1 O TURISMO RURAL E AS TRANSFORMAÇÕES NO ESPAÇO AGRÁRIO. José Marcos Froehlich1 Ivone da Silva Rodrigues2 Resumo O fenômeno turismo rural vem sendo analisado, por alguns estudiosos, relacionado com a transformação multidimensional ocorrida no espaço agrário brasileiro e, aparece como uma alternativa econômica complementar a agricultura. No entanto, a complementariedade destas atividades, depende de um cuidadoso processo de articulação, com etapas e metas pré-definidas. I - À Guisa de Introdução: a Contemporaneidade do Espaço Agrário Diversos estudos recentes vêm apontando uma transformação multidimensional recorrente no espaço agrário, seja em aspectos empíricos da realidade social, seja na interpretação teórica de sua noção ou significado contemporâneo (GRAZIANO DA SILVA, 1997; CARNEIRO, 1997). Como exemplo destas transformações são mencionadas atividades como o turismo e práticas “sustentáveis” de agricultura, que despontam no meio rural, modificando a paisagem e estabelecendo novas relações e significados sociais no espaço agrário. Paralelo e frequentemente integrando também estas questões, ocorre uma crescente discussão a respeito de novas propostas de desenvolvimento para as sociedades contemporâneas. É neste sentido, portanto, que multiplicam-se, atualmente, reflexões preocupadas com o papel que o espaço agrário deve exercer na gestação de um novo “modelo” de desenvolvimento, aquele que seria sustentável, na composição contemporânea da sociedade. Diversos elementos vêm sendo mencionados para ilustrar a falência das 1 M.Sc. em Sociologia; professor do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural e do Curso de Mestrado em Extensão Rural da Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: [email protected] 2 Especialista em Educação Ambiental e Mestranda em Extensão Rural-UFSM. E-mail: [email protected] 2 interpretações dualistas3, que operam com categorias opositivas (rural/urbano; cidade/campo; tradicional/moderno), e para demonstrar a necessidade de uma nova leitura para os processos sociais no espaço agrário. Dentre estes aspectos podemos citar o fato de que o rural vem se tornando cada vez menos agrícola4, a própria PEA rural tem crescido mais do que a PEA agrícola5, e a crescente importância que vem tomando a chamada pluriatividade no meio rural6. Nesta direção, GRAZIANO DA SILVA (1993), discutindo a função do “novo rural”, sugere uma visada teórico-metodológica renovada sobre este espaço social, afirmando que: “É preciso ampliar a velha noção de setor agropecuário para além das atividades produtivas tradicionais (...) e incluir no espaço agrário a produção de “serviços” (tais como lazer, turismo, preservação do meio ambiente, etc.) e de bens não agrícolas (...).”(p.190). Tal procedimento, segundo o autor, traria melhores condições de combate à pobreza rural e de incremento de renda às populações que residem no interior do país, marginalizadas pela recente urbanização/modernização brasileira. Em trabalho mais recente, GRAZIANO DA SILVA (1997) afirma que as áreas rurais, atualmente, vêm sendo crescentemente associadas com atividades orientadas para o consumo e o setor de serviços, tais como, lazer, turismo, residência, prestação de serviços, preservação do meio-ambiente, etc, e ressalta o impacto considerável que isto vem tendo sobre a alteração da paisagem rural. Segundo ele, tais elementos contribuem para manter áreas de preservação/conservação da flora local, possibilitar e difundir práticas mais “ecológicas” ou “sustentáveis” de agricultura, dar novo uso às terras ocupadas pela agricultura familiar, bem como novas relações e postos de trabalho, além de fomentar o turismo rural. Também ABRAMOVAY (1992) pondera que o rural e, sobretudo, a agricultura familiar, deve adotar novas estratégias de reprodução, pois passada a euforia do fordismo a flexibilização também atinge a agricultura. Dentre as estratégias utilizadas por este 3 O trabalho de SOROKIN et alii (1986) é um clássico desta interpretação. Também a respeito desta discussão ver MARTINS (1986), TAVARES DOS SANTOS (1994). 4 “...já não se pode falar de mundo rural identificando-o exclusivamente com as atividades agropecuárias...”(GRAZIANO DA SILVA,1997:03); “...o espaço rural não se define mais pela atividade agrícola.” (CARNEIRO,1997:03). 5 Cf. GRAZIANO DA SILVA (1997). 3 estrato da população rural, destaca: o êxodo agrícola (redução da população em atividades agrícolas), a diminuição da mão-de-obra contratada, o part-farming (agricultura em tempo parcial), ocorrendo a integração da atividade agrícola com outras atividades (como o turismo, por exemplo), e a pluriatividade (a diversificação com objetivos menos produtivistas). Assim, as atividades como de lazer, de turismo, de segunda residências, de artesanato, entre outras, podem ser vistas como complementares a atividades agrícolas. Já há vários exemplos no país, onde estas atividades vieram a se somar à atividade agrícola, ocasionando a chamada reação em cadeia. Nesta conjuntura, as discussões atuais sobre o processo de desenvolvimento postulam uma série de questões que reforçam aspectos endógenos em detrimento dos exógenos, fazendo emergir com força a preocupação com o ambiental e o local/regional, tantos em termos geográficos como sociais. O espacial é reintroduzido nas reflexões integrando complexos políticos, econômicos e sociais/culturais. A questão do crescente turismo envolvendo regiões com fortes características rurais e a circulação de discursos e práticas “ecológicas” na agricultura, podem ser exemplo deste processo na atualidade (JESUS ALMEIDA, 1997a; ARISTIMUNHA, 1997). Neste contexto, as experiências em turismo rural vêem ganhando cada vez mais espaço como propostas para o desenvolvimento local. Para CAVACO (1996): “O desenvolvimento local assenta na revitalização e diversificação da economia, capaz de atrair população, de ocupar a população potencialmente ativa, com êxito econômico, profissional e social, de valorizar produções, de renovar as habitações e as aldeias, de assegurar melhores condições de vida (....). Combinam-se frequentemente propostas de valorização de produtos agrícolas - como produções de qualidade intrínseca, natural ou pelas condições de fabrico e transformação: biológicos, caseiros, tradicionais, específicos, regionais e locais - com 6 SCHNEIDER(1994); ANJOS (1995). 4 planos de desenvolvimento do artesanato e de atividades ligadas ao turismo e à cultura” (p. 98). Num mundo (des)territorialização, que fala cada espacialidades, vez mais em regionalização, velocidades, globalização, municipalização, e que, concomitantemente, busca construir uma nova concepção de Desenvolvimento, reconhecendo o esgotamento das até então existentes, resta a dúvida sobre quais os respectivos papéis dos diferentes espaços geográficos e sociais numa “nova utopia” de desenvolvimento. E, mais particularmente, sobre as novas leituras e alternativas que daí para o espaço agrário frente a esta configuração que se esboça. II - Transformações no Espaço Agrário e Interpretações Teóricas À velocidade crescente em todas as esferas da vida social, acompanhada de uma mundialização do consumo, onde os grupos humanos consomem bens materiais e simbólicos que se originam longe de suas fronteiras, ocorre concomitantemente um novo reposicionamento do espaço agrário. Este “se integra” à velocidade da sociedade urbanoindustrial, não só no que se refere à esfera da produção de bens materiais, mas também na proliferação de bens simbólicos, circulando e difundindo-se, assim, enunciados de urbanidade, secularização, individuação, racionalização, etc7. Porém, não está ainda claro, se esta “integração” desintegra o agrário ou o recoloca em nova condição, inclusive com força suficiente para ver resgatados elementos de sua peculiaridade. Embora o inventário de elementos que são associados às aludidas transformações no espaço agrário contemporâneo venha sendo feito por diversos autores, há diferenças consideráveis nas interpretações teóricas a respeito. Como colocamos anteriormente, 7 A idéia de globalização, tão polêmica atualmente nas ciências sociais, é analisada por IANNI (1993) sob a óptica da expansão das forças produtivas e do desenvolvimento do capitalismo, que deslancha um novo surto de acumulação. O rural é integrado neste fenômeno: "Os processos de concentração e centralização do capital, em escala mundial, revolucionam as condições de vida e trabalho no campo, acelerando inclusive a urbanização como estilo de vida, modo de localizar-se no mundo" (p.04). Já RIBEIRO (1994) complexifica mais a questão, alertando para o perigo de se fazer transposições mecânicas da economia e da idéia do "mercado global" para a área da cultura, pois o imaginário não pode mais ser concebido como simples superestrutura, já que produz efeitos tangíveis e, nos dois sentidos da palavra, significativos. E a cultura e o imaginário de um grupo social são dimensões bastante singulares e, num certo sentido, definidoras da existência deste grupo. 5 levantamos dúvidas em relação à idéia de IANNI (1993; 1997) de que, neste processo de transformação, o urbano “dissolveu” o rural8. Também GRAZIANO DA SILVA (1997) compactua, em certo sentido, desta interpretação, pois afirma que “...o rural hoje só pode ser entendido como um “continuum” do urbano...” e que houve um “...transbordamento do mundo urbano naquele espaço que tradicionalmente era definido como rural.”(p.01). Abordando os mesmos aspectos empíricos que emergem hoje transformando o rural, CARNEIRO (1997) postula uma outra interpretação teórica para esta realidade. Afirma que o processo que vem “borrando” as fronteiras entre o rural e o urbano não resulta numa homogeneização que reduz a distinção entre o rural/urbano a um continuum dominado pela cena urbana. Neste sentido, vai colocar que o impacto da modernização, embora moldado no padrão de produção e de vida urbano-industrial, tem efeitos diferenciados sobre populações locais e espaços regionais. Não se pode, assim, falar de ruralidade em geral, pois esta se expressa em diferentes universos culturais, sociais, ambientais e econômicos heterogêneos. Não importa, nesta óptica, redefinir as fronteiras entre rural/urbano ou ignorar as diferenças culturais, mas ver a diversidade de configurações dos espaços sociais em suas singularidades. Colocando a noção de diversidade para além dos nichos ecológicos, sejam “científicos” ou “naturais”, e a introduzindo na análise da sociedade e da cultura, permitese visualizar a reelaboração de “elementos tradicionais” da denominada “cultura camponesa” sob os reflexos contemporâneos do fenômeno social da “modernização”. Aspectos que até bem pouco tempo atrás eram considerados indesejáveis, atrasados e indícios de estagnação social, são resgatados sob um prisma mais positivo. CARNEIRO (1997) aponta, neste sentido, o resgate da memória cultural por grupos em espaços locais, onde voltam a ser valorizados brincadeiras, festas, jogos, etc, de matriz folk ou “camponesa”; ou mesmo na própria esfera produtiva rural, sobre a “valorização” do trabalho artesanal (vinho colonial, gêneros alimentícios característicos do local, peças de artesanato, etc) e das condições de trabalho “tradicionais” (mão-de-obra familiar, tração 8 Pode-se estender parcialmente esta dúvida a respeito da permanência de validade da interpretação de MARTINS (1986), de que o urbano subordinou o rural. Será que este processo de subordinação já está sedimentado e “finalizado” ou ainda há margens para reações, conflitos, composições, articulações e novas configurações emergentes na dinâmica dos movimentos estratégicos de luta, nas complexas sociedades contemporâneas? 6 animal, carro-de-boi, transporte a cavalo, etc). E tangenciando transversalmente este processo está a crescente preocupação/valorização da “Natureza” ou do “Ecológico”, no âmbito das sociedades contemporâneas, o que contrapõe-se em boa conta ao estilo urbano-industrial de vida, até então super-valorizado. Assim, uma das formas mais proeminentes que toma este fenômeno é a conversão desta “valorização da natureza” em atividades turísticas, em especial em espaços abertos e com a ampla integração de recursos naturais, e em produção agrícola “ecológica/sustentável”. Portanto, a preocupação/visão de “Natureza”9 que as sociedades contemporâneas, em sua dinâmica complexa, vierem a implementar hegemonicamente, jogará papel fundamental nas novas interpretações e leituras sobre o espaço agrário que deverão emergir, onde quer que estes espaços se localizem. Teoricamente, esta é uma interpretação que leva em consideração sempre presente a esfera política, pois assume que o complexo político das relações de força redefine hoje as dimensões do espaço-tempo em diferentes realidades, conformando as condições de possibilidades singulares de cada espaço social10. Assim, sob esta óptica, no estudo do espaço agrário contemporâneo é necessário trazer à reflexão os elementos que circulam na produção da realidade de outros espaços sociais, muitas vezes longínquos, e que atravessam transversalmente as sociedades, num processo hoje cada vez mais estreitamente ligado aos fenômenos do poder. Tal dinâmica tem a peculiaridade da articulação entre forças locais e forças "externas", globais, que delineiam especificidade aos fenômenos sociais, produzidos historicamente, em um dado espaço social. Por outro lado, WANDERLEY (1997), salienta a importância de conhecer o local em torno na qual a população rural está inserida e as relações desenvolvidas entre esta e a população urbana mais próxima: “Estas relações definem um espaço social, que é sem dúvida extremamente diversificado e é precisamente esta diversificação que interessa apreender e compreender” (p. 105). Também, é preciso considerar que a economia mundial, atualmente, encontra-se num processo de integração de capitais cada vez mais intenso, fenômeno que se 9 Colaboramos em alguns aspectos desta discussão em VELA et alii(1997). Pretende, deste modo, aprofundar e expandir as análises a respeito feitas em FROEHLICH (1994; 1996b). 10 7 correlaciona dependentemente com as articulações sócio-regionais configuradas em blocos econômicos. O Mercosul é um exemplo que nos diz respeito diretamente no enclave deste complexo. Na integração de mercados que pretendem os países do Cone Sul as desigualdades regionais internas constituem um agravante, muitas vezes determinantes, dos problemas de desigualdades externas entre suas economias nacionais. Neste sentido, o aproveitamento integral de recursos endógenos em nível local na metade Sul do RS, coloca-se como potencial de atividades que possam vir a possibilitar alternativas de sustentabilidade para o desenvolvimento regional da população ali situada. A questão do Turismo Rural se perfila, assim, como uma atividade econômica suscetível de favorecer os planos de desenvolvimento de zonas rurais em regiões “marginalizadas” pelo grande fluxo de capitais. Além disso, o turismo rural, contempla uma grande gama de relações com o setor agrícola, caracterizando-se por sua complementariedade em relação a este. Por outro lado, é capaz de manter constantes trocas com o meio urbano, contribuindo para que os agricultores se integrem tanto social como economicamente num contexto mais amplo. III - A atividade Turística em Espaços “Rurais” De acordo com os dados da câmara de Turismo do Rio Grande do Sul (1991), a atividade turística é a indústria que mais cresce no mundo, sendo responsável hoje por cerca de 7% do comércio mundial entre bens e serviços; e tudo indica que será o primeiro produto em geração de receitas no século XXI. O turismo emprega em todo o mundo um em cada dezesseis trabalhadores. O Brasil, no entanto, continua na contramão do crescente fluxo turístico, apresentando um défice crescente na balança de turismo de 2,4 bilhões de dólares (de janeiro a setembro de 1996, no ano anterior no mesmo período, foi de 1,7 bilhões). Na receita mundial do turismo, a fatia do Brasil caiu de 1,8 % para 0,6 % em 1989. Mesmo o país recebendo menos turistas a cada ano, esta atividade continua entre os principais produtos da exportação nacional. Segundo alguns autores (ANDRADE, 1992; CALATRAVA, sd), a atividade turística pode se constituir em um importante vetor do desenvolvimento, pois é uma 8 atividade que interage com o maior número de outros setores da economia, induzindo ao crescimento. Neste sentido, chama a atenção os dados do Anuário Estatístico da EMBRATUR (1990/1991), onde o Rio Grande do Sul aparece como o segundo portão de entrada de turistas no Brasil (30,2% do total). Isto se deve a sua proximidade geográfica com os países do Cone Sul, principal mercado emissivo de turistas ao país (49,3% do total). Neste particular, estamos nos referindo às experiências com um tipo específico de turismo, o turismo rural. Este, segundo a EMBRATUR, se caracteriza pelo fato de ocorrer no espaço rural como um todo, envolvendo os aspectos culturais, sociais, bem como as atividades agrícolas, não-agrícolas e pecuárias11. O agroturismo por sua vez também ocorre no espaço rural, mas ocorre uma interação das pessoas com a natureza e com atividades agrícolas. (TULIK, 1997) Conforme as considerações de CALATRAVA (sd), o agroturismo se situa hoje como uma atividade econômica suscetível de tomar parte nos planos de desenvolvimento, sejam locais ou/e regionais; e, inclusive, em determinadas ocasiões, constituir o eixo deste processo. Neste sentido, este autor chama a atenção para a crescente demanda dos usos de "espaços abertos" para atividades recreativas em geral, nas sociedades contemporâneas; e, dentro desta demanda, observa: "el especial interés que adquiere la demanda de turismo en zonas rurales, motivada por una creciente valoración, en las sociedades urbanas, de la vida en contacto con la naturaleza y una apreciación de los valores culturales de las sociedades rurales." (CALATRAVA, sd, p.8). Deste modo, não está ainda claro, sobre as possibilidades e características que deve ter a oferta agroturística em regiões e localidades que pretendem promover seu desenvolvimento, como aquelas situadas na metade sul do estado. Sobre esta questão, ainda segundo CALATRAVA (sd), há dúvidas se os objetivos básicos do turismo rural para as comunidades implicadas conseguirão ser atendidos, como rendas complementares, infraestrutura terciária, além de manter um certo equilíbrio entre os sistemas ecológico, sócio-econômico e cultural. 11 Para a EMBRATUR, uma grande variação das tipologias de turismo se enquadram como turismo rural: turismo integrado, turismo endógeno, turismo alternativo, agroturismo e turismo verde. Consideramos que todos estes tipos ocorrem no espaço rural, mas mantém diferenças entre si. (TULIK, 1997) 9 Neste propósito, cabe mencionar que a literatura sobre turismo relaciona como principais obstáculos para o desenvolvimento desta atividade: a) as dificuldades de acesso e transporte; b) a falta de infra-estrutura e facilidades para atrair e manter o fluxo turístico; c) a insuficiência de investimentos públicos e privados, para o desenvolvimento do mercado; d) carência de pessoal especializado, em vários níveis, em habilidades turísticas; e) a falta de um quadro institucional adequado para o desenvolvimento e promoção do turismo, como políticas coerentes, planejamento sistemático e organização eficiente. IV - Considerações (nem tanto) Finais As discussões sobre as transformações no espaço rural, longe de mostrarem-se consensuais, encontram-se em fase de acirrado debate. No entanto, já apontam de concreto, que o rural não pode ser visto apenas com “vocação” agrícola. Assim, o turismo aparece em muitos casos como uma alternativa complementar a agricultura. Este processo, deveria passar por um cuidadoso planejamento, com etapas e metas pré-definidas, sendo gradativamente implantado. Tal poderia contemplar um mapeamento dos principais produtos agrícolas e alimentícios demandados pelo fluxo turístico, um zoneamento agroecológico do espaço rural e um cadastramento de produtores que seriam estimulados a uma produção dirigida e adequada, com mercado organizado. Também se poderia desenvolver programas específicos de integração agricultura e turismo, seja através de produção artesiana típica, seja através de valorização paisagística ou lazer e esportes que ocupem o ambiente tipicamente rural (trilhas ecológicas, Montain Bike, etc). Finalizando, é forçoso dizer que a possibilidade de se empreender este referido planejamento estratégico necessita, ainda, de uma ampla gama de subsídios em termos de informações, a fim de levar a contento muitas das ações e empreendimentos demandados. Isto quer dizer que há a carência de estudos mais profundos e detalhados, voltados à problemáticas específicas no âmbito das comunidades. Na relação Turismo X agricultura, pode-se citar como exemplo pesquisas sobre os tipos de sistemas de produção agropecuários existentes, sobre o valor dos quadros paisagísticos locais, sobre a potencialidade de novos produtos agrícolas, agroindústrias e muitas outras. 10 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ABRAMOVAY, R. Paradigmas do Capitalismo Agrário em Questão. Campinas: Hucitec/ Anpocs, 1992. JESUS ALMEIDA. Turismo e Desenvolvimento em Espaço Rural. Uma abordagem Regional. Santa Maria: UFSM/CPGExR, 1997a. (Digitado). __________. Atividade Turística e Espaço Agrário: considerações exploratórias sobre o município de Restinga Seca - RS. Santa Maria: UFSM/CPGExR, 1997b. (Digitado). ANDRADE, J. V. Turismo: Fundamentos e dimensões. São Paulo: Ed. Ática, 1992. ANJOS, F. S. A Agricultura Familiar em Transformação: o caso dos colonosoperários de Massaranduba-SC. Pelotas:UFPel, 1995. ARISTIMUNHA, J. L. Agricultura Sustentável: Potencialidades e Limitantes da Produção Familiar (Uma Verificação no Planalto Médio Riograndense). Santa Maria: UFSM/CPGExR, 1997. (Dissertação de Mestrado). CALATRAVA, J. El turismo rural como recurso endogéno en el desarrollo local: consideraciones teoricas y comentarios sobre las Alpujarras Altas Occientales. sd.(*) CARNEIRO, M. J. Ruralidade: novas identidades em construção.Anais. XXXV Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural (SOBER). Natal(RN), Agosto 1997. pp.147-185. CAVACO, Carminda. Turismo Rural e Desenvolvimento Local. In: Turismo e Geografia: reflexões teoricas e enfoques regionais. Org. RODRIGUES, Adyr. São Paulo: Hucitec, 1996. 11 EMBRATUR. Anuário estatístico 1990/1991. Brasília: Secretaria do Desenvolvimento Regional, v. 20, 1991. GRAZIANO DA SILVA, J. A industrialização e a urbanização da agricultura brasileira. In: A nova dinâmica da agricultura brasileira p.169-190. ______________________ O Novo Rural Brasileiro. Campinas:UNICAMP, 1997. (Digitado-Internet) FROEHLICH, J. M. Sexualidade, Subjetivação e Poder: o discurso de “liberação dos costumes” em Vila Block-RS. Porto Alegre:UFRGS/IFCH/PPGSociologia, 1994.(Dissertação de Mestrado). __________. Alternativas em Desenvolvimento Regional: estudo comparativo sobre agro-turismo na metade sul do RS (as experiências dos municípios de Mata e Restiga Seca). Santa Maria:FAPERGS/UFSM, Relatório de Pesquisa, 1996a. __________. Poder, Tempo e Espaço no Mundo Agrário Contemporâneo. XVIII PIPSA Nacional. Campina Grande -PB: APIPSA/UFPB, 1996b. IANNI, O. Notícias do Mundo Agrário. XVII PIPSA Nacional. Porto Alegre: UFRGS/APIPSA, Out 1993. (Digitado). __________. A Era do Globalismo. 2a. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997. SCHNEIDER, S. Os colonos da indústria calçadista:expansão industrial e as transformações da agricultura familiar no Rio Grande do Sul. Campinas: Unicamp, 1994. (Dissertação de Mestrado). 12 SOROKIN, P. et alii. Diferenças Fundamentais entre o Mundo Rural e o Urbano .In: MARTINS, J. S. (Org.). Op. Cit. TAVARES DOS SANTOS, J. V. Crítica da Sociologia Rural e a Construção de uma outra Sociologia dos Processos Sociais Agrários. Ciências Sociais Hoje. São Paulo: Vértice/Anpocs, 1991. TULIK, Olga. Do conceito ás estratégias para o desenvolvimento do turismo rural. In: Turismo e Desenvolvimento Local. Org. RODRIGUES, Adyr B., Hucitec, 1997. VELA, H. ; FROEHLICH, J. M.; VALDES, J.G. Percepção Social dos Habitantes de Paraiso do Sul(RS) sobre Ecologia e Meio Ambiente. Tecnologias da Informação e comunicação em Educação à Distância. Rio de Janeiro: CCHUNIRIO/ABT/CFCH-UFRJ/UERJ/CEFET-RJ, 1997. pp.18-20. WANDERLEY, M. N. B. O “lugar” dos rurais: o meio rural no Brasil moderno. ANAIS: 35º Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural (SOBER), 1997.