral. Sem desmerecer a
relevância de tais trabalhos, procuramos avançar na investigação da internacionalização das
empresas brasileiras, de forma a articular variados aspectos de sua realidade. Nessa análise,
mantivemos simultaneamente o diálogo constante com a literatura acadêmica de diversas áreas do
conhecimento e uma orientação voltada para a elaboração de políticas públicas que procurem
maximizar os impactos positivos desse processo para o país.
A estratégia adotada permitiu avançar em questões deixadas em aberto pela literatura. Na primeira
etapa da pesquisa, investigamos a evolução da dispersão geográfica das transnacionais brasileiras ao
longo de dezoito anos, de 1994 até 2012, sua diversidade setorial e as relações existentes entre as
atividades das empresas e as estratégias de escolha de seus mercados de destino. Verificou-se que a
internacionalização é uma estratégia adotada por empresas de diversos setores, não se restringindo
aos produtores de commodities, ou a setores de baixo valor agregado, como sustentam alguns
estudos que se limitaram à análise de um pequeno número de trajetórias empresariais. Embora
algumas das maiores transnacionais brasileiras sejam ligadas à produção de commodities, isso não
significa que o movimento de internacionalização esteja confinado a esses setores ou a atividades de
baixo valor agregado. Empresas brasileiras dos mais diversos setores – inclusive alguns intensivos em
conhecimento, como aeronáutica, máquinas e equipamentos, autopeças, tecnologias da informação
e comunicação, química e petroquímica, fármacos e cosméticos – instalaram unidades no exterior
como estratégia competitiva de longo prazo.
4
“Brasil impõe perda de competitividade”, Jornal Valor Econômico, 31/03/2014
A importância das análises da dispersão geográfica e da diversidade setorial das transnacionais
brasileiras, para além da relevância teórica, reside também em seu possível impacto para a
formulação de políticas públicas. Em primeiro lugar, a diversidade desse movimento implica ter ele
consequências mais amplas para o tecido produtivo nacional do que costumeiramente se supõe. Em
segundo lugar, ao reconhecer que os objetivos estratégicos das transnacionais brasileiras e seu
potencial de expansão são mais diversos e heterogêneos do que frequentemente se estima, abremse possibilidades para a elaboração e a implementação de políticas públicas visando o estímulo da
internacionalização de forma mais alinhada às especificidades dos diferentes setores, cadeias
produtivas e à própria política industrial do país. A tendência de as empresas mais intensivas em
tecnologia buscarem os maiores e mais competitivos mercados do globo é um possível indicativo da
complementaridade existente entre suas estratégias de internacionalização e de inovação de
produtos e processos.
A análise dos condicionantes macroeconômicos e políticos da expansão internacional das empresas
brasileiras permitiu constatar que este é um processo extremamente dinâmico, longe de ser
consolidado. Após a abertura econômica, a internacionalização passou a integrar de maneira
sistemática as estratégias de longo prazo da elite empresarial do país. Todavia, foi apenas nos anos
2000, que estes empresários encontraram as condições necessárias para realizar o movimento de
forma mais incisiva, expandindo ao redor do mundo sua base produtiva, adquirindo concorrentes
estrangeiros e, em alguns casos, posicionando-se como atores regionais ou globais de envergadura.
Esperamos que os resultados desse trabalho possam levar tanto as empresas quanto os
formuladores de políticas públicas a compreender melhor as características desse fenômeno e os
fatores que o impulsionam para, dessa maneira, atuarem de modo a maximizar seus potenciais
benefícios.
A significativa ampliação da internacionalização das empresas brasileiras não pressupõe, entretanto,
a constatação de que esse processo tenha atingido níveis desejáveis ou tenha sido realizado em todo
seu potencial. Algumas economias asiáticas de rápido crescimento, em especial a China e a Índia,
obtiveram um aumento da internacionalização de suas empresas superior ao do Brasil. Mais ainda,
esses países aproveitaram as condições externas favoráveis para formar, com impressionante
velocidade, grupos empresariais globais em setores de mais elevado conteúdo tecnológico (VERMA
et al., 2011).
De modo geral, o apoio público à internacionalização tem sido até hoje irregular e, na maioria das
vezes, restrito a medidas pontuais que beneficiam poucas empresas, não se configurando, portanto
a existência de uma política pública coesa e de longo prazo de estímulo ao IBD. As medidas adotadas
pelo Estado brasileiro tampouco se destinaram prioritariamente à criação de empresas globais em
setores intensivos em conhecimento que possam gerar maiores externalidades para o tecido
produtivo do país. Constatar a necessidade de maior ousadia das políticas industriais brasileiras não
implica, entretanto, a negação das inúmeras virtudes do período mais recente, que não podem ser
desprezadas. O retorno das políticas indústrias na década inicial de 2000 teve ao menos um duplo
mérito. O primeiro foi a inflexão em relação ao viés predominantemente liberal que reduzia a
capacidade de agência estatal na determinação das estratégias de desenvolvimento do país em vigor
durante a década de 1990. O segundo foi justamente a inédita centralidade dos estímulos à
competitividade internacional das empresas brasileiras, que não encontra paralelo nas políticas
industriais do período desenvolvimentista. Porém, não podemos deixar de constatar que muito
ainda pode ser feito.
Um dos principais desafios para a política industrial brasileira relacionada à internacionalização de
empresas ainda é fazer com que esse processo esteja voltado para a transformação estrutural do
parque produtivo nacional. Isso pode ser obtido, por exemplo, via estimulo à internacionalização de
setores mais intensivos em conhecimento, à aquisição de empresas estrangeiras de conteúdo
tecnológico superior e à diversificação dos grandes conglomerados transnacionais que foram
formados no período recente. Nesse sentido, a estruturação e a implementação de uma política de
apoio à internacionalização mais articulada à política de estímulo à inovação podem contribuir para
melhorar o padrão de inserção externa do país e aprofundar os vínculos do tecido produtivo
brasileiro com as redes globais de produção de bens, serviços e conhecimentos.
Bibliografia
AIGINGER, K. “Industrial policy: A dying breed or a re-emerging phoenix”, Journal of Industrial,
Competition and Trade, Vol. 7 No. 3, pp. 297-323. 2007.
ALEM, A.C.; CAVALCANTI, C.E. O BNDES e o apoio à internacionalização das empresas brasileiras:
algumas reflexões. Revista do BNDES, v. 12, n. 24, 2005, p. 43-76.
AMSDEN, A. Does Ownership Matter? POE vs. FOE in the developing world. In RAMAMURTI, R.;
SINGH, J. Emerging Multinationals in Emerging Markets. 1st Edtion, Cambridge, Cambridge
University Press, 2009a.
AMSDEN, A. A Ascensão do Resto. São Paulo: Editora UNESP, 2009b.
AMSDEN, A. National companies or foreign affiliates: Whose contribution to growth is greater? In:
Columbia FDI Perspectives. N. 60. February 13, 2012.
ARBIX, G. Inovar ou Inovar: a indústria brasileira entre o passado e o futuro. São Paulo: Editora
Papagaio, 2007.
ARBIX, G.; SALERNO, M.; DE NEGRI, J. Internacionalização com foco na inovação tecnológica e seu
impacto sobre as exportações das firmas brasileiras. Dados – Revista de Ciencias Sociais Vol.32,
2004, p.71-102.
ARBIX, G.; CASEIRO, L. Qual internacionalização? In: Jornal Valor Econômico, São Paulo, p. A14,
05/08/2010.
ARBIX, G; CASEIRO, L. “Destination and strategy of Brazilian multinationals”, Economics,
Management and Financial Markets, Vol. 6 No. 1, pp. 207-238. 2013.
BABBIE, E. The Practice of Social Research. Belmont, CA: Wadsworth Thomson. 9th Edition. 2001.
BANCO CENTRAL DO BRASIL – BC. Séries Temporais: Balanço de Pagamentos. 2013. Disponível em
www.bcb.gov.br. Consultado em setembro de 2013.
BNDES. Caracterização do processo de internacionalização de grupos econômicos privados
brasileiros. Rio de Janeiro. 1995 (Série Pesquisas Empresariais, 1).
BNDES. BNDESTransparente. www.bndes.gov.br. 2013. Acesso: 22/05/2013.
BIELSCHOWSKY, R.; STUMPO, G. Internacionalização da indústria brasileira: números e reflexões
depois de alguns anos de abertura. In Bauman (org.) O Brasil e a Economia Global. Rio de Janeiro:
Editora Campus, 1996.
BIS – Bank for International Settlements. International Banking Statistics. 2013. Disponível em:
https://www.bis.org/statistics/ . Consultado em 22/09/2013.
BOLT,J.; ZANDEN, J.L. The First Update of the Maddison Project; Re-Estimating Growth Before 1820.
Maddison Project Working Paper 4. 2013.
BUCKLEY, P., CROSS, A., TAN, H., LIU, X. AND VOSS, H. “Historic and emergent trends in Chinese
outward direct investment”, Management International Review, Vol. 48 No. 6, pp. 715-748. 2008.
CAMPANARIO, M. A.; CRUZ, H. N.; SILVA, M. M. Investimento estrangeiro direto brasileiro: propostas
de politicas públicas. In: FREURY, A.. (Org.). Gestão empresarial para a internacionalização das
empresas brasileiras. São Paulo: Athas, 2010, v. 1, p. 291-372.
CARVALHO, F.; COSTA, I.; DUYSTERS, G. Global Players from Brazil: drivers and challenges in the
internationalization process of Brazilian firms. UNU-MERIT Working Paper Series 016, United Nations
University, Maastricht Economic and social Research and training centre on Innovation and
Technology. 2010.
CASEIRO, L. Internacionalização das empresas brasileiras entre 1994 e 2012: expansão geográfica,
determinantes e estratégias de política industrial. Dissertação de Mestrado em Sociologia.
Universidade de São Paulo. 2013.
CASTRO, A. B. A Reestruturação Industrial Brasileira nos Anos 90: Uma Interpretação. Revista de
Economia Política, vol. 21, n.3 (83), 2001, p. 3-26.
COUTINHO, L. A Especialização Regressiva: um balanço do desempenho industrial pós-estabilização.
VELLOSO, J. P. R. (org.) Brasil: desafios de um país em transformação. Rio de Janeiro: José Olympio,
1997.
CYRINO, A.; TANURE, B. Trajectories of Brazilian Multinationals: Coping with Obstacles, Challenges
and Oportunities in the Internationalization Process. In: RAMSEY, J.; ALMEIDA, A. (Eds.) The Rise of
Brazilian Multinationals. Elsevier. Rio de Janeiro. 2009.
DUNNING J.H.; NARULA, R. The investment development path revisited: some emerging issues. in
DUNNING and NARULA, Foreign Direct Investment and Governments (London: Routledge), 1996, p.
1-41.
DUNNING, J.H; KIM, C.; PARK, D. Old wine in new bottles: a comparison of emerging-market TNCs
today and developed-country TNCs thirty years ago. In SAUVANT, K. (Ed.) The rise of Transnational
Corporations from Emerging Markets: Threat or Oportunity?. Edward Elgar, Cheltenham. 2008.
EVANS, P. Embedded autonomy – states & industrial transformation, Princeton University Press,
Princeton. 1994.
FLURIET, M.; BRAGA, C. Challenges of a Brazilian ‘Translatina’ CFO. In: RAMSEY, J.; ALMEIDA, A. (Eds.)
The Rise of Brazilian Multinationals. Elsevier. Rio de Janeiro. 2009.
FUJITA, M. A critical assessment of FDI data and policy implications. Research Note. In: Transnational
Corporations Magazine. Vol. 17, No.2., 2008, p.107-126.
FUNDAÇÃO DOM CABRAL. A Decolagem das Multinacionais Brasileiras. Press-release. Nova Lima,
Brasil. 2007. Disponível em www.fdc.org.br (Consultado em 07/06/2012)
GIAMBIAGI, F., VILLELA, A., CASTRO, L. HERMANN, J. Economia Brasileira Contemporânea [19462010]. Elsevier Editora: Rio de Janeiro. 1ª Edição, 2011.
GOLDSTEIN, A. Multinational Companies from Emerging Economies: Composition, Conceptualization
and Direction in the Global Economy. Palgrave Macmillan. UK. 1ª Edição. 2007.
HIRSCH, S. Nation states and nationality of MNEs. Columbia FDI Perspectives. No. 57, 2012.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nota Técnica e Análise dos Resultados da
Pesquisa de Inovação Tecnológica (PINTEC) 2008.
IGLESIAS, R. M.; VEIGA, P. M. Promoção de exportações via internacionalização das firmas de capital
brasileiro, In: BNDES O Desafio das Exportações. Rio de Janeiro. 2002. p. 369-446.
IZQUIERDO, A.; TALVI, E. One Region, Two Speeds? Challenges of the New Global Economic Order for
Latin America and the Caribbean. Documentos de Trabajo UC-CIFF-IELAT, nº 4, Instituto de Estudios
Latinoamericanos, Universidad de Alcalá, Espanha. 2011.
KNOERICH, J. “The development dimension of outward foreign direct investment”, paper presented
at the The Third Copenhagen Conference on Emerging Multinationals: OFDI from Emerging
Economies, 25-26 October 2012, Copenhagen Business School, Denmark. 2012.
LANDIM JÚNIOR, P.H.; MENEZES FILHO, N.A. Os efeitos do Programa Bolsa Família sobre a Economia
dos Municípios Brasileiros. Versão digital obtida com o próprio autor. 2009.
MANCUSO, W.P.; OLIVEIRA, A.J. Abertura Econômica, Empresariado e Política: os planos doméstico e
internacional. Lua Nova, 69, 2006, 147-172. São Paulo.
MATTOS, F.A.M; JAYME JR, F.G. Ganhos sociais, inflexões na política econômica e restrição externa:
novidades e continuidades no Governo Lula. Revista Economia & Tecnologia, Vol. 7, 2011. p. 35-48.
MASIERO, G.; CASEIRO, L. State Suport for Emerging Market Multinationals: The Brazilian and
Chinese experiences. Documentos de Trabajo UC-CIFF-IELAT, nº 10, Instituto de Estudios
Latinoamericanos, Universidad de Alcalá, Espanha. 2012.
MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Política de Desenvolvimento
Produtivo. 2008. Brasília.
OCAMPO, J. A. La macroeconomia de la bonanza econômica lationoamericana. Revista de la CEPAL,
93. Diciembre 2007.
OECD – Organisation for Economic Co-operation and Development. ISIC Technology Intensity
Definition - 3rd Revision. 2011. Paris.
PINTO, M.A.C.; ABREU, M.P.L. Apoio às exportações de bens e serviços por firmas de engenharia de
construção pesada brasileiras: panorama da experiência acumulada pelo BNDES entre 1998 e 2011.
BNDES Setorial, 2011, 36, p. 289-318.
RODRIK, D. Industrial policy for the twenty-first century. Research paper - UNIDO. 2004. Disponível
em: http://www.hks.harvard.edu/fs/drodrik/. Acesso: 8/12/2011.
ROSSI JÚNIOR, J. L.; FERREIRA, P.C. Evolução da produtividade industrial brasileira e abertura
comercial. Textos para discussão no. 651, IPEA. Rio de Janeiro. 1999.
SANT’ANNA, A.; AMBROZIO, A.; MEIRELLES, B. Redistribuição de renda e a recuperação do mercado
de trabalho brasileiro in: BNDES: Visão do Desenvolvimento, nº 85; 2 sep. 2010.
SARTI, F.; LAPLANE, M. O Investimento Direto Estrangeiro e a internacionalização da economia
brasileira nos anos 1990. Economia e Sociedade, v. 11, n. 1 (18), 2002, p. 63-94.
SCHNEIDER, B.R. Big Business in Brazil: Leveraging Natural Endowments and State Suport for
International Expansion. In: BRAINARD, L. and MARTINEZ-DIAZ, L. (Eds.) Brazil as an Economic
Superpower? Understanding Brazil’s Changing Role in the Global Economy. Washington, D.C.
Brooking Institution Press. 2009.
SENNES, R.; MENDES R.C. Public Policies and Brazilian Multinationals. In: RAMSEY, J. ALMEIDA, R. The
Rise of Brazilian Multinationals. Elsevier. Rio de Janeiro. 2009.
SOETE, L. “From industrial to innovation policy”, Journal of Industrial, Competition and Trade, Vol. 7
No. 3, pp. 273-284. 2007.
SWARTZ, P. “Foreign exchanges reserves in Brazil, Russia, India and China”, Council on Foreign
Relations, Maurice R. Greenberg Center for Geoeconomic Studies. 2010.
UNCTAD – United Nations Conference on Trade and Development. World Investment Report, United
Nations: Geneva. 2006.
UNCTAD. Statistics Database. 2013. Disponível em www.unctad.org .Consultado em 28/11/2013
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico.
Dezembro, 2007.
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico.
Novembro, 2008.
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico. Outubro,
2009.
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico. Outubro,
2010.
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico. Setembro,
2011.
VALOR. Anuário das Multinacionais Brasileiras. Complemento do Jornal Valor Econômico. Setembro,
2012.
VERMA, S.; SANGHI, K.; MICHAELIS, H.; DUPOUX, P.; KHANNA, D.; PETERS, P. The 2011 BCG Global
Challengers: Companies on the Move: Rising Stars from Rapidly Developing Economies are
Reshaping Global Industries, Boston Consulting Group, Boston, January, 2011.
WADE, R. “After the crisis: Industrial policy and development state in low-income countries”, Global
Policy, Vol. 1 No. 2, pp. 150-161. 2010.
Download

Internacionalização de empresas brasileiras