UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE EDUCAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM INTEGRAÇÃO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL À EDUCAÇÃO BÁSICA NA MODALIDADE DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DO PORQUÊ ADULTOS MADUROS RETORNARAM À SALA DE AULA: UM ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE TORRES/RS SILVIA LETICIA FERNANDES DE OLIVEIRA Orientador: Prof. Dr. Johannes Doll Porto Alegre 2009 1 DO PORQUÊ ADULTOS MADUROS RETORNARAM À SALA DE AULA: UM ESTUDO DE CASO NA CIDADE DE TORRES/RS 1 SILVIA LETICIA FERNANDES DE OLIVEIRA RESUMO: O presente artigo apresenta uma pesquisa (qualitativa) que trata de um estudo de caso realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental Titiboal (situada no bairro centro de Torres/RS), com os adultos maduros que freqüentam a EJA (totalidade1, sete entrevistados) para identificar os motivos que os levaram a retornarem a estudar; o que permiti uma análise do significado que a educação tem para eles, que pode ser: a busca contínua do saber amplia a visão de mundo, desenvolve sensibilidade e serve como meio de reinserção social; o convívio com os colegas oportuniza a criação de um novo vínculo de amizade; o retorno à sala de aula é uma exigência para permanecer no mercado de trabalho ou retornar; realização pessoal... Para tanto, antes de analisar, comparar e confrontar com a teoria as entrevistas realizadas, foi necessário construir um embasamento teórico a partir de leituras sobre: definição de Terceira Idade; identificação da significação do envelhecimento segundo classificação biológica, cronológica, psicológica, social, econômica e jurídica; e, por fim, a análise da importância da educação para os adultos maduros. Palavras-chave: Terceira Idade; Adultos maduros; Educação; Retorno à sala de aula. INTRODUÇÃO O processo do envelhecimento humano é uma questão de muita reflexão por ser inevitável e inerente à espécie. Até porque apresenta variações (influenciadas pelo contexto sócio-histórico) importantes nas dimensões biológica, sociológica, psicológica e cultural que devem ser tratados como fenômenos a serem observados para descobrir como atuar diante deles. Além do mais, o aumento do envelhecimento da população está gradativamente ganhando dimensões expressivas, o que leva a sociedade repensar sobre o seu papel em relação ao idoso que já foi um cidadão atuante e, por isso, merece cuidado especial por sua contribuição social. 1 Licenciada em Português e Literatura, pela UNISINOS. Pós-graduanda em Educação, pela UFRGS. 2 Sobre o assunto, Salgado (2008) aponta que: O Brasil pobre é aquele onde os direitos de cidadania ainda têm que ser reivindicados; e nesse particular se inclui a questão do envelhecimento. O velho ainda tem que dizer à sociedade: "Eu estou aqui e faço parte deste Brasil. A idade e o tempo de vida se não conferem precedência, deveriam pelo menos garantir um espaço social. Se tenho décadas a mais de cidadania, também mereço um espaço na sociedade." Esse Brasil, tão contrastante, é um país que dificilmente sai da crise. Na minha infância já ouvia falar de crise política, de crise social, de crise da Previdência Social. É uma crise tão forte que afeta a todos, jovens e idosos. Certamente os jovens serão até mais prejudicados, porque terão o seu futuro comprometido. É uma crise tão profunda que o destino profissional de muitos brasileiros se reduz à "sacolagem" na Ponte da Amizade, no Paraguai, ou à venda de cachorroquente nas barraquinhas das grandes cidades. Para aqueles brasileiros mais privilegiados provavelmente a solução da crise passe pelos aeroportos internacionais, embarcando definitivamente para o exterior. Mas, para boa parte da população, e sobretudo para a população da Terceira Idade, não resta outra saída senão a de permanecer e lutar por dias melhores. Essa é uma responsabilidade que todos teremos que assumir: lutar por um sistema mais justo e por uma cultura mais receptiva, mais condizente com a realidade de nosso envelhecimento. Assim, percebe-se que dependendo da situação sócio-político-econômica e também cultural os idosos são ou não valorizados, respeitados. Líderes-ídolos de gerações que mesmo ao chegarem à Terceira Idade, como Fidel Castro, Brizola, Tancredo Neves, Paulo Freire... são símbolos de poder, de representação social. Na Antiguidade, principalmente na sociedade grega, os denominados anciões (jovens em relação aos idosos atuais: longevidade menor) eram classe (quiçá uma forma originária de clero) importante e respeitada, pois decidiam, aconselhavam, legislavam, transmitiam para novas gerações lições de vida; até mesmo através de narrativas sobre deuses e guerras, reis e guerreiros... Enfim, transmitiam valores morais e éticos para os mais novos. No oriente, citando o Japão e a China como exemplos, há uma legislação que visa proteger seus direitos e garantias fundamentais, com o intuito de garantir-lhes qualidade de vida principalmente nesta fase em que se fica mais vulnerável sentimentalmente 3 (depressão, medo da morte, solidão, sentimento de perda...) e fisicamente. Em várias sociedades indígenas2 também não é diferente, pois há alguns que representam o conhecimento tradicional; são responsáveis por transmiti-lo, ensiná-lo às gerações mais jovens; perpetuando os valores ético-culturais. Diante deste contexto, o tema a ser estudado nesta pesquisa refere-se à importância da educação para os adultos maduros pertencentes à sociedade brasileira, porque atualmente devido ao aumento da longevidade é um assunto dissidente da existência a ser analisado com mais intensidade e peculiaridade. Além disso, nesta etapa da vida é que se pode constatar um acúmulo de conhecimento, uma riqueza de experiência de vida que pode servir de fonte para dirimir problemas sociais e, até mesmo contribuir para revermos o papel da educação que os relega, muitas vezes discrimina e marginaliza-os. Acrescenta-se ainda que, a formação de qualquer indivíduo, para viver e ser capaz de atuar na sociedade do conhecimento, não pode ser mais pensado como algo que acontece somente no espaço escolar uma vez que é uma atividade contínua, estendendose ao longo da vida. A análise dos processos de aprendizagem nos diferentes períodos da nossa vida mostra que aprendizagem como construção e apuramento do conhecimento acontece também na Terceira Idade. Nesse sentido, estas aprendizagens servem para mostrar como as políticas sociais e educacionais devem ser revistas e propiciar num futuro próximo uma reintegração desta parcela da sociedade nas relações sociais. Tanto que no documento base do proeja a Terceira Idade, dita como idoso é um assunto relevante e é visto como pessoa a 2 ...os Yagaris, tribo que habita a região árida do sul do Chile, têm uma altíssima consideração para com os seus velhos. O chefe religioso, quando indagado sobre a razão daquele respeito e consideração tão grande pelos velhos, deu a seguinte resposta: "Porque nós amamos e respeitamos demais as nossas crianças. Quando elas envelhecem, nós continuamos lhes atribuindo o mesmo respeito e a mesma consideração". Outro exemplo interessante é o dos Lelês. Tribo na qual somente o homem velho é poderoso, porque somente o velho pode ter quantas esposas quiser. Por que só os velhos têm esse poder? Porque, sabiamente, eles precisam ter controle sobre o trabalho dos jovens. Para isso entregam algumas de suas muitas filhas para os casamentos coletivos. Para esses casamentos todos os jovens da tribo se candidatam. Então eles escolhem alguns desses jovens, que em contrapartida de se tornarem esposos de uma de suas filhas, trabalham para esse velho. O jovem vai trabalhar permanentemente na expectativa do falecimento do velho, já que no dia em que ele morrer seu harém também será redistribuído entre outros jovens maduros. Essa é a única possibilidade do jovem ter um poder. Em algumas tribos indígenas brasileiras, que ainda existem na região do Médio e Alto Xingu, a mulher velha possui muito poder. (SALGADO, 2008) 4 ser reincluido e interaja de forma mais significativa no sistema sócio-educacional, como se observa: A EJA, em síntese, trabalha com sujeitos marginais ao sistema, com atributos sempre acentuados em conseqüência de alguns fatores adicionais como raça/etnia, cor, gênero, entre outros. Negros, quilombolas, mulheres, indígenas, camponeses, ribeirinhos, pescadores, jovens, idosos (grifo da autora), subempregados, desempregados, trabalhadores informais são emblemáticos representantes das múltiplas apartações que a sociedade brasileira, excludente, promove para grande parte da população desfavorecida econômica, social e culturalmente. (p.10) Pensar a perenidade dessa política pressupõe assumir a condição humanizadora da educação, que por isso mesmo não se restringe a “tempos próprios” e “faixas etárias”, mas se faz ao longo da vida, nos termos da Declaração de Hamburgo de 1997 (In: IRELAND, MACHADO, PAIVA, 2004). Nesse sentido, o que realmente se pretende é a formação humana, no seu sentido lato, com acesso ao universo de saberes e conhecimentos científicos e tecnológicos produzidos historicamente pela humanidade, integrada a uma formação profissional que permita compreender o mundo, compreender-se no mundo e nele atuar na busca de melhoria das próprias condições de vida e da construção de uma sociedade socialmente justa (...). (pp.11-12) Diante disso, conforme reflexão de Morin (2008), verifica-se como o mundo é carente de reformas educacionais, éticas, que redirecionem o homem para a política da humanização. A preocupação com a qualidade e intencionalidade da educação, no intento de modificar o pensamento das pessoas, entre elas as da Terceira Idade, para garantir uma sobrevivência digna e participante, incluído na sociedade como um todo. O envelhecimento da população no Brasil começou a chamar a atenção do governo a partir da década de 80, acentuando-se nos anos 90, quando os dados relativos ao processo de transição demográfica mostraram-se realmente preocupantes. Muito embora, a população brasileira venha envelhecendo, desde o início da década de 60 - como alguns dados demográficos desta década apontam que as pessoas com mais de 60 anos representavam apenas 4,2% da população como um todo (CHAIMOWICZ, 1998); já em 1990, tal proporção avançara para 7%, sendo que para o ano 2025 a projeção é de que os idosos irão representar 14% dos habitantes do país. Dessa forma, o Brasil, que em 1950 se 5 encontrava na 16ª posição, entre os países com maior número de idosos, em 2025 alcançará, em termos de projeção, a 6ª posição, exibindo um dos mais rápidos processos de envelhecimento no mundo (SAYEG, 1996). Acrescenta-se ainda, que a partir de meados do século XXI, a população brasileira com mais de 60 anos será maior que a de crianças e adolescentes com menos de 14 anos, diz Goldstein (1999). Diante deste quadro, enquanto educadora reflito sobre como e de que forma a Educação atingirá as expectativas deste público que não teve oportunidade de freqüentar a escola na idade regular. Fator esse que acaba privando as pessoas de um conhecimento mais complexo da existência. E, que a Unesco em um relatório de 1996, segundo DELORS (2001), estabelece: ... quatro pilares da educação ao longo de toda a vida deve levar ‘as pessoas, desde a infância até o fim da vida, a um conhecimento dinâmico do mundo, dos outros e de si mesmas’ (apud DOLL, 2007, p.116). Isso posto, o estudo sobre a importância do retorno à sala de aula para adultos maduros, tem relevância social (não só pelos fatores acima mencionados) e pessoal. Social, porque a sala de aula, principalmente a da EJA, é um lugar onde muitas pessoas se encontram para obterem, a princípio um reconhecimento social através da aquisição de um diploma. Esse que na teoria trará oportunidade de trabalho, melhor remuneração, melhor qualidade de vida etc. Entretanto, isso nem sempre é obtido. E, além disso, há outras conquistas durante este processo que não são muitas vezes percebíveis para um olhar leigo, a saber: interação social, integração com o grupo3 criando laços de amizade, estabelecimento de regras de convívio implícito (microestrutura social em que agem de forma a terem uma convivência pacífica e que há ajuda mútua para que no final de cada etapa, todos tenham êxito), etc. Sobre o assunto, Siqueira (2007, p.216) cita Souza (1999), para expor que a população mais velha é dificilmente atingida pelas políticas atuais de educação (...)”; e que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) “prioriza a extensão da educação a outros grupos etários e o 3 Esta integração não precisa ser necessariamente somente de acordo com aspectos positivos, pois devido à diversidade etária, cultural e econômica, há divergências no processo aprendizado e, por conseguinte nos resultados. Fatores que valorizam a vida e contribuem para a construção do conhecimento. 6 resgate da dívida social acumulada, garantindo a educação fundamental a todos que não tiveram acesso a ela na idade adequada” (p.216). Esta baixa escolaridade, conforme a autora, causa um impacto negativo na vida dos idosos uma vez que reflete nos cuidados relativos à saúde, na empregabilidade e por conseguinte na renda, e na convivência intergeracional. Além disso, “limita o usufruto de bens e produtos culturais e a defesa dos próprios direitos” (p.216), constituindo assim, um dos “principais fatores de exclusão social” (p.216). Pessoal porque pretende dar explicações para a questão de que como a educação pode ajudar a aceitar a velhice e como propicia uma visão de mundo mais realista, prática. Enfim, a combinação de experiência de vida com acúmulo de conhecimento possibilita valorizar o simples ato de viver em detrimento de valores impostos como certos ou errados que na Terceira Idade já não deverão fazer tanto sentido, pois a preocupação maior deverá se viver um pouco mais com paz de espírito, harmonia. 1 TERCEIRA IDADE E O ENVELHECIMENTO O presente capítulo aborda a Terceira Idade fazendo um resgate histórico sobre as divisões etárias do ser humano, depois linguisticamente e, por conseguinte, também como construção social. Após, inicia-se uma breve discussão acerca do significado de envelhecimento, uma vez que são assuntos imbricados. 1.1 CONCEITUAÇÃO DE TERCEIRA IDADE Atualmente, a expressão Terceira Idade tem origem numa das conhecidas divisões das chamadas Idades do Homem: infância, maturidade e velhice. Entretanto, existiram outras divisões, a saber: desde Hesíodo, que em uma de suas obras - O trabalho e os dias - identifica cinco idades do homem. Na peça de Shakespeare As 7 you like it, são mencionadas oito idades do homem: o infante, o escolar, o amante, o soldado, o homem maduro, a velhice, a senilidade e a morte; essas seguiam uma linha que vem da Idade Média que classificava as “idades” em infância, puerilidade, juventude, idade madura, velhice e senilidade. Este tema foi muito popular entre os séculos VIII e XVII, estando presente em textos, calendários e iconografias (PALACIOS, 2004, p.5). O conceito Terceira Idade foi inventado na França nos anos 60 por Pierre Vellas (Médico e investigador) que atualmente “é usada para designar a fase inicial da velhice” (NERI, et. ali, 2007, p.49) e, refere-se a uma emergente realidade da velhice, ligada a um novo tempo de lazer e não mais associada à miséria, doença e decadência, o que, em geral, ocorria após a aposentadoria” (FRUTUOSO, 1996, p. 33). Palácios (2004, p.18) salienta que: No domínio lingüístico da prática discursiva, ressalta-se uma espécie de luta articulatória entre o vocábulo velhice, seu simbolismo, e a expressão terceira idade, como uma forma emergente de interpretação para o fenômeno do envelhecimento, liberto de suas conotações negativas. Sobre os processos de luta articulatória, Fairclough (2001, p. 97) evidencia que os novos elementos (no caso, o uso lingüístico da expressão terceira idade) são constituídos mediante a redefinição de limites entre os elementos antigos, que circunscrevem as fronteiras semânticas da cristalizada interpretação para o fenômeno do envelhecimento, representada pelo vocábulo velhice. No processo de luta articulatória entre os termos há uma ação de convivência entre eles. O ato de conviver em uma mesma ordem de discurso e ter sido observado em um mesmo corpus pode ser representado por uma simples correlação, que nos permite afirmar que o fato de se chegar à velhice (A) implica também ter-se chegado à terceira idade (B). Ou seja, que A implica B. Contudo, as situações que caracterizam o gradual afastamento semântico entre os termos, requerem uma reformulação da equação acima construída, por não nos permitirem afirmar que B implica A. A justificativa para esta inadequação reside no fato de que apesar de que todo indivíduo que chega à terceira idade ser, cronologicamente, velho, esse sujeito, individual e subjetivamente, é impelido, estimulado, incitado, induzido, instigado socialmente a não se sentir como tal. 8 Ainda acrescenta o referido autor, conforme comentário sobre o ponto de vista de Andrew Blaikie4, que esse associa a generalização do uso do termo terceira idade, para referir-se à velhice, com a mudança de atitudes e valores relacionados com a pós- modernidade. O autor enfoca o envelhecimento a partir de perspectivas que privilegiam as dimensões discursivas e de construção social de imagens e identidades. (PALÁCIOS, 2004, p.18) Sobre o assunto, Sousa (2004), aponta que na grande maioria dos países, o pagamento da aposentadoria começa aos 60 anos para as mulheres e aos 65 para os homens. Daí, sob o ponto de vista econômico, a velhice, também chamada de Terceira Idade, inicia aos 60 anos. Sob o ponto de vista biológico, as pesquisadoras Pontarolo e Oliveira (2008), dividem as idades em: Primeira idade: de 0 a 20 anos; Segunda idade: de 21 a 49 anos; Terceira idade: de 50 a 77 anos; Quarta idade: de 78 a 105 anos. Há também outra classificação para os idosos em três ramos: idoso jovem, dos 66 aos 74 anos; idoso velho, dos 75 aos 85 anos; dos 86 em diante ocorre a manutenção pessoal. Já, sob o ponto de vista jurídico brasileiro, o Código Civil em sua Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002, prescreve em seu art. 1.641, inc. II, que idoso (ambos os sexos) é aquele que tem mais de 60 anos5. Para a ONU, a Terceira Idade começa aos 60 anos nos países subdesenvolvidos e aos 65 anos nos países desenvolvidos. Assim, segundo Bacelar (2006): velhice não comporta um só conceito, porque não há equivalência 4 “...enquanto a modernidade e o industrialismo tiveram por base a ideologia do progresso, com a exortação do novo e, portanto, da juventude e a resultante desvalorização da experiência, vista como conhecimento obsoleto, a pós-modernidade tende a borrar as linhas da velhice e da aposentadoria (reforma) e promete, através das práticas e estímulos ao consumo que crescentemente se voltam para as necessidades dos compradores mais velhos, tanto novas possibilidades para o auto-desenvolvimento pessoal (cursos e atividades culturais voltadas para a terceira idade, universidades da terceira idade etc.), quanto um aumento da influência cultural e política desse grupo”. (BLAIKIE apud PALÁCIOS, 2004, p.18) 5 Juridicamente, segundo Sousa (2004), usa-se a nomenclatura pessoas idosas ou idosos; por serem considerados menos pejorativos do que velhos, anciãos, terceira idade, melhor idade. Até nesta questão verifica-se preconceito lingüístico ao usar a palavra menos e levar-nos a inferir que envelhecer é difícil não só semanticamente quanto terminologicamente. 9 sobre as características de uma pessoa em determinada idade, isto é, a idade cronológica pode não ser idêntica à biológica e social do indivíduo. O conceito cronológico seria determinado a partir os 65 anos nos países desenvolvidos, e dos 60 anos nos países em desenvolvimento. Enfim, a Terceira Idade é postulada como o ponto culminante de uma linha abstrata, convencionalmente instituída como condutora da vida. Estaria posicionada subseqüentemente a uma segunda idade, que compreende a maturidade, e uma primeira idade, que compreende a infância. Ainda que aponte para a etapa final da vida, a nomenclatura terceira idade faz desaparecer a alusão direta a vocábulos tão semanticamente marcados, como velhice, senilidade e envelhecimento. Este último será objeto de estudo a seguir, com o intuito de esclarecer o significado de envelhecer, sem a intenção de apontar qual é o melhor ou pior a ser usado; mas sim, mostrar a sua polissemia que o restringe de acordo com a área de conhecimento que dele se apropria. 1.2 SIGNIFICAÇÃO DO ENVELHECIMENTO Este estudo trata do significado do envelhecimento conforme classificação biológica, cronológica, psicológica, social, jurídica e econômica. Envelhecimento é um processo, real, às vezes irreversível, muitas vezes imperceptível por quem está na fase da vida em que ocorre isso, mas que todos os seres de alguma forma irão viver. Muitas pessoas temem envelhecer, mas querem viver até a mais longa idade que puderem chegar. Entretanto, envelhecimento significa não só enrugar, perder massa óssea e corpórea etc., mas também ser mais seleto em relação às escolhas de seu dia-a-dia. Devido ao longo do percurso de sua vida, com suas experiências, aprendeu, compreendeu e depreendeu valores que influenciarão o convívio social. Isso, segundo Bacelar (2006, p.25), é perceptível no homem porque: ... a velhice é um fenômeno biológico no qual o organismo apresenta certas singularidades que acarretam conseqüências psicológicas e certos comportamentos são, geralmente, características da idade avançada. Além disso, existe uma 10 dimensão existencial que modifica o indivíduo em relação com o tempo, com o mundo e com sua própria história. Para Salgado (2008), ...o mais fantástico do envelhecimento, certamente, é o paradoxo do envelhecimento; porque o tempo, que destrói metais, o ferro, a pedra, também destrói o nosso corpo. Paradoxalmente esse mesmo tempo, que destrói no plano físico, nos constrói em experiência, em sabedoria, e acima de tudo em humildade. Humildade no sentido de entender melhor a vida, de compreender melhor a existência de cada um com a riqueza das diferenças individuais. É preciso ter humildade para aceitar que, embora queiramos viver a eternidade no plano físico, essa eternidade não existe. Podemos sim viver a eternidade na construção de nossa memória. (...) Envelhecer tem o extraordinário mérito de sintetizar todas as idades. Portanto, se bem posicionado, bem atendido nas suas necessidades, bem estimulado à participação social, cada idoso brasileiro é um indivíduo que ainda pode compreender e criticar os acontecimentos dos dias atuais, e também contribuir para a construção da modernidade e do futuro da nossa sociedade. Ao falar sobre envelhecimento, Messy (1999, p.18) corrobora ao dizer que este fenômeno: “... faz parte do processo de crescimento natural de todo ser vivo; todavia, a velhice não é um processo semelhante, e sim um estado que caracteriza a posição do indivíduo idoso”. Para Hayflick (1997), o envelhecimento não é a mera passagem do tempo, mas também a manifestação de eventos biológicos ao longo de um período de vida. Dessa forma, a idade cronológica nem sempre está associada à idade biológica, pois as idades cronológicas, baseadas num sistema de datação, estão ausentes da maioria das sociedades não ocidentais e são, nas sociedades ocidentais, um mecanismo básico de atribuição de status (maioridade legal), da definição de papéis ocupacionais (entrada no mercado de trabalho) de formulação de demandas sociais (direito à aposentadoria)... (DEBERT, 1999, p.46) Silva (apud BACELAR, 2006, p.41) corrobora com o assunto ao dizer que 11 o envelhecimento não pode ser definido só pelo plano cronológico, pois outras condições (físicas, funcionais, mentais e de saúde) podem influenciar diretamente nesse processo, indicando, ao mesmo tempo, que o envelhecimento é individual. E, para Leon (apud BACELAR, 2006, p.111), “envelhecer é um estado psicofisiológico complexo, sempre acompanhado por um comportamento pessoal”. Já Campos (apud BACELAR, 2006, p.86), salienta que: “envelhecer é um processo, mas ser velho é um estado, daí existem os velhos moços e os moços velhos”. Na sociedade brasileira, assim como em outras ocidentais, a idade cronológica representa um parâmetro para situar o indivíduo em relação aos seus direitos e deveres enquanto cidadão. Ou seja, qualificá-lo social e juridicamente. Social porque representa parte da população que necessita de projetos que dêem conta de uma vida digna desde a fase embrionária até a morte. Jurídico, porque define a faixa etária de quem é ou não inimputável (civil ou criminalmente). Além desses autores de diversas áreas do conhecimento (gerontologia, educação etc.), ainda é relevante citar a distinção do que é velhice de acordo com o pensamento do jurista Norberto Bobbio que segundo ele apresenta três sentidos: Velhice censitária ou cronológica, decorrente da idade biológica vivida, que começa quando se aproxima de oitenta anos; Velhice burocrática, estabelecida pela legislação em vigor; Velhice psicológica ou subjetiva, determinada pelo estado de ânimo, pelas circunstâncias históricas e sociais. (1997, p.20) Nota-se a partir do exposto que há vieses diferentes sobre o que significa velhice. Porém, é um termo que caracteriza pessoas consideradas idosas, ou ainda adultos maduros que pertencem à Terceira Idade. E, além disso, o envelhecimento não pode ser considerado como se fosse apenas um processo multifacetado, mas sim que pode ser vivenciado de forma bem diferente, até porque é constituído por um grupo altamente heterogêneo em que cada indivíduo é singular. Assim, por exemplo, encontramos muitas pessoas idosas que se 12 encontram no ápice da sua vida (ex.: sendo presidente de um país), enquanto encontramos pessoas, principalmente quando afetadas por doenças crônicodegenerativas (ex.: com Alzheimer), que não só perderam suas capacidades cognitivas, mas até sua própria personalidade. E, por isso, “o envelhecimento não pode ser definido só pelo plano cronológico, pois outras condições (físicas, funcionais, mentais e de saúde) podem influenciar diretamente nesse processo, indicando, ao mesmo tempo, que o envelhecimento é individual” (CASTILHOS apud BACELAR, 2006, p.141). 2 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO PARA OS ADULTOS MADUROS O presente capítulo faz uma relação entre teorias e a pesquisa qualitativa (estudo de caso feito na Escola Estadual de Ensino Fundamental Titiboal, situada no bairro centro de Torres/RS), realizada com os adultos maduros que freqüentam a EJA (totalidade1, sete entrevistados) para identificar os motivos que os levaram a retornarem a estudar. Mediante explicação do assunto, justificativa e objetivo da pesquisa para a turma, acompanhada da professora regente, os sete alunos se ofereceram para serem entrevistados, pois se viram pertencentes à Terceira Idade (quando na verdade a maioria é adulto maduro devido à idade); e, aceitaram ser filmados (autorizaram por escrito), fazendo questão de manter os nomes verdadeiros, mesmo após salientar que não teria problema em inventar codinomes para resguardar suas identidades. Pensar a educação de idosos como um processo contínuo, é desenvolver uma nova postura crítica e reflexiva frente aos problemas decorrentes dessa fase da vida, estimulando a emergência de potencialidades e da criatividade dos alunos idosos. Nesse processo, é importante que o idoso possa exercitar uma visão crítica da realidade em que vive e atua, bem como a convicção de que é possível transformá-la (NUNES, 1993). 13 O relato de Astrogildo6 é significativo sobre isso, pois segundo ele, se tivesse continuado e se tivesse ido bem nas aulas durante sua infância, talvez tivesse criado um diferencial: estaria atuando em alguma coisa, teria um preparo para conseguir um trabalho que não fosse braçal... Além disso, expõe que aquela pessoa em virtude de ter pouco ou quase nada de estudo, não será mais ou menos homem, ou ainda, menos pessoa, porque é o trabalho que dignifica o homem. Embora, saiba que aquele que tem mais estudo passa menos trabalho, consegue coisa (trabalho) melhor, como gerenciar alguma coisa (empresa como a Multipeças), ser um motorista etc. Finaliza dizendo que a educação é fundamental. Tudo deve se integrar para que o país tenha um pouco mais de crescimento; inclusive o que aprendemos é uma bagagem, uma coisa que ninguém nos tira. Então, até o que sabemos mais um pouquinho é uma forma de defesa, para sermos respeitados como seres humanos e, não sermos enrolados, em função de não ter estudado. Até porque, além disso, temos a experiência de vida – a prática (ex.: para negociar seus bois, nunca precisou saber ler e escrever). As diferentes experiências vivenciadas pelos idosos, influenciadas por diversos fatores tais como: históricos, culturais, regionais, sanitários e condições sociais, os quais influenciam a visão que o idoso tem sobre a importância da educação nesta fase da vida. Muitos idosos incorporam em si preconceitos com relação à sua capacidade de aprender, e sobre esta questão muitos estudos e pesquisas têm demonstrado que a memória, por exemplo, tem melhora a partir da aquisição de novos conhecimentos e solução de situações problemas. Ou seja, a capacidade de aprendizagem está ligada à constante atividade do cérebro. Paralelo à questão da capacidade de aprender está o preconceito que a sociedade capitalista incute nas pessoas, em que o idoso por não ser mais produtivo passa a ser visto como um ônus ao Estado, no que concerne à educação; pois para que aprender ou ensinar alguém que não trará benefícios lucrativos à sociedade? 6 Astrogildo (56) - natural de Torres, casado, católico, branco, serralheiro (recebe três salários mínimos); tem dois filhos (a mais velha está se preparando para o vestibular e o rapaz ainda não terminou o ensino médio). Narra que os filhos não acreditavam que ele iria realmente retornar a estudar... 14 Marize7, com seu depoimento, nos leva a refletir sobre como tais questões são relevantes em uma sociedade que não investe o suficiente em educação para que se desenvolva de forma mais humana e digna; reforçando a idéia de que após certa idade, o ser humano já não tem mais porque interagir como cidadão. Tanto que quando no início das aulas, ficou com vergonha em função de considerar sua idade avançada, mas com o tempo foi fazendo amizade e se sentiu mais a vontade. Salientou que na idade em que se encontra a leitura já não tem muita importância; ela já não tem mais entusiasmo pelas leituras; porém, os jovens devem ler para saber o que está acontecendo ao seu redor, tanto que cita o jornal como fonte importante de leitura. Sabe ler e escrever, mas tem dificuldade em entender as coisas; talvez, segundo ela, por não ter estudado antes ou também a memória que não a ajuda mais. Muitas vezes o idoso acaba aceitando esse rótulo de improdutivo e desiste de viver, de aprender, de ensinar, com receio de passar por ridículo querendo voltar a estudar, a freqüentar salas de aula. A partir disso, surge a importância de se promover uma conscientização não só da sociedade, mas também dos idosos quanto às possibilidades frutíferas no acesso ao meio educacional. Paulo Freire corrobora nesta reflexão quando coloca que: A realidade social, objetiva, que não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, também não se transforma por acaso. Se os homens são os produtores desta realidade e se esta, na “inversão da práxis”, se volta sobre eles e os condiciona, transformar a realidade opressora é tarefa histórica, é tarefa dos homens. (2003, p.37) 7 Marize (71) – natural de Caçapava do Sul, viúva, evangélica, branca, doméstica (pensionista, recebe dois salários mínimos); teve duas filhas (a mais velha trabalha no Fórum, terminou o ensino médio; já a mais nova não deu continuidade). Nunca teve estudo, porque na infância sua mãe não tinha dinheiro para mandá-los à escola. Não tinha caderno, tamanco... Quando iam (raríssimas vezes) era para tomarem um prato de sopa. Quando cresceram um pouquinho foram dados para outras famílias. Ela aprendeu a ler sozinha, olhando cartazes e com ajuda da família (do Dr. Borges de Medeiros) para quem trabalhava (lhe davam folha, folheto e falavam que letra era...). Sempre “lia” as propagandas na rua para memorizar as palavras e assim conseguia reconhecê-las em outra situação. 15 A educação é uma forte ferramenta na mudança desse panorama que desprivilegia o idoso. Indubitavelmente, a educação não é privilégio apenas das gerações mais jovens; ao contrário, é um direito de todos, um instrumento maior no combate às barreiras sociais, na promoção de uma verdadeira cidadania. Uma educação que prepare as gerações mais jovens para bem conviver com os mais velhos e a informar sobre sua futura velhice. Até por que, segundo Cachioni, educar os idosos, os adultos, os jovens e as crianças significa acreditar em seu contínuo processo de desenvolvimento e nas possibilidades de sua construção como sujeitos. A educação cria condições para enfrentar preconceitos e a falta de oportunidades em todas as idades, gera aumento de renda, promove a qualidade de vida e favorece o genuíno exercício de cidadania (apud SANTOS, LOPES E NERI, 2007, p.79). A educação para a Terceira Idade remete ao verdadeiro sentido e objetivo da educação, como finalidade do processo civilizatório, aumento do nível intelectual e cultural dos cidadãos, uma teoria e uma prática de ação transformadora. Dessa forma, “quanto mais alto o nível de escolaridade, maior a probabilidade de preservação das capacidades intelectuais até a idade avançada” (LEHR, 2000; RUDINGER, 1987 apud DOLL, 2007, p.117). Além disso, tem como função social despertar nos homens a capacidade de intervenção no mundo, através de conhecimentos que possibilitem as pessoas deixarem de ser objetos para se transformarem em sujeitos da sua história. Gadotti reforça isto quando coloca que: A escola não distribui poder, mas constrói saber que é poder. Não mudamos a história sem conhecimentos, mas temos que educar o conhecimento para que possamos interferir no mercado como sujeitos, não como objeto. O papel da escola consiste em colocar o conhecimento nas mãos dos excluídos de forma crítica, porque, a pobreza política produz pobreza econômica. (1997, p.5) O acesso à educação é um fator de crescimento, de conhecimento, de interação, de novas descobertas e vivências, elementos essenciais à preservação e manutenção de uma vida mais produtiva e saudável. Vale lembrar que a 16 educação ou o aprender para o idoso tem outro sentido e objetivo. Procura-se a escola não mais para obtenção de diploma e sim para estabelecer canais de comunicação com a sociedade. Nos primeiros dias de aula, Astrogildo, sentiu-se constrangido em relação às pessoas que vêem junto no ônibus para estudarem, em função deles descerem na ULBRA (universidade) e ele vir para a EJA. Agora já se sente mais seguro, tem mais disposição; está mais tranqüilo. A sala de aula lhe dá satisfação. Tem que ter paciência com os colegas que são mais ousados (bagunceiros). Tem intenção de continuar estudando, para isso vai se esforçar. Salienta a importância de estar ali ocupando uma vaga disputada e valorizar esta oportunidade que não deve ser desperdiçada com desinteresse, bagunça durante a aula, por exemplo; até porque há muitas pessoas que esperam que alguém desista para poderem entrar na escola. A educação é um caminho de reintegração social, dado que a perda de funções deixa o idoso com um mínimo de alternativa de atuação social. É importante ressaltar também que a volta à escola é baseada pelo interesse na qualidade formativa da educação. Para Inácio8, o estudo lhe fez muita falta. Na sala de aula, aprende um pouco, mas sempre aprende; entretanto, agora tem mais facilidade, interesse e há responsabilidade... isso em relação ao tempo em que era mais novo (o jovem vai para “malandragem”). Além disso, estudando, poderá realizar um sonho: ter um carro; fará a carteira de motorista, poderá ler os sinais de trânsito, placas e saber onde está indo. Também, sob o aspecto social, revela que a sensação de estar em aula é muito boa, pois as horas que passa ali, são muito melhores do que estar em casa sozinho (sua mulher também voltou a estudar), sem falar nas amizades que faz. A Unesco, na década de 80, realizou estudos sobre as finalidades na educação de pessoas idosas e sintetizou da seguinte maneira: 8 Inácio (70) – natural de Torres, casado, católico, branco, gari (aposentado, recebe um salário mínimo). Funcionário público municipal (trabalhou 34 anos e fez concurso para ser efetivo). Mora com sua esposa em casa própria e um filho adotivo que é neto de dela. Quando criança morava no Faxinal (interior de Torres, zona agrícola) e, por ter que trabalhar muito não pode estudar, assim mal sabe escrever seu nome. 17 1. considerar menos o conteúdo e mais o despertar nela a capacidade de confiança em si mesma, de sua autonomia e o de destruir os estereótipos negativos que poderão estar influindo na sua vida. Aumentando o senso de suas responsabilidades, a pessoa idosa poderá melhorar sua saúde física e mental, o que contribuirá para que ela se afirme cada vez mais no dia-a-dia e no seu comportamento social; 2. minimizar o isolamento, a solidão em que vivem muitos idosos, estimulando as relações com pessoas de sua geração e, também, com as de outras gerações; 3. proporcionar conhecimentos práticos, específicos sobre, por exemplo, a passagem da vida ativa para a de aposentado, além de conhecimentos teóricos relativos ao processo de envelhecimento; ainda, atividades físicas, socioculturais e artísticas que possam interessar aos idosos; 4 proporcionar a tomada de consciência das pessoas idosas da riqueza de sua vida pessoal e profissional e da importância da comunicação de sua experiência a outras gerações, desenvolvendo o equilíbrio e a compreensão mútua num mundo tão conflitado e que muda rapidamente. (SCHONS, 2000, p.162) Gracilina9 e Humberto10 através de suas narrativas exemplificam o porquê da finalidade da educação, segundo a UNESCO, ser tão relevante para a atual sociedade em que há preocupação em assegurar uma vida digna na Terceira Idade uma vez que já contribui (cadeia produtiva) tanto durante anos para que as futuras gerações tenham um futuro melhor. Ela, hoje, por estar sozinha só quer estudar até por causa da convivência com outras pessoas que oportuniza novas amizades. Ele fez muita coisa que hoje em dia a pessoa sem estudo não faz nem a terça parte do que ele conseguiu, ao comparar sua trajetória profissional (fez 9 Gracilina (58) – natural de Aranguá, separada, evangélica, branca, costureira (pensionista, recebe dois salários mínimos); teve dois filhos (terminaram o ensino médio). Filha mais nova de uma prole de quatorze filhos, foi a única a ser criada pelos avós que a deixaram estudar até a quarta série, pois tinha que trabalhar na roça. Casou-se cedo e teve filhos, mas sempre quis voltar a estudar. 10 Humberto (64) – natural de Torres, casado, católico, branco, pescador e pedreiro (aposentado, recebe um salário mínimo); teve quatro filhos (um é comerciante, os outros são: vereador, outro é professor de educação física e a outra de matemática). Mora com sua esposa em casa própria e possui automóvel. Criou-se trabalhando e por ser o filho mais velho tinha que trabalhar na lavoura para sustentar a casa. Os pais sempre diziam para não se preocupar que uma hora ele iria à aula: “mais tarde tu vai, mais tarde tu vai...”. Chegou um ponto que não foi e “aprendeu” um pouco a ler e escrever olhando jornal, olhando revista. 18 curso de hotelaria mesmo sem saber ler e escrever e aprendeu à base da prática) com as atuais exigências do mercado de trabalho. 2.1 FATORES QUE LEVAM OS ADULTOS MADUROS RETORNAREM À SALA DE AULA A solidão, a falta de convívio social, permanecer ou e até a vontade de ter uma profissão mesmo sem ter intenção de voltar ao mercado de trabalho apresentam-se como importantes motivos para retomar a educação e, que serão apresentados após relacionados a embasamentos teóricos de pesquisadores sobre o tema em voga. Marize retornou à sala de aula porque sempre teve vontade de aprender a “fazer contas” (calcular) e sua amiga a convidou para irem juntas, não ficando assim, sozinha em casa durante parte da noite. Uma das funções da educação é ensinar algo que possa ser usado posteriormente. A escola ensina saberes, valores, competências e habilidades com base nessa presunção. Esta perspectiva também vale para o trabalho educacional com idoso, por exemplo, ao ensiná-lo a lidar com novas tecnologias. Além desses aspectos práticos e funcionais, a educação pode contribuir para o crescimento pessoal (VILLAR, 2004) o que remete à psicologia do desenvolvimento ao longo da vida (life span development) (BLATES, 1987), que considera que, na velhice normal, as capacidades intelectuais básicas permanecem preservadas. (DOLL, 2007, p.117) Marinez11 é um caso em que realizou o sonho de conseguir lidar com tecnologia necessária para a administração, controle financeiro de seu cotidiano. 11 Marinêz (58) - natural de Torres, viúva, católica, “negra” (segundo sua concepção, mas não parece ser, porque é filha de pai alemão e mãe mulata), cozinheira até hoje (também pensionista e recebe em torno de três salários mínimos); teve cinco filhos (todos cursaram até o ensino médio). Atualmente, mora em sua própria casa na companhia de um sobrinho e nos fundos, reside sua filha. É uma senhora simpática, de fala pautada. Declarou que perdeu muito tempo de sua vida por 19 Nunca aprendera a ler e a escrever até entrar na EJA - há apenas dois meses. Seu sonho era aprender a ler, pois já sofrera constrangimentos em função disso. Seu projeto de vida era saber ler para entender as coisas. Era muito triste pegar um jornal e não conseguir lê-lo, tanto que sentia vergonha quando lhe perguntavam o porquê do jornal estar de cabeça para baixo. Salienta que quem não tem estudo não é nada e exemplifica que após ter ido ao banco na última semana, já “clareou” (antes era escuro), pois conseguiu identificar as letras do teclado, ler o que estava escrito e manusear o caixa eletrônico sozinha. Isso a fez sentir outra pessoa. Também consegue ir ao mercado e comparar marcas e preços. É uma nova mulher. Finalizando, está muito feliz. As amizades dos idosos colocam em cena as afinidades de gosto, de estilo de vida e uma outra linguagem de sentimento que apela mais abertamente para as dimensões negociadas das relações. A intimidade e a reciprocidade implicadas nas relações de amizade favorecem a construção de uma identidade comum e o estabelecimento de laços de ajuda e de conforto emocional. (ALVES, 2007, p.130) Humberto conseguiu escrever seu nome sozinho e por isso, que retornou a escola hoje: para recuperar, para aprender a letra, conhecer a letra, porque não consegue “decidir” os nomes (identifica isoladamente as letras). A sua família o incentivou a voltar a estudar. Hoje já se sente melhor, já aprendeu mais alguma coisa. Faz dois anos que está sem trabalhar (doença) e isso contribuiu para que retornasse, pois assim se distrai. Faz só dois meses que freqüenta a aula, e está muito feliz, porque fez amizades. Finaliza dizendo que não pensa em faltar à aula porque se sente como se fosse uma criança pequena feliz por ir a um lugar tão importante para si. não ter decidido estudar antes. Isso lhe causa muita dor, sensação de perda; porém, atualmente se sente realizada. Seus filhos a incentivam em seu estudo. Nunca fora a escola. Irmã mais nova de uma prole de seis filhos foi a única a nunca freqüentar a sala de aula, enquanto seus irmãos foram, mas por um mês apenas; depois aprenderam por conta. Segundo ela, isso ocorreu, pois seus pais não os colocavam na escola porque tinham que trabalhar, e além desses motivos, casou-se aos quatorze anos de idade. Seu marido era bem mais velho, cursou até o atual ensino médio; não a deixou estudar porque segundo ele, mulher não precisava disso. 20 Da interação entre atributos cognitivos e afetivos deriva a força das atitudes como predisposições orientadoras dos nossos comportamentos sociais e das nossas motivações e emoções em relação a diferentes objetos sociais. (NERI, 2007, p.35) Gracilina, sempre sonhou em ser engenheira. Relata que o seu primeiro dia de aula, neste momento de sua vida lhe leva a lembrar do passado de forma prazerosa, como se fosse o primeiro dia, lá na sua infância. Decidiu retornar porque agora não tem mais ninguém que dependa dela, pois está sozinha e, assim poderá ter uma profissão. Uma das funções da educação é promover a atualização de conhecimento para que a população possa acompanhar o desenvolvimento do mundo atual. (DOLL, 2007, p.119) Nadir12, há quatro anos veio para Torres. Faz um ano que retornou a escola. Antes de retornar as aulas se sentia cega; exemplifica dizendo que ao pegar ônibus era horrível por não saber ler; então, para não errar o destino que queria ir, gravava as primeiras três letrinhas do início do nome do local para onde ia. Ao lembrar-se do seu primeiro dia de aula, na infância, conta que foi estranho estar com um monte de crianças, e a professora Lúcia era muito “rúdica”; não foi agradável com todo mundo; entrou na sala dando só bom dia e dizendo que quem não escrevesse e lesse ia de castigo, virou-se para o quadro e escreveu a letra “o” no quadro, depois foi em sua direção e perguntou o que queria aprender a 12 Nadir (57) – natural de Itapoã, viúva, espírita, branca, artesã (pensionista, recebe três salários mínimos); teve três filhos (a mais velha faz Direito, o rapaz parou na sexta série e a mais nova – segundo casamento - está estudando ainda, faz o ensino médio). Nunca teve tempo de estudar porque era a mais velha e tinha que trabalhar enquanto sua irmã era “dondoca”. Freqüentou a aula por três meses e mal aprendeu a escrever seu nome. Aos vinte anos de idade casou-se. Depois que tivera os filhos tentou estudar quando morava em Viamão, mas o colégio era longe (tinha um perto, mas era só para gente jovem) e o marido não a incentivava; então acabara por desistir. Passou o tempo, ficou viúva e mudou de cidade, mas sempre teve idéia de que tinha que aprender alguma coisa. Mesmo sozinha tentava ler algumas palavras que “desvorgava” (decifrava) o que era. Neste novo lugar, descobriu que havia uma escola perto de sua casa, onde estudou só por três meses porque a escola fechou o turno da noite e de dia não oferecia aulas para adultos. Depois, mudou-se e voltou a estudar na atual EJA que fechou após um mês só de aula e lá se fora novamente seu sonho de continuar a estudar. Quando os filhos eram pequenos ficava “chuleando” (olhava curiosa) eles fazendo o tema. Relata que teve muita sorte na vida porque conseguiu emprego no Banrisul mesmo sendo analfabeta. 21 escrever. Dona Nadir respondeu que obviamente era o nome. Hoje em dia, retornou à sala de aula porque quer aprender a escrever, apesar de não ler muito bem, para enviar cartas, para dar cartões de presente etc. Saber conhecer mais um pouco. Conseguir mexer no computador. Finaliza dizendo que num primeiro momento, neste último retorno à sala de aula, se sentiu fora do padrão; mas, ao se enturmar está mais tranqüila. E, sempre ficou furiosa por não entender as coisas (conseguir ler). Os idosos, passando provações financeiras, tentam retornar ao mercado competitivo e seleto de trabalho, no qual muitas vezes são explorados, recebendo menores salários. Normalmente é acamada da população que mais vive sozinha com menores possibilidades de escolarização e atualização, isso se compararmos às novas gerações. (SOUSA, 2004, p.9) Astrogildo através de seu exemplo, explicou que mesmo tendo tantos fatores que o fizessem desistir de estudar, como comentários menosprezíveis em relação à possível deficiência ou problema neurológico, decidiu ser persistente em atingir seu objetivo: aprender a ler e a escrever. Sempre ouvira pessoas dizendo que quem sabe menos ou não aprende, pela força da expressão, “é mais ou menos burrinho” em relação aos outros que supostamente são mais inteligentes. Conforme ele, não existe esta questão do burrinho, pois o que há são pessoas menos inteligentes; assim, não devem deixar de estudar; dessa forma, decidiu voltar, mesmo estando a 35 anos fora da sala de aula. Enfim, retornar à sala de aula significa uma busca, um descobrimento constante e acima de tudo sentir-se útil. Esse relato, segundo Freire (2003), implica uma atitude positiva do indivíduo em relação a si próprio e à sua história de vida, aceitando características positivas ou negativas, como também sua nova condição como idoso. Uma parte da auto-aceitação é caracterizada pela auto-estima, um sentimento aprendido que se desenvolve durante toda a vida de uma pessoa, ao passo que o indivíduo em si é tido como reforçador em relacionamentos sociais e não somente seus comportamentos (GUILHARDI, 2002, p.71) 22 Constata-se através do que foi exposto, que para todos os entrevistados, sempre o estudo foi tido como projeto de vida a ser realizado (um sonho idealizado, uma esperança de vida melhor), mesmo se fosse nesta fase de suas vidas; e, que apesar do tempo “regular” para estudarem, não tenha sido oportuno em decorrência da preocupação com a sobrevivência de si e de suas famílias, hoje reforçam a importância da educação para os seres humanos, para os cidadãos, para a sociedade. Ela tende a propiciar melhor qualidade de vida, principalmente na Terceira Idade; oportunidade de trabalho melhor remunerado; profissão idealizada; assim, também menos frustrações, o que diminui as possibilidades de surgirem doenças psíquicas. CONCLUSÃO As histórias de vida sucintamente apresentadas foram, na medida do possível, suficientes para inferir que os entrevistados (adultos maduros) que se vêem pertencentes à Terceira Idade sempre tiveram, de forma consensual, desejo enorme de estudar e tiveram força, coragem para driblar preconceitos, até mesmo dentro do próprio seio familiar, e retornarem à sala de aula, retomando algo que lhes foi tirado durante a infância: o aprendizado, o conhecimento, a leitura mais apurados da vida. Elementos como as vivências, a experiência de vida, no dia a dia, ajudaram a diminuir a sensação de perda, vazio que sentiam por não ter podido estudar antes e terem tido destinos, segundo eles, mais seguros financeiramente e com qualidade de vida - neste momento que deveriam desfrutar de algum tipo de lazer, por exemplo. Percebe-se que todos têm perseverança, pois mesmo tendo uma vida dura, paupérrima, conseguiram trabalhar, ter família, educar seus filhos para que não acontecesse o mesmo (não saber nem escrever seus próprios nomes)... o que é muito significativo, pois a questão da identidade é primordial para um ser humano sentir-se efetivamente cidadão. É questão de dignidade. Além disso, os motivos mais significativos de representatividade para eles retornarem à sala de aula foram: a solidão, o facilitamento do cotidiano e auto23 realização. A solidão é constatada porque a maioria deles apontou que ia à escola para não ficarem tanto tempo sozinhos em casa, principalmente à noite quando dá uma depressão. E, na sala de aula, com tantas outras pessoas, acabam fazendo amizade e tendo alguém para conversar, desabafar muitas vezes e também trocar informações, experiências de vida. O facilitamento do cotidiano se dá em função de que possibilitou para eles conquistarem o poder de manipular sozinhos equipamentos eletrônicos (caixa eletrônico, tirando extratos, controlando pessoalmente sua vida financeira); poder passear sem ter medo de errar o destino, pegando o ônibus certo, ler as placas de ruas etc.; ter um carro para se locomover ao poder tirar uma carteira de motorista; se comunicar com parentes distantes através de cartas, cartões de datas comemorativas etc. E, autorealização porque todos, sem nenhuma exceção, sempre desejaram muito estudar, suprindo a necessidade de se reintegrar ao grupo de cidadãos que estudaram, reincluindo-se a uma parcela vista como privilegiada, por eles principalmente em função de que o estudo, segundo os depoimentos, abre caminhos na vida das pessoas, facilitando o cotidiano. Acrescenta-se ainda, que a busca pelo conhecimento (conhecer, entender, compreender, interpretar, comparar, relacionar) nesta fase é mais intensa, levada mais a sério. É feita de forma madura e também prazerosa, pois não há cobrança do retorno como integrantes da população economicamente ativa que poderá surtir. Mas sim, auto-realização. Servindo de modelo para futuras gerações de que a vida só termina para quem não sonha, para quem desiste de viver; e, de que o saber é o único bem inviolável, intransferível e impagável. Enfim, retomando a questão primordial deste estudo, o porquê dos adultos maduros retornarem à sala de aula, independentemente do motivo que contribuiu para que isso acontecesse (solidão, sonho de vida, fazer novas amizades...), o que importa é que já no primeiro dia de aula se sintam acolhidos, seguros, ouvidos, felizes e acima de tudo, respeitados. Até porque é possível constatar que nenhum dos entrevistados retornou a estudar, necessariamente, por causa do diploma. Entretanto, têm o direito ao estudo que lhes foi tolhido já durante uma fase de suas vidas e que até a legislação (Estatuto do Idoso) prevê, 24 talvez como uma política pública que objetiva redimir-se (teoricamente13) por tal descaso para com estes cidadãos, o direito à educação na Terceira Idade, normatizando a necessidade de adequação curricular, metodológica etc. O que na realidade está bem longe de ser executado, pois o que se vê é uma minoria de adultos maduros estudando, sem falar que a sala de aula não está preparada para acolhê-los; pois até o conteúdo, objetivos e forma de avaliação são iguais aos direcionados aos jovens não respeitando o fator de eles estarem há muito tempo longe da sala de aula.14 Fatores desestimulantes que acabam afastando os poucos que retornaram à sala de aula e que acabam servindo de motivo para gestores públicos fecharem a EJA, o que mostra ainda mais que a educação para ser universal, gratuita e cumpra sua finalidade, primeiro tem que suprir necessidades políticas para após ser uma “conquista” social, e por sua vez, também realização pessoal. A EJA é mais uma conquista importante do direito à educação e cumpre seu papel social; portanto, não deveria ser relegada a segundo, terceiro... plano e muito menos extinta. Até porque infelizmente ainda tem muitas pessoas fora da sala de aula que não encontram o caminho para a escola, uma vez que talvez falte determinação; a qual não faltou para os sete entrevistados. O que demonstra que para encontrar o caminho de volta a escola, tem que ser forte, lutador, decidido. Dessa forma, como sugestão, a EJA deveria ser mais aberta, mais acolhedora se realmente aspira que pessoas maduras voltem à escola. 13 O fechamento da EJA em várias cidades vem ocorrendo, segundo gestores públicos, porque não há público, ou o município, por exemplo, já deu conta de educar todos que necessitavam dessa modalidade de ensino. Mas, na realidade, quem está na sala de aula sabe que não é bem assim, pois me prece mais uma questão político-eleitoreira, uma vez que os cidadãos que freqüentam a EJA não representam muitos votos, ainda mais os da Terceira Idade (voto facultativo). 14 A EJA não oferece um currículo, uma metodologia de acordo com a realidade da Terceira Idade, o que é previsto pelo Estatuto do Idoso por exemplo; o que contribui para a evasão escolar desta que já é uma pequena população estudantil. Por isso, deve ser revisto as práticas pedagógicas (objetivos dos adultos maduros que retornam à sala de aula); bem como, o sistema avaliativo (principalmente no que diz respeito a: para quê? e como?). Assim, poderemos não somente incentivar a continuidade do aprendizado como também atrair mais alunos. Deixando assim, a questão da reinclusão social da Terceira Idade através da EJA, de ser uma política pública educacional de merchandising. 25 REFERÊNCIAS BIBLIOFRÁFICAS ALVES, Andréa Moraes. Os idosos, as redes de relações sociais e as relações familiares. In: NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007. BACELAR, Rute (org.). Encontros de vida: expectativas do processo de envelhecer. Recife: Nossa Livraria, 2006. BOBBIO, Norberto. O tempo da memória – de senectude e outros escritos autobiográficos. 4.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999. CACHIONI, M. Universidades da terceira Idade: das origens à experiência brasileira. In: NERI, A. L.; DEBERT, G. G (Orgs.). Velhice e Sociedade. Campinas, SP: Papirus, 1999. CHAIMOWICZ, F. Os idosos brasileiros no século XXI – Demografia, saúde, sociedade. Belo Horizonte: Postgraduate, 1998. DEBERT, G. G. Velhice e Sociedade. São Paulo: Papirus, 1999. DOLL, Johannes. Educação, cultura e lazer: perspectivas de velhice. In: NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007. FREIRE. Pedagogia do Oprimido. 36. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003. FRUTUOSO, D.L.F. A terceira idade na universidade: estudo do campo de representação. Tese (Doutorado) – Faculdade de Educação/ UFRJ, 1996. Disponível em: www. http://www.unati.uerj.br/tse/scielo. Acessado em: 10/12/2008. GADOTTI, Moacir. Lições de Freire. Revista da Faculdade de Educação. São Paulo, vol. 23 n. 1-2 Jan./Dec. 1997. GUILHARDI, H. J. Auto-estima, autoconfiança e responsabilidade. In M. Z. S. Brandão et al. Comportamento humano: tudo ou quase tudo que você queria saber para viver melhor (pp.63-98). Santo André: Editora Eseteco, 2002. GOLDSTEIN, Lucila L. A produção científica brasileira na área da gerontologia: (1975-1999). Revista On-line da Biblioteca Prof. Joel Martins. v.1, n.1, out. 1999. Disponível em http://www.bibli.fae.unicamp.br/revgeron/llg.htm. 11 jul 2001. HAYFLICK, Marcelo A. Como e por que envelhecemos. Campos: Rio e Janeiro, 1997. LOPES, Ruth G. da Costa. Imagem e auto-imagem: a homogeneidade da velhice para a heterogeneidade das vivências. In: NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007. MESSY, J. A Pessoa Idosa não Existe. 2 ed. São Paulo: Aleph, 1999. 26 MORIN, Edgar. O método: as idéias, seus habitat, sua vida, seus costumes, sua organização. Porto Alegre: Sulina, 2008. NERI, A. L.; CACHIONI, M. Velhice bem-sucedida e educação. In: NERI, A. L.; DEBERT, G. G (Orgs.). Velhice e Sociedade. Campinas, SP: Papirus, 1999. NERI, A. L.; FREIRE, S. A. Apresentação: qual é a idade da velhice? In: ____. E por falar em boa velhice. Campinas, SP: Papirus, 2000. p.7-19. NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007. NUNES, A. T. G. L. Atenção aos Idosos da UnATI nas questões de participação Social e cidadania na Terceira Idade. Projeto de Extensão Rio de Janeiro: Faculdade de Serviço Social / UERJ, Agosto de 1993 (mimeo). Disponível em: Disponível em: www. http://www.unati.uerj.br/tse/scielo. Acessado em: 10/12/2008. OLIVEIRA, R. C. S. Terceira idade: do repensar dos limites aos sonhos possíveis. São Paulo: Paulinas, 1999. PALACIOS, Annamaria da Rocha Jatobá (2004). As marcas na pele, as marcas no texto: sentidos de tempo, juventude e saúde na publicidade de cosméticos em revistas femininas, durante a década de 90. 279f. Tese (Doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas) – Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, Salvador. Disponível em: www.bocc.ubi.pt. Acessado em: 10/12/2008. PONTAROLO, Regina Sviech, OLIVEIRA, Rita de Cássia da Silva. Terceira idade: uma breve discussão. Publ. UEPG Ci. Hum. Ci. Soc. Apl., Ling., Letras e Artes, Ponta Grossa, 16 (1) 115-123, jun. 2008. Disponível em: www.alb.com.br . acessado em 9/12/2008. SALGADO, Marcelo Antonio. O idoso brasileiro no próximo século. Disponível em: www.sescsp.org.br/sesc/imgens/upload/conferencias/58.rtf.. Acessado em 9/12/2008. SANTOS, Geraldine A., LOPES, Anita, NERY, Anita L. Escolaridade, raça e etnia: elementos de exclusão social de idosos. In: NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007.SAYEG, Mário Antonio. A vida após os 80 anos. Arquivos de Geriatria e Gerontologia. São Paulo: V. 0, n.0, p. 5-8, maio, 1996. SCHONS, Carme Regina & PALMA, Lucia Terezinha Saccomori. Conversando com Nara Costa Rodrigues sobre gerontologia social. 2. ed., Passo Fundo: UPF, 2000. SIQUEIRA, Maria E. C. de. Velhice e políticas públicas. In: NERI, A. L (org.). Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na Terceira Idade. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, SESC, 2007. SOUSA, Ana Maria Viola. Tutela Jurídica do idoso: assistência e a convivência familiar. Campinas: Aliena, 2004. http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/doc_base_25_01_07.pdf 27 www.pr.gov.bt/forum_idoso/lei1html – Atualizado em 08/06/99 – [email protected], Secretaria de Estado da Criança e de Assuntos da Família – SECR. www.ibge.gov.br 28