UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CAMPUS DE JI-PARANÁ CLEIDSON BRUNO DE ABREU COELHO BARRETO EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS NA DEFINIÇÃO DA HORA MORTE DE UM INDIVÍDUO E ESTIMATIVA POPULACIONAL DA ARARA-AZULDE-LEAR JI-PARANÁ/RO 2012 CLEIDSON BRUNO DE ABREU COELHO BARRETO EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS NA DEFINIÇÃO DA HORA MORTE DE UM INDIVÍDUO E ESTIMATIVA POPULACIONAL DA ARARA-AZULDE-LEAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Fundação Universidade Federal de Rondônia ―UNIR, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura Plena em Matemática, sob orientação do Prof. Ms. Reginaldo Tudeia dos Santos. JI-PARANÁ/RO 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CAMPUS DE JI-PARANÁ CLEIDSON BRUNO DE ABREU COLELHO BARRETO EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS NA DEFINIÇÃO DA HORA MORTE DE UM INDIVÍDUO E ESTIMATIVA POPULACIONAL DA ARARA-AZULDE-LEAR Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado como parte dos requisitos para obtenção do título de Licenciado em Matemática e teve o parecer final como aprovado, no dia 26 de Novembro de 2012, pelo Departamento de Matemática e Estatística da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná. Prof. Ms. Reginaldo Tudeia dos Santos (Prof. Orientador e Presidente da Banca) Prof. Dr. Ariveltom Cosme da Silva (Membro da Banca) Prof. Ms. Marlos Gomes de Albuquerque (Membro da Banca) Ji-Paraná, 26 de Novembro de 2012 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por me dá forças para lutar todos os dias em busca de meus sonhos. Mesmo em momentos difíceis onde pensava ser impossível o senhor me mostrou luz e paz para não desacreditar e seguir em frente, sempre com o pensamento de que não existe limite para todos que desejam ir ao infinito. A minha Mãe, Rosângela, ao meu Pai, Evaldo e a meus irmãos, Cleiton Carlos e Cleisson Ricardo, que sempre acreditaram nos meus sonhos e me incentivaram a sempre continuar persistindo nos meus objetivos e este trabalho é o resultado de apenas um dos meus sonhos que dedico a vocês, pois vocês são os alicerces que me ensinaram a resistir e enfrentar os obstáculos visando sempre à vitória. A minha noiva, Bruna Talita Reis, que acompanhou de perto meu esforço, me apoiou e compreendeu os momentos de ausência, assim como esteve ao meu lado compartilhando minhas vitórias e realizações. Não posso deixar de agradecer a Família Reis que também sempre estão me apoiando. Ao Professor Reginaldo, por suas sábias palavras de incentivo, que acreditou desde o início neste trabalho, sabendo criticar nos momentos certos e elogiar de maneira construtiva. Ao Professor Ariveltom por aceitar avaliar e colaborar de forma a enriquecer este trabalho. Ao professor Marlos, que me ensinou a matéria de equações diferenciais de maneira tão brilhante, que me inspirou a querer desenvolver um trabalho nesta área, por avaliar e contribuir no desenvolvimento desta pesquisa. Esse conhecimento levarei comigo para sempre, por isso deixo meus mais sinceros agradecimentos a todo o corpo docente do departamento de matemática de Ji-Paraná. Aos meus amigos, que conhecem minha vida e estão comigo em todos os momentos, essa vitória também vai para vocês, não pensem que o tempo me fará esquecer seus nomes, mesmo que muitos já não estejam convivendo comigo, ainda sou o mesmo, o simples Cleidson Bruno. “As equações diferenciais tem uma importância muito grande nas aplicações de matemática” Louis Leithold (1994) RESUMO Esta pesquisa traz um breve contexto histórico das equações diferenciais e de alguns pesquisadores que contribuíram para o seu desenvolvimento, além de apresentar algumas de suas contribuições. A pesquisa apresenta ainda, uma abordagem teórica das equações diferenciais relacionada a seus teoremas, suas definições e resoluções, além de apresentar algumas aplicações em biologia. Dentre as aplicações, ela apresenta uma equação utilizada para determinar o instante da morte de um indivíduo, além de tratar do crescimento e decrescimento populacional, através de modelos matemáticos, da Arara-azul-de-Lear, espécie ameaçada de extinção. PALAVRAS-CHAVE Equações Diferenciais; Tempo da morte de um sujeito; Equações Diferenciais aplicadas a Biologia. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 8 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................................ 9 1.1 UM BREVE CONTEXTO DAS EQUAÇÕES DIFERENCIAIS .................................... 9 1.2 DEFINIÇÕES DAS EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ...................................................... 10 1.2.1 Equações Diferenciais Ordinárias ........................................................................ 12 1.2.1 Equações Diferenciais Parciais ............................................................................. 13 2 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS A BIOLOGIA ......................................... 13 2.1 METODOLOGIA DA PESQUISA ................................................................................ 15 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................... 16 3.1 TEOREMA DE NEWTON: LEI DE VARIAÇÃO DE TEMPERATURA ................... 16 3.2 ENTREVISTA COM UM MÉDICO LEGISTA DA POLICIA CIVIL ......................... 17 3.3 MÉTODOS PARA DETERMINAR O INSTANTE DA MORTE DE UMA PESSOA 18 3.4 APLICAÇÃO DO TEOREMA DE NEWTON .............................................................. 20 3.5 CRESCIMENTO POPULACIONAL DA ARARA-AZUL-DE-LEAR ........................ 23 3.6 APLICAÇÃO DA TEORIA DE MALTHUS NA ESPÉCIE ARARA-AZUL-DE-LEAR ............................................................................................................................................... 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 28 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 29 APÊNDICES ........................................................................................................................... 31 8 INTRODUÇÃO As equações diferenciais estão diretamente relacionadas ao cálculo diferencial e integral desenvolvidos por Isaac Newton1 (1642-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz2 (16461716). Ao longo dos séculos foram surgindo outros estudiosos que aprofundaram os conceitos fundamentais e ampliaram os campos de atuações. Existem estudos relacionados à aplicação das equações diferenciais em engenharia, em estatística, em questões financeiras, em fenômenos biológicos envolvendo modelagem matemática, entre outros. Na biologia é comum o uso das equações diferenciais em modelos populacionais, manipulação de medicamentos e casos de variações de temperatura. Para entender o processo de formação de modelos matemáticos e quais são eles, é necessário compreender teoremas e definições que os envolvem, além de fazer uma análise da história das equações diferenciais. Essa pesquisa busca mostrar parte da evolução histórica das equações diferencias, além de algumas de suas aplicações. Para tanto, ela esta assim distribuída. No capitulo 1. É feita uma abordagem histórica relacionada às descobertas do cálculo com autores e suas contribuições. Apresenta algumas definições de derivadas, além de algumas definições de Equações Diferenciais Ordinárias (EDO) e de Equações Diferenciais Parciais (EDP). O capitulo 2, destaca a importância da matemática aplicada à biologia e apresenta a metodologia usada para o desenvolvimento da pesquisa. O capítulo 3, traz os resultados e discussões sobre aplicações das equações diferenciais. Ele traz dois casos de aplicações das EDO, o primeiro é a da determinação da hora da morte de um indivíduo, por meio da Lei de Variação de Temperatura de Newton. O segundo caso, aborda o crescimento e da população de Araras-azuis-de-Lear, atualmente ameaçada de extinção e protegida legalmente. Por meio de Equações Diferenciais será mostrado que o aumento populacional destas espécies obedece a um modelo matemático que permite especular o número de indivíduos de acordo com o tempo decorrido. 1 Nasceu no interior da Inglaterra, no dia de natal e ano da morte de Galileu. Estudou no Trinity College em Cambridge em 1661. 2 Nasceu em Leipzig na Alemanha, entrou na universidade 15 anos onde concluiu bacharelado. Estudou teologia, direito, filosofia e matemática na universidade. 9 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1.1 CONTEXTO HISTÓRICO DAS EQUAÇÕES DIFERENCIAIS Viana & Silva (2007, p. 3) afirmam sobre a História da Matemática (HM) que: O conhecimento da HM possibilita perceber que as teorias que hoje aparecem acabadas e elegantes resultaram de desafios que os matemáticos enfrentaram e que foram desenvolvidas com grande esforço, quase sempre, numa ordem bem diferente daquela em que são apresentadas após o processo de formalização. O início do estudo das equações diferenciais surgiu com Newton, que desenvolveu o teorema fundamental do cálculo e Leibniz que chegou aos mesmos resultados em um estudo paralelo. Mas Isaac Newton era reservado quanto à divulgação de seus resultados, por não gostar de ouvir críticas, enquanto Leibniz era mais flexível e publicava o resultado de seus trabalhos, como a descoberta do cálculo diferencial e integral. Mas ainda assim, Newton apresentou contribuições para o desenvolvimento da matemática, dentre elas é possível destacar a classificação das equações diferenciais de 1ª ordem. Alguns conceitos nesta área são atribuídos a Leibniz, como a criação da notação usada na diferencial, o sinal da integral, o método de separação de variáveis, a redução de equações homogêneas e as equações separáveis, além do método de resolução de equações diferenciais de 1ª ordem. Depois de algumas tentativas ele se fixou em e para as diferenças menores possíveis (diferenciais) em e , embora inicialmente usasse e para indicar o abaixamento de grau. A principio ele escreveria simplesmente omn (ou “todos os ”) para soma das ordenadas sob uma curva, mas mais tarde ele usou o símbolo ∫ , e ainda mais tarde ∫ , o sinal de integral sendo uma letra s (para soma) aumentada. (BOYER, 1974, p. 295) Jakob Bernoulli3 (1654-1705) e Johann Bernoulli4 (1667-1748) desenvolveram uma nova forma de resolver problemas usando equações diferenciais, conhecida como equação de Bernoulli, além da realização de outros estudos. Daniel Bernoulli5 (1700-1782) era fascinado por essa área e concentrou-se em ampliar o campo de suas aplicações. Outro matemático considerado o maior do século XVIII foi Leonard Euler6 (1703-1783), um dos pioneiros no estudo das equações diferenciais parciais, ele definiu sua forma geral e apresentou o modelo 3 Nasceu em Basel na Suíça, tornou-se professor de matemática em Basel em 1687. Nasceu na mesma cidade de Jakob e assumiu a posição do irmão em 1705 quando ele faleceu. 5 Nasceu na Holanda, era filho de Johann e integrou a academia de São Petersburgo. 6 Nasceu na Basiléia, foi aluno de Johann, considerado o maior matemático do século XVIII. Ficou cego nos últimos 17 anos de sua vida, mas escreveu diversos trabalhos. 4 10 para a solução geral, desenvolveu o método do fator integrante, além de fornecer bases para a continuidade dos estudos sobre o assunto, como Boyer (1974, p. 333) cita. Euler foi sem dúvida o maior responsável pelos métodos de resolução usados hoje nos cursos introdutórios sobre equações diferenciais, e até muitos dos problemas específicos que aparecem em livros textos de hoje remontam aos grandes tratados que Euler escreveu sobre o Cálculo – Institutiones calculi diffrentialis (Petersburgo, 1768-1770, 3 volumes). Dentre os grandes matemáticos, ainda é possível citar Joseph-Louis Lagrange7 (17361813), ele demonstrou que uma solução geral de uma equação diferencial linear homogênea de ordem , é uma combinação linear de soluções independentes, ele ainda criou o método de variação dos parâmetros. Certamente, outros matemáticos propuseram métodos alternativos de resoluções dessas equações, mas é necessário ressaltar como foram iniciados os primeiros passos até chegar à forma conhecida e ensinada atualmente. 1.2 DEFINIÇÃO DE EQUAÇÕES DIFERENCIAIS As equações diferenciais envolvem conceitos diretos de derivadas e integrais, portanto, torna-se fundamental apresentar suas definições, assim como Abunahman (1982, p. 1) expõe “Toda equação cujas incógnitas são funções e que contém pelo menos uma derivada ou diferencial destas funções denomina-se equação diferencial”. Derivada é inclinação da reta em relação ao eixo das abscissas, que nada mais é do que a reta tangente ao gráfico em um determinado ponto. A Figura 1 ilustra uma reta secante, enquanto a Figura 2 apresenta uma reta tangente ao gráfico no ponto (x, f(x)). 7 Nasceu em Turim na Alemanha, tornou-se professor de matemática na academia militar de Turim. 11 Figura 1 - Inclinação da secante ao gráfico de f Figura 2 - Inclinação da tangente à curva como a derivada de ( ) Leithold (1994, p. 140) traz a seguinte definição para a reta tangente: Suponhamos que a função ponto ( (i) seja contínua em . A reta tangente ao gráfico de no ( )) é A reta por ( ), dada por tendo inclinação ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) se o limite existir (ii) A reta se ( ) e Se (i) nem (ii) forem verdadeiras, então não existirá reta tangente no gráfico ponto ( ( )). ( ) , no 12 Com base nessas definições, Bronson (1977) expõe que “Uma equação diferencial é a que envolve uma função incógnita e suas derivadas.”. Veja os exemplos expostos: ( ) ( ) O objetivo do uso das equações diferenciais é encontrar suas incógnitas através de derivação e/ou integração da função em questão. Dependendo do número de incógnitas envolvidas no problema, a equação pode ser classificada em dois tipos, Equações Diferenciais Ordinárias e ou Equações Diferenciais Parciais. 1.2.1 Equações Diferenciais Ordinárias (EDO) Se uma equação envolvendo derivadas depender de uma só variável, como a equação (6), então ela será classificada como Equação Diferencial Ordinária (EDO) (BOYCE & DIPRIMA, 2002). ( ) ( ) ( ) onde: ou y’ representa a diferencial; ( ) e q(x) são funções contínuas em algum intervalo. Outra classificação de uma EDO é quanto à ordem e o grau, sua ordem é identificada pela maior diferencial encontrada na equação, enquanto o grau é identificado pelo maior expoente da maior derivada. A seguir alguns exemplos: ( ) ( ( ) ) ( ) Existem várias maneiras de resolver uma EDO, alguns mais fáceis e outras requerem métodos mais elaborados para sua resolução completa. Barreto et al (2011) afirma que 13 “Existem equações em que não é possível desenvolver apenas usando as integrais diretamente.”. 1.2.2 Equações Diferenciais Parciais (EDP) Se uma equação diferencial depender de mais de uma variável, ela será classificada como Equação Diferencial Parcial (EDP) (BOYCE & DIPRIMA, 2002). Exemplo: ( ) ( ) 2 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS APLICADAS A BIOLOGIA O meio ambiente apresenta relações de variações que podem ser traduzidas por equações matemáticas, sendo que algumas delas somente podem ser explicadas por conhecimentos específicos na área de exatas, logo abre espaço para um matemático atuar, pois possui especialidade em resolução de problemas e poderia demonstrar uma ocorrência por mio de um modelo matemático. Essa possibilidade de conciliar Matemática e Biologia através pode ser denominada como Biomatemática8, que se encontra em fase inicial se comparada ao desenvolvimento e aplicações das ciências exatas, mas já tem mostrado importantes avanços através de algumas linhas de pesquisa como em analise genômica, que estuda o desenvolvimento de células em estágios que se encontram infectadas ou em testes de uma nova droga. Em equações diferenciais é comum encontrar pesquisas biológicas direcionadas a dinâmica populacional, que através da análise de dados estipulam a quantidade de indivíduos ao longo do tempo, ou em termodinâmica que estuda casos de variações de temperatura. Um fato concreto é que, muitos comportamentos na natureza, apresentam características de variações através de taxas. 8 É a união de duas ciências distintas trabalhando em conjunto, cada uma com seus conceitos. 14 Muitos dos princípios, ou leis, que governam o universo físico são preposições, ou relações, envolvendo a taxa segundo a qual as coisas acontecem. Como as taxas de variações são representadas matematicamente por derivadas, conclui-se que tais princípios podem ser expressos em termos de equações diferenciais (ALITOLEF et al, p.75, 2010). Existem estudos recentes que através de modelagem matemática conseguiu chegar a uma conclusão de ocorrências biológicas. Pesquisadores do Grupo de Biologia Matemática do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista, por meio da matemática, mostraram a ausência de epidemias de malária em regiões de Mata Atlântica, enquanto na região Amazônica ocorre o processo inverso. Para explicar a ausência de malária na região atlântica, pesquisadores observaram que nela ocorre maior biodiversidade que na região Amazônica, sendo assim, eles transformaram essa informação em conceitos matemáticos que Sá (2012) chamou de “uma relação inversamente proporcional entre biodiversidade e transmissão de agentes infecciosos”. Considerando os animais abundantes e quantidade considerável de pessoas que vivem na região da Mata Atlântica, concluíram que existe maior incidência de mosquitos Anopheles9. Então, eles criaram um modelo matemático que estima quantas picadas são necessárias para uma pessoa buscar se proteger. O resultado mostrou que quanto maior a quantidade de mosquitos, mais as pessoas se protegem para não serem picadas. No sentido oposto, em regiões amazônicas, os mosquitos aparecem em menor número, como consequência as pessoas se protegem menos e ficam mais sujeitas a ameaças dos mosquitos transmissores de malária. Outro modelo matemático importante relaciona-se ao declínio da população de anfíbios. Esta pesquisa considerou quais as condições para a manutenção da população de anfíbios sendo nomeada por Sá (2012) de “mortalidade, taxas de nascimento, migração da água para a floresta e da remigração da floresta para à agua”. Os resultados mostram que os anfíbios são obrigados a saírem da água para completar seu ciclo de vida e ao redor de seu habitat encontra-se desmatada, logo eles ficam mais expostos à ação de predadores naturais. Então, um modelo matemático os ajudaram na conclusão que os anfíbios correm sério risco de extinção. Quando da criação de um modelo matemático, dependendo de uma série de fatores, inclusive da variação da amostra que poderá requerer cálculos mais complexos. Nesses casos, e em muitos outros, as equações diferenciais poderá facilitar o processo. 9 Gênero do mosquito transmissor da malária. 15 Entretanto existem casos em que no acompanhamento de uma pesquisa surjam variações desordenadas, ou seja, se altera de forma não linear. Logo, é possível por em prática essas alterações e transformá-las em taxas ou conceitos encontrados em equações diferencias (BARRETO et al, 2011). 2.1 METDOLOGIA DA PESQUISA Para melhor embasamento da pesquisa, foi feita uma revisão bibliográfica para obter fundamentação histórica sobre matemáticos e suas principais contribuições em equações diferenciais, o qual direcionou a busca de seus teoremas e definições para melhor compreensão e utilização de suas equações. Em seguida realizou-se um levantamento de informações relacionadas ao óbito de pessoas. Através de entrevista com a Doutora Gelka Lamego, fez-se um estudo das possibilidades para determinar o instante da morte de uma pessoa, a partir desta entrevista, foi esclarecido de que forma ocorre a determinação do tempo de morte, ela explicou que um dos processos é através do resfriamento do corpo ou através da rigidez cadavérica, outra forma se dá pelo surgimento de larvas. No caso do resfriamento é possível utilizar a Lei de Variação de Temperatura de Newton, que através de Equações Diferenciais, permite estimar o instante aproximado de morte de um indivíduo. Posteriormente, foi aplicada a Lei de Newton em um caso de óbito, para comparar seu resultado com os dados fornecidos pelo legista. Com autorização do Chefe do Departamento de Perícia Criminal da Policia Civil de Ji-Paraná, o senhor João Universo, forneceu as informações referentes a um homicídio ocorrido em 30 de maio de 2012 na cidade de JiParaná. Em outra linha de pesquisa, buscou-se modelar o crescimento populacional da Araraazul-de-Lear através do teorema de Malthus. A peça fundamental para a criação do modelo foi à colaboração de pesquisadores do Instituto Chico Mendes, que desenvolvem o projeto de conservação através do CEMAVE10, além do coordenador João Luiz Xavier do Nascimento que disponibilizou informações importantes para o desenvolvimento desta pesquisa, por meio de telefonemas e e-mails, além de colaborar na busca de informações no site oficial do Instituto. Os contatos ocorreram nos meses de março a maio de 2012. De posse das 10 Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Aves Silvestres. 16 informações, buscou-se modelar o crescimento populacional dessas aves, além de fazer uma projeção para a quantidade de indivíduos da espécie em 2017, ano em que termina o monitoramento da espécie. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 LEI DE VARIAÇÃO DE TEMPERATURA DE NEWTON Em muitos casos, pessoas vão a óbito sem que haja alguma testemunha ou alguém que pudesse ajudá-la. Em especial, quando se trata de crime ou acidente, o agente causador muitas vezes busca a fuga na tentativa de não ser responsabilizado pelo ato. Na busca da elucidação do ato criminoso ou ainda por um familiar que deseja conhecer o momento morte de seu ente querido é possível determinar o instante da morte do individuo através de alguns aparatos. Uma delas é a Lei do Resfriamento de Newton onde há a possibilidade de se conhecer o tempo de morte da pessoa. Nesse procedimento, é necessário considerar a temperatura do corpo como Ө(t) e T a temperatura ambiente. A lei de variação de temperatura de Newton afirma que a taxa de variação de temperatura de um corpo é proporcional à diferença de temperatura entre o corpo e o meio ambiente, seja T a temperatura do corpo e Tm a temperatura do meio ambiente. Então, a taxa de variação da temperatura do corpo é dT/dt, e a lei de Newton relativa à temperatura pode ser formulada como dT/dt = - k(T-Tm) ou como dT/dt + kT = KTm, onde k é uma constante positiva de proporcionalidade (BRONSON, 1977, p. 49). Para ser possível aplicar esse modelo, é necessário avaliar em quais ambientes é possível desenvolver a teoria de Newton, já que existem locais em que a temperatura ambiente altera frequentemente. Outro caso a ser considerado são os equipamentos utilizados para medir a temperatura do local e do corpo. Para esclarecer tais questionamentos a Doutora Gelka Lamego CRM11 47-RO que desempenha a função de médica legista da polícia civil em Ji-Paraná/RO, se disponibilizou a colaborar com a pesquisa. 11 Conselho Regional de Medicina serve para certificar que um médico pode exercer plenamente suas funções. 17 3.2 ENTREVISTA COM UM MÉDICO LEGISTA DA POLICIA CIVIL Esta entrevista tem como objetivo, buscar informações sobre quais são os métodos utilizados para determinar o instante da morte de uma pessoa e confirmar a aplicabilidade da Lei de variação de temperatura de Newton. Pois é de fundamental importância para o pesquisador conhecer a opinião de um profissional que atue na área, além de compreender outros métodos que cheguem ao mesmo resultado. APÊNDICE A Nome: Gelka Lamego Cargo: Médica Legista Órgão: Policia Civil do Estado de Rondônia Cidade: Ji-Paraná/RO CRM: 047-RO Data: 15/05/12 Entrevista com um médico legista da Policia Civil 1) É possível calcular o instante da morte de uma pessoa utilizando a Lei de Variação de Temperatura de Newton? Dra. Gelka: Sim 2) Em quais casos há restrições para aplicar esse teorema? Dra. Gelka: Quando o cadáver perdeu muito sangue ou se morreu devido á ingestão de veneno ou se passa muito tempo após o óbito. Também há questões relacionadas a mudanças constantes de temperatura. 3) Quais instrumentos são necessários para se obter as medidas das temperaturas do corpo e do ambiente? Dra. Gelka: Um termômetro digital é ideal para se obter a temperatura ambiente e através do reto do cadáver é possível obter sua temperatura. 4) Quando uma pessoa morre em um ambiente natural, até que temperatura o corpo varia? Dra. Gelka: Geralmente a temperatura do cadáver tende a se igualar com a temperatura ambiente dependendo das condições onde o corpo se encontra e as características da morte. 5) Qual a temperatura normal de uma pessoa? Dra. Gelka: 37°C. 18 6) Qual o método utilizado pela policia civil para se determinar o horário de morte de uma pessoa? Dra. Gelka: Após uma pessoa morrer, com o passar do tempo o corpo começa a apresentar sinais de rigidez cadavérica e também há como verificar pela presença de larvas, mas é feita a necropsia após um período de 6 horas. 3.3 MÉTODOS PARA DETERMINAR O INSTANTE DA MORTE DE UMA PESSOA É comum em séries de televisão ou em filmes, abordarem enredos forenses em que médicos ou peritos afirmam com precisão o instante em que uma pessoa morre. Alguns dos aparatos utilizados referem-se a fenômenos cadavéricos vitais negativos, que ocorre quando fica explicito a ausência de vida, ou seja, apresenta inconsciência, insensibilidade, imobilização, abolição do tono muscular, baixa da temperatura corporal, cessação da respiração e circulação e fenômeno cadavérico transformativo, que modificam a característica do corpo, como a putrefação. A temperatura normal de uma pessoa é mantida através de um equilíbrio direto entre o metabolismo corpóreo e a temperatura ambiente, que podem ser notados quando uma pessoa apresenta sudorese, tremor ou até mesmo a própria circulação sanguínea, serve como regulador de temperatura. Quando uma pessoa morre, inicia-se uma série de processos como o resfriamento do cadáver, conhecido como frigor mortis, a temperatura do corpo tende a cair até igualar-se a do ambiente. Esse resfriamento ocorre de forma diferente, dependendo da idade do indivíduo, o que torna imprescindível a consideração da idade da vítima, pois, quando se trata de idosos, que possuem trocas metabólicas de calor mais vagarosos, ou recémnascidos, que embora possuam um metabolismo acelerado, no entanto tem o corpo muito pequeno e a pele muito delicada, a temperatura do corpo tende a esfriar mais rapidamente. O ambiente em que se encontra o cadáver também deve ser levado em consideração, uma vez que variações constantes de temperatura influenciam no resfriamento do corpo, há de se ressaltar que as extremidades do corpo tendem a esfriar mais rapidamente que as demais partes do corpo. Logo, para melhor acompanhar a variação de temperatura do cadáver é necessário medir a temperatura através do reto. 19 A temperatura interna, ou central, mantém-se suficientemente constante, porem, isso não significa que essa temperatura seja invariável. Órgãos que possuem uma maior taxa de produção de calor podem ser mais quentes que outros, mas não são resfriados pelo sangue (isto é, o sangue venoso que sai desses órgãos é mais quente que o arterial). As diferenças de temperatura no centro podem ser de até 0,5 ºC de um local para outro. Logo, não se pode falar de uma única temperatura central, mas, para fins práticos, a temperatura retal profunda é frequentemente utilizada como uma medida. (SCHIMIDT-NIELSEN, 2002, p. 242) Outro caso a ser considerado na determinação do tempo morte é através da rigidez cadavérica, mecanismo que no passado, a pessoa só era considerada morta se mostrasse esses sinais. Até 3 ou 4 séculos, a morte era rejeitada antes da constatação dos fenômenos da putrefação cadavérica. Passou depois pelo estado de rigidez e resfriamento do cadáver, a cessão da respiração e pela parada cardíaca. Todavia, os progressos da terapêutica médica, como medidas de restabelecimento dos batimentos do coração parado e o emprego de meios mecânicos artificiais para manter a respiração, abalaram a definição clínica habitual da morte (CHAVES, p. 94, 1994). A rigidez cadavérica ou rigor mortis é o estado em que o corpo se encontra rígido, geralmente ocorre de 6 a 12 horas após a morte de um indivíduo, dependendo do índice de pH -potencial hidrogênico- que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um corpo, estimase um horário aproximado do fato ocorrido, após esse período ocorre o início do processo de decomposição. A decomposição cadavérica tem início quando o tecido do morto é invadido por microrganismos anaeróbicos, isto é, aqueles que não necessitam de oxigênio para sobreviver, que digerem o corpo e geram a liberação de gases levando a alterações químicas. Alguns aspectos do cadáver podem ser notados através do uso dos sentidos, tais como: Aparecimento da rigidez cadavérica; Eliminação de sangue pelas vias naturais; Odor cadavérico decorrente da formação de substâncias voláteis por ação de bactérias. Entre as substâncias mal cheirosas formadas durante a putrefação. Em ambientes abertos, é comum encontrar a presença de larvas de moscas no cadáver. Para a postura de ovos, elas preferem local onde haja orifícios ou feridas. As larvas começam a aparecer entre 10 e 24 horas após as moscas colocarem seus ovos. 20 3.4 APLICAÇÃO DO TEOREMA DE NEWTON No dia 30/05/12 na cidade de Ji-Paraná/RO, ocorreu um homicídio de um homem de 38 anos, causado por arma de fogo. A chegada da perícia ocorreu às 19h45min, sendo medida a temperatura do cadáver que apresentava temperatura corporal de 36,3°C, às 20h45min o corpo estava com 35,4°C. Considerando a temperatura normal de um corpo 37°C e a temperatura ambiente no dia de 30°C, é possível fazer uma linha do tempo e determinar o instante da morte dessa pessoa usando ⁄ ( ). A seguir, a Tabela 1 indica uma linha do tempo de ocorrência da morte do homem em questão e a medidas policiais e periciais. Tabela 1: Linha do tempo em relação aos eventos Resolução: representa a temperatura do corpo; tempo; variação da temperatura em relação o tempo; constante de variação de temperatura no decorrer do tempo; temperatura ambiente. 21 De posse dessas informações e utilizando a equação da variação de temperatura de Newton é possível estimar o tempo de morte do indivíduo. ( ( ) ( ) ) Aplicando a integral na equação anterior e utilizando como intervalos de integração, as temperaturas medidas no corpo no momento da chegada da pericia e a segunda temperatura medida, para a temperatura ambiente quando da chegada da perícia, tem-se: ∫ ( ∫ ) ( ( ) | )| ⇒ Encontrado e substituindo o seu valor, as variações de temperatura e tempo na equação (12), onde t representa o instante da morte do indivíduo, tem-se: ∫ ( ( ) )| ( ∫ | ) ⇒ Com o horário de morte estimado, é possível transportá-lo para a Tabela 2. 22 Tabela 2: Linha do tempo com os resultados obtidos O sinal negativo do resultado encontrado em t indica que o tempo de morte ocorreu antes das 19h45min, momento da chegada dos peritos, chamado de tempo 0. Logo, para determinar o momento da morte, aplica-se o produto de t em módulo, por 60 minutos. Assim é possível concluir que a pessoa faleceu aproximadamente 41 minutos antes da chegada dos peritos, ou seja, próximo das 19h04min. O relatório oficial do CBMRO12 informou que ao chegar no local, às 19h03min para socorrer a vitima, constataram que a mesma apresentava ausência dos sinais vitais. Logo, o modelo apresentado demonstra uma margem de erro de apenas 1 minuto em relação aos dados oficiais e assim pode ser considerado válido. O homicídio em questão teve seu horário confirmado através de testemunhas que presenciaram o fato, além do horário de acionamento da equipe de resgate para socorrer a vítima. No entanto, existem casos em que não existem testemunhas para relatar a hora da ocorrência devido a diversos fatores, como; o agente causador evadir-se sem prestar socorro e/ou deixar de informar o caso, ou em situações de morte natural em que os familiares não percebem o horário do ocorrido. Nestes casos, o método de Newton é um bom recurso para determinar o horário da morte da pessoa. 12 Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia. 23 3.5 CRESCIMENTO POPULACIONAL DA ARARA-AZUL-DE-LEAR A Arara-Azul-de-Lear (Anodorhynchus leari) é uma das três espécies que compõe o gênero Anodorhynchus. As outras são a arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus) considerada extinta e a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) que estão dispersas no Brasil. A espécie alvo deste estudo segundo o ICMBio13(2012), é encontrada nos municípios baianos de Canudos, Uauá, Paulo Afonso, Euclides da Cunha, Jeremoabo, Sento Sé e Campo Formoso, tendo registros históricos de 1856. Devido à redução do habitat natural e ação de caçadores, chegou a ser estimada em 60 indivíduos no ano 1979. Devido ao risco de extinção desta espécie, foi criada a Portaria n° 19, de 17 de fevereiro de 2012 e pulicada no diário oficial da união, que apresenta no Plano de Ação Nacional alguns dos objetivos em (JUSBRASIL, 2012), tais como: Art. 2° - O PAN Arara-azul-de-Lear tem como objetivo geral “Manter o crescimento populacional da Arara-Azul-de-Lear até 2017, garantindo e incrementando a qualidade do habitat e envolvendo as comunidades de ocorrência da espécie na sua conservação”. § 1º - O PAN Arara-Azul-de-Lear (Anodorhynchus leari) abrange uma espécie ameaçada de extinção. § 2º - Para atingir o objetivo previsto no caput, o PAN Arara-Azul-de-Lear, com prazo de vigência até fevereiro de 2017 e como supervisão e monitoria anual, possui as seguintes metas: I - Até 2017, Programa de Educação Ambiental Integrado específico para a AraraAzul-de-Lear implementado na área de ocorrência da espécie, em pelo menos sete municípios, e que promova o envolvimento das comunidades no Programa de Conservação e Manejo da Arara-Azul-de-Lear; II - Habitat da Arara-Azul-de-Lear incrementado em qualidade em 5% até 2017; III - Programa de Conservação e manejo da Arara-Azul-de-Lear integrado e fortalecido até 2017 para gerar, sistematizar e divulgar o conhecimento necessário para o manejo da espécie e seu habitat, abordando os temas-chave definidos nas ações; A Figura 3 ilustra um dos habitats da Arara-Azul-de-Lear. 13 Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. 24 Figura 3 - Arara-azul-de-Lear em seu habitat natural FONTE: ICMBio, 2012 Apesar de haver informações sobre a quantidade de indivíduos desta espécie desde a década de 70, os números não eram precisos devido à falta de pessoas para realizar a contagem e não conhecer a localização de todos os dormitórios da espécie. Mas a partir de 1998, pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, já disponibilizavam de uma equipe habilitada para realizar a contagem desses indivíduos. O que tornou possível realizar 12 censos neste ano, levando-os a um total de 181 aves da espécie. Outra constatação importante foi que nos anos seguintes houve aumento populacional, conforme mostra a Tabela 3. Em 1998 foram observadas 181 araras e esse número evoluiu para 652, observados em 2006. Tabela 3- Crescimento populacional da espécie Anodorhynchus leari de 1998 a 2006 FONTE: ICMBio, 2012. 25 Com base nos dados da Tabela 3 e utilizando um modelo matemático adequado, é possível estimar o crescimento da população de araras para os anos seguintes. A previsão da quantidade desses indivíduos, nesta pesquisa, será baseada no modelo de Malthus14 (17661834). Em 1798, Malthus publicou seu Ensaio sobre a população, no qual desenvolveu uma teoria demográfica que se apoiava basicamente em dois postulados: A população, se não ocorrerem guerras, epidemias, desastres naturais, etc., tenderia a duplicar a cada 25 anos. Ela cresceria, portanto, em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32...) e construiria um fator variável, que cresceria sem parar. O crescimento da produção de alimento ocorreria apenas em progressão aritmética (2, 4, 6, 8, 10...) e possuiria certo limite de produção, por depender de um fator fixo: a própria extensão territorial dos continentes. Ao considerar esses dois postulados, Malthus concluiu que o ritmo de crescimento populacional seria mais acelerado que o ritmo de crescimento da produção de alimentos (progressão geométrica versus progressão aritmética). (MOREIRA & SENE, 2009, p. 431). A quantidade de indivíduos de uma espécie, num determinado tempo, fica perfeitamente representada pela equação ( onde representa o número de indivíduos após um tempo desejado, de indivíduos no instante inicial, ) representa o número é a taxa de variação e o tempo desejado. Os dados obtidos foram coletados pelo ICMBio nos anos de 1998 a 2006 e portanto, deve-se considerar que haja uma margem de erro referente ao número de indivíduos, pois os locais onde vivem essas aves são de difícil acesso. Outros fatores que podem influenciar no resultado, é a ação de caçadores ou de predadores naturais, além da mortalidade natural de algumas araras, podendo ocasionar divergência nos números apresentados. 3.6 APLICAÇÃO DA TEORIA DE MALTHUS NA ESPÉCIE ARARA-AZUL-DE-LEAR Com base nos dados da Tabela 3, em 1998 foram catalogadas 181 aves da espécie arara-azul-de-lear, três anos depois foram registrados 280 indivíduos dessa espécie. Conhecido o tempo decorrido e a quantidade de indivíduos em cada época é possível 14 Nasceu em Rookery, na Inglaterra, conhecido como o pai da demografia ao elaborar a teoria malthusiana. 26 encontrar , taxa de variação relacionada ao número de araras. Portanto, substituindo os dados em (13); aplicando logaritmo natural, tem-se: Logo a equação que modela o crescimento da arara-azul-de-Lear é: ( ) Utilizando a equação (14), deseja-se conhecer o número de exemplares de Anodorhynchus leari havia no ano de 2011. Como decorreram 13 anos, de 1998 a 2011, basta substituir esse valor de t e assim encontra-se o valor de N. Portanto, em 2011 haveria aproximadamente 1199 araras, valores próximos aos obtidos pelo ICMBio com uma amostragem de 1150 indivíduos, uma diferença de apenas 4,2450261% em relação aos dados obtidos no modelo. Segundo Bassanezi (2006, p. 54) “Uma regressão ou ajustes de curvas é um recurso formal para expressar algumas tendências da variável dependente de y quando relacionada com a variável independente x”. Logo, a equação (14) pode ser usada para expressar o número de espécies em relação ao tempo. O Plano de Ação Nacional n°19, de 17 de fevereiro de 2012, prevê um crescimento populacional monitorado até 2017. Com base nos dados da Tabela 3 e o modelo matemático em questão, é possível prever o número de Araras-azuis-de-Lear em 2017. Como no período 27 em questão decorreram 19 anos, utilizando a equação (14), chegará à população aproximada em 2017. Portanto, em 2017 é previsto aproximadamente 2869 Araras-Azuis-de-Lear. Com base nos resultados, é possível traçar metas de monitoramento e ações de políticas ambientais para preservação, não apenas da arara-azul-de-lear, mas de outras espécies ameaçadas de extinção. 28 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho foi feito um levantamento histórico da evolução das equações diferenciais desde o século XVII. Nele, foi possível conhecer os principais autores de teoremas e definições, que serviram de base para fundamentar e entender o processo de construção dos modelos apresentados. Através da Lei de Variação de Temperatura de Newton, foi possível prever o instante da morte de uma pessoa, de forma satisfatória. Por meio da determinação da hora morte do indivíduo é possível em muitos casos pôr suspeitos na cena do crime, descartar testemunhas, inocentar ou incriminar suspeitos. Além de poder ser aplicado para determinar a hora do falecimento em casos de morte natural, para satisfazer o desejo de familiares que queiram conhecer a hora do falecimento do ente querido. A previsão da população em um certo período, contribui para o desenvolvimento de ações ambientais e governamentais para a preservação da espécie. Resultados como estes, atraem novos investidores que contribuem com contratação de mais pesquisadores e aquisição de melhores equipamentos, de forma a melhorar a qualidade das pesquisas, aperfeiçoar a eficácia dos métodos. Ação que faltou na preservação da arara-azul-pequena, o que poderia ter sido evitado com ações eficazes. Enfim, desde o início da humanidade, a matemática contribui para a solução de problemas reais e atualmente não é diferente, ela continua contribuindo na busca de soluções de problemas reais, que servem de baliza para serem traçadas ações de políticas públicas na busca por uma solução mais adequada, na preservação de várias espécies ou em outras situações que careçam de ações governamentais ou não. 29 REFERÊNCIAS ABUNAHMAN, S. A.; Equações Diferenciais. Livros Técnicos e Cientificos; Editora S. 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Unesp Ciência, São Paulo, março 2012. Matemática, p. 32. 30 VIANA, M. C. V.; SILVA, C. M. Concepções de Professores de Matemática sobre a utilização da História da Matemática no processo de Ensino-Aprendizagem. In: ENCONTRO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MATEMÁTICA, 9., 2007, Belo Horizonte. Pôsteres... Belo Horizonte, 2007. 31 APÊNDICES APÊNDICE A- Modelo de entrevista Nome: Cargo: Órgão: Cidade: CRM: Data: Entrevista com um médico legista da Policia Civil 1) É possível calcular o instante da morte de uma pessoa utilizando a Lei de Variação de Temperatura de Newton? 2) Em quais casos há restrições para aplicar esse teorema? 3) Quais instrumentos são necessários para se obter as medidas das temperaturas do corpo e do ambiente? 4) Quando uma pessoa morre em um ambiente natural, até que temperatura o corpo varia? 5) Qual a temperatura normal de uma pessoa? 6) Qual o método utilizado pela policia civil para se determinar o horário de morte de uma pessoa?