Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - © 2006 Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Política Nacional de Humanização Permitida a reprodução, no todo ou em parte, sem alteração do conteúdo e com a citação obrigatória da fonte: Política Nacional de Humanização — PNH Endereço: Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Política Nacional de Humanização Esplanada dos Ministérios, bloco G, 9º andar, 70000-900—Brasília/DF Tel.: (61) 3315-3680 PÁGINA 2 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS PÁGINA 3 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - ÍNDICE Identificação ...............................................................................................................5 Apresentação ...............................................................................................................6 Breve Histórico da Implantação dos Dispositivos da Política Nacional de Humanização no Hospital Odilon Behrens .....................................................................................8 Justificativa ...............................................................................................................9 Objetivo geral .............................................................................................................10 Objetivos específicos ................................................................................................10 Metodologia .............................................................................................................13 Produtos/Resultados ................................................................................................19 Lições aprendidas com a experiência ......................................................................21 Recomendações da equipe para outros que queiram implantar esse Projeto .....21 PÁGINA 4 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS IDENTIFICAÇÃO Prefeito Municipal de Belo Horizonte – Dr. Fernando Damata Pimentel Secretário Municipal de Saúde – Dr. Helvécio de Magalhães Júnior Hospital Municipal Odilon Behrens/HOB – Superintendente – Dra. Susana Maria Moreira Rates Pronto Socorro – Diretora – Dra. Yara Cristina Neves Marques Barbosa Endereço: Rua Formiga – nº 50 – Bairro São Cristóvão – Belo Horizonte/MG CEP: 31.110-430 Telefone: 031-3277-6181 E-mail: [email protected] Contato: Dra. Yara Cristina Neves Marques Barbosa Telefone: 031-3277-6181 PÁGINA 5 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - APRESENTAÇÃO O Hospital Municipal Odilon Behrens (HOB) é um Hospital Público Municipal, Geral, de Urgência e Emergência e de Ensino, localizado no Distrito Sanitário Noroeste. Está inserido na Rede Municipal de Saúde de Belo Horizonte que conta com 132 Unidades Básicas, 505 equipes de PSF, 06 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e 07 Unidades de Atenção Secundária. Oferece assistência integral e universal à saúde da população de Belo Horizonte e regiões de referência, com excelência técnica, tratamento ético e humanizado, além de ações para ensino e pesquisa, promovendo a saúde e o saber. Constitui-se como uma referência para as urgências clínicas (pediatria, ginecologia e clínica médica), cirúrgicas (ortopédicas, neurológicas, buco-maxilo-facial, vasculares, cirurgia plástica, ginecológicas), com atendimento médio de 600 pacientes/dia. Sua Maternidade de Alto Risco realiza cerca de 160 partos/mês. Com atendimento exclusivo ao SUS assiste não só aos cidadãos de Belo Horizonte, mas também pacientes vindos de outras cidades do Estado, sendo estes responsáveis por 22% do total de atendimentos realizados no Hospital em 2005. Como Centro de Ensino e Pesquisa foi reconhecido como Hospital Escola, proporcionando estágios em fisioterapia, nutrição, enfermagem, medicina, informática, serviços administrativos, psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e residência médica em várias áreas. O HOB possui 436 leitos, sendo 348 nas Unidades de Internação, 88 na Unidade de Urgência e Emergência e 18 leitos de Hospital-dia, um Ambulatório de Especialidades e uma Unidade de Fisioterapia. O Programa de Atenção Domiciliar faz parte do Projeto de Humanização que, além de promover a desospitalização dos pacientes favorece o fortalecimento do vínculo paciente-família. O HOB tem vinculado à sua estrutura, o Núcleo de Cirurgias Ambulatoriais localizado no PAM Sagrada Família que realiza cirurgias de Otorrinolaringologia, Proctologia, Cirurgia Pediátrica e Geral, exames especializados de colonoscopia e fibronasovideolaringoscopia. PÁGINA 6 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS O seu quadro de pessoal é da ordem de 2.291 trabalhadores assim distribuídos: 149 estagiários e residentes, 1.141 profissionais de nível Médio/Fundamental, 233 técnicos nível superior de saúde, 417 médicos, 18 comissionados, 06 dentistas e 327 terceirizados· O HOB realiza Gestão Colegiada nas diversas instâncias, contando com a participação efetiva do Conselho Local e Municipal nas diretrizes e avaliação de suas ações. Principais dados de 2005 Em relação aos principais dados de produção do ano de 2005, merecem destaque os que se seguem: Leitos 427 Internações 17.173 Atendimentos no Pronto Socorro 127.144 Atendimentos ambulatoriais 70.772 Exames de laboratório 713.326 Exames de imagem 115.284 Refeições servidas a pacientes, acompanhantes e funcionários 860.935 PÁGINA 7 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - BREVE HISTÓRICO DA IMPLANTAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DA POLÍTICA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO NO HOSPITAL ODILON BEHRENS A partir de 2003, a Direção do HOB propôs uma Gestão que promovesse uma maior participação dos trabalhadores nas decisões. Foram então iniciadas ações para Implementação da Gestão Participativa, através da implantação dos Colegiados Gestores e reativação do Conselho Local de Saúde. Já em 2003 promovemos Seminário com trabalhadores e gerentes, com apoio do Ministério da Saúde, iniciando a discussão sobre Gestão Participativa. A criação de colegiados de vários setores e do colegiado gestor ampliado foi dando o tom na proposta de mudança. Em 2004, com a consultoria da Política Nacional de Humanização (PNH) o processo foi consubstanciando-se na decisão política de mudança no modelo de gestão verticalizada, para gestão participativa. Ainda neste ano surgiu como uma demanda do colegiado do Pronto Socorro, a necessidade de se pautar o Acolhimento para qualificar a porta de entrada da urgência e emergência. Com a implantação do Acolhimento, que significou também o disparar para muitos outros dispositivos da humanização, começaram a ser discutidos nos colegiados e aproveitando o momento das reformas físicas, fizemos mudanças nos projetos arquitetônicos, buscando melhorar a ambiência de diversos setores do Hospital. O dispositivo Visita Aberta e Direito do Acompanhante seguiu uma discussão concomitantemente ao Acolhimento com Classificação de Risco. Sua implementação intensificou a discussão dos trabalhadores sobre processo de trabalho, condições de permanência dos familiares, rede social e o exercício do controle social. Entendendo que a área administrativa e financeira do Hospital é suporte fundamental, um grande esforço da gestão propiciou a realização de diversas aquisições tecnológicas e início de uma grande reforma estrutural que levaram ao aumento da resolubilidade do Hospital e à maior qualificação e humanização do atendimento. Outros dispositivos, como a constituição das equipes de referência, ampliando o grau de vinculação das equipes aos usuários, têm sido discutidos continuamente, mostrando que o momento de mudança persiste e que a Gestão busca seu amadurecimento procurando agora fortalecer, o já instituído, através de modos de avaliação contínua. PÁGINA 8 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS JUSTIFICATIVA O Hospital já era um importante equipamento de saúde, principalmente pela missão assumida de ser referência para o atendimento às urgências, emergências, especialidades e ensino e pesquisa. Porém, observávamos com o modelo vigente, a fragmentação dos processos de trabalho, a insuficiência de vínculos entre os usuários e profissionais, dificuldades de comunicação entre os setores e destes com a direção, além da deficiência na estrutura física e de equipamentos. A partir desse diagnóstico buscamos elaborar uma proposta organizacional horizontalizada, tendo como eixo estruturante e direcionador do processo de mudanças no HOB, a Humanização e Qualificação da Assistência com Gestão Colegiada. PÁGINA 9 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - OBJETIVO GERAL Garantir uma melhoria da qualidade do atendimento assistencial, com maior participação, responsabilização e vinculação dos trabalhadores do Hospital, ampliando o acesso e garantindo uma escuta qualificada. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Gestão Participativa • Aumentar a participação dos trabalhadores nas decisões da gestão, aumentando o grau de satisfação com o seu trabalho e maior envolvimento do mesmo no seu setor; • Aumentar o grau de visibilidade da gestão com a divulgação de dados estratégicos, por setor, permitindo a todos um amplo conhecimento da situação geral do Hospital; • Ampliar a participação e descentralização da gestão do Hospital, tendo como pressupostos envolvimento-qualidade-valorização, uma vez que qualifica o atendimento aos usuários externos e internos, motiva os servidores para relações humanizadas, trabalho em equipe, otimização de recursos e combate ao desperdício; • Acompanhar os resultados das unidades de produção do hospital, a partir da implementação da gestão por resultados - Contratos Internos de Gestão; • Subsidiar os colegiados gestores em seus processos decisórios e de aprendizagem. Acolhimento com Classificação de Risco • Substituir a triagem realizada por recepcionistas e porteiros garantindo a ampliação do acesso ao serviço de urgência, com a constituição de uma Central de Acolhimento; • Qualificar a escuta dos acolhedores, permitindo um maior grau de responsabilização e satisfação do usuário que procura a nossa porta de entrada; • Ampliar o trabalho em equipe, reconhecendo todos os “saberes” e trabalhando os conflitos; PÁGINA 10 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS • Atender prioritariamente e com metas definidas, para redução gradativa do tempo de espera, os pacientes classificados com maior grau de risco e sofrimento; • Reestruturar o Projeto Posso Ajudar? - desenvolvido em parceria com instituições formadoras - ampliando o Acolhimento nas portas de entrada do Hospital e nas clínicas, possibilitando a orientação de fluxos, o apoio aos usuários, visitantes/ acompanhantes nas suas dúvidas, dando respostas e encaminhamentos às suas necessidades; • Potencializar o trabalho da equipe multidisciplinar, buscando um maior grau de autonomia e responsabilização da mesma. Ambiência • Adequar o espaço físico, entendido também como espaço das relações, possibilitando uma melhoria na qualificação do atendimento e uma maior satisfação do profissional da saúde; • Corrigir fluxos inadequados, através de projeto de sinalização, possibilitando melhor orientação aos usuários e potencializando as ações entre os setores; • Integrar a comunidade local com a gestão hospitalar, criando espaços de coprodução da saúde e a concretização da proposta de hospital aberto; • Trabalhar a arte como dispositivo de expressão e fortalecimento da subjetividade dos usuários, comunidade do entorno do Hospital, trabalhadores e gestores, resignificando o papel do HOB; • Realizar parceiras com instituições, buscando viabilizar o Projeto Saúde com Arte. Visita Ampliada • Ampliar as possibilidades de acesso para os visitantes/acompanhantes, de forma a garantir o elo entre o usuário e sua rede social; • Possibilitar a inclusão do visitante/acompanhante, e representante da rede social do usuário no Projeto Terapêutico do usuário; • Aumentar o tempo de permanência do acompanhante ao lado do seu parente, potencializando o grau de responsabilização quanto aos cuidados dentro do hospital, e principalmente, após a alta hospitalar; PÁGINA 11 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - • Aumentar o número de visitantes por paciente e também a permissão da entrada de alimentos avaliados como adequados pelo serviço de Nutrição; • Aumentar o grau de satisfação do usuário e acompanhante ou visitante, bem como dos trabalhadores do hospital, seus papéis e competências no plano de cuidado de cada usuário. Equipes de Referência • Definir o papel de cada profissional e da equipe; • Fortalecer o vínculo dos trabalhadores com o usuário; • Implantar as equipes de referência e equipes de apoio matricial para responsabilizaremse por cada paciente e seus familiares. Programa de Formação em Saúde e Trabalho/PFST/CAP • Possibilitar aos trabalhadores o espaço de discussão sobre seu cotidiano no trabalho e formas de promover mudanças; • Aumentar a satisfação do trabalhador, através do entendimento da sua importância enquanto “sujeito” fazendo parte de uma instituição hospitalar; • Aumentar, a partir de curso de formação, a possibilidade do trabalhador ser pesquisador do seu processo de trabalho, identificando o que está fazendo-o adoecer; • Promover, nas unidades de produção, discussão sobre as propostas importantes para mudar o que não está bom no seu âmbito de governabilidade; • Promover ações facilitadoras e apoio logístico, buscando a melhoria da qualidade do trabalho. PÁGINA 12 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS METODOLOGIA Desenvolver metodologias interativas para escuta dos problemas e das propostas de ações, para aprimorar a capacidade de compreender e analisar o processo de trabalho, no sentido de se efetivar a concretização de seus princípios e diretrizes; Retomar o trabalho em equipe e a construção coletiva, como estratégias de interferência no processo de produção de saúde, combinando oficinas de sensibilização com planos de ação, levando-se em conta que sujeitos/trabalhadores quando mobilizados são capazes de transformar realidades, transformando-se a si próprios neste mesmo processo. Realizar oficinas de acompanhamento avaliativo dos dispositivos em processo de implementação, para ajustes e correções de rumos. Em todo o processo de implantação da Política Nacional de Humanização no HOB buscamos o apoio institucional do Ministério da Saúde, de forma mais intensiva. Desta maneira, cada dispositivo contou com uma série de ações na sua implementação que serão relatadas sucintamente: Colegiado Gestor e por Unidade de Produção Ainda em 2003 iniciamos a discussão em torno da constituição de colegiados: modos de construção, funcionamento e acompanhando a constituição dos colegiados setoriais. Em julho de 2004 já existiam em torno de 30 colegiados estruturados e o colegiado gestor ampliado, composto por um representante de trabalhador e o gerente de cada unidade, além da Direção. Dentro da Metodologia citada foram realizadas as seguintes ações: • Seminários e Oficinas para discussão da Gestão Participativa, com foco na dinâmica de funcionamento dos colegiados; • Rodas para discussão do papel dos colegiados, por setor e em diversos horários, com a presença da Direção e demais gestores como apoiadores do processo de implantação; • Comunicação das decisões de Colegiados através de Murais instalados em todas as áreas de maior visibilidade das Unidades de Produção; PÁGINA 13 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - • Instituição da forma de funcionamento desses colegiados e mapeamento das unidades com Colegiado Gestor Ampliado em funcionamento; • Constituição de novos colegiados por Unidade de Produção; • Curso de Gestão para Gerentes. Contrato de Gestão • Curso de Gestão Hospitalar com coordenação de um Consultor da UNICAMP: marco teórico/conceitual do Contrato de Gestão; • Diagnóstico situacional por Unidade de Produção, através de questionário específico, acompanhado pelas diretoras de cada área do HOB; • Elaboração e discussão de um relatório do diagnóstico situacional com a diretoria e com demais gerentes do HOB, como vivência prática do Curso de Gestão; • Discussão e elaboração do contrato pelo Colegiado da Unidade de Produção com estabelecimento de objetivos, metas, indicadores e propostas pactuadas; • Definição de instrumentos de acompanhamento trimestral dos resultados do Contrato de Gestão por Unidade de Produção/Diretoria (fase atual). Todo esse longo e intenso processo, que mobilizou bastante o Hospital com várias rodas, fez emergir questões bem pertinentes como: • Aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários do HOB e fase final da Reforma Administrativa, que prevê a criação das Unidades de Produção/Diretorias e suas Gerências; • Construção de instrumentos de acompanhamento e avaliação trimestral dos contratos por Unidade; • Apresentação dos contratos internos por Diretoria, com a participação e acompanhamento da coordenação do Curso de Gestão; • Discussão final com a Direção do HOB de cada proposta de contrato por Unidade de Produção, para avaliação de possibilidade de negociação junto à Secretaria Municipal de Saúde, de formas de incentivos por alcance de metas; • Pactuação do Contrato por Unidade de Produção com a Diretoria e Colegiado PÁGINA 14 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS Gestor. Ambiência Durante o processo já iniciado, de reforma e adequação da área física do Pronto Socorro, a equipe de arquitetas do Hospital contou com o apoio da arquiteta do Ministério da Saúde, que rediscutiu com toda a equipe e direção do Pronto Socorro a planta da unidade de urgência e emergência, revendo conforto, privacidade, iluminação, climatização, enfim, aspectos relevantes na ambiência associados ao direcionamento de fluxos adequados, para a implantação do Acolhimento com Classificação de Risco; • Na área de internação contamos também com a discussão das plantas de arquitetura nos colegiados das Unidades, com ampla participação dos trabalhadores; • A pintura externa do Hospital também seguiu a mesma lógica participativa, tendo sido votado a melhor proposta de cores para a fachada externa; • O Projeto de Sinalização na unidade de urgência e emergência e unidades de internação contou com participação ampla do colegiado gestor, do colegiado de unidade de produção e grupo de estagiários de uma escola de design, propiciando uma ampla discussão que resultou em um belo e funcional projeto de sinalização; • Realização de uma Semana: Saúde com Arte no HOB, com a participação de artistas da comunidade e uma artista plástica convidada pela PNH, para apoio ao desenvolvimento das intervenções artísticas no Hospital, que teve como desdobramento a criação do Projeto – Saúde com Arte no Odilon, com a constituição de um grupo operativo para sua implementação. Este Projeto tem realizado oficinas de bordado, pinturas, canto e formação de um coral do HOB, dança, criação de painéis de arte em locais estratégicos. Acolhimento com Classificação de Risco • Grande oficina de sensibilização, para discussão sobre o Acolhimento com Classificação de Risco (contexto hospitalar, conceitos e fluxos internos e externos); • Constituição de um Grupo de Trabalho estratégico de planejamento e operacionalização das ações de implementação do Acolhimento com Classificação de Risco; PÁGINA 15 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - • Elaboração do Plano de Trabalho, com envolvimento de equipe multidisciplinar, discutido e validado no colegiado gestor da Unidade; • Participação efetiva do Conselho de Saúde Local, na elaboração dos fluxos de atendimento e discussão da planta arquitetônica de reforma física; • Elaboração do Protocolo de Atendimento, com apoio da equipe multidisciplinar, inclusive com a área de laboratório e imagem; • Discussão com a rede municipal de urgência/emergência para construção de um protocolo único de atendimento, envolvendo as seis Unidades de Pronto Atendimento; • Elaboração de material de divulgação e reuniões com Conselhos Local e Municipal de Saúde, Fórum de Urgência/Emergência e toda rede de assistência ao SUS. • Realização de diversas Oficinas de Sensibilização (cerca de 20 oficinas, com 30 participantes em cada), em vários horários, com os trabalhadores da unidade de urgência e emergência (recepcionistas, porteiros, auxiliares de enfermagem, médicos, segurança, enfermeira), para discussão dos conceitos, fluxos e planta física; • Seleção no quadro existente e treinamento dos trabalhadores com perfil para serem os acolhedores, entre auxiliares de enfermagem, funcionários administrativos e estagiários; • Capacitação sobre o “Basic Life Support” (BLS) para todos os trabalhadores da porta de entrada do Pronto Socorro; • Avaliação mensal, após implantação do Acolhimento, com o colegiado do setor para ajustes nas formas de funcionamento; • Reuniões com a Rede Municipal e SAMU, para definição de fluxos de encaminhamentos; • Criação de um grupo de apoio ao acolhimento, formado por psicólogos do setor, assistentes sociais e demais trabalhadores do acolhimento, com o objetivo de discutir os problemas diários do setor, buscando ampliar a autonomia do grupo e resolução mais efetiva dos seus conflitos; • Criação de processos avaliativos (indicadores de avaliação, metas). PÁGINA 16 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS Visita aberta e acompanhante Processo de implementação e ações desenvolvidas: • Realização de Pesquisa com os trabalhadores do HOB, incluída no contra-cheque, como instrumento de sensibilização; • Decisão do colegiado gestor para implementar a visita aberta no HOB; • Reunião na Santa Casa de Belo Horizonte, para conhecimento da logística deste dispositivo; • Oficinas por Unidade de Produção, para construção da proposta de Visita aberta; • Validação e aprovação da proposta com o Colegiado Gestor e Conselho Local de saúde; • Pacto para unificação das propostas dos Centros de Terapia Intensiva (CTI) as rodas de discussões; • Implantação da Visita aberta em todas as unidades de produção, incluindo CTI: 11h às 20h, em setembro de 2005; • Rodas de avaliação relâmpago, para ajustes da logística e apoio da Assessoria de Comunicação; • Ajustes e revisão do número de trocas e acompanhantes; • Pesquisa de avaliação: quantitativa e qualitativa; • Oficina de avaliação da implementação; • Implantação do sistema de controle eletrônico de entrada de visitantes e acompanhantes; • Oficinas mensais de acompanhamento e ajustes do dispositivo - Visita aberta e acompanhante; • Participação da equipe de Enfermagem do HOB nas Oficinas do Hospital das Clínicas de BH, para construção do Projeto naquela unidade Hospitalar; • Iniciado a discussão e levantamento dos processos avaliativos (indicadores de avaliação, metas). PÁGINA 17 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - Valorização do Trabalhador I - Programa de Formação em Saúde e Trabalho/PFST/CAP • Oficina com a Direção e assessores do HOB, para apresentação do dispositivo; • Constituição do grupo de trabalhadores/pesquisadores, CAP, de várias Unidades de Produção do Hospital; • Oficinas para discussão dos temas: Gestão, Trabalho e Saúde; • Elaboração do instrumento de pesquisa; • Realização da pesquisa sobre condições e relações de trabalho nas Unidades de Produção; • Apresentação dos resultados e propostas de mudanças nos processos de trabalho das unidades. II - Outras Atividades e Estratégias • Elaboração do Regimento de Ética Institucional: um processo construído à luz dos princípios da PNH; • Validação da proposta no Colegiado Ampliado, com participação do Conselho Local de Saúde e Sindicato dos Trabalhadores/SINDIBEL; • Publicação no Diário Oficial do Município de Belo Horizonte e publicização do Regimento para o conjunto de trabalhadores do HOB; • Criação de um Núcleo de Educação Permanente que trabalhou um Plano de ação para o ano de 2006. PÁGINA 18 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS PRODUTOS/RESULTADOS Ressaltamos como resultados as mudanças no modelo de gestão e atenção, com a implementação dos dispositivos referidos. O movimento que essas mudanças promoveram foi significativo, aumentando o grau de protagonismo dos trabalhadores, gestores e usuários. Muitos foram os avanços: • Obras concluídas, com melhoria da ambiência e atendendo critérios da vigilância sanitária; • Gestão Participativa e organização dos processos de trabalho nas Unidades de Produção; • Humanização da atenção com a implementação da Visita aberta, Acolhimento com classificação de risco e Ambiência (adequações de áreas físicas e o Projeto Saúde com Arte), Equipes de Referência e Apoio Matricial e Contrato Externo e Interno de Gestão em andamento; • Incorporação tecnológica com melhoria dos processos de trabalho; • Plano Operativo do Hospital elaborado por muitas mãos; • Certificação de Qualidade ao Laboratório; • Planejamento melhor estruturado garantindo uma nutrição enteral, parenteral e oral de qualidade; • Apropriação das informações relacionadas às despesas gerais e serviços prestados pelas Unidades de Apoio, facilita a sua gestão; • Mudanças em processos de compra, viabilizando redução de custos sem comprometer a qualidade; • Plano de Cargos, Carreiras e Salários efetivado e concurso público realizado. Alguns desafios • Inadequação da postura por parte da equipe, refletindo a necessidade de constantes discussões; PÁGINA 19 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - • Insuficiência de leitos hospitalares para atender a demanda da Rede Metropolitana de Belo Horizonte; • Equipes incompletas, especialmente insuficiência de médicos; • Área de informação insuficiente para atender as demandas; • Política de Gestão de Pessoas necessitando de definição de alguns princípios e diretrizes; • Falta de implantação da Reforma Administrativa, o que dificulta o gerenciamento por Unidade de Produção. No que pese esse cenário de dificuldades e o desafio de sermos Hospital Geral e de Referência de Urgências, a avaliação que se faz hoje do HOB é que muito avançamos em direção ao SUS que acreditamos ser possível alcançar, mas ainda falta percorrer um caminho para chegarmos lá! PÁGINA 20 Boas Práticas de Humanização na Atenção e Gestão do Sistema Único de Saúde - SUS LIÇÕES APRENDIDAS COM • A EXPERIÊNCIA Faz diferença a decisão da gestão em colocar a PNH na sua agenda e promover o movimento de mudanças no modo de fazer esse processo acontecer. • A importância da inclusão dos trabalhadores, gerentes, usuários e sua rede social no espaço do hospital, que se propõe a concretizar os princípios do SUS no cotidiano. • O entendimento de que a PNH é uma política transversal e não um programa, desenvolvida em todas as ações e de forma permanente. RECOMENDAÇÕES DA EQUIPE PARA IMPLANTAR ESSE PROJETO • OUTROS QUE QUEIRAM Os dispositivos implantados ou em processo de implementação no HOB refletem um novo modo de operar, que é o da construção coletiva, significando intensa mobilização e movimento a partir de rodas de discussão, problematizações de situações e construção de propostas a serem implementadas. • A estratégia de realização de oficinas de sensibilização, capacitações de multiplicadores e de construção de planos de ação têm sido decisivas no desafio de tornar o Hospital Odilon Behrens um Hospital mais humanizado e qualificado no seu atendimento. • A presença atuante do Conselho de Saúde Local junto ao Colegiado Gestor ampliado colabora para uma maior interface entre Hospital e usuários, facilitando todo o processo até agora implantado. • O apoio institucional dispensado ao HOB pela equipe de consultores da Política Nacional de Humanização/SAS/MS, tanto na fase de implantação, quanto de implementação das ações é de fundamental importância. 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