EDITORIAL SUMÁRIO PERFÍL CORREIO LEITOR CALEIDOSCÓPIO EM FOCO REPORTAGEM OPINIÃO ENSAIO CRÓNICA ENTREVISTA SP TÉCNICA 01. Exemplo de técnica Lange 1 Fases da Lua. Análise de alguns aspectos técnicos e funções de especial interesse no exame da versão com fases da Lua do Lange 1, o relógio mais emblemático da Lange & Söhne. O por Dody Giussani – L’Orologio Lange 1 Fases da Lua da Lange & Söhne apre- 1· Eis como aparece o mostrador do novo Lange 1 fases da Lua. senta o mesmo mostrador do pioneiro Lange Salvaguardado o jogo dos círculos no mostrador, a janela das fases da 1 – o modelo que assinou o renascimento da Lua encontra a sua colocação muito naturalmente no interior do prestigiada casa saxónia – sem nenhuma al- mostrador pequeno dos segundos entre os algarismos quatro e cin- teração nas linhas, mas com a adição de co. O índex e os ponteiros sofreram ainda uma pequena remode- uma complicação geralmente apreciada/re- lação, tendo-se acrescentado um dispositivo luminoso para a legibili- jeitada que constitui a mais simples das indi- cações astrológicas de sempre, ou seja das que fazem dade na escuridão de todas as indicações. Eis as suas características técnicas: caixa em ouro rosa de 18 quilates, sonhar todo e qualquer amante de relojoaria antiga: as fases da lua. Às vidro de safira convexo, fundo selado com seis parafusos, mostrador indicações habituais das horas e dos minutos somam-se assim as fas- em prata maciça, correia em pele de crocodilo com fivela, preço es da Lua, a janela da data grande (característica fundamental dos reló- 21.200. gios Lange), o indicador de reserva de marcha e o mostrador pequeno do segundos. 2· O mostrador do calibre L901.0, primogénito do calibre 901.5 com O mecanismo L901.5, resultado do acréscimo das funções das fases fases da Lua. Em primeiro lugar e de forma bastante evidente, da Lua no calibre L901.0 que equipa o Lange 1 original, é um calibre aparece a janela da data com dois algarismos separados, típica da mecânico de corda manual com duplo tambor e reserva de marcha de marca. Os algarismos não se encontram colocados ao longo de um mais de setenta e duas horas. disco único, como sucede nas janelas de data tradicionais. As Muitas das características técnicas deste relógio pertencem à tradição dezenas e as unidades encontram-se divididas entre dois discos dife- relojoeira alemã e constituem um cunho de fábrica dos relógios rentes da data. O disco das unidades conta de zero a nove e tem a Lange, começando pela platina de três quartos em alpaca (assim co- fo- rma clássica de uma coroa circular. Já o disco das dezenas é mais mo a platina de base) e acabando pelos rubis engastados em ouro propriamente chamado de Cruz de Malta, pela forma como é realiza- aparafusados e também com uma frequência de oscilação do balanço- do: apresentam-se os algarismos de um a três sobre três braços da Cruz espiral de 21.600 alternâncias por hora (em geral, os modelos Lange de Malta do disco da data, ao passo que o quarto braço permanece bran- optam preferencialmente por uma frequência base de funcionamen- co para a indicação da data dos dias do primeiro ao nono dia do mês. to que no Datograph alcança as 18.000 alternâncias por hora). O calibre Lange 901.0 de corda manual que equipa o Lange 1 origi- Nada foi alterado no calibre de base com a introdução das fases da nal está montado com 53 rubis, dos quais nove estão engastados em Lua, antes pelo contrário: o L901.5 constitui uma mais-valia relativa- ouro; a frequência de oscilação do balanço aparafusado é de 21 600 mente ao que eram as características próprias de um movimento já alternâncias por hora e o registo de precisão adoptado pela raqueta é de si bem conseguido. Vamos então apreciá-lo mais de perto. com pescoço de cisne. 084 | ESPIRAL 02. © Argò Editore / Alessandro Neri ESPIRAL | 085 EDITORIAL SUMÁRIO PERFÍL CORREIO LEITOR CALEIDOSCÓPIO EM FOCO REPORTAGEM OPINIÃO ENSAIO CRÓNICA ENTREVISTA SP TÉCNICA Lange 1 Fases da Lua to o quarto dente, muito próximo do anterior, faz avançar a cruz so- dário, na janela da direita deve permanecer afixado o número um, 4· Na figura, ilustra-se o princípio do funcionamento da data do mente dois dias após o último accionamento, de modo a efectuar a para indicar o primeiro dia do mês a começar. Por isso, na posição Lange 1 Fases da Lua. Na parte inferior do desenho, estão respectiva- passagem do 31 para o primeiro dia do mês seguinte. De facto, entre correspondente a este arranque do disco do calendário, na roda de mente representadas a roda de accionamento do calendário (1), as a data 30 do mês caduco e a data do primeiro dia do mês seguinte in- programa (2) faltam os dentes necessários que fazem avançar o dis- rodas de programa do disco (2) e da Cruz de Malta (3). As três terpõem-se somente dois dias e já não dez dias, como sucede no resto co, que por sua vez permanece parado por 24 horas. Nas 24 horas rodas, solidária entre elas, estão montadas num eixo do sistema (como entre o primeiro e o décimo, o décimo e o vigési- que passam entre dois accionamentos consecutivos do calendário, a mo, e finalmente o vigésimo e o trigésimo dias) . roda de accionamento (1) conserva-se segura a uma mola de flexão Da mesma forma, a roda de programa do disco do calendário (2) ac- (6). A extremidade da mola que faz pressão contra os dentes da roda próprio, como indica o desenho. Na metade superior da figura pode observar-se o sistema de accionamento do calendário. O eixo das rodas, que no movi- ciona o disco a cada passo efectuado pela roda de accionamento (1) de accionamento é realizada no mesmo material dos rubis mento acciona a roda das horas (5) e conse- que lhe é solidária. O disco do calendário onde estão assinaladas as para diminuir o atrito e, por conseguinte, a energia exigida pelo quentemente a roda do calendário, encontra-se unidades salta, à meia-noite em ponto, todos os dias do mês (ou se- accionamento. simplificada neste desenho e reduzida a uma só ja, a cada 24 horas), à excepção do dia 31. Efectivamente, na passagem roda (4) com um número de dentes duplicado de 31 para o primeiro dia do mês seguinte, enquanto a cruz deve 5· O mecanismo do calendário montado. em relação à roda das horas (5), que efectua saltar para fazer desaparecer o três da janela da esquerda do calen- No desenho estão indicadas as principais componentes. A roda de uma volta em 24 horas (dado que a roda de horas (5) dá uma volta em 12 horas). Desta roda, é solidário um dedo (roda com um só dente) que a 05. Roda de accionamento do disco do calendário Disco do calendário cada 24 horas, ou seja à meia-noite em ponto, solta a roda de accionamento (1) e consequentemente as rodas de programa. As rodas de programa accionam respectivamente a Cruz de Malta e o disco 03. do calendário. A roda de programa da Cruz de Malta do calendário (3) está equipada com quatro dentes, um para cada braço da Cruz de Malta. Em cada dez dias, um dos três primeiros dentes da roda de programa (equidistantes entre eles) encontra-se no posicionamento correc3· O novo calibre to para proporcionar o salto da Cruz de Malta do calendário, enquan- L901.5 (desenvolvido a partir do calibre 901.0) visto do lado do Roda do programa do disco do mostrador. Deste lado do movimento foi colocado o mecanismo das fases da Lua, cujo disco se apresenta sob o mostrador do relógio. Tra- calendário 04. ta-se de um mecanismo relativamente simples que prende o movimento da roda das horas do próprio calibre, porém a sua particularidade está na precisão que consegue alcançar. No caso do Lange 1 Roda de accionamento do calendário Fases da Lua, a inevitável diferença entre a duração média efectiva de uma fase da Lua (29 dias, 12 horas, 44 minutos e 3 segundos) e a indicação fornecida pelo relógio encontra-se reduzida a 1,9 segundo por dia, ou seja 57 segundos por fase da Lua. Para percebermos a sua aproximação, só após 122,6 anos de funcionamento é que a diferença entre uma Lua Cheia efectiva e a indicação fornecida pelo relógio irá Cruz do calendário corresponder à duração de um dia. Todavia, tal ‘erro’ também é facilmente evitável corrigindo a indicação com a ajuda do comando na parte lateral da caixa situado entre as sete e as oito horas (na verdade, o uso do comando é verdadeiramente necessário para acertar a indiRoda das horas cação das fases da Lua quando o relógio permanece parado por mais de um dia). Tamanha precisão é conseguida graças ao uso de três rodas que se unem à roda das horas, cujo eixo pode ver-se emergir da platina, muito perto das nove horas no disco das fases da Lua. O avançar do disco é contínuo durante as vinte e quatro horas. O mecanismo das fases da Lua do calibre L901.5 encontra-se colocado por baixo Conector rápido alavanca de accionamento do mostrador, mas não apresenta incidência alguma sobre a altura do movimento, mercê das ‘fresagens’ realizadas propositadamente na platina. Relativamente ao calibre L901.0, o novo L901.5 apresenta mais um rubi (cinquenta e quatro no total, dos quais nove engastados em ouro). 086 | ESPIRAL ESPIRAL | 087 EDITORIAL SUMÁRIO PERFÍL CORREIO LEITOR CALEIDOSCÓPIO EM FOCO REPORTAGEM OPINIÃO ENSAIO CRÓNICA ENTREVISTA SP TÉCNICA Lange 1 Fases da Lua 07. programa do disco do calendário está perfeitamente sobreposta à ro- roda 1 é estruturada de forma a transmitir o movimento num só sen- da de programa da Cruz de Malta, razão pela qual esta última tido de rotação, para interromper a ligação entre o sector com dentes (número 3 na figura 4) não aparece no mesmo desenho. Como se (solidário do ponteiro de reserva de marcha) e a coroa do tambor, du- pode ver, obtém-se o accionamento do disco do calendário depen- rante a fase de reserva em que o sector com dentes é accionado no dente da respectiva roda de programa por meio de uma roda especial sentido contrário (aos ponteiros do relógio) da roda de accionamento, que engrena sobre os dentes internos do disco (ro- 2. da de accionamento do disco do calendário). Para além disso, neste desenho completo do mecanismo pode observar-se a rodagem com- 8· O calibre L091.5 que pleta que transmite o movimento da roda das horas à roda do ac- equipa o novo Lange cionamento do calendário (montada no mesmo eixo e solidária das Fases da Lua visto rodas do programa). do lado do fun- A correcção rápida do calendário efectua-se com a ajuda de um co- do. Esta face mando colocado na parte lateral do relógio. Esse comando vai em- do movi- purrar a alavanca de accionamento do corrector rápido, que é consti- mento tuído também por uma segunda alavanca que move directamente o não 08. calendário. Obviamente que é preciso estar-se atento, de forma a não efectuar a correcção por alturas da passagem da meia-noite, quando a roda de accionamento está já encaixada nas rodagens do calendário; caso contrário, o movimento poderia ficar danificado. 06. 6· O desenho em rodapé da página 101 mostra os dois tambores que equipam o movimento L901.5, montados e ligados em série. gundo tambor, pelo que, com o esgotamento da reserva de marcha, apresenta A colocação em série dos dois tambores influi pouco, relativamente à o seu movimento no mostrador tende a abrandar. diferenças colocação em paralelo (isto é, com os dois tambores colocados um substanciais em encima do outro) sobre a notavelmente escassa espessura do Lange 1. 7· O mecanismo da reserva de marcha. relação ao primogénito, Os dois tambores estão interligados por uma roda intermédia que O tambor mencionado no desenho é o segundo na figura superior, o calibre L901.0, dado que a engrena com a coroa do primeiro tambor e ainda com um pinhão representada à esquerda. Durante o funcionamento do relógio, o grande novidade (as fases da Lua) solidário do eixo do segundo tambor. Com este tipo de ligação, a dis- ponteiro da reserva de marcha, solidário do sector com dentes roda se encontra confinada no seu lado opos- tribuição da energia é equiparada entre os dois tambores no primeiro no sentido dos ponteiros, prendendo o movimento da coroa do tam- to. Porém, continuam sendo apreciadas as carac- período de funcionamento do relógio, enquanto é solicitada maiori- bor através da rodagem que acaba na roda 1 – ao passo que, na fase terísticas inconfundíveis dos calibres Lange, a começar pela tariamente ao primeiro tambor mais perto do fim da reserva de mar- de funcionamento, o ponteiro roda no sentido contrário aos pon- cor prateada da alpaca, e acabando pela ponte do balanço delicada- cha. O ponteiro da reserva de marcha encontra-se colocado no se- teiros, prendendo o movimento do eixo do tambor com a roda 2. A mente decorada com recortes realizados exclusivamente à mão. 088 | ESPIRAL ESPIRAL | 089