Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas,
Agrárias e da Saúde
ISSN: 1415-6938
[email protected]
Universidade Anhanguera
Brasil
Zambrano Tanaka, Érika; Pereira dos Santos Melli, Patrícia; David Bonaldo, Claudia; Quintana,
Silvana Maria
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes
portadoras do HPV
Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, vol. 14, núm. 2, 2010, pp. 9-19
Universidade Anhanguera
Campo Grande, Brasil
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26019017001
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Ensaios e Ciência:
Ciências Biológicas,
Agrárias e da Saúde
Vol. 14, Nº. 2, Ano 2010
AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO DE ALGUNS
ASPECTOS DA INFECÇÃO PELO PAPILOMAVIRUS
(HPV) ENTRE GESTANTES PORTADORAS DO HPV
Érika Zambrano Tanaka
Faculdade Anhanguera de Bauru
RESUMO
[email protected]
A pesquisa teve objetivo avaliar o conhecimento de alguns aspectos da
infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) entre gestantes portadoras
HPV. Realizou-se estudo prospectivo aprovado Comitê de Ética
HCFMRP-USP, Setor de Moléstias Infecto-Contagiosas. Foram
avaliadas 54 gestantes com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas
pelo HPV. Os dados foram coletados através de questionário
abordando formas de conhecimento sobre infecção do HPV; associação
entre esta infecção e o câncer de colo do útero e transmissão sexual do
agente. Em relação ao conhecimento sobre a infecção causada pelo
HPV, 57,4% nunca haviam ouvido falar deste agente. Destas, 66,7%
conheciam a associação entre o HPV e o câncer de colo e 40,7%
conheciam transmissão via sexual. Apesar da elevada prevalência
infecção pelo HPV na população sexualmente ativa proporcionando
uma elevada incidência desta infecção no ciclo grávido puerperal, o
desconhecimento sobre sua principal forma de transmissão devem ser
ressaltados para que intervenções saúde pública sejam tomadas.
Patrícia Pereira dos Santos Melli
Universidade de São Paulo - FMRP/USP
[email protected]
Claudia David Bonaldo
Universidade de São Paulo - FMRP/USP
[email protected]
Silvana Maria Quintana
Universidade de São Paulo - FMRP/USP
[email protected]
Palavras-Chave: HPV; gestação; transmissão.
ABSTRACT
Anhanguera Educacional Ltda.
Correspondência/Contato
Alameda Maria Tereza, 2000
Valinhos, São Paulo
CEP 13.278-181
[email protected]
Coordenação
Instituto de Pesquisas Aplicadas e
Desenvolvimento Educacional - IPADE
The research had to assess the knowledge of pregnant women on the
infection Human Papillomavirus (HPV). There was a prospective study
approved by the Ethics Committee of the HCFMRP-USP, Department
of Infectious-Contagious Diseases. We evaluated 54 women with
clinical lesions and / or subclinical HPV induced. Data were collected
through a questionnaire addressing forms of knowledge of HPV
infection, this association between infection and cancer of the cervix
and sexual transmission of the agent. In relation to knowledge about
the infection caused by HPV, 57.4% had never heard of this agent. Of
these, 66.7% knew the association between HPV and cancer of the
cervix and 40.7% knew of the sexual transmission route. Despite the
high prevalence of HPV infection in sexually active population by
providing a high incidence of puerperal infection in the pregnant cycle,
ignorance about their main form of transmission must be stressed that
public health interventions are taken.
Keywords: HPV; pregnant; transmission.
10
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV
1.
INTRODUÇÃO
A infecção genital pelo HPV é considerada a doença sexualmente transmissível (DST)
mais freqüente em todo o mundo, representando importante problema de saúde pública
devido à sua alta prevalência e transmissibilidade (CARTER, 2000).
O Papilomavirus humano (HPV) é um vírus composto por dupla fita de DNA de
conformação circular, com comprimento de 7.900 kilobases que pertence à família
Papovaviridae, com aproximadamente 90 subtipos, dos quais 25 têm a capacidade de
infectar a região anogenital (ZUR; VILLIERS, 1994). Este vírus não apresenta envelope
estando o seu genoma envolto por um capsídeo de forma icosaédrica, com 72 capsômeros.
A infecção pelo HPV é mais frequentemente diagnosticada durante a gravidez,
em mulheres jovens, com início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade e com
múltiplos parceiros. O material genético do HPV é encontrado em 90% dos casos de
tumores do colo do útero (BRASIL, 2001).
Durante a gravidez os dados sobre a prevalência da infecção pelo HPV são muito
variáveis, inviabilizando comparações referentes a essa infecção em gestantes. Algumas
modificações e adaptações no organismo materno que ocorrem durante a gravidez podem
facilitar o aparecimento e a exacerbação das manifestações da infecção pelo HPV. Do
ponto de vista obstétrico ressalta-se a possibilidade de transmissão vertical (TV) do HPV,
que pode ocorrer por via hematogênica transplacentária, por via ascendente ou na
passagem pelo canal do parto, podendo causar a complicação mais temida no binômio
HPV/gestação, a papilomatose de laringe. O percentual mínimo de crianças expostas ao
HPV e que se contaminaram em relação ao número elevado de crianças expostas e que
não se contaminaram, deve ser considerado para qualificar a TV do HPV como de baixa
efetividade na disseminação desse vírus (MURTA et al., 1999).
Os HPV são classificados, de acordo com seu potencial de induzir alterações
fenotípicas nas células, em grupos de baixo e alto risco oncogênicos. Ambos os tipos
podem levar a um crescimento celular anormal, mas apenas aqueles classificados como
sendo de alto risco levam ao surgimento de carcinomas (CARTER, 2000). Entre os de
baixo risco, os tipos seis, 11, 42, 43 e 44 têm sido freqüentemente demonstrados em lesões
verrugosas genitais, lesões de baixo grau do colo uterino (neoplasia intra-epitelial grau I NIC I) e papiloma de laringe em crianças. Os subtipos 16, 18, 26, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52,
53, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e 82 são considerados de alto risco oncogênicos sendo comprovada
a presença de DNA do HPV em 99,7% dos cânceres cervicais (PURANEN et al., 1997).
Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana
11
Estudos epidemiológicos sobre o perfil do câncer do colo uterino têm
relacionado o seu desenvolvimento sobre o comportamento sexual das mulheres e a
transmissão de agentes infecciosos. Segundo a Organização Mundial da saúde, o principal
fator de risco para a doença é a infecção pelo vírus do Papiloma Humano-HPV. Todas as
mulheres que já iniciaram a atividade sexual são potencialmente suscetíveis ao
desenvolvimento da doença. Porém, as más condições de higiene, alimentação, o
tabagismo, o início precoce da atividade sexual, a multiparidade de parceiros e o uso de
contraceptivos orais, também favorecem o aparecimento desse tipo de câncer. No entanto,
devido à sobreposição desse conjunto de fatores a população mais exposta ao risco
encontra-se entre as mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos com nível socioeconômico
menos elevado (PIATO, 2002).
Estima-se cerca de 75% da população sexualmente ativa entre em contato com
um ou mais tipos de HPV durante sua vida. No entanto, a grande maioria destas
infecções é eliminada pelo sistema imune e não desenvolve sintomas no hospedeiro.
Estudos revelam que aproximadamente 90% dos indivíduos infectados eliminam o vírus
espontaneamente em 24 meses (PURANEN et al., 1997).
Os objetivos deste estudo foram: avaliar o conhecimento de alguns aspectos
sobre a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) das gestantes com lesões clínicas
e/ou subclínicas induzidas pelo HPV e caracterizar sociodemograficamente a amostra.
2.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo longitudinal, prospectivo e descritivo, a pesquisa foi realizada
durante o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 em um Hospital do Interior do
estado de São Paulo, que atua no nível terciário onde as gestantes responderam um
questionário abordando dados pessoais, antecedentes ginecológicos e obstétricos, as
formas de conhecimento sobre a infecção induzida pelo HPV assim como a associação
entre esta infecção e o câncer de colo do útero e a transmissão sexual do agente. A amostra
estudada constituiu-se de 54 gestantes, com idade mínima de 17 anos, com lesões clínicas
e/ou subclínicas induzidas pelo HPV e que aceitaram participar da pesquisa, assinando o
termo de consentimento livre e esclarecido. As gestantes menores de idade precisaram
também da assinatura do responsável para participar da pesquisa.
O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição,
vivenciada essa etapa, foram entregues o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
12
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV
para as participantes, que após o conhecimento do objetivo do estudo e a concordância do
mesmo, assinaram o Termo para o início da coleta de dados.
Os dados foram coletados no ano de 2007 e 2008, segunda-feira à tarde, devido à
rotina de consultas do pré-natal, através de um instrumento de coleta de dados. Para a
análise dos dados foi utilizando à estatística descritiva que descreve, sintetiza dados,
médias e porcentagens.
3.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Participaram deste estudo 54 gestantes com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas
pelo HPV, com idade variando entre 17 a 40 anos, sendo que a média etária foi de 26,8
anos (Tabela 1).
Tabela 1 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do
estado de São Paulo no ano de 2008, segundo a faixa etária (anos).
Faixa etária
Nº
%
15 |– 20
10
18,52
20 |– 25
15
27,78
25 |– 30
13
24,07
30 |–35
07
12,97
35 |–| 40
09
16,67
Total
54
100
Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008.
Em relação à gestação, 17 (31,48%) eram primigestas, 13 (24,07%) eram
secundigestas, 9 tercigestas (16,67%) e 14 (27,78%) tinham mais de 4 gestações (Tabela 2).
Tabela 2 – Distribuição das gestantes do inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do
estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de gestações, partos e abortos.
Nº de gestações
Nº de Gestantes
%
01
17
31,48
02
13
24,07
03
09
16,67
>04
15
27,78
Total
54
100
Nº
%
0
06
11,11
01
19
35,19
02
15
27,78
Nº de partos
03
14,81
>04
06
11,11
Total
54
100
Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana
13
Tabela 2 – Distribuição das gestantes do inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do
estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de gestações, partos e abortos. (Continuação)
Nº de abortos
Nº
%
0
37
68,52
01
12
22,22
02
02
3,70
>04
03
5,56
Total
54
100
Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008.
A incidência do HPV é mais elevada, logo após os primeiros anos de atividade
sexual, entre jovens de 18 a 28 anos de idade, com declínio visível de sua prevalência com
a idade. Existe correlação entre idade do início da atividade sexual, número de parceiros e
maior prevalência do HPV (PURANEN et al., 1997).
De acordo com Murta et al. (2001), os sinais citológicos da infecção do HPV é
maior em gestantes com idade menor de 20 anos, até a 20º semana de gestação e
multíparas até 3 filhos. Change-Chaude (1996), encontrou que a infecção pelo HPV
independe da idade gestacional da mulher.
Em relação à cor da pele, 35 (%) se declararam brancas, 14 (%) pardas e 5 (%)
negras. De acordo com o estado civil, 07 (12,96%) eram solteiras, 17 (31,48%) eram casadas
e 30 (55,56%) eram amasiadas.
Em relação à escolaridade, encontramos 01 (1,85%) gestante analfabeta, 15
(27,78%) com o 1º grau completo, 24 (44,44%) com o 1º grau incompleto, 12 (22,22%) com o
2º grau completo e 02 (3,70%) com o 3º grau ou técnico (Tabela 3).
Tabela 3 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do
estado de São Paulo no ano de 2008, segundo a escolaridade.
Escolaridade
Nº
%
Analfabeto
01
1,85
1º Grau completo
15
27,78
1º Grau incompleto
24
44,44
2 º Grau completo
12
22.22
2º Grau incompleto
00
00
3º Grau/Técnico
02
3,71
Total
54
100
Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008.
Em relação à ocupação, 2 das gestantes entrevistadas (3,70%) eram estudante, 30
(55,55%) doméstica, 3 (5,55%) do lar e 19 (35,19%) outra profissão.
14
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV
Em relação ao número total de parceiros sexuais 40 (74,97%) gestantes relataram
que tiveram de 01 a 05 parceiros sexuais, 05 (9,26%) de 05 a 10 e 10 a 20, respectivamente e
4 (7,41%) não souberam relatar quantos parceiros sexuais tiveram (Tabela 4).
Tabela 4 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal de um Hospital do interior
do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de parceiros sexuais.
Parceiros Sexuais
Nº de Gestantes
%
01-05
40
74,97
05-10
05
9,26
10-20
05
9,26
Incontáveis
04
7,42
54
100
Total
Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008.
Quanto a prostituição, 3 (5,56 %) gestantes referiram que já se envolveram com
prostituição. Em relação ao uso de drogas 6 (11,11%) gestantes já utilizaram as seguintes
drogas: 2 utilizaram maconha, 3 cocaína e 1 o crack.
A principal forma de transmissão do HPV é pelo ato sexual, acreditando-se que
seja responsável por 98% das formas de propagação deste vírus. Porém, esta não é a única
forma de transmissão desse microrganismo destacando-se, por exemplo, a transmissão
dos pais para o filho, especialmente a transmissão materna. Este tipo de transmissão é
chamado de vertical (TV) e pode ocorrer durante a vida intra-uterina por via
transplacentária e no momento da passagem do feto no canal de parto pelo contato direto
com o trato genital infectado. No caso do HPV, é improvável sua transmissão através da
amamentação visto que esta infecção viral não proporciona viremia (FRANCO et al.,
1995).
Em relação ao tabagismo 19 (35,19%) gestantes são tabagistas, 8 (42,11%) fumam
de 10 a 20 cigarros por dia, 10 (52,63%) fumam menos que 10 cigarros e apenas 1 (5,26%)
mais que 20 cigarros por dia. Todas as gestantes relataram não ser alcoolistas.
O tabagismo também está associado a maior prevalência do HPV, uma vez que o
tabagismo reduz significativamente a quantidade e função das células de Langherans e
das células apresentadoras de antígeno, responsáveis pela ativação da imunidade celular
local contra o HPV. Fatores que levam à supressão ou abolição da imunidade celular,
como o uso de drogas citotóxicas em transplantados, imunodeficiências inatas ou
adquiridas como a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), aumentam a
capacidade do vírus de persistir no organismo. Durante a gestação, há maior replicação
viral, principalmente na segunda metade da gestação, ocorrendo risco de TV (MEDEIROS,
Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana
15
Em relação ao conhecimento sobre a infecção causada pelo HPV, 31 (57,4%)
nunca haviam ouvido falar deste agente e 23 (42,6%) já conheciam o HPV. Destas, 18
(66,7%) conheciam a associação entre o HPV e o câncer de colo uterino e apenas 22 (40,7%)
conheciam a transmissão por via sexual (Tabela 5).
Tabela 5 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal de um Hospital do interior do estado
de São Paulo no ano de 2008, segundo o conhecimento sobre o HPV, a relação do HPV com o câncer de
colo do útero e a transmissão por via sexual do HPV.
HPV
Conhecimento do HPV
HPV e relação com câncer do colo do útero
Transmissão por via sexual do HPV
Nº de Gestantes
%
Sim
23
42,60
Não
31
57,40
Total
54
100
Sim
18
78,26
Não
05
21,74
Total
23
100
Sim
22
95,65
Não
01
4,35
Total
23
100
Fonte: Hospital do estado de São Paulo, 2008.
Das 54 gestantes participantes, apenas 23 (42,60%) ouviram falar sobre o HPV e
destas a maioria 18 (78,26%) conheciam a relação entre o HPV e o câncer de colo de útero
e sua transmissão por via sexual 22 (95,65 %). Nota-se o pouco conhecimento deste vírus.
Existem aproximadamente 100 tipos diferentes de HPV, 1,2 dos quais
aproximadamente 35 tipos infectam a mucosa anogenital (FEDERAÇÃO BRASILEIRA
DAS SOCIEDADES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2002). Quinze tipos de HPV
são considerados oncogênicos, isto é, podem causar câncer (GIANNINI et al., 2006).
Os demais tipos são considerados de baixo risco, causando basicamente verrugas
genitais, lesões de caráter benigno e transitório. Os HPVs 16, 18, 31 e 45 são responsáveis
por mais de 80% dos casos de câncer do colo do útero. Outros tipos, como o HPV 6 e 11,
causam apenas verrugas genitais (FRANCO et al., 2005). De acordo com Harper, et al,
(2004), 99,7% dos casos de câncer do colo do útero estão associados aos tipos de HPV
oncogênicos.
O HPV é transmitido sexualmente. Porém, mesmo não ocorrendo penetração,
pode haver transmissão do vírus pelo simples contato pele a pele. Entre as mulheres
sexualmente ativas, 50 a 80% delas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV ao
longo da vida. Porém, apesar desse elevado percentual, muitas das infecções são
transitórias (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2005).
16
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV
Segundo Souza, Pinheiro e Barroso (2005) em seu estudo que teve como objetivos
investigar o nível de conhecimento das mulheres sobre o HPV, identificar crenças, mitos e
tabus das mulheres sobre o HPV e analisar a influência de crenças, mitos e tabus sobre o
HPV no comportamento da mulher encontrou que as participantes dispõem de diversas
fontes de informação sobre DST, mas que a principal fonte de informação é o posto de
saúde, seguido pelos jornais, revistas, televisão e indivíduos que compõem seu contexto
sócio-familiar. O conhecimento a respeito do HPV, segundo as participantes deste estudo
é adquirido durante o tratamento da doença, por intermédio dos profissionais de saúde,
algumas mulheres que iniciavam o tratamento expressaram idéias equivocadas sobre
como o HPV pode ser transmitido, como a crença de que é sempre o homem quem
transmite o vírus, e de que a não realização do exame de prevenção do câncer de colo
uterino pode tornar a mulher mais susceptível à infecção pelo HPV, mas acreditam
também que a contaminação pelo HPV acontece apenas através da relação sexual
desprovida do preservativo. A relação do HPV com o desenvolvimento do câncer de colo
uterino parece ser a maior preocupação das participantes.
Segundo Lopes et al. (2001) em seu estudo que buscou a necessidade de conhecer
a prevalência da infecção por HIV, sífilis e HPV entre as mulheres da Penitenciária
Feminina da Capital. Participaram 242 mulheres, a idade média foi de 32,4 anos, das que
relataram história prévia de DST, metade identificou-a como candidíase, 17,0% sífilis,
16,0% verruga genital e 11,7% gonorréia. A presença de DNA/HPV, sem distinção em
grupos de alto ou baixo potencial oncogênico, foi identificada em 19,1% das amostras
testadas.
Estudos realizados em grupos de mulheres HIV-positivas mostraram a alta
prevalência de infecções virais e fúngicas em seu trato genital, com destaque para a
infeção por HPV e Candida. A maioria dos estudos sobre a prevalência de lesões vulvovaginais associadas à infecção por HPV em mulheres HIV-positivas, sugere um aumento
da prevalência tanto das condilomatoses quanto das neoplasias intraepiteliais vulvar e
vaginal neste grupo (GONÇALVES, 1998).
As estratégias de prevenção ao câncer do colo do útero consistem no diagnóstico
precoce da doença. Esse diagnóstico é realizado por meio de técnicas de rastreamento
populacional em exames citopatológicos colposcópicos e histopatológicos (padrão ouro).
A associação entre esses métodos diagnósticos é uma das mais eficientes condutas
terapêuticas utilizadas no combate as lesões intra-epiteliais escamosas e câncer cervical
(SALVÁ et al., 1999; BRENA et al., 2001; VARGAS et al., 2002; BONDANTUAN et al.,
2002).
Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana
17
Várias lesões estão associadas ao HPV, desde anormalidades citológicas,
displasia até câncer invasor, o HPV é encontrado em 90% dos tumores de colo uterino. Os
carcinomas cervicais são neoplasias do colo do útero, a variedade mais freqüente é o
espinocelular
(77,1%),
depois
encontramos
o
adenocarcinoma
e
o
carcinoma
adenoescamoso (PIATO, 2006).
O diagnóstico do carcinoma de colo é mais freqüente na gestação, muito
importante a gestante realizar o pré-natal, fazendo todos os exames, principalmente o
exame preventivo do câncer de colo (papanicolaou) e o rastreamento com ácido acético e
lugol. O câncer de colo é a segunda causa de morte em mulheres de todo o mundo,
responsável pelo óbito de cerca de 230 mil mulheres por ano, estimativas para 2008 é de
que 18680 novos casos aconteçam, com um risco estimado de 19 casos para 100 mil
mulheres. É o mais incidente na região Norte; no Sul, Centro-oeste e Nordeste é o
segundo mais freqüente e na região Sudeste ocupa a quarta posição (18/100.00 casos). Sua
incidência é duas vezes maior em países menos desenvolvidos. Aproximadamente todos
os cânceres de colo do útero são causados por um dos 15 subtipos oncogênicos do HPV,
os mais comuns são o 16 e o 18 (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER-INCA, 2008).
O controle da doença ainda é dificultado por fatores culturais, sociais,
comportamentais, como o início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade, múltiplos
parceiros, tabagismo, anticoncepcional oral e falta de higiene (YASSOYMA; SALOMÃO;
VALENTINI, 2005). A incorporação da vacina para o HPV constituirá uma importante
ferramenta contra o câncer de colo do útero.
Estudos epidemiológicos têm mostrado que, apesar da infecção pelo
papilomavírus ser muito comum, de acordo com os últimos inquéritos de prevalência
realizados em alguns grupos da população brasileira, estima-se que cerca de 25% das
mulheres estejam infectadas pelo vírus, somente uma pequena fração das mulheres
infectadas com um tipo de papilomavírus oncogênico eventualmente desenvolverá câncer
do colo do útero, estima-se que esse número seja menor que 10%. O uso da camisinha
diminui a possibilidade de transmissão na relação sexual e por isso é recomendado o seu
uso em qualquer tipo de relação sexual, mesmo naquela entre casais estáveis (INSTITUTO
NACIONAL DO CÂNCER-INCA, 2008).
4.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A maioria das gestantes deste estudo era primigesta, com idade entre 15 e 25 anos, ou
seja, uma população jovem, com baixa escolaridade, ressalta-se que 74,97% apresentaram
18
Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV
apenas 1 a 5 parceiros sexuais, e das 23 participantes que conheciam o HPV apenas 1 não
conhecia a via de transmissão sexual do HPV.
A realização deste estudo nos permitiu saber o grau de conhecimento das
gestantes sobre o HPV, a relação do HPV com o câncer de colo do útero e a transmissão
por via sexual do HPV. Os resultados obtidos foram de encontro com os objetivos
propostos.
Apesar da elevada prevalência da infecção pelo HPV na população sexualmente
ativa proporcionando uma elevada incidência desta infecção durante o ciclo grávido
puerperal, o desconhecimento sobre a sua principal forma de transmissão e do seu
principal risco à saúde da mulher devem ser ressaltados para que intervenções em saúde
pública sejam tomadas.
AGRADECIMENTOS
CNPq: pelo apoio financeiro para a realização desta pesquisa. A mesma foi aprovada pelo
Edital Universal (MCT/CNPq).
REFERÊNCIAS
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Nacional do Controle do Câncer do Colo Uterino/ Ministério da Saúde, Secretaria Executiva.
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CHANGE-CHAUDE, J. Longitudinal study of the effects of pregnancy other factors on detection
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CARTER, J.J. et al. comparison of human papillomavirus types 16, 18 and 6 capsid antibody
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Érika Zambrano Tanaka
Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem
de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
(EERP/USP). Enfermeira Obstetra pela Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São
Paulo. Mestre em Enfermagem pela EERP/USP.
Doutora pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto
da USP, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia.
Coordenadora e docente do Curso de graduação em
Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Bauru.
Patrícia Pereira dos Santos Melli
Mestre em Ciências Biológicas - Modalidade Médica
pela Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e
Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) (2005). Médica
da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência
do HCFMRP.
Claudia David Bonaldo
Graduada em Enfermagem pela Faculdade Anhanguera
de Bauru. Enfermeira Responsável Técnica da Clínica
Geriátrica Vila Verde e Casa de Repouso Recanto da
Vovó.
Silvana Maria Quintana
Graduada em Medicina pela Universidade Federal de
Santa Maria e Realizou Residência em Ginecologia e
Obstetrícia nesta Universidade. Mestre e Doutora em
Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Docente
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