217 SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA REGIÃO DA GRANDE SÃO PAULO LUCIEL HENRIQUE DE OLIVEIRA (*) SANDRA EIKO FUKUSHIMA (**) RESUMO A pesca é o esporte com segundo maior número de praticantes no Brasil estando atrás somente do futebol. Estimase que somente no Brasil existam 30 milhões de pescadores amadores, sendo que cinco milhões de pessoas pescam semanalmente. Hoje existem oficialmente 750 pesque – pague no Estado de São Paulo e 1.200 lugares de lazer e pesca no Brasil. A pesca propiciou o desenvolvimento de um negócio genuinamente brasileiro: os pesqueiros, em suas várias modalidades (pesque - pague, pague - pesque e pesque - solte). Trata-se de um mercado bastante promissor, configurando-se um misto de lazer e comercialização de peixes e materiais para pesca, contando com setores de suporte e suprimentos já bem organizados. Este trabalho apresenta um estudo exploratório sobre os pesqueiros sendo feita sua apresentação e caracterização dessa “nova” opção de lazer do consumidor metropolitano e também um investimento relativamente barato e que ainda possui um grande potencial de mercado. O universo da pesquisa foram os pesqueiros situados na região da Grande São Paulo, num mercado ainda dominado por pequenos empreendedores. Abordou-se o sistema integrado de gestão do negócio, a criação de valor e posicionamento estratégico do setor, bem como a logística integrada necessária para o funcionamento deste negócio promissor. DESCRITORES: Sistemas integrados, gestão de negócios, agronegócios, pesca, lazer. SUMMARY INTEGRATED SYSTEM OF ADMINISTRATION: THE CASE OF THE FISHING PLACES IN THE GREAT SÃO PAULO AREA Fishing as a sport in Brazil is second only to soccer. Amateur fishermen are estimated to be 30 million in Brazil, and five million people go fishing every week. Today there are 750 authorized fishing places – “catch and pay” - in the State of São Paulo and 1.200 fishing resorts in Brazil. Fishing provided the development of a genuinely Brazilian business: the “pesqueiros” (fishing places) , in their several modalities (pesque-pague - catch and pay, pague e pesque - pay and go fishing, and pesque e solte - catch and set free). It is a quite promising market, being both recreation and commerce of fish and fishing tackle, relying on well organized support and supplies firms. This work presents an exploratory study of fishing resorts - a presentation and characterization of that new option of the metropolitan consumer’s recreation and also a relatively cheap investment in a great market potential. The universe of this research was the fishing places in the area of the Great São Paulo, in a market still dominated by small business firms. The approaches were: the integrated system of business administration, the creation of value and strategic positioning of the section, as well as the necessary integrated logistics for the operation of this promising business. KEY WORDS: Integrated systems, business administration, agrobusiness, fishing, recreation.. 1. INTRODUÇÃO A pesca é o esporte com segundo maior número de praticantes no Brasil estando atrás somente do futebol. Estima-se que somente no Brasil existam 30 milhões de pescadores amadores, sendo que cinco milhões de pessoas pescam semanalmente. Hoje existem oficialmente 750 pesque – pague no Estado de São Paulo e 1.200 lugares de lazer e pesca no Brasil. A pesca esportiva, antes restrita aos iniciados, ganhou novo impulso a partir da onda dos pesquepagues, que se propagou pelo interior do país. Hoje existem pelo menos 2.250 pesqueiros no Brasil, que devem consumir este ano 45 mil t de peixe e movimentar mais de R$ 300 milhões, segundo estimativa da Abrappesq (Associação Brasileira dos Piscicultores e Pesqueiros), Oliveira (1997). Somente o Estado de São Paulo, maior consumidor de peixes do país, tem 1.500 pesquepagues. Dados da Abracoa (Associação Brasileira dos Criadores de Organismos Aquáticos) indicam que pelo menos 95% da produção nacional de peixes em cativeiro já está sendo destinada aos pesque-pagues. Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola de * Eng.º Agr.º , M.S.c.Professor do I. C. E. S./ UNIFENAS. E-Mail: [email protected]. C.P. 23 CEP 37130-000 Alfenas-MG. ** Bacharel em Administração e Gestão de Negócios (ESPM, SP) R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998 218 L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA São Paulo, a produção de peixes movimentou R$ 25 milhões em 1996, Oliveira (1997). Este trabalho visa realizar um estudo exploratório sobre os pesqueiros, sendo feita sua apresentação e caracterização dessa “nova” opção de lazer do consumidor metropolitano e também um investimento relativamente barato e que ainda possui um grande potencial de mercado. O trabalho teve como universo da pesquisa os pesqueiros situados na região da Grande São Paulo, num mercado ainda dominado por pequenos empreendedores. 2.DESENVOLVIMENTO 2.1 A pesca no nas Américas Existem três programas de televisão em rede nacional, nove revistas e dois programas de rádio onde a pesca é assunto exclusivo. Esse panorama faz com que a pesca esportiva no Brasil movimente aproximadamente US$ 350 milhões por ano. Nos Estados Unidos existem 35 milhões de pescadores amadores que pagam licença de pesca, dos quais mais de três milhões viajam pelo mundo em busca de locais adequados à prática da pesca esportiva. No mercado norte-americano o faturamento é de US$ 36 bilhões e gera 890 mil empregos diretos. Um conceito que começa a ganhar força, que é o de união entre pesca e preservação do meio ambiente. Foi nos Estados Unidos, na década de 70, que surgiu a filosofia do catch and release, ou pegue e solte, pela qual se guiam a maior parte dos pescadores esportivos hoje. O princípio básico da esportividade é: você deve oferecer chances de luta ao peixe. Por isso, são consideradas esportivas apenas as espécies mais briguentas, predadoras, capazes de travar uma longa batalha com o pescador. É claro que, radicalismos à parte, este deve usar o bom senso, levando para casa só o suficiente para o seu consumo. Forrar o barco de peixes pelo simples prazer da captura é uma atitude anti-esportiva, pois tira inutilmente do rio ou do mar espécies que poderiam proporcionar o prazer da pesca a outros esportistas. Quando se entra em um barco ou senta-se à beira de um barranco, cada pescador tem sua própria filosofia sobre esportividade: “É ir pescar sem pensar em levar o peixe e ter consciência de que não são apenas os espécimes grandes que proporcionam uma boa briga. Um peixe pequeno pode ser tão esportivo quanto o grande”, opinam os pescadores em rios. Para os pescadores no mar, em costões e canais, “pesca esportiva é tudo o que se pratica com uma vara, molinete ou carretilha”. No entanto, que alguns detalhes ajudam a garantir maior emoção à pesca em R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998 oceano, como, por exemplo, levar equipamento leve em vez de médio ou pesado, para experimentar brigas mais demoradas, além de usar iscas de superfície, para ter o prazer de ver os peixes subirem para abocanhálas. Os pescadores tiveram oportunidade de aperfeiçoar sua técnica a partir do início dos anos 90, quando aconteceu um verdadeiro “boom” desta prática esportiva no Brasil. Vários fatores contribuíram para que o país acordasse para a pesca: a abertura do mercado à importação e a conseqüente chegada ao país de equipamentos sofisticados em profusão, a criação da Feipesca – Feira Internacional de Pesca, Náutica, Mergulho e Camping, uma das maiores do gênero no mundo, e ainda o crescimento de um segmento de mídia especializado no assunto. Tudo isso, aliado à filosofia do “catch and release”, foi suficiente para acordar o mercado brasileiro, que na pesca, como em tantas outras áreas, vem sendo visto como uma grande fronteira de negócios por empresas de todo o mundo. 2.2.Aspectos Legais Todo pesque-pague precisa de um registro do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para funcionar legalmente. Diariamente cerca de 15 consultas são feitas ao órgão à procura de informações sobre montagem de pesqueiros no sistema pesque-pague. O proprietário do pesque-pague deve preencher um formulário e entregar a planta do projeto e a relação dos fornecedores de peixes ao Ibama. Dois outros órgãos estaduais em São Paulo, estão vinculados ao processo de registro: o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) autoriza o uso de água para o pesqueiro, necessária para a oxigenação dos tanques e o DEPRN (Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais), completa a documentação para o funcionamento legal do pesqueiro. O Ibama também emite licença de pesca amadora. Um novo modelo de licença está sendo vendido em papelarias por R$ 0,20. A obtenção da licença de pesca amadora na categoria desembarcada custa R$ 50 e na categoria embarcada R$ 100. A renovação é anual e tem validade nacional. Em 1996 o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo criou o Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora, que tem como objetivo e desafio transformar a pesca amadora em um instrumento de desenvolvimento social e econômico e de crescimento da consciência ecológica. O desafio está justamente em fazer ver que a devastação do meio ambiente mais cedo ou mais tarde trará conseqüências funestas para o próprio pescador que não respeita regras como o período de defeso ou o limite de pesca. SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA... Com a atividade de fiscalização limitada pela falta de pessoal ou de recursos, a participação do pescador esportivo torna-se essencial nesse processo, seja conscientizando outros pescadores ou denunciando irregularidades. Em Estados como o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde o turismo pesqueiro é mais intenso, com centenas de hotéis e barcos-hotéis funcionando na alta temporada, já acontece uma fiscalização mais rígida de regras que valem para todo o país, mas que ainda são desrespeitadas. É o caso, por exemplo, do período de defeso, que vai de novembro a fevereiro em todos os rios, do tamanho mínimo exigido para cada espécie, do limite de captura e transporte de peixe por pessoa - 30 quilos - e do pagamento da Licença de Pesca, obrigatória em todo o país. Para tirar a licença, válida por um ano, basta procurar o formulário em qualquer papelaria, ou retirálo no Ibama, e pagar a taxa em qualquer banco. Para a pesca embarcada o valor é de R$60,00 e para pesca desembarcada, R$20,00. Para pescar no Mato Grosso, é necessária, além da taxa do Ibama, uma licença estadual, também com validade anual, de R$ 25,00 cobrada pela Fema – Fundação Estadual do Meio Ambiente. Isso vem gerando muita discussão sobre a sua constitucionalidade. À parte essa questão, a Fema montou, nas estradas, postos em trailers para atender pescadores amadores e esportistas. Ali cobram a taxa e distribuem folhetos explicativos sobre a legislação local (Lei estadual n.º 6.672/95). Os panfletos também discorrem sobre o meio ambiente e fornecem números de telefones para denúncias e esclarecimentos. Embora seja discutível a duplicidade da cobrança, esse trabalho se justifica e deve coibir um pouco os abusos. 2.3 Caracterização dos Pesqueiros como Negócio Para os moradores de grandes centros urbanos como São Paulo, talvez os pesqueiros sejam hoje algo próximo do que foram as represas há cerca de 20 anos: um local perto de casa, onde é possível esquecer rotina e trabalho, pescando tranqüilamente, acompanhado da família e dos amigos. Os pesqueiros da Grande São Paulo localizam-se num raio máximo de 100 Km do centro da cidade. O primeiro pesqueiro, ou pesque - pague, local onde o pescador paga a entrada mais um valor fixo para os quilos capturados nos lagos artificiais, surgiu em Bragança Paulista, interior de São Paulo, em 1975. Mas foi na última década que eles realmente se multiplicaram geometricamente, dando um impulso essencial para o desenvolvimento da piscicultura no 219 Brasil. Boa parte da produção dos criadouros vai direto para os pesqueiros. As espécies exóticas como tilápia e carpa continuam a ser as mais fisgadas nos pesque - pague ou nos pague-pesque (onde só é cobrada a entrada), mas já é possível brigar com grandes peixes esportivos nativos, como dourado, matrinxã, piraputanga e piracanjuba. O depoimento de Mauro Yoshio, proprietário de dois pesqueiros em São Paulo, citado por Jimenez (1998), ilustra bem o crescimento e o potencial do negócio: “Quando começamos, há sete anos, peixes como esses eram encontrados apenas em locais como Mato Grosso e Amazonas. Então as pessoas levavam para casa para mostrar para a família e os amigos. Hoje existe um maior espírito esportivo, e muitos dos pescadores que vêm aqui trazem um equipamento mais leve, tiram a farpa do anzol e soltam o peixe. Achamos esse tipo de atitude extremamente positiva. Estamos criando verdadeiros craques aqui. Segundo Rigotti, professor e colunista de pesca esportiva, (Rostelato, 1998) “Os pesque - pague são hoje os nossos grandes laboratórios para experiências. Neles, podemos aperfeiçoar nossa técnica e aprender detalhes importantes para futuras pescarias em rio. Ao contrário do que muitos pensam, a pesca nesses locais não é necessariamente fácil. Já vi muitos campeões terem dificuldade com peixes em pesqueiros”. 2.3.1. Conceitos básicos Os pesqueiros são estabelecimentos comerciais que atuam no segmento de lazer. Em bases gerais, são compostos por lagos onde são colocados peixes para a prática da pesca esportiva. Destacam-se as seguintes modalidades de pesqueiros: A) Pague – Pesque Nesta modalidade, o preço da entrada, normalmente mais alto inclui todos os peixes que o freqüentador conseguir capturar. No começo da onda, conseguiram bastante adeptos. Devidos ao intenso comércio gerado em conseqüência desse sistema, muitos passaram a Ter prejuízos. O “negócio” funcionava da seguinte forma: um “investidor” contratava grande número de pescadores, que municiados de diversas varas, capturava grande quantidade de pescado. O produto dessas pescarias era repassado ao “investidor” que comercializava a quem interessasse. Muitas vezes, os mesmos proprietários de pague – pesque que permitiam a entrada desses profissionais eram os compradores. Isso frustrava quem, aos fins-de-semana, buscava lazer nesses locais. Graças à essa atividade paralela os lagos R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998 220 L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA já não tinham peixes suficientes para a prática do esporte e assim, essa forma de empreendimento perdia os bons resultados junto à sua essencial boa média de freqüentadores mensais. Há ainda quem tenha separados lagos para pague – pesque e pesque – pague. Essa mistura faz com que o controle de freqüência seja diferenciado para os diferentes sistemas e dá mais trabalho. B) Pesque – Solte Neste sistema os freqüentadores pagam a entrada e podem devolver à água os peixes que não desejar e assim só levar as espécies que lhe convier. Cada pesqueiro que adotou esse sistema estabeleceu regras próprias para a liberação de pescado, que devem ser seguidas à risca pelos pescadores. Muitos proprietários informaram que conseguiram aumento de freqüência depois de implantarem o pesque – solte. Alguns verificaram que o que perdem com a redução na venda de peixes, recuperam com o maior número de pessoas e crescimento de consumo de itens paralelos nas lanchonetes, restaurantes, em material de pesca, iscas etc. C) Pesque – Pague Neste sistema, paga-se o quilo do peixe pescado e na sua maioria são obrigados a levar tudo o que capturam. Em alguns são cobradas entradas e outros não. O sistema de pesque – pague existe há dez anos, mas foi só a partir de 1995 que começou a crescer vertiginosamente. Atualmente apenas no Estado de São Paulo existem 700 pesque – pague catalogados e podem representar até 1.200 endereços se for considerado o mercado informal. 2.4 Análise Estratégica do Setor - Análise de Porter Utilizou-se o modelo de Porter (1996) para analisar a estratégia competitiva do setor, e identificar oportunidades de melhorias. O modelo de Porter parte da análie das forças que dirigem a concorrência para identificar pontos que podem ser melhor trabalhados. 2.4.1. Ambiente de Negócios Nenhum setor do segmento pesca cresceu mais nos últimos anos do que os pesque – pague. Aqui provavelmente se encontra os 30% de crescimento/ ano apontado pela estatística. Segundo o redator da Revista Troféu Pesca, há um potencial monstruoso R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998 para a pesca. Esta é uma das nove revistas mensais dedicadas ao assunto (o número de publicações também dobrou nos últimos anos), que contava em 1998 com 50 mil assinantes. Existem dois importantes eventos anuais que são realizados em São Paulo: a Pesca Show e a Feipesca. Sendo que a primeira, no ano de 1997, recebeu 27 mil visitantes. Já a Feipesca, a maior feira na América Latina e a quarta do mundo recebeu cerca de 300 mil visitantes, 400 visitantes internacionais, mais de 350 mil lojistas, 300 expositores do Brasil e de mais de 20 países. A Feipesca - Feira Internacional de Pesca, Caça, Náutica, Mergulho e Camping, promovida pela DMG Marketing e Promoção, foi uma das responsáveis pelo crescimento que o esporte vem tendo no país nos últimos anos, graças à divulgação da prática e sua conseqüente popularização, e também aos novos negócios que vem gerando. A 5ª edição da feira aconteceu entre os dias 15 e 19 de abril de 1998, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento, ocupou uma área de 32 mil metros quadrados com atrações que vão desde os equipamentos e acessórios mostrados pelos 300 expositores nacionais e estrangeiros, até um pesque - pague localizado bem no meio de um dos pavilhões. Além de pescar, os visitantes puderam conhecer ainda as principais espécies esportivas dos rios brasileiros no River World Aquarium, um aquário com mais de 80 metros de comprimento. Com a proibição da pesca por causa da piracema, período de procriação das espécies (15 de novembro a 15 de fevereiro), os pesque – pague transformam-se em boa opção para os pescadores dos rios paulistas e do Pantanal mato-grossense. Os pesqueiros chegam a registrar um aumento de 30% na clientela. 2.4.2. Fornecedores Ainda no início da década de 90, há bem pouco tempo, os brasileiros permaneciam distantes das novidades tecnológicas lançadas no Primeiro Mundo. No mercado de equipamentos para a pesca esportiva não era diferente, mas, com a abertura às importações, uma inevitável avalanche de novidades tomou conta do mercado, deixando os aficcionados a par das constantes novidades: varas leves e resistentes, carretilhas cheias de recursos tecnológicos, linhas cada vez mais finas, resistentes e impermeáveis, iscas artificiais para todos os gostos. Há milênios o homem usa basicamente os mesmos elementos para pescar. O que mudou vertiginosamente em apenas algumas décadas foram SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA... os materiais empregados na fabricação do equipamento. Até os anos 40, as varas mais populares em todo o mundo continuavam a ser as de bambu. Uma série de problemas, no entanto, como a falta de flexibilidade, fragilidade e o cansaço depois de horas de uso levaram à busca de outros materiais. O primeiro material alternativo desenvolvido foi a fibra de vidro, a princípio em varas maciças, e depois ocas. Já na década de 70, com a corrida espacial, acabou sobrando tecnologia até para a vara de pescar. O grafite e o carbono vieram trazer maior leveza e resistência. Cada vez mais o pescador está se equipando com varas telescópicas, desmontáveis, feitas em grafite ou em mescla de grafite com carbono. A leveza e flexibilidade dessas varas tornam a pesca muito mais envolvente, uma vez que, além de manusear a vara com mais facilidade, o pescador terá nas mãos um equipamento que lhe dará maior sensibilidade para sentir cada movimento do peixe. O importante da tecnologia é que ela contribui para aumentar a percepção do pescador, o que, por sua vez, ajuda a determinar o sucesso da pescaria. Mas é claro que nem toda a tecnologia do mundo poderá ajudar se não houver um mínimo de sensibilidade e perícia. O pré-requisito básico na hora de comprar uma vara é saber exatamente para que tipo de pesca ela será usada. Existem muitos modelos, como os lisos, para pesca de mão, com passadores, para uso de molinetes e carretilhas, varas desmontáveis, varas para pesca de praia, mais compridas, e varas para pesca com mosca. Outra diferenciação se dá de acordo com o tipo de peixe que o pescador quer pegar. Nesse caso, a graduação de resistência da vara vai de ultra light, com resistência para 1 a 6 libras (cada libra equivale a 453 gramas) até a extra heavy, ferramenta essencial se o pescador quiser travar batalhas com peixes de mais de 20kg, como dourados, cações ou brejerebas. Outro item importante e que confunde pela variedade são as iscas artificiais, as preferidas pelos pescadores esportivos, pois proporcionam boas brigas com grandes predadores de rio e mar. São dezenas e dezenas de modelos, com nomes estranhos como Buzzbait ou Wobbler. De modo geral, no entanto, elas podem ser divididas de duas maneiras. A primeira é pela sua forma. Nesse caso, existem spoons ou colheres, lâminas de metal achatadas que atraem o peixe pelo brilho, plugs, que são iscas imitando peixinhos, e flies, iscas para a pesca tipo fly ou mosca, que imitam insetos. Outra divisão se dá por profundidade. Nesse caso, as iscas artificiais se subdividem nas categoriais de superfície, meia-água e de fundo. Cada categoria, por sua vez, se subdivide em vários modelos com características próprias. Enquanto nossos ancestrais usavam materiais como madeira e conchas em suas iscas, hoje elas são de 221 metal, plástico, borracha, e abusam das cores e do brilho para atrair o peixe. Por trás do solitário pescador e de seus equipamentos (sua “tralha”), existe hoje no Brasil uma indústria de equipamentos e artigos esportivos que movimenta em torno de 250 milhões ao ano, além de uma incipiente atividade turística que vem sendo incentivada a crescer e gerar mais empregos. Quase 90% da produção de peixes para o abastecimento de pesque – pague de São Paulo vêm o Vale do Ribeira, onde pelo menos 300 criadores dedicam-se à piscicultura. O bom mercado de pesque – pague, que gastam R$ 700 mil por mês para abastecer seus lagos de pesca, levou pequenos e médios produtores rurais a investir na criação de peixes. O Haras Nossa Senhora de Fátima de Itapetininga, iniciou a criação em 1995 com um tanque de 4 mil metros quadrados de viveiros para a engorda de pacú (peixe da mesma família do piranha) e esperava estar produzindo em 1998 mais de 10 toneladas. Desde os piscicultores, que fornecem peixes para os pesque – pague, até os fabricantes de equipamentos para a atividade- como varas, molinetes e estojos – estão se adaptando para o crescimento da demanda. A produção de algumas empresas de estojos para equipamentos de pesca, por exemplo, cresceu 50% desde 1994. As cerca de 5 mil lojas especializadas em pesca no Brasil crescem com essa invasão de importados. A indústria nacional, entretanto, começa a se modernizar (utilizando-se de técnicas modernas de administração) para não perder seu market share. Em Três Lagoas (MS), e na região de Marília (SP), existem pelo menos 70 propriedades rurais, que estão investindo na piscicultura para o fornecimento aos pesque – pague, segundo estimativas de Scarance (1998). No entanto, faltam dados oficiais sobre a atividade. O ramo de pesca vem despertando o interesse de empresas de outros segmentos, que diversificaram suas atividades pelo potencial de vendas para os adeptos deste hobby. A metalúrgica AWS, por exemplo, fabricante há 30 anos de eletrodos para soldas, inaugurou há alguns anos uma divisão para artigos de pesca, chegando a representar 30% do seu faturamento total. A empresa desenvolveu um suporte de alumínio para varas de pescar, e atualmente, fabrica também o chumbo que dá peso à vara de pesca. Passou também a distribuir acessórios, como iscas artificiais, varas e uma massa especial utilizada para como isca. Outra empresa que resolveu diversificar para ramo de pesca é a Victory, de extrusão de material plástico, no mercado desde 1989. Há uns três anos a empresa deu início a produção de carretéis de linha para pesca. R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998 222 L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA 2.4.3. Estrutura dos Pesqueiros, produtos, diversificação e serviços agregados Na maioria dos pesqueiros da grande São Paulo é possível alugar varas de pesca e comprar iscas: minhocas e massas para carpa. Em alguns também ensinam os menos experientes a pescar. Outro ponto importante é o atendimento. Muitos possuem restaurantes, estacionamento e seguranças. Mulheres e crianças são freqüentes nos pesqueiros. Os fãs de sashimi também são atraídos pelas refeições preparados com os peixes pescados pelo próprio cliente. Nos pesque – pague em geral não é permitido o uso de redes, tarrafas, espinhéis ou outros artefatos usados na pesca profissional. Os peixes são adquiridos pequenos ou já adultos e são soltos em lagos próprios. Os pescadores pagam uma taxa de entrada e/ou o valor do quilo pescado. O negócio apresenta grande movimento nos finais de semana, como por exemplo, no caso do Pantanosso, um dos maiores pesqueiros do Estado de São Paulo, os pescadores tiraram das águas, só em um sábado, 320 quilos de tilápia e 280 de outros peixes. Inaugurado há pouco mais de cinco anos na Chácara Santo Amaro, o pesqueiro Matsumura é o mais antigo da região. O público tem quatro lagos à disposição, nos quais é possível fisgar pacús, tilápias-do-nilo, matrinxãs, e pintados. Também há playground e lanchonete. O empresário garante a qualidade da água, proveniente de nascentes localizadas no terreno de 40 hectares. Para garantir um boa pescaria, novos animais são colocados regularmente na água. Os pescadores menos atentos podem ficar tranqüilos, pois o pesqueiro fornece vários tipos de iscas (minhocas, massa, minhocuçu e coração de frango. Cada pescador desembolsa R$ 10,00 de entrada e o preço do quilo do peixe varia conforme a espécie. Já no caso do pesqueiro Oito Lagoas é um dos que possui maior número de tanques. Além das espécies usuais como pacú, catfish, Saint Peter’s e matrinxã, possui um lago de camarão. O pesqueiro possui 8 alqueires de área e quatro casas à disposição para aluguel. Outro diferencial do pesqueiros são os cavalos que podem ser alugados. Completam as instalações lanchonetes, quiosques, piscina e playground e, futuramente, estará em funcionamento 24 horas. Alguns peixes possuem públicos diferentes de acordo com as aventuras buscadas por cada pescador: • Tilápia do Nilo: tem como público as mulheres, crianças e iniciantes. Este peixe por possuir um peso menor (nos pesqueiros, entre 600 g – mais R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998 comum – e 2 kg) e por não oferecer muito “trabalho” ao pescador, é um peixe de maior facilidade na pescaria e com um paladar agradável, e em muitos pesqueiros é servido o ‘sashimi de tilápia’. • Tilápia Saint Peter’s: é um peixe avermelhado (rosa) com as mesmas características da Tilápia do Nilo e com o mesmo público. Também é feito o sashimi com a sua carne e muitos preferem o Saint Peter’s por possuir carne mais branca que a do Nilo. • Pacú: peixe muito procurado por seu paladar, é um peixe que possui bastante gordura. São encontrados, em pesqueiros, exemplares de 900 gramas até 8 quilos. • Carpa: também muito procurado pelo paladar e pelas técnicas envolvidas para fisgá-lo, pois é um peixe que exige paciência para fisgá-lo e para retira-lo da água. Nos pesqueiros se encontram de 500 gramas até 30 quilos e as espécies mais comuns são Cabeçuda, Capim e Húngara. • Matrinxã: é um peixe que oferece uma boa aventura para retirá-lo da água, pois quando fisgado, ele dá saltos sobre a água. Sua carne é saborosa, mas também com muitas espinhas. Sentado à beira do lago, enquanto espera o peixe morder a isca, o cliente espera poder tomar um cafezinho fresco, um a cerveja gelada ou comer alguns petiscos. Enquanto a família se diverte na piscina, jet ski, ultraleve ou andando a cavalo. Os Serviços agregados normalmente incluem ainda restaurante, lanchonete, piscina, playground, estacionamento, restaurante, quadra poliesportiva, hospedagem em quartos, pousadas ou chalés. Diante da grande concorrência, alguns pesquepagues estão oferecendo outros tipos de serviço para atrair os pescadores. O Lagoa dos Patos, em Jundiaí (60 km a noroeste de São Paulo), por exemplo, criou uma horta orgânica, além de um ponto-de-venda de flores, plantas, leite e queijo. Está construindo ainda chalés para hospedar sua clientela. O Matsumura, de São Paulo, vai criar um lago exclusivo para salmão e trutas a partir de maio. O Aquarium, também na capital, mantém uma loja de acessórios, fornece cursos de pesca e pretende ampliar sua área, esperando com isso faturar mais de R$ 100 mil por mês. Um exemplo de projeto audacioso e inovador é o “Fundão da Barra Parque Show”, instalado ao lado do viaduto Pompéia, em São Paulo, numa área de 70 mil m2, tenta, ao mesmo tempo, trazer um clima SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA... interiorano à capital e fornecer uma boa infra-estrutura aos visitantes. Tem desde o SOS Mamãe (fraldário equipado com sala de amamentação) até o PesquePague, no qual o visitante pode pescar por quatro horas (pagando a tarifa de R$12,00) peixes como pacus, dourados e pintados. Há ainda uma minifazenda, onde animais como pôneis, minicabras, porcos, galinhas e patos dividirão espaço com charretes, trenzinhos e um lago artificial. Contrastando com esse ambiente bucólico há uma área para shows, com capacidade para até 20 mil pessoas, que terá programação variada, Rezende (1997). 2.4.4. Funcionários Os funcionários que trabalham em pesque – pague precisam possuir alguns conhecimentos básicos para melhor atender o pescador. Estes conhecimentos envolvem questões como: qual é o peixe ideal de acordo com o que o pescador procura; qual a vara, linha e anzol conforme o tipo e tamanho do peixe a ser pescado; como preparar uma vara de pescar; conhecimento dos equipamentos normalmente utilizados (além da vara) para a pesca; Quais as características dos peixes existentes no pesqueiro (tipo de isca, o sabor do peixe, o comportamento do peixe quando fisgado); como preparar, e também como utilizar cada isca, desde a escolha da melhor isca até como colocar no anzol. Além disso, os clientes também desejam saber a forma mais rápida de se limpar o peixe, tendo-se sempre em mente a limpeza e o corte correto de cada peixe. Buscam ainda saber como preparar e conservar o peixe pescado. Muitos clientes perguntam como preparar o peixe que está levando para casa, ou como melhor conserva-los, já que normalmente levam em grandes quantidades. Desta forma, os pesqueiros acabam prestando também um serviço de treinamento para lidar com os peixes. Para que o funcionário possa conhecer todos esses itens, o ideal é que ele receba um treinamento adequado, mas são raríssimos os casos em que é feito um treinamento. Em geral, ele é obrigado a aprender no dia – a – dia, ou com os funcionários mais experientes. 2.4.5. Concorrentes Os pesque – pague localizados na região metropolitana de São Paulo sofrem concorrência, além de outros pesque – pague, dos zoológicos, Playcenter, circos, entre outras opções de lazer que podem levar o “pai” a deixar de pescar para levar sua família à outros meios de diversão. Um sonho de todos os pescadores brasileiros e estrangeiros é a pesca na Amazônia e no Pantanal. 223 Algumas agências se especializaram nesses passeios, oferecendo pacotes completos para o público pescador. A atividade é bastante peculiar, pois demanda hospedagens e mão-de-obra especializada na pesca, e muito conhecimento da região que vai atender, onde geralmente chega-se por via marítima. Os hotéis de pescadores não costumam se destinar a turistas tradicionais. Eles fornecem barcos para as pescarias com guias para cada dois pescadores, os “piloteiros” que vão desbravar as águas da região. A Ligue Pesca é uma das pioneiras no setor, com mais de 20 anos no mercado. A empresa faturou R$ 420 mil líquidos em 1997, com o transporte de 2,2 mil pessoas o que representa um aumento de 50% (Jimenez, 1998). Os pesque – pague também estimulam o incremento no turismo para o Pantanal e Amazônia. Assim, os freqüentadores desse sistema começam a sonhar com grandes pescarias. 2.4.6. Clientes Os clientes dos pesque-pague da região da grande São Paulo são pessoas da classe média, que procuram lazer e diversão sem precisar afastar-se muito de suas casas. Procuram ainda o contato com a natureza e a fuga das condições estressantes da vida na metrópole. Geralmente, passam um dia inteiro num pesqueiro, com os amigos ou com a família. Desta forma, destacam-se dois tipos de clientes, o que acaba diferenciando também os pesqueiros: aqueles que além da pescaria e diversão procuram estar com a turma de amigos, não se importando muito com a infra-estrutura de apoio dos pesqueiros; e aqueles que frequentam com suas famílias, e que procuram os pesqueiros melhor estruturados, contando com restaurantes, playgrounds, etc. (pesqueiros familiares). Os pesque-pague desta forma são alternativas para quem quer pescar, mas não consegue dar uma escapadinha até o mar ou rio. Como atualmente existem até pesque-pague dentro de São Paulo, como o Pantanosso, no bairro da Pompéia (zona oeste), muitos executivos vão passar a happy hour pescando. 2.4.7. Oportunidades de melhoria Os proprietários de pesqueiros da região metropolitana de São Paulo admitem que as maiores oportunidades de melhoria estão em unir a atividade de pesca com a opção de levar toda a família. A procura por clubes de lazer no “campo” é cada vez maior. Assim, começam a surgir pesqueiros equipados com chalés, campo de futebol e beisebol, sofisticados playground, pomar, área de camping, trilhas para R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998 224 L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA cooper, quiosques e lanchonetes. Começa ainda a surgir também os pesqueiros do estilo “24 Horas”, para atender demandas específicas de clientes que preferem pescar de madrugada, no verão. As oportunidades de melhoria deste negócio estão em proporcionar maior facilidade de acesso aos clientes, e em intensificar os serviços agregados, principalmente aqueles voltados para o lazer da família. 3. CONCLUSÃO No mundo da economia globalizada, os países que sabem aproveitar as suas vantagens comparativas (facilidade de matéria-prima, salários mais baixos, vocação para a produção em determinado setor, menor custo de transporte, capacidade de produção com custos mais baixos, etc) são os que conseguem melhores resultados. Até recentemente, o Brasil tratou a pescaria amadora como algo romântico, espontâneo e ingênuo, mas nunca como um setor que pudesse gerar importantes ganhos financeiros e institucionais para o país, sem perceber o crescente número de pessoas que considera esta modalidade esportiva e de lazer como um patrimônio público e uma alternativa saudável de lazer e fonte de alimento. A vantagem competitiva do país no setor de pesca esportiva amadora, sua enorme capacidade de atrair pessoas investidores e de despertar interesse pela modalidade, vem crescendo muito rápido, inicialmente através de administrações despreparadas e desqualificadas para gerir adequadamente um negócio tão promissor, mas atualmente já percebe-se investimentos vultuosos e empresários profissionais atuando no setor, principalmente nos pesqueiros situados na região da grande São Paulo, que exploram este que é o esporte com segundo maior número de praticantes no Brasil. Ressalta-se ainda o caráter integrador do negócio. Para além do lazer e do esporte, os pesqueiros abrem muitas portas no meio empresarial. Nos pesqueiros se fazem amigos, muitos deles da mesma área de atuação, e desses encontros, saem negócios. Assim, as pessoas se encontram para pescar, têm interesses comuns, que viram negócios. Já se afirma que atualmente “lazer é o melhor negócio do mundo”, e os pesqueiros estão dando mostras de que tem um enorme potencial ainda a ser explorados. Este trabalho é um estudo exploratório e visou chamar atenção para o potencial de investimento e pesquisa deste ramo de negócios, em franca expansão no país. R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARMO, A. J. do. Centro – Oeste oferece linha de crédito subsidiada. http://www.estado.com .br/ jornal/96/11/15/TOKS15.htm. 27/08/98. JIMENEZ,C.. Pesca amadora abre boas oportunidades. http://www.estado.com.br/jornal/ suplem/pain/97/04/29/pain011.html. 21/08/98. JIMENEZ, C. Turismo especializado pode crescer. http://www.estado.com.br/jornal/suplem/pain/97/ 04/29/pain013.html. 27/08/98. OLIVEIRA, R. de. Pesque-pague vira negócio milionário. Folha de São Paulo, 22/01/97. p.6-1. PORTER, M. . Estratégia Competitiva. Rio de Janeiro: Campus, 1996 REZENDE, T. Barra Funda ganha parque eclético. 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