Anais do 5º Encontro do Celsul, Curitiba-PR, 2003 (1095-1101)
REFLEXÕES SOBRE A AVALIAÇÃO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – ESPANHOL.
Moacir Lopes de CAMARGOS ( UNICAMP)
RESUMEN: Este trabajo pretende aportar algunos elementos que contribuyan con la conceptualización
de la evaluación en lengua extranjera. Primero se presenta el contexto de la pesquisa. En segundo lugar,
algunos conceptos teóricos sobre evaluación basados en Perrenoud, Scaramucci y otros. En tercer
lugar, se agregan a la discusión estos conceptos.
PALABRAS-CLAVE: evaluación; lengua extranjera; español.
0 - Introdução
Por meio de minha experiência como professor de línguas estrangeiras (francês e espanhol) e
materna, percebo o quanto há inquietações no que se diz respeito à avaliação1. Mesmo com os avanços
em pesquisas nas diversas áreas educacionais, alunos e professores ainda apresentam grande dificuldade
de compreensão/aceitação quando se trata de avaliação. Entre essas inquietações interessa-me
discutir/entender como avaliar um curso (nível básico) de língua estrangeira (doravante LE) – espanhol com um semestre de duração.
A partir dos anos 80, o ensino de espanhol ganhou, no Brasil, uma grande importância devido,
sobretudo, à criação do Mercosul conforme coloca Gadotti (1993). Hoje, observa-se que em quase todas
as escolas de línguas, além do inglês, oferece-se também o espanhol. Isso pode ser constatado tanto nas
capitais quanto no interior, principalmente na região sudeste.
Contudo, surge, com a corrida ao aprendizado da língua espanhola, dois problemas que gostaria de
trazer a baila e que estão diretamente relacionados à questão da avaliação: a) a formação de profissionais
capacitados para atuar nesta área de ensino; b) a escolha do material didático (livro). Quanto ao primeiro
problema, sabe-se que ainda são poucas as universidades que possuem cursos de Letras com habilitação
em espanhol. Desse modo, a grande maioria dos professores de espanhol são nativos desse idioma ou
pessoas (não importa a formação) que possuem o diploma de proficiência em língua espanhola (DELE)
ou viveram em algum país cuja língua oficial seja o espanhol, preferencialmente a Espanha. Isso tem
reflexo direto na discussão sobre avaliação, uma vez que pelo fato de o professor não possuir uma
formação adequada, compromete todo o processo de ensino/aprendizagem. Ou seja, esse profissional, na
maioria das vezes, toma um livro, sem critérios, (ou a escola lhe impõe, como aconteceu neste estudo)
como o material de base para as suas aulas. Dessa forma, a avaliação é, como pude observar em minha
experiência docente, apenas uma modificação dos exercícios contidos no livro. Também pode ocorrer de
o professor tentar ser comunicativo e, mesmo o livro sendo predominantemente estrutural, ele acredita
avaliar de uma forma “comunicativa”.
Conforme ressalta Scaramucci (1997b:4) como não há uma falta de planejamento e objetivos em
relação ao ensino e a avaliação, “quem assume esse controle é o material didático escolhido pelo
professor ou determinado pela escola (no meu caso), que tem seus próprios objetivos e, subjacente,
também uma abordagem, a de seu autor”.
Ao iniciar um curso de LE, o professor tem uma enorme preocupação em escolher o melhor livro a
ser usado. Como a abordagem comunicativa está em voga (cf. Almeida Filho, 1993), é comum ouvir os
professores de LE afirmarem orgulhosos que são adeptos de tal abordagem. Então, acredita-se que o
melhor livro é o comunicativo e, conseqüentemente, a avaliação também será comunicativa.
1 - CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA
Uma série didática de espanhol (Español sin Fronteras) chamou minha atenção logo que iniciei o
curso de pós-graduação. Recebi de presente a coleção completa do professor. Quando a folheei, imaginei
que seria difícil alguém usar um livro tão superficial, apesar de ser recente (1997). Porém, achei o
material perfeito para um fazer um trabalho de crítica de uma disciplina que cursava no Mestrado em
Lingüística Aplicada. Comecei a escrever empolgado com as críticas e, à medida que prosseguia, sempre
tinha em mente a seguinte questão: onde este livro é adotado? Imaginava que poderia ser utilizado com
alunos de escolas públicas ou que seria destinado a um público infantil.
1
O termo avaliação aqui utilizado estará sendo empregado em um sentido amplo, ou seja, não significa somente provas para
obterem notas, mas todo tipo de atividade desenvolvida na sala de aula ou em casa.
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REFLEXÕES SOBRE A AVALIAÇÃO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – ESPANHOL.
Eis que a resposta veio até mim na semana seguinte. Chamado para lecionar espanhol em uma
instituição (abaixo especificada), fiquei surpreso, perplexo quando o coordenador me impôs o livro que a
escola adotava que, para minha surpresa, era o Español sin fronteras. Respondi que já o conhecia e
pensei: e agora? Aceitei a proposta da escola e continuei a pensar no trabalho de crítica que já havia
iniciado sobre a série didática.
1.1 – A ESCOLA, OS ALUNOS
A escola é, originalmente, um centro de informática com sede em Brasília2. Porém, nos últimos
anos oferece cursos de inglês e espanhol. Em Campinas e também em várias outras cidades, a escola faz
parceria com a prefeitura e outros órgãos sem fins lucrativos para oferecem os cursos propostos a um
preço acessível.
De acordo com o folder da escola o aluno pagaria somente uma taxa de 75,00 reais pelo material
didático (no caso o livro) e escolheria o curso básico (inglês, espanhol ou informática) que desejasse
freqüentar durante seis meses, tendo uma hora e meia de aula por semana.
Como o preço do curso era baixo, houve uma grande procura. Foram inscritos 2300 alunos. Desse
total, cerca de 210 eram de espanhol. A sala de aula, apesar de muito pequena e improvisada, comportava
30 alunos. E, mesmo após no segundo mês de aula, ainda havia alunos se matriculando. A cada semana
apareciam alunos novos. O professor devia dar aulas de reposição para os novatos.
Vale ressaltar que a escola não possuía nenhum tipo de recurso (sequer mimiógrafo) para que o
professor pudesse oferecer outro material ao aluno. Todo o curso teria que ser dado a partir do livro
adotado. No meu caso, tinha oito turmas, o que dificultou prover material extra, com recursos próprios
para todos os 165 alunos. Os professores nem foram consultados para saber qual livro adotar. Não
soubemos como foi feita a escolha do livro.
Em todas as turmas pude constatar uma enorme heterogeneidade entre os alunos. Havia desde
adolescentes do ensino fundamental e médio com pessoas de terceira idade (60, 70 anos), graduandos,
mestrandos e doutorandos.
Dentre os professores de línguas, era o único com formação em Letras. Todos os outros eram
universitários, mas não estudavam Letras; dois cursavam Jornalismo, um Sociologia e um era falante
nativo da língua espanhola (latino), estudante de Engenharia.
As aulas iniciaram em maio de 2001 e terminaram em dezembro do mesmo ano. Porém, tivemos
férias em julho, paralisações por falta de pagamento e, durante o mês de novembro, não tivemos aula
devido a problemas de locação do prédio. Neste período de seis meses, tempo em que ministrei as aulas,
foi feita a geração de dados3 que será utilizada neste trabalho e também na pesquisa final de minha
dissertação de mestrado4.
2 – JUSTIFICATIVA
Dado o contexto em que se insere a situação de ensino/aprendizagem anteriormente exposta, a
avaliação me pareceu, desde o início, um enorme problema, devido à falta de discussão entre os
professores sobre o assunto ou orientação de alguém da escola de como avaliar. Pelo fato de não ser uma
escola onde os alunos necessitavam de notas numéricas ou conceituais para serem promovidos para o
semestre ou ano seguinte, confesso que não tive, inicialmente, a preocupação com uma avaliação (prova).
Entretanto, os próprios alunos, hipotetizo pela concepção que possuem do que seja ensino de LE,
perguntaram em vários momentos sobre a prova, como seria, quando esta se daria. Procurei tranqüilizálos informando que no final do curso faríamos uma prova.
Esse desafio – a problemática da avaliação – que esteve presente em todos os momentos do curso é
de suma importância para que o professor de LE, enquanto pesquisador em formação, reflita sobre sua
prática pedagógica de uma maneira ampla. Desse modo, concordando com Scaramucci (1999:120), creio
que a co-participação dos alunos na discussão e elaboração das avaliações aplicadas durante o curso
ministrado, foi essencial para que estes percebessem/refletissem sobre o seu papel de sujeito ativo no
processo de ensino/aprendizagem em que estavam envolvidos. Assim, enquanto professor, não centralizei
o poder de controlar tudo e ter a nota como forma de punição.
Vale ressaltar ainda que, apesar das numerosas pesquisas em lingüística aplicada, poucos são os
trabalhos que focalizam a avaliação em LE. Dentre esses trabalhos podemos destacar alguns
2
Sobre a escola há a seguinte página: www.pegaladrao2002.hpg.ig.com.br
Terminologia utilizada por Mason (1997)
4
Esta pesquisa está sendo desenvolvida com o auxilio do CNPq e orientação da Profa. Dra. Tereza Maher.
3
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pesquisadores que trazem grande contribuição para a área, tais como: Perrenoud (1999), Scaramucci
(1997a, 1997b, 1999, 2000), Vega (2000), Amarante (1998), dentre outros.
3 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
No que se refere às pesquisas sobre avaliação é importante os trabalhos, no campo da educação, de
Luckesi (1996) que esclarece sobre a diferença entre avaliação e verificação da aprendizagem escolar.
Para este autor a avaliação, entendida como um processo dinâmico, permite direcionar o objeto de ação,
além de possibilitar a construção de resultados positivos, uma vez que esta prática implica em coleta,
análise e síntese dos dados e tomada de posição contra ou a favor. Por outro lado, a verificação, por ser
estática, não permite direcionar o objeto de ação. Ou seja, configura-o no momento em que se obtêm os
resultados. Essa prática é comum na escola, quer dizer, aplica-se uma prova, dá a nota e o aluno é
aprovado ou reprovado. Desse modo, não se questiona o processo ensino/aprendizagem, apenas percebese um instante que, na maioria das vezes, é errôneo.
A posição de Vasconcellos (2000) também está em consonância com as idéias de Luckesi. Para
aquele pesquisador a avaliação é um processo abrangente que deve ser visto criticamente a partir de uma
prática. Então, poderá perceber pontos positivos e/ou negativos e buscar soluções.
Vasconcellos (2000:45) argumenta que a nota é fruto de uma pedagogia comportamentalista e, na
relação pedagógica atual, aparece como fator de alienação. Dessa maneira, o que interessa não é o
ensino/aprendizagem, mas a preocupação do professor em saber quanto o aluno merece e este está sempre
atento em saber quantos pontos precisa para ser aprovado. A conclusão do pesquisador é de que “a prova
é apenas uma das formas de se gerar nota, que, por sua vez, é apenas uma das formas de se avaliar.
Assim, podemos atribuir nota sem ser prova, bem como podemos avaliar sem ser por nota (este dia
parece não ter chegado plenamente ainda...)”.
Ainda no campo educacional Werneck (1996:31) faz observações relevantes em relação à
avaliação. Para este autor a escola não deveria “avaliar somente no final, mas a cada passo na construção
do saber”. Percebe-se, nessa afirmação, que a avaliação é parte integrante de todo o processo de ensino e
não apenas um momento em que é atribuída uma nota ao aluno para marcar o seu sucesso ou fracasso.
Para o autor a nota deve ser abolida da prática escolar, uma vez que não traz benefícios em termos de
aprendizagem.
Na área de Lingüística Aplicada (doravante LA) os estudos sobre avaliação em LE ainda são
poucos. Clapham (2000:148) argumenta que as pesquisas em avaliação em línguas são importantes para a
LA, uma vez que gera dados para análise.
No campo aplicado, os trabalhos de Scaramucci (1997a, 1997b, 1999, 2000) têm grande
importância tanto para o português quanto para o inglês – ambos como LE. Para esta pesquisadora a
avaliação como é feita nas escolas, atribuição de notas, não prioriza o saber, o aprender. Porém, ao invés
de eliminá-la, o professor, juntamente com a escola, deveriam estabelecer metas para o aperfeiçoamento
de todo o processo de ensino/aprendizagem. De fato, não poderíamos abolir imediatamente a avaliação,
uma vez que o aluno dever ser preparado para enfrentar exames diversos, tais como: vestibular, TOEFL
(inglês), CELPE-Bras (português), DELE (espanhol).
Para Perrenoud (1999:104) a observação formativa seria um termo mais adequado quando
tratamos de avaliação. Ou seja, há várias maneiras de o professor auxiliar o aluno no seu processo de
aprendizagem da LE, a saber: engajá-lo nas novas tarefas, aliviar sua angústia, dar-lhe confiança,
autonomia, dentre outros. Isso se deve porque, segundo Perrenoud (1999:109) “não se adquire o domínio
de uma língua estrangeira como se constrói um saber matemático”. Conclui-se, então, que não se
justifica provas de LE com análise de tópicos gramaticais isolados que, na maioria das vezes, são apenas
decorados.
Conforme nos mostra Scaramucci (1999) isso acontece devido, sobretudo, a uma ausência de
objetivos e critérios bem definidos, a avaliação é vista, na maioria das vezes, como um simples ato de dar
nota, desconsiderando o aluno como parte do processo. Dessa maneira, a avaliação se reduz ao seu
aspecto classificatório, centralizada no erro e acerto como forma de mostrar o desempenho da
aprendizagem. Para que este quadro mude, seria necessário, além da definição de objetivos, colocar o
aluno como co-participante do processo de avaliar. Assim procedendo, o professor poderia redimensionar
sua prática pedagógica.
Após essa breve exposição teórica, analisarei, na seção 5, algumas das avaliações que aconteceram
durante o curso ministrado – sem provas ou notas - conforme explicado anteriormente.
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REFLEXÕES SOBRE A AVALIAÇÃO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – ESPANHOL.
4 – METODOLOGIA
Para a execução do trabalho proposto, optei pela realização de uma pesquisa de base etnográfica,
ou seja, uma pesquisa que coloca o foco da percepção que os participantes têm da interação lingüística e
do contexto social em que estão envolvidos (Moita Lopes, 1996). Dessa forma, utilizei a sala de aula, o
espaço social onde se dá o ensino/aprendizagem, para fazer a geração de dados por meio dos seguintes
instrumentos sugeridos Cavalcanti & Moita Lopes (1991:140-1):
a) o professor fez diários das suas aulas;
b)
questionários iniciais para os alunos (informações pessoais, experiência anterior com a
aprendizagem de outra LE, motivação, escolha pela LE); questionários finais para saber sobre
a experiência com a língua, o aprendizado, etc;
c) troca de correspondência via e-mail entre professor e alunos. Este material foi analisado com o
intuito de perceber como o professor incentivou o aluno a interagir na língua-alvo e, ao
mesmo tempo, serviu para refletir sobre a natureza da relação professor/aluno e processo de
avaliação destes últimos com a LE;
d) gravação de aulas em áudio e vídeo – 2 gravações em cada unidade do livro;
e) todas as atividades foram arquivadas em portfólios.
Para a análise deste trabalho, minha atenção está voltada aos portfólios do item e.
5 – DISCUSSÃO DOS DADOS
A minha preocupação desde o início do curso foi promover a interação entre os aprendizes, pois
meu objetivo era estabelecer um bom engajamento com a língua alvo. Conforme explicitado no
questionário inicial, todos tinham claro o porquê da escolha de estudar a língua espanhola. A primeira
atividade foi a seguinte: todos se sentaram em pares para fazer perguntas ao colega e, em seguida,
apresentava-o aos outros. Após a primeira unidade do livro, repeti a mesma atividade, mas nesse
momento, todos perguntaram em espanhol, depois fizeram individualmente por escrito. Como já havia
estabelecido um clima de confiança anteriormente, todos se mostraram interessados em participar, falar,
perguntar. Como não estava preocupado em dar nota, a avaliação foi feita de forma contínua, nos dizeres
de Perrenoud (1999), uma observação formativa. Em todos os momentos estávamos avaliando; o
professor avaliando os alunos e estes opinando sobre as atividades, sobre o aprendizado, além de trazer
sempre sugestões de como avaliar.
Os próprios alunos sugeriam atividades para fazerem, como, por exemplo, pediram um livro para
ler. Passei-lhes um livro em espanhol para iniciantes e pedi uma avaliação – um resumo ou comentário
(anexo 1). Porém, não disse, em nenhum momento, sobre a nota que receberiam. Todos entregaram o
comentário por escrito ou via e-mail, perguntaram dúvidas, discutiram o livro em sala e pediram outros
para ler. Vale observar que todos escreveram, apesar do nível de interlíngua, na língua alvo. Como
muitos tinham acesso ao computador, decidi trocar mensagens eletrônicas com eles. Isso favoreceu o
processo de aprendizagem, pois muitos perguntavam dúvidas sobre a língua, a escola, as atividades e
sempre procuravam escrever em espanhol. Mesmo quem não possuía correio eletrônico, escrevia em
folhas de papel e entregavam todas as aulas. Havia um aluno que em todas as aulas sugeria um tema para
redação e dava idéias para os alunos de como estudar, inclusive trazia xerox para os todos os colegas.
Antes de começar a aula, ele lia o texto para todos, pedia para corrigir e todos comentavam.
À medida que os aprendizes tinham mais contato com a LE, as avaliações passavam a ser mais
elaboradas o que evidenciou uma prática pedagógica mais democrática, direcionada para a formação do
coletivo social, pois todos tinham as mesmas oportunidades de se comunicar (Faria, 2000:85). Por
exemplo, a partir de uma simples frase do livro “cuándo son las vacaciones en España”, uma aluna
sugeriu para fazer uma redação. Aceitei a idéia e todos escreveram sobre as férias. Quando eles
entregavam as atividades, eu fazia os comentários, mas não as corrigia riscando os erros, pois acredito
que estes fazem parte do processo de aprendizagem e o conhecimento é construído diariamente. Porém,
sempre fazia observações e os próprios alunos pediam para corrigir todos os erros, devido talvez, ser essa
prática comum na escola.
Também houve momentos de grande produtividade tanto da parte oral quanto da escrita. Após
estudarmos os verbos pronominais do livro, um aluno trouxe um xerox com desenhos para todos os
colegas o que resultou em atividades muito proveitosas. Primeiro os alunos reuniram em grupo e
descreveram os quadrinhos. Em seguida, cada um falou sobre a sua rotina diária. Para completar, pedi a
cada um para escrever a história em casa. Esta avaliação encorajou os alunos a usar a linguagem de uma
forma bastante criativa. Dessa forma, avaliava sem preocupação com nota e os alunos se interagiam tendo
oportunidade de construir um novo saber.
Moacir Lopes de CAMARGOS
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A cada unidade do livro surgiam novas avaliações, ora sugeridas por mim, outra pelos alunos. Um
diálogo sobre compras de roupas ilustrou bem uma avaliação que sugeri e todos fizeram em grupo e
depois individualmente. Durante a construção dos diálogos, achava interessante o quanto todos
participavam com um grande espírito imaginativo demonstrando criatividade e cooperação e interesse em
perguntar e pesquisar.
Na penúltima unidade do livro, pedi para continuarem o diálogo da lição. Os resultados foram
fantásticos e surpreendentes (anexo 2). Eles souberam usar a linguagem de uma forma muito criativa,
humorística e coerente o que resultou em textos que revelaram, para mim, que realmente estavam
engajados com a LE. Esses textos sempre eram lidos pelos seus autores no início da aula, o que gerava,
muitas vezes, excelentes discussões e dúvidas que resultavam em mais pesquisas em dicionários,
gramáticas, etc.
Todas as avaliações propostas eram bem explicitadas, o que facilitava ao aluno o cumprimento da
tarefa. Como a escola não tinha objetivos claros, tampouco planejamento, coube a cada professor dar o
curso, ou melhor, cumprir as lições do livro. Então, defini, que não faria prova, pois meu objetivo era,
deixei isso bem claro aos alunos desde a primeira aula, que o curso lhes proporcionaria um primeiro
contato com o espanhol. Ou seja, conhecer um pouco sobre a língua, a cultura. Desse modo, as avaliações
não eram segredo, todos as faziam porque estavam interessados em aprender.
6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em nenhum momento do curso exigi que os alunos fizessem avaliações de cunho decorativo, pois
não era minha intenção restringir a aprendizagem da língua a itens gramaticais. Conforme coloca Vega
(2000:55), não se deve “fragmentar uma série de conceitos e utilizá-los em diferentes circunstâncias, ao
invés de ter uma concepção holística, compreensiva, dos elementos que interferem no processo e,
sobretudo, ter clara a utilidade dos mesmos, de acordo ao contexto e aos objetivos que se perseguem”.
Dessa forma, fica claro que a avaliação deve mostrar como a interação entre professor/aluno,
aluno/aluno, aluno/professor contribui para um melhor desempenho no ensino/aprendizagem e não apenas
serve de um instrumento de medida como ainda é vista no sistema educacional.
A participação de todos os aprendizes no processo de ensino/aprendizagem demonstrou que,
mesmo em um ambiente adverso e sem condições – greve, falta de materiais, água potável, sala adequada
-, houve um grande aproveitamento. No questionário final, todos afirmaram explicitamente que
desejariam continuar a estudar espanhol. Mesmo sem comentarmos sobre prova no final do curso, parece
que eles perceberam que não foi necessário uma nota numérica ou conceitual para mostrar que
aprenderam. Quando perguntei, no questionário final, o seguinte: “Não fizemos prova. Isso foi relevante
para o seu aprendizado? Isso significa que não houve aprendizado?” As respostas a esta pergunta deixou
evidente que todos entenderam que a avaliação contínua foi de grande proveito. Uma aluna disse: “claro
que não, a prova não foi feita, mas em todas as aulas estávamos sendo avaliados”. Outra aluna escreveu:
“não, pois a avaliação deve ser constante”.
Dessa forma, cabe questionar o porquê de provas em LE com itens gramaticais e perguntas
confusas e capciosas o que não demonstra aprendizagem, mas, muitas vezes, a frustração dos alunos,
embora muitos professores acreditam ser comunicativos.
Concluindo, a interação estabelecida com os alunos durante todo o processo avaliativo,
possibilitou-me refletir criticamente sobre a minha prática de uma forma integradora e significativa, o que
é de grande contribuição para cursos futuros e também para a formação crítica do professor, pesquisador
em formação.
RESUMO: Este artigo pretende trazer alguns elementos que possam contribuir com a discussão sobre o
conceito de avaliação em língua estrangeira. Primeiro apresenta-se o contexto da pesquisa. Em seguida,
alguns conceitos teóricos sobre avaliação baseados em Perrenoud, Scaramucci, dentre outros. Por
último, discutem-se esses conceitos.
PALAVRAS-CHAVE: avaliação; língua estrangeira; espanhol.
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REFLEXÕES SOBRE A AVALIAÇÃO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA – ESPANHOL.
ANEXOS
Anexo 1
De:ac.viana
Para:[email protected]
Data:31/08/2001
Assunto : evaluación
!Buenas noches!
La historia es mucho interéssante, llena del ación y la suspenses. Mi recuerda del escritor
sideny Sheldon.
Yo soy enamorada por eses estilos del libros.
El detetive Frank y su amigo Jorge son parceros en todas las aventuras. Con tanta
emociones envolvidas en la carrera de mucha emoción.
Hay muchas palabras extrañas que tieno poco conocimiento. Creo que aprendi muchas
cosas del grande importancia para mi vocabulario.
Ademas, la historia llevome a leer más y más. Fie cón que él buscasse más informaciones
en la internet. Quédo más curiosa, por esa cultura que alucina quién lle conece.
Estoy cada vés más enamorada por eses estudiios. Creo que tomei la decisión cierta.
Adíos , hasta la vista.
Gracias,
Anexo 2
Diálogo
En el oficina de la Inmobiliária “Dulce Hogar” se pasa esto:
El vendedor estava atendiendo una señora que procurava una casa o piso pra comprarla o
alquilar.
Ella le pregunta muchas cosas acerca de los inmobiles y está muy interessada en un apartamento
con una habitación. Pero el vendedor le dijo que no tiene. Esto se pasa porque el vendedor enquanto
hablava con la señora, miro en la puerta uma guapa señorita, jóven y ben dotada de formas. Vestia una
blusa escoltada y una falda corta.
Los ojos del vendedor se abrieron y miraran solamente esta joven de pelos largos. Con las
manos en la corbata para se sentir mas guapo le dijo con una voz caliente:
V - Buenas tardes señorita!
S – Buenas tardes
V – En que puedo servirte? Estoy pronto! Alguna informacion acerca de una casa o piso?
S – No, no me intereso por estas cosas.
V – Quieres que lo mostres un apartamento, un chalé en las montañas, o en la playa?
S – No, no me gusta las montañas, y en la playa me quemo, porque soy muy blanca y el sol es muy
caliente!
V – Pero tenemos otras cosas ....
La joven interrompe el dialogo y dice:
S – Pienso que adelanté en puerta errada. Procuro una peluquera de nombre Ana y aça no és una
peluqueria. Perdoname, Adiós!
Obs: na digitação do texto acima, foram mantidos os erros, pois não era a intenção intervir na escrita do
aluno. Os comentários, bem como as correções, foram feitos após a leitura em sala de aula.
Moacir Lopes de CAMARGOS
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