UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
Thiago Moreira de Faria
O fenômeno bullying no Ensino Médio: compreensões dos
professores sobre as evidências e possibilidades de ação.
São Paulo
2010
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
Thiago Moreira de Faria
O fenômeno bullying no Ensino Médio: compreensões dos
professores sobre as evidências e possibilidades de ação.
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado
à
Universidade
Presbiteriana Mackenzie como requisito
para a obtenção do grau de Licenciado
em Ciências Biológicas.
Orientador: Prof. Dr. Adriano Monteiro de Castro
São Paulo
2010
AGRADECIMENTOS
À Universidade Presbiteriana Mackenzie que me proporcionou a oportunidade
do conhecimento e crescimento acadêmico, profissional e pessoal.
Ao Professor Doutor Adriano Monteiro de Castro por ter orientado este
trabalho, desde o inicio. Obrigado pela disponibilidade, pela paciência, pela
compreensão, pela atenção e pela ajuda dedicada.
As professoras Magda Medhat Pechilye e Rosana dos Santos Jordão que em
toda essa caminhada, assim como o professor Adriano, foram sempre sérios em
seus trabalhos e sempre nos estimularam a melhorar nossas produções nos
mostrando o melhor caminho a seguir, nos fazendo crescer, e nos mostrando a
importância de termos bem delineados nossos objetivos.
À minha mãe e ao meu padrasto que sempre confiaram na minha capacidade,
independente de qualquer coisa e sempre me deram força e ajuda em toda minha
caminhada até aqui, mesmo que não sejam tão presentes.
As minhas amigas Camila Biasotto e Luana Nara que me incentivaram
sempre durante a produção. Agradeço a todos meus colegas de classe da
licenciatura por estarmos juntos por toda essa caminhada e sempre nos respeitando
ao máximo. E por fim agradeço a Cintya por ter me ajudado dando seu apoio, de
forma única e que foi fundamental.
RESUMO
Atualmente vivemos em uma crescente onda de violência que acaba atingindo todas
as pessoas e todos os ambientes que convivemos. O ambiente escolar não está
livre da violência, normalmente vemos noticiais de balas perdidas que atingem
alunos, alunos que se metem em brigas com outros alunos ou com professores,
professores que são espancados por alunos entre outros. Ultimamente tem estado
muito em evidência um fenômeno conhecido com bullying, que nada mais é do que
uma forma de expressar a violência dentro do ambiente escolar. O bullying é um
termo relativamente novo e nos últimos 20 anos tem sido alvo de diversos estudos
em diversas partes do mundo, porém mesmo sendo um tema novo tem assolado
diversas escolas de todo o mundo e tem causado sérias consequências para os
alunos que são participantes do fenômeno, e muitos profissionais por se tratar de um
fenômeno novo não sabem como agir, identificar ou coibir o mesmo. Frente a esse
problema o presente estudo tem como objetivo analisar quais são as compreensões
de alguns professores do Ensino Médio de uma escola particular, sobre o fenômeno
bullying e identificar quais as estratégias que os mesmos adotam para tentar coibir e
solucionar esse problema. A metodologia adotada constitui na realização de
entrevistas semiestruturadas com quatro professores. A análise dos resultados foi
feita de forma qualitativa e mostrou que apesar da boa vontade dos professores eles
ainda têm certas dificuldades tanto de entender do que se trata o fenômeno como da
forma que podem coibir.
Palavras-chave: Bullying, violência escolar, entrevista semiestruturada.
ABSTRACT
We currently live in a growing wave of violence that eventually reach all people
and all the environments that we live. The school environment is not free of
violence, usually we see news of stray bullets hitting students, students that get
into fights with other students or teachers, teachers who are beaten by students
among others things. Lately is being very evident a phenomenon known as
bullying, which is nothing more than a way to express the violence within the
school environment. The bullying is a relatively new term and in the last 20
years has been the subject of several studies in various parts of the world, but
even as a new issue has plagued several schools around the world and has
caused serious consequences for students who are participating in the
phenomenon, and many professionals because it is a new phenomenon not
know how to act, identify or restrain it. Faced with this problem this study is to
analyze what are the understandings of some secondary school teachers from
a private school about the phenomenon of bullying and identify which strategies
they adopt to try to stop and solve this problem. The methodology adopted is to
carry out semi-structured interviews with four teachers. The analysis was done
qualitatively and showed that despite the goodwill of teachers they still have
some difficulties as to understand what it's the phenomenon as the way you can
deter.
Key-words: Bullying, school violence, semi-structured interview
Sumário
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 7
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................... 8
2.1 A violência escolar ................................................................................................. 9
2.2 Fenômeno bullying ............................................................................................... 12
2.2.1 O que é o bullying? ........................................................................................ 12
2.1.2 Participantes do bullying ............................................................................... 16
2.2.3. Consequências .............................................................................................. 22
2.3 Educação inclusiva ................................................................................................... 23
2.3.1 Estratégias de intervenção e prevenção ......................................................... 26
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................... 30
4. RESULTADOS E ANÁLISE ..................................................................................... 34
4.1 Resultados da categorização das respostas e discussão. ....................................... 35
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS. .................................................................................... 50
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 52
ANEXO I ........................................................................................................................ 54
ANEXO II ...................................................................................................................... 65
7
1. INTRODUÇÃO
Sabemos que a vida escolar é uma época muito importante para
desenvolvimento do indivíduo. Entra-se nela ainda criança e durante a vida
escolar passa-se a ter mais contatos com pessoas fora do contexto familiar, é
nessa fase que as crianças criam relações sociais com outras crianças
aprendendo a se relacionar com os outros, a dividir espaços, a trabalhar em
grupo e todas essas relações são impulsionadas pela aprendizagem do âmbito
escolar. Desse modo, é importante que o aluno tenha um relacionamento de
respeito e de companheirismo com os outros. Porém, muitas vezes, vemos que
o mau relacionamento entre os alunos em diversas escolas pode ter sérias
consequências tanto no aprendizado como na questão psicológica dos alunos,
e é nesse contexto que surge a ideia do “bullying” e a importância da postura
do professor quando isso ocorre no ambiente escolar.
O conceito do bullying envolve a ideia de assédio moral de forma
repetida e sem motivação especifica, sendo que é considerado o ato de
desprezar, denegrir, violentar, agredir fisicamente ou não algumas formas
desse assedio. A prática do bullying não é nova, mas ultimamente tomou
importância no contexto escolar pelos diversos casos e pelo reflexo que causa
na vítima, tanto na vida escolar e no rendimento quanto na sua estrutura
psicológica. Esta prática tende a transcender as barreiras da escola, pois antes
o constrangimento que era restrito aos momentos de convívios escolares está
também ocorrendo em redes sociais, por mensagens de celulares, e por outras
tecnologias, sendo classificada como “cyberbulling”.
8
A prática do bullying pode ter sérias consequências na vida escolar da
vítima, levando-o desenvolver desde dificuldades no aprendizado até
desinteresse pela escola. Por isso, é muito importante que os professores
sejam capazes de identificar a ocorrência do bullying e também saber como
tratar dessa prática de forma que nenhum aluno seja vítima e que não cause
uma dificuldade do aprendizado, acarretando na perda de interesse pela escola
e pelos estudos. Muitos professores não sabem nem identificar e nem agir na
ocorrência
do
bullying,
isso
talvez
por
não
ter
conhecimento
das
consequências, ou mesmo por confundi-lo como uma forma de relacionamento
normal entre os alunos, ou então por não saber identificar quando o fenômeno
ocorre.
Frente a esse problema descrito anteriormente, o presente estudo busca
analisar como que o professor compreende o fenômeno bullying, e quais as
possibilidades de ação e condutas devem toma frente à ocorrência e a
prevenção do fenômeno.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O Brasil é um país caracterizado pela diversificação, e por conta dos
preconceitos e das ações individualistas a convivência dessa diversidade nem
sempre se dá de forma amigável e pacífica. Na escola é que começamos
realmente nossa vida social, é onde aprendemos a nos relacionar com pessoas
diferentes de nós e que pensam de forma diferente e por isso é onde temos
que aprender a lidar com essas diferenças de maneira respeitosa, a fim de
9
manter uma relação pacifica com nossos colegas e professores. Porém nem
sempre as relações criadas na escola são pacificas e amigáveis, muitas vezes
vemos desentendimentos e por isso vemos situações de desrespeitos,
discussões, agressões verbais e físicas, dessa forma se dá a violência na face
da escola e junto a ela, diversos problemas acompanhados. Em volta de tudo
isso surge o fenômeno bullying, que esta intimamente ligado a todo tipo de
violência escolar e a importância da inclusão escolar das vitimas dessa prática.
A seguir será apresentada uma breve discussão sobre violência escolar.
2.1 A violência escolar
Sabemos que vivemos em uma sociedade em que a violência faz parte
do nosso dia-a-dia, por diversos fatores, e no ambiente escolar não é diferente.
Segundo Sposito (2001) a preocupação com a violência no ambiente escolar
começou a aparecer como tema de estudos acadêmicos brasileiros a partir da
década de 1980, isso nos mostra o quanto à preocupação com a barbárie e o
compromisso com uma educação contra a violência são ainda recentes no
Brasil.
Para Fante (2005) para entendermos as causas determinantes do
comportamento violento ou agressivo nas escolas, é imprescindível que
saibamos conceituar violência e agressividade. Primeiramente veremos o
termo violência, que é tratado pelos dicionários como sendo ato de força,
impetuosidade, já juridicamente o termo é uma espécie de forma de
constrangimento, de forma que se consiga vencera capacidade de resistência
de outra pessoa, além disso, juridicamente a violência contra as pessoas é
10
entendida como “agressão” (SILVA, 1980 apud FANTE, 2005 p.155). Dessa
forma Fante (2005) diz que quando nos referimos a violência não devemos
apenas olhar pela sua manifestação física, mas sim quando vemos situações
de humilhação, exclusão, ameaças, desrespeito, indiferença, omissão para
com o outro, tudo isso é expresso pelas formas e mecanismos pelos quais a
sociedade convive com as diferenças.
Dando ênfase agora no contexto do significado de agressividade, vemos
nos dicionários diversas definições como, por exemplo, a tendência de atacar,
provocar, diante disto vem à importância de relacionarmos agressividade com
violência, já que a primeira muitas vezes é fruto da segunda e vice-versa. Para
Silva (2010) o aumento do comportamento agressivo entre os adolescentes é
um os fenômenos que mais preocupam e angustiam os pais, e para a autora a
agressividade entre os adolescentes pode se manifestar de diversas formas,
desde pequenos conflitos verbais entre alunos cate brigas físicas e violentas
gerada muitas vezes por razões fúteis. Além disso, são visíveis os abusos dos
“mais fortes” em relação aos mais frágeis, e tudo isso ocorre de acordo com
(SILVA, 2010) através de comentários maldosos, difamações, intrigas até as
formas mais variadas de violência. Partindo disso temos uma clareza maior
sobre a violência que ocorre na escola que de acordo com Fante (2005) é
definida como todo ato, praticado de forma consciente ou inconsciente, que
fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie
humana. Mas da onde surge essa violência? Por que ela ocorre?
Para podermos responder essas perguntas em relação a esse contexto
recente de estudos sobre a violência escolar precisamos ir um pouco mais
além e caminhar na própria história social do país, tanto que Antunes e Zuin
11
(2008) vão mais a fundo quando dizem que para se estudar a violência temos
que saber questionar o sentido social deste fenômeno. Tanto que de acordo
com Antune e Zuin (2008) essas práticas nas escolas devem ser
compreendidas por meio da própria analise social, das formas de organização
e das forças objetivas da sociedade, e de como tudo isso se materializam e se
calcificam nos sujeitos que se desenvolvem nesse meio. Isso pode ser
traduzido com as grandes diferenças sociais que temos em nosso país tanto
socioeconomicamente
falando,
quanto
etnicamente
e
também
como
individualmente, considerando escolhas de opção sexual, por essas diferenças
tão fortemente existentes é que muitos autores consideram que a violência
exista em nossa sociedade e que atinge todas as instituições que nos rodeiam.
Isso reforça a idéia de Schilling (2004) a qual diz que a escola é estudada
como lugar de reprodução de desigualdades sociais, das desigualdades de
gênero e raça, da produção da pobreza e da exclusão e por isso é “natural” que
dentro dessa realidade exista pessoas com comportamentos agressivos que
atacam outras pessoas com as diversas formas de violência já citadas mais
acima.
Levando-se em conta todas essas ideias e voltando-se para a face da
escola e da educação não podemos deixar de pensar sobre o bullying, que
envolve os alunos e que gira em torno de nossos conceitos de violência já
citados
acima.
Portanto
o
próximo
subitem
será
voltado
para
um
aprofundamento dessa prática que esta intimamente ligada à violência que
ocorre nas escolas e que ultimamente tem sido tão frequente na mídia e na
vivencia escolar.
12
2.2 Fenômeno bullying
2.2.1 O que é o bullying?
Nos últimos anos um termo para caracterizar um determinado tipo de
violência escolar ganhou força através da mídia, dos livros, dos trabalhos
acadêmicos e de diversos estudos na área, se trata do termo bullying, que é
um dos fenômenos atuais que assola as escolas do país e consequentemente
atinge milhares alunos e que tem ganhado força recentemente. Pela dificuldade
de tradução da palavra no Brasil é utilizado o termo original, uma vez que o que
tem que ficar claro é o conceito que o envolve.
De acordo com Fante (2005) o bullying é uma palavra inglesa, que é
adotada por diversos países, e define o desejo inconsciente e deliberado de
maltratar outra pessoa, e colocá-la sob tensão, para a autora é um termo que
conceitua os comportamentos agressivos e antissociais. Já para Silva (2010) a
palavra bullying é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito
escolar, dentre esses comportamentos a autora destaca as agressões, os
assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e
intencional por parte dos agressores.
Carvalhosa et al. (2001) dizem que para facilitar o entendimento deste
conceito, podemos designar este fenômeno por provocação ou intimidação de
um aluno, com esse mesmo pensamento Fante e Pedra (2008) vai mais além
dizendo que a provocação ou intimidação é vista quando um aluno sofre
repetidamente ações negativas que o autor considera como uma ação
intencional que causa ou tenta causar danos ou mal estar a um aluno. Neto
(2006) cita várias palavras e expressões que diz que são equivalentes ao do
13
termo bullying, como por exemplo, zoar, intimidar, humilhar, ameaçar, agredir,
furtar, excluir, difamar entre outras, e por isso no Brasil e nos países de língua
portuguesa não foi definido um termo consagrado para retratar todas essas
situações incorporadas ao conceito bullying, que hoje é aceito universalmente.
Então diante de tudo isso o fenômeno é caracterizado por diversos tipos
de comportamentos. De acordo com Calhau (2009) o fenômeno é
caracterizado por atos que denigrem, desprezam, violentam, agridem,
destroem a estrutura psíquica de outra pessoa e sem motivação alguma. Já
Silva (2010) caracteriza o bullying como um conjunto de atitudes de violência
física e/ou psicológica, e, além disso, é de caráter intencional e repetitivo,
concordando com esse caráter intencional e repetitivo Neto (2001) caracteriza
o fenômeno como sendo atos repetidos de opressão, discriminação, tirania,
agressão e dominação de um aluno ou um grupo de alunos sobre outro aluno
ou grupos de alunos, subjugados pela força dos primeiros. Já Fante (2005)
caracteriza o fenômeno como sendo um comportamento cruel intrínseco nas
relações interpessoais em que os mais fortes convertem os mais frágeis em
objetos de diversão e prazer através de brincadeiras que disfarçam o propósito
de maltratar e intimidar.
A caracterização do fenômeno pode parecer difícil, mas como diz Fante
(2005) todas às definições convergem para a incapacidade da vitima em se
defender, portanto para a autora o bullying é um conceito especifico e muito
bem definido e não se deixa confundir com outras formas de violência. Indo
mais além Silva (2010) diz que é mais difícil à caracterização do fenômeno
podendo ser confundido com outras formas de violência, isso porque
dificilmente a vitima recebe apenas um tipo de mau-trato, com isso a autora
14
divide as formas de maus-tratos ocorridas no contexto do bullying em verbal,
física e material e psicológica e moral, como indicam os quadros abaixo:
Quadro 1 – Forma verbal. (SILVA, 2010. p. 23)
Verbal:
- Insultar
- Ofender
- Xingar
- Fazer gozações
- Colocar apelidos pejorativos
- Fazer piadas ofensivas
- “Zoar”
Quadro 2 – Forma física e material. (SILVA, 2010. p. 23-24)
Física e Material:
- Bater
- Chutar
- Espancar
- Empurrar
- Ferir
- Beliscar
- Roubar, furtar ou destruir os pertences da vítima
- Atirar objetos contra as vítimas
Quadro 3 – Forma psicológica e moral. (SILVA, 2010. p.24)
Psicológica e Moral:
- Irritar
- Humilhar e ridicularizar
- Excluir
- Isolar
- Ignorar, desprezar ou fazer pouco caso
- Discriminar
- Aterrorizar e ameaçar
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- Chantagear e intimidar
- Tiranizar
- Dominar
- Perseguir
- Difamar
- Passar bilhetes e desenhos entre os colegas de caráter
ofensivo
- Fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comum entre as
meninas)
Em relação a todos esses maus tratos Almeida e Queda (2007) dizem
que esses maus tratos se distinguem de outras formas de violência por seu
caráter repetitivo e sistemático e pela intenção de causar danos ou prejudicar
alguém que é percebido como mais fraco ou esta em uma posição fragilizada e
dificilmente poderá se defender. Já em relação a todos esses maus-tratos
Fante (2005) simplifica e diz que os comportamentos de bullying podem ocorrer
de duas formas, a direta e a indireta, sendo que para a autora a direta consiste
nas agressões físicas e verbais, dentre elas a autora cita algumas das
mencionadas acima como, por exemplo, bater, chutar, tomar pertences,
apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar e constranger. E a
forma indireta que para a autora é a que talvez cause mais prejuízo uma vez
que pode criar traumas irreversíveis, sendo que ela se caracteriza por
disseminação de rumores desagradáveis e desqualificantes, visando à
discriminação e a exclusão da vitima do seu grupo social. Ainda comparando a
visão dos autores, Martins (2005) identifica o bullying em três grandes tipos, o
direto e físico que consiste em agressões físicas, roubar ou estragar objeto dos
colegas, extorsão de dinheiro. O segundo tipo ou forma que o autor cita é a
16
diretas e verbais, que consiste em insultos, apelidos, “tiração de sarro”,
comentários e atitudes racistas ou que digam respeito a qualquer diferença no
outro, e por fim o terceiro tipo ou forma é o indireto que consiste na exclusão
sistemática de uma pessoa, realização de fofocas e boatos e ameaças de
exclusão de um grupo de alunos com o intuito de obter algum tipo de
favorecimento ou de forma mais intensa manipular a vida social do colega.
Nessas visões diferentes dos autores vemos muitas similaridades, de forma
que isso nos mostra que há diversas características em comum na visão de
cada autor sobre o fenômeno nesse contexto Fante (2005) nos mostra que os
atos de bullying que ocorrem entre os estudantes costumam apresentar cinco
características, que segundo a autora são:
- comportamentos danosos e deliberados;
- comportamentos repetitivos por um determinado período de tempo;
- atos de difícil defesa para os agredidos
- para quem agride, dificuldade em aprender novos comportamentos
socialmente aceitos;
- a aplicação de um poder impróprio pelos agressores as vitima.
Nesse contexto vemos a importância de reconhecermos os participantes
do fenômeno tanto agressores como vítimas, como também outros possíveis
participantes do fenômeno.
2.1.2 Participantes do bullying
17
De acordo com Fante (2005) e Silva (2010) os envolvidos com o
fenômeno têm papeis bem definidos dentro do mesmo, são divididos em três
tipos de participantes, a vitima, o agressor e os espectadores.
Dentro do contexto das vitimas, tanto Fante (2005) como Silva (2010)
separam em três subtipos de participantes, as vitimas típicas, as vitimas
provocadoras e as vítimas agressoras. De acordo com Fante (2005) a vitima
típica é aquele aluno que é pouco sociável, e que sofre repetidamente as
consequências dos comportamentos agressivos de outros e que não dispõe de
recursos para reagir aos “ataques”, a autora ainda classifica essa vitima como
tendo aspecto físico frágil, coordenação motora deficiente, timidez, extrema
sensibilidade, passividade submissão, insegurança, baixa autoestima e as
vezes alguma dificuldade de aprendizado, Silva (2010) ainda diz que esse tipo
de vitima costuma apresentar alguma “marca” que a destaca da maioria dos
alunos, sendo normalmente gordinhas ou magras demais, altas ou baixas
demais, usam óculos, em alguns casos apresentam sardas, orelhas ou nariz
um pouco mais destacado, simplificando para a autora fazem parte desse tipo
de vitima qualquer coisa que fuja ao padrão imposto por um determinado
grupo, e isso pode deflagrar o processo de escolha da vitima. Além disso,
ainda para Silva (2010) essas crianças ou adolescentes “estampam” facilmente
suas inseguranças na forma de extrema passividade, sensibilidade e
dificuldades de se expressar, por isso tornam-se alvos fáceis e comuns de
ofensores.
Já as vítimas provocadoras de acordo com Silva (2010) são as que são
capazes de provocar e atrair de seus colegas reações agressivas contra si
mesmas, porem não conseguem responder aos revides de forma satisfatória,
18
Fante (2005) diz que as vitimas costumam ser hiperativas, inquietas,
dispersivas e sempre causa tensões no ambiente em que se encontra. E por
fim a vítima agressora que é a que reproduz os maus tratos procurando uma
vitima mais frágil e vulnerável e acaba cometendo todas as agressões sofridas
contra elas, isso acaba funcionando como um efeito cascata tornando o
bullying em um problema de difícil controle (SILVA, 2010).
Partindo para o segundo tipo de participante do fenômeno, os
agressores que normalmente junto com as vitimas são as duas figuras mais
clara quando se percebe essa pratica, o agressor é aquele que vitimiza o mais
fraco, frequentemente é membro de uma família desestruturada, sem
comportamento afetivo, além disso, o agressor normalmente se apresenta mais
forte do que suas vítimas, e também pode ser fisicamente superior em
brincadeiras, esportes e nas brigas (FANTE, 2005). Nessa mesma linha de
pensamento Neto (2001) concorda com o fato de que as crianças e
adolescentes que pertencem a famílias desestruturadas ou em que há frágil
relacionamento afetivo entre seus membros são mais propensos a ser tornar
agressores nesse contexto, isso para a autora ocorre pelo fato dos pais dessas
crianças exercem uma supervisão pobre sobre eles, e por isso toleram e
utilizam comportamentos violentos para solucionar os conflitos. Para Silva
(2010) a agressor possui em sua personalidade traços de desrespeito e
maldade e que na maioria das vezes obtém um poder de liderança muitas
vezes obtido através da força física ou de intenso assedio psicológico.
Para Silva (2010) e para Fante (2005) os agressores normalmente
apresentam aversão às normas, não aceitam ser contrariados e, geralmente
estão envolvidos em pequenos delitos, como furtos, roubos ou atos de
19
vandalismo. Complementando para Carvalhosa et. al. (2001) muitas vezes o
agressor é caracterizado como aquele que frequentemente, implica com os
outros alunos, ou que lhes bata sem uma razão, além disso, é caracterizado
por apresentar atitudes positivas para com a violência, o agressor muitas vezes
também tem dificuldades para fazer amigos e por isso começa a realizar tal
comportamento, e também se sente infeliz na escola, ainda os autores dizem
que os agressores tendem a pertencer a famílias que são caracterizadas pela
falta de afeto e pela distancia emocional entre os membros. Já em relação ao
desempenho escolar desses alunos para Fante (2005) os agressores sofrem
um distanciamento e uma falta de adaptação para com os objetivos escolares e
acabam fazendo uso da supervalorização da violência para obter poder. Já
Silva (2010) diz que o desempenho desses jovens costuma ser regular ou
deficitário, no entanto isso não configura uma deficiência intelectual, e a autora
ainda diz que muitos apresentam, nos estágios iniciais, rendimentos normais
ou acima da média.
Por fim temos outro tipo de participante do fenômeno, o espectador, que
é o aluno que presencia o bullying, são os maiores participantes em números e
na grande maioria dos casos adotam a lei do silencio com medo de se tornar
uma vitima também, por ser algo novo para o agressor, além disso, muito deles
se sentem inseguros e incomodados, pois, tem o seu direito de aprender em
um ambiente seguro e solidário violado e o que muitas vezes influencia
negativamente sua capacidade e seu progresso escolar e social (FANTE,
2005).
Como vemos o progresso escolar e social de todos os participantes
acabam sendo atingidos de diferentes maneiras, dessa forma é importante que
20
o professor saiba identificar os envolvidos no fenômeno bullying. Para Silva
(2010) os professores devem ficar atentos a vários aspectos comportamentais
das crianças e dos adolescentes considerando sempre os papeis que cada um
deles pode ter no bullying escolar, para a autora a identificação das vitimas,
dos agressores e dos espectadores é de suma importância para que a escola e
a família dos envolvidos possam elaborar estratégias e realizar ações efetivas
contra o fenômeno.
A identificação das vítimas, para Fante (2005), é difícil já que as crianças
que são vitimas se relutam a falar sobre o assunto. Um dos sinais mais
evidentes são a queda repentina do rendimento escolar e a resistência de ir à
aula (PARANHOS apud FANTE, p.74). Silva (2010) vai mais além e diz que
juntamente com a resistência de ia a aula, que causa um aumento nas faltas, e
com a queda do rendimento escolar vem à perda constante de seus pertences,
inclusive materiais didáticos. Além disso, é comum ver a possível vitima
contrariada, triste, aflita e com a postura retraída com receio de perguntar ao
professor ou emitir suas opiniões para os demais alunos, deixando
transparecer sua ansiedade e sua insegurança (SILVA , 2010 e FANTE, 2005),
outro aspecto a ser percebido para as autoras é na escolha para trabalhos em
grupos ou atividades, normalmente a vitima é sempre a ultima a ser escolhida e
na sala sempre está isolada do resto do grupo e das interações. Em casos
mais dramáticos, outro sinal de que determinado aluno é vitima de bullying é
quando esse aluno apresenta hematomas, arranhões, cortes e ferimentos
(SILVA, 2010).
Em relação aos agressores Silva (2010) diz que em relação a eles tudo
é mais facilmente perceptível, são sinais claros de que um aluno é agressor
21
quando o mesmo começa com brincadeirinhas de mau gosto que evoluem para
gozações sem propósito e constantemente, a colocação de apelidos
pejorativos e ridicularizantes com explicito propósito maldoso, também é
percebido o menosprezo com que tratam os colegas e muitas vezes causando
constrangimentos aos mesmos. Perturbações e intimidação também fazem
parte do comportamento dos agressores. Para Silva (2010) um evidente sinal
de um possível agressor é o fato de sempre estar envolvidos de forma direta ou
indireta em discussões e desentendimentos entre os alunos e entre aluno e
professor e também o fato de utilizarem a violência física, como pontapés,
tapas, beliscões, socos e empurrões.
Esses comportamentos marcantes em agressores e vitimas não são
vistos nos espectadores, para identificar os espectadores precisa-se de uma
observação mais frequente e cuidadosa (SILVA, 2010). Para a autora os
espectadores não costumam apresentar sinais explícitos que mostre a situação
que estão vivendo. Para Fante (2005) e Silva (2010) eles costumam ficar
calados sobre o que presenciam, e quando resolvem falar, eles negam que
seja reflexo da sua vivencia escolar, quando indagados costumam disfarçar
citando cenas de filmes, seriados ou historias da internet. Para Silva (2010) “o
maior desafio na identificação dos participantes desse fenômeno é distinguir os
agressores que para a autora podem ser dissuadidos desse papel e
transformados em guerreiros contra a violência escolar”. Dessa forma para a
autora torna-se possível elaborar estratégias escolares e sociais que possam
ajudar na recuperação dos jovens que apresentam esse comportamento
agressivo e violento. Para Fante (2005) é importante que os educadores
ajudem esses jovens, mesmo que tenham atitudes erradas, pois, eles precisam
22
de ajuda uma vez que sofrem também com seus atos e suas consequências. É
justamente o sentimento de culpa, remorso ou arrependimento dos agressores
que para Silva (2010) nos dá a plena certeza que algumas vezes esse
comportamento pode ser transitório.
Explicitado todos os participantes do fenômeno bullying, percebe-se que
essa prática pode ter sérias consequências que serão mostradas a seguir.
2.2.3. Consequências
As consequências do fenômeno costumam ser desastrosas, e ao
contrario do que todos pensam atinge a todos os participantes, porem é muito
mais impactante para as vitimas. Fante (2005) diz que as consequências
podem ser inúmeras, e depende da forma que a vitima se comporta com as
agressões e como se comportam. Em relação a isso Fante (2005, p.44) diz:
“As consequências para as vítimas desse fenômeno são
graves e abrangentes, promovendo no âmbito escolar o
desinteresse pela escola, o déficit de concentração e
aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a
evasão escolar”.
Entre as consequências dentro do âmbito escolar de acordo com Antunes et.
al. (2008) esta o desinteresse total pelos estudos e consequentemente um
declínio do aproveitamento escolar pelas vitimas, além disso, passam o tempo
sozinhas e muitas vezes têm síndromes depressivas. Para Neto (2001) a
depressão vem muitas vezes acompanhada das intenções suicidas, além
disso, costumam aparecer nas vitimas problemas relacionados aos cuidados
com a saúde, bem-estar e autoestima. Ainda para a autora os alunos que são
vitimas acabam se tornando pouco sociáveis e inseguros, e por isso tem
23
poucos amigos, e sofrem com a ansiedade, com isso finalizar dizendo que isso
faz com que acabem evitando o contato social e a vida escolar. Fante (2005)
vai um pouco mais além dizendo que as consequências começam pelos do
âmbito escolar podendo seguir a transtornos mentais e psicopatologias graves.
Já os agressores também podem sofrer com essa prática, eles
costumam ter grave deterioração de sua escala de valores e, portanto, tem seu
desenvolvimento afetivo e moral afetado (TOGNETTA, 2005 apud FANTE,
2005), ainda de acordo com o autor isso os pode tornar adultos violentos e sem
boa relação social, podendo ser afetado em todos os âmbitos. Já em relação
aos espectadores para Silva (2010) eles são afetados, pois perdem a liberdade
e a solidariedade em sala de aula, com medo de se tornarem vitimas acabam
fingindo não ver os abusos que os agressores praticam nas vitimas e também
muitas vezes mesmo que não concordem com as agressões e “zoações” eles
riem e participam de forma passiva das agressões, isso também para a autora
acaba causando uma queda do rendimento escolar.
Diante de tudo isso vem uma forte tendência que ocorre na pratica do
bullying, que é a exclusão escolar, que já foi citada em diversas partes do texto,
e para conter isso precisamos da ajuda de todos os profissionais da escola e
principalmente
do
educador,
que
costuma
presenciar
esse
tipo
de
comportamento. Para isso entra e cena a temática da educação inclusiva, que
será discutida no próximo item.
2.3 Educação inclusiva
24
A educação no Brasil enfrenta vários problemas, mas vemos que grande
parte da preocupação dos professores é com as notas, os conceitos e o
cumprimento das tarefas e que os mesmos sejam indicadores de uma boa
educação escolar, além da importância dos educadores de perceberem e
monitorarem as habilidades e possíveis dificuldades que possam ter os jovens
e seu convívio social com os colegas (NETO, 2001). Nessa temática, Neto
(2001) comenta:
“Em um país como o Brasil, a melhoria da educação de seu
povo tornou um desafio para o seu desenvolvimento e grande
parte das políticas sociais é voltada para inclusão escolar,
utilizando-se a cultura e as diferenças como instrumento
socializador. Nesse processo, as escolas passar a ser o
espaço próprio e mais adequado ao aprendizado de conteúdos
e conceitos, além de uma construção coletiva e permanente de
valores para o exercício da cidadania que se deseja plena.”
(NETO, 2001. p. 123).
Diante
disso
vê-se
a
importância
da
educação
inclusiva
e
consequentemente da inclusão escolar, que no bullying é uma importante
ferramenta para ser usada como instrumento socializador. (CARVALHOSA et
al. 2001). O conceito de inclusão para Mantoan (2007) é bem amplo, pois,
implica uma mudança de perspectiva educacional, uma vez que não atinge
apenas alunos portadores de deficiências, mas também os que apresentam
dificuldades em aprender, a autora ainda diz que a inclusão tem a intenção de
melhorar a qualidade do ensino das escolas, atingindo todos os alunos que
fracassam em suas salas de aula.
A escola brasileira é marcada pelo fracasso e também pela evasão de
uma
parte
significativa
dos
alunos,
que
para
Mantoan
(2007)
são
marginalizados pelo insucesso, por privações constantes e pela baixa
25
autoestima, resultantes da exclusão escolar e social. Essa exclusão tratada por
Mantoan tem a visão de que os alunos sejam vitimas de seus pais, dos
professores e, sobretudo das condições de pobreza em que vivem, em todos
os sentidos, mas também não podemos esquecer-nos do fato da exclusão
causada pelos próprios alunos, por determinados comportamentos, dentre eles
o comportamento foco deste trabalho, o fenômeno bullying que como já vimos
para Fante (2005) causa distanciamento e a falta de adaptação aos objetivos
escolares, e para Silva (2010) é um dos motivos que causa a queda do
desempenho escolar, a exclusão social dentro do contexto escolar e que afasta
alunos da escola, e essas ideias se encaixam para qualquer um dos
participantes do fenômeno.
Diante deste contexto os professores têm maneiras de incluir tanto
vitimas quanto agressores, para Silva (2010) nesses casos é necessário focar
nos agressores, para isso a criação de um plano de educação que envolva a
família e a escola, e que não permita que esses alunos estejam no controle das
situações que ocorrem na escola. A autora vai mais longe dizendo que para
jovens que tenham perfil de agressores é importante estabelecer regras e
limites muito claros, e que devem ser fiscalizados de forma que se evitem
comportamentos manipuladores e violação das normas sociais, e caso os
acordos sejam quebrados as consequências previamente determinadas devem
ser aplicadas. Para Santos (2007) uma boa maneira de incluir os alunos de
modo geral, é o diálogo que o professor pode ter, principalmente com os
agressores, para que reflitam sobre suas atitudes e as consequências que
essas atitudes podem ter nos alunos agredidos, já para Neto (2006) uma
medida a ser tomada para que haja inclusão dos alunos afetados é que o
26
educador esteja ciente da existência do bullying e deve atuar dando proteção e
encaminhamento adequado aos alunos para que o fenômeno diminua, dessa
forma o educador deve abranger as famílias, a comunidade e as crianças e
adolescentes envolvidos. Dessa forma vemos a importância de medidas
inclusivas a esses alunos, para isso utilizando-se estratégias de intervenção e
de prevenção.
2.3.1 Estratégias de intervenção e prevenção
Para Fante (2005) primeiramente devemos sensibilizar e envolver toda a
comunidade escolar, já que se trata de um fenômeno complexo e de difícil
identificação, e a principal meta inicialmente é que os profissionais da
educação saibam identificar, distinguir e diagnosticar o fenômeno. Para Santos
(2007) grande parte dos professores entrevistados e observados em seu
trabalho apenas grita e ameaça os alunos agressores, não os fazendo em
nenhum momento refletir sobre o acontecido. Fante (2005) diz que uma
importante medida é que os alunos sejam conscientizados do fenômeno e de
suas consequências, a partir das próprias experiências vividas, de modo que
percebam quais os pensamentos e as emoções despertadas por ele e também
os motivos norteadores desse tipo de comportamento, seja vítima, agressor ou
espectador. Para a autora também é necessário que os alunos por meio da
interiorização dos valores humanos, consigam desenvolver a capacidade de
empatia a fim de que percebam as implicações e o sofrimento gerados por
esse tipo de comportamento e que desenvolvam habilidades para sua
erradicação. E por fim a autora diz que é importante o comprometimento dos
27
alunos com o bem-comum e dessa forma se tornam agentes da transformação
da violência na construção de uma realidade de paz nas escolas.
Para Silva (2010) e Fante (2005) não basta que os problemas de
violência sejam solucionados com punição ao agressor e defesa da vitima, é
necessário e de extrema importância conhecer as causas que levam o
agressor a perseguir sua vitima e também as causas que levam a vitima a
suportar ser perseguida e alvos de tais agressões, com isso para as autoras é
interessante observar o agressor, interrogá-lo e ganhar sua confiança, já que
para Fante (2005), esse também figura como vitima do fenômeno. Porém
existem diversas estratégias de prevenção e intervenção, vale citar as
estratégias gerais, as individuais e as estratégias em sala de aula.
Como estratégias gerais de intervenção e prevenção do fenômeno
destacam-se de acordo com Fante (2005) três formas, que são as medidas de
supervisão e observação, serviço de denuncia dentro da escola e encontros
semanais para avaliação. O primeiro para a autora consiste na melhoria da
supervisão dos alunos nos espaços comuns, essa medida traria maior
segurança ao aluno vitima do fenômeno, para isso a autora sugere a
contratação de mais funcionários e a própria ajuda dos chamados “alunos
solidários” que são grupos de alunos formados para esse tipo de tarefa, os
integrantes desse grupo devem ser preparados para identificar as dificuldades
existentes entre os colegas e encontrar meios para que possam auxiliá-los
dentro e fora da classe. A ideia é que esses alunos supervisionem o intervalo, e
os horários de entrada e saída, e caso percebam algum comportamento
violento tem que atuar como mediadores, ouvindo as partes envolvidas e
aconselhá-las a usar o diálogo para resolução de problemas. E para a autora
28
esses alunos também podem auxiliar os educadores no desenvolvimento de
estratégias que visam à integração de alunos que apresentam alguma
dificuldade de relacionamento, por serem tímidos e são vitimados por terem
algum tipo de necessidade especial ou que sejam alunos novos na escola.
Em relação ao serviço de denuncia que é a segunda estratégia consiste
em um telefone que a vitima pode denunciar o agressor, de forma que a escola
tenha alguém vinculado a essa linha como, por exemplo, um psicólogo, diretor,
professor ou até mesmo um aluno solidário. Para a autora essa medida poderá
ajudar tanto o aluno envolvido quanto a família do mesmo que normalmente
buscam conselhos e ajuda de como agir com a situação. Como em algumas
escolas essa estratégia seria inviável uma possível saída seria colocar uma
caixa (como se fosse caixa de sugestões) para que nela o aluno pudesse
denunciar o agressor. E por fim os encontros semanais que para a autora deve
ser agendado pelo coordenador de forma que se avalie as estratégias
adotadas e também que possam surgir novas estratégias para se colocar em
pratica.
Já as estratégias individuais entram em cena depois de se ter uma ideia
geral da ocorrência do fenômeno, que são ajudadas com as medidas de
estratégias gerais citadas acima.
O objetivo das estratégias individuais é
investigar quais são os alunos que participam do fenômeno. Para isso temos
diversas formas de ação, como por exemplo, exercícios de redação com o
título de “Minha vida escolar”, “Minha vida familiar”, dessa forma será possível
na maioria dos casos, distinguirem quem são vitimas e quem são os
agressores, partindo assim para entrevistas pessoais que devem ser feitas
primeiramente com conversas individuais começando pelos lideres dos grupos
29
e por ultimo as vítimas, seguido de entrevista de acompanhamento com cada
aluno envolvido, e por fim reunião de grupo com todos os envolvidos. Dessa
forma visa-se proporcionar uma interação entre os envolvidos para que se
separem os vínculos de dominação e para que se criem vínculos emocionais.
(FANTE, 2005)
Por fim surgem às estratégias em sala de aula, para Fante (2005) essas
estratégias têm que ser feita em todas as classes da escola e ao mesmo
tempo, se não perdera eficácia, uma vez que o espaço de convívio é o mesmo.
Para essa estratégia Fante (2005) sugere a criação de um estatuto contra o
bullying que deve ser feito pelos próprios alunos, e que repudiem o bullying e
que estabeleça normas e regras para uma boa convivência, e sanções caso
haja descumprimento de alguma. Para a autora uma serie de normas integram
a cultura escolar e facilitam a organização e a corresponsabilidade de todos, e
esse normas se sustentam em valores que por sua vez reflete-se em condutas
concretas, por isso a importância desse tipo de estratégia. Para elaboração
desse estatuto Fante (2005) expõe algumas diretrizes, a conscientização, a
discussão, a votação e a sanção. Na conscientização se vê a importância do
aluno estar consciente dos objetivos de cada uma das regras que estarão no
estatuto, para discussão a autora sugere que os alunos discutam sobre os
direitos e deveres de cada um, na votação deve-se chegar a um consenso
sobre quais normas discutidas acima farão parte do estatuto e por fim na
sanção serão discutidas as consequências caso as normas criadas não forem
obedecidas, e após essa discussão o estatuto passara por uma assembleia
que terá membros da escola e caso aprovada o estatuto entrará em vigor,
lembrando-se que em todas as etapas os alunos participarão. (FANTE 2005)
30
A importância da criação desse estatuto pelos alunos é trabalhar com a
ideia de reflexão dos mesmos sobre os acontecimentos que atrapalham a
comunidade escolar. Dessa forma com tantas discussões acabam de certa
maneira conscientizando os alunos que muitas vezes participam do fenômeno
bullying. (SILVA, 2010) Além disso, essas conversas, reuniões e interações
aproximam os alunos de forma que todos busquem alternativas para um bem
comum (CALHAU, 2009). Portanto por mais que o fenômeno ainda seja
relativamente novo conceitualmente para os educadores e por esse motivo
muitos deles ainda não saibam que medidas devem ser tomadas nem que
forma tratar dos participantes como diz Calhau (2009), é importante que haja
esses tipos de estratégias citadas acima para que se busque um ambiente de
paz e que os alunos como um todo se sintam bem no ambiente escolar.
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Para realização do presente trabalho adotou-se como forma de coleta de
dados uma pesquisa de abordagem qualitativa, a fim de atingir o objetivo de
conhecer a visão dos professores sobre o fenômeno bullying e entender quais
as atitudes que os mesmos tomam diante da ocorrência do fenômeno no
ambiente escolar. A pesquisa qualitativa é a que envolve a obtenção de dados
de caráter descritivos, que são obtidos no contato direto do entrevistador com o
que deseja saber, e que se preocupa com a perspectiva dos participantes
(BOGDAN e BIKLEN, 1982 apud LUDKE e ANDRÉ, 1986). Para obtenção dos
dados fez-se o uso de uma entrevista semiestruturada. As entrevistas foram
31
realizadas com professores do Ensino Médio de uma escola particular da
cidade de São Paulo, a escolha pelo ambiente ser em uma escola particular foi
feita ao acaso, o trabalho poderia ser feito também com o foco em uma escola
publica. E foram entrevistados quatro professores, sendo que um deles é
professor de Educação Física, outro de Matemática, outro de Geografia e outro
de Biologia. A escolha dos professores foi feita a fim de englobar a visão e as
respostas de professores de diferentes áreas (Biológicas, Exatas e Humanas),
no caso do professor de Educação Física a escolha foi feita levando-se em
conta também que o objeto da pesquisa seja analisado em outros ambientes
escolares além das salas de aula, com isso buscar analisar diferentes tipos de
visões uma vez que temos professores de diferentes áreas e que atuam em
mais de um espaço.
A entrevista foi escolhida por trazer vantagens para o presente trabalho
em relação a os possíveis dados que se pode obter com o uso da mesma. Para
Lüdke e André (1986, p.33) a entrevista é um dos instrumentos básicos para a
coleta de dados e apresenta um importante papel, pois ocorre a captação
imediata e corrente da informação desejada, além disso, para os autores a
entrevista cria uma atmosfera de influências recíprocas entre o entrevistador e
o entrevistado, o que permite um caráter de interação no momento em que se
aplica a mesma. Lüdke e André (1986) ainda afirmam que a entrevista
semiestruturada é a mais adequada para conhecer as ideias e as visões do
individuo, para isso o pesquisador deve desenvolver uma grande capacidade
de ouvir atentamente o entrevistado e com isso estimular o fluxo natural das
informações sem exercer influência nas respostas, apenas garantindo um clima
de confiança para que o indivíduo entrevistado se sinta a vontade para que
32
possa expressar suas opiniões livremente. A entrevista seguira um roteiro, que
poderá ser adaptado e corrigido ou modificado durante a realização da
entrevista, esse roteiro funcionara como um guia para o entrevistador. O roteiro
é composto por seis questões sendo que as questões vão de assuntos mais
gerais para os mais específicos relacionados e mantendo sempre intima
relação com o tema do trabalho. Para Lüdke e André (1986) essa forma de
organização das perguntas evita saltos bruscos entre as questões o que pode
bloquear as respostas das questões seguintes.
Lüdke e André (1986) apontam duas maneiras para se registrar uma
entrevista, uma das maneiras por meio de gravador, e a outra maneira por
meio de anotações, o entrevistador optou pela gravação, pois, para os autores
o registro por meio da gravação tem a vantagem de registrar todas as
expressões orais, além de deixar o entrevistador focar sua atenção apenas no
entrevistado, podendo haver uma interação maior entre eles, no caso do
registro por meio de anotações para os autores muitas vezes o entrevistador
por ter que fazer anotações deixa de cobrir muitas das coisas ditas pelo
entrevistado. Após a realização das entrevistas as mesmas foram transcritas, e
serão apresentadas como Anexo I.
Roteiro da entrevista:
1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre
os alunos na escola?
2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como
sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de
comportamentos violentos na escola?
33
3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse fenômeno na
sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em sala de aula? Tem
algum comportamento que seja característico do fenômeno?
4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do
fenômeno nos participantes do mesmo?
5-) Como o professor deve intervir?
6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes
do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente a
manifestação?
A pergunta 1 e 2 tem como objetivo saber se os professores presenciam
comportamentos violentos e que tipo de comportamento eles julgam como
sendo
um comportamento ou tratamento violento na escola. Essas duas
questões servem mais para analisar qual a visão do professor sobre
comportamento violento e se fazem alguma ligação com o termo bullying, são
questões mais gerais sobre um problema que costuma ser visto nas escolas,
servem como introdução ao tema da pesquisa. Já a questão 3 fecha-se sobre o
fenômeno estudado e tem a intenção de analisar se os professores fazem
paralelos com as questões acima e também visa saber o se o entrevistado
conhece o termo, qual a concepção que ele tem sobre o conceito, e como
costuma perceber a ocorrência do mesmo.
A questão 4 tem o objetivo de explicitar quais as preocupações dos
professores no contexto do bullying, é importante saber se os professores tem
apenas preocupações de caráter de aprendizado, ou se tem outras
preocupações que envolvam aspectos sociais, psicológicos e até mesmo
comportamentais. Já a questão 5 é intimamente ligada a 4, e tem o objetivo de
34
saber e analisar quais os tipos de intervenções que os professores fazem na
hora que presenciam ou percebam que alguém esta sendo vitimado por outro
aluno, resumindo ver qual a reação do professor quando presencia algo
relacionado ao tema.
E a questão 6 busca contribuir para analisar quais as condutas que os
professores tem frente ao fenômeno e quais as formas que buscam para evitar
e/ou controlar o fenômeno no ambiente escolar. As respostas serão analisadas
todas de acordo com o referencial teórico e serão dispostas em categorias, que
serão criadas pelo pesquisador a fim de atingir o objetivo do estudo. As
categorias serão apresentadas na formas de quadros, nos quadros que
aparecem as “palavras chaves”, as mesmas foram escolhidas pela freqüência
em que apareceram nas entrevistas.
4. RESULTADOS E ANÁLISE
Para a análise e discussão dos dados coletados foram criados quadros
para categorização das respostas dos entrevistados, e será discutida a
resposta dos entrevistados a todas as questões feitas, porém a categorização
seguirá de acordo com os objetivos do trabalho, priorizando de que forma os
entrevistados evidenciam e quais as possibilidades de ação e qual o
conhecimento dos mesmos sobre tal fenômeno. Os professores na discussão
serão tratados como professor A, B, C e D, sendo que também serão
separados pela área, no caso o professor A área humanas, no caso do
professor B área da educação física, o professor C sendo da área de exatas e
35
por fim, o professor D da área de biológicas, isso será feito para facilitar as
discussões, principalmente na comparação entre extra classe e intra classe.
4.1 Resultados da categorização das respostas e discussão.
As questões número 1 e 2 são complementadas uma pela outra e visa
dar uma introdução a violência sem mencionar o tema de pesquisa, já para ver
se surgem relações. Dos 4 professores entrevistados apenas o professor A diz
nunca ter presenciado algum tipo de comportamento violento, já os outros três
professores dizem ter presenciado e citam diversas formas de comportamentos
que expressam violência em seus pontos de vista, que serão apresentados
como categorias no quadro 4, a seguir.
Quadro 4 – Categorização dos comportamentos violentos que os professores
presenciam.
Professores
Categoria
Palavras chaves
Professor B, Professor C e Agressão Física
“Brigas”, “Dar socos”, “Dar
Professor D
pontapés”
Professor B, Professor C e Agressão Verbal
“Xingamentos”, “Discussões”,
Professor D
“Apelidos”
Analisando o Quadro 4 temos as manifestações de violência vistas na
escola separadas em duas categorias, a agressão física e a agressão verbal,
que são vistas pelos três professores que já presenciaram algum tipo de
violência Percebe-se nas falas transcritas dos professores que eles logo de
cara quando perguntados sobre violência dentro da escola associam a brigas,
36
socos e pontapés, secundariamente apenas eles citam as agressões verbais,
mas sempre dizendo que elas são a causa das agressões físicas, como fica
bem explicitado na fala do professor B “Como eu sou professor de Ed Física,
na minha aula geralmente o que eu vejo são mais ataques verbais, como por
exemplo, “o molenga, “o seu ruim, “o gordinho” vê se corre mais, e essas
agressões ao final da aula ou mesmo durante a aula causam algumas vezes
discussões que pode gerar uma briga”. (Anexo I)
Provavelmente essa visão ocorre pela forma como o significado da
palavra vem à tona, pois quando falamos de violência já nos vem a cabeça um
ato de força, impetuosidade, além disso, para o autor, violência na visão
jurídica é sempre relacionada com “agressão” e normalmente a agressividade
se relaciona a brigas, socos, pontapés, algo que nos machuque fisicamente.
(SILVA, 1980, apud FANTE, 2005 p.155 -156). Como as categorias iniciam-se
com “Agressão” é de fato importante vermos a importância das diferentes
agressões existentes, e também é importante que isso fique claro quando
falamos
em
“atos
violentos”
para
desmistificarmos
que
violência
necessariamente gera danos físicos apenas. A palavra agressão também nos
leva a ter a ideia de algo físico, porém Silva (2010) diz que quando vamos atrás
do significado da palavra nos dicionários vemos que vai muito além, e que fica
claro que agressão é uma forma de intimidação que alunos praticam com
outros alunos, essas intimidações podem ser entendidas como forma de
provocação, seja ameaçando, xingando, humilhando ou ridicularizando,
simplificando a autora diz que pode ser entendido como a tendência de
provocar alguém tanto fisicamente como verbalmente e psicologicamente.
37
Para Fante (2005) quando nos referimos à violência temos que ser mais
amplos e devemos não apenas olhar as manifestações físicas, mas sim
situações de humilhação, constrangimentos, exclusão, ameaças, desrespeitos,
indiferenças entre outros, por isso de acordo com os resultados apresentados
acima é importante que, os professores passem a considerar o conceito de
violência como algo mais além, apesar de terem sidos citados violências
verbais, foram sempre em segundo plano e os mesmos sempre dando muita
ênfase a embates físicos.
Após a pergunta sobre a violência era perguntado sobre quais as
possíveis causas para a violência dentro da escola, na visão dos entrevistados.
Essa questão é de extrema importância, pois muitas vezes se os professores
souberem as causas poderão criar estratégias para que sejam evitadas ou
então para que conscientize seus alunos. De acordo com as respostas foi feito
outra divisão categorizada que será apresentada abaixo.
Quadro 5 – Categorização das possíveis causas dos comportamentos
violentos, de acordo com os professores entrevistados.
Professores
Categoria
Palavras chaves
Professor A e professor D
Desigualdade social
“Desigualdade”, “falta de
- Falta de oportunidade
oportunidade”
“Não sabermos respeitar o
Professor B, professor C e Falta de respeito
professor D
- Por causa das diferenças próximo”, “Discordância de
(o
que
acaba
xingamentos,
gerando opiniões”, “controle sobre
apelidos, os outros”, “Educação dos
pais”
humilhação,
ridicularização)
- Discordância de opiniões
-
Reflexo
do
38
comportamento do lar
- Mostrar poder sobre os
outros
Analisando os resultados sobre as causas da violência na visão dos
professores entrevistados, percebe-se que a causa da violência escolar tende a
ser associada, principalmente, pela falta de respeito dos alunos, que engloba
comportamentos como discordância de opiniões, não aceitação da opinião dos
outros, e o fato de não sabermos lhe dar com as diferenças, inclusive físicas.
Isso é muito percebido na fala dos entrevistados, como por exemplo, o
professor B ao dizer “Já a causa desses comportamentos é sempre por que um
aluno é mais gordinho, ou mais alto,” (Anexo I), e também em uma fala do
professor D “essa falta de respeito com o próximo, o fato de não sabermos
respeitar o limite do próximo, esses são os desencadeadores dos
comportamentos violentos.” Fica muito explicito que eles colocam como um
forte fator a vertente das diferenças. A escola é estudada por apresentar esses
fenômenos justamente pela ocorrência de grandes desigualdades, alem das
sociais, desigualdades de gênero e de raça, e também por apresentar grande
diferença nas escolhas pessoais, além das diferenças físicas (SCHILLING,
2004; ANTUNES, 2008). Isso mostra que a visão dos professores, não está só
voltada às desigualdades sociais, e que na escola a violência pode ser
associada por eles a um conjunto de fatores.
Partindo-se das ocorrências e das concepções de comportamentos
violentos que os professores presenciam dentro do ambiente escolar, surge a
39
questão do bullying, que de acordo com vários estudos esta presente nas
escolas e ultimamente tem sido bastante citado nos veículos de mídia, como
televisão, rádio, jornais, revistas e que tem até servido como tema de filmes.
Diante disso a pergunta 3 visa identificar se os professores sabem do que se
trata esse fenômeno, qual a visão que eles tem sobre isso, e quais as
evidências que eles percebem dentro do ambiente escolar. Todos os
professores quando perguntados se já tinha ouvido falar no termo ou mesmo
se já conheciam o termo disseram que sim, a após essa resposta era pedido
para que eles dissessem suas concepções sobre o que é o fenômeno As
concepções dos professores serão categorizadas no quadro 6 e no quadro 7
serão categorizadas as evidencias que eles têm sobre o fenômeno para que
possa ser analisado.
Quadro 6 - Categorização das concepções dos professores entrevistados sobre
o bullying.
Professores
Categorias
Palavras Chaves
Professor A
Brincadeiras grosseiras e “grosseiras”,
“reprimido”,
humilhantes (que ocorrem “humilhação”
de forma isolada, apenas
em alguns momentos) que
causam repressão de um
aluno.
- Apelidos
- Xingamentos
Professor B
Comportamento
sem
violento “comportamento violento”,
possibilidade
defesa que consiste em:
- humilhação
- ofensas
de “xingamentos”,
“chantagens”
40
- chantagens
Professor C
Comportamentos
de “maltrata”,
“ignoram”,
exclusão de um ou outro “brigas”
aluno por um aluno ou
grupo, que geram brigas
ou não.
Professor D
Comportamento
“discriminação”, “diferente”
discriminatório contra um
aluno.
Para categorização das evidencias será adotada a descrição de Silva
(2010) sobre as formas como pode se evidenciar o fenômeno bullying. As
caracterizações são feitas pelas seguintes formas:
- Verbal
-Física e Material
-Psicológica e Moral
Quadro 7 - Categorização das evidencias que os professores entrevistados
associam ao fenômeno, comparadas às formas de caracterização adotadas por
Silva (2010).
Professores
Categorias
Formas
de
caracterização.
Professor A
Brincadeiras que envolvem
Verbal e Psicológico
apelidos e xingamentos
Moral
41
Professor B
Piadinhas e risadas sobre Verbal e Psicológico
alguma característica física.
Professor C
Moral
Alunos isolados na formação Verbal e Psicológico
de atividades em grupos e Moral
que
sofrem
humilhações
inseridos
ofensas
quando
em
um
e
são
grupo
qualquer
Professor D
Comportamentos
que
envolvam
alterados Verbal e Psicológico
ofensas
e Moral
discriminação.
Analisando a categorização no quadro 6 vemos que cada professor
expõe uma concepção diferente sobre o fenômeno bullying e muito resumida.
Analisando as concepções dos professores podemos dizer que a única coisa
em comum é o fato de que todos direta ou indiretamente citam a humilhação.
No caso dos professores C e D a humilhação está imposta tanto nos
comportamentos de exclusão como nos comportamentos de discriminação,
uma vez que para Almeida e Queda (2007) quando excluímos alguém de forma
consciente ou não, estamos causando na vitima uma situação de humilhação
na qual a vitima se coloca como culpada pela exclusão e se martiriza por isso,
o que lhe causa um trauma social. O professor A ao dizer que as brincadeiras
são isoladas e só acontecem em determinados momentos, foge de uma das
ideias centrais que envolvem o conceito, que é o comportamento como sendo
repetido e constante e sem motivo aparente, isso é explicito na concepção de
42
Neto (2001) que caracteriza o fenômeno como sendo atos repetidos de
opressão, discriminação, tirania e agressão. Analisando todas as respostas no
Anexo I vemos que nenhum dos entrevistados caracteriza o fenômeno como
sendo repetido e constante o que pode atrapalhar os mesmos na formulação
de estratégias que visem o controle do fenômeno uma vez que não conhecem
direito a forma que ocorre o mesmo. Percebe-se também que as relações de
comportamentos violentos, que foram questionados nas perguntas 1 e 2 não
são intimamente ligadas com as concepções de bullying, pois alguns nem ao
menos citam as agressões físicas que são tão citadas nas perguntadas citadas.
Porém quando Neto (2006) cita palavras e expressões que em sua
concepção são equivalentes ao bullying vemos certa equivalência com a
concepção de todos os entrevistados, dentre essas palavras Neto cita: “zoar”, o
que pode ser entendido como a colocação de apelidos; intimidar, que podemos
relacionar com as chantagens; humilhar, que aparece em todas as concepções
dos entrevistados; ameaçar, que também podemos relacionar com as
chantagens; excluir e difamar, que podem ser relacionadas com a
discriminação e com a concepção da professora C quando aborda a exclusão.
Mas a concepção dos professores entrevistados ainda é limitada, mesmo que
eles tenham aspectos que todos os autores concordem entre si, faltam muitos
comportamentos característicos que eles não têm em suas concepções. Para
Calhau (2009) o fenômeno é um conjunto de ações caracterizadas por atos que
denigrem, desprezam, violentam, agridem, destroem a estrutura psíquica de
outra pessoa e sem nenhum tipo de motivação. Além disso, embora os
professores tenham citado agressor e vítima, eles mostram em suas
concepções que é relevante saber ou não de todos os participantes do
43
fenômeno, apesar dos entrevistados terem citado vitimas e agressores de
forma clara, não citam em nenhum momento outro participante de extrema
importância, os espectadores. Isso ocorre talvez porque, como diz Silva (2010),
a identificação tanto de agressores e vitimas como também de espectadores é
de extrema importância para que a escola e os professores possam realizar
ações e elaborar estratégias efetivas contra o fenômeno.
Levando-se em conta a dificuldade dos professores entrevistados em
perceber todos os participantes e também a falta de ideias que completariam
suas concepções sobre o que é de fato o bullying, podemos perceber desse
modo que as evidências então são superficiais e não assumem todo o contexto
de comportamentos que ocorrem na prática do bullying e por isso a prevenção
ou controle possa estar ocorrendo de forma ineficaz de acordo com os
referenciais estudados. Analisando-se o quadro 7 vemos que as formas que os
professores entrevistados evidenciam o fenômeno sempre se caracterizam
pela forma Verbal e pela forma Psicológica e Moral, porém como já foi
mostrado, diversos tipos de comportamentos estão dentro do contexto da
forma verbal e também da forma psicológica e moral, e nem todos acontecem
ao mesmo tempo, mas de acordo com Silva (2010) nenhum aluno vitima do
bullying recebe apenas um tipo de mau-trato, e isso é visto nas evidencias que
os professores citaram, por exemplo o professor C costuma evidenciar
somente quando fazem trabalhos em grupos, que ocorre a exclusão, na
verdade o bullying corresponde a um comportamento sistemático (CALHAU,
2009) e assim suas evidencias não deveriam surgir apenas em um ou outro
momento. Para Fante (2010) os professores têm que prestar muita atenção em
seus alunos de modo que consigam perceber interações que não são
44
benéficas para um aluno, porem a autora ainda diz que todas as definições e
evidencias sobre o fenômeno convergem para a incapacidade da vitima em se
defender. E pelo fato de não ter aparecido nenhum tipo de evidencias de
comportamentos que caracterize a forma “física e material” podemos pensar
que essa forma pode aparecer em outro ambiente, talvez intervalo ou horário
de saída ou entrada, por isso a importância de todos os membros da escola de
estarem atentos em momentos fora de sala de aula.
É certo que o bullying causa impactos nos alunos que participam do
mesmo. A questão 4 visa saber quais os possíveis impactos na visão dos
professores, que os alunos sofrem . O professor A em sua resposta diz que o
impacto marcante é a queda no desempenho escolar do aluno, de fato é
perceptível que um aluno que sofra com o bullying tem uma queda no
desempenho escolar, Antunes et al. (2008) diz que o desinteresse pelos
estudos é o principal culpado pela queda do desempenho das vitimas. Já o
professor B cita a falta de vontade dos alunos de participarem da aula dele, ele
diz que muitas vezes esse desinteresse é pela ridicularizarão que o aluno
sofre, por ser no contexto da aula de Educação Física o professor diz que o
fato de um aluno ter menos habilidade, correr menos, já é um motivo para
serem alvos de criticas. Essas críticas fazem com que alguns alunos até
inventem dores, mal estar, para que não participem da aula.
Fante (2005) afirma que os impactos para a vítima costumam causar
progressivamente o desinteresse, a queda do desempenho, o absentismo até
chegar à evasão escolar, nesse caso em que o professor B diz que os alunos
começam a inventar doenças e dores, mostra um caso de absentismo, mesmo
com o aluno presente ele não participa da aula. A professora C é a única que
45
diz que o impacto não é só na vitima, ela diz que além da pessoa que sofre
com o fenômeno ficar traumatizada e não render o que poderia render em aula,
o agressor também sofre consequências por achar que tem poder sobre os
outros ele acaba deixando os estudos de lado para se focar em causar
comportamentos de exclusão ou de irritação para com os colegas. Ela ainda
em uma de suas falas cita que além do fracasso escolar o bullying pode causar
problemas sociais.
Tognetta (2005) concorda com o fato de que os agressores também
sofrem impacto com o bullying, mas tem um pensamento mais seguro sobre
isso, ele diz que os agressores costumam ter grave deterioração de sua escala
de valores, tendo seu desenvolvimento afetivo e moral afetado, além disso o
autor ainda diz que isso pode tornar a criança ou o adolescente agressor, um
adulto violento e sem boa relação social.
Por fim, o professor D diz que o impacto é gigantesco pela pessoa se
sentir diminuída, humilhada e isso acaba tendo reflexo no rendimento escolar
da mesma, para ele o aluno acaba perdendo a vontade de ir à escola, se isola
e, além disso, por causa desse isolamento a vitima pode sofrer problemas no
convívio em sociedade, uma vez que para o professor a vitima passa a
apresentar medo de se relacionar com as outras pessoas, com receio de sofrer
novamente os comportamentos sofridos no ambiente escolar. Essa visão do
professor envolve muito o aspecto psicológico na vitima, tanto que para Neto
(2001) vitimas de bullying tendem a apresentar sintomas de depressão e que
juntamente com um isolamento, causam comportamentos suicidas.
Diante de todas essas consequências tanto explicitadas pelos
entrevistados e que se fundamentam com as ideias dos autores estudados,
46
vemos a importância do professor de tentar evitar e coibir o fenômeno na
escola, criando estratégias e possibilidades de ação para que controlem e
evitem o fenômeno. Para analisar as condutas que um professor tem frente a
ocorrência do fenômeno e possibilidades de ação que o mesmo utiliza afim de
evitar que ocorra o fenômeno, foram utilizadas os dados obtidos com a questão
5 e 6 que serão apresentados nos quadros 8 e 9 , abaixo.
Quadro 8 – Categorização das condutas dos professores frente ao bullying na
escola. (pergunta 5)
Professores
Categorias
Professor A
Apenas
conversa
com
vitimas e agressores.
Professor C
Levaria o problema para a
coordenação.
Professor B
Conversa conscientizando
os alunos.
Professo D
Coibiria verbalmente caso
acontecesse.
Analisando o quadro 8, sobre as condutas tomadas caso ocorra
comportamentos característicos do fenômeno, vemos que inicialmente quando
perguntado em um primeiro momento qual a reação deles, os professores
mostram a tomada de atitudes relativamente simples que sabemos terão
apenas uma eficácia de momento.
O professor A e o B utilizar-se-iam das conversas ao invés de broncas.
No caso do professor A ele apenas chamaria os alunos envolvidos de lado e
conversaria com os dois dizendo que não gostaria que o comportamento não
47
se repetisse. Já o professor B é bem claro e diz que conversaria com todos da
sala a fim de conscientizá-los das diferenças e que temos que conviver bem
com as outras pessoas. O professor C de imediato respondeu que levaria para
a coordenação, se livrando logo do problema. E por fim o professor D utilizaria
uma coibição verbal, diferente de conversa, mas com o intuito de pelo menos
no momento evitar que o comportamento continue ocorrendo.
Analisando essas condutas imediatas que eles tomam vemos que o
professor A e B seguiriam o pensamento de Santos (2007) que diz que uma
boa maneira de agir nesse contexto é manter um dialogo, principalmente com
os agressores, a fim de que os mesmos reflitam sobre suas atitudes e
consequências, já para Neto (2006) o educador tem que estar ciente caso haja
ocorrência do bullying em sala de aula, para Neto é imprescindível que o
professor saiba que o fenômeno esteja ocorrendo. Santos (2007) diz ainda que
o professor/educador, jamais deve passar o problema adiante como educador
e como pessoa ele tem o papel de fazer com que os alunos que sofram bullying
sejam novamente aceitos pela sala, e ainda afirma que é importante a
interação entra os professores e os superiores para que todos estejam cientes
do problema, porem não simplesmente passar o problema adiante.
Por fim serão analisadas as possibilidades de ação que os professores
teriam para que o problema seja evitado. Para isso também utilizaremos
categorias que vão estar presentes no quadro 9.
Quadro 9 – Possibilidades de ação contra o bullying e aspectos que
trabalhariam.
Professores
Categorias
O que trabalharia
48
Professor A
Conversas informais com Conscientização
os alunos
Professor B
Jogos cooperativos
Integração e interação
Professor B
Palestras
Conscientização
mostrando
as
conseqüências
das
atitudes e sensibilização.
Professor B, C, D
Projetos
que
haja Interação e socialização
interação dos alunos.
Professor B e C
Estimular
atividade
em Interação e socialização
grupo.
Professor C
Tornar a sala um grupo Interação, socialização e
grande e único de forma integração.
que
haja
interação
de
todos.
Professor D
Filmes
que
tenham
bullying como tema
o Conscientização, vendo as
conseqüências
que
o
bullying causa de diversas
formas e discussão.
Analisando o quadro 9 vemos que os professores têm ideias válidas
para tentar evitar o fenômeno na escola. É importante que haja uma conversa
entre professores e alunos para tentar conscientizar os alunos porem nem
sempre essa estratégia da certo. Para Silva (2010) e Fante (2005) é necessário
e muito importante que os professores conheçam as causas que levam o
agressor a perseguir uma vitima, e também as causas que leva a vitima a
suportar a perseguição, para isso a conversa com os alunos é uma ótima
ferramenta.
Agora, a realização de jogos cooperativos, projetos e atividades em
grupos grandes também são uma estratégia muito importante, desde que bem
49
realizada pelo professor, de modo que não cause constrangimentos aos alunos
e sim que mostre a importância de todos dentro de um contexto, para a
realização de alguma tarefa por exemplo. A realização de projetos é
interessante uma vez que pode envolver toda uma classe, uma serie ou até
mesmo toda a escola, e cada um terá sua participação registrada, para Fante
(2005) a criação de projetos que envolvam um grande número de pessoas é
uma ótima estratégia de interação e integração.
No caso da apresentação de filmes e palestras há uma grande
conscientização, pois o aluno passa a se ver em algum personagem do filme, e
começa a analisar suas atitudes, seus comportamentos. Fante (2005) diz que é
importante que conscientizemos nossos alunos a partir de suas próprias
experiências, desse modo fazer com que eles percebam quais pensamentos e
as emoções despertadas por eles, isso pode ficar muito evidente em filmes e
palestras que mostram exemplos. Além disso, ficam muito marcantes os
comportamentos apresentados em diversos filmes e isso pode fazer com que
os alunos percebam o sofrimento que alguns comportamentos geram em uma
pessoa, isso pode favorecer para as mudanças de comportamentos.
É importante também de acordo com Fante (2005) que trabalhemos a
ideia de reflexão dos alunos sobre possíveis casos de bullying, com a criação
de regras que visem o respeito entre os alunos da escola e com direito a
sanções que para a autora devem ser criadas pelos próprios alunos, essa seria
uma ideia interessante de projeto. Todas as ideias dadas pelos professores
entrevistados estimulam a conversa, a interação e reunião e o respeito, isso
tudo para Calhau (2009) aproximam os alunos de forma que eles comecem a
agir em prol do próximo, para o autor é muito importante todas essas
50
interações para que se busque um ambiente pacifico onde as pessoas que
fazem parte desse ambiente se respeitem e se sintam bem no ambiente
escolar, dessa forma melhorarão o convívio social de forma geral.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.
O presente estudo teve o objetivo analisar como alguns professores do
Ensino Médio compreendem o fenômeno bullying, e quais as ações e condutas
devem ser adotadas frente à ocorrência e para a prevenção do fenômeno.
Os professores apresentaram ideias distintas sobre o bullying, porém, se
juntássemos todas ficaríamos próximos do modo como os autores estudados
compreendem o fenômeno. Isso nos mostra que apesar da grande divulgação
da mídia sobre o fenômeno os professores ainda estão sem bases sólidas para
saber o que realmente envolve o fenômeno e, assim, pontua-se a importância
da escola ou das redes de ensino em ofertar oportunidades de formação
continuada nessa temática.
Apesar disso, em relação às consequências que o bullying causa nos
alunos os professores demonstraram acuidade na identificação das mesmas,
com menor ênfase nas consequências psicológicas, mas em relação a isso as
repostas dos professores deram conta de suprir quase todas as ideias dos
autores estudados.
Por fim o bullying é um fenômeno relativamente novo e por isso, muitos
professores não têm pleno conhecimento do que realmente é, quais são as
consequências, e quais medida tomar para coibir e evitar tal comportamento.
51
Ainda assim, as intervenções e estratégias indicadas por eles para evitar o
fenômeno demonstram interpretações coerentes e que poderiam servir de base
para a reflexão a partir das contribuições teóricas dos autores que embasaram
o presente estudo.
52
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALMEIDA, A. R. Jr. & QUEDA, O. Bullying escolar, trote universitário
e assedio moral no trabalho: Investigação sobre similaridades e
diferenças. Antritrote. 2007. Disponível em <http://www.atitrote.org>
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Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como
fazer? 2 ed. São Paulo, SP: Moderna , 2006.
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53
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SPOSITO, M. P. Um breve balanço de pesquisa sobre violência escolar
no Brasil. Educação e pesquisa, 27 (1), 87-103. 2001.
54
ANEXO I
Entrevistas
Professor A
1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos
entre os alunos na escola?
Não, uma brincadeira ou outra, mas nada violento.
Você não classifica essas brincadeiras como um comportamento violento
ou um comportamento que pode gerar violência?
Não
2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como
sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de
comportamentos violentos na escola?
Em minha opinião a causa para qualquer comportamento violento é a
desigualdade em que vivemos.
3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno Bullying? O que é esse
fenômeno na sua concepção? Como você evidenciaria esse fenômeno em
sala de aula? Tem algum comportamento que seria característico do
fenômeno?
Sim, Seria você usar a questão da humilhação em cima de alguns alunos,
alguns apelidos, algumas brincadeiras mais grosseiras e violentas que façam
com que os alunos sejam reprimidos pela sala e pelos colegas. Costumo
perceber principalmente pelo alvo, pelo aluno que sofrendo, acho que
primeiramente cabe a ele reclamar “né”, fazer as reclamações devidas, e ai o
professor a partir desse momento ficar mais atento “né”, em relação às
55
brincadeiras com esse aluno. Penso eu que os comportamentos mais
característicos são as brincadeiras de mau gosto que envolve xingamentos ou
apelidos.
E são brincadeiras isoladas?
Sim que acontecem em determinado momento, por exemplo, durante uma
explicação, ou um momento de descontração.
4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto
do fenômeno nos participantes do mesmo?
Um aluno que seja meio fechado e que ao invés de tomar as devidas
providencias que seria falar com o professor ou a direção ou coordenação da
escola, chegar e tentar resolver da forma dele e ele acabarem às vezes
utilizando a violência contra aqueles que lhe causam violência.
Eles sofrem com certeza uma queda no desempenho escolar, acho que esse é
o maior impacto.
E como você costuma perceber esse impacto?
Então pelo fato de eu nunca ter presenciado alguma ação dessa eu não reparo
em nenhum aluno que tenha mudado, sendo prejudicado no seu desempenho
escolar.
5-) Como o professor deve intervir, no caso de um aluno que não fala que
ta sofrendo bullying?
Acho que daí cabe ao professor na verdade ficar atento a cada aluno né, pra
poder perceber, o professor, acho que depois de um determinado tempo tem
que ta conversando informalmente com os alunos, pra poder conhecer cada
aluno que ele tem e começar a ver se tem alguma coisa diferente.
56
O que seria algo diferente?
Algum xingamento mais fervoroso, ou então humilhações com xingamentos
envolvendo família, amigos.
Pergunta original:
6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos
participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua
conduta frente à manifestação?
Modo que foi perguntado:
Caso algum dia ocorra um caso que você presencie, quais seriam suas
condutas frente as manifestações e quais seriam as possibilidades de
ação?
Primeiramente tentaria resolver dentro de sala de aula, chamando o agressor e
a vitima, e conversando com eles que eu não gostaria que o comportamento se
repetisse e nem que ocorresse com outros alunos. E caso não surtisse efeito
passaria a direção coordenação.
Mas então qual a importância do professor nesse contexto?
Ele que presencia a cena então essa é a importância.
E as possibilidades de ação frente ao bullying?
Olha eu acho difícil, mas eu tentaria colocar o aluno vitima como foco,
procuraria mais a ajuda dele com resolução de exercícios, pediria para que os
colegas ajudassem ele em sala de aula, para que ele se sentisse acolhido pela
turma e que não sofra nenhum perda social, ou que tenha medo de socializar
com os outros alunos, até mesmo com os agressores.
PROFESSOR B (Ed Física)
57
1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos
entre os alunos na escola?
A gente presencia, mas são poucos, não tem tanta freqüência, mas de vez em
quando ocorre uma discussão verbal que gera uma agressão física.
2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como
sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de
comportamentos violentos na escola?
Como eu sou professor de Ed Física, na minha aula geralmente o que eu vejo
são mais ataques verbais, como por exemplo, “o molenga, “o seu ruim, “o
gordinho” vê se corre mais e essas agressões ao final da aula ou mesmo
durante a aula causam algumas vezes discussões que pode gerar uma briga”.
Já a causa desses comportamentos é sempre por que um aluno é mais
gordinho, ou mais alto, eu diria que a causa dos comportamentos violentos esta
associada ao fato de não sabermos respeitar o próximo, isso na escola, no
trabalho, na vida em geral.
3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno Bullying? O que é esse
fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em
“sala de aula” ou no seu caso no espaço que utiliza para dar aula? Tem
algum comportamento que seja característico do fenômeno?
Sim já ouvi falar, na minha concepção bullying é uma forma de comportamento
violento que ocorre quando alguém humilha outra pessoa, tanto com
xingamentos, chantagens, e que normalmente é sempre por uma pessoa ser
diferente, “fora dos padrões” considerados normais sabe, por exemplo, um
menino mais gordo, ou então um mais magro, um que tem a cabeça grande, ou
então que não tem muitas aptidões esportivas. Acho que como comportamento
característico a humilhação é o principal, ainda mais quando ocorre sem
motivos ou por motivos dessas “diferenças” que citei, e sempre fica bem
58
característico a vitima como uma pessoa que não tem como se defender e o
agressor sempre intimidando a vitima principalmente por esse motivo. Eu vejo
no agressor um problema de educação em casa, que vem dos pais quando
isso é trabalhado desde pequeno, o fato das diferenças, eu acredito que a
criança se torna uma pessoa que saiba lidar com as situações sem tirar sarro
da cara do mais gordinho, mais baixinho ou do magricelo. E quanto a vitima é
importante que temos que dar todo o apoio, temos que ter cuidado para que
isso não torne maçante para a vitima, fazer com que ela tente encarar a não
ligar, não da tanta importância. É um problema que tem que ser falado,
comentado e evitado dessa forma com conversas com os envolvidos, mostrar
as faces de quem agride e de quem é agredido.
Como sua aula é fora da sala de aula você acha que o bullying é mais
característico?
É que na minha aula é que se põe em jogo as habilidades físicas, então
quando aparecem alunos com dificuldades são ai que surgem as piadinhas as
risadas.
4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto
do fenômeno nos participantes do mesmo?
Minha maior preocupação é no isolamento que esses comportamentos causam
nas vitimas, elas perdem a vontade de fazer a aula para não serem
ridicularizadas, e isso acaba causando um problema no convívio social da
vítima dentro e fora da escola, ela passa a querer não freqüentar mais os
grupos sociais, e também e fato de agir no psicológico da vitima que se sente
acuado e muitas vezes passam a maioria do tempo afastada, chateada,
depressiva, causando muitas vezes o afastamento da vitima dos estudos.
Na minha aula eu vejo que o impacto é a falta de vontade dos alunos de
participarem. Muitas vezes quem é ridicularizado por ter menos habilidades
físicas do que os outros costumam sempre vir com desculpas como, por
exemplo, dor de cabeça, nas pernas entre outras.
59
5-) Como o professor deve intervir?
Então eu tenho comentado muito com os alunos quanto ao respeito ao
próximo, eu bato nessa tecla sempre, eu faço até umas brincadeiras, uma vez
eu escondi um menino que era gordinho que viviam o chamando de bola, e eu
via que ele ficava incomodado com isso, então eu o escondi e o jogo não podia
ser iniciado sem o menino, isso fez com que os alunos percebem-se a
importância que cada um de nos temos e que muitas vezes apelidos
indesejados podem causar o afastamento das pessoas e a chateação dessa
mesma pessoa. Eu tento sempre mostrar que independente de qualquer
diferença todos nós somos iguais e temos a mesma importância dentro de um
grupo ou dentro de um ambiente.
6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos
participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua
conduta frente à manifestação?
Através de conversas, exemplos, jogos cooperativos ajudam a entender os
limites de cada um, não é porque um aluno é mais lento que ele não tem outras
qualidades, cada um tem determinada habilidade em algo, procuro mostrar que
ninguém é perfeito e que todos nós temos defeitos e que precisamos lidar com
as diferenças sempre respeitando o espaço de cada um. Eu vejo diversas
possibilidades de ação, como palestras aos alunos, projetos que envolvam a
interação entre os mesmos, atividades em grupos sempre tentando mostrar
aos alunos que nossa vida envolve o trabalho em grupo e o convívio social faz
parte dobem-estar da vida de todos.
PROFESSOR C
1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos
entre os alunos na escola?
60
Sim já presenciei, com baixa freqüência.
2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como
sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de
comportamentos violentos na escola?
Quando eles discordam em algo já ocorreu de um chutar o outro, ou dar um
soco, mais brigas.
E quais são as Causas?
A discordância de opiniões e às vezes um aluno que quer se aparecer para os
outros mostrando que é forte, que bate em todo mundo, exercendo uma
espécie de controle sobre os outros.
3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse
fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em
sala de aula? Tem algum comportamento que seja característico do
fenômeno?
Sim já ouvi falar. Minha concepção é que bullying é quando um grupo de
pessoas maltrata outro aluno ou não deixam um aluno participar de um grupo,
o ignoram. Na sala fica muito claro como eu já disse na formação de grupos,
você nitidamente vê que os alunos quando montam os grupos ignoram um
determinado aluno por não gostarem dele, ou por acharem que ele é estranho,
porque usa óculos ou porque é magro demais, e quando fazem trabalho com
esse aluno eles começam a xingar, humilha-lo. O fato de ignorar um aluno é
um dos comportamentos que eu acho mais característico do Bullying, mas tem
outros como não falar com um aluno, bater ou dar pontapés continuamente e
como já disse xingam sem motivos.
4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto
do fenômeno nos participantes do mesmo?
61
Tem impacto tanto na pessoa que sofre o bullying, como na agride, a pessoa
que sofre fica traumatizada, ela não rende o que poderia render, não tira
duvidas por medo de ser xingada, e a pessoa que agride acha que sempre é o
dono da razão e por isso acha que tem poder sobre os outros, e acaba se
prejudicando por deixar também os estudos de lado para se focar em irrita os
colegas. Eu penso que o bullying leva ao fracasso, lógico que alguns casos
uma vítima pode até virar um estudioso do próprio fenômeno e ter até soluções
para ajudar os responsáveis, mas normalmente o bullying leva ao fracasso
escolar e até mesmo social.
5-) Como o professor deve intervir?
Geralmente a gente passa pro superior, que é a coordenação e na hora de
montagens de grupos, por exemplo, eu tento colocar uma pessoa que os
outros alunos xingam ou evitam em grupos que as aceite da melhor forma, que
não xingarão tentando evitar constrangimentos. Mas eu sempre passo pro
superior para que eles falem com os alunos e chamem os responsáveis, é eles
que têm que saber como agir, o professor em si não pode ficar levantando
muita polemica na sua aula sobre esse assunto
6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos
participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua
conduta frente à manifestação?
Eu pensaria atividades que envolvam a sala inteira, montando um circulo, para
responder exercícios, ou para uma gincana da matéria, exemplo tabuada, vc
pergunta passa um por um, interage a sala inteira, uns vão ajudando os outros,
acho que essa seria uma maneira de ajuda na interação social e de forma a
evitar desentendimentos.
PROFESSOR D
62
1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos
entre os alunos na escola?
Já presenciei, mas não aqui, na escola publica sim.
2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como
sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de
comportamentos violentos na escola?
Brigas, discussões que levam a briga, apelidos que são colocados e por causa
deles também ocorrem brigas, resumindo a violência que costumo presenciar é
mais briga mesmo por diversos motivos.
Olha eu acho que tem diversos fatores que fazem nossa sociedade ser
violenta, desigualdades sociais, falta de oportunidade para as pessoas, na
escola eu acho que é um comportamento que vem de casa, os alunos apenas
tratam as pessoas como eles vêem seus pais tratando, o comportamento que
presenciamos em casa é refletido sempre em nossos filhos uma vez que
somos os exemplos que eles buscam a seguir, alem disso as pessoas não
aceitam que somos diferentes, as diferenças tanto físicas, como de opiniões
causam muitas divergências e isso acaba gerando violência, essa falta de
respeito com o próximo, o fato de não sabermos respeitar o limite do próximo,
esses são os desencadeadores dos comportamentos violentos.
Você citou a briga como sendo um comportamento que você já
presenciou, tem algum outro tipo de comportamento violento que você
presenciou?
A violência verbal “né”, com palavras, ofensas morais e coisas do tipo.
3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse
fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em
63
sala de aula? Tem algum comportamento que seja característico do
fenômeno?
Já ouvi falar. bullying é quando um menino é mais gordinho que o outro ele
pode ser discriminado, quando é mais moreninho que o outro pode ser
discriminado. Eu percebo ouvindo as ofensas que são feitas, percebendo todo
tipo de comportamento mais alterado. Pelo que vejo eu entendo que a
característica é a discriminação dos alunos agressores as vitimas.
4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto
do fenômeno nos participantes do mesmo?
Preocupa pelo fato de gerar violência, como brigas, discussões entre outras.
O impacto é gigantesco, a pessoa se sente diminuída, humilhada, se sente
inferior e isso acaba refletindo no rendimento escolar dela, o aluno acaba
perdendo a vontade de ir a escola, se isola, e isso causa alem de problemas
dentro da escola problemas de convívio em sociedade, a pessoa vitima do
bullying fica com medo de se relacionar com as outras pessoas, com medo de
serem xingadas, humilhadas, diminuída.
5-) Como o professor deve intervir?
O professor tem que coibir, evitar, acabar com isso, não permitindo isso em sua
sala de aula.
6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos
participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua
conduta frente à manifestação?
Com conversas, mostrando filmes que temos ai que exemplificam o fenômeno
e mesmo trabalhando em cima desse assunto com os alunos, montando um
projeto de como eles fariam para coibir um determinado comportamento
agressivo contra alguma outra pessoa. Mostrar também que as pessoas são
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diferentes, todos nós somos diferentes uns dos outros e isso tem que ser
respeitado, que apesar de sermos diferentes, ninguém é melhor que ninguém,
temos que mostrar para o agressor no caso que não tem sentido você
discriminar alguém ou você menosprezar alguém ou diminuir alguém só por
sermos diferentes uns dos outros.
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ANEXO II
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O fenômeno Bullying no Ensino Médio