UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE FACULDADE DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE E SOCIEDADE MESTRADO ACADÊMICO EM SAÚDE E SOCIEDADE Soroprevalência e os fatores associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi no município Felipe Guerra-RN, 2013 ANTONIO CARLOS DE MEDEIROS MOSSORÓ-RN, 2014 ANTONIO CARLOS DE MEDEIROS Soroprevalência e os fatores associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi no município Felipe Guerra-RN, 2013 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde e Sociedade, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, como requisito final para obtenção do grau de Mestre em Saúde e Sociedade Orientador: Prof. Dr. Wogelsanger Oliveira Pereira MOSSORÓ-RN, 2014 Catalogação da Publicação na Fonte. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Medeiros, Antonio Carlos de Soroprevalência e os fatores associados à infecção pelo trypanosoma cruzi no município Felipe Guerra-RN, 2013. / Antonio Carlos de Medeiros. – Mossoró, RN, 2014. 84 f. Orientador(a): Prof. Dr. Wogelsanger Oliveira Pereira Dissertação (Mestrado em Saúde e Sociedade). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Faculdade de Enfermagem. Programa de PósGraduação em Saúde e Sociedade. 1. Epidemiologia. 2. Trypanosoma cruzi. 3. Soroprevalência. I. Pereira, Wogelsanger Oliveira. II. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. III. Título. UERN/BC CDD 614.4 Soroprevalência e os fatores associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi no município Felipe Guerra-RN, 2013 Mestrando e pesquisador responsável Antonio Carlos de Medeiros Orientador Prof. Dr. Wogelsanger Oliveira Pereira Faculdade de Ciências da Saúde FACS/ UERN Período de vigência 29.04. 2012 a 29.04.2014 MOSSORÓ-RN 2014 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE FACULDADE DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE E SOCIEDADE MESTRADO ACADÊMICO EM SAÚDE E SOCIEDADE A COMISSÃO ABAIXA ASSINADA QUALIFICA A DISSERTAÇÃO INTITULADA Soroprevalência e os fatores associados à infecção pelo Trypanosoma cruzi no município Felipe Guerra-RN, 2013 Elaborada por ANTONIO CARLOS DE MEDEIROS COMO REQUISITO FINAL PARA A OBTENÇÃO DO TÍTULO DE MESTRE EM SAÚDE E SOCIEDADE BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Wogelsanger O. Pereira (Orientador) UERN/RN ___________________ Prof.ª Dr.ª Antônia Claudia Jácome da Câmara UFRN/RN ___________________ Prof. Dr. Hougelle Simplício Gomes Pereira UERN/RN ___________________ Mossoró – RN, 2014 DEDICATÓRIA Ao soberano e altíssimo Deus Jeová, pelo amor e misericórdia que tem demonstrado a mim e a minha família, pela vida e bênçãos que tem nos conduzido ao caminho de vida e paz, e a possibilidade de concretizar sonhos pessoais, pois sem o teu apoio somos incapazes de realizá-los. A minha esposa, por me apoiar e estar ao meu lado nos momentos mais diversos dessa trajetória. Aos meus pais, que tanto me apoiaram nos meus estudos e serviram de exemplo para formação de meu caráter. AGRADECIMENTOS A Jeová Deus, por me dar força, condições e alegria na realização deste sonho, principalmente nos momentos mais difíceis. A Jeová Deus, por me dar força, condições e alegria na realização deste sonho, principalmente nos momentos mais difíceis. Aos meus pais, Romão e Maria, por acreditarem, investirem e apoiarem a minha educação e de meus irmãos. A minha esposa amada Dayanne Medeiros, por todo o apoio e paciência que me dedicou na realização deste sonho. Por saber entender os momentos de ausência e noites dedicadas ao estudo, por suportar meus estresses e medos. Por compartilhar momentos de alegria e tristeza. E principalmente por demonstrar carinho, confiança, companheirismo e dedicação nos momentos que mais precisei. Aos Professores do Programa de Pós-graduação em saúde e sociedade. Ao meu orientador Prof. Dr. Wogelsanger Oliveira Pereira por toda a orientação, conselhos e apoio durante toda a execução do mestrado, pela amizade, dedicação e ensinamentos. Ao Professor Cleber de Mesquita Andrade, colaborador neste projeto, pelas sugestões e disponibilidade de tempo para me ajudar. Ao Prof. Dr. Eudes Euler de Souza Lucena, do Departamento de Odontologia do campus de Caicó da UERN, que colaborou na realização da análise estatística, dando valiosas sugestões para o delineamento e execução deste projeto. Ao colega e companheiro de Pós-Graduação Marcio Adriano F. Barreto pela ajuda, apoio e colaboração essencial para execução deste projeto. A colega e companheira de Pós-Graduação, Gabriele Maria Dantas Diniz pelo apoio e companheirismo. Aos estudantes de iniciação científica que colaboraram com este projeto, Renan Flavio de F. Nunes, Marcos Antonio de Sousa, Clerton Eduardo de Aquino, Emídio Germano da Silva Neto, Jéssica Costa de Oliveira, Adolfo Araújo Bezerra, Camila Rocha Vieira, Ingrid Lana F. Medeiros, Alana Clarice Figueroa Cortez, Társila da Costa Viana. A Banca de qualificação, composta pelos professores Prof. Dr. Hougelle Simplício Gomes Pereira e a Prof.ª Dr.ª Paula Viviane Souza de Queiroz Moreira, pelas valiosas sugestões que contribuíram para o resultado final desta dissertação de Mestrado. A Maria Marília Leite Carlos e Maria Jocileide de Medeiros Marinho, funcionárias do laboratório de Bioquímica e biologia molecular – Biomol, da Faculdade de Ciências da Saúde da UERN. A Profa. Drª. Antônia Cláudia Jácome da Câmara, do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da UFRN, pelo acolhimento no Laboratório de parasitologia, pela valiosa contribuição na realização da técnica de RIFI e também pelos conhecimentos compartilhados. Aos funcionários da prefeitura de Felipe Guerra representado por Izequiel da Silva e dos agentes de saúde representado por Zenólia Leite de Souza, pela atenção e cooperação. A prefeitura de Felipe Guerra, representada pela Secretária Municipal de Saúde Josefa Girlene Ferreira, que acreditou na importância deste trabalho e contribuiu para a realização desta pesquisa no município, sendo de fundamental importância pela sua assistência e suporte. A todas as pessoas que aceitaram participar deste trabalho de forma direta ou indiretamente, minha gratidão. LISTA DE ABREVIATURAS CEP/UERN – Comitê de ética e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte DCH – Doença de Chagas Humana ELISA - Enzyme Linked ImmunoSorbent Assay (Ensaio imunoenzimático ligado a enzima) EDTA – Ethylenediamine tetraacetic acid (Ácido etlilenodiamino tetracético) FUNASA – Fundação Nacional de Saúde HAI - Hemaglutinação Indireta IFI - Imunofluorescência Indireta IgG - Imunoglobulina G IgM - Imunoglobulina M LIT- Liver Infusion Tryptose (Infusão de Figado e triptose) min - Minuto mL - Mililitro mM - Milimolar ng/μl - Nanograma/microlitros nm - Nanometros PBS - Tampão fosfato–salino PCDCh – Programa de Controle da Doença de Chagas PCR – Polymerase Chain Reaction (Reação em cadeia da polimerase) RIFI - Reação de Imunofluorescência Indireta RN - Rio Grande do Norte rpm - Rotações por minutos μL - Microlitro URSAP - Unidades Regionais de Saúde Pública LISTA DE TABELAS Tabela I- Número e percentual da faixa etária e gênero da população residente na zona rural de Felipe Guerra-RN 43 Tabela II- Número e percentual das características socioeconômicas da população residente na zona rural de Felipe Guerra-RN. 45 Tabela III- Número e percentual dos indicadores de risco da população 47 estudada. Tabela IV- Número e percentual sobre o conhecimento da doença de Chagas na população estudada. 48 Tabela V- Número e percentual de indivíduos com sorologia reativa e não reativa para a infecção de T. cruzi com diferentes técnicas sorológicas na 50 população residente na Zona Rural de Felipe Guerra-RN Tabela VI- Distribuição dos Indicadores Demográficos (gênero, escolaridade, faixa etária e renda mensal) dos pacientes positivos para infecção Chagásica 53 Tabela VII- Número e percentual de individuos positivos e negativos para infecção Chagásica e a relação com os Indicadores Demográficos (condições 54 de moradia e saneamento) Tabela VIII- Indicadores Demográficos (condições de saúde) dos pacientes soropositivos para infecção Chagásica. 56 Tabela IX- Análise da Associação da soropositividade à infecção pelo T. cruzi e os fatores biológicos. 58 Tabela X- Análise da associação da soropositividade à infecção pelo T. cruzi e os fatores de risco 59 LISTA DE FIGURAS Figura 1-. Mapa do Brasil (A) e do Estado do Rio Grande do Norte (B) com 26 destaque à área de estudo. Figura 2- Fluxograma dos Testes Laboratoriais para a Infecção Chagásica. 31 Figura 3- Ilustração de peridomicílio com presença de criadouros presentes 33 no entorno das residências. Figura 4 – Ilustração de moradias tipo mista (parte alvenaria, parte taipa) 33 identificadas na região. Figura 5- Distribuição da população estudada de acordo com as sub-regiões 36 do município de Felipe Guerra-RN. Figura 6- Reação de Imunofluorescência Indireta para Infecção Chagásica. 51 SUMÁRIO RESUMO............................................................................................. 11 ABSTRACT......................................................................................... 12 I INTRODUÇÃO..................................................................................... 13 1.1 CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA............................................... 15 1.2 OBJETIVOS........................................................................................ 17 1.2 Objetivo geral..................................................................................... 17 1.2.1 Objetivo específico............................................................................ 17 1.3 JUSTIFICATIVA.................................................................................. 17 II REVISÃO DE LITERATURA............................................................... 19 2.1 TRYPANOSSOMA CRUZI E A DOENÇA DE CHAGAS.................... 2.2 INQUÉRITOS MUNDIAIS, NACIONAIS E NO RN ............................. 23 2.3 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL...................................................... 26 III METODOLOGIA.................................................................................. 32 3.1 ÁREA DE ESTUDO ............................................................................ 32 3.2 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS............................................................... 34 3.3 PLANO AMOSTRAL........................................................................... 34 3.4 OBTENÇÃO DO MATERIAL BIOLÓGICO ........................................ 36 3.5 DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO.......................................................... 37 3.5.1 Exames sorológicos ......................................................................... 3.5.1.1 Diagnósticos por Hemaglutinação indireta...................................... 38 3.5.1.2 Diagnóstico por ELISA ..................................................................... 39 3.5.1.3 Diagnósticos por Imunofluorescência indireta.............................. 41 3.6 ANÁLISE DOS DADOS...................................................................... 42 IV RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................... 43 4.1 CARACTERÍSTICAS DESCRITIVA DA POPULAÇÃO ESTUDADA. 43 4.2 ANÁLISE DA SOROPREV. DA INFECÇÃO PELO T. CRUZI............ 48 4.3 SOROPOSITIVIDADE versus VARIÁVEIS SOCIOECONÔMICAS... 51 4.4 SOROPOSITIVIDADE versus VARIÁVEIS DE RISCO...................... 56 V CONCLUSÕES E SUGESTÕES......................................................... 61 VI REFERÊNCIAS................................................................................... 62 VII ANEXOS.............................................................................................. 74 19 37 RESUMO O Estado do Rio Grande do Norte (RN) constitui uma importante área endêmica para a doença de Chagas no Brasil, com elevada prevalência na mesorregião Oeste do estado, onde a cidade de Felipe Guerra está localizada. Destacandose a importância deste estudo com objetivo da realização de um inquérito sorológico na população da zona rural em Felipe Guerra, e a associação dos resultados laboratoriais com os fatores epidemiológicos locais determinantes para a propagação da doença. Para isso foram coletadas 423 amostras de indivíduos domiciliados e representativos de todas as sub-regiões do município. E constituída predominantemente de indivíduos do sexo feminino (62,6%), com faixa etária entre 36 e 50 anos (33,6%), ensino fundamental incompleto (67,7%) e renda mensal de até 1 salário mínimo (67,8%). A investigação laboratorial revelou uma soropositividade de 6,6% (n=28) para infecção chagásica, predominando indivíduos do sexo masculino (8,1%), acima de 65 anos (16,7%), analfabetos (15,8%) e com uma renda de até 2 salários mínimos (10,0%). Em relação aos fatores biológicos 21,4% (n=9) dos casos positivos afirmaram já terem sido picados pelo triatomíneo (p<0,001). Não houve associação da soropositividade com as características de moradia e os hábitos dos indivíduos. As demais variáveis epidemiológicas analisadas não apresentaram diferenças significativas sugerindo que os grupos são homogêneos e estão expostos ao mesmo risco de adquirir a infecção. No entanto, os dados mostram a estimativa de prevalência da infecção pelo T. cruzi elevada nos moradores da zona rural de Felipe Guerra principalmente na faixa etária acima dos 65 anos. E que a ausência de soropositividade em crianças e adolescentes mostra a importância do controle vetorial, reforçandose a necessidade de um programa de controle epidemiológico que possa evitar um possível avanço da doença. PALAVRA-CHAVE: Epidemiologia, Trypanosoma cruzi, Soroprevalência. 11 ABSTRACT The state of Rio Grande do Norte (RN) has an important endemic area to Chagas disease in Brazil, with high prevalence in the West middle region of the state, where is located the Felipe Guerra town. Prioritizing the importance this study with the objective of realization by serological survey in the population of countryside in Felipe Guerra, and the association of laboratory results with the determinants for the extension of disease with local epidemiological factors. For this were collected 423 samples individuals and representatives residentes of all sub-regions of the municipality. It consists predominantly of females (62.6%), with aged between 36 and 50 years (33.6%), incomplete primary education (67.7%) and monthly income up to 1 minimum wages (67, 8%). The laboratory investigation revealed a seropositivity of 6.6% (n = 28) for Chagas infection, predominantly in males (8.1%), above 65years (16.7%), illiterate (15.8%) and an income up to 2 minimum wages (10.0%). In relation to biological factors 21.4% (n = 9) of positive cases reported having been bitten by a triatomine (p <0.001). There was no association of the seropositivity with the characteristics of property and habits of individuals. The other analysis variable epidemiological showed no significant differences suggesting that groups are homogeneous and are exposed to the same risk of acquiring the infection. However, the data show the prevalence estimated of infection by T. cruzi high in residents of rural in Felipe Guerra mainly in the age group above 65 years. And the default of seropositivity in children and adolescents shows the importance of vector control, reinforcing the need of the a program of epidemiological control that can prevent a possible spread of the disease. KEYWORDS: Epidemiology, Trypanosoma cruzi, Seroprevalence. 12 I – INTRODUÇÃO A tripanossomíase americana ou doença de Chagas (DC) é uma infecção parasitária comum em áreas endêmicas, tendo como seu agente etiológico um protozoário flagelado da espécie Tripanosoma cruzi, que depende dos vetores (triatomíneos), hospedeiros (homem) e reservatórios (animais domésticos e silvestres), além de um conjunto de determinantes sociais, econômicos e ambientais (COURA, 2005). Embora descoberta desde 1909 por Carlos Chagas e colaboradores, não existe ainda tratamento medicamentoso totalmente eficaz, nem vacinas que combatam a infecção humana instalada. Neste cenário, os dados apontam uma mortalidade significativa em crianças na sua fase aguda e severo acometimento em adultos crônicos. Apesar da maioria absoluta dos indivíduos infectados pelo T. cruzi geralmente evoluir para a forma indeterminada que, é caracterizada por não apresentar manifestações clínicas, anos mais tarde pode ocorrer a transição para a forma digestiva e/ou forma cardíaca, sendo esta de maior gravidade com manifestações como a miocardiopatia inflamatória fibrosante, essencialmente arrítmica, que leva a insuficiência cardíaca progressiva de curso fatal (BRASIL, 2010). Nessa fase a doença produz perdas sociais importantes nas áreas endêmicas, em termos de mortalidade, absenteísmo, incapacidade laboral e custos médico-sociais. Por isso, nos dias atuais, ainda se constitui séria preocupação para a saúde pública com índices de prevalência estimados em 7,7 milhões de indivíduos infectados em 21 países da América Latina e no Brasil com aproximadamente 1,9 milhões de infectados (OPAS, 2006). Apesar da diminuição da transmissão vetorial, a literatura demonstra que esta via de transmissão é a mais importante seguida da via vertical, transfusional, oral e acidental (ARAÚJO et al., 2009). Dessa maneira, é real a necessidade de programas efetivos de controle ou eliminação de vetores triatomíneos para impedir a transmissão da DC humana. Soma-se nesse contexto a necessidade de informações sobre as condições ecológicas locais 13 entre as diversas espécies de triatomíneos, informações precisas dos fatores associados à infecção chagásica, condições socioeconômicas e culturais (RAMSEY et al., 2005). O cenário epidemiológico da DC humana no Brasil sempre teve importância acentuada, principalmente na região Nordeste. O que é justificado devido aos inquéritos nacionais de prevalência e distribuição dos vetores realizados entre 1975 e 1980 classificarem a região como a segunda em número de infectados com 3,05% (DIAS, 2000) e de índices de infestação triatomínica. Somado a isso, a Fundação Nacional de Saúde (FNS) considera a região Nordeste como epicentro de dispersão de duas espécies de difícil controle, o Triatoma brasiliensis e o Triatoma pseudomaculata; e um baixo nível de cobertura operacional do Programa de Controle da Doença de Chagas (PCDCh) pelas equipes da FNS (DIAS, 1998). No Rio Grande do Norte (RN), os dados sobre a DC e outros aspectos referentes ao T. cruzi se resumiam aos inquéritos sorológicos e aos dados entomológicos nacionais. No primeiro inquérito (1975-1980) foi obtido a prevalência de 4,2% e 1,78%, respectivamente da população brasileira total e para o Estado do RN (SILVEIRA et al, 2011). O segundo o inquérito sorológico realizado através do Programa de Controle da Doença de Chagas (PCDCh) nos anos 80, os municípios considerados endêmicos com as maiores concentrações de indivíduos portadores do T. cruzi foram Apodi, Caicó e Mossoró (FUNASA, 2000; BRASIL, 2006). Aliado a estes dados, a infecção natural dos triatomíneos pelo T. cruzi foi de 2,61%, o segundo maior índice da região Nordeste (DIAS et al., 2000). O Estado do RN é subdividido em sete Unidades Regionais de Saúde Pública (URSAP) e os maiores índices da DC no estado pertencem à II e VI URSAP, que corresponde a Mesorregião Oeste com 62 municípios como Mossoró, Governador Dix-sept Rosado, Apodi, Felipe Guerra, Carnaubais, Caraúbas, Serra do Mel, Severiano Melo, Pau dos Ferros (BRITO et al., 2012). O município de Felipe Guerra, área de pesquisa desse trabalho, encontra-se na microrregião da Chapada do Apodi, fazendo fronteira com três municípios 14 que apresentam altos índices de soropositividade descrito na literatura, a saber: Apodi, Caraúbas e Governador Dix-Sept Rosado (BRITO et al., 2012). 1.1- CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA A DC na região Nordeste sempre esteve em evidência no cenário epidemiológico brasileiro, o que é comprovado pelos inquéritos nacionais de prevalência e distribuição dos vetores realizados entre 1975 e 1980 que mostrou essa região como a segunda em número de infectados e de índices de infestação triatomínica (DIAS et al., 2000). Após vinte anos, a região ainda preocupava em relação ao risco de transmissão da DC, pois em 1996, o Programa de Controle da Doença de Chagas (PCDCh) da Fundação Nacional de Saúde/Ministério da Saúde (FNS/MS) capturou no Brasil 290.576 triatomíneos, sendo o Nordeste a região com maior número de capturas (201.156 exemplares). Este dado representou 69,2% de toda a amostra do país, contribuindo com 65% da transmissão da infecção chagásica no cenário nacional sendo o T. brasiliensis e o T. pseudomaculata as espécies mais capturadas pelo PCDCh nessas áreas (BRASIL, 1989-1995). E destes, o T. brasiliensis, é o principal responsável pela transmissão da DC no Brasil, sendo amplamente encontrado em vários estados como Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe. Na região Nordeste, algumas características são propicias ao habitat desses vetores, como forte cenário de pobreza, muitas comunidades rurais, índices de habitações humanas de baixa qualidade que são ideias para o abrigo de triatomíneos (DIAS et al., 2000). No RN, a vigilância epidemiológica e as ações de controle aos vetores não ocorrem de modo contínuo, devido à falta de recursos humanos, insumos e inseticidas (FUNASA, 1989-1995), o que revela a necessidade de políticas públicas mais eficientes por parte das autoridades sanitárias dos diferentes municípios, especialmente os envolvidos em área endêmica da DC. O recente inquérito soroepidemiológico realizado na mesorregião Oeste Potiguar 15 demonstrou que a soropositividade foi de 6,5% (BRITO et al, 2012), isto representa 14.151 indivíduos infectados nesta área, com base em dados do último censo para a população rural dessa mesorregião (IBGE, 2010). O município de Apodi foi identificado como área endêmica pelo PCDCh nos anos 80 e em inquéritos sorológicos posteriores os municípios com os mais altos índices de indivíduos infectados pelo T. cruzi além de Apodi foram Caicó e Mossoró (FUNASA, 2000; BRASIL, 2006). Já Brito e colaboradores (2012) demonstraram em seu inquérito sorológico índices elevados de soroprevalência para infecção chagásica em novos municípios como Caraúbas (10,3%), Governador Dix-Sept Rosado (8,0%), Lucrécia (8,8%) e Severiano Melo (10,4%). Os estudos nos municípios em torno de Felipe Guerra revelaram índices de prevalência consideráveis para a Microrregião da Chapada do Apodi. No entanto, o município de Felipe Guerra, até o momento, não apresentava nenhum registro de estudo sobre a infecção chagásica, por isso, elegemos esse município como área estratégica para os primeiros levantamentos sobre essa infecção. Portanto, este trabalho pretende descrever a soroprevalência da população rural do município de Felipe Guerra, bem como, elencar as principais características epidemiológicas a fim de contribuir para o controle da infecção chagásica local. 16 1.2 – OBJETIVOS 1.2.1 – Objetivo Geral Avaliar a soroprevalência da infecção pelo Trypanosoma cruzi na população da zona rural do município de Felipe Guerra-RN. 1.2.2 – Objetivos Específicos Determinar o perfil epidemiológico dos indivíduos infectados residentes na zona rural do município de Felipe Guerra-RN; Identificar os diferentes fatores associados à infecção chagásica e correlacioná-los com a sorologia. 1.3 – JUSTIFICATIVA O município de Felipe Guerra está localizado na microrregião da Chapada do Apodi, na Mesorregião Oeste do estado do Rio Grande do Norte. Segundo o último inquérito soroepidemiológico realizado no RN (BRITO et al., 2012) esta Mesorregião apresentou soroprevalência média de 6,5%. Porém, os municípios da microrregião da Chapada do Apodi, Apodi (9,3%), Caraúbas (10,3%) e Governador Dix-Sept Rosado (8,0%) que fazem fronteira com Felipe Guerra, apresentaram índices mais elevados. E Severiano Melo, que apresentou maior soroprevalência na zona rural (10,4%), apesar de não fazer fronteira com Felipe Guerra, a distância entre elas é de aproximadamente 60,9 km apenas. Vale salientar que no RN existem espécies comprovadamente autóctones e transmissores do T. cruzi, confirmada pela presença constante de T. brasiliensis, T. pseudomaculata e, ainda existem outras espécies, como Panstrongylus lutzi, com a probabilidade de ser incluído em área de risco de transmissão (CÂMARA, 2008). Por isso, o RN é caracterizado como área 17 endêmica em que existe o risco de transmissão, segundo o Consenso Brasileiro em Doença de Chagas (2005). Em vista disso, o RN deveria ter importância diferenciada na vigilância epidemiológica, necessitando de políticas públicas mais eficazes por parte das autoridades sanitárias, com ênfase no conhecimento prévio das possíveis fontes de infecção e as formas de contato do vetor infectado com o homem. Especialmente no município de Felipe Guerra, por fazer parte de área considerada endêmica e não estudada. Portanto, este estudo teve por objetivo avaliar a soroprevalência da infecção pelo Trypanosoma cruzi na população da zona rural do município de Felipe Guerra-RN e associar os resultados laboratoriais com os fatores epidemiológicos locais determinantes para a propagação da infecção, visando contribuir com o possível desenvolvimento de efetivas estratégias de controle da infecção chagásica no município. Haja visto, não existirem dados na literatura sobre o referido município. 18 II REVISAO DE LITERATURA 2.1 –TRYPANOSOMA CRUZI E A DOENÇA DE CHAGAS A tripanossomíase americana, mundialmente conhecida por doença de Chagas (DC), é uma infecção negligenciada nos países em desenvolvimento, especialmente da América Latina, pois a maioria dos infectados são pessoas de baixa renda e que vivem em habitações com condições precárias. Ela foi descoberta por Carlos Chagas, médico e então pesquisador assistente do Instituto Oswaldo Cruz em 1909, no município de Lassance, Estado de Minas Gerais, Brasil. Esta descoberta foi uma das mais completas e bem sucedidas do ponto de vista global (biologia, ecologia e patologia parasitária humana). O cientista Carlos Chagas, descobriu a doença, seu agente etiológico, o vetor, os reservatórios (domésticos e silvestres) e os animais de laboratório suscetíveis à infecção (BRASIL, 2008). Apesar de ser endêmica na América Latina, tem superado as fronteiras, podendo ser encontrado nos Estados Unidos, Canadá, Europa, Japão e Austrália (SCHMUNIS, 2010). E se tornado assim, gradativamente um problema de saúde global devido a migração de indivíduos da América Latina para os países desenvolvidos. É uma infecção de evolução essencialmente crônica causada pelo protozoário hemoflagelado, o Trypanosoma cruzi, e é transmitido naturalmente ao homem e a outros animais pelo seu vetor, o triatomíneo da ordem Hemíptera, família Reduviidae (CHAGAS, 1909). As formas habituais de transmissão da DC humana reconhecidas são aquelas ligadas diretamente ao vetor, insetos triatomíneos em cujas fezes encontram-se as formas infectantes do parasita. As outras formas de transmissão da infecção chagásica ocorrem através da transfusão de sangue, a via congênita, e as transmissões ocasionais (MAZZA 1936; BARRETO, 1990; DIAS, 1994; Dias, 2006), que devem ser ressaltados os seus riscos de transmissão como: via oral, pela ingestão de alimentos contaminados, acidentes de laboratório, manejo de animais infectados, transplante de órgãos e por intermédio do leite materno (BRASIL, 2008). 19 O parasita existe na natureza em diferentes populações de hospedeiros como nos invertebrados, a exemplo dos insetos vetores, fato este de grande importância no conhecimento da epidemiologia da doença. E nos vertebrados, tais como seres humanos, animais silvestres como roedores, primatas, edentados (tatus), marsupiais (gambás), tamanduás, macacos de pequeno porte, guaxinins e morcegos. Também em animais domésticos como gatos, cães, porcos e coelhos. Já as aves são refratárias à infecção, sendo apenas reservatórios e fontes de disseminação da infecção (LANA; TAFURI, 2000). O T. cruzi possui variações morfológicas e funcionais, alternando entre estágios que sofrem divisão binária e as formas não replicativas e infectantes. Como formas replicativas estão inclusas os epimastigotas presentes no tubo digestivo do inseto vetor e os amastigotas observados no interior das células de mamíferos. As formas não replicativas e infectantes, os tripomastigotas metacíclicos, são encontrados nas fezes e urina do inseto vetor e os tripomastigotas circulantes no sangue de mamíferos (DIAS, 2000). Os vetores da DC são insetos hemípteros da família Reduviidae e da subfamília Triatominae. E receberam no Brasil vários nomes populares tais como: barbeiro, bicho-barbeiro, bicho-de-frade, bicho-de-parede, bicudo, cascudo, chupão, fincão, gaudério, percevejão, percevejo-do-sertão, conforme a região geográfica (DIAS, 2002). Sua vida é relativamente longa (um a dois anos) e, a maior parte, é silvestre e de hábitos noturnos. As espécies de maior importância epidemiológica são aquelas adaptadas aos domicílios humanos, que participam da transmissão e que possuem alta dispersão (COSTA, 1999). Eles possuem o hábito de picarem a face descoberta de pessoas ao dormir, exercem o hematofagismo, e defecam durante ou logo após a hematofagia que, é a principal forma para a transmissão do parasito, visto ser este comportamento comum a deposição de suas fezes contaminadas com o T. cruzi sobre a região facial incluindo os olhos, nariz e boca. Neste momento, as formas infectantes dos parasitas presentes nas fezes são transferidas para a circulação do hospedeiro (CHAGAS, 1911; TARTAROTTI et al., 2004). Há um numeroso grupo de espécies vetores e potenciais vetores da DC, com diferenciada importância na veiculação do parasita T. cruzi (mais de 100 20 espécies são conhecidas), com diferente predisposição vetorial. No Brasil, destacam-se três gêneros: Panstrongylus, Triatoma e Rhodnius. As espécies predominantes são: Triatoma infestans, Triatoma brasiliensis, Triatoma sordida, Rhodnius prolixus e Panstrongylus megistus. O T. infestans foi o mais destacado vetor na importância da manutenção da endemia no Brasil devido aos altos índices de capacidade de infecção, de domiciliação, antropofilia e capacidade de dispersão (SHERLOCK, 2000). Porém, o Ministério da Saúde do Brasil recebeu em 2006, a Certificação Internacional de Eliminação da Transmissão da DC pelo Triatoma infestans, conferida pela Organização PanAmericana da Saúde (FERREIRA, 2006). Além disso, a maioria desses vetores tem papel reduzido na transmissão da infecção ao homem devido viverem exclusivamente no meio silvestre, serem menos antropofílicos ou dificilmente serem encontrados infectados por T. cruzi (VINHAES & DIAS, 2000). Apenas algumas espécies de triatomíneos apresentam o fenômeno de domiciliação, sendo de grande importância na infecção chagásica (DIAS, 2000). A maioria dos focos atuais de triatomíneos no Brasil é residual e estão em peridomicílios (galinheiros, cercas, pombais, etc.) e é composta por espécies nativas de vetores regionais - Triatoma sordida no Sudeste e CentroOeste, Triatoma brasiliensis e Triatoma pseudomaculata no Nordeste (DIAS, 2000) e o Triatoma rubrovaria no Rio Grande do Sul (RAMOS Jr & CARVALHO, 2001). Estas espécies são originárias de ecótopos naturais do Cerrado, Caatinga ou Pampas, onde vivem normalmente muito dispersas e em pequenas densidades, e devido a ação e a habitação humana ocasionou sua domiciliação, mais especificamente, de seu peridomicílio. Desta forma, o peridomicílio funciona tanto como barreira e fonte destes triatomíneos nativos da região (DIAS, 2001). A infecção chagásica humana pode desenvolver quadros clínicos com características próprias apresentando uma fase aguda geralmente assintomática, seguida da fase crônica, geralmente assintomática, ou com manifestações clínicas cardíacas, digestivas, cardiodigestivas ou neurológicas com exacerbações agudas, dependendo da localização e intensidade das lesões (PRATA, 1994). A fase aguda ocorre devido à infecção primária com 21 duração de 6-8 semanas, e os sintomas clínicos é semelhante ao de outros casos de miocardite, com manifestações sistêmicas de febre, taquicardia desproporcional, esplenomegalia e edema, o que é caracterizada pela intensa multiplicação do parasita no sangue e nos tecidos onde ocorrem processos degenerativos e inflamatórios multifocais (LARANJA et al., 1956). Pode-se observar também Inflamação no local em que os parasitas penetraram na pele. Se o local da penetração foi a região ocular, pode ocorrer conjuntivite acompanhada de edema palpebral unilateral e adenopatia satélite pré-auricular ou como é popularmente conhecido Sinal de Romaña (ANDRADE et al., 2011). A maioria dos pacientes sobrevive e evolui para a fase crônica. No entanto, na passagem da fase aguda para a crônica estão envolvidos importantes fenômenos de imunomodulação, ocorrendo diminuição acentuada da parasitemia, que se torna subpatente. Bem como, a redução progressiva dos fenômenos inflamatórios e elevado e consistente aumento de anticorpos da classe IgG por longa duração que é característico dessa fase (DIAS, 2004) Nesta fase, normalmente inicia-se com a forma indeterminada também chamada latente ou subclínica, na qual a maioria dos pacientes (60-70%) permanece sem qualquer manifestação clínica, eletrocardiograma, RX do coração, cólon e esôfago normais (COURA et al., 1985). Mas podem evoluir para três formas clínicas: a forma cardíaca, a forma digestiva e a forma mista (forma cardíaca e digestiva no mesmo paciente). De todas as manifestações, as cardíacas são as mais frequentes (CHAGAS, 1909, CHAGAS & VILLELA, 1922; CHAGAS, E. 1930). Vianna (1911) observou que o T. cruzi tem grande afinidade pelo miocárdio, levando a lesões em todos os tecidos constitutivos do coração. A cardiomiopatia chagásica crônica também determina alta morbimortalidade (CARRASCO et al., 1994), podendo apresentar prognóstico e evolução variáveis, oscilando de pequenas alterações eletrocardiográficas até insuficiência cardíaca avançada, fenômenos tromboembólicos, arritmias complexas, ou morte súbita (RASSI JR et al., 2000; DUTRA et al., 2005). 22 2.2 – INQUÉRITOS MUNDIAIS, NACIONAIS E NO RN A OMS estima que cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectados com T. cruzi (WHO, 2010) principalmente nas áreas endêmicas de 21 países da América Latina, compreendendo a área desde o norte do México até o sul da Argentina. Na América Latina a Organização PanAmericana da Saúde estima atualmente a existência de 7,7 milhões de pessoas infectadas, com surgimento de 41.200 novos casos por ano, e 14.400 crianças nasçam anualmente com a infecção chagásica congênita; e a DC mata 12.500 pessoas a cada ano, tornando-a o maior assassino parasitário nas Américas. Nos países da América Central (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá) estima-se que existam 806 mil infectados e 11,7 milhões correm o risco de adquirir a doença. Nos Andes (Colômbia, Equador, Peru, Venezuela) estima-se 1,17 milhões e aproximadamente 19,4 milhões correm o risco de adquirir a doença, já no México estima-se 1,1 milhão de pessoas estejam infectadas e 29,5 milhões corram o risco de adquirir a doença (WHO, 2006). Todavia, as taxas de morbimortalidade relacionadas à doença são muito variáveis até em regiões endêmicas de um mesmo país, e associadas às características das cepas do parasita, fatores genéticos, socioeconômicos entre outros (WANDERLEY, 1995). E durante muitas décadas, a DC era estritamente rural existindo somente em zonas rurais específicas marcadas por pobreza e exclusão social, altas taxas de analfabetismo e precárias moradias. Mas devido as mudanças nas áreas rurais, migração para as cidades e aumento da pobreza nas áreas urbanas, a DC tem se transformado em um fenômeno igualmente urbano (BRICEÑO-LÉON & GALVÁN, 2007). Portanto, a infecção chagásica ainda exerce papel relevante no cenário político-social do continente americano e requer atenção e prioridade por parte dos órgãos responsáveis pela manutenção da saúde e vigilância epidemiológica. Nos EUA, há mais de 300.000 indivíduos infectados, no Canadá 5.550 casos, na Europa e na região Ocidental do Pacífico 80.000 casos, no Japão 3.000 casos e na Austrália 1.500 casos (Coura & Viñas, 2010). Destacam-se ainda países não endêmicos, em que a transmissão ocorre através da 23 transfusão de sangue, doação de órgãos e principalmente transmissão congênita; onde estima-se a existência de muitos casos de indivíduos infectados pelo T.cruzi (Schmunis & Yadon, 2010). No Brasil, os índices são estimados em cerca de 1,9 milhões de indivíduos infectados pelo T. cruzi (OPAS, 2006). Aproximadamente 14 mil mortes anuais são estimadas por complicações decorrentes da DC, especialmente a cardiomiopatia chagásica crônica (CCC) (SENIOR, 2007). A área endêmica se estende por 17 estados nas regiões do sul, sudeste, nordeste e centro-oeste, mas programas bem sucedidos de controle do vetor têm eliminado quase que completamente a transmissão vetorial do T. cruzi. (OELEMANN et al., 1998). A DC ainda é importante na região Nordeste, pois no inquérito nacional de 1978-1980, o Nordeste apresentou a prevalência geral de 3,05% da infecção chagásica na população geral rural. E embora seus índices de morbidade e mortalidade sejam mais baixos que os da região Sudeste e os do estado de Goiás, e tenha havido em todas as áreas do Nordeste redução de populações triatomínicas domiciliadas, com subsequente redução nos níveis de transmissão e impacto médico-social da DC, esta região é a que mais deve preocupar as autoridades sanitárias, pois às espécies de triatomíneos nativas como, o T. brasiliensis e o T. pseudomaculata são remanescentes e apresentam potencial invasivo e de difícil controle (DIAS et al., 2000). Aliado a esta situação ainda faz parte no estado da Bahia, um dos dois últimos grandes focos do T. infestans, que tanto pode ser eliminado como servir de fonte para a re-expansão da espécie. Nos países da América do Sul e no Brasil é cada vez menos expressiva a incidência da DC, em razão do controle de triatomíneos domiciliados e da rigorosa seleção de doadores de sangue, fatos aliados ao esvaziamento demográfico e à modernização das zonas rurais. Como resultado, será cada vez mais rara e excepcional a detecção da forma aguda da doença na população nos próximos anos. Espera-se que a mesma se restrinja a eventuais casos de transmissão congênita e as esporádicas situações de transmissão 24 vetorial ou oral em áreas sob vigilância e ambientes silvestres, inclusive da Amazônia. Os dados sobre a DC e outros aspectos referentes ao T. cruzi no estado do Rio Grande do Norte (RN) se resumem aos inquéritos sorológicos e entomológicos nacionais que, iniciaram por volta de 1972 com o objetivo de interromper a transmissão vetorial domiciliar da DC. Onde foram desenvolvidas melhorias habitacionais e realizado os inquéritos entomológico, epidemiológico e sorológico para a avaliação da eficácia do Programa de Controle da Doença de Chagas (PCDCh). A DC é endêmica em cerca de 115 municípios do estado e a programação do PCDCh (1989 – 1995) foi elaborada de acordo com recursos existentes, não atingindo toda a área endêmica do estado. E apenas 12 municípios passaram à fase de vigilância epidemiológica em 1995 (FUNASA, 1989-1995). Observou-se ainda que, no período entre 1993-1996, não houve alteração em relação ao número de triatomíneos capturados nas unidades domiciliares, permanecendo prevalentes as espécies Triatoma brasiliensis e T. pseudomaculata, independente das ações realizadas em todos esses anos do programa de controle (SILVEIRA & VINHAES, 1998). No Brasil, o primeiro inquérito sorológico para verificar a prevalência da infecção pelo T. cruzi (1975-1980) mostrou a prevalência para a população geral rural brasileira estimada em 4,2% e 1,78% para o estado do Rio Grande do Norte (CAMARGO et al., 1984). Já o segundo inquérito (1989-1997) feito em escolares de 7-14 anos de idade, demonstrou a prevalência média a nível de Brasil de 0,14%, e 0,20% para o estado do Rio Grande do Norte (RN) sendo analisados 116 municípios (SILVEIRA & VINHAES, 1998). No último inquérito soroepidemiológico da zona rural da Mesorregião do Oeste Potiguar para a DC, foi observado altos índices de prevalência com média de 6,5% (BRITO et al., 2012). No entanto, os municípios de Apodi, Caraúbas, Governador DixSept Rosado, Lucrécia e Severiano Melo inclusos deste inquérito, apresentaram índices superiores à média, demonstrando ser um problema de grande importância em termos de saúde pública para a região. Assim, pelos objetivos ora postos, a realização de uma investigação de soroprevalência no município de Felipe Guerra poderá trazer dados que 25 servirão para atualizar e complementar as informações sobre a endemia chagásica na região. Sendo o município de Felipe Guerra desprovido de estudos anteriores e pela localização estratégica na microrregião da chapada do Apodi, os resultados poderão precisar a área que deverá ser objeto de controle e prioritariamente cobertas (Figura 1). Figura 1 – Mapa do Brasil (A) e do Estado do Rio Grande do Norte (B) com destaque à área de estudo. 2.3 – DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O diagnóstico laboratorial da infecção pelo T. cruzi pode ser realizado por diferentes métodos de acordo com as fases da infecção e baseia-se em métodos parasitológicos, imunológicos e de biologia molecular. Os métodos parasitológicos e os de biologia molecular têm como objetivo a busca do parasita e de seu DNA respectivamente, enquanto os imunológicos baseiamse na detecção de anticorpos anti-T.cruzi no soro dos indivíduos infectados. E na fase aguda, o diagnóstico parasitológico é prioridade, pela identificação das formas tripomastigotas do parasita ao exame direto do sangue periférico, sendo realizados rapidamente, e o resultado imediato, por isso devem ser empregados em toda suspeita de fase aguda ou de reativação, por qualquer forma de transmissão (CERISOLA, 1974; CANÇADO, 1980). 26 Os métodos parasitológicos podem ser diretos ou indiretos e são mais empregados na fase aguda da doença, pois se caracteriza por alta parasitemia. Os métodos diretos incluem a pesquisa de parasitos por exame de sangue a fresco, gota espessa e esfregaço sanguíneo. O teste direto a fresco é mais sensível do que o esfregaço corado por Giemsa e deve ser o método de escolha para diagnóstico etiológico na fase aguda (Brasil, 2005). Entre os métodos indiretos temos o xenodiagnóstico que foi introduzido por Brumpt (1914), com sensibilidade de 85 a 100% em pacientes na fase aguda da DC e menor do que 50% na fase crônica. Este método consiste no paciente ser intencionalmente picado por triatomíneos não contaminados e, quatro semanas depois, seu intestino é examinado em busca de parasitas. Sua grande desvantagem é o desconforto na realização do exame e a demora para a obtenção dos resultados, o que pode chegar até 90 dias. Existe também a possibilidade de perdas de insetos durante o período de testes, bem como a rejeição por parte dos pacientes à aplicação do exame ao natural. Outra possibilidade é a alergia que alguns pacientes podem apresentar com a picada do inseto. Além de requerer a criação no laboratório de ninfas de triatomíneos, e é necessário saber escolher qual a espécie de triatomíneo para que o exame tenha êxito. Alguns autores encontraram positividade variando entre 9 a 87,5%, isso depende da espécie de triatomíneo trabalhada, do número de ninfas utilizadas para cada exame, pois quanto maior o seu número maior a chance de positividade. Também depende do número de repetições do exame no paciente, pois quanto mais repetições forem feitas, maiores serão as chances de se obter resultados positivos (PORTELALINDOSO & SHIKANAI-YASUDA, 2003). Outro método indireto é a hemocultura que baseia-se na capacidade de T. cruzi crescer e se multiplicar em diferentes meios acelulares que contenham hemina ou derivados da hemoglobina. A técnica requer condições assépticas para a coleta e para o manuseio da amostra de sangue, o que a torna pouco prática nos trabalhos de campo. É mais aceita do que o xenodiagnóstico por parte do paciente, mas também é demorada, pois se requer controle rígido do 27 ambiente e dos meios de cultura para se evitar a contaminação com bactérias ou fungos, o que prejudicaria o resultado do exame. Deve-se colher uma quantidade mínima de 30 mL para se obter maior chance de êxito. E quanto maior o número de repetições do exame no paciente, maior as chances de encontrar positividade (CHIARI et al., 1999). A sensibilidade é baixa, porém a especificidade é alta e inquestionável. As taxas de positividade para hemocultura ficam entre 0 a 94% (PORTELA-LINDOSO & SHIKANAIYASUDA, 2003). Observa-se maior positividade nas hemoculturas em que é coletado mais de três vezes do mesmo paciente em tempos diferentes, com maior volume de sangue de até 30 mL, e maior tempo de observação, usando meio de LIT e menor tempo de processamento entre a coleta e a semeadura no meio de cultura. Na fase crônica ocorre diminuição drástica da parasitemia e se torna subpatente, e o diagnóstico pode ser feito pelos métodos parasitológicos como o xenodiagnóstico e hemocultura; por métodos moleculares como a reação em cadeia da polimerase (PCR) (COURA et al., 1985) e com comprovação essencialmente sorológica pela pesquisa de anticorpos da classe IgG anti-T. cruzi, usando dois métodos sorológicos convencionais distintos como, ELISA (Enzyme linked immunosorbent assay) e Imunofluorescência Indireta (IFI) ou Hemaglutinação Indireta (HAI) que podem determinar o diagnóstico de aproximadamente 100% dos casos, (BRASIL, 2005). Dentre as metodologias não convencionais, estão a lise mediada pelo complemento (CoML), reação de Western blot, ELISA com antígenos recombinantes e reação de imunofluorescência por citometria de fluxo. Apesar das várias técnicas existentes, o diagnóstico da infecção chagásica crônica é normalmente feito por testes sorológico anti-T. cruzi que são usados para o diagnóstico individual, bem como em estudos epidemiológicos. No entanto, esses diagnósticos ainda demonstram problemas por apresentarem alterações na metodologia e interpretação dos resultados, o que muitas vezes está relacionada a qualidade dos kits para diagnóstico disponíveis no comércio. E muitos destes kits ainda empregam antígenos de natureza não recombinantes, extraídos de lisados de cultura do parasita que 28 acabam fornecendo resultados falso-positivos, devido a reações cruzadas com infecções por outros parasitas tripanosomatídeos como Leishmania sp (ARAÚJO, 1986; CHILER et al., 1990; PORTELA-LINDOSO & SHIKANAIYASUDA, 2003). Em virtude disso, não existe teste sorológico para infecção chagásica com 100% de especificidade e com 100% de sensibilidade, mas muitos testes já disponíveis chegam a valores próximos. Com o intuito de melhorar a especificidade e a sensibilidade, pode-se utilizar algumas estratégias, como o emprego de mais de um teste, a repetição da coleta do material, o uso de diferentes pontos de corte nos testes sorológicos e a melhoria dos testes já empregados na rotina laboratorial através da utilização de antígenos recombinantes e peptídeos sintéticos (LUQUETTI e RASSI, 2000). Com base nisto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu que, pelo menos, dois testes convencionais de princípios diferentes fossem realizados antes do diagnóstico sorológico final conforme esquema na figura 2 (GOMES et al., 2001; MEIRA et al., 2002; GUTIERREZ, 2004). Portanto, esses ensaios podem ser amplamente empregados com relativa segurança em diagnóstico, triagem de doadores em banco de sangue e inquéritos epidemiológicos desde que se obedeça a recomendação do emprego de mínimo dois testes (OELEMANN et al., 1998; GOMES et al., 2001); um teste de elevada sensibilidade (ELISA com antígeno total ou frações semipurificadas do parasito, HAI ou RIFI) e outro de alta especificidade (ELISA, utilizando antígenos recombinantes específicos de T. cruzi). As limitações dos testes laboratoriais de rotina, especialmente em relação ao diagnóstico na fase crônica, justificaram o interesse e a necessidade de implantação de métodos diretos e mais sensíveis que permitissem monitorar a presença do parasita e confirmar a etiologia da doença. Com o avanço da biologia molecular, o método de PCR apresentou boa sensibilidade, e permitiu a detecção de quantidades mínimas de DNA de T. cruzi, facilitando o diagnóstico de pacientes crônicos que apresentam baixo número de parasitas na corrente sanguínea (Añez et al, 1999). A metodologia tem sido utilizada como alternativa no diagnóstico da infecção chagásica; em alguns casos, a sensibilidade chega a 100% quando comparada a métodos sorológicos (Ávila 29 et al., 1993). Entretanto, existem fatores como diferenças regionais, gravidade das formas clínicas e diferença genética dos isolados que podem contribuir para a variabilidade de resultados. O procedimento emprega reagentes e aparelhagem dispendiosa e também exige treinamento especializado e cuidados para evitar contaminação. É um teste altamente sensível para detecção do kDNA do parasita, podendo representar importante método para os casos com resultados de testes sorológicos duvidosos e como método auxiliar para monitorar o tratamento (LANA & TAFURI, 2000). O ELISA é o ensaio imunoenzimático que consiste em fazer reagir sobre os extratos de antígenos do T. cruzi o soro do paciente suspeito. Os anticorpos presentes no soro do paciente se ligarão ao antígeno fixado e quando as antiimunoglobulinas forem adicionadas, ocasionara uma reação colorida que será lida em espectrofotômetro. Esta técnica oferece vantagem em relação as outras, pois tem elevada sensibilidade (98 a 100%), com especificidade variável, possibilitando também a realização de grande número de testes em curto período de tempo. O resultado do teste e a expressão direta da capacidade de ligação dos anticorpos de uma forma continua, e não por titulação. O resultado é expresso por meio da intensidade da cor que indicará a presença ou não de anticorpos específicos na amostra analisada de soro (LANA & TAFURI, 2000). A desvantagem é a ocorrência de resultados falsopositivos, devido a reações cruzadas com infecções por outros parasitas. (ARAÚJO, 1986; CHILER et al., 1990; PORTELA-LINDOSO & SHIKANAIYASUDA, 2003). A reação de IFI normalmente é realizada com formas epimastigotas do T. cruzi, cepa Y, obtidas de meios de cultura LIT (Liver Infusion Tryptose). Neste teste, os tripanosomas fixados em laminas próprias para reação de Imunofluorescência são incubados com amostras de soro previamente diluído, Após esta etapa, as laminas são lavadas em solução salina tamponada com fosfato (PBS) e novamente incubadas com soro de carneiro contendo uma imunoglobulina anti-cadeia pesada IgH, IgG, IgA ou IgM humana conjugada ao fluorocromo, em geral com isotiocianato de fluoresceína (FITC). Após essa etapa a preparação é examinada em microscópio de luz ultravioleta, onde nos 30 casos reagentes, observa-se a emissão de fluorescência nos T. cruzi. Como resultado final, considera-se o título do anticorpo de acordo com a última cavidade da lamina onde se observou a fluorescência (LANA & TAFURI, 2000). A desvantagem é a ocorrência de resultados falso-positivos, assim como no ELISA. Amostras de soro ou plasma Testes de ELISA, IFI ou HAI 02 Métodos de Diagnósticos Ambos Reagentes Ambos não Reagentes 01 Reagente e 01 Não Reagente Positivo Negativo Repetir os testes Se o quadro permanecer Indeterminado = Resultado Inconclusivo Realizar os teste de PCR/WB Figura 2 – Fluxograma dos Testes Laboratoriais para a Infecção Chagásica Fonte: Ministério da Saúde, 2005. 31 III– METODOLOGIA 3.1 – ÁREA DE ESTUDO O município de Felipe Guerra está localizado a 351 Km de distância da capital do estado do RN, na Mesorregião do Oeste Potiguar, na Microrregião da Chapada do Apodi. Limita-se com os municípios de Governador Dix-SeptRosado, Apodi e Caraúbas. Compreende uma área territorial de 268,427 km² e apresenta uma população de 5.734 habitantes sendo que 1.859 residem na zona rural (sítios e fazendas) e o restante 3.875 na zona urbana. A economia do município tem sua base fundamental no setor primário, figurando a agricultura de subsistência e pecuária como atividades principais (IBGE, 2010). As condições de moradia são bem característica da região do sertão nordestino, com predominância da caatinga ou terrenos pedregosos. A presença das casas de taipa ou mista de taipa com alvenaria ainda é muito comum, apesar dessas casas terem diminuído ao longo dos anos. Outra característica comum é a presença dos galinheiros, criadouros de animais ou armazéns ao lado das casas. 32 Figura 3 – Ilustração de peridomicílio com presença de criadouros presentes no entorno das residências. Fonte: Direta Figura 4 – Ilustração de moradias tipo mista (parte alvenaria, parte taipa) identificadas na região. Fonte: Direta. 33 3.2 – CONSIDERAÇÕES ÉTICAS Para o cumprimento do objetivo proposto, foi realizado um estudo de inquérito sorológico, utilizando-se uma amostra da população domiciliada e representativa de todas as seis sub-regiões da zona rural do município de Felipe Guerra-RN. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (CEP-UERN 027/11). Os princípios éticos contidos nas diretrizes da resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos foram cumpridos neste trabalho. Os pacientes foram informados sobre o protocolo de estudo e esclarecidos sobre o objetivo e confidencialidade do trabalho. Todos os participantes do estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) atestando a sua concordância na participação da pesquisa. 3.3 – PLANO AMOSTRAL O estudo caracterizado como transversal, foi realizado em 423 indivíduos na faixa etária de 4-91 anos de ambos os sexos, sem distinção étnica, residentes na zona rural de Felipe Guerra. A técnica escolhida foi por amostragem, na qual selecionamos amostras aleatórias simples de domicílios de cada sub-região. Assim, após o cálculo para estimar uma proporção de uma população finita obtivemos o n=192 de domicílios, considerando uma margem de erro de 0,05% e um nível de significância de 5%. Após a seleção do domicílio, a pesquisa foi realizada com todos os indivíduos presentes na residência que concordaram com o trabalho. No segundo momento foi aplicado um questionário a cada indivíduo participante da pesquisa com o objetivo de avaliar alguns indicadores epidemiológicos que poderiam auxiliar na investigação de fatores locais à disseminação da doença (condições de moradia, presença do triatomíneo, criadouros, profissão, conhecimento sobre prevenção, transfusão sanguínea, entre outras variáveis). 34 Dessa forma, o cálculo do tamanho da amostra foi definido por: Número de estratos (sub-regiões): k = 6 N1 = 19 casas; N2 = 57 casas; N3 = 127 casas; N4 = 412 casas; N5 = 76 casas; N6 = 177 casas. Número de domicílios da população: N = 868 w1= N1/N= 19/868= 0,022; w2= N2/N= 57/868= 0,066; seguindo o mesmo raciocínio, temos: w3 = 0,146; w4 = 0,475; w5 = 0,087; w6 = 0,204. Margem de erro: d = 5% = 0,05; Nível de significância de 5%, logo o valor crítico Z=1,96; assim: D=d2/Z2= 0,052/1,962= 0,000651. A Estimativa da verdadeira proporção da soroprevalência: p = 20% =0,2 (a fim de obter tal proporção populacional, utilizou-se esta mesma estimativa para cada um dos estratos ou sub-regiões.) Assim, o tamanho da amostra aleatória estratificada para estimar uma proporção de uma população finita foi dado por: n= N i2 . pi . 1 pi i 1 w i k k N .D N i . pi . 1 pi 2 i 1 = 120548,7 /490,48 + 138,88= 192 casas Logo, os tamanhos amostrais de cada estrato (sub-região) foram: Sub-região 1: n1 = w1n = 0,022.192 = 4 casas; Sub-região 2: n2 = w2n = 0,066.192 = 13 casas; seguindo o mesmo raciocínio, temos: Sub-região 3 = 28 casas; Sub-região 4 = 91 casas, Sub-região 5 = 17 casas, Sub-região 6= 39 casas. 35 1,15 24,16 8,15 Sub-região1 8,91 13,89 Sub-região2 Sub-região3 Sub-região4 43,74 Sub-região5 Sub-região6 Figura 5 – Distribuição da população estudada de acordo com as sub-regiões do município de Felipe Guerra-RN 3.4 – OBTENÇÃO DO MATERIAL BIOLÓGICO Foram coletados aproximadamente 20 mL de sangue periférico por punção venosa dos 423 indivíduos voluntários convidados para a pesquisa. A coleta foi realizada com material descartável, obedecendo todas as normas e condutas de biossegurança e acondicionamento. As amostras foram transportadas em tubos de vidro sem anticoagulante e armazenados em bolsa térmica com gelo. Após a formação do coágulo as amostras formam centrifugadas em (Centrífuga Quimis modelo Q222T, São Paulo, Brasil) durante 10 minutos a 3000 rpm para obtenção do soro. Em seguida, o soro foi separado da fase sólida do sangue e aliquotado em microtubos (eppendorfs) e congelado em freezer a temperatura de -20°C, até a realização dos testes sorológicos. 36 3.5 – DIAGNÓSTICO SOROLÓGICO Em virtude da baixa parasitemia na fase crônica da doença, o diagnóstico parasitológico direto torna-se comprometido ou prejudicado. No entanto, apesar do reduzido número de parasitas circulantes, títulos elevados de anticorpos específicos contra antígenos de T. cruzi podem ser detectados. Portanto, na fase crônica, o diagnóstico é essencialmente sorológico, baseando-se na pesquisa de anticorpos anti-T. cruzi no soro. A detecção desses anticorpos anti-T. cruzi pode ser realizada por técnicas de sorologia convencional como hemaglutinação indireta (HAI), Imunofluorescência indireta (IFI) e ensaio imunoenzimático (ELISA). Neste estudo foram realizadas as técnicas de ELISA e hemaglutinação (HAI) para o diagnóstico sorológico da infecção chagásica em todos os indivíduos estudados nesse trabalho (n=423). Já a técnica de Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI) foi utilizada no diagnóstico dos indivíduos positivos ou inconclusivos (quando apresentaram resultados discordantes entre si, sendo um positivo e outro negativo) entre as outras duas técnicas utilizadas. 3.5.1. Exames Sorológicos As análises sorológicas da população investigada foram realizadas e repetidos para confirmação do resultado no Laboratório de Bioquímica e Biologia molecular (Biomol) da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) pelas técnicas de HAI e ELISA, seguida da RIFI para as amostras que deram positivas e/ou indeterminadas. Após a realização dos testes sorológicos para confirmação do resultado, as amostras foram consideradas soropositivas quando apresentaram resultados positivos por duas ou mais técnicas; as amostras foram consideradas soronegativas quando apresentaram resultados negativas pelas duas técnicas de HAI e ELISA. E quando apresentaram apenas um resultado positivo e portanto inconclusivo por discordância entre os resultados dos testes, foram consideradas indeterminadas. 37 3.5.1.1 Diagnósticos por Hemaglutinação Indireta A determinação de Imunoglobulinas G (IgG) para diagnóstico da infecção chagásica pela técnica de Hemaglutinação Indireta foi realizada com o kit IMUNO HAI CHAGAS fabricado pela Wamma Diagnósticos, segundo as recomendações do fabricante. O princípio do teste consiste em utilizar hemácias de aves estabilizadas e sensibilizadas com antígenos totais de Trypanosoma cruzi (antígenos solúveis), que são aglutinadas quando colocadas em contato com diluições de soros de pacientes chagásicos. Foi realizada a preparação do reativo antes de iniciar as dosagens e em frasco âmbar, foi adicionado 0,07mL de 2 – Mercaptoetanol para cada 10mL do diluente para a preparação do diluente dos soros. Após a preparação do reativo, iniciou-se o procedimento qualitativo, onde foi utilizada uma cavidade da microplaca por amostra. As amostras de soro foram descongeladas, homogeneizadas, centrifugadas e mantidas em temperatura ambiente. Inicialmente, foi feita a diluição das amostras e dos soros controles, em tubo de ensaio, para o título de 1/32. Para a diluição de 1/32 foi utilizado 10μL da amostra com 0,31 mL do diluente do soro. Após a preparação das diluições, foram transferidos 50μL da diluição de cada amostra e dos controles para as cavidades da placa. Em seguida, após homogeneização completa da suspensão de hemácias foi adicionado 25μL em cada cavidade. Finalmente, foi realizada a perfeita homogeneização da placa por vibração durante 3 a 4 minutos, deixando-a em repouso durante 1 hora, a temperatura ambiente, e terminado o tempo de incubação foi feita a leitura da microplaca e novamente após 2 horas. A reação foi considerada reativa quando um véu uniforme de hemácias recobriu toda a cavidade e foi considerada não reativa quando apresentou botão compacto de hemácias no fundo da cavidade. 38 3.5.1.2 Diagnósticos por ELISA A determinação de Imunoglobulinas G (IgG) para diagnóstico da infecção chagásica pela técnica de ELISA imunoenzimático foi realizada com o kit IMUNO ELISA CHAGAS fabricado pela Wamma Diagnósticos, segundo as recomendações do fabricante. O IMUNO ELISA CHAGAS foi desenvolvido para uso profissional. A detecção indireta de anticorpos IgG usa antígenos recombinantes específicos de T. cruzi recobrindo as cavidades de microtitulação. As cavidades da placa de microtitulação são cobertas com antígeno recombinante altamente purificado. Anticorpos específicos anti-Trypanosoma cruzi presentes no soro ligam-se a esses antígenos. O material não ligado é retirado por lavagem e uma antigamaglobulina anti-IgG humana marcada com peroxidase é aplicada a reação. Este conjugado liga-se aos anticorpos específicos IgG humanos antiligados ao antígeno da placa. O material não ligado é novamente retirado por lavagem e adicionado um substrato (TMB) que desenvolverá cor nas cavidades onde a enzima (peroxidase) estiver presente, indicando a presença de anticorpo humano anti-Trypanosoma cruzi. A reação enzimática é finalizada pela adição de uma solução de parada e a absorbância foi medida em leitora de ELISA em filtros de 450/620nm. A concentração de anticorpo IgG específico é diretamente proporcional a intensidade da cor da reação. Antes de iniciar as titulações, foi realizada a diluição da solução de lavagem adicionando 800mL de água destilada com 200mL do tampão de lavagem concentrado. As amostras de soro foram descongeladas, homogeneizadas, centrifugadas e mantidas em temperatura ambiente. Foram adicionados 120μL do diluente das amostras em todos os poços da placa e em seguida pipetou-se 5μL das amostras e 125μL dos soros controles nos respectivos poços da placa. Em seguida, foram aplicadas batidas suaves nas laterais da microplaca durante 15 segundos para misturar o diluente com as amostras. Após essa etapa, a placa foi fechada com o selo autoadesivo e incubada por 60 minutos em estufa a 37º C. Passado esse tempo, o adesivo foi retirado e a placa foi lavada 3 vezes com a solução de lavagem diluída em lavadora automática de tiras. Depois da lavagem, a placa foi invertida sobre 39 papel absorvente e sofreu suaves batidas para a eliminação de excesso de líquido nos poços. Em seguida, foram adicionados 100μL do conjugado misturado por aplicação de batidas suaves e fechada a placa com o selo adesivo para ser incubada por 30 minutos em estufa a 37° C. Foi feita a lavagem de maneira semelhante ao já descrito anteriormente. Foram adicionados 100μL do substrato em cada poço, misturado por aplicação de batidas suaves e a placa foi incubada no escuro durante 15 minutos em estufa a 37° C. Para finalizar, a reação foi parada adicionando-se 100μL de solução de parada em cada poço. A leitura foi feita em um leitor para microplacas Expert Plus® (ASYS HITECH GMBH, Áustria) utilizando um filtro de 450/620nm e para a determinação dos resultados foi feito o cálculo do “cut off” (ponto de corte). “Cut off” = Média do Soro Controle Positivo Baixo/1,5 Interpretação dos resultados Resultado Reagente: Densidade Óptica (DO) da amostra maior que o Borderline (Zona Duvidosa). Resultado Duvidoso (Borderline): D.O. da amostra menor que a D.O. do soro controle positivo baixo, mas maior que o valor do Cut-Off. Esta é a chamada zona duvidosa. Resultado Não Reagente: D.O. da amostra menor que o Cut-Off. Então, uma amostra foi reativa quando sua absorbância foi maior que o limite superior da zona de indeterminação e uma amostra foi não reativa quando sua absorbância foi menor que o Cut-Off. As amostras cujas absorbâncias estiverem na categoria da zona de indeterminação são consideradas duvidosas e devem ser repetidas as análises. 40 3.5.1.3 Diagnósticos por Imunofluorescência Indireta A determinação de Imunoglobulinas G (IgG) para diagnóstico da infecção chagásica pela técnica de Imunofluorescência Indireta foi realizada com o kit IMUNO–CON CHAGAS® fabricado por Wamma Diagnóstica seguindo as recomendações do fabricante e modificando apenas as diluições dos soros. O teste tem como princípio que os anticorpos anti-T. cruzi presentes no soro se ligam ao antígeno fixado na lâmina e são revelados por uma antigamaglobulina marcada com isotiocianato de fluoresceína. Antes de iniciar as quantificações foi realizada a diluição do tampão fosfato salino (PBS) para 1/10, por exemplo, adicionando 100mL de PBS com 900mL de água destilada ou deionizada. As amostras de soro foram descongeladas, homogeneizadas, centrifugadas e mantidas em temperatura ambiente. Os soros – desconhecidos, positivo e negativo – foram diluídos em solução tampão PBS a 1/40, 1/80, 1/160, 1/320, 1/640 e 1/1280. Na diluição 1/40, em placa, foi adicionado 200μL de PBS e 5μL do soro desconhecido. Para a diluição de 1/80 foram utilizados 100μL da diluição anterior com 100μL de PBS e assim, sucessivamente, para todas as outras diluições desejadas. Quando as lâminas atingiram a temperatura ambiente, foram colocadas em câmara úmida para iniciar os testes. Nas áreas destinadas da lâmina foi adicionado, aproximadamente, 50μL dos soros diluídos (soros desconhecidos e os controles positivo e negativo) evitando transbordar as áreas. As lâminas foram incubadas em câmara úmida e levadas à estufa a 37ºC por 30 minutos. Em seguida, as lâminas foram removidas da câmara úmida, depois foram seguradas por uma extremidade e inclinadas num ângulo de 30º para serem lavadas pela borda longitudinal da lâmina, lentamente, com aproximadamente 10 mL de tampão PBS, utilizando uma pipeta de Pasteur para não atingir diretamente as áreas reativas. As lâminas foram cobertas com tampão PBS durante 3 minutos e em seguida foram lavadas com água destilada. Após essa etapa, foi retirado o excesso de PBS sobre papel absorvente, as lâminas foram secas e então foram 41 recolocadas na câmara úmida. Foi realizada a preparação da solução de Evans (1:5000) utilizando 1 gota do azul de Evans com 3mL de PBS – Tween 80 a 2% para fazer a diluição do conjugado marcado com fluoresceína (1 parte do conjugado com 90 partes da solução de Evans). Foi distribuída 1 gota (aproximadamente 50μL) da diluição do conjugado em cada área da lâmina e a mesma foi incubada na câmara úmida e levada à estufa 37ºC por 30 minutos. Após a incubação, as lâminas foram removidas da câmara úmida e lavadas como descrito anteriormente. Para finalizar, após a secagem das lâminas, foram adicionadas 2 gotas de glicerina tamponada entre as áreas reativas das lâminas e cobridas com as lamínulas, evitando-se a formação de bolhas. O excesso de glicerina foi retirado com papel absorvente. As lâminas foram analisadas em microscópio de fluorescência da Nikon modelo E-200 (NIKON INSTRUMENTS INC., Japão) e as amostras foram consideradas reativas na presença de fluorescência amarelo-esverdeada característica em todo o contorno do T. cruzi. As amostras foram consideradas não reativas na ausência de fluorescência amarelo-esverdeada em todo o contorno do T. cruzi, quando os parasitas exibem uma coloração verde-acinzentado. 3.6 ANÁLISES DOS DADOS Os dados foram tabulados e analisados através do software estatístico Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0 (SPSS Inc, Chicago, IL, EUA). As variáveis categóricas foram analisadas através da estatística descritiva (Frequência absoluta e relativa). E a associação entre o fenótipo e as variáveis categóricas foi analisada com o teste do Qui-quadrado. Em todos os testes, o nível de significância adotado foi de “p” < 0,05. 42 IV RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1. CARACTERÍSTICAS DESCRITIVA DA POPULAÇÃO ESTUDADA A amostra populacional arrolada foi correspondente a 423 indivíduos, sendo que 37,35% (n=158) eram do sexo masculino e 62,65% (n=265) do sexo feminino. A distribuição encontrada no gênero foi análoga aos estudos desenvolvidos por Galvão (2009), FONSÊCA et al. (2012) e RAMOSLIGONIO et al. (2010) que também obtiveram maior prevalência de participantes do sexo feminino com maior frequência média de 63%. Esta diferença entre os sexos possivelmente se justifica devido a coleta das amostras serem feitas no período diurno, na qual a maioria dos homens encontram-se trabalhando no campo. No entanto, OLIVEIRA-MARQUES et al. (2005), BORGES-PEREIRA et al. (2002) e MAGALHÃES et al. (2011) apresentaram em seus estudos uma maior participação de homens em seus estudos com média de 56,3% (Tabela I). A faixa etária de 36 a 50 anos, foi predominante com 33,6% (n=142), colaborando com os dados de Galvão (2009) apresentando a mesma faixa etária como a mais frequente; e os dados de OLIVEIRA-MARQUES et al. (2005) mostrando uma faixa etária próxima 40-50 anos (46%). No entanto, os dados descritos por BORGES-PEREIRA et al. (2002) e MAGALHÃES et al. (2011) revelaram predominantemente uma faixa etária mais jovem, entre 1019 anos (28,4%) e entre 20-39 anos (38,6%) respectivamente. Tabela I – Número e percentual da faixa etária e gênero da população residente na zona rural de Felipe Guerra-RN Gênero Faixa Etária < 20 20-35 36-50 51 - 65 >65 Total Fonte: Direta Masculino (%) Feminino (%) n (%) 17(4,02) 40 (9,45) 53 (12,53) 25 (5,91) 23 (5,44) 158 (37,35) 37 (8,75) 59 (13,95) 89 (21,04) 43 (10,16) 37 (8.75) 265(62,65) 54 (12,8) 99 (23,4) 142 (33,6) 68 (16,1) 60 (14,2) 423 (100) 43 Os indicadores socioeconômicos mostraram através dos dados que o nível de escolaridade nesta população estudada apresentou elevada frequência de pessoas com o ensino fundamental incompleto, equivalente a 58,2% (n=246) da população, enquanto apenas 17,3% (n=73) dos indivíduos questionados concluíram o ensino médio. Dados semelhantes aos de OLIVEIRA-MARQUES et al. (2005) onde demostra a taxa para o ensino fundamental incompleto de 67%, MAGALHÃES et al. (2011) observou que 62,4% eram analfabetos, BRITO et al. (2012) observou que 63,5% tinham o ensino fundamental incompleto, Galvão (2009) mostrou que 50,8% dos entrevistados tinham o ensino Fundamental e FONSÊCA et al. (2012) relatou que 58% tinham o ensino médio incompleto. Todos estes dados colaboram com os estudos que comprovam o baixo nível de escolaridade e a deficiência no acesso ao ensino da população rural nordestina (IBGE, 2010). Na distribuição de renda mensal em salários mínimos, apresentou maior frequência para os indivíduos que recebiam até um salário mínimo com 67,8% (n=287), enquanto 7,6% (n=32) dos indivíduos recebiam acima de dois salários. Dados estes semelhantes ao de Galvão (2009) com 67,8% da população recebendo até um salário mínimo. Já OLIVEIRA-MARQUES et al. (2005) mostrou uma população com 82% com renda familiar mensal de até três salários mínimos. Cerca de 53% (n=225) moravam em casa com 4 a 6 pessoas; 78% (n=330) tinham o abastecimento da água através de poço; 22% (n=93) consumiam água tratada; 96,9 % (n=410) não tinham saneamento básico e 100% tinham energia elétrica em suas casas (Tabela II). Estes dados colaboram com Dias et al. (2000) que observou o nordeste como uma das regiões mais pobres do país, e BRICEÑO-LEÓN & GALVÁN (2007) mostrou que por muitas décadas, a DC foi uma infecção estritamente rural existindo apenas em zonas rurais específicas, marcadas por pobreza e exclusão social, altas taxas de analfabetismo e precárias moradias. Aproximadamente 31% (n=132) relataram apresentar alguma doença, sendo destas, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) a mais citada, com 47,7% (n=63) representando 14,7% da população do estudo; 71,6% (n=303) não 44 fazem qualquer tipo de tratamento e 95,5% (n=404) utilizam o sistema público de saúde. Tabela II - Número e percentual das características socioeconômicas da população residente na zona rural de Felipe Guerra-RN n (%) Nível de escolaridade Renda mensal Números de Pessoas na Casa Saneamento Básico Tipo de Água Abastecida Tipo de água ingerida Presença de doença Faz algum tratamento Sistema de saúde Analfabeto Fundamental incompleto Fundamental completo Médio incompleto Médio completo Superior incompleto Superior completo 40 (9,5) 246 (58,2) 19 (4,5) 32 (7,6) 73 (17,3) 4 (0,9) 9 (2,1) Até 1 SM 1 - 2 SM > 2 SM 287 (67,8) 104 (24,6) 32 (7,6) 1a3 4a6 >6 Sim Não Encanada Poço 144 (34,0) 225 (53,2) 54 (12,8) 13 (3,1) 410 (96,9) Abastecimento público Fervida/Filtrada Mineral Outros Sim Não Sim Não Público Privado 93 (22) 330 (78) 108 (25,5) 24 (5,7) 109 (25,8) 182 (43) 132 (31,2) 291 (68,8) 120 (28,4) 303 (71,6) 404 (95,5) 19 (4,5) Fonte: Direta As variáveis que podem introduzir os seres humanos no ciclo de transmissão de T. cruzi estão apresentadas na Tabela III. Entre os indivíduos pesquisados, 41,8% (n=177) confirmaram a presença do triatomíneo nos domicílios ou peridomicílios; já Galvão (2009), BRITO et al. (2012) e FONSÊCA, et al. (2012) encontraram uma maior frequência com 51,3%; 51,6% e 74% respectivamente. Foi também observado que 70,7% (n=299) da 45 população estudada possuem algum tipo de animal doméstico no domicílio e/ou peridomicílio, o que podem ser fonte de alimento para o triatomíneo, facilitando a adaptação dos triatomíneos e sua permanência no seu peridomicílio; como demostrado por CAMPBELL-LENDRUM et al. (2007) e RAMSEY et al (2005) que demonstraram significante associação entre o maior risco de infestação de algumas espécies de triatomíneos com a presença de animais de estimação. Esses animais podem intermediar a infestação de triatomíneos de casas infestadas para outras não infestadas, por serem reservatórios e fontes alimentares para os triatomíneos. Quanto a já terem sido picados pelo triatomíneo alguma vez, 11,1% (n=47) dos indivíduos relataram já terem sido picados. FONSÊCA, et al (2012) encontrou porcentagem maior da população afirmando já terem sido picados com 23,7%. Quanto ao recebimento de transfusão sanguínea, 96,2% (n=407) nunca receberam transfusão, dados semelhantes aos de BRITO et al. (2012); Galvão (2009) e FONSÊCA, et al. (2012) com 96,8%; 88,9% e 85,1%, respectivamente. Cerca de 87% (n=369) dos indivíduos que participaram do estudo afirmaram nunca terem ingerido caldo de cana e 90,5% (n=383) acreditam não morar com algum indivíduo chagásico (DIAS, 2006; OPAS 2009). Atualmente 80,1% (n=339) dos indivíduos pesquisados moram em casa de alvenaria, sendo que 81,8 % (n=346) moram ou já moraram por algum tempo em casas de taipa. Além disso, 95,3% (n=403) moram próximo (≤ 50 metros de distância) de mata ou floresta. Apesar de ser na mesma microrregião, os dados divergiram um pouco dos dados de Galvão (2009) onde observou que 96,5% dos indivíduos estudados residem em casa de alvenaria, sendo que, 49,7% já residiram por algum tempo em casa de taipa e 78,4% mora perto de mata ou floresta. Segundo estudo realizado por SANCHEZ-MARTIN et al. (2006) o tipo de moradia e a presença de palmeiras próxima a casa ou no peridomicílio são considerados como fatores de risco para a infestação doméstica de triatomíneos. 46 Cerca de 53% (n=226) afirmaram estar trabalhando, enquanto 46,6% (n=197) não exercem nenhuma atividade profissional e cerca de 7,3% (n=31) estão aposentados. As principais ocupações nas comunidades foram: agricultor com 40,7% (n=172) e donas de casa com 19,4% (n=82). Dos indivíduos que trabalham, 59,1% (n=250) exercem suas atividades profissionais próximo da mata ou floresta e 40,9% (n=173) em outras localidades. E aproximadamente 86.8% (n=367) nunca caçaram ou não tem o hábito de caçar. Tabela III - Número e percentual dos indicadores de risco da população estudada INDICADORES DE RISCO Presença do triatomíneo na residência Já foi picado pelo triatomíneo n (%) Sim 177 (41,8) Não 246 (58,2) Sim 47 (11,1) Não 376 (88,9) Não sabe Mora com alguém que tem DC Animal de estimação Galinheiro/Armazém Já recebeu sangue Toma caldo de cana Moradia atual Já morou ou mora em casa de taipa Mora perto de mata/floresta (≤ 50 m) Trabalho é próximo a mata/floresta Hábito de Caçar 4 (0,9) Sim 40 (9,5) Não 383 (90,5) Sim 299 (70,7) Não 124 (29,3) Sim 234 (55,3) Não 189 (44,7) Sim 16 (3,8) Não Sim Não 407 (96,2) 54 (12,8) 369 (87,2) Taipa 84 (19,9) Alvenaria 339 (80,1) Sim 346 (81,8) Não 77 (18,2) Sim 403 (95,3) Não 20 (4,7) Sim 250 (59,1) Não 173 (40,9) Sim 56 (13,2) Não 367 (86,8) Fonte: Direta 47 Quanto ao grau de conhecimento sobre a DC na população em estudo, os resultados mostraram que 91,7% (n=388) dos indivíduos conhecem ou já ouviram falar na doença; 65% (n=275) conhecem alguém com a DC; 47,8% (n=202) sabem como ocorre a transmissão; e 79,2% (n=335) afirmam conhecer o triatomíneo. No entanto, 68,6 % (n=290) não sabem como se prevenir da DC (Tabela IV). Estes dados são semelhantes ao estudo de Galvão (2009), mas diferem quanto a conhecer alguém com a DC (87,9%) e sobre medidas de prevenção (50,8%). FONSÊCA et al. (2012) observou que 54,4% sabem o que é a DC e 90,2% afirmam conhecer o triatomíneo. Estes resultados mostram um sério problema, a população conhece o triatomíneo e sabe que ele é capaz de transmitir a doença, entretanto não sabem como se prevenir. Tabela IV – Número e percentual sobre o conhecimento da doença de Chagas na população estudada Questionamento Conhece o triatomíneo Conhece alguém com DC Sabe qual a forma de transmissão Sabe como se prevenir Resposta n (%) Sim Não 335 (79,2) 88 (20,8) Sim 275 (65) Não 148 (35) Sim 202 (47,8) Não Sim 221 (52,2) 133 (31,4) Não 290 (68,6) Fonte: Direta 4.2. ANÁLISE DA SOROPREVALÊNCIA DA INFECÇÃO PELO T. CRUZI Dos 423 indivíduos, moradores das comunidades rurais no município de Felipe Guerra-RN, 28 foram soropositivas para o T. cruzi em pelo menos dois dos três métodos utilizados, demonstrando 6,6% de soroprevalência da infecção, o que comprova este município como área endêmica para a DC e corroboram com os dados do último inquérito soroepidemiológico nesta mesorregião que apresentou uma soropositividade de 6,5%. Porém, a soroprevalência foi menor quando comparado com os municípios de Apodi (9,3%), Caraúbas (10,3%), Governador Dix-Sept Rosado (8,0%), que fazem 48 fronteira com Felipe Guerra e estão localizados na mesma microrregião (BRITO et al., 2012); mas bem acima dos índices encontrados no primeiro inquérito nacional realizado no período entre 1975 e 1980, em que a prevalência para a população rural para o estado do RN foi estimada em 1,78% (CAMARGO et al., 1984). Levando em consideração os dados do censo de 2010 que apresentou a população rural do município Felipe Guerra com 1.859 indivíduos e a estimativa da soroprevalência da infecção pelo T. cruzi de 6,6%, o total correspondente de infectados na zona rural deste município são cerca de 122 indivíduos. Estes dados mostram que ainda há a necessidade de respostas mais eficazes por parte dos governos com a retomada de programas contínuos de combate aos triatomíneos em regiões endêmicas. E diante da grande heterogeneidade existente, em que coexistem áreas com diferentes graus de risco de transmissão da infecção chagásica, se faz necessário uma adequação e racionalização das atividades de vigilância e combate vetorial, fazendo-as proporcionais aos diferentes riscos que cada população enfrenta. Como o modelo de operação do programa de controle passou a ser exercido de forma descentralizada, não se pode pressupor que a autoridade local, a nível municipal de gestão, sujeita a vários problemas sociais, por diferentes necessidades percebidas pela população como prioridades, confira sempre preferência ao controle da DC (SILVEIRA & DIAS, 2011). Os resultados da sorologia que foram considerados indeterminados por terem apresentado apenas um teste soropositivo ou reativo para infecção Chagásica (IC) e portanto discordantes entre si, totalizaram 4,5% (n=19) dos casos. Já os soronegativos totalizaram 88,9%(n=376) (Tabela V). Resultados sorológicos inconclusivos ou indeterminados também têm sido relatados na literatura. BRITO et al. (2012) demonstraram em 1950 amostras de soros, a porcentagem de 1,8% de casos indeterminados utilizando as três técnicas de ELISA, HAI e RIFI e Borges- Pereira et al. (2008) em 541 49 indivíduos detectaram sorologia inconclusiva em 0,74% dos soros examinados. Já Galvão em 199 amostras de soros, 6,5% de casos indeterminados. Os resultados sorológicos indeterminados para o T.cruzi podem estar associados com a diversidade e/ou complexidade genética do T. cruzi do hospedeiro infectado, podendo não ser detectado pelo método sorológico utilizado no diagnóstico, ou pela baixa resposta imune do indivíduo infectado, dificultando a positividade da sorologia (CAMARGO, 1992). Outra possibilidade é a reação falso-positiva, no caso de soros de pacientes infectados com outras parasitoses como a infecção por Leishmania sp, T. rangeli e Toxoplasma gondi (ARAUJO, 1986). Dentre os 423 pacientes analisados através da técnica de ELISA, 4,5% (n=19) apresentaram densidade óptica (DO) maior ou igual a 1,008 nm, que foi a DO do controle positivo baixo e considerados reativos ou soropositivos; 90,8% (n=384) das amostras tiveram DO menor que o “Cut Off” que foi de 0,672 nm e apresentaram-se não reativos ou soronegativas; e 4,7% (n=20) estavam na zona duvidosa ou Borderline, que foi a DO menor que 1,008 nm e maior que 0,672 nm e portanto considerados inconclusivos ou duvidosos para ELISA. Realizando a técnica de HAI a soropositividade foi de 9,9% (n=42), 88,2% (n=373) foram soronegativos e 1,9% (n=8) foram inconclusivos. Pela técnica da RIFI (Figura 4), foram realizadas apenas 77 amostras que deram soropositivos e inconclusivos entre os testes de ELISA e HAI. A soropositividade encontrada foi de 41,56% (n=32), com 51,95% (n=40) soronegativos e 6,49% (n=5) inconclusivos como mostra a Tabela V. Tabela V – Número e percentual de indivíduos com sorologia reativa e não reativa para a infecção de T. cruzi com diferentes técnicas sorológicas na população residente na Zona Rural de Felipe Guerra-RN ELISA n (%) Reativo Não Reativo Indeterminado Técnicas empregadas HAI n (%) RIFI n (%) Soropositividade n (%) 19 (4,5) 42 (9,9) 32 (41,56) 28 (6,6) 384 (90,8) 373 (88,2) 40 (51,95) 376 (88,9) - -- - 19 (4,5) Fonte: Direta 50 Foto A Foto B Figura 6 - Reação de Imunofluorescência Indireta para Infecção Chagásica. Foto A- Soronegativo, Foto B- Soropositivo. Fonte: Direta. 4.3. SOROPOSITIVIDADE versus VARIÁVEIS SOCIOECONÔMICAS A tabela VI mostra a distribuição dos resultados obtidos para a caracterização da amostra quanto ao gênero, escolaridade, a faixa etária e renda mensal em relação ao resultado final da sorologia. A soropositividade foi de 8,1% (n=12) para o sexo masculino e 6,3% (n=16) para o feminino, não havendo diferença estatística (p=0,634). Em estudos realizados por BRITO et al. (2012), Galvão (2009), BORGESPEREIRA et al. (2008) e OLIVEIRAMARQUES et al. (2005) resultados semelhantes ao apresentado nesta pesquisa foram encontrados, mostrando equivalência entre os sexos e também não apresentaram significância estatística. GRIJALVA et al. (2003) também encontrou resultados concordantes para a variável Gênero, reforçando os dados encontrados. Considerando a variável faixa etária, observou-se que a idade dos indivíduos soropositivos variou de 33 a 88 anos, média de 47 anos e desvio padrão de 17,8, e naqueles com soronegativos a variação foi de 4 a 91 anos, média de 41 anos e desvio padrão de 18,2. Houve uma predominância de soroprevalência em indivíduos acima de 65 anos com 16,9% (n=10) quando comparada com as demais faixas etárias (p=0,003). Concordante com os estudos de SILVA et al., 2010; BRITO et al. (2012) e SAMPAIO (2010) que 51 mostraram uma maior prevalência em indivíduos com faixa etária mais avançada, sugerindo uma relação direta entre a prevalência e o tempo de exposição, justificado pelo fato de que os mais velhos têm uma maior exposição ao longo do tempo aos fatores de risco que podem aumentar as chances de ser infectado. E isto é esperado, pois a DC é uma infecção crônica que se alastra por toda a vida do indivíduo. Vale ressaltar que neste estudo não foi encontrado casos de soropositividade em crianças e adolescentes (Tabela 6), sugerindo não haver transmissão ativa nessa área. Em se tratando da escolaridade, os dados mostram que dos indivíduos que tinham o ensino fundamental incompleto 7,1% (n=17) foram reativos para infecção, enquanto que, apenas 2,9% (n=2) dos reativos tinham concluído o ensino médio e 12,5% (n=1) o curso superior, mas não foram estatisticamente significativos (p= 0,086). Dados semelhantes aos de SAMPAIO (2010), em que não encontrou diferença significativa. Outros estudos realizados no RN mostraram o mesmo perfil, demonstrando que há um predomínio de indivíduos com baixo nível educacional, mas os resultados foram estatisticamente significativos; sugerindo ainda que a DC está intimamente relacionada ao desenvolvimento da população, sendo transmitido geralmente a indivíduos mais pobres e com baixa escolaridade (BRITO et al., 2012 e Galvão, 2009). No entanto, estes mesmos dados, incluindo este estudo, mostram um melhor nível educacional da população infectada desta microrregião, com alguns moradores que concluíram o ensino médio e superior (Tabela VI). Estudos realizados por SILVA et al. (2010) demonstrou que 93% dos indivíduos soropositivos a infecção, residentes em Serra Azul, centro oeste de Minas Gerais, possuíam no máximo o ensino fundamental incompleto. Vários outros autores têm observado achados semelhantes (OLIVEIRA- MARQUES et al., 2005; e DIAS, 2000). A associação da infecção com as deficientes condições socioeconômicas tem sido relatada em estudos epidemiológicos realizados em áreas rurais da América Latina e o analfabetismo tem sido caracterizado como um dos principais marcadores sociais da infecção (BORGES-PEREIRA et al., 2006). 52 Levando em consideração a renda mensal dos sororreativos para a infecção chagásica neste município, 5,8% (n=16) recebiam até um salário mínimo por mês; 10,0% (n=10) recebiam de um a dois salários e apenas 6,7% (n=2) recebiam acima de dois salários. Dados semelhantes ao publicado por OLIVEIRA-MARQUES et al. (2005), que observou nos indivíduos chagásicos pesquisados baixo poder aquisitivo e baixa remuneração. Além disso, as taxas de prevalência são, geralmente, mais altas entre as populações mais pobres, provenientes da zona rural, na qual as taxas de analfabetismo são consideravelmente mais altas e que vivem em moradias precárias (DIAS et al., 2002; OLIVEIRA-MARQUES et al., 2005). Vale ressaltar que todas essas informações socioeconômicas convergem para caracterização da DC como uma doença negligenciada, assolando populações menos prestigiadas econômica e socialmente (WHO, 2010). Tabela VI - Distribuição dos Indicadores Demográficos (gênero, escolaridade, faixa etária e renda mensal) dos pacientes positivos para infecção Chagásica Sorol. Positiva Variáveis Gênero Escolaridade Faixa etária Renda mensal Sorol. Negativa Masculino n (%) 12 (8,1) n (%) 137 (91,9) Feminino 16 (6,2) 240 (93,8) Total 28 (6,9) 376 (93,1) Analfabeto 6 (15,8) 32 (84,2) Fundamental incompleto Fundamental completo Médio completo 17 (7,1) 222 (92,9) 2 (11,1) 16 (88,9) 2 (2,9) 67 (97.1) Superior completo < 20 1 (12,5) 7 (87,5) 0 (0) 51 (100) 20-35 4 (4,3) 89 (95,5) 36-50 11 (8,0) 126 (92,0) 51 - 65 3 (4,8) 60 (95,2) >65 10 (16,9) 50 (83,1) Total 28 (6,9) 376 (93,1) ATÉ 1SM 16 (5,8) 258 (94,2) 1-2 SM 10 (10,2) 90 (90,0) >2SM 2 (6,7) 28 (93,3) p-valor RPnaj IC (95%) 0,626 1,289 0,6272,649 11.161 0,085 - - 16,085 0,003 - - X2 0,237 1.832 0,400 n= Número de amostras, % = percentual, X2= teste de Qui-quadrado, p-valor= valor de p, RPnaj= Razão de prevalência, IC (95%) = Intervalo de confiança. 53 As Tabelas VII e VIII mostram os resultados obtidos para as variáveis socioeconômicas em relação ao resultado final da sorologia, onde as variáveis foram divididas em condições de moradia e saneamento e saúde respectivamente. As moradias apresentaram características comuns a região do sertão nordestino, com presença de casas de taipa ou mista e a presença de galinheiros, criadouros de animais ou armazéns ao lado das casas. Bem como, a quantidade acima de 4 pessoas morando na mesma casa. Nesta pesquisa, dos indivíduos que moravam em casas com mais de 4 pessoas, a sororreatividade para T. cruzi foi de 8,0% (n=17) e dos que residiam com até 3 pessoas foi de 7,9% (n=11), mas estes dados não apresentaram significância estatística e coincidem com dados encontrados por GRIJALVA et al. (2003) onde o número de pessoas por casa não foi significantemente associado com a reatividade para a infecção. Tabela VII - Número e percentual de individuos positivos e negativos para infecção Chagásica e a relação com os Indicadores Demográficos (condições de moradia e saneamento) Variáveis Sorologia Sorologia positiva n (%) negativa n (%) 1a3 11 (7,9) 129 (92,1) Números de Pessoas na 4a6 17 (8,0) 196 (92,0) Casa >6 0 (0) 51(100) Sim 2 (15,4) 11 (84,6) Saneamento Básico Não 26 (6,6) 26 (93,4) 6 (6,9) 81 (93,1) Tipo de Abastecimento de Encanada Água Poço 22 (6,9) 295 (93,1) Fonte: Direta. n= Número de amostras, % = percentual, p-valor= valor de p p-valor 0,020 0,506 1,00 Quanto a variável “presença de energia elétrica nos domicílios”, não foram feitos os testes que dessem resultados estatisticamente significativos, e nem associação com a positividade para a DC, visto que, todos os moradores entrevistados da zona rural de Felipe Guerra têm energia elétrica nas suas residências. Já os resultados publicados por SANCHEZ-MARTIN et al. (2006), 54 foi encontrada uma associação significativa entre a presença de eletricidade e a diminuição das chances de colonização das casas por triatomíneos e consequente diminuição da soropositividade entre os moradores. No entanto, segundo GUHL (2009) a dispersão de insetos entre ecótopos silvestres e domésticos ocorre ativamente, com os insetos atraídos pelas luzes das casas e, em seguida, voando nas casas. Colaborando com SCHOFIELD (1999) que constatou em inúmeras observações de campo as muitas espécies de triatomíneos serem atraídas à noite para fontes de luz visível e UV. E segundo DIAS (2007) os pesticidas aplicados rotineiramente nas lavouras, a expansão da luz elétrica e gás de cozinha, promovem alterações na fauna silvestre e peri-domiciliar, desalojando e atraindo para ecótopos artificiais triatomíneos e reservatórios silvestres do T. cruzi, assim propiciando novas e esporádicas situações de transmissão da DC humana. Em relação as variáveis sobre saúde, foi encontrado nos indivíduos que afirmaram possuir alguma doença um total de 14,2% (n=18) soropositivos para T. cruzi, e entre os que fazem algum tipo de tratamento 14,4% (n=17), demonstrando assim uma associação significativa entre os indivíduos com soropositividade para infecção chagásica e os que fazerem uso de medicamentos (p<0,001). Dado contrário ao de GALVÃO (2009) que apresentou uma significativa relação entre os soropositivos e os pacientes que não faziam uso de medicamentos. Foi detectado significância também neste estudo entre os soropositivos e os indivíduos que têm algum tipo de doença (p<0,001). Porém, não podemos afirmar que os dados estejam ligados diretamente a DC ou a faixa etária dos positivos que foi significativa para as pessoas com mais de 65 anos, visto estarem nessa idade mais propensos a terem mais sintomatologia e consequentemente tomarem mais medicamentos. 55 Tabela VIII - Indicadores Demográficos (condições de saúde) dos pacientes soropositivos para infecção Chagásica Diagnóstico para Doença de Chagas Variáveis Sorol. Sorol. Positiva Negativa n (%) n (%) Tem alguma Sim 18 (14,2) 109 (85,8) doença Não 10 (3,6) 267 (96,4) Faz Sim 17 (14,4) 101 (85,6) Não 11 (3,8) 275(96,2) Público 27 (6,9) 362 (93,1) algum tratamento Órgão de X2 p-valor RPnaj IC (95%) 13,470 0,001 3,926 1,866-8,261 12,852 0,001 3,746 1,810-7,753 0,151-7,160 0,001 1,0 1,041 Privado 1 (6,7) 14 (93,3) Fonte: Direta. n= Número de amostras, % = percentual, X2= teste de Qui-quadrado, p-valor= valor de p, RPnaj= Razão de prevalência, IC (95%) = Intervalo de confiança. saúde 4.4. SOROPOSITIVIDADE versus FATORES BIOLÓGICOS ASSOCIADOS Em relação aos fatores biológicos podemos notar na Tabela IX que dos indivíduos que afirmaram ter visto o triatomíneo no domicílio ou peridomicílio, a soropositividade para IC foi de 5,4% (n=9). No entanto, dos indivíduos que não distinguiram ou presenciaram o triatomíneo nas dependências da casa foi de 8,1% (n=19) p=0,394. E dos indivíduos que declararam nunca ter recebido transfusão sanguínea a positividade foi de 6,7 % (n=26), enquanto só 12,5% (n=2) afirmaram já terem recebido (p=0,694). Portanto não apresentaram diferença em nível de significância pelo teste do Qui-quadrado. Isso evidencia que nessa população não houve diferença nessas características que pudessem alterar as análises dos resultados. Pode-se atribuir a grande maioria da contaminação entre os indivíduos estudados terem sido através da via vetorial, a forma mais comum de transmissão em áreas endêmicas, justificando a ausência de associação entre os dados. Apesar de duas pessoas soropositivos para IC relatarem já terem recebido transfusão sanguínea, Coura & Dias (2009) relatam que a situação sobre a transmissão transfusional na maioria dos países endêmicos é muito confortável, devido ao controle rigoroso e abrangente sobre a triagem sorológica do sangue. 56 Em relação às pessoas queixosas de terem sido picadas pelo triatomíneo, a soropositividade para a IC foi de 21,4% (n=9), e para os que afirmaram não terem sido picados foi de 5,2% (n=19), mostrando uma importante associação e significância estatística (p<0,001). GALVÃO (2009), GRIJALVA et al. (2003) e CATALÁ, et al (1997) encontraram resultados semelhantes, onde os indivíduos queixosos de terem sido picados pelo triatomíneo estavam associados com aumentado risco de soropositividade para T. cruzi, reforçando ainda ser a transmissão vertical uma das principais vias de transmissão da DC na América Latina (SILVEIRA & DIAS, 2011). Quanto à presença de animal de estimação observamos ser a soropositividade ao T. cruzi de 7,0% (n=20) para aqueles que possuíam algum animal de estimação e de 6,7% (n=8) para os que não possuíam nenhum. Apesar destes resultados não terem sido significativos (p=1,00), estudos publicados por DIAS et al. (2002) associaram a presença de animais domésticos com a soropositividade para IC e RAMSEY et al. (2005) relatou significante associação entre presença de animais domésticos e infestação de triatomíneos nas residências. Bem como por SARQUIS et al. (2006), que observou em muitas áreas rurais o ambiente peridomiciliar, incluindo currais, pocilgas e galinheiros, podendo representar um elo entre o ciclo silvestre e o doméstico de transmissão da DC. Visto que triatomíneos nativos são capazes de estabelecer grandes colônias peridomiciliares nesses ambientes, isso representa um sério problema, pois animais domésticos como cabras, galinhas, porcos e cães são excelentes fontes de alimento para as colônias de triatomíneos no ambiente peridomiciliar, e fazem parte do cenário eco epidemiológico pertence ao nordeste do Brasil. Da mesma forma, as espécies Triatoma brasiliensis e T. pseudomaculata apresentam uma importância epidemiológica para a transmissão no Nordeste (FREITAS et al., 2004). 57 Tabela IX - Análise da associação da soropositividade à infecção pelo T. cruzi e os fatores biológicos Diagnóstico para a Doença de Chagas Fatores Biológicos Sorol. Sorol. Positiva Negativa n (%) n (%) Presença do triatomíneo na residência 9 (5,4) 159 (94,6) Sim 19 (8,0) 218 (92,0) Sim 9 (21,4) 33 (78,6) Não 19 (5,2) 343 (94,8) Não X2 p-valor RPnaj IC (95%) 0,726 0,394 0,665 0,309-1,434 12,868 0,001 4,083 1,976-8,437 1,7569 0,210 2,094 0,845-5,189 0,001 1,000 1,044 0,473-2,304 0,092 0,762 1,205 0,579-2,507 0,154 0,694 1,865 0,484-7,185 1,230 0,267 1,846 0,786-4,339 Já foi picado pelo triatomíneo Mora com alguém que tem infecção Chagásica Sim 5 (13,2) 33 (86,8) Não 23 (6,3) 343 (93,7) Animal de estimação Sim 20 (7,0) 265 (7,0) Não 8 (6,7) 111(93,3) Sim 17 (7,5) 210 (92,5) Não 11 (6,2) 166 (93,8) Sim 2 (12,5) 14 (87,5) Não 26 (6,7) 362 (93,3) 6 (11,5) 46 (88,5) Galinheiro/Armazém Já recebeu sangue Toma caldo de cana Sim Não 22 (6,3) 329 (93,7) Fonte: Direta. n= Número de amostras, % = percentual, X 2= teste de Qui-quadrado, p-valor= valor de p, RPnaj= Razão de prevalência, IC (95%) = Intervalo de confiança. Em relação ao tipo de moradia foi constatado nos indivíduos que moravam em casa de alvenaria a soropositividade ao T. cruzi de 8,1% (n=26), e apenas 2,4% (n=2) moravam em casa de taipa. No entanto, dos indivíduos soropositivos ao T. cruzi 7,5% (n=25) já moraram em casas de taipa durante a infância. Dados semelhantes foram verificado por DIAS et al. (2002) que mostrou uma associação entre a moradia atual ser de alvenaria e apresentar soropositividade a IC. Além disso, na pesquisa feita por BLACK et al. (2007) foi constatado em casas com parede de tijolo a probabilidade de rachar, fornecendo abrigo e locais para alimentação de triatomíneos. E GRIJALVA et al. (2003) também analisou o risco de soropositividade para T. cruzi também 58 ser mais elevado entre as populações que moram em casas de construções grosseiras ou mal acabadas. Sobre a variável morar perto (≤ 50 m) de mata ou floresta, observou-se nos que moravam próximo 7,0% (n=27) foram soropositivos para a IC e dos que não moravam perto, apenas 5,9% (n=1) foram soropositivos. SANCHEZMARTIN et al. (2006) demonstrou ser a presença de palmeiras próximas as casas ou no peridomicílio um fator de risco para a infestação dos triatomíneos nos domicílios (Tabela X). Neste estudo não foi detectada associação da soroprevalência da infecção pelo T. cruzi quanto as outras variáveis epidemiológicas avaliadas como o conhecimento sobre a DC, conhecer o triatomíneo, saber como se prevenir e a forma de transmissão, à exceção da idade, ter informado sido picado pelo triatomíneo, ter alguma doença e fazer algum tratamento. Tabela X - Análise da associação da soropositividade à infecção pelo T. cruzi e os fatores de risco Variáveis Sorol. Positiva n (%) Sorol. Negativa n (%) 2 (2,4) 80 (97,6) 26 (8,1) 296 (91,9) X2 p-valor RPnaj IC (95%) Moradia atual Taipa Alvenaria Já morou ou mora em casa de taipa 25 (7,5) 307 (92,5) Sim 3 (4,2) 69 (95,8) Mora perto de mata/floresta 27 (7,0) Sim 360 (93,0) 1 (5,9) 16 (94,1) Não Não Trabalho é próximo a mata/floresta Sim 18 (7,4) Não 224 (92,6) 10 (6,2) 152 (93,8) 4 (7,4) 50 (92,6) 2,404 0,121 0,302 0,730-1,247 0,582 0,446 1,807 0,561-5,824 0,001 1,00 1,186 0,171-8,220 0,085 0,771 1,205 0,571-2,543 Tem o Hábito de Caçar Sim 0,001 1,0 1,080 0,390-2,993 Não 24 (6,9) 326 (93,1) Fonte: Direta. n= Número de amostras, % = percentual, X2= teste de Qui-quadrado, p-valor= valor de p, RPnaj= Razão de prevalência, IC (95%) = Intervalo de confiança. 59 Considerando os dados de estudo, verificamos que a infecção pelo T. cruzi na zona rural do município de Felipe Guerra ficou dentro da estimada previamente na literatura para a Mesorregião Oeste. No entanto, é uma soroprevalência elevada comparando-se aos últimos inquéritos nacionais (SILVEIRA & VINHAES, 1998; OPAS, 2006; OSTERMAYER et al., 2011). E por se tratar de uma área endêmica, a maioria da população da zona rural vive próximo a mata, e há a possibilidade de existir na natureza triatomíneos secundários, que podem ocupar o nicho de espécies controladas, correndose o risco de reinfestação das casas ou domiciliação de espécies, antes consideradas de hábitos silvestres, como é o caso do Panstrongylus lutzi no Nordeste. Bem como, novas transmissões silvestres e possivelmente ressurgimento de novos casos de infecção humana diretamente relacionados ao ciclo enzoótico de transmissão (SILVEIRA &DIAS, 2011). Aliado a isso, no Brasil existe dificuldades de priorizar políticas para o combate da DC nas áreas de risco, tendo em vista o perfil clínico e epidemiológico da DC. Pois é uma doença crônica silenciosa com um longo período de latência de 30 a 40 anos em média. Sem contar que devido a sua cronicidade, o diagnóstico e o tratamento dos indivíduos que desenvolvem as manifestações graves da doença se constituem uma carga permanente sobre os serviços públicos de saúde. Principalmente no Nordeste, onde o contexto social e econômico das sub-regiões endêmicas tem permanecido estagnado e sob grande pobreza (DIAS et al., 2000). Isso mostra a necessidade de um programa epidemiológico contínuo de controle ao transmissor no intra e peridomicílio pela vigilância sanitária, com corpo técnico suficiente; melhoria nas condições de vida de grande parte da população, principalmente no meio rural, bem como uma assistência médica a população acometida pela DC, o que propiciaria uma melhor qualidade de vida aos moradores dessa mesorregião. 60 V CONCLUSÕES O diagnóstico sorológico para a infecção pelo T. cruzi através das três técnicas imunológicas utilizadas, confirmou a zona rural do município de Felipe Guerra como área endêmica ao Trypanosoma cruzi, com uma soroprevalência de 6,6%. A estimativa da prevalência da infecção pelo T. cruzi nos moradores da zona rural do município de Felipe Guerra-RN foi elevado. Na área estudada não foi detectada soropositividade em crianças e adolescentes sugerindo que não houve novos casos da infecção pelo T. cruzi e reforça o controle vetorial. O grupo de indivíduos com soropositividade quando comparados aos soronegativos apresentaram diferença significativa quanto à idade, ter informado sido picado pelo triatomíneo, ter alguma doença e fazer algum tratamento. A consciência de ter sido picado pelo triatomíneo continua sendo um importante fator associado à infecção chagásica, o que demonstra a importância da transmissão vetorial; As demais variantes epidemiológicas analisadas não apresentaram diferenças significativas sugerindo que os grupos são homogêneos e estão expostos ao mesmo risco de adquirir a infecção. 61 VI REFERÊNCIAS ANDRADE, J. P.; NETO, J. A. M.; PAOLA, A. A. V.; BOAS, F. V.; OLIVEIRA, G. M. M.; BACAL, F.; BOCCHI, E. A.; ALMEIDA, D. R.; FILHO, A. F.; MOREIRA, M. V.; XAVIER, S. S.; JUNIOR, W. A. O.; DIAS, J. C. P. I Diretriz Latino-Americana para o Diagnóstico e Tratamento da Cardiopatia Chagásica. Resumo Executivo. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. v. 96(6), p. 434-442. Rio de Janeiro, 2011. 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Sua participação é voluntária, o que significa que você poderá desistir a qualquer momento, retirando seu consentimento, sem que isso lhe traga nenhum prejuízo ou penalidade. Essa pesquisa visa à coleta informações através de questionário e de sangue para exames laboratoriais. Caso decida aceitar o convite, você será submetido aos seguintes procedimentos: inicialmente será realizada uma coleta informações através de questionário e logo após uma coleta de 20 mL 74 de sangue venoso para confirmar a infecção. Caso seja positiva, você passará por um acompanhamento médico na instituição de ensino. Os riscos envolvidos com sua participação são: durante a coleta pode surgir uma leve dor no local da punção e uma pequena mancha no local, que desaparecerá espontaneamente em poucos dias, mesmo assim, isto é minimizado pelo fato de que quem fará a coleta tem larga experiência neste tipo de procedimento. Caso você tenha medo de coletar sangue, o procedimento pode lhe causar ansiedade e turvação visual, isto deve ser minimizado lhe colocando em posição deitada. Você terá os benefícios, caso positivo, pelo fato de ser criteriosamente acompanhado por médico cardiologista com experiência sem qualquer custo para o participante. Você ainda contribuirá do ponto de vista científico, para o melhor entendimento da doença de Chagas. Todas as informações obtidas serão sigilosas e seu nome não será identificado em nenhum momento. Os dados serão guardados em local seguro e a divulgação dos resultados será feita de forma a não identificar os voluntários. Você também está sendo informado de que sua adesão é voluntária e que não deve esperar receber qualquer retribuição financeira por sua participação. Você ficará com uma cópia deste Termo e toda a dúvida que tiver a respeito desta pesquisa, poderá perguntar diretamente para Antonio Carlos de Medeiros, no endereço Rua Atirador Miguel Antônio da Silva Neto, s/n, Bairro Aeroporto, CEP: 59607-360 (FACS), próximo ao Hospital Tarcísio Maia ou pelo telefone (84) 3318 3708. Dúvidas a respeito da ética dessa pesquisa poderão ser questionadas ao Comitê de Ética em Pesquisa da UERN no endereço: Rua Atirador Miguel Antônio da Silva Neto, s/n; Aeroporto, Mossoró/RN, CEP: 59607-360 Tel: (84) 3315-2248. E-mail: [email protected]. Terceiro pavimento da Faculdade de Ciências da Saúde. 75 Consentimento Livre e Esclarecido Declaro que compreendi os objetivos desta pesquisa, como ela será realizada, os riscos e benefícios envolvidos. Tive a oportunidade de fazer perguntas e todas minhas dúvidas foram respondidas satisfatoriamente e concordo em participar voluntariamente da pesquisa: Diagnóstico sorológico de Doença de Chagas em indivíduos procedentes de área endêmica no oeste potiguar. Autorizamos assim a publicação dos dados da pesquisa a qual nos garante o anonimato e o sigilo dos dados referentes a nossa identificação. Impressão Datiloscópica ___________________________________ Nome do participante ___________________________________ Assinatura do participante ____________________________________ Pesquisador Endereço do Pesquisador: Rua Atirador Miguel Antônio da Silva Neto, s/n, Bairro Aeroporto, CEP: 59607-360 Comitê de ética e Pesquisa Rua Atirador Miguel Antônio da Silva Neto, s/n; Aeroporto, Mossoró/RN, CEP: 59607360 Tel: (84) 3315-2248. E-mail: [email protected]. Terceiro pavimento da Faculdade de Ciências da Saúde. 76 ANEXO 2 – PROTOCOLO DE PESQUISA 77 78 79 ANEXO 3 – PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA 80 ANEXO 4- CARTA DE ANUÊNCIA DA GERÊNCIA EXECUTIVA DA SAÚDE DO MUNICÍPIO DE FELIPE GUERRA PREFEITURA MUNICIPAL DE FELIPE GUERRA CARTA DE ANUÊNCIA DA INSTITUIÇÃO CO-PARTICIPANTE Pela presente, A Secretaria Municipal de Saúde do município de Felipe Guerra, com endereço na Av. Mira Selva S/N e fone (84) 33292256, neste ato aqui representado pela Doutora Josefa Girlene Ferreira, atualmente exercendo a função de secretária de saúde, declara ter conhecimento das atividades a serem realizadas na Zona Rural do Municipio de Felipe Guerra, com coleta de sangue e preenchimento de questionário próprio, bem como do apoio se possível de um agente de endemias que conheça a Zona Rural, em função do projeto de pesquisa “Diagnóstico sorológico de Doença de Chagas em indivíduos procedentes de área endêmica no oeste potiguar”, que tem por pesquisador (a) responsável Antonio Carlos de Medeiros. A Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Felipe Guerra, declara conhecer e cumprir as Resoluções Éticas Brasileiras, em especial a Resolução CNS 196/96 e suas complementares, fazendo do parecer ético emitido por CEP, oficialmente regulamentado, o instrumento condicionante para a realização da pesquisa, ora formalizado. Esta Instituição está ciente de suas co-responsabilidades como Instituição co-participante e do seu compromisso no resguardo da segurança e bem estar dos sujeitos de pesquisa e ou manejo de informações nela recrutados, dispondo de infraestrutura necessária para a garantia de tal segurança e bem estar. Outrossim, fica o compromisso pelo pesquisador supracitado a responsabilidade de mencionar a colaboração da Prefeitura Municipal de Felipe Guerra - Secretaria de Saúde em todos os seus trabalhos e apresentações referente à pesquisa em tela. Felipe Guerra, 25 de Janeiro de 2013. ______________________________ _____________________________ Antonio Carlos de Medeiros Responsável pela Pesquisa Josefa Girlene Ferreira Secretária Municipal de Saúde Prefeitura de Felipe Guerra 81 ANEXO 5 – PRODUÇÃO CIENTÍFICA Artigo submetido: Revista: Cadernos de Saúde Pública, ISSN 0102-311X, 24/03/2014 Soroprevalência de infecção chagásica em localidades rurais de Felipe Guerra, Estado do Rio Grande do Norte. (CSP_0464/14) Seroprevalence of chagas infection in rural localities in Felipe Guerra, State of Rio Grande do Norte. MEDEIROS, A.C.; BARRETO, M.A.F.; NUNES, R.F.F.; SOUZA, M.A.; ANDRADE, C.M.; PEREIRA, W.O. Artigo Aceito: JUNIOR, F.N.B.; NUNES, R.F.F.; SOUZA, M. A.; MEDEIROS, A.C.; MARINHO, M.J.M.; PEREIRA, W.O. Spatial distribuition of dengue disease in municipality of Mossoro/RN, using the Geographic Information System - GIS. Revista Brasileira de Epidemiologia (Impresso), v. 16, p. 603-610, 2013. Projetos de pesquisa: Estudo da soroprevalência da doença de Chagas no município de Felipe Guerra-RN (Edital 02/2012 - PIBIC/UERN/CNPq) Programa Assistencial de Doença de Chagas (Edital 02/2012 PROEXT/MEC/SESu) Participação em bancas de trabalhos de conclusão de curso: ANDRADE, C. M.; MEDEIROS, A. C.; BARRETO, MAF. Participação em banca de Paulo Diogo de Oliveira Ferreira. Risco de Morte e Acidente Vascular Encefálico em Chagásicos da Mesorregião Oeste Potiguar. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina) Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 82