Inovação em Portugal Rural Detetar, Medir e Valorizar Todos os direitos reservados de acordo com a legislação em vigor; reprodução proibida. Sem o prévio consentimento escrito do editor, são totalmente proibidas a reprodução e a transmissão desta obra (total ou parcialmente) por todos e quaisquer meios (eletrónicos ou mecânicos, transmissão de dados, gravação ou fotocópia), quaisquer que sejam os destinatários ou autores (pessoas singulares ou coletivas), os motivos e os objetivos (incluindo escolares, científicos, académicos ou culturais), à exceção de excertos para divulgação e da citação científica, sendo igualmente interdito o arquivamento em qualquer sistema ou banco de dados. Título Inovação em Portugal Rural – Detetar, Medir e Valorizar Autores e copyright Lívia Madureira, Teresa M. Gamito, Dora Ferreira, José Portela Edição Princípia, Cascais 1.ª edição – Novembro de 2013 © Princípia Editora, Lda. Design da capa Rita Maia e Moura • Execução gráfica Printer Portuguesa ISBN 978-989-716-116-2 • Depósito legal 377044/14 Princípia Rua Vasco da Gama, 60-C – 2775-297 Parede – Portugal Tel. +351 214 678 710 • Fax +351 214 678 719 • [email protected] • www.principia.pt Lívia Madureira Teresa M. Gamito Dora Ferreira José Portela Inovação em Portugal Rural Detetar, Medir e Valorizar Com a colaboração da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural Nota de Apresentação A investigação sobre a inovação que tem lugar nos territórios rurais revela uma realidade escondida e ausente dos manuais e da literatura sobre inovação. Com efeito, os quadros analíticos convencionais e a sua tradução em recolha de informação não se têm traduzido no levantamento e na caracterização das formas de inovação que ocorrem nas organizações de pequena dimensão e de baixa intensidade tecnológica, que predominam nas áreas rurais portuguesas. Esta ausência tem implicações ao nível das políticas relativas à inovação e ao mundo rural. Os resultados do projecto RUR@L INOV que aqui se apresentam colmatam, pois, uma falha, ao revelar tipos e contextos de inovação não privilegiados pelas agendas científica e política. O projecto reconfigura as concepções e a abordagem metodológica de referência na área da inovação, alargando‑lhes o âmbito e flexibilizando‑os de maneira a abarcar e a analisar as manifestações invisíveis e silenciosas da inovação do Portugal rural. Esta reconfiguração contou com a colaboração de actores económicos e políticos de diferentes regiões do País no âmbito de iniciativas do projecto, conferindo uma natureza participada e realista à investigação numa lógica bottom‑up, que tem sido particularmente enfatizada na concepção e implementação das políticas de desenvolvimento, nomeadamente da política de desenvolvimento rural (OCDE e UE). A parceria da Universidade de Trás‑os‑Montes e Alto Douro com a Direção Geral de Agricultura e de Desenvolvimento Rural no projecto RUR@L INOV junta universidade e actores políticos na produção de conhecimento relativo às boas práticas de inovação em meio rural. Trata‑se, pois, de uma abordagem que privilegia a integração do conhecimento dos actores com um papel nos processos de inovação e a articulação com as entidades de decisão política relativamente aos territórios rurais. A esta perspectiva, pautada pela integração de conhecimentos, abertura e parceria institucional, o projecto RUR@L INOV acrescenta ainda valor ao inovar nos seguintes aspectos: constrói um sistema de indicadores para medir a inovação, permitindo a comparação entre organizações e acompanhando o processo de inovação ao longo do tempo; concebe um inquérito passível de ser aplicado às organizações (empresariais e não empresariais), que permite a identificação das inovações, dos seus actores e impactos. O levantamento dos casos de inovação aqui apresentado é também o retrato de uma nova relação com a economia rural nas suas múltiplas manifestações (por exemplo, agricultura, turismo, indústria, serviços públicos) e que não cabe em concepções redutoras e dissonantes da escala e dos ritmos de quem faz a novidade de uma outra forma e noutros contextos. A riqueza do que aqui se apresenta interessa a todos os que querem conhecer o País e contribuir para o desenvolvimento integrador e inclusivo do território. Maria de Fátima Ferreiro A autora deste texto não segue o novo Acordo Ortográfico Capítulo 1 Introdução Quando se fala de inovação, a primeira questão que surge é a seguinte: o que é, afinal, inovação? É algo ainda desconhecido, como por exemplo um novo produto, uma forma diferente de organizar os recursos humanos de uma empresa, ou uma maneira distinta de fazermos as nossas tarefas do dia a dia (e.g., de cozinhar ou de nos alimentarmos)? O que há de comum entre estas inovações tão díspares? A busca de valor. Valor no sentido amplo do termo. Aumentar os lucros com a venda de novos produtos, melhorar a motivação dos trabalhadores de uma organização e aumentar, assim, a sua produtividade, poupar tempo para outras atividades ou obter maior satisfação no nosso dia a dia. A inovação é, pois, um conceito universal e transversal, aplica‑se às empresas, ao Estado, às pessoas em geral. Pode ser introduzida nas organizações, nos mercados e na sociedade, sob as mais variadas formas e numa infinidade de situações. É motivada pela necessidade, pelo espírito criativo, pela vontade de fazer diferente, mas visa sempre obter um ganho, que pode ou não ser alcançado. Há, pois, também uma componente de incerteza sobre o resultado da ação que é empreendida, com vista à mudança inovadora. Neste sentido, pode dizer‑se que a inovação é algo que sempre foi usado pelo homem, pela sociedade e pela economia. Todavia, é apenas no século XX que a inovação se torna objeto de investigação por várias disciplinas, nomeadamente pela ciência económica. Schumpeter (1911 e 1934) percebeu o papel determinante da inovação para o desenvolvimento económico: ela introduz mudanças disruptivas na sociedade, as quais desencadeiam transformações económicas e sociais globalmente positivas para o crescimento económico e o bem‑estar social. Foi este também o primeiro autor a introduzir uma definição operacional de inovação, no sentido de possibilitar as suas identificação e análise ao nível das empresas e da economia em geral. Talvez seja surpreendente, mas é um facto que só na década de 1970 a inovação entra com vigor nas agendas científicas, políticas e institucionais. Aparentemente, porque durante os «30 anos gloriosos de crescimento económico», que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, marcados por um vertiginoso progresso tecnológico, a inovação (tecnológica) era vista (ou tida) como inerente aos ganhos de produtividade, e as políticas, as medidas e os incentivos orientaram‑se mais para fomentar tais ganhos do que diretamente para a inovação. Nos anos 70, sobreveio a crise económica, que abalou e obrigou a repensar o modelo de crescimento económico, bem como as políticas, as medidas e os respetivos incentivos. Também as empresas precisaram de novas soluções. É compreensível que, neste contexto, as atenções se voltassem para a inovação, designadamente tecnológica, que tinha catalisado todo o progresso económico e social das décadas anteriores e que se perspetivava como um dos instrumentos básicos para ultrapassar os complexos desafios económicos, ambientais e sociais que se viviam à época. Datam das décadas de 1970 e 1980 os primeiros estudos relevantes baseados em dados empíricos sobre a relação entre a I&D, a inovação e o crescimento económico (e.g., Mansfield, 1968, 1980; Griliches, 1984; Freeman, 1987), bem como sobre o papel da inovação ao nível das organizações (e.g., Zaltman et al., 1973; Drucker, 1974, 1986). 8 Inovação em Portugal Rural As preocupações com a deteção, a medição e a valorização da inovação são visíveis a partir das duas décadas referidas (1970 e 1980) e estão, durante este período, estreitamente correlacionadas com o impacto da inovação no crescimento económico. É também nesta altura que se reconhece a necessidade de se dispor de dados estatísticos sobre a inovação, para um melhor conhecimento dos seus determinantes e efeitos e para fundamentar políticas e incentivos de estímulo à inovação. O Manual de Oslo, editado pela primeira vez em 1992 (OECD, 1992), estabelece o referencial metodológico que define o conceito de inovação e as bases para a construção de um inquérito à inovação de larga escala. Confina‑se, na sua primeira versão, à inovação tecnológica e às empresas do setor industrial. É posteriormente revisto (OECD e Eurostat, 1997, 2005), ampliando‑se a recolha de dados a outros setores, designadamente aos serviços, alargando‑se a definição do conceito para abarcar a inovação não tecnológica e adotando‑se a perspetiva sistémica da inovação. Este referencial metodológico é a base para a recolha de dados sobre inovação ao nível da OCDE, nomeadamente na União Europeia (UE), que implementou o inquérito comunitário à inovação (CIS1) realizado regularmente, desde 1997/1998, nos diversos Estados‑membros. Foram (e são) as bases de dados obtidas por intermédio da administração destes inquéritos de larga escala que possibilitaram um conhecimento amplo sobre a inovação, os seus determinantes, os seus efeitos, bem como sobre os obstáculos e fatores facilitadores dos processos de inovação ao nível das empresas dos diversos setores (e.g., Evangelista et al., 2001; Antonucci e Pianta, 2002; Evangelista e Savona, 2003; Harrison et al., 2008; Autant‑Bernard et al., 2010; Gunday et al., 2011). Foram também as análises efetuadas com estes dados que evidenciaram, em larga medida, as limitações do referencial de deteção e medição de inovação estabelecido pelo Manual de Oslo para identificar e medir efetivamente a inovação e os seus efeitos. As limitações dos dados estatísticos sobre a inovação são reconhecidas pela própria OCDE (OECD, 2010), nomeadamente no que respeita à separação entre a inovação tecnológica e a não tecnológica, dada a predominância dos padrões mistos de inovação (e.g., combinações de inovação de produto com inovação de marketing, ou de inovação de processo com inovação organizacional). Nesta mesma publicação (OECD, 2010), e baseada na análise de dados estatísticos recolhidos ao nível da empresa para grande parte dos países da OCDE (OECD, 2009), a organização assinala a necessidade de rever o referencial de deteção e medição de inovação, de modo a serem captadas as tendências atuais da inovação, nomeadamente as seguintes: 1) a inovação é um conceito amplo e engloba uma grande diversidade de padrões e dinâmicas; 2) há outros inputs, para além da I&D, que são fundamentais em muitos processos de inovação; 3) a inovação é levada a cabo por uma multitude de atores; 4) a colaboração entre os players da inovação é determinante para a emergência e o desenvolvimento da inovação. Paralelamente, têm‑se avolumado, nos anos mais recentes, os estudos que dão conta da «inovação escondida» à luz do referencial metodológico dos inquéritos CIS (veja‑se, por exemplo, Jensen et al. 2007; Arundel et al. 2008; Miles e Green, 2008; Kirner et al. 2009; Hervas‑Oliver et al., 2011; Trigo, 2013). Estas inovações só podem ser detetadas quando se utiliza definições mais amplas de inovação e instrumentos de recolha de dados mais flexíveis. A «inovação escondida» é, sobretudo, inovação não tecnológica (ou de baixa intensidade tecnológica), nomeadamente inovação de marketing e organizacional, ou inovação, designadamente de produto, em que os inputs I&D não se revelam fundamentais. Esta última situação deve‑se, provavelmente, ao facto de a sua medição (dos inputs I&D) se fazer a partir da despesa explícita em I&D, o que deverá limitar a sua observação nos processos de inovação desenvolvidos em organizações de pequena dimensão e de baixa intensidade tecnológica. Neste contexto, compreende‑se que a inovação desenvolvida nas áreas rurais seja, em larga medida, negligenciada pelas agendas e políticas de inovação. Está associada, regra geral, a territórios onde predominam as pequenas e muito pequenas empresas e onde prevalece a inovação de baixa intensidade tecnológica. De facto, 1 Informação disponível em: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/microdata/cis. Introdução 9 o vazio de conhecimento sobre a inovação nestes territórios foi já evidenciado pelo projeto europeu RAPIDO2 (Costa et al., 2009; Madureira e Costa, 2009, 2009a, 2010; RAPIDO, 2007, 2008 e 2009). Foi a partir desta constatação, a par de se conhecer alguma especificidade das áreas rurais portuguesas, nomeadamente em relação às do Centro e Norte da Europa, que surgiu a ideia do projeto «Inovar em Meio Rural» (RUR@L INOV3). Este projeto foi delineado e realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Trás‑os‑Montes e Alto Douro (UTAD), em parceria com técnicos superiores da Direção‑Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR). Decorreu formalmente entre dezembro de 2009 e julho de 2013, mas é uma iniciativa mais ampla, que se começou em 2009, dando continuidade ao projeto RAPIDO, e que se prolongará para lá do término do financiamento, dado que o manancial de dados e informação recolhido continuará a ser explorado, analisado e divulgado. O propósito central do projeto foi conhecer as inovações que são desenvolvidas e implementadas por diferentes tipos de organizações nas áreas rurais portuguesas; quanto aos objetivos específicos, foram quatro, a saber: 1) contribuir para o desenvolvimento de um modelo analítico flexível, capaz de melhorar a deteção e a medição da inovação de pequena escala e baixa intensidade tecnológica; 2) caracterizar os processos de inovação e o perfil dos inovadores nas áreas rurais portuguesas; 3) identificar as variáveis‑chave que facilitam e que travam os processos de inovação e a sobrevivência das organizações inovadoras; 4) desenvolver um sistema de indicadores para avaliar a inovação e os seus efeitos, tanto os internos como os externos às organizações. Este livro é um dos frutos do projeto RUR@L INOV e o seu objetivo principal é contribuir para o conhecimento da inovação que se gera e se consolida nas áreas rurais portuguesas, focando‑se nos aspetos de deteção e medição da inovação. Detetar de forma inclusiva, e medir de forma adequada, a inovação desenvolvida pelas organizações implantadas nas áreas rurais portuguesas é fundamental para a valorizar. Esse foi o mote que norteou a elaboração deste texto. Assim, aqui se apresenta uma proposta metodológica para detetar e medir inovação ao nível das organizações implantadas nas áreas rurais portuguesas e para compreender o processo do seu desenvolvimento. Ou seja, não se limita a unidade de análise apenas às empresas, nem a medição da inovação apenas aos recursos de base e aos resultados, como tem sido habitual fazer‑se. São duas as principais novidades introduzidas por este livro: • Um inquérito às organizações inovadoras, assente num questionário aplicável a diferentes tipos de organizações (empresariais e não empresariais), que permite obter informação sobre as suas práticas de inovação, possibilitando a identificação dos padrões e dinâmicas específicos de cada organização. • Um sistema de indicadores para medir a inovação ao nível das organizações, desenvolvido para pos sibilitar a identificação e a comparação das organizações com base nas suas práticas de inovação e que pode também ser aplicado para monitorizar o desempenho de cada organização ao longo do tempo. A administração do inquérito às organizações inovadoras e a aplicação do sistema de indicadores de medição da inovação aos dados obtidos no inquérito produziram um manancial significativo de conhecimento e informação nova sobre a inovação e os inovadores em meio rural, o qual é parcialmente apresentado aqui. Refira‑se que este livro complementa uma série de outputs que disseminaram já os resultados do projeto RUR@L INOV, a qual inclui, entre outros, newsletters, comunicações em seminários e congressos, artigos científicos e capítulos de livros4. RAPIDO – Rural Areas, People & Innovative Development, projeto financiado pelo 6.º Programa‑Quadro Europeu para a Investigação (SSPE‑CT‑2006‑44264). Para mais informação, ver: http://rapido‑fp6.eu/index.html. 3 RUR@L INOV – Inovar em Meio Rural, projeto financiado pelo Programa da Rede Rural Nacional. Para mais informação, ver: https:// sites.google.com/site/inovaremmeiorural/. 4 O website do projeto (https://sites.google.com/site/inovaremmeiorural/) permite obter, ou pelo menos localizar, a generalidade dos outputs de disseminação dos seus resultados. 2 10 Inovação em Portugal Rural Note‑se que, adicionalmente à informação e ao conhecimento já produzidos, o «inquérito às organizações inovadoras» e o «sistema de indicadores» são ainda instrumentos com grande potencial de utilização, tendo em vista a produção de dados e de saber noutros domínios em meio rural, ou mesmo noutros contextos. Julgamos que tanto a informação já produzida como os instrumentos desenvolvidos são de grande utilidade para os diversos stakeholders da inovação, desde os inovadores ao Estado, incluindo‑se todos os outros players, dos fornecedores aos consumidores. Antevemos, assim, dois grandes grupos de destinatários para este trabalho: aqueles que querem saber mais sobre inovação e sobre os inovadores, em particular em áreas rurais; e os que precisam de instrumentos para melhorar o seu conhecimento sobre os processos de inovação em meio rural ou noutros contextos. Aos destinatários do primeiro grupo, o livro dá resposta a uma série de questões, nomeadamente: Quem são as organizações inovadoras em meio rural? Como inovam? Porque inovam? Que impactos geram na economia e quais os territórios onde atuam? Como identificar as melhores práticas de inovação? E como detetar as organizações com elevado desempenho ao nível da inovação? Como promover a inovação, nomeadamente nas organizações rurais? Os destinatários do segundo grupo, incluindo os stakeholders da inovação e os investigadores e especialistas interessados no tema, poderão aproveitar os instrumentos propostos a vários níveis: 1) delineamento de instrumentos de recolha de dados sobre inovação e de sistemas de indicadores, ou outros, para a sua medição; 2) recolha de dados no âmbito de uma organização, ou de um grupo de organizações, de uma região ou de um país, por exemplo para monitorização do desempenho das organizações inovadoras ou para avaliação de medidas de política e incentivos à inovação, competitividade e/ou desenvolvimento rural; 3) formulação de políticas e incentivos à inovação mais ajustados à realidade do meio rural português e às características quer daqueles que já a promovem, quer de outros potenciais inovadores. Após esta introdução, o conteúdo do livro distribui‑se por mais seis capítulos. No Capítulo 2, é apresentado o referencial metodológico para detetar e medir inovação proposto pelo Manual de Oslo e são identificadas as suas principais limitações. Segue‑se, numa terceira parte deste mesmo capítulo, uma breve panorâmica sobre a promoção da inovação na Europa e a conceção de inovação em meio rural. O Capítulo 3 descreve o inquérito às organizações inovadoras implantadas em áreas rurais, nas suas várias etapas, e apresenta alguns dos resultados e conclusões obtidos. Os Capítulos 4, 5 e 6 relacionam-se com o sistema de indicadores para medir inovação nas organizações em meio rural. No Capítulo 4, descreve-se o estado da arte sobre a medição de inovação, são referidas possíveis formas de identificação e medição de práticas de inovação em meio rural, e é ainda introduzido o sistema de indicadores. Este capítulo é complementado por um documento, colocado em anexo no final do livro, intitulado «Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural», no qual se detalha a construção dos indicadores, bem como os cálculos e as ponderações empregados na medição. O Capítulo 5 mostra os resultados da aplicação do sistema de indicadores às organizações inovadoras inquiridas, identificando‑se ainda os níveis de pontuação obtidos e a posição da média das organizações em relação ao desempenho máximo possível para cada indicador de inovação. O Capítulo 6 apresenta as 21 organizações que se destacaram pelas suas práticas de inovação a nível global ou, mais especificamente, no seu principal setor de atividade ou tipo/dimensão de organização, ou ainda, tão‑só, numa prática específica. Por fim, o Capítulo 7 resume os principais contributos deste livro, destacando as oportunidades e os desafios por eles suscitados. Capítulo 2 Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico O conceito de inovação é reconhecidamente multidimensional e, consequentemente, de difíceis delimitação e medição. A importância dos efeitos da inovação no crescimento económico e na respetiva promoção através de políticas de incentivos desencadeou a necessidade de medir os primeiros e de avaliar os segundos. Este contexto mobilizou esforços significativos de investigadores e de instituições internacionais, nomeadamente da OCDE, no sentido da construção de conceitos operacionalizáveis de inovação passíveis de facilitar a sua identificação e medição. O desenvolvimento de conceitos e ferramentas para obter dados sobre a inovação, designadamente ao nível das empresas, iniciou‑se na década de 1980 (e.g., DeBressom, 1980; Henwood, et al. 1980; Archibugi, 1988), dispondo‑se, a partir dos anos 90, de um quadro conceptual e metodológico de referência para identificar e medir a inovação desenvolvida pelas empresas que é conhecido como Manual de Oslo (OECD, 1992; OECD e Eurostat, 1997, 2005). Este manual fornece atualmente o referencial na recolha de dados estatísticos sobre a inovação ao nível das empresas, tendo sido adotado pelo Eurostat como metodologia oficial para o desenho e a implementação do Inquérito Comunitário à Inovação, conhecido por CIS (Community Innovation Survey). O CIS é o instrumento que recolhe e disponibiliza, de forma sistemática desde 1997/98, dados estatísticos sobre a inovação e as empresas inovadoras ao nível da UE. A versão mais recente deste manual, publicada em 2005, é fruto da ampla revisão das duas primeiras versões do referencial original, publicadas em 1992 e 1997. Nesta terceira versão, o Manual de Oslo alarga a definição de inovação para lá da inovação de produtos e processos de base tecnológica, incluindo outros tipos de inovação não tecnológica, bem como as dinâmicas de inovação incrementais. Não obstante a revisão profunda levada a cabo e a maior aproximação à realidade, este referencial metodológico continua a apresentar limitações, que se traduzem em lacunas relevantes ao nível do conhecimento sobre os processos e dinâmicas da inovação e, concomitantemente, sobre os seus efeitos. Estas limitações são identificadas e reconhecidas pela própria OCDE (OECD, 2010), que refere a necessidade de ampliar o referencial a outras unidades de análise, além da empresa, a par da necessidade do desenvolvimento de instrumentos de recolha de dados capazes de apreender os padrões de inovação mistos e as dinâmicas colaborativas que caracterizam atualmente os processos de inovação. No Capítulo 3, é apresentada a metodologia desenvolvida pelo projeto RUR@L INOV, que adapta e alarga o quadro de referência descrito, com o fito de se conhecerem os processos e as dinâmicas da inovação ao nível das organizações (empresariais e não empresariais) em atividade nas áreas rurais portuguesas. E, para que sejam compreensíveis as diferenças entre os conceitos e os instrumentos de recolha de dados construídos pelo RUR@L INOV relativamente ao quadro metodológico definido pelo Manual de Oslo, o presente capítulo é de- 12 Inovação em Portugal Rural dicado à apresentação e identificação das suas principais limitações. Aqui se inclui também, na parte final, uma introdução ao entendimento que há atualmente sobre a inovação em meio rural e sobre o seu papel nas agendas e políticas de inovação e crescimento económico globais, nomeadamente no caso da UE. 2.1.Conceito de inovação Definindo inovação à luz do referencial do Manual de Oslo O interesse pela inovação ao nível político e institucional emerge, como antes se referiu, nos anos 70 do século passado, motivado pelo reconhecimento do seu impacto no crescimento económico, através de mudanças radicais na produção e no consumo, imprimidas pela inovação de caráter tecnológico. Compreende‑se, pois, que as conceções de inovação deste período sublinhem a dimensão tecnológica, de transformação radical, que estavam, em larga medida, em linha com a conceção shumpeteriana da inovação enquanto processo disruptivo gerador de mudanças radicais. Schumpeter (1934) identificou a inovação como o motor do desenvolvimento económico, destacando o papel do empresário inovador que, através da sua atuação, produz mudanças estruturais fundamentais para o crescimento económico. Para este autor, a inovação consistia na introdução de uma nova função de produção, na empresa ou no setor, definida por todos ou por algum dos cinco tipos de inovações: 1) a introdução de um novo produto; 2) a introdução de um novo método de produção; 3) a abertura de um novo mercado; 4) o recurso a uma nova fonte de matéria‑prima; 5) a criação de uma nova estrutura de mercado. A abordagem de Schumpeter destaca as inovações que produzem um grande impacto na economia (inovação radical), que resultam em ruturas, através de um processo de «destruição criativa». Todavia, Schumpeter reconhece também a importância das inovações incrementais, enquanto garantidor da continuidade dos processos de mudança provocados pela inovação disruptiva. A conceção shumpeteriana está patente nos desenvolvimentos teóricos da inovação elaborados nas décadas seguintes, que apresentam uma definição de inovação focada no impacto económico de processos tecnológicos que levam a mudanças estruturais na economia e que resultam em novos produtos, processos produtivos ou formas organizacionais, sobretudo no setor fabril das empresas. A necessidade de se obter dados estatísticos à escala internacional sobre a inovação e os respetivos impactos levou a OCDE a coordenar os esforços de vários especialistas (e.g., o grupo de peritos NESTI – National Experts on Science and Technology Indicators) e iniciativas nacionais e internacionais (e.g., o Nordic Industrial Fund) no sentido de ser elaborado um quadro de referência para a identificação e a medição da inovação. Em 1992, fruto destes esforços, é lançada a primeira edição do Manual de Oslo (OECD, 1992)5. Este documento metodológico introduz um quadro de referência para a recolha de dados estatísticos sobre a inovação e os respetivos impactos ao nível das empresas. Neste referencial, a definição de inovação é confinada à dimensão tecnológica, considerando a sua incidência apenas no setor da indústria transformadora. A própria referência ao conceito de inovação neste documento incluía o termo tecnológico, «inovação tecnológica de produtos e processos» (TPP6), definindo‑a como a introdução de novos produtos ou processos tecnológicos, ou a introdução de melhorias tecO Manual de Oslo faz parte de uma série de manuais metodológicos da OCDE conhecida como a «Família Frascati» de manuais, que apresentam referenciais, por exemplo, para obter dados estatísticos sobre I&D (Manual de Frascati), sobre patentes (Patent Manual), ou recursos humanos dedicados à ciência e à tecnologia (Manual de Camberra). 6 As inovações TPP compreendem a implantação de produtos e processos tecnologicamente novos e substanciais melhorias tecnológicas em produtos e em processos (OECD e Eurostat, 1997). 5 Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 13 nológicas em produtos ou processos existentes. Em síntese, a primeira versão do Manual de Oslo, baseada em experiências de inovação realizadas na década de 1980, fornecia uma estrutura padronizada na recolha de dados sobre as atividades de I&D para o desenvolvimento de novos TPP ao nível da empresa, no caso da indústria transformadora (OECD, 1992; Smith, 1992). A estrutura metodológica para detetar e medir a inovação, apresentada nesta primeira versão do Manual de Oslo, tinha ainda subjacente um modelo de produção e transferência de conhecimento que era essencialmente linear, hierárquico, unidirecional e sequencial. Este primeiro referencial metodológico na recolha de dados sobre inovação foi utilizado para construir a primeira versão do inquérito comunitário à inovação (CIS), elaborada em conjunto pela OCDE e pelo Eurostat. Ficou conhecida por CIS Light, ou versão‑piloto do inquérito CIS, e gerou a primeira base de dados de larga escala a nível europeu, dados esses comparáveis com dados de outros países que elaboraram e aplicaram inquéritos similares (por exemplo, entre muitos outros, o Canadá, o Chile e a China). Foi com base nas análises e nos resultados gerados por estas bases de dados que o referencial pôde ser revisto e refinado, dando origem à segunda versão do Manual de Oslo, publicada em 1997 (OECD e Eurostat, 1997). Esta segunda versão manteve a definição de inovação tecnológica de produto e processo, mas ampliou a cobertura setorial da sua aplicação ao setor dos serviços. Nesta segunda versão, publicada em conjunto pela OCDE e pelo Eurostat, o manual constituiu‑se como a base conceptual e metodológica para a elaboração e aplicação do inquérito CIS, realizado na UE de forma sistemática desde 1997/98. Os contributos das primeiras versões do Manual de Oslo (OECD, 1992; OECD e Eurostat, 1997) foram amplamente reconhecidos como instrumentos‑chave para compreender os processos de inovação essencialmente baseada em indicadores de I&D. No entanto, uma série de limitações foi sendo imputada à definição restritiva de inovação e à abrangência setorial do manual (e.g., Salazar e Holbrook, 2004). Entre as críticas mais generalizadas, contam‑se: 1) a cobertura setorial inadequada; 2) a exclusão da inovação não tecnológica; e 3) a abordagem linear e estática aos processos de inovação e de transferência do conhecimento. As críticas, a par da necessidade de informação mais ampla para fundamentar novas políticas de promoção da inovação, conduziram a uma revisão profunda do manual, que deu origem à sua terceira versão, a de 2005 (OECD e Eurostat, 2005). O Eurostat participou neste processo de revisão do Manual de Oslo, incorporando uma série de contributos que foram sendo produzidos pela Comissão Europeia (CE), sobretudo a partir de 1995, ano em que foi publicado o livro verde sobre a inovação na UE (EC, 1995). Este livro verde foi a base para o primeiro plano de ação para a inovação na Europa (EC, 1997), que surgiu como resposta ao reconhecimento de que a então Comunidade Europeia não tinha uma política de incentivos adequada para promover a inovação. Uma das preocupações centrais deste plano era melhorar a articulação entre a investigação científica e a sua aplicação no mundo empresarial. Saliente‑se que a CE, neste seu primeiro plano de ação para a inovação na Europa, reconhece já a importância das PME no dinamismo da economia europeia e, por isso, destaca a necessidade de simplificação dos enquadramentos legal, regulamentar e financeiro. A CE (2000) enfatiza também a necessidade de se adotar uma perspetiva sistémica da inovação, no sentido em que esta decorre de «interações complexas entre muitos indivíduos, organizações e fatores de enquadramento, e não numa trajetória linear, desde os novos conhecimentos até ao novo produto» (CE, 2000: 7). Esta enfâse da CE reflete o reconhecimento de abordagens alternativas à inovação, designadamente das propostas por sistemas de inovação regionais (Lundval, 1992; Cooke et al., 1997; Audretsch, 1998; Asheim, 1999). A revisão do Manual de Oslo, na década de 2000, beneficia, assim, do conhecimento dos processos de inovação e da reflexão e discussão entretanto realizadas sobre esta temática, nomeadamente na UE. A versão reformulada, publicada em 2005, adota um conceito de inovação amplo e expande a estrutura de medição da inovação em três dimensões, com vista a: 14 Inovação em Portugal Rural • Evidenciar o papel das interações entre empresas e outras instituições no processo de inovação, contribuindo para o entendimento do papel das estruturas organizacionais e das práticas que promovem a partilha e o uso do conhecimento. • Alargar o contexto da sua aplicação à «inovação não tecnológica», atribuindo maior importância às atividades menos intensivas em I&D, como os serviços e a indústria de transformação de baixa tecnologia. • Incluir a inovação organizacional e de marketing na definição da inovação, complementando os conceitos‑padrão de produto (bem ou serviço) e processo (novos ou significativamente melhorados), originando uma estrutura mais completa, apta a apreender as mudanças que afetam o desempenho das organizações. A OCDE (OECD e Eurostat, 2005) emprega, assim, uma definição de inovação que não se confina às inovações tecnológicas, incluindo inovação organizacional e de marketing, e a introdução de produtos ou processos novos ou significativamente melhorados, na empresa ou no mercado (Figura 2.1). Adota, pois, um conceito abrangente de inovação, incluindo as inovações não tecnológicas (organizacionais e de marketing), e contempla a inovação de imitação e incremental, a par da inovação radical. Adicionalmente, esta definição ampliada de inovação procura apreender a dimensão sistémica da inovação, que, por oposição ao modelo linear da inovação, evidencia a influência do ambiente institucional e social, além de reconhecer a importância de diferentes tipos e fontes de conhecimento (e não apenas do conhecimento científico). Figura 2.1. Definição de inovação (OECD e Eurostat, 2005) Inovação do produto define-se pelas alterações às suas características técnicas, com a oferta de novas funcionalidades; aposta na qualidade do produto ou em novas formas de utilização/aplicação. Inovação organizacional verifica-se quando se constitui a introdução de uma nova estrutura ou método de organização empresarial ou de relações externas. INOVAÇÃO Introdução de um produto (bem ou serviço), processo, inovação organizacional ou de marketing, novo ou significativamente melhorado. Inovação do processo consiste na introdução de um novo, ou significativamente melhorado, método de produção ou entrega, incluindo mudanças significativas de técnicas, equipamentos ou software. Inovação de marketing ocorre mediante a introdução de um novo método de marketing que envolva mudanças significativas na conceção do produto ou na embalagem, na colocação do produto no mercado ou em novas formas de comercialização, promoção ou preço. A operacionalização desta definição abrangente de inovação colocou uma série de desafios, tais como a criação de definições individuais distintas para cada tipo de inovação: 1) de produto; 2) de processo; 3) de mar keting e cadeia de valor; 4) organizacional. O Manual de Oslo (OECD e Eurostat, 2005) define inovação de produto como o desenvolvimento de produtos (bens e serviços) novos ou a introdução de melhorias significativas em bens e serviços existentes. Estes produtos novos ou melhorados são, em geral, associados à utilização de I&D, embora a definição reco- Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 15 nheça também a introdução de inovações que resultam da adaptação e/ou melhoria das características ou das utilizações de bens ou serviços. Uma inovação de processo resulta da implementação de um novo, ou significativamente melhorado, método de produção que contribua para o aumento da eficiência ou da qualidade da produção. A inovação organizacional é observada quando se introduz uma nova estrutura ou um novo método de organização empresarial, nomeadamente: práticas de negócio, organização do local de trabalho ou relações externas. As inovações organizacionais contribuem para a melhoria de produtividade, eficiência, qualidade, ou facilitam a produção de novos produtos. Outra visão mais ampla de empresas inovadoras ao nível organizacional reside na sua capacidade de criar novas ideias, recorrendo e utilizando diversas formas de conhecimento para o desenvolvimento de novos produtos comercializáveis. Isto sugere que as inovações organizacionais devem estar ligadas não só a mudanças que visam a melhoria dos métodos de produção e de comercialização de bens e serviços, mas também às que visam a melhoria das competências internas para o desenvolvimento de novos produtos e processos (OECD e Eurostat, 2005). A inovação organizacional inclui ainda a inovação de networking, cuja designação se vem autonomizando pela importância crescente deste tipo particular de inovação organizacional. A inovação de networking consiste no estabelecimento de redes colaborativas que podem ter os mais variados formatos, conteúdos e finalidades. Como exemplos, refira‑se as redes colaborativas para a partilha de conhecimento e informação, ou a criação de redes de empresas com vista a ganhar escala ao nível da oferta dos seus produtos ou ao nível do aprovisionamento das matérias‑primas. Já uma inovação de marketing consiste na introdução de um novo método de marketing (ou de distribuição/comercialização), que envolve mudanças significativas, desde o design do produto ou embalagem à sua colocação no mercado, ou desde novas formas de comercialização à promoção ou ao preço. Caixa 2.1. Exemplos de inovações organizacionais • Práticas de negócio são rotinas ou procedimentos de conduta de trabalho que podem variar, por exemplo, entre práticas de partilha de conhecimento, formação e qualificação. • Organização do local de trabalho engloba estruturas organizacionais, a distribuição de responsabilidades e/ou a tomada de decisão. • Relações externas envolvem, por exemplo, as relações da organização com outras empresas ou instituições públicas ou entidades de investigação. Fonte: OECD e Eurostat, 2005 Muitas empresas canalizam os seus recursos para a conceção do design de produtos ou novas embalagens, cujas atividades podem envolver pesquisas de mercado, experimentação e uso de novos conhecimentos, desenvolvendo, assim, esforços no sentido de melhorar a competitividade e o desempenho no mercado. A definição de inovação de marketing remete para a resposta às necessidades dos consumidores e para a abertura de novos mercados ou o reposicionamento de produtos no mercado, com o objetivo de aumentar o volume das vendas. As inovações de marketing podem, assim, referir‑se a qualquer método de marketing (con- 16 Inovação em Portugal Rural ceção do produto ou embalagem, posicionamento, formação de preços, promoção), desde que tenha sido usado pela primeira vez na empresa. Caixa 2.2. Exemplos de inovações de marketing • Conceção e embalagem: inclui o design do produto, desde que não se alterem as características funcionais e de uso desse produto, bem como novas embalagens, formas, aparências, e novos sabores (no caso dos produtos alimentares), por exemplo, com o objetivo de conquistar um novo segmento de mercado. • Posicionamento: inclui a certificação de produtos, a respetiva introdução no mercado de vendas diretamente ao consumidor, a apresentação de produtos em eventos promocionais e/ ou novas formas de fidelização de clientes, por exemplo através dos cartões de fidelização. • Formação de preços: variação dos preços em função da procura, dinamização de ofertas especiais para grupos de clientes mediante determinados critérios (sexo, idade, etc.). • Promoção: inclui a criação e o registo de marcas e o desenvolvimento de campanhas de lançamento de produtos. Fonte: OECD e Eurostat, 2005 O referencial para a definição de inovação estabelecido pela versão atual do Manual de Oslo contempla, em termos de intensidade, três tipos de inovação: novo para a empresa, novo para o mercado e novo para o mundo. O primeiro abrange a introdução ou a difusão, na empresa, de uma inovação já existente. A inovação é nova para o mercado quando a empresa é a primeira a introduzir a inovação no mercado, e é nova para o mundo quando a empresa é pioneira na introdução dessa inovação em todos os mercados e setores. A reformulação do referencial da OCDE, para identificar e medir as atividades, os inputs e os resultados da inovação, é reveladora do esforço para construir um conceito operacional que permita captar as múltiplas dimensões da inovação, e perceber e medir a inovação nas suas múltiplas valências, bem como compreender a sua relação com o crescimento económico. 2.2.Como se aborda a inovação Como se identifica e mede a inovação à luz do referencial do Manual de Oslo? O inquérito CIS é o instrumento‑padrão que fornece, ao nível da UE, de forma sistemática e regular, desde 1998, dados estatísticos sobre a inovação desenvolvida pelas empresas de um leque de setores que se tem vindo a alargar, embora não contemple ainda a totalidade dos setores de atividade económica (não contempla, por exemplo, a produção agrícola). A construção do questionário e a respetiva aplicação baseiam‑se nas diretrizes do Manual de Oslo (OECD e Eurostat, 1997 e 2005), como já foi explicado anteriormente. O CIS é aplicado, em todos os Estados‑membros da UE, atualmente com periodicidade bienal, a um grande painel de empresas, inovadoras e não inovadoras, e administrado sob a supervisão das entidades responsáveis pela recolha oficial de Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 17 dados estatísticos em cada país ou região. Proporciona informação sobre a capacidade de inovação dos vários setores de atividade, por tipo de empresa, através da recolha de dados, ao nível da empresa, sobre os diferentes tipos de inovação ali realizados, os inputs de base para a inovação (e.g., fontes de informação, financiamento público, despesas de inovação, etc.) e os resultados (e.g., peso da inovação no volume de vendas, número de inovações de produto e/ou de processo desenvolvidas e/ou introduzidas). O CIS é, desde 2000, a maior fonte de dados para o European Innovation Scoreboard 7. É, pois, o instrumento que proporciona o maior manancial de informação para se conhecer o estado e a dinâmica de evolução da inovação na UE, designadamente para compreender os processos de inovação e analisar os objetivos e os resultados da inovação relacionados com indicadores de competitividade, emprego e crescimento económico dos países e regiões à escala das NUT 3 (Eurostat, 2013)8. O CIS tem sido objeto de alterações contínuas nas sucessivas versões, desde a primeira versão experimental de 1993 (CIS Light), que permitiu testar o questionário, designadamente a estrutura, os conceitos de base, a unidade de análise e a cobertura setorial então adotada. Em 1997/98, foi realizado o segundo inquérito (CIS2) que, à semelhança da versão anterior, foi adotado de forma voluntária pelos países. Este inquérito decorreu, inicialmente, a cada quatro anos, culminando na terceira versão (CIS3), que foi introduzida em 2000/2001. A fonte CIS proporcionou dados sobre as empresas inovadoras e não inovadoras, fornecendo informação, para as primeiras, relativamente às respetivas inovações de produto e de processo, abrangendo as atividades económicas da NACE Rev. 1.19, que incluía, grosso modo, as atividades dos seguintes setores: indústria extrativa; indústria transformadora; eletricidade, gás e água; comércio por grosso e a retalho; transportes; atividades financeiras, de informática, de arquitetura e engenharia, ensaios e análises técnicas. O CIS3 beneficiou já da revisão em curso do Manual de Oslo e alarga, por isso, a definição de inovação de produto e de processo, abandonando a adjetivação de «tecnológico» anteriormente associada a estes dois tipos de inovação. O alargamento deste conceito foi grandemente motivado pela inclusão das atividades do setor dos serviços, que são particularmente importantes entre as que podem revelar‑se inovadoras. A partir de 2004 (CIS4), a recolha de dados sobre inovação decorreu a cada dois anos, reportando‑se às inovações desenvolvidas nos últimos três anos, e o questionário passou a incluir questões sobre as inovações organizacionais e de marketing e os respetivos efeitos. A cobertura setorial é também ampliada, passando a contemplar as atividades de investigação e desenvolvimento; construção; atividades hoteleiras e restauração; atividades imobiliárias; e atividades de serviços às empresas. Na ronda seguinte do CIS – CIS 2006 – mantém‑se a definição de empresa inovadora, entendida como uma empresa que tenha introduzido um produto ou uma inovação de processo ou com atividades inovadoras em curso ou abandonadas. Nesta versão, é incorporada uma nova categorização, adicionalmente à NACE e ao tamanho da empresa: o estatuto de I&D. Na versão do CIS 2008, assinalam‑se alterações significativas, derivadas do seu alinhamento com a terceira revisão do Manual de Oslo (OECD e Eurostat, 2005), nomeadamente um destaque maior às inovações organizacional e de marketing e a inclusão de um módulo para abarcar a inovação com benefícios ambientais. O CIS 2010 segue, igualmente, as recomendações do Manual de Oslo sobre os quatro tipos de inovação: de pro- European Innovation Scoreboard (EIS) é um instrumento desenvolvido por iniciativa da CE, no contexto da Estratégia de Lisboa, com o objetivo principal de fornecer informação comparativa do desempenho inovador dos Estados‑membros. 8 Eurostat (2013). Disponível em: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_SDDS/en/inn_esms.htm#annex, consultado a 27 de outubro de 2013. 9 Eurostat (2002). 7 18 Inovação em Portugal Rural duto, de processo, organizacional e de marketing. Contrastando com as versões anteriores, estas últimas de 2008 e 2010 utilizam a classificação de atividades económicas da NACE Rev. 210, alargando assim a população‑alvo aos seguintes setores: agricultura, silvicultura e pesca; investigação científica e desenvolvimento; alojamento e atividades de serviços de alimentação; atividades de consultoria em gestão, publicidade e marketing; atividades veterinárias; e outras atividades de apoio às empresas. Os resultados do CIS passam a disponibilizar um conjunto amplo de indicadores sobre as atividades de inovação, as despesas de inovação, o financiamento público, as fontes de informação para a inovação, as cooperações para a inovação, e o papel da inovação organizacional e de marketing. No CIS 2010, é acrescentada uma secção ao questionário, focada nas competências internas e externas para estimular novas ideias ou a criatividade. O inquérito permite, assim, recolher informação para distinguir as situações em que as empresas recorrem a recursos externos para obter conhecimento específico e as situações em que dependem das suas capacidades internas em áreas como I&D, multimédia, webdesign, pesquisas de mercado, matemática ou engenharia. Os dados também proporcionam informações sobre quais os métodos considerados bem‑sucedidos por parte das empresas para estimular a criatividade, tais como sessões de brainstorming, equipas de trabalho multidisciplinares ou multifuncionais, formação, flexibilidade nos horários laborais ou a existência de incentivos financeiros e não financeiros para os trabalhadores (Eurostat, 2013a)11. Na última versão do inquérito CIS (CIS 2012), a maior parte das perguntas abrange os bens ou serviços ou a adoção de processos novos ou significativamente melhorados, métodos de marketing, logística ou métodos de distribuição, desenvolvidos no período de 2010 a 2012, inclusive. Porém, esta versão regista algumas alterações relativamente às versões anteriores, nomeadamente a introdução de novas questões que, sucintamente, pretendem (CIS 2012): 1) identificar os acontecimentos que possam influenciar o crescimento do emprego; 2) conhecer o peso da inovação no volume de vendas; 3) avaliar a importância do setor público na aquisição de serviços; 4) captar o tipo de despesas de inovação (design, formação, marketing e outras atividades de inovação); e 5) identificar o tipo de clientes ou consumidores do setor público e privado. Outras alterações decorrem do ajustamento de definições, nomeadamente das atividades de inovação, e da substituição de questões. Por exemplo: a pergunta sobre os objetivos de inovação foi substituída por questões sobre a competitividade dos produtos e processos da empresa; o módulo sobre criatividade e competências do CIS 2010 foi substituído por um novo módulo sobre estratégias e obstáculos para atingir os objetivos da empresa. Foi ainda suprimida a questão relativa aos obstáculos à inovação. As principais características do CIS 2012 são as seguintes: • Metodologia de recolha de dados: trata‑se de um inquérito autoadministrado, distribuído por via eletrónica. • Unidade de análise e setor de atividade: empresas do setor privado, incluindo produtores de bens e serviços. São excluídas as empresas dos seguintes setores: agricultura e produção animal; turismo e alojamento; outras atividades de serviços; administração pública, de acordo com a NACE Rev. 2. • Dimensão da unidade de análise: são considerados três escalões de pessoas ao serviço. Estes escalões incluem: 10 a 49 pessoas ao serviço; 50 a 249 pessoas ao serviço; e 250 ou mais pessoas ao serviço. • Tipologia de inovação: capta informação sobre os quatro tipos de atividades de inovação (produto, processo, organizacional e de marketing), durante um período de três anos. A Caixa 2.3 resume algumas das principais definições adotadas na atual versão do CIS. 10 11 Eurostat (2008). Eurostat (2013a). Disponível em: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Innovation_statistics, consultado a 27 de outubro de 2013. Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico Caixa 2.3. Definições e características de inovação do inquérito CIS (2012) Uma inovação corresponde à introdução, pela empresa, de um produto, processo, método organizacional ou método de marketing com características ou funcionalidades novas ou significativamente melhoradas. Uma inovação não precisa de ser originalmente desenvolvida pela empresa, basta que se constitua como uma novidade para a mesma. Inovação de produto corresponde à introdução, no mercado, de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado, no que diz respeito a capacidades ou potencialidades iniciais, facilidade de utilização, componentes ou subsistemas. • Um produto novo ou significativamente melhorado não necessita de ser novidade no setor de atividade ou no mercado, mas deverá ser novidade em relação aos bens e/ou serviços já disponibilizados pela empresa. • Não é relevante se a inovação foi originalmente desenvolvida pela empresa; pode ter sido desenvolvida originalmente por outras empresas ou instituições. Um «bem» corresponde normalmente a um objeto tangível, como, por exemplo, um smartpho‑ ne, mobiliário ou software empacotado, música, filmes e software descarregáveis da Internet. Um «serviço» é normalmente intangível, como o retalho, seguros, cursos educacionais, viagens, consultoria, etc. Inovação de processo corresponde à introdução, na empresa, de um processo de produção, de um método de distribuição ou de uma atividade de apoio aos seus bens ou serviços, novos ou significativamente melhorados. • Um processo novo ou significativamente melhorado não necessita de ser novidade para o respetivo mercado, mas deverá sê-lo para a empresa. • Não é relevante se a inovação foi originalmente desenvolvida pela empresa. Inovação organizacional corresponde à introdução de um novo método organizacional nas práticas de negócio (incluindo gestão do conhecimento), na organização do local de trabalho ou nas relações externas da empresa. • Deverá ser um método organizacional nunca utilizado anteriormente na empresa. • Deverá ser o resultado de decisões estratégicas da gestão da empresa. • Exclui fusões ou aquisições, mesmo que tenham ocorrido pela primeira vez. Inovação de marketing corresponde à introdução de um novo conceito ou estratégia de ma‑ rketing que difira significativamente dos existentes e que não tenha sido utilizado anteriormente pela empresa. • Requer alterações significativas no aspeto/estética ou na embalagem, na colocação/distribuição, na promoção ou nas políticas de preço dos produtos. • Exclui alterações sazonais, regulares ou outras alterações de rotina nos métodos de marketing. As atividades de inovação incluem a aquisição de maquinaria, equipamento, edifícios, software e licenças, trabalhos de engenharia e desenvolvimento, design industrial, formação e marketing, quando realizadas especificamente para desenvolver e/ou introduzir uma inovação de produto e/ ou de processo. Incluem todos os tipos de atividades de investigação e desenvolvimento (I&D). Fonte: Eurostat, 2013 19 20 Inovação em Portugal Rural Em síntese, o CIS é um instrumento fundamental na obtenção de dados sobre a inovação e as empresas inovadoras à escala europeia, pois é construído de maneira a garantir a comparabilidade da informação entre os diferentes setores, países, regiões e empresas (até ao nível NUT 3). A comparabilidade dos dados é garantida pela existência de um quadro metodológico-padrão, o Manual de Oslo. Este define inovação de forma operacional e estabelece uma série de indicadores de input e de resultados para a medição da inovação. Estabelece também as definições e recomendações metodológicas-padrão relativamente às tipologias de inovação, ao grau de novidade e à unidade de análise para recolha dos dados. Principais limitações do referencial do Manual de Oslo para detetar e medir a inovação O CIS converteu‑se, nos últimos anos, no principal instrumento de recolha de dados para identificar e caracterizar a inovação, vulgarizando‑se numa abordagem centrada no objeto (inovações) e nos sujeitos (empresas) que protagonizam os processos de inovação. Apesar de o CIS representar o principal e mais abrangente instrumento estatístico para medir a inovação, e não obstante os constantes esforços para a atualização de conceitos ao longo das sucessivas versões do Manual de Oslo (abrindo o leque aos diferentes tipos de inovação desenvolvidos por outros setores de atividade além da indústria), persistem ainda várias limitações. Uma dessas limitações advém da definição de inovação que é apresentada na terceira versão do Manual de Oslo, que define e segrega a inovação por vários tipos. Esta conceção constitui ainda uma barreira para estudar a inovação no sentido amplo, inclusivo e integrador dos vários setores de atividade, não facilitando a apreensão das muitas combinações possíveis de inovação. Estas surgem ainda desligadas das motivações e dos processos de inovação, escapando, em particular, as inovações de baixa densidade tecnológica e menos intensivas em conhecimento, ao mesmo tempo que se vêm marginalizando as empresas de pequena dimensão (com menos de 10 colaboradores) e outras organizações não empresariais. A OCDE (OECD, 2010) reconhece ainda as limitações de dividir o conceito (inovação tecnológica e não tecnológica), uma vez que são cada vez mais comuns os padrões de inovação mistos, ou seja, uma inovação que resulta de, ou é influenciada por, uma outra. Um amplo estudo da OCDE (OECD, 2009) demonstra que existe uma grande diversidade de padrões de inovação, compreendendo, por exemplo, a inovação de produto combinada com inovação de marketing, organizacional ou de networking, envolvendo abordagens e estratégias colaborativas de rede. Portanto, estes resultados mostram que os atuais modelos e políticas de promoção da inovação, focados no paradigma da inovação tecnológica, de acordo com o enquadramento da inovação que tem sido desenvolvido durante os últimos anos (OECD, 1992; OECD e Eurostat, 1997, 2005), são agora claramente limitados e limitantes para se promover a inovação na economia. Ou seja, não se aplicam aos setores de baixa tecnologia e às pequenas empresas, nem mesmo aos modelos de negócio construí dos em ação colaborativa e/ou networking. Efetivamente, nos últimos anos, tem‑se assistido a um interesse crescente nas inovações não tecnológicas e de baixa intensidade tecnológica (e.g., Hertog e Bilderbeek, 1999; Evangelista, 2000; Sundbo e Gallouj, 2000; Djellal e Gallouj, 2001; Miozzo e Soete, 2001; Hollenstein, 2003; Hipp e Grupp, 2005; Freel, 2006; Camacho e Rodriguez, 2008; Miles, 2001; Tether e Tajar, 2008; Amara et al., 2009). Um conjunto de medidas intangíveis abrangidas pelo investimento em inovação – como a I&D, a criação de marcas, a aquisição de conhecimentos externos, a formação e a qualificação, por exemplo – tem adquirido cada vez mais expressão e interesse como atividades de inovação. Os CIS têm vindo a incorporar a operacionalização de inovações no contexto de serem novidade para as empresas (e.g., Salazar e Holbrook, 2004). Este tipo de inovação é normalmente incremental e centrada na eficiência da produção e na diferenciação de produtos ou no marketing. Mas a difícil medição da inovação, como um processo contínuo, sobretudo para empresas caracterizadas pelo desenvolvimento de ino- Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 21 vações incrementais, em oposição a outros projetos isolados com mudanças significativas (inovações radicais), é também uma das limitações identificadas. De facto, as inovações definidas no Manual de Oslo são reconhecidas como «mudanças significativas», com o intuito de distingui‑las de rotinas e mudanças menores. Todavia, é importante reconhecer e tornar amplamente manifesto que uma inovação pode também consistir em mudanças incrementais (OECD, 2010). Perante tais limitações, a inovação começa a ser entendida mais claramente como um processo que não se limita à I&D (e.g.,Salazar e Holbrook, 2004), que é desenvolvida em todos os setores de atividade económica, incluindo os serviços públicos, que é influenciada por uma larga gama de fatores, alguns dos quais relacionados com as diretrizes políticas, e que gera resultados que ultrapassam o valor económico (e.g., Djellal e Gallouj, 1999; Tether et al., 2002; Trigo, 2013). A última revisão do Manual de Oslo atende às necessidades expressas pelos investigadores e pelos políticos no sentido da ampliação do conceito de inovação, abrindo assim o leque de atividades aos serviços, bem como à necessidade de se abordar a inovação no setor público. Este setor tem impactos importantes (como, por exemplo, o aumento da produtividade de trabalho ou a adoção de tecnologias de informação e comunicação), com efeitos demostrativos noutras áreas económicas, em particular no domínio social (e.g., Salazar e Holbrook, 2004). Porém, o manual ainda não apresenta diretrizes para esta abordagem, concentrando‑se sobretudo na unidade de análise «empresa». Outra limitação do quadro atual diz respeito às interações e cooperações para a inovação, em particular na obtenção de conhecimento e novas competências, porque as empresas podem contar com uma variedade de fontes de conhecimento (internas e externas) para o desenvolvimento e/ou introdução de novos produtos e/ou processos. Exemplo disso é a relação entre a indústria e a ciência (veja‑se, por exemplo, Polt et al., 2001). As instituições de investigação podem contribuir para o processo de inovação, quer como fornecedores de novos resultados de investigação, quer como atores mais ativos e envolvidos na conceção, no desenvolvimento e no teste de novos produtos. A obtenção deste tipo de informação é crucial, sobretudo no caso das ligações com a investigação e a ciência, uma vez que o seu conhecimento pode contribuir para o refinamento da política de investigação. Pesquisas recentes fornecem ainda indicações sobre a necessidade de se perceber quais as ligações e os fluxos de cooperação ativa entre as empresas e outras organizações, bem como sobre a importância de se compreen der a dinâmica territorial da localização e a influência ou o impacto das inovações na envolvente. Isto numa tripla perspetiva: identificar os vínculos entre atores regionais, a importância dessas ligações e a importância dos mercados regionais no desenvolvimento das atividades de inovação (e.g., Laursen e Meliciani, 2002; Asheim e Coenen, 2006). Apesar de o inquérito CIS captar informação sobre as relações institucionais e a ligação que se estabelece entre as várias organizações e os agentes locais e não locais, o conhecimento sobre o papel das redes e consequente impacto, em particular numa perspetiva territorial, essa informação não pode ser utilizada por questões de confidencialidade. Esta dicotomia – local versus não local – esconde informação importante que poderia ajudar a perceber as relações entre as inovações e o desenvolvimento económico e social dos territórios. A insuficiência do quadro de referência atual manifesta‑se ainda no facto de a informação sobre os investimentos em inovação não ser normalmente especificada na contabilidade das empresas, tornando‑se difícil a respetiva medição efetiva. Geralmente, são necessárias fontes de informação complementares para caracterizar as empresas e o sistema de inovação. A literatura sobre sistemas de inovação enfatiza também o papel da capacidade de aprendizagem e o desenvolvimento de competências internas como aspetos determinantes da inovação. No entanto, o Manual de Oslo, e particularmente a ultima versão do CIS, oferece poucas orientações para identificar os recursos‑base e as competências dos recursos humanos no processo de inovação (e.g., áreas de formação, desenvolvimento de competências, rotação de tarefas, etc.). Outra restrição é relativa à aptidão das empresas no fornecimento 22 Inovação em Portugal Rural de informação sobre o ambiente institucional geral (como sistema educativo, mercado de trabalho, sistemas financeiros), limitando‑se apenas à avaliação da sua perceção. Salazar e Holbrook (2004) referem ainda o facto de os inquéritos serem autoadministrados, o que pode dar origem a uma lacuna na obtenção de dados devido à ausência de conhecimento sobre os conceitos de base. O inquérito CIS também não prevê a recolha de dados sociodemográficos sobre o respondente, que é, normalmente, o responsável pela empresa, não sendo possível obter informações que permitam a comparabilidade de resultados sobre, por exemplo, questões de liderança para a inovação. Numa visão global acerca da evolução recente do referencial para a deteção e a medição da inovação, pode dizer‑se que muitos avanços se vislumbraram e que alguns deles se concretizaram, mas ainda persistem várias limitações. O referencial corrente precisa, portanto, de uma redefinição, ajustando‑se conceitos e ferramentas de recolha de dados, no sentido de permitir detetar a inovação de forma mais ampla e inclusiva, bem como apreender a diversidade de padrões e dinâmicas de inovação de diferentes setores e organizações, nomeadamente de pequenas empresas. 2.3.A «inovação escondida»: orientações para a redefinição do referencial metodológico Nas últimas décadas, num quadro de «globalizações» crescentes, as empresas atuaram num contexto económico e social mais dinâmico, difícil de prever, diversificado, interdependente, obrigando‑se a ter um papel mais ativo na condução de processos de mudança. Por estas razões, a inovação e os processos de inovação tornaram‑se mais complexos. E esta complexidade deixa claro que a limitação da inovação apenas ao setor tecnológico é redutora e limitadora. Este campo de referência deve ser ampliado, pois muitas inovações são definidas numa matriz não tecnológica ou têm uma referência de combinações de dimensões tecnológicas e não tecnológicas. Por outras palavras, há «inovação escondida», e esta não é ainda captada pelos referenciais de inovação. Sabe‑se, no entanto, que contribui para o desenvolvimento de novos produtos ou métodos de produção. A «inovação escondida» ou soft tem como referência, entre outros fatores, o papel crucial dos recursos humanos, a decisiva interação com o mercado, o papel essencial das redes, tanto internas como externas, e o peso da cultura da organização para a inovação. Este subconceito de inovação é usado para descrever novas vias inovadoras, aplicado para enfatizar a inovação que não tem a tecnologia como principal motor, mas sim as dimensões relacionadas com os recursos humanos, interações e/ou cooperações e o papel dos diversos atores de inovação. A «inovação escondida» refere‑se, assim, à atividade inovadora não abrangida por indicadores tradicionais de inovação, como os investimentos em I&D, por exemplo, e que transcende os setores tradicionais de inovação assentes numa base tecnológica. Várias investigações neste domínio expuseram a necessidade de ampliar o conceito de inovação, bem como os setores e a tipologia de inovação (e.g., Tether, 2004; Jensen et al., 2007; Arundel et al., 2008; Miles e Green, 2008; Kirner et al., 2009; Hervas‑Oliver et al., 2011; Trigo, 2013). Uma análise detalhada da literatura revela quatro tipos de «inovação escondida» (e.g., Madureira et al., 2013), referindo‑se o primeiro tipo às inovações vulgarmente conhecidas como «inovação não tecnológica». Estas abrangem as inovações organizacional e de marketing, que se destacam nos setores de baixa tecnologia, como os serviços. Um segundo tipo de «inovação escondida» é a inovação de produtos e processos com baixa incorporação de inputs de I&D. O terceiro tipo engloba as inovações de produto e processo (conhecidas por inovações Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 23 tecnológicas) com base em inputs de I&D (tecnologia) que resultam da combinação de vários tipos de inovação desenvolvida por diferentes tipos de organizações e em diferentes setores, pois existem inovações interdependentes, com padrões mistos (OECD, 2010). Um bom exemplo disso é a melhoria do produto, combinada com inovação organizacional ou de marketing. Um último tipo de «inovação escondida» resulta da natureza complexa dos processos de inovação que combinam inovação tecnológica e não tecnológica (e.g., Boer e During, 2001; Barañano, 2003; Schmidt e Rammer, 2007). A «inovação escondida» é desenvolvida principalmente por empresas de baixa intensidade tecnológica dos setores convencionais e, em especial, por empresas de pequena dimensão, fortemente negligenciadas pelas políticas de inovação, focadas na inovação tecnológica. Consequentemente, as políticas e as medidas públicas, as agendas e os incentivos para promover a inovação precisam de ser adaptados para refletir o desenvolvimento e/ou implementação da inovação não tecnológica. À escala da UE, há iniciativas paralelas para promover a inovação social e a inovação nos serviços, destacando‑se que existe uma consciência institucional para os diferentes tipos e modos de inovação (e.g., CE, 2009, 2010; CEC, 2013; UE, 2012). Uma das principais limitações resultantes de os esquemas e mecanismos de estímulo da inovação se cingirem à inovação tecnológica e à inovação para o mercado é o facto de se negligenciar uma parte substancial e fatalmente significativa da economia real, que inclui empresas de pequena dimensão e de baixa intensidade tecnológica, diferentes setores e diferentes regiões, em particular de baixa densidade. Tendo em conta a importância atribuída à contribuição das PME, no contexto da UE (e, em particular, em Portugal), para as economias locais e nacionais (nomeadamente pelo consequente impacto no emprego, na articulação e na sustentação do tecido empresarial, e, por vezes, até mesmo nas exportações), é necessário adotar um conceito de inovação abrangente e inclusivo nas agendas nacionais e regionais das políticas de inovação. Como foi referido anteriormente, o atual referencial de inovação é baseado na terceira versão do Ma‑ nual de Oslo de 2005 (OECD e Eurostat, 2005), que, embora adote uma definição ampla de inovação (inclui as inovações organizacional e de marketing, bem como as inovações para o mercado e para a empresa), baseia a medição da inovação essencialmente nas inovações de produto e processo (inovações tecnológicas), ao passo que as inovações organizacionais e de marketing são tratadas como fontes complementares da inovação. Não permite, também, como se discutiu antes, apreender os padrões de inovação mistos, nem as dinâmicas colaborativas que as empresas podem estabelecer com outras organizações e entidades, tendo em vista a busca inicial, a incubação e a consolidação da inovação. Este referencial metodológico é claramente insuficiente para compreender a inovação observável in loco e suportar a definição de políticas eficazes para a sua promoção, face à importância dos setores de baixa tecnologia, das pequenas empresas e dos modelos de negócio construídos em ação colaborativa e networking. Assim, torna‑se evidente a necessidade de compreender os padrões e as dinâmicas de inovação em diferentes setores e organizações, nomeadamente os de pequenas empresas, adotando novos conceitos e novas ferramentas de recolha de dados. 2.4.A promoção da inovação na UE e a inovação em meio rural A inovação nas agendas para o crescimento, a Estratégia 2020 e a «União da Inovação» A inovação tem sido uma aposta basilar da UE desde que foi lançada, em 2000, a Agenda de Lisboa (CE, 2000a). O objetivo da estratégia proposta por esta agenda – converter a economia europeia na economia 24 Inovação em Portugal Rural baseada no conhecimento mais competitiva do mundo – está ainda bem longe da concretização plena. Não obstante, com esta agenda, a UE encetou um caminho de reconhecimento e valorização do conhecimento e da inovação enquanto ferramentas poderosas e insubstituíveis para promover o crescimento e o bem‑estar da sociedade europeia, nomeadamente quando se pretende compatibilizar objetivos potencialmente conflituais, como a competitividade, a sustentabilidade e a coesão social, como é agora, e de novo repetidamente, almejado pela estratégia Europa 2020 (EC, 2010). Esta estratégia visa assegurar a saída da crise e preparar a economia da UE para a próxima década, visando transformá‑la numa economia inteligente, sustentável e inclusiva. Espera‑se que estas três prioridades, que se reforçam mutuamente, ajudem a UE e os Estados‑membros a atingir níveis elevados de emprego, de produtividade e de coesão social. A inovação foi colocada no centro da estratégia Europa 2020 (EC, 2013), porque, com uma população envelhecida e as fortes pressões competitivas da globalização, o crescimento económico e o emprego futuros na Europa terão, cada vez mais, de resultar da introdução de inovação em produtos, serviços e modelos de negócio. A Europa 2020 define uma visão para a economia de mercado social da Europa para o século XXI, em que os países europeus (os Estados‑membros) têm de agir coletivamente, como uma União. Esta estratégia propõe três prioridades que se robustecem reciprocamente: 1) crescimento inteligente: desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação; 2) crescimento sustentável: promoção de uma economia mais eficiente em termos de recursos, mais verde e mais competitiva; 3) crescimento inclusivo: dinamização de uma economia fortemente empregadora, que traga coesão social e territorial. Sob estes temas prioritários, a Comissão Europeia propõe sete iniciativas emblemáticas destinadas a catalisar o progresso (EC, 2010). Uma delas, incluída na prioridade 1, é o estabelecimento de uma «União da Inovação», destinada a melhorar as condições de enquadramento e de acesso ao financiamento à investigação e à inovação (e transferência de conhecimento), a fim de assegurar que ideias inovadoras sejam transformadas em produtos e serviços que criem crescimento, emprego de qualidade, e ajudem a enfrentar os desafios sociais nos planos europeu e global (EC, 2013). Uma maior capacidade de investigação e desenvolvimento, bem como a introdução de inovação em todos os setores da economia, associadas à maior eficiência na utilização dos recursos, irão melhorar a competitividade e dinamizar a criação de emprego. Mas, para ter sucesso, estes aspetos devem ser associados ao empreendedorismo, ao financiamento e ao enfoque nas necessidades dos utilizadores e nas oportunidades de mercado. E, como se observou na secção 2.3, na qual foi exposta a questão da «inovação escondida», na UE existe ainda um caminho a trilhar no que respeita ao reconhecimento e à promoção da inovação em empresas, organizações, setores e territórios em que prevalece a inovação de pequena escala e de baixa intensidade tecnológica. Estão incluídos neste grupo os territórios rurais e grande parte das organizações, designadamente as empresas, que neles operam. O hiato que persiste entre, por um lado, as agendas e as políticas de inovação e, por outro, a realidade é, certamente, fruto do sucesso no apoio e na promoção da inovação tecnológica que moldou as políticas e os esquemas de incentivos à inovação. É preciso pois operacionalizar e promover um paradigma de inovação mais amplo, como é reconhecido pela UE, quer na Agenda de Lisboa (CE, 2000a), quer numa série de documentos posteriores da Comissão Europeia (CE, 2003, 2005, 2006, 2009). É preciso conhecimento e informação sobre a inovação e os inovadores, detetados com base no paradigma abrangente e inclusivo de inovação. É a partir deste conhecimento que se poderá começar a operacionalizar um referencial metodológico mais flexível para detetar e medir a inovação. Este é fundamental para ancorar a conceção e o desenho de políticas e esquemas de incentivos públicos eficazes, designadamente para concretizar a Estratégia 2020 de forma inteligente, sustentável e inclusiva, como ela mesma propõe. Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 25 O novo paradigma rural Nos países da OCDE, as zonas rurais representam três quartos do território e nelas reside um quarto da população (OECD, 2006), sendo notório que as rápidas mudanças na economia internacional têm sobre estas áreas efeitos muito diferentes dos que têm sobre as cidades. Os ativos das regiões rurais, tais como a qualidade de vida e do ambiente, o património natural e outras amenidades, associados a melhores acessibilidades e infraestruturas, à Internet e a mais tempos livres têm conseguido reter e mesmo atrair, para as zonas rurais, pessoas e empresas. Esta importante alteração, que, se não inverte, pelo menos minimiza a tendência das últimas décadas para o êxodo rural, tem levado os governos a repensar as suas políticas agrícolas (até agora principalmente centradas nos subsídios à atividade agrícola) e a alargar o seu âmbito para que sejam aproveitadas novas oportunidades para estas zonas. Assim, e mantendo‑se algumas políticas ligadas à agricultura, surgem novas políticas destinadas às atividades não agrícolas, que permitem dinamizar o desenvolvimento rural como um todo. Na Tabela 2.1 sintetiza‑se este novo paradigma rural. No mesmo relatório (OECD, 2006), são identificadas novas oportunidades, que incluem um aumento da procura de amenidades rurais por parte dos residentes urbanos, novas fontes de sucesso económico, tais como clusters dinâmicos de pequenas e médias empresas (PME), o desenvolvimento de agroindústrias diversificadas e do turismo rural e, ainda, oportunidades relacionadas com produtos que projetam as tradições de qualidade e o artesanato, em sintonia com a natureza e com um sentimento de lugar e de cultura. Tabela 2.1. O anterior e o novo paradigma rural Abordagem anterior Nova abordagem Objetivos Nivelamento, rendimento e competitividade das explorações Competitividade das zonas rurais, valorização dos ativos locais, aproveitamento de recursos Setores‑alvo-chaves Agricultura Vários setores das economias rurais (p. ex., turismo rural, indústrias e agroindústrias, TIC, etc.) Principais instrumentos Subsídios Investimentos Atores‑chave Governos nacionais, agricultores Todos os níveis de administração (supranacional, nacional, regional e local), vários intervenientes (públicos, privados, ONG) Fonte: OECD (2006). Inovação em meio rural Estas novas oportunidades encontraram eco no novo paradigma de inovação já aqui referido e que reflete as reflexões dos últimos anos: a inovação envolve muito mais do que apenas tecnologia, dado que, de forma crescente, tem vindo a abranger estratégia, marketing, organização, gestão, design (OECD e Eurostat, 2005; Brunori et al., 2007). No âmbito do projeto RAPIDO (Esparcia, 2008; Madureira, 2008), em que foram investigados os processos e o papel dos diferentes atores, tanto públicos como privados, no lançamento, na concretização e no desenvolvimento de projetos inovadores em zonas rurais, é destacada a presença de novos conhecimentos e/ou de diferentes tipos de inovação: 1) inovação de produto, como, por exemplo, atividades de agroturismo e turismo rural relacionadas com a proteção do ambiente; 2) inovações tecnológicas, associadas ao regadio, ao controlo 26 Inovação em Portugal Rural de poluição, ao tratamento de resíduos, ao tratamento de produtos agrícolas, etc.; 3) inovações de processo, como a cooperação entre os diversos atores envolvidos; 4) inovações organizacionais, ao nível de estruturas de cooperação entre atores locais; 5) inovações nas atitudes, através de uma cultura de cooperação. Estas conclusões são equivalentes às do projeto IN‑SIGHT (Brunori et al., 2007), relativas à inovação em meio rural, em que é dado o exemplo dos agricultores que, ao procurarem alternativas para a agricultura industrial, nem sempre aplicam «novas» tecnologias, sendo as suas novidades o resultado de «diferentes formas de pensar e de maneiras diferentes de fazer as coisas». Outras observações relacionadas com a inovação nas regiões não metropolitanas mostram que esta incide sobre qualquer setor de atividade, não se cingindo apenas ao setor primário, registando‑se grande potencial nos serviços, em especial nas áreas da logística e dos serviços associados à indústria (Tompson e Maguire, 2012). A inovação em meio rural é definida como uma abordagem ou uma técnica, nova no seu contexto ou na sua configuração, destinada a reforçar a capacidade das organizações locais para enfrentar os sérios desafios de desenvolvimento na agricultura e na segurança alimentar (InterAction, 2012). A inovação social é também um novo tipo de inovação que tem vindo a assumir importância crescente nas zonas rurais, dado incluir melhorias na prestação de serviços ou na resposta às necessidades sociais emergentes, relacionadas com o desenvolvimento das comunidades rurais e com a saúde e o bem‑estar (Brunori et al., 2007). Este conceito sublinha o inter‑relacionamento entre a transformação da sociedade e a inovação agrícola e evidencia a capacidade de resposta das inovações às novas necessidades e expectativas sociais e o desenvolvimento de novas relações sociais, como aquelas que têm vindo a surgir no relacionamento entre produtores e consumidores (UE, 2012). Estas práticas alternativas e as novas políticas para as zonas rurais levaram também a uma mudança de paradigma segundo a qual novas abordagens como, entre outras, economias de âmbito, diversificação, criação de valor acrescentado e tecnologias de comunicação e organização, vão assumindo importância crescente em comparação com as abordagens mais convencionais, como economias de escala, especialização, produtividade do trabalho ou tecnologias industriais, no entanto, sem as eliminar (Brunori et al., 2007). Assim, e por exemplo, as economias de escala são reforçadas por economias de âmbito; a especialização começa a dar lugar à diversificação; a criação de valor acrescentado assume maior importância que a produtividade do trabalho; surgem novas tecnologias nas áreas do ambiente e da energia; assiste‑se a melhorias na organização e à entrada em novos mercados através de novas formas de distribuição e comercialização; a comunicação e o conhecimento ganham importância. Nota‑se também grandes melhorias na capacitação e na qualidade de vida das populações rurais, bem como o ressurgimento dos recursos naturais e culturais, a revalorização dos produtos locais e ainda novos tipos de turismo. Em resumo, a inovação em meio rural pode envolver (Esparcia, 2003; Brunori et al., 2007; Knickel et al., 2009): • Economias de escala/especialização: para alcançar dimensão crítica, principalmente através de redes setoriais e clusters regionais. • Economias de âmbito/diversificação: ampliar a gama de produtos e serviços através da introdução de novos produtos e serviços e por meio do estabelecimento de redes trans‑setoriais, bem como através da interação entre, por um lado, produtores e prestadores de serviços e, por outro, entre produtores e prestadores de serviços e os consumidores. • Modernização/novas tecnologias: substituir produtos e processos desatualizados, melhorando a sua qualidade, a flexibilidade e a capacidade de produção, e fornecendo bens e serviços, reduzindo os custos de produção/fornecimento. Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico 27 • Tecnologias de ambiente e energia: gestão ambiental, minimização de impactos ambientais, melhoria da saúde e segurança, redução dos custos de energia, novas formas de fornecimento de energia, energias renováveis, plantações para biomassa, reutilização de subprodutos florestais. • Organização: melhoria da eficiência da organização e dos processos de trabalho. • Distribuição e marketing: entrar em novos mercados ou aumentar a quota de mercado e novos canais de venda e de comercialização. • Comunicação e conhecimento: melhoria da comunicação e da partilha de informação dentro da organização ou com outras empresas ou instituições, parcerias com universidades e laboratórios de investigação, redes locais de comunicação e aprendizagem, redes de conhecimento especializadas. • Capacitação da população rural e melhoria da qualidade de vida: estabelecimento de parcerias, grupos de ação local Leader, associações de desenvolvimento local, serviços sociais, serviços culturais de proximidade, formação em desenvolvimento rural. • Valorização dos recursos naturais, culturais e de turismo: áreas protegidas, centros de interpretação, turismo de natureza, observação de avifauna, caça, pesca, apanha de produtos florestais, alojamento bed & breakfast, turismo rural, turismo de aldeia, recuperação de património, dinamização cultural (música, teatro, literatura). • Valorização dos produtos locais: gastronomia, produtos agrícolas tradicionais, produtos de origem e localização geográfica protegida, centros de divulgação, desenvolvimento e demonstração do setor hortícola, olivais ecológicos, produtos artesanais. O estudo sobre os «Processos de inovação na agricultura e desenvolvimento rural» (Knickel et al., 2009), também realizado no âmbito do projeto IN‑SIGHT, procura melhorar a compreensão sobre o papel dos sistemas e processos de inovação na agricultura e nas zonas rurais europeias, analisando e avaliando as estruturas sociotecnológicas, os fatores e os inter‑relacionamentos a eles associados. Neste estudo, são avaliadas três áreas – agricultura e sistemas de comercialização; tecnologias ambientais; serviços rurais –, para identificar sistemas e processos de inovação bem‑sucedidos, incluindo as suas orientações estratégicas, capacidades e estruturas organizacionais e de distribuição, e para aprender com os exemplos das melhores práticas. Alguns estudos de caso revelam que nem todas as inovações estão associadas ao aumento de escala ou à integração vertical. Nalguns setores, como o marketing direto, a agricultura terapêutica e o turismo rural, as inovações permanecem de pequena escala. Já no que respeita aos serviços rurais de saúde e bem‑estar, como os cuidados de saúde e os serviços de apoio a idosos, a introdução de inovações pode dinamizar a transformação do sistema de bem‑estar social (EU SCAR, 2012). Em OECD (2012) é explicado que as políticas de desenvolvimento rural podem afetar a inovação em meio rural, dado que criam oportunidades nos mercados de trabalho rurais que vão para lá da atividade agrícola, aumentando a escolha do agricultor relativamente aos sistemas de produção, reduzindo os riscos associados ao rendimento e facilitando o investimento nas explorações. Estas oportunidades estão associadas à prestação de serviços bancários, postais e de telecomunicações em banda larga, que são essenciais para as operações de negócio e incluem serviços de TIC, particularmente relevantes para permitir, entre outros aspetos, um melhor acesso à informação sobre mercados e tecnologias. O estímulo da inovação em meio rural (EU SCAR, 2012) necessita que seja adotada uma visão sistémica e orientada para o estabelecimento de redes, incluindo sistemas sociotecnológicos complexos e redes híbridas, a participação de pluriatores e a colaboração entre os inovadores e os outros players da inovação. Capítulo 3 O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas Este capítulo apresenta o inquérito realizado junto das organizações inovadoras implantadas nas áreas rurais portuguesas e os seus principais resultados. O capítulo divide‑se em três secções. Na primeira, são introduzidos os conceitos de base e é explicada a metodologia desenvolvida para a recolha de dados. A segunda parte do capítulo descreve a conceção e a aplicação do inquérito. Na terceira secção, são apresentados alguns resultados e conclusões. A metodologia desenvolvida para a recolha de dados toma como ponto de partida o referencial estabelecido pelo Manual de Oslo, que é expandido no que respeita às definições de inovação e de organização inovadora, de modo a possibilitar a observação dos processos de inovação na multiplicidade de organizações que definem o tecido socioeconómico das áreas rurais portuguesas. As principais alterações introduzidas, relativamente ao referencial referido, são quatro: 1) um conceito de inovação mais abrangente, contemplando a criação de valor social e não somente de valor comercial; 2) uma unidade de análise alargada às organizações não empresariais, designadamente às associações e autarquias, atendendo à sua importância no desenvolvimento e na sustentabilidade dos territórios rurais; 3) a inclusão das empresas, e outras organizações, independentemente da dimensão, considerando‑se desde o empresário em nome individual à grande empresa; 4) um instrumento de recolha de dados flexível capaz de recolher dados sobre os padrões e dinâmicas de inovação nas diversas organizações consideradas no universo alargado de inquirição. São duas as principais diferenças entre o instrumento de recolha de dados desenvolvido pelo projeto RUR@L INOV e o inquérito CIS: 1) os critérios na seleção da amostra; 2) o modo de administração do questionário. Inquiriram‑se, por um lado, apenas as organizações previamente identificadas como sendo inovadoras, diferentemente do CIS, que é aplicado a um painel de empresas que podem, ou não, ser inovadoras durante o período de referência do inquérito; e, por outro, o questionário foi administrado presencialmente, em vez de ser preenchido por via eletrónica. Ao nível dos resultados do inquérito, os dados obtidos sobre a diversidade patente nas organizações inovadoras portuguesas, bem como sobre as suas inovações, mostram uma realidade pouco ou nada conhecida. É desconhecida, porque é, em larga medida, excluída da observação pelo referencial utilizado para detetar e medir a inovação. Como foi já referido no Capítulo 2, este foca‑se no universo empresarial e na inovação tecnológica, marginalizando, assim, a inovação de baixa intensidade tecnológica e de pequena escala desenvolvida e/ou implementada pelas pequenas e muito pequenas organizações que caracterizam a economia dos territórios rurais portugueses, bem como os setores pouco intensivos em tecnologia, da economia em geral, da portuguesa e da de muitas outras regiões do mundo. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 29 3.1.Conceitos A preparação do inquérito às organizações inovadoras das áreas rurais portuguesas envolveu a definição de conceitos de base, como o de inovação e de organização inovadora, bem como uma série de opções metodológicas. Em ambos os casos, tomou‑se como ponto de partida o referencial metodológico para detetar e medir a inovação estabelecido pelo Manual de Oslo (OECD e Eurostat, 2005), que revimos e ampliámos de molde a contemplar: 1) uma unidade de análise alargada às organizações de diferentes tipos e não apenas às empresas; 2) as organizações de pequena dimensão, i.e., com menos de 10 trabalhadores; 3) a observação dos processos de inovação, recolhendo informação sobre a descrição das inovações: em que consistiram (ou consistem), quando se iniciaram, respetiva duração, objetivos e peso de cada inovação no volume de vendas (ou de serviços, quando não for aplicável o volume de vendas). Como é que os inovadores veem a inovação? A amplificação do universo de análise e o aprofundamento dos instrumentos de recolha de dados para aplicação às organizações inovadoras localizadas em território rural exigia, à partida, uma reflexão sobre o conceito de inovação. Esta foi levada a cabo pelos próprios stakeholders da inovação no âmbito de dois grupos focais12 promovidos pelo projeto RUR@L INOV, em 2012. Realizaram‑se em dois locais centrais a nível nacional, as cidades de Lisboa e Porto, e juntaram inovadores e outros stakeholders da inovação, nomeadamente organismos de investigação, centros tecnológicos, entidades públicas, autarquias e entidades financiadoras (Madureira et al., 2012). A discussão realizada no âmbito destes dois grupos focais centrou‑se na identificação dos aspetos‑chave para detetar inovação, e também para medi‑la. Foram ainda discutidos dois tópicos adicionais e interligados com o anterior: a identificação dos efeitos internos e externos (às organizações) da inovação e a identificação dos fatores facilitadores e complicadores das atividades e dos processos de inovação, gerais e específicos, em meio rural. A Figura 3.1 resume o conceito e a visão de inovação dos inovadores e outros stakeholders. Os stakeholders da inovação parecem conceber a inovação como um conceito focado essencialmente na «ideia», diferente dos conceitos teóricos que tendem a sublinhar a dimensão da «criação de valor associada às novas ideias». A sua visão de inovação enfatiza a importância dos valores associados à «diferença» e à «novidade». Porém, estes parecem estar fortemente relacionados com uma visão mais pragmática da inovação, compreendendo os processos de aprendizagem e produção coletiva de conhecimento, a liderança e a gestão de competências, a gestão de interfaces e a orientação para o mercado. Esta visão de inovação parece também destacar alguns traços de personalidade dos líderes e/ou gestores de inovação, como a visão e a persistência, a paixão e a capacidade de resiliência. Por outro lado, estes stakeholders destacaram, entre os fatores que contribuem para a inovação, a cultura de risco e os recursos‑base para a inovação, ou seja, as fontes de acesso ao financiamento, ao conhecimento (tácito, local e científico, por exemplo) e o apoio institucional. Realçaram, igualmente, a importância do tempo necessário para o desenvolvimento de novas ideias. 12 Um grupo focal, ou focus group, é um método de investigação social consolidado. Consiste numa discussão de grupo, envolvendo a partilha de pontos de vista e experiências pessoais entre indivíduos, recrutados tendo em conta o seu interesse nos tópicos em análise. O grupo deverá ser pequeno (a recomendação geral é que seja composto por 8 a 12 pessoas) e relativamente homogéneo no que respeita à sua capacidade de discutir o tópico em causa. A discussão é conduzida por um moderador, que segue, em geral, um guião pré‑definido. Para uma exposição mais aprofundada deste método, veja‑se, por exemplo, Henry (1998). 30 Inovação em Portugal Rural Figura 3.1. Conceito e visão da inovação dos inovadores e outros stakeholders Ideias-chaves • Cultura que valorize o risco • Investimento e suporte financeiro (criação de um fundo de apoio à inovação) • Suporte legal de apoio à inovação • Saber local/tradicional • Cultura de desenvolvimento • Redes/networking • Conhecimento fundamental • Timing/oportunidades Originalidade Criatividade Fazer a diferença Aspetos a valorizar • Assumir a liderança e a gestão da inovação − visão, persistência, paixão, resiliência • Criar aprendizagem e conhecimento coletivo • Gestão de interfaces • Saber comunicar a inovação • Identidade, diferenciação, escala/dimensão e pensar global • Direcionar os produtos para o mercado • Gestão do conhecimento (proteção da inovação) Conceito de inovação adotado pelo RUR@L INOV A inovação é, pois, entendida como um processo que conjuga várias dinâmicas e vários padrões, desde «desenvolvimento e/ou introdução de um produto (bem ou serviço), processo, modelo organizacional, estratégia de comercialização, distribuição e/ou marketing, estratégia de organização em rede, de algo novo ou melhorado, e múltiplas combinações dos anteriores tipos, não precisando de ser originalmente desenvolvida pela organização, mas apenas que se constitua como uma novidade para a organização e que se traduza na criação de valor económico e/ou social». Figura 3.2. Redefinição do conceito de inovação pelo projeto RUR@L INOV • Conceito assente na novidade para o mercado, fracionado por tipos de inovação • Gera valor comercial Abordagem convencional INOVAÇÃO • Processos que conjugam vários tipos de inovação • Pode gerar também valor social Nova abordagem O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 31 O conceito de inovação adotado pelo RUR@L INOV não difere substancialmente da definição estabelecida pelo Manual de Oslo (Figura 3.2). Todavia, no conceito adotado pelo RUR@L INOV, amplia‑se a dimensão do valor gerado para incluir os efeitos no bem‑estar social que não têm, necessariamente, expressão através do mercado. Alarga‑se também o conceito de inovação, através da ampliação do âmbito da observação, quer em termos da unidade de análise – a organização e não apenas a empresa –, quer na observação dos processos de inovação, em alternativa à categorização prévia da inovação separada por tipos: produto, processo, organizacional e de marketing. Delimitação das áreas rurais Um outro conceito relevante é o de «áreas rurais». Atendendo à diversidade de delimitações que são efetuadas pelos diferentes países, nomeadamente ao nível da UE, muitas delas elaboradas para suportar os programas de desenvolvimento rurais (e.g., Programa de Iniciativa Comunitária Leader, PRODER) e definindo as áreas elegíveis (ou não) para a obtenção dos apoios comunitários, optou‑se por usar a definição da OCDE, assente no critério da densidade populacional. Deste modo, usou‑se uma delimitação muito ampla de «áreas rurais», que corresponde à delimitação dos territórios de baixa densidade, conforme a definição da OCDE (OECD, 1994). Estes, no caso de Portugal Continental, incluem praticamente todo o território, à exceção das NUT 3 de Grande Lisboa, Grande Porto, Península de Setúbal, Ave, Cávado e Entre Douro e Vouga13. Mediante esta classificação, as áreas rurais de Portugal Continental abrangem cerca de 92% do território14 e 47% da população15. A inclusão da variável «freguesia», ao nível da recolha dos dados, permitiu depois analisar o eventual efeito de uma definição mais fina de ruralidade, ainda que baseada nos mesmos critérios de densidade populacional, recorrendo‑se à classificação TIPAU do INE16. Identificação das organizações inovadoras A identificação das organizações inovadoras foi um dos maiores desafios do projeto RUR@L INOV. Não se afigurava viável considerar todo o universo de organizações do território rural, não só pela dificuldade em delimitar esse universo, mas, sobretudo, porque se pretendia concentrar esforços em conhecer os inovadores e a inovação em meio rural. Comparar organizações inovadoras com outras não inovadoras, no período de análise considerado, seria um exercício instrutivo, mas tal não era a finalidade deste trabalho e não pode ser alcançada por ele. A identificação das organizações inovadoras foi realizada com base na auscultação de atores privilegiados, um vasto grupo, incluindo associações empresariais, comerciais e industriais, incubadoras de empresas, entidades financiadoras, universidades e autarquias. A estas entidades foi solicitada a identificação de iniciativas inovadoras, Definição de áreas rurais (OCDE, 1994): Predominantemente Urbanas (menos de 15% da população reside em freguesias com densidade demográfica <150 habitantes/km2), Significativamente Rurais (entre 15% e 50% da população reside em freguesias com densidade demográfica <150 habitantes/km2) e Predominantemente Rurais (mais de 50% da população reside em freguesias com densidade demográfica <150 habitantes/km2). 14 Superfície (km²) do território nacional por localização geográfica em 2002 INE, 2012. 15 Censos, 2011 (INE, 2012). 16 INE (2009). Tipologia das áreas urbanas (TIPAU). Disponível no endereço: http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_ cont_inst&INST=6251013&xlang=pt, consultado a 2 de março de 2013. 13 32 Inovação em Portugal Rural de acordo com o conceito de inovação adotado pelo projeto RUR@L INOV, por intermédio de um pequeno inquérito distribuído por via eletrónica, entre março e junho de 201217. Este inquérito serviu para identificar e descrever os casos de inovação em áreas rurais de que estas organizações tivessem conhecimento direto (porque já contactou/contacta, visitou/visita, colaborou/colabora, etc.), ou indireto (identificado por outras pessoas, por meios de comunicação social ou outras fontes de informação), tendo por referência a definição alargada e inclusiva de inovação do projeto RUR@L INOV. Em paralelo com as respostas ao inquérito supracitado, a identificação de organizações inovadoras foi complementada com a informação obtida através de contactos com peritos de inovação e de desenvolvimento rural e através da análise documental sistemática de fontes primárias e secundárias (artigos científicos, notícias, comunicados, Internet). Obteve‑se, assim, um conjunto de organizações que correspondem àquelas que mais se têm salientado pelo seu potencial inovador nas áreas rurais. Os inovadores identificados englobam organizações do setor privado, público e sem fins lucrativos, não se restringindo apenas às empresas, e abrangem todos os setores de atividade e organizações de qualquer dimensão: da organização individual à grande organização (Figura 3.3). Deste processo resultou uma base de dados que contém a identificação e uma breve descrição de cerca de 330 organizações inovadoras em meio rural. Figura 3.3. Natureza jurídica das unidades de análise abrangidas Setor privado Setor público • Empresas de todos os setores de atividade (agrícolas, agroalimentares, transformadoras, de comércio, de restauração, de alojamento e animação turística, de serviços, etc.) e dimensão (individual, micro, PME e grandes empresas) • Cooperativas • Organizações de produtores • Escolas privadas do ensino secundário e profissional • Autarquias • Empresas municipais • Juntas de freguesia • Escolas públicas do ensino secundário e profissional • Universidades e politécnicos Setor não lucrativo • Instituições particulares de solidariedade social • Associações culturais e recreativas • Associações de desenvolvimento local • Associações de produtores florestais e/ou agrícolas • Associações setoriais e/ou empresariais • Fundações 3.2.Metodologia de recolha de dados O inquérito às organizações inovadoras foi aplicado por meio de um questionário, administrado presencialmente junto dos responsáveis pela gestão e/ou liderança da inovação das organizações selecionadas (empresas e outras organizações). A definição do conteúdo e da estrutura do inquérito foi efetuada tendo em conta um conjunto de trabalhos científicos sobre esta matéria. Metodologicamente, o trabalho foi balizado por perspetivas já desenvolvidas por outros autores e estudos, beneficiando‑se particularmente de uma pesquisa exploratória sobre inovação nas 17 Formulário disponível no endereço: https://docs.google.com/forms/d/1Qb3XiRHJk3hGJCIPXcCYVhBGKdQVYfz72DeAkN Xs6Pc/edit O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 33 áreas rurais europeias desenvolvida no âmbito do projeto RAPIDO (2007, 2008, 2009). Foi com base nos resultados deste projeto europeu que foi desenvolvido um inquérito exploratório, conduzido através de entrevistas em profundidade, realizadas em 2009, a um grupo de 25 organizações inovadoras distribuídas por todo o país e diversificadas em termos do setor de atividade e de dimensão (Madureira et al., 2012). Este inquérito serviu de base à construção do questionário aplicado em 2012/2013 e propiciou o ponto de partida para a definição e identificação das organizações inovadoras. Conceitos de base e abordagem metodológica A Caixa 3.1 resume os conceitos de base adotados na elaboração do questionário para a inquirição das organizações inovadoras. Caixa 3.1. Resumo dos conceitos de base do inquérito aplicado às organizações inovadoras • Inovação: abrange todos os tipos de inovação e as suas múltiplas combinações, a adoção de inovações por mecanismos de imitação e a criação de valor social e não apenas valor económico. • Organização inovadora: empresas de qualquer tipo (setor empresarial), cooperativas, associações e organizações não governamentais (economia social ou terceiro setor). Pode incluir também organizações governamentais da administração local, como as autarquias, por exemplo. • Âmbito territorial: aplicado às áreas rurais, abrangendo todo o território português com exceção das regiões, ao nível das NUTS 3, da Península de Setúbal; Grande Lisboa; Grande Porto; Ave; Cávado; Entre Douro e Vouga. Fontes: OCDE, 1996; OCDE e Eurostat, 2005. Figura 3.4. Abordagem do projeto RUR@L INOV à inovação nas áreas rurais Abordagem Convencional Nova Abordagem Conceito assente na novidade para o mercado, fracionado por tipos de inovação. A inovação gera valor comercial O que é Empresas, sobretudo médias e grandes empresas Onde Empresas e organizações sem fins lucrativos. Individuais, micro, pequenas, médias e grandes organizações Inputs, resultados e tipos de inovação O quê Inputs, processos e resultados da inovação Conceitos e instrumentos de recolha de dados delineados por peritos Como Conceitos e instrumentos de recolha de dados delineados por peritos em interação com inovadores Processos que conjugam vários tipos de inovação. A inovação pode gerar também valor social 34 Inovação em Portugal Rural Este instrumento de inquirição distingue‑se da abordagem convencional dos inquéritos à inovação, como o CIS, na medida em que mostra a vantagem de se alargar o conceito e a medição da inovação para lá das categorias standard disponíveis no CIS e na literatura comum. A operacionalização de um conceito amplo de inovação permite‑lhe recolher dados e informação sobre os padrões e dinâmicas de inovação desenvolvidos pelas organizações localizadas em áreas rurais (Figura 3.4). Questões de investigação A construção do questionário assentou numa revisão extensa da literatura sobre determinantes, barreiras e facilitadores de inovação, inputs, resultados e processos de inovação, e ainda sobre o papel dos inovadores/empreendedores na inovação conduzida ao nível das organizações, nomeadamente das empresas. Foram, portanto, vários os pressupostos que nortearam a elaboração do questionário, designadamente: • Responder à lacuna da ausência de uma metodologia de deteção e medição da inovação, aplicável em meio rural, incorporando questões que permitissem identificar a multifuncionalidade e a diversidade do tipo de organizações e que permitissem compreender os processos de inovação mistos e a sua articulação com as motivações para a inovação (e.g., orientação forte para o mercado, diversificação de produtos, diminuição dos custos de produção e/ou com recursos humanos). • Identificar os modelos e os padrões de inovação em áreas rurais e desenvolver um sistema de indicadores para avaliar e comparar os diferentes modelos e práticas de inovação. • Perceber a importância da inovação não tecnológica em áreas rurais. Esta, porque está sobretudo relacionada com dinâmicas incrementais de inovação, é, em geral, pouco valorizada e carece, ainda, de enquadramento em termos de medição e de promoção pelas políticas e pelos incentivos públicos. • Identificar outros inputs relevantes para os processos de inovação, para além da I&D e das patentes, incluindo nomeadamente as capacidades, dimensão e competências internas das organizações, relativamente ao perfil do inovador, ao quadro de recursos humanos, às qualificações e competências adquiridas por via da experiência profissional, e ainda as estratégias de gestão das organizações (e.g., orientação para o mercado, para a inovação, redução de custos, exportação e internacionalização, diversificação de atividades e/ou de produtos). • Compreender o papel do conhecimento local enquanto input para a inovação, bem como as formas e os suportes em que é gerado, partilhado e transmitido. • Identificar e perceber o objetivo das redes de colaborações e do networking, e avaliar as motivações das relações contextuais com parceiros estratégicos. • Identificar as barreiras internas (e.g., custos, conhecimento e liderança na gestão da inovação) e externas (e.g., regulação, acesso ao conhecimento, ao financiamento, aos mercados, fatores de periferia que decorrem da localização das organizações) à inovação. • Identificar os efeitos percebidos da inovação na organização (e.g., aquisição de competências, competitividade, produtividade e sustentabilidade) e na envolvente (em particular na criação de emprego, na riqueza gerada, nos serviços disponibilizados, no impacto social e ambiental), e na disseminação de conhecimento. • Conhecer os inovadores, caracterizar o seu perfil e o papel dos empreendedores/inovadores em matérias como a liderança, a estratégia da organização e/ou do inovador e a organização do trabalho. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 35 3.3.Objetivos, estrutura e modo de administração do questionário O questionário utilizado como instrumento de inquirição, dirigido às organizações inovadoras nas áreas rurais, foi estruturado em quatro grandes áreas de interesse, identificadas na tabela seguinte. Tabela 3.1. Tópicos de investigação do inquérito A. Identificação da organização B. Caracterização da organização C. Atividades e processos da inovação D. Perfil do líder/ gestor da inovação •Tipo de organização (localização, natureza jurídica, dimensão, idade) •Dimensão da organização (evolução do volume de vendas ou serviços e do quadro de recursos humanos) •Atividades económicas, produtos e serviços •Mercados e cadeias de valor •Recursos humanos e qualificações •Recursos financeiros •Outros recursos da organização (disponibilidade de terras, tecnologias, redes de conhecimento, marcas, patentes) •Inovações introduzidas, objetivos, peso da inovação, atividades de inovação •Custos da inovação e apoios financeiros para a inovação •Inputs para a inovação (fontes de conhecimento e tipologias de conhecimento local) •Cooperação para a inovação •Prestação de serviços •Efeitos da inovação (internos e externos) •Barreiras à inovação (internas e externas) •Características sociodemográficas •Perfil escolar e experiência profissional e de liderança •Atitudes e comportamentos face à inovação •Localização da organização •Motivações para o empreendedorismo Os pontos A e B permitem caracterizar, em termos globais, as organizações, englobando‑se na secção C o conjunto de questões destinadas a obter informação sobre os processos e dinâmicas de inovação. A última parte do questionário, parte D, tinha em vista a caracterização do líder ou responsável pela inovação. O questionário reunia, assim, um conjunto de questões que visavam: 1) traçar o perfil da organização; 2) identificar os inputs de base para a inovação (e.g., atividades de inovação, recursos humanos e qualificações, competências de liderança e da organização, recursos financeiros e outros, cooperações, fontes de conhecimento); 3) descrever os processos de inovação (e.g., intensidade do processo de inovação, objetivos da inovação, parcerias para a inovação); 4) quais os resultados da inovação (internos e externos). Incluía também questões para obter informação sobre os impactos destas inovações a vários níveis, desde a escala organizacional à escala territorial, i.e., a respetiva envolvente, bem como sobre os principais obstáculos ao processo de inovação, e ainda algumas perguntas para caracterizar os líderes ou responsáveis pela inovação e as suas motivações e atitudes em relação à gestão da inovação. O questionário concebido permitiu contornar as limitações do CIS, no qual a inovação é categorizada a priori e os respondentes identificam as inovações desenvolvidas por tipologia (produto, processo, organizacional e de marketing), ou seja, permitiu a recolha de informação quantitativa e qualitativa sobre inputs, processos e resultados de inovação. Este instrumento de recolha de dados permitiu também lidar com a diversidade de intervenientes e inovadores, bem como facilitar a recolha de informação para a identificação e caracterização da 36 Inovação em Portugal Rural «inovação escondida» ou desvalorizada, normalmente de pequena dimensão e de baixa intensidade tecnológica, não apreendida pelo inquérito CIS. Atendendo à natureza qualitativa de algumas das perguntas do questionário, e ao interesse em obter uma taxa de respostas elevada, optou‑se, como foi anteriormente referido, por inquéritos administrados através de entrevistas presenciais. Conseguiu‑se, desta forma, assegurar a comunicação e o esclarecimento dos conceitos adotados (e.g., inovação, atividades para a inovação, inputs, processos e resultados da inovação), bem como garantir uma alta taxa de resposta, elevando, assim, os níveis de fiabilidade dos resultados obtidos. Seleção da amostra A amostra foi selecionada com base no método da amostragem aleatória estratificada. Este método garante que diferentes subgrupos (estratos) de uma população sejam representados na amostra de forma proporcional ao seu peso na população correspondente. A aplicação consistiu em calcular o peso relativo (%) desses estratos na população e utilizar depois, e para cada um desses estratos, um procedimento de amostragem aleatória simples para escolher, na mesma proporção em que estavam representadas na população, as organizações inovadoras de cada estrato que incorporaram a amostra. Para se assegurar a representatividade da amostra, em relação à população constituída pelas organizações incluídas na base de organizações inovadoras identificadas, foram criados 15 estratos, que incluíram a combinação das seguintes variáveis: localização por NUT 2 (1 – Norte, 2 – Centro, 3 – Lisboa e Vale do Tejo, 4 – Alentejo, 5 – Algarve) e setor de propriedade da organização (1 – Privado, 2 – Público, 3 – Não lucrativo). Depois de identificados os estratos, calculou‑se a sua proporção na população em estudo, selecionando‑se então, tendo por referência essas proporções, o total de 120 organizações inovadoras. Quando se mostrou necessária a substituição de organizações da amostra, por exemplo devido à sua não-resposta ao questionário, procedeu‑se à sua reposição respeitando os mesmos critérios. Amostra inquirida e tratamento dos dados Como referido, foi selecionada, aleatoriamente dentro dos vários estratos considerados, uma amostra de 120 organizações nas áreas rurais de Portugal Continental, extraídas de uma população de cerca de 330 organizações. Esta população contempla empresas e outras organizações (setor público e não lucrativo), de dimensões que vão desde o empresário individual à grande organização (com mais de 250 trabalhadores), e um amplo leque de atividades económicas: agricultura, floresta, indústria (agroalimentar, transformadora e extrativa), comércio por grosso e a retalho, atividades recreativas, de alojamento e restauração, informação e comunicação, saúde humana e ação social, atividades de consultoria, científicas e técnicas e ensino, por exemplo. A taxa de não-resposta foi de 2%. Nestes casos, que resultaram de dificuldades associadas à realização do inquérito presencial, as organizações foram substituídas, de acordo com os critérios referidos anteriormente. As entrevistas tiveram a duração média de 1h30m e foram aplicadas durante o período de agosto de 2012 a janeiro de 2013. Para o tratamento dos dados recolhidos, foi construída uma base de dados em software Excel com duas finalidades: reunir toda a informação quantitativa e qualitativa e proceder à recodificação de variáveis. A partir nesta nova informação, foi criada uma base de dados em software SPSS para, numa primeira fase, obter informação descritiva de todas as variáveis de caracterização das organizações e das inovações e, numa segunda fase, estimar clusters, correlações e proceder a uma análise fatorial. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 37 3.4.Resultados Nesta secção, apresentam‑se alguns dos resultados obtidos no inquérito às organizações inovadoras implantadas nas áreas rurais portuguesas (IOI). Os resultados a seguir apresentados centram‑se na caracterização das organizações inovadoras inquiridas e dão resposta às seguintes questões: Quem integra estas organizações e quem são os seus líderes? O que fazem? Com que recursos? O que inovam? Como inovam? Quais os obstáculos que superam? Quais os impactos (internos e externos) que resultam das suas inovações? As organizações inquiridas O inquérito foi aplicado a uma amostra de 120 organizações, das quais cerca de 76% estão localizadas em áreas predominantemente rurais (APR) e 23% em áreas significativamente rurais (ASR), definidas ao nível da NUT 3, conforme foi explicado na secção 3.1. As organizações inquiridas apresentam uma natureza diversificada no que toca às suas características gerais, forma jurídica, dimensão e setor de atividade (Figura 3.5). Os inovadores englobam organizações do setor privado (77%), público (3%) e não lucrativo (20%), não se restringindo às empresas, e abrangem todos os setores de atividade e organizações de qualquer dimensão (medida apenas com base no número de colaboradores): de individual à grande dimensão, com destaque para as micro‑organizações (inclui desde organizações em nome individual, com 1 trabalhador; nano‑organizações, com 2 a 4 trabalhadores; e micro‑organizações com 5 a 9 trabalhadores), com 55% dos casos, e pequenas (10 a 49 colaboradores) e médias organizações (50 a 249 colaboradores), que correspondem a 42% dos casos, representando as grandes organizações (com mais de 250 trabalhadores) apenas 3% do total da amostra inquirida. Sublinhe‑se que foi uma opção metodológica do projeto RUR@L INOV subdividir a classe «micro‑organização», criando as classes «individual» e «nano» referidas acima, para obter uma melhor caracterização da amostra. Figura 3.5. Características das organizações inovadoras inquiridas Empresário em nome individual Nano Micro Pequena Média APR Privado Agricultura e silvicultura “Produtos da terra” Agro-indústria Outras indústrias Produtos agroalimentares Comércio Prestação de serviços Público Serviços Grande Dimensão ASR Tipologia das áreas rurais (NUTS 3) Não lucrativo Natureza jurídica Turismo Setores de atividade Turismo Tipologia de produtos 38 Inovação em Portugal Rural As empresas apresentam um perfil de atividades caracterizado pela diversidade de setores, incluindo empresas que atuam em mais do que um setor de atividade. Com maior destaque no grupo das empresas privadas surgem as agroindústrias (28%), o comércio por grosso e a retalho (20%) e os casos com atividade ligada à agricultura e silvicultura (19%). Entre as organizações não empresariais (e setor público), há um destaque evidente das atividades relacionadas com a prestação de serviços (86%), correspondendo o turismo, a restauração, o alojamento e a animação turística a 14% dos casos. Quanto à tipologia de produtos, verifica‑se que as organizações produzem grande diversidade de produtos e serviços, destacando‑se, no caso das empresas, os «produtos agroalimentares manufaturados», em que se incluem, por exemplo: produtos apícolas, produção de carne e enchidos, flor de sal, preparados e conservas de frutos, azeite e azeitona, queijos, bolos e doçaria, café, chá, vinho e aguardente. Há, igualmente, um destaque importante dos «produtos da terra» (17%), que demonstra a importância dos setores tradicionais nas economias dos territórios rurais. Para o caso das outras organizações, há um destaque evidente (com 75%) para os serviços, uma parte substancial destes relacionados com atividades de desenvolvimento local. Na Figura 3.5, é observável a diversidade de organizações que operam nas áreas rurais, definidas com base nos critérios enunciados. Perfil das organizações inovadoras em meio rural Os dados recolhidos no inquérito à inovação nas áreas rurais portuguesas permitem destacar, no perfil das organizações inovadoras e dos inovadores que atuam em meio rural (Figura 3.6), nove traços principais, que advêm das suas características organizacionais. Figura 3.6. Mosaico dos traços do perfil predominante das organizações inovadoras em meio rural Diversidade Pequena dimensão Escassez de recursos Capacidade exportadora Atitude empreendedora Capacidade de mobilizar conhecimento Capacidade de mobilizar recursos latentes do território Capacidade de mobilizar redes e cooperar Elevada qualificação dos recursos humanos e liderança de inovação Entre os traços principais, destaca‑se a diversidade. Esta parece ser uma palavra‑chave, a vários títulos: a natureza jurídica (organizações não lucrativas, entidades públicas e privadas), a dimensão (do promotor individual à grande empresa), o modelo organizacional e as atividades desenvolvidas (da agricultura aos serviços), bem como os produtos e serviços oferecidos (produtos tradicionais, cosméticos, indústria tecnológica, turismo, comércio, transferência de conhecimento). Esta diversidade espelha a atitude empreendedora das organizações inovadoras e dos inovadores que respondem às necessidades latentes e observáveis dos consumidores, clientes e comunidades, através da utilização intensiva do conhecimento (interno e externo) e de recursos financeiros escassos, a par, em muitos casos, da mobilização dos recursos latentes do território, designadamente do conhecimento local. Estas características, paralelamente à prevalência das organizações de pequena e muito pequena dimensão, evidenciam que o espírito empreendedor e a capacidade de liderança destas organizações estão muito focados O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 39 na inovação. As suas competências internas (dos inovadores e dos colaboradores) emergem como os alicerces da capacidade exibida para criar, fazer e ser diferente, e criar valor. Estas permitem‑lhes identificar, mobilizar e integrar conhecimento e recursos materiais, disponíveis e latentes no território. As competências internas destas organizações radicam na elevada qualificação dos seus líderes e recursos humanos, em particular nas organizações mais pequenas (individuais, nano e micro‑organizações), em que 78% dos líderes e 50% dos colaboradores possuem formação superior (Figura 3.7). Figura 3.7. Qualificação dos promotores (esquerda) e dos colaboradores (direita), em % 0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Individual Individual Nano-organização Nano-organização Micro-organização Micro-organização Pequena organização Pequena organização Média organização Média organização Grande organização Grande organização Ensino básico Ensino secundário e tecnológico Ensino superior e mais 20% 40% 60% 80% 100% Ensino básico Ensino secundário e tecnológico Ensino superior e mais A elevada qualificação, que engloba formação escolar e experiência (conforme se verá na análise do perfil dos inovadores), é claramente o motor das capacidades reveladas para detetar oportunidades, mobilizar conhecimento e obter nova informação para inovar e conquistar novos mercados. O conhecimento assume um papel‑chave no processo de inovação das organizações inquiridas. Nestas, as fontes de conhecimento internas assumem maior expressão como fonte de conhecimento para a inovação, em comparação com as fontes externas, seja por via da própria experiência e conhecimento dos promotores, seja por via dos colaboradores. Destaca‑se, igualmente, a capacidade destas organizações para buscar informação nos circuitos científicos nacionais e internacionais, que se revela, assim, um importante recurso para reforçar as capacidades internas de I&D (56% das organizações desenvolvem atividades de I&D) (Figura 3.8). Entre as fontes de conhecimento externo, evidenciam‑se as outras empresas (desde concorrentes a fornecedores), as entidades públicas e as associações de desenvolvimento local e empresarial (Figura 3.8). As fontes externas parecem colmatar as necessidades de conhecimento e informação para inovar que não são satisfeitas pelas fontes internas. Merece destaque a utilização do conhecimento local por parte das organizações inovadoras. Este é, claramente, um input na inovação em muitas das organizações inquiridas. O conhecimento local dá origem aos produtos obtidos através da combinação – e, muitas vezes, experimentação – de «novos usos» ou «novos produtos», concebidos com «velhas técnicas» com potencial económico. Os inovadores apoiam‑se na sua rede de contactos pessoais e profissionais para aceder a este «novo‑velho» conhecimento, na sua relação e no seu contacto com a população local, nomeadamente idosa e, ainda, na vivência pessoal e na dos seus familiares. É de notar 40 Inovação em Portugal Rural que 71% das organizações utilizam o conhecimento local como fonte de conhecimento no desenvolvimento das suas inovações. A este respeito destaca‑se, a título de exemplo, o conhecimento de formas de energia, técnicas agrícolas tradicionais, recursos naturais, cultura e tradição local (Figura 3.9). Figura 3.8. Fontes de conhecimento mobilizadas pelas organizações inovadoras Fontes institucionais Fontes Fontes de mercado internas 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Conhecimento e experiência do promotor Conhecimento e experiência dos colaboradores Clientes Consumidores Fornecedores de materiais, equipamento ou tecnologia Consultores, laboratórios ou instituições privadas de I&D Concorrentes ou outras empresas do mesmo setor Universidades ou outras instituições de ensino superior Laboratórios ou organismos públicos com I&D Associações de desenvolvimento local Outras entidades públicas Outras fontes Internet e comunicação social Conferências, feiras, exposições Revistas científicas e outras publicações Conhecimento popular Associações profissionais ou empresariais Conhecimento local Alta Média Baixa Nenhuma Figura 3.9. Exemplos de conhecimento local utilizado pelos inovadores como fonte para a inovação Cuidados de saúde - Medicina tradicional Recursos naturais - Recuperação, conservação e utilização de produtos locais - Conhecimento dos recursos naturais e ambientais do territórios - Percursos Artesanato - Métodos de produção artesanal ou tradicional Cultura e tradição - Características tradicionais dos produtos - Tradições de vida e quotidiano - Tradição oral - Jogos e brinquedos Engenharias - Formas de energia - Técnicas tradicionais de construção Agricultura - Técnicas agrícolas - Técnicas de irrigação O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 41 É também notável a capacidade dos inovadores para valorizar os meios escassos, uma vez que mais de 60% das organizações dependem de capitais próprios como principal fonte de financiamento. Os empréstimos bancários e os apoios comunitários ao investimento surgem como primeira fonte de financiamento em apenas, respetivamente, 40% e 30% dos casos. Os financiamentos públicos, comunitários e outros, surgem sobretudo como segunda fonte de financiamento, complementando os capitais próprios e/ou os empréstimos bancários. Outras fontes de financiamento, como o microcrédito, os empréstimos de familiares e os recursos por mérito (no caso dos prémios de concursos ou apoios de fundações), têm relativamente pouca expressão e são, também por isso, essencialmente fontes complementares de financiamento (Figura 3.10). Figura 3.10. Fontes de financiamento, por ordem de importância, para o total das organizações (%) 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Capitais própios Empréstimos bancários Programas/projetos europeus Microcrédito Financiamentos públicos locais ou regionais Financiamentos públicos nacionais Empréstimos de familiares Outros Prémios de concursos 1.ª Fonte 2.ª Fonte 3.ª Fonte A capacidade das organizações para mobilizar conhecimento, a par da sua atitude empreendedora, parece contrabalançar as limitações resultantes da pequena dimensão e da escassez de recursos financeiros para investir, nomeadamente para a expansão de negócios e/ou atividades. Note‑se que quase metade das organizações inquiridas são de dimensão micro, isto é, contam com menos de 10 trabalhadores. Uma consequência das competências e capacidades reveladas pelas organizações inquiridas em detetar oportunidades e mobilizar conhecimento e recursos parece ser a sua, aparentemente, «inesperada» capacidade exportadora. Esta é, sobretudo, evidente no caso das empresas privadas, das quais cerca de 50% exportam, pelo menos, um dos seus principais produtos. O principal mercado de escoamento das exportações destas empresas é, com grande destaque, a Europa, em 75% dos casos, mas também o continente americano (Norte e Sul), com 34%, e África, com 22%. Registe‑se ainda, e com alguma expressão, a emergência do continente asiático, com 10% das exportações registadas nos casos inquiridos (Figura 3.11). Outro aspeto que merece destaque é o peso atribuído à cooperação como estratégia para a inovação. São cerca de 93% as organizações que colaboram na inovação, estabelecendo parcerias, quer sejam de âmbito local (50%), quer sejam ainda parcerias de negócio (75%) e/ou parcerias para a capacitação (76%). Ao nível das parcerias merecem destaque as estabelecidas com universidades e outras unidades de I&D (57%), mas também as concretizadas com outros parceiros diversos, oriundos de múltiplos setores e instituições públicas e privadas: associações (52%), empresas do mesmo setor de atividade (45%), empresas de outros setores (39%) e autarquias (37%) (Figura 3.12). 42 Inovação em Portugal Rural Figura 3.11. Capacidade exportadora das empresas privadas para os seus três principais produtos (%) 16% 18% 19% Não exporta Exporta menos de 50% 47% Exporta entre 50% e 90% Exporta mais de 90% Figura 3.12. Parceiros de cooperação para a inovação das organizações (%) 0 10 20 30 40 50 60 Outras empresas do mesmo setor Outras organizações da mesma área Outras empresas de outros setores Outras organizações de outras áreas Universidades/laboratórios de investigação Fornecedores Associações Media Autarquias Entidades públicas Outros Padrões e dinâmicas de inovação nas áreas rurais portuguesas A diversidade de organizações e respetivas atividades, produtos e serviços traduz‑se – e é provavelmente resultado, decerto em parte bem maior do que, em geral, se admite – de uma multiplicidade de padrões e dinâmicas de inovação. Na Figura 3.13, evidencia‑se a prevalência de padrões de inovação mistos, isto é, os que congregam vários tipos de inovação em simultâneo, motivados pela necessidade de criar novos produtos, entrar em mercados específicos e/ou alargar a gama de produtos. Uma estratégia muito comum entre as organizações inquiridas é a de combinar inovação de produto com inovação de marketing (na Figura 3.13, ver gráficos a e d), a que se juntam, nalguns casos, a inovação de processos e organizacional na obtenção de produtos novos ou diferenciados, e também os processos para obter ganhos de eficiência e/ou valor (na Figura 3.13, ver gráficos b e c). Uma análise às tipologias de inovação social para o conjunto das organizações inquiridas mostra que surge associada às organizações sem fins lucrativos e às do setor público e engloba inovação de produto e/ou de processo, frequentemente combinada com inovação organizacional e de marketing. É direcionada para o desenvolvimento de serviços e a criação de redes para o desenvolvimento rural, conservação e preservação do patrimó- O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 43 nio cultural e ambiental e apoio à comunidade local. Importa destacar a presença de várias organizações sem fins lucrativos que desenvolvem atividades de I&D e inovação de produto e processo, orientadas para a transferência de conhecimento a nível setorial e/ou territorial (na Figura 3.14, ver gráfico a). Merece igualmente um sublinhado a inovação social desenvolvida pelas empresas, sobretudo as do setor do turismo. Esta última revela a consciência de que os aspetos como a preservação do património cultural e natural, ou a vivificação dos laços entre elas e a comunidade local, são recursos‑chave para a diferenciação dos seus produtos e serviços, competindo‑lhes também contribuir para a sua salvaguarda. Figura 3.13. Motivações para a inovação, por tipologia de inovação, para o total das organizações (n.º) Produto (a) 0 20 40 60 Processo (b) Novo produto/serviço Novo processo Diferenciar produto Diferenciar produto Alargar gama de produto Alargar a gama de produto Produto/marketing Processo/marketing Mercado específico Mercado específico Processo para produto Processo para produto Produto para eficiência e valor Processo para eficiência e valor 0 Organizacional (c) 20 40 60 Novo produto/serviço Marketing (d) 0 20 40 0 20 40 60 60 Novo produto/serviço Diferenciar produto Diferenciar produto Alargar gama de produto Alargar gama de produto Organizacional/marketing Marketing/marketing Mercado específico Mercado específico Organizacional para eficiência e valor Marketing para eficiência e valor Figura 3.14. Motivações para a inovação social e de networking para o total das organizações (n.º) 0 Social (a) Novo produto Desenvolvimento, conservação de património Networking com a comunidade local Empreendedorismo, criação de empresas e afins 10 20 30 Networking (b) 0 1 2 3 4 5 Novo produto/serviço Networking/marketing Mercado específico Networking para aprovisionamento Networking para oferta Networking para eficiência e valor A inovação em rede (de networking) é ainda uma realidade emergente, mas digna de nota, sobretudo no caso das empresas e dos inovadores que a empreendem motivados pela necessidade de ganhos de escala, quer do lado 44 Inovação em Portugal Rural do aprovisionamento de matérias‑primas, quer, sobretudo, do lado da oferta de produtos (na Figura 3.14, ver gráfico b). Há, de resto, organizações que são, elas mesmas, bons exemplos de redes inovadoras constituídas com o objetivo de atingirem a dimensão crítica indispensável para penetrarem nos mercados externos, ou mesmo para alargarem os seus mercados locais. Embora estes casos sejam, ainda, mais a exceção do que a regra, é possível identificá‑los nos vários setores – do agroalimentar ao turismo –, assentes em modelos organizacionais bastante distintos. Este dado permite equacionar as redes inovadoras como um modelo de negócio a incentivar no âmbito do desenvolvimento rural sustentável. Deverá, no entanto, incentivar‑se a sua constituição sem modelos pré‑definidos, pois, como mostra a análise ao nível do estudo de casos (Leão et al., 2013), não há um modelo, mas antes um rol grande e heterogéneo de soluções singulares que se mostram «boas» (isto é, ajustadas), quando respondem justamente ao problema que motiva o seu aparecimento. E essas respostas dependem dos contextos, dos produtos, do perfil e da dimensão dos parceiros, entre outros tantos fatores. Veja‑se, como exemplo, os casos das caixas 3.2, 3.3 e 3.4. Caixa 3.2. Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso do PROVE Quem são? O projeto PROVE – Promover e Vender surge no âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL, promovida em conjunto com várias entidades parceiras, desde associações de desenvolvimento e autarquias, que se associaram a um grupo de pequenos produtores dos territórios da Península de Setúbal, Vale do Sousa, Alentejo Central, Mafra e Grande Porto, para melhorar o escoamento das suas produções. O que fazem? Promoção integrada de produtos hortícolas da época, distribuídos em cabazes de 5 kg a 6 kg e de 7 kg a 9 kg em núcleos aderentes, numa rede constituída à escala nacional. Que inovações desenvolveram entre 2009 e 2011? • Desenvolvimento de parcerias entre pequenos produtores (núcleo de 2 a 4 agricultores) para o aprovisionamento de produtos hortícolas, em quantidade e diversidade, para criar o cabaz. • Comercialização do produto final diretamente ao consumidor, distribuído em núcleos aderentes a nível nacional. • Promoção e dinamização integrada da rede de produtores em diversos canais de comunicação (criação de página de Internet, redes sociais, comunicação social). • As características e os produtos que integram o cabaz não são normalizados, depende da região e dos produtos da época. O consumidor apenas indica até cinco produtos que não deseja receber. • Criação de plataforma on line (G PROVE) para gestão de encomendas, com a disponibilização ao consumidor de um plano semanal de encomendas, produtos disponíveis, informação sobre os produtos, a sua origem, preço e contactos dos produtores. • Alargamento da gama de produtos e comercialização de produtos transformados. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas Caixa 3.3. Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso da Triportugal Quem são? A TriPortugal é um agrupamento complementar de empresas localizado na região oeste do país, formado pela Frutus, O Melro.OP e O Melro Lda., que opera no mercado nacional e nos mercados internacionais de fruta e vegetais, desde 2010. A Frutus e a O Melro.OP são organizações de produtores nacionais. O Melro Lda. é um produtor especializado no comércio de importação e exportação. O que fazem? A TriPortugal foi criada com o objetivo de se tornar uma rampa de lançamento para as empresas associadas escoarem os seus produtos, conquistarem novos mercados, aumentarem a oferta, a redução de custos e, consequente, o aumento do nível da eficiência. Os principais produtos comercializados são a pera rocha e a ameixa e a maçã de Alcobaça. Que inovações desenvolveram entre 2009 e 2011? • Estrutura organizacional que permite garantir e aumentar a escala de produção própria, reduzir custos, partilhar recursos e aumentar o nível de eficiência. • Complemento da produção própria nacional com importações que permitem manter presença no mercado durante todo o ano. • Promoção integrada dos produtos em eventos internacionais com vocação para exportação. • Entrada em novos mercados, novos canais de distribuição e circulação do produto. Caixa 3.4. Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso da Lavradores de Feitoria Quem são? A Lavradores de Feitoria foi fundada em 2000 por proprietários de quintas e terroirs do Douro. Conta com uma equipa técnica e um modelo de gestão que aposta na lógica da sustentabilidade, da partilha de conhecimentos e recursos. O que fazem? Produção e comercialização de vinho DOC, de lote e de quinta, da região do Douro. Que inovações desenvolveram entre 2009 e 2011? • Modelo organizacional numa lógica de partilha de recursos, conhecimentos, redução de 45 Inovação em Portugal Rural 46 custos e aumento do nível de eficiência e valor dos produtos. • Desenvolvimento de novas embalagens (bag in box) e marcas (Lavradores de Feitoria, Meruge, Três Bagos, Museu do Côa). • Novas técnicas e processos. Padrões da «inovação escondida» Numa análise à escala das empresas privadas, emergem quatro grupos principais de inovadores, que foram designados como: inovadores invisíveis, inovadores standard (ou inovadores‑padrão), inovadores básicos e inovadores discretos18 (Madureira et al., 2013). O grupo dos «inovadores invisíveis» inclui 36% das empresas. Este padrão de «inovação escondida», pela ausência de inputs de I&D e de cooperações com unidades de I&D, merece um destaque particular, pois trata‑se de um grupo numeroso de empresas de pequena dimensão (predominam as empresas muito pequenas, embora se encontrem também algumas pequenas empresas) com potencial para sobreviverem, que são fundamentais na criação de emprego em áreas rurais. Inclui‑se, neste último grupo, um número considerável de casos de criação do próprio emprego (o autoemprego). Acresce o facto de uma boa parte destas empresas ter obtido apoios públicos em quantitativos muito reduzidos, ou não ter mesmo beneficiado destes apoios, nomeadamente no que se refere aos incentivos ao investimento em I&D. Esta situação indicia que se está perante organizações resilientes, que poderiam usar com eficácia esses fundos se tivessem acesso aos ditos apoios em quantitativos relevantes e em tempo útil para o desenvolvimento dos respetivos negócios. A designação do grupo de «inovadores standard» resulta, sobretudo, do tipo de inovações desenvolvidas, e normalmente da agregação de inovação de produto e processo, conjugada com atividades e despesas de I&D, internas e externas, no que se designa genericamente por «inovação tecnológica». Esta combinação traduz‑se num padrão de inovação com expressão relevante (Figura 3.15). É, pois, o único padrão em que a inovação é mais visível, observando‑se o estabelecimento de cooperações com unidades de I&D e o benefício de fundos públicos para a inovação, podendo as empresas reforçar as despesas em I&D que realizam internamente. Este padrão é comum a cerca de 29% das empresas que participaram no estudo. Outra estratégia de inovação que se destaca é a que imbrica inovação de processo e organizacional, com o objetivo de alcançar ganhos de eficiência ou de valor (Figura 3.15). Esta estratégia é levada a cabo por um grupo designado «inovadores discretos». Com a percentagem de 18%, este grupo configura um outro tipo de «inovação escondida». Os inovadores discretos beneficiam de financiamento público e colaboram com unidades de I&D, embora sejam pouco relevantes para as atividades de I&D. Dada a importância deste padrão de inovação na competitividade e na sobrevivência das organizações, é forçoso identificá‑lo e incentivá‑lo. 18 Estes padrões foram obtidos através de uma análise de clusters. As observações são agrupadas de acordo com a sua proximidade da média das variáveis utilizadas para definir os aglomerados. Estas variáveis foram selecionadas entre as que se mostraram relevantes para a descrição dos inputs de inovação, dos processos e dos resultados da inovação. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 47 Figura 3.15. Tipologia de padrões de «inovação escondida» nas empresas nas áreas rurais portuguesas Inovadores Invisíveis Inovação de produto Inovadores Básicos Inovadores Standard Inovadores Discretos Despesa em I&D externos Despesa em I&D interno Coopera com unidades de I&D Coopera com unidades de I&D Coopera com unidades de I&D Inovação de produto Inovação de produto Inovação de processo Inovação organizacional Inovação de processo Inovação radical Pouco acesso a fundos para inovação Algum acesso a fundos para inovação Bom acesso a fundos para inovação Algum acesso a fundos para inovação Agroindústria, agricultura, comércio Turismo, outras indústrias Agroindústria, agricultura Agroindústria, comércio Empresário em nome individual, micro e pequenas organizações Micro e pequenas organizações Pequenas e médias organizações Pequenas e médias organizações Por último, os «inovadores básicos», que representam 17% do total das empresas. Este grupo pode ser considerado um derivado do grupo de «inovadores standard» pelas características que apresenta, nomeadamente o recurso a inputs de I&D, mas com valores menores de despesa nesses recursos de base para a inovação. Por outro lado, foca‑se nas inovações de produto e revela um padrão mais incremental, em comparação com o conjunto de inovadores‑padrão (Figura 3.15). Regressando à análise do universo das organizações (empresas privadas e outras organizações), é de referir que a inovação incremental representa o padrão dominante entre as organizações inquiridas (75% dos casos). No entanto, a inovação mista, isto é, a que combina inovação radical (novidade no mercado) incremental, mostra‑se significativa em 25% das organizações. Apesar de ser pouco expressivo o número de organizações que desenvolve apenas inovações radicais (correspondendo a 4% do total), é ainda de assinalar que este tipo de inovação é especialmente desenvolvido pelas empresas, e não por organizações não empresariais (Figura 3.16). A inovação continuada e sequencial é a dinâmica dominante. A inovação pontual ou descontínua surge como padrão somente em menos de 10% das organizações inquiridas. A descrição das inovações desenvolvidas e/ou introduzidas pelas organizações inquiridas ao longo dos últimos anos tende a evidenciar que as dinâmicas de inovação se intensificaram nos últimos dois a três anos, indiciando que a inovação é utilizada como estratégia e ferramenta para fazer frente à crise económica e à redução da procura no mercado interno. Os padrões e as dinâmicas de inovação das organizações inquiridas evidenciam, na generalidade dos casos, um perfil robusto de inovação. Todavia, talvez em demasiados casos, a pequena dimensão das organiza- 48 Inovação em Portugal Rural ções, a ausência de inputs e de resultados de I&D e o caráter incremental das inovações contribuem para que a inovação seja invisível e para que estas organizações não sejam manifestamente reconhecidas como inovadoras, à luz do referencial atual que é utilizado para identificar, medir e promover a inovação. Figura 3.16. Perfil de inovação (%) 21% 4% 75% Incremental Radical Misto Retardadores e aceleradores das dinâmicas de inovação Na Figura 3.17, destacam‑se, por ordem de importância, as respostas obtidas pelos inovadores na identificação das principais barreiras à inovação, geradas no ambiente interno da organização. Estas barreiras, identificadas como retardadores das dinâmicas de inovação, podem ser agrupadas em fatores económicos, fatores culturais e competências organizacionais. Figura 3.17. Obstáculos à inovação atribuíveis pelos respondentes à própria organização Meios financeiros Disponibilidade de tempo Obstáculos internos Custos da inovação Retorno do investimento em inovação Conversão da informação em conhecimento Conversão da formação em conhecimento Riscos da inovação Número e qualificação dos RH Proteção da inovação Cultura da organização Estratégia para a inovação Liderança para a inovação O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 49 Assim, os traços que melhor caracterizam as barreiras destacadas pelas organizações inovadoras prendem‑se com a escassez de meios financeiros e de tempo para investir na inovação, com os custos de inovar e com a demora no retorno dos respetivos benefícios. Estas limitações parecem explicar a prevalência das inovações «rápidas»: nos últimos anos, em média, as organizações inquiridas têm concretizado as inovações em menos de um ano. Há ainda outras barreiras internas à inovação: as que estão associadas ao acesso ao conhecimento instrumental para a inovação, isto é, à incapacidade e/ou dificuldade em se converter a formação e a informação em inovações. Situação esta à qual não será alheia a fraca ligação entre os sistemas de ensino e de I&D, por um lado, e o tecido empresarial, por outro. A dominância da inovação de natureza incremental poderá explicar, por seu turno, o facto de os riscos associados à inovação, bem como as questões da sua proteção, não serem percecionados como obstáculos significativos para inovar. Pouco destacadas como obstáculos à inovação estão as questões relacionadas com a cultura organizacional, nomeadamente a liderança para a inovação, que parece funcionar como um acelerador da mesma, bem como a definição de estratégias para inovar. Ao nível do ambiente externo, os principais obstáculos com que se debatem as organizações inovadoras podem ser agrupados em vários planos: o do enquadramento legal; o da burocracia inerente aos vários procedimentos administrativos; e o das dificuldades de acesso a financiamentos, conhecimento, bem como o plano das questões relacionadas com as acessibilidades, tanto rodoviárias como virtuais (Figura 3.18). Figura 3.18. Obstáculos à inovação impostos pela envolvente Burocracia da administração central e local Desadequação dos incentivos públicos Obstáculos externos Enquadramento legal e institucional Acesso aos apoios públicos Acesso aos mercados Cultura empresarial para a inovação Contratação de mão-de-obra qualificada Acesso a formação Acesso ao conhecimento para inovação Acesso a capital de risco Acesso a telecomunicações Acessibilidades Assim, com mais destaque, surgem as questões relacionadas com as dificuldades associadas à burocracia e aos procedimentos exigidos pela administração central e local, bem como à desadequação dos incentivos pú- 50 Inovação em Portugal Rural blicos que têm vindo a ser disponibilizados às organizações, nomeadamente às empresas. Estes têm‑se revelado frequentemente de acesso difícil por falta, ou por limitações, de enquadramento legal e institucional, afastando muitas organizações, nomeadamente pequenas empresas, dos mecanismos financeiros de apoio à inovação. O facto de muitas das organizações inquiridas, nomeadamente as empresas privadas, dependerem sobretudo de capitais próprios traduz as dificuldades reiteradamente referidas no acesso aos meios financeiros, aos fundos públicos, mas também ao crédito bancário para investimento, impondo‑se, assim, como obstáculo à sua capacidade para continuar a inovar. As organizações inquiridas reportam também dificuldades no acesso aos mercados. As dificuldades impostas pela ausência de uma cultura de inovação aparecem igualmente como obstáculo à inovação, o que vem corroborar a necessidade de se encarar os territórios como sistemas de inovação, potenciando‑se as complementaridades e as sinergias entre os diversos players da inovação. O networking que entrelaça e cimenta as várias organizações, quando reforçado e incentivado, pode renovar competências e saberes‑fazer sedimentados, realçando o potencial de inovação e, intrinsecamente, de desenvolvimento das áreas rurais. Os obstáculos relacionados com o acesso à mão de obra qualificada, à formação e ao conhecimento para a inovação apresentam‑se já com uma relevância baixa, comparativamente aos que foram referidos anteriormente. O menor peso atribuído a estes obstáculos deve‑se, certamente, ao elevado nível de qualificação dos promotores e dos recursos humanos de grande parte das organizações inquiridas. As acessibilidades relacionadas com as infraestruturas de transporte e de telecomunicações aparecem como retardadores de inovação para cerca de 25% dos inquiridos. Estes fatores surgem associados à localização destas organizações, para as quais a distância digital, bem como a distância dos centros de decisão e de consumo carecem ainda de medidas de apoio e de incentivo à inovação. O acesso ao capital de risco é um obstáculo pouco relevante, a avaliar pelas respostas das organizações. Novamente, a natureza incremental e «rápida» da inovação deverá explicar as poucas dificuldades sentidas pelos inquiridos no acesso a estes capitais. Isto, sobretudo, tendo em conta que estes capitais são praticamente inexistentes no apoio à inovação de pequena escala e de baixa intensidade tecnológica. Os efeitos da inovação A análise dos principais efeitos da inovação foi realizada numa tripla perspetiva: impactos internos; impactos externos; e disseminação de informação e conhecimento. Para o ano de 2011, verificou‑se que a inovação teve como principal impacto a criação de emprego. Este efeito positivo ocorreu em 61% das organizações e os empregos criados para a inovação em 2011 (469 postos de trabalho permanentes) representam um aumento de 10% no volume de emprego total, relativamente a 2010. Perderam‑se também alguns postos de trabalho em 2011; no entanto, o saldo líquido na variação do volume de emprego total nas organizações inquiridas entre 2011 e 2010 (+ 1,3%) é positivo. Apesar de a maioria dos postos de trabalho criados estar relacionada com trabalho pouco qualificado (59% dos novos colaboradores têm apenas o ensino básico), mais vocacionado para a realização de tarefas operacionais, há uma expressiva aposta em recursos humanos com formação superior (25% dos novos colaboradores têm licenciatura ou mais) (Figura 3.19). Para avaliar outros efeitos da inovação, além do estímulo sobre a criação de emprego, indagaram‑se os inquiridos sobre a sua perceção relativamente aos impactos internos e externos à organização. Relativamente aos impactos internos, os principais situam-se ao nível da imagem e da reputação das organizações, bem como ao nível da competitividade, e são avaliados como muito positivos por duas em cada O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 51 três organizações. Os efeitos positivos sobre o reconhecimento da organização recolhem unanimidade de opiniões. Já no caso da competitividade, os efeitos são avaliados como irrelevantes por cerca de 5% dos inquiridos. A motivação dos colaboradores e a sustentabilidade da organização beneficiam também significativamente da inovação, isto para mais de 90% dos inquiridos. Os efeitos avaliados como positivos por 90% ou mais dos entrevistados estendem‑se à criação de oportunidades de negócio, qualificação dos colaboradores, eficiência na gestão, produtividade no trabalho e situação financeira da organização. Figura 3.19. Qualificação dos recursos humanos do emprego criado para a inovação (%) 24% 17% 59% Ensino básico Ensino secundário e tecnológico Ensino superior e mais Os efeitos negativos, ao nível interno, são percebidos por menos de 5% dos inquiridos e dizem respeito à situação financeira e sustentabilidade da organização, produtividade do trabalho e eficiência na gestão. No entanto, apenas a situação financeira é apontada como um efeito negativo por mais de 3% das organizações, já que, no caso dos outros dois aspetos referidos, a percentagem de avaliações negativas é inferior a 1%. A qualificação dos colaboradores e a eficiência na gestão destacam‑se entre os efeitos percecionados como irrelevantes, para uma percentagem igualmente muito pequena de organizações, comparativamente às que lhes atribuíram avaliações positivas. A avaliação dos efeitos da inovação desenvolvida pela organização na sua envolvente é avaliada de forma modesta pelos respondentes, que destacam os impactos positivos ao nível da imagem e da divulgação dos territórios onde operam, ao nível da conservação dos recursos naturais e da difusão de conhecimento e experiências. Outros efeitos valorizados por mais de dois terços das organizações inquiridas englobam: a preservação do conhecimento e do saber‑fazer local; a motivação da comunidade local e de outras empresas para inovar; e a qualidade de vida. Apenas 5% das organizações percecionam ter impactos negativos sobre a sua envolvente, e estes respeitam aos seguintes aspetos: promoção de redes institucionais, fixação de trabalhadores qualificados e fixação de população nas áreas rurais. A Figura 3.20 apresenta um balanço das perceções dos inquiridos quanto aos efeitos da inovação aos níveis interno e externo à organização, destacando os aspetos mais referidos em cada um dos quatro grupos seguintes, que correspondem às quatro linhas da figura: muito positivos; positivos; irrelevantes; e negativos. 52 Inovação em Portugal Rural Figura 3.20. Efeitos da inovação ao nível da organização e da envolvente Organização Imagem e reputação Competitividade Motivação dos colaboradores Sustentabilidade Situação financeira Produtividade do trabalho Eficiência na gestão Qualificação dos colaboradores Eficiência na gestão Situação financeira IMPACTO Envolvente Imagem e divulgação do território local Conservação dos recursos naturais Difusão de conhecimento e experiências Preservação do saber e do saber-fazer locais Motivação da comunidade para a inovação e o empreendedorismo Incentivo à inovação nas empresas já estabelecidas Criação de novas empresas ou novos negócios Fixação de população Promoção de redes institucionais A marcada perceção, evidenciada pelas organizações, quanto aos efeitos da sua atividade inovadora no seu reconhecimento público, a par dos efeitos que percecionam ter no reconhecimento dos territórios onde se localizam, é provavelmente uma resultante do interesse que a comunicação social tem vindo a dedicar, nos últimos dois a três anos, aos casos de empreendedorismo em áreas rurais e/ou no setor agroalimentar. A sinalização e a divulgação destes casos pela comunicação social convertem-nos em objeto de procura por potenciais empreendedores, inovadores, estudantes, investigadores e especialistas, visitantes e curiosos. O indicador dessa procura está na solicitação constantemente dirigida a estas organizações, tanto para participarem em eventos científicos, pedagógicos e formativos, como para colaborarem em estudos, projetos e trabalhos académicos. Registe‑se a média, por organização, de 10 participações no ano de 2011. Acrescente‑se ainda, a estes bons préstimos, a solicitude em relação aos pedidos de apoio ao desenvolvimento de novas empresas e negócios, através da partilha da sua experiência e do seu conhecimento: note‑se que, em média, os inovadores responderam a 20 solicitações deste género em 2011. A tudo isto, que é imenso, acresce ainda o acolhimento, free of charge e cordial, de um número médio de visitas às organizações, que ascende a 52 no ano em análise. A este nível, é igualmente expressiva a divulgação destas organizações nos media: no ano de 2011, uma média de 39 registos por organização. Importa sublinhar, no entanto, que o reconhecimento público destas organizações inovadoras, desencadeado pela comunicação social, se foca na sua dimensão empreendedora. A componente de inovação, embora associada à anterior, passa geralmente despercebida, porque a inovação propriamente dita continua a estar diluída e implícita na tecnologia, portanto continua pespegada às empresas que desenvolvem produtos tecnológicos. Falta o reconhecimento, em particular pelas políticas públicas, do papel destas organizações na criação de emprego qualificado e de qualidade, bem como na criação de riqueza, e falta valorizar os seus efeitos intangíveis na produção e na disseminação de conhecimento e experiência. A estes impactos fortes se junta ainda o efeito da revitalização da imagem e da autoestima dos territórios onde operam, já reconhecidos e valorizados pela comunicação social e pelo público em geral. Por último, mas não menos importante, sublinha‑se que cerca de 75% das organizações se encontram motivadas para responder aos desafios ambientais, através do desenvolvimento de (eco)inovações que possam O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 53 contribuir para medir, prevenir, mitigar ou corrigir danos ambientais decorrentes das suas atividades. Os efeitos mais visíveis neste âmbito ocorrem a três níveis: o desenvolvimento de inovações vocacionadas para a educação ambiental; o contributo para a redução da pegada ecológica; e a certificação ambiental. O perfil dos líderes e/ou promotores da inovação São cerca de 77% os líderes e/ou promotores inquiridos que se apresentam como empreendedores, isto é, são os responsáveis da empresa, mas também os seus fundadores. Estes têm, em média, 44 anos de idade e são maioritariamente homens com família. A maioria apresentou‑se com motivações relacionadas com a vocação para o empreendedorismo, essencialmente pela necessidade de realização pessoal, possibilidade de ser criativo e inovador e contribuir de forma positiva para o bem‑estar e a prosperidade coletiva, seja pela via da criação de emprego, seja pelo contributo para a valorização das áreas rurais e toda a carga histórica e cultural que lhe está associada. Uma grande quota‑parte destes inovadores (40%) são nativos da região onde a organização está implantada, mostrando um vínculo afetivo ao local, mas destacando também a vantagem de ali disporem de recursos próprios, desde edifícios ou outras infraestruturas úteis para o negócio que desenvolvem. Grosso modo, o seu nível de qualificação é elevado, somando‑se a altos níveis de instrução a experiência na liderança e na gestão de organizações. Ao nível da formação académica, destacam‑se as áreas das ciências agrárias e do ambiente (18%) e da gestão e administração (13%). A importância da gestão de interfaces entre a organização e a captação do conhecimento, o mercado e as competências, para acautelar o sucesso da inovação, foi também contemplada pelo questionário do projeto RUR@L INOV. Assim, foi pedido aos líderes e/ou gestores de inovação que avaliassem o balanço entre o tempo despendido e o que consideravam adequado, na gestão das várias fronteiras envolvidas no desenvolvimento da inovação, nomeadamente: de liderança, do conhecimento, do mercado e da cooperação. A sua avaliação é, em geral, de que gastam o tempo suficiente com a gestão de todas as dimensões consideradas. No entanto, o balanço é mais positivo no que respeita às atividades de estratégia, gestão e motivação dos colaboradores, intrinsecamente ligadas à liderança na inovação, em comparação com as atividades relacionadas com a procura e o desenvolvimento de cooperações e com a pesquisa dos mercados. Cerca de um em cada três dos inquiridos reconhece precisar de mais tempo para a pesquisa de novos mercados e para a obtenção de mais informação sobre os mercados, bem como para o desenvolvimento da estratégia de inovação da organização. O balanço é já menos favorável em relação ao tempo dedicado ao nível da obtenção de conhecimento e informação, designadamente na obtenção de formação e qualificações adicionais, tempo que os inquiridos consideram insuficiente em relação ao que consideram adequado (Figura 3.21). A dimensão diferenciada dos círculos, que representam cada uma das interfaces na Figura 3.21, reflete a diferença no número de perguntas que foi efetuado relativamente a cada uma delas. As perguntas deste grupo foram definidas com base nas preocupações manifestadas pelos inovadores que participaram nos grupos focais. Estes destacaram claramente a área da liderança e da gestão da organização, seguida depois pela pesquisa dos mercados e pela mobilização do conhecimento para a inovação. A procura de parceiros e colaborações para a inovação evidenciou-se uma preocupação menos importante, comparativamente aos outros três aspetos enunciados. A pequena dimensão das organizações e a sobrecarga dos recursos humanos disponíveis, agravada pelo contexto de crise económica, deverá explicar, pelo menos nalguns casos, as limitações (auto)expressas pelos líderes e/ou promotores da inovação, que nas pequenas organizações são também os responsáveis pela gestão e a liderança das mesmas. 54 Inovação em Portugal Rural Figura 3.21. Avaliação do tempo despendido na gestão das interfaces da inovação feita pelos inovadores Legenda Liderança Conhecimento Mercados Cooperação Demasiado e Suficiente Insuficiente ou Nenhum Vantagens e desvantagens da localização das organizações nas áreas rurais A localização das organizações inovadoras inquiridas tem lugar, antes de mais, num território onde interagem (sob formas de cooperação e/ou conflito) agentes internos e externos, que, por vezes, se inter-relacionam complementar e sinergicamente, potenciando mais ou menos a capacidade inovadora das organizações. O território como sistema de inovação é, assim, entendido como aglomeração de agentes e atores, neles incluídos o corpo empresarial, a administração pública, os centros de saber, o conhecimento e a comunidade local. A envolvente local, nas suas múltiplas vertentes, afeta o capital relacional que pode ser gerado e desenvolvido entre as organizações e os diversos atores, afetando igualmente a qualidade relacional que pode ser criada entre as organizações, retardando ou acelerando a inovação. Nas entrevistas realizadas no âmbito do RUR@L INOV, as organizações foram questionadas acerca das principais vantagens e desvantagens da sua localização em meio rural. As respostas dos inquiridos revelaram que a escolha da localização teve como principais motivações: a valorização e a capitalização de recursos pessoais e do património familiar (e.g., infraestruturas, terrenos e habitação), o aproveitamento do potencial dos recursos naturais e dos produtos locais na dinamização dos seus negócios, ou seja, dos recursos latentes do território. Outros motivos prendem‑se com a sua posição estratégica em relação à fonte de matérias‑primas e à existência de mercado. Uma outra série de razões, igualmente expressiva, relaciona‑se com questões pessoais e familiares, quer pela proximidade de uma rede de contactos vasta e sólida, quer por negócios familiares, ou mesmo o regresso às origens (Tabela 3.2). O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 55 Tabela 3.2. Motivações para a localização das organizações em meio rural Motivações N.º de organizações Aproveitamento de recursos pessoais e familiares 25 Aproveitamento de recursos naturais, agrícolas e ecológicos locais 20 Centralidade face à fonte de matérias-primas e aos mercados (posicionamento estratégico) 14 Razões familiares e/ou regresso às origens 13 Negócio familiar 11 Qualidade de vida 8 Aproveitamento do potencial histórico-cultural do território e produtos locais 7 Redes locais 7 Apoios públicos à instalação de negócios 7 Outros 5 Mercados de nicho 3 Total 120 A grande maioria das organizações está localizada, ao nível da NUT 3, em áreas predominantemente rurais (87 organizações) e as restantes em áreas significativamente rurais (33 organizações). À escala da freguesia, de acordo com a classificação de TIPAU, é importante referir que 51 organizações estão sedeadas em áreas predominantemente rurais (APR), 38 em áreas medianamente urbanas (AMU) e 31 em áreas predominantemente urbanas (APU). A análise da localização das organizações, de acordo com os setores de atividade económica, destaca o predomínio de atividades ligadas à agricultura e à silvicultura, como seria de prever, em APR, com 15 casos. Nas AMU, verifica‑se, apesar de um padrão de atividades económicas homogéneo, um maior destaque de atividades relacionadas com a agroindústria (9 casos). Porém, nas APU, são os serviços que ganham mais expressão (13 organizações), não se registando atividades relacionadas com o setor primário (Figura 3.22). A maioria dos inquiridos está satisfeita ou muito satisfeita com a sua localização (68%), identificando como vantagens competitivas dessa localização três grandes grupos, intrinsecamente ligados às motivações para a sua localização em áreas rurais. Um deles engloba as suas ligações aos territórios, por motivos familiares, que incluem a disponibilidade de recursos, designadamente de terrenos e de outro património obtido pela via familiar. Um segundo prende‑se com as especificidades do local (agroecológicas e/ou de recursos patrimoniais) e a disponibilidade de património cultural, natural e/ou ambiental. O terceiro grupo contém os facilitadores de localização resultantes de apoios técnicos e políticos, bem como a proximidade de recursos, matérias‑primas, mercados e acessibilidades (Figura 3.23). As desvantagens da localização rural identificadas pelos inquiridos desdobram‑se em cinco categorias. Destacam‑se a distância e as acessibilidades aos mercados, bem como aos centros de decisão, e as dificuldades de acesso aos recursos (mão de obra e matéria‑prima), que se traduzem em maiores custos de contexto, de transporte e de operações de logística. Uma terceira desvantagem tem que ver com a falta de apoio técnico‑político e com o desinvestimento público nestas regiões, designadamente ao nível das infraestruturas de transporte e de comunicações, bem como de equipamentos sociais e empresariais. A (falta de) cultura local 56 Inovação em Portugal Rural para a inovação é também apontada frequentemente como uma desvantagem competitiva, devido à predominância de valores de aversão ao risco e à inovação, por um lado, e de intolerância em relação ao insucesso, por outro. Os fatores de perifericidade ou custos de interioridade, aliados às distâncias e aos custos, incluem, por exemplo, a rarefação do capital social, que limita o crescimento das organizações por dificuldades em alcançar dimensão crítica (Figura 3.23). Figura 3.22. Localização das organizações por TIPAU e setor de atividade (n.º) 0 5 10 15 20 Agricultura e silvicultura Agroindústria APU Outras indústrias AMU APR Comércio Turismo Serviços Figura 3.23. Vantagens competitivas (esquerda) e desvantagens (direita) da localização em meio rural Fatores de perificidade Recursos e motivações do promotor 60 60 40 40 Distâncias Desinvestimento público 20 20 0 0 Facilitadores da localização Especificidades locais ASR APR Custos Fatores culturais ASR APR O papel dos territórios rurais na inovação Grosso modo, verificou‑se que as dinâmicas e interdependências geradas entre as organizações, empresariais e não empresariais, parecem ter contribuído para trajetórias de inovações muito diversas e focadas na inovação incremental e de baixa intensidade tecnológica. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas 57 Todavia, segundo a abordagem dinâmica da inovação, o local (território) é gerador de comportamentos inovadores, pois as empresas não estão isoladas (Aydalot, 1986), mas sim inseridas num meio (desde a história, as relações externas, o comportamento coletivo do meio) que ou as faz agir e reagir, tornando‑se aqueles elementos parte do processo de inovação, ou que, pelo contrário, as faz estáticas ou retardadoras (Santos, 2002). Desta forma, as organizações inovadoras dependem de variáveis definidas ao nível local/regional, que se caracterizam essencialmente por: 1) estabelecimento de um conjunto de relações que ligam as organizações dos vários setores e instituições públicas e privadas através de redes formais e/ou informais; 2) capacidades de aprendizagem coletiva, bem como de mobilização de conhecimento e de abertura ao exterior, para recolha da informação/conhecimento de que necessitam; e ainda 3) competências para a criação de novas combinações de inovação, que resultam numa multiplicidade de padrões e dinâmicas. No esquema seguinte, pretende‑se ilustrar o modelo de inovação nas áreas rurais construído a partir de Prats e Guia (2005), destacando‑se os elementos que distinguem estas organizações como inovadoras e os que dificultaram o processo de inovação. Neste modelo, o território é entendido como sistema, nele estão incluídos os agentes e atores empresariais, o setor público e a comunidade local. O nível de interação resulta em inovação, vantagens competitivas locais, criação de riqueza, sustentabilidade das organizações e, em última instância, desenvolvimento dos territórios rurais. suporte Agentes auxiliares Figura 3.24. Proposta de modelo do sistema local de inovação para o caso das organizações em meio rural Empresas Inovação Redes/Cooperações + (estrutura e qualidade) Administração pública Conhecimento + local interação Agentes externos Centros de conhecimento, I&D Comunidade local - Envolvente - Política Histórica Vantagem Competitiva Atividades de inovação + Económica Social Cultural TERRITÓRIO Nota: (+) significa possíveis situações favoráveis e (-) possíveis situações turbulentas. (Adaptado de Prats e Guia, 2005 em Ramos e Santos, 2010) + Prosperidade coletiva Sustentabilidade das organizações 58 Inovação em Portugal Rural A literatura sugere a existência da relação entre a inovação e a localização das organizações, escorada nas características endógenas do território e suportada pela sua articulação com outras organizações (Alberto e Rodrigues, 2012). O território assume o papel ora de suporte institucional, ora de espaço de interação entre as organizações que o compõem: o sistema político, financeiro, de conhecimento, de I&D, ou mesmo a comunidade local, ou seja, os players da inovação. A capitalização destas dinâmicas possibilita a adoção de estratégias locais de desenvolvimento, passando o território a ser um agente ativo e, ao mesmo tempo, um input para a inovação. Muitas das inovações criadas e introduzidas pelas organizações inquiridas resultaram do aproveitamento dos recursos e dos produtos locais, das suas cultura e história, e em especial da utilização do conhecimento local como fonte de saber. De forma global, as inovações desenvolvidas nas áreas rurais, ao nível das organizações, traduzem‑se em impactos positivos, especialmente pelo contributo que dão para a prosperidade coletiva (com resultado indubitável na melhoria da autoestima das áreas rurais) e pelo papel que desempenham na criação de emprego direto e indireto. Porém, é evidente que há ainda a necessidade de estimular o comportamento inovador dos vários atores, em particular os das esferas políticas e económicas. Este estímulo é fundamental para o desenvolvimento de uma cultura empresarial vocacionada para o empreendedorismo e para a inovação de base local. Alberto e Rodrigues (2012) identificam a inovação como um elemento crucial para o desenvolvimento local e mesmo para a afirmação das empresas no atual contexto económico global. Mas, para estimular a inovação e o aparecimento de empresas inovadoras, é também vital criar condições de base que potenciem a sua natalidade. Um exemplo desse esforço são as ditas incubadoras de empresas. Estas têm assumido um papel ativo na criação e na facilitação de condições que promovem o empreendedorismo. Tradicionalmente, tais incubadoras estão vocacionadas para a transferência de conhecimento e tecnologia (Caetano, 2012). Porém, existem outros tipos de incubadoras de empresas que têm vindo, igualmente, a proporcionar condições para a instalação de novas empresas com especial impacto ao nível das comunidades rurais e facilitando o acesso à terra e, consequentemente, promovendo a atração e a fixação de população jovem nas áreas rurais. É o caso das incubadoras de empresas de base rural, geralmente especializadas para estimular e criar condições para o desenvolvimento de negócios apoiados nos recursos e produtos locais, e com forte vocação para os setores tradicionais associados ao meio rural (agricultura, silvicultura, pescas, turismo, mas também outros geralmente associados a setores tecnológicos, como a energia ou os serviços). Em Portugal, como exemplos, destacam‑se as incubadoras de base rural sedeadas em Idanha‑a‑Nova e em Penela, as quais são apresentadas na Caixa que se segue (Caixa 3.5). Caixa 3.5. Exemplos de incubadoras de base rural em Portugal: os casos de Idanha-a-Nova e Penela O que são e o que fazem? A incubadora de empresas de base rural de Idanha-a-Nova é um projeto que resulta da iniciativa conjunta de uma parceria entre o município de Idanha-a-Nova, o ministério com tutela nas áreas da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, através da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), e o Instituto Politécnico de Castelo Branco/Escola Superior Agrária de Castelo Branco (IPCB/ESA). O seu objetivo principal é dinamizar a Herdade do Couto da Várzea, com capacidade total de 300 hectares de terra produtiva, vocacionada para projetos de empreendedorismo agro-silvo-pastoril. O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas Esta incubadora pretende contribuir para o rejuvenescimento do setor primário, permitindo o acesso à terra, a preços reduzidos, a jovens empreendedores com projetos inovadores, e contribuir para fomentar a ligação a redes homólogas internacionais para escoar a produção. A IEBR de Idanha-a-Nova prevê, para as empresas incubadas, um serviço de acompanhamento dos projetos empreendedores durante o período de incubação, a análise periódica dos seus resultados e a disponibilização de serviços de aconselhamento técnico e desenvolvimento de estratégias, bem como de mecanismos de acesso ao meio científico e tecnológico, acesso a financiamentos e apoio administrativo. Esta IEBR conta atualmente com 45 produtores de vários setores de atividade, destacando-se as culturas de mirtilo e de figo-da-índia. Por sua vez, a incubadora de empresas de Penela, designada por HIESE − Habitat de Inovação Empresarial nos Setores Estratégicos, localizada na Quinta do Vale do Espinhal, visa o acolhimento não só de empreendedores dinâmicos e inovadores relacionados com os setores estratégicos (produtos endógenos, floresta, turismo e energias renováveis), mas também de parceiros institucionais que promovam investigação e desenvolvimento. Este projeto resulta da colaboração entre a Câmara Municipal de Penela, o tecido empresarial local, a Escola Profissional de Sicó, a Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes, o Instituto Politécnico de Coimbra, o Ministério da Educação e Ciência e o então Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MADRP). O HIESE disponibiliza serviços de consultoria nas áreas de contabilidade, de propriedade intelectual e industrial, de fiscalidade e gestão, de apoio à elaboração de planos de negócio e de marketing dos empreendedores e de identificação de oportunidades de financiamento e de ideias de negócio para incubação. Atualmente, o HIESE encontra-se em fase de análise de candidaturas de ideias de negócio para incubação. Figura 3.25. Vista parcial da ocupação de plantações de figo-da-índia na IEBR de Idanha-a-Nova (esquerda) e vista aérea da HIESE, área cultivável em Penela (direita) 59 Capítulo 4 Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural Este capítulo apresenta uma proposta de um sistema de indicadores para medição da inovação em meio rural. A proposta do sistema de indicadores é antecedida pela apresentação de uma síntese da extensa análise bibliográfica que foi efetuada para se fundamentar as opções metodológicas adotadas. A análise de bibliografia foi efetuada segundo dois eixos: 1) investigar como se mede a inovação e em que medida essas formas de medição se adequam ao propósito de medir a inovação em meio rural; 2) perceber como é usado o conceito de boas práticas de inovação e quais são os critérios usados na sua avaliação. A apresentação do estado da arte sobre a medição da inovação em meio rural, assente na análise bibliográfica supramencionada, mostra a inexistência de um sistema de indicadores ou de uma métrica específica para medir inovação em meio rural. Confirma, assim, a importância de definir, ensaiar e afinar instrumentos que permitam fazê-lo. O sistema de indicadores para a medição da inovação em meio rural, ao nível das organizações, que é apresentado na última secção deste capítulo, constitui‑se, assim, como uma ferramenta nova e muito necessária. Como se verá adiante, o sistema de indicadores aqui proposto permite comparar o desempenho de organizações muito diferenciadas, em relação às várias dimensões e aos indicadores de inovação, permitindo, igualmente, monitorizar o comportamento inovador de qualquer organização em meio rural. 4.1.Medição da inovação Os primeiros registos de medição de inovação datam dos anos 50 do século XX, quando Jacob Schmookler (Schmookler, 1966) começou a usar as patentes como um indicador de inovação, embora houvesse a perceção de que as patentes mediam invenções e não inovações. Em meados da década de 1960, com o início dos inquéritos a I&D, tornou‑se possível utilizar dados de I&D industrial para medir a inovação. Mas, como foi já referido, só em 1992 foi adotada uma proposta de manual para os países-membros da OCDE – o Manual de Oslo, que tinha como objetivo harmonizar as metodologias nacionais e recolher, de forma padronizada, informação sobre as atividades de inovação das empresas: o tipo de inovações realizadas, as fontes de conhecimento tecnológico, as despesas com atividades relacionadas, os objetivos da empresa, os obstáculos à inovação e os impactos das atividades de inovação. Uma empresa era considerada inovadora se tivesse produzido um (ou mais) produto(s) ou processo(s) tecnologicamente novo(s) ou significativamente melhorado(s), num período de três Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural 61 anos. Desde então, e como é sabido, a definição de inovação da OCDE/Eurostat sofreu alterações: na segunda edição do Manual de Oslo, às atividades industriais foram acrescentadas as atividades de serviços, bem como uma ligeira distinção entre atividades tecnológicas e não tecnológicas (Godin, 2002). Rogers (1998), que comparou a definição de inovação e os sistemas de medição da OCDE com os utilizados pelo Governo e por empresas da Austrália, aponta, como um método para medir a inovação, a comparação entre os resultados da atividade inovadora e os inputs para essa atividade. Este autor propõe diversas variáveis que permitem medir o sucesso da empresa (resultados), considerando que indicadores como os lucros, o crescimento das receitas, o desempenho das ações, a capitalização de mercado ou a produtividade podem refletir outros fatores que vão para além do nível da capacidade de inovação. Uma alternativa proposta pelo Manual de Oslo (OECD e Eurostat, 1997), e adotada pelo inquérito CIS, é a medição da percentagem de vendas relacionada com produtos ou processos novos ou melhorados. Esta avaliação pode fornecer uma estimativa das atividades inovadoras, embora este indicador se baseie na capacidade das empresas para, correta e consistentemente, indicarem essas percentagens. Outra alternativa é a criação de variáveis para medir o número de produtos e/ou processos, novos ou melhorados, introduzidos. Dados associados à propriedade intelectual, tais como as patentes, geralmente usadas para medir os resultados da inovação da empresa e, mais tarde, consideradas um indicador de input para a inovação, nem sempre representam uma inovação adotada comercialmente. Além disso, em muitos casos, não é possível obter essa informação, dado que isso envolve divulgação de conhecimento que poderia vir a ser utilizado, indiretamente, por empresas concorrentes. O valor das despesas em I&D é usado, frequentemente, para medir o esforço em inovação (input) e pode ser um indicador de atividade de inovação, embora não coincida exatamente com esta. Também podem ser empregues como indicadores de atividade inovadora dados sobre a aquisição de tecnologia externa ou sobre a introdução de melhorias em equipamentos ou máquinas, bem como as despesas relacionadas com a comercialização de novos produtos ou com o treino para a introdução de produtos e processos novos ou melhorados, quando a inovação envolve todos os recursos de uma empresa no desenvolvimento e na extração de valor a partir de novas ideias, incluindo a comercialização e a capacidade da equipa para, de forma eficiente, pôr as ideias em prática. Rogers (1998) também propõe o uso de técnicas econométricas para quantificar a capacidade de inovação da empresa, dado que estas possibilitam inferências sobre o valor das diferentes atividades de inovação, uma avaliação do valor global dessas atividades e a comparação com outras empresas. A vantagem destes métodos é que eles permitem ligar os inputs para a inovação, como I&D e patentes, a resultados mensuráveis da inovação, como o valor de mercado e a produtividade. Recentemente, a OCDE (OECD, 2010a) identificou as cinco áreas‑chave de atuação que poderiam constituir a base de uma agenda de medição da inovação prospetiva, de longo prazo e internacional. Estas áreas incluem: 1) o desenvolvimento de métricas de inovação que podem ser associadas a medidas agregadas de desempenho económico; 2) o investimento numa infraestrutura estatística abrangente e de alta qualidade para analisar a inovação ao nível da empresa; 3) a promoção de métricas de inovação para o setor público e para a avaliação de políticas públicas; 4) a procura de abordagens novas e interdisciplinares para apreender a criação de conhecimento e fluxos de conhecimento; e 5) a promoção da medição da inovação relacionada com objetivos sociais e impactos sociais da inovação. Os indicadores propostos para o nível dos países estão, entre outros, relacionados com fontes de crescimento, ativos intangíveis, inovação para lá de I&D, proteção da inovação, inovação complementar, colaboração, investigação multidisciplinar e interdisciplinar, clusters de conhecimento e circulação de conhecimento, competências, talento empresarial, mobilização de financiamento privado, ambiente político, investimentos em I&D e em inovação, tecnologias de informação e comunicação. 62 Inovação em Portugal Rural 4.2.Detetar e medir inovação em meio rural Abordagem metodológica adotada Como foi referido acima, o atual quadro para identificar e medir a inovação, com base no Manual de Oslo, não contempla pequenas empresas, organizações sem fins lucrativos e inovação de baixa tecnologia que, no entanto, podem também ser relevantes exemplos de inovação em meio rural, nomeadamente pela sua contribuição para a sustentabilidade e a competitividade desses territórios. Descobrir a importância destes exemplos não identificados e não medidos pelos meios existentes, ou seja, a importância desta «inovação escondida», criou desafios diversos ao nível metodológico, tais como a necessidade de alargar o leque daquilo que pode ser considerado «boas práticas» de inovação em meio rural e encontrar indicadores e critérios de medição que permitam detetar e medir essas boas práticas. A metodologia desenvolvida para identificar e medir tais práticas de inovação em meio rural baseou‑se na análise de uma extensa bibliografia sobre inovação, boas práticas e desenvolvimento rural, a partir da qual foi identificado um conjunto de variáveis‑chave e indicadores que poderiam estar associados ao desenvolvimento e à concretização de inovação em meio rural. Deste conjunto foram selecionadas as variáveis que poderiam ser adaptadas ao projeto RUR@L INOV. A análise bibliográfica revelou também que a medição da inovação praticada, tanto ao nível nacional como ao nível das organizações, se limita à medição de fatores de base (input) e/ou dos resultados alcançados, faltando a componente do processo, que é fundamental para apreender os padrões de inovação mistos, bem como as dinâmicas de inovação. O modelo foi testado, recorrendo à base de dados obtida através do inquérito às organizações inovadoras realizado no âmbito do projeto RUR@L INOV, cuja metodologia, administração e resultados foram descritos no Capítulo 3. Este inquérito, como foi referido, reuniu informação sobre 120 organizações representativas da grande diversidade de atividades, inovações e inovadores que podem ser encontrados nas zonas rurais portuguesas. Algumas das respostas obtidas através do inquérito permitiram afinar a definição de variáveis e a construção de indicadores associados a boas práticas para a inovação em meio rural. A análise bibliográfica, as restantes análises realizadas e as tipologias das respostas que poderiam ser obtidas a partir do inquérito levaram à escolha de um modelo conceptual que avaliasse as «organizações inovadoras em zonas rurais», independentemente da dimensão, da atividade e da figura jurídica, em vez de se focar nas inovações realizadas. A estrutura do inquérito foi utilizada como referência para a definição das variáveis e dos indicadores, uma vez que as respostas obtidas constituíram a informação de base para identificar e classificar os casos de boas práticas. Foram também definidos outros indicadores que, apesar de não poderem ser quantificados com base no inquérito realizado, poderão vir a ser integrados em análises futuras. A metodologia adotada na definição das variáveis e na construção de indicadores para medir boas práticas de inovação em meio rural, bem como a proposta das variáveis e o indicadores selecionados, foram posteriormente discutidas e afinadas com os os contributos de um conjunto de especialistas em inovação, desenvolvimento rural e desenvolvimento estatístico. Identificar boas práticas de inovação em meio rural A extensa bibliografia analisada revelou que, por um lado, não existem definições específicas para boas práticas de inovação em meio rural e que, por outro, existem várias descrições do que podem ser «boas práticas em inovação». Esta gama de descrições torna‑se ainda mais ampla, ou mais imprecisa, quando se procura estreitar Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural 63 o âmbito da análise, de forma a destacar especificamente o que serão boas práticas de inovação em meio rural e, mais ainda, quando se procura focar a organização. Outro desafio esteve relacionado com o facto de os critérios de avaliação de boas práticas serem geralmente aplicados à organização como um todo, ou incidirem apenas sobre o envolvimento de fatores determinantes (input) e/ou sobre os resultados obtidos, não analisando os processos seguidos pelas organizações para a introdução de inovação. De entre os vários critérios habitualmente utilizados para a identificação de boas práticas, foram selecionados aqueles que nos pareceram adaptar‑se especificamente ao meio rural português, apresentados em seguida. Procurou‑se, desde logo, redistribuir esses critérios para a identificação de boas práticas de forma a que correspondessem ao nível de funcionamento da organização, para a produção de inovação a que estão associados: input, processos e resultados. Em síntese, exemplos de boas práticas relacionadas com os fatores determinantes da inovação (de input) podem corresponder a organizações: • com uma abordagem baseada em investimento, em vez de baseada em subsídios (OECD, 2006; Rur@ct, 2012); • que disponibilizam condições e recursos para a prossecução de projetos e atividades de inovação (COTEC, 2010); • que envolvem outras instituições, entidades e personalidades relevantes (CSE, 2003; de Jong et al., 2006; Brunori et al., 2007); • que estabeleçam redes, incluindo parcerias estratégicas, com diversos stakeholders além dos da academia, ou seja, envolvendo parceiros locais (pessoas e empresas), integrando conhecimento local e académico, reconhecendo e aproveitando as capacidades dos diversos atores existentes (OETR, 2007; Knickel, 2009); • que incluam atores com uma «atitude aberta», ou uma «mentalidade inovadora», virada para a mudança, para ultrapassar barreiras setoriais e territoriais, colaborando com as comunidades, as regiões, os países e os setores (Kenyon, 2005; OETR, 2007; Knickel, 2009); • que envolvam princípios e práticas de liderança e de competências de gestão e colaboradores com orgulho, entusiasmo e motivação (Kenyon, 2005). Como boas práticas relacionadas com os processos para a inovação, podem referir‑se as de organizações: • que procuram complementaridades e coerência com as prioridades das políticas existentes (CSE, 2003; SAE, 2004; EC DGARD, 2010; Rur@ct, 2012); • com um processo contínuo de gestão das inovações e focadas tanto na qualidade como na diferenciação dos produtos/serviços oferecidos e, ainda, em formas de comercialização inovadoras (Kenyon, 2005; COTEC, 2010); • que envolvam conhecimento local e atores locais (produtores e consumidores) (Kenyon, 2005; Jong et al., 2006); • adaptadas às especificidades locais (ARE, 2006); • com uma atuação transversal e participativa (ARE, 2006). Ao nível dos resultados, são de referir como boas práticas as de organizações: • que tenham produtos e resultados positivos e tangíveis (CSE, 2003; SAE, 2004; ARE, 2006; Rur@ct, 2012); • cujas práticas ou resultados possam ser transferidos para outros contextos de forma horizontal (difusão) e/ou vertical (integração em sistemas e regulamentos) (CSE, 2003; SAE, 2004; ARE, 2006; OETR, 2007; InterAction, 2012; Rur@ct, 2012); 64 Inovação em Portugal Rural • que tenham alterado ou alargado o seu âmbito para mercados regionais e internacionais (EU SCAR, 2012; OECD, 2012); • com impacto positivo no emprego e no desenvolvimento local e/ou na situação socioeconómica do inovador (DATAR, 2010; EC DGARD, 2010); • que adquirem capacitação para prestar serviços, de forma sustentável, à agricultura, à vida rural e aos «novos rurais» (DATAR, 2010; InterAction, 2012); • que promovem os recursos naturais, culturais e turísticos e contribuem para a valorização e a gestão dos biorrecursos, para a preservação da paisagem e do património, para a proteção ambiental e ecológica (OETR, 2007; DATAR, 2010; de Jong et al., 2006); • que contribuem para um desenvolvimento territorial sustentável (DATAR, 2010). Medir boas práticas de inovação em meio rural O mesmo raciocínio foi usado na identificação dos indicadores que seriam mais adequados para medir boas práticas de inovação em meio rural. Os mesmos inconvenientes detetados ao procurar definições de boas práticas foram encontrados ao tentar identificar indicadores e métricas para medir a inovação em zonas rurais. Ou seja, os sistemas de indicadores e de medição existentes são também demasiado amplos, ou estão apenas focados na medição da inovação em grandes empresas e não abrangem o setor primário – como é o caso do inquérito CIS –, ou, então, destinam‑se a comparar níveis nacionais, como, por exemplo, o sistema NESTA e o painel da União da Inovação (Innovation Union Scoreboard). A generalidade dos indicadores foi desenhada, principalmente, para medir fatores determinantes (inputs) e/ou resultados. A seleção do conjunto de variáveis e indicadores‑chave que poderão ser usados para caracterizar o desenvolvimento e a concretização de boas práticas de inovação nas zonas rurais portuguesas foi também organizada de acordo com os níveis de funcionamento da organização para a produção de inovação: input, processos e resultados. Foi ainda incluído um grupo de indicadores, de caráter mais geral, que permite descrever as principais características de cada organização, sendo esses indicadores essencialmente baseados nos inquéritos CIS. Apresenta‑se, em seguida, o conjunto de variáveis e indicadores que serviram de base aos indicadores de boas práticas definidos para este estudo e que estão relacionados com os níveis de funcionamento da organização. Indicadores de input • Conhecimento e competências: (existência de) recursos humanos (RH) em ciência e tecnologia; RH afetos a atividades de I&D; RH com licenciatura; investigação multidisciplinar e interdisciplinar; equipas interdisciplinares/atmosfera de cooperação (OECD, 2005; Leskovar‑Scapan et al., 2007; Morris, 2008; Spielman et al., 2008; COTEC, 2010; OECD, 2010a; Hervas‑Oliver et al., 2011a). • I&D: despesas em I&D; percentagem das vendas aplicada em despesas em I&D (OECD, 2005; Morris, 2008; Spielman et al., 2008; NESTA, 2009; COTEC, 2010; OECD, 2010a; Hervas‑Oliver et al., 2011a; OECD, 2012). • Financiamento: meios financeiros próprios; mobilização de financiamento privado; financiamento público direto e indireto; empréstimos; disponibilidade de fundos de investimento de capital de risco (OECD, 2005; Leskovar‑Scapan et al., 2007; Spielman et al., 2008; OECD, 2010a; OECD, 2012). • Mecanismos de suporte ao investimento privado em I&D: apoios à competitividade; disposições fiscais; garantias de crédito; garantias públicas de financiamento de I&D (OECD, 2005; OECD, 2010a; OECD, 2012). Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural 65 • Redes de conhecimento: aquisição de conhecimentos através de parcerias externas (alianças, joint ventures, consórcios, etc.); aquisição/venda de conhecimento (com recurso a contratos de I&D, compra, licenças); contactos com universidades, contactos com redes internacionais, contactos com concorrentes e redes sociais (OECD, 2005; EU, 2006; Leskovar‑Scapan et al., 2007; Morris, 2008; Spielman et al., 2008; NESTA, 2009; Nybakk et al., 2009; OECD, 2010a; Hervas‑Oliver et al., 2011a; OECD, 2012; van Hemert et al., 2012). • Barreiras ao empreendedorismo e à inovação (Spielman et al., 2008; OECD, 2010a). Indicadores de processo • Número de inovações por tipo – de produto, de processo, organizacionais e de marketing –, experimentadas ou adotadas nos últimos cinco anos (Leskovar‑Scapan et al., 2007; Nybakk et al., 2009). • Inovações – de produto, de processo, organizacionais e de marketing –, principalmente incrementais ou radicais, introduzidas nos últimos cinco anos (Leskovar‑Scapan et al., 2007). • Formas mistas de inovação: estratégias complementares de inovação na indústria e nos serviços (OECD, 2010a). • Cadeias de valor (Spielman et al., 2008). • Crescimento da produtividade total (TFP) ou número de alterações introduzidas nas empresas (OECD, 2012). • Melhorias de design, na organização e nas formas de comercialização (NESTA, 2012); • Internacionalização (OECD, 2005). Indicadores de resultado • Número de inovações criadas e/ou introduzidas na organização (Morris, 2008; Spielman et al., 2008; COTEC, 2010; Hervas‑Oliver et al., 2011a; van Hemert et al., 2012). • Percentagem nas vendas dos produtos/serviços inovadores (CEC, 2006;Morris, 2008; NESTA, 2009; COTEC, 2010; OECD, 2010). • Crescimento do volume de vendas da empresa (Morris, 2008; Spielman et al., 2008; Nybakk et al., 2009). • Divulgação da inovação: número de artigos em publicações académicas; número de referências nos media; número de ações para divulgação de conhecimento, etc. (OECD, 2005; Spielman et al., 2008; COTEC, 2010; OECD, 2012). • Número de patentes e marcas registadas (OECD, 2005; Morris, 2008; Spielman et al., 2008; COTEC, 2010; OECD, 2012). Consulta a peritos e stakeholders As análises apresentadas acima, e a sua interseção com a estrutura do inquérito RUR@L INOV, resultaram numa proposta de um conjunto de dimensões, indicadores e variáveis que poderiam ser usados para identificar (e medir) boas práticas de inovação em meio rural. Esta proposta, tal como foi referido, foi discutida e afinada tendo em conta contributos de investigadores, consultores, empresários e decisores com experiência em inovação, desenvolvimento rural e desenvolvimento estatístico. Estes contributos foram recolhidos no âmbito de um grupo focal (ou focus group) ou através de pareceres escritos. 66 Inovação em Portugal Rural As perguntas dirigidas aos peritos incidiram sobre: • Como definir «boas práticas de inovação em meio rural»? Como identificá‑las? Existem alternativas ao apresentado? • Que dimensões, indicadores e variáveis são mais adequados para definir boas práticas de inovação em meio rural? Deverão ser organizadas de forma diferente da apresentada (input, processo, resultado)? Foram também pedidas opiniões sobre os critérios utilizados e/ou aspetos de detalhe: • Critérios e relevância do indicador relacionado com a intensidade do processo de inovação e com várias tipologias de inovação a considerar (Inovação incremental continuada? Inovação radical regular? Maximiza o aproveitamento da inovação radical?). • Critérios usados para a definição e a classificação das competências da organização para a inovação. • Classificação atribuída às fontes de financiamento/recursos financeiros que melhor demonstre a robustez/sustentabilidade da organização. • Critérios de classificação do contributo da organização para a cadeia de valor. • Importância das fontes de conhecimento, do envolvimento de conhecimento local, do estabelecimento de parcerias, do recurso a I&D. • Proposta de desagregação (e/ou agregação) da classificação das atividades económicas e dos produtos/serviços. Os contributos dos peritos e stakeholders, além de permitirem confirmar os indicadores identificados, levaram à introdução de alguns indicadores suplementares, como, por exemplo, os relativos à cooperação para a inovação interna à organização (para o qual, no entanto, não se dispõe ainda de informação), e ao reforço de outros indicadores, como os correspondentes aos recursos por mérito (alargando‑o ao capital de risco e a sistemas de incentivos), à dinâmica para a internacionalização (identificando os apoios à exportação de que a organização dispõe no exterior), e ainda à inovação introduzida para abranger novos mercados. Estes contributos permitiram também afinar alguns critérios, em especial os correspondentes às valorações atribuídas às competências de liderança, aos recursos financeiros e à cadeia de valor. 4.3.Sistema de indicadores para medição de inovação em meio rural Síntese dos indicadores escolhidos Do processo metodológico acima caracterizado, resultou o conjunto ou sistema de indicadores, para medir as boas práticas de inovação em meio rural, que se apresenta na tabela seguinte (Tabela 4.1). Este sistema de indicadores contempla as três dimensões fundamentais que estão associadas aos níveis de funcionamento das organizações inovadoras na introdução de inovação: 1) os inputs utilizados nos processos de inovação; 2) os processos que permitem alcançar a inovação; 3) os resultados (ou outputs) da inovação. Considerou‑se, ainda, uma quarta dimensão, destinada a caracterizar as organizações e a sua envolvente. Para cada um destes indicadores, foram definidas várias classes, de forma a permitir uma melhor compreensão da informação disponível. No final deste documento, apresenta‑se uma descrição detalhada destes indicadores, organizada num manual. Como, para alguns destes indicadores, não foi possível obter informação a partir do inquérito, futuros inquéritos a realizar neste âmbito deverão incluir questões adicionais com plementares. Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural Tabela 4.1. Indicadores para medição de inovação em meio rural A – Caracterização da organização 1. Tipo e dimensão 1.1 – Forma jurídica da organização * 1.2 – Dimensão da organização * 2. Atividades e produtos/serviços 2.1 – Atividades económicas * 2.2 – Produtos e serviços * B – Indicadores de input 3. Localização 3.1 – Tipologia das áreas urbanas * 3.2 – Desenvolvimento económico e social da envolvente * 3.3 – Vantagens competitivas 3.4 – Desvantagens competitivas 4. Competências 4.1 – Competências do líder/gestor da inovação 4.2 – Qualificação de recursos humanos 4.3 – Cooperação interna 4.4 – Competências da organização em I&D 4.5 – Competências da organização em design 4.6 – Competências da organização em marketing 5. Recursos 5.1 – Recursos financeiros 5.2 – Recursos por mérito 5.3 – Recursos materiais 6. Fontes de conhecimento 6.1 – Fontes de informação internas 7. Networking 7.1 – Parcerias para a inovação 8. Barreiras à inovação 8.1 – Barreiras internas 8.2 – Barreiras impostas pela envolvente C – Indicadores de processo 9. Inovações 9.1 – Tipo de inovações criadas/adaptadas 9.2 – Padrões de inovação 9.2a – Produtos/processos novos ou melhorados 9.2b – Alargar o mercado 9.2c – Melhorias da organização 9.2d – Criação de redes (redes locais e desenvolvimento local, ver 12.1a e 14.2) 9.3 – Intensidade do processo de inovação 9.4 – Atividades para a inovação 9.4a – Atividades de I&D para a inovação 9.4b – Atividades internas contínuas de I&D * 9.5 – Investimento em inovação 9.5a – Investimento em I&D para a inovação 9.6 – Cadeia de valor 10. Internacionalização 10.1 – Perfil de exportação 10.2 – Abrangência geográfica * 10.3 – Dinâmica para a internacionalização 11. Mobilização de conhecimento 11.1 – Fontes de informação externas 11.2 – Mobilização de conhecimento local 67 68 Inovação em Portugal Rural C – Indicadores de processo (cont.) 12. Networking (sinergias) 12.1 – Sinergias para a inovação 12.1a – Redes locais (padrão para a inovação) 12.2 – Motivações para a cooperação 12.2a – Parcerias locais 12.2b – Parcerias para capacitação 12.2c – Parcerias para o negócio 13. Especialização/diversificação 13.1 – Especialização * 13.2 – Diversificação * 14. Ligação às especificidades locais 14.1 – Adaptação às especificidades locais 14.2 – Desenvolvimento local (padrão para a inovação) D – Indicadores de resultado 15. Inovações 15.1 – Número de inovações criadas/adaptadas * 15.2 – N.º de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012 15.3 – Peso da inovação na organização 16. Socioeconómicos 16.1 – Criação de emprego 16.2 – Criação de emprego para a inovação 16.3 – Variação do volume de vendas 17. Difusão da inovação 17.1 – Disseminação de conhecimento 18. Impactos 18.1 – Certificações 18.2 – Efeitos internos 18.3 – Efeitos externos * Indicadores de caracterização. Alguns exemplos da construção de indicadores Apresentam‑se, de seguida, exemplos que explicam com mais detalhe como foram construídos alguns dos indicadores utilizados. Escolheu-se o indicador de input «4.1 – Competências do líder/gestor da inovação», o indicador de processo «9.6 – Cadeia de valor» e o indicador de resultado «16.1 – Criação de emprego». Os critérios utilizados para a definição dos dois primeiros indicadores foram discutidos e afinados tendo em conta os contributos dos peritos e os stakeholders consultados. Competências do líder/gestor da inovação O indicador de input «4.1 – Competências do líder/gestor da inovação» classifica a competência do líder ou do gestor da inovação na organização, tendo por base o nível de formação escolar, a experiência profissional e a experiência de liderança. Para a avaliação e a classificação deste indicador, foram analisadas as respostas dadas a três questões, colocadas no âmbito do inquérito às organizações inovadoras que operam em zonas rurais, as quais permitiram classificar os três aspetos acima referidos. As questões estavam inseridas no grupo destinado a avaliar o perfil do líder/gestor da inovação e pediam ao inquirido que descrevesse: 1) o seu percurso escolar; 2) a sua experiência profissional; e 3) a sua experiência na gestão e liderança de organizações, indicando ainda em que setor, ou setores, se inseria essa experiência. Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural 69 A formação escolar foi classificada em quatro níveis, tendo sido atribuída a pontuação mais alta (4 pontos) aos líderes/gestores que possuíam formação académica complementar à licenciatura – pós‑graduação, mestrado e/ou doutoramento; a classificação seguinte (3 pontos) aos que terminaram os estudos na licenciatura; uma pontuação inferior (2 pontos) aos que detêm um bacharelato ou o ensino secundário completo; e, por fim, a pontuação mais baixa (1 ponto) aos restantes. A experiência profissional do líder ou gestor da inovação foi classificada atribuindo 2 pontos aos que possuíam experiência profissional anterior (pelo menos 5 anos) na organização ou em organizações semelhantes, e 1 ponto aos que possuíam experiência profissional anterior (os mesmos 5 anos) mas em áreas/setores diferentes dos da organização, não sendo pontuados aqueles que não possuíam experiência prévia, ou cuja experiência era inferior a 5 anos. Procedeu‑se da mesma forma relativamente à experiência de liderança, distinguindo entre os que possuíam experiência profissional de liderança na área da organização e os que a possuíam noutras áreas. Assim, este indicador pode atingir como valor máximo a pontuação «8» e a classificação mínima de «1» corresponde a um líder/gestor com um baixo nível de formação e sem experiência (esta classificação não foi atribuída na análise realizada). Note‑se que, para a atribuição das pontuações aos líderes/gestores, foi necessário cruzar as respostas às duas questões – experiência profissional e experiência na gestão e na liderança de organizações –, dado que alguns dos inquiridos referiam, por exemplo, não ter experiência de liderança, mas essa experiência foi detetada no seu percurso profissional. Cadeia de valor O indicador de processo «9.6 – Cadeia de valor» analisa o contributo da organização para a cadeia de valor e a criação interna de valor acrescentado, tendo por base a informação recolhida para os três principais produtos da organização (definidos de acordo com o peso no respetivo volume de vendas ou serviços). No âmbito do Inquérito às Organizações Inovadoras, foi pedido a cada entrevistado que identificasse os três principais produtos da sua organização, por ordem de importância do volume de vendas (ou dos serviços prestados). Foram depois colocadas diversas questões relativas a esses três produtos ou serviços, sendo de relevar que algumas das organizações apenas oferecem, ou prestam, um ou dois produtos ou serviços. Numa das questões, foi pedida a identificação da participação direta (em %) da organização na cadeia de valor, incluindo‑se nesta os seguintes níveis: conceção do produto, produção, transformação, distribuição, comercialização/disponibilização e pós‑venda. Inicialmente, considerou‑se a possibilidade de considerar quatro níveis de classificação, que não in cluíam a conceção do produto, atribuindo a maior pontuação às organizações que participassem em mais de 80% em todos os níveis da cadeia de valor. A pontuação atribuída ia sendo reduzida quando a participação das organizações se limitava a níveis inferiores (por exemplo, não incluía a comercialização, ou limitava‑se à produção e à transformação ou mesmo só à produção). A participação da organização na conceção do produto foi sendo, de seguida, usada como fator de valoração da classificação obtida, procurando‑se, assim, dar um maior peso ao nível inicial da cadeia de valor. Na sequência das contribuições recebidas por parte dos peritos e stakeholders, o valor de referência foi reduzido para 70% (tendo em conta a média das participações relativas aos três principais produtos ou serviços). Também atendendo à diversidade das organizações analisadas, e tendo presente que, de acordo com os respetivos setores de atividade, algumas organizações pela sua natureza não poderiam ter participação em todos 70 Inovação em Portugal Rural os níveis da cadeia de valor (por exemplo, uma organização do setor do comércio pode não ter participação na produção e/ou transformação), optou‑se por organizar a classificação de forma diferente, considerando não uma sequência de níveis da cadeia de valor, mas sim o número de níveis em que a organização participa: • Todos os níveis acima de 70% – 6 pontos • 4 níveis acima de 70% – 5 pontos • 3 níveis acima de 70% – 4 pontos • 2 níveis acima de 70% – 3 pontos • Apenas produção e/ou transformação acima de 70% – 2 pontos • Todas as outras situações – 1 ponto A classificação obtida é, de seguida, multiplicada por um fator de valoração associado ao nível de participação da organização na conceção do produto: se esta for elevada (≥70%), a classificação anterior será multiplicada por 2; se houver alguma contribuição, o fator de valoração será 1,5. Assim, a maior classificação passível de ser atingida é de 12, ou seja, 6 x 2, sendo a mínima de 1. Criação de emprego O indicador de resultado «16.1 – Criação de emprego» analisa e classifica o impacto das inovações na criação e/ou manutenção de postos de trabalho entre 2009 e 2011 (em número e em percentagem). Este indicador foi construído com base nas questões do inquérito às organizações inovadoras sobre o número de postos de trabalho – fixos e temporários – existentes na organização em 2009, 2010 e 2011. A classificação das organizações foi feita através da comparação entre o número de postos de trabalho em 2011 e em 2009, analisando‑a de duas formas: 1) a variação de emprego (diferença em número entre 2009 e 2011) e 2) a taxa de variação (diferença entre 2011 e 2009, a dividir pelo número de postos de trabalho em 2009). A análise através destas duas formas permite uma melhor avaliação do crescimento do emprego, dado que, por exemplo, nas organizações de menor dimensão, um crescimento de 100% corresponde à criação de um número reduzido de postos de trabalho, enquanto nas grandes empresas se observa que taxas de variação diminutas estão associadas a um aumento considerável em número de postos de trabalho. Este indicador não tem teto, uma vez que para qualquer dos casos o maior valor, tanto em número como em percentagem, dependerá das organizações sob análise. Assim, foram identificadas as organizações a que correspondem o número e a percentagem mais elevados, bem como aquelas que duplicaram ou mais o número de postos de trabalho (taxa de variação ≥ 100%) e as que criaram 10 ou mais postos de trabalho. Capítulo 5 Estado da Inovação em Portugal Rural O sistema de indicadores elaborado para identificar e avaliar a inovação das organizações que operam em meio rural foi aplicado aos dados obtidos no inquérito às organizações inovadoras, apresentado no Capítulo 3. Foram, assim, analisadas as 120 organizações que constam da base de dados resultante do inquérito e foram hierarquizadas consoante a sua atuação no âmbito de cada indicador. Na análise realizada, as organizações estavam apenas identificadas através de um número, de forma que a análise fosse unicamente influenciada pelas suas características e não por se saber de que caso se tratava. A análise apenas teve presente a informação recolhida nas entrevistas, correspondendo por isso ao período entre 2009 e 2012, exceto no que respeita às inovações propriamente ditas, que foram listadas independentemente de se reportarem a este período. Para cada indicador foi estabelecida uma classificação, calculada de acordo com o explicado no «Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural». As organizações foram classificadas em todos os indicadores que se lhes aplicavam, destacando‑se três tipos de classificações: 1) «Best in class», quando a organização obtém o valor máximo no indicador em referência; 2) «Relevante», quando a pontuação obtida se situa no quartil superior da gama de valores obteníveis (acima de 75% do maior valor obtido); 3) «Acima da média», quando o valor obtido se situa acima do valor médio alcançado pelas organizações inquiridas (note‑se que esta categoria engloba as duas classes anteriores, acrescida das organizações pontuadas entre a média e o último quartil da pontuação obtida). Este capítulo apresenta em seguida, numa primeira parte (secção 5.1), os resultados da análise por indicador e, numa segunda parte (secção 5.2), o que se designou por «Barómetro da Inovação em Portugal Rural». Na análise por indicador, é apresentado o valor máximo atingível em cada indicador, o valor máximo atingido, o número de organizações que correspondem a esse máximo, ou seja, o número de organizações «best in class», o número de organizações «relevantes» e o número de organizações «acima da média». No barómetro, apresenta‑se por indicador – e estes, por sua vez, organizados em input, processo e resultado – a comparação entre a pontuação máxima atingível, a maior pontuação obtida no conjunto das organizações analisadas e o valor médio da classificação obtida por esse conjunto. O barómetro inclui ainda a distinção entre o setor empresarial privado (empresas privadas e cooperativas) e os setores do Estado e associativo (sem fins lucrativos). Atendendo a que o inquérito às organizações inovadoras (IOI) do projeto RUR@L INOV foi preparado e aplicado numa fase anterior à da definição dos indicadores, verificou‑se que a partir dos resultados das entrevistas não era possível caracterizar as organizações de acordo com alguns dos indicadores identificados. Assim, será necessário, em trabalhos futuros, adaptar o inquérito, de forma a que seja possível obter a globalidade da informação requerida pelo sistema de indicadores, desenvolvido e apresentado no Capítulo 4. 72 Inovação em Portugal Rural Não obstante, e embora o sistema de indicadores permita caracterizar (e classificar) «práticas de inovação» adicionais às que foram apreciadas, a informação obtida é suficiente em quantidade e qualidade para proporcionar uma imagem nítida do tipo e do nível da inovação que se vem introduzindo e/ou adaptando no Portugal rural. Confirma, igualmente, os resultados do inquérito apresentados no Capítulo 3, permitindo concluir que a inovação é desenvolvida transversalmente a todo o tipo de organizações, independentemente da sua natureza jurídica ou dimensão. 5.1.Análise por indicador A análise por indicador inicia‑se para os indicadores de caracterização e prossegue para os indicadores de avaliação propriamente ditos, definidos para as três dimensões dos processos de inovação: input, processo e resultados. Os indicadores são apresentados de acordo com a dimensão (A – Caracterização; B – Input; C – Processo; D – Resultado) e a respetiva numeração no sistema de indicadores de inovação em meio rural, listado no final do Capítulo 4 e descrito com maior detalhe no «Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural», apresentado no final do livro. Alguns dos indicadores constantes da Tabela 4.1 não foram analisados ou não foram utilizados para classificar as organizações. Nos primeiros, incluem‑se os indicadores para os quais não foi possível obter informação a partir do IOI, devendo vir a ser trabalhados em edições futuras: indicadores «B – 3.2 Desenvolvimento económico e social da envolvente», «B – 4.3 Cooperação interna», «B – 4.6 Competências da organização em marketing», «C – 12.1 Sinergias para a inovação», «C – 14.1 Adaptação às especificidades locais» e «D – 18.1 Certificações». Os segundos abrangem os indicadores «B – 3.4 Desvantagens competitivas», «B – 8.1 Barreiras internas» e «B – 8.2 Barreiras impostas pela envolvente». Estes indicadores foram analisados, mas não contabilizados, sendo sobretudo úteis para se perceber que, mesmo nos casos de sucesso, são referidas desvantagens relacionadas com a localização da organização ou barreiras internas, relacionadas com a introdução de inovação ao nível da organização, e externas (impostas pela envolvente). A análise destes indicadores permite dispor de informação que, por um lado, evidencia os obstáculos que se colocam ao processo de inovação, permitindo avaliar se existem formas de os minimizar, e, por outro, possibilitará, ao comparar com resultados de análises futuras, verificar se as melhorias de desempenho das organizações poderão estar relacionadas com a eliminação ou a minimização desses obstáculos. Os indicadores acima referidos foram apenas descritos no manual e não são apresentados na análise que se segue. A – Indicadores de caracterização A – 1. Tipo e dimensão A – 1.1. Forma jurídica da organização Classifica as organizações de acordo com a sua forma jurídica, que foi posteriormente agregada, para efeitos da análise realizada, em cinco classes (Figura 5.1): • Empresa privada «conjunta», que inclui as subclasses: sociedade por quotas, sociedade anónima, sociedade em nome coletivo e outros privados (57 organizações). Estado da Inovação em Portugal Rural 73 • Empresa individual, que integra as sociedades unipessoais por quotas e os empresários em nome individual (25 organizações). • Cooperativas (10 organizações). • Instituições do Estado local e central (4 organizações). • Organizações sem fins lucrativos: associações e outros sem fins lucrativos (24 organizações). Figura 5.1. Forma jurídica da organização 20% Empresa privada «conjunta» 3% Empresa individual 48% 8% Cooperativa Estado local e central 21% Organização sem fins lucrativos A – 1.2. Dimensão da organização A «dimensão da organização» foi obtida com base na definição da Comissão Europeia para as PME (EC, 2005b), porém incluindo uma maior desagregação da definição de «microempresa», de forma a obter uma melhor descrição das organizações envolvidas. A classificação final dada às organizações quanto à sua dimensão (Figura 5.2) resulta do critério europeu que utiliza a combinação das duas variáveis: volume de emprego e volume de vendas. Figura 5.2. Dimensão da organização 6% 13% 18% Até nanoempresa Microempresa 3% 16% PME Grande empresa 44% Sem fins lucrativos e sem volume de vendas Sem informação 74 Inovação em Portugal Rural • «Até nanoempresa» (< 5 pessoas e ≤ 100 000 euros) – subdivisão criada no âmbito desta análise (adiante referidas como «nanoempresas» ou «nano‑organizações», consoante se trate do setor empresarial privado ou do setor público/associativo). • «Microempresa», ou «micro‑organização» (< 10 pessoas e ≤ 2 milhões de euros). • PME (< 250 pessoas e ≤ 50 milhões de euros). • Grande empresa (as restantes). As organizações sem fins lucrativos e sem volume de vendas deram origem a outra classe. Sete organizações não disponibilizaram informação relativa ao respetivo volume de vendas. A – 2. Atividades e produtos/serviços A – 2.1. Atividades económicas A classificação das organizações no que respeita às atividades económicas (Figura 5.3) tem por base uma recodificação da Classificação das Atividades Económicas (INE, 2008)/Nomenclatura Estatística das Atividades Económicas (CAE/NACE), apresentada adiante no manual. Figura 5.3. Atividades económicas 18% 25% Agricultura, silvicultura e pescas Agroindústrias 18% 13% Outras indústrias Comércio Turismo 10% 16% Outros serviços Figura 5.4. Produtos e serviços (ver página seguinte) 17% 21% Produtos «da terra» Produtos agroalimentares e agroindústria Outros produtos manufaturados 19% 27% 7% Comércio Turismo 9% Outros serviços Estado da Inovação em Portugal Rural 75 A – 2.2. Produtos e serviços A classificação ao nível dos produtos e serviços (Figura 5.4) é também uma recodificação da CAE/ NACE (ver manual), complementada, em casos de dúvida, pela informação relativa à organização comum dos mercados agrícolas (OCM) (CE, 2007) e à nomenclatura combinada (UE, 2012a). B – Indicadores de input B – 3. Localização B – 3.1. Tipologia das áreas urbanas A caracterização da localização das organizações de acordo com a Tipologia das Áreas Urbanas (TIPAU) é apresentada em detalhe na secção 3.3. B – 3.3. Vantagens competitivas As vantagens competitivas da localização da organização foram classificadas de acordo com a perceção dos inquiridos. Figura 5.5. Síntese de resultados do indicador «vantagens competitivas» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 2 4 Classificação 6 8 10 N.º de organizações «Best in class» 5 Relevantes 12 Acima da média 60 Destacam‑se, entre as organizações incluídas nas «best in class», três PME privadas do setor agrícola (incluindo comércio e agroturismo), bem como duas micro‑organizações sem fins lucrativos associadas à transferência de conhecimento para o setor agrícola e agroindustrial. É de referir que 38 organizações identificaram como vantagem de localização a proximidade aos mercados, enquanto 51 indicaram como vantagem razões familiares. B – 4. Competências B – 4.1. Competências do líder/gestor da inovação As competências do líder ou do gestor da inovação na organização foram classificadas tendo por base o seu nível de formação académica, a experiência profissional e a experiência de liderança. Há, neste caso, um número significativo de organizações no grupo das «best in class», estando mais de 50% das organizações inquiridas acima da média e também no quartil superior. Em 14 organizações, os líderes/ Inovação em Portugal Rural 76 gestores da inovação obtiveram a qualificação máxima (formação acima de licenciatura e experiência profissional e de liderança na área da organização). E, em 45 organizações (37,8% das organizações), os líderes obtiveram uma pontuação de 7 ou 8 pontos. O grupo das «best in class» engloba organizações muito diversas no que respeita à sua natureza jurídica (apenas não está incluído o setor Estado), à sua dimensão (desde nano‑organizações a PME), bem como ao respetivo setor de atividade (estão representados quase todos os setores cobertos pela amostra, embora com predominância do setor dos serviços). Este grupo das «best in class» inclui também organizações especializadas, verticalizadas e diversificadas (ver adiante os indicadores 13.1 e 13.2). Figura 5.6. Síntese de resultados do indicador «competências do líder/gestor da inovação» Pontuações (N.º) 0 2 4 Classificação 6 8 10 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 14 Relevantes 75 Acima da média 75 B – 4.2. Qualificação de recursos humanos Identifica a percentagem de licenciados (promotores, colaboradores e familiares) no âmbito da organização. Figura 5.7. Síntese de resultados do indicador «qualificação de recursos humanos» Pontuações (%) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 20 40 Classificação 60 80 100 N.º de organizações «Best in class» 15 Relevantes 27 Acima da média 52 Em 15 organizações, a globalidade dos recursos humanos (RH) possui, pelo menos, o grau de licenciatura. Em quase metade das organizações (43,3%), também quase metade dos RH tem essa qualificação. No grupo das «best in class», quanto à forma jurídica, apenas não está incluído o setor público. Relativamente à dimensão, o grupo das nano‑organizações é o mais representado, o que seria previsível, uma vez Estado da Inovação em Portugal Rural 77 que nas organizações com maior número de colaboradores não se espera grande percentagem de RH qualificados. Já no que respeita ao setor de atividade, verifica‑se a predominância dos setores do turismo e dos serviços, registando‑se a ausência do setor agroindustrial e industrial. B – 4.4. Competências da organização em I&D Caracteriza a organização de acordo com as funções dos seus quadros técnicos em I&D. Sendo normal que, nas maiores organizações localizadas em meio rural, a percentagem de RH com funções específicas em I&D seja mais reduzida, e para permitir uma classificação mais adaptada às dimensões das organizações analisadas, a amostra foi dividida em quatro classes relacionadas com a dimensão da organização: nano‑organização, micro‑organização, PME e grande organização. Figura 5.8. Síntese de resultados do indicador «competências da organização em I&D» Pontuações (%) 0 20 40 Classificação 60 80 100 N.º de organizações Nano Micro PME Grande «Best in class» 5 2 1 1 Relevantes 5 2 1 1 Acima da média 11 7 15 1 Maior valor atingido Valor médio Nano Micro PME Grande Mesmo tendo em conta a subdivisão efetuada, verifica‑se que é consideravelmente reduzido o número de organizações com competências significativas em I&D. Como «best in class», destacam‑se sete empresas do setor privado, que vão desde o setor agrícola ao do turismo, incluindo agroindústrias, outras indústrias e comércio, e duas nano‑organizações sem fins lucrativos do setor dos serviços. B – 4.5. Competências da organização em design Caracteriza a organização de acordo com as funções dos seus quadros técnicos em design. Sendo de igual modo expectável que, nas maiores organizações localizadas em meio rural, a percentagem de RH com funções específicas em design seja mais reduzida, e para permitir uma classificação mais adaptada às dimensões das organizações analisadas, a amostra foi dividida em quatro classes relacionadas com a dimensão da organização: nano‑organização, micro‑organização, PME e grande organização. À semelhança do observado quanto às competências da organização em I&D, também no que respeita ao design, e igualmente apesar da subdivisão efetuada, se deteta um número consideravelmente reduzido de organizações com estas competências (apenas um terço das organizações está acima da média, sendo o valor da média bastante baixo). 78 Inovação em Portugal Rural Figura 5.9. Síntese de resultados do indicador «competências da organização em design» Pontuações (%) 0 20 40 Classificação 60 80 100 N.º de organizações Nano Micro PME Grande «Best in class» 3 3 1 1 Relevantes 3 3 1 1 Acima da média 16 9 15 1 Maior valor atingido Valor médio Nano Micro PME Grande Nas «best in class», apenas o setor do turismo não está representado e, mais uma vez, o setor dos serviços inclui duas organizações sem fins lucrativos. B – 5. Recursos B – 5.1. Recursos financeiros Avalia a capacidade financeira das organizações e/ou a sua capacidade de se financiarem, de acordo com as classes definidas no manual (são também destacadas as organizações que apenas utilizam capitais próprios e/ ou empréstimos familiares). Figura 5.10. Síntese de resultados do indicador «recursos financeiros» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 5 10 Classificação 15 20 N.º de organizações «Best in class» 4 Relevantes 52 Acima da média 62 Merece destaque, relativamente a este indicador, uma boa utilização dos recursos financeiros disponíveis, que incluem múltiplas fontes: capitais próprios, empréstimos de familiares e amigos, empréstimos bancários, microcrédito, financiamentos europeus e financiamentos públicos nacionais, regionais ou locais. É também de referir que mais de metade das organizações está acima da média. Note‑se ainda que 11 organizações apenas utilizaram capitais próprios ou de familiares e amigos. Estas organizações abrangem os três grupos que compõem o setor empresarial privado, distribuindo‑se entre nanoempresas, microempresas e PME, e cobrindo todos os setores de atividade. Estado da Inovação em Portugal Rural 79 As organizações classificadas como «best in class» incluem uma nanoempresa do setor do turismo, duas microempresas do setor do comércio e uma associação sem fins lucrativos que presta serviços ao setor agroflorestal. Nenhuma organização utilizou a totalidade das fontes de financiamento contempladas no indicador. B – 5.2. Recursos por mérito Este indicador identifica as organizações que receberam apoios financeiros, tais como prémios de concursos, financiamentos de fundações e outras entidades (por exemplo, mecenas e business angels), e ainda financiamentos associados a sistemas de incentivos. Figura 5.11. Síntese de resultados do indicador «recursos por mérito» Pontuações (N.º) 0 1 2 Classificação 3 4 5 Valor máx. possível Maior valor atingido N.º de organizações «Best in class» 3 Relevantes ‑ Acima da média Valor médio 13 Apenas 13 organizações beneficiaram de recursos deste tipo. Como «Best in class», registaram‑se uma nano‑organização sem fins lucrativos da área da animação turística, uma PME que presta serviços de formação e uma PME do setor agroindustrial. B – 5.3. Recursos materiais Classifica as organizações de acordo com os recursos materiais que podem contribuir para a sua capacidade de inovação. Figura 5.12. Síntese de resultados do indicador «recursos materiais» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 3 Classificação 4 5 N.º de organizações «Best in class» 4 Relevantes 33 Acima da média 60 Relativamente aos recursos materiais, apenas foi analisada a existência dos que, de alguma forma, estariam mais relacionados com a introdução de inovação: patentes, marcas, equipamento e tecnologia. Verificou‑se 80 Inovação em Portugal Rural que só quatro organizações possuíam o conjunto dos quatro recursos e que metade das organizações possui, pelo menos, dois deles. Note‑se que apenas 10 organizações (8,3%) têm patentes. As organizações «best in class» incluem três grandes empresas, sendo duas do setor agroindustrial e outra do setor da produção agrícola, e ainda uma pequena associação sem fins lucrativos que presta serviços nas áreas florestal e ambiental. B – 6. Fontes de conhecimento B – 6.1. Fontes de informação internas Identifica a importância das fontes de conhecimento internas para a inovação, de acordo com a valoração dada pelos inquiridos (de «importância alta» a «nenhuma»). Figura 5.13. Síntese de resultados do indicador «fontes de informação internas» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 «Best in class» Relevantes Acima da média N.º de organizações 53 ‑ 87 Quase metade das organizações (44,2%) atribuíram «importância alta», para as suas atividades de inovação, ao conhecimento e à experiência do(s) promotor(es) e dos colaboradores. Em mais de 70% das organizações, o conhecimento de um dos grupos (promotores ou colaboradores) continua a ter «importância alta», tendo o outro grupo «importância média». Note‑se ainda que em 12 organizações as fontes de informação interna são as mais relevantes, representando uma percentagem superior ao conjunto das restantes fontes de informação utilizadas. B – 7. Networking B – 7.1. Parcerias para a inovação Identifica o número de diferentes tipos de colaborações/parcerias, formais ou informais, a que a organização recorreu de 2009 a 2011, tendo em vista a introdução de inovação. Este indicador permite perceber que são muito poucas as organizações que recorrem a parcerias diversificadas para as suas atividades de inovação. Tendo presentes os vários tipos de parcerias possíveis (organizações do mesmo setor ou de outros setores, da mesma área ou de outras áreas, universidades e/ou laboratórios de investigação, fornecedores, associações, media, autarquias, entidades públicas e outros), mais de metade das organizações apenas recorre a três, ou menos, tipos de parcerias. Neste aspeto, distingue‑se uma micro‑organização sem fins lucrativos, que está associada à transferência de conhecimento para o setor agrícola e agroindustrial. São ainda de referir como «relevantes» ou- Estado da Inovação em Portugal Rural 81 tras quatro organizações sem fins lucrativos, que abrangem as restantes dimensões, sendo todas elas do setor dos serviços. Figura 5.14. Síntese de resultados do indicador «parcerias para a inovação» Pontuações (N.º) 0 2 4 6 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio Classificação 8 10 12 N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 5 Acima da média 56 C – Indicadores de processo C – 9. Inovações C – 9.1. Tipo de inovações criadas/adaptadas Este indicador analisa e caracteriza os padrões de inovação desenvolvidos pela organização, considerando‑se o caráter da inovação. Este é designado como radical quando as inovações desenvolvidas pela organização são novas para o mercado (ou novas para o setor) e incremental quando a organização desenvolve ou implementa inovações que melhoram produtos, processos, estratégias ou modelos já existentes. Foram classificadas como «best in class» as 25 organizações que praticam simultaneamente «inovação radical», desenvolvendo produtos e/ou processos novos para o mercado e/ou modelos organizacionais e/ou de marketing novos ao nível do setor (ou mesmo a um nível mais amplo), e «inovação incremental», aqui no sentido de introduzirem novidade em produtos e/ou processos nas suas estratégias de marketing e/ou modelos de funcionamento organizacional que melhoram produtos, processos, estratégias ou modelos já existentes. Estas organizações são, quase todas, empresas privadas (23 em 25), predominando as PME (17). São abarcados todos os setores de atividade, registando‑se uma maior ocorrência das agroindústrias (10), seguidas por organizações do setor do comércio (7). São também abrangidas organizações especializadas, em maior número (16), seguidas pelas verticalizadas (7) e ainda pelas diversificadas (2). É ainda de referir que 90 organizações (75%) praticam apenas inovação «nova para a organização», sendo somente cinco as organizações que praticam essencialmente inovação radical, desenvolvendo produtos e/ ou processos ou estratégias de marketing ou modelos organizacionais novos para o mercado ou setor. Estas últimas, todas especializadas, incluem quatro PME (três indústrias e uma do setor agrícola), e uma microempresa que presta serviços no setor agroflorestal. C – 9.2a. Padrões de inovação – produtos/processos novos ou melhorados Identifica e classifica as organizações que desenvolvem novos produtos ou processos ou melhoram produtos ou processos existentes. 82 Inovação em Portugal Rural O número de organizações que criaram inovações associadas a produtos ou processos, novos ou melhorados, foi de 85 (71% do total). Destas, apenas 36 (30% do total) seguiram mais do que um padrão de inovação destinado a criar ou melhorar produtos ou processos. Como «best in class», distingue‑se uma PME verticalizada do setor da produção agrícola. Além desta, são ainda de referir como «relevantes» mais 12 empresas, que abrangem os três grupos do setor privado, desde nanoempresas a PME, e que se incluem em quase todos os setores, com exceção apenas do dos serviços. São também abrangidos os quatro tipos de especialização/diversificação. Figura 5.15. Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – produtos/processos novos ou melhorados» Pontuações (N.º) 0 1 2 Classificação 3 4 5 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 13 Acima da média 36 C – 9.2b. Padrões de inovação – alargar o mercado Identifica e classifica as organizações cujas inovações são motivadas pelo objetivo de entrada em novos mercados ou alargamento dos atuais. Figura 5.16. Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – alargar o mercado» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 N.º de organizações «Best in class» 6 Relevantes ‑ Acima da média 76 O número de organizações cujas inovações são motivadas pelo objetivo de entrada em novos mercados ou alargamento dos atuais foi de 76 (63% do total). De entre estas, as classificadas como «best in class» incluem uma organização de cada setor de atividades, ou seja, uma PME diversificada mas predominantemente agrícola, uma PME verticalizada do setor vitivinícola, uma PME industrial especializada, duas microempresas especializadas, sendo uma dedicada à comercialização de produtos agrícolas e outra do setor do turismo, e uma nano‑organização especializada sem fins lucrativos que presta serviços ao setor agrícola. Estado da Inovação em Portugal Rural 83 C – 9.2c. Padrões de inovação – melhorias da organização Identifica e classifica as organizações cujas inovações se destinam a obter ganhos de eficiência e valor e/ou a aproveitar os recursos disponíveis na organização. Figura 5.17. Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – melhorias da organização» Pontuações (N.º) 0 1 2 Classificação 3 4 5 Valor máx. possível Maior valor atingido N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes ‑ Acima da média Valor médio 56 O número de organizações que criaram inovações destinadas a obter ganhos de eficiência e valor e/ou a aproveitar os recursos disponíveis na organização foi de 56 (47% do total). Como «best in class», foi identificada uma nanoempresa verticalizada que comercializa a sua produção de hortofrutícolas. C – 9.2d. Padrões de inovação – criação de redes Figura 5.18. Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – criação de redes» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 Classificação 2 N.º de organizações «Best in class» 7 Relevantes ‑ Acima da média 7 Apenas sete organizações privadas criaram inovações destinadas ao estabelecimento de redes de oferta e/ou aprovisionamento. Entre elas incluem‑se quatro nanoempresas, das quais três especializadas em turismo e uma no setor agrícola, uma microempresa especializada em comércio e duas PME do setor dos vinhos, sendo uma delas diversificada e verticalizada. C – 9.3. Intensidade do processo de inovação Classifica as organizações de acordo com a intensidade da inovação praticada (ver manual). 84 Inovação em Portugal Rural Merece ser referido que 99 organizações (82,5%) praticam inovação de forma contínua ou intensiva (continuada e concentrada, continuada, continuada e sequencial, intensiva). Nas restantes, a inovação está associada ao «lançamento» da organização ou é uma de inovação pontual ou não contínua (Figura 5.19). Figura 5.19. Intensidade do processo de inovação 1% 1% 1% 5% 4% 1% 4% 2% 3% Fase de lançamento Pontual Concentrada Continuada e concentrada Concentrada e descontinuada Continuada Continuada e sequencial Descontinuada mas sequencial Descontinuada Intensiva 78% C – 9.4. Atividades para a inovação As atividades para a inovação realizadas pelas organizações incluem: atividades de I&D desenvolvidas dentro da empresa; aquisição externa de I&D, de maquinaria e equipamento, de tecnologias de informática e de outros conhecimentos externos; a formação do pessoal para a inovação; a introdução das inovações no mercado; a produção experimental e outras. Figura 5.20. Síntese de resultados do indicador «atividades para a inovação» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 2 4 Classificação 6 8 10 N.º de organizações «Best in class» 4 Relevantes 33 Acima da média 69 Apenas quatro organizações revelaram desenvolver todas estas tipologias de atividades, sendo duas delas sem fins lucrativos e prestadoras de serviços ao setor agrícola, uma PME agrícola e uma grande empresa agroindustrial. Estado da Inovação em Portugal Rural 85 C – 9.4a. Atividades de I&D para a inovação Considerando especificamente as atividades de I&D para a inovação, é possível verificar que 92 organizações (77%) desenvolveram essas atividades, e ainda que 84 desenvolveram I&D internamente e 54 recorreram a fontes externas de I&D. São 45 (37,5%) as organizações que recorreram simultaneamente a I&D interna e externa. C – 9.4b. Atividades internas contínuas de I&D Aumentando o foco, verifica‑se que 72 organizações (60%) praticam atividades internas de I&D de forma contínua. C – 9.5. Investimento em inovação Este indicador identifica a relação entre o investimento em inovação e o volume de vendas. Figura 5.21. Síntese de resultados do indicador «investimento em inovação» Pontuações (%) Classificação N.º de organizações «Best in class» 1 Maior valor atingido Acima de 100% 15 Valor médio Acima da média 20 0 200 400 600 800 1000 Do universo de 78 organizações que declararam ter investido em inovação em 2011, destaca‑se uma cooperativa agroindustrial de produção de azeite. A esta, somam‑se mais 14 organizações que investiram em inovação no mesmo ano, mais do que o correspondente ao seu volume de vendas em 2010. As 15 organizações referidas abrangem todas as formas jurídicas, com exceção do setor público, e vão desde nano‑organizações a PME. No que respeita aos setores abrangidos, apenas não está incluído o das «outras indústrias». C – 9.5a. Investimento em I&D para a inovação Subvariável do indicador anterior: identifica o investimento em atividades de I&D internas e externas. É relevante referir que apenas 60 organizações (50% do total) declararam ter investido em I&D para a inovação: 47 em I&D interno, 39 em I&D externo. São 26 as organizações que investiram simultaneamente em I&D internos e externos. Como «best in class», posiciona‑se uma grande empresa agroindustrial. No grupo das organizações que, em 2011, investiram 200 000 euros ou mais em I&D, incluem‑se ainda uma outra grande empresa agroindustrial e três PME, pertencendo uma destas ao setor agroindustrial e as duas restantes ao setor «outras indústrias». 86 Inovação em Portugal Rural Figura 5.22. Síntese de resultados do indicador «investimento em I&D para a inovação» Pontuações (€) Classificação Milhares de euros 0 200 400 600 N.º de organizações «Best in class» 1 Acima de 200 000 € 5 Acima da média 20 800 Maior valor atingido Valor médio C – 9.6. Cadeia de valor Este indicador analisa o contributo da organização para a cadeia de valor e a criação interna de valor acrescentado, tendo por base a informação recolhida para os três principais produtos da organização (definidos de acordo com o seu peso no respetivo volume de vendas ou serviços). Figura 5.23. Síntese de resultados do indicador «cadeia de valor» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 2 4 6 Classificação 8 10 12 N.º de organizações «Best in class» 13 Relevantes 26 Acima da média 51 Relativamente a este indicador, é de referir que apenas 21 organizações não contribuíram para a conceção do produto/serviço que oferecem, enquanto 80 organizações contribuíram em mais de 70% para esse nível da cadeia de valor. As organizações «best in class» incluem todas as formas jurídicas e vão desde nanoempresas a PME, com clara predominância destas últimas (9 em 13). Apenas o setor do turismo não está abrangido, se bem que seja uma atividade secundária nalgumas destas organizações. C – 10. Internacionalização C – 10.1. Perfil de exportação Identifica a que nível a organização é exportadora, tendo presente a informação correspondente aos três principais produtos/serviços referidos no indicador anterior. A Figura 5.25 mostra o panorama das organizações exportadoras e não exportadoras, sendo de destacar que duas PME do setor agrícola exportam 100% de mais do que um produto. Estas organizações são Estado da Inovação em Portugal Rural 87 seguidas de perto por uma micro‑organização sem fins lucrativos, que exporta entre 50% e 100% dos seus principais produtos. Figura 5.24. Síntese de resultados do indicador «perfil de exportação» Pontuações (N.º) 0 2 4 Classificação 6 8 10 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 2 Relevantes 3 Acima da média 46 Figura 5.25. Perfil de exportação 2% 2% 14% 29% Não exporta Exporta menos de 50% dos 3 principais produtos 22% Exporta de 50 a 100% pelo menos num produto 31% Exporta de 50 a 100% dos 3 principais produtos Exporta 100% de um produto Exporta 100% de mais que um produto C – 10.2. Abrangência geográfica A abrangência geográfica da organização é identificada tendo presente a informação correspondente à exportação dos três principais produtos/serviços acima referidos. Não foram detetadas organizações que exportem os três principais produtos ou serviços para a Oceânia, pelo que, na classe «exportação global», não se inclui nenhuma organização. É muito reduzido o número de organizações que apenas exporta os seus três principais produtos/serviços para fora da Europa, sendo quase equivalentes o número de organizações que apenas exporta esses produtos ou serviços para a Europa (36%), ou que os exporta para a Europa e outras regiões (32%). 88 Inovação em Portugal Rural Figura 5.26. Abrangência geográfica 0% Não exporta 29% 32% Exporta apenas para a Europa Exporta apenas para fora da Europa Exportação diversificada (Europa e outros mercados) 3% 36% Global (todos os mercados) C – 10.3. Dinâmica para a internacionalização Este indicador classifica a que nível a organização procura/recorre a apoios de organizações externas para se internacionalizar e poderá ser mais detalhado com a introdução de questões complementares a incluir em trabalhos futuros. Figura 5.27. Síntese de resultados do indicador «perfil de exportação» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 N.º de organizações «Best in class» 6 Relevantes ‑ Acima da média 30 Foram identificadas como «best in class», na procura ou no recurso a apoios de organizações externas para a sua internacionalização, uma nanoempresa do setor do turismo que exporta para a Europa e outros continentes, uma microempresa e uma PME do setor agrícola, que exportam para a Europa, duas PME do setor dos vinhos e uma PME industrial que exportam para a Europa e outros continentes. Refira‑se ainda que este indicador, quando cruzado com os anteriores, em especial com o indicador 10.1 («Perfil de exportação»), permite identificar as organizações mais orientadas para a internacionalização. Deste cruzamento resulta como organização «mais internacionalizada» uma PME do setor agrícola que exporta os seus principais produtos para a Europa. Esta empresa é seguida de perto por outras três empresas do setor da agricultura (uma microempresa e duas PME) que exportam para a Europa e por duas PME agroindustriais, do setor dos vinhos, que exportam para a Europa e outros continentes. C – 11. Mobilização de conhecimento C – 11.1. Fontes de informação externas O nível de utilização de fontes de conhecimento externas para o processo de inovação é avaliado de acordo com a valoração dada pelos inquiridos. Estado da Inovação em Portugal Rural 89 Figura 5.28. Síntese de resultados do indicador «fontes de informação externas» Pontuações (N.º) 0 2 4 Classificação 6 8 10 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 25 Acima da média 57 Esta avaliação revela que não existe uma grande procura de apoio externo para as atividades de inovação, pelo menos de acordo com a valoração dada pelos inquiridos. Esta informação é confirmada pela grande relevância dada pelos mesmos inquiridos às fontes de conhecimento internas (ver indicador 6.1) e, sobretudo, pelo reduzido número de organizações que recorre a parcerias para as suas atividades de inovação (indicador 7.1). No mesmo sentido aponta o facto de menos de metade das organizações recorrer a I&D externo (ver indicador 9.4a). Apesar disso, a grande maioria das organizações inovadoras (103) utilizou as quatro tipologias de fontes de informação: interna, de mercado, institucionais e outras. Como «best in class», foi registada uma micro‑organização sem fins lucrativos que presta serviços de transferência de conhecimento ao setor agroalimentar. C – 11.2. Mobilização de conhecimento local Neste indicador, é identificada a diversidade de fontes de conhecimento local que cada organização utilizou para a inovação. Figura 5.29. Síntese de resultados do indicador «mobilização de conhecimento local» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 N.º de organizações «Best in class» 17 Relevantes 38 Acima da média 42 A grande parte das organizações (85, ou seja, 71% do total) utilizou alguma forma de conhecimento local; no entanto, só 17 recorrem às quatro tipologias: conhecimento técnico‑construtivo, conhecimento tradicional/artesanal, conhecimento histórico‑cultural e conhecimento ecológico. As organizações consideradas «best in class» incluem os três grupos do setor empresarial, sobretudo organizações sem fins lucrativos (8 em 17), com dimensões que vão desde nano‑organizações a PME, com alguma predominância do setor dos serviços, mas também com alguma relevância dos setores agrícola e do turismo. 90 Inovação em Portugal Rural C – 12. Networking (sinergias) C – 12.1a. Redes locais (padrão para a inovação) Através deste indicador, são identificadas e classificadas as organizações cujas inovações estão associadas ao estabelecimento de redes com a comunidade local. Figura 5.30. Síntese de resultados do indicador «redes locais (padrão para a inovação)» Pontuações (N.º) 0 Classificação 1 2 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 8 Relevantes ‑ Acima da média 8 O número de organizações que criaram inovações associadas ao estabelecimento de redes com a comunidade local foi de apenas oito, incluindo quatro organizações sem fins lucrativos (de nano a grande organização), uma organização média do setor público e três empresas privadas (de nano a PME). Estas organizações apresentam em comum o facto de as suas atividades, que vão do setor agrícola ao dos serviços, passando pela agroindústria e pelo turismo, terem todas componentes de preocupação social e sensibilização ecológica. C – 12.2a. Motivações para a cooperação – parcerias locais Classifica a existência de cooperações entre a organização e os principais atores locais. Figura 5.31. Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias locais» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 «Best in class» Relevantes Acima da média N.º de organizações 18 ‑ 60 Metade das organizações refere pelo menos um tipo de parceria com os principais atores locais (autarquias e outras organizações da mesma área), sendo 18 as que estabelecem parcerias com os dois grupos. Estão representadas todas as formas jurídicas, sendo mais de metade (10 em 18) organizações sem fins lucrativos. Nove destas organizações sem fins lucrativos, e ainda uma outra do setor público, prestam serviços em diversas áreas como a formação, a transferência de conhecimento, o turismo, o ambiente e o desenvolvimento local. Estado da Inovação em Portugal Rural 91 O setor privado inclui uma nanoempresa, uma microempresa, duas PME do setor agrícola e outras duas do setor do turismo, e ainda uma cooperativa do setor do comércio. É ainda interessante verificar que, cruzando os dois indicadores – redes locais e parcerias locais –, só três organizações (uma PME do setor agrícola, uma micro e uma grande organização do setor dos serviços) referem recorrer aos dois tipos de cooperações para a inovação. C – 12.2b. Motivações para a cooperação – parcerias para capacitação Classifica a existência de cooperações entre a organização e os atores para o conhecimento e institucionais. Figura 5.32. Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias para capacitação» Pontuações (N.º) 0 1 2 Classificação 3 4 5 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 21 Acima da média 53 São muito diversificadas as organizações que recorrem a cooperações com atores institucionais, associativos e/ou da área do conhecimento, dado que 91 organizações (76%) referiram existir, pelo menos, uma forma de cooperação deste tipo. Destas, destaca‑se uma associação sem fins lucrativos que presta serviços ao setor agrícola. C – 12.2c. Motivações para a cooperação – parcerias para o negócio Classifica a existência de cooperações entre a organização e outras organizações relacionadas com a atividade da organização. Figura 5.33. Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias para o negócio» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 1 2 Classificação 3 4 5 N.º de organizações «Best in class» 3 Relevantes 20 Acima da média 46 92 Inovação em Portugal Rural É também significativo o número de organizações (90, ou seja, 75% do total) que revelou a existência de cooperações com outras organizações relacionadas com a sua atividade, designadamente do mesmo setor, de outros setores e fornecedores. Destas, destacam‑se uma organização sem fins lucrativos que presta serviços relacionados com a transferência de conhecimento ao setor agrícola e agroindustrial e duas PME, uma agrícola e outra agroindustrial. C – 13. Especialização/diversificação Estes dois indicadores identificam o nível de especialização ou de diversificação das organizações, consoante desenvolvem uma ou mais atividades e oferecem uma ou mais tipologias de produto/serviço. Figura 5.34. Especialização/diversificação 9% 3% 24% 64% Especializada Verticalizada Diversificada Verticalizada e diversificada C – 13.1. Especialização A vasta maioria das organizações (105) oferece apenas uma tipologia de produto/serviço – organizações especializadas (76, ou seja, 63,3% do total), ou mais do que um produto/serviço, mas que são complementares ou sequenciais na cadeia de valor – organizações verticalizadas (29, ou seja, 24% do total). C – 13.2. Diversificação É mais reduzido o número de organizações (15, ou seja, 12,5% do total) que oferecem mais do que um produto/serviço correspondente a atividades/categorias diferenciadas (organizações diversificadas), incluindo quatro organizações verticalizadas e diversificadas, que oferecem mais do que um produto/serviço correspondente a atividades/categorias diferenciadas, mas alguns deles complementares ou sequenciais na cadeia de valor (pluriverticalizadas). Estas últimas são: uma microempresa do setor agrícola que produz e comercializa produtos agroalimentares e oferece atividades turísticas; três PME, duas do setor agrícola, mas também com atividades agroindustriais, comerciais e de turismo, e uma do setor agroindustrial, que inclui atividades agrícolas e comerciais relacionadas com mais do que um tipo de produto. Estado da Inovação em Portugal Rural 93 C – 14. Ligação às especificidades locais C – 14.2. Desenvolvimento local (padrão para a inovação) A partir deste indicador são identificadas e classificadas as organizações que contribuem para o desenvolvimento local, tirando partido das características do meio – históricas, demográficas, geográficas, económicas, sociais e culturais – para a introdução de inovações. Figura 5.35. Síntese de resultados do indicador «desenvolvimento local (padrão para a inovação)» Pontuações (N.º) 0 1 2 Classificação 3 4 5 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 3 Relevantes ‑ Acima da média 21 Apenas 21 organizações criaram inovações associadas ao desenvolvimento local. Destas, foram consideradas «best in class» uma microassociação sem fins lucrativos que opera na área do turismo e dos serviços de desenvolvimento local, uma pequena associação que oferece também serviços para o desenvolvimento local e uma nano‑organização do setor público que presta serviços na área do turismo regional. D – Indicadores de resultado D – 15. Inovações D – 15.1. Número de inovações criadas/adaptadas Sintetiza o número de inovações referidas pelos entrevistados. Figura 5.36. Número de inovações criadas/adaptadas 21 20 N.º de organizações 22 18 9 3 1 9 5 5 2 3 4 5 6 7 N.º de inovações 8 9 5 10 2 12 1 17 94 Inovação em Portugal Rural D – 15.2. Número de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012 Identifica o número de inovações introduzidas por cada organização entre 2009 e 2012. Figura 5.37. Síntese de resultados do indicador «n.º de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012» Pontuações (N.º) 0 2 4 Classificação 6 8 10 Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 8 Acima da média 55 Entre 2009 e 2012, 55 organizações (46%) criaram ou adaptaram três ou mais inovações. Verificou‑se também que, nesse período, 16 organizações não revelaram ter criado ou adaptado quaisquer inovações. Com o maior número de inovações neste período, ou seja, como «best in class», foi identificada uma grande empresa do setor agroalimentar. São de referir ainda como «relevantes» (com um total de 7 ou 8 inovações neste período) duas nanoempresas (uma do setor agroalimentar e outra do setor de turismo), uma microempresa agroindustrial, duas PME (uma industrial e outra agroindustrial mas que abrange também outros setores) e duas cooperativas (uma do setor agroindustrial e outra dos setores comercial e outros). D – 15.3. Peso da inovação na organização Este indicador identifica e classifica o peso da introdução de inovações no volume de vendas ou no volume de serviços da organização. Figura 5.38. Síntese de resultados do indicador «peso da inovação na organização» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 20 40 Classificação 60 80 100 «Best in class» Relevantes Acima da média N.º de organizações 61 ‑ 76 É bastante relevante o contributo das inovações introduzidas para o volume de vendas das organizações, dado que, em 61 organizações (51%), o peso da inovação representa 100% do volume de vendas e, em 76 organizações (63%), representa 70% ou mais. Estado da Inovação em Portugal Rural 95 D – 16. Socioeconómicos D – 16.1. Criação de emprego É analisado e classificado o impacto das inovações na criação e/ou manutenção de postos de trabalho entre 2009 e 2011 (em número e em percentagem). Figura 5.39. Síntese de resultados do indicador «criação de emprego» Pontuações (%) 0 100 200 300 Maior valor atingido 0 100 200 300 Maior valor atingido Valor médio Valor médio Pontuações (N.º) 100 200 Maior valor atingido 0 100 200 Valor médio Pontuações (N.º) N.º de organizações Organizações ≥100% 10 Acima da média 26 Classificação 0 Maior valor atingido Valor médio Classificação N.º de organizações Organizações ≥ 10 14 Acima da média 16 Classificação Organizações ≥ 100% e 10 N.º de organizações 3 Um número considerável de organizações (46, ou seja, 38% do total) criou emprego entre 2009 e 2011, registando‑se 25 organizações em que foram reduzidos os postos de trabalho. A organização que registou o maior aumento percentual de postos de trabalho é uma associação/rede de produtores agrícolas que comercializa os seus produtos, enquanto a que mais cresceu em número de empregos criados é uma grande empresa do setor agroindustrial. São ainda de destacar três organizações que criaram emprego (mais de 10 postos de trabalho entre 2009 e 2011), duplicando ou mais os postos de trabalho que detinham em 2009. Estas organizações incluem a já referida associação/rede de produtores e duas PME, sendo uma do setor agrícola e outra do setor «outras indústrias». D – 16.2. Criação de emprego para a inovação Analisa e classifica o impacto das inovações na criação direta de empregos entre 2009 e 2011. É considerável o número de organizações (74) que revelaram ter criado emprego associado ao processo de inovação. Outras indicaram que, apesar de não ter sido criado emprego, a introdução de inovação evitou a redução de postos de trabalho. A organização «best in class» é uma grande organização sem fins lucrativos que se dedica a assistência social e formação profissional. Como «relevantes», são de destacar três organizações (já referidas no indicador anterior por terem criado mais de 10 postos de trabalho e duplicado os existentes), e ainda uma grande empresa 96 Inovação em Portugal Rural do setor agrícola, duas PME do setor agroindustrial, uma PME que comercializa produtos agrícolas e uma PME do setor da silvicultura e turismo. Na Figura 5.41, mostra‑se a relação entre o número de postos de trabalho criados (e eliminados), em geral, e a criação de postos de trabalho em resultado da introdução de inovações nas organizações. O gráfico permite perceber que se registaram casos em que a organização criou emprego para a inovação, apesar de ter reduzido o número global de postos de trabalho entre 2009 e 2011. Figura 5.40. Síntese de resultados do indicador «criação de emprego para a inovação» Pontuações (N.º) 0 20 40 Classificação 60 80 100 Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 2 Organizações ≥ 10 9 Acima da média 27 Figura 5.41. Comparação entre a variação do número de postos de trabalho entre 2009 e 2011 e os empregos criados para a inovação 160 140 120 100 80 60 40 20 0 -20 1 6 11 16 21 26 31 36 41 46 51 56 61 66 71 76 81 86 91 96 101 106 111 116 N.º de postos de trabalho criados Empregos criados para a inovação D – 16.3. Variação do volume de vendas Analisa o impacto das inovações no volume de vendas das organizações, entre 2009 e 2011. Atendendo às diferenças entre as datas de criação das organizações inquiridas (algumas estarão já em velocidade de cruzeiro, outras iniciaram a sua atividade depois de 2008 e algumas foram criadas durante o período de tempo abrangido pelo IOI), este indicador foi aplicado a três grupos de organizações, divididas de acordo com a respetiva data de criação: anterior a 2008, criada em 2008 ou 2009 e criada em 2010. Estado da Inovação em Portugal Rural 97 Figura 5.42. Síntese de resultados do indicador «variação do volume de vendas» N.º de organizações Pontuações (%) 0 1000 Classificação 2000 3000 4000 Maior valor atingido Valor médio Anterior a 2008 Em 2008/2009 Em 2010 Anterior a 2008 2008/ /2009 2010 «Best in class» 1 1 1 Organizações ≥ 100% 5 7 2 Acima da média 27 3 1 Organizações do universo 75 11 4 A análise realizada no âmbito deste indicador abrangeu apenas um universo de 90 organizações, dado que 16 organizações não têm fins lucrativos, nem volume de vendas e, para as restantes, não se dispunha de informação. A organização que se identifica como «best in class» é uma microempresa que presta serviços ambientais no setor agroflorestal. Registaram, igualmente, crescimentos consideráveis uma microempresa que comercializa produtos agrícolas e uma associação/rede de produtores agrícolas. Duplicaram também os seus volumes de vendas entre 2009 e 2011 (ou entre 2010 e 2011), quatro nanoempresas abrangendo os setores agrícola, da indústria (extrativa) alimentar, do turismo e dos serviços na área agroindustrial, uma nano‑organização sem fins lucrativos que presta serviços no setor do turismo, uma microempresa do setor agrícola e cinco PME, sendo duas do setor agrícola/silvícola e estendendo-se também ao setor do turismo, uma do setor agroindustrial, uma do setor «outras indústrias» e uma do setor do turismo. É ainda de referir que 21 organizações tiveram variações negativas no volume de vendas, das quais 20 são organizações criadas antes de 2008. D – 17. Difusão da inovação D – 17.1. Disseminação de conhecimento Avalia o grau de disseminação das inovações. Figura 5.43. Síntese de resultados do indicador «disseminação de conhecimento» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 5 10 Classificação 15 20 N.º de organizações «Best in class» 3 Relevantes 12 Acima da média 55 98 Inovação em Portugal Rural As organizações «best in class», ao nível da difusão das suas inovações, são uma nano e uma micro‑organização sem fins lucrativos que prestam serviços relacionados com a promoção agrícola e com o turismo, respetivamente, e uma PME do setor da indústria. D – 18. Impactos D – 18.2. Efeitos internos Este indicador analisa e classifica o(s) impacto(s) da inovação ao nível da organização, de acordo com a valoração atribuída pelos inquiridos. Figura 5.44. Síntese de resultados do indicador «efeitos internos» Pontuações (N.º) 0 5 Classificação 10 15 20 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio N.º de organizações «Best in class» 8 Relevantes 52 Acima da média 64 Ao nível dos efeitos da inovação sobre as competências e a sustentabilidade internas, avaliados de acordo com a perceção dos inquiridos, foram classificadas como «best in class» uma grande empresa agroalimentar, três PME do setor agrícola (incluindo duas delas atividades complementares), uma microempresa do setor do turismo, uma nanoempresa do setor do comércio, uma cooperativa agroalimentar e uma organização sem fins lucrativos que presta serviços na área do turismo. Sublinhe‑se que a generalidade das organizações considerou que a inovação dava origem a efeitos internos globalmente positivos. D – 18.3. Efeitos externos Este indicador analisa e classifica o(s) impacto(s) da inovação no ambiente externo à organização, de acordo com a valoração atribuída pelos inquiridos. Figura 5.45. Síntese de resultados do indicador «efeitos externos» Pontuações (N.º) 0 Valor máx. possível Maior valor atingido Valor médio 5 10 15 Classificação 20 25 30 N.º de organizações «Best in class» 1 Relevantes 17 Acima da média 54 Estado da Inovação em Portugal Rural 99 Os impactos da inovação, designadamente os que produzem efeitos sobre o desenvolvimento socioeconómico da envolvente, a valorização do património e a criação de redes de conhecimento, são também globalmente positivos. Como «best in class», destaca‑se uma organização do setor público que presta serviços na área do desenvolvimento sustentável local. As organizações relevantes abrangem as várias formas jurídicas, desde nano‑organizações às PME, e todos os setores, exceto o das «outras indústrias». Comentários à análise por indicador Comentários globais Da análise, por indicador, das 120 organizações que constam da base de dados que resulta do inquérito às organizações inovadoras podem ser retiradas algumas conclusões, que confirmam resultados anteriores, podendo colher-se «lições». De uma forma geral, é de referir que nenhuma organização está acima da média em todos os indicadores, nem mesmo em cada uma das dimensões analisadas: input, processo ou resultado. Verifica‑se também que nenhuma organização inovadora se evidencia como sendo superior às outras em mais do que uma dimensão; ou seja, se uma organização é a que apresenta melhor desempenho tendo em conta os indicadores de input, já não o é perante os indicadores de processo e resultado, e assim sucessivamente. A análise confirma, pois, a importância de todos os tipos e dimensões de organizações localizadas em meio rural para a sustentabilidade e a competitividade dessas áreas. Note‑se, no entanto, que a análise aqui produzida poderá ser ainda mais detalhada e enriquecida através da recolha de informação suplementar relativa aos indicadores incluídos no sistema de indicadores para medir a inovação em meio rural que não foram contemplados pelo IOI. Indicadores de caracterização A análise das organizações através dos indicadores de caracterização confirma a sua diversidade ao nível do modo de organização e da dimensão, bem como no que respeita às atividades e aos produtos oferecidos. Confirma também a predominância de empresas na amostra, de acordo com a sua proporção na base de dados que definiu o universo de amostragem, conforme foi explicado na secção 3.3. Indicadores de input As vantagens de localização das organizações relacionam‑se, sobretudo, com o tipo de serviços prestados, que pode levar à escolha de um dado local, ou com a existência de razões (ou raízes) familiares. Em termos globais, é menos importante a necessidade de proximidade aos mercados, sendo esta necessidade mais evidente nas PME ou nas organizações que estão associadas à transferência de conhecimento. A análise das competências de liderança vem confirmar o que já foi referido em 3.4: que estas competências foram, e são, um dos motores da inovação. Sublinhe‑se que este resultado é independente da dimensão da organização, e até do seu setor de atividade, apesar de se verificar alguma predominância de casos no setor dos serviços. Confirma‑se também que este fator é, na maioria dos casos, reforçado pela existência de recursos humanos qualificados. Estes são mais expressivos nas organizações de menor dimensão, saindo também reforçado o setor dos serviços e o do turismo. Já não é tão relevante a presença de competências em I&D e design, indiciando que as organizações que fazem uso destas competências recorrem, em alguns casos, a fontes externas. A relevância mostrada pelas fontes de informação internas para as suas atividades de inovação é, seguramente, 100 Inovação em Portugal Rural consequência do elevado nível de qualificações (conhecimento e experiência) do(s) promotor(es) e dos colaboradores, que são capazes de as mobilizar para as atividades de inovação. A diversidade de recursos financeiros disponíveis é, para a generalidade dos casos analisados, bem aproveitada, sendo reduzido o número de organizações (e somente do setor privado) que apenas utilizaram capitais próprios ou de familiares e amigos. Já no que respeita aos recursos por mérito, verifica‑se que foram muito poucas as organizações que aproveitaram os sistemas de incentivos disponibilizados, havendo também alguma independência em relação aos financiamentos de fundações de mecenas e business angels. Do mesmo modo é também de assinalar o reduzido número de organizações que registou patentes, o que pode ser explicado pela preponderância da inovação incremental, mais focalizada nas solicitações dos mercados e dos clientes e menos no desenvolvimento de inovações radicais. No caso das organizações que apresentam inovação nova para o mercado e/ou para o setor, a reduzida presença das patentes poder-se-á dever à morosidade dos processos associados, bem como à obrigatoriedade de «desvendar» características da inovação. Outro aspeto a ter em conta, ao nível dos inputs para a inovação, é o da reduzida diversificação das parcerias a que as organizações recorrem, sendo mais relevantes nas organizações sem fins lucrativos do setor dos serviços. As barreiras à inovação destacadas pelas organizações inovadoras inquiridas, internas ou externas – sendo as mais relevantes, em média, as relacionadas com (a falta) de tempo dos inovadores, as dificuldades financeiras e de acesso a apoios e financiamentos, e constrangimentos burocráticos, legais e institucionais, conforme se viu na secção 3.4 – mostram que existe espaço para melhorar as condições de base para a introdução de inovação nas organizações em meio rural. A este nível, podem revelar‑se determinantes novas políticas, medidas e incentivos ao estabelecimento de parcerias e redes entre os players da inovação. Indicadores de processo Verifica‑se que a maioria das organizações (75%) só pratica inovação incremental, ou seja, inovação que se traduz em melhorias de produtos, processos, estratégias de marketing e/ou organizacionais que são novidades ao nível da organização, mas que não são inovação para o mercado ou setor. Esta última é introduzida essencialmente por empresas privadas, predominantemente PME especializadas, com maior ocorrência nas agroindústrias e noutras indústrias. No entanto, verifica‑se que uma vasta maioria das organizações (82,5%) pratica inovação de forma continuada ou intensiva. As organizações inquiridas mostram globalmente um bom desempenho relativamente ao seu posicionamento nas respetivas cadeias de valor e captação do valor acrescentado. Observa‑se que somente 21 organizações não contribuíram para a conceção do produto/serviço que oferecem, enquanto 80 organizações contribuíram em mais de 70% para esse nível da cadeia de valor. Cerca de metade das organizações contribui para a maior parte dos níveis da sua cadeia de valor e criação interna de valor acrescentado. Quando se analisam as organizações por padrão de inovação, verifica‑se que grande parte (71%) introduziu inovações associadas a produtos ou processos novos ou melhorados. Entre elas, destacam‑se as empresas privadas, desde nanoempresas às PME, de quase todos os setores, com exceção apenas do dos serviços. Significativo é o número de organizações cujas inovações são motivadas pelo objetivo de entrada em novos mercados ou alargamento dos atuais (63%), ou destinadas a obter ganhos de eficiência e valor, e/ou a aproveitar os recursos disponíveis na organização (47%). Note‑se que estes dois padrões de inovação ocorrem qualquer que seja a dimensão ou o setor, havendo, no entanto, maior predominância de empresas privadas, o que também é esperado relativamente ao universo analisado. Estado da Inovação em Portugal Rural 101 O desenvolvimento de inovações destinadas ao estabelecimento de redes de oferta e/ou aprovisionamento é relativamente reduzido, e limitado a sete empresas privadas. A análise da diversidade de produtos ou serviços oferecidos pelas organizações mostra que 63% das organizações são especializadas (oferecem só uma tipologia de produto/serviço) e 24% são verticalizadas (oferecem mais do que um produto/serviço, mas complementares ou sequenciais na cadeia de valor). É mais reduzido (12,5%) o número de organizações diversificadas (oferecem mais do que um produto/serviço correspondente a atividades/categorias diferenciadas). Neste último grupo, incluem‑se quatro organizações que são verticalizadas e diversificadas, ou seja, que oferecem mais do que um produto/serviço correspondente a atividades/categorias diferenciadas, mas alguns deles complementares ou sequenciais na cadeia de valor. A maior parte das organizações desenvolve «atividades para a inovação», mas apenas cerca de metade recorre à maior parte das atividades contempladas e apenas quatro organizações revelaram desenvolver todas estas tipologias de atividades. Releve‑se, no entanto, que 77% das organizações desenvolveram algum tipo de atividades de I&D, enquanto 60% realiza atividades internas de I&D de forma contínua. A análise ao investimento efetuado em inovação em 2011, referido por 65% das organizações, salienta que 15 organizações investiram em inovação, em 2011, mais do que o correspondente ao seu volume de vendas do ano anterior. Neste grupo apenas não estão incluídas as organizações do setor público, grandes empresas e «outras indústrias». Importa referir que apenas metade das organizações declarou ter investido em I&D para a inovação, destacando‑se aqui as grandes empresas agroindustriais e as PME dos setores agroindustrial e industrial. A internacionalização assume alguma importância no universo das organizações analisadas, já que 71% referiram exportar, pelo menos, um dos seus três principais produtos ou serviços19. Note‑se que a Europa é o mercado abrangido por 67,5% das organizações, sendo os outros mercados abrangidos por 35%. Apesar de o inquérito não incluir uma questão específica sobre esta matéria, foi detetado que pelo menos um quarto das organizações procurou e/ou recorreu a apoios no exterior para se internacionalizar. É de sublinhar ainda que a internacionalização não é exclusiva das empresas, uma vez que cerca de metade das organizações sem fins lucrativos analisadas realizou algum tipo de trocas com o exterior. Parece não existir uma grande procura de apoio externo à organização para as atividades de inovação, de acordo com a valoração dada pelos inquiridos às fontes externas de conhecimento e informação. O reduzido número de organizações que recorre a parcerias diversificadas para as suas atividades de inovação parece reforçar essa característica, tal como o facto de menos de metade das organizações recorrer a I&D externa. No entanto, é substancial o número de organizações (71%) que procuram mobilizar conhecimento local, com predominância das organizações sem fins lucrativos e do setor dos serviços, mas incluindo também empresas e os setores agrícola e do turismo. Releve‑se que só oito organizações criaram inovações associadas ao estabelecimento de redes com a comunidade local, casos esses que apresentam em comum o facto de as suas atividades (que vão do setor agrícola ao dos serviços, passando pela agroindústria e pelo turismo) terem todas componentes de preocupação social e de sensibilização ecológica. Porém, metade das organizações refere, pelo menos, um tipo de parceria com os principais atores locais (autarquias e outras organizações da mesma área), ou seja, a cooperação existe, mas não através de redes criadas especificamente para o efeito. Destacam‑se aqui as organizações sem fins lucrativos, sendo predominante o setor dos serviços, em especial em áreas como a formação, a transferência de conhecimento, o turismo, o ambiente e o desenvolvimento local. Apenas três organizações – uma PME do setor agrícola, uma 19 Note‑se que podem existir outras organizações exportadoras, mas que não foram detetadas por no IOI apenas ter sido perguntado qual era a percentagem de exportação dos três principais produtos/serviços. 102 Inovação em Portugal Rural micro e uma grande organização do setor dos serviços – referem tanto a criação de inovações associadas ao estabelecimento de redes com a comunidade local como parcerias locais. Já as cooperações com atores institucionais, associativos e/ou da área do conhecimento abrangem 76% das organizações, tendo 75% das organizações revelado a existência de cooperações com outras organizações relacionadas com a sua atividade, designadamente do mesmo setor, de outros setores e fornecedores. Apenas 21 organizações criaram inovações associadas ao desenvolvimento local, em que se destacam as organizações sem fins lucrativos ou do setor público. Indicadores de resultado É significativo o número de inovações que foi revelado pelo total das organizações (649), correspondendo a uma média de mais de cinco inovações por organização, variando o número entre 1 e 17. Considerando o período de 2009 a 2012, verificou‑se que 55 organizações criaram ou adaptaram três ou mais inovações, havendo 16 que não declararam a criação e/ou adaptação de novas inovações nesse período. O destaque relativo ao número de inovações mais recentes não é exclusivo de nenhum tipo de organização, dimensão ou setor de atividade. É, no entanto, bastante relevante o contributo das inovações introduzidas para o volume de vendas ou oferta de serviços das organizações, dado que, em 61 organizações (50,8%), o peso da inovação representa 100% do volume de vendas e em 76 organizações (63,3%) representa 70% ou mais. Também foi importante o contributo da introdução de inovações para a criação e/ou consolidação de emprego (apenas 25 organizações (21%) reduziram o número de postos de trabalho entre 2009 e 2011). É ainda de sublinhar que 74 organizações (62%) revelaram ter criado emprego associado ao processo de inovação. A análise da variação do volume de vendas entre 2009 e 2011, que abrangeu apenas um universo de 90 organizações – dado que 16 organizações não têm fins lucrativos nem volume de vendas e para as restantes não foi obtida informação –, revelou que 21 organizações tiveram variações negativas do volume de vendas, das quais 20 são organizações criadas antes de 2008. É também de referir que 12 organizações, das quais sete criadas em 2009 e duas em 2010, duplicaram ou mais o seu volume de vendas neste período, ou entre 2010 e 2011. Outros impactos da inovação têm que ver com a difusão das inovações pelas organizações e com os efeitos da inovação, quer internos, quer sobre a envolvente. Quase metade do universo analisado está acima da média em relação ao indicador de difusão da inovação. Os efeitos da inovação sobre as competências e a sustentabilidade internas foram tidos como consideravelmente importantes por cerca de metade das organizações inquiridas. Estas revelaram também efeitos globalmente positivos sobre o ambiente externo à organização (desenvolvimento socioeconómico da envolvente, valorização do património e criação de redes de conhecimento). 5.2.Barómetro de Inovação em Portugal Rural Descrição geral O Barómetro de Inovação pretende sintetizar, através de gráficos‑radar, organizados por tipo de indicador – input, processo, resultado –, quais os indicadores com melhor desempenho no seu todo, ou seja, considerando a média das organizações. Para este barómetro, foram selecionados os indicadores considerados mais ilustrativos da inovação em Portugal rural, que são listados na Tabela 5.1. Estado da Inovação em Portugal Rural 103 Tabela 5.1. Indicadores do Barómetro de Inovação em Portugal Rural Indicadores de input 3. Localização 3.3 – Vantagens competitivas 4. Competências 4.1 – Competências do líder/gestor da inovação 4.2 – Qualificação de recursos humanos 4.4 – Competências da organização em I&D 4.5 – Competências da organização em design 5. Recursos 5.1 – Recursos financeiros 5.3 – Recursos materiais 6. Fontes de conhecimento 6.1 – Fontes de informação internas 7. Networking 7.1 – Parcerias para a inovação Indicadores de processo 9. Inovações 9.1 – Tipo de inovações criadas/adaptadas 9.4 – Atividades para a inovação 9.5 – Investimento em inovação 9.5a – Investimento em I&D para a inovação 9.6 – Cadeia de valor 10. Internacionalização 10.1 – Perfil de exportação 10.3 – Dinâmica para a internacionalização (agregados) 11. Mobilização de conhecimento 11.1 – Fontes de informação externas 11.2 – Mobilização de conhecimento local Indicadores de resultado 15. Inovações 15.2 – N.º de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012 15.3 – Peso da inovação na organização 16. Socioeconómicos 16.1 – Criação de emprego 16.2 – Criação de emprego para a inovação 16.3 – Variação do volume de vendas 17. Difusão da inovação 17.1 – Disseminação de conhecimento 18. Impactos 18.2 – Efeitos internos 18.3 – Efeitos externos A informação apresentada nos gráficos inclui o melhor resultado alcançado em cada indicador – «melhores práticas» –, a média global – «média» –, a média do setor empresarial privado/cooperativas – «média (empresas)» – e a média dos setores público e associativo (sem fins lucrativos) – «média (não empresas)». Análise dos principais resultados registados pelo Barómetro de Inovação A aplicação destes indicadores à base de dados resultante do IOI revela alguns resultados com interesse. Os gráficos‑radar ilustram uma diferença notória entre as médias obtidas e os maiores valores alcançados (melhores práticas) para a quase generalidade dos indicadores. Observa‑se também que, para alguns indicadores, o valor máximo passível de ser obtido não foi atingido. Em suma, estes resultados mostram que há ainda bastante espaço para melhorar as práticas de inovação em Portugal rural. 104 Inovação em Portugal Rural É também possível verificar que, para alguns dos indicadores, existem diferenças significativas entre as médias correspondentes às organizações do setor empresarial e as médias das restantes organizações. Confirma‑se, pois, que é importante para a definição de políticas de inovação e de desenvolvimento rural incluir, na deteção e na medição da inovação, todos os tipos de organizações, e não só as empresas, como é prática corrente, designadamente quando é utilizado o referencial do Manual de Oslo. Indicadores de input Relativamente aos indicadores de input (Figura 5.46), as maiores diferenças entre a «média» e as «melhores práticas» verificam‑se ao nível das competências das organizações em I&D e design e das vantagens de localização. No caso das competências, esta diferença resulta do facto de, nas PME e grandes organizações (ou seja, organizações com maior número de colaboradores), a percentagem de recursos humanos especializados ser em geral menor. Já no caso das vantagens de localização, é também natural que as organizações não necessitem de ter à sua disposição todos os tipos de vantagens identificados. Já no que respeita às «competências de liderança» e à utilização de «fontes de informação internas», observa‑se uma boa aproximação às «melhores práticas». Este é um resultado esperado perante a razoavelmente boa «qualificação dos recursos humanos», que explica a importância das competências e do conhecimento interno para as organizações inovadoras. Também é relativamente boa a utilização dos «recursos financeiros» por parte das organizações. Com valores intermédios, encontram‑se a utilização de «recursos materiais», que demonstra que nem sempre estes são necessários para haver inovação, e a diversidade das «parcerias» utilizadas, que poderá ser reveladora de alguma dificuldade em estabelecer redes para a inovação. Distinguindo‑se entre os dois setores (o empresarial privado/cooperativas e o sem fins lucrativos), pode verificar‑se que o primeiro apresenta melhor desempenho na utilização de recursos materiais e financeiros, enquanto as outras organizações apresentam melhores qualificações de RH (em geral e ao nível das competências de liderança) e melhor desempenho no recurso a parcerias diversificadas. Figura 5.46. Análise‑radar. Indicadores de input Vantagens localização Competências liderança N.º tipos parcerias Fontes de informação internas Qualficação RH Recursos materiais I&D Recursos financeiros Média Média (empresas) Design Média (não empresas) Melhores práticas Estado da Inovação em Portugal Rural 105 Indicadores de processo Quanto aos indicadores de processo (Figura 5.47), as maiores diferenças entre a «média» e as «melhores práticas» verificam‑se no «investimento em inovação» e, sobretudo, no «investimento em I&D» e ainda, tendo em conta os dois grupos de setores analisados (privado/cooperativas e sem fins lucrativos), ao nível da «internacionalização». No caso dos indicadores de investimento, a diferença assinalada pode, por um lado, refletir o clima económico do ano inquirido (2011), já sob a influência das crises nacional e externa, e, por outro, mostrar que nem sempre parece haver uma relação específica entre inovação e «investimento em I&D». Quanto à internacionalização, a diferença entre os dois setores poderá estar associada à menor importância das exportações para o setor não empresarial. Figura 5.47. Análise‑radar. Indicadores de processo Tipo de inovações = radical+incremental Atividades para a inovação Conhecimento local Fontes de informação externas Investimento em inovação Internacionalização Investimento em I&D Cadeia de valor Média Média (empresas) Média (não empresas) Melhores práticas As melhores aproximações às «melhores práticas», se bem que com valores ainda distantes dessas melhores práticas, são detetadas em dois indicadores: nas «atividades para a inovação», a que recorrem os dois grupos de setores, e no indicador «cadeia de valor», também equilibrado nos dois grupos. Regista‑se também um bom desempenho no que respeita aos indicadores «mobilização de conhecimento externo» e «conhecimento local», sobressaindo, no entanto, as organizações não empresariais. Também ainda longe das «melhores práticas» se encontra o tipo de inovação radical + incremental, embora com valores mais elevados para o setor empresarial. Sintetizando as diferenças observadas entre os dois setores, conclui‑se que o setor empresarial privado/ cooperativas apresenta mais inovação radical e incremental e um melhor desempenho relativamente à internacionalização, enquanto as outras organizações exibem maiores níveis de investimento em inovação e de mobilização de conhecimento externo (incluindo conhecimento local). Os valores espelhados por estes indicadores poderão ser melhorados, sobretudo no que respeita à mobilização de conhecimento externo (o que revela de novo o interesse em se dispor de políticas que facilitem o 106 Inovação em Portugal Rural estabelecimento de redes para a inovação), à internacionalização e ao investimento em inovação, se for facilitado o acesso a incentivos financeiros para estes dois aspetos. Também a aplicação de políticas que contemplem a melhoria das competências das organizações pode melhorar o seu desempenho ao nível das atividades para a inovação e da sua participação na cadeia de valor. Indicadores de resultado No que respeita aos indicadores de resultado (Figura 5.48), as maiores diferenças entre a «média» e as «melhores práticas» surgem ao nível da «criação de emprego», em geral, da «criação de emprego para a inovação», e da «variação do volume de vendas» das organizações. Estas diferenças explicam‑se pelos desempenhos muito acima da média de algumas organizações, quer ao nível da criação de postos de trabalho, quer no crescimento do seu volume de vendas. É de referir que, se a evolução do crescimento das vendas é consideravelmente superior nas organizações criadas a partir de 2008, já ao nível do emprego foram detetados aumentos significativos, tanto em pequenas como em grandes organizações, e tanto em organizações recentes como em organizações em velocidade de cruzeiro. Já relativamente ao «peso da inovação nas vendas» e aos «efeitos internos», verifica‑se uma boa aproximação às «melhores práticas», sendo ela maior no primeiro caso para o setor empresarial privado/cooperativas, dado que uma parte das organizações sem fins lucrativos não tem vendas. Os «efeitos externos» e a «disseminação de conhecimento» aproximam‑se razoavelmente das «melhores práticas», em especial no que respeita ao setor sem fins lucrativos. Com valores mais afastados, encontram‑se o «número de inovações criadas entre 2009 e 2012», que reflete sobretudo a forte propensão para a inovação de algumas organizações. Fazendo a síntese dos dois setores, verifica‑se que o setor empresarial, pelas razões acima indicadas, regista uma melhor posição quanto ao peso da inovação nas vendas e quanto aos efeitos internos, enquanto as outras organizações revelam melhor desempenho ao nível da disseminação de conhecimento e maiores efeitos sobre a envolvente. Estes indicadores poderão melhorar consideravelmente se forem aplicadas as políticas adequadas, designadamente as que contemplam a melhoria das competências de gestão das organizações. Figura 5.48. Análise‑radar. Indicadores de resultado Inovações entre 2009 e 2012 Efeitos externos Peso da inovação nas vendas Efeitos internos Criação de emprego (%) Disseminação de conhecimento Emprego para a inovação Variação do volume de vendas Média Média (empresas) Média (não empresas) Melhores práticas Capítulo 6 Práticas de Sucesso da Inovação em Portugal Rural Com base nos resultados obtidos a partir das análises efetuadas no Capítulo 5, foi possível, por um lado, identificar as organizações que poderiam ser referidas e descritas como exemplos de práticas de sucesso de inovação em Portugal rural e, por outro, escolher organizações que, não constituindo exemplos abrangentes, poderiam ilustrar uma dada prática, ou conjunto de práticas, identificadas como de sucesso no âmbito da análise realizada. Assim, apresentam‑se seguidamente algumas organizações e os indicadores em que se distinguiram, de forma a que as suas práticas de sucesso possam servir, simultaneamente, como guia e como desafio para que outras organizações, existentes ou a criar, possam no futuro vir a constituir também exemplos de sucesso. 6.1. Organizações ilustrativas de práticas de sucesso Foram destacados 21 casos, enumerados na Tabela 6.1, dos quais 15 correspondem a organizações do setor privado e cinco são organizações sem fins lucrativos. Note‑se que estas organizações se repartem por setores de atividade muito diversos, abrangendo desde os setores tradicionais das áreas rurais (agricultura e agroindústria) ao turismo, passando pelo comércio e os serviços, e ainda pelas «outras indústrias», e com dimensões que vão desde a nano‑organização à grande empresa. A sua distribuição no território nacional (continente) abrange especialmente as NUTS 2 Alentejo e Centro, com oito casos cada uma, e ainda a do Norte, com quatro casos. Surge, ainda, o caso do PROVE, projeto coordenado pela ADREPES, que é de âmbito nacional. Numa avaliação global, as organizações com melhor desempenho são: • Casas Brancas, uma micro‑organização sem fins lucrativos que se baseia no conhecimento e em parcerias locais para prestar serviços associados ao turismo; • Arquiled, uma indústria de média dimensão, baseada em tecnologia e em I&D, criadora de valor e de emprego; • COTHN, uma organização sem fins lucrativos que se baseia em conhecimento e parcerias diversificadas para a transferência de tecnologia para o setor hortofrutícola. Estas três organizações são seguidas por outras quatro, todas do setor privado, que incluem: • Aromáticas Vivas, uma pequena empresa do setor agrícola com elevados investimentos em inovação e criação de emprego; 108 Inovação em Portugal Rural • Rio do Prado, uma microempresa do setor do turismo, com competências especializadas em I&D e design e inovação virada para o alargamento do mercado; • Nova Delta, uma grande empresa do setor agroalimentar, com forte investimento em I&D; • Sumol+Compal20, outra grande empresa do setor agroalimentar, também com forte investimento em I&D e elevado número de inovações; • Rede PROVE, destinada à comercialização de produtos agrícolas e apoiada por associações sem fins lucrativos, que registou o mesmo desempenho das anteriores. Foram ainda selecionadas outras 13 organizações pelo seu desempenho num nível específico do processo de inovação, no âmbito da sua tipologia, dimensão ou setor, ou em indicadores específicos, que se enunciam em seguida: • Input: ANSUB, associação sem fins lucrativos que presta serviços no setor florestal; • Processo: Casas Agrícolas das Herdades Monte Novo e Conqueiro, PME do setor agrícola com atividades muito diversificadas e sequenciais na cadeia de valor; • Resultado: Arquiled (já referida acima). De acordo com a natureza, a forma das organizações e a dimensão, destacam‑se ainda os seguintes casos: • Cooperativa: Terrius, agrupamento de produtores que se dedica à comercialização de produtos agrícolas, e que ilustra também a mobilização de conhecimento externo; • Nano‑organização: Nono Sentido, empresa unipessoal que produz e comercializa produtos gourmet; • Setor do vinho: Sociedade Quinta do Portal, PME, que ilustra também, entre outros aspetos, a utilização de recursos por mérito; • Setor do azeite: Casa Agrícola Valbom, PME do setor agroalimentar que mobiliza conhecimento interno e conhecimento local, com efeitos positivos na envolvente; • Setor do turismo: Cooking and Nature, que se distingue também, entre outros aspetos, pelas competências de liderança e RH; • Perfil de inovação intensivo: Tomelo, Eco Desenvolvimento, Lda., microempresa do setor agroindustrial que ilustra igualmente o estabelecimento de redes locais para a inovação; • Perfil de inovação intensivo: Primores do Oeste, SA, que comercializa hortofrutícolas produzidos com recurso a tecnologias inovadoras e é uma organização criadora de emprego; • Inovação de produto/processo: Frupor, PME do setor agrícola, também ilustrativa de parcerias de negócio; • Internacionalização: Atlantic Growers, PME do setor agrícola focada na exportação dos seus produtos; • Parcerias locais: Vertigem APP, micro‑organização sem fins lucrativos que aposta no conhecimento local, no estabelecimento de redes locais para a inovação e em parcerias locais; • Resultados internos: Terraprima, microempresa que presta serviços ambientais e se distingue pelo grande crescimento do volume de vendas. Reitere‑se que o facto de estas organizações serem dadas aqui como exemplo de algum setor ou indicador não significa que não se distingam também noutros indicadores, nem que não existam outras organizações com pontuações equivalentes. Ou seja, as organizações inovadoras selecionadas são os casos que melhor permitem ilustrar uma determinada prática de sucesso. 20 Ressalve‑se que na entrevista realizada apenas foi abordada a componente correspondente à Compal. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural Tabela 6.1. Organizações com práticas de sucesso de inovação nas áreas rurais por NUTS 2 NUTS 2 Norte Centro Alentejo Designação Setor(es) de atividade Diversificação/ especialização Aromáticas Vivas, Lda. Agricultura «Produtos da terra» Especializada Casa Agrícola Valbom Agricultura, agroindústria e turismo Agroalimentares Diversificada e verticalizada Sociedade Quinta do Portal, SA Agroindústria e turismo Agroalimentares Verticalizada Tomelo, Eco Desenvolvimento, Lda. Agroindústria e comércio Agroindustriais Verticalizada Cooking and Nature Turismo Turismo Especializada COTHN – Centro Operativo Tecnológico Hortícola Nacional Serviços Serviços Especializada Nono Sentido – Alimentação e Bem‑Estar, Lda. Comércio Comércio Verticalizada Primores do Oeste, SA Agricultura e comércio «Produtos da terra» Especializada Rio do Prado Turismo Turismo Especializada Sumol+Compal Agroindústria Agroalimentares Especializada Terraprima – Serviços Ambientais, S.U. Lda. Serviços Serviços Especializada Vertigem – Associação de Promoção do Património Serviços Serviços Verticalizada ANSUB – Associação dos Produtores Florestais do Vale do Sado Serviços Serviços Especializada Arquiled, SA Indústria Outros produtos Especializada Atlantic Growers Agricultura «Produtos da terra» Especializada Casa Agrícola das Herdades de Monte Novo e Conqueiro Agricultura e silvicultura «Produtos da terra» e agroalimentares Diversificada e verticalizada Casas Brancas – Associação de Turismo de Qualidade do Litoral Alentejano e Costa Vicentina Serviços Serviços Especializada «Produtos da terra Verticalizada Frupor – Sociedade Agroindustrial, Agricultura e turismo SA Nacional* Produtos/serviços Nova Delta, Comércio e Indústria de Cafés, SA Agroindústria Agroalimentares Especializada Terrius – Agrupamento de produtores CRL Agricultura, agroindústria e turismo Comércio Diversificada PROVE (ADREPES) Serviços e comércio Comércio Especializada * Projeto de âmbito nacional. 109 110 Inovação em Portugal Rural 6.2. Apresentação das práticas de sucesso Descrevem‑se, em seguida, as organizações acima referidas consideradas representativas de práticas de sucesso de inovação em Portugal rural, procurando‑se com essa descrição ilustrar tais práticas. Cada organização é descrita em duas páginas, contendo a primeira a descrição da organização e a segunda a descrição dos indicadores que a caracterizam. Assim, na primeira página, começa‑se por apresentar a organização listando as suas principais atividades e indicando a sua localização, o ano de constituição, a forma jurídica, o setor onde atua e a sua dimensão, classificada pela variável do volume de emprego. Depois são apresentados os principais produtos que oferece e/ou os principais serviços que presta, as marcas registadas pela organização, indicando ainda os mercados onde são disponibilizados os produtos/serviços da organização e o tipo de internacionalização seguido, quando aplicável. É também apresentada uma síntese das inovações descritas pelos inquiridos no âmbito do inquérito às organizações inovadoras em Portugal rural. Esta caracterização da organização termina com um esquema do perfil de inovação, detetado na análise realizada, e que inclui: 1) as motivações que deram origem à inovação; 2) o eventual recurso a atividades de I&D (internas e/ou externas) para o processo de inovação; 3) as dinâmicas de inovação (tipo de inovações criadas/adaptadas e a intensidade do processo de inovação); e 4) os principais padrões de inovação seguidos pela organização. É apresentado ainda o perfil do líder/gestor da inovação, incluindo as suas motivações para o empreendedorismo, quando aplicável. Por fim, a primeira página inclui um conjunto de fotografias ilustrativas da organização e das inovações que introduziu. A segunda página, como se referiu, sintetiza o resultado da aplicação do sistema de indicadores para detetar e medir a inovação em Portugal rural a cada organização, apresentando os indicadores em que ela se distinguiu. Assim, faz‑se uma síntese dos indicadores que correspondem a práticas de sucesso seguidas na organização, ou seja, aqueles em que ela foi classificada como «best in class», «Relevante» ou «Acima da média» (ver Manual e Capítulo 5 para a descrição dos indicadores e dos resultados obtidos). Os indicadores estão organizados numa tabela que inclui, na primeira coluna, a listagem dos indicadores; na coluna central, uma breve descrição do desempenho da organização relativo a esse indicador; e, na terceira e última coluna, a representação gráfica da pontuação obtida. Os indicadores estão organizados nas três dimensões de análise e seguindo a ordem em que são apresentados no «Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Portugal Rural». Na segunda página, são ainda listados os obstáculos à inovação – desvantagens de localização e barreiras internas e externas –, que, apesar de existirem, não impediram as organizações de atingir práticas de sucesso. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 111 CASAS BRANCAS A Organização Associação de Turismo de Qualidade do Litoral Alentejano e Costa Vicentina Principais atividades: Oferta turística integrada de alojamentos rurais, restaurantes e atividades de animação turística; promoção e dinamização das marcas Casas Brancas® e Rota Vicentina Localização: Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina Ano de constituição: 2002 Forma jurídica: Associação sem fins lucrativos Setor: Serviços Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Nano-organização Principais produtos: Promoção integrada da rede de associados, participação institucional na definição da estratégia regional de turismo e desenvolvimento da Rota Vicentina (produto turístico estruturante) Marcas: Casas Brancas® Mercados dos principais produtos: Nacional e europeu Internacionalização: Estratégia de captação de turistas estrangeiros Inovações • Criação da rede e da marca Casas Brancas® com a oferta de um serviço de promoção e gestão integrada de produtos turísticos (alojamentos rurais, restauração e atividades de natureza) e abrangendo diversos públicos-alvo. • Desenvolvimento do projeto e gestão da marca «Rota Vicentina» que visa dotar a região Sudoeste Alentejano de infraestruturas públicas de usufruto da natureza, aproximando o turista da população local, e estimular a criação de novas oportunidades de negócio e visibilidade internacional. Perfil de inovação: Motivações - Diversificar e diferenciar a gama de produtos - Contribuir para o desenvolvimento regional sustentável - Ganhar escala Inputs de I&D Dinâmicas Padrões - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa - Incremental - Continuada e sequencial Marketing organizacional Networking Líder|Gestora da Inovação Marta Cabral, 38 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Gestão de Empresas e Marketing |Na Casas Brancas® desde 2002 O que a motiva? Realização pessoal, valorizar a ideia, contribuir para a prosperidade coletiva Contactos | Zona Industrial, Travessa do Botequim, n.º 6 7630-185 Odemira | www.casasbrancas.pt Inovação em Portugal Rural 112 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Inputs Vantagens competitivas de localização Património, facilitadores de localização e proximidade aos recursos Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Competências da organização Design Recursos financeiros Recursos financeiros próprios, fundos comunitários, apoios públicos locais e nacionais Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovações para alargar o mercado Inovações para melhorias na organização Estratégias de marketing Desenvolvimento de processos para obter ganhos de eficiência e valor Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de equipamentos, tecnologias, conhecimento externo, formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Investimento em inovação Em 2011 investiu 150% do volume de vendas de 2010 em atividades para a inovação Investimento em I&D Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Em 2011 investiu 70% do volume de vendas de 2010 em I&D Exporta menos de 50% dos 3 principais produtos para a Europa (captação de turistas) Fontes de informação externas Sobretudo fontes de mercado, entidades públicas, mas também outras fontes Mobilização de conhecimento local Técnico-construtivo, tradicional, artesanal, histórico, cultural e ecológico Networking local Redes com a comunidade local Parcerias de capacitação Universidades e associações Parcerias de negócio Outras organizações e fornecedores de Resultado Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego (%) Resultados internos Taxa de variação de emprego superior a 100% Crescimento do volume de vendas, no período 2009-2011, superior a100% Disseminação de conhecimento Participação em eventos científicos e apoio ao desenvolvimento de novas empresas ou negócios Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo positivo ao nível do desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: «Interioridade» e distância aos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, recursos humanos e qualificações e converter informação em conhecimento. Barreiras externas: Burocracia da administração pública, enquadramento legal e institucional e desadequação dos incentivos públicos. 24 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 113 ARQUILEDTM New ligth better world A Organização Principais atividades: Desenvolvimento de produtos de iluminação de tecnologia LED e prestação de serviços energéticos Localização: Mora Ano de constituição: 2005 Forma jurídica: Sociedade anónima Setor: Indústria Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Média empresa Principais produtos: Lâmpadas elétricas e equipamentos de iluminação (iluminação arquitetural [Arquiline], iluminação pública [Arquicity], iluminação industrial [Arquistore], iluminação semafórica [Arquitraffic], iluminação de postos de abastecimento [Arquipetrol]). Marcas: Arquiled®, Arquicity®, Solarys®, Arqnet®, Arquitraffic1®, Arquiservice®, Luzzero®, Quadrant®, Light Zero® Mercados dos principais produtos: Nacional, europeu, Angola e Brasil Internacionalização: Organização exportadora com parcerias internacionais e estrutura própria no Brasil. Detém marcas registadas em mais de 60 países. Inovações • Produtos e serviços: NEUROCITY – Desenvolvimento de um sistema de luminárias inteligentes de elevado desempenho energético para iluminação pública; Centros logísticos (ARQ-OS, ARQNET e ARQUIGEST – sistema operativo de comunicação de dados através da rede elétrica); ARQUISERVICES – renting operacional de iluminação; ARQUINATURE – fotossíntese sem sol; ARQUISPOT – lâmpadas LED; ARQUIPETROL – controlo de pagamento em gasolineiras; YLED – equipamentos para motociclos de enduro; ARQUITUNNEL – iluminação de túneis; HCS – número ilimitado de luminárias e a distâncias ilimitadas ao PT). • Modelo organizacional: esquema de remuneração variável dos colaboradores da organização (ARQUITARGET). Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Desenvolver novos produtos - Contribuir para a eficiência energética - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Padrões Produto organizacional Líder|Gestor da Inovação Rafael Abelha Santos, 39 anos, natural de Lisboa | Formação profissional em Luminotecnia, Eletrónica Digital Avançada e Eletrónica Analógica, frequenta curso de Gestão | CEO da Arquiled e Arquiservice O que o motiva? Realização pessoal, criar e inovar, contribuir para a prosperidade coletiva Contactos | Zona Industrial, Rua C, Lote 40 7490-328 Mora | www.arquiled.com Inovação em Portugal Rural 114 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicadores Breve descrição Pontos de Input Competências da organização I&D Competências da organização Design Recursos financeiros Recursos próprios e financiamentos comunitários Recursos por «mérito» Sistemas de incentivo à inovação: QREN Inovação (SI Agência da Inovação) Recursos materiais Terrenos, edifício, equipamentos, tecnologia, veículos e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovações para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações de organização do local de trabalho Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria e tecnologias, aposta em formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Em 2011 investiu mais de 200 mil euros em I&D Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor dos três principais produtos Investimento em I&D Cadeia de Valor Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Exporta mais de 50% do principal produto e 10% dos outros dois para Europa, Angola e Brasil Dinâmica para a internacionalização Detém parcerias de apoio à internacionalização e estrutura de produção e distribuição no Brasil Fontes de informação externas Essencialmente institucionais e outras fontes Parcerias Locais Autarquia Parcerias de capacitação Universidades e entidades públicas Parcerias de negócio Outras empresas do mesmo setor e fornecedores de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 Criação de emprego (%) 8, num total de 12 Taxa de variação de emprego superior a 100% Criação de emprego (n.º) Criação de mais de 10 postos de trabalho Criação de mais de 10 postos de trabalho Criação de emprego para a inovação Resultados internos Crescimento do volume de vendas, no período 2009 a 2012, superior a 47% Disseminação de conhecimento Divulgação nos media, visitas à organização, participação em eventos comerciais, científico, formativos e em estudos académicos Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo positivo ao nível do desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância aos mercados/acessibilidades, dificuldades no acesso aos recursos. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, dificuldades no acesso à informação sobre os mercados e cadeias de valor e meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Burocracia da administração pública e difícil acesso aos apoios públicos. 26 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 115 COTHN Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional A Organização Principais atividades: Investigação aplicada, transferência de conhecimento e tecnologia Localização: Alcobaça Ano de constituição: 2001 Forma jurídica: Associação setorial privada, sem fins lucrativos Setor: Serviços Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Micro-organização Principais produtos: Investigação aplicada, transferência de conhecimento e tecnologia; serviços de inspeção de pulverizadores e controlo de qualidade; atividades de formação e qualificação; assistência de marketing e gestão das entidades associadas; outros. Marcas: COTHN® Mercados dos principais produtos: Nacional Internacionalização: Estratégia de ligação a redes de transferência de conhecimento internacionais Inovações • Desenvolvimento de atividades de valorização de conhecimento e tecnologia, incrementando a ligação entre a investigação e o setor produtivo. • Organização de eventos e reuniões técnicas com os produtores para formação profissional, balanço de campanhas produtivas e resolução de problemas técnicos. • Serviço de inspeção de pulverizadores e prestação de serviço de controlo de qualidade. • Serviço de avaliação de sistemas de rega. • Serviço de apoio à decisão em termos de proteção de culturas e rega através de uma rede de estações meteorológicas (Infoagro) Perfil de inovação: Motivações Inputs de I&D - Partilhar conhecimento e experiências - Valorização de recursos - Internacionalização - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Descontinuada mas sequencial Líder|Gestora da inovação Padrões Social (transferência de I&D) Maria do Carmo Martins, 39 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Engenharia Agronómica, mestrado em Economia Agrária e Sociologia Rural O que a motiva? Cooperar para inovar, responder às necessidades dos clientes Contactos | Estrada de Leiria 2460-059 Alcobaça | www.cothn.pt Inovação em Portugal Rural 116 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos Proximidade aos recursos e aos mercados, acessibilidades e facilitadores de localização de Input Vantagens competitivas de localização Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização I&D Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Muito diversificadas de Processo Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, equipamentos e tecnologias, conhecimentos externos, formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Investimento em I&D Em 2011 investiu em I&D valores acima da média Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor dos três principais produtos Fontes de informação externas Sobretudo fontes de mercado, mas também, fontes institucionais e «outras fontes» Mobilização de conhecimento local Tradicional, artesanal e ecológico Parcerias locais Autarquias e outras organizações da mesma área Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação, associações e entidades públicas Parcerias de negócio Organizações do mesmo setor, de outros setores, outras áreas e fornecedores Desenvolvimento local Valorização dos recursos locais de Resultado Peso da inovação no volume de vendas 100% do volume de vendas Efeitos internos Ganhos de competência Efeitos externos Contributo positivo ao nível do desenvolvimento socioeconómico da região e da promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média 19 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: «Interioridade», conotação à Região Oeste, dificultando a sua identificação de âmbito nacional. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades para a inovação, recursos humanos e qualificações, proteção da inovação e retorno do investimento em inovação. Barreiras externas: Acesso ao conhecimento para a inovação, cultura local e cultura empresarial para a inovação, burocracia da administração pública e distância dos centros de decisão. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 117 AROMÁTICAS VIVAS O mais fresco da sua cozinha A Organização Principais atividades: Produção e comercialização de aromáticas frescas Localização: Carreço, Viana do Castelo Ano de constituição: 2009 Forma jurídica: Sociedade por quotas Setor: Agricultura Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Pequena empresa Principais produtos: Plantas aromáticas em vaso, para uso culinário Marcas: Aromáticas Vivas, o mais fresco da sua cozinha® Mercados dos principais produtos: Nacional e Espanha Internacionalização: Empresa do grupo Swedeponic (presente em vários países europeus) Inovações • Produção todo o ano, automatizada e com controlo ambiental. • Introdução de novo produto no mercado: aromáticas frescas em vaso. • Estrutura organizacional horizontal, promovendo a partilha de ideias e a valorização pessoal de todos os colaboradores. Perfil de inovação: Motivações - Diferenciação de produtos - Eficiência de processos - Sustentabilidade ambiental Inputs de I&D - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Concentrada Padrões Produto Processo Organizacional Líder|Gestor da Inovação Ziad Barazi, 61 anos, natural de Damasco (Síria) | Licenciatura em Biologia, doutoramento em Fisiologia de Plantas O que o motiva? Criar e inovar, converter ideias em valor, vencer desafios Contactos | Rua da Gravia, n.º 109, Carreço 4900-278 Viana do Castelo | www.aromaticasvivas.com Inovação em Portugal Rural 118 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Características edafoclimáticas, acessibilidades, proximidade aos recursos e aos mercados, razões familiares Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Recursos financeiros Recursos próprios e financiamentos comunitários Recursos materiais Culturas, infraestruturas, equipamentos, tecnologias, veículos e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do promotor e dos colaboradores de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing Inovação para melhorias na organização Aproveitar os recursos disponíveis na organização Investimento em inovação Em 2011 investiu mais de 100% (690%) do volume de vendas de 2010 em atividades para a inovação de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 3, num total de 3 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego (%) Taxa de variação de emprego superior a 100% Criação de emprego (n.º) Criação de mais de 10 postos de trabalho Criação de emprego para a inovação Criação de mais de 10 postos de trabalho N.º de indicadores acima da média 14 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Falta de apoio técnico-político. Barreiras internas: Dificuldade de acesso à informação sobre os mercados e cadeias de valor. Barreiras externas: Dificuldades na contratação de mão-de-obra qualificada, acesso aos apoios públicos e aos mercados, cultura local e empresarial para a inovação, burocracia da administração pública e enquadramento legal e institucional. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 119 RIO DO PRADO Turismo criativo e sustentável A Organização Principais atividades: Turismo em espaço rural; produção e comercialização de produtos hortofrutícolas Localização: Arelho, Óbidos Ano de constituição: 2008 Forma jurídica: Sociedade por quotas Setor: Turismo Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Microempresa Principais produtos: Hotel rural com serviços de alojamento, restauração, saúde e bem-estar, oferta de atividades lúdico-educativas e organização de eventos Marcas: Rio do Prado® Mercados dos principais produtos: Nacional e europeu Internacionalização: Estratégia de captação de turistas estrangeiros Inovações • Hotel concebido e construído com base nos conceitos de eco design e arquitetura sustentável. • Serviços turísticos ambientalmente sustentáveis (certificado A+, aquecimento solar, coberturas verdes, horta fotovoltaica, tratamento de águas dos banhos, abastecimento de autoclismos com água reciclada, reutilização de resíduos e outros materiais para criação de mobiliário e objetos de decoração, utilização de veículos elétricos, etc.). • Criação do «Eco-Lab», laboratório de estímulo e promoção de talentos (designers, artistas, artesãos) ligados ao eco design. • Produção de agricultura biológica, com horta e pomar biológico certificado. • Desenvolvimento do sistema «Eco Easy» com leitura dos consumos de eletricidade nas tomadas e pontos de luz, consumos de água fria, quente e reciclada, e emite o talão informativo do impacto da pegada carbónica de cada cliente. • Criação do serviço «Maria Batata», que integra restauração, com menus à base de produtos biológicos locais e da época, mercearia para o escoamento de produtos locais e a livraria «Green», especializada nas temáticas de proteção ambiental, atividade de agricultura biológica e turismo de natureza. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Criar e diferenciar produtos - Processos e produtos sustentáveis - Sensibilização ambiental - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuado e sequencial Líder|Gestora da Inovação Padrões Produto Processo Marketing social Marta Garcia, 42 anos, natural de Lisboa | Bacharelato em Educação de Infância | Gestora do Hotel Rio do Prado O que a motiva? Criar e inovar, ser independente, assegurar o futuro dos filhos Contactos | Rua das Poças, Arelho 2510-191 Óbidos | http://riodoprado.pt Inovação em Portugal Rural 120 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Património cultural, natural e ambiental, proximidades aos recursos e razões familiares Competências de liderança Experiência da líder Competências da organização I&D Competências da organização Design Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Novos processos para produtos e diferenciação de produtos Inovação para alargar mercado Estratégias de marketing para produtos, processos e marketing Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, tecnologias, conhecimentos externos, formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Cadeia de valor Contribui com mais de 70% no conjunto dos principais produtos para os níveis de conceção do produto/serviço, comercialização e pós-venda Dinâmica para a internacionalização Recorre a parceiros externos para apoiar a internacionalização Mobilização de conhecimento local Técnico-construtivo, tradicional, artesanal, histórico, cultural e ecológico Parcerias locais Autarquia de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 5, num total de 7 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego para a inovação Criação de 5 postos de trabalho Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo positivo ao nível da valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média 19 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Não foram destacadas. Barreiras externas: Dificuldades de acesso ao conhecimento para a inovação, ao capital de risco, ao crédito bancário, a apoios públicos e a telecomunicações; burocracia da administração pública; enquadramento legal e institucional. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 121 NOVA DELTA Comércio e Indústria de Cafés, SA A Organização Principais atividades: Importação, exportação, industrialização e transformação de café verde, cevada e chicória Localização: Campo Maior Ano de constituição: 1985 Forma jurídica: Sociedade anónima Setor: Agroindústria Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Grande empresa Principais produtos: Cafés torrados, em grão ou moídos, misturas de café, cafés solúveis, cevadas e sucedâneos de cacau Marcas: Delta Cafés®, Delta Q®, Del’Fruit® Mercados dos principais produtos: Nacional, europeu, Angola e Brasil Internacionalização: Empresa do Grupo Nabeiro com presença em mais de 20 países Inovações • Desenvolvimento de novos produtos: Del’Fruit – sumos e néctares selados através do sistema Bag in Box utilizado em máquinas dispensadoras Krobag; Delta Q – sistema de cápsulas de café patenteado; Power coffee – cápsula de café com teor acrescido de cafeína, guaraná e ginseng; Chá Red Q – cápsulas de chá expresso, 100% natural, sem cafeína feita a partir da planta de rooibos; Ice coffee Luso Delta – bebida 100% feita à base de água mineral natural de Luso e café Delta • Conceção de novas embalagens: Ruby – sistema de armazenamento em embalagem PET para 3 kg de café em grão e dispensador de café para máquinas de restauração, embalagens Doypack para 250 g de café moído • Desenvolvimento de máquinas de café – Delta Q: Qool automática, Qosmo Gloss, Qosy Automática, alQuimia, Bugatti Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Novos produtos - Diversificar e diferenciar a gama de produtos - Sustentabilidade ambiental - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da inovação Padrões Produto Marketing Marco Miranda, 38 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Empreendedorismo e Inovação | Gestor da inovação na Nova Delta, desde 2001 Contactos | Av. Calouste Gulbenkian 7370-025 Campo Maior | www.delta-cafes.pt Inovação em Portugal Rural 122 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Acessibilidades e proximidade dos mercados e razões familiares Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Competências da organização I&D Recursos financeiros Recursos próprios e financiamentos comunitários Recursos por «mérito» QREN SI Inovação e SI I&DT Recursos materiais Terrenos, edifícios, infraestruturas, equipamentos, tecnologia, patentes e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Diferenciar produtos e diversificar a gama de produtos existentes Inovação para alargar mercado Estratégia de marketing para produtos e para entrar em mercados específicos Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de equipamentos, tecnologias, conhecimentos externos, formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Investimento em I&D Em 2011 investiu mais de 200 000 euros em I&D Fontes de informação externas Essencialmente fontes de mercado Parcerias locais Outras organizações da mesma área Parcerias de negócio Empresas de outros setores e fornecedores 6, num total de 8 de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 Criação de emprego (n.º) Criação de 18 postos de trabalho Criação de emprego para a inovação Criação de 8 postos de trabalho Disseminação de conhecimento Divulgação nos media, participação em eventos científicos e formativos e estudos académicos, visitas à organização e apoio à criação de negócios e empresas N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Proteção da inovação. Barreiras externas: Não foram destacadas. 21 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 123 SUMOL+COMPAL É da nossa natureza. A Organização Principais atividades: Fabricação de bebidas alcoólicas e não alcoólicas Localização: Almeirim Ano de constituição: 1952, constituição da Compal; 2009, constituição da SUMOL+COMPAL por fusão da Compal e da Sumolis Forma jurídica: Sociedade anónima Setor: Agroindústria Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão: Grande empresa Principais produtos: Águas, cervejas, sumos, refrigerantes, néctares, bebidas energéticas vegetais e derivados de tomate, dos quais se destacam a gama de Compal Clássico dos aromas Manga, Pêssego e Pera Marcas: Sumol®, Compal® às quais acrescem mais de 30 marcas derivadas (blends) e outras marcas para famílias específicas de produtos Mercados dos principais produtos: Nacional e África Internacionalização: Organização exportadora, com parcerias com clientes e intermediários em mais de 65 países; detém uma empresa local em Moçambique com atividade industrial, destinada a servir o mercado do SADC; detém uma empresa local em Angola com atividade comercial e tem em curso projeto de construção de uma fábrica. Inovações • Desenvolvimento de novos produtos: néctares com novos sabores de edição limitada: ameixa rainha-cláudia do Alentejo, laranja do algarve e maçã bravo de Esmolfe; outros sabores: néctar de ameixa, frutos vermelhos, cereja, melancia-morango, e néctar de vários sabores sem adição de açúcar, corantes e conservantes. • Criação de novas marcas: Compal Família, Compal Vital, Compal Light, Compal Essencial. • Desenvolvimento de novas embalagens (embalagem multicamada e de pequena capacidade para targets específicos). • Implementação de novas tecnologias no processo de transformação do produto. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Diversificar a gama de produtos - Alargar o mercado - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestora da Inovação Padrões Produto Marketing Madalena Faria, 39 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Gestão e Administração de Empresas, MBA em Marketing| Marketing Manager da Compal, desde 2005 Contactos | Estrada da Portela, 9 2790-124 Carnaxide | www.sumolcompal.pt Inovação em Portugal Rural 124 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Proximidade dos recursos e dos mercados, acessibilidades Recursos materiais Terrenos, culturas agrícolas, edifícios, equipamentos, tecnologia, veículos, patentes e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Desenvolvimento de novos produtos para diversificar a gama de produtos e entrar em mercados específicos Inovação para alargar mercado Estratégia de marketing própria e para novos produtos Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Em 2011 investiu mais de 750 000 euros em I&D Exporta os 1.º, 2.º e 3.º principais produtos, respetivamente, para Angola (75%), Angola e Cabo Verde (20%) e Cabo Verde e Moçambique (25%) Dinâmica para a internacionalização Parcerias com distribuidores e intermediários internacionais, empresas locais e produção local em mercados estratégicos Fontes de informação externas Mobilização de conhecimento local Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, equipamento e tecnologias, formação e qualificação, procura de novos mercados e experimentação Investimento em I&D Fontes de mercado, algumas fontes institucionais e sobretudo «outras fontes» Tradicional, artesanal, histórico e cultural Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação, associações e media Parcerias de negócio Outras empresas de outros setores e de outras áreas de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 Criação de emprego (n.º) Efeitos internos 9, num total de 12 Criação de 150 postos de trabalho Ganhos de competência e sustentabilidade da organização N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Não foram destacadas. Barreiras externas: Acesso ao capital de risco, ao crédito bancário e aos apoios públicos. 19 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 125 PROVE Promover e Vender A Organização Principais atividades: Produção agrícola, Promoção integrada de produtos hortícolas da época, distribuídos em cabazes em núcleos aderentes numa rede constituída à escala nacional Localização: Nacional Ano de constituição: 2004 Forma jurídica: Associação sem fins lucrativos (16 grupos de ação local e 120 agricultores) Setor: Serviços e comércio Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Média organização Principais produtos: Venda de cabazes de produtos hortofrutícolas Marcas: PROVE® Mercados dos principais produtos: Nacional, circuitos de proximidade Inovações • Colocar os produtores (pequenos produtores) a desenvolver um negócio que termina na comercialização, sem intermediários. • Desenvolvimento de associações entre produtores (núcleo de 2 a 4 agricultores) para o aprovisionamento de produtos hortícolas, em quantidade e diversidade suficiente, para criar o cabaz. • Publicitação/promoção do PROVE (boca a boca, internet e redes sociais) • Promoção e dinamização integrada da rede de produtores em diversos canais de comunicação (criação de página de internet, redes sociais, comunicação social). • Alargar à comercialização de produtos transformados. Perfil de inovação: Motivações - Ganhos de eficiência e de valor - Diversificar a gama de produtos Inputs de I&D - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Continuada e sequencial Padrões Produto Marketing Líder|Gestor da Inovação José Diogo, 33 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Engenharia Agronómica |Na ADREPES desde 2006 O que o motiva? Realização pessoal, assegurar uma situação económica estável, diversificar a atividade Contactos | Estrada Nacional 379, Espaço Fortuna Artes e Ofícios 2950-807 Quinta do Anjo Inovação em Portugal Rural 126 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Facilitadores de localização e acessibilidades, proximidade dos mercados Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Recursos financeiros Recursos financeiros próprios, financiamentos comunitários e apoios públicos locais Recursos materiais Terrenos, culturas, edifícios, equipamentos, infraestruturas, tecnologia, veículos e marca Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Muito diversificadas de Processo Inovações para alargar o mercado Estratégia de marketing Inovações para melhorias na Inovações organizacionais para obtenção de ganhos de eficiência e valor organização Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D interna e externa, aquisição de equipamentos, tecnologias, conhecimento externo, formação e qualificação, procura de novos mercados, experimentação Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor (exceto na transformação) Fontes de informação externas Fontes de mercado, fontes institucionais e «outras fontes» Mobilização de conhecimento local Técnico-construtivo, histórico, cultural e ecológico Parcerias locais Organizações da mesma área e autarquias Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação, associações, entidades públicas Parcerias de negócio Outras organizações do mesmo setor e de outras áreas e fornecedores de Resultado Taxa de variação de emprego superior a 100% (284%) Criação de emprego (n.º) Criação de mais de 70 postos de trabalho Criação de emprego para a inovação Criação de mais de 90 postos de trabalho Criação de emprego (%) Resultados internos Crescimento do volume de vendas, no período de 2009-2011, superior a 100% Disseminação de conhecimento Divulgação nos media, participação em eventos pedagógicos e formativos, comerciais e em estudos e projetos, visitas e apoio a novos negócios Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo positivo ao nível do desenvolvimento socioeconómico da região, da valorização do património e da promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média 23 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Dificuldades de acesso aos recursos e distância aos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, converter formação em conhecimento, riscos da inovação, meios financeiros disponíveis, cultura, estratégia e liderança da organização Barreiras externas: Acesso ao conhecimento para a inovação e à formação, burocracia da administração pública, enquadramento legal e institucional e acesso a telecomunicações. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 127 ANSUB Associação de Produtores Florestais do Vale do Sado A Organização Principais atividades: Prestação de serviços de gestão florestal; investigação e desenvolvimento; outros (valorização de produtos, cartografia, topografia e consultoria técnica) Localização: Alcácer do Sal Ano de constituição: 1994 Forma jurídica: Associação empresarial, sem fins lucrativos Setor: Serviços Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Nano-organização Principais produtos: Elaboração de planos de gestão florestal; certificação florestal; preparação de candidaturas; outros serviços (topografia, cartografia e SIG, incentivo ao investimento, valorização de produtos, apoio técnico, I&D, formação e sensibilização) Marcas: Certisado® Mercados dos principais produtos: Nacional Inovações • Desenvolvimento de técnicas de enxertia na plantação de pinheiro manso. • Desenvolvimento de maquinaria e equipamentos de extração de cortiça, de processo mecânico de recolha de pinhas e de sistema de tratamento térmico de bolotas (landes). • Método de leitura automática da qualidade e humidade da cortiça sem extração. • Divulgação e aquisição de conhecimento: valorização da fileira da pinha e do pinhão. Perfil de inovação: Motivações - Melhoria de processos - Ganhos de eficiência e de valor - Redução de custos Inputs de I&D - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Padrões Processo Produto Networking Líder|Gestor da Inovação Pedro Silveira, 47 anos, natural de Évora | Licenciatura em Engenharia Agronómica, pós-graduação em Pastagens e Forragens O que o motiva? Criar e inovar, valorizar a ideia, contribuir para a prosperidade coletiva Contactos | Rua Joaquim Soeiro Pereira Gomes, Apt 105 7580-514 Alcácer do Sal | http://www.ansub.pt Inovação em Portugal Rural 128 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Características edafoclimáticas do território, acessibilidades, proximidade dos mercados, razões familiares Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação dos recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização I&D Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Recursos materiais Parque florestal, equipamentos, tecnologia, veículos e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações de produto e processo para obter ganhos de eficiência e valor Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Fontes de informação externas Sobretudo fontes de mercado, fontes institucionais, mas também «outras fontes» Parcerias locais Autarquias Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação, associações e entidades públicas Parcerias de negócio Outras empresas do mesmo setor, de outros setores e de outras áreas Desenvolvimento local Estabelecimento de redes para desenvolvimento local e regional e valorização dos recursos N.º de indicadores acima da média 16 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Dificuldades de acesso aos recursos. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, dificuldades de acesso à informação sobre os mercados e cadeias de valor, em converter informação em conhecimento; custo, retorno do investimento em inovação e meios financeiros disponíveis; cultura e estratégia da organização. Barreiras externas: Dificuldades de contratação de mão-de-obra qualificada, no acesso ao capital de risco e ao crédito bancário e desadequação dos incentivos públicos. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 129 CASAS AGRÍCOLAS DAS HERDADES MONTE NOVO E CONQUEIRO A Organização Principais atividades: Produção e comercialização de produtos agrícolas e silvicultura Localização: Aldeia Velha, Avis Ano de constituição: 1985 Forma jurídica: Sociedade anónima Setores: Agricultura, silvicultura Nível de diversificação/especialização: Organização diversificada e verticalizada Dimensão (volume de emprego): Pequena empresa Principais produtos: cortiça; vinho e uvas de mesa; azeite virgem extra; outros – carne de bovino mertolengo (DOP), carne de porco preto alentejano (DOP), cereais e culturas forrageiras, pinhão e caça turística Marcas: Rovisco Garcia®, Herdade de Marcolos® Mercados dos principais produtos: Nacional, Europa, Brasil e EUA Internacionalização: Organização exportadora, com parcerias com distribuidores e intermediários internacionais e participação em eventos comerciais e promocionais de âmbito internacional Inovações • I&D aplicados. Implementação de sistemas de controlo de rega e fitossanitário em vinha e olival com compasso de 7x3,5 m e plantação de sobreiros com sistema de rega gota-a-gota, que permitiu extrair a primeira cortiça (desboia) aos 8 anos. Extração de cortiça com serviço entrega imediata. • Estratégia de marketing (participação no vídeo em inglês da BBC «Forest in a Bottle»: ciclo das operações e presença da vida selvagem no montado; dinamização de atividades turísticas integradas para atração de novos públicos. • Gestão florestal e cinegética sustentável (Wild Life Estates, Certificação PEFC e FSC), prevenção de incêndios (restrição de circulação em épocas críticas, prevenção perimetral e nas linhas de água, kits de 1.ª intervenção e joppers). • Estabelecimento de redes com a comunidade local para o acompanhamento de atividades de caça turística. • Projeto de biodiversidade e preservação de espécies: reintrodução do corço e criação de javalis. Perfil de inovação: Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Aproveitar recursos disponíveis - Estratégia de marketing Inputs de I&D - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Continuada e sequencial Padrões Produto Processo Marketing Organizacional Líder|Gestor da inovação Francisco Almeida Garrett, 67 anos, natural de Avis | Licenciatura em Engenharia Agronómica, pós-graduação em Gestão e Comércio Internacional O que o motiva? Animar uma equipa, assegurar o futuro dos filhos, consciência de dispor de capacidade de liderança Contactos | Herdades Monte Novo e Conqueiro 7480-057 Aldeia Velha www.rgroviscogarcia.pt/ Inovação em Portugal Rural 130 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Recursos materiais Terrenos, infraestruturas, equipamentos, tecnologia, veículos e marcas Fontes de informação internas Sobretudo conhecimento e experiência do(s) promotor(es) mas também dos colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Desenvolvimento de novos produtos e processos para produtos. Estratégia de marketing Inovação para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações para obter ganhos de eficiência e valor Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Inovação para alargar o mercado Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, equipamentos e tecnologias, formação e qualificação, introdução de inovações no mercado e experimentação Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor dos principais produtos (exceto na cortiça: apenas conceção do produto e produção) Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Exporta menos de 50% de um produto e cerca de 100% de outro (Europa, Brasil e EUA) Dinâmica para a internacionalização Parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Sobretudo fontes de mercado, mas também «outras fontes» Fontes de informação externas Inovação para networking local Redes com a comunidade local Parcerias locais Autarquias e outras organizações da mesma área Parcerias de negócio Outras empresas do mesmo setor, de outros setores e fornecedores de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 3, num total de 10 Criação de emprego para a inovação Criação de postos de trabalho acima da média Disseminação de conhecimento Participação em eventos comerciais e promocionais e visitas à organização Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância aos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Não foram destacadas. Barreiras externas: Dificuldades de contratação de mão-de-obra qualificada e de acesso aos apoios públicos e enquadramento legal e institucional. 22 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 131 TERRIUS Agrupamento de produtores, CRL A Organização Principais atividades: Produção, transformação, desenvolvimento de novos produtos e comercialização de produtos agrícolas; atividades de educação e formação; organização e dinamização de atividades turísticas nas vertentes gastronomia, natureza e património. Localização: S. Salvador da Aramenha, Marvão Ano de constituição: 2011 Forma jurídica: Cooperativa Setores: Agricultura, agroindústria e turismo Nível de diversificação/especialização: Organização diversificada Dimensão (volume de emprego): Microempresa Principais produtos: Cogumelos e produtos transformados, tomate desidratado, conservas, farinhas, compotas agridoces e frutos certificados (castanha DOP, maçã de Portalegre IGP, variedade bravo Esmolfe) Marcas dos principais produtos: Terrius® Mercados: Nacional Internacionalização: Processo em fase inicial com destaque para mercados de Norte da Europa, Médio Oriente e EUA. Inovações • Modelo organizacional: agrupamento de jovens agricultores, socialmente responsáveis, com a missão de recuperar e preservar as tradições, os produtos e os recursos naturais locais. • Produção de cogumelos em tronco de madeira. • Desenvolvimento de gama de produtos à base de cogumelos (farinha, bolachas, conservas). • Criação da marca Terrius®. • Comercialização de produtos DOP e IGP locais. • Desenvolvimento de gama de produtos à base de produtos DOP e IGP locais (farinha, bolachas, conservas) • Desenvolvimento de embalagem de plástico com aparência de vidro. Perfil de inovação: Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Diversificar e diferenciar a gama de produtos - Valorizar os recursos locais Inputs de I&D - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Padrões Produto Processo Marketing Organizacional Líder|Gestora da Inovação Rita Martins, 31 anos, natural de Vila Real | Licenciatura em Engenharia Zootécnica, mestrado em Segurança Alimentar O que a motiva? Valorizar a ideia, ser independente, contribuir para a prosperidade coletiva Contactos | Edifício Moinho da Cova, Centro Lazer da Portagem 7330-328 Marvão | www.terrius.pt Inovação em Portugal Rural 132 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Acessibilidades, património cultural, natural e ambienta, razões familiares Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização I&D Recursos financeiros Recorre unicamente a recursos financeiros próprios Fontes de informação internas Sobretudo, conhecimento e experiência do(s) promotor(es) mas também dos colaboradores de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Desenvolvimento de produtos ou processos destinados a diversificar a gama e a diferenciar produtos Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing Inovação para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações para obter ganhos de eficiência e valor Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição e conhecimento externo, formação e qualificação, introdução de inovações em novos mercados, experimentação Fontes de mercado, institucionais e outras fontes Fontes de informação externa Mobilização de conhecimento local Conhecimento técnico-construtivo, tradicional, artesanal, histórico, cultural e ecológico Parcerias locais Autarquia(s) de Resultado 7, num total de 7 Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de inovações de 2009 a 2012 N.º de indicadores acima da média 18 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades e dificuldades de acesso aos recursos. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, acesso a informação sobre os mercados e cadeias de valor e meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Acesso aos mercados, burocracia da administração pública e enquadramento legal e institucional. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 133 NONO SENTIDO Alimentação e Bem-Estar, Lda. A Organização Principais atividades: Transformação e comercialização de azeites, patés e compotas Localização: Quinta da Várzea da Pedra, Bombarral Ano de constituição: 2010 Forma jurídica: Sociedade por quotas Setor: Comércio Nível de diversificação/especialização: Organização verticalizada Dimensão (volume de emprego): Nano-empresa Principais produtos: Azeite virgem extra, azeite virgem extra aromatizado, patés de azeitonas e compotas de frutos Marcas: 9.º Sentido®; Nono Sentido, Olive Soul Mercados dos principais produtos: Nacional, Europa e Ásia Internacionalização: Desenvolvimento da estratégia de internacionalização em curso para os mercados da Europa, da Rússia e da China Inovações • Investigação e desenvolvimento de novos produtos com azeite extra virgem de categoria superior enriquecido com antioxidantes naturais de origem marinha. • Desenvolvimento de novas técnicas e metodologias para extração mecânica e infusão de aromas em azeite. • Desenvolvimento de gama de produtos: azeite para pratos de menu (special saladas com manjericão e limão, special peixe com aneto e special al funchi para pratos típicos italianos); gama de compotas (pera rocha com gengibre, tomate com manjericão, morangos silvestres, ameixa e azeitonas doces) e patés com antioxidantes naturais (limão, ervas aromáticas e algas marinhas). Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Novos produtos - Diversificar a gama de produtos - Aproveitar recursos disponíveis - Fontes internas de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da Inovação Padrões Produto Processo Ricardo Viveiros, 49 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica, pós-graduação em Gestão e MBA O que o motiva? Ser independente, vencer desafios, autoemprego Contactos | Q.ta Várzea da Pedra, 2540-172 Bombarral www.nonosentido.com Inovação em Portugal Rural 134 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Proximidade dos recursos, razões familiares e facilitadores da localização Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização I&D Competências da organização Design de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Desenvolvimento de novos produtos ou processos para diferenciar produtos e diversificar a gama de produtos Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, formação e qualificação, introdução de inovações no mercado e produção experimental Investimento em I&D Em 2011 investiu acima da média em atividades de I&D Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação e associações de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 5, num total de 5 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Disseminação de conhecimento Participação em eventos comerciais e promocionais e apoio ao desenvolvimento de novos negócios Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades e dificuldades de acesso aos recursos. Barreiras internas: Proteção da inovação. Barreiras externas: Distância cultural entre empreendedores e investigadores; relação burocrática e demorada 15 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 135 QUINTA DO PORTAL, SA Enólogos Distintos A Organização Principais atividades: Produção e comercialização de vinhos comuns e licorosos; restauração; enoturismo e agroturismo Localização: Celeiros do Douro, Sabrosa Ano de constituição: 1990 Forma jurídica: Sociedade anónima Setores: Agroindústria e turismo Nível de diversificação/especialização: Organização verticalizada Dimensão (volume de emprego): Média empresa Principais produtos: Vinhos do Porto de categorias especiais e moscatel; vinhos DOC Douro; enoturismo Marcas: Quinta do Portal colheita®, Auru®, Mural®, Frontaria®, Muros da Vinha®, Late Harest®, Fémina®, Extra Dry®, Lágrima®, Fine White®, Fine Tawny®, Fine Ruby®, Portal Pink®, Portos Reserva®, Moscatel Douro®, Mural de Favaios®, Trevo® Mercados dos principais produtos: Nacional, Europa, América do Norte, Rússia, China, Brasil Internacionalização: Organização exportadora, com parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Inovações • Desenvolvimento de novas tecnologias de produção do vinho (método para selecionar os bagos). • Desenvolvimento de novas formas de marketing com benefícios ambientais (galardão «Chave Verde» – adoção de medidas ecológicas e práticas sustentáveis). • Criação e dinamização do serviço de enoturismo e agroturismo, aliado ao conceito de enogastronomia (restaurante gourmet vínico). • Desenvolvimento de novos produtos para novos públicos (Vinho Fémina®). • Abertura de novos canais de comunicação e marketing (site próprio e clube de amigos nas redes sociais). Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Novos produtos - Diferenciar produtos - Estratégia de marketing - Fontes internas Dinâmicas - Incremental - Continuada e sequencial Equipa de gestão da Inovação Padrões Produto Processo Marketing Manuel Castro Ribeiro, 50 anos, Licenciatura em Economia, pós-graduação em Estudos Europeus e em Gestão Internacional | Consultor de gestão, diretor financeiro e diretor geral da Quinta do Portal, desde 2007; Paulo Coutinho, 44 anos, enólogo, diretor de produção da Quinta do Portal desde 1990; Miguel Sousa, 39 anos, diretor de viticultura; Pedro Branco, 41 anos, Licenciatura em Gestão, diretor comercial desde 1990. Contactos | EN 323, Celeirós do Douro 5060-909 Sabrosa | www.quintadoportal.com/ Inovação em Portugal Rural 136 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Recursos por «mérito» Prémio «Best of Wine Tourism» Recursos materiais Culturas (vinhas), edifícios, infraestruturas (adega), tecnologia, veículos e marcas Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Desenvolvimento de novos produtos e de processos para diferenciar produtos Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing própria, de produto e para entrar em mercados específicos Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Exporta entre 50% a 100% dos seus principais produtos para Europa, América do Norte, África, China e Brasil Dinâmica para a internacionalização Parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação e associações de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 5, num total de 7 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Dificuldades de acesso aos recursos. Barreiras internas: Custos da inovação e proteção da inovação. Barreiras externas: Burocracia da administração pública e enquadramento legal e institucional. 15 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 137 CASA AGRÍCOLA DE VALBOM A Organização Principais atividades: Produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas e pecuária; dinamização de atividades de turismo cinegético. Localização: Valbom dos Figos, Mirandela Ano de constituição: 2005, como empresário agrícola Forma jurídica: Empresário em nome individual Setores: Agricultura, agroindústria e turismo Nível de diversificação/especialização: Organização pluriverticalizada Dimensão (volume de emprego): Pequena empresa Principais produtos: Azeite virgem extra biológico; azeitona de mesa; amêndoa; outros (uva de mesa, marmelo, borregos e vitelos) Marcas: Casa de Valbom®, Origens® Mercados dos principais produtos: Nacional, Espanha, França, Brasil, Angola e China Internacionalização: Organização exportadora, com parcerias com distribuidores e intermediários internacionais e participação em eventos comerciais e promocionais de âmbito internacional, promoção de missões inversas, trazendo empresários a visitar a realidade agrícola nacional. Inovações • Introdução de maquinaria e novas tecnologias nos processos de apanha de azeitona e extração do azeite a frio. • Alteração da estrutura organizacional da empresa com a redução de intermediários da cadeia de distribuição. • Abertura de novos canais de marketing com o alargamento da rede de pontos de venda. • Organização e dinamização de ações de informação para os consumidores e de palestras de incentivo à internacionalização para as empresas. • Melhoria dos processos de gestão agrícola recorrendo a um planeamento e controlo de recursos de ciclo fechado com a introdução de novas formas de gestão, melhoria no método de produção e alterações com benefícios ambientais. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Garantir qualidade - Novos mercados - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Continuada Líder|Gestor da Inovação Padrões Processo Organizacional Marketing Alberto Carvalho Neto, 29 anos, natural de Mirandela | Licenciatura em Engenharia Zootécnica, MBA em Gestão e Marketing | Administrador da Casa Agrícola de Valbom, desde 2005 Contactos | Valbom dos Figos 5370-175 Mirandela | www.casaagricolavalbom.com Inovação em Portugal Rural 138 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores acima da média Recursos financeiros Recorre unicamente a recursos financeiros próprios Recursos materiais Culturas, edifícios, infraestruturas, equipamentos, veículos, patentes e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores de Processo Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing própria e organizacional Inovação para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações para obter ganhos de eficiência e valor Intensidade do processo de inovação Continuada Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, equipamentos e tecnologias, formação e qualificação, introdução de inovações no mercado e experimentação Investimento em inovação Em 2011 investiu cerca de 70% do volume de vendas de 2010 em atividades de inovação Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor Dinâmica para a internacionalização Parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Fontes de conhecimento externo Mobilização de conhecimento local Fontes de mercado, mas sobretudo «outras fontes» Técnico-construtivo, tradicional, artesanal, histórico, cultural e ecológico Parcerias locais Outras organizações da mesma área de Resultado Resultados internos Crescimento do volume de vendas, no período de 2009 a 2011, superior a 70% Disseminação de conhecimento Participação em eventos comerciais e promocionais, pedagógicos e formativos, visitas à organização e apoio à criação de novos negócios Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média 19 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, recursos humanos e qualificações, acesso a informação sobre os mercados e cadeias de valor, converter informação e formação em conhecimento, custos e retorno do investimento em inovação, meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Acesso e desadequação dos apoios públicos, burocracia da administração pública e acessibilidades Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 139 COOKING AND NATURE Emotional hotel A Organização Principais atividades: Operação de um hotel rural com atividades integradas de alojamento, restauração e bebidas; organização e dinamização de atividades de natureza e aventura, lúdicas e educativas Localização: Alvados, Porto de Mós Ano de constituição: 2009 Forma jurídica: Sociedade por quotas Setor: Turismo Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Nano-empresa Principais produtos: Alojamento, restauração e dinamização de atividades de natureza e aventura e lúdicas educativas Marcas: Cooking and Nature® Mercados dos principais produtos: Nacional, Europa e Brasil Internacionalização: Estratégia de captação de turistas estrangeiros Inovações • Hotel em meio rural que alia arquitetura, design, sustentabilidade ambiental e modernidade às características naturais e tradicionais do local. • A decoração dos espaços comuns e dos quartos representam emoções; decorados individualmente, incorporam sentimentos (desde os mais tranquilos «Simplicidade, Meditação» ou «Aconchego, Meditação», aos mais sugestivos «Exotismo, Sensualidade» ou «Luxúria, Paixão»). • Serviço de «Cooking Lesson»: preparação de refeições pelos hóspedes com o acompanhamento de chefes, com aposta em ementas da estação e pratos típicos da região, feitos a partir de ingredientes fornecidos pela população local). • Disponibilização dos serviços: «Honesty Bar» e espaço «Banhos de Aire» (piscinas com diferentes temperaturas que resulta de um exercício de diferenciação do espaço SPA adequado às condições naturais locais). • Organização de atividades lúdico-educativas e oferta em rede com empresas locais. Perfil de inovação: Motivações - Criar novos produtos - Diferenciar produtos - Networking para oferta - Sustentabilidade ambiental Inputs de I&D - Fontes internas, de forma sequencial - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Continuada e sequencial Padrões Produto Networking Líder|Gestor da Inovação Rui Anastácio, 43 anos, natural de Alvados | Licenciatura em Engenharia Florestal, pós-graduação em Gestão e Conservação da Natureza e em Direção Hoteleira | Sócio fundador da Letras e Borboletas – Ecoturismo, Lda. O que o motiva? Ser independente, realização pessoal, valorizar a ideia. Contactos | Rua Asseguia das Lages, n.º 181 2480-032 Alvados | www.cookinghotel.com Inovação em Portugal Rural 140 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas de localização Acessibilidades e património cultural natural e ambiental Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Fontes de informação internas Sobretudo conhecimento e experiência do(s) promotor(es) mas também dos colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovação de produto ou processo novo/ melhorado Desenvolvimento de novos produtos e diferenciação de produtos Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing Inovação para criação de redes Estabelecimento de redes de oferta de produtos Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Cadeia de valor Contribui em 100% para a conceção do produto/serviço, e ainda para a sua transformação, comercialização e pós-venda Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Mais de 50% dos turistas são provenientes da Europa e do Brasil Mobilização de conhecimento local Técnico-construtivo e ecológico Networking local Estabelecimento de redes com a comunidade local Parcerias locais Outras organizações da mesma área Parcerias de negócio Organizações do mesmo setor e de outros setores e fornecedores de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 8, num total de 8 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Disseminação de conhecimento Participação em eventos científicos, comerciais e promocionais e visitas à organização Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: «Interioridade» e distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Acesso ao capital de risco e ao crédito bancário. 21 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 141 TOMELO Ecodesenvolvimento, Lda. A Organização Principais atividades: Transformação e comercialização de linha cosmética com leite de burra Localização: Serapicos, Vimioso Ano de constituição: 2005 Forma jurídica: Sociedade em nome coletivo Setores: Agroindústria e comércio Nível de diversificação/especialização: Organização verticalizada Dimensão (volume de emprego): Microempresa Principais produtos: Linha de cosméticos (sabonetes naturais e cremes hidratantes) feitos a partir de leite fresco de burra Marcas: Tomelo CLEO® Mercados dos principais produtos: Nacional Internacionalização: Estratégia para exportação em desenvolvimento Inovações • Lançamento de linha de produtos de cosméticos naturais (sabonetes, cremes hidratantes e antienvelhecimento). Estes produtos representam o projeto que contribui para a preservação da biodiversidade e a conservação do património genético e social associados à espécie do burro mirandês, que se encontra ameaçada de extinção. • Criação da marca Tomelo CLEO®, que significa «lavanda» em mirandês (valorização e preservação da língua mirandesa). • Desenvolvimento de novos canais de distribuição (serviço de venda online e abertura de cafetaria em ambiente urbano para venda de produtos próprios e outros produtos da região do planalto mirandês). • Estabelecimento de redes locais para aproveitamento de matérias-primas locais, recuperação e revitalização de negócios locais. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Recuperar e preservar métodos, técnicas e produtos tradicionais - Estratégia de marketing - Fontes internas Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da Inovação Padrões Produto Marketing Social Jorge Lira, 46 anos, natural de Miranda do Douro | Licenciatura em Arquitetura | Sócio fundador da Tomelo, Ecodesenvolvimento, Lda. O que o motiva? Realização pessoal, mobilização das suas capacidades de liderança, ser independente Contactos | Rua das Eiras s/n.º, Serapicos, 5230-252 Vale de Frades | www.tomelo.pt Inovação em Portugal Rural 142 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores acima da média Recursos financeiros Recorre unicamente a recursos financeiros próprios de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovação para alargar o mercado Estratégia de marketing Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de maquinaria, equipamentos e tecnologia e experimentação Investimento em inovação Em 2011 investiu 150% do volume de vendas de 2010 em atividades de inovação Cadeia de valor Criação de valor acrescentado superior a 70% para os principais produtos nas fases de conceção do produto, produção, transformação e distribuição Networking local Redes de colaboração com a comunidade local de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 6, num total de 6 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego para a inovação Criação, acima da média, de postos de trabalho Disseminação de conhecimento Divulgação nos media, participação em eventos científicos, comerciais e promocionais e em estudos e projetos académicos e visitas à organização Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média 16 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades. Barreiras internas: Converter a formação e a informação em conhecimento, retorno do investimento em inovação. Barreiras externas: Desadequação dos incentivos públicos, acesso a telecomunicações e distância dos centros de decisão. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 143 PRIMORES DO OESTE Organização de produtores A Organização Principais atividades: Produção e comercialização de produtos hortícolas Localização: Palhagueiras, Torres Vedras Ano de constituição: 2006 Forma jurídica: Sociedade anónima Setores: Agricultura e comércio Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Média empresa Principais produtos: Hortícolas (tomate, alface e curgete) Marcas: Primores do Oeste® Mercados dos principais produtos: Nacional, Espanha e França Internacionalização: Organização exportadora Inovações • Técnica de cultivo hidropónica em circuito fechado. • Produção de alface em floating. • Produção de hortícolas em estufas aquecidas com sistema de cogeração. • Análises de processos e iões e implementação do sistema de controlo de rega computorizados. • Aplicação da técnica de enxertia no cultivo de tomate. • Processo de controlo biológico ao nível da produção. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Diferenciação pela qualidade de produção - Redução de custos - Fontes internas, de forma contínua Dinâmicas - Incremental - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da Inovação Padrões Processo Organizacional Jorge Camilo, 64 anos, natural de Lisboa | Técnico agrário | Diretor técnico de produção O que o motiva? Criar e inovar, vencer desafios, fomentar o espírito de equipa e motivar os colaboradores para a inovação. Contactos | Rua do Parque, n.º 2 560-044 Palhagueiras | www.linos.pt/ Inovação em Portugal Rural 144 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Recursos financeiros Recursos próprios e financiamentos comunitários Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores de Processo Tipo de processo de inovação Radical e incremental Inovações para melhorias Desenvolvimento de inovações para obter ganhos de eficiência e valor organizacionais Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Investimento em inovação Em 2011 investiu 365% do volume de vendas de 2010 em atividades para a inovação Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor dos três principais produtos Parcerias locais Autarquia(s) Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação e associações de Resultado N.º de inovações de 2009 a 2012 5, de um total de 6 Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego (%) Taxa de variação de emprego acima da média (>65%) Criação de emprego (n.º) Criação de 80 postos de trabalho Criação de emprego para a inovação Criação de 35 postos de trabalho Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização N.º de indicadores acima da média 16 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Não foram destacadas. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação. Barreiras externas: Dificuldades de acesso ao capital de risco, ao crédito bancário e aos apoios públicos; desadequação dos incentivos públicos e acessibilidades; distância dos centros de decisão, burocracia da administração pública e enquadramento legal e institucional Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 145 FRUPOR Sociedade agroindustrial A Organização Principais atividades: Produção de produtos hortícolas e de plantas ornamentais; operação de hotel rural com atividades de alojamento e atividades lúdico-educativas; vitivinicultura Localização: Brejão, Odemira Ano de constituição: 1987 Forma jurídica: Sociedade anónima Setores: Agricultura e turismo Nível de diversificação/especialização: Organização verticalizada Dimensão (volume de emprego): Média empresa Principais produtos: Produtos hortícolas (couve chinesa, cenouras); Plantas ornamentais (feto, espargo); outros (vinho, pesquisa e ensaios, turismo em meio rural) Marcas: Frupor®, Herdades da Frupor, casas de campo®, Flordecor®, Atlantic® Mercados dos principais produtos: Nacional e europeu Internacionalização: Organização exportadora e com parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Inovações • Desenvolvimento de métodos e técnicas de cultivo de hortícolas que permitem produzir durante todo o ano e implementação de estufas de ensombramento para produção de ornamentais. • Pesquisas e ensaios na vinha (tipos de castas, fertilizantes e irrigação). • Aquisição de empresa de produção de morangos. • Criação do «Cenoura Snack»: produto pronto a comer. • Operação de unidades de turismo rural com serviços de alojamento e atividades lúdico-educativas na «Herdades Frupor, Casas de Campo». Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Criar novos produtos - Diversificar a gama de produtos - Valorizar recursos - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Incremental - Continuada e sequencial Líder|Gestor da Inovação Padrões Produto Processo Organizacional Ole Martin Siem, 56 anos, natural da Noruega | Licenciatura em Engenharia Agronómica | Fundador da FRUPOR O que o motiva? Valorizar a ideia, aproveitar oportunidades, vencer desafios Contactos | Brejo Redondo – Brejão 7630-569 S. Teotónio | www.frupor.com Inovação em Portugal Rural 146 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Recursos materiais Terrenos, edifícios, infraestruturas, equipamentos, tecnologia, veículos e marcas Fontes de informação internas Sobretudo conhecimento e experiência do(s) promotor(es), mas também dos colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovação de produto ou processo melhorado Desenvolvimento de novos produtos e diferenciação e diversificação de produtos Inovação para melhorias Diversificar a gama de produtos oferecidos pela organização organizacionais Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Atividades para a inovação I&D, aquisição de equipamentos e tecnologias, conhecimentos externos, formação e qualificação, procura de novos mercados e produção experimental Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Exporta mais de 50% dos seus produtos para a Europa (Noruega, Holanda, Inglaterra, Alemanha e Bélgica) Dinâmica para a internacionalização Recorre a parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Fontes de informação externas Sobretudo fontes de mercado e ainda «outras fontes» Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação, associações e entidades públicas Parcerias de negócio Outras empresas do mesmo setor, de outros setores e de outras áreas e fornecedores de Resultado Peso da inovação na organização 97% do volume de vendas Criação de emprego (%) Taxa de variação do emprego acima da média (60%) Criação de emprego (n.º) Criação de 72 postos de trabalho Efeitos internos Ganhos de competência da organização N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades; falta de apoio técnico-político. Barreiras internas: Não são destacadas. Barreiras externas: Acesso ao crédito bancário; burocracia da administração pública; enquadramento legal e institucional; desadequação dos incentivos públicos. 18 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 147 ATLANTIC GROWERS Sucursal em Portugal, VOF A Organização Principais atividades: Produção de produtos hortícolas; cogeração de energia elétrica Localização: Malavado, Odemira Ano de constituição: 2001 Forma jurídica: Sucursal Setor: Agricultura Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão: Pequena empresa Principais produtos: Hortícolas (tomate e pimento) Marcas: Vitapep® Mercados dos produtos principais: Europeu Internacionalização: Sucursal de empresa holandesa Inovações • Implementação de parque agrícola com eco-estufas de vidro com sistema de hidroponia. • Desenvolvimento de sistema de cogeração que permite o aproveitamento do calor e dos gases de exaustão. Perfil de inovação: Motivações - Ganhos de eficiência e valor - Redução de custos - Produção sustentável Inputs de I&D - Aquisição externa Dinâmicas - Novo para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da inovação Padrões Processo Ferry Enthoven, 44 anos, natural da Holanda| Licenciatura em Ciências Políticas, especialização em Relações Internacionais | Desde 2000 na Atlantic Growers O que o motiva? Estabilidade económica, aproveitar uma oportunidade, aproveitar o valor da ideia Contactos | Malavado 7630-055 – S. Teotónio | www.vitapep.nl Inovação em Portugal Rural 148 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Experiência do líder Recursos financeiros Recursos financeiros próprios e financiamentos comunitários Recursos materiais Terrenos, culturas, edifícios, infraestruturas, equipamentos, tecnologia, veículos, patentes e marcas Fontes de informação internas Sobretudo conhecimento e experiência do(s) promotor(es), mas também dos colaboradores de Processo Inovação para melhorias na organização Desenvolvimento de inovações para obter ganhos de eficiência e valor Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Perfil de exportação (e abrangência geográfica) Exporta 100% dos seus principais produtos para a Europa (Holanda, Inglaterra e Alemanha) Dinâmica para a internacionalização Parcerias com distribuidores e intermediários internacionais Parcerias de negócio Empresas de outros setores e fornecedores de Resultado Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Resultados internos Crescimento do volume de vendas, no período de 2009 a 2010, superior a 40% Efeitos internos Ganhos de sustentabilidade da organização N.º de indicadores acima da média 12 Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância aos mercados/acessibilidades e acesso aos recursos. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação. Barreiras externas: Acesso e desadequação dos apoios públicos, burocracia da administração pública, enquadramento legal e institucional, desadequação dos incentivos públicos e acessibilidades. Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 149 VERTIGEM APP Associação para a promoção do património A Organização Principais atividades: Organização e dinamização de atividades lúdicas e educativas; promoção e gestão do programa de serviço europeu de voluntariado (SVE); estudos ambientais. Localização: Arrimal, Porto de Mós Ano de constituição: 1996 Forma jurídica: ONG de ambiente, sem fins lucrativos Setor: Serviços Nível de diversificação/especialização: Organização verticalizada Dimensão (volume de emprego): Micro-organização Principais produtos: Dinamização de atividades na Quinta Pedagógica do Cuco e Residência Ecológica da Bezerra; gestão e dinamização do programa do SVE; produção e comercialização de produtos hortofrutícolas biológicos; outros (estudos ambientais) Marcas: Quinta do Cuco® Mercados dos principais produtos: Nacional e europeu Internacionalização: Estabelecimento de parcerias internacionais Inovações • Recuperação da escola primária local adaptada com um conjunto de equipamentos e serviços de promoção da acessibilidade e da mobilidade sustentável e uso de fontes de energias renováveis com a disponibilização de serviço de alojamento, designado por Residência Ecológica da Bezerra. • Dinamização de atividades de educação ambiental, práticas de agricultura biológica e transformação de produtos tradicio nais com o envolvimento da população local na Quinta Pedagógica do Cuco. • Identificação e dinamização de percursos pedestres certificados. • Desenvolvimento de plataforma online de acesso a informação de georreferenciação da flora do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros e do atlas de árvores da cidade de Leiria. Perfil de inovação: Motivações - Networking com a comunidade - Valorizar e proteger recursos e património local Inputs de I&D - Fontes internas Dinâmicas - Incremental - Descontinuada Padrões Social Produto Líder|Gestor da Inovação Rui Cordeiro, 39 anos, natural de Porto de Mós | Licenciatura em Biologia, doutoramento em Citologia | Professor universitário e dirigente associativo O que o motiva? Criar e inovar, ser independente, contribuir para a prosperidade coletiva Contactos | Portela de Vale de Espinho, n.º 19 2480-216 Arrimal | http://www.vertigem-app.pt Inovação em Portugal Rural 150 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Vantagens competitivas da localização Património cultural, natural e ambiental, proximidade aos recursos e razões familiares Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação dos recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização Design Fontes de informação internas Conhecimento e experiência do(s) promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovação de produto ou processo Desenvolvimento de novos produtos e processos para melhorar e diferenciar produtos Cadeia de valor Contribui em 100% para todos os níveis da cadeia de valor Perfil de exportação (e abrangência geográfica) O SVE é 100% para captação de público jovem proveniente dos vários países da União Europeia Fontes de informação externas Fontes de mercado, institucionais mas sobretudo «outras fontes» Mobilização de conhecimento local Networking local Conhecimento técnico-construtivo, tradicional, artesanal, histórico, cultural e ecológico Redes de colaboração com a comunidade local Parcerias locais Autarquias e outras organizações da mesma área Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação e associações Parcerias de negócio Outras organizações do mesmo setor e de outras áreas Desenvolvimento local Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local de Resultado Peso da inovação na organização 80% do volume de vendas Criação de emprego para a inovação Criação de 5 postos de trabalho Disseminação de conhecimento Participação em eventos científicos, pedagógicos e formativos, notas nos media e visitas à organização N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Distância dos mercados/acessibilidades, falta de apoio técnico-político. Barreiras internas: Tempo para desenvolver atividades de inovação, retorno do investimento em inovação e meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Burocracia da administração pública, acesso aos apoios públicos, acessibilidades e distância dos centros de decisão. 19 Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural 151 TERRAPRIMA Serviços ambientais A Organização Principais atividades: Conceção e implementação de sistemas integrados de compensação de impactes ambientais Localização: Quinta da França, Teixoso Ano de constituição: 2008 Forma jurídica: Sociedade unipessoal Setor: Serviços Nível de diversificação/especialização: Organização especializada Dimensão (volume de emprego): Microempresa Principais produtos: Prestação de serviços de sequestro de carbono; conceção e implementação de projetos de promoção do sequestro de carbono no solo (2 projetos em curso para o Fundo Português de Carbono: pastagens permanentes semeadas biodiversas ricas em leguminosas e alteração do sistema de controlo mecânico dos matos em áreas florestais); consultoria, formação Marcas: Terraprima® Mercados dos principais produtos: Nacional Internacionalização: Consultoria em alterações climáticas, florestas e agricultura; procura de parceiros para internacionalização de projetos de sequestro. Inovações • Aplicação de um conceito da engenharia da biodiversidade, o das pastagens semeadas biodiversas, na promoção da fertilidade do solo e no combate à desertificação. Tal foi feito a uma escala espacial significativa (50 000 ha) e envolvendo diretamente os agricultores, os quais são remunerados pelo sequestro de carbono no solo proporcionado pelo maior teor de matéria orgânica gerado por este sistema de pastagens. • Incentivo ao abandono da gradagem, como método de desmatação lesivo para o solo, através da remuneração do sequestro de carbono no solo aos agricultores que optem por métodos ambientalmente mais corretos e que promovam a acumulação de matéria orgânica no solo. Perfil de inovação: Inputs de I&D Motivações - Aproveitar oportunidades - Sustentabilidade ambiental - Fontes internas, de forma contínua - Aquisição externa Dinâmicas - Nova para o mercado - Continuada e sequencial Líder|Gestor da Inovação Padrões Produto Processo Tiago Domingos, 42 anos, natural de Lisboa | Licenciatura em Física, doutoramento em Engenharia do Ambiente | Professor universitário, sócio fundador da Terraprima O que o motiva? Criar e inovar, aproveitar o valor da ideia, contribuir para a prosperidade coletiva. Contactos | Quinta da França – Caria 6200-710 Teixoso | www.terraprima.pt/ Inovação em Portugal Rural 152 Indicadores de Inovação do Barómetro Indicador Breve descrição Pontos de Input Competências de liderança Qualificação e experiência do líder Qualificação de recursos humanos Qualificação e experiência de promotor(es) e colaboradores Competências da organização I&D Recursos materiais Equipamentos, tecnologia, veículos e marcas Fontes de informação internas Conhecimento e experiência de promotor(es) e colaboradores Parcerias para a inovação Diversificadas de Processo Inovação de produto ou processo Desenvolvimento de novo produto e processo para produto Intensidade do processo de inovação Continuada e sequencial Investimento em I&D Em 2011 investiu acima da média em I&D Cadeia de valor Contribui em 100% para conceção do produto, distribuição, comercialização e pós-venda Sobretudo fontes institucionais, mas também «outras fontes» Fontes de informação externas Parcerias de capacitação Universidades/laboratórios de investigação e associações Parcerias de negócio Empresas de outros setores e fornecedores de Resultado Peso da inovação na organização 100% do volume de vendas Criação de emprego (%) Criação de emprego para a inovação Taxa de variação do emprego igual a 100% Criação de 6 postos de trabalho Resultados internos Crescimento do volume de vendas, no período de 2009 a 2011, superior a 4000% Disseminação de conhecimento Divulgação nos media, participação em eventos científicos, formativos, comerciais e promocionais, estudos académicos e apoio à criação de novas empresas Efeitos internos Ganhos de competência e sustentabilidade da organização Efeitos externos Contributo para o desenvolvimento socioeconómico da região, valorização do património e promoção de redes de conhecimento N.º de indicadores acima da média Escala dos indicadores de inovação do barómetro acima da média: Best in class Relevante Outros Obstáculos à Inovação Desvantagens de localização: Não são destacadas. Barreiras internas: Meios financeiros disponíveis. Barreiras externas: Burocracia da administração pública. 20 Capítulo 7 Principais Contributos, Oportunidades e Desafios Após a chamada de atenção para o contexto subjacente a este livro, em particular para o conceito de «inovação escondida» (capítulos 1 e 2), são três os principais contributos deste trabalho. O primeiro, de caráter metodológico, é proporcionar um referencial para detetar e medir a inovação em meio rural, ultrapassando algumas das limitações identificadas no quadro de referência atualmente existente neste domínio, o qual foi estabelecido pelo Manual de Oslo. Um segundo contributo, de cariz empírico e teórico (capítulos 3 e 4), resultou da aplicação deste novo referencial, designadamente das ferramentas metodológicas desenvolvidas no âmbito do projeto RUR@L INOV – o «Inquérito às Organizações Inovadoras» e o «Sistema de Indicadores» –, e corresponde à apresentação de uma imagem detalhada da inovação no meio rural do Continente português, ou seja, o que se designou por «Estado da Inovação em Portugal Rural» (Capítulo 5) e por «Práticas de Sucesso de Inovação em Portugal Rural» (Capítulo 6). O terceiro contributo, que se segue, deriva dos dois anteriores e consiste na oportunidade de tecer algumas reflexões e propor algumas recomendações com vista a promover o reconhecimento e a valorização da inovação desenvolvida em meio rural. 7.1.Um novo referencial conceptual e metodológico é possível O alargamento do universo de análise às organizações inovadoras em geral, não o circunscrevendo apenas às empresas, permitiu a deteção e a medição de um maior número de casos de inovação, em particular de «inovação escondida». Paralelamente, o desenvolvimento de um instrumento de recolha de dados, o questionário adaptado à diversidade de organizações, e delineado para observar também os processos de inovação, possibilitou a identificação e a descrição dos padrões e dinâmicas de inovação ao nível da organização. Conseguiu‑se, assim, mostrar que é viável obter dados para diferentes tipos de organizações, utilizando um mesmo referencial conceptual e metodológico e a mesma ferramenta de recolha de dados. E conseguiu‑se ainda, acredita‑se, mostrar as vantagens desta abordagem inclusiva, em comparação com a usual segregação da inovação, e das suas análise e promoção em função dos diferentes tipos de organizações. Esta discriminação habitual separa, por exemplo, a inovação das empresas da inovação social, sendo esta última associada, em geral, às organizações sem fins lucrativos. A análise dos padrões e dinâmicas de inovação observados, através da aplicação do questionário às organizações inovadoras nas áreas rurais portuguesas, evidenciou a prevalência dos padrões de inovação mistos, combinando vários tipos de inovação. Os dados empíricos colhidos mostram ainda duas facetas da realidade da inovação: por um lado, que a inovação 154 Inovação em Portugal Rural social, embora esteja de facto mais associada às organizações sem fins lucrativos, é igualmente desenvolvida pelas empresas; e, por outro lado, que os padrões de inovação associados a estas últimas estão também presentes nas organizações não empresariais. A opção de observar a inovação através dos processos, ao invés de, a priori, assumi‑la separável por tipos, tal como vem sendo defendido pelos estudos mais recentes, designadamente da OCDE (OECD, 2010), facilita a utilização de um conceito mais amplo de inovação e as suas observação e medição numa maior diversidade de organizações. Ajuda também à deteção da inovação de baixa intensidade em I&D e da eventual colaboração entre diversos players ao nível do desenvolvimento da inovação. Esta escolha teórico‑metodológica emerge, assim, como uma das alterações‑chave ao atual referencial de deteção e medição de inovação, com vista a aproximá‑lo dos múltiplos matizes que compõem a realidade da inovação. O alargamento dos sistemas de indicadores, e de outras métricas de medição da inovação, de modo a contemplar os processos e não apenas os inputs e resultados da inovação, como é prática corrente, evidencia‑se neste trabalho como sendo de grande valia para a compreensão da inovação. A construção de indicadores de medição da inovação ao nível do processo, tal como foi efetuado no sistema de indicadores para medir inovação em meio rural, é não só exequível como determinante para compreender os processos de inovação, considerando‑se a especificidade dos respetivos contextos. É, pois, a este nível, o dos processos de inovação, que é essencial distinguir a inovação em meio rural da sua observação feita noutros contextos, como o do setor de atividade económica ou o da natureza jurídica da organização. É ao nível dos processos que é possível identificar a importância de diferentes inputs, nomeadamente de I&D e do conhecimento local, bem como aquilo que motiva a busca de inovação, e que é amiúde confundido com um resultado da mesma, como, por exemplo, as estratégias de internacionalização da empresa ou o desenvolvimento da inovação em colaboração com outros players (e.g., clientes, unidades de I&D e/ou comunidade local). A medição da inovação contemplando as suas três principais dimensões – input, processo e resultado – potencia a compreensão sobre as motivações, os padrões e as dinâmicas de inovação, assim como sobre as suas interações, as quais explicam, em larga medida, a escolha dos inputs e os resultados observados. Ela emerge, pois, como uma abordagem muito elucidativa da realidade, indispensável para o desenho de políticas e de esquemas de incentivos à inovação que sejam capazes de promovê‑la de forma inclusiva, abrangendo as pequenas e muito pequenas organizações (nomeadamente as do setor empresarial) e abarcando a inovação de baixa intensidade tecnológica, que é transversal a toda economia, mas prevalente em certos setores de atividade, dos quais o dos serviços é um exemplo paradigmático. A medição inclusiva da inovação, por meio de ferramentas capazes de lidar com a diversidade de dimensões, de setores de atividade, e até de pluriatividade e de natureza jurídica, pode, pois, ser concretizada, desde que se utilizem indicadores ao nível das três dimensões referidas e desde que estes atentem nas diferenças resultantes da heterogeneidade existente. A medição feita com base em indicadores standard, como, por exemplo, o peso da inovação no volume de vendas, não permite alcançar a multiplicidade de situações, como ficou demonstrado na aplicação do sistema de indicadores que se desenvolveu e neste livro se expôs. A construção de indicadores para a medição da inovação que sejam capazes de captar o que é característico e singular no contexto de medição, neste caso o meio rural, obriga a um bom conhecimento deste. A par da revisão de literatura, da análise de dados sobre as áreas rurais portuguesas e ainda da consulta a peritos, a participação dos inovadores e de outros stakeholders no estabelecimento dos conceitos e modelos de base subjacentes ao inquérito às organizações inovadoras, bem como a sua resposta a este inquérito, facultaram o conhecimento imprescindível sobre o contexto e possibilitaram, assim, a identificação dos aspetos (potencialmente) específicos da inovação em meio rural. Principais Contributos, Oportunidades e Desafios 155 As oportunidades para responder aos desafios da transversalidade e da universalidade da inovação ao nível das suas deteção e medição, e consequente valorização, parecem residir na conceção, no ensaio e na aplicação sistemática e continuada dos instrumentos de recolha de dados. Estes são a chave para operacionalizar conceitos amplos de inovação e para alargar o universo dos inovadores e das inovações observáveis e mensuráveis. Não surpreende, portanto, que também seja este o domínio que encerra os maiores desafios ao nível metodológico, sobretudo no que respeita à colheita de dados estatísticos. Para a recolha destes, a categorização é fundamental, nomeadamente no que concerne às unidades de observação. A classificação das organizações, em função da sua natureza jurídica (e.g., empresas privadas, organizações sem fins lucrativos e setor público) e de outras classificações (por exemplo, empresarial e não empresarial), baseia‑se na sua especificidade e, por isso, a recolha de dados estatísticos é, regra geral, feita para os vários universos associados a diferentes categorias. Melhorar a recolha de dados ao nível da inovação não passa por fundir estas categorias enquanto unidade de observação para fins estatísticos, mas antes por delinear e aplicar instrumentos de recolha de dados que permitam concatenar a informação de diferentes bases de dados (e.g., relativas aos vários universos de inquirição estatística assentes, por exemplo na categorização de tipos de organização ou setor de atividade). Isso ainda está por fazer ao nível da inovação, como em muitos outros domínios, mas é uma necessidade reconhecida pelas entidades responsáveis pela recolha de dados estatísticos, que vêm trabalhando nesse sentido. Ao nível metodológico, o grande desafio é, pois, delinear, ensaiar e aplicar um instrumento de recolha de dados, nomeadamente um inquérito por questionário, capaz de produzir dados comparáveis para diferentes tipos de organizações, que assente numa perspetiva de deteção e de medição da inovação também aos nível dos processos, não se limitando aos inputs e resultados. Importa também ter dados transversais às organizações, de modo a ser possível distinguir as inovadoras das não (ou pouco) inovadoras, idealmente até posicionando‑as num gradiente de inovação. No caso das organizações em meio rural, o sistema de indicadores para medição da inovação que neste livro se apresenta e propõe permite fazer esse posicionamento. O desenvolvimento destes sistemas de medição, adaptados às especificidades dos contextos de medição, revela‑se uma ferramenta de grande potencial para compreender a inovação e incentivá‑la de forma eficaz. É útil aos inovadores, pois fornece‑lhes um instrumento para monitorar e/ou avaliar o seu desempenho ao nível da inovação, e é particularmente relevante para os stakeholders envolvidos no desenho, na implementação, na monitorização e/ou na avaliação de políticas públicas. 7.2.A inovação é plural em Portugal rural Os resultados do inquérito às organizações inovadoras mostram que, em Portugal rural, se encontram organizações inovadoras muito heterogéneas. Diversidade é, de resto, a palavra‑chave. Encontra‑se a múltiplos títulos do modelo organizacional, da dimensão económica e das atividades, bem como dos produtos e serviços oferecidos. Não há, portanto, o «inovador‑tipo», há vários tipos e subtipos de inovadores. Esta realidade diversa espelha‑se na heterogeneidade patente entre os exemplos eleitos como casos e práticas de sucesso, identificados através da aplicação do sistema de indicadores para medição da inovação em meio rural. Há, entre os exemplos de práticas de sucesso, organizações de todos os tipos, quer ao nível do modelo organizacional e da dimensão económica, quer quanto a atividades e produtos, bem como ao nível das estratégias de diversificação (especializadas, verticalizadas e diversificadas), de internacionalização e de inovação. Trata‑se, no entanto, e conforme o esperado, de um universo onde imperam as organizações de pequena e muito pequena dimensão económica, designadamente nano e microempresas (quase um terço dos 156 Inovação em Portugal Rural inquiridos). As PME têm também uma presença expressiva (44% dos inquiridos). As grandes empresas representam uma pequena percentagem da amostra, em linha com o seu peso na economia portuguesa, mas figuram, como seria de esperar, entre os casos de práticas de sucesso para a inovação. Evidencia‑se também o peso do setor dos serviços, incluindo o comércio e o turismo, que é a principal atividade de mais de metade das organizações inquiridas e que representa cerca de 40% dos produtos. Não obstante, os produtos agrícolas, agroalimentares e outros produtos manufaturados correspondem a mais de 50% dos principais produtos oferecidos pelas organizações. Mais de um terço das organizações apresenta várias atividades e produtos associados a estratégias de diversificação, em que predomina a verticalização associada ao controlo da cadeia de valor de produtos como o vinho ou o azeite. A percentagem de organizações multissetoriais aumenta significativamente quando se consideram apenas as do setor empresarial. As organizações não empresariais concentram a sua atividade, regra geral, nos serviços. O «segredo» da capacidade inovadora exibida por estas pequenas e muito pequenas organizações parece residir na elevada qualificação (nível de instrução e experiência profissional) dos respetivos líderes e colaboradores. Saliente‑se que as organizações cujos líderes apresentam um nível de competências acima do valor médio obtido para o total de inquiridos ascendem a quase dois terços do total da amostra. O nível de qualificação é ainda mais acentuado no caso das organizações sem fins lucrativos, devendo este dado estar correlacionado com a maior qualificação registada no setor dos serviços. Esta qualificação elevada e muito elevada traduz‑se na forte mobilização das fontes de conhecimento internas para a inovação. Deverá explicar também, pelo menos parcialmente, a grande capacidade de deteção de oportunidades de mercado, expressa na relevância que registam as dinâmicas de diferenciação de produtos, de posicionamento em nichos de mercado e de exportação, tudo isto no caso das organizações empresariais. A mobilização de conhecimento local revela‑se um processo deveras importante para a inovação em meio rural. Quase três em cada quatro organizações utilizaram‑no nas suas inovações. Há mesmo algumas organizações (14%) que fazem um uso intensivo deste tipo de conhecimento, mobilizando diversos tipos e fontes de conhecimento local. O uso eficaz de recursos financeiros, que, em geral, são escassos perante as necessidades de investimento, é um outro traço observado entre as organizações inovadoras. Cerca de dois terços destas tiveram acesso a fundos comunitários, embora este número desça significativamente quando são consideradas apenas as empresas. Estas, sobretudo as mais pequenas e/ou que exploram nichos de mercado menos convencionais, têm experimentado dificuldades no acesso a este tipo de fundos e, quando têm acesso, eles representam em regra uma percentagem pouco relevante do investimento, comparativamente aos capitais próprios e mesmo aos empréstimos bancários. A mobilização de capitais próprios ao nível das empresas, nomeadamente das mais pequenas, limita o seu crescimento, mas explica provavelmente a sua resiliência face à crise económica (e consequente grande retração da procura interna) enfrentada no período abrangido pelo inquérito, ou seja, de 2009 a 2011. São pouco numerosas as organizações (11%) que beneficiaram de recursos financeiros por mérito (e.g. prémios de concursos ou financiamento de business angels). O melhor desempenho a este nível é alcançado por duas PME e uma organização sem fins lucrativos do setor do turismo. As estratégias colaborativas para a inovação, por meio de relações de cooperação entre os inovadores e outros players, estão presentes em quase metade das organizações inquiridas. Porém, é grande a diferença entre as melhores práticas e a média da amostra, e destaca‑se apenas um caso de «best in class»: uma micro‑organização sem fins lucrativos ligada à transferência de conhecimento. Isto acontece porque são poucos os parceiros envolvidos nas estratégias colaborativas observadas; em geral, apenas dois a três tipos de players. Destacam‑se as universidades e os laboratórios/centros de investigação, seguidos de perto pelas outras empresas do mesmo setor, Principais Contributos, Oportunidades e Desafios 157 no caso das organizações empresariais, e de outras organizações, no grupo das organizações não empresariais. Acresce o facto de as estratégias colaborativas para a inovação serem, quando existentes, caracterizadas, regra geral, por combinações de geometria variável conforme o tipo de inovações, englobando um número reduzido e variável de parceiros e, em mais de 50% do casos, estabelecidas e mantidas com caráter informal. Esta é uma área em que o espaço de melhoria potencial é assinalável. A aparente debilidade exibida pelas estratégias colaborativas para a inovação em meio rural poderá ser explicada pela dispersão e a pequena dimensão da generalidade das organizações. Mas explica‑se também, seguramente, pelas dinâmicas de inovação predominantes. A inovação é maioritariamente de caráter incremental e desenvolvida de forma continuada e sequencial. Predomina a inovação de ciclo curto. De alguns meses a um ano é a duração mais comum do período de desenvolvimento e/ou introdução da inovação entre as organizações inquiridas. Esta dinâmica de inovação rápida e cumulativa é difícil de compaginar com estratégias colaborativas sofisticadas, que vão mais ao encontro das necessidades das organizações que desenvolvem inovações novas para o mercado ou para o setor. Entre estas, seria de esperar maior expressividade das redes colaborativas, mas também aqui o facto de a inovação ser fortemente orientada para o mercado, e não ser inovação radical no sentido de ser inovação disruptiva, poderá explicar alguma debilidade das dinâmicas de colaboração. Há, igualmente, que ponderar as limitações dos outros potenciais players para que estas redes colaborativas floresçam e se consolidem, assumindo‑se que são úteis ao desenvolvimento da inovação. Atendendo a que tudo aponta nesse sentido, é importante perceber o que as impede e/ou limita, observando em profundidade todos os potenciais players, bem como as suas interações. Nem este livro nem o projeto RUR@L INOV se debruçaram especificamente sobre esta questão. No entanto, analisando as barreiras internas e externas percecionadas pelas organizações, encontram‑se algumas das causas para as limitações observadas: entre outras, a falta de tempo dos líderes ou responsáveis pela inovação, a burocracia e a cultura envolvente pouco favorável à inovação e ao sucesso desta. A preponderância da inovação de caráter incremental e da dinâmica contínua e sequencial para o seu desenvolvimento e/ou introdução explica, por seu turno, a importância revelada pelas fontes de conhecimento internas à organização, comparativamente às fontes externas. Explicará também, pelo menos em parte, a discrepância observada entre o número de organizações que reportaram desenvolver atividades internas de I&D (70%) e as despesas (ou investimentos) declarados em I&D. Apenas 60 organizações (50%) declararam ter investido em I&D para a inovação em 2011 e destas apenas 47 (40%) declaram tê‑lo feito em I&D interno. Note‑se, no entanto, que o período de reporte das atividades de inovação era o triénio, e que algumas organizações, embora poucas, não desenvolveram e/ou introduziram inovações entre 2009 e 2012. Destaca‑se apenas uma organização relativamente ao investimento em I&D para a inovação: uma grande empresa do setor agroindustrial. A dissonância entre o reporte de atividades de I&D para a inovação e as despesas declaradas com as mesmas, sobretudo no que se refere às atividades internas, é um problema que vem sendo mencionado pela literatura e que é imputado às dificuldades em se obter a informação sobre estas despesas, que frequentemente não estão discriminadas na contabilidade das organizações. Todavia, é importante realçar que as atividades de I&D, descritas no inquérito com a mesma formulação usada pelo inquérito CIS21, remetem, em larga medida, e em particular nas organizações que não têm competências específicas em I&D (a maioria entre os inquiridos, 80%), para as competências internas. Nesta situação, o tempo despendido pelos líderes ou responsáveis pela inovação e por outros colaboradores da organização poderá ser uma variável mais adequada para medir o esforço interno 21 Trabalho criativo realizado dentro da organização com a atividade de aumentar o conhecimento e as capacidades internas (stock de conhecimento) com vista ao desenvolvimento de produtos (bens/serviços) ou processos novos ou significativamente melhorados. 158 Inovação em Portugal Rural em atividades de I&D. Este tempo pode ser convertido em unidades monetárias, tornando‑se comparável, em termos económicos (ainda que não o seja em termos contabilísticos), às despesas diretas em I&D. A diversidade e a singularidade das organizações refletem‑se na – e são provavelmente também reflexo da – multiplicidade de inovações observadas. Prevalecem os padrões de inovação mistos, isto é, os que congregam vários tipos de inovação em simultâneo. Entre os mais comuns, destacam‑se os três seguintes: 1) as estratégias que combinam inovação de produto com inovação de marketing, que, em alguns casos, acoplam inovação de processo (esta última para a obtenção de produtos novos ou diferenciados); 2) a agregação de inovação de produto e processo, conjugada com atividades e despesas de I&D, internas e externas, frequentemente orientada para o desenvolvimento de inovações novas no mercado, a que se junta também, regra geral, inovação de marketing; 3) as estratégias em que se imbrica inovação de processo e inovação organizacional com o objetivo de alcançar ganhos de eficiência ou de valor. Note‑se que quer o padrão que combina inovação de produto e de marketing, quer o que reúne a inovação de processo com a organizacional tendem a ser padrões invisíveis à luz do referencial do Manual de Oslo, que se foca na inovação de produto e processo e que mede a inovação basicamente a partir do número de inovações deste tipo, a par das despesas em inputs de I&D e do peso da inovação (de produto e de processo) nas vendas. Há, assim, um número significativo de inovações e de organizações inovadoras que não são detetáveis quando se aplica este referencial, nomeadamente por intermédio do inquérito CIS. Trata‑se de «inovação escondida», que é essencial e urgente evidenciar para que possa ser reconhecida, valorizada e eficazmente promovida. Entre as melhores práticas relativamente aos padrões de inovação, destacam‑se: 1) uma PME verticalizada do setor agrícola, no padrão de inovação que combina inovação de produto com processo para o desenvolvimento de novos produtos no mercado; 2) cinco empresas (três PME, uma diversificada, uma verticalizada e uma especializada, e duas microempresas especializadas) e uma nano‑organização especializada com desempenhos relevantes na inovação de produto combinada com marketing e, nalguns casos também processo, motivada pelo alargamento dos mercados; 3) uma nanoempresa verticalizada ao nível do padrão que combina inovação organizacional e de processos. Sublinhe‑se que dois terços das organizações inquiridas inovam para alargar mercados, nomeadamente através do desenvolvimento de novos produtos ou processos ou através da introdução de melhorias significativas nos já existentes, e que pouco menos de metade desenvolve inovações com vista à obtenção de melhorias ao nível da organização. É ainda de referir que são sete as organizações que desenvolveram inovações de networking com o objetivo de estabelecer redes ao nível da oferta de produtos ou de aprovisionamento de matéria‑prima. Face à importância com que se perspetiva este padrão de inovação, dada a prevalência da pequena e muito pequena dimensão económica das organizações em meio rural, pode, certamente, dizer‑se que a sua expressão parece estar bastante aquém do desejável. Os principais obstáculos à inovação inerentes às organizações são, com base na perceção dos inquiridos (os responsáveis pela inovação), a escassez de tempo e de dinheiro para investir no seu desenvolvimento. Estas dificuldades contribuem, muito provavelmente, para a prevalência da inovação incremental e rápida. Ao nível da envolvente destacam‑se, entre os principais obstáculos percecionados, e sem surpresa, os constrangimentos e custos de contexto associados à burocracia e ao enquadramento legal e institucional, bem como à desadequação dos incentivos públicos disponíveis face aos projetos apresentados pelos inovadores. Os efeitos da inovação mostram‑se muito relevantes a vários níveis. Note‑se, desde logo, que quase metade das organizações criaram empregos e, em grande parte das restantes, a inovação revelou‑se a estratégia‑chave, de acordo com os inquiridos, para evitar despedimentos. Este resultado é surpreendente, tendo em conta que a inquirição correspondeu a um período de crise económica e de grande retração da procura interna em Portugal. As estratégias de diferenciação de produtos, de orientação para nichos de mercado e, sobretudo, a orientação Principais Contributos, Oportunidades e Desafios 159 para os mercados externos deverão explicar este «sucesso» ao nível do emprego, pese embora o facto de 25 organizações (20%) terem perdido postos de trabalho. Destacam‑se três organizações (duas PME e uma associação de produtores) ao nível da criação de emprego, por terem duplicado ou mais os respetivos postos de trabalho. É ainda mais significativo o número de organizações (61%) que referiu ter criado empregos associados à inovação, mesmo nos casos em que o balanço do emprego foi globalmente negativo. Aos efeitos relevados pela inovação ao nível do emprego não é certamente alheio o respetivo impacto nas vendas, excluindo‑se aqui as organizações sem fins lucrativos, que não apresentam volume de vendas. Em quase dois terços das organizações, a inovação representa 70% ou mais das vendas. Além disso, em 61 organizações (51%) a inovação é responsável por 100% das vendas. Estes resultados mostram, sem dúvida, a grande eficácia das estratégias de inovação orientadas para o mercado, que se traduzem na expressividade dos padrões de inovação de produtos e marketing ou de produtos e processos combinada com marketing. Compreende‑se, face aos efeitos nas vendas e no emprego, que as organizações destaquem, entre os efeitos da inovação a nível interno, a melhoria das suas competências e a sustentabilidade da organização. Quanto aos efeitos da inovação desenvolvida pela organização na sua envolvente, são percecionados de forma aparentemente modesta pelos respondentes, que destacam os impactos positivos a três níveis: imagem e divulgação dos territórios onde operam; conservação dos recursos naturais; e difusão de conhecimento e experiências. O facto de não evidenciarem os seus efeitos na economia, nomeadamente na criação de emprego ou fixação de população no meio rural, tem provavelmente que ver com a perceção da sua pequena dimensão e do seu caráter excecional no contexto socioeconómico em que operam. Atender à excecionalidade das organizações inovadoras é um dos grandes desafios a lançar às políticas de incentivo à inovação e ao desenvolvimento rural nos próximos anos. A qualidade do desempenho económico e social evidenciado por estas organizações, apesar de serem em larga medida negligenciadas pelas políticas e estratégias que têm sido postas em prática nos últimos anos, a nível quer comunitário, quer nacional e local, mostra que estas organizações são uma oportunidade que urge agarrar. Ao nível da economia e dos territórios de Portugal rural, é fundamental multiplicar este tipo de organizações e criar/fortalecer relações sinérgicas entre elas, e entre elas e outras organizações e agentes económicos e sociais que têm revelado menos capacidade para inovar. Urge também desenvolver plataformas de interação entre as organizações inovadoras já implantadas e os jovens – e menos jovens – empreendedores ou outros agentes que aspiram a criar novas organizações, designadamente novas empresas e novos negócios em meio rural. Há também ainda um amplo espaço de melhoria que pode ser preenchido pela maioria das organizações no que respeita às suas práticas de inovação. Algumas organizações necessitarão de ser apoiadas, por exemplo, no acesso aos recursos financeiros, quer aos fundos públicos, quer aos recursos por mérito. Noutros casos, as melhorias dependerão da sua capacidade para se organizarem melhor e, sobretudo, se conectarem mais e melhor com os outros players da inovação. 7.3.Reflexões e recomendações sobre como potenciar a inovação em Portugal rural A observação e a análise da inovação no Portugal rural de hoje desvendam uma realidade nova, dinâmica e, em larga medida, bem‑sucedida. Os resultados obtidos surpreendem, pois mostram um rural inesperado. Um rural em aparente contraciclo com a desvitalização socioeconómica acentuada que caracteriza alguns destes 160 Inovação em Portugal Rural territórios. Também em contraciclo, ou pelo menos a resistir, à severa crise económica que Portugal vem enfrentando nos últimos quatro anos, em simultâneo com a retração da procura ao nível de toda a Europa. Olhando para muitas destas organizações inovadoras, acha‑se um farol que pode, literalmente, orientar‑nos na promoção do desenvolvimento económico e da sustentabilidade das áreas rurais. As questões que se impõem são, pois, as seguintes: o que podemos aprender com elas? E como fazê‑lo? E também: como estimulá‑las a que se desenvolvam e promovam o desenvolvimento à sua volta? O que podemos aprender com elas? E como fazê‑lo? Destacamos quatro lições aprendidas com a realidade observada e examinada. Aprendizagem é a primeira lição. Vimos que a capacidade inovadora destas organizações, sobretudo das que são pequenas e muito pequenas, reside na excelência dos seus líderes e recursos humanos. Esta revela‑se na capacidade de autoaprendizagem e aprendizagem coletiva, que pode ser partilhada para lá dos muros da organização. Promover a aprendizagem individual e coletiva é o chão da inovação. Partilhar conhecimento, experiência e recursos é a segunda lição. São já muitos os inovadores que o fazem, que partilham de forma generosa o seu saber e a sua experiência. Mas fazem‑no certos de que também poderão ganhar algo com isso, que dessas interações desinteressadas podem resultar conhecimento e novas oportunidades. Promover a busca e a concretização de soluções inovadoras para potenciar a interação e a troca de conhecimento e de experiências entre inovadores e entre eles e as comunidades envolventes, física e virtualmente, é o adubo necessário para se conseguir multiplicar e fazer crescer os inovadores e a semente da inovação. Colaborar ou cooperar é a terceira lição. Criar e desenvolver redes eficazes e inteligentes, para ganhar escala, massa crítica, intercambiar ideias e conhecimento, é fundamental para inovar e exponenciar o impacto da inovação. Vimos que as estratégias colaborativas estão ainda muito aquém do seu potencial em meio rural, e que falta também, em larga medida, fazer e promover a sua aprendizagem. Mas também aqui há já caminho trilhado por algumas organizações que nos ensinam que a partilha e a cooperação, embora difíceis, acabam por ser inevitáveis face à globalização dos mercados e à competição pelos recursos e pelos consumidores. Inovar é a quarta lição. Os inovadores precisam que os outros também inovem. Precisam de uma cultura de inovação, que é necessariamente recetiva ao insucesso. Inovar é muitas vezes falhar. Falta aprender com o insucesso e o erro, aceitá‑los e construir conhecimento sobre eles. A promoção de uma cultura de inovação, de resto almejada pela Estratégia europeia 2020, implica que também a sociedade, o Estado e as organizações em geral se reinventem e renovem, antecipando‑se e ajustando‑se às oportunidades e aos desafios que lhes são colocados. A resposta à questão «como estimular as organizações inovadoras a desenvolverem‑se e a promoverem o desenvolvimento à sua volta?» passa, naturalmente, por pôr em prática as lições aprendidas e por promover as soluções que elas suscitam. Estas podem ser sintetizadas e sistematizadas numa ótica de recomendações de política em três diretrizes. A primeira aposta é capacitar. Impõe‑se tomar a educação como o domínio estratégico para promover a inovação e a cultura para a inovação. A educação formal e, paralelamente, o desenvolvimento de competências várias (as soft skills), bem como a oportunidade da aprendizagem com a experiência são as matérias‑primas para o hardware de uma sociedade inovadora. Isto significa, na prática, promover o que já se faz em Portugal e na generalidade dos países, mas fazer mais e fazer diferente. Trata‑se de promover a educação escolar transversalmente à sociedade, de ensinar a aprender e de criar oportunidades de formação e de obtenção de experiência através do «aprender fazendo» ou do «fazer, usar e interagir» (que significa adquirir competências para a inovação através da experiência). Em seguida, é preciso ligar os players da inovação, incluindo os menos óbvios. Eles são o software da inovação. É, pois, fundamental, incentivar a criação e o desenvolvimento de estratégias colaborativas para a inovação. Mas, também aqui, quem incentiva, nomeadamente o Estado, precisa de fazer diferente. Precisa de evi- Principais Contributos, Oportunidades e Desafios 161 tar que se promovam iniciativas centradas na busca de incentivos, e que, ao invés, se identifiquem os projetos que têm já por detrás um percurso na construção de estratégias colaborativas e se aposte também nos que, não o tendo, se mostram capazes de o conseguir, nomeadamente porque procuram aprender com a experiência de outros (pessoas, projetos ou iniciativas). A este nível, os incentivos devem ser transversais a todos os potenciais players da inovação, não se restringindo às empresas e outras organizações, nomeadamente aos «inovadores». Esta é uma área na qual ainda é precisa uma grande dose de aprendizagem e, por isso, faz falta conhecimento. Há aqui um grande espaço de oportunidade para que organizações e pessoas da área da produção do conhecimento, designadamente universidades e investigadores, aprendam como construir estratégias colaborativas capazes de dar resposta aos problemas que as motivam. E existe também um espaço de oportunidade, que tem sido até aqui pouco explorado, para o Estado e para as próprias organizações promoverem a inovação organizacional através de modelos inovadores de networking. Depois (assim como antes e durante), é preciso facilitar o acesso das organizações, designadamente das empresas, às outras condições de base para a inovação, nomeadamente aos recursos financeiros. Esta é, em larga medida, uma área em que o Estado deve assumir a liderança, mas para a qual deve incentivar também a entrada de outros players. Viu‑se, por exemplo, que era muito escassa em meio rural a mobilização dos recursos financeiros por mérito. Ora estes, nomeadamente os que estão ligados à facilitação de capitais de risco ou capital‑semente, como os business angels, por exemplo, têm tido um papel‑chave no desenvolvimento de ideias inovadoras a nível mundial. A própria sociedade pode desempenhar um papel fundamental no incentivo a projetos e iniciativas inovadoras em meio rural, através de esquemas como o crowdfunding (financiamento colaborativo) e mecanismos similares. Relativamente aos sistemas de incentivos públicos, a análise da realidade mostra que estes precisam de ser flexíveis, inclusivos e inteligentes. Flexíveis, no sentido de serem capazes de reconhecer a inovação e de permitirem às organizações aventurarem‑se no risco que ela comporta. Isto significa apoiarem iniciativas e projetos diversos e singulares, incentivarem projetos colaborativos, em rede ou ao nível da cadeia de valor, por exemplo, e partilharem risco com os inovadores. Inclusivos significa serem capazes de reconhecer e de apoiar padrões de «inovação escondida», como os que combinam inovação de produto com inovação de marketing ou inovação organizacional e de processo – em geral, inovação não tecnológica e/ou de baixa intensidade tecnológica. Significa também orientarem‑se para apoiar a inovação incremental, que se viu ser fundamental em meio rural e que deverá ser extensível à generalidade do universo das pequenas e muito pequenas organizações. Inteligentes, no sentido de reconhecerem e premiarem os outputs intangíveis produzidos pelos inovadores, como a difusão de conhecimento ou os efeitos positivos na imagem e na valorização dos territórios, de potenciarem o espaço de oportunidades criado por inovadores que já estão no terreno e que criam oportunidades de projetos complementares ou similares, geradores de economias de escala e/ou âmbito. Em territórios de baixa densidade populacional (e também empresarial), como o são a generalidade das áreas rurais portuguesas e de outras regiões do mundo, a colaboração, o conhecimento e a aprendizagem sobre como fazer eclodir a inovação e sobre como gerar os incentivos para concretizá‑la são ferramentas determinantes para que, paulatinamente, a inovação deixe de ser a exceção e se converta em regra. Referências Bibliográficas Alberto, D. e Rodrigues, A. (2012). «Empreendedorismo no sector primário: caso de estudo da incubadora de empresas de base rural de Idanha‑a‑Nova», Actas do 14.º Workshop APDR, Empreendedorismo e Desenvolvimento Regional, 5 de Outubro de 2012. Amara, N., Landry, R. e Doloreux, D. (2009). «Patterns of innovation in knowledge‑intensive business services», Service Industries Journal 29, pp. 407‑430. Antonucci, T. e Pianta, M. (2002). «Employment effects of product and process innovation in Europe», International Review of Applied Economics 16, 295‑307. 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Tal como foi explicado no Capítulo 4, o sistema de indicadores contempla as três dimensões fundamentais que estão associadas aos níveis de funcionamento das organizações inovadoras para a introdução de inovação, nomeadamente: (1) os inputs utilizados nos processos de inovação; (2) os processos que permitem introduzir inovação especificamente; (3) os resultados (ou outputs) da inovação. Considerou‑se uma quarta dimensão adicional, destinada a caracterizar as organizações e a sua envolvente. Nos quadros seguintes apresentam‑se, em primeiro lugar, uma tabela que permite uma visão global do sistema de indicadores organizados de acordo com as quatro dimensões referidas. Os quadros seguintes descrevem em detalhe cada um dos indicadores, sendo organizados em quatro colunas. Na primeira coluna são introduzidas e descritas as variáveis utilizadas na construção do indicador; na segunda coluna é explicada a forma como o indicador é classificado ou pontuado, dependendo do modo como este é calculado. A terceira coluna contém o número de classes e as classes ou a métrica da pontuação que definem a gama de valores que o indicador pode obter. A quarta e última coluna indicam a fonte ou fontes de informação sobre o indicador. Quando a fonte é o inquérito às organizações inovadoras (a situação mais frequente), este é referenciado por IOI, colocando‑se em baixo a pergunta ou perguntas usadas para colher a informação. Visão global do sistema de indicadores de inovação em meio rural A ‑ CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 19. Tipo e dimensão 1.1 – Forma jurídica da organização a 1.2 – Dimensão da organização a 20. Atividades e produtos/serviços 2.1 – Atividades económicas a 2.2 – Produtos e serviços a 168 Inovação em Portugal Rural B – INDICADORES DE INPUT 21. Localização 3.1 – Tipologia das áreas urbanas a 3.2 – Desenvolvimento económico e social da envolvente a 3.3 – Vantagens competitivas 3.4 – Desvantagens competitivas 22. Competências 4.1 – Competências do líder/gestor da inovação 4.2 – Qualificação de recursos humanos 4.3 – Cooperação interna b 4.4 – Competências da organização em I&D 4.5 – Competências da organização em design 4.6 – Competências da organização em marketing b 23. Recursos 5.1 – Recursos financeiros 5.2 – Recursos por mérito 5.3 – Recursos materiais 24. Fontes de conhecimento 6.1 – Fontes de informação internas 25. Networking 7.1 – Parcerias para a inovação 26. Barreiras à inovação 8.1 – Barreiras internas 8.2 – Barreiras impostas pela envolvente C – INDICADORES DE PROCESSO 27. Inovações 9.1 – Tipo de inovações criadas/adaptadas 9.2 – Padrões de inovação 9.2a – Produtos/processos novos ou melhorados 9.2b – Alargar o mercado 9.2c – Melhorias da organização 9.2d – Criação de redes 9.2e – Empreendedorismo (redes locais e desenvolvimento local – ver 12.1a e 14.2) 9.3 – Intensidade do processo de inovação 9.4 – Atividades para a inovação 9.4a – Atividades de I&D para a inovação 9.4b – Atividades internas contínuas de I&D a 9.5 – Investimento em inovação 9.5a – Investimento em I&D para a inovação 9.6 – Cadeia de valor 28. Internacionalização 10.1 – Perfil de exportação 10.2 – Abrangência geográfica a 10.3 – Dinâmica para a internacionalização Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 29. Mobilização de conhecimento 11.1 – Fontes de informação externas 11.2 – Mobilização de conhecimento local 12.1 – Sinergias para a inovação b 30. Networking (sinergias) 12.1a – Redes locais (padrão para a inovação) 12.2 – Motivações para a cooperação 12.2a – Parcerias locais 12.2b – Parcerias para capacitação 12.2c – Parcerias para o negócio 31. Especialização/diversificação 13.1 – Especialização a 13.2 – Diversificação a 32. Ligação às especificidades locais 14.1 – Adaptação às especificidades locais b 14.2 – Desenvolvimento local (padrão para a inovação) D – INDICADORES DE RESULTADO 15.1 – Número de inovações criadas/adaptadas a 33. Inovações 15.2 – Número de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012 15.3 – Peso da inovação na organização 16.1 – Criação de emprego 34. Socioeconómicos 16.2 – Criação de emprego para a inovação 16.3 – Variação do volume de vendas 35. Difusão da inovação 17.1 – Disseminação de conhecimento 36. Impactos 18.1 – Certificações b 18.2 – Efeitos internos 18.3 – Efeitos externos a Indicadores de caracterização; Indicadores para os quais não existe informação específica. b A – CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO 1. Tipo e dimensão 1.1. Forma jurídica da organização Classifica as organizações de acordo com a forma jurídica, versão alargada. Identificação das variáveis Classificação/agregação 1 – Sociedade por quotas 2 – Sociedade unipessoal por quotas 3 – Sociedade anónima 4 – Sociedade em nome coletivo 5 – Empresário em nome individual 6 – Cooperativas 7 – Associações 8 – Instituições do Estado local e central 9 – Outros privados 10 – Outros sem fins lucrativos Corresponde à agregação de variáveis da coluna da esquerda: 1 – Empresa privada «conjunta» = 1, 3, 4, 9 2 – Empresa individual = 2, 5 3 – Cooperativas = 6 4 – Estado local e central = 8 5 – Organização sem fins lucrativos = 7, 10 Escala/ classes Informação de base de 1 a 5 IOI Forma jurídica da organização 169 170 Inovação em Portugal Rural 1.2. Dimensão da organização Classifica a dimensão das organizações em meio rural de acordo com a definição da Comissão Europeia para as PME (EC, 2005b), que utiliza a combinação das duas variáveis: volume de emprego e volume de vendas. Definiu‑se, no entanto, uma maior desagregação da definição de «micro‑organização», dado que, de acordo com a definição proposta pela Comissão, esta classificação iria abranger 47% das organizações em termos do volume de emprego e 59% das organizações em termos do volume de vendas. Identificação das variáveis Classificação/agregação Dimensão da organização quanto ao volume de emprego: Individual: unipessoal sem colaboradores Nano‑organização: 2 a 4 pessoas Micro‑organização: 5 a 9 pessoas Pequena empresa: 10 a 49 pessoas Média empresa: 50 a 249 pessoas Grande empresa: mais de 250 pessoas Dimensão da organização quanto ao volume de vendas: Pico‑organização: < 20 000 € Nano‑organização: 21 000 a 100 000 € Micro‑organização: 101 a 500 000 € Miniorganização: 501 000 a 2 milhões (M) € Pequena empresa: 2 M a 10 M € Média empresa: 10 a 50 M € Grande empresa > 50 M € 1 – «até nano‑organização» (< 5 pessoas e ≤ 100 mil euros) 2 – «micro‑organização» (< 10 pessoas e ≤ 2 M euros) 3 – PME (< 250 pessoas e ≤ 50 M) 4 – grande empresa (as restantes) 5 – sem fins lucrativos 6 – sem informação Escala/ classes Informação de base de 1 a 4 +2 IOI N.º de pessoas ao serviço da organização Volume de vendas da organização 2. Atividades e produtos/serviços 2.1. Atividades económicas Classifica as organizações pelas atividades económicas desenvolvidas tendo por base a Classificação das Atividades Económicas (INE, 2008)/Nomenclatura Estatística das Atividades Económicas (CAE/NACE). A análise desta classificação mostrou que a CAE, mesmo só considerando três níveis, correspondia a quase 400 classes, mas que, tendo presentes as situações abrangidas pelo inquérito RUR@L INOV, nalguns casos não se justificava o recurso aos 3 níveis, sendo perfeitamente aceitável a utilização do nível 1. No entanto, verificou‑se também que as classificações A – Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, C – Indústrias Transformadoras e G – Comércio por grosso e a retalho correspondiam individualmente a percentagens superiores a 15%, totalizando mais de 60% dos casos, pelo que se considerou que fazia sentido utilizar uma maior desagregação. Assim, estas classes foram desagregadas de acordo com o que se apresenta na tabela, tendo depois as atividades económicas sido agregadas para facilidade de tratamento. Identificação das variáveis 1 – Culturas temporárias e permanentes (011, 012, 013, 016) 2 – Produção animal/agricultura e produção animal combinadas (014, 015) Classificação/agregação Corresponde à agregação de variáveis da coluna da esquerda: 1 – Agricultura, silvicultura e pescas = 1, 2, 3 2 – Agroindústria = 4, 5, 6 Escala/ classes de 1 a 6 Informação de base IOI CAE e atividades Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação 3 – Caça e silvicultura (017, 021) 3 – Outras indústrias = 7, 8, 9, 10 4 – Indústrias extrativas (B) 4 – Comércio = 11, 12 5 – Indústrias alimentares (10) 6 – Indústrias das bebidas (11) 7 – Outras indústrias (13, 16, 23, 24, 25, 27, 31, 32) 8 – Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (D) 9 – Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento, gestão de resíduos e de poluição (E) 10 – Construção (F) 11 – Comércio por grosso (46) 12 – Comércio a retalho (47) 13 – Transporte e armazenagem (H) 14 – Alojamento, restauração e similares (I) 15 – Atividades de informação e comunicação (J) 16 – Atividades financeiras e de seguros (K) 17 – Atividades imobiliárias (L) 18 – Atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (M) 19 – Atividades administrativas e dos serviços de apoio (N) 20 – Administração pública e de defesa; Segurança Social obrigatória (O) 21 – Educação (P) 22 – Atividades de saúde humana e apoio social (Q) 23 – Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas (R) 24 – Outras atividades e serviços (S) 25 – Atividades das famílias (T) 26 ‑ Atividades dos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (U) Escala/ classes 171 Informação de base económicas da organização Categorias da CAE/ NACE Nota: Estão assinalados (entre parêntesis) os códigos CAE/NACE correspondentes. 2.2. Produtos e serviços Identifica os principais produtos ou serviços colocados no mercado pelas organizações em meio rural (versão agregada). Também ao nível dos produtos se considerou importante nalguns casos, tendo‑se utilizado como base a CAE/NACE, ter uma maior desagregação complementada em casos de dúvida pela informação relativa às OCM22 (CE, 2007) e pela informação constante da Nomenclatura Combinada (NC)23 (UE, 2012a), tendo‑se depois procedido a uma nova agregação, recodificada, para facilidade de tratamento. Regulamento (CE) n.º 1234/2007 do Conselho, de 22 de outubro, que estabelece uma organização comum dos mercados agrícolas e disposições específicas para certos produtos agrícolas (Regulamento «OCM única»). 23 Regulamento de Execução (UE) N.º 927/2012 da Comissão, de 9 de outubro, que altera o Anexo I do Regulamento (CEE) n.º 2658/87 do Conselho relativo à nomenclatura pautal e estatística e à pauta aduaneira comum. 22 172 Inovação em Portugal Rural Escala/ classes Informação de base de 1 a 6 Corresponde à agregação de variáveis da coluna da esquerda: 1 – «Produtos da terra» = 1, 2, 3, 4, 5, 7, 11 2 – Agroalimentares manufaturados/ agroindustriais = 6, 8, 9, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19 3 – Outros produtos = 20, 21, 22, 23 4 – Comércio = 25, 26 5 – Turismo = 10, 24, 27, 28, 29 6 – Outros serviços = 30, 31, 32, 33, 34, 35 IOI Produtos/ serviços Categorias da CAE/ NACE OCM NC Identificação das variáveis 1 – Hortícolas e batata; 2 – Frutas; 3 – Plantas aromáticas; 4 – Cereais e arroz; 5 – Plantas vivas, relva e produtos de floricultura; 6 – Produtos apícolas; 7 – Produtos de helicicultura; 8 – Produção de carne; 9 – Sabonetes e cremes; 10 – Produtos cinegéticos; 11 – Silvicultura e produtos florestais; 12 – Flor de sal; 13 – Presuntos e enchidos; 14 – Preparados e conservas de frutos e hortícolas; 15 – Azeite e azeitona de mesa; 16 – Leite e derivados; 17 – Farinhas, pão e bolos regionais, doces e compotas; 18 – Café, chá, mate e especiarias; 19 – Vinho e aguardente; 20 – Vestuário e artigos de moda; 21 – Artigos para o lar e decoração; 22 – Revestimentos e materiais de construção; 23 – Equipamento elétrico e iluminação; 24 – Promoção imobiliária; 25 – Comércio por grosso de arroz, hortícolas, frutas, vinho e azeite; 26 – Comércio a retalho (produtos gourmet, regionais e cosméticos); 27 – Atividades de animação turística, organização de eventos; 28 – Alojamento; 29 – Restauração e enoturismo; 30 – Educação, formação, sensibilização ambiental; 31 – Promoção e desenvolvimento regional, assistência técnica; 32 – Saúde e apoio social; 33 – Gestão florestal; 34 – Gestão ambiental; 35 – Conhecimento e I&D Classificação/agregação B – INDICADORES DE INPUT 3. Localização 3.1. Tipologia das áreas urbanas Classifica as áreas de localização das organizações, de acordo com os critérios vigentes do INE sobre tipologias de áreas urbanas à escala da freguesia. Identificação das variáveis 1 – Área Predominantemente urbana (APU) 2 – Área medianamente urbana (AMU) 3 – Área predominantemente rural (AMR) Classificação/agregação Escala/ classes de 1 a 3 Informação de base INE: TIPAU por freguesia Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 173 3.2. Desenvolvimento económico e social da envolvente Afere o nível de desenvolvimento económico e social ou de bem‑estar, por concelho. Identificação das variáveis Sem informação Escala/ classes Classificação/agregação ‑ ‑ Informação de base ‑ 3.3. Vantagens competitivas Identifica as vantagens competitivas da localização da organização de acordo com a perceção dos inquiridos. Identificação das variáveis 1 – Razões familiares (origem, recursos próprios, redes pessoais) 2 – Características edafoclimáticas (propícias para a produção) 3 – Património cultural, natural e ambiental 4 – Facilitadores da localização (apoio técnico e/ou político, potencial da região, redes, proximidade de centros de decisão) 5 – Acessibilidades, proximidade dos mercados 6 – Proximidade dos recursos (produtores, fornecedores, mão de obra, infraestruturas) Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a seguinte ponderação: 1, 2 e 3 = 1 ponto 4 e 6 = 2 pontos 5 = 3 pontos Escala/ classes Informação de base de 1 a 10 IOI Vantagens competitivas da localização + Razões da localização 3.4. Desvantagens competitivas Identifica as desvantagens da localização da organização de acordo com a perceção dos inquiridos. Utilizado como fator descritivo complementar, permite ilustrar que, mesmo em «casos de sucesso», são referidas desvantagens relacionadas com a localização da organização. Identificação das variáveis Classificação/agregação Utilizadas as 5 classes identificadas na 1 – Fatores de «interioridade» (falta de coluna da esquerda. massa crítica e de infraestruturação) 2 – Falta de apoio técnico e/ou político; burocracia 3 – Razões culturais (falta de cultura) 4 – Dificuldades de acesso aos recursos 5 – Distância dos mercados/ acessibilidades 6 – Características edafoclimáticas Escala/ classes Informação de base IOI Desvantagens competitivas da localização da organização 4. Competências 4.1. Competências do líder/ gestor da inovação Classifica a competência do líder ou do gestor da inovação na organização, tendo por base o seu nível de formação académica, a experiência profissional e a experiência de liderança. Inovação em Portugal Rural 174 Identificação das variáveis Nível de formação académica: 1 – Até ao 1.º ciclo; 2 – 1.º ciclo; 3 – 2.º ciclo; 4 – 3.º ciclo; 5 – Secundário; 6 – Bacharelato; 7 – Licenciatura; 8 – Pós-graduação; 9‑ Mestrado; 10 – Doutoramento Experiência profissional: 1 – Sem experiência prévia; 2 – Experiência profissional em áreas diferentes da organização; 3 – Experiência profissional na área da organização Experiência de liderança: 1 – Sem experiência prévia de liderança; 2 – Experiência profissional de liderança noutras áreas; 3 – Experiência profissional de liderança na área da organização Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a seguinte ponderação: Nível de formação académica: ‑ níveis 8, 9 e 10 = 4 pontos ‑ nível 7 = 3 pontos ‑ níveis 5 e 6 = 2 pontos ‑ níveis de 1 a 4 = 1 ponto Experiência profissional e experiência de liderança: ‑ nível 3 = 2 pontos ‑ nível 2 = 1 ponto ‑ nível 1 = 0 pontos Escala/ classes de 1 a 8 Informação de base IOI Percurso académico Experiência profissional 4.2. Qualificação de recursos humanos Identifica a percentagem de licenciados (promotores, colaboradores e familiares) no âmbito da organização. Identificação das variáveis Classificação/agregação Promotores (P) com licenciatura; Promotores com mestrado; Promotores com doutoramento Colaboradores (C) com licenciatura; Colaboradores com mestrado; Colaboradores com doutoramento Familiares (F) com licenciatura; Familiares com mestrado; Familiares com doutoramento Total de pessoas ao serviço da organização Quociente do total de pessoas (promotores, colaboradores e familiares) com licenciatura e mais sobre o total de pessoas ao serviço da organização: (P≥L + C≥L + F≥L) / T P≥L: soma do n.º de promotores com licenciatura ou mais C≥L: soma do n.º de colaboradores com licenciatura ou mais F≥L: soma do n.º de familiares com licenciatura ou mais T = soma do total de promotores, colaboradores e familiares Escala/ classes % Informação de base IOI Nível de escolaridade 4.3. Cooperação interna Identifica a existência de redes internas/cooperação para a inovação. Sem informação. Questão a prever em futuros inquéritos. 4.4. Competências da organização em I&D Caracteriza os quadros técnicos da organização de acordo com as funções que desempenham em I&D. Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Promotores com funções de I&D (PI&D) Colaboradores com funções de I&D (CI&D) Familiares com funções de I&D (FI&D) Total de pessoas ao serviço da organização (T) Quociente do total de RH com funções de I&D sobre o total de pessoas ao serviço da organização: (PI&D + CI&D + FI&D) / T Escala/ classes % 175 Informação de base IOI Nível de escolaridade Funções desempenhadas 4.5. Competências da organização em design Caracteriza os quadros técnicos da organização de acordo com as funções que desempenham em design. Identificação das variáveis Classificação/agregação Promotores com funções de design (PDgn) Colaboradores com funções de design (CDgn) Familiares com funções de design (FDgn) Total de pessoas ao serviço da organização Quociente do total de RH com funções de design sobre o total de pessoas ao serviço da organização: (PDgn + CDgn + FDgn) / T Escala/ classes % Informação de base IOI Nível de escolaridade Funções desempenhadas 4.6. Competências da organização em marketing Caracteriza os quadros técnicos da organização de acordo com as funções que desempenham em mar keting. Sem informação. Questão a prever em futuros inquéritos. 5. Recursos 5.1. Recursos financeiros Avalia a capacidade financeira das organizações e/ou a sua capacidade de se financiarem (subvariável: foram também destacadas as organizações que apenas utilizam capitais próprios e/ou empréstimos familiares). Identificação das variáveis Tipos de recursos financeiros: Capitais próprios e/ou empréstimos de familiares e amigos (CE) Empréstimos e/ou microcrédito (EM) Programas/projetos europeus (PE) Financiamentos públicos nacionais (FN) Financiamentos públicos locais ou regionais (FL) Outros se não forem os do indicador 5.2 (O) Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a seguinte ponderação: CE = 5 pontos (desde que tenha usado pelo menos num dos anos do triénio 2009‑2011) EM = 4 pontos (como em cima) PE = 3 pontos (como em cima) FN = 2 pontos (como em cima) FL = 1 ponto (como em cima) O = 1 ponto (como em cima) Escala/ classes Informação de base de 0 a 16 IOI Recursos financeiros Apoios financeiros para a inovação 5.2. Recursos por mérito Identifica o mérito medido através de prémios recebidos, apoios de fundos relacionados com sistemas de incentivos (SI), interesse de investidores externos. 176 Inovação em Portugal Rural Identificação das variáveis Prémios de concursos (PC) Financiamentos de fundações e outras entidades (FF) Financiamentos associados a sistemas de incentivos (SI) Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a seguinte ponderação: PC = 3 pontos FF = 2 pontos SI = 1 ponto Escala/ classes de 0 a 6 Informação de base IOI Recursos financeiros Apoios financeiros para a inovação 5.3. Recursos materiais Classifica os recursos materiais que podem contribuir para a capacidade de inovação na empresa. Identificação das variáveis Patentes Marcas Equipamento Tecnologia Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos a cada uma das variáveis da coluna da esquerda Sim = 1 Não = 0 Escala/ classes de 0 a 4 Informação de base IOI Recursos da organização 6. Fontes de conhecimento 6.1. Fontes de informação internas Identifica a importância das fontes de conhecimento internas para a inovação, de acordo com a valoração dada pelos inquiridos. Identificação das variáveis Fontes de informação internas para a inovação: ‑ Conhecimento e experiência do promotor (CP) ‑ Conhecimento e experiência dos colaboradores da organização (CC) Classificação/agregação Média da classificação atribuída a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a ponderação abaixo: (CP+CC / 2) Alta = 3 Média = 2 Baixa = 1 Nenhuma = 0 Escala/ classes de (0 a 6) /2 Informação de base IOI Fontes de informação para a inovação 7. Networking 7.1. Parcerias para a inovação Identifica o número de diferentes tipos de colaborações/parcerias, formais ou informais, a que a organização recorreu de 2009 a 2011, tendo em vista a introdução de inovação. Identificação das variáveis 1 – Outras empresas do mesmo setor 2 – Outras organizações da mesma área 3 – Outras empresas de outros setores Classificação/agregação Somatório dos tipos de parcerias Escala/ classes Informação de base de 0 a 11 IOI Fontes de informação Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Escala/ classes 177 Informação de base para a inovação 4 – Outras organizações de outras áreas 5 – Universidades/laboratórios de investigação 6 – Fornecedores 7 – Associações 8 – Media 9 – Autarquias 10 – Entidades públicas 11 – Outros 8. Barreiras à inovação 8.1. Barreiras internas Identifica as barreiras internas à organização para a introdução de inovação, de acordo com a perceção dos inquiridos. Utilizado como fator descritivo complementar, permite ilustrar que, mesmo em «casos do sucesso», são referidos obstáculos relacionados com barreiras internas. Identificação das variáveis 1 – Tempo para desenvolver atividades de inovação 2 – Recursos humanos e qualificações 3 – Acesso à informação sobre os mercados e cadeias de valor 4 – Converter a informação em conhecimento 5 – Converter formação em conhecimento 6 – Custos da inovação 7 – Proteção da inovação 8 – Riscos da inovação 9 – Retorno do investimento em inovação 10 – Meios financeiros disponíveis 11 – Cultura da organização 12 – Estratégia da organização 13 – Liderança da organização 14 – Outro(s) Classificação/agregação Escala/ classes Referidas as classificadas pelos inquiridos como tendo «muita importância» Informação de base IOI Barreiras internas 8.2. Barreiras impostas pela envolvente Identifica as barreiras impostas pela envolvente que dificultam a introdução de inovação pela organização, de acordo com a perceção dos inquiridos. Utilizado como fator descritivo complementar, permite ilustrar que, mesmo em «casos de sucesso», são referidos obstáculos relacionados com barreiras externas. Identificação das variáveis 1 – Acesso ao conhecimento para a inovação 2 – Acesso à formação 3 – Contratação de mão de obra qualificada Classificação/agregação Referidas as classificadas pelos inquiridos como tendo «muita importância» Escala/ classes Informação de base IOI Barreiras externas 178 Inovação em Portugal Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Escala/ classes Informação de base 4 – Acesso ao capital de risco 5 – Acesso ao crédito bancário 6 – Acesso aos apoios públicos 7 – Acesso aos mercados 8 – Cultura empresarial para a inovação 9 – Cultura local 10 – Burocracia da administração central e local 11 – Enquadramento legal e institucional 12 – Desadequação dos incentivos públicos 13 – Acessibilidades 14 – Acesso a telecomunicações 15 – Distância aos centros de decisão 16 – Outro(s) C – INDICADORES DE PROCESSO 9. Inovações 9.1. Tipo de inovações criadas/adaptadas Analisa e caracteriza os padrões de inovação desenvolvidos pela organização, considerando‑se o caráter da inovação. Este é designado como radical quando as inovações desenvolvidas pela organização são novas para o mercado (ou novas para o setor) e incremental quando a organização desenvolve ou implementa inovações que melhoram produtos, processos, estratégias ou modelos já existentes. Identificação das variáveis 1 – Incremental 2 – Radical 3 – Radical e incremental Classificação/agregação Apenas a variável 3 foi identificada como «melhor» prática. Escala/ classes Informação de base IOI Quadro de inovações 9.2. Padrões de inovação Os padrões de inovação foram classificados em diversas categorias, de acordo com o tipo de inovação – produto, processo, marketing, organizacional, networking e social – e, de seguida, classificados de acordo com a finalidade a que se destinam: • Produtos/processos novos ou melhorados • Alargar o mercado • Melhorias organizacionais • Criação de redes. Foram ainda identificados os padrões de inovação que têm a ver com o estabelecimento de redes locais e com o desenvolvimento local que foram integrados noutros indicadores. Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 179 9.2a – Padrões de inovação – produtos/processos novos ou melhorados Identifica e classifica as organizações que desenvolvem novos produtos ou processos ou melhoram produtos ou processos existentes. Identificação das variáveis 2 Produto – Criar novo produto 3 Produto – Diferenciar produtos 4 Produto – Diversificar a gama de produtos 7 Produto – Novo processo para produto 11 Processo – Criar novo produto 12 Processo – Diferenciar produtos 13 Processo – Diversificar a gama de produtos 16 Processo – Novo processo para produto 19 Marketing – Criar novo produto 20 Marketing – Diferenciar produtos 21 Marketing – Diversificar a gama de produtos 27 Organizacional – Criar novo produto 28 Organizacional – Diversificar a gama de produtos 36 Networking – Criar novo produto 44 Social – Criar novo produto 45 Social – Diferenciar produtos Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada um dos padrões identificados na coluna da esquerda. Escala/ classes 0 a 16 Informação de base IOI Quadro de inovações 9.2b – Padrões de inovação – alargar o mercado Identifica e classifica as organizações cujas inovações são motivadas pelo objetivo de entrada em novos mercados ou alargamento dos atuais. Identificação das variáveis 5 – Produto – Entrar em mercados específicos 6 – Produto – Estratégia de marketing 14 – Processo – Entrar em mercados específicos 15 – Processo – Estratégia de marketing 22 – Marketing – Entrar em mercados específicos 23 – Marketing – Estratégia de marketing 29 – Organizacional – Entrar em mercados específicos 30 – Organizacional – Estratégia de marketing 37 – Networking – Entrar em mercados específicos 38 – Networking – Estratégia de marketing Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada um dos padrões identificados na coluna da esquerda. Escala/ classes 0 a 10 Informação de base IOI Quadro de inovações 180 Inovação em Portugal Rural 9.2c – Padrões de inovação – melhorias organizacionais Identifica e classifica as organizações cujas inovações se destinam a obter ganhos de eficiência e valor e/ou a aproveitar os recursos disponíveis na organização. Identificação das variáveis Classificação/agregação 8 – Produto – Ganhos de eficiência e valor Somatório do número de ocorrências 17 – Processo – Ganhos de eficiência e valor na organização de cada um dos padrões 26 – Organizacional – Aproveitar recursos identificados na coluna da esquerda. disponíveis na organização 31 – Organizacional – Ganhos de eficiência e valor 39 – Networking – Ganhos de eficiência e valor Escala/ classes 0a5 Informação de base IOI Quadro de inovações 9.2d – Padrões de inovação – criação de redes de oferta Identifica e classifica as organizações cujas inovações se destinam ao estabelecimento de redes de oferta e/ou aprovisionamento. Identificação das variáveis Classificação/agregação 32 – Organizacional – Oferta em rede Somatório do número de ocorrências 40 – Networking – Oferta em rede na organização de cada um dos padrões 41 – Networking – Aprovisionamento em rede identificados na coluna da esquerda. Escala/ classes 0a3 Informação de base IOI Quadro de inovações 9.3. Intensidade do processo de inovação Classifica as organizações de acordo com a intensidade da inovação praticada. Identificação das variáveis 1 – Fase de lançamento 2 – Pontual 3 – Concentrada 4 – Continuada e concentrada 5 – Concentrada e descontinuada 6 – Continuada 7 – Continuada e sequencial 8 – Descontinuada mas sequencial 9 – Descontinuada 10 – Intensiva Classificação/agregação Escala/ classes Foram identificadas como «melhores» práticas os seguintes tipos: 4, 6, 7 e 10 Informação de base IOI Quadro de inovações 9.4. Atividades para a inovação Identifica as diferentes atividades para a inovação desenvolvidas pela organização. Identificação das variáveis 1 – Atividades de I&D desenvolvidas dentro da empresa 2 – Aquisição externa de I&D Classificação/agregação Escala/ classes Somatório do n.º de tipologias de atividades de 0 a 9 desenvolvidas Informação de base IOI Atividades para o Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Escala/ classes 181 Informação de base desenvolvimento da inovação 3 – Aquisição de maquinaria, equipamento 4 – Aquisição de tecnologias de informática 5 – Aquisição de outros conhecimentos externos 6 – Formação do pessoal para a inovação 7 – Introdução das inovações no mercado 8 – Produção experimental 9 – Outras 9.4a – Atividades para a inovação – atividades de I&D para a inovação Subvariável da anterior: identifica as organizações que desenvolvem internamente e/ou adquirem externamente atividades de I&D. Identificação das variáveis 1 – Atividades de I&D desenvolvidas dentro da empresa 2 – Aquisição externa de I&D Classificação/agregação Identifica a existência destas atividades, atribuindo a classificação seguinte: Sim = 1 Não = 0 Escala/ classes 0 ou 1 Informação de base IOI Atividades para o desenvolvimento da inovação 9.4b – Atividades para a inovação – atividades internas contínuas de I&D Subvariável da anterior: identifica as organizações que referiram desenvolver atividades de I&D de forma continuada. Identificação das variáveis Desenvolve atividades internas de I&D de forma contínua Classificação/agregação Sim = 1 Não = 0 Escala/ classes 0 ou 1 Informação de base IOI Atividades para o desenvolvimento da inovação 9.5. Investimento em inovação Identifica a relação entre o investimento em inovação e o volume de vendas. Identificação das variáveis Valor das despesas da organização em inovação em 2011: ‑ Atividades de I&D desenvolvidas dentro da empresa ‑ Aquisição externa de I&D Classificação/agregação Somatório de todas as despesas com as atividades para o desenvolvimento da inovação a dividir pelo volume de vendas em 2010 Escala/ classes % Informação de base IOI Custos da inovação (2011) Volume de 182 Inovação em Portugal Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Escala/ classes Informação de base vendas em 2010 ‑ Aquisição de maquinaria e equipamento ‑ Aquisição de equipamentos e tecnologias de informática ‑ Aquisição de outros conhecimentos externos ‑ Formação e qualificação ‑ Introdução das inovações no mercado ‑ Produção experimental ‑ Outro(s) Volume de vendas da organização em 2010 9.5a – Investimento em I&D para a inovação Subvariável da anterior: identifica o investimento em atividades de I&D internas e externas. Identificação das variáveis Valor das despesas da organização em inovação em 2011: ‑ Atividades de I&D desenvolvidas dentro da empresa ‑ Aquisição externa de I&D Classificação/agregação Soma das duas variáveis Escala/ classes valor Informação de base IOI Custos da inovação (2011) 9.6. Cadeia de valor Analisa o contributo da organização para a cadeia de valor e criação interna de valor acrescentado, tendo por base a informação recolhida para os três principais produtos da organização (definidos de acordo com o peso no respetivo volume de vendas ou serviços). Identificação das variáveis CV – Média dos 3 produtos em cada nível da cadeia de valor, exceto a conceção do produto: 1 – Todos os níveis acima de 70% 2 – 4 níveis acima de 70% 3 – 3 níveis acima de 70% 4 – 2 níveis acima de 70% 5 – Apenas produção e/ou transformação acima de 70% 6 – Todos os outros CP – Média dos 3 produtos para o nível conceção do produto: a – Conceção do produto superior a 70% b – Conceção do produto superior a 0% e inferior a 70% c – Conceção do produto igual a 0% Classificação/agregação Escala/ classes Classificação obtida correspondente a CV, de 1 a 12 multiplicada pelo fator de valoração CP: CV: 1 – 6 pontos 2 – 5 pontos 3 – 4 pontos 4 – 3 pontos 5 – 2 pontos 6 – 1 ponto CP: a – fator de valoração = 2 b – fator de valoração = 1,5 c – fator de valoração = 1 Informação de base IOI Participação direta na cadeia de valor Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 183 10. Internacionalização 10.1. Perfil de exportação Identifica a que nível a organização é exportadora, tendo presente a informação correspondente aos 3 principais produtos/serviços (definidos de acordo com o peso no respetivo volume de vendas ou serviços). Identificação das variáveis Variáveis construídas com os vários níveis de exportação de cada um dos 3 principais produtos/serviços: a – não exporta b – exporta, mas menos de 50% dos 3 principais produtos/serviços c – exporta entre 50 a 100% pelo menos num produto/serviço d – exporta entre 50 a 100% nos 3 principais produtos/serviços e – exporta 100% de um produto/serviço f – exporta 100% de mais do que um produto/serviço Classificação/agregação Classificação de acordo com a ponderação seguinte: a – 0 pontos b – 1 ponto c – 2 pontos d – 3 pontos e – 4 pontos f – 5 pontos Escala/ classes de 0 a 5 Informação de base IOI Mercados geográficos 10.2. Abrangência geográfica Identifica a abrangência geográfica da organização, tendo presente a informação correspondente à exportação dos três principais produtos/serviços (definidos de acordo com o peso no respetivo volume de vendas ou serviços). Identificação das variáveis Classificação/agregação 0 – não exporta Indicador de caracterização 1 – intraeuropeu (apenas para a Europa) (nota: a classe 4 não existe na amostra) 2 – extra europeu (apenas para fora da Europa) 3 – diversificado (outros mercados para além da Europa) 4 – global (todos os mercados) Escala/ classes de 0 a 4 Informação de base IOI Mercados geográficos 10.3. Dinâmica para a internacionalização Classifica a que nível a organização procura/recorre a apoios de organizações externas para se internacionalizar. Questão a trabalhar com maior detalhe em inquéritos futuros. Identificação das variáveis Parcerias internacionais Existência de distribuidores ou intermediários internacionais Classificação/agregação Somatório das duas variáveis da coluna da esquerda, com a seguinte ponderação: Sim = 1 Não = 0 Escala/ classes 0a2 Informação de base IOI Cliente Parcerias, motivações e âmbito territorial das parcerias para a inovação 184 Inovação em Portugal Rural 11. Mobilização de conhecimento 11.1. Fontes de informação externas Avalia o nível de utilização de fontes de conhecimento externas para o processo de inovação, de acordo com a valoração dada pelos inquiridos. Identificação das variáveis Fontes de informação de mercado para a inovação (FM) ‑ Clientes ‑ Consumidores ‑ Concorrentes ou outras empresas do mesmo setor de atividade ‑ Consultores, laboratórios ou instituições privadas de I&D ‑ Fornecedores de materiais, equipamento ou tecnologia Fontes institucionais para a inovação (FInst) ‑ Universidades ou outras instituições do ensino superior ‑ Laboratórios do Estado ou outros organismos públicos com atividades de I&D ‑ Outras entidades públicas ‑ Associações de desenvolvimento local Outras fontes de informação para a inovação (OF) ‑ Conferências, feiras, exposições ‑ Revistas científicas e publicações técnicas/ profissionais/comerciais ‑ Internet e comunicação social ‑ Associações profissionais ou empresariais ‑ Conhecimento local (cultura e saberes locais) ‑ Conhecimento popular (cultura e saberes populares) Classificação/agregação Escala/ classes de 0 a 9 Somatório da média da classificação atribuída a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a ponderação abaixo (FM+FInst+OF): Alta = 3 Média = 2 Baixa = 1 Nenhuma = 0 FM = Soma das classificações atribuídas a dividir por 15 FInst = Soma das classificações atribuídas a dividir por 12 OF = Soma das classificações atribuídas a dividir por 18 Informação de base IOI Fontes de informação para a inovação 11.2. Mobilização de conhecimento local Identifica a diversidade de fontes de conhecimento local que utilizou para a inovação. Identificação das variáveis 1 – Técnicas agrícolas 2 – Técnicas de irrigação 3 – Métodos de produção artesanal ou tradicional 4 – Recuperação, conservação e utilização de produtos locais/património ecológico local Classificação/agregação Somatório do número das novas variáveis criadas com base nas variáveis da coluna da esquerda (1 ponto a cada tipologia diferente: a, b, c, d) a – conhecimento técnico‑construtivo = 1, 2, 7, 14 b – conhecimento tradicional/ artesanal = 3, 5, 6, 11 Escala/ classes de 0 a 4 Informação de base IOI Fontes de informação para a inovação Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural Identificação das variáveis Classificação/agregação Escala/ classes 185 Informação de base c – conhecimento histórico‑cultural = 8, 5 – Características tradicionais dos 9, 10 produtos d – conhecimento ecológico = 4, 12, 13 6 – Medicina tradicional 7 – Técnicas tradicionais de construção 8 – Tradição cultural 9 – Tradições de vida do quotidiano e história do território 10 – Tradição oral 11 – Jogos e brinquedos tradicionais 12 – Conhecimento dos recursos naturais e ambientais do território 13 – Percursos/caminhos locais 14 – Formas de energia 12. Networking (Sinergias) 12.1. Sinergias para a inovação Classifica o tipo de redes existentes entre as organizações e os principais atores da rede. Parcialmente respondido pelo indicador abaixo – redes locais. Será trabalhado com maior detalhe em inquéritos futuros. 12.1a – Redes locais (padrão para a inovação) Identifica e classifica as organizações cujas inovações estão associadas ao estabelecimento de redes com a comunidade local. Identificação das variáveis 33 – Inovação organizacional – Networking com a comunidade local 42 – Networking – Networking com a comunidade local 46 – Social – Networking com a comunidade local Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada um dos padrões identificados na coluna da esquerda. Escala/ classes 0a3 Informação de base IOI Quadro de inovações 12.2. Motivações para a cooperação As motivações para a cooperação/parcerias, formais ou informais, a que a organização recorreu de 2009 a 2011, tendo em vista a introdução de inovação, foram classificadas em diversas categorias, de acordo com o tipo de parceria estabelecida (este indicador poderá ser melhor trabalhado a partir de novas questões a introduzir em inquéritos futuros): • Parcerias locais • Parcerias para capacitação • Parcerias para o negócio 12.2a – Motivações para a cooperação – parcerias locais Classifica a existência de cooperações existentes entre a organização e os principais atores locais. 186 Inovação em Portugal Rural Identificação das variáveis 2 – Outras organizações da mesma área 9 – Autarquias Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada uma das parcerias identificadas na coluna da esquerda. Escala/ classes de 0 a 2 Informação de base IOI Tipo de cooperação e motivação para a cooperação 12.2b – Motivações para a cooperação – parcerias para capacitação Classifica a existência de cooperações entre a organização e os atores para o conhecimento e institucionais. Identificação das variáveis 5 – Universidades/laboratórios de investigação 7 – Associações 10 – Entidades públicas 11 – Outros Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada uma das parcerias identificadas na coluna da esquerda. Escala/ classes de 0 a 4 Informação de base IOI Tipo de cooperação e motivação para a cooperação 12.2c – Motivações para a cooperação – parcerias para o negócio Classifica a existência de cooperações entre a organização e outras organizações relacionadas com a atividade da organização. Identificação das variáveis 1 – Outras empresas do mesmo setor 3 – Outras empresas de outros setores 4 – Outras organizações de outras áreas 6 – Fornecedores Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada uma das parcerias identificadas na coluna da esquerda. Escala/ classes de 0 a 4 Informação de base IOI Tipo de cooperação e motivação para a cooperação 13. Especialização/diversificação 13.1. Especialização Identifica o nível de diversificação das organizações que apenas têm uma atividade e uma tipologia de produto/serviço. Identificação das variáveis 1 – Organizações especializadas: apenas oferecem uma tipologia de produto/ serviço 2 – Organizações verticalizadas: oferecem mais do que um produto/serviço mas complementar ou sequencial na cadeia de valor Classificação/agregação Indicador de caracterização Escala/ classes 1 ou 2 Informação de base IOI CAE e Atividades económicas Produtos/ serviços Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 187 13.2. Diversificação Identifica o nível de diversificação das organizações que têm mais do que uma atividade e oferecem várias tipologias de produtos/ serviços. Identificação das variáveis 3 – Organizações diversificadas – oferecem mais do que um produto/serviço correspondente a atividades/categorias diferenciadas 4 – Organizações verticalizadas e diversificadas (pluriverticalizadas): oferecem mais do que um produto/ serviço correspondente a atividades/ categorias diferenciadas, mas alguns deles complementares ou sequenciais na cadeia de valor Classificação/agregação Indicador de caracterização Escala/ classes 3 ou 4 Informação de base IOI CAE e atividades económicas Produtos/ serviços 14. Ligação às especificidades locais 14.1. Adaptação às especificidades locais Classifica a forma como as organizações adaptam a sua atividade à envolvente local. Questão a introduzir em inquéritos futuros. 14.2. Desenvolvimento local (padrão para a inovação) Identifica e classifica as organizações que contribuem para o desenvolvimento local, tirando partido das características do meio – históricas, demográficas, geográficas, económicas, sociais e culturais – para a introdução de inovações. Identificação das variáveis 1 – Produto – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local 10 – Processo – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local 18 – Marketing – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local 25 – Organizacional – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local 35 – Networking – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local 43 – Social – Desenvolvimento local e regional, valorização dos recursos e património local Classificação/agregação Somatório do número de ocorrências na organização de cada um dos padrões identificados na coluna da esquerda. Escala/ classes 0a6 Informação de base IOI Quadro de inovações 188 Inovação em Portugal Rural D – INDICADORES DE RESULTADO 15. Inovações 15.1. Número de inovações criadas/adaptadas Identifica o número de inovações introduzidas pela organização. Identificação das variáveis N.º total de inovações indicadas pelos inquiridos Classificação/agregação Indicador de caracterização Escala/ classes n.º Informação de base IOI Quadro de inovações 15.2. Número de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012 Identifica o número de inovações introduzidas pela organização entre 2009 e 2012. Identificação das variáveis Inovações indicadas pelos inquiridos Classificação/agregação N.º de inovações Escala/ classes n.º Informação de base IOI Quadro de inovações 15.3. Peso da inovação na organização Identifica e classifica o peso da introdução de inovações no volume de vendas ou no volume de serviços da organização. Identificação das variáveis Peso da inovação referido para cada uma das inovações indicadas pelos inquiridos Classificação/agregação Somatório das % indicadas para cada uma das inovações Escala/ classes 0a 100% Informação de base IOI Peso da inovação 16. Socioeconómicos 16.1. Criação de emprego Analisa e classifica o impacto das inovações na criação e/ou manutenção de postos de trabalho entre 2009 e 2011 (em n.º e em %). Identificação das variáveis Variável «número de pessoas empregadas» em 2009, 2010 e 2011 Classificação/agregação Em n.º = (2011‑2009) Em % = (2011‑2009)/2009 Escala/ classes n.º % Informação de base IOI Pessoas ao serviço 16.2. Criação de emprego para a inovação Analisa e classifica o impacto das inovações na criação direta de empregos entre 2009 e 2011. Identificação das variáveis Variáveis: postos de trabalho permanentes e temporários criados Classificação/agregação Total de postos de trabalho criados Escala/ classes n.º Informação de base IOI Postos de trabalho criados Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural 16.3. Variação do volume de vendas Analisa o impacto das inovações no volume de vendas entre 2009 e 2011. Identificação das variáveis Variável: volume de vendas em 2009, 2010 e 2011, dividida por 3 grupos de empresas: a – criadas antes de 2008 b – criadas em 2008 e 2009 c – criadas em 2010 Classificação/agregação a = (2011‑2009)/2009 b = (2011‑2009)/2009 para as empresas criadas em 2010: c = (2011‑2010)/2010) Escala/ classes % Informação de base IOI Volume de vendas 17. Difusão da inovação 17.1. Disseminação de conhecimento Quantifica o impacto da disseminação das inovações. Identificação das variáveis Variáveis «impactos ao nível da difusão de conhecimento» N.º de notas nos media (NM) ‑ mais de 40 = 3 pontos ‑ de 21 a 40 = 2 pontos ‑ de 0 a 20 = 1 ponto ‑ nenhuma = 0 pontos Participações em eventos científicos, pedagógicos e participação em estudos (PEE) ‑ mais de 10 = 3 pontos ‑ de 5 a 9 = 2 pontos ‑ de 0 a 4 = 1 ponto ‑ nenhuma = 0 pontos N.º de eventos comerciais (EC) ‑ mais de 10 = 3 pontos ‑ de 5 a 10 = 2 pontos ‑ de 0 a 4 = 1 ponto ‑ nenhum = 0 pontos N.º de visitas à organização (VO) ‑ mais de 20 = 3 pontos ‑ de 10 a 20 = 2 pontos ‑ de 0 a 9 = 1 ponto ‑ nenhuma = 0 pontos N.º de solicitações de apoio (SA) ‑ mais de 20 = 3 pontos ‑ de 10 a 20 = 2 pontos ‑ de 0 a 9 = 1 ponto ‑ nenhuma = 0 pontos Classificação/agregação Somatório dos pontos atribuídos NM + PEE + EC + VO + SA Escala/ classes 0 a 15 Informação de base IOI Difusão e disseminação da inovação 189 190 Inovação em Portugal Rural 18. Impactos 18.1. Certificações Analisa a relação da criação de inovações com a atribuição de certificações ambientais. Questão a introduzir em futuros inquéritos. 18.2. Efeitos internos Analisa e classifica o(s) impacto(s) da inovação ao nível da organização, de acordo com a valoração atribuída pelos inquiridos. Identificação das variáveis Variável impactos internos: 1 – Eficiência na gestão 2 – Produtividade do trabalho 3 – Competitividade da organização 4 – Qualificação dos colaboradores 5 – Motivação dos colaboradores 6 – Situação financeira da organização 7 – Criação de oportunidades de negócio para a organização 8 – Sustentabilidade da organização 9 – Imagem e reputação da organização Classificação/agregação Somatório da classificação atribuída a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a ponderação abaixo: «muito positivo» = 2 pontos «positivo» = 1 ponto «irrelevante» = 0 pontos «negativo» = –1 ponto Subindicadores: ‑ Efeitos sobre a competência da organização: 1, 2, 3, 4, 5 ‑ Efeitos sobre a sustentabilidade da organização: 6, 7, 8, 9 Escala/ classes de – 9 a 18 Informação de base IOI Impactos internos da inovação 18.3. Efeitos externos Analisa e classifica o(s) impacto(s) da inovação o ambiente externo à organização, de acordo com a valoração atribuída pelos inquiridos. Identificação das variáveis Classificação/agregação Variável impactos externos: 1 – Criação de emprego indireto 2 – Criação de novas empresas ou novos negócios 3 – Incentivo à inovação nas empresas já estabelecidas 4 – Motivação da comunidade local para a inovação e o empreendedorismo 5 – Fixação de trabalhadores qualificados 6 – Fixação de população 7 – Qualidade de vida ao nível local 8 – Conservação dos recursos naturais 9 – Conservação do património histórico e cultural 10 – Imagem e divulgação do território onde opera 11 – Preservação do conhecimento e saberes locais 12 – Difusão de conhecimento e experiências 13 – Promoção de redes institucionais Somatório da classificação atribuída a cada uma das variáveis da coluna da esquerda, com a ponderação abaixo: «muito positivo» = 2 pontos «positivo» = 1 ponto «irrelevante» = 0 pontos «negativo» = –1 ponto Subindicadores: ‑ Efeitos sobre o desenvolvimento socioeconómico: 1, 2, 3, 4, 5, 6 ‑ Efeitos de valorização do património: 7, 8, 9, 10, 11 ‑ Efeitos sobre a criação de redes de conhecimento: 12, 13 Escala/ classes de –13 a 26 Informação de base IOI Impactos externos da inovação Agradecimentos Os autores agradecem ao Programa da Rede Rural Nacional (PRRN) que financiou este livro e o projeto que lhe deu origem, o projeto RUR@L INOV «Inovar em Meio Rural». O projeto RUR@L INOV foi uma iniciativa conjunta da UTAD (Universidade de Trás‑os‑Montes e Alto Douro) e da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR). Desenvolveu‑se entre dezembro de 2011 e julho de 2013 com base numa equipa interdisciplinar que congregou pessoas das duas organizações. Neste grupo incluem‑se os autores deste livro, que beneficiaram do contributo dos outros membros da equipa e aos quais são devedores. Um obrigado especial é devido aos colegas de equipa – Ana Entrudo e Ana Pires da Silva, da DGADR, Teresa Sequeira, Alberto Baptista e Alexandra Marta‑Costa, da UTAD –, assim como aos bolseiros de investigação (UTAD) Ana Ferreira, Ivo Oliveira, Joana Leão e Mariana Lobo. Agradecemos também os contributos da comissão de peritos que acompanhou o projeto RUR@L INOV composta pelas seguintes pessoas: Alan Renwick, atualmente professor na School of Agriculture & Food Science da University College of Dublin (UCD); Bjørn Asheim, especialista internacional em inovação e fundador do Centre for Innovation, Research and Competence in the Learning Economy (CIRCLE) sediado na Suécia; Maria de Fátima Ferreiro, professora do ISCTE e investigadora do DINÂMIA; e Javier Esparcia, professor catedrático da Universidade de Valência (Espanha) e especialista em desenvolvimento rural. Os autores agradecem igualmente à UTAD e à DGADR por terem acolhido e apoiado o projeto. Este é, pois, fruto do trabalho de uma equipa muito mais vasta do que aquela que pode ser nomeada. Nesta grande equipa incluem‑se numerosas pessoas e entidades que colaboraram no projeto RUR@L INOV como parte integrante e que contribuíram de forma determinante para o seu desenvolvimento. A todos os autores expressam a sua gratidão pelo contributo dedicado e generoso que nos ofereceram. Não nos sendo possível nomear todos de forma exaustiva, destacamos em seguida alguns desses contributos. O contributo primeiro é o que nos foi dado pelas organizações inovadoras, que são, de resto, a razão de ser deste trabalho. A sua contribuição interessada e generosa, patente neste livro, nomeadamente a resposta à entrevista do inquérito às organizações inovadoras implantadas nas áreas rurais portuguesas, bem como a participação em grupos focais, foi obviamente o ingrediente essencial para a elaboração deste livro. Acresce‑se o exemplo inspirador dos seus responsáveis, mentores e colaboradores, que converteram o projeto RUR@L INOV numa experiência única e inesquecível. Aproveitamos a oportunidade para agradecer igualmente às numerosas pessoas e entidades que connosco colaboraram, partilhando ideias, experiências e conhecimento, no decurso das inúmeras iniciativas promovidas no âmbito do projeto RUR@L INOV. Estas iniciativas incluíram um grupo focal que envolveu a participação 192 Inovação em Portugal Rural de especialistas em inovação, recolha de dados estatísticos e desenvolvimento rural, a quem agradecemos os ensinamentos proporcionados. Incluíram também três workshops que contaram com a participação de vários oradores convidados, portugueses e estrangeiros, a quem aproveitamos também para agradecer pela contribuição que nos proporcionaram. Agradecemos ainda a algumas pessoas que foram determinantes para a conceção deste trabalho e/ou no encorajamento persistente e caloroso à sua prossecução. Não podendo destacá‑las todas, nomeamos as seguintes: o Senhor Eduardo Rocha, responsável pelo empreendimento turístico Moinhos da Tia Antoninha, que teve a visão da oportunidade e da necessidade de se estudar a inovação nas áreas rurais portuguesas; a Engenheira Custódia Correia (da DGADR), porque juntou a essa visão a força e o entusiamo para a sua concretização; e à Engenheira Filipa Osório (da DGADR), porque acompanhou e apoiou de forma entusiástica o RUR@L INOV. Lista de abreviaturas AMU – Áreas medianamente urbanas APR – Áreas predominantemente rurais APU – Áreas predominantemente urbanas ASR – Áreas significativamente rurais CAE – Classificação de Atividade Económica CE – Comissão Europeia CIRCLE – Centre for Innovation, Research and Competence in the Learning Economy CIS – Community Innovation Survey COM – Organização Comum dos Mercados COTEC PORTUGAL – Associação Empresarial para a Inovação DGADR – Direção‑Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural DINÂMIA – Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconómica e o Território DRAPC – Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro EC – European Commission EIS – European Innovation Scoreboard EUROSTAT – Estatísticas oficiais da União Europeia HIESE – Habitat de Inovação Empresarial nos Setores Estratégicos I&D – Investigação & desenvolvimento IEBR – Incubadora de empresas de base rural INE – Instituto Nacional de Estatística IN‑SIGTH – Strengthening Innovation Processes for Growth and Development IOI – Inquérito às Organizações Inovadoras IPCB/ESA – Instituto Politécnico de Castelo Branco/Escola Superior Agrária de Castelo Branco ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa ISRN – Innovation Systems Research Network LEADER – Liaison entre Actions de Développement de l’Économie Rurale (iniciativa comunitária para o desenvolvimento rural) MADRP – Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas NACE – Nomenclatura de Atividade Económica NESTA – National Endowment for Science, Technology and the Arts 194 Inovação em Portugal Rural NESTI – National Experts on Science and Technology Indicators NUTS – Nomenclatura das Unidades Territoriais Estatísticas OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico OECD – Organisation for Economic Co‑operation and Development PME – Pequena e média empresa PRODER – Programa de Desenvolvimento Rural QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional RAPIDO – Rural Areas, People & Innovative Development RH – Recursos Humanos RUR@CT – Programa de cooperação da Assembly of European Regions (AER) RUR@L INOV – Inovar em Meio Rural SADC – Comunidade para o Desenvolvimento de África Austral SI – Sistemas de incentivos ao investimento das empresas SPSS – Statistical Package for Social Sciences TFP – total factor productivity (produtividade total dos fatores) TIC – tecnologias de informação e comunicação TIPAU – tipologias de áreas urbanas TPP – inovações tecnológicas em produtos e processos UCD – University College of Dublin UE – União Europeia UTAD – Universidade de Trás‑os‑Montes e Alto Douro Índice de Figuras, Tabelas e Caixas Índice de figuras Figura 2.1. – Definição de inovação (OECD e Eurostat, 2005) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.1. – Conceito e visão da inovação dos inovadores e outros stakeholders . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.2. – Redefinição do conceito de inovação pelo projeto RUR@L INOV . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.3. – Natureza jurídica das unidades de análise abrangidas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.4. – Abordagem do projeto RUR@L INOV à inovação nas áreas rurais . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.5. – Características das organizações inovadoras inquiridas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.6. – Mosaico dos traços do perfil predominante das organizações inovadoras em meio rural . . . Figura 3.7. – Qualificação dos promotores (esquerda) e dos colaboradores (direita), em % . . . . . . . . . Figura 3.8. – Fontes de conhecimento mobilizadas pelas organizações inovadoras . . . . . . . . . . . . . Figura 3.9. – Exemplos de conhecimento local utilizado pelos inovadores como fonte para a inovação . . . Figura 3.10. – Fontes de financiamento, por ordem de importância, para o total de organizações (%) . . . Figura 3.11. – Capacidade exportadora das empresas privadas para os seus três principais produtos (%) . . Figura 3.12. – Parceiros de cooperação para a inovação das organizações (%) . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.13. – Motivações para a inovação, por tipologia de inovação, para o total de organizações (n.º) . . Figura 3.14. – Motivações para a inovação social e de networking para o total de organizações (n.º) . . . . Figura 3.15. – Tipologia de padrões de «inovação escondida» nas empresas nas áreas rurais portuguesas . . Figura 3.16. – Perfil de inovação (%) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.17. – Obstáculos à inovação atribuíveis pelos respondentes à própria organização . . . . . . . . . Figura 3.18. – Obstáculos à inovação impostos pela envolvente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.19. – Qualificação dos recursos humanos do emprego criado para a inovação (%) . . . . . . . . Figura 3.20. – Efeitos da inovação ao nível da organização e da envolvente . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.21. – Avaliação do tempo despendido na gestão das interfaces da inovação feita pelos inovadores Figura 3.22. – Localização das organizações por TIPAU e setor de atividade (n.º) . . . . . . . . . . . . . Figura 3.23. – Vantagens competitivas (esquerda) e desvantagens (direita) da localização em meio rural . . Figura 3.24. – Proposta de modelo do sistema local de inovação para o caso das organizações em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 3.25. – Vista parcial da ocupação de plantações de figo‑da‑índia na IEBR de Idanha‑a‑Nova (esquerda) e vista aérea da HIESE, área cultivável em Penela (direita) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 30 30 32 33 37 38 39 40 40 41 42 42 43 43 47 48 48 49 51 52 54 56 56 57 59 196 Inovação em Portugal Rural Figura 5.1. – Forma jurídica da organização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.2. – Dimensão da organização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.3. – Atividades económicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.4. – Produtos e serviços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.5. – Síntese de resultados do indicador «vantagens competitivas» . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.6. – Síntese de resultados do indicador «competências do líder/gestor da inovação» . . . . . . . . Figura 5.7. – Síntese de resultados do indicador «qualificação de recursos humanos» . . . . . . . . . . . . Figura 5.8. – Síntese de resultados do indicador «competências da organização em I&D» . . . . . . . . . Figura 5.9. – Síntese de resultados do indicador «competências da organização em design» . . . . . . . . . Figura 5.10. – Síntese de resultados do indicador «recursos financeiros» . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.11. – Síntese de resultados do indicador «recursos por mérito» . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.12. – Síntese de resultados do indicador «recursos materiais» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.13. – Síntese de resultados do indicador «fontes de informação internas» . . . . . . . . . . . . . Figura 5.14. – Síntese de resultados do indicador «parcerias para a inovação» . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.15. – Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – produtos/processos novos ou melhorados» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.16. – Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – alargar o mercado» . . . . . . . Figura 5.17. – Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – melhorias da organização» . . . . Figura 5.18. – Síntese de resultados do indicador «padrões de inovação – criação de redes» . . . . . . . . Figura 5.19. – Intensidade do processo de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.20. – Síntese de resultados do indicador «atividades para a inovação» . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.21. – Síntese de resultados do indicador «investimento em inovação» . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.22. – Síntese de resultados do indicador «investimento em I&D para a inovação» . . . . . . . . Figura 5.23. – Síntese de resultados do indicador «cadeia de valor» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.24. – Síntese de resultados do indicador «perfil de exportação» . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.25. – Perfil de exportação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.26. – Abrangência geográfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.27. – Síntese de resultados do indicador «perfil de exportação» . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.28. – Síntese de resultados do indicador «fontes de informação externas» . . . . . . . . . . . . . Figura 5.29. – Síntese de resultados do indicador «mobilização de conhecimento local» . . . . . . . . . . Figura 5.30. – Síntese de resultados do indicador «redes locais (padrão para a inovação)» . . . . . . . . . Figura 5.31. – Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias locais» . . . . Figura 5.32. – Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias para capacitação» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.33. – Síntese de resultados do indicador «motivações para a cooperação – parcerias para o negócio» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.34. – Especialização/diversificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.35. – Síntese de resultados do indicador «desenvolvimento local (padrão para a inovação)» . . . . Figura 5.36. – Número de inovações criadas/adaptadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.37. – Síntese de resultados do indicador «n.º de inovações criadas/adaptadas de 2009 a 2012» . . Figura 5.38. – Síntese de resultados do indicador «peso da inovação na organização» . . . . . . . . . . . . Figura 5.39. – Síntese de resultados do indicador «criação de emprego» . . . . . . . . . . . . . . . . . . Figura 5.40. – Síntese de resultados do indicador «criação de emprego para a inovação» . . . . . . . . . . 73 73 74 74 75 76 76 77 78 78 79 79 80 81 82 82 83 83 84 84 85 86 86 87 87 88 88 89 89 90 90 91 91 92 93 93 94 94 95 96 Índice de Figuras, de Tabelas e de Caixas 197 Figura 5.41. – Comparação entre a variação do número de postos de trabalho entre 2009 e 2011 e os empregos criados para a inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96 Figura 5.42. – Síntese de resultados do indicador «variação do volume de vendas» . . . . . . . . . . . . . 97 Figura 5.43. – Síntese de resultados do indicador «disseminação de conhecimento» . . . . . . . . . . . . 97 Figura 5.44. – Síntese de resultados do indicador «efeitos internos» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Figura 5.45. – Síntese de resultados do indicador «efeitos externos» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Figura 5.46. – Análise‑radar. Indicadores de input . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 Figura 5.47. – Análise‑radar. Indicadores de processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 Figura 5.48. – Análise‑radar. Indicadores de resultado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Índice de tabelas Tabela 2.1. – O anterior e o novo paradigma rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Tabela 3.1. – Tópicos de investigação do inquérito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Tabela 3.2. – Motivações para a localização das organizações em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . 55 Tabela 4.1. – Indicadores para medição de inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Tabela 5.1. – Indicadores do Barómetro de Inovação em Portugal Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Tabela 6.1. – Organizações com práticas de sucesso de inovação nas áreas rurais por NUTS 2 . . . . . . . 109 Índice de caixas Caixa 2.1. – Exemplos de inovações organizacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 2.2. – Exemplos de inovações de marketing . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 2.3. – Definições e características de inovação do inquérito CIS (2012) . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 3.1. – Resumo dos conceitos de base do inquérito aplicado às organizações inovadoras . . . . . . . Caixa 3.2. – Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso do PROVE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 3.3. – Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso de Triportugal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 3.4. – Exemplo de inovação de networking em que os inovadores são motivados pela necessidade de ganhar escala: o caso da Lavradores de Feitoria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Caixa 3.5. – Exemplos de incubadoras de base rural em Portugal: os casos de Idanha‑a‑Nova e Penela . . . 15 16 19 33 44 45 45 58 Índice Nota de Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Capítulo 1 – Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 Capítulo 2 – Identificação e Medição de Inovação: Quadro Teórico e Metodológico . . . . . . . . . . 2.1. Conceito de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Definindo inovação à luz do referencial do Manual de Oslo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2. Como se aborda a inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Como se identifica e mede a inovação à luz do referencial do Manual de Oslo? . . . . . . . . . . . . . Principais limitações do referencial do Manual de Oslo para detetar e medir a inovação . . . . . . . . 2.3. A «inovação escondida»: orientações para a redefinição do referencial metodológico . . . . . . . . . . 2.4. A promoção da inovação na UE e a inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A inovação nas agendas para o crescimento, a Estratégia 2020 e a «União da Inovação» . . . . . . . . O novo paradigma rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 12 12 16 16 20 22 23 23 25 25 Capítulo 3 – O Inquérito às Organizações Inovadoras nas Áreas Rurais Portuguesas . . . . . . . . . 3.1. Conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Como é que os inovadores veem a inovação? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceito de inovação adotado pelo RUR@L INOV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Delimitação das áreas rurais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Identificação das organizações inovadoras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2. Metodologia de recolha de dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conceitos de base e abordagem metodológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Questões de investigação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3. Objetivos, estrutura e modo de administração do questionário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Seleção da amostra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Amostra inquirida e tratamento dos dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.4. Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . As organizações inquiridas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Perfil das organizações inovadoras em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 29 29 30 31 31 32 33 34 35 36 36 37 37 38 Índice 199 Padrões e dinâmicas de inovação nas áreas rurais portuguesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Padrões da «inovação escondida» . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Retardadores e aceleradores das dinâmicas de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os efeitos da inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O perfil dos líderes e/ou promotores da inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Vantagens e desvantagens da localização das organizações nas áreas rurais . . . . . . . . . . . . . . . O papel dos territórios rurais na inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 46 48 50 53 54 56 Capítulo 4 – Metodologia para Detetar e Medir Inovação em Organizações em Meio Rural . . . . . . 4.1. Medição da inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.2. Detetar e medir inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Abordagem metodológica adotada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Identificar boas práticas de inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Medir boas práticas de inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Consulta a peritos e stakeholders . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.3. Sistema de indicadores para medição de inovação em meio rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Síntese dos indicadores escolhidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Alguns exemplos da construção de indicadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60 60 62 62 62 64 65 66 66 68 Capítulo 5 – Estado da Inovação em Portugal Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 5.1. Análise por indicador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 A – Indicadores de caracterização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 B – Indicadores de input . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75 C – Indicadores de processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 D – Indicadores de resultado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Comentários à análise por indicador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 5.2. Barómetro de Inovação em Portugal Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Descrição geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Análise dos principais resultados registados pelo Barómetro de Inovação . . . . . . . . . . . . . . . 103 Capítulo 6 – Práticas de Sucesso da Inovação em Portugal Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 6.1. Organizações ilustrativas de práticas de sucesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 6.2. Apresentação das práticas de sucesso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 Casas Brancas, Associação de Turismo de Qualidade do litoral Alentejano e Costa Vicentina . . . . . 111 ArquiledTM, New ligth better world . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 COTHN, Centro Operativo e Tecnológico Hortícola Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 Aromáticas Vivas, O mais fresco da sua cozinha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117 Rio do Prado, Turismo criativo e sustentável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Nova Delta, Comércio e indústria de cafés, S.A. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 121 Sumol + Compal, É da nossa natureza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 PROVE, Promover e vender . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 ANSUB, Associação de Produtores Florestais do Vale do Sado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127 Casas Agrícolas das Herdades Monte Novo e Conqueiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 200 Inovação em Portugal Rural Terrius, Agrupamento de produtores, CRL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 131 Nono Sentido, Alimentação e bem-estar, Lda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 133 Quinta do Portal, S.A. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Casa Agrícola de Valbom . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 Cooking and Nature, Emotional hotel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 139 Tomelo, Ecodesenvolvimento, Lda. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Primores do Oeste, Organização de produtores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 Frupor, Sociedade agroindustrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 Atlantic Growers, Sucursal em Portugal, VOF . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 147 Vertigem APP, Associação para a promoção do património . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 149 Terraprima, Serviços ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Capítulo 7 – Principais Contributos, Oportunidades e Desafios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 7.1. Um novo referencial conceptual e metodológico é possível . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 7.2. A inovação é plural em Portugal rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 155 7.3. Reflexões e recomendações sobre como potenciar a inovação em Portugal rural . . . . . . . . . . . . 159 Referências Bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162 Manual do Sistema de Indicadores de Inovação em Meio Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Breve enquadramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Visão global do sistema de indicadores de inovação em Meio Rural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 A – Caracterização da Organização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 B – Indicadores de Input . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172 C – Indicadores de Processo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 D – Indicadores de Resultado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188 Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191 Lista de Abreviaturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 193 Índice de Figuras, Tabelas e Caixas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195