Pensando em Qualidade de Vida no Trabalho
Cristiane Baecker Avila1
O
DETRAN/PR,
através
da
CORH,
investiu
na
atualiazação
de
conhecimentos na área de Qualidade de Vida no Trabalho. O presente artigo é o
resultado de parte deste investimento, nele pretende-se apresentar os principais tópicos
discutidos no VII Congresso de Stress da ISMA-BR (International Stress Management
Association) e IX Fórum Internacional de Qualidade de Vida no Trabalho, ocorrido em
25/06/2007 a 29/06/2007, em Porto Alegre – RS, no qual a CORH teve um representante
(Cristiane).
A primeira palestra, do dia 26/06/2007, tinha como título: “Reduzindo os
gastos com saúde através de treinamento para gerenciar o nível de stress”, ministrada
pelo Dr. Richard Rahe (Estados Unidos), psiquiatra, co-autor do primeiro teste de stress,
de 1967, e, mais recentemente, do Breve Inventário de Causas e Estratégias para Lidar
com o Stress. O palestrante ainda é consultor de empresas americanas sobre
gerenciamento de stress corporativo como forma de contenção de despesas.
Desenvolveu um programa de gerenciamento do stress pós-traumático para as Nações
Unidas e para a Organização Mundial da Saúde.
Na palestra o Dr. Rahe abordou o inventário de stress, como ele foi feito e
atualizado. O stress, segundo o doutor, é uma resposta normal do organismo humano a
uma mudança, a um acontencimento novo, tendo implicações psíquicas e físicas, no
entanto se o indivíduo sofre muitas mudanças impactantes em sua vida, e não tem tempo
de voltar ao equilíbrio que caracteriza o bem estar físico-psíquico-social, pode
desenvolver o stress patológico. O inventário vai verificar isto, em qual nível de stress a
pessoa se encontra. O instrumento funciona por pontos que o próprio indivíduo dá a
eventos estressantes, de acordo com uma escala, o evento pode ser a mudança de casa,
a perda de um ente querido, a separação de um casal, desemprego, entre outros.
1 Agente Profissional/Psicóloga, lotada na CORH, que participou do VII Congresso de Stress da ISMA-BR e
IX Fórum Internacional de Qualidade de Vida no Trabalho pela CORH/DETRAN-PR, onde buscou-se
conhecer as pesquisas atuais realizadas, bem como a troca de conhecimentos e experiências com outros
profissionais especialistas na área.
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O palestrante colocou ainda que quanto mais mudanças significativas o
indivíduo tem durante a vida, maior a chance de desenvolver um stress patológico. Este
aumenta o risco de doenças, inclusive existem indicadores orgânicos de stress, a taxa de
colesterol e do hormônio epinefrina. O colesterol, por exemplo, aumenta com o stress.
Rahe afirma que a diferença entre adoecer e não adoecer está na
efetividade das estratégias que cada sujeito utiliza para lidar com o stress, claro que estas
têm limitações frente aos eventos da vida, conforme for a situação não haverá estratégia
que contenha o processo de adoecimento, mas elas podem fazer muita diferença.
A segunda palestra foi proferida pelo Dr. Arlindo Gomes (Rio de Janeiro), e
tratava do tema: “Como legisladores, governo, sindicatos, trabalhadores e empresários
podem reduzir o stress no trabalho”. O Doutor é médico do trabalho da Petrobrás e diretor
científico da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Na palestra abordou-se as
mudanças que devem acontecer na Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) para
proteger o trabalhador do stress no trabalho, o que deveria ser fiscalizado mais
efetivamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego para diminuir o stress no trabalho, e
qual é a prática para reduzir o stress dos funcionários nas melhores empresas para se
trabalhar.
Nesta palestra se destacou os seguintes tópicos:
➢
Os problemas, de maior ocorrência, advindos do stress no trabalho, são:
transtornos de ansiedade, depressão e lombalgia.
➢
Um dos principais motivos do stress no trabalho é a sobrecarga de trabalho, e
este é um ponto consensual entre os pesquisadores.
➢
Os diretores, chefes, governantes precisam estar cientes do que representa o
stress patológico e de como ele ocorre para se comprometerem com programas
de qualidade de vida no trabalho - PQVT, pois sem este comprometimento o
programa não apresenta resultados, pois tem seu desenvolvimento prejudicado.
➢
Ao realizar trabalhos na área de qualidade de vida é preciso ter sempre presente
que Proteção e Tutela são práticas diferentes, é preciso proteger, mas não
tutelar o funcionário.
➢
Existem estressores objetivos (ambiente desagradável) e estressores subjetivos
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(cobrança da chefia, ameaça de desemprego, deficiência de capacitação, MAU
RELACIONAMENTO INTERPESSOAL, assédio e abuso moral), e para
implementar um bom PQVT é preciso identificar os estressores existentes na
organização.
O Dr. Arlindo ressaltou que um PQVT implica em uma mudança da cultura
organizacional, pois no sistema capitalista se pensa pouco no ser humano e muito na
produtividade.
Na seqüência ocorreu o painel: “Promoção da saúde através de programas
de qualidade de vida”. No qual a Doutora Ana Cristina Limongi-França, falou sobre
“Modelos de gestão com promoção de saúde e qualidade de vida”. A Doutora é livredocente do Departamento de Administração da FEA-USP e diretora do Núcleo de
Pesquisas em Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho.
Durante a explanação do tema, a Doutora Ana enfatizou a importância do
Contrato Psicológico do Trabalho na promoção da saúde. Toda vez que se contrata
alguém, subjetivamente ocorre um contrato de como será a relação de trabalho, o que
esta pessoa fornecerá à instituição e o que espera receber da mesma, como promoção,
reconhecimento e etc. É importante que este contrato psicológico fique claro para não
gerar expectativas que são impossíveis de serem atendidas. Na mudança organizacional
este contrato também deve ser observado, de forma a evitar constrangimentos ou
conflitos desnecessários, pois o mesmo se relaciona intimamente com a motivação e o
desejo do funcionário de trabalhar naquele local, com aquelas atividades, refletindo na
qualidade de vida, no prazer que o indivíduo sente ao executar seu trabalho.
A Drª. Ana colocou que um aspecto muito importante de ser observado nos
PQVT, é o fato destes possuírem uma abordagem biopsicossocial, ou seja, abordarem o
indivíduo como um todo, preocupando-se com sua saúde, que implica inclusive nas
condições de moradia e lazer deste trabalhador.
Segundo Limongi-França, uma prática muito comum também é enriquecer a
função, porém deve se tomar muito cuidado, é preciso verificar a qualidade da atividade,
não pode ser uma atividade inútil e, principalmente, o funcionário precisa saber de sua
utilidade, compreender a importância de sua tarefa para o processo.
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Na parte da tarde ocorreu uma apresentação de casos intitulada “Cases
QVT: Modelos inspiradores em gestão de pessoas”.
O primeiro caso apresentado foi da revista Exame - “As descobertas do Guia
Exame – Você S/A 2006”, que enfocou o guia Melhores Empresas para se Trabalhar. O
palestrante foi substituído pela Sra. Márcia, que na explanação explicou como funciona o
guia. As empresas solicitam sua inclusão e então a revista faz uma pesquisa na
organização, avaliando vários pontos, conforme o escore a empresa é classificada. Neste
processo levanta-se muita informação que pode contribuir para o desenvolvimento e
aperfeiçoamento da empresa, o retorno da pesquisa para a organização é de grande
valia.
O segundo caso apresentado foi: “Case Accor: Cultura de qualidade de vida
no trabalho: a longa jornada!”, apresentado por Catarina Jacob, gerente de benefícios &
proteção à saúde da Accor. Ela desenvolve programas de prevenção e promoção da
saúde e modelos de planos de saúde. Sua apresentação foi sobre os programas da
empresa Accor, que são:
➢
Programa Viva Melhor: consiste em cartilhas sobre um determinado assunto
voltado à saúde, bem como de cartas com orientações de saúde. Por exemplo:
quando a funcionária engravida é mandada uma carta parabenizando a futura
mamãe junto com orientações sobre a nutrição durante a gestação, bem como o
convite para participar de encontros sobre o tema. Nestes encontros fornecem
cartilhas sobre a gravidez, explicando o que ocorre em cada mês de gestação,
entre outras atividades.
➢
Programa Viva Mulher: busca associar a beleza e a saúde.
➢
Programa para homens, com intuito de incentivar determinadas práticas, como
por exemplo a realização do exame de próstata. Este programa objetiva
conscientizar os homens para o cuidado com sua sáude, pois existe uma cultura
de que “homens não vão ao médico, são fortes”.
➢
Programa Saúde Presente: consiste em sortear entre os aniversariantes do mês
um check up.
A Sra. Catarina também enfatizou a importância de elaborar programas
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diferentes para “executivos e peões”, pois existem necessidades diferentes para serem
atendidas, o que implica no sucesso dos programas.
A última apresentação foi: “Case Fras-le: Pessoas inspirando a gestão. O
palestrante foi o senhor Luis Antonio Oselame, diretor executivo da Fras-le. É
administrador de empresas e concluiu o STC executivo pela Fundação Dom
Cabral/Kellog(USA). Destacou-se na sua explanação algumas ações realizadas pela
empresa no PQVT:
➢
Homenagem por tempo de serviço – presenteia o funcionário com uma placa
comemorativa pelos anos de serviço prestado. É uma ação simples, na qual o
funcionário sente sua dedicação reconhecida.
➢
Ações de voluntariado – na qual grupos de funcionários vão ajudar outras
instituições. Trazem grande retorno, o funcionário fica mais motivado, integra
melhor os trabalhadores.
➢
Visitas dos familiares à empresa.
➢
Prestação de serviços na empresa para funcionários (por exemplo: Odontólogo).
O segundo dia começou com a mesa-redonda “Técnicas para driblar o
stress”, da qual participaram três palestrantes. Ressalta-se a terceira palestra desta mesa,
intitulada ”Treinamento autógeno: uma técnica eficaz de relaxamento”, ministrada pelo Dr.
Werner Zimmermann, psiquiatra com especialização em dependência química e
psicoterapeuta de treinamento autógeno (TA) e de visualização pela Universidade de
Berna, na Suiça. A explanação tratou sobre a técnica do TA, que consiste de seis
exercícios, os quais exigem a entrega total do sujeito à atividade, além de necessitar de
treinamento para que a pessoa se aprofunde.
Esta é uma técnica de relaxamento, que melhora as condições físicas e
psíquicas do sujeito. O TA possibilita que cada um entre em contato com seu
inconsciente, pode ser considerado uma terapia básica, pois depois que a pessoa
aprende ela faz sozinha. Ele é ensinado preferencialmente em grupo e possui várias
indicações, inclusive ajuda a diminuir dores crônicas.
Após a mesa-redonda aconteceu a palestra “Avaliação da magnitude do
transtorno de stress em vítimas de seqüestro e seu tratamento”, proferida pelo Dr.
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Eduardo Ferreira-Santos, médico-supervisor no Instituto de Psiquiatria do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina na USP. É mestre em Psicologia Clínica e doutor em
Ciências Médicas. Na palestra o Doutor enfocou o que é Transtorno de Estresse PósTraumático (TEPT), a violência psicológica do seqüestro e a Terapia Breve Focal no
atendimento a vítimas de TEPT. O palestrante enfatizou em sua fala que no Brasil se dá
pouca atenção à vítima e mais para os agressores.
O Dr. Eduardo esclareceu que existem dois tipos de vítimas, a primária e a
secundária. A vítima primária é aquela que vivenciou o trauma (assalto, seqüestro...) e a
secundária são os familiares e amigos da pessoa que sofreu a agressão. O doutor ainda
explicou a diferença entre Transtorno do Estresse Agudo e Transtorno do Estresse PósTraumático. O primeiro ocorre logo após o evento, durante o primeiro mês e a pessoa
apresenta reações graves, mas que costumam passar com o tempo. O segundo se
caracteriza pelos sintomas surgirem aproximadamente entre 2 meses após o evento hà 5
anos, e estes sintomas não são passageiros, a pessoa precisa de tratamento para poder
lidar com o cotidiano harmonicamente.
A próxima palestra foi “Avaliação e administração de comportamentos
destrutivos em executivos e profissionais”, ministrada pelo Dr. Ronald Schouten (EUA),
diretor do Serviço de Direito e Psiquiatria do Massachusetts General Hospital e professor
adjunto de Psiquiatria Forense na Faculdade de Medicina da Harvard University. É
consultor internacional em psiquiatria forense, assédio sexual e violência no local de
trabalho. Sua palestra focou o impacto negativo na organização e na equipe destes
comportamentos, o desafio na avaliação das causas dos comportamentos destrutivos e o
gerenciamento dos mesmos para possibilitar um retorno à produtividade, a partir da
perspectiva do Direito nos Estados Unidos. São os deprimidos, psicóticos, abusivos,
ameaçadores ou violentos que geralmente causam problema na empresa, isto não
significa que pessoas com estas dificuldades não devam ser contratadas, pois nem todas
vão gerar problema, mas sim que deve-se dar uma atenção especial à estes funcionários,
fazer um acompanhamento dos mesmos na empresa. O Doutor colocou ainda que é
fundamental tomar cuidado para não rotular os funcionários, pois o estigma prejudica o
desenvolvimento do profissional, suas capacidades e habilidades podem não ser
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reconhecidas e um julgamento prévio pode ser errôneo.
O Dr. Ronald enfatizou também o fato dos colegas protegerem o executivo
com o problema, eles fingem que nada está acontecendo. Esse corporativismo não
contribui nem para o desenvolvimento do profissional, nem para o da empresa. Os
funcionários chefiados por estes executivos apresentam vários problemas de saúde e o
abstenseísmo no setor é alto.
Neste dia, à noite, teve o painel internacional “Violência no trabalho”, com
três palestrantes.
A primeira a palestrar foi a juíza Beatriz Renck, do Tribunal Regional do
Trabalho da 4ª Região. Ela é mestra em Poder Judiciário e ex-diretora do Foro Trabalhista
de Porto Alegre (RS). A juíza trabalhou os seguintes temas: 1) Assédio Moral:
caracterização e efeitos na relação de emprego. 2) Responsabilidade do empregador.
A palestrante começou sua fala apresentando a definição de assédio moral,
de acordo com a pesquisadora e profunda conhecedora da temática - Marie-France
Hirigoyen, para a qual o assédio moral é todo o comportamento abusivo (gesto, palavra
ou atitude) que ameaça a integridade física e/ou psíquica do indivíduo, por sua repetição,
degradando o ambiente de trabalho. Estas ameaças se tomadas separadamente podem
não parecer graves, mas por serem sistemáticas se tornam bastante destrutivas. É um
fenômeno íntimo e que causa vergonha às vítimas.
O motivador do assédio é a necessidade de poder, e é passível de ocorrer
entre colegas, ou por parte do superior com o funcionário e vice-versa. As atitudes mais
comuns de assédio moral são:
➢
Recusa do assediador à comunicação direta.
➢
Induzir o outro ao erro.
➢
Isolar o outro.
➢
Utilizar de métodos para desacreditar o outro.
➢
Desqualificar o outro.
➢
Causar vexação ao outro, por exemplo: dar tarefas inúteis ou imcompatíveis com
a instrução.
O assédio moral traz graves conseqüências para a saúde e as mulheres são
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mais suscetíveis a esta prática.
A juíza colocou ainda que a responsabilidade é do empregador,
independente se este sabe o que acontece ou não, pois ele tem obrigação de saber e de
tomar uma atitude para parar o acontecimento. Isto serve tanto às empresas privadas e
mistas, quanto aos órgãos públicos.
A próxima palestrante foi a senhora Niura, que substituiu o Dr. René
Mendes. Ela falou sobre a Síndrome de Burnout, que é uma forma de stress que atingi
determinados profissionais. Destacou-se nesta palestra a questão do funcionário
multifuncional, que é preciso cuidado ao realizar esta prática, pois isto pode significar
sobrecarga de trabalho, e que este termo não é apropriado legalmente, pois o trabalhador
não deve sofrer desvio de função, nem acumular funções. Ela colocou que é importante
enriquecer determinadas tarefas, mas que isto significa torná-las mais complexas e não
em aumentar o número de atividades de baixa complexidade.
O Doutor Ronald Schouten foi novamente palestrante, apresentando o tema
“Agressão e Comportamento Pertubador no Local de Trabalho”. Primeiro ele
contextualizou a situação nos Estados Unidos, inclusive as situações de atiradores em
empresas, locais públicos, escolas, universidades e etc. Defendeu a idéia de que é
preciso rastrear a violência não fatal, ficar atento a fatores de risco, principalmente o
abuso de substâncias. É preciso observar também se a pessoa não está usando a
ameaça aos outros como forma de defesa, para orientar o funcionário a lidar melhor com
a situação.
As organizações devem possuir uma política de gerenciamento deste tipo de
problema. Para tratar a situação deve-se: detectar o conflito, possuir estratégias de
resolução e técnicas de gerenciamento do stress. O treinamento de chefias e funcionários
em relacionamento interpessoal, integração e gestão de conflitos ajuda a prevenir e
amenizar a ocorrência desses tipos de problemas.
O Doutor afirmou ainda que nos casos de assédio moral, em que o
abusador não tem consciência do que está fazendo, pois pensa que é apenas o estilo
gerencial, deve-se chamar para conversar o abusador e colocar de forma muito clara que
sua prática é abusiva e não uma forma de gerenciamento de pessoal. Num primeiro
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momento a pessoa pode ficar constrangida ou revoltada, negando a situação, mas acaba
aceitando e repensando seu comportamento. É preciso que se dê suporte ao profissional
no processo de mudança, mantendo um diálogo aberto com o mesmo.
A primeira atividade do dia 28/06 foi o painel “Políticas Públicas
Transformadoras”, um dos palestrantes foi o senhor Plínio, diretor do Observatório de
POA e vice-presidente do Fórum de Responsabilidade Social. O tema abordado foi
“Resultados práticos da governança solidária”.
Segundo o senhor Plínio, a governança solidária tem o objetivo de dar um
foco para as ações solidárias, que estão dispersas, como o voluntariado, ou seja, visa
racionalizar o capital social, bem como capacitar os envolvidos. No observatório
consegue-se mapear as necessidades combinadas para determinada região, por ex. ver
qual região tem o maior número de famílias chefiadas e sustentadas por mulheres e a
rede de creches para o mesmo local, o que ajuda a coordenar as ações.
Os dois últimos painéis tiveram o intuito de apresentar os programas
desenvolvidos pelas empresas participantes do evento. No primeiro, “A responsabilidade
social da mídia”, os painelistas apresentaram o seguintes temas:
➢
“A mídia como parceira de projetos sociais”, apresentado pelo diretor geral do
Grupo Bandeirantes de Comunicação no RS, Leonardo Meneghetti, que
explanou sobre o programa de televisão, veiculado pela Bandeirantes no RS,
mostrando o trabalho de voluntários em vários setores e locais do respectivo
estado, visando incentivar estas práticas, dando visibilidade a estes voluntários.
➢
“Mídia: consciência e alienação”, no qual o sr. Luiz Coronel, escritor, publicitário
e presidente institucional da Associação Latino-Americana de Agências de
Publicidade, falou sobre a qualidade dos programas, a adequação do conteúdo
ao horário, bem como sobre as idéias propagadas, “vendidas” ao público, que
muitas vezes se incentiva comportamentos antisocias, individualistas e etc.
➢
“A responsabilidade do jornalista diante do teclado e da sociedade”, tema
proferido pelo sr. Marcelo Rech, diretor de redação do jornal Zero Hora e diretor
editorial dos jornais do Grupo RBS. O enfoque foi na responsabilidade social do
jornalista, principalmente do repórter investigativo, em denunciar à sociedade os
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problemas sociais. Debateu-se o fato dos jornais só mostrarem “derramamento
de sangue”, violência e caos, de não mostrarem muitos fatos positivos. O
jornalista apresentou um argumento que chamou a atenção: de que as pessoas
não vão prestar atenção em fatos corriqueiros, como por exemplo, antes do caos
aéreo, veicular que os vôos estavam saindo pontualmente. Hoje esta notícia é
importante, mas antes fazia parte do dia-a-dia. Ele colocou que a reportagem
deve chamar atenção do público e ser relevante socialmente.
O encerramento do evento recapitulou os temas abordados no evento e
enfatizou a necessidade de se trabalhar estes temas no ambiente de trabalho, buscando
melhorá-los de forma a propiciar uma boa qualidade de vida no trabalho. Salientou-se que
em todas as apresentações abordou-se a importância da integração de funcionários, seja
através de cafés da manhã, almoços ou outras atividades, para a existência de uma boa
Qualidade de Vida no Trabalho, bem como para uma bom desenvolvimento
organizacional.
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