Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde ISSN: 1415-6938 [email protected] Universidade Anhanguera Brasil Zambrano Tanaka, Érika; Pereira dos Santos Melli, Patrícia; David Bonaldo, Claudia; Quintana, Silvana Maria Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde, vol. 14, núm. 2, 2010, pp. 9-19 Universidade Anhanguera Campo Grande, Brasil Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=26019017001 Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde Vol. 14, Nº. 2, Ano 2010 AVALIAÇÃO DO CONHECIMENTO DE ALGUNS ASPECTOS DA INFECÇÃO PELO PAPILOMAVIRUS (HPV) ENTRE GESTANTES PORTADORAS DO HPV Érika Zambrano Tanaka Faculdade Anhanguera de Bauru RESUMO [email protected] A pesquisa teve objetivo avaliar o conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) entre gestantes portadoras HPV. Realizou-se estudo prospectivo aprovado Comitê de Ética HCFMRP-USP, Setor de Moléstias Infecto-Contagiosas. Foram avaliadas 54 gestantes com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas pelo HPV. Os dados foram coletados através de questionário abordando formas de conhecimento sobre infecção do HPV; associação entre esta infecção e o câncer de colo do útero e transmissão sexual do agente. Em relação ao conhecimento sobre a infecção causada pelo HPV, 57,4% nunca haviam ouvido falar deste agente. Destas, 66,7% conheciam a associação entre o HPV e o câncer de colo e 40,7% conheciam transmissão via sexual. Apesar da elevada prevalência infecção pelo HPV na população sexualmente ativa proporcionando uma elevada incidência desta infecção no ciclo grávido puerperal, o desconhecimento sobre sua principal forma de transmissão devem ser ressaltados para que intervenções saúde pública sejam tomadas. Patrícia Pereira dos Santos Melli Universidade de São Paulo - FMRP/USP [email protected] Claudia David Bonaldo Universidade de São Paulo - FMRP/USP [email protected] Silvana Maria Quintana Universidade de São Paulo - FMRP/USP [email protected] Palavras-Chave: HPV; gestação; transmissão. ABSTRACT Anhanguera Educacional Ltda. Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 2000 Valinhos, São Paulo CEP 13.278-181 [email protected] Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE The research had to assess the knowledge of pregnant women on the infection Human Papillomavirus (HPV). There was a prospective study approved by the Ethics Committee of the HCFMRP-USP, Department of Infectious-Contagious Diseases. We evaluated 54 women with clinical lesions and / or subclinical HPV induced. Data were collected through a questionnaire addressing forms of knowledge of HPV infection, this association between infection and cancer of the cervix and sexual transmission of the agent. In relation to knowledge about the infection caused by HPV, 57.4% had never heard of this agent. Of these, 66.7% knew the association between HPV and cancer of the cervix and 40.7% knew of the sexual transmission route. Despite the high prevalence of HPV infection in sexually active population by providing a high incidence of puerperal infection in the pregnant cycle, ignorance about their main form of transmission must be stressed that public health interventions are taken. Keywords: HPV; pregnant; transmission. 10 Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV 1. INTRODUÇÃO A infecção genital pelo HPV é considerada a doença sexualmente transmissível (DST) mais freqüente em todo o mundo, representando importante problema de saúde pública devido à sua alta prevalência e transmissibilidade (CARTER, 2000). O Papilomavirus humano (HPV) é um vírus composto por dupla fita de DNA de conformação circular, com comprimento de 7.900 kilobases que pertence à família Papovaviridae, com aproximadamente 90 subtipos, dos quais 25 têm a capacidade de infectar a região anogenital (ZUR; VILLIERS, 1994). Este vírus não apresenta envelope estando o seu genoma envolto por um capsídeo de forma icosaédrica, com 72 capsômeros. A infecção pelo HPV é mais frequentemente diagnosticada durante a gravidez, em mulheres jovens, com início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade e com múltiplos parceiros. O material genético do HPV é encontrado em 90% dos casos de tumores do colo do útero (BRASIL, 2001). Durante a gravidez os dados sobre a prevalência da infecção pelo HPV são muito variáveis, inviabilizando comparações referentes a essa infecção em gestantes. Algumas modificações e adaptações no organismo materno que ocorrem durante a gravidez podem facilitar o aparecimento e a exacerbação das manifestações da infecção pelo HPV. Do ponto de vista obstétrico ressalta-se a possibilidade de transmissão vertical (TV) do HPV, que pode ocorrer por via hematogênica transplacentária, por via ascendente ou na passagem pelo canal do parto, podendo causar a complicação mais temida no binômio HPV/gestação, a papilomatose de laringe. O percentual mínimo de crianças expostas ao HPV e que se contaminaram em relação ao número elevado de crianças expostas e que não se contaminaram, deve ser considerado para qualificar a TV do HPV como de baixa efetividade na disseminação desse vírus (MURTA et al., 1999). Os HPV são classificados, de acordo com seu potencial de induzir alterações fenotípicas nas células, em grupos de baixo e alto risco oncogênicos. Ambos os tipos podem levar a um crescimento celular anormal, mas apenas aqueles classificados como sendo de alto risco levam ao surgimento de carcinomas (CARTER, 2000). Entre os de baixo risco, os tipos seis, 11, 42, 43 e 44 têm sido freqüentemente demonstrados em lesões verrugosas genitais, lesões de baixo grau do colo uterino (neoplasia intra-epitelial grau I NIC I) e papiloma de laringe em crianças. Os subtipos 16, 18, 26, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 53, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e 82 são considerados de alto risco oncogênicos sendo comprovada a presença de DNA do HPV em 99,7% dos cânceres cervicais (PURANEN et al., 1997). Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana 11 Estudos epidemiológicos sobre o perfil do câncer do colo uterino têm relacionado o seu desenvolvimento sobre o comportamento sexual das mulheres e a transmissão de agentes infecciosos. Segundo a Organização Mundial da saúde, o principal fator de risco para a doença é a infecção pelo vírus do Papiloma Humano-HPV. Todas as mulheres que já iniciaram a atividade sexual são potencialmente suscetíveis ao desenvolvimento da doença. Porém, as más condições de higiene, alimentação, o tabagismo, o início precoce da atividade sexual, a multiparidade de parceiros e o uso de contraceptivos orais, também favorecem o aparecimento desse tipo de câncer. No entanto, devido à sobreposição desse conjunto de fatores a população mais exposta ao risco encontra-se entre as mulheres na faixa etária de 25 a 59 anos com nível socioeconômico menos elevado (PIATO, 2002). Estima-se cerca de 75% da população sexualmente ativa entre em contato com um ou mais tipos de HPV durante sua vida. No entanto, a grande maioria destas infecções é eliminada pelo sistema imune e não desenvolve sintomas no hospedeiro. Estudos revelam que aproximadamente 90% dos indivíduos infectados eliminam o vírus espontaneamente em 24 meses (PURANEN et al., 1997). Os objetivos deste estudo foram: avaliar o conhecimento de alguns aspectos sobre a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) das gestantes com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas pelo HPV e caracterizar sociodemograficamente a amostra. 2. METODOLOGIA Trata-se de um estudo longitudinal, prospectivo e descritivo, a pesquisa foi realizada durante o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 em um Hospital do Interior do estado de São Paulo, que atua no nível terciário onde as gestantes responderam um questionário abordando dados pessoais, antecedentes ginecológicos e obstétricos, as formas de conhecimento sobre a infecção induzida pelo HPV assim como a associação entre esta infecção e o câncer de colo do útero e a transmissão sexual do agente. A amostra estudada constituiu-se de 54 gestantes, com idade mínima de 17 anos, com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas pelo HPV e que aceitaram participar da pesquisa, assinando o termo de consentimento livre e esclarecido. As gestantes menores de idade precisaram também da assinatura do responsável para participar da pesquisa. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, vivenciada essa etapa, foram entregues o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 12 Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV para as participantes, que após o conhecimento do objetivo do estudo e a concordância do mesmo, assinaram o Termo para o início da coleta de dados. Os dados foram coletados no ano de 2007 e 2008, segunda-feira à tarde, devido à rotina de consultas do pré-natal, através de um instrumento de coleta de dados. Para a análise dos dados foi utilizando à estatística descritiva que descreve, sintetiza dados, médias e porcentagens. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Participaram deste estudo 54 gestantes com lesões clínicas e/ou subclínicas induzidas pelo HPV, com idade variando entre 17 a 40 anos, sendo que a média etária foi de 26,8 anos (Tabela 1). Tabela 1 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo a faixa etária (anos). Faixa etária Nº % 15 |– 20 10 18,52 20 |– 25 15 27,78 25 |– 30 13 24,07 30 |–35 07 12,97 35 |–| 40 09 16,67 Total 54 100 Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008. Em relação à gestação, 17 (31,48%) eram primigestas, 13 (24,07%) eram secundigestas, 9 tercigestas (16,67%) e 14 (27,78%) tinham mais de 4 gestações (Tabela 2). Tabela 2 – Distribuição das gestantes do inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de gestações, partos e abortos. Nº de gestações Nº de Gestantes % 01 17 31,48 02 13 24,07 03 09 16,67 >04 15 27,78 Total 54 100 Nº % 0 06 11,11 01 19 35,19 02 15 27,78 Nº de partos 03 14,81 >04 06 11,11 Total 54 100 Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana 13 Tabela 2 – Distribuição das gestantes do inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de gestações, partos e abortos. (Continuação) Nº de abortos Nº % 0 37 68,52 01 12 22,22 02 02 3,70 >04 03 5,56 Total 54 100 Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008. A incidência do HPV é mais elevada, logo após os primeiros anos de atividade sexual, entre jovens de 18 a 28 anos de idade, com declínio visível de sua prevalência com a idade. Existe correlação entre idade do início da atividade sexual, número de parceiros e maior prevalência do HPV (PURANEN et al., 1997). De acordo com Murta et al. (2001), os sinais citológicos da infecção do HPV é maior em gestantes com idade menor de 20 anos, até a 20º semana de gestação e multíparas até 3 filhos. Change-Chaude (1996), encontrou que a infecção pelo HPV independe da idade gestacional da mulher. Em relação à cor da pele, 35 (%) se declararam brancas, 14 (%) pardas e 5 (%) negras. De acordo com o estado civil, 07 (12,96%) eram solteiras, 17 (31,48%) eram casadas e 30 (55,56%) eram amasiadas. Em relação à escolaridade, encontramos 01 (1,85%) gestante analfabeta, 15 (27,78%) com o 1º grau completo, 24 (44,44%) com o 1º grau incompleto, 12 (22,22%) com o 2º grau completo e 02 (3,70%) com o 3º grau ou técnico (Tabela 3). Tabela 3 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal em um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo a escolaridade. Escolaridade Nº % Analfabeto 01 1,85 1º Grau completo 15 27,78 1º Grau incompleto 24 44,44 2 º Grau completo 12 22.22 2º Grau incompleto 00 00 3º Grau/Técnico 02 3,71 Total 54 100 Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008. Em relação à ocupação, 2 das gestantes entrevistadas (3,70%) eram estudante, 30 (55,55%) doméstica, 3 (5,55%) do lar e 19 (35,19%) outra profissão. 14 Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV Em relação ao número total de parceiros sexuais 40 (74,97%) gestantes relataram que tiveram de 01 a 05 parceiros sexuais, 05 (9,26%) de 05 a 10 e 10 a 20, respectivamente e 4 (7,41%) não souberam relatar quantos parceiros sexuais tiveram (Tabela 4). Tabela 4 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal de um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o número de parceiros sexuais. Parceiros Sexuais Nº de Gestantes % 01-05 40 74,97 05-10 05 9,26 10-20 05 9,26 Incontáveis 04 7,42 54 100 Total Fonte: Hospital do interior do estado de São Paulo, 2008. Quanto a prostituição, 3 (5,56 %) gestantes referiram que já se envolveram com prostituição. Em relação ao uso de drogas 6 (11,11%) gestantes já utilizaram as seguintes drogas: 2 utilizaram maconha, 3 cocaína e 1 o crack. A principal forma de transmissão do HPV é pelo ato sexual, acreditando-se que seja responsável por 98% das formas de propagação deste vírus. Porém, esta não é a única forma de transmissão desse microrganismo destacando-se, por exemplo, a transmissão dos pais para o filho, especialmente a transmissão materna. Este tipo de transmissão é chamado de vertical (TV) e pode ocorrer durante a vida intra-uterina por via transplacentária e no momento da passagem do feto no canal de parto pelo contato direto com o trato genital infectado. No caso do HPV, é improvável sua transmissão através da amamentação visto que esta infecção viral não proporciona viremia (FRANCO et al., 1995). Em relação ao tabagismo 19 (35,19%) gestantes são tabagistas, 8 (42,11%) fumam de 10 a 20 cigarros por dia, 10 (52,63%) fumam menos que 10 cigarros e apenas 1 (5,26%) mais que 20 cigarros por dia. Todas as gestantes relataram não ser alcoolistas. O tabagismo também está associado a maior prevalência do HPV, uma vez que o tabagismo reduz significativamente a quantidade e função das células de Langherans e das células apresentadoras de antígeno, responsáveis pela ativação da imunidade celular local contra o HPV. Fatores que levam à supressão ou abolição da imunidade celular, como o uso de drogas citotóxicas em transplantados, imunodeficiências inatas ou adquiridas como a infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), aumentam a capacidade do vírus de persistir no organismo. Durante a gestação, há maior replicação viral, principalmente na segunda metade da gestação, ocorrendo risco de TV (MEDEIROS, Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana 15 Em relação ao conhecimento sobre a infecção causada pelo HPV, 31 (57,4%) nunca haviam ouvido falar deste agente e 23 (42,6%) já conheciam o HPV. Destas, 18 (66,7%) conheciam a associação entre o HPV e o câncer de colo uterino e apenas 22 (40,7%) conheciam a transmissão por via sexual (Tabela 5). Tabela 5 – Distribuição das gestantes inscritas no programa de pré-natal de um Hospital do interior do estado de São Paulo no ano de 2008, segundo o conhecimento sobre o HPV, a relação do HPV com o câncer de colo do útero e a transmissão por via sexual do HPV. HPV Conhecimento do HPV HPV e relação com câncer do colo do útero Transmissão por via sexual do HPV Nº de Gestantes % Sim 23 42,60 Não 31 57,40 Total 54 100 Sim 18 78,26 Não 05 21,74 Total 23 100 Sim 22 95,65 Não 01 4,35 Total 23 100 Fonte: Hospital do estado de São Paulo, 2008. Das 54 gestantes participantes, apenas 23 (42,60%) ouviram falar sobre o HPV e destas a maioria 18 (78,26%) conheciam a relação entre o HPV e o câncer de colo de útero e sua transmissão por via sexual 22 (95,65 %). Nota-se o pouco conhecimento deste vírus. Existem aproximadamente 100 tipos diferentes de HPV, 1,2 dos quais aproximadamente 35 tipos infectam a mucosa anogenital (FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS SOCIEDADES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2002). Quinze tipos de HPV são considerados oncogênicos, isto é, podem causar câncer (GIANNINI et al., 2006). Os demais tipos são considerados de baixo risco, causando basicamente verrugas genitais, lesões de caráter benigno e transitório. Os HPVs 16, 18, 31 e 45 são responsáveis por mais de 80% dos casos de câncer do colo do útero. Outros tipos, como o HPV 6 e 11, causam apenas verrugas genitais (FRANCO et al., 2005). De acordo com Harper, et al, (2004), 99,7% dos casos de câncer do colo do útero estão associados aos tipos de HPV oncogênicos. O HPV é transmitido sexualmente. Porém, mesmo não ocorrendo penetração, pode haver transmissão do vírus pelo simples contato pele a pele. Entre as mulheres sexualmente ativas, 50 a 80% delas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV ao longo da vida. Porém, apesar desse elevado percentual, muitas das infecções são transitórias (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, 2005). 16 Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV Segundo Souza, Pinheiro e Barroso (2005) em seu estudo que teve como objetivos investigar o nível de conhecimento das mulheres sobre o HPV, identificar crenças, mitos e tabus das mulheres sobre o HPV e analisar a influência de crenças, mitos e tabus sobre o HPV no comportamento da mulher encontrou que as participantes dispõem de diversas fontes de informação sobre DST, mas que a principal fonte de informação é o posto de saúde, seguido pelos jornais, revistas, televisão e indivíduos que compõem seu contexto sócio-familiar. O conhecimento a respeito do HPV, segundo as participantes deste estudo é adquirido durante o tratamento da doença, por intermédio dos profissionais de saúde, algumas mulheres que iniciavam o tratamento expressaram idéias equivocadas sobre como o HPV pode ser transmitido, como a crença de que é sempre o homem quem transmite o vírus, e de que a não realização do exame de prevenção do câncer de colo uterino pode tornar a mulher mais susceptível à infecção pelo HPV, mas acreditam também que a contaminação pelo HPV acontece apenas através da relação sexual desprovida do preservativo. A relação do HPV com o desenvolvimento do câncer de colo uterino parece ser a maior preocupação das participantes. Segundo Lopes et al. (2001) em seu estudo que buscou a necessidade de conhecer a prevalência da infecção por HIV, sífilis e HPV entre as mulheres da Penitenciária Feminina da Capital. Participaram 242 mulheres, a idade média foi de 32,4 anos, das que relataram história prévia de DST, metade identificou-a como candidíase, 17,0% sífilis, 16,0% verruga genital e 11,7% gonorréia. A presença de DNA/HPV, sem distinção em grupos de alto ou baixo potencial oncogênico, foi identificada em 19,1% das amostras testadas. Estudos realizados em grupos de mulheres HIV-positivas mostraram a alta prevalência de infecções virais e fúngicas em seu trato genital, com destaque para a infeção por HPV e Candida. A maioria dos estudos sobre a prevalência de lesões vulvovaginais associadas à infecção por HPV em mulheres HIV-positivas, sugere um aumento da prevalência tanto das condilomatoses quanto das neoplasias intraepiteliais vulvar e vaginal neste grupo (GONÇALVES, 1998). As estratégias de prevenção ao câncer do colo do útero consistem no diagnóstico precoce da doença. Esse diagnóstico é realizado por meio de técnicas de rastreamento populacional em exames citopatológicos colposcópicos e histopatológicos (padrão ouro). A associação entre esses métodos diagnósticos é uma das mais eficientes condutas terapêuticas utilizadas no combate as lesões intra-epiteliais escamosas e câncer cervical (SALVÁ et al., 1999; BRENA et al., 2001; VARGAS et al., 2002; BONDANTUAN et al., 2002). Érika Zambrano Tanaka, Patrícia Pereira dos Santos Melli, Claudia David Bonaldo, Silvana Maria Quintana 17 Várias lesões estão associadas ao HPV, desde anormalidades citológicas, displasia até câncer invasor, o HPV é encontrado em 90% dos tumores de colo uterino. Os carcinomas cervicais são neoplasias do colo do útero, a variedade mais freqüente é o espinocelular (77,1%), depois encontramos o adenocarcinoma e o carcinoma adenoescamoso (PIATO, 2006). O diagnóstico do carcinoma de colo é mais freqüente na gestação, muito importante a gestante realizar o pré-natal, fazendo todos os exames, principalmente o exame preventivo do câncer de colo (papanicolaou) e o rastreamento com ácido acético e lugol. O câncer de colo é a segunda causa de morte em mulheres de todo o mundo, responsável pelo óbito de cerca de 230 mil mulheres por ano, estimativas para 2008 é de que 18680 novos casos aconteçam, com um risco estimado de 19 casos para 100 mil mulheres. É o mais incidente na região Norte; no Sul, Centro-oeste e Nordeste é o segundo mais freqüente e na região Sudeste ocupa a quarta posição (18/100.00 casos). Sua incidência é duas vezes maior em países menos desenvolvidos. Aproximadamente todos os cânceres de colo do útero são causados por um dos 15 subtipos oncogênicos do HPV, os mais comuns são o 16 e o 18 (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER-INCA, 2008). O controle da doença ainda é dificultado por fatores culturais, sociais, comportamentais, como o início da atividade sexual antes dos 18 anos de idade, múltiplos parceiros, tabagismo, anticoncepcional oral e falta de higiene (YASSOYMA; SALOMÃO; VALENTINI, 2005). A incorporação da vacina para o HPV constituirá uma importante ferramenta contra o câncer de colo do útero. Estudos epidemiológicos têm mostrado que, apesar da infecção pelo papilomavírus ser muito comum, de acordo com os últimos inquéritos de prevalência realizados em alguns grupos da população brasileira, estima-se que cerca de 25% das mulheres estejam infectadas pelo vírus, somente uma pequena fração das mulheres infectadas com um tipo de papilomavírus oncogênico eventualmente desenvolverá câncer do colo do útero, estima-se que esse número seja menor que 10%. O uso da camisinha diminui a possibilidade de transmissão na relação sexual e por isso é recomendado o seu uso em qualquer tipo de relação sexual, mesmo naquela entre casais estáveis (INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER-INCA, 2008). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A maioria das gestantes deste estudo era primigesta, com idade entre 15 e 25 anos, ou seja, uma população jovem, com baixa escolaridade, ressalta-se que 74,97% apresentaram 18 Avaliação do conhecimento de alguns aspectos da infecção pelo papilomavirus (HPV) entre gestantes portadoras do HPV apenas 1 a 5 parceiros sexuais, e das 23 participantes que conheciam o HPV apenas 1 não conhecia a via de transmissão sexual do HPV. A realização deste estudo nos permitiu saber o grau de conhecimento das gestantes sobre o HPV, a relação do HPV com o câncer de colo do útero e a transmissão por via sexual do HPV. Os resultados obtidos foram de encontro com os objetivos propostos. Apesar da elevada prevalência da infecção pelo HPV na população sexualmente ativa proporcionando uma elevada incidência desta infecção durante o ciclo grávido puerperal, o desconhecimento sobre a sua principal forma de transmissão e do seu principal risco à saúde da mulher devem ser ressaltados para que intervenções em saúde pública sejam tomadas. AGRADECIMENTOS CNPq: pelo apoio financeiro para a realização desta pesquisa. A mesma foi aprovada pelo Edital Universal (MCT/CNPq). REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria executiva. Controle do câncer do colo uterino: Programa Nacional do Controle do Câncer do Colo Uterino/ Ministério da Saúde, Secretaria Executiva. Brasília, 2001. 32p.il. BRENNA, S.M.F.; HARDY, E.; ZEFERINO, L.C.; NAMURA, I. Conhecimento, atitude e prática do exame de Papanicolaou em mulheres com câncer de colo uterino. Cad. Saúde Pública, v.17, n.4, p. 909-914, 2001. CHANGE-CHAUDE, J. 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ZUR, H.; VILLIERS, E.M. Human papillomaviruses. Ann Rev. Microbiol, v.48, p.427-447, 1994. Érika Zambrano Tanaka Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP). Enfermeira Obstetra pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Mestre em Enfermagem pela EERP/USP. Doutora pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Departamento de Ginecologia e Obstetrícia. Coordenadora e docente do Curso de graduação em Enfermagem da Faculdade Anhanguera de Bauru. Patrícia Pereira dos Santos Melli Mestre em Ciências Biológicas - Modalidade Médica pela Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) (2005). Médica da Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do HCFMRP. Claudia David Bonaldo Graduada em Enfermagem pela Faculdade Anhanguera de Bauru. Enfermeira Responsável Técnica da Clínica Geriátrica Vila Verde e Casa de Repouso Recanto da Vovó. Silvana Maria Quintana Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria e Realizou Residência em Ginecologia e Obstetrícia nesta Universidade. Mestre e Doutora em Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Docente