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Revista Fitness & Performance
9 | 3 | jul/set 2010
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Ficha Catalográfica elaborada por Suely O. Moraes Marquez - CRB 11/365
Revista Fitness & Performance, ano 9, n.º 3, jul./set./2010 - Manaus: Editora da Universidade Federal do Amazonas, 2010.
Bimestral
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EDITORIAL
Saudações leitoras e leitores!
É com imensa satisfação que informamos a vocês, que o Volume 1 da Edição on line da Fitness
& Performance Journal 2010 está a disposição.
A Edição on line poderá ser acessada pelo endereço www.fpjournal.org.br.
O retorno das publicações da Fitness & Performance Journal contribuirá, significativamente,
para o enriquecimento profissional e a evolução da ciência nos campos da atividade física e da saúde
em geral.
Neste número estarão a disposição os artigos: Comparação do perfil antropométrico
e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades; Força isométrica e dinâmica em
lutadores de jiu-jítsu; Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares
pré-púberes; Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes; Concentrações de lactato sanguíneo
produzido em combates de esgrima: estudo preliminar; Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre
componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol;
Game-related statistics in basketball by player position and final game score differences in European
basketball championship 2007; Capacidade funcional e composição corporal em portadores de
câncer e; Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de detecção de
talentos nas categorias de base do futebol de campo.
O objetivo a partir das adequações e ajustes realizados é manter a periodicidade da Revista
sem descontinuidade.
Para que isso possa acontecer vocês são fundamentais e podem colaborar nas próximas
edições.
Submeta seu artigo e faça parte desta conquista publicando seus estudos na Fitness &
Performance Journal.
Um grande e forte abraço a todos!
Boa leitura!
S U M Á R I O
9
Comparação do perfil antropométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades
Guilherme de Azambuja Pussieldi | Bethânia Lara Santos | Luciana Aparecida Pereira | João Carlos Bouzas Marins
15
Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu
Charles Nardelli Valido | Lindsei Brabec Motta Barreto | Lillian Beatriz Fonseca dos Santos | Alynne Christian Ribeiro
Andaki | Edmar Lacerda Mendes | Ciro José Brito
19
Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes
Sérgio Luis Peixoto Souza Junior | Rodrigo Bozza | Antonio Stabelini Neto | Anderson Zampier Ulbrich | Wagner de Campos
24
Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes
Laiana Sepúlveda de Andrade | Vanessa Batista de Sousa Lima | Artemizia Francisca de Sousa | Nadir do Nascimento
Nogueira | Oseas Florêncio de Moura Filho | Dilina do Nascimento Marreiro
31
Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol
Nilo Terra Arêas Neto | Anderson Pontes Morales | Mauricio Rocha Calomeni | Guilherme Gomes Côrtes | Carlos
Eduardo Lopes Bianchi dos Guaranys | Vernon Furtado da Silva
37
Game-related statistics in basketball by player position and final game score differences in European
basketball championship 2007
Yolanda Escalante | José M. Saavedra | Antonio García-Hermoso
43
Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer
Bruno Pereira Melo | Amanda Aparecida Delfino | Célia A. da Silva | Letícia M. Mendonça | Jeferson T. de Geraldo
|Talita K. C. Barbosa | Rafaela S. Araújo | Marcel V. S. Malta | Fernanda S. Carvalho | Rony R. Carvalho | Sandro
Fernandes da Silva
50
Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de detecção de talentos nas
categorias de base do futebol de campo
Marcos Antonio Medeiros do Nascimento | Fernando Policarpo Barbosa
Comparação
do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em
diferentes modalidades
Guilherme de Azambuja Pussieldi1 CREF 001423 G/MG - [email protected]
Bethânia Lara Santos2 CREF 014189 G/MG - [email protected]
Luciana Aparecida Pereira3 CREF 001445 G/MG - [email protected]
João Carlos Bouzas Marins4 CREF 003976 G/MG - [email protected]
Estudo vinculado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa, Of. Ref. Nº 096/2010/Comitê de Ética.
RESUMO
Introdução: Buscou-se comparar o perfil antropométrico e o somatotípico de ciclistas de alto nível de estrada (Estrada), fora de
estrada (MTB) e bicicross (BMX). Materiais e Métodos: Participaram 29 homens, sendo 9 ciclistas de estrada, 10 de fora de estrada e 10
de bicicross. Constituiu de uma avaliação antropométrica e do somatotipo de cada grupo. Resultados: Não foram encontradas diferenças
significativas do perfil entre Estrada e MTB, porém, entre MTB e BMX, foram encontradas diferenças significativas para massa corporal,
percentual de gordura e massa gorda. Os três grupos caracterizaram-se pela predominância do componente mesomórfico, mas Estrada e
MTB apresentaram o perfil mesomorfo-ectomorfo e BMX apresentaram o perfil de mesomorfo-endomorfo. Os atletas obtiveram diferenças
significativas em relação ao componente endomórfico, quando comparados com os ciclistas das outras modalidades. Discussão: Os
ciclistas de estrada e MTB apresentaram um menor percentual de gordura, enquanto a MCM foi semelhante entre os grupos. O perfil
somatotípico indica uma predominância do endomorfismo no BMX, enquanto que ocorre um equilíbrio nos demais elementos entre os três
grupos de atletas.
Palavras-chave
Composição Corporal. Ciclismo. Somatotipo. Desempenho Atlético
Road,
off road and bmx elite cyclists antropometric and somatotipic profile comparasions
ABSTRACT
Introduction: The aim of this study was compare the anthropometric profile and somatotype among road, off road and bicycle
motocross cyclists. Methods: It was 29 cyclists, which 9 road, 10 off-road (MTB) and 10 bicycle motocross (BMX). It was an anthropometric
evaluation of the percent body fat and the somatotype of each group. Results: Significant differences of anthropometric profile and somatotype
were not found between Road and MTB, however in the comparative between MTB and BMX, significant differences were found to the
variables body mass, percent body fat and body fat. The somatotype among the three groups was characterized by the predominance of
mesomorphic component that is distinguished by the muscularity, however the Road and MTB presented the somatotypic profile characterized
by mesomorph-ectomorph, and the BMX presented the mesomorph-endomorph profile. These athletes have gotten significant differences
considering the endomorph component when compared to the cyclists from the other modalities. Discussion: The BMX can have a percent
body fat greater. The somatotipic profile indicates predominance of the endomorphism in the BMX where as balance in the other elements.
Key-words
Body Composition. Bicycling. Somatotype. Sports Performance.
1
2
3
4
Universidade Federal de Viçosa; MG Brasil
Universidade de Itaúna, MG, Brasil
Prefeitura Municipal de Florestal
Universidade Federal de Viçosa; MG Brasil
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3 | 9-14 | jul/set 2010
Pussieldi, Santos, Pereira, Marins
Comparación
del perfil antoprométrico y somatotípico de los ciclistas de elite en diferentes modalidades
RESUMEN
Introducción: El estudio consistió en analizar y comparar el perfil antropométrico y el somatotipico de ciclistas de alto nivel de
estrada (Estrada), fuera de estrada (MTB) y bicicross (BMX). Métodos: Participaron del estudio 29 hombres, siendo 9 ciclistas de estrada,
10 de MTB y 10 de BMX. Fue hecha una evaluación antropométrica y del somatotipo de cada grupo de atletas. Resultados: No
fueron encontradas diferencias significativas del perfil entre Estrada y MTB, pero MTB comparados a BMX, fueron encontradas diferencias
significativas para las variables masa corporal, porcentual de grasa y masa gorda. Los tres grupos caracterizaron por la predominancia del
componente mesomórfico, además Estrada y MTB presentaron el perfil caracterizado como mesomorfo-ectomorfo y BMX presentaron el perfil
de mesomorfo-endomorfo. Los atletas obtuvieron diferencias para el componente endomórfico, cuando comparados con los ciclistas de las
otras modalidades. Discusión: Estrada y MTB presentaron un menor porcentual de grasa, pero la MCM fue semejante entre los grupos. El
perfil somatotípico indica una predominancia del endomorfismo en el BMX, pero ocurre un equilibrio en los demás elementos.
Palabras-clave
Composición Corporal. Ciclismo. Somatotipo. Desarrollo Atlético.
INTRODUÇÃO
O ciclismo possui diversas especialidades e os atletas podem
apresentar diferenças morfológicas externas, conforme observações
de Heath e Carter1 que concluíram que nossa biotipologia não
depende exclusivamente da carga genética, mas de fatores
externos, como a atividade física, que é potencialmente modificada
para conseguir maior rendimento. Acredita-se que essas diferenças
morfológicas se justificam pela hipótese de que cada esporte possui
um perfil antropométrico característico2, podendo influenciar na
elaboração de tipos variados de programas de treinamento.
A elaboração desse perfil pode ser alcançada através da
antropometria, já que a determinação da composição corporal do
indivíduo é um recurso crucial na avaliação do estado físico e no
controle das diversas variáveis envolvidas durante uma prescrição
de treinamento3.
Para se classificar a composição corporal utiliza-se a técnica
do somatotipo, um método no qual Sheldon4 dividiu a estrutura física
do homem em três condições diferenciadas, que são endomorfia,
mesomorfia e ectomorfia, definindo determinadas características
físicas que as diferenciam entre si4, 5.
Segundo Silva et al.6, a endomorfia apresenta o
arredondamento das curvas corporais como principal característica
da estrutura física. A mesomorfia caracteriza-se pelo grande
relevo muscular aparente e uma estrutura óssea mais maciça. Já a
ectomorfia, pode ser identificada por uma linearidade corporal, com
discreto volume muscular e pequena presença de tecido gorduroso.
Em seus estudos antropométricos, Sheldon4 concluiu que não
existe um indivíduo com uma classificação única, mas com maior ou
menor tendência para cada um dos componentes de sua divisão.
Foi elaborada uma escala de 1 a 7 para cada uma das três classes,
sendo o número 1 o de menor quantidade e o número 7 o de maior
presença4,7.
De acordo com os estudos de Padilla et al.8, as características
morfológicas individuais determinam o desempenho no ciclismo em
diferentes tipos de terreno. Este esporte apresenta três formas bem
diferentes de competição, sendo elas o ciclismo de estrada, o MTB
e o bicicross (BMX).
Segundo Jeukendrup9, o ciclismo de estrada é caracterizado
pela grande quantidade e diversidade de eventos. Essas diferem
na duração, no tipo e no terreno em que cada corrida acontece.
10
A duração desses eventos oscila entre 10 e 50km, no máximo, em
provas de contra-relógio individuais e entre 30 e 100Km por equipe,
e de até 90 a 100 horas em provas de 3 semanas, com etapas que
superam os 180km em um único dia10. Como resultado, pessoas
distintas, com características fisiológicas diferentes, irão atuar em
eventos variados. Assim, selecionar o evento para o qual a pessoa é
mais apta é importante para a realização do seu potencial11.
As provas de ciclismo fora de estrada, também conhecidas
como Mountain Bike (MTB), são muito intensas, exigindo alta
capacidade aeróbia12,13. Dentre as diferentes provas de MTB, o
Cross-Country (XC) é um dos eventos mais populares. As competições
são realizadas em circuito fechado, com trechos estreitos e sinuosos,
e/ou estradas abertas, geralmente com a presença de diferentes
condições no solo14. O tempo de duração deste tipo de prova
usualmente ultrapassa os 60 minutos, sendo registradas competições
com até 5 horas de duração.
Apesar do MTB ser um exercício predominantemente aeróbio,
Wilber et al.15 relataram que não existem diferenças fisiológicas
entre atletas dessa especificidade com atletas de estrada.
Poucos estudos são encontrados na literatura que tratam
das características do Bicicross (BMX). O BMX surgiu em 1968
na Califórnia (EUA), inspirado no Motocross (MX). Adolescentes
imitavam seus ídolos com suas bicicletas e as adaptavam para
corridas, construíam pistas e realizavam competições informalmente16.
O BMX é um esporte individual de habilidade aberta, com
diversas condições que variam de pista para pista, que exigem
adaptações constantes por parte dos competidores, havendo
também contato físico entre os mesmos17. Os circuitos variam entre
330 a 450 metros, dependendo de suas características e de seus
obstáculos, sendo percorridos entre 30 e 45 segundos realizados
em alta intensidade com predomínio anaeróbio. No BMX as
competições acontecem em baterias de oito competidores, onde
se classificam os quatro melhores, passando por eliminatórias, até
chegarem a uma bateria final, com oito competidores18.
No levantamento da base de dados Scielo e Medline, e no
Banco de Teses da Capes, com as palavras-chave: Composição
Corporal, Ciclismo, Somatotipo e Desempenho Atlético, não foram
encontrados trabalhos que se relacionassem ao tema de nosso
estudo. Em virtude dos aspectos levantados anteriormente, como
a carência bibliográfica nessa área, existe a necessidade de se
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14
Comparação do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades
comparar as variáveis antropométricas e o somatotipo dos atletas de
elite de ciclismo de estrada, de MTB e de BMX em função de melhor
orientar os pesquisadores e treinadores de ciclismo, para que eles
conheçam a modalidade que mais combine com o perfil do atleta
em questão, ou para que o atleta possa ser encaminhado com mais
cientificidade para a modalidade correta.
Este estudo é o primeiro feito em nosso país com o objetivo
de analisar e comparar o perfil antropométrico e o somatotipo de
ciclistas de elite de estrada, MTB e BMX, e poder contribuir para
formação de uma base de dados que componha os processos de
detecção de talentos esportivos do ciclismo. Existe a necessidade
de compreensão dos critérios adotados pelos técnicos esportivos
nos processos de seleção esportiva, utilizando maior número de
ferramentas para um diagnóstico mais adequado.
estimativa da densidade corporal, determinada pela equação de
sete dobras, proposta por Jackson e Pollock20.
Os perímetros de braço contraído (BRC) e panturrilha (PM)
foram medidos com uma fita métrica metálica Lufkin, com precisão
de 0,1 cm. As medidas foram feitas em duplicidade pelo mesmo
avaliador. Para análise do somatotipo foi utilizado o sistema de
classificação proposto por Heath e Carter1. Para tanto, foram
medidos os diâmetros biepicôndilo umeral e bicôndilo femural, com
um paquímetro de pequenas medidas da marca Lange com precisão
de 0,1 cm.
Quanto ao cálculo dos componentes do somatotipo, o método
de Heath e Carter1 é amplamente aceito. Esse método permite
quantificar os componentes deste de forma rápida e ter uma
classificação biotipológica do desportista.
MATERIAS E MÉTODOS
Cuidados Éticos
Todos receberam instruções sobre a avaliação e sobre os
procedimentos tomados. Antes das avaliações, os atletas assinaram
o Consentimento Livre e Esclarecido e o projeto foi aprovado pelo
Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade
Federal de Viçosa, Of. Ref. Nº 096/2010/Comitê de Ética. Não
existem conflitos de interesse neste estudo.
Procedimentos Estatísticos
Os diferentes parâmetros foram analisados estatisticamente
através da análise de variância unicaudal com post-hoc Tukey Test.
O estudo admitiu o nível de p < 0,05 para a significância estatística
e foi utilizado o pacote estatístico Graphic Prism, versão 4.0.
Amostra
A amostra foi composta de vinte e nove (29) competidores
brasileiros de ciclismo do sexo masculino, com experiência de mais
de cinco anos em competições específicas de sua modalidade,
todos entre os quinze primeiros do ranking nacional. Os ciclistas de
BMX eram da mesma equipe (Minas Gerais), os demais eram de
diversas regiões do país. Todos os atletas participaram da pesquisa
voluntariamente. Foram nove ciclistas de estrada com idade média
de 26 ± 3 anos, dez de MTB com idade média de 25 ± 3 anos e
dez de BMX com média de idade de 25 ± 6 anos, todos filiados à
Confederação Brasileira de Ciclismo. Os dados dos atletas foram
coletados em eventos de alto nível técnico de cada modalidade.
Os dados dos ciclistas de estrada foram coletados na véspera da
Prova da Inconfidência, na cidade de Betim, evento do calendário
nacional. Os dados dos ciclistas de MTB foram coletados na véspera
da Copa Internacional de Mountain Bike, evento válido pelo ranking
internacional da UCI. Os dados dos ciclistas de bicicross foram
coletados na véspera do Campeonato Panamericano de BMX. Todos
os dados foram coletados pela manhã, nos locais das provas.
Avaliação das variáveis antropométricas
A massa corporal foi mensurada em uma balança mecânica da
marca Filizola, com precisão de 0,1 kg. A estatura foi obtida em um
estadiômetro Sanny, com precisão de 0,1 cm. Todos os indivíduos
foram medidos e pesados descalços, vestindo apenas bermuda. O
índice de massa corporal (IMC) foi determinado pelo quociente peso
corporal/estatura2, sendo o peso corporal expresso em quilogramas
(kg) e a estatura em metros (m). A composição corporal foi avaliada
pela técnica de espessura do tecido celular subcutâneo. Três
medidas foram tomadas em cada ponto, em sequência rotacional,
do lado direito do corpo, sendo registrado o valor mediano. Para
tanto, foram aferidas as seguintes dobras cutâneas: tricipital (TR),
subescapular (SE), peitoral (PT), supraespinhal (SEP), abdominal
(AB), coxa (CX) e panturrilha (PN). Tais medidas foram realizadas
por um único avaliador experiente, com um adipômetro científico
da marca Cescorf, com precisão de 0,1 mm. A gordura corporal
relativa (% gordura) foi calculada pela fórmula de Siri19, a partir da
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14
RESULTADOS
Com relação aos resultados de massa corporal total, estatura e
índice de massa corporal, houve diferenças estatísticas significativas
para a massa corporal total entre os ciclistas de MTB e os de BMX
(Fig. 1a). A média da massa corporal dos ciclistas foi de 68,0 ± 5,8
Kg para os praticantes de Estrada, 62,6 ± 6,5 Kg para os de MTB
e 71,3 ± 9,5 Kg para os de BMX. A variável estatura média nos
ciclistas de Estrada foi de 174,9 ± 5,5 cm, para os de MTB de 169
± 8,2 cm e para os de BMX de 174 ± 5,4 cm (Fig. 1b). O índice de
massa corporal apresentou média nos ciclistas de Estrada de 22,3
± 1,9 Kg/m2, nos de MTB de 21,8 ± 1,5 Kg/m2 e nos de BMX de
23,6 ± 2,88 Kg/m2 (Fig. 1c).
Figura 1: Média e Erro Padrão da Massa Corporal (a), Estatura (b) e Índice
de Massa Corporal (c) dos ciclistas de elite
* Diferença estatística significativa com p≤ 0,05
11
Pussieldi, Santos, Pereira, Marins
Nas variáveis antropométricas: percentual de gordura, massa
corporal gorda e massa corporal magra, não foram encontradas
diferenças significativas entre ciclistas de estrada e MTB. No entanto,
encontraram-se diferenças significativas entre os atletas de MTB e os
atletas de BMX nas variáveis percentual de gordura e massa corporal
gorda (Fig 2a e Fig. 2b). A média do percentual de gordura foi 7,9 ±
2,6% para os ciclistas Estrada, 7,0 ± 1,0% para os de MTB e 9,9 ±
3,1 % para os de BMX. Na variável massa corporal gorda, a média
foi de 5,4 ± 2,0 kg para os ciclistas de Estrada, 4,4 ± 1,0 kg para
os de MTB e 7,3 ± 3,2 kg para os de BMX. Nestas duas variáveis
os valores dos atletas de BMX apresentaram-se maiores do que os
atletas de MTB. No entanto, a média da massa corporal magra que
não apresentou diferença estatisticamente significativa foi de 62,6 ±
5,2 kg para os atletas de Estrada, 58,2 ± 5,8 kg nos de MTB e 64,0
± 6,85 kg no de BMX.
Figura 3: Média e Erro Padrão dos componentes de Endomorfia (a),
Mesomorfia (b) e Ectomorfia (c) dos ciclistas de elite.
* Diferença estatística significativa com p≤ 0,05
Figura 2: Média e Erro Padrão do Percentual de gordura (a), Massa Corporal
Gorda (b) e Massa Corporal Magra (c) dos ciclistas de elite
* Diferença estatística significativa com p≤ 0,05
Quanto ao somatotipo, observou-se que os ciclistas das três
modalidades apresentaram uma predominância do componente
de mesomorfia sobre os outros componentes. Porém, os atletas de
bicicross apresentaram o valor do componente de endomorfia um
pouco elevado, com diferença significativa em relação aos atletas
das demais modalidades (Fig. 3a). Para os outros dois componentes,
mesomórfico e ectomórfico, não foram encontradas diferenças
estatisticamente significativas ao comparar os grupos entre si.
12
A média dos valores do componente de endomorfia encontrada
nos atletas de estrada foi 2,1 ± 0,7, nos atletas de MTB foi 1,9 ± 0,5
e nos atletas de BMX foi 3,37 ± 1,13. Os resultados apresentados
pelos atletas de BMX em relação aos atletas de Estrada e MTB foram
significativamente mais elevados. No entanto, para o componente
de mesomorfia não foram encontradas diferenças significativas ao
se comparar as modalidades distintas, e os valores apresentados
foram 4,0 ± 1,2 para os atletas de estrada, 4,6 ± 0,8 para os
atletas de MTB e 4,7 ± 1,4 para os atletas de BMX (Fig. 3b). Para
o componente de ectomorfia nos atletas de Estrada, a média dos
valores encontrados foi de 2,7 ± 1,0, nos atletas de MTB foi 2,6 ±
1,0 e nos atletas de BMX foi 2,2 ± 1,39, não tendo sido observadas
diferenças estatisticamente significativas (Fig. 3c).
De acordo com a tabela adaptada por Carter21, em que são
descritas treze condições somatotípicas diferenciadas entre si, tanto
os ciclistas de estrada quanto os de MTB apresentaram o perfil
somatotípico mesomorfo-ectomorfo. Porém os atletas de bicicross
apresentaram perfil somatotípico mesomorfo-endomorfo.
DISCUSSÃO
Apesar de não terem sido encontradas diferenças significativas
no perfil antropométrico de ciclistas de estrada e MTB, o mesmo
não ocorreu em relação aos ciclistas de bicicross, que apresentaram
um perfil diferente dos demais, confirmando o que Padilla et al.8
e Lucía et al.22 concluíram em seus estudos. As características
antropométricas podem se diferenciar em cada ciclista de elite de
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14
Comparação do perfil antoprométrico e somatotípico de ciclistas de elite em diferentes modalidades
acordo com a sua modalidade específica. A mesma afirmação foi
feita por Foley et al.23 ao estudar ciclistas de diferentes modalidades,
quando encontrou diferenças estatísticas para os componentes do
somatotipo em relação a modalidades distintas de ciclistas de
estrada e de pista. No entanto, segundo Impellizzeri e Marcora24,
não existem diferenças antropométricas entre os ciclistas de Estrada
e os de MTB, resultado confirmado em nosso estudo.
Este estudo confirmou os resultados de outros estudos 25,26,27, 28,
os quais afirmaram que a elaboração de um perfil antropométrico
específico para cada esporte é um referencial importante que pode
ser obtido pela antropometria.
A predominância do componente somatotípico de mesomorfia
em relação aos outros componentes nos ciclistas avaliados confirmou
o resultado do estudo antropométrico de Foley et al.23, no qual
concluíram que não existe um indivíduo com uma classificação
única, mas com maior ou menor tendência para cada um dos
componentes de sua divisão. No entanto, não foram encontradas
diferenças antropométricas e somatotípicas significativas entre
ciclistas de estrada e MTB. Alem disso, mesmo que as características
das provas de Estrada e MTB sejam distintas, estudos comprovam
a inexistência de diferenças fisiológicas entre ciclistas dessas duas
provas15,24.
Acredita-se que a diferença no perfil somatotípico entre os
ciclistas pode ter ocorrido devido ao bicicross ser uma modalidade
com característica anaeróbica e o ciclismo de estrada e o MTB
serem modalidades que requerem, na maioria de suas provas, uma
alta capacidade aeróbica. Isso pode ser justificado pelo fato de
um percentual de gordura mais elevado nos atletas de bicicross.
Resultados similares de percentual de gordura foram encontrados
em velocistas de provas de ciclismo de pista da seleção inglesa,
que são provas com grandes componentes anaeróbicos como
o BMX29. Além disso, as provas de pista necessitam de muita
potência anaeróbica e velocidades intensas máximas30 como o
BMX. No entanto, no Medline, com as palavras-chave: “cycling”
e “anthropometrical characteristics”, em uma busca realizada em
março de 2012 não foram encontrados estudos caracterizando as
variáveis antropométricas dos atletas de BMX, talvez por ser um
esporte novo, cuja aparição nos Jogos Olímpicos somente ocorreu
na edição em 2008.
Para as provas de MTB, Impellizzeri et al.14 justificam a
importância da análise de massa corporal, pois segundo os autores
estes dados são fundamentais para determinação do rendimento
dos atletas. Afirmação que também pode ser aplicada para a
modalidade de Estrada8,22,30 e BMX18.
Pelo aspecto da antropometria, corredores de ciclismo
de estrada e mountain bike poderiam participar das provas
independentemente da modalidade. Contudo, a realidade é
diferente, pois outros fatores influenciam no rendimento, como por
exemplo, a coordenação, que atua como um agente seletivo para
estabelecer a modalidade ideal para participar.
A construção de um perfil corporal para as diversas
modalidades esportivas pode contribuir de forma significativa para
a seleção e orientação de atletas, bem como para a manutenção
de um treinamento eficaz, visando o melhor desempenho do
indivíduo3,6,23,27,28. Neste estudo procuramos identificar o perfil
dos ciclistas de Estrada, MTB e BMX, para que os treinadores
possam adequar a carga de treinamento às necessidades de cada
modalidade.
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:9-14
Pela inexistência de um programa nutricional direcionado às
diferentes modalidades do ciclismo, e pelo fato dos atletas não
serem de uma mesma equipe, não foi realizado um diagnóstico
nutricional desses atletas. Considerou-se apenas que são atletas de
elite e que cada um possui uma dieta elaborada individualmente por
seu nutricionista.
A elaboração de programas de treinamento, de acordo com
o presente estudo, precisa, portanto, ser diferenciada quanto ao
perfil antropométrico e somatotipo para ciclistas de bicicross, pois
é diferenciado em relação ao tipo de prova, apresentando baixa
duração, alta intensidade e grandes componentes anaeróbicos,
enquanto as outras duas modalidades são, na maioria das provas, de
longa duração, intensidade média a alta e exigem mais capacidade
aeróbica de seus atletas.
O perfil antropométrico e o somatotipo (ecto-mesomorfo) dos
atletas de elite de estrada e MTB na amostra estudada são muito
similares, não sendo encontradas diferenças significativas no perfil
destes. Já os ciclistas de BMX apresentam, quanto ao somatotipo, um
perfil endo-mesomorfo diferente em relação às outras modalidades,
além do percentual de gordura, massa corporal gorda e massa
corporal, embora com níveis atléticos superiores dos ciclistas de fora
de estrada.
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Força
isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu
Sérgio Luis Peixoto Souza Junior1 CREF 007941G/PR – [email protected] – (41) 9192-2003
Rodrigo Bozza1,3 CREF 004469-G/PR - [email protected] - (41) 9136-8039
Antonio Stabelini Neto2,3 CREF 005537-G/PR - [email protected] - (41) 9613-6511
Anderson Zampier Ulbrich1,4 CREF 3132G-PR - [email protected] - (41) 9607-5110
Wagner de Campos1,5 CREF 00777-G/PR - [email protected] - (41) 9102-6685
Os procedimentos adotados neste estudo seguiram a resolução MS nº.:196/96 referente a pesquisas realizadas em seres humanos. Os autores declaram não
haver conflito de interesses.
RESUMO
Introdução. Este estudo comparou os níveis de força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu entre atletas de elite e demais
competidores. Materiais e métodos. Vinte e um atletas foram alocados em dois grupos de acordo com o nível competitivo. Realizaram-se
medidas antropométricas e testes de barra específicos para avaliação da força isométrica e dinâmica. A estatística inferencial utilizada foi à
análise de covariância (P<0,05). Resultados e discussão. Atletas de jiu-jítsu de elite apresentaram, significativamente, menor (P<0,05)
percentual de gordura corporal (11,8±3,4 vs. 19,3±5,8 %) e maior (P<0,05) força isométrica absoluta (55,5±13,4 vs. 32,2±9,6 segundos),
dinâmica (P<0,05) absoluta (13,8±3,9 vs. 7,7±2,5 repetições), força isométrica (P<0,05) relativa (0,8±0,3 vs. 0,4±0,2 segundos) e dinâmica
(P<0,05) relativa (0,2±0,1 vs. 0,1±0,1 repetições) em relação aos demais competidores. Conclusão. No jiu-jítsu, lutadores de elite podem
ser diferenciados dos demais a partir da composição corporal e de testes específicos de força dinâmica e isométrica.
Palavras-chave
Artes Marciais. Atletas. Dinamômetro de Força Muscular. Resistência Física.
Static
and dynamic force in jiu-jitsu athletes
ABSTRACT
Propose. The aim of this study was to compare the levels of static and dynamic strength between elite and non-elite jiu-jitsu players.
Methods. Twenty one jiu-jitsu players were allocated in two groups according to the competitive level. We carried out anthropometrics
measurements and static and dynamic judogi grip strength tests. The inferential statistics applied was a analyzes of co-variance (P<0.05).
Results and discussion. Jiu-jitsu elite players showed low body fat percentage (11.8±3.4 vs. 19.3±5.8 %) and higher static (55.5±13.4
vs. 32.2±9.6 seconds) and dynamic strength (13.8±3.9 vs. 7.7±2.5 repetitions) in absolute and relative values (0.8±0.3 vs. 0.4±0.2 for static
0.2±0.1 vs. 0.1±0.1 for dynamic strength) in relation to non-elite players. Conclusion. Jiu-jitsu elite players can be differentiated to non-elite
from body composition and static and dynamic judogi grip strength tests.
Key-words
Martial Arts. Athletes. Muscle Strength Dynamometer. Physical Endurance.
1 - Universidade Federal de Sergipe.
2 - Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 15-18 | jul/dez 2010
Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito
Fuerza
isométrica y dinámica en luchadores de jiu-jitsu
RESUMÉN
Propósito. Objetivo de esto estudio fue comparar los niveles de fuerza isométrica y dinámica en atletas de jiu-jitsu de elite y otros
competidores. Materiales y Métodos. Veintiún atletas fueron divididos en dos grupos según el nivel competitivo. Hemos llevado a cabo
mediciones antropométricas y pruebas específicas para evaluar de las fuerzas isométricas y dinámicas. El análisis estadístico utilizado fue
el covarianza (P<0,05). Resultados y discusión. Los atletas de élite tenían menores niveles de porcentaje de grasa corporal (11,8±3,4
frente a 19,3±5,8%) y los valores más altos de la fuerza isométrica (55,5±13,4 vs 32,2±9,6 segundos) y dinámica (13,8±3,9 vs 7,7±2,5
repeticiones) absolutos y relativos (0,8±0,3 frente a 0,4±0,2 de la fuerza isométrica y 0,2±0,1 frente a 0,1±0,1 para la fuerza dinámica) en
relación con los competidores. Conclusión. En jiu-jitsu, los combatientes de elite pueden diferenciarse de otros en la composición corporal
y fuerza isométrica y dinámica.
Palabras clave
Artes Marciales. Atletas. Dinamómetro de Fuerza Muscular. Resistencia Física.
INTRODUÇÃO
O jiu-jítsu, assim como as modalidades de grappling,
demanda alta produção de energia advinda do metabolismo
anaeróbico1. Segundo Pereira et al.2, o jiu-jítsu é um esporte de
combate caracterizado por esforços intermitentes, com picos de alta
intensidade intercalados por períodos de pausa ou atividades de
baixa intensidade. Durante esforços de alta intensidade, a energia
advém da resíntese da creatina fosfato e da glicólise anaeróbia.
Em modalidades de grappling, como o jiu-jítsu e o judô,
a força muscular torna-se fator-chave no desempenho atlético3.
Segundo Silva et al4, a força muscular isométrica de membros
superiores é fundamental para a manutenção da pegada, execução
de imobilizações e finalizações, fatores decisivos para determinar o
rendimento de lutadores5. Em consonância Franchini et al.3, durante
o combate, o lutador necessita da combinação entre força dinâmica
e resistência de força para manter a distância exata do oponente.
Apesar da importância da força muscular para o desempenho,
não se encontrava na literatura testes específicos para medir a
força em lutadores de grappling5. Recentemente, Franchini et al.3
propuseram dois testes específicos para medir a força dinâmica e
isométrica em judocas. Os resultados deste estudo indicaram que
judocas de alto rendimento diferem dos medianos somente pela
força dinâmica. Ressalta-se que o judô é caracterizado por esforços
explosivos6. Por outro lado, o jiu-jítsu apresenta maior demanda
de força isométrica devido ao maior contato corporal presente nas
lutas 7,8. Nesse sentido, hipotetizou-se que lutadores de jiu-jítsu de
elite apresentam maiores níveis de forças isométrica e dinâmica em
relação aos demais lutadores.
METODOLOGIA
Casuística
Este estudo foi aprovado pelo Comitê de ética para pesquisa da
Universidade Federal de Sergipe (protocolo CAAE - 0003.0.421.00009). Para o presente estudo foram medidos lutadores de jiu-jítsu da
cidade de Aracaju-SE. Os critérios de inclusão considerados foram:
a) ter treinado e competido no último ano; b) ter idade mínima de 18
anos; c) apresentar experiência prévia na modalidade, pelo menos,
2 anos; d) assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; e)
completar todas as fases do estudo. Foram excluídos: a) os que não
atenderam os critérios de inclusão; b) apresentavam algum problema
físico que interferisse diretamente nos resultados (ex. lesão no ombro).
16
A amostra final foi composta por 21 lutadores. Os atletas foram
alocados em dois grupos: Elite - atletas classificados nas três primeiras
colocações no Campeonato Estadual; Demais competidores - atletas
que competiram e foram classificados no 4º lugar em diante. A Tabela
1 apresenta a distribuição da amostra quanto às categorias de peso.
Não houve atletas nas categorias galo (<57,5 kg), superpesado
(<100,5 kg) e pesadíssimo (>100,5 kg).
Tabela 1: Participantes por categoria de massa corporal.
Categorias (kg)
Pluma
(<64,0)
Pena
(<70,0)
Leve
(<76,0)
Médio
(<82,3)
n=4
n=3
n=4
n=2
Meio
Pesado
(<88,3)
n=6
Pesado
(<94,3)
n=2
Procedimentos experimentais
Inicialmente, realizou-se contato com os treinadores para
informar a proposta do estudo. Após a autorização, os atletas foram
consultados individualmente quanto a participação voluntária. Todas
as medidas foram realizadas com os atletas em repouso e ausência
de esforço físico de 24 horas. Os procedimentos adotados seguiram
a resolução MS 196/96 referente às pesquisas realizadas com seres
humanos.
Em seguida realizou-se a avaliação antropométrica. A
estatura (precisão de 1 cm) e massa corporal (precisão de 100
g) foram utilizadas para estimar IMC. Para medir a espessura de
dobras cutâneas (tríceps, subescapular e abdominal), utilizou-se
um adipômetro Lange®. As dobras cutâneas foram utilizadas para
estimar a densidade corporal de acordo com a metodologia descrita
por Thorland et al.9. A densidade corporal, por sua vez, foi utilizada
para estimar o percentual de gordura pela equação de Brozek et
al.10.
Após a avaliação antropométrica, os lutadores realizaram o
teste de resistência de força isométrica e dinâmica na barra com
judogui, proposto por Franchini et al.3. O teste consiste na realização
de dois exercícios de força. Inicialmente, os lutadores realizaram
a preensão em quimono enrolado em uma barra horizontal e se
sustentaram com o cotovelo flexionado o máximo de tempo. Após
15 minutos de intervalo, iniciou-se o teste dinâmico. Durante este
teste aplicou-se a mesma posição de preensão manual. No entanto,
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:15-18
Força isométrica e dinâmica em lutadores de jiu-jítsu
realizou-se o máximo de repetições, partindo da completa extensão
de braços, até a máxima flexão. Ambos os testes foram realizados até
a fadiga. Esse teste apresenta boa reprodutibilidade (teste dinâmico:
coeficiente de correlação intraclasse = 0,99; limite de concordância =
-2,9 a 2,3 repetições; isométrico: coeficiente de correlação intraclasse
= 0,97; limite de concordância = -6,9 a 2,4 s)4.
Análises estatísticas
Inicialmente realizou-se estatística descritiva das variáveis com
apresentação dos valores por meio de média ± desvio-padrão.
Após a normalidade dos dados ser checada pelo teste KolmogorovSmirnov, o teste-t para amostras independentes foi utilizado para
comparação dos dados antropométricos entre os grupos. Para
comparação das médias entre os grupos para os testes de força,
adotou-se análise de covariância (a massa corporal foi utilizada
como covariável). Adotou-se como nível de significância P<0,05.
RESULTADOS
A Tabela 2 apresenta a caracterização da amostra dividida
por grupos, elite e demais competidores.
Tabela 2. Caracterização dos grupos elite e demais competidores.
a
Elite
Demais
competidores
P
Idade (anos)
27,1±6,5
26,1±6,7
0,735
Experiência (anos)
7,2±5,0
5,0±4,8
0,514
Massa corporal (kg)
72,8±10,5
79,8±11,5
0,162
Estatura (m)
1,8±0,1
1,8±0,1
0,812
IMC (kg/m2)
23,4±2,0a
25,9±3,2
0,041
% de gordura
11,8±3,4a
19,3±5,8
0,002
Massa magra (kg)
64,0±7,5
62,8±5,0
0,970
Massa gorda (kg)
8,8±3,6a
15,5±6,7
0,006
Diferença significativa entre grupos (P<0,05).
Apesar da massa corporal não apresentar diferença (P>0,05)
há que se destacar que entre os grupos, lutadores de elite apresentam
menor percentual de gordura corporal (P<0,05). Na Tabela 3 são
apresentados os resultados para os testes de força.
Tabela 3. Comparação da força absoluta e relativa à massa
corporal entre lutadores de elite e demais competidores.
Elite
Demais
competidores
P
55,5±13,4a
32,2±9,6
0,001
13,8±3,9a
7,7±2,5
0,02
Isométrica máxima
(s/kg)
0,8±0,3a
0,4±0,2
0,002
Dinâmica (rep/kg)
0,2±0,1a
0,1±0,1
0,003
Força absoluta
Isométrica máxima (s)
Dinâmica (rep)
Força relativa
a
Diferença significativa entre grupos (P<0,05).
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Destaca-se que Lutadores de elite apresentaram melhor
desempenho em todos os testes de força (P<0,05). Na Tabela 4
são apresentadas as razões de força relativa à massa corporal total
e massa magra entre lutadores de elite e demais competidores.
De acordo com as razões calculadas, há que se ressaltar dentre
os resultados apresentados que lutadores de elite expressam entre
70% a 90% a mais de força quando comparados aos demais
competidores.
Tabela 4. Razão entre a força relativa de lutadores de elite e
demais competidores.
Razão de força relativa (elite/demais competidores)
Isométrica
Dinâmica
Massa magra
1,7
1,8
Massa corporal
1,8
1,9
DISCUSSÃO
A força isométrica e dinâmica é fundamental para o
desempenho de alto rendimento no jiu-jítsu. No entanto, a modalidade
carece de estudos que avaliem variáveis antropométricas e de
desempenho11. Este estudo apresentou dados comparativos de força
muscular isométrica e dinâmica entre lutadores de diferentes níveis
competitivos de jiu-jítsu. Os resultados do presente estudo indicam
que lutadores de elite apresentam menor quantidade de gordura
corporal e maiores níveis de força muscular isométrica e dinâmica
em comparação aos demais competidores. Sendo, a composição
corporal, um dos fatores que contribui para a diferenciação do
nível de força entre os grupos aqui estudados. Os dados aqui
evidenciados corroboram os achados de Silva et al.4 onde observouse maiores índices de força estática e dinâmica em lutadores de elite
quando comparado aos não-elite. Freanchini et al. 12 observaram
que lutadores de jiu-jitsu tendem a reduzir em 12% a força isométrica
após o primeiro minuto de luta, no entanto, aqueles que conseguem
manter níveis mais elevados ao longo da luta tendem a se sobressair
sobre os adversários.
A composição corporal influencia consideravelmente no
desempenho esportivo, principalmente em esportes que possuem
categorias de peso1. Demonstrou-se no presente estudo que,
lutadores com menor quantidade de gordura corporal, conseguem
produzir e sustentar maior quantidade de força. Os resultados
apresentados pelos lutadores de elite no presente estudo são
próximos aos medidos em 11 lutadores por Andreato et al.11 e
Silva et al. 10 também compararam a força de lutadores de elite
e não-elite, no entanto, não realizaram a avaliação relativa a
composição corporal. Comparando a força dinâmica e isométrica
de lutadores de judô, Franchini et al.3 não observaram diferença
para força isométrica entre lutadores elite e nível estadual. Segundo
Del Vecchio et al.5, no jiu-jítsu a força isométrica é fundamental para
a execução de pegadas, manutenção da postura e finalizações.
A natureza predominantemente isométrica observada no jiu-jítsu,
parece contribuir para a diferença na força observada entre atletas
de diferentes níveis competitivos.
Assim como a força isométrica, a força dinâmica é um dos
fatores que diferencia lutadores de elite dos demais competidores.
A capacidade em estender e flexionar o cotovelo, deslocando o
adversário, coloca o lutador em vantagem3, pois conseguir afastar
e aproximar o oponente permite ao lutador aplicar técnicas de
17
Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito
projeção, raspagens, estrangulamentos e chaves em articulações13.
Andreato et al.13 indica que quedas e raspagens são predominantes
em lutas de jiu-jítsu. Ademais, possuir maiores níveis de força,
diferenciam lutadores-vencedores em campeonatos, uma vez que
diversos combates são definidos a partir do terceiro minuto de luta5.
Apesar de não apresentar diferença significativa, lutadores de
elite apresentaram, em média, dois anos a mais de treinamento em
relação aos demais competidores. Este também pode ter influenciado
as diferenças observadas entre os grupos, pois o lutador adquire
características morfológicas e técnicas específicas à medida em
que progride no jiu-jítsu14. A falta de mais trabalhos direcionados
a investigar o comportamento da força, nas suas diferentes
manifestações na modalidade dificulta a extrapolação e comparação
dos nossos achados. Apesar de investigar a manifestação da força
entre atletas de diferentes níveis de jiu-jítsu, o número limitado de
atletas e ausência deles em todas as categorias, limitam os nossos
achados. Mais estudos desenhados a observar a força muscular
entre lutadores deste esporte de combate são necessários, dentre
eles estudar o comportamento de força em mulheres.
CONCLUSÃO
Diante dos objetivos estabelecidos e resultados encontrados,
concluímos que, na modalidade jiu-jítsu, lutadores de elite podem ser
diferenciados dos demais competidores a partir de testes específicos
de força dinâmica e isométrica.
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Endereço para correspondência
Ciro José Brito
Rua Niceu Dantas 1074/07 - Atalaia - Aracaju - SE – CEP.:49037-470
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:15-18
Relação
do
IMC
e circunferência da cintura com a pressão arterial em
escolares pré-púberes
Charles Nardelli Valido1 - [email protected]
Lindsei Brabec Motta Barreto1 - [email protected]
Lillian Beatriz Fonseca dos Santos1 - [email protected]
Alynne Christian Ribeiro Andaki2 - [email protected]
Edmar Lacerda Mendes2 - [email protected]
Ciro José Brito1­ - [email protected]
Comitê de Ética: registro CEP/SD: 624.161.08.09; CAAE: 3185.0.000.091-08 em 02 de outubro de 2008.
Relação
do
IMC E Circunferência Da Cintura Com A Pressão Arterial Em Escolares Pré-Púberes
RESUMO
Introdução: Apesar de ser muito comum em adultos à hipertensão arterial também tem sido verificada em crianças e adolescentes e
nesses indivíduos as medidas antropométricas que podem servir como um indicativo de alterações na pressão arterial. Objetivo: verificar
a relação do IMC e circunferência da cintura (CC) com a pressão arterial (PA) em sujeitos pré-púberes de ambos os sexos.
Métodos: participaram do estudo 61 escolares. A comparação dos valores entre meninos e meninas foi realizada através de testes
“t” independentes. Para verificar a relação das medidas antropométricas com a PA foi utilizada a correlação de Pearson e análises de
correlação parcial foram utilizadas para relacionar as medidas antropométricas com a PA utilizando como variáveis de controle, a idade
e a estatura adotando nas análises um valor de p<0,05. Resultados: foram encontradas relações significativas entre o IMC e a CC com
a PA apenas para as meninas (p<0,05). Conclusão: a utilização preliminar do IMC e CC são úteis pelo baixo custo e praticidade na
identificação de indivíduos pré-dispostos ao aumento da PA e consequentemente a um risco mais elevado de desenvolvimento de hipertensão
arterial sistêmica.
Palavras-Chave
Pressão arterial. Circunferência da cintura. Índice de massa corporal
Relationship
of
BMI
and waist circumference with blood pressure in pre-school pubescent
Abstract
Introduction: Although it is very common in adults, hypertension has also been observed in children and adolescents and anthropometric
measurements in these individuals may serve as an indicator of changes in blood pressure. Objective: to verify the relationship of BMI
and waist circumference (WC) with blood pressure (BP) in pre-pubertal subjects of both sexes. Methods: Study participants were 61
schoolchildren. The comparison of values between boys and girls was conducted through independent “t” test. To verify the relationship of
anthropometric measures with the BP was used as the Pearson correlation analysis, and partial correlation analysis were used to relate the
anthropometric measures with the BP controlling for age and stature adopting a value of p<0.05. Results: we found significant relationships
between BMI and WC with the PA only for girls (p<0.05). Conclusion: the preliminary use of BMI and WC are useful at low cost and
practicality of the identification of individuals pre-disposed to the increase in BP and thus a higher risk of developing hypertension.
Centro de Pesquisa em Exercício e Esporte, Departamento de Educação Física, Universidade Federal do Paraná, Curitiba-Pr
UENP - Universidade Estadual do Norte do Paraná, Faculdade de Educação Física e Fisioterapia de Jacarezinho.
Programa de Pós-Graduação em Educação Física – UFPR
4
Programa de Pós Graduação em Ciências do Movimento Humano - UDESC
5
Professor Associado do Departamento de Educação Física – UFPR
1
2
3
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 19-23 | jul/dez 2010
Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito
KEYWORDS
Blood pressure. Waist circumference. Body mass índex
Relación
de
IMC
y la circunferencia de la cintura con la presión arterial en pre-escolares púberes
resumen
Introducción: Aunque es muy común en los adultos, la hipertensión también se ha observado en niños y adolescentes y las mediciones
antropométricas en estos individuos puede servir como un indicador de los cambios en la presión arterial. Objetivo: verificar la relación
entre el IMC y la circunferencia de la cintura (CC) con la presión arterial (PA) en sujetos pre-púberes de ambos sexos. Métodos: participaron
del estudio 61 niños en edad escolar. La comparación de valores entre los niños y niñas se llevó a cabo a través de t “independiente de
prueba. Para verificar la relación de las medidas antropométricas con la PA fue utilizado como el análisis de correlación de Pearson y el
análisis de correlación parcial; se utiliza para relacionar las medidas antropométricas con la PA de controlar la edad y estatura se adopta un
valor de p <0,05. Resultados: se encontraron relaciones significativas entre el IMC y WC con la Autoridad Palestina sólo para las niñas (p
<0,05). Conclusión: el uso preliminar de IMC y la CC son útiles a bajo costo y la viabilidad de la identificación de individuos predispuestos
al aumento de la PA y por lo tanto un mayor riesgo de desarrollar hipertensión.
PALABRAS CLAVE
Presión arterial. Circunferencia de la cintura. Índice de masa corporal.
INTRODUÇÃO
Na população mundial está ocorrendo o aumento nos casos
de pessoas com doenças crônicas não transmissíveis com destaque
para as doenças cardiovasculares (DC), sendo que estas representam
a primeira causa de morte nos países desenvolvidos e vem de forma
preocupante crescendo nos países de economia em transição e
subdesenvolvidos1,2.
Dentre estes fatores de risco para DC podemos destacar a
hipertensão arterial (HA) que é um dos principais problemas de
saúde no Brasil devido as suas complicações cérebro-vascular,
arterial coronariana, vascular de extremidades, insuficiência
cardíaca e insuficiência renal crônica3,4.
Apesar de ser muito comum em adultos a HA também tem
sido verificada em crianças e adolescentes, sendo que estudos
epidemiológicos brasileiros têm demonstrado, prevalência de HA na
população infanto-juvenil entre 6% e 8%. Isto se torna preocupante,
pois se sabe que a criança com níveis de pressão arterial mais
elevados apresenta maior probabilidade de se tornar um adulto
hipertenso5.
Diante desse quadro, grande atenção tem sido dada à redução
do sobrepeso e obesidade, já que além da maior probabilidade da
criança obesa se tornar um adulto obeso, a relevância desse problema
aumenta quando a obesidade infanto-juvenil mostra forte associação
com a presença de elevação da pressão arterial (PA) já na infância6.
Em crianças e adolescentes o índice de massa corporal
(IMC) está significativamente associado à adiposidade corporal
independente da sua localização, além de crianças com valores
elevados de IMC apresentam maior risco relativo de hipertensão
arterial do que seus pares eutróficos7. Entretanto, a relação do IMC
com morbidades pode ser afetada pela distribuição de gordura
corpórea, em especial a concentração de gordura abdominal, que
pode estar elevada independente do peso corporal8.
A gordura abdominal pode ser mensurada antropometricamente
através da circunferência da cintura que tem sido proposta como uma
medida adicional indicativa de risco cardiovascular independente
do IMC e massa corporal, pois o acúmulo de gordura abdominal
está envolvido na etiopatogênese de alterações metabólicas, como
a resistência a insulina9. A utilização do IMC ganha força para
identificação de fatores de risco cardiovascular quando associado
com a circunferência da cintura10,11,12.
20
Diante disso, o presente estudo teve como objetivo verificar a
relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial
em sujeitos pré-púberes de ambos os sexos.
MÉTODOS
Os procedimentos metodológicos da pesquisa foram analisados
pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Setor de Ciências da Saúde
da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e estão de acordo com
as normas éticas estabelecidas pela Resolução CNS 196/96 sob o
registro CEP/SD: 624.161.08.09; CAAE: 3185.0.000.091-08 em
02 de outubro de 2008.
Sujeitos
A amostra não probabilística foi composta por 61 indivíduos,
sendo 31 meninos e 30 meninas, com idades entre 7 e 12 anos de
idade, pertencentes ao estágio 1 de maturação, estudantes da rede
pública de ensino da cidade de Curitiba-Pr.
Instrumentos e procedimentos
1) Avaliação maturacional: O grau de maturação sexual foi
determinado através do método proposto por Tanner13, no qual
os estágios maturacionais se dividem de 1 a 5, com o primeiro
estágio considerado pré-pubere, os estágios intermediários (2, 3 e
4) durante o processo maturacional e o quinto estágio quando o
processo maturacional está completo.
O exame foi aplicado em forma de autoavaliação da pilosidade
pubiana, considerado um método simples de ser realizado pelo
próprio indivíduo, compreendendo a identificação do estágio atual
de desenvolvimento das características sexuais secundárias.
2) Antropometria: A– Circunferência da cintura: A circunferência
da cintura foi mensurada no ponto médio entre o último arco costal
e a crista ilíaca, utilizando-se uma fita antropométrica flexível, com
escala de 0,1 cm14.
B- Estatura: Para determinar a estatura total dos indivíduos foi
utilizado um estadiômetro portátil, no qual o avaliado foi medido
descalço, ficando postado em posição anatômica sobre a base do
estadiômetro, encostando a parte posterior do corpo e a cabeça
posicionada no Plano de Frankfurt, estando em apnéia inspiratória
no momento da medida14.
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:19-23
Relação do IMC e circunferência da cintura com a pressão arterial em escolares pré-púberes
C- Massa corporal: A massa corporal foi aferida com uma
balança digital portátil, com resolução de 100g. O avaliado estava
descalço e vestindo somente roupas leves, ficando em pé e de costas
para a escala da balança em posição anatômica, com a massa
corporal igualmente distribuída entre ambos os pés14.
D- IMC: O IMC foi calculado através da divisão da massa
corporal pelo quadrado da estatura14.
3) Pressão arterial: A pressão arterial foi mensurada através do
método auscultatório seguindo os parâmetros estabelecidos pelo The
Fourth Report on the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of High
Blood Pressure in Children and Adolescents15. A pressão arterial
sistólica (PAS) e diastólica (PAD) foram medidas no braço direito do
avaliado com um esfigmomanômetro de coluna de mercúrio, postado
ao nível do coração e um estetoscópio. A mensuração foi realizada
após o indivíduo permanecer sentado em repouso por um período de
10 minutos: PAS = Korotkoff fase 1 e PAD = Korotkoff fase 5.
Para a apresentação dos dados foi utilizada a estatística
descritiva (média e desvio-padrão). A comparação dos valores entre
meninos e meninas foi realizada através de testes “t” independentes.
Para verificar a relação das medidas antropométricas com a PA foi
utilizada a correlação de Pearson. Análises de correlação parcial
foram utilizadas para relacionar as medidas antropométricas com a
PA utilizando como variáveis de controle a idade e a estatura. Em
todas as análises foi considerado um valor de p<0,05.
RESULTADOS
Os dados descritivos em comparação entre meninos e meninas
são apresentados na tabela 1. Nota-se que apesar dos meninos
apresentarem valores superiores em todas as variáveis, estas
diferenças não foram demonstradas em linguagem estatística.
Tabela 1: Análise descritiva dos dados e comparação entre os
sexos.
Meninos
Meninas
t
p
Idade (anos)
8,87±1,35
8,8±1,21
0,215
0,83
Estatura (m)
1,36±0,07
1,35±0,08
0,449
0,65
MC (Kg)
35,4±8,72
33,78±9,02
0,714
0,47
IMC (Kg/m
18,91±3,89
18,18±3,36
0,786
0,43
CC (cm)
63,76±11,38
61,22±8,91
0,969
0,33
2)
PAS (mm/Hg)
79,35±7,49
76,26±8,89
1,469
0,14
PAD (mm/Hg)
55,16±7,92
53,66±9,64
0,666
0,5
A tabela 2 apresenta as correlações simples entre as medidas
antropométricas e a pressão arterial, demonstrando relações
significativas para o grupo geral e para meninas, com um valor de
significância de p< 0,01.
Tabela 2. Coeficientes de correlação simples entre o IMC e CC
com a PA em ambos os sexos.
Geral
Meninos
Meninas
PAS
PAD
PAS
PAD
PAS
PAD
IMC
0,34*
0,40*
0,07
0,21
0,59*
0,58*
CC
0,37*
0,40*
0,12
0,21
0,63*
0,62*
*p<0,01
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Mesmo após o controle estatístico pela idade e estatura as
correlações das medidas antropométricas foram significativas para o
grupo geral com a PAD e para as meninas, para PAS e PAD (p<0,05)
como demonstra a análise de correlação parcial na tabela 3.
Tabela 3. Coeficientes de correlação parcial entre o IMC e CC com
a PA, controlando os efeitos da idade e estatura em ambos os sexos.
Geral
Meninos
Meninas
PAS
PAD
PAS
PAD
PAS
PAD
IMC
0,24
0,33*
0,12
0,14
0,47*
0,48*
CC
0,20
0,29*
0,07
0,07
0,46*
0,48*
*p<0,05
DISCUSSÃO
Em relação à média de estatura, massa corporal e CC
não foram observadas diferenças estatísticas entre os sexos, em
decorrência dos indivíduos serem pertencentes ao estágio de
maturação pré-púbere. Sobre este aspecto, os sexos seguem o
mesmo curso de crescimento, com poucas diferenças antes do
estirão de crescimento da puberdade, sendo que os meninos podem
ser um pouco mais altos e pesados nesta fase16,17.
Este mesmo padrão de igualdade foi observado para a pressão
arterial sistólica e diastólica. Com uma análise dos dados do Fels
Longitudinal Study, Malina e Bouchard18, comentam que ocorre um
aumento na pressão arterial até os dezoito anos de idade, sendo
este aumento igual até o início da adolescência, com os meninos e
as meninas demonstrando valores semelhantes.
Sobre as relações das medidas antropométricas com a pressão
arterial, estudos verificaram na população adulta a associação do
IMC e da CC com a ocorrência de HA, apresentando conclusões
diversificadas. Em alguns deles foi evidenciada a superioridade do
IMC e em outros da CC, com discrepâncias nos resultados para
ambos os sexos18,19,20,21,22,23.
Em nosso estudo, levando em consideração as correlações
simples o IMC e a CC estiveram relacionadas com a PAS e a PAD
para o grupo geral e para as meninas. Já para as correlações
parciais, as medidas antropométricas estiveram correlacionadas
significativamente com a PAD para o grupo geral e com a PAS e
PAD para as meninas. Este achado concorda com os resultados
encontrados por Guimarães et al.6, que encontraram associações
significativas entre o aumento do peso e da concentração da
gordura abdominal com a elevação da PA em adolescentes.
Alvarez et al.24, constataram através de uma intervenção que a
associação da PA esteve mais relacionada com a adiposidade total
do que a gordura localizada, logo o IMC esteve melhor relacionado
com a PAS e com PAD do que a CC, principalmente na fase púbere
e pré-púbere. Neste estudo ainda, as associações foram encontradas
mesmo após um controle pelo sexo e cor da pele, indicando a
força nas associações das medidas antropométricas com a PA,
corroborando os resultados obtidos em nosso estudo.
No estudo conduzido em adolescentes de ambos os sexos por
Stabelini Neto et al.25 os indivíduos com valores superiores de IMC
e a CC apresentaram maior razão de chances de possuir HA, sendo
esta associação mais elevada no sexo masculino (OR: 6,95 para o
21
Valido, Barreto, Santos, Andaki, Mendes, Brito
IMC e OR: 5,92 para a CC) do que no sexo feminino (OR: 1,69
para o IMC e OR: 2,59 para a CC).
Lusky et al.26 encontraram maiores chances (OR: 13,1) de
adolescentes com quadro de obesidade severa apresentar HA
comparados a sujeitos com peso corporal considerado normal com
base no IMC. Em contrapartida, Sarni et al.27 não encontraram
associações significativas entre CC com a PAS e PAD em escolares
da rede pública de ensino da cidade de Santo André, São Paulo.
Em outro estudo relacionando as medidas antropométricas
com a PA foram encontrados coeficientes de correlação simples
significativos do perímetro da cintura com a PAS (r=0,28) e PAD
(r=0,11) e, do IMC com a PAS (r=0,20) não sendo encontrada
relação significativa para a PAD24. Tais correlações foram inferiores
as encontradas no presente estudo.
Araújo et al.28 encontraram ainda uma correlação significativa
da estatura e da idade com a PA (de r=0,38 a r=0,48) quando estas
variáveis foram analisadas separadamente. Tendo isto em vista, em
nossas análises que foram controladas pela idade e estatura, a CC e
o IMC tiveram uma relação significativa com PA, uma vez que nesta
correlação não houve o efeito da idade e da estatura.
Um dos fatores mais importantes nos estudos da HA na
infância é a definição dos valores de referência a serem adotados5.
Neste sentido, embora não tenham sido encontrados indivíduos com
valores indesejáveis de PA em nossa amostra houve uma tendência
dos indivíduos com valores superiores de IMC e CC apresentarem
valores mais elevados de PA.
Seguindo esta perspectiva, estudos longitudinais demonstraram
que a criança com níveis pressóricos mais elevados, mesmo que
dentro de limites considerados normais, tende a manter uma pressão
arterial mais elevada que as demais, aumentando a probabilidade
de adquirir HA na vida adulta. Entre esses estudos longitudinais,
destacam-se o Bogalusa Heart Study e o The Muscatine Study, que
têm em comum uma correlação forte entre hipertensão arterial e
relação peso/altura elevada5.
A utilização de marcadores antropométricos como a CC na
predição de risco aumentado de DC no futuro, ainda é pouco
utilizada na população infanto-juvenil. Entretanto fatores de risco
pré-existentes em crianças e adolescentes predispõem ao surgimento
precoce e acelera os efeitos deletérios de desordens metabólicas
e de DC na idade adulta. Dessa forma a utilização de medidas
antropométricas como forma profilática e de detecção de fatores de
risco, devem ser implementados nessa população24.
Assim, consolida-se a evidência de que o controle do excesso
de peso deve representar prioridade nas estratégias educacionais e
preventivas para a manutenção da saúde de crianças e adolescentes.
A eficácia de estratégias de prevenção e controle do excesso de peso
é importante, a fim de minimizar o risco eminente de desenvolver HA
e outras desordens metabólicas prematuramente na vida adulta.
CONCLUSÃO
Foram encontradas relações significativas entre o IMC e a CC
com a pressão arterial para as meninas, confirmando a utilidade das
medidas antropométricas na identificação de indivíduos hipertensos,
embora tais relações foram encontradas somente em meninas. Dessa
forma, os resultados devem ser vistos com cautela, especialmente
devido ao pequeno tamanho da amostra utilizada e de outros
fatores como os hábitos alimentares que podem interferir nos níveis
de pressão arterial.
22
Além disso, não foi realizada uma verificação da
hereditariedade de hipertensão nos indivíduos estudados, fato que
pode interferir nas relações encontradas.
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Endereço para correspondência:
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23
Nutritional Status Zinc
in
Adolescent Judo Athletes
Laiana Sepúlveda de Andrade1 CREFITO-92158-F [email protected] - (86)9457-0238
Vanessa Batista de Sousa Lima2 CRN- 6491/P [email protected] (86)94274274
Artemizia Francisca de Sousa3 CRN-6 5443 [email protected] (86)9972-4534
Nadir do Nascimento Nogueira4 CRN-6 1016 [email protected] (86)9986-0648
Oseas Florêncio de Moura Filho5 CREFITO 8197F/6ª [email protected] (86) 9418-4761
Dilina do Nascimento Marreiro6 CRN-6 2481 [email protected] (86)9991-5019
Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, com parecer Nº.: 12/08, CAAE (Certificado de
Apresentação para Apreciação Ética) Nº: 0012.045.000-08.
Nutritional Status Zinc
in
Adolescent Judo Athletes
Abstract
Introduction: This study evaluated the nutritional status regarding zinc judo teenagers. Material and Methods: The study involved
25 athletes in judo and a control group (n = 27) of male adolescents, aged between 14 and 19 years. Were carried out assessment of
body composition, food intake, plasmatic and erythrocytary zinc. Results: The mean value of zinc in plasma were 72.9 ± 14.6 µg /dL and
71.3 ± 15.9 µg /dL for the athletes and control, respectively. The mean of erythrocytary zinc was 43.1 ± 11.3 µg Zn/gHb for Judokas and
41.2 ± 8.6 Zn/gHb for the control group (p> 0.05). Discussion: The results of this study show a high percentage of adolescents with low
concentrations of zinc in plasma and high concentrations in erythrocytes; this reinforces the need for further studies to make it clear which
mechanisms are involved in metabolic aspects as a result of physical exercise.
KEY WORDS
Exercise. Nutritional status. Zinc
Estado Nutricional Relativo
ao
Zinco
em
Atletas Judocas Adolescentes
RESUMO
Introdução: Este estudo avaliou o estado de nutrição relativo ao zinco em judocas adolescentes. Material e Métodos: O estudo
envolveu 25 atletas de judô e um grupo controle (n=27) do gênero masculino, na faixa etária entre 14 e 19 anos. Foi realizada avaliação
da composição corporal, do consumo alimentar, zinco plasmático e eritrocitário. Resultados: Os valores médios de zinco nas dietas dos
adolescentes foram de 20,3 ± 11,7 mg/dia para os atletas e 10,9 ± 3,9 mg/dia para o grupo controle. As médias das concentrações de
zinco no plasma foram de 72,9 ± 14,6 µg /dL e 71,3 ± 15,9 µg /dL para de atletas e controle, respectivamente. A média de zinco no
eritrócito foi de 43,1±11,3 µg Zn/gHb para os judocas e 41,2 ± 8,6 Zn/gHb para o grupo controle (p>0,05). Discussão: Os resultados
desse estudo mostram um percentual elevado de adolescentes com concentrações baixas de zinco no plasma e elevadas nos eritrócitos,
o que reforça a necessidade de mais estudos dessa natureza que permitam elucidar os mecanismos envolvidos nos aspectos metabólicos
resultantes do exercício físico.
1
2
3
4
5
6
Universidade Estadual do Piauí-UESPI, Teresina/PI –Brasil
Universidade Federal do Piauí-UFPI, Teresina/PI-Brasil
Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI - Brasil
Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI – Brasil
Faculdade de Saúde, Ciencias Humanas e Tecnológicas do Piauí –NOVAFAPI
Universidade Federal do Piauí – UFPI, Teresina/PI – Brasil
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 24-30 | jul/dez 2010
Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes
PALAVRAS – CHAVE
Exercício físico. Estado nutricional. Zinco
Estado
nutricional relativo
AL
zinc en atletas yudocas adolescentes
RESUMEN
Introducción: Este estudio evaluó el estado de nutrición relativo al zinc en yudocas adolescentes. Material y Métodos: El
estudio envolvió 25 atletas de yudo y un grupo control (n=27) del género masculino, en la faja etaria entre 14 y 19 años. Fue realizada
evaluación de la composición corporal, del consumo alimentar, zinc plasmático y eritrocitario. Resultados: Los valores medios de zinc en
las dietas de los adolescentes fueron de 20,3 + 11,7 mg/día para los atletas y 10,9 + 3,9 mg/día para el grupo control. Las medias de las
concentraciones de zinc en el plasma fueron de 72,9 + 14,6 mg/dL y 7,13 + 15,9 mg/dL para atletas y control, respectivamente. La media
de zinc en el eritrocito fue de 43,1 + 11,3 mg Zn/gHb para los yudocas y 4,12 + 8,6 Zn/gHb para el grupo control (p>0,05). Discusión:
Los resultados de ese estudio muestran un porcentual elevado de adolescentes con concentraciones bajas de zinc en el plasma y elevadas
en los eritrocitos, lo que refuerza la necesidad de más estudios de esa naturaleza que permitan elucidar los mecanismos envueltos en los
aspectos metabólicos resultantes del ejercicio físico.
PALABRAS-LLAVE
Ejercicio físico. Estado nutricional. Zinc.
INTRODUCTION
Physical activity promotes various physiological changes,
and cardiovascular and respiratory adjustments are necessary to
compensate and maintain the effort deployed. During exercise, there
is an increase in energetic metabolism with excessive formation of
reactive oxygen species (ROS). These species may contribute to tissue
and cellular damage, predisposing an athlete to musculoskeletal
injury and performance impairment1,2,3.
Several micronutrients play an important role in these
mechanisms, including zinc, which participates in the structure of the
superoxide dismutase enzyme, essential for the normal function of
the endogenous antioxidant system, and a potent stabilizer of cell
membranes, structural proteins and cell signaling4,5.
Zinc is one of the most important minerals for the metabolism.
Among its biological functions, this element is a cofactor of over 300
metaloenzymes, and plays a part in the catalytic activity of several
enzymes, such as carbonic anhydrase, alcohol dehydrogenase,
alkaline phosphatase, enzymes involved in the metabolism of
carbohydrates, lipids and proteins6,7. Some of these enzymes are
involved in the antioxidant defense system during physical exercise,
for example, superoxide dismutase8.
Several studies have shown changes in the compartmentalization
of zinc in athletes, with values of this mineral in rather controversial
biochemical parameters. Studies have shown low, normal or high
concentrations of zinc in the plasma, serum and erythrocytes of
athletes, which seem to be dependent on the type of sport and
the period that biological material is collected for analysis of the
mineral9,10.
The results of previously conducted research on athletes
who perform anaerobic activity show high concentrations of zinc
in plasma soon after completion of intense exercise. This has
been attributed to its rapid extravasation from muscle tissue to the
extracellular fluid11. However, the literature has also demonstrated a
further reduction of the mineral in this compartment because of its
redistribution to the erythrocytes and the liver by means of circulating
interleukins, which may compromise physiological functions, such as
the antioxidant defense system12, 13.
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Data on the compartmentalization and the mechanisms
involving this trace element and the enhancement of physical
performance are still scarce and rather controversial, considering the
biochemical and metabolic changes of zinc as a result of physical
exercise. Therefore, knowledge about the biochemical parameters
for zinc will help to clarify the nutritional status of this mineral in
athletes.
MATERIAL AND METHODS
The study was approved by the Ethics Committee of the Federal
University of Piauí, with opinion No. 12/08, CAAE (Certificate to
Ethics Assessment) No.: 0012.045.000-08.
A cross-sectional case-control study was carried out, with 25
professional judo male athletes aged between 14 and 19 years
old, who have regularly trained for over a year as part of the Piauí
Judo team. The athletes trained for a mean time of 2 hours per
day, three times a week. The control group consisted of 27 males,
with similar characteristics to the experimental group in terms of
age, education and socio economic status, but they did not practice
physical exercise.
To take part in the study, participants had to meet the following
inclusion criteria: non-smokers, athletes who have been training for
more than 1 year, no use of vitamin-mineral supplementation and/
or use of other drugs, and no medical conditions that could interfere
with the assessment of nutritional status of zinc.
Anthropometric parameters e biolectrical impedance
Body Mass Index was calculated using measures of weight and
height. The results were compared with the reference values proposed
by the World Health Organization14.
The assessment of the body composition of the participants was
carried out using biolectrical impedance analysis (BIA).
Dietary Intake Assessment
The dietary intake of zinc was obtained from a three day
dietary record, and the nutritional analysis was conducted using
NutWin software version 1.5. The Estimated Average Requirement
(EAR) reference values for zinc were 8.5 mg/day for males15.
25
Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro
Collection of biological material
Samples of 10 mL of blood were collected in the morning,
between 7 and 9 o’clock, after individuals had fasted for at least
12 hours. The athletes had not engaged in any physical exercise for
at least 24 hours. The blood was placed in a glass tube containing
30% sodium citrate as an anticoagulant (10mL of blood) for analysis
of zinc.
Determination of Zinc in the Plasma and the
Erythrocytes.
The plasma was separated from whole blood by centrifugation
at 3000 x g for 15 minutes at 4 ºC. Two aliquots of each plasma
sample were diluted 1:4 with Milli-Q ® water and aspirated directly
into the flame of the instrument. Tritizol ® (Merck), prepared by
dilution with Milli-Q ® water with 3% glycerol at 0.1, 0.2, 0.3, 0.5
and 1.0 mg / mL dilutions was used as standard.
For the separation of erythrocytes, the erythrocyte mass
obtained from the blood was rinsed three times with 5mL of a 0.9%
saline solution, homogenized by inversion and centrifuged at 10,000
x g for 10 minutes (SORVALLÒ RC-SB) at 4 oC and the supernatant
was discarded. After the last centrifugation, the saline was aspirated
and the mass of erythrocytes extracted with micropipette was placed
in demineralized “eppendorf” tubes, and stored at -20 oC for analysis
of zinc and hemoglobin. To express the results in terms of mass zinc/
mass of hemoglobin (μg/g Hb), an aliquot of 20μL of erythrocyte
lysate was diluted in 5mL of Drabkin solution and measured by the
cyanmethaemoglobin method16.
The analysis of zinc in plasma and erythrocytes was carried out
using atomic absorption spectrophotometry17. Tritizol was prepared
by dilution in Milli-Q water at concentrations of 0.1, 0.2, 0.3, 0.5
and 1.0 mgZn / mL and used as standard.
Sports Performance Parameters
To determine the physical fitness of adolescents participating
in the study, maximum oxygen consumption (VO2Max) was assessed
directly through an ergoespirometric test carried out on a treadmill.
The maximum oxygen consumption (VO2Max) was measured with the
VO2000 gas analyzer (Medgraphics), coupled to a microcomputer,
equipped with: the Elite software produced by Micromed, a nose
o
clip, disposable razor blades, disposable sandpapers, and 70 GL
alcohol.
The ergometer used for the ergoespirometric tests was an
electric Inbrasport treadmill model Super ATL. The ramp protocol
was used to carry out the test because it allows a better identification
of anaerobic threshold and higher levels of VO2Max18. The test was
applied until the individual reached a state of exhaustion, where it
was then finalized and rated as a maximum test.
Statistical Analysis
The data were analyzed using the statistical program SPSS 10.0
for Windows. For the variables of normal or approximately normal
distribution, parametric tests were applied such as the Student’s t-test
to assess the equality of means, assuming a significance level of p
< 0.05.
RESULTS
The study was conducted with 25 Judokas aged between 14
and 19 years old, male, with a mean age 16.6 ± 1.3. The control
group consisted of 27 male adolescents, who do not take part in any
26
kind of physical activity, with mean age 15.6 ± 1.4 years. There was
no statistical difference in the age of individuals participating in the
study (p<0.05).
The results of anthropometric parameters and bioelectrical
impedance are shown in table 01. Differences were statistically
significant (p<0.05) in relation to weight, BMI, percentage body fat,
lean weight and fat mass in groups.
The results of maximum oxygen consumption (VO2Max) of the
adolescents participating in the study are shown in table 02. The
values of (VO2Max) show a significant difference between groups,
being higher for the group of athletes (p <0.05).
The analysis of the diets consumed by the patients did not
show significant difference (p> 0.05) regarding the carbohydrate or
protein intake between the groups. However, there was a statistically
significant difference (p <0.05) regarding fat intake, which was
higher in the experimental group (Table 03).
Table 04 shows the concentration of zinc found in the
adolescents’ diets. The values show a higher zinc intake by athletes
when compared with the control group (p <0.05).
The concentrations of plasmatic and erythrocytary zinc,
revealed no significant difference between groups (p> 0.05), and
the means of the groups were within the parameters of normality
(Table 05). Dividing the judo athletes in weight category (<60kg and
> 60kg), according to table 06, there was no significant difference
between the zinc concentrations of plasma and erythrocyte.
The results of zinc concentrations in plasma and erythrocytes
were also expressed in relation to the distribution of adolescents who
were in the range of reference values. Regarding the frequency of
the values of plasmatic zinc, it was found that 52% of athletes and
43% of the control group had concentrations of the mineral below the
normal values and 48% of the athletes and 57% of the control group
had values within normal limits and no one had zinc concentrations
above the upper limit of reference, as shown in Graph 01.
Analyzing the frequency of the values of erythrocytary
zinc (GRAPH 02), it was found that 16% of the athletes and 26%
of participants in the control group had concentrations within the
normal range; 38% of athletes and 48% of the control group had
values lower than normal, and 46% of athletes and 26% of the
control group had values higher than normal.
DISCUSSION
In this study, analyses were carried out of zinc concentrations in
plasma and erythrocytes in adolescent Judo athletes and sedentary
individuals. The mean values of zinc found in plasma in both
groups were within the normal range without significant differences
(p> 0.05). These results are consistent with those demonstrated in
studies by Koury et al.19,20 made with judo athletes, after measuring
plasmatic zinc concentration 24 hours after completing physical
exercise.
Scientific literature is very scarce regarding data from research
conducted on judo athletes obtained 24 hours after completing
physical exercise. Most studies have been devoted to investigation of
changes in the metabolism of zinc in a more acute phase, such as
immediately after physical activity. According to some researchers,
the increase of zinc in plasma, found in the initial moments after
exercise, may be due to its leakage from the muscle tissue towards
the extracellular fluid, and it could be normalized within 24 hours
after the completion of exercise21. Therefore, it should be emphasized
that the collection of biological material for analysis of zinc in this
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Nutritional Status Zinc in Adolescent Judo Athletes
study was conducted 24 hours after exercise, which probably
contributed to the lack of statistically significant differences between
the evaluated groups.
Another important aspect to be highlighted concerns the total
consumption of oxygen during physical activity. In this context, it is
worth highlighting that anaerobic activity, unlike aerobic exercise,
has an insignificant effect on oxygen consumption (VO2 max)22. Judo,
for example, is a sport that displays characteristics of intermittence,
and therefore requires supramaximal effort, with breaks for recovery,
favoring the anaerobic lactic metabolism23,24.
However, although oxygen consumption by judo athletes is not
relevant, it is capable of generating free radicals that can promote
changes in the metabolism of zinc. The results of this study showed
that adolescent Judokas had higher VO2Max values when compared
with the control group (p <0.05). Similarly, the study by Barros
Neto et al.25 also found higher consumption of VO2 max among judo
athletes, when compared with sedentary individuals.
Although oxygen consumption was higher among the athletes
surveyed in this study, this does not seem to have contributed to the
plasma concentrations of zinc, because there was no statistically
significant difference between groups (p>0.05). Differently, in a study
by Arikan et al26 observed reduced plasma zinc levels in weightlifters
when compared with the control group (p <0.01).
An important fact to be discussed concerns the influence of
dietary zinc on the biochemical parameters of zinc assessment.
The diets of both groups evaluated in this study contained high
concentrations of the mineral, because the values of Estimated
Average Requirement (EAR) for zinc of the individuals assessed,
according to the new nutritional recommendations were 8.5 mg/day,
which may have contributed to the average concentrations found in
plasma and erythrocytes15.
The analysis of the concentration of zinc in the diet of the
participants of this study, showed mineral values of 20.3 mg/day,
which are higher than those found for the control group (10.9 mg/
day). These results are consistent with those demonstrated by Soares,
Ishii and Burini27 which found 22.0 mg of zinc/day in the diet of
athletes.
On this point it should be mentioned that the diets consumed
in the region of origin of athletes evaluated in this study had large
quantities of food sources of zinc such as red meat and milk.
Accordingly, it is appropriate to highlight the importance of an
adequate diet regarding zinc intake, which is one of the key factors
in maintaining adequate concentrations of the mineral in the body.
According to Koury and Donangelo3, although there are no specific
recommendations for athletes, this population group seems to need
a higher intake of nutrients in order to compensate for increased
sweat and urinary losses, as well as to meet the high biochemical
demand from intense exercise. The fact that the concentration of zinc
found in the diet of athletes participating in this study exceeded the
recommendations may have contributed to the mean values of the
mineral found in the plasma.
Among the indirect methods for the assessment of nutritional
status, the most frequently used are those obtained from dietary
surveys, which show the qualitative or quantitative adequacy of food
consumption of an individual that belongs to a family or a population
group28.
As for the results in the evaluation of the composition of the
diet consumed by athletes and the control group, it is found that the
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30
daily recommended intakes (DRIs) for macronutrients were achieved
by both groups, with no statistically significant difference (p <0.05),
except the consumption of lipids, which was higher for athletes.
According to the DRIs21, the percentage of energy delivered by
macronutrients is approximately 10 to 30% for protein, 45 to 65%
for carbohydrate and 35% for lipids. Thus, this study found that the
diets of both groups had adequate concentrations of macronutrients.
On the other hand, by analyzing the percentual distribution of
participants in the study, according to plasmatic zinc, it was found
that more than half of the athletes (52.3%) had values below 70
µg/dL, which is considered the normal value standard. Therefore,
although the results from this study revealed an average concentration
of zinc in the diet higher than recommended, a high percentage of
individuals had a hypozincemia status. This fact can be attributed to
physiological changes commonly seen after physical activity.
Accordingly, some studies have shown that physical exercise
promotes an increase of circulating interleukins, which stimulate the
synthesis of metallothionein, a protein that promotes redistribution of
zinc from plasma to the liver and/or erythrocytes8,11,29. The effects of
these pro-inflammatory cytokines on the homeostasis of zinc in the
body go beyond its influence on the expression of metallothionein.
These substances stimulate the cellular influx of zinc through a
regulation of the Zip transporter 14 in the hepatocyte membrane,
which suggests that this transporter contributes to hypozincemia in
athletes29.
The concentrations of zinc in erythrocytes in athletes and
individuals in the control group showed mean values within the
normal range without significant differences between the groups
(p<0.05).
These results are consistent with those demonstrated in the study
by Mundie and Hare21, which also found no difference in erythrocyte
zinc concentrations 24 hours after the completion of anaerobic
activity in athletes when compared to the control group. In the study
by Olive et al30, there was no significant difference in relation to
erythrocyte after 12 weeks of training in soccer players (p> 0.001),
but the researchers observed a significant increase in plasma zinc
concentration (p <0.001). The concentration of zinc in erythrocytes
is about 10 times higher than in plasma. However, this parameter
reflects changes, in the medium and long term, in the stocks of this
mineral in the body due to the long half-life of erythrocytes31.
The analysis of the percentage of participants of this study,
according to the concentration of zinc in erythrocytes showed that
46% of athletes and 26% of subjects in the control group had
concentrations higher than 44 µg Zn/g Hb. In this respect, an
important fact worth highlighting is the changes in the distribution
of zinc that appears to be dependent on the period of collection
of biological material. There is a redistribution of zinc from plasma
to erythrocytes, usually found after the period of rest that follows
physical activity32.
However, the results of the study conducted by Saliba, Tramonte
and Faccin10 in athletes who performed aerobic activity revealed
reduced erythrocyte zinc concentrations after 36 hours of exercise
and sufficient mineral content in the diet. According to these authors,
the concentration of zinc found in the erythrocyte could reflect the
content of zinc found in diets consumed by athletes.
The results of this study show the existence of changes in the
distribution of zinc in athletes, given the high percentage of subjects
with concentrations of zinc in erythrocytes and plasma above and
27
Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro
below the recommendation for this mineral, respectively, while the
mean values for both parameters were within the parameters of
normality.
This fact reinforces the need for more studies of this nature with
a methodology that allows one to elucidate the mechanisms involved
in the metabolic aspects arising from physical exercise, which favor
disturbances in the antioxidant defense system. The consequences of
this knowledge can guide other experimental studies to clarify that
the use of zinc supplements by athletes is not needed, since it seems
that there is no deficiency of this mineral in these individuals but
rather a change in its compartmentalization in the body.
12. Lukaski HC, Hoverson BS, Gallagher SK, Bolonchuk
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Acknowledgements:
Prof Dr. José Machado Moita Neto Department of Chemistry,
Federal University of Piauí, Teresina, Piauí, Brazil for assisting in
statistical analyses.
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New York 1990; cap. 24, pp 511-576.
32. Lukaski H, Hoverson BS, Gallagher SK, Bolonchuk WW. Physical
training and copper, iron, and zinc status of swimmers. Am J Clin
Nut 1990; 51:1093–9.
Control
Mean ± SD
Mean ± SD
41.6* ± 7.3
24.0* ± 7.1
* Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p
<0.05).
Table 3: Mean values and standard deviations of macronutrients
and energy in the diet of athletes and control group.
Energy/
28. Ferreira HP. Desnutrição: magnitude, significado social e
possibilidade de prevenção. Maceió: EDUFAL 1994; 218p.
Athletes
)
Nutrients
Athletes
Control
Mean +SD
Mean +SD
Energy (Kcal)
3250,7* ± 1971.6
1949,9* ± 656,2
Carbohydrate (%)
51,0 ± 7.0
52,5 ± 6,3
Carbohydrate (g)
414,5 ± 56,9
255,9 ± 30,7
Proteins (%)
21,8 ± 6.0
Proteins (g)
176,2 ± 48,8
110,2 ± 25,3
Lipids (%)
27,0* ± 3.8
24,7* ± 3,4
Lipids (g)
97,5* ± 13,7
53,5* ± 7,4
22,6 ± 5,2
* Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p
<0.05).
Table 4: Mean values and standard deviations of the concentration
of zinc in the diet of athletes and control group.
Control
Athletes
Parameters
Mean +SD
Table 1: Mean values and standard deviations of weight, height,
body mass index, fat percentage, muscle mass and fat mass in young
athletes and the control group.
Athletes
Control
Mean +SD
Mean +SD
68,7* ± 15,9
57,9* ± 8,9
172,0 ± 7,9
168,4 ± 7,9
Zinc (mg/day)
Mean +SD
10.9* ± 3.9
20.3* ± 11.7
Reference values for zinc intake: EAR = 8.5 mg / day (INSTITUTE OF MEDICINE, 2001)
* Values significantly different between athletes and control group, Student’s t-test (p <0.05).
Parameters
Weight (Kg)
Height (m)
Table 5: Mean values, standard deviations, minimum and maximum
values of plasma and erythrocyte zinc concentrations in adolescent
athletes and control group.
Athletes
Variables
BMI (Kg/m2)
23,0* ± 3,5
20,3*± 2,5
PF (%)
12,3* ± 5,2
19,3* ± 6,4
LM (Kg)
59,7* ± 10,1
49,8* ± 22,1
FM (Kg)
9,0* ± 7,0
19,3* ± 6,4
BMI = Body mass index, PF (%) = Percentage of fat, LM (kg) = Lean Mass, FM (kg) = Fat
mass, * Values significantly different between the groups of athlete and control, Student
t test (p <0.05).
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30
Plasma (µg
/dL)
Erythrocyte
(µg Zn/
Control
mini-
maxi-
mum
mum
mean
± SD
72,9
±14,6
50,0
43,1
±11,3
24,5
mini-
maxi-
mum
mum
71,3
±15,9
40,5
93,2
41,2
±8,6
21,9
57,6
mean
± SD
106,1
63,7
gHb)
Plasma reference values: 70-110 µg/dL (GIBSON, 1990) Reference values for erythrocyte: 40 - 44 µg Zn /g Hb (GUTHRIE; PICCIANO, 1994) There was no statistical difference between groups, Student’s t-test (p> 0.05)
29
Andrade, Lima, Sousa, Nogueira, Moura Filho, Marreiro
Table 6: Mean values, standard deviations of plasma and
erythrocyte zinc concentrations in adolescent athletes with > 60kg
and <60kg.
Athletes >60Kg
Athletes <60Kg
Variables
Mean +SD
Mean +SD
Plasma (µg /dL)
71.9 ± 14.2
75.7 ± 16.2
Erythrocyte (µg Zn/gHb)
45.36 ±11.2
37.6 ± 10.5
Plasma reference values: 70-110 µg/dL (GIBSON, 1990) Reference values for erythrocyte: 40 - 44 µg Zn /g Hb (GUTHRIE; PICCIANO, 1994) There was no statistical difference between groups, Student’s t-test (p> 0.05).
GRAPH 02: Distribution of the athletes and control group, according
to the concentration of zinc in erythrocytes.
Graph 1: Percentual distribution of the athletes and control group
according to the concentration of zinc in plasma.
30
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:24-30
Efeitos
agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturali-
dade e da bioperacionalidade em jogadores armadores de basquetebol
Nilo Terra Arêas Neto1,3,4 CREF: 015070-G/RJ e-mail: [email protected]
Anderson Pontes Morales1,3,4 CREF: 009063-G/RJ
Mauricio Rocha Calomeni1,3,4 CREF: 018568-G/RJ. e-mail: [email protected]
Guilherme Gomes Côrtes1 CREF: 000965- G/RJ e-mail: [email protected]
Carlos Eduardo Lopes Bianchi dos Guaranys1 CREF: 001366-G/RJ e-mail: [email protected]
Vernon Furtado da Silva, Ph.D.2,3 CREF: 005475-G/RJ e-mail: [email protected]
RESUMO
Introdução: O objetivo deste estudo foi verificar a eficácia do treinamento neurogênico bioperacional por meio da estimulação
cerebral, sobre as variáveis bioestruturais (velocidade, potência muscular e equilíbrio) e bioperacionais (coordenação geral, percepção
cinestésica e tempo de reação motriz) em jogadores armadores de basquetebol. Materiais e Métodos: A amostragem foi composta por
n= 6 jogadores masculinos de basquetebol, com idade média de 13,5±1anos, da cidade de Campos dos Goytacazes. Resultados: Das
inferências realizadas nos testes bioestruturais e bioperacionais nos momentos antes da estimulação cerebral (pré-testes) e depois desta (pós-testes), somente na T5 percepção cinestésica (variável bioperacional), verificou-se diferença significativa entre as comparações p= 0,031
(p<0,05). Discussão: Conclui-se que o treinamento mental (bioperacional), via estimulação fótica e auditiva, pode ser um promissor diferencial no treinamento de atletas visando-se aprimoramento em performance e na aprendizagem de atletas.
PALAVRAS-CHAVE
Basquetebol. Atenção. Cognição.
Acute
effects of brain stimulation over components of bioestructurality and bioperacionality on owners
players of basketball
ABSTRACT
Introduction: The objective of this study was to determine the effectiveness of training neurogenic bioperacional through brain stimulation on the variables biostructures (speed, muscle power and balance) and bioperacionais (general coordination, kinesthetic awareness
and time reaction motor) of in player’s owners of basketball. Materials and Methods: The Sampling was composed by n = 6 males
basketball players, with a mean age of 13.5 ± 1 years, of the city of Campos dos Goytacazes. Results: The inferences made in the tests
and biostructures bioperacionais levels before the enhancement of the brain (pre-test) and after potentiation (post-tests), only the T5 kinesthetic
awareness (bioperacional variable) showed significant difference between comparisons p = 0.031 (p <0.05). Discussion: It is concluded
that mental training (bioperacional) via photic and auditory stimulation, served as a promising gap in the training of athletes who seek a better
performance and in the athletes’ learning.
KEYWORDS
Basketball. Attention. Cognition.
1Mestre em Ciência da Motricidade Humana UCB-RJ.
2Doutor em Philosophy Doctor Ph D, University Of Maryland, U.M. Professor pelo Programa Stricto Sensu em Motricidade Humana.
3Laboratório de Aprendizagem Neural e Performance Motora – LANPEM/CNPq
4 Departamento de Educação Física - ISECENSA/CAMPOS - RJ
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 31-36 | jul/dez 2010
Arêas Neto, Morales, Calomeni, Côrtes, Guaranys, Silva
Los
efectos agudos de la estimulación del cerebro sobre los componentes de la bioestructurality y biopera-
cionality a los propietarios de los jugadores de baloncesto
Resumen
Introducción: El objetivo de este estudio fue determinar la eficacia de la formación neurogénica bioperacional través de la estimulación
del cerebro en las variables bioestructuras (velocidad, fuerza muscular y el equilibrio) y bioperacionais (coordinación general, la conciencia
cinestésica y el motor de tiempo de reacción) de en los dueños de jugador de baloncesto. Materiales y Métodos: El Probar estaba compuesto por n = 6 jugadores de baloncesto de varones, con una edad mala de 13.5 ± 1 años, de la ciudad de Campos el dos Goytacazes.
Resultados: Las inferencias que se hagan las pruebas y los niveles de bioestructuras bioperacionais antes de la mejora del cerebro (pre-test)
y después de la potenciación (post-test), sólo la conciencia cinestésica T5 (variable bioperacional) mostró diferencias significativas entre las
comparaciones p = 0,031 (p < 0,05). Discusión: Se concluye que el entrenamiento mental (bioperacional) a través de la estimulación fótica
y auditiva, sirvió como un espacio prometedor en el entrenamiento de los deportistas que buscan el mejor rendimiento en el aprendizaje de
los deportistas.
Palabras clave
Baloncesto. Atención. Cognición.
INTRODUÇÃO
Com a abordagem sobre a aprendizagem de habilidades motoras alicerçada na teoria do processamento de informações, houve
uma escalada de pesquisas sobre os mecanismos e processos subjacentes a este processo, destacando-se às análises de operações
mentais que precedem o movimento1. Esta linha de raciocínio tem
promovido um incremento na performance dos atletas, visto que, o
entendimento e organização das estratégias e outros eventos de performance que um bom desempenho desportivo requer dependem de
conhecimento e percepção2,3,4,5.
Apesar da aquisição de habilidades motoras decorrer de uma
série de fatores cujas naturezas se associam a domínios específicos
do seu desenvolvimento motriz, social, ambiental, psicológica, entre
outras 6,7,8,9,1. Da Silva1,6 afirma que este fenômeno pode ser melhor
compreendido sob as perspectivas bioperacionais e bioestruturais
do movimento humano.
Compreende-se, sob uma perspectiva neurofuncional, que os
neurônios associados à função bioperacional são os de alta ordem
cognitiva (capacidade de percepção, abstração, lógica e mais),
portanto, diretamente vinculada ao processamento mental “ativo”,
enquanto que os ligados à função bioestrutural têm apenas ação mecânica, são parcialmente permeados por reguladores automatizados
e estão associadas a valências físicas tais como força, velocidade
de deslocamento, potência muscular, flexibilidade, equilíbrio, além de
outras, cuja dimensão particular é explicável através de parâmetros
quantitativos. Vale ressaltar que, os parâmetros de movimento ligados
ao compêndio bioestrutural são diretamente estruturados, operacionalizados e, em parte, controlados pelo sistema bioperacional 10,6.
Em contextos desportivos, a bioestruturalidade se efetiva em
modalidades cujo desenvolvimento se operacionaliza sob versões de
feedback em circuito mental fechado, onde a demanda cognitiva
seja relativamente baixa, não exista a presença do inusitado e onde
a prevalência da força determine o melhor resultado, ex: atletismo,
natação e outros nesta linha. Já a bioperacionalidade se efetiva em
modalidades cuja expressão depende de sequências rápidas de
operacionalizações mentais, realizadas via circuitos de feedback
aberto, para que se atenda as demandas, até certo ponto imprevisíveis, de desportos como: basquetebol, futebol, voleibol, pólo aquático e outros com características semelhantes.
Em se tratando do basquetebol, verifica-se ser o mesmo intensamente dinâmico e aberto, em termos de feedback, dependendo da
32
competência no seu “jogar” de uma multiplicidade de variações mentais e de altos níveis de competência técnico-tática. Uma característica
peculiar ao basquetebol é ser um desporto absolutamente controlado
por tempo, ou seja, a velocidade de processamento, o conhecimento
das possibilidades e as limitações do próprio corpo se fazem primordiais ao exímio desportista, em especial, ao jogador armador.
Rose Jr, Tavares & Gitti11 destacam que no basquetebol há três
posições específicas: armador, ala e pivô. Níveis diferenciados de
competência são requeridos para jogadores que ocupam estas posições, sendo que armadores, devido à grande demanda de estratégias que precisam empreender nesta função, são os que mais dependem das competências bioperacionais. Sabe-se que, somente 5%
do treinamento desportivo é dedicado em prática bioperacional1,6.
Com base neste raciocínio e em pesquisas anteriores, pode-se
verificar que a estimulação cerebral, por sintetização cortical, via
estímulos fóticos e auditivos apropriados, pode figurar como forma
alternativa de treinamento bioperacional na aprendizagem e na performance desportiva. Recentes estudos nesta linha12,13,14,15, estabelecem vieses que definem a adequação deste tipo de treinamento em
uma série de tarefas de aprendizagem e performance motora. O
ponto fulcral dos benefícios deste tipo de estimulação se estabelece
sob o fato de ter ela a propriedade de promover melhor equalização entre os hemisférios cerebrais, condição que facilita eventos de
percepção, memorização e atenção.
Considerando-se o fato de que o córtex cerebral é farto de ritmos elétricos, que estes ritmos precisam de um estado adequado de
balanceamento e que tal balanceamento qualifica o cérebro para
um melhor desempenho bioperacional, pode-se hipotetizar que, um
treinamento adicional através desta metodologia poderia beneficiar
estas funções em desportistas, tornando-os mais competentes em
suas funções de jogo.
Brady & Stevens,16 sobre a efetivação do balanceamento cerebral, afirmam que, diante de uma atividade de realização complexa,
o grande número de neurônios nela envolvidos produz oscilações
sincronizadas de duas maneiras distintas. Isto é, eles podem obter
as informações de um relógio central, compartilhando com este, em
termo de ritmo e/ou distribuir a função de marcador de tempo (do
ritmo) entre eles, excitando ou inibindo um ao outro. Bear, Connors
& Paradiso17 definem que o primeiro mecanismo é análogo a um
regente de uma banda, com cada músico tocando em um tempo preciso, mas de acordo com a batida da batuta. O segundo mecanismo
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36
Efeitos agudos da estimulação cerebral sobre componentes da bioestruturalidade...
é mais sutil, porque o ritmo surge do comportamento, a princípio
isolado dos próprios neurônios corticais, passando a coletivo, na
medida em que os mesmos ritmicamente se ajustam.
Ordenando-se os pressupostos teóricos inerentes à neurofisiologia do comportamento motor humano e as evidências oriundas
dos efeitos benéficos da estimulação cerebral sobre a aprendizagem
e performance motriz, a presente pesquisa teve como principal objetivo a verificação da probabilidade teórica de ocorrência destes
efeitos sobre algumas variantes bioperacionais e bioestruturais em
jovens armadores de basquetebol.
rencial utilizou-se um instrumento paramétrico, teste “t” sobre amostras pareadas, admitindo-se um “p” referência no valor <0.05.
RESULTADOS
O Teste de Shapiro-Wilk (SW) foi escolhido para definir se
as variáveis estão próximas da normalidade ou da distribuição normal dos dados21. Conforme os dados apresentados na TABELA 1
verificou-se que as estimativas de p-valor para o SW, estão acima de
0,05, logo as variáveis seguem a distribuição normal
Tabela 1: Teste de normalidade dos escores da amostra
Materiais e métodos
Os procedimentos experimentais foram executados dentro das
normas éticas previstas na Resolução nº.:196 de 10 de outubro de
1996 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de dados foi precedida da solicitação de autorização do Comitê de Ética da Universidade Castelo Branco-RJ, protocolo 0164/2008 UCB/VREPGPE/
COMEP/PROCIMH. A amostragem deste estudo foi composta por
n= 6 jogadores de basquetebol do gênero masculino, todos armadores, considerados por seus técnicos como exímios desportistas nesta
posição específica, pertencentes à rede de ensino básico, na cidade
de Campos dos Goytacazes, todos federados e participantes ativos
no campeonato estadual do Rio de Janeiro de 2008. Os atletas,
com idade média de 13,5±1 anos foram voluntários neste estudo
e seus responsáveis assinaram um termo de consentimento livre e
esclarecido, onde constava toda a metodologia empregada.
Para avaliar os efeitos da estimulação cerebral sobre os componentes da bioestruturalidade e da bioperacionalidade foram aplicados os seguintes testes: 1º Teste de Velocidade Shuttle Run19, para
medir velocidade de corrida; 2º Teste de Força, Vertical Jump18, que
mede potência muscular de membros inferiores no plano vertical; 3º
Teste para medir coordenação Burpee18, para medir coordenação
entre os movimentos de tronco, membros inferiores e superiores; 4º
Teste de Equilíbrio do Flamingo19, para medir o equilíbrio estático
geral; 5º Teste de Salto de Percepção Cinestésica18, para medir a
percepção cinestésica e 6º. Teste de tempo de reação motriz, através
de um software MAT LAB 5.3. (The math works, Inc.)20, instalado
em um computador portátil (lap top) marca Amazon com um processador Pentium 1.70 GHz e Windows XP. Os testes foram aplicados antes e após a estimulação cerebral e foram feitos os seguintes
procedimentos: os atletas após chegarem ao local dos testes foram
instruídos sobre as tarefas a serem cumpridas. Os armadores estudados foram estimulados imediatamente após a realização dos pré-testes por meio de uma intervenção com o aparelho de estimulação
áudio visual simultânea, durante um tempo total de 10 minutos de
duração em uma sala (Laboratório de Cineatropometria). Trabalhou-se a onda beta na frequência de 15Hz durante os primeiros 5 min
e 30 Hz por mais 5 min.
Para a estimulação cerebral, foi utilizado um aparelho eletrônico computadorizado denominado Sirius, fabricado pela Mindplace,
composto por: um óculos escuro, com quatro leds na face interna de
cada lente, um fone de ouvido estéreo e um microprocessador onde
é possível determinar especificamente a faixa de onda cerebral que
se quer treinar o indivíduo12.
Os dados oriundos dos procedimentos descritos acima foram
analisados no programa SPSS® Statistics 17.0 for Windows, para a
qual foram utilizadas ferramentas descritivas média, desvio padrão,
mínimo e máximo. Para a verificação de normalidade dos dados, os
escores de cada variável observada neste estudo foram analisados
pelo teste Shapiro-Wilk (SW). Enquanto que para a estatística infe-
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36
Testes
Momentos
Sig.
T1
Pré-teste
0,484
T2
T3
T4
T5
T6
Pós-teste
0,968
Pré-teste
0,096
Pós-teste
0,320
Pré-teste
0,555
Pós-teste
0,060
Pré-teste
0,251
Pós-teste
0,611
Pré-teste
0,162
Pós-teste
0,109
Pré-teste
0,070
Pós-teste
0,708
T1, teste de velocidade.
T2, teste de força de membros inferiores.
T3, teste de equilíbrio.
T4, teste de coordenação.
T5, teste de percepção cinestésica.
T6, teste de tempo de reação.
A TABELA 2, logo abaixo, mostra os resultados dos escores
obtidos pelo grupo de armadores de basquetebol selecionados para
esse estudo. Os dados se referem às condições antes da estimulação
cerebral (pré-testes) e depois da mesma (pós-testes).
Tabela 2: Análise descritiva dos resultados dos testes do bloco
bioestrutural (T1, T2 e T3) e bioperacional (T4, T5 e T6)
Testes Momentos N
T1
T2
T3
T4
T5
T6
Média
Escores
Desvio
Padrão
Mínimo
Máximo
Pré-teste
6
19,74 (s)
2,1335
17,15
23,23
Pós-teste
6
19,65 (s)
1,6745
17,39
22,21
Pré-teste
6
39,33 (cm)
10,7827
29,00
53,00
Pós-teste
6
40,83 (cm)
8,4715
32,00
52,00
Pré-teste
6
3,33 (t)
2,3381
0,00
7,00
Pós-teste
6
4,00 (t)
2,8983
0,00
8,00
Pré-teste
6
18,66 (p)
4,9666
10,00
25,00
Pós-teste
6
17,83 (p)
4,7610
14,00
23,00
Pré-teste
6
23,41 (cm)
11,4080
14,50
44,00
Pós-teste
6
13,86 (cm)
2,6833
8,00
14,00
Pré-teste
6
391,66 (ms)
24,00
380,00
440,00
Pós-teste
6
403,33 (ms)
55,00
330,00
490,00
T1, teste de velocidade. (s) segundos. T2, teste de força de membros inferiores.
(cm) centímetros. T3, teste de equilíbrio. (t) tentativas. T4, teste de coordenação. (p) partes
do corpo. T5, teste de percepção cinestésica. (ms) milésimos de segundos. T6, teste de
tempo de reação.
33
Arêas Neto, Morales, Calomeni, Côrtes, Guaranys, Silva
Na TABELA 3 são apresentados os dados inferenciais relativos
aos testes bioestruturais e bioperacionais, antes da estimulação cerebral (pré-testes) e depois da mesma (pós-testes).
Das inferências realizadas nos testes bioestruturais e bioperacionais, nos momentos pré e pós-testes, somente na T5 percepção cinestésica (variável bioperacional) verificou-se diferença significativa
entre as comparações (p<0,05).
Tabela 3: Estatística inferencial através do teste “t” sobre amostras
pareadas dos blocos bioestrutural (T1, T2 e T3) e bioperacional
(T4, T5 e T6).)
Testes
T1
T2
T3
T4
T5
T6
Momentos
Pré-teste
Média
Escores
19,74 (s)
Pós-teste
19,65 (s)
Pré-teste
39,33 (cm)
Pós-teste
40,83 (cm)
Pré-teste
3,33 (t)
Pós-teste
4,00 (t)
Pré-teste
18,66 (p)
Pós-teste
17,83 (p)
Pré-teste
23,41 (cm)
Pós-teste
13,86 (cm)
Pré-teste
391,66 (ms)
Pós-teste
403,33 (ms)
T
Df
0,143
5
p
Sig.
0,892
-1,031
5
0,350
-1,085
5
0,328
0,535
5
0,616
2,968
5
0,031*
-0,720
5
0,3221
T1, teste de velocidade. (s) segundos. T2, teste de força de membros inferiores.
(cm) centímetros. T3, teste de equilíbrio. (t) tentativas. T4, teste de coordenação.
(p) partes do corpo.
T5, teste de percepção cinestésica.
(ms) milésimos de segundos.
T6, teste de tempo de reação.
*(p<0,05)
Discussão
A análise destes dados revelou interação entre momentos pré e
pós-estimulação cerebral dos indivíduos do grupo. Contudo, ao observar a Tabela 3, pode-se constatar que somente a variável bioperacional percepção cinestésica (T5) apresentou resultado estatisticamente significativo (p<0.05). Estes resultados vêm a corroborar com
os resultados significativos obtidos em estudos semelhantes 13,14,31.
Apesar dos estudos citados não apontarem especificamente a
percepção cinestésica e sua otimização sob efeito da estimulação
cerebral no incremento da performance e da aprendizagem, alguns
autores 22,23,24,9, estudiosos no assunto, afirmam que esta competência é de suma importância ao ótimo desempenho em desportos de
contato corporal, principalmente naqueles como o basquetebol e o
futebol em que a bola aparece como mais um fator de demanda
bioperacional.
No basquetebol a percepção cinestésica é uma das competências que mais se destaca, pois se trata da habilidade de usar a
coordenação motora (grossa ou fina) no controle dos movimentos
do corpo, na resolução de problemas e na criação de movimentos
e na manipulação de objetos com destreza e extrema competência;
em relação ao seu próprio corpo, em relação ao objeto (bola) e
as demandas do ambiente onde acontece o jogo25. Esta forma de
inteligência também é considerada uma das mais importantes para
atletas, sejam eles praticantes de desportos individuais e coletivos,
com contato corporal ou não 26,27. Contudo, nos desportos de con-
34
tato corporal esta forma de inteligência parece ser mais presente e
determinante para uma boa performance9,23,28. Muitos autores como
Marques e González-Badillo29, Pinto, Gonçalves e Graça30 vão de
encontro com estes resultados, demonstrando uma visão dissociativa
das competências bioestruturais e bioperacionais, em que os erros
cometidos pelos jogadores de basquetebol se devem à falta de força
nos músculos que intervêm nos movimentos técnicos na ambiência
do jogo.
Em estudo realizado por Okazaki et al26 alguns resultados
apontaram para os jogadores armadores como os que mais utilizam
as técnicas de dribles e passes, que apresentam o maior número
de posses, “roubos” e perdas de bola, além de serem os jogadores
que mais utilizam à técnica de arremesso de bandeja, de drible e
que executam o maior número de passes no jogo. É notório que a
aprendizagem e a ótima execução desses fundamentos dependem
de uma ótima percepção cinestésica.
Alguns autores como Saad23, Weiss et al25, Okazaki et al26
e Oliveira, Beltrão e Silva28 afirmam que indivíduos considerados
exímios atletas, excelentes em suas performances nas situações de
jogo, são normalmente, aqueles que se destacam por suas capacidades de entendimento (competência cognitiva) de, aonde, como e
quando utilizar exatamente as técnicas inerentes à performance de
um jogo específico.
Quanto a estimulação cerebral, pode-se especular que, além
das questões da ambiência do jogo os estímulos audiovisuais (estimulação cerebral) podem auxiliar na equalização de um padrão
cortical ótimo para a aprendizagem e a performance31. Através do
bombardeio contínuo da retina e do núcleo olivar, os estímulos, ao
penetrarem no tálamo, impõem ao córtex um padrão que é caracterizado por uma faixa de onda, condicionando o cérebro a ser mais
eficiente em evento de aprendizagem ou performance.
Em estudos recentes feitos por Calomeni et al15,32 sobre os efeitos da potencialização cerebral, via estimulação fótica e auditiva,
também ficou demonstrada a eficácia no auxílio da aprendizagem
por meio da melhora na atenção e na concentração de criança
hiperativa e atletas de basquetebol.
Podem ser citados os resultados obtidos pela equipe de boliche
do Brasil nos Jogos Panamericanos de 2007 como mais uma forma
de avalizar esta forma de treinamento14. Os atletas da seleção brasileira de Boliche utilizaram a estimulação cerebral (áudio visual) como
forma de treinamento e obtiveram onze medalhas durante os Jogos.
Por esses e por outros resultados encontrados e citados neste
estudo, pode-se apontar o treinamento mental (bioperacional), via
estimulação fótica e auditiva, como um promissor diferencial na performance e na aprendizagem de atletas, diretamente ou por meios
auxiliares como na melhoria da atenção e da concentração, por
exemplo.
REFERÊNCIAS
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Endereço para correspondência
Nilo Terra Arêas Neto
Av. Deputado Alair Ferreira, 201. Turfe Clube. Cep. 28024-6000
Campos dos Goytacazes/RJ
Anderson Pontes Morales
Rua Doutor Pinto Filho, 153 casa 05 – IPS Cep 28026200 Campos
dos Goytacazes/RJ. Tel.:(22) 99020089.
Mauricio Rocha Calomeni
Rua Frei Vitório, 186 – Centro, São Fidélis/Rj. Tel: (22) 88129605
Guilherme Gomes Côrtes
Rua Dr. Siqueira 117, apt. 201 CEP - 28030-131 - Parque Tamandaré.
Carlos Eduardo Lopes Bianchi dos Guaranys
Rua: Salvador Correa, 106 – Centro, Campos dos Goytacazes-RJ
Cep 28035310. Tel: (22) 81136591
Vernon Furtado da Silva, Ph.D.
Av Santa Cruz, 163. Realengo Cep 21710250 Rio de Janeiro-RJ
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:31-36
.
Game-related
statistics in basketball by player position and final game score
differences in
European
basketball championship
2007
Yolanda Escalante1 E-mail: [email protected]
José M. Saavedra2 E-mail: [email protected]
Antonio García-Hermoso3 E-mail: [email protected]
During completion of this paper Y. Escalante was a visiting researcher at the University of Wales Institute, Cardiff, Wales, UK with a grant awarded by the
Ministry of Education of Spain (Ministerio de Educación) (JC2009-00316). J.M. Saavedra was also a visiting researcher at the same University with partial
grants awarded by the Autonomic Government of Extremadura (Junta de Extremadura) and Social European Funds (GRU09159).
Abstract
Introduction: The purposes of this study were (i) to determine the differences in game-related statistics by player position according
to categories of the final game score difference, and (ii) to examine which game-related statistics can serve to discriminate between winner
and loser players according to player position and final game score difference in a European Basketball Championship (EBS). Material
and methods. The sample consists of the results and statistics of 54 games played in the final phase of the EBS. The games were classified
according to final game score difference and the players according to position. One-way ANOVA and post hoc Tukey tests were used to
determine the differences in game-related statistics between player positions. Then, the sample was then divided according to game category
and player position. A discriminant analysis model was constructed for each subsample (stepwise selection). Results and discussion. The
principal conclusions was the discriminatory power of game-related statistics is greater for the centres than for the forwards, and greater for
the latter than for the guards, with the variables selected being both offensive and defensive.
Keywords
Discriminant analysis. Performance. Motor skills
Estadisticas
do jogo em função en funcion da posição do jogador e a diferença na pontuação final no
campeonato da
Europa 2007
RESUMO
Introdução. Os objetivos do este estudo foram (i) determinar as diferenças nas estatísticas de jogo em função da posição do jogador
de acordo com as diferenças na pontuação final, e (ii) examinar as estatísticas de jogo discriminatórias entre ganhadores e perdedores
em função do a posição do jogador e a diferença na pontuação final em um Campeonato da Europa de Basquetebol (CEB). Material
e métodos. A mostra se compõe dos resultados e estatísticas de 54 jogos de fase final do CEB. Os partidos se classificam de acordo à
diferença de pontuação final e os jogadores de acordo à posição de jogo. Se realizou um ANOVA de uma via e um post hoc de Tukey para
determinar as diferenças nas estatísticas de jogo entre as posições dos jogadores. Posteriormente, a mostra se dividiu em função do resultado
final do jogo e posição do jogador. Se calculou um modelo de análise discriminante para cada submostra utilizando um procedimento
de seleção passo a passo. Resultado e discussão. A conclusão principal foi que o poder discriminatório das estatísticas de jogo foi
maior em pivôs que em laterais, e maior nestes que nos armadores, sendo as volúveis selecionadas tanto ofensivas e como defensivas.
Facultad de Formación del Profesorado. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460.
Facultad de Ciencias del Deporte. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460.
3
Facultad de Ciencias del Deporte. Grupo de Investigación AFIDES. Universidad de Extremadura. Teléfono: 0034 927257460.
1
2
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 37-42 | jul/dez 2010
Escalante, Saavedra, García-Hermoso
PALAVRAS-CHAVE
Análise discriminante. Rendimento. Habilidade motriz.
Estadisticas
2007
de juego en funcion de la posicion del jugador y del resultado final en el campeonato de
Europa
RESUMEN
Introducción. Los objetivos del este estudio fueron (i) determinar las diferencias en las estadísticas de juego en función de la posición del
jugador de acuerdo con las diferencias en la puntuación final, y (ii) examinar las estadísticas de juego que discriminen los ganadores de
los perdedores en función del la posición del jugador y la diferencia en la puntuación final en un Campeonato de Europa de Baloncesto
(EBS). Material y métodos. La muestra se compuso de las estadísticas de 54 partidos jugados en la fase final del EBS. Los partidos se
clasificaron en función del resultado final y los jugadores en función de su posición. Se realizó un ANOVA de una vía y un post hoc de
Tukey para determinar las diferencias en las estadísticas de juego entre las posiciones de los jugadores. Posteriormente, la muestra se dividió
en función de la categoría de juego y posición del jugador, realizando un análisis discriminante para cada submuestra. Resultado y
discusión. La conclusión principal fue que el poder discriminatorio de las estadísticas de juego fue mayor en pivots que en aleros, y mayor
en estos que en los bases, siendo las variables seleccionadas tanto ofensivas y como defensivas.
PALABRAS-CLAVE
Análisis discriminante. Rendimiento. Habilidad motriz.
Introduction
Basketball has been studied in recent years from different
points of view: training1, physiology2, technical3, fitness testing4,
kinanthropometry5,6, injuries7, and competition analysis, inter alia. In
this sense, the competition analysis and game-related statistics have
represented a decisive step in the knowledge of basketball that has
led to great improvements in the performance of teams and players7.
The information permits the training process to be organized and
designed on the basis of the requirements of the game and the
players8.
There have been studies that have analyzed the game-related
statistics in terms of the final game score (winners or losers)9,10,11, final
game score difference (close, balanced, unbalanced games)9,10,11,
level (Olympic Games, World and European Championships, NBA,
European league or national leagues)8,12,13, game location (home or
away)10,14, game type (regular season or play-off)10, among others.
Analyzing the studies that considered the final game score
difference, one finds that the winning teams in close games are
characterized by 2-point field-goals both successful9 and unsuccessful,
3-point field-goals both successful and unsuccessful10, free-throws
both successful9,10, and unsuccessful, rebounds both offensive10
and defensive 9,10, and fouls10. In balanced games, the winning
teams show high values of 2-point field-goals both successful9 and
unsuccessful11, unsuccessful 3-point field-goals9, free-throws both
successful9,10 and unsuccessful11, defensive rebounds9,10,11, assists9,11,
turnovers, and steals11. In unbalanced games, the winning teams have
high values of successful 2-point field-goals9,10,11, 3-point field-goals
both successful11, and unsuccessful9,11, rebounds both offensive9 and
defensive9,11, committed fouls9,11, blocks9, turnovers and steals11.
There has also been recent work that, as well as considering
the team’s game-related statistics, has focused on the player’s
individual characteristics, in particular on their position, usual being
guards, forwards, and centres8,13. Other studies, however, have used
classifications based on a greater number of specific positions: pointguard, off-guard, small-forward, power-forward, and centre15 and
bench16. Analyzing the game-related statistics by player position, one
38
finds that the guards or point-guard have high values of successful
2-point field-goals16 and unsuccessful, assists13 and steals15. The
forwards have high values in 2-point field-goals both successful8 and
unsuccessful13. Finally, the centres are characterized by successful
2-point field-goals8, unsuccessful 3-point field-goals8,13, rebounds13,15
and blocks13.
In this sense, there have been studies demonstrating clear
differences in game-related statistics as a function if the game final
score difference9,10,11 and players’ position8,15,16. However, despite
these studies analyzing the relationship between the game-related
statistics and either the final game score differences or player position,
to the best of our knowledge there have been none analyzing the
interaction of the two. Therefore, the purposes of this study were (i) to
determine the differences in game-related statistics by player position
(guards, forwards, centres) according to categories of the final game
score difference (close, balanced, and unbalanced games), and (ii)
to examine which game-related statistics can serve to discriminate
between winner and loser players according to player position and
final game score difference in a European Basketball Championship.
MATERIAL AND METHODS
The sample consists of the results and statistics of 54 games
played in the final phase of the European Basketball Championship
held in Spain in 2007. The games were classified according to final
game score difference: close games (n=21, 1 to 8 points), balanced
games (n=23, 9 to 17 points), and unbalanced games (n=10,
above 18 points)10. The players were then classified according to
position: guards (point guards, shooting guards, and guards, n=77),
forwards (guard forwards, small forwards, power forwards, and
forwards, n=69), and centres (centre-forwards and centres, n=46).
This classification reduced the number of categories of the official
box score specific positions from 9 to 3, as well as being based on
the groups used in other studies8,13,17. Players whose participation in
any game was of less than 5 minutes duration were excluded from
the analysis13.
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42
Game-related statistics in basketball by player position and final game...
Archival data were obtained from the official box scores on
the 2007 European Championship (www.feb.es). The game-related
statistics considered were: 2- and 3-point field-goals (successful),
free-throws (successful), rebounds (offensive and defensive), assists,
committed fouls, turnovers, steals, and blocks. The raw values of
the variables were divided by the number of minutes played by the
corresponding player to give values relative to playing time. The
independent or predictor variables were those corresponding to the
game-related statistics, and the dependent or predicted variable was
the performance (winner or loser player).
The basic statistical descriptors (mean and standard deviation)
were computed for each game final score difference (close, balanced
and unbalanced) and player position (guards, forwards, centres). An
exploratory analysis was first performed using the Kolmogorov-Smirnov
test to assess the normality of the distribution of each variable’s score.
One-way ANOVA and post hoc Tukey tests were used to determine
differences in the variables between player positions.
The sample was then divided according to game category
and player position, producing nine independent subsamples. A
discriminant analysis model was constructed for each subsample
using a stepwise selection procedure. This model identifies which
variable has the greatest influence on the prediction. The criterion
used to determine whether or not a discriminating variable was
Wilks’ lambda which measures the deviations within each group
with respect to the total deviations. If the value is close to zero,
the variability is due to differences between groups, and therefore
the variable discriminates between the groups. On the contrary,
if its value is close to unity, the groups are intermixed and the set
of independent variables is not adequate for the construction of
the discriminant function. The stepwise model included initially the
variable that most minimized the value of Wilks’ lambda, provided
the value of F was greater than a certain critical value (F = 3.84 to
enter). The next step was pairwise combination of the variables with
one of them being the variable included in the first step. Successive
steps were performed in the same way, always with the condition
that the F-value corresponding to the Wilks’ lambda of the variable
to select has to be greater than the aforementioned “entry” threshold.
If this condition was not satisfied, the process was halted, and no
further variables were selected in the process. Before including a new
variable, an attempt was made to eliminate some of those already
selected if the increase in the value of Wilks’ lambda was minimal,
and the corresponding F-value was below a critical value (F = 2.71
to remove). The number of independent variables was limited to nv/n
≤ 5 to avoid saturation of the model18.
Wilks’ lambda, the canonical correlation index, structural
coefficients and the percentage of subjects correctly classified in the
whole sample and for each subsample were calculated. Structural
coefficients ≥ 0.300 were considered relevant19. A p-value of
<0.05 was considered to be statistically significant. The Statistical
Package for Social Sciences (SPSS version 15.0) was used for all
data analyses.
Results
Table 1 presents the mean and standard deviation of the gamerelated statistics according to categories of the final game score
difference and player position. All the game-related statistics except
successful free-throws and steals showed differences between player
positions in some final game score difference category.
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Table 1. The data are means and standard deviations, ANOVA and post hoc
Tukey values, and significance levels (p) by final game score difference and
player position.
Final game
score –
Variable
Guards (G)
Forwards (F)
Centres (C)
(n=77)
(n=69)
(n=46)
post
F
hoc
Tukey
Mean
SD
Mean
SD
Mean
SD
.072
.073
.083
.085
.011
.091
6.38*
G,F>C
.037
.045
.036
.046
.019
.044
5.49*
G,F>C
.069
.088
.072
.085
.064
.111
0.20
-
.022
.043
.059
.069
.064
.069
21.26*
G<F,C
.080
.067
.135
.084
.127
.087
21.06*
G<F,C
Assists
.066
.062
.041
.052
.023
.034
21.49*
G>F>C
Fouls
.107
.074
.133
.098
.165
.133
11.02*
G,F<C
Turnovers
.066
.063
.057
.067
.065
.071
0.77
-
Steals
.032
.040
.032
.053
.027
.040
0.52
-
Blocks
.003
.011
.014
.031
.027
.049
19.01*
G<F<C
.061
.062
.092
.095
.106
.082
11.98*
G<F,C
.040
.048
.041
.055
.023
.048
4.62*
G,F>C
.070
.084
.066
.090
.086
.110
1.16
-
.023
.037
.048
.054
.079
.086
30.94*
G<F<C
.076
.067
.113
.090
.156
.100
30.45*
G<F<C
Assists
.085
.076
.037
.046
.025
.037
46.49*
G>F,C
Fouls
.098
.067
.129
.101
.163
.118
16.38*
G<F<C
Turnovers
.065
.062
.058
.062
.066
.078
0.58
-
Steals
.037
.044
.024
.035
.024
.038
5.57
-
Blocks
.003
.013
.013
.029
.028
.046
22.8*
G<F<C
.071
.070
.101
.102
.117
.095
4.78*
G<C
.036
.047
.038
.052
.028
.054
0.64
-
.054
.101
.075
.100
.067
.090
0.94
-
.023
.047
.046
.059
.078
.070
14.64*
G<F<C
.070
.063
.138
.096
.143
.094
19.04*
G<F<C
Assists
.079
.076
.054
.060
.038
.050
6.66*
G>F>C
Fouls
.106
.095
.105
.080
.126
.092
1.03
-
Turnovers
.083
.082
.050
.051
.058
.070
5.04*
G>F
Steals
.047
.067
.027
.040
.031
.053
2.86
-
Blocks
.005
.026
.019
.036
.023
.041
5.32*
G<F<C
Close
games
Successful
2 pt
Successful
3 pt
Successful
free-throws
Offensive
rebounds
Defensive
rebounds
Balanced
games
Successful
2 pt
Successful
3 pt
Successful
free-throws
Offensive
rebounds
Defensive
rebounds
Unbalanced
games
Successful
2 pt
Successful
3 pt
Successful
free-throws
Offensive
rebounds
Defensive
rebounds
*p<0.05
39
Escalante, Saavedra, García-Hermoso
Table 2 presents the discriminant analysis of each subsample.
For the guards a classification into winners and losers was possible
only in the close games, with 55% being correctly classified. For the
forwards and centres, however, there was greater than 58% correct
classification in all three classes of final game score difference. The
centres in unbalanced games were 78% correctly classified into
winner and loser centres due to the model’s consecutive selection
of the variables: defence rebounds, successful 2-point field-goals,
assists, and offensive rebounds.
Table 2. Discriminant analysis models for the different groups (final
game score difference – player position), giving the percentage
correctly classified, Wilks’ λ, canonical correlation index, and
variables included in the model by order of selection (all structural
coefficients ≥ 0.600)
Close games
Percentage correctly
classified
Wilks’ λ
Canonical correlation index
Variables selected
Guards
Forwards
Centres
(n=77)
(n=69)
(n=46)
54.8
60.6
59.0
.977
.918
.919
.151
.286
S. free-throws
.284
S. freethrows
Balanced games
Percentage correctly
classified
Wilks’ λ
-
Defensive
rebounds
Steals
Blocks
58.1
61.0
.974
.961
Canonical correlation index
.162
.197
Variables selected
Steals
Assists
67.9
78.4
Unbalanced games
Percentage correctly
classified
Wilks’ λ
Canonical correlation index
.892
.632
.329
.607
Defensive
-
Variables selected
S.=successful. P<0.05.
Defensive
rebounds
rebounds
S. 2 points
Offensive
Assists
rebounds
Offensive
rebounds
Discussion
All the game-related statistics except successful free-throws and
steals showed differences between player positions (guards, forwards,
and centres) in some final game score difference category (close,
balanced, and unbalanced games), indicative of the specialization
of the players’ contribution to team performance. This is also the
first time that it has been shown possible to discriminate winners and
losers in guards (except in the balanced and unbalanced games),
forwards, and centres using at most four game-related statistics, with
percentages of correct classification between 54% and 78% of the
sample.
Player position differences. The successful 2-points field-goals
was lower in the centres in the close games. This differs from some
40
other findings for the Greek League8, NBA13, and formative years15,
in which the centres obtained higher values than the guards and
forwards perhaps due to the greater number of inside shoots. It is
in accordance, however, with other published results16. The centres
were also the players with least success in 3-point field-goals in the
balanced games. This is coherent with studies on the Leagues of
Greece8 or Spain13 showing the importance of the contribution of the
guards and forwards to the team’s outside shooting.
The rebounds, both offensive and defensive, were greater in
centres than in forwards15, and greater in the forwards than in the
guards, in both balanced and unbalanced games, reflecting the
importance of the player’s height in this aspect of the game13. In the
close games, however, there were no differences between centres
and forwards, seeming to indicate the importance of forwards in this
aspect of the game when the scores are close. Other studies have
found no differences in rebounds between guards and forwards15.
The values for assists were higher in the guards than in the
forwards and centres for all three types of games, reflecting that
their contribution is basically the creation and organization of the
team game8. These results are consistent with previous studies on
the Spanish League and NBA13. The centres committed more fouls13
except in the unbalanced games where there were no differences.
Perhaps this is due to the difference in level of the players that leads
to centres with less technical ability committing more fouls.
Finally, the values for blocks were higher in the centres than in
the forwards, and higher in the latter than in the guards in all three
classes of game, maybe because the centres are taller which makes
blocking easier for them in a game. These results are consistent with
those found in a study conducted in the Portuguese League13.
Player position winners and losers. For the guards, only in
the close game category did the system select some variable to
discriminate between winners and losers. The discriminating variable
was successful free-throws, giving 54% correct classification. This
perhaps reflects that in close games the guards receive more personal
fouls as they make more free throws (close games= 268 free-throws,
balanced games= 181 free-throws, unbalanced games= 85 freethrows). These are situations conducive to mistakes that give rise to
free-throws8. In the balanced and unbalanced games, however, no
variable discriminated between winner and loser guards, indicating
that in this kind of game there are no differences in the contribution
to the collective game of the guards.
For the forwards, in close games 60% of the winners and losers
were correctly classified with free-throws and defensive rebounds. The
free-throws variable shows that the team requires effective shooters in
this aspect of the game. Indeed, in close games successful free-throws
differentiate the winning from the losing teams9,10. The defensive
rebounds reflect the importance of the contribution of this facet of
the forwards’ play, since it allows a greater number of possessions.
In the balanced games, the selected variable corresponded to steals,
correctly classifying 58% of the winner and loser forwards, which
perhaps reflects their greater involvement in defensive aid to the
guards and centres. Finally, in unbalanced games, 67% of the winner
and loser forwards were correctly classified with defensive and
offensive rebounds. This highlights the importance of the involvement
of forwards in a facet of the game that is usually dominated by the
centres15.
For the centres, in close games 59% of the winners and losers
were correctly classified with steals and blocks. The steals reflect
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42
Game-related statistics in basketball by player position and final game...
their contribution to the team game, a facet that had not been
demonstrated previously. The same is the case for the blocks, although
this variable has indeed previously been associated with greater
corpulence and height5. In the balanced games, the selected variable
corresponded to assists, correctly classifying 61% of the winner and
loser centres. This may indicate a greater agility and coordination
of the winner centres of these levels, leading to greater fluidity of the
team12. Finally, in unbalanced games, 78% of the winner and loser
centres were correctly classified with defensive rebounds, successful
2 point field-goals, assists, and offensive rebounds. This number of
selected variables was the largest of all nine subsamples, indicating
that it is this player position (centre) and class of game (unbalanced
games) where there exist the greatest differences between winners
and losers. The defensive and offensive rebounds allow a greater
number of possessions, while the successful 2-points field-goals is
indicative of the weakness of the loser centres to defend against the
winner centres. The assists statistic, as in the balanced games, reflects
greater agility and coordination of the winner centres.
Limitations. This study has some limitations. First, the competition
system means that the number of games analyzed was small, and
that, since it was a final stage, the coaches could well have altered
the positions of their players on the court depending on which was
the opposing team. Secondly, the competition system required teams
that had lost any medal possibilities to play further games for 5th to
8th places, which could influence some players’ motivation and form
of approaching the games, and therefore affect the game-related
statistics.
CONCLUSION
From the results of this study it can be concluded that generally,
the game-related statistics for guards are assists, and for centres
are rebounds, committed fouls, and blocks. The contribution of
the forwards is similar to that of the guards in some game-related
statistics, and to that of the centres in others. This may be because no
distinction was made between small-forwards and power-forwards.
With respect to the discriminatory power of game-related
statistics to distinguish the winner and loser players, for the guards
it was only in the close game category that there were differences
in the statistics between winners and losers, with the discriminating
variable being the free-throws statistic. For the forwards, there
were more differences, in particular in free-throws, rebounds, and
steals. Finally, the centres showed more differences in rebounds,
steals, blocks, assists, and successful 2 point field-goals. Hence, the
discriminatory power of game-related statistics to distinguish winners
and losers was greater in centres than in forwards, and greater in the
latter than in guards.
These differences and the discriminatory power of the gamerelated statistics for each player position allow the coach to gain a
more in-depth vision of the player’s performance to apply in planning
training based on that knowledge. However, it is necessary to study
these same variables in other situations such as different levels (Olympic
Games, World Championship,…), game location (home or away),
game type (regular season or play-off), age (senior or formative age),
player’s starting status (starter or reserve), and sex (male or female).
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42
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:37-42
.
Capacidade
funcional e composição corporal em portadores de câncer
Bruno Pereira Melo1,2
Amanda Aparecida Delfino1,2
Célia A. da Silva1,2
Letícia M. Mendonça1,2
Jeferson T. de Geraldo1,2
Talita K. C. Barbosa1,2
Rafaela S. Araújo1,2
Marcel V. S. Malta1,2
Fernanda S. Carvalho1,2
Rony R. Carvalho1,2
Sandro Fernandes da Silva1,2 – CREF- 1407-G/MG
O trabalho foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Itaúna sob o numero de protocolo 017/10. Apoio Financeiro da Pró-Reitoria de Extensão e
Cultura – PROEC-UFLA
RESUMO
Introdução: O câncer pode ser caracterizado pelo crescimento descontrolado de células anormais. A atividade física gera
modificações metabólicas e morfológicas que podem torná-la um elemento atraente no tratamento e na recuperação de pacientes com
câncer. Objetivo: Avaliar os componentes da capacidade funcional (força e flexibilidade) e a composição corporal em portadores de
câncer. Metodologia: Participaram do estudo 25 portadores de câncer. Os sujeitos assinaram o TCLE autorizando sua participação no
estudo, o mesmo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade de Itaúna sob o numero de protocolo 017/10. Na avaliação da
capacidade funcional foram adotadas 2 capacidades físicas: Força e Flexibilidade. Na avaliação da composição corporal foi adotado
o método de bioimpedância. Resultados: Identificamos maior gordura na composição corporal. A flexibilidade foi negativa tanto para
o membro inferior quanto superior, enquanto que na força encontramos diferença significativa entre a força de membro superior e inferior.
Conclusão: A gordura corporal em portadores de câncer é maior que a população na mesma faixa etária. A atividade física pode servir
como um mediador dessas perdas.
PALAVRAS-CHAVE
Portador de Câncer. Capacidade Funcional. Composição Corporal.
Functional
capacity and body composition in bearers of cancer
Abstract
Introduction: The cancer can be characterized for the disorderly growth of the abnormal cells. The physical activity generates
morphological and metabolic modifications that do with which she be an attractive element in the rehabilitation of the patients with cancer.
Objective: Evaluating the components of the functional capacity (strength and flexibility) and the body composition in bearers of cancer.
Methods: They did part of the study 25 bearers of cancer. The subjects signed the TCLE authorizing their participation in the study, which
1
2
Núcleo de Estudos em Movimento Humano – NEMOH- Departamento de Educação Física – Universidade Federal de Lavras.
Pesquisa e Extensão Câncer e Atividade Física – PECAF- Departamento de Educação Física – Universidade Federal de Lavras.
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 43-49 | jul/dez 2010
Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva
was approved by the committee of ethics of the University of Itaúna on the protocol number 017/10. In the evaluation of the functional
capacity they were adopted 2 physical capacities: It strength and Flexibility. In the evaluation of the body composition was adopted the
bioimpedancia method. Results: We identify a bigger fat in the body composition. The flexibility was refusal in the upper and lower
members, already in the strength was found a significant difference between the upper and lower member. Conclusion: The body fat in
bearers of cancer is bigger than the population in the same age group. The physical activity can serve like a mediator of those losses.
Key-Words
Bearers of Cancer. Functional Capacity. Body Composition.
Capacidad
funcional y composición corporal en portadores de cáncer
RESUMEN
Introducción: El cáncer puede ser caracterizado por el crecimiento desordenado de las células anormales. La actividad física genera
modificaciones metabólicas y morfológicas que hacen con que ella sea un elemento atractivo en la rehabilitación de los pacientes con
cáncer. Objetivo: Evaluar los componentes de la capacidad funcional (fuerza y flexibilidad) y la composición corporal en portadores de
cáncer. Metodología: Hicieran parte del estudio 25 portadores de cáncer. Los sujetos firmaran el TCLE autorizando su participación en
el estudio, que fue aprobado por el comité de ética de la Universidad de Itaúna sobre el numero de protocolo 017/10. En la evaluación
de la capacidad funcional fueron adoptadas 2 capacidades físicas: Fuerza y Flexibilidad. En la evaluación de la composición corporal fue
adoptado el método de la bioimpedancia. Resultados: Identificamos una mayor grasa corporal. La flexibilidad fue negativa en los miembros
inferiores y superiores, ya en la fuerza fue encontrado una diferencia significativa entre el miembro superior e inferior. Conclusión: La grasa
corporal en portadores de cáncer es mayor que en la población del rango etario. La actividad física puede ayudar a mermar las perdidas.
Palabras-Claves
Portador de Cáncer. Capacidad Funcional. Composición Corporal.
INTRODUÇÃO
O câncer pode ser definido como uma massa anormal de
tecido, cujo crescimento excede o dos tecidos normais e não está
coordenado com esse crescimento, persistindo da mesma maneira
excessiva após o término do estímulo que evocou a mudança1.
O câncer é caracterizado pelo crescimento descontrolado e a
disseminação de células anormais, que continuam a se reproduzir
até que formem uma massa de tecido conhecida como tumor2. Um
tumor maligno interrompe as funções do corpo e desvia o alimento
e suprimento sanguíneo de células normais. Segundo Hanahan
& Weinberg (2000)3, câncer é uma desordem hiperproliferativa
que envolve transformação na morfologia celular, desregulacão
da apoptose, proliferação descontrolada, invasão, angiogênese
e metástase. O câncer pode ocorrer em vários órgãos do corpo
humano e requer diferentes métodos de controle.
O câncer tem aparecido como um importante problema de
saúde pública em todo o mundo, especialmente nos países em
desenvolvimento, devido ao acelerado crescimento da população
de faixa etária mais elevada. A enfermidade representa a segunda
causa de mortes no mundo, sendo geralmente superada apenas
pelas doenças cardiovasculares4. Infelizmente, esse não é o único
problema dos pacientes que são acometidos pela doença, sendo
os tratamentos utilizados para combatê-lo, muitas vezes estão
acompanhados de efeitos colaterais que comprometem a qualidade
de vida dos pacientes por longos períodos5. De acordo com o
Instituto Nacional de Câncer nos Estados Unidos, de 72% a 95%
dos pacientes com câncer (CA) que recebem tratamento apresentam
aumento nos níveis de fadiga resultando em diminuição significativa
na capacidade funcional, levando-os a uma perda muito grande da
saúde e na qualidade de vida6. As causas da fadiga relacionada
ao tratamento de câncer deveriam ser vistas como multifatoriais e
associadas tanto ao descondicionamento físico quanto emocional
44
que ocorre após um diagnóstico de câncer e seu subsequente
tratamento7.
O metabolismo de pacientes portadores de CA sofre
modificações drásticas devido ao estresse criado pela própria
doença, como também pelos efeitos colaterais produzidos pelos
tratamentos tradicionais administrados (cirurgia, quimioterapia ou
radiação). O tratamento de câncer, de forma geral, de acordo com o
grau de evolução da doença, é pautado em intervenções cirúrgicas,
quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia e os
efeitos colaterais do tratamento implicam, na maioria das vezes, em
sensação de extrema fadiga, em geral, associada à perda de peso
e à redução da força muscular, bem como, quadros de depressão
afetando o aspecto psicológico do paciente. Aproximadamente
75% dos indivíduos que sobrevivem ao câncer relatam sensações
extremas de fadiga durante a radioterapia ou quimioterapia, em
geral associadas à perda de peso e à redução da força muscular e
da resistência cardiovascular5.
O interesse em medir a quantidade dos diferentes componentes
do corpo humano iniciou no século XIX e aumentou no final do
século XX devido à associação do excesso de gordura corporal
com o aumento do risco em desenvolver doenças do tipo arterial
coronariana, hipertensão, diabetes tipo II, pulmonar obstrutiva,
osteoartrite e certos tipos de câncer8.
O sobrepeso e a obesidade contribuem fortemente para a
carga de doenças crônicas e de incapacidades, que vão desde
dificuldades respiratórias até condições graves, como doença
coronariana e certos tipos de câncer. Estima-se que 90 mil mortes
por câncer poderiam ser evitadas a cada ano se a população adulta
mantivesse um peso corporal adequado e que, aproximadamente,
20-33% dos casos de câncer mais comuns possam ser atribuídos ao
peso corporal excedente e à inatividade física9.
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49
Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer
Em relação ao metabolismo dos lipídios, temos a elevação
dos níveis de circulação destes e a depleção da reserva nos
hospedeiros devido a fatores circulantes que levam ao aumento do
catabolismo da gordura e à diminuição da sua síntese. O principal
fator é a lipase-lipoproteína, que está diminuída nos portadores de
câncer. A perda de peso envolve basicamente o tecido adiposo e
muscular estriado esquelético10,11, sendo consequência da síndrome
a morte de cerca de 22% dos pacientes com câncer12. Há evidências
de que o efeito da gordura da dieta seja exercido depois do início
da tumorgênese e que esse processo geralmente aumenta com o
conteúdo de gordura.
Os portadores submetidos á intervenções como radioterapia
e quimioterapia relatam sintomas como náuseas, perda de apetite,
diarréias e mal estar, fatores que levam os pacientes a iniciarem
um ciclo vicioso de perda de massa corporal e consequentemente a
perda da força muscular. Essa perda de força muscular é um golpe
a mais nos esforços do paciente de câncer para executar tarefas
diárias simples, comprometendo significativamente sua qualidade
de vida.
A capacidade funcional pode ser definida como a capacidade
do indivíduo de realizar as atividades da vida diária de forma
independente, incluindo atividades ocupacionais e recreativas,
ações de deslocamento e auto cuidado13. A revisão de literatura
efetuada por Battaglini et al (2003)14 demonstra ainda que os
declínios da capacidade funcional são experimentados por um
terço dos pacientes de câncer e podem ser atribuídos a condições
hipocinéticas desenvolvidas por prolongada inatividade física. A
condição hipocinética pode causar a redução da eficiência dos
sistemas de energia, bem como, pode ter alguns efeitos sobre os
níveis de hormônios devido ao desequilíbrio homeostático.
A atividade física produz alterações metabólicas e
morfológicas crônicas que podem torná-la uma opção importante no
tratamento e no processo de recuperação envolvendo pacientes com
câncer15. Estudos parecem indicar preliminarmente que a prática
da atividade física pode atuar em sentido adverso da condição
hipocinética em pacientes em tratamento de câncer, podendo reduzir
consideravelmente os efeitos colaterais do referido tratamento16,17,18.
Os benefícios da atividade física em pacientes com câncer
estão relacionados de acordo com Courneya (2001)19 ao: aumento
da força muscular e da capacidade funcional, controle do peso
corporal, redução da fadiga, melhora do autoconceito e do humor
e, consequentemente, melhora da qualidade de vida. Battaglini et
al (2003)14 afirmam que exercício físico tem demonstrado potente
intervenção para pacientes com câncer, mas que também pode
apresentar alguns riscos. Para que sejam efetivos e seguro, exercícios
deveriam, de acordo com os autores, serem prescritos incluindo
cinco critérios: a) capacidade individual; b) tipo de exercício; c)
intensidade do exercício; d) frequência e duração do exercício.
O objetivo do estudo foi verificar os componentes da
capacidade funcional (força e flexibilidade) e a composição corporal
em portadores de câncer, e identificar a relação entre as variáveis
estudadas componentes da aptidão física.
METODOLOGIA
Amostra
Foram utilizados no estudo 25 portadores de câncer (8 homens
e 17 mulheres). As características da Amostra estão descritas na
tabela 1. Todos os sujeitos foram pré-informados sobre os riscos do
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49
projeto e os mesmos assinaram um consentimento livre e esclarecido
para participar do mesmo, aprovado pelo comitê de ética da
Universidade de Itaúna sob o número de protocolo 017/10.
Tabela 1.- Características da Amostra.
Grupo
Portadores
de Câncer
N
24
Idade
(Anos)
Massa
Corporal
(Kg)
61,00 ±
14,48
68,87 ±
10,21
Estatura
(m)
1,61± 0,08
Procedimentos
As variáveis da aptidão física funcional serão avaliadas
através dos seguintes testes:
I- PROVAS FUNCIONAIS
1- Avaliação Funcional de Força:
A) Força de Membro Inferior: Teste de levantar da cadeira: a força
dos membros inferiores será avaliada observando-se o número
de vezes que o idoso conseguirá se levantar de uma cadeira
em 30 segundos. O participante será encorajado a completar
tantas ações de ficar completamente em pé e sentar quanto
possível em 30 segundos.
B) Força de Membro Superior: Flexão de cotovelo: a força dos
membros superiores será avaliada através da quantidade de
flexões de cúbito que o idoso conseguirá realizar durante 30
segundos. Para realizar este teste será utilizado um cronômetro,
cadeira de recosto reto, halter de 2,0 kg para mulheres e 4,0
kg para homens. O participante irá flexionar o braço em
amplitude total de movimento e então retornar o braço para
uma posição completamente estendida.
2- Avaliação Funcional da Flexibilidade
A) Flexibilidade de membros inferiores (Sentar e Alcançar): Será
verificada solicitando-se para o idoso ficar sentado em uma
cadeira e tentar tocar os dedos do pé com os dedos da mão.
Com a perna estendida, o participante inclinará lentamente
para frente, mantendo a coluna o mais reta possível e a cabeça
alinhada com a coluna. O avaliado tentará tocar os dedos
dos pés escorregando as mãos, uma em cima da outra, com
as pontas dos dedos médios, na perna estendida. A posição
deverá ser mantida por 2 segundos.
B) Flexibilidade de membro superior (Flexão de Ombros): Será
avaliada a flexibilidade dos membros superiores (ombro). Para
tanto será observado se o idoso conseguirá alcançar atrás das
costas com as mãos para tocar ou sobrepor os dedos de ambas
as mãos o máximo possível. Em pé o avaliado colocará a mão
preferida sobre o mesmo ombro, a palma aberta e os dedos
estendidos, alcançando o meio das costas tanto quanto possível.
II- COMPOSIÇÃO CORPORAL
A) Composição Corporal- Foi realizado um estudo da composição
corporal dos portadores de câncer, onde foram coletados os
seguintes dados: A) Altura, B) Massa Corporal; C) Porcentagem
de gordura; D) Massa Gorda; E) Massa Magra; F) Massa
Seca; G) Água Corporal Total; H) Água Intracelular; I) Água
45
Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva
Extracelular. A análise da composição corporal foi através da
bioimpedância RJL Systems.
Estatística
Estatística descritiva com comparação de medias e desvio
padrão. Foi utilizado o teste de Shapiro Wilk para verificar a
distribuição da amostra, para identificar as diferenças entre as
variáveis foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney. Foi
utilizado o teste de Sperman para a correlação entre as variáveis.
Para comprovação estatística foi adotado o p< 0,05.
RESULTADOS
Nos gráficos 1 e 2 apresentamos os resultados composição
corporal. Encontramos diferenças entre quantidade de gordura
com massa livre de gordura, e a gordura com massa magra. Na
quantidade de água corporal no corpo, verificamos diferença entre
a água total e a água intra e extra celular, e não encontramos
diferenças entre a água intra e extracelular.
Gráfico 3. Flexibilidade de Membro Superior.
Gráfico 1. Composição Corporal em Portadores de Câncer.
Gráfico 4. Flexibilidade de Membro Inferior.
Gráfico 2- Distribuição da Água Corporal em Portadores de
Câncer.
Nos gráficos 3, 4 e 5 destacamos os resultados da avaliação
funcional, onde os resultados composição corporal, identificou-se
uma flexibilidade negativa tanto para o membro inferior quanto
superior, em que não identificamos diferenças significativas entre os
lados do corpo. Já na avaliação funcional da força encontramos
diferença significativa entre a força de membro superior e inferior.
Gráfico 5. Avaliação Funcional da Força.
46
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49
Capacidade funcional e composição corporal em portadores de câncer
Na tabela 2, verificamos a correlação entre as variáveis
estudadas, onde encontramos uma correlação positiva entre a
massa livre de gordura e a massa magra, a massa magra e a força
de membro inferior. Ao analisar as qualidades físicas identificamos
uma correlação positiva entre a flexibilidade de membro superior
direita e a esquerda, entre a flexibilidade de membro inferior do
lado direito com o esquerdo, e a flexibilidade de membro inferior
direito e a força de membro inferior.
G
A massa magra apresentou valores abaixo do esperado quando
comparada com a quantidade de gordura, este comportamento
pode ser a combinação de dois fatores principais: sarcopenia,
ou seja, perda da massa muscular relacionada com fatores do
envelhecimento, e a combinação de fatores da doença que leva os
pacientes portadores de câncer a iniciarem uma perda de massa
gradualmente com a idade e a massa magra declina em torno de
MM
-,290
,009
-,064
-,064
-,242
-,259
,028
,077
tecido adiposo, principalmente na região do tronco, resultando em
,586**
,177
,132
,177
,182
-,062
,354
ganho de peso22, 23,24.
,280
,109
,066
,007
-,337
,471*
,817**
,157
,194
,304
,050
,130
,159
,189
,191
,970**
,326
,400*
musculares25,26,27. A grande quantidade de gordura corporal também
,330
,377
pode contribuir para limitar a flexibilidade28. A flexibilidade em geral
,318
dos sujeitos do estudo foram baixas, já que tanto o membro superior
-,290
MM
,009 586**
FMMSD FMMSE FMMID FMMIE FOMMS FOMMI
10 a 20% entre os 25 e 65 anos. Neste período há um acúmulo de
MLG
MLG
FMMSD -,064
,177
,280
FMMSE
-,064
,132
,109
,817**
FMMID
-,242
,177
,066
,157
,130
FMMIE
-,259
,182
,007
,194
,159
,970**
FOMMS ,028
-,062
-,337
,304
,189
,326
,330
FOMMI
,354
,471*
,050
,191
,400*
,377
,077
corporal e consequentemente aumento do peso corporal.
muscular16. Pesquisas comprovam que o metabolismo basal diminui
Tabela 2: Tabela de Correlação.
G
formação de tumores contribuem para o aumento da gordura
,318
* Correlação Significativa p < 0,05 / ** Correlação Significativa p < 0,01.
Legenda: G (Gordura); MLG (Massa Livre de Gordura); MM (Massa Magra); FMMSD
A flexibilidade é um componente da aptidão física importante
para a manutenção de bons níveis de saúde e qualidade de vida,
porque a flexibilidade diminuída restringe as possibilidades de
movimento, além de aumentar as chances de lesões articulares e
como inferior os resultados foram negativos. Com o envelhecimento
é normal uma redução na flexibilidade como já demonstrado em
outros estudos com idosos. A falta de atividade física contribui ainda
(Flexibilidade Membro Superior Direito); FMMSE (Flexibilidade Membro Superior
mais para agravar esses valores, o que torna indispensável um
Esquerdo); FMMID (Flexibilidade Membro Inferior Direito); FMMIE (Flexibilidade Membro
programa de atividade física para esses portadores. Há sugestão
Inferior Esquerdo); FOMMS (Força Membro Superior); FOMMI (Força Membro Inferior).
de que a atividade física possa manter e até aumentar os níveis de
energia, contribuir numa rotina diária - otimizando períodos de sono
DISCUSSÃO
A amostra estudada mostrou um índice de gordura corporal
acima dos esperados para indivíduos não portadores de câncer. Os
estudos que relatam a quantidade de gordura corporal apresentam
valores ao redor de 28% o que é abaixo de nossos resultados (30%).
O aumento da gordura corporal em portadores de câncer pode ser
explicado pelo baixo nível de atividade física de nossos indivíduos.
Um dos dados mais interessantes que devemos analisar durante a
analise da composição corporal é a quantidade de água corporal
que os pacientes de câncer apresentaram na qual fica evidenciado
que a água total é de 24% da massa total do sujeito e que ao
excluir a massa gorda essa proporção chega a 35%. Esse dado
é importante para esclarecer que em media a população normal
apresenta uma variação entre 45 a 75% da massa corporal total em
água. Uma menor quantidade de água corporal em portadores de
câncer deve-se principalmente a 2 fatores: 1) Resposta de defesa do
organismo a doença; 2) A doença provoca uma perda de liquido
considerável, como por exemplo, o câncer de colón, que gera maior
evacuação e com isso maior perda de água20
A combinação do sedentarismo com o excesso de peso
(ou de massa gorda) gera alterações de mecanismos fisiológicos
como a formação de radicais livres e danos oxidativos, redução
da capacidade de reparo do DNA, modificação das atividades de
enzimas carcinógenas, aumento do refluxo gástrico e do trânsito
gastrintestinal, o que resulta em maior exposição da mucosa a
ácidos, aumento da possibilidade de desenvolvimento de resistência
à insulina e alterações no equilíbrio hormonal endógeno21. Os
valores encontrados neste estudo demonstraram que a quantidade
de gordura encontrada nos pacientes é maior comparada á massa
magra, o que indica que o acúmulo de células cancerígenas e a
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49
e descanso - e aumentar os momentos de lazer21,29.
A força muscular é uma variável primordial na manutenção da
autonomia e qualidade de vida do idoso e do portador de câncer,
sendo uma das variáveis que mais sofre com o envelhecimento. A
perda da massa muscular e consequentemente da força muscular
é a principal responsável pela deterioração na mobilidade da
capacidade funcional do indivíduo que está envelhecendo30. O
presente estudo observou uma diferença significativa entre força de
membro inferior atingindo em média 11,21 repetições e, força de
membro superior com média de 16,31 repetições. Faria e Machala
(2003)30 apontam que o envelhecimento conduz a perda progressiva
da eficiência dos órgãos e tecidos do organismo humano, em ritmo
de queda que varia de sujeito para sujeito e também de acordo
com o tipo de tecido. Dentre essas perdas caracteriza-se a redução
da força muscular e consequentemente da capacidade funcional. A
perda de força muscular ocorre principalmente devido ao declínio
da função neuromuscular, ou seja, redução na capacidade de
inervação e ativação dos músculos, o que leva a perda consequente
na quantidade de massa muscular.
Muitos fatores participam colaborando com a perda da força
muscular. Dentre esses podemos citar: as alterações morfofuncionais,
músculoesqueléticas, estado nutricional, aumento da gordura
intramuscular, presença de doenças crônicas, alterações hormonais
e atrofia em função do desuso30. As pessoas com mais idade,
mesmo saudáveis, também diminuem seus níveis de força com a
idade, cerca de 1 a 2% ao ano31.
Os valores referenciais de Rikli e Jones (1999)27 para o teste de
flexão do cotovelo em 30 segundos vão de acordo com os resultados
encontrados, pois em seu estudo encontrou para as idades de 60
47
Melo, Delfino, Silva, Mendonça, Geraldo, Barbosa, Araújo, Malta, Carvalho, Carvalho, Silva
a 64 anos uma média de 16,1 repetições e para as idades de
65 a 69 anos média de 15,2 repetições. A força de preensão dos
ombros e dos braços é importante para a realização de atividades
da vida diária e o levantamento do tronco pode ser importante em
algumas profissões, entretanto as mensurações da força mostram
uma correlação relativamente fraca com a capacidade de realizar
as tarefas diárias.
O teste de flexão dos cotovelos em 30s tem sido utilizado,
pois esse movimento é bastante requerido em atividades rotineiras
e profissionais como levantar e carregar objetos, pegar crianças
ao colo, fazer as atividades domésticas e desempenhar tarefas
relacionadas ao autocuidado27. Os valores referenciais27 para o
teste de Levantar da cadeira em 30 segundos são superiores ao
encontrado em nossa pesquisa, para as idades de 60 a 64 anos,
encontrou-se a média de 14,5 repetições e para as idades de 65
a 69 aos uma média de 13,5 repetições. A força de membros
inferiores contribui para a manutenção do equilíbrio e a diminuição
do risco de quedas. Menores índices de força estão associados
ainda a maiores chances de desenvolver incapacidade e maior
predisposição a quedas32,27. O declínio dos níveis de força dos
MMII tem sido relacionado a uma pior performance na execução
de atividades rotineiras simples, como subir escadas, por exemplo, e
com o prejuízo ao equilíbrio27. O teste de força de membro inferior
correlaciona-se satisfatoriamente com outros testes que objetivam
medidas de força em porção inferior do corpo e outras medidas
funcionais27. Tem sido defendido também que o teste em questão
é recomendável para aferir benefícios adquiridos pelo efeito do
treinamento físico em idosos33.
O número de repetições decresce de acordo com o aumento
da idade em ambos os testes, isso se dá, segundo MATSUDO
(2001)34, devido à perda da massa magra, havendo perda maior
com o envelhecimento, pois estão associados à diminuição no
nível de atividade física do idoso. A partir dos 60 anos há uma
diminuição mais acentuada da força muscular, principalmente nas
mulheres, sendo essa diminuição da força a músculos específicos,
principalmente nos membros inferiores36. Em geral, o pico de força
muscular é bem mantido dos 35 aos 40 anos de idade, daí em
diante a perda de força sofre uma aceleração, devido à perda de
massa de tecido magro, atrofia seletiva das fibras musculares tipo II
e uma menor sincronização no acionamento das unidades motoras
em adultos mais velhos.
CONCLUSÕES E RECOMEDAÇÕES
Fica evidente que os portadores de câncer possuem uma
gordura corporal maior que a população na mesma faixa etária.
Esse aumento na gordura corporal parece interferir na capacidade
funcional. Esse acumulo de gordura e perda de força muscular,
ocorrem em função de 2 fatores básicos, a baixa predisposição para
realizar atividade física em função da doença, alem das perdas
fisiológicas provocadas pela doença. A atividade física pode servir
como um mediador dessas perdas convém estudar a influencia da
atividade física nessas variáveis fisiológicas e ainda verificar como
o nível de fadiga é afetado pela prá tica de atividade física em
portadores de câncer.
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Endereço para correspondência
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e-mail: [email protected]/[email protected]
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Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:43-49
49
.
Níveis
de associação entre selecionadores e bateria de testes no processo de
detecção de talentos nas categorias de base do futebol de campo
Marcos Antonio Medeiros do Nascimento1 CREF10/PB: 722 [email protected]
Fernando Policarpo Barbosa2 CREF7/DF: 159 [email protected]
RESUMO
Introdução: O domínio do conhecimento científico, juntamente com a construção contínua do juízo de valor é fundamental no processo de seleção no esporte. O objetivo do presente estudo foi estabelecer o nível de associação entre o juízo de valores de profissionais
de futebol aos resultados de bateria de testes para as habilidades específicas do futebol no processo de seleção de atletas da categoria de
base. Materiais e Métodos: o estudo contou com cinco profissionais/técnicos experientes que, durante quatro jogos observaram jogadores de 8 equipes da categoria sub-17 filiadas a Liga Patoense de Futebol. A bateria de testes foi constituida de: drible, passe, chute e de
destreza no jogo de futebol. O teste de concordância de Kappa de Cohen e o Coeficiente de correlação Spearman foram utilizados para
determinar o nível de associação, para um nível de significância de p<0,05. Resultados: Os resultados indicaram que as habilidades
esportivas avaliadas apresentaram disparidades, já que, 35% dos atletas foram conceituados com muito bom e 8% com ruim. Observou-se
diferença significativa (p< 0,01) entre o Técnico1 em relação aos outros técnicos. A associação entre os critérios de seleção dos técnicos
com os resultados observados nos teste especificos foi fraco 3,6%. Discussão: A seleção esportiva deve ser pautada em criterios técnicos
e congnitivos, o que permitirá compor um elenco capaz de seguir os esquemas táticos. Conclui-se que os níveis de associação entre o juízo
de valor dos profissionais em relação aos testes de habilidades específicas é fraco e subestima amostra do estudo.
Palavras-chave
Futebol. Talento. Seleção. Habilidades.
Levels of association between football selectors and observers and a battery of tests in the process of talents
detection in youth football teams
ABSTRACT
Introduction: The domination of scientific knowledge, along with the continuous construction of value judgment is vital to the sport
selection process. This study aim to correlate value judgment set by professionals involved in football and the results obtained from a battery
of tests which assessed football specific skills in the selection process of athletes from youth teams. Materials and Methods: The study
involved five professional coaches who observed players from eight under-17 football teams affiliated to the Patos Football League. The battery of tests was constituted by: dribbling, shooting, pass to a teammate and dexterity. Cohen’s Kappa measure of agreement and Spearman’s rank correlation coefficient were used in order to determine the level of association for a level of significance of p<0,05. Results: The
results indicated that the evaluated sports skills showed disparities since 35% of the athletes were ranked as very good and 8% as bad. A
significantly difference between Coach 1 and the other coaches was observed. The association between the coaches’ selection criteria and
the results obtained in the specific tests was weak, 3,6%. Discussion: Sports selection process must be based on technical and cognitive
criteria as it allows the composition of a team which is able to follow the tactical models. It is concluded that the level of association between
the coaches’ value judgment and the specific abilities tests was considered weak and underestimates the study sample.
Key words
Football. Talent. Selection. Skills.
1
2
Universidad Autónoma de Asúncion – Asunción - Paraguay
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, Portugal.
Copyright 2010 por Centro Brasileiro de Atividade Física
Fit Perf J. | Rio de Janeiro | 9 | 3/4 | 50-57 | jul/dez 2010
Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes...
Niveles
de asociación entre seleccionadores y batería de testes en el proceso de
Detección
de talentos en las
categorías de base de fútbol de campo
RESUMEN
Introducción: El dominio del conocimiento científico, juntamente con la construcción continúa del juicio de valor es fundamental en
el proceso de selección en el deporte. El objetivo del presente estudio fue establecer el nivel de asociación entre el juicio de valores de profesionales de fútbol a los resultados de batería de testes para las habilidades especificas del fútbol en el proceso de selección de atletas de
categoría de bases. Materiales y Métodos: el estudio tuvo cinco profesionales/técnicos expertos que, durante cuatro partidos observaron
jugadores de 8 equipos de la categoría sub-17 filiadas a liga Patoense de fútbol. A batería de testes fue constituida de: drible. Pase, chute y
de destreza en el partido de fútbol. El teste de concordancia de Kappa de Cohen y el coeficiente de correlación Spearman fueron utilizados
para determinar el nivel de asociación, para un nivel de significancia de p<0,05. Resultados: Los resultados indicaron que las habilidades
deportivas evaluadas presentaron disparidades, ya que, 35% de los atletas fueron conceptuados con muy bueno y 8% con malo. Se observó
diferencia significativa (p<0,01) entre el Técnico 1 en relación a los otros técnicos. La asociación entre los criterios de selección de los técnicos con los resultados observados en los testes específicos fue malo 3,6% Discusión: La selección deportiva debe ser basada en criterios
técnicos y cognitivos lo que permitirá formar un elenco capaz de seguir los esquemas taticos. Se concluye que los niveles de asociación entre
el juicio de valor de los profesionales en relación a los Testes de habilidades especificas es malo y subestima la muestra del estudio
Palabras-clave
Fútbol. Talento. Selección. Habilidades.
Introdução
O esporte é uma manifestação cultural pautada no movimento, sendo que, as intervenções científicas buscam o desenvolvimento
teórico e temático buscando soluções que permitam aprimorar as
práticas esportivas (1). De todas as modalidades esportivas coletivas
praticadas no Brasil, o futebol de campo é o que menos apresenta
aplicação do conhecimento científico na seleção e qualificação da
equipe, seja do ponto de vista qualitativo como quantitativo (2). A
modalidade utiliza métodos, que de alguma forma estão diretamente
centrados na vivência empírica do técnico e ou de sua comissão técnica. Quer queira ou não, apresenta uma coerência, o que favorece
ao senso comum, afirmando que o jogador de futebol brasileiro tem
uma qualidade excepcional para os critérios internacionais (2).
Sendo assim, é esperado por parte dos técnicos de futebol, um
conhecimento forjado no empirismo, fundamentado na experiência
pessoal como principais instrumentos de juízo de valor, o qual é isolado, parcial e subjetivo, e alicerçado numa informação disponível.
Todavia pode ser momentânea, podendo resultar recusa de atletas
no processo de seleção (3). Um julgamento de valor é bem diferente
de uma opinião, (não se pode usar a opinião e julgamento de valor
como sinônimo). Um juízo é um processo que atribui um valor para
algo e na realidade depende do julgamento. Constituir um julgamento, e estabelece um caso concreto, buscando fatos fundamentados
em evidências, visando determinar o valor tido como elemento-base.
É exatamente nesta avaliação que se encontram as várias atividades
e competências. Avaliar a subjetividade e a performance física ou
cognitiva, prevalecendo o conhecimento dentro do processo de seleção, o que permite ter o controle e o planejamento da intervenção;
aguardando a resposta do processo de aprendizagem dentro de
normas ou critérios preestabelecidos (4).
Apesar de haver um processo de seleção, culminando em uma
classificação dos atletas, a qual expressa a caracteristica de um
sistema, ordenado em diferentes graus de proficiência. Estando os
processos e instrumentos de avaliação vinculados a uma gama de
criterios escolhidos em função do tipo de resultados pretendidos (4,5).
Tais procedimentos empíricos não implicam na perda da qualidade
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57
dos jogadores de futebol, o que pode ser confirmado pelo fato de
a seleção Brasileira estar sempre no ápice do rank da FIFA. O que
pode explicar tal fenômeno é que a qualidade observada nesses
jogadores não é inerente ao treinamento ou aos critérios técnicos empregados na seleção, mais sim, devido à prática desta modalidade
em todo o território nacional. Constata-se que, é fundamental para
o desenvolvimento da modalidade, estudos que possam identificar
quais são os fatores que estão relacionados à melhoria do rendimento técnico e tático, o que proporcionará maior qualidade na
formação e qualificação dos atletas (6).
Devido a tais fatos, nota-se a necessidade da utilização de
critérios científicos que possam identificar talentos e/ou potenciais
esportivos, de forma mais abrangente, investigando-se através dos
métodos sistematizados, considerando-se as variáveis envolvidas no
aprimoramento desportivo (7). Ratifica-se assim, que os estudos das
habilidades específicas do futebol devem auxiliar no processo seletivo. O domínio do conhecimento científico somados aos atribuídos
supracitados dos técnicos e da comissão pode ampliar as possibilidades de sucesso na seleção e constituição das categorias de base
das equipes de futebol que envolve diferentes faixas etárias, fundamentada em parâmetros fisiológicos e motores (8). Sendo assim, este
estudo teve por objetivo verificar o nível de associação entre o juízo
de valores estabelecido por profissionais de futebol e os resultados
quantitativos obtidos em bateria de testes das habilidades específicas do futebol no processo de seleção de atletas da categoria de
base.
Método
O delineamento aplicado no presente estudo foi o método de
pesquisa de avaliação com abordagem comparativa e correlacional, pois se propõe a estabelecer uma relação entre as variáveis
quantificadas no teste e as quantificadas pelos observadores.
Amostra
O estudo foi realizado no Estádio Municipal José Cavalcante
e teve como amostra um grupo de 4 profissionais habituados no
51
Nascimento, Barbosa
processo de seleção através de procedimento observacional das
capacidades desportivas de crianças e adolescentes candidatas a
compor as categorias de bases nas equipes de futebol de campo.
Os profissionais convidados observaram e avaliaram 148 indivíduos do sexo masculino da categoria SUB 17, oito equipes inscritas
e filiadas a Liga Patoense de Futebol, que se confrontaram em
quatro jogos.
Protocolos e Procedimentos.
Os profissionais convidados avaliaram em cada jogo dois
atletas por posição, em todos os quesitos técnicos e táticos. A
Seleção foi realizada em um final de semana e no final de semana
subsequente foram aplicados os testes de habilidades específicas
do futebol descritos abaixo. A aplicação dos testes de habilidades
específicas para o futebol foi realizada em um campo gramado
nas dimensões oficiais com balizas.
Drible - Teste de Drible de Mor - Christian (10)
Foi marcado um percurso circular com um diâmetro de
18,5m no campo de futebol. A linha de início é uma linha de
91,5cm traçada de forma perpendicular ao círculo. São colocados
cones de 46cm de altura com intervalos de 4,5m ao redor do círculo. O atleta é posicionado na linha de início com uma bola; ao
comando: ”Pronto, vai”, o examinado driblou a bola ao redor do
percurso, correndo sinuosamente pelos cones até voltar ao ponto
de pardida, tentando completar o percurso o mais rápido possível. Foram realizadas três tentativas, registradas para o tempo de
0,1s mais próximos. A primeira tentativa foi realizada no sentido
horário, a segunda no sentido anti-horário e a terceira, na direção
da escolha do examinado. Sendo compilados os dois melhores
resultados obtidos.
Teste do Passe de Mor – Christian (10)
Foi marcado um gol de 91cm de largura e 46cm de altura
com dois cones e uma corda. Três outros cones são colocados a
14m do centro do gol, a 90° e a 45°. Os examinados passaram
uma bola parada com segmento corporal dominante ou da escolha, para dentro de um pequeno gol, a partir dos três ângulos
marcados pelos cones. Foram dadas quatro tentativas consecutivas
para cada ângulo, totalizando 12 passes. Foram permitidas duas
tentativas de prática para cada ângulo. Foi atribuído um ponto
para todos os passes que passaram pelos cones (entraram no gol)
ou que tocarem em um deles. O avaliado pode perfazer um escore
total de 12 pontos.
Teste do Chute de Mor – Christian (10)
Um gol regulamentar de futebol foi dividido em áreas de
resultados por duas cordas suspensas na trave, a 1,22m de cada
baliza do gol. Além disso, cada área de resultado foi dividida em
áreas de alvo superior e inferior, perdurando-se circunferência com
20 cm de raio. Foi marcada uma linha de chute a 14,5m do gol.
O examinado chutou uma bola estacionária com o pé dominante
ou de escolha, em qualquer ponto ao longo da linha de chute de
14,5m. Foram oferecidas quatro tentativas para a prática, e então
tentados quatro chutes consecutivos em cada uma das circunferências, totalizando 16 tentativas. Se a bola fosse chutada para
dentro ou rebatida em algum alvo pretendido, eram concedidos
10 pontos; eram marcados 4 pontos se a bola fosse chutada para
52
dentro ou rebatida em algum alvo adjacente àquele pretendido.
Não foram atribuídos pontos para chutes que foram entre as áreas
de alvo ou para bolas que rolaram ou saltaram pelas áreas de
alvo. O resultado máximo foi 160 pontos.
Destreza no jogo de futebol em uma situação regular (11).
Teste foi utilizado para medir a destreza no futebol em uma
situação natural de jogo e realizado através do Instrumento Pioneiro para Medir a Destreza no Jogo de Futebol em uma Situação Regular (PIMSPARS). O objetivo deste instrumento foi avaliar
a destreza no futebol em uma situação regular de jogo. Utilizando
avaliações de especialistas em uma escala de cinco pontos de
Likert, as pontuações Médias da importância dos 10 atributos de
destreza inclusivas no PIMSPARS variaram de 4,5 a 5,0. As avaliações da concordância entre os observadores variaram de 0,80 a
1,00, com uma avaliação média de 0,83. Os autores concluíram:
“O PIMSPARS” parece ser cientificamente significativo para a avaliação precisa da destreza de jogos em situações naturais.
Enquanto o examinado estava jogando, um profissional qualificado (Profissional de Educação Física) observava 10 comportamentos-chave e registrava as observações no formulário de observação do PIMSPARS. Os comportamentos-chave são definidos
no quadro 1 (anexo 1); o formulário de observação do PIMSPARS
é mostrado no quadro 2 (anexo 2). Para cada condição que se
apresentou foram aplicados os 5 passos de forma cronológica:
Passo 1. O anotador teve que identificar uma condição no
jogo que possua potencial para extrair um comportamento-chave
do examinado.
Passo 2. O anotador determinou se o examinado respondeu
à condição. Se ela foi ignorada, o anotador marcou um X na
coluna I (ignorado), correspondendo à condição. O anotador escreveu o símbolo para o comportamento-chave que foi ignorado
na coluna SC (Símbolo do comportamento).
Passo 3. Se o examinado conheceu e respondeu à condição,
a coluna I foi deixada em branco e o símbolo para o comportamento-chave realizado foi registrado na coluna SC.
Passo 4. O anotador determinou a adequação ou precisão
de resposta do examinado à condição. O anotador marcou um X
na coluna A (apropriado) para designar uma resposta apropriada.
Se esta fosse apresentada de forma inadequada ou incongruente,
ele fazia um X na coluna IA (inadequado).
Passo 5. O anotador determinou o resultado ou produto da
resposta do examinado. Se o resultado fosse bom, o anotador
fazia um X na coluna S (sucesso). Se fosse ruim, o anotador fazia
um X na coluna IS (insucesso).
Por exemplo, caso surgisse à oportunidade de um movimento
defensivo e o examinado respondesse apropriadamente, mas fosse
mal-sucedido na tentativa, o anotador marcaria um MD na coluna
SC, um X na coluna A e um X na coluna IS.
Após completar os dados observados, o anotador completou
o registro resumido de todas as oportunidades para se responder
coletivamente e/ou com comportamentos-chave individuais. Os
dados foram analisados para rever os padrões de comportamento.
Para obtenção das analises do nível ou qualificação dos jogadores/candidatos pelos técnicos, foi aplicado um questionário em
escala classificatória nominal seguindo uma ordenação numérica
de 0 a 10 onde os valores inferiores a 7 foram considerados reprovados e os superiores classificados como aprovados.
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57
Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes...
Tratamento Estatístico
Para melhor visualização dos resultados obtidos na bateria
de testes, os indivíduos foram agrupados segundo a análise de
Cluster tendo como variável determinante o nível de habilidade
observado. Para tanto, foi realizado o somatório dos pontos atribuidos na bateria de teste, para obter a classificação nominal
aprovado (AP = 1) e reprovada (RP = 0).
Foram aplicados os seguintes tratamentos estatísticos subsequentemente: a) a análise da concordância dos resultados finais
da bateria de testes com os resultados observados pelos profissionais por meio da análise estatística não-paramétrica Qui-quadrado e teste de associação para dados de Kappa de Cohen (K),
sendo que após a bateria de teste o candidato será classificado
conforme o critério supracitado; b) para estabelecer o nível de correlação entre os profissionais e os resultados da bateria de teste foi
utilizado o teste de coeficiente de correlação de Spearman. Os resultados foram apresentados por meio da estatística de tendência
central média e pelas medidas de dispersão, desvio padrão (média ± DP) e pela frequência relativa para os níveis de concordância do juízo de valores observados. A aceitação da concordância
ou da diferença dos resultados deveria atender a probabilidade
que os achados não se devem ao acaso, para tanto foi observado
um nível de significância de p < 0,05.
Resultados
A análise dos resultados do presente estudo procurou obedecer aos pressupostos da autenticidade científica, para tanto, foi
aplicada a estatística inferencial buscando de esta forma estabelecer parâmetros para a qualificação esportiva. Os resultados para
os testes de habilidades esportivas (tabela 1) onde se estabeleceu
a linha de corte para o nível de habilidade, sendo classificado
com ruim: o atleta que teve pontuação <127; regular: pontuação
entre 128 a 169; bom: os que tiveram pontuação entre 170 e 214
e, muito bom: aqueles que obtiveram pontuação superior a 215. A
idade média dos atletas avaliados foi 15 ± 2 anos.
Tabela 1: Resultados médios e desvio padrão (Media±DP) para os
testes de habilidades esportivas de atletas de futebol da categoria
sub 17, submetido ao processo de seleção na Cidade de Patos na
Paraíba – PB, Brasil.
Min.
Max.
Média±DP
Chute
0
160
51,45±43,72
Drible
38,57
52,67
45,92±3,57
Passe
50
120
91,02±18,07
Destreza
∑ da escala de
6
9
7,44±0,71
98,55
332,38
195,84±52,29
pontos
∑ = somatório.
Os resultados para a pontuação atribuída no processo de seleção apresentou diferença significativa (p = 0,008), entre os pontos
atribuídos pelos técnicos e a pontuação obtida nos testes de habilidades esportivas. Também foi obtida diferença significativa (p
0,04) entre os escores distribuídos pelos técnicos, indicando uma
discordância entre os mesmos (tabela 2).
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57
Tabela 2: Resultados médios e desvio padrão (media±DP) da escala de pontuação para as habilidades esportivas e de técnicos
utilizados como critério de avaliação de atletas de futebol da categoria sub 17 submetidos ao processo de seleção na Cidade de
Patos – PB, Brasil.
Média±DP
EPH testes
EPE da
media
95% Confidence Interval
Lower
Upper Bound
Bound
2,11±1,00
0,11
1,90
2,33
Tec1
2,66±1.16*†
0,12
2,41
2,91
Tec2
2,41±0,80
0,08
2,24
2,58
Tec3
2,31±0,79
0,08
2,14
2,47
Tec4
2,25±0,82
0,09
2,08
2,42
Tec5
2,16±0,80
0,09
1,99
2,33
EPH = Escala de pontos das habilidades de teste; Tec = pontuação dada pelos Técnicos
convidados para o processo de seleção dos atletas. * = diferença significativa entre a
pontuação da EPH e a pontuação do técnico (p<0,05); † = diferença significativa entre os
técnicos (p<0,05)
Para melhor interpretação dos resultados em função do nível
de qualificação esportiva, os atletas foram agrupados em subgrupos estabelecidos pela análise de Clusters conforme a pontuação
obtida. A distribuição por frequência relativa dos atletas pode ser
observada no gráfico 1. No gráfico 2, são apresentadas as frequências relativas as menções finais atribuídas pelos técnicos e nos testes
de habilidades esportivas específicas. A determinação das classes
foi estabelecida como forma de identificar o nível de associação
entre os critérios de seleção e avaliação dos técnicos convidados
e a pontuação obtida na bateria de habilidades específicas para
a modalidade. Os resultados para a escala de Kappa de Cohen
foram baixos (0,041), indicaram um nível de concordância de estimativa pontual de 3,6%, o que demonstrou um nível de associação
entre os resultados da bateria de teste com os critérios dos técnicos
como fraca, uma vez que o valor observado é <0,4 em uma escala
de 0 a 1. Esse resultado demonstrou que não há uma associação
significativa (p = 0,248) entre os critérios utilizados pelos técnicos e
as habilidades esportivas ou fundamentos básicos apontados pela
bateria de testes. A concordância de estimativa por intervalo de confiança de 95% foi de -12,56% a 13,04%, o que veio confirmar a
fraca associação entre os resultados observados, bem como uma
dispersão ampla entre os criterios utilizados.
Discussão
As habilidades motoras podem ser consideradas como o ponto
de partida para a identificação de um talento esportivo. Para Barbanti o domínio das habilidades específicas ligadas a modalidades
é fundamental para o sucesso dos esquemas táticos em modalidades
esportivas. Os resultados pertinentes a bateria de testes, apontaram
que 34% do grupo de atletas submetidos ao processo de avaliação
apresentaram um nível de habilidade motora muito boa, divergindo
do julgamento atribuído pelos técnicos convidados para o estudo.
A disparidade observada entre a bateria de testes e o juízo de
valores dos técnicos pode ser interpretada de duas formas, sendo
a primeira permeada pelo fator histórico embutido nos conceitos
utilizados pelos técnicos de futebol, levando-se em consideração a
vivência dentro da modalidade e, a outra forma de interpretar essa
disparidade é, justamente, a falta da adoção de critérios fundamen-
53
Nascimento, Barbosa
tados não só pela vivência, mas também pela conjugação das informações obtidas de um conhecimento sistematizado (12).
Pelos resultados obtidos ficou claro que a segunda interpretação seria a melhor forma de explicar a disparidade. Uma vez
que o autor aponta que a combinação entre as informações obtidas
por meio de instrumentos ou métodos cientificamente comprovados
somados as vivências da comissão técnica passam a ser a forma
mais eficaz para a seleção do talento esportivo em diferentes modalidades coletivas. Corroborando com o estudo de Massa et al (13)
no voleibol, onde os autores mostram que a análise das variáveis
que estão diretamente relacionadas com o alto rendimento permite
uma seleção mais suscetível ao sucesso do que apenas a adoção
de critérios subjetivos. Para Rigolin (14) a formação das gerações de
atletas no voleibol é dependente de um programa de longo prazo
sistematizado. Para tanto, a forma de seleção é fundamentada em
critérios estabelecidos em valores referenciais apoiados nos conhecimentos da psicologia, sociais, antropométricos e a aptidão física (15).
Entende-se desta forma que, para se alcançar um alto desempenho
é preciso um nível de desenvolvimento das capacidades físicas voltadas para a modalidade, assim como o domínio da técnica, compreensão da tática do jogo e da competição. (16). Tal observação ficou
evidente no presente estudo, já que aproximadamente 8% dos atletas não atingiram uma pontuação satisfatória (ruim) na bateria de
testes. No entanto, essa conceituação passou a ser bem maior pelo
critério de seleção utilizado pelo técnico 1, o qual conceituou mais
de 30% da amostra como ruim. O critério utilizado pelo técnico 1
passou a subestimar as capacidades físicas e cognitivas analisadas
nos testes. O que poderia elucidar em um primeiro momento essa
divergência de resultados. A questão é que o desempenho esportivo
é permeado por um conjunto de fatores que são dependentes das
interpretações ou determinações distintas em função dos diferentes
níveis de conhecimento (17).
O que significa não esperar que um indivíduo detenha todo o
conhecimento necessário apenas com uma vasta experiência prática
no que tange a seleção de jovens talentos esportivos. O que ficou
evidente ao se analisar as disparidades entre os atletas descritos na
tabela 1; onde os valores mínimos e máximos apresentaram uma
flutuação grande no que diz respeito à habilidade do chute, drible,
passe e a destreza, o que poderia explicar essa divergência observada entre os resultados dos testes e o técnico 1, entretanto, grande
parte da amostra recebeu o conceito regular pelos demais técnicos
convidados (gráfico 1). Demonstrado que o critério de seleção aplicado pelos demais técnicos, apresentou o mesmo comportamento de
subestimar as habilidades esportivas dos atletas, convergindo com o
critério utilizado pelo técnico 1.
Os critérios aplicados pelos técnicos convidados para compor
o presente estudo pareceram não levar em consideração aspectos
relacionados com o modelo Hohmann et. al. de 2002, descrito por
Bohme (18). No modelo, observa-se que o desempenho competitivo
atual é influenciado por variáveis como: Motivação/Vontade; Constituição corporal; Técnica e Coordenação; Condição e a Idade biológica. Somadas a Sistemas de suporte (família, escola, clubes e
federações) e o treinamento. Considerando o discurso de Lanaro
Filho e Bohme (19) no qual afirmam que para ser um talento, não são
importantes somente as características físicas individuais do atleta,
mas também o contexto geral em que esse atleta será trabalhado,
bem como o grupo onde ele for inserido e até mesmo a forma como
ele será tratado e treinado.
54
Para Kiss et. al.(17), os critérios subjetivos utilizados no processo
de detecção de talentos no esporte pode ser considerado de baixa
qualidade, devido a carência de pressupostos teóricos científicos
que disponibilizem todas as informações necessárias à tomada de
decisão no processo de seleção. Egerland et. al.(20) em seu estudo
cita que um treinador (técnico) em seu papel de desenvolver o esporte, deve ter além da formação acadêmica uma capacidade de reflexão somada à profunda convicção da validade do trabalho coletivo,
bem como se adequar aos avanços do conhecimento científico voltados para a modalidade. Cabe salientar que todos os atletas participavam de programas de treino em seus clubes e que todos estavam
escritos no campeonato da categoria Sub 17, onde suas equipes
encontravam-se entre as oito melhores ranqueadas no ano de 2010.
Em decorrência do treinamento, ratifica-se, a condição de que
os fundamentos técnicos favoreceram ao desempenho na modalidade, repercutindo positivamente nos resultados dos testes (21,22), o
que se confirmou, já que mais de 50% dos atletas apresentaram
domínio satisfatório (bom a muito bom) para os fundamentos necessários. Para Matvéiev (23) os fundamentos técnicos são princípios
norteadores para se atingir o objetivo do jogo/competição e deve
ser diretamente vinculada com o movimento especifico da modalidade (16,23,24,). Os resultados obtidos na bateria de teste aplicada no
presente estudo passaram a corroborar com De Rose Junior et. al.
(12)
que citam a importância do domínio das habilidades técnicas específicas, o que permite ao atleta a execução dos esquemas táticos
elaborados para a modalidade.
As contradições até aqui observadas entre os técnicos e os
resultados para os testes das habilidades esportivas, permitem compreender as inconclusões verificadas durante o processo de seleção
de atletas no futebol brasileiro. A atual forma desenvolvida em todos
os âmbitos das modalidades, ou seja, nos pequenos e grandes clubes, não se mostra adequada, já que os índices de aproveitamento
pelos técnicos é baixo, como podem ser observados no gráfico 2.
A tomada de decisão não deve ser sustentada só no empirismo,
mais também, no conjunto de informações, planificado por uma
equipe multidisciplinar, unidos com o propósito de assegurar que
a seleção será pautada na qualidade técnica e em outros critérios
que sejam fundamentais para o rendimento do atleta junto à equipe
(13,24,25)
. Montagner e Silva (16) ao analisarem o processo de seleção
de jovens atletas do futebol constataram que os conceitos e conhecimentos científicos que permeiam o processo não são levados em
consideração pelos clubes e associações esportivas, o que confirma
os resultados aqui apresentados (gráfico 2). Como exemplo pode
ser citado o estudo de Pena et. al.(25), que analisaram a variação da
idade por meio dos quartis de nascimento como fator determinante
da seleção de atletas nas modalidades futsal e futebol. Os resultados
apontaram a predominância do primeiro e segundo quartis de nascimento como fator determinante da performance nas modalidades,
concluindo que os técnicos teriam tendência em selecionar os atletas
mais pelos atributos físicos do que pelos fundamentos técnicos e
táticos vinculados com a modalidade.
Costa e Massa (26), em estudo, objetivando comparar os critérios de seleção e detecção do talento no Handebol com 4 técnicos,
constataram que entre os atributos para um bom atleta na modalidade, a inteligência, foi ponto unânime e que apenas 3 (75%) dos
técnicos consideraram aspectos motores e antropométricos como importantes para o atleta na modalidade. A capacidade cognitiva dos
atletas foi determinada no presente estudo pelo teste de destreza (ta-
Fit Perf J. 2010 jul-set: (9)3:50-57
Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes...
bela 1), mas não se pode afirmar que os técnicos que participaram
do processo de avaliação, no momento em que aplicaram os juízos
de valores para classificar os atletas, tenham observado a capacidade de raciocínio e tomada de decisão por parte dos mesmos (26).
Nos esportes coletivos, parece que as qualidades específicas
seriam o arcabouço para os aspectos técnicos táticos em favor do
coletivo. Contudo, à identificação e estimulação das capacidades
individuais compreendidas pela morfologia, estado de saúde, capacidades físicas e capacidade cognitiva necessitam que seja feita de
forma mais sistematizada dentro do âmbito do futebol. Para tanto,
é fundamental que se estabeleça critérios científicos norteados por
bateria de testes que permita um diagnóstico nas diferentes esferas
do conhecimento que envolve a formação de um atleta. (19, 27, 28, 29).
A perspectiva é que se construa um conteúdo único, de maneira hegemônica, com atitudes e procedimentos unificados em torno
da construção do embasamento e da elaboração de um método
seletivo para o futebol. O aspecto enfocado por Paoli; Silva; Soares
(29)
fica evidente no presente estudo, já que o comportamento dos
resultados entre técnicos é dispare, quando comparados e mesmo
quando confrontados com os resultados obtidos na bateria de testes,
tornando-se ainda mais evidente a necessidade de aplicar o conhecimento científico no âmbito do futebol. Desta forma, sugere-se o
aprofundamento desta linha de investigação de maneira tal que se
possa estabelecer dentro do âmbito da modalidade, critérios fundamentados em parâmetros científicos que venham contribuir de forma
efetiva tanto na detecção como na formação do atleta de futebol.
Conclusão
Os resultados obtidos no presente estudo apontaram diferenças significativas entre as habilidades físicas testadas e os critérios
de juízo de valor utilizados pelos técnicos. Confirmando que não há
uma associação entre os critérios empíricos aplicados pelos técnicos
e os critérios científicos observados nos testes específicos para a
modalidade. Desta feita, observa-se a necessidade de uma qualificação dos profissionais envolvidos no processo de seleção bem como
de parâmetros científicos que possam contribuir de forma especifica
no processo de seleção e detecção do atleta de futebol de campo.
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Gráfico 1. Representação da frequência absoluta do nível de classificação esportiva de atletas de futebol da categoria sub 17 submetidos
ao processo de avaliação e seleção na Cidade de Patos – PB, Brasil.
Gráfico 2. Resultados finais atribuídos em testes por técnicos convidados para a classificação de atletas de futebol da categoria sub 17
submetidos ao processo de seleção na Cidade de Patos – PB, Brasil.
56
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Níveis de associação entre selecionadores e bateria de testes...
Quadro 1: Definições operacionais dos comportamentos-chave para o PIMSPARS.
Comportamento-chave
Posicionar-se para um passe
Posicionamento Defensivo
Manobras e finta
Definição
Movimento deliberado para um espaço aberto a fim de receber um passe de um colega de equipe. A troca de passes incluída
nessa categoria.
Movimento deliberado rumo à área de gol do próprio jogador, a fim de ajudar na defesa; não incluí empurrões para ganhar
a pose de bola.
Cria uma ilusão com os movimentos do corpo, que fazem com que o oponente hesite, ter os olhos da bola e perca o equilíbrio,
ficando em desvantagem
Movimento no espaço ou longe da bola na tentativa de criar oportunidade para uma resposta por parte de um colega que
Indução
tenha a posse da bola ou para aumentar o potencial de ataque do time; não incluí o posicionamento para o passe ou o defensivo. Os movimentos de indução ocorrem na direção oposta do colega de equipe com a bola, para tirar um defensor longe da
bola, a fim de dar mais espaço para o companheiro com a bola.
Empurrão
Passe
Assistência
Chute
Tentativa de ganhar ou recuperar a posse de bola de um oponente, contendo este (segurando), parando um movimento de
ataque.
Tentativa de passar a bola para um companheiro de equipe por meio de um chute com qualquer parte do corpo, exceto as
mãos. Não incluí os passes que resultem em chutes mal sucedidos ao gol por outro companheiro de equipe.
Passe que precede um chute bem sucedido de um companheiro de equipe para o gol. A bola pode ser passada por meio de
um chute com qualquer parte do corpo, exceto as mãos.
Tentativa de enviar a bola para o gol por meio de um chute com qualquer parte do corpo, exceto as mãos, com a finalidade
de marcar um gol.
Tentativa de receber uma bola por meio de um lançamento ou chute com qualquer parte do corpo exceto as mãos, de forma
Perseguição
que a bola se mantenha sob o controle do jogador ao alcance dele. A perseguição é mal sucedida se o jogador dá mais de
um passo para recuperar a bola
Qualquer tentativa feita por um jogador de parar um chute a gol com qualquer parte do corpo, exceto as mãos. Todas as
Salvamento defensivo
ações do goleiro realizadas para evitar que a bola seja convertida em gol incluem-se nesta categoria. Estão incluídas aqui as
obstruções ao redor da área de gol que são realizadas com a intenção de quebrar as ações ofensivas.
Quadro 2: Formulário de registro de observação para Medir a Destreza no Jogo de Futebol em uma Situação Regular – PIMSPARS (Ocansey e Kutame, 1991).
Estudante ______________
Registrador ____________
Data _________
Tempo _________
até__________
Tipo de jogo ___________
Comportamentos-Chave
PP: Posicionamento para um passe
PD: Posicionamento defensivo
M:Manobras e finta
I: Indução
E: Empurrão
C: Chute
P:Passe
T: Perseguição
A: Assistência
SD: Salvamento Defensivo
Símbolos-Chave para a avaliação
ODR:Oportunidade de Responder SC: Símbolo do comportamento A: Apropriado IA: Inadequado S: Sucesso I: Ignore IS: Insucesso
ODR I SC A IA S IS
ODR I SC A IA S IS
1 ___________________
1 ___________________
2 ___________________
2 ___________________
3 ___________________
3 ___________________
4 ___________________
4 ___________________
5 ___________________
5 ___________________
6 ___________________
6 ___________________
7 ___________________
7 ___________________
8 ___________________
8 ___________________
9 ___________________
9 ___________________
10 ___________________
10 ___________________
11 ___________________
11 ___________________
12 ___________________
12 ___________________
13 ___________________
13 ___________________
14 ___________________
14 ___________________
15 ___________________
15 ___________________
Registro Reduzido ODRs:_________________ Respostas Reais ___________ I= ______________
Razão ODR/respostas reais _________/___________
A:___________ IA:___________ Razão A/IA_____________
%A: ____________
S:____________IS:___________ Razão S/IS _____________
%S: ____________
Comportamentos-Chave
PP:_______ PD: _______ M: ________ E: _________ C: ________ P: _______ A:_________ SD: ________ P:________ I: _________
Fonte: ADAPTADO de Tritschler (2003).
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