Educação Física, Lazer e Ciências do Esporte: desafios
para a produção de conhecimentos a partir das
perspectivas das Ciências Humanas e Sociais
Encontro Anual da Rede Cedes 2014
Fernando Mascarenhas
[email protected]
ENCONTRO ANUAL DA REDE CEDES 2014
OBJETIVOS
1.
Discutir as ações realizadas pela “Retomada da Rede Cedes” em 2014 e propostas de
encaminhamentos para as ações da Rede no ano de 2015.
2. Avançar nas reflexões sobre a produção de
conhecimento em Educação Física, Lazer e
Ciências do Esporte: desafios para a
produção de conhecimento a partir da
perspectiva das Ciências Humanas e Sociais.
3.
Apresentar e esclarecer dúvidas sobre orientações quanto passos/gastos referentes a
celebração de parcerias junto à SNELIS/ME.
REDE CEDES
Centros de Desenvolvimento de Esporte Recreativo e de Lazer
desafios para a
produção de
conhecimento a partir
da perspectiva das CHS
...sobre
Esporte
e Lazer
Avançar nas reflexões
Contribuições ao debate
ROTEIRO PARA DISCUSSÃO
1. Estrutura e Organização dos Centros
2. Produção e Fomento de Pesquisas
3. Divulgação e Difusão de Conhecimentos
4. Monitoramento, Controle e Avaliação das Ações
1. Produção e Fomento de
Pesquisas
FOMENTO
O lugar da Rede CEDES no
Orçamento do Esporte
Execução orçamentária do esporte – Série 2001-2012 (valores liquidados;
valores deflacionados pelo IGP-DI em R$ bilhões)
Fonte: SIGA Brasil (Elaboração própria)
Participação do esporte em relação à execução do OFSS e ao PIB – Série 2001-2012
(em %)
Fonte: SIGA Brasil; IBGE (Elaboração própria)
UM INDICADOR DE AVALIAÇÃO
•
•
•
•
•
0,05% de participação do OE no PIB, ótimo;
0,04, bom;
0,03, regular;
0,02, ruim; e,
0,01, péssimo.
Óbvio que aquilo que estamos estabelecendo como ótimo está bem distante
da meta de vinculação de 1% do orçamento da União para o esporte, o que
equivaleria a uma participação perto de 0,4% em relação ao PIB. Ou seja, este
valor “ótimo” corresponde a um montante oito vezes menor que aquele
reivindicado pelas I e II CNEs.
PARTICIPAÇÃO DO ORÇAMENTO DO ESPORTE EM RELAÇÃO AO PIB
O direcionamento dos gastos
Como analisar?
Categorias de análise...
Construímos 5 categorias para além da tradicional análise definida
pelas 3 dimensões do esporte
• As três primeiras correspondem aos objetivos do programa temático
“Esporte e Grandes Eventos”:
– Esporte, Educação Lazer e Inclusão Social (EELIS),
– Esporte de Alto Rendimento (EAR)
– Grandes Eventos
As categorias EELIS e EAR guardam correspondência também com o desenho
institucional do ME
• A quarta corresponde ao “Programa de gestão e manutenção do ME”:
– Gestão.
• Uma última categoria não foi delineada a priori, mas a partir da
exploração dos dados, a saber:
– Infraestrutura
Execução orçamentária do esporte por categoria de gasto – Série 2001-2012 (valores
liquidados; valores deflacionados pelo IGP-DI em R$ milhões e %)
Fonte: SIGA Brasil (Elaboração própria)
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
Gestão
EAR
EELIS
Infraestrutura
Grandes
Eventos
Total
5
3
3
46
47
79
106
106
104
125
163
224
1%
1%
1%
10%
7%
7%
6%
8%
7%
7%
7%
48%
56
74
13
17
46
35
87
47
58
56
96
0
8%
12%
4%
4%
7%
3%
4%
4%
4%
3%
4%
0%
180
111
78
99
210
232
242
227
230
269
242
0
22%
18%
26%
20%
30%
20%
12%
17%
15%
14%
10%
0%
535
426
203
233
369
430
566
851
844
642
1321
60
69%
69%
69%
50%
55%
37%
27%
65%
55%
33%
55%
13%
0
0
0
74
9
380
1076
84
288
841
572
184
0%
0%
0%
16%
1%
33%
51%
6%
19%
43%
24%
40%
776
614
297
469
681
1156 2077 1315 1524 1933 2394
468
Algumas
conclusões
Aumento no volume de recursos destinados ao setor, mas principalmente
pelo incremento e diversificação de fontes complementares
Repasses da loteria é a maior fonte de financiamento do esporte seguida das
receitas ordinárias do orçamento, patrocínio das estatais e patrocínio via
incentivos fiscais
Destinação do orçamento federal subordinada ao clientelismo expresso pelas
emendas parlamentares
Ministério do Esporte é um ministério de obras, o que se reforça a partir da
agenda dos grande eventos
Sobre os grandes eventos, os recursos destinados ao Ministério do Esporte
estão ligados a sua função de coordenação, apoio e preparação , com
exceção do que aconteceu no Pan 2007 e Jogos da Paz 2011
A manifestação esportiva priorizada - em especial, nos últimos anos - é o
esporte espetáculo em detrimento do EELIS e do próprio EAR.
Agentes privilegiados: Família olímpica , clubes de futebol, mais
recetemente, CBC, CBDE e CBDU. (novidade: contrato de desempenho)
O lugar da Rede CEDES
Seis
momentos
1. Parcerias com grupos de pesquisas de Cursos de Educação Física
das Universidades públicas
2. Ampliação de apoio
3. Marcado pela criação, em 2007, de Edital Público anual para
seleção de projetos para apoio a pesquisas de esporte e lazer, que,
em 2011, realizou sua quarta edição
4. Ampliação do fomento e o investimento na gestão do
conhecimento produzido pela Rede, com sua ampla sistematização
e socialização para a qualificação do PELC
5. Identificado pela colaboração do Ministério do Esporte e CNPq na
chamada ME/CNPq n.091/2013, na qual três linhas de pesquisa
foram apoiadas pela Rede Cedes
6. Ocorre com a Chamada Convite de novos projetos no ano de
2014
Do 1º até o 4º momento...
Números totais - Rede Cedes (2004-2010)
Número de Convênios
168
Número de IES
99
UFs envolvidas
22
Pesquisadores
522
Postos de trabalho (bolsistas)
319
Grupos de Pesquisa
103
Total investido
R$ 4 milhões
Fonte: Balanço de Gestão 2003-2010 - ME
Era de Ouro?
Antes do 5º momento... a ruptura...
e a “não-ação”
“Senhor (a) Professor (a);
Cumprimentando-o cordialmente,
agradeço pela apresentação de seu
projeto ao Edital da Chamada
Pública nº 01/2011, ao tempo em
que esclareço que a seleção de
parcerias foi limitada pelas restrições
orçamentárias do exercício passado.”
RESULTADO: 40 projetos não pagos
O (não) lugar da Rede CEDES...
A mobilização dos pesquisadores...
• Antecedente: proposta
do Fundo Setorial do
Esporte
• O fomento via CNPq
• O Encontro Anual de
2013
• Perspectiva de gestão
compartilhada
O 5º momento... A parceria com o CNPq
“A primeira ação executada de 2013 foi a
formalização de termo de cooperação
assinado entre o Ministério do Esporte e o
CNPq com objetivo de ampliar a qualificação
das pesquisas a serem feitas pela Rede, que
resultou em outubro de 2013, na Chamada
ME/CNPq Nº 091/2013” - R$ 18 milhões
LINHAS DE PESQUISAS
1. Legados dos Megaeventos Esportivos
2. Políticas Públicas e Gestão no Esporte e Lazer
3. Esporte de Alto Rendimento
4. Esporte, Lazer e Desenvolvimento Social
5. Equipamentos para Esporte e Lazer
6. Saúde e Medicina Esportiva
Resultado CNPq - Pesquisadores da Rede
Nº
PESQUISADOR
INSTITUIÇÃO
LINHA DE PESQUISA
1 ALYSSON CARVALHO DE ARAÚJO
UFRN
LINHA 1
2 ANA MÁRCIA SILVA
UFG
LINHA 2
3 EDISON LUIS GASTALDO
UFRRJ
LINHA 4
4 ELIZARA CAROLINA MARIN
UFSM
LINHA 4
5 FERNANDO AUGUSTO STAREPRAVO UEM
LINHA 2
6 FRANCISCO XAVIER F. RODRIGUES
UFMT
LINHA 1
7 GISELE MARIA SCHWARTZ
UNESP
LINHA 2
8 HÉLDER FERREIRA ISAYAMA
UFMG
LINHA 2
9 NARA REJANE CRUZ DE OLIVEIRA
USP
LINHA 2
10 ROBERTO RODRIGUES PAES
Unicamp
LINHA 2
11 SUZANA HÜBNER WOLFF
Unisinos
LINHA 2
12 VILDE GOMES DE MENEZES
UFPE
LINHA 2
“Teste de transparência”
Para a onde foram os 18 milhões?
LINHA
SUBMETIDOS
SELECIONADOS
ESTIMADO
PAGO
1. Legados
39
10
5.000.000
1.968.415
2. Políticas e Gestão
64
21
5.000.000
3.533.801
3. EAR
98
7
2.000.000
1.918.177
4. EELIS
38
10
2.000.000
2.221.248
5. Equipamentos
24
9
2.000.000
2.089.460
6. Medicina
227
8
2.000.000
1.829.778
TOTAL
490
65
18.000.000
13.560.879
Resultado CNPq - Pesquisadores da Rede
Nº
PESQUISADOR
INSTITUIÇÃO
1 ALYSSON CARVALHO DE ARAÚJO
UFRN
2 ANA MÁRCIA SILVA
UFG
3 EDISON LUIS GASTALDO
UFRRJ
4 ELIZARA CAROLINA MARIN
UFSM
5 FERNANDO AUGUSTO STAREPRAVO UEM
6 FRANCISCO XAVIER F. RODRIGUES
UFMT
7 GISELE MARIA SCHWARTZ
UNESP
8 HÉLDER FERREIRA ISAYAMA
UFMG
9 NARA REJANE CRUZ DE OLIVEIRA
USP
10 ROBERTO RODRIGUES PAES
Unicamp
11 SUZANA HÜBNER WOLFF
Unisinos
12 VILDE GOMES DE MENEZES
UFPE
LINHA DE PESQUISA
VALOR
LINHA 1
380.615
LINHA 2
133.626
LINHA 4
359.990
LINHA 4
285.400
LINHA 2
279.235
LINHA 1
93.698
LINHA 2
126.200
LINHA 2
25.359
LINHA 2
79.624
LINHA 2
188.100
LINHA 2
173.602
LINHA 2
326.141
O lugar da Rede
LINHA
SUBMETIDOS
SELECIONADOS
ESTIMADO
PAGO
1. Legados
39
10
5.000.000
1.968.415
2. Políticas e Gestão
64
21
5.000.000
3.533.801
4. EELIS
38
10
2.000.000
2.221.248
SUBTOTAL
141
41
12.000.000
7.723.464
-
12
-
2.451.590
TOTAL DE
CONTINUIDADE
6º momento... O “chamado”
Alguns dados sobre a Chamada Convite
Total Geral 1.986.462,44
Convênios Vigentes
Convênios Vigentes
Convênios Vigentes
Convênios Vigentes
Convênios Vigentes
SOS Rede CEDES
• A instabilidade da estrutura, do calendário e
do financiamento compromete a organização
e manutenção da Rede CEDES, gerando
dificuldades na sua consolidação, o que
representa significativas perdas para a
construção de uma das principais iniciativas
do Ministério do Esporte.
PRODUÇÃO
A Rede CEDES e a produção do
conhecimento
Chamada CNpq 2013
Uma chave interpretativa
Para além da magnitude e direcionamento dos recursos, é preciso
problematizar:
• O sentido estratégico da Chamada, articulada mais ao pragmatismo e
agenda dos grandes eventos do que ao debate programático acerca de
uma política de CT&I para o setor;
• O sentido da Chamada pode ser percebido quando da observância de
outras ações, tais como:
– Prêmio Jovem Cientista de 2012 - Inovação Tecnológica nos Esportes
– Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2013 - Ciência, Saúde e
Esporte
– Universidade do Esporte
Quais as áreas das Ciências
Humanas e Sociais
contempladas?
Áreas dos projetos aprovados das Linhas 1, 2 e 4
ÁREA DE CONHECIMENTO
SELECIONADOS
Educação Física
22
Administração de setores específicos
5
Turismo
2
Antropologia
2
Outras sociologias específicas
1
Aspectos do planejamento urbano e regional
1
Direito público
1
Adequação ambiental
1
Ciências ambientais
1
Psicologia social
1
Gerência de produção
1
Sistemas de informação
1
Metodologia e técnicas da computação
1
Métodos e modelos matemáticos, econométricos e estatísticos
1
TOTAL
41
A EF como área predominante
 O campo acadêmico-científico da
EF e sua interlocução com as
Ciências do Esporte;
 O viés da biodinâmica;
 Qual EF? – grande área – área 21
- os desafios por dentro dos PPGs
 Enfim... do produtivismo pela
competitividade
Desafios Fomento e produção
• Definição do lugar institucional
• Construção de unidade: SNEEAR (Rede Cenesp) – SNFDT ><
SNELIS (Rede Cedes)
• Definição de ações programáticas voltadas ao fortalecimento
da Rede no PPA, PLOAs e LOA
• Criação de Fundo a partir das fontes extraorçamentárias e
indiretas
• Regularidade do calendário de fomento, via CNPq
• O sentido estratégico da Rede deve ser:
– estruturar uma rede física de estudos e pesquisas voltadas ao esporte
– Fomentar pesquisas induzidas (via Centros) e semi-induzidas (via
CNPq)
• Construção de base e instâncias de gestão compartilhada
Estrutura e Organização dos
Centros
O problema da dispersão
Brasil
Núcleos atendidos:
?
Projetos atendidos:
?
Política de Centros
 Sentido estratégico:
referência físico-geográfica, realização
de pesquisas induzidas, diagnósticos,
análise e avaliação de políticas,
programas e ações, formação
profissional, assessoria pedagógica,
tecnologias sociais, organização de
eventos técnico-científicos, publicações
especializadas, desenvolvimento de
novas tecnologias de informação,
organização da memória do esporte,
documentação científica etc.
Eixos de ação
Produção
Científica
Gestão
Documentação,
Informação e
Memória
Formação
Divulgação e Difusão de
Conhecimentos
As mudanças ocorridas no campo da EF
Fonte: Transformações contemporâneas do campo acadêmico-científico da EF no Brasil: novos
hábitus, modus operandi e objetos de disputa (LAZZAROTI; SILVA; MASCARENHAS, 2014)
Centralidade marcada pela prática
pedagógica
Característica marcadamente acadêmica
Forte intencionalidade na política engajada
Os intelectuais-acadêmicos como principais
agentes do campo
Principal veículo de difusão centrado no
livro
Os principais objetos de disputa
concentravam-se nas teorias, nas
metodologias, nas propostas pedagógicas,
nos conceitos, entre outros.
Centralidade marcada pelas práticas
científicas
Característica acadêmico-científica
A política científica
Os principais agentes do campo são os
pesquisadores-produtivos
Difusão centrada em periódicos
Os objetos de disputa são os artigos
publicados em periódicos indexados, as
bolsas, os financiamentos, a direção de
laboratórios, as representações de áreas, as
coordenação de programas de pós-graduação,
dentre outros.
Monitoramento, Controle e
Avaliação das Ações
 Monitoramento
transparência
indicadores de financiamento, estrutura,
produção e difusão
 Controle:
 marco normativo
 instâncias de participação
 agentes
 Avaliação
 avaliação quantitativa (permanente)
 avaliação qualitativa (pesquisas induzidas)
Muito Obrigado!
Parabéns pelo Encontro!
Fernando Mascarenhas
[email protected]
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Entre o ócio e o negócio: teses acerca da anatomia do lazer.