UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Thiago Moreira de Faria O fenômeno bullying no Ensino Médio: compreensões dos professores sobre as evidências e possibilidades de ação. São Paulo 2010 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS Thiago Moreira de Faria O fenômeno bullying no Ensino Médio: compreensões dos professores sobre as evidências e possibilidades de ação. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito para a obtenção do grau de Licenciado em Ciências Biológicas. Orientador: Prof. Dr. Adriano Monteiro de Castro São Paulo 2010 AGRADECIMENTOS À Universidade Presbiteriana Mackenzie que me proporcionou a oportunidade do conhecimento e crescimento acadêmico, profissional e pessoal. Ao Professor Doutor Adriano Monteiro de Castro por ter orientado este trabalho, desde o inicio. Obrigado pela disponibilidade, pela paciência, pela compreensão, pela atenção e pela ajuda dedicada. As professoras Magda Medhat Pechilye e Rosana dos Santos Jordão que em toda essa caminhada, assim como o professor Adriano, foram sempre sérios em seus trabalhos e sempre nos estimularam a melhorar nossas produções nos mostrando o melhor caminho a seguir, nos fazendo crescer, e nos mostrando a importância de termos bem delineados nossos objetivos. À minha mãe e ao meu padrasto que sempre confiaram na minha capacidade, independente de qualquer coisa e sempre me deram força e ajuda em toda minha caminhada até aqui, mesmo que não sejam tão presentes. As minhas amigas Camila Biasotto e Luana Nara que me incentivaram sempre durante a produção. Agradeço a todos meus colegas de classe da licenciatura por estarmos juntos por toda essa caminhada e sempre nos respeitando ao máximo. E por fim agradeço a Cintya por ter me ajudado dando seu apoio, de forma única e que foi fundamental. RESUMO Atualmente vivemos em uma crescente onda de violência que acaba atingindo todas as pessoas e todos os ambientes que convivemos. O ambiente escolar não está livre da violência, normalmente vemos noticiais de balas perdidas que atingem alunos, alunos que se metem em brigas com outros alunos ou com professores, professores que são espancados por alunos entre outros. Ultimamente tem estado muito em evidência um fenômeno conhecido com bullying, que nada mais é do que uma forma de expressar a violência dentro do ambiente escolar. O bullying é um termo relativamente novo e nos últimos 20 anos tem sido alvo de diversos estudos em diversas partes do mundo, porém mesmo sendo um tema novo tem assolado diversas escolas de todo o mundo e tem causado sérias consequências para os alunos que são participantes do fenômeno, e muitos profissionais por se tratar de um fenômeno novo não sabem como agir, identificar ou coibir o mesmo. Frente a esse problema o presente estudo tem como objetivo analisar quais são as compreensões de alguns professores do Ensino Médio de uma escola particular, sobre o fenômeno bullying e identificar quais as estratégias que os mesmos adotam para tentar coibir e solucionar esse problema. A metodologia adotada constitui na realização de entrevistas semiestruturadas com quatro professores. A análise dos resultados foi feita de forma qualitativa e mostrou que apesar da boa vontade dos professores eles ainda têm certas dificuldades tanto de entender do que se trata o fenômeno como da forma que podem coibir. Palavras-chave: Bullying, violência escolar, entrevista semiestruturada. ABSTRACT We currently live in a growing wave of violence that eventually reach all people and all the environments that we live. The school environment is not free of violence, usually we see news of stray bullets hitting students, students that get into fights with other students or teachers, teachers who are beaten by students among others things. Lately is being very evident a phenomenon known as bullying, which is nothing more than a way to express the violence within the school environment. The bullying is a relatively new term and in the last 20 years has been the subject of several studies in various parts of the world, but even as a new issue has plagued several schools around the world and has caused serious consequences for students who are participating in the phenomenon, and many professionals because it is a new phenomenon not know how to act, identify or restrain it. Faced with this problem this study is to analyze what are the understandings of some secondary school teachers from a private school about the phenomenon of bullying and identify which strategies they adopt to try to stop and solve this problem. The methodology adopted is to carry out semi-structured interviews with four teachers. The analysis was done qualitatively and showed that despite the goodwill of teachers they still have some difficulties as to understand what it's the phenomenon as the way you can deter. Key-words: Bullying, school violence, semi-structured interview Sumário 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 7 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................... 8 2.1 A violência escolar ................................................................................................. 9 2.2 Fenômeno bullying ............................................................................................... 12 2.2.1 O que é o bullying? ........................................................................................ 12 2.1.2 Participantes do bullying ............................................................................... 16 2.2.3. Consequências .............................................................................................. 22 2.3 Educação inclusiva ................................................................................................... 23 2.3.1 Estratégias de intervenção e prevenção ......................................................... 26 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................... 30 4. RESULTADOS E ANÁLISE ..................................................................................... 34 4.1 Resultados da categorização das respostas e discussão. ....................................... 35 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS. .................................................................................... 50 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 52 ANEXO I ........................................................................................................................ 54 ANEXO II ...................................................................................................................... 65 7 1. INTRODUÇÃO Sabemos que a vida escolar é uma época muito importante para desenvolvimento do indivíduo. Entra-se nela ainda criança e durante a vida escolar passa-se a ter mais contatos com pessoas fora do contexto familiar, é nessa fase que as crianças criam relações sociais com outras crianças aprendendo a se relacionar com os outros, a dividir espaços, a trabalhar em grupo e todas essas relações são impulsionadas pela aprendizagem do âmbito escolar. Desse modo, é importante que o aluno tenha um relacionamento de respeito e de companheirismo com os outros. Porém, muitas vezes, vemos que o mau relacionamento entre os alunos em diversas escolas pode ter sérias consequências tanto no aprendizado como na questão psicológica dos alunos, e é nesse contexto que surge a ideia do “bullying” e a importância da postura do professor quando isso ocorre no ambiente escolar. O conceito do bullying envolve a ideia de assédio moral de forma repetida e sem motivação especifica, sendo que é considerado o ato de desprezar, denegrir, violentar, agredir fisicamente ou não algumas formas desse assedio. A prática do bullying não é nova, mas ultimamente tomou importância no contexto escolar pelos diversos casos e pelo reflexo que causa na vítima, tanto na vida escolar e no rendimento quanto na sua estrutura psicológica. Esta prática tende a transcender as barreiras da escola, pois antes o constrangimento que era restrito aos momentos de convívios escolares está também ocorrendo em redes sociais, por mensagens de celulares, e por outras tecnologias, sendo classificada como “cyberbulling”. 8 A prática do bullying pode ter sérias consequências na vida escolar da vítima, levando-o desenvolver desde dificuldades no aprendizado até desinteresse pela escola. Por isso, é muito importante que os professores sejam capazes de identificar a ocorrência do bullying e também saber como tratar dessa prática de forma que nenhum aluno seja vítima e que não cause uma dificuldade do aprendizado, acarretando na perda de interesse pela escola e pelos estudos. Muitos professores não sabem nem identificar e nem agir na ocorrência do bullying, isso talvez por não ter conhecimento das consequências, ou mesmo por confundi-lo como uma forma de relacionamento normal entre os alunos, ou então por não saber identificar quando o fenômeno ocorre. Frente a esse problema descrito anteriormente, o presente estudo busca analisar como que o professor compreende o fenômeno bullying, e quais as possibilidades de ação e condutas devem toma frente à ocorrência e a prevenção do fenômeno. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O Brasil é um país caracterizado pela diversificação, e por conta dos preconceitos e das ações individualistas a convivência dessa diversidade nem sempre se dá de forma amigável e pacífica. Na escola é que começamos realmente nossa vida social, é onde aprendemos a nos relacionar com pessoas diferentes de nós e que pensam de forma diferente e por isso é onde temos que aprender a lidar com essas diferenças de maneira respeitosa, a fim de 9 manter uma relação pacifica com nossos colegas e professores. Porém nem sempre as relações criadas na escola são pacificas e amigáveis, muitas vezes vemos desentendimentos e por isso vemos situações de desrespeitos, discussões, agressões verbais e físicas, dessa forma se dá a violência na face da escola e junto a ela, diversos problemas acompanhados. Em volta de tudo isso surge o fenômeno bullying, que esta intimamente ligado a todo tipo de violência escolar e a importância da inclusão escolar das vitimas dessa prática. A seguir será apresentada uma breve discussão sobre violência escolar. 2.1 A violência escolar Sabemos que vivemos em uma sociedade em que a violência faz parte do nosso dia-a-dia, por diversos fatores, e no ambiente escolar não é diferente. Segundo Sposito (2001) a preocupação com a violência no ambiente escolar começou a aparecer como tema de estudos acadêmicos brasileiros a partir da década de 1980, isso nos mostra o quanto à preocupação com a barbárie e o compromisso com uma educação contra a violência são ainda recentes no Brasil. Para Fante (2005) para entendermos as causas determinantes do comportamento violento ou agressivo nas escolas, é imprescindível que saibamos conceituar violência e agressividade. Primeiramente veremos o termo violência, que é tratado pelos dicionários como sendo ato de força, impetuosidade, já juridicamente o termo é uma espécie de forma de constrangimento, de forma que se consiga vencera capacidade de resistência de outra pessoa, além disso, juridicamente a violência contra as pessoas é 10 entendida como “agressão” (SILVA, 1980 apud FANTE, 2005 p.155). Dessa forma Fante (2005) diz que quando nos referimos a violência não devemos apenas olhar pela sua manifestação física, mas sim quando vemos situações de humilhação, exclusão, ameaças, desrespeito, indiferença, omissão para com o outro, tudo isso é expresso pelas formas e mecanismos pelos quais a sociedade convive com as diferenças. Dando ênfase agora no contexto do significado de agressividade, vemos nos dicionários diversas definições como, por exemplo, a tendência de atacar, provocar, diante disto vem à importância de relacionarmos agressividade com violência, já que a primeira muitas vezes é fruto da segunda e vice-versa. Para Silva (2010) o aumento do comportamento agressivo entre os adolescentes é um os fenômenos que mais preocupam e angustiam os pais, e para a autora a agressividade entre os adolescentes pode se manifestar de diversas formas, desde pequenos conflitos verbais entre alunos cate brigas físicas e violentas gerada muitas vezes por razões fúteis. Além disso, são visíveis os abusos dos “mais fortes” em relação aos mais frágeis, e tudo isso ocorre de acordo com (SILVA, 2010) através de comentários maldosos, difamações, intrigas até as formas mais variadas de violência. Partindo disso temos uma clareza maior sobre a violência que ocorre na escola que de acordo com Fante (2005) é definida como todo ato, praticado de forma consciente ou inconsciente, que fere, magoa, constrange ou causa dano a qualquer membro da espécie humana. Mas da onde surge essa violência? Por que ela ocorre? Para podermos responder essas perguntas em relação a esse contexto recente de estudos sobre a violência escolar precisamos ir um pouco mais além e caminhar na própria história social do país, tanto que Antunes e Zuin 11 (2008) vão mais a fundo quando dizem que para se estudar a violência temos que saber questionar o sentido social deste fenômeno. Tanto que de acordo com Antune e Zuin (2008) essas práticas nas escolas devem ser compreendidas por meio da própria analise social, das formas de organização e das forças objetivas da sociedade, e de como tudo isso se materializam e se calcificam nos sujeitos que se desenvolvem nesse meio. Isso pode ser traduzido com as grandes diferenças sociais que temos em nosso país tanto socioeconomicamente falando, quanto etnicamente e também como individualmente, considerando escolhas de opção sexual, por essas diferenças tão fortemente existentes é que muitos autores consideram que a violência exista em nossa sociedade e que atinge todas as instituições que nos rodeiam. Isso reforça a idéia de Schilling (2004) a qual diz que a escola é estudada como lugar de reprodução de desigualdades sociais, das desigualdades de gênero e raça, da produção da pobreza e da exclusão e por isso é “natural” que dentro dessa realidade exista pessoas com comportamentos agressivos que atacam outras pessoas com as diversas formas de violência já citadas mais acima. Levando-se em conta todas essas ideias e voltando-se para a face da escola e da educação não podemos deixar de pensar sobre o bullying, que envolve os alunos e que gira em torno de nossos conceitos de violência já citados acima. Portanto o próximo subitem será voltado para um aprofundamento dessa prática que esta intimamente ligada à violência que ocorre nas escolas e que ultimamente tem sido tão frequente na mídia e na vivencia escolar. 12 2.2 Fenômeno bullying 2.2.1 O que é o bullying? Nos últimos anos um termo para caracterizar um determinado tipo de violência escolar ganhou força através da mídia, dos livros, dos trabalhos acadêmicos e de diversos estudos na área, se trata do termo bullying, que é um dos fenômenos atuais que assola as escolas do país e consequentemente atinge milhares alunos e que tem ganhado força recentemente. Pela dificuldade de tradução da palavra no Brasil é utilizado o termo original, uma vez que o que tem que ficar claro é o conceito que o envolve. De acordo com Fante (2005) o bullying é uma palavra inglesa, que é adotada por diversos países, e define o desejo inconsciente e deliberado de maltratar outra pessoa, e colocá-la sob tensão, para a autora é um termo que conceitua os comportamentos agressivos e antissociais. Já para Silva (2010) a palavra bullying é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, dentre esses comportamentos a autora destaca as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores. Carvalhosa et al. (2001) dizem que para facilitar o entendimento deste conceito, podemos designar este fenômeno por provocação ou intimidação de um aluno, com esse mesmo pensamento Fante e Pedra (2008) vai mais além dizendo que a provocação ou intimidação é vista quando um aluno sofre repetidamente ações negativas que o autor considera como uma ação intencional que causa ou tenta causar danos ou mal estar a um aluno. Neto (2006) cita várias palavras e expressões que diz que são equivalentes ao do 13 termo bullying, como por exemplo, zoar, intimidar, humilhar, ameaçar, agredir, furtar, excluir, difamar entre outras, e por isso no Brasil e nos países de língua portuguesa não foi definido um termo consagrado para retratar todas essas situações incorporadas ao conceito bullying, que hoje é aceito universalmente. Então diante de tudo isso o fenômeno é caracterizado por diversos tipos de comportamentos. De acordo com Calhau (2009) o fenômeno é caracterizado por atos que denigrem, desprezam, violentam, agridem, destroem a estrutura psíquica de outra pessoa e sem motivação alguma. Já Silva (2010) caracteriza o bullying como um conjunto de atitudes de violência física e/ou psicológica, e, além disso, é de caráter intencional e repetitivo, concordando com esse caráter intencional e repetitivo Neto (2001) caracteriza o fenômeno como sendo atos repetidos de opressão, discriminação, tirania, agressão e dominação de um aluno ou um grupo de alunos sobre outro aluno ou grupos de alunos, subjugados pela força dos primeiros. Já Fante (2005) caracteriza o fenômeno como sendo um comportamento cruel intrínseco nas relações interpessoais em que os mais fortes convertem os mais frágeis em objetos de diversão e prazer através de brincadeiras que disfarçam o propósito de maltratar e intimidar. A caracterização do fenômeno pode parecer difícil, mas como diz Fante (2005) todas às definições convergem para a incapacidade da vitima em se defender, portanto para a autora o bullying é um conceito especifico e muito bem definido e não se deixa confundir com outras formas de violência. Indo mais além Silva (2010) diz que é mais difícil à caracterização do fenômeno podendo ser confundido com outras formas de violência, isso porque dificilmente a vitima recebe apenas um tipo de mau-trato, com isso a autora 14 divide as formas de maus-tratos ocorridas no contexto do bullying em verbal, física e material e psicológica e moral, como indicam os quadros abaixo: Quadro 1 – Forma verbal. (SILVA, 2010. p. 23) Verbal: - Insultar - Ofender - Xingar - Fazer gozações - Colocar apelidos pejorativos - Fazer piadas ofensivas - “Zoar” Quadro 2 – Forma física e material. (SILVA, 2010. p. 23-24) Física e Material: - Bater - Chutar - Espancar - Empurrar - Ferir - Beliscar - Roubar, furtar ou destruir os pertences da vítima - Atirar objetos contra as vítimas Quadro 3 – Forma psicológica e moral. (SILVA, 2010. p.24) Psicológica e Moral: - Irritar - Humilhar e ridicularizar - Excluir - Isolar - Ignorar, desprezar ou fazer pouco caso - Discriminar - Aterrorizar e ameaçar 15 - Chantagear e intimidar - Tiranizar - Dominar - Perseguir - Difamar - Passar bilhetes e desenhos entre os colegas de caráter ofensivo - Fazer intrigas, fofocas ou mexericos (mais comum entre as meninas) Em relação a todos esses maus tratos Almeida e Queda (2007) dizem que esses maus tratos se distinguem de outras formas de violência por seu caráter repetitivo e sistemático e pela intenção de causar danos ou prejudicar alguém que é percebido como mais fraco ou esta em uma posição fragilizada e dificilmente poderá se defender. Já em relação a todos esses maus-tratos Fante (2005) simplifica e diz que os comportamentos de bullying podem ocorrer de duas formas, a direta e a indireta, sendo que para a autora a direta consiste nas agressões físicas e verbais, dentre elas a autora cita algumas das mencionadas acima como, por exemplo, bater, chutar, tomar pertences, apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar e constranger. E a forma indireta que para a autora é a que talvez cause mais prejuízo uma vez que pode criar traumas irreversíveis, sendo que ela se caracteriza por disseminação de rumores desagradáveis e desqualificantes, visando à discriminação e a exclusão da vitima do seu grupo social. Ainda comparando a visão dos autores, Martins (2005) identifica o bullying em três grandes tipos, o direto e físico que consiste em agressões físicas, roubar ou estragar objeto dos colegas, extorsão de dinheiro. O segundo tipo ou forma que o autor cita é a 16 diretas e verbais, que consiste em insultos, apelidos, “tiração de sarro”, comentários e atitudes racistas ou que digam respeito a qualquer diferença no outro, e por fim o terceiro tipo ou forma é o indireto que consiste na exclusão sistemática de uma pessoa, realização de fofocas e boatos e ameaças de exclusão de um grupo de alunos com o intuito de obter algum tipo de favorecimento ou de forma mais intensa manipular a vida social do colega. Nessas visões diferentes dos autores vemos muitas similaridades, de forma que isso nos mostra que há diversas características em comum na visão de cada autor sobre o fenômeno nesse contexto Fante (2005) nos mostra que os atos de bullying que ocorrem entre os estudantes costumam apresentar cinco características, que segundo a autora são: - comportamentos danosos e deliberados; - comportamentos repetitivos por um determinado período de tempo; - atos de difícil defesa para os agredidos - para quem agride, dificuldade em aprender novos comportamentos socialmente aceitos; - a aplicação de um poder impróprio pelos agressores as vitima. Nesse contexto vemos a importância de reconhecermos os participantes do fenômeno tanto agressores como vítimas, como também outros possíveis participantes do fenômeno. 2.1.2 Participantes do bullying 17 De acordo com Fante (2005) e Silva (2010) os envolvidos com o fenômeno têm papeis bem definidos dentro do mesmo, são divididos em três tipos de participantes, a vitima, o agressor e os espectadores. Dentro do contexto das vitimas, tanto Fante (2005) como Silva (2010) separam em três subtipos de participantes, as vitimas típicas, as vitimas provocadoras e as vítimas agressoras. De acordo com Fante (2005) a vitima típica é aquele aluno que é pouco sociável, e que sofre repetidamente as consequências dos comportamentos agressivos de outros e que não dispõe de recursos para reagir aos “ataques”, a autora ainda classifica essa vitima como tendo aspecto físico frágil, coordenação motora deficiente, timidez, extrema sensibilidade, passividade submissão, insegurança, baixa autoestima e as vezes alguma dificuldade de aprendizado, Silva (2010) ainda diz que esse tipo de vitima costuma apresentar alguma “marca” que a destaca da maioria dos alunos, sendo normalmente gordinhas ou magras demais, altas ou baixas demais, usam óculos, em alguns casos apresentam sardas, orelhas ou nariz um pouco mais destacado, simplificando para a autora fazem parte desse tipo de vitima qualquer coisa que fuja ao padrão imposto por um determinado grupo, e isso pode deflagrar o processo de escolha da vitima. Além disso, ainda para Silva (2010) essas crianças ou adolescentes “estampam” facilmente suas inseguranças na forma de extrema passividade, sensibilidade e dificuldades de se expressar, por isso tornam-se alvos fáceis e comuns de ofensores. Já as vítimas provocadoras de acordo com Silva (2010) são as que são capazes de provocar e atrair de seus colegas reações agressivas contra si mesmas, porem não conseguem responder aos revides de forma satisfatória, 18 Fante (2005) diz que as vitimas costumam ser hiperativas, inquietas, dispersivas e sempre causa tensões no ambiente em que se encontra. E por fim a vítima agressora que é a que reproduz os maus tratos procurando uma vitima mais frágil e vulnerável e acaba cometendo todas as agressões sofridas contra elas, isso acaba funcionando como um efeito cascata tornando o bullying em um problema de difícil controle (SILVA, 2010). Partindo para o segundo tipo de participante do fenômeno, os agressores que normalmente junto com as vitimas são as duas figuras mais clara quando se percebe essa pratica, o agressor é aquele que vitimiza o mais fraco, frequentemente é membro de uma família desestruturada, sem comportamento afetivo, além disso, o agressor normalmente se apresenta mais forte do que suas vítimas, e também pode ser fisicamente superior em brincadeiras, esportes e nas brigas (FANTE, 2005). Nessa mesma linha de pensamento Neto (2001) concorda com o fato de que as crianças e adolescentes que pertencem a famílias desestruturadas ou em que há frágil relacionamento afetivo entre seus membros são mais propensos a ser tornar agressores nesse contexto, isso para a autora ocorre pelo fato dos pais dessas crianças exercem uma supervisão pobre sobre eles, e por isso toleram e utilizam comportamentos violentos para solucionar os conflitos. Para Silva (2010) a agressor possui em sua personalidade traços de desrespeito e maldade e que na maioria das vezes obtém um poder de liderança muitas vezes obtido através da força física ou de intenso assedio psicológico. Para Silva (2010) e para Fante (2005) os agressores normalmente apresentam aversão às normas, não aceitam ser contrariados e, geralmente estão envolvidos em pequenos delitos, como furtos, roubos ou atos de 19 vandalismo. Complementando para Carvalhosa et. al. (2001) muitas vezes o agressor é caracterizado como aquele que frequentemente, implica com os outros alunos, ou que lhes bata sem uma razão, além disso, é caracterizado por apresentar atitudes positivas para com a violência, o agressor muitas vezes também tem dificuldades para fazer amigos e por isso começa a realizar tal comportamento, e também se sente infeliz na escola, ainda os autores dizem que os agressores tendem a pertencer a famílias que são caracterizadas pela falta de afeto e pela distancia emocional entre os membros. Já em relação ao desempenho escolar desses alunos para Fante (2005) os agressores sofrem um distanciamento e uma falta de adaptação para com os objetivos escolares e acabam fazendo uso da supervalorização da violência para obter poder. Já Silva (2010) diz que o desempenho desses jovens costuma ser regular ou deficitário, no entanto isso não configura uma deficiência intelectual, e a autora ainda diz que muitos apresentam, nos estágios iniciais, rendimentos normais ou acima da média. Por fim temos outro tipo de participante do fenômeno, o espectador, que é o aluno que presencia o bullying, são os maiores participantes em números e na grande maioria dos casos adotam a lei do silencio com medo de se tornar uma vitima também, por ser algo novo para o agressor, além disso, muito deles se sentem inseguros e incomodados, pois, tem o seu direito de aprender em um ambiente seguro e solidário violado e o que muitas vezes influencia negativamente sua capacidade e seu progresso escolar e social (FANTE, 2005). Como vemos o progresso escolar e social de todos os participantes acabam sendo atingidos de diferentes maneiras, dessa forma é importante que 20 o professor saiba identificar os envolvidos no fenômeno bullying. Para Silva (2010) os professores devem ficar atentos a vários aspectos comportamentais das crianças e dos adolescentes considerando sempre os papeis que cada um deles pode ter no bullying escolar, para a autora a identificação das vitimas, dos agressores e dos espectadores é de suma importância para que a escola e a família dos envolvidos possam elaborar estratégias e realizar ações efetivas contra o fenômeno. A identificação das vítimas, para Fante (2005), é difícil já que as crianças que são vitimas se relutam a falar sobre o assunto. Um dos sinais mais evidentes são a queda repentina do rendimento escolar e a resistência de ir à aula (PARANHOS apud FANTE, p.74). Silva (2010) vai mais além e diz que juntamente com a resistência de ia a aula, que causa um aumento nas faltas, e com a queda do rendimento escolar vem à perda constante de seus pertences, inclusive materiais didáticos. Além disso, é comum ver a possível vitima contrariada, triste, aflita e com a postura retraída com receio de perguntar ao professor ou emitir suas opiniões para os demais alunos, deixando transparecer sua ansiedade e sua insegurança (SILVA , 2010 e FANTE, 2005), outro aspecto a ser percebido para as autoras é na escolha para trabalhos em grupos ou atividades, normalmente a vitima é sempre a ultima a ser escolhida e na sala sempre está isolada do resto do grupo e das interações. Em casos mais dramáticos, outro sinal de que determinado aluno é vitima de bullying é quando esse aluno apresenta hematomas, arranhões, cortes e ferimentos (SILVA, 2010). Em relação aos agressores Silva (2010) diz que em relação a eles tudo é mais facilmente perceptível, são sinais claros de que um aluno é agressor 21 quando o mesmo começa com brincadeirinhas de mau gosto que evoluem para gozações sem propósito e constantemente, a colocação de apelidos pejorativos e ridicularizantes com explicito propósito maldoso, também é percebido o menosprezo com que tratam os colegas e muitas vezes causando constrangimentos aos mesmos. Perturbações e intimidação também fazem parte do comportamento dos agressores. Para Silva (2010) um evidente sinal de um possível agressor é o fato de sempre estar envolvidos de forma direta ou indireta em discussões e desentendimentos entre os alunos e entre aluno e professor e também o fato de utilizarem a violência física, como pontapés, tapas, beliscões, socos e empurrões. Esses comportamentos marcantes em agressores e vitimas não são vistos nos espectadores, para identificar os espectadores precisa-se de uma observação mais frequente e cuidadosa (SILVA, 2010). Para a autora os espectadores não costumam apresentar sinais explícitos que mostre a situação que estão vivendo. Para Fante (2005) e Silva (2010) eles costumam ficar calados sobre o que presenciam, e quando resolvem falar, eles negam que seja reflexo da sua vivencia escolar, quando indagados costumam disfarçar citando cenas de filmes, seriados ou historias da internet. Para Silva (2010) “o maior desafio na identificação dos participantes desse fenômeno é distinguir os agressores que para a autora podem ser dissuadidos desse papel e transformados em guerreiros contra a violência escolar”. Dessa forma para a autora torna-se possível elaborar estratégias escolares e sociais que possam ajudar na recuperação dos jovens que apresentam esse comportamento agressivo e violento. Para Fante (2005) é importante que os educadores ajudem esses jovens, mesmo que tenham atitudes erradas, pois, eles precisam 22 de ajuda uma vez que sofrem também com seus atos e suas consequências. É justamente o sentimento de culpa, remorso ou arrependimento dos agressores que para Silva (2010) nos dá a plena certeza que algumas vezes esse comportamento pode ser transitório. Explicitado todos os participantes do fenômeno bullying, percebe-se que essa prática pode ter sérias consequências que serão mostradas a seguir. 2.2.3. Consequências As consequências do fenômeno costumam ser desastrosas, e ao contrario do que todos pensam atinge a todos os participantes, porem é muito mais impactante para as vitimas. Fante (2005) diz que as consequências podem ser inúmeras, e depende da forma que a vitima se comporta com as agressões e como se comportam. Em relação a isso Fante (2005, p.44) diz: “As consequências para as vítimas desse fenômeno são graves e abrangentes, promovendo no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o déficit de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a evasão escolar”. Entre as consequências dentro do âmbito escolar de acordo com Antunes et. al. (2008) esta o desinteresse total pelos estudos e consequentemente um declínio do aproveitamento escolar pelas vitimas, além disso, passam o tempo sozinhas e muitas vezes têm síndromes depressivas. Para Neto (2001) a depressão vem muitas vezes acompanhada das intenções suicidas, além disso, costumam aparecer nas vitimas problemas relacionados aos cuidados com a saúde, bem-estar e autoestima. Ainda para a autora os alunos que são vitimas acabam se tornando pouco sociáveis e inseguros, e por isso tem 23 poucos amigos, e sofrem com a ansiedade, com isso finalizar dizendo que isso faz com que acabem evitando o contato social e a vida escolar. Fante (2005) vai um pouco mais além dizendo que as consequências começam pelos do âmbito escolar podendo seguir a transtornos mentais e psicopatologias graves. Já os agressores também podem sofrer com essa prática, eles costumam ter grave deterioração de sua escala de valores e, portanto, tem seu desenvolvimento afetivo e moral afetado (TOGNETTA, 2005 apud FANTE, 2005), ainda de acordo com o autor isso os pode tornar adultos violentos e sem boa relação social, podendo ser afetado em todos os âmbitos. Já em relação aos espectadores para Silva (2010) eles são afetados, pois perdem a liberdade e a solidariedade em sala de aula, com medo de se tornarem vitimas acabam fingindo não ver os abusos que os agressores praticam nas vitimas e também muitas vezes mesmo que não concordem com as agressões e “zoações” eles riem e participam de forma passiva das agressões, isso também para a autora acaba causando uma queda do rendimento escolar. Diante de tudo isso vem uma forte tendência que ocorre na pratica do bullying, que é a exclusão escolar, que já foi citada em diversas partes do texto, e para conter isso precisamos da ajuda de todos os profissionais da escola e principalmente do educador, que costuma presenciar esse tipo de comportamento. Para isso entra e cena a temática da educação inclusiva, que será discutida no próximo item. 2.3 Educação inclusiva 24 A educação no Brasil enfrenta vários problemas, mas vemos que grande parte da preocupação dos professores é com as notas, os conceitos e o cumprimento das tarefas e que os mesmos sejam indicadores de uma boa educação escolar, além da importância dos educadores de perceberem e monitorarem as habilidades e possíveis dificuldades que possam ter os jovens e seu convívio social com os colegas (NETO, 2001). Nessa temática, Neto (2001) comenta: “Em um país como o Brasil, a melhoria da educação de seu povo tornou um desafio para o seu desenvolvimento e grande parte das políticas sociais é voltada para inclusão escolar, utilizando-se a cultura e as diferenças como instrumento socializador. Nesse processo, as escolas passar a ser o espaço próprio e mais adequado ao aprendizado de conteúdos e conceitos, além de uma construção coletiva e permanente de valores para o exercício da cidadania que se deseja plena.” (NETO, 2001. p. 123). Diante disso vê-se a importância da educação inclusiva e consequentemente da inclusão escolar, que no bullying é uma importante ferramenta para ser usada como instrumento socializador. (CARVALHOSA et al. 2001). O conceito de inclusão para Mantoan (2007) é bem amplo, pois, implica uma mudança de perspectiva educacional, uma vez que não atinge apenas alunos portadores de deficiências, mas também os que apresentam dificuldades em aprender, a autora ainda diz que a inclusão tem a intenção de melhorar a qualidade do ensino das escolas, atingindo todos os alunos que fracassam em suas salas de aula. A escola brasileira é marcada pelo fracasso e também pela evasão de uma parte significativa dos alunos, que para Mantoan (2007) são marginalizados pelo insucesso, por privações constantes e pela baixa 25 autoestima, resultantes da exclusão escolar e social. Essa exclusão tratada por Mantoan tem a visão de que os alunos sejam vitimas de seus pais, dos professores e, sobretudo das condições de pobreza em que vivem, em todos os sentidos, mas também não podemos esquecer-nos do fato da exclusão causada pelos próprios alunos, por determinados comportamentos, dentre eles o comportamento foco deste trabalho, o fenômeno bullying que como já vimos para Fante (2005) causa distanciamento e a falta de adaptação aos objetivos escolares, e para Silva (2010) é um dos motivos que causa a queda do desempenho escolar, a exclusão social dentro do contexto escolar e que afasta alunos da escola, e essas ideias se encaixam para qualquer um dos participantes do fenômeno. Diante deste contexto os professores têm maneiras de incluir tanto vitimas quanto agressores, para Silva (2010) nesses casos é necessário focar nos agressores, para isso a criação de um plano de educação que envolva a família e a escola, e que não permita que esses alunos estejam no controle das situações que ocorrem na escola. A autora vai mais longe dizendo que para jovens que tenham perfil de agressores é importante estabelecer regras e limites muito claros, e que devem ser fiscalizados de forma que se evitem comportamentos manipuladores e violação das normas sociais, e caso os acordos sejam quebrados as consequências previamente determinadas devem ser aplicadas. Para Santos (2007) uma boa maneira de incluir os alunos de modo geral, é o diálogo que o professor pode ter, principalmente com os agressores, para que reflitam sobre suas atitudes e as consequências que essas atitudes podem ter nos alunos agredidos, já para Neto (2006) uma medida a ser tomada para que haja inclusão dos alunos afetados é que o 26 educador esteja ciente da existência do bullying e deve atuar dando proteção e encaminhamento adequado aos alunos para que o fenômeno diminua, dessa forma o educador deve abranger as famílias, a comunidade e as crianças e adolescentes envolvidos. Dessa forma vemos a importância de medidas inclusivas a esses alunos, para isso utilizando-se estratégias de intervenção e de prevenção. 2.3.1 Estratégias de intervenção e prevenção Para Fante (2005) primeiramente devemos sensibilizar e envolver toda a comunidade escolar, já que se trata de um fenômeno complexo e de difícil identificação, e a principal meta inicialmente é que os profissionais da educação saibam identificar, distinguir e diagnosticar o fenômeno. Para Santos (2007) grande parte dos professores entrevistados e observados em seu trabalho apenas grita e ameaça os alunos agressores, não os fazendo em nenhum momento refletir sobre o acontecido. Fante (2005) diz que uma importante medida é que os alunos sejam conscientizados do fenômeno e de suas consequências, a partir das próprias experiências vividas, de modo que percebam quais os pensamentos e as emoções despertadas por ele e também os motivos norteadores desse tipo de comportamento, seja vítima, agressor ou espectador. Para a autora também é necessário que os alunos por meio da interiorização dos valores humanos, consigam desenvolver a capacidade de empatia a fim de que percebam as implicações e o sofrimento gerados por esse tipo de comportamento e que desenvolvam habilidades para sua erradicação. E por fim a autora diz que é importante o comprometimento dos 27 alunos com o bem-comum e dessa forma se tornam agentes da transformação da violência na construção de uma realidade de paz nas escolas. Para Silva (2010) e Fante (2005) não basta que os problemas de violência sejam solucionados com punição ao agressor e defesa da vitima, é necessário e de extrema importância conhecer as causas que levam o agressor a perseguir sua vitima e também as causas que levam a vitima a suportar ser perseguida e alvos de tais agressões, com isso para as autoras é interessante observar o agressor, interrogá-lo e ganhar sua confiança, já que para Fante (2005), esse também figura como vitima do fenômeno. Porém existem diversas estratégias de prevenção e intervenção, vale citar as estratégias gerais, as individuais e as estratégias em sala de aula. Como estratégias gerais de intervenção e prevenção do fenômeno destacam-se de acordo com Fante (2005) três formas, que são as medidas de supervisão e observação, serviço de denuncia dentro da escola e encontros semanais para avaliação. O primeiro para a autora consiste na melhoria da supervisão dos alunos nos espaços comuns, essa medida traria maior segurança ao aluno vitima do fenômeno, para isso a autora sugere a contratação de mais funcionários e a própria ajuda dos chamados “alunos solidários” que são grupos de alunos formados para esse tipo de tarefa, os integrantes desse grupo devem ser preparados para identificar as dificuldades existentes entre os colegas e encontrar meios para que possam auxiliá-los dentro e fora da classe. A ideia é que esses alunos supervisionem o intervalo, e os horários de entrada e saída, e caso percebam algum comportamento violento tem que atuar como mediadores, ouvindo as partes envolvidas e aconselhá-las a usar o diálogo para resolução de problemas. E para a autora 28 esses alunos também podem auxiliar os educadores no desenvolvimento de estratégias que visam à integração de alunos que apresentam alguma dificuldade de relacionamento, por serem tímidos e são vitimados por terem algum tipo de necessidade especial ou que sejam alunos novos na escola. Em relação ao serviço de denuncia que é a segunda estratégia consiste em um telefone que a vitima pode denunciar o agressor, de forma que a escola tenha alguém vinculado a essa linha como, por exemplo, um psicólogo, diretor, professor ou até mesmo um aluno solidário. Para a autora essa medida poderá ajudar tanto o aluno envolvido quanto a família do mesmo que normalmente buscam conselhos e ajuda de como agir com a situação. Como em algumas escolas essa estratégia seria inviável uma possível saída seria colocar uma caixa (como se fosse caixa de sugestões) para que nela o aluno pudesse denunciar o agressor. E por fim os encontros semanais que para a autora deve ser agendado pelo coordenador de forma que se avalie as estratégias adotadas e também que possam surgir novas estratégias para se colocar em pratica. Já as estratégias individuais entram em cena depois de se ter uma ideia geral da ocorrência do fenômeno, que são ajudadas com as medidas de estratégias gerais citadas acima. O objetivo das estratégias individuais é investigar quais são os alunos que participam do fenômeno. Para isso temos diversas formas de ação, como por exemplo, exercícios de redação com o título de “Minha vida escolar”, “Minha vida familiar”, dessa forma será possível na maioria dos casos, distinguirem quem são vitimas e quem são os agressores, partindo assim para entrevistas pessoais que devem ser feitas primeiramente com conversas individuais começando pelos lideres dos grupos 29 e por ultimo as vítimas, seguido de entrevista de acompanhamento com cada aluno envolvido, e por fim reunião de grupo com todos os envolvidos. Dessa forma visa-se proporcionar uma interação entre os envolvidos para que se separem os vínculos de dominação e para que se criem vínculos emocionais. (FANTE, 2005) Por fim surgem às estratégias em sala de aula, para Fante (2005) essas estratégias têm que ser feita em todas as classes da escola e ao mesmo tempo, se não perdera eficácia, uma vez que o espaço de convívio é o mesmo. Para essa estratégia Fante (2005) sugere a criação de um estatuto contra o bullying que deve ser feito pelos próprios alunos, e que repudiem o bullying e que estabeleça normas e regras para uma boa convivência, e sanções caso haja descumprimento de alguma. Para a autora uma serie de normas integram a cultura escolar e facilitam a organização e a corresponsabilidade de todos, e esse normas se sustentam em valores que por sua vez reflete-se em condutas concretas, por isso a importância desse tipo de estratégia. Para elaboração desse estatuto Fante (2005) expõe algumas diretrizes, a conscientização, a discussão, a votação e a sanção. Na conscientização se vê a importância do aluno estar consciente dos objetivos de cada uma das regras que estarão no estatuto, para discussão a autora sugere que os alunos discutam sobre os direitos e deveres de cada um, na votação deve-se chegar a um consenso sobre quais normas discutidas acima farão parte do estatuto e por fim na sanção serão discutidas as consequências caso as normas criadas não forem obedecidas, e após essa discussão o estatuto passara por uma assembleia que terá membros da escola e caso aprovada o estatuto entrará em vigor, lembrando-se que em todas as etapas os alunos participarão. (FANTE 2005) 30 A importância da criação desse estatuto pelos alunos é trabalhar com a ideia de reflexão dos mesmos sobre os acontecimentos que atrapalham a comunidade escolar. Dessa forma com tantas discussões acabam de certa maneira conscientizando os alunos que muitas vezes participam do fenômeno bullying. (SILVA, 2010) Além disso, essas conversas, reuniões e interações aproximam os alunos de forma que todos busquem alternativas para um bem comum (CALHAU, 2009). Portanto por mais que o fenômeno ainda seja relativamente novo conceitualmente para os educadores e por esse motivo muitos deles ainda não saibam que medidas devem ser tomadas nem que forma tratar dos participantes como diz Calhau (2009), é importante que haja esses tipos de estratégias citadas acima para que se busque um ambiente de paz e que os alunos como um todo se sintam bem no ambiente escolar. 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para realização do presente trabalho adotou-se como forma de coleta de dados uma pesquisa de abordagem qualitativa, a fim de atingir o objetivo de conhecer a visão dos professores sobre o fenômeno bullying e entender quais as atitudes que os mesmos tomam diante da ocorrência do fenômeno no ambiente escolar. A pesquisa qualitativa é a que envolve a obtenção de dados de caráter descritivos, que são obtidos no contato direto do entrevistador com o que deseja saber, e que se preocupa com a perspectiva dos participantes (BOGDAN e BIKLEN, 1982 apud LUDKE e ANDRÉ, 1986). Para obtenção dos dados fez-se o uso de uma entrevista semiestruturada. As entrevistas foram 31 realizadas com professores do Ensino Médio de uma escola particular da cidade de São Paulo, a escolha pelo ambiente ser em uma escola particular foi feita ao acaso, o trabalho poderia ser feito também com o foco em uma escola publica. E foram entrevistados quatro professores, sendo que um deles é professor de Educação Física, outro de Matemática, outro de Geografia e outro de Biologia. A escolha dos professores foi feita a fim de englobar a visão e as respostas de professores de diferentes áreas (Biológicas, Exatas e Humanas), no caso do professor de Educação Física a escolha foi feita levando-se em conta também que o objeto da pesquisa seja analisado em outros ambientes escolares além das salas de aula, com isso buscar analisar diferentes tipos de visões uma vez que temos professores de diferentes áreas e que atuam em mais de um espaço. A entrevista foi escolhida por trazer vantagens para o presente trabalho em relação a os possíveis dados que se pode obter com o uso da mesma. Para Lüdke e André (1986, p.33) a entrevista é um dos instrumentos básicos para a coleta de dados e apresenta um importante papel, pois ocorre a captação imediata e corrente da informação desejada, além disso, para os autores a entrevista cria uma atmosfera de influências recíprocas entre o entrevistador e o entrevistado, o que permite um caráter de interação no momento em que se aplica a mesma. Lüdke e André (1986) ainda afirmam que a entrevista semiestruturada é a mais adequada para conhecer as ideias e as visões do individuo, para isso o pesquisador deve desenvolver uma grande capacidade de ouvir atentamente o entrevistado e com isso estimular o fluxo natural das informações sem exercer influência nas respostas, apenas garantindo um clima de confiança para que o indivíduo entrevistado se sinta a vontade para que 32 possa expressar suas opiniões livremente. A entrevista seguira um roteiro, que poderá ser adaptado e corrigido ou modificado durante a realização da entrevista, esse roteiro funcionara como um guia para o entrevistador. O roteiro é composto por seis questões sendo que as questões vão de assuntos mais gerais para os mais específicos relacionados e mantendo sempre intima relação com o tema do trabalho. Para Lüdke e André (1986) essa forma de organização das perguntas evita saltos bruscos entre as questões o que pode bloquear as respostas das questões seguintes. Lüdke e André (1986) apontam duas maneiras para se registrar uma entrevista, uma das maneiras por meio de gravador, e a outra maneira por meio de anotações, o entrevistador optou pela gravação, pois, para os autores o registro por meio da gravação tem a vantagem de registrar todas as expressões orais, além de deixar o entrevistador focar sua atenção apenas no entrevistado, podendo haver uma interação maior entre eles, no caso do registro por meio de anotações para os autores muitas vezes o entrevistador por ter que fazer anotações deixa de cobrir muitas das coisas ditas pelo entrevistado. Após a realização das entrevistas as mesmas foram transcritas, e serão apresentadas como Anexo I. Roteiro da entrevista: 1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre os alunos na escola? 2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de comportamentos violentos na escola? 33 3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em sala de aula? Tem algum comportamento que seja característico do fenômeno? 4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do fenômeno nos participantes do mesmo? 5-) Como o professor deve intervir? 6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente a manifestação? A pergunta 1 e 2 tem como objetivo saber se os professores presenciam comportamentos violentos e que tipo de comportamento eles julgam como sendo um comportamento ou tratamento violento na escola. Essas duas questões servem mais para analisar qual a visão do professor sobre comportamento violento e se fazem alguma ligação com o termo bullying, são questões mais gerais sobre um problema que costuma ser visto nas escolas, servem como introdução ao tema da pesquisa. Já a questão 3 fecha-se sobre o fenômeno estudado e tem a intenção de analisar se os professores fazem paralelos com as questões acima e também visa saber o se o entrevistado conhece o termo, qual a concepção que ele tem sobre o conceito, e como costuma perceber a ocorrência do mesmo. A questão 4 tem o objetivo de explicitar quais as preocupações dos professores no contexto do bullying, é importante saber se os professores tem apenas preocupações de caráter de aprendizado, ou se tem outras preocupações que envolvam aspectos sociais, psicológicos e até mesmo comportamentais. Já a questão 5 é intimamente ligada a 4, e tem o objetivo de 34 saber e analisar quais os tipos de intervenções que os professores fazem na hora que presenciam ou percebam que alguém esta sendo vitimado por outro aluno, resumindo ver qual a reação do professor quando presencia algo relacionado ao tema. E a questão 6 busca contribuir para analisar quais as condutas que os professores tem frente ao fenômeno e quais as formas que buscam para evitar e/ou controlar o fenômeno no ambiente escolar. As respostas serão analisadas todas de acordo com o referencial teórico e serão dispostas em categorias, que serão criadas pelo pesquisador a fim de atingir o objetivo do estudo. As categorias serão apresentadas na formas de quadros, nos quadros que aparecem as “palavras chaves”, as mesmas foram escolhidas pela freqüência em que apareceram nas entrevistas. 4. RESULTADOS E ANÁLISE Para a análise e discussão dos dados coletados foram criados quadros para categorização das respostas dos entrevistados, e será discutida a resposta dos entrevistados a todas as questões feitas, porém a categorização seguirá de acordo com os objetivos do trabalho, priorizando de que forma os entrevistados evidenciam e quais as possibilidades de ação e qual o conhecimento dos mesmos sobre tal fenômeno. Os professores na discussão serão tratados como professor A, B, C e D, sendo que também serão separados pela área, no caso o professor A área humanas, no caso do professor B área da educação física, o professor C sendo da área de exatas e 35 por fim, o professor D da área de biológicas, isso será feito para facilitar as discussões, principalmente na comparação entre extra classe e intra classe. 4.1 Resultados da categorização das respostas e discussão. As questões número 1 e 2 são complementadas uma pela outra e visa dar uma introdução a violência sem mencionar o tema de pesquisa, já para ver se surgem relações. Dos 4 professores entrevistados apenas o professor A diz nunca ter presenciado algum tipo de comportamento violento, já os outros três professores dizem ter presenciado e citam diversas formas de comportamentos que expressam violência em seus pontos de vista, que serão apresentados como categorias no quadro 4, a seguir. Quadro 4 – Categorização dos comportamentos violentos que os professores presenciam. Professores Categoria Palavras chaves Professor B, Professor C e Agressão Física “Brigas”, “Dar socos”, “Dar Professor D pontapés” Professor B, Professor C e Agressão Verbal “Xingamentos”, “Discussões”, Professor D “Apelidos” Analisando o Quadro 4 temos as manifestações de violência vistas na escola separadas em duas categorias, a agressão física e a agressão verbal, que são vistas pelos três professores que já presenciaram algum tipo de violência Percebe-se nas falas transcritas dos professores que eles logo de cara quando perguntados sobre violência dentro da escola associam a brigas, 36 socos e pontapés, secundariamente apenas eles citam as agressões verbais, mas sempre dizendo que elas são a causa das agressões físicas, como fica bem explicitado na fala do professor B “Como eu sou professor de Ed Física, na minha aula geralmente o que eu vejo são mais ataques verbais, como por exemplo, “o molenga, “o seu ruim, “o gordinho” vê se corre mais, e essas agressões ao final da aula ou mesmo durante a aula causam algumas vezes discussões que pode gerar uma briga”. (Anexo I) Provavelmente essa visão ocorre pela forma como o significado da palavra vem à tona, pois quando falamos de violência já nos vem a cabeça um ato de força, impetuosidade, além disso, para o autor, violência na visão jurídica é sempre relacionada com “agressão” e normalmente a agressividade se relaciona a brigas, socos, pontapés, algo que nos machuque fisicamente. (SILVA, 1980, apud FANTE, 2005 p.155 -156). Como as categorias iniciam-se com “Agressão” é de fato importante vermos a importância das diferentes agressões existentes, e também é importante que isso fique claro quando falamos em “atos violentos” para desmistificarmos que violência necessariamente gera danos físicos apenas. A palavra agressão também nos leva a ter a ideia de algo físico, porém Silva (2010) diz que quando vamos atrás do significado da palavra nos dicionários vemos que vai muito além, e que fica claro que agressão é uma forma de intimidação que alunos praticam com outros alunos, essas intimidações podem ser entendidas como forma de provocação, seja ameaçando, xingando, humilhando ou ridicularizando, simplificando a autora diz que pode ser entendido como a tendência de provocar alguém tanto fisicamente como verbalmente e psicologicamente. 37 Para Fante (2005) quando nos referimos à violência temos que ser mais amplos e devemos não apenas olhar as manifestações físicas, mas sim situações de humilhação, constrangimentos, exclusão, ameaças, desrespeitos, indiferenças entre outros, por isso de acordo com os resultados apresentados acima é importante que, os professores passem a considerar o conceito de violência como algo mais além, apesar de terem sidos citados violências verbais, foram sempre em segundo plano e os mesmos sempre dando muita ênfase a embates físicos. Após a pergunta sobre a violência era perguntado sobre quais as possíveis causas para a violência dentro da escola, na visão dos entrevistados. Essa questão é de extrema importância, pois muitas vezes se os professores souberem as causas poderão criar estratégias para que sejam evitadas ou então para que conscientize seus alunos. De acordo com as respostas foi feito outra divisão categorizada que será apresentada abaixo. Quadro 5 – Categorização das possíveis causas dos comportamentos violentos, de acordo com os professores entrevistados. Professores Categoria Palavras chaves Professor A e professor D Desigualdade social “Desigualdade”, “falta de - Falta de oportunidade oportunidade” “Não sabermos respeitar o Professor B, professor C e Falta de respeito professor D - Por causa das diferenças próximo”, “Discordância de (o que acaba xingamentos, gerando opiniões”, “controle sobre apelidos, os outros”, “Educação dos pais” humilhação, ridicularização) - Discordância de opiniões - Reflexo do 38 comportamento do lar - Mostrar poder sobre os outros Analisando os resultados sobre as causas da violência na visão dos professores entrevistados, percebe-se que a causa da violência escolar tende a ser associada, principalmente, pela falta de respeito dos alunos, que engloba comportamentos como discordância de opiniões, não aceitação da opinião dos outros, e o fato de não sabermos lhe dar com as diferenças, inclusive físicas. Isso é muito percebido na fala dos entrevistados, como por exemplo, o professor B ao dizer “Já a causa desses comportamentos é sempre por que um aluno é mais gordinho, ou mais alto,” (Anexo I), e também em uma fala do professor D “essa falta de respeito com o próximo, o fato de não sabermos respeitar o limite do próximo, esses são os desencadeadores dos comportamentos violentos.” Fica muito explicito que eles colocam como um forte fator a vertente das diferenças. A escola é estudada por apresentar esses fenômenos justamente pela ocorrência de grandes desigualdades, alem das sociais, desigualdades de gênero e de raça, e também por apresentar grande diferença nas escolhas pessoais, além das diferenças físicas (SCHILLING, 2004; ANTUNES, 2008). Isso mostra que a visão dos professores, não está só voltada às desigualdades sociais, e que na escola a violência pode ser associada por eles a um conjunto de fatores. Partindo-se das ocorrências e das concepções de comportamentos violentos que os professores presenciam dentro do ambiente escolar, surge a 39 questão do bullying, que de acordo com vários estudos esta presente nas escolas e ultimamente tem sido bastante citado nos veículos de mídia, como televisão, rádio, jornais, revistas e que tem até servido como tema de filmes. Diante disso a pergunta 3 visa identificar se os professores sabem do que se trata esse fenômeno, qual a visão que eles tem sobre isso, e quais as evidências que eles percebem dentro do ambiente escolar. Todos os professores quando perguntados se já tinha ouvido falar no termo ou mesmo se já conheciam o termo disseram que sim, a após essa resposta era pedido para que eles dissessem suas concepções sobre o que é o fenômeno As concepções dos professores serão categorizadas no quadro 6 e no quadro 7 serão categorizadas as evidencias que eles têm sobre o fenômeno para que possa ser analisado. Quadro 6 - Categorização das concepções dos professores entrevistados sobre o bullying. Professores Categorias Palavras Chaves Professor A Brincadeiras grosseiras e “grosseiras”, “reprimido”, humilhantes (que ocorrem “humilhação” de forma isolada, apenas em alguns momentos) que causam repressão de um aluno. - Apelidos - Xingamentos Professor B Comportamento sem violento “comportamento violento”, possibilidade defesa que consiste em: - humilhação - ofensas de “xingamentos”, “chantagens” 40 - chantagens Professor C Comportamentos de “maltrata”, “ignoram”, exclusão de um ou outro “brigas” aluno por um aluno ou grupo, que geram brigas ou não. Professor D Comportamento “discriminação”, “diferente” discriminatório contra um aluno. Para categorização das evidencias será adotada a descrição de Silva (2010) sobre as formas como pode se evidenciar o fenômeno bullying. As caracterizações são feitas pelas seguintes formas: - Verbal -Física e Material -Psicológica e Moral Quadro 7 - Categorização das evidencias que os professores entrevistados associam ao fenômeno, comparadas às formas de caracterização adotadas por Silva (2010). Professores Categorias Formas de caracterização. Professor A Brincadeiras que envolvem Verbal e Psicológico apelidos e xingamentos Moral 41 Professor B Piadinhas e risadas sobre Verbal e Psicológico alguma característica física. Professor C Moral Alunos isolados na formação Verbal e Psicológico de atividades em grupos e Moral que sofrem humilhações inseridos ofensas quando em um e são grupo qualquer Professor D Comportamentos que envolvam alterados Verbal e Psicológico ofensas e Moral discriminação. Analisando a categorização no quadro 6 vemos que cada professor expõe uma concepção diferente sobre o fenômeno bullying e muito resumida. Analisando as concepções dos professores podemos dizer que a única coisa em comum é o fato de que todos direta ou indiretamente citam a humilhação. No caso dos professores C e D a humilhação está imposta tanto nos comportamentos de exclusão como nos comportamentos de discriminação, uma vez que para Almeida e Queda (2007) quando excluímos alguém de forma consciente ou não, estamos causando na vitima uma situação de humilhação na qual a vitima se coloca como culpada pela exclusão e se martiriza por isso, o que lhe causa um trauma social. O professor A ao dizer que as brincadeiras são isoladas e só acontecem em determinados momentos, foge de uma das ideias centrais que envolvem o conceito, que é o comportamento como sendo repetido e constante e sem motivo aparente, isso é explicito na concepção de 42 Neto (2001) que caracteriza o fenômeno como sendo atos repetidos de opressão, discriminação, tirania e agressão. Analisando todas as respostas no Anexo I vemos que nenhum dos entrevistados caracteriza o fenômeno como sendo repetido e constante o que pode atrapalhar os mesmos na formulação de estratégias que visem o controle do fenômeno uma vez que não conhecem direito a forma que ocorre o mesmo. Percebe-se também que as relações de comportamentos violentos, que foram questionados nas perguntas 1 e 2 não são intimamente ligadas com as concepções de bullying, pois alguns nem ao menos citam as agressões físicas que são tão citadas nas perguntadas citadas. Porém quando Neto (2006) cita palavras e expressões que em sua concepção são equivalentes ao bullying vemos certa equivalência com a concepção de todos os entrevistados, dentre essas palavras Neto cita: “zoar”, o que pode ser entendido como a colocação de apelidos; intimidar, que podemos relacionar com as chantagens; humilhar, que aparece em todas as concepções dos entrevistados; ameaçar, que também podemos relacionar com as chantagens; excluir e difamar, que podem ser relacionadas com a discriminação e com a concepção da professora C quando aborda a exclusão. Mas a concepção dos professores entrevistados ainda é limitada, mesmo que eles tenham aspectos que todos os autores concordem entre si, faltam muitos comportamentos característicos que eles não têm em suas concepções. Para Calhau (2009) o fenômeno é um conjunto de ações caracterizadas por atos que denigrem, desprezam, violentam, agridem, destroem a estrutura psíquica de outra pessoa e sem nenhum tipo de motivação. Além disso, embora os professores tenham citado agressor e vítima, eles mostram em suas concepções que é relevante saber ou não de todos os participantes do 43 fenômeno, apesar dos entrevistados terem citado vitimas e agressores de forma clara, não citam em nenhum momento outro participante de extrema importância, os espectadores. Isso ocorre talvez porque, como diz Silva (2010), a identificação tanto de agressores e vitimas como também de espectadores é de extrema importância para que a escola e os professores possam realizar ações e elaborar estratégias efetivas contra o fenômeno. Levando-se em conta a dificuldade dos professores entrevistados em perceber todos os participantes e também a falta de ideias que completariam suas concepções sobre o que é de fato o bullying, podemos perceber desse modo que as evidências então são superficiais e não assumem todo o contexto de comportamentos que ocorrem na prática do bullying e por isso a prevenção ou controle possa estar ocorrendo de forma ineficaz de acordo com os referenciais estudados. Analisando-se o quadro 7 vemos que as formas que os professores entrevistados evidenciam o fenômeno sempre se caracterizam pela forma Verbal e pela forma Psicológica e Moral, porém como já foi mostrado, diversos tipos de comportamentos estão dentro do contexto da forma verbal e também da forma psicológica e moral, e nem todos acontecem ao mesmo tempo, mas de acordo com Silva (2010) nenhum aluno vitima do bullying recebe apenas um tipo de mau-trato, e isso é visto nas evidencias que os professores citaram, por exemplo o professor C costuma evidenciar somente quando fazem trabalhos em grupos, que ocorre a exclusão, na verdade o bullying corresponde a um comportamento sistemático (CALHAU, 2009) e assim suas evidencias não deveriam surgir apenas em um ou outro momento. Para Fante (2010) os professores têm que prestar muita atenção em seus alunos de modo que consigam perceber interações que não são 44 benéficas para um aluno, porem a autora ainda diz que todas as definições e evidencias sobre o fenômeno convergem para a incapacidade da vitima em se defender. E pelo fato de não ter aparecido nenhum tipo de evidencias de comportamentos que caracterize a forma “física e material” podemos pensar que essa forma pode aparecer em outro ambiente, talvez intervalo ou horário de saída ou entrada, por isso a importância de todos os membros da escola de estarem atentos em momentos fora de sala de aula. É certo que o bullying causa impactos nos alunos que participam do mesmo. A questão 4 visa saber quais os possíveis impactos na visão dos professores, que os alunos sofrem . O professor A em sua resposta diz que o impacto marcante é a queda no desempenho escolar do aluno, de fato é perceptível que um aluno que sofra com o bullying tem uma queda no desempenho escolar, Antunes et al. (2008) diz que o desinteresse pelos estudos é o principal culpado pela queda do desempenho das vitimas. Já o professor B cita a falta de vontade dos alunos de participarem da aula dele, ele diz que muitas vezes esse desinteresse é pela ridicularizarão que o aluno sofre, por ser no contexto da aula de Educação Física o professor diz que o fato de um aluno ter menos habilidade, correr menos, já é um motivo para serem alvos de criticas. Essas críticas fazem com que alguns alunos até inventem dores, mal estar, para que não participem da aula. Fante (2005) afirma que os impactos para a vítima costumam causar progressivamente o desinteresse, a queda do desempenho, o absentismo até chegar à evasão escolar, nesse caso em que o professor B diz que os alunos começam a inventar doenças e dores, mostra um caso de absentismo, mesmo com o aluno presente ele não participa da aula. A professora C é a única que 45 diz que o impacto não é só na vitima, ela diz que além da pessoa que sofre com o fenômeno ficar traumatizada e não render o que poderia render em aula, o agressor também sofre consequências por achar que tem poder sobre os outros ele acaba deixando os estudos de lado para se focar em causar comportamentos de exclusão ou de irritação para com os colegas. Ela ainda em uma de suas falas cita que além do fracasso escolar o bullying pode causar problemas sociais. Tognetta (2005) concorda com o fato de que os agressores também sofrem impacto com o bullying, mas tem um pensamento mais seguro sobre isso, ele diz que os agressores costumam ter grave deterioração de sua escala de valores, tendo seu desenvolvimento afetivo e moral afetado, além disso o autor ainda diz que isso pode tornar a criança ou o adolescente agressor, um adulto violento e sem boa relação social. Por fim, o professor D diz que o impacto é gigantesco pela pessoa se sentir diminuída, humilhada e isso acaba tendo reflexo no rendimento escolar da mesma, para ele o aluno acaba perdendo a vontade de ir à escola, se isola e, além disso, por causa desse isolamento a vitima pode sofrer problemas no convívio em sociedade, uma vez que para o professor a vitima passa a apresentar medo de se relacionar com as outras pessoas, com receio de sofrer novamente os comportamentos sofridos no ambiente escolar. Essa visão do professor envolve muito o aspecto psicológico na vitima, tanto que para Neto (2001) vitimas de bullying tendem a apresentar sintomas de depressão e que juntamente com um isolamento, causam comportamentos suicidas. Diante de todas essas consequências tanto explicitadas pelos entrevistados e que se fundamentam com as ideias dos autores estudados, 46 vemos a importância do professor de tentar evitar e coibir o fenômeno na escola, criando estratégias e possibilidades de ação para que controlem e evitem o fenômeno. Para analisar as condutas que um professor tem frente a ocorrência do fenômeno e possibilidades de ação que o mesmo utiliza afim de evitar que ocorra o fenômeno, foram utilizadas os dados obtidos com a questão 5 e 6 que serão apresentados nos quadros 8 e 9 , abaixo. Quadro 8 – Categorização das condutas dos professores frente ao bullying na escola. (pergunta 5) Professores Categorias Professor A Apenas conversa com vitimas e agressores. Professor C Levaria o problema para a coordenação. Professor B Conversa conscientizando os alunos. Professo D Coibiria verbalmente caso acontecesse. Analisando o quadro 8, sobre as condutas tomadas caso ocorra comportamentos característicos do fenômeno, vemos que inicialmente quando perguntado em um primeiro momento qual a reação deles, os professores mostram a tomada de atitudes relativamente simples que sabemos terão apenas uma eficácia de momento. O professor A e o B utilizar-se-iam das conversas ao invés de broncas. No caso do professor A ele apenas chamaria os alunos envolvidos de lado e conversaria com os dois dizendo que não gostaria que o comportamento não 47 se repetisse. Já o professor B é bem claro e diz que conversaria com todos da sala a fim de conscientizá-los das diferenças e que temos que conviver bem com as outras pessoas. O professor C de imediato respondeu que levaria para a coordenação, se livrando logo do problema. E por fim o professor D utilizaria uma coibição verbal, diferente de conversa, mas com o intuito de pelo menos no momento evitar que o comportamento continue ocorrendo. Analisando essas condutas imediatas que eles tomam vemos que o professor A e B seguiriam o pensamento de Santos (2007) que diz que uma boa maneira de agir nesse contexto é manter um dialogo, principalmente com os agressores, a fim de que os mesmos reflitam sobre suas atitudes e consequências, já para Neto (2006) o educador tem que estar ciente caso haja ocorrência do bullying em sala de aula, para Neto é imprescindível que o professor saiba que o fenômeno esteja ocorrendo. Santos (2007) diz ainda que o professor/educador, jamais deve passar o problema adiante como educador e como pessoa ele tem o papel de fazer com que os alunos que sofram bullying sejam novamente aceitos pela sala, e ainda afirma que é importante a interação entra os professores e os superiores para que todos estejam cientes do problema, porem não simplesmente passar o problema adiante. Por fim serão analisadas as possibilidades de ação que os professores teriam para que o problema seja evitado. Para isso também utilizaremos categorias que vão estar presentes no quadro 9. Quadro 9 – Possibilidades de ação contra o bullying e aspectos que trabalhariam. Professores Categorias O que trabalharia 48 Professor A Conversas informais com Conscientização os alunos Professor B Jogos cooperativos Integração e interação Professor B Palestras Conscientização mostrando as conseqüências das atitudes e sensibilização. Professor B, C, D Projetos que haja Interação e socialização interação dos alunos. Professor B e C Estimular atividade em Interação e socialização grupo. Professor C Tornar a sala um grupo Interação, socialização e grande e único de forma integração. que haja interação de todos. Professor D Filmes que tenham bullying como tema o Conscientização, vendo as conseqüências que o bullying causa de diversas formas e discussão. Analisando o quadro 9 vemos que os professores têm ideias válidas para tentar evitar o fenômeno na escola. É importante que haja uma conversa entre professores e alunos para tentar conscientizar os alunos porem nem sempre essa estratégia da certo. Para Silva (2010) e Fante (2005) é necessário e muito importante que os professores conheçam as causas que levam o agressor a perseguir uma vitima, e também as causas que leva a vitima a suportar a perseguição, para isso a conversa com os alunos é uma ótima ferramenta. Agora, a realização de jogos cooperativos, projetos e atividades em grupos grandes também são uma estratégia muito importante, desde que bem 49 realizada pelo professor, de modo que não cause constrangimentos aos alunos e sim que mostre a importância de todos dentro de um contexto, para a realização de alguma tarefa por exemplo. A realização de projetos é interessante uma vez que pode envolver toda uma classe, uma serie ou até mesmo toda a escola, e cada um terá sua participação registrada, para Fante (2005) a criação de projetos que envolvam um grande número de pessoas é uma ótima estratégia de interação e integração. No caso da apresentação de filmes e palestras há uma grande conscientização, pois o aluno passa a se ver em algum personagem do filme, e começa a analisar suas atitudes, seus comportamentos. Fante (2005) diz que é importante que conscientizemos nossos alunos a partir de suas próprias experiências, desse modo fazer com que eles percebam quais pensamentos e as emoções despertadas por eles, isso pode ficar muito evidente em filmes e palestras que mostram exemplos. Além disso, ficam muito marcantes os comportamentos apresentados em diversos filmes e isso pode fazer com que os alunos percebam o sofrimento que alguns comportamentos geram em uma pessoa, isso pode favorecer para as mudanças de comportamentos. É importante também de acordo com Fante (2005) que trabalhemos a ideia de reflexão dos alunos sobre possíveis casos de bullying, com a criação de regras que visem o respeito entre os alunos da escola e com direito a sanções que para a autora devem ser criadas pelos próprios alunos, essa seria uma ideia interessante de projeto. Todas as ideias dadas pelos professores entrevistados estimulam a conversa, a interação e reunião e o respeito, isso tudo para Calhau (2009) aproximam os alunos de forma que eles comecem a agir em prol do próximo, para o autor é muito importante todas essas 50 interações para que se busque um ambiente pacifico onde as pessoas que fazem parte desse ambiente se respeitem e se sintam bem no ambiente escolar, dessa forma melhorarão o convívio social de forma geral. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS. O presente estudo teve o objetivo analisar como alguns professores do Ensino Médio compreendem o fenômeno bullying, e quais as ações e condutas devem ser adotadas frente à ocorrência e para a prevenção do fenômeno. Os professores apresentaram ideias distintas sobre o bullying, porém, se juntássemos todas ficaríamos próximos do modo como os autores estudados compreendem o fenômeno. Isso nos mostra que apesar da grande divulgação da mídia sobre o fenômeno os professores ainda estão sem bases sólidas para saber o que realmente envolve o fenômeno e, assim, pontua-se a importância da escola ou das redes de ensino em ofertar oportunidades de formação continuada nessa temática. Apesar disso, em relação às consequências que o bullying causa nos alunos os professores demonstraram acuidade na identificação das mesmas, com menor ênfase nas consequências psicológicas, mas em relação a isso as repostas dos professores deram conta de suprir quase todas as ideias dos autores estudados. Por fim o bullying é um fenômeno relativamente novo e por isso, muitos professores não têm pleno conhecimento do que realmente é, quais são as consequências, e quais medida tomar para coibir e evitar tal comportamento. 51 Ainda assim, as intervenções e estratégias indicadas por eles para evitar o fenômeno demonstram interpretações coerentes e que poderiam servir de base para a reflexão a partir das contribuições teóricas dos autores que embasaram o presente estudo. 52 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, A. R. Jr. & QUEDA, O. Bullying escolar, trote universitário e assedio moral no trabalho: Investigação sobre similaridades e diferenças. Antritrote. 2007. Disponível em <http://www.atitrote.org> Acesso em 05 set. 2010. ANTUNES, D, C.; ZUIN, A. A. S. Do Bullying ao preconceito: Os desafios da Barbárie à educação. Psicologia & Sociedade. Vol. 20. Cap 1. 2008. p. 33-42. CALHAU, L.B. Bullying: o que você precisa saber: identificação, prevenção e repressão. Niterói, RJ: Impetus, 2009. CARVALHOSA, S.F. ; LIMA, L ; MATOS, M,G. Bullying - a provocação/vitimação entre pares no contexto escolar. Análise psicológica. Vol 4. 2001. p. 523 – 537. FANTE, C. Fenômeno Bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª Ed. rev. E amo. Campinas, SP: Verus Editora, 2005. FANTE, C; PEDRA J.A. Bullying escolar: perguntas e repostas.. Porto Alegre, Artmed, 2008. LÜDKE, M. E ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo. Editora E.P.U. 2003. P.33 a p. 36. MANTOAN, M.T.E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? 2 ed. São Paulo, SP: Moderna , 2006. MARTINS, M. J. D. O problema da violência escolar: Uma clarificação e diferenciação de vários conceitos relacionados. Revista portuguesa de educação, 18 (1), 93-105. 2005. 53 NETO, A. A. l. Comportamento agressivo entre estudantes: Bullying.In: Escolas promotoras da saúde: Experiências no Brasil. 2006. SANTOS, L, P, R. O papel do professor diante do Bullying na sala de aula. 2007. 55. Projeto de Pesquisa. Unesp, Bauru. SCHILLING, F. A sociedade da insegurança e a violência na escola. São Paulo : Moderna, 2004 SILVA, A. B. B. Bullying: mentes perigosas nas escolas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. SPOSITO, M. P. Um breve balanço de pesquisa sobre violência escolar no Brasil. Educação e pesquisa, 27 (1), 87-103. 2001. 54 ANEXO I Entrevistas Professor A 1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre os alunos na escola? Não, uma brincadeira ou outra, mas nada violento. Você não classifica essas brincadeiras como um comportamento violento ou um comportamento que pode gerar violência? Não 2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de comportamentos violentos na escola? Em minha opinião a causa para qualquer comportamento violento é a desigualdade em que vivemos. 3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno Bullying? O que é esse fenômeno na sua concepção? Como você evidenciaria esse fenômeno em sala de aula? Tem algum comportamento que seria característico do fenômeno? Sim, Seria você usar a questão da humilhação em cima de alguns alunos, alguns apelidos, algumas brincadeiras mais grosseiras e violentas que façam com que os alunos sejam reprimidos pela sala e pelos colegas. Costumo perceber principalmente pelo alvo, pelo aluno que sofrendo, acho que primeiramente cabe a ele reclamar “né”, fazer as reclamações devidas, e ai o professor a partir desse momento ficar mais atento “né”, em relação às 55 brincadeiras com esse aluno. Penso eu que os comportamentos mais característicos são as brincadeiras de mau gosto que envolve xingamentos ou apelidos. E são brincadeiras isoladas? Sim que acontecem em determinado momento, por exemplo, durante uma explicação, ou um momento de descontração. 4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do fenômeno nos participantes do mesmo? Um aluno que seja meio fechado e que ao invés de tomar as devidas providencias que seria falar com o professor ou a direção ou coordenação da escola, chegar e tentar resolver da forma dele e ele acabarem às vezes utilizando a violência contra aqueles que lhe causam violência. Eles sofrem com certeza uma queda no desempenho escolar, acho que esse é o maior impacto. E como você costuma perceber esse impacto? Então pelo fato de eu nunca ter presenciado alguma ação dessa eu não reparo em nenhum aluno que tenha mudado, sendo prejudicado no seu desempenho escolar. 5-) Como o professor deve intervir, no caso de um aluno que não fala que ta sofrendo bullying? Acho que daí cabe ao professor na verdade ficar atento a cada aluno né, pra poder perceber, o professor, acho que depois de um determinado tempo tem que ta conversando informalmente com os alunos, pra poder conhecer cada aluno que ele tem e começar a ver se tem alguma coisa diferente. 56 O que seria algo diferente? Algum xingamento mais fervoroso, ou então humilhações com xingamentos envolvendo família, amigos. Pergunta original: 6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente à manifestação? Modo que foi perguntado: Caso algum dia ocorra um caso que você presencie, quais seriam suas condutas frente as manifestações e quais seriam as possibilidades de ação? Primeiramente tentaria resolver dentro de sala de aula, chamando o agressor e a vitima, e conversando com eles que eu não gostaria que o comportamento se repetisse e nem que ocorresse com outros alunos. E caso não surtisse efeito passaria a direção coordenação. Mas então qual a importância do professor nesse contexto? Ele que presencia a cena então essa é a importância. E as possibilidades de ação frente ao bullying? Olha eu acho difícil, mas eu tentaria colocar o aluno vitima como foco, procuraria mais a ajuda dele com resolução de exercícios, pediria para que os colegas ajudassem ele em sala de aula, para que ele se sentisse acolhido pela turma e que não sofra nenhum perda social, ou que tenha medo de socializar com os outros alunos, até mesmo com os agressores. PROFESSOR B (Ed Física) 57 1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre os alunos na escola? A gente presencia, mas são poucos, não tem tanta freqüência, mas de vez em quando ocorre uma discussão verbal que gera uma agressão física. 2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de comportamentos violentos na escola? Como eu sou professor de Ed Física, na minha aula geralmente o que eu vejo são mais ataques verbais, como por exemplo, “o molenga, “o seu ruim, “o gordinho” vê se corre mais e essas agressões ao final da aula ou mesmo durante a aula causam algumas vezes discussões que pode gerar uma briga”. Já a causa desses comportamentos é sempre por que um aluno é mais gordinho, ou mais alto, eu diria que a causa dos comportamentos violentos esta associada ao fato de não sabermos respeitar o próximo, isso na escola, no trabalho, na vida em geral. 3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno Bullying? O que é esse fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em “sala de aula” ou no seu caso no espaço que utiliza para dar aula? Tem algum comportamento que seja característico do fenômeno? Sim já ouvi falar, na minha concepção bullying é uma forma de comportamento violento que ocorre quando alguém humilha outra pessoa, tanto com xingamentos, chantagens, e que normalmente é sempre por uma pessoa ser diferente, “fora dos padrões” considerados normais sabe, por exemplo, um menino mais gordo, ou então um mais magro, um que tem a cabeça grande, ou então que não tem muitas aptidões esportivas. Acho que como comportamento característico a humilhação é o principal, ainda mais quando ocorre sem motivos ou por motivos dessas “diferenças” que citei, e sempre fica bem 58 característico a vitima como uma pessoa que não tem como se defender e o agressor sempre intimidando a vitima principalmente por esse motivo. Eu vejo no agressor um problema de educação em casa, que vem dos pais quando isso é trabalhado desde pequeno, o fato das diferenças, eu acredito que a criança se torna uma pessoa que saiba lidar com as situações sem tirar sarro da cara do mais gordinho, mais baixinho ou do magricelo. E quanto a vitima é importante que temos que dar todo o apoio, temos que ter cuidado para que isso não torne maçante para a vitima, fazer com que ela tente encarar a não ligar, não da tanta importância. É um problema que tem que ser falado, comentado e evitado dessa forma com conversas com os envolvidos, mostrar as faces de quem agride e de quem é agredido. Como sua aula é fora da sala de aula você acha que o bullying é mais característico? É que na minha aula é que se põe em jogo as habilidades físicas, então quando aparecem alunos com dificuldades são ai que surgem as piadinhas as risadas. 4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do fenômeno nos participantes do mesmo? Minha maior preocupação é no isolamento que esses comportamentos causam nas vitimas, elas perdem a vontade de fazer a aula para não serem ridicularizadas, e isso acaba causando um problema no convívio social da vítima dentro e fora da escola, ela passa a querer não freqüentar mais os grupos sociais, e também e fato de agir no psicológico da vitima que se sente acuado e muitas vezes passam a maioria do tempo afastada, chateada, depressiva, causando muitas vezes o afastamento da vitima dos estudos. Na minha aula eu vejo que o impacto é a falta de vontade dos alunos de participarem. Muitas vezes quem é ridicularizado por ter menos habilidades físicas do que os outros costumam sempre vir com desculpas como, por exemplo, dor de cabeça, nas pernas entre outras. 59 5-) Como o professor deve intervir? Então eu tenho comentado muito com os alunos quanto ao respeito ao próximo, eu bato nessa tecla sempre, eu faço até umas brincadeiras, uma vez eu escondi um menino que era gordinho que viviam o chamando de bola, e eu via que ele ficava incomodado com isso, então eu o escondi e o jogo não podia ser iniciado sem o menino, isso fez com que os alunos percebem-se a importância que cada um de nos temos e que muitas vezes apelidos indesejados podem causar o afastamento das pessoas e a chateação dessa mesma pessoa. Eu tento sempre mostrar que independente de qualquer diferença todos nós somos iguais e temos a mesma importância dentro de um grupo ou dentro de um ambiente. 6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente à manifestação? Através de conversas, exemplos, jogos cooperativos ajudam a entender os limites de cada um, não é porque um aluno é mais lento que ele não tem outras qualidades, cada um tem determinada habilidade em algo, procuro mostrar que ninguém é perfeito e que todos nós temos defeitos e que precisamos lidar com as diferenças sempre respeitando o espaço de cada um. Eu vejo diversas possibilidades de ação, como palestras aos alunos, projetos que envolvam a interação entre os mesmos, atividades em grupos sempre tentando mostrar aos alunos que nossa vida envolve o trabalho em grupo e o convívio social faz parte dobem-estar da vida de todos. PROFESSOR C 1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre os alunos na escola? 60 Sim já presenciei, com baixa freqüência. 2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de comportamentos violentos na escola? Quando eles discordam em algo já ocorreu de um chutar o outro, ou dar um soco, mais brigas. E quais são as Causas? A discordância de opiniões e às vezes um aluno que quer se aparecer para os outros mostrando que é forte, que bate em todo mundo, exercendo uma espécie de controle sobre os outros. 3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em sala de aula? Tem algum comportamento que seja característico do fenômeno? Sim já ouvi falar. Minha concepção é que bullying é quando um grupo de pessoas maltrata outro aluno ou não deixam um aluno participar de um grupo, o ignoram. Na sala fica muito claro como eu já disse na formação de grupos, você nitidamente vê que os alunos quando montam os grupos ignoram um determinado aluno por não gostarem dele, ou por acharem que ele é estranho, porque usa óculos ou porque é magro demais, e quando fazem trabalho com esse aluno eles começam a xingar, humilha-lo. O fato de ignorar um aluno é um dos comportamentos que eu acho mais característico do Bullying, mas tem outros como não falar com um aluno, bater ou dar pontapés continuamente e como já disse xingam sem motivos. 4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do fenômeno nos participantes do mesmo? 61 Tem impacto tanto na pessoa que sofre o bullying, como na agride, a pessoa que sofre fica traumatizada, ela não rende o que poderia render, não tira duvidas por medo de ser xingada, e a pessoa que agride acha que sempre é o dono da razão e por isso acha que tem poder sobre os outros, e acaba se prejudicando por deixar também os estudos de lado para se focar em irrita os colegas. Eu penso que o bullying leva ao fracasso, lógico que alguns casos uma vítima pode até virar um estudioso do próprio fenômeno e ter até soluções para ajudar os responsáveis, mas normalmente o bullying leva ao fracasso escolar e até mesmo social. 5-) Como o professor deve intervir? Geralmente a gente passa pro superior, que é a coordenação e na hora de montagens de grupos, por exemplo, eu tento colocar uma pessoa que os outros alunos xingam ou evitam em grupos que as aceite da melhor forma, que não xingarão tentando evitar constrangimentos. Mas eu sempre passo pro superior para que eles falem com os alunos e chamem os responsáveis, é eles que têm que saber como agir, o professor em si não pode ficar levantando muita polemica na sua aula sobre esse assunto 6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente à manifestação? Eu pensaria atividades que envolvam a sala inteira, montando um circulo, para responder exercícios, ou para uma gincana da matéria, exemplo tabuada, vc pergunta passa um por um, interage a sala inteira, uns vão ajudando os outros, acho que essa seria uma maneira de ajuda na interação social e de forma a evitar desentendimentos. PROFESSOR D 62 1-) Você costuma presenciar comportamentos ou tratamentos violentos entre os alunos na escola? Já presenciei, mas não aqui, na escola publica sim. 2-) Quais os tipos de tratamento ou comportamentos que você julga como sendo violentos e que você presencia? Para você qual a causa de comportamentos violentos na escola? Brigas, discussões que levam a briga, apelidos que são colocados e por causa deles também ocorrem brigas, resumindo a violência que costumo presenciar é mais briga mesmo por diversos motivos. Olha eu acho que tem diversos fatores que fazem nossa sociedade ser violenta, desigualdades sociais, falta de oportunidade para as pessoas, na escola eu acho que é um comportamento que vem de casa, os alunos apenas tratam as pessoas como eles vêem seus pais tratando, o comportamento que presenciamos em casa é refletido sempre em nossos filhos uma vez que somos os exemplos que eles buscam a seguir, alem disso as pessoas não aceitam que somos diferentes, as diferenças tanto físicas, como de opiniões causam muitas divergências e isso acaba gerando violência, essa falta de respeito com o próximo, o fato de não sabermos respeitar o limite do próximo, esses são os desencadeadores dos comportamentos violentos. Você citou a briga como sendo um comportamento que você já presenciou, tem algum outro tipo de comportamento violento que você presenciou? A violência verbal “né”, com palavras, ofensas morais e coisas do tipo. 3-) Você já ouviu falar sobre o fenômeno bullying? O que é esse fenômeno na sua concepção? Como você evidencia esse fenômeno em 63 sala de aula? Tem algum comportamento que seja característico do fenômeno? Já ouvi falar. bullying é quando um menino é mais gordinho que o outro ele pode ser discriminado, quando é mais moreninho que o outro pode ser discriminado. Eu percebo ouvindo as ofensas que são feitas, percebendo todo tipo de comportamento mais alterado. Pelo que vejo eu entendo que a característica é a discriminação dos alunos agressores as vitimas. 4-) O que na temática do fenômeno o preocupa? Como avalia o impacto do fenômeno nos participantes do mesmo? Preocupa pelo fato de gerar violência, como brigas, discussões entre outras. O impacto é gigantesco, a pessoa se sente diminuída, humilhada, se sente inferior e isso acaba refletindo no rendimento escolar dela, o aluno acaba perdendo a vontade de ir a escola, se isola, e isso causa alem de problemas dentro da escola problemas de convívio em sociedade, a pessoa vitima do bullying fica com medo de se relacionar com as outras pessoas, com medo de serem xingadas, humilhadas, diminuída. 5-) Como o professor deve intervir? O professor tem que coibir, evitar, acabar com isso, não permitindo isso em sua sala de aula. 6-) Como é possível fazer a integração e/ou a inclusão dos alunos participantes do fenômeno? Quais as possibilidades de ação? Sua conduta frente à manifestação? Com conversas, mostrando filmes que temos ai que exemplificam o fenômeno e mesmo trabalhando em cima desse assunto com os alunos, montando um projeto de como eles fariam para coibir um determinado comportamento agressivo contra alguma outra pessoa. Mostrar também que as pessoas são 64 diferentes, todos nós somos diferentes uns dos outros e isso tem que ser respeitado, que apesar de sermos diferentes, ninguém é melhor que ninguém, temos que mostrar para o agressor no caso que não tem sentido você discriminar alguém ou você menosprezar alguém ou diminuir alguém só por sermos diferentes uns dos outros. 65 ANEXO II