Resumo Os efeitos benéficos da prática regular de atividade física nos níveis de pressão arterial (PA), e na consequente prevenção das doenças cardiovasculares (DCV) são sem dúvida uma importante questão para a manutenção de saúde ao longo da vida. Apesar das DCV manifestarem-se normalmente apenas na vida adulta, muitas vezes estas doenças têm o seu período de incubação durante a idade jovem. Neste contexto, deve-se dar atenção ao surgimento dos fatores de risco das DCV durante a idade jovem, de modo a evitar o surgimento destas doenças na idade adulta. O objetivo do presente estudo consistiu na análise da influência que os níveis de aptidão física e os níveis de composição corporal possuem nos níveis de PA de jovens entre os 12 e os 18 anos, inseridos no contexto escolar. A amostra foi constituída por 91 jovens caucasianos (12 - 18 anos) pertencentes a duas escolas do norte de Portugal. Posteriormente, a mesma foi agrupada em 3 grupos, onde no grupo I foram incluídos jovens dos 12 aos 13 anos, no grupo II foram incluídos jovens dos 14 aos 16 anos, e por fim, no grupo III, foram incluídos jovens dos 17 aos 18 anos. A todos os indivíduos da amostra foi avaliado o nível de aptidão física, os valores da PA em repouso, e as componentes da composição corporal. Depois da recolha dos dados, cada variável foi categorizada de acordo com a especificidade da mesma, de modo a qualificar a amostra. Os resultados permitiram identificar que as variáveis da aptidão física possuem uma reduzida influência nos níveis de PA, em contrapartida com as componentes da composição corporal, onde o índice de massa corporal (IMC) foi a variável que mais se relacionou com um aumento significativo nos níveis de PA, principalmente entre os 14 e os 18 anos de idade. Identificou-se ainda que uma reduzida prática de atividade física semanal está associada a níveis mais baixos de aptidão física, e níveis de pressão arterial sistólica (PAS) superiores ao desejável. Os resultados obtidos sugerem que indivíduos com baixos níveis de atividade física estão susceptíveis a sofrerem de pré-hipertensão e de hipertensão, com uma maior influência dos níveis de composição corporal, nomeadamente o IMC. Em suma, jovens em contexto escolar que possuam baixos níveis de atividade física, tendem a possuir níveis elevados de PA, aumentando desta forma o risco de sofrer no futuro de uma DCV. Palavras-chave: Pressão arterial, Atividade física, Aptidão física, Composição corporal, Hipertensão, Jovens, Escola. Abstract The beneficial effects of regular practice of physical activity on blood pressure levels, and in the consequent prevention of cardiovascular diseases are certainly an important issue for maintaining lifelong health. Despite the cardiovascular diseases normally begin to manifest itself only in adulthood, often these diseases have their incubation period during young age. This way, it´s important to be alert to the signs of risk factors of cardiovascular diseases during young age, to avoid the emergence of these diseases in adult age. The goal of this study was to analyze the influence that physical fitness levels and body composition levels have on levels of blood pressure in young people between 12 and 18 years, inserted in the school context. The sample study was made in 91 Caucasian young people (12-18 years) belonging to two schools in the North of Portugal. Later on, the same sample was divided in 3 groups, where in group I was included young people from 12 to 13 years, in group II young people from 14 to 16 years, and finally, in group III, were included young people from 17 to 18 years. All the sample in this study was evaluated in the levels of physical fitness, blood pressure and body composition. After collecting the data, each variable was categorized according to the specificity of it, so as to qualify the sample. The results indicated that the variables of physical fitness had a reduced influence on blood pressure levels, in contrast with the components of body composition, where the body mass index was the variable that most provides a significant increase in blood pressure levels, mainly between 14 and 18 years of age. Also was identified that a reduced physical activity life style is associated with lower levels of physical fitness, and with systolic blood pressure levels higher than desirable. The results obtained suggest that individuals with low levels of physical activity tend to suffer from pre-hypertension and hypertension, with a greater influence of body composition levels, in particular the body mass index. Finally, young people inserted in school context who have low levels of physical activity may have elevated levels of blood pressure, which increases the risk of suffering in the future of a cardiovascular diseases. Key-words: Blood Pressure, Physical Activity, Physical Fitness, Body Composition, Hypertension, Young People, School. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO A INFLUÊNCIA DA APTIDÃO FÍSICA E DA COMPOSIÇÃO CORPORAL, NA PRESSÃO ARTERIAL DE JOVENS EM IDADE ESCOLAR SANDRO MIGUEL VIEIRA DA SILVA Orientador: Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna Sousa Vila Real, 2011 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO 2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO A INFLUÊNCIA DA APTIDÃO FÍSICA E DA COMPOSIÇÃO CORPORAL, NA PRESSÃO ARTERIAL DE JOVENS EM IDADE ESCOLAR SANDRO MIGUEL VIEIRA DA SILVA Orientador: PROFESSOR DOUTOR NELSON JOAQUIM FORTUNA SOUSA VILA REAL, 2011 Dissertação apresentada à UTAD, no DEP – ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna de Sousa. Agradecimentos A elaboração deste estudo não seria possível sem a colaboração direta ou indireta de várias pessoas, que nos ajudaram a ter sucesso na sua realização. A eles é dedicado este capítulo, onde lhes queria expressar toda a minha gratidão, pois, de algum modo, me ajudaram a terminar uma etapa de árduo empenho, crescimento pessoal e desenvolvimento profissional. Desta forma, gostaríamos de manifestar um profundo agradecimento: Ao meu orientador, Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna Sousa, por ter arcado a orientação deste trabalho, pela competência e exigência transmitida, e pela disponibilidade e interesse manifestado ao longo de toda a realização deste trabalho. Às Professoras Doutoras Graça Pinto e Catarina Abrantes, pela cedência do material que nos ajudou na recolha dos dados. Ao André Pereira, pela disponibilidade e ajuda demonstrada no tratamento estatístico dos dados. Aos alunos da Escola Secundária de S. Pedro, em Vila Real, e da Escola Secundária de Arcozelo, em Ponte de Lima, pela sua participação e dedicação. À Professora Paula Ferreira, pela constante ajuda e cooperação nos pedidos burocráticos para a recolha dos dados. À minha família, especialmente aos meus pais, avós e irmão, por toda a paciência, compreensão e apoio demonstrado durante todo o meu percurso escolar e universitário. À Sara Pinto, pela companhia constante, e pela compreensão e apoio incondicional transmitido em qualquer ocasião. Aos colegas universitários, Elsa Cerqueira, Diogo Coutinho e Jorge Ferreira, pelo ilimitado apoio, pela troca de ideias, e acima de tudo pela amizade criada. Por fim, aos amigos de infância, André Sousa, André Vieira, Francisco Silva, Pedro Pinheiro e Tiago Oliveira, pela companhia inseparável, e por todos os momentos de divertimento e descontração passados. A todos, o meu sincero agradecimento. I Resumo Os efeitos benéficos da prática regular de atividade física nos níveis de pressão arterial (PA), e na consequente prevenção das doenças cardiovasculares (DCV) são sem dúvida uma importante questão para a manutenção de saúde ao longo da vida. Apesar das DCV manifestarem-se normalmente apenas na vida adulta, muitas vezes estas doenças têm o seu período de incubação durante a idade jovem. Neste contexto, deve-se dar atenção ao surgimento dos fatores de risco das DCV durante a idade jovem, de modo a evitar o surgimento destas doenças na idade adulta. O objetivo do presente estudo consistiu na análise da influência que os níveis de aptidão física e os níveis de composição corporal possuem nos níveis de PA de jovens entre os 12 e os 18 anos, inseridos no contexto escolar. A amostra foi constituída por 91 jovens caucasianos (12 - 18 anos) pertencentes a duas escolas do norte de Portugal. Posteriormente, a mesma foi agrupada em 3 grupos, onde no grupo I foram incluídos jovens dos 12 aos 13 anos, no grupo II foram incluídos jovens dos 14 aos 16 anos, e por fim, no grupo III, foram incluídos jovens dos 17 aos 18 anos. A todos os indivíduos da amostra foi avaliado o nível de aptidão física, os valores da PA em repouso, e as componentes da composição corporal. Depois da recolha dos dados, cada variável foi categorizada de acordo com a especificidade da mesma, de modo a qualificar a amostra. Os resultados permitiram identificar que as variáveis da aptidão física possuem uma reduzida influência nos níveis de PA, em contrapartida com as componentes da composição corporal, onde o índice de massa corporal (IMC) foi a variável que mais se relacionou com um aumento significativo nos níveis de PA, principalmente entre os 14 e os 18 anos de idade. Identificou-se ainda que uma reduzida prática de atividade física semanal está associada a níveis mais baixos de aptidão física, e níveis de pressão arterial sistólica (PAS) superiores ao desejável. Os resultados obtidos sugerem que indivíduos com baixos níveis de atividade física estão susceptíveis a sofrerem de pré-hipertensão e de hipertensão, com uma maior influência dos níveis de composição corporal, nomeadamente o IMC. Em suma, jovens em contexto escolar que possuam baixos níveis de atividade física, tendem a possuir níveis elevados de PA, aumentando desta forma o risco de sofrer no futuro de uma DCV. Palavras-chave: Pressão arterial, Atividade física, Aptidão física, Composição corporal, Hipertensão, Jovens, Escola. II Abstract The beneficial effects of regular practice of physical activity on blood pressure levels, and in the consequent prevention of cardiovascular diseases are certainly an important issue for maintaining lifelong health. Despite the cardiovascular diseases normally begin to manifest itself only in adulthood, often these diseases have their incubation period during young age. This way, it´s important to be alert to the signs of risk factors of cardiovascular diseases during young age, to avoid the emergence of these diseases in adult age. The goal of this study was to analyze the influence that physical fitness levels and body composition levels have on levels of blood pressure in young people between 12 and 18 years, inserted in the school context. The sample study was made in 91 Caucasian young people (12-18 years) belonging to two schools in the North of Portugal. Later on, the same sample was divided in 3 groups, where in group I was included young people from 12 to 13 years, in group II young people from 14 to 16 years, and finally, in group III, were included young people from 17 to 18 years. All the sample in this study was evaluated in the levels of physical fitness, blood pressure and body composition. After collecting the data, each variable was categorized according to the specificity of it, so as to qualify the sample. The results indicated that the variables of physical fitness had a reduced influence on blood pressure levels, in contrast with the components of body composition, where the body mass index was the variable that most provides a significant increase in blood pressure levels, mainly between 14 and 18 years of age. Also was identified that a reduced physical activity life style is associated with lower levels of physical fitness, and with systolic blood pressure levels higher than desirable. The results obtained suggest that individuals with low levels of physical activity tend to suffer from pre-hypertension and hypertension, with a greater influence of body composition levels, in particular the body mass index. Finally, young people inserted in school context who have low levels of physical activity may have elevated levels of blood pressure, which increases the risk of suffering in the future of a cardiovascular diseases. Key-words: Blood Pressure, Physical Activity, Physical Fitness, Body Composition, Hypertension, Young People, School. III Índice Geral Agradecimentos ....................................................................................................................... I Resumo .................................................................................................................................... II Abstract .................................................................................................................................. III Índice Geral ............................................................................................................................ IV Índice de Quadros ................................................................................................................... V Índice de Figuras.................................................................................................................... VI Lista de Abreviaturas ............................................................................................................ VII 1. Introdução ........................................................................................................................ 2 1.1 - Pressupostos e limitações ............................................................................................. 7 2. Revisão bibliográfica ...................................................................................................... 9 2.1 - Atividade física, Aptidão física e Exercício físico ........................................................... 9 2.2 - Avaliação da aptidão física .......................................................................................... 11 2.3 - Benefícios da atividade física e o seu contributo para a redução das DCV ................. 12 2.4 - Pressão arterial e a sua evolução até à Hipertensão ................................................... 16 3. Metodologia ................................................................................................................... 21 3.1 - Amostra....................................................................................................................... 21 3.2 - Desenho do estudo ..................................................................................................... 22 3.3 - Avaliação da Pressão Arterial ..................................................................................... 22 3.4 - Avaliação da Composição Corporal ............................................................................ 23 3.5 - Avaliação da Aptidão Física ........................................................................................ 25 3.6 - Análise estatística ....................................................................................................... 28 4. Resultados ..................................................................................................................... 30 5. Discussão dos resultados ............................................................................................ 43 6. Conclusões .................................................................................................................... 50 7. Referências Bibliográficas ............................................................................................ 53 IV Índice de Quadros Quadro 1: Componentes da aptidão Física (Caspersen et al., 1985). .................................... 10 Quadro 2: Benefícios para a saúde da prática de atividade física (U.S. Department of Health and Human Services, 2008). ................................................................................................... 13 Quadro 3: Fatores de risco das DCV (Pyörälä et al., 1994). ................................................... 15 Quadro 4: Classificação dos níveis de PA (U.S. Department of health and human services, 2003)....................................................................................................................................... 17 Quadro 5: Constituição da amostra. ....................................................................................... 21 Quadro 6: Valores de corte do IMC (Cole et al., 2000). .......................................................... 23 Quadro 7: Valores de corte para o PC (Taylor et al., 2000). ................................................... 24 Quadro 8: Valores ótimos para a %MG (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). 25 Quadro 9: Valores de corte para o Teste do VV (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007)....................................................................................................................................... 26 Quadro 10: Valores de corte da aptidão muscular (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007)....................................................................................................................................... 28 Quadro 11: Análise descritiva da amostra. ............................................................................. 30 Quadro 12: Teste do X2 para a PAS, com as variáveis da aptidão física e da composição corporal. .................................................................................................................................. 36 Quadro 13: Relação entre a PAS e o IMC no grupo II. ........................................................... 36 Quadro 14: Relação entre a PAS e o PC no grupo II.............................................................. 37 Quadro 15: Relação entre a PAS e a FLO no grupo III........................................................... 38 Quadro 16: Relação entre a PAS e o IMC no grupo III. .......................................................... 38 Quadro 17: Teste do X2 para a PAD, e as variáveis da aptidão física e composição corporal. 39 Quadro 18: RLM para PAS e PAD no grupo II........................................................................ 40 Quadro 19: RLM para PAS e PAD no grupo III....................................................................... 41 V Índice de Figuras Figura 1: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste do VV; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. ..................................................................................... 31 Figura 2: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste SA; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. ..................................................................................... 31 Figura 3: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste da FLO; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. ..................................................................................... 32 Figura 4: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste de ABD; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. ..................................................................................... 32 Figura 5: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste de EXB; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. ..................................................................................... 33 Figura 6: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos da PAS; e à direita, a relação entre PAS normal, pré-hipertensão e hipertensão em cada grupo. .................................................. 33 Figura 7: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos da PAD; e à direita, a relação entre PAD normal, pré-hipertensão e hipertensão em cada grupo. .................................................. 34 Figura 8: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos do IMC; e à direita, a relação entre IMC normal, sobrepeso e obesidade em cada grupo. ............................................................. 34 Figura 9: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos do PC; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. .............................................................................................. 35 Figura 10: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos na %MG; e à direita, a relação entre indivíduos magros, saudáveis e com excesso de gordura em cada grupo. ............................. 35 Figura 11: Relação entre a PAS e o IMC no grupo II. ............................................................. 37 Figura 12: Relação entre a PAS e o PC no grupo II. .............................................................. 37 Figura 13: Relação entre a PAS e a FLO no grupo III. ........................................................... 38 Figura 14: Relação entre a PAS e o IMC no grupo III. ............................................................ 39 VI Lista de Abreviaturas %MG - Percentagem de Massa Gorda ABD - Abdominais cm - Centímetros DCV - Doenças Cardiovasculares EXB - Extensões de Braços FLO - Flexibilidade de Ombros GML - Prega Geminal IMC - Índice de Massa Corporal kg/m2 - Quilogramas por metro quadrado mmHg - Milímetros de Mercúrio PA - Pressão Arterial PAD - Pressão Arterial Diastólica PAS - Pressão Arterial Sistólica PC - Perímetro de Cintura RLM - Regressão Linear Múltipla SA - Senta e Alcança T - Prega Tricipital VV - Vaivém WHO - World Health Organization X2 - Qui-Quadrado VII 1. Introdução 1. Introdução Nas últimas décadas, a industrialização alterou significativamente a atividade humana, devido à mecanização de atividades que substituíram variadas funções até então exercidas pelo Homem, proporcionando assim uma produção em série e em grande escala de variados instrumentos. Para a população, esta alteração permitiu melhorias a vários níveis, pois foram construídos e aperfeiçoados utensílios como os transportes públicos e privados, os eletrodomésticos, as máquinas agrícolas e industriais, o computador, diversos meios de comunicação, entre outros, que tiveram como efeito o aumento da esperança média de vida e a melhoria da qualidade de vida do ser humano (Padez, 2002). No entanto, apesar da evolução científica e tecnológica ocorrida possuir benefícios em inúmeros aspetos, deve-se também ter em consideração que esta evolução tem vindo a acarretar aspetos negativos para a civilização humana. A introdução das novas tecnologias reduziu bastante a quantidade de esforço requerido pelo Ser Humano (Padez, 2002). Segundo Mellerowicz & Franz (1981), à 100 anos atrás a energia despendida pelo homem no seu trabalho era de 90% da sua força muscular, e, hoje em dia, apenas atinge uns escassos 1%. Devido à evolução tecnológica que ocorre todos os dias de forma significativa, o acomodar do Homem à tecnologia está cada vez mais presente na mentalidade de toda uma população, acarretando assim problemas de saúde à mesma, devido aos cada vez mais reduzidos níveis de atividade física. A comprovar esta afirmação, a World Health Organization (WHO, 2002) afirma que 17% da população mundial adulta é inativa fisicamente. Num estudo realizado pela Comissão Europeia, onde foi questionado se realizavam exercício físico pelo menos duas vezes por semana, os resultados mostraram que menos de metade dos entrevistados responderam afirmativo, embora os resultados variassem entre 18,8% na Grécia, e 77,8% no Luxemburgo (Comissão Europeia, 2002). O mesmo estudo comprova que, com o avanço da idade a atividade física diminui, pois entre os 15 e os 24 anos a percentagem varia entre 45 e os 88%, e aos 55 anos a percentagem varia entre os 8 e os 85%. De acordo com Varo et al., (2003), na Europa, uma menor prevalência de sedentarismo foi encontrada nos países do Norte, especialmente nos países escandinavos, em comparação com os países mediterrânicos, sendo a prevalência maior entre os fumadores, obesos, viúvos, indivíduos divorciados e indivíduos com baixa escolaridade. No contexto Português, a WHO (2008) verificou que 51% dos portugueses com mais de 15 anos possuíam uma insuficiente atividade física. Relativamente aos adolescentes, e comparando os dados de Portugal com os de outros países, a WHO (2004) refere que os jovens de 15 anos praticam em média uma hora ou mais de atividade Física em 2,95 dias por semana (2,7 raparigas e 3,4 rapazes), em contrapartida com os Estados Unidos da América que ocupa o lugar cimeiro (3,8 raparigas e 4,7 rapazes) e Malta que ocupa o último lugar (2,3 raparigas e 3,7 rapazes). Segundo um estudo realizado 2 por Matos et al., (2001), com uma amostra do 6º, 8º e 10º ano de escolaridade, 71,9% dos jovens praticam atividade física duas ou mais vezes por semana, além das aulas de educação física, sendo que os rapazes possuíam valores superiores em relação às raparigas. Num outro estudo, que teve como amostra alunos entre os 10 e os 19 anos de idade, Vasconcelos & Maia (2001) voltaram a comprovar que os rapazes possuem valores médios de atividade física superiores às raparigas em todos os escalões etários, com a exceção dos 10 anos de idade. O facto de hoje em dia os níveis de atividade física serem baixos, como o constatado nos estudos anteriores, advém de vários fatores que a sociedade conferiu à sua população. Durante a infância e a adolescência, as atividades de lazer e ocupação do tempo livre são cada vez mais sedentárias, e os fatores que mais tem contribuído para esta causa são a visualização exagerada de televisão, os jogos de consola, o computador e a reduzida socialização entre pares (Andersen et al., 1998; Guimarães, 2002; Lazzoli et al., 1998). Para toda a população, mas, especialmente para os mais jovens, nos dias de hoje a vida sem Internet, telemóvel e outros meios de comunicação parece ser impensável (Jäger & Samnøen, 2008). Na idade adulta, os computadores, os transportes públicos e privados, a introdução de máquinas industriais, entre outros, vieram reduzir a quantidade de energia despendida durante o trabalho, reduzindo também os níveis de atividade física (Padez, 2002, Mellerowicz & Franz, 1981). É unânime que a prática de atividade física é um comportamento de grande importância para a promoção de um estilo de vida saudável (Lopes et al., 2001). A atividade física e o incentivo à adoção de um estilo de vida saudável são importantes desde a infância (Gaspar, 2004; Matsudo et al., 2000), pois este é um período crucial para o crescimento e desenvolvimento saudável das mesmas (Heitzler et al., 2011), e também porque vários estudos defendem que hábitos de prática de atividade física incorporados durante a infância e adolescência, provavelmente serão transferidos para a vida adulta (Laakso & Viikari, 1997; Taylor, 1999). As aulas de Educação Física, nas Escolas, têm sido apontadas como uma ótima oportunidade para a promoção da atividade física nos jovens (Schneider & Cooper, 2011), tornando-se assim veículos para uma possível obtenção de níveis de aptidão física favoráveis, que provavelmente reduzem os problemas de saúde mais frequentemente relacionados com a inatividade física. Níveis satisfatórios de aptidão física relacionam-se favoravelmente com a manutenção/melhoria da capacidade funcional do organismo, atenuando o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV), proporcionando assim, uma melhor qualidade de vida para a população (Boreham & Riddoch, 2001; Morris, 1994; Morton et al., 1994). Em sentido contrário, Heyward (1991) refere que níveis baixos de aptidão física constituem riscos para a saúde. 3 À medida que as pessoas envelhecem, as capacidades físicas vão diminuindo, e surgem também alterações psicologias, como por exemplo, o sentimento de velhice, a depressão e o stress (Matsudo et al., 2000). Tudo isto, aliado ao facto de as pessoas se tornarem menos ativas com o avanço da idade cronológica, facilita a aparição de doenças crónicas, que, agravam o normal processo de envelhecimento (Matsudo et al., 2000). Perante tais factos, os hábitos de atividade física promovidos e desenvolvidos durante os primeiros estágios de vida, poderão persistir na vida adulta, reduzindo assim a incidência de doenças crónicas associadas a estilos de vida sedentários. Torna-se assim consensual que a promoção e incentivo à prática de atividade física durante a infância e a adolescência, é um aspeto fundamental. A atividade física é um aspeto basilar para o desenvolvimento saudável da criança e do adolescente (Chaves et al., 2007), e tem sido cada vez mais indicada para a melhoria da saúde (Bortoni & Bojikian, 2007). A ausência de prática de atividade física está claramente agregada ao sedentarismo, sendo este um importante fator de risco para diversos problemas de saúde, nos quais as DCV assumem particular relevo (Bij et al., 2002). Independentemente do sexo, o sedentarismo é sem dúvida um dos fatores de risco com maior prevalência nas DCV (Ministério da Saúde - Brasil, 2002; Correia et al., 2010). Neste sentido, é importante adotar um estilo de vida ativo e saudável para ajudar a controlar e a diminuir outros fatores de risco das DCV, como o tabagismo, a hipertensão arterial, a hipercolesterolémia (Ministério da Saúde - Portugal, 2002). Além dos fatores supracitados, destacam-se também o excesso de peso e a obesidade, e alguns hábitos relacionados com os estilos de vida, como a alimentação rica em calorias e gorduras saturadas, o colesterol, o sal, e o consumo de bebidas alcoólicas (Pandey et al., 2006). A todos estes fatores deve ser dada uma especial atenção, de modo a adotar medidas preventivas que potenciem a redução da probabilidade de desenvolver uma DCV ao longo da vida (Ministério da Saúde - Portugal, 2002). Depois de todos estes aspetos abordados, é consensual que o sedentarismo é um problema grave que atualmente afeta a população mundial, além de todos os problemas de saúde inerentes à mesma, os gastos que os países possuem no tratar as doenças que surgem devido à inatividade física são colossais. Exemplo disto, na Inglaterra, estima-se que a inatividade física custe cerca de 8,2 bilhões de libras por ano (9,37 bilhões de euros), onde este valor não inclui a contribuição da inatividade para a obesidade, em que o orçamento anual é cerca de 2,5 bilhões de libras (2,86 bilhões de euros) (Department of Health, Physical Activity, Health Improvement and Prevention, 2004). Perante tais fatores, é sugestivo afirmar que a prática de atividade física possui benefícios económicos, porque irá reduzir os custos dos tratamentos dessas mesmas doenças, além de acarretar benefícios físicos e psicológicos para o indivíduo (Direção Geral de Saúde, 2007). Fica patente a ideia que investir na prática de atividade física não será dinheiro desperdiçado, porque desta forma, reduzir-se-á o dinheiro gasto a tratar os problemas associados à inatividade física. 4 Visto isto, um estilo de vida que contemple a prática de atividade física regular, possivelmente irá contribui para um melhor funcionamento dos vários sistemas corporais, assim como reduzir o risco de contrair várias doenças degenerativas, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas (Bouchard et al., 1994). Perante estes factos, tentar detetar precocemente a presença de fatores de risco nas crianças e jovens deverá ser uma prioridade, para que seja possível planear e a implementar programas preventivos direcionados à redução da probabilidade de manifestação de DCV na idade adulta. O presente estudo irá centrar-se a este nível, pois tem como objetivo verificar se os jovens possuem já algum fator de risco, com especial atenção à hipertensão arterial. De todos os fatores de risco das DCV, procurou-se focalizar, sobretudo, a hipertensão arterial, pois indivíduos hipertensos têm um risco aumentado para sofrer de DCV no futuro, como a arteriosclerose, os acidentes vasculares cerebrais, o enfarte agudo do miocárdio, a doença renal, entre outras (U. S. Department of Health and Human Services, 2003; Salgado & Carvalhaes, 2003; Corrêa et al., 2005), sendo estas algumas das principais causas de morbilidade e/ou mortalidade prematura em Portugal e nos restantes países industrializados (Gaspar, 2010). Oliveira (2011), refere que a hipertensão é reconhecida como um dos principais fatores de risco das DCV. Aliado a isto, Guilbert (2003) estima que o número de pessoas com hipertensão no mundo é de cerca de 1 bilhão, e o número de mortes por ano devido à hipertensão é de 7,1 milhões de pessoas. Em Portugal, segundo um estudo realizado por Fiuza et al., (2008), a prevalência da hipertensão arterial, após ajustamento ao sexo e idade foi de 43,5% para homens, e de 43,25% para as mulheres. Os fatores que podem estar associados à elevação da pressão arterial (PA) são o sedentarismo, o stress, o tabagismo, o envelhecimento, o histórico familiar, a raça, o género, o peso e os fatores dietéticos (Molina et al., 2003). Embora a idade e os fatores genéticos possuam alguma importância na prevalência da hipertensão, existem fatores de risco que são influenciados por modificações nos estilos de vida (Rique et al., 2002), sendo a estes fatores de risco que o estudo dará mais relevância. Depois desta breve reflexão sobre a realidade atual dos níveis de atividade física e as suas consequências para a saúde, nomeadamente a sua influência no aparecimento de DCV, formulou-se o seguinte objetivo para o estudo: Estudar a influência que os níveis de aptidão física e de composição corporal possuem nos níveis de PA em jovens entre os 12 e os 18 anos de idade. Neste sentido, e com base no objetivo delineado, formularam-se as seguintes hipóteses para o estudo: H01 – Não existe uma associação significativa entre os níveis de aptidão muscular, e os valores de PA (pressão arterial sistólica [PAS] e pressão arterial diastólica [PAD]), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). 5 H02 – Não existe uma associação significativa entre os níveis de aptidão aeróbia, e os valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H03 – Não existe uma associação significativa entre os valores do índice de massa corporal (IMC), e os valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H04 – Não existe uma associação significativa entre os valores do perímetro de cintura (PC), e os valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H05 – Não existe uma associação significativa entre os valores da percentagem de massa gorda (%MG), e os valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H06 – Não existe uma relação significativa entre a variação dos níveis de aptidão muscular, e a variação dos valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H07 – Não existe uma relação significativa entre a variação dos níveis de aptidão aeróbia, e a variação dos valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 17-18 anos). H08 – Não existe uma relação significativa entre a variação dos valores do IMC, e a variação dos valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 1718 anos). H09 – Não existe uma relação significativa entre a variação dos valores do PC, e a variação dos valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 1718 anos). H10 – Não existe uma relação significativa entre a variação dos valores da %MG, e a variação dos valores de PA (PAS e PAD), em jovens com diferentes idades escolares (12-13; 14-16; 1718 anos). 6 1.1 - Pressupostos e limitações Uma das limitações para a recolha dos dados antropométricos foi a utilização de equipamentos portáteis e não invasivos, que não sendo instrumentos “Goldens”, permitiram uma avaliação da composição corporal relativamente rápida e eficaz. Os investigadores foram devidamente treinados para a recolha dos dados, em que o mesmo investigador recolheu os dados a todos os indivíduos numa escola, e outro investigador recolheu os dados na outra escola. Como existiu apenas um momento de avaliação, não foi possível determinar o Erro Técnico de Medição intra-avaliador, pois segundo Perini et al., (2005), para fazer o cálculo do Erro Técnico de Medição intra-avaliador, têm de ser considerados os resultados das medidas das dobras cutâneas feitas em 20 sujeitos, num primeiro e num segundo dia de avaliação. Em contrapartida, os instrumentos de medição foram devidamente calibrados sob a coordenação do laboratório de aptidão física, exercício e saúde da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. A avaliação da antropometria não foi possível ser efetuada em jejum, pois a avaliação dos jovens foi realizada nas respetivas escolas e condicionada pelos horários escolares. No entanto, foi respeitado um período de jejum mínimo de 3 horas. Relativamente aos testes de aptidão física, os mesmos foram efetuados de acordo com o protocolo de testes do FITNESSGRAM®, utilizando o material sugerido pelo respetivo manual1. Igualmente à recolha dos dados antropométricos, o investigador foi devidamente treinado. Os testes escolhidos no FITNESSGRAM® foram os recomendados no manual1, para salvaguardar a solicitação motora dos vários grupos musculares do corpo humano. Todos os sujeitos incluídos na amostra não praticavam atividade física mais do que 2 vezes por semana. No entanto, esta seleção foi efetuada apenas com uma pergunta verbal aos indivíduos, não tendo sido utilizado nenhum tipo de questionário para caracterizar os níveis de atividade física habitual dos jovens. 1 The Cooper Institute for Aerobics Research (2007). 7 2. Revisão Bibliográfica 2. Revisão bibliográfica 2.1 - Atividade física, Aptidão física e Exercício físico A relação existente entre atividade física e aptidão física está amplamente estudada, sendo que elevados níveis de atividade física estão associados a bons níveis de aptidão física (Haskell et al., 1985; Malina, 2001; Astrand, 1992). A atividade física, a aptidão física e a saúde relacionam-se entre si de uma forma positiva, pois, indivíduos fisicamente ativos apresentam melhores níveis de aptidão e saúde que os seus pares menos ativos (Malina, 2001; Shephard & Bouchard, 1994). Um bom nível de atividade e aptidão física está normalmente associado à saúde, mas uma melhoria no nível de aptidão física não é um sinónimo exato de uma superior resistência às doenças ou às suas consequências (Haskell et al., 1985). Segundo a WHO (1946), saúde é definida como um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou efemeridade. A saúde deve ser mantida e promovida desde a infância e adolescência, evitando comportamentos de risco, de modo a diminuir a probabilidade de morbilidade e/ou mortalidade precoce (Glaner, 2003). A atividade física tem sido cada vez mais indicada para a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida nas crianças e jovens (Bortoni & Bojikian, 2007). Segundo Caspersen et al., (1985), a atividade física é definida por qualquer movimento corporal produzido pela contração dos músculos esqueléticos, implicando um gasto energético acima dos níveis de repouso. A ausência de atividade física impede a manutenção de bons níveis de aptidão física (Maia, 1996), constituindo assim riscos para a saúde (Heyward, 1991), pois o sedentarismo é um importante fator de risco para diversos problemas de saúde, onde as DCV apresentam uma particular relevância (Bij et al., 2002). O Center for Disease Control and Prevention e o American College of Sports Medicine recomendam para todas as pessoas adultas, 30 minutos (podem ser acumulados) ou mais de atividade física de intensidade moderada na maioria dos dias da semana, de preferência todos (Pate et al., 1995). Recentemente, o American College of Sports Medicine e a American Heart Association, recomendam ainda, para a manutenção da saúde, que todos os adultos com idade entre os 18 e 65 anos devem praticar atividade física aeróbia de intensidade moderada, pelo menos 30 minutos em cinco dias da semana, ou atividade física aeróbia de intensidade vigorosa, pelo menos 20 minutos em 3 dias da semana (Haskell et al., 2007). De acordo com Simons-Morton et al., (1988), a atividade física apropriada para crianças é aquela que proporciona um movimento dinâmico dos grandes grupos musculares por períodos de 20 minutos ou mais, 3 ou mais vezes por semana, numa intensidade que estimule os batimentos cardíacos a 140 batimentos por minuto, ou mais. Segundo a WHO (2010), a atividade física ideal para crianças e jovens entre os 5 e os 17 anos de idade deve incluir 9 brincadeiras, jogos lúdicos e de recreação, exercícios planeados, entre outros, no contexto escola, família e atividades comunitárias, com o objetivo de melhorar a aptidão cardiorespiratória e muscular, a saúde óssea e reduzir os sintomas de ansiedade e depressão. Enquanto a atividade física engloba qualquer movimento corporal produzido voluntariamente pelos músculos esqueléticos que resultem num dispêndio de energia acima dos níveis de repouso, a aptidão física expressa a capacidade funcional do corpo humano para a realização de esforços físicos associados à prática de atividade física (Caspersen et al., 1985). Segundo Pate (1983), a aptidão física pode ser definida como o estado caracterizado pela capacidade de executar atividades diárias com vigor, e a demonstração de traços e capacidades associadas com o baixo risco de desenvolvimento prematuro de doenças hipocinéticas. De acordo com Böhme (2003), a aptidão física refere-se à capacidade do indivíduo apresentar um adequado desempenho físico nas atividades diárias, que lhe permita retardar o aparecimento do cansaço durante a realização das mesmas. O mesmo autor considera ainda que a aptidão física é um produto resultante da atividade física que deve ser desenvolvida e/ou conservada durante todas as fases da vida, de modo a proporcionar-lhe um desempenho físico adequado nas suas atividades diárias. De acordo com Guedes et al., (2002), as componentes da aptidão física dividem-se em dois principais grupos: a aptidão física relacionada com a saúde; e a aptidão física relacionada com o desempenho atlético. No quadro 1, são apresentadas as componentes da aptidão física agrupadas de acordo com a sua especificidade. Quadro 1: Componentes da aptidão Física (Caspersen et al., 1985). Resistência cardiorespiratória Resistência muscular Saúde Força muscular Composição corporal Flexibilidade Aptidão Física Agilidade Equilíbrio Desempenho atlético Coordenação Velocidade Força Tempo de reação 10 Relativamente ao campo da saúde, as componentes da aptidão física albergam os atributos biológicos que possam oferecer algum tipo de proteção ao aparecimento e desenvolvimento de problemas de saúde, devido ao comprometimento da condição funcional. Já as componentes relacionadas com o desempenho atlético, apenas incluem os atributos exclusivos à prática mais eficiente dos variados desportos. Ainda dentro da atividade física, existe o conceito de exercício físico, que diz respeito a um tipo específico de atividade física, que deverá envolver regularidade e planeamento, com frequência, duração e intensidade previamente definidas, sempre com o objetivo de melhorar uma ou mais componentes da aptidão física, e/ou melhorar a capacidade de desempenhar as tarefas diárias com sucesso (Caspersen et al., 1985). O exercício físico quando realizado regularmente, provoca importantes adaptações no sistema cardiovascular (Rondon & Brum, 2003). 2.2 - Avaliação da aptidão física A infância e a adolescência são dois períodos extremamente importantes, pois a eles estão associados períodos críticos de solicitação motora, onde o organismo está especialmente sensível à influência de fatores ambientais e comportamentais, que poderão influenciar o futuro do comportamento motor dos mesmos (Guedes & Guedes, 2005). Perante isto, é de extrema importância o acompanhamento dos índices de desempenho motor das crianças e jovens, além da importância comprovada de que o acompanhamento motor das crianças e jovens pode contribuir de forma decisiva para promover a prática de atividade física no presente e para toda a vida (Guedes & Guedes, 2005). De acordo com Coelho et al., (2003), as crianças e jovens devem conseguir autonomamente interpretar os seus níveis de aptidão física e atividade física, de modo a se envolverem ativamente na definição de objetivos individuais e planeamento de atividades, para que estes atos perdurem na vida adulta. Como parece ser do senso comum, é impossível obter uma visão global do desempenho motor de um individuo recorrendo apenas à administração de um único teste motor. Para contornar este problema, normalmente recorre-se à utilização de baterias de testes motores que reúnem diversos testes, em que cada um destes dá informações acerca de uma capacidade motora em particular, que no seu conjunto dará uma informação global do desempenho motor (Guedes & Guedes, 2005). Existe também a preocupação na aplicação dos testes, que o desgaste funcional de um teste influencie o menos possível os testes seguintes (Guedes & Guedes, 2005). Para bateria de testes, Guedes & Guedes (2005) sugerem que o número ideal que deve compor a mesma é de três a quatro testes, quando estes envolvem a componente de aptidão física relacionada à saúde. 11 De todas as baterias de testes referenciadas na literatura, e direcionadas à aptidão física relacionada à saúde, as que obtém mais aceitação são: a Physical Best, desenvolvida pela American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance; a National Children and Youth Fitness Study, idealizada pelo U. S. Department of Health and Human Services; e a FITNESSGRAM®, concebida pelo The Cooper Institute for Aerobics Research (Guedes & Guedes, 2005). Um protocolo de cooperação feito entre a Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa, e o The Cooper Institute for Aerobics Research, legitimou a bateria de testes FITNESSGRAM® para a população portuguesa, sendo esta uma das mais adequadas para mensurar os níveis de aptidão física dos jovens portugueses. 2.3 - Benefícios da atividade física e o seu contributo para a redução das DCV A prática de atividade física regular e o incentivo à adoção de um estilo de vida saudável são importantes desde a infância (Gaspar, 2004). Ao contrário do que parece ser uma abordagem típica, a atividade física necessária para proporcionar uma redução dos riscos de contrair DCV não tem que ser uma atividade física vigorosa. A atividade física pode e deve ser adequada às condições específicas do indivíduo (ao seu nível de aptidão física), sem nunca desprezar fatores importantíssimos como a idade e os seus antecedentes de saúde (Gaspar, 2004). Num estudo realizado por Debusk et al., (1990), onde compararam um grupo que realizava atividades moderadas durante trinta minutos diários, e outro grupo que praticava três sessões diárias de dez minutos da mesma atividade, com intervalos de pelo menos quatro horas, permitiu constatar que tanto o grupo da atividade contínua como o da atividade disjunta apresentou melhorias significativas no consumo máximo de oxigénio. A partir deste estudo, conclui-se que os benefícios da atividade física também podem ser adquiridos através de atividades acumuladas, recorrendo apenas a intensidades moderadas. Perante isto, é urgente nos dias de hoje transmitir a informação aos jovens, no sentido da possibilidade de alcançarem melhorias nos níveis de aptidão física sem a necessidade de praticar atividade física vigorosa ou moderada contínua, que muitas vezes é desagradável e desmotivadora para alguns jovens. Basta alterar hábitos diários como subir escadas em alternativa ao uso do elevador, ou andar curtas distâncias a pé em alternativa ao uso do automóvel (Gaspar, 2004). Para os indivíduos que se sintam bem e prefiram atividades mais formais e vigorosas, como nadar, andar de bicicleta, jogar futebol, entre outras, devem ser incentivados a praticá-las (Gaspar, 2004). Atualmente, é cada vez mais reconhecido pela população a importância da prática da atividade física regular, tendo em conta os seus benefícios para a saúde em geral. Nunca a saúde foi tão associada à atividade física como nos dias de hoje (Costa, 1997). Com o avançar da idade, existe uma tendência de declínio do gasto energético devido à diminuição da atividade física. 12 Este facto deve-se ao aumento dos compromissos profissionais, à disponibilidade da tecnologia e à progressiva redução dos espaços livres nos centros urbanos que reduzem as oportunidades de lazer, favorecendo assim atividades sedentárias, tais como ver televisão, jogar consola e a utilização dos computadores (Lazzoli et al., 1998). A prática de atividade física é então um aspeto importante a ter em conta para a aquisição e/ou manutenção de um estilo de vida saudável (Ribeiro, 2010). O corpo humano, em consequência da atividade física regular, passa por alterações morfológicas e funcionais, evitando ou adiando assim o surgimento de determinadas doenças, e melhorando também a capacidade para o esforço físico (Instituto do Desporto de Portugal, 2009). Segundo o Department of Health and Children (2000), a atividade física regular reduz os riscos de contrair alguns problemas de saúde em todas as faixas etárias, incluindo até pessoas com deficiência. Os benefícios da prática de atividade física regular são imensos, encontrando-se bem documentados na literatura, e podem ser revistos no quadro 2. Quadro 2: Benefícios para a saúde da prática de atividade física (U.S. Department of Health and Human Services, 2008). Benefícios para a saúde da prática de atividade física Crianças e jovens Adultos, idosos e pessoas com deficiência Forte evidência: Forte evidência: Melhoria da resistência cardio-respiratória Melhor aptidão cardiorrespiratória e muscular; e da aptidão muscular; Perda de peso – quando combinado com uma Manutenção de uma composição corporal dieta equilibrada; favorável; Menor risco de contrair: acidente vascular Melhoria da saúde óssea; cerebral, doença cardíaca coronária, hipertensão, Melhor saúde cardiovascular e perfil lipídico adverso, diabetes tipo 2, síndrome metabólica. metabólica, cancro do cólon e da mama; Prevenção de quedas; Evidência moderada: Redução dos níveis de depressão; Reduz os sintomas de ansiedade e Melhor função cognitiva em adultos mais velhos. depressão. Evidência moderada: Menor risco de fartura pélvica; Aumento da densidade óssea; Melhor qualidade do sono; Menor risco de cancro do pulmão. 13 Na idade adulta, um estilo de vida ativo está claramente associado a uma redução da incidência de várias doenças crônico-degenerativas (Lazzoli et al., 1998). Relativamente às crianças e jovens, um bom nível de atividade física contribui para melhorar o perfil lipídico e metabólico, e reduzir a prevalência de obesidade, que nos dias de hoje é sem dúvida uma doença que afeta abundantemente esta faixa etária (Lazzoli et al., 1998; Moreira, 2006; Papandreou et al., 2008). Além destes benefícios que a atividade física proporciona nas crianças e jovens, outro, não menos importante, é o facto comprovado de que a prática de atividade física regular na infância e na adolescência possui uma transferência para a vida adulta, reduzindo assim a prevalência do sedentarismo com o avançar da idade, contribuindo desta forma para uma melhor qualidade de vida futura (Lazzoli et al., 1998). Por esta razão, a escola deverá ser um local prioritário para a implementação da prática regular de atividade física, de modo a promover benefícios futuros na qualidade de vida de uma população (Ribeiro, 2010). Gordon-Larsen et al., (2000), num estudo realizado com adolescestes entre os 11 e os 21 anos de idade, verificaram uma associação positiva entre as aulas de Educação Física e os padrões de aptidão física dos jovens, particularmente quando realizadas com regularidade durante a semana. Os mesmos autores salientam ainda que provavelmente estas aulas de Educação Física representam a única oportunidade de alguns jovens poderem praticar atividade física estruturada. Em Portugal, a carga horária de atividade física que a escola oferece às crianças e jovens não é suficiente, de acordo com o recomendado pela literatura, logo os jovens portugueses que apenas praticam atividade física na escola (nas aulas de Educação Física), possivelmente não serão jovens ativos. Este é um problema que deveria ser revisto pelas altas instâncias do país, de modo a proporcionar aos jovens mais oportunidades para praticar exercício físico. As DCV, como o próprio nome indica, são doenças que afetam o sistema circulatório do corpo humano, nomeadamente o coração e os vasos sanguíneos. Este tipo de doenças tem vindo a aumentar drasticamente, constituindo-se nos dias de hoje como a principal causa de morte ou incapacidade em todo o mundo. A comprovar esta afirmação, a WHO (2002) afirma que as DCV são a principal causa de morte nos países desenvolvidos, sendo estas responsáveis por cerca de um terço das mortes anuais em todo o mundo e, provavelmente, estarão num futuro próximo também presentes nos países em vias de desenvolvimento (Ribeiro, 2010). Na Europa, as DCV representam mais de 4,35 milhões de mortes por ano (49% de todas as mortes), sendo que 55% das mortes ocorrem em mulheres e 43% nos homens (Petersen, 2005). Na população Portuguesa, 34,1% da mortalidade é devida às DCV (Direção Geral de Saúde, 2007). As DCV que mais se manifestam são o acidente vascular cerebral, o enfarte agudo do miocárdio e a embolia pulmonar (Gaspar, 2010), sendo estas as principais causas de morbilidade e mortalidade prematura no nosso país. As principais componentes das DCV são a aterosclerose e a trombose (Gaspar, 2010). 14 A evolução natural das DCV pode ser evitada ou alterada, quando se identifica e controla os fatores de risco das mesmas. O aumento da ocorrência das DCV no último século, alertou a comunidade científica para uma busca incessante pelos fatores de risco que provavelmente auxiliam no seu desenvolvimento (Chor et al., 1999). A etiologia das DCV é bastante complexa, mas muitas vezes tem origem na presença de fatores de risco inerentes ao próprio indivíduo, ou à própria comunidade onde se encontra inserido (Raínho, 2011). Segundo o mesmo autor, as DCV estão associadas a estilos de vida não saudáveis, mas que são modificáveis, logo, o controlo dos fatores de risco é fundamental para reduzir as consequências das DCV, que podem causar morbilidade precoce, ou até causar a morte prematura. De acordo com Py & Jacques (1998), os fatores de risco podem ser definidos como parâmetros ambientais, circunstanciais, constitucionais ou genéticos que quando identificados indicam uma maior suscetibilidade do indivíduo em desenvolver uma DCV. Pyörälä et al., (1994) apresentou uma classificação dos fatores de risco, que ainda hoje se mantém válida e útil na compreensão do risco cardiovascular. Os autores dividem os fatores de risco em dois principais grupos: os modificáveis, que são aqueles que numa perspetiva de prevenção, podem ser corrigidos/evitados; e os fatores de risco não modificáveis, que não são passíveis de intervenção (ver quadro 3). Quadro 3: Fatores de risco das DCV (Pyörälä et al., 1994). Fatores de risco das DCV Modificáveis Não modificáveis Tabagismo; Dislipidemias; Hipertensão; História pessoal e familiar de DCV; Diabetes mellitus; Idade; Obesidade; Sexo. Fatores dietéticos; Fatores trombogénicos; Sedentarismo; Consumo excessivo de álcool. Embora os fatores não modificáveis possam influenciar no desenvolvimento das DCV, os fatores de risco modificáveis possuem um grande peso num possível desenvolvimento das DCV, devendo estes fatores serem controlados através de modificações nos estilos de vida (Rique et al., 2002). Muitos autores defendem que as DCV têm o seu período de incubação durante a infância e adolescência, logo a prevenção deve ser iniciada nestas idades (Hollmann & Hettinger, 1983; Ross & Pate, 1987; Organización Mundial de la Salud, 1990). Assim, a 15 prevenção das DCV nos jovens deverá ser um alvo prioritário, pois a adolescência é uma fase particularmente importante, onde ocorrem mudanças físicas e psicossociais de uma forma acelerada, que facilitam o desenvolvimento de vários fatores de risco (Ramos, 2010). Além do mais, a adolescência é uma fase da vida onde podem ser adquiridos comportamentos desviantes, que poderão permanecer inalterados ao longo da vida (Ramos, 2010). A prevenção iniciada prematuramente deverá ser preferida comparativamente à prevenção em circunstâncias em que as alterações patológicas irreversíveis já se tenham estabelecido (Ribeiro, 2010). É do senso comum que a prevenção das DCV deve evitar comportamentos de risco, estando alerta perante o aparecimento dos fatores de risco que estão devidamente identificados na literatura. Relativamente à alimentação, Krauss et al., (2000) afirmam que o consumo de vegetais, frutas e grãos integrais ajudam na prevenção e controlo das DCV. Estes mesmos autores recomendam também para a prevenção das DCV, a manutenção de um peso saudável, assim como a prática de atividade física regular, e o consumo prudente de gorduras e alimentos altamente calóricos. A prática regular de atividade física é reconhecida como um fator importante para a aquisição de um estilo de vida saudável, e consequentemente, tem sido associada a um aumento da expectativa de vida, diminuindo também a possibilidade de aquisição de fatores de risco das DCV (Twisk et al, 2001). 2.4 - Pressão arterial e a sua evolução até à Hipertensão A pressão sanguínea refere-se à pressão exercida pelo sangue contra a superfície interna dos vasos sanguíneos, ou seja, é a força que move o sangue através do sistema circulatório (Rego & Mota, 1999). A PA indica a pressão existente no interior das artérias, isto é, é a força que o sangue transmite às paredes das artérias durante a sua passagem, após ser bombeado pelo coração (Lolio, 1990). A PA varia entre um valor máximo durante a sístole que corresponde à PAS, e um valor mínimo na diástole, que diz respeito à PAD (Lolio, 1990). A hipertensão arterial representa um dos mais significativos fatores de risco para as DCV, sendo este um agente etiológico de acidentes vasculares cerebrais, doenças vasculares periféricas, insuficiência cardíaca e insuficiência renal (Kaplan et al., 2003). Segundo Polónia et al., (1996), a hipertensão é caracterizada por valores altos de PA, devido normalmente à diminuição das propriedades elásticas das artérias e arteríolas, que aumentam as resistências vasculares periféricas devido à vasoconstrição excessiva, oferecendo assim maior resistência à passagem do sangue. O U.S. Department of Health and Human Services (2003), define a hipertensão arterial em adultos quando a PAS se encontra num nível igual ou superior a 140 milímetros de mercúrio (mmHg) e/ou quando a PAD for igual ou superior a 90 mmHg, na 16 ausência de medicação anti-hipertensiva. No quadro 4, é apresentada a classificação dos níveis de PA. Quadro 4: Classificação dos níveis de PA (U.S. Department of health and human services, 2003). Categoria PAS (mmHg) PAD (mmHg) Ótima <120 <80 Pré-hipertensão 120-139 80-89 Hipertensão - grau 1 140-159 90-99 Hipertensão - grau 2 ≥160 ≥100 Segundo Zanchetti et al., (2003), a hipertensão manifesta-se através de 3 formas: hipertensão sistólica isolada, hipertensão predominantemente diastólica, e hipertensão combinada, sistólica e diastólica. De acordo com Guilbert (2003), o número estimado de pessoas hipertensas em todo o mundo é de 1 bilhão, atribuindo-se à hipertensão 7,1 milhões de mortes por ano. A hipertensão é sem dúvida um dos fatores de maior risco das DCV (Oliveira, 2011), e a doença crónica que apresenta maior prevalência no mundo (Salgado & Carvalhaes, 2003). Nos Estados Unidos, segundo um estudo realizado por Burt et al., (1995), estima-se que 24% da população não institucionalizada seja hipertensa. Em Portugal, num estudo realizado por Fiuza et al., (2008), a prevalência da hipertensão arterial, após ajustamento ao sexo e idade foi de 43,5% para homens, e de 43,25% para as mulheres. Em crianças e jovens, a PA é consideravelmente mais baixa do que nos adultos, e durante as duas primeiras décadas de vida aumenta progressivamente perante um padrão de normalidade (Saavedra, 2005). Devido a esta circunstância, a definição de hipertensão não é tão homogénea como nos adultos, e baseia-se em estudos feitos com indivíduos de ambos os sexos, que permitiram elaborar tabelas onde estão combinados os percentis de altura e idade, com os valores de corte da PA (U.S. Department of health and human services, 2005). É atribuído o padrão de normalidade a quem estiver abaixo do percentil 90, pré-hipertensão aos que estão compreendidos entre os percentis 90-94, e hipertensão aos que apresentam valores acima do percentil 95 (U.S. Department of health and human services, 2005). A préhipertensão é entendida como um aumento ligeiro da PA, que por si só parece ter pouca importância, mas que em conjunto com outros fatores de risco provoca um aumento significativo do risco cardiovascular (Perdigão, 2010). A PA nos jovens está intimamente relacionada com crescimento somático, onde estão incluídas a altura, a maturação esquelética e a maturação sexual (Gerber & Stern, 1999; Lever & Harrap, 1992). Um único registo de PA alta não deve constituir um diagnóstico de hipertensão, ou seja, um paciente só deve ser 17 classificado como hipertenso quando obtiver registos contínuos em 3 ou mais consultas que revelem uma PAS e/ou PAD acima dos valores de corte acima referidos (Oliveira, 2000). A hipertensão arterial é uma doença crónico-degenerativa do sistema cardiovascular, e o seu controlo constitui um desafio para os profissionais de saúde devido por vezes à sua inexplicável causa (Cade, 2001). Segundo Luna & Castro (1999), existem dois tipos de hipertensão arterial: a hipertensão primária, que não apresenta uma causa precisa para a sua manifestação, e a hipertensão secundária que apresenta uma causa concreta para a sua exteriorização. A hipertensão primária é então de origem desconhecida, no entanto, fatores ambientais como uma dieta desequilibrada, o stress, o tabagismo e a inatividade física, conciliados com uma predisposição hereditária parecem ser as razões principais para esta efemeridade (Luna & Castro, 1999; Oliveira, 2000). Este tipo de hipertensão compreende 90 a 95% de todos os casos diagnosticados, podendo ser controlada através do uso de medicação anti-hipertensiva, juntamente com uma dieta equilibrada, estilos de vida saudáveis e a realização de atividade física regular. Estas alterações nos estilos de vida, normalmente permitem uma redução da PA e minimizam as complicações nos órgãos do aparelho circulatório (Cade, 2001; McArdle et al., 1996). A hipertensão secundária é menos frequente que a hipertensão primária, e é resultante de desordens estruturais e endócrinas, como a obesidade, o hipertireoidismo, doenças renais, e devido à toma de alguns tipos de medicamentos (Luna & Castro, 1999). Em comparação com os adultos, a hipertensão arterial tem uma prevalência relativamente baixa em crianças e jovens (Magalhães et al., 2002), pois esta normalmente surge entre os 30 e os 50 anos de idade, progredindo assintomática e lentamente sem lesões nos órgãos alvo durante 10 a 20 anos (McArdle et al., 1996). No entanto, a hipertensão primária no adulto pode ter a sua origem na infância, e, perante isto, devem ser adotadas estratégias preventivas nesta faixa etária, de modo a identificar e controlar os diversos fatores de risco cardiovascular associados à hipertensão arterial (Magalhães et al., 2002; Monego & Jardim, 2006). São variados os fatores de risco que podem desencadear o desenvolvimento da hipertensão arterial nos jovens. O peso e o IMC são reconhecidos como os maiores agentes para a elevação dos níveis de PA, principalmente a partir dos 6 anos de idade, onde a PAS isolada apresenta uma importante relevância (Sinaiko, 1996; Brandão et al., 1989; Brandão et al., 1996; Brandão et al., 2000). Brandão et al., (1996) comprovaram que a presença de sobrepeso está associada à manutenção de um percentil elevado de PA, e que o seu desaparecimento determinava uma redução da PA. Este é um aspeto bastante importante a ter em conta, devido aos elevadíssimos graus de sobrepeso e obesidade que se observam hoje em dia a nível mundial. A comprovar estar afirmação, a International Obesity Task Force (2010) afirma que na união Europeia, aproximadamente 60% dos adultos e mais de 20% das crianças em idade 18 escolar são obesas ou possuem sobrepeso. Em Portugal, a prevalência de sobrepeso situa-se entre os 13% e os 30%, e a obesidade varia entre o 4% e os 14% (Ramos, 2005; Rito, 2006). A ingestão de sal também tem sido um fator amplamente estudado, pois existem inúmeras evidências que demonstram uma íntima associação entre o consumo de sal e o aumento da PA em vários grupos populacionais (Bartosh & Aronson, 1999; Grobbee et al., 1990). No entanto, um estudo de Berenson et al., (1989), demonstrou que as crianças que ingeriam mais sal, também eram as crianças que ingeriam mais calorias, tomando-se assim difícil separar os efeitos de todos os nutrientes ingeridos sobre a PA. A atividade física também apresenta uma íntima relação com os níveis de PA, tanto em adultos como em crianças (Magalhães et al., 2002). De acordo com Lieberman (1994), crianças com baixos níveis de aptidão física apresentam maiores níveis de PA, tanto em repouso como durante o esforço físico. Por fim, fatores psicossociais como o stress podem influenciar de forma positiva a PA, pois foram encontrados níveis superiores de PA em populações urbanas quando comparadas às rurais (Magalhães et al., 2002). Depois de todos estes aspetos analisados, é facilmente percetível que se deve ter em atenção os fatores citados desde as idades mais jovens, de modo a reduzir a probabilidade de na idade adulta vir a sofrer de hipertensão, e consequentemente de DCV. A infância e a adolescência são, então, uma fase fulcral para a aquisição de estilos de vida saudáveis, entre os quais se destacam a prática do exercício físico, uma alimentação saudável e o não consumo de tabaco (Perdigão, 2010). Vários estudos têm mostrado que estilos de vida sedentários e níveis baixos de aptidão física estão associados de forma significativa com o desenvolvimento de hipertensão (Blair et al., 1984; Berlin & Colditz, 1990; Carnethon et al., 2005; Singh et al., 2006). Visto isto, a prática de exercício físico é sem dúvida uma efetiva opção não farmacológica para a redução do risco cardiovascular e da PA (Whelton et al., 2002). Um estudo realizado por Mora et al., (2007), que teve como amostra 27055 mulheres saudáveis, comprovou que o risco de contrair DCV diminuiu linearmente com os níveis mais altos de atividade física, sendo que os biomarcadores inflamatórios / hemostáticos e a PA foram os fatores de risco que mais contribuíram para esta descida. Estes autores estimaram que as alterações da PA associadas à atividade física contribuíram em 27,1% para a redução do risco de ocorrência de eventos cardiovasculares. Segundo Wallace (2003), a prescrição de exercício aconselhada para o tratamento da hipertensão deve focar, particularmente, a componente cardiovascular, entre 20-60 minutos, 3 a 5 dias por semana, com intensidade de 40 a 70% do volume máximo de oxigénio. Em suma, é imprescindível nos dias de hoje uma maior sensibilização para a deteção e controlo da hipertensão em grupos etários mais jovens. A monitorização da PA em idades precoces, assim como o controlo de outros fatores de risco, é essencial para predizer com fiabilidade a evolução para hipertensão na idade adulta. O objetivo final será sempre reduzir os riscos de contrair uma DCV. 19 3. Metodologia 3. Metodologia 3.1 - Amostra A amostra deste estudo foi constituída por 91 jovens caucasianos (12-18 anos), dos quais 49 pertencem ao sexo Masculino e 42 correspondem ao sexo Feminino. A amostra foi agrupada de acordo com o quadro 5. Quadro 5: Constituição da amostra. Masculino Amostra Grupo I Feminino TOTAL N Média Idade ± DP N Média Idade ± DP N Média Idade ± DP 23 12,78 ± 0,42 16 12,69 ± 0,48 39 12,74 ± 0,44 12 14,83 ± 0,72 13 15,00 ± 0,82 25 14,92 ± 0,76 14 17,71 ± 0,47 13 17,85 ± 0,38 27 17,78 ± 0,42 (12-13 anos) Grupo II (14-16 anos) Grupo III (17-18 anos) Todos os elementos da amostra não apresentavam desordens músculo e/ou esqueléticas que pudessem condicionar a sua participação nos testes de aptidão física ou que pudessem ser agravadas com a sua concretização. O recrutamento da amostra foi realizado em duas escolas do norte de Portugal. Para efeitos de seleção, nenhum elemento da amostra era praticante de desporto federado, nem praticava atividade física planeada e supervisionada mais de duas vezes por semana. Previamente, foi efetuado um pedido à direção das Escolas, solicitando a autorização para a recolha dos dados e utilização das respetivas instalações. Foi também obtido um consentimento informado e assinado dos encarregados de educação, através do envio de uma autorização, onde estava registado o objetivo do estudo e as avaliações de medida a realizar. Em todos os dados recolhidos foi mantida e respeitada a sua confidencialidade, onde apenas a equipa de investigação teve acesso aos mesmos. Uma vez que a recolha dos dados foi realizada em contexto escolar, a mesma foi efetuada numa hora livre, para que os intervenientes não faltassem às suas aulas. 21 3.2 - Desenho do estudo O modelo de pesquisa deste estudo é do tipo transversal, sendo que as avaliações efetuadas foram realizadas por dois técnicos especializados, um em cada escola. O recrutamento da amostra foi efetuado durante as aulas de educação física, com o consentimento dos professores de cada turma. Nesta fase, o investigador selecionou os indivíduos para efeitos de amostra, e marcou com eles uma hora livre para as avaliações, respeitando, pelo menos três horas de jejum. Esta recolha ocorreu ao longo do segundo período de aulas. No dia da recolha, efetuou-se uma breve explicação de como se iria proceder à recolha dos dados. Após o período introdutório, iniciou-se a recolha dos dados com a medição da PA a cada elemento da amostra. De seguida, procedeu-se à avaliação antropométrica, que incluiu a apreciação do peso, da estatura, do PC, e da %MG. Posteriormente, e após uma estimulação ativa do sistema músculo-esquelético (aquecimento) de cerca de 5 minutos, procedeu-se à aplicação dos testes de aptidão muscular (Abdominais [ABD], Extensões de Braços [EXB], Senta e Alcança [SA] e Flexibilidade de Ombros [FLO]). Por fim, procedeu-se à avaliação da aptidão aeróbia, através do teste do Vaivém (VV). 3.3 - Avaliação da Pressão Arterial A avaliação da PA foi efetuada com os indivíduos sentados corretamente numa cadeira, e após 5 minutos de repouso. Nesta medição utilizou-se um esfigmomanômetro portátil Omron®, modelo 705IT. A braçadeira foi colocada no braço direito, livre de roupas e sem garroteamento com roupas apertadas noutros locais do corpo. As medições da PA foram sempre realizadas pelo mesmo investigador, em cada escola, respeitando as normas e procedimentos da American Heart Association (Pickering et al., 2005) e da European Society of Hipertension (O'Brien et al., 2003). A cada indivíduo foram realizadas três aferições da PA, com intervalo mínimo de cinco minutos entre elas, estando o avaliado sempre em repouso. Após realização das três aferições, calculou-se a média aritmética das mesmas, e o valor encontrado foi analisado na tabela de valores de PA, de modo a encontrar o respetivo percentil de cada aluno. Os valores de corte da PA são definidos segundo o U.S. Department of Health and Human Services (2005), referidos anteriormente na revisão bibliográfica (pág. 17). 22 3.4 - Avaliação da Composição Corporal O peso foi mensurado em roupa interior e descalço, com uma balança digital portátil Toshiba®. A altura foi medida recorrendo a um estadiómetro portátil graduado em milímetros, sendo a medição realizada com o indivíduo em posição antropométrica e sem calçado. A leitura do resultado foi feita após uma inspiração profunda, com aproximação a 0,1 centímetros (cm), depois de a haste superior do estadiómetro estar colocada sobre o topo da cabeça (Heyward & Stolarzcky, 1996). Recorrendo a estas duas variáveis, foi determinado o IMC através da seguinte fórmula: IMC = Peso (quilogramas) / Altura 2 (metros) Os valores de corte propostos por Cole et al., (2000) para o IMC são os apresentados no quadro 6. Quadro 6: Valores de corte do IMC (Cole et al., 2000). Valores de Corte (cm) Idade (anos) Sobrepeso Obesidade Feminino Masculino Feminino Masculino 12 21,7 21,2 26,7 26,0 13 22,6 21,9 27,8 26,8 14 23,3 22,6 28,6 27,6 15 23,9 23,3 29,1 28,3 16 24,4 23,9 29,4 28,9 17 24,7 24,5 29,7 29,4 18 25 25 30 30 O PC foi apreciado com uma fita antropométrica em milímetros, tendo sido cumpridos os procedimentos definidos por Callaway et al., (1988). A medição foi efetuada na zona de menor perímetro entre a grelha costal e as cristas ilíacas, tendo sido efetuadas pelo menos duas medições, com uma tolerância de 1 cm entre elas. 23 Os valores de corte usados para o PC foram os propostos por Taylor et al., (2000), que são apresentados no quadro 7. Quadro 7: Valores de corte para o PC (Taylor et al., 2000). Idade (anos) Valores de Corte (cm) Feminino Masculino 12 73,8 74,7 13 75,6 76,9 14 77,0 79,0 15 78,3 81,1 16 79,1 83,1 17 79,8 84,9 18 80,1 86,7 A %MG foi obtida utilizando a equação desenvolvida e validada por Slaughter et al., (1988), sendo esta a equação utilizada na bateria de teste do FITNESSGRAM®. A equação é apresentada de seguida, e utiliza a prega tricipital (T) e a prega geminal (GML). %MG = 0.735 (T + GML) + 1.0 Esta equação tende a sobrestimar a densidade corporal com um erro total de 0.0112 g/cc, ou 5.4% de massa gorda nos rapazes (Francisco, 2009). A medição das pregas foi efetuada com um adipómetro Slimguide®. Para a T, os indivíduos mantiveram-se em posição antropométrica. Na GML, os indivíduos sentaram-se em cima de uma mesa, de modo a manterem as pernas pendentes. Foram efetuadas duas medições para cada prega (no mínimo), com aproximação a 1mm, e considerado um limite de tolerância de 1mm (Harrison et al., 1988). Para a medição das pregas adiposas, foram traçadas duas linhas perpendiculares, uma definindo o eixo maior da prega, e outra, a profundidade a que seria colocado o adipómetro. Recorrendo aos dedos polegar e indicador esquerdo, a prega foi elevada cerca de 1 cm proximal do ponto antropométrico, estando os mesmos distanciados entre si cerca de 8 cm (Harrison et al., 1988). Depois de elevada a prega, o adipómetro foi colocado sobre o ponto antropométrico, perpendicularmente ao eixo maior da prega a cerca de 1 cm de profundidade. (Harrison et al., 1988). O valor obtido foi depois anotado na ficha de registo. 24 As pregas mensuradas foram as seguintes: Geminal: A direção da prega é vertical, sendo o ponto de referência a zona de maior perímetro, na parte média e interna da perna direita. Tricipital: O ponto de referência é a meia distância entre o acrómio da omoplata e a apófise olecraneana do cúbito. A direção da prega é vertical, e foi medida na parte média e posterior do braço direito. Os valores ótimos recomendados para a %MG são os apresentados no quadro 8: Quadro 8: Valores ótimos para a %MG (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). Idade (anos) Valores Ótimos (%) Feminino Masculino 12 16,9 – 24,5 16,0 – 22,0 13 17,5 – 24,5 16,6 – 23,0 14 17,5 – 25,0 17,5 – 24,5 15 17,5 – 25,0 18,1 – 25,0 16 17,5 – 25,0 18,5 – 26,5 17 17,5 – 25,0 18,8 – 27,0 18 17,5 – 26,0 19,0 – 27,8 3.5 - Avaliação da Aptidão Física Na avaliação da aptidão aeróbia foi utilizado o Teste do VV, instrumento do FITNESSGRAM®. Neste teste, foram cumpridos com rigor todos os procedimentos descritos no respetivo manual (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). Previamente, o investigador explicou detalhadamente todos os procedimentos do teste aos intervenientes, passando depois à aplicação do teste a cada 8 indivíduos. O Teste do VV terminava quando o executante concretizava os 21 patamares de esforço, ou falhava dois sinais sonoros, não necessariamente consecutivos. Por fim, anotou-se na ficha de registo o nível que cada indivíduo atingiu, sendo este posteriormente convertido em número de percursos efetuados. 25 Os valores de corte recomendados para o Teste do VV são os apresentados no quadro 9: Quadro 9: Valores de corte para o Teste do VV (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). Idade (anos) Valores de corte (percursos) Raparigas Rapazes 12 23 32 13 23 41 14 23 41 15 23 51 16 32 61 17 41 61 18 41 61 Na bateria de teste do FITNESSGRAM®, os testes de força, resistência muscular e flexibilidade foram combinados numa única categoria de aptidão física, uma vez que a principal componente em avaliação é o estado funcional do sistema músculo-esquelético (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). Para cada item referido, foi aplicado um dos testes recomendados. Previamente, todos estes testes foram explicados e exemplificados aos elementos da amostra. A amostra executou 2 vezes cada teste antes de cada avaliação, com o intuito de verificar se os mesmos estavam a ser corretamente executados. Foi também efetuada uma breve estimulação ativa (aquecimento) de 5 minutos, onde se recorreu a uma corrida lenta e à mobilização geral de todas as articulações. Para a força e resistência muscular, o teste adotado foi o Teste de ABD. Neste teste, o executante realizou o maior número de ABD até ao máximo de 75 repetições, a uma cadência específica definida por uma música reproduzida num leitor de CD`s. Os elementos da amostra efetuaram esta prova em decúbito dorsal sobre um colchão, e uma faixa de medida com 75 cm x 11,5 cm. Com as pernas ligeiramente fletidas e afastadas, os pés sempre em contacto com o colchão e os braços ao longo do tronco, realizaram flexão anterior do tronco, de forma contínua e ritmada, deslizando os dedos desde a extremidade proximal até à extremidade distal da faixa medida. Por fim, registou-se o número de execuções efetuadas. O teste adotado para a avaliação da força e resistência muscular na região superior do corpo foi o Teste da EXB. Este teste consiste na execução do maior número possível de EXB, a uma cadência definida por uma música reproduzida num leitor de CD`s. Para um desempenho correto do teste, o executante assume inicialmente uma posição de decúbito ventral, colocando as mãos por debaixo dos ombros, dedos estendidos, membros inferiores em extensão, ligeiramente afastados e apoiando-se nas pontas dos pés. O executante elevava-se apenas com a força dos braços até os estender, mantendo sempre as costas e as pernas alinhadas, ou seja, o corpo formava sempre uma linha reta da cabeça até aos pés. Em 26 seguida, o executante fletia os membros superiores até os cotovelos formarem um ângulo de 90º, com os braços paralelos ao solo. Este movimento foi repetido tantas vezes quantas possíveis, até à segunda execução incorreta, momento este que coincidiu com o final do teste. No final registou-se o número total de extensões corretamente executadas. Para a avaliação da flexibilidade, foi aplicado um teste para avaliar a flexibilidade na região inferior do corpo (músculos posteriores da coxa), e outro para avaliar a flexibilidade da região superior do corpo (cintura escapular), estimando assim a flexibilidade em duas regiões distintas do corpo. Relativamente à avaliação da flexibilidade dos músculos posteriores da coxa, o teste utilizado foi o SA. Este teste consiste na tarefa de alcançar a distância especificada na zona saudável de flexibilidade para ambos os lados do corpo. Recorreu-se a uma caixa com cerca de 30 cm de altura, sobre a qual se colocou uma fita métrica, de modo a ficar a marca dos 22,5 cm na extremidade distal da caixa, e a extremidade “0” da fita ficar mais proximal do executante. Para a correta realização do teste, o executante deve estar descalço e sentado junto à caixa, com uma perna em completa extensão (a planta do pé está em contacto com a exterminada da caixa), e a outra perna fletida, (a planta do pé está assente no solo, a uma distância de aproximadamente 5 a 8 cm do joelho da perna que está em extensão). Os braços deverão estar estendidos para a frente e colocados sobre a fita métrica, com uma mão sobre a outra. Com as palmas da mão voltadas para baixo, o executante tem de fletir o corpo para a frente 4 vezes intervaladamente, mantendo as mãos sobre a fita métrica pelo menos 1 segundo, de modo a verificar a distância atingida. É permitido neste teste o movimento do joelho fletido para o lado devido ao movimento do tronco para a frente. Depois de medir um dos lados, o executante troca a perna fletida, e repete o mesmo processo. Por fim, apenas foi registado o melhor resultado obtido de ambos os lados. Para avaliar a flexibilidade da região superior do corpo, o teste adotado foi o Teste da FLO. Este é um teste bastante simples, onde o executante tem de tocar as pontas dos dedos de ambas as mãos por trás das costas. Para avaliar a flexibilidade do ombro direito, o executante deve alcançar o meio das costas com a mão direita, por cima do ombro direito. Simultaneamente, a mão esquerda deve ser colocada por trás das costas, tentando alcançar os dedos da mão direita. Para avaliar o ombro esqueço, o processo é o inverso. Na aferição dos resultados, foi medida a distância a que as mãos ficaram uma da outra no caso de não conseguir tocar. Para os indivíduos que conseguiram tocar, foi medida a distância de sobreposição das mãos. O valor de corte é o valor “0”, ou seja, foi atribuída uma distância negativa a quem não conseguiu tocar, e uma distância positiva a quem conseguiu tocar. Todos os executantes que obtiveram valores negativos são considerados inaptos neste teste. 27 Os valores de corte indicados para a aptidão muscular são os apresentados no quadro 10: Quadro 10: Valores de corte da aptidão muscular (The Cooper Institute for Aerobics Research, 2007). Valores de corte - Aptidão muscular Idade (anos) ABD (execuções) EXB (execuções) SA (cm) Raparigas Rapazes Raparigas Rapazes Raparigas Rapazes 12 18 18 7 10 25,5 20 13 18 21 7 12 25,5 20 14 18 24 7 14 25,5 20 15 18 24 7 16 30,5 20 16 18 24 7 18 30,5 20 17 18 24 7 18 30,5 20 18 18 24 7 18 30,5 20 3.6 - Análise estatística A análise estatística dos dados foi realizada informaticamente, utilizando o programa SPSS® 17.0, e o software de cálculo Microsoft Excel 2007 para a representação gráfica. Inicialmente efetuou-se um estudo exploratório da amostra, onde se testou a normalidade da amostra, e caracterizou-se as variáveis em relação aos valores médios e desvio padrão, para cada grupo. Para cada variável, foi também apresentado o gráfico de dispersão, e um gráfico com a percentagem de sujeitos aptos e inaptos. Depois de devidamente categorizadas, foi aplicado a cada grupo os testes estatísticos do QuiQuadrado de Pearson (X2), de modo a testar a independência ou associação existente entre os testes de aptidão física e composição corporal, com a PAS e PAD. De seguida, foi aplicada uma regressão linear múltipla (RLM) a cada grupo, de modo a analisar o efeito que cada teste de aptidão física e que cada variável da composição corporal possui na PAS e na PAD. Nesta análise foram consideradas como variáveis dependentes a PAS e a PAD. As variáveis independentes foram os testes de aptidão física (VV, FLO, SA, ABD e EXB), e as componentes da composição corporal (IMC, PC e %MG). Considerou-se um grau de significância de 5%, sendo este o valor de referência normalmente utilizado nas Ciências Socias para testar hipóteses. 28 4. Resultados 4. Resultados Neste capítulo, apresentam-se os resultados obtidos através da aplicação da metodologia anteriormente descrita. No quadro 11, é apresentado o registo dos valores médios e o desvio padrão, por grupo, de todas as variáveis em estudo. Quadro 11: Análise descritiva da amostra. Variáveis VV (Percursos) SA (cm) FLO (cm) ABD (repetições) EXB (repetições) PAS (mmHg) PAD (mmHg) IMC (Kg/m2) PC (cm) %MG (%) Grupo I (12-13 anos) Média ± DP Grupo II (14-16 anos) Média ± DP Grupo III (17-18 anos) Média ± DP 33,5 ± 14,8 36,4 ± 14,3 41,4 ± 17,5 21,3 ± 6,8 18,5 ± 5,6 21,5 ± 4,6 9,7 ± 4,6 6,9 ± 7,1 7,7 ± 5,7 34,3 ± 12,0 33,7 ± 18,8 27,0 ± 11,3 12,0 ± 9,7 9,9 ± 7,5 10,5 ± 6,9 123,5 ± 12,8 125,4 ± 8,0 129,7 ± 7,6 69,8 ± 11,6 72,5 ± 9,8 71,6 ± 8,4 20,4 ± 2,4 22,3 ± 3,4 23,0 ± 3,1 73,2 ± 8,9 77,7 ± 8,0 81,3 ± 10,0 18,1 ± 5,3 18,0 ± 6,2 18,6 ± 4,3 Relativamente aos valores médios dos testes de aptidão física apresentados no quadro 11, verifica-se, com a exceção dos testes do VV e do SA, um melhor desempenho dos indivíduos mais novos. Quanto aos valores médios de PA e da composição corporal, verifica-se que o grupo III possui os valores mais elevados, à exceção da PAD. 30 Para uma análise mais aprofundada de cada variável, em seguida são apresentadas figuras ilustrativas de cada variável estudada. É exposto nas figuras, a distribuição dos valores médios, o número e a percentagem de sujeitos inaptos e aptos por grupo. Aptidão Física A distribuição dos valores do teste VV, na figura 1, verifica-se entre 20 e 45 percursos para o grupo I, entre 25 e 45 percursos para o grupo II e entre 30 e 50 percursos para o grupo III. A percentagem de indivíduos inaptos é superior nos grupos II e III, sendo esta diferença mais expressiva no grupo III. Percursos Inaptos Aptos 81,5 59 56 41 16 23 44 22 14 11 N % N Grupo 1 % 5 N Grupo 2 18,5 % Grupo 3 Figura 1: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste do VV; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. Na figura 2, verifica-se uma distribuição dos valores do teste SA entre 15 e 27 cm no grupo I, entre 15 e 22 cm no grupo II, e entre 17 e 25 cm no grupo III. A percentagem de inaptos é superior em todos os grupos, sendo mais expressiva nos grupos II e III. cm Inaptos Aptos 80 74,1 51,3 48,8 20 19 N 20 20 25,9 20 7 5 % Grupo 1 N % Grupo 2 N % Grupo 3 Figura 2: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste SA; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. 31 Na figura 3, e relativamente à FLO, a percentagem de indivíduos inaptos é reduzida, ou seja, quase todos os indivíduos atingiram o patamar recomendado neste teste. cm Inaptos Aptos 100 85,2 84 39 21 0 4 0 N % N Grupo 1 23 16 4 % N Grupo 2 14,8 % Grupo 3 Figura 3: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste da FLO; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. Quanto à distribuição dos valores do teste de ABD observada na figura 4, registou-se valores entre 25 e 40 repetições no grupo I, entre 20 e 45 repetições no grupo II e entre 20 e 30 repetições no grupo III. A percentagem de aptos é claramente superior em todos os grupos. Repetições Inaptos Aptos 89,7 77,8 72 35 10,3 4 N % Grupo 1 7 18 N 28 21 22,2 6 % Grupo 2 N % Grupo 3 Figura 4: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste de ABD; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. 32 Na figura 5, registou-se uma distribuição de valores no teste de EXB entre 5 e 20 repetições no grupo I, entre 4 e 15 repetições no grupo II e entre 5 e 15 repetições no grupo III. Ainda no grupo I, aproximadamente 46% da amostra está apta, enquanto no grupo II e III a percentagem de aptos é mais reduzida, sendo 40% e 41% respetivamente. Repetições Inaptos 60 53,8 46,2 21 18 % 40,7 16 10 N Grupo 1 59,3 40 15 N Aptos % 11 N Grupo 2 % Grupo 3 Figura 5: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos no teste de EXB; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. Pressão Arterial Na figura 6, os valores da PAS estão entre 115 e 135 mmHg para o grupo I, entre 120 e 130 mmHg para o grupo II e entre 125 e 135 mmHg para grupo III. A percentagem de indivíduos hipertensos é elevada nos grupos I e II, igualando a percentagem de sujeitos com padrão de normalidade. No grupo III, a percentagem de indivíduos pré-hipertensos é a mais elevada do grupo. mmHg Normal Pré-hipertensão 41 41 16 16 7 18 N % 44,4 37 36 36 28 18,6 1012 9 7 9 Grupo 1 Hipertensão N % Grupo 2 N 5 % Grupo 3 Figura 6: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos da PAS; e à direita, a relação entre PAS normal, pré-hipertensão e hipertensão em cada grupo. 33 Contrariamente aos valores registados na PAS, verifica-se na figura 7 que a percentagem de indivíduos com padrão de normalidade na PAD é claramente superior em todos os grupos. No grupo I, apenas 3% apresentam pré-hipertensão e 15% apresentam hipertensão. No que concerne ao grupo II, 4% apresentam pré-hipertensão e 16% apresentam hipertensão. Já no grupo III, 15% apresentam pré-hipertensão, não havendo casos de hipertensão. mmHg Normal Pré-hipertensão 82 32 Hipertensão 85,2 80 16 15,4 20 2,6 14 4 N % % N Grupo 1 16 23 14,8 0 40 N Grupo 2 % Grupo 3 Figura 7: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos da PAD; e à direita, a relação entre PAD normal, pré-hipertensão e hipertensão em cada grupo. Composição Corporal Na figura 8, pode-se constatar que a distribuição dos valores de IMC, está entre 18 e 22 Kg/m2 no grupo I, entre 20 e 25 Kg/m2 no grupo II e entre 21 e 23 Kg/m2 para o grupo III. A percentagem de indivíduos normais é claramente superior em todos os grupos. Especificamente, no grupo I, 26% apresentam sobrepeso e nenhum apresenta obesidade. No grupo II, 28% apresentam sobrepeso e 4% apresentam obesidade. Já no grupo III, 19% apresentam sobrepeso e 4% apresentam obesidade. 2 Kg/m Normal Sobrepeso 74,4 29 10 N 0 % Grupo 1 77,8 68 25,6 0 Obesidade 17 28 71 N 21 4 % Grupo 2 51 N 18,5 3,7 % Grupo 3 Figura 8: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos do IMC; e à direita, a relação entre IMC normal, sobrepeso e obesidade em cada grupo. 34 Na figura 9, pode-se verificar que a distribuição dos valores do PC se situam entre 65 e 80 cm para o grupo I, entre 70 e 80 cm para o grupo II e entre 75 e 85 cm para o grupo III, apresentando uma tendência para aumentar com a idade. A percentagem de indivíduos aptos é sempre superior, no entanto, nos grupos I e III a diferença é mais reduzida. cm Inapto Apto 68 53,8 46,2 51,9 48,1 32 18 21 8 N % 17 13 14 N Grupo 1 % N Grupo 2 % Grupo 3 Figura 9: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos do PC; e à direita, a relação entre aptos e inaptos em cada grupo. Pode-se aferir na figura 10 que a distribuição dos valores da %MG encontra-se entre 13 e 22 % no grupo I, entre 12 e 20 % para o grupo II e entre 16 e 20 % no grupo III. A percentagem de indivíduos saudáveis é superior em todos os grupos. Relativamente à percentagem de excesso de gordura, esta é mais relevante nos grupos I e II, sendo respetivamente 12,8% e 16% dos casos. % Magreza Saudável 71,8 28 6 5 N 15,4 12,8 % Ex. Gordura 77,8 68 17 4 4 N Grupo 1 16 16 % Grupo 2 21 5 18,5 3,7 1 N % Grupo 3 Figura 10: À esquerda, a distribuição dos valores obtidos na %MG; e à direita, a relação entre indivíduos magros, saudáveis e com excesso de gordura em cada grupo. 35 No Quadro 12, apresentam-se os resultados do teste do X2 para a PAS, com as variáveis da aptidão física e da composição corporal. Quadro 12: Teste do X2 para a PAS, com as variáveis da aptidão física e da composição corporal. Grupo I Variável 2 Grupo II 2 X de pearson Grupo III Sig. 2 X de pearson Sig. X de pearson Sig. VV ,547 ,832 ,90 ,875 ,822 ,814 SA ,367 ,916 ,198 1,000 2,960 ,275 FLO ------ ------ 3,505 ,286 10,228 ,012* ABD ,490 1,000 ,277 1,000 2,604 ,279 EXB 2,426 ,326 1,455 ,596 1,319 ,461 IMC 1,490 ,555 14,026 ,001** 9,334 ,036* PC ,163 1,000 7,785 ,025* 3,101 ,286 %MG 5,441 ,258 3,852 ,508 3,317 ,640 * p<0,05; **p<0,01 Após a leitura do quadro 12, foram identificadas nos grupos II e III associações significativas. Relativamente ao grupo II, as variáveis que possuem uma associação significativa são o IMC e o PC, logo, o IMC e PC da amostra estão associados à PAS. No grupo III, as variáveis que possuem uma associação significativa são o IMC e a FLO, logo, o IMC e a FLO da amostra estão associados à PAS. Para as restantes variáveis, o valor de significância é superior ao valor de referência de 5%, pelo que não se rejeita a hipótese nula, ou seja, não existe uma relação entre os restantes testes de aptidão física, nem os restantes parâmetros da composição corporal, com a PAS. Os resultados estatisticamente significativos são ilustrados seguidamente em tabelas de contingência. No quadro 13, é apresentada a relação existente entre a PAS e o IMC no grupo II. Quadro 13: Relação entre a PAS e o IMC no grupo II. PAS Normal Pré-hipertensão Hipertensão Normal N % na categoria N % na categoria N % na categoria 9 52,9% 6 35,3% 2 11,8% IMC Sobrepeso 0 ,0% 1 14,3% 6 85,7% Obesidade 0 ,0% 0 ,0% 1 100,0% 36 Para melhor interpretação dos resultados apresentados no quadro 13, apresenta-se a figura 11 com a relação entre a PAS e o IMC no grupo II. Figura 11: Relação entre a PAS e o IMC no grupo II. No quadro 13 e na figura 11, a percentagem de sobrepeso e obesidade no grupo II é superior para os que apresentam hipertensão, surgindo ainda uma pequena percentagem com sobrepeso para os que apresentam pré-hipertensão, sendo as diferenças identificadas, estatisticamente significativas. No quadro 14, é apresentada a relação existente entre a PAS e o PC no grupo II. Quadro 14: Relação entre a PAS e o PC no grupo II. PC PAS Normal Pré-hipertensão Hipertensão N % na categoria N % na categoria N % na categoria Inaptos 1 12,5% 1 12,5% 6 75,0% Aptos 8 47,1% 6 35,3% 3 17,6% De modo a melhorar a interpretação dos resultados apresentados no quadro 14, apresenta-se a figura 12 com a relação entre a PAS e o PC no grupo II. Figura 12: Relação entre a PAS e o PC no grupo II. 37 No quadro 14 e na figura 12, a percentagem de sujeitos aptos no grupo II é superior para os que apresentam PAS normal e inferior para os que apresentam hipertensão, sendo as diferenças identificadas, estatisticamente significativas. No quadro 15, é apresentada a relação existente entre a PAS e a FLO no grupo III. Quadro 15: Relação entre a PAS e a FLO no grupo III. FLO PAS Inaptos Normal Pré-hipertensão Hipertensão N % na categoria N % na categoria N % na categoria Aptos 0 ,0% 1 25,0% 3 75,0% 10 43,5% 11 47,8% 2 8,7% Para melhor interpretação dos resultados apresentados no quadro 15, apresenta-se a figura 13 com a relação entre a PAS e a FLO no grupo III. Figura 13: Relação entre a PAS e a FLO no grupo III. No quadro 15 e na figura 13, a percentagem de indivíduos aptos no grupo III é superior para os que apresentam PAS normal e inferior para os que apresentam hipertensão, sendo as diferenças identificadas, estatisticamente significativas. No quadro 16, é apresentada a relação existente entre a PAS e IMC no grupo III. Quadro 16: Relação entre a PAS e o IMC no grupo III. PAS Normal Pré-hipertensão Hipertensão Normal N % na categoria N % na categoria N % na categoria 10 47,6% 9 42,9% 2 9,5% IMC Sobrepeso 0 ,0% 2 40,0% 3 60,0% Obesidade 0 ,0% 1 100,0% 0 ,0% 38 Para melhor interpretação dos resultados apresentados no quadro 16, apresenta-se a figura 14 com a relação entre a PAS e IMC no grupo III. Figura 14: Relação entre a PAS e o IMC no grupo III. No quadro 16 e na figura 14, identifica-se uma percentagem de sobrepeso no grupo III superior para os que apresentam hipertensão, surgindo ainda uma percentagem com sobrepeso e obesidade para os que apresentam pré-hipertensão, sendo as diferenças identificadas, estatisticamente significativas. No Quadro 17, apresentam-se os resultados do teste do X2 para a PAD, e as variáveis da aptidão física e composição corporal. Quadro 17: Teste do X2 para a PAD, e as variáveis da aptidão física e composição corporal. Grupo I Variável 2 X de pearson Grupo II Sig. 2 X de pearson Grupo III Sig. 2 X de pearson Sig. VV 1,802 ,489 1,664 ,613 1,067 ,561 SA ,975 1,000 ,313 1,000 1,643 ,318 FLO ------ ------ 4,167 ,259 ,817 ,596 ABD ,409 1,000 4,167 ,196 ,021 1,000 EXB 1,947 ,387 1,250 ,772 ,482 ,624 IMC ,702 ,748 8,193 ,098 ,285 1,000 PC 1,444 ,663 2,252 ,496 1,008 ,596 ,494 1,000 5,257 ,376 ,285 1,000 %MG Para a variável PAD, não existem associações significativas com nenhum dos testes de aptidão física e da composição corporal, logo, os resultados dos testes de aptidão física e da composição corporal são independentes da PAD. 39 De seguida são apresentadas as análises de RLM com o método Backward Stepwise, de modo a testar a quantidade de variância que cada variável explica na equação de regressão (Pestana & Gageiro, 2005). Pretende-se com esta análise verificar a relação existente entre a PAS e PAD, e os testes de aptidão física e as variáveis da composição corporal. Os seguintes resultados serão expostos por grupo, e apenas serão apresentados os resultados que indiquem a existência de variáveis significantes para o modelo. Grupo I Neste grupo, todas as variáveis do modelo foram excluídas, pois apresentavam um valor de significância superior a 5%, logo, as variáveis não são significativas para a explicação das variáveis dependentes (PAS e PAD). Perante esta análise, não existem variáveis dos testes de aptidão física, e da composição corporal, significativas para explicar a PAS e a PAD, assim como, também não foi possível calcular o valor do coeficiente de determinação. Grupo II No quadro 18, são apresentados os resultados significativos obtidos após a aplicação do modelo de RLM para o grupo II. Quadro 18: RLM para PAS e PAD no grupo II. Variáveis EXB IMC PC PAS bi -----1,265 ------ T -----3,049 -----2 r = 0,288 PAD Sig. -----,006** ------ bi -,428 3,368 -1,498 t -2,084 3,786 -3,832 Sig. ,050* ,001** ,001** 2 r = 0,549 * p<0,05; **p<0,01 Relativamente à PAS, o coeficiente de determinação indica que 28,8% da variação que ocorre na PAS é explicada pelas variáveis incluídas no modelo. Após a análise do quadro 18, verificase que a variação do IMC é significativa para a explicação da PAS, ou seja, a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio de aproximadamente de 1,3 mmHg na PAS, mantendo-se as restantes variáveis constantes. No que concerne à PAD, o coeficiente de determinação indica que 54,9% da variação que ocorre na PAD é explicada pelas variáveis incluídas no modelo. Após a análise do quadro 18, 40 verifica-se que o teste de EXB, o IMC e o PC são significantes para o modelo, contribuindo para a explicação da PAD. As variáveis incluídas no modelo indicam que: A variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio da PAD de aproximadamente 3,4 mmHg, mantendo-se as restantes variáveis constantes; A variação de uma unidade no Teste de EXB provoca uma diminuição média da PAD de aproximadamente 0,43 mmHg, mantendo-se as restantes variáveis constantes; A variação de uma unidade no PC provoca uma diminuição média da PAD de aproximadamente 1,5 mmHg, mantendo-se as restantes variáveis constantes. Grupo III No quadro 19, são apresentados os resultados significativos obtidos após a aplicação do modelo de RLM para o grupo III. Quadro 19: RLM para PAS e PAD no grupo III. Variáveis ABD IMC PAS bi ,253 1,493 t 2,096 3,380 r2=0,336 PAD Sig. * ,047 ** ,002 bi -----1,288 t -----2,379 Sig. -----* ,026 r2 = 0,216 *p<0,05; **p<0,01. No que diz respeito à PAS, o coeficiente de determinação indica que 33,6% da variação que ocorre na PAS é explicada pelas variáveis incluídas no modelo. Após a análise do quadro 19, verifica-se que a variação do teste de ABD e do IMC são significativos para o modelo, contribuindo para a explicação da PAS. Os resultados sugerem que a variação de uma unidade no teste de ABD, provoca um aumento médio de aproximadamente 0,3 mmHg na PAS, e que a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio de aproximadamente 1,5 mmHg na PAS, mantendo-se as restantes variáveis constantes. Quanto à PAD, o coeficiente de determinação indica que 21,6% da variação que ocorre na PAD é explicada pelas variáveis incluídas no modelo. Após a análise do quadro 19, verifica-se apenas o IMC é significante para o modelo, contribuindo para a explicação da PAD. Os resultados sugerem que a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio de aproximadamente 1,3 mmHg na PAD, mantendo-se as restantes variáveis constantes. 41 5. Discussão dos Resultados 5. Discussão dos resultados O propósito do presente estudo foi analisar o efeito de níveis de aptidão física em jovens, com prática de atividade física semanal inferior a duas vezes por semana, nos níveis de PA. Foi também avaliada a associação dos níveis de composição corporal com os níveis de PA da amostra. Neste estudo, procura-se identificar se os níveis baixos de atividade física da amostra, assim como um perfil antropométrico menos favorável, estão relacionados com níveis mais elevados de PA nos jovens. Com base nos resultados obtidos na análise descritiva da amostra, verificou-se de uma forma evidente, que uma reduzida prática de atividade física semanal propicia níveis baixos de aptidão física, uma vez que a percentagem de indivíduos inaptos nos testes do VV, do SA e da EXB foram claramente superiores em todos os grupos, sendo mais evidentes nos grupos II e III. Estes resultados vão de encontro à hipótese defendida por Maia (1996), onde este refere que a ausência de atividade física impede a manutenção de bons níveis de aptidão física. Pollock et al., (1995) referem que a prática regular de atividade física aumenta a capacidade funcional e melhora os níveis de aptidão física, através da melhoria no consumo de oxigénio, da resistência, da força muscular, da flexibilidade e de composição corporal favorável. Os resultados inferiores obtidos nos grupos II e III sugerem que os níveis de aptidão física diminuem com a idade. Estes resultados vão de encontro ao defendido na literatura disponível (Matsudo et al., 2000; Comissão Europeia, 2002). Relativamente à PA, identificou-se em todos os grupos a existência de uma percentagem elevada de indivíduos com níveis de PAS superiores ao desejável, uma vez que a percentagem de indivíduos com PAS normal nunca foi superior às restantes. Mais ainda, se agregar os indivíduos pré-hipertensos com os indivíduos hipertensos a percentagem é claramente superior relativamente aos indivíduos com PAS normal. Estes resultados vão de encontro ao defendido por Lieberman (1994), quando refere que baixos níveis de aptidão física apresentam maiores níveis de PA. No que concerne à PAD, a percentagem de indivíduos com padrão de normalidade é claramente superior em todos os grupos. Estes resultados podem ser explicados devido ao facto de a PAD possuir uma oscilação reduzida em relação à PAS. Outro fator que pode ter influência nos resultados do presente estudo, pode estar relacionado com os valores em Baseline da amostra para a PAD. De facto, os valores médios registados na avaliação da amostra, mostram uma percentagem muito reduzida de hipertensos nos grupos I e II (15,4% e 16%, respetivamente), e ausência de hipertensos no Grupo III, sugerindo valores normais e saudáveis para a PAD nesta amostra. Assim sendo, a associação destes resultados com outras variáveis categorizadas e associadas a outros fatores de risco, pode estar limitada. 43 Quanto à composição corporal, identificou-se um padrão de normalidade superior nas três variáveis estudadas, e em todos os grupos. Esperava-se nesta componente que o número de pessoas com padrão de normalidade fosse menor, devido à reduzida prática de atividade física semanal dos indivíduos. Estes resultados foram obtidos provavelmente devido à idade da amostra, pois durante a adolescência o crescimento ocorre a um ritmo acelerado, devido ao elevado metabolismo e crescimento anabólico (Jacobson et al., 1998; Ré, 2011). Os resultados podem ainda evidenciar que poderá existir um equilíbrio no balanço entre o conteúdo alimentar e o gasto de energia corporal, o que favorece a manutenção de níveis de composição corporal normais (Jacobson et al., 1998). Quando os níveis de atividade física são baixos e existe uma elevada ingestão alimentar em relação ao gasto energético corporal, o padrão associado à composição corporal costuma ser elevado. A literatura confirma que a falta de atividade física e os distúrbios alimentares são hoje em dia um dos principais fatores predisponentes para elevados níveis de composição corporal (Schutz, 1995; Ruiz & Ruiz, 1993). De forma a permitir uma melhor compreensão e uma discussão mais aprofundada dos resultados obtidos, apresenta-se de seguida a análise inferencial dos resultados, onde inicialmente discutir-se-á os resultados do teste do X2, e posteriormente os resultados obtidos após a aplicação do modelo de RLM. A análise inferencial será realizada com base na comparação dos testes de aptidão física e das componentes da composição corporal, com os níveis de PAS e PAD. No teste do X2, e relativamente à PAS, identificaram-se resultados estatisticamente significativos apenas no grupo II e III. A ausência de resultados estatisticamente significativos no grupo I pode dever-se ao facto de ser o grupo mais jovem da amostra, que está provavelmente menos sujeita à exposição de fatores de risco. Na literatura não foram encontradas justificações para explicar a ausência de resultados significativos nestas idades. Quanto ao grupo II, os resultados permitem constatar que existe uma associação significativa da PAS com o IMC e com o PC. No grupo III, voltou a expressar-se uma associação significativa da PAS com o IMC, em conjunto desta vez com uma das variáveis da aptidão física, a FLO. Perante estes resultados, é possível identificar que o IMC está claramente associado com a PAS, pois obtiveram-se resultados estatisticamente significativos nos grupos II e III, sendo bastante expressiva a associação no grupo II (p=0,01). Mais ainda, identifica-se claramente nas tabelas de contingência para os grupos II e III (págs. 36 e 38, respetivamente), que os indivíduos com padrão de sobrepeso e obesidade são pré-hipertensos ou hipertensos, não tendo sido encontrado nenhum sujeito com PAS normal que possui-se um padrão de sobrepeso ou obesidade. A literatura vai de encontro aos resultados obtidos, defendendo que os elevados níveis de IMC têm forte influência sobre os valores da PA (Guimarães et al., 2008; 44 Silva & Lopes, 2008; Sinaiko, 1996; Brandão et al., 1989; Brandão et al., 1996; Brandão et al., 2000). Relativamente ao PC no grupo II, registou-se resultados idênticos aos do IMC, onde a grande percentagem dos sujeitos inaptos são hipertensos, e os indivíduos aptos possuem na sua maioria uma PAS normal. Estes resultados vão de encontro ao defendido por vários autores, onde sustentam que o PC elevado está associado a níveis de PA elevados (Niskanen et al., 2004; Carneiro et al., 2003), e que o PC é um dos mais fortes preditores de risco de DCV (Daniels et al., 1999). Por fim, e após reconhecida a associação entre a PAS e o teste de FLO no grupo III, identifica-se na tabela de contingência (pág. 38) que todos os alunos inaptos possuem pré-hipertensão ou hipertensão. Esta associação, apesar de significativa, parece um pouco estreita, devido ao elevado número de indivíduos aptos neste teste de aptidão física (apesar dos baixos níveis de atividade física), e devido à natureza do teste. Não existe na literatura disponível informação sobre a influência deste teste sobre os níveis de PA. Quanto à PAD, não foram identificadas quaisquer associações significativas com os testes de aptidão física e da composição corporal, logo, o nível de aptidão física e de composição corporal é independente da PAD segundo o teste do X2. Estes resultados podem ser explicados pelo número elevado de indivíduos com PAD normal, e devido a pouca variação desta variável. Nesta análise, identificou-se uma superior contribuição das componentes da composição corporal em detrimento das componentes da aptidão física, para explicar a variação da PA. No que concerne aos resultados da análise de RLM, e relativamente à PAS, foram identificados resultados estatisticamente significativos apenas nos grupos II e III, dos quais alguns resultados vêm aumentar a credibilidade dos resultados obtidos no teste do X2. O grupo I não obteve novamente resultados significativos, devido provavelmente às mesmas razões enumeradas anteriormente. A influência do IMC na PAS voltou a expressar-se, pois o IMC obteve valores significantes nos grupos II e III. No grupo II, identificou-se que apenas o IMC contribui significativamente para a explicação do modelo para a PAS (r2=0,288), ou seja, 28,8% da variação que ocorre na PAS é explicada pelo IMC. Mais ainda, os resultados mostram que a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio na PAS de aproximadamente 1,3 mmHg. No grupo III, o teste de ABD juntamente com o IMC são responsáveis por 33,6% da variação que ocorre na PAS. Neste grupo, identificou-se ainda que a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio da PAS de aproximadamente 1,5 mmHg, e que a variação de uma unidade no teste de ABD provoca um aumento médio da PAS de aproximadamente 0,3 mmHg. O aumento dos níveis da PAS faz com que o evento cardíaco se torna mais provável. O resultado do teste de ABD não vai de encontro ao esperado, pois o previsto e o defendido na literatura disponível, é que o aumento nos níveis de aptidão física diminuem os níveis de PA, e não o contrário (Blair et al., 1991; Daley & Spinks 2000; Nied & Franklin, 2002; Mora et al., 2007). Relativamente à PAD, e contrariamente ao 45 teste do X2, foram obtidos resultados significativos nos grupos II e III. No grupo II, identificouse que o IMC, o PC e o teste de EXB obtiveram resultados significativos, sendo responsáveis por 54,9% da variação que ocorre na PAD. Estes resultados vêm aumentar ainda mais a credibilidade da relação existente entre o IMC e a PA, pois os resultados sugerem que o aumento de uma unidade no IMC provoca um aumento médio na PAD de aproximadamente 3,4 mmHg. Este aumento a concretizar-se trará problemas de saúde aos indivíduos, pois irá aumentar bastante o risco de um evento cardiovascular. No entanto, devido à pouca variação da PAD e ao número elevados de indivíduos com PAD normal, este resultado parece pecar um pouco por excesso. Já a variação de uma unidade no teste de EXB e no PC provoca uma diminuição média na PAD de aproximadamente 0,4 mmHg e 1,5 mmHg, respetivamente. Os resultados relativos ao PC são contrários aos previstos, visto que seria de esperar que o aumento do PC provoca-se um aumento dos níveis de PA, como acontece com o IMC, e é defendido na literatura disponível (Niskanen et al., 2004; Carneiro, Faria, Ribeiro et al., 2003). Quanto ao grupo III, o IMC foi novamente a única variável que obteve um resultado significativo, sendo mais um indicador que a variação desta componente da composição corporal influência a PA dos jovens. Neste caso, o IMC é por si só responsável por 21,6% da variação que ocorre na PAD. Mais ainda, a variação de uma unidade no IMC provoca um aumento médio da PAD de aproximadamente 1,3 mmHg. Esta análise, sugere uma grande influência da composição corporal nos níveis de PA, principalmente do IMC, que obteve resultados significativos quando relacionado com a PAS e com a PAD, nos grupos II e III. Seria de esperar uma maior influência das variáveis da aptidão física nos níveis de PA, pois, níveis baixos de aptidão física estão associados de forma significativa com o desenvolvimento de hipertensão (Blair et al., 1984; Berlin & Colditz, 1990). No entanto, os resultados estatisticamente significativos obtidos no teste de ABD e na FLO vêm corroborar a influência dos níveis de aptidão física nos níveis de PA. Depois de uma análise mais pormenorizada dos dados obtidos em cada teste aplicado, é sugestivo afirmar que as componentes da aptidão física não possuem tanta influência nos níveis de PA como as componentes da composição corporal. Nos grupos II e III, os grupos onde se identificou resultados estatisticamente significativos, o IMC foi sem dúvida a variável com maior relevância, ou seja, com base nos resultados obtidos neste estudo, o IMC é o que mais influência os valores da PA. Esta é uma relação descrita com evidência na literatura. Segundo Brandão et al., (1996), a presença de sobrepeso e obesidade está associada à manutenção de um percentil elevado de PA. Este é um fator preocupante para a sociedade atual, pois os jovens são cada vez mais sedentários. O sedentarismo provoca uma diminuição dos níveis de aptidão física e elevados níveis de composição corporal. Os jovens que possuam estas características, vão estar mais susceptíveis a níveis de PA elevados, como prova este 46 estudo. De acordo com McCarthy et al., (2008), 30% das crianças com sobrepeso possuem níveis elevados de pressão arterial, logo, através da avaliação da composição corporal podem também ser identificados os jovens com alto risco para virem a sofrer de uma DCV. Relativamente às componentes da aptidão física, seria de esperar uma maior influência das mesmas nos níveis de PA, pois, crianças com baixos níveis de aptidão física apresentam maiores níveis de PA, tanto em repouso como durante o esforço físico (Lieberman, 1994; Carnethon et al., 2005; Singh et al., 2006). Apesar dos resultados pouco significativos, ficou também patente neste estudo que os indivíduos inaptos nas diferentes variáveis analisadas, possuem na sua maioria níveis de PA mais elevados. Estes resultados sugerem que a ausência de atividade física impede a manutenção de bons níveis de aptidão física (Maia, 1996), constituindo assim riscos para a saúde (Heyward, 1991), ou seja, sujeitos não aptos nos vários testes de aptidão física estão mais susceptíveis à hipertensão, sendo este um fator de risco para a saúde, mais propriamente para o desenvolvimento de DCV (Ministério da Saúde - Portugal, 2002; Oliveira, 2011; Pyörälä et al., 1994; Kaplan et al., 2003). Deve-se ainda referir que não foi identificada qualquer associação significativa entre os níveis de aptidão aeróbia e a PA. De acordo com Cooper (1991), o treino aeróbio regular é adequado para os indivíduos que sofrem de hipertensão, pois indivíduos hipertensos podem diminuir em aproximadamente 10 mmHg a PAS e PAD em repouso. Perante isto, seria de esperar resultados significativos entre estas variáveis. A hipertensão arterial tem uma prevalência relativamente baixa em crianças e jovens (Magalhães et al., 2002). No entanto, estudos comprovam que a hipertensão primária no adulto pode ter a sua origem na infância, e, perante isto, devem ser adotadas estratégias preventivas durante as idades mais jovens, de modo a identificar e a combater os diversos fatores de risco cardiovascular associados à hipertensão (Magalhães et al., 2002; Monego & Jardim, 2006). Um jovem que possua níveis baixos de aptidão física ou elevados níveis de composição corporal, deve ser visto como um caso preocupante a cuidar, de modo a reduzir o impacto de fatores de risco como a hipertensão, pois esta começa a instalar-se assintomaticamente no organismo numa idade precoce. A estes indivíduos devem ser aumentados progressivamente os níveis de atividade física, pois, indivíduos fisicamente ativos apresentam melhores níveis de aptidão física e saúde que os seus pares menos ativos (Malina, 2001; Shephard & Bouchard, 1994). Uma única sessão de exercício física semanal é suficiente para reduzir os valores da PA em sujeitos hipertensos (Brandão et al., 2002). A prática regular de exercício físico é um meio não farmacológico seguro e eficaz, na melhoria da saúde cardiovascular (Sousa, 2008). Possuir um bom nível de atividade física contribui também para melhorar o perfil lipídico e metabólico, reduzindo a prevalência de obesidade (Lazzoli et al., 1998; Moreira, 2006; Papandreou, 2008), atenuando assim a probabilidade de desenvolver hipertensão em idades mais precoces. A atividade física apresenta uma íntima 47 relação com os níveis de PA tanto em adultos como em crianças (Magalhães et al., 2002). Segundo Neter et al., (2003), a perda de peso acarreta também uma redução da PA. A prevenção da hipertensão permite aos jovens estarem mais precavidos em relação ao aparecimento de uma DCV no futuro, como a arteriosclerose, os acidentes vasculares cerebrais, o enfarte agudo do miocárdio, a doença renal, entre outras (U. S. Department of Health and Human Services, 2003; Salgado & Carvalhaes, 2003; Corrêa et al., 2005). Relembrando o leitor, estas doenças são as principais causas de morbilidade e/ou mortalidade prematura no nosso país e no mundo (Gaspar, 2010). 48 6. Conclusões 6. Conclusões Em suma, no presente estudo, as variáveis da aptidão física possuem uma reduzida influência nos níveis de PA, em contrapartida com as componentes da composição corporal. Tendo em conta os resultados apresentados e a sua interpretação, chegou-se às seguintes conclusões: Uma reduzida prática de atividade física semanal propicia níveis mais baixos de aptidão física; Indivíduos com prática de atividade física baixa possuem níveis de PAS superiores ao desejável; Em idades mais jovens (12-13 anos), não existe influência dos níveis de aptidão física e de composição corporal nos níveis de PA. O IMC é a variável que mais propicia um aumento significativo nos níveis de PA, principalmente entre os 14 e os 18 anos. Os resultados obtidos sugerem que indivíduos com baixos níveis de atividade física estão mais susceptíveis a sofrerem de hipertensão, com uma maior influência dos níveis da composição corporal. Perante estas conclusões, podemos validar as hipóteses H02, H05, H07 e H10, ou seja, não foram encontradas quaisquer associações e/ou relações entre a aptidão aeróbia e a %MG, com os níveis de PAS e PAD. Todas as outras hipóteses foram validadas parcialmente. No que diz respeito às hipóteses H01 e H06, apesar da pouca influência dos níveis de aptidão física na PA, estas não são totalmente aceite devido aos resultados estatisticamente significativos obtidos no teste de FLO no teste do X2, no grupo III para a PAS, no teste de EXB no modelo de RLM, no grupo II para a PAD, e no teste de ABD no modelo de RLM, no grupo III para a PAS. Quanto às hipóteses H03 e H08, estas não são excluídas na totalidade, pois, o IMC não obteve resultados significativos em todas as análises efetuadas, apesar de ter óbito resultados significativos em grande parte das mesmas. As hipóteses H 04 e H09 são apenas validadas parcialmente, pois, foram obtidos resultados estatisticamente significativos no teste do X2, no grupo II para a PAS, e no modelo de RLM, no grupo II para a PAD. 50 Por fim, relembra-se ao leitor que é de fundamental importância a realização da avaliação da aptidão física nas escolas, para se detetar possíveis fatores de risco das DCV o mais precocemente possível, de modo a desenvolver antecipadamente ações com os jovens que possam auxiliar a promoção da saúde dos mesmos. 51 7. Referências Bibliográficas 7. Referências Bibliográficas ANDERSEN, R., CRESPO, C., BARTLETT, S. CHESKIN, L. & PRATT, M. (1998). Relationship of Physical Activity and Television Watching With Body Weight and Level of Fatness Among Children. JAMA, Vol. 279, Nº12, 938-942. ASTRAND, P. (1922). Physical activity and fitness. Am J. Clin. Nutr. 55:1231S-1236S. BARTOSH, S. & ARONSON, A. (1999). Childhood hypertension: An update on etiology, diagnosis, and treatment. 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