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SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA
REGIÃO DA GRANDE SÃO PAULO
LUCIEL HENRIQUE DE OLIVEIRA (*)
SANDRA EIKO FUKUSHIMA (**)
RESUMO
A pesca é o esporte com segundo maior número de praticantes no Brasil estando atrás somente do futebol. Estimase que somente no Brasil existam 30 milhões de pescadores amadores, sendo que cinco milhões de pessoas pescam
semanalmente. Hoje existem oficialmente 750 pesque – pague no Estado de São Paulo e 1.200 lugares de lazer e pesca no
Brasil. A pesca propiciou o desenvolvimento de um negócio genuinamente brasileiro: os pesqueiros, em suas várias modalidades
(pesque - pague, pague - pesque e pesque - solte). Trata-se de um mercado bastante promissor, configurando-se um misto de
lazer e comercialização de peixes e materiais para pesca, contando com setores de suporte e suprimentos já bem organizados.
Este trabalho apresenta um estudo exploratório sobre os pesqueiros sendo feita sua apresentação e caracterização dessa
“nova” opção de lazer do consumidor metropolitano e também um investimento relativamente barato e que ainda possui um
grande potencial de mercado. O universo da pesquisa foram os pesqueiros situados na região da Grande São Paulo, num
mercado ainda dominado por pequenos empreendedores. Abordou-se o sistema integrado de gestão do negócio, a criação de
valor e posicionamento estratégico do setor, bem como a logística integrada necessária para o funcionamento deste negócio
promissor.
DESCRITORES: Sistemas integrados, gestão de negócios, agronegócios, pesca, lazer.
SUMMARY
INTEGRATED SYSTEM OF ADMINISTRATION: THE CASE OF THE FISHING PLACES IN THE GREAT
SÃO PAULO AREA
Fishing as a sport in Brazil is second only to soccer. Amateur fishermen are estimated to be 30 million in Brazil,
and five million people go fishing every week. Today there are 750 authorized fishing places – “catch and pay” - in the State
of São Paulo and 1.200 fishing resorts in Brazil. Fishing provided the development of a genuinely Brazilian business: the
“pesqueiros” (fishing places) , in their several modalities (pesque-pague - catch and pay, pague e pesque - pay and go
fishing, and pesque e solte - catch and set free). It is a quite promising market, being both recreation and commerce of fish
and fishing tackle, relying on well organized support and supplies firms. This work presents an exploratory study of fishing
resorts - a presentation and characterization of that new option of the metropolitan consumer’s recreation and also a
relatively cheap investment in a great market potential. The universe of this research was the fishing places in the area of the
Great São Paulo, in a market still dominated by small business firms. The approaches were: the integrated system of
business administration, the creation of value and strategic positioning of the section, as well as the necessary integrated
logistics for the operation of this promising business.
KEY WORDS: Integrated systems, business administration, agrobusiness, fishing, recreation..
1. INTRODUÇÃO
A pesca é o esporte com segundo maior número
de praticantes no Brasil estando atrás somente do
futebol. Estima-se que somente no Brasil existam 30
milhões de pescadores amadores, sendo que cinco
milhões de pessoas pescam semanalmente. Hoje
existem oficialmente 750 pesque – pague no Estado
de São Paulo e 1.200 lugares de lazer e pesca no Brasil.
A pesca esportiva, antes restrita aos iniciados,
ganhou novo impulso a partir da onda dos pesquepagues, que se propagou pelo interior do país. Hoje
existem pelo menos 2.250 pesqueiros no Brasil, que
devem consumir este ano 45 mil t de peixe e
movimentar mais de R$ 300 milhões, segundo
estimativa da Abrappesq (Associação Brasileira dos
Piscicultores e Pesqueiros), Oliveira (1997).
Somente o Estado de São Paulo, maior
consumidor de peixes do país, tem 1.500 pesquepagues. Dados da Abracoa (Associação Brasileira dos
Criadores de Organismos Aquáticos) indicam que pelo
menos 95% da produção nacional de peixes em
cativeiro já está sendo destinada aos pesque-pagues.
Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola de
* Eng.º Agr.º , M.S.c.Professor do I. C. E. S./ UNIFENAS. E-Mail: [email protected]. C.P. 23 CEP 37130-000 Alfenas-MG.
** Bacharel em Administração e Gestão de Negócios (ESPM, SP)
R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998
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L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA
São Paulo, a produção de peixes movimentou R$ 25
milhões em 1996, Oliveira (1997).
Este trabalho visa realizar um estudo exploratório
sobre os pesqueiros, sendo feita sua apresentação e
caracterização dessa “nova” opção de lazer do
consumidor metropolitano e também um investimento
relativamente barato e que ainda possui um grande
potencial de mercado. O trabalho teve como universo
da pesquisa os pesqueiros situados na região da Grande
São Paulo, num mercado ainda dominado por
pequenos empreendedores.
2.DESENVOLVIMENTO
2.1 A pesca no nas Américas
Existem três programas de televisão em rede
nacional, nove revistas e dois programas de rádio onde
a pesca é assunto exclusivo. Esse panorama faz com
que a pesca esportiva no Brasil movimente
aproximadamente US$ 350 milhões por ano.
Nos Estados Unidos existem 35 milhões de
pescadores amadores que pagam licença de pesca, dos
quais mais de três milhões viajam pelo mundo em busca
de locais adequados à prática da pesca esportiva. No
mercado norte-americano o faturamento é de US$ 36
bilhões e gera 890 mil empregos diretos. Um conceito
que começa a ganhar força, que é o de união entre
pesca e preservação do meio ambiente. Foi nos Estados
Unidos, na década de 70, que surgiu a filosofia do
catch and release, ou pegue e solte, pela qual se guiam
a maior parte dos pescadores esportivos hoje. O
princípio básico da esportividade é: você deve oferecer
chances de luta ao peixe. Por isso, são consideradas
esportivas apenas as espécies mais briguentas,
predadoras, capazes de travar uma longa batalha com
o pescador. É claro que, radicalismos à parte, este deve
usar o bom senso, levando para casa só o suficiente
para o seu consumo. Forrar o barco de peixes pelo
simples prazer da captura é uma atitude anti-esportiva,
pois tira inutilmente do rio ou do mar espécies que
poderiam proporcionar o prazer da pesca a outros
esportistas.
Quando se entra em um barco ou senta-se à beira
de um barranco, cada pescador tem sua própria
filosofia sobre esportividade: “É ir pescar sem pensar
em levar o peixe e ter consciência de que não são apenas
os espécimes grandes que proporcionam uma boa
briga. Um peixe pequeno pode ser tão esportivo quanto
o grande”, opinam os pescadores em rios. Para os
pescadores no mar, em costões e canais, “pesca
esportiva é tudo o que se pratica com uma vara,
molinete ou carretilha”. No entanto, que alguns
detalhes ajudam a garantir maior emoção à pesca em
R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998
oceano, como, por exemplo, levar equipamento leve
em vez de médio ou pesado, para experimentar brigas
mais demoradas, além de usar iscas de superfície, para
ter o prazer de ver os peixes subirem para abocanhálas.
Os pescadores tiveram oportunidade de
aperfeiçoar sua técnica a partir do início dos anos 90,
quando aconteceu um verdadeiro “boom” desta prática
esportiva no Brasil. Vários fatores contribuíram para
que o país acordasse para a pesca: a abertura do
mercado à importação e a conseqüente chegada ao país
de equipamentos sofisticados em profusão, a criação
da Feipesca – Feira Internacional de Pesca, Náutica,
Mergulho e Camping, uma das maiores do gênero no
mundo, e ainda o crescimento de um segmento de mídia
especializado no assunto. Tudo isso, aliado à filosofia
do “catch and release”, foi suficiente para acordar o
mercado brasileiro, que na pesca, como em tantas
outras áreas, vem sendo visto como uma grande
fronteira de negócios por empresas de todo o mundo.
2.2.Aspectos Legais
Todo pesque-pague precisa de um registro do
Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis) para funcionar
legalmente. Diariamente cerca de 15 consultas são
feitas ao órgão à procura de informações sobre
montagem de pesqueiros no sistema pesque-pague. O
proprietário do pesque-pague deve preencher um
formulário e entregar a planta do projeto e a relação
dos fornecedores de peixes ao Ibama. Dois outros
órgãos estaduais em São Paulo, estão vinculados ao
processo de registro: o Daee (Departamento de Águas
e Energia Elétrica) autoriza o uso de água para o
pesqueiro, necessária para a oxigenação dos tanques
e o DEPRN (Departamento Estadual de Proteção aos
Recursos Naturais), completa a documentação para o
funcionamento legal do pesqueiro.
O Ibama também emite licença de pesca
amadora. Um novo modelo de licença está sendo
vendido em papelarias por R$ 0,20. A obtenção da
licença de pesca amadora na categoria desembarcada
custa R$ 50 e na categoria embarcada R$ 100. A
renovação é anual e tem validade nacional.
Em 1996 o Ministério da Indústria, Comércio
e Turismo criou o Programa Nacional de
Desenvolvimento da Pesca Amadora, que tem como
objetivo e desafio transformar a pesca amadora em
um instrumento de desenvolvimento social e econômico
e de crescimento da consciência ecológica. O desafio
está justamente em fazer ver que a devastação do meio
ambiente mais cedo ou mais tarde trará conseqüências
funestas para o próprio pescador que não respeita
regras como o período de defeso ou o limite de pesca.
SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA...
Com a atividade de fiscalização limitada pela falta de
pessoal ou de recursos, a participação do pescador
esportivo torna-se essencial nesse processo, seja
conscientizando outros pescadores ou denunciando
irregularidades.
Em Estados como o Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul, onde o turismo pesqueiro é mais
intenso, com centenas de hotéis e barcos-hotéis
funcionando na alta temporada, já acontece uma
fiscalização mais rígida de regras que valem para todo
o país, mas que ainda são desrespeitadas. É o caso,
por exemplo, do período de defeso, que vai de
novembro a fevereiro em todos os rios, do tamanho
mínimo exigido para cada espécie, do limite de captura
e transporte de peixe por pessoa - 30 quilos - e do
pagamento da Licença de Pesca, obrigatória em todo
o país. Para tirar a licença, válida por um ano, basta
procurar o formulário em qualquer papelaria, ou retirálo no Ibama, e pagar a taxa em qualquer banco. Para
a pesca embarcada o valor é de R$60,00 e para pesca
desembarcada, R$20,00.
Para pescar no Mato Grosso, é necessária, além
da taxa do Ibama, uma licença estadual, também com
validade anual, de R$ 25,00 cobrada pela Fema –
Fundação Estadual do Meio Ambiente. Isso vem
gerando muita discussão sobre a sua
constitucionalidade. À parte essa questão, a Fema
montou, nas estradas, postos em trailers para atender
pescadores amadores e esportistas. Ali cobram a taxa
e distribuem folhetos explicativos sobre a legislação
local (Lei estadual n.º 6.672/95).
Os panfletos também discorrem sobre o meio
ambiente e fornecem números de telefones para
denúncias e esclarecimentos. Embora seja discutível
a duplicidade da cobrança, esse trabalho se justifica e
deve coibir um pouco os abusos.
2.3 Caracterização dos Pesqueiros como
Negócio
Para os moradores de grandes centros urbanos
como São Paulo, talvez os pesqueiros sejam hoje algo
próximo do que foram as represas há cerca de 20 anos:
um local perto de casa, onde é possível esquecer rotina
e trabalho, pescando tranqüilamente, acompanhado da
família e dos amigos. Os pesqueiros da Grande São
Paulo localizam-se num raio máximo de 100 Km do
centro da cidade.
O primeiro pesqueiro, ou pesque - pague, local
onde o pescador paga a entrada mais um valor fixo
para os quilos capturados nos lagos artificiais, surgiu
em Bragança Paulista, interior de São Paulo, em 1975.
Mas foi na última década que eles realmente se
multiplicaram geometricamente, dando um impulso
essencial para o desenvolvimento da piscicultura no
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Brasil. Boa parte da produção dos criadouros vai direto
para os pesqueiros.
As espécies exóticas como tilápia e carpa
continuam a ser as mais fisgadas nos pesque - pague
ou nos pague-pesque (onde só é cobrada a entrada),
mas já é possível brigar com grandes peixes esportivos
nativos, como dourado, matrinxã, piraputanga e
piracanjuba. O depoimento de Mauro Yoshio,
proprietário de dois pesqueiros em São Paulo, citado
por Jimenez (1998), ilustra bem o crescimento e o
potencial do negócio: “Quando começamos, há sete
anos, peixes como esses eram encontrados apenas em
locais como Mato Grosso e Amazonas. Então as
pessoas levavam para casa para mostrar para a família
e os amigos. Hoje existe um maior espírito esportivo,
e muitos dos pescadores que vêm aqui trazem um
equipamento mais leve, tiram a farpa do anzol e soltam
o peixe. Achamos esse tipo de atitude extremamente
positiva. Estamos criando verdadeiros craques aqui.
Segundo Rigotti, professor e colunista de pesca
esportiva, (Rostelato, 1998) “Os pesque - pague são
hoje os nossos grandes laboratórios para experiências.
Neles, podemos aperfeiçoar nossa técnica e aprender
detalhes importantes para futuras pescarias em rio.
Ao contrário do que muitos pensam, a pesca nesses
locais não é necessariamente fácil. Já vi muitos
campeões terem dificuldade com peixes em
pesqueiros”.
2.3.1. Conceitos básicos
Os pesqueiros são estabelecimentos comerciais
que atuam no segmento de lazer. Em bases gerais, são
compostos por lagos onde são colocados peixes para
a prática da pesca esportiva. Destacam-se as seguintes
modalidades de pesqueiros:
A) Pague – Pesque
Nesta modalidade, o preço da entrada,
normalmente mais alto inclui todos os peixes que o
freqüentador conseguir capturar. No começo da onda,
conseguiram bastante adeptos. Devidos ao intenso
comércio gerado em conseqüência desse sistema,
muitos passaram a Ter prejuízos. O “negócio”
funcionava da seguinte forma: um “investidor”
contratava grande número de pescadores, que
municiados de diversas varas, capturava grande
quantidade de pescado. O produto dessas pescarias
era repassado ao “investidor” que comercializava a
quem interessasse. Muitas vezes, os mesmos
proprietários de pague – pesque que permitiam a
entrada desses profissionais eram os compradores. Isso
frustrava quem, aos fins-de-semana, buscava lazer
nesses locais. Graças à essa atividade paralela os lagos
R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998
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L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA
já não tinham peixes suficientes para a prática do
esporte e assim, essa forma de empreendimento perdia
os bons resultados junto à sua essencial boa média de
freqüentadores mensais. Há ainda quem tenha
separados lagos para pague – pesque e pesque – pague.
Essa mistura faz com que o controle de freqüência
seja diferenciado para os diferentes sistemas e dá mais
trabalho.
B) Pesque – Solte
Neste sistema os freqüentadores pagam a entrada
e podem devolver à água os peixes que não desejar e
assim só levar as espécies que lhe convier. Cada
pesqueiro que adotou esse sistema estabeleceu regras
próprias para a liberação de pescado, que devem ser
seguidas à risca pelos pescadores. Muitos proprietários
informaram que conseguiram aumento de freqüência
depois de implantarem o pesque – solte. Alguns
verificaram que o que perdem com a redução na venda
de peixes, recuperam com o maior número de pessoas
e crescimento de consumo de itens paralelos nas
lanchonetes, restaurantes, em material de pesca, iscas
etc.
C) Pesque – Pague
Neste sistema, paga-se o quilo do peixe pescado
e na sua maioria são obrigados a levar tudo o que
capturam. Em alguns são cobradas entradas e outros
não. O sistema de pesque – pague existe há dez anos,
mas foi só a partir de 1995 que começou a crescer
vertiginosamente. Atualmente apenas no Estado de São
Paulo existem 700 pesque – pague catalogados e
podem representar até 1.200 endereços se for
considerado o mercado informal.
2.4 Análise Estratégica do Setor - Análise de
Porter
Utilizou-se o modelo de Porter (1996) para
analisar a estratégia competitiva do setor, e identificar
oportunidades de melhorias. O modelo de Porter parte
da análie das forças que dirigem a concorrência para
identificar pontos que podem ser melhor trabalhados.
2.4.1. Ambiente de Negócios
Nenhum setor do segmento pesca cresceu mais
nos últimos anos do que os pesque – pague. Aqui
provavelmente se encontra os 30% de crescimento/
ano apontado pela estatística. Segundo o redator da
Revista Troféu Pesca, há um potencial monstruoso
R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998
para a pesca. Esta é uma das nove revistas mensais
dedicadas ao assunto (o número de publicações
também dobrou nos últimos anos), que contava em
1998 com 50 mil assinantes.
Existem dois importantes eventos anuais que
são realizados em São Paulo: a Pesca Show e a
Feipesca. Sendo que a primeira, no ano de 1997,
recebeu 27 mil visitantes. Já a Feipesca, a maior feira
na América Latina e a quarta do mundo recebeu cerca
de 300 mil visitantes, 400 visitantes internacionais,
mais de 350 mil lojistas, 300 expositores do Brasil e
de mais de 20 países.
A Feipesca - Feira Internacional de Pesca,
Caça, Náutica, Mergulho e Camping, promovida pela
DMG Marketing e Promoção, foi uma das
responsáveis pelo crescimento que o esporte vem tendo
no país nos últimos anos, graças à divulgação da
prática e sua conseqüente popularização, e também
aos novos negócios que vem gerando. A 5ª edição da
feira aconteceu entre os dias 15 e 19 de abril de 1998,
no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento,
ocupou uma área de 32 mil metros quadrados com
atrações que vão desde os equipamentos e acessórios
mostrados pelos 300 expositores nacionais e
estrangeiros, até um pesque - pague localizado bem
no meio de um dos pavilhões. Além de pescar, os
visitantes puderam conhecer ainda as principais
espécies esportivas dos rios brasileiros no River World
Aquarium, um aquário com mais de 80 metros de
comprimento.
Com a proibição da pesca por causa da
piracema, período de procriação das espécies (15 de
novembro a 15 de fevereiro), os pesque – pague
transformam-se em boa opção para os pescadores dos
rios paulistas e do Pantanal mato-grossense. Os
pesqueiros chegam a registrar um aumento de 30% na
clientela.
2.4.2. Fornecedores
Ainda no início da década de 90, há bem pouco
tempo, os brasileiros permaneciam distantes das
novidades tecnológicas lançadas no Primeiro Mundo.
No mercado de equipamentos para a pesca esportiva
não era diferente, mas, com a abertura às importações,
uma inevitável avalanche de novidades tomou conta
do mercado, deixando os aficcionados a par das
constantes novidades: varas leves e resistentes,
carretilhas cheias de recursos tecnológicos, linhas cada
vez mais finas, resistentes e impermeáveis, iscas
artificiais para todos os gostos.
Há milênios o homem usa basicamente os
mesmos elementos para pescar. O que mudou
vertiginosamente em apenas algumas décadas foram
SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA...
os materiais empregados na fabricação do
equipamento. Até os anos 40, as varas mais populares
em todo o mundo continuavam a ser as de bambu.
Uma série de problemas, no entanto, como a falta de
flexibilidade, fragilidade e o cansaço depois de horas
de uso levaram à busca de outros materiais.
O primeiro material alternativo desenvolvido
foi a fibra de vidro, a princípio em varas maciças, e
depois ocas. Já na década de 70, com a corrida espacial,
acabou sobrando tecnologia até para a vara de pescar.
O grafite e o carbono vieram trazer maior leveza e
resistência. Cada vez mais o pescador está se
equipando com varas telescópicas, desmontáveis, feitas
em grafite ou em mescla de grafite com carbono. A
leveza e flexibilidade dessas varas tornam a pesca
muito mais envolvente, uma vez que, além de manusear
a vara com mais facilidade, o pescador terá nas mãos
um equipamento que lhe dará maior sensibilidade para
sentir cada movimento do peixe. O importante da
tecnologia é que ela contribui para aumentar a
percepção do pescador, o que, por sua vez, ajuda a
determinar o sucesso da pescaria. Mas é claro que
nem toda a tecnologia do mundo poderá ajudar se não
houver um mínimo de sensibilidade e perícia.
O pré-requisito básico na hora de comprar
uma vara é saber exatamente para que tipo de pesca
ela será usada. Existem muitos modelos, como os lisos,
para pesca de mão, com passadores, para uso de
molinetes e carretilhas, varas desmontáveis, varas para
pesca de praia, mais compridas, e varas para pesca
com mosca. Outra diferenciação se dá de acordo com
o tipo de peixe que o pescador quer pegar. Nesse caso,
a graduação de resistência da vara vai de ultra light,
com resistência para 1 a 6 libras (cada libra equivale
a 453 gramas) até a extra heavy, ferramenta essencial
se o pescador quiser travar batalhas com peixes de
mais de 20kg, como dourados, cações ou brejerebas.
Outro item importante e que confunde pela
variedade são as iscas artificiais, as preferidas pelos
pescadores esportivos, pois proporcionam boas brigas
com grandes predadores de rio e mar. São dezenas e
dezenas de modelos, com nomes estranhos como
Buzzbait ou Wobbler. De modo geral, no entanto, elas
podem ser divididas de duas maneiras. A primeira é
pela sua forma. Nesse caso, existem spoons ou
colheres, lâminas de metal achatadas que atraem o
peixe pelo brilho, plugs, que são iscas imitando
peixinhos, e flies, iscas para a pesca tipo fly ou mosca,
que imitam insetos. Outra divisão se dá por
profundidade. Nesse caso, as iscas artificiais se
subdividem nas categoriais de superfície, meia-água e
de fundo. Cada categoria, por sua vez, se subdivide
em vários modelos com características próprias.
Enquanto nossos ancestrais usavam materiais como
madeira e conchas em suas iscas, hoje elas são de
221
metal, plástico, borracha, e abusam das cores e do
brilho para atrair o peixe.
Por trás do solitário pescador e de seus
equipamentos (sua “tralha”), existe hoje no Brasil uma
indústria de equipamentos e artigos esportivos que
movimenta em torno de 250 milhões ao ano, além de
uma incipiente atividade turística que vem sendo
incentivada a crescer e gerar mais empregos.
Quase 90% da produção de peixes para o
abastecimento de pesque – pague de São Paulo vêm o
Vale do Ribeira, onde pelo menos 300 criadores
dedicam-se à piscicultura. O bom mercado de pesque
– pague, que gastam R$ 700 mil por mês para
abastecer seus lagos de pesca, levou pequenos e médios
produtores rurais a investir na criação de peixes.
O Haras Nossa Senhora de Fátima de
Itapetininga, iniciou a criação em 1995 com um tanque
de 4 mil metros quadrados de viveiros para a engorda
de pacú (peixe da mesma família do piranha) e
esperava estar produzindo em 1998 mais de 10
toneladas. Desde os piscicultores, que fornecem peixes
para os pesque – pague, até os fabricantes de
equipamentos para a atividade- como varas, molinetes
e estojos – estão se adaptando para o crescimento da
demanda. A produção de algumas empresas de estojos
para equipamentos de pesca, por exemplo, cresceu
50% desde 1994.
As cerca de 5 mil lojas especializadas em pesca
no Brasil crescem com essa invasão de importados. A
indústria nacional, entretanto, começa a se modernizar
(utilizando-se de técnicas modernas de administração)
para não perder seu market share.
Em Três Lagoas (MS), e na região de Marília
(SP), existem pelo menos 70 propriedades rurais, que
estão investindo na piscicultura para o fornecimento
aos pesque – pague, segundo estimativas de Scarance
(1998). No entanto, faltam dados oficiais sobre a
atividade.
O ramo de pesca vem despertando o interesse
de empresas de outros segmentos, que diversificaram
suas atividades pelo potencial de vendas para os
adeptos deste hobby. A metalúrgica AWS, por
exemplo, fabricante há 30 anos de eletrodos para
soldas, inaugurou há alguns anos uma divisão para
artigos de pesca, chegando a representar 30% do seu
faturamento total. A empresa desenvolveu um suporte
de alumínio para varas de pescar, e atualmente, fabrica
também o chumbo que dá peso à vara de pesca. Passou
também a distribuir acessórios, como iscas artificiais,
varas e uma massa especial utilizada para como isca.
Outra empresa que resolveu diversificar para
ramo de pesca é a Victory, de extrusão de material
plástico, no mercado desde 1989. Há uns três anos a
empresa deu início a produção de carretéis de linha
para pesca.
R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998
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L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA
2.4.3. Estrutura dos Pesqueiros, produtos,
diversificação e serviços agregados
Na maioria dos pesqueiros da grande São
Paulo é possível alugar varas de pesca e comprar iscas:
minhocas e massas para carpa. Em alguns também
ensinam os menos experientes a pescar. Outro ponto
importante é o atendimento. Muitos possuem
restaurantes, estacionamento e seguranças. Mulheres
e crianças são freqüentes nos pesqueiros. Os fãs de
sashimi também são atraídos pelas refeições
preparados com os peixes pescados pelo próprio
cliente.
Nos pesque – pague em geral não é permitido
o uso de redes, tarrafas, espinhéis ou outros artefatos
usados na pesca profissional. Os peixes são adquiridos
pequenos ou já adultos e são soltos em lagos próprios.
Os pescadores pagam uma taxa de entrada e/ou o
valor do quilo pescado.
O negócio apresenta grande movimento nos
finais de semana, como por exemplo, no caso do
Pantanosso, um dos maiores pesqueiros do Estado de
São Paulo, os pescadores tiraram das águas, só em
um sábado, 320 quilos de tilápia e 280 de outros peixes.
Inaugurado há pouco mais de cinco anos na Chácara
Santo Amaro, o pesqueiro Matsumura é o mais antigo
da região. O público tem quatro lagos à disposição,
nos quais é possível fisgar pacús, tilápias-do-nilo,
matrinxãs, e pintados. Também há playground e
lanchonete. O empresário garante a qualidade da água,
proveniente de nascentes localizadas no terreno de 40
hectares. Para garantir um boa pescaria, novos animais
são colocados regularmente na água. Os pescadores
menos atentos podem ficar tranqüilos, pois o pesqueiro
fornece vários tipos de iscas (minhocas, massa,
minhocuçu e coração de frango. Cada pescador
desembolsa R$ 10,00 de entrada e o preço do quilo do
peixe varia conforme a espécie.
Já no caso do pesqueiro Oito Lagoas é um
dos que possui maior número de tanques. Além das
espécies usuais como pacú, catfish, Saint Peter’s e
matrinxã, possui um lago de camarão. O pesqueiro
possui 8 alqueires de área e quatro casas à disposição
para aluguel. Outro diferencial do pesqueiros são os
cavalos que podem ser alugados. Completam as
instalações lanchonetes, quiosques, piscina e
playground e, futuramente, estará em funcionamento
24 horas.
Alguns peixes possuem públicos diferentes de
acordo com as aventuras buscadas por cada pescador:
•
Tilápia do Nilo: tem como público as mulheres,
crianças e iniciantes. Este peixe por possuir um
peso menor (nos pesqueiros, entre 600 g – mais
R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998
comum – e 2 kg) e por não oferecer muito
“trabalho” ao pescador, é um peixe de maior
facilidade na pescaria e com um paladar agradável,
e em muitos pesqueiros é servido o ‘sashimi de
tilápia’.
•
Tilápia Saint Peter’s: é um peixe avermelhado
(rosa) com as mesmas características da Tilápia
do Nilo e com o mesmo público. Também é feito
o sashimi com a sua carne e muitos preferem o
Saint Peter’s por possuir carne mais branca que a
do Nilo.
•
Pacú: peixe muito procurado por seu paladar, é
um peixe que possui bastante gordura. São
encontrados, em pesqueiros, exemplares de 900
gramas até 8 quilos.
•
Carpa: também muito procurado pelo paladar e
pelas técnicas envolvidas para fisgá-lo, pois é um
peixe que exige paciência para fisgá-lo e para
retira-lo da água. Nos pesqueiros se encontram
de 500 gramas até 30 quilos e as espécies mais
comuns são Cabeçuda, Capim e Húngara.
•
Matrinxã: é um peixe que oferece uma boa
aventura para retirá-lo da água, pois quando
fisgado, ele dá saltos sobre a água. Sua carne é
saborosa, mas também com muitas espinhas.
Sentado à beira do lago, enquanto espera o
peixe morder a isca, o cliente espera poder tomar um
cafezinho fresco, um a cerveja gelada ou comer alguns
petiscos. Enquanto a família se diverte na piscina, jet
ski, ultraleve ou andando a cavalo. Os Serviços
agregados normalmente incluem ainda restaurante,
lanchonete, piscina, playground, estacionamento,
restaurante, quadra poliesportiva, hospedagem em
quartos, pousadas ou chalés.
Diante da grande concorrência, alguns pesquepagues estão oferecendo outros tipos de serviço para
atrair os pescadores. O Lagoa dos Patos, em Jundiaí
(60 km a noroeste de São Paulo), por exemplo, criou
uma horta orgânica, além de um ponto-de-venda de
flores, plantas, leite e queijo. Está construindo ainda
chalés para hospedar sua clientela. O Matsumura, de
São Paulo, vai criar um lago exclusivo para salmão e
trutas a partir de maio. O Aquarium, também na
capital, mantém uma loja de acessórios, fornece cursos
de pesca e pretende ampliar sua área, esperando com
isso faturar mais de R$ 100 mil por mês.
Um exemplo de projeto audacioso e inovador
é o “Fundão da Barra Parque Show”, instalado ao
lado do viaduto Pompéia, em São Paulo, numa área
de 70 mil m2, tenta, ao mesmo tempo, trazer um clima
SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO: O CASO DOS PESQUEIROS NA...
interiorano à capital e fornecer uma boa infra-estrutura
aos visitantes. Tem desde o SOS Mamãe (fraldário
equipado com sala de amamentação) até o PesquePague, no qual o visitante pode pescar por quatro horas
(pagando a tarifa de R$12,00) peixes como pacus,
dourados e pintados. Há ainda uma minifazenda, onde
animais como pôneis, minicabras, porcos, galinhas e
patos dividirão espaço com charretes, trenzinhos e um
lago artificial. Contrastando com esse ambiente
bucólico há uma área para shows, com capacidade
para até 20 mil pessoas, que terá programação variada,
Rezende (1997).
2.4.4. Funcionários
Os funcionários que trabalham em pesque –
pague precisam possuir alguns conhecimentos básicos
para melhor atender o pescador. Estes conhecimentos
envolvem questões como: qual é o peixe ideal de acordo
com o que o pescador procura; qual a vara, linha e
anzol conforme o tipo e tamanho do peixe a ser
pescado; como preparar uma vara de pescar;
conhecimento dos equipamentos normalmente
utilizados (além da vara) para a pesca; Quais as
características dos peixes existentes no pesqueiro (tipo
de isca, o sabor do peixe, o comportamento do peixe
quando fisgado); como preparar, e também como
utilizar cada isca, desde a escolha da melhor isca até
como colocar no anzol.
Além disso, os clientes também desejam saber
a forma mais rápida de se limpar o peixe, tendo-se
sempre em mente a limpeza e o corte correto de cada
peixe. Buscam ainda saber como preparar e conservar
o peixe pescado. Muitos clientes perguntam como
preparar o peixe que está levando para casa, ou como
melhor conserva-los, já que normalmente levam em
grandes quantidades. Desta forma, os pesqueiros
acabam prestando também um serviço de treinamento
para lidar com os peixes. Para que o funcionário possa
conhecer todos esses itens, o ideal é que ele receba um
treinamento adequado, mas são raríssimos os casos
em que é feito um treinamento. Em geral, ele é obrigado
a aprender no dia – a – dia, ou com os funcionários
mais experientes.
2.4.5. Concorrentes
Os pesque – pague localizados na região
metropolitana de São Paulo sofrem concorrência, além
de outros pesque – pague, dos zoológicos, Playcenter,
circos, entre outras opções de lazer que podem levar o
“pai” a deixar de pescar para levar sua família à outros
meios de diversão.
Um sonho de todos os pescadores brasileiros
e estrangeiros é a pesca na Amazônia e no Pantanal.
223
Algumas agências se especializaram nesses passeios,
oferecendo pacotes completos para o público pescador.
A atividade é bastante peculiar, pois demanda
hospedagens e mão-de-obra especializada na pesca, e
muito conhecimento da região que vai atender, onde
geralmente chega-se por via marítima.
Os hotéis de pescadores não costumam se
destinar a turistas tradicionais. Eles fornecem barcos
para as pescarias com guias para cada dois pescadores,
os “piloteiros” que vão desbravar as águas da região.
A Ligue Pesca é uma das pioneiras no setor, com mais
de 20 anos no mercado. A empresa faturou R$ 420
mil líquidos em 1997, com o transporte de 2,2 mil
pessoas o que representa um aumento de 50%
(Jimenez, 1998).
Os pesque – pague também estimulam o
incremento no turismo para o Pantanal e Amazônia.
Assim, os freqüentadores desse sistema começam a
sonhar com grandes pescarias.
2.4.6. Clientes
Os clientes dos pesque-pague da região da
grande São Paulo são pessoas da classe média, que
procuram lazer e diversão sem precisar afastar-se
muito de suas casas. Procuram ainda o contato com a
natureza e a fuga das condições estressantes da vida
na metrópole. Geralmente, passam um dia inteiro num
pesqueiro, com os amigos ou com a família. Desta
forma, destacam-se dois tipos de clientes, o que acaba
diferenciando também os pesqueiros: aqueles que além
da pescaria e diversão procuram estar com a turma de
amigos, não se importando muito com a infra-estrutura
de apoio dos pesqueiros; e aqueles que frequentam com
suas famílias, e que procuram os pesqueiros melhor
estruturados, contando com restaurantes, playgrounds,
etc. (pesqueiros familiares).
Os pesque-pague desta forma são alternativas
para quem quer pescar, mas não consegue dar uma
escapadinha até o mar ou rio. Como atualmente
existem até pesque-pague dentro de São Paulo, como
o Pantanosso, no bairro da Pompéia (zona oeste),
muitos executivos vão passar a happy hour pescando.
2.4.7. Oportunidades de melhoria
Os proprietários de pesqueiros da região
metropolitana de São Paulo admitem que as maiores
oportunidades de melhoria estão em unir a atividade
de pesca com a opção de levar toda a família. A procura
por clubes de lazer no “campo” é cada vez maior.
Assim, começam a surgir pesqueiros equipados com
chalés, campo de futebol e beisebol, sofisticados
playground, pomar, área de camping, trilhas para
R. Un. Alfenas, Alfenas, 4:217-224, 1998
224
L. H. de OLIVEIRA e S. E. FUKUSHIMA
cooper, quiosques e lanchonetes.
Começa ainda a surgir também os pesqueiros do
estilo “24 Horas”, para atender demandas específicas
de clientes que preferem pescar de madrugada, no
verão.
As oportunidades de melhoria deste negócio estão
em proporcionar maior facilidade de acesso aos
clientes, e em intensificar os serviços agregados,
principalmente aqueles voltados para o lazer da
família.
3. CONCLUSÃO
No mundo da economia globalizada, os países
que sabem aproveitar as suas vantagens comparativas
(facilidade de matéria-prima, salários mais baixos,
vocação para a produção em determinado setor, menor
custo de transporte, capacidade de produção com
custos mais baixos, etc) são os que conseguem
melhores resultados. Até recentemente, o Brasil tratou
a pescaria amadora como algo romântico, espontâneo
e ingênuo, mas nunca como um setor que pudesse gerar
importantes ganhos financeiros e institucionais para o
país, sem perceber o crescente número de pessoas que
considera esta modalidade esportiva e de lazer como
um patrimônio público e uma alternativa saudável de
lazer e fonte de alimento.
A vantagem competitiva do país no setor de
pesca esportiva amadora, sua enorme capacidade de
atrair pessoas investidores e de despertar interesse pela
modalidade, vem crescendo muito rápido, inicialmente
através de administrações despreparadas e
desqualificadas para gerir adequadamente um negócio
tão promissor, mas atualmente já percebe-se
investimentos vultuosos e empresários profissionais
atuando no setor, principalmente nos pesqueiros
situados na região da grande São Paulo, que exploram
este que é o esporte com segundo maior número de
praticantes no Brasil.
Ressalta-se ainda o caráter integrador do
negócio. Para além do lazer e do esporte, os pesqueiros
abrem muitas portas no meio empresarial. Nos
pesqueiros se fazem amigos, muitos deles da mesma
área de atuação, e desses encontros, saem negócios.
Assim, as pessoas se encontram para pescar, têm
interesses comuns, que viram negócios.
Já se afirma que atualmente “lazer é o melhor
negócio do mundo”, e os pesqueiros estão dando
mostras de que tem um enorme potencial ainda a ser
explorados. Este trabalho é um estudo exploratório e
visou chamar atenção para o potencial de investimento
e pesquisa deste ramo de negócios, em franca expansão
no país.
R. Un. Alfenas, Alfenas , 4:217-224, 1998
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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crédito subsidiada. http://www.estado.com .br/
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oportunidades. http://www.estado.com.br/jornal/
suplem/pain/97/04/29/pain011.html. 21/08/98.
JIMENEZ, C. Turismo especializado pode crescer.
http://www.estado.com.br/jornal/suplem/pain/97/
04/29/pain013.html. 27/08/98.
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milionário. Folha de São Paulo, 22/01/97. p.6-1.
PORTER, M. . Estratégia Competitiva. Rio de
Janeiro: Campus, 1996
REZENDE, T. Barra Funda ganha parque eclético.
Folha de São Paulo, 26/09/97 p. 31
ROSTELATO, C. Pesqueiro une esporte a mordomias.
http://www.estado.com.br/jornal/96/06/21/
PESK21.HTM. 27/08/98.
SCARANCE, G. Pescaria deixa de ser hobby de fim
de semana. http://www.estado.com.br/jornal/
suplem/seub/98/01/01/seub013.html.27/08/98.
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o caso dos pesqueiros na região da grande são paulo 1