Agenda 1. Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 03 2. Metodologia ------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 05 3. Características Gerais dos Canais ----------------------------------------------------------------------- 11 4. Evolução do Mercado de Vinhos na Visão dos Canais: presente x passado x futuro ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 21 5. Estrutura da Oferta de Vinho -------------------------------------------------------------------------------- 49 6. Papel do Canal -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 69 7. Avaliação dos Fornecedores de Vinho ----------------------------------------------------------------- 85 8. Imagem do Vinho Diante dos Canais ------------------------------------------------------------------107 9. A Demanda na Visão dos Canais -------------------------------------------------------------------------121 10. Conclusões & Recomendações ---------------------------------------------------------------------------143 1 2 1. Introdução 3 A perspectiva geral dos canais sobre os rumos do mercado de vinho é positiva, reverberando a percepção de paulatino amadurecimento da demanda e de esforços mais afinados entre produtores e fornecedores para tornar o mercado interno mais competitivo e rentável. Para os canais, o vinho (basicamente, fino e espumante) oferece vantagens de rendimento financeiro e imagem que superam outras bebidas alcoólicas, o que atribui à bebida uma singular importância comercial. A queda na média geral dos preços (fruto da importação de vinhos do Chile e Argentina) permitiu o acesso a produtos de qualidade para maiores frações do público, estimulando uma emergente cultura do vinho, tanto na ponta consumidora quanto no surgimento de canais específicos ou na especialização de canais já existentes. Entretanto, o volume atual de vendas de vinho está aquém da expectativa da maioria dos canais, que acreditam no potencial de crescimento natural do consumo, beneficiando o giro mais eficiente da sua oferta. Esse potencial de um maior volume de vendas depende da superação de algumas barreiras pelo consumidor e pelos fornecedores, que vão da sazonalidade à fraca associação com alimentos; da redução do consumo a âmbitos e ocasiões extremamente singulares à qualidade irregular do produto e posicionamento mercadológico por parte da oferta. A atual composição da oferta, excessivamente variada e fragmentada, é avaliada pelos canais como relativamente descompassada em relação ao grau de baixa sofisticação e à emergente incorporação do vinho como hábito pelo consumidor médio brasileiro. O resultado é uma dificuldade para os canais em construir ou comunicar, para o comprador, uma proposta coerente relativa ao vinho, que fuja dos estereótipos de bebida regional, sazonal, ocasional ou elitizada. Nesse sentido, a expectativa do setor corporativo é de que as ações realizadas para estimular o aumento do consumo devam impactar positivamente no volume de vendas: se hoje a margem de lucro é alta para o comércio do vinho, se comparado ao da cerveja, com o aumento do hábito do consumo da bebida, o volume de venda do vinho aumentará em detrimento da margem de lucro. O desafio é, portanto, ganhar escala na medida em que esse crescimento for ocorrendo. O segmento corporativo espera dos fornecedores e interessados pela expansão do vinho uma atitude conjunta mais enérgica em prol do crescimento do setor e uma posição mercadológica mais transparente e organizada quanto à cadeia de comercialização do produto. Enquanto o fato de algumas vinícolas venderem tanto para os canais quanto para o próprio consumidor final fizer parte do cenário, o benefício para todos os players será menor, enfraquecendo o setor como um todo. A percepção de que alguns canais são mais privilegiados por fornecedores do que outros, especialmente devido ao nível de especialização do vinho (lojas especializadas), alto poder de barganha pelo volume de venda em grande escala (grandes redes supermercadistas) ou pelo público seletivo de alguns tipos de canais (tais como HORECA, que priorizam públicos elitizados) é avaliada como uma barreira que trava o crescimento do próprio setor. Nas próximas páginas, apresentamos os detalhes sobre a visão crítica dos canais a respeito do momento do vinho no Brasil, bem como suas expectativas futuras. 4 2. Metodologia 5 2.1 – Metodologia e Amostra Empregou-se a metodologia qualitativa de entrevistas em profundidade pessoais com canais que ofertam vinhos e espumantes nacionais, argentinos e chilenos, com intuito de compreender diferenças regionais, variações de políticas de venda e distribuição. Para esta etapa, foram realizadas 63 entrevistas com compradores dos canais de distribuição e comercialização do vinho, divididas nas cidades de São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Foram efetuadas 21 entrevistas em cada uma das cidades pesquisadas, sendo 11 delas com o varejo e 10 entre HORECA e Distribuidores. A etapa de campo foi realizado no mês de Setembro de 2007. As entrevistas tiveram a duração de 1h e 30 minutos, em média. Abaixo, o quadro 1 exibe com detalhes a amostra desse estudo: Distribuição da amostra Tipo Varejistas Tipo HORECA e Distribuidor Composição da amostra por cidade: 1 entrevista – lojas pequenas ( até 4 caixas) 2 entrevistas – lojas pequenas/médias ( de 5 a 9 caixas) 3 entrevistas - lojas médias ( de 10 a 19 caixas) 2 entrevistas – lojas grandes ( de 20 a 49 caixas) 1 entrevista - loja hiper ( + de 50 caixas) 2 entrevistas – lojas especializadas em bebidas e vinhos. Composição da amostra por cidade: 3 entrevistas - *Atacadistas. 2 entrevistas – Restaurantes 2 entrevistas – Hotéis (3 e 5 estrelas) 2 entrevistas - Buffets 1 entrevista – Bares * Distribuidor, Importador e Atacado Total entrevistas = 11 Total entrevistas = 10 CAVEAT: A análise a seguir é válida apenas para as 3 cidades pesquisadas e, sob um prisma bastante prudente, pode ser projetada às regiões metropolitanas destas cidades e a algumas cidades geograficamente próximas, de grande porte e que compartilhem características demográficas semelhantes. Contudo, o fato não diminui a necessidade de considerar, numa futura etapa, ampliar a pesquisa para outras localidades-chave com dinâmicas e perfis diferentes destas 3 cidades, tais como: a) cidades do interior de SP (ex: Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Campinas, etc.); b) cidades de porte médio e renda média alta das regiões Sul (ex: Londrina, Florianópolis); cidades da região Centro-Oeste (Campo Grande, Goiânia, Cuiabá); e c) cidades de grande porte (ex: Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Curitiba). Os achados mostram que as diferenças regionais estão presentes e são capazes de discriminar níveis de consumo e perfis de consumidor. Ademais, a avaliação do ponto de vista da oferta não segue padrões legitimados, fortemente influenciados pelas distâncias geográficas, fator crucial para julgar a performance da cadeia de comercialização do vinho no país. O quadro a seguir exibe com detalhes a amostra por cidade deste estudo. 6 AMOSTRA – PORTO ALEGRE Nº 1 PERFIL VAREJO ESTABELECIMENTO Loja pequena Boscaini Super Dungo 2 3 Lojas médias Sócio proprietário Gerente Proprietário Danilo&Cia Gerente de compras Super Bird Gerente de compras Super Bruneto Gerente de compras (setor de bebidas) Wal Mart Sul Gerente – Chefe de Loja Gerente Comercial (setor de bebidas) Lojas grandes Nacional/Big 1 Loja hiper Carrefour 1 Loja de vinho e outros produtos Ametista 1 Loja Especializada Enoteca Conte Freire Gestor de Bebidas Gerente geral Gerente de compras Total - Canais PERFIL ATACADISTAS/ HORECA 3 Proprietário Comer.Bom 2 11 Nº Lojas pequenas/médias CARGO DO ENTREVISTADO Atacadistas ESTABELECIMENTO CARGO DO ENTREVISTADO Max atacado Comprador de Bebidas Armazém dos Importados ( distribuidor) Gerente Geral (Enologo) Costi Bebidas (distribuidor) Sócio Gerente La Colina Proprietário 2 Restaurantes El Fuego Gerente de Compras 1 Bar Tortaria Chefe de compras Holiday Inn Gerente Comercial Ritter Hotel Comprador Blue Tree Comprador Plaza São Rafael - Buffet Comprador 2 2 10 Hotéis Buffets Total Atacadista/Horeca. 7 AMOSTRA SÃO PAULO Nº 1 PERFIL VAREJO ESTABELECIMENTO Loja pequena Irmãos Suto Comercio CARGO DO ENTREVISTADO Responsável pelas Compras Emporium São Paulo 2 3 Lojas pequenas/médias Lojas médias Sommelier da Rede Futurama Gerente de loja Hitota Sommelier Agate Gerente de loja Pão de Açucar Gerente ( responsável pelas compras) Extra Chefe de mercearia Gerente ( responsável pelas compras de bebidas e bazar) 2 Lojas grandes Satmo 1 Loja hiper Berganini 1 Loja Especializada La Fronteira Vinho e Cia 1 Loja de Vinhos e outros produtos Armazém dos importados 11 Responsável pelo setor de bebidas da loja Gerente / proprietário Gerente Total - Canais ESTABELECIMENTO CARGO DO ENTREVISTADO Decanter ( Importador) Sommelier Br Bebidas ( distribuidor) Responsável pela compras e financeiro Atacadistas Florida (distribuidor) Proprietário Churrascaria Fogo de Chão Sócio Gerente 2 Restaurantes Figueira Rubayat Sommelier 1 Bar Café Jornal Responsável por suprimentos Mercure Membro da gerencia ( comprador) Gran Melia Gerente de Operações Fasano Gerente do Buffets Br Bebidas Membro da gerencia Nº PERFIL ATACADISTAS/ HORECA 3 2 2 10 Hotéis Buffets Total Atacadista / Horeca 8 AMOSTRA RECIFE Nº PERFIL VAREJO 1 Loja pequena ESTABELECIMENTO CARGO DO ENTREVISTADO Responsável pela compras (alimentos e bebidas) Paraíso Kennedy 2 3 Lojas pequenas/médias Lojas médias Gerente de loja Aeiense Gerente administrativo Deskontão Comprador Superetti Comprador Arco Iris Comprador Pão de Açúcar Gerente de compras Gerente de compras 2 Lojas grandes Carrefour 1 Loja hiper Bom Preço (Wall Mart) 2 Loja Especializada Casa dos Vinhos 11 Nº 3 2 2 3 10 Gerente Regional Comprador Total - Canais PERFIL ATACADISTA / HORECA ESTABELECIMENTO CARGO DO ENTREVISTADO Atacadistas Saturno Auxiliar de compras Representante Mistral ( importadora) Representantes Representante RM - Recife Mercantil Gerente de bebidas Restaurantes Wiella Bistrô Gerente Geral Churrascaria Spettus Mestre Bar Fiteiro Gerente Bar Biruta Comprador Marante Comprador Recife Palace Comprador Mar Hotel Comprador Bar Hoteis Total Atacadista/Horeca 9 CAVEAT: Conforme discutido e aprovado pelo cliente, a tabela anterior sintetiza os canais considerados relevantes de serem pesquisados nesta fase qualitativa, dentro das condições de cronograma e orçamento disponíveis, assim como forma de permitir comparabilidade com estudos anteriores realizados pelas partes contratantes. Um dos propósitos deste estudo foi pesquisar estabelecimentos que oferecessem vinhos nacionais, argentinos e chilenos para que se pudesse comparar a relação de consumidores e canais com as origens e a competitividade entre estes países; este critério de filtro (vinhos nacionais, argentinos e chilenos) exige uma amostra caracterizada mais pela oferta de vinhos finos do que vinhos de mesa. No caso da demanda, evidenciou-se esse foco no vinho fino ao privilegiar os vinhos finos ( principalmente em SP) no teste de degustação feito pelos participantes. Do total de entrevistas com canais por cidade, metade (10-11) apenas lidam com vinho fino como parte da própria natureza do negócio (i.e., HORECA, lojas especializadas, importadoras ou distribuidoras para HORECA). Os outros canais escolhidos apresentaram no seu portfólio, embora de forma irregular, vinhos de mesa. Porém, por questões de negócio (maior impacto nas vendas ou margens, maior espaço nas gôndolas e visibilidade no negócio, maior potencial de vendas cruzadas e alavanca de outros produtos), pela percepção do produto pelo encarregado das compras, logística ou gestão do ponto de venda, assim como para atender os objetivos da pesquisa de focar na comparabilidade entre produtos de origens diferentes (exigindo que o enfoque fosse colocado em vinhos finos, nos quais efetivamente se concentra a oferta importada - Chilenos e Argentinos), os vinhos de mesa nestas 3 cidades, para estes canais, ocuparam um lugar secundário, senão marginal, no discurso e na problemática do vinho como fonte de negócio e estratégia vinculada a bebidas alcoólicas para o próprio canal. Vale lembrar que esta análise não pode ser inferida para o resto do país, nem sequer para o Brasil urbano metropolitano. Qualquer expectativa de querer cruzar estes achados com dados que falam do consumo ou do negócio de vinho a nível nacional estará errando o alvo. A pesquisa ilustra muito bem a realidade da distribuição e comercialização das 3 cidades pesquisadas, as quais são os principais centros comerciais das regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Mas os dados dos canais não podem ser colocados em perspectiva com a média do consumo nacional, que leva em conta o que se consume (portanto, se comercializa) em todo o resto do país. Afinal, a população das 3 cidades aqui pesquisadas responde por apenas 7,5% da população nacional, e 14% da estritamente urbana. Como advertimos na fundamentação metodológica da proposta aprovada, a função da análise qualitativa não é corroborar suspeitas ou dúvidas sobre dimensões, tamanho do mercado ou volumes; não oferece um panorama representativo dos canais e sim um olhar sobre a dinâmica, dilemas e oportunidades presentes para canais específicos, escolhidos em função tanto do seu papel como oferta nos mercados das 3 grandes cidades pesquisadas, quanto da relevância que o negócio do vinho tem para estes canais. Considerando que o vinho fino é o que mais pesa em faturamento e lucro para grande parte dos canais, muito mais do que o vinho de mesa, a exploração do negócio do vinho de mesa, do ponto de vista qualitativo, exigiria uma mudança na seleção dos canais, o que, conseqüentemente, resultaria em abrir mão de outros objetivos pautados como essenciais a este estudo (como, por exemplo, comparação entre países, considerações sobre peso do fator uva, considerações de marketing e merchandising justificáveis apenas num contexto de rendimentos da ordem do proposto pelo produto vinho fino, etc). Dessa forma, em termos de informação e inteligência de mercado, optou-se por restringir o foco do estudo aos vinhos finos. 10 3. Características Gerais dos Canais 11 3.1 - Panorama Geral A cadeia de comercialização do vinho e até mesmo de outras bebidas (alcoólicas e não alcoólicas) é descentralizada e pouco padronizada. De maneira geral, o mercado de vinhos não exige exclusividade de marcas com exceção das importadoras. Exclusividade e Despadronização A exclusividade na comercialização do vinho é encontrada comumente em algumas importadoras e nas lojas especializadas (nas quais a exclusividade resulta do objetivo de desenvolver um posicionamento do negócio focado no vinho como protagonista). A exclusividade de marcas pode ser encontrada em representantes e distribuidores, mas não é uma regra. Por outro lado, o alto poder de barganha de algumas grandes redes de supermercado também viabiliza a imposição de exclusividade de oferta de alguns rótulos. Contudo, essas negociações são pontuais. Impacto Tributário A tentativa de driblar os impostos faz parte do dia-a-dia da comercialização dos produtos o que dá margem para negócios paralelos e, principalmente, para desvalorizar o produto nacional que perde poder de barganha. O ICMS cobrado sobre os produtos se diferencia de um estado para outro e, procurando oferecer os preços mais competitivos, alguns distribuidores buscam comercializar seus produtos com firmas estabelecidas nos estados onde os impostos são mais baratos. Esse fato pulveriza a distribuição do vinho tornando a logística mais dinâmica e menos padronizada. “(...) tem funcionários da empresa “(...) tem funcionários da empresa fornecedora que fazem concorrência fornecedora que fazem concorrência com a própria fornecedora, abrem com a própria fornecedora, abrem empresas em outros estados, como empresas em outros estados, como Espírito Santo, e trazem a Espírito Santo, e trazem a mercadoria para SP com um mercadoria para SP com um desconto do ICMS de 14%, fazendo desconto do ICMS de 14%, fazendo um desconto superior ao do um desconto superior ao do fornecedor” (Atacado, SP) fornecedor” (Atacado, SP) Canais Descentralizados e Pulverizados A fragmentação do fluxo da comercialização do vinho dá abertura para a “(...) é um entrada de diferentes players nesse mercado, tais como os chamados “(...) é um mercado “atravessadores”, ou para algumas pessoas que, por conta própria, mercado competitivo, tem compram a bebida em tonéis diretamente nos países de origem competitivo, tem muita gente que (principalmente Argentina e Chile). Às vezes, até o próprio consumidor tem muita gente que vende” (loja a chance de buscar o produto direto no fornecedor importado, fato que vende” (loja especializada, impacta particularmente nos canais do Rio Grande do Sul, nitidamente especializada, cidade - SP). ameaçados pelo contrabando. cidade - SP). O mercado dos vinhos é um mercado competitivo na visão dos que nele atuam, devido ao grande número de players envolvidos no processo de distribuição do produto, mas principalmente pela falta de padronização do fluxo de comercialização do produto. As decisões de compra nos canais são ainda bastante centradas na oferta. A opinião dos fornecedores é muito considerada quando não é a única opção de referência sobre o produto. Por outro lado, alguns canais que priorizam o relacionamento mais aproximado com o cliente, em especial HORECA e lojas especializadas (por lidarem com um número menor de clientes e de maneira mais direta), começam a decidir a carta a partir da opinião dos clientes que participam da seleção dos rótulos. Há ainda a tendência da influência cada vez maior dos profissionais especializados (já presentes em diversos canais) no processo de compra em estabelecimentos mais preocupados com a competição, principalmente em São Paulo. Nos próximos slides, apresentamos um apanhado geral da estrutura de cada canal. 12 1. Atacadista Além dos atacadistas, estão englobados neste segmento os distribuidores e representantes. Os papéis desses players às vezes parecem se confundir. É possível que uma única empresa desempenhe várias funções, como no caso de algumas importadoras de grande porte que atuam também como distribuidoras, com representantes próprios e exclusivos, e que, por outro lado, ao passo que atendem bares e restaurantes, também podem ser consideradas um atacado, nesse caso, exclusivo para o vinho. Há também representantes tanto de vinícolas como de importadoras. Existem atacadistas, distribuidores e representantes exclusivos de vinhos ou de bebidas alcoólicas, porém, existem outros não exclusivos. Alguns inclusive trabalham com produtos diversos, por exemplo, bebidas alcoólicas (cerveja, whisky, licores e cachaças) e materiais de limpeza. É um mercado descentralizado, de fato. As lojas especializadas e o canal HORECA, especialmente bares e restaurantes, são os principais clientes do canal “atacadista”. A exclusividade de marcas não é o forte desse canal que compra direto das vinícolas. As diferenças regionais não são uma característica dos atacadistas, por exemplo. De uma forma geral, os estabelecimentos que são também importadoras contam com profissionais especializados, tais como sommeliers ou enólogos de formação que, normalmente, são também os responsáveis pelo gerencialmente do processo de compra dos vinhos. Nos demais, a função é exercida por gerentes, supervisores ou assistentes de compras que são responsáveis por todos (ou uma parte) dos produtos ofertados no local, ou seja, sem qualquer especialidade em vinhos. 2. Varejista não especializado São mercados que variam pelo seu tamanho (número de check-outs), mas que em comum têm a comercialização de vários tipos de produtos. Além dos supermercados, nesse grupo estão inclusos empórios que comercializam diversos produtos e lojas de conveniência. Contudo, o tamanho do estabelecimento não reflete necessariamente os esforços empregados para a exposição dos vinhos. Encontramos varejistas de pequeno porte que já estão se preparando para explorar os vinhos contratando profissionais especializados ou reservando locais específicos para a sua exposição. É mais comum, no entanto, que as grandes redes varejistas possuam os maiores investimentos em espaços para o vinho, inclusive através de adegas internas. Regionalmente, encontramos os varejistas de São Paulo expressando mais claramente sua preocupação em criar espaços internos exclusivos para o vinho. Grandes redes que atuam nessa capital já o fazem, como é o caso do Pão de Açúcar, mas redes de varejos pequenas ou médias também começam a apresentar interesse. As grandes redes varejistas e os empórios são aqueles mais comuns de se encontrar profissionais responsáveis especificamente pela compra de vinho, inclusive sendo conhecedores do assunto. Grandes redes varejistas em São Paulo têm sommelier, por exemplo. Essa não é uma característica comum aos pequenos varejistas ou lojas de conveniência. Na prática, o fato é que de uma forma geral, a compra de vinhos no varejo ainda está majoritariamente sob a responsabilidade do departamento de compras em conjunto com os responsáveis sobre o setor de mercearia. Esse canal compra de distribuidores, representantes, atacadista, importadoras ou mesmo da própria vinícola/produtor (nacional ou estrangeiro). 13 3. Lojas especializadas Esse grupo é composto por lojas varejistas especializadas na venda exclusiva de vinhos como também em lojas especializadas que comercializam bebidas em geral. Sua característica principal é a variedade na oferta com foco em especial na diversidade de origens. Compram de importadoras, atacadistas, distribuidores, representantes e até mesmo das próprias vinícolas, reforçando a ausência de um padrão na cadeia de comercialização do vinho. Os fornecedores são selecionados a partir da oferta de preços competitivos e do estabelecimento de parcerias. O que diferencia o varejo comum das lojas especializadas é o grau de especialidade sobre o vinho. As lojas especializadas oferecem um atendimento mais personalizado (por exemplo, indo até o cliente para efetuar a venda ou levar o produto; criando um relacionamento mais próximo, como levar o cliente para conhecer a vinícola da sua preferência; aconselhando sobre as tendências, qualidade e tipos de vinho; oferecendo consultorias e palestras; dentre outras). Os respondentes dessa etapa do estudo citam o segmento de executivos (empresário) como um dos seus principais clientes, pois compram vinho para suas adegas pessoais, aliado ao canal HORECA. Mas o consumidor final selecionado também é usuário desse canal. O canal também agrega valor realizando eventos particulares e vendendo produtos relacionados ao vinho, tais como charutos, caixas de madeira, dentre outros. É um canal dirigido a um público seletivo, relacionado ao requinte. A presença de sommeliers e/ou enólogos é praticamente de praxe nesse canal. E comumente, pouca diferença existe entre regiões, mas às vezes, a administração se dá por um gerente comercial. 4. HORECA Esse é o único canal em que o consumo do vinho é imediato, ou seja, no ponto de dose. Estão inclusos aqui hotéis, restaurantes e serviços de catering. Neste canal, a presença de profissionais especializados em vinho ainda não é comum, mas alguns restaurantes mais sofisticados já contam com sommeliers que têm a função de decidir a carta de vinhos. Nos hotéis, de uma forma geral, quem escolhe os vinhos é a gerência de alimentos e bebidas, o próprio comprador ou mesmo a gerência geral do local. É uma realidade presente em todas as cidades pesquisadas. Os restaurantes que oferecem vinho pertencente a esse canal são dos mais diversos, de buffet de saladas à carnes nobres. Para todos, o consumo do vinho tem seu espaço, de self-service a à la carte. Mas nesse canal, as sopas, massas e carnes parecem estar mais aliadas ao vinho. A exemplo disso, encontramos um bar em Porto Alegre que oferece buffets de sopas no inverno em parceria com uma marca de vinho. Em redes hoteleiras, a escolha do vinho ora é centralizada, ora não – confirmando a falta de uniformidade dentro do mesmo segmento. O canal compra de atacadistas, distribuidores, representantes, importadoras, lojas especializadas e das próprias vinícolas. Em Porto Alegre, há em certa medida a tendência de favorecer as marcas regionais. 14 3.1 - Subdivisão de Bebidas nos Varejistas A subdivisão interna dos mercados quanto ao posicionamento das bebidas também não segue um padrão igual para todos os estabelecimentos. Enquanto alguns generalizam, subdividindo o setor de bebidas entre “quentes e frias”, outros dividem “destilados” de “vinhos”. Nos varejos maiores que possuem espaço maior para a presença do vinho, percebe-se uma preocupação maior em distinguir o próprio vinho pela marca ou por origem, diante da maior variedade da bebida ofertada. No box 1 abaixo, veja os exemplos das diferentes maneiras como os vinhos são expostos em alguns dos varejistas entrevistados: Box 1 - Posição dos vinhos nos canais com maior quantidade de produtos para expor Rede de supermercados: preocupação em expor os vinhos em pé em espaço exclusivo; Loja especializada: diferencia na gôndola as bebidas quentes e frias; Supermercado: separa vinho por marca e tipo. Eles próprios decidem a posição; Supermercado: separa as bebidas quentes e frias; Rede de supermercado: espaço exclusivo pra o vinho criado pelo próprio consultor de vinhos que criou uma equipe de 9 atendentes especializados para o vinho. Essa rede se organiza internamente entre bebidas alcoólicas e não alcoólicas, onde o vinho entra na primeira seção, porém com espaço exclusivo e dividido por marcas e origem. Supermercado: vinho próximo às frutas, é uma opção considerada “clean” pelo supermercado. Supermercado: não há divisão por setor de bebidas, todas são dispostas juntas; Rede de supermercado: diferencia por bebidas quentes e frias. Supermercado: organiza o vinho junto com os produtos de “mercearia” de uma forma geral; Rede de supermercado: separa a gôndola por destilados e vinhos, por alcoólicos e não alcoólicos. 3.2 - O estoque dos Vinhos nos Canais Supermercados, atacadistas e varejistas priorizam ter grandes estoques porque a característica do seu negócio implica ter ganho de escala nas negociações, até para que o giro de sua mercadoria seja mais rápido que os demais canais. Em contrapartida, as lojas especializadas, pequenos varejos e HORECA não priorizam nem a barganha de preços pela quantidade de estoque, nem o giro rápido. Especificamente os buffets têm uma característica ainda mais especial, pois sequer fazem estoque e adquirem o vinho em consignação. Veja infográfico 1. Infográfico 1 –Termômetro da Condição do Estoque nos Canais Grande estoque Atacadistas Mercados (varejo não especializado) Distribuidores Baixo estoque Lojas especializadas Pequeno varejo não especializado (mercados menores e lojas de conveniência Restaurantes e bares (HORECA) 15 Consignação Buffets e catering (HORECA) 3.3 - Estrutura de cargos e funções responsáveis pela compra dos vinhos Não há padrões nos canais quanto à pessoa ou cargo corretos para assumir essa função. O responsável pela compra do vinho pode variar desde um sommelier até o próprio proprietário, dependendo do tipo e do tamanho do canal. Veja abaixo, no infográfico 2, a estrutura dos canais encontrada nesta etapa: Infográfico 2: responsáveis pelas compras nos canais ATACADO Sommelier/ Consultor Vinho VAREJO LOJA ESPECIALIZADA HORECA Preocupação com a profissionalização do atendimento e com a recomendação de um profissional especializado é ponto forte em São Paulo. Gerente de Alimentos e Bebidas Lojas especializadas que vendem vinho exclusivamente Lojas especializadas que vendem outras bebidas além do vinho Gerente Geral ou Comercial Comprador A área de compras é muito vinculada à escolha dos vinhos em Recife. Proprietário POA Presença da centralização, muitas vezes incorporada pelo caráter familiar, é a característica mais peculiar de Porto Alegre. SP Recife 16 3.4 - Ambiente do Vinho nos Estabelecimentos Nas gôndolas de supermercados, os vinhos costumam ser colocados em pé nas prateleiras, às vezes dentro das suas caixas, ora com as garrafas à vista (o mais comum). Não há regra para a organização dos vinhos. Alguns varejos os dividem por origem (nacional x importado), outros por tipo (mesa x fino), cor (branco x tinto) ou até por fornecedor. Mas é comum encontrar os garrafões maiores no chão ou nas prateleiras inferiores. O preço, em alguns mercados como os pertencentes a grandes redes, também é um indicador da organização do vinho, quanto mais à esquerda da prateleira, mais caro é o vinho. A exposição dos vinhos nas gôndolas dos varejistas parece uma controvérsia entre os supermercadistas. Alguns têm a plena convicção de que o correto seria que os vinhos ficassem dispostos deitados (caso não, temem que os clientes mais exigentes adotem este como indicativo de má qualidade do estabelecimento) e outros, do contrário, acham que isso é um “paradigma” que poderia ser quebrado. O fato é que, nesse aspecto, o nível de informações sobre a correta exposição dos vinhos, não parece ser difusa apenas para o consumidor final, mas também para os comerciantes do produto que, na maioria das vezes, não têm especialidade técnica na bebida. Empórios que também são varejos não especializados colocam os vinhos em pé, porém dispostos de maneira mais decorativa e os associam com aperitivos relacionados, tais como o queijo. Apesar da não padronização, alguns varejos começam a se especializar nos vinhos, competindo diretamente com as lojas especializadas. A preocupação com a disposição dos vinhos mais nobres deitados “em berço”, com a decoração e também com a proximidade com produtos relacionados (tais como queijos) não é mais característica somente das lojas especializadas. dentro das caixas Atacadista, POA Ambiente dos vinhos nos varejistas (vinhos expostos “em pé”) Forma diferente de expor os vinhos em um empório: “de Vinhos cabeça pra baixo” expostos Vinhos em garrafões dispostos no chão Restaurante, POA Atacadista, POA Vinhos organizados pelo país de origem: “Chile” 17 “Um cliente que compra um “Um cliente que compra um vinho de R$ 2.000,00, se ele vinho de R$ 2.000,00, se ele entrar na minha loja e ver entrar na minha loja e ver esse vinho de pé, ele não esse vinho de pé, ele não compra nunca mais. Ele vai compra nunca mais. Ele vai achar que o vinho ficou ali 2-3 achar que o vinho ficou ali 2-3 anos, porque aí seca a rolha, anos, porque aí seca a rolha, entra ar. E lá, deitadinho, bem entra ar. E lá, deitadinho, bem climatizado, ele não vai ter climatizado, ele não vai ter dúvida. Vai comprar!” dúvida. Vai comprar!” (varejista, SP) (varejista, SP) “Dizem que o vinho deve ser “Dizem que o vinho deve ser mantido na horizontal. No mantido na horizontal. No supermercado, ele é mantido supermercado, ele é mantido em pé. Cria-se um paradigma, em pé. Cria-se um paradigma, um bloqueio. Não são todas as um bloqueio. Não são todas as casas especializadas que casas especializadas que oferecem vinhos horizontais.” oferecem vinhos horizontais.” (varejista, POA) (varejista, POA) “(temos) prateleiras na loja “(temos) prateleiras na loja média, os mais nobres (ficam) média, os mais nobres (ficam) deitados em berços. Isso deitados em berços. Isso parte de nós mesmos, dos parte de nós mesmos, dos designers que trabalham designers que trabalham conosco. Tem seção de livros, conosco. Tem seção de livros, salgados, acompanhamentos, salgados, acompanhamentos, queijos. Tem todo um cenário queijos. Tem todo um cenário montado para aquele cliente. montado para aquele cliente. Algumas lojas têm adega Algumas lojas têm adega climatizada e, mesmo as lojas climatizada e, mesmo as lojas que ainda não têm uma adega que ainda não têm uma adega climatizada, contam com uma climatizada, contam com uma área especial para os vinhos, área especial para os vinhos, com prateleiras e decoração com prateleiras e decoração diferenciadas, geralmente, diferenciadas, geralmente, próximo de queijos, próximo de queijos, especiarias e frios em geral. especiarias e frios em geral. Há também um atendente Há também um atendente especial para essa área”. especial para essa área”. (varejista, SP) (varejista, SP) As lojas especializadas têm como característica principal a presença de adegas climatizadas, onde os vinhos são dispostos deitados, em fôrmas de prateleiras, em caixas ou em paredes criadas especialmente para comportá-los. Ambiente dos vinhos nas lojas especializadas e empórios (vinhos expostos “deitados”) Vinhos deitados dentro de caixas especiais Vinhos deitados ou em prateleiras ou diretamente nas paredes Ambiente dos vinhos na HORECA (vinhos expostos “deitados”) O vinho como objeto de decoração em buffets Vinhos próximos às demais bebidas, porém com prateleiras exclusivas, em bares No canal HORECA, a disposição do vinho pode ter de intuito decorativo, como é o caso de mesas de buffets, mas em bares que não possuem adegas, podem ser encontrados em pé ou deitados em prateleiras. Box 2 - Diferenças relevantes: canal especializado versus não especializado x Supermercado Com exceção dos supermercados que possuem adegas internas e/ou espaço exclusivo para os vinhos, em geral, a maioria expõe a bebida misturada com outras opções de álcool (cachaça, cerveja, whisky, destilados, etc...) e/ou próximos a comidas (frutas, queijos, etc...). Em outras palavras, há pouca protagonização da exposição do vinho; Normalmente, não há adegas climatizadas, eles são dispostos nas prateleiras comuns e, no geral, em pé; É um auto-serviço, o cliente é quem escolhe. A orientação de um profissional especializado ao cliente ainda é uma exceção. 18 Loja Especializada Vinho é exclusividade ou pelo menos o “ator principal” do cenário; As adegas são sempre climatizadas; O cliente recebe informações e orientações de profissional especializado; Os vinhos contam com containeres ou prateleiras especiais e são dispostos deitados (“em berço”). 3.5 - Sofisticação do Ambiente O requinte do ambiente é também um fator de destaque que diferencia os canais. Quanto mais especializado o estabelecimento ou a freqüência de consumidores finais de maior poder aquisitivo, maior a associação do vinho com a sofisticação no local. Veja infográfico 3 abaixo: Infográfico 3: Termômetro da Sofisticação dos Canais + sofisticado Lojas especializadas; Restaurantes classes A/B; Catering; Supermercados de médio/grande porte com espaço exclusivo para o vinho. - sofisticado Mercados médios ou sem espaço exclusivo para vinho (varejo não especializado); Lojas de conveniência (varejo não especializado). Restaurante – El Fuego – POA Mercado – pequeno e médio porte – Santa Rita - POA 3.6 - Diferenças regionais quanto ao ambiente do vinho Os achados dessa etapa dão indicativo de uma preocupação dos canais com a profissionalização do estabelecimento mais intensa em São Paulo se comparada às outras duas capitais. Dois varejistas e um atacadista dessa cidade têm sommeliers ou enólogos em sua equipe, demonstrando a preocupação com a melhora do atendimento técnico em São Paulo. Embora Porto Alegre seja mais familiarizada com o vinho devido à proximidade com as regiões produtoras, São Paulo, por ser a maior metrópole do país, e certamente enfrentar maior concorrência nos canais, demonstra estar à frente do melhor atendimento e da preocupação em escolher a carta de vinhos sob a supervisão de um profissional especializado. É importante confirmar esse indício na próxima etapa (quantitativa) desse estudo. 19 Atacado; Distribuidor. Loja Especializada –Armazém dos Importados – POA 3.7 - Lições aprendidas nessa seção O fluxo de comercialização do vinho não segue padrões estipulados, prejudicando as negociações que ficam abertas entre qualquer canal e o consumidor final. Alguns canais têm poder de barganha maior para negociar rótulos exclusivos devido ao seu porte, mas as parcerias costumam ser pontuais. Embora a cadeia de comercialização ora apresente um fluxo direto - com o papel de cada canal definido claramente dentro do processo de venda, da produção até o consumidor final - ora esse processo se mostra difuso e despadronizado, existe certa segmentação dos públicos pelo tipo de canal, onde as lojas especializadas têm um papel mais definido diante de uma imagem mais próxima da elitizada. O posicionamento do vinho nos distintos canais diverge quanto ao nível de especialização, mas também quanto às tipologias. Enquanto lojas especializadas e, cada vez mais, grandes redes varejistas buscam profissionalizar o canal através de um local ambientizado e mais sofisticado, atacadistas e distribuidores, por outro lado, sentem a falta de informações técnicas que façam da sua estrutura um local mais eficaz na hora da comercialização do vinho. Os ambientes internos onde os vinhos são apresentados divergem de acordo com cada canal e não se encontra padrões estabelecidos para a exposição das bebidas. Ora são expostas deitadas, “em berço”, como sinônimo de uma maior preocupação com o vinho, ora são preferidas em pé para que o consumidor tenha acesso mais fácil aos rótulos. O fato é que cada canal se responsabiliza pela sua ambientização e exposição, sem que “regras” ou dicas oficiais sejam de fato tão disseminadas quanto o ideal. O requinte do ambiente é um fator discriminatório para diferenciar os tipos de canais que quanto mais próximo do atendimento dos clientes, mais elitizados, maior é sua preocupação em definir um local sofisticado, assim como a estrutura física e o espaço disponível para a oferta de vinhos. A responsabilidade pela compra do vinho em cada canal ainda não segue a regra geral de ser realizada por um profissional especializado, tal como um sommelier ou um enólogo. Gerentes de compras, gerentes de alimentos e bebidas ou até os proprietários encarregam-se da compra. Destaca-se, nesse cenário, a preocupação aparentemente maior em São Paulo pela profissionalização diante de um mercado mais competitivo vivenciado pela maior metrópole brasileira. Em contrapartida, o caráter mais familiar é notado com maior freqüência em Porto Alegre, onde a cultura tradicional do vinho segue historicamente um trajeto familiar. 20 4. Evolução do Mercado de Vinhos na Visão dos Canais: Passado x Presente x Futuro 21 4.1 - Consumo do vinho quanto aos tipos Os canais envolvidos na comercialização do vinho dos fornecedores até aos que atuam com o consumidor final têm uma visão consensual de que o consumo do vinho e do espumante no Brasil está em crescimento, fato que condiz com as projeções realizadas pela Market Analysis e descritas no Relatório 1 – Desk Research. O contexto favorável à expansão do vinho tem suas tendências peculiares na avaliação dos canais onde alguns tipos de vinho, tais como os rosés e os de mesa nacionais, podem perder espaço mesmo diante de um consumo em ascensão. Os rosés são associados a um modismo que vai e volta e a nichos de públicos mais jovens, mas que são fadados à extinção devido à baixa identificação com os consumidores. “O rosé é moda agora, é onda, vai ter mais 3 ou 4 anos e vai cair. Ele voltou a ser conhecido hoje no mercado pelo excesso de vinhos tintos na Europa porque não se consegue vender, ela está torrando safras antigas porque não consegue vender porque tem África do Sul, Chile, Argentina que vendem vinhos tão bons pela metade do preço. O rosé pegou, mas pegou em uma faixa da juventude, dos 18 aos 40 anos. Hoje, ela leva por mais 3 ou 4 anos, depois vai ser substituída por outra moda” (supermercado, SP). Em contrapartida, vinhos brancos, apesar de não serem ainda a preferência do brasileiro, apresentam um histórico evolutivo positivo na visão das empresas envolvidas na comercialização do vinho. A expectativa é que a oferta de vinho branco cresça à medida que o conhecimento do brasileiro sobre vinhos aumente, um fato já observado pelo mercado com tendência a um saldo ainda mais positivo. “O consumo de vinho branco tem melhorado nos últimos 3 anos. O brasileiro começou pelo tinto, agora com maior conhecimento do vinho, fazendo cursos, etc, está aprendendo a conhecer e tomar o vinho branco.” (restaurante, SP) 22 Diante de um cenário prospectivo positivo para o vinho branco, a consonância é de que o volume de vinho tinto comercializado é significativamente superior ao branco (em torno de 80% dos vinhos vendidos são tintos). As perspectivas para o vinho tinto permanecem prósperas e a avaliação dos comerciantes para essa evolução é sustentada na imagem de que o vinho tinto está ficando mais encorpado, a cor mais viva e isso vem ganhando mais apreciação do consumidor. “O mais encorpado, aquele vermelho forte, está ganhando um bom mercado.” (supermercado, Recife) Independente da cor, a oferta de vinhos demi-secos e secos deverá aumentar na visão dos canais como conseqüência positiva da maior busca por conhecimento do consumidor que deverá resultar em gostos mais fragmentados. Se hoje o vinho suave é preferência, a tendência é que os demi-secos e secos ganhem espaço significativos no gosto da população brasileira pela expectativa de que o consumidor deverá gradativamente associá-los à qualidade superior se comparada aos suaves/ doces. O segmento apóia a idéia de que esse indicativo já é perceptível no mercado atual. “O brasileiro está se acostumando a tomar vinho, nossas vendas eram mais para mulheres e vinhos doces, suaves; hoje, as pessoas estão procurando também os vinhos tintos e secos e aprendendo que na temperatura correta é muito bom.” (supermercado, SP) Seco Suave/doce “A novidade é que a qualidade do vinho está sendo cada vez mais elogiada e a procura na loja pelo vinho seco é grande.” (supermercado em Recife) O grande orgulho do mercado nacional são os espumantes locais que ganham espaço a cada dia, inclusive sobrepondo-se à qualidade dos tradicionais franceses. A visão dos canais é de que a tendência seja o contínuo crescimento do consumo dessa bebida e também que a variedade da oferta tende a abraçar rumos ainda mais expansivos. “Estamos comprando mais novidades como o espumante, com variedades de marcas e preços mais acessíveis.... Se diferencia (se nota?) a expansão, principalmente nos supermercados; não tínhamos essa procura fora de época, hoje é constante”. (supermercado, Recife). “A França está com medo do Brasil por causa da evolução dos espumantes nacionais porque o Brasil é o único pais no mundo que ameaça a França. O Brasil produz espumantes muito superiores aos franceses” (...) (restaurante , POA) 23 Os canais que avaliam o mercado do vinho e dos espumantes com mais afinco possuem previsões próprias e a expectativa do setor é que o consumo do vinho vire um hábito diário da mesma forma que o espumante perca a característica sazonal, associada somente às festas de final de ano. Inclusive, o fato começa a manter-se presente e a tendência é a consolidação. O infográfico 4 demonstra a evolução dos tipos de vinho no cenário do aumento do consumo sob a perspectiva dos players envolvidos na administração da oferta e comercialização da bebida. “O espumante não está sendo consumido somente no final de ano, o brasileiro é festeiro por si só, a tendência é do vinho ocupar a mesa, virar hábito. Nas minhas previsões, será bebida diária em 2025. Todos os vinhos serão consumidos, principalmente o espumante o brasileiro está descobrindo” (consultor de vinhos de um supermercado, São Paulo) Infográfico 4 – Evolução do consumo do vinho versus tipo de vinho Consumo de vinho + - Finos: Tinto Branco Espumante Fino Rosé Mesa O espumante tinha consumo sazonal; Consumo maior do vinho tinto Rosé: consumo maior antigamente; Mesa: maior volume de consumo O espumante não é consumido somente nas festas de final de ano (sazonalidade); O tinto e o branco estão crescendo no mundo todo; no Brasil, vinhos “refrescados” já estão sendo consumidos devido ao clima tropical Rosé: pico de consumo atual por questões de modismo e para “desovar” safras antigas; revitalização do vinho rosé Rosé: usado somente pela faixa etária de 18 a 40 anos; Mesa: início de uma substituição pelos finos 24 Espumante: aumento do consumo em todas as ocasiões, tem alta identidade com o brasileiro porque é mais apropriado para um país tropical); Tinto e branco com alto consumo no Brasil; Tinto e branco em crescimento Rosé: durará somente por 3 ou 4 anos. Tendência de corte no seu consumo. Mesa: tendência de queda diante da oferta competitiva de vinhos finos + 4.2 - Informação sobre o vinho Os canais de comercialização do vinho interpretam que o mercado consumidor encontra-se em processo de evolução quanto à busca por informações, do desconhecimento e da falta de interesse para a alta atenção e curiosidade que deverá capitalizar as ofertas ancoradas numa proposta de alavancar o “saber enólogo” do consumidor/comprador. Enquanto em um passado muito próximo a oferta ditava praticamente todo o consumo e a escolha do consumidor geral por um vinho ou uma marca era confiada a um formador de opinião, a perspectiva do mercado é que o consumidor torne-se autonomamente um buscador de informações diante da expectativa de que ele “quer aprender a beber o vinho”. As avaliações são positivas quanto a essa tendência, afinal, o mercado informa já se deparar com indicativos reais dessa evolução ao observar os consumidores mais atentos e exigentes. “As pessoas vêm buscando (informações?), aprendendo a beber vinho. De 6 pra 10 anos a oferta vem evoluindo bastante. O poder de compra ajudou bastante para que o consumidor mudasse de vinho. A facilidade de importação. A opção dos estrangeiros ainda parece ser melhor do que o nacional. Qualidade e variedade aumentando.” (supermercado - SP) Nesse cenário, a procura por cursos e ingressos à confrarias e grupos que estudam e degustam o vinho demonstra indicativo de que o interesse deixará de ser apenas um “modismo” e tenderá a se consolidar. A estimativa do setor é de que crescem as confrarias, fruto do interesse do consumidor brasileiro em não necessariamente beber vinho como mais uma bebida alcoólica qualquer, mas em compreender sua tipologia, afinal as confrarias além de ensinarem as nuances técnicas da bebida, oferecem a possibilidade dos participantes degustarem dos melhores vinhos por preços competitivos. Nas confrarias, os custos são rateados pelos participantes que não buscam nesse meio a ingestão em quantidade da bebida, mas, pelo contrário, anseiam por degustar pequenas doses. E essa é uma visão geral dos diversos tipos de canais. “Há um tempo atrás, o vinho "Marcus James" tava em alta, o Amauri Jr. falava no programa dele, então o cliente chegava aqui e já pedia pelo vinho, nem olhava a carta. Então acontece muito isso, mas hoje tem mais conhecedores de vinho, os empresários fazem cursos, se interessam.” (hotel, POA) “Antes, confraria de vinhos era modismo, hoje tem um público que quer aprender. Nas confrarias se pode degustar um vinho caro sem pagar muito”. (loja especializada, POA) “ (...) crescimento de grupos confrarias / fazem grupos de degustação - isso é muito importante porque se agora ele bebe em confraria / grupo (mais barato) ele já esta se introduzindo / iniciante e daqui a 5/10 anos ele vai ter uma poder aquisitivo melhor e com certeza vai consumir um vinho mais refinado - público interessado no vinho (..)” (atacado, POA) Alguns canais se antecipam à tal perspectiva da procura do próprio consumidor por informações, buscando eles próprios cursos para melhor atender esse consumidor ou contratando profissional especializado. “O brasileiro não tinha muito conhecimento dos tipos e qualidades de vinho. Hoje em dia trabalha-se mais na apresentação dos vinhos; iniciamos há um ano o trabalho com vinhos nacionais e importados. Como ainda não temos um profissional na área, estou estudando através de apostilas para poder informar e atender melhor o cliente, desde aquele que vem comprar e conhece até aquele que quer comprar, mas não sabe. O brasileiro está se acostumando a tomar vinho (...)” (supermercado, SP) 25 O infográfico 5 resume o aspecto da evolução temporal do consumo em paralelo com a busca por conhecimento e informação que ambos, o consumidor e os canais, estão encarando. Infográfico 5 – Evolução do consumo do vinho versus informação sobre o vinho Consumo de vinho + O consumidor não buscava informações sobre vinho. A oferta ditava totalmente o consumo. Confrarias e cursos eram modismo; A escolha dos vinhos era ditada por poucos formadores de opinião. - Consumidor em busca de mais informações sobre vinho; Confrarias e cursos começam a ser meios de informação e não unicamente modismo; A oferta ainda dita o consumo, porém em menor escala; O consumidor quer aprender a “beber o vinho”. Nem todos os fornecedores e canais se preocupam com o treinamento especializado de vendedores e atendentes para orientar o cliente. O consumo ditará a oferta; Consumidor mais exigente e conhecedor dos bons vinhos; Confrarias e cursos consolidados como fontes de informação; A informação poderá ser um diferencial de mercado: o fornecedor que se preocupar em prover o cliente com mais informação será destacado. + Informação 26 4.3 - Marketing & propaganda avaliados pelos canais O ritmo do marketing e da propaganda do vinho no Brasil é avaliado pelos canais de comercialização da bebida em fase de crescimento. Ao passo que o mercado observa movimentos do setor quanto à expansão dos esforços de marketing direto, tais como feiras e degustações, por outro lado, é consenso que a divulgação de propagandas no mercado brasileiro estimulando o consumo do vinho é ainda baixa, sugerindo um descompasso com o objetivo de popularizar e cotidianizar a bebida. Se por um lado, há curiosidade e os fornecedores já começam a aproveitar a oportunidade para estimular o conhecimento das suas marcas através da promoção de feiras para gerentes do canal HORECA e interessados do setor, por outro lado, pouco é feito para estimular o aumento do volume do consumo do vinho, a maior penetração da bebida enquanto hábito para o consumidor. E o efeito das ações hoje realizadas, tais como degustação, é vista pelos canais como extremamente proveitoso. Os esforços de alguns fornecedores são ações ainda isoladas, desvinculadas de uma estratégia consistente abraçada pelo setor como um todo que envolva a cadeia por completo, do produtor ao consumidor. As iniciativas corporativas são bem vindas pelo mercado, mas estão longe de serem suficientes para aquecer a indústria completamente e, principalmente, alavancar o consumo do produto na população. De atacadistas a lojas especializadas, a expectativa é que todos serão beneficiados se vier a ser executado um incentivo maior ao consumo através de propagandas e promoções, em paralelo com o acesso às informações sobre a bebida visando atingir diretamente o consumidor. “ (...) porque a gente vai muito pela televisão, a gente é muito influenciado. Se você colocar mais uma propaganda de vinho, o pessoal vai querer tomar mais vinhos, vai querer saber....” (hotel,Recife) “Começou num ritmo lento e hoje está muito acelerado, tem muita curiosidade de aprender; as empresas investiram em promoções, marketing; acelerou de uns 3 anos pra cá. O número de rótulos das importadoras aumentou muito, melhorou muito, as adegas, as lojas de vinho investem em sommelier... recebo muitos convites para feiras, degustação.” (buffet, SP) “Fazemos degustação na loja e, às vezes, a degustação sai por conta do fornecedor, conforme a negociação. Após a degustação, sente-se diferença.” (supermercado, SP) 27 O infográfico 6 apresenta de maneira sucinta a avaliação dos canais a respeito do histórico do marketing e da propaganda do vinho no Brasil. Infográfico 6 – Evolução do Consumo do Vinho versus Marketing & Propaganda Consumo de vinho + Pouca propaganda; Marketing praticamente nulo ou pouco planejado; Baixa popularidade nas mensagens e alta sofisticação; Foco no público requintado. - Aumento gradativo da quantidade de campanhas publicitárias; Marketing direto através de eventos e degustações começa a fazer parte da rotina de alguns fornecedores; Início da tentativa de popularização do vinho nas mensagens de comunicação; Aumento de eventos de degustação para canais e consumidor final; Outros destilados (vodka, whisky, licor, etc...) são prioritariamente usados em grandes eventos; Tendência: aumentar eventos de degustação devido à alta aceitação dos canais como estratégia para impulsionar as vendas; Propagandas segmentadas: tipo de vinho em concordância com seu público-alvo, de popular à sofisticado; Eventos grandes que incorporem o vinho como a bebida principal; + Marketing & propaganda 28 4.4 - Qualidade e Variedade de Vinhos É uma visão consonante do segmento corporativo de que a oferta de vinho nacional se encontra hoje em padrões de qualidade superiores que antes, em grande parte impulsionado pela alta concorrência dos vinhos chilenos e argentinos, presentes no país com forte imagem de qualidade aliada a preços competitivos. Os indicativos do mercado apontam para uma tendência de evolução da qualidade dos vinhos nacionais, que já demonstram reação positiva nesse aspecto. A evolução da variedade de vinhos ofertada no país é também um atributo de destaque na perspectiva dos canais. Se por um lado, esse fato oferece aos canais maior poder de barganha junto aos fornecedores devido à alta competição de marcas, por outro, a ausência da continuidade de um trabalho de fixação de marcas por parte de fornecedores (em especial importadoras) é uma conseqüência improdutiva da excessiva variedade de marcas. Na avaliação dos canais, a oferta variada de tipos e marcas de vinho é uma circunstância dúbia para o consumidor. Existe uma assimetria entre a pluralidade de marcas que representaria um mercado maduro e altamente competitivo na oferta e a simplicidade e baixo grau de sofisticação cognitiva por parte do consumidor, o que é sinal de mercado ainda adolescente e pouco exigente na demanda. Se a variedade se traduz positivamente em opções para todos os gostos e momentos, existe também um aspecto negativo nisso ao ofertar uma gama muito grande de possibilidades de vinho para um consumidor em geral iniciante que pouco conhece as diferenças entre marcas, uvas e origens. Ainda assim, a avaliação geral do mercado é de que variedade e qualidade juntas manifestam reação prática junto ao consumidor, aumentando seu interesse. “O interesse do público foi motivado pelo número de opções para escolha, melhora da qualidade do vinho nacional quando chegaram os importados, e por ser um elemento agregador porque não se bebe sozinho.” (supermercado, SP) A concorrência dos importados acelerou o aquecimento do mercado local e o consumidor é um dos grandes beneficiados pelo fenômeno. “Aumentou muito a concorrência com a entrada dos importados, que pega uma fatia bem interessante, com isso a indústria nacional procurou evoluir para acompanhar essa competitividade, todos se beneficiam”. (supermercado, POA) 29 “O brasileiro passou a consumir vinho de melhor qualidade” (mercado - SP) O infográfico 7 apresenta a evolução da qualidade e variedade da oferta de vinhos no contexto do aumento do consumo. Infográfico 7 – Evolução do consumo do vinho versus qualidade e variedade da oferta + Alta competição dos chilenos e argentinos Consumo de vinho Vinho nacional aumentando a qualidade, competindo diretamente com importados; Uvas brasileiras vem sendo melhor tratadas. Melhor apresentação do produto. Qualidade Vinho nacional de baixa qualidade; Variedade - Menor variedade de vinhos acessíveis ao bolso da classe média baixa. Maior variedade de vinhos acessíveis: vinhos finos chilenos e argentinos competindo a preços semelhantes ao vinho de mesa nacional; Maior quantidade de marcas; Cenário da oferta um pouco confuso pela diversidade de marcas buscando adentrar o mercado brasileiro. Qualidade e variedade da oferta 30 Desafio para vinhos nacionais: equiparar sua imagem de qualidade à dos importados. O aumento do consumo é acompanhado da sofisticação do produto. Crescimento da oferta determinado pela demanda; Estabilidade das variedades. + 4.5 - A relação do vinho com a saúde O impacto positivo do vinho para a saúde vem sendo destacado há alguns anos na mídia, sendo enfatizado como atributo-chave do mercado pela sua contribuição no interesse do consumidor pela bebida. “O vinho não está mais relacionado à ‘bebedeira’ e sim a saúde” (supermercado, Recife) O benefício do vinho à saúde vai de encontro a um cenário favorável em meio à busca de informações sobre a bebida, gerando oportunidades factíveis para a diferenciação do vinho em comparação às demais bebidas exatamente devido ao acréscimo causado por ele à alimentação saudável do ser humano, fato não vislumbrado em outras bebidas alcoólicas. “O brasileiro está começando a se habituar a tomar vinho, até está mudando seu conceito de bebida alcoólica para bebida alimentar” (supermercado, Recife) Veja no infográfico 8 a descrição dos fatos relativos à visão dos canais sobre a evolução da associação entre o aumento do consumo do vinho e a saúde. Infográfico 8 – Evolução do consumo do vinho versus relação com a saúde Consumo de vinho + - Baixa informação sobre a relação do vinho com a saúde; Indiferença entre a imagem do vinho e de outras bebidas alcoólicas; Associações negativas com “bebedeira”. Inúmeras reportagens e informações sobre a relação positiva do vinho para a saúde. Alguma parcela do aumento do consumo do vinho relacionada ao aspecto da saúde. Desafio: consolidar a imagem do vinho com o aspecto saudável e usá-lo como diferencial entre as demais bebidas alcoólicas concorrentes. + Relação com a saúde 31 4.6 - O impacto da origem dos vinhos A origem dos vinhos, se nacional ou importado, é um atributo impactante na avaliação da bebida para o mercado brasileiro. A qualidade dos vinhos nacionais é um fator que vem mudando a característica da oferta; se os nacionais antes eram considerados de baixa qualidade, hoje, a perspectiva do mercado é que esse fato vem sendo modificado com a penetração de vinhos locais melhores: “menos ácidos e menos aguados”. “ Vinhos nacionais não eram bons, eram muito ácidos, muito aguados, hoje em dia não, hoje em dia você tem um vinho nacional de excelente qualidade que você toma e não tem acidez.” (Hotel, Recife) Ao mesmo tempo, os canais de comercialização do vinho consideram que a melhoria da qualidade dos vinhos nacionais é uma reação à entrada de vinhos importados, historicamente vistos como de melhor qualidade, a preços mais competitivos. Embora a tentativa dos vinhos locais de competirem em preço com os importados oferecendo a mesma qualidade seja visível, o mercado ainda julga essa tentativa como pouco frutífera, afinal, a idéia de que os vinhos nacionais são mais caros que os importados mais competitivos hoje (chilenos e argentinos) está emplacada. “Agora os brasileiros tomam o vinho mais barato, o vinho nacional sai mais caro que um vinho importado. O Classic Salton Nacional custa R$ 10, um chileno com uva especificada sai por R$ 10, um Seleção argentino sai R$ 6 e o Miolo Seleção que é nacional sai por R$ 11, um Próseco Salton R$ 20 e um pró-seco italiano R$ 17”. (Atacado, SP) A principal razão para a baixa competitividade dos vinhos nacionais em relação aos importados são os altos impostos locais atribuídos às bebidas alcoólicas no Brasil que prejudica a redução do preço do produto, em especial o ICMS regional. “ (...) a diferença do ICMS entre os estados, isso onera muito o preço do vinho. Como bebida alcoólica são 27% de ICMS, se o vinho fosse considerado como alimento seria só 17% de imposto.” (Supermercado, Recife) 32 A perspectiva de que os vinhos chilenos e argentinos são os mais competitivos no mercado brasileiro, hoje, é consenso entre o segmento corporativo em contraposição a um cenário diferente de alguns anos atrás, onde os vinhos do velho mundo (Espanha, Itália, França e Portugal) eram preferência tradicional. Considerando o aumento do consumo do vinho aliado a um consumidor mais informado, a expectativa do setor é de que os vinhos do velho mundo despertem novamente a atenção dos consumidores que buscam maior conhecimento sobre o vinho. “Antes, quando a oferta era pequena, tomava-se muito vinho italiano e francês, agora nos últimos anos, com a facilidade e a distância, o vinho argentino e chileno tomaram grande fatia do mercado, de uns 8 anos para cá. Agora, com o conhecimento e interesse maior sobre vinho, está voltando a se consumir mais vinho europeu da Espanha, Portugal, Itália e França.” (Restaurante, SP) Independente da procura por conhecimento por parte dos consumidores e da reação dos vinhos nacionais para ganharem mais competitividade diante de uma oferta de vinhos chilenos e argentinos extremamente impactante, uma outra preocupação que vem à tona por parte dos canais é o estereótipo cultural de que o brasileiro “prefere o que é de fora”. A possibilidade de que esse fator prejudique a expansão da penetração do vinho nacional no país seria um fator que se aliaria à dificuldade nacional de competir em preço e em histórico de uma imagem de qualidade com os importados. O preconceito com o produto nacional ainda é visível, mesmo diante de uma reação positiva do consumidor nacional à aceitação do vinho local. "O vinho nacional tem plena condição de competir com qualquer outro vinho importado, mas é aquela coisa né, o que é de fora sempre é melhor, então o povo até sabe da qualidade do vinho daqui, mas aí quando está com a namorada, para impressionar, pede um importado“ (Restaurante, POA) Diferenças Regionais O preconceito com os vinhos nacionais, embora seja uma realidade, parece ser menos imperativa no Rio Grande do Sul. Consumidores de POA confirmam a preferência pelos vinhos nacionais (vide Relatório 2 – Quali-Demanda). Para os gaúchos, a oferta dos nacionais é mais acessível pela facilidade das vinícolas locais e esse fato tornou-se um tradicionalismo na região. Portanto, encontra-se nessa região canais que se posicionam com ofertas exclusivamente nacionais baseadas na preferência da sua demanda. Cabe investigar na próxima etapa deste estudo (quantitativa) se essa “preferência nacional” demonstrada pelos gaúchos é representativa e se é presente nas demais praças, direcionando de fato a oferta. 33 “Como a maioria dos hóspedes é do interior, eu compro produtos de vinícolas conhecidas da região. Não adianta eu ter um vinho chileno que não tem muita tradição, pode até ser muito bom, mas no mês que vem você não consegue comprar o mesmo vinho. Hoje dou preferência às marcas da região, vinícolas que estão em POA, porque posso comprar tanto de atacadistas e direto das vinícolas da região (...). As pessoas que se hospedam, na sua maioria, são do interior... tem essa facilidade de consumo dos vinhos tradicionais.” (Hotel, POA) O infográfico 9 apresenta a perspectiva “ontem x hoje x amanhã” da evolução do aumento do consumo do vinho versus as diversas origens da oferta. “Quem dita as tendências é o Chile”. (HORECA, SP) Infográfico 9 – Evolução do Consumo versus Origem + Consumo de vinho Baixo consumo de vinho fino importado devido ao valor; Alto consumo de vinho de mesa nacional; Importados mais consumidos: italianos e franceses. Aumento do consumo de vinho importado (especialmente chilenos e argentinos) devido aos preços competitivos; O consumidor despertou para a qualidade do vinho e começa gradativamente a questionar a qualidade do vinho de mesa nacional; Vinícolas nacionais iniciam reação à concorrência dos importados melhorando a qualidade do vinho local; Importados mais consumidos: chilenos e argentinos. Permanência do aumento do consumo dos importados, inclusive por argentinos e chilenos; Desafio para os vinhos nacionais: conquistar uma imagem de qualidade dos importados com preços tão competitivos quanto, mas não deixar de aproveitar a aderência do nacional de mesa para penetrar nos atuais “não consumidores de vinho” das classes populares; O interesse por vinhos poderá trazer de volta os tradicionais espanhóis, portugueses, italianos e franceses. A melhora da qualidade dos brasileiros estimulará o consumo dos nacionais. Alto preço dos vinhos finos importados. Preço - + Vinhos finos importados com preço competitivo, impulsionados principalmente por Chile e Argentina. Importado versus nacional 34 Desafio: preço baixo com alta qualidade. Consumidor mais exigente para a relação custo x benefício. - O gráfico 1 apresenta uma síntese dos principais atributos relacionados aos vinhos nacionais e aos importados na avaliação dos canais envolvidos na comercialização de ambos os tipos de vinho no mercado. Gráfico 1 – Atributos Relacionados aos Vinhos Nacionais versus Importados A carga tributária tem efeito sobre a dificuldade dos vinhos nacionais em serem competitivos em preço quando comparados aos importados chilenos e argentinos. Aliado a outros fatores, esse é um dos grandes pontos fracos do vinho local. + Carga Tributária PONTOS FORTES dos Produtos Importados Principal PONTO FRACO dos Vinhos Nacionais Nacional Tradição Avaliando a situação do vinho unicamente no Rio Grande do Sul, o item “tradição” tem posição invertida na comparação entre nacional versus importado, pois aquele consumidor tem maior identificação com os vinhos locais. A qualidade dos vinhos nacionais está nitidamente evoluindo de forma positiva. Ainda não chega aos patamares dos importados, segundo a avaliação dos canais, mas a tendência é de que em breve venha a ser um ponto positivo para o produto local. - - Importado Qualidade Preços competitivos (vinhos finos) Imagem de serem “os melhores” + A forte concorrência dos importados achata a visibilidade dos bons vinhos nacionais e seus preços menos competitivos são mais uma barreira para a sua valorização. 35 4.7 - Novidades do Setor Em consonância com a evolução progressiva do mercado de vinhos no Brasil, os canais reconhecem a presença de novas características, produtos, marcas, enfim, percebem um maior aquecimento do setor vitivinícola. Os achados demonstram um mercado que se movimenta quanto à oferta, mesmo que ainda o consumo esteja longe de patamares ideais. A crença no aumento gradativo do consumo do vinho demonstra uma antecipação para atender essa demanda através de uma oferta diversificada e que já impõe novidades. Todavia, o consumo em níveis limitados de consolidação parece ser fenômeno freador da disseminação frutífera das novidades e diversidade da oferta que passam a ter aceitações divididas entre o público, em geral, pouco maduro quanto ao hábito do consumo do vinho. Nesse contexto, algumas novidades tais como embalagens tetra-pack e bag in box têm opiniões divididas e os canais não conseguem ser uniformes quanto à oferta desses produtos. “Está saindo suco em bag in box (ótimo?). O cliente conhece porque quando serve a taça a gente apresenta na mesa. A não ser que seja um cliente já conhecido do atendente que chega e diz : "Oh, traz aquele da caixinha" . Fica exposto na adega também. Os clientes acharam interessante a embalagem e já perguntaram onde se compra, foi aprovado.” (Bar, POA) (Bag in Box:) “Aceitação mínima. Chegou a vender alguma coisa, mas o brasileiro não está acostumado”. (Supermercado, SP) Ainda assim, de uma forma geral, a avaliação do mercado é de que muitos novos itens têm aceitação positiva diante do consumidor. Por exemplo, o vinho envelhecido em tonel é um processo que gera mais sabor ao vinho e os canais o consideram uma vantagem para a oferta. A diversidade de uvas varietais, marcas e origens está proporcionado à oferta uma condição de maior impacto aos olhos do consumidor e que, em certa medida, influencia o seu consumo. Mas até que ponto um consumidor pouco maduro e conhecedor do vinho pode ser construtivamente estimulado pelas nuances da oferta? O fato é que a oferta ainda orienta o consumo. Contudo, a falta de balanço entre os investimentos na oferta e os investimentos no consumidor pode gerar um desequilíbrio na evolução contínua do consumo do vinho, pois se por um lado o consumidor aparenta “apreciar” as novidades, por outro, elas podem não passar de modismos. Afinal, com quais olhos críticos um consumidor imaturo pode avaliar consistentemente as “novidades”? O vinho por si só – suas tradições, tipos, uvas – são novidade para um consumidor emergente, ou seja, as próprias características básicas, que diferem um vinho do outro, estão pouco consolidadas para esse consumidor; dessa maneira, as iniciativas de inovação precisam ser cautelosamente direcionadas para públicos com níveis diferentes de amadurecimento em um comparativo mundial. O infográfico 10 mostra alguns itens considerados novos ou que estão mais presentes atualmente no setor do vinho versus a aceitação do mercado sob a avaliação dos canais. 36 Infográfico 10 – Novidades do Setor versus Aceitação do Mercado Vinhos sul-africanos, australianos e californianos + Novidades do Setor Novas cores, novos aromas As lojas de varejo começam a oferecer atendentes treinados para orientar o público. “Para trabalhar com vinhos é necessário ter um especialista (sommelier) no assunto, o fornecedor tem poucas informações sobre o produto” (Atacado, SP) Novos produtos: espumantes rosé e moscatel Pró-seco = moda Maior variedade de uvas varietais Novos rótulos Aceitação do mercado Vinho envelhecido em tonel de carvalho francês ou americano; “(...) dão um ‘toque’ no sabor (...)” (Supermercado, SP) Nova embalagem: tetra-pack; Uvas Syrah, Pinotage “Agradam o paladar brasileiro” (Supermercado, SP) “Conheço a embalagem tipo tetra-pack com a torneirinha, mas não uso, não gosto, o vinho é muito comum, estraga naquela embalagem, o vinho é de qualidade baixa. A garrafa é tudo num vinho”. (supermercado, SP) “ (...) outra problema é a " tampa-rosca“, a gente tem uma dificuldade enorme para convencer o cliente que a tampa rosca não altera o sabor. Na Inglaterra, onde o consumidor é mais antigo, eles aceitam naturalmente para vinhos baratos, caros.” (Atacado, POA) “Os rótulos mudaram muito, estão mais elaborados, usam cada vez mais a arte, com inspiração em pintores, escultores, os nomes são mais selecionados.” (Supermercado, SP) Embalagens garrafas 1,5l Bag in Box “Os produtores tem medo de usar esse tipo de embalagem, colocam só a segunda linha nessas embalagens.” (Bar, SP) Opinião dividida: alguns têm boa aceitação, enquanto outros ainda sentem-se receosos. - 37 4.8 - Impacto da Evolução do Mercado É consensual, na visão dos canais, que o mercado do vinho não está estático, pelo contrário, vem sofrendo mudanças contínuas. Dessas mudanças, as mais comuns são de que o consumo está crescendo, o consumidor está iniciando uma busca maior por conhecimento sobre o vinho, os vinhos nacionais estão ganhando mais qualidade, os vinhos importados chilenos e argentinos ainda são os principais players atuantes hoje no Brasil e que, de um modo geral, os preços do vinho estão ficando mais competitivos. Ou seja, as mudanças circundam prioritariamente nos atributos que compõem a sigla “CIPIVQ”, conforme exemplificamos abaixo. A mudança CIPIVQ tem impactos benéficos e maléficos para o setor da oferta. Veja: MALEFÍCIOS DA MUDANÇA BENEFÍCIOS DA MUDANÇA Melhor relacionamento Melhor relacionamento dos canais com o dos canais com o fornecedor (treinamentos/ fornecedor (treinamentos/ amostra/degustação); amostra/degustação); Consumidor aberto à Consumidor aberto à informação, pesquisa: informação, pesquisa: benefício para todos os benefício para todos os players; players; Consumo em elevação Informação em voga Consumidor final Consumidor final favorecido pela melhor favorecido pela melhor relação custo x relação custo x benefício; benefício; Bares e restaurantes Bares e restaurantes foram diretamente foram diretamente beneficiados com os beneficiados com os preços mais preços mais competitivos do vinho. competitivos do vinho. Supermercados perdem à Supermercados perdem à medida que o consumidor medida que o consumidor passa a conhecer mais o vinho passa a conhecer mais o vinho e se torna mais exigente, pois e se torna mais exigente, pois esse canal oferece produtos esse canal oferece produtos mais populares e expostos mais populares e expostos “em pé”; “em pé”; Queda de dólar aliada a Queda de dólar aliada a impostos nacionais altos impostos nacionais altos prejudica a competitividade prejudica a competitividade dos vinhos nacionais. dos vinhos nacionais. Preços mais competitivos 38 MALEFÍCIOS DA MUDANÇA BENEFÍCIOS DA MUDANÇA Varejistas que vendem mais os Varejistas que vendem mais os vinhos nacionais têm sobre eles vinhos nacionais têm sobre eles alta taxa de imposto local, alta taxa de imposto local, pequena margem de lucro; pequena margem de lucro; Importadoras ganharam Importadoras ganharam mais margem de lucro mais margem de lucro (alta penetração dos (alta penetração dos importados); importados); Fornecedores Fornecedores argentinos e uruguaios argentinos e uruguaios se beneficiam dos se beneficiam dos incentivos fiscais do incentivos fiscais do MERCOSUL; MERCOSUL; Importados dominam o mercado Por outro lado, os mesmos Por outro lado, os mesmos compradores deparam-se com compradores deparam-se com muitas variedades, dificultando a muitas variedades, dificultando a decisão da escolha; são obrigados decisão da escolha; são obrigados a tirar produtos de linha a tirar produtos de linha aleatoriamente; aleatoriamente; Aumento da variedade Aumento da variedade beneficia os beneficia os compradores na compradores na negociação com negociação com fornecedores; fornecedores; Variedade beneficia Variedade beneficia HORECA que costuma HORECA que costuma fazer sua própria fazer sua própria degustação e oferecer degustação e oferecer variedade para os variedade para os clientes; clientes; Canais que atendem o Canais que atendem o consumidor se consumidor se beneficiam de uma beneficiam de uma forma geral, pois o forma geral, pois o aumento da oferta e de aumento da oferta e de fornecedores aumenta fornecedores aumenta seu poder de barganha. seu poder de barganha. Consumidor final Consumidor final favorecido pela melhor favorecido pela melhor relação custo x relação custo x benefício; benefício; Produtores nacionais perdem com Produtores nacionais perdem com a “discriminação” do vinho a “discriminação” do vinho nacional em prol dos importados; nacional em prol dos importados; Variedade em ampliação Qualidade em evolução nos vinhos nacionais 39 Mercado pequeno de bairro não Mercado pequeno de bairro não consegue acompanhar a oferta de consegue acompanhar a oferta de vinhos de maior qualidade, sua vinhos de maior qualidade, sua demanda ainda é por vinhos demanda ainda é por vinhos populares de mesa em populares de mesa em “garrafões”. “garrafões”. 4.9 - Análise SWOT na Visão dos Canais Os segmentos corporativos envolvidos no gerenciamento e comercialização da oferta de vinho no país expressam firmes oportunidades vislumbradas para o aumento do consumo do vinho. É um mercado em estágio emergente na perspectiva desse mercado e que, portanto, as oportunidades são mais vindouras do que as ameaças. Apesar da competição entre vinhos nacionais e importados ser uma realidade, os canais conseguem avaliar o momento geral do vinho no Brasil como próspero. Veja a seguir os pontos avaliados: S FORÇAS Vinho mais reconhecido / maior penetração; Mais qualidade do produto; Preço está mais competitivo; Acesso a vinhos bons por menores preços; Variedade de marcas e origens; Baixa ameaça de produtos substitutos, nem mesmo cachaça, cerveja e vodka são vistos como ameaças para o consumo do vinho, são produtos distintos. Alguns acreditam até que a relação inversa pode acontecer: o vinho sobrepor-se a essas bebidas. Há muita oferta, pouca demanda; Há muitas importadoras que introduzem o vinho e não dão continuidade ao trabalho, prejudicando a marca; A importação do vinho no Brasil sofre alta burocracia do governo; W FRAQUEZAS Pouca divulgação por parte do produtor e do fornecedor; Mercado prejudicado pela despadronização do fluxo de comercialização do vinho e pela grande quantidade de players nesse jogo, inclusive peças clandestinas; O vinho é considerado de baixo giro e suas embalagens grandes tomam muito espaço nas gôndolas dos varejos; Falta de informação desde o distribuidor ao consumidor final; Atendimento limitado por parte do fornecedor: pouco treinamento dos vendedores e falta de incentivos para estimular a venda nos canais; Excessiva quantidade de marcas deixa mercado pulverizado, pouco focado e pouco segmentado; Rápida descontinuidade dos rótulos, prejudicando firmar marcas no mercado. 40 “Importar vinhos é um martírio. A receita e o Ministério da Agricultura são os principais obstáculos. Ambos, importadoras e produtores, têm de passar por enorme burocracia.” (Atacado, SP) “(...) de repente você começa a trabalhar com um rótulo, tem todo um trabalho em cima daquele rótulo e de repente (dentro de alguns meses) a importadora não tem mais aquele rótulo. Falta seriedade no mercado e as próprias vinícolas se planejarem melhor, para não jogar aquilo no mercado simplesmente (...), chegando ao ponto de orientar os atendentes a não oferecerem a carta de vinho, e simplesmente dizer tem esse e esse vinho.” (Hotel, POA) Maior degustação/eventos, inclusive em restaurantes onde o consumidor irá consumir o produto imediatamente; “As limitações é um mercado fechado que não abre tanto espaço para degustações, para eventos, participações, eles são muito restritos. Um vinho nunca faz parte de um evento grande”. (supermercado, Recife) Maior informação; O OPORTUNIDADES Mais propaganda mostrando que vinhos bons já não são tão caros; Divulgação de vinhos especiais, tais como os “vinhos para diabéticos” ou “vinho sem álcool” e “bag in box”; Variedade de tipos e marcas é cenário propício para segmentação: vinhos de mesa para a classe popular x vinhos finos para classes A e B; Consumidor precisa ser “educado” para beber vinho e parece estar aberto para isso; Maior especialização de profissionais da área de enologia, gerando empregos; Segmento jovem deve ser trabalhado com propagandas menos formais; Explorar vinho de mesa para classes populares através de informações para educar o consumo; Divulgação de seus benefícios para a saúde. 41 “As vinícolas tinham que investir mais nos restaurantes/degustações. Eles fazem isso nos supermercados, mas deveriam fazer nos restaurantes porque é o canal onde o consumidor está mais próximo do vinho”. (Restaurante, POA) “Dentro do nordeste, as vinícolas vêm crescendo muito porque estão trabalhando em cima de degustação, mas não só isso. A degustação faz o público conhecer o produto, mas também estão buscando a qualidade, o perfil do rótulo. Estão se preocupando com o consumidor porque sabem que ele volta para comprar o vinho. Isso é uma tendência que eu vejo, as vinícolas se preocupam com isso” (Supermercado, Recife) Campanhas estimulando a cotidianização do vinho em detrimento de sua sazonalidade; Adaptação do consumo do vinho para as características brasileiras, por exemplo, vinho branco ser tomado gelado no verão nas cidades do sul do país e novas formas de vinho, tais como o chope de vinho, que aumentariam significativamente a penetração nas regiões tipicamente tropicais e equatoriais; Atendimento personalizado público mais elitizado; O OPORTUNIDADES para o Venda casada com itens associados: queijos, pães italianos, etc...; Intensificação ousada da expansão de propagandas, em especial para o segmento de mulheres; Inovação: embalagens pequenas que possibilitem tomar o vinho em qualquer lugar; “Ousar e trabalhar em lugares que não se imagina, existe um grande nicho... De repente criar embalagens menores, uma rolha diferente, algo para ser consumido em qualquer lugar, oferecer tamanhos menores.” (Supermercado, SP) Explorar a já consolidada associação com a gastronomia; Expandir o desenvolvimento de wine bars no Brasil, que possuem um conceito diferente. 42 “ (...) é que o vinho só roda no inverno e, mesmo o vinho branco não vende no verão... então o que acontece é que só tem saída no inverno... é um problema se começa a esquentar o tempo... Pronto, o vinho não vende mais. Se não vendeu, fica na prateleira. O que poderia ser feito nesse sentido é uma campanha para as pessoas tomarem mais o vinho no verão... o vinho branco gelado... isso poderia ser feito para o produto ter mais giro. Para não ser só uma coisa de estação..” (Supermercado, POA) “ (...) inovar, buscar o diferente, ser mais ousado, arriscar. Tanto para o nacional quanto para o estrangeiro. Todas as bebidas têm que jogar o produto na cara do consumidor. O vinho não é de primeira necessidade. Mas, o consumidor, tendo o vinho em casa, ele vai tomar. E hoje, só a cerveja faz isso. Falta divulgar a marca, falta propaganda, publicidade. Orientar o consumidor. Propaganda para mulher... Pode substituir, a longo prazo, a cerveja e a cachaça. “ (Supermercado, POA) “Wine Bar, é um conceito que ainda não foi implementado; nós somos Wine Bar. É necessário (para o serviço em taça) o uso de uma máquina que usa gás inerte para conservação do vinho, custa de $40.000 a $50.000 mil reais.” (Restaurante, SP) A popularidade da cerveja e da vodka, mais explorada em termos mercadológicos, ainda é uma ameaça à cotidianização do vinho, afinal, as duas parecem ser bebidas mais reconhecidas popularmente; Marcas novas com preços muito baixos “prostituem” o mercado do vinho dificultando a valorização e a segmentação do mesmo; T AMEAÇAS RS – fronteira com Argentina/Uruguai, consumidor tem acesso direto aos importados; Contrabando = principal concorrente das vinícolas nacionais. Organizadores de grandes eventos preferem comprar do mercado ilegal do que dos canais estabilizados no país (forte no RS); Baixo poder aquisitivo da maioria da população é ainda prejudicial ao crescimento do volume da venda do vinho; Vinho quimicamente alterado intitulado de “suave”, onde 5% é uva e 95% é produto químico, muito consumido no norte do país por engano. 43 “Entrar com uma nova marca com preço muito baixo “queima” o vinho. O consumidor não gosta de coisas que caem no gosto popular” (Supermercado, SP) “(...) de nada adianta as vinícolas fazerem isso tudo (investirem em qualidade) se quem prepara o técnico na Embrapa coloca na garrafa qualquer coisa" (...) Não se sabe até quando o Norte vai comprar esse ‘vinho’ e batizar isso (vinho suave) de vinho; ou toma suco de uva ou toma vinho porque esse vinho quimicamente alterado a Argentina já manda bastante pra cá, ...esse vinho que dá dor de cabeça.” (Restaurante, POA) 4.10 - O vinho sofre ameaça de produtos substitutos? A perspectiva dos canais é promissora quanto ao consumo do vinho em comparação às demais bebidas alcoólicas, afinal, de uma forma geral, acreditam que o vinho não tem substitutos. Ainda mais positiva é a expectativa desse mesmo mercado quando julgam que a tendência a longo prazo é que o inverso se configure: o vinho substituindo bebidas, tais como a cerveja, ou a médio prazo whisky, Martíni e vodka. A cachaça, dentre todas as bebidas, poderia ser substituída no menor prazo (veja figura 1). Como observamos nos dados de consumo apresentados no Relatório 1 – Desk Research, primeira etapa desse estudo, o consumo da cerveja é bastante superior ao do vinho, mas diante de uma projeção estatística que também aponta para um crescimento do consumo, deparamo-nos com um cruzamento proporcional entre os achados desse relatório sobre a sensação dos canais e a relação entre “aumentar o consumo do vinho” versus “diminuir o consumo da cerveja”, demonstrado no relatório 1. Em outras palavras, a projeção estatística é confirmada com a opinião de quem avalia o mercado do ponto de vista corporativo apontando para uma substituição possível, a longo prazo, da cerveja pelo vinho. Figura 1: Vinho versus outras bebidas: quem substitui quem? De Para Cerveja 9 Vinho Whisky 9 Vinho 9 Vinho 9 Vinho Martíni Vodka Cachaça Vinho 9 Vinho Sem substitutos 44 Longo prazo Médio prazo Curto prazo “A bebida destilada vira em várias doses, o lucro é enorme, só que o consumo é baixo. Imagina um litro de whisky em um restaurante que não tem um volume grande, o tempo que demora para vender as 20 doses. Se vendesse muito, como o vinho, o whisky, a vodka e a cachaça dariam mais lucro, mas como isso não existe, o vinho foi o que mais ajudou o restaurante nos últimos tempos.” (Restaurante, SP) “Nos restaurantes, o vinho está tomando o espaço de outras bebidas, o consumo de cerveja, whisky e vodka diminuiu.” (Restaurante, SP) “Aquele que tomava um drink (whisky/Martíni) para relaxar no final do dia, hoje já está começando a substituir por uma taça de vinho, para ser mais saudável.” (Atacado, POA) “Antes nós vendíamos muita bebida destilada, acho que o vinho está tomando um pouco desse espaço, porque é mais suave e apreciado pelas mulheres”. (Supermercado, SP) 4.11 - Concorrentes do Vinho Embora a sensação futura de que o vinho substituirá grande parte das bebidas seja uma forte tendência na visão dos canais, o fato é que hoje, ele ainda sofre concorrência da cerveja e da caipirinha nas regiões mais quentes ou durante o verão. O mercado também explora uma avaliação ainda mais institucionalizada de que “o próprio vinho constitui uma barreira para sua venda no verão, criando um estigma que limita o consumo da bebida ao inverno. Os locais que não têm adegas climatizadas e, portanto, não oferecem vinhos resfriados/gelados desestimulam o consumo da bebida nos momentos quentes. Bebidas preferidas no verão ou nos locais predominantemente quentes Cerveja Caipirinha A própria cultura de que “vinho não se toma gelado” prejudica a disseminação da bebida. Há necessidade de se rever esse paradigma e readaptar seu tradicional ritual de apreciação e degustação à tropicalidade e ao clima equatorial, ambos presentes na realidade brasileira. Tendências mais destacáveis na avaliação dos canais: O aumento do consumo do vinho tende a manter-se; O consumo de vinhos deverá ser menos sazonal, em especial os espumantes; O aumento da qualidade dos vinhos nacionais é um fato já visível com tendência a se consolidar; Segmentação como estratégia eficaz de mercado, afinal, o consumidor começa a ficar mais “individualizado” e a oferta precisa atingir patamares mais próximos da personalização; Aumento da penetração do vinho de mesa nas classes mais populares; Substituição de cervejas e destilados por vinho; Com o aumento do consumo, a margem do lucro dos canais deverá diminuir por unidade e ganhar em volume. Mudança de estratégia que aumentará a penetração da bebida. 45 4.12 - Marketing Mix: Avaliação dos 4 Ps na Visão dos Canais Os canais confiam e acreditam na sustentabilidade do vinho; vislumbram um crescimento do seu consumo que vai de encontro com os achados dos dados secundários do Relatório 1 – Desk Research e com a opinião do próprio consumidor que assume que vem bebendo mais vinho ou simplesmente percebe que o vinho está ganhando espaço no mercado de forma geral. (vide Relatório 2 – Quali-Demanda); O mercado está a favor de que o vinho é potencial substituto, a longo prazo, de algumas bebidas alcoólicas (cerveja + destilados), por outro lado, é também consensual que hoje o vinho sofre concorrência da própria cerveja e da caipirinha, bebidas frias, equiparáveis com o clima nacional, mas havendo uma reeducação de que o vinho pode ser ingerido resfriado, a perspectiva do mercado é que esse paradigma seja quebrado; A qualidade do vinho nacional se comparado ao importado é avaliada como inferior, embora já estejam sendo reconhecidos os esforços de melhoria do mesmo; O vinho nacional sofre alta pressão dos importados sul-americanos (Chile e Argentina); A oferta orienta o consumo com grande variedade de marcas e tipos. PRODUTO Preços atuais Cadeia de comercialização do vinho realmente despadronizada, não se segue um mesmo competitivos, fluxo desde a produção do vinho até a especialmente venda para o cliente final. Enquanto impulsionados pelos importadores às vezes vendem direto ao chilenos e argentinos; cliente, também fornecem para MERCADO PRAÇA Preços nacionais atacadistas e varejistas; PREÇO -ALVO superiores aos preços Vinhos populares, em especial de dos importados sulmesa nacionais, são mais americanos devido à encontrados em varejistas, alta carga tributária enquanto as lojas especializadas local; têm a maior variedade de marcas e Vinhos importados PROPAGANDA origens bem como elasticidade de do velho mundo com preços. O fato demonstra certa preços menos caracterização dos canais quanto competitivos Baixa intensidade de propagandas ao tipo e origem do vinho. comparado aos visando maior cotidianização do importados sulhábito do consumo do produto; americanos e aos A grande maioria das propagandas brasileiros. ainda associa o vinho a patamares altos de requinte e sofisticação; Propagandas do vinho associadas à mulher e ao jovem são um nicho que deverá ser explorado; Opções de marketing direto e street marketing têm baixa penetração e são avaliadas com bons resultados: degustação, feiras ou mesmo treinamento especializado para os canais; A informação é a principal necessidade dos canais para gerar atendimento personalizado e atender um novo perfil de consumidor mais exigente que vem sendo traçado. 46 4.13 - Lições aprendidas nessa seção O consumo do vinho no Brasil tem perspectivas muito positivas para os canais. Entretanto, a trajetória do produto em evolução passará por uma organização natural do setor até que atinja sua total maturidade a longo prazo. Resumimos abaixo os principais achados sobre as tendências visualizadas pelos canais no desenvolvimento do vinho no país: Se hoje o consumo de vinhos tintos e suaves predomina, a tendência é a busca por vinhos secos e brancos à medida em que o consumidor vai se tornando gradativamente um conhecedor mais profundo do produto; Se hoje o consumo de vinhos e espumantes é sazonal, a expectativa é que se torne o mais próximo do diário possível; Enquanto crescerá o consumo do vinho fino, diminuirá o consumo do vinho de mesa; Se ontem o consumidor sequer preocupava-se em buscar informações para aprofundar seu conhecimento sobre o vinho, hoje, o cenário já é diferente, inclusive com criações de confrarias, grupos e mais cursos técnicos no mercado. A tendência é da consolidação desse contexto; Se hoje as propagandas de vinho são escassas se comparadas a outras bebidas e há poucas ações de marketing promocionais nos canais, o desafio, na sua visão, é a mudança desse cenário como atributo crucial para o estímulo do consumo da bebida para um consumidor que começa a pressionar por esse momento; Em grande parte, a entrada dos vinhos chilenos e argentinos, considerados de qualidade, com preços competitivos no mercado brasileiro, acelerou o processo da busca por qualidade dos vinhos nacionais, uma vez que o consumidor inicia uma procura sutil por vinhos mais elaborados. Sendo assim, o desafio para as vinícolas brasileiras é a consolidação da oferta e da imagem de vinhos de qualidade e, se assim ocorrer, acredita-se que tanto os vinhos importados quanto os nacionais terão espaço para o consumidor do futuro; À medida em que a qualidade do vinho tende a crescer, outro desafio figura no equilíbrio entre qualidade e preço. O consumidor começa a ficar mais exigente e vai querer apreciar um bom vinho a preços cada vez mais competitivos. Com isso, a penetração da bebida aumenta diante de um acesso de novas classes sociais ao vinho; Se hoje, o vinho nacional é considerado mais caro e de menor qualidade, a lição para os dirigentes do Brasil é avaliar como impor uma carga tributária menor para o vinho nacional, fator decisivo para a sua competitividade, afinal, hoje, o vinho importado é ainda considerado melhor, de mais qualidade, tem maior peso simbólico atrelado à sua tradição, e ainda oferece preços mais competitivos (melhor relação custo x benefício); 47 Se hoje há grande variedade de marcas e tipos de vinho, o fato é a demonstração de uma oferta mais madura do que a própria demanda. A expectativa dos canais é de que esse cenário equilibre-se com uma estabilidade da variedade de vinhos a médio prazo; O aspecto da saúde associado ao vinho já vem iniciando há algum tempo. Avalia o canal que esse contexto se consolide, pois é uma característica favorável do vinho e um diferencial competitivo diante de outras bebidas; Mesmo diante de um mercado pouco maduro, algumas novidades encararam aceitação, tais como o atendimento do consumidor por profissionais especializados agora também em varejistas ou mesmo novos rótulos e novos aromas. Do contrário, outras inovações estão ainda sob a avaliação do consumidor, tais como as embalagens tetra-pack e bag in box. Esse cenário sugere que inovações para um mercado de consumo pouco maduro não parecem necessariamente adequadas, pois, em termos de volume nacional, o consumidor sequer fez ainda um hábito o consumo das embalagens comuns. Em contrapartida, o consumidor de Porto Alegre, por ser mais familiar quanto ao vinho, demonstra-se um pouco mais flexível a tais novidades; Por fim, se hoje outras bebidas destiladas, tais como vodka ou Martíni e, principalmente a cerveja que impera no Brasil, são mais consumidas em volume pela população, a perspectiva do canal é de que, mesmo assim, o vinho tem suas peculiaridades e, portanto, não tem substituto. Inclusive, sua expectativa é de que com o maior hábito do consumo da bebida, ela venha a substituir gradativamente as demais bebidas. 48 5. Estrutura da Oferta de Vinho 49 5.1 Composição da Oferta de Vinhos Na tentativa de organizar a composição do vinho, traçamos uma pirâmide que coloca o consumidor final, alvo da oferta, no topo. A pirâmide (figura 2) aponta para canais multifuncionais que desempenham às vezes não só o papel de comerciantes do produto para o consumidor final, mas também são abastecedores de outros canais. De uma maneira geral, as vinícolas não fazem sempre o papel de unicamente fabricar o vinho, mas também entram na linha de frente fornecendo diretamente para supermercados, restaurantes e em algumas vezes para o consumidor final, atuando como um atravessador na visão dos demais canais da oferta. O canal HORECA normalmente é aquele que tem o menor contato com as vinícolas, com exceção dos localizados no Rio Grande do Sul, devido à alta proximidade com as fabricantes nacionais do vinho, prioritariamente produzido nessa região, e as grande redes de varejo que preferem a negociação direta. Figura 2 – Pirâmide de composição da oferta 1. Consumidor final 2. Comerciantes do vinho para o consumidor final 3. Fornecedor do vinho para os canais 4.Fabricante do vinho Consumidor Final Lojas especializadas; Varejistas não especializados (supermercados, lojas de conveniência, empórios); HORECA; Algumas importadoras/vinícolas; Vinícolas (nacionais e importadas); Representantes comerciais; Importadoras; Distribuidoras; Supermercados; Atacadistas; Vinícolas (nacionais e importadas) 50 5.2 Características da Oferta Os canais caracterizam a oferta de vinhos como variada, fragmentada e competitiva. A quantidade de vinícolas existentes no mercado e o surgimento de novas marcas torna a oferta de vinhos muito variada. Essa ampla variedade, alimentada por centenas de vinícolas nacionais e estrangeiras é ofertada por diversos fornecedores aos canais de venda e ao consumidor final, o que faz com que a oferta seja bastante fragmentada, exigindo do comprador um maior conhecimento e preparo na tomada de decisão por um vinho e espumante, não condizendo com a estrutura do consumo. O resultado é uma dificuldade na decisão de compra, que é percebida tanto entre os canais quanto entre os consumidores que são expostos a tamanha variedade de marcas e pouca informação. O número expressivo de importadoras e a abertura de novos canais, somado à constante evolução do mercado gera uma competição ainda maior entre fornecedores e canais de venda ao consumidor. A figura 3 abaixo descreve os fatores que caracterizam a oferta de vinhos e espumantes na visão dos canais. Figura 3 - Fatores que caracterizam a oferta Lançamento de novas marcas; Entrada de produtos importados (Chile / Argentina) Variada Exige maior conhecimento e experiência por parte do comprador de vinho. Grande quantidade de vinícolas importadoras e canais de venda Fragmentada Embora o canal tenha mais opções de fornecedores, o setor perde força. Saturação da oferta Competitiva Maior esforço de venda por parte dos canais. Diferenciais (valor agregado à venda) O atual cenário apresenta uma “super oferta”, que produz em grande escala uma diversidade de vinhos que abastece os canais de venda. Estas características exigem um esforço de venda ainda maior por parte dos canais, já que o consumo é muito menor que a oferta. E sugere um reposicionamento por parte de quem abastece o mercado, no sentido de equilibrar a oferta de acordo com a demanda. Este descompasso entre a oferta X procura leva ao risco de saturação do mercado, uma vez que o produto não é absorvido pela demanda. 51 As citações apresentadas na figura 4 mostram as características da oferta de vinhos/espumantes sob a visão crítica dos canais. Vide abaixo: Figura 4 - Características da Oferta Variada “Bastante variada, todos os dias tem um marca nova, uma vinícola nova que vem nos procurar, uma importadora que liga para divulgar uma importação nova, tem importadores expandindo. Tem muito vinho no mercado brasileiro, tem muitas marcas desconhecidas.” (Distribuidor, POA) “O mercado é muito competitivo e variado, sobretudo depois que os importados invadiram o mercado nacional.” (Distribuidor, POA) Fragmentada “Conversando com o pessoal do setor de vinho, eu soube que o Brasil e a Argentina estão se juntando porque o Brasil consome muito pouco vinho, mas se dobrar o público de vinho, vai faltar vinho nacional, então o setor de vinhos do Brasil e da Argentina estão tentando fazer alguma coisa para aumentar o consumo ‘do vinho’ independentemente da nacionalidade, porque se aumentar todo mundo vai ganhar.” (Atacadista, POA) Competitiva “Hoje o mundo está produzindo vinho. Na França, o vinho é excedente, o governo dá incentivo para comprarem parreiras, em Portugal está sobrando vinho, no mundo todo - tem muita gente produzindo, esperando um consumo que seja maior, mas que ainda não é - então é um mercado supervalorizado e todo mundo quer vender. Acho que o mercado mais competitivo do mundo hoje é o mercado do vinho.” (Loja especializada, POA) “O mercado já está bem abastecido e agora é preciso aumentar o consumo com ações que façam com que as pessoas provem e passem a consumir”. (Distribuidor com loja especializada, POA) 52 Nesse contexto de oferta fragmentada, variada e competitiva, a reação dos canais assume diferentes formatos, visando manter-se competitivos no mercado. O infográfico 12 abaixo representa o impacto das características da oferta nos canais versus a sua forma de reação, mais ou menos favorável no atual cenário do vinho no Brasil. + Infográfico 12 - Termômetro da adaptação dos canais frente as características da oferta COMPETIÇÃO DIRETA Efeito Negativo Impacto da oferta no canal Grande impacto e um poder de reação menor frente a concorrência geram desvantagem Lojas especializadas sofrem com o impacto do mercado, diante da reação dos outros canais (atacadistas e varejo não especializado) uma forma de reagir à concorrência é Sem Efeito segmentar os produtos; Trabalhando com rótulos que não são ofertados no varejo não especializado, evitando Pouco impacto e assim uma comparação pequena reação: direta de preços, já que o A HORECA é a mais atendimento beneficiada diante personalizado não é mais o seu diferencial frente da variedade de aos supermercados. vinhos, fragmentação da oferta e competitividade do mercado. = Varejo não especializado reage de forma positiva frente a oferta, criando oportunidade e ocupando uma posição mais competitiva frente as lojas especializadas. Efeito Positivo Grande impacto e alto poder de reação gera oportunidade Redes de supermercados percebem oportunidades apresentadas pela oferta e As características da reestruturam os oferta causam um certo estabelecimentos e a impacto no canal que maneira de ofertar os reage de forma positiva: vinhos/espumantes; # Diferencial Agregando valor no fornecimento aos pontos de dose através de consultorias, elaboração da carta de vinhos, treinamento aos atendentes (garçons); Lojas especializadas e adegas montadas para atender o consumidor final ganham um espaço especial nos depósitos. Adegas ganham espaço especial dentro do varejo não especializado; Profissionais especializados são contratados para atendimento no ponto de venda. Varejo não especializado com adega Distribuidor com loja especializada - Lojas Especializada HORECA - Reação do canal frente a oferta 53 + 5.3 Comparativo entre a oferta de vinhos, cerveja e cachaça Esse tópico se propõe a criar um comparativo entre a oferta de vinho, nosso objeto de estudo, com os seus principais concorrentes, a cerveja e a cachaça. Destacamos os principais diferencias da oferta de vinhos frente a oferta dessas duas bebidas, apontando as vantagens (pontos positivos) e desvantagens (pontos negativos) da oferta de vinhos. As margens de lucro também foram analisadas, indicando a bebida mais lucrativa de acordo com a visão dos canais pesquisados, conforme apresenta a tabela 1 abaixo: Tabela 1 - Comparativos entre os canais - vinho versus cerveja versus cachaça Comparativo entre as bebidas Cerveja Vinho Cachaça Posição no mercado Produto elaborado, em plena ascensão Produto fermentado (baixo Produto destilado (alto teor alcoólico); vem teor alcoólico), presença forte no mercado evoluindo (exportação) Variedade de tipos e marcas Ampla variedade de tipos e diversidade de marcas Pouca variedade e monopólio de marcas Perfil do consumidor Elitizado, sofisticado (maior poder aquisitivo) Popular Situação de consumo Ocasiões especiais e íntimas (jantares/ comemorações) Locais de consumo Em casa, jantares românticos, encontro de família e restaurantes Em casa, no churrasco, em festas, reunião de família, no futebol, na praia e em bares/restaurantes Maior consumo no inverno; Consumo o ano todo (mais queda brusca no verão intenso no verão) Aperitivo nas refeições, (churrasco) na praia e em festas (caipirinha/ coquetéis) Consumo o ano todo (caipirinha/coquetéis) Divulgação na mídia/informação Pouca informação e fraca Propaganda apelativa; divulgação/baixa presença comunicação massiva/ muita informação na mídia de massa Pouca presença na mídia; pouca informação (cachaça fina) Imagem perante o consumidor Boa imagem/aceitação; saudável e sofisticado Preço/Impostos e acesso Preço alto (não tabelado); maior carga tributária; acesso limitado Lucratividade Alta margem de lucro e valor agregado Local de armazenamento Exige local adequado para armazenagem Consumo/ sazonalidade Grande variedade, mas não é de conhecimento do público em geral Popular, há uma tentativa de elitizar através da cachaça fina Socialização entre amigos, Aperitivo (coquetéis, colegas, familiares caipirinha) Boa imagem/aceitação Imagem ruim, baixa refrescante/popular/social aceitação exceto em Recife Preço baixio; fácil acesso; Preço acessível; fácil preço alto (cachaça fina) acesso sem custo x beneficio Baixa margem de lucro; alto volume de venda (giro) Margem de lucro igual ou pouco; menor que o vinho (venda unitária) Armazenagem e logística simples Armazenagem simples e alta durabilidade 54 5.3.1 - Vinho X Cerveja Ao analisar a oferta de vinho versus a oferta de cerveja, as vantagens e as desvantagem e as características que diferenciam uma bebida da outra, é possível traçar uma linha ascendente inversa (gráfico A6) que sugere uma forma do vinho transformar seus pontos negativos em vantagem competitiva. O vinho perde espaço para a cerveja que tem uma forte divulgação, fácil acesso e preço acessível. A dificuldade de armazenamento e o conhecimento necessário para a compra de vinhos também são apontados como desvantagens do vinho. As características da oferta de cerveja garantem à bebida um maior consumo, sem exigir esforços de venda por parte dos canais. Embora a margem de lucro seja pequena, a cerveja ganha no giro (volume de venda). A maior diferença entre o vinho (bebida elaborada) e a cerveja (fermentada) está na situação de consumo e no perfil de consumidor. Enquanto o vinho é consumido em situações especiais e por um público mais elitizado na visão dos canais, a cerveja é popular e de consumo massivo. As estações do ano (verão/inverno) influenciam diretamente no consumo de vinho que é associado ao clima frio, especialmente em Porto Alegre que tem um consumo intenso no inverno e que apresenta uma baixa significativa no verão. Em Recife, o clima quente é visto como impróprio para o consumo de vinho. Já em São Paulo, a temperatura tem menor influência no consumo. Esse quadro de desvantagem do vinho diante da cerveja alerta para a necessidade de um maior investimento em comunicação, explorando as vantagens do produto e tirando o estigma de que o vinho é uma bebida de inverno. Esse cenário é favorável para potencializar o consumo de vinhos brancos, chope de vinho e espumantes para despertar uma reversão na imagem atual dos vinhos diante da necessidade de adaptação desse produto a um país tipicamente tropical. A realização de treinamentos e distribuição de materiais de descrição técnica do produto supriria a necessidade de informação dos canais e facilitaria tanto a compra quanto a venda, conforme pode ser observado no gráfico 2 abaixo que posiciona no quadrante azul as vantagens do vinho, muito mais alinhada para os canais ao “ganho de lucro”, e as desvantagens do produto, no quadrante vermelho, desalinhadas a um “ganho de mercado”, item de maior domínio da cerveja no contexto atual: Ganho de lucro Vinho - Grande variedade; - Grande variedade; - Mais saudável; - Mais saudável; - Tem valor agregado; - Tem valor agregado; - Acompanhamento nas refeições; - Acompanhamento nas refeições; - Melhor logística para servir; - Melhor logística para servir; - Maior durabilidade; - Maior durabilidade; - Não é tabelado; - Não é tabelado; - Não há monopólio. - Não há monopólio. Gráfico 2: Ganho de lucro versus ganho de mercado - vinho versus cerveja Vinho X Cerveja - Elitizado X Popular “O vinho é uma bebida mais refinada, tem giro menor e a margem é maior. A cerveja você usa para chamar o público para o mercado, mas não se ganha dinheiro com a cerveja, é um produto que quando está em oferta, no encarte, você ganha 2% de lucro.” (Varejo médio, POA) Cerveja - Forte divulgação; - Forte divulgação; - Maior consumo; - Maior consumo; - Preço mais acessível; - Preço mais acessível; - Fácil acesso; Inverno X Verão - Fácil acesso; - Não é sazonal (vende o ano todo); - Não é sazonal (vende o ano todo); - Não exige conhecimento na escolha (compra); - Não exige conhecimento na escolha (compra); - Facilidade de armazenamento e logística; - Facilidade de armazenamento e logística; - Produto ofertado (sem esforço de venda); - Produto ofertado (sem esforço de venda); - Baixa margem de lucro, porém grande volume de venda. - Baixa margem de lucro, porém grande volume de venda. - Situações especiais X qualquer momento - “O consumo de vinho está muito próximo da cerveja. Hoje as pessoas deixam de tomar cerveja para tomar vinho” (Loja especializada, POA) Ganho de mercado 55 Vinho X Cerveja De maneira geral, a oferta de vinho e a oferta de cerveja apresentam situações de consumo bastante distintas. Ao comparar as duas bebidas é possível perceber que a oferta de vinho é ainda mais vantajosa para as lojas especializadas que têm o vinho como acompanhamento nas refeições. Na HORECA, o perfil do estabelecimento determina o carro-chefe, focando mais no vinho ou na cerveja. O varejo ressalta que a cerveja é um produto ofertado que serve para atrair clientes para o estabelecimento. Já os atacadistas/distribuidores ressaltam as vantagens em se negociar o vinho. O Box 3 abaixo descreve a oferta de vinhos X a oferta de cerveja. Box 3 - Vinho X Cerveja Ao comparar o vinho com a cerveja, nas três regiões pesquisadas, pode-se destacar que: Trata-se de duas bebidas com claras diferenças: o vinho é reservado para ocasiões mais especificas, ele dá status e tem um público mais segmentado (elitizado) e exige um pouco mais de conhecimento e informação na hora da compra, enquanto a cerveja é popular (massa) e pode ser consumida em qualquer hora/local, sendo de fácil acesso. A variedade de vinho é muito maior comparado a cerveja e, por ser mais fragmentada, exige um maior conhecimento/experiência do comprador. O mercado da cerveja é muito mais forte em termos de divulgação e consumo (massivo). A falta de hábito, própria da cultura brasileira, impede um consumo maior de vinhos e espumantes. A margem de lucro do vinho é maior, por se tratar de um produto com valor agregado, e portanto, a margem pode ser trabalhada (não é tabelado). Mas, a cerveja ganha no giro/ rotatividade. A cerveja serve para atrair clientes para o estabelecimento (produto ofertado), enquanto o vinho exige um esforço de venda maior – principalmente no varejo. 56 5.3.1.1 - Comparativo entre as regiões O Box 4 descreve as principais diferenças entre a oferta de vinho e a oferta de cervejas em um comparativo entre as cidades de São Paulo, Porto Alegre e Recife. Box 4 Nas lojas especializadas, o consumo de vinho está próximo da cerveja e, mesmo com as marcas desconhecidas, é possível se obter uma boa margem. Para os restaurantes, o custo X beneficio do vinho é muito maior. Para os hotéis, a cerveja tem uma logística mais simples (armazenagem). E os buffets trabalham a cerveja com consignação e afirmam que, no resultado final, o lucro é o mesmo (alta margem X volume de venda). As estações do ano (inverno/verão) influenciam muito na comparação entre duas bebidas: o vinho tem maior destaque no inverno, enquanto a cerveja é vendida o ano todo, principalmente no verão. Destacam o monopólio no mercado da cerveja (Ambev) que dificulta a negociação, enquanto o vinho é mais fragmentado. Embora a margem de lucro do vinho seja maior, os atacadistas dizem ter o mesmo lucro, porque o giro da cerveja é muito superior. O vinho precisa de um lugar apropriado para a armazenagem, mas em contra partida pode ficar por mais tempo estocado. Nos restaurantes há quem trabalhe forte o vinho, aplicando uma margem menor para que o produto seja acessível e, assim, o consumo, pois percebe que os clientes de vinho consomem pratos mais finos, sobremesas, água e café, trazendo mais lucro para a casa. Mas há quem calcule o lucro pelo volume de consumo do produto, por exemplo: uma garrafa de vinho é consumida por 2 ou 4 pessoas enquanto quatro pessoas bebem muito mais chope. O consumo de vinho é muito menor, o público é bem selecionado. Deve-se isso à falta de hábito. O clima tropical (temperatura predominantemente quente) impede um consumo maior. O preço, ainda muito alto, é outro influenciador para o baixo consumo. O vinho exige um conhecimento maior por parte do comprador. Percebem que os lançamentos e estratégias se restringem ao sul do país. As lojas especializadas e os restaurantes ressaltam as qualidades do vinho e as vantagens em se trabalhar com ele (valor agregado), além da diversidade de marcas. Os hotéis consideram o acesso ao vinho limitado, Já os bares tem um foco muito maior na cerveja, a demanda é maior e o preço, mais acessível. 57 Vinho X Cerveja Na tabela 2 a seguir, destacamos os diferenciais da oferta de vinhos frente a oferta de cerveja, apontando as vantagens (pontos positivos) e desvantagens (pontos negativos) da oferta de vinhos. As margens de lucro também foram analisadas, indicando a bebida mais lucrativa de acordo com a visão dos canais pesquisados. Tabela 2 – Vinho X Cerveja # DIFERENCIAL DESVANTAGEM VANTAGEM Vinho = status/ glamour Cerveja = popular / massa A variedade de vinho é maior O vinho tem valor agregado/ status e é consumido em ocasiões especiais Qualidade do produto (elaborado) A cerveja é mais popular e pode ser consumida em qualquer hora e lugar Diversidade de marcas Mais saudável A cerveja tem o preço tabelado e o vinho não, o que permite trabalhar a margem Não é tabelado, pode-se trabalhar a margem A Ambev concentra a oferta da cerveja (monopólio) Vinho pode ficar no estoque por mais tempo e o chope não O esforço de venda do vinho é maior Tem diferencial e tem um público mais selecionado A compra do vinho exige mais conhecimento para não deixar o produto parado A cerveja é ofertada para atrair clientes (por 1 centavo)/mais competitiva A cerveja chama o público, mas não se ganha dinheiro com a cerveja (produto ofertado) Varejista Atacadistas A margem do vinho é muito maior, mais valor agregado A cerveja vende o ano todo (volume de venda) Embora a margem do vinho seja maior, há quem diga que o lucro é igual porque o giro da cerveja é muito grande A divulgação da cerveja é maior Preço mais baixo (acessível) Logística do serviço do garçom Bom acompanhamento nas refeições Loja Especializada 58 MARGEM DE LUCRO O mercado de cerveja é mais forte e organizado Menor rotatividade (giro) No estabelecimento, o consumo está próximo da cerveja Mesmo c/ marcas desconhecidas é possível ter uma boa margem $ Não há uma cultura para o consumo de vinho (hábito) O consumo do vinhos é sazonal (baixo) Negociar cerveja é mais fácil, o vinho fica restrito ao sul do país (acesso limitado) A cerveja ganha na rotatividade, o vinho ganha na margem e perde no giro O custo X beneficio do vinho é mais lucrativo para o restaurante. Ex: para vender 1 litro de whisk y é necessário vender 20 doses O vinho é mais vantajoso no inverno e o chope, no verão A cerveja é negociada mais com consignação. O lucro é o mesmo pelo volume de consumo Lugar apropriado para armazenar (deixar deitado) Buffets HORECA Na tabela 3, a seguir, o principal objetivo é descrever a opinião de cada um dos segmentos em cada uma das cidades, possibilitando uma compreensão mais profunda sobre cada um dos atributos apontados ao avaliarmos o diferencial do vinho, suas vantagens, desvantagens e margens de lucro, na percepção dos canais pesquisados. # Tabela 3 Atacadistas # Diferencial Vantagens A cerveja é o principal concorrente do vinho # A variedade de vinho é maior A divulgação da cerveja é maior Menos giro (rotatividade) que a cerveja $ Varejista A margem do vinho é muito maior, mais valor agregado A cerveja é ofertada para clientes (por 1 centavo) # atrair / mais competitiva Loja Especializada A cerveja está concentrada na Ambev (monopólio) $ # A divulgação da cerveja é maior Embora a margem do vinho seja maior, há quem diga que o lucro é igual porque o giro da cerveja é muito grande A cerveja chama o público, mas não se ganha dinheiro com a cerveja (produto ofertado) Saudável, acompanhamento Mercado de cerveja é + forte, maior consumo e divulgação Não há monopólio (diversidade de marcas) O esforço de venda do vinho é maior Embora gire menos, a margem de lucro é maior (valor agregado) Divulgação na mídia e a falta de hábito de consumo, sazonal $ Embora gire menos, a margem de lucro é maior (valor agregado) cerveja é vendida no mesmo # Apreço pra pequenos e grandes agregado, status , # Valor ocasiões de consumo Tem valor agregado e pode ser trabalhado ser consumida em # pode qualquer hora e lugar estabelecimentos No estabelecimento, o consumo está próximo da cerveja (está substituindo) $ $ Margem de Lucro vê a cerveja como # Não concorrente do vinho, são estratégias diferentes (intimista x popular) A cerveja vende o ano todo (giro muito superior) O vinho não é tabelado, podese trabalhar a margem $ Desvantagens Mais saudável Consumo significantemente menor e o preço mais alto $ A margem do vinho é maior ganha na rotatividade, # Cerveja o vinho ganha na margem e perde no giro Negociar cerveja é mais fácil, o vinho é restrito ao sul do país $ Preço alto, público muito selecionado e não há cultura de consumir vinho Embora a rentabilidade seja maior (preço da garrafa/margem de lucro) há quem afirme ganhar mais com a cerveja (volume de venda) compra do vinho exige mais # Aconhecimento para não deixar A cerveja é mais popular e o produto parado. Tem que saber escolher o vinho que o cliente já procura Tem um diferencial e tem um público mais selecionado Produto de qualidade (elaborado) tem + vantagens de lucro maior, pela $ Margem qualidade do produto Mesmo c/ marcas desconhecidas, é possível ter uma boa margem 59 # Tabela 4 Diferencial Vantagens Desvantagens $ Margem de Lucro HORECA Restaurantes # Por se tratar de produtos consumidos em diferentes Situações, não há vantagens e desvantagens = Algumas churrascarias consideram a oferta de vinho semelhante à da cerveja $ O custo X beneficio do vinho é + lucrativo para o restaurante Ex: para vender 1 litro de whisky é necessário 20 doses Bares Aqueles que tem, conhecem o produto, agregam valor vinho gera diferencial. A # Ocerveja é popular $ # há muitos vinhos # (tipos) Vinho = a requinte/elitizado Cerveja = popular / + mídia A cerveja tem uma logística mais simples (armazenagem) Maior variedade, mas por ser fragmentado, a compra exige mais conhecimento, preparo $ Buffets A margem do vinho é maior, mas a cerveja é mais barata/acessível consumidos em ocasiões # São diferentes. Vinho = glamour/ qualidade/aconchegante Cada produto tem suas vantagens e desvantagens em situações diferentes. São incomparáveis Cerveja é mais consignação. $ A margem do vinho pode ser maior. O lucro é o mesmo pelo volume de consumo Qualidade/diversidade Acompanhamento nas refeições (vinho+ pratos e sobremesas) $ Opiniões divergentes, uns diminuem a margem p/ vender + vinho e outros vêem + lucro na venda do chope (volume) Ex: 1 vinho p/ 3 pessoas e 3 pessoas bebem muito chope $ Não é tabulado, já a cerveja tem um valor fixado em todas as capitais, e o vinho não A margem do vinho é maior. Para o restaurante, a vantagem é maior c/ o vinho. Ex: lucro da venda de 1 vinho = 10 cervejas Ocasiões e públicos muito # O vinho combina com pratos e a cerveja/chope apenas com aperitivos # diferentes, são incomparáveis Clima tropical impróprio para o consumo (praia/calor) O vinho pode ficar no estoque por mais tempo e o chope não A cerveja é popular, todo mundo consome no bar (hábito) Se não tiver um lugar apropriado para armazenar (deixar deitado) vinho é mais vantajoso no $ Oinverno e o chope no verão cerveja tem uma variedade # A+ definida (sabor semelhante); Hotéis Preço ainda muito alto Não há cultura do consumo de vinho (hábito) Há pouca gente com experiência e competência para trabalhar o vinho A cerveja ganha no giro e o vinho, no valor agregado = refeições/+ íntimo # Vinho Cerveja = euforia/calor # Vinho = nobre /ocasiões especiais. Cerveja não tem classe (popular) Saudável $ Acompanhamento p/ refeições Embora a margem do vinho seja maior, a cerveja ganha no giro. Para o bar, a cerveja é mais lucrativa (consumo maior) / variedade (muitos # Qualidade vinhos bons) Preço Logística do serviço do garçom $ Acesso limitado, canais fechados para o produto. Cerveja tem em qualquer lugar Quanto à margem de lucro, ganha de qualquer outra bebida (70%). O restaurante Italiano do Hotel vendia 80 garrafas de vinho por dia cerveja vende o ano todo e o # Avinho é mais no inverno Saudável Acompanhamento p/ refeições $ O vinho, por ser mais caro, tem uma margem maior (agrega valor); a cerveja ganha no giro O vinho não é popular/acessível Baixo consumo/ falta de hábito margem do vinho é maior $ A(valor agregado) 60 Não pesquisado 5.3.2 - Vinho X Cachaça De forma geral, o cenário atual é mais vantajoso para o vinho quando comparado à cachaça. Por outro lado, quando o assunto é a cerveja, as vantagens do vinho sobre a cachaça delineiam uma seta ascendente no gráfico 3 que indica os atributos com os quais ele pode ganhar ainda mais espaço sobre a cachaça. Embora a oferta de cachaça venha evoluindo, o crescimento é mais lento e menos expressivo que a oferta de vinhos. A cachaça é mais voltada para a exportação, tem uma boa imagem no exterior e não é muito aceita no mercado nacional, especialmente em Porto Alegre onde a rejeição à cachaça é ainda maior. Em contrapartida, Recife tem uma melhor aceitação da cachaça e, conseqüentemente, apresenta um consumo maior da bebida. Nesse sentido, o vinho ganha espaço frente a cachaça sobretudo por ser uma bebida mais saudável e sofisticada, além de apresentar uma melhor relação custo X beneficio para o canal, ou seja, é possível encontrar um vinho de qualidade por um preço mais acessível do que uma cachaça fina que apresenta um preço mais alto. A principal diferença entre o vinho (bebida elaborada) e a cachaça (destilado) é a situação de consumo e o perfil do consumidor. Embora a cachaça tenha evoluído e exista uma tentativa de penetrá-la em um público mais elitizado, vendendo a idéia de um produto sofisticado, ainda existe muito preconceito em relação ao produto. Os canais avaliam que o consumidor ainda associa a cachaça a uma bebida popular. “O vinho tem uma imagem elitizada “O vinho tem uma imagem elitizada muito maior que a cachaça. Embora muito maior que a cachaça. Embora venham tentando direcionar a venham tentando direcionar a cachaça a um público mais elitizado, cachaça a um público mais elitizado, ela ainda é considerada uma bebida ela ainda é considerada uma bebida de povão.” (Distribuidor com loja de povão.” (Distribuidor com loja especializada, POA) especializada, POA) Outro aspecto de comparação entre as duas bebidas é o fato da cachaça ser considerada um “produto para exportação” e, de forma geral, não ter uma boa imagem nacional. Enquanto o vinho é um acompanhamento para as refeições, a cachaça é consumida em pequenas doses. Essa relação desproporcional entre as duas bebidas apresenta-se como mais uma vantagem competitiva do vinho. Segundo a visão dos canais, ambas apresentam um consumo sazonal, porém a queda na venda/ consumo de vinho no verão é expressivamente maior, enquanto a cachaça mantém sua média através do consumo de caipirinha, coquetéis e batidas. O quadro de desvantagem do vinho diante da cerveja e das opções de cachaça no verão pode ser revertido a favor do vinho, através de uma diminuição nas cargas tributárias cobradas sobre o produto, que poderão reduzir o preço de venda do produto para sua popularização no verão. Considerando que o Brasil é um país tipicamente tropical, em alguns locais, como Recife, o verão é praticamente uma estação predominante. Portanto, além das tributações, torna-se nítida a necessidade de adequação do vinho através de opções resfriadas e geladas. Aliado à isso, a sugestão de um maior investimento em comunicação e informações sobre o produto, fica mais uma vez evidente. É preciso estimular o consumo de vinho no verão e munir as pessoas de informação, tornando o acesso do produto ao consumidor mais fácil e a compra por parte do canal mais simples e segura. 61 “A cachaça vende “A cachaça vende mais que o vinho em mais que o vinho em nossa região. nossa região. A cachaça deixa uma A cachaça deixa uma maior margem de maior margem de lucro” lucro” (HORECA, Recife) (HORECA, Recife) O gráfico 3 apresenta o posicionamento do vinho diante da cachaça, que, ao contrário da comparação com a cerveja, em relação à cachaça, o vinho apresenta tanto maior oportunidade de maior ganho de lucro como de ganho de mercado para os canais. Ainda assim, é importante ressaltar que, embora em nenhum momento a cachaça seja avaliada com um volume mais expressivo de venda pelos canais, em Recife, seu posicionamento diante do item “ganho de mercado” é melhor do que nas outras capitais. Por outro lado, se considerada a venda da cachaça em doses, sua posição subiria no indicativo do “ganho de lucro” na avaliação dos canais inclusive com boas vantagens sobre o vinho, afinal, uma vez aberta a garrafa de uma cachaça para comercialização de doses, sua durabilidade é maior, enquanto o vinho sofre pelo caráter mais perecível, obrigando seu giro mais rápido do que a cachaça. De qualquer maneira, impera a imagem de que a cachaça não é substituta do vinho. “Quem ameaça a “Quem ameaça a cachaça é o vinho. cachaça é o vinho. Houve, há dois anos, um Houve, há dois anos, um “boom” de cachaça com “boom” de cachaça com pedigree. Vai parar logo, pedigree. Vai parar logo, não é concorrente para não é concorrente para o vinho.” (varejista, SP) o vinho.” (varejista, SP) Gráfico 3: Ganho de lucro versus ganho de mercado – vinho versus cachaça Ganho de lucro “A cachaça fina pode evoluir, mas ela vai enfrentar uma dificuldade, porque o vinho está evoluindo muito mais e muito mais rápido, e a cachaça é contra o vinho.” (Loja especializada, POA) Cachaça Vinho Vinho X Cachaça - Elaborada X Destilada - Sofisticado X Popular - Nacional X Exportação - Menor carga tributária; - Menor carga tributária; - Preço mais acessível; - Preço mais acessível; - Fácil acesso; - Fácil acesso; - Facilidade de armazenamento; - Facilidade de armazenamento; - Caipirinha, coquetéis e batidas mantêm o consumo da - Caipirinha, coquetéis e batidas mantêm o consumo da cachaça; cachaça; - Maior durabilidade (a garrafa depois de aberta pode ser - Maior durabilidade (a garrafa depois de aberta pode ser usada sem deteriorar o produto). usada sem deteriorar o produto). Ganho de mercado Obs.: A cachaça tem maior lucro que o vinho quando se trata de consumo de doses - Grande variedade; - Grande variedade; -Melhor imagem e aceitação; -Melhor imagem e aceitação; -Maior volume de consumo; -Maior volume de consumo; - Mais saudável; - Mais saudável; - Tem valor agregado; - Tem valor agregado; - Acompanhamento nas refeições; - Acompanhamento nas refeições; -Melhor relação de custo X benefício. -Melhor relação de custo X benefício. “O vinho é mais caro, a cachaça não demora tanto pra ser feita. Quanto à entrega de vinhos, ai sai bem mais rápido, como eu disse o vinho é um produto mais fechado, a cachaça, a cerveja, e o wkishy são produtos mais abertos, mais expandidos a têm mais opções de compra, de preço e tudo” (HORECA, Recife) Diferença regional: em Recife, a cachaça está melhor posicionada quanto ao item “ganho de mercado”, mas ainda assim não supera o vinho. 62 As principais características identificadas na comparação entre a oferta de vinhos e a oferta de cachaça, podem ser observadas no Box 5 abaixo: Box 5 - Vinho X Cachaça Ao comparar o vinho com a cachaça, as três cidades pesquisadas... Diferenciam as duas bebidas: a cachaça (destilado) é um aperitivo e o vinho (bebida elaborada) é um acompanhamento nas refeições. Percebem o crescimento do mercado de cachaças no Brasil com o surgimento de marcas novas. Houve um aumento na produção de cachaças finas, envelhecidas, para exportação. Mas, essa evolução ainda não é percebida pelo consumidor e não reflete resultados significativos no mercado nacional. A imagem nacional do vinho é infinitamente melhor do que a da cachaça. A oferta de vinho é maior e mais variada que a oferta de cachaça, embora a produção no Brasil tenha aumentando nos últimos anos. Ao analisar o lucro unitário, a cachaça é mais vantajosa, mas no volume de venda, o vinho dá mais lucro (valor agregado), mesmo quando as margens não são iguais. 63 5.3.2.1 - Comparativo entre as regiões O Box 6 descreve as principais diferenças entre a oferta de vinho e a oferta de cachaça em um comparativo entre as regiões de São Paulo, Porto Alegre e Recife. Box 6 O custo beneficio do vinho é maior, é possível encontrar um vinho bom e acessível, já a cachaça boa (fina) é mais cara. O varejo percebe uma oferta de cachaça mais regionalizada, enquanto o vinho trabalha a nível nacional. Em restaurantes, o consumo de vinho é ainda mais expressivo porque a cachaça é vendida em doses (baixo volume) ou como aperitivo (caipirinha). Os bares consideram o mercado de destilados de maneira geral mais linear e organizado que o vinho. Os hotéis destacam a facilidade de armazenamento e durabilidade da cachaça (o produto não deteriora depois de aberta a garrafa). Embora tente-se elitizar a cachaça, ela ainda tem uma imagem de bebida popular. O preconceito em relação à bebida ainda é muito grande (cachaça = cachaceiro), já o vinho tem uma aceitação e um consumo maior. 98% do consumo destina-se à compra para presentear enquanto os 2% restantes representam uma demanda formada por estrangeiros. Classificam as duas bebidas como sendo sazonais, mas a queda no consumo de vinho no verão é muito maior que o da cachaça. Observa-se aqui a grande influência do clima. As lojas especializadas acreditam num crescimento, ainda que lento, do consumo da cachaça. A venda de cachaça é maior para atacadistas, mercados e lojas especializadas, embora o vinho tenha uma margem maior. Para restaurantes, o vinho é mais vantajoso, porque a cachaça é consumida em dose como aperitivo e o vinho acompanha as refeições. Os hotéis ressaltam a facilidade de se comprar cachaça ao invés de vinho, há mais opções de preço e o valor é mais acessível. 64 Vinho X Cachaça No comparativo entre o vinho e a cachaça, destacamos os diferenciais da oferta de vinhos frente à oferta de cachaça, apontando as vantagens e desvantagens da oferta de vinhos e as margens de lucro, conforme tabela 5. Vide abaixo: Tabela 5 # DIFERENCIAL A cachaça é um novo nicho de mercado no Brasil que está em crescimento. Há mais lojas especializadas e cachaçarias Aumentou muito a produção de cachaça fina, envelhecida (rótulo especial) Cachaça é mais p/exportação, tem uma boa imagem no exterior e um consumo nacional baixo Vinho = status/requinte Cachaça = popular/boteco/ bêbado (imagem ruim) Cachaça oferta + regionalizada (fábricas artesanais) enquanto a oferta do vinho é nacional Cachaça não se pode baixar muito o preço para não atrair um público que não é o foco Ambos são sazonais, porém a queda na venda do vinho é muito maior. Há uma grande variedade de cachaças, mas o consumidor não percebe (falta conhecimento) Acreditam numa evolução do mercado de cachaça, mas é algo muito lento Atacadistas Varejista DESVANTAGEM VANTAGEM Preço mais alto Maior oferta / variedade Volume de consumo maior Saudável, maior aceitação Menor teor alcoólico Melhor imagem (elitizada) Melhor custo-beneficio: há vinho de qualidade com preço acessível e a cachaça boa é muito mais cara Consome-se menos destilados, preocupação cada vez maior com a saúde Venda casada com outros produtos que qualquer outra bebida Cachaça tem mais durabilidade (facilidade de armazenagem) Cachaça tem uma venda mais fragmentada e regionalizada Volume de venda da cachaça é maior (coquetéis) Embora tentem elitizar o público da cachaça, ainda há preconceito (bebida de povão/ cachaça = cachaceiro) Vinho não vende no verão e cachaça sim (caipirinha) Vinho serve-se sozinho e com a cachaça se faz coquetéis, caipirinhas Atrai um público com maior poder aquisitivo e a cachaça atinge desde a massa até um público mais seleto Buffets HORECA 65 MARGEM DE LUCRO Vinho tem maior margem de lucro Falta informação para o Mesmo em canais que aplicam consumidor a mesma margem para as duas Mais difícil de encontrar e adquirir bebidas, o lucro do vinho é maior Mercado de destilados, em Venda unitária = cachaça geral, é mais linear e Volume de venda = cerveja organizado. O vinho tem impostos maiores do Margem de lucro = vinho O ambiente de “barzinho” não é voltado para o vinho Cachaça é aperitivo e o vinho acompanha as refeições $ Demanda de estrangeiros, impulsiona o consumo Loja Especializada Mais lucrativo (vende mais) Melhor negociação Para o restaurante, o vinho é mais vantajoso Em mercados menores e bares, a cachaça vende mais e o lucro em volume de venda é maior que o vinho Em termos de valor agregado, o vinho é melhor, em valor de margem percentual, a cachaça ganha. Ex: 1L. = R$ 4,00 / dose = R$ 0,50 / lucro = 150% vinho = 50% de lucro A cachaça tem um volume de venda maior, dá mais lucro Na tabela 6 abaixo, descrevemos os diferenciais da oferta de vinhos frente à oferta de cachaças, suas vantagens e desvantagens e as margem de lucro de acordo com a visão dos canais pesquisados: # Tabela 6 Atacadistas Diferencial são compras de estrangeiros $ tentem elitizar o # Embora público da cachaça, ainda há Há vinho de qualidade com preço acessível e a cachaça boa é muito mais cara A margem de lucro é igual oferta + regionalizada # Cachaça: (fábricas artesanais). Vinho: oferta a nível nacional mais para exportação, # Cachaça tem boa imagem no exterior $ $ Maior oferta / variedade Acompanhamento nas refeições $ O vinho tem margem maior atinge desde a massa até um público + seleto que aprecia $ vendem mais cachaça (+ lucro) Para o atacado, o vinho é mais lucrativo (vende mais) Distribuidores e representantes São públicos bem diferentes e específicos maior que a da cachaça Vinho 100/20; Cachaça 100/80 O vinho não vende no verão e cachaça vende (caipirinha) O vinho não vende no verão e cachaça vende (caipirinha) Consumo maior (mais hábito) Melhor negociação Preço mais alto, falta informação O mercado de cachaça um público com maior # Atrai poder aquisitivo e a cachaça Acompanha refeição Volume de consumo maior Mais difícil de encontrar e adquirir Há mais lojas # cresceu. especializadas e cachaçarias produzida em menor # Cachaça escala $ Maior variedade (diferentes paladares) Saudável, maior aceitação $ Margem de Lucro preconceito (bebida de povão/ cachaça = cachaceiro) Melhor imagem (elitizada) e aceitação um público que não é o foco Maior variedade, oferta e consumo (venda casada com alimentos) melhor imagem nacional Vinho margem de 50% a 60% e a cachaça de 20% a 25% e a cerveja de 10% a 15% Venda unitária = cachaça Volume de venda = cerveja Margem de lucro = vinho $ $ A margem de lucro é igual = popular / boteco/ # Cachaça bêbado (imagem ruim) # são sazonais: mas a # Ambos queda de venda do vinho é muito não se pode baixar # Cachaça muito o preço para não atrair Loja Especializada Desvantagens dos consumidores finais é um novo nicho de # Cachaça # 98% compram p/ presentear e 2% mercado no Brasil (crescimento) O volume e a variedade de cachaça de qualidade não é tão grande quando a do vinho Varejista Vantagens Partem de pontos de vista diferentes: ao analisar o lucro unitário, a cachaça é + vantajosa e no volume de venda, o vinho torna-se + lucrativo, mesmo quando as margem são semelhantes (vende mais) Acreditam numa evolução do de cachaça, mas é # mercado algo muito lento Para mercados maiores, o vinho $ dá melhores lucros pelo volume de venda maior mercados menores, a $ Em cachaça vende mais e, conseqüentemente, o lucro em volume de venda é maior que do vinho Produtos totalmente diferentes, incomparáveis e por essa # são razão é complicado apontar vantagens e desvantagens Menor teor alcoólico Consumo maior e mais elitizado margens são iguais, mas $ oAsvinho tem mais valor agregado 66 A loja especializada pesquisada 1 $ afirma que a cachaça vende mais, mas o lucro do vinho é maior porque é um produto com maior valor agregado # Tabela 7 Diferencial Vantagens Desvantagens $ Margem de Lucro HORECA Restaurantes Não dá para comparar um # Segmentos completamente # Formas de consumo diferentes destilado com um (dose x garrafa) # produto A cachaça é aperitivo e o vinho # produto elaborado. # acompanha as refeições Cachaça vende o ano todo Surgiram muitas marcas novas Vinho vende mais (garrafa) (caipirinha) Dificilmente vende-se uma # nacionais. Há muito marketing O vinho tem impostos maiores do garrafa de cachaça Aumentou muito a produção de que qualquer outra bebida Para o restaurante, o vinho é # cachaça fina, envelhecida $ mais vantajoso (rótulo especial) p/ exportação) Algumas vezes a margem é igual $ em outras a do vinho é maior, Maior volume de venda e $ mas a cachaça dá mais lucro (volume de venda anual) consumo (cachaça em dose) A margem do vinho é maior Bares Mercado de destilados, em geral, é + linear e organizado # Hotéis A cachaça vende mais (coquetéis) No verão se vende caipirinha e vinho não (influência do clima) Depende, no inverno o vinho $ traz mais lucro de estrangeiros # Demanda (cachaça diferenciada) A cachaça está virando moda A cachaça tem um venda mais fragmentada e regionalizada $ A margem do vinho é maior (volume de consumo) A cachaça tem uma imagem popular, o vinho é sofisticado $ O vinho tem maior margem associada com menos destilados, # Geralmente outros ingredientes (coquetéis) # Consome-se preocupação cada vez maior com a saúde tem um volume $ Adecachaça venda maior, dá lucro Margem maior para os vinhos (maior consumo) O vinho é um produto mais refinado, a cachaça, a cerveja e o whisky são mais abertos, há + opções de compra e preços O preço é 60% mais alto que o vinho Mais saudável (teor alcoólico) Em valor agregado, o vinho é $ melhor, em valor de margem percentual, a cachaça ganha. Ex: 1L de cachaça é R$ 4,00, vendendo a dose a 0,50, dá 150% de lucro e o vinho só dá 50% de lucro Maior consumo A cachaça não compete com o vinho de maneira alguma $ O vinho serve-se sozinho e com a cachaça se faz coquetéis, caipirinhas. O ambiente de “barzinho” não é voltado para o vinho uma grande variedade de é mais p/exportação # Há cachaças, mas o consumidor não # # Cachaça (consumo nacional baixo) percebe / falta conhecimento A cachaça tem mais durabilidade (facilidade de armazenagem) Buffets # Quantidade de consumo e sofisticação A demanda de estrangeiros, aumentou o consumo Há pouca gente com experiência e competência para trabalhar o vinho O vinho acompanha outros pratos e a cachaça é aperitivo Mais lucrativo (vende mais) $ A margem do vinho é maior (valor agregado) 67 Não pesquisado 5.4 - Lições aprendidas nessa seção A oferta atual do vinho no Brasil é bastante variada, fragmentada e competitiva. Muitas marcas e tipos de vinhos ampliam a competição diante de uma opção multivariada de fornecedores. Esse cenário, em um momento de consumo imaturo no país, representa um setor pouco organizado, pouco uniforme, diante de um consumidor que precisa ter bastante conhecimento para distinguir as opções de oferta. Lojas especializadas e varejistas que representam o maior volume de vendas do produto no Brasil, sofrem mais com esse cenário, porém os varejistas, antes só direcionados a atingir públicos mais populares e menos conhecedores, hoje, apresentam uma reação nítida, se especializando para atender públicos mais seletivos. A característica de uma oferta tão variada para um público iniciante no consumo do vinho é contraditória quando comparada ao seu principal concorrente, a cerveja, que mesmo diante de um mercado consumidor extremamente maduro, tem uma oferta bem menos variada, até monopolista. A cachaça, em situação de reconhecimento inclusive inferior ao vinho, também tem uma oferta variada. Por outro lado, a multivariedade da oferta de vinhos é propícia para uma evolução que deverá tanto segmentar públicos quanto popularizar a bebida. A cerveja é concorrente do vinho em se tratando de volume de vendas, pois a primeira tem uma participação de mercado extremamente superior ao segundo. Entretanto, é a cachaça que, se emergir, ameaçará o vinho quanto à lucratividade, pois sua margem de lucro é bem parecida com a do vinho e ainda tem a vantagem de sobrepor-se a ele quanto à comercialização de doses, devido a sua baixa perecividade. E, nesse caso, o maior beneficiado é o canal HORECA, o qual os comerciantes de vinho devem, portanto, tratar com cautela e flexibilidade de negociação. O caráter elitizado do vinho fino por um lado coloca a indústria em uma situação confortável, de diferencial diante de seus maiores “concorrentes”, a cerveja e cachaça, afinal, nenhum deles têm a imagem de requinte a seu favor, pois os esforços de elitizarem a cachaça não geraram ainda efeitos significativos. Mas por outro lado, mesmo diante da alta penetração dos vinhos de mesa para públicos mais populares, a imagem generalizada que associa o vinho de uma forma geral à sofisticação (se comparado à cerveja, nitidamente mais popular) e a sazonalidade dificultam o acesso mais amplo ao vinho, prejudicando a cotidianização e popularização do mesmo. O fato confirma que duas estratégias em paralelo deverão ser seguidas com táticas diferentes: o ganho de mercado (concorrente principal: cerveja) objetivando a popularização e o ganho de lucro (concorrente principal: cachaça), visando a segmentação do mercado. 68 6. Papel do Canal 69 6.1 - Vantagens e desvantagens de cada canal As vantagens e desvantagens percebidas por cada canal na venda de vinhos se relacionam em alta medida com a demanda existente para o produto. Quanto maior a demanda de certos produtos, os estabelecimentos se mostram mais alinhados na comercialização do mesmo. Em outras palavras, os vinhos mais comerciais são prioridade nas gôndolas dos canais e hoje em dia pouco se dá espaço para produtos novos, pois a expectativa é de baixa aceitação do consumidor, uma vez que este, por segurança, procura as marcas já conhecidas. Na prática, os canais têm as suas ofertas “ditadas” pela aceitação da demanda que, por falta de um abrangente conhecimento sobre os vinhos é, por sua vez, influenciada pelas opções de vinho “ditadas” pelas vinícolas. Na prática, isso sugere que o consumidor tem pouco critério crítico para definir tendências e preferências por produtos e as vinícolas testam sua aceitação somente após terem colocado os produtos no mercado e os estimulado, quando feito, por incentivos de propaganda. Os canais, dessa forma, por medida de segurança, desenham seu portfólio baseado no que os consumidores já têm como “marcas conhecidas”, ou seja, marcas estimuladas pelas vinícolas. Figura 4 – A definição da Oferta 1. As vinícolas ditam os produtos 2. O consumidor é influenciado pela oferta das vinícolas Oferta 3. Os canais dispõe dos produtos comerciais, intitulados “aceitos” pelo consumidor que pouco participa do processo de decisão das opções de produto 4. Consumo dos produtos “mais conhecidos” 70 Veja abaixo como cada canal avalia suas vantagens e desvantagens diante desse ciclo da oferta: No caso do segmento HORECA, por um lado, casas mais sofisticadas como restaurantes de alta gastronomia e bares diferenciados, já estruturados para a venda do vinho, têm maior facilidade na comercialização, uma vez que a clientela já reconhece o valor agregado oferecido. Por outro lado, os demais estabelecimentos, de categoria inferior ou pouco segmentados, ainda encontram dificuldade em vender vinhos, seja pela questão de preço, seja pela falta de hábito da clientela. Nesses casos, percebese um ciclo que engendra baixa demanda, altos custos operacionais e altos custos de compra que acarretam no baixo investimento na comercialização de vinhos. “A maioria dos consumidores tem a consciência do valor agregado às condições em se "servir o vinho“. (HORECA, SP) Já no segmento de lojas especializadas, as vantagens percebidas se referem à infra-estrutura em termos de serviço e oferta. O segmento é percebido pelos lojistas como diferenciado dentro do mercado de vinhos dado o conjunto de benefícios e vantagens oferecidas ao cliente, pautado no atendimento especializado, na ambientação das lojas e no portfólio diferenciado. Entretanto, acreditam que o setor é influenciado negativamente pelo estigma de que lojas especializadas oferecem produtos a preços mais caros. “O atendimento é especializado, realizado por pessoas que entendem de vinho, temos serviço de entrega também, levamos até o cliente. O benefício da loja é entender do produto que vendemos” (Loja especializada, SP) Entre os varejistas não especializados, a maior vantagem percebida é o grande poder de barganha, sobretudo entre os supermercados de médio a grande porte. O aumento das vendas, os preços competitivos e a variedade da oferta que cada vez mais abrange as várias faixas de preços confirmam a crescente consolidação do setor no negócio de vinhos. Entretanto, ainda que em termos de portfólio o setor esteja preparado para a comercialização de vinhos, a falta de espaço e de estrutura interna para tal é a principal desvantagem percebida, configurando um fator limitador. “A nossa vantagem é que compramos em grandes quantidades e podemos disputar o preço com outros supermercados (Varejista, SP) Para os atacadistas, a percepção sobre vantagens e desvantagens oscila bastante de acordo com o foco de atuação das empresas. Para as importadoras, a principal vantagem percebida é a exclusividade de oferta e a ampla rede de distribuição, enquanto que para atacadistas supermercadistas a vantagem se centra na questão preço competitivo. Entre os distribuidores, o aumento da demanda nos setores-alvo HORECA e Food Service oferece vantagens ao canal. De forma geral, observa-se o crescimento da demanda que, por outro lado, é acompanhada pelo alto nível de fragmentação decorrente do crescimento do setor atacadista como um todo e a sobreposição de atividades que de fato ocorre no mercado. “Aqui em Porto Alegre existem 4 lojas com o mesmo perfil de público (tipos de vinhos), mesmo estilo de trabalho, cada uma tem uma variedade de mais de 1000 marcas de vinho e nenhuma das 4 tem uma marca de vinho igual. Então, temos uma oferta de 4.000 marcas numa mesma linha de trabalho e público. (Distribuidor com loja especializada, POA) 71 6.2 - Desafios e tendências futuras As tendências observadas em cada canal, de forma geral, convergem para um maior investimento na profissionalização no que se refere à comercialização de vinhos. Na medida em que a demanda e a concorrência são percebidas como crescentes, a tendência dos canais já posicionados estrategicamente no mercado de vinhos é a de criar diferenciais que possam ser agregados ao produto, enquanto que os canais que têm na venda de vinhos algo secundário, a tendência é investir na infra-estrutura básica, como atendimento e ambientação. Entende-se aqui como profissionalização dos canais na comercialização do produto vinho, investimentos e aprimoramentos, seja na adequação das instalações, no aperfeiçoamento das equipes ou ainda na adequação da oferta. Esforços para se manterem diferenciadas do varejo não especializado através do aumento do nível de especialização e da LOJAS ESPECIALIZADAS criação de serviços diferenciados. Oferta variada e diferenciada; afastando-se em certa medida de “Tirar o consumidor do rótulos mais comerciais. supermercado..., é preciso Ações direcionadas para a formação do consumidor: palestras e fazer um trabalho focado no consumidor para fazer seções de degustação com especialistas. com que ele venha até a Criação de espaços de sociabilidade como wine bars, bistrôs, loja... ele vai notar a charutarias, confrarias, etc. diferença e virá sempre.” Prestação de serviços como assessoria para definição de cartas (Loja especializada, POA) de vinhos ou adega particulares. HORECA “Tem que criar um diferencial, fazer degustações, sugerir harmonizações com os pratos....e nisso o trabalho do atendente é fundamental” (Bar, POA) VAREJO ESPECIALIZADO “Vou me diferenciar dos demais mercados oferecendo um atendimento personalizado com promotores para divulgar o vinho” (Varejista, POA) ATACADISTAS “É primordial para a venda de vinhos ter pessoas especializadas na área, com informações adequadas... oferecer valores agregados ao produto” (Distribuidor, SP) Agregar valor ao produto através de um conjunto de ações que engloba serviço especializado, ambientação e carta de vinhos variada. Investimentos no aperfeiçoamento da brigada e no acondicionamento e exposição dos vinhos, no caso dos canais pouco segmentados. Ações para estimular o consumo, ex.: harmonização entre menu e carta, seções de degustação, festivais gastronômicos, etc. Manutenção das características da oferta: abrangente, cobrindo as várias faixas de preços, com preços altamente competitivos. Seleção mais acurada dos rótulos, focando maior potencial de venda. Especialização do setor em termos de armazenagem, exposição e atendimento, sobretudo nos supermercados de pequeno e médio porte em Recife e Porto Alegre. Fortalecimento das parcerias entre fornecedores e clientes como ferramenta para driblar a concorrência. Maior aproximação com clientes para a divulgação dos produtos. Trabalho de base com clientes e brigadas para formação/capacitação. Entre os atacadistas e distribuidores observa-se maior investimento na ambientação e nas condições de armazenamento e exposição dos vinhos. 72 Abaixo, na tabela 8, seguem cruzadas as principais vantagens e desvantagens percebidas por cada setor com os principais desafios e obstáculos observados no que se refere tanto ao desempenho pontual dos estabelecimentos como dos setores de forma geral, apontando para as possíveis tendências do mercado de vinhos e espumantes. Observou-se baixo nível de diferenciação entre as percepções nas diversas regiões. Mesmo considerando a região sudeste, onde o processo de comercialização de vinhos se mostra mais acelerado, os desafios apontados pelos setores são os mesmos, ainda que em graus diferentes, nas três regiões pesquisadas. Tabela 8 - Vantagens, desvantagens e desafios dos canais ATACADISTAS LOJAS ESPECIALIZADAS •Especialização VANTAGENS gera credibilidade e fidelização dos clientes + •Imagem do setor: DESVANTAGENS = DESAFIOS elitizado e caro •Comparação ao setor de varejo não especializado = concorrência •Manter oferta de qualidade com preços competitivos •Manter-se diferenciado do varejo não especializado HORECA •Em alguns casos, o consumidor já valoriza o valor agregado oferecido •Potencial para vender vinhos mais caros •Pouca demanda: baixo giro dificultando as negociações com fornecedores •Estimular a demanda •Manter a qualidade e o preço acessível •Melhores negociações com os fornecedores •Portfólio diferenciado •Experimentação •Marketing de de novos rótulos relacionamento com os TENDÊNCIAS clientes: cursos/eventos degustações, além do atendimento personalizado (degustação) •Parceria com os fornecedores para venda casada (prato + vinho) 73 •Exclusividade de rótulos, (importadores) •Flexibilidade na venda de pequenas quantidades, priorizando seu cliente HORECA que precisa de um estoque mínimo (distribuidores) •Alta concorrência do próprio setor devido a uma expansão do canal atacadista e concorrência direta do varejo não especializado •Oferta de rótulos de qualidade a baixo custo •Aperfeiçoar o atendimento ao cliente e logística • Serviço agregado de consultoria nas cartas de vinhos, treinamentos aos atendentes e informação técnica do produto VAREJO NÃO ESPECIALIZADO •Grande variedade de oferta a preços competitivos •Consolidação do setor enquanto comerciante de vinhos •Infra-estrutura: falta de espaço limita a oferta e exposição adequada dos produtos •Falta de especialização na venda •Estimular a demanda para vinhos mais caros •Adequação ao tratamento dado ao produto (exposição e temperatura) • Criação de adegas •Contratação de profissional especializado •Realização de ações no PDV (degustação) 6.3 - Serviços Adicionais A oferta de serviços adicionais é um item importante para estabelecer relacionamento com clientes em cada canal, cada qual com seu grau de especificidade. De forma geral, dentre todos os segmentos de canais analisados, os benefícios hoje oferecidos circundam três categorias na visão dos próprios canais: serviço, infra-estrutura e oferta. Juntos, têm como objetivo comum, por um lado, agregar valor ao produto, através da criação de uma atmosfera que remete ao universo de sofisticação no qual os vinhos estão inseridos, de forma a despertar a percepção do consumidor em relação ao conjunto de atributos vinculados à compra de um vinho; por outro lado, tais benefícios objetivam também estimular o crescimento da demanda. Os quadros abaixo demonstram as diferenças entre os segmentos em termos de benefícios oferecidos dentro dessas 3 categorias. HORECA •Atendimento especializado LOJAS ESPECIALIZADAS •Atendimento especializado com foco na apresentação dos vinhos e na orientação dos consumidores. Lojas •A ambientação especial remete aoespecializadas mundo dos vinhos. em vinhos ou •Seções com decorações bebidas em geral diferenciadas. •Atenção ao acondicionamento correto do produto em termos de temperatura e exposição. •Oferta de vinhos diferenciados, de maior qualidade. com foco no serviço de vinho: uso de taças especiais e decanter; e atenção às regras do serviço de vinhos= serviço ritualizado / glamour. •Adegas climatizadas. •Oferta de vinhos focada na demanda. •Vendas em consignação por empresas de buffets/catering. ATACADISTAS Mais comuns em São Paulo Hotéis, bares e restaurantes mais focados em vinhos investem em cartas mais variadas e rótulos de melhor qualidade VAREJISTAS NÃO ESPECIALIZADOS •Atendimento especializado com foco na apresentação dos vinhos e na orientação dos clientes. •Ambientação especial remete ao mundo dos vinhos. •Correto armazenamento do produto em termos de temperatura e exposição. •Manutenção do portfólio a longo prazo. •Oferecimento de cursos, palestras e degustações. •Vendas em pequenas quantidades e preços bastante competitivos. Estabelecimentos mais requintados investem mais •Atendimento especializado Mais comuns em importadoras Atacadistas/ Supermercadistas com foco na orientação dos consumidores. •Seção diferenciada das demais bebidas. •Adegas climatizadas. •Variedade de oferta com preços competitivos. •Degustações. •Promoções no ponto de venda. •Seções especiais de palestras, cursos e degustações. •Comodidade e praticidade pelo mix de produtos oferecidos. 74 Indicativo do nível de comprometimento do estabelecimento com a venda de vinhos Muito comum em São Paulo Ações que visam instruir o consumidor 6.4 - Exposição dos Vinhos O nível de especialização dos canais quanto à oferta de vinhos e espumantes é relativamente proporcional ao nível de valorização do produto, percebido através da exposição do mesmo nos estabelecimentos. Observa-se a tendência no uso de mobília em madeira para compor um cenário que remete a uma adega e ao requinte associado ao mundo dos vinhos. Nota-se também o esforço na ambientação da seção de vinhos. A adega climatizada é hoje o ponto alto em termos de ambientação e é percebida como um fator que agrega alto valor aos vinhos. LOJAS ESPECIALIZADAS Os vinhos são expostos na posição horizontal e são organizados de forma a facilitar a visualização e a fácil localização por parte dos consumidores. Essa organização varia de acordo com a percepção da forma pela qual os consumidores de cada loja se guiam na busca dos rótulos, podendo ser por marca, por tipo de uva ou origem/região. Algumas lojas apresentam seções especiais destinadas à marcas específicas que contam com material promocional próprio ou ainda áreas especiais reservadas a rótulos mais selecionados. Há também seções destinadas aos vinhos em promoção. VAREJISTAS NÃO ESPECIALIZADOS Há uma movimentação no sentido de aperfeiçoar a forma de exposição dos vinhos, através de adegas internas que destacam a oferta de vinhos/espumantes dando-lhe um espaço exclusivo e condições adequadas de armazenamento. Os vinhos ficam deitados De forma geral, os canais estão cientes que a oferta de vinho exige um maior esforço de venda, além de um espaço adequado para armazenar o produto e os cuidados mínimos com a apresentação. Esta preocupação com o nível de especialização é percebido de diferentes formas nos canais. Esses cuidados com a armazenagem, exposição e o atendimento personalizado são mais presentes nas lojas especializadas e são percebidas como pré-requisitos para o canal na oferta de vinhos, sobretudo pelas lojas que têm os vinhos/espumantes como carroschefe. Mesmo nas lojas que comercializam, além do vinho, outras bebidas (cerveja e destilados), há um destaque para os vinhos. Logo atrás das lojas especializadas estão os supermercadistas de grande porte que estão buscando um maior nível de especialização na oferta de vinhos. Em contrapartida, no varejo não especializado de menor porte, a exposição dos vinhos fica prejudicada pela falta de recursos e espaço físico. 75 Dividem espaço com as outras bebidas (cervejas e destilados) Nenhum destaque para o vinho HORECA De forma geral, é nítida a preocupação dos estabelecimentos que compõem o grupo da HORECA em agregar valor ao produto de maneira que os consumidores, sobretudo os iniciantes, percebam a diferença entre a experiência de se tomar um vinho em casa, comprado no supermercado a preço mais baixo, e a experiência de se degustar um vinho servido com o requinte de um serviço especializado. Bar Restaurante Restaurante do Hotel Hotel cria display promocional como forma de estimular o consumo de hóspedes Bares expõem o vinho, criando uma atmosfera convidativa ao consumo DISTRIBUIDORES/IMPORTADORES Nas importadoras, o armazenamento correto do produto somado a uma ambientação especial remete o consumidor à uma maior proximidade ao “mundo dos vinhos”. ATACADISTAS Falta de cuidado vinhos/espumantes no armazenamento dos Nos distribuidores de bebidas, os vinhos ganham um espaço especial dentro dos depósitos. Embora os vinhos não fiquem expostos da forma considerada mais “adequada” (deitados), nota-se uma preocupação em separar os vinhos por origem e criar alguma ambientação. Produtos enlatados dividem o espaço com os vinhos e espumantes Foco no preço, sem nenhum valor agregado Divisão por origem Não há preocupação com a separação por tipo e/ou origem Cestas com vinhos 76 6.5 - Comparativo entre canais Confirmando os dados apresentados no Relatório 1 - Desk Research, que teve como propósito compreender as diferenças prévias de espaço dedicado ao vinho, a comunicação e a composição por tipos, origens e marcas, através da técnica de pesquisa ‘cliente oculto’ (mystery shopping), traçamos o universo do vinho nos diferentes canais como pode ser observado na tabela 9 abaixo, que apresenta o resumo dessas informações. Tabela 9 - Espaço interno dedicado ao vinho ORGANIZAÇÃO TAMANHO/ESTRUTURA Atacadista Varejista Supermercado Os importadores e distribuidores são mais estruturados e possuem um espaço interno dedicado aos vinhos. Os atacadistas têm um espaço menor que o das outras bebidas. Despadronizado: depende da estrutura e da localização (segmentação do público). Menor porte: (popular) espaço menor. Mais requintados: (médio/grande porte) espaço maior ou até com exclusividade (adegas internas). Loja Especializada Espaço amplo, exclusivo, requintado e com temperatura especial (armazenamento). HORECA Mantém um estoque mínimo para os vinhos/espumantes. Alguns bares e restaurantes deixam os rótulos expostos destacando o produto e criando uma certa ambientação propícia ao consumo de vinhos. Vinhos organizados por origem e tipo, exceto atacadistas que não demonstram cuidado especial com o armazenamento e exposição dos vinhos. Vinhos costumeiramente organizados por origem, sem distinção de espaço para vinhos de mesa, fino e espumantes. Nos mais populares, os vinhos dividem espaço com outras bebidas (cervejas e destilados). Os vinhos são organizados por origem misturando todos os tipos (mesa x fino x espumante) expostos de acordo com o critério de escolha dos clientes. ATENDIMENTO Os representantes com mais experiência no mercado de vinhos/espumantes prestam treinamento e consultoria aos canais de dose além de auxiliar na elaboração das cartas. Atacadistas não têm vendedores especializados em vinho. Grandes redes que possuem espaços mais apropriados para os vinhos (como adegas internas) investem em vendedores especialmente treinados. Os mais populares não possuem. É de praxe a presença de vendedores especializados que normalmente são sommeliers ou enólogos. afinal, esse é principal diferencial do canal. Vinhos normalmente Os bares e restaurantes armazenados por tipo têm (mesa x fino x espumante). seus atendentes Não há distinção de como “vendedores”. espaço para cada tipo. Alguns recebem Os canais mais requintados treinamento possuem adegas climatizadas e incentivos de venda. consignadas pelos fornecedores. 77 6.6 - Atributos para a Competitividade No geral, a oferta enxerga como fatores de competitividade dos canais, o nível de especialidade de cada um e a política de preço, ou seja, preço e valor agregado têm poder de discriminar o foco de cada tipo de canal por serem drivers determinantes para seus negócios. O gráfico 4 apresenta o posicionamento dos diversos tipos de canais e portes diante desses dois principais atributos: drivers que guiam e segmentam o mercado da oferta. Gráfico 4 – Posicionamento dos canais diante de seus principais atributos de competição Zona de maior competitividade Lojas Especializadas Varejo não especializado Atacadistas Nível de Especialização Grandes redes de supermercadistas Importadores Distribuidores HORECA Desegmentados, não atingiram nenhum dos drivers, nem preço nem nível de especialização Médio porte, SP/POA e Recife O valor agregado é o atributo de competitividade Altamente segmentados Varejo não especializado HORECA Pouco segmentados SP, POA e Recife O preço é o principal atributo competitivo Varejo não especializado Atacadistas Pequeno porte em Recife e Porto Alegre têm como foco os vinhos populares Atacado em geral Política de Preço 78 Atacadistas No extremo inferior esquerdo, com baixo nível de especialização e tendo o preço como foco, encontram-se os atacadistas seguidos dos mercados de pequeno porte que têm como foco linhas de produto mais populares. Lojas Especializadas No extremo oposto, estão as lojas especializadas, acompanhadas dos importadores/distribuidores e dos restaurantes/bares mais requintados que têm um alto nível de especialização e, assim conseguem aplicar um preço mais alto aos produtos (valor agregado). Atacadistas Importadores Distribuidores HORECA Altamente segmentados Varejo não especializado Grandes redes de supermercadistas Varejo não especializado Pequeno e médio porte HORECA Pouco segmentados SP, POA e Recife As grandes redes de supermercado estão buscando esse posicionamento mais próximo com a especialização e estão ganhando espaço para competir diretamente com o varejo especializado, porém diferenciam-se desses últimos quanto ao preço, que ainda precisa manter-se bastante competitivo devido ao público mais generalizado que tradicionalmente freqüenta o local. Por ter um mix mais harmônico entre nível de especialização e preço, esse canal conquista uma zona de maior competitividade, mesmo que não ofereça a mesma variedade de vinhos que os canais especializados. Em uma posição menos privilegiada, encontram-se os varejos não especializados de pequeno e médio porte e bares e restaurantes voltados para a classe média/baixa. Tal segmento apresenta certa “conscientização” sobre a importância de se especializar na oferta de vinhos, porém a falta de estrutura impossibilita que o canal agregue valor à venda desse produto. Tampouco conseguem competir em preço com as grandes redes varejistas porque têm pouco poder de barganha junto aos seus fornecedores e, dessa forma, têm menor ganho de escala. Chamamos esse grupo de “desegmentados” porque suas limitações estruturais os impedem de competir em alta escala tanto sob o enfoque da especialidade como sob o preço. 79 6.7 - Consumo no canal Como o próprio canal avalia o consumo do vinho em seus estabelecimentos? De forma geral, os canais avaliam de forma positiva o consumo de vinhos e espumantes no seus estabelecimentos. O potencial de consumo é maior ou menor dependendo da performance do canal na oferta de vinhos/espumantes, ou seja, a capacidade de reação do canal diante de um mercado em constante evolução e uma oferta altamente competitiva. Nesse caso, entende-se por “performance” o poder de reação de cada canal. O gráfico 5 abaixo apresenta o impacto desses fatores na atuação dos canais, indicando uma posição de vantagens e/ou desvantagens de cada um diante da relação volume de venda versus performance do canal. Gráfico 5: Potencial de Consumo Consolidação CONCORRÊNCIA DIRETA Alto potencial de mercado: Fragilidade O canal investe na oferta, apostando num aumento significativo da demanda de vinhos através da melhor exposição e de atendimento personalizado, além de ações no PDV. LOJA ESPECIALIZADA Volume de venda VAREJO NÃO ESPECIALIZADO (Maior porte ) Risco de perder mercado Destaca-se a necessidade do canal de reagir frente a concorrência direta dos supermercadistas que têm um preço mais acessível e estão cada vez mais se especializando e oferecendo vantagens que antes eram encontradas apenas no varejo especializado. Popularização e acessibilidade ao consumidor Mais beneficiada Público segmentado Baixo poder de reação, necessidade de segmentação HORECA Local propício ao consumo de vinhos/espumantes sem exigir esforços por parte do canal. VAREJO NÃO ESPECIALIZADO (pequeno porte ) O espaço limitado para a oferta de vinhos, o perfil do consumidor (baixo poder aquisitivo) e a falta de recursos desfavorecem a oferta de vinhos nesse canal. Foco em vinhos nacionais e populares. ATACADO Em ascensão REPRESENTANTE (importador) Os importadores vêm ganhando cada vez mais espaço na oferta de vinhos através do atendimento e apostam na venda direta ao consumidor. DISTRIBUIDOR Os distribuidores agregam valor à venda para ganhar a preferência dos Falta de cuidado no armazenamento canais de dose e vencer a do produto e falta de especialização. concorrência das importadoras e manter a demanda. Performance do Canal 80 6.8 - Sazonalidade do consumo De acordo com o Relatório 1 – Desk Research, outro fator que influencia o consumo de vinho é a sazonalidade. O impacto das mudanças de temperatura ainda são sentidos na comercialização de vinhos, confirmando ainda a vigência do paradigma de que o consumo do produto é mais apropriado às épocas de temperaturas baixas ou amenas. Épocas comemorativas, tais como as festas de final de ano e feriados religiosos também influenciam na venda de vinhos. Ainda assim, observa-se em alguns setores uma ligeira mudança no comportamento de consumo do produto; impulsionada, ao que tudo indica pela tendência atual de consumo em eventos, nesse sentido, a venda de espumantes chega a ser considerada como constante/linear ao longo do ano. Varejo não especializado • Pico de venda de espumante e vinhos, sobretudo tinto, na época das festas de final de ano. • Nota-se que mudanças abruptas na temperatura impactam sensivelmente na Lojas Especializadas • A venda de espumantes chega a ser contínua, é menos sensível às oscilações de HORECA • Em geral, a venda de vinhos segue a sazonalidade típica do produto, salvo em Atacadistas venda de vinhos, nesse sentido, os varejistas respondem rapidamente com a inserção de promoções no ponto de venda. temperatura dado o grande consumo em eventos. Por outro lado, a venda de vinhos ainda corresponde à sazonalidade característica do mercado de vinhos. hotéis, restaurantes e bares de alto nível, onde o consumo em certa medida já aparece de forma mais contínua. •A venda de espumantes aumenta consideravelmente no início de setembro quando o canal começa a abastecer o varejo (canal de venda direta) alcançando o pico de vendas em outubro, seguindo o aquecimento do mercado para a época de festas. O Gráfico 6 abaixo ilustra a sazonalidade na venda/consumo de vinho nas estações do ano. Pico de venda no final do ano Gráfico 6 – Sazonalidade Pico de consumo no feriado religioso Pico de consumo no inverno Espumantes mantêm uma venda regular em SP Baixa no verão DEZEMBRO NOVEMBRO OUTUBRO SETEMBRO AGOSTO JULHO JUNHO MAIO ABRIL MARÇO FEVEREIRO JANEIRO 81 6.9 - Papel do canal X Potencial de mercado O atual cenário de evolução do mercado de vinhos aponta para um crescimento gradativo da oferta, onde todos os canais, cada qual à sua maneira, terão um crescimento mais ou menos significativo para o mercado de vinhos/espumantes, de maneira geral. Com base na análise das potencialidades (vantagens) e fraquezas (desvantagens) do canal juntamente com as oportunidades (tendências) e ameaças (desafios) identificadas na oferta de vinhos, através dos canais pesquisados, é possível identificar o impacto positivo e/ou negativo da oferta sobre os canais e as diferentes formas pelas quais eles reagem a fim de obter uma vantagem competitiva frente a concorrência. A seguir, veja um resumo de cada um dos canais pesquisados: Atacadista Os distribuidores estão agregando valor ao serviço prestado aos pontos de dose, prestando consultoria a bares e restaurantes na elaboração de cartas e treinamento da brigada. Outra tendência é a de investimentos em montar lojas que ganham espaços especiais nos depósitos para o atendimento direto ao consumidor e, dessa forma, o canal cria um diferencial no segmento. Varejista Supermercado O varejo não especializado, em especial as grandes redes, reestruturam os estabelecimentos e a maneira de ofertar os vinhos/espumantes, apontando para uma forte tendência para a oferta através de um canal com grande potencial no mercado de vinhos e espumantes, confirmando as informações do Relatório 1 – Desk Research, que haviam apontado para esse movimento do canal. Loja Especializada As lojas especializadas sofrem uma competição direta dos supermercadistas que cada vez mais estão se especializando para a venda de vinhos e assim criam uma vantagem competitiva frente as lojas especializadas. Essa posição desfavorável chama a atenção do canal para a necessidade de se criar diferenciais na oferta através da exclusividade de rótulos e a fidelização de clientes. HORECA A HORECA ocupa uma posição favorável, com um maior potencial para a venda de vinhos e é o canal que menos sofre com os desafios e novas tendências. 82 Partindo do princípio que aqueles canais que têm um poder de reação maior frente a um mercado em plena mutação, adaptando-se às exigências da oferta e aos desejos dos consumidores, conseqüentemente têm melhores condições de evoluir em sua atuação no mercado e, logo, exercem um maior potencial competitivo no crescimento do consumo. É importante ressaltar que esse processo evolutivo da expansão do hábito do consumo do vinho não depende única e exclusivamente da atuação dos canais de venda na oferta de vinhos/espumantes através de ações isoladas. É necessário a mobilização de todos os players, inclusive as vinícolas que, atuando em paralelo com os canais, precisam definir estratégias de marketing nacional, munindo o mercado de informação e adaptando-se às exigências brasileiras. Em meio às discussões sobre a evolução do mercado e as prováveis mudanças de comportamento do consumidor, os canais driblam as divergências na tentativa de encontrar, cada um, o seu espaço ideal em um cenário geral de busca por uma segmentação de públicos e estilos de consumo que andam em paralelo com o almejo da cotidianização e, por que não, da popularização da bebida. A seguir, o gráfico 7 tem o intuito de apresentar o impacto dessas mudanças do mercado de vinhos na atuação dos canais, indicando uma posição de vantagens e/ou desvantagens numa tentativa de projetar esse crescimento em cada um dos canais pesquisados, indicando aquele que pode ter mais potencial de crescimento. Vale ressaltar que o cenário abaixo não tem propósito de ser representativo, tampouco tem o intuito de ser um fiel retrato da realidade brasileira. Recomenda-se que esses dados sejam testados e quantificados na próxima etapa desse estudo. Vide abaixo: Influência da oferta sobre os canais (desafios) + - Gráfico 7: Termômetro da adaptação dos canais frente as características da oferta Desvantagem CONCORRÊNCIA DIRETA LOJA ESPECIALIZADA O desafio para as lojas especializadas é criar novas maneiras para ganhar mercado e criar diferenciais Grandes desafios, reação menor frente a concorrência gera desvantagem VAREJO NÃO ESPECIALIZADO (pequeno porte) Diferencial # Vantagem competitiva VAREJO NÃO ESPECIALIZADO (maior porte ) Grandes desafios e alto poder de reação gera maior potencial e cria novas tendências ATACADISTA Iniciativa do canal maior que a pressão do mercado cria diferenciais no mercado Grandes desafios e baixo poder de reação gera desvantagem competitiva HORECA Baixo grau de exigência garante uma zona de conforto ao canal = Não gera vantagem nem desvantagem Potencial de mercado (tendências) 83 + 6.10 - Lições aprendidas nessa seção Apenas os estabelecimentos mais requintados do segmento HORECA são beneficiados com a venda do vinho, tanto no seu volume de vendas, quanto na própria negociação com fornecedores, que pouco dão atenção aos estabelecimentos menores. As lojas especializadas, em contrapartida, são vistas pelos demais canais como as “privilegiadas” do setor, não só porque ganham os melhores clientes devido a sua infra-estrutura interna, mas também por estarem constantemente sob os olhares sedutores dos fornecedores. Apesar do pouco grau de especialidade dos varejistas, são eles os que têm o maior poder de barganha e maior ganho de escala, mas em geral, a grande maioria ainda peca em não oferecer ambientes especiais para o vinho nos seus estabelecimentos. Dentre os atacadistas, as importadoras são privilegiadas por negociarem exclusividade de rótulos, mas os atacadistassupermercadistas sofrem alta concorrência do próprio setor atacadista e, devido ao seu baixo nível de especialização, nem sempre exercem suficiente poder de barganha para com os produtores. Para manter-se competitiva, a HORECA deverá agregar mais valor ao vinho, através da ambientação, da melhora na infra-estrutura e do treinamento/aperfeiçoamento da brigada; as lojas especializadas, que têm a vantagem da maior credibilidade do consumidor, devem, por sua vez, continuar os esforços para se manterem diferenciadas e investir na criação de espaços sociais, tais como wine bars, charutarias, confrarias, etc. para estimular a presença do seu público selecionado; os varejistas devem manter sua oferta variada, porém com melhor seleção de rótulos e promover a adequação das áreas de exposição; por fim, os atacadistas devem fortalecer a parceria com o fornecedor do vinho e com o cliente para driblar a concorrência. Conforme dito em seções anteriores desse relatório, o maior desafio imposto pelos canais é a adequação do melhor custo x benefício. Nesse contexto, o nível de especialização e a política de preço são os drivers de competitividade do mercado. Em um cenário ideal, aquele canal que conseguir oferecer maior nível de especialidade com preço mais competitivo estaria mais próximo da realidade de um maior volume de vendas considerando que o nível de conhecimento do consumidor também tende a crescer em paralelo. As grandes redes varejistas estão mais próximas desse ideal, porém o número de lojas que oferecem ambientes internos exclusivos para o vinho ainda é pouco representativo. Diante disso, esse nível de especialização permanece sendo ocupado principalmente pelas lojas especializadas e HORECA, que não têm como objetivo aplicar uma política de preço mais acessível, pois isso as descaracterizariam. Uma alternativa para as lojas especializadas e a HORECA manterem-se competitivas no mercado é a exclusividade de rótulos na oferta de vinhos diferenciados. A priori, especialidade e preço andarão fragmentadas, atendidas por diferentes canais. A longo prazo, visualizamos um cenário onde um único canal, com alta penetração nas regiões brasileiras, possa oferecer um mix de especialidade e preço. Ainda assim, os esforços das grandes redes supermercadistas já são visíveis e, embora não sejam a maioria, já ameaçam o volume de vendas das lojas especializadas que precisam reagir a esse fato com mais veemência, pois a atuação do varejo enquanto comerciante de vinho está se consolidando, tornando-as de fato aqueles com maior potencial de crescimento. Independente do maior ou menor grau de competição entre os canais, a grande maioria ainda sofre com o efeito da sazonalidade do consumo do vinho, e nesse sentido, as lojas especializadas detêm certa vantagem competitiva porque angariam o público realmente apreciador da bebida, que degusta o produto com assiduidade. 84 7. Avaliação dos Fornecedores de Vinho 85 7.1 Escolha do Vinho & Processo de Compra Na avaliação dos fornecedores, buscamos primeiramente compreender o fluxo de comercialização do vinho que impacta, ainda que não diretamente, na performance de cada um e conseqüentemente na forma como serão avaliados. A estrutura natural da oferta seria vinícolas e importadores terem os seus representantes que atenderiam os distribuidores e atacadistas que, por sua vez, abasteceriam os supermercados, o varejo especializado e a HORECA que, por fim, faria chegar o vinho até o consumidor final. Entretanto, como dito anteriormente, o fluxo de comercialização não é linear e a identificação de outros personagens na cadeia, que atuam como atravessadores, fazem com que o fluxo de comercialização sofra os efeitos da fragmentação da oferta. São três os principais fatores que criam novas formas de compra e venda do vinho em sua cadeia de comercialização: 1. A negociação direta do varejo e canais de dose com as vinícolas e importadoras; 2. Algumas vinícolas da região sul, em especial aquelas de maior porte, que têm uma melhor logística, que vendem diretamente ao consumidor; 3. O fato de algumas importadoras possuírem lojas, principalmente em São Paulo, que também vendem diretamente para o consumidor final, atuando como atravessadores. Porto Alegre, por estar localizada próximo à fronteira do Chile e da Argentina, sofre ainda uma situação única e adversa: a entrada clandestina de vinhos e espumantes que abastecem os principais eventos da cidade, ocupando o espaço das vinícolas locais; essa proximidade também possibilita que consumidores atravessem a fronteira em busca de um vinho estrangeiro com um preço ainda mais acessível, afetando diretamente as vendas de vinhos e espumantes importados. A figura 5 abaixo representa o fluxo de comercialização de vinhos e espumantes - indicando tanto o percurso natural de distribuição entre os canais de oferta (fluxo normal) quanto as vendas “indiretas”: Figura 5 - Fluxo de Comercialização Fluxo normal HORECA Venda direta ao canal Venda direta ao consumidor (atravessadores) Fabricante (Nacional) Loja Especializada Consumidor Final Atacado Distribuidor Supermercadista Representante Facilidade de compra na fronteira Importadora Buffets/ Eventos Entrada de vinhos via fronteira abastece eventos em POA 86 7.1.1 - Comparativo Regional Tal como apresentado na página anterior, o fluxo de comercialização do vinho não é padronizado e apresenta diferenças regionais. Mesmo não sendo ainda uma etapa que gera dados representativos do universo dos canais nas três cidades pesquisadas, o gráfico 8 apresenta qual o principal fornecedor de cada canal comparativamente entre essas cidades a partir da avaliação dos canais. Em todos os canais, a compra direta de vinícolas é maior em Porto Alegre que São Paulo ou Recife, comprovando um atendimento mais privilegiado das vinícolas nacionais para os canais gaúchos devido à proximidade geográfica. Em São Paulo, no setor HORECA e no Varejo, a maioria das compras são feitas no importador. Em Recife, as compras são feitas no distribuidor. Diante do privilégio da localização das importadoras na cidade de São Paulo em detrimento da distância geográfica sofrida por Recife, parece fazer sentido a presença mais latente do distribuidor para os nordestinos em se tratando dos vinhos advindos do sul do país ou de outros países. A situação é inversa quando se trata exclusivamente dos vinhos do Vale do São Francisco, embora não represente ainda um volume significativo no contexto nacional. As lojas especializadas, mesmo em Recife, são providas majoritariamente por importadoras. Os distribuidores são também fortes para prover esse canal em Recife (mais de 20%) e as vinícolas também são os fornecedores principais desse canal em Porto Alegre (mais de 20%). Em São Paulo, há uma presença maior dos importadores no suprimento desse mercado. Gráfico 8 – Fornecedores dos canais 87 7.2 - Processo Interno de Compra O processo de compra não segue padrões quanto ao tipo de canal, até porque as diretrizes são basicamente estipuladas pelas próprias empresas. O objetivo da tentativa de sintetizar e comparar esses achados foi tentar encontrar não necessariamente padrões internos, mas muito além, identificar os atributos de importância e grau de especialidade das empresas que comercializam o vinho no Brasil. Algumas diferenças regionais emergem nesse contexto, tais como a presença de profissional especializado mais evidente em São Paulo, sugerindo que nesse local a pressão da maior concorrência entre os estabelecimentos implica na busca mais acelerada pela profissionalização do canal. O gráfico 9 ilustra na coluna da esquerda os atributos inertes no processo de compra de vinhos e espumantes nos diferentes canais e apresenta similaridades e diferenças regionais por canal. Gráfico 9 – Processo de compra nos canais: apanhado regional ATACADO VAREJO As regiões sugerem suas escolhas para a matriz Cada local escolhe sua O processo de compra envolve profissionais especializados própria carta de vinho em São Paulo A compra de vinhos é recomendada por um sommelier O cliente participa da escolha da carta A escolha dos vinhos é feita pela necessidade do consumidor A compra de vinhos é realizada juntamente com as demais bebidas O estabelecimento tem exclusividade de alguns rótulos O produto é testado em laboratório antes de ser comprado ou outro tipo de controle de qualidade A degustação foi mencionada como parte integral necessária dos estabelecimentos de São Paulo e POA POA SP Estabelecimentos de Recife e Porto Alegre “acreditam” que suas escolhas dependem das “necessidades” do consumidor, mas indícios pouco consistentes reforçam essa afirmativa por parte desses canais Recife e São Paulo demonstram preocupação com testes oficiais de qualidade que não só a degustação O estabelecimento compra sempre os mesmos vinhos Recife HORECA Cadeias nacionais que necessitam da opinião das regionais para oferecer o mix dos seus produtos para aceitação local Compras centralizadas na matriz /central A degustação de vinhos é parte do processo de compra LOJA ESPECIALIZADA Varejistas de grande porte têm alto poder de barganha diante de alguns fornecedores Alguns atacadistas não costumam variar a oferta de vinho, demonstrando que a “oferta” de fato está conduzindo o consumo nesses casos e não a “demanda”, ou seja, o consumidor pouco participa do processo de escolha 88 O box 7 compara especificamente o supermercado e o canal especializado diante do fato de que esses são os principais e mais cobiçados canais para a comercialização do vinho. Ademais, conforme vimos em seções anteriores, o nível de especialização do canal é um dos principais drivers para o estímulo do consumo do vinho, uma bebida que precisa de conhecimento para ser apreciada. Box 7: Escolha do Vinho & Processo de Compra: Supermercado X Canal Especializado Supermercado x Maior ganho de escala no processo de compra; Mercado-alvo preferido para vinícolas que produzem em grande escala; Escolha de vinhos com rápido giro, marcas mais comuns. Canal Especializado Mercado-alvo para vinícolas que produzem em menor escala; Utilizam o cliente como opinador na escolha dos vinhos como parte do processo de compra; Escolha de vinhos especiais que nem sempre têm giro rápido e podem ficar na prateleira por 1 ou 2 meses; Procuram oferecer vinhos que não são vendidos nos supermercados evitando uma comparação direta de preços. 89 7.3 - Processo de Escolha das Marcas De forma geral, dentre todos os canais, os critérios assumidos para a seleção das marcas compõem um mix entre qualidade do produto, preço de compra e percepção de preço de venda, imagem da marca, demanda existente e demanda latente, sendo que para cada segmento pesquisado nota-se que tais fatores apresentam-se em ordens diferentes dentro de uma escala de prioridades que, por sua vez, reflete o posicionamento de mercado de cada segmento. Observa-se também a preocupação com a idoneidade do fornecedor e a manutenção do portfólio de oferta como fatores considerados no processo de decisão de compra. Paralelo aos critérios considerados na escolha dos rótulos, o espaço físico limitado disponível para a exposição dos produtos nos pontos de venda representa um obstáculo para a oferta de uma variedade de rótulos maior. Comparativo entre Canais 1. Atacadista Além de fatores como imagem e posicionamento das marcas no mercado e demanda existente, de forma geral, o segmento de atacadistas demonstra forte preocupação com a manutenção do portfólio de oferta. Nesse sentido, buscam estabelecer parcerias com fornecedores que garantam o fornecimento do produto a longo prazo. Entre as importadoras, a inserção de novos rótulos nos portfólios depende sobretudo dos acordos comerciais estabelecidos com os fabricantes que incluem não só a exclusividade de venda, como também a parceria nos esforços na construção de imagem das marcas. Entre as distribuidoras são considerados, além dos preços, a qualidade dos vinhos e a imagem das marcas perante o mercado. Há também grande preocupação com a manutenção do portfólio de oferta. Marcas desconhecidas ou importadores pequenos apresentam o risco de o fornecimento do produto ser interrompido por falta do produto ou mudanças no portfólio. Já entre os atacadistas, nota-se uma maior abertura em relação a entrada de novas marcas, posto que as melhores negociações de preços pautam os processos de escolha dos produtos. O peso da marca e a demanda existente são considerados, mas têm caráter secundário. 2. Lojas Especializadas O canal tem como critério de escolha de vinhos o atendimento tanto da demanda existente quanto da demanda latente e nos dois casos a qualidade do produto e a imagem da marca no mercado têm grande peso no processo de escolha de novos rótulos. Dado o perfil do segmento, as lojas apresentam-se bastante criteriosas quanto a seleção dos produtos. Percebidas pelos consumidores como referências na área, conseqüentemente o portfólio de oferta conta como um lastro de credibilidade. Daí a necessidade de critérios mais rígidos para a inserção de novos rótulos no portfólio. A opção pela compra de marcas novas no mercado é pautada sobretudo pelo esforço de divulgação e posicionamento da marca realizados pelos fabricantes/fornecedores. Percebe-se, nesse segmento, a necessidade de um nível maior de informação técnica sobre os produtos, uma vez que é parte do serviço oferecido pelas lojas a orientação aos clientes. Nesse sentido, o conhecimento sobre o vinho é o pontochave, assim como a degustação dos mesmos antes da aquisição. Observa-se nesse segmento uma forte preocupação em manter o portfólio diferenciado do varejo não especializado que, em alguns casos, já chega a ser percebido como concorrente direto. 90 3. Varejista não especializado Entre os varejistas não especializados, a relação custo-benefício é a prioridade na decisão de compra. Dentro desse segmento, essa relação pode ser traduzida como a relação entre o melhor preço de compra e a expectativa de melhor preço de venda dentro da faixa de preço que cada estabelecimento considera como foco de atuação. O critério “qualidade do produto” é secundário e está fortemente ligado à imagem da marca. A demanda latente é considerada, mas está subordinada à relação custobenefício. Considera-se ainda as vantagens oferecidas pelos fornecedores em termos de bonificações e ações promocionais. Os espaços nas gôndolas são limitados, por isso buscam por produtos que sejam vendidos com facilidade. Conforme dito anteriormente, nota-se entre os compradores de vinhos um baixo nível de conhecimento sobre o produto e a tendência pela busca da equação custo-benefício em detrimento de outros critérios como qualidade e inovação. No entanto, observa-se em alguns casos que a influência dos profissionais especializados em vinhos no processo de escolha das marcas resgata o critério qualidade e adequação à demanda latente. Tais profissionais representam hoje um fator-chave no processo de escolha de novas marcas. Pelo conhecimento mais aprofundado que possuem sobre os produtos e as tendências tanto em termos de oferta como de consumo, os atendentes especializados são a ponte entre o comprador e o consumidor. Dessa forma, fica evidente a necessidade de que as ações de vendas, por parte dos fabricantes, estejam também direcionadas a esses profissionais que podem ser considerados os formadores de opinião dentro desse segmento. 4. Horeca O segmento HORECA caracteriza-se pela necessidade de compor a carta de vinhos com rótulos que representem uma boa relação custo-benefício, o que significa oferecer vinhos de qualidade, de marcas reconhecidas, que agreguem valor à carta de vinhos, com preços acessíveis. Nesse sentido, os critérios utilizados para a definição da compra são preço e qualidade/imagem da marca. De forma geral, a carta de vinhos é fixa e elaborada de acordo com a demanda existente. Os novos rótulos são incorporados de acordo com a demanda latente ou com a baixa nas vendas de algum outro rótulo ou ainda por problemas com fornecimento. Dada a variedade de rótulos no mercado, os estabelecimentos do segmento HORECA recebem constantemente propostas para compra de novos vinhos. Uma primeira triagem é pautada pela avaliação da apresentação do produto pelo vendedor/representante, seguida da avaliação do vinho através de degustação oferecida pelo fornecedor. As condições oferecidas pelos fornecedores em termos de quantidade de pedido, continuidade de fornecimento a longo prazo, fornecimento de equipamentos como adega climatiza, etc., também são considerados na definição da carta. Salvo os estabelecimentos, que por seu posicionamento no mercado têm como preocupação oferecer uma carta de vinhos mais variada e sofisticada, os demais tendem a oferecer uma variação maior de rótulos dentro da faixa de preço, foco da casa, e paralelamente, um número menor de rótulos mais sofisticados/caros. 91 Em suma, o processo de escolha das marcas envolve basicamente 12 atributos, com menos ou mais peso, dependendo do tipo de negócio e foco de cada canal. Em se tratando de distribuidores, atacadistas e varejistas, o preço pesa com significativa influência, mas a qualidade não se desprende do contexto, afinal, a busca pelo custo x benefício é uma constante, o que se desfecha no principal desafio da indústria vitivinícola: oferecer preço competitivo com boa qualidade. Esse último item, contudo, tem peso maior para lojas especializadas e HORECA, onde o foco é o valor agregado, conforme mostra o gráfico 10. A necessidade de parcerias mais longas, onde o canal possa ter a segurança de rótulos contínuos, é um atributo bastante requisitado pelos canais de comercialização do vinho, um atributo exclusivo desse negócio que evidencia uma oferta excessivamente variada e produtores sem direção consolidada sobre os caminhos que o mercado do vinho está tomando. A informação técnica sobre os produtos e as degustações são atributos importantes para a escolha de fornecedores como veremos a seguir, e impactam, segundo os canais, mais no estímulo do consumo do vinho que na escolha das marcas efetivamente. O gráfico 10 apresenta os 12 atributos e quantas vezes foram citados pelos canais. Esclarecemos que esse não é um resultado representativo e recomendamos testar os atributos mais importantes de maneira quantitativa na próxima etapa desse estudo. Gráfico 10 – Atributos para a escolha de marcas N = menções dos canais Relação custo x benefício impera para os canais que trabalham com maiores quantidades 3 3 1. Preço 2. Qualidade 2 2 2 3. Trabalho para construção da marca 4. Imagem da marca 5. Manutenção do portfolio (parcerias contínuas) 6. Exclusividade rótulos 1 1 1 1 1 1 1 7. Informação técnica sobre o produto 8. Degustação 9. Profissional especializado 10. Marcas conhecidas 13. Apresentação vendedor 12. Diferenciação do varejo 92 A importância da marca e a necessidade da continuidade dos mesmos rótulos são fatores evidentes para a seleção de marcas 7.3.1 - Comparativo Regional A tabela 10 faz um comparativo entre as regiões, apontando os principais fatores levados em consideração pelos canais na escolha das marcas de vinhos e espumantes. Tabela 10 Escolha das marcas 9Qualidade x imagem da marca x preço; 9Atenção à demanda existente e latente; 9Abertura para a entrada de novas marcas, com boa visibilidade no mercado. Atacadistas Varejista 9Demanda existente x preço x imagem da marca; 9Maior abertura para marcas com boa visibilidade/imagem consolidada. 9Qualidade x preço x imagem da marca; 9Necessidade de informações técnicas; 9Degustação para avaliar a qualidade; 9Abertura para a entrada de novos rótulos; 9Atenção especial à demanda latente. Loja Especializada HORECA 9Qualidade x preço x imagem da marca; 9Atenção especial à demanda latente; 9 Avaliação da qualidade através de degustação; 9Parceria com fornecedores; 9Continuidade do fornecimento. 9Demanda existente x preço; 9Atenção maior à demanda já existente; 9Preocupação com o posicionamento das marcas no mercado. 9Demanda existente x preço x imagem da marca; 9Maior abertura para vinhos regionais em detrimento dos vinhos importados. 9 Qualidade x preço x marcas consagradas; 9Atenção maior à demanda já existente. 9Qualidade x preço x imagem da marca; 9Maior abertura para vinhos regionais; 9Avaliação da qualidade através da degustação; 9Parceria com fornecedores; 9Continuidade do fornecimento. 93 9Demanda existente x preço; 9Avaliação do esforço promocional dos fornecedores. 9Demanda existente x preço x imagem da marca; 9Maior abertura para vinhos nacionais. 9Qualidade x preço x marcas consagradas; 9Atenção maior à demanda já existente; 9Abertura maior para vinhos de marcas já consagradas. 9Qualidade x preço x imagem da marca; 9Atenção à demanda já existente; 9Avaliação da qualidade através da degustação. 7.4 - Escolha de fornecedores A escolha de fornecedores varia muito de acordo com o perfil do público que freqüenta o estabelecimento: os mercados de menor porte, geralmente localizados em bairros, que atendem um perfil de consumidor de menor poder aquisitivo, têm um foco maior nos vinhos nacionais mais populares e acessíveis, conseqüentemente as compras são feitas com produtores nacionais (de 90% a 100%), exceto em Recife que o relacionamento direto com a vinícola é pouco comum. Para compreender os atributos que implicam nas preferências de cada canal na hora de optar por um fornecedor ou outro, é necessário primeiramente conhecer a realidade do negócio de cada um sob o aspecto da cadeia do fornecimento do vinho e as nuances que estão envolvidas nas suas características e objetivos, conforme apresentaremos nos boxes abaixo: Comparativo entre canais 1. Atacadista Diferente de outros países, no Brasil as importadoras têm uma exclusividade nacional de distribuição sobre determinados vinhos e a maioria são empresas médias ou pequenas. Diante do fato do país ter uma extensão geográfica expressamente avantajada, os processos logísticos sofrem o efeito direto desse fato resultando em limitações para dar cobertura ao país inteiro com eficiência. Dessa forma, as regiões sul e sudeste são as mais cobertas e, mesmo assim, a avaliação do próprio mercado é de que a cobertura tem baixo nível de eficácia. Nesse sentido, as importadoras e, principalmente, as vinícolas de menor porte, que não possuem representantes locais, precisam desse canal para a comercialização de seus produtos. O distribuidor torna-se um player ainda mais importante para o abastecimento do mercado de vinhos e espumantes, principalmente na mediação da venda entre o produtor e os canais de venda. Já que as vinícolas e importadoras fazem vendas grandes e pontuais, e os canais de dose (restaurantes e hotéis) preferem compras pequenas e o menos espaçadas possíveis; no final, quem articula esse meio-termo é o distribuidor, sendo um personagem-chave entre os produtores e os canais de dose. Em contrapartida, o atacado que, ao mesmo tempo vende para os canais, também oferece o produto para o consumidor final, é o fornecedor que apresenta o menor percentual no abastecimento dos canais que ofertam o vinho. Embora sejam considerados mais práticos e rápidos na entrega, não oferecem nenhum tipo de ação no PDV e talvez sejam desprivilegiados por isso. A falta dos devidos cuidados no armazenamento dos vinhos e conhecimento suficiente com relação ao produto, além da pouca segurança que oferecem em termos de manutenção de portfólio, também são apontados por alguns compradores como uma desvantagem dos atacadistas frente os demais fornecedores. Observa-se também que cada vez mais os canais de dose estão negociando diretamente com os fabricantes e vinícolas e, por outro lado, os distribuidores, preocupados em perder espaço no mercado, oferecem um serviço agregado aos canais que abastecem, tais como consultoria para restaurantes, elaboração das cartas e treinamento aos garçons. Para as importadoras, a vantagem competitiva é a exclusividade de marca. Mesmo dispondo de um amplo espaço para estoque, compram os vinhos de acordo com a demanda latente apresentada pelos canais que atendem. Alguns distribuidores ressaltam que a atuação das vinícolas, principalmente as menores que fazem papel de atravessadoras, é muito negativa para o mercado. Os canais relatam inclusive que ocorrem situações onde o canal faz o trabalho de abertura de mercado para uma marca e, em seguida, o produtor passa a vender diretamente para o consumidor. 94 2. Varejista A avaliação desse canal é de que são poucos os representantes (importadoras) que apostam em um trabalho de divulgação através de redes de supermercados, a maioria não investe nesse canal e prefere desenvolver ações no varejo especializado. Diante do quadro de baixo investimento por parte das importadoras, o varejo não especializado valoriza os distribuidores capazes de desenvolver ações focadas no seu negócio. Na prática, o que acontece é que os grandes varejos estão buscando a importação direta das vinícolas. Os mercados de maior porte, localizados em regiões mais centrais, compram a maior parte dos vinhos de importadoras (20%), representantes e distribuidores (70%) a fim de atender a demanda de um público de classe média alta que busca vinhos de maior qualidade, marcas consagradas, em especial os vinhos chilenos e argentinos. Considerando que o consumo de vinhos importados é maior, as grandes redes têm condições e estruturas para promoverem ações no PDV (promoções, degustações, cenografia) independentemente dos fornecedores, mas sentem falta dessa parceria. Os mercados de maior porte preferem negociar diretamente com as vinícolas no caso dos vinhos nacionais e as importadoras para os vinhos estrangeiros. Com menor poder de barganha, os mercados pequenos de São Paulo e de Recife não compram diretamente do fabricante (vinícolas), ambos acreditam que não conseguiriam comprar em pequenas quantidades, o que não se presencia em Porto Alegre, onde esses players conseguem comprar direto das vinícolas mesmo em pequenas quantidades. 3. Lojas Especializadas As lojas especializadas têm como principal fornecedor de vinhos os importadores. Essa relação se dá em função de sua demanda latente que, embora reconheça a qualidade do vinho nacional, ainda prefere os importados, sobretudo os chilenos e argentinos. A grande demanda por vinhos importados faz com que o percentual de compra desse canal com os importadores alcance os 70%, enquanto a compra de vinhos nacionais, diretamente com as vinícolas, represente menos de 10%. Outro motivo, além da demanda latente, que explica o baixo percentual de compras de vinhos nacionais, são os impostos (variação da alíquota) cobrados para que um vinho do Rio Grande do Sul penetre nos estados de SP e Pernambuco. A falta de um depósito local também torna-se um empecilho para que o canal compre diretamente dos fabricantes, principalmente em SP. Vale ressaltar a concorrência que as lojas especializadas sofrem das próprias importadoras, pois muitas possuem lojas e vendem diretamente para o consumidor final. Esse comportamento é considerado pelos canais o reflexo de uma postura pouco séria e ética por parte das importadoras, que são, ao mesmo tempo, seus fornecedores e concorrentes. Em Porto Alegre, outra grande dificuldade enfrentada pelas lojas especializadas é a proximidade das fronteiras que possibilita que os consumidores comprem vinhos finos e espumantes no Chile e na Argentina por preços muitos mais acessíveis, fato de difícil controle. A compra freqüente e em pequena quantidade faz com que a negociação com distribuidores e representantes de importadoras seja mais vantajosa do que a compra direta com o produtor. Entretanto, a desvantagem do fornecimento por esses canais, que priorizam oferecer um preço mais competitivo, é a falta de cuidado com o armazenamento do produto que, no caso dos vinhos, é muito importante. Em SP, os distribuidores de bebidas que trabalham exclusivamente com eventos compram os vinhos nacionais diretamente da vinícola que, nesse caso, têm um representante local. Através dos distribuidores, o canal tem a opção de comprar tanto o vinho nacional quanto o importado. O canal de dose, de maneira geral, mostra-se satisfeito com a oferta de fornecedores. A HORECA pode optar por diferentes fornecedores, desde compras no varejo, atacadistas, distribuidores, importadores, até a compra direta com os produtores. Dessa forma, se o comprador não estiver satisfeito, ele troca de fornecedor com rapidez, pois há várias opções de ofertas. 4. HORECA 95 Diante desse cenário, o perfil da demanda, a proximidade geográfica, a tributação, assim como a garantia na continuidade de fornecimento de determinados rótulos, o ganho de escala com relação a descontos nas compras em maior volume e a margem aplicadas à venda de vinhos e espumantes, resumidamente, são os principais atributos de influência na escolha dos fornecedores. A tabela 11 descreve os principais critérios de escolha de fornecedores priorizados por cada um dos canais nas diferentes regiões. Tabela 11 Critérios de escolha Atacadistas Serviço agregado: importadores e vinícolas oferecem serviços agregados (consultoria para restaurante, treinamentos, elaboração das cartas, etc) Flexibilidade na compra: Possibilidade de fazer compras periódicas e em pequenas quantidades. Varejista Tributos: os impostos dificultam a compra de vinho oriundo do sul do país. Escritórios locais: as importadoras têm escritórios em SP, facilitando a compra. Volume de compra: mercados de pequeno porte não compram diretamente das vinícolas (quantidade pequena). Loja Especializada A proximidade geográfica e o relacionamento direto: os vinhos nacionais são comprados diretamente das vinícolas, inclusive as de pequeno porte valorizam os produtores da região e procuram divulgar os vinhos locais através de ações no PDV. A distância geográfica limita as alternativas de escolha. Praticidade: nos mercados de pequeno porte, o principal fornecedor é o distribuidor. Parceria: quanto maior o porte do mercado, maior a possibilidade de desenvolver ações, maior é a negociação direta com importadores e fornecedores. Margem de lucro: priorizam o fornecedor que proporciona a melhor margem de lucro. Perfil da demanda: mix de produto adequado e demanda latente. HORECA Manutenção do portfólio: preocupação com a ruptura no fornecimento de determinado rótulo que exigirá alterações na carta de vinhos/espumantes. Mix de produto adequado à demanda latente. Perfil da demanda: maior abertura para vinhos regionais, mas devido a demanda, grande parte das compras são de vinhos importados, via importadora. Centralização das compras de diferentes produtos num único fornecedor. 96 Prezam mais pelo preço e prazo de entrega. 7.5 – Relacionamento com os fornecedores Na avaliação dos compradores, os fornecedores mantêm um relacionamento passivo com os canais. Na maior parte das vezes, as iniciativas partem do canal/estabelecimento. É o comprador quem tem que questionar sobre o produto e solicitar ações promocionais (degustações). O ponto mais crítico é a falta de informação sobre o produto e os incentivos de venda. Diante dessa carência, os canais procuram minimizar os esforços de venda e, principalmente, o risco de ficar com a mercadoria sem giro apostando em marcas conhecidas pelo público geral e que estejam sendo divulgadas na mídia (veículos de comunicação). Veja abaixo a avaliação de cada um dos canais com relação aos fornecedores de vinhos e espumantes. Varejista Na visão do varejo, os fornecedores não estão preparados para esse “novo setor” que vem se consolidando como comerciantes de vinhos: as redes de supermercados. Os mercados vêm se aperfeiçoando na oferta de vinhos, através da contratação de profissionais diferenciados e da criação de adegas que são verdadeiras lojas especializadas dentro dos supermercados. Porém, consideram que apenas alguns fornecedores percebem essa tendência e investem no canal. Os representantes desse canal acreditam que o varejo especializado é naturalmente privilegiado pela sua tradição no comércio de vinhos, enquanto os mercados precisam contar com um esforço muito superior para competir. Dessa forma, os mercados exigem mais ações voltadas à divulgação das marcas, material de apoio e, principalmente, a realização de ações de marketing promocional: degustações, presença de atendentes/promotores, promoções em datas especiais (Dia dos Namorados), promoções de venda (pague 2, leve 3), venda casada (queijos, massas), brindes (compre um vinho, ganhe duas taças/abridor). As grandes redes, mais estruturadas, promovem suas ações independentemente do apoio/incentivo dos fornecedores, haja vista a falta de divulgação dos vinhos em geral nos veículos de comunicação. Diferentemente dos demais canais, as lojas especializadas costumam expor os folders e Loja catálogos que recebem dos fornecedores, porém também vêem esses materiais Especializada impressos como pouco eficazes na divulgação e venda dos produtos. Sentem falta de um material mais descritivo com informações dos produtos, lançamentos e vinhos premiados e pontuados em grandes concursos. E esses atributos tornam-se, portanto, drivers na escolha dos fornecedores para esse canal tão focado no vinho. Esse é o canal mais privilegiado pelos fornecedores e a prova disso é a boa avaliação de seu atendimento por parte dos canais – tanto vinícolas quanto importadoras. HORECA O tratamento dos fornecedores para com a HORECA depende do seu porte e para qual público atendem. Recebem um atendimento diferenciado: os estabelecimentos considerados “top”, aqueles reconhecidos pela mídia através de premiações, tais como o “melhor happy hour da cidade” e, freqüentados pelos consumidores que buscam glamour e status. Nesses casos, o fornecedor investe no canal e cria ações em parceria almejando uma maior visibilidade de seu produto e, conseqüentemente, um maior consumo. Os fornecedores oferecem bonificações (bonifica com uma certa quantia de mercadoria), divulgam suas logomarcas nas cartas de vinho, promovem degustações e, em alguns casos, até patrocinam os uniformes dos atendentes. O marketing promocional é, portanto, um dos principais atributos na escolha do fornecedor da HORECA. Estabelecimentos menores, por outro lado, reclamam do baixo nível de informação e treinamento oferecido a eles por parte dos fornecedores, e também da dificuldade de efetuar compras em pequenas quantidades. 97 Diante da importância dos incentivos de venda como driver significativo de escolha dos fornecedores, ilustramos no gráfico 11 a natureza da política de bonificação, incentivos de venda, materiais de apoio e ações no PDV com ênfase nas diferenças regionais. Vide abaixo. Gráfico 11: Posicionamento das ações enquanto fatores de importância na escolha dos fornecedores LOJA ESPECIALIZADA ATACADO VAREJO HORECA Visitas constantes de importadores, representantes e distribuidores A HORECA é o grande alvo dos representantes Possuem uma política de incentivos e bonificações nas compras de maior volume Na 1ªcompra, é comum bonificar 50% do produto; dificilmente a bonificação é em descontos. Negociam espaços em gôndolas promocionais Unicamente o material de merchandising não traz resultado. Falta um material técnico/descritivo para orientar o consumidor. Recebem material de apoio à venda (catálogos/folders) Realizam degustações para clientes com a presença de promotores especializados Ações por iniciativa do canal (giro de venda) Causam impacto na venda, porém são necessidades NÃO atendidas. Treinamentos e consultoria de vinhos aos promotores de venda, atendentes e garçons Ações como venda casada (vinhos e queijos/massas) promoções, embalagem de presente, brindes (ex: taças) Alguns vinhos chilenos e argentinos trazem informações sobre o produto no gargalo da garrafa São comunicados sobre lançamentos de marcas e produtos premiados Brindes promocionais para o canal (taças, abridores, porta-copos, toalhas) e adegas climatizadas Parcerias comerciais entre o canal e o fornecedor Em POA, pela própria localização, o relacionamento do fornecedor com o canal é mais próximo. Alguns fornecedores compram espaços para a exposição de suas logomarcas nas cartas de vinhos e/ou nos encartes do varejo. Patrocinam buffet de sopas/massas e promovem eventos sobre vinhos. Proporcionam a visita do canal à vinícola POA SP Recife 98 7.6 - Avaliação dos fornecedores por canal Mesmo diante de tantas expectativas em relação à demanda dos canais não atendidas pelos fornecedores, seus representantes não se colocam abertamente de todo insatisfeitos em relação aos produtos ofertados, ao atendimento e à negociação com seus fornecedores, talvez essa seja uma atitude velada entre eles, pouco exposta. Por outro lado, a oferta de tantas marcas e tipos de vinho gera nos canais a possibilidade de trocarem de fornecedor com certa freqüência em busca de melhores oportunidades, ou seja, cada canal acaba por ter significativo poder de barganha diante do fornecimento do vinho. Todavia, a desvantagem dessa condição é considerada pouco propícia a um trabalho contínuo e estremece o relacionamento entre fornecedor e comprador. O senso crítico dos canais aumenta à medida que seu nível de satisfação cai ao avaliarem a realização de ações no PDV e o incentivo de vendas por parte dos fornecedores. As importadoras e vinícolas nacionais se preocupam mais com essas ações comparando aos demais fornecedores, porém se espera um trabalho ainda mais expressivo, pois a demanda é ainda muito pequena diante de tamanha oferta. A tabela 12 apresenta os pontos positivos e negativos na avaliação de cada um dos canais com relação aos fornecedores de vinhos e espumantes. Vide abaixo: Tabela 12 : Pontos positivos e negativos dos fornecedores Pontos positivos Atacadistas Distribuidores 9 Vendem em menores quantidades; 9 Variedade de vinhos (mix de produto); 9 Praticidade na compra. 9 Lugar adequado para o armazenamento do produto (vinhos/espumantes); 9 Constante troca no mix de produto não garante a continuidade. “O atacadista não faz nada. Ele nos dá a liberdade de ir até a loja e pegar o que é necessário, mas em compensação não agrega nada. “ (Supermercado, SP) 9 Fornece, além de um mix de bebidas, outros produtos (alimentos e produtos de higiene) garantindo uma maior praticidade para o canal que tem apenas um fornecedor para negociar. 9 Prazo de entrega/logística. “Um ponto forte do importador é a entrega e o fraco é o preço alto.” (Varejista, SP) Vinícolas 9 O distribuidor, por trabalhar com uma variedade maior de produtos, não tem o conhecimento suficiente par a venda de vinho e espumantes (informação técnica/descrição do produto). 9 A freqüente mudança no mix de produtos (rotatividade de marcas) prejudica o relacionamento dos canais com os representantes das importadoras; 9 Política de venda inflexível (difícil negociação) e preço mais alto. Importadores 9 Escritórios locais/regionais; (Nacionais) Pontos negativos 9 Exclusividade do rótulo proporciona um trabalho mais forte da marca e prédisposição maior para a realização de ações no PDV; 9 Melhores condições (negociação). 9 Falta de escritórios locais (SP/Recife); 9 Alta tributação (variação de alíquota); 9 Venda direta ao consumidor (menor porte) passando por cima dos demais canais. “Prefiro trabalhar com os vinhos nacionais, têm mais demonstradores, embalagens de presente, têm preço, variedade de produtos, o contato é menos restrito... o vinho nacional, cada vendedor vende uma empresa e o importador tem várias empresas” (Varejista – hipermercado, SP) 99 7.7 - Performance dos Fornecedores Embora um certo “conformismo” tenha caracterizado os canais no seu relacionamento com fornecedores, nos últimos anos houve uma mudança para uma atitude mais crítica ao desempenho desses, sendo julgados com desempenho abaixo das expectativas. Ações consideradas importantes para a visibilidade do produto, divulgação da marca, impactando a venda de vinhos e espumantes, não são suficientemente exploradas pelos fornecedores, representando risco para a oferta de vinhos/espumantes. Alguns fornecedores até desenvolvem essas ações, mas não na proporção que atenda as expectativas dos canais. Os dados apresentados para essa comparação confirmam certo “desalinhamento” entre o desempenho do fornecedor e a expectativa dos canais, em outras palavras, o que está sendo feito pelos fornecedores hoje e o que de fato precisaria ser feito na percepção dos canais. Essa baixa sinergia entre os fornecedores e os canais sugere a redefinição de ações promocionais na oferta de vinhos, priorizando e investindo estrategicamente de acordo com as necessidades da demanda, mas sobretudo explorando as oportunidades nos canais de venda. O gráfico 12 ilustra a performance comparativa entre o que é realizado por parte do fornecedor (seu atual desempenho) e o que é exigido por parte do canal (importância do atributo). O fato é que nenhuma das ações consideradas de suma importância para o canal está sendo hoje avaliada como “totalmente dentro da expectativa” para os canais (no gráfico 12, quadrante superior direito). O cenário não é de todo negativo, afinal, algumas ações, tais como gôndolas promocionais, bonificações, brindes para o canal, incentivos aos promotores de venda e visitas periódicas são percebidas pelos canais e estão “parcialmente dentro das suas expectativas”, mas não em quantidade o suficiente para atingirem a totalidade (meio do gráfico). Avaliada como uma contradição ou esforço desnecessário é a possibilidade dos canais visitarem as vinícolas. Embora não sejam freqüentes, a percepção é de que essa ação de fato não agrega nenhum valor para a imagem e relacionamento do fornecedor diante do canal por não crerem que é uma ação prioritária. Diante de um consumidor ainda pouco informado e confuso em relação ao conhecimento sobre o vinho, o excesso de material de merchandising sem orientações/educação técnica chega a ser qualificado como uma desvantagem, um investimento com retorno sem propósito, afinal, acentua a realidade um tanto incômoda da imensidão da oferta diante de uma demanda ainda pouco regular e volumosa (quadrante inferior direito). A carência por informação segue um efeito dominó no processo do consumo do vinho, pois é um gap que se constrói desde o canal que comercializa o produto até o consumidor final. Ora, se o próprio segmento corporativo se sente incapaz de gerar ao consumidor final a informação necessária para a sua escolha correta por determinado tipo de vinho, então, a conseqüência direta é um consumidor tampouco informado. Tal necessidade aliada à degustação, ao treinamento e às promoções em geral no canal compõe o grupo dos atributos sob maior risco no atual contexto da oferta do vinho no Brasil: o grupo das ações consideradas “aquém da expectativa” dos canais (quadrante superior esquerdo no gráfico). 100 Gráfico 12: Importância das ações versus atual desempenho dos fornecedores em relação a essas ações Totalmente Totalmentedentro dentro das dasexpectativas expectativas + Aquém Aquémdas das expectativas expectativas Degustações Treinamentos Informações sobre o produto Promoções e Venda Importância Parcialmente Parcialmentedentro dentro das expectativas das expectativas Gôndola Promocional Bonificações Brindes para o canal Incentivos aos promotores de venda Visitas periódicas aos canais Material de merchandising Visitas às vinícolas Política de Comissão - Nãogera geravantagem vantagem Não Geradesvantagem desvantagem Gera - Desempenho 101 + No contexto das demandas não atendidas pelos fornecedores, conforme já mencionamos na página anterior, chama-se a atenção para a criação e distribuição de materiais impressos, uma ação muito explorada pelos fornecedores e pouco aproveitada pelos canais. Um dos grandes motivos alegados pelo varejo, por exemplo, para a não utilização do material é a falta de espaço adequado nas gôndolas e, no caso da HORECA, a exposição desses materiais “descaracterizaria” seu ambiente. Em contrapartida, é consensual entre eles a necessidade de um material técnico que descreva o produto e auxilie na venda. Essa incompatibilidade entre o que é feito pelos fornecedores e o que é considerado importante pelos canais alerta para a necessidade de se redefinir as premissas que moldam a criação e distribuição de materiais de merchandising. Para avaliar os mesmos atributos sob o enfoque do impacto do risco ou do conforto da sinergia entre fornecedor e canal, o gráfico 13 indica as zonas de risco, de sinergia, de conforto e de alerta entre a demanda do canal e a oferta do fornecedor. + Gráfico 13 – Avaliação do canal versus performance do canal ZONA DE SINERGIA - Bonificações - Bonificações - Gôndolas - Gôndolas promocionais promocionais ZONA DE CONFORTO (diferencial) Indiferente - Política de comissão ZONA DE RISCO -Visitas dos fornecedores - Degustação - Degustação - Treinamento - Treinamento -Informações (premiação -Informações (premiação -lançamento) -lançamento) - Descrição técnica do - Descrição técnica do produto produto Promoção de vendas. Promoção de vendas. - Avaliação do Canal (demanda) - -Visitas Visitasàsàsvinícolas vinícolas - Brindes(para (paraoo - Brindes canal) canal) - Políticade de - Política comissão comissão - ZONA DE ALERTA - -Material Materialde de merchandising merchandising Performance do Fornecedor (oferta) + 102 Alguns fornecedores proporcionam aos canais, sobretudo no Rio Grande do Sul, visitas às vinícolas. Embora não seja uma ação considerada primordial para a venda, é bem avaliada pelos canais de Porto Alegre que têm maior acesso, criando assim uma zona de conforto que, se explorada em outras regiões, pode ser um diferencial para conquistar novos compradores e informar o mercado. Vale destacar que, embora sendo bem avaliada pelos canais que gozam desse privilégio, não é uma exigência dos demais. A política de comissionamento e o número de visitas. representam um ponto médio com um desempenho e uma avaliação média. Existe uma certa sintonia entre os canais e os fornecedores no processo de negociação. No que diz respeito a bonificações, brindes e gôndolas promocionais estão, parcialmente, as expectativas. 7.8 Fornecedor Estrangeiro X Nacional Diante da crescente tendência da comercialização direta dos canais com as vinícolas nacionais e as importadoras, se faz necessário compararmos as principais diferenças avaliadas pelos canais no que diz respeito à origem do fornecedor, se nacional ou estrangeiro. Vale ressaltar que os canais não costumam importar os vinhos diretamente das vinícolas de outros países de uma forma geral, não havendo, portanto, um relacionamento direto com o fornecedor estrangeiro, afinal, os vinhos importados são comprados das importadoras que representam as vinícolas estrangeiras aqui no Brasil. Dessa forma, o nível de avaliação sobre as vinícolas estrangeiras é limitado. Ao estabelecer uma comparação entre os fornecedores nacionais e importados, a relação entre o percentual de compra do fornecedor e a avaliação do mesmo são desproporcionais, chamando a atenção para um ponto importante: embora a preferência dos canais seja pelo relacionamento direto com o produtor nacional (vinícola) que apresenta mais pontos positivos na avaliação geral, o fato é que, de uma forma geral, os compradores mantêm mais parceiras com os fornecedores importadores em proporções de compra muito superiores (80%). Os motivos pelos quais esse cenário se apresenta são: 1. a margem de lucro dos importados é maior, uma vez que menos tributação é imposta sobre eles; 2. a busca dos consumidores pelos vinhos importados é maior, seja por influência de formadores de opinião ícones no Brasil, seja por um trabalho de marca melhor desenvolvido pelas marcas importadas. No box 8, é possível observar os principais pontos a serem considerados numa comparação direta entre o fornecedor nacional e o estrangeiro, esse último representado pela importadora. Box 8 – Comparativo: fornecedores nacionais versus estrangeiros x NACIONAL # ESTRANGEIRO Maior preocupação com a divulgação das marcas e visibilidade do seu produto, aumentando sua predisposição para o desenvolvimento de ações no PDV. A representação de rótulos variados e a constante mudança de marcas remete a um menor comprometimento com a construção da imagem do produto a médio e longo prazo. A falta de escritórios locais, principalmente em SP, aumenta os impostos (variação de alíquota) sobre a compra de vinhos e espumantes com nota fiscal do outro estado (RS). A presença de representantes e escritórios regionais facilita o relacionamento e a negociação em diferentes regiões. Os vinhos importados têm uma melhor relação de custo X benefício, ou seja, têm uma boa qualidade e um preço acessível. Embora a qualidade do vinho nacional seja reconhecida, o preço ainda é muito alto comparado ao preço dos importados. A grande rotatividade na representação das marcas obriga os canais a constantemente procurar novos fornecedores para poder dar continuidade ao mix de produto que oferecem. Sentem-se seguros quanto à continuidade de fornecimento de determinadas marcas nacionais, exceto em caso de marcas novas de produtores nacionais de menor porte, que causam receio nos compradores, uma vez que o produto pode parar de ser produzido por falta de estrutura da própria vinícola. Os representantes das importadoras estão presos à tabelas de preços e não têm poder de negociação. A negociação direta com o dono da vinícola permite maior poder de barganha. = = Conhecimento do produto, diferentemente dos distribuidores que não tem um foco exclusivo nos vinhos e nos espumantes. # Diferencial Vantagens Conhecimento do produto, diferentemente dos distribuidores que não tem um foco exclusivo nos vinhos e nos espumantes. Desvantagens 103 = Ponto em comum 7.9 - Lições aprendidas nessa seção A cadeia de comercialização despadronizada implica em diferenças regionais. O atendimento privilegiado por parte das vinícolas aos canais de Porto Alegre limita a expansão da venda do vinho em São Paulo e Recife, mercados que contam principalmente com as importadoras como principal fornecedor, fato que inevitavelmente acarreta em um portfólio no qual predominam os vinhos estrangeiros. O processo de compra de cada canal é influenciado por diferentes fatores que, mais uma vez, não é padronizado, fruto basicamente da administração interna de cada estabelecimento, mas também pela ausência de uma “regra” oficial estandardizada pela indústria do vinho no Brasil. Ademais, a competição de mercado vivida por cada uma das cidades pesquisadas nesse estudo aponta para desníveis, onde São Paulo nitidamente enfrenta um cenário mais competitivo e, por essa razão, a preocupação de um profissional especializado em participar do processo interno de compra demonstrase mais presente. Devido às diferenças regionais, mesmo as cadeias varejistas nacionais reconhecem esse fator e, embora centralizem sua decisão de compra, acompanham a evolução local, em especial no caso de Recife. São Paulo e Porto Alegre, por sua vez, cobram com mais veemência que a degustação dos vinhos seja parte padrão do processo. De qualquer forma, a necessidade de que a continuação dos rótulos prevaleça em uma parceria mais duradoura entre fornecedor e canal é um fator presente em qualquer cidade. Por último, destaca-se a preocupação dos canais em manter um portfólio já “conhecido” e “aceito” pela sua demanda. A escolha das marcas ainda circunda prioritariamente na relação custo x benefício, ou seja, no quão equilibrados o preço e a qualidade das marcas conseguem estar. Todavia, nesse processo, vinculado significativamente aos decisores de compra, novamente o trabalho de manutenção dos rótulos emerge como o segundo fator mais crucial. Os atributos envolvidos na escolha dos fornecedores são diversos e o regionalismo é capaz de discriminá-los entre canais. Para os atacadistas, a flexibilidade de compras, serviços e agregados são decisivos para a escolha de um fornecedor, mas em Recife, a habilidade de lidar com a distância geográfica impera com mais força. Para os varejistas localizados fora do Rio Grande do Sul, onde se encontram a maioria das vinícolas nacionais, a tributação imposta para um produto ser vendido em seu estado e a falta de escritórios regionais são atributos que pesam na hora da escolha do fornecedor, da mesma maneira que os varejistas porto-alegrenses priorizam a proximidade do fornecedor para a sua escolha. Os varejistas recifenses priorizam aquele fornecedor que propuser a melhor parceria de negociação, considerando não só o ganho de escala, mas a capacidade de oferecer uma relação custo x benefício atraente que supere a distância geográfica. O varejo pequeno, por sua vez, sofre com seu pequeno ganho de escala e, por isso, prioriza a escolha de fornecedores que consigam driblar esse fator. 104 As lojas especializadas, por sua vez, buscam fornecedores que ofereçam condições de manter sua alta margem de lucro, já que o volume não é o foco do seu negócio. Por fim, a HORECA escolhe o fornecedor que melhor provier um trabalho de manutenção de rótulos e conseguir adequar às necessidades de sua demanda que se distingue por porte. Porém, a centralização de vários produtos em um único fornecedor é uma vantagem para a HORECA bem como o prazo de entrega. Independente das nuances regionais, o trabalho de degustação, treinamento, informações técnicas sobre os produtos bem como promoções de venda são fatores considerados como aquém da expectativa dos canais na avaliação dos fornecedores, que acreditam que o material de merchandising hoje oferecido pelos fornecedores não supre as necessidades dos seus pontos de venda. Nesse contexto, é inevitável a comparação entre os fornecedores nacionais versus os estrangeiros, onde os nacionais ganham na proximidade gerando maior “segurança” para o canal de que poderá contar com os rótulos para as próximas compras. Porém, os fornecedores nacionais perdem força para os estrangeiros quando esses últimos oferecem produtos considerados de maior qualidade com preços competitivos e, portanto, a relação custo x benefício da compra é mais atraente porque o mesmo cenário consegue ser repassado para o consumidor final. Para outros canais, a imagem “superior” dos produtos importados lhes oferece uma margem de lucro maior. 105 106 8. Imagem dos vinhos diante dos canais 107 A imagem da indústria do vinho pelo mercado brasileiro não é avaliada sem distinguir a indústria brasileira das estrangeiras, uma vez que a produção vitivinícola entre países tem tradições distintas: enquanto o Brasil é considerado pelos canais uma “criança” no estágio da produção do vinho, com pouquíssima tradição, a França, por exemplo, tem história secular. Esse fator por si só já é capaz de distinguir compreensivelmente a qualidade e a cultura do vinho entre países. “(...) principalmente porque não “(...) principalmente porque não temos um histórico no mercado de temos um histórico no mercado de vinhos/tradição, o Brasil é uma vinhos/tradição, o Brasil é uma criança no mercado. O Brasil faz criança no mercado. O Brasil faz vinhos finos há 20 anos, enquanto a vinhos finos há 20 anos, enquanto a França faz há 500 anos.” França faz há 500 anos.” (Loja especializada, POA) (Loja especializada, POA) Neste sentido, a imagem dos vinhos nacionais versus os vinhos importados tem parâmetros distintos de comparação e a penetração dos produtos no mercado brasileiro segue ritmos favoráveis aos importados, pois acompanha o passo da oferta: quanto mais maduro um país produtor de vinho estiver no mix de produção x comercialização x marketing do produto, maiores as chances de seu produto ter espaço em um país emergente quanto ao consumo do vinho, como é o caso do Brasil, onde a imagem é uma conseqüência dos esforços investidos. Ainda assim, existe uma avaliação dividida e favorável em relação “A diferença dos nacionais e “A diferença dos nacionais e à qualidade dos vinhos nacionais de que, consensualmente, vem dos importados é pouca, dos importados é pouca, crescendo. Alguns canais, em especial varejistas, avaliam a melhorou bastante em vista do melhorou bastante em vista do qualidade dos vinhos nacionais finos já em patamares que que era” (Varejista, SP) que era” (Varejista, SP) possibilitam uma comparação bastante equiparada entre nacionais e importados. 8.1 - Brasil versus Argentina versus Chile No contexto das diferenças entre nacionais e importados, a imagem comparativa entre Brasil, Argentina e Chile favorece o último país. As diferenças entre os três produtos são mais visíveis aos olhos dos canais do que suas semelhanças. Todavia, o momento do vinho no Brasil ainda implica em questões de negociação que se tornam uma barreira independente do quão distantes são as fronteiras que separam o mercado brasileiro dos fornecedores de vinho. Em outras palavras, o relacionamento das vinícolas com os canais, a sensação de “pouca seriedade” na continuação do trabalho de posicionamento de rótulos e a política precária de incentivo de vendas nos canais são um gap não preenchido idealmente no mercado emergente brasileiro por nenhum dos três países supracitados. Os indicativos são de que a questão está atrelada a uma imaturidade geral do mercado – uma vez que os vinhos desses três países parecem predominar no consumo do país – em termos de políticas de marketing consistentes. Investimentos em publicidade e presença da mídia, fruto de uma política de marketing ainda não consistente, são fatores que também agregam para a imagem de um cenário pouco sólido do vinho no Brasil. Os próximos slides comunicam a análise qualitativa da avaliação que 63 estabelecimentos comerciais, que representam os diversos segmentos dos canais, fazem do momento do vinho no Brasil, com o intuito de compreender as características associadas à imagem dos vinhos brasileiros, argentinos e chilenos, comparativamente. 0 gráfico 14 apresenta os atributos que pesam na avaliação dos canais sobre os vinhos entre os três países. Para simplificar a exposição, a avaliação do vinho nacional será o ponto de referência (através da linha vermelha do gráfico) e Argentina e Chile serão comparados ao Brasil através de pontos azul e vermelho, respectivamente. 108 Entre os importados, em todas as avaliações, a indústria de vinho chilena esteve superior à argentina. O vinho nacional, por sua vez, perde dos seus dois competidores em 7 dos 11 quesitos. Os principais pontos negativos para as empresas brasileiras se deve à imagem pouco positiva diante do consumidor, ao quão “modernizada” é a qualidade do vinho brasileiro e à política de marketing. De fato, um dos aspectos mais interessantes dos dados são as reações a respeito de imagem e qualidade. A avaliação do canal é de que o próprio consumidor tem uma imagem extremamente positiva em relação aos vinhos chilenos, superior aos argentinos e nacionais. No entanto, quando avaliada a qualidade dos produtos oferecidos, as diferenças entre os vinhos dos três países são bem menos acentuadas. Observamos, portanto, um descompasso entre a qualidade reconhecida dos vinhos pelos canais de venda e a imagem dos vinhos perante o consumidor. Novas estratégias e novos investimentos de marketing são necessários para reduzir essa disparidade. Os pontos mais positivos da indústria nacional se referem à interface entre empresas de vinho e os canais de venda. Embora esse assunto tenha ainda uma avaliação longe do ideal, as empresas brasileiras são consideradas as mais sérias/previsíveis, oferecem melhor incentivos para as vendas e têm melhor relacionamento com os canais do que as empresas argentinas, por exemplo. Esse fato é o fruto da reação recente das vinícolas brasileiras diante da pressão sobretudo da concorrência chilena, o que demonstra um indicativo já visível dos esforços das vinícolas nacionais. Gráfico 14 – Atributos que formam a imagem dos vinhos: Brasil x Argentina x Chile Maiores vantagens competitivas dos chilenos Maior gap do mercado independente de países, preenchido em nível longe do ideal. Os argentinos são os pior avaliados. 109 A imagem sob o peso das diferenças entre canais As lojas especializadas têm uma imagem ainda mais positiva dos vinhos chilenos e argentinos comparados com a dos brasileiros do que os outros canais de venda. A diferença de qualidade e imagem em prol dos argentinos e chilenos são também mais acentuadas na avaliação proveniente desse canal de venda. Embora as vinícolas argentinas tenham força na loja especializada, em contrapartida, elas aparentam ter um sério problema de credibilidade com o grande varejo, pois são consideradas bem menos sérias do que as vinícolas nacionais e chilenas. 8.1.1 - Pontos Fortes e Fracos da Imagem dos Vinhos - Brasil x Chile x Argentina No geral, a imagem comparativa entre os países coloca o Chile nitidamente à frente de Argentina e do Brasil, nessa ordem. As vinícolas brasileiras são avaliadas com mais pontos fracos do que fortes e a relação inversa acontece para o Chile. Veja as figuras 6 e 7. 1.Chile 2.Argentina 3.Brasil PONTOS FORTES DA IMAGEM Figura 6 – Pontos Fortes Bom relacionamento das vinícolas com os canais, facilitando negociação e logística; Seriedade nas negociações com previsibilidade que gera segurança para a continuidade do trabalho; Política de incentivo de vendas para os canais em estágio pouco mais avançado que seus competidores sulamericanos; Proximidade e propaganda das vinícolas do RS para canais de POA; Facilidade de abastecimento pela proximidade das vinícolas do Vale do São Francisco para canais de Recife. Imagem altamente positiva diante dos consumidores (alta aceitação da demanda); Percepção de uma infra-estrutura moderna que influencia na qualidade de seus vinhos; Vinhos de qualidade; Alta margem de lucro oferecida para os canais; Marketing mais próximo do considerado “acertado” e correto. 110 Qualidade dos seus produtos; Associação com tecnologia de qualidade; Boa aceitação do consumidor; Boa margem de lucro para os canais; Política de marketing em estágio mais avançado que a política brasileira. PONTOS FRACOS DA IMAGEM Figura 7 – Pontos Fracos Menor aceitação do consumidor em relação aos chilenos e argentinos; Percepção de menor qualidade principalmente pelo consumidor, fato que começa a reverter favoravelmente na percepção dos canais; Baixa margem de lucro devido aos altos impostos sobre os vinhos nacionais; Grande distância da percepção de vinícolas “modernas” e equipadas se comparadas às outras sulamericanas; Política de marketing atrelada a um conceito de pouco acertada, provavelmente pela necessidade explícita de intensificar a presença de propagandas; Percepção de que as vinícolas nacionais supervalorizam seus produtos; Vinícolas nacionais percebidas como um grupo desunido, que age isoladamente, gerando impacto negativo no consumo geral do vinho enquanto produto antes do vinho enquanto “marca”. Os pontos fracos das vinícolas chilenas acompanham os passos da avaliação geral da indústria no Brasil, ou seja, são limitações dos três países e não exclusivamente do Chile. Portanto, se comparado a Brasil e Argentina, o Chile não tem ponto fraco, pois é considerado em todos os aspectos superior aos outros dois países. Seu ponto fraco é o a própria limitação do setor. Baixa credibilidade entre os comerciantes, inclusive bem abaixo dos brasileiros; Relacionamento pobre com os canais; Fraca política de incentivo de vendas; Sensação de que exportam alguns vinhos de má qualidade e a preços não tão competitivos. Diferenças Regionais Há diferenças regionais marcantes fruto da avaliação dos canais, particularmente destacada por Porto Alegre. Essa cidade, com maior consumo em termos de volume e tradição, exige uma análise diferenciada. Em suma, Porto Alegre deve ser analisada à parte quando se trata da indústria do vinho. 111 8.2 – Comparativo Regional O gráfico 15 apresenta a avaliação dos canais sobre os mesmos atributos capazes de refletir a imagem das vinícolas avaliadas no gráfico 14, porém sob o enfoque regional. Novamente, o ponto de referência será a linha vermelha que demonstra o posicionamento da avaliação dos vinhos nacionais por cada cidade em comparação aos argentinos e chilenos, representados por pontos azul e vermelho respectivamente. Marketing e Mídia Os canais de Porto Alegre consideram que as vinícolas brasileiras estão mais presentes na mídia e investem mais em publicidade do que vinícolas da Argentina e do Chile, muito provavelmente devido à presença de 95% da vinícolas brasileiras no território gaúcho. Mesmo assim, o fato não impede que a avaliação do marketing das empresas dos dois países concorrentes ainda seja considerado mais elaborado que o marketing das empresas nacionais. Isso pode indicar que o problema não é simplesmente o valor investido em publicidade, mas a estratégia utilizada. Em São Paulo e em Recife, os vinhos chilenos e argentinos são melhor avaliados nesses quesitos. No entanto, deve-se salientar que a diferença observada entre argentinos e chilenos (a favor dos últimos) é mais expressiva em São Paulo do que em Recife. Relacionamento com o Canal O relacionamento das empresas nacionais com os canais de venda também é apontado como mais positivo pelo mercado de Porto Alegre. Vinícolas nacionais também oferecem melhores incentivos ou bonificações para vendas nessa capital. O mercado paulistano, por sua vez, tem os argentinos como menos sérios e previsíveis do que as vinícolas nacionais, enquanto os chilenos são considerados apenas ligeiramente mais sérios. Também em Recife, os argentinos são tidos como menos sérios. Interessantemente, em Porto Alegre há pouca diferença entre as três nacionalidades. Qualidade e Imagem A qualidade dos vinhos chilenos é considerada superior à dos nacionais e a dos argentinos nas três cidades pesquisadas. Apesar desse ordenamento se repetir no que toca às imagens dos vinhos perante os consumidores, as diferenças são mais acentuadas. Principalmente em São Paulo, a imagem dos chilenos é muito superior à dos vinhos nacionais e, em menor grau, dos argentinos. Em Porto Alegre, a avaliação dos canais é de que há maior variedade entre os vinhos nacionais do que entre os argentinos ou chilenos. Essa percepção pode ser motivada pela grande concentração da indústria vinícola do país no estado do Rio Grande do Sul, mas não deixa de ser um contra-senso dado a incomparavelmente maior produção vinícola da Argentina e do Chile. Margem de Lucro A margem de lucro dos vinhos importados da Argentina e do Chile parecem acompanhar a distância geográfica. As diferenças são pequenas em Porto Alegre, médias em São Paulo e um pouco mais acentuadas em Recife 112 De uma maneira geral, a avaliação dos gaúchos em relação às vinícolas nacionais é superior que a das outras capitais. “Aqui na loja, costumamos ter uma relação mais franca com os representantes locais, até porque é com eles que compramos basicamente tudo de vinho. Então, já temos parcerias há bastante tempo. Nossa relação é baseada na transparência. E isso está dando certo. Já com os outros, os distribuidores ou os representantes dos vinhos importados, nossa relação é mais distante”. (Varejista, POA) Gráfico 15 - Atributos que formam a imagem do vinho: diferenças regionais Chilenos e argentinos, nessa ordem, têm imagem de melhor relacionamento com os canais e estão mais aproximados de um marketing considerado “acertado” do que as vinícolas nacionais, na avaliação do mercado paulistano. A presença da publicidade das vinícolas nacionais em Porto Alegre é nitidamente superior que nas demais capitais, segundo a avaliação dos canais. Os canais de São Paulo e de Recife estão hoje trabalhando mais independentes na comercialização do vinho nacional, com menor apoio de publicidade com estímulo ao consumo. As vinícolas nacionais, do contrário, estão priorizando as ações regionalizadas devido talvez à maior familiaridade com a região gaúcha e sua presença local. 113 8.3 - Comparativo entre Canais A construção da imagem do vinho do ponto de vista dos canais de comercialização está calcada basicamente sob dois enfoques: (1) noção ampla de qualidade segundo a “demanda” e (2) origem/marketing: (vide figura 8). 1. A suposta opinião da demanda: ou seja, os canais definem a imagem dos vinhos que irão compor a sua oferta a partir da imagem que o segmento acredita que seu consumidor tem sobre os vinhos, ao que parece sem questionar o nível de conhecimento ou os fatores que influenciam a formação da imagem dessa demanda. Considerando que a demanda do Brasil é composta, na grande maioria, por consumidores pouco conhecedores, incapazes de distinguir com acurácia qualidade e tipologias de vinho, então a tal “demanda” em que se baseiam os canais na realidade é formada por pequenos grupos formadores de opinião (pessoas famosas, conhecedoras de vinho, profissional especializado e consumidores top, conhecedores do vinho) aos quais se atribui a capacidade de influenciar a opinião da grande maioria dos consumidores. Nesse contexto, a avaliação de qualidade (reunindo conteúdos de prestígio, variedades e imagem pública), conforme projetado para essa “demanda”, é o que serve como principal âncora para a construção da imagem e, portanto, como principal critério de escolha pelo canal. Sendo assim, quanto maior a qualidade percebida pela “demanda”, maior a imagem positiva depositada sobre determinado vinho. 2. Quando somente a qualidade atribuída pela sua “demanda” é incapaz de diferenciar a imagem de um ou outro produto (seja por falta de diferenciação dos produtos em termos de “qualidade” ou por considerá-lo marginal à decisão), os canais recorrem a outro modelo de escolha ancorado na dupla origem (nacional versus argentinos versus chilenos) e marketing (relacionamento, divulgação e promoção). Quanto à origem, os resultados gerais, sem distinção por canais, apontam para uma vantagem de imagem em favor dos vinhos chilenos por cima dos vinhos brasileiros e argentinos. Em segundo lugar, favorecendo os produtos importados por cima dos brasileiros, surge o atributo genérico marketing, que reúne as abordagens no âmbito do relacionamento com os canais, os esforços comparativos em promoção, visibilidade, captura da atenção do público e definição de uma proposta conceitual diante do consumidor. Assim, quanto mais intensa a propaganda e as ações promocionais realizadas para um vinho, maior a chance de ele ter sua imagem considerada positiva diante dos canais. 114 Figura 8 - Pirâmide dos atributos que constroem a imagem dos vinhos na concepção dos canais Marketing Nacionalidade Qualidade Ainda que a imagem geral predominante diante dos canais seja ancorada em qualidade percebida pelos consumidores, nacionalidade e marketing, algumas diferenças entre canais se destacam. As lojas especializadas têm uma imagem muito mais positiva dos vinhos chilenos e argentinos comparados com a dos brasileiros do que os outros canais de venda. A diferença de qualidade e imagem em prol dos argentinos e chilenos são também mais acentuadas nas respostas provenientes desse canal de venda. A imagem desfavorável das vinícolas argentinas tem um impacto maior sobre o o grande varejo, pois são consideradas bem menos previsíveis do que as vinícolas nacionais e chilenas. Vide gráfico 16. Gráfico 16 - Atributos que formam a imagem do vinho: avaliação por canal O relacionamento bom com o canal é um dos fatores com maior capacidade de distinguir a imagem de importados versus nacionais entre lojas especializadas A avaliação dos chilenos e argentinos é indiscutivelmente mais positiva pelas lojas especializadas do que pelos demais canais, sugerindo uma abordagem diferenciada do canal diante da oferta. 115 8.4 - Preço: Brasil x Chile x Argentina É uma avaliação consensual dos canais que os preços dos vinhos finos importados, argentinos e chilenos são impreterivelmente mais competitivos que os demais, inclusive sobrepondo-se ao nacional. A alta concorrência enfrentada pelas vinícolas nacionais pelos dois países sul-americanos deve-se a menor relação de custo X beneficio dos vinhos brasileiros se comparados aos sul- americanos. A idéia de que os vinhos chilenos e argentinos, nessa ordem, oferecem um produto de boa qualidade, com preços compatíveis com os vinhos de mesa nacional, de qualidade inferior, é uma realidade no mercado brasileiro. O posicionamento do Brasil nesse contexto é de que, de uma forma geral, o país oferece os vinhos mais caros o que remete a uma relação de custo x beneficio desfavorável frente a concorrência dos vinhos argentinos e chilenos, muito embora a consonância do mercado é de que o quadro da qualidade do vinho nacional vem gradativamente mudando. Em parte, o valor do vinho nacional é superior calcado na sua realidade de alta carga tributária, dificultando a competição de um produto que ainda encontra-se em estágios emergentes de reconhecimento nacional, e isso implica em uma dificuldade ainda maior na aceitação nacional. Por outro lado, há uma sensação dos canais de que as vinícolas nacionais utilizam-se de um excesso de oportunismo obtendo lucros maiores do que aqueles que os colocaria em uma condição de competição mais equilibrada. Em outras palavras, as vinícolas nacionais são percebidas como aquelas que supervalorizam seus produtos através da oportunização em gerar uma divulgação de “status” sobre determinado vinho, mas que às vezes alguns produtos não têm qualidade compatível com o preço pelo qual estão sendo cobrados. A política de preços das vinícolas brasileiras é um fator difuso na concepção dos canais, pois existe pouca padronização de seus preços ancorados em uma organização que avalie qualidade x preço universalmente. O resultado são vinhos de qualidade semelhantes sendo oferecidos por preços demasiadamente diferentes pelas vinícolas. Os vinhos argentinos, por sua vez, têm uma imagem de preço mais competitiva que os brasileiros e a relação custo x benefício é melhor que a dos nacionais. Embora a imagem geral dos vinhos argentinos seja de que são extremamente competitivos e que possuem qualidade, alguns canais, em especial em Porto Alegre, questionam a qualidade de alguns dos seus produtos e sua avaliação é de que, por serem importados, são aceitos, mas nem sempre sua qualidade acompanha a imagem de que os importados são melhores que os nacionais. 116 “Hoje não se consegue fazer um “Hoje não se consegue fazer um parâmetro de preço dos vinhos parâmetro de preço dos vinhos nacionais. Tem uma vinícola que nacionais. Tem uma vinícola que pede R$ 20 por um vinho e o pede R$ 20 por um vinho e o mesmo vinho com a mesma mesmo vinho com a mesma qualidade pode custar R$ 10 qualidade pode custar R$ 10 em outra vinícola. Não tem um em outra vinícola. Não tem um padrão. As pessoas produzem, padrão. As pessoas produzem, faz-se um glamour em cima faz-se um glamour em cima daquele vinho e cobram R$ daquele vinho e cobram R$ 30,00. Tu vai ver, o vinho tinha 30,00. Tu vai ver, o vinho tinha que valer R$ 15. Tu vê no que valer R$ 15. Tu vê no Chile, tu pede um reservado e a Chile, tu pede um reservado e a diferença de preço é de no diferença de preço é de no máximo 5% entre as vinícolas. máximo 5% entre as vinícolas. Aqui, supervalorizam o produto. Aqui, supervalorizam o produto. Esse é um desafio no Brasil: Esse é um desafio no Brasil: achar um equilíbrio de preço e achar um equilíbrio de preço e qualidade, e isso vai longe qualidade, e isso vai longe porque ai vem a ganância das porque ai vem a ganância das vinícolas - agregam valor que vinícolas - agregam valor que não tem no produto.” (Loja não tem no produto.” (Loja especializada, POA) especializada, POA) O infográfico 13 apresenta o posicionamento dos três países considerando a relação custo x benefício (preço x qualidade). Infográfico 13 – Relação custo x benefício “O vinho chileno é associado a qualidade sem ser caro” (Atacadista, SP) Custo + O Chile é aquele que apresenta para o consumidor a melhor relação custo x benefício na avaliação dos canais, pois oferece vinhos finos de ótima qualidade com preços competitivos e também por estar há mais tempo no mercado brasileiro com marcas carro-chefe. A Argentina também tem ofertas competitivas quanto ao preço, mas seu benefício é inferior ao chileno, uma vez que seu portfólio é composto de uma grande maioria de vinhos finos de boa qualidade, mas alguns poucos de qualidade questionável e por apresentar uma carência de marcas carro-chefe no mercado brasileiro. Os vinhos finos brasileiros, em contrapartida, são os mais caros e oferecem pouco benefício para justificar o valor cobrado. - Benefício + No contexto dos preços comparativamente entre os três países, o Brasil oferece vinhos com menor faixa de preços (R$4 a R$160 aproximadamente). Ressaltamos, entretanto, que os preços mínimos brasileiros são bem próximos aos preços da Argentina, por exemplo, e a avaliação dos canais em favor dos importados é a relação custo x benefício que prevalece nos mesmos. Na prática, a realidade é que os vinhos brasileiros baratos que têm preços similares aos mais baratos argentinos, por exemplo, são os de mesa enquanto os argentinos são tipicamente os finos, fato que leva à maior procura dos importados. (vide gráfico 17) Destaca-se nos preços mínimos brasileiros a existência das sangrias, que possuem preços ainda mais competitivos (R$1,50 / R$1,99), que especialmente em Porto Alegre são usadas pelas mulheres para criar as sobremesas de sagu. Em Recife, um contexto particular é o consumo do “vinho” popular (um dos mais baratos) Carreteiro, mas que na verdade é uma sangria. “São esses os vinhos “São esses os vinhos que entrarão em que entrarão em promoção e terão promoção e terão destaque na loja e destaque na loja e geralmente são geralmente são chilenos, porque têm chilenos, porque têm uma boa fama, de uma boa fama, de qualidade qualidade comprovada entre os comprovada entre os consumidores. Se a consumidores. Se a de preço é Independente dos valores mínimos e máximos, é um consenso entre os canais diferença diferença de preço é pequena, de 1 a 2 que a faixa de preço mais comercializada agrupa-se entre R$ 16 e R$ 40. pequena, de 1 a 2 reais, o consumidor reais, o consumidor um chileno ao O gráfico 16 sumariza o cenário de preços, apresentando o menor preço leva leva um chileno ao de um mencionado por algum canal (preço mínimo) em comparação com o maior preço invés invés de um nacional.” (Mercado, apontado por algum canal (preço máximo). nacional.” (Mercado, SP) SP) A melhor relação custo x benefício na avaliação dos pontos de venda de vinho é oferecida pelas marcas chilenas. Se por um lado, dentre os preços mínimos elas são as maiores (gráfico 17), por outro lado, os canais analisam que o consumidor prefere pagar um pouco mais pela marca chilena por acreditar que sua qualidade é superior às marcas nacionais e até às argentinas e que a diferença entre elas é bastante compensatória. A imagem privilegiada dos chilenos lhes propicia inclusive a maior elasticidade de preços, onde vinhos que atingem até R$800 são encontrados e, com esse cenário, o segmento corporativo, em geral, tem no vinho chileno a melhor relação custo x benefício. 117 Gráfico 17 – Preço mínimo e máximo: Brasil x Chile e Argentina As sangrias têm preços ainda menores (R$ 1,99), a exemplo da marca Adega da Serra, usadas em POA para fazer sagu. Sangria “Carreteiro”, a marca mais popular em Recife, consumida como “vinho”. Entre os vinhos brasileiros considerados mais baratos, destaca-se a diferença entre mesa e fino. Enquanto o mesa varia entre R$ 3,99 a R$ 8,00 reais; os finos mais baratos variam entre R$ 10,00 a R$ 20,00 reais. Melhor negociação Melhor custo x benefício Preço Máximo Preço Mínimo 800 10,5 6,5 400 4,4 159 Brasil Argentina Brasil Chile Argentina Brasil Argentina Brasil Chile Chile Argentina Chile Desejo (Salton) Talento (Salton) Quinto do Carvalho Chalise Chapinha Carreteiro (Recife) Coltruario (Recife) San Juan Santa Ana Caviquer, Facundo Cantina Zapata Adobe Alma Minha Alma Viva Casa Maior Santa Carolina 118 Em comparação do vinho nacional com o importado, uma avaliação geral dos NACIONAL IMPORTADO canais nitidamente expressada é o fato de que enquanto um vinho varietal Varietal 10,00 18,00 nacional é comprado pela faixa de R$10,00, o importado (basicamente Vinho conceituado 25,00 / 30,00 45,00 / 50,00 influenciado pelos sul-americanos) custa R$18,00. Do mesmo modo, um vinho dito “conceituado” nacional custa entre R$45,00 e R$50,00, mas vinho com tal adjetivo importado pode ser encontrado de R$25,00 a R$30,00. 8.5 - Líderes da Indústria Os canais avaliam as marcas líderes no mercado sem deixar de lado a imagem geral que circundam tais marcas. Os vinhos brasileiros, por exemplo, são avaliados como aqueles que não têm uma imagem formada e sua imagem generalizada remete-se basicamente ao país. Em outras palavras, o vinho nacional ainda não desenvolveu uma identidade própria, o que, em parte, é avaliado pela própria ausência de uma tradição (exceto em POA) na produção da bebida se comparada a outros países, e em parte deve-se à não consolidação de estratégias de mercado efetivas até o momento. Esse cenário é diferente para os espumantes nacionais, que já são percebidos enquanto uma entidade diferenciada do vinho fino e inclusive já apresentam uma identidade associada à qualidade. Diante de um cenário de menor concorrência para os espumantes, esse produto não necessitou desenvolver uma estratégia marcante para reconhecimento de marcas e o resultado já é o contínuo crescimento do consumo e o reconhecimento internacional. Quanto aos vinhos importados, os chilenos são considerados vinhos muito amadeirados, porém que oferecem excelente custo x benefício em todas as espécies, de Cabernet Sauvignon a Carmenere. Os argentinos, por sua vez, são julgados como os vinhos sul-americanos mais semelhantes ao estilo europeu, mas que mesmo assim, corre-se o risco de adquirir vinhos argentinos ruins quando comprados em grande volume. Ao mencionar as marcas líderes do mercado, os canais avaliam os estilos clássicos e tradicionais, bem como as novidades por país. VINHO Clássico: Country Wine, Saint German Tradicional: Chalise, Chateau Duvalier, Granja União, Carreteiro (Recife) Líder mais reconhecido: Salton; Marcus James, campeão de exportação Salton, tentando recuperar a imagem de qualidade Vinhos de maior penetração: Casa Valduga, Don Laurindo, Cava de Amadeu, Flores da Cunha; Novidades: Vila Francione, em SC, ajuda na investida da qualidade VINHO Clássico: De Matino Tradicional: Concha y Toro, Santa Helena, Santa Rita, Alma Viva Novidade: Emiliano ESPUMANTES Salton e Chandon Peterlongo, Cidras ESPUMANTES Parapacá 119 VINHO Clássico: Santa Júlia, Santa Ana Tradicional: Luigi Bosca, Terraça, Valmon, Santa Ana, Trapiche ESPUMANTES Piagentini 8.6 - Lições aprendidas nessa seção Para os canais, a imagem geral dos vinhos importados (referida aqui basicamente na oferta dos chilenos e argentinos) é superior a dos nacionais, não apenas no que diz respeito a atributos do produto, mas também à proposta mercadológica e –em parte- abordagem comercial. Os vinhos dos vizinhos sul-americanos imperam pela qualidade e preços competitivos, gerando para o canal uma relação preço x qualidade atraente o suficiente para resultar em boa margem de lucro para os estabelecimentos na comercialização com o consumidor final. Os vinhos chilenos ganham a competição em praticamente todos os atributos que constroem a imagem dos vinhos na perspectiva dos canais. E o Brasil sobrepõe-se unicamente à Argentina no que se refere ao relacionamento com o canal, pois os argentinos têm uma imagem de pouco previsíveis por não dar continuidade no trabalho de imagem dos seus rótulos e por não oferecer muitas bonificações aos PDVs (fator que não abala os chilenos). Porém, esse relacionamento considerado inadequado por parte dos argentinos tem suas nuances regionais, sendo menos intensa em São Paulo, onde os importados se equiparam na avaliação dos canais. A presença na mídia e os inventivos a venda comumente avaliados como limitados e aquém das expectativas pelos canais, apresentam um contexto diferente em Porto Alegre, impulsionado basicamente pelo trabalho das vinícolas locais, elevando a imagem do vinho nacional nessa capital. A política de preço das vinícolas nacionais é vista como confusa, ou melhor, sem padronização, aspecto avaliado negativamente pelos canais, que acreditam ser um dos principais desafios para a indústria local a organização de uma política de preço justa que sustente vinhos de qualidade semelhantes a preços similares e evite que as vinícolas precifiquem os vinhos, sem critérios, acarretando em diferenças de preços muito amplas. Nesse contexto, elogiam a política chilena que consegue oferecer diferenças de preço de no máximo 5% entre um produtor e outro de similar especificação, fator que para o segmento corporativo é favorável e gera mais estabilidade. Os menores preços dos vinhos finos argentinos e chilenos equiparam-se aos vinhos de mesa nacional e essa diferença de qualidade é um fator para o estímulo aos vinhos importados por parte dos canais. Dessa forma, o consumidor prefere pagar um pouco mais por um vinho chileno, por exemplo, do que por um nacional, avalia o canal. De fato, os vinhos chilenos são os mais caros e ainda assim são os mais vendidos. Os vinhos nacionais só apresentam a menor faixa de preço comparados aos importados na subcategoria de vinhos de mesa, onde ainda detém o quase monopólio. No geral, o fato é que os vinhos brasileiros não têm uma imagem ainda consolidada enquanto os chilenos são considerados mais encorpados e que apresentam as melhores vantagens e os argentinos, por sua vez, também recebem uma associação de imagem boa no geral, mas com o risco de abordagens de comercialização heterogêneas e imprevisíveis, existindo reclamações de oferta de produtos de baixa qualidade. 120 9. A Demanda na Visão dos Canais 121 9.1 - A Evolução do Perfil do Consumidor O mercado da oferta aponta para um consumidor mutante que gradativamente vem conquistando diferentes perfis. As mulheres e os mais jovens são a expectativa de tendência na visão dos canais que se deparam com uma aceitação crescente desses dois nichos de mercado. Os representantes da comercialização do vinho alertam para o fato de que as vinícolas nacionais e estrangeiras estão pouco atentas a essa característica do consumidor e um planejamento mercadológico nesse sentido faz-se necessário. Enquanto os produtores argentinos direcionam suas propagandas ao público masculino, é o feminino que cresce no Brasil na avaliação dos canais. O desafio da popularização dos vinhos para as classes mais baixas também está em voga, pois os preços mais competitivos dos vinhos sulamericanos vem progressivamente despertando o interesse dessas classes para o vinho fino, até então taxado como “inacessível”. Vide infográfico 14 que demonstra a evolução do consumidor na visão dos canais numa avaliação nacional, independentemente das regiões. “Aumento do consumo fino / importado - cada vez mais mulheres consumindo e escolhendo (mercado feminino) (...) eu fiz um evento para consumidores e canais e a marca Argentina trouxe para a apresentação uma propaganda totalmente voltada para o público masculino, e ele ficou com medo de passar a propaganda porque 60% do público que estava presente eram mulheres, algumas inclusive responsáveis pela compra de vinho para outros canais” (Atacado, POA) Infográfico 14 – Evolução do consumo do vinho versus perfil do consumidor + Idade Pessoas acima de 30/35 anos bebiam vinho Consumo de vinho Jovens bebem mais vinho do que antes Classe social Sexo - Somente pessoas das classes mais elitizadas bebiam Vinhos de qualidade vinhos bons são acessíveis para classes mais populares Homem Desafio: popularização do vinho em paralelo com a segmentação do mesmo. Alta aceitação dos espumantes no público feminino. Tendência de aumento da penetração do espumante nesse público. Mulher Perfil do consumidor 122 + 9.2 - Os Tipos de Consumidor por Canal Lojas Especializadas As lojas especializadas definem seus consumidores quanto a dois atributos básicos: a freqüência com que compram vinho e o grau de conhecimento que têm sobre o assunto. A relação entre o conhecimento e a freqüência é avaliada pelo segmento como inversamente proporcional, em outras palavras, quanto maior o conhecimento, menor a quantidade que o consumidor bebe o vinho, no sentido de apreciar a bebida; enquanto o consumidor com menor conhecimento e paladar menos apurado prefere a quantidade em detrimento da qualidade. Essa percepção sugere uma dissociação entre duas razões opostas para beber: 1. 2. O vinho enquanto objeto de apreciação para ser tomado com cautela, típico daqueles com paladar mais apurado; O vinho enquanto objeto de entorpecimento, uma busca pela fuga cotidiana, onde o prazer do vinho tem pouca distinção em relação a qualquer bebida alcoólica, ou seja, os efeitos são similares. Pesa também sobre a identificação do perfil do consumidor o fatores “idade”. A sensação é de que quanto maior o conhecimento, maior a concentração de idade, por outro lado quanto menor o conhecimento, maior a variedade de idades. Em outras palavras, o conhecimento sobre o assunto é uma nítida demanda de segmentação da oferta ancorada em nichos influenciados pela idade, ao passo que a massificação do produto não depende da idade. Com efeito, o sexo é também um fator capaz de distinguir o consumidor quanto ao nível do conhecimento. Ao que parece, os homens são os consumidores mais conservadores, mais tradicionais, que experimentam a busca de informações sobre o vinho há mais tempo, enquanto as mulheres depositam mais sobre os vendedores a confiança na hora da escolha do vinho, são conhecedoras mais recentes do assunto, mas que têm um potencial talvez até mais volumoso de serem as maiores consumidoras da bebida. Nesse contexto, três perfis são avaliados como os principais identificáveis nesse canal (veja suas características no infográfico 15 na próxima página): Consumidor 1. O menos conhecedor que compra com mais freqüência; Consumidor 2. O consumidor intermediário entre esses dois atributos; Consumidor 3. O maior conhecedor que compra com menor freqüência. O perfil mais popular (1) ainda é o responsável pelo maior volume de vendas até mesmo nas lojas especializadas (vide gráfico 18). Gráfico 18 - Volume de vendas pelos tipos de consumidor Consumidor 1 30% Consumidor 2 30% Consumidor 3 40% 123 Diária Infográfico 15 - O consumidor das lojas especializadas Esporádica Freqüência do consumo Consumidor 1: Quem é? Diferentes idades: 35 a 70 anos Mais leal à marca porque conhece menos opções Preço: R$ 15 a R$ 50 reais Classe média Todos buscam relação custo x benefício Consumidor 2: Quem é? Mulheres 30 a 40 anos; Classe média alta Consumidor 3: Quem é? Homens 40 a 50 anos; Menos leais às marcas porque procuram conhecer diferentes tipos de uva; Preço: R$ 15 a R$ 200 reais Classe alta Não gostam de cerveja e são preocupados com a saúde Não conhecedor Conhecimento sobre vinhos Conhecedor Busca por preço O preço não é tão determinante Exige qualidade A qualidade não é tão determinante Depende da ajuda do vendedor Autonomia e conhecimento na escolha 124 Varejistas Gráfico 19 - Volume de vendas pelos tipos de consumidor Consumidores 2e3 20% 80% Consumidor 1 Quanto maior a idade, maior a probabilidade do consumidor ser um consumidor mais rentável para o canal. O preço, diretamente associado com a idade, segundo a visão desse mercado, é o principal driver que norteia a escolha das compras dos consumidores que freqüentam o canal varejista - 80% das vendas são motivadas por preço (vide gráfico 19). A percepção do mercado é que, em geral, essa maioria é aquela que acredita ser uma extravagância pagar por vinhos acima de R$ 20 reais ora porque comparativamente têm menor poder aquisitivo, ora porque têm baixo poder de distinção entre a qualidade dos vinhos. De maneira geral, a estimativa de uma das grandes redes varejistas nacionais é de que apenas 1% do vinho vendido nesse canal esteja acima de R$ 13 reais. Independente de preço e idade, a atitude comum entre os consumidores varejistas é o fato de todos os tipos de consumidores buscarem informações sobre os vinhos com os atendentes que os orientam, o que demonstra nitidamente o atual momento do vinho no Brasil: mercado em emergência, onde os consumidores, ainda imaturos, começam a procurar o aprimoramento de informações para tornar suas escolhas mais eficientes. Típico perfil dos consumidores de vinhos mais rentáveis dos varejistas Assim como o consumidor da loja especializada, o consumidor varejista observa três nichos diferentes de consumidores, nesse caso, baseados por preço e idade. Esse último fator é inclusive determinante para traçar certos perfis profissionais que compõem os grupos dos consumidores “mais velhos” na visão do canal: médicos, empresários, funcionários públicos e professores são os principais estereótipos do grupo dos consumidores mais rentáveis e mais velhos. O varejo também tem a percepção de que esse mesmo grupo é aquele que mais aceita e consome o vinho rosé. A idade também tem poder de discriminar a associação por vinhos nacionais (+jovens) ou importados (+ velhos). Médicos Funcionários públicos Professores Empresários 125 O sexo é fator também capaz de definir perfis de consumidores. Enquanto as mulheres são avaliadas como um grande nicho potencial de consumo para um cenário de médio e longo prazo, os homens são atualmente o maior volume de consumidores (perfil diferente quando isolamos unicamente POA). As mulheres são também, na visão dos canais, mais apressadas na hora da escolha e detêm menos conhecimento sobre os vinhos, ao contrario dos homens, mais cautelosos e que gostam de dedicar algum tempo comparando e escolhendo um bom vinho. A preferência feminina ainda é pelo vinho suave, mas o mercado já identifica uma tendência da maior procura dos vinhos secos pelas mulheres, um gosto, até então, predominantemente masculino. Veja no gráfico 20 e no infográfico 16 a ilustração dos tipos de consumidores mais destacáveis para o setor varejista. Gráfico 20 – O Consumidor dos Varejistas R$ 90 Consumidor 3: Quem são? São a minoria Idade: 50 a 70 anos Preço: R$ 80 a R$ 90 Preocupadas com harmonização gastronômica; Tomam mais vinho do velho mundo; São mais leais à marca; Preço Consumidor 2: Quem são? Idade: 30 a 40 anos Preço: R$ 30,00 a R$ 40,00 Executivos Professores Médicos Funcionários Públicos Consumidor 1: Quem são? São a grande maioria Idade: 18 a 25 anos Preço: R$ 10 a R$ 20 O preço é o principal motivador Grande presença de casais jovens Vinho rosé associado à classe alta R$ 10 18 anos Idade 126 70 anos Os canais avaliam a preferência do vinho suave pelas mulheres se comparadas aos homens, mas esse cenário tende a mudar a partir dos indicativos já visíveis onde as mulheres começam a gradativamente procurar mais o vinho seco à medida em que elas vão aprimorando seus conhecimentos sobre o assunto. O conhecimento ainda predominante nos homens é fator que sugere uma influência na sua preferência pelos secos importados se comparados às mulheres. Em Recife, o perfil do consumidor nacional versus estrangeiro também é uma característica capaz de discriminar grupos de preferência por vinhos secos em detrimento dos suaves. Os turistas, em especial homens entre 40 e 50 anos, compõem uma classe mais adepta aos vinhos feitos pela uva Cabernet. O que diferencia os consumidores nacionais dos estrangeiros é o nível de conhecimento sobre a tipologia do vinho acarretando, na prática, em um estrangeiro que pede o “tipo de vinho” enquanto um consumidor nacional pede um “chileno” ou um “argentino”, por exemplo. “Consumidores que conhecem mais, mais viajados, com mais idade, acima de 40 anos, apreciam mais, não têm diferença entre chileno e argentino, depende da ocasião: ´hoje eu quero fazer uma coisa diferente e quero um vinho mais encorpado... Ou um vinho mais suave, mais leve...`” (Supermercado, SP) Infográfico 16 – Vinho Suave versus Vinho Seco + Vinho Suave, Merlot Alguns canais acham que a mulher é a decisora da compra porque é ela quem vai às compras, são também compradoras mais apressadas; Preferem vinho suave, Merlot; Predominância de consumidoras brasileiras; Quando pedem importados, normalmente falam o país, pois conhecem menos as características dos vinhos e se orientam pelo senso comum. - - Nacional + Vinho Seco, Cabernet Importado O homem é o decisor da compra em 70% dos casos, na avaliação de alguns canais; São compradores mais cautelosos, buscam mais informações; Preferem vinhos importados, predominantemente; Os consumidores estrangeiros são na maioria homens de 40 a 50 anos que também preferem vinhos secos e importados. No caso dos estrangeiros, o país faz pouca diferença, eles pedem pelas características dos vinhos (encorpado, etc...) Mulher Homem 127 Consumidor estrangeiro Consumidor nacional Aliás, a busca por conhecimento do vinho é consensual pela maioria dos clientes que encontram no varejo uma opção de compra do vinho. O mercado avalia dois formadores de opinião nacionalmente presentes na escolha de seus clientes: o jornalista Renato Machado, preferência masculina, e o ex-cantor e atual apresentador do programa “ Todo Seu”, Roni Von, influência direta nas mulheres. Renato Machado é premiado na França Jornalista recebeu o Troféu Cultura 2005 em Paris. Anualmente, um prêmio é concedido a uma personalidade estrangeira que atua na divulgação da gastronomia e dos vinhos franceses no seu país. (fonte: www.vinhosevinhos.com) Roni Von, programa Todo Seu “ (...) As mulheres são mais fiéis às marcas, de 25 à 50 anos, normalmente por indicação de amigo, ou então do Roni Von. As pessoas estão melhor informadas, os homens pegam informação do Renato Machado e mulheres do Roni Von.” (Supermercado, SP) DIFERENCAS REGIONAIS NO VAREJO: Para os comercializantes de São Paulo e Recife, comumente só compram os vinhos nacionais do Rio Grande do Sul aqueles que conhecem sobre o assunto e, portanto, têm segurança na aquisição dos vinhos locais. Os vinhos locais do Vale do São Francisco, do contrário, tem alta penetração no mercado de Recife. Da mesma forma, o baixo nível de conhecimento sobre os vinhos gaúchos não procede para Porto Alegre que, ao contrario, são grandes adeptos dos vinhos locais e os conhecem bem devido a “familiaridade” com os mesmos. O mercado gaúcho é também composto por um percentual maior de mulheres na avaliação dos comerciantes varejistas locais que chegam a afirmar que 70% do seu público é feminino, pois as mulheres bebem tanto quanto os homens. Em Porto Alegre, devido ao hábito mais intenso do consumo do vinho se comparado às duas outras praças, existe um tipo específico de consumidor, o intitulado por eles de “rato de ofertas”, aquele consumidor que é conhecedor e apreciador do vinho e que tem uma adega em sua casa, portanto, está sempre em busca de promoções com bom custo x benefício para abastecer a si próprio. Eles costumam comprar ao longo do ano para consumir muito mais no inverno. Em Recife, duas características peculiares são identificadas: 1. a associação dos vinhos populares muito mais às mulheres do que aos homens, enquanto esses buscariam os vinhos finos melhores; 2. a associação do consumo dos vinhos pelos ditos “intelectuais” e “curiosos” (50% dos consumo seria por esse perfil de consumidor), mas seria um consumo pouco freqüente. 128 HORECA A classe social, o conhecimento sobre os vinhos e a lealdade em relação às marcas são os principais atributos capazes de distinguir os consumidores freqüentadores da HORECA. Quanto maior a classe social, maior é também o conhecimento sobre o vinho que contrastam em uma relação inversamente proporcional com a lealdade, menos freqüente nas classes de maior poder aquisitivo que, por terem um maior acesso à informação de forma geral, detêm o maior conhecimento. Para esse tipo de consumidor, o preço não é diferencial nesse canal. Em compensação, a uva e a marca têm maior apelo. (gráfico 21). O poder aquisitivo influencia a falta de lealdade às marcas de vinho no ponto de vista do canal HORECA, que acredita que pelo fato dos clientes de alto poder aquisitivo terem condições de viajar e conhecer outros vinhos e até mesmo vinícolas em nível mundial, têm necessidade de conhecer mais variedades e trocam com facilidade a escolha das marcas. Típico perfil dos consumidores da HORECA Grupos de amigos Estrangeiros Famílias Executivos Gráfico 21 - Atributos do consumidor da HORECA Le al da de à m ar ca Classe social + - Conhecimento sobre o vinho + Os clientes do vinho no canal HORECA são comumente casais, grupos de amigos, estrangeiros, famílias e executivos. Mulheres não costumam ir sós à HORECA, sempre acompanhadas. O perfil do canal HORECA determina o poder aquisitivo e a classe, contudo, em sua maioria, na avaliação dos representantes desse canal, quem consome vinho em geral tem maior poder aquisitivo e classe social avantajada. Uma relação comumente associada a essas pessoas é a preocupação com o bem-estar e com a saúde. Em geral, as pessoas que consomem vinho no canal HORECA são de classe alta e que têm grande preocupação em ter hábitos saudáveis. Muitas vezes, a opção pelo vinho é a opção mais saudável. Casais 129 Preocupação com a saúde DIFERENÇAS REGIONAIS NA HORECA: O público consumidor de vinho no canal HORECA tem semelhanças entre cidades e algumas diferenças que sugerem características culturais regionais. A principal semelhança é refletida entre Porto Alegre e Recife. Por mais que extremamente opostas geograficamente, as duas cidades contam com a predominância de consumidores masculinos freqüentadores do canal HORECA, fato que sugere uma cultura tradicionalista e conservadora de ambos os locais se comparada à São Paulo, por exemplo. Da mesma maneira, a diferença mais destacável também é encontrada entre essas duas cidades e referese nitidamente ao hábito do consumo da bebida mais intenso em uma cidade mais fria (Porto Alegre) versus a menor intensidade do consumo na cidade mais quente (Recife). Enquanto os representantes de Porto Alegre do canal HORECA mencionam claramente a presença do consumidor local enquanto público presente em seus estabelecimentos, em Recife, do contrário, a presença de turistas sulistas e do sudeste bem como a presença de estrangeiros compõe o quadro do principal público consumidor de vinho nessa cidade. O cenário em São Paulo parece mais variado, menos homogêneo, onde o fator “origem dos consumidores” bem como o sexo parecem ter pouco peso. Nessa cidade, o que diferencia um consumidor do outro é o poder aquisitivo e a classe social, itens que têm mais relevância na cidade economicamente mais rica do país. O consumidor paulistano tende a ser mais exigente e a HORECA local tem mais preocupação com a competição, pois percebe claramente a evolução do consumidor em relação ao fator “exigência”. SP POA RECIFE Público variado em SP: homem versus mulher; Menor preocupação com preço. “Houve mudança na demanda e oferta nos últimos 20 - 15 anos, especialmente em restaurantes. Treinamento na brigada, novas cartas de vinho, tudo em função de uma demanda mais exigente” (Restaurante, SP) Predominância masculina em ambos O próprio gaúcho é o principal consumidor do vinho no canal HORECA em Porto Alegre Grande parte dos clientes é local; Predominância do cliente masculino; Casais e grupos de amigos mais fiéis à marca; Alta preocupação com preço; Os turistas apreciam os vinhos da serra gaúcha como experimentação. A maior parte dos clientes é estrangeira ou pessoas do sul e sudeste do Brasil; Casais e grupos de amigos desleais à marca; O cliente estrangeiro prefere vinho nacional; A classe alta prefere vinho seco; O cliente do vinho nacional é mais leal que os demais. 130 O turista é o principal consumidor do vinho no canal HORECA de Recife. Em geral, o turista consumidor de vinho tem entre 40 e 45 anos. Atacadistas O negócio dos atacadistas tem um foco diferente dos demais canais (lojas especializadas, varejistas e HORECA); é um mercado predominantemente B2B (business to business) ao invés de B2C (business to consumers), ou seja, pouco vendem para o consumidor final. Dessa maneira, sua maneira de avaliação da demanda tem um enfoque principalmente corporativo. A proporção é, naqueles que têm dois públicos, de 40%-60% (veja gráfico 22). Porém, alguns sequer trabalham com consumidor final. Gráfico 22 - Distribuição do tipo de consumidor no atacado Consumidor 1: Comércio Consumidor 2: Consumidor final 60% 40% A principal característica desse canal é a compra em quantidade, portanto, quanto maior a quantidade, maior a possibilidade de descontos progressivos e, por conseguinte, ganho de escala para o cliente. Para o consumidor final, o único objetivo da compra em um atacadista é quando ele próprio tem uma adega pessoal ou organizará um evento. As adegas pessoais são mais presentes e habituais para os consumidores porto-alegrenses. Independente de consumidor final ou comerciante, a principal semelhança daqueles que procuram o atacado para comprar é a lealdade à marca, não arriscam mudança, já vão ao atacado sabendo o que pretendem comprar. Alertamos, contudo, que tal “lealdade” é um indicativo de uma falta de conhecimento sobre vinhos muito mais do que o contrário – um conhecimento aprofundado e opinativo o suficiente para discernir qualidades entre marcas. Figura 9 - Público do Atacado: Consumidor Final versus Comerciante Consumidor Final Compra um vinho de qualidade, mas não tão caro; Fiel à marca, compra o que já está acostumado; Em POA, são mais aqueles que compram para a sua adega pessoal; em Recife, são aqueles que compram para eventos únicos, mas também são consumidores de cachaça e cerveja. Comerciante (HORECA e pequeno varejo) Os canais optam pelo “atacadão” quando precisam com urgência repor um rótulo do seu estoque mínimo e o seu fornecedor habitual não terá tempo de entregar, nesses casos eles recorrem ao atacadista, fora isso, preferem comprar de distribuidores e importadoras; Já sabe o que vai comprar; O comerciante que atende o público de baixa renda costuma comprar garrafão porque vende taças (predominância dos vinhos nacionais); O comerciante que atende o público de classe média-alta compra garrafas (predominância de vinhos argentinos e chilenos); Compra sempre as mesmas marcas, por garantia que seu público não vai barrar suas escolhas; Costuma levar equilibradamente vinho tinto e branco. 131 9.3 - Momentos e Motivos do Consumo do Vinho Os momentos do consumo do vinho no Brasil são ainda ocasionais em termos de volume. Todavia, há uma perspectiva nitidamente positiva de que esse padrão vem mudando estimulado principalmente pela pressão internacional dos vinhos sul-americanos oferecidos em preços competitivos, fato que teria despertado um desejo até então pouco explícito (“escondido”) do brasileiro em tornar o consumo do vinho um hábito. Com isso, a avaliação dos canais dá margem a uma posição atual de um consumidor indeciso, despadronizado quanto ao consumo ocasional versus o habitual e as opiniões dos representantes dos comerciantes estão divididas. “Acredito que não tem momento especial. Hoje, o consumidor tanto bebe o vinho na segunda quanto na sexta. Mas, os iniciantes compram para eventos especiais e fins de semana. Os interessados compram para todo tipo de momento”. (Atacado, Recife) Independente da “indefinição” de um perfil consistente e padronizado do consumidor, a avaliação dos canais é de que a ocasionalidade versus o hábito está associado ao nível de maturidade do consumidor: os iniciantes consomem por ocasião enquanto os apreciadores tradicionais consomem habitualmente. Como o momento geral do país é incipiente, porém emergente, a grande maioria da população encontra-se no consumo por ocasião. A idade tem poder discriminatório para diferenciar os momentos e motivos do consumo do vinho. O consumo iniciante está avaliado pelo mercado como diretamente proporcional à idade de uma maneira geral. Apesar do jovem ser um nicho potencial crescente, as pessoas maduras são aquelas que mais têm intimidade com a bebida e, portanto, são mais assíduas no seu consumo. Veja na figura 10 algumas situações que diferenciam jovens de maduros na avaliação dos canais. Figura 10 – Diferenças ocasionais entre jovens e pessoas maduras Consumo mais ocasional: Jantares especiais; Balada (na média 19 anos, compram até R$ 5); Porque “tá na moda”; Status; Impressionar. Consumo mais habitual: Consumo dentro de casa; Mulheres maduras compram para fazer sobremesa (em POA); Homens maduros compram para jantar romântico; Celebrar bons negócios. Jovem Maduro Ambos são estimulados pelos benefícios à saúde 132 Os motivos do consumo também podem ser diferenciados entre homens e mulheres ou ainda em casais. Beber vinho para “tomar um porre” geralmente é uma característica mais associada ao sexo masculino na visão dos canais; e no extremo oposto, usar o vinho como ferramenta básica para uma sobremesa é uma característica mais associada às mulheres. (veja figura 11) Os casais têm motivos bem peculiares nos quais o consumo do vinho é um diferencial: jantares especiais e românticos sempre estão associados ao vinho do que qualquer outra bebida, independente da idade. Figura 11 – Diferenças ocasionais entre homens e mulheres Ocasiões a dois Jantares especiais/românticos. Ocasiões masculinas Para “tomar um porre”; Sociabilidade informal; Encontros de negócios. Consumo feminino: Para fazer sobremesa; Para acompanhar o esposo nas refeições; E para relaxar sozinha ou na companhia de suas amigas. Homem Mulher Apesar da idade e do sexo orientarem algumas ocasiões e motivos distintos para o consumo do vinho, no geral, várias outras ocasiões estão associadas a beber vinho independente de idade, sexo ou região geográfica para o consumidor brasileiro. As principais ocasiões em comum para todos são citadas abaixo como insights avaliados pelos canais. Ocasião 1 Refeições diárias versus Refeições especiais/ocasionais De uma forma geral, o consumo do vinho ainda está mais associado a momentos especiais, refeições ocasionais do que à uma refeição diária e habitual. Refeições ocasionais costumam ser jantares românticos ou familiares. Vinhos de mesa mais populares costumam ser usados mais diariamente (quando acontece) e aos momentos especiais cabe um vinho fino que, às vezes, é estocado previamente para a espera de uma visita. Diferença Regional Em Porto Alegre, a refeição diária com o vinho é uma tradição familiar diferentemente das demais cidades, portanto, o que diferencia o consumo da bebida numa refeição diária versus refeição ocasional para o gaúcho é muito mais o tipo do vinho e o preço do que uma questão de hábito, ao que sugere a avaliação dos canais. No extremo oposto, em Recife, o consumo ocasional é muito maior do que em São Paulo e POA, segundo sugestão dos canais. 133 Para presentear Ocasião 2 Vinhos são comumente comprados para serem oferecidos como presentes de aniversário, formaturas, festas de final de ano, etc... Médicos e professores são comumente um perfil de público presenteado com vinhos na avaliação dos canais. 10% dos vinhos comprados no canal varejistas são para presentear outras pessoas na avaliação dos representantes dos canais que comercializam o vinho. Ocasião 3 Sentido gregário O vinho é visto como um elemento gregário, capaz de unir pessoas, portanto, em um encontro familiar, de amigos ou a dois, o vinho é uma pedida que agrada. A avaliação dos canais é que os consumidores buscam o prazer da integração social com entes queridos, onde o vinho é peça que compõe esse cenário. Jantar com amigos, o vinho é o brinde Momentos a dois, o vinho para celebrar Jantar em família, o vinho está presente Prazer pessoal “É o momento de prazer e satisfação de uma realização. (...) é algo pessoal” (Hotel, Recife) Ocasião 5 Gastronomia A busca pela apreciação de uma boa comida tem o vinho como acompanhamento. É o caso de uma boa massa ou de um fondue, entre outros. Fondue, acompanhado pelo vinho Massa casa com vinho 134 Ocasião 4 O consumidor também procura o vinho para satisfação individual, pelo prazer pessoal de degustar um bom produto, pela sensação do contato com algo de qualidade. Uma busca interna por prazer. Saúde Ocasião 6 Independente de idade, sexo ou poder aquisitivo, a escolha de uma vida saudável, qualidade de vida está associada ao vinho enquanto a única bebida alcoólica capaz de fazer parte desse contexto. Ocasião 7 Confrarias A existência de confrarias específicas para o vinho o torna um objeto ritualístico para ser apreciado com um grupo de pessoas com o mesmo objetivo. Às vezes, as confrarias possuem trajes especiais que, unidos a regras de conduta, muitas vezes, colocam o vinho no pedestal para admiração, mas em outros momentos, é fruto apenas para aprimorar o conhecimento sobre a bebida e local para reunir amigos e ter boas conversas. É também um local onde as pessoas prezam por degustar bons vinhos, pois os preços são rateados entre todos os participantes, dando assim a oportunidade para conhecer os melhores vinhos. Status & Glamour “O vinho estrangeiro ainda tem esse paradigma de que, se estou tomando vinho estrangeiro porque é melhor que o nacional. (...) Não vai deixar de existir, porque o vinho estrangeiro dá status.” (Atacado, Recife) Ocasião 9 Negócios Os canais avaliam seus clientes (empresários) diante dos momentos de consumo do vinho. Para clientes dessa estirpe, o vinho é a bebida que celebra bons negócios ou que causa boa impressão aos clientes. Comumente, esse tipo de ocasião é enfrentada por homens mais maduros. 135 Ocasião 8 No Brasil, o vinho ainda é uma bebida mais associada ao status e glamour. O tipo de vinho diferencia situações populares de sofisticadas, mas sua própria imagem por si só é tradicionalmente conectada à requinte. No momento de um jantar para projetar status ou eventos glamurosos, o vinho é muito costumeiramente a bebida preferida. O propósito de aparentar status ou glamour ainda está fortemente relacionado ao vinho estrangeiro. 9.3.1 - Diferenças Regionais POA: Para o gaúcho, o hábito do consumo do vinho é mais comum que nas demais cidades. Momentos de churrasco com a família são atividades gaúchas tradicionais. RECIFE: A ocasionalidade do consumo de vinho é uma constante mais comum em Recife, segundo a avaliação dos canais locais e esse contexto é principalmente vivido por um perfil de consumidor considerado “intelectual”. Em Recife, há distinção entre intelectuais e curiosos que seriam os principais consumidores dos vinhos. Enquanto os intelectuais consomem em menor quantidade para maior apreciação, os curiosos bebem em maior quantidade com o intuito muitas vezes de se “embebedar” (quantidade em detrimento da qualidade). 9.4 - Marcas Líderes para o Consumidor A preferência pelos importados chilenos e argentinos é um consenso entre os consumidores na avaliação dos canais independente da região e canal. Quanto aos nacionais, o regionalismo é um fator de maior peso nesse atributo, pois os consumidores tendem a conhecer mais e consumir os vinhos locais: os gaúchos consumem os vinhos do Rio Grande do Sul, enquanto Recife consome vinhos do Vale do São Francisco. A quantidade de vinhos importados mencionada pelos canais é maior que os nacionais e a cidade de São Paulo apresenta o maior número dessas marcas. O infográfico 17 apresenta algumas das principais marcas disponíveis nos diferentes canais de comercialização do vinho e demonstra a identificação de 8 grupos na avaliação da relação regionalismo versus origem. Na parte superior do infográfico, encontram-se as marcas nacionais preponderantes no país. O grupo 1 é formado pelas marcas nacionais que predominam exclusivamente em Recife – onde se destaca a produção local do Vale do São Francisco (Botticelli e Carreteiro*). O grupo 2, pelas marcas exclusivas de São Paulo – onde predominam as vinícolas Rio Grandenses; o grupo 3, pela exclusividade de uma marca nacional na capital gaúcha. O grupo 4 é um conjunto de marcas com intensa comercialização tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre (todas sulistas). Por fim, o grupo 5 é composto por líderes nacionais, presentes com constância nas 3 capitais estudadas. Na parte inferior do infográfico, encontram-se as marcas importadas que são majoritárias se comparadas às nacionais. Indiscutivelmente, as chilenas e argentinas, nessa ordem, lideram. Dos vinhos do velho mundo, a Itália prevalece com maior influência sobre São Paulo e Porto Alegre, consumidores mais ativos do vinho comparativamente com Recife. O grupo 6 apresenta as marcas importadas presentes com maior incidência tanto em São Paulo quanto em Porto Alegre. O grupo 7 mostra a exclusividade gaúcha, enquanto o grupo 8, a exclusividade recifense. O 9º e último grupo é composto pelas líderes chilenas de comercialização intensa em nível nacional, pois têm força nas três capitais. ______________________________________________ * O Carreteiro é considerado vinho pelos recifenses 136 Infográfico 17 – Marcas Líderes: regionalismo versus origem Nacional Grupo 1 HORECA, Super HORECA, Super Grupo 3 Super Grupo 2 São Paulo Super Grupo 4 Grupo 5 Recife POA Grupo 6 LE, HORECA Argentino Grupo 9 Grupo 8 LE, HORECA - Chile São Paulo HORECA - Chile HORECA, Super Argentina Chile Grupo 7 LE, HORECA - Chile HORECA - Argentina Super - Itália 137 Itália 9.5 – Atributos segmentadores do consumidor na visão dos canais Para identificar perfis de grupos de consumidores, é necessário entender quais atributos norteiam hoje o consumo no país. A avaliação dos canais de comercialização do vinho no país aponta para o fato de que a atual situação do consumo no Brasil circunda basicamente três fatores cruciais que devem compor cada um a dose ideal de estratégias de marketing distintas adaptadas às diferentes situações em que cada um deles se enquadra. Eles são, de fato, os FATORES CRÍTICOS DE SUCESSO para alavancar o negócio no país: informação, qualidade e preço. Esses itens compõem a pirâmide FCS (Fatores Críticos de Sucesso) do ponto de vista de marketing para o crescimento do produto, nacionalmente. A base da pirâmide (figura 12) está calcada na INFORMAÇÃO, o início de tudo que direcionará o uso com equilíbrio entre qualidade e preço. Esse é principalmente o desafio das vinícolas brasileiras. Figura 12 – Pirâmide FCS PREÇO: competitividade em preços para tornar o produto mais acessível para atingir popularidade da massa da população, em especial as classes menos privilegiadas e os atuais não consumidores de vinho – expansão principalmente da penetração do vinho de mesa; PREÇO QUALIDADE: a qualidade é o item crucial para o segmento de consumidores de maior valor. Porém, é também um tópico importante para o progresso geral do vinho no Brasil, uma vez que eles sofrem pressão da qualidade dos importados sul-americanos (chilenos e argentinos) que oferecem alto custo x benefício (preço versus qualidade); INFORMAÇÃO: a ampliação do conhecimento sobre o vinho para todos os níveis da população é a base da pirâmide que definirá os demais itens. As diferenças entre os tipos de vinho ajudarão na segmentação do mercado entre consumidores populares e não populares. QUALIDADE INFORMAÇÃO Para o consumidor final 138 Para o canal de comercialização do vinho Tomando a pirâmide FCS, é possível identificar alguns grupos com certo grau de homogeneidade de consumidores. Grupo 1: Atraídos pelo preço – consomem o vinho com alta freqüência, mas não é necessariamente um consumo diário e com baixo nível de apreciação; consumidores intensos do vinho de mesa nacional; a inserção de jovens no contexto do consumo do vinho é maior nesse grupo, mesmo não sendo a idade um determinante para o grupo; pessoas de classes sociais mais populares além daqueles que não acreditam valer a pena pagar acima de R$20 reais por um vinho estão inseridas nesse nicho; não se preocupam em desenvolver alto paladar para distinguir as diferentes tipologias e, portanto, a qualidade de cada uma individualmente não lhes tem, necessariamente, poder de atração; esse é o maior grupo, composto por pessoas de todas as regiões; é um grupo leal às marcas costumeiras e mais comerciais devido à falta de conhecimento. Grupo 2: Consumidores ocasionais – público acima de 30 anos que começa a buscar mais qualidade sem esquecer a relação custo x benefício; estão em busca de ampliar seu conhecimento sobre o assunto e, na hora da compra, contam com a ajuda de um profissional especializado no local porque seu nível de conhecimento sobre o vinho é limitado; consomem o vinho em situações ocasionais, em menor quantidade que o grupo 1; consomem vinhos finos, principalmente os importados chilenos e argentinos; as mulheres são parte significativa desse grupo; vinhos entre R$20 e R$40 atendem a necessidade desse público que tem poder aquisitivo mediano; a lealdade às marcas se mistura um pouco com a vontade de conhecer novos vinhos. Grupo 3: Conhecedores apreciadores – público predominantemente masculino, de meia idade, que domina as tipologias de vinhos e uvas; pouco necessitam da orientação de um profissional especializado, a menos nas situações em que possam compartilhar novidades; nem a quantidade nem o preço são variáveis determinantes para esse público que, ora toma os importados chilenos e argentinos, ora busca vinhos do velho mundo e aos poucos começam a ingerir os vinhos nacionais, pois como são conhecedores da qualidade, reconhecem o crescimento da qualidade dos nacionais; vinhos entre R$30 e R$100 predominam no gosto desse público; o poder aquisitivo das pessoas desse grupo é alto; baixa lealdade às marcas porque a grande variedade e o seu próprio conhecimento com relação a diversos rótulos, fruto de uma vida social e cultural agitada, os estimula à busca por novos produtos; o regionalismo tem baixo poder discriminatório neste grupo. Grupo 4: Experts – grupo de conhecedores estudiosos sobre enologia; normalmente composto por enólogos e sommeliers e/ou freqüentadores de confrarias; buscam sobretudo a qualidade e conhecer os avanços sobre os vinhos; conhecem muitas marcas e sabem definir quais são preferíveis para quais ocasiões; ingerem o vinho como um hobby e um objeto de estudo contínuo, portanto, a freqüência do consumo de pequenas doses de variadas marcas e tipos de vinho é uma constante; vinhos caros estão ao alcance desse grupo, mas não necessariamente por possuírem alto poder aquisitivo, e sim por principalmente optarem por dividir a aquisição de uma única garrafa de vinho com várias pessoas da mesma estirpe com fins meramente de degustação, e nunca de entorpecimento; esse é um grupo de pessoas de várias regiões geográficas, pois o regionalismo é pouco determinante. Grupo 5: Gaúcho tradicional – nicho do sul do país, composto pelos gaúchos que cresceram tomando vinho como um hábito cultural e sua familiaridade com a bebida assume proporções gigantescamente superiores à média do consumo nacional; é um grupo nacionalista que prioriza os vinhos locais devido às proximidades e a cultura do vinho inertes em sua características; o poder aquisitivo é menos determinante que o resto dos grupos; é um grupo que possui um conhecimento sobre o vinho superior à média geral da população que se encontraria no grupo 1; a freqüência do consumo do vinho, independente do tipo, é maior, quase diária. 139 O infográfico 23 apresenta o posicionamento dos grupos de consumidores mencionados na página anterior diante de três eixos - os três fatores críticos de sucesso: informação, preço e qualidade. O grupo 1, o maior deles, é mais atraído por preço, com baixa busca por qualidade e baixo nível de informação. O grupo 4, o menor e extremo oposto do grupo 1, tem alto nível de informação, consome vinhos com os maiores preços e buscam por alta qualidade dos produtos. Os grupos 2 e 3 encontram-se em situação intermediária a esses dois. O grupo 5, dos “gaúchos tradicionais”, não está dentro do gráfico porque não pode ser comparado aos demais, uma vez que no Rio Grande do Sul o nível de consumo do vinho per capita é bastante superior à média nacional e, como o hábito do vinho é tradicional e familiar para esse povo, preço, qualidade e informação giram em outras proporções, tornando-o um grupo à parte. Gráfico 23 – Posicionamento dos Grupos de Consumidores + + Grupo 4 Grupo 5 Grupo 3 Consumo per capita Preço ão aç rm fo n I Grupo 2 Legenda: Grupo 1 Grupo 1: Atraídos pelo preço Grupo 2: Consumidores ocasionais Grupo 3: Conhecedores apreciadores - Grupo 4: Experts - Grupo 5: Gaúcho tradicional + Qualidade 140 9.6 - Lições aprendidas nessa seção O consumidor e o mercado vivem um período de intensas mudanças aos olhos dos canais. Dentre as conseqüências visíveis estão a crescente diversidade de públicos target da proposta vinho, o aumento da curiosidade, conhecimento e expectativas sobre o produto e a demanda latente por ofertas, não apenas de produtos, mas de conceitos-chave associados ao consumo do vinho. Se as pessoas de idade mais madura e de classes sociais altas sempre prevaleceram como os principais consumidores de vinho, hoje o cenário inicia um processo de modificação, com maior penetração de jovens e um acesso das classes médias a vinhos finos. Mais ainda: quanto maior a classe, maior o conhecimento sobre o vinho, fator que se apresenta como um empecilho à lealdade às marcas. A ascensão do público feminino é também notável e, apesar do homem ainda ser o principal decisor da compra do vinho, as mulheres começam a reagir na avaliação dos canais. As preferências do consumidor são monitoradas com alguma freqüência pelos canais. Se as mulheres sempre tiveram maior preferência por vinhos tintos e suaves, hoje começam a perceber o prazer dos vinhos brancos e secos. Algumas diferenças regionais são notáveis ao traçar perfis de consumidores. Enquanto em POA, os consumidores locais predominam nos estabelecimentos, em Recife, são os estrangeiros e turistas do sul e sudeste do país os principais consumidores da bebida. São Paulo tem um público mais variado sócio-demograficamente, enquanto POA tem os consumidores mais habituais e inclusive um público peculiar, freqüentador de atacadistas, que compra para a sua adega pessoal ao longo do ano inteiro como uma preparação para o inverno. No geral, o consumidor brasileiro pode ser perfilado a partir de três atributos: nível de informação, busca por preço e busca por qualidade. Nesse sentido, os canais percebem 6 tipos de consumidores: atraídos pelo preço, consumidores ocasionais, conhecedores apreciadores, experts e gaúchos tradicionais. Esse último, pouco pode ser comparado aos demais porque o nível do consumo em Porto Alegre é bastante superior à média nacional, fruto da familiaridade e tradicionalismo da sociedade gaúcha com o vinho. 141 142 10. Conclusões & Recomendações 143 10.1 - Conclusões 9 A cadeia de comercialização despadronizada do vinho desfavorece o fortalecimento do setor, dando margem para a atuação de atores oportunistas, bem como competição inapropriada entre canalfornecedor e canal-cliente; 9 A busca por especialidade dos canais varejistas aumenta a competição com as lojas especializadas, o que de alguma forma, aparenta ser o início para um futuro a longo prazo, onde a demanda orientará com certo nível de consciência a oferta. Porém, para que esse cenário se configure, esforços de base precisam ocorrer, tais como a educação através de informações sobre o vinho e esforços sistemáticos e contínuos de promoção e marketing para desenvolver canais e consumidores hábeis para distinguir os tipos de vinho; 9A falta de uma “regulamentação” que oficialize a maneira ideal de se comercializar o vinho, incluindo o aspecto da sua exposição em cada canal e implicando em uma oferta despadronizada; fruto, em grande medida, da ausência de informação e treinamento, atributos que não são trabalhados uniformemente no mercado brasileiro do vinho; 9Tal ausência de padronização também é projetada em diferentes modelos de processo de compra internos que não são exclusividade de canais específicos, mas, ao contrário, são definidos individualmente por cada estabelecimento. Encontramos alguns canais que, por conta própria, contratam sommeliers e/ou enólogos para orientá-los nas escolhas em oposição e outros onde as escolhas são feitas pelos próprios proprietários. Na prática, o fato aponta para canais descaracterizados; 9 A sofisticação encontrada em alguns ambientes da oferta contrapõe-se a outros onde o vinho é ofertado como mais um produto dentre vários, reduzindo seu status a um commodity de valor irregular e sabotando qualquer esforço de conceituação institucional do produto. Tal situação sugere um mercado que só poderá se desenvolver visando aguçar suas tendências à segmentação, ora voltado para um público mais seleto, prioritariamente consumidor de vinhos finos, ora direcionado a públicos populares, onde o vinho de mesa predomina; 9 A perspectiva dos canais de comercialização do vinho é que, diante do aumento natural do consumo da bebida, algumas tendências possam se consolidar, contanto que haja um trabalho paralelo de desenvolvimento de estímulos à expansão do consumo. Para dar suporte à essa mudança, destacam-se como ações uma divulgação dos produtos calcada em informação, o fortalecimento do relacionamento com os canais, o desenvolvimento de uma proposta conceitual e comercial clara e estável diante dos canais, assim como uma identidade relevante e estimulante sobre o vinho para o consumidor final; 9A atual oferta variada, fragmentada e competitiva é avaliada pelo canal como um dificultador para a assimilação do consumo do vinho, uma vez que tanto canais quanto consumidores, iniciantes no conhecimento sobre o vinho, sentem-se tolhidos em ofertar e a usufruir todas as opções de marcas disponíveis no mercado e acabam por optar por marcas já “consolidadas”, ora porque foram indicadas por um grupo minoritário de formadores de opinião, ora porque foram divulgadas em alguma ação isolada de comunicação; 9Os drivers de competição predominantes nesse mercado de oferta fragmentada e variedade são a própria política de preço e o nível de especialidade na avaliação dos canais. Enquanto as grandes redes varejistas, ao mesmo tempo que buscam por mais especialidade e começam a competir diretamente com as lojas próprias, não recebem dos fornecedores um tratamento ainda condizente com o seu novo “status” de comerciante consolidado do vinho, e as lojas especializadas permanecem sendo as privilegiadas nesse contexto. 144 9Os desafios dos canais pela busca por um equilíbrio entre preço e especialidade também está condicionado pelas diferenças regionais nas negociações entre canais e fornecedores. É óbvia a facilidade das vinícolas nacionais de atenderem os canais localizados mais próximos de sua produção, mas por outro lado, não necessariamente o mercado local é o mais competitivo, ao exemplo de São Paulo que parece sofrer maior exigência do consumidor, portanto, cabe a pergunta: como acelerar o crescimento nacional do consumo do vinho sem calcar bases sólidas para uma cobertura logística eficiente e uniforme nacionalmente? O fato é que Porto Alegre é mais privilegiada pelas vinícolas nacionais, não só no seu atendimento, mas também pela maior intensidade de propaganda executada no local, assim como em menor grau de importância, Recife também é privilegiada pelos vinhos locais. Esse fato em grande medida explica o desnível do consumo no Brasil; 9Ao avaliar a competição dos vinhos e espumantes nacionais com os importados, é nítido o favorecimento dos vinhos importados sul-americanos - chilenos e argentinos, fato que não acontece para os espumantes, mercado altamente penetrado pelos brasileiros. Enquanto Chile e Argentina, nessa ordem de importância, oferecem vinhos percebidos pelos canais como sendo de mais qualidade a preços competitivos, alavancando sua imagem de preferência diante do consumidor e que se reflete na composição da oferta, os preços mais competitivos do Brasil, equiparáveis aos melhores preços dos importados, são os vinhos de mesa, vistos como de menor qualidade, porém respondendo ainda por um volume alto de demanda e tendo seu próprio target consumidor bem definido. 9Por outro lado, existe consenso entre os canais de que a alta carga tributária nacional é um dos maiores desafios para a mudança do cenário dos preços dos produtos nacionais; 9As diferenças mais específicas entre a imagem dos produtos dos três países favorecem nitidamente os Chilenos, diferenciados dos vinhos brasileiros em superior qualidade e preços mais competitivos, resultando, para o canal, em um alto custo x benefício com alta margem de lucro. Os argentinos, por sua vez, sofrem dificuldade em manter uma imagem de negociadores previsíveis em função da descontinuidade do trabalho de seus rótulos, o qual enfraquece sua relação e reputação com os canais. É nesse aspecto que as vinícolas brasileiras se favorecem da negociação, pois é onde conseguem ser melhor avaliadas comparativamente; 9Um certo “pré-conceito” cultural do consumidor brasileiro “gostar mais do que é de fora” é mencionado pelos canais como um condicionamento adicional para a composição de uma oferta de produtos nacionais, o qual num contexto de baixa informação e visibilidade do produto, favorece as marcas chilenas e, em segundo plano, as argentinas, as quais exibem tradição com o produto e presença ativa no mercado. Esse fato, em conjunto com a imagem de que as vinícolas nacionais têm uma política de preço pouco padronizada, sustenta ainda mais a dificuldade dos canais na escolha de marcas locais; 9Em síntese, o segmento comercial distribuidor enxerga um consumo em ascensão caracterizado pelo surgimento de novos perfis de consumidores que se mostram mais interessados e receptivos diante do vinho fino, tais como jovens e mulheres. Contudo, essa tendência geral não deve ocultar dinâmicas regionais específicas: enquanto Porto Alegre tem um público com tradição de consumo, Recife tem nos turistas (nacionais e estrangeiros) seu alvo da oferta enóloga e São Paulo, um caso à parte, revela espaço para a heterogeneidade de segmentos e propostas. 145 1 Que implicações trazem as atuais características da oferta e como aprimorá-las? 2 Como pode se organizar a cadeia de comercialização do vinho para evoluir junto com o consumidor? 3 Quais os possíveis caminhos da oferta? 4 Qual o novo papel dos canais diante de um mercado em ascensão? 5 Quais os caminhos para aumentar a penetração dos vinhos brasileiros na oferta? 6 Quais os caminhos para aumentar a penetração dos vinhos argentinos na oferta? 146 1 Que implicações tem a atual característica da oferta e como aprimorá-la? IMPLICAÇÕES IMPLICAÇÕES SUGESTÕES SUGESTÕESPARA PARAAPRIMORAR APRIMORAR União do setor como um todo para definir União do setor como um todo para definir papéis claros dentro da cadeia de papéis claros dentro da cadeia de comercialização do vinho; comercialização do vinho; Pressão para esclarecer e divulgar a Pressão para esclarecer e divulgar a regulamentação a respeito de controles de regulamentação a respeito de controles de qualidade e padronização de preços quanto às qualidade e padronização de preços quanto às fiscalizações como um todo. fiscalizações como um todo. Influência de atores oportunistas Competição inapropriada entre canal-fornecedor e canal-cliente Definir papéis na cadeia de comercialização Definir papéis na cadeia de comercialização do setor através da segmentação dos canais. do setor através da segmentação dos canais. Pressão do setor por fiscalização mais Pressão do setor por fiscalização mais intensa tanto nas fronteiras quanto em controle intensa tanto nas fronteiras quanto em controle de qualidade. de qualidade. Contrabando nas fronteiras do RS Organização das vinícolas para fornecer infraOrganização das vinícolas para fornecer infraestrutura logística competitiva; estrutura logística competitiva; Ampliar parcerias com estabelecimentos Ampliar parcerias com estabelecimentos locais para prover os canais regionais; locais para prover os canais regionais; Fortalecer acordos com distribuidores Fortalecer acordos com distribuidores regionais; regionais; Estabelecer política de incentivo de vendas e Estabelecer política de incentivo de vendas e promoções adequadas à realidade do consumo promoções adequadas à realidade do consumo local; local; Pesquisar e trabalhar respeitando as Pesquisar e trabalhar respeitando as características regionais (norte x sul, interior x características regionais (norte x sul, interior x região metropolitana). região metropolitana). Desnivelamento regional Estabilizar a variedade da oferta – Estabilizar a variedade da oferta – descontinuar lançamentos de produtos que descontinuar lançamentos de produtos que levam à saturação do mercado; levam à saturação do mercado; Treinamento da equipe de vendas com Treinamento da equipe de vendas com profissional especializado dentro de todos os profissional especializado dentro de todos os tipos de canais (parceria entre fornecedor e tipos de canais (parceria entre fornecedor e canal); canal); Fortalecer união setorial para educar e Fortalecer união setorial para educar e informar o consumidor sobre as características informar o consumidor sobre as características do vinho. do vinho. Consumidor confuso na hora da escolha, diante da imensa variedade de tipos e marcas de vinho 147 2 Como pode se organizar a cadeia de comercialização do vinho para evoluir junto com o consumidor? Regionalismos Aspecto da saúde Fortalecer a estrutura logística para abastecer com eficiência todas as regiões; Desenvolver ações focadas no público mais variado e exigente de São Paulo, no consumidor predominantemente local e nacionalista de Porto Alegre e no turista (sulista e estrangeiro), consumidor principal de Recife; Pesquisar diferenças regionais dos demais estados brasileiros, bem como estudar os principais interiores potenciais para o consumo do vinho no Brasil. Explorar a associação positiva dos benefícios do vinho para a saúde em estratégias de comunicação em massa e nos PDVs; Disseminar informações que conectam o vinho com a saúde; Utilizar desse atributo para posicionar o vinho competitivamente frente à cerveja, à cachaça e às demais bebidas alcoólicas. Início da exigência por qualidade x preço competitivo Novos segmentos de consumidores Espumantes nacionais devem explorar mais a sua imagem de qualidade significativamente consolidada; Vinhos nacionais têm desafio: consolidar a imagem de qualidade e oferecer preços competitivos; Vinho chileno e argentino: ressaltar imagem já associada à sua qualidade com preço competitivo; Lição de casa para o setor: educar consumidor e canais de distribuição para diferenciarem padrões de qualidade; Recomendação para o setor: orientar um crescimento segmentado da demanda baseado em ofertas focadas nos distintos públicos. Oferta segmentada diante de uma estratégia que acontecerá em paralelo: popularização do consumo versus segmentação da demanda. Busca por conhecimento Crescimento do consumo Campanha de informação em massa para todos os segmentos explorando diferenças de características, sabores, qualidade, origens e marcas; Ações de informação nos canais; Treinamentos de vendedores/representantes. Garantir-se com infra-estrutura física e de vendedores, bem como de profissionais especializados e treinamento contínuos; Estar próximo ao consumidor para entender as suas necessidades (promoções e campanhas nos canais, divulgação dos atributos associativos positivos do vinho); Street marketing nos pontos de venda (degustação): o fornecedor que expuser sua marca com mais intensidade ao cliente, terá mais chance de ganhar share of mind. Canal e setor: como acompanhar? Tendências do consumo 148 3 Quais os caminhos sugeridos para a oferta? Acompanhar a popularização do produto vinho significará não a massificação de um tipo ou proposta única, e sim uma maior fragmentação da demanda, com queda relativa do peso dos tintos e suaves e aumento dos demi-secos e não tintos. Demi-seco Suave Maior popularização; Segmentação de tipos de vinho por público. Vinho de mesa Oferta para “não” consumidores Vinho fino Estabilidade da variedade Segmentação de canais para atender a demanda fragmentada Aumento geral da qualidade; Aumento da oferta de vinhos finos para classes média à alta; Aumento do vinho de mesa e sangrias para não consumidores e classe baixa. Aumento da oferta dos rótulos argentinos de qualidade; Oferta baseada na busca por consolidar rótulos de atual aceitação. 149 Manutenção do cenário atual de valorização dos vinhos dessa origem; Manutenção da oferta dos vinhos chilenos carros-chefe; Consolidação da oferta dos rótulos mais recentes. 4 Atacadista Qual o novo papel dos canais diante de um mercado em ascensão? Vendedor dos grandes volumes Fortalecer parcerias com fornecedores para conseguir manter posição em oferecer a melhor opção de vendas em volume (ganho de escala para o cliente); Implantar treinamento da linha de frente; Introduzir nível básico de armazenamento e exposição do vinho nos estabelecimentos. Supermercado Catalisador de todos os públicos Oferta abrangente pra atingir todos os públicos; Aumentar a incidência de varejistas com ambientes exclusivos para o vinho; Nivelar infra-estrutura para abrigar o vinho em todos os varejos, incluindo os pequenos; Implantar e/ou ampliar treinamento de vendedores e atendentes. Lojas Especializadas HORECA Orientador dos públicos seletos Manter-se diferenciadas; Aumentar grau de especialização; Oferecer rótulos exclusivos; Serviços para agregar valor: palestras, cursos, wine bars, bistrôs, assessoria. Orientador dos públicos seletos Aumentar nível de especialização (ambientização, exposição); Treinamento de garçons, gerentes, etc; Ações que agreguem valor associadas à gastronomia; Incorporar/aumentar ações promocionais locais visando degustação no ponto de dose. 150 5 Quais os caminhos para aumentar a penetração dos vinhos na oferta? Ações nos Canais : Em paralelo com ... Ações do Setor: Educação do consumidor através de informações para torná-lo apto a distinguir as características do vinho Informação sobre tipologia/características dos vinhos para canais Alternativas de ofertas para todos as estações do ano Reeducação para consumo do vinho independente das estações (expurgar a sazonalidade) Ações promocionais contínuas no PDV (em especial degustação) para dissipar o efeito negativo da sazonalidade Divulgação para estímulo do hábito do consumo (estratégia geral do setor) Estruturação interna dos canais para proverem ambientes que consolidem seu papel enquanto comerciante do vinho Esforço contínuo das vinícolas para a melhoria da qualidade a preços competitivos Negociações regionalizadas Estandardização oficial de preços Mix de oferta direcionado à cada tipo de canal Incentivos de venda Treinamento da linha de frente 151 6 Quais os caminhos para aumentar a penetração dos vinhos brasileiros e argentinos na oferta? VINHOS Trabalho de imagem com o vinho brasileiro: explorar os avanços, evolução, melhoria de qualidade e vantagens do vinho brasileiro Consolidar imagem de qualidade Trabalho para desestigmatizar a imagem de que “o que é de fora é melhor” Oportunizar a preferência brasileira pelos importados através de divulgação Desenvolvimento de identidade diferencial para o vinho fino Desenvolver uma identidade e consolidar rótulos / Aumentar as ofertas dos vinhos de qualidade e descontinuar vinhos considerados de menor qualidade Popularização do vinho de mesa e segmentação do vinho fino Trabalhar em conjunto para desmistificar a imagem de “preciosidade” dos vinhos do velho mundo para o público seleto 152 ESPUMANTES Explorar imagem de qualidade através de estratégia mais intensa de divulgação Ampliar divulgação das marcas sem necessariamente exaltar o país Consolidar rótulos existentes Consolidar marca(s) reconhecida(s) Educar sobre as diferenças entre vinhos espumantes e “cidras” Aumentar a qualidade para competir com os brasileiros Aumentar ofertas diversificar oferta Compensar impacto das “cidras” com qualidade a preços competitivos Trabalhar em conjunto para desmistificar a imagem de “superioridade” dos espumantes franceses para o público seleto 153 de rótulos para