INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO - IFSP JAIR GOMES DOS SANTOS Níveis de stress em alunos Jovens e Adultos do Ensino Médio – EJA SÃO PAULO 2009 1 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO - IFSP JAIR GOMES DOS SANTOS Níveis de stress em alunos Jovens e Adultos do Ensino Médio – EJA Monografia apresentada a Banca Examinadora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de ESPECIALISTA em Educação Profissional Integrada a Educação de Jovens e Adultos (PROEJA) sob a orientação do Prof. Ms. Amari Goulart SÃO PAULO 2009 2 “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo” Nelson Mandela II 3 AGRADECIMENTOS Agradeço ao professor Amari, meu orientador, pelo profissionalismo, respeito, aprendizado e compreensão diante dos percalços ocorridos durante esta jornada. Agradeço a todos os professores pela grandiosa oportunidade de compartilharmos experiências e pelo aprendizado. Agradeço a todos os companheiros de “viagem”, por que juntos, pudemos compartilhar e partilhar uma série de novos ensinamentos. E agradeço novamente a este grupo pelo “auxilio” ofertado que me possibilitou ingressar no meu novo empreendimento: o caminho do Mestrado. Agradeço a todos os alunos e professores que participaram deste projeto voluntariamente, e que me possibilitaram que este, fosse possível. À Érica, Rose e Nilza pela disponibilidade e apoio vital para realização desta pesquisa. Agradeço meus colegas de graduação que tanto me ajudaram nas diversas batalhas travadas, fundamentais para que conseguisse chegar até aqui. Aos meus amigos Priscila e Luiz Fernando pela imprescindível ajuda, pois muito desta pesquisa se deu graças a este apoio. E não poderia deixar de agradecer meus estimados amigos da “Família Rufino”, em especial a Carmem, Cirso, Darci, Jesuína e Willians, porque sem seu companheirismo não teria alcançado este patamar ou o caminho teria sido muito mais árduo. E por fim, agradeço aos meus estimados companheiros da família Soka, que sempre me apoiou. Desculpe por muitas ausências. Obrigado pela paciência. 4 III SUMÁRIO INTRODUÇÃO 01 1. Capítulo I: O Stress 04 1.1 Conceituando o Stress 04 1.2 Aspectos Neuropsicofisiológicos do Stress 05 1.3 Fases do Stress 07 1.4 Stress no Mundo Moderno 09 2 Capítulo II: Educação de Jovens e Adultos 15 2.1 Percurso Histórico 15 2.2 (1915) Liga Brasileira contra o Analfabetismo 15 2.3 (1924) Fundação da Associação Brasileira De Educação 16 2.4 (1934) A Constituição de 1934 17 2.5 (1942) Fundo Nacional do Ensino Primário 17 2.6 (1947) Primeiro Congresso de Educação de Jovens e Adultos 18 2.7 (1959 A 1964) Realização de Programas e Movimentos para o EJA 18 2.8 (Década de 70) – Regras para Educação Supletiva, Criação do Telecurso 2000 19 2.9 Constituição de 1988 20 2.10 Lei de Diretrizes E Bases da Educação Nº. 9.394/96 20 3. Capítulo III: OBJETIVOS 23 3.1 Objetivo Geral 23 3.1.1 Objetivos Específicos 23 3.2 23 Capítulo III: MÉTODO 3.2.1 Local 23 3.2.2 Amostra 24 IV 5 3.2.3 Instrumentos 24 3.2.4 Procedimentos 25 3.2.5 Plano de Análise dos dados 26 4. Capítulo IV: APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 27 5.1 Caracterização da Amostra 27 5.1.1 Questionários Sócio-Demográficos 27 5.2 Percepção dos alunos quanto ao nível de satisfação nas relações estabelecidas com familiares, colegas de classe e professores. 34 5.3 Percepção dos alunos quanto às principias dificuldades sentidas, motivações para retornas os estudos e anos fora do contexto escolar. 36 4.4 Perfil da Amostra 39 4.5 Perfil dos Sujeitos com Stress 44 4.6 Stress versus faixa etária 52 4.7 Stress por ano de estudo 53 4.8 Sintomas Citados no Teste ISSL 56 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 59 CONSIDERAÇÕES FINAIS 60 REFERÊNCIAS 62 ANEXOS 65 Anexo A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 65 Anexo B – Inventário de Sintomas de Stress de Lipp ( ISSP) 66 6 V LISTA DE ABREVIATURAS ACTH Adrenocorticotrófico (hormônio) CEAA Campanha da Educação de Adolescentes e Adultos CRF Corticotrofina EJA Educação de Jovens e Adultos FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo FNEP Fundo Nacional do Ensino Primário HTPC Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INEP Instituto Nacional de Educação e pesquisa ISSL Inventário de Sintomas de Stress de Lipp LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação MEC Ministério da Educação MCPD Matéria Cinzenta Periaquedutal Dorsal MOBRAL Movimento Brasileiro de Alfabetização PNE Plano Nacional de Educação UNESCO Organização das Nações Unidas para a educação, à ciência e a cultura VI 7 Lista de Tabelas Tabela 4.1.1 - Divisão de sujeitos por gênero. Tabela 4.1.2 - Divisão de sujeitos por gênero e ano de estudo. Tabela 5.1.3 - Divisão de sujeitos por faixa etária e ano de estudo. Tabela 4.1.4 - Distribuição dos alunos, segundo Estado Civil Tabela 4.1.5 - Divisão por situação econômica (empregado/ desempregado) Tabela 4.1.6 - Profissões dos participantes, segundo ano de estudo Tabela 4.1.7 - Divisão de sujeitos por Renda Familiar Tabela 4.1.8 - Distribuição de sujeitos por Região onde trabalha em caso de empregado Tabela 4.1.9 - Em caso de empregado, vai do trabalho direto pra escola? Tabela 4.1.10 - Em caso de empregado, quanto tempo utiliza para retornar do trabalho? Tabela 4.1.11 - Em caso de empregado, quanta condução utiliza no trajeto trabalho/ escola? Tabela 4.1.12 - Distribuição conforme com quem reside? Tabela 4.1.13 - Distribuição conforme quantidades de pessoas que residem com o respondente Tabela 4.2.1 - Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com familiares Tabela 4.2.2 - Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com colegas de classe Tabela 4.2.3 - Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com os professores Tabela 4.3.1 - Distribuição conforme principais dificuldades sentidas pelos alunos Tabela 4.3.2 - Distribuição conforme motivações para retornar os estudos Tabela 4.3.3 - Distribuição conforme anos fora da escola Tabela 4.4.1 - Distribuição de alunos com e sem stress Tabela 4.4.2 - Distribuição de alunos com e sem stress segundo gênero Tabela 4.4.3 - Distribuição de alunos com e sem stress segundo as fases Tabela 4.4.4 - Distribuição segundo Predominância de Sintomas Tabela 4.4.5 - Distribuição segundo gênero e fases do stress Tabela 4.4.6 - Distribuição segundo fases do stress e ano de estudo Tabela 4.4.7 - Distribuição do stress segundo ano de estudo. Primeiro Ano Tabela 4.4.8 - Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo e gênero. Primeiro Ano Tabela 4.4.9 - Distribuição do stress segundo ano de estudo. Segundo Ano Tabela 4.4.10 - Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo. Segundo Ano VII 8 Tabela 4.4.11 - Distribuição do stress segundo ano de estudo. Terceiro Ano Tabela 4.4.12 - Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo. Terceiro Ano Tabela 4.5.1 - Distribuição de alunos conforme o gênero Tabela 4.5.2 - Distribuição das fases do stress segundo Gênero Tabela 4.5.3 - Distribuição de alunos conforme a faixa etária Tabela 4.5.4 - Distribuição de alunos conforme fases do stress e ano de estudo Tabela 4.5.5 - Distribuição de alunos conforme estado civil Tabela 4.5.6 - Distribuição de alunos com stress, conforme situação econômica. Tabela 4.5.7 - Distribuição de alunos com stress. As profissões Tabela 4.5.8 - Distribuição de alunos com stress, segundo renda familiar Tabela 4.5.9 - Distribuição de alunos com stress, vai do trabalho direto para escola em caso de empregado Tabela 4.5.10 - Distribuição de alunos com stress. Quanto tempo utiliza para retornar do trabalho em caso de empregado. Tabela 4.5.11 - Distribuição de alunos com stress. Em caso de empregado, quanta condução utiliza no trajeto trabalho/ escola? Tabela 4.5.12 - Distribuição de alunos com stress. Reside com quem? Tabela 4.5.13 - Distribuição de alunos com stress. Quantas pessoas residem com você? Tabela 4.5.14 - Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento familiar. Tabela 4.5.15 - Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento com colegas de classe. Tabela 4.5.16 - Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento com seus professores. Tabela 4.5.17 - Distribuição de alunos com stress. Anos fora do contexto escolar Tabela 4.5.18 - Distribuição de alunos com stress. Principais dificuldades sentidas pelos alunos Tabela 4.6.1 - Distribuição de Stress versus faixa etária. Geral Tabela 4.7.1 - Distribuição de alunos com stress. Primeiro ano de estudo Tabela 4.7.2 - Distribuição de alunos com stress. Segundo ano de estudo Tabela 4.7.3 - Distribuição de alunos com stress. Terceiro ano de estudo Tabela 4.8.1 - Distribuições de sintomas segundo Últimas 24 horas Tabela 4.8.1 - Distribuições de sintomas segundo Última Semana Tabela 4.8.1 - Distribuições de sintomas segundo Último Mês VIII 9 RESUMO A presente pesquisa teve como objetivo verificar os níveis de stress em alunos do ensino médio da educação de jovens e adultos de uma Instituição de Ensino Público do extremo leste da cidade de São Paulo, no bairro de São Miguel Paulista. Os alunos participantes da pesquisa responderam ao Inventário de Stress para Adultos de Lipp, de Marilda Novaes Lipp (ISSL) e um questionário elaborado com o intuito de levantar dados sócio-demográficos da amostra, bem como as principais dificuldades sentidas e relacionamento nível de relacionamento com colegas de curso e professores. A amostra foi composta por 47% do sexo feminino e 53% do masculino, com idades variando entre 17 e 61 anos, distribuídos entre o primeiro (28%), segundo (34%) e terceiro ano de estudo (38%). Verificou-se um nível de stress mais elevado nos alunos que realizavam o primeiro ano de estudo do ensino médio correspondendo a 43% do total de sujeitos com stress e 67% da população de alunos do primeiro ano de estudo. Os alunos com idades entre 30 e 39 anos (63%) e entre 40 e 49 anos (60%) foram às faixas com maior incidência de stress. Os resultados evidenciaram a presença do processo de stress em 44% da amostra, havendo uma maior incidência de stress no gênero feminino (56%) contra 34% do sexo masculino. Com relação às fases do processo de stress constatou-se a predominância da fase de resistência (81%) com prevalência de sintomas psicológicos (74%). A pesquisa conclui que existem índices bastante elevados de processo de stress na amostra pesquisada, podendo gerar reflexos negativos na qualidade de vida dos alunos, além de servir de obstáculos e limitador para aquisição de novos conhecimentos. Palavras chave: Educação jovens e adultos e níveis de stress ABSTRACT This study aimed to ascertain levels of stress in school students in young and adults in a Establishment of Public Education of the far east side of the city of Sao Paulo, in the neighborhood of São Miguel Paulista. Students participating in the survey responded to Stress Inventory for Adults Lipp, Marilda Novaes Lipp's (ASSI) and a questionnaire, made with the intention of raising the socio-demographic data of the sample, as well as first difficulties and relationship level of relationship with course colleagues and teachers. The sample comprised 47% female and 53% male, with ages ranging from 17 to 61 years, distributed between the first (28%), second (34%) and third years of study (38%). There was a stress level higher in students in the first year of study in high school accounting for 43% of subjects with stress and 67% of the population of students the first year of study. Students aged between 30 and 39 years (63%) and between 40 and 49 years (60%) were the tracks with a higher incidence of stress. The results showed the presence of the stress process in 44% of the sample, with a higher incidence of stress in females (56%) versus 34% male. Regarding the stages of the stress it was found the prevalence of the resistance (81%) with prevalence of psychological symptoms (74%). The research concludes that there are very high levels of stress process in this sample and can generate negative effects on quality of life of students and serve as obstacles and limiting for acquisition of new knowledge. KEY-WORDS: Education and young adults and levels of stress IX 10 INTRODUÇÃO Apesar de a termologia estresse parecer algo recente, este assunto (ou problemática) é recorrente desde os nossos antepassados, os homens das cavernas. Desde os tempos mais remotos o homem se depara com grandes obstáculos e desafios a ultrapassar, afim de preservar e manter a sua integridade e a sua sobrevivência. O homem das cavernas, por exemplo, vivia em constante “alerta” frente às diversas ameaças a qual estava exposto e este “estado de alerta” era vital para sua sobrevivência, porque muitas vezes era matar ou morrer. "O homem da caverna ficava com o coração acelerado em frente a um tigre. Isso acontecia para bombear o sangue para as pernas e ele poder correr e fugir do perigo. Além disso, ele encolhia os ombros - como ainda fazemos quando estamos tensos para esconder a jugular e defender a vida, já que a fera pularia para cima dele. O problema é que ter essa mesma ação hoje é excessivo" (Lipp, 2003) Estes aspectos biológicos descritos por Lipp (2003), põem-nos a pensar sobre as diversas mudanças e transformações ocorridas durante os séculos pelo homem, não somente no que se refere aos fatores biológicos, mas nas diferentes formas de sobrepujar seus “dilemas” existenciais. Os problemas a serem superados hoje, nos chamados tempos modernos são outros, os “animais” talvez tenham perdido em tamanho, mas nem por isso as relações de estresse são menores. Este homem moderno muitas vezes necessita “matar um leão por dia” para tentar manter a sua integridade física, biológica e mental, por que este homem desempenha várias personas: ora é marido, empregado, chefe, filho, aluno, pai, amigo, enfim uma infinidade de personagens. O estresse é considerado por muitos especialistas como o grande “mal do século, a doença do milênio”. “O estresse não é de todo ruim, em sua fase inicial, a do alerta, o organismo produz adrenalina que dá animo vigor e energia fazendo a pessoa produzir mais e ser mais criativa. Um dos aspectos negativos, isto é, o stress em excesso, ocorre quando a pessoa ultrapassa seus limites e esgota sua capacidade de adaptação” (Lipp, 2000) Frente às incongruências do mundo moderno, aos diversos protocolos que tem que seguir, este homem encontra-se a mercê de uma vida regrada de estresse. E é neste cenário, repleto de exigências e preocupações que nosso aluno do EJA se enquadra, um cenário onde 11 necessita representar uma grande gama de papéis e dar conta de todos os pressupostos que a estes antecedem. Os fatores estressores presente na vida das pessoas são os mais variados possíveis, percorrendo caminhos como: família, campo profissional, relações entre seus pares, saúde, área afetiva e educacional, entre outras exigências do mundo moderno. Em meio a todas estas exigências de papéis desponta-se o nosso aluno do EJA. O perfil deste aluno é de uma pessoa que esteve fora do âmbito escolar durante anos e em meio à requisição de um mundo, que cada vez mais reivindica por pessoas mais qualificadas e preparadas, vê-se obrigado a responder a todas estas cobranças impostas de forma satisfatória. Tem que ser um bom pai, um bom trabalhador, bom aluno, bom cidadão e outros. Mas como responder de forma positiva a todas estas imposições feitas por um mundo cada vez mais conturbado e impositivo, levando-se em conta que não temos ao menos um espaço efetivo para reflexão e suplantação das dificuldades encontradas? Em uma das hipóteses apontamos o estresse criado a partir do pensamento, o simples fato de acharem (eles alunos) que estão num lugar que não lhes pertencem mais (como se fossem intrusos no sistema educacional), pois, por vezes, tem a crença de que a “sua época” de estudar já passou, criando assim outro entrave no seu processo de ensino-aprendizagem. A pessoa estressada pode demonstrar vários aspectos psicológicos desfavoráveis à aquisição de novos conhecimentos. Segundo Lipp (2000), o ser humano com stress mostra irritação e impaciência, além de dificuldade de concentrar-se e de pensar de modo racional e lógico. O Primeiro capítulo deste trabalho trata do conceito de stress perpassando pela conceituação histórica do assunto, seus aspectos físicos e psicológicos, bem como sua conotação em nossa atualidade. O segundo capítulo aborda a educação no Brasil, passando por seus meandros históricos, da primeira Constituição até a consolidação da educação de jovens e adultos. 12 2 O Terceiro capítulo traz o objetivo geral e objetivos específicos desta pesquisa. O Quarto capítulo apresenta o método utilizado, o quinto traz os resultados obtidos, bem como observações e análises e finalmente, o último capítulo no qual apresentamos as conclusões desta pesquisa. 3 13 CAPÍTULO I O STRESS 1. CONCEITUANDO O STRESS Antes de discorrer sobre o tema precisamos entender o que significa a termologia stress. Vejamos algumas definições: Foi somente em 1926, com o austríaco Hans Selye, conhecido como o pai da “estressologia” que a palavra latina usada na área da saúde no século XVII, foi usada para descrever um estado de tensão patogênico do organismo (Lipp, 2007). Em sua definição aborda os aspectos relacionados à tentativa de adaptação do organismo frente aos diversos estressores. Stora (1990) comenta que a partir do início do século XVIII a termologia stress foi empregada para designar sofrimento, privação, calamidades. O fisiologista americano, Walter Cannon em 1932, descreve pela primeira vez a reação do corpo ao stress como resposta de luta ou de fuga. Através do trabalho com animais observou que, ao ser submetido a estímulos ameaçadores a sua homeostase (definida como o esforço dos processos fisiológicos para manter um estado de equilíbrio interno no organismo), o animal produzia uma reação e a esta foi denominada de reação de emergência, ocorrendo neste processo uma preparação para lutar ou fugir. (França e Rodrigues, 1999). Margis, Cosner, & Silveira (2003) dizem que: A resposta ao estresse é resultado da interação entre as características da pessoa e as demandas do meio, ou seja, as discrepâncias entre o meio externo e interno e a percepção do indivíduo quanto a sua capacidade de resposta. Esta resposta ao estressor compreende aspectos cognitivos, comportamentais e fisiológicos, visando a propiciar uma melhor percepção da situação e de suas demandas, assim como um processamento mais rápido da informação disponível, possibilitando uma busca de soluções, selecionando condutas adequadas e preparando o organismo para agir de maneira rápida e vigorosa. A sobreposição destes três níveis (fisiológico, cognitivo e comportamental) é eficaz até certo limite, o qual uma vez ultrapassado, poderá desencadear um efeito desorganizador. Assim, 14 4 diferentes situações estressoras ocorrem ao longo dos anos, e as respostas a elas variam entre os indivíduos na sua forma de apresentação, podendo ocorrer manifestações psicopatológicas diversas como sintomas inespecíficos de depressão ou ansiedade, ou transtornos psiquiátricos definidos, como por exemplo o Transtorno de Estresse Pós-Traumático. (Margis, Cosner, & Silveira, 2003, p.) Segundo o dicionário Houaiss (2001 p. 1264): “estresse é o estado de perturbação causado por um conjunto de reações do organismo humano na busca de adaptação a agressões de ordem física, psíquica, etc.”. Lipp (2000a) define stress como uma reação do organismo com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma adaptação grande a um evento ou situação de importância. Este evento pode ser um sentido negativo ou positivo. Na fase positiva do stress, chamamos de fase inicial, a do alerta. O organismo produz adrenalina que dá animo, vigor e energia fazendo a pessoa a produzir e ser mais produtiva. No período ideal do estresse a pessoa a prende a manejar e gerenciar a fase de alerta, alternando entre estar em alerta e sair do alerta. E no stress negativo é onde há o excesso, quando a pessoa ultrapassa seus limites e esgota sua capacidade de adaptação. Nesta fase é recorrente a perda da qualidade de vida e o adoecimento. O stress pode ser excessivo porque o evento estressor é forte demais ou porque se prolonga em excesso. Guimarães (2007) diz que: “O stress é uma conseqüência inevitável do processo de viver, sem o qual não haveria a própria vida. Capaz de causar doenças e de comprometer a qualidade de vida, o stress demanda um aumento na quantidade de energia consumida pelo organismo e produz reações bioquímicas típicas, que auxiliam a modificação do evento estressor ou a acomodação do organismo a seus efeitos” (Guimarães, 2007, p.63) 1.2 ASPECTOS NEUROPSICOFISIOLÓGICOS DO STRESS As pessoas respondem ao stress conforme sua percepção frente às informações absorvidas e filtradas. As respostas aos estressores são realizadas em três níveis: Cognitivo, comportamental e fisiológico. Os três níveis são descritos nos estudos de Margis, Cosner, & Silveira (2003). No nível cognitivo as respostas ao stress são assinalados em quatro componentes: 155 Primeiro componente é a avaliação inicial automática da situação ou estímulo, nela o individuo irá avaliar se há ou não o potencial de ameaça e a partir da avaliação identificada irá direcionar as devidas respostas aos eventos estressores. Caso seja feita a constatação de algo aversivo um tipo de resposta de defesa é ativado, em contra partida, não ocorrendo à ameaça o individuo se preparará para recolher mais informações. Independente do tipo de avaliação, este processo irá provocar diferentes respostas fisiológicas; O segundo componente trata da demanda da situação ou avaliação primária, o individuo irá avaliar a situação através de seu histórico de vida e qual significado atribui ao elemento estressor; O terceiro componente é a avaliação das capacidades para lidar com a situação estressora ou avaliação secundária, quando o sujeito avalia a situação em relação às suas capacidades e recursos de enfrentamento para manejá-la e; No último componente ocorre a organização da ação ou seleção da resposta, a partir das avaliações anteriormente descritas, em que o sujeito elabora suas respostas às demandas percebidas. No nível comportamental as respostas básicas diante de um estressor são: enfrentamento (ataque), evitação (fuga), passividade (colapso). A especificidade das conseqüências dependerá do tipo de escolha realizada pelo individuo e todas as respostas dependem de um aprendizado precedente ao estressor. No nível fisiológico considera-se que diferentes estruturas cerebrais estejam envolvidas nas diferentes estratégias de defesa, dependendo do nível de ameaça percebido pelo indivíduo. Uma série de substâncias químicas é liberada e entram em jogo hormônios como a adrenalina, a noradrenalina e o cortisol, que diante de uma ameaça ou um estímulo emocional para o enfrentamento dos estressores. Nas situações em que o perigo está próximo, o indivíduo irá reagir com comportamentos vigorosos de luta ou fuga. Para tal, fazem-se necessárias alterações cardiovasculares, constituindo em elevação da pressão arterial, taquicardia, vasoconstrição na pele e nas vísceras e vasodilatação nos músculos estriados, bem como hiperventilação. O sistema neural responsável por tais manifestações comportamentais e neurovegetativas de defesa ativa seriam a MCP dorsal e o hipotálamo medial. O hipotálamo, uma vez estimulado, possibilita o 6 16 fator liberador de corticotrofina (CRF), vasopressina e outros neuropeptídeos reguladores. A liberação de CRF promove, entre outras, a secreção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), o qual leva à liberação do cortisol pelas adrenais (eixo hipotálamo-hipófise-adrenal) 10. Níveis de cortisol cronicamente elevados podem interferir na estrutura e função hipocampal, produzindo alterações de memória e cognição. O sistema supra-renal na tentativa de proteger e defender nosso corpo diante das agressões advindas do processo de stress, por meio da conexão com sistema simpático-adrenal é ativado para facilitar as respostas orgânicas de “luta ou fuga”. Vieira (2002) diz que: “As conseqüências biológicas da ativação deste sistema determinam alterações cardiovasculares, hormonais, pulmonares, cutâneas e musculares entre outras, ou seja, todos os órgãos e sistemas se encontram envolvidos para que o corpo possa superar o desafio a que foi submetido com a finalidade de manter a vida” (Vieira, 2002, p.127). Segundo Moreira e Melo Filho (1992, p.122) a resposta ao stress dá-se através da ação integrada dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico, num processo de alteração e recuperação da homeostasia. Quando a reação de adaptação ao stress não é adequada ou suficiente, aparece a doença, mediada por alterações no funcionamento daqueles sistemas. O corpo trabalha para manter o equilíbrio, a este sistema atribuí, o nome de homeostase. E segundo os diversos fatores que o meio irá oferecer, os indivíduos, irão responder a estes eventos segundo seus recursos internos e quanto maior for seu equilíbrio homeostático, melhor serão as respostas emitidas ao meio. Ocorrendo a falha na tentativa de manter nosso corpo em equilíbrio (homeostase) pode ocorrer o surgimento de doenças, que estarão relacionadas à predisposição de cada individuo. (Vieira, 2002). 1.3 FASES DO STRESS Hans Selye (1965) nomeou a síndrome geral de adaptação (conhecida como stress), identificando e classificando três fases que ocorrem neste processo. Às fases identificadas por 177 Selye (alerta, resistência e exaustão), Lipp (2003) através de seus estudos, considerou que a fase de resistência descrita no modelo trifásico de Selye era muito extensa “...apresentando dois momentos distintos caracterizados não por sintomas diferenciados, mas, sim pela quantidade e intensidade dos sintomas” (p. 19). Propôs então, um modelo quadrifásico, somando-se a fase de alerta, resistência e exaustão e a fase de quase-exaustão. No novo modelo proposto por Lipp (2003), o Inventário de Sintomas de Stress de Lipp (ISSL), a fase de resistência refere-se à primeira parte do conceito de resistência de Seyle, enquanto a fase de quase-exaustão refere-se à parte final dessa, quando a resistência da pessoa está exaurindose. A seguir apresentamos as fases do stress segundo Lipp (2003): 1 Fase do alerta É a fase positiva do stress, quando o ser humano automaticamente se prepara para a ação. É caracterizada pela produção e ação da adrenalina que torna a pessoa mais atenta, mais forte e mais motivada. 2 Fase de Resistência Se a fase de alerta é mantida por períodos muito prolongados ou se novos estressores se acumulam o organismo entra em ação para impedir o desgaste total de energia entrando na fase de resistência, quando o organismo resiste aos estressores e se tenta, inconscientemente, restabelecer o equilíbrio interior (chamado de homeostase) que foi quebrado na fase de alerta. A produtividade cai dramaticamente. Caracteriza-se pela produção de cortisol. A vulnerabilidade da pessoa a vírus e bactérias se acentua. 3 Fase de Quase Exausta Quando a tensão excede o limite do gerenciável, a resistência física e emocional começa a quebrar, ainda há momentos em que a pessoa consegue pensar ludicamente, tomar decisões, rir de piadas e trabalhar, porém, tudo é isto é feito com esforço e estes momentos de funcionamento normal se intercalam com momentos de total desconforto. Há muita ansiedade nesta fase. A pessoa experimenta uma gangorra emocional. O cortisol é produzido em maior quantidade e começa a ter o efeito negativo de destruir as defesas imunológicas. Doenças começam a surgir. 188 4 Fase de Exaustão É a fase mais negativa do stress, a patológica. É o momento em que um desequilíbrio interior muito grande ocorre. A pessoa entra em depressão, não consegue concentrar ou trabalhar. Suas decisões muitas vezes são impensadas. Doenças graves podem ocorrer, como úlceras, pressão alta, psoríase e vitiligo. 1.4 STRESS NO MUNDO MODERNO “Se na antigüidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha noção exata do objeto a combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças são abstratas, mas nem por isso menos agressivas; elas vivem, dormem e acordam conosco. Se, em épocas primitivas o coração palpitava, a respiração ofegava e a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das perspectivas de um futuro sombrio, dos muitos compromissos econômicos cotidianos e assim por diante. Como se vê, hoje nossa Ansiedade é continuada e crônica. Se a adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada quase diariamente (Ballone, 2005) Temos vivido num mundo cada vez mais conexo, onde preponderam amplamente grandes transformações nas diferentes esferas sociais desta “sociedade global”. Grandes mudanças nas formas de concebermos o mundo (crenças, pensamentos, valores, papéis, etc.), que afetam diretamente nossa forma de ação. Em meio a todas as mudanças ocorridas e vividas nas últimas décadas, conforme comenta Melucci (2004), o planeta que habitamos transformou-se em uma sociedade global, trazendo a possibilidade de uma multiplicidade de papéis a serem desempenhados e um excesso de possibilidades e de mensagens que ampliam a experiência cognitiva e afetiva. Essa gama de possibilidades faz com que o “eu” ganhe em multiplicidade. [...] O eu não está mais solidamente fixado em uma identificação estável: joga, oscila e se multiplica. Há jogo é a expressão usada na linguagem mecânica para indicar que uma engrenagem não esta rigidamente presa em seu encaixe. Diante dessa folga o eu pode sentir medo e perder-se. Ou, então aprender a jogar (Melucci, 2004, pg. 15). 9 19 Nesse cenário globalizado ampliam-se as possibilidades de escolha, mas ao mesmo tempo há o paradoxo dos limites, a variação de papéis que desempenhamos agora é enorme. Conforme Melucci (2004): [...] Minha responsabilidade diante do campo de possibilidades e de limites, representando por mim mesmo, é, de um lado, a capacidade de responder por , de assumir o limite, a memória, a estrutura biologia e a história pessoal; de outro lado, porém, é a capacidade de responder a, ou seja, de escolher as possibilidades e acolher as chances, de posicionar-me nas relações com outros e de ocupar meu lugar no mundo (Melucci, 2004, p. 67) A pessoa vivente desta nova atmosfera mundial transforma-se num ser múltiplo e a certeza predominante é o constante ritmo da mudança. Desempenha inúmeros papéis e são cobradas grandes performances de todas suas atuações, porque este modelo de sociedade é amplamente algoz aos que ficam a margem de suas expectativas. Em meio à correria do cotidiano, a necessidade de realizar escolhas (e escolher é geralmente um ato de abdicar uma outra possibilidade, que pode gerar frustração) e a necessidade de manter nossa integridade tanto física quanto psíquica são alguns exemplos de geradores desse mal.. Em sua trajetória profissional, o indivíduo é posto a prova e se depara com infindáveis dificuldades, tensões e desafios, respondendo mais ou menos positivamente segundo seu repertório do individuo. De acordo com Stora (1990): “[...]as sociedades industriais empurram as pessoas para uma competição intensa, a fim de ganharem rapidamente mais dinheiro e adquirirem um status social mais elevado; todos os que “fracassam” e todos os que “vencem”, pagam um preço elevado” (Stora, 1990, p. 25-26) São vários os fatores que podem servir de estressores e são muitos os fatores externos, mas não podemos deixar de mencionar os internos, que são construídos através da cognição, pela forma como interpretar o mundo. [...] os estressores externos são muitos e às vezes inevitáveis, e a eles se somam as crenças irracionais que são a „fábrica particular de stress‟. Mas além desses aspectos existem alguns pensamentos que sutil e ardilosamente colaboram para aumentar as angústias e os dissabores que fazem parte da reação de frustração (Alcino, 2007, pg. 42) 10 20 Alcino (2007) coloca o pensamento como importante ferramenta e um forte canal para produção de stress: “Os pensamentos controlam as emoções e a força do pensamento e o tipo de interpretação que se faz dos estímulos pode fazer com que se produza o stress”(p. 35). Conforme Alcino (2007): [...] as crenças são um dos fatores mais poderosos do ser humano, pois a pessoa é aquilo que acredita ser: „crenças são todo principio orientador, convicção ou fé que dão significados e direção em nossa vida‟ ( Alcino (2007, p. 36). Podemos verificar a importância intrínseca do pensamento e de nosso sistema de crença, por serem estes norteadores de nossas ações perante o mundo, servem de filtro e motivadores para nossas diferentes formas de atuação. Muitas crenças que nos cercam são indiferentes ou apresentam-se inconspícua aos nossos olhares e não concebemos o sistema de valores que serve de bússola e que cerca nossas ações. Nossa percepção atua como mapas mentais guiando-nos frente o mundo. Quanto maior for o grau de nitidez da percepção, melhor será a emissão das respostas e interpretação da realidade. Uma percepção distorcida poderá levar a uma interpretação que poderá suscitar em diversos fatores negativos em nossa atuação cotidiana, como podemos ver com Alcino (2007): “...constantemente, sem perceber a pessoa se instrui e se treina nessas cognições distorcidas, gerando assim uma percepção depreciativa e negativa de si mesma” (p. 42) . Uma cognição distorcida poderá nos levar a termos um entendimento errôneo da realidade provocando o estabelecimento de estressores internos como medo de falhar, depreciação de si, frustração frente à possibilidade de não conseguir atender as diversas demandas vividas, alterações de humor e no que tange as emoções, entre outras. Os estudos sobre stress apontam uma série de estressores que podem ser chamados de universais, porque são eventos em geral estressantes para as pessoas. Nessa categoria incluem-se, o exemplo, as mortes em família, separações, doenças crônicas, desemprego e congestionamento de trânsito. Entretanto, um fato potencialmente estressor é definido como um estressor real a partir da reação do organismo a este fato (Guimarães, 2007, p. 64), a 11 21 autora faz relação do stress com a forma como percebemos os episódios dizendo que: “...não é o fato em si que desencadeia o stress, mas a percepção que a pessoa tem da situação como um todo” (p. 64-5). Então, se um evento irá ou não valer-se de fonte de stress passará pelo crivo da percepção do individuo. A autora continua: [...] Muito do stress que experimentamos é resultado do seguimento de regras por preocupação ou medo, ou pela necessidade de agradar pessoas que podem ter certas expectativas em relação a nosso comportamento. O pior é que, em geral, esse seguimento inadequado de regras é feito sem questionamento das conseqüências, eficácia, ou mesmo da razão das regras seguidas (Guimarães, 2007, p. 67) Isso pode incidir pela ocorrência da falta de um senso crítico por parte do indivíduo que pode ter suas ações é norteadas pelo senso comum. As crenças em jogo podem levar o indivíduo a um grande desconforto e desencadear stress. Guimarães (2007) fala da auto-eficácia que é o razoável controle que o individuo possuí sobre as situações que vivem, e que é um importante mecanismo para determinar as condições de reação emocional e como ira enfrentar a situação estressante. Quanto mais positivo for a concepção de sua capacidade e eficiência frente às situações melhor será sua adaptação e equilíbrio perante os diversos entraves vividos. E por acreditarem que podem solucionar a maioria dos obstáculos, diminuem o sentimento de frustração, o que possibilita a emissão de respostas mais qualitativas frente o meio pelo qual esta exposto. Num mundo cada vez mais frenético, repleto de pressa e que o compasso inabalável é a mudança, alteram-se a cadência das relações. E em meio à correria do dia-a-dia diminuemse os espaços para uma melhor vivência das relações do indivíduo com seus pares. [...] não é fora do comum que os conflitos nos quais se envolvam, em casa ou no trabalho, frequentemente se agravem, pois a falta de tempo e a pressa, muitas vezes obrigam a pessoa a ser muito direta, preocupada com a resolução do problema e não com os sentimentos das pessoas envolvidas (Malagris, 2007, p. 21) Neste cenário, a mulher esta cada vez mais exposta ao stress, e muito se dá pela quantidade de papéis que ela desempenha, diferentemente de outras épocas (é mãe, esposa, 22 12 aluna, profissional, chefe de família, etc.) e por muitas responsabilidades que outrora era exclusiva ao sexo oposto, como a responsabilidade de chefiar uma família. Tanganelli (2003), diz que o sexo feminino está sujeito a fatores estressores que dizem respeito à condição da mulher na vida moderna. “As fontes de stress representam preocupações e dificuldades relacionadas aos filhos, à situação econômica, ao estado civil, à vida afetiva, a sobrecarga além das ligadas ao trabalho. As mulheres chefes de família freqüentemente se sentem inseguras frente à situação econômica, necessidade de amar e serem amadas. Demonstram insegurança quanto ao futuro dos filhos e quanto ao fato de terem que assumir duplas funções que freqüentemente são chamadas a desempenhar” (Tanganelli, 2003, p. 206) Espera-se encontrar na família um espaço de conforto e de acolhimento. Mas devido as constantes mudanças sociais provocadas pelos efeitos colaterais da globalização a instituição familiar foi gravemente afetada, alterando profundamente suas relações e estrutura. Com o distanciamento dos pares familiares devido à falta de tempo abre-se campo para o surgimento de conflitos e a possibilidade do stress instaurar-se. Segundo Lipp (2007) muitos estudos têm enfocado os efeitos que uma família disfuncional pode ter em seus membros. Cita que o ato de morarem na mesma casa pode gerar um stress até mais poderoso do que aquele que advém de outras fontes, porque é nela que se espera encontrar conforto para as dificuldades do viver. As dificuldades de lidar com as pressões do dia-a-dia como: problemas financeiros, familiares, violência, mau relacionamento com seus pares, possibilitam o surgimento do stress entre outros problemas, resultando numa sobrecarga de nossos órgãos vitais e afetando diretamente a qualidade das intervenções no mundo. Dependendo do nível de stress em que o indivíduo se encontra, alguns aspectos gerados podem atrapalhar no desenvolvimento de algumas de suas atividades, como exemplo o ato de estudar. Neste exemplo o stress poderia afetar muito a aquisição de novos conhecimentos e segundo Lipp (2000) o ser humano estressado mostra irritação e impaciência, além de dificuldade de concentrar-se e de pensar de modo racional e lógico. 13 23 Outras questões poderiam ser citadas diminuição do nível de energia, estima baixa e os problemas com a memória. A postura do educador pode ser uma grande barreira e um agravante de todos os aspectos ocasionados pelo stress. O aluno chega até a sala de aula, repleto de expectativas e não vêm vazios, trazem consigo diversas crenças e muitos destes conceitos (ou destas crenças) serão reforçados ou refutados durante o processo de ensino-aprendizagem. Uma das formas que podem contribuir para o agravamento do stress já existente é quando não há sinergia entre as partes envolvidas nesta relação. Em vários momentos notamos um velho paradigma presente no sistema educacional que trata a educação como uma “fábrica” que visa preparar os alunos para os desafios da vida. Makiguti (2004) traz um outro ângulo para o objetivo do estudo: “O estudo não deve ser visto como preparação para a vida; ao contrário, ele deve acontecer enquanto se vive, e o viver acontece em meio ao estudo. Estudo e vida real precisam ser considerados mais do que paralelos; pois devem trocar informações entre si e as interpenetrar de acordo com cada contexto, o estudo na vida e a vida no estudo, por toda a existência do indivíduo. Neste sentido, o que passa a ser o ponto principal das mudanças propostas não é o melhor orçamento econômico dos programas escolares, mas a introdução da alegria e do gosto pelo trabalho (Makiguti, 2004, p.)”. 14 24 CAPÍTULO II EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 2.1 Percurso Histórico Em meados de 1824 é outorgada a primeira Constituição que trata o Ensino Primário na forma de Lei. “A instrução Primária é Gratuita a todos os cidadãos (Artigo 179)”. Mas as Leis tratam do assunto de forma muito substancial, pois não permeia os caminhos a serem percorridos para que saiam efetivamente do papel. Consta de 1827 à criação de escolas de Primeiras Letras em todas as cidades, vilas e lugarejos, escolas de meninas nas cidades mais numerosas, dispositivos que nunca foram cumpridos. As primeiras escolas normais são criadas em 1830 no Rio de Janeiro e Bahia. Na capital do Império (1875) foram instituídas duas escolas normais, uma para cada sexo, transformadas depois em escola únicas em 1880, quando iniciou realmente o desenvolvimento das escolas normais no Brasil. O ensino funcionava de forma desordenada. Para entrar no ensino Secundário não era necessário cursar o ensino Primário. O ensino Secundário tinha sua freqüência livre, sem organização hierárquica das disciplinas e das séries. Para o ingresso no ensino Superior também não era necessário ter cursado o ensino Secundário. 2.2 Liga Brasileira contra o Analfabetismo Em 1915 é formalizado no Rio de Janeiro a Liga Brasileira contra o analfabetismo e tinha o seguinte lema: “Combater o analfabetismo é dever de honra de todo brasileiro”. Os principais objetivos desta liga eram reunir professores em caráter provisório; estabelecer leis de exclusão das funções públicas de qualquer natureza aos analfabetos; criação de impostos municipais sobre estabelecimentos industriais; agrícolas e comerciais que tivessem a seu serviço analfabetos de qualquer idade ou sexo; ensinar leitura, escrita, aritmética, desenho geométrico e noções de instrução cívica. Objetivava-se com estas iniciativas garantir a obrigatoriedade do ensino primário e extinção do analfabetismo até o ano de 1922 (Freire, 1993). 15 25 Apesar das tentativas de erradicação do analfabetismo os dados de 1920 evidencia-se que 65,4% da população encontrava-se na situação de analfabetos. Os altos índices de analfabetismo suscitam entre os educadores, a busca por políticas públicas que pudessem garantir melhores condições de ensino e a instalação de mais escolas para atender jovens e adultos (Haddad; Pierro, 2000). Com o término da Primeira Guerra Mundial, com a industrialização e urbanização, emerge a nova burguesia, o que exige o acesso à educação provocando a eminência de uma educação acadêmica e elitista, enquanto que todo remanescente da população continua analfabeta e a margem desta esfera social. [...] Nos anos 20 aparecem os primeiros profissionais da educação que tentaram sustentar a crença em seu descompromisso com idéias políticas defendendo o tecnicismo em educação e trazendo implícita a aceitação das idéias políticas dos que governam, a educação popular vinculada pelo entusiasmo na educação nada mais foi do que uma expansão das bases eleitorais, pois a preocupação maior estava vinculada ao aumento do poder da classe burguesa (Paiva, 1987, p.28). 2.3 Fundação da Associação Brasileira de Educação A Liga Brasileira contra o analfabetismo é extinta em 1924. Neste mesmo ano é fundada a Associação Brasileira de Educação, com a missão de promover encontros e conferencias sobre a educação. Este período é marcado pela preocupação da sociedade com a educação. São realizadas três conferências nacionais em educação sendo: a primeira em Curitiba no ano de 1927, a segunda em Belo Horizonte no ano de 1928 e por fim a terceira em São Paulo em 1929. Freire (2001) destaca que a escolaridade é considerada pela sociedade civil como sendo uma importante ferramenta para resolução de problemas políticos, econômicos e sociais do país, mas com restrito acesso da população. Graças a Revolução de 30 e as mudanças políticas e econômicas decorrentes, foi possível o início da consolidação de um sistema político de educação elementar no país, ocorrendo conseqüentemente, experiências significativas na área, para adolescentes e adultos. 16 26 A demanda provocada pelo processo de urbanização e industrialização exigia a ampliação da escolarização 2.4 A Constituição de 1934 A Constituição de 1934 foi um grande marco no tocante as educações deste país, somente então, aparecem juntas, leis que tratam da gratuidade e obrigatoriedade do ensino de Primeiro Grau: Ensino Primário Integral gratuito e a freqüência obrigatória, extensiva aos adultos. Depois disso nunca o conceito de gratuidade e obrigatoriedade deixou de fazer parte de nossa Constituição. Na mesma Constituição (artigo 149) diz: “A educação é direito de todos”. Apesar da existência desta prerrogativa, grande parte dos brasileiros encontrava-se à margem desta realidade, e pela primeira vez obrigam-se os poderes públicos a destinarem um mínimo de investimento na educação. 2.5 Fundo Nacional do Ensino Primário É instituído em 1942 o Fundo Nacional do Ensino Primário (FNEP) com o objetivo e estender o programa de educação primária de forma a incluir o ensino supletivo. Mas somente em 1945 como Decreto nº. 19.513 é regulamentado que 25% dos recursos do FNEP fossem destinados a educação de jovens e adultos. E com a criação da Organização Nacional Educacional, Cientifica e Cultural (UNESCO) as desigualdades sociais ganham um papel de destaque e passam a ser denunciadas e a educação é enfocada como chave para superação desses problemas e passa ser cada vez mais valorizada e fundamental para o amplo desenvolvimento das nações. Na década de 40 registra-se que 54,5% da população ainda encontram-se na situação de analfabetismo. Este período foi importantíssimo para a educação de Adultos, por surgirem importantes iniciativas políticas e pedagógicas tais como: regulamentação do Decreto nº. 8529 de janeiro de 1946, onde é estabelecida a Lei Orgânica do ensino primário que prevê o Curso Supletivo, a regulamentação do FNEP, lançamento da Campanha da Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), criação do Instituto Nacional de Educação e pesquisa (INEP), com intuito de incentivar e realizar estudos na área; surgimento das primeiras obras 17 27 especificamente dedicadas ao ensino supletivo; preocupação com a elaboração de material didático para adultos e as realizações de dois eventos fundamentais para a área: O primeiro Congresso Nacional de Educação de Adultos realizado em 1947 e o Seminário Interamericano de Educação de Adultos de 1949. 2.6 Primeiro Congresso de Educação de Jovens e Adultos Após o congresso o I Congresso de educação de Adultos ocorrida em 1947, várias campanhas se efetivam com o objetivo de atuar na erradicação do analfabetismo. A partir desta conferência organiza-se entre o período de 1947 a 1958 a Educação de Adultos. No ano de 1947 a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos acontece alvitrando integrar os analfabetos, qualificar sua mão de obra e aumentar a produção (Casério, 2003; Silva, 2001). É no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) que pela primeira vez contemplase o setor de educação com 3,4% do total de investimentos previstos. O objetivo era a formação de profissionais orientados para as metas de desenvolvimento do país, em face as grandes transformações ocorridas no país. Entre as grandes mudanças estavam o levante da industria nacional, entre elas o destaque para o setor automobilístico e a área da Construção Civil. 2.7 Realização de Programas e Movimentos para o EJA No período de 1959 a 1964 são realizados diversos movimentos e programas para a Educação de Adultos tais como: Movimento de Educação de Base (1961), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, patrocinado pelo Governo Federal e o Movimento de Cultura Popular de Recife (1961); os Centros Populares de Cultura, órgãos culturais da União Nacional dos Estudantes (UNE); a Campanha pé no chão também se aprende a ler (1961) da Secretaria Municipal de Educação de Natal; o Programa de Emergência (1962); I Encontro Nacional de Alfabetização de Mobilização Nacional contra o Analfabetismo (1962); Programa Nacional de Alfabetização de Ministério da Educação e Cultura. (Paiva, 1973; Haddad; Pierrô, 2000; Casério, 2003) 18 28 A partir de 1960, na voz de Paulo Freire, começava uma discussão a cerca de uma educação de adultos crítica, voltada à transformação social e não apenas à adaptação da população. A lei nº. 4.024/61 é a Primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Esta lei trata da obrigatoriedade do ensino a partir dos 07 anos de idade e diz que aos que iniciassem após esta data estudariam em classes especiais ou cursos supletivos condizentes ao seu nível escolar. O último dos programas nacionais desse ciclo, organizado pelo Ministério da Educação em 1964, foi o Programa Nacional de Alfabetização de Adultos, cujo embasamento estava voltado a orientações de Paulo Freire. Todas estas experiências desapareceram por intermédio do período da Ditadura Militar. O regime militar organiza o MOBRAL (movimento Brasileiro de Alfabetização), onde é amplamente ofertada a todos os cantos deste país. As finalidades da educação no MOBRAL consistiam em práticas e técnicas de ler, escrever e contar, motivar o aluno, com alvo à formação acelerada de mão de obra voltada para o mercado de trabalho. Através da educação buscou-se contribuir para a política de desenvolvimento instaurada na época (Jannuzzi, 1979; Paiva, 1973; Haddad; Pierro, 2000). De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) o MOBRAL mobilizou grande parte da população brasileira, levando conhecimento da leitura, da escrita e do cálculo às classes menos favorecidas e periferias mais afastadas do país, aproximadamente 4,9 milhões de adolescentes e adultos foram letrados (BRASIL, 1973). Apesar deste contingente de pessoas que aprenderam a ler e a escrever de acordo com os dados do IBGE 33% da população com 15 anos ou mais ainda encontrava-se na condição de analfabeto. 2.8 Regras para Educação Supletiva, criação do Telecurso 2000 A lei n. 5.692/71 consagrara a extensão da educação básica obrigatória de quatro para oito anos, constituindo o ensino de primeiro grau e, simultaneamente dispôs as regras para o provimento da educação supletiva, que corresponde ao ensino de jovens e adultos. Surge em 1978 através da iniciativa privada o Telecurso 2000, destinada aos jovens e adultos na faixa dos 15 anos ou mais. O Telecurso 2000 é um sistema supletivo que abarca o ensino fundamental e médio e que foi desenvolvido pela Fundação Roberto Marinho pela 19 29 Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP). Esta modalidade da educação de jovens e adultos é realizada a distância ou semi-presencial e tem como objetivo elevar o nível de escolaridade dos trabalhadores brasileiros. Após um longo período de serviços prestados, o MOBRAL é extinto e a Fundação Educar assumi esse espaço de trabalho. 2.9 Constituição de 1988 A Constituição Federal de 1988 determina a elaboração do Plano Nacional de Educação, integrando ações do Poder Público que conduzem à erradicação do analfabetismo. Os déficits do atendimento no Ensino Fundamental resultaram, ao longo dos anos em um grande número de jovens e adultos que não tiveram acesso ou não lograram terminar esse nível de ensino obrigatório. Os dados oficiais de 1980 apontam nova queda no número de analfabetos, cujo número expresso ainda é considerado alto, pois 25,5% ainda permanecem como analfabetos. 2.10 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nº. 9.394/96 A atual LDB, lei n. 9.394/96 trata da Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos artigos 37 e 38, como modalidade de ensino a ser oferecida a todos os cidadãos que não tiveram acesso educação em idade própria, conforme previsto na atual Constituição. A EJA foi vista como uma forma de compensação e não como direito. Essa visão só é revista a partir atual LDB onde a Educação de jovens e Adultos é posta como mecanismo de reparação e de eqüidade. Segundo as Diretrizes propostas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) relativa à Educação de Jovens e Adultos, revelam que: 20 30 [...] as profundas transformações que vêm ocorrendo em escala mundial, em virtude do acelerado avanço científico e tecnológico e do fenômeno da globalização, têm implicações diretas nos valores culturais, na organização das rotinas individuais, nas relações sociais, na participação política, assim como, na reorganização do mundo do trabalho (Plano Nacional de Educação, lei n. 10.172/01) Haddad e Di Pierro (2000, p37) fazendo um movimento a qual consideram “surpreendente”, quando, a partir de 1995 o MEC retira-se da oferta direta do ensino a Jovens e adultos. Esta responsabilidade aparece em outros ministérios como: Plano Nacional de Formação do Trabalhador (PLANFOR), coordenado pela Secretaria de Formação e Desenvolvimento Profissional do Ministério do Trabalho, implantado em 1996; Programa de Alfabetização Solidária (PAS), coordenado pelo Conselho da Comunidade Solidária, vinculado a Presidência da República e implantado em 1997; e o programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), coordenado pelo instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), vinculado ao Ministério Extraordinário da Política Fundiária (MEPF), que iniciou suas operações a partir de 1998. A LDB de 1996 determina aos sistemas de ensino assegurar cursos e exames que proporcionem oportunidades educacionais apropriadas aos interesses, condições de vida e trabalho dos jovens e aos adultos. Estipula ainda que o acesso e permanência dos trabalhadores na escola sejam viabilizados e por ações integradas do Poder Federal, Estadual e Municipal Em 2000 o Conselho Nacional de Educação através de uma resolução delimitou a idade mínima para ingresso na educação de jovens e adultos aos 14 anos para a etapa Fundamental do ensino e 17 para o Ensino Médio Sobre o tema, a Lei 10.172/2001 do PNE definiu 26 metas prioritárias para o decênio 2001-2011, entre elas: alfabetizar em cinco anos dois terços da população analfabeta, de forma a erradicar o analfabetismo em uma década; assegurar, em cinco anos, a oferta do primeiro segmento do Ensino Fundamental para 50% da população com mais de 15 anos que não tenha atingido este nível de escolaridade; atender no segundo segmento do Ensino Fundamental toda a população com mais de 15 anos que tenha concluído a etapa precedente; dobrar em cinco anos, e quadruplicar em dez anos, o atendimento de jovens e adultos no Ensino Médio. 21 31 Vemos através desta passagem algumas importantes passagens a cerca da história da educação deste país, e em especial a Educação de Jovens e Adultos, um longo caminho ainda tem ter ser trilhado principalmente porque segundo dados apresentados pelo IBGE (2008) existem ainda cerca de 14 milhões de pessoas com 15 anos ou mais como analfabetos (10% do total da população) 22 32 CAPÍTULO III 3.1 OBJETIVOS 3.1.1 Objetivo Geral: Verificar os níveis de stress em alunos jovens e adultos do ensino médio da EJA. 3.1.2 Objetivos Específicos: Verificar os níveis de stress e suas respectivas fases descritas por Lipp (2003) nos sujeitos do estudo; Identificar os principais estressores; Identificar os principais sintomas do stress; Identificar as principais dificuldades encontradas pelos alunos 3.2 MÉTODO 3.2.1 Local O presente estudo foi desenvolvido em uma escola estadual localizadas no extremo leste da Cidade de São Paulo, no bairro de São Miguel Paulista. A unidade escolar é composta por três períodos, sendo atendidos no período Diurno e Vespertino o Ensino Fundamental I e período noturno direcionado para o ensino da EJA de ensino médio. A escola esta inserida numa região bastante carente, situando-se entre duas favelas. Os alunos são provenientes principalmente destas favelas e de bairros adjacentes. 23 33 Na ocasião da pesquisa a Instituição contava com um contingente de mil e setenta e cinco (1075) alunos, sendo: oitocentos e sessenta e dois (862) do ensino Fundamental I e duzentos e treze (213) ao ensino da EJA, estando os alunos da Eja divididos em: sessenta e três (63) alunos no primeiro ano, setenta e um (71) do segundo e setenta e nove (79) do terceiro ano do ensino médio. 3.2.2 Amostra Na ocasião da pesquisa a escola contava com duzentos e treze (213) alunos em curso no ensino médio da EJA e deste montante, 45%, ou seja, noventa e cinco (95) alunos compreendem a amostra desta pesquisa, sendo 50 (53%) do sexo masculino e 45 (47%) do sexo feminino Compõe a amostra de sujeitos alunos do primeiro, segundo e terceiro termo (primeiro, segundo e terceiro ano respectivamente) do ensino médio da EJA. Os alunos do ano letivo de 2009 compreendiam a faixa de 17 a 61 anos de idade, sendo 27 (vinte e sete) alunos do primeiro termo, 32 (trinta e dois) alunos do segundo termo e e 36 (trinta e seis) alunos do terceiro termo. 3.2.3 Instrumentos Foram utilizados para a coleta de dados dos alunos: Termo de Consentimento Livre Esclarecido (anexo A), Inventário de Sintomas de Stress de Lipp – ISSL (anexo B) e Questionário Sócio-demográfico (anexo C). O Inventário de Sintomas de Stress de Lipp – ISSL é composto por 53 questões e divididos em três quadros que se referem as quatro fases do stress. O primeiro quadro se é composto de 12 sintomas físicos e 03 psicológicos, o respondente assinala F1 ou P1 os sintomas físicos ou psicológicos que tenha experimentado nas últimas 24hs. No segundo, composto de dez sintomas físicos e cinco psicológicos, marcam-se com F2 ou P2 os sintomas experimentados na última semana. No quadro 3, composto de doze sintomas físicos e onze 24 34 psicológicos, assinalam-se com F3 ou P3 os sintomas experimentados no último mês. Como a aplicação do teste ocorreu em grupo, foram lidos item por item vagarosamente e o próprio sujeito da pesquisa escreve a resposta, marcando um X nos sintomas experimentados por eles segundo os respectivos quadros. É ressaltado na aplicação o período pelo qual cada quadro se refere. Houve a necessidade também de substituir alguns termos do ISSL para facilitar a compreensão dos respondentes. Exemplo: Aumento de sudorese para suadeira, hiperventilação para respirar ofegante ou rápido, sensibilidade emotiva excessiva para estar muito nervoso, etc. O questionário Sócio-demográfico inclui os seguintes dados: idade, cidade de origem, nacionalidade, situação conjugal, ocupação, renda familiar, profissão, região onde trabalha em caso de empregado, se em caso de empregado vai do trabalho pra escola, quanto tempo utiliza para retornar do trabalho em caso de empregado, quantas conduções utiliza no trajeto trabalho/escola, com quem mora, quantas pessoas residem com o respondente, como é seu relacionamento familiar, quantos anos esteve fora da escola, o que o motivou a retornar aos estudos, em que ano escolar se encontra, as principais dificuldades sentidas atualmente, como é seu relacionamento com os colegas de classe e seu relacionamento com o professor. 3.2.4 Procedimentos Para viabilização da pesquisa foram realizados contatos com a instituição de ensino para autorização de acesso aos sujeitos da pesquisa e liberação de informações sobre as características de interesse da amostra. Nessa ocasião, foram oferecidas todas as informações referentes aos objetivos, instrumentos, duração, procedimentos de coleta de dados, a forma de devolução dos dados e os cuidados éticos a serem observados e compartilhados com os participantes da pesquisa. Foi frisado que a participação ocorreria de forma voluntária e o convite para participação e a aplicação do protocolo de instrumentos seriam feitos pelo responsável da pesquisa. Após o aval da diretora da instituição escolar, foi solicitado pela mesma que fosse agendada com a coordenadora pedagógica da escola do período noturno, as datas para aplicação dos instrumentos da pesquisa. 25 35 Conforme as datas previamente agendadas, a primeira coleta foi realizada nos dias 29 de junho e 02 de julho de 2009, no horário normal de funcionamento das aulas, ou seja, das 19hs às 23hs. Antes do inicio da coleta, foi realizado prévio esclarecimento sobre os objetivos da pesquisa, enfatizando que a participação seria realizada voluntariamente. Após a averiguação dos voluntários é repassado a todos os Termos de Consentimento Livre Esclarecido (ver anexo A). O pesquisador solicitou que os alunos o lessem e com a compreensão do mesmo pudessem assiná-lo. Em seguida, foi procedida à entrega dos questionários (ver anexo C), a aplicação do ISSL (ver anexo B) após a sua devida explicação. 3.2.5 Plano de Análise dos Dados Os instrumentos utilizados nesta pesquisa forma, inicialmente, submetidos a exame preliminar para constatar se os mesmos haviam sido respondidos. Nenhum instrumento foi descartado. Alguns questionários apresentaram lacunas em branco, sendo estes identificados nos resultados como: “não respondeu”. Após a organização dos dados coletados foi procedida a análise dos mesmo. Os dados obtidos a partir de ISSL foram utilizados os critérios fornecidos pelo “Manual do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (2007), com intuito de levantar o nível de stress do contingente de alunos do ensino médio da EJA. Todos os dados coletados (ISSL e Questionário Sócio-demográfico) foram digitados em planilhas do Microsoft Office 2003 (Excel). Foram feitas as análises de freqüências e porcentagens e cruzamentos simples de duas variáveis, relativo ao resultado da ocorrência, ou não, de estresse entre os alunos respondentes. 26 36 CAPÍTULO IV 4. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS Para uma melhor compreensão e apresentação dos dados coletados nesta pesquisa os resultados serão apresentados em sessões com discussões concomitantes, cabendo ao final uma discussão global dos mesmos. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA 4.1.1 Questionários sócio-demográficos Tabela 4.1.1 Divisão de sujeitos por gênero. Freqüência Sexo Freqüência relativa (%) Masculino 50 53 Feminino 45 47 95 100 Total De acordo com a tabela 4.1.1, 95 sujeitos participaram da pesquisa. O maior percentual de alunos do sexo masculino (53%) e a partir da Tabela 4.1.2 observamos a distribuição do gênero a partir do ano de estudo. 27 37 Tabela 4.1.2 Divisão de sujeitos por gênero e ano de estudo. Homens 1º ano 2º ano 13 15 Freqüência Freq Relativa 3º ano % 22 50 53 45 47 Mulheres 1º ano 2º ano 14 17 3º ano 14 A tabela 4.1.2 apresenta divisão de sujeitos por gênero, bem como sua distribuição em cada ano de estudo. Tabela 4.1.3 Divisão de sujeitos por faixa etária e ano de estudo. Frequencia Idades 1º ano 2º ano 3º ano Freq. Relativa (%) 17 - 19 anos 6 7 5 18 19 20 - 29 anos 10 13 17 40 42 30 - 39 anos 7 10 10 27 29 40 - 49 anos 3 1 1 5 5 50 - 59 anos 1 1 2 4 4 60 - 69 anos 0 0 1 1 1 Total 27 32 36 95 100 61% dos sujeitos pesquisados têm idade inferior a 30 anos, sendo a faixa etária de 20 à 29 anos de maior participação neste estudo (42% do total) e apenas 10% encontram-se na faixa etária que vai de 40 à 69 anos de idade. 28 38 Tabela 4.1.4 Distribuição dos alunos, segundo Estado Civil Freqüência Estado Civil Freq. Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Solteiro 13 14 16 43 45 Solteiro com companheiro(a) 2 4 5 11 12 Casado 12 12 13 37 39 Separado 0 2 0 2 2 Viúvo 0 0 0 0 0 Cerca de 45% dos respondentes afirmam ser solteiros, seguido por 39% que declararam ser casados. Tabela 4.1.5 Divisão por situação econômica (empregado/ desempregado) Frequencia Freq. Relativa Ocupação 1º ano 2º ano 3º ano (%) Empregado 11 17 25 53 56 Desempregado (*) 16 15 11 42 44 56% afirmam estar empregados e dos 44% restantes, 8% se dizem desempregados, porém, desenvolvem algum tipo de atividade profissional. 29 39 Tabela 4.1.6 Divisão por categorias profissionais A principal categoria profissional presente na amostra é a área de serviços sendo representada por 37% e estão incluídas profissões como: diarista, jardineiro, pintor de autos, motoboy, cabeleireiro, instalador comercial, manicure, encanador, pedreiro, balconista, atendente e porteiro. 30 40 Tabela 4.1.7 Divisão de sujeitos por Renda Familiar Freqüência Renda Familiar Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Até 1/2 Salário Mínimo 2 1 0 3 3 01 Salário Mínimo 9 10 5 24 25 02 Salários Mínimos 11 11 18 40 42 03 Salários Mínimos 2 3 12 17 18 Acima de 03 Salário Mínimos 3 5 1 9 10 Não responderam 0 2 0 2 2 28% percebem a renda familiar de até 01 salário mínimo e utilizando a freqüência acumulado vemos que 42% da amostra possui a Renda Familiar de até 02 salários mínimos. Tabela 4.1.8 Distribuição de sujeitos por Região onde trabalha em caso de empregado Região de trabalho Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Zona Leste 5 15 19 39 64 Centro 3 9 8 20 33 Zona Norte 0 1 2 3 5 Zona Oeste 0 0 2 2 3 Zona Sul 0 1 1 2 3 Outras regiões 2 0 0 2 3 Não respondeu 1 0 0 1 2 Os sujeitos declarados empregados trabalham na Zona Leste de São Paulo (64%), mesma região onde fica localizada o domicilio escolar. E conforme tabela 4.1.8, 61% dos alunos que se dizem empregados vão direto do trabalho para a escola 31 41 Tabela 4.1.9 Em caso de empregado, vai do trabalho direto pra escola ? Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) sim 9 12 16 37 61 não 3 10 11 24 39 61% dos alunos participantes da pesquisa e que se dizem desenvolver alguma atividade profissional (56% empregados mais 8% dos que se julgam desempregados) dizem ir direto do local de trabalho para a escola. Tabela 4.1.10 Em caso de empregado, quanto tempo utiliza para retornar do trabalho? Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Até 30 minutos 3 6 8 17 27 até 01 hora 5 9 9 23 38 até duas horas 3 7 8 18 30 acima de duas horas 1 0 2 3 5 38% dos respondentes afirmam gastar até 01 hora e outros 30% até duas horas para retornar (ir) do trabalho. 32 42 Tabela 4.1.11 Em caso de empregado, quanta condução utiliza no trajeto trabalho/ escola? Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) 01 condução 1 6 8 15 25 02 conduções 6 9 9 24 39 03 ou mais 1 2 4 7 11 Nenhuma 1 4 5 10 16 Veículo próprio 1 1 0 2 3 Não respondeu 2 0 1 3 5 39% dos alunos que exercem algum tipo de atividade profissional utilizam 02 conduções no trajeto trabalho/ escola, contra 25% dos que utilizam apenas 01 condução. Tabela 4.1.12 Distribuição conforme com quem reside Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Pais 8 10 13 31 33 Cônjuge e/ou companheiro (a) 13 13 16 42 44 Parentes (avós, tios, primos, etc.) 1 4 1 6 6 Amigos 0 0 0 0 0 Sozinho 1 3 2 6 6 Outros 2 2 3 7 8 Não respondeu 2 0 1 3 3 44% dos alunos dizem morar com cônjuge ou companheiro, enquanto outros 33% residem com pais e 6% moram sozinhos. 33 43 Tabela 4.1.13 Distribuição conforme quantidades de pessoas que residem com o respondente Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Mora Sozinho 1 3 2 6 6 01 pessoa 2 1 3 6 6 02 pessoas 7 4 6 17 18 03 pessoas 6 4 13 23 24 04 pessoas 6 7 7 20 21 05 pessoas 4 8 2 14 15 Acima de 05 pessoas 1 5 3 9 10 Cerca de 24% dos respondentes disseram morar com mais 03 integrantes, outros 21% com mais 04 pessoas e apenas 06% reside sozinho. Os resultados apresentados nas tabelas 4.1.1 a 4.1.13 mostram que 28% dos alunos participantes da pesquisa estavam no primeiro ano de estudo, 32% no segundo e 36% do terceiro ano. 53% do público entrevistado eram do sexo masculino e houve grande concentração de alunos na faixa de idade entre 17 e 29 anos (61% do total). 4.2 Percepção dos alunos quanto ao nível de satisfação nas relações estabelecidas com familiares, colegas de classe e professores. Os resultados das tabelas 4.2.1, 4.2.2 e 4.2.3 indicam que os alunos possuem um ótimo nível de satisfação nas relações estabelecidas; familiar (44%), com colegas (47%) e com professores (59%). 34 44 Tabela 4.2.1 Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com familiares Freqüência Grau de satisfação Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Ótimo 13 18 11 42 44 Satisfatório 7 5 13 25 26 Regular 6 7 10 23 24 Ruim 1 2 1 4 5 Não respondeu 0 0 1 1 1 A grande maioria dos alunos (44%) consideram ótimo ou regular (26%) o relacionamento estabelecido com seus familiares e outros 29% dos alunos consideram a relação estabelecida com seus familiares Regular ou Ruim. Tabela 4.2.2 Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com colegas de classe Grau de satisfação Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Ótimo 11 17 17 45 47 Satisfatório 11 8 15 34 36 Regular 4 7 2 13 14 Ruim 1 0 2 3 3 Apenas 17% dos alunos consideram a relação estabelecida com seus colegas de classe Regular ou Ruim. 35 45 Tabela 4.2.3 Distribuição conforme nível de satisfação nas relações estabelecidas com os professores Grau de satisfação Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Ótimo 18 22 16 56 59 Satisfatório 5 5 16 26 27 Regular 4 5 4 13 14 Ruim 0 0 0 0 0 Nenhum 2 1 2 5 5 Não respondeu 0 0 1 1 1 59% dos alunos afirmam ser ótimas as relações estabelecidas com os professores e 14% afirmam ser regular esta relação. 4.3 Percepção dos alunos quanto às principias dificuldades sentidas, motivações para retornar os estudos e anos fora do contexto escolar. 36 46 Tabela 4.3.1 Distribuição conforme principais dificuldades sentidas pelos alunos Principais dificuldades Freqüência Freq Relativa (%) Compreender os conteúdos 34 36 Memória 30 32 Cansaço físico e mental 30 32 Lidar com pressão e cobranças 26 27 Falta de concentração 24 25 Falta de atenção 15 16 Sonolência 13 14 Vontade de abandonar os estudos 5 5 Desinteresse pelos estudos 3 3 Outros 2 2 Nenhuma 1 1 Não respondeu 4 4 Segundo os dados levantados às três principais dificuldades sentidas pelos alunos na escola são: compreender os conteúdos (36%), dificuldade com memória (32%) e Cansaço físico e mental (32%). As dificuldades menos sentidas foram: vontade de abandonar os estudos (5%) e desinteresse pelos estudos (3%). 37 47 Tabela 4.3.2 Distribuição conforme motivações para retornar os estudos Freqüência Freq Relativa Motivações (%) Dar continuidade aos estudos após a conclusão do Ensino Médio 50 53 Desejo de conseguir emprego melhor 24 25 Desejo pessoal de concluir os estudos 23 24 Imposição do empregador 9 9 Outros 2 2 Não respondeu 3 3 As principais motivações em retornar os estudos estão ligadas os seus desejos pessoais de concluir os estudos, seja para dar continuidade aos estudos após a conclusão do Ensino Médio (53%), seja pela possibilidade de conseguir um emprego melhor (25%), ou pelo desejo pessoal de concluir os estudos (24%) e outros 09% foram movidos pela imposição do empregador para que concluíssem o ensino médio. Tabela 4.3.3 Distribuição conforme anos fora da escola Freqüência Anos fora da escola Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) até 01 anos 3 4 2 9 9 até 02 anos 5 5 4 14 15 de 03 à 05 anos 4 7 8 19 20 de 06 à 10 anos 5 5 9 19 20 de 11 à 15 anos 3 5 7 15 16 acima de 15 anos 5 5 3 13 14 40% dos alunos estão fora do contexto escolar entre 03 e 10 anos e outros 24% estão fora da escola a menos de 02 anos. 38 48 4.4 Perfil da amostra Tabela 4.4.1 Distribuição de alunos com e sem stress Freqüência Freq Relativa Geral (%) Sem Stress 53 56 Com Stress 42 44 Total 95 100 Tabela 4.4.2 Distribuição de alunos com e sem stress segundo gênero Sexo Total de Sujeitos Sujeitos c/ stress Freq Relativa (%) Masculino 50 17 34 Feminino 45 25 56 As tabelas 4.4.1 e 4.4.2 mostram que 44% da amostra têm stress, sendo que a maior concentração de alunos com stress é do gênero feminino (56%). Tabela 4.4.3 Distribuição de alunos com e sem stress segundo as fases Fase do Stress Freqüência Freq Relativa (%) Sem Stress 53 56 Alerta 1 1 Resistência 34 36 Quase - Exaustão 6 6 Exaustão 1 1 TOTAL 95 100 39 49 Tabela 4.4.4 Distribuição segundo Predominância de Sintomas Predominância Freqüência Freq Relativa de sintomas (%) Físicos 8 19 Psicológicos 31 74 Físicos/ Psicológicos 3 7 TOTAL 42 100 A predominância de sintomas de stress nos alunos participantes da pesquisa concentram nos psicológicos (74%), versus 19% de sintomas físicos. Tabela 4.4.5 Distribuição segundo gênero e fases do stress Sexo Masculino Fase do Stress Freqüência Freq Relativa Sexo Feminino Freqüência (%) Freq Relativa (%) Alerta 1 2 0 0 Resistência 15 30 19 42 Quase - Exaustão 1 2 5 11 Exaustão 0 0 1 2 TOTAL 17 34 25 56 A fase de maior incidência de stress é a de resistência, correspondendo a 72% de todos os sujeitos com stress. 40 50 Tabela 4.4.6 Distribuição segundo fases do stress e ano de estudo Primeiro Ano Segundo Ano Terceiro Ano Fase do Stress Frequencia Freq Relativa Frequencia Freq Relativa (%) Frequencia Freq Relativa (%) (%) Sem Stress 9 9 22 23 22 23 Alerta 0 0 1 1 0 0 Resistência 15 16 8 8 11 12 Quase-Exaustão 3 3 1 1 2 2 Exaustão 0 0 0 0 1 1 TOTAL 27 28 32 34 36 38 Tabela 4.4.7 Distribuição do stress segundo ano de estudo. Primeiro Ano Geral Freqüência Freq Relativa (%) Sem Stress 9 33 Com Stress 18 67 Total 27 100 Tabela 4.4.8 Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo e gênero. Primeiro Ano Primeiro Ano Sexo Masculino Sexo Feminino Freqüência Freq Relativa Fase do Stress Freqüência (%) Freq Relativa (%) Sem Stress 6 22 3 11 Alerta 0 0 0 0 Resistência 6 22 9 33 Quase - Exaustão 1 4 2 7 Exaustão 0 0 0 0 TOTAL 13 48 14 52 51 41 Tabela 4.4.9 Distribuição do stress segundo ano de estudo. Segundo Ano Geral Freqüência Freq Relativa (%) Sem Stress 22 69 Com Stress 10 31 Total 32 100 Tabela 4.4.10 Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo. Segundo Ano Segundo Ano Sexo Masculino Freqüência Fase do Stress Sexo Feminino Freq Relativa Freqüência Freq Relativa (%) (%) Sem Stress 12 38 10 31 Alerta 1 3 0 0 Resistência 2 6 6 19 Quase - Exaustão 0 0 1 3 Exaustão 0 0 0 0 TOTAL 15 47 17 53 Tabela 4.4.11 Distribuição do stress segundo ano de estudo. Terceiro Ano Geral Freqüência Freq Relativa (%) Sem Stress 22 61 Com Stress 14 39 Total 36 100 42 52 Tabela 4.4.12 Distribuição do stress segundo as fases e ano de estudo. Terceiro Ano Terceiro Ano Sexo Masculino Freqüência Freq Relativa Fase do Stress Sexo Feminino Freqüência (%) Freq Relativa (%) Sem Stress 15 42 7 19 Alerta 0 0 0 0 Resistência 7 19 4 11 Quase - Exaustão 0 0 2 6 Exaustão 0 0 1 3 TOTAL 22 61 14 39 As os dados das tabelas 4.4.1 à 4.4.12 mostram que 44% da amostra têm stress, sendo verificada que a maior concentração de alunos com stress esta no gênero feminino (56%). A maior predominância de sintomas de stress é psicológica (74%), versus 19% de sintomas físicos. 43% dos alunos com stress são do primeiro ano, 24% do segundo e 33% do terceiro ano de estudo. 67% dos alunos do Primeiro Ano apresentam stress, seguidos por 31% do Segundo e 39% Terceiro ano de estudo. Com relação ao ano de estudo fica evidente uma grande disparidade de stress, comparando-se os gêneros. No primeiro ano 54% do sexo masculino e 79% do sexo feminino dos alunos participantes da pesquisa têm stress, no Segundo Ano 20% do gênero masculino possui stress e 41% do feminino, no Terceiro Ano 50% dos alunos do gênero feminino contra 32% do masculino. 43 53 4.5 Perfil dos sujeitos com stress Tabela 4.5.1 Distribuição de alunos conforme o gênero Sexo Sujeitos c/ stress Freq Relativa (%) Masculino 17 34 Feminino 25 56 Tabela 4.5.2 Distribuição das fases do stress segundo Gênero Sexo Masculino Fase do Stress Freqüência Sexo Feminino Freq Realtiva Freqüência (%) Freq Relativa (%) Alerta 1 2 0 0 Resistência 15 30 19 42 Quase - Exaustão 1 2 5 11 Exaustão 0 0 1 2 TOTAL 17 34 25 56 Tabela 4.5.3 Distribuição de alunos conforme a faixa etária Idades Freqüência Freq Relativa (%) 17 - 19 anos 6 14 20 - 29 anos 15 36 30 - 39 anos 17 40 40 - 49 anos 3 7 50 - 59 anos 1 2 60 - 69 anos 0 0 Total 42 100 54 44 Tabela 4.5.4 Distribuição de alunos conforme fases do stress e ano de estudo Primeiro Ano Fase do Stress Segundo Ano Terceiro Ano Freqüência Freq Relativa Freqüência Freq Relativa Freqüência Freq Relativa (%) (%) Alerta 0 0 1 2 0 0 Resistência 15 36 8 19 11 26 Quase- Exaustão 3 7 1 2 2 5 Exaustão 0 0 0 0 1 2 TOTAL 18 43 10 24 14 33 Tabela 4.5.5 Distribuição de alunos conforme estado civil 1º ano 2º ano 3º ano Freqüência Freq Relativa Solteiro 8 3 7 18 43 Solteiro com companheiro(a) 1 1 2 4 10 Casado 9 5 3 17 40 Separado 0 1 2 3 7 Viúvo 0 0 0 0 0 TOTAL 18 10 14 42 100 Tabela 4.5.6 Distribuição de alunos com stress, conforme situação econômica. Freqüência Situação Econômica Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano Empregado 9 7 8 24 57 Desempregado 9 3 6 18 43 TOTAL 18 10 14 42 100 45 55 (%) Tabela 4.5.7 Distribuição de alunos com stress, segundo a profissão Profissões Freqüência Freq Relativa (%) Diarista/ Doméstica 6 75 Do lar 5 45 Não Citou 5 12 Estudante 4 40 Auxiliar Administrativo 3 60 Ajudante geral 3 60 Costureiro 2 67 Balconista 2 100 Autônomo 1 33 Corretor Plano de Saúde 1 50 Metalúrgico 1 50 Operador de Caixa 1 50 Atendente 1 100 Auxiliar de Farmácia 1 100 Coordenador de Trafego 1 100 Impressor Silk Screem 1 100 Instalador comercial 1 100 Jardineiro 1 100 Motoboy 1 100 Separadora 1 100 TOTAL 42 46 56 Tabela 4.5.8 Distribuição de alunos com stress, segundo renda familiar. Freqüência Freq Relativa Renda familiar 1º ano 2º ano 3º ano (%) Até 1/2 Salário Mínimo 2 0 0 2 5 01 Salário Mínimo 5 2 4 11 26 02 Salários Mínimos 7 3 5 15 36 03 Salários Mínimos 1 3 4 8 19 Acima de 03 Salários Mínimos 2 2 1 5 12 Não responderam 1 0 0 1 2 TOTAL 18 10 14 42 100 Tabela 4.5.9 Distribuição de alunos com stress, vai do trabalho direto para escola em caso de empregado. Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Sim 8 4 4 16 59 Não 2 4 5 11 41 TOTAL 10 8 9 27 100 Tabela 5.5.10 Distribuição de alunos com stress. Quanto tempo utiliza para retornar do trabalho em caso de empregado. Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano Até 30 minutos 2 0 3 5 19 até 01 hora 5 3 2 10 37 até duas horas 3 5 4 12 44 acima de duas horas 0 0 0 0 0 TOTAL 10 8 9 27 100 57 47 (%) Tabela 4.5.11 Distribuição de alunos com stress. Em caso de empregado, quanto à condução utiliza no trajeto trabalho/ escola? Frequencia Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) 01 condução 1 3 2 6 22 02 conduções 6 3 4 13 48 03 ou mais 1 2 1 4 15 Nenhuma 1 0 2 3 11 Veículo próprio 1 0 0 1 4 Não respondeu 0 0 0 0 0 TOTAL 10 8 9 27 100 Tabela 4.5.12 Distribuição de alunos com stress. Reside com quem? Freqüência Freq Relativa Com quem reside 1º ano 2º ano 3º ano Pais 3 2 6 11 26 Cônjuge e/ou companheiro (a) 11 5 5 21 50 Parentes (avós, tios, primos, etc.) 1 2 0 3 7 Amigos 0 0 0 0 0 Sozinho 1 1 0 2 5 Outros 2 0 3 5 12 Não respondeu 0 0 0 0 0 TOTAL 18 10 14 42 100 48 58 % Tabela 4.5.13 Distribuição de alunos com stress. Quantas pessoas residem com você? Freqüência Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) Mora Sozinho 1 1 0 2 5 01 pessoa 1 0 2 3 7 02 pessoas 6 1 2 9 21 03 pessoas 5 2 4 11 26 04 pessoas 4 2 3 9 21 05 pessoas 1 3 1 5 12 Acima de 05 pessoas 0 1 2 3 7 TOTAL 18 10 14 42 100 Tabela 4.5.14 Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento familiar. Frequencia Freq Relativa Grau de satisfação 1º ano 2º ano 3º ano Ótimo 8 6 2 16 38 Satisfatório 6 2 6 14 33 Regular 4 1 6 11 26 Ruim 0 1 0 1 2 Não respondeu 0 0 0 0 0 TOTAL 18 10 14 42 100 49 59 (%) Tabela 4.5.15 Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento com colegas de classe. Frequencia Freq Relativa Grau de satisfação 1º ano 2º ano 3º ano (%) Ótimo 8 5 5 18 43 Satisfatório 8 2 7 17 40 Regular 1 3 1 5 12 Ruim 1 0 1 2 5 TOTAL 18 10 14 42 100 Tabela 4.5.16 Distribuição de alunos com stress, segundo nível de satisfação segundo relacionamento com seus professores. Frequencia Freq Relativa Grau de satisfação 1º ano 2º ano 3º ano Ótimo 13 8 7 28 67 Satisfatório 5 1 6 12 29 Regular 0 1 1 2 5 Ruim 0 0 0 0 0 TOTAL 18 10 14 42 100 50 60 (%) Tabela 4.5.17 Distribuição de alunos com stress. Anos fora do contexto escolar Frequencia Anos fora da escola Freq Relativa 1º ano 2º ano 3º ano (%) até 01 anos 2 1 1 4 10 de 01 à 02 anos 4 1 3 8 19 de 03 à 05 anos 1 3 3 7 17 de 06 à 10 anos 5 0 2 7 17 de 11 à 15 anos 2 3 2 7 17 Acima de 15 anos 3 2 2 7 17 Nenhum 1 0 1 2 5 Não respondeu 0 0 0 0 0 TOTAL 18 10 14 42 100 Tabela 4.5.18 Distribuição de alunos com stress. Principais dificuldades sentidas pelos alunos Freqüência Freq Relativa Principais dificuldades 1º ano 2º ano 3º ano (%) Cansaço físico e mental 8 6 9 23 55 Compreender os conteúdos 8 4 5 17 40 Memória 4 5 8 17 40 cobranças 9 2 2 13 31 Falta de concentração 5 1 5 11 26 Falta de atenção 4 2 2 8 19 Sonolência 3 1 3 7 17 Vontade de abandonar os estudos 4 1 0 5 12 Desinteresse pelos estudos 1 0 0 1 2 Outros 1 0 0 1 2 Nenhuma 0 0 0 0 0 Não respondeu 0 0 0 0 0 Lidar com a pressão e as 51 61 4.6 Stress versus faixa etária Tabela 4.6.1 Distribuição de Stress versus faixa etária. Geral Total Sujeitos Sujeitos c/ stress 17 - 19 anos 18 6 Freq Relativa (%) 33 20 - 29 anos 40 15 38 30 - 39 anos 27 17 63 40 - 49 anos 5 3 60 50 - 59 anos 4 1 25 60 - 69 anos 1 0 0 TOTAL 95 42 Idades Os índices mais elevados de stress situaram-se na faixa etária dos 30 à 39 anos (63%), seguidos pelos que possuíam entre 40 e 49 anos (60%). 52 62 4.7 Stress por ano de estudo Tabela 4.7.1 Distribuição de alunos com stress. Primeiro ano de estudo Os índices mais elevados de stress situaram-se na faixa etária dos 30 à 39 anos (86%), seguidos pelos que possuíam entre 20 à 29 anos (70%) e 40 e 49 anos (67%). 53 63 Tabela 4.7.2 Distribuição de alunos com stress. Segundo ano de estudo 54 64 Tabela 4.7.3 Distribuição de alunos com stress. Terceiro ano de estudo 55 65 4.8 Sintomas citados no teste ISSL Tabela 4.8.1 Distribuições de sintomas segundo Últimas 24 horas Freqüência Sintomas últimas 24hs Freq Relativa (%) Mãos e Pés Frios 21 22 Boca Seca 15 16 Nó no Estômago 8 8 Aumento de Sudorese 12 13 Tensão Muscular 33 35 Aperto da Mandíbula/ Ranger os Dentes 9 9 Diarréia Passageira 4 4 Insônia 47 49 Taquicardia 11 12 Hiperventilação 12 13 Hipertensão Arterial Súbita e Passageira 4 4 Mudança de Apetite 30 32 Aumento Súbito de Motivação 20 21 Entusiasmo Súbito 14 15 Vontade Súbita de Iniciar Novos Projetos 44 46 56 66 Tabela 4.8.2 Distribuições de sintomas segundo Última Semana Freqüência Sintomas – Última Semana Freq Relativa (%) Problemas com a memória 37 39 Mal-estar generalizado sem causa especifica 18 19 Formigamento das extremidades 14 15 Sensação de desgaste físico constante 42 44 Mudança de apetite 25 26 Aparecimento de problemas dermatológicos 13 14 Hipertensão arterial 7 7 Cansaço constante 41 43 0 0 Tontura/ sensação de estar flutuando 16 17 Sensibilidade emotiva excessiva 36 38 Dúvida quanto a si próprio 23 24 Pensar constantemente em um só assunto 48 51 Irritabilidade excessiva 28 29 Diminuição da libido 12 13 Aparecimento de úlcera 57 67 Tabela 4.8.3 Distribuições de sintomas segundo Último Mês Sintomas – Último Mês Freqüência Freq Relativa (%) Diarréia freqüente 1 1 Dificuldades sexuais 8 8 Insônia 39 41 Náusea 6 6 Tiques 7 7 Hipertensão arterial continuada 3 3 Problemas Dermatológicos prolongados 9 9 Mudança extrema de apetite 18 19 Excesso de gases 11 12 Tontura freqüente 9 9 Úlcera 3 3 Enfarte 0 0 Impossibilidade de trabalhar 9 9 17 18 áreas 19 20 Vontade de fugir de tudo 31 33 Apatia, depressão ou raiva prolongada 20 21 Cansaço excessivo 27 28 24 25 28 29 Angústia/ ansiedade diária 30 32 Hipersensibilidade emotiva 15 16 Perda do senso de humor 26 27 Pesadelos Sensação de incompetência em todas as Pensar/ falar constantemente num único assunto Irritabilidade sem causa aparente 58 68 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Esta pesquisa teve como objetivo verificar os níveis de stress em alunos do ensino Médio da Eja de uma escola estadual no extremo leste da cidade de São Paulo. 61% dos alunos participantes têm idade inferior a 30 anos, sendo que 42% deste total encontram-se na faixa etária de 20 a 29 anos. Afirmaram ser solteiros 45% e outros 39% eram casados. Com relação à renda familiar, 42% afirmam perceber até dois salários mínimos. A percepção dos alunos com relação ao nível de satisfação estabelecida entre seus familiares, colegas de classe e professores foram definidos como ótimo (44%, 47% e 59% respectivamente). Cerca de 40% dos alunos participantes disseram estar fora do contexto escola entre 03 e 10 anos, outros 16% ficaram de 11 a 15 anos e 14% acima de 15 anos. A principal motivação que levaram os sujeitos da pesquisa a retornar os estudos é a possibilidade de dar continuidade aos estudos após a conclusão do ensino médio (53% do total). Os resultados sugerem relação significativa entre processo de stress em 03 variáveis estudadas, a saber: sexo, idade e ano de estudo. A pesquisa evidenciou que 44% da amostra tem stress, sendo 34% do gênero masculino e 56% do feminino. A presença de stress apresentou-se de maneira mais acentuada entre os alunos do Primeiro Ano, quando 67% da amostra apresentam stress, sendo que 79% dos alunos do gênero feminino apresentam stress. Com relação à identificação da ocorrência das fases do processo de stress, foi constatado, a predominância da fase de resistência (81%) e percentuais bem mais baixos de respondentes nas fases de alerta (2%), quase-exaustão (14 %) e exaustão (2%). Os sintomas que predominaram no processo de estresse apresentado pelos alunos foram os sintomas psicológicos (74%) seguidos pelos sintomas físicos (19%) e por fim, pelos sintomas físicos e psicológicos (7%). 59 69 CONSIDERAÇÕES FINAIS A este final, apresentamos algumas considerações acerca da pesquisa realizada: - Houve grande interesse e preocupação no levantamento de estudos científicos brasileiros sobre o stress, mas neste esforço foram encontrados poucos trabalhos sobre a temática, o que prejudicou e trouxe limitações ao estudo comparativo do tema pesquisado; - Sugere-se a extensão de trabalhos voltados ao stress e em particular a temática e modalidade Educação de Jovens e adultos, tendo em vista a baixa produção acadêmica para estes dois temas no país; - Como não há outros trabalhos dirigidos a população semelhante é compreendido a necessidade da realização de estudos semelhantes para que pudéssemos realizar um comparativo das variáveis, bem como: população semelhante, outras regiões (e bairros), outras instituições, etc., e assim, proceder em análises e comparações de estudo; - Como a intenção nesta pesquisa foi o de identificar os níveis de stress em alunos da Educação de jovens e adultos da EJA, outros estudos deveriam ser realizados para que pudesse alvitrar possibilidades de enfrentamento do stress no contexto educacional desta população e assim, aumentarmos as chances de termos um processo de “apreender” com mais significância e valor para os alunos da EJA com a redução do stress; Tendo em vista que, os dados mostraram maior concentração de alunos com stress no primeiro ano de estudo, acredito que os profissionais da educação deveriam buscar alternativas para lidar melhor com estes alunos, que chega até o ambiente escolar, com um nível de stress elevado, estar em posse de expectativas, desejos e ansiedades, o que pode vir a ser prejudicial no seu desempenho frente às diferentes esferas do saber. O profissional da educação por ignorar ou não validar o sujeito singular que se apresenta à sua frente, e por estar preso ao velho paradigma do conhecimento vertical, preocupa-se com o conteúdo a ser apresentado e esquece do ser humano que ali está. Há um termo utilizado na Psicologia propício para o tema, que seria o Raport, que tem como uma de suas frentes, garantir um clima propício para que o “meu cliente” possa utilizar seu repertório 60 70 da melhor forma possível. E como o assunto é educação, “meu cliente” é “meu aluno” que chega até nós repletos de anseios. Muito desses alunos chegam até a escola, com a expectativa de transporem as situações limitadoras de seu cotidiano com o auxílio da educação, seja para superar seu status financeiro, seja para seu desenvolvimento humano. Precisamos criar espaços para que o aluno possa valer-se dos aspectos positivos encontrados no stress, pois esta fase esta repleta de adrenalina, que gera uma sensação de motivação e o desejo de realização de novos projetos, que deveriam ser amplamente explorados no processo de aprendizagem, para que a aquisição de novos saberes aconteça de uma forma “menos estressante”. 61 71 REFERENCIAS ALCINO, A. B. Criando stress com o pensamento. In Lipp, M. E. N. (Org.). O stress esta dentro de você. 7º ed. São Paulo: Contexto, 2007. BALLONE, G.J. Estresse - Introdução - in. PsiqWeb, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005, acesso em 10 de janeiro de 2008. BRASIL, Plano Nacional de Educação, Lei n. 10.172 de janeiro de 2001. ________,Constituição da República Federativa do Brasil. 3 ed. Brasília: Horizonte, 1998 ________, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 20 de dezembro de 1996. ________,Ministério da Educação e do Desporto. Instituto Paulo Freire. 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São Paulo: Casa do Psicólogo. 64 74 ANEXOS Anexo A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Prezado(a) Sr.(a) O projeto intitulado: “Níveis de stress no processo de aprendizagem de Jovens e Adultos do Ensino Médio – EJA é uma pesquisa aprovada pelo CEP (Comitê de Ética de Pesquisa) e tem como objetivo geral verificar os níveis de stress de jovens e alunos do ensino médio EJA, e tem como objetivos específicos: Verificar os níveis de stress e suas respectivas fases nos sujeitos do estudo; identificar os principais estressores; identificar os principais sintomas do stress; identificar as principais dificuldades encontradas pelos alunos, e; correlacionar o nível de stress com o desempenho dos alunos no processo educativo. Durante a atividade será entregue um questionário, no qual o entrevistado terá livre arbítrio para escolher se quer ou não responder. A atividade será realizada sem risco. Porém, se este procedimento gerar desconforto, constrangimento ou outra situação negativa qualquer, a participação poderá ser interrompida sem qualquer prejuízo. O entrevistado ficará livre para interromper a qualquer momento sua participação na atividade de campo. Essa participação na atividade de campo é voluntária, sendo que não haverá qualquer forma de remuneração. Os dados pessoais serão mantidos em sigilo e os resultados gerais obtidos através da atividade de campo serão utilizadas apenas para alcançar os objetivos do trabalho, expostos acima, incluída sua participação em sala de aula ou congressos. O entrevistado poderá entrar em contato com o responsável pela atividade de campo, Prof. Ms Amari Goulart sempre que julgar necessário através do telefone: (11) 27637601 ou com o Comitê de Ética e Pesquisa do CEFET-SP pelo telefone: (11) 2763 7546. Este Termo de Consentimento é feito em duas (02) vias, de maneira que uma permanecerá em meu poder e a outra com o aluno responsável e obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre minha participação na referida atividade de campo. Eu_____________________________________________________, ____anos RG:_____________,Residente à _______________________________,n.º____ telefone( ) ___________________, abaixo assinado, dou meu consentimento livre e esclarecido para participar como voluntário(a) da atividade de campo supracitada, sob responsabilidade de Jair Gomes dos Santos, aluno do Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo, e do professor Ms. Amauri Goulart, professor do curso de Pós Graduação. São Paulo_________, de _____________________ de 2009 _________________________________________ Nome e/ou assinatura do voluntário ______________________________ Amari Goulart End: Rua Pedro Vicente, 625 – Canindé/SP E-mail: [email protected] Tel: (11) 2763 7601 65 75 ___________________________ Jair Gomes dos Santos Rg: 29.016.996-3 [email protected] ANEXO B INVENTÁRIO DE SINTOMAS DE STRESS PARA ADULTOS DE LIPP (ISSL) Data de Nascimento:____/____/____Local de nascimento:__________________________ Idade:_______ Sexo: Masc.( ) Fem. ( ) Profissão:___________________________ QUADRO 2a QUADRO 1a a) Assinalar os sintomas que tenha experimentado nas últimas 24hs. a) Assinalar os sintomas que tenha experimentado na última semana. ( ) 1. MÃOS E PÉS FRIOS ( ) 1. PROBLEMAS COM A MEMÓRIA ( ) 2. BOCA SECA ( ) 2. MAL-ESTAR GENERALIZADO SEM CAUSA ESPECIFICA ( ) 3. NÓ NO ESTÔMAGO ( ( ) 4. AUMENTO DE SUDORESE (Muito suor, suadeira) ) 3. FORMIGAMENTO DAS EXTREMIDADES ( ( ) 5. TENSÃO MUSCULAR ) 4. SENSAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO CONSTANTE ( ) 6. APERTO DA MANDÍBULA/ RANGER OS DENTES ( ) 5. MUDANÇA DE APETITE ( ) 7. DIARRÉIA PASSAGEIRA ( ) 8. INSÔNIA (Dificuldade para dormir) ( ( ) 6. APARECIMENTO DE PROBLEMAS DERMATOLOGICOS (Problemas de pele) ) 9. TAQUICARDIA (Batedeira no peito) ( ) 10. HIPERVENTILAÇÃO (Respirar ofegante, rápido) ( ) 11. HIPERTENSÃO ARTERIAL SÚBITA E PASSAGEIRA ( ) 12. MUDANÇA DE APETITE ( ) 14. ENTUSIASMO SÚBITO ( ) 15. VONTADE SÚBITA DE INICIAR NOVOS PROJETOS ( ) 8. CANSAÇO CONSTANTE ( ) 9. APARECIMENTO DE ÚLCERA ( ) 10. TONTURA/ SENSAÇÃO DE ESTAR FLUTUANDO b) Assinalar os sintomas que tenha experimentado na última semana. b) Assinalar os sintomas que tenha experimentado nas últimas 24hs. ) 13. AUMENTO SÚBITO DE MOTIVAÇÃO ) 7. HIPERTENSÃO ARTERIAL (Pressão alta) QUADRO 2b QUADRO 1b ( ( 76 66 ( ) 11. SENSIBILIDADE EMOTIVA EXCESSIVA (estar muito nervoso) ( ) 12. DÚVIDA QUANTO A SI PRÓPRIO. ( ) 13. PENSAR CONSTANTEMENTE EM UM SÓ ASSUNTO ( ) 14. IRRITABILIDADE EXCESSIVA ( ) 15. DIMINUIÇÃO DA LIBIDO (Sem vontade de sexo) QUADRO 3a QUADRO 3b a) Assinalar os sintomas que tenha experimentado no último mês. b) Assinalar os sintomas que tenha experimentado no último mês. ( ) 1. DIARRÉIA FREQUENTE ( ( ) 2. DIFICULDADES SEXUAIS ) 13. IMPOSSIBILIDADE DE TRABALHAR ( ) 3. INSÔNIA (Dificuldade para dormir) ( ) 14. PESADELOS ( ) 15. SENSAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA EM TODAS AS ÁREAS ) 16. VONTADE DE FUGIR DE TUDO ( ) 4. NÁUSEA ( ) 5. TIQUES ( ( ) 6. HIPERTENSÃO ARTERIAL CONTINUADA (Pressão alta) ( ) 17. APATIA, DEPRESSÃO OU RAIVA PROLONGADA ( ( ) 7. PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS PROLONGADOS (Problemas de pele) ( ( ) 19. PENSAR/ FALAR CONSTANTEMENTE NUM ÚNICO ASSUNTO ) 8. MUDANÇA EXTREMA DE APETITE ( ) 9. EXCESSO DE GASES ( ) 10. TONTURA FREQUENTE ( ) 11. ÚLCERA ( ) 12. ENFARTE ) 18. CANSAÇO EXCESSIVO ( ) 20. IRRITABILIDADE SEM CAUSA APARENTE ( ) 21. ANGÚSTIA/ ANSIEDADE DIÁRIA ( ) 22. HIPERSENSIBILIDADE EMOTIVA ( 67 77 ) 23. PERDA DO SENSO DE HUMOR ANEXO C QUESTIONÁRIO SÓCIO-DEMOGRÁFICO 7868