INFLUÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE NA FORMAÇÃO DA PAISAGEM DOS BAIRROS DO EIXO OESTE BRAGA, Fernando Gomes 1 LARA, Rafael Bonfim 2 INTRODUÇÃO A industrialização na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) contribuiu significativamente para o crescimento demográfico dos municípios desta região, favorecendo o surgimento de uma paisagem urbana marcada pela disparidade de paisagens. Segundo CULLEN (2006), a paisagem urbana surge, na maioria das vezes, como uma sucessão de surpresas e revelações súbitas. À medida que o observador se desloca, o espaço se revela através de fragmentos visuais que, uma vez remontado cognitivamente, permitirá a compreensão do ambiente, processo no qual ele denomina de “visão serial”. Essa visão serial observada no percurso ao longo da Avenida Amazonas e BR-381, espaço conhecido como Eixo-Oeste da RMBH, mostra é um exemplo particular da formação destas diferentes paisagens urbanas, resultantes de um mesmo processo de ocupação. A paisagem, como realidade, representa uma espacialidade determinada que é fruto de uma estrutura dinâmica e em permanente transformação. Por ser uma consequência direta da ação do homem sobre o território, a forma urbana e a paisagem que dela resulta, apresenta-se como um valor relevante que é representativo da identidade cultural e social das pessoas que habitam o local tornando-se, por isso, objeto de estudo e reflexão. Tendo a importância da questão metropolitana para a constituição do espaço urbano brasileiro e do papel centralizador da Região Metropolitana de Belo Horizonte para o Estado de Minas Gerais, este projeto de pesquisa propõe analisar as diferentes paisagens existentes no eixo oeste desta região e quais foram (ou são) as influências do desenvolvimento industrial da Região Metropolitana de Belo Horizonte na formação das paisagens dos bairros do eixo oeste. Analisaremos qual a contribuição social para a formação dessas paisagens e de qual maneira a população que ali reside interfere no meio. 1 2 Instituto Federal de Minas Gerais – campus Ouro Preto, CODAGEO, e-mail: [email protected] Instituto Federal de Minas Gerais – campus Ouro Preto, CODAGEO, e-mail: [email protected] 89 Anais da Semana de Ciência e Tecnologia, Ouro Preto, v. 3, p. 1‐352, 2011. MATERIAIS E METÓDOS Para alcançar o propósito neste Projeto de Pesquisa, deseja-se desenvolver o trabalho partindo do levantamento bibliográfico e documental sobre a historiografia da urbanização, formação e planejamento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde se determinará uma concepção dos aspectos e das situações que envolvem os fenômenos de distorções entre as paisagens locais. Será feito, em trabalho de campo, uma análise sensorial do eixo selecionado com um intervalo fotográfico de aproximadamente 500 metros ao logo da BR 381. Como metodologia do trabalho de campo será utilizado o método de visão serial onde, segundo CULLEN (1960), é uma técnica de leitura cinética de um percurso elegido no espaço urbano que visa identificar em uma sequência de campos visuais os efeitos que mais impactam na percepção sensorial e que transmite informações sobre a configuração física circundante. Isto contribuirá para a descrição das ocorrências identificadas, utilizando distintos aparelhos metodológicos, tais como, conjuntos de elementos fotográficos, entrevistas e questionários a serem aplicados pela população que reside no eixo oeste. Os dados coletados em trabalho de campo, espera-se, irão permitir elaborar um diagnóstico urbanístico da área do Eixo Oeste da RMBH, caracterizando-o em relação à habitação do espaço. Os métodos de observação da paisagem tornarão possível a avaliação de um conjunto de princípios de aglomeração macroespacial desta área, comparativamente a outros processo de desconcentração que vem ocorrendo no restante da metrópole. Neste momento as entrevistas e questionários empregados serão utilizados como auxílio para o ajustamento do diagnóstico quanto às circunstâncias sócio-econômicas do território, contribuindo para o mapeamento das áreas cujas paisagens se diferem. Ao fim das fases acima mencionadas, será possível conhecer a estrutura urbana local, com suas características quanto ao desenvolvimento e transformação do sistema de diversificação habitacional no eixo oeste da RMBH, abordando as tendências e potencialidades dos aspectos sócio-econômicos, da percepção ambiental e da organização comunitária, podendo propiciar a identificação dos principais problemas dentre os aspectos urbanos, caracterizando a paisagem dos bairros da região. RESULTADOS ESPERADOS Para a Geografia, a paisagem consiste em porções do espaço relativamente amplas que se destacavam visualmente por possuírem características físicas e culturais suficientemente homogêneas para assumir uma individualidade. Durante muito tempo os geógrafos aceitaram que a paisagem era a porção do espaço geográfico que se abrangia com o olhar, estudando como paisagem as características deste espaço. Por sua vez, a paisagem urbana é a arte de tornar coerente e organizado, visualmente, o emaranhado de edifícios, ruas e espaços que constituem o ambiente urbano. Esse conceito de paisagem urbana elaborado por CULLEN (1960), exerce forte influencia em arquitetos e urbanistas exatamente 90 Anais da Semana de Ciência e Tecnologia, Ouro Preto, v. 3, p. 1‐352, 2011. porque possibilita análises seqüenciais e dinâmicas da paisagem a partir de premissas estéticas, isto é, quando os elementos e fatores urbanos provocam impactos de ordem social Tendo em vista esse fundamento teórico-epistemológico, ressalta-se a importância de se estudar a formação dos bairros do eixo oeste sob a perspectiva da segregação urbana. O que se pretende aqui é identificar os agentes sociais responsáveis pela reprodução das desigualdades, estimulando uma reflexão sobre os limites e as potencialidades do planejamento urbano. Tendo em conta que a paisagem urbana é uma construção social, faz-se indispensável que a academia promova reflexões sobre alternativas para conciliar as necessidades das indústrias e do mercado imobiliário com a realidade social das populações excluídas ou marginalizadas pelo crescimento econômico acelerado. Nesse sentido, as áreas metropolitanas oferecem um desafio particular, já que tratam-se de espaços que agregam milhões de pessoas e que concentram altos níveis de riqueza e pobreza. As demandas de intervenção pública nas áreas metropolitanas sempre confrontam a necessidade de atração de investimentos e o estímulo a inovação tecnológica com carências, menos rentáveis, de estímulo a economia solidária e integração de populações marginalizadas. A diversidade de situações faz conviver no mesmo espaço carências básicas, como acesso a água, esgoto, energia elétrica, com outras demandas ligadas a emergência do mundo pós-moderno, como acesso a internet wireless e soluções urbanísticas da engenharia civil e de transportes avançada. Todos esses elementos convivem na paisagem do eixo oeste da RMBH, tornando este espaço um interessante laboratório para tais explicações. O que se espera com esta pesquisa, é que, através dos dados levantados possa-se caracterizar a formação da paisagem dos bairros do eixo oeste da Região Metropolitana de Belo Horizonte com base nas influencias da industrialização ocorrida nesta localidade, a fim de proporcionar uma compreensão significativa desta rede urbana bem como compreender todos os elementos que caracterizam a paisagem deste lugar. CONCLUSÃO Espera-se com esta pesquisa, empreender um estudo da paisagem urbana no eixo oeste da Região Metropolitana de Belo Horizonte a partir de uma análise da formação dos bairros localizados ao longo da BR 381. A partir dos marcos teóricos oferecidos pela Geografia e pelo Urbanismo, pretende-se discutir essa região a luz de temas como: segregação sócio espacial, impactos sociais de grandes projetos e, governança metropolitana. 91 Anais da Semana de Ciência e Tecnologia, Ouro Preto, v. 3, p. 1‐352, 2011. BIBLIOGRAFIA ANDRADE, Luciana Teixeira de. Segregação sócio espacial e construção de identidades urbanas na RMBH. Belo Horizonte: PUC Minas, 2003 CULLEN, G. Paisagem Urbana. São Paula: Martins Fontes, 1983 CUNHA, Eglaísa Micheline Pontes e PEDREIRA, Roberto Sampaio. Como anda Belo Horizonte. Brasília: Ministério das Cidades, 2008. DINIZ, Clélio Campolina. Estado e capital estrangeiro na industrialização de Mineira. Belo Horizonte: UFMG/PROED, 1981 FJP/Plambel. O desenvolvimento econômico e social da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1974. MARICATO, Ermínia. Habitação e Cidade. São Paulo: Atual, 1997 MONTE-MÓR, Roberto Luis de Melo. Urbanização e industrialização em Minas Gerais: Considerações sobre o processo recente. Seminário repensando o Brasil pós 60: as mudanças na dinâmica urbanoregional e suas perspectivas. São Paulo, 1984 92 Anais da Semana de Ciência e Tecnologia, Ouro Preto, v. 3, p. 1‐352, 2011.