Comitê Científico Editor José Fernandes Filho, Ph,D. - EEFD/UFRJ (Brasil) [email protected] Editores Científicos Paula Roquetti Fernandes, Ph,D. - CEAF (Brasil) Mauro Moraes Macedo, Ph,D. - Instituto Meta (Brasil) Gilmar Eduardo Costa do Couto, Ph,D. - Ufam/Inucam (Brasil) - editorcientí[email protected] Comissão Editorial Ademir de Marco, Ph.D. - Univ. Estadual de Campinas (Brasil) Antônio José Rocha Martins da Silva, Ph.D. - Univ. de Trás-os-Montes e Alto Douro (Portugal) Antônio T. Marques, Ph.D. - Univ. do Porto (Portugal) César Jaime Oliva Aravena, Ph.D. - Univ. Playa Ancha (Chile) Dartangnan Pinto Guedes, Ph.D. - Univ. Estadual de Londrina (Brasil) Edio Petrosky, Ph.D. - Univ. Fed. de Santa Catarina (Brasil) Eduardo Henrique De Rose, Ph.D. - Academia Olímpica Brasileira (Brasil) Eduardo Kokubum, Ph.D. - Univ. Est. Paulista - Rio Claro/SP (Brasil) Emerson Silami Garcia, Ph.D. - Univ. Federal de Minas Gerais (Brasil) Federico Schena, Ph. D. - Univ. di Trento (Itália) Jack Wasserman, Ph.D. - Univ. of Tennessee (U.S.A.) João Carlos Bouzas Marins, Ph.D - Univ. Federal de Viçosa (Brasil) Jorge Proença, Ph.D. - Univ. Lusófona (Portugal) Jorgen Weineck, Ph.D. - Univ. of Erlangen (Alemanha) José Antonio Villegas García, Ph.D. - Univ. Católica de Murcia José de Jesus Fernandes Rodrigues, Ph.D. - Escola Superior de Desporto de Rio Maior (Portugal) Juan Antonio Moreno, Ph.D. - Univ. de Murcia (Espanha) Juarez Vieira do Nascimento, Ph.D. - Univ. Fed. de Santa Catarina (Brasil) Luís Bettencourt Sardinha, Ph.D. - Univ. Técnica de Lisboa (Portugal) Luis Miguel Ruiz Perez, Ph.D. - Univ. de Castilla La Mancha Pepe Palacios, Ph.D. - Univ. da Coruña (Espanha) Randy Wilbert, Ph.D. - United States Olympic Comitee (U.S.A.) Ricardo Jacó de Oliveira, Ph.D. - Univ. Católica de Brasília (Brasil) Romuald Stupnicki, Ph.D. - University Education (Polônia) Steven Fleck, Ph.D. - American College of Sports Medicine (U.S.A.) Tamara Abranova - UNIITK - Russia Tudor Bompa, Ph.D. - York University (Canadá) Valdir Barbanti, Ph.D. - Univ. de São Paulo (Brasil) Victor Machado Reis, Ph.D. - Univ. Trás-os-Montes e Alto Douro (Portugal) Victor K. Matsudo, Ph.D. - CELAFISCS (Brasil) Revista Fitness & Performance 9 | 3 | jul/set 2010 Copyright © 2010 Universidade Federal do Amazonas Reitora Márcia Perales Mendes Silva Editora Suely Oliveira Moraes Marquez Jornalista Responsável José Maurício Capinussú de Souza, Ph.D. Reg. nº 8.859 Responsável Comercial Gilmar Eduardo Costa do Couto, Ph,D. 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Ficha Catalográfica elaborada por Suely O. Moraes Marquez - CRB 11/365 Revista Fitness & Performance, ano 9, n.º 3, jul./set./2010 - Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2010. Bimestral E-ISSN 1676-5133 1. Saúde – Periódicos CDD 610 CDU 614 Editora da Universidade Federal do Amazonas Avenida Gal Rodrigo Otávio Jordão Ramos, n.6200 – Coroado I, Manaus/AM Campus Universitário Senador Arthur Vírgilio Filho, Bl. L, Setor Sul Telefax:(0xx) 92 3305 4291 e 3305 4290 E-mail: [email protected] F&PJ on line EISSN 1676 - 5133 http://www.fpjournal.org.br Pede-se permuta - Se pide canje Exchange requested On demande I´ échange Si richiede lo scambio EDITORIAL Saudações leitoras e leitores! É com imensa satisfação que informamos a vocês, que o Volume 1 da Edição on line da Fitness & Performance Journal 2010 está a disposição. A Edição on line poderá ser acessada pelo endereço www.fpjournal.org.br. O retorno das publicações da Fitness & Performance Journal contribuirá, significativamente, para o enriquecimento profissional e a evolução da ciência nos campos da atividade física e da saúde em geral. Neste número estarão a disposição os artigos: Comparação do perfil antropométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades; Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu; Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes; Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes; Concentrações de lactato sanguíneo produzido em combates de esgrima: estudo preliminar; Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol; Game-related statistics in basketball by player position and final game score differences in European basketball championship 2007; Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer e; Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de detecção de talentos nas categorias de base do futebol de campo. O objetivo a partir das adequações e ajustes realizados é manter a periodicidade da Revista sem descontinuidade. Para que isso possa acontecer vocês são fundamentais e podem colaborar nas próximas edições. Submeta seu artigo e faça parte desta conquista publicando seus estudos na Fitness & Performance Journal. Um grande e forte abraço a todos! Boa leitura! S U M Á R I O 9 Comparação do perfil antropométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades Guilherme de Azambuja Pussieldi | Bethânia Lara Santos | Luciana Aparecida Pereira | João Carlos Bouzas Marins 15 Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu Charles Nardelli Valido | Lindsei Brabec Motta Barreto | Lillian Beatriz Fonseca dos Santos | Alynne Christian Ribeiro Andaki | Edmar Lacerda Mendes | Ciro José Brito 19 Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes Sérgio Luis Peixoto Souza Junior | Rodrigo Bozza | Antonio Stabelini Neto | Anderson Zampier Ulbrich | Wagner de Campos 24 Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes Laiana Sepúlveda de Andrade | Vanessa Batista de Sousa Lima | Artemizia Francisca de Sousa | Nadir do Nascimento Nogueira | Oseas Florêncio de Moura Filho | Dilina do Nascimento Marreiro 31 Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol Nilo Terra Arêas Neto | Anderson Pontes Morales | Mauricio Rocha Calomeni | Guilherme Gomes Côrtes | Carlos Eduardo Lopes Bianchi dos Guaranys | Vernon Furtado da Silva 37 Game-related statistics in basketball by player position and final game score differences in European basketball championship 2007 Yolanda Escalante | José M. Saavedra | Antonio García-Hermoso 43 Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer Bruno Pereira Melo | Amanda Aparecida Delfino | Célia A. da Silva | Letícia M. Mendonça | Jeferson T. de Geraldo |Talita K. C. Barbosa | Rafaela S. Araújo | Marcel V. S. Malta | Fernanda S. Carvalho | Rony R. Carvalho | Sandro Fernandes da Silva 50 Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de detecção de talentos nas categorias de base do futebol de campo Marcos Antonio Medeiros do Nascimento | Fernando Policarpo Barbosa Comparação do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades Guilherme de Azambuja Pussieldi1 CREF 001423 G/MG - [email protected] Bethânia Lara Santos2 CREF 014189 G/MG - [email protected] Luciana Aparecida Pereira3 CREF 001445 G/MG - [email protected] João Carlos Bouzas Marins4 CREF 003976 G/MG - [email protected] Estudo vinculado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa, Of. Ref. Nº 096/2010/Comitê de Ética. RESUMO Introdução: Buscou-se comparar o perfil antropométrico e o somatotípico de ciclistas de alto nível de estrada (Estrada), fora de estrada (MTB) e bicicross (BMX). Materiais e Métodos: Participaram 29 homens, sendo 9 ciclistas de estrada, 10 de fora de estrada e 10 de bicicross. Constituiu de uma avaliação antropométrica e do somatotipo de cada grupo. Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas do perfil entre Estrada e MTB, porém, entre MTB e BMX, foram encontradas diferenças significativas para massa corporal, percentual de gordura e massa gorda. Os três grupos caracterizaram-se pela predominância do componente mesomórfico, mas Estrada e MTB apresentaram o perfil mesomorfo-ectomorfo e BMX apresentaram o perfil de mesomorfo-endomorfo. Os atletas obtiveram diferenças significativas em relação ao componente endomórfico, quando comparados com os ciclistas das outras modalidades. Discussão: Os ciclistas de estrada e MTB apresentaram um menor percentual de gordura, enquanto a MCM foi semelhante entre os grupos. O perfil somatotípico indica uma predominância do endomorfismo no BMX, enquanto que ocorre um equilíbrio nos demais elementos entre os três grupos de atletas. Palavras-chave Composição Corporal. Ciclismo. Somatotipo. Desempenho Atlético Road, off road and bmx elite cyclists antropometric and somatotipic profile comparasions ABSTRACT Introduction: The aim of this study was compare the anthropometric profile and somatotype among road, off road and bicycle motocross cyclists. Methods: It was 29 cyclists, which 9 road, 10 off-road (MTB) and 10 bicycle motocross (BMX). It was an anthropometric evaluation of the percent body fat and the somatotype of each group. Results: Significant differences of anthropometric profile and somatotype were not found between Road and MTB, however in the comparative between MTB and BMX, significant differences were found to the variables body mass, percent body fat and body fat. The somatotype among the three groups was characterized by the predominance of mesomorphic component that is distinguished by the muscularity, however the Road and MTB presented the somatotypic profile characterized by mesomorph-ectomorph, and the BMX presented the mesomorph-endomorph profile. These athletes have gotten significant differences considering the endomorph component when compared to the cyclists from the other modalities. Discussion: The BMX can have a percent body fat greater. The somatotipic profile indicates predominance of the endomorphism in the BMX where as balance in the other elements. Key-words Body Composition. Bicycling. Somatotype. Sports Performance. 1 2 3 4 Universidade Federal de Viçosa; MG Brasil Universidade de Itaúna, MG, Brasil Prefeitura Municipal de Florestal Universidade Federal de Viçosa; MG Brasil Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3 | 9-14 | jul/set 2010 Pussieldi, Santos, Pereira, Marins Comparación del perfil antoprométrico y somatotípico de los ciclistas de elite en diferentes modalidades RESUMEN Introducción: El estudio consistió en analizar y comparar el perfil antropométrico y el somatotipico de ciclistas de alto nivel de estrada (Estrada), fuera de estrada (MTB) y bicicross (BMX). Métodos: Participaron del estudio 29 hombres, siendo 9 ciclistas de estrada, 10 de MTB y 10 de BMX. Fue hecha una evaluación antropométrica y del somatotipo de cada grupo de atletas. Resultados: No fueron encontradas diferencias significativas del perfil entre Estrada y MTB, pero MTB comparados a BMX, fueron encontradas diferencias significativas para las variables masa corporal, porcentual de grasa y masa gorda. Los tres grupos caracterizaron por la predominancia del componente mesomórfico, además Estrada y MTB presentaron el perfil caracterizado como mesomorfo-ectomorfo y BMX presentaron el perfil de mesomorfo-endomorfo. Los atletas obtuvieron diferencias para el componente endomórfico, cuando comparados con los ciclistas de las otras modalidades. Discusión: Estrada y MTB presentaron un menor porcentual de grasa, pero la MCM fue semejante entre los grupos. El perfil somatotípico indica una predominancia del endomorfismo en el BMX, pero ocurre un equilibrio en los demás elementos. Palabras-clave Composición Corporal. Ciclismo. Somatotipo. Desarrollo Atlético. INTRODUÇÃO O ciclismo possui diversas especialidades e os atletas podem apresentar diferenças morfológicas externas, conforme observações de Heath e Carter1 que concluíram que nossa biotipologia não depende exclusivamente da carga genética, mas de fatores externos, como a atividade física, que é potencialmente modificada para conseguir maior rendimento. Acredita-se que essas diferenças morfológicas se justificam pela hipótese de que cada esporte possui um perfil antropométrico característico2, podendo influenciar na elaboração de tipos variados de programas de treinamento. A elaboração desse perfil pode ser alcançada através da antropometria, já que a determinação da composição corporal do indivíduo é um recurso crucial na avaliação do estado físico e no controle das diversas variáveis envolvidas durante uma prescrição de treinamento3. Para se classificar a composição corporal utiliza-se a técnica do somatotipo, um método no qual Sheldon4 dividiu a estrutura física do homem em três condições diferenciadas, que são endomorfia, mesomorfia e ectomorfia, definindo determinadas características físicas que as diferenciam entre si4, 5. Segundo Silva et al.6, a endomorfia apresenta o arredondamento das curvas corporais como principal característica da estrutura física. A mesomorfia caracteriza-se pelo grande relevo muscular aparente e uma estrutura óssea mais maciça. Já a ectomorfia, pode ser identificada por uma linearidade corporal, com discreto volume muscular e pequena presença de tecido gorduroso. Em seus estudos antropométricos, Sheldon4 concluiu que não existe um indivíduo com uma classificação única, mas com maior ou menor tendência para cada um dos componentes de sua divisão. Foi elaborada uma escala de 1 a 7 para cada uma das três classes, sendo o número 1 o de menor quantidade e o número 7 o de maior presença4,7. De acordo com os estudos de Padilla et al.8, as características morfológicas individuais determinam o desempenho no ciclismo em diferentes tipos de terreno. Este esporte apresenta três formas bem diferentes de competição, sendo elas o ciclismo de estrada, o MTB e o bicicross (BMX). Segundo Jeukendrup9, o ciclismo de estrada é caracterizado pela grande quantidade e diversidade de eventos. Essas diferem na duração, no tipo e no terreno em que cada corrida acontece. 10 A duração desses eventos oscila entre 10 e 50km, no máximo, em provas de contra-relógio individuais e entre 30 e 100Km por equipe, e de até 90 a 100 horas em provas de 3 semanas, com etapas que superam os 180km em um único dia10. Como resultado, pessoas distintas, com características fisiológicas diferentes, irão atuar em eventos variados. Assim, selecionar o evento para o qual a pessoa é mais apta é importante para a realização do seu potencial11. As provas de ciclismo fora de estrada, também conhecidas como Mountain Bike (MTB), são muito intensas, exigindo alta capacidade aeróbia12,13. Dentre as diferentes provas de MTB, o Cross-Country (XC) é um dos eventos mais populares. As competições são realizadas em circuito fechado, com trechos estreitos e sinuosos, e/ou estradas abertas, geralmente com a presença de diferentes condições no solo14. O tempo de duração deste tipo de prova usualmente ultrapassa os 60 minutos, sendo registradas competições com até 5 horas de duração. Apesar do MTB ser um exercício predominantemente aeróbio, Wilber et al.15 relataram que não existem diferenças fisiológicas entre atletas dessa especificidade com atletas de estrada. Poucos estudos são encontrados na literatura que tratam das características do Bicicross (BMX). O BMX surgiu em 1968 na Califórnia (EUA), inspirado no Motocross (MX). Adolescentes imitavam seus ídolos com suas bicicletas e as adaptavam para corridas, construíam pistas e realizavam competições informalmente16. O BMX é um esporte individual de habilidade aberta, com diversas condições que variam de pista para pista, que exigem adaptações constantes por parte dos competidores, havendo também contato físico entre os mesmos17. Os circuitos variam entre 330 a 450 metros, dependendo de suas características e de seus obstáculos, sendo percorridos entre 30 e 45 segundos realizados em alta intensidade com predomínio anaeróbio. No BMX as competições acontecem em baterias de oito competidores, onde se classificam os quatro melhores, passando por eliminatórias, até chegarem a uma bateria final, com oito competidores18. No levantamento da base de dados Scielo e Medline, e no Banco de Teses da Capes, com as palavras-chave: Composição Corporal, Ciclismo, Somatotipo e Desempenho Atlético, não foram encontrados trabalhos que se relacionassem ao tema de nosso estudo. Em virtude dos aspectos levantados anteriormente, como a carência bibliográfica nessa área, existe a necessidade de se Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14 Comparação do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades comparar as variáveis antropométricas e o somatotipo dos atletas de elite de ciclismo de estrada, de MTB e de BMX em função de melhor orientar os pesquisadores e treinadores de ciclismo, para que eles conheçam a modalidade que mais combine com o perfil do atleta em questão, ou para que o atleta possa ser encaminhado com mais cientificidade para a modalidade correta. Este estudo é o primeiro feito em nosso país com o objetivo de analisar e comparar o perfil antropométrico e o somatotipo de ciclistas de elite de estrada, MTB e BMX, e poder contribuir para formação de uma base de dados que componha os processos de detecção de talentos esportivos do ciclismo. Existe a necessidade de compreensão dos critérios adotados pelos técnicos esportivos nos processos de seleção esportiva, utilizando maior número de ferramentas para um diagnóstico mais adequado. estimativa da densidade corporal, determinada pela equação de sete dobras, proposta por Jackson e Pollock20. Os perímetros de braço contraído (BRC) e panturrilha (PM) foram medidos com uma fita métrica metálica Lufkin, com precisão de 0,1 cm. As medidas foram feitas em duplicidade pelo mesmo avaliador. Para análise do somatotipo foi utilizado o sistema de classificação proposto por Heath e Carter1. Para tanto, foram medidos os diâmetros biepicôndilo umeral e bicôndilo femural, com um paquímetro de pequenas medidas da marca Lange com precisão de 0,1 cm. Quanto ao cálculo dos componentes do somatotipo, o método de Heath e Carter1 é amplamente aceito. Esse método permite quantificar os componentes deste de forma rápida e ter uma classificação biotipológica do desportista. MATERIAS E MÉTODOS Cuidados Éticos Todos receberam instruções sobre a avaliação e sobre os procedimentos tomados. Antes das avaliações, os atletas assinaram o Consentimento Livre e Esclarecido e o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa, Of. Ref. Nº 096/2010/Comitê de Ética. Não existem conflitos de interesse neste estudo. Procedimentos Estatísticos Os diferentes parâmetros foram analisados estatisticamente através da análise de variância unicaudal com post-hoc Tukey Test. O estudo admitiu o nível de p < 0,05 para a significância estatística e foi utilizado o pacote estatístico Graphic Prism, versão 4.0. Amostra A amostra foi composta de vinte e nove (29) competidores brasileiros de ciclismo do sexo masculino, com experiência de mais de cinco anos em competições específicas de sua modalidade, todos entre os quinze primeiros do ranking nacional. Os ciclistas de BMX eram da mesma equipe (Minas Gerais), os demais eram de diversas regiões do país. Todos os atletas participaram da pesquisa voluntariamente. Foram nove ciclistas de estrada com idade média de 26 ± 3 anos, dez de MTB com idade média de 25 ± 3 anos e dez de BMX com média de idade de 25 ± 6 anos, todos filiados à Confederação Brasileira de Ciclismo. Os dados dos atletas foram coletados em eventos de alto nível técnico de cada modalidade. Os dados dos ciclistas de estrada foram coletados na véspera da Prova da Inconfidência, na cidade de Betim, evento do calendário nacional. Os dados dos ciclistas de MTB foram coletados na véspera da Copa Internacional de Mountain Bike, evento válido pelo ranking internacional da UCI. Os dados dos ciclistas de bicicross foram coletados na véspera do Campeonato Panamericano de BMX. Todos os dados foram coletados pela manhã, nos locais das provas. Avaliação das variáveis antropométricas A massa corporal foi mensurada em uma balança mecânica da marca Filizola, com precisão de 0,1 kg. A estatura foi obtida em um estadiômetro Sanny, com precisão de 0,1 cm. Todos os indivíduos foram medidos e pesados descalços, vestindo apenas bermuda. O índice de massa corporal (IMC) foi determinado pelo quociente peso corporal/estatura2, sendo o peso corporal expresso em quilogramas (kg) e a estatura em metros (m). A composição corporal foi avaliada pela técnica de espessura do tecido celular subcutâneo. Três medidas foram tomadas em cada ponto, em sequência rotacional, do lado direito do corpo, sendo registrado o valor mediano. Para tanto, foram aferidas as seguintes dobras cutâneas: tricipital (TR), subescapular (SE), peitoral (PT), supraespinhal (SEP), abdominal (AB), coxa (CX) e panturrilha (PN). Tais medidas foram realizadas por um único avaliador experiente, com um adipômetro científico da marca Cescorf, com precisão de 0,1 mm. A gordura corporal relativa (% gordura) foi calculada pela fórmula de Siri19, a partir da Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14 RESULTADOS Com relação aos resultados de massa corporal total, estatura e índice de massa corporal, houve diferenças estatísticas significativas para a massa corporal total entre os ciclistas de MTB e os de BMX (Fig. 1a). A média da massa corporal dos ciclistas foi de 68,0 ± 5,8 Kg para os praticantes de Estrada, 62,6 ± 6,5 Kg para os de MTB e 71,3 ± 9,5 Kg para os de BMX. A variável estatura média nos ciclistas de Estrada foi de 174,9 ± 5,5 cm, para os de MTB de 169 ± 8,2 cm e para os de BMX de 174 ± 5,4 cm (Fig. 1b). O índice de massa corporal apresentou média nos ciclistas de Estrada de 22,3 ± 1,9 Kg/m2, nos de MTB de 21,8 ± 1,5 Kg/m2 e nos de BMX de 23,6 ± 2,88 Kg/m2 (Fig. 1c). Figura 1: Média e Erro Padrão da Massa Corporal (a), Estatura (b) e Índice de Massa Corporal (c) dos ciclistas de elite * Diferença estatística significativa com p≤ 0,05 11 Pussieldi, Santos, Pereira, Marins Nas variáveis antropométricas: percentual de gordura, massa corporal gorda e massa corporal magra, não foram encontradas diferenças significativas entre ciclistas de estrada e MTB. No entanto, encontraram-se diferenças significativas entre os atletas de MTB e os atletas de BMX nas variáveis percentual de gordura e massa corporal gorda (Fig 2a e Fig. 2b). A média do percentual de gordura foi 7,9 ± 2,6% para os ciclistas Estrada, 7,0 ± 1,0% para os de MTB e 9,9 ± 3,1 % para os de BMX. Na variável massa corporal gorda, a média foi de 5,4 ± 2,0 kg para os ciclistas de Estrada, 4,4 ± 1,0 kg para os de MTB e 7,3 ± 3,2 kg para os de BMX. Nestas duas variáveis os valores dos atletas de BMX apresentaram-se maiores do que os atletas de MTB. No entanto, a média da massa corporal magra que não apresentou diferença estatisticamente significativa foi de 62,6 ± 5,2 kg para os atletas de Estrada, 58,2 ± 5,8 kg nos de MTB e 64,0 ± 6,85 kg no de BMX. Figura 3: Média e Erro Padrão dos componentes de Endomorfia (a), Mesomorfia (b) e Ectomorfia (c) dos ciclistas de elite. * Diferença estatística significativa com p≤ 0,05 Figura 2: Média e Erro Padrão do Percentual de gordura (a), Massa Corporal Gorda (b) e Massa Corporal Magra (c) dos ciclistas de elite * Diferença estatística significativa com p≤ 0,05 Quanto ao somatotipo, observou-se que os ciclistas das três modalidades apresentaram uma predominância do componente de mesomorfia sobre os outros componentes. Porém, os atletas de bicicross apresentaram o valor do componente de endomorfia um pouco elevado, com diferença significativa em relação aos atletas das demais modalidades (Fig. 3a). Para os outros dois componentes, mesomórfico e ectomórfico, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas ao comparar os grupos entre si. 12 A média dos valores do componente de endomorfia encontrada nos atletas de estrada foi 2,1 ± 0,7, nos atletas de MTB foi 1,9 ± 0,5 e nos atletas de BMX foi 3,37 ± 1,13. Os resultados apresentados pelos atletas de BMX em relação aos atletas de Estrada e MTB foram significativamente mais elevados. No entanto, para o componente de mesomorfia não foram encontradas diferenças significativas ao se comparar as modalidades distintas, e os valores apresentados foram 4,0 ± 1,2 para os atletas de estrada, 4,6 ± 0,8 para os atletas de MTB e 4,7 ± 1,4 para os atletas de BMX (Fig. 3b). Para o componente de ectomorfia nos atletas de Estrada, a média dos valores encontrados foi de 2,7 ± 1,0, nos atletas de MTB foi 2,6 ± 1,0 e nos atletas de BMX foi 2,2 ± 1,39, não tendo sido observadas diferenças estatisticamente significativas (Fig. 3c). De acordo com a tabela adaptada por Carter21, em que são descritas treze condições somatotípicas diferenciadas entre si, tanto os ciclistas de estrada quanto os de MTB apresentaram o perfil somatotípico mesomorfo-ectomorfo. Porém os atletas de bicicross apresentaram perfil somatotípico mesomorfo-endomorfo. DISCUSSÃO Apesar de não terem sido encontradas diferenças significativas no perfil antropométrico de ciclistas de estrada e MTB, o mesmo não ocorreu em relação aos ciclistas de bicicross, que apresentaram um perfil diferente dos demais, confirmando o que Padilla et al.8 e Lucía et al.22 concluíram em seus estudos. As características antropométricas podem se diferenciar em cada ciclista de elite de Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14 Comparação do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades acordo com a sua modalidade específica. A mesma afirmação foi feita por Foley et al.23 ao estudar ciclistas de diferentes modalidades, quando encontrou diferenças estatísticas para os componentes do somatotipo em relação a modalidades distintas de ciclistas de estrada e de pista. No entanto, segundo Impellizzeri e Marcora24, não existem diferenças antropométricas entre os ciclistas de Estrada e os de MTB, resultado confirmado em nosso estudo. Este estudo confirmou os resultados de outros estudos 25,26,27, 28, os quais afirmaram que a elaboração de um perfil antropométrico específico para cada esporte é um referencial importante que pode ser obtido pela antropometria. A predominância do componente somatotípico de mesomorfia em relação aos outros componentes nos ciclistas avaliados confirmou o resultado do estudo antropométrico de Foley et al.23, no qual concluíram que não existe um indivíduo com uma classificação única, mas com maior ou menor tendência para cada um dos componentes de sua divisão. No entanto, não foram encontradas diferenças antropométricas e somatotípicas significativas entre ciclistas de estrada e MTB. Alem disso, mesmo que as características das provas de Estrada e MTB sejam distintas, estudos comprovam a inexistência de diferenças fisiológicas entre ciclistas dessas duas provas15,24. Acredita-se que a diferença no perfil somatotípico entre os ciclistas pode ter ocorrido devido ao bicicross ser uma modalidade com característica anaeróbica e o ciclismo de estrada e o MTB serem modalidades que requerem, na maioria de suas provas, uma alta capacidade aeróbica. Isso pode ser justificado pelo fato de um percentual de gordura mais elevado nos atletas de bicicross. Resultados similares de percentual de gordura foram encontrados em velocistas de provas de ciclismo de pista da seleção inglesa, que são provas com grandes componentes anaeróbicos como o BMX29. Além disso, as provas de pista necessitam de muita potência anaeróbica e velocidades intensas máximas30 como o BMX. No entanto, no Medline, com as palavras-chave: “cycling” e “anthropometrical characteristics”, em uma busca realizada em março de 2012 não foram encontrados estudos caracterizando as variáveis antropométricas dos atletas de BMX, talvez por ser um esporte novo, cuja aparição nos Jogos Olímpicos somente ocorreu na edição em 2008. Para as provas de MTB, Impellizzeri et al.14 justificam a importância da análise de massa corporal, pois segundo os autores estes dados são fundamentais para determinação do rendimento dos atletas. Afirmação que também pode ser aplicada para a modalidade de Estrada8,22,30 e BMX18. Pelo aspecto da antropometria, corredores de ciclismo de estrada e mountain bike poderiam participar das provas independentemente da modalidade. Contudo, a realidade é diferente, pois outros fatores influenciam no rendimento, como por exemplo, a coordenação, que atua como um agente seletivo para estabelecer a modalidade ideal para participar. A construção de um perfil corporal para as diversas modalidades esportivas pode contribuir de forma significativa para a seleção e orientação de atletas, bem como para a manutenção de um treinamento eficaz, visando o melhor desempenho do indivíduo3,6,23,27,28. Neste estudo procuramos identificar o perfil dos ciclistas de Estrada, MTB e BMX, para que os treinadores possam adequar a carga de treinamento às necessidades de cada modalidade. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14 Pela inexistência de um programa nutricional direcionado às diferentes modalidades do ciclismo, e pelo fato dos atletas não serem de uma mesma equipe, não foi realizado um diagnóstico nutricional desses atletas. Considerou-se apenas que são atletas de elite e que cada um possui uma dieta elaborada individualmente por seu nutricionista. A elaboração de programas de treinamento, de acordo com o presente estudo, precisa, portanto, ser diferenciada quanto ao perfil antropométrico e somatotipo para ciclistas de bicicross, pois é diferenciado em relação ao tipo de prova, apresentando baixa duração, alta intensidade e grandes componentes anaeróbicos, enquanto as outras duas modalidades são, na maioria das provas, de longa duração, intensidade média a alta e exigem mais capacidade aeróbica de seus atletas. O perfil antropométrico e o somatotipo (ecto-mesomorfo) dos atletas de elite de estrada e MTB na amostra estudada são muito similares, não sendo encontradas diferenças significativas no perfil destes. Já os ciclistas de BMX apresentam, quanto ao somatotipo, um perfil endo-mesomorfo diferente em relação às outras modalidades, além do percentual de gordura, massa corporal gorda e massa corporal, embora com níveis atléticos superiores dos ciclistas de fora de estrada. REFERÊNCIAS 1. Heath BH, Carter JEL. A modified somatotype method. Am J Phys Anthop 1967;27(1):57-74. 2. Norton K, Olds T. Morphological evolution of athletes over the 20th century: causes and consequences. Sports Med. 2001;31(11):763-783. 3. Malina RM. Body composition in athletes: assessment and estimated fatness. Clin Sports Med. 2007;26(1):37-68 4. Sheldon WH. The somatotype, the morphophenotype and the morphogenotype. Cold Spring Harb Symp Quant Biol 1950;15:373-382. 5. Koleva M, Nacheva A, Boev M. Somatotype and disease in adults. Rev Environ Health 2002;17(1):65-84 6. Silva PRP, Trindade RS, De Rose EH. Composição corporal, somatotipo e proporcionalidade de culturistas de elite do Brasil. 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Sports Med 2005;35(4):285-312. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14 Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu Sérgio Luis Peixoto Souza Junior1 CREF 007941G/PR – [email protected] – (41) 9192-2003 Rodrigo Bozza1,3 CREF 004469-G/PR - [email protected] - (41) 9136-8039 Antonio Stabelini Neto2,3 CREF 005537-G/PR - [email protected] - (41) 9613-6511 Anderson Zampier Ulbrich1,4 CREF 3132G-PR - [email protected] - (41) 9607-5110 Wagner de Campos1,5 CREF 00777-G/PR - [email protected] - (41) 9102-6685 Os procedimentos adotados neste estudo seguiram a resolução MS nº.:196/96 referente a pesquisas realizadas em seres humanos. Os autores declaram não haver conflito de interesses. RESUMO Introdução. Este estudo comparou os níveis de força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu entre atletas de elite e demais competidores. Materiais e métodos. Vinte e um atletas foram alocados em dois grupos de acordo com o nível competitivo. Realizaram-se medidas antropométricas e testes de barra específicos para avaliação da força isométrica e dinâmica. A estatística inferencial utilizada foi à análise de covariância (P<0,05). Resultados e discussão. Atletas de jiu-jítsu de elite apresentaram, significativamente, menor (P<0,05) percentual de gordura corporal (11,8±3,4 vs. 19,3±5,8 %) e maior (P<0,05) força isométrica absoluta (55,5±13,4 vs. 32,2±9,6 segundos), dinâmica (P<0,05) absoluta (13,8±3,9 vs. 7,7±2,5 repetições), força isométrica (P<0,05) relativa (0,8±0,3 vs. 0,4±0,2 segundos) e dinâmica (P<0,05) relativa (0,2±0,1 vs. 0,1±0,1 repetições) em relação aos demais competidores. Conclusão. No jiu-jítsu, lutadores de elite podem ser diferenciados dos demais a partir da composição corporal e de testes específicos de força dinâmica e isométrica. Palavras-chave Artes Marciais. Atletas. Dinamômetro de Força Muscular. Resistência Física. Static and dynamic force in jiu-jitsu athletes ABSTRACT Propose. The aim of this study was to compare the levels of static and dynamic strength between elite and non-elite jiu-jitsu players. Methods. Twenty one jiu-jitsu players were allocated in two groups according to the competitive level. We carried out anthropometrics measurements and static and dynamic judogi grip strength tests. The inferential statistics applied was a analyzes of co-variance (P<0.05). Results and discussion. Jiu-jitsu elite players showed low body fat percentage (11.8±3.4 vs. 19.3±5.8 %) and higher static (55.5±13.4 vs. 32.2±9.6 seconds) and dynamic strength (13.8±3.9 vs. 7.7±2.5 repetitions) in absolute and relative values (0.8±0.3 vs. 0.4±0.2 for static 0.2±0.1 vs. 0.1±0.1 for dynamic strength) in relation to non-elite players. Conclusion. Jiu-jitsu elite players can be differentiated to non-elite from body composition and static and dynamic judogi grip strength tests. Key-words Martial Arts. Athletes. Muscle Strength Dynamometer. Physical Endurance. 1 - Universidade Federal de Sergipe. 2 - Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 15-18 | jul/dez 2010 Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito Fuerza isométrica y dinámica en luchadores de jiu-jitsu RESUMÉN Propósito. Objetivo de esto estudio fue comparar los niveles de fuerza isométrica y dinámica en atletas de jiu-jitsu de elite y otros competidores. Materiales y Métodos. Veintiún atletas fueron divididos en dos grupos según el nivel competitivo. Hemos llevado a cabo mediciones antropométricas y pruebas específicas para evaluar de las fuerzas isométricas y dinámicas. El análisis estadístico utilizado fue el covarianza (P<0,05). Resultados y discusión. Los atletas de élite tenían menores niveles de porcentaje de grasa corporal (11,8±3,4 frente a 19,3±5,8%) y los valores más altos de la fuerza isométrica (55,5±13,4 vs 32,2±9,6 segundos) y dinámica (13,8±3,9 vs 7,7±2,5 repeticiones) absolutos y relativos (0,8±0,3 frente a 0,4±0,2 de la fuerza isométrica y 0,2±0,1 frente a 0,1±0,1 para la fuerza dinámica) en relación con los competidores. Conclusión. En jiu-jitsu, los combatientes de elite pueden diferenciarse de otros en la composición corporal y fuerza isométrica y dinámica. Palabras clave Artes Marciales. Atletas. Dinamómetro de Fuerza Muscular. Resistencia Física. INTRODUÇÃO O jiu-jítsu, assim como as modalidades de grappling, demanda alta produção de energia advinda do metabolismo anaeróbico1. Segundo Pereira et al.2, o jiu-jítsu é um esporte de combate caracterizado por esforços intermitentes, com picos de alta intensidade intercalados por períodos de pausa ou atividades de baixa intensidade. Durante esforços de alta intensidade, a energia advém da resíntese da creatina fosfato e da glicólise anaeróbia. Em modalidades de grappling, como o jiu-jítsu e o judô, a força muscular torna-se fator-chave no desempenho atlético3. Segundo Silva et al4, a força muscular isométrica de membros superiores é fundamental para a manutenção da pegada, execução de imobilizações e finalizações, fatores decisivos para determinar o rendimento de lutadores5. Em consonância Franchini et al.3, durante o combate, o lutador necessita da combinação entre força dinâmica e resistência de força para manter a distância exata do oponente. Apesar da importância da força muscular para o desempenho, não se encontrava na literatura testes específicos para medir a força em lutadores de grappling5. Recentemente, Franchini et al.3 propuseram dois testes específicos para medir a força dinâmica e isométrica em judocas. Os resultados deste estudo indicaram que judocas de alto rendimento diferem dos medianos somente pela força dinâmica. Ressalta-se que o judô é caracterizado por esforços explosivos6. Por outro lado, o jiu-jítsu apresenta maior demanda de força isométrica devido ao maior contato corporal presente nas lutas 7,8. Nesse sentido, hipotetizou-se que lutadores de jiu-jítsu de elite apresentam maiores níveis de forças isométrica e dinâmica em relação aos demais lutadores. METODOLOGIA Casuística Este estudo foi aprovado pelo Comitê de ética para pesquisa da Universidade Federal de Sergipe (protocolo CAAE - 0003.0.421.00009). Para o presente estudo foram medidos lutadores de jiu-jítsu da cidade de Aracaju-SE. Os critérios de inclusão considerados foram: a) ter treinado e competido no último ano; b) ter idade mínima de 18 anos; c) apresentar experiência prévia na modalidade, pelo menos, 2 anos; d) assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; e) completar todas as fases do estudo. Foram excluídos: a) os que não atenderam os critérios de inclusão; b) apresentavam algum problema físico que interferisse diretamente nos resultados (ex. lesão no ombro). 16 A amostra final foi composta por 21 lutadores. Os atletas foram alocados em dois grupos: Elite - atletas classificados nas três primeiras colocações no Campeonato Estadual; Demais competidores - atletas que competiram e foram classificados no 4º lugar em diante. A Tabela 1 apresenta a distribuição da amostra quanto às categorias de peso. Não houve atletas nas categorias galo (<57,5 kg), superpesado (<100,5 kg) e pesadíssimo (>100,5 kg). Tabela 1: Participantes por categoria de massa corporal. Categorias (kg) Pluma (<64,0) Pena (<70,0) Leve (<76,0) Médio (<82,3) n=4 n=3 n=4 n=2 Meio Pesado (<88,3) n=6 Pesado (<94,3) n=2 Procedimentos experimentais Inicialmente, realizou-se contato com os treinadores para informar a proposta do estudo. Após a autorização, os atletas foram consultados individualmente quanto a participação voluntária. Todas as medidas foram realizadas com os atletas em repouso e ausência de esforço físico de 24 horas. Os procedimentos adotados seguiram a resolução MS 196/96 referente às pesquisas realizadas com seres humanos. Em seguida realizou-se a avaliação antropométrica. A estatura (precisão de 1 cm) e massa corporal (precisão de 100 g) foram utilizadas para estimar IMC. Para medir a espessura de dobras cutâneas (tríceps, subescapular e abdominal), utilizou-se um adipômetro Lange®. As dobras cutâneas foram utilizadas para estimar a densidade corporal de acordo com a metodologia descrita por Thorland et al.9. A densidade corporal, por sua vez, foi utilizada para estimar o percentual de gordura pela equação de Brozek et al.10. Após a avaliação antropométrica, os lutadores realizaram o teste de resistência de força isométrica e dinâmica na barra com judogui, proposto por Franchini et al.3. O teste consiste na realização de dois exercícios de força. Inicialmente, os lutadores realizaram a preensão em quimono enrolado em uma barra horizontal e se sustentaram com o cotovelo flexionado o máximo de tempo. Após 15 minutos de intervalo, iniciou-se o teste dinâmico. Durante este teste aplicou-se a mesma posição de preensão manual. No entanto, Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:15-18 Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu realizou-se o máximo de repetições, partindo da completa extensão de braços, até a máxima flexão. Ambos os testes foram realizados até a fadiga. Esse teste apresenta boa reprodutibilidade (teste dinâmico: coeficiente de correlação intraclasse = 0,99; limite de concordância = -2,9 a 2,3 repetições; isométrico: coeficiente de correlação intraclasse = 0,97; limite de concordância = -6,9 a 2,4 s)4. Análises estatísticas Inicialmente realizou-se estatística descritiva das variáveis com apresentação dos valores por meio de média ± desvio-padrão. Após a normalidade dos dados ser checada pelo teste KolmogorovSmirnov, o teste-t para amostras independentes foi utilizado para comparação dos dados antropométricos entre os grupos. Para comparação das médias entre os grupos para os testes de força, adotou-se análise de covariância (a massa corporal foi utilizada como covariável). Adotou-se como nível de significância P<0,05. RESULTADOS A Tabela 2 apresenta a caracterização da amostra dividida por grupos, elite e demais competidores. Tabela 2. Caracterização dos grupos elite e demais competidores. a Elite Demais competidores P Idade (anos) 27,1±6,5 26,1±6,7 0,735 Experiência (anos) 7,2±5,0 5,0±4,8 0,514 Massa corporal (kg) 72,8±10,5 79,8±11,5 0,162 Estatura (m) 1,8±0,1 1,8±0,1 0,812 IMC (kg/m2) 23,4±2,0a 25,9±3,2 0,041 % de gordura 11,8±3,4a 19,3±5,8 0,002 Massa magra (kg) 64,0±7,5 62,8±5,0 0,970 Massa gorda (kg) 8,8±3,6a 15,5±6,7 0,006 Diferença significativa entre grupos (P<0,05). Apesar da massa corporal não apresentar diferença (P>0,05) há que se destacar que entre os grupos, lutadores de elite apresentam menor percentual de gordura corporal (P<0,05). Na Tabela 3 são apresentados os resultados para os testes de força. Tabela 3. Comparação da força absoluta e relativa à massa corporal entre lutadores de elite e demais competidores. Elite Demais competidores P 55,5±13,4a 32,2±9,6 0,001 13,8±3,9a 7,7±2,5 0,02 Isométrica máxima (s/kg) 0,8±0,3a 0,4±0,2 0,002 Dinâmica (rep/kg) 0,2±0,1a 0,1±0,1 0,003 Força absoluta Isométrica máxima (s) Dinâmica (rep) Força relativa a Diferença significativa entre grupos (P<0,05). Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:15-18 Destaca-se que Lutadores de elite apresentaram melhor desempenho em todos os testes de força (P<0,05). Na Tabela 4 são apresentadas as razões de força relativa à massa corporal total e massa magra entre lutadores de elite e demais competidores. De acordo com as razões calculadas, há que se ressaltar dentre os resultados apresentados que lutadores de elite expressam entre 70% a 90% a mais de força quando comparados aos demais competidores. Tabela 4. Razão entre a força relativa de lutadores de elite e demais competidores. Razão de força relativa (elite/demais competidores) Isométrica Dinâmica Massa magra 1,7 1,8 Massa corporal 1,8 1,9 DISCUSSÃO A força isométrica e dinâmica é fundamental para o desempenho de alto rendimento no jiu-jítsu. No entanto, a modalidade carece de estudos que avaliem variáveis antropométricas e de desempenho11. Este estudo apresentou dados comparativos de força muscular isométrica e dinâmica entre lutadores de diferentes níveis competitivos de jiu-jítsu. Os resultados do presente estudo indicam que lutadores de elite apresentam menor quantidade de gordura corporal e maiores níveis de força muscular isométrica e dinâmica em comparação aos demais competidores. Sendo, a composição corporal, um dos fatores que contribui para a diferenciação do nível de força entre os grupos aqui estudados. Os dados aqui evidenciados corroboram os achados de Silva et al.4 onde observouse maiores índices de força estática e dinâmica em lutadores de elite quando comparado aos não-elite. Freanchini et al. 12 observaram que lutadores de jiu-jitsu tendem a reduzir em 12% a força isométrica após o primeiro minuto de luta, no entanto, aqueles que conseguem manter níveis mais elevados ao longo da luta tendem a se sobressair sobre os adversários. A composição corporal influencia consideravelmente no desempenho esportivo, principalmente em esportes que possuem categorias de peso1. Demonstrou-se no presente estudo que, lutadores com menor quantidade de gordura corporal, conseguem produzir e sustentar maior quantidade de força. Os resultados apresentados pelos lutadores de elite no presente estudo são próximos aos medidos em 11 lutadores por Andreato et al.11 e Silva et al. 10 também compararam a força de lutadores de elite e não-elite, no entanto, não realizaram a avaliação relativa a composição corporal. Comparando a força dinâmica e isométrica de lutadores de judô, Franchini et al.3 não observaram diferença para força isométrica entre lutadores elite e nível estadual. Segundo Del Vecchio et al.5, no jiu-jítsu a força isométrica é fundamental para a execução de pegadas, manutenção da postura e finalizações. A natureza predominantemente isométrica observada no jiu-jítsu, parece contribuir para a diferença na força observada entre atletas de diferentes níveis competitivos. Assim como a força isométrica, a força dinâmica é um dos fatores que diferencia lutadores de elite dos demais competidores. A capacidade em estender e flexionar o cotovelo, deslocando o adversário, coloca o lutador em vantagem3, pois conseguir afastar e aproximar o oponente permite ao lutador aplicar técnicas de 17 Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito projeção, raspagens, estrangulamentos e chaves em articulações13. Andreato et al.13 indica que quedas e raspagens são predominantes em lutas de jiu-jítsu. Ademais, possuir maiores níveis de força, diferenciam lutadores-vencedores em campeonatos, uma vez que diversos combates são definidos a partir do terceiro minuto de luta5. Apesar de não apresentar diferença significativa, lutadores de elite apresentaram, em média, dois anos a mais de treinamento em relação aos demais competidores. Este também pode ter influenciado as diferenças observadas entre os grupos, pois o lutador adquire características morfológicas e técnicas específicas à medida em que progride no jiu-jítsu14. A falta de mais trabalhos direcionados a investigar o comportamento da força, nas suas diferentes manifestações na modalidade dificulta a extrapolação e comparação dos nossos achados. Apesar de investigar a manifestação da força entre atletas de diferentes níveis de jiu-jítsu, o número limitado de atletas e ausência deles em todas as categorias, limitam os nossos achados. Mais estudos desenhados a observar a força muscular entre lutadores deste esporte de combate são necessários, dentre eles estudar o comportamento de força em mulheres. CONCLUSÃO Diante dos objetivos estabelecidos e resultados encontrados, concluímos que, na modalidade jiu-jítsu, lutadores de elite podem ser diferenciados dos demais competidores a partir de testes específicos de força dinâmica e isométrica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Vidal Andreato L, Franzói de Moraes S, Lopes de Moraes Gomes T, Del Conti Esteves J, Vidal Andreato T, Franchini E. 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Endereço para correspondência Ciro José Brito Rua Niceu Dantas 1074/07 - Atalaia - Aracaju - SE – CEP.:49037-470 Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:15-18 Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes Charles Nardelli Valido1 - [email protected] Lindsei Brabec Motta Barreto1 - [email protected] Lillian Beatriz Fonseca dos Santos1 - [email protected] Alynne Christian Ribeiro Andaki2 - [email protected] Edmar Lacerda Mendes2 - [email protected] Ciro José Brito1 - [email protected] Comitê de Ética: registro CEP/SD: 624.161.08.09; CAAE: 3185.0.000.091-08 em 02 de outubro de 2008. Relação do IMC E Circunferência Da Cintura Com A Pressão Arterial Em Escolares Pré-Púberes RESUMO Introdução: Apesar de ser muito comum em adultos à hipertensão arterial também tem sido verificada em crianças e adolescentes e nesses indivíduos as medidas antropométricas que podem servir como um indicativo de alterações na pressão arterial. Objetivo: verificar a relação do IMC e circunferência da cintura (CC) com a pressão arterial (PA) em sujeitos pré-púberes de ambos os sexos. Métodos: participaram do estudo 61 escolares. A comparação dos valores entre meninos e meninas foi realizada através de testes “t” independentes. Para verificar a relação das medidas antropométricas com a PA foi utilizada a correlação de Pearson e análises de correlação parcial foram utilizadas para relacionar as medidas antropométricas com a PA utilizando como variáveis de controle, a idade e a estatura adotando nas análises um valor de p<0,05. Resultados: foram encontradas relações significativas entre o IMC e a CC com a PA apenas para as meninas (p<0,05). Conclusão: a utilização preliminar do IMC e CC são úteis pelo baixo custo e praticidade na identificação de indivíduos pré-dispostos ao aumento da PA e consequentemente a um risco mais elevado de desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica. Palavras-Chave Pressão arterial. Circunferência da cintura. Índice de massa corporal Relationship of BMI and waist circumference with blood pressure in pre-school pubescent Abstract Introduction: Although it is very common in adults, hypertension has also been observed in children and adolescents and anthropometric measurements in these individuals may serve as an indicator of changes in blood pressure. Objective: to verify the relationship of BMI and waist circumference (WC) with blood pressure (BP) in pre-pubertal subjects of both sexes. Methods: Study participants were 61 schoolchildren. The comparison of values between boys and girls was conducted through independent “t” test. To verify the relationship of anthropometric measures with the BP was used as the Pearson correlation analysis, and partial correlation analysis were used to relate the anthropometric measures with the BP controlling for age and stature adopting a value of p<0.05. Results: we found significant relationships between BMI and WC with the PA only for girls (p<0.05). Conclusion: the preliminary use of BMI and WC are useful at low cost and practicality of the identification of individuals pre-disposed to the increase in BP and thus a higher risk of developing hypertension. Centro de Pesquisa em Exercício e Esporte, Departamento de Educação Física, Universidade Federal do Paraná, Curitiba-Pr UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná, Faculdade de Educação Física e Fisioterapia de Jacarezinho. Programa de Pós-Graduação em Educação Física – UFPR 4 Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano - UDESC 5 Professor Associado do Departamento de Educação Física – UFPR 1 2 3 Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 19-23 | jul/dez 2010 Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito KEYWORDS Blood pressure. Waist circumference. Body mass índex Relación de IMC y la circunferencia de la cintura con la presión arterial en pre-escolares púberes resumen Introducción: Aunque es muy común en los adultos, la hipertensión también se ha observado en niños y adolescentes y las mediciones antropométricas en estos individuos puede servir como un indicador de los cambios en la presión arterial. Objetivo: verificar la relación entre el IMC y la circunferencia de la cintura (CC) con la presión arterial (PA) en sujetos pre-púberes de ambos sexos. Métodos: participaron del estudio 61 niños en edad escolar. La comparación de valores entre los niños y niñas se llevó a cabo a través de t “independiente de prueba. Para verificar la relación de las medidas antropométricas con la PA fue utilizado como el análisis de correlación de Pearson y el análisis de correlación parcial; se utiliza para relacionar las medidas antropométricas con la PA de controlar la edad y estatura se adopta un valor de p <0,05. Resultados: se encontraron relaciones significativas entre el IMC y WC con la Autoridad Palestina sólo para las niñas (p <0,05). Conclusión: el uso preliminar de IMC y la CC son útiles a bajo costo y la viabilidad de la identificación de individuos predispuestos al aumento de la PA y por lo tanto un mayor riesgo de desarrollar hipertensión. PALABRAS CLAVE Presión arterial. Circunferencia de la cintura. Índice de masa corporal. INTRODUÇÃO Na população mundial está ocorrendo o aumento nos casos de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis com destaque para as doenças cardiovasculares (DC), sendo que estas representam a primeira causa de morte nos países desenvolvidos e vem de forma preocupante crescendo nos países de economia em transição e subdesenvolvidos1,2. Dentre estes fatores de risco para DC podemos destacar a hipertensão arterial (HA) que é um dos principais problemas de saúde no Brasil devido as suas complicações cérebro-vascular, arterial coronariana, vascular de extremidades, insuficiência cardíaca e insuficiência renal crônica3,4. Apesar de ser muito comum em adultos a HA também tem sido verificada em crianças e adolescentes, sendo que estudos epidemiológicos brasileiros têm demonstrado, prevalência de HA na população infanto-juvenil entre 6% e 8%. Isto se torna preocupante, pois se sabe que a criança com níveis de pressão arterial mais elevados apresenta maior probabilidade de se tornar um adulto hipertenso5. Diante desse quadro, grande atenção tem sido dada à redução do sobrepeso e obesidade, já que além da maior probabilidade da criança obesa se tornar um adulto obeso, a relevância desse problema aumenta quando a obesidade infanto-juvenil mostra forte associação com a presença de elevação da pressão arterial (PA) já na infância6. Em crianças e adolescentes o índice de massa corporal (IMC) está significativamente associado à adiposidade corporal independente da sua localização, além de crianças com valores elevados de IMC apresentam maior risco relativo de hipertensão arterial do que seus pares eutróficos7. Entretanto, a relação do IMC com morbidades pode ser afetada pela distribuição de gordura corpórea, em especial a concentração de gordura abdominal, que pode estar elevada independente do peso corporal8. A gordura abdominal pode ser mensurada antropometricamente através da circunferência da cintura que tem sido proposta como uma medida adicional indicativa de risco cardiovascular independente do IMC e massa corporal, pois o acúmulo de gordura abdominal está envolvido na etiopatogênese de alterações metabólicas, como a resistência a insulina9. A utilização do IMC ganha força para identificação de fatores de risco cardiovascular quando associado com a circunferência da cintura10,11,12. 20 Diante disso, o presente estudo teve como objetivo verificar a relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em sujeitos pré-púberes de ambos os sexos. MÉTODOS Os procedimentos metodológicos da pesquisa foram analisados pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e estão de acordo com as normas éticas estabelecidas pela Resolução CNS 196/96 sob o registro CEP/SD: 624.161.08.09; CAAE: 3185.0.000.091-08 em 02 de outubro de 2008. Sujeitos A amostra não probabilística foi composta por 61 indivíduos, sendo 31 meninos e 30 meninas, com idades entre 7 e 12 anos de idade, pertencentes ao estágio 1 de maturação, estudantes da rede pública de ensino da cidade de Curitiba-Pr. Instrumentos e procedimentos 1) Avaliação maturacional: O grau de maturação sexual foi determinado através do método proposto por Tanner13, no qual os estágios maturacionais se dividem de 1 a 5, com o primeiro estágio considerado pré-pubere, os estágios intermediários (2, 3 e 4) durante o processo maturacional e o quinto estágio quando o processo maturacional está completo. O exame foi aplicado em forma de autoavaliação da pilosidade pubiana, considerado um método simples de ser realizado pelo próprio indivíduo, compreendendo a identificação do estágio atual de desenvolvimento das características sexuais secundárias. 2) Antropometria: A– Circunferência da cintura: A circunferência da cintura foi mensurada no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca, utilizando-se uma fita antropométrica flexível, com escala de 0,1 cm14. B- Estatura: Para determinar a estatura total dos indivíduos foi utilizado um estadiômetro portátil, no qual o avaliado foi medido descalço, ficando postado em posição anatômica sobre a base do estadiômetro, encostando a parte posterior do corpo e a cabeça posicionada no Plano de Frankfurt, estando em apnéia inspiratória no momento da medida14. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:19-23 Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes C- Massa corporal: A massa corporal foi aferida com uma balança digital portátil, com resolução de 100g. O avaliado estava descalço e vestindo somente roupas leves, ficando em pé e de costas para a escala da balança em posição anatômica, com a massa corporal igualmente distribuída entre ambos os pés14. D- IMC: O IMC foi calculado através da divisão da massa corporal pelo quadrado da estatura14. 3) Pressão arterial: A pressão arterial foi mensurada através do método auscultatório seguindo os parâmetros estabelecidos pelo The Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of High Blood Pressure in Children and Adolescents15. A pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) foram medidas no braço direito do avaliado com um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio, postado ao nível do coração e um estetoscópio. A mensuração foi realizada após o indivíduo permanecer sentado em repouso por um período de 10 minutos: PAS = Korotkoff fase 1 e PAD = Korotkoff fase 5. Para a apresentação dos dados foi utilizada a estatística descritiva (média e desvio-padrão). A comparação dos valores entre meninos e meninas foi realizada através de testes “t” independentes. Para verificar a relação das medidas antropométricas com a PA foi utilizada a correlação de Pearson. Análises de correlação parcial foram utilizadas para relacionar as medidas antropométricas com a PA utilizando como variáveis de controle a idade e a estatura. Em todas as análises foi considerado um valor de p<0,05. RESULTADOS Os dados descritivos em comparação entre meninos e meninas são apresentados na tabela 1. Nota-se que apesar dos meninos apresentarem valores superiores em todas as variáveis, estas diferenças não foram demonstradas em linguagem estatística. Tabela 1: Análise descritiva dos dados e comparação entre os sexos. Meninos Meninas t p Idade (anos) 8,87±1,35 8,8±1,21 0,215 0,83 Estatura (m) 1,36±0,07 1,35±0,08 0,449 0,65 MC (Kg) 35,4±8,72 33,78±9,02 0,714 0,47 IMC (Kg/m 18,91±3,89 18,18±3,36 0,786 0,43 CC (cm) 63,76±11,38 61,22±8,91 0,969 0,33 2) PAS (mm/Hg) 79,35±7,49 76,26±8,89 1,469 0,14 PAD (mm/Hg) 55,16±7,92 53,66±9,64 0,666 0,5 A tabela 2 apresenta as correlações simples entre as medidas antropométricas e a pressão arterial, demonstrando relações significativas para o grupo geral e para meninas, com um valor de significância de p< 0,01. Tabela 2. Coeficientes de correlação simples entre o IMC e CC com a PA em ambos os sexos. Geral Meninos Meninas PAS PAD PAS PAD PAS PAD IMC 0,34* 0,40* 0,07 0,21 0,59* 0,58* CC 0,37* 0,40* 0,12 0,21 0,63* 0,62* *p<0,01 Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:19-23 Mesmo após o controle estatístico pela idade e estatura as correlações das medidas antropométricas foram significativas para o grupo geral com a PAD e para as meninas, para PAS e PAD (p<0,05) como demonstra a análise de correlação parcial na tabela 3. Tabela 3. Coeficientes de correlação parcial entre o IMC e CC com a PA, controlando os efeitos da idade e estatura em ambos os sexos. Geral Meninos Meninas PAS PAD PAS PAD PAS PAD IMC 0,24 0,33* 0,12 0,14 0,47* 0,48* CC 0,20 0,29* 0,07 0,07 0,46* 0,48* *p<0,05 DISCUSSÃO Em relação à média de estatura, massa corporal e CC não foram observadas diferenças estatísticas entre os sexos, em decorrência dos indivíduos serem pertencentes ao estágio de maturação pré-púbere. Sobre este aspecto, os sexos seguem o mesmo curso de crescimento, com poucas diferenças antes do estirão de crescimento da puberdade, sendo que os meninos podem ser um pouco mais altos e pesados nesta fase16,17. Este mesmo padrão de igualdade foi observado para a pressão arterial sistólica e diastólica. Com uma análise dos dados do Fels Longitudinal Study, Malina e Bouchard18, comentam que ocorre um aumento na pressão arterial até os dezoito anos de idade, sendo este aumento igual até o início da adolescência, com os meninos e as meninas demonstrando valores semelhantes. Sobre as relações das medidas antropométricas com a pressão arterial, estudos verificaram na população adulta a associação do IMC e da CC com a ocorrência de HA, apresentando conclusões diversificadas. Em alguns deles foi evidenciada a superioridade do IMC e em outros da CC, com discrepâncias nos resultados para ambos os sexos18,19,20,21,22,23. Em nosso estudo, levando em consideração as correlações simples o IMC e a CC estiveram relacionadas com a PAS e a PAD para o grupo geral e para as meninas. Já para as correlações parciais, as medidas antropométricas estiveram correlacionadas significativamente com a PAD para o grupo geral e com a PAS e PAD para as meninas. Este achado concorda com os resultados encontrados por Guimarães et al.6, que encontraram associações significativas entre o aumento do peso e da concentração da gordura abdominal com a elevação da PA em adolescentes. Alvarez et al.24, constataram através de uma intervenção que a associação da PA esteve mais relacionada com a adiposidade total do que a gordura localizada, logo o IMC esteve melhor relacionado com a PAS e com PAD do que a CC, principalmente na fase púbere e pré-púbere. Neste estudo ainda, as associações foram encontradas mesmo após um controle pelo sexo e cor da pele, indicando a força nas associações das medidas antropométricas com a PA, corroborando os resultados obtidos em nosso estudo. No estudo conduzido em adolescentes de ambos os sexos por Stabelini Neto et al.25 os indivíduos com valores superiores de IMC e a CC apresentaram maior razão de chances de possuir HA, sendo esta associação mais elevada no sexo masculino (OR: 6,95 para o 21 Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito IMC e OR: 5,92 para a CC) do que no sexo feminino (OR: 1,69 para o IMC e OR: 2,59 para a CC). Lusky et al.26 encontraram maiores chances (OR: 13,1) de adolescentes com quadro de obesidade severa apresentar HA comparados a sujeitos com peso corporal considerado normal com base no IMC. Em contrapartida, Sarni et al.27 não encontraram associações significativas entre CC com a PAS e PAD em escolares da rede pública de ensino da cidade de Santo André, São Paulo. Em outro estudo relacionando as medidas antropométricas com a PA foram encontrados coeficientes de correlação simples significativos do perímetro da cintura com a PAS (r=0,28) e PAD (r=0,11) e, do IMC com a PAS (r=0,20) não sendo encontrada relação significativa para a PAD24. Tais correlações foram inferiores as encontradas no presente estudo. Araújo et al.28 encontraram ainda uma correlação significativa da estatura e da idade com a PA (de r=0,38 a r=0,48) quando estas variáveis foram analisadas separadamente. Tendo isto em vista, em nossas análises que foram controladas pela idade e estatura, a CC e o IMC tiveram uma relação significativa com PA, uma vez que nesta correlação não houve o efeito da idade e da estatura. Um dos fatores mais importantes nos estudos da HA na infância é a definição dos valores de referência a serem adotados5. Neste sentido, embora não tenham sido encontrados indivíduos com valores indesejáveis de PA em nossa amostra houve uma tendência dos indivíduos com valores superiores de IMC e CC apresentarem valores mais elevados de PA. Seguindo esta perspectiva, estudos longitudinais demonstraram que a criança com níveis pressóricos mais elevados, mesmo que dentro de limites considerados normais, tende a manter uma pressão arterial mais elevada que as demais, aumentando a probabilidade de adquirir HA na vida adulta. Entre esses estudos longitudinais, destacam-se o Bogalusa Heart Study e o The Muscatine Study, que têm em comum uma correlação forte entre hipertensão arterial e relação peso/altura elevada5. A utilização de marcadores antropométricos como a CC na predição de risco aumentado de DC no futuro, ainda é pouco utilizada na população infanto-juvenil. Entretanto fatores de risco pré-existentes em crianças e adolescentes predispõem ao surgimento precoce e acelera os efeitos deletérios de desordens metabólicas e de DC na idade adulta. Dessa forma a utilização de medidas antropométricas como forma profilática e de detecção de fatores de risco, devem ser implementados nessa população24. Assim, consolida-se a evidência de que o controle do excesso de peso deve representar prioridade nas estratégias educacionais e preventivas para a manutenção da saúde de crianças e adolescentes. A eficácia de estratégias de prevenção e controle do excesso de peso é importante, a fim de minimizar o risco eminente de desenvolver HA e outras desordens metabólicas prematuramente na vida adulta. CONCLUSÃO Foram encontradas relações significativas entre o IMC e a CC com a pressão arterial para as meninas, confirmando a utilidade das medidas antropométricas na identificação de indivíduos hipertensos, embora tais relações foram encontradas somente em meninas. Dessa forma, os resultados devem ser vistos com cautela, especialmente devido ao pequeno tamanho da amostra utilizada e de outros fatores como os hábitos alimentares que podem interferir nos níveis de pressão arterial. 22 Além disso, não foi realizada uma verificação da hereditariedade de hipertensão nos indivíduos estudados, fato que pode interferir nas relações encontradas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Lakka HM, Laaksonem DE, Lakka TA, Niskanem LK, Kumpusalo E, Tuomilehto J et al. The metabolic syndrome and total cardiovascular disease mortality in middle-aged men. JAMA. 2002;288(21):2709-16. 2. Brandão AP, Brandão AA, Berenson GS, Fuster V. Síndrome Metabólica em Crianças e Adolescentes. Arq Bras Cardiol. 2005;85(2):79-81. 3. Nicholson RN. The effect of cardiovascular health promotion on health behaviors in elementary school children: an integrative review. J Pediatr Nurs. 2000;15:343-55. 4. Williams CL, Hayman LL, Daniels SR, Robinson TN, Steinberger J, Paridon S et al. 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Araújo TL, Lopes MVO, Cavalcante TF, Guedes NG, Moreira RP, Chaves ES et al. Análise de indicadores de risco para hipertensão arterial. Rev Esc Enferm USP. 2008;42(1):120-6. Endereço para correspondência: Sérgio Luis Peixoto Souza Júnior (AUTOR RESPONSÁVEL) Rua José Gadzalinski, 326 . CEP: 81580-350. Uberaba - Curitiba - PR - Brasil Telefones: (41) 3308-9689 ou (41) 9192-2003. E-mail: [email protected] Rodrigo Bozza Rua Coração de Maria, 92. CEP: 80215-370. Jardim Botânico - Curitiba - PR - Brasil Telefones: (41) 3262-7574 ou (41) 9122-1394; Fax: (41) 33623653. Antonio Stabelini Neto Rua Coração de Maria, 92. CEP: 80215-370. Jardim Botânico - Curitiba - PR - Brasil Telefones: (41) 3262-7574 ou (41) 9122-1394; Fax: (41) 33623653. Anderson Zampier Ulbrich Rua Coração de Maria, 92. CEP: 80215-370. Jardim Botânico - Curitiba - PR - Brasil Telefones: (41) 3262-7574 ou (41) 9122-1394; Fax: (41) 33623653. Wagner de Campos Rua Coração de Maria, 92. CEP: 80215-370. Jardim Botânico - Curitiba - PR - Brasil Telefones: (41) 3262-7574 ou (41) 9122-1394; Fax: (41) 33623653. 23 Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes Laiana Sepúlveda de Andrade1 CREFITO-92158-F [email protected] - (86)9457-0238 Vanessa Batista de Sousa Lima2 CRN- 6491/P [email protected] (86)94274274 Artemizia Francisca de Sousa3 CRN-6 5443 [email protected] (86)9972-4534 Nadir do Nascimento Nogueira4 CRN-6 1016 [email protected] (86)9986-0648 Oseas Florêncio de Moura Filho5 CREFITO 8197F/6ª [email protected] (86) 9418-4761 Dilina do Nascimento Marreiro6 CRN-6 2481 [email protected] (86)9991-5019 Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, com parecer Nº.: 12/08, CAAE (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética) Nº: 0012.045.000-08. Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes Abstract Introduction: This study evaluated the nutritional status regarding zinc judo teenagers. Material and Methods: The study involved 25 athletes in judo and a control group (n = 27) of male adolescents, aged between 14 and 19 years. Were carried out assessment of body composition, food intake, plasmatic and erythrocytary zinc. Results: The mean value of zinc in plasma were 72.9 ± 14.6 µg /dL and 71.3 ± 15.9 µg /dL for the athletes and control, respectively. The mean of erythrocytary zinc was 43.1 ± 11.3 µg Zn/gHb for Judokas and 41.2 ± 8.6 Zn/gHb for the control group (p> 0.05). Discussion: The results of this study show a high percentage of adolescents with low concentrations of zinc in plasma and high concentrations in erythrocytes; this reinforces the need for further studies to make it clear which mechanisms are involved in metabolic aspects as a result of physical exercise. KEY WORDS Exercise. Nutritional status. Zinc Estado Nutricional Relativo ao Zinco em Atletas Judocas Adolescentes RESUMO Introdução: Este estudo avaliou o estado de nutrição relativo ao zinco em judocas adolescentes. Material e Métodos: O estudo envolveu 25 atletas de judô e um grupo controle (n=27) do gênero masculino, na faixa etária entre 14 e 19 anos. Foi realizada avaliação da composição corporal, do consumo alimentar, zinco plasmático e eritrocitário. Resultados: Os valores médios de zinco nas dietas dos adolescentes foram de 20,3 ± 11,7 mg/dia para os atletas e 10,9 ± 3,9 mg/dia para o grupo controle. As médias das concentrações de zinco no plasma foram de 72,9 ± 14,6 µg /dL e 71,3 ± 15,9 µg /dL para de atletas e controle, respectivamente. A média de zinco no eritrócito foi de 43,1±11,3 µg Zn/gHb para os judocas e 41,2 ± 8,6 Zn/gHb para o grupo controle (p>0,05). Discussão: Os resultados desse estudo mostram um percentual elevado de adolescentes com concentrações baixas de zinco no plasma e elevadas nos eritrócitos, o que reforça a necessidade de mais estudos dessa natureza que permitam elucidar os mecanismos envolvidos nos aspectos metabólicos resultantes do exercício físico. 1 2 3 4 5 6 Universidade Estadual do Piauí-UESPI, Teresina/PI –Brasil Universidade Federal do Piauí-UFPI, Teresina/PI-Brasil Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI - Brasil Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI – Brasil Faculdade de Saúde, Ciencias Humanas e Tecnológicas do Piauí –NOVAFAPI Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI – Brasil Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 24-30 | jul/dez 2010 Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes PALAVRAS – CHAVE Exercício físico. Estado nutricional. Zinco Estado nutricional relativo AL zinc en atletas yudocas adolescentes RESUMEN Introducción: Este estudio evaluó el estado de nutrición relativo al zinc en yudocas adolescentes. Material y Métodos: El estudio envolvió 25 atletas de yudo y un grupo control (n=27) del género masculino, en la faja etaria entre 14 y 19 años. Fue realizada evaluación de la composición corporal, del consumo alimentar, zinc plasmático y eritrocitario. Resultados: Los valores medios de zinc en las dietas de los adolescentes fueron de 20,3 + 11,7 mg/día para los atletas y 10,9 + 3,9 mg/día para el grupo control. Las medias de las concentraciones de zinc en el plasma fueron de 72,9 + 14,6 mg/dL y 7,13 + 15,9 mg/dL para atletas y control, respectivamente. La media de zinc en el eritrocito fue de 43,1 + 11,3 mg Zn/gHb para los yudocas y 4,12 + 8,6 Zn/gHb para el grupo control (p>0,05). Discusión: Los resultados de ese estudio muestran un porcentual elevado de adolescentes con concentraciones bajas de zinc en el plasma y elevadas en los eritrocitos, lo que refuerza la necesidad de más estudios de esa naturaleza que permitan elucidar los mecanismos envueltos en los aspectos metabólicos resultantes del ejercicio físico. PALABRAS-LLAVE Ejercicio físico. Estado nutricional. Zinc. INTRODUCTION Physical activity promotes various physiological changes, and cardiovascular and respiratory adjustments are necessary to compensate and maintain the effort deployed. During exercise, there is an increase in energetic metabolism with excessive formation of reactive oxygen species (ROS). These species may contribute to tissue and cellular damage, predisposing an athlete to musculoskeletal injury and performance impairment1,2,3. Several micronutrients play an important role in these mechanisms, including zinc, which participates in the structure of the superoxide dismutase enzyme, essential for the normal function of the endogenous antioxidant system, and a potent stabilizer of cell membranes, structural proteins and cell signaling4,5. Zinc is one of the most important minerals for the metabolism. Among its biological functions, this element is a cofactor of over 300 metaloenzymes, and plays a part in the catalytic activity of several enzymes, such as carbonic anhydrase, alcohol dehydrogenase, alkaline phosphatase, enzymes involved in the metabolism of carbohydrates, lipids and proteins6,7. Some of these enzymes are involved in the antioxidant defense system during physical exercise, for example, superoxide dismutase8. Several studies have shown changes in the compartmentalization of zinc in athletes, with values of this mineral in rather controversial biochemical parameters. Studies have shown low, normal or high concentrations of zinc in the plasma, serum and erythrocytes of athletes, which seem to be dependent on the type of sport and the period that biological material is collected for analysis of the mineral9,10. The results of previously conducted research on athletes who perform anaerobic activity show high concentrations of zinc in plasma soon after completion of intense exercise. This has been attributed to its rapid extravasation from muscle tissue to the extracellular fluid11. However, the literature has also demonstrated a further reduction of the mineral in this compartment because of its redistribution to the erythrocytes and the liver by means of circulating interleukins, which may compromise physiological functions, such as the antioxidant defense system12, 13. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30 Data on the compartmentalization and the mechanisms involving this trace element and the enhancement of physical performance are still scarce and rather controversial, considering the biochemical and metabolic changes of zinc as a result of physical exercise. Therefore, knowledge about the biochemical parameters for zinc will help to clarify the nutritional status of this mineral in athletes. MATERIAL AND METHODS The study was approved by the Ethics Committee of the Federal University of Piauí, with opinion No. 12/08, CAAE (Certificate to Ethics Assessment) No.: 0012.045.000-08. A cross-sectional case-control study was carried out, with 25 professional judo male athletes aged between 14 and 19 years old, who have regularly trained for over a year as part of the Piauí Judo team. The athletes trained for a mean time of 2 hours per day, three times a week. The control group consisted of 27 males, with similar characteristics to the experimental group in terms of age, education and socio economic status, but they did not practice physical exercise. To take part in the study, participants had to meet the following inclusion criteria: non-smokers, athletes who have been training for more than 1 year, no use of vitamin-mineral supplementation and/ or use of other drugs, and no medical conditions that could interfere with the assessment of nutritional status of zinc. Anthropometric parameters e biolectrical impedance Body Mass Index was calculated using measures of weight and height. The results were compared with the reference values proposed by the World Health Organization14. The assessment of the body composition of the participants was carried out using biolectrical impedance analysis (BIA). Dietary Intake Assessment The dietary intake of zinc was obtained from a three day dietary record, and the nutritional analysis was conducted using NutWin software version 1.5. The Estimated Average Requirement (EAR) reference values for zinc were 8.5 mg/day for males15. 25 Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro Collection of biological material Samples of 10 mL of blood were collected in the morning, between 7 and 9 o’clock, after individuals had fasted for at least 12 hours. The athletes had not engaged in any physical exercise for at least 24 hours. The blood was placed in a glass tube containing 30% sodium citrate as an anticoagulant (10mL of blood) for analysis of zinc. Determination of Zinc in the Plasma and the Erythrocytes. The plasma was separated from whole blood by centrifugation at 3000 x g for 15 minutes at 4 ºC. Two aliquots of each plasma sample were diluted 1:4 with Milli-Q ® water and aspirated directly into the flame of the instrument. Tritizol ® (Merck), prepared by dilution with Milli-Q ® water with 3% glycerol at 0.1, 0.2, 0.3, 0.5 and 1.0 mg / mL dilutions was used as standard. For the separation of erythrocytes, the erythrocyte mass obtained from the blood was rinsed three times with 5mL of a 0.9% saline solution, homogenized by inversion and centrifuged at 10,000 x g for 10 minutes (SORVALLÒ RC-SB) at 4 oC and the supernatant was discarded. After the last centrifugation, the saline was aspirated and the mass of erythrocytes extracted with micropipette was placed in demineralized “eppendorf” tubes, and stored at -20 oC for analysis of zinc and hemoglobin. To express the results in terms of mass zinc/ mass of hemoglobin (μg/g Hb), an aliquot of 20μL of erythrocyte lysate was diluted in 5mL of Drabkin solution and measured by the cyanmethaemoglobin method16. The analysis of zinc in plasma and erythrocytes was carried out using atomic absorption spectrophotometry17. Tritizol was prepared by dilution in Milli-Q water at concentrations of 0.1, 0.2, 0.3, 0.5 and 1.0 mgZn / mL and used as standard. Sports Performance Parameters To determine the physical fitness of adolescents participating in the study, maximum oxygen consumption (VO2Max) was assessed directly through an ergoespirometric test carried out on a treadmill. The maximum oxygen consumption (VO2Max) was measured with the VO2000 gas analyzer (Medgraphics), coupled to a microcomputer, equipped with: the Elite software produced by Micromed, a nose o clip, disposable razor blades, disposable sandpapers, and 70 GL alcohol. The ergometer used for the ergoespirometric tests was an electric Inbrasport treadmill model Super ATL. The ramp protocol was used to carry out the test because it allows a better identification of anaerobic threshold and higher levels of VO2Max18. The test was applied until the individual reached a state of exhaustion, where it was then finalized and rated as a maximum test. Statistical Analysis The data were analyzed using the statistical program SPSS 10.0 for Windows. For the variables of normal or approximately normal distribution, parametric tests were applied such as the Student’s t-test to assess the equality of means, assuming a significance level of p < 0.05. RESULTS The study was conducted with 25 Judokas aged between 14 and 19 years old, male, with a mean age 16.6 ± 1.3. The control group consisted of 27 male adolescents, who do not take part in any 26 kind of physical activity, with mean age 15.6 ± 1.4 years. There was no statistical difference in the age of individuals participating in the study (p<0.05). The results of anthropometric parameters and bioelectrical impedance are shown in table 01. Differences were statistically significant (p<0.05) in relation to weight, BMI, percentage body fat, lean weight and fat mass in groups. The results of maximum oxygen consumption (VO2Max) of the adolescents participating in the study are shown in table 02. The values of (VO2Max) show a significant difference between groups, being higher for the group of athletes (p <0.05). The analysis of the diets consumed by the patients did not show significant difference (p> 0.05) regarding the carbohydrate or protein intake between the groups. However, there was a statistically significant difference (p <0.05) regarding fat intake, which was higher in the experimental group (Table 03). Table 04 shows the concentration of zinc found in the adolescents’ diets. The values show a higher zinc intake by athletes when compared with the control group (p <0.05). The concentrations of plasmatic and erythrocytary zinc, revealed no significant difference between groups (p> 0.05), and the means of the groups were within the parameters of normality (Table 05). Dividing the judo athletes in weight category (<60kg and > 60kg), according to table 06, there was no significant difference between the zinc concentrations of plasma and erythrocyte. The results of zinc concentrations in plasma and erythrocytes were also expressed in relation to the distribution of adolescents who were in the range of reference values. Regarding the frequency of the values of plasmatic zinc, it was found that 52% of athletes and 43% of the control group had concentrations of the mineral below the normal values and 48% of the athletes and 57% of the control group had values within normal limits and no one had zinc concentrations above the upper limit of reference, as shown in Graph 01. Analyzing the frequency of the values of erythrocytary zinc (GRAPH 02), it was found that 16% of the athletes and 26% of participants in the control group had concentrations within the normal range; 38% of athletes and 48% of the control group had values lower than normal, and 46% of athletes and 26% of the control group had values higher than normal. DISCUSSION In this study, analyses were carried out of zinc concentrations in plasma and erythrocytes in adolescent Judo athletes and sedentary individuals. The mean values of zinc found in plasma in both groups were within the normal range without significant differences (p> 0.05). These results are consistent with those demonstrated in studies by Koury et al.19,20 made with judo athletes, after measuring plasmatic zinc concentration 24 hours after completing physical exercise. Scientific literature is very scarce regarding data from research conducted on judo athletes obtained 24 hours after completing physical exercise. Most studies have been devoted to investigation of changes in the metabolism of zinc in a more acute phase, such as immediately after physical activity. According to some researchers, the increase of zinc in plasma, found in the initial moments after exercise, may be due to its leakage from the muscle tissue towards the extracellular fluid, and it could be normalized within 24 hours after the completion of exercise21. Therefore, it should be emphasized that the collection of biological material for analysis of zinc in this Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30 Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes study was conducted 24 hours after exercise, which probably contributed to the lack of statistically significant differences between the evaluated groups. Another important aspect to be highlighted concerns the total consumption of oxygen during physical activity. In this context, it is worth highlighting that anaerobic activity, unlike aerobic exercise, has an insignificant effect on oxygen consumption (VO2 max)22. Judo, for example, is a sport that displays characteristics of intermittence, and therefore requires supramaximal effort, with breaks for recovery, favoring the anaerobic lactic metabolism23,24. However, although oxygen consumption by judo athletes is not relevant, it is capable of generating free radicals that can promote changes in the metabolism of zinc. The results of this study showed that adolescent Judokas had higher VO2Max values when compared with the control group (p <0.05). Similarly, the study by Barros Neto et al.25 also found higher consumption of VO2 max among judo athletes, when compared with sedentary individuals. Although oxygen consumption was higher among the athletes surveyed in this study, this does not seem to have contributed to the plasma concentrations of zinc, because there was no statistically significant difference between groups (p>0.05). Differently, in a study by Arikan et al26 observed reduced plasma zinc levels in weightlifters when compared with the control group (p <0.01). An important fact to be discussed concerns the influence of dietary zinc on the biochemical parameters of zinc assessment. The diets of both groups evaluated in this study contained high concentrations of the mineral, because the values of Estimated Average Requirement (EAR) for zinc of the individuals assessed, according to the new nutritional recommendations were 8.5 mg/day, which may have contributed to the average concentrations found in plasma and erythrocytes15. The analysis of the concentration of zinc in the diet of the participants of this study, showed mineral values of 20.3 mg/day, which are higher than those found for the control group (10.9 mg/ day). These results are consistent with those demonstrated by Soares, Ishii and Burini27 which found 22.0 mg of zinc/day in the diet of athletes. On this point it should be mentioned that the diets consumed in the region of origin of athletes evaluated in this study had large quantities of food sources of zinc such as red meat and milk. Accordingly, it is appropriate to highlight the importance of an adequate diet regarding zinc intake, which is one of the key factors in maintaining adequate concentrations of the mineral in the body. According to Koury and Donangelo3, although there are no specific recommendations for athletes, this population group seems to need a higher intake of nutrients in order to compensate for increased sweat and urinary losses, as well as to meet the high biochemical demand from intense exercise. The fact that the concentration of zinc found in the diet of athletes participating in this study exceeded the recommendations may have contributed to the mean values of the mineral found in the plasma. Among the indirect methods for the assessment of nutritional status, the most frequently used are those obtained from dietary surveys, which show the qualitative or quantitative adequacy of food consumption of an individual that belongs to a family or a population group28. As for the results in the evaluation of the composition of the diet consumed by athletes and the control group, it is found that the Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30 daily recommended intakes (DRIs) for macronutrients were achieved by both groups, with no statistically significant difference (p <0.05), except the consumption of lipids, which was higher for athletes. According to the DRIs21, the percentage of energy delivered by macronutrients is approximately 10 to 30% for protein, 45 to 65% for carbohydrate and 35% for lipids. Thus, this study found that the diets of both groups had adequate concentrations of macronutrients. On the other hand, by analyzing the percentual distribution of participants in the study, according to plasmatic zinc, it was found that more than half of the athletes (52.3%) had values below 70 µg/dL, which is considered the normal value standard. Therefore, although the results from this study revealed an average concentration of zinc in the diet higher than recommended, a high percentage of individuals had a hypozincemia status. This fact can be attributed to physiological changes commonly seen after physical activity. Accordingly, some studies have shown that physical exercise promotes an increase of circulating interleukins, which stimulate the synthesis of metallothionein, a protein that promotes redistribution of zinc from plasma to the liver and/or erythrocytes8,11,29. The effects of these pro-inflammatory cytokines on the homeostasis of zinc in the body go beyond its influence on the expression of metallothionein. These substances stimulate the cellular influx of zinc through a regulation of the Zip transporter 14 in the hepatocyte membrane, which suggests that this transporter contributes to hypozincemia in athletes29. The concentrations of zinc in erythrocytes in athletes and individuals in the control group showed mean values within the normal range without significant differences between the groups (p<0.05). These results are consistent with those demonstrated in the study by Mundie and Hare21, which also found no difference in erythrocyte zinc concentrations 24 hours after the completion of anaerobic activity in athletes when compared to the control group. In the study by Olive et al30, there was no significant difference in relation to erythrocyte after 12 weeks of training in soccer players (p> 0.001), but the researchers observed a significant increase in plasma zinc concentration (p <0.001). The concentration of zinc in erythrocytes is about 10 times higher than in plasma. However, this parameter reflects changes, in the medium and long term, in the stocks of this mineral in the body due to the long half-life of erythrocytes31. The analysis of the percentage of participants of this study, according to the concentration of zinc in erythrocytes showed that 46% of athletes and 26% of subjects in the control group had concentrations higher than 44 µg Zn/g Hb. In this respect, an important fact worth highlighting is the changes in the distribution of zinc that appears to be dependent on the period of collection of biological material. There is a redistribution of zinc from plasma to erythrocytes, usually found after the period of rest that follows physical activity32. However, the results of the study conducted by Saliba, Tramonte and Faccin10 in athletes who performed aerobic activity revealed reduced erythrocyte zinc concentrations after 36 hours of exercise and sufficient mineral content in the diet. According to these authors, the concentration of zinc found in the erythrocyte could reflect the content of zinc found in diets consumed by athletes. The results of this study show the existence of changes in the distribution of zinc in athletes, given the high percentage of subjects with concentrations of zinc in erythrocytes and plasma above and 27 Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro below the recommendation for this mineral, respectively, while the mean values for both parameters were within the parameters of normality. This fact reinforces the need for more studies of this nature with a methodology that allows one to elucidate the mechanisms involved in the metabolic aspects arising from physical exercise, which favor disturbances in the antioxidant defense system. The consequences of this knowledge can guide other experimental studies to clarify that the use of zinc supplements by athletes is not needed, since it seems that there is no deficiency of this mineral in these individuals but rather a change in its compartmentalization in the body. 12. Lukaski HC, Hoverson BS, Gallagher SK, Bolonchuk WW. Physical training and copper, iron, and zinc status of swimmers. Am J Clin Nutr 1990; 51:1093-9. Acknowledgements: Prof Dr. José Machado Moita Neto Department of Chemistry, Federal University of Piauí, Teresina, Piauí, Brazil for assisting in statistical analyses. 15. Institute of medicine; Food and Nutritional Board. Dietary reference intakes for vitamin A, vitamin K, arsenic, boron, chromium, cooper, iodine, iron, manganese, molybdenun, nickel, silicon, vanadium, and zinc. National Academy, 2001; Washington, DC, p 650. REFERENCES 1. Lima S, Percego D. A importância da nutrição no futebol. Rev Nutr Perform 2001; 3:13. 2. Koury JC, Donangelo CM. Zinco, estresse oxidativo e atividade física. Rev Nutr 2003; 16(4): 433-441. 13 Tuya IR, Gil PE, Mariño MM, Carra RM, Misiego AS. Evaluation of the influence of physical activity on the plasma concentrations of several trace elements. Eur J Appl Physiol. 1996; 73:299-303. 14. World Health Organization. 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Zinc and copper biochemical indices of antioxidant status in elite athletes of different modalities. Int J Sport Nutr Exerc Metab 2004; 14(3): 358-72. 10. Saliba LF, Tramonte VLCG, Faccin GL. Zinco no plasma e eritrócito de atletas profissionais de uma equipe feminina brasileira de voleibol. Rev Nutr 2006; 19(5): 581-90. 11. Lukaski HC. Micronutrients (magnesium, zinc, copper): are mineral supplements needed for athletes? Int J Sport Nutr 1995; 5: 74-83. 28 20. Koury JC, Oliveira KJ, Lopes GC, Oliveira AVJ, Portella ES, Moura EG, Donangelo CM. Plasma zinc, copper, leptin, and body composition are associated in elite female judo athletes. Biol Trace Elem Res 2007; 115(1):23-30. 21. Mundie TG, Hare B. Effects of resistance exercise on plasm, erythrocyte, and urine Zn. Biol. Trace Elem Res 2001; 79 (1): 23-8. 22. Kraemer WJ, Deschenes MR, Fleck SJ Physiological adaptations to resistance exercise. Implications for athletic conditioning. Sports Med 1988; 6:(4)246-56. 23. Little NG. 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Control Mean ± SD Mean ± SD 41.6* ± 7.3 24.0* ± 7.1 * Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p <0.05). Table 3: Mean values and standard deviations of macronutrients and energy in the diet of athletes and control group. Energy/ 28. Ferreira HP. Desnutrição: magnitude, significado social e possibilidade de prevenção. Maceió: EDUFAL 1994; 218p. Athletes ) Nutrients Athletes Control Mean +SD Mean +SD Energy (Kcal) 3250,7* ± 1971.6 1949,9* ± 656,2 Carbohydrate (%) 51,0 ± 7.0 52,5 ± 6,3 Carbohydrate (g) 414,5 ± 56,9 255,9 ± 30,7 Proteins (%) 21,8 ± 6.0 Proteins (g) 176,2 ± 48,8 110,2 ± 25,3 Lipids (%) 27,0* ± 3.8 24,7* ± 3,4 Lipids (g) 97,5* ± 13,7 53,5* ± 7,4 22,6 ± 5,2 * Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p <0.05). Table 4: Mean values and standard deviations of the concentration of zinc in the diet of athletes and control group. Control Athletes Parameters Mean +SD Table 1: Mean values and standard deviations of weight, height, body mass index, fat percentage, muscle mass and fat mass in young athletes and the control group. Athletes Control Mean +SD Mean +SD 68,7* ± 15,9 57,9* ± 8,9 172,0 ± 7,9 168,4 ± 7,9 Zinc (mg/day) Mean +SD 10.9* ± 3.9 20.3* ± 11.7 Reference values for zinc intake: EAR = 8.5 mg / day (INSTITUTE OF MEDICINE, 2001) * Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p <0.05). Parameters Weight (Kg) Height (m) Table 5: Mean values, standard deviations, minimum and maximum values of plasma and erythrocyte zinc concentrations in adolescent athletes and control group. Athletes Variables BMI (Kg/m2) 23,0* ± 3,5 20,3*± 2,5 PF (%) 12,3* ± 5,2 19,3* ± 6,4 LM (Kg) 59,7* ± 10,1 49,8* ± 22,1 FM (Kg) 9,0* ± 7,0 19,3* ± 6,4 BMI = Body mass index, PF (%) = Percentage of fat, LM (kg) = Lean Mass, FM (kg) = Fat mass, * Values significantly different between the groups of athlete and control, Student t test (p <0.05). Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30 Plasma (µg /dL) Erythrocyte (µg Zn/ Control mini- maxi- mum mum mean ± SD 72,9 ±14,6 50,0 43,1 ±11,3 24,5 mini- maxi- mum mum 71,3 ±15,9 40,5 93,2 41,2 ±8,6 21,9 57,6 mean ± SD 106,1 63,7 gHb) Plasma reference values: 70-110 µg/dL (GIBSON, 1990) Reference values for erythrocyte: 40 - 44 µg Zn /g Hb (GUTHRIE; PICCIANO, 1994) There was no statistical difference between groups, Student’s t-test (p> 0.05) 29 Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro Table 6: Mean values, standard deviations of plasma and erythrocyte zinc concentrations in adolescent athletes with > 60kg and <60kg. Athletes >60Kg Athletes <60Kg Variables Mean +SD Mean +SD Plasma (µg /dL) 71.9 ± 14.2 75.7 ± 16.2 Erythrocyte (µg Zn/gHb) 45.36 ±11.2 37.6 ± 10.5 Plasma reference values: 70-110 µg/dL (GIBSON, 1990) Reference values for erythrocyte: 40 - 44 µg Zn /g Hb (GUTHRIE; PICCIANO, 1994) There was no statistical difference between groups, Student’s t-test (p> 0.05). GRAPH 02: Distribution of the athletes and control group, according to the concentration of zinc in erythrocytes. Graph 1: Percentual distribution of the athletes and control group according to the concentration of zinc in plasma. 30 Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30 Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturali- dade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol Nilo Terra Arêas Neto1,3,4 CREF: 015070-G/RJ e-mail: [email protected] Anderson Pontes Morales1,3,4 CREF: 009063-G/RJ Mauricio Rocha Calomeni1,3,4 CREF: 018568-G/RJ. e-mail: [email protected] Guilherme Gomes Côrtes1 CREF: 000965- G/RJ e-mail: [email protected] Carlos Eduardo Lopes Bianchi dos Guaranys1 CREF: 001366-G/RJ e-mail: [email protected] Vernon Furtado da Silva, Ph.D.2,3 CREF: 005475-G/RJ e-mail: [email protected] RESUMO Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do treinamento neurogênico bioperacional por meio da estimulação cerebral, sobre as variáveis bioestruturais (velocidade, potência muscular e equilíbrio) e bioperacionais (coordenação geral, percepção cinestésica e tempo de reação motriz) em jogadores armadores de basquetebol. Materiais e Métodos: A amostragem foi composta por n= 6 jogadores masculinos de basquetebol, com idade média de 13,5±1anos, da cidade de Campos dos Goytacazes. Resultados: Das inferências realizadas nos testes bioestruturais e bioperacionais nos momentos antes da estimulação cerebral (pré-testes) e depois desta (pós-testes), somente na T5 percepção cinestésica (variável bioperacional), verificou-se diferença significativa entre as comparações p= 0,031 (p<0,05). Discussão: Conclui-se que o treinamento mental (bioperacional), via estimulação fótica e auditiva, pode ser um promissor diferencial no treinamento de atletas visando-se aprimoramento em performance e na aprendizagem de atletas. PALAVRAS-CHAVE Basquetebol. Atenção. Cognição. Acute effects of brain stimulation over components of bioestructurality and bioperacionality on owners players of basketball ABSTRACT Introduction: The objective of this study was to determine the effectiveness of training neurogenic bioperacional through brain stimulation on the variables biostructures (speed, muscle power and balance) and bioperacionais (general coordination, kinesthetic awareness and time reaction motor) of in player’s owners of basketball. Materials and Methods: The Sampling was composed by n = 6 males basketball players, with a mean age of 13.5 ± 1 years, of the city of Campos dos Goytacazes. Results: The inferences made in the tests and biostructures bioperacionais levels before the enhancement of the brain (pre-test) and after potentiation (post-tests), only the T5 kinesthetic awareness (bioperacional variable) showed significant difference between comparisons p = 0.031 (p <0.05). Discussion: It is concluded that mental training (bioperacional) via photic and auditory stimulation, served as a promising gap in the training of athletes who seek a better performance and in the athletes’ learning. KEYWORDS Basketball. Attention. Cognition. 1Mestre em Ciência da Motricidade Humana UCB-RJ. 2Doutor em Philosophy Doctor Ph D, University Of Maryland, U.M. Professor pelo Programa Stricto Sensu em Motricidade Humana. 3Laboratório de Aprendizagem Neural e Performance Motora – LANPEM/CNPq 4 Departamento de Educação Física - ISECENSA/CAMPOS - RJ Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 31-36 | jul/dez 2010 Arêas Neto, Morales, Calomeni, Côrtes, Guaranys, Silva Los efectos agudos de la estimulación del cerebro sobre los componentes de la bioestructurality y biopera- cionality a los propietarios de los jugadores de baloncesto Resumen Introducción: El objetivo de este estudio fue determinar la eficacia de la formación neurogénica bioperacional través de la estimulación del cerebro en las variables bioestructuras (velocidad, fuerza muscular y el equilibrio) y bioperacionais (coordinación general, la conciencia cinestésica y el motor de tiempo de reacción) de en los dueños de jugador de baloncesto. Materiales y Métodos: El Probar estaba compuesto por n = 6 jugadores de baloncesto de varones, con una edad mala de 13.5 ± 1 años, de la ciudad de Campos el dos Goytacazes. Resultados: Las inferencias que se hagan las pruebas y los niveles de bioestructuras bioperacionais antes de la mejora del cerebro (pre-test) y después de la potenciación (post-test), sólo la conciencia cinestésica T5 (variable bioperacional) mostró diferencias significativas entre las comparaciones p = 0,031 (p < 0,05). Discusión: Se concluye que el entrenamiento mental (bioperacional) a través de la estimulación fótica y auditiva, sirvió como un espacio prometedor en el entrenamiento de los deportistas que buscan el mejor rendimiento en el aprendizaje de los deportistas. Palabras clave Baloncesto. Atención. Cognición. INTRODUÇÃO Com a abordagem sobre a aprendizagem de habilidades motoras alicerçada na teoria do processamento de informações, houve uma escalada de pesquisas sobre os mecanismos e processos subjacentes a este processo, destacando-se às análises de operações mentais que precedem o movimento1. Esta linha de raciocínio tem promovido um incremento na performance dos atletas, visto que, o entendimento e organização das estratégias e outros eventos de performance que um bom desempenho desportivo requer dependem de conhecimento e percepção2,3,4,5. Apesar da aquisição de habilidades motoras decorrer de uma série de fatores cujas naturezas se associam a domínios específicos do seu desenvolvimento motriz, social, ambiental, psicológica, entre outras 6,7,8,9,1. Da Silva1,6 afirma que este fenômeno pode ser melhor compreendido sob as perspectivas bioperacionais e bioestruturais do movimento humano. Compreende-se, sob uma perspectiva neurofuncional, que os neurônios associados à função bioperacional são os de alta ordem cognitiva (capacidade de percepção, abstração, lógica e mais), portanto, diretamente vinculada ao processamento mental “ativo”, enquanto que os ligados à função bioestrutural têm apenas ação mecânica, são parcialmente permeados por reguladores automatizados e estão associadas a valências físicas tais como força, velocidade de deslocamento, potência muscular, flexibilidade, equilíbrio, além de outras, cuja dimensão particular é explicável através de parâmetros quantitativos. Vale ressaltar que, os parâmetros de movimento ligados ao compêndio bioestrutural são diretamente estruturados, operacionalizados e, em parte, controlados pelo sistema bioperacional 10,6. Em contextos desportivos, a bioestruturalidade se efetiva em modalidades cujo desenvolvimento se operacionaliza sob versões de feedback em circuito mental fechado, onde a demanda cognitiva seja relativamente baixa, não exista a presença do inusitado e onde a prevalência da força determine o melhor resultado, ex: atletismo, natação e outros nesta linha. Já a bioperacionalidade se efetiva em modalidades cuja expressão depende de sequências rápidas de operacionalizações mentais, realizadas via circuitos de feedback aberto, para que se atenda as demandas, até certo ponto imprevisíveis, de desportos como: basquetebol, futebol, voleibol, pólo aquático e outros com características semelhantes. Em se tratando do basquetebol, verifica-se ser o mesmo intensamente dinâmico e aberto, em termos de feedback, dependendo da 32 competência no seu “jogar” de uma multiplicidade de variações mentais e de altos níveis de competência técnico-tática. Uma característica peculiar ao basquetebol é ser um desporto absolutamente controlado por tempo, ou seja, a velocidade de processamento, o conhecimento das possibilidades e as limitações do próprio corpo se fazem primordiais ao exímio desportista, em especial, ao jogador armador. Rose Jr, Tavares & Gitti11 destacam que no basquetebol há três posições específicas: armador, ala e pivô. Níveis diferenciados de competência são requeridos para jogadores que ocupam estas posições, sendo que armadores, devido à grande demanda de estratégias que precisam empreender nesta função, são os que mais dependem das competências bioperacionais. Sabe-se que, somente 5% do treinamento desportivo é dedicado em prática bioperacional1,6. Com base neste raciocínio e em pesquisas anteriores, pode-se verificar que a estimulação cerebral, por sintetização cortical, via estímulos fóticos e auditivos apropriados, pode figurar como forma alternativa de treinamento bioperacional na aprendizagem e na performance desportiva. Recentes estudos nesta linha12,13,14,15, estabelecem vieses que definem a adequação deste tipo de treinamento em uma série de tarefas de aprendizagem e performance motora. O ponto fulcral dos benefícios deste tipo de estimulação se estabelece sob o fato de ter ela a propriedade de promover melhor equalização entre os hemisférios cerebrais, condição que facilita eventos de percepção, memorização e atenção. Considerando-se o fato de que o córtex cerebral é farto de ritmos elétricos, que estes ritmos precisam de um estado adequado de balanceamento e que tal balanceamento qualifica o cérebro para um melhor desempenho bioperacional, pode-se hipotetizar que, um treinamento adicional através desta metodologia poderia beneficiar estas funções em desportistas, tornando-os mais competentes em suas funções de jogo. Brady & Stevens,16 sobre a efetivação do balanceamento cerebral, afirmam que, diante de uma atividade de realização complexa, o grande número de neurônios nela envolvidos produz oscilações sincronizadas de duas maneiras distintas. Isto é, eles podem obter as informações de um relógio central, compartilhando com este, em termo de ritmo e/ou distribuir a função de marcador de tempo (do ritmo) entre eles, excitando ou inibindo um ao outro. Bear, Connors & Paradiso17 definem que o primeiro mecanismo é análogo a um regente de uma banda, com cada músico tocando em um tempo preciso, mas de acordo com a batida da batuta. O segundo mecanismo Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36 Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturalidade... é mais sutil, porque o ritmo surge do comportamento, a princípio isolado dos próprios neurônios corticais, passando a coletivo, na medida em que os mesmos ritmicamente se ajustam. Ordenando-se os pressupostos teóricos inerentes à neurofisiologia do comportamento motor humano e as evidências oriundas dos efeitos benéficos da estimulação cerebral sobre a aprendizagem e performance motriz, a presente pesquisa teve como principal objetivo a verificação da probabilidade teórica de ocorrência destes efeitos sobre algumas variantes bioperacionais e bioestruturais em jovens armadores de basquetebol. rencial utilizou-se um instrumento paramétrico, teste “t” sobre amostras pareadas, admitindo-se um “p” referência no valor <0.05. RESULTADOS O Teste de Shapiro-Wilk (SW) foi escolhido para definir se as variáveis estão próximas da normalidade ou da distribuição normal dos dados21. Conforme os dados apresentados na TABELA 1 verificou-se que as estimativas de p-valor para o SW, estão acima de 0,05, logo as variáveis seguem a distribuição normal Tabela 1: Teste de normalidade dos escores da amostra Materiais e métodos Os procedimentos experimentais foram executados dentro das normas éticas previstas na Resolução nº.:196 de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de dados foi precedida da solicitação de autorização do Comitê de Ética da Universidade Castelo Branco-RJ, protocolo 0164/2008 UCB/VREPGPE/ COMEP/PROCIMH. A amostragem deste estudo foi composta por n= 6 jogadores de basquetebol do gênero masculino, todos armadores, considerados por seus técnicos como exímios desportistas nesta posição específica, pertencentes à rede de ensino básico, na cidade de Campos dos Goytacazes, todos federados e participantes ativos no campeonato estadual do Rio de Janeiro de 2008. Os atletas, com idade média de 13,5±1 anos foram voluntários neste estudo e seus responsáveis assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido, onde constava toda a metodologia empregada. Para avaliar os efeitos da estimulação cerebral sobre os componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade foram aplicados os seguintes testes: 1º Teste de Velocidade Shuttle Run19, para medir velocidade de corrida; 2º Teste de Força, Vertical Jump18, que mede potência muscular de membros inferiores no plano vertical; 3º Teste para medir coordenação Burpee18, para medir coordenação entre os movimentos de tronco, membros inferiores e superiores; 4º Teste de Equilíbrio do Flamingo19, para medir o equilíbrio estático geral; 5º Teste de Salto de Percepção Cinestésica18, para medir a percepção cinestésica e 6º. Teste de tempo de reação motriz, através de um software MAT LAB 5.3. (The math works, Inc.)20, instalado em um computador portátil (lap top) marca Amazon com um processador Pentium 1.70 GHz e Windows XP. Os testes foram aplicados antes e após a estimulação cerebral e foram feitos os seguintes procedimentos: os atletas após chegarem ao local dos testes foram instruídos sobre as tarefas a serem cumpridas. Os armadores estudados foram estimulados imediatamente após a realização dos pré-testes por meio de uma intervenção com o aparelho de estimulação áudio visual simultânea, durante um tempo total de 10 minutos de duração em uma sala (Laboratório de Cineatropometria). Trabalhou-se a onda beta na frequência de 15Hz durante os primeiros 5 min e 30 Hz por mais 5 min. Para a estimulação cerebral, foi utilizado um aparelho eletrônico computadorizado denominado Sirius, fabricado pela Mindplace, composto por: um óculos escuro, com quatro leds na face interna de cada lente, um fone de ouvido estéreo e um microprocessador onde é possível determinar especificamente a faixa de onda cerebral que se quer treinar o indivíduo12. Os dados oriundos dos procedimentos descritos acima foram analisados no programa SPSS® Statistics 17.0 for Windows, para a qual foram utilizadas ferramentas descritivas média, desvio padrão, mínimo e máximo. Para a verificação de normalidade dos dados, os escores de cada variável observada neste estudo foram analisados pelo teste Shapiro-Wilk (SW). Enquanto que para a estatística infe- Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36 Testes Momentos Sig. T1 Pré-teste 0,484 T2 T3 T4 T5 T6 Pós-teste 0,968 Pré-teste 0,096 Pós-teste 0,320 Pré-teste 0,555 Pós-teste 0,060 Pré-teste 0,251 Pós-teste 0,611 Pré-teste 0,162 Pós-teste 0,109 Pré-teste 0,070 Pós-teste 0,708 T1, teste de velocidade. T2, teste de força de membros inferiores. T3, teste de equilíbrio. T4, teste de coordenação. T5, teste de percepção cinestésica. T6, teste de tempo de reação. A TABELA 2, logo abaixo, mostra os resultados dos escores obtidos pelo grupo de armadores de basquetebol selecionados para esse estudo. Os dados se referem às condições antes da estimulação cerebral (pré-testes) e depois da mesma (pós-testes). Tabela 2: Análise descritiva dos resultados dos testes do bloco bioestrutural (T1, T2 e T3) e bioperacional (T4, T5 e T6) Testes Momentos N T1 T2 T3 T4 T5 T6 Média Escores Desvio Padrão Mínimo Máximo Pré-teste 6 19,74 (s) 2,1335 17,15 23,23 Pós-teste 6 19,65 (s) 1,6745 17,39 22,21 Pré-teste 6 39,33 (cm) 10,7827 29,00 53,00 Pós-teste 6 40,83 (cm) 8,4715 32,00 52,00 Pré-teste 6 3,33 (t) 2,3381 0,00 7,00 Pós-teste 6 4,00 (t) 2,8983 0,00 8,00 Pré-teste 6 18,66 (p) 4,9666 10,00 25,00 Pós-teste 6 17,83 (p) 4,7610 14,00 23,00 Pré-teste 6 23,41 (cm) 11,4080 14,50 44,00 Pós-teste 6 13,86 (cm) 2,6833 8,00 14,00 Pré-teste 6 391,66 (ms) 24,00 380,00 440,00 Pós-teste 6 403,33 (ms) 55,00 330,00 490,00 T1, teste de velocidade. (s) segundos. T2, teste de força de membros inferiores. (cm) centímetros. T3, teste de equilíbrio. (t) tentativas. T4, teste de coordenação. (p) partes do corpo. T5, teste de percepção cinestésica. (ms) milésimos de segundos. T6, teste de tempo de reação. 33 Arêas Neto, Morales, Calomeni, Côrtes, Guaranys, Silva Na TABELA 3 são apresentados os dados inferenciais relativos aos testes bioestruturais e bioperacionais, antes da estimulação cerebral (pré-testes) e depois da mesma (pós-testes). Das inferências realizadas nos testes bioestruturais e bioperacionais, nos momentos pré e pós-testes, somente na T5 percepção cinestésica (variável bioperacional) verificou-se diferença significativa entre as comparações (p<0,05). Tabela 3: Estatística inferencial através do teste “t” sobre amostras pareadas dos blocos bioestrutural (T1, T2 e T3) e bioperacional (T4, T5 e T6).) Testes T1 T2 T3 T4 T5 T6 Momentos Pré-teste Média Escores 19,74 (s) Pós-teste 19,65 (s) Pré-teste 39,33 (cm) Pós-teste 40,83 (cm) Pré-teste 3,33 (t) Pós-teste 4,00 (t) Pré-teste 18,66 (p) Pós-teste 17,83 (p) Pré-teste 23,41 (cm) Pós-teste 13,86 (cm) Pré-teste 391,66 (ms) Pós-teste 403,33 (ms) T Df 0,143 5 p Sig. 0,892 -1,031 5 0,350 -1,085 5 0,328 0,535 5 0,616 2,968 5 0,031* -0,720 5 0,3221 T1, teste de velocidade. (s) segundos. T2, teste de força de membros inferiores. (cm) centímetros. T3, teste de equilíbrio. (t) tentativas. T4, teste de coordenação. (p) partes do corpo. T5, teste de percepção cinestésica. (ms) milésimos de segundos. T6, teste de tempo de reação. *(p<0,05) Discussão A análise destes dados revelou interação entre momentos pré e pós-estimulação cerebral dos indivíduos do grupo. Contudo, ao observar a Tabela 3, pode-se constatar que somente a variável bioperacional percepção cinestésica (T5) apresentou resultado estatisticamente significativo (p<0.05). Estes resultados vêm a corroborar com os resultados significativos obtidos em estudos semelhantes 13,14,31. Apesar dos estudos citados não apontarem especificamente a percepção cinestésica e sua otimização sob efeito da estimulação cerebral no incremento da performance e da aprendizagem, alguns autores 22,23,24,9, estudiosos no assunto, afirmam que esta competência é de suma importância ao ótimo desempenho em desportos de contato corporal, principalmente naqueles como o basquetebol e o futebol em que a bola aparece como mais um fator de demanda bioperacional. No basquetebol a percepção cinestésica é uma das competências que mais se destaca, pois se trata da habilidade de usar a coordenação motora (grossa ou fina) no controle dos movimentos do corpo, na resolução de problemas e na criação de movimentos e na manipulação de objetos com destreza e extrema competência; em relação ao seu próprio corpo, em relação ao objeto (bola) e as demandas do ambiente onde acontece o jogo25. Esta forma de inteligência também é considerada uma das mais importantes para atletas, sejam eles praticantes de desportos individuais e coletivos, com contato corporal ou não 26,27. Contudo, nos desportos de con- 34 tato corporal esta forma de inteligência parece ser mais presente e determinante para uma boa performance9,23,28. Muitos autores como Marques e González-Badillo29, Pinto, Gonçalves e Graça30 vão de encontro com estes resultados, demonstrando uma visão dissociativa das competências bioestruturais e bioperacionais, em que os erros cometidos pelos jogadores de basquetebol se devem à falta de força nos músculos que intervêm nos movimentos técnicos na ambiência do jogo. Em estudo realizado por Okazaki et al26 alguns resultados apontaram para os jogadores armadores como os que mais utilizam as técnicas de dribles e passes, que apresentam o maior número de posses, “roubos” e perdas de bola, além de serem os jogadores que mais utilizam à técnica de arremesso de bandeja, de drible e que executam o maior número de passes no jogo. É notório que a aprendizagem e a ótima execução desses fundamentos dependem de uma ótima percepção cinestésica. Alguns autores como Saad23, Weiss et al25, Okazaki et al26 e Oliveira, Beltrão e Silva28 afirmam que indivíduos considerados exímios atletas, excelentes em suas performances nas situações de jogo, são normalmente, aqueles que se destacam por suas capacidades de entendimento (competência cognitiva) de, aonde, como e quando utilizar exatamente as técnicas inerentes à performance de um jogo específico. Quanto a estimulação cerebral, pode-se especular que, além das questões da ambiência do jogo os estímulos audiovisuais (estimulação cerebral) podem auxiliar na equalização de um padrão cortical ótimo para a aprendizagem e a performance31. Através do bombardeio contínuo da retina e do núcleo olivar, os estímulos, ao penetrarem no tálamo, impõem ao córtex um padrão que é caracterizado por uma faixa de onda, condicionando o cérebro a ser mais eficiente em evento de aprendizagem ou performance. Em estudos recentes feitos por Calomeni et al15,32 sobre os efeitos da potencialização cerebral, via estimulação fótica e auditiva, também ficou demonstrada a eficácia no auxílio da aprendizagem por meio da melhora na atenção e na concentração de criança hiperativa e atletas de basquetebol. Podem ser citados os resultados obtidos pela equipe de boliche do Brasil nos Jogos Panamericanos de 2007 como mais uma forma de avalizar esta forma de treinamento14. Os atletas da seleção brasileira de Boliche utilizaram a estimulação cerebral (áudio visual) como forma de treinamento e obtiveram onze medalhas durante os Jogos. Por esses e por outros resultados encontrados e citados neste estudo, pode-se apontar o treinamento mental (bioperacional), via estimulação fótica e auditiva, como um promissor diferencial na performance e na aprendizagem de atletas, diretamente ou por meios auxiliares como na melhoria da atenção e da concentração, por exemplo. REFERÊNCIAS 1. Da Silva Vernon F. Os compêndios bio-operacional e bio-estrutural como fatores interativos da aprendizagem neural. In: Fernanda Barroso Beltrão; Heron Beresford; Nilza M Macário. (Org.). Produção em Ciência da Motricidade Humana. 2 ed. Rio de Janeiro: Shape, 2002, v. 2, p. 71-79. 2. Morales APM, Azevedo MMA, Maciel RN, Barcelos JL, Arêas Neto NT, Da Silva Vernon F. Eficácia do processamento mental em jogadores de voleibol com níveis metacognitivos diferenciados. 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Tel: (22) 81136591 Vernon Furtado da Silva, Ph.D. Av Santa Cruz, 163. Realengo Cep 21710250 Rio de Janeiro-RJ Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36 . Game-related statistics in basketball by player position and final game score differences in European basketball championship 2007 Yolanda Escalante1 E-mail: [email protected] José M. Saavedra2 E-mail: [email protected] Antonio García-Hermoso3 E-mail: [email protected] During completion of this paper Y. Escalante was a visiting researcher at the University of Wales Institute, Cardiff, Wales, UK with a grant awarded by the Ministry of Education of Spain (Ministerio de Educación) (JC2009-00316). J.M. Saavedra was also a visiting researcher at the same University with partial grants awarded by the Autonomic Government of Extremadura (Junta de Extremadura) and Social European Funds (GRU09159). Abstract Introduction: The purposes of this study were (i) to determine the differences in game-related statistics by player position according to categories of the final game score difference, and (ii) to examine which game-related statistics can serve to discriminate between winner and loser players according to player position and final game score difference in a European Basketball Championship (EBS). Material and methods. The sample consists of the results and statistics of 54 games played in the final phase of the EBS. The games were classified according to final game score difference and the players according to position. One-way ANOVA and post hoc Tukey tests were used to determine the differences in game-related statistics between player positions. Then, the sample was then divided according to game category and player position. A discriminant analysis model was constructed for each subsample (stepwise selection). Results and discussion. The principal conclusions was the discriminatory power of game-related statistics is greater for the centres than for the forwards, and greater for the latter than for the guards, with the variables selected being both offensive and defensive. Keywords Discriminant analysis. Performance. Motor skills Estadisticas do jogo em função en funcion da posição do jogador e a diferença na pontuação final no campeonato da Europa 2007 RESUMO Introdução. Os objetivos do este estudo foram (i) determinar as diferenças nas estatísticas de jogo em função da posição do jogador de acordo com as diferenças na pontuação final, e (ii) examinar as estatísticas de jogo discriminatórias entre ganhadores e perdedores em função do a posição do jogador e a diferença na pontuação final em um Campeonato da Europa de Basquetebol (CEB). Material e métodos. A mostra se compõe dos resultados e estatísticas de 54 jogos de fase final do CEB. Os partidos se classificam de acordo à diferença de pontuação final e os jogadores de acordo à posição de jogo. Se realizou um ANOVA de uma via e um post hoc de Tukey para determinar as diferenças nas estatísticas de jogo entre as posições dos jogadores. Posteriormente, a mostra se dividiu em função do resultado final do jogo e posição do jogador. Se calculou um modelo de análise discriminante para cada submostra utilizando um procedimento de seleção passo a passo. Resultado e discussão. A conclusão principal foi que o poder discriminatório das estatísticas de jogo foi maior em pivôs que em laterais, e maior nestes que nos armadores, sendo as volúveis selecionadas tanto ofensivas e como defensivas. Facultad de Formación del Profesorado. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460. Facultad de Ciencias del Deporte. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460. 3 Facultad de Ciencias del Deporte. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460. 1 2 Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 37-42 | jul/dez 2010 Escalante, Saavedra, García-Hermoso PALAVRAS-CHAVE Análise discriminante. Rendimento. Habilidade motriz. Estadisticas 2007 de juego en funcion de la posicion del jugador y del resultado final en el campeonato de Europa RESUMEN Introducción. Los objetivos del este estudio fueron (i) determinar las diferencias en las estadísticas de juego en función de la posición del jugador de acuerdo con las diferencias en la puntuación final, y (ii) examinar las estadísticas de juego que discriminen los ganadores de los perdedores en función del la posición del jugador y la diferencia en la puntuación final en un Campeonato de Europa de Baloncesto (EBS). Material y métodos. La muestra se compuso de las estadísticas de 54 partidos jugados en la fase final del EBS. Los partidos se clasificaron en función del resultado final y los jugadores en función de su posición. Se realizó un ANOVA de una vía y un post hoc de Tukey para determinar las diferencias en las estadísticas de juego entre las posiciones de los jugadores. Posteriormente, la muestra se dividió en función de la categoría de juego y posición del jugador, realizando un análisis discriminante para cada submuestra. Resultado y discusión. La conclusión principal fue que el poder discriminatorio de las estadísticas de juego fue mayor en pivots que en aleros, y mayor en estos que en los bases, siendo las variables seleccionadas tanto ofensivas y como defensivas. PALABRAS-CLAVE Análisis discriminante. Rendimiento. Habilidad motriz. Introduction Basketball has been studied in recent years from different points of view: training1, physiology2, technical3, fitness testing4, kinanthropometry5,6, injuries7, and competition analysis, inter alia. In this sense, the competition analysis and game-related statistics have represented a decisive step in the knowledge of basketball that has led to great improvements in the performance of teams and players7. The information permits the training process to be organized and designed on the basis of the requirements of the game and the players8. There have been studies that have analyzed the game-related statistics in terms of the final game score (winners or losers)9,10,11, final game score difference (close, balanced, unbalanced games)9,10,11, level (Olympic Games, World and European Championships, NBA, European league or national leagues)8,12,13, game location (home or away)10,14, game type (regular season or play-off)10, among others. Analyzing the studies that considered the final game score difference, one finds that the winning teams in close games are characterized by 2-point field-goals both successful9 and unsuccessful, 3-point field-goals both successful and unsuccessful10, free-throws both successful9,10, and unsuccessful, rebounds both offensive10 and defensive 9,10, and fouls10. In balanced games, the winning teams show high values of 2-point field-goals both successful9 and unsuccessful11, unsuccessful 3-point field-goals9, free-throws both successful9,10 and unsuccessful11, defensive rebounds9,10,11, assists9,11, turnovers, and steals11. In unbalanced games, the winning teams have high values of successful 2-point field-goals9,10,11, 3-point field-goals both successful11, and unsuccessful9,11, rebounds both offensive9 and defensive9,11, committed fouls9,11, blocks9, turnovers and steals11. There has also been recent work that, as well as considering the team’s game-related statistics, has focused on the player’s individual characteristics, in particular on their position, usual being guards, forwards, and centres8,13. Other studies, however, have used classifications based on a greater number of specific positions: pointguard, off-guard, small-forward, power-forward, and centre15 and bench16. Analyzing the game-related statistics by player position, one 38 finds that the guards or point-guard have high values of successful 2-point field-goals16 and unsuccessful, assists13 and steals15. The forwards have high values in 2-point field-goals both successful8 and unsuccessful13. Finally, the centres are characterized by successful 2-point field-goals8, unsuccessful 3-point field-goals8,13, rebounds13,15 and blocks13. In this sense, there have been studies demonstrating clear differences in game-related statistics as a function if the game final score difference9,10,11 and players’ position8,15,16. However, despite these studies analyzing the relationship between the game-related statistics and either the final game score differences or player position, to the best of our knowledge there have been none analyzing the interaction of the two. Therefore, the purposes of this study were (i) to determine the differences in game-related statistics by player position (guards, forwards, centres) according to categories of the final game score difference (close, balanced, and unbalanced games), and (ii) to examine which game-related statistics can serve to discriminate between winner and loser players according to player position and final game score difference in a European Basketball Championship. MATERIAL AND METHODS The sample consists of the results and statistics of 54 games played in the final phase of the European Basketball Championship held in Spain in 2007. The games were classified according to final game score difference: close games (n=21, 1 to 8 points), balanced games (n=23, 9 to 17 points), and unbalanced games (n=10, above 18 points)10. The players were then classified according to position: guards (point guards, shooting guards, and guards, n=77), forwards (guard forwards, small forwards, power forwards, and forwards, n=69), and centres (centre-forwards and centres, n=46). This classification reduced the number of categories of the official box score specific positions from 9 to 3, as well as being based on the groups used in other studies8,13,17. Players whose participation in any game was of less than 5 minutes duration were excluded from the analysis13. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42 Game-related statistics in basketball by player position and final game... Archival data were obtained from the official box scores on the 2007 European Championship (www.feb.es). The game-related statistics considered were: 2- and 3-point field-goals (successful), free-throws (successful), rebounds (offensive and defensive), assists, committed fouls, turnovers, steals, and blocks. The raw values of the variables were divided by the number of minutes played by the corresponding player to give values relative to playing time. The independent or predictor variables were those corresponding to the game-related statistics, and the dependent or predicted variable was the performance (winner or loser player). The basic statistical descriptors (mean and standard deviation) were computed for each game final score difference (close, balanced and unbalanced) and player position (guards, forwards, centres). An exploratory analysis was first performed using the Kolmogorov-Smirnov test to assess the normality of the distribution of each variable’s score. One-way ANOVA and post hoc Tukey tests were used to determine differences in the variables between player positions. The sample was then divided according to game category and player position, producing nine independent subsamples. A discriminant analysis model was constructed for each subsample using a stepwise selection procedure. This model identifies which variable has the greatest influence on the prediction. The criterion used to determine whether or not a discriminating variable was Wilks’ lambda which measures the deviations within each group with respect to the total deviations. If the value is close to zero, the variability is due to differences between groups, and therefore the variable discriminates between the groups. On the contrary, if its value is close to unity, the groups are intermixed and the set of independent variables is not adequate for the construction of the discriminant function. The stepwise model included initially the variable that most minimized the value of Wilks’ lambda, provided the value of F was greater than a certain critical value (F = 3.84 to enter). The next step was pairwise combination of the variables with one of them being the variable included in the first step. Successive steps were performed in the same way, always with the condition that the F-value corresponding to the Wilks’ lambda of the variable to select has to be greater than the aforementioned “entry” threshold. If this condition was not satisfied, the process was halted, and no further variables were selected in the process. Before including a new variable, an attempt was made to eliminate some of those already selected if the increase in the value of Wilks’ lambda was minimal, and the corresponding F-value was below a critical value (F = 2.71 to remove). The number of independent variables was limited to nv/n ≤ 5 to avoid saturation of the model18. Wilks’ lambda, the canonical correlation index, structural coefficients and the percentage of subjects correctly classified in the whole sample and for each subsample were calculated. Structural coefficients ≥ 0.300 were considered relevant19. A p-value of <0.05 was considered to be statistically significant. The Statistical Package for Social Sciences (SPSS version 15.0) was used for all data analyses. Results Table 1 presents the mean and standard deviation of the gamerelated statistics according to categories of the final game score difference and player position. All the game-related statistics except successful free-throws and steals showed differences between player positions in some final game score difference category. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42 Table 1. The data are means and standard deviations, ANOVA and post hoc Tukey values, and significance levels (p) by final game score difference and player position. Final game score – Variable Guards (G) Forwards (F) Centres (C) (n=77) (n=69) (n=46) post F hoc Tukey Mean SD Mean SD Mean SD .072 .073 .083 .085 .011 .091 6.38* G,F>C .037 .045 .036 .046 .019 .044 5.49* G,F>C .069 .088 .072 .085 .064 .111 0.20 - .022 .043 .059 .069 .064 .069 21.26* G<F,C .080 .067 .135 .084 .127 .087 21.06* G<F,C Assists .066 .062 .041 .052 .023 .034 21.49* G>F>C Fouls .107 .074 .133 .098 .165 .133 11.02* G,F<C Turnovers .066 .063 .057 .067 .065 .071 0.77 - Steals .032 .040 .032 .053 .027 .040 0.52 - Blocks .003 .011 .014 .031 .027 .049 19.01* G<F<C .061 .062 .092 .095 .106 .082 11.98* G<F,C .040 .048 .041 .055 .023 .048 4.62* G,F>C .070 .084 .066 .090 .086 .110 1.16 - .023 .037 .048 .054 .079 .086 30.94* G<F<C .076 .067 .113 .090 .156 .100 30.45* G<F<C Assists .085 .076 .037 .046 .025 .037 46.49* G>F,C Fouls .098 .067 .129 .101 .163 .118 16.38* G<F<C Turnovers .065 .062 .058 .062 .066 .078 0.58 - Steals .037 .044 .024 .035 .024 .038 5.57 - Blocks .003 .013 .013 .029 .028 .046 22.8* G<F<C .071 .070 .101 .102 .117 .095 4.78* G<C .036 .047 .038 .052 .028 .054 0.64 - .054 .101 .075 .100 .067 .090 0.94 - .023 .047 .046 .059 .078 .070 14.64* G<F<C .070 .063 .138 .096 .143 .094 19.04* G<F<C Assists .079 .076 .054 .060 .038 .050 6.66* G>F>C Fouls .106 .095 .105 .080 .126 .092 1.03 - Turnovers .083 .082 .050 .051 .058 .070 5.04* G>F Steals .047 .067 .027 .040 .031 .053 2.86 - Blocks .005 .026 .019 .036 .023 .041 5.32* G<F<C Close games Successful 2 pt Successful 3 pt Successful free-throws Offensive rebounds Defensive rebounds Balanced games Successful 2 pt Successful 3 pt Successful free-throws Offensive rebounds Defensive rebounds Unbalanced games Successful 2 pt Successful 3 pt Successful free-throws Offensive rebounds Defensive rebounds *p<0.05 39 Escalante, Saavedra, García-Hermoso Table 2 presents the discriminant analysis of each subsample. For the guards a classification into winners and losers was possible only in the close games, with 55% being correctly classified. For the forwards and centres, however, there was greater than 58% correct classification in all three classes of final game score difference. The centres in unbalanced games were 78% correctly classified into winner and loser centres due to the model’s consecutive selection of the variables: defence rebounds, successful 2-point field-goals, assists, and offensive rebounds. Table 2. Discriminant analysis models for the different groups (final game score difference – player position), giving the percentage correctly classified, Wilks’ λ, canonical correlation index, and variables included in the model by order of selection (all structural coefficients ≥ 0.600) Close games Percentage correctly classified Wilks’ λ Canonical correlation index Variables selected Guards Forwards Centres (n=77) (n=69) (n=46) 54.8 60.6 59.0 .977 .918 .919 .151 .286 S. free-throws .284 S. freethrows Balanced games Percentage correctly classified Wilks’ λ - Defensive rebounds Steals Blocks 58.1 61.0 .974 .961 Canonical correlation index .162 .197 Variables selected Steals Assists 67.9 78.4 Unbalanced games Percentage correctly classified Wilks’ λ Canonical correlation index .892 .632 .329 .607 Defensive - Variables selected S.=successful. P<0.05. Defensive rebounds rebounds S. 2 points Offensive Assists rebounds Offensive rebounds Discussion All the game-related statistics except successful free-throws and steals showed differences between player positions (guards, forwards, and centres) in some final game score difference category (close, balanced, and unbalanced games), indicative of the specialization of the players’ contribution to team performance. This is also the first time that it has been shown possible to discriminate winners and losers in guards (except in the balanced and unbalanced games), forwards, and centres using at most four game-related statistics, with percentages of correct classification between 54% and 78% of the sample. Player position differences. The successful 2-points field-goals was lower in the centres in the close games. This differs from some 40 other findings for the Greek League8, NBA13, and formative years15, in which the centres obtained higher values than the guards and forwards perhaps due to the greater number of inside shoots. It is in accordance, however, with other published results16. The centres were also the players with least success in 3-point field-goals in the balanced games. This is coherent with studies on the Leagues of Greece8 or Spain13 showing the importance of the contribution of the guards and forwards to the team’s outside shooting. The rebounds, both offensive and defensive, were greater in centres than in forwards15, and greater in the forwards than in the guards, in both balanced and unbalanced games, reflecting the importance of the player’s height in this aspect of the game13. In the close games, however, there were no differences between centres and forwards, seeming to indicate the importance of forwards in this aspect of the game when the scores are close. Other studies have found no differences in rebounds between guards and forwards15. The values for assists were higher in the guards than in the forwards and centres for all three types of games, reflecting that their contribution is basically the creation and organization of the team game8. These results are consistent with previous studies on the Spanish League and NBA13. The centres committed more fouls13 except in the unbalanced games where there were no differences. Perhaps this is due to the difference in level of the players that leads to centres with less technical ability committing more fouls. Finally, the values for blocks were higher in the centres than in the forwards, and higher in the latter than in the guards in all three classes of game, maybe because the centres are taller which makes blocking easier for them in a game. These results are consistent with those found in a study conducted in the Portuguese League13. Player position winners and losers. For the guards, only in the close game category did the system select some variable to discriminate between winners and losers. The discriminating variable was successful free-throws, giving 54% correct classification. This perhaps reflects that in close games the guards receive more personal fouls as they make more free throws (close games= 268 free-throws, balanced games= 181 free-throws, unbalanced games= 85 freethrows). These are situations conducive to mistakes that give rise to free-throws8. In the balanced and unbalanced games, however, no variable discriminated between winner and loser guards, indicating that in this kind of game there are no differences in the contribution to the collective game of the guards. For the forwards, in close games 60% of the winners and losers were correctly classified with free-throws and defensive rebounds. The free-throws variable shows that the team requires effective shooters in this aspect of the game. Indeed, in close games successful free-throws differentiate the winning from the losing teams9,10. The defensive rebounds reflect the importance of the contribution of this facet of the forwards’ play, since it allows a greater number of possessions. In the balanced games, the selected variable corresponded to steals, correctly classifying 58% of the winner and loser forwards, which perhaps reflects their greater involvement in defensive aid to the guards and centres. Finally, in unbalanced games, 67% of the winner and loser forwards were correctly classified with defensive and offensive rebounds. This highlights the importance of the involvement of forwards in a facet of the game that is usually dominated by the centres15. For the centres, in close games 59% of the winners and losers were correctly classified with steals and blocks. The steals reflect Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42 Game-related statistics in basketball by player position and final game... their contribution to the team game, a facet that had not been demonstrated previously. The same is the case for the blocks, although this variable has indeed previously been associated with greater corpulence and height5. In the balanced games, the selected variable corresponded to assists, correctly classifying 61% of the winner and loser centres. This may indicate a greater agility and coordination of the winner centres of these levels, leading to greater fluidity of the team12. Finally, in unbalanced games, 78% of the winner and loser centres were correctly classified with defensive rebounds, successful 2 point field-goals, assists, and offensive rebounds. This number of selected variables was the largest of all nine subsamples, indicating that it is this player position (centre) and class of game (unbalanced games) where there exist the greatest differences between winners and losers. The defensive and offensive rebounds allow a greater number of possessions, while the successful 2-points field-goals is indicative of the weakness of the loser centres to defend against the winner centres. The assists statistic, as in the balanced games, reflects greater agility and coordination of the winner centres. Limitations. This study has some limitations. First, the competition system means that the number of games analyzed was small, and that, since it was a final stage, the coaches could well have altered the positions of their players on the court depending on which was the opposing team. Secondly, the competition system required teams that had lost any medal possibilities to play further games for 5th to 8th places, which could influence some players’ motivation and form of approaching the games, and therefore affect the game-related statistics. CONCLUSION From the results of this study it can be concluded that generally, the game-related statistics for guards are assists, and for centres are rebounds, committed fouls, and blocks. The contribution of the forwards is similar to that of the guards in some game-related statistics, and to that of the centres in others. This may be because no distinction was made between small-forwards and power-forwards. With respect to the discriminatory power of game-related statistics to distinguish the winner and loser players, for the guards it was only in the close game category that there were differences in the statistics between winners and losers, with the discriminating variable being the free-throws statistic. For the forwards, there were more differences, in particular in free-throws, rebounds, and steals. Finally, the centres showed more differences in rebounds, steals, blocks, assists, and successful 2 point field-goals. Hence, the discriminatory power of game-related statistics to distinguish winners and losers was greater in centres than in forwards, and greater in the latter than in guards. These differences and the discriminatory power of the gamerelated statistics for each player position allow the coach to gain a more in-depth vision of the player’s performance to apply in planning training based on that knowledge. However, it is necessary to study these same variables in other situations such as different levels (Olympic Games, World Championship,…), game location (home or away), game type (regular season or play-off), age (senior or formative age), player’s starting status (starter or reserve), and sex (male or female). REFERENCE 1. Kilinç, F. 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Apoio Financeiro da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura – PROEC-UFLA RESUMO Introdução: O câncer pode ser caracterizado pelo crescimento descontrolado de células anormais. A atividade física gera modificações metabólicas e morfológicas que podem torná-la um elemento atraente no tratamento e na recuperação de pacientes com câncer. Objetivo: Avaliar os componentes da capacidade funcional (força e flexibilidade) e a composição corporal em portadores de câncer. Metodologia: Participaram do estudo 25 portadores de câncer. Os sujeitos assinaram o TCLE autorizando sua participação no estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Itaúna sob o numero de protocolo 017/10. Na avaliação da capacidade funcional foram adotadas 2 capacidades físicas: Força e Flexibilidade. Na avaliação da composição corporal foi adotado o método de bioimpedância. Resultados: Identificamos maior gordura na composição corporal. A flexibilidade foi negativa tanto para o membro inferior quanto superior, enquanto que na força encontramos diferença significativa entre a força de membro superior e inferior. Conclusão: A gordura corporal em portadores de câncer é maior que a população na mesma faixa etária. A atividade física pode servir como um mediador dessas perdas. PALAVRAS-CHAVE Portador de Câncer. Capacidade Funcional. Composição Corporal. Functional capacity and body composition in bearers of cancer Abstract Introduction: The cancer can be characterized for the disorderly growth of the abnormal cells. The physical activity generates morphological and metabolic modifications that do with which she be an attractive element in the rehabilitation of the patients with cancer. Objective: Evaluating the components of the functional capacity (strength and flexibility) and the body composition in bearers of cancer. Methods: They did part of the study 25 bearers of cancer. The subjects signed the TCLE authorizing their participation in the study, which 1 2 Núcleo de Estudos em Movimento Humano – NEMOH- Departamento de Educação Física – Universidade Federal de Lavras. Pesquisa e Extensão Câncer e Atividade Física – PECAF- Departamento de Educação Física – Universidade Federal de Lavras. Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 43-49 | jul/dez 2010 Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva was approved by the committee of ethics of the University of Itaúna on the protocol number 017/10. In the evaluation of the functional capacity they were adopted 2 physical capacities: It strength and Flexibility. In the evaluation of the body composition was adopted the bioimpedancia method. Results: We identify a bigger fat in the body composition. The flexibility was refusal in the upper and lower members, already in the strength was found a significant difference between the upper and lower member. Conclusion: The body fat in bearers of cancer is bigger than the population in the same age group. The physical activity can serve like a mediator of those losses. Key-Words Bearers of Cancer. Functional Capacity. Body Composition. Capacidad funcional y composición corporal en portadores de cáncer RESUMEN Introducción: El cáncer puede ser caracterizado por el crecimiento desordenado de las células anormales. La actividad física genera modificaciones metabólicas y morfológicas que hacen con que ella sea un elemento atractivo en la rehabilitación de los pacientes con cáncer. Objetivo: Evaluar los componentes de la capacidad funcional (fuerza y flexibilidad) y la composición corporal en portadores de cáncer. Metodología: Hicieran parte del estudio 25 portadores de cáncer. Los sujetos firmaran el TCLE autorizando su participación en el estudio, que fue aprobado por el comité de ética de la Universidad de Itaúna sobre el numero de protocolo 017/10. En la evaluación de la capacidad funcional fueron adoptadas 2 capacidades físicas: Fuerza y Flexibilidad. En la evaluación de la composición corporal fue adoptado el método de la bioimpedancia. Resultados: Identificamos una mayor grasa corporal. La flexibilidad fue negativa en los miembros inferiores y superiores, ya en la fuerza fue encontrado una diferencia significativa entre el miembro superior e inferior. Conclusión: La grasa corporal en portadores de cáncer es mayor que en la población del rango etario. La actividad física puede ayudar a mermar las perdidas. Palabras-Claves Portador de Cáncer. Capacidad Funcional. Composición Corporal. INTRODUÇÃO O câncer pode ser definido como uma massa anormal de tecido, cujo crescimento excede o dos tecidos normais e não está coordenado com esse crescimento, persistindo da mesma maneira excessiva após o término do estímulo que evocou a mudança1. O câncer é caracterizado pelo crescimento descontrolado e a disseminação de células anormais, que continuam a se reproduzir até que formem uma massa de tecido conhecida como tumor2. Um tumor maligno interrompe as funções do corpo e desvia o alimento e suprimento sanguíneo de células normais. Segundo Hanahan & Weinberg (2000)3, câncer é uma desordem hiperproliferativa que envolve transformação na morfologia celular, desregulacão da apoptose, proliferação descontrolada, invasão, angiogênese e metástase. O câncer pode ocorrer em vários órgãos do corpo humano e requer diferentes métodos de controle. O câncer tem aparecido como um importante problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, devido ao acelerado crescimento da população de faixa etária mais elevada. A enfermidade representa a segunda causa de mortes no mundo, sendo geralmente superada apenas pelas doenças cardiovasculares4. Infelizmente, esse não é o único problema dos pacientes que são acometidos pela doença, sendo os tratamentos utilizados para combatê-lo, muitas vezes estão acompanhados de efeitos colaterais que comprometem a qualidade de vida dos pacientes por longos períodos5. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer nos Estados Unidos, de 72% a 95% dos pacientes com câncer (CA) que recebem tratamento apresentam aumento nos níveis de fadiga resultando em diminuição significativa na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da saúde e na qualidade de vida6. As causas da fadiga relacionada ao tratamento de câncer deveriam ser vistas como multifatoriais e associadas tanto ao descondicionamento físico quanto emocional 44 que ocorre após um diagnóstico de câncer e seu subsequente tratamento7. O metabolismo de pacientes portadores de CA sofre modificações drásticas devido ao estresse criado pela própria doença, como também pelos efeitos colaterais produzidos pelos tratamentos tradicionais administrados (cirurgia, quimioterapia ou radiação). O tratamento de câncer, de forma geral, de acordo com o grau de evolução da doença, é pautado em intervenções cirúrgicas, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia e os efeitos colaterais do tratamento implicam, na maioria das vezes, em sensação de extrema fadiga, em geral, associada à perda de peso e à redução da força muscular, bem como, quadros de depressão afetando o aspecto psicológico do paciente. Aproximadamente 75% dos indivíduos que sobrevivem ao câncer relatam sensações extremas de fadiga durante a radioterapia ou quimioterapia, em geral associadas à perda de peso e à redução da força muscular e da resistência cardiovascular5. O interesse em medir a quantidade dos diferentes componentes do corpo humano iniciou no século XIX e aumentou no final do século XX devido à associação do excesso de gordura corporal com o aumento do risco em desenvolver doenças do tipo arterial coronariana, hipertensão, diabetes tipo II, pulmonar obstrutiva, osteoartrite e certos tipos de câncer8. O sobrepeso e a obesidade contribuem fortemente para a carga de doenças crônicas e de incapacidades, que vão desde dificuldades respiratórias até condições graves, como doença coronariana e certos tipos de câncer. Estima-se que 90 mil mortes por câncer poderiam ser evitadas a cada ano se a população adulta mantivesse um peso corporal adequado e que, aproximadamente, 20-33% dos casos de câncer mais comuns possam ser atribuídos ao peso corporal excedente e à inatividade física9. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49 Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer Em relação ao metabolismo dos lipídios, temos a elevação dos níveis de circulação destes e a depleção da reserva nos hospedeiros devido a fatores circulantes que levam ao aumento do catabolismo da gordura e à diminuição da sua síntese. O principal fator é a lipase-lipoproteína, que está diminuída nos portadores de câncer. A perda de peso envolve basicamente o tecido adiposo e muscular estriado esquelético10,11, sendo consequência da síndrome a morte de cerca de 22% dos pacientes com câncer12. Há evidências de que o efeito da gordura da dieta seja exercido depois do início da tumorgênese e que esse processo geralmente aumenta com o conteúdo de gordura. Os portadores submetidos á intervenções como radioterapia e quimioterapia relatam sintomas como náuseas, perda de apetite, diarréias e mal estar, fatores que levam os pacientes a iniciarem um ciclo vicioso de perda de massa corporal e consequentemente a perda da força muscular. Essa perda de força muscular é um golpe a mais nos esforços do paciente de câncer para executar tarefas diárias simples, comprometendo significativamente sua qualidade de vida. A capacidade funcional pode ser definida como a capacidade do indivíduo de realizar as atividades da vida diária de forma independente, incluindo atividades ocupacionais e recreativas, ações de deslocamento e auto cuidado13. A revisão de literatura efetuada por Battaglini et al (2003)14 demonstra ainda que os declínios da capacidade funcional são experimentados por um terço dos pacientes de câncer e podem ser atribuídos a condições hipocinéticas desenvolvidas por prolongada inatividade física. A condição hipocinética pode causar a redução da eficiência dos sistemas de energia, bem como, pode ter alguns efeitos sobre os níveis de hormônios devido ao desequilíbrio homeostático. A atividade física produz alterações metabólicas e morfológicas crônicas que podem torná-la uma opção importante no tratamento e no processo de recuperação envolvendo pacientes com câncer15. Estudos parecem indicar preliminarmente que a prática da atividade física pode atuar em sentido adverso da condição hipocinética em pacientes em tratamento de câncer, podendo reduzir consideravelmente os efeitos colaterais do referido tratamento16,17,18. Os benefícios da atividade física em pacientes com câncer estão relacionados de acordo com Courneya (2001)19 ao: aumento da força muscular e da capacidade funcional, controle do peso corporal, redução da fadiga, melhora do autoconceito e do humor e, consequentemente, melhora da qualidade de vida. Battaglini et al (2003)14 afirmam que exercício físico tem demonstrado potente intervenção para pacientes com câncer, mas que também pode apresentar alguns riscos. Para que sejam efetivos e seguro, exercícios deveriam, de acordo com os autores, serem prescritos incluindo cinco critérios: a) capacidade individual; b) tipo de exercício; c) intensidade do exercício; d) frequência e duração do exercício. O objetivo do estudo foi verificar os componentes da capacidade funcional (força e flexibilidade) e a composição corporal em portadores de câncer, e identificar a relação entre as variáveis estudadas componentes da aptidão física. METODOLOGIA Amostra Foram utilizados no estudo 25 portadores de câncer (8 homens e 17 mulheres). As características da Amostra estão descritas na tabela 1. Todos os sujeitos foram pré-informados sobre os riscos do Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49 projeto e os mesmos assinaram um consentimento livre e esclarecido para participar do mesmo, aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Itaúna sob o número de protocolo 017/10. Tabela 1.- Características da Amostra. Grupo Portadores de Câncer N 24 Idade (Anos) Massa Corporal (Kg) 61,00 ± 14,48 68,87 ± 10,21 Estatura (m) 1,61± 0,08 Procedimentos As variáveis da aptidão física funcional serão avaliadas através dos seguintes testes: I- PROVAS FUNCIONAIS 1- Avaliação Funcional de Força: A) Força de Membro Inferior: Teste de levantar da cadeira: a força dos membros inferiores será avaliada observando-se o número de vezes que o idoso conseguirá se levantar de uma cadeira em 30 segundos. O participante será encorajado a completar tantas ações de ficar completamente em pé e sentar quanto possível em 30 segundos. B) Força de Membro Superior: Flexão de cotovelo: a força dos membros superiores será avaliada através da quantidade de flexões de cúbito que o idoso conseguirá realizar durante 30 segundos. Para realizar este teste será utilizado um cronômetro, cadeira de recosto reto, halter de 2,0 kg para mulheres e 4,0 kg para homens. O participante irá flexionar o braço em amplitude total de movimento e então retornar o braço para uma posição completamente estendida. 2- Avaliação Funcional da Flexibilidade A) Flexibilidade de membros inferiores (Sentar e Alcançar): Será verificada solicitando-se para o idoso ficar sentado em uma cadeira e tentar tocar os dedos do pé com os dedos da mão. Com a perna estendida, o participante inclinará lentamente para frente, mantendo a coluna o mais reta possível e a cabeça alinhada com a coluna. O avaliado tentará tocar os dedos dos pés escorregando as mãos, uma em cima da outra, com as pontas dos dedos médios, na perna estendida. A posição deverá ser mantida por 2 segundos. B) Flexibilidade de membro superior (Flexão de Ombros): Será avaliada a flexibilidade dos membros superiores (ombro). Para tanto será observado se o idoso conseguirá alcançar atrás das costas com as mãos para tocar ou sobrepor os dedos de ambas as mãos o máximo possível. Em pé o avaliado colocará a mão preferida sobre o mesmo ombro, a palma aberta e os dedos estendidos, alcançando o meio das costas tanto quanto possível. II- COMPOSIÇÃO CORPORAL A) Composição Corporal- Foi realizado um estudo da composição corporal dos portadores de câncer, onde foram coletados os seguintes dados: A) Altura, B) Massa Corporal; C) Porcentagem de gordura; D) Massa Gorda; E) Massa Magra; F) Massa Seca; G) Água Corporal Total; H) Água Intracelular; I) Água 45 Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva Extracelular. A análise da composição corporal foi através da bioimpedância RJL Systems. Estatística Estatística descritiva com comparação de medias e desvio padrão. Foi utilizado o teste de Shapiro Wilk para verificar a distribuição da amostra, para identificar as diferenças entre as variáveis foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Foi utilizado o teste de Sperman para a correlação entre as variáveis. Para comprovação estatística foi adotado o p< 0,05. RESULTADOS Nos gráficos 1 e 2 apresentamos os resultados composição corporal. Encontramos diferenças entre quantidade de gordura com massa livre de gordura, e a gordura com massa magra. Na quantidade de água corporal no corpo, verificamos diferença entre a água total e a água intra e extra celular, e não encontramos diferenças entre a água intra e extracelular. Gráfico 3. Flexibilidade de Membro Superior. Gráfico 1. Composição Corporal em Portadores de Câncer. Gráfico 4. Flexibilidade de Membro Inferior. Gráfico 2- Distribuição da Água Corporal em Portadores de Câncer. Nos gráficos 3, 4 e 5 destacamos os resultados da avaliação funcional, onde os resultados composição corporal, identificou-se uma flexibilidade negativa tanto para o membro inferior quanto superior, em que não identificamos diferenças significativas entre os lados do corpo. Já na avaliação funcional da força encontramos diferença significativa entre a força de membro superior e inferior. Gráfico 5. Avaliação Funcional da Força. 46 Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49 Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer Na tabela 2, verificamos a correlação entre as variáveis estudadas, onde encontramos uma correlação positiva entre a massa livre de gordura e a massa magra, a massa magra e a força de membro inferior. Ao analisar as qualidades físicas identificamos uma correlação positiva entre a flexibilidade de membro superior direita e a esquerda, entre a flexibilidade de membro inferior do lado direito com o esquerdo, e a flexibilidade de membro inferior direito e a força de membro inferior. G A massa magra apresentou valores abaixo do esperado quando comparada com a quantidade de gordura, este comportamento pode ser a combinação de dois fatores principais: sarcopenia, ou seja, perda da massa muscular relacionada com fatores do envelhecimento, e a combinação de fatores da doença que leva os pacientes portadores de câncer a iniciarem uma perda de massa gradualmente com a idade e a massa magra declina em torno de MM -,290 ,009 -,064 -,064 -,242 -,259 ,028 ,077 tecido adiposo, principalmente na região do tronco, resultando em ,586** ,177 ,132 ,177 ,182 -,062 ,354 ganho de peso22, 23,24. ,280 ,109 ,066 ,007 -,337 ,471* ,817** ,157 ,194 ,304 ,050 ,130 ,159 ,189 ,191 ,970** ,326 ,400* musculares25,26,27. A grande quantidade de gordura corporal também ,330 ,377 pode contribuir para limitar a flexibilidade28. A flexibilidade em geral ,318 dos sujeitos do estudo foram baixas, já que tanto o membro superior -,290 MM ,009 586** FMMSD FMMSE FMMID FMMIE FOMMS FOMMI 10 a 20% entre os 25 e 65 anos. Neste período há um acúmulo de MLG MLG FMMSD -,064 ,177 ,280 FMMSE -,064 ,132 ,109 ,817** FMMID -,242 ,177 ,066 ,157 ,130 FMMIE -,259 ,182 ,007 ,194 ,159 ,970** FOMMS ,028 -,062 -,337 ,304 ,189 ,326 ,330 FOMMI ,354 ,471* ,050 ,191 ,400* ,377 ,077 corporal e consequentemente aumento do peso corporal. muscular16. Pesquisas comprovam que o metabolismo basal diminui Tabela 2: Tabela de Correlação. G formação de tumores contribuem para o aumento da gordura ,318 * Correlação Significativa p < 0,05 / ** Correlação Significativa p < 0,01. Legenda: G (Gordura); MLG (Massa Livre de Gordura); MM (Massa Magra); FMMSD A flexibilidade é um componente da aptidão física importante para a manutenção de bons níveis de saúde e qualidade de vida, porque a flexibilidade diminuída restringe as possibilidades de movimento, além de aumentar as chances de lesões articulares e como inferior os resultados foram negativos. Com o envelhecimento é normal uma redução na flexibilidade como já demonstrado em outros estudos com idosos. A falta de atividade física contribui ainda (Flexibilidade Membro Superior Direito); FMMSE (Flexibilidade Membro Superior mais para agravar esses valores, o que torna indispensável um Esquerdo); FMMID (Flexibilidade Membro Inferior Direito); FMMIE (Flexibilidade Membro programa de atividade física para esses portadores. Há sugestão Inferior Esquerdo); FOMMS (Força Membro Superior); FOMMI (Força Membro Inferior). de que a atividade física possa manter e até aumentar os níveis de energia, contribuir numa rotina diária - otimizando períodos de sono DISCUSSÃO A amostra estudada mostrou um índice de gordura corporal acima dos esperados para indivíduos não portadores de câncer. Os estudos que relatam a quantidade de gordura corporal apresentam valores ao redor de 28% o que é abaixo de nossos resultados (30%). O aumento da gordura corporal em portadores de câncer pode ser explicado pelo baixo nível de atividade física de nossos indivíduos. Um dos dados mais interessantes que devemos analisar durante a analise da composição corporal é a quantidade de água corporal que os pacientes de câncer apresentaram na qual fica evidenciado que a água total é de 24% da massa total do sujeito e que ao excluir a massa gorda essa proporção chega a 35%. Esse dado é importante para esclarecer que em media a população normal apresenta uma variação entre 45 a 75% da massa corporal total em água. Uma menor quantidade de água corporal em portadores de câncer deve-se principalmente a 2 fatores: 1) Resposta de defesa do organismo a doença; 2) A doença provoca uma perda de liquido considerável, como por exemplo, o câncer de colón, que gera maior evacuação e com isso maior perda de água20 A combinação do sedentarismo com o excesso de peso (ou de massa gorda) gera alterações de mecanismos fisiológicos como a formação de radicais livres e danos oxidativos, redução da capacidade de reparo do DNA, modificação das atividades de enzimas carcinógenas, aumento do refluxo gástrico e do trânsito gastrintestinal, o que resulta em maior exposição da mucosa a ácidos, aumento da possibilidade de desenvolvimento de resistência à insulina e alterações no equilíbrio hormonal endógeno21. Os valores encontrados neste estudo demonstraram que a quantidade de gordura encontrada nos pacientes é maior comparada á massa magra, o que indica que o acúmulo de células cancerígenas e a Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49 e descanso - e aumentar os momentos de lazer21,29. A força muscular é uma variável primordial na manutenção da autonomia e qualidade de vida do idoso e do portador de câncer, sendo uma das variáveis que mais sofre com o envelhecimento. A perda da massa muscular e consequentemente da força muscular é a principal responsável pela deterioração na mobilidade da capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo30. O presente estudo observou uma diferença significativa entre força de membro inferior atingindo em média 11,21 repetições e, força de membro superior com média de 16,31 repetições. Faria e Machala (2003)30 apontam que o envelhecimento conduz a perda progressiva da eficiência dos órgãos e tecidos do organismo humano, em ritmo de queda que varia de sujeito para sujeito e também de acordo com o tipo de tecido. Dentre essas perdas caracteriza-se a redução da força muscular e consequentemente da capacidade funcional. A perda de força muscular ocorre principalmente devido ao declínio da função neuromuscular, ou seja, redução na capacidade de inervação e ativação dos músculos, o que leva a perda consequente na quantidade de massa muscular. Muitos fatores participam colaborando com a perda da força muscular. Dentre esses podemos citar: as alterações morfofuncionais, músculoesqueléticas, estado nutricional, aumento da gordura intramuscular, presença de doenças crônicas, alterações hormonais e atrofia em função do desuso30. As pessoas com mais idade, mesmo saudáveis, também diminuem seus níveis de força com a idade, cerca de 1 a 2% ao ano31. Os valores referenciais de Rikli e Jones (1999)27 para o teste de flexão do cotovelo em 30 segundos vão de acordo com os resultados encontrados, pois em seu estudo encontrou para as idades de 60 47 Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva a 64 anos uma média de 16,1 repetições e para as idades de 65 a 69 anos média de 15,2 repetições. A força de preensão dos ombros e dos braços é importante para a realização de atividades da vida diária e o levantamento do tronco pode ser importante em algumas profissões, entretanto as mensurações da força mostram uma correlação relativamente fraca com a capacidade de realizar as tarefas diárias. O teste de flexão dos cotovelos em 30s tem sido utilizado, pois esse movimento é bastante requerido em atividades rotineiras e profissionais como levantar e carregar objetos, pegar crianças ao colo, fazer as atividades domésticas e desempenhar tarefas relacionadas ao autocuidado27. Os valores referenciais27 para o teste de Levantar da cadeira em 30 segundos são superiores ao encontrado em nossa pesquisa, para as idades de 60 a 64 anos, encontrou-se a média de 14,5 repetições e para as idades de 65 a 69 aos uma média de 13,5 repetições. A força de membros inferiores contribui para a manutenção do equilíbrio e a diminuição do risco de quedas. Menores índices de força estão associados ainda a maiores chances de desenvolver incapacidade e maior predisposição a quedas32,27. O declínio dos níveis de força dos MMII tem sido relacionado a uma pior performance na execução de atividades rotineiras simples, como subir escadas, por exemplo, e com o prejuízo ao equilíbrio27. O teste de força de membro inferior correlaciona-se satisfatoriamente com outros testes que objetivam medidas de força em porção inferior do corpo e outras medidas funcionais27. Tem sido defendido também que o teste em questão é recomendável para aferir benefícios adquiridos pelo efeito do treinamento físico em idosos33. O número de repetições decresce de acordo com o aumento da idade em ambos os testes, isso se dá, segundo MATSUDO (2001)34, devido à perda da massa magra, havendo perda maior com o envelhecimento, pois estão associados à diminuição no nível de atividade física do idoso. A partir dos 60 anos há uma diminuição mais acentuada da força muscular, principalmente nas mulheres, sendo essa diminuição da força a músculos específicos, principalmente nos membros inferiores36. Em geral, o pico de força muscular é bem mantido dos 35 aos 40 anos de idade, daí em diante a perda de força sofre uma aceleração, devido à perda de massa de tecido magro, atrofia seletiva das fibras musculares tipo II e uma menor sincronização no acionamento das unidades motoras em adultos mais velhos. CONCLUSÕES E RECOMEDAÇÕES Fica evidente que os portadores de câncer possuem uma gordura corporal maior que a população na mesma faixa etária. Esse aumento na gordura corporal parece interferir na capacidade funcional. Esse acumulo de gordura e perda de força muscular, ocorrem em função de 2 fatores básicos, a baixa predisposição para realizar atividade física em função da doença, alem das perdas fisiológicas provocadas pela doença. A atividade física pode servir como um mediador dessas perdas convém estudar a influencia da atividade física nessas variáveis fisiológicas e ainda verificar como o nível de fadiga é afetado pela prá tica de atividade física em portadores de câncer. REFERÊNCIAS 1) Diettrich SHC. Efeitos de um programa de caminhada sobre os níveis de fadiga em pacientes com câncer de mama. Rev. Bras. Ciên. Mov.,2006; 13 (4): 33-40. 48 2) Peckenpaugh NJ, Poleman CM. Nutrição Essência e Dietoterapia. 7ª ed., São Paulo: Editora Roca, 1997. 3) Hanahan D, Weinberg RA. 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Medida e Avaliação em Educação Física. 5.ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1980. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49 49 . Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de detecção de talentos nas categorias de base do futebol de campo Marcos Antonio Medeiros do Nascimento1 CREF10/PB: 722 [email protected] Fernando Policarpo Barbosa2 CREF7/DF: 159 [email protected] RESUMO Introdução: O domínio do conhecimento científico, juntamente com a construção contínua do juízo de valor é fundamental no processo de seleção no esporte. O objetivo do presente estudo foi estabelecer o nível de associação entre o juízo de valores de profissionais de futebol aos resultados de bateria de testes para as habilidades específicas do futebol no processo de seleção de atletas da categoria de base. Materiais e Métodos: o estudo contou com cinco profissionais/técnicos experientes que, durante quatro jogos observaram jogadores de 8 equipes da categoria sub-17 filiadas a Liga Patoense de Futebol. A bateria de testes foi constituida de: drible, passe, chute e de destreza no jogo de futebol. O teste de concordância de Kappa de Cohen e o Coeficiente de correlação Spearman foram utilizados para determinar o nível de associação, para um nível de significância de p<0,05. Resultados: Os resultados indicaram que as habilidades esportivas avaliadas apresentaram disparidades, já que, 35% dos atletas foram conceituados com muito bom e 8% com ruim. Observou-se diferença significativa (p< 0,01) entre o Técnico1 em relação aos outros técnicos. A associação entre os critérios de seleção dos técnicos com os resultados observados nos teste especificos foi fraco 3,6%. Discussão: A seleção esportiva deve ser pautada em criterios técnicos e congnitivos, o que permitirá compor um elenco capaz de seguir os esquemas táticos. Conclui-se que os níveis de associação entre o juízo de valor dos profissionais em relação aos testes de habilidades específicas é fraco e subestima amostra do estudo. Palavras-chave Futebol. Talento. Seleção. Habilidades. Levels of association between football selectors and observers and a battery of tests in the process of talents detection in youth football teams ABSTRACT Introduction: The domination of scientific knowledge, along with the continuous construction of value judgment is vital to the sport selection process. This study aim to correlate value judgment set by professionals involved in football and the results obtained from a battery of tests which assessed football specific skills in the selection process of athletes from youth teams. Materials and Methods: The study involved five professional coaches who observed players from eight under-17 football teams affiliated to the Patos Football League. The battery of tests was constituted by: dribbling, shooting, pass to a teammate and dexterity. Cohen’s Kappa measure of agreement and Spearman’s rank correlation coefficient were used in order to determine the level of association for a level of significance of p<0,05. Results: The results indicated that the evaluated sports skills showed disparities since 35% of the athletes were ranked as very good and 8% as bad. A significantly difference between Coach 1 and the other coaches was observed. The association between the coaches’ selection criteria and the results obtained in the specific tests was weak, 3,6%. Discussion: Sports selection process must be based on technical and cognitive criteria as it allows the composition of a team which is able to follow the tactical models. It is concluded that the level of association between the coaches’ value judgment and the specific abilities tests was considered weak and underestimates the study sample. Key words Football. Talent. Selection. Skills. 1 2 Universidad Autónoma de Asúncion – Asunción - Paraguay Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, Portugal. Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 50-57 | jul/dez 2010 Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes... Niveles de asociación entre seleccionadores y batería de testes en el proceso de Detección de talentos en las categorías de base de fútbol de campo RESUMEN Introducción: El dominio del conocimiento científico, juntamente con la construcción continúa del juicio de valor es fundamental en el proceso de selección en el deporte. El objetivo del presente estudio fue establecer el nivel de asociación entre el juicio de valores de profesionales de fútbol a los resultados de batería de testes para las habilidades especificas del fútbol en el proceso de selección de atletas de categoría de bases. Materiales y Métodos: el estudio tuvo cinco profesionales/técnicos expertos que, durante cuatro partidos observaron jugadores de 8 equipos de la categoría sub-17 filiadas a liga Patoense de fútbol. A batería de testes fue constituida de: drible. Pase, chute y de destreza en el partido de fútbol. El teste de concordancia de Kappa de Cohen y el coeficiente de correlación Spearman fueron utilizados para determinar el nivel de asociación, para un nivel de significancia de p<0,05. Resultados: Los resultados indicaron que las habilidades deportivas evaluadas presentaron disparidades, ya que, 35% de los atletas fueron conceptuados con muy bueno y 8% con malo. Se observó diferencia significativa (p<0,01) entre el Técnico 1 en relación a los otros técnicos. La asociación entre los criterios de selección de los técnicos con los resultados observados en los testes específicos fue malo 3,6% Discusión: La selección deportiva debe ser basada en criterios técnicos y cognitivos lo que permitirá formar un elenco capaz de seguir los esquemas taticos. Se concluye que los niveles de asociación entre el juicio de valor de los profesionales en relación a los Testes de habilidades especificas es malo y subestima la muestra del estudio Palabras-clave Fútbol. Talento. Selección. Habilidades. Introdução O esporte é uma manifestação cultural pautada no movimento, sendo que, as intervenções científicas buscam o desenvolvimento teórico e temático buscando soluções que permitam aprimorar as práticas esportivas (1). De todas as modalidades esportivas coletivas praticadas no Brasil, o futebol de campo é o que menos apresenta aplicação do conhecimento científico na seleção e qualificação da equipe, seja do ponto de vista qualitativo como quantitativo (2). A modalidade utiliza métodos, que de alguma forma estão diretamente centrados na vivência empírica do técnico e ou de sua comissão técnica. Quer queira ou não, apresenta uma coerência, o que favorece ao senso comum, afirmando que o jogador de futebol brasileiro tem uma qualidade excepcional para os critérios internacionais (2). Sendo assim, é esperado por parte dos técnicos de futebol, um conhecimento forjado no empirismo, fundamentado na experiência pessoal como principais instrumentos de juízo de valor, o qual é isolado, parcial e subjetivo, e alicerçado numa informação disponível. Todavia pode ser momentânea, podendo resultar recusa de atletas no processo de seleção (3). Um julgamento de valor é bem diferente de uma opinião, (não se pode usar a opinião e julgamento de valor como sinônimo). Um juízo é um processo que atribui um valor para algo e na realidade depende do julgamento. Constituir um julgamento, e estabelece um caso concreto, buscando fatos fundamentados em evidências, visando determinar o valor tido como elemento-base. É exatamente nesta avaliação que se encontram as várias atividades e competências. Avaliar a subjetividade e a performance física ou cognitiva, prevalecendo o conhecimento dentro do processo de seleção, o que permite ter o controle e o planejamento da intervenção; aguardando a resposta do processo de aprendizagem dentro de normas ou critérios preestabelecidos (4). Apesar de haver um processo de seleção, culminando em uma classificação dos atletas, a qual expressa a caracteristica de um sistema, ordenado em diferentes graus de proficiência. Estando os processos e instrumentos de avaliação vinculados a uma gama de criterios escolhidos em função do tipo de resultados pretendidos (4,5). Tais procedimentos empíricos não implicam na perda da qualidade Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57 dos jogadores de futebol, o que pode ser confirmado pelo fato de a seleção Brasileira estar sempre no ápice do rank da FIFA. O que pode explicar tal fenômeno é que a qualidade observada nesses jogadores não é inerente ao treinamento ou aos critérios técnicos empregados na seleção, mais sim, devido à prática desta modalidade em todo o território nacional. Constata-se que, é fundamental para o desenvolvimento da modalidade, estudos que possam identificar quais são os fatores que estão relacionados à melhoria do rendimento técnico e tático, o que proporcionará maior qualidade na formação e qualificação dos atletas (6). Devido a tais fatos, nota-se a necessidade da utilização de critérios científicos que possam identificar talentos e/ou potenciais esportivos, de forma mais abrangente, investigando-se através dos métodos sistematizados, considerando-se as variáveis envolvidas no aprimoramento desportivo (7). Ratifica-se assim, que os estudos das habilidades específicas do futebol devem auxiliar no processo seletivo. O domínio do conhecimento científico somados aos atribuídos supracitados dos técnicos e da comissão pode ampliar as possibilidades de sucesso na seleção e constituição das categorias de base das equipes de futebol que envolve diferentes faixas etárias, fundamentada em parâmetros fisiológicos e motores (8). Sendo assim, este estudo teve por objetivo verificar o nível de associação entre o juízo de valores estabelecido por profissionais de futebol e os resultados quantitativos obtidos em bateria de testes das habilidades específicas do futebol no processo de seleção de atletas da categoria de base. Método O delineamento aplicado no presente estudo foi o método de pesquisa de avaliação com abordagem comparativa e correlacional, pois se propõe a estabelecer uma relação entre as variáveis quantificadas no teste e as quantificadas pelos observadores. Amostra O estudo foi realizado no Estádio Municipal José Cavalcante e teve como amostra um grupo de 4 profissionais habituados no 51 Nascimento, Barbosa processo de seleção através de procedimento observacional das capacidades desportivas de crianças e adolescentes candidatas a compor as categorias de bases nas equipes de futebol de campo. Os profissionais convidados observaram e avaliaram 148 indivíduos do sexo masculino da categoria SUB 17, oito equipes inscritas e filiadas a Liga Patoense de Futebol, que se confrontaram em quatro jogos. Protocolos e Procedimentos. Os profissionais convidados avaliaram em cada jogo dois atletas por posição, em todos os quesitos técnicos e táticos. A Seleção foi realizada em um final de semana e no final de semana subsequente foram aplicados os testes de habilidades específicas do futebol descritos abaixo. A aplicação dos testes de habilidades específicas para o futebol foi realizada em um campo gramado nas dimensões oficiais com balizas. Drible - Teste de Drible de Mor - Christian (10) Foi marcado um percurso circular com um diâmetro de 18,5m no campo de futebol. A linha de início é uma linha de 91,5cm traçada de forma perpendicular ao círculo. São colocados cones de 46cm de altura com intervalos de 4,5m ao redor do círculo. O atleta é posicionado na linha de início com uma bola; ao comando: ”Pronto, vai”, o examinado driblou a bola ao redor do percurso, correndo sinuosamente pelos cones até voltar ao ponto de pardida, tentando completar o percurso o mais rápido possível. Foram realizadas três tentativas, registradas para o tempo de 0,1s mais próximos. A primeira tentativa foi realizada no sentido horário, a segunda no sentido anti-horário e a terceira, na direção da escolha do examinado. Sendo compilados os dois melhores resultados obtidos. Teste do Passe de Mor – Christian (10) Foi marcado um gol de 91cm de largura e 46cm de altura com dois cones e uma corda. Três outros cones são colocados a 14m do centro do gol, a 90° e a 45°. Os examinados passaram uma bola parada com segmento corporal dominante ou da escolha, para dentro de um pequeno gol, a partir dos três ângulos marcados pelos cones. Foram dadas quatro tentativas consecutivas para cada ângulo, totalizando 12 passes. Foram permitidas duas tentativas de prática para cada ângulo. Foi atribuído um ponto para todos os passes que passaram pelos cones (entraram no gol) ou que tocarem em um deles. O avaliado pode perfazer um escore total de 12 pontos. Teste do Chute de Mor – Christian (10) Um gol regulamentar de futebol foi dividido em áreas de resultados por duas cordas suspensas na trave, a 1,22m de cada baliza do gol. Além disso, cada área de resultado foi dividida em áreas de alvo superior e inferior, perdurando-se circunferência com 20 cm de raio. Foi marcada uma linha de chute a 14,5m do gol. O examinado chutou uma bola estacionária com o pé dominante ou de escolha, em qualquer ponto ao longo da linha de chute de 14,5m. Foram oferecidas quatro tentativas para a prática, e então tentados quatro chutes consecutivos em cada uma das circunferências, totalizando 16 tentativas. Se a bola fosse chutada para dentro ou rebatida em algum alvo pretendido, eram concedidos 10 pontos; eram marcados 4 pontos se a bola fosse chutada para 52 dentro ou rebatida em algum alvo adjacente àquele pretendido. Não foram atribuídos pontos para chutes que foram entre as áreas de alvo ou para bolas que rolaram ou saltaram pelas áreas de alvo. O resultado máximo foi 160 pontos. Destreza no jogo de futebol em uma situação regular (11). Teste foi utilizado para medir a destreza no futebol em uma situação natural de jogo e realizado através do Instrumento Pioneiro para Medir a Destreza no Jogo de Futebol em uma Situação Regular (PIMSPARS). O objetivo deste instrumento foi avaliar a destreza no futebol em uma situação regular de jogo. Utilizando avaliações de especialistas em uma escala de cinco pontos de Likert, as pontuações Médias da importância dos 10 atributos de destreza inclusivas no PIMSPARS variaram de 4,5 a 5,0. As avaliações da concordância entre os observadores variaram de 0,80 a 1,00, com uma avaliação média de 0,83. Os autores concluíram: “O PIMSPARS” parece ser cientificamente significativo para a avaliação precisa da destreza de jogos em situações naturais. Enquanto o examinado estava jogando, um profissional qualificado (Profissional de Educação Física) observava 10 comportamentos-chave e registrava as observações no formulário de observação do PIMSPARS. Os comportamentos-chave são definidos no quadro 1 (anexo 1); o formulário de observação do PIMSPARS é mostrado no quadro 2 (anexo 2). Para cada condição que se apresentou foram aplicados os 5 passos de forma cronológica: Passo 1. O anotador teve que identificar uma condição no jogo que possua potencial para extrair um comportamento-chave do examinado. Passo 2. O anotador determinou se o examinado respondeu à condição. Se ela foi ignorada, o anotador marcou um X na coluna I (ignorado), correspondendo à condição. O anotador escreveu o símbolo para o comportamento-chave que foi ignorado na coluna SC (Símbolo do comportamento). Passo 3. Se o examinado conheceu e respondeu à condição, a coluna I foi deixada em branco e o símbolo para o comportamento-chave realizado foi registrado na coluna SC. Passo 4. O anotador determinou a adequação ou precisão de resposta do examinado à condição. O anotador marcou um X na coluna A (apropriado) para designar uma resposta apropriada. Se esta fosse apresentada de forma inadequada ou incongruente, ele fazia um X na coluna IA (inadequado). Passo 5. O anotador determinou o resultado ou produto da resposta do examinado. Se o resultado fosse bom, o anotador fazia um X na coluna S (sucesso). Se fosse ruim, o anotador fazia um X na coluna IS (insucesso). Por exemplo, caso surgisse à oportunidade de um movimento defensivo e o examinado respondesse apropriadamente, mas fosse mal-sucedido na tentativa, o anotador marcaria um MD na coluna SC, um X na coluna A e um X na coluna IS. Após completar os dados observados, o anotador completou o registro resumido de todas as oportunidades para se responder coletivamente e/ou com comportamentos-chave individuais. Os dados foram analisados para rever os padrões de comportamento. Para obtenção das analises do nível ou qualificação dos jogadores/candidatos pelos técnicos, foi aplicado um questionário em escala classificatória nominal seguindo uma ordenação numérica de 0 a 10 onde os valores inferiores a 7 foram considerados reprovados e os superiores classificados como aprovados. Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57 Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes... Tratamento Estatístico Para melhor visualização dos resultados obtidos na bateria de testes, os indivíduos foram agrupados segundo a análise de Cluster tendo como variável determinante o nível de habilidade observado. Para tanto, foi realizado o somatório dos pontos atribuidos na bateria de teste, para obter a classificação nominal aprovado (AP = 1) e reprovada (RP = 0). Foram aplicados os seguintes tratamentos estatísticos subsequentemente: a) a análise da concordância dos resultados finais da bateria de testes com os resultados observados pelos profissionais por meio da análise estatística não-paramétrica Qui-quadrado e teste de associação para dados de Kappa de Cohen (K), sendo que após a bateria de teste o candidato será classificado conforme o critério supracitado; b) para estabelecer o nível de correlação entre os profissionais e os resultados da bateria de teste foi utilizado o teste de coeficiente de correlação de Spearman. Os resultados foram apresentados por meio da estatística de tendência central média e pelas medidas de dispersão, desvio padrão (média ± DP) e pela frequência relativa para os níveis de concordância do juízo de valores observados. A aceitação da concordância ou da diferença dos resultados deveria atender a probabilidade que os achados não se devem ao acaso, para tanto foi observado um nível de significância de p < 0,05. Resultados A análise dos resultados do presente estudo procurou obedecer aos pressupostos da autenticidade científica, para tanto, foi aplicada a estatística inferencial buscando de esta forma estabelecer parâmetros para a qualificação esportiva. Os resultados para os testes de habilidades esportivas (tabela 1) onde se estabeleceu a linha de corte para o nível de habilidade, sendo classificado com ruim: o atleta que teve pontuação <127; regular: pontuação entre 128 a 169; bom: os que tiveram pontuação entre 170 e 214 e, muito bom: aqueles que obtiveram pontuação superior a 215. A idade média dos atletas avaliados foi 15 ± 2 anos. Tabela 1: Resultados médios e desvio padrão (Media±DP) para os testes de habilidades esportivas de atletas de futebol da categoria sub 17, submetido ao processo de seleção na Cidade de Patos na Paraíba – PB, Brasil. Min. Max. Média±DP Chute 0 160 51,45±43,72 Drible 38,57 52,67 45,92±3,57 Passe 50 120 91,02±18,07 Destreza ∑ da escala de 6 9 7,44±0,71 98,55 332,38 195,84±52,29 pontos ∑ = somatório. Os resultados para a pontuação atribuída no processo de seleção apresentou diferença significativa (p = 0,008), entre os pontos atribuídos pelos técnicos e a pontuação obtida nos testes de habilidades esportivas. Também foi obtida diferença significativa (p 0,04) entre os escores distribuídos pelos técnicos, indicando uma discordância entre os mesmos (tabela 2). Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57 Tabela 2: Resultados médios e desvio padrão (media±DP) da escala de pontuação para as habilidades esportivas e de técnicos utilizados como critério de avaliação de atletas de futebol da categoria sub 17 submetidos ao processo de seleção na Cidade de Patos – PB, Brasil. Média±DP EPH testes EPE da media 95% Confidence Interval Lower Upper Bound Bound 2,11±1,00 0,11 1,90 2,33 Tec1 2,66±1.16*† 0,12 2,41 2,91 Tec2 2,41±0,80 0,08 2,24 2,58 Tec3 2,31±0,79 0,08 2,14 2,47 Tec4 2,25±0,82 0,09 2,08 2,42 Tec5 2,16±0,80 0,09 1,99 2,33 EPH = Escala de pontos das habilidades de teste; Tec = pontuação dada pelos Técnicos convidados para o processo de seleção dos atletas. * = diferença significativa entre a pontuação da EPH e a pontuação do técnico (p<0,05); † = diferença significativa entre os técnicos (p<0,05) Para melhor interpretação dos resultados em função do nível de qualificação esportiva, os atletas foram agrupados em subgrupos estabelecidos pela análise de Clusters conforme a pontuação obtida. A distribuição por frequência relativa dos atletas pode ser observada no gráfico 1. No gráfico 2, são apresentadas as frequências relativas as menções finais atribuídas pelos técnicos e nos testes de habilidades esportivas específicas. A determinação das classes foi estabelecida como forma de identificar o nível de associação entre os critérios de seleção e avaliação dos técnicos convidados e a pontuação obtida na bateria de habilidades específicas para a modalidade. Os resultados para a escala de Kappa de Cohen foram baixos (0,041), indicaram um nível de concordância de estimativa pontual de 3,6%, o que demonstrou um nível de associação entre os resultados da bateria de teste com os critérios dos técnicos como fraca, uma vez que o valor observado é <0,4 em uma escala de 0 a 1. Esse resultado demonstrou que não há uma associação significativa (p = 0,248) entre os critérios utilizados pelos técnicos e as habilidades esportivas ou fundamentos básicos apontados pela bateria de testes. A concordância de estimativa por intervalo de confiança de 95% foi de -12,56% a 13,04%, o que veio confirmar a fraca associação entre os resultados observados, bem como uma dispersão ampla entre os criterios utilizados. Discussão As habilidades motoras podem ser consideradas como o ponto de partida para a identificação de um talento esportivo. Para Barbanti o domínio das habilidades específicas ligadas a modalidades é fundamental para o sucesso dos esquemas táticos em modalidades esportivas. Os resultados pertinentes a bateria de testes, apontaram que 34% do grupo de atletas submetidos ao processo de avaliação apresentaram um nível de habilidade motora muito boa, divergindo do julgamento atribuído pelos técnicos convidados para o estudo. A disparidade observada entre a bateria de testes e o juízo de valores dos técnicos pode ser interpretada de duas formas, sendo a primeira permeada pelo fator histórico embutido nos conceitos utilizados pelos técnicos de futebol, levando-se em consideração a vivência dentro da modalidade e, a outra forma de interpretar essa disparidade é, justamente, a falta da adoção de critérios fundamen- 53 Nascimento, Barbosa tados não só pela vivência, mas também pela conjugação das informações obtidas de um conhecimento sistematizado (12). Pelos resultados obtidos ficou claro que a segunda interpretação seria a melhor forma de explicar a disparidade. Uma vez que o autor aponta que a combinação entre as informações obtidas por meio de instrumentos ou métodos cientificamente comprovados somados as vivências da comissão técnica passam a ser a forma mais eficaz para a seleção do talento esportivo em diferentes modalidades coletivas. Corroborando com o estudo de Massa et al (13) no voleibol, onde os autores mostram que a análise das variáveis que estão diretamente relacionadas com o alto rendimento permite uma seleção mais suscetível ao sucesso do que apenas a adoção de critérios subjetivos. Para Rigolin (14) a formação das gerações de atletas no voleibol é dependente de um programa de longo prazo sistematizado. Para tanto, a forma de seleção é fundamentada em critérios estabelecidos em valores referenciais apoiados nos conhecimentos da psicologia, sociais, antropométricos e a aptidão física (15). Entende-se desta forma que, para se alcançar um alto desempenho é preciso um nível de desenvolvimento das capacidades físicas voltadas para a modalidade, assim como o domínio da técnica, compreensão da tática do jogo e da competição. (16). Tal observação ficou evidente no presente estudo, já que aproximadamente 8% dos atletas não atingiram uma pontuação satisfatória (ruim) na bateria de testes. No entanto, essa conceituação passou a ser bem maior pelo critério de seleção utilizado pelo técnico 1, o qual conceituou mais de 30% da amostra como ruim. O critério utilizado pelo técnico 1 passou a subestimar as capacidades físicas e cognitivas analisadas nos testes. O que poderia elucidar em um primeiro momento essa divergência de resultados. A questão é que o desempenho esportivo é permeado por um conjunto de fatores que são dependentes das interpretações ou determinações distintas em função dos diferentes níveis de conhecimento (17). O que significa não esperar que um indivíduo detenha todo o conhecimento necessário apenas com uma vasta experiência prática no que tange a seleção de jovens talentos esportivos. O que ficou evidente ao se analisar as disparidades entre os atletas descritos na tabela 1; onde os valores mínimos e máximos apresentaram uma flutuação grande no que diz respeito à habilidade do chute, drible, passe e a destreza, o que poderia explicar essa divergência observada entre os resultados dos testes e o técnico 1, entretanto, grande parte da amostra recebeu o conceito regular pelos demais técnicos convidados (gráfico 1). Demonstrado que o critério de seleção aplicado pelos demais técnicos, apresentou o mesmo comportamento de subestimar as habilidades esportivas dos atletas, convergindo com o critério utilizado pelo técnico 1. Os critérios aplicados pelos técnicos convidados para compor o presente estudo pareceram não levar em consideração aspectos relacionados com o modelo Hohmann et. al. de 2002, descrito por Bohme (18). No modelo, observa-se que o desempenho competitivo atual é influenciado por variáveis como: Motivação/Vontade; Constituição corporal; Técnica e Coordenação; Condição e a Idade biológica. Somadas a Sistemas de suporte (família, escola, clubes e federações) e o treinamento. Considerando o discurso de Lanaro Filho e Bohme (19) no qual afirmam que para ser um talento, não são importantes somente as características físicas individuais do atleta, mas também o contexto geral em que esse atleta será trabalhado, bem como o grupo onde ele for inserido e até mesmo a forma como ele será tratado e treinado. 54 Para Kiss et. al.(17), os critérios subjetivos utilizados no processo de detecção de talentos no esporte pode ser considerado de baixa qualidade, devido a carência de pressupostos teóricos científicos que disponibilizem todas as informações necessárias à tomada de decisão no processo de seleção. Egerland et. al.(20) em seu estudo cita que um treinador (técnico) em seu papel de desenvolver o esporte, deve ter além da formação acadêmica uma capacidade de reflexão somada à profunda convicção da validade do trabalho coletivo, bem como se adequar aos avanços do conhecimento científico voltados para a modalidade. Cabe salientar que todos os atletas participavam de programas de treino em seus clubes e que todos estavam escritos no campeonato da categoria Sub 17, onde suas equipes encontravam-se entre as oito melhores ranqueadas no ano de 2010. Em decorrência do treinamento, ratifica-se, a condição de que os fundamentos técnicos favoreceram ao desempenho na modalidade, repercutindo positivamente nos resultados dos testes (21,22), o que se confirmou, já que mais de 50% dos atletas apresentaram domínio satisfatório (bom a muito bom) para os fundamentos necessários. Para Matvéiev (23) os fundamentos técnicos são princípios norteadores para se atingir o objetivo do jogo/competição e deve ser diretamente vinculada com o movimento especifico da modalidade (16,23,24,). Os resultados obtidos na bateria de teste aplicada no presente estudo passaram a corroborar com De Rose Junior et. al. (12) que citam a importância do domínio das habilidades técnicas específicas, o que permite ao atleta a execução dos esquemas táticos elaborados para a modalidade. As contradições até aqui observadas entre os técnicos e os resultados para os testes das habilidades esportivas, permitem compreender as inconclusões verificadas durante o processo de seleção de atletas no futebol brasileiro. A atual forma desenvolvida em todos os âmbitos das modalidades, ou seja, nos pequenos e grandes clubes, não se mostra adequada, já que os índices de aproveitamento pelos técnicos é baixo, como podem ser observados no gráfico 2. A tomada de decisão não deve ser sustentada só no empirismo, mais também, no conjunto de informações, planificado por uma equipe multidisciplinar, unidos com o propósito de assegurar que a seleção será pautada na qualidade técnica e em outros critérios que sejam fundamentais para o rendimento do atleta junto à equipe (13,24,25) . Montagner e Silva (16) ao analisarem o processo de seleção de jovens atletas do futebol constataram que os conceitos e conhecimentos científicos que permeiam o processo não são levados em consideração pelos clubes e associações esportivas, o que confirma os resultados aqui apresentados (gráfico 2). Como exemplo pode ser citado o estudo de Pena et. al.(25), que analisaram a variação da idade por meio dos quartis de nascimento como fator determinante da seleção de atletas nas modalidades futsal e futebol. Os resultados apontaram a predominância do primeiro e segundo quartis de nascimento como fator determinante da performance nas modalidades, concluindo que os técnicos teriam tendência em selecionar os atletas mais pelos atributos físicos do que pelos fundamentos técnicos e táticos vinculados com a modalidade. Costa e Massa (26), em estudo, objetivando comparar os critérios de seleção e detecção do talento no Handebol com 4 técnicos, constataram que entre os atributos para um bom atleta na modalidade, a inteligência, foi ponto unânime e que apenas 3 (75%) dos técnicos consideraram aspectos motores e antropométricos como importantes para o atleta na modalidade. A capacidade cognitiva dos atletas foi determinada no presente estudo pelo teste de destreza (ta- Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57 Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes... bela 1), mas não se pode afirmar que os técnicos que participaram do processo de avaliação, no momento em que aplicaram os juízos de valores para classificar os atletas, tenham observado a capacidade de raciocínio e tomada de decisão por parte dos mesmos (26). Nos esportes coletivos, parece que as qualidades específicas seriam o arcabouço para os aspectos técnicos táticos em favor do coletivo. Contudo, à identificação e estimulação das capacidades individuais compreendidas pela morfologia, estado de saúde, capacidades físicas e capacidade cognitiva necessitam que seja feita de forma mais sistematizada dentro do âmbito do futebol. Para tanto, é fundamental que se estabeleça critérios científicos norteados por bateria de testes que permita um diagnóstico nas diferentes esferas do conhecimento que envolve a formação de um atleta. (19, 27, 28, 29). A perspectiva é que se construa um conteúdo único, de maneira hegemônica, com atitudes e procedimentos unificados em torno da construção do embasamento e da elaboração de um método seletivo para o futebol. O aspecto enfocado por Paoli; Silva; Soares (29) fica evidente no presente estudo, já que o comportamento dos resultados entre técnicos é dispare, quando comparados e mesmo quando confrontados com os resultados obtidos na bateria de testes, tornando-se ainda mais evidente a necessidade de aplicar o conhecimento científico no âmbito do futebol. Desta forma, sugere-se o aprofundamento desta linha de investigação de maneira tal que se possa estabelecer dentro do âmbito da modalidade, critérios fundamentados em parâmetros científicos que venham contribuir de forma efetiva tanto na detecção como na formação do atleta de futebol. Conclusão Os resultados obtidos no presente estudo apontaram diferenças significativas entre as habilidades físicas testadas e os critérios de juízo de valor utilizados pelos técnicos. Confirmando que não há uma associação entre os critérios empíricos aplicados pelos técnicos e os critérios científicos observados nos testes específicos para a modalidade. Desta feita, observa-se a necessidade de uma qualificação dos profissionais envolvidos no processo de seleção bem como de parâmetros científicos que possam contribuir de forma especifica no processo de seleção e detecção do atleta de futebol de campo. Referencias 1. Tubino, MJG. Esporte e Cultura Física. São Paulo: Ibrasa 1992. 2. 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Comportamento-chave Posicionar-se para um passe Posicionamento Defensivo Manobras e finta Definição Movimento deliberado para um espaço aberto a fim de receber um passe de um colega de equipe. A troca de passes incluída nessa categoria. Movimento deliberado rumo à área de gol do próprio jogador, a fim de ajudar na defesa; não incluí empurrões para ganhar a pose de bola. Cria uma ilusão com os movimentos do corpo, que fazem com que o oponente hesite, ter os olhos da bola e perca o equilíbrio, ficando em desvantagem Movimento no espaço ou longe da bola na tentativa de criar oportunidade para uma resposta por parte de um colega que Indução tenha a posse da bola ou para aumentar o potencial de ataque do time; não incluí o posicionamento para o passe ou o defensivo. Os movimentos de indução ocorrem na direção oposta do colega de equipe com a bola, para tirar um defensor longe da bola, a fim de dar mais espaço para o companheiro com a bola. Empurrão Passe Assistência Chute Tentativa de ganhar ou recuperar a posse de bola de um oponente, contendo este (segurando), parando um movimento de ataque. Tentativa de passar a bola para um companheiro de equipe por meio de um chute com qualquer parte do corpo, exceto as mãos. Não incluí os passes que resultem em chutes mal sucedidos ao gol por outro companheiro de equipe. Passe que precede um chute bem sucedido de um companheiro de equipe para o gol. A bola pode ser passada por meio de um chute com qualquer parte do corpo, exceto as mãos. Tentativa de enviar a bola para o gol por meio de um chute com qualquer parte do corpo, exceto as mãos, com a finalidade de marcar um gol. Tentativa de receber uma bola por meio de um lançamento ou chute com qualquer parte do corpo exceto as mãos, de forma Perseguição que a bola se mantenha sob o controle do jogador ao alcance dele. A perseguição é mal sucedida se o jogador dá mais de um passo para recuperar a bola Qualquer tentativa feita por um jogador de parar um chute a gol com qualquer parte do corpo, exceto as mãos. Todas as Salvamento defensivo ações do goleiro realizadas para evitar que a bola seja convertida em gol incluem-se nesta categoria. Estão incluídas aqui as obstruções ao redor da área de gol que são realizadas com a intenção de quebrar as ações ofensivas. Quadro 2: Formulário de registro de observação para Medir a Destreza no Jogo de Futebol em uma Situação Regular – PIMSPARS (Ocansey e Kutame, 1991). Estudante ______________ Registrador ____________ Data _________ Tempo _________ até__________ Tipo de jogo ___________ Comportamentos-Chave PP: Posicionamento para um passe PD: Posicionamento defensivo M:Manobras e finta I: Indução E: Empurrão C: Chute P:Passe T: Perseguição A: Assistência SD: Salvamento Defensivo Símbolos-Chave para a avaliação ODR:Oportunidade de Responder SC: Símbolo do comportamento A: Apropriado IA: Inadequado S: Sucesso I: Ignore IS: Insucesso ODR I SC A IA S IS ODR I SC A IA S IS 1 ___________________ 1 ___________________ 2 ___________________ 2 ___________________ 3 ___________________ 3 ___________________ 4 ___________________ 4 ___________________ 5 ___________________ 5 ___________________ 6 ___________________ 6 ___________________ 7 ___________________ 7 ___________________ 8 ___________________ 8 ___________________ 9 ___________________ 9 ___________________ 10 ___________________ 10 ___________________ 11 ___________________ 11 ___________________ 12 ___________________ 12 ___________________ 13 ___________________ 13 ___________________ 14 ___________________ 14 ___________________ 15 ___________________ 15 ___________________ Registro Reduzido ODRs:_________________ Respostas Reais ___________ I= ______________ Razão ODR/respostas reais _________/___________ A:___________ IA:___________ Razão A/IA_____________ %A: ____________ S:____________IS:___________ Razão S/IS _____________ %S: ____________ Comportamentos-Chave PP:_______ PD: _______ M: ________ E: _________ C: ________ P: _______ A:_________ SD: ________ P:________ I: _________ Fonte: ADAPTADO de Tritschler (2003). Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57 57